Efésios 2020
Efésios 2020
Comentário Bíblico
O Bom Ministro e Sua Doutrina
Bibliografia.
ISBN 978-65-00-63563-8
1. Bíblia 2. Bíblia - Análise 3. Bíblia -
Comentários 4. Bíblia - Estudo I. Título.
23-147034 CDD-220.7
Índices para catálogo sistemático:
1. Bíblia : Comentários 220.7
Henrique Ribeiro Soares - Bibliotecário - CRB-8/9314
Efésios 2
Efésios
Introdução1
1.Autor da carta
Paulo, o apóstolo. Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom são as Epístolas da prisão.
Sabemos que Paulo foi preso algumas vezes. Clemente de Roma diz que Paulo foi preso sete
vezes. Os pais da Igreja aceitaram, sem restrição, a autoria de Paulo. O próprio escritor se
identifica (1.1 e 3.1).
3.Cidade
Éfeso foi uma cidade greco-romana da Antiguidade situada na costa ocidental da Ásia Menor,
próxima à atual Selçuk, província de Esmirna, na Turquia. Durante o período romano, foi por
muitos anos a segunda maior cidade do Império Romano, apenas atrás de Roma, a capital do
império. Tinha uma população de 250.000 habitantes no século I a.C., o que também fazia dela
a segunda maior cidade do mundo na época. A cidade era célebre pelo Templo de Ártemis
(Diana), construído por volta de 550 a.C., uma das Sete Maravilhas do Mundo. O templo foi
destruído, juntamente com muitos outros edifícios, em 401 d.C. por uma multidão liderada por
São João Crisóstomo. O imperador Constantino I reconstruiu boa parte da cidade e ergueu
novos banhos públicos, porém a cidade foi novamente destruída parcialmente por um
terremoto, em 614.
Éfeso foi uma das Sete Igrejas da Ásia citadas no livro bíblico do Apocalipse. Há em Éfeso um
grande cemitério de gladiadores. As ruínas de Éfeso são um importante ponto turístico
internacional da região.
4.Objetivos da carta
1) Apresentar o conceito da Igreja Universal (Ef 1.22-23). Diferente de Colossenses que se
refere à igreja local.
2) Incentivar os crentes lembrando-os de sua posição e herança em Cristo nos lugares celestiais
(Ef 1.1-14).
3) Esclarecer que não apenas os gentios são aceitos por Deus em Cristo, mas que judeus e
gentios crentes formam um Corpo, a Igreja. Esse é o mistério antes encoberto (Ef 2.16 e 3.3).
1
1.Informações técnicas, tais como data, local e autoria tiveram como fonte o livro “Introdução ao Estudo do NT”
de Broadus David Hale, JUERP, 1983, RJ
2.A elaboração das “dificuldades e curiosidades” foi desenvolvida por Pércio Coutinho Pereira
Efésios 3
4) Promover um andar digno dos crentes através da prática do revestimento de Cristo (Ef 4.17-
32 e os capítulos 5 e 6).
5.Versículo-chave da carta
O versículo 3.10 descreve a extensão da Igreja Universal e Invisível, pois vai além deste mundo.
Os demônios são colocados de frente com a Igreja. Essa Igreja é um plano eterno de Deus,
porém, jamais se soube dela até que o Senhor levantasse o apóstolo Paulo para explicar de
modo sistemático e detalhado, embora a igreja tenha surgido em Atos 2.
6.Tema e palavras-chaves
“Lugares celestiais” é uma expressão importante nessa carta porque atinge a essência do que é
a Igreja Universal. O tema ou assunto da carta é “Unidade da Igreja”. No decorrer da história, as
denominações ofuscaram o conceito de unidade da igreja. No entanto, a Palavra de Deus
continua como a maior declaração da unidade da Igreja. Outras palavras importantes da carta
aos efésios: dispensação, plenitude, herança, promessa e unidade. A palavra “mistério” aparece
6 vezes e é muito significativa nesse livro (1.9, 3.3-4, 3.9, 5.32 e 6.19).
2) Os crentes estão assentados nas regiões celestiais. É um ensino, talvez, pouco mencionado. A
posição do crente é dupla. Ele está em Cristo, no céu. Ele está fisicamente na terra. No céu não
há pecado, mas na terra, há pecados diários. No céu não há expulsão, portanto, na terra, o
crente jamais voltará a ser um perdido (Ef 2.6).
3) Uma divergência de alguns é a afirmação de que nunca houve Igreja no Velho Testamento,
inclusive, nos dias de Jesus na terra. Alguns fazem com que a Igreja tenha posição retroativa, ou
seja, Israel era a Igreja do V.T. e a Igreja, hoje, é a substituição de Israel (Ef 3.9).
4) Jesus levou cativo o cativeiro. Entende-se que depois dos 40 dias de Jesus ressurreto, Ele
levou todos os salvos que estavam no Paraíso, o lugar dos salvos que morreram antes da cruz
de Cristo. Agora, com os pecados perdoados, antes apenas cobertos, podem se encontrar com
Deus. Depois disso, todos os crentes que morrem neste mundo se encontram imediatamente
na Presença de Deus (Ef 4.8).
6) Há uma luta espiritual, invisível para nós. Nossa responsabilidade não é entrar nessa batalha,
pois acontece fora de nossa esfera, mas revestir-nos da armadura de Deus (Ef 6.12).
Efésios 4
2) O Espírito Santo está para sempre no crente. É um selo de garantia. O crente é propriedade
de Deus, portanto, é empenho do Espírito Santo e não do crente em manter a salvação. A
garantia da salvação é ilustrada por esse selo e esse penhor (Ef 1.13 e 4.30).
3) Paulo usa figuras para representar a Igreja, Cristo e os crentes: concidadãos, fundamento,
pedra de esquina, edifício, templo e morada (Ef 2.19-22).
4) Talvez a maior sentença da Bíblia, onde Paulo começa um assunto e insere um intervalo que
se encontra em Ef 3.1 e 14.
5) Uma prática pecaminosa precisa ser substituída por uma virtude de Cristo. É a figura de
despir-se e revestir-se (4.24-29).
7) Paulo não via a prisão como empecilho de ser um pregador do Evangelho. Ele dá uma
posição especial ao evangelista prisioneiro. É um embaixador em cadeias (Ef 6.20).
“Não há paz sem que haja a graça. Não há paz nem graça, a não ser em Deus Pai e no Senhor
Jesus Cristo; e até mesmo aqueles que estiverem na melhor condição de santificação,
necessitarão de novas provisões da graça do Espírito, e mais desejo de crer.”2
2.O louvor é dado ao autor das bênçãos, que é o Deus-Pai. Deus é Pai de Jesus Cristo, sendo
Este gerado do Pai não no sentido de Existência mas de relação, pois Cristo é co-Eterno com o
Pai. Entendemos que o Filho se submeteu ao Pai voluntariamente. Portanto, essa hierarquia
está na relação de funções e não de importância de Pessoa. As bênçãos são do tipo espirituais e
completas, pois diz “todas as bênçãos espirituais”. Portanto, são palavras indefiníveis, pois
quais são as bênçãos que temos? Nós próprios não sabemos exatamente. Mesmo as bênçãos
mencionadas para nós na Bíblia, são entendidas apenas de modo superficial. Para não
numerarmos as bênçãos (pois deixaríamos muitas de fora), resumimos que essas bênçãos
espirituais se referem à participação do crente com a natureza de Cristo, ou seja, por sermos
herdeiros com Cristo teremos e seremos tudo o que Ele tem e é, sem, contudo, nos tornarmos
deuses. O local das bênçãos vê-se imediatamente que não é na terra. Portanto, não se pode
comparar com bênçãos tais como: sustento financeiro, bens obtidos, ou qualquer esfera que
2
Comentário Bíblico de Matthew Henry – Ef 1.1-2 (Casa Publicadora das Assembleias de Deus - 3ª Edição - 2003)
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seja menos do que celestial. A expressão “regiões celestiais” só aparece em Efésios (1.3,20, 2.6,
3.10 e 6.12). Este lugar pode ser a habitação de Deus, dos anjos e dos remidos; mas pode ser
também a habitação dos anjos caídos e Satanás. O contexto é que determinará a que lugar se
refere e aqui, claro, refere-se à habitação de Deus. É importante notar que as bênçãos já foram
dadas aos crentes (passado). Portanto, não há nenhuma bênção que, potencialmente, não
tenhamos em Cristo Jesus (v.3).
