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Apostila GCM Serra Noções de Direito Constitucional e Direitos Humanos

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GCM SERRA- ES

Guarda Municipal - Agente Comunitário de Segurança

Noções de Direito Constitucional e Direitos Humanos

Dos Princípios Fundamentais (Art. 1º ao 4º da CRFB/88) ........................................... 1

.
Dos Direitos e Garantias Fundamentais (Arts. 5º ao 11 da CRFB/88) ......................... 2

.
Dos Direitos Políticos (Arts. 14 ao 16 da CRFB/88) ..................................................... 12
.
Da Organização do Estado (Arts. 18 ao 31; Arts. 37 ao 41 da CRFB/88) ................... 15

.
Da Segurança Pública (Art. 144 da CRFB/88) ............................................................. 35
.
Da Política Urbana (Arts. 182 e 183 da CRFB/88) ....................................................... 37
.
Da Família, da Criança, do Adolescente, do e do Idoso (Arts. 226 ao 230 da
CRFB/88)...................................................................................................................... 38
Direitos Humanos: conceito, características, categorias e gerações ........................... 40
.
Exercícios ..................................................................................................................... 47
.
Gabarito ........................................................................................................................ 51
.
dos Princípios Fundamentais (Art. 1º ao 4º da CRFB/88)

Forma, Sistema e Fundamentos da República

– Papel dos Princípios e o Neoconstitucionalismo


Os princípios abandonam sua função meramente subsidiária na aplicação do Direito, quando serviam tão
somente de meio de integração da ordem jurídica (na hipótese de eventual lacuna) e vetor interpretativo, e
passam a ser dotados de elevada e reconhecida normatividade.

– Princípio Federativo
Significa que a União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios possuem autonomia, carac-
teriza por um determinado grau de liberdade referente à sua organização, à sua administração, à sua normati-
zação e ao seu Governo, porém limitada por certos princípios consagrados pela Constituição Federal.

– Princípio Republicano
É uma forma de Governo fundada na igualdade formal entre as pessoas, em que os detentores do poder
político exercem o comando do Estado em caráter eletivo, representativo, temporário e com responsabilidade.

– Princípio do Estado Democrático de Direito


O Estado de Direito é aquele que se submete ao império da lei. Por sua vez, o Estado democrático caracte-
riza-se pelo respeito ao princípio fundamental da soberania popular, vale dizer, funda-se na noção de Governo
do povo, pelo povo e para o povo.

– Princípio da Soberania Popular


O parágrafo único do Artigo 1º da Constituição Federal revela a adoção da soberania popular como princípio
fundamental ao prever que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou
diretamente, nos termos desta Constituição”.

– Princípio da Separação dos Poderes


A visão moderna da separação dos Poderes não impede que cada um deles exerça atipicamente (de forma
secundária), além de sua função típica (preponderante), funções atribuídas a outro Poder.
Vejamos abaixo, os dispositivos constitucionais correspondentes ao tema supracitado:

TÍTULO I

DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS


Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Dis-
trito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou direta-
mente, nos termos desta Constituição.
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

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I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas
de discriminação.
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
I - independência nacional;
II - prevalência dos direitos humanos;
III - autodeterminação dos povos;
IV - não-intervenção;
V - igualdade entre os Estados;
VI - defesa da paz;
VII - solução pacífica dos conflitos;
VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;
X - concessão de asilo político.
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural
dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

Dos Direitos e Garantias Fundamentais (Arts. 5º ao 11 da CRFB/88)

Distinção entre Direitos e Garantias Fundamentais


Pode-se dizer que os direitos fundamentais são os bens jurídicos em si mesmos considerados, de cunho
declaratório, narrados no texto constitucional. Por sua vez, as garantias fundamentais são estabelecidas na
mesma Constituição Federal como instrumento de proteção dos direitos fundamentais e, como tais, de cunho
assecuratório.

Evolução dos Direitos e Garantias Fundamentais

– Direitos Fundamentais de Primeira Geração


Possuem as seguintes características:
a) surgiram no final do século XVIII, no contexto da Revolução Francesa, fase inaugural do constitucionalis-
mo moderno, e dominaram todo o século XIX;
b) ganharam relevo no contexto do Estado Liberal, em oposição ao Estado Absoluto;
c) estão ligados ao ideal de liberdade;
d) são direitos negativos, que exigem uma abstenção do Estado em favor das liberdades públicas;
e) possuíam como destinatários os súditos como forma de proteção em face da ação opressora do Estado;
f) são os direitos civis e políticos.

– Direitos Fundamentais de Segunda Geração


Possuem as seguintes características:
a) surgiram no início do século XX;
b) apareceram no contexto do Estado Social, em oposição ao Estado Liberal;

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c) estão ligados ao ideal de igualdade;
d) são direitos positivos, que passaram a exigir uma atuação positiva do Estado;
e) correspondem aos direitos sociais, culturais e econômicos.

– Direitos Fundamentais de Terceira Geração


Em um próximo momento histórico, foi despertada a preocupação com os bens jurídicos da coletividade,
com os denominados interesses metaindividuais (difusos, coletivos e individuais homogêneos), nascendo os
direitos fundamentais de terceira geração.

Direitos Metaindividuais
Natureza Destinatários
Difusos Indivisível Indeterminados
Determináveis
Coletivos Indivisível ligados por uma
relação jurídica
Determinados
Individuais
Divisível ligados por uma
Homogêneos
situação fática

Os Direitos Fundamentais de Terceira Geração possuem as seguintes características:


a) surgiram no século XX;
b) estão ligados ao ideal de fraternidade (ou solidariedade), que deve nortear o convívio dos diferentes po-
vos, em defesa dos bens da coletividade;
c) são direitos positivos, a exigir do Estado e dos diferentes povos uma firme atuação no tocante à preserva-
ção dos bens de interesse coletivo;
d) correspondem ao direito de preservação do meio ambiente, de autodeterminação dos povos, da paz, do
progresso da humanidade, do patrimônio histórico e cultural, etc.

– Direitos Fundamentais de Quarta Geração


Segundo Paulo Bonavides, a globalização política é o fator histórico que deu origem aos direitos fundamen-
tais de quarta geração. Eles estão ligados à democracia, à informação e ao pluralismo. Também são transindi-
viduais.

– Direitos Fundamentais de Quinta Geração


Paulo Bonavides defende, ainda, que o direito à paz representaria o direito fundamental de quinta geração.

Características dos Direitos e Garantias Fundamentais


São características dos Direitos e Garantias Fundamentais:

a) Historicidade: não nasceram de uma só vez, revelando sua índole evolutiva;

b) Universalidade: destinam-se a todos os indivíduos, independentemente de características pessoais;

c) Relatividade: não são absolutos, mas sim relativos;

d) Irrenunciabilidade: não podem ser objeto de renúncia;

e) Inalienabilidade: são indisponíveis e inalienáveis por não possuírem conteúdo econômico-patrimonial;

f) Imprescritibilidade: são sempre exercíveis, não desparecendo pelo decurso do tempo.

Destinatários dos Direitos e Garantias Fundamentais

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Todas as pessoas físicas, sem exceção, jurídicas e estatais, são destinatárias dos direitos e garantias fun-
damentais, desde que compatíveis com a sua natureza.

Eficácia Horizontal dos Direitos e Garantias Fundamentais


Muito embora criados para regular as relações verticais, de subordinação, entre o Estado e seus súditos,
passam a ser empregados nas relações provadas, horizontais, de coordenação, envolvendo pessoas físicas e
jurídicas de Direito Privado.

Natureza Relativa dos Direitos e Garantias Fundamentais


Encontram limites nos demais direitos constitucionalmente consagrados, bem como são limitados pela in-
tervenção legislativa ordinária, nos casos expressamente autorizados pela própria Constituição (princípio da
reserva legal).

Colisão entre os Direitos e Garantias Fundamentais


O princípio da proporcionalidade sob o seu triplo aspecto (adequação, necessidade e proporcionalidade em
sentido estrito) é a ferramenta apta a resolver choques entre os princípios esculpidos na Carta Política, sope-
sando a incidência de cada um no caso concreto, preservando ao máximo os direitos e garantias fundamentais
constitucionalmente consagrados.

Os quatro status de Jellinek


a) status passivo ou subjectionis: quando o indivíduo se encontra em posição de subordinação aos poderes
públicos, caracterizando-se como detentor de deveres para com o Estado;
b) status negativo: caracterizado por um espaço de liberdade de atuação dos indivíduos sem ingerências
dos poderes públicos;
c) status positivo ou status civitatis: posição que coloca o indivíduo em situação de exigir do Estado que atue
positivamente em seu favor;
d) status ativo: situação em que o indivíduo pode influir na formação da vontade estatal, correspondendo ao
exercício dos direitos políticos, manifestados principalmente por meio do voto.

TÍTULO II

DOS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I

DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
à propriedade, nos termos seguintes:
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material,
moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos reli-
giosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de
internação coletiva;

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VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política,
salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alter-
nativa, fixada em lei;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente
de censura ou licença;
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador,
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial; (Vide Lei nº 13.105, de 2015)(Vigência)
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunica-
ções telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para
fins de investigação criminal ou instrução processual penal;(Vide Lei nº 9.296, de 1996)
XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais
que a lei estabelecer;
XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
exercício profissional;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da
lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente
de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramilitar;
XVIII - a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo
vedada a interferência estatal em seu funcionamento;
XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por
decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso, o trânsito em julgado;
XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado;
XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar
seus filiados judicial ou extrajudicialmente;
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;
XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública, ou por
interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Cons-
tituição;
XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá usar de propriedade particular,
assegurada ao proprietário indenização ulterior, se houver dano;
XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família, não será
objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os
meios de financiar o seu desenvolvimento;
XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras,
transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar;
XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:
a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas,
inclusive nas atividades desportivas;

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b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos
criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas;
XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem
como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País;
XXX - é garantido o direito de herança;
XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício
do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do “de cujus”;
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de
interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; (Regulamento) (Vide Lei nº
12.527, de 2011)
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações
de interesse pessoal;
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção;
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
b) o sigilo das votações;
c) a soberania dos veredictos;
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;
XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;
XL - a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos ter-
mos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles responden-
do os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; (Regulamento)
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a
ordem constitucional e o Estado Democrático;
XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decre-
tação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até
o limite do valor do patrimônio transferido;
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda de bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;

