Carta Pastoral Jubileu Do Ano Santo 2025 - LIVRETO - Digital
Carta Pastoral Jubileu Do Ano Santo 2025 - LIVRETO - Digital
2024
Editora Nossa Senhora da Paz
Rua Joana Angélica, 71 – Ipanema – 22420-030 – RJ
Tel.: (21) 2521-7299 – [email protected]
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Missão, Esperança e Paz
Carta Pastoral do
Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro
Por ocasião do
Ano Santo de 2025
“Peregrinos de Esperança”
20 de outubro de 2024
Dia Mundial das Missões
3
Um novo Jubileu foi proclamado
1. A cada 25 anos a Igreja proclama o Ano Santo ordinário.
Por isso, em carta datada de 11 de fevereiro de 2022, o
Papa Francisco anunciou para toda a Igreja o lema que
brotou do seu coração para este Jubileu Ordinário em
2025: Peregrinos de Esperança. A partir da meditação
dessa importante virtude teologal, o Santo Padre indica
que o jubileu “poderá favorecer imensamente a recompo-
sição de um clima de esperança e confiança, como sinal
de um renovado renascimento do qual todos sentimos
a urgência”.1 De fato a proclamação de jubileus e anos
1
FRANCISCO, Carta ao Arcebispo Rino Fisichella pelo Jubileu 2025, 11 de fevereiro
de 2022.
4
santos na Igreja sempre teve a motivação de recordar
aos cristãos que devemos continuamente manifestar ao
mundo “a razão da nossa esperança” (cf. 1Pd 3, 15), levando
a palavra do amor e da alegria que brota do evangelho
de Jesus Cristo.
2. Também nós, atendendo ao convite do Santo Padre,
iremos celebrar solenemente o jubileu, tanto indo nas
peregrinações a Roma como também em nossa Arqui-
diocese. Estamos em um mês pleno de sentido, come-
morações, celebrações solenes. Nesta ocasião, depois de
celebrarmos tantas festas marianas (Rosário, Aparecida,
Nazaré) e estando celebrando Nossa Senhora da Penha
quisemos também escrever esta carta da celebração jubilar
com as orientações e determinações próprias para nossa
Arquidiocese. Rezemos para que ela nos leve a ser cada
vez mais uma igreja que semeie esperança nesta grande
cidade.
3. Nestes últimos tempos a Igreja tem compreendido que
sua atividade pastoral e missionária deve empenhar-se
em avivar a esperança no coração dos fiéis e do mundo
inteiro. Com este fim, escrevemos em 2015 uma carta
pastoral intitulada “A Esperança não decepciona”, ocasião
em que a Arquidiocese vivia o Ano da Esperança como
proposta e referência evangelizadora para o Rio de Janeiro
em seu 11º Plano de Pastoral. Em 2024, uma outra carta
pastoral “Peregrinos de Esperança e construtores da paz”
foi escrita para celebrar o 15º ano de minha posse como
Arcebispo Metropolitano.
4. Ainda ressoam em nossos corações os momentos fortes
do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, quando
5
fomos convidados a ser “misericordiosos como o Pai”
(Lc 6, 36), refletindo o rosto de Jesus Cristo para tantos
irmãos sofredores. A experiência das várias portas santas
abertas em nossa Arquidiocese, em que diversos grupos
puderam fazer peregrinações para lucrar a indulgên-
cia jubilar, foi um belo testemunho de unidade e fé,
através das diversas atividades e eventos organizados
nas paróquias, movimentos e pastorais para a vivência
das obras de misericórdia. Também o Grande Jubileu
do ano 2000, aberto por São João Paulo II, foi um
momento enriquecedor que preparou todo o mundo
cristão para o início do novo milênio e para os desafios
que o mesmo apresenta. Poderíamos ainda destacar
outras comemorações jubilares que marcaram o século
passado, como o Jubileu Extraordinário da Redenção,
em 1983; o Jubileu de 1975, dedicado pelo Papa Paulo
VI ao tema da reconciliação; e o Jubileu de 1950, no
qual o Papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção
da Virgem Maria.
5. A proclamação do novo jubileu a ser celebrado em 2025
é uma oportunidade para que o povo cristão reflita
acerca do momento histórico que vivemos. Nesses dias
pós-pandêmicos, marcados por conflitos e guerras, bem
como por polarizações no âmbito social e político, mos-
trar que “a esperança não decepciona” (Rm 5,5) é um ato
profético, um gesto de caridade para com uma huma-
nidade ferida e marcada pela divisão e pelas situações
difíceis de cada dia.
6. É nesse espírito de comunhão com toda a Igreja univer-
sal que me dirijo a vós, caríssimos irmãos e irmãs desta
arquidiocese, que a cada dia buscam anunciar Jesus Cristo
6
em meio a esta grande cidade. “Deus habita esta cidade”
(cf. Sl 47,9, versão da Liturgia das Horas) e é necessário desvelar o
rosto de Deus presente em nosso meio. É nosso desejo
que o jubileu convocado pelo Papa Francisco seja um
tempo fecundo para que cada fiel, nas diversas paróquias,
capelas e comunidades espalhadas pela cidade do Rio de
Janeiro, viva essa oportunidade de fé, caminhando em
meio às vicissitudes como “Peregrinos de Esperança.”
O Jubileu na Bíblia
7. A origem mais remota das celebrações jubilares se encon-
tra no texto veterotestamentário da Sagrada Escritura,
mais precisamente no capítulo 25 do Livro de Levítico,
o livro dos filhos de Levi, portanto, dos sacerdotes: um
livro cerimonial que regulamentava minuciosa e meti-
culosamente os rituais do Templo de Jerusalém. Nele
se encontra o termo jobel que, de acordo com análise
do Cardeal biblista Gianfrancesco Ravasi, significava
originalmente a celebração de um ano jubilar que come-
çava solenemente em uma data específica e ao som da
trombeta, e cujo eco, vindo de Jerusalém, rasgava o ar
e se disseminava anunciando a celebração ritual de um
tempo próprio, em conexão com a solenidade do Yôm
Kippur, isto é, da expiação pelo pecado de Israel. Para
este autor, o termo amplia a compreensão do Jubileu.
Ele passava a ser visto não apenas como um tempo
de celebração ritual, mas também como um período
de reflexão ética, moral e existencial, incluindo, por
exemplo, o perdão de dívidas e a libertação de escravos.
Assim, houve uma evolução conceitual do jobel, de um
7
ato meramente litúrgico para uma experiência com
implicações ético-sociais. Desse modo, as celebrações
jubilares passaram a ser marcadas por três dimensões
essenciais: o repouso da terra, o perdão das dívidas e
a libertação dos escravos. Aprofundemos, portanto, a
análise deste termo e a sua compreensão na Escritura.
8. O termo “jubileu” provém do latim jubilaeus que, por
sua vez, tem origem no termo hebraico yobel. Este termo
aparece 27 vezes na Bíblia Hebraica, a qual correspon-
de parcialmente ao nosso Antigo Testamento. Nestas
ocorrências ele pode indicar duas coisas: o chifre do
carneiro utilizado como um instrumento musical (Ex
19,13) ou o “ano jubilar” (Lv 25; 27,16-25). O termo yobel
conecta-se à raiz hebraica do verbo yabal, que significa
“levar, conduzir” e que aparece em alguns textos do
Antigo Testamento, como o Sl 45,15.16; 108,11 e Jr 31,9.
Particularmente significativo é o uso da raiz em Jr 31,9,
onde Deus anuncia, pela boca do profeta, um tempo
de libertação: “Em lágrimas eles voltam, em súplicas eu
os trago de volta. Vou conduzi-los às torrentes de água,
por um caminho reto, em que não tropeçarão. Porque eu
sou um pai para Israel e Efraim é o meu primogênito”.
Porque Deus é “um pai”, Ele não permitirá que o seu
povo permaneça para sempre em uma situação difícil,
mas os “trará de volta” (yabal).
9. O jubileu, no AT, tem muito a ver com este “trazer de
volta”. O texto base para compreendê-lo é Lv 25, que
pode ser dividido em três partes: nos vv. 2-22 o Jubileu
é apresentado em estreita relação com o ano sabático
e com o próprio sábado; nos vv. 23-34 apresenta-se o
resgate das propriedades; por fim, nos vv. 35-55 fala-se
8
do resgate das pessoas. Vejamos o sentido teológico de
cada uma dessas partes.
10. Nos vv. 2-22 o autor sagrado começa apresentando a
lei do repouso sabático da terra. Assim como o sétimo
dia devia ser consagrado a Deus, para o descanso, o
louvor e a contemplação das suas obras, assim também
a terra deveria descansar. O preceito do repouso sabático
semanal encontra-se em Ex 20,8-11 e em Dt 5,12-15 com
acentos teológicos próprios em cada um dos textos.