3.O crente é eleito, isto é, “escolhido” por Deus “em Cristo”. Porém, só é salvo quem aceita a
mensagem. Portanto, tem algum tipo de participação do crente: na resposta positiva ao
chamado de Deus. Jamais se diz que um incrédulo é eleito, mas somente o crente é eleito. O
propósito da Eleição é muito mais do que a mera mudança de endereço: do inferno para o céu,
mas é um propósito sublime: “o da transformação segundo à imagem de Cristo”, tornando-nos
santos e irrepreensíveis diante da Santidade Dele. Tudo baseado no amor (“em amor”). Dois
erros muito comuns do crente estudioso: 1º) Ao estudar Romanos 1.18-32, que trata da
culpabilidade do homem, relacionar com o assunto sobre salvação 2º) Ao estudar sobre Eleição,
que trata da exclusividade da salvação e segurança do crente, relacionar com o assunto sobre a
culpabilidade do homem (v.4).
4.Deus predestinou o crente, isto é, Deus “delimitou uma fronteira” ou “ordenou de antemão”
o crente. O crente é beneficiado com a predestinação para ser “filho de adoção”, que é tratado
em Rm 8.15, onde o “filho de adoção” ou “filho adulto” é aquele que recebe todos os direitos
do pai, sendo um com ele. Nenhum incrédulo é predestinado, mas somente o crente. Já vimos
que a Predestinação e Eleição estão fundamentadas no amor de Deus, e agora, o texto
acrescenta “segundo o beneplácito de sua vontade”, ou seja, “segundo a boa vontade de
Deus”. “Beneplácito” significa “satisfação”, “prazer” (v.5-6).
5.Graças à morte de Cristo temos a redenção. Todo o estudante da Bíblia já está familiarizado
com a doutrina da Redenção (“libertação por meio de resgate”). Por esta remissão baseada na
morte de Cristo, tivemos nossos pecados desconsiderados, perdoados e a partir deste estado,
podendo participar das bênçãos que serão mencionadas a seguir (v.7).
6.A quantidade da graça de Cristo sobre nós foi mais do que suficiente e foi alicerçada “em toda
a sabedoria e prudência”. Deus derramou Sua graça de modo inteligente e, portanto, elimina-se
a ideia de Salvação por Obras, que é uma tentativa da mente humana de “comprar a Graça de
Deus” (v.8).
8.“Nele” é a mesma expressão que “em Cristo” e é a ênfase deste capítulo. Em Cristo temos
todas as bênçãos que estão sendo mencionadas. Uma verdade gloriosa para o crente é que
este receberá uma herança, que é Cristo Jesus, e participará de tudo que Ele tem e é. Mas aqui
enfatiza outra verdade que não se contradiz, mas se completa. O crente não apenas receberá
uma herança, como ele próprio foi feito herança. O conceito de Predestinação e o louvor
resultante são repetição dos v.5-6. A expressão “nós, os que antes havíamos esperado em
Cristo”, tem que se referir aos judeus salvos, pois estes, enquanto judeus piedosos, esperavam
em Cristo (no Messias), e agora salvos em Cristo, gozam da mesma Eleição com os gentios
salvos. “Nós” porque Paulo se inclui como judeu salvo. Nós que não fomos do 1º século
estranhamos as palavras de Paulo, colocando os gentios em segundo lugar na Salvação, pois
classificamos os judeus como aqueles que rejeitaram a mensagem e os gentios como aqueles
que aceitaram, mas devemos nos lembrar que a Igreja Primitiva foi composta quase que
totalmente de judeus salvos e não de gentios. Somente no final do 1º século é que o número de
gentios foi-se avolumando na Igreja (v.11-12).
9.O v.13 muda o pronome para “vós”, ou seja, outra classe de crentes, os gentios salvos, que
“ouviram e creram na palavra da verdade”. O Espírito Santo selou os crentes, marcando-os para
um destino seguro. Este selo é a habitação do Espírito Santo no crente e não pode ser
associado com qualquer ato externo. O Espírito Santo é o penhor da nossa herança para o
resgate da propriedade. Penhor quer dizer garantia, portanto, o Espírito Santo é a garantia que
temos de receber a herança. A pergunta é: “o que falta para recebermos toda a herança?” A
resposta é: “A redenção do nosso corpo”. Então, nada mais faltará para gozarmos dessa
herança, enquanto isso, tanto a herança quanto o herdeiro estão guardados (1 Pe 1.4-5).
Resgataremos essa herança (propriedade) um dia e até que chegue este dia, a nossa esperança
é o selo (a garantia) dentro de nós mesmos, o Espírito Santo. Toda essa esperança redunda em
louvor e glória a Deus, por isso, enquanto nesta terra, não lamentamos, mas louvamos a Deus,
aguardando a bendita esperança, que se tornará em posse (v.13-14).
10.Embora Paulo já tinha visto por si mesmo, no momento não estava entre eles, e por isso,
dependia de informações e estas eram as melhores. O que Paulo falará nos versículos seguintes
são baseados nos anteriores, ou seja, os crentes são selados com o Espírito Santo e herdeiros
da posse de Deus. Paulo ora para que recebam o pleno conhecimento de Deus. A fama dos
efésios é que criam no Senhor e amavam os irmãos. Assim devia ser entre nós, medindo “o
crescimento da fé e do amor e não no sucesso externo da nossa organização eclesiástica”.
H.E.Alexander observou que oito vezes nas epístolas Paulo dá testemunho da fé e do amor
daqueles a quem se dirige, para dar graças a Deus por isso (Rm 1.8, 1 Co 1.4, Ef 1.15-16, Fp 1.3-
5, Cl 1.3-5, 1 Ts 1.2-3, 2 Ts 1.3 e Fl 4-5) (v.15).
Efésios 7
11.Não é difícil orar pelos irmãos, o difícil é continuar orando. Cada crente tem uma esfera de
influência pela qual é responsável por cuidar e orar, tendo sempre em mente (ou em
anotações) acompanhando com informações, cuidados e orações. Desta forma, oração é muito
mais do que um favor, mas é um dever do crente. Isto nos faz pensar na responsabilidade em
aceitar ser um intercessor por alguém que não teremos contato, ou ainda, atender um
compromisso em orar por alguém que pertence à esfera de influência de outro crente. O difícil
é saber qual a medida exata para cada uma destas partes, se é que existe uma medida exata.
Por isso, dependemos do Espírito Santo para orar (v.16).
12.Havia, sim, o dom de Sabedoria e de Conhecimento, mas aqui Paulo ora a Deus para que
todos os crentes efésios recebessem de Deus a capacidade para conhecê-Lo. Não fica claro se o
“espírito” neste versículo é o Espírito Santo ou o espírito do homem, sendo que não faz
diferença na interpretação, uma vez que o homem precisa da iluminação do Espírito Santo para
entender as coisas de Deus. É claro que este conhecimento não é para salvação, visto que Paulo
se dirige aos que já estão salvos. Trata-se do conhecimento que o crente vai possuindo de Deus
e aumentando, sendo uma experiência individual, mediante o estudo da Bíblia e comunhão
através da oração. Devemos, assim, entender que Paulo ora pelos efésios, mas que a resposta
dessa oração atingirá os que, de fato, se aproximarem de Deus em estudo e oração (v.17).
13.Os olhos do coração é apenas outra maneira de dizer espírito ou alma, aquele lugar íntimo
do homem que precisa se relacionar corretamente com Deus para que haja vida abundante.
Outra forma de dizer é “homem interior do coração” e limita-se ao crente (Rm 7.22, 2 Co 4.16,
Ef 3.16 e 1 Pe 3.4). O crente precisa dessa iluminação do Espírito Santo para saber três
verdades: A esperança da vocação, as riquezas da glória da herança dos santos e a suprema
grandeza do poder de Deus para com os crentes. Parece uma repetição desnecessária das
palavras “poder, força e eficácia”, mas cada uma descreve a maravilhosa mão de Deus ao salvar
um pecador (v.18-19).
