RESPOSTA A TEXTOS BÍBLICOS
APARENTEMENTE
CONTRADITÓRIOS SOBRE A
SALVAÇÃO
6 DE SETEMBRO DE 2014 COMPILADORCRISTAO 3 COMMENTS
Muitos cristãos sinceros se deparam com o dilema de encontrar textos na bíblia
aparentemente contraditórios sobre a salvação. A Bíblia diz “Escolhe, pois, a vida, para
que vivas”; mas também nos diz que: “Não depende do que quer, nem do que corre,
senão de Deus que tem misericórdia”. Por uma parte, diz que Deus é paciente, “O
Senhor não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.”
(2 Pedro 3.9). Por outra parte, diz que Deus “de quem quer, tem misericórdia, e ao que
quer endurecer, endurece” (Romanos 10.18).
Orígenes desde cedo se destacou no
ensino entre os novos convertidos, morreu como ancião na igreja primitiva após
ser torturado pelos romanos
Muitos lutam com tais passagens contraditórias por muito tempo, balançando de
um lado para outro. É uma grande alegria ver que os primeiros cristãos tiveram
explicações lógicas — e bíblicas — destas aparentes contradições. Na verdade, sua
maneira de explicar a presciência de Deus e o livre arbítrio do homem é das mais
razoáveis que já ouvi. Orígenes, que foi ancião da igreja primitiva, ao ser perguntado
sobre esses textos respondeu:
“Uma das doutrinas ensinadas pela igreja é a do juízo justo de Deus. Este fato
estimula aos que acreditam nele para que vivam piedosamente e que evitem o pecado.
Reconhecem que o que nos traz ou louvor ou culpa está dentro de nosso controle. É
nossa responsabilidade viver em justiça. Deus exige isto de nós não como se isso
dependesse dele, nem de outro, nem da sorte (como crêem alguns), mas como se
dependesse de nós mesmos. O profeta Miquéias demonstrou isso quando disse: ‘Ele te
declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor requer de ti, senão que
pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?’
[Miquéias 6.8]. Moisés também disse: ‘Vê que hoje te pus diante de ti a vida e o bem, a
morte e o mal. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”
[Deuteronômio 30.15, 19].
Tome em conta como nos fala Paulo de maneira que dá a entender que temos
livre arbítrio e que nós mesmos somos causa ou da nossa ruína ou da nossa salvação.
Ele diz: ‘Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade,
ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento? Mas, segundo a
tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da
revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras; a
saber: a vida eterna aos que, com perseverança em favor o bem, procuram glória, e
honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos que são contenciosos, e
obedientes à iniqüidade” [Romanos 2.4-8].
Mas há certas declarações no Antigo Testamento como também no Novo que
pudessem fazer-nos concluir o contrário: Que não depende de nós ou o guardar seus
mandamentos para ser salvos, ou o desobedecê-los para perder-nos.”
Assim que, examinemo-los um por um. “Primeiro, as declarações quanto a Faraó
causaram dúvidas em muitos. Deus disse várias vezes: ‘Eu endurecerei o coração de
Faraó’ [Êxodo 4.21]. Claramente, se Faraó foi endurecido por Deus e pecou como
resultado desse endurecimento ele não foi responsável por seu pecado. E não teve livre
arbítrio.
Vamos adicionar a esta passagem outra que escreveu Paulo: ‘Mas, ó homem,
quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou:
Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma
massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso?’ [Romanos 9.20-
21].
Já que sabemos que Deus é tanto bom como justo, vejamos como o Deus bom e
justo pôde endurecer o coração de Faraó. Talvez por um exemplo usado pelo apóstolo
na epístola aos Hebreus podemos ver que, numa só obra, Deus pode mostrar
misericórdia a um homem enquanto endurece a outro, sem a intenção de endurecê-lo.
‘Pois a terra que embebe a chuva, que cai muitas vezes sobre ela, e produz erva
proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção da parte de Deus; mas se
produz espinhos e abrolhos, é rejeitada, e perto está da maldição; o seu fim é ser
queimada.’ [Hebreus 6.7-8].
Talvez nos pareça estranho que aquele que produz a chuva dissesse: ‘Produzo
tanto os frutos como também os espinhos da terra’. Mas, ainda que estranho, é
verdadeiro. Se não tivesse chuva, não teria nem frutos nem espinhos. A bênção da
chuva, portanto, caiu ainda sobre a terra improdutiva. Mas já que estava descuidada e
não cultivada, produziu espinhos. Desta maneira as obras maravilhosas de Deus são
semelhantes às chuvas, os resultados opostos são semelhantes às terras ou cultivadas
ou descuidadas.
Também as obras de Deus são semelhantes ao sol, o qual pudesse dizer: ‘Eu
suavizo e faço o endurecer’. Ainda que estas ações são opostas, o sol não falaria
mentira, porque o calor que suaviza a cera é o mesmo que endurece o lodo. De
semelhante maneira, por uma parte, os milagres feitos por mão de Moisés endureceram
a Faraó por causa da maldade de seu coração. Mas suavizaram alguns egípcios, que
saíram do Egito junto com os hebreus [Êxodo 12.38].”
Vejamos a outra passagem: ‘Assim que não depende do que quer, nem do que
corre, senão de Deus que tem misericórdia’ [Romanos 9.16]. Aqui Paulo não nega que
os humanos têm que fazer algo. Senão louvara a bondade de Deus, que leva o que se
faz a seu fim desejado. O singelo desejo humano não basta para atingir o fim. Só o
correr não basta para que o atleta ganhe o prêmio. Também não basta para que os
cristãos ganhem o prêmio que dá Deus por Cristo Jesus. Estas coisas se levam a cabo
só com a ajuda de Deus.
Como se falasse da agricultura, Paulo diz: ‘Eu plantei; Apolo regou; mas Deus
deu o crescimento. De modo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega,
mas Deus, que dá o crescimento’. [1Corintios 3.6-7]. Agora pudéssemos dizer com
razão que a colheita do agricultor não é trabalho só do agricultor. Também não é
trabalho só do que rega. Afinal de contas, é trabalho de Deus. Assim mesmo, não é que
não tenhamos nada que fazer para que nos desenvolvamos espiritualmente à perfeição.
Mas, contudo, não é obra só nossa, porque Deus tem uma obra ainda maior que a
nossa. Assim é em nossa salvação. A parte que faz Deus é muitíssimo maior do que a
nossa.”
Glória ao Senhor! Ficou claro não? Temos que fazer a nossa parte, “aquele que
perseverar até o fim, esse será salvo” (Mateus 24:13), mas a parte de Deus, o
crescimento, é muito maior. Nosso papel é permanecer firme naquilo que o Senhor nos
chama. “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo
produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar,
se não permanecerdes em mim” João 15.4