TESE - RISCO PSICOSSOCIAL CARREIRA DOCENTE - ENSINO - SECUNDARIO CABO VERDE - 2023 - Eurídice Amarante. Tese Doutorado
TESE - RISCO PSICOSSOCIAL CARREIRA DOCENTE - ENSINO - SECUNDARIO CABO VERDE - 2023 - Eurídice Amarante. Tese Doutorado
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
DOUTORADO EM PSICOLOGIA EURÍDICE MAFALDA CARVALHO AMARANTE
Salvador
Maio, 2023
EURÍDICE MAFALDA CARVALHO AMARANTE
Salvador
Maio, 2023
Ficha catalográfica elaborada pelo Sistema Universitário de Bibliotecas (SIBI/UFBA), com os dados
fornecidos pelo(a) autor(a)
__________________________________________________________________________________
CDD: 316.6
________________________________________________________________________
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA - UFBA
Instituto de Psicologia - IPS
Programa de Pós-Graduação em Psicologia - PPGPSI
MESTRADO ACADEMICO E DOUTORADO
TERMO DE APROVAÇÃO
BANCA EXAMINADORA:
_____________________________________________
Prof. Dr. Antônio Virgílio Bittencourt Bastos
AGRADECIMENTOS
A realização deste trabalho não seria possível, se não tivesse apoio de diversas pessoas.
A todos que de uma forma ou de outra confiaram em mim e em meu trabalho, contribuindo com
sugestões, apoio financeiro e emocional, minha sincera gratidão! Concluindo esta jornada, registro
e destaco todo o apoio recebido pelas pessoas que estiveram envolvidos diretamente na elaboração
prontidão com que sempre atendeu as minhas solicitações. A todos os colegas do grupo de pesquisa
do professor Virgílio Bastos e do grupo do professor, Adriano Peixoto por me terem aceitado como
intrusa!!!
Agradeço ainda a todos os professores, das escolas secundárias da ilha de Santiago, onde foram
recolhidos os dados deste estudo, que gentilmente dispuseram seu tempo para responder ao
i
questionário da pesquisa, pois sem esta contribuição o desenvolvimento deste estudo não seria
possível.
Agradeço também ao Professor e colega Crispiniano Furtado pelo apoio técnico prestado. A
A José Manuel Moreira, nha aguia, grata por ter feito os números parecerem coloridos e acreditar
A minha família Soteropolitana adotiva de coração Dona Mariá, nunca senti tão bem fora de casa,
gratidão amiga Maria Papyros, pela inestimável amizade, pelo acolhimento em Salvador e
espiritual.
Agradeço ao meu irmão de coração, Elias Alfama, por ter transformado meus dias em Salvador
À minha família e, principalmente, ao meu pai (in memoriam) que continua presente em minha
vida, a sua presença tem sido um guia constante, por todo o significado de força, amor e dedicação
que trago até aqui. Às mulheres poderosas da minha vida, minha mãe, minhas irmãs e minhas
sobrinhas, não tenho palavras para agradecer o vosso apoio. Vocês são maravilhosas, generosas,
vigorosas, verdadeiras “anjos-da-guarda” por tudo o que fazem para a minha felicidade. Aos
homens da minha vida, meus irmãos, cunhados e sobrinhos, podem crer que sinto a vossa proteção
Aos demais familiares e amigos pelas palavras de incentivo e por terem vibrado sempre comigo
ii
As minhas pérolas negras, meus estimados filhos, peço desculpas pela minha ausência, orgulhosa
estou por terem superado, de bom grado, este período em que não lhes pude dar muita atenção,
Resumo
Amarante, C. M. E. (2023). Riscos psicossociais no trabalho e vínculos com a carreira docente: um estudo
entre professores do ensino secundário e público em Cabo-Verde (tese de Doutorado). Instituto de
Psicologia, Universidade Federal da Bahia, Bahia.
O aparecimento dos riscos emergentes, de entre os quais os riscos psicossociais no trabalho, conduziram à
crescente preocupação da sociedade em geral, e das organizações em particular, em relação a forma como
o trabalho está sendo concebido, organizado e gerido pelos funcionários na atualidade. Esta visibilidade
teve maior ênfase com as campanhas desencadeadas mundialmente, pela OIT (Organização Internacional
do Trabalho) centradas na prevenção dos riscos psicossociais no trabalho. Ressalta-se ainda o impacto que
o vínculo com a carreira tem na forma como o sujeito irá se relacionar com o seu trabalho. A abordagem
de risco psicossocial aponta ainda para a existência de diversos fatores, podendo esses fazerem demandas
convergentes ou mesmo antagônicas. A presente tese propõe testar a relação entre exposição a risco
psicossocial no trabalho e o desenvolvimento do vínculo com a carreira (comprometimento e
entrincheiramento), dos professores do ensino secundário e público em Cabo Verde. O estudo integrou
também a análise do efeito da escolha e da fase da carreira, nessa relação. Trata-se de um estudo de corte
transversal, correlacional e quantitativo onde foi utilizado uma bateria de instrumentos contendo diversos
questionários para avaliar as diferentes variáveis de pesquisa, entre eles; escalas já validadas para mensurar
o risco psicossocial COPSOQ II; a escala de vínculo com a carreira docente, escala da escolha da profissão,
para além da caraterização sociodemográfico. Utilizou-se uma amostra de 222 professores do ensino
secundário e público da ilha de Santiago, em Cabo Verde. Foi possível estabelecer o perfil do vínculo com
a carreira desses professores, assim como, avaliar a relação que existe entre o estabelecimento deste vínculo
com a exposição desses professores ao risco psicossocial com o trabalho. Os resultados demostraram de
uma forma geral que a exposição a risco psicossocial não afeta a função dos professores em estudo. Entre
as subescalas do COPSOQ II, a exigência cognitiva aparece como maior risco de exposição e a de
comportamento ofensivo aparece como maior protetor do risco. Os resultados revelam ainda que não existe
uma relação significativa entre as variáveis sócio demográficas e ocupacionais e a exposição ao risco
psicossocial entre esses professores. De uma forma geral, é possível observar que os docentes apresentam
um bom nível de comprometimento com a sua carreira. Por fim o estudo revela que as variáveis fase e
escolha de carreira não são preditores da relação entre o risco Psicossocial e o vínculo com a carreira dessa
amostra em estudo. Neste contexto este trabalho pode contribuir para a melhoria da qualidade da relação
do professor com o seu trabalho, com a organização educativa e a sua carreira. Os resultados deste
trabalho perspectivam para novos estudos que ampliem a generalização dos mesmos e desenvolvam
modelos teóricos mais complexos para analisar a relação entre risco psicossocial no trabalho e o vínculo
com a carreira dos profissionais em Cabo Verde.
iii
“Abstract”
Amarante, C. M. E. (2023). Psychosocial risks at work and links with the teaching career: a study
among secondary and public school teachers in Cape Verde. (Tese de Doutorado). Instituto de
Psicologia, Universidade Federal da Bahia, Bahia.
The appearance of emerging risks, from which the psycho-social risks at work, have led to the
growing preoccupation of general society and organizations. Its emphasized visibility is due to
worldwide chained events by the International Job Organization, which focuses on preventing the
psycho-social risks at work and how the workers conceive, organize, and handle the job. It is also
important to mention the connection between the career and its effect on how the individual will
relate to his work. The approach to psycho-social risk stresses the existence of various factors that
can make converging or even antagonistic demands. The present thesis proposes testing the rela-
tionship between the psycho-social risk exposure at work and the bond development with the ca-
reer mentioned earlier (commitment and entrenchment) of the high-school and public-school
teachers in Cape Verde. This study has also integrated the effect of the choice and phase of the
career in that relationship. It is a study about a transverse, correlational, and quantities’ cut based
on various instruments containing diverse questionnaires to assess the different variables of re-
search, using validated scales to measure the psycho-social risk (COPSOQ), the bond scale with
the teaching career, scale of choice of profession, besides the socio-demographic characterization.
The collected sample was 222 public and high-school teachers from the island of Santiago. It was
possible to establish the bond's profile with those teachers’ careers and evaluate the relationship
between the establishment of that bond and the exposure of said teachers to the psycho-social risk
with the job. The results demonstrate, overall, that exposure to psycho-social does not affect the
function of the subjects under the study. Among the subscales of the COPSOQ, cognitive demand
appears as the greater risk of exposure, whereas offensive behavior is the most significant risk
protector. Not only that, but the results also reveal no meaningful relationship between the socio-
demographic and occupational variables and the psycho-social risk exposures among those teach-
ers. Generally, it is possible to observe that the professors are committed to their respective careers.
Finally, the study reveals that phase and career choice variables do not predict the relationship
between psycho-social risk and the bond with the subject's employment under study. In this con-
text, this job strives to improve the quality of the relationship between the teacher and his profes-
sion, the educational organization, and his career. The results of this work envisage new studies
that amplify their generalization and develop more theoretic models to analyze the relationship
between the psycho-social risk at work and the bond with the careers of professionals in Cape
Verde.
Keywords: psycho-social risk laughter (COPSOQ), career attachment, commitment, entrench-
ment; teacher,
iv
“Résumé”
L'apparition dês risques emergent, parmi lesquels les risques psychosociaux au travail, a conduit
à une préoccupation croissante de la société en général et des organisations en particulier
concernant la façon dont le travail est conçu, organisé et géré par les employés aujourd'hui. Cette
visibilité a été renforcée par les campagnes lancées dans le monde entier par l'OIT (Organisation
internationale du travail) axées sur la prévention des risques psychosociaux au travail. Il convient
également de souligner l'impact que le lien avec la carrière a sur la façon dont le sujet va interagir
avec son travail. L'approche des risques psychosociaux indique également l'existence de divers
facteurs, ceux-ci pouvant faire des demandes convergentes ou même antagonistes. La présente
thèse propose de tester la relation entre l'exposition au risque psychosocial au travail et le
développement du lien avec la carrière (engagement et enracinement) des enseignants du
secondaire et public au Cap-Vert. L'étude a également intégré l'analyse de l'effet du choix et de la
phase de la carrière dans cette relation. Il s'agit d'une étude transversale, corrélative et quantitative
où une batterie d'instruments contenant divers questionnaires a été utilisée pour évaluer les
différentes variables de recherche, notamment des échelles déjà validées pour mesurer le risque
psychosocial COPSOQ II; l'échelle du lien avec la carrière enseignante, l'échelle du choix de la
profession, ainsi que la caractérisation socio-démographique. Un échantillon de 222 enseignants
du secondaire et public de l'île de Santiago, au Cap-Vert, a été utilisé. Il a été possible d'établir le
profil du lien avec la carrière de ces enseignants, ainsi que d'évaluer la relation qui existe entre
l'établissement de ce lien et l'exposition de ces enseignants au risque psychosocial au travail. Les
résultats ont montré de manière générale que l'exposition au risque psychosocial n'affecte pas la
fonction des enseignants étudiés. Parmi les sous-échelles du COPSOQ II, l'exigence cognitive
apparaît comme le plus grand risque d'exposition et le comportement offensif comme le plus grand
protecteur du risque. Les résultats révèlent également qu'il n'existe pas de relation significative
entre les variables socio-démographiques et professionnelles et l'exposition au risque psychosocial
chez ces enseignants. De manière générale, il est possible de constater que les enseignants
présentent un bon niveau d'engagement envers leur carrière. Enfin, l'étude révèle que les variables
de phase et de choix de carrière ne sont pas des prédicteurs de la relation entre le risque
psychosocial et le lien avec la carrière de cet échantillon étudié. Dans ce contexte, ce travail peut
contribuer à l'amélioration de la qualité de la relation de l'enseignant avec son travail, avec
l'organisation éducative et sa carrière. Les résultats de cette étude ouvrent la voie à de nouvelles
recherches qui pourraient généraliser les résultats et développer des modèles théoriques plus
complexes pour analyser la relation entre le risque psychosocial au travail et le lien avec la carrière
des professionnels au Cap-Vert.
Mots-clés: risque psychosocial (COPSOQ), lien avec la carrière, engagement, enracinement, en-
seignant.
v
LISTA DE SIGLAS
ES – Ensino Superior
vi
PAICV – Partido Africano de Independência de Cabo Verde
LISTA DE ABREVIATURAS
hab. – Habitantes
Séc- Século
LISTRA DE ACRÔNIMO
b- Beta
DP – Desvio Padrão
vii
F- Significância global na Análise de Variância.
P- Nível Significância
d- Cohen
M- Média
Z- Escore
LISTA DE SÍMBOLOS
% – Percentagem
º C- Grau Celso
$- Escudos
viii
LISTA DE FIGURAS
ix
LISTA DE TABELAS
x
SUMÁRIO
xi
Determinando o número de clusters por Análise hierárquica .............................................. 112
Análise com o algoritmo K-means ......................................................................................... 113
Determinando o número de clusters por Dimensões dos Vínculos....................................... 114
Os perfis de vínculo com a carreira dos professores e suas características pessoais e
ocupacionais. ....................................................................................................................................... 118
CAPÍTULO 5: O EFEITO DA FASE E DA ESCOLHA DA CARREIRA SOBRE A
RELAÇÃO ENTRE EXPOSIÇÃO A RISCOS PSICOSSOCIAIS E OS VÍNCULOS A COM
CARREIRA DOCENTE (COMPROMETIMENTO E ENTRINCHEIRAMENTO). ............... 124
Introdução .............................................................................................................................. 124
Análises de dados ................................................................................................................... 151
Resultados e Discussão .......................................................................................................... 151
Análises de moderação hierárquica ..................................................................................... 153
Modelo completo Entrincheiramento COPSOQ ................................................................ 154
Modelo completo Comprometimento e COPSOQ .............................................................. 161
Conclusão ............................................................................................................................... 169
CAPÍTULO 6: DISCUSSÃO GERAL ........................................................................... 171
Referências ...................................................................................................................... 177
Anexos ............................................................................................................................ 210
Anexo 1 - Mapa de Cabo verde ............................................................................................ 210
Anexo 2 - Modelo completo Entrincheiramento ................................................................. 212
Apêndices ........................................................................................................................ 215
xii
INTRODUÇÃO
sua carreira. Adicionalmente, com a globalização, o trabalho tem alterado o nível de exigência
trabalhadores.
“superprofissional”, exigindo deles, de forma vaga e contraditória, que sejam ágeis, que
estejam abertos a mudanças num curto prazo, que tenham capacidade de assumir riscos
continuamente e que tenham menor dependência de procedimentos e leis formais, que tenham
equipe, que tenham o domínio da língua portuguesa e de línguas estrangeiras, entre outras
capacidades (Facas, 2013;Uchida, 2007; Girard, 2002). Tais exigências muitas vezes levam-os
Internacional do Trabalho (OIT) afirma que muitos profissionais sentem que seu emprego e a
sua vida encontram-se moldados por urgências, e percebem que já não são capazes de controlar
(ILO, 2016).
psicossociais de riscos (OIT, 2010). Segundo a European Agency for Safety and Health at
(interna e externa), o assédio (moral e sexual) e a adição ao trabalho, também conhecida como
1
workaholic (pessoa viciada no trabalho), são incluídas na noção de riscos psicossociais
Os riscos psicossociais no trabalho são definidos como condições de trabalho que estão
para causar dano físico e/ou mental no trabalhador, comprometendo o seu bem-estar
psicológico e a sua saúde (Moreno et al., 2008; Cox,1993; Griffiths,1995, 2005). Os mesmos
Uma das razões para o aumento das pesquisas sobre os temas enunciados está
relacionada com o impacto negativo que podem ter nas organizações, e na vida do trabalhador
- (EU-OSHA) (2010), muitos dos estudos sobre os riscos psicossociais no trabalho estão
(sobretudo do ensino básico e secundário). Esses riscos devem-se, por um lado, às condições
do trabalho que esses profissionais estão submetidos e, por outro, pelas exigências sociais,
docente.
instituições de ensino, como sendo ação que leva a descaracterização do trabalho docente. Este
2
processo é realizado por meio da imposição diferentes condicionantes como: condições de
trabalho, desrespeito aos direitos trabalhistas e sindicais; imposição de uma carreira que não
corresponde à real dinâmica do trabalho; ausência de política salarial; carga horária excessiva
e perda da qualidade do ensino em sua relação propedêutica e técnico operacional para formar
profissionais nas diferentes áreas do saber. Para além desses, a própria dinâmica da jornada de
trabalho docente.
baixo salário e à desilusão em relação à profissão, são sinais de que esta classe de docentes está
passando por uma crise. Esta crise que se arrasta a algum tempo implica diversas
vinculados aos modos de gestão, as práticas e as políticas curriculares, o que o leva a considerar
este processo como uma tríade indissociada. O somatório de todas essas características do
(2003), é um conceito chave para a compreensão das contradições e indignações vividas pelos
dificulta o lazer.
3
A falta de valorização, as condições precárias de trabalho, salários baixos, pouco
trabalho, são alguns dos fatores elementares que colaboram para que os professores se sintam
educação por sua vez, do ponto de vista do Apple (2011), leva ao abandono da carreira docente.
Lapo e Bueno (2003) reforçam a ideia de que o abandono não significa apenas renúncia ou
desprezo. Os pedidos de exoneração, segundo Rebolo (2012), muitas vezes têm a ver com a
A realidade da situação laboral dos professores descrita pelos diversos autores não foge
muito a realidade vivida pelos professores do ensino secundário em Cabo Verde. Os mesmos
professores (SINDPROF) um dos problemas que tem afetado a vida laboral dos professores
em Cabo Verde é a dissonância que existe entre a lei de base do ensino; o estatuto do pessoal
professores têm experimentado situações que os sindicatos consideram ser de risco laboral e
de injustiça, o que tem interferido diretamente na sua carreia profissional, tais como: desajuste
funções, péssimas condições de trabalho, muitos têm ido para a reforma com várias pendências
Cabo Verde aposentam com trinta e dois anos de serviço ou com cinquenta e cinco anos de
4
idade. A classe reclama também da falta de condições estruturais para o desempenho das suas
funções.
psicossocial no trabalho com a saúde, o bem-estar, assim como: doenças físicas, dependências
secundário. E na realidade de Cabo Verde não se registrou qualquer investigação sobre tal
temática. É neste sentido que propomos um estudo no qual possamos relacionar esses dois
entrincheiramento) dos professores do ensino secundário das escolas públicas em Cabo Verde,
tendo em conta que os estudos apontam que os fatores associados a risco psicossocial no
trabalho enfrentado por esses profissionais podem estar relacionados com o tipo de vínculo que
psicossociais, relevante investigar esta temática em um contexto nacional que ainda não foi
objeto de qualquer investigação e em uma categoria ocupacional cuja relevância para superar
educação em Cabo Verde sempre foi vista como sendo a maior riqueza do arquipélago, desde
o período da colonização até a atualidade. Em qualquer uma dessas fases a sua evolução foi
sempre considerada como um produto cultural da sociedade cabo-verdiana. Nesta medida faz
5
O foco no ensino secundário por um lado, deve-se a importância que esse nível de
ensino tem para o desenvolvimento da nossa sociedade, por outro, os estudos que existem
limitam a apontar aspectos negativos do seu desempenho (Monteiro, 20014; Garcia, 2015; da
Graça, 2011) e não existe qualquer tipo de trabalhos na perspectiva da análise da importância
A escolha das escolas públicas deve-se pelo simples fato de existirem um número
insignificante das escolas privadas em todo o país, por um lado. Por outro lado, considera-se
que esses professores têm melhores condições para a prática das suas funções, estando menos
Para além dos motivos já apresentados, outra razão que justifica a escolha do tema,
preende-se por motivos profissionais, uma vez que a pesquisadora desempenha a profissão de
secundário. Tem uma larga experiência e conviveu diariamente com as queixas relacionadas a
falta de bem-estar e qualidade de vida que essa profissão tem acarretado na realidade Cabo-
verdiana. Outro motivo não menos importante, deve-se por uma motivação pessoal, uma vez
toda a sua dinâmica e importância para o desenvolvimento do país. Assim, o presente estudo
sua carreira e propõe como objetivo principal avaliar os efeitos da exposição dos professores a
6
Optou-se pela estrutura da tese em formato capítulos que serão transformados em
artigos. Desse modo, a tese encontra-se estruturada em seis capítulos para além da introdução.
oferecer o quadro mais geral da organização do mesmo, assim como se estrutura a carreira
docente e como essas características podem oferecer o contexto macro para a compreensão dos
resultados da pesquisa que serão relatados nos capítulos seguintes. No segundo capítulo
psicossociais e fatores contextuais associado ao trabalho. Para este estudo fez-se uso do
(PALOPs), o Copenhagen Psychosocial Questionnaire II (COPSOQ II). Para a base teórica foi
psicossocial, buscando conceituar e analisar as formas como esse fenômeno vem sendo
investigado.
avaliação do vínculo com a carreira dos professores, com aplicação dos instrumentos já
validados para a população Brasileira. Foi ainda revisto e construído um pressuposto teórico
diferenciar e mapear os seus principais antecedentes. Esta etapa forneceu-nos elementos para
elaboração do perfil de carreira da amostra em estudo nos diferentes estágios da sua carreira.
7
Por último, no sexto capítulo apresenta-se as considerações finais em que os resultados
relatados nos três capítulos anteriores são discutidos de forma integrada buscando extrair os
Vicente, Santa Luzia, São Nicolau, Sal, Boa Vista, Maio, Santiago, Fogo e Brava - e cinco
principais ilhéus (Branco, Raso, Luís Carneiro, Grande e de Cima), totalizando uma superfície
aproximada de 4.033 km². Está situado entre os paralelos 14º 23' e 17º 12' de latitude Norte e
os meridianos 22º 40' e 25º 22' a Oeste de Greenwic. Situada entre as Ilhas atlânticas, de origem
vulcânica, Cabo Verde dista cerca de 500 km do promontório do Senegal, de onde origina o
formado por ilhas montanhosas (Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, São Nicolau,
acidentados, com altitudes que alcançam até 2.829 metros, e um outro grupo constituído por
ilhas planas (Sal, Boa Vista e Maio), caraterizadas pela quase inexistência de relevos
montanhosos, onde marcam presença as extensas praias de areia branca, banhadas pelo azul-
países do Sahel), (ver mapa no anexo 1) têm um clima árido e semiárido, quente e seco, com
temperatura média anual a rondar os 25º C, com fraca pluviosidade. Semedo (1995)
O país conta atualmente com 22 conselhos, distribuídos pelas 9 ilhas. Estima-se, uma
8
nos concelhos de Tarrafal de S. Nicolau e Santa Catarina na ilha do Fogo. Ainda de acordo
com o INE – Instituto Nacional de Estatística, do total da população residente 29,4% estão na
faixa etária entre os 0 e aos 14 anos, 20,0% na faixa etária entre os 15 aos 24 anos, 45,2% na
faixa etária entre os 25 e aos 64 anos e apenas 5,4% da população são idosos com 65 ou mais
Cabo Verde foi descoberto, nos meados do séc. XV entre 1460 e 1462, pelos
por um período de 513 anos, (1462-1975), tendo servido de palco de uma grande miscigenação
e cruzamento de influências, dando origem a uma cultura, um modo de estar e ser cabo-
verdianos.
independência surgiram muitas preocupações com as viabilidades econômica do país, pois não
havia recursos naturais e era enorme a carência de infraestrutura produtiva e de mão de obra
justiça dos cidadãos. (Albuquerque, 2001). Por muito tempo Cabo Verde permaneceu na lista
dos países subdesenvolvidos, entretanto a nova república construiu um percurso voltado para
permitiu entrar no ranking dos Países de Rendimento Médio em 2009 (Albuquerque; 2001).
9
Caracterização da Educação em Cabo Verde
Desde a época colonial a educação e a funcionalização do professorado têm sido uma
preocupação dos governantes. Apesar das ilhas terem sido inicialmente utilizados como espaço
português, “torná-los ladinos era, ao mesmo tempo, valorizá-los enquanto servos”. Semedo
(2006, p.106). O acesso à educação era feito em função da defesa e reprodução da ordem social,
1987; Varela, 2008). Esta época foi marcada pela precariedade e inexistência de professor para
trabalhar nas ilhas, ademais a educação era assumida pela igreja católica e o papel do professor
era assumido por qualquer funcionário destacado pela metrópole. Foi em meados do séc. XIX,
iniciativas para criar um ensino adequado ao seu progresso e a sua estabilidade social. Porém,
A condição de colônia vivenciada por Cabo Verde, durante 500 anos, formatou
estruturação e definição das políticas de ensino em Cabo Verde, como nos mostra a análise da
trajetória da histórica da educação feita a volta do ensino secundário em Cabo Verde por
De acordo com os dados do (QUIBB- INE), 2006 a educação em Cabo Verde tem
sofrido alteração, em todos os níveis do ensino, desde a independência até então. O que
a taxa da população com idade igual ou superior a 15 anos é de 98,5%, sendo de 98,7% no
10
meio urbano e 98,2% no meio rural. A taxa de alfabetização adulta (15-49 anos), é de 87,7%,
atingimos a quase universalidade dos indivíduos que sabem ler e escrever. No entanto, ainda
Figura 1
Taxa de Alfabetização da população Caboverdiana
Por outro lado, o ensino secundário foi utilizado como uma ferramenta
país.
as disciplinas escolares. Entre esses professores existia uma discriminação a nível do salário
11
inúmeros protestos. Para Resende, (2003 citado por Garcia 2015) havia uma depreciação dos
professores da área de Latim, canto, coral e educação física, aos professores considerados como
Garcia (2015) afirma que por não existir a profissionalização do professor em Cabo
Verde, ainda na década de sessenta do Séc. XX, qualquer professor poderia lecionar qualquer
disciplina desde que o reitor lhes reconhecesse tais competências. Sem direito a salário nas
férias com uma carga horária de vinte e cinco horas por semanas, com o vínculo que oscilava
decente era formado por professores provisórios chegando até a haver professores com
habilitações inferiores aos dos alunos. Para além de professor provisório existia mais duas
eventual e efetivo.
democratização da educação, com isso várias iniciativas foram desencadeadas pelo governo da
1977, dois anos após a Proclamação da Independência, cuja ideia principal deste encontro era
Cultura, -MEC-1977). Neste processo, a educação foi eleita como elemento fundamental na
reconversão econômica do país. Assim, a formação dos recursos humanos passou a ser o
destino e terá, assim, que traçar novos objetivos, em conformidade com a concessão do homem
12
Novo Cabo-verdiano. A educação que a juventude deverá receber nas escolas tem de estar
adaptada a necessidade da sociedade, as suas realidades e ao seu futuro. Visará formar jovens
que sejam capazes de participar ativamente na transformação rápida das condições da nossa
(s/nº. p.).
ministra aos futuros educadores nos meios rurais. As principais alterações foram: a introdução
no plano de estudos da disciplina de francês, a frequência das aulas de Religião e Moral que se
compatíveis com o elevado custo de vida, com o objetivo de dignificar o trabalho do professor”
mudanças dos nomes dos dois liceus: o Liceu Adriano Moreira, na Praia, “tendo, dentre várias
propostas apresentadas, sido escolhido a que sugeria o nome de Domingos Ramos, herói
Abril de 1975) e o Liceu Gil Eanes, em Mindelo, passou a designar-se «Liceu Ludgero Lima»
(Despacho, de 19 de maio de 1975, citado por Carvalho, 2011). Com a Proclamação do Estado
A primeira medida de política educativa tomada pelo novo governo nos meados de
13
Não obstante, está clara a preocupação com o Professor, considerado o detentor do
escolar colonial existente até então em Cabo Verde. Apesar da continuidade da formação de
professores na Escola do Magistério Primário (1980 a 1986 com 297 diplomados) e dos
O ensino secundário integrava 62% de docentes habilitados com os graus de bacharelato (1982
frágil rentabilidade do ensino e o ainda reduzido nível de qualificação do corpo docente, foram
seis anos e a reforma do ensino secundário. Assim, com a mudança do regime político, isto é,
do partido único para pluripartidário, ocorrido nos anos 90, contemplou-se a reforma do ensino
14
práticos, com maior acuidade para a formação docente, e voltada para a concretização do
Educativo (LBSE) aprovada pela Lei nº 103/III/90, de 29 de dezembro e alterada pela Lei nº
como suporte para a construção da consciência e dignidade nacional e como fator estimulante
abarca os alunos desde o 1º ao 8º ano; o secundário que abarca os estudantes do 9º ao 12º Ano,
o médio e o superior) e passou a compreender 3 níveis, tendo sido abolido o ensino médio. As
alterações significativas introduzidas na revisão da lei no ano 2010 têm a ver com a dimensão
ensino. A primeira Lei de Base, publicada em 1990, consagrou como universal, obrigatório e
gratuito o ensino básico de seis anos. As condições da gratuitidade foram remetidas para
legislação futura.
duração de oito anos, mas altera a organização e objetivos de aprendizagem para dois ciclos de
quatro anos cada. O Estado assume a gratuitidade do ensino básico obrigatório (até 8º Ano),
sob a modalidade de oferta de ensino público com isenção de propinas, taxas e emolumentos.
