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1 Co 1.18-31 Sabedoria Verdadeira Falsa

sermao

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1 Coríntios 1:18-2:16
3. A Verdadeira Sabedoria e a Falsa

Ao longo de toda esta seção, Paulo contrasta a sabedoria do mundo com a


sabedoria de Deus.
Muitas das características de ambas vão se tornar claras à medida que
examinarmos o texto, mas é útil contemplarmos o tema como um todo.

A palavra-chave (sophos ou sophia) ocorre mais de vinte vezes e "é possível,


embora não se tenha certeza, que Paulo esteja usando um slogan de Corinto".

Barrett explica que Paulo usa a palavra "sabedoria" em quatro sentidos, dois
negativos e dois positivos.

Um exemplo negativo de sabedoria é o mencionado em 1:17 ("sabedoria de


palavra"), que se refere a um modo particular de falar, isto é, à habilidade de
organizar argumentos humanos.

Em 1:19, Paulo está descrevendo, não tanto um modo de falar, mas um modo
de pensar, isto é, uma atitude para com a vida que se baseia no que eu desejo
crer e fazer.

Em contraste com esses exemplos de sabedoria humana, Paulo fala da


sabedoria de Deus, também em dois sentidos (de acordo com Barrett).

Ele descreve (1:21 e 2:7) o plano da salvação determinado pela sabedoria de


Deus; mas também vê̂ Jesus Cristo como a própria sabedoria divina e, desse
modo, a verdadeira substância da salvação (1:24 e 30).

Para Paulo, portanto, qualquer tentativa de estabelecer a salvação fora do


fundamento de Jesus Cristo crucificado é loucura completa.

Paulo via duas maneiras fundamentais pelas quais o mundo incrédulo tentava
abrir tal caminho para Deus:

os judeus queriam que Deus preenchesse todos os seus requisitos,


fornecendo provas irrefutáveis e tangíveis em que pudessem basear suas
convicções.
"Eles exigiam provas, e o seu interesse estava no que é prático... E por
isso exigiam um sinal do Senhor (por exemplo, Jo 6:30).
Pensavam no Messias como alguém credenciado por manifestações
extraordinárias de poder e majestade. Um Messias crucificado era uma
contradição de termos."

Os gregos, por sua vez, preferiam especular sobre o caminho para Deus
através do raciocínio e do debate.
Usando o intelecto para criar um deus à sua própria imagem, julgavam
impossível conceber um Deus em termos pessoais: "no pensamento grego, a
primeira característica de Deus era apatheia... a total incapacidade de sentir.
Os gregos alegavam que Deus não podia sentir... Um Deus sofredor era
uma contradição de termos... Deus devia ser totalmente neutro e remoto."
Inevitavelmente, a mentalidade grega julgava incompreensível e ridícula
a pregação da cruz, ou seja, que Deus estivesse reconciliando o mundo
consigo em Cristo.

Na visão de Paulo, a sabedoria do mundo (judaica e grega) brotava


claramente da rebeldia do homem contra Deus, de sua recusa em dobrar os
joelhos e de sua determinação em fazer Deus se encaixar em suas próprias
ideias e desejos.
Uma vez que Deus está determinado a arrancar todo esse orgulho
humano, deve-se rejeitar qualquer sabedoria que não se baseie no "Cristo
crucificado" (e nas verdades derivadas desse evangelho, a saber, a natureza
essencialmente pecadora do homem e a provisão graciosa de salvação através
de um Deus Criador, santo e amoroso).
Parece evidente que tal sabedoria do mundo andava solta nas ruas e
nos auditórios de Corinto.
Conzelmann, de fato, cita alguns ditados da filosofia popular da época:
"o homem sábio é rei" e "ao sábio pertencem todas as coisas".
Paulo rejeitava esta sabedoria do mundo.
Ele também rejeitava a forma como ela era fornecida, isto é, com
eloquência persuasiva.
"Os gregos estavam intoxicados com palavras bonitas."
Como muitas personalidades acadêmicas de hoje, eles não se
preocupavam tanto com a verdade ou com o que era dito, mas com a
eloquência e a perspicácia com que se falava.
Seriamos, contudo, ingênuos se pensássemos que Paulo escreveu esta
carta simplesmente para contrastar a pregação e a verdade cristas com a
sabedoria grega e judaica contemporânea.
O clima intelectual (acadêmico ou popular) da época sempre contamina
a igreja cristã de maneira muito sutil.
Como Barrett escreve: "não foi a falsa presunção da sabedoria e da
capacidade do mundo que levou Paulo a escrever 1 Coríntios, mas essa
mesma falsa presunção na igreja... onde os cristãos estavam se gloriando nos
homens e avaliando erroneamente os seus dons. Só́ podiam fazer isso porque
haviam esquecido que a sua existência como cristãos dependia, não de seus
méritos, mas da vocação de Deus, e do fato de que o Evangelho é a
mensagem da Cruz."

