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Aula 03 - Dos Crimes Contra A Pessoa - Vida - Instigação Ao Suicídio e Infanticídio

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CENTRO UNIVERSITÁRIO EURO-AMERICANO

CURSO DE DIREITO

AULA 02: (OC1) Dos crimes contra a vida – Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio e
infanticídio.
Prof. Me. Dalbertom Caselato Junior (@professor.caselato).
DOS CRIMES CONTRA A VIDA (Artigos 121 a 128, CP)
2- Crime de Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação (art. 122,
CP):
Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação
Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio
material para que o faça:
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos.
§ 1º Se da automutilação ou da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave ou
gravíssima, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 129 deste Código
Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
§ 2º Se o suicídio se consuma ou se da automutilação resulta morte:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
§ 3º A pena é duplicada:
I – se o crime é praticado por motivo egoístico, torpe ou fútil
II – se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência
§ 4º A pena é aumentada até o dobro se a conduta é realizada por meio da rede de computadores, de
rede social ou transmitida em tempo real.
§ 5º Aumenta-se a pena em metade se o agente é líder ou coordenador de grupo ou de rede virtual.
§ 6º Se o crime de que trata o § 1º deste artigo resulta em lesão corporal de natureza gravíssima e é
cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra quem, por enfermidade ou deficiência mental,
não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode
oferecer resistência, responde o agente pelo crime descrito no § 2º do art. 129 deste Código. (reclusão
de 02 a 08 anos).
§ 7º Se o crime de que trata o § 2º deste artigo é cometido contra menor de 14 (quatorze) anos ou contra
quem não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não
pode oferecer resistência, responde o agente pelo crime de homicídio, nos termos do art. 121 deste
Código. (Incluído pela Lei nº 13.968, de 2019) GRIFFO NOSSO

Conceito: Nelson Hungria define suicídio como “a eliminação voluntária e direta da própria
vida [...] com intenção positiva de despedir-se da vida”. Rogério Sanches define automutilação
(cutting) como “o ato intencional de provocar lesões no próprio corpo, sem o propósito consciente de
cometer suicídio”. Com vistas a evitar a violação ao princípio da alteridade – o qual veda a
incriminação daquelas condutas que não ofendem nenhum bem jurídico – a doutrina tem o
entendimento de não ser crime o a automutilação ou o suicídio em si. Desta forma, àquele que tenta
a prática de suicídio (e sobrevive) ou a automutilação, não será punível a autolesão.
Assim, o objetivo do presente tipo penal é punir o terceiro que induza, instiga ou auxilia
nestas práticas.
Verbos do tipo: o chamado induzimento é aquela hipótese pela qual o agente faz nascer na
vítima a ideia e a vontade do suicídio ou da automutilação, de modo que a vítima sequer cogitava tal
prática, sendo convencida pelo autor: instigação é o caso em que o autor reforça a vontade mórbida
preexistente na vítima, de modo que, como a vítima já pensava no suicídio ou na automutilação, tal
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propósito é reforçado pelo autor; por fim, o auxílio é quando o autor presta efetiva assistência
material, facilitando a execução do suicídio, fornecendo ou colocando à disposição meios necessários
para fazê-lo (CUNHA, 2021).
Crimes qualificados pelo resultado: conforme os §§1º e 2º do art. 122, a doutrina as
considera crimes de resultado; mas fica o alerta! Se da tentativa de automutilação ou suicídio NÃO
RESULTAR LESÃO ou resultar lesão corporal de natureza leve, o terceiro indutor, instigador ou
auxiliador responderá pelo crime em sua forma simples (art. 122, caput, CP) (CUNHA, 2021).
Causas de aumento de pena: conforme o §único do art. 122:

Atenção! O induzimento, auxílio ou participação em suicídio ou automutilação de uma vítima


menor de 14 anos será crime de Lesão Corporal Grave (art. 122, §6º, CP) ou crime de Homicídio
(art. 122, §7º, CP) a depender do resultado provocado. Assim, não se aplica, nestes casos, as penas
previstas no artigo 122 do CP.
Portanto, a doutrina esclarece que o aumento de pena duplicada quando a vítima é menor de
idade deve ser interpretado à vítima maior de 14 anos e menor de 18 anos, haja vista o menor de
14 anos não possuir discernimento. (CUNHA, 2021).
A mesma regra é aplicada à vítima acometida por enfermidade ou deficiência mental sem o
necessário discernimento para a prática do ato ou àquelas vítimas que, por qualquer outra causa,
não pode oferecer resistência. (Ex.: vítima de sonífero boa noite cinderela ou acometida por
embriaguez total).
Caso prático: Ex.: FULANO induz vítima de 22 anos a cometer suicídio; ela executa a conduta e o
resultado é:
1- Ausência ou lesão corporal leve: reclusão de 6 meses a 2 anos (art. 122 caput, CP);
2- Lesão corporal grave: reclusão de 1 a 3 anos (art. 122, §1º, CP);
3- Morte: reclusão de 2 a 6 anos (art. 122, §2º, CP);
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Ex2.: se a vítima, 13 anos, induzida a cometer suicídio, executa a conduta e o resultado for:

4- Lesão corporal leve: reclusão de 6 meses a 2 anos duplicada (art. 122, caput c/c art. 122, §3º,
CP); total: reclusão de 01 a 04 anos.
5- Lesão corporal grave: reclusão de 2 a 8 anos (art. 122 §6º c/c art. 129, §2º, CP);
6- Morte: reclusão de 6 a 20 anos (art. 122 §7º c/c artigo 121 do CP).

2- Crime de Infanticídio (art. 123, CP):


Infanticídio. Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena – detenção de dois a seis anos.

Conceito: trata-se de um homicídio praticado pela genitora contra o próprio filho,


influenciada1 pelo chamado estado puerperal durante ou logo após o parto. Justamente em razão
destes sintomas fisiopsicológicos da gestante é que a doutrina entende o infanticídio como uma
espécie de privilegiadora do homicídio, porém previsto em um tipo próprio (artigo 123, CP), com
pena cominada de detenção de dois (02) a seis (06) anos.
Classificação do crime: trata-se de um crime próprio tanto para seu sujeito ativo (a gestante)
como para seu sujeito passivo (filho neonato), motivo pelo qual a doutrina o classifica como crime
bi próprio. Agora atenção, pois se a gestante matar seu filho neonato nas condições do artigo 123 do
CP e matar, também o neonato de outra mãe, responderá por infanticídio de seu filho, mas homicídio
do filho de outrem.
Concurso de agentes no infanticídio: a doutrina diverge a respeito do reconhecimento da
possibilidade do concurso de agentes (coautoria e participação) na prática do infanticídio. A doutrina
clássica de Nelson Hungria e Magalhães Noronha – em que pese divergências no passado – coadunam
com a tese desta possibilidade, entendendo que a expressão estado puerperal é uma circunstância
pessoal elementar do delito, sendo comunicável, conforme o artigo 30 do CP, aos coautores e
partícipes.
Assim, se a gestante parturiente e o médico decidem executar o núcleo do tipo matar o
neonato, estando a mulher nas condições do artigo 123 do CP, ambos respondem por infanticídio

1
Rogério Sanches Cunha, citando Julio Fabbrini Mirabete, define o estado puerperal como sendo “os caos em que a
mulher, mentalmente sã, mas abalada pela dor física do fenômeno obstétrico, fatigada, enervada, sacudida pela
emoção, vem a sofrer um colapso em seu senso moral [...] chegando a matar seu próprio filho [...] sob o trauma da
parturição e dominada por elementos psicológicos peculiares, se defronta com o produto talvez não desejado e temido
de suas entranhas”. Ademais, CUNHA esclarece que a expressão sob influência prevista no tipo penal pode compreender
de 06 dias a 06 semanas. (CUNHA, 2021). O Brasil adotou, portanto, o critério fisiopsicológico nestes casos.
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em coautoria. Agora, caso o médico auxilie a parturiente, fornecendo instrumentos para que mãe
puérpera mate seu filho neonato, a mãe responde por infanticídio e o médico também, mas na
condição de partícipe.
Forma culposa: em que pese divergência doutrinária, Cézar Roberto Bittencour,
acompanhado de Mirabete e Capez entende ser possível à gestante matar imprudentemente o filho
neonato sob influência do estado puerperal; em sentido contrário, Damásio entende pela atipicidade
do fato, haja vista ser inviável atestar a prudência ou diligência normal em uma mulher acometida de
desequilíbrio psíquico em decorrência do estado puerpério (CUNHA, 2021).

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