A reforma do sistema educativo dos anos de 90 do século passado, ficou marcada pela
expansão da rede física escolar, com aumento da construção de liceus em várias localidades e
em todas as ilhas do país, pelo aumento do número de alunos no ensino secundário liceal. E
proporcionou também uma melhoria significativa nos resultados educativos dos alunos no
15
ensino secundário, nos planos de estudo e houve uma investida maior na formação dos
docentes.
aos professores maior prestígio, oportunidades para desempenho de novas funções, melhor
qualidade de vida, autonomia, estabilidade e motivação. Segundo Garcia (2015), uma outra
medida política de suma importância foi a de instituir o pagamento de salário nas férias aos
professores eventuais.
seis primeiros anos, quando a revisão da Lei de Bases do Sistema Educativo, realizada em 2010
previa, como principal medida de fundo, o alargamento da escolaridade obrigatória para 8 anos.
Pretendia-se na LBSE de 2010 que o novo modelo de ensino básico compreendesse três
ciclos sequenciais, começando o primeiro pelos quatro anos de escolaridade, seguido pelo
prática, o sistema não chegou a ser renovado nem implementado, o 3.º ciclo (7.º e 8.º anos)
continuam a lecionar as disciplinas do ensino Básico (7.º e 8.º anos), pode-se afirmar que não
teve mudanças significativas no que concerne aos objetivos gerais e princípios educativos
16
alargamento da escolaridade obrigatória ao ensino básico de oito anos, segmentado em três
ciclos (o 1.º de quatro anos, o 2.º e 3.º de dois anos). O ensino secundário, igualmente de quatro
anos, estrutura-se desde o início (9.º ano) em duas vias opcionais, a geral e a técnica. A via
superiores passa a desenvolver-se em quatro anos (antes em dois anos), conferindo aos alunos
O sistema educativo conta ainda com a estrutura da educação especial, esta modalidade
portadores de necessidades educativas especiais por professores sem preparo. O sistema conta
também com uma estrutura de Ensino Superior. (ME, 2019). A figura 2, representa a estrutura
Figura 2.
Estrutura do ensino de Cabo Verde.
17
Figura 3.
Planificação da reforma do ensino em Cabo Verde 2017/2021
No que tange ao Ensino Básico Obrigatório, o processo de reforma finalizado ano letivo
tecnologia e o desenvolvimento da área das expressões. No 2º ciclo (6º ao 8º ano) foi alargada
comunicativas nas línguas, inglesa e francesa, bem como a introdução das tecnologias de
visa garantir que no ano letivo 2021/2022, se inicie a implementação duma reforma abrangente,
os povos das ilhas com caráter gratuito e obrigatório, desde o Ensino Básico Integrado (EBI)
18
ao nível secundário. A atual legislação cabo-verdiana defende educação gratuita e obrigatória
para todos os cidadãos. Com uma forte investida na formação dos professores (Lei de Base do
superação das dificuldades encontradas no alinhamento dos perfis profissionais dos professores
em exercício de funções. Pese embora, alerta-se para a situação dos professores que deverão
entrar no sistema nos próximos anos, tendo em conta os atuais currículos formativos” (ME,
2019, p. 5).
O Ministério tem ainda em curso uma nova revisão curricular iniciada em 2019.
Podemos afirmar que todas estas reformas do ensino e alterações curriculares implementadas
justificam-se pelo fato de todas essas ações estarem veiculadas as diretrizes do plano de estudo
português. Uma vez que os consultores contratados para a elaboração dos planos são
portugueses, eles não se levaram em conta de uma forma efetiva a análise da realidade do país,
realidade cabo-verdiana.
concretização dos objetivos do país. Principalmente para levar a cabo o projeto do país que se
primeiro lugar, do ponto de vista de Monteiro (2014), para conseguir este objetivo é necessário
que se formate um projeto educativo, com novas demandas perpassando pela formatação de
19
Perrenoud (2000), Wellington (2007) e Sacristán (2011) chamam a atenção no sentido
for a importância atribuída à educação, entendida como um todo, seja com vista à transmissão
conhecimento.
Em Cabo Verde, a educação, tem sido apontado como responsável pela promoção do
relativos à multiplicidade das áreas de formação; a distribuição dos professores formados pelas
ilhas, não são, de todo, alentadores. Entre o ano letivo 2019/2020, a situação do ensino
secundário, em termos de efetivos, pode ser sintetizada da seguinte forma para a totalidade do
20
Figura 4.
Percentagem de professores por concelho
Fonte: ME (2019)
Figura 5.
Percentagem de professores por habilitação
Fonte:
ME
(2019)
e uma grande maioria dos professores com habilitações próprias, a lecionar nos anos terminais
Azeredo; Corrêa Pizzollo; Bitencourt (2018), defende que não há transformação educativa sem
21
a transformação na formação docente. Para Garcia (2015) e Moreno (2005) existe uma
Nesta linha de reflexão o país precisou investir nas escolas, institutos e universidades
voltados para a formação de professores. Pode-se afirmar, que é sob este mesmo princípio que
se fez a reforma de 1990 e se planeou a revisão curricular de 2006 e a de 2016 que constitui o
pilar essencial da reforma educativa em curso iniciada em 2017. Desde o ano letivo 2017/18
indispensáveis, para que num contexto de inclusão educativa, todas as crianças e adolescentes
2014).
Ao longo dos tempos, o ensino secundário em Cabo Verde enfrentou muitos desafios,
sendo alguns resolvidos, enquanto outros, como a questão do financiamento das reformas
ainda persistem.
ensino secundário. Contudo, todas as legislações sobre sistema educativo consultadas admitem
que em termos práticos a configuração do ensino secundário proposto até então não consegue
responder às atribuições destinadas a este nível de ensino, tendo em conta o panorama do país
que se quer construir. Desta forma, Monteiro (2014) alega que é necessário a adequação do
22
Face às deficiências detectadas e visando alcançar a visão do país em matéria de
de docentes. Essas medidas alinham-se com a Visão definida no Programa do Governo de Cabo
Verde da IX Legislatura, a partir do qual, foi definido como uma das prioridades construir uma
educação de excelência, equitativa e inclusiva que passa por formar jovens com o perfil
cosmopolita na sua relação com o mundo. Assim, o governo através da Carta de Política
Educativa para o período 2015-2025, ressalta a ênfase na promoção da Escola enquanto espaço
formativa num veículo dos valores democráticos, cívicos e culturais, bem como de fator de
Garcia (2015), declara que para além das várias medidas existentes no programa do
governo e os compromissos firmados pelo Fórum Mundial da Educação em Dakar no ano 2000,
Cabo Verde assinou o acordo, o professor continua sendo discriminado e injustiçado, o que
aconteceu principalmente com a introdução da lei medida de 2005, em que estipulou que a
progressão e a promoção dos professores poderia acontecer desde que o professor tivesse o
dobro do tempo de serviço exigido para o efeito, descurando aqueles que durante muito tempo
investiram na formação. Garcia (2015) afirma ainda que hoje muitos professores que vão para
a formação receiam que no regresso não sejam reintegrados, ou tenham de esperar quase 1 ano
para começarem a lecionar sem salário sem comissão eventual de serviço que lhes permita
progredir na carreira. E que para se ascender na carreira de nada serve a formação acadêmica,
pois muitos mestres e doutores são colocados em situações humilhantes, até de serem avaliados
23
por colegas com inferior qualificação. Segundo Garcia, (2015) urge dotar os professores de
uma nova dignidade, recompensando em tempo útil o seu esforço de formação, normalizar a
A situação considerada de risco psicossocial que recai sobre a profissão docente tem
provocado nas últimas décadas inúmeros estudos com o propósito de se conhecer qual os
fatores, causas e efeitos do mesmo sobre a saúde bem-estar e a satisfação do desempenho, entre
outras variáveis a nível internacional. O que também despertou a nossa atenção, por
Se o mundo laboral vinha sofrendo mudanças estruturais nas duas últimas décadas, com
a pandemia da Covid 19, nesses dois últimos anos, a vida laboral dos profissionais e das
Covid 19, foi necessário a introdução de diversas estratégias e ferramentas nas organizações,
inclusive nas organizações educativas, o que provocou alguns ajustes na própria estrutura
ensino e aprendizagem durante a pandemia da Covid 19, foram tomadas algumas medidas
preventivas tendo em conta a gestão educativa: as escolas foram fechadas, o ensino remoto foi
adversidades referentes a prática docência aumentaram, (a falta de recursos para ministrar aulas
digitais; de auxiliar alunos nas redes sociais após o fim do expediente; associado, ainda, a essas
24
necessidade de trabalhar as competências sócio emocionais com os alunos. Com a introdução
em Cabo Verde, e de a relacionar com a carreira do mesmo, que é o foco desta pesquisa, visto
que, tudo leva a crer que a situação laboral dos professores tem sido considerada um risco
psicossocial para a sua função afetando a sua vida laboral assim como a sua permanência ou
não tem seguido os desafios do desenvolvimento econômico e social do país. O mesmo constata
no seu estudo, que esse nível de ensino não tem sido capaz de responder aos desafios do
contextos históricos formaram diferentes perspectivas e políticas que, por sua vez,
olhar especial, pela sua importância na transformação do país. Neste sentido, percebe-se à
constitui um bem público no sentido qualitativo, é considerado como sendo uma determinante
chave na produção de base do capital humano, social e moral, no seio da população (Garcia,
1999).
25
O desenvolvimento da formação profissional docente passa pelo desenvolvimento de
ambiental. No âmbito de novos valores apresentam: ensino centrado no aluno (empatia, crença
de que todos os alunos podem aprender); a identidade docente (conduzida por elevados
responsabilidade e compromisso social). Para além dessas competências o docente deve ter
Zabalza Beraza e Zabalza Cerdeiriña (2011) defendem que, esses novos desafios
instituição, bem como o impele a promover maior espírito de colaboração; a terceira direção
experiências de boas práticas, entre outros aspetos. A necessidade de cada contexto pensar um
programa de formação inicial que mais se adeque ao seu contexto. Monteiro (2014), aponta
como principais competências pedagógicas que precisam ser desenvolvidos nos professores
26
aprendizagem e do desenvolvimento); diversificar as estratégias de motivação dos alunos;
ensino secundário, que estatelem uma visão clara do professor que se quer formar.
O docente, enquanto grupo social, e em virtude das suas funções, ocupa uma posição
estratégica no interior das relações complexas que unem as sociedades contemporâneas aos
saberes que elas produzem e mobilizam com diversos fins (Tardif, 2002). O ser professor vai
muito além de dar aula, engloba toda atividade educativa, seja ela em espaço formal, como a
escola, ou em espaços informais. Para Libâneo (2007), o conceito de docência passa a não se
constituir apenas de um ato restrito de ministrar aulas, esse conceito deve ser entendido na
Para Moreno (2005) “professores, mais do que qualquer pessoa, são esperados para
capacidades para inovação, flexibilidade e entrega total para mudança, que é essencial para a
prosperidade econômica” (p.5). Aos docentes, exige-se uma prévia e conveniente formação e
à instituição de formação dos docentes, pois o docente deve ser treinado a pautar a sua atuação
existente, não apenas numa lógica de promoção de simples contacto ou pontes, mas, sim, numa
objetivo exige que o docente esteja em condições de promover, nos vários aspetos da sua
atuação, ações que se fundamentam na democracia. Neste caso, é preciso treinar os docentes
na gestão de situações conflituosos e nas vantagens de crescimento que elas representam para
27
os contextos educativos. Os problemas sociais que o país enfrenta atualmente requerem o
de todos.
formação dos docentes recrutados a nível local; grande instabilidade dos docentes cooperantes
(portugueses); inexistência de manuais, salvo alguns casos, em que foram elaboradas fichas de
apoio; baixa taxa de frequência, devido à existência de poucos liceus e às dificuldades que isso
quotas para a formação de professores do ensino secundário por concelho (região); incipiente
pedagógica dos diplomados pelo Instituto Superior de Educação- ISE; atividades de formação
28
participando nos diversos órgãos de gestão; formação de professores em pedagogia ativas,
A Análise Setorial de 2015, destaca para além dos progressos obtidos na expansão do
acesso à Educação as três principais questões enfrentadas pelo setor da Educação em Cabo
Verde nos últimos anos: i) a necessidade de melhorar a qualidade da educação básica conforme
setor da educação não são novos, revisitando os relatórios anteriores em épocas diferentes pode
se perceber que as fragilidades pontadas são recorrentes; 2º podemos afirmar que o maior
problema da educação se resume no iii) item que é a ineficiências da gestão da educação, uma
vez que todos os outros problemas na educação, tanto a nível estrutural como funcional
De fato, como já foi aqui explanado um dos problemas que tem afetado a vida laboral
dos professores em Cabo Verde tem a ver com a dissonância que existe entre as leis orgânicas
o sindicato dos professores (Sindprof, 2022) os professores têm experimentado situações que
consideram ser de risco laboral e de injustiça, o que tem interferido diretamente na sua carreia
pagamento das horas extras; acúmulo de funções; péssimas condições de trabalho. O que tem
29
Tendo em conta as transições que marcam o mundo do trabalho e seus impactos sobre
nacional que ainda não foi objeto de qualquer investigação e em uma categoria ocupacional
cuja relevância para superar os problemas sociais é amplamente reconhecida. É neste sentido
que propomos um estudo onde possamos relacionar o risco psicossocial e vínculo como a
CAPÍTULO 2: METODOLOGIA
A presente tese delineou um estudo quantitativo, exploratório de corte transversal, que busca
Para a elaboração do quadro teórico conceptual, foi feito uma revisão da literatura
específico com professores que não encontra referências anteriores como suporte, torna-se
30
difícil estabelecer hipóteses mais específicas sobre a direção do efeito entre as variáveis, assim
como sobre o potencial efeito diferenciador das dimensões que integram o constructo: riscos
entrincheiramento).
(H2) Hhipótese 2: O estágio de carreira atuará como uma variável moderadora, não eliminando
vínculo com a carreira com alguns fatores que são considerados de risco psicossocial
isoladamente.
Entre os estudos que relacionam o risco psicossocial no trabalho com as variáveis sócio-
ocupacionais temos:
Estudos de Cifre, Salanova e Franco (2011) que relacionam riscos psicossociais com a
variável gênero, onde verifica-se que homens e mulheres percebem diversamente diferentes
exigências e falta de recursos no local de trabalho e que estes afetam diferencialmente o seu
conforto e bem-estar psicossocial; e que ter o apoio social e relacional no trabalho afetam as
família; valores do ambiente de trabalho e vínculo com a carreira, nesses estudos o conflito
trabalho/família aparece como o principal fator que influencia negativamente esta relação. No
estudo feito com trabalhadores suíços, mais de um em cada sete funcionários apresentaram
atendimento verifica-se que quanto maior o conflito trabalho/vida pessoal, maior o risco
31
psicossocial no local de trabalho, ter apoio ou não da família e conflitos entre família e trabalho,
afetam tanto aos homens como as mulheres no seu desempenho laboral. (Baltes, Zhdanova &
Clark, 2011; Bohle et al, 2011; Brough & O’Driscoll, 2010; Carral, Fasseur & Santiago-
preponderantes deste fenômeno. Estes demonstraram que ciclos de vida distintos estão
trabalho parece ser uma preocupação central na vida dos trabalhadores mais velhos.
Trabalhadores mais velhos prestam mais atenção à sua vida íntima e ao seu casamento.
de carreira com risco psicossocial. Os resultados destes estudos apontam que na primeira fase
ao risco psicossocial no trabalho, o que se pode inferir que estariam mais comprometidos com
a sua carreira, do que no final da carreira, onde os professores podem estar mais entrincheirados
do que comprometidos com a sua carreira, uma vez que, os trabalhadores mais novos colocam
um maior foco na carreira do que os trabalhadores mais velhos (Evans & Bartolomé, 1984;
Staudinger, 1996).
Nas nossas pesquisas encontramos também estudos que relacionaram vínculo com a
Desses estudos, referimos a do Irving et al. (1997), onde os homens tendem a apresentar
encontrou uma relação entre idade ou nível educacional com comprometimento na carreira.
32
Entretanto Colarelli, Colarelli e Bishop (1990) encontraram correlação significativa entre
educação e comprometimento com a carreira, esses estudos indicam que níveis mais altos de
educação propiciam mais flexibilidade para mudança de carreira do que treinamentos mais
curtos e especializados.
Scheible e Bastos (2006) demostram nos seus estudos que elevada escolaridade associa-
relacionam positivamente” (Colarelli & Bishop, 1990; citado por bastos, 1994:85).
Goulet e Singh (2002) afirmam que existe uma relação positiva de comprometimento
com a carreira com nível educacional e hierarquia natureza do cargo, como também informa
correlações positivas e fracas deste vínculo com idade e tempo de permanência na organização.
Estudos de Rowe (2008) apresentam como variáveis que têm correlação positiva com
comprometimento com a carreira nos estudos de Carson e Bedeian (1994); Carson et al. (1995);
33
trabalhador em identificar alternativas de carreira. Aqueles que toleram riscos provavelmente
evitam mais o entrincheiramento na carreira do que aqueles que têm aversão a mesma.
Como forma de verificar as hipóteses formuladas foram elaboradas duas questões fundamentais
relação?
Objetivo Geral:
Objetivos Específicos
entrincheiramento).
34
Para uma visão geral sobre o desenvolvimento da pesquisa, a Figura 6, sintetiza os
realizados.
Figura 6.
Estrutura geral da pesquisa.
Informações sociodemográficas e
Analisar as relações entre a ocupacionais (construído
exposição a riscos psicossociais e os especificamente para estes estudos)
vínculos de comprometimento e
COPSOQ II completa) e as escalas de
entrincheiramento
Comprometimento e Análises descritivas (média e desvio
Analisar o efeito do estágio na Entrincheiramento com a Carreira. padrão
carreira e a escolha sobre a relação
Escala de Escolha da profissão- escala Análise de correlação e regressão
entre a exposição a riscos
foi proposta por Bastos (1997)
psicossociais e os vínculos de
comprometimento e Fase de carreira- analisada a partir da
entrincheiramento na carreira. variável tempo de serviço- Teoria
Hubermem (2000)
35
incluindo as fases da carreira e a escolha da profissão. Estas variáveis foram escolhidas
Propõe-se para esta pesquisa testar a relação existente entre esses fenomenos. Neste
como da escolha da profissão. A Figura 7 apresenta de forma sintética, o modelo teórico que
Figura 7.
Modelo teórico da pesquisa.
solicitar a autorização para o uso do questionário. Com a devida autorização foram contatados
os diretores das escolas secundárias e públicas da ilha de Santiago (no total vinte) para a
36
exemplar do questionário, assim como uma nota de solicitação de autorização para a sua
comerciais ou financeiros, sendo os dados apenas usados para este estudo. Os participantes
foram informados que a colaboração era voluntária e que podiam desistir a qualquer momento
e que aceitando concordariam com os termos da pesquisa. A coleta de dados deu-se nas escolas
Convém frisar que durante a aplicação presencial dos questionários, foram feitas várias
momento, foi presencial com autoaplicação em versão impressa, antes da pandemia da Covid
Segundo momento, foi durante a pandemia da Covid 19, (de abril de 2020 a maio de
2021). Para este momento o questionário foi disponibilizado na plataforma Google Formes
através da criação da hiperligação de acesso, que posteriormente foi partilhado via correio
eletrônico com todos os diretores dos agrupamentos escolares da ilha de Santiago, assim como
os professores conhecidos e que faziam parte dos nossos contatos nas redes sociais. Os
dos participantes.
Amostra do Estudo
A amostra foi definida por conveniência e aleatória não probabilística, apesar da
Os critérios de inclusão dos participantes na amostra foram: ser professor das escolas
Secundárias e públicas, residentes na Ilha de Santiago; ter vínculo de no mínimo 1 ano letivo
passou a ser composto por 222 respondentes. 58% dos participantes responderam ao
Tabela 1.
Análises descritivas e de frequência dos dados sociodemográficos e laborais da amostra em
estudo.
Masculino Feminino Total
Anos de serviço
(Escola Atual)
Carga horária
semanal
Masculino Feminino Total
Licenciatura via
literárias
cio (%)
Contrato tempo
11 (8,6) 5 (5.3) 16 (7.2)
indeterminado
Quadro efetivo 105 (82.0) 79 (84.0) 184 (82.9)
Locali
escola
zação
(%)
38
Masculino Feminino Total
Idade
(%)
36-50 65 (50,8) 59 (62,8) 124 (55,9)
51-65 10 (7,8) 9 (9,6) 19 (8,6)
Solteiro (a) 69 (53.9) 50 (53.2) 119 (53.6)
Estado civil
Casado (a)
36 (28.1) 31 (33.0)
67 (30.2)
Separado (a) 2 (1.6) - 2 (0.9)
Viúvo (a) 1 (0.8) - 1(0,5)
União de fato 20 (15.6) 13 (13.8) 33 (14.9)
Filhos
Sim 84 (91.3)
Não 11 (8.6) 10 (10.6) 21 (9,5)
Residência
(%)
as mulheres (42,3%), a maior parte do total de respondentes, é solteiro do sexo masculino (53.9
%) e reside na cidade da Praia (53%), com idade compreendida entre 36 e 50 anos de idade
(56%). Com relação à escolaridade, a maioria possui licenciatura via ensino (67.6%) e é do
Instrumento 1
trajetória de cada trabalhador; seu contexto familiar e sua inserção no mundo do trabalho; inclui
ainda dados sobre sexo, idade, estado civil, formação escolar, tempo de serviço, local de
Instrumento 2
39
condições de trabalho e a atividade profissional, as experiências pessoais, o excesso da carga
Alguns outros instrumentos que avaliam os riscos psicossociais de forma mais global,
alguns casos, de dimensões que agregam diferentes variáveis. Mas, não encontramos na nossa
pesquisa nenhuma escala que mede o risco psicossocial associado ao vínculo com a carreira.
Como forma de se fazer uma avaliação completa dos riscos psicossociais no trabalho
(COPSOQ), por Kristensen e Borg (2000) com a colaboração do Danish National Institute for
perspectiva eclética, que cobre uma ampla gama de aspectos, conceitos e teorias atuais. O
no modelo de exigência e controle, que tenta explicar o estresse como consequência das
elevadas exigências no trabalho e de um baixo apoio social (Kristensen et al., 2005). Este
versões distintas: versão curta, versão média e versão longa. A versão curta e a versão média
foram desenvolvidas a partir da versão longa. A longa (35 dimensões, 119 perguntas) para
40
saúde ocupacional, nomeadamente na avaliação de riscos; versão curta (26 dimensões e 41
O questionário foi validado em vários idiomas por muitos países, tais como: Holanda,
Suécia, China, Dinamarca, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Croácia, Malta, Noruega, Persa,
Portugal, segundo os autores Kristensen et al. (2005). As versões curtas e médias incluem
saúde. Todas as versões apresentam dimensões que medem indicadores de exposição (riscos
população ativa, por setores sociodemográficos e por setores profissionais, tornando possível
resultados à realidade em questão. Sendo que não devem ser adicionadas novas questões ao
questionário original. Os valores obtidos são importantes para identificação de potenciais áreas
longa Portuguesa de Carlos Fernandes da Silva de 2006 com 35 itens e 119 questões. Este
questionário tem como objetivo analisar os fatores de risco psicossociais, estresse, saúde
41
previsibilidade; liderança; exigências quantitativas; clareza do papel; conflito de papéis;
Tabela 2.
Número de itens e subescala do COPSOQ II utilizados para este estudo.
Subescalas Nº itens
EXIGÊNCIAS LABORAIS
Exigências quantitativas 3
Ritmo de trabalho 1
Exigências cognitivas 3
Exigências emocionais 3
Exigências de esconder emoções 4
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E CONTEÚDO
Influência no trabalho 4
Possibilidades de desenvolvimento 3
Variação no trabalho 1
Significado do trabalho 3
Compromisso face ao local de trabalho 3
RELAÇÕES SOCIAIS E LIDERANÇA
Previsibilidade 2
Recompensas (Reconhecimento) 3
Transparência do papel laboral desempenhado 4
Conflitos de papéis laborais 4
Qualidade da liderança 4
Apoio social de superiores 3
Apoio social de colegas 3
INTERFACE TRABALHO-INDIVÍDUO
Insegurança Laboral 4
Satisfação laboral 4
Conflito Trabalho/Família/Trabalho 5
VALORES NO LOCAL DE TRABALHO 3
Confiança vertical 3
Confiança horizontal 4
Justiça e respeito 3
Comunidade social no trabalho 4
Responsabilidade social 3
PERSONALIDADE
Auto eficácia 6
COMPORTAMENTOS OFENSIVOS 6
Número de sub escalas 28
Número de questões 93
Nota: é de se referir que para este estudo, não foram analisadas as variáveis relacionadas com a saúde.
Fonte: elaborado pela autora adaptado de Silva (2007)
42
Figura 8.
Efeito do risco psicossocial e o seu indicador de exposição na saúde do trabalha-
dor
Tabela 3.
Análise de consistência interna de cada uma das dimensões do COPSOQ II e respetivos
coeficientes Alfa de Cronbach.