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e) suspensão ou interdição de direitos;
XLVII - não haverá penas:
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX;
b) de caráter perpétuo;
c) de trabalhos forçados;
d) de banimento;
e) cruéis;
XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade
e o sexo do apenado;
XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o
período de amamentação;
LI - nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da
naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da
lei;
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;
LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal;
LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
LVIII - o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas
em lei; (Regulamento)
LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal;
LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o inte-
resse social o exigirem;
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz
competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;
LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegu-
rada a assistência da família e de advogado;
LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial;
LXV - a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária;
LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou
sem fiança;
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescu-
sável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;
LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência
ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

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LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habe-
as corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou
agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;
LXX - o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a) partido político com representação no Congresso Nacional;
b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há
pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados;
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o
exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e
à cidadania;
LXXII - conceder-se-á habeas data:
a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros
ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público;
b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo;
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patri-
mônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao
patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência;
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de
recursos;
LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo
fixado na sentença;
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: (Vide Lei nº 7.844, de 1989)
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao
exercício da cidadania.(Regulamento)
LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e
os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
(Vide ADIN 3392)
LXXIX - é assegurado, nos termos da lei, o direito à proteção dos dados pessoais, inclusive nos meios digi-
tais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 115, de 2022)
§1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.
§2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos
princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte.
§3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa
do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equiva-
lentes às emendas constitucionais.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)(Vide DLG nº 186, de
2008), (Vide Decreto nº 6.949, de 2009), (Vide DLG 261, de 2015), (Vide Decreto nº 9.522, de 2018) (Vide ADIN
3392)(Vide DLG 1, de 2021), (Vide Decreto nº 10.932, de 2022)
§4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado ade-
são. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Os direitos sociais regem-se pelos princípios abaixo:

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– Princípio da proibição do retrocesso: qualifica-se pela impossibilidade de redução do grau de concre-
tização dos direitos sociais já implementados pelo Estado. Ou seja, uma vez alcançado determinado grau de
concretização de um direito social, fica o legislador proibido de suprimir ou reduzir essa concretização sem que
haja a criação de mecanismos equivalentes chamados de medias compensatórias.

– Princípio da reserva do possível: a implementação dos direitos e garantias fundamentais de segunda


geração esbarram no óbice do financeiramente possível.

– Princípio do mínimo existencial: é um conjunto de bens e direitos vitais básicos indispensáveis a uma
vida humana digna, intrinsecamente ligado ao fundamento da dignidade da pessoa humana previsto no Artigo
1º, III, CF. A efetivação do mínimo existencial não se sujeita à reserva do possível, pois tais direitos se encontram
na estrutura dos serviços púbicos essenciais.
Os direitos sociais são divididos em:

Direitos relativos aos trabalhadores


Direitos relativos ao salário, às condições de trabalho, à liberdade de instituição sindical, o direito de greve,
entre outros (CF, artigos 7º a 11).

Direitos relativos ao homem consumidor


Direito à saúde, à educação, à segurança social, ao desenvolvimento intelectual, o igual acesso das crianças
e adultos à instrução, à cultura e garantia ao desenvolvimento da família, que estariam no título da ordem social.
Os direitos sociais são prestações positivas proporcionadas pelo Estado direta ou indiretamente, enunciadas
em normas constitucionais, que possibilitam melhores condições de vida aos mais fracos, direitos que tendem
a realizar a igualização de situações sociais desiguais. São, portanto, direitos que se ligam ao direito de igual-
dade. Estão previstos na CF nos artigos 6 a 11. Vejamos:

CAPÍTULO II

DOS DIREITOS SOCIAIS

Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer,
a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na
forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 90, de 2015)
Parágrafo único. Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica fami-
liar, garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de renda, cujas normas e requisi-
tos de acesso serão determinados em lei, observada a legislação fiscal e orçamentária(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 114, de 2021)
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua con-
dição social:
I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei comple-
mentar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário;
III - fundo de garantia do tempo de serviço;
IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais
básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e
previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vincula-
ção para qualquer fim;
V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho;
VI - irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo;
VII - garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os que percebem remuneração variável;

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VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria;
IX – remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa;
XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participa-
ção na gestão da empresa, conforme definido em lei;
XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (Reda-
ção dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998)
XIII - duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada
a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho;(Vide
Decreto-Lei nº 5.452, de 1943)
XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo nego-
ciação coletiva;
XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;
XVI - remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; (Vide
Del 5.452, art. 59 §1º)
XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal;
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;
XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV - aposentadoria;
XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em
creches e pré-escolas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho;
XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este
está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco
anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 2000)
a) (Revogada). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 2000)
b) (Revogada).(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 28, de 2000)
XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de
sexo, idade, cor ou estado civil;
XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador por-
tador de deficiência;
XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respec-
tivos;
XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho
a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 20, de 1998)

10
XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador
avulso.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos in-
cisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas
as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias,
principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I,
II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 72, de 2013)
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o seguinte:
I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão
competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical;
II - é vedada a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria
profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores
interessados, não podendo ser inferior à área de um Município;
III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em
questões judiciais ou administrativas;
IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada
em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, independentemente da
contribuição prevista em lei;
V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato;
VI - é obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho;
VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais;
VIII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção
ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se come-
ter falta grave nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à organização de sindicatos rurais e de colônias de
pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer.
Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de
exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades
inadiáveis da comunidade.
§2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.
Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos
em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação.
Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é assegurada a eleição de um representante des-
tes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores.

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Dos Direitos Políticos (Arts. 14 ao 16 da CRFB/88)

Os Direitos Políticos têm previsão legal na CF/88, em seus Artigos 14 a 16. Seguem abaixo:

CAPÍTULO IV

DOS DIREITOS POLÍTICOS


Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor
igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
§1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
§2º Não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros e, durante o período do serviço militar obrigatório,
os conscritos.
§3º São condições de elegibilidade, na forma da lei:
I - a nacionalidade brasileira;
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
III - o alistamento eleitoral;
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de:
a) trinta e cinco anos para Presidente e Vice-Presidente da República e Senador;
b) trinta anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal;
c) vinte e um anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e juiz de
paz;
d) dezoito anos para Vereador.
§4º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos.
§5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem
os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser reeleitos para um único período
subsequente.
§6º Para concorrerem a outros cargos, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito
Federal e os Prefeitos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes do pleito.
§7º São inelegíveis, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins,
até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do
Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo
se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição.

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§8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições:
I - se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II - se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará
automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
§9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de
proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do
candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do
exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta.
§10. O mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da
diplomação, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude.
§11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da
lei, se temerária ou de manifesta má-fé.
§12. Serão realizadas concomitantemente às eleições municipais as consultas populares sobre questões
locais aprovadas pelas Câmaras Municipais e encaminhadas à Justiça Eleitoral até 90 (noventa) dias antes da
data das eleições, observados os limites operacionais relativos ao número de quesitos. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 111, de 2021)
§13. As manifestações favoráveis e contrárias às questões submetidas às consultas populares nos termos
do §12 ocorrerão durante as campanhas eleitorais, sem a utilização de propaganda gratuita no rádio e na
televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021)
Art. 15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de:
I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado;
II - incapacidade civil absoluta;
III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos;
IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII;
V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º.
Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à
eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência.
De acordo com José Afonso da Silva, os direitos políticos, relacionados à primeira geração dos direitos e
garantias fundamentais, consistem no conjunto de normas que asseguram o direito subjetivo de participação no
processo político e nos órgãos governamentais.
São instrumentos previstos na Constituição e em normas infraconstitucionais que permitem o exercício con-
creto da participação do povo nos negócios políticos do Estado.

Capacidade Eleitoral Ativa


Segundo o Artigo 14, §1º da CF, a capacidade eleitoral ativa é o direito de votar nas eleições, nos plebisci-
tos ou nos referendos, cuja aquisição se dá com o alistamento eleitoral, que atribui ao nacional a condição de
cidadão (aptidão para o exercício de direitos políticos).

Alistamento Eleitoral e Voto


Obrigatório Facultativo Inalistável – Artigo 14, §2º
Estrangeiros (com exceção aos
Maiores de 16 e me- portugueses equiparados, cons-
Maiores de 18 e meno- nores de 18 anos tantes no Artigo 12, §1º da CF)
res de 70 anos Maiores de 70 anos Conscritos (aqueles convoca-
Analfabetos dos para o serviço militar obriga-
tório)

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– Características do Voto
O voto no Brasil é direito (como regra), secreto, universal, com valor igual para todos, periódico, personalís-
simo, obrigatório e livre.

Capacidade Eleitoral Passiva

Também chamada de Elegibilidade, a capacidade eleitoral passiva diz respeito ao direito de ser votado, ou
seja, de eleger-se para cargos políticos. Tem previsão legal no Artigo 14, §3º da CF.
O quadro abaixo facilita a memorização da diferença entre as duas espécies de capacidade eleitoral. Veja-
mos:

Capacidade Eleito- Capacidade Eleitoral


ral Ativa Passiva
Alistabilidade Elegibilidade
Direito de votar Direito de ser votado

Inelegibilidades
A inelegibilidade afasta a capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado), constituindo-se impedimento à
candidatura a mandatos eletivos nos Poderes Executivo e Legislativo.

– Inelegibilidade Absoluta
Com previsão legal no Artigo 14, §4º da CF, a inelegibilidade absoluta impede que o cidadão concorra a qual-
quer mandato eletivo e, em virtude de natureza excepcional, somente pode ser estabelecida na Constituição
Federal.
Refere-se aos Inalistáveis e aos Analfabetos.

– Inelegibilidade Relativa
Consiste em restrições que recaem à candidatura a determinados cargos eletivos, em virtude de situações
próprias em que se encontra o cidadão no momento do pleito eleitoral. São elas:
– Vedação ao terceiro mandato sucessivo para os Chefes do Poder Executivo (Artigo 14, §5º, CF);
– Desincompatibilização para concorrer a outros cargos, aplicada apenas aos Chefes do Poder Executivo
(Artigo 14, §6º, CF);
– Inelegibilidade reflexa, ou seja, inelegibilidade relativa por motivos de casamento, parentesco ou afinidade, uma
vez que não incide sobre o mandatário, mas sim perante terceiros (Artigo 14, §7º, CF).

