A CONSTRUÇÃO DO
DIREITO NACIONAL
FERNANDA MONTEIRO
ISABELA KAIRÓS
ANDRÉ WELSON
LUZIA GAIA
JOHNNY SOUSA
SAMUEL RODRIGUES
ABIGAIL PEREIRA
WANDERSON ALVES
A TRANSIÇÃO PARA UMA
CULTURA JURÍDICA
NACIONAL
Formação de uma cultura jurídica nacional (1822)
IND
1822
Início com a Independência do Brasil EPE
. NDÊ
Transposição do legalismo europeu (Direito Português) no período colonial. N
MOR CIA
1. A necessidade de um direito nacional soberano TE OU
Estabelecimento de uma cultura jurídica que refletisse a soberania do país.
O liberalismo como matriz ideológica para a criação do novo arcabouço jurídico.
2. Marcos na construção do direito nacional
Criação das primeiras escolas de Direito (São Paulo e Olinda).
Formação de uma elite jurídica nacional.
Papel dos bacharéis na consolidação do direito e na profissionalização jurídica.
3. Contradições no processo jurídico
Influência de práticas burocrático-patrimonialistas.
Limitações na construção de uma cultura jurídica plural e democrática.
4. Tensões entre tradição e modernidade
Adoção de modelos jurídicos europeus.
Busca por soluções próprias ajustadas às particularidades do Brasil.
Período: Império e primeiros anos da República.
1. Origem e adaptação do liberalismo no Brasil
Resposta ao absolutismo monárquico: liberdade individual, propriedade privada
e limitação do controle estatal.
Adaptação brasileira: convivência entre retórica liberal e estruturas
conservadoras (patrimonialismo e escravidão).
O LIBERALISMO 2. Dimensões do liberalismo
Ético-filosófica: Valores de liberdade, dignidade, tolerância e direitos básicos
PÁTRIO: garantidos pelo Estado.
Econômica: Defesa da economia de mercado e propriedade privada; adaptação
NATUREZA E ao favorecimento das elites agrárias.
Político-jurídica: Soberania popular e divisão dos poderes; manutenção de
ESPECIFICIDADE interesses oligárquicos.
3. Contradições do liberalismo no Brasil
Ausência de uma revolução burguesa como nos moldes europeus.
Liberalismo como suporte à dominação das elites agrárias.
Dicotomia entre a retórica democrática e as práticas conservadoras.
4. Exemplo de ambiguidade: Liberalismo e escravidão
Convivência paradoxal entre liberdade e manutenção de privilégios.
Legitimação de estruturas de poder que excluíam a maior parte da população.
5. Impactos na tradição republicana brasileira
Liberalismo como perpetuador de desigualdades.
Construção de uma fachada democrática que mascarava conteúdos
conservadores
LIBERALISMO PÁTRIO
O liberalismo pátrio convive com práticas escravistas,
mesmo sendo algo incompatível com os ideais
propostos pelo modelo europeu.
Metade da população se mantinha escravizada
enquanto a outra continuava alienada da realidade
social.
Distinção de significados do liberalismo nacional para
os negros marginalizados e para os que participaram do
movimento diretamente.
Liberalismo nacional atrofiou o verdadeiro liberalismo.
Os princípios liberais inconciliáveis com a escravidão e
clientelismo tornaram-se parte do mesmo sistema de
forma imprópria no Brasil.