Sub escalas Itens α este estudo α Versão portuguesa
Exigência Laboral 3 ,72 ,63
1.Exigências quantitativas
2. Ritmo de trabalho 1 * *
3.Exigências cognitivas 3 ,69 ,60
4.Exigências emocionais 3 ,69 **
5.Exigências para 4 ,71 **
esconder emoções
Organização do Trabalho 4 ,67 ,70
e conteúdo
6.Influência no trabalho
7.Possibilidades de 3 ,68 ,76
desenvolvimento
8.Variação no trabalho 1 * **
9.Significado do trabalho 3 ,69 ,82
10.Compromisso face ao 3 ,67 ,61
local de trabalho
Relações sociais e 2 ,69 ,72
liderança
11.Previsibilidade
12.Recompensas 3 ,67 ,82
13.Transparência do 4 ,68 ,76
papel laboral
desempenhado
14.Conflitos de papéis 4 ,72 ,67
laborais
15.Qualidade da liderança 4 ,67 ,90
16.Apoio social de 3 ,70 ,87
superiores
17.Apoio social de colegas 3 ,70 ,71
Interface trabalho- 4 ,71 **
indivíduo
18.Insegurança Laboral
19.Satisfação labora 4 ,67 ,82
43
20.Conflito 5 ,71 ,86
Trabalho/Família/Trabalh
o
Valores no local de 3 ,70 ,29
trabalho
21.Confiança horizontal
22.Confiança vertical 3 ,69 ,20
23.Justiça e respeito 4 ,79
24.Comunidade social no 3 ,70 ,85
trabalho
25.Responsabilidade social 4 ,72 **
Personalidade 6 ,70 ,67
26.Autoeficácia
27.Comportamentos 6 ,70 ,78
ofensivo
Cronbach uma vez que a sub escala é constituída por um único item.
*Não é possível calcular o α de
** itens não existentes na versão média Portuguesa.
resultados obtidos concernentes aos itens, parecem apresentar correlações moderadas ou fortes,
assumindo que, de acordo com Moreira (2004), os valores das correlações item-total são
aceitáveis quando se encontram acima de 30. Neste caso em concreto, verifica-se que todos os
itens das subescalas apresentam valores superiores face à escala total, com exceção de 2 (duas)
trabalho” que não foram calculadas o α de Cronbach por serem constituídas por um único item.
A escala apresenta o total das somas do α de Cronbach, de 0,87 o que significa que a escala
aplicada tem um valor da consistência interna aceitável, seguindo o critério de Nunnally (1978)
que propõe como valor da consistência interna dos itens aceitável, igual ou maior que 0.70.
Instrumento 3
A escala de vínculo com 31 itens, agrupado por Diva Rowe (2008) tendo como base as
escalas: de comprometimento com a carreira de sete itens proposta e validada por Blau (1985a)
com consistência interna (alpha de Cronbach, de 0,81), e a de Carson & Bedeian (1994), com
44
12 itens e três fatores. Com consistência interna (alpha de Cronbach) total de 0,79 e para os
,86 e ,75 respetivamente, em ambas as escalas as respostas são assinaladas numa escala do tipo
Likert de 7 pontos;
Carson et al. (1995). Esta possui 12 itens e três fatores: As respostas são assinaladas numa
vínculo com a carreira, facilitando a comparação entre os resultados, com consistência interna
(alpha de Cronbach) total de ,84. Para os fatores investimentos na carreira, custos emocionais,
falta de alternativas de carreira, os índices de consistência interna foram ,82; ,82 e ,88
respetivamente.
Instrumento 4
Para este estudo fui utilizado modelo desenvolvido por Huberman (2000) que identifica
próprias de cada fase vivenciada durante o percurso profissional: 1ª fase de entrada na carreira
45
docência). Para este estudo foi excluído a última fase, por não ter correspondentes na nossa
amostra.
Instrumento 5
Escala de escolha da profissão: Esta escala foi proposta por Bastos (1997) e validada
fatorialmente por Santos (1998). As respostas são assinaladas numa escala Likert de 7 pontos
escolha de carreira.
causas pessoais que podem, através de percepção e experiências, influenciar a saúde, a atuação
Inicialmente o risco psicossocial foi definido como produto das interações entre
(Leka, Griffiths, & Cox, 2005). Atualmente, a definição é mais abrangente e inclui a interação
2016).
Com esta definição entendemos que seja necessário diferenciar o conceito de fatores
psicossociais (FRP) do conceito de risco psicossocial, uma vez que, a própria OIT os define
46
como sendo conceitos diferentes. Os fatores de risco é conceituado como aquelas caraterísticas
inerentes as condições e organização do trabalho que afetam a saúde dos trabalhadores, através
percepções subjetivas que o trabalhador tem dos fatores da organização do trabalho e das
enquanto os riscos psicossociais no trabalho (RPT) são definidos como resultado da interação
entre o indivíduo, as suas condições de vida e suas condições de trabalho, ou seja, interação
contraposição aos baixos salários e falta de planejamento adequado na carreira, o que têm
As inovações introduzidas no trabalho, como por exemplo o teletrabalho, veio agravar ainda
mais a situação laboral dos professores exigindo maior flexibilidade e mais competências. Estas
novas formas de trabalho têm sido relacionadas como trabalhos mais exigentes, menos seguros,
1995)
As novas formas de organização de trabalho apresentados nas duas últimas décadas têm
47
têm incitado restruturações a nível dos recursos humanos, conduzindo a surgimento de novas
(Sp arks, Faragher & Cooper, 2001; Leka, Zetsloot, &, Jain, 2010 EU-OSHA, 2007).
O professor do ensino secundário, é dito como tipo de profissional que mais se expõe
elevados custos humanos, organizacionais e sociais, e propõe que eles sejam colocados num
patamar de avaliação e intervenção idêntico ao dos restantes riscos que afetam a segurança e
saúde dos trabalhadores, como é o caso dos riscos físicos, químicos e biológicos, entre outros.
EU-OSHA, 2007).
conceitual está longe de ter consensos, quer nos meios científicos, quer para o público em geral.
O risco, enquanto objeto de pesquisa, é abordado por diversas disciplinas científicas que, por
Para a construção do quadro teórico deste trabalho apresenta-se uma breve introdução
risco na visão da teoria social, sem descurar as diferenças e as contribuições de outras áreas
científicas. Segundo Areosa e Neto (2008), o risco pode ser visto como um elemento
onipresente em muitas atividades do mundo social e, por este motivo, o seu estudo ganha
Os estudos etimológicos da palavra risco sugerem que ela tenha origem do latim
resecum, (significa o que corta) utilizada para descrever situações relacionadas às viagens
marítimas, como “perigo oculto no mar” o termo foi inicialmente, usada como jargão por
48
marinheiros para se referir a águas desconhecidas e associado ao surgimento do conceito de
perigos (Areosa, 2008). No Ideograma Chinês, o risco está associado ao perigo, caos que
Nas áreas da saúde, sempre, existiu o conceito de risco, Monteiro (1991), afirma que
constituam ameaça à saúde individual e coletiva. Para Barata (2022) a epidemiologia, tem no
probabilidade de um evento ocorrer ou não, combinado com a magnitude das perdas e ganhos
envolvidos na ação realizada. Segundo Morabia (2014) o risco é uma medida de probabilidade,
população observada.
remonta ao século XIV, é definida em castelhano por (riesgo) e não possuía a conotação de
potencial perigo, mas sim de possibilidades. Contudo, quando se fala do risco, verifica-se uma
certa incerteza e falta de garantia de resultados a priori. O conceito de risco remete-nos para
probabilidades ou possibilidades sobre a ocorrência de eventos futuros. Para Van Loon (2002),
Com o desenvolvimento da sociedade moderna, cada risco passa a ser tido como objeto
49
prejuízos não recai no binário “lucros e custos”, mas sim nas relações mutuamente
Beck (2002) afirma que a construção do risco e o seu significado estão associados à sua
agir social em cada período histórico. Beck (2002) constata que na Idade Média os riscos eram
evento vir a acontecer. A essência do risco não é tanto o que existe ou acontece, mas sim, o
que que pode acontecer ou vir a existir. Este autor afirma ainda que, na medida em que os riscos
deixam de ser vistos como fruto de um “destino natural”, eles passam a ser associados a decisão
humana, eles dizem respeito a aspectos futuros discernidos para a ação presente. Ao “destino
de vista de Dou e Wildavsky (2012), Mary Dou, Aaron Wildavsky (2012) o risco é uma
construção social, que, por vezes, aparece como algo incontrolável, uma vez, que nem sempre
se consegue saber se o que se está a fazer é suficientemente seguro para prevenir a ocorrência
depende dos diversos contextos sociais onde é produzida, Areosa (2007) acrescenta a esta
perspectiva Dean (1999) afirma que, “em certas circunstâncias, o risco pode ser visto como
um contínuo e neste sentido nunca desaparece completamente” (p.146). Assim, ele pode ser
minimizado, localizado e evitado, mas nunca extinto. Se o futuro fosse algo pré-determinado e
independente das ocorrências do presente, o termo risco não faria sentido (Renn, 1992). Após
estas breves considerações introdutórias sobre a noção de risco, iremos em seguida debater o
conceito de risco no contexto da teoria social. Esta teoria apresenta quatro principais
50
perspectivas de risco: a Culturalista, o modelo da Sociedade de Risco, a Abordagem Sistêmica
e a Governamentalização do risco;
intitulada Risk and Culture. Onde consideram que a temática do risco levanta algumas
ocidentais sobre o seu conceito, e outras preocupações como problemas de como conhecer,
O risco, nesta perspectiva é visto simultaneamente, como “uma ameaça objetiva, real,
de danos para as pessoas e, (…) [como] um produto da cultura e experiência social” (Soares,
2006, p.104). Esta teoria defende a tese de amplificação social do risco onde apresenta a
experiência social do risco como um produto de processos e estruturas, e estipula que “o risco
só tem sentido na medida em que ameaça a forma como as pessoas pensam e vivem o mundo
risco como sendo maiores ou “menores”, de adquirirem uma preocupação pública. E quais
processam um risco e a forma como essas dinâmicas moldam os seus efeitos sobre a sociedade,
bem como as suas respostas individuais e coletivas” (Areosa & Neto, 2014, p.19).
Douglas & Wildavsky (1982) procuraram entender quais os motivos que levam as
51
outros levanta, para além de questões psicológicas, também problemas sociais. O modelo
adquirido, a partir da avaliação que efetuamos sobre as diferentes situações da vida cotidiana.
Douglas (1985) afirma que, o que precisa de ser explicado é o conceito da não
homogeneidade da distribuição social dos riscos. O mundo social é composto por múltiplos
riscos, onde as pessoas ignoram muitos dos potenciais perigos à sua volta e selecionam
determinados riscos, por vezes, menos relevantes. O risco é vivenciado e enfrentado de forma
diferente por classes ou grupos sociais. Existem ainda determinados condicionantes sociais de
caráter coercivo que influenciam a aceitabilidade do risco, como por exemplo (aceitar certos
Segundo Wildavsky, uma das possíveis explicações para esta questão é o fato de que
“aquilo que anteriormente era visto como uma fonte de segurança (relações interpessoais,
família, trabalho, etc.) ter-se tornado numa fonte de risco” (1982, p.10).
voluntários são aqueles que as pessoas assumem que querem correr a escolha do indivíduo; os
involuntários são os riscos que lhes são impostos por outros. Os riscos involuntários são mais
suscetíveis a serem alvo de rejeição, comparando com os riscos voluntários, uma vez que este
fato é visto como uma decisão pessoal, fruto da sua liberdade individual, mas quando os riscos
Para Thompson e Wildavsky (1982: 160) “o risco é sempre um produto social. Isto
porque se as pessoas nos diferentes contextos sociais revelam convicções contraditórias sobre
como é o mundo exterior, isto torna expectável que poderão ter também ideias diferentes sobre
o universo dos riscos”. Segundo a teoria cultural do risco, as nossas percepções e atitudes frente
ao risco dependem de “protótipos de crença cultural” assim como do tempo, da posição social
52
e do código “valorativo” de cada indivíduo, por exemplo (Dentro de uma organização social
específica, as normas culturais contribuem para a criação de uma hierarquia de valores que, por
sua vez, vai influenciar a hierarquia de riscos). Neste sentido, o receio frente a certos riscos,
No âmbito da teoria cultural do risco, Areosa e Neto (2014) afirmaram que cada
indivíduo tem uma forma diferente de perceber o mesmo risco. Nesta perspectiva identificaram
como algo incontrolável e, por isso, a segurança é vista como uma mera questão de sorte que
têm rotinas para percebê-los); 3 - eremitas (os riscos são aceitáveis enquanto não envolvem a
coerção dos outros); 4 - igualitários (atentam que os riscos devem ser evitados, a menos que
sejam inevitáveis para proteger o bem público); 5 - empreendedores (veem os riscos como uma
tecnológicos se articulam com o meio ambiente. Os autores afirmam que, de uma forma geral,
existe na sociedade uma ideia de que os riscos tecnológicos podem influenciar negativamente
a natureza. Como não é fácil confirmar a sua presença, tendo em conta a sua natureza, são
tendencialmente vistos como ocultos, involuntários e irreversíveis. Neste sentido existe uma
certa tolerância em aceitar esses riscos, isto normalmente acontece porque, quando os efeitos
relação custo/benefício.
53
Apesar da relevância comprovada da teoria social do risco, ela foi muito criticada.
Alguns autores como: (Renn et al., 1992; Hannigan, 1995), afirmam que a compreensão do
risco pelo modelo culturalista é redutível apenas a aspectos de natureza cultural, uma vez que
Para Areosa (2008), a compreensão do risco é muito mais complexa do que a sua
aspectos relacionados com a cultura. Por outro lado (Queirós, Vaz & Palma, 2006) afirmam
que esta teoria “teve grande impacto e aceitação, por ser muito intuitiva e pelo forte poder
A sociedade de risco
O modelo da sociedade de risco foi desenvolvido pelo sociólogo alemão Ulrich Beck
em meados da década de 80 com a ideia de uma sociedade de risco emergente, que diz respeito
conceito de World Risk Society desenvolvido por (Beck, 1999) é associado a grandes desastres
Para Beck, Giddens e Lash, (2000) “a sociedade de risco significa que vivemos na idade
dos efeitos secundários, isto é, habitamos num mundo fora de controle, onde nada é certo além
da incerteza” (p.166). Esses autores afirmam que a ideia inovadora deste conceito se prende ao
fato de algumas decisões humanas poderem envolver consequências e perigos globais e não
reconhecem fronteiras, o problema não está na “quantidade” do risco, mas sim na incerteza de
civilizacionais. É neste contexto que Beck e Giddens utilizam o termo “incertezas fabricadas”.
sociedade de risco. Neste conceito o alerta recai sobre os riscos aos quais as sociedades atuais
sociedade de risco surge quando a sociedade industrial não consegue dar resposta às suas
54
próprias consequências, perdendo capacidade de controle sobre os riscos individuais e
coletivos. Beck, formula esta tese com base num conjunto de transformações sociais e o
estabilidade, segurança, mas sobretudo pela previsibilidade. Nesta sociedade, a noção de risco
não era reconhecida, uma vez que todos os perigos eram associados a forças da natureza ou de
Perrow (1999) afirma que, embora a associação do conceito de sociedade de risco com
desastres não seja errada, ela é incompleta, uma vez que o risco na sociedade moderna não
industriais, como Chernobyl, Sandoz e Bhopal, causaram danos graves e duradouros à saúde
das pressões competitivas, as mudanças climáticas, é admissível esperar que tais desastres
práticas individuas, eram considerados meramente riscos externos e divinos (Areosa & Neto,
a individualidade passou a ter um papel central na vida social dos indivíduos; no trabalho as
relações tornam-se mais contratualizadas; no plano jurídico aparece mais reconhecimento dos
direitos trabalhistas e opera-se uma rutura entre este domínio e a família; o Estado estrutura a
55
vida individual e coletiva; e o conhecimento, que até então era essencialmente geracional, passa
a ter origem em múltiplas fontes (Queirós, Vaz & Palma, 2006). Nessa altura, vivenciava-se
decorrentes da Revolução Industrial. Esta corresponde à passagem dos riscos externos para os
chamados riscos manufaturados ou fabricados, que ao contrário dos anteriores, advém da ação
humana, mais propriamente dito “do impacto da ação do nosso saber e tecnologia sobre o
da sociedade industrial são considerados como legítimos e não tomam lugar no debate público
fruto das vivências do cotidiano. Por este motivo os autores afirmam que existe um aumento
na sua incerteza.
A segunda modernidade, para Beck, (2000) é a fase que caracteriza a nossa sociedade.
Nesta fase os riscos fabricados pela humanidade tornam-se a preocupação central, que vem a
ser reforçado pelo desemprego, insegurança e a instabilidade e que se agrava com a incerteza.
O fato das consequências dos riscos da segunda modernidade serem muitas vezes
o lado obscuro das incertezas humanas e a sua ineficiência para determinar algumas ameaças
a que as sociedades estão sujeitas (Areosa & Neto, 2014, p.7). Beck & Giddens (2000)
denominaram esta segunda fase de modernidade reflexiva. Esta reflexão recaí segundo (Beck,
2000, p.2) sobretudo, na (auto) destruição criativa de toda uma época: a da sociedade
industrial (…) [e à] vitória da modernização ocidental. Para Beck et al., (2000) Giddens,
56
reflexiva que é suportada pela superação das tendências e instituições tradicionais, através de
uma prática questionadora e autocrítica sobre o mundo e a sociedade. “Todo este cenário tem
consequência, os riscos que tomam lugar neste contexto são muitas vezes vistos como resultado
aponta essencialmente uma condição das sociedades contemporâneas, nas quais os riscos
controle e monitorização da sociedade industrial. É neste sentido que o autor afirma que as
das múltiplas formas e fontes de risco, seguindo esta ideia, Beck cogitou que no mundo atual
espaço para as certezas anteriores. Afirmando assim que a sociedade industrial estava saturada
de efeitos casuísticos e não intencionados e que apesar dos riscos individuais sempre terem
existido, a modernidade gerou novos tipos de riscos, e que alguns destes tornaram-se cada vez
mais globais. Como por exemplo a ameaça nuclear, que, virtualmente, flutua sobre todas as
paradoxalmente, a distribuição social dos riscos permanece desigual. “Para além disso, na
de riscos” (Beck, 1992: 19), ou seja, estes novos riscos são um fenômeno de origem humana.
Beck (2000) afirma que a modernidade reflexiva só pode ser compreendida quando as
parte, é dedicada ao papel das médias, na consciencialização das massas para os riscos a que
57
estão expostos, levando-as a refletir e almejar o seu controle. Castells (2002) realça na sua
(2002). Tanto Beck como Castells (2002), consideram que os riscos da atualidade ultrapassam
Nas teorias sociais é consensual a ideia de que o risco e a incerteza fazem parte da
atualidade, pautando a vida dos indivíduos e grupos sociais nas várias frentes, a instabilidade
de controle das situações de risco podem desencadear novos riscos. Para Beck, Giddens e Lash,
Beck et al, preconizam que a “civilização moderna está culturalmente cega, pois onde
atentados terroristas e o crime organizado são exemplos das novas formas de riscos
contemporâneos. Segundo Beck, et al (2000) “a maioria destes novos riscos podem ser
58
uma mera construção social imaginária, embora a sua maior ou menor aceitabilidade possa
depender da forma como são percebidos socialmente, reconhecendo-se também neste processo
Apesar de Beck (1992) considerar que o risco é uma das etapas necessárias para o
adotou a ideia de que atualmente estamos mais sujeitos ao perigo do que no período pré-
moderno. Segundo o autor, o que mudou não foram os riscos, mas sim a perceção dos próprios
riscos e a vontade de os controlar. (...) “O maior perigo, por isso, não é o risco, mas a perceção
do risco, que liberta fantasias de perigo e antídotos para elas, roubando dessa maneira da
O desenvolvimento do trabalho teórico de Beck sobre o risco na sua parte inicial tentou
distanciar dos trabalhos da teoria culturalista. Embora, mais tarde, quer Beck, quer Giddens,
viessem a compartilhar algumas das críticas do paradigma culturalista, como por exemplo a
dicotomia entre o conhecimento pericial e as percepções legais do risco. Uma das teses centrais
de Beck revela que alguns dos novos riscos deixaram de poder ser pensados enquanto
fenômenos locais, restritos a uma determinada área ou situação, para assumir um carácter
global.
posteriormente, foi alvo de diversas críticas. Alguns autores como; Lash & Luhmann (2000);
Elliott (2002) criticaram as teses centrais da sociedade de risco defendendo que o sucesso do
conceito de sociedade de risco deve-se mais a circunstâncias históricas, Luhmann (2000) por
exemplo vê este conceito como uma moda e não como uma verdadeira teoria social consistente,
defendendo que a teoria de Beck circula entre a verdade e a profecia. Aponta ainda a falta de
59
precisão nas propostas políticas para lidar com os diagnósticos de riscos globais, para além das
fragilidades nas estratégias para a sua gestão. Beck, foi apelidado de teórico da catástrofe ou
apocalíptico, uma das críticas recorrentes à sua teoria está relacionada com o próprio conceito
de risco, não para os críticos a noção de risco de Beck é redutora, visto que esta é simplesmente
Adams (1995) contesta parcialmente a teoria de Beck, ele afirma que a criação de
riscos, provocada pelo homem, não é um fenômeno recente, sempre existiu, embora concorde
que alguns dos novos riscos são frutos da ciência e da tecnologia moderna. Entretanto, na
mesma perspetiva de Beck, Adams & Giddens (2000) afirmam que o risco é um fenômeno
explicar esta condição. Para eles os perigos sempre existiram na história da humanidade, mas
p.29). Segundo este autor o conceito de risco continua em desenvolvimento nas sociedades
Luhmann (1993), com a distinção entre os conceitos de risco versus perigo e segurança. Para
este autor a noção de risco depende mais do modo como é observado do que das suas
características objetivas. O risco e o perigo estão associados à ideia de potencial perda futura.
externas. Desta forma, existe risco quando determinados acontecimentos tiverem origem em
60
decisões próprias, para Luhmam esses dois conceitos se interligam entre si. Giddens (1998)
Para a teoria dos sistemas, a concretização de um risco será sempre expressa através de
uma disfunção do sistema. A abordagem sistêmica define o risco como uma ou mais condições
de uma variável que possuem potencial suficiente para interromper um sistema, quer isto
Nesta abordagem o risco está marcado por um processo evolutivo onde os grupos e
da sociedade e estão sujeitos a diversos critérios de seleção (Renn, 1992). Segundo Luhmann
nem o aumento do conhecimento consegue ultrapassar o problema do risco, visto que níveis
Renn discorda de Luhmann quando este afirma que “se nos abstivermos de agir, não corremos
riscos”.
relacionada com a forma como as duas teorias perspectivam a efetivação do risco, Luhmann
ao contrário de Beck e Giddens, não vê a falta como um risco. Do ponto de vista teórico e
visto como o desvio a norma, onde não existem decisões ou comportamentos livres de risco. O
mundo, segundo Luhmann, é visto como um espaço de contingência que necessita de ser
organizado e transformado em algo passível de ser gerido. O risco não deve ser procurado fora
61
do sistema social, uma vez que ele depende de valores, de observações e do contexto temporal
de dimensões psicossociais, por isto que tendemos a confiar mais em que nada de negativo nos
irá acontecer” (Luhmann, 1993, p.55). Esta crença subjetiva numa certa invulnerabilidade
individual, perante acontecimentos futuros negativos, tem sido designada por Luhmann como
“otimismo irrealista” (Weinstein, 1980). Luhmann considera que confiamos nesta premissa e,
simultaneamente, negligenciamos certos tipos de riscos, porque não temos alternativas a esta
situação, pois, caso contrário, só nos restaria viver num mundo de permanente incerteza,
Para Luhmann o risco encontra-se ligado aos processos de decisão, e estes só podem
ser realizados no presente. Deste modo, a temporalidade assume uma dimensão importante na
problematizar o futuro. O risco nesta abordagem é tido como uma forma de projetar
possibilidades no presente sobre o futuro, embora esta relação temporal seja marcada por
aspetos contingenciais, uma vez que o futuro é incerto e ambivalente (situado entre o provável
e o improvável). Para Luhmann o risco tem uma função operatória necessária que é a redução
futuro. Segundo Luhmann (1993) o risco não pode ser definido fora de certos requisitos
científicos. Na teoria sistêmica o risco pode ser entendido como um meio que permite
“reprogramar o interior dos diversos subsistemas da sociedade, evitando uma eventual crise ou
rutura do próprio sistema” Luhmann (1993, p.6). A confiança é também um aspecto central na
Luhmann (1993) afirma que a confiança deve ser entendida em relação a moderna
noção de risco. Segundo o autor esta ligação teve origem no momento em que a compreensão
62
de alguns resultados inesperados é tida como consequência das nossas próprias atividades e
A governamentalização e o risco
A teoria de governamentalização foi desenvolvida por Foucaut em (1979), tendo como
ideia principal a questão de controle social. Esta teoria centraliza-se na análise das diversas
inicialmente no campo político sem uma relação específica com a do risco. Foucault define a
governamentalização como arte de governar, ele utiliza-a para interpretar as formas como os
estados são conduzidos por quem detém o poder e também o aplica noutros contextos,
(Foucault, 1979, p.280). Das diversas visões que Foucault apresenta sobre a arte de governar,
destaca-se aquela em que ele afirma que não se governa apenas o território, mas sim, governa-
Não se trata de opor homens a coisas, trata-se, sobretudo de interligá-las. Estas coisas
que devem ocupar a governação perspectivam-se, essencialmente, nas relações dos homens
com a riqueza, com os recursos, com os meios de subsistência, com o clima, com a cultura e
com os estilos de pensamento, com os hábitos e com as ações, com a morte, com os acidentes,
desastres ou catástrofes, e ainda, com a fome e epidemias. É disto que deve tratar a governação,
isto é, com a imbricação do Homem com estas “coisas” (Foucault, 1979, p.82).
Portanto, para Wildavsky, (1979) governar significa acima de tudo governar coisas,
tendo como meta o bem comum. A relação estabelecida entre esses dois conceitos; (homens e
“coisas”) aparece na literatura a partir de dois vetores essenciais: 1) a arte de bem governar,
que pode ser vista como uma inteligente demarcação ao perigo; 2) A interpretação dos riscos
prevenção. Os governantes podem, por vezes, ser confrontados com situações, onde têm de
gerir os recursos disponíveis e tentar definir aquilo que será “melhor” para a população (em
risco).
Moraes et al., (2002) afirmam que, para alguns autores, o conceito atual de risco se
os seus especialistas são os principais elementos de observação. Segundo Dean (1999) o risco,
calculável. Neste sentido, o risco é visto como um conjunto de diferentes caminhos que tem
como objetivo ordenar o futuro de uma forma calculável, recorrendo a técnicas particulares e
interações.
verificação insuficiente dos temas do poder, do mecanismo de cálculo e de gestão dos riscos,
teoria neste tipo de racionalidade. Enquanto a sociedade do risco de Beck (1992) prevê a
do risco: Primeiro, tem a ver com a forma como conhecemos e agimos de acordo com as
segundo lugar, como tais concepções estão ligadas as práticas e tecnologias particulares.