Condição de Militar
O militar alistável é elegível, desde que atenda as exigências previstas no §8º do Artigo 14, da CF, a saber:
I – se contar menos de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade;
II – se contar mais de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará au-
tomaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade.
Observa-se que a norma restringe a elegibilidade aos militares alistáveis, logo, os conscritos, que são inalis-
táveis, são inelegíveis. O quadro abaixo serve como exemplo:

Militares – Exceto os Conscritos


Menos de 10 anos Registro da candidatura → Inatividade
Registro da candidatura → Agregado
Mais de 10 anos
Na diplomação → Inatividade

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Privação dos Direitos Políticos
De acordo com o Artigo 15 da CF, o cidadão pode ser privado dos seus direitos políticos por prazo indeter-
minado (perda), sendo que, neste caso, o restabelecimento dos direitos políticos dependerá do exercício de ato
de vontade do indivíduo, de um novo alistamento eleitoral.
Da mesma forma, a privação dos direitos políticos pode se dar por prazo determinado (suspensão), em que o
restabelecimento se dará automaticamente, ou seja, independentemente de manifestação do suspenso, desde
que ultrapassado as razões da suspensão. Vejamos:

Privação dos Direitos Políticos


Perda Suspensão
Privação por prazo Privação por prazo
indeterminado determinado
Restabelecimento
Restabelecimento dos
dos direitos políticos
direitos políticos se dá
depende de um novo
automaticamente
alistamento eleitoral

Da Organização do Estado (Arts. 18 ao 31; Arts. 37 ao 41 da CRFB/88)

Formas de Estado - Estado Unitário, Confederação e Federação


A forma de Estado relaciona-se com o modo de exercício do poder político em função do território do Estado.
Verifica-se no caso concreto se há, ou não, repartição regional do exercício de poderes autônomos, podendo
ser criados, a partir dessa lógica, um modelo de Estado unitário ou um Estado Federado.

– Estado Unitário
Também chamado de Estado Simples, é aquele dotado de um único centro com capacidade legislativa,
administrativa e judiciária, do qual emanam todos os comandos normativos e no qual se concentram todas as
competências constitucionais (exemplos: Uruguai, e Brasil Colônia, com a Constituição de 1824, até a Procla-
mação da República, com a Constituição de 1891).
O Estado Unitário pode ser classificado em:

a) Estado unitário puro ou centralizado: casos em que haverá somente um Poder Executivo, um Poder
Legislativo e um Poder Judiciário, exercido de forma central;

b) Estado unitário descentralizado: casos em que haverá a formação de entes regionais com autonomia
para exercer questões administrativas ou judiciárias fruto de delegação, mas não se concede a autonomia le-
gislativa que continua pertencendo exclusivamente ao poder central.

– Estado Federativo – Federação


Também chamados de federados, complexos ou compostos, são aqueles em que as capacidades judiciária,
legislativa e administrativa são atribuídas constitucionalmente a entes regionais, que passam a gozar de auto-
nomias próprias (e não soberanias).
Nesse caso, as autonomias regionais não são fruto de delegação voluntária, como ocorre nos Estados uni-
tários descentralizados, mas se originam na própria Constituição, o que impede a retirada de competências por
ato voluntário do poder central.
O quadro abaixo facilita este entendimento. Vejamos:

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Formas de Estado
Unitário
Único centro de onde emana o poder estatal
Puro Descentralizado
Não há delegação de Há delegação de
competências competências
Federado
O exercício do poder estatal é atribuído
constitucionalmente a entes regionais autônomos

– Confederação
Se caracteriza por uma reunião dissolúvel de Estados soberanos, que se unem por meio de um tratado inter-
nacional. Aqui, percebe-se o traço marcante da Confederação, ou seja, a dissolubilidade do pacto internacional
pelos Estados soberanos que o integram, a partir de um juízo interno de conveniência.
Observe a ilustração das diferenças entre uma Federação e uma Confederação:

Federação Confederação
Formada por uma Formada por um trato
Constituição internacional
Os Estados que o
Os entes regionais gozam
integram mantêm sua
de autonomia
soberania
Indissolubilidade do pacto Dissolubilidade do
federativo pacto internacional

O Federalismo Brasileiro
Observe a disposição legal do Artigo 18 da CF:

TÍTULO III

DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO

CAPÍTULO I

DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA
Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.
§1º Brasília é a Capital Federal.
§2º Os Territórios Federais integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao
Estado de origem serão reguladas em lei complementar.
§3º Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros,
ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente interessada,
através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei complementar.
§4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei estadual,
dentro do período determinado por Lei Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, mediante
plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal,
apresentados e publicados na forma da lei.

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Nos termos do supracitado Artigo 18, a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil
compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos (não soberanos). Trata-
-se de norma que reflete a forma federativa de Estado.
Ser ente autônomo dentro de um federalismo significa a possibilidade de implementar uma gestão particu-
larizada, mas sempre respeitando os limites impostos pelos princípios e regras do Estado federal. Daí, têm-se
os seguintes elementos:

– Auto-organização: permite aos Estados-membros criarem as Constituições Estaduais (Artigo 25 da CF)


e aos Municípios firmarem suas Leis Orgânicas (Artigo 29 da CF);

– Auto legislação: os entes da federação podem estabelecer normas gerais e abstratas próprias, a exem-
plos das leis estaduais e municipais (Artigos 22 e 24 da CF);

– Auto governo: os Estados membros terão seus Governadores e Deputados estaduais, enquanto os Mu-
nicípios possuirão Prefeitos e Vereadores, nos termos dos Artigos 27 a 29 da CF;

– Auto administração: os membros da federação podem prestar e manter serviços próprios, atendendo às
competências administrativas da CF, notadamente de seu Artigo 23.

– Vedação aos Entes Federados


Consoante ao Artigo 19 da CF, destaca-se que a autonomia dos entes da federação não é limitada, e sofre
as seguintes vedações:
Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com
eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração
de interesse público;
II - recusar fé aos documentos públicos;
III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si.

Repartição de Competências Constitucionais


A Repartição de competências é a técnica de distribuição de competências administrativas, legislativas e
tributárias aos entes federativos para que não haja conflitos de atribuições dentro do território nacional.
Competência é a capacidade para emitir decisões dentro de um campo específico.
A Constituição trabalha com três naturezas de competência, a administrativa, legislativa e a tributária.

– Competência administrativa ou material: refere-se à execução de alguma atividade estatal, ou seja, é a


capacidade para atuar concretamente sobre a matéria;

– Competência legislativa: atribui iniciativa para legislar sobre determinada matéria, ou seja, é a capacida-
de para estabelecer normas gerais e abstratas sobre determinado campo;

– Competência tributária: refere-se ao poder de instituir tributos.

– Técnica da Repartição de Competência


Trata-se da predominância do interesse, segundo a qual, à União caberão as matérias de interesse nacional
(Artigos 21 e 22 da CF), aos Estados-membros, o interesse regional, e aos municípios, as questões de predo-
minante interesse local (Artigo 30 da CF).
Para tanto, a Constituição enumerou expressamente as competências da União e dos municípios, resguar-
dando aos Estados-membros a chamada competência residual, remanescente, não enumerada ou não expres-
sa (Artigo 25, §1º da CF).
Acresça-se que, para o Distrito Federal, a Constituição atribuiu as competências previstas para os estados
e os municípios, denominada de competência cumulativa (Artigo 32, §1º da CF).

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Organização do Estado – União
A União é a pessoa jurídica de Direito Público interno, parte integrante da Federação brasileira dotada de au-
tonomia. Possui capacidade de auto-organização (Constituição Federal), autogoverno, auto legislação (Artigo
22 da CF) e autoadministração (Artigo 20 da CF).
A União tem previsão legal na CF, dos Artigos 20 a 24. Vejamos:

CAPÍTULO II

DA UNIÃO
Art. 20. São bens da União:
I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;
II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das
vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;
III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um
Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem
como os terrenos marginais e as praias fluviais;
IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceâni-
cas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas
ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;
V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;
VI - o mar territorial;
VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;
VIII - os potenciais de energia hidráulica;
IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;
X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;
XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios.
§1º É assegurada, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a
participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração
de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial
ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 102, de 2019)
§2º A faixa de até cento e cinquenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada
como faixa de fronteira, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e
utilização serão reguladas em lei.
Art. 21. Compete à União:
I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais;
II - declarar a guerra e celebrar a paz;
III - assegurar a defesa nacional;
IV - permitir, nos casos previstos em lei complementar, que forças estrangeiras transitem pelo território na-
cional ou nele permaneçam temporariamente;
V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal;
VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico;
VII - emitir moeda;
VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financeira, especial-
mente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência privada;

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IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento eco-
nômico e social;
X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional;
XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomuni-
cações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e
outros aspectos institucionais;
XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão:
a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens;
b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em arti-
culação com os Estados onde se situam os potenciais hidro energéticos;
c) a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura aeroportuária;
d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que
transponham os limites de Estado ou Território;
e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros;
f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;
XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a
Defensoria Pública dos Territórios;
XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Dis-
trito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos,
por meio de fundo próprio; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019)
XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de âmbito na-
cional;
XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televi-
são;
XVII - conceder anistia;
XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas
e as inundações;
XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direi-
tos de seu uso;
XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transpor-
tes urbanos;
XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação;
XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras;
XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre
a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nuclea-
res e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições:
a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante apro-
vação do Congresso Nacional;
b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de radioisótopos para pesqui-
sa e uso agrícolas e industriais; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 118, de 2022)
c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, a comercialização e a utilização de radioisótopos
para pesquisa e uso médicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 118, de 2022)
d) a responsabilidade civil por danos nucleares independe da existência de culpa;
XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho;

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XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em forma asso-
ciativa.
XXVI - organizar e fiscalizar a proteção e o tratamento de dados pessoais, nos termos da lei. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 115, de 2022)
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:
I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho;
II - desapropriação;
III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra;
IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão;
V - serviço postal;
VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais;
VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores;
VIII - comércio exterior e interestadual;
IX - diretrizes da política nacional de transportes;
X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial;
XI - trânsito e transporte;
XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia;
XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização;
XIV - populações indígenas;
XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros;
XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de profissões;
XVII - organização judiciária, do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pú-
blica dos Territórios, bem como organização administrativa destes;
XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais;
XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular;
XX - sistemas de consórcios e sorteios;
XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias, convocação, mobilização, inati-
vidades e pensões das polícias militares e dos corpos de bombeiros militares; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federais;
XXIII - seguridade social;
XXIV - diretrizes e bases da educação nacional;
XXV - registros públicos;
XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza;
XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públi-
cas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto
no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, §1°, III;
XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional;
XXIX - propaganda comercial.
XXX - proteção e tratamento de dados pessoais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 115, de 2022)

