DOENÇA DE PARKINSON
BREVE HISTÓRICO
James Parkinson, em Brissaud em 1895, Lewy em 1912 descreveu
1817, descreveu a doença descreveu o degeneração a inclusões eosinofílicas
como paralisia agitante. do substancia negra. intracelulares
James Parkinson Édouard Brissaud
(1755-1824) (1852-1909)
DOENÇA DE PARKINSON
GENERALIDADES
Doença neurodegenerativa de causa desconhecida (idiopática);
Possivelmente tem origem multifatorial;
o Fatores genéticos.
o Fatores ambientais.
Apresenta instalação lento e progressiva;
Afeta cerca de 10 milhões de pessoas em todo mundo;
É a segunda doença neurodegenerativa mais comum;
É mais comum em homem do em mulheres (1,5 homem: 1 mulher);
Incidência de 5 a 35 para 100.000 habitantes.
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POSSÍVEIS MECANISMOS ENVOLVIDOS
Os três principais mecanismos que podem causar DP:
o 1- defeitos mitocondriais;
o 2- anormalidades do estresse oxidativo;
o 3- falha do sistema proteossoma-ubiquitina
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FISIOPATOLOGIA
Degeneração dos neurônios dopaminérgico localizados na porção compacta da substância negra
(nigra) do mesencéfaloo, o que leva a que leva a redução da produção do neurotransmissor dopamina.
NÚCLEOS DA
BASES
SUBSTÂNCIA
NEGRA
Estima-se que são perdido cerca de 10% dos neurônios dopaminérgico por ano;
Deve existir perda de 60% dos neurônios para que surjam os principais sintomas da doença.
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FISIOPATOLOGIA
Corpo de Lewy (seta preta) é formado pela agregação anômala da proteína alfa-sinucleína.
É a marca patológicas da DP, que podem surgir década antes dos sinais e sintomas.
A – macroscopia normal; B – macroscopia evidenciando o seu descoramento; C – microscopia normal;
D – microscopia evidenciando o despovoamento neuronal; E – Corpos de Lewy.
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FISIOPATOLOGIA
Cérebro
α-sinucleina
FUNCIONAL AGREGAÇÃO EM
DEGRADADA CORPOS DE LEWY
Neurônios Substância Nigra
Depaminérgicos Pars compacta
Terminal
Pré-sinaptico
Síntese e liberação de dopamina Menor liberação de dopamina
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FATORES DE RISCO
FATORES MAIS IMPORTANTES
o A idade é o principal fator de risco: idade média de início 50 a 60 anos;
o História familiar (associação genética);
o Exposição a pesticidas.
FATORES DE RISCO MENOS IMPORTANTES
o Maior escolaridade;
o Morar em áreas rurais;
o Excesso de peso corporal;
o Consumo de água de poço;
o Exposição ao cobre, manganês, chumbo;
o Exposição a solventes de hidrocarbonetos.
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QUADRO CLÍNICO - SINAIS E SINTOMAS MOTORES
Bradicinesia;
Rigidez em roda denteada;
Instabilidade Postural.
Tremor de repouso:
o Geralmente em um dos lados do corpo (unilateral), podendo atingir:
Membros;
Cabeça;
Pescoço;
Mandíbula.
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SINAIS E SINTOMAS MOTORES
Bradicinesia: diminuição progressiva da velocidade e amplitude dos movimentos alternados
e repetidos, executados o mais rápido e amplamente possível;
o Exemplos:
Abrir e fechar a mão;
Oponência do polegar e indicador,
Pronação-supinação das mãos;
Bater repetidamente com o calcanhar no chão.
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SINAIS E SINTOMAS MOTORES
Bradicinesia Global: movimento corporal espontâneo está diminuído;
o Hipomimia:
Face inexpressiva ou imóvel;
Diminuição do pestanejo;
(abrir e fechar os olhos).
o Hipofonia:
Redução do volume da voz.
o Micrografia:
o Redução do tamanho Caligrafia.
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SINAIS E SINTOMAS MOTORES
Pode ocorrer em condições graves interrupção completa do movimento
o Exemplo:
Bloqueio ou freezing.
Obs: É fundamental não confundir bradicinesia com lentidão simples, que pode ser
causado por diminuição da força muscular, espasticidade, dor, fadiga geral.
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SINAIS E SINTOMAS MOTORES
Rigidez: aumento do tónus muscular, com resistência na movimentação passiva de um
segmento ao longo de todo o movimento (‘em cano de chumbo’).
o A rigidez “em roda dentada” resulta da
sobreposição do tremor e da rigidez.
o É mais facilmente detectável na articulação do
punho.
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SINAIS E SINTOMAS CLÍNICOS MOTORES
Tremor de repouso: movimento involuntário, rítmico e oscilatório (4 – 6Hz).
o Mais típico é o tremor com fricção repetida do polegar e indicador, que assemelha ao ato de contar
dinheiros (pill-rolling).
o O tremor pode surgir noutras regiões, como: membros inferiores, língua e a mandíbula.
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SINAIS E SINTOMAS CLÍNICOS MOTORES
Instabilidade postural: a postura é tipicamente fletida e pode variar de alterações ligeiras
igualmente presentes em pessoas idosas sem patologia.