É necessário muito tempo, um estudo profundo das Escrituras e uma


iluminação constante do Espírito Santo para reproduzir "a mente de Cristo"
numa comunidade cristã.
Tal processo envolve a "de aprendizagem" da sabedoria do mundo, bem
como a absorção da sabedoria de Deus.
Portanto é importante que os cristãos de hoje saibam reconhecer a
maneira como o seu pensamento é influenciado pelo secularismo de nossa
época, assim como Paulo considerou necessário desvendar para a igreja de
Corinto a vacuidade e a loucura do pensamento de então.

Ao denunciar a loucura da sabedoria do mundo, Paulo não subestima,


de maneira alguma, o significado ou o impacto dela sobre nós.
A característica essencial da sabedoria do mundo é que ela pode
esvaziar a palavra da cruz, tirando-lhe o poder (1:17).
Por isso, ela é uma seria ameaça para o evangelho e a igreja.
Não estamos lidando, portanto, com algo periférico ou superficial, mas
com um inimigo sutil que golpeia o coração da nossa mensagem.
Se não pudermos identificá-lo e afastá-lo, nosso evangelho será́
insignificante e vazio.

Paulo também admite claramente a eficácia dessa sabedoria.


Nos versículos 17-21 ele usa quatro frases que indicam o seu ponto de
vista:
tal sabedoria é "eloquente" (v. 17),
até "inteligente" (v. 19);
mas não passa de palavras (v. 20),
sendo, portanto,
completamente insatisfatória em relação as necessidades
e desejos básicos do homem (v. 21).

A palavra inteligência (v. 19) é uma citação de Isaias 29:14.