11. Em Ex 20,8-11 a motivação para o repouso sabático é
a necessidade de se fazer memória da criação: “Porque
em seis dias o Senhor fez o céu, a terra, o mar e tudo o
que eles contêm, mas repousou no sétimo dia; por isso o
Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou” (Ex 20,11).
Se o ser humano não faz uma pausa para contemplar a
obra da criação e para percebê-la como sinal do amor
e da generosidade de Deus que tudo nos deu, ele perde
o sentido da própria existência. Absorvido pelo tempo,
apenas produz, olhando sempre para o que é terreno,
sem alçar seus olhos para o que está além, para Deus,
que tudo criou por amor e para a alegria do homem,
obra de suas mãos (Gn 2,8).
12. Em Dt 5,12-15, a motivação para o repouso sabático é
a memória do êxodo, por isso até mesmo o escravo e a
escrava deveriam ter direito a este repouso: “Recorda-te
que foste escravo na terra do Egito, e que o Senhor teu
Deus te fez sair de lá com mão forte e braço estendido.
É por isso que o Senhor teu Deus te ordenou guardar o
dia de sábado” (Dt 5,15). O sábado é, pois, para o judeu
piedoso, memória da criação e memória do êxodo, duas
9
realidades que se reclamam mutuamente. Deus “criou”
o mundo e tudo o que há nele e “criou” também Israel,
a partir do êxodo, para que ele fosse o receptor primei-
ro da mensagem salvífica, ou seja, para que, sendo seu
povo, reconhecesse que a criação é obra das mãos de
Deus, fruto da sua bondade, tal como foi a libertação e
a criação do seu povo, a partir do êxodo do Egito.
13. Segundo Lv 25,2-22, também a terra deverá gozar de
um sábado. No sétimo ano a terra deverá repousar.
Israel deverá reviver a experiência do deserto, onde
experimentou a providência de Deus que tudo lhes
dava mesmo sem que tivessem que plantar ou colher.
Eles deverão usufruir do fruto da terra vivendo um
grande ano de “repouso”. A partir do v. 8 é anunciado
propriamente o “jubileu”. Este será celebrado a cada
“sete semanas de anos”. Depois de sete anos sabáticos
consecutivos, será celebrado um grande ano sabático,
chamado de “jubileu”, que deverá começar com o
toque da trombeta no Dia das Expiações: “No sétimo
mês, no décimo dia do mês, farás vibrar o toque da
trombeta; no dia das Expiações, fareis soar a trombeta
em todo o país. Declarareis santo o quinquagésimo ano
e proclamareis da libertação de todos os moradores da
terra. Será para vós um jubileu...” (Lv 25,9-10).
14. A segunda parte do v. 10 e o v. 11 trazem já dois temas
que serão desenvolvidos na continuação de Lv 25: o
jubileu como libertação dos cativos (v. 10) e como tempo
de remissão das dívidas e devolução das propriedades
(v. 13). Enfatiza-se, contudo, no conjunto dos vv. 2-22
a ligação do jubileu com o ano sabático. Sem semear
e fazer a colheita usual, cada um deve colher e comer,
10
livremente, o produto dos campos. Esta primeira parte
de Lv 25, como também as duas outras que se seguirão,
termina com uma motivação teológica: Deus abençoará
o sexto ano, fazendo com que a colheita produzida nesse
ano os alimente pelo sétimo, oitavo e nono ano. Assim,
também no ano jubilar, onde por dois anos consecutivos
não se haveria de plantar nem de colher sistematicamente,
pois ao sétimo ano sabático se seguiria o ano jubilar,
o povo teria seu estoque de alimentos garantido pelo
Senhor.
15. A bênção do Senhor é a garantia que os israelitas têm
de que podem observar suas normas, pondo n’Ele, e
não simplesmente no trabalho de suas mãos, a sua
segurança: “eu estabeleço a minha bênção no que colher-
des no sexto ano, de modo que vos garanta produtos por
três anos” (Lv 25,21). Tanto o ano sabático quanto o ano
jubilar servem, sobretudo, para demonstrar a Israel que
não é tanto pela força do seu trabalho que os campos
produzem, ainda que este trabalho seja fundamental.
Eles devem compreender que é a ação de Deus, ver-
dadeiro senhor dos campos e do povo, que faz tudo
crescer e prosperar, conforme nos recorda o Salmo
65,10-12: “Visitaste a terra e a inebriaste; multiplicaste
a sua abundância. O rio de Deus está cheio de água;
providenciaste o trigo deles, pois assim preparaste a terra:
irrigaste os seus sulcos, aplanaste seus torrões, com as chuvas
a amoleceste, abençoaste os seus brotos. Coroaste o ano com
a tua benignidade, os teus passos destilam fertilidade”.
16. Em Lv 25,23-34 apresenta-se o jubileu como o tempo
do resgate das propriedades. Um importante enuncia-
do abre esta seção de Lv 25: “A terra não será vendida
11
perpetuamente, pois a terra me pertence e vós sois para
mim estrangeiros e hóspedes” (Lv 25,23). Este é o princípio
geral que norteia toda a lei concernente ao resgate das
propriedades no ano jubilar. A terra é dom de Deus ao
povo. Eles a “conquistaram”, mas não pela força das
armas e sim, pela ação do Senhor. Os emblemáticos
episódios de conquistas das cidades cananeias no livro
de Josué são apresentados mais como ações do Senhor
do que como grandes estratégias de guerra e conquista.
Para confirmar isto, basta ler Js 6, onde as muralhas de
Jericó caem ao som das trombetas tocadas por ordem
divina. Já antes, em Ex 17, o povo vence a guerra contra
os amalecitas somente porque Moisés, o servo de Deus,
mantém seus braços estendidos em oração, os quais são
sustentados assim por Aarão e Hur (Ex 17,11-13).
17. Além de servir para que o povo tivesse uma consciência
viva de que a terra lhes fora dada por Deus como dom,
tal lei também servia para que se mantivesse um estilo
de vida relativamente igualitário na terra. Em virtude de
dívidas, alguém poderia ter que vender sua propriedade.
Contudo, isso não podia ocorrer de modo absoluto. Se
assim o fosse, seria possível que, em Israel, logo se esta-
belecesse uma sociedade extremamente desigual, com
grandes acúmulos de terra nas mãos de poucos e uma
grande população de israelitas vivendo sob seu jugo.
Seria uma situação de grande dureza, em certa medida
bastante parecida com a que Israel vivera no Egito. Deus
não poderia permitir que o seu povo, liberto para servi-
-lo, vivesse em tais condições.
18. Alguns textos nos ajudam a elucidar a situação de acúmu-
lo indevido acontecida em Israel. Podemos aludir a dois
12
deles. O primeiro seria Is 5,8: “Ai dos que juntam casa a
casa, dos que acrescentam campo a campo até que não haja
mais espaço disponível, até serem eles os únicos moradores
da terra”. O profeta critica duramente os que acumulam
sempre mais, tornando-se “os únicos moradores da terra”.
Se a terra pertence a Deus e se Ele a deu para o povo,
não faz sentido que, com o passar do tempo, somente
alguns dentre o povo possam se outorgar o direito de
verdadeiros proprietários. O “verdadeiro proprietário” é
Deus, os outros todos são “estrangeiros e hóspedes” (Lv
25,23). Um segundo texto é o que nos fala da disputa entre
Acab e Nabot (1Rs 21). Significativa é a resposta de Nabot
de Jezrael ao rei Acab: “O Senhor me livre de ceder-te a
herança dos meus pais” (1Rs 21,3). Mesmo diante de um
pedido do rei, Nabot não cede. Quem lhe confiscará a
propriedade às custas de mentiras será a rainha Jezabel,
uma estrangeira na corte israelita. A resposta de Nabot
demonstra sua clara consciência acerca da importância
de preservar a herança paterna, a terra, uma vez que,
retrocedendo às origens do povo, esta lhes foi dada como
dom das mãos do próprio Deus, por meio de Josué,
encarregado de reparti-la entre as tribos. Diante desse
quadro, Lv 25,23-34 previa a possibilidade de resgate
dos campos, ainda fora do ano jubilar. Previa ainda que,
independentemente da possibilidade de um resgate, os
mesmos voltassem aos seus primeiros proprietários no
ano do jubileu.
19. A última parte desse texto está nos vv. 35-55, que fala
do resgate de pessoas. No Antigo Oriente Próximo, de
modo geral, e também em Israel, era possível que alguém
contraísse uma dívida tão alta que tivesse que vender a si
13
mesmo como escravo até pagá-la totalmente. Algumas
vezes, a família toda poderia ficar em tal situação. Em
Israel, previa-se o resgate e a libertação dessas pessoas.
