Instituto Superior Politécnico de Gaza
Pós-graduação
Mestrado em Agroecologia
2º Semestre
Disciplina: Avaliação do Impacto Ambiental
Tema: Estudo de caso: Areias Pesadas de Chibuto
Discente: códigos
Beto João Chirindzane 2024M03
Cacilda da Conceição Filipe Jairosse 2024M08
Docente:
Prof. Doutor: Tomé Francisco Chicombo
Lionde, Dezembro de 2024
Índice
1.INTRODUÇÃO..............................................................................................................2
1.1.Objetivos......................................................................................................................3
1.2.Objectivo Geral..........................................................................................................3
1.3.Objectivos Específicos................................................................................................3
2.REVISÃO BIBLIOGRAFIA..........................................................................................4
3.METODOLOGIA...........................................................................................................6
3.1. Caracterização da empresa areias pesadas de Chibuto...............................................6
3.1.2. Prováveis impactos ambientais................................................................................7
3.1.2.1.Desmatamento e Alteração do Solo:......................................................................7
3.1.2.2.Contaminação da Água:........................................................................................7
3.1.2.3.Emissões de Poeira e Poluentes:............................................................................7
3.1.2.4.Poluição:................................................................................................................7
3.1.2.5. Mudanças Climáticas:..........................................................................................7
3.1.2.6. Impactos Socioeconômicos:.................................................................................7
3.1.2.7. Perda de Patrimônio Cultural:..............................................................................7
3.1.2.8. Erosão e Sedimentação:........................................................................................8
3.2. Impacto ambiental positivo........................................................................................8
3.2.1. Restauração Ecológica:...........................................................................................8
3.2.2. Valorização Cultural e Educacional:........................................................................8
3.2.3. Desenvolvimento Sustentável:................................................................................8
3.2.4. Pesquisa Científica:.................................................................................................8
3.3.Estudo do caso do reassentamento da população afectada pelo projeto.....................8
3.4.1. Acesso a água potável e energia..............................................................................9
3.4.2. Possíveis medidas de mitigação............................................................................11
4. CONCLUSÃO.............................................................................................................13
6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................14
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1.INTRODUÇÃO
Os recursos naturais colocaram a África como destino económico das economias
capitalistas e a partir de então, começou a notabilizar-se o cruzamento entre os países
em busca de recursos, renascendo, com efeito, o interesse científico de realização de
pesquisas sobre o assunto. A relação entre a abundância de recursos naturais, sua
exploração e impacto no desenvolvimento tem marcado o discurso interpretativo
dominante sobre a indústria extrativa em muitos países africanos detentores de recursos
naturais. Segundo (Nelson Maria Rosario, 2023) nas últimas décadas em Moçambique
surgem projetos ditos de desenvolvimento ou de crescimento económico, os quais estão
associados a grandes empreendimentos e à construção de grandes infraestruturas e
exploração dos recursos naturais. Estes têm diversos impactos em termos sociais,
económicos e ambientais, sendo um dos mais visíveis a apropriação de terras onde
vivem comunidades. Estas explorações causam efeitos não apenas para o ser humano,
mais de algum modo afecta de forma diferenciada os componentes do ambiente, tais
como a água, o ar, a luz a terra, os ecossistemas, a biodiversidade e as relações
ecológicas, toda a matéria orgânica e inorgânica e todas as condições socioculturais e
económicas que afectam a vida das comunidades
Neste contexto, a província de Gaza é detetora de areias pesadas no distrito de Chibuto
cuja a sua exploração é realizada pela empresa chinesa chamada Ding Sheng Minerals
desde 2018. O presente trabalho busca mensurar os impactos associados a exploração de
areias pesadas de Chibuto, tanto positivos quanto negativos, bem como identificar as
possíveis medidas de mitigação destes impactos. O mesmo enquadra-se no âmbito da
implementação dos conhecimentos teóricos adquiridos no Curso de Agroecologia
concretamente na Avaliação de impacto Ambiental ministrado pelo Instituto Superior
Politécnico de Gaza.
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1.1.Objetivos
1.2.Objectivo Geral
Analisar os efeitos da exploração das areias pesadas de Chibuto ao meio ambiente e
para a população afetada.
1.3.Objectivos Específicos
Identificar os pontos positivos e negativas na exploração das areias pesadas de
Chibuto ꓼ
Descrever a situação económica e social da população reassentada no novo
bairro de Nwahamuza ꓼ
Efectuar o levantamento das actividades praticadas no Distrito de Chibuto;
Identificar os impactos prováveis causados pela actividade decorrente da
exploração das areias pesadas em Chibuto;
Propor medidas de mitigação das consequências decorrentes da exploração ao
meio ambiente e à população residente nessa área de exploração.