O contexto dessa passagem descreve um momento na vida do reino de


Judá́ no século oitavo a.C. Quando o povo pensava, planejava e agia,
praticamente ignorava a realidade e, mais ainda, a relevância de um Deus
transcendente, capaz de afetar significativamente qualquer situação aqui e
agora.
Em sua astucia, apoiavam-se na engenhosidade e nos recursos
puramente humanos.
Hoje, tanto os cristãos como os incrédulos muitas vezes se incham de tal
sabedoria.
Um dos sinais da sabedoria puramente humana é o fato de se apoiar em
uma apresentação eloquente e persuasiva, acompanhada de uma profusão de
palavras.
Ingmar Bergman, o diretor de cinema sueco, observou certa vez:
"Quando Deus está morto, os cristãos tagarelam."
O próprio Jesus nos advertiu explicitamente contra uma religião que se
expressa em linguagem ortodoxa, mas não resulta em mudança de estilo de
vida.
Paulo sabia dar o devido valor ao argumento persuasivo na proclamação
de Cristo; em Corinto ele "discorria" na sinagoga todas as semanas,
"persuadindo judeus e gregos".
' Mas ele mesmo não acreditava que a palavra persuasiva, por si
mesma, pudesse levar alguém à fé́ em Jesus e a um conhecimento de Deus
capaz de transformar vidas.
Aos líderes cristãos mais jovens como Timoteo e Tito, Paulo reiterou a
futilidade e o perigo dos debates verbais sem fim. Os detalhes exatos das
práticas condenadas nas Epistolas Pastorais não estão explícitos; mas o
destaque principal é obvio: Paulo estava buscando vidas transformadas, cheias
de fé́ , de amor e de santidade. Ele combatia qualquer tipo de verbosidade que
parece estar cheia de conteúdo religioso, mas que não passa de "fabulas",
"discussões", "loquacidade frívola", "contendas de palavras", "falatórios inúteis
e profanos", "debates". O seu conselho é simples: "Evite-os".10
Porém, tanto no conteúdo como no método de apresentação, a sabedoria do
mundo põe em perigo "a palavra da cruz". Presume-se que Paulo não rejeitava
todo o conhecimento, a sabedoria e a filosofia do mundo não-cristão (embora
ele não tenha expressado tais sentimentos em 1 Coríntios). Provavelmente ele
reconhecia os seus méritos, apesar das suas muitas e inevitáveis limitações.
Tal sabedoria pode realizar muitas coisas, bem como impressionar muitas
pessoas, produzir um grande impacto e gerar muita fama, mas nunca satisfaz a
alma faminta com o perdão e a paz de Deus. T. S. Eliot escreveu:
Todo o nosso conhecimento nos aproxima mais da nossa ignorância,
Toda a nossa ignorância nos aproxima mais da morte, Proximidade da morte,
não de Deus.
Onde está a vida que perdemos vivendo?1
Vejamos então algumas características e limitações da sabedoria do mundo.
Nesta passagem (1:18-2:16) Paulo desvenda a sabedoria de Deus a partir de
três perspectivas: a palavra da cruz (1:18-25), os caminhos de Deus (1:26-31)
e o ministério do Espírito (2:1-16). Talvez essa aparência trinitária não seja
mera coincidência: no capítulo 2, os ensinamentos de Paulo sugerem um
conteúdo explicitamente trinitário.
1. A palavra da cruz (1:18-25)
Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós,
que somos salvos, poder de Deus. 19Pois está escrito: Destruirei a sabedoria
dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos entendidos. 2uOnde está o sábio?
onde o escriba? onde o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus
louca a sabedoria do mundo? 21Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo
não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar aos