Não somente Lv 25,35-55, mas também os livros do
Êxodo (Ex 21,2-11) e do Deuteronômio (Dt 15,12-18) falam
disso.
20. Do modo como é formulada em Ex 21,2-11, a lei concer-
nente à liberação dos escravizados por dívidas preocupa-se
com questões familiares, e com a possibilidade de que
o escravo que contraiu matrimônio não tenha que se
separar da sua família. O texto trata também de uma
mulher hebreia, vendida como escrava, que não poderá
ser vendida a estrangeiros caso não agrade mais a seu
patrão. O texto se preocupa, ainda, em garantir seus
direitos matrimoniais, caso ela seja tomada como esposa
pelo patrão ou por seu filho.
21. No texto paralelo de Dt 15,12-18, o escravo é chamado
de “irmão”. Neste texto se prevê uma “indenização”
para o escravo ou a escrava (Dt 15,13-14) quando da sua
libertação. Esta versão da lei no livro do Deuteronômio
parece ser mais elaborada teologicamente: menciona-se
três vezes o nome de Deus (15,14.15.18); fala-se duas vezes
de bênção (15,14.18) e remete-se à experiência do Êxodo
(15,15).
14
a escravidão é quase que abolida, já que Lv 25,39-40
afirma que não se deve impor sobre este um trabalho
escravo, mas sim que ele deve ser tratado como um
“estrangeiro” ou “hóspede”. A motivação teológica está
no final de Lv 25: “Pois é de mim que os filhos de Israel
são servos; são servos meus que fiz sair da terra do Egito. Eu
sou o Senhor, vosso Deus (Lv 25,55). Assim como a terra não
pode ser vendida perpetuamente porque é propriedade
de Deus, assim também nenhum israelita endividado
poderá ser para sempre submetido ao trabalho servil. Se
não for resgatado, será liberto no ano do jubileu, quando
as dívidas serão, assim, definitivamente remidas. Nesse
aspecto, a lei do jubileu garante que nenhum israelita
retornará à condição que tinha antes de ter sido libertado
do Egito pelo Senhor. A memória da Páscoa aparece
fortemente como pano de fundo de Lv 25.
23. Alguns autores concordam em ver na lei concernente
ao jubileu uma certa dimensão escatológica. Embora
não se negue que ela tenha sido aplicada em Israel,
no todo ou em parte, percebe-se que sua execução
plena remeteria a um momento ideal: o da redenção
definitiva de Israel. O texto de Is 61 parece apontar
nessa direção. O “profeta” por detrás desse capítulo
compreende-se como aquele que veio inaugurar um
“grande jubileu”. Aqui não se utiliza o termo yobel,
mas fala-se de um “ano aceitável” a Deus, onde os
homens serão interna e externamente renovados, pois
ele vem para curar os de “coração quebrantado” e
para anunciar a “libertação aos cativos”. O termo
aqui traduzido como “libertação” é o termo hebraico
derôr, o mesmo que ocorre em Lv 25,10, onde se fala
15
do ano jubilar como o tempo da “ libertação [derôr]
de todos os moradores da terra”.
24. Este “ano aceitável”, este “jubileu”, este tempo de “liber-
tação e graça” foi inaugurado por Cristo na sinagoga
de Nazaré (Lc 4,16-30). Quando vai à sua cidade Natal,
Jesus entra na sinagoga em dia de sábado e faz a leitura
de Is 61,1-2. Este trecho estava associado ao dia das
Expiações, que marcava o início do ano jubilar. Nada
é dito em Lucas que nos faça presumir que se tratava
de tais comemorações. Poderia ser um sábado comum,
mas que perde o seu caráter de um simples sábado para
se tornar a proclamação feita, pelo próprio Cristo, do
“verdadeiro jubileu”. Nele cumpre-se aquela Escritura
que ele acabara de ler (Lc 4,21). Tudo o que concernia ao
jubileu da Antiga Aliança é assumido, ressignificado e
elevado à plenitude em Jesus de Nazaré. Ele veio para
romper todas as cadeias e para fazer com que os homens
vivam já hoje este tempo de graça e renovação.
25. Ao fazer referência ao “ano da graça do Senhor”, Jesus
sintetizava a sua missão salvífica, apresentando-a como
a própria missão da Igreja: a evangelização dos pobres,
isto é, o anúncio da “boa notícia” de Deus aos que se
despojam; a libertação dos presos das amarras da injustiça
e do egoísmo; a recuperação da vista aos cegos, retiran-
do da escuridão do desespero e da aflição aqueles que
viviam à margem da salvação; e, por fim, a libertação dos
sofrimentos e males que oprimem não somente o corpo,
mas o espírito. A primeira comunidade cristã parece ter
compreendido tal ensinamento, que se refletia em seu
modo de viver (At 2,42-47; At 4,32-35).
16
Os Jubileus na história da Igreja
26. À medida que se aproxima o Jubileu do Ano Santo
2025, e com ele toda a exultação da Igreja pelo tempo de
graça que será celebrado, é natural que se intensifique o
interesse pela história das celebrações jubilares que tem
suas raízes na Escritura Sagrada e na vida e missão da
Igreja.
27. Fundamentada na tradição bíblica, a Igreja desenvolveu
a tradição das celebrações jubilares, proclamando-as
com o objetivo de serem efetivamente “tempos de graça”,
experiências de perdão geral, e, portanto, de encontro
com a misericórdia divina. O primeiro jubileu de que
se tem notícia, celebrado na história da Igreja, foi o do
Ano Santo de 1300, convocado pelo Papa Bonifácio
VIII por meio da bula Antiquorum habet, de 22 de
fevereiro de 1300, na qual proclamava aos romanos
a concessão de uma “Indulgência Plenária” se visitas-
sem por 30 vezes dentro do ano santo as Basílicas de
São Pedro e de São Paulo, enquanto aos romeiros ou
peregrinos que viessem de fora de Roma proclamava
a mesma concessão de indulgência mediante 15 visitas
às citadas basílicas.
28. De acordo com a proclamação jubilar de Bonifácio VIII,
os jubileus seriam celebrados a cada 100 anos. Contudo,
o Papa Clemente VI reduziu para 50 anos o intervalo
entre os jubileus por meio da bula Unigenitus Dei Filius,
em 1343. O Papa Urbano VI, por sua vez, determinou
pela bula Salvator noster Unigenitus, de 8 de abril de 1389,
que a celebração do Jubileu deveria ocorrer a cada 33
17
anos, fazendo com que o ano santo ocorresse em 1390
quando, em vez disso, deveria ter caído em 1400.
29. Pela bula Immensa et innumerabilia, de 19 de janeiro de
1449, o Papa Nicolau V restaurou o intervalo de 50 anos
para as celebrações jubilares. No entanto, pela bula Ine-
ffabilis Providentia, de 19 de abril de 1470, o Papa Paulo
II proclamou o ano de 1475 como o próximo ano santo,
determinando que a partir de então as celebrações jubi-
lares deveriam ocorrer com intervalos regulares de 25
anos, mencionando expressamente a visita às Basílicas
de São Pedro, São Paulo, São João de Latrão e Santa
Maria Maior para se poder lucrar a indulgência jubilar,
o que foi confirmado por Sisto IV através da bula Que-
madmodum operosi, de 29 de agosto de 1473, tendo em
vista a morte de Paulo II antes das celebrações jubilares
por ele convocadas.
30. Já o Papa Alexandre VI tornou as celebrações jubilares
fortemente incrementadas quando da celebração do
Jubileu do Ano Santo de 1500, fixando definitivamente
o cerimonial de abertura e de encerramento dos anos
santos, uma vez que até então esses ritos não tinham
seguido uma liturgia específica. Sua intenção era que o
início de cada jubileu fosse marcado por uma simbologia
de forte impacto cerimonial, o que promoveu por meio
da abertura da “Porta Santa” em alusão às palavras de
Jesus no Evangelho: “Eu sou a porta. Quem passar por
mim será salvo” (Jo 10,9). Alexandre VI estabeleceu ainda
que nas outras três Basílicas papais se reservasse uma
porta santa para os peregrinos dos anos santos, a qual se
manteria emparedada em todos os intervalos jubilares.
Deste modo, a abertura da Porta Santa da Basílica de
18
São Pedro seria desde então reservada ao próprio Pontí-
fice, e a das outras três basílicas patriarcais aos legados
papais. De acordo com a vontade do Papa, as portas
santas deveriam permanecer abertas noite e dia.