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2.REVISÃO BIBLIOGRAFIA
Em Moçambique a descoberta de recursos minerais remonta da era colonial. Até aos
anos de 1960, o modelo de desenvolvimento seguido por Portugal, enquanto
colonizador, baseava-se na exploração económica de recursos naturais e no trabalho
forçado de indígenas em benefício de interesses metropolitanos (Castelo, 2014). Nesse
período, recursos como o carvão, as potencialidades de energia hídrica, o gás, entre
outros, eram apontados como exemplos cuja existência já era conhecida (Selemane,
2014). Nesse contexto, no conjunto dos recursos mineiras que tornaram o país mais
atrativo incluem-se as areias pesadas, com destaque para as areias pesadas de Moma na
província de Nampula, desenvolvidas pela multinacional irlandesa, a Kenmare Moma
Mining (Selemane, 2010). De igual modo, na província de Gaza, no distrito de Chibuto,
a sul do país localiza-se o depósito das areias pesadas, exploradas atualmente por uma
companhia de origem chinesa, a Dingsheng Mining (Ndanda, 2019).
A mina de exploração ocupa uma área de cerca de 10.840 hectares (Sogecoa, 2016).
Para viabilizar a exploração das areias pesadas de Chibuto ocorreu um reassentamento
da população que anteriormente vivia na zona tida como a área potencial de áreas
pesadas. Para Moph citado por (Nelson Maria Rosario, 2023), reassentamento
populacional é entendido como a deslocação ou transferência da população que tenha
perdido seus bens pelas enxurradas, de um ponto do território nacional para o outro,
dando a necessidade de restauração ou criação de condições idênticas ou acima do
padrão da vida anterior. O Banco Mundial citado por (Nelson Maria Rosario, 2023),
afirma que a qualquer reassentamento não imputável ao eminente domínio ou outras
formas de aquisição de terreno, apoiado pelos poderes do Estado. Os princípios
operativos na reinstalação voluntária são consentimento informado e poder de escolha.
Consentimento informado significa que as pessoas envolvidas são plenamente
conhecedoras do empreendimento e no poder de escolha, os afetados conhecem o
empreendimento e suas implicações e consequências e livremente concordam em
participar do projeto, isto significa que as pessoas envolvidas têm a opção de concordar
ou discordar com a aquisição de terras, sem consequências negativas impostas
formalmente ou informalmente pelo Estado.
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Estes autores tocam num aspecto comum ao evocar a perda de terra no processo de
reassentamento populacional, pois a terra é tida como a base sobre a qual são
constituídos os sistemas produtivos e formas de sobrevivência das populações. No
entanto, Noce citado por (Nelson Maria Rosario, 2023), considera o reassentamento
como o agente do desmantelamento das redes sociais e o capital social local, colocando
o homem como aquele que vê o seu sistema interrompido no processo de
reassentamento.
2.1.Localização geográfica do Distrito de Chibuto
O Distrito de Chibuto, com 5.700 Km2, situa-se a Sudeste da Província de Gaza. Faz
limite a Norte, com o distrito de Chigubo e com o distrito de Panda (província de
Inhambane). A Sul, separa-se com os distritos de Bilene-Macia e Xai-Xai. A Este com o
distrito de Mandlakazi e a Oeste com os distritos de Guijá e Chókwé. Em termos de
divisão administrativa possui seis (06) postos administrativos, nomeadamente Malehice,
Godide, Alto-Changane, Changanine, Tchaimite e Chibuto-Sede, sendo que neste último
é onde se localiza o Município de Chibuto. Possui ainda cerca de dezoito (18)
Localidades, trinta e três (33) Aldeias Comunais e vinte e quatro (24) povoados (MAE,
2005).
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3.METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa é de revisão de sistemática de literatura, visa esclarecer os
impactos da extração de areias pesadas de Chibuto para o meio ambiente e as pessoas
afectadas, bem como as possíveis medidas de mitigação. Para tal, o trabalho faz
referência a um estudo do processo de reassentamento da população anteriormente
residente na área de exploração. O estudo de reassentamento da população foi
desenvolvido por (Nelson Maria Rosario, 2023).