“A plenitude. Aquilo que está cheio. ‘Ela (a Igreja) é a contínua revelação de Sua vida divina na
forma humana’. Pode-se ver que a verdadeira oração inclui uma abundância de louvor.
Adoração de nosso maravilhoso Deus deveria ter a precedência sobre nossas petições egoísticas
e ego-centralizadas. Como nossas vidas seriam diferentes se orássemos assim uns pelos outros
continuamente!”3
As certezas do crente
Efésios 1.15-23
1.A certeza da nossa herança espiritual (v.15-18)
2.A certeza do poder de Cristo em nós (v.19-21)
3.A certeza da supremacia da igreja (v.22-23)
2.O padrão de vida dos efésios, particularmente, era baseado na imoralidade, idolatria e
feitiçaria. Seguiam o curso deste mundo, ou seja, a fluência natural em que todos estão, o
mesmo tipo de vida. De fato, nada anormal para a mentalidade do mundo. O que poucos
sabem é que a mentalidade do mundo é estigmatizada (marcada) por Satanás, que é o regente
das forças da maldade, que ficam no ar (nas regiões celestiais). É bom saber o que este
versículo não quer dizer. Não significa que os incrédulos estejam cientes que estão seguindo a
mentalidade de Satanás (2 Co 4.4). Muito menos significa que os incrédulos são possuídos pelos
demônios (endemoninhados). Há um espírito que opera nos incrédulos, ou seja, por detrás da
3
Comentário Bíblico Moody – Ef 1.23 (Editado por Charles F. Pfeiffer – Imprensa Batista Regular 4ª impressão
2001)
Efésios 9
desobediência existe o originador do mal, o qual, como já foi visto, é Satanás. “Filhos da
desobediência” é uma expressão usada pelos judeus, que caracterizam uma pessoa por suas
virtudes ou defeitos. Exemplos: Judas era o filho da perdição; Barnabé era o filho da
consolação; João era o filho do trovão (v.2).
3.No versículo 3 Paulo passa a falar dos judeus, nos quais ele se inclui. Embora os judeus, na
época de Paulo, não estavam envolvidos com idolatria e feitiçaria como os pagãos gentios,
estavam obedecendo os desejos pecaminosos da carne e igualmente “filhos da ira”, ou seja,
aguardando de Deus a pesada mão de juízo. O v.3 expõe claramente que o homem é pecador
“por natureza” e não somente pelo meio em que vive. Portanto, a posição dos gentios pagãos e
judeus monoteístas incrédulos é a mesma: mortos nos delitos e pecados (v.3).
“O apóstolo descreveu de três modos, a esfera na qual os incrédulos vivem. Primeiro, é um estilo
de vida no qual as pessoas seguem os caminhos do ‘mundo’... Segundo, os não salvos seguem a
pessoa que está promovendo essa filosofia, ou seja, Satanás... Terceiro, não apenas a filosofia
do mundo guia os incrédulos e Satanás os controla, mas eles também ‘alimentam a carne.’”4
4.“Mas Deus” é a expressão que mudou nossa sorte. Fazemos bem em observar que o mérito
não é nosso do tipo “mas nós...que cremos, que aceitamos”. A referência a nós é somente que
estávamos separados de Deus. Ele providenciou a salvação e nós aceitamos. A misericórdia de
Deus nos alcançou, não uma misericórdia que apenas se compadece, mas aquela misericórdia
que faz algo baseado no amor. É inútil tentarmos separar muito os conceitos de Misericórdia e
Amor de Deus, pois uma virtude completa outra e nós somos beneficiados. Mas vale, sim,
observar que houve uma quantidade abundante dessas virtudes (“rico em misericórdia” e
“muito amor”). “Deus nos amou”, isto é, gentios e judeus, separados como povos, juntos como
pecadores e agora unidos no mesmo alvo do amor de Deus (v.4).
5.O começo do v.5 é repetição do v.1, o que é acrescentado é que fomos vivificados
juntamente com Cristo. É verdade que fomos vivificados por Cristo, mas também é verdade,
como diz o versículo, que fomos vivificados juntamente com Cristo, mostrando nossa
identificação na morte e ressurreição de Cristo. Já vimos que o mesmo poder que ressuscitou
Cristo foi exercido em nossa salvação; aqui vemos que não só foi o mesmo poder como a
mesma ressurreição. Como nossa posição é em Cristo é impossível estarmos separados Dele, e
portanto, estamos com Ele nos lugares celestiais em glória (v.5-6).
7.Tudo isto aconteceu por causa da graça divina, conforme nos mostra o v.8. A dificuldade
deste versículo é identificar a que se refere a palavra “isto”, que é dom de Deus: a graça ou a fé.
A seguir uma breve explicação na língua original, conforme John Stott e outros comentaristas
nos apresentam (v.8-9).
“Nunca devemos pensar na salvação como sendo um tipo de transação entre Deus e nós, onde
Ele contribui com a graça e nós contribuímos com a fé. Estávamos mortos, e teríamos que ser
vivificados para podermos crer. ‘Isto’ (touto) é neutro, ao passo que ‘fé’ é um substantivo
feminino. Devemos entender, portanto, que ‘isto’ refere-se à totalidade da frase anterior: ‘pela
graça de Deus sois pessoas que foram salvas mediante a fé, e a totalidade deste evento e desta
experiência é... o dom gratuito de Deus para vós’.”5
4
Notes on Ephesian, pg. 28 – Ef 2.2-3 - Dr. Thomas L. Constable (Published by Sonic Light - 2014 Edition)
5
A mensagem de Efésios, pg. 56 – Ef 2.8 – John R.W. Stott (ABU editora – SP -2ª ed. 1987)
Efésios 10
8.Podemos concordar com a explicação da língua grega. O que não vem de nós é o dom de
Deus para a salvação, mas temos de discordar da salvação em dois tempos ou, como alguns
chamam, “a doutrina da regeneração”. O escritor citado ensina o que é comum para os
aliancistas, que o pecador é regenerado e depois salvo. Cremos que a regeneração já é a
salvação e que o pecador ao ouvir a mensagem pode responder “sim” ou “não”. A fé é o
instrumento usado por Deus para o homem receber a graça. A fé é a resposta positiva à graça
de Deus mediante o ouvir a Palavra de Deus. Se o homem não pode nem crer, então, não passa
de um robô, sujeito a alguma arbitrariedade, a qual, infelizmente, alguns chamam de
“soberania de Deus”. Este assunto é bem explicado nos livros “A fé dos Eleitos”, “Salvação
Seletiva”, “O que um Deus soberano não pode fazer” (artigo) e “What love is this?” (Que amor
é este?)
9.A graça derramada em nós será demonstrada por toda a eternidade, tendo como tema
principal a bondade de Deus para conosco em Cristo Jesus, que não é outra senão Sua morte
substitutiva. A palavra “feitura” é tradução da palavra grega “poiema” que significa “obra,
composição, poema”. Somos a obra de arte de Deus. Esta nova criação ou este poema foi feito
em Cristo Jesus com a finalidade de expressar-se em boas obras. Portanto, não somos salvos
por obras, mas somos salvos para boas obras. As boas obras não são dos crentes, mas de Deus,
preparadas de antemão. Os crentes apenas andam (vivem) nessas boas obras. As boas obras
preparadas por Deus estão incluídas na Salvação. Por causa de nosso zelo para com a doutrina
da Salvação pela graça, é possível não aceitarmos o fato de que as boas obras façam parte da sã
doutrina, também (v.7,10).
10.“Gentios na carne” refere-se ao estado natural, os que não nasceram judeu. Nada tem de
pejorativo em ser gentio na carne, muito embora, as obras pecaminosas acompanharam esses
povos, como também aconteceu com os judeus. Os judeus não consideravam um gentio apenas
como uma raça diferente dos semitas, mas uma religião diferente (“incircuncisão”). A
incircuncisão era uma maldição para os judeus, sendo que os povos incircuncisos eram
desprezados. Paulo reserva um comentário crítico aos judeus quando diz “pelos que na carne
se chamam circuncisão, feita pela mão dos homens”. A circuncisão só tem valor se
acompanhada de obediência, senão é apenas uma cirurgia por mãos humanas e não pela mão
de Deus no coração (v.11).