que creem, pela loucura da pregação. 22Porque tanto os judeus pedem sinais,
como os gregos buscam sabedoria; 23mas nos pregamos a Cristo crucificado,
escândalo para os judeus, loucura para os gentios; umas para os que foram
chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e
sabedoria de Deus. 25Porque a loucura de Deus é mais sabia do que os
homens; e fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.
É importante notar a ênfase que Paulo coloca sobre "a palavra" (v. 18) e a
pregação (vs. 21 e 23). Contudo, por mais que denuncie a prolixidade da
sabedoria humana, renunciando a ela, ele crê̂ apaixonadamente na natureza
racional da sabedoria de Deus revelada. Não somente o próprio Jesus é a
sabedoria e a palavra de Deus, mas Paulo também escreve explicitamente
(2:13) sobre comunicar a sabedoria de Deus "em palavras... ensinadas pelo
Espírito". Não podemos pregar nem receber a mensagem usando os recursos
meramente humanos, mas nunca devemos deixar que esse fato acabe com a
nossa responsabilidade de pregar o evangelho em palavras relevantes,
"ensinadas pelo Espírito".
A sabedoria - e a loucura - de Deus se materializa na palavra da cruz (18).12A
frase paralela em 1:23, pregamos a Cristo crucificado, enfatiza o conteúdo
dessa palavra. Muitas vezes o termo "cruz" é usado de maneira
excessivamente vaga, sem destacar o fato de que uma Pessoa em particular
foi pendurada naquele instrumento de execução romano. A sabedoria de Deus
é vista no Messias pendurado no madeiro. Para os judeus isso representava
uma pedra de tropeço, um escândalo completo (skandalon, em grego), porque
"o que for pendurado no madeiro é maldito".13 Como o Messias cheio de
autoridade e poder, aquele que havia de vir, poderia acabar os seus dias
pendurado em um madeiro? Isso basta para provar que Jesus não pode ser o
Messias. Não há sabedoria nessa mensagem; é tudo bobagem! Mas Paulo
insiste: "Pregamos a Cristo, o ungido, o Messias, o que foi crucificado". Pode
parecer um absurdo total, uma loucura, uma estupidez para os judeus e gregos
incrédulos, mas isso serve para provar que eles de fato estão entre aqueles
que se perdem (v. 18).
Os judeus pedem sinais, os gregos buscam sabedoria (v. 22); mas, até que
desistam de depender de sua própria visão e entendimento, nunca serão
capazes de receber a sabedoria de Deus em Jesus Cristo. Pois todos os fatos
acerca de Jesus —o Filho de Deus nascer em forma humana, crescer até a
idade adulta virtualmente sem ser reconhecido, fazer o bem e curar todos os
tipos de enfermidades, entregar a sua vida nas mãos de homens
inescrupulosos e morrer crucificado como um criminoso - desafiam a sabedoria
e o entendimento humano.
Enquanto os gregos continuarem buscando tenazmente a sabedoria, seguindo
o seu próprio entendimento, vão continuar andando em círculos, numa espiral
que leva finalmente à destruição. A palavra perder (v. 18) envolve uma
"destruição definitiva", não simplesmente no sentido de extinção da existência
física, mas de um mergulho eterno no Hades, e de um destino mortal sem
esperanças, em cuja descrição são usados termos como 'ira e fúria, tribulação
e desespero'.”14
A pergunta chave é: cera___2́ que o judeu ou o grego prefere ser salvo, a
perecer? O primeiro insistiria em exigir sinais convincentes, em vez de pedir
para ser salvo? Será́ que o outro iria perecer buscando sabedoria, em vez de
admitir a necessidade de alguém para salvá-lo de tal destruição? É exatamente
para esse senso de "eternidade na alma do homem" que Deus dirige a palavra
da cruz.
C. S. Lewis escreveu:
É bem pouco elogioso para Deus que O escolhamos como uma alternativa
para o inferno: mas até mesmo isso ele aceita. A ilusão da autossuficiência da
criatura deve, em seu próprio benefício, ser destruída. E pelas dificuldades ou
medo das dificuldades na terra, pelo medo indisfarçado das chamas eternas,
Deus a destroca, "não levando em conta a diminuição de sua glória". Chamo a
isto de humildade divina, porque é deprimente procurar Deus quando o navio
está afundando debaixo de nós; deprimente achegar-nos a Ele como um último
recurso, oferecer nossa pessoa quando não vale mais a pena guardá-lá. Se
Deus fosse orgulhoso, Ele jamais nos aceitaria nesses termos, mas Ele não é
orgulhoso, Ele se abaixa para conquistar, Ele nos aceita embora tenhamos
mostrado que preferimos tudo o mais a Ele, e nos achegamos porque agora
não há "nada melhor" que possamos ter.
A sabedoria dos homens, a sabedoria que os “gregos” busca constantemente,