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SINAIS E SINTOMAS CLÍNICOS NÃO MOTORES
Disfunção Autonômica
o Disfunção sexual: disfunção erétil e vaginismo;
o Desregulação do controle de temperatura
o Distúrbio de deglutição;
o Incontinência urinária;
o Incontinência fecal;
o Hipotensão ortostática;
o Constipação;
o Gastroparesia;
o Sialorréia;
o Rinorreia.
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SINAIS E SINTOMAS CLÍNICOS NÃO MOTORES
Desordem sensitiva.
o Dor contínua;
o Sensações anormais
o Disfunção olfativa (Anosmia)
Tegumentar
o Seborreia
o Melanoma maligno
o Desnervação da Pele
o Hiperidrose;
o Rubor.
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SINAIS E SINTOMAS CLÍNICOS NÃO MOTORES
NEUROCOMPORTAMENTAL
o Ansiedade;
o Depressão;
o Alucinações;
o Disfunção cognitiva;
o Demência;
o Apatia;
o Bradifrenia (pensamento lento).
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SINTOMAS CLÍNICOS NÃO MOTORES
ALTERAÇÕES VISUAIS
o Diplopia;
o Visão embaçada;
o Discriminação de cores prejudicada.
ALTERACÕES DO SONO
o Sonolência diurna e ataques de sono;
o Alteração do sono REM.
o Insônia.
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DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE PARKINSON
Critério de diagnóstico do Banco de Cérebros da Sociedade de Parkinson do Reino Unido.
A) Critérios necessários para o diagnóstico da doença de Parkinson
Bradicinesia associada a pelo menos um dos seguintes sintomas:
o Rigidez muscular;
o Tremor em repouso de 4-6 Hz;
o Instabilidade postural não associada a alterações:
Visuais;
Cerebelares;
Vestibulares;
Disfunção proprioceptiva.
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DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE PARKINSON
B) Critérios negativos para DP (sugestivos de outras formas de parkinsonismo)
História de acidente vascular cerebral (AVC) de repetição;
História de trauma craniano grave;
História definida de encefalite;
Crises oculogíricas;
Tratamento prévio com neurolépticos;
Remissão espontânea dos sintomas;
Quadro clínico estritamente unilateral após 3 anos;
Paralisia supranuclear do olhar;
Sinais cerebelares;
Demência precoce;
Liberação piramidal com sinal de Babinski;
Presença de tumor cerebral ou hidrocefalia comunicante;
Resposta negativa a altas doses de levodopa;
Exposição ao metilfeniltetrapiridínio (MPTP).
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DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE PARKINSON
C) Critérios de suporte positivo para o diagnóstico de DP (São necessários três ou mais para o
diagnóstico):
Início unilateral;
Doença progressiva;
Presença do tremor de repouso;
Persistência da assimetria dos sintomas;
Boa resposta a levodopa;
Presença de discinesias induzidas por levodopa;
Pesposta a levodopa por 5 anos ou mais;
Evolução clínica de 10 anos ou mais.
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TRATAMENTO
O tratamento atual disponíveis têm somente a capacidade de melhorar os sintomas da doença, com
eficácia notoriamente mais elevada nos sintomas motores;
Deve ser individualizado e envolver Não há tratamento capazes de interromper ou
uma equipa multidisciplinar. diminuir o processo neuro-degenerativo, nem nêuro-
restaurador (substituir os neurónios perdidos);
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TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
Principais alvos dos fármacos dopaminérgicos na doença de Parkinson.
Legenda:
o BHE: barreira hematoencefálica;
o AADC: L-aminoácido aromático descarboxilase;
o COMT: catecol-O-metiltransferase;
o TH: tirosina hidroxilase;
o MAOB: monoamina oxidase B;
o DAT: transportador de dopamina;
o DOPAC: ácido diidroxifenilacético;
o D1R e D2R: receptores de dopamina.
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TRATAMENTO FARMACOLÓGICO: PRINCIPAIS ALVOS DOS FARMACOS EM PARKINSON
RASAGILINA
SANGUE CÉREBRO DOPAC (ácido diidroxifenilacético)
SELEGILINA
MAOB
BENZERAZIDA
CARBIDOPA
TIROSINA AGONISTAS DA DOPAMINA
AACD TH
TIROSINA
AACD PRAMIPEXOL E ROPINIROL
L-DOPA L-DOPA DOPAMINA
ROTIGOTINA
COMT
3-0-M-DOPA
ENTACAPONA COMT
TOLCAPONA 3-0-M-DOPA
Adaptado de POEWE et al., 2017.
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TRATAMENTO FARMACOLÓGICO: PRINCIPAIS ALVOS DOS FARMACOS EM PARKINSON
Utilização da levodopa (L-dopa) no tratamento da doença de Parkinson:
o Foi o primeiro fármaco eficaz no tratamento da doença de
Parkinson;
o Continua sendo o fármaco mais eficaz no tratamento dos sintomas
motores (Padrão ouro);
o Infelizmente apresente benefícios apenas no tratamento sintomático
da doença;
o Deve ser administrada 30 minutos antes ou 60 minutos depois das
refeições.
o Possui meia-vida de 90 minutos e tem efeito de cerca de 3 a 5 horas.