Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna
Tauale Abel
Aspirante a Oficial de Polícia
Dissertação de Mestrado em Segurança Pública
XXXVI Curso de Formação de Oficiais de Polícia
CIBERSEGURANÇA: O PAPEL DA POLÍCIA DA REPÚBLICA DE
MOÇAMBIQUE (PRM) NA PREVENÇÃO DA CIBERCRIMINALIDADE
Orientadores:
Superintendente, Doutor Luís Manuel André Elias
Prof. Doutor João Fernando De Sousa Mendes
Lisboa, 13 maio de 2024
Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna
Tauale Abel
Aspirante a Oficial de Polícia
Dissertação de Mestrado em Segurança Pública
XXXVI Curso de Formação de Oficiais de Polícia
CIBERSEGURANÇA: O PAPEL DA POLÍCIA DA REPÚBLICA DE
MOÇAMBIQUE (PRM) NA PREVENÇÃO DA CIBERCRIMINALIDADE
Orientadores:
Superintendente, Doutor Luís Manuel André Elias
Prof. Doutor João Fernando De Sousa Mendes
Lisboa,13 maio de 2024
Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna
Estabelecimento Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna
de Ensino
Curso: XXXVI
Orientadores: Superintendente, Doutor Luís Manuel André Elias
Prof. Doutor João Fernando De Sousa Mendes
Autor: Tauale Abel
Local de Edição: Lisboa
Data de Edição 13 maio de 2024
Dissertação apresentada ao Instituto Superior de Ciências Policias e Segurança Interna
com vista à obtenção do grau de Mestre em Segurança Pública, elaborada sob a orientação
do Superintendente, Doutor Luís Manuel André Elias e Prof. Doutor João Fernando De
Sousa Mendes.
DEDICATÓRIA
À minha mãe
À minha esposa e ao meu Filho
Aos meus irmãos e às minhas irmãs
Ao meu sobrinho
III
AGRADECIMENTOS
Qualquer formação, é como se fosse um sistema que envolve um conjunto de
interdependência ou complementaridade com vista a formar um todo organizado. Nem
sempre os formadores são somente aqueles que entram na sala para nos ministrar as aulas,
ou seja, mesmo aqueles que apenas garantem a segurança do nosso estabelecimento de
formação, ou aqueles que de forma direta ou indiretamente dão-nos a força para
continuarmos a lutar, fazem parte do sistema de formação, consequentemente, o sucesso
da mesma (formação).
Com essas palavras, quero em primeiro lugar agradecer a Deus pelo dom da vida e
por estar sempre na vanguarda do meu caminho. De seguida agradecer à minha família:
Minha mãe Muanesse Mintade, meus irmãos, pela força que sempre me davam para que
eu conseguisse lutar em prol do sucesso. À minha esposa Muaija Abubacar e meu filho
Ivo Abel por terem superado vários obstáculos durante o percurso da formação. Distante
do parceiro e do pai, não é fácil, vocês são os meus heróis.
Ao meu sobrinho Chefe Alubai, não tenho palavras para o descrever, apenas devo-
lhe dizer que você fez muito para que este curso fosse concluído com sucesso. Muitíssimo
OBRIGADO.
Ao meu irmão/amigo Amade Amir, você sempre esteve ao meu lado em todos os
momentos. O meu muito OBRIGADO.
De seguida, agradeço aos meus Orientadores, Superintendente, Doutor Luís Manuel
André Elias e Prof. Doutor João Fernando De Sousa Mendes, que depois de ter lhes
endereçado o pedido de orientação, prontamente mostraram disponibilidade de forma
incondicional. Como se sabe, a elaboração de trabalho científico, para além de requerer
uma investigação aprofundada sobre a matéria, é necessária uma colaboração com
pessoas que têm domínio da matéria e na investigação científica.
IV
Agradeço igualmente, a todos os Oficiais da PRM e não só, que colaboram no ato da
recolha de dados como uma das condições para o alcance dos objetivos traçados nesta
investigação.
Agradeço ao XXXVI Curso de Formação de Oficiais de Polícia por todo o apoio que
me deu durante estes 5 anos. Você (Curso) é maravilhosa. Agradeço de forma particular
e especial aos meus camaradas Tiago Pinto, Rui Coelho, Leinine Correia e Abdulai Neto.
Nunca vos esquecerei. Muito OBRIGADO.
Quero também congratular as Repúblicas, portuguesa e moçambicana por terem
assinado um acordo de cooperação técnico-policial. Desta forma, quero agradecer a
Polícia da República de Moçambique pela oportunidade única que me proporcionou e ao
ISCPSI, por ter me acolhido e formado. Sem dúvida que sou um novo Homem.
Aos camaradas PALOP, foi uma honra conhecer um pouco da realidade de cada país
amigo, muito obrigado a cada contributo que cada um de vós fez na minha vida estudantil.
A todos que não constam nesta lista, mas que contribuíram para que o objetivo seja
alcançado, seja de forma direta ou indireta, muito obrigado.
Por último, agradeço a mim mesmo. Lembro-me quando às vezes não tinha vontade
nem força para fazer as tarefas que me eram solicitadas, mas depois com espírito de
sacrifício e resiliência consegui alcançar tudo a que me propunha.
V
RESUMO
O ciberespaço é um ambiente com caraterísticas peculiares. Se por um lado é um bom
ambiente por exemplo de negócio, por outro é um ambiente favorável para
cibercriminosos, dado ao seu estilo característico anónimo, isto é, por favorecer maior
probabilidade de se cometer ilícitos e sem ser identificado. O Estado tem o dever de
garantir a (ciber)segurança a todos os utilizadores do ciberespaço dentro das suas
fronteiras. A (ciber)segurança constitui uma das funções primordiais do Estado. Esta
tarefa de garantir a (ciber)segurança é incumbida à Polícia para a sua prossecução a nível
interno. No entanto, os utilizadores do ciberespaço devem contribuir na criação de
medidas de autoproteção tendentes a prevenir a cibercriminalidade. A atividade policial,
no seu cerne, encerra em si tanto de complexidade como de potencial para progresso,
readaptação ao fenómeno criminal e ao contexto social. É através da readaptação que
surgem as tecnologias aliadas à prevenção, deteção e gestão criminal, que permitem
antecipar e monitorizar determinados ilícitos, fenómenos e eventos. Neste sentido, o
policiamento preditivo é crucial usando as tecnologias sofisticadas. A cibercriminalidade
em Moçambique é uma realidade, e criar uma Unidade Especial de (cibercriminalidade)
e um Modelo de Maturidade de Ciberpoliciamento (MMCIBERPOL) é fundamental para
erradicar as ciberameaças e deve ser prioridade para a PRM. Para o efeito, é necessário
estabelecer conformidades legais com vista a legitimar a atividade policial. A formação,
a consciencialização, colaboração e cooperação em cibersegurança / ciberpoliciamento e
forense são palavras de ordem nesta matéria para a Polícia ter a capacidade técnica eficaz
e eficiente. E para alcançarmos os objetivos deste estudo, adotamos o método qualitativo
e o processo de recolha de dados envolveu a entrevistada semiestruturada através de guião
previamente elaborado e validado. E na interpretação de dados, adotada a análise de
conteúdo, nomeadamente análise de conteúdo temática que culminou com a definição de
categorias e subcategorias.
Palavras-chave: ciberespaço; cibersegurança; cibercriminalidade; ciberpoliciamento;
prevenção
VI
ABSTRACT
Cyberspace is an environment with peculiar characteristics. If on the one hand it is a good
environment for business, on the other hand it is a favorable environment for
cybercriminals, given its characteristic anonymous style, that is, because it favors a
greater likelihood of committing illicit acts without being identified. The state has a duty
to guarantee (cyber)security to all users of cyberspace within its borders. (Cyber) security
is one of the primary functions of the state. This task of ensuring (cyber)security is
entrusted to the police to carry out internally. However, users of cyberspace must
contribute to creating self-protection measures to prevent cybercrime. Police activity, at
its core, contains both complexity and the potential for progress, readaptation to the
criminal phenomenon and the social context. It is through readaptation that technologies
allied to crime prevention, detection and management emerge, making it possible to
anticipate and monitor certain crimes, phenomena and events. In this sense, predictive
policing is crucial using sophisticated technologies. Cybercrime in Mozambique is a
reality, and creating a Special Cybercrime Unit and a Cyberpolicing Maturity Model
(MMCIBERPOL) is fundamental to eradicating cyberthreats and should be a priority for
the PRM. To this end, it is necessary to establish legal compliance in order to legitimize
police activity. Training, awareness, collaboration and cooperation in cybersecurity /
cyber-policing and forensics are the watchwords in this area if the police are to have
effective and efficient technical capacity. In order to achieve the objectives of this study,
we adopted the qualitative method and the data collection process involved semi-
structured interviews using a previously prepared and validated script. For data
interpretation, we used content analysis, specifically thematic content analysis, which
culminated in the definition of categories and subcategories.
Keywords: cyberspace; cybersecurity; cybercrime; cyberpolicing; prevention.
VII
ÍNDICE GERAL
Dedicatória...................................................................................................................... III
Agradecimentos .............................................................................................................. IV
Resumo ........................................................................................................................... VI
Abstract.......................................................................................................................... VII
Índice de Anexos ........................................................................................................... XII
Índice de Apêndices......................................................................................................XIII
Índice de Quadros ........................................................................................................ XIV
Índice de Tabelas ........................................................................................................... XV
Lista de Siglas e Acrónimos ........................................................................................ XVI
Capítulo 1 ........................................................................................................................ 1
1.1. Introdução .................................................................................................................. 1
1.2. Enquadramento e Justificação do Tema .................................................................... 3
1.3. Problemática da Investigação .................................................................................... 5
1.3.1. Pergunta de Investigação ........................................................................................ 5
1.3.2. Perguntas Derivadas ............................................................................................... 5
1.4. Objetivo da Investigação ........................................................................................... 6
1.4.1. Objetivos Específicos ............................................................................................. 6
1.5. Metodologia da Investigação ..................................................................................... 6
1.6. Síntese dos Capítulos ................................................................................................. 8
Capítulo 2 ........................................................................................................................ 9
Cibersegurança e Ciberameaças: A Importância da Prevençâo e do Ciberpoliciamento . 9
VIII
2.1. Introdução .................................................................................................................. 9
2.2. Ciberespaço ............................................................................................................... 9
2.3. Cibersegurança ........................................................................................................ 10
2.3.1. Ciberpoliciamento ................................................................................................ 11
2.4. Ciberameaças ........................................................................................................... 12
2.5. Cibercriminalidade ................................................................................................. 14
2.5.1. Classificação dos Crimes Cibernéticos................................................................. 15
2.5.2. Crimes Cibernéticos Puros (Próprios ou Crimes Exclusivamente Cibernéticos) . 15
2.5.3. Crimes Cibernéticos Impuros (Impróprios ou Abertos) ....................................... 16
2.5.4. Crimes Cibernéticos Mistos.................................................................................. 16
2.6. Caraterísticas do Cibercrime ................................................................................... 17
2.6.1. Transnacionalidade ............................................................................................... 17
2.6.2. Anonimato ............................................................................................................ 17
2.6.3. Tecnologia ........................................................................................................... 18
2.6.4. Organização .......................................................................................................... 18
2.6.5. Impacto ................................................................................................................. 18
2.7. Diferença entre Crimes Tradicionais dos Cibernéticos ........................................... 19
2.8. Ciberterrorismo ........................................................................................................ 20
2.9. Teorias Relacionadas ao Cibercrime ....................................................................... 21
2.10. Síntese Capitular .................................................................................................... 22
Capítulo 3 ...................................................................................................................... 23
Panorama do Cibercrime em Moçambique .................................................................... 23
3.1. Introdução ................................................................................................................ 23
3.2. Panorama ................................................................................................................. 23
3.3. Polícia e a Segurança Interna .................................................................................. 28
IX
3.3.1. Pilares da Atividade Policial ................................................................................ 29
3. 3.2. Prevenção Criminal ............................................................................................. 30
3.4. Evolução da Digitalização em Moçambique ........................................................... 34
3.4.1. Evolução de Computadores e da Internet ............................................................. 38
3.5. Síntese Capitular ...................................................................................................... 40
Capítulo 4 ...................................................................................................................... 41
Legislação do Ciberespaço Moçambicano ..................................................................... 41
4.1. Introdução ................................................................................................................ 41
4.1.1. Legislação Nacional ............................................................................................. 41
4.1.2. Resolução n.º 69/2021 de 31 de dezembro, Política de Segurança Cibernética e
Estratégia da sua Implementação ................................................................................... 45
4.1.3. Coordenação e Mecanismos da Segurança Cibernética ....................................... 46
4.2. Dimensão Internacional da Legislação do Ciberespaço .......................................... 47
4.3. Autoridade Legal (Reguladora) do Governo em matéria de Segurança Cibernética
........................................................................................................................................ 50
4.3.1. Investigação Criminal dos Crimes Cibernéticos em Moçambique ...................... 51
4.4. Legislação do Ciberespaço em Portugal .................................................................. 52
4.4.1. Investigação Criminal dos Crimes Cibernéticos em Portugal .............................. 54
4.5. Síntese Capitular ...................................................................................................... 56
Capítulo 5 ...................................................................................................................... 57
Trabalho de Campo, Apresentação e Discussao de Resultados ..................................... 57
5.1. Introdução ................................................................................................................ 57
5.2. Apresentação e Discussao de Resultados ................................................................ 59
5.2.1. Análise de Conteúdo das Entrevistas ................................................................... 59
5.3. Discussão de Resultados.......................................................................................... 63
X
5.4. Desafios e Prospetivas para a Polícia da República de Moçabique (PRM) ............ 67
5.4.1. Integração e Área de Responsabilidade do Departamento / Unidade de
Cibercriminalidade ......................................................................................................... 67
5.4.2. Alguns Modelos de Maturidade em Cibersegurança ............................................ 69
5.4.3. Modelo de Maturidade de Deteção (MMD) ......................................................... 70
5.5. Proposta do Modelo de Maturidade de Ciberpoliciamento (MMCIBERPOL) ....... 71
5.5.1. Enquadramento ..................................................................................................... 71
5.5.2 Breve Descrição dos Objetivos de Cada Domínio ................................................ 73
5.6. Síntese Capitular ...................................................................................................... 75
Capítulo 6 ...................................................................................................................... 76
Conclusoes e Recomendações ........................................................................................ 76
6.1. Introdução ................................................................................................................ 76
6.2. Grau de Cumprimento dos Objetivos ...................................................................... 76
6.3. Resposta à Problemática da Investigação ................................................................ 78
6.4. Reflexões ................................................................................................................. 79
6.5. Recomendações e Sugestões ................................................................................... 80
6.6. Limitações da Investigação ..................................................................................... 82
6.7. Investigações Futuras .............................................................................................. 83
Referências Bibliográficas ........................................................................................... 84
Legislação ....................................................................................................................... 92
Anexos: 1 - 11 ................................................................................................................ 97
Apêndices: A - L .......................................................................................................... 110
XI
ÍNDICE DE ANEXOS
Anexo 1: Estrutura do Conselho Nacional de Segurança Cibernética ........................... 98
Anexo 2: Estrutura da Rede Nacional de CSIRTs .......................................................... 99
Anexo 3: Estrutura funcional do CSIRT Nacional ....................................................... 100
Anexo 4: Ilustração dos dois vetores de alguns exemplos da realidade moçambicana.101
Anexo 5: Autorização do Comando Geral da PRM para recolha de dados ................. 102
Anexo 6: Autorização do Comando Geral da PRM para recolha de dados ................. 103
Anexo 7: Autorização do Comando Geral da PRM para recolha de dados ................. 104
Anexo 8: Autorização do Comando Geral da PRM para recolha de dados ................. 105
Anexo 9: Autorização do Comando Geral da PRM para recolha de dados ................. 106
Anexo 10: Autorização do Comando Geral da PRM para recolha de dados ............... 107
Anexo 11: Autorização do Comando Geral da PRM para recolha de dados ............... 108
Anexo 12: Autorização do Comando Geral da PRM para recolha de dados ............... 109
XII
ÍNCIDE DE APÊNDICES
Apêndice A: Pedido e parecer do ISCPSI para deslocar a Moçambique ................. 111
Apêndice B: Termo de consentimento informado .................................................... 112
Apêndice C: Guião da entrevista .............................................................................. 113
Apêndice D: Resposta 1# .......................................................................................... 115
Apêndice E: Resposta 2# .......................................................................................... 117
Apêndice F: Resposta 3# .......................................................................................... 119
Apêndice G: Resposta 4# .......................................................................................... 120
Apêndice H: Resposta 5# ......................................................................................... 121
Apêndice I: Resposta 6# ........................................................................................... 123
Apêndice J: Resposta 7# ........................................................................................... 125
Apêndice K: Resposta 8# .......................................................................................... 127
Apêndices L: Quadros 1 e 2, e 5 a 12: Categorias das Teorias Sociais e das Teorias
Criminológicas e de Matriz cromática das unidades de contexto e de registo das
questões 1 a 8 ............................................................................................................ 129
Apêndices M: Tabelas 1 a 8 da análise de conteúdo das questões das entrevistas. .. 139
XIII
ÍNCIDE DE QUADROS
Quadro 1: Categoria das Teorias Sociais ...................................................................... 131
Quadro 2: Categoria das Teorias Criminológicas ........................................................ 132
Quadro 3: Demostração dos Pilares da Segurança Interna ............................................. 29
Quadro 4: Categorização das Questões .......................................................................... 58
Quadro 5: Matriz Cromática das Unidades de Contexto e de Registo da questão nº 1.134
Quadro 6: Matriz Cromática das Unidades de Contexto e de Registo da questão nº 2.135
Quadro 7: Matriz Cromática das Unidades de Contexto e de Registo da questão nº 3.136
Quadro 8: Matriz Cromática das Unidades de Contexto e de Registo da questão nº 4.137
Quadro 9: Matriz Cromática das Unidades de Contexto e de Registo da questão nº 5. 138
Quadro 10: Matriz Cromática das Unidades de Contexto e de Registo da questão nº 6.
.......................................................................................................................................139
Quadro 11: Matriz Cromática das Unidades de Contexto e de Registo da questão nº 7
...................................................................................................................................... 140
Quadro 12: Matriz Cromática das Unidades de Contexto e de Registo da questão nº 7
...................................................................................................................................... 142
Quadro 13: Modelo de Maturidade de Ciberpoliciamento (MMCIBERPOL) ............... 72
XIV
ÍNCIDE DE TABELAS
Tabela 1: Análise de conteúdo da questão 1 da entrevista. .......................................... 140
Tabela 2: Análise de conteúdo da questão 2 da entrevista ........................................... 142
Tabela 3: Análise de conteúdo da questão 3 da entrevista ........................................... 143
Tabela 4: Análise de conteúdo da questão 4 da entrevista ........................................... 145
Tabela 5: Análise de conteúdo da questão 5 da entrevista ........................................... 147
Tabela 6: Análise de conteúdo da questão 6 da entrevista ........................................... 148
Tabela 7: Análise de conteúdo da questão 7 da entrevista ........................................... 150
Tabela 8: Análise de conteúdo da questão 8 da entrevista ........................................... 154
XV
LISTA DE SIGLAS E ACRÓNIMOS
ACIPOL Academia de Ciências Policiais
APA American Psycological Association
AR Assembleia da República
ASDI Banco Mundial, e a Agência Sueca de Desenvolvimento da
Cooperação Internacional
ATMs caixas automáticas
BM Banco de Moçambique
BR. Boletim da República
CFM Caminhos de Ferro de Moçambique
CG Comando Geral
CIUEM Centro de Informática da Universidade Eduardo Mondlane
CM Conselho de Ministros
CMM Cybersecurity Capacity Maturity Model for Nations
C2M2 Modelo de Maturidade de Capacidade de Cibersegurança
CICERT`s Equipas de respostas aos incidentes Cibernéticos.
cf. Conforme
CNCS Centro Nacional de Cibersegurança
CNSC Conselho Nacional de Segurança Cibernética
CP Código Penal
CPLP Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
CPP Código do Processo Penal
CRASA Associação das Autoridades Reguladoras do Sector das
Comunicações da África Austral
CRM Constituição da República de Moçambique
XVI
CRP Constituição da República Portuguesa
CSIRT Rede Nacional de Equipe de Resposta a Incidentes
Cibernéticos
CTT Correios, Telégrafos e Telefones
DETECON GmbH Deutsche Telepost Consulting GmbH
DHJ Segurança Interna
DVB-T2 Digital Vídeo Broadcasting
DOE Departamento de Energia
E. P. Emissora Pública
EUCPN Rede Europeia de Prevenção da Criminalidade
GABINFO Gabinete de Informação
GCSCC Centro Global de Capacidade de Segurança Cibernética
GCI Global Cybersecurty Index
GNR Guarda Nacional Republicana
HIPSSA Harmonização das Políticas de TIC na África Subsariana
IA Inteligência Artificial
ICI Infraestruturas Críticas de Informação
ICPC Centro Internacional para a Prevenção da Criminalidade
ICPOL Unidade de I&D
ICS Instituto de Comunicação Social
INEM Instituto Nacional de Estatística de Moçambique
INTERPOL Organização Internacional de Polícia Criminal
INTIC Instituto Nacional de Tecnologia de Informação e
Comunicação
ISCPSI Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna
ITU União Internacional das Telecomunicações
JAI Justiça e Assuntos Internos
LOIC Lei de Organização da Investigação Criminal
MMD Modelo de Maturidade de Deteção
XVII
MMCIBERPOL Modelo de Maturidade de Ciberpoliciamento
MAI Ministério da Administração Interna
Mcel Moçambique Celular
MCM Museu das Comunicações de Moçambique
MD Ministérios da Defesa
MDN Ministério da Defesa Nacional
MISA Media Institute of Southern África
OCS Órgão de Comunicação Social
OPC Órgão de Polícia Criminal
PALOP Países Africanos da Língua Oficial Portuguesa
PGR Procuradoria Geral da República
PENSC Política e Estratégia Nacional de Segurança Cibernética
PIC Polícia de Investigação Criminal
PJ Polícia Judiciária
PRM Polícia da República de Moçambique
PSP Polícia de Segurança Pública
RCM Rádio Clube de Moçambique
RIDH Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano
RM Rádio Moçambique
RTP-África Rádio Televisão Portuguesa para África
SADC Comunidade de Desenvolvimento da África Austral
SADIBA Associação da Radiodifusão da África Austral
SCDM Sistema de Certificação Digital de Moçambique
SERNAP Serviço Nacional Penitenciário
SERNIC Serviço Nacional de Investigação Criminal
SISE Serviço de Informação e Segurança do Estado
S.A.R.L. (TDM), Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada -
Telecomunicações de Moçambique
SOICO Sociedade Independente de Comunicação
XVIII
STV Soico Televisão
TEM Televisão Experimental de Moçambique
TIC Tecnologias de Informações e Comunicações
TIM Televisão Independente de Moçambique
Tmcel, S.A Moçambique Telecom
TV Televisão
TVM Televisão de Moçambique
UA União Africana
UEM Universidade Eduardo Mondlane
UIT União Internacional de Telecomunicações
UNCC Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime
UNODC United Nations Office on Drugs and Crime
UTICT Unidade Técnica de Implementação da Política de
Informática
RIIC Ramo de Investigação de Ilícitos Criminais
XIX
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
CAPÍTULO 1
1.1. INTRODUÇÃO
O incremento na utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e
da internet aliado à globalização, fez com que os Estados repensassem e se readaptassem
cada vez mais nas suas estratégias e políticas de segurança, para alcançarem o seu objeto
de garantia de segurança enquanto fim principal do Estado em consonância com a atual
dinâmica da criminalidade em geral e da cibercriminalidade em particular.
Por outro lado, estas TIC são uma oportunidade para interação com outras pessoas,
independentemente da distância que as separa umas das outras assim como na difusão de
suas marcas ou negócios, por outro, há quem veja como uma oportunidade para lograr
com os seus intentos, ou seja, estas novas tecnologias segundo (Menezes, 2016) “estão a
ser utilizadas para cometer delitos de forma eficiente e com menor probabilidade de serem
descobertos” (p. 2).
Desta forma, urge a necessidade de os Estados através das suas instituições
securitárias conseguirem prever ou antecipar ações de prevenção, repressão ou combate
de imprevisibilidades ou incidentes que ponham em causa a segurança dos cidadãos, as
chamadas medidas de segurança cibernética.
Moçambique enquanto Estado, tem uma vasta extensão territorial de 801.537
quilómetros quadrados do ciberespaço. Destes, 2.7770 quilómetros compreendem a costa
marítima, e a restante área é continental. Tem ainda, 32.419.747 habitantes segundo dados
estatísticos de 2017 do Instituto Nacional de Estatística de Moçambique (INEM)
carecendo de certa maneira esta proteção.
Neste espaço territorial, ocorrem 1,5 milhão de incidentes cibernéticos por mês em
média desde 2018 e mais de vinte mil trimestralmente segundo relatório do (Instituto
Nacional de Tecnologia de Informação e Comunicação [INTIC], 2023).
O Relatório da Digital 2023 Mozambique, divulgado pela Data Portal relata que o
país tem cerca de 8,3 milhões de pessoas utilizadoras de internet. Destas, 8,2 milhões
usam as redes sociais com destaque para o Facebook, o WhatsApp e o YouTube, sendo o
1
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
telemóvel o meio mais utilizado para aceder à internet registando-se um aumento de 6,7 %
e 14% até no primeiro trimestre de 2023 respetivamente, (Datar Portal, 2023).
Olhando para o panorama de Segurança Cibernética a nível Global, Moçambique
encontra-se desprovido quase em todas vertentes. A título de exemplo, segundo o
Relatório de 2018 da União Internacional de Telecomunicações (UIT) sobre o Índice
Global de Segurança Cibernética (GCI), Moçambique posiciona-se no pior nível de
cibersegurança no que concerne as medidas legais, técnicas, organizacionais,
desenvolvimento de capacidades assim como no âmbito de cooperação internacional,
ocupando a 26ª posição a nível do continente africano e 132ª a nível global, (União
Internacional de Telecomunicações [UIT], 2018).
No Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (RIDH) 2021/2022, indicador
socioeconómico que serve como base de avaliação dos países, Moçambique está na 185ª
posição num ranking global de 191 Estados membros das Nações Unidas, ou seja, entre
os dez piores países (Relatório de Desenvolvimento Humano, [RDH], 2022). Outro
relatório relevante é o Doing Business um indicador de negócios que classifica os países
em economias e facilita a realização de negócios através do Banco Mundial usando como
referências as leis e outros instrumentos legais que promovem ou restringem as atividades
empresariais. De acordo com este relatório, Moçambique encontra-se na posição 138ª
entre 190 países uma “deterioração de 138 em 2019, de 135 em 2018” (Trading
economics, 2023, s/p.).
É desta forma que ficamos motivados para realizar esta investigação, mas que será
focada no papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) na prevenção de crimes
cibernéticos, assim como nas suas competências específicas no policiamento do
ciberespaço.