64
Terceiro, como tais práticas e tecnologias dão origem a novas formas de identidade social e
A segurança tem sido uma preocupação crescente para as sociedades, não porque os
riscos da era industrial tenham-se tornado seguráveis, mas porque elas se reavaliam, com todos
Segundo Ewald (1991-1993) o risco não é uma realidade objetiva, pelo contrário, é um
embora não tenha o mesmo sentido do construtivismo social. Neste contexto, o risco é uma
forma de racionalidade. Para este autor o cálculo do risco desenvolve formas e métodos para
e temas ligados as doenças mentais, ao crime ou a violência, isto é, associado aos estudos que
identificados como potencialmente perigosos, (quer para eles próprios, quer para os outros).
Neste contexto o risco é apresentado como um elemento socialmente seletivo e não tanto como
considerar que existem riscos conhecidos e desconhecidos, e que ambos podem afetar de igual
modo as populações a elas expostas. Existem riscos que só se tornam conhecidos quando os
seus efeitos nocivos ferem um número elevado de pessoas e com consequências irreversíveis.
Outro aspeto importante na teoria da governança é demonstrar que, o que consideramos ser
65
arriscado, é passível de evolução ao longo dos tempos. As percepções dos indivíduos ou grupos
relativamente aos riscos são diversificadas, mesmo nas situações de risco mais conhecidas.
Ewald, (1993).
Risco Psicossocial
Os riscos psicossociais são definidos como condições de trabalho que estão diretamente
O risco psicossocial relacionado com o trabalho foi definido pela Agência Europeia
para a Segurança e a Saúde no Trabalho (EU-OSHA, 2007), como todos os aspectos relativos
ao desempenho do trabalho, assim como a organização e gestão e aos seus contextos sociais e
ambientais, que têm o potencial de causar danos de tipo físico, social ou psicológico. Segundo
a OIT, os riscos psicossociais no trabalho versam, por um lado, na influência mútua entre o
trabalho, o seu ambiente, a satisfação e as condições físicas da organização e, por outro, nas
capacidades do trabalhador, nas suas necessidades, na sua cultura e na sua situação pessoal fora
Segundo a EU-OSHA (2007) o risco no trabalho, para além de poder atingir o indivíduo
perceções, assumindo dimensões subjetiva e objetiva e podem ser analisados, do ponto de vista
dos fatores que estão na sua origem, a partir das características individuais e das características
organizacionais. Os trabalhos de Spurgeon, Harrington & Cooper (1997), Vahtera, Pentti &
Kivimäki (2004) Van den Berg et al. (2009) mostram que nas situações de trabalho os
diferentes fatores interagem entre si, não sendo possível dissociar fatores físicos e
psicossociais. Estes autores apresentam como fatores organizacionais que criam riscos
66
relações; os conteúdos de trabalho; os ritmos e cargas de trabalho; o tempo de trabalho; os
modelos de gestão.
cultura do trabalhador e considerações pessoais extra laborais. Esses fatores podem influenciar
Para Facas (2013), os riscos psicossociais são decorrentes dos efeitos negativos da
do trabalho
Figura 9.
Consequências de Risco Psicossocial no Trabalho.
67
trabalhadores e clientes, o aumento da rotação de pessoal, a deterioração do rendimento e da
produtividade.
trabalho podem ser positivos e negativos. Os riscos psicossociais podem ser ainda de saúde
mental, físico e social resultantes das condições de trabalho, dos fatores organizacionais
relacionados com o conteúdo e a tarefas que se dividem em seis dimensões: (1) a identificação
do trabalho e tempo de trabalho; (2) exigências emocionais; (3) Falta de autonomia; (4)
Qualidade das relações sociais; (5) Conflito de valores e (6) Insegurança no trabalho.
psicossociais traduzem-se em estresse relacionado com o trabalho, uma saúde mental frágil,
trabalho mesmo estando doentes e incapazes de desempenhar com eficácia as suas funções) e
aumento das taxas de acidentes e de danos pessoais. As ausências tendem a ser mais
prolongadas do que as associadas a outras causas. São significativas as estimativas dos custos
para as empresas e para a sociedade, os quais podem ascender aos milhares de milhões de euros
a uma escala nacional (Ribeiro et all, 2011). Existe ainda a deterioração do rendimento e da
Barros, Duarte, Lajinha, Reino, Rocha & Costa, 2014; Legeram, 2016; Gollac & Bodier, 2011).
68
Figura 10.
Síntese das consequências do risco Psicossocial no trabalho
laborais que estarão na origem desses riscos no trabalho docente, sua relação com a saúde,
satisfação e desempenho no trabalho, dentre os quais destacamos o estudo realizado por Caran
Barros, Duarte, Loginha, Rainha, Rocha & Costa (2014), onde agrupam os riscos psicossociais
Disruptivo. Estudos realizados por Gasparini, Barreto & Assunção (2005) mostram que os
professores da atualidade têm ocupado outras funções para além do ensino e a produção de
conhecimentos, tais como: investigação, atividades extra curricular, colaboração com órgãos
69
de gestão administrativa e de gestão da organização escolar, participam ainda em reuniões de
coordenação, assim como acompanham diversos processos e outras funções burocráticas Isto
Diversos estudos comprovam que uma das categorias profissionais mais afetadas pelo
desgaste profissional é a da classe dos professores (Codo & Menezes, 1999; Farber, 1991;
Moreno, Garrosa & Gonzalez, 2000 And Santos, 2016). O aparecimento das doenças na
atuação dos professores também foi relacionado por alguns pesquisadores (Moreno, Garrosa
& Gonzalez, 2000) com a personalidade, destacando esta caraterística como sendo um dos
Ainda, o uso de coping é indicado nos estudos como sendo uma estratégia de enfrentamento
O ensino tem sido considerado também como sendo um dos contextos laborais onde os
na Inglaterra e França com Kyriacou & Sutcliffe (1978) onde estudaram uma amostra de
professores ingleses; Travers & Cooper (1996) estudaram o stress dos professores em
70
diferentes países da Europa. Nos países anglo-saxônicos destacam-se as produções de Pithers
& Soden (1998); Jesus Abreu, Esteve & Len (1996) destacam nos seus estudos os fatores de
profissionais de saúde e professores parecem como sendo as profissões de risco elevado para a
saúde. Neste sentido a OIT designou a profissão docente como uma profissão de elevado risco
físico mental. Neste estudo comprovou-se que a atividade docente é indutora de estresse e que
o nível do estresse é muito mais acentuado nos professores que não exercem as suas atividades
docentes, ou seja, os que tem formação em ensino, mas que por algum motivo não fizeram
Os estudos internacionais sobre os professores realizados por Travers & Cooper (1996);
Manthei & Glimore (1996) levaram a constatação de que, no que respeita à atividade docente,
o primeiro fator de estresse do professor é a indisciplina do aluno. Lima (1999), no estudo com
primeiro fator de estresse. Com esses estudos pode-se inferir que os risco psicossociais que
mais afetam a função dos professores, são as condições de trabalho e as relações interpessoais
Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho (2010) e o de Gollac & Volkoff (2000)
apontam alguns problemas associados à função dos professores deste escalão, que tem a ver
(2002) aponta a falta de uma política nacional de educação continuada dos profissionais da
71
educação; a terceirização de serviços, contratos temporários e precarização do trabalho;
psicossociais, inclusive quando se trata do trabalho docente, se volta quase que totalmente para
explicar problemas de saúde e mal-estar do trabalhador. Todo o movimento para prevenir tais
riscos apoia-se na busca de redução dos problemas de saúde que terminam por afetar o
que existe na literatura sobre estudos que relacionam a exposição ao risco psicossocial no
trabalho com a carreira do trabalhador e como forma de melhor explorar como este fenômeno
se efetiva sua relação com o desenvolvimento de carreira dos professores em Cabo Verde, o
nosso estudo propõe relacionar esses dois construtos (a exposição a riscos Psicossocial no
Método:
(Statistical Package For The Social Sciences) Statistics 25.0. Através do qual foram realizadas
as análises descritivas (média e desvio padrão) seguidas pela análise de diferenças entre grupos.
Para grupos com mais de dois níveis, foram realizadas análises de variância de uma via
(ANOVA-One Way) com o objetivo de avaliar se havia diferenças nos níveis de risco
pessoas de diferentes estados civis (solteiros, separado, viúvo, casados, união de fato); entre o
tempo de serviço dividido em ciclos segundo proposta de Hubermam 2000 (entrada na carreira
72
de 0 a 3 anos de serviço; estabilização de 4 a 6 anos de serviços; Diversificação de 7 a 25 anos;
Habilitações acadêmicas dos Professores (12º, bacharelato, licenciatura via técnica e via
Testes post hoc foram realizados entre todas as condições utilizando testes t pareados,
com a correção de Bonferroni. Para investigar diferenças entre grupos com até dois níveis,
foram realizados testes t de Student para amostras independentes (gênero; quem tinha e quem
não tinha filhos; entre os que fizeram e não fizeram parte de chefia e coordenação das
investigar em que medida os níveis de risco Psicossocial eram diferentes entre os grupos. Um
A normalidade dos dados foi avaliada por meio dos testes Kolmogorov-Smirnov e
BCa) para se obter uma maior confiabilidade dos resultados, para corrigir desvios de
para apresentar um intervalo de confiança de 95% para as diferenças entre as médias (Haukoos
A análise dos resultados foi feita segundo o manual de utilização do COPSOQ II, a
interpretação dos dados fator a fator. Ou seja, o COPSOQ II não mede um único construto, mas
sim diversos riscos psicossociais, variáveis de saúde, estresse e satisfação. Desta forma,
deverão ser calculadas as médias dos itens de cada fator, assumindo a interpretação desse valor
73
como uma exposição favorável para saúde. Por outro lado, a mesma média de 4 pontos
situação de risco para a saúde. Esta média deverá ser confrontada com os valores normativos
determinado fator em tercis, ou seja, a divisão da amplitude da cotação dos itens (1 a 5), de
cada subescala, em três partes iguais, com os respetivos pontos de corte 2,33 e 3,66. Esta
divisão tripartida assume uma interpretação “semáforo”, mediante o impacto para a saúde que
a saúde, ou ausência de risco para a saúde se o valor da média for inferior a 2,33,), amarelo
(situação intermédia, ou risco intermediário para saúde se a média for entre 2,33 e 3,66) e
vermelho (risco para a saúde, ou elevado risco para a saúde se média for superior a 3,66), (No
de forma positiva com a saúde dos trabalhadores, deve ser invertida, constituindo os valores
mais elevados, aqueles com efeito mais positivo. (Silva, 2007). No nosso caso essas indicações
serão tidas com exposição laboral de risco para o indivíduo no trabalho. Os resultados desta
que constituem o COPSOQ II, verificou-se que as subescalas que obtiverem pontuações
médias mais elevadas, ou seja potenciadoras de maior risco psicossocial, foram as que
compõem a dimensão que tem a ver com as exigências laborais Os resultados apresentados
vão ao encontro da literatura quando refere que os fatores relacionados com o ambiente, a
74
organização do trabalho influenciam negativamente o bem-estar dos trabalhadores e que o
ambiente e o tipo de trabalho têm uma importante influência na saúde dos mesmos (Marmot
as funções e conteúdo do trabalho, os esforços dos trabalhadores, são aspectos que fazem
referência aos riscos psicossociais no contexto laboral. Neste sentido, considera-se que a
tarefas e como reagem a nível social (Griffiths, 1999). Os riscos psicossociais no trabalho
surgem da interação entre o trabalhador, as suas condições de vida e de trabalho (Silva et al.,
má organização e gestão de trabalho. Por abordar questões associadas aos trabalhadores, meio
ambiente geral e contexto laboral, os riscos psicossociais têm que ver com as características
relacionadas com as condições e organização do trabalho, o que pode afetar a vida dos
o intuito de se verificar os níveis de exposição aos riscos psicossociais dos professores cabo-
verdianos no trabalho. A figura 11, apresenta os resultados gerais nas sub escalas do COPSOQ,
aplicado aos 222 professores participantes no nosso estudo, após a divisão das pontuações em
tercis, tal como utilizado por (Moncada, 2008, como citado em Silva, 2006). Estes tercis são
75
Figura 11.
Nível de exposição dos professores cabo-verdianos a riscos psicossociais no exercício da sua
profissão.
ALI
97,3 2,7
INDIVÍD TRABALH DA
Fonte:labrdpouta
DE
AUTO EFICÁCIA 71,4 26,6 2,0 Fonte: elaborada pelo autora
O
36,9 53,6 9,5 Fonte: elaborada pelo autora
Apoio social de colegas 45,5 42,6 11,9 Fonte: elaborada pelo autora
68,0 23,28,8
TRABALH
0,0 20,040,060,080,0100,0120,0
Título do Eixo
Da análise dos tercis apresentado na figura 11, constatou-se, que uma quantidade
professores estudados. Entre os níveis de exposição, indicando alto risco laboral, destacam-
se:
como um indicador alto de risco. Isto deve-se a especificidade do trabalho do professor, tendo
sala de aula e do compromisso que os professores têm em preparar as aulas e cumprir com os
programas educativos. Esses profissionais assinalam falta de tempo para a realização e todas
76
as tarefas. Ainda em relação a subescala Exigências emocionais (43, 0 %) indica uma certa
fragilidade, demonstrando a necessidade de melhoria. O estar na sala de aula foi tido para os
professores como desgastante emocionalmente, uma vez que os professores são obrigados a
gerir várias situações ao mesmo tempo, assim como desempenhar vários papéis social e
laborais.
Esses resultados encontram respaldo em algumas pesquisas como: (Caran et al. (2011);
David e Quintão (2012); Pires, (2020) que mostram o quanto o trabalho docente exige um alto
esforço mental, intelectual e de estudo permanente. Esses estudos apontam ainda como riscos
que ser professor contribui para a sua formação social e pessoal, mas reclamam por mais
possibilidades; influência no trabalho (51.1%), tendo em conta o valor da cotação dessa escala,
pode-se dizer que os professores consideram ter um nível intermediário de influência no seu
trabalho; o significado do trabalho (90,5%) aparece como um fator protetor de risco, como
sendo uma das subescala mais cotadas pelos professores, embora os professores tem
reclamado de falta de valorização da classe, falta de incentivo por parte da tutela, sentem-se
desmotivados, e reclamam que o seu trabalho não tem tido muito significado para a sociedade,
esta subescala aparece como fator protetor para esta categoria, o que demonstra que a função
docente tem um significado pessoal para a classe; ainda como indicador de proteção temos a
subescala compromisso face ao local de trabalho (68,0%), demonstra que os professores tem
77
um compromisso forte com a sua função; por fim, temos variação no trabalho (49.1%), que é
tido como protetor considerando que para a classe docente não existe muita surpresa, e nem
Do fator Relações sociais e liderança, pode-se dizer que de uma forma geral este é
um fator de proteção do risco, um a vez que, uma boa quantidade das subescalas cotou com o
valor correspondente de baixo nível de risco. Das subescalas que aparecem como sinais de
alerta, temos: conflito de papéis (57,2%), previsibilidade (48,4%); e apoio social dos
superiores (44,4%). Em relação ao conflito de papéis, foi visto que os professores, algumas
vezes, consideram executar tarefas desnecessárias e que exercem papeis que não fazem parte
das suas funções. O que se justifica pelos estudos realizados por Gasparini, Barreto e Assunção
(2005) onde afirmam que os professores da atualidade têm ocupado outras funções para
de gestão da organização escolar, por isto tem em muitas situações levado à sobrecarga dos
professores.
professores existe uma falta ou pouca informação adequada de forma antecipada, bem como
respeito ao apoio social dos superiores, foi observado que é um aspecto que demanda
investimentos por parte dos diretores das escolas. Embora saiba-se que no cotidiano laboral os
professores são autônomos, os diretores que atuam nas escolas nem sempre tem autonomia,
controle, na tomada das decisões ou para priorizar questões consideradas importantes para a
vida laboral.
Por outro lado, segundo Mendes (2013) características do líder do grupo podem
Apesar de existir uma certa autonomia na atuação dos professores, o valor da cotação deste
78
item indica que os professores sentem necessidade de apoio pontuais dos superiores, e que
muitas vezes, não têm recebido auxílio, atenção e ajuda em momentos necessários e também
docente.
também como um indicador de proteção de risco laboral, o que contrapõe o discurso e a atitude
dos professores na prática, uma vez que, os professores não consideram que têm dito
reconhecimento nem recompensas pelo esforço que despendem para executar o seu trabalho,
nem pelo seu valor social. Prova disto são as várias reivindicações feitas pelos sindicatos da
Classe. Os estudos sobre professores do ensino Básico e Secundário feitos pela Agência
apontam alguns problemas associados à função dos professores deste escalão, que tem a ver
professores. Além disso, a Qualidade da liderança (56,3%), o Apoio social de colegas (45,5%)
ou falta do apoio é indicado como risco pelos professores, demonstrando a fragilidade dos
pelos seus direitos, o que leva a falta de pertença. O apoio social é considerado um importante
variável de manutenção da saúde mental dos trabalhadores (Souza et al., 2017) e possibilitam
79
o desenvolvimento e manutenção de estratégias de resolução de problemas (Bandura &
Cervone, 2000).
indicador de proteção de risco. Como as mais cotadas temos: Conflito Trabalho/Família com
(72,7%), efetuando assim uma contradição em relação aos estudos de David & Quintão (2012)
Pires (2020) sobre esta matéria que tomam este item como fator de risco; Insegurança Laboral
(56,1%); e Satisfação laboral (52,5%). Quanto a satisfação laboral, este é um fator que merece
atenção. Na atividade docente é comum esse fator estar comprometido devido às condições
diminuir a produtividade.
risco. Além das subescalas de Justiça e respeito (53,6%); e Confiança vertical (52,5%),
do trabalho docente, nem sempre todas as suas demandas e exigências são atendidas, o que
pode ser percebido como falta de justiça ou respeito. A confiança vertical indica uma certa
trabalhadores e seus superiores hierárquicos e principalmente entre eles e seus colegas, por ser
risco, o que contradiz os estudos internacionais sobre os professores realizados por Travers e
Cooper (1996); Manthei & Glimore (1996); Lima (1999), onde indicam como maior risco
psicossocial na pratica docente a relação existente nas salas de aula e nas comunidades
80
acadêmicas, e que apontam como principal fonte de estresse a relação docente/discente. Os
estudos de Cardoso et al. (2002) apontam para os riscos psicossociais que mais afetam a função
trabalho.
A auto eficácia (73,4%) nos leva a afirmar que na realidade do cotidiano dos
professores, ou seja, na realização das suas atividades e laborativas, eles enfrentam e resolvem
os problemas que aparecem na sala de aula que não depende da sua capacidade para tal.
Atuação dos professores também foi relacionado por alguns pesquisadores (Moreno, Garrosa
& Gonzalez, 2000) com a personalidade, destacando esta caraterística como sendo um dos
Ainda, o uso de coping é indicado nos estudos como sendo uma estratégia de enfrentamento
secundário (Gonzalez, Moreno, Garrosa & Gonzalez, 2000). Por sua vez, as estratégias
percepção de auto eficácia, que pode estar relacionado ao nível de apoio social e pode originar
média e encontra-se entre as que apresentam maior nível de proteção de risco através da análise
dos tercis. Este resultado é uma indicação de que os professores deste estudo não vivenciam
comportamento ofensivo. Pode-se afirmar que a profissão docente não se apresente como uma
ameaça ao exercício laboral, de modo que esta variável venha a ser um importante fator
protetivo, não se detetando a ocorrência de assédio moral, assédio sexual, violência física ou
81
ofensivos neste estudo tenham sido tendencialmente baixos, não podemos deixar de fazer
verbais e físicas, humilhação e boatos contra a reputação e dignidade pessoal, degradação das
produtividade, mau ambiente, perda da eficiência e de vitalidade dos grupos, que tem afetado
as organizações apontados por Griep et al., (2010) ; Hall, Dollard & Coward, (2010).
Salienta-se que as subescalas que apresentam valores de média mais baixos estão
O que demonstra que os professores desse estudo vivenciam de forma positiva a sua relação
com a função docente. Segundo Quick et al. (2003), os riscos psicossociais no trabalho,
organização e o trabalhador.
gêneros Feminino e Masculino por cada subescala demonstraram que das 28 variáveis
testadas, existe uma influência menor do gênero masculino na perceção dos riscos. Os
para a maioria das comparações entre as subescalas e cruzamentos entre grupos, o que
demonstra que não existe uma diferença significativa na prática, embora exista uma diferença
Tabela 4.
Análise dos grupos referentes aos dados sociodemográficos.
Características Subescalas Escores Médios Significância
Pessoais COPSOQ II
Os homens em relação as mulheres
Influência no Trabalho Mulheres (M= 2,64; DP =0,82); Homens (M vivenciam maior o risco nesta sub
=2,87; DP =0,92), (t (219) = -1,892, p= 0,06, escala, entretanto o tamanho do
d = 0,26 efeito foi pequeno
Mulheres (M=3,26; DP =0,94); Homens (M Os Homens tiveram escore
Previsibilidade =3,51; DP =0,98), (t (219) = -1,912, estatisticamente maior do que as
p= 0,05, d = 0,26 mulheres em relação a
previsibilidade, com o tamanho do
GENERO efeito pequeno
82
Confiança horizontal Mulheres (M= 2,85; DP =0,80); Homens (M As mulheres apresentam um valor
=2,62; DP =0,73), (t (220) = 2,189, p= 0,03, d na média superior em relação aos
= 0,30 homens, com o tamanho do efeito
pequeno
Mulheres (M= 3,48; DP =); Homens (M Os Homens apresentam maior
Satisfação no Trabalho =3,68; DP =0,92), (t (219) = -1,954, risco quando comparados às
p= 0,05, d = 0,35 mulheres, com o tamanho do
efeito pequeno
A percepção do risco associada a
Casado (M=2,42; DP =0,81); Solteiro (M responsabilidade aumenta quando
Responsabilidade Social =2,34; DP =0,79); outros (M=2,41; DP comparado os casados e os demais
ESTADO CIVIL =0,80), f (2,219) = 4,001, p= 0,02), d = 0,29) estados civis, e o escore é maior
entre os solteiros comparado com
categoria “outros”. Entretanto o
tamanho do efeito pequeno
18-25 (M= 1,16; DP =0,28); A percepção do risco associada a
26-35 (M =2,52; DP =0,91); previsibilidade do trabalho aumenta
Previsibilidade 36-50 (M =2,66; DP =0,99); com a idade dos professores.
51-65 (M =2,66; DP =0,91), f (3,218) = 2,55, p Entretanto o tamanho do efeito
= 0,05, d = 0,27 pequeno
A percepção do risco associada a
18-25 (M=1,41; DP =0,52); qualidade de trabalho oscila com a
IDADE Qualidade liderança 26-35 (M =2,33; DP =0,82); idade dos professores,
36-50 (M =2,23; DP =0,77); aumentando na 1ª faixa etária para
51-65 (M =2,56; DP =0.59), f (3,218) = 2,33, a 2ª, de 2ª para a 3ª teve uma
p = 0,07, d = 0, diminuída da 3ª para a 4º teve um
aumento. Entretanto o tamanho do
efeito pequeno
18-25 (M= 1,22; DP =0,38); A percepção do risco associada ao
Conflito Trabalho 26-35 (M =2,59; DP =1,03); conflito trabalho/família, com a
Família 36-50 (M =2,77; DP =1,04); idade dos professores não é linear,
51-65 (M =275; DP =1,30), f (3,218) =2,39, p aumenta na 1ª, 2ª, e 3ª faixa etária
=0,06, d = 0,6 e na passagem da 3ª para a 4º teve
uma diminuída. Entretanto o
tamanho do efeito médio
Exigências para (M= 2,86; DP =076,); (M =2,25; DP =0,99), t Pessoas sem filhos tiveram escore
esconder emoções (220) = -2,73, p = 0,00, d = 0,63 estatisticamente maior do que
pessoas com filho, com tamanho
de efeito médio
TER FILHOS Conflitos Laborais (M=3,16; DP =0,87); (M =2,67; DP =0,80), t Pessoas sem filhos tiveram escore
(220) = -2,670, p = 0,00, d = 0,62 estatisticamente maior do que
pessoas com filhos, com tamanho
de efeito médio
Insegurança Laboral (M= 2,80; DP =1,05); (M =2,29; DP =1,03), t Pessoas sem filhos tiveram escore
(219) =-2,184, p = 0,05, d = 0,50 estatisticamente maior do que
pessoas com filhos com tamanho
de efeito médio
Professores Residentes na cidade
do interior apresentam uma média
Possibilidade do (M=3,43; DP =0,40); (M =3,29; DP =0,45) t maior dos que vivem na Cidade
Desenvolvimento (220) = -2,114, p = 0,03, d = 0,3 Urbana, apresentando maior o
risco. Com o tamanho do efeito
LOCAL DE pequeno
RESIDÊNCIA Professores Residentes na cidade
(M= 3,47; DP =0,84); (M =3,27; DP =0,79), (t Urbana representam uma média
Justiça e Respeito (220) =1,766, p =,0,07 d = 0,25 maior dos que vivem na Cidade do
interior. Com o tamanho do efeito
pequeno
Professores Residentes na cidade
Urbana representam uma média
(M= 2,88; DP =1,15); (M =2,59; DP =1,03), t maior em relação a vivência da
Responsabilidade Social (220) = 1,843 p =0,06, d = 0,26 perceção do risco referente a
responsabilidade social dos que
vivem na Cidade do interior. Com
o tamanho do efeito pequeno
83
Os do interior apresentam maior
(M= 2,55; DP =1,11); (M =2,24; DP =1,99), t risco em relação a sub escala
Insegurança Laboral (219) = -1,834, p = 0,06 d = 0,25 insegurança laboral dos que
residem na cidade Urbana. Com o
tamanho do efeito pequeno
Fonte: elaborada pela autora
No geral, nos diferentes fatores analisados neste estudo, as mulheres indicam níveis
mais elevados de riscos psicossociais do que os homens. Essa tendência, entretanto, se inverte
evidencie uma diferença significativa. Este resultado pode se justificar pela superposição de
paralelamente à sua vida profissional, o que, por sua vez, aumenta a sobrecarga. Cleveland et
al., (2007) aponta rotina no trabalho, a falta de autonomia e apoio social como fatores que
Na comparação dos grupos divididos por estado civil, o resultado das ANOVAs
Responsabilidade social (F (2,218) = 3,2, p < 0,10). Demonstraram que havia diferenças entre
os grupos [Welch´s F (2,) = 8,586, p < 0,001], entretanto, o tamanho de efeito foi muito baixo.
inquiridos situados na faixa etária mais elevada evidenciam perceção mais acentuadas de
riscos psicossociais. Entretanto, nas dimensões Exigências para esconder Emoções, Influencia
no Local de Trabalho e Insegurança Laboral, os indivíduos situados na faixa etária mais baixa,
evidenciaram maior escorre da média. Tal como foi referido no estudo de Silva e Gomes
84
(2009), os trabalhadores mais jovens apresentam maior risco de stress e burnout, o que pode
ser justificado pela maior exigência por parte dos superiores e dos próprios trabalhadores para
executar um trabalho rigoroso, bem como, por uma maior competitividade em termos de
progressão na carreira que estes apresentem. Este resultado pode estrar relacionada também e
imaturidade a nível da gestão emocional. Da análise dos dados percebe-se ainda que as pessoas
sem filhos apresentam uma tendência maior em vivenciar o risco do que as pessoas com filho,
assim como os solteiros em relação aos casados, o que reforça a relação familiar como um
Os resultados por cada subescala demonstraram ainda que pessoas sem filhos tiveram
escore estatisticamente maior do que pessoas com filhos. Pode-se constatar que a maioria das
variáveis testadas não tiveram diferenças significativas entre os grupos, com o resultado da
situado entre (>= -0.20 and <.20). As subescalas que tiveram maior escores estatísticos foram:
Exigências de esconder emoções, demonstraram que pessoas sem filhos tiveram escore
semelhança dos resultados anteriores, de modo que das 28 variáveis testadas, a maioria não
efeito da diferença, segundo (d de Cohen) que foi irrisório, com exceção das seguintes
subescalas que tiveram uma ligeira diferença estatísticas, mas com o tamanho de efeito da
dos grupos referentes aos dados sociodemográficos das subescalas relacionados ao risco
85
psicossocial do trabalho, segundo COPSOQ II, que foram significativas, identificando
Tabela 5.