11.Os gentios perdiam por não estarem ligados à comunidade de Israel, não por causa da nação
em si, mas por causa do benefício maior dessa comunidade, o Messias Jesus Cristo. Os gentios
não tinham nenhum benefício dos pactos de Israel. Os gentios não tinham esperança alguma,
pois sua crença não lhes dava nenhuma esperança futura, apesar das crenças em algum tipo de
vida futura, mas sem confirmação de Deus (Rm 8.16). Os gentios estavam vivendo no mundo
sem Deus, não porque não adoravam deus, aliás tinham muitos deuses, mas não o Deus
verdadeiro. As desvantagens dos gentios eram muitas, independente se sabiam ou não delas.
Os gentios foram aproximados graças à morte de Cristo Jesus (v.12-13).
12.Cristo é a nossa paz. Esta verdade ensina algo a respeito da busca da felicidade. O crente
não busca a paz (ou felicidade), o crente busca a Pessoa de Jesus Cristo, que é a própria paz.
Não existe mais comunidade de Israel, mas uma única comunidade, que é a Igreja, onde se
Efésios 11
reúnem judeus e gentios, sem, contudo, terem esses títulos. Graças a essa união e derrubada
de muro, hoje existe um novo povo: a Igreja. Paulo chama no v.15 de “novo homem”, que não
se refere ao crente individual (que também é um novo homem), mas à Igreja, como um novo
Corpo. Por lógica doutrinária, falamos que a Igreja é composta de gentios e judeus, quando, de
fato, já não existem judeus e gentios, mas uma nova criação, uma nova raça, a feitura de Deus
(v.14-15).
13.Judeus e Gentios são considerados povos diferentes somente por definição étnica, mas no
que diz respeito à Igreja, são um só povo. Gentios e Judeus precisavam de reconciliação com
Deus e entre si. A cruz resolveu o problema da reconciliação com Deus e, por conseguinte, a
reconciliação entre esses dois povos. Jesus evangelizou esta paz aos que estavam longe (os
gentios) e aos que estavam perto (os judeus). Jesus mesmo não evangelizou os gentios, e nem a
maioria dos judeus, por isso, devemos entender que essa evangelização se deu por seus
discípulos (Jo 14.12). Como filhos, todos temos acesso ao Pai, por causa do Filho, Jesus Cristo,
unidos num mesmo Espírito. Portanto, a Trindade uniu judeus e gentios neste plano
maravilhoso, a Igreja (v.16-18).
14.Ainda parece que Paulo refere-se aos gentios desprezados, unidos à família de Deus, da qual
os judeus eram membros. Mas não pode ser diferente, pois embora os judeus também se
convertam, não podemos dizer que estavam longe de Deus. Essa casa, a família de Deus, tem
alicerce e este são os apóstolos e os profetas: os profetas anunciavam o Messias sem conhecê-
Lo e os apóstolos conviveram com Ele. São a base para a Igreja, sendo que Jesus é Aquele que
une judeus e gentios neste alicerce, como pedra da esquina, que une duas paredes. Tanto o
corpo quanto o edifício crescem até sua edificação completa. Da mesma forma, o objetivo da
salvação é o crescimento no Senhor. Todos os crentes são edificados para Deus, através do
Espírito Santo, habitar dentro dessa construção, a Igreja. Não existe nenhuma organização
maior que a Igreja, o Corpo de Cristo, Edifício de Deus (v.19-22).
2.Será que Paulo está falando para um grupo de efésios que não “tinha ouvido” ou Paulo está
dizendo o que já sabiam, mas de modo mais aprofundado? Não há como saber, pois o texto
não esclarece. Paulo recebeu uma “dispensação” (um ofício, uma ordem, uma mordomia) para
distribuir entre os gentios. É como um mordomo ou gerente que tem a incumbência de
distribuir entre seus subordinados alguma coisa. Este mordomo deve administrar bem o que
recebeu (veja 1 Co 4.1-5). A tarefa de Paulo era transmitir aos gentios a graça salvadora de
Deus. Neste sentido não podemos nos comparar ao apóstolo dos gentios, pois nem Pedro, nem
outros apóstolos puderam se comparar a ele devido à essa responsabilidade específica (v.2).
Efésios 12
3.Se a revelação que Paulo recebeu não for a de Gálatas 1.11-16, não sabemos a que ele se
refere. Paulo foi salvo de modo diferente e chamado para esta comissão de modo diferente
também. Recebeu instrução de modo especial, através de revelações. Até mesmo assuntos que
Jesus nunca se pronunciou (por exemplo Ceia), Paulo recebeu instrução de como a Igreja deve
proceder. Paulo recebeu revelação do Mistério, que adiante falará de modo mais completo.
Este mistério não pode ser a conversão dos gentios, pois isto nunca foi mistério. Não sabemos a
que escrito Paulo se refere quando diz “conforme escrevi a pouco, resumidamente”. Se ele está
falando dos parágrafos anteriores desta epístola ou de alguma outra carta que teria escrito,
uma vez que Paulo se comunicava muito por carta e, evidentemente, nem todos seus escritos
entraram para o cânon (v.3).
4.No v.4 Paulo afirma que os efésios entenderão de que se trata este Mistério, bastando para
isto continuar a ler. Claro, subentende-se que esta leitura é acompanhada da iluminação do
Espírito Santo e com bastante meditação e estudo. Aqui Paulo chama este Mistério de
“Mistério de Cristo”. É curioso notar que ele faz de fato este assunto um mistério, pois não
explica logo de início, mas dá uma longa introdução (v.4).
5.No v.5 Paulo reafirma que é um Mistério no sentido exato da palavra, pois no passado nada
foi revelado a este respeito. Isto quer dizer que por maiores privilégios que tiveram os judeus,
este Mistério foi escondido deles. Somente agora, através do Espírito Santo, foi revelado aos
santos apóstolos e profetas. Profetas, é claro, do N.T. Quanto ao tratamento “santos” para os
apóstolos é totalmente bíblico, sem termos que nos preocupar com o Catolismo Romano, que
supostamente adora estes santos. Desta forma é perfeitamente correto dizer São João, São
Tomé, São Paulo, São Pedro, etc. (v.5).
6.Finalmente no v.6 Paulo desvenda o Mistério de Cristo, que também pode ser chamado o
“Mistério da Igreja”. Sobre a herança que temos já foi mencionada no capítulo 1, agora Paulo
amplia este conceito mostrando com muita alegria que judeus e gentios são herdeiros juntos
no mesmo corpo e participam juntos da mesma promessa. Portanto, uma parte do Mistério da
Igreja é que gentios e judeus participam da mesma promessa, juntos num mesmo corpo, o
Corpo de Cristo Jesus, a Igreja (v.6).
7.Note que Paulo foi feito ministro e não que respondeu a algum tipo de visão em obediência,
como nós estamos fazendo. As palavras de Paulo indicam que nada mereceu, mas que foi
“segundo o dom da graça de Deus”, graça esta que lhe foi dada com a operação do poder de
Deus. No v.8, fica claro que Paulo se sentiu muito pequeno diante de tão grande
responsabilidade. Sem dúvida Paulo carregava a tristeza de ter sido o perseguidor número um
da Igreja de Cristo. Paulo tinha o ministério único e específico: o de anunciar o Evangelho aos
gentios, aqui chamado de “as riquezas inescrutáveis (ou insondáveis) de Cristo”. A dispensação
desse mistério, a Igreja, esteve oculta em Deus. Portanto, quem entender que o Mistério que
Paulo está falando é a Igreja, obrigatoriamente, terá que admitir que não há nenhuma menção
da Igreja no V.T. (v.7-8).
8.Paulo oferece um grande desafio missionário quando diz “demonstrar a todos”. Este Mistério
esteve guardado e, agora que foi revelado, deve ser demonstrado a todos, pois são obra da
criação de Deus (v.9).