não permite que tais questões de consciência, de necessidade de salvação, de
uma perspectiva de destruição estema, de uma completa incapacidade de
encontrar e conhecer a Deus, os leve a ajoelhar-se e dizer: "Senhor, salva-me".
Deus se fez desconhecido e "não-conhecível" pela sabedoria humana. Eles
fizeram conhecido nesse Messias crucificado. Ele resolveu salvar da destruição
eterna não aqueles que acreditam ter sabedoria própria ou os que fazem boas
obras até o limite de sua capacidade, mas os que creem (v. 21) neste Cristo
crucificado. Desta maneira Deus realmente destruiu a sabedoria dos sábios (v.
19).
Quando alguém, judeu ou grego, dobra os joelhos diante de Jesus Cristo como
Senhor, começa a experimentar o poder salvador de Deus (v. 18). Antes ele
não tinha saída, mergulhado na espiral descendente do pecado e da morte,
mas agora experimenta cada vez mais o chamado de Deus em Cristo Jesus,
que o conduz para cima (v. 24). É importante observar que Deus não discute
com aqueles que discordam dele. A resposta de Deus para toda a sabedoria do
mundo é agir em poder (em grego dynamics, de onde deriva "dinamite"); assim,
a melhor defesa do evangelho são os homens e as mulheres que estão sendo
salvos (18) à medida que atendem à palavra da cruz. Esta sabedoria pode
parecer tola e inconsistente, mas é muito, muito mais sabia e solida do que
qualquer coisa que a sabedoria do mundo possa oferecer (v. 25).
Desse modo, por mais que "a palavra da cruz" seja racional e significativa,
nunca deveríamos cair na armadilha de rebater os argumentos em favor da
sabedoria do mundo simplesmente com palavras, mesmo sendo "palavras
ensinadas pelo Espírito". É no poder de Deus para salvar e transformar
homens e mulheres que se encontra a resposta mais eficaz: Cristo, poder de
Deus e sabedoria de Deus (v. 24), pois Deus o fez "sabedoria, e justiça, e
santificação, e redenção" (1:30).
2. Os métodos de Deus (1:26-31)
Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos
sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre
nascimento; 27pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para
envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para
envergonhar os fortes; 28e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as
desprezadas, e aquelas que m o são, para reduzir a nada as que são; 29afim
de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. 30Mas vos sois dele, em
Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria, e justiça, e
santificação, e redenção, Mara que, como está escrito: Aquele que se gloria,
glorie-se no Senhor.
"Aprouve a Deus salvar aos que creem" (v. 21). Assim Deus resolveu salvar da
destruição aqueles que são suficientemente humildes para descansar suas
vidas (passada, presente e futura) em "Jesus Cristo, crucificado": a esses
crentes, ele chamou a fim de partilhar de sua própria vida.16
Vemos a sabedoria de Deus mais precisamente na maneira como ele opera: o
Senhor salva aqueles que creem, não os sábios ou os inteligentes,
expressando assim sua própria determinação de acabar com todo o orgulho
humano. "Deus resiste aos soberbos"17e o seu proposito é que ninguém se
vanglorie na presença dele (v. 29).18Aqueles que preferem confiar em sua
própria sabedoria e discernimento podem continuar a fazê-lo, mas não na
presença de Deus; pois com essa atitude, excomungam-se a si mesmos. Na
verdade, Deus está tão interessado em acabar com todo o orgulho humano
que deliberadamente age de modo a revelar a vacuidade disso.
Foi o que fez em Corinto: Deus escolheu as coisas loucas do mundo para
envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para
envergonhar os fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as
desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são (vs. 27-
28). Nova vida e amor, nova pureza e paz, nova esperança e felicidade se
manifestaram de maneira evidente na comunidade cristã de Corinto, e em
nenhum outro lugar daquela cidade decadente. Ainda, não foram chamados
muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre
nascimento (v. 26). Todos os nobres, os filósofos, os negociantes e os
proprietários de terras, toda a gente que andava pelos corredores do poder',
todos eles se destacavam pela virtual ausência na igreja de Corinto. Havia uma
ou duas exceções, mas não muitas.
Corinto não era uma cidade fora do comum, pois o cristianismo espalhou-se
mais rápido entre as classes inferiores da sociedade mediterrânea, e, em parte,
este simples fato (nas sociedades grega e romana, onde havia muita