Análise dos grupos referente aos dados ocupacionais.
86
dos dois ciclos apresentam nível maior de risco
quando comparado com os do 2º ciclo
Os resultados demonstraram que havia
diferenças entre os grupos, entretanto, o
tamanho de efeito foi muito baixo (n2 = 0,04).
Profissionais do 2 º ciclo apresenta maior risco
1º Ciclo (M =3,37; DP=0,83) quando comparado com os do 1º ciclo e com
Confiança Vertical 2º Ciclo (M = 3,87; DP =0,87), os que trabalham com os 2 ciclos, enquanto os
1º e 2ºCiclo (M =3,65; DP=068) dos dois ciclos apresentam nível maior de risco
[F (2,218) = 5,085, p < 0,10) ] quando comparado com os do 1º ciclo.
Entretanto o tamanho do efeito é irrisório: d
=0,07
Os resultados demonstraram que havia
diferenças entre os grupos, entretanto, o
tamanho de efeito foi muito baixo (n2 = 0,06).
87
Contrato a termo (M =1,52; DP =0,83), professores com contrato de tempo
Contrato tempo indeterminado (M indeterminado e a termo, e os com contato a
Conflito família/ =1,34; DP =0,56), termo apresentam maior risco dos com
Trabalho Quadro efetivo (M =1,84; DP =0,89) contrato a tempo indeterminado
Tamanho de efeito baixo (n2 = 0,02).
F (2,217) = 2,88, p = 0,05)] Quando comparado contrato tempo
indeterminado e
Quadro efetivo o tamanho do efeito foi médio
de d=0,52
As demais comparações tiveram efeito
pequeno d< 0,30
Escolas do interior apresentam menor
(M= 2,47; DP =0,80); (M =2,25; DP avaliação do risco relacionado a exigência
Exigência =0,77), t (220) = quantitativa em relação a escolas urbanas com
Quantitativa -2,024, p = 0,04 d = 0,28 o tamanho do efeito pequeno
Escolas Urbana apresentam maior avaliação
(M=3,18; DP =0,82); (M =2,90; DP do risco relacionado ao apoio social dos
Apoio Social dos =1,02), t (220) = -2,163, p = 0,03 superiores em relação a escolas do interior.
Superiores d = 0,30 Com o tamanho do efeito pequeno
Escolas urbanas apresentam maior avaliação
(M= 2,90; DP =1,16); (M =2,61; DP do risco relacionado com a responsabilidade
Responsabilidade =1,03), t (220) = -1,933, p = 0,05 social em relação a escolas do interior. Com o
Social d = 0,26 tamanho do efeito pequeno
LOCALIZAÇÃO Escolas do interior apresentam maior
DA ESCOLA (M= 4,42; DP =0,54); (M =4,26; DP avaliação do risco relacionado ao significado
ATUAL Significado no =0,73), t (220) 1,844=, p = 0,06 no trabalho em relação a escolas urbanas. Com
Trabalho d = 0,25 o tamanho do efeito pequeno
Os que assumiram cargo de chefia avaliam
como sendo maior o risco da influência no
Influência no (M= 2,89; DP =0,86); (M =2,57; DP trabalho em relação aos que não assumiram.
Trabalho =0,89), t (219) = 2,537, p = 0,01 Entretanto o tamanho do efeito pequeno
d = 0,36
Os que assumiram cargo de chefia avaliam
CARGO DE (M= 3,48; DP =0,77); (M =3,26; DP como sendo maior o risco em relação a justiça
CHEFIA/COORDE Justiça e Respeito =0,92), t (220) = 1,874, p = 0,06 e respeito no trabalho em relação aos que não
NAÇÃO d = 0,26 assumiram. Entretanto o tamanho do efeito
pequeno
Os que assumiram cargo de chefia avaliam
como sendo maior o risco em relação a
Responsabilidade (M= 2,93; DP =1,14); (M =2,50; DP responsabilidade social dos que assumiram
Social =1,02), t (220) = 2,806, p = 0,00 cargo. Entretanto o tamanho do efeito pequeno
d = 0,25
Os que assumiram cargo de chefia avaliam
como sendo maior o risco em relação ao
Compromisso no (M= 3,91; DP =0,79); (M =3,65; DP compromisso no local de trabalho em relação
Local de Trabalho =0,95), t (219) = 2,195, p = 0,02 aos que assumiram. Entretanto o tamanho do
d = 0,31 efeito pequeno
Fonte: Elaborado pela autora
relação às variáveis ocupacionais dos docentes deste estudo demonstraram de uma forma geral
a semelhança dos resultados das análises das variáveis sociodemográficos. Assim, das 28
subescalas testadas, a maioria não teve diferenças significativas entre os grupos, conforme o
88
Todavia na comparação dos grupos divididos por “ciclo lecionado pelo professor” e
“tipo do vínculo empregatício”, percebe-se que o resultado das ANOVAs demostrou que
foram as variáveis com maior número de influências por sub escalas (5 subescala cada).
Na comparação dos grupos divididos por carga horária semanal (chsa), o resultado
“Exigências de esconder emoções”. Entretanto, o tamanho de efeito foi muito baixo. Não
foram encontradas diferenças significativas, sendo que a diferença encontrada foi muito
pequena, demonstrando pouca relevância prática. Podemos afirmar que existe uma tendência
significativa negativa, quanto menor a carga horária semanal, maior a avaliação da exigência
para esconder as emoções relacionado com o risco psicossocial. Esta tendência pode se
justificar pela relação existente entre a carga horária letiva do professor e a sua idade
Conclusões
escolas públicas do nível secundário em Cabo Verde que busca mapear os riscos psicossociais.
anteriores dificulta estabelecer comparações ou discutir como tais fatores estão mudando ao
longo do tempo. No entanto, o quadro aqui delineado aponta para problemas e dificuldades
que devem ser enfrentados pelos gestores do sistema educativo do país, no sentido de assegurar
que não existe uma diversidade de riscos psicossociais incidindo sobre o trabalho desses
professores. Na análise dos resultados foi possível identificar muitos dos problemas aos quais
89
os professores estão submetidos na prática da sua função. Percebe-se ainda o quanto é
sociedade, assim como a noção de riscos Psicossociais ocupacionais que mais lhe afetam, tanto
pela positiva como negativa. Além disso, é relevante conhecer as condições de trabalho dos
professores e, sobretudo, a forma como eles vêm exercendo a sua atividade e propor, através
sugerindo a necessidade de estudos mais aprofundados sobre o assunto, face aos inúmeros
aspectos envolvidos neste tema. Ademais, é notável uma mistura de fatores psicossociológicos
que se entrecruzam e quando analisadas separadamente por cada subescala, apresenta uma
irrisório. Os dados obtidos revelam áreas que evidenciam maior risco psicossocial neste tipo
de população, o que deve ser analisado com a maior atenção de forma a se poder intervir e
diminuir o risco. Contudo, é necessário aprofundar o estudo nesta área com um maior número
INTRODUÇÃO
Definir o vínculo que o trabalhador tem com a sua carreira é de estrema relevância no
passado nas últimas décadas. Ao longo do século XX, o trabalho tinha valor central na
construção da vida do indivíduo, o emprego era considerado a forma básica de vínculo com o
90
trabalho e a carreira era constituída na sequência de posições ocupadas no mundo do trabalho
(Blanch, 2003).
Segundo Super, (1957) nesta época havia mais segurança de planejamento futuro de
era mais restrita, sendo mais uma reprodução de modelos do que a produção de carreiras. Este
fato atualmente está destinado a uma minoria de trabalhadores pertencentes ao serviço público,
como é o caso dos professores das escolas públicas. Porém a ideia de construção de uma
globalização e instauração das tecnologias no mundo de trabalho. Andrade (2008) afirma que
se num passado recente, as pessoas elegiam sua carreira uma única vez, atualmente os
indivíduos realizam uma série de escolhas e mudanças na carreira ao longo da sua trajetória
profissional, pode-se dizer que os trabalhadores já não constroem a sua carreira como era vista
antigamente, como projeto social coletivo e acabado ao qual se adaptava, mas a constroem na
relação com o mundo. Por muito tempo ter uma carreira era associado a uma organização, ou
que ela acrescenta valor ao seu trabalho, tendo as organizações necessidades de criar uma
ligação entre suas expectativas e as das pessoas que nela trabalham, o autor acrescenta ainda
que uma das maneiras de fortalecer esse vínculo é através da gestão de carreiras.
Os vínculos com a carreira podem ser estudados tanto do ponto de vista da organização,
quanto dos seus trabalhadores. Bastos & Rowe (2010) afirmaram que este vínculo tem se
91
estruturação da carreira profissional. Percebe-se que em resposta a estas circunstâncias, os
profissionais têm-se movimentado de diversas formas; uns têm escolhido criar novos padrões
de carreira, muitos têm se tornado empreendedores iniciando seus próprios negócios, outros
tem se formado em outras áreas, ou até se retiram da vida profissional, desempenhando outras
tarefas (sendo voluntário por exemplo), alguns outros procuram outras oportunidades de
mesma, a literatura tem chamado de comprometimento com a carreira. Segundo Carson &
Para além desde lado, considerado positivo da relação do indivíduo coma a sua carreira, existe
motivação para fazerem mudanças ocupacionais. A esta condição os autores Carson, Carson
& Bedeian (1995) denominaram de entrincheiramento na carreira, este conceito serve para
desígnio para compreender o caráter estático e defensivo adotado pelo trabalhador em virtude
entrincheirado se sente protegido pela sua carreira e supõe que sua saída ou abandono lhe
causará perdas e por isso permanece na trincheira que é a carreira (Carson & Carson, 1997).
92
tal qual hipotetisado nesse estudo. Existem estudos que tentam relacionar o vínculo com a
carreira e a exposição de risco psicossocial, assim como, bibliografias que corroboram com a
desta pesquisa, que é a de verificar se existe uma relação entre o risco psicossocial e o vínculo
estabilidade, ii) segurança e iii) proteção, com base nesses achados, pode-se inferir que, o
mudança. Fatores tais como: ritmo de trabalho, exigências cognitivas, exigências emocionais,
forte com o entrincheiramento, neste estudo. Os resultados deste estudo indicam ainda que o
organização.
Neste sentido o estudo ora apresentado propõe por um lado, analisar o vínculo na
carreira dos professores das escolas públicas na ilha de Santiago em Cabo Verde, destacando-
se por um lado, a importância de se conhecer que tipo de vínculo este profissional desenvolve
com a sua carreira e por outro, traçar o perfil de carreira desses professores. Tendo em conta
a importância de construção de uma profissão docente com menos risco psicossocial na nossa
situação de trabalho inúmeros tipos de risco tais como: alto grau de contato interpessoal e
93
sobrecarga de tarefas; estando mais vulneráveis ao estresse; podendo assim ocorrer
Assim, faz-se necessário, dar visibilidade científica a esta situação e propor estratégias
desenvolvimento de carreira. Portanto, essa pesquisa tem como objetivo investigar como os
professores estabelecem os vínculos com a carreira, assim como traçar o perfil de carreira
contexto de trabalho mais saudável, uma vez que, acreditamos que, para se estabelecer uma
para a nossa sociedade e para a área da psicologia social e do trabalho, pois nos leva a detetar
na carreira dos professores tendo em vista a natureza das atividades desenvolvidas na prática
das suas funções e que interferem no seu desempenho. Essa análise envolve as caraterísticas
de trabalho. Priorizamos para essa análise a construção das trajetórias de carreira, procurando
a sua carreira através da aplicação da escala de vínculo com a carreira desenvolvida por Basto
1997.
indivíduo com o trabalho e a própria organização. O vínculo com a carreira, surge neste
94
sentido como uma das relações que o indivíduo estabelece com a sua vida laboral. As pesquisas
investimentos que ele faz de forma a construir uma trajetória com êxito, tanto no plano pessoal,
quanto dos resultados que gera para a sociedade, constituindo assim o vínculo com a sua
carreira.
Como já foi referido o trabalhador pode estabelecer o vínculo com a carreira através
estabelecidas pelas organizações, o que faz parte da dimensão administrativa, considerada por
Ribeiro (2009) de carreira objetiva; ou na ótica da pessoa, que abrange a trajetória da pessoa
pela vida no trabalho, compreendendo a dimensão psicossocial, denominado pelo mesmo autor
Para Ribeiro (2009) e Dutra (2002) as duas óticas tornam, portanto, distintas as
psicologia).
O estudo de carreira surgiu, na era industrial, associada à trajetória das pessoas nas
empresas (Ribeiro, 2009; Dutra, 2002; Biachi; Quishida, 2009). Contudo, com a crescente
95
fizeram surgir um novo conceito a de rotatividade, que por sua vez, influenciou a mudança do
caraterísticas individuais, da força e virtude pessoal, como defendem os autores (Gonçalves &
Leite, 2009; Passareli & Silva, 2007; Donaldson & Ko, 2010). Segundo Martins, (2001) ela é
pré-estabelecida pelo próprio indivíduo que escolhe um caminho, sabendo de antemão o que
Ribeiro e Melo-Silva (2011) a carreira passa a ter diversas teorias conforme o seu
significado que podem ser: Econômico (são estruturas de trabalho inseridas numa
construído ao longo da vida pelo vínculo a uma série de ocupações e profissões que constituem
de uma pessoa em dado contexto ao longo do tempo, que se constitui em um veículo de autor
posições que o indivíduo ocupa ao longo do desempenho do papel de trabalhador” para ser
compreendida dentro de um contexto mais amplo de vida onde “o trabalho é uma contribuição
social que conecta o indivíduo a sua comunidade e o coloca em relação com os outros” (p. 44).
posição ocupados por indivíduo na sua vida profissional de uma forma dinâmica e por estágios.
Para Blau (2001) o termo carreira é mais abrangente e se refere ao grupo de pessoas que estão
96
engajados com o seu trabalho, a carreira representa um padrão de comportamento experiências
relacionadas ao trabalho do indivíduo por toda a sua vida. Hall e Lawrence (1989) definem
carreira como uma sequência profissional que o indivíduo adquire com o trabalho e com
tempo.
organizações, é uma parte da vida laboral de grande relevância para a compreensão de muitos
Essa importância advém da escolha que o sujeito faz da própria carreira, que se associa
desenvolvidas que se articulam com oportunidades oferecidas pelo contexto para que o
indivíduo possa realizar os seus projetos profissionais. Neste sentido, a relação ou o vínculo
que o indivíduo desenvolve com a sua carreira terá impacto importante sobre a forma como
lidar com os desafios múltiplos que cercam o seu exercício e o seu desenvolvimento.
normativo Como vemos, essa variedade de rótulos envolve tanto natureza do foco do vínculo
autores sugerem que essas nomenclaturas sejam aglomeradas num único constructo.
97
Meyer, Allen & Smith (1993) inseriram uma abordagem multidimensional do
afetivo aborda a identificação e o envolvimento dos indivíduos com suas carreiras. O normativo
é gerado pelo sentimento do dever e da obrigação moral para com sua carreira. E o
carreira, que é calculado por meio da relação custo-benefício entre continuar ou romper o
Para Basto (1997) comprometer significa sentir-se vinculado a algo, ter o desejo de
permanecer aquele curso de ação. Comprometimento é definido ainda como uma força que
carreira. Para Bastos (1994) trata-se de um vínculo de natureza afetiva que o indivíduo
desenvolve com a sua profissão que está associada à construção de uma trajetória de
profissão ou vocação.
identidade com a carreira, que representa o vínculo emocional; planejamento da carreira, que
98
na carreira, que remete à constância na carreira mesmo em face das adversidades. Segundo
Goulet & Singh (2002), este conceito envolve desenvolvimento de objetivos e de identificação
comprometido com a sua carreira é aquele que emprega energia e é persistente em seus
indivíduo com sua carreira, que pode ter origem em sentimentos de afeto, interesse ou
Existem na literatura algumas escalas que servem para estudar o vínculo com a carreira.
Dos estudos mais citados encontramos o modelo unidimensional de Blau (1985), que é uma
escala de 7 itens, adaptado na versão brasileira por Bastos (1994). O modelo de London de
1983, deu origem a uma escala multidimensional desenvolvida por Corsan & Bediean 1994,
subescala com 4 itens cada escala Magalhães (2008); Sanches, Gontijo & Verdinneli (2005)
apontam os diversos trabalhos que foram desenvolvidos com docentes do ensino superior
a atividade docente, refletindo, pois, no seu desempenho. Os autores exibem ainda diferentes
deve-se às mudanças que o mundo do trabalho vem sofrendo, das reestruturações, reduções de
99
incapacitadas de prover a estabilidade do emprego o que parece estar deslocando o
Carson & Bedeian (1994) construído com base nas ideias de London (1987). Conforme London
carreira, como ele se ajusta e percebe a mesma ao longo de seu desenvolvimento profissional
pessoas percebem a si próprias e os seus papéis profissionais e definem com clareza suas metas
afetividade e comprometimento.
Entrincheiramento na carreira
identifica com a sua ocupação/carreira, a não mudar a sua situação. Carson & Bedeian, (1995)
linha de trabalho ou carreira por acreditar em falta de opções, pela sensação de possíveis perdas
100
A expressão entrincheiramento de carreira significa a imobilização do trabalhador em
deseja, mas sim por que necessita de segurança ou garantia de estabilidade. Estar entrincheirado
Menezes & Bastos (2009) indicam que nem toda a pessoa que permanece na organização está
de fato comprometida com ela. O salário e ganhos profissionais, por exemplo, pode ser uma
identificarem com a atividade laboral realizada. O termo entrincheiramento tem relação com o
envolvimento do trabalhador a uma dada instituição/empresa, carreira isto é, com a sua decisão
de permanecer na empresa, ou na carreira não por uma identificação com o trabalho que realiza,
mas sim porque considera não ter outra alternativa de emprego, ou porque tem receio/temor de
perder o suprimento das necessidades pessoais e familiares que este emprego lhe proporciona
ou ainda devido aos investimentos já realizados para estar na carreira, de acordo com Carson,
acúmulo de investimentos numa linha de carreira (tempo, treinamentos, relações sociais) gera
2008).
101
Assim, o trabalhador entrincheirado não permanece na organização nem continua na
carreira porque deseja, mas sim porque necessita de segurança ou garantia de estabilidade.
Estar entrincheirado significa estar em um local de trabalho ou carreira em que não o satisfaz
completamente. Bastos (2009) indica que nem toda pessoa que permanece na organização está
de fato comprometida com ela, o que também vale quando tratamos de carreira. A escolha do
salário e ganhos profissionais, por exemplo, é tida como uma das situações que levam o
de evitar estigma social; medo de que a idade e habilidades específicas limitem uma boa
recolocação; falta de desejo de deixar privilégios já adquiridos; medo de perder com a troca;
ou seja, o ceticismo sobre o potencial de ganhos financeiros fora da posição atual. O indivíduo
entrincheirado é aquele que sente preso a instituição ou a sua carreira. O fato de o trabalhador
estabilidade e evitar perdas materiais indica que esse vínculo inclui uma necessidade e não um
indivíduo se encontra, quanto a idade do mesmo possuem uma correlação favorável e positiva
posição estática, totalmente adverso a mudanças (Carson, Carson & Bedeian 1995).
e/ou tempo dedicado a treinamentos por exemplo, percebe-se que aquele indivíduo que está na
mesma empresa, cargo ou carreira por mais tempo, tende a estar mais entrincheirado em caso
102
Quanto mais alto o grau de conhecimento que a carreira demanda, mais alto será o nível de
entrincheiramento.
entrincheiramento aquelas situações em que o indivíduo poderá ter um cargo hierárquico mais
da área de atuação. Investimentos voltados apenas para a área de atuação específica faz com
Percebe -se que quanto maior o tempo profissional atuante na carreira mais difícil sua
aproveitados em uma nova área de atuação. Isto porque todo seu conhecimento foi adquirido
103
Figura 12.
Modelo de Entrincheiramento de Carreira: traduzida por Carson et
al. (1995)
Os estudos sobre entrincheiramento surgiram com o artigo publicado por Carson et al.
(1995) que o define como a tendência do indivíduo em permanecer em sua profissão devido
aos investimentos efetuados, aos custos emocionais ligados à mudança e à percepção de poucas
alternativas fora do seu campo de atuação. O primeiro trabalho realizado no Brasil discutindo
Carson, Carson & Bedeian (1995) foi validada por (Magalhães, 2008) apresentou qualidades
psicométricas adequadas.
(Baiocchi & Magalhães, 2004; Magalhães & Gomes, 2007; Porto, Pilati, 2010; Rowe & Bastos,
2011; Carvalho, Alves, Peixoto & Bastos, 2011; camara et al., 2015; Balsan et al., 2016; 2018;
Milhome & Rowe, 2018; Menezes & Silva et al., 2018; Formiga et al, 2018; Rodrigues, 2009;
104
aprisionamento, proporcionada pela viabilidade da estabilidade do “emprego”, assim o
Método
Cabo Verde.
versão 25.0 e Jasp 0. 16.0.4 e R versão 4.1.3 (R Core Team , 2022). Em um primeiro momento,
e Comprometimento). Para as variáveis com mais de dois níveis, foram realizadas análises de
variância de uma via (ANOVA-One Way). Testes post hoc foram realizados entre todas as
condições utilizando testes t pareados, com a correção de Bonferroni. Para variáveis com dois
dados foi avaliada por meio dos testes Kolmogorov-Smirnov e Shapiro-Wilk. O pressuposto
105
Para avaliar o agrupamento dos professores em grupos classificados de acordo com o
dados foram padronizados (média 0 e desvio padrão 1) para uniformizar as unidades das
escalas. Para extrair uma sugestão inicial de um número apropriado de clusters, foi utilizado o
(Kassambara & Mundt, 2020). Utilizou-se como medida de similaridade a distância Euclidiana
interações, com o pacote fpc versão 2.2.9 (Hennig, 2020). Após determinar o número de
clusters e seus centróides, foi realizada uma nova análise de cluster com o método K-means
para otimizar os resultados (Milligan, 1980). Por fim, foram testados modelos de regressão
clusters em relação às escalas de vínculo com a carreira, foram realizadas análises de variância
de uma via (ANOVA-One Way) com testes post-hoc com a correção de Bonferroni e qui-
quadrado de aderência.
Resultados e Discussão
dados descritivos dos níveis de vínculo dos docentes com a carreira. Explora-se, também, os
níveis de correlação entre esses diferentes vínculos. No segundo segmento, são apresentados
docentes que se assemelham em termos dos tipos de vínculo que se estabelecem com sua
carreira), para isso dividiu-se a amostra em quadro grupos; assim como as principais
características pessoais e ocupacionais que identificam os seus membros. Por fim será
106
apresentado a análise da relação existente entre os grupos dos professores e as variáveis
sociodemográficos e ocupacionais, assim com a sua relação com as dimensões dos vínculos.
A analise descritiva feita do Vínculo com a carreira dos professores por cada dimensão
apresenta uma diferença maior a nível estatístico quando comparamos as médias e os desvios
carreira, percebe-se pela análise dos resultados que os professores apresentam de uma forma
emocional, com o escore médio situado em (3,82), embora apresente maior variação entre os
Tabela 6.
Análise descritiva das dimensões do Vínculo com a carreira.
Variável Média DP
Comprometimento com a Carreira Carson (Total) 4,70 0,59
Resiliência 3,86 2,18
Planejamento 5,45
1,28
Identidade 4,78 0,89
Entrincheiramento com a Carreira Carson 4,06 0,87
Entrincheiramento com a carreira Falta de Alternativa 4,11 0,14
Entrincheiramento com a carreira Investimentos 4,24 1,29
Entrincheiramento com a carreira Custos Emocionais
3,82 1,05
Fonte: Elaborada pela autora
escore total), divididas por variáveis sociodemográficas e ocupacionais. Destas análises pode
107
se afirmar que os homens deste estudo apresentam um maior nível de vinculação com a carreira,
Tabela7.
Níveis de relação do vínculo com a carreira e as variáveis sócio demográficas (teste t)
Entrincheiramento Comprometimento
Desvio Níveis de relação Desvio Níveis de relação
Média Média
Patrão Df T p η² Patrão Df T p η²
Ter filhos
Não 4,50 0,90 5,82 0,02 0,79 4,78 0,80 0,37 0,54 0,05
(220) (220)
Sim 4,01 0,87 4,69 0,57
Gênero
Feminino 3,99 0,85 1,00 0,32 0,13 4,65 0,57 1,24 0,27 0,17
(220) (220)
Masculino 4,11 0,90 4,74 0,62
Local de Residência
Cidade
4,04 0,89 4,73 0,59
Capital/Urbano (220) 0,20 0,66 0,03 (220) 1,31 0,25 0,18
Cidade Interior 4,10 0,86 4,64 0,61
Localização da escola
Escola do
4,12 0,87 4,70 0,60
interior (220) 0,86 0,35 0,012 (220) 0,01 0,91 0,00
Escola urbana 4,01 0,89 4,71 0,60
Cargo de chefia
Não 4,02 0,91 0,27 0,60 0,04 4,69 0,57 0,06 0,80
(220) (220) 0,01
Sim 4,08 0,86 4,71 0,61
Nota. Soma dos quadrados Tipo
108
Tabela 7.
Níveis de relação do vínculo com a carreira e as variáveis sócio demográficas (ANOVA).