31. Sobretudo a partir do Concílio de Trento, as celebrações
jubilares, já enriquecidas pelo incremento ritual dado por
Alexandre VI, foram marcadas por aspectos penitenciais
pessoalmente manifestados por alguns pontífices. Assim,
por exemplo, quando o Papa Gregório XIII convocou o
Jubileu do Ano Santo de 1575 por meio da bula Dominus
ac Redemptor, procurou manifestar a Reforma Católica
fortemente alavancada pelo Concílio de Trento através
de um testemunho eclesial de vida devota consonante
com o serviço de Deus no cumprimento dos deveres do
estado de vida e no serviço ao próximo. Desta maneira,
aboliu naquele ano os gastos para as comemorações
do carnaval em Roma, destinando todo o recurso ao
Hospital dos Peregrinos, sob a tutela de Filipe Neri.
Nessa linha, Clemente VIII conferiu semelhante bom
exemplo público quando, ao proclamar o Ano Santo
de 1600 por meio da bula Annus Domini Placabilis, de
19 de maio de 1599, buscou ouvir confissões durante a
Semana Santa, fazendo inclusive o exercício penitencial
de subir a Escada Santa de joelhos, enquanto os cardeais
renunciaram a vestir-se de vermelho no período, como
sinal de penitência.
32. Por ocasião do Jubileu do Ano Santo de 1625, proclamado
pela bula Omnes Gentes, o Papa Urbano VIII concedeu
a indulgência jubilar mesmo àqueles que não tinham
oportunidade de ir a Roma, concedendo-a também aos
prisioneiros e aos doentes. Sobre esse aspecto, convém
19
destacar que no Arquivo da nossa Cúria Metropolitana
se encontram transcritas desde o século XVIII várias
diplomações pontifícias de proclamação de jubileus
juntamente com editais dos nossos bispos antecessores
no governo diocesano do Rio de Janeiro, regulando a
forma de celebrar os jubileus, bem como de lucrar a
Indulgência Plenária jubilar.
33. Desde o Ano Santo de 1500, os Jubileus mantiveram
uma periodicidade relativamente constante. Contudo,
alguns contextos históricos influenciaram o intervalo de
suas celebrações, como no caso das guerras napoleônicas,
que impediram a celebração do Jubileu do Ano Santo
de 1800, e outros fatores que impossibilitaram o Jubileu
de 1850. A regularidade dos intervalos de 25 anos foi
restabelecida somente com o Jubileu do Ano Santo de
1875, convocado pelo Papa Pio IX pela bula Gravibus
Ecclesiae, de 24 de dezembro de 1874. Desde então,
celebraram-se regularmente os anos santos jubilares de
1900, 1925, 1950, 1975 e 2000.
34. Houve, entretanto, os jubileus dos anos santos extra-
ordinários, como o de 1933, proclamado pelo Papa
Pio XI pela bula Quod Nuper, de 6 de janeiro de 1933,
em celebração do 1900º aniversário da Redenção; o de
1983, proclamado pelo Papa São João Paulo II pela
bula Aperite Portas Redemptori, de 6 de janeiro de 1983,
em celebração do 1950 º aniversário da Redenção; e o
chamado “Jubileu da Misericórdia” de 2016, proclamado
pelo Papa Francisco pela bula Misericordiae Vultus, de
11 de abril de 2015.
35. Não obstante as variações rituais, as expressões simbólicas
20
e os condicionantes históricos, as celebrações jubilares
foram estabelecidas e vividas ao longo dos séculos pela
Igreja como verdadeiros “anos da graça”, ocasiões sole-
nes de experiência da misericórdia divina e momentos
extraordinários de avivamento do povo cristão. Por isso,
permanecem sempre atuais, convidando o povo cristão a
vivenciá-las fervorosamente em todas as épocas em que
são celebradas.
As peregrinações e indulgências
jubilares
36. Na bula de proclamação do Jubileu Ordinário de 2025,
o Papa Francisco indica que a vida cristã é um caminho
de esperança, cuja meta é o encontro com o Senhor
Jesus.2 Desde os primeiros séculos, a peregrinação é um
elemento constitutivo da espiritualidade e da piedade
cristã. Na verdade, a tradição judaica já enxergava a
subida a Jerusalém para as festas celebradas no templo
como uma peregrinação ao encontro do Senhor. São
testemunhas desse aspecto da religiosidade judaica os
chamados salmos graduais, como o salmo 121 (122):
“Que alegria, quando ouvi que me disseram: ‘vamos à
casa do Senhor!’ E agora nossos pés já se detêm, Jerusa-
lém, em tuas portas.”3
2
FRANCISCO, Spes non Confundat, n. 5.
3
Salmo 121 (122), 1.
21
37. Ao longo da história da Igreja, muitas tradições surgiram
da piedade do povo cristão acerca das peregrinações a
santuários e locais considerados pelos fiéis como de espe-
cial encontro com Deus, seja pela presença de relíquias,
seja pelos relatos de aparições ou graças alcançadas.
Santuários como o de Compostela, na Espanha, onde
repousam as relíquias do apóstolo São Tiago Maior, a
Santa Casa de Loreto, na Itália, e mesmo o nosso San-
tuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida são belos
sinais de como os fiéis reconhecem a presença de Deus
e suas maravilhas, invocando a intercessão de sua Santa
Mãe e de seus santos.
38. Além desses santuários e locais de particular devoção,
dois lugares receberam ao longo dos séculos especial
atenção dos que partiam em peregrinação: a Terra Santa
e Roma. Nos locais sagrados onde viveu Nosso Senhor
e onde o cristianismo teve a sua origem, os fiéis encon-
tram verdadeira fonte de piedade e de contato com o
elemento histórico da fé cristã. Seja visitando a Basílica
da Natividade, em Belém, ou o Santo Sepulcro, em
Jerusalém, ou os demais locais santos, os peregrinos
recordam cada passo do Salvador enquanto caminhou
em meio aos homens. Muitos foram os cristãos que, ao
longo de séculos de história, peregrinaram até a Palestina
com espírito de fervor e piedade, vivendo a proximidade
com Cristo através dos locais em que Ele viveu. Essa
realidade não passou despercebida a São Paulo VI, que,
em visita à Terra Santa em 1964, chamou-a de o “quinto
evangelho”.
39. Também a cidade de Roma se tornou um dos destinos
preferidos daqueles que viam na peregrinação uma for-
22
ma de santificação e testemunho da fé. Suas basílicas,
santuários e igrejas, onde se encontram não poucas
relíquias de inestimável valor espiritual e histórico, são
como casas que acolhem aqueles que se achegam ad
limina apostolorum (aos túmulos dos apóstolos), para ali,
junto de onde estão sepultadas essas colunas de nossa
fé que são os apóstolos Pedro e Paulo, renovar aquela fé
recebida de Cristo e conservada pelo Sucessor de Pedro
e pelo Colégio Universal dos Bispos.
40. O Papa Francisco recorda que “a peregrinação representa
um elemento fundamental de todo o evento jubilar.”4
E apresenta uma justificativa que deve suscitar nossa
meditação: “Pôr-se a caminho é típico de quem anda
à procura do sentido da vida.”5 Compreendendo o alto
valor simbólico da peregrinação para o cristão que está
em constante jornada, rumo à morada eterna com o
Senhor, a Igreja sempre enriqueceu os passos daqueles
que se colocavam a caminho dos santuários e outros
lugares santos com o tesouro espiritual das indulgências,
sobretudo nos jubileus.
41. Aqui vale citar algumas palavras que recordam o valor das
indulgências na espiritualidade cristã. Como nos ensina
a Igreja, a indulgência é “a remissão, diante de Deus, da
pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto
à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e
determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a
qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica,
com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos
4
FRANCISCO, Spes non Confundat, n. 5.
5
Ibidem.
23
Santos.”6 Sinais do amor misericordioso de Deus que tudo
faz para nos alcançar, as indulgências educam os cristãos
na prática da oração, da caridade e da comunhão. Afir-
mou o Papa Francisco: “Apesar do perdão, carregamos
na nossa vida as contradições que são consequência dos
nossos pecados. No sacramento da Reconciliação, Deus
perdoa os pecados, que são verdadeiramente apagados;
mas o cunho negativo que os pecados deixaram nos
nossos comportamentos e pensamentos permanece. A
misericórdia de Deus, porém, é mais forte também do
que isso. Ela torna-se indulgência do Pai que, através da
Esposa de Cristo, alcança o pecador perdoado e liberta-
-o de qualquer resíduo das consequências do pecado,
habilitando-o a agir com caridade, a crescer no amor
em vez de recair no pecado”7.