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Parágrafo único. Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das
matérias relacionadas neste artigo.
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio pú-
blico;
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência;
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos,
as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histó-
rico, artístico ou cultural;
V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar;
IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de sane-
amento básico;
X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos
setores desfavorecidos;
XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hí-
dricos e minerais em seus territórios;
XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito.
Parágrafo único. Leis complementares fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o
Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito
nacional.
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; (Vide Lei nº 13.874, de 2019)
II - orçamento;
III - juntas comerciais;
IV - custas dos serviços forenses;
V - produção e consumo;
VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção
do meio ambiente e controle da poluição;
VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico;
VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, esté-
tico, histórico, turístico e paisagístico;
IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; (Reda-
ção dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)
X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas;
XI - procedimentos em matéria processual;
XII - previdência social, proteção e defesa da saúde;
XIII - assistência jurídica e Defensoria pública;
XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência;

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XV - proteção à infância e à juventude;
XVI - organização, garantias, direitos e deveres das polícias civis.
§1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais.
(Vide Lei nº 13.874, de 2019)
§2º A competência da União para legislar sobre normas gerais não exclui a competência suplementar dos
Estados. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)
§3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competência legislativa plena, para
atender a suas peculiaridades. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)
§4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe for
contrário. (Vide Lei nº 13.874, de 2019)

Organização do Estado – Estados


Os Estados-membros são pessoas jurídicas de Direito Público interno, dotados de autonomia, em razão da
capacidade de auto-organização (Artigo 25 da CF), autoadministração (Artigo 26 da CF), autogoverno (Artigos
27 e 28 da CF) e auto legislação (Artigo 25 e parágrafos da CF).
Os dispositivos constitucionais referentes ao tema vão dos Artigos 25 a 28:

CAPÍTULO III

DOS ESTADOS FEDERADOS


Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os prin-
cípios desta Constituição.
§1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição.
§2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os serviços locais de gás canalizado,
na forma da lei, vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação.
§3º Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações
urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização,
o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.
Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados:
I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na
forma da lei, as decorrentes de obras da União;
II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio
da União, Municípios ou terceiros;
III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União;
IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União.
Art. 27. O número de Deputados à Assembleia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Es-
tado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem
os Deputados Federais acima de doze.
§1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando- sê-lhes as regras desta Constituição
sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e
incorporação às Forças Armadas.
§2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembleia Legislativa, na razão
de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais,
observado o que dispõem os arts. 39, §4º, 57, §7º, 150, II, 153, III, e 153, §2º, I.
§3º Compete às Assembleias Legislativas dispor sobre seu regimento interno, polícia e serviços administrativos
de sua secretaria, e prover os respectivos cargos.
§4º A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual.

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Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de 4 (quatro) anos, re-
alizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo
turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em 6 de
janeiro do ano subsequente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77 desta Constituição. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021)
§1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou
indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V.
§2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por lei de
iniciativa da Assembleia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, §4º, 150, II, 153, III, e 153,
§2º, I.

Organização do Estado – Municípios


Sobre os Municípios, prevalece o entendimento de que são entes federativos, uma vez que os artigos 1º e
18 da CF, são expressos ao elencar a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios como integrantes
da Federação brasileira.
Como pessoa política também dotada de autonomia, possuem auto-organização (Artigo 29 da CF), auto
legislação (Artigo 30 da CF), autogoverno (Incisos do Artigo 29 da CF) e autoadministração (Artigo 30 da CF).
A previsão legal sobre os Municípios está prevista na CF, dos Artigos 29 a 31. Vejamos:

CAPÍTULO IV

DOS MUNICÍPIOS
Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez
dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios
estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos:
I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, para mandato de quatro anos, mediante pleito
direto e simultâneo realizado em todo o País;
II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao tér-
mino do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77, no caso de Municípios com mais de
duzentos mil eleitores;
III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano subsequente ao da eleição;
IV - para a composição das Câmaras Municipais, será observado o limite máximo de:
a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000 (quinze mil) habitantes;
b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000 (quinze mil) habitantes e de até 30.000 (trinta
mil) habitantes;
c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de 30.000 (trinta mil) habitantes e de até 50.000 (cin-
quenta mil) habitantes;
d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de 50.000 (cinquenta mil) habitantes e de até 80.000
(oitenta mil) habitantes;
e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de 80.000 (oitenta mil) habitantes e de até 120.000
(cento e vinte mil) habitantes;
f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de 120.000 (cento e vinte mil) habitantes e de até
160.000 (cento sessenta mil) habitantes;
g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de
até 300.000 (trezentos mil) habitantes;
h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 300.000 (trezentos mil) habitantes e de até
450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes;

23
i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitan-
tes e de até 600.000 (seiscentos mil) habitantes;
j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 600.000 (seiscentos mil) habitantes e de até
750.000 (setecentos cinquenta mil) habitantes;
k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 750.000 (setecentos e cinquenta mil) habitantes
e de até 900.000 (novecentos mil) habitantes;
l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 900.000 (novecentos mil) habitantes e de até
1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes;
m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitan-
tes e de até 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes;
n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitan-
tes e de até 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) habitantes;
o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) habi-
tantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes;
p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habi-
tantes e de até 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes;
q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habi-
tantes e de até 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes;
r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil)
habitantes e de até 3.000.000 (três milhões) de habitantes;
s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 3.000.000 (três milhões) de habitantes e de
até 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes;
t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes e
de até 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes;
u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes e
de até 6.000.000 (seis milhões) de habitantes;
v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 6.000.000 (seis milhões) de habitantes e de
até 7.000.000 (sete milhões) de habitantes;
w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes e de
até 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; e
x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes;
V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixados por lei de iniciativa da Câ-
mara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, §4º, 150, II, 153, III, e 153, §2º, I;
VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura para
a subsequente, observado o que dispõe esta Constituição, observados os critérios estabelecidos na respectiva
Lei Orgânica e os seguintes limites máximos:
a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por
cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
b) em Municípios de dez mil e um a cinquenta mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores correspon-
derá a trinta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
c) em Municípios de cinquenta mil e um a cem mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corres-
ponderá a quarenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores correspon-
derá a cinquenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores
corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;

24
f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá
a setenta e cinco por cento do subsídio dos Deputados Estaduais;
VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o montante de cinco
por cento da receita do Município;
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na cir-
cunscrição do Município;
IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta
Constituição para os membros do Congresso Nacional e na Constituição do respectivo Estado para os mem-
bros da Assembleia Legislativa;
X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;
XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câmara Municipal;
XII - cooperação das associações representativas no planejamento municipal;
XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros, atra-
vés de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado;
XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art. 28, parágrafo único.
Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e
excluídos os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes percentuais, relativos ao somatório da
receita tributária e das transferências previstas no §5o do art. 153 e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado
no exercício anterior:
I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de até 100.000 (cem mil) habitantes;
II - 6% (seis por cento) para Municípios com população entre 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil)
habitantes;
III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população entre 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (qui-
nhentos mil) habitantes;
IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população entre 500.001 (qui-
nhentos mil e um) e 3.000.000 (três milhões) de habitantes;
V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população entre 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000
(oito milhões) de habitantes;
VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população acima de 8.000.001 (oito
milhões e um) habitantes.
§1º A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por cento de sua receita com folha de pagamento,
incluído o gasto com o subsídio de seus Vereadores.
§2º Constitui crime de responsabilidade do Prefeito Municipal:
I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo;
II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou
III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária.
§3º Constitui crime de responsabilidade do Presidente da Câmara Municipal o desrespeito ao §1o deste
artigo.
Art. 30. Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local;
II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber;
III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da
obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei;
IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual;

25
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de
interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial;
VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil
e de ensino fundamental;
VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde
da população;
VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso,
do parcelamento e da ocupação do solo urbano;
IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora
federal e estadual.
Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle exter-
no, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei.
§1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos
Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver.
§2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente
prestar, só deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal.
§3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer
contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.
§4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais.

Disposições gerais e servidores públicos


A expressão Administração Pública em sentido objetivo traduz a ideia de atividade, tarefa, ação ou função
de atendimento ao interesse coletivo. Já em sentido subjetivo, indica o universo dos órgãos e pessoas que
desempenham função pública.
Conjugando os dois sentidos, pode-se conceituar a Administração Pública como sendo o conjunto de pes-
soas e órgãos que desempenham uma função de atendimento ao interesse público, ou seja, que estão a ser-
viço da coletividade.

Princípios da Administração Pública


Nos termos do caput do Artigo 37 da CF, a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impesso-
alidade, moralidade, publicidade e eficiência.
As provas de Direito Constitucional exigem com frequência a memorização de tais princípios. Assim, para
facilitar essa memorização, já é de praxe valer-se da clássica expressão mnemônica “LIMPE”. Observe o qua-
dro abaixo:

Princípios da Administração Pública


L Legalidade
I Impessoalidade
M Moralidade
P Publicidade
E Eficiência
LIMPE

Passemos ao conceito de cada um deles:

26
– Princípio da Legalidade
De acordo com este princípio, o administrador não pode agir ou deixar de agir, senão de acordo com a lei,
na forma determinada. O quadro abaixo demonstra suas divisões.

Princípio da Legalidade
Em relação à A Administração
Administração Pública Pública somente pode
fazer o que a lei permite
→ Princípio da Estrita
Legalidade
Em relação ao O Particular pode fazer
Particular tudo que a lei não proíbe

– Princípio da Impessoalidade
Em decorrência deste princípio, a Administração Pública deve servir a todos, sem preferências ou aversões
pessoais ou partidárias, não podendo atuar com vistas a beneficiar ou prejudicar determinadas pessoas, uma
vez que o fundamento para o exercício de sua função é sempre o interesse público.

– Princípio da Moralidade
Tal princípio caracteriza-se por exigir do administrador público um comportamento ético de conduta, ligando-
-se aos conceitos de probidade, honestidade, lealdade, decoro e boa-fé.
A moralidade se extrai do senso geral da coletividade representada e não se confunde com a moralidade
íntima do administrador (moral comum) e sim com a profissional (ética profissional).
O Artigo 37, § 4º da CF elenca as consequências possíveis, devido a atos de improbidade administrativa:

Sanções ao cometimento de atos de improbidade administrativa


Suspensão dos direitos políticos (responsabilidade política)
Perda da função pública (responsabilidade disciplinar)
Indisponibilidade dos bens (responsabilidade patrimonial)
Ressarcimento ao erário (responsabilidade patrimonial)

– Princípio da Publicidade
O princípio da publicidade determina que a Administração Pública tem a obrigação de dar ampla divulgação
dos atos que pratica, salvo a hipótese de sigilo necessário.
A publicidade é a condição de eficácia do ato administrativo e tem por finalidade propiciar seu conhecimento
pelo cidadão e possibilitar o controle por todos os interessados.