Uma vez que a prevenção criminal constitui um dos cinco pilares da Segurança
Interna, sendo uma “função primordial em qualquer Estado de Direito Democrático”
(Elias, 2022, p. 93), propomo-nos a aprimorar esta temática, nomeadamente pela elevada
imprevisibilidade das ciberameaças e da necessidade de os Estados terem de responder a
estes desafios contemporâneos.
Numa outra perspetiva o autor refere que a prevenção criminal pode ser concretizada
através de várias ações policiais nomeadamente, “através de programas de policiamento
de proximidade, do apoio a vítimas de crime, do patrulhamento da via pública, do
2
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
patrulhamento das vias rodoviárias, da segurança a eventos policiais e a eventos
culturais”, (p. 97). Neste vasto de conjunto de vertentes de ações policiais, no nosso
entender, podemos materializar no ciberespaço através de medidas paralelas de
ciberpoliciamento de forma simbiótica tendentes a prevenir a cibercriminalidade.
1.2. ENQUADRAMENTO E JUSTIFICAÇÃO DO TEMA
Esta temática insere-se no âmbito do mestrado em Segurança Pública do Curso de
Formação de Oficiais de Polícia, ministrado pelo Instituto Superior de Ciências Policiais
e Segurança Interna através de uma linha de investigação que consta na agenda do Centro
de Investigação (ICPOL), tendo sido feita a devida adaptação à realidade onde iremos
desempenhar as nossas funções.
A motivação da escolha deste tema não é só pelo facto de constar na linha de
investigação, mas também era a temática que estava na agenda do investigador, isto é,
devido à sua pertinência no mundo atual face às ameaças híbridas que Moçambique
enfrenta, entendeu-se que é muito relevante para a PRM no exercício das suas atribuições.
Moçambique vive numa situação de insegurança no ciberespaço devido à ocorrência
de inúmeros episódios de incidentes cibernéticos aliada à falta de securitização adequada,
e tais incidentes segundo Cepik & Marcelino, (2019), “tendem aumentar devido a
ausência ou a fragilidade de políticas de prevenção e controle causando de certa maneira
prejuízos e insegurança” (p. 5). Para a Media Institute of Southern África (MISA) -
Moçambique, “as vulnerabilidades cibernéticas em Moçambique, são agravadas devido
às fragilidades das infraestruturas tecnológicas quanto como a falta de pessoal qualificado
em matéria de segurança cibernética” (MISA, 2022, p. 1).
Nos termos da Resolução n.º 69/2021 de 31 de dezembro, Política de Segurança
Cibernética e Estratégia da sua Implementação, em Moçambique a responsabilidade de
proteção das infraestruturas críticas e a gestão dos riscos ou de aplicação de medidas de
deteção, prevenção e observância da legislação aplicável é partilhada pelo Conselho
Nacional de Segurança Cibernética (CNSC) que compõe uma vasta lista de atores
nomeadamente: Defesa, Ordem, Segurança e tranquilidade públicas, Tecnologias de
Informação e Comunicação (…), para além dos convidados como: Representante da
Academia; representante do Setor Privado e representante da Sociedade Civil, (Resolução
do Conselho de Ministro, 2021). Para a MISA Moçambique (2022), “esta partilha de
3
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
responsabilidade é pouco precisa” (p. 1). Uma opinião partilhada por Marcelino (2021)
ao afirmar que é “uma incógnita quem é realmente a autoridade responsável pela
segurança cibernética em Moçambique”. Sustenta ainda que, há falta de clareza na
atribuição de responsabilidades e que nos outros países a segurança cibernética e
ciberdefesa são respetivamente da responsabilidade do Ministério da Administração
Interna (MAI) e do Ministério da Defesa (MD) (p. 141).
Ciente de que há escassez de investigação desenvolvida neste campo de estudo por
parte de Moçambique, trata-se de um horizonte a explorar por futuros investigadores. Por
esta razão foi necessário analisar com abrangência de todos os eventos criminais que
ocorrem no ciberespaço ou praticados através de meios informáticos ou sem dependência
exclusiva deles.
Importa referir que, até ao término da presente investigação, Moçambique não
dispunha de uma Lei Específica de Cibersegurança e sua Regulamentação, de uma Lei
do Cibercrime e, na dimensão internacional, não tinha ratificado a Convenção de
Budapeste, tendo ratificado apenas Convenção da União Africana sobre Cibersegurança
e Proteção de Dados Pessoais e a nível Regional, Comunidade de Desenvolvimento da
África Austral (SADC), assim como Lei Modelo para proteção de dados, havendo apenas
à disposição, leis avulsas desde lei de Telecomunicações, lei de Transações Eletrónicas;
Regulamentos (…), integração de crimes informáticos no Código Penal (CP) e
regulamentação a nível do Processo Penal respetivamente, verificando-se uma incógnita
da legitimidade da atuação por parte da PRM.
Conforme atrás descrito, pode-se afirmar que a cibercriminalidade lidera a lista de
preocupações ou prioridades da soberania do Estado moçambicano havendo já um desafio
para o campo securitário dos que lidam com a segurança interna no exercício das suas
atribuições, como forma de manter ou devolver a credibilidade das infraestruturas críticas
públicas e privadas de informação, da privacidade assim como direitos, liberdades e
garantias dos cidadãos, devido ao nível de vulnerabilidade em que o país se encontra.
Dado o crescente destaque que as ciberameaças e em concreto a cibercriminalidade
ocupam nos debates de Estados ou políticos, privados, nas Unidades de Ensino,
entendemos por isso ser de maior importância não só no mundo académico, mas também
contribuir para solucionar o problema que apoquenta Moçambique. As medidas propostas
visam garantir a segurança dos ativos de informação e dos cidadãos no espaço cibernético
nacional, na proteção efetiva de dados pessoais e da privacidade. Irão ainda trazer
4
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
soluções que garantem a coordenação das pesquisas de resposta a incidentes cibernéticos
entre a Polícia e outras instituições do Estado e privadas, a nível interno e internacional.
1.3. PROBLEMÁTICA DA INVESTIGAÇÃO
Qualquer trabalho de investigação carece de um problema para servir de caminho até
ao destino pretendido. Neste sentido, “o enfoque central para uma pesquisa é o problema,
posteriormente, trará uma contribuição científica e pessoal,” (Fachin, 2003, as cited in
UNIASSELVI, 2011, p. 42). No entanto, Lakatos & Marconi (2003), sustentam que para
ser considerado apropriado, o problema deve ser analisado tendo em consideração nos
seguintes aspetos de valoração nomeadamente: viabilidade, relevância, novidade,
exequibilidade e oportunidade. Ciente de que a problemática em alusão possuí estas
caraterísticas, o objeto desta investigação será compreender o papel da PRM para prevenir
os crimes cibernéticos com vista a examinar a legitimidade da ação policial nesta matéria
e como se processa a aplicabilidade da Lei Penal e do Processo Penal no que respeita aos
ataques cibernéticos fora da área de atuação jurisdicional (princípio da territorialidade),
na medida em que, há falta de ratificação de convenções internacionais por parte de
Moçambique.
1.3.1. PERGUNTA DE INVESTIGAÇÃO
Para elaboração de qualquer trabalho de índole científica é preciso que o investigador
formule uma boa pergunta de investigação com base nos critérios de qualidade da clareza,
as qualidades de exiguidade e as qualidades de pertinência, (Quivy & Campenhoudt,
1998, p.p. 35-38). E para tal e com base nas qualidades atrás descritas, formulou-se a
seguinte pergunta de investigação.
Qual é o papel da PRM na Segurança do Ciberespaço para prevenção da
Cibercriminalidade?
1.3.2. PERGUNTAS DERIVADAS
Tendo em consideração o ponto de partida, consideramos adequado e oportuno o
delinear das variáveis da sua indagação por forma a dar melhor resposta à questão inicial.
E com base na observância das qualidades descritas no número anterior da pergunta de
partida, eis as seguintes perguntas derivadas:
5
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
1. Quais são as principais estratégias adotadas pela PRM na prevenção e combate do
cibercrime?
2. Qual é a abordagem da PRM quanto à consciencialização e (ciber)educação da
população sobre a segurança cibernética?
3. Quais são os recursos e ferramentas tecnológicas utilizados pela PRM para prevenir
e reprimir os crimes cibernéticos?
4. Como é que a PRM colabora com outros órgãos governamentais e agências
especializadas na segurança cibernética no âmbito do exercício do papel de prevenção
e combate ao cibercrime?
1.4. OBJETIVO DE INVESTIGAÇÃO
Esta maratona de investigação tem como objetivo compreender o verdadeiro papel
da PRM de modo a delinear estratégias que ajudarão a prevenir e a combater o cibercrime
que preocupa as pessoas, empresas e que impacta a soberania do próprio país. Desta feita,
temos o seguinte objetivo geral: Investigar e compreender o papel da PRM no delinear
de estratégias, na alocação de recursos e quanto a práticas de cooperação e colaboração
para prevenir e combater os crimes cibernéticos.
1.4.1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Temos ainda os seguintes objetivos específicos:
1. Investigar as medidas de consciencialização e (ciber)educação em segurança
cibernética realizadas pela PRM.
2. Analisar as principais estratégias adotadas pela PRM na prevenção e combate do
cibercrime.
3. Avaliar os recursos e ferramentas utilizados pela PRM para prevenir e reprimir os
crimes cibernéticos;
4. Analisar as formas de colaboração da PRM com outros órgãos governamentais e
agências especializadas em matéria de segurança cibernética.
1.5. METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO
Num trabalho de investigação científica não basta delinear métodos, é necessário
também possuir técnicas para operacionalizar as linhas traçadas. Para tal, “o método pode
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ser entendido como o caminho, a técnica pode ser considerada o modo de caminhar”
(Oliveira, 2011, p. 19). O mesmo autor sustenta que “um mesmo método pode comportar
mais de uma técnica”.
Numa outra perspetiva e no âmbito da escolha de metodologias, o autor diz que
podem ser observadas as seguintes categorias: a) classificação quanto ao objetivo da
pesquisa, b) classificação referente à natureza da pesquisa, e c) classificação referente à
escolha do objeto de estudo. Para o nosso caso é a categoria b), “classificação com base
à natureza da pesquisa” que coincide com as seguintes subcategorias: “Qualitativa;
quantitativa; e qualitativa e quantitativa ou mista.” E no que concerne as técnicas de
pesquisa, podem-se basear nas seguintes categorias: a) classificação quanto à técnica de
coleta de dados; b) classificação quanto à técnica de análise de dados, (p. 19).
Para esta dissertação e com base na observância das metodologias atrás descritas,
devido à natureza desta investigação, optou-se por uma abordagem qualitativa, sendo que
inicialmente procedeu-se à recolha da informação e revisão da literatura sobre o tema.
De seguida, recolheu-se as opiniões no que tange ao papel da PRM no ciberespaço
numa vertente securitária, mas em contexto preventivo. Para tal, conforme referido,
utilizou-se o método qualitativo, através da aplicação de um guião de entrevista
semiestruturado precedido de pedido de autorização ao Comando Geral da PRM que se
dirigiu aos Oficiais da Polícia da República de Moçambique responsáveis nas áreas chave
em consonância com a nossa investigação.
Optou-se por entrevistas semiestruturadas porque estas possibilitam um contacto
direto entre as duas partes. Segundo (Oliveira, et al, 2021), este tipo de entrevistas
“propiciam ao/a pesquisador/a maior interação com o/a participante e consequentemente,
mais detalhes acerca do fenômeno educativo”, (p. 119). Quanto ao tratamento das
respostas obtidas, utilizou-se a técnica de análise de conteúdo muito indicado na
abordagem qualitativa porque é balizada por fronteira tradicional “que abarca os métodos
lógicos estéticos, onde se busca os aspetos formais típicos do autor ou texto”, de um lado,
e por outro lado, o investigador consegue fazer “interpretação do sentido das palavras”
(Campos, 2004, p. 2). A técnica de análise de conteúdos segundo a teoria de Bardin
compreende, em rigor, três fases: A Pré-análise do material coletado; A Exploração do
material e Tratamento dos resultados (Bardin, 2011, as cited in Simone & Sousa, 2020).
7
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
1.6. SÍNTESE CAPITULAR
A presente investigação está dividida em duas partes, sendo a primeira de
desenvolvimento meramente teórica e a segunda parte de desenvolvimento prático e
estruturada em seis capítulos, compostos por parte introdutória, corpo e síntese capitular.
No primeiro capítulo, para além a introdução, optou-se por se fazer um enquadramento
temático, a justificação e descrição da relevância do tema, enunciando-se a problemática
da investigação, os objetivos, o método, as técnicas que usaremos para alcançar o nosso
fim. No segundo capítulo foi reservado para recolha e revisão de literaturas relacionadas
a alguns conceitos ou algumas palavras-chave do nosso trabalho, com destaque para
Cibersegurança, Ciberpoliciamento; Cibercriminalidade; Ciberespaço; Prevenção, assim
como o panorama da cibercriminalidade em Moçambique. No terceiro capítulo, procurou-
se descrever o processo de evolução da digitalização e da internet em Moçambique, e
arroladas algumas teorias relacionadas ao cibercrime. E no quarto capítulo, foi exposto o
quadro legal moçambicano nomeadamente, as leis nacionais, a cooperação regional
(SADC), cooperação a nível de África (União Africana) e a situação global das
ciberameaças e da cibersegurança. O quadro legal de Portugal foi também exposto, assim
como a abordagem da PSP em relação a esta tipologia criminal. De seguida efetuámos
uma análise comparativa de forma sumária e apresentámos propostas de melhoria
replicando algumas medidas em vigor na PSP, com as devidas adaptações à realidade
moçambicana.
No que concerne à segunda parte (prática), no quinto capítulo, reservamos para
apresentar os resultados da investigação, (o trabalho de campo), análise de conteúdo das
entrevistas, discussão de resultados e apresentaremos desafios e prospetivas. E no sexto
capítulo, apresenta-se as conclusões e recomendações (introdução, resposta à
problemática da investigação, reflexões, possíveis limitações, recomendações e ou
sugestões, linhas de investigação futura) e juntaremos as referências bibliográficas,
apêndices, anexos, por forma a demonstrar a sustentação da nossa investigação.
8
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
CAPÍTULO 2
CIBERSEGURANÇA E CIBERAMEAÇAS: A IMPORTÂNCIA DA
PREVENÇÂO E DO CIBERPOLICIAMENTO
2.1. INTRODUÇÃO
O presente capítulo de revisão da literatura traz-nos alguns conceitos relacionados
com as palavras-chave da nossa investigação e não só, e algumas teorias relacionadas aos
ataques cibernéticos ou simplesmente do cibercrime.
É importante esmiuçar estes conceitos como forma de dar caminho ao leitor para
melhor perceção do teor desta investigação.
2.2. CIBERESPAÇO
Historicamente, o conceito de ciberespaço, surgiu, segundo Chawki (2006), em 1984,
no livro Neuromancer de William Gibson, um escritor norte-americano. Gibson (1984),
no mesmo livro uma ficção da época, afirma que o ciberespaço é uma representação
gráfica do conjunto de dados computacionais existentes, retirados de computadores do
sistema humano.
Ciberespaço é um conceito que não reúne consenso na academia e, Elias, (2022)
define ciberespaço como sendo “um ambiente virtual ao nível global utilizado para os
mais diversos efeitos” (…), (p.p. 341 – 342).
Jungblut (2004), afirma que é necessário, primeiramente, distinguir o ciberespaço
de redes telemáticas, visto que estes causam uma enorme confusão no âmbito conceitual.
Assim, a telemática traduz-se na comunicação à distância via informática, ao passo que o
ciberespaço é um ambiente virtual que se utiliza destes instrumentos de comunicação para
o estabelecimento de relações de forma virtual, isto é, sem necessariamente a presença
física. O mesmo autor refere ainda que ciberespaço exige hardware em interconexão no
formato de rede, além dos programas de software, que fazem possível a fluidez
informacional. Apesar da internet ser o principal ambiente do ciberespaço, devido a sua
9
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
popularização e sua natureza de hipertexto, o ciberespaço também pode ocorrer na relação
do homem com outras tecnologias adjacentes.
No entanto, a Estratégia Nacional de Segurança do Ciberespaço 2019-2023 da
República Portuguesa e a Política de Segurança Cibernética e Estratégia da sua
Implementação da República de Moçambique partilham um único conceito de
ciberespaço sendo: “espaço cibernético ao ambiente complexo, de interesses e valores
materializado numa área de responsabilidade coletiva, que resultada interação entre
pessoas, redes e sistemas de informação” (Resolução do Conselho de Ministros, 2019, p.
2; Resolução do Conselho de Ministro, 2021, p. 1). Desta forma podemos afirmar que a
diferença entre espaço físico terrestre, marítimo e até mesmo o aéreo do espaço virtual, é
que no virtual pode-se fazer o que se faz noutros espaços por exemplo comunicar ou
informar, realizar negócios, trabalhar virtualmente sem ser necessária a presença física.
2.3. CIBERSEGURANÇA
Antes de mais, é relevante perceber que o conceito cibersegurança é amplo, isto é,
depende do campo contextual em concreto que pretendemos estudar ou referir, uma vez
que é necessário delimitar e enumerar os espaços a atuar. Neste sentido, temos por
exemplo cibersegurança em rede, cibersegurança de informação, cibersegurança de
aplicativos, cibersegurança operacional, recuperação de desastres, educação do utilizador
e, a nível securitário, temos o ciberpoliciamento que é o que mais nos interessa neste
campo de estudo, sem prejuízo da educação do utilizador do ciberespaço.
A cibersegurança corresponde à execução de operações eficazes na defesa de
sistemas, redes e programas contra possíveis ciberataques, através de várias camadas de
proteção (Cisco, 2022). Para Nunes (2016), o escopo da segurança virtual passa por
investigar e ajustar mecanismos de proteção dos dispositivos eletrónicos conectados por
meio da internet, das informações armazenadas nos mesmos e das comunicações entre si
estabelecidas.
Poiares (2019), refere que os conceitos anteriormente mencionados da sociedade em
rede e de toda esta mutação revolucionadora na tecnologia dão origem, não só a
oportunidades, mas também a vulnerabilidades ou ameaças, muito devido à
interdependência existente entre os setores críticos para o funcionamento da sociedade
10
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
hodierna. Para tal, é necessário enquadrar e integrar um conceito securitário naquilo que
é o ciberespaço.
Assim sendo, a cibersegurança constitui “ações que englobam a monitorização,
prevenção e neutralização das ameaças que possam pôr em causa as liberdades dos
cidadãos e das empresas, bem como ao bem-estar socio cómico das nações” (Antunes &
Rodrigues (2018, p. 103).
A Estratégia Nacional de Segurança do Ciberespaço 2019/2023 da República
Portuguesa e da Política de Segurança Cibernética e Estratégia da sua Implementação de
Moçambique estabelece que a cibersegurança é “o conjunto de medidas e ações de
prevenção, deteção, monitorização , reação, análise e correção que visam manter o estado
de segurança desejado e garantir a confidencialidade, integridade, disponibilidade e não
repúdio da informação, das redes e sistemas de informação no ciberespaço, e das pessoas
que nele interagem” (Resolução do Conselho de Ministros, 2019, p. 2; Resolução do
Conselho de Ministro, 2021, p. 1). Em suma, cibersegurança é conjunto de medidas que
visam garantir o normal funcionamento das TIC e do ciberespaço sem riscos e ameaças
permitindo que os potenciais utilizadores tenham maior liberdade e segurança.
2.3.1. CIBERPOLICIAMENTO
Tal como afirmámos anteriormente, o conceito de cibersegurança é um conceito
amplo e conceptualizámo-lo de forma dedutiva. Neste subtítulo abordamos o conceito
cibersegurança de forma indutiva, no campo securitário, do ciberpoliciamento, já que é o
foco do nosso estudo.
De acordo com Maia (2019), o conceito de ciberpoliciamento ainda está na fase
embrionária e sem consenso comum. O autor equaciona o conceito de ciberpoliciamento
ao afirmar que, “se pensarmos que policiamento é o ato de policiar que se consubstancia
em vigiar, guardar, controlar, proteger, zelar por algo, seja pessoa, espaço ou objeto físico,
diremos que ciberpoliciamento é tudo isto mas aplicado ao mundo virtual, ao
ciberespaço” (p. 17).
Sendo que a principal missão da Polícia é prevenir os ilícitos criminais assim como
contraordenacionais, no nosso entender pode-se materializar através de medidas paralelas
do vasto conjunto de vertentes de serviço policial, “através de programas de policiamento
de proximidade, do apoio a vítimas de crime, do patrulhamento da via pública, da
11
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
segurança a eventos policiais e a eventos culturais” (Elias, 2022, p. 97). Neste sentido,
podemos afirmar que o ciberpoliciamento se cinge pelas ações de monitorização do
ciberespaço, cumprimento e a aplicação da lei cibernética, prevenção, repressão,
investigação criminal, inteligência, coordenação e colaboração interna e cooperação
internacional para fazer face às ciberameaças.
2.4. CIBERAMEAÇAS
As ciberameaças exercem a sua atividade e difundem-se na rede fruto da utilização
massiva das tecnologias de informação, podendo afetar infraestruturas críticas, o
equilíbrio funcional da sociedade, sistemas informáticos dos Governos, das empresas, dos
cidadãos em geral, assim como os sistemas políticos e financeiros internacionais.
Podemos salientar como ciberameaças mais relevantes na atualidade as seguintes: o
ciberterrorismo, a ciberespionagem, a cibercriminalidade e o hacktivismo.
O ciberterrorismo e a cibercriminalidade serão desenvolvidos num subcapítulo
próprio, por estarem mais diretamente relacionadas com a temática central desta
dissertação e merecerão por isso um tratamento mais desenvolvido.
De acordo com Elias (2022), a ciberespionagem é caraterizada pela exploração de
vulnerabilidades encontradas em redes informáticas e em sites para ter acesso a
informação sensível e classificada. Pode ser perpetrada por Estados, empresas rivais ou
indivíduos que procuram adquirir conhecimentos e recolher informações, que lhe podem
conceder uma vantagem estratégica e competitiva sobre terceiros ou ainda para benefícios
financeiros provenientes da venda de informação subtraída. Atualmente, existem diversos
relatórios de informações que referem o recrutamento de hackers por parte de serviços de
inteligência de potências internacionais, com vista à espionagem em países rivais,
nomeadamente em setores estratégicos nas áreas da segurança e defesa, energia, banca,
finanças, tecnologia de ponta, farmacêuticas, entre outros.
O hacktivismo é um termo controverso e de difícil definição, na medida em que
engloba diversos tipos de organizações, de ideologias e formas de ação direta digital.
Alguns argumentam que esta palavra é usada para descrever como a ação direta eletrónica
pode trabalhar para a mudança social através da combinação de habilidades
de programação de computadores, aliada ao pensamento crítico. Outros autores usam este
12
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
vocábulo como sinónimo de um ato ou estratégia maliciosa e atos destrutivos que
comprometem a segurança dos computadores na internet 1.
O hacktivismo é a ação conduzida por indivíduos ou grupos que utilizam meios
informáticos e veem a internet como um veículo para promover e catalisar as suas causas
e disseminar a sua mensagem. A ideologia defendida pode ter motivações distintas, desde
políticas a religiosas, mas o objetivo final é comum: chamar a atenção da opinião pública
para determinado assunto. O hacktivismo pode assumir assim diversas facetas. Uma
faceta tecno-libertária assente na ideia de que a “internet pode contribuir para criar uma
nova era de ‘transparência’ na política (...). Parece ter sido essa a convicção/missão de
Julian Assange, o carismático fundador do site Wikileaks” (Fernandes, 2014: 57) e ainda
uma faceta corporizada pelos “radicais anticapitalistas, a comunidade de ativistas do
ambiente, dos direitos humanos e dos revolucionários políticos, designados nos anos 60,
como contracultura” (Leigh & Harding, 2011: 56). Os grupos hacktivistas Anonymous e
os LulzSec, por exemplo, contestam o que “percecionam como um abuso de poder dos
governos e das empresas e promover a transparência na política e nos negócios” (Benkler,
2012).
Segundo Elias (2022), o hacktivismo engloba diversos grupos e organizações que
defendem os direitos humanos, a transparência política, a descentralização da informação,
a cultura de partilha, o livre acesso à informação, a liberdade de expressão, o uso e
desenvolvimento de programas e sistemas em código aberto, licenças livres. Por vezes,
algumas organizações hacktivistas aproximam-se do ciberterrorismo ou da
cibercriminalidade, na medida em que causam danos nos sistemas informáticos e
equipamentos, espalham vírus e penetram em redes de instituições e empresas, com o
objetivo de subtrair informação classificada e dados pessoais bem como difundem ideias
contestando o nosso modelo de sociedade e fazendo, em alguns casos, a apologia de
alteração do seu sistema social e político através da ação direta. As principais missões das
organizações hacktivistas consistem na criação de sites ou sistemas com objetivos
políticos, no desenvolvimento de programas em código aberto, no espelhamento de sites,
na substração de documentos dos Governos ou de instituições públicas e privadas, difusão
da cultura hacker e da ação direta digital. Desenvolvem também técnicas mais avançadas
1
Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Hacktivismo. Consultado em 15 de outubro de 2023.
13
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
como spoofing2, email-bombing3 e uso de DoS4 com objetivos de obter o lucro através de
pedidos de resgate ou meramente para pôr em causa os Estados e as organizações
internacionais.
2.5. CIBERCRIMINALIDADE
Numa ótica mais histórica, Silva (2019), afirma que o surgimento do cibercrime
ocorreu em Lyon na França, numa reunião que envolvia os Estados mais ricos do mundo,
o G8, composto por: Estados Unidos de América, Japão, Alemanha, Reino Unido, França,
Itália, Canadá e Rússia, para analisar a problemática da criminalidade praticada via
aparelhos eletrónicos assim como disseminação de informações para a internet. Ademais,
o mesmo autor, defende que o termo cibercrime era empregue para a descrição, de forma
muito ampla, de todos os tipos de crimes praticados no ciberespaço, seja através de um
computador conectado ou não a uma rede. Já atualmente, existem vários conceitos
referentes a esta tipologia de criminalidade dependendo da evolução tecnológica,
instituição, país etc.
Para tal, a Estratégia Nacional de Segurança do Ciberespaço (2019-2023) de
Portugal, apresenta o conceito de cibercrime como “os factos correspondentes a crimes
previstos na lei do Cibercrime e ainda a outros ilícitos penais praticados com intermédio
a meios tecnológicos, nos quais estes meios sejam essenciais à prática do crime em causa”
(Resolução do Conselho de Ministros, 2019, p. 2).