Entrincheiramento Comprometimento
Níveis de relação Níveis de relação
Média DP Média DP
Df F p η² Df f p η²
Idade
18-25 5,00 0,17 5,22 0,79
26-35 3,72 0,78 3(218) 8,26 <0,001 4,64 0,63
36-50 4,18 0,81 0,102 4,77 0,57 3(218) 2,97 0,33 0,039
51-65 4,53 1,21 4,42 0,49
Estado civil
Casado 4,15 0,95 4,75 0,61
Solteiro 4,03 0,88 2(219) 0,52 0,59 0,005 4,70 0,62 2(219) 0,500 0,61 0,005
Outros 3,99 0,74 4,62 0,49
Tempo de serviço
Diversificação 4,01 0,84 4,72 0,60
Entrada 4,15 1,10 4,80 0,65
3(218) 3,08 0,03 0,041 3(218) 1,19 0,31 0,016
Estabilização 3,79 0,84 4,45 0,51
Serenidade 4,56 0,86 4,63 0,56
Carga horária semanal
14-4 4,43 0,99 4,83 0,64
20-15 4,02 0,87 1,96 0,14 0,029 4,69 0,61 2(219) 0,50 0,61 0,028
21-28 4,03 0,85 2(219) 4,69 0,57
Ciclo de lecionação
1º Ciclo 4,29 0,92 4,72 0,64
2º Ciclo 3,99 0,81 2(219) 1,21 0,21 0,014 4,67 0,59 2(219) 0,18 0,83 0,02
1º e 2º Ciclo 4,03 0,90 4,72 0,59
Tipo de Vínculo
Contrato a termo 3,73 1,04 4,66 0,60
Contrato tempo
3,72 0,75 2(219) 3,33 004 0,030 4,68 0,61 2(219) 007 0,93 0,001
indeterminado
Quadro efetivo 4,13 0,86 4,71 0,60
Habilitações acadêmicas
12º ano 5,14 0,13 5,64 0,17
Bacharel 4,30 0,76 4,84 0,45
Complemento
3,75 0 4,75 0
licenciatura
Licenciatura via 1,40 0,22 2,47
3,99 0,89 6(215) 0,013 4,66 0,57 6(215) 002 0,010
ensino
Licenciatura via
4,04 0,87 4,57 0,64
técnica
Mestrado 4,10 0,99 4,81 0,83
Pós-graduação 4,58 0,59 5,46 0,77
maior quanto ao vínculo com a carreira quando comparado com os de idade mais avançadas.
Os casados também apresentaram uma média maior quando comparado com os demais estados
Civil, assim como os que não têm filho em relação aos que têm. No que se refere a residência
109
como se apresenta na tabela 7, os que moram na cidade apresentaram um nível maior da média
no que tange a escala de Comprometimento com a Carreira, enquanto os que residem no interior
escola segue a mesma sequência de análise apresentada para a residência dos professores. Os
ao tempo de serviço a análise dos dados nos permite afirmar que, os professores que estão no
início da sua carreira apresentam maior escore de comprometimento quando comparado com
os que estão nos deferentes níveis, e os que estão no fim da carreira apresentam maior nível de
Entrincheiramento. Por fim os professores que desempenham cargo de chefia neste estudo,
entrincheiramento com a Carreira de Carson, enquanto os que não fizeram parte da chefia
η²= 0,102). Testes post-hoc com correção de Bonferroni, na tapela 9, indicaram que professores
professores de 36 a 50 anos (b = -0,46, t (218) = -3,75, p < 0,001, d = -0,55 [-0,84; -0,25]) e do
que professores de 51 a 65 anos (b = -0,81, t (218) = -3,78, p < 0,001, d = -0,97 [-1,48; -0,46]).
Ademais, foram encontradas diferenças nos níveis de Entrincheiramento por tempo de serviço
= -2,76, p = 0,04, d = -0,64 [-1,10; -0,18]). Por fim, embora tenham sido encontradas diferenças
110
globais nos níveis de Entrincheiramento para o tipo de vínculo (F (2,219) = 3,33, p = 0,04) e
idade (F (3,218) = 2,97, p = 0,03), os testes post-hoc com correção de Bonferroni não indicaram
significativas entre os grupos formados pelas variáveis Carga Horária Semanal e Estado Civil
dados apresentados na tabela 16. Emmbora Irving et al. (1997) informam terem encontrado
diferença em relação ao gênero nos seus estudos, nesse resultado os homens tendem a
não terem encontrado relação entre nível educacional com comprometimento na carreira. Mas,
Colarelli; Colarelli & Bishop (1990) encontraram correlação significativa entre educação e
comprometimento com a carreira, indicando que níveis mais altos de educação propiciam mais
flexibilidade para mudança de carreira do que treinamentos mais curtos e especializados. Nesta
mesma linha Goulet & Singh (2002) afirmam que existe uma relação positiva de
tempo de permanência na organização. Scheible & Bastos (2006) demostram nos seus estudos
que elevada escolaridade associa-se a níveis mais fortes de comprometimento com a carreira e
fracos de entrincheiramento com a carreira e que os homens tendem a apresentar maiores níveis
de entrincheiramento na carreira do que as mulheres. Já Kidd & Green (2006) nos seus estudos
não encontraram nenhuma relação significativa /entre as variáveis gênero com as dimensões
meta-análise de comprometimento com a carreira, feito por Lee et al. (2000) foi encontrado
0,088; tempo na carreira r = 0,054; educação r = 0,034; estado civil r = 0,009; número de
dependentes r = - 0,010; renda r = 0,173) e vínculo. Rowe (2008) no seu estudo apresenta a
111
busca de desenvolvimento de habilidades pessoais como variáveis que têm correlação positiva
com o vínculo com a carreira, como corelação negativa a rotatividade e a intenção de abandonar
a carreira
O teste de diferença de médias para grupos independentes indicou que professores Sem
filhos apresentaram escores mais altos do que professores Com filhos em relação aos níveis de
Entrincheiramento com a carreira (Sem filhos: M = 4,50, DP = 0,90; com filhos: M = 4,01, DP
= 0,87; t (220) = 8,90, p < 0,001, d = 1,20 [0,91;1,49]). Foi observado um tamanho de efeito
Tabela 8.
Comparações Post Hoc Games-Howell – Idade.
95 % IC para diferença
média
Diferença
Comparação Inferior Superior SE t df P
média
18-25 - 26-35 1.283 0.845 1.721 0.131 9.760 6.828 < .001 ***
26-35 - 36-50 -0.458 -0.758 -0.158 0.116 -3.965 163.850 < .001 ***
* p < .05, ** p < .01, *** p < .001 Nota. Results based on uncorrected means
conforme a gifura 13. Quando o coeficiente máximo é menor do que 0,5, o cluster original é
considerado dissolvido, isto é, não aparece na nova análise e é considerado como um cluster
não-real; 4) os procedimentos 2 e 3 foram repetidos 1000 vezes. Por fim, foi calculada a
estabilidade de cada cluster original por meio da média de seu coeficiente de Jaccard ao longo
de todas as iterações. Clusters com valores de estabilidade acima de 0,85 podem ser
Figura 13.
Dendrograma de Clusters obtido pelo método Hierárquic
estabilidade: BEC = 0,62, MEC = 0,75, MCE = 0,52 e AEC = 0,64. Deste modo, procedeu-se
113
Figura 14.
Clusters obtidos com o método K-means
Comprometimento. Para efeito de uma melhor visualização os resultados das médias e desvios
114
padrão em relação os níveis de vínculo que constituem cada grupo, são apresentados nas
Figuras 15 e16.
Figura 15.
Percentual dos professores por padrão vínculo com a carreira
Figura 16.
Cluster por dimensão do vínculo com a carreira docente
,32,42% ,21,62%
115
A figura 17 que descrevem os valores das Médias e dos DP e todos as dimensões e
Figura 17.
Cluster por dimensão do vínculo com a carreira docente.
De uma forma geral, é possível observar que os docentes apresentam um bom nível de
entrincheiramento dos professores nos grupos, é possível perceber que os quatro perfis
Tabela 9.
Escores Médios de vínculo com a carreira docente por cada dimensão.
Dimensões dos vínculos Df F P η²
COMPROMETIMENTO 3 (218) 155 < ,001 0,681
COMPROMETIMENTO IDENTIDADE 3 (218) 13,24 < ,001 0,154
COMPROMETIMENTO PLANEJAMENTO 3 (218) 11,58 < ,001 0,137
COMPROMETIMENTO RESILIÊNCIA 3 (218) 18,73 < ,001 0,205
ENTRINCHEIRAMENTO 3 (217) 134 < ,001 0,.648
ENTRINCHEIRAMENTO / 3 (218) 71,95 < ,001 0,498
INVESTIMENTOS
ENTRINCHEIRAMENTO / EMOCIONAIS 3 (218) 27,52 < ,001 0,275
ENTRINCHEIRAMENTO / FALTA 3 (218) 10,74 < ,001 0,129
ALTERNATIVA
A análise da tabela, nos permite afirmar que, de fato, o grupo 1 tem diferenças em
relação aos grupos 2, 3 e 4 em relação ao perfil dos do vínculo com a carreira docente. Os 4
a análise de variância revelou nível de significância p <0,000, conforme apresentado nas tabelas
e 10. A tabela 11 mostra o resultado das Análises de Variância onde indica que foram
= 134, p < 0,001, η² = 0,648). Testes post-hoc com correção de Bonferroni, conforme
apresentado nas tabelas 12 e 13, indicaram que professores do cluster AEC apresentaram
1,138, t (218) = 13,2, p < 0,001, d = 2,64) e do que professores do cluster MCE (b = 1,253, t
(218) = 13,03, p < 0,001, d = 2,38). Também se verificou que professores do cluster MCE
estiveram mais Entrincheirados do que professores do cluster BEC (b = 1,59, t (218) = 15,05,
p < 0,001, d = 3,03) e do cluster MCE (b = 1,457, t (218) = 15,16, p < 0,001, d = 2,77). Os
maiores do que todos os outros clusters: BEC (b = 1,26, t (218) = 18,4, p < 0,001, d = 3,71),
MCE (b = 0,495, t (218) = 7,96, p < 0,001, d = 1,46) e MEC (b = 1,155, t (218) = 17,7, p <
0,001, d = 3,40). Por fim, professores do cluster MCE estiveram mais Comprometidos do que
professores do cluster BEC (b = 0,764, t (218) = 12,7, p < 0,001, d = 2,25) e do cluster MCE
(b = 0,66, t (218) = 10,61, p < 0,001, d = 1,94). O que era de se esperar uma vez que os grupos
são formados pelos professores com mesmo perfil de vínculo com a carreira.
117
Tabela 10.
Comparação das Medias nos Grupos para Entrincheiramento
Tabela 11.
Comparação das Medias nos Grupos para Comprometimento.
118
integrantes apresentam scores positivos de comprometimento com a carreia. Pode-se dizer que
é formado por docentes que estão comprometidos com a sua carreira. O grupo 4 MEC- Mais
com a média, pode se dizer que, este é o grupo dos entrincheirados, demonstrando claramente,
e DP, pode se dizer que grupo 1 = AEC tem um escore médio de comprometimento com a
maior divergência com os grupos 3= MCE e 4 = MEC, com DP=0,6. O grupo 2 = BEC (N=48)
teve escore baixo tanto no comprometido (M= 4,1), como no entrincheiramento M=3,3).
Conforme apresentado na tabela 22 e nas figuras 7 e 8. É de se salientar que não foi encontrado
(52,9%), com filhos (86,3%). Com idade compreendida entre os 36-50 anos74,5% e residentes
em cidade da Praia (74,5%). Esses professores na sua maioria têm um vínculo definitivo com
a organização (86,3%) são quadros definitivos, com grau de licenciatura numa área técnica e
concentração recai nos professores que trabalham com os dois ciclos (49%). Vale acrescentar
que 58,8%, desses docentes trabalham nas escolas localizadas na cidade da Praia e ocupam
a 76,5%.
(54,2%), com a idade situada entre os 26 e 35 anos (47,9%), sendo em sua maioria solteiro
(50,0%), com filhos (91,7%) e residentes na cidade da Praia (70,8, %). Esses professores a sua
119
diversificação da carreira, (75,0%) são habilitados com licenciatura via ensino (66,7%) e
trabalham com os dois ciclos (49,0%), com uma carga horária semanal que ronda os 15 a 20h
(47,9%).Vale acrescentar que em relação a sua distribuição por local de trabalho o grupo se
mostra desequilibrada com 70,8%, desses docentes trabalhando nas escolas da cidade da Praia
(54,2%), sendo em sua maioria solteiro (55,6%), com a idade compreendida entre os 36-50
(50%), com filhos (94,4%) e residentes na cidade da Praia (61,1%). Esses professores a sua
maioria têm um vínculo definitivo com a organização (76,4%) são quadros definitivos e
(58,3%) com licenciatura via ensino (76,4%), trabalham com os dois ciclos, com uma carga
horária semanal que ronda os 15 a 20 h (58,3%). Vale acrescentar que (59,6%). Pertencentes a
fase de diversificação da carreira (79,2%), desses docentes trabalham nas escolas localizadas
(60,8%), sendo em sua maioria solteiro (54,9%), com idade compreendido entre 36 e 50 anos
(52,9%) com filhos (88,2%) e residentes na cidade da Praia (58,8%). Esses professores a sua
maioria têm um vínculo definitivo com a organização 88,2% são quadros definitivos, o grupo
pode ser descrito como tendo maior concentração de professores com licenciatura via ensino
(72,5%) que trabalham com os dois ciclos (54,9%), que se encontra na fase de diversificação
da sua carreira (68,6%). Vale acrescentar que 61%, desses docentes trabalham nas escolas
A análise dos resultados feito com o uso dos modelos de regressão logística demostrou haver
120
Tabela 12.
Regressão logística Teste de qui-quadrado das variáveis sociodemográfico e ocupacionais e
os tipos de cluster.
Variável c2 (gl) p-valor
Tens filhos 2,82 (3) 0,421
Idade 30,0 (9) < 0,001
Embora não existam estudos nacionais que possam servir como parâmetros de
da nossa amostra, pode-se afirmar que os professores das escolas públicas em Cabo Verde
apresentam um perfil similar entre si. Isto deve-se ao fato de que os mesmos, na sua maioria,
encontradas entre os perfis mostram a congruência entre os níveis de vínculo com a carreira,
com a situação laboral atualmente vivida no nosso país. Seguindo a análise dos resultados
apresentados nas tabelas 14 e 15, sobre a vínculo com a carreira desses professores.
Tabela 13.
Cluster do vínculo com a carreira docente
121
Tabela 14.
Cluster por dimensão do vínculo com a carreira docente.
Custo
Falta de Alternativa Planificação Identidade Resiliência
Investimento Emocional
AEC 5,47 1,19 4,37 0.87 4.32 0,97 6.02 1.01 5.27 0.76 4.91 1.08
BEC 2,94 1,25 3,31 0,73 3,75 1,03 4.94 1.22 4.35 1.09 3.14 1.33
MCE 3,29 1,34 3,33 0,94 3,77 1,13 5.76 1.10 4.94 0.66 4.01 1.30
MEC 5,59 0,97 4,44 0,91 4,75 1,12 4.93 1.46 4.50 0.83 3.31 1.55
demonstraram não haver diferenças estatisticamente significantes para a maioria das variáveis
avaliadas, com exceção da variável idade do professor, como já foi apresentado na tabela 1
Conclusão
O estudo de vínculo com a carreira docente, demostrou ser um estudo pertinente para a
nossa sociedade, tendo em conta que os resultados encontrados demostraram claramente que
existe um bom nível de comprometimento com a carreira entre os professores do estudo, o que
indicadores obtidos mostram que o vínculo com a carreira ocorre na amostra estudada de uma
forma positiva. Embora aparecem casos de entrincheiramentos, o que podemos inferir que
estaria ligado, sobretudo pela estabilidade financeira e benefícios que seriam perdidos se o
122
O resultado das Análises de Variância indicou que diferenças estatisticamente
para a variável Idade entre os clusters. O que nos leva a concluir de que a idade é a única
variável que faz a diferença quando analisamos o vínculo com a carreira, conforme a literatura,
os profissionais que se encontram no fim da sua carreira tendem a estar, mas entrincheirados
dos que estão no início, o que até certo ponto faz algum sentido quando se percebe que ao
confirma os achados anteriores sobre a variável idade, uma vez que a fase de carreira analisada
neste estudo teve como critério para a sua elaboração o número de anos de serviço, o que estaria
se os professores com 25-35 anos ou até mais de serviço. Vale ressaltar que em Cabo Verde os
Foi encontrado diferenças globais nos níveis de Entrinceiramento para o tipo de vínculo e nos
níveis de Comprometimento para habilitações acadêmicas, mas como mostraram os testes post-
hoc com correção de Bonferroni as diferenças nas comparações pareadas não são relevantes.
Com esses dados podemos concluir que a construção do vínculo com a carreira docente dos
professores do nosso estudo, está até certo ponto vinculado a sua a contratação deste professor
pelo Ministério da Educação, e a sua própria formação, o que para a nossa realidade é uma
123
certeza construída socialmente, ou seja, todos os professores com formação na área de
docência, tem dito oportunidade de fazer a sua carreira nas escolas públicas por via do concurso
haja evidências de que nessas instituições existam condições padrões de carreira e atuação,
ainda assim, os resultados devem ser vistos como restritos ao caso estudado. Os resultados
indicam também que o estudo do vinculo com a carreira docente deve ser estudado em conjunto
com outros vínculos, ou simultaneamente os múltiplos vínculos, como sugerido por Klein et
al. (2014).
ENTRINCHEIRAMENTO).
Introdução
O processo de desenvolvimento de carreira está vinculado a dois fenômenos
carreira está associado a uma sequência. Ela se inicia com a entrada do sujeito no trabalho e
relevância que a profissão sempre teve na nossa sociedade, sendo o trabalho considerado como
124
atividade humana primordial na sociedade. Autores como Dejours (1987), Codo, Soratto
indivíduo. Para Dejours, o trabalho assume um papel estruturante na vida do sujeito embora a
dinâmica das organizações muitas vezes é vista como adoecedora. Codo, Soratto e Vasques-
individualidade do sujeito, uma vez que ele faz a ligação entre o sujeito e a sociedade. A
realização do ser humano muitas vezes está vinculada a atividade laboral, pois é no trabalho
que ele aplica o seu potencial, cria, descobre o que é capaz, constrói relação de contribuição e
(Lassance, 2005), mas nem sempre é visto como algo positivo, ele pode desempenhar também
central, não só em sua dimensão econômica, mas também em seu universo psicológico, cultural
e simbólico (p. 13). Segundo; (Super, 1990; Antunes 2006; Duarte, 2009), na modernidade o
trabalho configura-se com uma nova forma, provocadora de novos sujeitos, considerando o
sua vida laboral. A escolha neste sentido passa a assumir um papel importante tanto na
foi desenvolvida por parte da psicologia, novos conceitos de carreira, com uma abordagem
atuação de qualquer profissional. Para Patton, Mcmahon, (2014) e Bendasolli (2009), este
125
conceito de carreira parece ser capaz de mediar distintas dimensões da experiência humana em
torno do trabalho. Assim, como o curso de vida de um indivíduo que, diante de uma série de
expectativas sociais, busca tratar com essas experiências, de forma a sintonizar o mundo
própria teoria de Super e colaboradores que a definem como: desenvolvimento vocacional, que
e o contexto interpessoal, sociocultural e ambiental, complexo e mutante que gera uma síntese
adaptativa das mudanças individuais e sociais” [...] (p. 207). Nesta ótica de pensamento pode
vários fatores o que implica a existência de várias dimensões na análise da mesma. Neste
sentido Soares (2002) afirma que a escolha assume um caráter temporal por um lado, por
perspectivar o que queremos ser no futuro, por outro lado, nos faz pensar no que fomos ou os
nossos progenitores foram. Para além da dimensão temporal, a escolha assume uma outra
dimensão a de espontaneidade e liberdade. Esta dimensão fez com que Soares (2002)
questionasse a liberdade de escolha das pessoas em relação a sua carreira, afirmando que ela
pode ser consciente ou pode estar sob influências externas. A autora afirma ainda que quando
possuímos consciência daquilo que nos influencia, a escolha torna-se mais assertiva e viável.
A mesma autora considera que somos seres em constantes situações de escolha de modo que
passamos por esse processo muitas vezes da infância à vida adulta, das pequenas escolhas às
mais complexas que envolvem muitas esferas de nossas vidas como a profissão/carreira. A
escolha é algo que ocorre num dado momento da vida do indivíduo; faz parte de um processo
que envolve crescimento e reflexão pessoal, levando a um melhor conhecimento das profissões.
Fouad (2006) afirma que a escolha da carreira se encontra relacionada com o nível de
126
de seus motivos pessoais e profissionais. Neste sentido, acredita-se que a escolha esteja
intimamente relacionada ao vínculo que o indivíduo estabelece com a sua carreira. Ao longo
de muitos anos o estudo sobre carreira vem debruçando sobre a escolha, com foco em entender
Holland (1956); Soares (2002); Greenhaus (2003); Emmerling e Cherniss (2003) e Athanasou
(2003).
Savikas (1997) afirma que o novo modelo sócio laboral exigiu que o sujeito tivesse um
senso de orientação para a vida profissional muito mais aguçado. O sujeito deve saber escolher,
decidir, encontrar espaços para a sua subjetividade, adaptar-se continuamente de uma forma
saudável e satisfatória a sua profissão. Autores como Ferreira e Casado (2010) afirmam que é
notório a crescida demanda social por orientação vocacional e nas escolhas profissionais e de
carreira, por conta do cenário complexo que o mudo do trabalho contemporâneo vem sofrendo.
Com isso, nota-se também aumento de ofertas de serviços nesta área desde coaching,
docentes. Segundo Cunha (2006) “No plano político e social há, [...], uma evidente
desvalorização do professor. Ele não mais é reconhecido como capaz de honrar a confiança da
sociedade para educação de seus jovens e crianças” (p. 266). Este profissional tem enfrentado
inúmeros riscos no trabalho, avaliados como risco psicossocial. Assim, o professor vê-se
obrigado a ofertar seus serviços como se fosse um produto ou bem material. Além disso, como
Desse modo, a docência tem sido evidenciada cada vez mais como uma profissão
127
trabalho, que têm sido associados à ocorrência de problemas de saúde física, psíquica e social.
tido uma imagem positiva em algumas sociedades. Para Nóvoa (1995), esse paradoxo pode ser
que ainda enfrenta muita responsabilidade social, com maior procura e maior empregabilidade,
mesmo com queixas e denúncias por parte dos professores de terem vivenciado situações de
interpessoal, exigências cognitivas, entre outros. Embora não tendo dados estatísticos desta
realidade em concreto que comprovam essas percepções, temos estudos que podem servir como
modelo de comparação para a nossa amostra por se tratar de países com similitude na
construção histórica a nível de educação e formação social, assim podemos constatar através
do estudo de Abacar, Aliante &Nahia (2020) feitos com professores Moçambicanos que os
mesmos apontam terem vivenciado a mesma situação referida pelos professores Cabo-
verdianos na prática das suas funções entre os quais: desvalorização social, mau
de apoio profissional e social, elevado número de alunos nas turmas, falta de benefícios sociais
dizem que riscos psicossociais presentes nas condições laborais estão relacionados a dez
128
planejamento de tarefa, sobrecarga no local de trabalho, esquema de trabalho, função na
vínculo do trabalhador, assim como a forma como se enfrenta a situação de risco no trabalho
docente, conforme os estudos de Tecedeiro (2010), Lau, Yuen & Chan (2005), e Santos (2018).
Estes estudos justificam a escolha da nossa amostra para esta pesquisa. Uma outra justificativa
para esta escolha, prende-se ainda pela natureza do vínculo que o trabalho do professor acarreta,
pois segundo Rowe &Bastos (2010, p. 2) “quem escolhe a docência tem uma relação especial
com sua ocupação, apresentando um vínculo estreito com esta vocação, pois docência,
conjunto de etapas, estágios ou fases com suas necessidades e características próprias. Para
Hargreaves & Fullan (1992) a carreira docente configura-se como um processo de formação
apenas os conhecimentos e competências que ele constrói na formação, mas também a sua
personalidade e história de vida, com todas as suas crenças, idiossincrasias e o contexto laboral.
A prática ou a forma de ser professor segundo (Gonçalves, 2009; Gonçalves & Simões, 1991)
resultantes da forma como se relacionam com a sua carreira, assim como da relação que se
Assim, faz-se necessário, estudar a relação entre o vínculo com a carreira e o risco
129
Nesta perspectiva esta pesquisa, propõe na primeira instância, analisar a relação
dos professores do ensino secundário em Cabo Verde. No segundo momento, procura de forma
carreira, na relação entre o vínculo com a carreira dos professores e a exposição ao risco
A análise de risco psicossocial no trabalho para a carreira dos professores aparenta ser
de grande relevância para a nossa sociedade e para a área da psicologia social e do trabalho,
pois nos leva a detectar aspetos relacionados a risco psicossocial que possam comprometer o
vínculo na carreira dos professores tendo em vista a natureza das atividades desenvolvidas nas
prática das suas funções, que interferem no seu desempenho, ou identificar se o vínculo com a
Escolher não é considerada uma tarefa fácil, pois a escolha por uma carreira nem sempre
que se fez a melhor escolha virá após o sujeito ter entrado e fazer parte da carreira, encontrando
nela uma perspectiva de desenvolvimento e de crescimento constante, desde o seu ingresso até
relação a profissão a curto, médio e longo prazo, e que faz parte da construção da identidade
do sujeito. Para Sobrado el al, (2015) o processo de escolha é caracterizado pela busca do
130
equilíbrio entre o que desejamos e o que a realidade nos permite ser. Um dos objetivos centrais
correntes de investigações acerca do modo como o indivíduo se relaciona com essas mudanças,
como ele atua e constrói a si mesmo (Savickas & Porfeli, 2012). Essa questão tornou-se
imprescindível, não somente no plano da realização individual, como também para o governo
(Golin, 2000).
para o desempenho de determinada função, segundo Super, (1981) nesta época o modelo
131
de interesses e de habilidades durante o processo de orientação vocacional e de carreira. (Super,
1981)
traduziram em diversas reflexões e teorias. Notou-se, ao longo deste tempo, uma preocupação
Segundo Bock (2013) a Orientação vocacional nos dias atuais é entendida a partir da
Gerais. As Teorias Psicológicas, são aquelas que analisam os determinantes internos de escolha
Tipológica foram desenvolvidas por Ginzberg et al (1951), Super (1954) e Holland (1959).
escolha profissional e de carreira. Segundo Gottfredson; Richards, (1999) e Wood (2000), uma
ou diferenças posicionais relacionadas com a escolha da carreira, esses autores afirmam que
esta teoria se concentra na relação entre o indivíduo e o seu trabalho, como forma de
132
De acordo com Holland (1997), a teoria da personalidade é um dos principais
Holland, (1990) afirmam que a teoria de personalidade de Holland decorre dos resultados do
mais de 23.000 calouros universitários, usando um sistema de código para desenvolver uma
série de perfis de ocupação, conhecido como RIASEC, um acrônimo para os seis tipos de
Convencional.
Para Holland os indivíduos têm uma mistura de todos os seis tipos de personalidade,
sendo três deles os mais dominantes e relacionados à escolha de carreira. Holland (1997),
obtiver a pontuação mais alta em Social, ela provavelmente terá mais satisfação e estabilidade
habilidades para o ensino e construções sociais para resolver problemas no local de trabalho.