42. Recordamos que as indulgências devem ser buscadas
sempre com espírito de contrição e plena adesão a Cristo.
Para isso, os fiéis devem estar atentos ao cumprimento
das condições ordinárias, a saber: ter repulsa a todo afeto
por qualquer pecado, até mesmo venial; fazer a confissão
sacramental; receber a comunhão eucarística; e oferecer
uma oração pelas intenções do Sumo Pontífice, que pode
ser o Credo, um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.8
43. Ao longo do Jubileu, os fiéis poderão lucrar a indulgência
plenária ao seguirem em piedosa peregrinação para os
6
MANUAL de indulgências: normas e concessões, p. 8.
7
FRANCISCO, Misericordiae Vultus, 22.
8
As indulgências e concessões listadas a partir daqui são retiradas das Normas para a
concessão de indulgências durante o Jubileu Ordinário do ano 2025, publicadas pela
Penitenciaria Apostólica em 13 de maio de 2024.
24
lugares que o bispo diocesano indicar em cada diocese.
Nesses locais sagrados, deverão participar da Santa
Missa ou de outros atos litúrgicos e de piedade que aí se
promoverem, tais como a oração da Liturgia das Horas,
a oração do Rosário, a celebração penitencial seguida de
confissões individuais e outras celebrações.
44. Além da peregrinação, feita muitas vezes em grupos, a
Igreja também concederá a indulgência plenária jubilar
aos fiéis que fizerem uma piedosa visita a esses mesmos
lugares indicados pelo bispo. Aí devem se dedicar a um
período considerável de adoração ao Santíssimo Sacra-
mento, concluindo com a Profissão de Fé (o Credo), o
Pai-Nosso e a Ave-Maria.
45. Dentre os lugares que o bispo pode indicar como local
de peregrinação jubilar numa Diocese, em primeiro lugar
está a Igreja Catedral, ponto de unidade de toda a vida
diocesana. Dessa forma, a nossa a Catedral Metropolitana
de São Sebastião será um lugar especial de peregrinação,
proporcionando aos fiéis um ambiente de reconciliação,
oração e vivência da caminhada de cada cristão como
peregrino de esperança.
46. Além de lucrar as indulgências na ocasião das visitas a
essas igrejas e santuários, também será possível lucrar
indulgência pela participação em missões populares,
em retiros, e em encontros formativos sobre textos do
Concílio Vaticano II e do Catecismo da Igreja Católica.
Também as obras de misericórdia, que se concretizarão
principalmente nas visitas aos doentes, aos presos e aos
necessitados, serão uma oportunidade para um autêntico
encontro com o Coração misericordioso de Cristo.
25
47. A Igreja, que tem uma opção preferencial pelos mais
pobres e sofredores, se unirá ainda mais intensamente,
no período jubilar, àqueles que não terão a possibilidade
de se deslocar aos locais de celebração e peregrinação,
como os idosos, enfermos e reclusos. Incluem-se também
aqueles que, nos hospitais ou em outras instituições,
dedicam-se ao serviço contínuo de assistência a estes
irmãos e irmãs impossibilitados. A todos esses a Igreja
oferecerá a oportunidade de lucrar a indulgência jubilar
se, unidos em espírito aos fiéis presentes nesses locais,
sobretudo acompanhando pelos meios de comunicação
a transmissão das palavras do Sumo Pontífice ou do
bispo diocesano, recitarem o Pai-Nosso, a Profissão de
Fé e outras orações em conformidade com as finalidades
do Ano Santo, oferecendo os seus sofrimentos ou as
dificuldades da sua vida.
48. Todas essas oportunidades indulgenciadas - às quais se
acrescenta ainda a faculdade dada aos bispos diocesanos
de conceder a Bênção Papal com indulgência plenária
no dia mais oportuno do tempo jubilar9 - são sinais
da missão entregue por Cristo à Igreja de ser casa de
misericórdia para todos aqueles que se aproximam com
o coração sincero e desejoso de conversão. Cristo, nos
recorda São Paulo VI, é a “nossa indulgência”10, o Pri-
mogênito do Pai que por nós se entregou em sacrifício
no altar da cruz. De sua entrega brotam os tesouros de
9
PENITENCIARIA APOSTÓLICA. Sobre a concessão da indulgência do Jubileu Ordi-
nário do ano de 2025 proclamado por sua Santidade o Papa Francisco.2024.
10
Apostolorum limina, II.
26
salvação que a Igreja aplica aos fiéis, primeiramente nos
Sacramentos, que causam em nós a graça. Mas também
nas oportunidades sacramentais, como o Jubileu, a Igreja
abre esse tesouro que brota da Cruz, e como despenseira
da graça de que Cristo a fez depositária, enriquece cada
fiel que se aproxima para experimentar “a plenitude do
perdão de Deus que não conhece limites.”11
11
FRANCISCO, Spes non Confundat, n. 23.
12
FRANCISCO, Spes non Confundat, n. 10.
27
para os diversos grupos com os quais a Igreja é chamada
a evangelizar. O referido calendário pode ser encontrado
no site do jubileu13.
51. Neste site, encontramos as informações necessárias para
que a peregrinação seja organizada e vivida de forma
tranquila e segura como peregrino ou voluntário. Uma
das novidades deste jubileu é o cartão do peregrino que
pode ser obtido gratuitamente pelo site para o acesso aos
locais de peregrinação. O caminho do Jubileu dentro
de Roma contempla os seguintes locais de peregrinação:
as quatro basílicas papais, as “Sete Igrejas” (tradicional
caminho idealizado por São Filipe Neri no Século XVI),
o caminho europeu com 28 basílicas e as igrejas das
santas mulheres padroeiras da Europa e doutoras da
Igreja.
52. O rico simbolismo da Porta Santa encontra sua funda-
mentação bíblica em Jo 10,7.9, onde Jesus diz: “Eu sou
a porta das ovelhas. Eu sou a porta. Se alguém entra por
mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem”. A
Porta Santa é um sinal de que todos nós devemos passar
por Cristo para vivermos a vida nova que Ele conquistou
para nós por seu mistério pascal. Além das Portas Santas,
que serão abertas em Roma e na prisão, todos os fiéis
são chamados a viver esta experiência através da porta
do confessionário para que de fato o jubileu alcance o
seu objetivo espiritual na vida de cada um.
53. A cura dos corações feridos, a alegria e a beleza da vida
13
https://www.iubilaeum2025.va/pt/pellegrinaggio/calendario-giubileo.html
28
nova em Cristo provêm fundamentalmente do sacramento
da Confissão. O fiel que a ele se encaminha passa pela
porta do perdão misericordioso do Senhor. Que este
jubileu seja mais uma oportunidade para buscarmos a
remissão dos nossos pecados, atravessando essa porta de
misericórdia. Aqui reforçamos a exortação do Decreto da
Penitenciaria Apostólica, para que os sacerdotes estejam
disponíveis e dedicados ao sacramento da Confissão,
realizando celebrações penitenciais frequentemente e
divulgando e ampliando os horários de confissão auricular.
29
que recebemos é muito importante para a missão de
misericórdia em nossa Arquidiocese, e está a serviço de
todos os que buscarem esses sacerdotes para a absolvição
dos pecados reservados.
30
57. Esta celebração assinala o início do ano pastoral arqui-
diocesano cujas atividades terão o mesmo objetivo do
jubileu: ser um tempo forte da graça onde a esperança
deve inspirar a conversão e a missão. As atividades
do II Sínodo Arquidiocesano, que reflete sobre o nosso
compromisso com a missão, devem alcançar um maior
número de pessoas neste tempo do jubileu, quando somos
chamados a ser arautos da esperança que não decepciona
(Rm 5,5), isto é, Jesus Cristo! (1Tm 1,1). Portanto, todos os
organismos de nossa Arquidiocese são chamados, durante
o Ano Santo, a viver este tempo forte da graça de Deus
promovendo estudos, formações, peregrinações, visitas
aos lugares sagrados previstos (Igrejas Jubilares), para
lucrar as indulgências e reavivar a esperança de todos.
Os grupos poderão se organizar conforme sua disponi-
bilidade e em diálogo com os responsáveis pela Igreja
Jubilar.
58. A celebração de abertura do jubileu ordinário em nossa
Arquidiocese será única e não haverá abertura nas igre-
jas jubilares de acordo com as instruções recebidas nos
documentos. Por conseguinte, todos os fiéis se reunirão
comigo no local determinado acima. Será uma grande
alegria presidir esta cerimônia junto ao rebanho que
Jesus Cristo, o Bom Pastor, me confiou. Em seguida,
inicia-se o rito com a saudação prevista, a proclamação
do Evangelho e a procissão em direção à Catedral. Nesta
procissão, será levada a cruz, sinal da vitória de Cristo
sobre o pecado, o mal e a morte, e símbolo da nossa
Esperança e da nossa Arquidiocese. Esta cruz possui as
características peculiares de nossa identidade católica e
cultura carioca: remete à Jornada Mundial da Juventude,
31
realizada em 2013 no Rio de Janeiro com a presença do
Papa Francisco (em sua primeira viagem apostólica) e
traz no seu interior a silhueta do Cristo Redentor.