7.É por intermédio da Igreja que a multiforme sabedoria de Deus será manifestada aos anjos no
céu. Os anjos admirarão a maravilhosa obra de Deus, a Igreja. O modo como a sabedoria de
Efésios 13
Deus é demonstrada pela Igreja não é único, mas é multiforme, ou seja, de muitas formas os
anjos apreciarão o desempenho da Igreja. A Igreja não é monótona e estática, mas é muito
dinâmica e os poderes angelicais se alegram com isto e querem sempre aprender e entender (1
Pe 1.12), pois até a estes seres Deus ocultou Seu plano e agora está sendo revelado através da
Igreja. Deus teve sempre um plano em mente: o de um dia manifestar o “seu eterno propósito”
em Seu Filho. Este propósito é o Mistério da Igreja. Graças ao Senhor Jesus Cristo temos um
acesso ousado diante de Deus, confiando que não seremos consumidos, pois estamos em
Cristo (v.10-12).
8.Paulo volta ao pensamento do primeiro versículo, “prisioneiro de Cristo”. Ele sofreu muito
para que os gentios experimentassem a bênção do Mistério da Igreja. No sofrimento de Paulo
os crentes têm sua glória, pois através dos sofrimentos do apóstolo os gentios conheceram a
glória de Cristo. Paulo não está dizendo isto para se sentirem culpados, mas para desfrutarem
da alegria. Paulo abriu o caminho para os gentios serem aceitos por Deus, através das viagens
missionárias (v.13).
9.Aqui é a continuação da oração, apenas iniciada no v.1. A oração nesta posição (“de joelhos”)
era bem usada nos tempos bíblicos do V.T. e também no N.T. A razão porque Paulo se coloca
em oração diante do Pai é a mesma do v.1, ou seja, para os crentes compreenderem a
profundidade da fé de estarem unidos num só Corpo. O Pai é o chefe desta família, ou seja,
todos os crentes. “Tomar o nome” tem o sentido de “pertencer” (Tg 2.7). Assim sendo, todos os
que pertencem ao Pai tomam o seu nome, estando em posse Dele. Não devemos entender que
os anjos fazem parte da Igreja, mas, sim, que pertencem ao Pai e, portanto, neste caso, somos
todos da mesma família. Nesta grande família parte está nos céus (os que já dormiram no
Senhor), parte está na Igreja, em muitos lugares da terra, parte são anjos de luz e parte está
nos céus, mas não fazem parte da Igreja (Hb 2.11) (v.14-15).
10.Aqui, a oração propriamente dita. Já vimos, anteriormente, a menção das riquezas da glória
de Deus. Nunca será possível contemplar toda essa suprema riqueza, porém, basta para nós
saber que estamos crescendo nessa riqueza “de glória em glória”. Com base nessas riquezas,
Paulo ora a Deus que os crentes sejam fortalecidos (“robustecidos”). Isto mostra que a firmeza
do crente depende também da oração de outros por ele. Esse poder não é inerente a nós, mas
é o poder de Deus operado em nós pelo Espírito Santo. O crente não é poderoso, mas é o
Espírito Santo que habita nele que é o poder. O crente é apenas receptáculo de onde o Espírito
Santo pode demonstrar-Se. O homem interior é o novo homem, portanto, só pode se referir ao
crente. É no homem interior que o poder do Espírito Santo atua. Paulo roga a Deus que este
homem interior se fortaleça com o poder. Portanto o primeiro pedido de Paulo foi força
interior (v.16).
11.O segundo pedido de Paulo foi habitação de Cristo no coração. Este pedido soa estranho aos
ouvidos de quem crê e defende que com a habitação do Espírito Santo no crente, Cristo passa a
habitar o crente permanentemente. Embora Cristo habite nos corações de todos os crentes, Ele
habita de modo diferente nos corações de alguns crentes (veja Jo 14.23, por exemplo). Todos
os que são salvos é porque creram no Salvador Jesus Cristo. Para isto foi preciso fé. Uma vez
que isto aconteceu, Cristo habitou este crente. Portanto, ele não precisa exercer fé para Cristo
continuar no coração dele, pois foi um fato ocorrido no momento da salvação. Porém, este
crente precisa exercer fé a cada dia para experimentar esta habitação de Cristo (v.17).
Efésios 14
“1º) Paulo está pedindo pelos crentes, para que Cristo habitasse em seus corações. Portanto,
não está rogando a Deus pela conversão.
2º) Ser crente significa que Jesus Cristo está em nós (2 Co 13.5).
3º) A resposta está no termo grego: “paroikesai” = habitar, mas o usado tem o prefixo “kato”
(“abaixo”). Portanto passa a significar “instalar-se e estar em casa”. Cristo habita todos os
crentes, mas será que está “em casa” em todos os crentes?
4º) Em Ap 3.20, também é uma palavra aos crentes (à igreja de Laodiceia), erroneamente usada
em evangelismo.
5º) Paulo já sabia o que era ter Cristo como hóspede especial em seu coração (Gl 2.20: “vivo, não
mais eu, mas Cristo vive em mim”).
6º) Jesus falou aos discípulos (já crentes, Jo 15.3), que “um dia” Cristo habitaria neles (Jo 14.20-
23).”6
13.Paulo passa a explicar qual era o objetivo de pedir a Deus que os efésios estivessem
fortalecidos e habitados por Cristo. O crente no nível de maturidade apresentada por Paulo em
sua oração é capaz de compreender, juntamente com outros santos do mesmo nível, a verdade
fundamental do amor de Cristo. Isto mostra que nosso conhecimento não pode ser uma
caminhada solitária, mas outros devem nos acompanhar e crescer conosco. Muitas
interpretações curiosas sobre essas medidas têm-se dado, porém, devemos ficar somente com
a interpretação que o amor de Cristo é, imensuravelmente, vasto, não é possível medir o amor
em largura, altura, profundidade e comprimento, por isso, os crentes nunca compreenderão
em toda a plenitude o amor de Cristo, como diz o próximo versículo “que excede todo o
entendimento” (v.18)
6
As insondáveis riquezas de Cristo, pg. 127-129 – Ef 3.17 - Dr. David Martin Lloyd-Jones (PES – Publicações
Evangélicas Selecionadas – SP – 1ª ed. 1992)
Efésios 15
15.É comum nos escritos de Paulo concluir com uma doxologia, quando o assunto é muito
profundo. O louvor é dirigido Àquele que é poderoso para fazer tudo quanto pedimos ou
pensamos, sem nenhum limite de medida, utilizando para isto o poder que está em nós.
Lembre-se do poder que está em nós da salvação, e da ressurreição (1.19-20). Portanto, o
poder de Deus em nós não está limitado às nossas orações e pensamentos (conhecimentos).
Mais ainda chegamos à conclusão: “A vida cristã é a vida que Cristo vive em mim”. Já que Paulo
enfatizou tanto a importância e preeminência da Igreja, ele continua com a ênfase ao dizer que
a glória é dada ao Pai, na Pessoa de Cristo Jesus, por meio da Igreja. A Igreja é o instrumento na
terra para glorificar a Deus. Alguém pode glorificar a Deus fora de uma igreja local, mas nunca
fora da Igreja Universal Invisível. O assunto de louvor daqui por diante é assunto pertinente à
Igreja de Cristo. Por todas as eras que se seguem. Assim concluímos a “parte doutrinária” de
efésios (v.20-21).
“Segue-se, então, uma magnífica doxologia. Paulo já pediu grandes coisas, mas entende que
seus pensamentos e suas aspirações mais sublimes nunca podem esgotar os recursos de Deus.
Assim sendo, ele vai além, e pede que Deus opere infinitamente mais do que o coração humano
possa esperar ou imaginar, além de tudo quanto pedimos ou pensamos (20). O alicerce desta
esperança e confiança repousa no fato de que o poder do Espírito de Cristo opera em nós.”7
2.O pedido de Paulo é fervoroso, para tanto apela para seu estado atual: o de prisioneiro. Os
termos “vocação” e “chamados” estão, estritamente, ligados ao ensino de Salvação, e,
portanto, se refere a todos os crentes. Note 1 Ts 5.24, um texto que tem sido muito usado
como se fosse “vocação missionária” (v.1).