Holland sugeriu que os indivíduos que escolhem a sua profissão que se aproxima de Código
Holland tendo em conta a sua personalidade, são mais propensos a experimentar satisfação e
realização no trabalho (Holland, 1997). Por outro lado, indivíduos em profissões totalmente
Donald Super (1957, 1959). Super apresentou uma nova concepção da carreira e que foi
133
considerado como uma das principais contribuições para esta teoria. O autor definiu carreira
como uma sequência de posições ou papéis que o sujeito desempenha ao longo da vida, como
um processo que ocorre durante todo o ciclo vital (Life Span) e espaço de vida (Life Space),
(Super, 1990).
Segundo Oliveira, Melo-Silva & Dela Coleta (2012) a teoria estruturada por Super
Development Theory), que foi alterada em 1981, para “Teoria Desenvolvimentista dos
(1990) passou a designá-la como “Ciclo Vital / Espaço vital” (Life Span / Life Space),
vocacional com esta alteração Super, atribuiu maior importância aos fatores ambientais,
profissionais passaram a ser tratadas como produto de uma séria de pequenas decisões, no lugar
(Savickas, 2001).
ao longo da vida, sendo definido como a formação das percepções que possui a respeito de si
mesmo (Bardagi; Albanaes, 2015). Os valores referem-se a objetivos, que são representados
por estados psicológicos, relações ou condições materiais, que o sujeito procura atingir no
134
mudanças que o sujeito precisa realizar para lidar de forma adequada com as diversas demandas
Carreira (Life Career Rainbow) e o Arco Normando (Archway Model). O Arco-Íris da Vida e
Carreira foi elaborado em 1974 e representado como um gráfico em forma de arco-íris, a partir
de uma analogia com o ciclo vital, agregando os papéis sociais, os estágios de desenvolvimento
e os espaços de vida (Oliveira et. al., 2012). O modelo de Arco-Íris da Vida e Carreira
e continua ao longo da vida (Super, 1990). Para a compreensão desse processo ele propõe o
corresponde a um período de idade ou vida, não de uma forma rígida, e contempla uma
O primeiro estágio é denominado de crescimento, vai (do nascimento aos 14 anos) nesta
fase a criança desperta para o mundo do trabalho começa a se projetar no futuro, adquire algum
controle sobre sua vida e desenvolve atitudes pessoais em relação à escola e ao trabalho. É o
momento em que o indivíduo define os seus interesses, existindo uma maior abertura para
135
interesses e habilidades. O sujeito começa a constituir o seu autoconceito, por meio da
Albanaes, 2015).
sociais, segundo Magalhães, (2005) é demarcada por transições e pela constante autoanálise. É
conhecimento que a pessoa foi adquirindo. Esta fase é mais estável e a evolução registra-se na
sua maioria dentro da mesma organização. Este estágio é constituído por três tarefas: a)
caracteriza-se por ações efetivas relativas à carreira (Magalhães & Redivo, 1998), Ele expressa
uma preferência específica por um determinado campo de atuação. Expressa publicamente sua
escolha profissional para familiares e amigos; c) Atualização, traduz a preferência que ele
Estabelecimento (25 aos 44 anos) - O indivíduo tenta encontrar o seu lugar no mundo
do trabalho ao estabelecer-se em uma determinada área, no qual ele irá progredir ou reavaliar
seus objetivos profissionais. Nesse estágio, o autoconceito fica mais estabilizado, o indivíduo
busca manter a posição profissional que conseguiu atingir, sem, no entanto, deixar de buscar
indivíduo provavelmente está bem estabelecido no plano do seu eu vocacional e tenta manter
136
a sua posição atual, contudo, podem surgir novos desafios. Este estágio é marcado pela busca
de autorrealização. Contudo, para alguns indivíduos que não conseguiram estabilizar numa
ocupação ou profissão, esse estágio pode ser vivido com frustração. As tarefas envolvidas nesse
estágio são: a) cuidar, quer manter a posição, apesar da presença da concorrência; b) atualizar,
estar a par dos novos desenvolvimentos em seu campo de trabalho; c) Inovar, necessidade de
desinvestimento na carreira pelo próprio trabalhador, é o caminho para a reforma. Este estágio
jovens. Existe neste período um declínio de algumas capacidades poderá levar a uma falta de
A tarefa principal é, adaptar-se a um novo eu, preparando-se para assumir novos hábitos de
vida. Este estágio se divide em seguintes tarefas: a) Desacelerar, diminuir o ritmo de trabalho
O Arco Normando (Archway Model) foi criado por Super (1990) com o objetivo de
maturidade vocacional, dando origem a uma nova visão de carreira a construtivista. Savickas
(1995) sugeriu ainda que, em vez de apenas ser destacada a capacidade de adaptação de um
de respostas às necessidades de uma nova carreira ou uma nova situação. Com isso o autor
137
apresenta também um novo conceito de adaptabilidade de carreira como um constructo
psicossocial que representa a prontidão e os recursos de um indivíduo para lidar com tarefas
de 7 países (Bélgica, França, Itália, Portugal, Suíça Holanda e Estados Unidos de América),
considerar que as escolhas profissionais são apenas um dos aspectos que compõe a carreira,
diante de uma série de vivências do sujeito (Patton, 2008; Ribeiro, 2009). Em conformidade
vida e o desenvolvimento como num processo construtivo, pessoal e social através dos
significados atribuídos às escolhas profissionais realizadas por cada indivíduo. Para Savickas
& Porfeli (2012), esta teoria engloba três dimensões; diferencial, dinâmica e a
themes) estabelecidos pelo indivíduo: o quê? Como quê? Como? E por quê? Esses autores
138
destacando 4 dimensões essenciais que representam os recursos e as estratégias adaptativas
(confidence). Esses recursos são tidos como capacidades de auto regulação, aplicadas à
psicossociais.
processo rege através dos fatores: interno e externo, isto faz com que a escolha seja um processo
multidimensional, para Jung (2017), essa influência depende do tipo de vínculo que o indivíduo
estabelece com cada um desses fatores. Quando se adota uma visão holística, a questão da
escolha profissional deve ser analisada em torno de um todo que é o indivíduo. Neste caso, não
pares neste processo. Uma vez que, todos estes aspectos fazem parte da identidade do
Convém frisar que de entre os fatores externos a literatura aponta a família, como sendo
o fator de maior influência no processo de escolha profissional dos jovens, sendo a figura
materna apontada como a que mais influencia o processo de decisão. (Athanasou, 2003;
Almeida e Pinho, 2008; Arruda e Melo-Silva, 2010; Magalhães e Alvarenga, 2012; Alonso &
139
Segundo Silva (2016) a família, mais propriamente o nível socioeconômico desta
influencia diretamente nas decisões dos jovens em relação à sua escolha profissional e de
carreira. O adolescente que possui pais desempregados apresenta um menor grau de exploração
acompanhamento destes no percurso da escolha dos filhos, servindo de suporte, apoio às suas
escolhas e decisões, com diálogo sobre distintas temáticas, como crenças, valores e afetos.
Assim como através da interação dos pais com as escolas e o meio envolvente dos filhos e na
Taveira, 2013).
possíveis relações entre estilo parental, indecisão vocacional e instabilidade de metas, o estudo
contou com a participação dos estudantes de escolas públicas no sul do Brasil. Foi evidenciado
nesta pesquisa que os estilos parentais influenciam a capacidade dos estudantes em estabelecer
metas, que por sua vez impactua na decisão de carreira. Faria, Pinto e Vieira (2015) no seu
os seus níveis de exploração vocacional, apontam que os pais tidos como mais exigentes
relacionam melhor com os níveis de exploração vocacional. Manaia et al. (2013) realizou uma
com isso, que a família continua exercendo poder de influência no processo de decisão
profissional.
140
No estudo de Pocinho et al. (2010) sobre a influência do gênero, da família e dos
médio em escolas de Portugal, metade dos alunos que participaram do estudo apresentaram
que mudam de curso no primeiro ano de faculdade. Outro resultado evidenciado pelo estudo
se refere ao grau de escolaridade dos pais, pois quanto maior for esse grau, menor é o índice
Os pais geralmente acabam por influenciar de uma forma direta ou indireta no processo
de escolha profissional do adolescente, esta influência também pode ser positiva, servindo de
referência ou de forma negativa. Os estudos de Oliveira e Dias (2013) que buscaram investigar
a influência dos pais na escolha profissional, a partir da percepção dos genitores, revelou que,
não saber como atuar nesse momento decisivo na vida de seus filhos, e afirmam que não
considerada pelos adolescentes como sendo ponto de apoio afetivo e incentivo à sua autonomia,
e tomada de decisões.
nos seus estudos quais as dificuldades que os jovens encontravam no momento de decisão. A
grande maioria desses jovens apontou a falta de informação sobre o curso e o mercado de
trabalho como fator importante de indecisão. Segundo Martins e Noronha (2010), a condição
pesquisa feita por estes autores demostram que jovens pertencentes a famílias mais abastadas
141
Vários estudos mostraram que a condição socioeconômica é um fator importante no
processo de escolha profissional (Martins & Noronha, 2010; Melo-Silva &Teixeira, 2015),
esses estudos demostraram que adolescentes que possuem uma condição econômica mais
renda mais baixa, geralmente acabam por não ter a oportunidade de escolher a profissão.
Veriguine, Basso & Soares (2014) relatam uma intervenção realizada com quinze jovens de
baixa renda, onde a condição econômica e as relações de trabalho aparecem como sendo um
vidas buscando um salário alto estabilidade na carreira, uma vida tranquila e sem o trabalho
pesado.
de escolherem uma carreira e virem a se arrepender depois, por terem optado por uma profissão
&Teixeira (2015) buscaram analisar a confiança com que os adolescentes lidam com tarefas de
uma maior capacidade de planejar suas carreiras, corroborando assim estudos de Balbinotti,
Wiethaeuper & Barbosa (2004). A cultura é tida como um fator externo que também marca a
diferença no modo como as pessoas tomam decisões e escolhem a sua carreira, e como tal não
deve ser descurada quando do processo de orientação escolar e profissional. (Young, et al.,
2001).
Hall & Chandler (2004) em relação aos fatores que influenciam a escolha enfatizaram
a dimensão psicológica, pois segundo eles esta dimensão transcende a ideia de fazer algo que
gosto de fazer (preferências ou afinidades) para a de fazer algo que me traz sentido e propósito
142
internos, ou intrapsíquico que mais interferem neste processo, segundo Faria, (2013) a escolha
da carreira é realizada por intermédio de decisões que englobam aspectos de cada indivíduo,
especificas.
Noronha & Mansão (2012) propuseram um estudo que buscou investigar as relações
existentes entre os interesses profissionais e os afetos, tanto positivos quanto negativos. Foram
encontradas poucas associações entre interesses profissionais e afetos. O estudo sugere que os
jovens conseguem escolher a profissão de forma autônoma. Para Super e Bohn Junior (1976)
prioritário para a vida, concretizado através do trabalho, esses autores explicam que, não
obstante existem outros fatores intrínsecos motivadores do vínculo que o indivíduo estabelece
Códigos de personalidade de Holland, afirmou que as pessoas buscam ambientes que lhes
permitam exercitar suas habilidades e expressar suas atitudes e valores e assumir problemas e
papéis agradáveis.
143
(Arthur, 2008), podendo conter uma diversidade de aspectos e situações ou primar pela
a uma única organização. Por exemplo, no modelo tradicional a ideia de carreira era vista como
um caminho vertical traçado por uma sucessão de funções, acompanhado pelo crescimento do
(Arthur, 2008).
indivíduo na vida laboral é marcada por diferentes estágios, as quais são caracterizadas por
envolvendo esses estágios, não é totalmente linear. Os trabalhadores vão alterando as suas
atitudes perante a organização e à sua carreira, à medida que os anos na organização vão
Embora os estudos sobre fases de vida profissional não sejam consensuais quanto à
estágios de carreira para os professores. Há vários autores que propõem diferentes estágios de
carreira docente.
Katz (2005) defende que a competência melhora com a experiência. Esta autora divide
144
formador/educador, para melhor direcionar a aprendizagem que a experiência permite. Day
mudança; e preparar a reforma. Este autor demarcou os professores até depois dos 31 anos
de carreira.
Huberman. O modelo foi construído a partir da leitura e análise de estudos empíriscos, como
que essas fases não são estáticas ou lineares, mas concebidas por meio de uma relação dialética.
estável, garantir a sua aceitação entre os colegas mais velhos, alcançar maior autonomia em
Está associada a várias interrogações em que o professor procura antecipar / visualizar o fim
145
da sua carreira por comparação com os colegas mais velhos. Esta fase, segundo Huberman &
Miles (1991), é vivenciada de forma mais severa entre os professores do gênero masculino e
que fizeram um investimento muito forte nas suas carreiras, o que não acontece com aqueles
que mantiveram outros interesses fora da profissão ou com os professores do gênero feminino
que encontram equilíbrios nas obrigações familiares ou com outros setores da sua vida. Este é
caraterizada como sendo uma fase de reflexão, com uma maior aceitação de si mesmos, um
sentimento de trabalho mais mecânico, os professores são mais eficazes no controle da turma.
Geralmente, o nível de ambição na carreira decresce, mas é compensado por uma percepção
de maior confiança, eficácia e serenidade. Nesta fase já não se tem o sentimento de que é
preciso “provar” alguma coisa a si mesmos ou aos outros e estabelecem objetivos mais
idade. No final da carreira (últimos 10 a 15 anos para fim da carreira) verifica-se uma
canalizam-se para o exterior e para um modo de expressão mais reflexivo ou filosófico. Este
discordâncias com os procedimentos e práticas prevalecentes. Isto pode acarretar uma certa
marginalização dentro da escola. Por vezes, este comportamento tem como finalidade
disciplina e as exigências para com os alunos. Huberman (1993) assinala ainda que nesta fase
é possível encontrar três tipos de atitudes, cristalizando três tipos de percursos profissionais: os
146
positivos prosseguem o seu caminho de aperfeiçoamento pessoal e profissional; os defensivos,
desencantados, como o nome indica, estão cansados e desanimados. Aqui o professor torna-se
desiludido com os alunos e os colegas das gerações mais novas. Em estudos realizados em
1992, Huberman clarifica a última fase e a redefine adjetivando os professores sob três
desinvestimento, que pode ocorrer no final da carreira, e pode ser sereno ou amargo.
docentes, que tem sido mais referenciado nos estudos. O autor divide-o nas seguintes fases: A
fazendo escolhas. Nessa fase ocorre maior uso de recursos técnicos e o professor passa a sentir
147
anos), estágio de experimentação, motivação, busca de novos desafios e/ ou momento de
dos modos de avaliação, na forma de agrupar os alunos e na sequência das aulas. É uma fase
ativista, de maior comprometimento. Os professores que se encontram nesta fase são descritos
e prestígio, procurando até mesmo postos administrativos nas escolas; serenidade e/ou
distanciamento afetivo (25 a 35 anos) ocorre após uma sucessão de fases de questionamento,
onde o indivíduo pode arrepender-se do ativismo ou tornar-se uma pessoa com mais
de queixas sobre os alunos, alegando que são menos disciplinados, menos motivados,
positiva, com libertação progressiva e sem lamentações. Os que não puderam chegar longe
do trabalho, ou das reformas, canalizando para outros lados suas Huberman (2000).
alguns professores pode ocorrer de modo tranquilo, enquanto para outros pode estar permeado
processo e não em uma série de acontecimentos. Para alguns, este processo pode parecer linear,
mas para outros, há patamares, regressões, becos sem saída, momentos de arranque,
148
Neste sentido para este estudo fizemos uso da descrição de Michaël Huberman,
referente às diferentes fases da carreira docente ou ciclo de vida profissional, e de sua ideia de
perscrutar a história de vida docente, por ser uma proposta voltada a classe do professor do
ensino secundário. Durante as décadas de 1970 e 1980, Huberman destacou-se por estudar o
ciclo de vida profissional dos professores. O autor encontrou características semelhantes entre
propõe estudar esta classe através das histórias de vida. Segundo Huberman, (2000) as
questões biográficas, o que nos consente ampliar o conhecimento sobre a classe. Nos estudos
sobre o ciclo de vida profissional dos professores, Huberbem mostrou que existem diferentes
outro, mas que em geral, existem características que são comuns à maioria dos professores.
desenvolvimento profissional de carreira dos professores não é sempre único e contínuo, como
é linear, nem idêntico a todos os professores. Além disso, as concepções e ações docentes são,
fato de encontrarmos sequências não impede que outras pessoas nunca deixem de praticar a
exploração, ou que nunca estabilizem, ou que se desestabilizem por razões de ordem das
relações com o Eu, com o Outro e com o Mundo” (Ogo &Laburú, 2011, p.15)
É do mesmo modo importante lembrar que pessoas diferentes podem vivenciar fases,
em momentos diferentes das suas vidas profissionais, por exemplo, “fase de Desinvestimento
149
que um estudo baseado nas relações com o saber pode lançar luz sobre essa fase” (Ogo &
outras diversas relações, que justificam a trajetória pessoal e profissional de cada indivíduo o
Figura 18.
Ciclo de carreira docente segundo Huberman.
Método
(Tempo de serviço, serviço é usada como medida. Para avaliar as fases de carreira
Borg (2000) com a colaboração do Danish National Institute for Occupational Health
150
d) Escala de vínculo com a carreira, (comprometimento de Carson &
Análises de dados
Todas as etapas do procedimento da análise de dados foram realizadas no software R
versão 4.1.3 (R Core Team 2022), SPSS 25 e JASP0 0,16.4. Foram realizadas análises de
regressão linear hierárquica múltipla com as respostas de 222 professores para verificar, a
relação entre o risco psicossocial e vinculo com a carreira, assim como o efeito da fase na
das análises, os dados foram avaliados para detectar a presença de outliers e dados faltantes.
Indivíduos com dados faltantes em qualquer uma das variáveis utilizadas não foram
considerados.
Também foi realizada uma análise da relação bivariada entre as variáveis independentes
al., 2021).
Resultados e Discussão
Os resultados do presente estudo são apresentados a partir dos dados descritivos das
principais variáveis deste estudo (tabela 16), seguido de apresentação da análise das correlações
entre elas, assim como dos resultados das análises de (moderação hierárquica) regressão que
151
A Tabela 16, mostra as médias das variáveis centrais deste estudo: fase de carreira (por
tempo de serviço), escolha da profissão e comparação da média das escalas de vínculo com a
Tabela 15.
Estatísticas descritivas da escolha profissional, vínculo e estágio da carreira dos professores
N (%) Média Desvio Padrão
Através da análise dos dados estatístico, percebe-se que a maior parte dos professores
abrange os professores com sete a vinte e cinco anos de serviço, com percentual de (75,23 %),
estudo de Rossi & Hunger (2012) sobre o ciclo de vida dos professores de educação física.
professores entre o quatro a seis anos de serviços. É importante informar que desses professores
tiveram como influência maior na sua escolha profissional o fator interno, com o valor da
Média de (4,71) esses achados colaboraram com os resultados dos estudos de (Carvalho, et al.,
1988; Bastos, 1988-1997; Santos, 1998; Carvalho, 2007; Magalhães et al. 2001; Tonin, 2014),
152
feito com profissionais de Psicologia e de administração. E tiveram maior nível de
comprometimento com a carreira. Este resultado pode ser explicado em partes, através da
análise da fase da carreira em que esses professores se encontram (3ª fase- Diversificação), de
acordo com Huberman (2000) essas características apresentadas pelos professores são típicas
dessa fase da carreira, em que o professor se sente motivado a buscar mais responsabilidade,
autoridade e prestígio. Assim como a busca de novos desafios, esta fase é caraterizada pela
(1984) e Staudinger (1996), que apontam a 1ª fase de carreira, como sendo a fase de menos
exposição de risco psicossocial para os trabalhadores, segundo eles os profissionais esta fase
O resultado das análises da Anova indicou que não foram encontradas diferenças
(F (3,218) = 3,08, p= 0,028); η²= 0,041. Com o nível de significância segundo D de Cohen de
irrisório.
padronizados de modo a terem média igual a zero e desvio padrão igual a um. Os escores dos
múltipla como preditores dos escores de Entrincheiramento nos Modelos 1A e 1B e dos escores
variáveis independentes que seriam usadas nos passos posteriores. Este processo é uma
153
construção iterativa do modelo de regressão que envolve a adição de variáveis a partir de um
modelo nulo sem preditores (Burnham & Anderson, 2004). Cada variável inserida é testada em
relação à significância estatística de sua contribuição para o modelo. O processo é repetido até
que a adição de novas variáveis não produza melhoras significativas. Como critério de seleção,
Em seguida, dois modelos de regressão linear hierárquica foram construídos para testar
COPSOQ foi inserido no Passo 3. Cada termo de interação foi incluído em um passo separado
para verificar a quantidade de variância explicada individualmente. Com isto, buscou-se testar
entrincheiramento não foram estatisticamente significativas (F (27, 185) = 1,14, p = 0,302, R²adj
154
Influência no trabalho e Conflito Família/Trabalho (F (5, 207) = 4,73, p < 0,001, R²adj = 0,08).
estatisticamente significativo (F (9, 209) = 4,03, p < 0,001, R²adj = 0,11) e explicou cerca de
11% da variância dos escores de Entrincheiramento com a carreira. Neste modelo as subescalas
serviço contribuiu para cerca de 2% da variância explicada, embora esta interação não tenha
contribuído estatisticamente para a melhora do modelo (F (15, 194) = 1,29, p = 0,21, ΔR²adj =
também não contribuíram para um melhor ajuste do modelo em relação ao modelo do passo
anterior (F (5, 189) = 0,42, p = 0,83, ΔR²adj = -0,014). Estes dados indicam que o Tempo de
serviço e a Escolha da profissão não foram moderadores da relação entre riscos psicossociais
155
Tabela 16.
Regressão linear hierárquica múltipla
predizendo os níveis de Entrincheiramento pela interação entre as subescalas selecionadas
da COPSOQ no Modelo 1A, o Tempo de serviço e a Escolha da profissão.
EP
Passo/variável R²adj ΔR²adj β IC 95% t P
β
Passo 1 0,111
- -0,32;- -
Ritmo de trabalho 0,07 0,02
0,17 0,03 2,40
- -
Influência no trabalho 0,07 -0,24; 0,02 0,11
0,11 1,61
- -
Fase Estabilização 0,11 -0,35; 0,1 0,28
0,12 1,09
- -
Fase Diversificação 0,21 -0,72; 0,09 0,13
0,31 1,53
Passo 2
Passo 3
156
Figura 19.
Análise de moderação entre Entrincheiramento com a carreira e Fase da Carreira (Modelo
1A - Passo 2), e Fator Interno da escolha de carreira (Modelo 1A - Passo 3).
Passo 2
Passo 3
Nota: Foram utilizados contrastes ortogonais para a variável Fase de Carreira, onde o
coeficiente representa a diferença entre determinado nível e a média geral da variável. O
número fora do parêntesis representa o coeficiente de regressão e o número entre parêntesis
o erro padrão. EQT=Exigências quantitativas, RT=Ritmo de trabalho, ECG= Exigências
cognitivas, IT=Insegurança laboral, CFT= Conflito Trabalho/Família. *p < 0,05; **p <
0,01; ***p < 0,001. aFase Estabilização; bFase Diversificação; cFase Serenidade.
157
Figura 20.
Efeito moderador da Fase da carreira na relação entre Ritmo de trabalho e Vínculo
de Entrincheiramento no Modelo 1A.
estatisticamente significativo (F (9, 209) = 4,40, p < 0,001, R²adj = 0,12) e explicou cerca de
para cerca de 2% da variância explicada, embora esta interação não tenha contribuído
estatisticamente para a melhora do modelo (F (15, 194) = 1,36, p = 0,17, ΔR²adj = 0,022).
passo anterior (F (5, 189) = 1,02, p = 0,41, ΔR²adj = 0,001). Estes dados indicam que o efeito
das subescalas de riscos psicossociais no Entrincheiramento com a carreira não foi moderado
158
Figura 21.
Regressão linear hierárquica múltipla predizendo os níveis de Entrincheiramento pela
interação entre as subescalas selecionadas da COPSOQ no Modelo 1B, o Tempo de serviço
e Fator Externo da Escolha da profissão.
Passo 1 0,123
Passo 2
Passo 3
159
Figura 22.
Análise de moderação entre Entrincheiramento com a carreira e Fase da Carreira (Modelo 1B
- Passo 2), e Fator Externo da escolha de carreira (Modelo 1B - Passo 3).
Passo 2
Passo 3
Nota: Foram utilizados contrastes ortogonais para a variável Fase de Carreira, onde o coeficiente representa a diferença
entre determinado nível e a média geral da variável. O número fora do parêntesis representa o coeficiente de regressão e o
número entre parêntesis o erro padrão. EQT=Exigências quantitativas, RT=Ritmo de trabalho, ECG= Exigências
cognitivas, IT=Insegurança laboral, CFT= Conflito Trabalho/Família. *p < 0,05; **p < 0,01; ***p < 0,001. a Fase
Estabilização; bFase Diversificação; cFase Serenidade.
Figura 23.
Efeito moderador da Fase da carreira na relação entre Ritmo de trabalho e Vínculo de
Entrincheiramento no Modelo 1B.
160
Modelo completo Comprometimento e COPSOQ
O modelo incluindo como preditores, as subescalas da COPSOQ, não foi
seleção de variáveis stepwise forward indicou um modelo final com os preditores: Ritmo de
Insegurança Laboral e Auto eficácia (F (6, 206) = 4,34, p < 0,001, R²adj = 0,09). Ver anexo 2.
significativo (F (10, 208) = 2,96, p < 0,01, R²adj = 0,08) e explicou cerca de 8% da variância
Tempo de serviço não contribuiu estatisticamente para a melhora do modelo (F (18, 190) =
Fator Interno da Escolha da profissão também não contribuiu para um melhor ajuste do modelo
em relação ao modelo do passo anterior (F (6, 184) = 1,39, p = 0,2, ΔR²adj = 0,012). Estes dados
indicam que o Tempo de serviço e o Fator Interno da Escolha da profissão não foram
161
Tabela 17.
Regressão linear hierárquica múltipla predizendo os níveis de Comprometimento pela
interação entre as subescalas selecionadas da COPSOQ no Modelo 2A, o Tempo de serviço
e o Fator Interno da escolha profissional.
EP
Passo/variável R²adj ΔR²adj Β IC 95% T P
β
Passo 1 0,082
-
Fase Diversificação 0,21 -0,72; 0,12 -1,42 0,16
0,30
Passo 2
Passo 3
162
Figura 24.
Análise de moderação entre Comprometimento com a carreira e Fase da Carreira (Modelo
2A - Passo 2), e Fator Interno da escolha de carreira (Modelo 2A - Passo 3).