3.1. Caracterização da empresa areias pesadas de Chibuto
As areias pesadas de Chibuto, localizadas na província de Gaza, Moçambique, são
conhecidas por conterem uma grande quantidade de minerais valiosos. A exploração das
areias pesadas de Chibuto é realizada pela empresa chinesa Ding Sheng Minerals, que
iniciou suas operações em 2018. A empresa tem uma concessão de 25 anos e espera
extrair anualmente um milhão de toneladas de ilmenite, além de outros minerais1. As
areias pesadas de Chibuto contêm minerais como ilmenite, rutilo, zircão e terras raras1.
O titânio, extraído da ilmenite, é especialmente valioso e utilizado na produção de
tintas, plásticos, cosméticos e componentes de aeronaves.
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3.1.2. Prováveis impactos ambientais
A exploração das areias pesadas de Chibuto, conduzida pela empresa Ding Sheng
Minerals, tem um impacto ambiental significativo, que inclui tanto desafios quanto
medidas de mitigação. Aqui apresentamos alguns pontos principais:
3.1.2.1.Desmatamento e Alteração do Solo:
A extração de minerais requer a remoção de grandes áreas de vegetação, o que pode
levar à perda de biodiversidade e à degradação do solo.
3.1.2.2.Contaminação da Água:
O processo de mineração pode resultar na contaminação de corpos de água próximos
devido ao escoamento de resíduos e produtos químicos utilizados na extração.
3.1.2.3.Emissões de Poeira e Poluentes:
A atividade de mineração gera poeira e emissões de poluentes atmosféricos, que podem
afetar a qualidade do ar e a saúde das comunidades locais.
3.1.2.4.Poluição:
A exploração pode liberar poluentes no solo, água e ar, causando danos a ecossistemas
e à saúde humana. Produtos químicos utilizados na exploração podem contaminar
lençóis freáticos e solo.
3.1.2.5. Mudanças Climáticas:
A exploração de recursos fósseis ou florestais contribui para a emissão de gases de
efeito estufa, que agravam as mudanças climáticas. Isso pode ter efeitos abrangentes
sobre os climas regionais e globais.
3.1.2.6. Impactos Socioeconômicos:
O projeto das areias pesadas de Chibuto é avaliado em 400 milhões de dólares e
emprega atualmente cerca de 900 moçambicanos, com a expectativa de aumentar para
cinco mil empregados quando a produção estiver em plena capacidade. Embora a
exploração possa trazer benefícios econômicos, também pode causar conflitos sociais,
deslocamento de comunidades locais e até mesmo a degradação das condições de vida
de populações que dependem dos recursos naturais.
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3.1.2.7. Perda de Patrimônio Cultural:
Em casos de exploração descuidada, o que poderia ser preservado como patrimônio
cultural pode ser destruído. Sítios arqueológicos podem ser danificados
irreparavelmente pela exploração descontrolada.
3.1.2.8. Erosão e Sedimentação:
A remoção de vegetação e a escavação do solo podem aumentar a erosão, causando
sedimentação em corpos d'água e afetando a qualidade da água e a vida aquática.
Este projecto pela sua complexidade, localização e/ou irreversibilidade e magnitude dos
possíveis impactos configura uma cotegoria A+. Daí que requer uma melhor
3.2. Impacto ambiental positivo
3.2.1. Restauração Ecológica:
Após a exploração, pode haver oportunidades de restauração ecológica. Áreas que
foram degradadas podem ser recuperadas, plantando vegetação nativa e restaurando
habitats ecológicos.
3.2.2. Valorização Cultural e Educacional:
A exploração de áreas passadas pode levar à descoberta de artefatos históricos e
culturais que ajudam a preservar a história e a identidade de uma comunidade. Isso pode
resultar em um aumento do turismo e da educação ambiental.
3.2.3. Desenvolvimento Sustentável:
A exploração feita de forma responsável pode contribuir para o desenvolvimento
sustentável ao valorizar de maneira equitativa os recursos naturais. Isso inclui a
implementação de práticas de extração sustentável que minimizam o impacto ambiental.
3.2.4. Pesquisa Científica:
A exploração de áreas passadas pode proporcionar novas informações científicas sobre
ecossistemas antigos e mudanças climáticas, contribuindo para a pesquisa em biologia,
geologia e arqueologia.