A cibercriminalidade abrange os crimes tradicionais para além dos dependentes de
computadores. Neste sentido, o cibercrime pode ser definido como o aproveitamento
ilícito da recentes potencialidades relacionadas com o ciberespaço e pode surgir de
inúmeras formas e contextos, isto é, os ilícitos podem se apresentar e serem classificados
relativamente ao conteúdo, no que diz respeito à violação das informações pessoais,
2
É a técnica de se fazer passar por outro computador da rede para conseguir acesso a um sistema. Há muitas
variantes de spoofing de IP. Para executá-lo, o invasor usa um programa que altera o cabeçalho dos pacotes
IP de modo que pareçam estar a chegar a outra máquina.
3
É a técnica de encher um computador com mensagens eletrónicas (geralmente servidores de e-mail). Em
geral, o cracker usa um script (programa) para gerar um fluxo contínuo de mensagem e engarrafar a caixa
postal de alguém. A sobrecarga tende a provocar negação de serviço no servidor de e-mail, deixando-o
inacessível.
4
Denial of Service (DoS) Neste tipo de ataque não há subtração de informação, mas inúmeras requisições
que sobrecarregam o tráfego de uma rede, fazendo com que um servidor e seus serviços fiquem “fora do
ar”.
14
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
respeitantes a burlas informáticas, falsidades informáticas, acessos a determinados
sistemas e ainda, a crimes respeitantes à autodeterminação, como o cyberbullying e o
cyberstalking (Santos et al, 2008 & Militão, 2014).
2.5.1. CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES CIBERNÉTICOS
No âmbito da classificação dos tipos de crimes cibernéticos, várias são as
designações, mas o seu conceito e o significado acabam sendo os mesmos. De acordo
com Wendt & Jorge, (2021), as más condutas praticadas através de recursos
computacionais podem ser denominadas por ações prejudiciais atípicas, ainda que
causem prejuízo ou mal-estar à vítima, não têm um enquadramento legal para a
responsabilidade Penal, podendo haver responsabilidade Cível para reposição dos danos
causados. O autor exemplifica esta classificação dizendo que, uma pessoa que invade o
dispositivo informático de alguém conhecido sem intenção por exemplo de alterar,
adulterar, criar danos materiais ou informacionais não será indiciado criminalmente por
não existir uma tipificação legal que pune, porém, pode ser obrigado a pagar ou a
indemnizar por danos morais ou materiais causados no âmbito da Responsabilidade Civil.
Os mesmos autores classificam os crimes cibernéticos em dois tipos nomeadamente
“Crimes cibernéticos abertos e crimes exclusivamente cibernéticos” (p.15).
2.5.2. CRIMES CIBERNÉTICOS PUROS (PRÓPRIOS OU CRIMES EXCLUSIVAMENTE
CIBERNÉTICOS)
Os crimes cibernéticos puros, próprios ou exclusivamente cibernéticos são aqueles
que para a sua materialização ocorrem apenas na dependência direta de dispositivo
computacional, (Wendt & Jorge, 2021).
Almeida et al. (2015), definem os crimes cibernéticos puros, próprios ou virtuais ou
“aqueles em que o sujeito ativo utiliza o sistema informático do sujeito passivo, no qual
o meio informático como sistema tecnológico é utilizado como objeto e meio para
concretização do crime” (p. 224). Ao contrário das condutas atípicas, os crimes
cibernéticos puros, próprios ou exclusivamente cibernéticos são tipificados na esfera
penal, havendo já possibilidade de Responsabilidade criminal.
Tormen (2018), exemplifica os crimes cibernéticos puros sendo:
15
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
(..) condutas que são praticadas por hackers, tanto a invasão de sistemas, modificar,
alterar, inserir dados ou informações falsas, ou seja, casos que atinjam diretamente o
softwares dos computadores, que geralmente invadem computadores através de Pen
drives, e-mails, e em forma de arquivos que são baixados em sites não confiáveis que
contém vírus, a qual danifica diversos arquivos ou programas, chegando até em
alguns casos ter de efetuar a formatação do computador em virtude do vírus (p. 11).
Em suma, os crimes cibernéticos próprios só ocorrem na direta dependência do
dispositivo informático (computador, telemóvel) para a sua materialização e são
tipificados na esfera criminal.
2.5.3. CRIMES CIBERNÉTICOS IMPUROS (IMPRÓPRIOS OU ABERTOS)
Almeida et al (2015), trazem-nos o conceito de crimes cibernéticos impróprios de
forma sumária: sendo aqueles que são cometidos por auxílio de um computador para
realizar ilícitos penais que afetam todo o bem jurídico protegido, ou seja, existentes
tradicionalmente e tipificados, mas o uso do computador é mais um meio para a
concretização do crime.
Entre os crimes cibernéticos abertos destacam-se por exemplo “Crimes contra honra,
ameaça, furto mediante fraude, falsificação de documento, falsa identidade, extorsão,
tráfico de drogas (Wendt & Jorge, 2021, p. 15).
Em jeito de conclusão, importa referir que, diferentemente dos crimes puros que
dependem exclusivamente do computador para a sua materialização, os crimes
cibernéticos impuros ou mistos podem ocorrer mesmo sem o intermédio do computador,
ou seja, o dispositivo informático é mais um instrumento que pode ser usado para a prática
destes tipos legais de crime.
2.5.4. CRIMES CIBERNÉTICOS MISTOS
Os crimes cibernéticos ou virtuais mistos podem ser definidos como aqueles em que
o uso da internet é condição sine qua non para a efetivação da conduta ilícita, e tem como
fim algum bem da vítima, embora o bem jurídico visado seja diverso do informático.
Ocorrem por exemplo, casos de obtenção ilegítima de senha de acesso a informações
confidenciais e realização de transações ilegais de valores, onde o Hacker retira de
milhares de contas-corrente diariamente, pequenas quantias que correspondem a centavos
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ou cêntimos e transfere para uma única conta. Isto é possível porque utilizam a internet
como instrumento para realizarem os delitos enquadrados no código penal como, a
difusão de conteúdo pornográfico infantil por diversos meios informáticos, (Menezes,
2016; Pinheiro, (2001); Ser Educacional, 2018).
2.6. CARATERÍSTICAS DO CIBERCRIME
O cibercrime dispõe de um conjunto de caraterísticas dado a sua especificidade
comparativamente ao crime tradicional.
De acordo com Natário (2013), os crimes cibernéticos podem possuir as caraterísticas
que a seguir se descrevem:
2.6.1. TRANSNACIONALIDADE
Trata-se de um crime que para a sua prática, não carece necessariamente a presença
física entre os sujeitos ativo e passivo (o atacante e a vítima), isto é, dado ao seu alcance
global, os cibercriminosos podem estar em diferentes cidades, países, até mesmo em
diferentes continentes. O cibercriminoso necessita de um só computador ligado a internet
para criar danos transversais e uma ligação tem a capacidade para vitimizar pessoas,
negócios, Governos ou mesmo a segurança e defesa dos Estados, em qualquer parte do
mundo, cometendo todo o tipo de crimes, tal como, por exemplo, apoiar o terrorismo
internacional.
Já que o espaço onde se comete este tipo de crime não tem fronteiras, logo, as
restrições territoriais são irrelevantes neste campo de estudo, isto é, os cibercrimes não
estão confinados por fronteiras nacionais o que implica que, para um cibercriminoso, é
tão fácil atacar um alvo como se o estivesse ao seu lado.
2.6.2. ANONIMATO
Os cibercriminosos conseguem frequentemente manter-se anónimos, por haver
dificuldade em detetar e seguir a origem de um ataque, o que dificulta a capacidade de
dissuasão e resposta. Ainda que a Polícia consiga identificar a origem dos criminosos, a
recolha de provas e a apreensão dos suspeitos podem ser extremamente difíceis, uma vez
que o país a partir do qual foi praticado o crime pode recusar-se a colaborar. Este é um
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
aspeto fundamental da cibercriminalidade visto que os crimes são cometidos num
ambiente virtual e, na maior parte dos casos, as provas que os agentes da autoridade têm
que recolher são provas digitais intangíveis, e o ciberespaço por ser dinâmico, pode-se
reformar e modificar as tais provas.
2.6.3. TECNOLOGIA
O cibercrime nem sempre tem um autor e uma vítima, uma vez este tipo de crime
pode ser automatizado permitindo que os criminosos cometam milhares de crimes de
forma expedita e sem esforço. Os criminosos podem utilizar a automação para aumentar
a escala das suas operações e conseguir, assim, não só criar novas dificuldades à
investigação das suas atividades, mas também aumentar os seus potenciais lucros uma
vez que o número de vítimas aumenta exponencialmente.
Outro fator que pode complicar a investigação do cibercrime é a tecnologia de
cifragem que protege a informação contra acessos não autorizados.
2.6.4. ORGANIZAÇÃO
Os cibercriminosos estabelecem alianças com traficantes de drogas, organizações
terroristas onde as suas lucrativas atividades ilegais são utilizadas para financiar grupos
terroristas e que estes grupos criminosos são transnacionais e os seus aliados atuam a
partir de pontos dispersos por todo o mundo, operando em conjunto para atingir os seus
objetivos.
De acordo com McAfee citado pelo autor supracitado, as organizações criminosas
estão há alguns anos a recrutar jovens talentos universitários, incentivando-os a
desenvolver capacidades em áreas que serão mais tarde exploradas na cibercriminalidade
tecnologicamente sofisticada.
2.6.5. IMPACTO
Relativamente ao impacto, o autor refere que, ciente de que não existem dados
verdadeiramente fiáveis, nomeadamente ao nível de incidentes que ocorrem assim como
prejuízos financeiros da criminalidade, constata-se por isso a dificuldade de avaliação a
verdadeira dimensão, mas o impacto desta tipologia criminal é nefasto. A ausência de
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
uma definição clara do que é cibercrime impacta negativamente no fornecimento dos
dados por parte das vítimas, isto é, há que ter em conta que os dados disponíveis são
fornecidos voluntariamente pelas vítimas e algumas preferem não os fornecer. Outras
situações que impactam negativamente são a ausência de estatística fiável a nível dos
danos financeiros, assim como a persistente confusão acerca da tipificação exata destes
incidentes, criando grandes obstáculos para avaliar a verdadeira dimensão e intensidade
do cibercrime.
2.7. DIFERENÇA ENTRE CRIMES TRADICIONAIS DOS CIBERNÉTICOS
Os crimes tradicionais são aqueles que são praticados num determinado espaço
geográfico definido ou delimitado em que o sujeito ativo que é o autor do crime e o sujeito
passivo que é a vítima ou o bem jurídico protegido por Lei, estão próximo ou contactam
fisicamente para a materialização do crime. Embora possam haver situações em que um
adulto pode aliciar uma criança a ir roubar/furtar algum bem que se encontra dentro de
uma casa na ausência dos proprietários, para a concretização do crime teve de existir
alguém que teve contacto com a propriedade. Já os crimes cibernéticos, ocorrem num
ambiente virtual através de um dispositivo computador ou celular conectado ou não a
uma rede de internet para prática de condutas ilícitas, podendo gerar danos humanos ou
patrimoniais (Garrett, 2021). Natário (2013) destaca dois aspetos que diferenciam os
crimes cibernéticos dos tradicionais dizendo que “a tecnologia moderna favorece o
desenvolvimento de um tipo de criminalidade que se distingue da criminalidade
tradicional em dois aspetos essenciais: é muito mais difícil para as autoridades identificar
e capturar os criminosos, e estes podem cometer os seus crimes numa escala nunca antes
alcançada” (s/p.).
Ainda segundo Elias (2022), a cibercriminalidade não necessita de uma proximidade
física entre a vítima e o agressor/criminoso. As restrições territoriais são irrelevantes no
ciberespaço, isto é, os cibercrimes são transnacionais, podem ultrapassar as fronteiras de
mais de um Estado, não estão confinados por fronteiras nacionais, o que implica que, para
um criminoso na rede, seja tão fácil atacar um alvo em territórios longínquos, como
vitimar um vizinho.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
2.8. CIBERTERRORISMO
Na era de digital, o ciberterrorismo e as ciberameaças são uma realidade e o perigo
cresce cada vez mais para a sociedade, resultando risco de atores maliciosos que utilizam
internet para espalhar medo e perturbar a ordem, (It Insight Security, 2023).
Tal como o terrorismo tradicional, o ciberterrorismo tem como três principais
motivações nomeadamente, financeiras, sociais e religiosas, sendo o computador e a
internet como intermédios para sua prática. O motivo financeiro consiste na ordem
económica que visa a atacar com propósito de ganhar vantagem patrimonial. O segundo
motivo, visa na violação de um ou mais aspetos da vida social e desenvolvimento pessoal
da vítima e, no terceiro caso tem a ver com motivação política e quanto a fundamentação
é ideológica sendo o Estado como alvo principal através de suas infraestruturas críticas,
instituições políticas e da sociedade interligada com o Governo (Raposo, 2007; Silva,
2022).
Neste sentido, Silva, (2022) define o ciberterrorismo como sendo o uso intencional
da internet com o intuito de concretizar atos violentos ou ameaças à perda de vida ou
danos corporais e ou materiais significativos com vista a ganhar vantagens políticas ou
ideológicas, deixar um país ou organizações em crise e com medo de incidência de novos
ataques, usando ameaças ou intimidações.
De acordo com Raposo (2007), o ciberterrorismo visa perpetrar “um ataque contra
os computadores e suas redes, informações armazenadas, serviços essenciais ou
infraestruturas energéticas, centrais nucleares, refinarias de petróleo, provocando pânico,
mortes, acidentes, contaminação ambiental ou perda económica” (p. 46).
Para a concretização do ciberterrorismo, de acordo com o Relatório da United
Nations Office on Drugs and Crime (UNODC), (2012), existem seis classificações de
categorias de etapas sobrepostas:
a) Propaganda: visa a promover radicalização, as convicções e ideologias
terroristas entre os potenciais utilizadores da internet, incluindo o recrutamento
para integrarem organizações terroristas.
b) Financiamento: a internet pode ser o meio usado para o financiamento do
terrorismo cibernético através de meio de coleta financeira podendo ser por
solicitação direta, lavagem de dinheiro através de comércio eletrónico, exploração
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
de ferramentas de pagamentos on-line assim como por meio de organizações de
caridade.
c) Treino: o ciberespaço é já o campo usado pelos terroristas através do uso do
internet para instrução para execução dos ataques, através de disponibilização em
plataformas da internet, guias de instrução de como entrar nestas organizações e
como planear assim como executar ataques.
d) Planeamento: atos preparatórios, incluindo escolha do local e modus operandi.
e) Execução: a internet, através de dispositivo eletrónico conectado a rede móvel,
pode ser usada na execução de atos terroristas e também podendo utilizadas
ameaças de violência como forma de coordenar os seus ataques, exemplificando
o uso da internet como o grande intermédio na coordenação dos integrantes do
ataque de 11 de setembro.
Contudo, para alcançarem os seus objetivos, os terroristas utilizam a internet como
uma condição fundamental para executar um ataque, com alta intenção de prejudicar
computadores, por meio de vírus, malwares etc., (UNODC, 2012).
2.9. TEORIAS RELACIONADAS AO CIBERCRIME
Antes de mais, importa referir que no âmbito da criminologia tradicional, várias são as
teorias que defendem haver comportamentos humanos e outras situações da propensão da
prática de crimes e que estas teorias podem ser sociais e criminológicas. Algumas teorias
foram confirmadas na aplicação ao crime cibernético, outras carecendo mais de estudos
para a sua validação.
Para tal, Danquah et al (2023), desenvolveram diversas teorias que se dividem em duas
categorias, sociais e criminológicas que visam explicar as atividades criminológicas e
comportamentais dos criminosos convencionais, onde foram postulados para melhor
entendimento.
Do ponto de vista das criminologias sociais o estudo apresenta a Teoria do controlo
social desenvolvida por (Hirschi, 1969); Teoria da aprendizagem social de (Burgess e
Akers, 1966); E do ponto de vista das teorias criminológicas, os autores avançaram várias
teorias nos diferentes domínios nomeadamente, campo de Direito, Sociologia, Psicologia,
Filosofia assim como Computação e Segurança da Informação. Nesta categoria, as teorias
apresentadas são: Teoria da atividade rotineira desenvolvida por (Cohen & Felson, 1979) ;
21
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Teoria da escolha racional de Cornish, (1986); Teoria da Oportunidade de (Clarke &
Felson, 1998).; Teoria da Tecnologia de (Danquah et al, 2023).; Teoria da deslocação do
crime de (Clarke & Felson, 1998).; e Teoria da Transição espacial de Danquah et al, (2023,
p. 9), esta última careceu de uma examinação e dos seus postulados, que segundo os
autores, até a conclusão do estudo, ainda não tinha sido testada empiricamente, mas que
continua a ser mais popular para explicar o crime cibernético. No entanto, estas teorias
visam fazer paralelismo a criminologia não convencional à criminologia moderna.
2.10. SÍNTESE CAPITULAR
A literatura diz que a expressão ciberespaço surgiu em 1984 num livro de ficção
intitulado, Neuromancer de William Gibson e o seu conceito não reúne consenso na
academia.
E ao se falar de cibersegurança e cibercriminalidade é necessário delimitar a temática
ou o contexto, dado que os seus conceitos são polissémicos. A cibersegurança pode-se
referir (cibersegurança) em rede, de aplicativos, cibersegurança operacional, a nível
securitário, temos o ciberpoliciamento. Já a cibercriminalidade, pode-se referir de crimes
cibernéticos puros que dependem diretamente de dispositivo computacional para a sua
materialização.
Os crimes cibernéticos mistos, a internet é condição sine qua non para que se
concretize a conduta ilícita, ao passo que, os crimes cibernéticos impuros, o computador
é apenas um auxílio, isto é, são crimes tradicionalmente existentes e tipificados. Quanto
ao cibercrime, importa salientar que o seu conceito surgiu em Lyon na França, numa
reunião que envolvia os Estados mais ricos do mundo, o G8, composto por: Estados
Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Canadá e Rússia, e foi empregue
para a descrição, de todos os tipos de crimes praticados no ciberespaço, seja através de
um computador conectado ou não a uma rede.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
CAPÍTULO 3
PANORAMA DO CIBERCRIME EM MOÇAMBIQUE
3.1. INTRODUÇÃO
Como dissemos na introdução da presente dissertação de que em termos de panorama
de Segurança Cibernética a nível Global, Moçambique encontra-se desprovido quase em
todas as vertentes. A título de exemplo, no Relatório de 2018 da União Internacional de
Telecomunicações (UIT) sobre o Índice Global de Segurança Cibernética (GCI),
Moçambique estava no pior nível de cibersegurança no que concerne às medidas legais,
técnicas, organizacionais, desenvolvimento de capacidades assim como no âmbito de
cooperação internacional, tendo ocupado na 26ª posição a nível do continente Africano e
132ª a nível global (UIT, 2018).
O Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano (RIDH) 2021/2022, indicador
socioeconómico que serve como base de avaliação dos países, Moçambique está na 185ª
posição num ranking global de 191 de Estados membros das Nações Unidas avaliados,
ou seja, entre os dez piores países (Índice de Desenvolvimento Humano, 2022). Outro é
o Doing Business indicador de negócios, que classifica economias os países em termos
de facilidade para fazer negócios através do Banco Mundial, usando como referência as
leis e outros instrumentos legais que promovem ou restringem as atividades empresariais.
Este relatório mantém Moçambique na posição 138ª entre 190 países uma “deterioração
de 138 em 2019, de 135 em 2018” (Trading economics, 2023). Neste capítulo,
debruçamo-nos sobre os incidentes que ocorrem em Moçambique e não só.
3.2. PANORAMA
Em Moçambique aumentam cada vez mais as ameaças cibernéticas seguindo a
evolução do uso das TCI, expondo o país a ataques direcionados às infraestruturas,
sistemas, pessoas, espionagem política e empresarial, ciberterrorismo, ciberguerra.
Entretanto, na enunciação da Política de Segurança Cibernética e Estratégia da sua
Implementação, Resolução do Conselho de Ministro datada em 2021, são descritos
sumariamente os incidentes que ocorrem em Moçambique que a seguir apresentamos:
23
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
As páginas de internet, que têm sido alvo preferencial das ações criminosas, tanto na
forma tentada como consumada. Outro alvo preferencial é o setor financeiro,
sobretudo o bancário, através de clonagem de cartões, phishing, roubo de identidade,
entre outras formas de ataques cibernéticos. Aumentam exponencialmente, o
ransomware, bem como os ataques cibernéticos praticados na Dark web e deep web,
funcionando numa espécie de mercado livre mundial do crime que proporciona
atividades tais como tráfico de droga, terrorismo (atores estatais e não estatais),
sabotagem, tráfico de pessoas, lavagem de dinheiro, venda de armas, contratação de
assassinos ou outros tipos de criminosos, comércio de órgãos humanos, pornografia
infantil, venda de listas com números e códigos de cartões de crédito válidos, de entre
outras atividades ilícitas. As transações económicas e financeiras neste espaço são
realizadas através de criptomoedas digitais, procurando assim garantir o anonimato
completo do negócio. Os ataques cibernéticos praticados a através de telemóveis
facilitam ciber criminosos. Os estudos da Analysis of Mozambican Websites: How
do they Protect their Users, publicado em 2018, expõem as vulnerabilidades das
páginas Web moçambicanas, e demostram como 32% de 240 páginas analisadas, a
sua maioria da Administração Pública, não usam tecnologia adequada para a sua
protecção contra os ataques cibernéticos (Resolução do Conselho de Ministros, 2021,
p. 4).
Como se sabe, as TIC têm dois vetores, um lado positivo e outro negativo (cf. anexo
4). Do ponto de vista positivo as TICs oferecem uma ampla vaga de conteúdos e
plataformas digitais que informam e entretêm e possibilitam relacionamentos sociais,
facilitam processos de governação, dinamizam o comércio de inclusão, facilitam
empreendedorismo, podem facilitar a denúncia de abusos, agilizam as transações
financeiras, propiciam o combate à corrupção entre outros leques positivos. Do lado
negativo, as mesmas TICs representam oportunidade para os cibercriminosos
desenvolverem a sua atividade delituosa, por exemplo difundindo conteúdos maliciosos
e cometendo diversos tipos de crimes, conforme atrás descrito e em frente que também
será objeto de descrição,
Por outro lado, de acordo com o (INTIC, 2023), o país regista mensalmente cerca um
milhão e meio de ataques cibernéticos de diversa índole devido às vulnerabilidades
decorrentes da evolução das TICs, ato confirmado paralelamente pela fonte do Ministério
Público moçambicano, “somos um país muito vulnerável, ainda não temos maturidade
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
suficiente para consolidar alguns passos. É preciso implementar a cibersegurança e a
ciber-resiliência”, tendo sido colocado nos “altos níveis de vulnerabilidade”, pelo Diretor
Geral da tecnológica portuguesa Bravantic (Agência de Informação de Moçambique,
2023, p. 1).
Circulam no país dispositivos fraudulentos piratas, clonados e roubados. Regista-se
ainda a infiabilidade de registo de cartões SIM, na medida em que dos 34 milhões de
subscritores inscritos em Moçambique, mais de metade são registos irregulares
propiciando em média, por mês, cerca de 2.300 fraudes. De referir que num trimestre
foram contabilizadas 20 mil situações de fraude, o que dificulta enormemente as
investigações criminais, segundo as autoridades do Instituto Nacional de Comunicação
de Moçambique (INCM, 2023, p. 1).
Neste sentido e, fazendo uma associação com as Teorias Sociais e Criminológicas,
podemos dizer que as vulnerabilidades acima descritas, a falta de maturidade suficiente
para a consolidação de uma política sustentada de prevenção, a ausência de
cibersegurança e de ciber-resiliência, o problema do registo irregular de cartões SIM,
constituem uma oportunidade para os cibercriminosos perpetrarem ataques com grande
impunidade, mantendo o anonimato e obtendo elevados lucros. Como referem algumas
Teorias, nomeadamente, a do Controlo Social e de Oportunidade, no âmbito dos crimes
cibernéticos, que a capacidade de manter anonimato perfeito e a falta de um fator de
dissuasão, criam uma oportunidade acrescida para os cibercriminosos, ou seja, o
comportamento delinquente online como resultado do controlo não monitorizado das
redes sociais, tem tendência a aumentar impactando na comunidade como um todo. Tais
incidentes ocorrem por falta de segurança informática. As respostas aos problemas do
cibercrime para conceber e desenvolver soluções que proporcionem autenticação,
verificação, não repúdio e validação são hoje ineficazes. O crime cibernético prospera na
web, porque a internet não inculcou em seus protocolos desde o início um mecanismo
que permita a um host recusar o acesso à rede, conforme refere a Teoria da Tecnologia.
A Teoria das Oportunidades sustenta que não são só os eventos que contribuem para o
cometimento dos crimes, mas também as oportunidades que surgem como resultado de
medidas preventivas para conter o crime. Os criminosos inserem-se num contexto de
localização, tempo, alvo, direção e método para cometer o crime, sendo que a
oportunidade de cometer um crime é a causa e raiz da criminalidade (Teorias do Controlo
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Social, Teoria da Tecnologia e da Oportunidade de Brenner (2002a; 2002b e 2004);
Danquah et al (2023); Clarke & Felson, 1998, citados pelo Danquah et al (2023).
Não obstante, estas fragilidades não só afetam entidades públicas privadas e pessoas
singulares, mas também o próprio Estado. A título exemplificativo, em 2022 foram
visadas várias infraestruturas críticas do Estado, onde, “um grupo de hackers atacou e
deixou inoperacionais vários portais do Governo,” ato confirmado pelas autoridades
moçambicanas, “estamos perante uma pandemia informática global que afeta cada vez
mais pessoas, empresas e a soberania das próprias nações” (Diário Económico, 2022,
p.1).
Os crimes mais denunciados em Moçambique são as fraudes em instrumentos e
canais de pagamento eletrónico e burla informática e nas comunicações nomeadamente
o pedido de transferências de dinheiro, o fenómeno “este valor envie para esta conta
xxxxxxx, vem em nome de fulano”. Um dado muito curioso: as autoridades do INCM
informaram que através de tecnologias de Inteligência Artificial, constataram que muitos
autores deste crime são reclusos que se encontram na cadeia de Machava em Maputo,
conforme noticiado no dia 24 de agosto pelo (o País, 2022). As mesmas autoridades, em
dezembro do mesmo ano, confirmaram ainda ter registado “cinquenta mil casos de burlas
e fraudes nas telecomunicações nos últimos quatro meses”, ciente da situação, as fontes
salientaram que, “ações estão em curso com vista a identificar, prevenir e combater as
fraudes e crimes que afetam os serviços e redes das telecomunicações” (Diário
Económico, 2022, p. 1).