consciência de classe) é a causa de o cristianismo ser tão ofensivo. O povo
simples estava se convertendo, sendo salvo, transformado. Deus pegou a
escoria da terra e transformou-a em reis e sacerdotes no seu reino.19Foi
exatamente isso que o próprio Jesus disse quando anunciou o seu ministério:
"O Espírito do Senhor... me ungiu para evangelizar aos pobres."20É este o
caminho de Deus, sua sabedoria, o poder do evangelho.
Através desses métodos, Deus está derrotando um dos falsos padrões do
mundo, isto é, a noção de que ele se importa com os sábios, os de boa família,
os eloquentes, os talentosos, os ricos, que detém o poder e a influência. Esses
falsos padrões estão muito encravados até mesmo na igreja cristã e exerciam
uma forca poderosa em Corinto. Hoje, ainda encobrem a glória de Deus. Tiago
dirigiu palavras severas para os cristãos que adotavam esse padrão,21 dando
tratamento especial as pessoas influentes nas reuniões da igreja.
O método divino consiste em conceder posição e honra especiais apenas ao
seu Filho, Jesus. Deus fez com que Jesus Cristo fosse tudo para nos: nossa
sabedoria, nossa justiça, nossa santificação e nossa redenção.22 Se uma
pessoa está à procura dessas coisas, só́ as encontrará em Jesus:
profundidade, posição, pureza, liberdade —estão em Jesus, e só́ em Jesus,
mediante a sua morte na cruz. Se o método divino exalta e glorifica Jesus, o
homem sábio seguirá o caminho divino, humilhando-se diante do Salvador
crucificado, renunciando qualquer dependência das vantagens do mundo e
gloriando-se apenas no Senhor: eis a verdadeira sabedoria. A gramática do
grego no versículo 30 indica que Paulo está dizendo que "a sabedoria é igual à
justiça, à santidade e à redenção"; conhecer essas três coisas é ser um sábio
de verdade.
Ao observar a sabedoria de Deus na maneira como ele opera, também vale a
pena notar que é em amor que ele resiste aos soberbos. Ele só́ salva aqueles
que se humilham ao ponto de se voltarem para Jesus Cristo suplicando por
ajuda, e ele deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao
conhecimento da verdade.23Deus sempre está colocando deliberadamente as
pessoas soberbas de joelhos, para que possam penetrar na sua presença em
arrependimento e fé́ . As pessoas que se gloriam na sua própria inteligência e
discernimento serão envergonhadas por aquelas que, pelos padrões do
mundo, são ignorantes, mas conhecem a Deus por meio de Jesus Cristo. Os
grandes e poderosos são desmascarados em toda a sua vulnerabilidade pela
impressionante forca interior de indivíduos muito fracos que amam a Deus.
Muitas vezes, cidadãos insignificantes e muito comuns incomodam os bem-
sucedidos e os influentes que, normalmente, os ignorariam e desprezariam.
Dessa e de outras formas, a soberba do homem é puncionada pelo sábio amor
de Deus.
Somos instados, como cristãos, a nos humilharmos sob a poderosa mão de
Deus;24mas, se não formos suficientemente sábios para fazer isso, Deus
tratará de nos humilhar, muitas vezes através das pessoas mais improváveis.
Esses são os métodos amorosos de nosso sábio Deus. Assim se tomam
verdadeiras as palavras:
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os
vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os
céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do
que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos
pensamentos.

O contexto dessas palavras de Isaias torna-se ainda mais apropriado a este


trecho de 1 Coríntios, porque os dois versículos anteriores descrevem o perdão
livre e abundante de Deus, que se estende a todos os que procuram o Senhor
"enquanto se pode achar", que o invocam "enquanto está perto". Esta
aceitação completa e eterna do pecador arrependido que clama a Deus para
ser salvo é totalmente estranha à sabedoria do mundo e aos métodos e ideias
dos seres humanos. Sem exceção, os métodos humanos exigem esforço, boas
obras e palavras sabias para o caminho da salvação. Os métodos de Deus,
porém, dizem: "buscai ao Senhor... invocai o Senhor... voltai para o Senhor,
para o nosso Deus, pois ele perdoa abundantemente."
Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor (v. 31). Esta citação refere-se a uma
passagem particularmente relevante de Jeremias: "Assim diz o Senhor: Não se
glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua forca, nem o rico nas suas
riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu
sou o Senhor, e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas
me agrado, diz o Senhor."26

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