O LIBERALISMO E A CULTURA JURÍDICA NO SÉCULO XIX
CONTEXTO DO SURGIMENTO ESCOLAS
- Independência - Contexto
- Implementação - Fundação
- Hipocrisia - Ideologização
ESCOLA DO RECIFE
INFLUÊNCIA
- Influências
- Patrimonialismo - Pluralidade
- Individualismo - Críticas
- Formalismo
ACADEMIA DE SÃO PAULO
- Bacharelismo
- Militância
- Integração ao estado
- O CONTRASTE ENTRE A FACULDADE DE RECIFE E A
PAULISTA
A Academia de São Paulo apresentava um cenário privilegiado do bacharelismo
liberal e da oligarquia agrária paulista, que por sua vez trilhou na direção da reflexão
e da militância política, no jornalismo, e na “ilustração" artística e literária com
intenso periodismo acadêmico levou os bacharéis do Largo de São Francisco a lutas
em prol de direitos individuais e liberdades públicas, e conflitos entre “liberalismo e
democracia” crescimento da causa abolicionista republicana, o interesse acadêmico
em diretrizes filosóficas e culturais como o jusnaturalismo, o ecletismo filosófico, o
laicismo e o positivismo em si.
- ANÁLISE COMPARATIVA NA ATUAÇÃO JURÍDICA ENTRE A
ESCOLA DE RECIFE E A DO LARGO DE SÃO FRANCISCO
* Escola de Recife por estar mais afastada dos centros políticos focou na formação de
doutrinadores e ‘homens de ciência’
* São Paulo ficou responsável pela formação dos grandes políticos e burocratas de Estado.
- A CARTA CONSTITUCIONAL DE 1824
Em sequência das Escolas Jurídicas desenvolve-se um novo núcleo com relevante contribuição
para a consolidação e emancipação da cultura jurídica no Brasil, a elaboração da legislação
própria no Público e no Privado do pós-independência.
Constituição Imperial de 1824 com forte apelo das ideias liberais da Revolução Francesa que aqui
no Brasil institucionalizou a monarquia parlamentar, individualismo econômico e centralismo
político mantendo a fachada liberal que invisibilizava a escravidão e excluía a maioria da
população do país com uma forte contradição entre o formalismo retórico do texto
constitucional e a realidade social
- ATO ADICIONAL DE 1834 E A LEI DE INTERPRETAÇÃO DE 1840
Foi a principal criação político-administrativa do Estado, importante na implantação das
instituições nacionais e do processo de codificação das leis ordinárias, culminando no segundo
arcabouço legislativo que foi o Código Criminal de 1830, advindo das Câmaras do império, foi um
avanço importante se comparado com as Ordenações, mantendo o princípio da legalidade,
proporcionalidade e pessoalidade, porém, era evidente o caráter racial e social que ocultava a
escravidão e os direitos dos índios e negros que não eram considerados pessoas no civil, mas são
tratados na lei criminal.
REFORMA LIBERAL DO SISTEMA JUDICIAL NO BRASIL (1832)
Principais Características:
- Código de Processo Penal (1832):
Consolidou princípios liberais.
Combinação de sistemas inglês e franceses.
Código do Processo Fim do sistema inquisitório filipino.
- Juízes de Paz:
Criminal Eleitos pela comunidade.
Atribuições: policiais e crimineis
Funções: formação da culpa e julgamento de infrações menores.
- Inovações:
Introdução do Habeas Corpus e do Sistema de Júri.
Nova estrutura judiciária com juízes municipais e desembargadores.
- Reforma Conservadora (1841):
Centralização do poder judicial.
Reforço do aparato policial e burocrático.
CÓDIGO COMERCIAL
Código Comercial de 1850
Principais Características:
- Modelo normativo influente em legislações mercantis
latino-americanas.
- Refletia as melhores ideias sobre Direito Comercial da
época, apesar de
limitações tecnológicas (ferrovias e navegação a vapor).
- Fontes de inspiração:
Textos romanos.
Doutrina italiana.
Exegese civil napoleônica.
Foco nas necessidades da elite local:
Regulamentação econômica priorizada sobre direitos
civis.
Criada 67 anos antes do código civil.
Desenvolvimento comercial voltado à burguesia
latifundiária.
Regulamento 737 (1850):
Disciplinava o processo comercial e causas civis.
Vigente até o advento da República.
Código Civil
Tentativas de Codificação Civil no Brasil
Principais Características:
- Império:
Tentativas fracassadas de codificação:
Teixeira de Freitas (1860): Influência na legislação de outros países,
como a Argentina.