Sobre o facto dos autores dos crimes de burla informática e nas comunicações serem
reclusos que se encontram na cadeia de Machava em Maputo, podemos sustentar esta
realidade com a Teoria de Transição Espacial quando se equaciona que o comportamento
das pessoas no ciberespaço tende a revelar a sua atitude de conformidade e não
conformidade, tanto no espaço físico como no ciberespaço. Os proponentes da teoria
referem que pessoas com comportamento criminoso reprimido (no espaço físico) têm
tendência para cometer crimes no ciberespaço, que de outra forma não cometeriam no
espaço físico, devido ao seu estatuto e posição. Referem ainda que, é provável que o
comportamento criminoso dos infratores no ciberespaço seja importado para o espaço
físico e que no espaço físico também pode ser exportado para o ciberespaço Danquah et
al, 2023). Prova disso, os reclusos exportaram o comportamento do espaço físico para o
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ciberespaço, na medida em que, mesmo em situação de reclusão tendem a aumentar as
suas ações aproveitando-se da oportunidade conferida pelo anonimato do ciberespaço e
baixo risco de serem localizados.
O recrudescimento de clonagem de cartões nas caixas automáticas vulgarmente as
chamadas ATMs, aproveitando-se dos cidadãos que não sabem operar com cartões
bancários nas caixas automáticas, os meliantes levam consigo mais cartões para ludibriar
as suas vítimas (Folha de Maputo, 2016) constitui igualmente um problema grave. Ainda,
sobre esta situação de clonagem de cartões, os criminosos usam dispositivos sofisticados
para clonar cartões de crédito e débito, informou em novembro de 2011 o macua blogs
mencionando que foi “detetado mais um dispositivo de clonagem de cartões” (…), “o
sistema bancário de Moçambique está a ser tomado por “gangs” de criminosos que andam
a clonar cartões de crédito e de débito” (Macua blogs, 2011.). Como refere Elias (2024),
“à medida que a tecnologia avança, surgem novas ferramentas e formas de iludir as
autoridades” (194).
Para o efeito, o Banco de Moçambique anunciou ter de optar por montar máquinas
que contrariem as clonagens de cartões, salientando que o que era novidade para
Moçambique já é uma realidade visto que este fenómeno já vinha afetando outros países
vizinhos e não só (Verdade, 2011).
O uso de tecnologias de informação e comunicação é uma das principais fontes de
financiamento do terrorismo que assola a região norte de Moçambique, para além da via
bancária e aproveitando-se dos registos irregulares, são usadas as carteiras móveis
nomeadamente m-kesh, m-psa e e-mola para se efetuar o pagamento/financiamento dos
grupos terroristas assim como no ato de recrutamento e/ou de aliciamento de pessoas para
reforçar as suas fileiras. Face ao exposto, Moçambique foi obrigado a rever e a aprovar
novos instrumentos legais que agravam as medidas de sancionamento, nomeadamente: a
Lei de Prevenção e Combate ao Branqueamento de Capitais e Financiamento do
Terrorismo do Conselho de Ministros, a Lei n. 14/2023 de 28 de agosto regulamentada
pelo Decreto n.º 53/2023 revogando-se a Lei nº11/2022 de 7 de julho. Os terroristas e
seus aliados usam cada vez mais os meios informáticos e a Internet para difundir a sua
propaganda, ameaças de incursões criminosas, para recrutar, ou seja, para além do
terrorismo tradicional praticam simultaneamente o ciberterrorismo.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Ainda mais, Moçambique também vive numa situação de raptos e sequestros nas
grandes cidades, e para o resgate, os criminosos pedem o pagamento através de
criptomoeda, adiantou em abril a (Procuradora Geral da República de Moçambique as
cited in RTP Notícias, 2023). O pagamento de resgates é também efetuado através de
bancos que se encontram no estrangeiro, informou o Comandante Geral da Polícia da
República de Moçambique, (Jornal Notícias, 2020, as cited in Jornal Sabetudo, 2020).
Desta forma, destacam-se três situações que impendem sobre o cometimento de mais
de um milhão e quinhentos ataques cibernéticos conforme acima descrito que são: as
vulnerabilidades do ambiente, aliadas à oportunidade pelo simples facto de o criminoso
já não estar preso à localização física; a iliteracia digital de alguns operadores de cartões
bancários nas caixas automáticas e não só; assim como a falta de medidas de segurança
adequadas e sofisticadas capazes de prevenir estes modus operandi. De acordo com a
Teoria da Atividade Rotineira existem três situações que facilitam a ocorrência do crime
e que devem acontecer ao mesmo tempo e no mesmo espaço, determinando se um crime
ocorre ou não, designadamente: se um alvo adequado está disponível, (pessoas,
computadores); a falta de um guardião adequado para impedir a ocorrência do crime
(elementos dissuasores como por exemplo, segurança informática, nomeadamente,
medidas de autenticação, verificação, não repúdio e validação e ciberpoliciamento; estar
presente um agressor motivado para cometer crimes (os cibercriminosos) (Cohen &
Felson, 1979, as cited in Danquah et al, 2023).
3.3. POLÍCIA E A SEGURANÇA INTERNA
Cabe ao Estado através dos seus órgãos garantir a Segurança Interna a par da
segurança externa e da proteção civil, como uma das funções essenciais do Estado.
A Lei da Política de Defesa e Segurança moçambicana, Lei n.º 12/2019 define a
Segurança Interna no seu artº 11º sendo:
a atividade desenvolvida pelo Estado para garantir a ordem, a segurança e a
tranquilidade públicas, proteger pessoas e bens, prevenir e reprimir a criminalidade,
identificar os cidadãos nacionais e estrangeiros, controlar o movimento migratório,
prevenir os riscos e combater os incêndios, com vista a assegurar o normal
funcionamento das instituições, o regular exercício dos direitos, liberdades e
garantias fundamentais dos cidadãos e o respeito pela legalidade.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Em Moçambique a Segurança Interna é assegurada pela PRM em colaboração com
demais instituições criadas por lei e com apoio dos cidadãos em geral.
A Constituição da República Moçambique (CRM) no seu art.º 253º reconhece de
forma clara e inequívoca à Polícia como o garante da segurança interna ao plasmar que
(…) “tem a função de garantir a lei e a ordem, a salvaguarda da segurança de pessoas e
bens, a tranquilidade pública, o respeito pelo Estado de Direito e Democrático e a
observância estrita dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos” (Lei nº 1/2018).
Porém, a Polícia para prosseguir com as suas atribuições acima descritas desenvolve
várias atividades, em observância da lei, sem prejuízo da autonomia técnico-tática. Estas
atividades podem ser através de ações de natureza administrativa assim como
operacionais podendo incidir no seu todo ou em parte uma vertente preventiva, de ordem
pública, de investigação, inteligência e cooperação internacional (Elias, 2022).
3.3.1. PILARES DA ATIVIDADE POLICIAL
Para se analisar a atividade Policial, Elias (2022) propôs cinco pilares da Segurança
Interna, conforme enunciados no quadro seguinte:
Quadro 3: Demonstração dos Pilares da Segurança Interna
Pilares da Segurança Interna
Prevenção Ordem Investigação Inteligência Cooperação
Criminal Internacional
da criminalidade Pública Policial
Fonte: Adaptado de Elias (2022, p. 93).
O primeiro pilar (Prevenção da Criminalidade) é descrito como primordial em
qualquer Estado de direito democrático.
O segundo (Ordem Pública) assume-se como um valor basilar e indispensável para
todos os cidadãos assim como para as instituições, uma vez que para haver circulação de
pessoas e bens assim como o normal funcionamento das instituições democráticas, a
ordem pública tem de estar garantida de forma sustentável.
Relativamente ao terceiro pilar, o de Investigação Criminal, surge após o falhanço da
ação policial dos dois primeiros Pilares anteriores, ou seja, não foi impedido que o crime
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
fosse praticado, constituindo-se a investigação criminal como uma reação à situação
decorrida. Neste caso, a investigação criminal compreende o conjunto de diligências
processuais para averiguar a existência de um crime, determinar os seus agentes, a sua
responsabilidade, descobrir e recolher provas.
O quarto pilar (Inteligência Policial), “consiste no conjunto de ações a desenvolver
com o objetivo de proceder de forma sistemática, à pesquisa, processamento e difusão de
notícias que tenham como objetivo a segurança interna e prevenir a criminalidade
violenta”.
Por último, o quinto Pilar, em concreto a Cooperação Internacional, que face aos
“problemas que têm uma componente global”, as ameaças transacionais como terrorismo,
a criminalidade organizada, a cibercriminalidade e a espionagem é “imperativo que se
desenvolvam sistemas de cooperação internacionais com a colaboração de todas as partes
envolvidas” (Elias, 2022, p. 109 & Fernandes, 2014, pp. 83- 84).
Em síntese, propomos de seguida refletir e aprofundar o pilar da prevenção da
criminalidade.
3. 3.2. PREVENÇÃO CRIMINAL
A prevenção criminal é uma causa defendida desde os primórdios pelos autores
clássicos como função primordial para erradicação da criminalidade. A título de exemplo,
no séc. XVIII, Beccaria defendia a prevenção criminal como a melhor estratégia que punir
os criminosos e que a persuasão de não encontrar nenhum lugar na terra em que o crime
possa ficar impune seria um meio bem eficaz de prevenção. Sustentava ainda a
necessidade de prevenir todos os abusos que se originam da fermentação contínua das
paixões humanas; o melhor meio de prevenir os delitos seria proteger com leis eficazes a
fraqueza e a infelicidade contra a tirania, e que é bem mais fácil ao legislador preveni-lo
quando não foi cometido do que reprimi-lo quando já se estabeleceu (Beaccaria, 1764).
Já Pensilvânia Buxton sustentava os princípios de Montesquieu e de Beccaria citado por
Foucault que a “prevenção dos crimes é o único fim do castigo” (Foucault, 1987, p. 146).
Por seu lado, Sir Robert Peel é considerado “pai da Polícia moderna”, tendo destacado a
prevenção criminal nos seus nove princípios, afirmando que a missão básica para a qual
a Polícia existe, é prevenir o crime e a desordem como alternativa à repressão do crime
(Peel, 1829).
30
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Existem várias teorias sociológicas e criminológicas que procuram compreender as
causas que influenciam a prática dos crimes. Neste sentido, ao “falarmos de prevenção
criminal torna-se necessária à sua descrição, uma vez que só é possível delinear
estratégias de prevenção se tivermos conhecimento das causas e pressupostos que podem
estar na origem do fenómeno criminal” (Mora, 2010, p. 9).
Neste sentido, seguir-se-ão teorias que defendem a prevenção como fundamental
para neutralizar a criminalidade, destacando ainda formas de prevenir os crimes.
Começando pela teoria das janelas quebradas, esta sustenta que a negligência estatal
em relação a determinadas zonas urbanas e suburbanas pode conduzir ao cometimento de
mais incivilidades e à prática de ilícitos criminais sucessivamente mais graves, ou seja, é
preferível eliminar as incivilidades antes que escalem para crimes por meio de políticas
públicas de segurança, com destaque para medidas preventivas (Wilson & Kelling (1982).
Esta teoria é apresentada por Coutinho (2015) citando Wacquant, (2001), usando o ditado
popular que diz "quem rouba um ovo, rouba um boi" acrescentando “que se um criminoso
pequeno não é punido, o criminoso maior se sentir-se-á seguro para atuar na região da
desordem” (p. 1).
Outra teoria relevante é a da Prevenção Situacional do Crime. Segundo Clarke (1980)
será necessário primeiro a compreensão das causas do crime, elencando as medidas
preventivas físicas e sociais como primordiais. As medidas preventivas físicas consistem
em reduzir a oportunidade de ocorrência de um determinado crime ou que aumentam as
chances de um infrator ser apanhado.
Por outro lado, as medidas sociais revestem-se de elevada eficácia visto que abordam
as causas motivacionais fundamentais da criminalidade. De acordo com Mora (2010), a
prevenção social do crime pode ser dividida em cinco áreas:
a) Prevenção na primeira infância ou em fase de desenvolvimento; b) Abordagens de
desenvolvimento comunitário; c) Prevenção que se concentra em instituições como
escolas e empregadores, em vez de nos indivíduos; d) Programas preventivos de
desvio de grupos em risco; e) Meios de comunicação social e outros tipos de
publicidade que visem a mudança de valores sociais (p. 20).
Outra teoria, na nossa perspetiva relevante é a da atividade rotineira acima descrita,
desenvolvida por Cohen & Felson, (1979). Estes autores defendem que para a ocorrência
de um crime existe uma combinação de três fatores, nomeadamente, um autor motivado,
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
um alvo vulnerável e a ausência de medidas de segurança capazes. Com isso, podemos
afirmar que na ausência de um dos fatores mencionados poderá não ocorrer a prática do
crime. Há, no entanto, a necessidade de pelo menos a criação de uma das condições que
vise a prevenir a ocorrência deste mal. Estas medidas implicam a redução das
oportunidades do autor da tal prática, redução das vulnerabilidades dos alvos ou através
de medidas de segurança são capazes de fazer face à ameaça.
Nesta teoria, existe um aspeto em comum com a teoria da prevenção situacional que
é a necessidade de redução das oportunidades da concretização do crime. Aliás, a própria
Teoria das Oportunidades propugna que a oportunidade de cometer um crime é a causa
raiz do crime, argumentando que nenhum crime pode ocorrer sem a oportunidade física,
a qual, constitui a chave em todos os crimes, não apenas naqueles que envolvem
propriedade física, reduzindo ou aumentando (consoante os casos) a oportunidade do
crime (Clarke & Felson, 1998). É através destas oportunidades que os defensores da
Teoria da escolha racional, sustentam que o delinquente racionaliza a sua decisão depois
de reconhecer, avaliar e responder consoante a sua perceção do risco, da recompensa e do
esforço necessário para o crime, ou seja, através da avaliação da relação entre o custo e o
benefício (Cornish, 1986 as cited in Danquah et al 2023).
Do ponto de vista conceptual, a prevenção do crime ou a prevenção da criminalidade
“é um conceito vivo, cujos limites variam de acordo com o quadro institucional em que é
usado e as regiões geográficas, línguas e períodos de tempo em que ele é utilizado”
(International Centre for the Prevention of Crime [ICPC], 2010).
De acordo com Communication from the Commission to the Council and the
European Parliament em consonância com a definição da prevenção da criminalidade da
Council Decision of May 2001, que cria a European Crime Prevention Network
(EUCPN):
as medidas preventivas não devem, pois, incidir apenas sobre a criminalidade strito
senso, mas também sobre os comportamentos antissociais, como fase prévia da
criminalidade. Exemplos de tais comportamentos são os bairros ruidosos, os bairros
caracterizados pela presença de adolescentes, pessoas embriagadas ou pessoas
desordeiras, lixo ou detritos espalhados (…) havendo necessidade de inclusão da ação
do Governo, das autoridades competentes, dos serviços de justiça penal, autoridades
locais, associações especializadas, setores privados e voluntários, investigadores e o
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
público, apoiados pelos meios de comunicação social (Communication from the
European Commission, 2004/C92/2, p. 3).
Conforme atrás citado, Elias (2022), refere que “a prevenção da criminalidade é uma
função primordial em qualquer Estado de direito democrático” (p. 93). Por sua vez
Dias (2023), subdivide a prevenção em duas funções primordiais:
Função de vigilância: que procura evitar que se infrinjam as limitações impostas
pelas normas e pelos atos das autoridades para defesa da segurança interna, da
legalidade democrática e dos direitos dos cidadãos.
Prevenção criminal em sentido restrito: traduz-se na adoção das medidas
adequadas para certas infrações e natureza criminal, que visam a proteção de
pessoas e bens e a vigilância de indivíduos e locais suspeitos (115).
A Estratégia Nacional de Segurança do Ciberespaço da República Portuguesa
2019/2023, no âmbito da prevenção da cibercriminalidade definiu uma orientação geral
e específica, que se traduz em seis eixos de intervenção em linhas de ação concretas como
forma de mitigar a cibercriminalidade, nomeadamente: Estrutura de segurança do
ciberespaço; Prevenção, educação e sensibilização; Proteção do ciberespaço e das
infraestruturas; Resposta às ameaças e combate ao cibercrime; investigação,
desenvolvimento e inovação e cooperação nacional e internacional. Para tal, importa
destacar o segundo eixo que é prevenção, educação e sensibilização, que visa garantir a
segurança do ciberespaço consequentemente prevenir a cibercriminalidade, promovendo
a necessidade do reforço das medidas, entre outras:
salvaguarda do papel fundamental da partilha de informação na avaliação precoce da
ameaça; desenvolver a capacidade de obter, de forma automatizada, coerente e
sistematizada e, conhecimento desses indicadores; sensibilização contínua para a
prevenção da segurança do ciberespaço, reforçando os meios de recolha e
processamento de informação e as capacidades de análise; antecipar a emergência;
conhecer os agentes de ameaça, as suas intenções e capacidades assim como avaliar
os potenciais impactos gerados pela sua atividade; evolução e mutação das ameaças,
viabilizando a adoção atempada de ações que acrescentem resiliência” (Resolução
do Conselho de Ministros, 2019, p. p. 4 - 6).
Rodrigues (2018) desenvolveu uma investigação científica subordinada ao tema
“Prevenção do cibercrime: O contributo da Guarda Nacional Republicana na formação
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
das novas gerações,” tendo concluído que “os jovens, apesar de não estarem muito
recetivos a alterarem os seus comportamentos parecem, pelo menos, ficar mais
consciencializados dos riscos existentes e daquilo que efetivamente fazem na internet”
(p. 5).
Em jeito de conclusão, pode-se afirmar que a prevenção criminal é um conceito muito
amplo atribuído a um vasto conjunto de estratégias veladas pelos órgãos da administração
de justiça criminal ou instituições de execução penal e não só, sendo o Estado o
protagonista principal dentro da razoabilidade (Sento-sé, 2011).
3.4. EVOLUÇÃO DA DIGITALIZAÇÃO EM MOÇAMBIQUE
De acordo com Miguel (2008), “a digitalização refere-se à transformação da
comunicação, incluindo palavras, imagens, filmes e sons, numa linguagem comum”. Um
processo que compreende dois momentos, transformação do analógico para digital, e, a
nível do ciberespaço, de acordo com o autor, existem “ganhos consideráveis em termos
de velocidades e flexibilidades comparativamente aos eletrónicos anteriores” (p. 65).
Neste título, iremos debruçar-nos sobre o processo da evolução da digitalização e da
internet em Moçambique, sobre a evolução das TIC nomeadamente o desenvolvimento
dos sistemas de computadores, comunicações e mídias digitais.
A digitalização em Moçambique remonta ao ano de 1932 a chamada era analógica
quando foi emitido o primeiro Rádio Clube de Moçambique (RCM), uma empresa de
radiodifusão privada que tinha como propósito divulgações periódicas, relatórios de
contas, entrevistas assim como outra documentação-áudio consultada nos arquivos da
instituição (Freitas, 2021). Em outubro de 1975 foi criada a Rádio Moçambique (RM)
depois da extinção do Rádio Clube de Moçambique. Já em fevereiro de 1981 foi emitida
de forma experimental pelo então Governo da República Popular de Moçambique, a
primeira sessão televisiva que era transmitida sistematicamente aos domingos na cidade
de Maputo e Matola designada Televisão Experimental de Moçambique (TEM).
Entretanto, em 1991 passa a designar-se por Televisão de Moçambique (TVM) tendo-se
expandido para todas províncias através da via satélite no ano 1992 (Tonetti, 2007). Já o
Conselho de Ministros, através do Decreto Lei nº 17/91, de 3 de agosto transformou em
empresa pública RM e aprova o seu estatuto através do Decreto nº 18/94 de 16 de junho,
assim como criou TVM e o seu respetivo estatuto nº 19/94 de 16 de junho
34
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Por outro lado, com a aprovação da Lei n.º 18/91, de 10 de agosto, Lei de Imprensa,
um dos grandes marcos que abriu oportunidades para emissão de televisões privadas
tendo emergido em 2002 a primeira televisão privada denominada STV uma televisão da
Sociedade Independente de Comunicação (SOICO), através da Resolução nº 59/2002 de
9 de julho. A segunda foi criada em 2006 denominada Televisão Independente de
Moçambique (TIM) e a terceira é TV Miramar criada em 2008. De acordo com Júnior
(2021) até 2010 ainda na era analógica, Moçambique dispunha de nove televisões sendo
3 públicas e 6 privadas e entre as privadas que atrás não foram mencionadas destacam-
se: a SIRT-TV, criada em 2002 fora da capital moçambicana concretamente na província
de Tete; a KTV que substitui a Rádio e Televisão Klint (RTK) que de acordo com o autor
e sem referenciar o ano da sua emissão é primeira estação televisiva privada criada em
Moçambique e, a TV Maná, a TVM 2 que foi criada em março de 2012 para dar espaço
a outras programações na TVM e a Rádio Televisão Portuguesa para África (RTP-África),
de origem portuguesa. Ainda assim, numa outra fase, surgiram outras televisões como a
CTV, canal que apresenta músicas e cinema de forma experimental; a TV Sucesso em
2016 que pertence a um antigo apresentador da TVM; a Eco TV; a Gungu TV, da
Companhia Teatral Gungu para dar espaço ações teatrais da companhia, assim como a
Top TV, estas ainda na era analógica.
Entretanto, houve necessidade de mudança paradigmática de transitar da era
analógica para a digital, ou seja, da radiodifusão analógica para a radiodifusão digital na
sequência das recomendações de organismos internacionais como é nos casos da União
Internacional das Telecomunicações (UIT), a Associação da Radiodifusão da África
Austral (SADIBA) e a Associação das Autoridades Reguladoras do Sector das
Comunicações da África Austral (CRASA), segundo as quais, Moçambique devia adotar
mecanismos de migração conforme os outros países o fazem ou deveriam fazer (Miguel,
2015).
Para dar resposta a estas recomendações, em fevereiro de 2011, através do Despacho
do Ministro dos Transportes e comunicações foi criada uma Comissão Nacional para
Migração Digital em Moçambique, com vista a delinear as premissas que guiem a
migração digital tanto como planeamento e coordenação do mesmo processo, fruto da
recomendação do fórum da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC)
onde Moçambique é membro que ocorreu em novembro de 2010, que albergava ministros
que superintendem a área das telecomunicações e/ou radiodifusão tendo ratificado e
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
recomendado do seguimento do modelo padrão tecnológico Digital Vídeo Broadcasting
(DVB-T2) da UIT para a TV. Entre os vários objetivos da Comissão destacam-se a
elaboração de estratégia de migração digital; a definição dos processos, instrumentos
legais e o papel de cada interveniente; a elaboração de Plano de Implementação da
Migração da radiodifusão terrestre para digital até ao ano 2013; a definição dos
parâmetros técnicos e administrativos adequados ao processo de migração da
radiodifusão em Moçambique (Ministério dos Transportes e Comunicações, 2015).
Porém, o Governo já havia decidido em 2006 uma nova possibilidade de migração
tecnológica na radiodifusão do análogo para o formato digital até 2015 conforme a
recomendação da UIT. Todavia, o processo de ativação dos primeiros emissores só teve
início em 2018 (Portal do Governo, 2019) e a sua conclusão ocorreu em 2021 em duas
fases: na primeira foram desligadas 16 emissoras analógicas e na segunda 14 emissoras
em setembro e dezembro do mesmo ano respetivamente. Entretanto, este segundo marco
ocorreu 6 anos depois do prazo da agência promotora a conectividade universal às
tecnologias de comunicação e informação UIT, e que antes desta migração, Moçambique
socorria-se de agências “provedoras de sinal de televisão digital, nomeadamente, a TV
Cabo, DSTV, GOTV, ZAP e Star Times” e cerca de 20% de agregados familiares
possuíam televisor (MISA Moçambique, 2021, p. 6.). A materialização da migração
digital foi garantida através da Resolução n.º 28/2021 de 4 de junho, aprovando as fases
de desligamento dos emissores de transmissão analógica de radiodifusão televisiva,
havendo criação e crescimento significativo de mais televisões e rádios quase em todas
as províncias moçambicanas. Atualmente, apesar da era digital ser ainda recente,
Moçambique já dispõe de inúmeros jornais eletrónicos, TVs, Web-Jornais e verifica-se a
transformação dos jornais tradicionais em eletrónicos e as rádios são transmitidas de
forma paralela (Marcelino, 2021).
No que concerne às redes de comunicações, sublinha-se a criação da empresa estatal
única detentora de telefonia fixa, as Telecomunicações de Moçambique (TDM), através
do Decreto nº 05/81, de 10 de Junho, rescindindo os Correios, Telégrafos e Telefones
(CTT), uma empresa com autonomia administrativa, financeira assim como patrimonial
resultante da transformação em empresa pública (E.P) em 1992 nos termos do Decreto nº
23/92 de 10 de setembro num contexto de economia do mercado.
Já em 1997, foi criada a primeira empresa de telefonia móvel, a Moçambique Celular
(MCel), que de acordo com Marcelino (2021) foi estabelecida mediante a um acordo entre
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
a TDM e a (Deutsche Telepost Consulting GmbH), (DETECON GmbH), momento depois
a TDM começou a perder o seu poder comercial devido a adesão do seu público aos
serviços móveis que consideravam mais práticos e confortáveis e, a segunda rede, a
Vodacom, começou a operar em dezembro de 2002 e a terceira e última operadora de
telefonia móvel a Movitel em 15 de maio de 2012. Importa referir que estas operadoras
de telefonia móvel em 2013, trouxeram outras vantagens acrescidas no âmbito das
transações financeiras ao trazer a chamada carteira móvel ou banca móvel em que os
utilizadores podem transferir, receber dinheiro, depositar, pagar água, TV, internet,
comprar Credelec, crédito e mais através de telemóvel sendo m-Kesh da Mcel, m-Pesa
da Vodacom e e-Mola da Movitel, e podendo transferir ou receber dinheiro também para
contas bancárias.
Entretanto, o Decreto nº 47/2002 de 26 de dezembro, veio transformar em Sociedade
Anónima de Responsabilidade Limitada passando a designar-se por Telecomunicações
de Moçambique , S.A.R.L. (TDM), com uma distribuição do capital social de até 20% do
capital social de ações tituladas por técnicos, gestores e trabalhadores da TDM, individual
ou coletivamente; 80% do capital social representada por ações tituladas pelo Estado,
sendo que as ações da TDM diferenciadas de acordo com a natureza da sua titularidade.
Já em 2018, as empresas Telecomunicações de Moçambique, S.A.R.L. (TDM), e
Moçambique Celular (MCel) foram extintas tendo sido estabelecida uma fusão das duas
empresas passando a designar-se por Moçambique Telecom (Tmcel, S.A) ou
simplesmente Tmcel, através do Despacho do Ministério da Justiça, Assuntos
Constitucionais e Religiosos da IIIª Série, Nº 196, de 10 de outubro de 2019, assumindo
ativa e passivamente as sociedades extintas.