3.3.Estudo do caso do reassentamento da população afectada pelo projeto
O bairro de reassentamento de Nwahamuza situa-se no Posto Administrativo de
Malehice. Segundo o Régulo Nwahamuza, o nome do bairro tem origem no nome do
régulo Nwahamuza que foi o primeiro líder tradicional da área na época colonial
(Nelson Maria Rosario, 2023). Esta comunidade possui 489 casas, das quais 304
habitadas por cerca de 1000 pessoas que ocupam uma área de 925.595 metros
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quadrados. Antes da construção do bairro de reassentamento, a área era uma floresta não
habitada e havia planos do Município de Chibuto para a sua transformação em bairro de
expansão autárquica. Hoje a mata transformou-se num bairro residencial como fruto do
processo de reassentamento levado a cabo pela firma chinesa em coordenação com o
governo distrital de Chibuto de modo a viabilizar-se o projeto de exploração de áreas
pesadas que o distrito possui.
3.4.Impactos positivos e negativos do reassentamento registados
A comunidade de Nwahamuza nas suas zonas de origem acessavam aos serviços de
saúde através da unidade sanitária localizado na sede célula Missavene, onde os
serviços oferecidos eram incompletos e a mesma unidade distava a 11km da
comunidade de origem. Nas suas zonas de origem, para os problemas de saúde mais
graves era necessário que a população se deslocasse ao Hospital rural do município de
Chibuto, que dista a aproximadamente 22km. Hoje, os problemas de saúde são
assistidos no mesmo local, pois a comunidade de Nwahamuza já conta com uma
unidade sanitária que oferta serviços básicos a comunidade.
“De onde viemos tratávamos as doenças com raízes e tubérculos porque o hospital
estava muito longe em célula Missavene, sofríamos com os transportes para ir ao
hospital e agora já temos hospital perto isso é muito bom”. (inquirido número 11,
2022).
Portanto, pode-se afirmar que quanto ao quesito acesso aos serviços básicos de saúde, o
processo de reassentamento melhorou o acesso a saúde aos habitantes da comunidade de
Nwahamuza, principalmente na facilidade que os mesmos passaram a ter no acesso aos
serviços de saúde quando comparado a zona anterior ou de origem.
3.4.1. Acesso a água potável e energia
Na comunidade de origem usavam a água do rio Nhangule, abriam poços para o
consumo, higiene pessoal e para o abeberamento do gado, não havia nenhum tratamento
da água. A distância das residências até à fonte da água era imensa. Em compensação
como resultado do processo de reassentamento, a Ding Sheng (empresa chinesa)
construiu um sistema de abastecimento de água para a comunidade, onde cada família
beneficia-se ou tem acesso ao precioso líquido. Não existe nenhuma comissão de água
para este sistema. A água é potável sendo boa para o consumo humano e outras
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atividades como higiene pessoal, lavagem de roupa e loiça. Hoje as famílias têm a água
por perto e sem custos adicionais, sendo este fato, dado como um dos aspectos positivos
trazidos pelo processo.
3.4.2. Acesso a atividades de rendimento
A maior parte das famílias que estão em Nwahamuza viviam da agricultura, da
pesca e da criação de gado. Produziam quantidades suficientes para o sustento das
suas famílias, os produtos de pequena necessidade, como açúcar, sal e sabão, eram
adquiridos no Mercado Municipal de Chibuto, com o reassentamento para
Nwahamuza, as famílias se viram sem seus meios de sobrevivência, visto que as
machambas estão distantes e não há emprego para obtenção de uma renda fixa.
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3.4.2. Possíveis medidas de mitigação
1. Planejamento e Gestão do Projeto
Zoneamento: Definir áreas onde as atividades podem ser realizadas e onde são
proibidas, considerando a sensibilidade do ecossistema local.
Segmentação: Dividir o projeto em etapas menores, permitindo monitoramento e ajustes
em tempo real.
2. Tecnologias Limpas e Práticas Sustentáveis
Uso de tecnologia verde: Incorporar tecnologias que minimizem a poluição e o consumo
de recursos, como equipamentos com menor emissão de poluentes.
Gestão de resíduos: Implementar práticas rigorosas de gestão de resíduos, incluindo
reciclagem e descarte apropriado.
3. Reabilitação e Recuperação de Áreas Degradadas
Após a conclusão das atividades, é essencial reabilitar a área explorada:
Restauro ecológico: Replantar espécies nativas e restaurar habitats naturais.
Monitoramento contínuo: Estabelecer um programa de monitoramento para avaliar a
recuperação da área ao longo do tempo.
4. Proteção da Biodiversidade
Criação de corredores ecológicos: Manter ou restaurar corredores que conectam
habitats, permitindo que a fauna se mova e interaja.