3.Uma vez que todos os crentes são vocacionados e chamados, o pedido de Paulo é para que
todos os crentes andem de modo digno da Salvação, ou seja, de modo digno de Deus. Alguns
tentam diferenciar “humildade” de “mansidão”, atribuindo à primeira virtude o relacionamento
para com Deus e à mansidão o relacionamento para com os homens. O manso não é
complacente, mas é aquele que, embora tolerante e misericordioso para com os erros alheios,
pode agarrar-se com muita firmeza aos princípios de Deus, sem admitir que a injustiça suplante
a justiça. A paciência para com o próximo é uma virtude pouco encontrada, mas é o resultado
do amor. Sem se importar se “suportar” é “servir de apoio” ou “tolerar com paciência”, pois
reúne essas duas ideias, cada um deve ter paciência com o outro, pois somente assim é que
conseguiremos andar juntos. Agindo assim, conforme discorrido acima, o crente já estará se
esforçando para preservar a unidade do Espírito Santo que é uma realidade em nossa posição
7
Novo Comentário da Bíblia – Ef 3.20 (Editado pelo Prof. F. Davidson, MA,DD. Editado em Português pelo Rev. D.
Russell P.Shedd, MA, BD, PhD – Edições Vida Nova – São Paulo – SP – 2000)
Efésios 16
celestial, mas que precisa ser, também, na vida diária. A paz, entenda-se do Espírito Santo, é o
laço da união dos crentes (v.2-3).
4.UM SÓ SENHOR - Refere-se a Cristo, diante do qual todos devem prestar contas, pois
não há quem chame alguém de Senhor que não lhe deva satisfação pelos seus atos.
5.UMA SÓ FÉ - Refere-se àquela fé salvadora, igual para todos. Não há quem tenha
exercido mais fé ou menos fé no momento da Salvação. Há sim, manifestações distintas,
devido aos traços culturais, de personalidade, de ambiente, ou de ênfase, mas a fé
salvadora é a mesma para todos os crentes.
6.UM SÓ BATISMO - Refere-se à união mística (invisível, mas real) de todos os crentes.
Não se trata do ritual do batismo e nem sequer o modo como este é realizado. Todos os
crentes são “colocados dentro do Corpo de Cristo”, a Igreja. Este é o Batismo.
7.UM SÓ DEUS E PAI - Refere-se ao único Deus dos crentes, e também dos judeus, que
embora não sejam todos salvos, têm o mesmo Deus e Pai, por mais triste que pareça.
5.Antes de falar dos dons, Paulo enfatiza a graça de Cristo, como um dom inerente de Sua
Pessoa. Cada crente recebe algum dom, seja este qual for, segundo a graça de Jesus (Rm
12.3).O v.8 é a citação de Sl 68.18, onde, provavelmente, ilustra uma das muitas investidas do
rei Davi, quando de volta trazia os cativos, subindo a Jerusalém e distribuindo os despojos ao
povo. Mas no que se refere a Cristo ao subir é fácil entender que se trata da Ascensão. Qual foi
o “cativeiro que Ele levou cativo” é que não é tão fácil de saber, pois o texto não diz,
absolutamente, nada de conclusivo. A interpretação bem aceita por alguns é que o texto se
refere ao deslocamento dos santos, no Hades, para a Presença de Deus, no céu, quando da
Ascensão de Cristo. Após a Ascensão de Cristo, levando os salvos junto com Ele, dispensou dons
aos homens crentes, uma vez que ainda não existia a Sua Igreja. O v.9 reforça o ensino de que
Cristo antes de subir (Ascensão), desceu. Na primeira epístola de Pedro 3.19, há um ensino
sobre a descida de Cristo às regiões inferiores. O v.10 reforça o ensino de Ef 1.23, sobre a
plenitude de Cristo, dando a ideia de que Cristo completou tudo com Sua Ascensão. Os dons,
propriamente ditos, estão no versículo 11, onde se referem a servos capacitados, sendo
presenteados à Igreja (v.7-11).
6.Não há limite para o conhecimento, a varonilidade e estatura de Cristo, mas mesmo assim o
alvo é este, o que faz os dons necessários para o Corpo de Cristo crescer. O crescimento não
Efésios 17
pode ser visto, apenas, como individual. O v.13 mostra claramente que o Corpo é que cresce
(“até que todos”). Por causa das novidades, muitos crentes acabam sendo arrastados por
ventos de doutrinas contrários à sã doutrina. Muito provavelmente, Paulo estava pensando nos
gnósticos, pois eles eram homens fraudulentos que enganavam muitos crentes, desviando-os
da sã doutrina. A verdade de Cristo, com a motivação correta, o amor a Ele e à Sua Igreja, é a
segurança contra os fortes ventos da heresia (v.12-15).
“Quando começamos uma viagem, normalmente, é bom procedimento ter o destino final
claramente definido. Isso também é verdade no reino espiritual. A vida cristã é semelhante a
uma peregrinação (1 Pe 2.11) e seria vantajoso para todos os envolvidos no ministério cristão
ter o ponto de término da peregrinação em foco bem nítido. O ministério é mais efetivo quando
o objetivo é mantido numa visão clara. O apóstolo Paulo tinha uma compreensão lúcida do que
Deus queria para ser cumprido no corpo de Cristo e nas vidas de seus membros. Ele sempre
mantinha esse objetivo diante dele e compartilhava com outros em muitas ocasiões.”8
7.O denominacionalismo é uma ideia que temos que aprender a conviver, mas de modo algum
reflete a Unidade do Corpo, segundo este versículo. O Corpo, a Igreja, tem apenas uma Cabeça,
Cristo Jesus. A harmonia neste Corpo é por causa de Cristo e não por causa de alguma
organização humana bem-sucedida. Seria uma pobreza muito grande alguém pensar que as
“juntas” e “cada parte” refiram-se às igrejas locais e, pior ainda, às igrejas irmãs de sua
denominação. O Corpo de Cristo não é e nunca será esfacelado. O Corpo de Cristo cresce para
si mesmo e não para outras organizações. O objetivo de Cristo dispensar dons para Seu Corpo é
a edificação desse Corpo para que cada vez mais esse Corpo cresça e se assemelhe com a
Cabeça, Cristo. Muitos gostam de fazer distinção entre “O cabeça”, referente a “autoridade” e
“A cabeça”, referente ao membro do corpo (v.16).
8.Não se trata de um assunto totalmente novo, mas uma continuação do ensino maravilhoso
de unidade de semelhança à Cristo (“Portanto”). Entre os gentios tudo era possível em termos
de perversidade. A advertência para os crentes, através da expressão “não andeis”, mostra que
é possível andar como incrédulo mesmo sendo crente. A “vaidade” dos gentios não se trata,
necessariamente, de exibicionismo de vida como roupas, bens, etc., mas de uma vida vazia,
sem propósito, inútil. Os homens estão separados de Deus e indesculpáveis, como mostra o
v.18, “pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração”. Por causa de uma mente vazia
e longe de Deus, os homens se agarraram aos pecados, fazendo como se fossem criação deles
mesmos, patenteando esses pecados em suas vidas (v.17-19).
9.“Se” em português sugere dúvida, condição, mas no grego (“ei”) nem sempre significa isso,
mas, às vezes, mostra ênfase ao invés de dúvida (“uma vez que, visto que, desde que”). Como
no v.21, Paulo não está duvidando que os efésios tenham ouvido e aprendido, mas “uma vez
que” ouviram e aprenderam devem andar de modo santo. (Veja também 1 Co 15.2, onde “se”
não se trata de dúvida ou condição, mas ênfase, “uma vez que”, no grego “ei”). Os efésios
viveram como vivem os gentios. Aliás, o mundo continua igual, o crente foi quem tomou outro
rumo. De uma vida de corrupção para uma renovação da mente. Muda-se a mentalidade de
8
Like Christ: An Exposition of Ephesians 4:13, pg. 259 - Richard L. Strauss (Copyright 1997 by Dallas Theological
Seminary and Galaxie Software - Bibliotheca Sacra - BSAC 143:571 Jul 1986)
Efésios 18
alguém e serão mudados todos seus hábitos e procedimentos. Paulo se utiliza da figura de
alguém que se despe e coloca outra roupa para ilustrar como é a vida do crente em relação à
prática passada de pecado (v.20-24).