59. À porta da Catedral, a cruz será erguida para veneração
a fim de que todos possam aclamar que Cristo é a nossa
esperança e que não seremos confundidos eternamente!
Em seguida entraremos solenemente no templo para fazer
memória do nosso batismo com a bênção e aspersão
da água. Então entoaremos o hino de louvor e a missa
prossegue como de costume. Antes da bênção final, será
entregue o distintivo (quadro) que identifica as Igrejas
jubilares em nossa Arquidiocese para que os fiéis possam
realizar a peregrinação e receber a indulgência plenária
uma vez ao dia, tanto para si como para os defuntos15.
60. Além das basílicas menores e dos santuários designados já
previstos, cada vicariato territorial terá uma igreja jubilar.
Todas estas Igrejas fixarão o distintivo à porta do templo
a fim de identificá-las. Nestes “lugares sagrados de aco-
lhimento e espaços privilegiados para gerar esperança”16,
cada pároco ou reitor deve usar da criatividade pastoral
para favorecer o propósito do jubileu, adotando uma
postura de acolhimento alegre, disponível e generoso bem
como a formação de equipes de acolhida e catequese,
entre outros. Isso incluiu a realização de peregrinações,
visitas, Missas para o Ano Santo, a administração do
15
respeito dos defuntos neste jubileu ordinário, a Penitenciaria Apostólica estabelece que
“os fiéis que tiverem praticado o ato de caridade em favor das almas do Purgatório, se se
aproximarem legitimamente do Sacramento da Comunhão uma segunda vez no mesmo
dia, poderão obter duas vezes no mesmo dia a Indulgência Plenária, aplicável apenas aos
defuntos (entende-se no âmbito da celebração Eucarística)”.
16
FRANCISCO, Spes non Confundit, n. 24.
32
sacramento da Confissão, como também momentos de
formação, oração e celebração.
61. As Igrejas jubilares em nossa Arquidiocese são:
61.1) Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de
Janeiro - Centro
61.2) Basílica menor da Imaculada Conceição - Botafogo
61.3) Basílica menor do Imaculado Coração de Maria - Méier
61.4) Basílica menor de Nossa Senhora de Lourdes - Vila
Isabel
61.5) Basílica menor de Santa Teresinha - Tijuca
61.6) Basílica menor de Nossa Senhora da Penha - Penha
61.7) Basílica menor de São Sebastião - Tijuca
61.8) Basílica menor São João Batista da Lagoa - Botafogo
61.9) Santuário Arquidiocesano do Cristo Redentor -
Corcovado
61.10) Santuário Arquidiocesano da Mãe e Rainha três vezes
admirável de Schoenstatt - Vargem Pequena
61.11) Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora de
Fátima - Recreio
61.12) Santuário Arquidiocesano de Nossa Senhora das
Graças da Medalha Milagrosa - Tijuca
61.13) Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora do Loreto
- Freguesia
61.14) Santuário Arquidiocesano da Divina Misericórdia -
Vila Valqueire
61.15) Paróquia São Jerônimo - Coelho Neto
33
61.16) Paróquia Imaculada Conceição - Recreio
61.17) Paróquia Nossa Senhora do Desterro - Campo Grande
61.18) Paróquia Nossa Senhora da Conceição - Campinho
61.19) Paróquia Nossa Senhora da Apresentação - Irajá
61.20) Paróquia Nossa Senhora da Conceição - Realengo
61.21) Paróquia Nossa Senhora da Conceição - Santa Cruz
34
exigências já mencionadas para tal. A celebração jubilar
vicarial acontecerá em três etapas: catequese/formação
paroquial sobre o Jubileu 2025 (organizada pelo pároco
para instruir e animar os paroquianos)17, peregrinação
vicarial e missa na Igreja jubilar. O Vigário Episcopal e
os Párocos daquele território organizarão a peregrina-
ção e a Missa, contando com presença de todos os fiéis
daquele vicariato territorial, que são chamados a acolher
de forma consciente e frutuosa esta grande dádiva que
Deus concede a seus filhos neste Ano Santo.
17
Os documentos já mencionados, as catequeses do Papa Francisco sobre o tema da
“Esperança cristã” (07/12/2016 a 25/10/2017) e esta carta pastoral são os subsídios fun-
damentais para esta formação.
35
Os vicariatos não territoriais, grupos,
movimentos e outros:
64. Mesmo inseridos nos vicariatos territoriais, os membros
dos vicariatos não territoriais, pastorais, movimentos
e outros grupos são chamados a organizar neste ano
santo uma peregrinação às Igrejas jubilares em data a
ser combinada com o pároco ou reitor local. Será uma
ocasião propícia para celebrar as graças divinas do Ano
Santo reavivando a esperança cristã e adquirindo novo
vigor missionário!
Celebração Arquidiocesana
65. A Graça divina do Ano Santo deve alcançar a todos,
sobretudo em nossa cidade, cujos males da violência e das
injustiças tentam anular a esperança no coração do nosso
povo. Precisamos ser um sinal vivo de uma esperança “em
saída”, indo ao encontro dessas realidades. Para que este
nosso impulso missionário seja efetivo, realizaremos no
dia 17 de Maio de 2025, às 15h, o evento arquidiocesano
“Cristo é nossa Esperança, Paz e Reconciliação!”. Este
grande evento será realizado em cada Vicariato territorial
neste mesmo dia e horário, com a presença de um bispo
auxiliar, padres, diáconos, seminaristas, religiosos(as),
consagrados(as), leigos(as), o povo de Deus presente
nas paróquias e todas as pessoas que desejarem realizar
a experiência do amor de Deus em suas vidas e na vida
do próximo, tão marcada pela desesperança. Será uma
bela manifestação da unidade arquidiocesana neste Ano
36
Santo, que peregrina por toda a nossa cidade levando
a paz, a reconciliação e a esperança que é Jesus Cristo,
nosso Senhor.
66. Para este evento, propomos que em cada vicariato ter-
ritorial seja constituída pelo Vigário Episcopal uma
comissão vicarial do jubileu envolvendo o maior número
possível de agentes de pastoral e movimentos, além de
outras pessoas para a organização das atividades do Ano
Jubilar (estrutura, apoio e logística, liturgia, animação,
acolhimento, comunicação, dentre outras). Solicitamos,
portanto, que as mídias de nossas paróquias e comu-
nidades através da PASCOM estejam empenhadas e
comprometidas na divulgação ampla, criativa e ousada!
Elaboração de posts, vídeos curtos e outras publicações
devem permear constantemente os diversos aparelhos
eletrônicos. Precisamos reavivar a esperança de nosso
povo! Assumamos com coragem e alegria este anúncio:
“nossa esperança é Cristo Jesus” (cf. 1Tm 1,1).
67. Portanto, no sábado 17 de maio de 2025 às 15h, cada
Vicariato territorial iniciará a Celebração Arquidiocesana
no local determinado para aquela região, com a recitação
do terço da esperança. Às 16h, dirigirei a todos uma
mensagem, que será transmitida ao vivo pela Rádio
Catedral e outros meios do Sistema de Comunicação
Arquidiocesano (SCA). Após essa mensagem, todos
seguem em peregrinação até uma Igreja jubilar ou outro
local propício para a celebração da Santa Missa, quando,
ao final, serão dados dois testemunhos de conversão.
37
O Jubileu no Regional Leste 1 da
CNBB
68. Em unidade, as Circunscrições Eclesiásticas que com-
põem o Regional Leste 1 da CNBB, do qual faz parte
o Estado do Rio de Janeiro, realizarão durante o Ano
Santo uma peregrinação com uma cruz que contém
vários símbolos, reconhecidos por estas igrejas como
representações da desesperança vivida pela população
em nosso Estado. Esta cruz chama cada pessoa à con-
templação do amor de Deus revelado em Jesus Cristo
que morreu e triunfou sobre o pecado, o mal e a morte,
ressuscitando dentre os mortos. Dessa forma, busca-se
reacender a esperança em cada coração, ajudando os fiéis
a compreenderem que, em Cristo, a morte não tem a
última palavra, mas sim a vida que Jesus Ressuscitado
conquistou para cada pessoa e para a humanidade intei-
ra. O Senhor resgatou e acolheu a todos e todas em seu
infinito amor e a nossa experiência com ele reaviva em
nós a fé, a caridade e a esperança.