– Princípio da Eficiência
Segundo o princípio da eficiência, a atividade administrativa deve ser exercida com presteza, perfeição e
rendimento funcional, evitando atuações amadorísticas.
Este princípio impõe à Administração Pública o dever de agir com eficiência real e concreta, aplicando, em
cada caso concreto, a medida, dentre as previstas e autorizadas em lei, que mais satisfaça o interesse público
com o menor ônus possível (dever jurídico de boa administração).
Em decorrência disso, a administração pública está obrigada a desenvolver mecanismos capazes de propi-
ciar os melhores resultados possíveis para os administrados. Portanto, a Administração Pública será conside-
rada eficiente sempre que o melhor resultado for atingido.

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Disposições Gerais na Administração Pública
O esquema abaixo sintetiza a definição de Administração Pública:

Administração Pública
Direta Indireta
Federal Autarquias (podem ser qualificadas como
Estadual agências reguladoras)
Distrital Fundações (autarquias e fundações podem
Municipal ser qualificadas como agências executivas)
Sociedades de economia mista
Empresas públicas
Entes Cooperados
Não integram a Administração Pública, mas prestam serviços de
interesse público. Exemplos: SESI, SENAC, SENAI, ONG’s

As disposições gerais sobre a Administração Pública estão elencadas nos Artigos 37 e 38 da CF. Vejamos:

CAPÍTULO VII

DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

SEÇÃO I

DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte:
I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos es-
tabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei;
II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas
ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista
em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração;
III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público
de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo
ou emprego, na carreira;
V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os car-
gos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos
previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento;
VI - é garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical;
VII - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica;
VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência
e definirá os critérios de sua admissão;
IX - a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade tempo-
rária de excepcional interesse público;
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o §4º do art. 39 somente poderão ser
fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral
anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices;

28
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração
direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos,
pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais
ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito
Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais
e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado
a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Su-
premo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público,
aos Procuradores e aos Defensores Públicos;
XII - os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos
pagos pelo Poder Executivo;
XIII - é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remu-
neração de pessoal do serviço público;
XIV - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor público não serão computados nem acumulados
para fins de concessão de acréscimos ulteriores;
XV - o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado
o disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, §4º, 150, II, 153, III, e 153, §2º, I;
XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas;
XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empre-
sas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indireta-
mente, pelo poder público;
XVIII - a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e
jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei;
XIX – somente por lei específica poderá ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa pública,
de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as
áreas de sua atuação;
XX - depende de autorização legislativa, em cada caso, a criação de subsidiárias das entidades menciona-
das no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas em empresa privada;
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão
contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concor-
rentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta,
nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis
à garantia do cumprimento das obrigações.
XXII - as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades
essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prio-
ritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento
de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio.
§1º A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter
educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que
caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
§2º A não observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade
responsável, nos termos da lei.

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§3º A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta,
regulando especialmente:
I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral, asseguradas a manutenção de
serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da qualidade dos serviços;
II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a informações sobre atos de governo, observado o
disposto no art. 5º, X e XXXIII;
III - a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo, emprego ou função na
administração pública.
§4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da
função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei,
sem prejuízo da ação penal cabível.
§5º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não,
que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
§6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de
regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.
§7º A lei disporá sobre os requisitos e as restrições ao ocupante de cargo ou emprego da administração
direta e indireta que possibilite o acesso a informações privilegiadas.
§8º A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da administração direta e
indireta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado entre seus administradores e o poder público,
que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo à lei dispor sobre:
I - o prazo de duração do contrato;
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, direitos, obrigações e responsabilidade dos diri-
gentes;
III - a remuneração do pessoal.”
§9º O disposto no inciso XI aplica-se às empresas públicas e às sociedades de economia mista, e suas
subsidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para
pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral.
§10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts.
42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na
forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e
exoneração.
§11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste
artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei.
§12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito
Federal fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constituições e Lei Orgânica, como limite único,
o subsídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte
e cinco centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, não se aplicando
o disposto neste parágrafo aos subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores.
§13. O servidor público titular de cargo efetivo poderá ser readaptado para exercício de cargo cujas atribuições
e responsabilidades sejam compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental,
enquanto permanecer nesta condição, desde que possua a habilitação e o nível de escolaridade exigidos para
o cargo de destino, mantida a remuneração do cargo de origem. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103,
de 2019)
§14. A aposentadoria concedida com a utilização de tempo de contribuição decorrente de cargo, emprego
ou função pública, inclusive do Regime Geral de Previdência Social, acarretará o rompimento do vínculo que
gerou o referido tempo de contribuição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

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§15. É vedada a complementação de aposentadorias de servidores públicos e de pensões por morte a seus
dependentes que não seja decorrente do disposto nos §§14 a 16 do art. 40 ou que não seja prevista em lei que
extinga regime próprio de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§16. Os órgãos e entidades da administração pública, individual ou conjuntamente, devem realizar avaliação
das políticas públicas, inclusive com divulgação do objeto a ser avaliado e dos resultados alcançados, na forma
da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 109, de 2021)
Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato ele-
tivo, aplicam-se as seguintes disposições:
I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou
função;
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar
pela sua remuneração;
III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de
seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e, não havendo compatibilidade,
será aplicada a norma do inciso anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço
será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
V - na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência social, permanecerá filiado a esse regime,
no ente federativo de origem. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

Servidores Públicos
Os servidores públicos são pessoas físicas que prestam serviços à administração pública direta, às autar-
quias ou fundações públicas, gerando entre as partes um vínculo empregatício ou estatutário. Esses serviços
são prestados à União, aos Estados-membros, ao Distrito Federal ou aos Municípios.
As disposições sobre os Servidores Públicos estão elencadas dos Artigos 39 a 41 da CF. Vejamos:

SEÇÃO II

DOS SERVIDORES PÚBLICOS


Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência,
regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e
das fundações públicas.
Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de adminis-
tração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes.
§1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará:
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade dos cargos componentes de cada carreira;
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos.
§2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão escolas de governo para a formação e o aperfeiçoamento
dos servidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um dos requisitos para a promoção na
carreira, facultada, para isso, a celebração de convênios ou contratos entre os entes federados.
§3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV,
XVI, XVII, XVIII, XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando
a natureza do cargo o exigir.
§4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais
e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo
de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória,
obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI.

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§5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios poderá estabelecer a relação entre a
maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, XI.
§6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da
remuneração dos cargos e empregos públicos.
§7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios disciplinará a aplicação de recursos
orçamentários provenientes da economia com despesas correntes em cada órgão, autarquia e fundação, para
aplicação no desenvolvimento de programas de qualidade e produtividade, treinamento e desenvolvimento,
modernização, reaparelhamento e racionalização do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou
prêmio de produtividade.
§8º A remuneração dos servidores públicos organizados em carreira poderá ser fixada nos termos do §4º.
§9º É vedada a incorporação de vantagens de caráter temporário ou vinculadas ao exercício de função de
confiança ou de cargo em comissão à remuneração do cargo efetivo. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
103, de 2019)
Art. 40. O regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargos efetivos terá caráter con-
tributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente federativo, de servidores ativos, de aposentados
e de pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§1º O servidor abrangido por regime próprio de previdência social será aposentado: (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
I - por incapacidade permanente para o trabalho, no cargo em que estiver investido, quando insuscetível
de readaptação, hipótese em que será obrigatória a realização de avaliações periódicas para verificação da
continuidade das condições que ensejaram a concessão da aposentadoria, na forma de lei do respectivo ente
federativo; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de
idade, ou aos 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei complementar;
III - no âmbito da União, aos 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, e aos 65 (sessenta e cinco) anos
de idade, se homem, e, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na idade mínima estabe-
lecida mediante emenda às respectivas Constituições e Leis Orgânicas, observados o tempo de contribuição
e os demais requisitos estabelecidos em lei complementar do respectivo ente federativo. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§2º Os proventos de aposentadoria não poderão ser inferiores ao valor mínimo a que se refere o §2º do
art. 201 ou superiores ao limite máximo estabelecido para o Regime Geral de Previdência Social, observado o
disposto nos §§14 a 16. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§3º As regras para cálculo de proventos de aposentadoria serão disciplinadas em lei do respectivo ente
federativo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§4º É vedada a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para concessão de benefícios em regime
próprio de previdência social, ressalvado o disposto nos §§4º-A, 4º-B, 4º-C e 5º. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§4º-A. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e tempo de
contribuição diferenciados para aposentadoria de servidores com deficiência, previamente submetidos a
avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§4º-B. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e tempo de
contribuição diferenciados para aposentadoria de ocupantes do cargo de agente penitenciário, de agente
socioeducativo ou de policial dos órgãos de que tratam o inciso IV do caput do art. 51, o inciso XIII do caput do
art. 52 e os incisos I a IV do caput do art. 144. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)

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§4º-C. Poderão ser estabelecidos por lei complementar do respectivo ente federativo idade e tempo de
contribuição diferenciados para aposentadoria de servidores cujas atividades sejam exercidas com efetiva
exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada
a caracterização por categoria profissional ou ocupação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§5º Os ocupantes do cargo de professor terão idade mínima reduzida em 5 (cinco) anos em relação às idades
decorrentes da aplicação do disposto no inciso III do §1º, desde que comprovem tempo de efetivo exercício das
funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio fixado em lei complementar do
respectivo ente federativo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Constituição, é
vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta de regime próprio de previdência social, aplicando-
se outras vedações, regras e condições para a acumulação de benefícios previdenciários estabelecidas no
Regime Geral de Previdência Social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§7º Observado o disposto no §2º do art. 201, quando se tratar da única fonte de renda formal auferida pelo
dependente, o benefício de pensão por morte será concedido nos termos de lei do respectivo ente federativo,
a qual tratará de forma diferenciada a hipótese de morte dos servidores de que trata o §4º-B decorrente de
agressão sofrida no exercício ou em razão da função. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
§8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real,
conforme critérios estabelecidos em lei.
§9º O tempo de contribuição federal, estadual, distrital ou municipal será contado para fins de aposentadoria,
observado o disposto nos §§9º e 9º-A do art. 201, e o tempo de serviço correspondente será contado para fins
de disponibilidade. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§10 - A lei não poderá estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contribuição fictício.
§11 - Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total dos proventos de inatividade, inclusive quando
decorrentes da acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de outras atividades sujeitas a
contribuição para o regime geral de previdência social, e ao montante resultante da adição de proventos de
inatividade com remuneração de cargo acumulável na forma desta Constituição, cargo em comissão declarado
em lei de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo.
§12. Além do disposto neste artigo, serão observados, em regime próprio de previdência social, no que
couber, os requisitos e critérios fixados para o Regime Geral de Previdência Social. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§13. Aplica-se ao agente público ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de
livre nomeação e exoneração, de outro cargo temporário, inclusive mandato eletivo, ou de emprego público, o
Regime Geral de Previdência Social. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, por lei de iniciativa do respectivo Poder
Executivo, regime de previdência complementar para servidores públicos ocupantes de cargo efetivo, observado
o limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social para o valor das aposentadorias e das
pensões em regime próprio de previdência social, ressalvado o disposto no §16. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§15. O regime de previdência complementar de que trata o §14 oferecerá plano de benefícios somente na
modalidade contribuição definida, observará o disposto no art. 202 e será efetivado por intermédio de entidade
fechada de previdência complementar ou de entidade aberta de previdência complementar. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§16 - Somente mediante sua prévia e expressa opção, o disposto nos §§14 e 15 poderá ser aplicado ao
servidor que tiver ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do correspondente
regime de previdência complementar.
§17. Todos os valores de remuneração considerados para o cálculo do benefício previsto no §3° serão
devidamente atualizados, na forma da lei.