10.A mentira por ser um hábito. Mentiras podem surgir até nas ações mais nobres do crente:
ao pregar, nas histórias contadas, no uso de exemplos, etc. O processo é 1º) tirar a roupa velha,
2º) vestir a roupa nova e 3º) andar com a roupa nova. Este versículo não pode ser uma desculpa
para o iracundo. O versículo mostra, também, o perigo de uma ira duradoura, mesmo se esta
for aquele tipo de ira justificada. Deus é o que resolve as injustiças e, portanto, são as mãos
Dele, e não as nossas, que resolvem. A ira, seja ela de que espécie for, quando prolongada dá
liberdade para o diabo agir. O ladrão não apenas deixa de roubar, mas trabalha e ajuda outros.
Nova linguagem não se refere apenas a deixar de falar palavrões ou palavras obscenas, mas a
ser comedido nas palavras. O Espírito Santo se entristece. A própria habitação Dele em nós já é
motivo para o Espírito Santo gemer, devido ao fato de não poder livremente glorificar a Deus a
qualquer momento (v.25-28).
“A ira em si mesma não é pecaminosa. É atribuída mesmo à Pessoa de Deus (1 Rs 11.9, 2 Rs 17.18, Sl 7.11,
79.5, 80.4, Hb 12.29) e a Cristo (Sl 2.12, Mc 3.5, Jo 2.15-17). Em verdade, na época em que vivemos, bem
que poderia usar-se um pouco mais de ‘justa indignação’ contra todo tipo de pecado. Também, quanto
mais ira cada crente exerça contra os seus próprios pecados, melhor será. Entretanto, a ira, especialmente
com relação ao próximo, facilmente se degenera em ódio e ressentimento. Amar o pecador e ao mesmo
tempo odiar seu pecado requer uma boa dose de graça.” 9
11.Não há limite para o perdão. Embora perdão não deva ser confundido com falta de punição.
Cristo pagou um alto preço pelo perdão (v.29-32).
“Chocarrices é a tradução de uma palavra que significa ‘fácil de alterar’. O que sugere um tipo
de pessoa com facilidade para distorcer qualquer declaração e transformá-Ia em piada vulgar. O
senso de humor apurado é uma bênção, mas quando associado a uma mente impura ou a
motivações abjetas, transforma-se em maldição. Algumas pessoas astutas são capazes de, em
um instante, poluir qualquer conversa com piadas sempre inoportunas (‘inconvenientes’). É
muito melhor ter na ponta da língua ações de graças ao Senhor! Esta é, sem dúvida, a maneira
mais apropriada de dar glória a Deus e de manter pura a conversa.”10
2.O filho da luz é conhecido por sua transformação. A advertência aos crentes mostra que é
possível andar como filhos das trevas, mesmo sendo filhos da luz. O crente pode tornar-se
cúmplice, quando aceita sem contestar ou, na pior das hipóteses, até participa dos pecados dos
filhos das trevas. A maneira de submeter-se à luz é denunciar as obras das trevas. Servir como
farol na praia. Os pecados são, de modo geral, ocultos. Devido ao orgulho, à reputação a ser
mantida e por causa dos padrões aprendidos (v.8-13).
9
Efésios, pg. 271 – Ef 4.26-27 – William Hendriksen (Casa Editora Presbiteriana – SP – 1ª ed. 1992)
10
Comentário Bíblico Expositivo do NT, pg. 57 – Ef 5.4 – Warren W. Wiersbe (Editora Geográfica – 1ª edição 2006)
Efésios 19
3.As palavras de Paulo, dele ou de alguma outra fonte combinam com outras passagens (Is
51.17, 52.1, 60.1, 9.2). O significado dessa citação pode ser simbólico, sendo que ele está
falando das obras das trevas, o imperativo é despertar dessas obras mortas e viver por Cristo,
em santidade de vida. Paulo não fala de legalismo, mas de discernimento, que é o andar normal
do crente. Remir tem o sentido de aproveitar as oportunidades. A cada dia as oportunidades
surgem (Cl 4.5). Os dias são maus e poucos. Sempre estaremos atrás, pois o inimigo está
sempre à frente destruindo o solo pelo qual vamos passar e atrás tentando destruir o que
estamos fazendo (v.14-17).
4.Bebidas alcoólicas (Pv 23.29-35, Dt 21.20-21, 1 Co 5.11, 6.9-10, Gl 5.19-21, Ef 5.18, Pv 20.1,
Amós 6.1,6, Hq 2.15, Pv 31.4-5, Is 28.7-8). Portanto a bebedice é pecado. Porém, o vinho tinha
valor medicinal e anestésico em caso muito grave (Pv 31.6, 1 Tm 5.23, 2 Sm 16.2, Lc 10.34). Em
nossa modernidade isso não é mais necessário, pois a farmacologia é muito desenvolvida. A
Bíblia não proíbe o uso do vinho, porém, não precisamos tentar provar o perigo do excesso.
Parece não ser difícil chegar ao excesso. Para muitos, o difícil é manter-se longe do excesso e,
por isso, cada crente precisa levar esse tema a Deus para tomar suas decisões. Embora o
assunto seja a Plenitude do Espírito Santo no crente, o tema bebida é citado diretamente no
texto (v.18).
5.A Plenitude do Espírito significa ser controlado ou dominado pela presença e o poder do
Espírito Santo. Não é como encher um recipiente, em que pode estar vazio, pela metade, cheio
ou transbordante. Isto porque o Espírito Santo é uma Pessoa e não algo como uma influência,
fluindo ou uma energia. O Espírito Santo já nos habita, somos selados por Ele para Deus. Ele
não nos abandonará e nem sairá de nós, como acontecia no V.T. (Sl 51.11). Portanto, Plenitude
ou estar cheio do Espírito Santo é dar acesso a Ele para dominar nossas vidas (v.18).
“Muitos entendem Efésios 5.18 como uma ordem para se encherem do Espírito Santo.
Geralmente, os professores ensinam que o crente se rende ao controle do Espírito Santo. Isto é,
Paulo manda que os crentes sejam continuamente cheios do Espírito Santo. Cada crente tem
todo o Espírito Santo, mas este versículo manda que o Espírito Santo tenha todo o crente. O
controle do Espírito Santo deveria caracterizar o andar cristão.”11
6.Distinção entre Batismo com o Espírito Santo e Plenitude do Espírito Santo (v.18).
11
Ephesians 5:18 Holy Spirit or Human Spirit? - Professor Clifford Rapp, Jr. (CTS Journal (Spring/Summer 1996), a
publication of Chafer Theological Seminary, Fountain Valley, CA)
Efésios 20
7.A ordem da Criação definiu a liderança do marido, e por isso mesmo, não pode ser cultural.
“Como ao Senhor” quer dizer “por amor a Ele e para Ele”. Deixando de lado os exageros e
desrespeitos que havia entre os judeus e em outras sociedades nos tempos antigos e também
atuais, a ordem continua a mesma: a mulher submete-se ao marido. Devemos lembrar que o
texto é uma continuação do assunto da Plenitude do Espírito, que promove algumas atitudes
nos crentes, sendo a submissão da esposa ao marido, apenas uma dessas atitudes. Lembremos
também que o v.21 diz que os crentes estão sujeitos uns aos outros. Neste aspecto, portanto, o
marido deve se lembrar que no relacionamento entre irmãos está sujeito à sua própria esposa,
embora no casamento a esposa esteja sujeita a ele. O ensino principal é de Cristo e a Igreja.
Portanto, é um ensino para os crentes. Os abusos acontecem por falta de amor, mas também
por falta de compreensão do que é o verdadeiro amor (v.22-30).
8.A instituição do casamento é divina (Gn 2.24, Mc 10.6-9). Deixar pai e mãe abrange a
independência geográfica, emocional e financeira. O fato do primeiro casal não ter pai e mãe
mostra que esta ordem é universal, visto que para eles a única aplicação era concernente aos
filhos. Embora a instituição do casamento seja uma bênção maravilhosa de Deus, e até mesmo
um mistério, neste texto serve como ilustração de uma verdade maior e mais bela: o
relacionamento de Cristo com Sua Igreja, o Mistério da União de Cristo com a Sua Noiva, a
Igreja. Mas Paulo, no v.33, diz que, embora o casamento seja uma verdade menos importante e
menos abrangente, os princípios usados nos versículos acima correspondem à vontade de Deus
para os seus filhos (v.31-33).