5. Engajamento Comunitário e Educação
Consulta às partes interessadas: Envolver comunidades locais e outras partes
interessadas no planejamento e na execução do projeto.
Educação ambiental: Promover atividades educacionais para conscientizar sobre as
práticas sustentáveis e a importância da preservação ambiental.
6. Monitoramento e Relatório de Desempenho
Monitoramento ambiental: Estabelecer um sistema de monitoramento para avaliar
continuamente os impactos das atividades.
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Relatórios transparências: Publicar relatórios sobre o desempenho ambiental para
garantir a transparência e a responsabilização.
7. Compliance e Regulamentação
Cumprimento de legislação: Garantir que todas as atividades estejam em conformidade
com as leis ambientais locais nacionais nomeadamente decreto 32/2003, decreto
54/2015 Diploma Ministerial n.º 129/2006 e demais leis ambientais vigentes em
Moçambique.
Licenciamento: Obtendo as licenças necessárias antes de iniciar atividades que possam
afetar o meio ambiente.
8. Minimização de Emissões e Poluição
Controle de poluição: Implementar medidas para reduzir a emissão de poluentes,
incluindo o controle de poeira.
Planos de emergência: Desenvolver e implementar planos de resposta a emergências em
caso de derrames ou acidentes ambientais.
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4. CONCLUSÃO
No âmbito da Avaliação do Impacto Ambiental não há evidências encontradas de que
esta empresa cumpre com o Plano de Gestão Ambiental. O que se observa é que esta
detém uma licença de exploração de 25 anos e prevê extrair anualmente um milhão de
toneladas de ilmenite. Com este período de concessão e a esse ritmo de exploração,
corre-se o risco extração massiva de areais pesadas sem medidas de compensação
claras. É necessário a empresa desenhar uma política de responsabilidade ambiental e
social de longo prazo onde o Estado assumiria o papel de fiscalizador da actividade. Por
outro lado, reina muita insatisfação com o processo de reassentamento populacional,
porque o mesmo é visto pelos visados mais como um instrumento de repressão e não
como uma medida que beneficia de certa forma os afetados. A principal causa da
insatisfação pretende-se ao fato de até hoje ainda não foram satisfeitas na totalidade os
pacotes de compensação acordados. Sobre os impactos socioeconómicos trazidos pelo
processo de reassentamento e levando em consideração a mensuração dos vários
indicadores escolhidos para avaliar a qualidade de vida, os dados mostram que apesar de
vários constrangimentos, registaram-se progressos, ou seja, um impacto positivo quer
nos indicadores relativos a condições básicas, como são os do acesso a saúde, educação,
a água potável e energia, quer nos relativos às condições de habitabilidade.
As atividades de exploração em áreas passadas trazem uma série de consequências
complexas para o meio ambiente. É essencial que qualquer atividade de exploração seja
realizada de maneira responsável e sustentável, levando em conta tanto os impactos
positivos quanto negativos, com o objetivo de minimizar danos e maximizar benefícios.
Recomenda-se a empresa exploradora ao seguir estritamente as Boas Praticas de Gestão
Ambiental e entrega de relatórios de actividade periodicamente.
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6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Bata, E. J., Barreira, C. M., & Maria , A. G. (2016). Impactos sócio-espaciais
e político econômicos dos megaprojetos de mineração em Moçambique.
Revista Campo Território, 11(22). doi:https://doi.org/10.14393/RCT112204
2. Castelo. (2014). Novos Brasis em Africa. desenvolvimento e colonialismo
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3. . Garcia, W. e. (2023). Extrative industries and society. Mocambique.
Macedo, Z. L. (2002). Os limites da economia na gestão ambiental. Margem,
203-222.
4. MAE. (2005). Perfil Distrital de chibuto. Ndanda. (2019). Mudumeia: A
zona isolada onde a vida é tão pesada como as areias que lá se extraem.
Maputo .
5. Nelson Maria Rosario, N. M. (2023). Impactol social e economico do
reassentamento do Distrito de Chibuto, Gaza/Mocambique . Selemane.
(2010). Questões à Volta da Mineração em Moçambique: Relatório Das
Atividades Mineiras em moma, centro de integridade publica . Maputo.
6. Selemane, M. e. (2014). Megaprojetos no meio rural, Desenvolvimento do
Território e Pobreza. Maputo.
7. Sogecoa. (2016). lano de Acção de Reassentamento do Projecto de
Exploração da IImenite no Deposito de areias pesadas de chibuto, provincia
de gaza, Mocambique. plano de accao. Mocambique .
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