Nabuco de Araújo (1872) e Felício dos Santos (1881): Projetos não
concluídos.
- República:
Projetos de Coelho Rodrigues (1890) e Clóvis Beviláqua (1899):
Código Civil sancionado em 1916, vigente a partir de 1917.
Características do Código Civil de 1916:
Influência do Direito alemão e rigor metodológico.
Conservador e patriarcal, machista e individualista refletindo uma
sociedade
agrária e elitista.
Priorizava interesses de fazendeiros, proprietários de terra e burguesia
mercantil.
Aspectos Críticos:
Predominância de "privatismo doméstico" em família e sucessão.
Compromisso com o poder oligárquico, limitando avanços sociais.
Foco em atender ao liberalismo econômico da classe média, mas
restringido
pela estrutura agrária.
MAGISTRADOS E JUDICIÁRIO NO TEMPO DO IMPÉRIO
O PAPEL DA MAGISTRATURA NO BRASIL IMPERIAL A MAGISTRATURA COMO PILAR DO ESTADO NACIONAL
• Pilar da justiça e do Estado;
• Papel central na construção do Estado nacional,
• Alinhamento às elites dominantes;
• Influência do mercantilismo e absolutismo
TENSÕES PÓS-INDEPENDÊNCIA portugueses na formação da magistratura.
• Divisão de lealdades entre Império e Portugal; • Modernidade estatal: organização, coesão e
• Características da magistratura treinamento superior como bases da unidade nacional.
pós-Independência: o corporativismo elitista, a
CONTRADIÇÕES E PRÁTICAS COLONIAIS NA JUSTIÇA
burocracia nacionalista e a corrupção
institucionalizada; •Acúmulo de funções judiciais e administrativas
EDUCAÇÃO E HERANÇAS DO BRASIL COLÔNIAL marcado por nepotismo, corrupção e subserviência
política e perpetuação de privilégios.
• Formação em Coimbra: erudição e exclusivismo;
•Controle do sistema judiciário pelo governo central.
• Distanciamento da realidade local e prepotência
magisterial;
• Administração da justiça lenta e alinhada aos
interesses coloniais;
• Esses fatores geraram reformas institucionais que
resultaram na Constituição de 1824, na criação das
Faculdades de Direito (1827), no Código Penal de 1830;
MAGISTRADOS E JUDICIÁRIO NO TEMPO DO IMPÉRIO
• O JUIZ DE PAZ: AVANÇOS E LIMITES:
CONTEXTO GERAL DAS REFORMAS JUDICIÁRIAS
- Criado em 1827, fortalecido em 1832, reduzido em
- Brasil no século XIX: transição do modelo 1841 e ampliado em 1871.
colonial para o imperial.
- Símbolo da autonomia local e valores democráticos
- Disputas entre liberais (descentralização) e
liberais.
conservadores (recentralização). • DESAFIOS PRÁTICOS:
- Reformas como resposta às demandas sociais, - Resistência das elites conservadoras.
econômicas e políticas.
- Falta de apoio legislativo e infraestrutura adequada.
TENSÃO ENTRE LIBERALISMO E CONSERVADORISMO - Importância simbólica maior do que a eficácia prática.
• O TRIBUNAL DO JÚRI: PARTICIPAÇÃO POPULAR:
• CÓDIGO DE PROCESSO CRIMINAL DE 1832: - Consolidado pelo Código de Processo Criminal de
- Inovações liberais, descentralização, criação do
1832.
Tribunal do Júri e Juiz de Paz.
- Representava inclusão popular e ataque ao
• REFORMA DE 1841:
- Influência conservadora, recentralização e exclusivismo judicial.
limitação das inovações liberais. • Limitações
• REFORMA DE 1871: - Participação restrita a elites locais devido à exclusão
- Combinação de elementos liberais e social e analfabetismo.
conservadores, profissionalização do Judiciário. - Impacto mais simbólico do que prático.