12
Um ensino muito errado, mas cada vez mais popular é que para amar alguém é preciso primeiro amar a si
mesmo. O nosso problema não é que amamos pouco a nós mesmos, mas pelo contrário, o problema é que nos
amamos muito a ponto de desprezarmos o próximo. Jesus não disse para amarmos primeiro a nós mesmos para
sermos capazes de amarmos o próximo, mas simplesmente Ele disse para amarmos ao próximo como amamos a
nós mesmos. Já amamos a nós mesmos, precisamos é amar o próximo.
Efésios 21
4.Pureza (v.26)
5.Palavra (v.26)
6.Indissolubilidade (v.27)
7.Cuidado (v.28-29)
8.Exclusividade (v.30-33)
“Algumas formas pelas quais os pais podem tornar-se culpados deste erro [de irritar os filhos] ao
educar seus filhos...
1.Por excesso de proteção... Ex: ‘Só entrem na água quando aprenderem a nadar’. Mas o fato é
que os filhos precisam aprender a nadar. É certo que devem ser advertidos dos grandes perigos.
2.Por favoritismo... Gn 25.28
3.Por desestímulo... Ex: ‘Papai, vou estudar bastante para ser um médico (ou um advogado ou
um pastor, etc). Como resposta: `Você bem que poderia esquecer disto. Isto nunca acontecerá’.
4.Por não reconhecer o fato de que o filho está crescendo e, portanto, tem o direito de ter suas
próprias ideias, e que não é necessário que seja uma cópia exata de seu pai para ter êxito na
vida.
5.Por negligência... 2 Sm 14.13,28. Absalão errou, mas Davi não se tornou culpado de alguma
forma, também?
6.Por meio de palavras ásperas e por crueldade física direta [Quando o castigo físico se torna
hábito de espancamento].”13
4.Paulo não ignorava a guerra espiritual, as forças do bem e do mal e nem ignorava a
necessidade de armar-se contra esses poderes. Nenhum crente deve ignorar que existe uma
batalha espiritual e saber como lidar com essa situação presente e duradoura, no que diz
respeito à nossa presença neste mundo (2 Co 11.14, 2.11). No entanto, alguns aproveitadores
da situação, dando um enfoque novo para esta guerra e observando a fascinação de alguns por
coisas do além e misteriosas, acabaram se beneficiando e enganando muitos. A Igreja não deve
gastar mais energia e tempo em assuntos que podem ser vistos como tantos outros na vida
cristã. Portanto, o assunto é sério, mas não mais sério como “falar a verdade”, “amar a esposa”,
“ser submissa ao marido”, “temer ao senhor”, “não maltratar os escravos”, “honrar pai e mãe”,
“não irritar os filhos”, “amar a Deus sobre todas as coisas”, “amar o próximo como a si mesmo”,
etc. Os assuntos da vida cristã têm igualdade e simultaneidade (v.10-11).
“Ele adverte que tomemos ‘toda’ a armadura de Deus (Ef.6.11). Tomar apenas uma parte é
inútil. De que adianta ao guerreiro proteger o coração e deixar a cabeça exposta? Que adiantará
se, estando a cabeça e o coração protegidos, as pernas forem quebradas pelo inimigo? Assim,
precisamos da verdade, da justiça, do evangelho, da fé, da salvação, da Palavra de Deus e da
oração em Espírito. Se faltar um desses elementos, esta pode ser a brecha por onde o inimigo
tentará nos destruir.”14
5.Carne e Sangue mostram inferioridade de força, pois se fossem essas forças que deveríamos
lutar a guerra seria mais fácil, muito embora sangue seria derramado. Mas há um perigo maior
que o ser humano (carne e sangue). Os principados e potestades são hierarquia de anjos
celestiais maus. Os príncipes do mundo são os demônios. É impossível sabermos qualquer coisa
da hierarquia dos demônios, mas basta sabermos que existe. As forças inimigas são espirituais,
invisíveis, mas pessoais, pois são demônios e não “influências ou forças”. O mundo tenebroso
são as regiões celestiais do mal, mas também o mundo onde vivemos que é cheio de homens
maus e o próprio sistema mundial é regido pelo mal (v.12).
6.Diante desses inimigos, o crente precisa de uma armadura para se proteger, mas que tenha
alguma peça de ataque para não retroceder. A armadura perfeita não é nossa, mas é de Deus
que preenche a necessidade humana, pois é acessível a nós e preenche a necessidade
espiritual, pois guerreará contra seres invisíveis. Muito já foi escrito sobre essa armadura e suas
peças. Uma pesquisa visual nos ajuda a ilustrar esse belo ensino. Aqui, vamos resumir dizendo
que Deus quer que toda a vida cristã esteja protegida e preparada para a luta espiritual. O
crente se mantém protegido pela verdade da Palavra de Deus. Alguém já observou que não há
proteção para as costas, pois o soldado não deve dar as costas ao inimigo e um soldado deve
proteger a retaguarda do amigo. A justiça de Cristo é nossa guarnição também. O inimigo não
pode nos acusar e ter sucesso, pois somos justificados por Cristo Jesus. Nós devemos nos
preparar para sair e pregar o evangelho que traz paz aos que creem. O Senhor é nosso escudo
como lemos em vários salmos. Nossa mente será protegida com o capacete da salvação. Somos
já protegidos dos ataques do inimigo. Nosso ataque é com a Palavra, a qual corta mais do que
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Epístola de Paulo aos Efésios – Ef 6.11 - Prof. Anísio Renato de Andrade (SEBEMGE - Seminário Batista do Estado
de Minas Gerais – sem data)
Efésios 23
qualquer espada de dois cortes. Somente a Palavra de Deus pode convencer o pecador a crer
(v.13-17).
7.Após o revestimento da armadura de Deus é preciso, ainda assim, a oração em todo o tempo.
A oração por outros soldados em batalha, também, é oportuna (“por todos os santos”). A
oração no Espírito não é um tipo especial de oração, mas é a oração como na verdade é: na
união com o Espírito Santo e não palavras pronunciadas e elaboradas apenas com nosso
intelecto. A oração deve ser em todo o tempo. Isto é, em qualquer situação. Evidentemente, o
crente não passa todos os momentos orando, nem mesmo em pensamento. No entanto, o
crente deve estar sempre pronto a orar. O apóstolo Paulo, numa atitude de dependência e
humildade pede socorro aos irmãos por meio das orações. O pedido de oração de Paulo,
embora pudesse ser mais pessoal, é no sentido de que a obra de Deus, através dele, tivesse
progresso. A maneira de ganhar pessoas para Cristo é pregando, mas também orando a Deus.
Paulo, mesmo em cadeias, não perdia de vista o seu ministério de ganhar pessoas para o
Senhor. Paulo, como bem sabemos, era ousado no falar, mas mesmo assim ele dependia do
Senhor e não de sua própria coragem (v.18-20).
8.Paulo não abrigava dentro de si nenhum tipo de falsa modéstia. Ele bem sabia que todos
queriam saber dele, por isso, Tíquico seria seu correspondente. Tíquico era um daqueles
obreiros que preenchiam as brechas deixadas por alguma emergência (como em Tt 3.12).
Outras referências sobre Tíquico são At 20.4, Cl 4.7, 2 Tm 3.12. O amor deve ser acompanhado
de fé e podemos dizer que a fé deve ser acompanhada do amor. Tanto o amor como a fé são
virtudes do Senhor Jesus presenteadas aos crentes. Esse amor só pode ser dado pelo Senhor,
pois é incorruptível. Em Rm 5.5 temos base para afirmar que o próprio Espírito Santo é quem
manifesta esse amor em nossos corações para amarmos a Jesus (v.21-24).
Notas
1. 1.Informações técnicas, tais como data, local e autoria tiveram como fonte o livro
“Introdução ao Estudo do NT” de Broadus David Hale, JUERP, 1983, RJ
2.A elaboração das “dificuldades e curiosidades” foi desenvolvida por Pércio Coutinho
Pereira