69. Depois de percorrer todo o Regional Leste 1, o encerra-
mento dessa peregrinação se dará em nossa Arquidiocese,
coincidindo também com a conclusão do Ano Santo.
Será uma ocasião de olharmos para os sinais de espe-
rança que somos chamados a semear e a fazer frutificar
em nossa Arquidiocese, em comunhão com as demais
(arqui)dioceses do Estado do Rio de Janeiro, rezando por
todas as intenções por onde essa cruz peregrina passou.
70. Em nossa Arquidiocese, receberemos esta cruz peregrina
no dia 26 de novembro de 2025. A mesma será acolhida
38
por alguns dias em cada um dos vicariatos, até o dia 28
de dezembro de 2025, quando seguirá para a Catedral
Metropolitana no encerramento do Jubileu. A cruz do
Regional Leste 1 chegará a todos os Vicariatos, para um
momento de oração e reavivamento da esperança.
71. A cruz peregrina do Regional virá da Diocese de Itaguaí
e passará por todos os nossos vicariatos. Os Vigários
Episcopais combinarão os locais de partida e chegada e
os locais de peregrinação dessa Cruz.
39
A missão dos meios de comunicação no
Ano Santo
72. O Ano Santo é uma “proclamação do tempo da graça
do Senhor” (Is 61,2; Lc 4,19). Sendo a missão da Igreja, todos
os cristãos, em virtude do seu Batismo, são chamados
e impelidos pelo Espírito Santo à sua realização. Neste
sentido, os meios de comunicação nas suas mais variadas
formas e tecnologias têm uma grande tarefa na difusão
do Evangelho da Salvação.
73. Em nossa Arquidiocese, o Vicariato da Comunicação
(VICOM) - órgão responsável por todo o Sistema de
Comunicação Arquidiocesano (SCA), está a serviço das
paróquias, comunidades e demais grupos para orientar
e esclarecer sobre a boa utilização das mídias e outras
tecnologias. A finalidade e o objetivo do Ano Santo nos
impelem a uma comunicação cada vez mais eficiente e
eficaz através dos mais variados instrumentos que criam
redes, conexões, integração e interação. Eles favorecem a
ação da graça de Deus e a vida fraterna na comunidade
paroquial.
74. Interpelados pela própria Palavra de Deus que motiva
e fundamenta o Ano Santo, orientamos que todos os
meios de comunicação disponíveis em nossa Arquidio-
cese e em suas Paróquias sejam utilizados com com-
petência, responsabilidade, criatividade e ousadia para
fazerem com que todas as dádivas do Jubileu alcancem
a vida de cada pessoa e as transforme, sendo, portanto,
um canal eficaz da graça do Senhor. A PASCOM de
cada Paróquia e comunidade deve se organizar, planejar
40
e convidar novos membros para que com santa e ousa-
da criatividade pastoral, comunique e transmita pelas
mais variadas formas (mídias, post, séries, mensagens
digitais, etc) este tempo da graça do Senhor, para encher
de esperança o coração de todos aqueles que assistirem
e ouvirem esta mensagem salvífica, e possibilitar que
obtenham do Senhor as forças necessárias para a sua
conversão pessoal, ingresso e acolhimento fraterno na
comunidade eclesial.
41
a fim de que não falte o necessário a ninguém. Após a
comunhão, todos entoarão um cântico de ação de graças
e receberão a bênção solene e a despedida, concluindo
assim o Ano Santo de 2025.
42
Peregrinos de Esperança em nossa Cidade Maravilhosa.
Se temos tantos motivos de apreensão e medo, é neces-
sário ampliarmos nosso olhar sobre a realidade que nos
cerca, para reconhecermos que, apesar das tristezas, há
também muitos motivos de alegria.
80. Por um lado, observamos uma crescente fragmentação
de nossa grande cidade, resultando em uma cidade
dividida, setorizada em ambientes que muitas vezes
não dialogam entre si, permanecendo, de fato, isola-
dos e incomunicáveis. Por outro lado, é imprescindível
reconhecer que um dos pontos mais relevantes da nossa
ação eclesial é justamente a capacidade de promover a
integração, o diálogo e, acima de tudo, assegurar nossa
presença estável e permanente em todos os espaços da
cidade. Na multiforme e complexa conjuntura urbana
do Rio de Janeiro, a ação pastoral e missionária de nossa
Arquidiocese se apresenta como um sinal de esperança
em meio a essa fragmentação, anunciando o Reino de
Deus e partilhando com as pessoas aquilo que temos.
81. Essa presença pode ser sentida não apenas por uma
forma de organização estrutural e institucional, mas,
acima de tudo, pela atuação de nossos agentes de pas-
toral distribuídos por todo o território da cidade. Eles
alcançam também aquelas realidades que não são, espe-
cificamente, geográficas, mas muitas vezes existenciais.
É o que chamamos de capilaridade da ação pastoral.
É nessa capilaridade que temos nossa grande riqueza.
Onde está presente um batizado, está presente com ele
e através dele toda a nossa Igreja Arquidiocesana.
82. Nosso coração de pastor se rejubila em cada encontro.
43
Tantas vezes em locais em que muitos não querem ir,
ali chegamos e percebemos que, antes de nós, já havia
uma ação eclesial. As realidades são as mais diversas, seja
em uma “Cracolândia”, às margens da linha de trem,
ou no constante cuidado com a população de rua, ou
ainda nos inúmeros abrigos e asilos, nos hospitais, nos
cemitérios. Quando ocorre um evento adverso, podemos
testemunhar que sempre encontramos nossos agentes de
pastoral atuando das mais variadas formas, exercendo
nossa missão de ser portadores de esperança.
83. Se temos motivos para nos entristecer, podemos afirmar,
caros filhos, que temos muito mais motivos para nos
alegrar. Somos chamados a fazer a experiência dessa
mudança de perspectiva: nossa presença nesta grande
metrópole pode e deve ser o fator para uma verdadeira
mudança e transformação de nossa sociedade.
84. Nossa tarefa não é fácil, mas é necessária. Não se trata,
simplesmente, de desejar a paz, mas, antes, de construí-
-la, no dia a dia, nos pequenos gestos e atitudes. Nesse
sentido, a experiência de celebrar o jubileu deve se tornar,
em nossa vida, uma oportunidade ímpar de renovar
nossa experiência de encontro com Cristo. Encontrá-lo
em nossa vida, em nossa história, em nossas alegrias e em
nossas angústias. Renovar em nosso coração o encontro
com Cristo nos faz reafirmar nossa opção de segui-lo,
nos faz colocá-lo no centro de nossa existência, nos faz
exercitar a cada dia o discipulado, trazendo em nosso
coração os mesmos sentimentos de Cristo (cf. Fl 2,5).
85. Frequentemente desejamos transformar a realidade ao
nosso redor, buscando mudanças externas na sociedade
44
ou na ação política. No entanto, a mudança mais eficaz
não ocorre fora de nós. A celebração do Jubileu pode ser
o ponto de partida para um projeto pessoal de trans-
formação, que se inicia em nosso coração, no íntimo
de nossa alma. Trata-se de uma verdadeira mudança de
mentalidade, atitudes e prioridades, uma caminhada
gradual e contínua, semelhante a uma pequena semente
que, germinando no interior do solo, permanece invisível,
mas, ao crescer, torna-se uma nova planta. Da mesma
forma, nossas novas atitudes devem começar no interior
de nossos corações, para depois se traduzirem em ações
concretas em nossa vida cotidiana. Somos responsáveis
pela reconstrução de nossa cidade, sustentados pela
unidade da fé que professamos.
86. Nesse jubileu, gostaria de convidá-los a assumir conosco
este propósito. Permitamos que a experiência do Jubileu
nos faça mudar não apenas o nosso olhar sobre a rea-
lidade, mas, principalmente, as nossas ações. Em uma
realidade de violência, nossas atitudes sejam de paz,
em uma realidade de abandono, nossas atitudes sejam
de acolhida, em uma realidade de condenação, nossas
atitudes sejam de perdão, em uma realidade de intolerân-
cia, nossas atitudes sejam de tolerância. Enfim, que a fé
que professamos com os lábios possa ser testemunhada
através de nossas ações concretas, manifestando Aquele
a quem encontramos e seguimos, Cristo Jesus.
87. Desse modo, caríssimos irmãos e irmãs, convido-os a
assumirem uma fé viva e testemunhá-la em todas as
situações da vida diária. Assim lançaremos sementes de
eternidade por onde passarmos. Deixaremos um rastro
de boas ações e de testemunhos concretos, anunciaremos
45
a presença de Cristo em nossa cidade, não simplesmente
com palavras, mas com a nossa vida.