MAGISTRADOS E JUDICIÁRIO NO TEMPO DO IMPÉRIO
• TRANSFORMAÇÃO DOS ATORES JURÍDICOS: • PERSISTÊNCIA DE DESAFIOS:
- Transição dos burocratas públicos para advogados - Formalismo legalista e individualismo político.
formados no Brasil. - Sistema jurídico ainda distante das realidades sociais.
- Advogados conectados às demandas locais, maior • REFLEXÃO FINAL:
representatividade social. - Reformas refletiram as contradições do Brasil
- Papel central na mediação de conflitos e defesa de imperial.
causas populares. - Avanços simbólicos, retrocessos práticos e limitações
• LIMITAÇÕES: estruturais.
- Muitos advogados ligados às elites econômicas, - Base para a construção do sistema jurídico moderno
comprometendo a equidade social. no Brasil.
• MODERNIZAÇÃO E PERSISTÊNCIA DE
DESIGUALDADES:
- Reformas como passo importante na modernização
do sistema jurídico.
- Afastamento gradual do modelo colonial e construção
de um Estado mais pluralista.
O PERFIL IDEOLÓGICO DOS ATORES JURÍDICOS: O
BACHARELISMO LIBERAL
CONTEXTO HISTÓRICO E SOCIAL: PERFIL DOS BACHARÉIS DE DIREITO:
• O bacharel em Direito surge em um cenário • Excesso de formalismo, retórica e desconexão
marcado por individualismo político, formalismo com as demandas concretas da sociedade.
legalista, escravocracia e desprezo pelo trabalho • Proselitismo acrítico e intelectualidade
manual. estrangeira.
• Representa ascensão social e segurança • Reproduz desigualdades sociais e uma legalidade
profissional dentro do Império e da República excludente.
. DUAS ATUAÇÕES IDEOLÓGICAS DISTINTAS:
HEREDITARIEDADE E TRADIÇÃO:
• Bacharel “strictu sensu"
• Comparação entre o magistrado colonial, • Jurista com notoriedade "respeitável"
servindo à Metrópole, e o bacharel dos séculos
ASPECTOS IDEOLÓGICOS E CULTURAIS:
XIX e XX, que atendia aos interesses das elites
• Bacharelismo: Prática técnica, focada na aplicação
locais.
de normas e na manutenção das estruturas sociais.
• Carreira jurídica alinhada à formação de uma
• Juridicismo: Perspectiva teórica, com foco na
burocracia disciplinada e conservadora.
adaptação e inovação jurídica.
Formação liberal-conservadora.
• Formação liberal, de base burguesa e
• Melhor corpo profissional preparado para gerir os
individualista, negligenciando práticas
demais setores.
democráticas e solidárias.
O PERFIL IDEOLÓGICO DOS ATORES JURÍDICOS: O
BACHARELISMO LIBERAL
LIBERALISMO COMO BASE IDEOLÓGICA: SÍMBOLOS E EXEMPLOS HISTÓRICOS:
• Principal base ideológica ensinada. • Rui Barbosa como exemplo do bacharelismo
Alinhado ao projeto burguês individualista, liberal, marcado por erudição e alinhamento aos
valorizando liberdade, segurança e propriedade. interesses das elites, mas distante das necessidades
• Discurso desvinculado de práticas democráticas e sociais.
solidárias. • “Marginalismo jurídico" revela desinteresse pela
• Prioridade ao formalismo, à retórica e à brasilianidade e pelas particularidades sociais do
representação de interesses. país.
• Falta de efetividade social e de participação
cidadã. PROPOSTAS COMTEMPORÂNEAS
• Impossibilidade de construir um liberalismo
popular e inclusivo. • Necessidade de redefinir o papel do advogado
para superar o formalismo jurídico.
• Adotar uma lógica ético-racional que abranja
práticas mais inclusivas, democráticas e socialmente
justas.
OBRIGADO PELA ATENÇÃO!