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§18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo regime de que
trata este artigo que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência
social de que trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos
efetivos.
§19. Observados critérios a serem estabelecidos em lei do respectivo ente federativo, o servidor titular
de cargo efetivo que tenha completado as exigências para a aposentadoria voluntária e que opte por
permanecer em atividade poderá fazer jus a um abono de permanência equivalente, no máximo, ao valor da
sua contribuição previdenciária, até completar a idade para aposentadoria compulsória. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§20. É vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social e de mais de um órgão
ou entidade gestora desse regime em cada ente federativo, abrangidos todos os poderes, órgãos e entidades
autárquicas e fundacionais, que serão responsáveis pelo seu financiamento, observados os critérios, os
parâmetros e a natureza jurídica definidos na lei complementar de que trata o §22. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 103, de 2019)
§21. (Revogado). (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
§22. Vedada a instituição de novos regimes próprios de previdência social, lei complementar federal
estabelecerá, para os que já existam, normas gerais de organização, de funcionamento e de responsabilidade
em sua gestão, dispondo, entre outros aspectos, sobre: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
I - requisitos para sua extinção e consequente migração para o Regime Geral de Previdência Social; (Inclu-
ído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
II - modelo de arrecadação, de aplicação e de utilização dos recursos; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 103, de 2019)
III - fiscalização pela União e controle externo e social; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
IV - definição de equilíbrio financeiro e atuarial; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
V - condições para instituição do fundo com finalidade previdenciária de que trata o art. 249 e para vincula-
ção a ele dos recursos provenientes de contribuições e dos bens, direitos e ativos de qualquer natureza; (Inclu-
ído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
VI - mecanismos de equacionamento do déficit atuarial; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de
2019)
VII - estruturação do órgão ou entidade gestora do regime, observados os princípios relacionados com go-
vernança, controle interno e transparência; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
VIII - condições e hipóteses para responsabilização daqueles que desempenhem atribuições relacionadas,
direta ou indiretamente, com a gestão do regime; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
IX - condições para adesão a consórcio público; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
X - parâmetros para apuração da base de cálculo e definição de alíquota de contribuições ordinárias e ex-
traordinárias. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 103, de 2019)
Art. 41. São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento
efetivo em virtude de concurso público.
§1º O servidor público estável só perderá o cargo:
I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
II - mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa;
III - mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegu-
rada ampla defesa.
§2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual
ocupante da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, aproveitado em outro
cargo ou posto em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço.

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§3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibilidade, com
remuneração proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em outro cargo.
§4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obrigatória a avaliação especial de desempenho por
comissão instituída para essa finalidade.

– Estabilidade
A estabilidade é a garantia que o servidor público possui de permanecer no cargo ou emprego público depois
de ter sido aprovado em estágio probatório.
De acordo com Celso Antônio Bandeira de Mello, a estabilidade poder ser definida como a garantia consti-
tucional de permanência no serviço público, do servidor público civil nomeado, em razão de concurso público,
para titularizar cargo de provimento efetivo, após o transcurso de estágio probatório.

A estabilidade é assegurada ao servidor após três anos de efetivo exercício, em virtude de nomeação em
concurso público. Esse é o estágio probatório citado pela lei.
Passada a fase do estágio, sendo o servidor público efetivado, ele perderá o cargo somente nas hipóteses
elencadas no Artigo 41, §1º da CF.
Haja vista o tema ser muito cobrado nas provas dos mais variados concursos públicos, segue a tabela ex-
plicativa:

Da Segurança Pública (Art. 144 da CRFB/88)

▶ Policia Federal

▶ Federal ▶ Polícia Rodoviária Federal


Polícia
Administrativa ▶ Policia Ferroviária Federal

(preventiva ou
▶ Corpo de Bombeiros
ostensiva ▶ Estadual
▶ Polícia Militar
POLICIA
DE SEGURANÇA ▶ Federal ▶ Policia Penal
Polícia
▶ Administrativa ▶ Estadual ▶ Policia Penal
Especial
▶ Distrital ▶ Policia Penal

▶ Federal ▶ Polícia Federal


Polícia Judiciária

(investigação)
▶ Estadual ▶ Policia Civil

CAPÍTULO III

DA SEGURANÇA PÚBLICA
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a pre-
servação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;

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II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de
2019)
§1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estrutu-
rado em carreira, destina-se a:” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses
da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras infrações cuja prática te-
nha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem
prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência;
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998)
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.
§2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em
carreira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da
União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
§5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bom-
beiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.
§5º-A. Às polícias penais, vinculadas ao órgão administrador do sistema penal da unidade federativa a que
pertencem, cabe a segurança dos estabelecimentos penais.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº
104, de 2019)
§6º As polícias militares e os corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército subor-
dinam-se, juntamente com as polícias civis e as polícias penais estaduais e distrital, aos Governadores dos
Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019)
§7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de
maneira a garantir a eficiência de suas atividades. (Vide Lei nº 13.675, de 2018) Vigência
§8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e
instalações, conforme dispuser a lei. (Vide Lei nº 13.022, de 2014)
§9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos órgãos relacionados neste artigo será fixada na
forma do §4º do art. 39. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§10. A segurança viária, exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do
seu patrimônio nas vias públicas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014)
I - compreende a educação, engenharia e fiscalização de trânsito, além de outras atividades previstas em
lei, que assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente; e (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 82, de 2014)
II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, aos respectivos órgãos ou enti-
dades executivos e seus agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na forma da lei.(Incluído pela Emenda
Constitucional nº 82, de 2014)

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Da Política Urbana (Arts. 182 e 183 da CRFB/88)

Política Urbana
A Política Urbana, ou política de desenvolvimento urbano, é tratada no Capítulo II do Título VII – Da Ordem
Econômica e Financeira da Constituição da República de 1988.
Como política pública, materializa-se na forma de um programa de ação governamental voltado à ordenação
dos espaços habitáveis, abrangendo, dessa forma, tanto o planejamento quanto a gestão das cidades1.
A execução da atividade urbanística, ora compreendida como a intervenção estatal voltada à ordenação dos
espaços habitáveis, é uma típica função pública, a ser desempenhada pela União, Estados, Distrito Federal e
Municípios em suas correspectivas esferas de competência, mediante a necessária participação da sociedade
civil, em cooperação com a iniciativa privada e demais setores da sociedade e em condições isonômicas com
os agentes privados na promoção de empreendimentos e atividades relativos ao processo de urbanização.
O protagonismo dos Municípios nesta seara é inegável, uma vez que cabe ao Poder Público Municipal, por
expressa determinação constitucional, a execução da política de desenvolvimento urbano, conforme as diretri-
zes gerais fixadas por meio de lei federal (CF, art. 182, caput).
Entre os diplomas normativos voltados ao estabelecimento das diretrizes gerais da Política Urbana desta-
cam-se o Estatuto da Cidade, editado em 2001 na forma da Lei Federal 10.257, e o Estatuto da Metrópole,
editado em 2015 na forma da Lei Federal 13.089.
Incumbe aos Municípios fixar, por meio dos seus respectivos Planos Diretores – editados por meio de lei
municipal e obrigatórios para cidades com população superior a vinte mil habitantes – as exigências fundamen-
tais de ordenação da cidade (CF, art. 182, §2º) bem como delimitar as áreas em que o Poder Público municipal
poderá exigir, mediante lei específica, nos termos da lei federal, o adequado aproveitamento do solo urbano
não edificado, não utilizado ou subutilizado, por meio da aplicação sucessiva dos instrumentos enumerados no
art. 182, §4º, da Constituição, a saber: notificação para parcelamento, edificação ou utilização compulsórios,
imposto predial e territorial progressivo no tempo e desapropriação-sanção.
Reputa-se, assim, cumprida a função social da propriedade na medida em que o proprietário dê ao imóvel
urbano o devido aproveitamento, conforme as exigências fundamentais de ordenação da cidade apontadas
pelo Plano Diretor (CF, art. 182, §2º).
A política de desenvolvimento urbano tem dois objetivos constitucionais essenciais: a ordenação do pleno
desenvolvimento das funções sociais da cidade, na forma que dispuser o Plano Diretor, e a garantia do bem-
-estar de seus habitantes (CF, art. 182, caput).
Ambos os objetivos guardam íntima relação com a concretização dos direitos sociais enunciados no art. 6º
da Constituição da República, em especial com os direitos sociais ao trabalho, à moradia, ao transporte e ao
lazer os quais, na classificação proposta pela Carta de Atenas, correspondem às quatro funções essenciais da
cidade.
A menção à garantia do bem-estar dos habitantes da cidade remete, ainda, ao caput do art. 225 da Cons-
tituição, que enuncia o direito de todos ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo
e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
A conjugação entre os arts. 182 e 225 da Constituição da República permite afirmar que o modelo de desen-
volvimento a ser promovido pela Política Urbana Brasileira é o do desenvolvimento urbano sustentável, pauta-
do pelo equilíbrio entre crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental e pela solidariedade
intergeracional.
Esta opção constitucional implícita pelo modelo de desenvolvimento urbano sustentável é confirmada pela
enunciação explícita da garantia do direito às cidades sustentáveis como diretriz geral da política urbana brasi-
leira feita pelo art. 2º, inciso I, do Estatuto da Cidade.

1 https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/76/edicao-1/principios-e-instrumentos-de-politica-urbana

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CAPÍTULO II

DA POLÍTICA URBANA
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes
gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garan-
tir o bem-estar de seus habitantes.
§1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil
habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.
§2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de
ordenação da cidade expressas no plano diretor.
§3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.
§4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor,
exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que
promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada
pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegu-
rados o valor real da indenização e os juros legais.
Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por
cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o
domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
§1º O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente
do estado civil.
§2º Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.
§3º Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.