88. Em um mundo que desaprendeu a amar, nós podere-
mos testemunhar que é possível amar de verdade; em
um mundo que, cada vez mais, afasta e constrói muros
de separação, poderemos ser construtores de pontes de
diálogo, de acolhida e de caridade; em um mundo em
que o mal se paga com o mal, com violência e com vin-
gança, poderemos mostrar que é possível, mesmo diante
do mal, fazer o bem. Enfim, poderemos testemunhar
que é possível, em meio a toda essa realidade que nos
cerca, viver, pensar e agir de um modo novo, pelo qual
nossa vida fará diferença no mundo em que vivemos.
89. Assumamos juntos esse compromisso, que deverá ser
exercitado e renovado todos os dias. Busquemos uma ver-
dadeira transformação de nosso coração e uma autêntica
mudança em nossas atitudes, para que, uma vez trans-
formados, nos tornemos agentes de transformação no
mundo em que vivemos. Que a experiência do encontro
com Cristo nos leve a resplandecer Sua face através de
nossas atitudes e que nossa vida, reconstruída por Ele,
seja um instrumento de reconstrução da sociedade na
qual estamos inseridos.
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fé e na vida da comunidade eclesial. Este Jubileu também
nos impele a uma renovação de atitudes e posturas para
assumir a novidade que o Evangelho realiza toda vez que
acolhemos a Palavra de Deus e a pomos em prática.
91. O grande legado que levamos do Jubileu está em nosso
interior: no crescimento da fé, na reconciliação, no forta-
lecimento dos laços familiares, no perdão, na renovação
das nossas vidas e na profunda experiência do amor e
da misericórdia de Deus. Essas são as maiores marcas
que o Jubileu deve deixar em cada um de nós.
92. No entanto, é importante que esse tempo jubilar também
seja marcado por sinais externos, que se manifestem de
forma concreta na vida pastoral e comunitária, testemu-
nhando nas nossas paróquias e comunidades o que vivemos
internamente. Por isso, queremos deixar um legado pastoral
que perpasse o tempo do Jubileu, manifestado através de
iniciativas concretas: seja na criação de um espaço dedi-
cado à oração, em projetos sociais que atendam os mais
necessitados, ou em uma obra de evangelização que possa
alcançar cada vez mais pessoas. Como parte desses sinais
visíveis, em cada uma das igrejas jubilares será colocada
uma cruz em mármore que representará o Ano Santo, e,
nas demais igrejas matrizes de cada paróquia, o logotipo
do jubileu, em acrílico colorido, será instalado como marco
desse tempo jubilar.
93. Ao proclamarmos com o nosso testemunho o “Ano
da graça do Senhor”, que a esperança seja o tema que
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norteie nossas vidas e atividades pessoais, pastorais e
comunitárias. Impulsionados pela graça que se derrama
sobre cada um de nós e sobre a Igreja como um todo,
somos chamados a assumir o compromisso de difundir
esse dom com fidelidade e dedicação. Sejamos presença
eclesial efetiva em nossa cidade e no mundo: criando
novos locais – e incrementando os existentes – de atuação
da Igreja que reza, ajuda o próximo, colabora, constrói,
edifica, ensina a fé cristã, dispensa os sacramentos e as
inúmeras graças, e enche o coração de esperança, porque
Deus comunicou a sua salvação “de muitos modos e
maneiras” (Hb 1,1).
94. Cada batizado (e cada pessoa que faz o bem) é uma
presença do Senhor em todos os locais do mundo. As
atividades pastorais e evangelizadoras devem convergir
para um anúncio concreto da esperança que é Jesus
Cristo. Para tanto, pensamos também que a Pastoral da
Escuta pode ser um legado do Jubileu 2025, assumido
por todas as paróquias e futuramente elevado à condição
de ministério extraordinário tal como outros já existentes
em nossa Arquidiocese.
95. A Pastoral da Escuta – já existente em pouquíssimas
comunidades – é presença de quem, como o Cristo, ouve
com atenção, acolhimento, solidariedade e compaixão
os dramas e sofrimentos do outro e projeta sobre ele as
luzes do Espírito Santo a fim de que, confiando em Deus,
acredite que “a esperança não decepciona” (Rm 5,5) e que
“tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm
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8,28). Será um espaço para gerar esperança, renovar a fé
e a alegria, retomar com otimismo e sob novas perspec-
tivas os desafios da vida. Não podemos ficar parados e
inertes, mas, impelidos pela graça, devemos prosseguir
decididamente, como Peregrinos de Esperança!
96. Abertos à graça que se derrama sobre cada um de nós
neste tempo fecundo e atentos à voz do Espírito que
ora em nós e por nós, queremos ainda assinalar que a
memória do Ano Santo deverá perpetuar-se através de
um marco significativo que nos recorde a esperança no
Senhor. Cada comunidade paroquial deverá, portanto,
discernir o sinal concreto que deseja deixar, para que
o Jubileu seja lembrado não apenas pela sua dimensão
espiritual, mas também pelas obras visíveis que dele
nasceram.
97. Seguindo os exemplos de São Sebastião e Sant’Ana, que
possamos, neste jubileu, ser testemunhas corajosas e fiéis
do Evangelho em nossa grande cidade. Que vivamos
este tempo de graça com o coração renovado e desejoso
de deixar um legado de fé, unidade e amor em nossas
comunidades e famílias.
98. As comemorações do meu Jubileu de Ouro Sacerdotal,
em sintonia com a preparação e a celebração do Ano
Santo, sejam marcadas por graças abundantes e pela
redescoberta da misericórdia de Deus, tempo propício
para pedir ao Senhor da messe que envie operários para
a sua colheita. Assim, como o Jubileu nos convida à
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renovação da fé e à reconciliação, ele também deve ins-
pirar uma renovada dedicação à promoção vocacional,
especialmente ao ministério sacerdotal. Que meu Jubileu
sacerdotal seja, então, um terreno fértil de onde brotem
novas vocações, e que o testemunho dos sacerdotes inspire
muitos jovens a seguirem esse caminho de doação e de
serviço à Igreja e ao mundo.
99. O mês de outubro de 2024 é um período especial para
a Igreja, marcado por eventos significativos: a Semana
Missionária, o Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, as
canonizações e o II Sínodo Arquidiocesano. A Semana
das Missões, com o tema “Viver a Missão: Testemunho
de Sinodalidade”, destaca o papel de todos os batizados
como missionários, vivendo em comunhão e partici-
pando da evangelização. O Sínodo dos Bispos sobre
a Sinodalidade sublinha a importância de uma Igreja
que caminha unida, ouvindo e discernindo em comu-
nidade, reforçando a missão evangelizadora de maneira
inclusiva e participativa. As canonizações deste mês
nos mostram que a santidade está ao alcance de todos
e serve de inspiração para nossa própria missão de viver
o Evangelho. Por fim, o II Sínodo Arquidiocesano
marca o esforço da nossa Igreja local em promover a
renovação pastoral e a sinodalidade, convidando todas
as paróquias e comunidades a participarem ativamente
no discernimento dos caminhos que Deus nos aponta.
Outubro, portanto, nos chama a renovar o compromis-
so missionário, viver a sinodalidade e inspirar-nos no
exemplo dos novos santos e na caminhada sinodal da
Arquidiocese.
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100. Que neste Ano Santo jubilar não nos falte a intercessão
da Virgem Maria, a Senhora da Penha, peregrina e mãe
da esperança, para que, vivendo as abundantes bênçãos
deste tempo da graça, renovemos nossa fé em Cristo,
nossa esperança! (1Tm 1,1).
Com afetuosa bênção,
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Oração do Jubileu 2025
Pai que estás nos céus,
a fé que nos deste no teu filho
Jesus Cristo, nosso irmão,
e a chama da caridade
derramada nos nossos corações pelo
Espírito Santo, despertem em nós a bem-
aventurada esperança
para a vinda do teu Reino.
A tua graça nos transforme
em cultivadores diligentes das sementes do
Evangelho que fermentem a humanidade e o
cosmos, na espera confiante
dos novos céus e da nova terra,
quando, vencidas as potências do Mal,
se manifestar para sempre a tua glória.
A graça do Jubileu reavive em nós,
Peregrinos de Esperança,
o desejo dos bens celestes
e derrame sobre o mundo inteiro
a alegria e a paz do nosso Redentor.
A ti, Deus bendito na eternidade,
louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.
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Hino do Jubileu 2025
Chama viva da minha esperança, este canto suba
para Ti!
Seio eterno de infinita vida, no caminho eu
confio em Ti!
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