Passo 2
Passo 3
Nota: Foram utilizados contrastes ortogonais para a variável Fase de Carreira, onde o coeficiente representa a diferença
entre determinado nível e a média geral da variável. O número fora do parêntesis representa o coeficiente de regressão e o
número entre parêntesis o erro padrão. RT=Ritmo de trabalho, EEM= Exigências emocionais, CST= Comunidade social no
trabalho, CV=Confiança vertical, IL=Insegurança laboral, AEF=Auto-eficácia. *p < 0,05; **p < 0,01; ***p < 0,001. a
Fase Estabilização; bFase Diversificação; cFase Serenidade.
163
Figura 25.
Efeito moderador do Fator interno da escolha de carreira na relação entre Confiança
vertical e Vínculo de Com
estatisticamente significativo (F (10, 208) = 3,06, p < 0,01, R²adj = 0,08) e explicou cerca de
Tempo de serviço não contribuiu estatisticamente para a melhora do modelo (F (18, 190) =
Fator Externo da Escolha da profissão também não contribuiu para um melhor ajuste do modelo
em relação ao modelo do passo anterior (F (6, 184) = 1,93, p = 0,08, ΔR²adj = 0,027). Estes
dados indicam que o Tempo de serviço e o Fator Externo da Escolha da profissão não foram
164
Tabela 18.
Regressão linear hierárquica múltipla predizendo os níveis de Comprometimento pela
interação entre as subescalas selecionadas da COPSOQ no Modelo 2B, o Tempo de serviço
e o Fator Externo da escolha profissional.
EP
Passo/variável R²adj ΔR²adj Β IC 95% T P
β
Passo 1 0,086
- -
Comunidade social no trabalho 0,07 -0,26; 0,02 0,10
0,12 1,65
- -
Confiança vertical 0,07 -0,26; 0,02 0,09
0,12 1,72
- -
Autoeficácia 0,07 -0,29;-0,02 0,03
0,15 2,21
- -
Fase Diversificação 0,21 -0,72; 0,11 0,15
0,31 1,43
- -
Escolha profissional - Externo 0,07 -0,19; 0,07 0,35
0,06 0,94
Passo 2
Passo 3
165
Figura 26.
Análise de moderação entre Comprometimento com a carreira e Fase da Carreira (Modelo
2B - Passo 2), e Fator Externo da escolha de carreira (Modelo 2B - Passo 3).
Passo 2
Passo 3
Nota: Foram utilizados contrastes ortogonais para a variável Fase de Carreira, onde o
coeficiente representa a diferença entre determinado nível e a média geral da variável. O
número fora do parêntesis representa o coeficiente de regressão e o número entre parêntesis
o erro padrão. RT=Ritmo de trabalho, EEM= Exigências emocionais, CST= Comunidade
social no trabalho, CV=Confiança vertical, IL=Insegurança laboral, AEF=Auto-eficácia. *p
< 0,05; **p < 0,01; ***p < 0,001. a Fase Estabilização; bFase Diversificação; cFase
Serenidade.
166
Figura 27.
Efeito moderador do Fator externo da escolha de carreira na relação entre
Insegurança laboral e Vínculo de Comprometimento no Modelo 2B.
de risco no trabalho, como apontado nos estudos de Pires, (2020). Para Ramos (2009), os
docentes dos grupos etários entre os 31 aos 40 anos, que comparativamente com os nossos
estudos estariam na 3º fase de carreira, são os que apresentam maior exposição a subescala
exigências quantitativas. A maioria dos estudos relacionam a idade, tempo de serviço e o sexo
a essas subescalas. Podemos constatar que essas subescalas apontadas como risco Psicossocial
no trabalho docente fazem parte da própria condição de trabalho e estão relacionados aos
fatores internos da escolha da carreira, o que estaria na base da falta de investimento na carreira
e a permanência na mesma de uma forma menos saudável, que no nosso caso seria denominado
nos primeiros anos da profissão dos professores, que é caraterizada como um momento de
nesta falta de apoio institucional, e diante do choque com a realidade é que o desencanto com
a carreira se agudiza.
167
Para além da falta de recursos, existem limitações institucionais, que interferem na
atuação prática dos professores, como sejam os problemas de horários, sobrecarga de trabalho,
de normas internas, de locais cuja utilização aparece regulada por normas gerais pouco
de reservar uma parte do seu tempo para reuniões, o atendimento aos alunos, as avaliações, as
visitas de pais e outras atividades (Ramos, 2009). Esta ideia fortalece a conclusão de que os
professores, que por sua vez irá interferir na sua vida pessoal/familiar. A literatura passa a ideia
de que o professor está sobrecarregado de trabalho, sendo obrigado a realizar uma atividade
fragmentária.
Pires (2020) identifica como principais riscos psicossociais no seu estudo Exigências
de trabalho. Estes fatores apresentam maior risco psicossocial nos docentes devido à mudança
de paradigma que se tem verificado na profissão docente nestes últimos anos. Autores como
Facas (2013), Benevides & Pereira (2012) e Resende (2013) afirmaram que são diversos os
fatores que intervirem na realização do trabalho docente. Além disso, David e Quintão (2012 )
verificaram nos seus estudos que a exaustão emocional estava correlacionada com exigências
quantitativas de trabalho expressas pela carga letiva e carga total de trabalho excessivas, os
resultados obtidos mostraram que os docentes com maior carga horária apresentaram mais
sintomas de depressão, mas não revelaram relação com o burnout, não existindo por outro lado
na carreira como sendo fator de proteção de risco psicossocial, uma vez que os professores
com menos de 5 anos apresenta a média mais elevada comparado com os que têm mais tempo
de serviço.
168
Nos estudos de David & Quintão (2012) a antiguidade no trabalho se destacou como
porque os professores afiguram como trabalhadores que têm mais receio do desemprego.
Conclusão
Os resultados encontrados permitem afirmar que a maioria dos professores do nosso
amostra e tiveram como influência para a escolha da sua carreira o fator interno, com média de
(4,1).
No que diz respeito a relação entre o vínculo com a carreira e o risco psicossocial, é
com a carreira.
169
A análise do Tempo de serviço (está da carreira) em interação com as subescalas da
estatisticamente para a melhora do modelo. Estes dados indicam que o efeito das subescalas de
riscos psicossociais no Entrincheiramento com a carreira não foi moderado pelo Fator Escolha
da carreira nem pelo Tempo de serviço (fase de carreira), ou seja, podemos concluir perante
esses dados que o Tempo de serviço e a Escolha da profissão não foram moderadores da relação
mesmo escore, também não contribuiu para um melhor ajuste do modelo. Conclui-se com esses
dados que serviço (fase de carreira) e a Escolha da profissão não foram moderadores da relação
de estudos sobre o vínculo com a carreira dos professores em estudo, assim como a existência
de uma medida de risco psicossocial específico para a profissão docente. Os dados mostram
que não existe um impacto negativo dessas duas medidas, quando mediadas pela duas variáveis
fases e escolha da profissão, o que é incongruente com a própria perceção social sobre esta
matéria.
170
CAPÍTULO 6: DISCUSSÃO GERAL
de que os riscos psicossociais do trabalho afetam o tipo de vínculo que os professores cabo-
cabo-verdiano, assim, procurou-se saber em que medida a escolha e a fase de carreira em que
se encontram afeta essa relação? Para isso, buscou-se instrumentos já construídos e validados
que contemplassem todas as dimensões que dizem respeito aos constructos desta pesquisa.
Propôs-se então um modelo teórico de investigação dos riscos psicossociais, que contemplasse
todas essas dimensões. Desta forma, construiu-se um modelo de investigação empírico dos
riscos e vínculo com a carreira, que aponta a escolha e a fase da carreira como preditores desta
relação. Para tal, buscou-se fundamentá-lo em teorias que considerassem tal dinâmica. Assim
foi elaborada uma tese com três artigos onde propomos refletir sobre o risco psicossocial
presente no trabalho dos professores em Cabo Verde que, para além de ser um tema delicado
muito debatido a nível internacional, tem sido por vezes difícil de quantificar. Neste sentido
entrincheiramento com a carreira docente, identificando como os docentes articulam esses dois
efeito do estágio e escolha da carreira sobre a relação entre a exposição a riscos psicossociais
171
caráter exploratório, onde consideramos que os objetivos que propusemos foram atingidos na
sua generalidade.
Considerando que os riscos psicossociais adquiriram nos últimos anos uma maior centralidade
a nível social, político e científico, e mesmo assim continuam a ser associados à questão do
conceituais que precisam ser clarificados. Propusemos nesta tese trabalhar os fatores do risco
que estão associados a relação entre o funcionário, a organização e o trabalho, com a aplicação
da escala de COPSOQ II. Sabe-se que os riscos psicossociais estão relacionados com o
contexto social e econômico e com a forma como o trabalho é concebido e gerado, e podem ter
impactos negativos para a saúde física e mental dos trabalhadores, assim como consequências
Os debates públicos nos meios de comunicação, os estudos elaborados por cientistas e pelas
instituições europeias de trabalho em torno desta problemática contribuíram para a sua maior
visibilidade e, por conseguinte, para o surgimento da preocupação que serviram para realização
de planos de intervenção com este tipo de riscos, por conseguinte parecem ser incipientes para
clarificar questões conceituais que emergiram com este constructo. No entanto, apesar dos
como um tema penetrado de subjetividade, com uma fraca base teórica com metodologias
três fatores de risco que se destacaram com valores correspondentes a uma situação de risco
psicossocial para a nossa amostra, que são: Exigência cognitivo, este risco está intimamente
estabelecidas entre os colegas e a responsabilidade social que está relacionada com o papel
que o professor ocupa na sociedade. Por outro lado, os fatores de risco psicossocial que se
172
encontram numa situação favorável são a transparência do papel laboral, as recompensas, a
ofensivos e conflito trabalho/família. Esses resultados demonstram que os fatores que foram
equacionados nos outros estudos como um possível fator de risco para a saúde dos
trabalhadores não se configuram neste estudo como tal, apesar de algumas das dimensões
relacionas com a temática se apresentarem como risco intermediário, podemos concluir que os
professores desse estudo não estão expostos a situações de risco psicossocial no trabalho.
vínculos com a carreira), podemos concluir que o estudo não apresentou resultados díspares,
pelo contrário, a diferença de valores foi bastante residual. Este resultado deve-se a existência
de uma amostra que revela homogeneidade, quer em termos de idade, quer em termos de
escolaridade, nível social, perfil profissional e função que desempenha no trabalho ou sexo.
entanto, o efeito da medida global do vínculo com a carreira e as suas dimensões tanto o
medida global explicando muito pouco de ambas as variáveis, critério da pesquisa. As variáveis
fase e escolha de carreira não revelaram, neste contexto, constituir fator explicativo do modelo
proposto para este estudo, o resultado revelou que essas variáveis não chegam a explicar mais
do que 2% do modelo, o que pressupõe a existência de outros fatores que não foram
contemplados nesta análise. É de se referir que para esse estudo tivemos por base as medidas
referenciadas pela literatura relativa ao público em geral, sendo que, como vimos, os grupos
173
em estudo se situam perante os riscos numa situação muito específica. Tais resultados
resultados que poderão auxiliar pesquisas futuras. Ademais esta pesquisa abre a perspectiva de
uma linha de investigação que aprofunde, com modelos mais ricos que incorporem possíveis
Este estudo contribuiu para reforçar a importância dos professores na nossa sociedade e
qualidade de vida laboral dos mesmos. Os resultados vêm reforçar o papel e obrigatoriedade
Em suma, podemos considerar que este estudo, ainda que tenha facultado resultados que
permitem confluir para a análise mais abrangente sobre a exposição do risco psicossocial no
Os resultados obtidos não nos permitiram chegar a conclusões substantivas sobre a temática
em estudo. Ainda assim, estamos perante dados que reforçam a ideia de que o estudo sobre esta
temática por parte dos professores poderá contribuir para estimular um interesse maior das
autoridades.
Limitações
recolha de dados, principalmente a situação da pandemia do Covid 19, que nos obrigou a
montar uma nova estratégia para o seu efeito, consideramos que o fato de termos inserido no
174
realidade laboral em causa. No entanto, sentimos necessidade de ter estudos sobre a temática
na nossa realidade, que nos permita ter uma melhor compreensão do mesmo.
A utilização COPSOQ II pode ser visto como uma limitação para este estudo, para além
de ser muito abrangente e extenso, apenas nos deu pistas sobre quais os fatores de risco
psicossocial mais afetam os trabalhadores e quais devíamos atuar sem acrescentar outro tipo
de informação.
Outra limitação refere-se à originalidade desta proposta que não encontra ressonância com
Recomendações
psicossocial dos trabalhadores não é somente uma obrigação legal, mas também uma questão
ética e uma das principais estratégias de gestão de riscos psicossociais para mudar a
Para esses riscos serem minimizados, e não tenham impactos negativos, torna-se
necessário intervir a nível da prevenção e, para que tal seja possível, é necessário estruturar um
interessadas no processo.
esta tese uma reflexão sobre a necessidade de se pensar num plano de intervenção ao mais alto
nível.
175
Consideramos que o nosso estudo pode contribuir para maior visibilidade dos riscos
psicossociais e do vínculo com a carreira na nossa realidade e que dê pistas sobre como atuar.
Ainda a elaboração desta tese e seus resultados pode servir para embasar ações e políticas de
prevenção em relação ao risco psicossocial, bem como subsidiar a análise da demanda para
Acresce que o mesmo deixou em aberto algumas sugestões para investigações futuras
qualitativas para aprofundar os outros fatores e variáveis que contribuem para a explicação
consequentemente para carreira dos professores; considerar a questão da relação do risco com
a saúde do professor.
São ainda desafios para pesquisas futuras continuar a estudar a relação já levada a cabo neste
Esta tese não tem a pretensão de ser exaustiva em relação às articulações teóricas entre
a necessidade de aprofundar melhor esta discussão como uma limitação do estudo realizado.
176
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Emprego em CaboVerde.
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Relatório sectorial.
do sistema educativo da República de Cabo Verde, Vol. II, Notas Técnicas, GE. Praia.
República de Cabo Verde (1987). Reforma do sistema educativo – Estudos de Pré investimento
209
Anexos
210
211
Anexo 2 - Modelo completo Entrincheiramento
Variável β EP β t gl p IC 95%
Exigências de esconder emoções 0,05 0,09 0,59 185 0,56 -0,12; 0,22
Conflitos de papéis laborais 0,04 0,09 0,40 185 0,69 -0,14; 0,21
Apoio social de colegas -0,04 0,10 -0,46 185 0,65 -0,23; 0,15
Apoio social de superiores 0,03 0,09 0,34 185 0,74 -0,15; 0,22
Comunidade social no trabalho -0,02 0,10 -0,22 185 0,82 -0,22; 0,18
Compromisso face ao local de trabalho 0,04 0,11 0,37 185 0,72 -0,17; 0,25
212
Variável β EP β t gl p IC 95%
Variável β EP β t gl p IC 95%
Exigências de esconder emoções -0,05 0,09 -0,56 185 0,58 -0,22; 0,12
Conflitos de papéis laborais -0,03 0,09 -0,32 185 0,75 -0,2; 0,15
Apoio social de colegas 0,06 0,10 0,58 185 0,57 -0,13; 0,25
Apoio social de superiores -0,07 0,09 -0,79 185 0,43 -0,26; 0,11
Comunidade social no trabalho -0,11 0,10 -1,08 185 0,28 -0,31; 0,09
213
Variável β EP β t gl p IC 95%
Compromisso face ao local de trabalho 0,05 0,11 0,49 185 0,62 -0,16; 0,26
Variável Β EP β t gl p IC 95%
Comunidade social no trabalho -0,11 0,07 -1,51 206 0,13 -0,25; 0,03
214
Apêndices
1- Pedido de Autorização para aplição dos questionários aos Diretores dos Liceus
215
2- Questionario/termo de consentimento Livre
INSTITUTO DE PSICOLOGIA
Esta pesquisa procura compreender como risco psicossocial no trabalho afeta o Vínculo com a carreira dos
professores do ensino secundário em Cabo Verde. Trata-se de um trabalho acadêmico que está sendo desenvolvido
no meu doutoramento na Universidade Federal da Bahia, tendo como orientador professor Doutor António Virgílio
Bettencourt Bastos. Sabemos que o tempo dos professores é escasso, mas contamos com a sua colaboração, pois
disto depende o êxito da nossa pesquisa. As informações prestadas serão utilizadas somente para este fim. É
importante que se sinta seguro de que as suas informações não serão divulgadas para quaisquer outras pessoas e que
você seja o mais sincero possível. Por favor, não deixe nenhuma questão sem resposta, pois a sua resposta é
insubstituível.
Instruções de Preenchimento
As perguntas do questionário estão relacionadas com o risco psicossocial do trabalho docente, que inclui: bem-estar,
relação com o trabalho e sua carreira, a saúde e fatores do ambiente de trabalho. O Questionário é sobre as suas
condições de trabalho e a sua opinião acerca do mesmo. O presente Questionário é Confidencial. Não existe
respostas certas nem erradas. O tempo previsto de preenchimento do questionário é de 30 minutos. Caso queira
responder de forma mais detalhada ou adicionar comentários, existe espaço no questionário para fazê-lo. Por favor
responda a todas as questões assinalando com um X na resposta que pretende. Em algumas questões é pedido para
escrever um número ou algumas palavras. Muito obrigado, por ter disponibilizado o seu tempo para responder a
este questionário.
Em caso de duvida, podem entrar em contato com: Eurídice Amarante através do contacto 9742271 ou pelo e-mail:
[email protected]
Eurídice Amarante
216
DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS
Inicialmente são-lhe solicitados alguns dados sociodemográficos apenas para fins estatísticos.
Habilitações Académicas
( )Bacharelato
( ) Mestrado
( ) Doutoramento
217
Ciclo que lecciona
( )10º ano_____
12º____
Tipos de vínculo:
a) Contrato a Termo( )
c) Quadro efetivo ( )
2-ESCOLHA DA PROFISSÂO
Utilize a seguinte escala para responder aos itens sobre a sua escolha da profissão:
218
VÍNCULO COM A CARREIRA A SUA RELAÇÃO COM A PROFISSÃO QUE EXERCE (DOCÊNCIA)
A seguir você encontrará uma série de sentenças que procuram descrever o significado de vários aspectos do seu mundo de trabalho. Indique no
espaço, assinalando com um X o número que corresponde à sua posição frente ao item, utilizando a seguinte escala:
1 2 3 4 5 6 7
1-Se eu pudesse escolher uma profissão diferente da minha, que pagasse o mesmo, eu provavelmente a
escolheria.
2-Eu desejo, claramente, fazer minha carreira na profissão que escolhi.
3-Se eu pudesse fazer tudo novamente, eu não escolheria trabalhar na minha profissão atual.
4-Mesmo que eu tivesse todo o dinheiro que necessito sem trabalhar, eu, provavelmente, continuaria
exercendo a minha profissão.
5-Eu gosto demais da minha profissão para largá-la.
14- Eu não possuo objetivos específicos para meu desenvolvimento nesta profissão/carreira.
15- Eu não penso frequentemente sobre meu desenvolvimento pessoal nesta profissão.
16- Os custos associados com minha profissão às vezes me parecem altos demais.
17- Devido aos problemas que vivencio nesta profissão, às vezes me pergunto se o retorno que tenho vale
a pena.
18- Devido aos problemas que vivencio nesta profissão, às vezes me pergunto se o sacrifício pessoal vale
a pena.
19- Os desconfortos associados com minha profissão às vezes me parecem altos demais.
22- Eu tenho muito dinheiro investido em minha profissão/carreira para mudar agora.
219
(Kristensen, T., 2001)
(Tradução e adaptação de Silva, C. et al., 2011)
Das seguintes afirmações indique (X) a que mais se adequa à sua resposta de acordo com as seguintes alternativas:
1- Nunca/ quase nunca 2- Raramente 3- Às vezes 4- Frequentemente 5- Sempre
1 2 3 4 5
1. A sua carga de trabalho acumula-se por ser mal distribuída?
2. Com que frequência não tem tempo para completar todas as tarefas do
seu trabalho?
3. Precisa fazer horas-extra?
4. Precisa trabalhar muito rapidamente?
5. O seu trabalho exige a sua atenção constante?
6. O seu trabalho requer que seja bom a propor novas ideias?
7. O seu trabalho exige que tome decisões difíceis?
8. O seu trabalho coloca-o em situações emocionalmente perturbadoras?
9. O seu trabalho exige emocionalmente de si?
10. Sente-se emocionalmente envolvido com o seu trabalho?
11. O seu trabalho requer que não manifeste a sua opinião?
12. O seu trabalho requer que esconda os seus sentimentos?
13. É-lhe exigido que trate todas as pessoas de forma igual embora não se
sinta satisfeito com isso?
14. É-lhe exigido que seja simpático com todos, embora sinta que o mesmo
não lhe é retribuído?
15. Tem um elevado grau de influência no seu trabalho?
16. Participa na escolha das pessoas com quem trabalha?
17. Pode influenciar a quantidade de trabalho que lhe compete a si?
18. Tem alguma influência sobre o tipo de tarefas que faz?
19. O seu trabalho exige que tenha iniciativa?
20. O seu trabalho permite-lhe aprender coisas novas?
21. O seu trabalho permite-lhe usar as suas habilidades ou perícias?
22. O seu trabalho é variado?
23. No seu local de trabalho, é informado com antecedência sobre decisões
importantes, mudanças ou planos para o futuro?
24. Recebe toda a informação de que necessita para fazer bem o seu
trabalho?
220
1- Nunca/ quase nunca 2- Raramente 3- Às vezes 4- Frequentemente 5- Sempre
1 2 3 4 5
25. O seu trabalho apresenta objetivos claros?
26. Sabe exatamente quais as suas responsabilidades?
27. Sabe exatamente o que é esperado de si?
28. O seu trabalho é reconhecido e apreciado pela gerência?
29. Há boas perspetivas no seu emprego?
30. A gerência do seu local de trabalho respeita-o?
31. É tratado de forma justa no seu local de trabalho?
32. Faz coisas no seu trabalho que uns concordam mas outros não?
33. No seu trabalho são-lhe colocadas exigências contraditórias?
34. Por vezes tem que fazer coisas que deveriam ser feitas de outra
maneira?
35. Por vezes tem que fazer coisas que considera desnecessárias?
36. Com que frequência tem ajuda e apoio dos seus colegas de trabalho?
37. Com que frequência os seus colegas estão dispostos a ouvi-lo(a)
sobre os seus problemas de trabalho?
38. Com que frequência os seus colegas falam consigo acerca do seu
desempenho laboral?
39. Com que frequência o seu superior imediato fala consigo sobre como
está a decorrer o seu trabalho?
40. Com que frequência tem ajuda e apoio do seu superior imediato?
41. Com que frequência é que o seu superior imediato fala consigo em
relação ao seu desempenho laboral?
42. Existe um bom ambiente de trabalho entre si e os seus colegas?
43. Existe uma boa cooperação entre os colegas de trabalho?
44. No seu local de trabalho sente-se parte de uma comunidade?
Em relação á sua chefia direta até que ponto considera que…
1 2 3 4 5
45. Oferece aos indivíduos e ao grupo boas oportunidades de
desenvolvimento?
46. Dá prioridade à satisfação no trabalho?
47. É bom no planeamento do trabalho?
48. É bom a resolver conflitos?
221
As questões seguintes referem-se ao seu local de trabalho no seu todo.
1 2 3 4 5
49. Os funcionários ocultam informações uns dos outros?
50. Os funcionários ocultam informação à gerência?
51. Os funcionários confiam uns nos outros de um modo geral?
52. A gerência confia nos seus funcionários para fazerem o seu trabalho
bem?
53. Confia na informação que lhe é transmitida pela gerência?
54. A gerência oculta informação aos seus funcionários?
55. Os conflitos são resolvidos de uma forma justa?
56. Os funcionários são apreciados quando fazem um bom trabalho?
57. As sugestões dos funcionários são tratadas de forma séria pela gerência?
58. O trabalho é igualmente distribuído pelos funcionários?
59. Os homens e as mulheres são tratados da mesma forma?
60. Existe lugar para funcionários de diferentes raças e religiões?
61. Existe lugar para funcionários com doenças ou deficiências?
62. Existe lugar para funcionários da terceira idade?
Extremamente
1 2 3 4 5
222
64. Sente que o seu trabalho é importante?
67. Sente que os problemas do seu local de trabalho são seus também?
As próximas três questões referem-se ao modo como o seu trabalho afecta a sua vida privada:
1 2 3 4 5
78. Sente que o seu trabalho lhe exige muita energia que acaba por afectar a
sua vida privada negativamente?
79. Sente que o seu trabalho lhe exige muito tempo que acaba por afectar a
sua vida privada negativamente?
80. A sua família e os seus amigos dizem-lhe que trabalha demais?
As próximas três questões referem-se ao modo como a sua vida privada afecta o seu trabalho:
1 2 3 4 5
81. Sente que a sua vida privada lhe exige muita energia e que acaba por
afectar o seu trabalho negativamente?
82. Sente que a sua vida privada lhe exige muito tempo e que acaba por
afectar o seu trabalho negativamente?
223
Com que frequência durante as últimas 4 semanas sentiu…
1 2 3 4 5
83. Dificuldade a adormecer?
84. Dormiu mal e de forma sobressaltada?
85. Acordou demasiado cedo e depois teve dificuldade em adormecer
novamente?
86. Acordou várias vezes durante a noite e depois não conseguia adormecer
novamente?
87. Cansado?
88. Esgotado?
89. Fisicamente exausto?
1 2 3 4 5
90. Emocionalmente exausto?
91. Dificuldades em relaxar?
92. Irritado?
93. Tenso?
94. Ansioso?
95. Triste?
96. Falta de autoconfiança?
97. Peso na consciência ou sentimento de culpa?
98. Falta de interesse por coisas quotidianas?
99. Dores de barriga?
100. Aperto ou dor no peito?
101. Dores de cabeça?
102. Palpitações?
103. Tensão em vários músculos?
104. Dificuldade em concentrar-se?
105. Dificuldade em tomar decisões?
106. Dificuldade em lembrar-se de algo?
107. Dificuldade em pensar claramente?
224
1- Nunca/ quase nunca 2- Raramente 3- Às vezes 4- Frequentemente 5- Sempre
1 2 3 4 5
108. Sou sempre capaz de resolver problemas, se tentar o suficiente.
109. Mesmo que as pessoas trabalhem contra mim, encontro sempre forma
de atingir o que pretendo.
110. É-me fácil seguir os meus planos e atingir os meus objetivos.
111. Sinto-me confiante em lidar com acontecimentos inesperados.
112. Quando tenho um problema, usualmente tenho várias maneiras de lidar
com o mesmo.
113. Independentemente do que acontecer, costumo encontrar soluções
para os meus problemas.
1 2 3 4 5
114. Tem-se envolvido em conflitos ou discussões?
115. Tem sido alvo de rumores ou calúnias?
116. Tem sido alvo de insultos ou provocações verbais?
117. Tem sido exposto a assédio sexual indesejado?
118. Tem sido exposto a ameaças de violência?
119. Tem sido exposto a violência física?
225
Versão on-line Google Forms
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeLlpyX7JaASLPGc5qHvj1aC4OoEkwyp
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226