As comunicações em Moçambique são reguladas pelo Instituto de Comunicação
Social (ICS) criado pelo Decreto n.º 1/89 de 27 de março com a visão de melhorar os
esforços de comunicação e garantia do desenvolvimento, em subordinação ou
coordenação com o Gabinete de Informação (GABINFO) criado pelo Decreto
Presidencial nº 4/95 de 16 de outubro, substituindo o Ministério da Informação extinto
pelo Decreto Presidencial nº 2/94, de 21 de dezembro.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
3.4.1. EVOLUÇÃO DE COMPUTADORES E DA INTERNET
A nível de evolução dos computadores, Moçambique teve o seu primeiro computador
instalado em 1964 numa fábrica de tabaco que era usado para serviços estatísticos ferro-
portuários nos armazéns gerais dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) (Kluze,
1993, as in cited in Cepik & Marcelino (MCM), 2021).
Seguidamente, em 1969, o Laboratório Numérico e Máquinas Matemáticas recebeu
dois computadores de marca ELLIOT 803B tendo originado o atual Centro de Informática
da Universidade Eduardo Mondlane (CIUEM) já Moçambique independente, na altura
regulado pelo Decreto 540/70 de 10 de novembro. O CIUEM, viria a ser oficializado
1982 tendo se tornado unidade autónoma em 1986 passando a ser Departamento de
Manutenção e Unidade de Processamento de Salários, ficando de fora a Faculdade de
Matemática. Entretanto, Moçambique através do CIUEM, detinha várias cooperações e
parcerias na década 80 e 90 em matéria de informática:
a) A cooperação com a Holanda tinha como propósito montar e desenvolver um centro
de manutenção de computadores no CIEUM para servir a Universidade e os clientes
de fora daquela instituição;
b) Com a Fundação FORD em 1992, tendo colocado à disposição da CIUEM um
donativo destinado ao reforço da sua capacidade institucional em competências
técnicas, académica e científica, bem como a aquisição de documentos, equipamento
informático e intercâmbio;
a) A nível de colaboração: O CIUEM, veio colaborar com Banco Mundial, e a
Agência Sueca de Desenvolvimento da Cooperação Internacional (ASDI) ainda em
matéria de informática.
b) Entre setembro de 1991 e março de 1992, foi realizado um trabalho de análise
situacional com vista à preparação da política de informática da UEM.
c) Já no final da década de 80 e inícios da seguinte, com a implantação da economia
de Mercado, a CIEUM viria a representar os equipamentos da Digital Equipment
Corporation (DEC), a que se seguiria em 1993 a representação da HP e, dois anos mais
tarde, a Sound Micro System, seguindo-se a Laser, fabric de equipamento informático
holandês, (Museu das Comunicações de Moçambique (MCM), s/d).
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Recuando um pouco, em 1987 surgiram as primeiras empresas da área de
informática, na sequência da criação da Comissão Especial de Informática através do
Decreto presidencial. E quem recebeu mais computadores em moçambique foi o Centro
de Informática do Ministério da Defesa Nacional (MDN), que tinha uma capacidade de
armazenamento de 40 a 60 GB, tendo sido usados no âmbito da gestão dos recursos da
defesa assim como a gestão dos desmobilizados da guerra dos 16 anos entre a Renamo e
o Governo moçambicano no que toca ao acordo de paz (MATUSSE, 2013; Conselho de
Ministro, 2000, as in cited in Marcelino, 2021).
O Governo de Moçambique e a multinacional denominada Sahara com sede em
Joanesburgo, na África do Sul como parceira, deram início a uma nova era aquando da
montagem do primeiro computador da marca Dzowo em 2009, tendo em seguida,
montado o primeiro centro de desenvolvimento tecnológico do país com capacidade
inicial para produção e montagem de 11.520 computadores portáteis e desktops por ano
(Verdade, 2009).
Relativamente ao acesso à internet, Moçambique está no top 3 de África dos
primeiros países a conectarem-se à Internet ocupando na terceira posição depois da África
do Sul e Egipto, na década de 1990 apesar de não conseguir manter esta posição e regredir
ainda mais, tendo sida disponibilizada ao público em 1993 e teve como grande mentor da
instalação, Venâncio Massingue, um moçambicano formado nos Países Baixos
(Muchanga, 2006).
Na atualidade com o avanço significativo do uso das TIC, cresce também o acesso e
a provisão os serviços de à Internet tanto no investimento em infraestruturas como fibra
ótica, redes de banda larga assim como nos espaços de acesso de Hi-fi públicos
exemplificando, nas praças. E as infraestruturas são fornecidas por operadores privados
assim como públicos nomeadamente as operadoras de telefonias móveis e não só. A TV
Cabo é umas das operadoras que vinha se destacando na provisão da internet antes das
telefonias móveis através de vários pacotes conforme as necessidades de cada usuário. A
seguir é a Movitel que se destacou aquando da sua aparição ao fornecer a tecnologia 3.5G,
em que o cliente acede internet onde quer que esteja geograficamente. As operadoras
Vodacom e TMCel, o acesso da sua internet é condicionado pela aquisição de modem nas
suas lojas. Outra é KwiKnet, um serviço de internet banda larga da Teledata que
subsidiaria a TDM, (Marrime, 2016).
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Importa referir que, de acordo com o Relatório da Digital 2023 Mozambique,
divulgado pela DatarPortal relata que o país tem cerca de 8,3 milhões de pessoas de
utilizadores de internet, destas 8,2 milhões utilizam redes sociais com destaque para o
Facebook, o WhatsApp e o YouTube, sendo o telemóvel o maior meio de acessibilidade
a internet registando se um aumento de 6,7 % e 14% até no primeiro trimestre de 2023
respetivamente, (DatarPortal, 2023). Neste sentido, apesar das dificuldades económicas
e da pobreza que afeta uma percentagem significativa dos cidadãos, verifica-se uma cada
vez maior taxa de penetração da internet e das redes sociais na população moçambicana.
3.5. SÍNTESE CAPITULAR
Em termos do panorama de Segurança Cibernética a nível Global, Moçambique
encontra-se desprovido quase em todas as vertentes, Técnica, Legal, Desenvolvimento de
Capacidades, Organizacional e Cooperação Internacional. Prova disso, são os Relatórios
da União Internacional de Telecomunicações (UIT) sobre o Índice Global de Segurança
Cibernética (GCI) (2018); do Índice de Desenvolvimento Humano (RIDH) 2021/2022,
instrumento/indicador socioeconómico que serve como base de avaliação dos países e do
relatório da Doing Business um instrumento de indicador de negócios, que classifica os
países em economias em termos de facilidade para fazer negócios através do Banco
Mundial, usando como referência as leis e outros instrumentos legais para promover ou
restringir as atividades empresariais, (2023) colocaram Moçambique nas piores posições
dos países em estudo: 26ª, 132ª, 185ª e 138ª respetivamente,
Em Moçambique aumentam cada vez mais as ameaças cibernéticas seguindo a
evolução do uso das TCI, através de ataques direcionados às infraestruturas, sistemas,
pessoas, espionagem política e empresarial, ciberterrorismo, ciberguerra. Os crimes mais
comuns são: as páginas de internet como alvos preferenciais; no setor financeiro a
clonagem de cartões, phishing, roubo de identidade, os ataques de sequestro de identidade
ransomware, bem como os ataques cibernéticos perpetrados na Dark web e deep web.
Neste sentido, cabe o Estado através dos seus órgãos, garantir a segurança interna a
par da segurança externa podendo esta consubstanciar-se através de prevenção criminal,
quer através de investigação criminal, inteligência policial ou através de cooperação
internacional.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
CAPÍTULO 4
LEGISLAÇÃO DO CIBERESPAÇO MOÇAMBICANO
4.1. INTRODUÇÃO
Até ao término da nossa investigação Moçambique não tinha aprovado uma Lei
específica sobre Cibersegurança, um regulamento jurídico específico sobre o Ciberespaço
assim como uma Lei específica sobre o Cibercrime. No entanto, já existe uma proposta
de lei de segurança cibernética em fase de auscultação pública (Diário Económico, 2023;
INTIC, 2022).
4.1.1. LEGISLAÇÃO NACIONAL
A cibersegurança está plasmada na CRM no seu artº 71º com epígrafe “utilização da
informática” e no nº 1 estabelece a “proibição da utilização de meios informáticos para
registo e tratamento de dados individualmente identificáveis relativos as convicções
políticas, filosóficas ou ideológicas, à fé religiosa, à filiação partidária ou sindical e à vida
privada”. Assim sendo, o cibercrime é um ilícito que, antes de violar qualquer outra
legislação, viola os preceitos constitucionais. E para fazer face aos desafios que o
ciberespaço enfrenta, nomeadamente, a cibercriminalidade, Moçambique tem vindo a
aprovar vários instrumentos legais sobre cibersegurança com início no ano 2000 que a
seguir se apresentam:
o Através da Resolução n.º 28/2000, de 12 de dezembro, Moçambique aprovou a
primeira Política de Informática;
o Lei nº 4/2016 de 3 de junho, Lei das Telecomunicações onde no seu artº 57º, prevê
a punição daquele que for a intercetar as comunicações sem autorização do juiz
competente, pena de prisão maior de dois a oito anos.
o Lei de transações eletrónicas, Lei nº 3/2017 promulgada a 9 de janeiro, que
estabelece princípios e normas gerais, regula as transações eletrónicas, comércio
eletrónico, Governo eletrónico assim como garante a segurança dos provedores e
utilizadores das TIC, No seu art.º 50º estabelece a reutilização dos dados e
informação do Governo onde a quem de direito deve garantir que haja
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
“interoperabilidade e partilha de dados entre as instituições do Governo e da
administração pública”.
o Decreto n.º 67/2017 de 1 de dezembro, Regulamento do Quadro de
Interoperabilidade de Governo Eletrónico, que estabelece as nomas de
implementação e funcionamento, visando a operacionalização da Lei de
Transações Eletrónicas. Consta princípios padrões, diretrizes e arquiteturas
técnico-organizacionais estabelecidas pelo Governo, para a prestação dos serviços
eletrónicos pelas instituições do Estado;
o Política para a Sociedade de Informação aprovada através da Resolução n.º
17/2018 de 21 de junho, que revoga a Resolução n.º 28/2000, de 12 de dezembro,
estabelece a Visão, Missão, Princípios Orientadores, Objetivos e Eixos de
Intervenção. Define ainda Políticas e Regulação, Fatores Críticos de Sucesso para
a sua Implementação.
o Decreto n.º 44/2019 de 22 de maio, Regulamento de Proteção do Consumidor do
Serviço de Telecomunicações, que estabelece mecanismos de proteção dos
diferentes intervenientes no setor das telecomunicações, os consumidores em
particular, nos termos da Lei n.º 4/2016, de 3 de junho, Lei das Telecomunicações.
Este regulamento estabelece o seu objeto e âmbito de aplicação, responsabilidade
ambiental, direitos e deveres dos consumidores, obrigações do operador, prevê
ainda no Capítulo lVº art.º 36º, Regime sancionatório nomeadamente infrações e
multas.
o Em 2019, foi aprovada a Resolução n.º 5/2019, de 20 de junho com vista a ratificar
a Convenção da União Africana sobre Cibersegurança e Proteção de Dados
Pessoais;
o Decreto n.º 66/2019 de 1º de agosto, Regulamento de Segurança de Redes de
Telecomunicações, de 1º de agosto, com objetivo de estabelecer requisitos
mínimos exigidos para a segurança das redes e serviços para garantir a
disponibilidade, integridade, confidencialidade, autenticidade e entres outros.
Estabelece ainda procedimentos de execução de medidas técnicas a serem
observadas em matéria de segurança e integridade da rede e infraestruturas de
telecomunicações; estabelece atribuições às autoridades reguladoras assim como
prevê Regime Sancionatório de sanções e multas em caso de falta de cumprimento
das obrigações resultantes da aplicação deste Regulamento no seu art.º 19º.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
o Resolução n.º 52/2019 de 16 de outubro aprova a Política para a Sociedade de
Informação, para operacionalizar a Resolução n.º 17/2018, de 21 de junho atrás
indicado. Para o efeito, foram aprovados o Plano Estratégico para a Sociedade de
Informação 2019-2028 e o respetivo Plano Operacional 2019/2023.
o Decreto n.º 59/2019, de 1 de dezembro, que Regula o Sistema de Certificação
Digital de Moçambique, (SCDM). Este sistema abrange as atividades de
certificação digital de entidades públicas e privadas, e visa na garantia de ambiente
eletrónico seguro de transações eletrónicas em Moçambique nomeadamente a
autenticidade, integridade e validade jurídica de documentos em formato
eletrónico; Este Decreto estabelece a composição do Comité Gestor do SCDM
suas Competências, prevê Autoridade Certificadora Raiz do Estado que é o INTIC
e suas competências estabelece Funcionamento assim como no art.º 52 prevê
Regime Sancionatório respetivamente.
o Lei n.º 24/2019, de 24 de dezembro, Lei de revisão pontual do Código Penal (CP)
que altera a Lei n.º 35/2014, de 31 de dezembro, trouxe grandes inovações ao
introduzir novos tipos legais de crimes cibernéticos, ao incorporar matérias que
constavam nas legislações avulsas:
Iniciando pela aplicação do Direito Penal no espaço, nomeadamente, o
princípio da territorialidade assim como factos praticados fora do
território nacional (art.º 4º e 5º do CP), este princípio vai de acordo com
o art.º 22º da Convenção de Budapeste, apesar de Moçambique ainda não
ter ratificado.
A nível de infrações prevê como crimes: Acesso ilegítimo (art.º 256º);
interceção ilegítima (256º, nº 2º); Violação de correspondência ou de
comunicações (art.º 253º); Interferência em dados (art.º 337º)
Interferência em sistemas (art.º 338º); (Uso abusivo de dispositivos (art.º
339º)
Infrações relacionadas com computadores nomeadamente falsidade
informática e crimes conexos: Falsidade informática (art.º 336º) e Burla
informática e nas comunicações art.º (289º).
Infrações relacionadas com conteúdo: Pornografia de menores (art.º
211º); Utilização de menores em pornografia (art.º 212º); Distribuição ou
posse de pornografia de menores (art.º 213º) respetivamente;
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Ainda sim, estabelece formas de responsabilidade e sanções a nível
individual quanto das pessoas coletivas de acordo com a Convenção
Budapeste nos seus (art.º 11º e 12º).
Relativamente ao Código do Processo Penal (CPP), Lei 25/2019 de 26 de
dezembro, estão previstos princípios fundamentais do Processo Penal em
consonância com (art.º 15º) da Convenção de Budapeste nomeadamente:
O (art.º 3º) prevê Direito fundamental á presunção de inocência; o (art.º
4º) prevê proibição de provas obtidas por meios ilícitos; (Art.º 5º) prevê
o princípio do contraditório; Direitos dos detidos no (art.º 6º); Direitos à
defensor (art.º 7º); E (art.º 8º) Dever de fundamentação; Já nos art.sº (222
e 225), permite que haja o recurso a escusa telefónica com meios de
obtenção de prova, na criminalidade informática, este último art.º alinha-
se com previsto nos art.sº 17, 18 assim como al. a) do art.º 21 da Lei n.º
2/2017 de 9 de janeiro, que cria o Serviço Nacional de Investigação
Criminal (SERNIC), também em conformidade com a Convenção de
Budapeste no seu art.º 21 respetivamente.
o Decreto n.º 82/2020, de 10 de setembro, Regulamento do Domínio .mz, que
regulamenta o uso do domínio “.mz” Moçambique que visa garantir a fixação dos
termos e condições aplicáveis à gestão, reserva e registo de nomes sob o domínio
da internet “.mz”, bem como estabelece, em termos gerais, dos critérios, direitos
e deveres inerentes ao licenciamento dos agentes de registos, no termos dos art.º
5, 6, e n.º 2 do art.º 7, conjugado com o art.º 74º, ambos da Lei n.º 3/2017, de 9 de
Janeiro, Lei de Transações Eletrónicas
o a Resolução n.º 69/2021 de 31 de dezembro que é a Política de Segurança
Cibernética e Estratégia da sua Implementação, que constitui um marco muito
importante da legislação moçambicana em matéria da prevenção e combate da
cibercriminalidade. Nesta senda, é importante a seguir falar com profundidade
esta resolução.
o Regulamento nº 11/2023 de 11 de abril, Regulamento Sobre Registo dos
Subscritores dos Serviços de Telecomunicações.
o Regulamento de Controle de Tráfego de Telecomunicações, aprovado através do
Decreto n.º 38/2023 de 3 de julho revogando o Decreto nº 75/2014 de 12 de
dezembro, estabelece as normas técnicas de instalação e funcionamento do
sistema de controlo de tráfego transportado nas redes de telecomunicações e
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
aplicado a todos operadores e prestadores de serviços de telecomunicações. Este
Regulamento estabelece ainda poderes de autoridade reguladora, define em que
circunstâncias se considera tráfego fraudulento no seu art.º 9º; define o
funcionamento do sistema de tráfego de telecomunicações; define ainda obrigação
dos operadores nomeadamente a fiscalização entre outras medidas que este
regulamento prevê.
Todo este elenco legislativo representa a crescente preocupação que o poder
político em Moçambique tem vindo a demonstrar em relação às ciberameaças, a
qual, todavia, não é consonante com a aposta tecnológica e de formação que os
órgãos do Estado deveriam deter para aumentar a preparação, resiliência e
cooperação interinstitucional para melhor protegerem a segurança da economia, a
segurança da sociedade civil e a própria soberania nacional.
4.1.2. RESOLUÇÃO N.º 69/2021 DE 31 DE DEZEMBRO, POLÍTICA DE SEGURANÇA
CIBERNÉTICA E ESTRATÉGIA DA SUA IMPLEMENTAÇÃO
Moçambique aprovou a Resolução acima enunciada, que incorpora a Política de
Segurança Cibernética e a Estratégia da sua Implementação, fruto da elaboração e
aprovação de vários outros diplomas legais para mitigar os desafios da
cibercriminalidade. O documento teve como maior inspiração a Estratégia Nacional da
Segurança Cibernética de Moçambique 2017/2021 com destaque para os princípios de
orientação, estratégia, fatores críticos de sucesso e mecanismos de implementação.
Inspirou-se ainda no Plano Estratégico para a Sociedade da Informação 2019-2028 tanto
como o seu plano operacional 2019/2023 aprovados pela Resolução n.º 52/2019 de 16 de
outubro. Nestes, alinha-se com a visão, missão e a metas globais, através de identificação
de um vasto conjunto de indicadores de referência e estabelecendo as respetivas metas
para o período de vigência do plano que permite reforçar o compromisso e analisar o
impacto da implementação assim como as iniciativas a serem desenvolvidas em cada um
dos eixos definidos na Política para a Sociedade da Informação. Ainda assim, a Resolução
é parte da Política para sociedade de informação que poderá ajudar na resolução que o
vetor negativo que o uso das TIC nos impõe, desde regulamentação do uso do espaço
cibernético, desenvolvimento de capacidade institucional e operacional em matéria de
segurança cibernética, proteção de infraestruturas críticas assim como de ativos de
informação, desde o ordenamento e coordenação e colaboração institucional assim como
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
o incremento de boas práticas no uso das TIC. Está também alinhada com as cinco áreas
transversais da Estratégia de Transformação Digital de África (2020-2030). Falando do
Plano Operacional, é o plano de atividade desenvolvida anualmente especificando as
atividades a desenvolver no âmbito de cada iniciativa.
A Política destaca cinco princípios que orientam em matéria de segurança cibernética
nomeadamente: Princípio da Legalidade, Princípio de Gestão de Riscos, Princípio de
Responsabilidade, Princípio de Cooperação e Colaboração, Princípio de Inclusão.
Estabelece ainda seis Pilares que sustentam a Política da Estratégia Nacional de
Segurança Cibernética (PENSC) que são: Boa Liderança e Coordenação; Protecção de
Infraestruturas Críticas de Informação (ICI); Protecção de Ativos de Informação; Quadro
Legal e Regulatório; Desenvolvimento de Capacidade, Pesquisa e Inovação Cultura de
Segurança e Cibernética e Consciencialização.
Os Fatores Críticos de Sucesso também são objeto de referência neste PENSC que
de acordo o dispositivo, a implementação bem-sucedida dependerá amplamente ou será
influenciada pelos fatores da liderança a alto nível comprometimento com a segurança
cibernética nacional; com capital humano altamente qualificados em todos os setores da
sociedade; coordenação e colaboração; e de forma a regular a implementação da PENSC
é necessária uma monitorização constante das ações realizadas por todas partes
envolvidas. São necessários também recursos financeiros para sua materialização
(Estratégia Nacional da Segurança Cibernética de Moçambique (2017; Resolução do
Conselho de Ministros, 2018); Resolução do Conselho de Ministros, 2019).
Relativamente à Estratégia de Implementação da Política de Segurança Cibernética
importa enfatizar que está em conformidade com Pilares da PENSC com associação de
vinte e cinco iniciativas e tem um horizonte de cinco anos.
4.1.3. COORDENAÇÃO E MECANISMOS DA SEGURANÇA CIBERNÉTICA
Para coordenação da segurança cibernética em Moçambique, foi criado o Conselho
Nacional de Segurança Cibernética (CNSC), que tem como responsabilidades, entre
outras, “garantir o alinhamento de políticas, estratégias e outros documentos orientadores
da governação digital (…)” e que é presidido pelo Ministro que superintende a área de
Tecnologias de Informação e Comunicação.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
O Conselho Nacional de Segurança Cibernética (CNSC) é composto por um (1)
Representante dos setores ou entidades responsáveis pelas áreas de: Defesa; Ordem,
segurança e tranquilidades públicas; Tecnologias de Informação e Comunicação; Justiça;
Comunicações; Economia e Finanças; Educação; Saúde; Género e Criança; Energia;
Entidade reguladora de TIC; Entidade reguladora das comunicações; CSIRT nacional;
Secretariado Técnico e Membros convidados para questões de consulta nomeadamente:
Representante da Academia; Representante do Sector Privado e Representante da
Sociedade Civil.
Relativamente aos mecanismos de coordenação, para tal foi cria Rede Nacional de
Equipe de Resposta a Incidentes Cibernéticos (CSIRT) que tem como maior protagonista
o INTIC tendo um desafio a criar CSIRTs Setoriais. Para tal, os anexos 1 a 3, ilustram as
estruturas do CNSC, da Rede Nacional de CSIRTs e estrutura funcional do CSIRT
Nacional.
4.2. DIMENSÃO INTERNACIONAL DA LEGISLAÇÃO DO CIBERESPAÇO
Com o incremento das ciberameaças devido à crescente evolução das TIC urge
necessidade dos países a cooperarem em matéria de segurança cibernética como forma
de responder a cibercriminalidade. Aliás, um dos cinco Pilares da União Internacional de
Telecomunicações [UIT], (2007) onde Moçambique participa em matéria de segurança
cibernética é a Cooperação Internacional, podendo ser (Bilateral, Regional, Continental
ou Global).
Face ao exposto, Moçambique não é alheio à necessidade de melhorar a sua
resiliência face às ameaças e riscos digitais na medida em que, está envidando esforços
no sentido de mitigar esta situação, encontrando-se na fase de adesão a vários normativos
a nível internacional de modo a incorpora-los na sua legislação nacional. A título de
exemplo, “em 2012, os Ministros das TIC da Comunidade do Desenvolvimento da África
do Austral (SADC) aprovaram as seguintes três Leis Modelo Harmonizadas para a
Segurança Cibernética a nível da SADC: Lei de Comércio Eletrónico; Proteção de Dados
e Cibercriminalidade” (Estratégia Nacional da Segurança Cibernética de Moçambique,
(2017, p. 9). Ainda de acordo com esta Estratégia, estas leis-modelo estão alinhadas com
o projeto HIPSSA (Harmonização das Políticas de TIC na África Subsariana) da União
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Internacional das Telecomunicações (UIT) assim como a Convenção da União Africana
sobre Segurança Cibernética e Protecção de Dados Pessoais.
Por outro lado, Moçambique como membro da SADC fez parte do desenvolvimento
da Lei-Modelo de proteção de dados que serve como guia para Leis de proteção de dados
dos países desta agremiação ocorrido em 2013.
Já no âmbito da União Africana, de acordo com Marcelino (2021), Moçambique
ratificou a Convenção da União Africana sobre a Cibersegurança e Proteção de Dados
Pessoais em 2018. Esta Convenção para além da proteção dos dados prevê entre outros
temas, a responsabilidade contratual do fornecedor de bens e serviços por meio eletrónico,
publicidade por via eletrónica, estabelece ainda a Segurança das Transações Eletrónicas,
âmbito de aplicação, quadro institucional, obrigações, princípios (..) (UA, 2014). No
entanto, para materializar esta adesão, em 2019, Moçambique aprovou Resolução nº
5/2019 de 20 de junho.
Conforme atrás referido, Moçambique ainda não aderiu à Convenção Sobre
Cibercrime de Budapeste, participando apenas na UIT, havendo uma incógnita sobre os
procedimentos legais a adotar em caso de pedido de extradição relativamente aos crimes
digitais praticados fora de Moçambique e vice-versa.
No entanto, esforços estão a ser empreendidos com vista a ratificar esta Convenção.
Exemplo disso, ocorrem vários encontros entre representantes dos Governos e das
magistraturas nacionais e internacionais que debatem sobre a necessidade de adesão a
esta Convenção, sendo que em 8 de novembro de 2021, ocorreu em Maputo um Fórum
de Governação da Internet em Moçambique, com o tema, “Políticas e Regulamentação
no Espaço Cibernético: Proteção de dados e Crimes Cibernéticos” onde um dos pontos
de agenda era sobre a importância de adesão da Convenção de Budapeste (INTIC, 2021).
No dia 7 março de 2023 uma Delegação moçambicana composta por quadros da
Assembleia da República (AR), Procuradoria Geral da República (PGR) e do Instituto
Nacional de Tecnologia de Informação e Comunicação (INTIC) participou na
Conferência Internacional sobre Cibercrime e Provas Digitais no Reino Unido de
Marrocos (INTIC, 2023). No dia 21 de setembro de 2023, decorreu um Seminário sobre
Legislação em matéria de Cibercriminalidade e Provas Eletrónicas e um especialista do
Conselho da Europa advertiu sobre a importância da necessidade de Adesão à Convenção
de Budapeste sustentando que salvaguardará a integridade e soberania do próprio Estado
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
(INTIC, 2023). A nível da CPLP, onde Moçambique faz parte de vários Fóruns, um dos
pontos de agenda importantes é sobre a vantagem de Adesão à Convenção de Budapeste.