Da Família, da Criança, do Adolescente, do e do Idoso (Arts. 226 ao 230 da CRFB/88)

Família, Criança, Adolescente e Idoso

– Família
É importante nos atentarmos, qual abrangente o conceito do termo “família”, já que engloba combinações
mais amplas (uniões plúrimas, homoafetivas etc.), não previstas no texto constitucional.

– Criança e Adolescente
Quanto à criança e ao adolescente, deve-se dar atenção especial para a responsabilização por atos infra-
cionais.
Além disso, o tema relativo ao jovem, apesar de não ser muito cobrado, chama-se a atenção apenas ao
plano nacional da juventude e sua duração.

– Idoso
Por fim, o idoso tem repercussões relevantes na jurisprudência e na interpretação de algumas leis, como é
o caso do Estatuto do Idoso.

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CAPÍTULO VII

DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE, DO JOVEM E DO IDOSO


Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como
entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
§4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus
descendentes.
§5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela
mulher.
§6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
§7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento
familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o
exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas.
§8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando
mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem,
com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à
cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo
de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
§1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescente e do jovem,
admitida a participação de entidades não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos
seguintes preceitos:
I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil;
II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de defici-
ência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de defi-
ciência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços
coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação.
§2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação
de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência.
§3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:
I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o disposto no art. 7º, XXXIII;
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola;
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, igualdade na relação proces-
sual e defesa técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica;
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em
desenvolvimento, quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade;
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos termos da
lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado;
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao adolescente e ao jovem dependen-
te de entorpecentes e drogas afins.
§4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.

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§5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que estabelecerá casos e condições de sua
efetivação por parte de estrangeiros.
§6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e
qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
§7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em consideração o disposto no art.
204.
§8º A lei estabelecerá:
I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens;
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à articulação das várias esferas do poder
público para a execução de políticas públicas.
Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação es-
pecial.
Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever
de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.
Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua
participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida.
§1º Os programas de amparo aos idosos serão executados preferencialmente em seus lares.
§2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a gratuidade dos transportes coletivos urbanos.

Direitos Humanos: conceito, características, categorias e gerações

Os Direitos Humanos correspondem a uma disciplina e a um ramo de extrema importância e relevância no


Direito, não só pelos seus princípios e precedentes normativos, mas por sua especificidade e a aplicabilida-
de, sobretudo no Brasil, ante as obrigações assumidas pelo Estado brasileiro no plano internacional e toda a
complexidade que a temática envolve na atualidade. Ao nascer, todo ser humano é livre, mas adquire direitos
e deveres para a posteridade, dentre eles, diversos intrínsecos ao exercício e manutenção de sua própria dig-
nidade.

— Definição dos Direitos Humanos


O conceito de direitos humanos
“Os direitos humanos consistem em um conjunto de direitos considerado indispensável para uma vida hu-
mana pautada na liberdade, igualdade e dignidade. Os direitos humanos são os direitos essenciais e indispen-
sáveis à vida digna” (RAMOS, 2020, p. 24).
Os Direitos Humanos são, portanto, direitos naturais de todos os homens, como aspectos essenciais da
condição humana. Assim como as normas universais de reconhecimento e proteção, a expressão “direitos
humanos” indica aquilo que é inerente à própria existência do homem e não há um rol predeterminado desse
conjunto mínimo de direitos essenciais.

Dignidade Da Pessoa Humana


A dignidade é uma característica humana sentida e criada pelo homem; por ele desenvolvida e estudada,
existindo desde os primórdios da humanidade, mas só nos últimos séculos passou a ser percebida e protegida
plenamente. O reconhecimento e a proteção da dignidade da pessoa humana pelo Direito é resultado da evo-
lução do pensamento humano.

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Atualmente, o avanço do nosso ordenamento jurídico, principalmente de nossa Direito Constitucional é
resultado, em parte, da afirmação dos direitos fundamentais como núcleo da proteção da dignidade da pessoa
e da visão de que a Constituição é o local adequado para positivar normas asseguradoras dessas pretensões.
Assim, o princípio da dignidade da pessoa humana, ao qual se reporta a ideia democrática, como um dos
fundamentos do Estado de Direito Democrático, torna-se o elemento referencial para a interpretação e aplica-
ção das normas jurídicas. O ser humano em qualquer circunstância não pode ser tratado como um simples ob-
jeto. É detentor de garantias e proteção, sendo, deste modo, indissociável a dignidade dos direitos fundamen-
tais. É o que se pode denominar aspecto pragmático-constitucional – relação entre os direitos fundamentais e
a dignidade da pessoa humana na ordem constitucional.
A tríade Dignidade, Direitos Fundamentais e Constituição é a diretriz da conduta estatal e particular, por-
quanto se trata do conjunto fundante da ordem jurídica como um todo. Conclui-se que os direitos fundamentais
são a concretização da dignidade humana dentro da ordem constitucional; concretização esta que é evidencia-
da sob o aspecto de informadora de todo o ordenamento jurídico.
O direitos fundamentais foram alçados à condição de princípios constitucionais devido ao reconhecimento
da importância dos valores que encerram. A compreensão dessa posição principiológica é relevante para o
estabelecimento oportuno da conexão entre os direitos fundamentais e a missão a eles delegada de transmu-
tar-se em sustento da condição digna.
A relação entre direitos fundamentais e dignidade da pessoa humana é das mais íntimas. É certo que a vida
digna se consagra com tais garantias provedoras. A vivência digna vai além da simples relação com os direitos
humanos relativos às liberdades individuais ou aos direitos sociais. É óbvio que a ausência de direitos dessa
natureza importa em constatação mais perceptível de violação e usurpação da condição intrínseca de ser hu-
mano. Contudo, não se pode olvidar que todos e não apenas alguns dos direitos fundamentais configuram-se
em instrumentos assecuratórios da dignidade do ser humano.

Teoria das gerações dos direitos

1ª geração ou dimensão: direitos civis e políticos: direito à vida, à liberdade, à propriedade, à segurança
e à igualdade, voltados à tutela das liberdades públicas. Expressam poderes de agir, reconhecidos e protegi-
dos pela ordem jurídica a todos os seres humanos, independentemente da ingerência do estado, correspon-
dendo ao status negativo (negativus ou libertatis) da Teoria de Jellinek, em que ao indivíduo é reconhecida uma
esfera individual de liberdade imune à intervenção estatal;

2ª geração ou dimensão: direitos sociais, econômicos e culturais: direitos de cunho positivo, que exigem
prestações positivas do Estado para a realização da justiça social e do bem-estar social, além das liberdades
sociais: liberdade de sindicalização, direito de greve e direitos trabalhistas. São pretensões do indivíduo ou do
grupo ante o Estado, exigindo a sua intervenção para atendimento das necessidades do indivíduo, correspon-
dendo ao status positivo (positivus ou civitatis) da Teoria de Jellinek: ao indivíduo é possível exigir do Estado
determinadas prestações positivas;

3ª geração ou dimensão: direitos de solidariedade ou de fraternidade: direito ao meio-ambiente ecolo-


gicamente equilibrado, à segurança, à paz, à solidariedade universal, ao desenvolvimento, à comunicação e
à autodeterminação dos povos. Não têm por finalidade a liberdade ou igualdade individual, mas preservar a
própria existência do grupo. Destinam-se à proteção do homem em coletividade social, sendo de titularidade
difusa ou coletiva;

4ª geração ou dimensão: direitos de globalização e universalização: direito à democracia direta, ao plu-


ralismo, à informação e os direitos relacionados à biotecnologia. Constituem a base de legitimação de uma
possível globalização política e concretização da sociedade universal e aberta do futuro.
José Adércio Leite Sampaio, com reservas no sentido de que, em função do multiplicado mundo das ne-
cessidades, encontramos as quatro gerações, de alguma forma, presentes, e atentos a uma mescla de tempo
de surgimento com a estrutura dos direitos, admite a classificação dos direitos fundamentais em gerações: a
dos direitos civis e políticos – respondem a necessidades de liberdade e participação máximas com igualdade
e solidariedade mínimas, projetadas em direitos mais nacionais que internacionais; a dos direitos sociais, eco-
nômicos e culturais, como projeções de igualdade máxima, participação, liberdade e solidariedade mínimas,

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promovidos tanto no plano interno quanto internacional; a dos direitos de fraternidade pressupõem máximas
solidariedade, igualdade, liberdade e participação. São os direitos de síntese: paz, desenvolvimento, meio
ambiente ecologicamente equilibrado, biodireitos, direitos virtuais e comunicacionais, as minorias, a mulher, a
criança, o idoso e os portadores de necessidades especiais.

5ª geração ou dimensão: direito à paz. Trata-se de concepção intelectual defendida por Paulo Bonavides,
após os atentados de 11 de setembro. Há quem defenda, no entanto que essa dimensão dos direitos humanos
se referiria aos direitos virtuais, cibernéticos etc.
Adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III) em 10 de dezembro
1948.
Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de
seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que
ultrajaram a consciência da humanidade e que o advento de um mundo em que mulheres e homens gozem de
liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado
como a mais alta aspiração do ser humano comum,
Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo império da lei, para que o ser
humano não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,
Considerando ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos fundamentais do
ser humano, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e da mulher e
que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Países-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações
Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do ser humano e a observância desses
direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para
o pleno cumprimento desse compromisso,
Agora portanto a Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como
o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e
cada órgão da sociedade tendo sempre em mente esta Declaração, esforce-se, por meio do ensino e da educa-
ção, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter
nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto
entre os povos dos próprios Países-Membros quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

ARTIGO 1
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciên-
cia e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

ARTIGO 2

1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração,
sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra nature-
za, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país
ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo
próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

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ARTIGO 3
Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

ARTIGO 4
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em
todas as suas formas.

ARTIGO 5
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

ARTIGO 6
Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei.

ARTIGO 7
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito
a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento
a tal discriminação.

ARTIGO 8
Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos
que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

ARTIGO 9
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

ARTIGO 10
Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal
independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou fundamento de qualquer acusação criminal
contra ele.

ARTIGO 11

1.Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua cul-
pabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas
todas as garantias necessárias à sua defesa.

2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito
perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte de que aquela que, no
momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

ARTIGO 12
Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspon-
dência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser humano tem direito à proteção da lei contra tais inter-
ferências ou ataques.

ARTIGO 13

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.

2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar.

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ARTIGO 14

1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.

2. Esse direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito
comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas.

ARTIGO 15

1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade.

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

ARTIGO 16

1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm
o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua
duração e sua dissolução.

2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Es-
tado.

ARTIGO 17

1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

ARTIGO 18
Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberda-
de de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática,
pelo culto em público ou em particular.