E no dia 2 de julho de 2021 realizou-se a terceira reunião informal do Fórum sobre
Cibercrime por videoconferência, juntando especialistas dos Ministérios Públicos da
Lusofonia no âmbito do combate ao cibercrime e, o ponto décimo primeiro da agenda era
sobre:
a possibilidade de adesão à Convenção do Conselho da Europa sobre o Cibercrime,
partilha de informação e conhecimento sobre os quadros jurídicos dos diversos países
lusófonos no âmbito da cibercriminalidade, bem como facilitar o intercâmbio de
experiências e boas práticas processuais necessárias com vista à ultrapassagem dos
múltiplos problemas técnicos assim como jurídicos com que os magistrados se
enfrentam nesta área, dos crimes cibernéticos e cometidos com o auxílio das
tecnologias e das redes de informação e comunicação” (Ministérios Públicos
Lusófonos, 2021, s/p),
Por outro lado, sobre a matéria de pedido de extradição no que concerne aos crimes
digitais, a Lei n.º 21/2019 de 11 de novembro, estabelece os Princípios e Procedimentos
da Cooperação Jurídica e Judiciária Internacional em Matéria Penal, onde os art.º 32º a
38 estipulam as condicionantes legais a ter em conta para os devidos efeitos. E o art.º
157º, com epígrafe “Interseção de telecomunicações”, prevê o nº 1 que:
pode ser autorizada a interceção de telecomunicações realizadas na República, a
pedido das autoridades competentes do Estado estrangeiro, desde que tal esteja
previsto em acordo, tratado ou convenção internacional e se trate de situação em que
seja admissível, nos termos da lei de processo penal e demais legislação aplicável,
em caso nacional semelhante.
E o art.º 23º com epígrafe “formas de transmissão do pedido” no nº 1, prevê, “quando
disponíveis, e mediante acordo entre os Estados requerente e requerido, podem utilizar-
se na transmissão dos pedidos os meios telemáticos adequados, desde que estejam
garantidas a autenticidade e a confidencialidade do pedido e a fiabilidade dos dados
transmitidos”, sem prejuízo do estabelecido no art.º 30º sobre medidas provisórias
urgentes conforme estabelece o nº 2 d o art.º 23º desta lei.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
4.3. AUTORIDADE LEGAL (REGULADORA) DO GOVERNO EM
MATÉRIA DE SEGURANÇA CIBERNÉTICA
O Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) e o
Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM), tutelados pelos Ministério
da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e Ministério dos Transportes e Comunicações,
são as autoridades legais reguladoras em Moçambique quanto a matéria da
cibersegurança. O INTIC foi criado pelo Decreto n.º 9/2011 de 4 de maio e extingue a
Unidade Técnica de Implementação da Política de Informática (UTICT), criada pelo
Decreto n.º 50/2002, de 26 de dezembro.
Entre outras atribuições e competências destacam-se: apoiar tecnicamente todos os
órgãos e instituições do Estado no domínio das tecnologias de informação e comunicação,
visando a melhoria da prestação de serviços públicos e da governação; coordenar o
conjunto de atividades realizadas no domínio das tecnologias de informação e
comunicação, em sinergia com outras entidades públicas, privadas e da sociedade civil;
exercer atividade reguladora no domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação,
em coordenação com o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM);
realizar atividades de pesquisa técnico-científica no domínio das tecnologias de
informação e comunicação; assegurar a gestão da Rede Eletrónica do Governo (GovNet)
(art.º 4º - 5º). Já o Decreto n° 60/2017 de 6 de novembro, vem redefinir as atribuições do
INTIC para regular, supervisionar e fiscalizar o sector de TIC. No entanto, o Decreto n°
90/2020 de 9 de outubro vem estabelecer o INTIC como um Instituto Público regulador
de TIC e coordenador da governação digital e da internet revogando o Decreto n°
60/2017.
Para o INCM, este foi criado pelo Decreto nº 22/92, de 10 de setembro. Entre várias
atribuições, o Instituto tem a missão de regulação, supervisão e fiscalização dos setores
postal e das telecomunicações; salvaguardar os interesses do consumidor no âmbito da
presente Lei e sem prejuízo da Lei da Defesa do Direito do Consumidor, prestando a
informação necessária aos consumidores, sem prejuízo das confidenciais nos termos do
(art.º 4).
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
4.3.1. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL DOS CRIMES CIBERNÉTICOS EM MOÇAMBIQUE
A Polícia da República de Moçambique (PRM) não dispõe de uma valência de
investigação criminal seja qual for o crime.
Para tal, existe um serviço competente denominado Serviço Nacional de Investigação
Criminal (SERNIC) responsável pela investigação criminal em Moçambique e o crime
cibernético de forma exclusiva. Este serviço é tutelado pelo Ministério do Interior e foi
criado pela Lei n.º 2/2017 de 9 de janeiro da então Polícia de Investigação Criminal (PIC)
e que até à data da sua criação se encontrava sob alçada da PRM. Entre as suas funções
gerais e funções específicas destacam-se a investigação dos crimes informáticos, e
estabelecer ligações aos órgãos nacionais de investigação criminal através da INTERPOL
e de outras organizações da mesma natureza conforme os art.º 6º e 7º desta Lei.
Entretanto, o nº 2 do art.º 157º da Lei n.º 21/2019 de 11 de novembro, que estabelece os
Princípios e Procedimentos da Cooperação Jurídica e Judiciária Internacional em Matéria
Penal estabelece quem deve receber os pedidos de interceção de informação,
nomeadamente o próprio SERNIC, o Serviço de Informação e Segurança do Estado-SISE
com observância da legislação em vigor, nomeadamente da Lei das Telecomunicações e
da Lei das Transações Eletrónicas, assim como da Lei n.º 21/2019 de 11 de novembro.
Cabe assim aos serviços referidos apresentar os pedidos de cooperação ao Juiz de
Instrução Criminal para efeitos de autorização.
Em jeito de conclusão, Moçambique mantém o desígnio de ver o ciberespaço livre
de cibercriminalidade. pelo que, nos últimos anos, têm sido desenvolvidas diversas ações
de sensibilização e debate sobre o tema. Desta forma, no que concerne à prevenção e ao
combate deste tipo de ilícito criminal teve lugar no dia 24 de Fevereiro de 2022, na Cidade
de Maputo o lançamento da Plataforma de Denúncia de Fraudes com Recurso a Redes de
Telecomunicações ou Meios de Pagamentos Eletrónicos tendo sindo assinado
memorando de Entendimento entre a PGR, INCM; Banco de Moçambique (BM),
SERNIC, as Operadoras de Telefonia Móvel, as Instituições de Crédito e Sociedades
Financeiras, “com vista a responder de forma célere e em tempo útil às fraudes com
recurso a redes de telecomunicações ou meios de pagamentos eletrónico, através de uma
plataforma integrada de denúncias, tratamento e partilha de informação sobre fraudes
associadas à plataforma” (Procuradoria Geral da República [PGR], 2022).
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Importa referir que a PGR, no âmbito do combate à cibercriminalidade, criou em
março de 2020, um Gabinete de Cibercrime, no seio da sua Procuradoria-Geral da
República que visa coordenar a atividade do Ministério Público na área do cibercrime e
da prova digital nomeadamente a capacidade de realização de perícia digital, tendo sido
estabelecidos pontos focais em cada uma das 11 províncias de Moçambique, chefiados
por um Diretor e Adjunto-Diretor que também são o ponto de contacto no Fórum do
Cibercrime (Ministérios Públicos Lusófonos (2021).
4.4. LEGISLAÇÃO DO CIBERESPAÇO EM PORTUGAL
Como atrás referido, em todos os Estados de direito democrático, é função primordial
do Estado garantir a segurança dos seus cidadãos e bens e, o espaço cibernético não é
exceção, onde através das Forças e Serviços de Segurança e dos Serviços de Informações
previnem e combatem o cibercrime, o hacktivismo, a ciberespionagem e o
ciberterrorismo. Porém, atualmente reconhece-se que a atuação deve passar por uma ação
conjunta entre as várias instituições, tendo por base um ecossistema de segurança.
Tal como Moçambique, em Portugal também o enquadramento legal se encontra
estabelecido na Constituição da República Portuguesa (CRP) no art.º 35.º onde no seu n.º
4º prevê a proibição do acesso ilegítimo de dados pessoais de terceiros, “salvo em casos
excecionais previstos na Lei”. No entanto, além de ser um crime penalizado nos art. ºs
193.º e 194.º do Decreto-Lei n.º 48/95, de 15 de março, alterado pela Lei n.º 102/2019,
de 6 de setembro, é suscetível de ser enquadrado, em certos casos, na violação dos direitos
de autor e de ser utilizado como suporte a crimes secundários ou derivados ou, pelo
menos, utilizado como meio ou intermédio da obtenção de outros.
Em Portugal, a primeira Lei do Cibercrime surgiu em 2009, a Lei n.º 109/2009 de 15
de setembro, que prevê as disposições penais materiais e processuais, bem como as
disposições relativas à cooperação internacional em matéria penal, relativas ao domínio
do cibercrime e da recolha de prova em suporte eletrónico, transpondo para a ordem
jurídica interna à Decisão Quadro n.º 2005/222/JAI, do Conselho, de 24 de fevereiro,
relativa a ataques contra sistemas de informação e adaptando o Direito interno à
Convenção sobre o Cibercrime do Conselho da Europa.
Uma vez que a Convenção sobre o Cibercrime (Budapeste de 23 de novembro de 2001)
teve como objetivo proteger determinados direitos, tais como a confidencialidade, a
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
integridade e a disponibilidade de sistemas informáticos, redes e dados, reprimindo a
criminalidade e o uso fraudulento dos sistemas informáticos.
Assim sendo, a da Lei n.º 109/2009, de 15 de setembro, do ordenamento jurídico
português, contempla a criminalização da falsidade informática (art.º 3.º), do dano relativo
a programas ou outros dados informáticos (art.º 4.º); da sabotagem informática (art.º 5.º),
do acesso ilegítimo (art.º 6.º), da interceção ilegítima (art.º 7.º) e da reprodução ilegítima
de programa protegido (art.º 8.º), com isso, podemos dizer que esta Lei está a linhada da
Convenção sobre o Cibercrime de Budapeste.
Com a aprovação da Lei de Organização da Investigação Criminal (LOIC), Lei n.º
49/2008 de 27 de agosto, estabeleceu-se as competências da Polícia Judiciária (PJ) em
matéria de investigação criminal, no âmbito do cibercrime, através do art.º 7.º, n.º 3, alínea
l), sendo crimes “informáticos e praticados com recurso a tecnologia informática”.
Relativamente à estrutura orgânica da Polícia Judiciária, o art.º 18.º, n.º 3, alínea d)
do Decreto-Lei n.º 137/2019, de 13 de setembro, estabelece a Unidade Nacional de
Combate ao Cibercrime (UNCC) e à Criminalidade Tecnológica enquanto Departamento
competente para a investigação deste tipo de ilícito criminal.
Por outro lado, pretendeu-se estabelecer o regime jurídico da segurança do
ciberespaço com a aprovação da Lei n.º 46/2018 de 13 de agosto, transpondo a Diretiva
2016/1148, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 6 de julho de 2016, atinente a
medidas destinadas a garantir um elevado nível comum de segurança das redes e da
informação em toda a União Europeia, criando o Conselho Nacional de Cibersegurança.
Portugal dispõe de Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) destinado a garantir
o uso do ciberespaço de modo livre, confiável e seguro, em articulação com todas as
autoridades competentes, bem como a implementação de medidas e instrumentos
necessários à antecipação, deteção, reação e recuperação de situações que possam
ameaçar o interesse nacional e o funcionamento da Administração Pública, dos
operadores de serviços essenciais e dos prestadores de serviços digitais, dos operadores
de infraestruturas críticas, Ademais, é o ponto de contacto único nacional para efeitos de
cooperação internacional, sem prejuízo das atribuições legais da Polícia Judiciária em
matéria penal.
Entre outras atribuições, o CERT.PT do CNCS tem por obrigação exercer a
coordenação operacional na resposta a incidentes, nomeadamente em colaboração com
53
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
as equipas de resposta a incidentes de segurança informática setoriais existentes,
monitorizar os incidentes com implicações a nível nacional e ativar mecanismos de alerta
rápidos. A nível político, Portugal tem um Conselho Superior de Segurança do
Ciberespaço, órgão específico de consulta, tem como desígnio auxiliar o Primeiro-
Ministro nos assuntos concernentes à segurança do ciberespaço. Espelhando as
preocupações com a segurança deste, efetuaram-se alterações à Lei n.º 53/2008, de 29 de
agosto, alterada pela Lei n.º 21/2019, de 25 de fevereiro, em especial a introdução do
coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança, na composição do Conselho
Superior de Segurança Interna (art.º 12.º, alínea n)).
4.4.1. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL DOS CRIMES CIBERNÉTICOS EM PORTUGAL
Em Portugal, a investigação dos crimes informáticos e praticados com recurso a
tecnologia informática é da competência reservada da Polícia Judiciária, criada pelo
Decreto-Lei n.º 275-A/2000, de 9 de novembro, revogado pelo Decreto-Lei n.º 137/2019,
de 13 de setembro, que aprovou a sua estrutura organizacional), não podendo ser deferida
esta competência a outros Órgão de Polícia Criminal (OPC). A prerrogativa supra atinente
à competência reservada de investigação de crimes informáticos advém do art.º 7.º, n.º 3,
alínea l) da Lei n.º 49/2008 de 27 de agosto, que aprova a LOIC. Numa perspetiva
nacional, importa referir também a criação da Unidade Nacional de Combate ao
Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica, com base na referência infra do Decreto-Lei
n.º 81/2016, de 28 de novembro, onde o art.º 1.º, n.º 1 deste diploma consagra que é
“criada, na estrutura orgânica da Polícia Judiciária, a Unidade Nacional de Combate ao
Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica” e, determina o n.º 2 que esta vem substituir a
antiga Unidade Nacional da Investigação da Criminalidade Informática.
Relativamente à Polícia de Segurança Pública em matéria de segurança cibernética e
a investigação dos crimes cibernéticos, e no âmbito das respetivas atribuições legais
diante do número crescente de utilizadores cibernéticos e do consequente aumento da
cibercriminalidade, a PSP identificou a necessidade de criar o Núcleo de
Cibercriminalidade, inserido no Departamento de Investigação Criminal da Direção
Nacional.
A sua génese consumou-se a partir do Despacho nº 6158/2017, de 13 de julho, tendo
tão-só iniciado funções em janeiro de 2021. O núcleo em questão tem como encargo
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
apoiar a estrutura de Investigação Criminal, no tocante à prevenção, deteção e
investigação de condutas ilícitas cometidas com o auxílio de meios informáticos. A sua
área de atuação diz respeito a cibercrimes contra bens jurídicos não digitais, tal como a
ofensa contra a honra ou a imagem,
Além destes, na esfera das competências de investigação da PSP enquadram-se
igualmente os intitulados cibercrimes instrumentais, ou seja, crimes cibernéticos impuros,
designadamente crimes tradicionais consumados com recurso a meios tecnológicos, tais
como a burla, difamação e a exploração sexual de menores online.
Neste plano, atualmente afiguram crimes tradicionais aqueles que recorrem a
plataformas de redes de internet, a mensagens de correio eletrónico e a redes sociais,
exemplificativamente a plataforma WhatsApp para troca de mensagens.
Por seu turno, os denominados crimes ciberdependentes ou crimes cibernéticos
puros, não constam na competência da PSP, posto que atacam a confidencialidade,
integridade, disponibilidade e não repúdio de dados informáticos e/ou informação. No
caso de crimes como o acesso ilegítimo e a sabotagem, contemplados na Lei do
Cibercrime, a informação é remetida para o Ministério Público e o Órgão de Polícia
Criminal competente designadamente a PJ.
Ademais, outra tarefa do Núcleo de Cibercriminalidade consiste em dotar o efetivo
de conhecimentos de segurança básica de acesso e utilização da Internet, uniformizar
procedimentos aquando da denúncia de uma vítima, integrar a formação nos Cursos de
Formação, monitorizar fontes abertas de informação através de perfis falsos, inclusive,
exemplificando na Deep Web e na Dark Web e providenciar sessões de esclarecimento e
disponibilização de campanhas de sensibilização à população.
Na dimensão internacional, participa em projetos internacionais de prevenção da
cibercriminalidade, especialmente no domínio do European Multidisciplinary Platform
Against Criminal Threats. Sob outro enfoque, aderiu ao European Cybercrime Training
and Education Group. Estas entidades constituem grupos de trabalho governamentais,
onde colaboram entre si no combate ao cibercrime ao nível Europeu.
De acordo com Elias (2022), também no quadro das suas competências de prevenção
da criminalidade a Polícia de Segurança Pública (PSP) e a Guarda Nacional Republicana
(GNR) desempenham um papel importante através de ações de prevenção criminal e de
sensibilização online, por exemplo no quadro do Programa Escola Segura, Idosos em
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Segurança e de Prevenção da Violência Doméstica em temáticas como os riscos da
internet, bullying, violência no seio da família, violência no namoro, burlas online, tráfico
de estupefacientes nas redes digitais, entre outros, assim como na investigação criminal
(processos de burlas, violência doméstica, perseguição, etc.). Ao nível da prevenção da
violência no desporto e de manutenção da ordem pública nas grandes manifestações
públicas de protesto, a PSP procede à monitorização das redes sociais e grupos de
conversação no sentido de prevenir a violação dos direitos de reunião e de manifestação
e do direito à segurança em eventos públicos.
4.5. SÍNTESE CAPITULAR
Moçambique tem aprovado desde 2000, leis e regulamentações avulsas do
ciberespaço. Apesar disso, tem um desafio para aprovar uma lei específica sobre
Cibersegurança, e um regulamento jurídico específico sobre o Ciberespaço assim como
uma lei específica sobre o Cibercrime. A CRM protege ao cidadão da utilização de meios
informáticos para registo e tratamento de dados pessoais, ficando uma incógnita sobre à
luz da dicotomia liberdade versos segurança.
Sobre a aplicação do Direito Penal no espaço, nomeadamente, o princípio da
territorialidade assim como factos praticados fora do território nacional e princípios
fundamentais do Processo Penal, a última revisão do Código Penal e do Processo Penal
foram acautelados em consonância com a Convenção de Budapeste, apesar de
Moçambique ainda não ter ratificado. Ainda assim, sobre a matéria de pedido de
extradição no que concerne aos crimes digitais, Moçambique detém Lei específica que é
a Lei n.º 21/2019 de 11 de novembro que estabelece os Princípios e Procedimentos da
Cooperação Jurídica assim como Judiciária Internacional em Matéria Penal”.
Ao nível da cooperação internacional, Moçambique está empenhado em erradicar a
cibercriminalidade na medida em que tem ratificado vários acordos internacionais a nível
Bilateral, Regional, Continental ou Global. Exemplo disso, estão em vigor três Leis
Modelo Harmonizadas para a Segurança Cibernética a nível da SADC: Lei de Comércio
Eletrónico; Proteção de Dados e Cibercriminalidade; é membro da União Internacional
das Telecomunicações (UIT) assim como ratificou a Convenção da União Africana sobre
Segurança Cibernética e Protecção de Dados Pessoais, faltando por ratificar a Convenção
de Budapeste.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
CAPÍTULO 5
TRABALHO DE CAMPO, APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE
RESULTADOS
5.1. INTRODUÇÃO
O capítulo em alusão foi reservado para informar ao leitor os procedimentos usados
para a recolha de dados que a seguir serão objetos de análise e tratamento, e,
posteriormente conduzirão às conclusões do investigador, para além das propostas ou
recomendações à PRM e do Estado moçambicano em geral para prevenção da
cibercriminalidade e da melhoria da segurança cibernética em Moçambique.
No âmbito da recolha de dados à distância para as dissertações de Mestrado, tem sido
uma das grandes limitações para o sucesso dos alunos provenientes de Moçambique.
Neste sentido, para inverter este cenário e com vista à recolha de informações
fidedignas, seguras e de qualidade, solicitou-se ao Comando Geral da PRM, o pagamento
de passagem de ida e volta para se deslocar a Moçambique, para além de pedido de
autorização para a recolher os dados, tendo sido respondido positivamente, por parte da
Polícia República de Moçambique (Anexos 5 a 12). De igual modo, tratando-se de
deslocação fora de Portugal, foi necessário pedir autorização ao MI Diretor do Instituto
Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI), tendo sido deferido para
viajar no dia 16 de março e regressar no dia 7 de abril de 2024, e tendo se concretizado a
viagem com sucesso, ( cf. o Apêndice A).
De seguida, deslocamo-nos a Moçambique para recolher as opiniões de cada Oficial
previamente identificados no pedido de autorização. As entrevistas decorreram de forma
individual e presencialmente no intervalo entre 26 de março a 5 de abril de 2024, sendo
7 (sete) transcritas no memento da entrevista no formato word e, 1 (uma) com recurso a
gravador de registo de áudio de telemóvel e posteriormente a sua destruição.
Com base da análise de conteúdos iniciou-se o processos de sistematização e
organização dos dados decorrentes das entrevistas atrás elencados, efetuou-se uma leitura
flutuante de forma vertical e horizontal, com vista a obter procedimentos sistemáticos
assim como objetivos de descrição do conteúdo das informações, que permitam a
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
inferência de conhecimentos no que concerne às condições de produção e ou receção
destas informações através de matriz cromática das unidade de contexto e de registo das
várias questões, e, cada resposta foi objeto de examinação do corpus. Seguidamente,
iniciou-se análise categorial “que consiste no desmembramento e posterior agrupamento
ou reagrupamento das unidades de registo” das questões (Bordin, 2004; 2011, as cited in
Morgado & Ferraz, 2016; Simone & Sousa 2020). Nesta sequência, determinou-se as
categorias, as subcategorias, tendo sidos incorporados as unidades de registos que foram
estabelecidos previamente, as unidades de enumeração e calculou-se a frequência
absoluta respetivamente decorrentes nas matrizes de registo da análise de conteúdo.
A seguir temos o quadro categorial (Quadro 4) que foi construído em conformidade
com princípios de Bardin com destaque para unicidade de categoria em cada divisão,
(Bardin, 2016, as cited in Pereira, 2022), fornecendo hipóteses novas e permitindo
diferentes inferências, cada unidade de registo, existir subcategoria/s e as unidades de
registo coadunarem-se aos objetivos da análise, respetivamente.
Quadro 4: Categorização das Questões
ID Unidade de Categorias
1.1 “papel da PRM na prevenção da cibercriminalidade”
2.1 “medidas a tomar para tornar a PRM moderna, eficiente e profissionalizada”
3.1 “existência de Departamento responsável para crimes Cibernéticos”
4.1 “colaboração da PRM com outras agências governamentais e organizações especializadas
para melhorar a segurança cibernética”
5.1 “meios materiais suficientes e sofisticados dotada pela PRM para prevenção da
Cibercriminalidade”
6.1 “existência de ações de formação aos agentes da PRM em matéria de cibersegurança”
7.1 “desafios que a PRM enfrenta ao lidar com a segurança cibernética”;
8.1 “(in)existência de Políticas/ estratégias e procedimentos da polícia para lidar com incidentes
de segurança cibernética”
Fonte: Adaptado pelo autor.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
5.2. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS
5.2.1. ANÁLISE DE CONTEÚDO DAS ENTREVISTAS
Começando por analisar à primeira Questão. No seu entender, qual é o papel da
Polícia da República de Moçambique (PRM) (em que vertentes pode atuar) no
combate e/ou na prevenção do cibercrime? – No que concerne à prevenção 87,5% dos
entrevistados responderam positivamente, afirmando que a PRM tem papel fundamental
na prevenção da cibercriminalidade. os entrevistados destacaram a necessidade do
conhecimento da literacia digital, adotar medidas de sensibilização ao grupo-alvo
nomeadamente os cidadãos. Relativamente ao combate, 87,5% dos entrevistados
mencionaram que a PRM desempenha papeis cruciais no combate à cibercriminalidade,
na identificação de casos relacionados, elaborar as respetivas peças de expediente (autos),
e encaminhar às demais autoridades para procedimentos subsequentes e, atuando na
sensibilização da sociedade para o seu combate. E, por último, 75,00% dos entrevistados
responderam que a PRM pode simultaneamente atuar nas duas vertentes (prevenção e
combate), na medida em que “tem papel muito importante no combate a qualquer tipo de
crime, ou seja, antes de combater, tem de prevenir, e se a prevenção falhar, deve optar
pelo combate”(cf. os apêndices M e N do quadro 5 e tabela 1 ) de matriz cromática e da
análise de conteúdo
Relativamente a segunda Questão: Que medidas devem ser tomadas para tornar
a (PRM) uma polícia moderna, eficiente e profissionalizada para fazer face a
prevenção do/a Cibercrime/cibercriminalidade? – Uma das expressões mais sonantes
ou citada pelos entrevistados é a formação dos quadros, instando a necessidade de se
“providenciar uma formação contínua (…) oferecer um treinamento especializado em
cibercrime e forense aos agentes, “(…) nos Centros de Formação Básica, Curso médio
e do nível Superior” (…) urgente tomar medidas de educação científica ao Homem
(polícia) (…) conceção de conteúdos em palestras, seminários e reciclagem” “(…) de
modo a fazer face aos desafios contemporâneos”. “investir no conhecimento (…)”
“seguir essa dinâmica com vista a atualização no âmbito do uso das TIC (…) “apostar na
formação em matérias de cibersegurança, implementar conteúdos (…) “consciencializar
os membros em matéria de segurança de cibernética”. Portanto, 75,00% dos entrevistados
é que estiveram à par deste valor. Por outro lado, 25,00% dos inquiridos defendeu a
necessidade de criação de condições de aquisição “de ferramentas e/ou recursos
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
tecnológicos que se adequem às exigências da prevenção deste tipo de crime, e um dado
muito importante, um dos entrevistados insta a monitorização das redes sociais (…)
“exigindo a presença nas diferentes redes e plataformas tecnológicas do denominado
ciberpoliciamento”. Ao nível da Organização, 12,5% dos intervenientes de forma direta
sustentaram a necessidade de criação de uma Unidade especial para lidar com a
cibercriminalidade, “a criação de um Departamento exclusivamente para lidar com esse
fenómeno de Cibercrime”. E por último, 25,00% defenderam o intercâmbio com outras
entidades com vista a troca de experiência e cooperação com outras Polícias que têm
experiência nesta matéria de segurança cibernética”, (cf os apêndices M e N do quadro 6
e tabela 2).
No que concerne a terceira Questão: Existe um Departamento, Gabinete ou Secção
na PRM que responde apenas à questão de crimes Cibernéticos? 25,00% dos
entrevistados referem existir este Serviço, mas vocacionados para a prevenção de
incidentes cibernéticos dos dispositivos da PRM, nomeadamente “Secção de Gestão,
Auditoria e Segurança de Sistemas” e “Departamento de Tecnologias e Sistemas de
Informação e Comunicação” esta última, está mais “voltada na aquisição, assistência e
manutenção de dispositivos informáticos e respetivos sistemas”. Por seu turno, 75,00%
referem não existir um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde
exclusivamente à crimes Cibernéticos. Na subcategoria “não existe” é observam-se
respostas comuns “ainda não temos um Departamento”; “no momento ainda não (…)”
“não me parece que haja algum (…)” “O que eu saiba não existe” (…) com competências
exclusivas para a prevenção dos crimes cibernéticos”, no entanto, um dos informadores
salientou que só existe apenas uma brigada de cibercriminalidade no SERNIC (cf os
apêndices M e N do quadro 7 e tabela 3).
Analisando a quarta questão: como a PRM está a trabalhar/colaborar com outras
agências governamentais e organizações especializadas para melhorar a segurança
cibernética? - Nos (apêndices M e N do quadro 8 e tabela 4) é possível verificar que
62,5% confirmaram que a PRM tem colaborado ou trabalhado com outras agências
governamentais através de pequenas capacitações e Workshops no Instituto de
Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), coordena atividades com o INAGE
e o INCM em matérias relacionadas com a segurança cibernética. No âmbito da
tramitação de expedientes criminais, a Polícia, após a elaboração dos autos, remete-os ao
Ministério Público, SERNIC, SISE, SERNAP para procedimentos subsequentes
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
nomeadamente, para diligências investigatórias. Por outro lado, 25,00% dos entrevistados
responderam negativamente, dizendo que “a segurança cibernética, do que se pode ver na
realidade do nosso país, não se encontra muito voltada para a PRM (...) uma vez que na
PRM não existe um Departamento que lida com a Segurança Cibernética”. No entanto,
12,5% o que correspondente a um entrevistado diz não ter conhecimento da existência ou
não da colaboração com agências governamentais e organizações especializadas para
melhorar a segurança cibernética.
Relativamente à quinta Questão: A Polícia da República de Moçambique está
dotada de meios materiais suficientes e sofisticados para prevenção da
Cibercriminalidade? - Nesta questão, conforme testemunham o quadro 9 e tabela 5 dos
apêndices M e N, a PRM não dispõe de meios materiais suficientes e sofisticados para
lidar com a segurança cibernética obteve 00,00% de respostas. Já na categoria “não está
dotada” 75,00% confirma não haver os meios para a prevenção e combate a este
fenómeno. É comum ver respostas consoantes como: “a PRM não detém ainda desses
meios e equipamentos” (…) Compreende-se que ainda é um desafio” (...) não dispõe de
meios materiais (…) “acredito que não” (…) para prevenção da Cibercriminalidade”, No
entanto, 25,00% não confirmaram da existência ou não dos meios materiais, sendo que
um (1) preferiu omitir a sua opinião, por considerar tratar-se de uma “informação
classificada” e outro diz não ter conhecimento suficiente sobre o assunto em análise.
Dando continuidade na análise da sexta Questão: Será que os agentes da Polícia da
República de Moçambique têm ao seu dispor ações de formação em matéria de
cibersegurança? – 25,00% dos entrevistados, dizem haver formação deficitária e não
abrangente: “existem pequenas capacitações que não satisfazem ainda, através do INTIC”
(…) não são todos que têm formação ou conhecimentos científicos desta matéria
cibersegurança” salientando haver necessidade que “as formações, seminários, abordem
a cibersegurança de forma abrangente e a todos níveis e escalões”. Por outro lado, 37,7%
afirmam que não existe qualquer formação em cibersegurança. Apontam a exiguidade de
meios como uma das limitações para desenvolver conteúdos relacionadas a segurança
cibernética. Já 25,00% dos entrevistados correspondem à subcategoria “resposta não
confirmada” e 12,5% à subcategoria de “resposta não facultada”. Conforme se verifica
no sexto quadro de categorização (cf. os apêndices M e N do quadro 10 e tabela 6).
Relativamente à sétima Questão: Quais são os principais desafios que a PRM
enfrenta ao lidar com a segurança cibernética? – Sobre os desafios da PRM neste
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
campo de estudos gravitam em torno de capacidades dos Recursos humanos, Recursos
materiais, Recursos financeiros e Orgânicos para além de um que não foi especificado.
Neste caso, 75,00% apontaram como desafio a formação do pessoal para prevenir e
combater a cibercriminalidade, salientando a capacitação avançada no mundo digital
como prioridade. Já na aquisição de meios materiais, 87,5% defendem que é necessário
o apetrechamento da PRM de equipamentos tecnológicos modernos para fazer o devido
tratamento das denúncias. Nesta linha, um dos entrevistados aponta como “o principal
desafio (..) a implantação de um sistema tecnológico sofisticado que auxilie na análise de
atividades suspeitas que integrem os crimes de natureza cibernética”. Outro desafio são
os meios financeiros, sendo que 12,5% dos entrevistados aponta este como um fator
importante. Ao nível da estrutura orgânica da PRM, 25,00% sustenta que se trata de um
desafio, a “criação de um comando estruturado (Departamento) para controlar, descobrir
e intercetar ações de cibercrime, inserido nos estatutos orgânicos da PRM (…) em todas
unidades e subunidades policiais”, e por último, 12,5% responderam que “são vários os
desafios devido à complexidade desta problemática”, (cf. os apêndices M e N do quadro
11 e tabela 7).
Analisando a última questão, neste caso a oitava do quadro oitavo: quais são a
políticas/estratégias e procedimentos da polícia para lidar com incidentes de
segurança cibernética? – 50,00% dos entrevistados responderam positivamente, na
subcategoria “existência de Políticas/Estratégias”, informando que no “momento a PRM,
encontra-se no processo de desenho de equipas de CICERT`s”, (…)“o governo implantou
sistema de câmaras de vídeo e segurança nas vias públicas”(…) presume-se que a PRM
esteja a seguir os modelos ratificados por Moçambique ao nível da UA e SADC,
respetivamente, em relação a esta matéria. Contrariamente à resposta acima, 12,5% dizem
não haver políticas/estratégias e procedimentos referindo que “se houver ainda não foi
tornada pública”. No que concerne aos procedimentos, 12,5% é o resultado da resposta
de um entrevistado que diz que os autos lavrados pela Polícia resultantes de crimes
cibernéticos são remetidos ao SERNIC para os procedimentos legais nomeadamente a
investigação”. Ao contrário, na subcategoria “inexistência de procedimento”, 12,5%
afirmam desconhecer a existência de qualquer “protocolo / procedimento interno e oficial
para esses tipos de incidentes se é que existe”. Por último, 12,5% consideram esta como
“informação classificada” (cf. os apêndices M e N do quadro 12 e tabela 8) da matriz
cromática e de análise de conteúdo respetivamente
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
5.3. DISCUSSÃO DE RESULTADOS
Na apresentação e na análise de conteúdo das entrevistas, procurou-se alcançar os
seguintes objetivos: compreender o papel da PRM na Segurança do Ciberespaço para a
prevenção da Cibercriminalidade; examinar a existência ou não de estratégias adotadas
pela PRM na prevenção e combate do cibercrime; examinar a abordagem da PRM quanto
à consciencialização e (ciber)educação da população sobre a segurança cibernética; aferir
da (in)existência de recursos e ferramentas tecnológicas utilizados pela PRM para
prevenir e reprimir os crimes cibernéticos; perceber como ou se a PRM coopera/colabora
com outros órgãos governamentais e agências especializadas na segurança cibernética no
âmbito do exercício das suas atribuições e, aferir da existência de um Serviço especial na
PRM responsável pelo ciberpoliciamento.
Sobre o papel da PRM na prevenção e combate da cibercriminalidade (pergunta da
investigação) os resultados decorrentes da análise das entrevistas confirmam que a Polícia
pode atuar nas duas vertentes (prevenção e combate).
Na primeira vertente, destaca-se a necessidade de literacia digital, de adotar medidas
de sensibilização à sociedade de criar mecanismos para a identificação de casos
relacionados. Ainda sobre a componente preventiva, consultada alguma literatura está em
consonância com o que foi exposto pelo resultado da análise das entrevistas. O estudo de
Pereira (2022), destaca algumas vertentes da Polícia na prevenção de ilícitos no
ciberespaço, designadamente o controlo social externo, a prevenção primária (família,
escola, comunidade, trabalho), secundária, os autores, terciária, os próprios alvos. Aponta
ainda a formação especializada como mecanismo essencial. A autora refere haver um
centro de sensibilização “direcionado a toda a população, em que são promovidas
campanhas informativas e de sensibilização e instrumentos e ferramentas para capacitar
os cidadãos com as necessárias competências digitais e o SeguraNet” (p. 20). Nesta
questão de prevenção, Elias (2024) sustenta dando exemplos que a PSP e a GNR que
desempenham um papel importante na prevenção criminal e sensibilização online
direcionada a comunidade escolar, consciencializando os jovens para os riscos da
internet, bullying, violência doméstica, violência no namoro, burlas online, tráfico de
estupefacientes. Outrossim, o autor sustenta que a PSP tem monitorizado as redes sociais
e grupos de conversação com vista a prevenir a violação dos direitos de manifestação e
de reunião bem como o direito à segurança em grandes eventos.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Ainda sobre a monitorização de redes sociais, para garantir a segurança de grandes
eventos Maia (2019) diz que a PSP “recorre as fontes abertas de informação para recolher
dados e informações no processo de produção de inteligência, que visa obviamente
auxiliar na prática o trabalho da PSP, nomeadamente na organização da segurança de
grandes eventos” (p. 18).
Relativamente à vertente de combate, como atrás verificado, a análise das entrevistas
aponta a necessidade da criação de “mecanismos para a identificação de casos
relacionados com os crimes em ambiente digital, elaborar as respetivas peças de
expediente (autos), e encaminhar às demais autoridades para os procedimentos
subsequentes e, atuando na sensibilização da sociedade para o seu combate”. No entanto,
apesar de haver escassez de literatura sobre esta matéria, Pereira (2022) defende a
“cibereducação como medida preventiva no combate ao cibercrime: há que estar
informado, conhecer o fenómeno, os perigos, as vulnerabilidades, os perfis dos autores
dos crimes, os seus modus operandi, o tipo de ilícito e o tipo de vítima”. Por seu turno,
Elias (2024) defende que “as Polícias necessitam de recrutar de peritos, ferramentas
informáticas para combater a criminalidade verificando-se ainda a necessidade de uma
cooperação mais ampla entre os setores público e privado para lidar com novas ameaças
digitais” (Pág. 197). Esta ideia corrobora a defesa anterior Pereira ao afirmar que (…)
“inclusive repensar o recrutamento de peritos externos e é necessário haver cooperação
interna, com as operadoras de comunicações e com o mundo académico e científico” (P.
58).
No que concerne às ferramentas informáticas para combater a cibercriminalidade,
sobretudo para realizar o ciberpoliciamento: a análise de conteúdo não apontou as
possíveis ferramentas para a realização do ciberpoliciamento, embora seja defendida a
necessidade de policiamento preditivo através de alocação de meios tecnologicamente
sofisticados. Neste contexto, consultamos diversa bibliografia para se aferir as possíveis
ferramentas robustas para este serviço que a seguir se apresentam.
O estudo de Maia (2019) sobre “Ciberpoliciamento das redes sociais: O contributo
das ciências tecnológicas” sugere as seguintes ferramentas: “big data analytics auxiliada
pela ação humana”; outra ideia é “projetar e desenvolver algoritmos computacionais que
permitam a monitorização automática das redes sociais e interpretar os dados”.
Sobre o uso da ferramenta big data, o Departamento de Polícia de Los Angeles
(LAPD), criou uma parceira com a Universidade da Califórnia e projetaram e
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
desenvolveram um Software denominado “PredPol” (Preditive Policing Software), com
o objetivo de usar dados do big data e auxiliar a Polícia a antecipar a ocorrência de crimes
para tomada de melhor decisão, na escolha e na afetação de recursos disponíveis com
vista a prevenir a criminalidade (Pinheiro, 2018). Segundo Tasinaffo (2018), nos Estados
Unidos (EU), o big data é uma ferramenta usada desde 2011 para análise criminal e
permite antecipar as ações policiais. Outra ferramenta que aponta o autor e usada no Brasil
na prevenção dos crimes com análise de Big Data é denominado por DETETA.
A Microsoft em parceria com a prefeitura de Nova Iorque, desenvolveram a
ferramenta (DETETA) em 2014, que faz a monitorização criminal com vista a analisar os
dados obtidos pelo INFOCRIM e pelo Registo Digital de Ocorrências. Para Monteiro,
(2023), as tecnologias de inteligência artificial (IA) e a machine learning fazem uma
análise ao big data (vasto leque de dados) e permitem analisar e detetar ameaças de forma
rápida e precisa e melhorar a capacidade de resposta em tempo real.
Por outro lado, na London Metropolitan Police, que por intermédio do Business Plan
2020-2023, apresenta a delineação da sua estratégia até 2025, sendo que a direção
estabeleceu que a sua missão se traduz em manter a cidade segura para todos os seus
habitantes e visitantes (Metropolitan Police Service, 2022, p. 4). Nesta medida, esta
Polícia tem vindo a adotar um leque de medidas apto a criar capacidades para lidar com
a darknet. Como tal, foi desenvolvida “uma nova capacidade da dark web” e a “missão
da equipa inclui o fornecimento de mercadorias ilegais” nessa camada da Web, pelo que
se prevê um acréscimo do crime organizado (Metropolitan Police Service, 2022, p. 13).
Relativamente à cooperação, esta é a palavra-chave nesta matéria. Como podemos
verificar, no desenvolvimento dos Softwares, as Polícias cooperam com parceiros com
capacidade de desenvolver estas tecnologias atrás descritas como por exemplo,
universidades e empresas tecnológicas. Aliás, tanto as respostas da análise de conteúdo
assim como a análise bibliográfica efetuada defendem uma cooperação mais ampla,
interna assim como externamente, público-privada.
Relativamente à abordagem da PRM quanto à consciencialização e (ciber)educação
da população sobre a segurança cibernética: o resultado da análise de conteúdo não aponta
a existência de qualquer ação em relação a esta matéria. O que se verifica é que a Polícia
quando recebe as denúncias resultantes de crimes cibernéticos apenas lavra autos de
denúncia e remete-nos ao SERNIC para os procedimentos legais subsequentes
nomeadamente, a investigação, conforme respondido pelo um entrevistado na questão 8.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Entretanto, ao percorrermos o/a site/página do Facebook da PRM designado “Comando
Geral da PRM” não se verifica a existência de uma referência explícita à prevenção e
investigação da cibercriminalidade, apenas está publicada informação meramente sobre
a organização. Nesta senda, respondendo a outra das perguntas especificas da nossa
investigação, a PRM não pratica ações de consciencialização e (ciber)educação da
população sobre a segurança cibernética como se verifica noutras Polícias.
Os resultados da análise de conteúdos dão indicadores que a PRM não dispõe de um
Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde exclusivamente à crimes
Cibernéticos como acontece noutros países e que onde já se efetua o ciberpoliciamento.
Como vimos atrás, a PSP dispõe de um Núcleo de Cibercriminalidade e tem monitorizado
as redes sociais para prevenção criminal de grandes eventos. Departamento de Polícia de
Los Angeles (LAPD) através de Software denominado “PredPol” (Preditive Policing
Software), antecipa as ocorrências de crime permitindo estratégias de policiamento nos
locais da maior incidência criminal: ciberpoliciamento através de big data.
A London Metropolitan Police, tem desenvolvido capacidades para lidar com a
darknet, nomeadamente no âmbito da investigação criminal de crimes de terrorismo,
incluindo as vertentes de radicalização e recrutamento.
No Brasil, a Microsoft em parceria com a prefeitura de Nova Iorque, desenvolveram a
ferramenta DETETA que faz a monitorização criminal no ciberespaço.
Em síntese, através do trabalho de campo tendo em conta os resultados de análise de
conteúdo, verifica-se a falta de maturidade por parte da PRM quase nas cinco áreas
transversais que são: Legal, Técnica, Capacidade, Orgânico e ou Organizacional e
Cooperação. Para tal e com vista a inverter esta situação achamos pertinente propor à
PRM alguns desafios e prospetivas.
66
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
5.4. DESAFIOS E PROSPETIVAS PARA A POLÍCIA DA REPÚBLICA DE
MOÇABIQUE (PRM)
Conforme acima referido, ousamos propor à PRM dois desafios que na nossa opinião
acreditamos serem pertinentes e oportunos:
1. Criação de um Departamento ou Unidade Especial de Cibercriminalidade;
2. Criação de um Modelo de Maturidade de Ciberpoliciamento
(MMCIBERPOL).
Em justificação do primeiro ponto da proposta: uma das questões do trabalho de
campo procurava saber se “existe um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que
responda apenas à questão dos Crimes Cibernéticos?”. A resposta a esta questão é
negativa, sendo que a PRM apenas dispõe um Departamento de Sistema de Tecnologias
de Informação e Comunicação voltado para garantir o funcionamento dos dispositivos
informáticos e respetivos sistemas da PRM, havendo uma lacuna no exercício das suas
atribuições de Segurança Interna.
5.4.1. INTEGRAÇÃO E ÁREA DE RESPONSABILIDADE DO DEPARTAMENTO /
UNIDADE DE CIBERCRIMINALIDADE
Como foi referido no subcapítulo 4.3.1, a PRM não dispõe de valência de
investigação criminal, estando esta apenas sob a alçada do SERNIC. Neste sentido,
pensamos ser imprescindível para a melhoria dos indicadores de segurança e de confiança
na segurança interna e na justiça em Moçambique a divisão de competências de
investigação criminal entre a PRM e o SERNIC, tendo em vista critérios de racionalidade
face ao aumento exponencial da criminalidade geral e em particular da
cibercriminalidade, de satisfação das necessidades da comunidade, de qualidade do
serviço público prestado ao cidadão, assim como devido à própria dispersão geográfica e
população do país. Esta proposta implicaria, em princípio, a aprovação de uma Lei de
Organização de Investigação Criminal e a revisão do Estatuto Orgânico da PRM e do
SERNIC. A criação de um Departamento ou Unidade especializada no seio da PRM
implicará a constituição de um centro de ciberpoliciamento atuando na prevenção e no
combate da cibercriminalidade como qualquer outro crime, recorrendo igualmente à
ferramentas de policiamento preditivo como auxílio às vertentes de segurança pública e
de investigação criminal.
67
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Por outro lado, será importante que nas províncias de Moçambique os Comandos da
PRM apostem no policiamento de proximidade e em particular na segurança das escolas
dos diversos níveis de ensino. Neste contexto, no quadro das competências de prevenção
da criminalidade e de sensibilização das crianças e jovens, será fundamental a realização
de campanhas e de ações junto das comunidades escolares alertando para as ameaças e
riscos na internet e para determinadas áreas temáticas como a violência no namoro, o
bullying nas redes, a violência doméstica, o stalking (perseguição), o abuso sexual infantil
online.
A revisão da Lei da PRM com proposta aprovada no dia 12 de março de 2024 pelo
Governo de Moçambique e submetida na Assembleia da República para a devida
apreciação e aprovação final é um passo no sentido acima exposto. Uma das novidades
consiste na criação do Ramo de Investigação de Ilícitos Criminais abreviadamente
designado por RIIC, pelo que, caso seja aprovada, será uma oportunidade para que a PRM
crie um Departamento ou uma Unidade de Investigação Criminal, incluindo nas suas
atribuições a investigação de um vasto catálogo de cibercrimes e apostando na vertente
preventiva, no ciberpoliciamento das redes digitais.
Relativamente à área de responsabilidade ou competência legal do Departamento /
Unidade Especial de Cibercriminalidade: a investigação criminal dos crimes informáticos
em Moçambique é ainda da competência exclusiva do SERNIC. Tendo por base o modelo
português, assim como o acordo de cooperação técnico-policial entre Portugal e
Moçambique, em que a maioria dos crimes informáticos são da competência exclusiva da
PJ, parece-nos que Portugal se pode constituir como uma inspiração, embora o seu
modelo de repartição de competências legais ao nível da cibercriminalidade esteja ainda
em evolução. Face ao número crescente de utilizadores do ciberespaço e do consequente
aumento da cibercriminalidade, a PSP investiga um número de crimes informáticos cada
vez mais expressivo, pelo que será importante colher lições aprendidas deste processo
evolutivo na investigação criminal em Portugal. Neste contexto, a PSP identificou a
necessidade de criar um Núcleo de Cibercriminalidade, inserido no Departamento de
Investigação Criminal da Direção Nacional. Como mencionado, a PJ investiga os crimes
ciberdependentes ou cibernéticos puros como por exemplo o Ransomware e o Phishing e
a PSP (e a GNR) têm assumido a responsabilidade pelos crimes cibernéticos impuros, ou
seja, crimes já existentes tradicionalmente e tipificados, mas em que os meios
informáticos (incluindo os telemóveis) são mais um meio utlizado para auxiliar a sua
68
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
prática. A título de exemplo, referimos os “crimes contra a honra, ameaça, furto mediante
fraude, falsificação de documento, falsa identidade, extorsão, tráfico de droga”, conforme
detalhados no capítulo segundo.
Neste sentido, aprovada a Lei que propõe o RIIC, sugerimos que a PRM passe a deter
a atribuição legal para investigar os crimes cibernéticos impróprios ou abertos e o
Departamento ou a Unidade responsável pela investigação criminal a criar no seio da
PRM integre estas competências. Quanto ao SERNIC pensamos dever assumir a
investigação dos crimes exclusivamente cibernéticos, assim como da criminalidade mais
complexa e organizada.
No que concerne ao ponto dois dos desafios, o Modelo de Maturidade de
Ciberpoliciamento (MMCIBERPOL) para a PRM. Antes de mais, importa-nos fazer uma
conceitualização e exemplificação do que se entende por um modelo de maturidade.
Este modelo constitui o conjunto de caraterísticas, atributos, indicadores ou padrões
que visam representar ou monitorizar a capacidade de progressão numa disciplina
específica, ou seja, o conteúdo do modelo explica as melhores práticas que podem
incorporar padrões ou códigos. Permite que a instituição faça a autoavaliação do atual
nível de capacidades das suas práticas, processo e métodos, com vista a definir objetivos
ou metas e prioridades para a sua melhoria (EUA - Departamento de Energia [DOE] et
al. (2021). De acordo com os objetivos de melhoria traçados, os modelos de maturidade
representam estratégias ou “teorias sobre como as capacidades organizacionais evoluem
numa forma de estágio por estágio, ao longo de um caminho de maturação antecipado,
desejado ou lógico” (Almeida, 2019, p. 9). Rocha, (2000) sustenta que os modelos de
maturidade “são os instrumentos disponíveis para avaliar e ao mesmo tempo orientar as
organizações em direção às melhores políticas e estratégias (p.91).
5.4.2. MODELOS DE MATURIDADE EM CIBERSEGURANÇA
Antes de propormos o nosso modelo de maturidade, iremos fazer uma breve
apresentação de alguns Modelos de Maturidade em cibersegurança. Neste domínio, vários
são os modelos propostos dependendo da situação de cada nação ou organização em
estudo, nível de capacidade e maturidade, objetivos específicos ou necessidades.
Em segurança cibernética, o primeiro modelo foi desenvolvido pelo Centro Global
de Capacidade de Segurança Cibernética (Global Cyber Security Capability Centre –
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
GCSCC) da Universidade de Oxford, modelo de maturidade de capacidade de
cibersegurança para as nações (Cybersecurity Capacity Maturity Model for Nations –
CMM). O segundo foi desenvolvido pelo Departamento de Energia do (DOE) e de
Segurança Interna (DHJ) ambos dos Estados Unidos de América: o modelo de maturidade
de capacidade de cibersegurança (Cybersecurity Capability Maturity Model – C2M2),
(Cepik & Marcelino, 2021). Os mesmos autores, desenvolveram um modelo de Avaliação
da Cibersegurança em Moçambique, o qual será objeto da nossa adaptação. No Brasil, foi
desenvolvido um modelo de maturidade em segurança cibernética para os órgãos da
administração pública federal, proposto por Azambuja & Neto, (2017). Outro modelo de
maturidade é de deteção, desenvolvido por Rego (2017) para Portugal que será
apresentado detalhadamente.
5.4.3. MODELO DE MATURIDADE DE DETEÇÃO (MMD)
O Modelo de Maturidade de Deteção, foi proposto por Rego (2017), na sua
Dissertação de Mestrado em Segurança da Informação e Direito no Ciberespaço, com o
Título: “Deteção de Incidentes de Cibersegurança: Capacidades Mínimas”. O Modelo
tinha como objetivo “dotar as entidades que representem uma organização de utilizadores
bem definida em território nacional”. O Modelo é composto por quatro dimensões
nomeadamente: técnica, humana, processual e organizacional; e cinco níveis de atuação,
que são N-1 que corresponde a fase de Preparação; N-2 que é Arquitetura; N-3, que
corresponde à fase de Dispositivos e Aplicação; N-4 que corresponde à fase de
Procedimento de Cibersegurança e o N-5 que se designa por Security Operations que é a
fase de operacionalização. O MMD culminaria na “criação de uma equipa dedicada à
deteção de incidentes de cibersegurança – Security Operations Centre (SOC)”. A autora
reconhece que “a capacidade em cibersegurança tem três componentes fundamentais”,
que são: a prevenção, deteção e a reação. No entanto, o Modelo focou-se apenas na
componente de deteção, sem descartar a possibilidade de haver complementaridade com
as outras vertentes de prevenção e reação de incidentes. Apesar do modelo ser
desenvolvido em Portugal, este tem aplicabilidade em outros países, designadamente em
contexto europeu.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
5.5. PROPOSTA DO MODELO DE MATURIDADE DE
CIBERPOLICIAMENTO (MMCIBERPOL)
5.5.1. ENQUADRAMENTO
Com vista à melhoria do serviço policial, face aos crimes emergentes,
designadamente, cibernéticos, propomos um Modelo de Maturidade de
Ciberpoliciamento (MMCIBERPOL) para a PRM no âmbito da prevenção e combate da
cibercriminalidade. Com base nos resultados de análise de conteúdo, a PRM ainda se
encontra extremamente atrasada quase em todas vertentes: técnica, legal, capacidade,
orgânica e ou organizacional, assim como na cooperação.
O nosso modelo está alinhado com a Política e Estratégia Nacional de Segurança
Cibernética (PENSC) aprovada pela Resolução n.º 69/2021 de 31 de dezembro, tendo
procurado efetuar a devida adaptação para área securitária. A Política Nacional de
Segurança tem cinco pilares associados com vinte e cinco iniciativas com várias ações
que visam a materialização dos seus objetivos específicos. Está também alinhada com as
cinco áreas transversais da Estratégia de Transformação Digital de África (2020-2030),
relativamente ao tema de segurança cibernética e proteção de dados pessoais.