ARTIGO 19
Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem
interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e inde-
pendentemente de fronteiras.

ARTIGO 20

1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica.

2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

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ARTIGO 21

1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de
representantes livremente escolhidos.

2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.

3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade será expressa em eleições peri-
ódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade
de voto.

ARTIGO 22
Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço
nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos
econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalida-
de.

ARTIGO 23

1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de
trabalho e à proteção contra o desemprego.

2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.

3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória que lhe assegure, assim
como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana e a que se acrescentarão, se neces-
sário, outros meios de proteção social.

4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para proteção de seus interesses.

ARTIGO 24
Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias
remuneradas periódicas.

ARTIGO 25

1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-es-
tar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito
à segurança em caso de desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de
subsistência em circunstâncias fora de seu controle.

2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas
dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

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ARTIGO 26

1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e
fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos,
bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.

2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortale-


cimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a
compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos e coadjuvará as
atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.

3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

ARTIGO 27

1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e
de participar do progresso científico e de seus benefícios.

2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer pro-
dução científica literária ou artística da qual seja autor.

ARTIGO 28
Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabeleci-
dos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

ARTIGO 29

1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno desenvolvimento de sua
personalidade é possível.

2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às limitações deter-
minadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e
liberdades de outrem e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma
sociedade democrática.

3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos objetivos
e princípios das Nações Unidas.

ARTIGO 30

Nenhuma disposição da presente Declaração poder ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Es-
tado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição
de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

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Exercícios

1. IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal


Tomando por base os princípios fundamentais da Constituição Federal de 1988, assinale a alternativa que
representa um dos fundamentos da República Federativa do Brasil descrito no art. 1º da Magna Carta.
(A) O Estado confessional.
(B) A censura prévia da imprensa.
(C) O pluralismo político.
(D) A autodeterminação dos povos.

2. IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal


Assinale a alternativa que apresenta um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil des-
critos no art. 3º da Constituição Federal.
(A) Garantir a livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação.
(B) Erradicação da tortura e do tratamento desumano ou degradante.
(C) Proteger a dignidade da pessoa humana e o pluralismo político partidário.
(D) Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.

3. IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal


De acordo com o artigo 144 da Constituição Federal, qual é o órgão responsável pelo policiamento ostensi-
vo e preservação da ordem pública nos Estados e no Distrito Federal?
(A) Polícia Federal
(B) Polícia Militar
(C) Guarda Municipal
(D) Polícia Civil

4. IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal


Lidiane é empregada de determinada empresa, exercendo suas funções como motorista. Enquanto traba-
lhadora urbana, quais direitos trabalhistas são garantidos à Lidiane pela Constituição Federal no artigo 7º?
(A) Direito ao seguro-desemprego parcial em razão de acidente de trabalho.
(B) Remuneração do trabalho diurno superior à do noturno.
(C) Jornada de oito horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, vedada nego-
ciação coletiva à respeito.
(D) Proteção em face da automação, na forma da lei;

5. IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal


O artigo 14 da Constituição Federal estabelece as condições de elegibilidade para os cargos eletivos no
Brasil. Pedro Machado, conhecido comerciante do interior de Goiás está interessado em se candidatar à pre-
sidência da República, acreditando que desta forma poderá construir um pais melhor para todos. Visando
alcançar seu objetivo, quais requisitos Pedro Machado deve cumprir para se candidatar ao cargo pretendido?

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(A) Ter idade mínima de 30 anos; ter nacionalidade brasileira; estar em pleno exercício dos direitos políticos;
ser filiado a um partido político; ser alistável e possuir domicílio eleitoral no país.
(B) Ter idade mínima de 35 anos; ter nacionalidade brasileira; estar em pleno exercício dos direitos políticos;
ser filiado a um partido político; ser alistável e possuir domicílio eleitoral no país.
(C) Ter idade mínima de 35 anos; ter nacionalidade brasileira; estar em pleno exercício dos direitos políti-
cos; ser filiado a um partido político ou declaração de que concorrerá sem qualquer ligação partidária; ser
alistável e possuir residência fixa.
(D) Ter idade mínima de 30 anos; ter nacionalidade brasileira; estar em pleno exercício dos direitos políticos;
ser filiado a um partido político ou declaração de que concorrerá sem qualquer ligação partidária; ser alistá-
vel; possuir residência fixo e não ter respondido a processo criminal.

6. IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal


Tomando o art. 22 da Constituição Federal, assinale a alternativa que representa uma competência exclu-
siva da União.
(A) É de competência privativa da União legislar sobre sistemas de consórcios e sorteios.
(B) Compete privativamente à União cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pes-
soas portadoras de deficiência.
(C) É de competência privativa da União registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de
pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios.
(D) Compete privativamente à União proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico,
artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos.

7. CESPE / CEBRASPE - 2023 - Prefeitura de São Cristóvão - SE - Guarda Municipal


É competência privativa do município
(A) estabelecer e implantar a política de educação para a segurança do trânsito.
(B) cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiências.
(C) elaborar e executar o plano diretor como instrumento básico da política pública de desenvolvimento e
de expansão urbana.
(D) proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas.

8. MS Concursos e Consultoria - 2023 - Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães - BA - Guarda Municipal


De acordo com o artigo 144 da Constituição Federal de 1988, é incorreto afirmar:
(A) Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços e
instalações, conforme dispuser a lei.
(B) A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em car-
reira, destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais
(C) Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da
União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, inclusive as militares.
(D) Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos corpos de bom-
beiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil.
(E) Às polícias penais, vinculadas ao órgão administrador do sistema penal da unidade federativa a que
pertencem, cabe a segurança dos estabelecimentos penais.

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9. IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal
O art. 183 da Constituição Federal apresenta a chamada Usucapião Especial Urbana, definindo uma série
de requisitos para sua concessão. Tomando por base tais informações, assinale a alternativa que contém os
requisitos expressos no artigo mencionado.
(A) Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco
anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o
domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
(B) Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos metros quadrados, por três anos, ininterrup-
tamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde
que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
(C) Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos metros quadrados, por dez anos, ininterrup-
tamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde
que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
(D) Aquele que possuir, como sua, área urbana de até quatrocentos metros quadrados, por cinco anos, inin-
terruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio,
desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.

10.IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal


De acordo com o artigo 226 da Constituição Federal, o casamento religioso tem efeito civil. Além disso, o
Estado deve assegurar a união estável entre homem e mulher como entidade familiar. Com base nesse artigo,
qual é a única alternativa correta sobre a união estável?
(A) A união estável é uma forma de casamento, com efeitos civis e religiosos.
(B) A união estável é exclusiva entre homens e mulheres, sendo vedada a união estável homoafetiva.
(C) A união estável é uma entidade familiar reconhecida pelo Estado, independente da orientação sexual
dos companheiros.
(D) A união estável só é reconhecida como entidade familiar se houver a intenção de constituir família e se
houver convivência duradoura e pública.

11. VUNESP - 2022 - Prefeitura de Osasco - SP - Guarda Civil Municipal - 3ª Classe


Nos termos da Constituição Federal, assinale a alternativa correta.
(A) Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar, garantida
pelo poder público em programa permanente de transferência de renda, cujas normas e requisitos de aces-
so serão determinados em lei, observada a legislação fiscal e orçamentária.
(B) Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
à propriedade, entre outros, no termo seguinte: é livre a manifestação do pensamento, sendo autorizado o
anonimato.
(C) Todo brasileiro em situação de vulnerabilidade social terá direito a uma renda básica familiar, garantida
pelo poder público em programa temporário de transferência de renda, cujas normas e requisitos de acesso
serão determinados por decretos e regulamentos do Poder Executivo.
(D) Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, entre outros, no termo seguinte: é plena a liberdade de associação para fins lícitos, autorizan-
do-se a de caráter paramilitar.
(E) Todo brasileiro, estando ou não em situação de vulnerabilidade social, terá direito a uma renda básica
familiar, garantida pelo poder público em programa permanente de transferência de renda, cujas normas e
requisitos de acesso serão determinados em lei.

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12. IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal
É sabido que os Direitos Humanos são divididos em gerações, sendo cada geração destes direitos atrelada
a um valor específico. Tomando por base tal premissa, assinale a alternativa correta com relação as mencio-
nadas gerações e seus valores.
(A) A primeira geração dos direitos humanos tem como principais valores a solidariedade e a fraternidade,
ao passo que tais institutos são verdadeiros pilares da sociedade, sem os quais não é possível a operacio-
nalização dos Direitos Humanos.
(B) A primeira geração dos direitos humanos tem como principal valor a igualdade, defendendo que a isono-
mia entre todos os seres humanos é basilar no fomento aos Direitos Humanos.
(C) A terceira geração dos direitos humanos tem como pilar principal a liberdade, posto que apenas com a
liberdade do indivíduo, que não deve ser cerceada, é que podemos construir uma sociedade livre, justa e
solidária.
(D) A segunda geração dos direitos humanos tem como pilar principal a igualdade e defende os direitos
sociais, econômicos e culturais.

13. IBGP - 2022 - Prefeitura de Betim - MG - Guarda Municipal - Masculino e Feminino


A Declaração Universal de Direitos Humanos representou um importante marco na história da humanidade
ao se ampliar o lastro protetivo sobre a pessoa humana.

Nesse contexto, assinale a alternativa que NÃO apresenta um direito assegurado pela referida Declaração
de Direitos.
(A) Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua
culpabilidade tenha sido provada por decisão transitada em julgado, em julgamento público no qual lhe te-
nham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
(B) Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão. Esse direito inclui a liberdade de, sem
interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e
independentemente de fronteiras.
(C) Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Esse direito inclui a
liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino,
pela prática, pelo culto em público ou em particular.
(D) Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito
perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais forte de que aquela que,
no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

14. UECE-CEV - 2022 - Prefeitura de Sobral - CE - Guarda Municipal


A evolução histórica dos Direitos Humanos mostra que seu marco documental foi a
(A) Conferência Americana dos Direitos do Homem.
(B) Conferência de São José da Costa Rica.
(C) Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
(D) Declaração Universal de Direitos Humanos.

15. NUCEPE - 2019 - Prefeitura de Capitão de Campos - PI - Guarda-Civil Municipal


Com base na evolução dos direitos humanos em gerações, é CORRETO afirmar que o direito à moradia é
considerado direito de:
(A) Primeira geração.
(B) Segunda geração.

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(C) Terceira geração.
(D) Quarta geração.
(E) Quinta geração.

Gabarito

1 C
2 D
3 B
4 D
5 B
6 A
7 C
8 C
9 A
10 C
11 A
12 D
13 A
14 C
15 B

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