Nesta senda, os resultados de análise de conteúdos possibilitam a realização de
MMCIBERPOL para a PRM com 5 domínios que são: Legal, Técnica; Capacidade;
Organizacional; Cooperação, 15 Objetivos específicos, constituído de níveis, sendo Nível
zero (N-0) à Nível 3 (N-3). O nível zero é apelidado por nulo e sem práticas; o nível 1 é
designado por preparação; o Nível 2 é fase de procedimentos de ciberpoliciamento e o
Nível 3 e último é a operacionalização do projeto, conforme sintetizado no quadro
seguinte:
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 13: Modelo de Maturidade de Ciberpoliciamento (MMCIBERPOL)
Domínio Nível 0 Nível 1 (N-1) Nível 2 (N-2) Nível 3 (N-3)
(N-0)
Preparação Procedimentos de Operacionalização
Nulo Ciberpoliciamento
Estabelecer Aprovação e
conformidades legais e operacionalização dos
regulamentares para Certificar se a atividade
atividade policial e da Polícia está em procedimentos
Legal
outros procedimentos conformidade com Lei e estabelecidos
internos e externos outros Regulamentos
Mapeamento de Aquisição de ferramentas Implantação dos
ferramentas de prevenção, deteção e equipamentos, definição
Técnico
informáticas adequadas reação aos ilícitos e ou de procedimentos
para ciberpoliciamento incidentes cibernéticos
de operações
Formação em Formação contínua, e
cibersegurança /
Desenvolvimento de um cibercrime e em análise consciencialização e
Capacidade
Plano Estratégico de forense, treino sensibilização
treino e formação em
Sem Práticas
especializado das aos RH em matéria de
todas vertentes nos ferramentas aos RH e
Centros de formação segurança cibernética e
simulação das operações avaliação do nível de
policial
capacidade e prontidão
Estabelecer áreas de Definição de uma cadeia Formação contínua e
Organizacional
atuação em de responsabilidade especializada das
ciberpoliciamento equipas nas suas áreas de
nas vertentes de atuação
prevenção e investigação
criminal
Estabelecer parcerias de Participação em
colaboração técnica Workshop,
interinstitucional a nível coordenação/colaboração Colaboração e
coordenação contínua e
Cooperação
local e internacional com agências
com Polícias com ampla governamentais, atualização dos acordos
experiência em Academias e celebração celebrados
ciberpoliciamento de acordos com Polícias
em matéria de
ciberpoliciamento
Fonte: Adaptado do modelo de maturidade de avaliação da Cibersegurança em Moçambique (Cepik &
Marcelino, 2021)
72
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
5.5.2 BREVE DESCRIÇÃO DOS OBJETIVOS DE CADA DOMÍNIO
Como se pode verificar no quadro 1 do Modelo de Maturidade de Ciberpoliciamento
(MMCIBERPOL) proposto, tem 4 níveis, do Nível 0 ao Nível 3. O estado atual da PRM
em segurança cibernética é muito frágil quase em todos domínios, isto é, não tem uma
estratégia de prevenção e combate aos crimes informáticos. Os objetivos de cada nível do
modelo foram desenhados tendo em conta o estado atual para permitir no futuro a adoção
de uma estratégia consolidada neste âmbito.
Em termos gerais, na implementação de qualquer tecnologia de segurança é
fundamental acautelar alguns fatores específicos. Nestes termos, no domínio legal deve-
se ter em conta o seguinte: ponderar os princípios da legalidade, da tipicidade, do respeito
pelos direitos fundamentais protegidos constitucionalmente e nas demais diversas Leis.
Neste caso, após a integração do Departamento / Unidade de cibercriminalidade à nível
orgânico e eventualmente aprovada a lei que integre o RIIC é imprescindível que sejam
criadas balizas de atuação, criação de padrões de procedimentos internos e externos com
vista a legitimar a atuação policial no âmbito cibernético.
A nível da divisão de competências com outras Forças de Segurança, em investigação
criminal é essencial a aprovação da LOIC uma vez que a investigação criminal dos crimes
informáticos até agora é da competência do SERNIC. No entanto, a sua aprovação
depende a nível estratégico/politico. Nesta lei, devem ser definidas as competências
específicas, deferidas (tendo em conta os crimes cibernéticos puros, mistos e impuros),
sistema integrado de informação, a segurança e proteção de dados, o dever de
cooperação/colaboração assim como conflitos negativos de competência dos órgãos de
polícia criminal. Ainda assim, é necessário aprovar procedimentos claros internos e
externos no processo de tramitação de peças de expedientes; ter em conta os direitos,
liberdades e garantias sobretudo o direito a privacidade /e ou segurança e proteção de
dados pessoais. Neste último caso, deve-se acautelar o seu acesso assim como a sua
exploração, devido a eventuais limitações legais pelos próprios cidadãos no quadro das
ações de prevenção e investigação de ilícitos no ciberespaço.
Em termos técnicos, a Polícia deve ter em conta no investimento ao nível dos meios
tecnológicos, identificação de parcerias e a escolha racional das ferramentas a adquirir
para o ciberpoliciamento. Aconselha-se a consulta de entidades públicas e privadas,
Polícias especializadas em matéria de segurança cibernética / ciberpoliciamento para a
73
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
sua sustentabilidade, ou seja, o domínio técnico deve ser complementado com o domínio
cooperação. Esta consulta visa analisar e perceber o seu histórico de utilização, avaliando
as suas vantagens e desvantagens. A título de exemplo, as ferramentas podem ser de
inteligência artificial, algoritmos de machine learning, assim como de análise forense. A
inteligência artificial (IA) e a vertente machine learning fazem uma análise ao big data
(vasto leque de dados) e permitem detetar ameaças e melhorar a capacidade de resposta.
Do ponto de vista de desenvolvimento de capacidade e competências e em
conformidade com o plano estratégico eventualmente estabelecido, o investimento na
formação especializada é fundamental para os polícias que vão integrar esta Unidade.
Envolve um processo de recrutamento e seleção interno de polícias com capacidade
qualificada para trabalhar com meios informáticos assim como o delinear de um processo
de contratação de formadores. A formação deve abranger a vertente de estudo da
legislação sobre cibercrime.
Já a nível organizacional, o Departamento / Unidade de Cibercriminalidade deve
incluir subunidades de atuação específica e ou especializada, podendo criar equipas que
vão atuar nas vertentes de prevenção, deteção e investigação criminal monitorizando as
fontes abertas assim como emitindo alertas operacionais, no âmbito do ciberpoliciamento.
Na vertente preventiva, a Polícia deve, através de policiamento de proximidade
empenhar-se na sensibilização, consciencialização interna/externa e na cibereducação:
A PRM deve desenvolver ações de sensibilização em todas capitais provinciais e,
de forma faseada, nas vilas dos distritos municipais alertando para as ameaças e
riscos na internet e divulgando instrumentos e ferramentas com vista a capacitar
os cidadãos neste âmbito (reconhece-se as limitações de recursos, mas é um
desafio);
Para promover campanhas de sensibilização e de informação, e instrumentos e
ferramentas com vista a capacitar os cidadãos neste âmbito.
A consciencialização envolve a comunicação interna e externa. Ao nível interno,
parece-nos crucial efetuar palestras aos agentes da PRM sobre os novos crimes
emergentes, sobre a necessidade de proteção e combate, e, externamente, investir
no policiamento de proximidade, pois, a aproximação da atuação à população,
aumenta a transparência e uma perceção positiva da atuação policial por parte da
população. Neste caso, é fundamental o desenvolvimento de campanhas e de
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ações de sensibilização junto da população escolar a todos níveis,
consciencializando a mesma para a existência de um novo fenómeno criminal
emergente, do seu perigo, da vulnerabilidade, do perfil dos autores criminais, os
tipos de ilícitos, os seus alvos preferidos, assim como os modus operandi. Isto
implica que a PRM tome medidas de modo a que os cidadãos-alvo fiquem
conscientes da necessidade de se autoprotegerem no ciberespaço e de se
familiarizarem com as novas ferramentas digitais.
Ao nível da cibereducação a Polícia deve investir nas redes sociais. Verifica-se a
falta de páginas da PRM nas redes sociais, ao nível dos comandos provinciais,
existindo apenas do Comando Geral, sendo a informação disponibilizada
meramente burocrática. Neste caso, sugere-se a criação de páginas nas redes
sociais com destaque para o Facebook ao nível dos comandos provinciais e
distritais. Através destas páginas, a PRM deve partilhar conteúdos sobre ações de
sensibilização, partilhar informações direcionadas para todos os públicos-alvo,
assim como os tipos de crimes mais comuns na internet e quais os cuidados de
prevenção a adotar. De igual modo, a Polícia deve colaborar ao nível da prevenção
criminal, com outras forças vivas como os Órgãos de Comunicação Social (OCS),
empresas privadas, Forças de Segurança; Instituto Nacional de Comunicação de
Moçambique (INCM) entre outras.
5.6. SÍNTESE CAPITULAR
Realizada a revisão da literatura, realizado o trabalho de campo e feita a apresentação,
a análise e a discussão de resultado, ousamos afirmar que os nossos objetivos foram
alcançados com sucesso. A Polícia deve acompanhar a evolução tecnológica para não ser
ultrapassada pela dinâmica social e pelos fenómenos criminais em grande evolução.
Aliás, deve ter a capacidade de antever possíveis vulnerabilidades, riscos e perigos,
criando condições de segurança para responder à criminalidade moderna, face à transição
digital e os avanços tecnológicos que o mundo vivencia (Ferreira e Estevens, 2024
Para tal, a criação de Departamento ou Unidade Especial de Cibercriminalidade e de
um MMCIBERPOL propostos para a PRM, devem ser uma prioridade.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
CAPÍTULO 6
CONCLUSOES E RECOMENDAÇÕES
6.1. INTRODUÇÃO
A cibersegurança assim como a cibercriminalidade são conceitos polissémicos, isto
é, dependem do campo contextual em concreto que se pretende estudar ou referir.
Podemos abordar a cibersegurança em rede, a cibersegurança de informação, a
cibersegurança de aplicativos, a cibersegurança operacional, a recuperação de desastres;
a nível securitário, salienta-se o ciberpoliciamento sobre o qual nos debruçámos.
No entanto, o ciberpoliciamento só terá sucesso se houver complementaridade com
outras áreas de cibersegurança. De referir que existem crimes exclusivamente
informáticos e crimes que são praticados com base nas tecnologias de informação e
comunicação, sendo importante, conforme defendemos, a repartição de competências de
investigação entre a PRM e o SERNIC.
6.2. GRAU DE CUMPRIMENTO DOS OBJETIVOS
A nossa investigação foi precedida com a submissão e aprovação de um de projeto
de investigação. Aprovado o projeto, iniciamos com a revisão da literatura sobre esta
matéria. Durante este período, realizávamos simultaneamente um estágio prático que teve
dois momentos distintos de igual número de Divisões policiais.
Sobre trabalho de campo, com vista à recolha de informações fidedignas, seguras e
de qualidade, deslocamo-nos a Moçambique com a autorização da PRM e do ISCPSI para
o efeito.
Depois da recolha dos dados, efetuamos a apresentação, análise de conteúdo das
entrevistas assim como a discussão dos resultados. Neste estudo, temos como objetivo
geral “investigar e compreender o papel da PRM no delinear de estratégias, na alocação
de recursos e quanto a práticas de cooperação e colaboração para prevenir e combater os
crimes cibernéticos”. Para respondermos cabalmente a este objetivo foram formulados
objetivos específicos que estão em consonância com as perguntas derivadas.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
O primeiro objetivo, investigar as medidas de consciencialização e
(ciber)educação em segurança cibernética realizadas pela PRM, foi alcançado. o
resultado da análise de conteúdo não aponta a existência de qualquer ação em relação a
esta matéria, ou seja, a PRM não desenvolve ações de consciencialização e de
(ciber)educação junto da população sobre a segurança cibernética como se verifica
noutras Polícias em termos internacionais.
Relativamente ao segundo objetivo, analisar as principais estratégias adotadas
pela PRM na prevenção e combate do cibercrime, também foi alcançado com êxito. O
que se verifica é que a Polícia quando recebe as denúncias resultantes de crimes
cibernéticos apenas lavra autos de denúncia e remete-os ao SERNIC para os
procedimentos legais subsequentes nomeadamente, a investigação.
Terceiro objetivo, avaliar os recursos e ferramentas utilizados pela PRM para
prevenir e reprimir os crimes cibernéticos, foi alcançado com sucesso. Feita a análise
de conteúdo, não se apurou a existência de recursos ou ferramentas tecnológicas para a
realização do ciberpoliciamento. Inclusive percorremos no/a site/página do Facebook da
PRM designado/a “Comando Geral da PRM” não se verifica a existência de uma
referência explícita à prevenção e investigação da cibercriminalidade, apenas está
publicada informação sobre a organização. No entanto, defende-se a necessidade de
policiamento preventivo e preditivo através de alocação de meios tecnologicamente
sofisticados, com vista a antecipar e detetar de forma precoce o cometimento de
cibercrimes bem como para conferir a capacidade à PRM de detetar padrões criminais,
modus operandi e perfis dos criminosos.
Relativamente ao quarto objetivo, analisar as formas de colaboração da PRM
com outros órgãos governamentais e agências especializadas em matéria de
segurança cibernética, foi cumprido com sucesso. A PRM tem colaborado ou trabalhado
com outras agências governamentais através de pequenas capacitações e workshops no
Instituto de Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), coordena atividades
com o INAGE e o INCM em matérias relacionadas com a segurança cibernética. Tem
colaborado ou coordenado em matéria criminal com MP, SERNIC, SISE, SERNAP.
Todavia, estas iniciativas positivas podem ser incrementadas e melhoradas caso se
confirme a assunção da atribuição legal de investigação criminal e, em concreto, de
alguns tipos e cibercrimes por parte da PRM.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Em síntese, os nossos objetivos em consonância com as perguntas derivadas desta
investigação foram alcançados com êxito.
6.3. RESPOSTA À PROBLEMÁTICA DA INVESTIGAÇÃO
O problema de investigação do presente estudo estava direcionado para a atuação da
PRM relativamente à cibercriminalidade, nomeadamente ao nível da prevenção e da
investigação criminal, tendo como pergunta de partida: “Qual é o papel da (PRM) na
Segurança do Ciberespaço para prevenção da Cibercriminalidade?
Antes de mais nada, é imperioso referir que no quadro jurídico vigente em
Moçambique, a PRM deve atuar nas duas vertentes, na prevenção e no combate. Ainda
assim, a lei ainda não especifica os tipos de crime que a PRM deve prevenir assim como
investigar. Não obstante, defendemos que dentro das suas atribuições legais e da sua
autonomia técnico-tática, a PRM deverá ter a possibilidade de criar mecanismos e
ferramentas para mitigar seja qual for o tipo de crime, respondendo assim aos anseios dos
cidadãos. A existência de Brigadas de Cibercriminalidade nas outras Forças de Segurança
(SERNIC, PGR) não é, no nosso ponto de vista, impeditivo da criação de unidades na
PRM que possam prevenir e investigar um conjunto de cibercrimes previstos na lei, até
porque esta é uma necessidade face ao aumento exponencial da criminalidade nas redes
digitais.
A Segurança Interna é atribuição da PRM, sem prejuízo da colaboração com outras
Forças de Segurança e da sociedade no geral. A investigação criminal dos crimes
informáticos é ainda da competência exclusiva do SERNIC, mas é preciso ter em conta a
diferença entre crimes cibernéticos puros dos impuros e mistos. Respondendo a
problemática da investigação relativamente ao papel da PRM no delinear de estratégias,
na alocação de recursos e quanto a práticas de cooperação e colaboração para prevenir e
combater os crimes cibernéticos, conclui-se que a PRM está atrasada quase nas cinco
áreas transversais: Legal, Técnica, Capacidade, Orgânico e ou Organizacional assim
como a Cooperação.
No que tange ao objeto deste estudo, de “examinar a legitimidade da ação policial
nesta matéria cibersegurança / ciberpoliciamento e como se processa a aplicabilidade da
lei Penal e do Processo Penal no tempo e no espaço no que respeita aos ataques
cibernéticos que ocorrem em Moçambique a partir do exterior”, Moçambique tem vindo
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
a ratificar algumas convenções internacionais, como por exemplo, a Convenção da União
Africana sobre a Segurança Cibernética e Protecção de dados Pessoais. Moçambique é
igualmente membro da União Internacional das Telecomunicações; é signatário do
modelo harmonizado adotado pela SADC para tratar da questão da criminalidade
cibernética e sobre a proteção de dados pessoais. Neste quadro, apesar de Moçambique
ter em vigor uma Lei de “pedido de extradição no que concerne aos crimes digitais, que
estabelece os Princípios e Procedimentos da Cooperação Jurídica assim como Judiciária
Internacional em Matéria Penal”, tem um grande desafio que consiste na ratificação da
Convenção sobre cibercrime de Budapeste. Outrossim, apesar do país ter avançado
positivamente com leis avulsas neste âmbito, um grande desafio para Moçambique
consistirá na aprovação de uma Lei específica sobre o Cibercrime, a qual, se encontra
ainda em fase de discussão ao nível das magistraturas e ao nível político.
6.4. REFLEXÕES
O incremento da criminalidade no ambiente informático tem demonstrado que as
redes digitais e a internet são propícias para o cometimento de crimes e, por isso, existe
a necessidade da Polícia da República de Moçambique se posicionar neste universo de
modo a garantir a segurança de todos os cidadãos e empresas cumprindo assim o seu
desígnio de zelar pela segurança interna.
Neste sentido, é necessário refletir sobre o desenvolvimento de uma
estratégia/modelo de maturidade que ajude a mitigar e a minimizar o impacto que estes
crimes têm no sentimento de insegurança dos cidadãos em particular e da sociedade em
geral, na medida em que o ambiente informático ainda é, por vezes, pouco familiar para
alguns cidadãos e por isso, estes tornam-se mais vulneráveis a este tipo de ilícitos. É
necessário que tais medidas acompanhem a evolução dos fenómenos criminais na rede,
pois estão em constante mutação e a tendência é para que as ciberameaças se tornem cada
vez mais sofisticadas e fluidas.
Atualmente, Moçambique enfrenta vários desafios, como por exemplo, o terrorismo
(incluindo o ciberterrorismo), a desinformação, a ciberespionagem, em particular na sua
vertente económica e de exploração de recursos naturais, entre outros. No primeiro caso,
para além do terrorismo tradicional, os terroristas recorrem às redes sociais para
partilharem conteúdos de propaganda ou divulgarem as consequências das incursões
79
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
terroristas, assim como futuros ataques, por exemplo através do WhatsApp, Facebook e
outros canais, gerando assim o medo, terror psicológico e um elevado sentimento de
insegurança entre a população.
Por outro lado, conforme mencionámos, existe uma transferência da criminalidade
do mundo físico para as redes digitais, não só por parte de organizações criminosas
transnacionais, mas também por grupos locais que se dedicam aos mais diversos tipos de
ilícitos, desde burlas informáticas, à clonagem de cartões, até à propaganda online, à
radicalização e ao recrutamento para o terrorismo. Salienta-se igualmente a utilização
cada vez mais frequente de meios informáticos no quadro da violência doméstica, das
ameaças, de casos de perseguição (stalking), bullying entre crianças e jovens, entre outros.
Por esta razão, será fundamental a PRM acompanhar o avanço tecnológico acelerado
e constante destes fenómenos, devendo o investimento neste domínio ser uma prioridade,
garantindo o incremento da qualidade do serviço policial prestado ao cidadão e o cabal
cumprimento da missão confiada. A tecnologia é passível de ser aplicada nos mais
diversos domínios da atividade policial, pelo que uma estratégia consolidada e um
planeamento correto das suas fases de implementação, poderão impactar de forma
determinante na relação entre o cidadão e a Polícia, de forma direta ou indireta.
6.5. RECOMENDAÇÕES E SUGESTÕES
Conforme acima defendemos, a revisão das Leis Orgânicas da PRM e do SERNIC e
a eventual aprovação de uma Lei de Organização da Investigação Criminal poderá
esclarecer o quadro jurídico e competências de ambas as Forças de Segurança. Por um
lado, existir uma valência na PRM de investigação criminal que, na nossa perspetiva,
poderia ficar responsável pela investigação dos crimes cibernéticos impuros em pleno
crescimento. Por outro lado, o SERNIC poderá centrar a sua ação investigatória nos
crimes ciberdependentes.
Podemos afirmar que o desafio que ousamos propor implica um extenso caminho a
percorrer, uma vez que nem a prevenção que é a chave mestra para mitigar a criminalidade
foi ainda desenvolvida na PRM, nem a valência de investigação está devidamente
implementada e consolidada na PRM. Sobre a pergunta de partida, direcionada em
relação à vertente de prevenção, conforme acima referido, a PRM está atrasada quase nas
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
cinco áreas transversais: Legal, Técnica, Capacidade, Orgânico e ou Organizacional
assim como a Cooperação.
Começando ao nível Orgânico, a PRM não detém nenhuma valência responsável por
garantir a segurança ou policiamento do ciberespaço como acontece em outros países.
Neste sentido, instamos a PRM para a criação de um Departamento/Unidade
especializado/a de cibercriminalidade direcionado para coordenar as ações de prevenção
e investigação dos crimes cibernéticos com vista a receber, analisar, resolver, investigar,
responder a incidentes de natureza criminal no que tange à segurança cibernética. Essas
ações culimariam com a divisão de responsabilidades a nível organizacional.
No domínio legal, será crucial a concretização das alterações legais que aludimos
nesta dissertação (estas estarão em fase de apreciação na Assembleia da República), na
medida que a legitimidade da ação policial só é válida quando está em conformidade com
lei vigente. A criação do Departamento/Unidade atrás referido terá de ter respaldo
legislativo. Por outro lado, toda a ação preventiva e de investigação a empreender pelo
futuro serviço da PRM terá de respeitar a dicotomia liberdade versus segurança, os
direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, designadamente a proteção de dados
pessoais e o direito à privacidade, aspetos éticos e deontológicos, sociais ou culturais, no
uso dos meios tecnológicos.
Relativamente ao domínio Técnico, é necessário projetar e empenhar meios
tecnologicamente sofisticados seja para a resolução, ou para apoio à decisão, permitindo
a antecipação e monitorização de ilícitos, fenómenos e eventos, conferindo ao decisor
policial uma perspetiva cibernética da atividade policial, por exemplo identificar
comportamentos incomuns na rede que possam ser indicativos de atividade maliciosa,
tendências e anomalias que possam indicar atividades suspeitas propiciando possíveis
ameaças, prevenir possíveis ataques cibernéticos ao analisar dados históricos assim como
antecipar possíveis vulnerabilidades na cibersegurança. Neste domínio, sugerimos por
exemplo, a aquisição pela PRM de uma aplicação de algoritmos de machine learning
para prevenir a cibercriminalidade, a qual, não poderá conter vieses e terá de respeitar os
direitos fundamentais dos cidadãos. A colaboração e o estabelecimento de protocolos com
entidades privadas, universidades e outras Polícias em termos internacionais será, na
nossa opinião, a melhor opção para a PRM adquirir e consolidar a capacidade técnica
para os fins desejados.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Do ponto de vista de capacidade, é necessário um plano estratégico de formação para
a implementação, desenvolvimento e manuseamento das tecnologias por parte dos
polícias da PRM e formação em matéria de segurança cibernética e forense. Essas ações
devem acontecer nos centros de formação policial (Básico, Médio e Superior) e pode
culminar no médio prazo com a criação de um centro de formação especial. A
sensibilização e consciencialização dos grupos alvo é uma prioridade nesta área, podendo
acontecer nas redes sociais, através de outros meios como por exemplo, em
conferências/seminários e nos órgãos de comunicação social (OCS).
Relativamente ao domínio de cooperação, conforme já salientado, existem
Polícias que têm experiência em ciberpoliciamento e na investigação da
cibercriminalidade. Nesta senda, a cooperação internacional a nível técnico-policial é
crucial para erradicar a cibercriminalidade. Aliás, Moçambique tem um acordo bilateral
técnico-policial assinado com Portugal, constituindo esta uma oportunidade para colher
a sua experiência, uma vez que Portugal tem empreendido passos consolidados nesta
matéria.
Em termos de legislação nacional e internacional, conforme atrás referido, apesar de
Moçambique ter em vigor uma Lei de pedido de extradição no que concerne aos crimes
digitais, recomendamos o Governo da República de Moçambique a necessidade de
ratificação da Convenção sobre cibercrime de Budapeste. Outra recomendação para
Moçambique, consiste na necessidade da aprovação de uma Lei específica sobre o
Cibercrime.
6.6. LIMITAÇÕES DA INVESTIGAÇÃO
Uma das limitações que tem apoquentado os alunos provenientes de Moçambique é
a recolha de dados à distância para as Dissertações de Mestrado, constituindo um grande
problema para o sucesso. Para o nosso caso, foi ultrapassada esta situação. Neste sentido,
queremos congratular a PRM e o ISCPSI por esta honrosa consideração e, gostaríamos
de aproveitar a esta oportunidade para instar a quem de direito para que se repita aos anos
vindouros.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
6.7. INVESTIGAÇÕES FUTURAS
Para as futuras investigações, instamos a promoção de estudos científicos que
busquem soluções inovadoras na área de segurança cibernética e forense para responder
à realidade securitária e criminal, assim como à escassez de recursos em Moçambique. A
análise das mais-valias da aposta nestas tecnologias emergentes na Polícia, na Justiça e
na Administração Pública Moçambicanas, terá sempre de ter presente o respeito pelos
direitos individuais e o reforço do Estado de direito democrático.
Para terminar, em termos de citações e referências bibliográficas, foi efetuada
segundo a norma da American Psycological Association (APA) 7.ª Edição. Na
composição do texto apresentado, nesta investigação foi adotado o novo acordo
ortográfico, que entrou em vigor em 2009, com vista a ajustar o nosso trabalho ao Acordo
do Segundo Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa com
intuito de apresentar uma ortografia atualizada. No que toca às citações de obras escritas
em língua estrangeira, algumas foram efetuadas as respetivas traduções da língua original
para a língua portuguesa, respetivamente
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
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(2017). Boletim da República: I série, nº 5.
Lei nº 4/2016 de 3 de junho da Assembleia da República, Lei das Telecomunicações.
(2016). Boletim da República: I série, nº 66.
Regulamento nº 13/2023 de 11 de abril do Conselho de Ministros, Regulamento Sobre
Registo dos Subscritores dos Serviços de Telecomunicações. (2023). Boletim da
República: I Série, Nº 69.
Resolução do Conselho de Ministro n.º 28/2000, de 12 de dezembro, Política de
Informática. (2000). Boletim da República: I série, nº 49.
Resolução do Conselho de Ministro n.º 69/2021, Política de Segurança Cibernética e
Estratégia da sua
Implementação. (2021). Boletim da República: I série, nº 253.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 92/2019. Diário da República n.º 108/2019-
Série I. Portugal: Presidência do Conselho de Ministros.
Resolução do Conselho de Ministros n.º 92/2019. Diário da República n.º 108/2019-
Série I. Portugal: Presidência do Conselho de Ministros.
Resolução n.º 17/2018 de 21 de junho do Conselho de Ministros, Política para a Sociedade
de Informação. (2018). Boletim da República: I série, nº 122.
Resolução n.º 28/2021 de 4 de junho do Conselho de Ministros, aprova as fases de
desligamento dos emissores de transmissão analógica de radiodifusão televisiva.
(2021). Boletim da República: Iª Série, Nº107.
Resolução n.º 5/2019, de 20 de junho da Assembleia da República, Ratifica a Convenção
da União Africana sobre Cibersegurança e Proteção de Dados Pessoais: Adotada
pela 23.ª Sessão Ordinária da Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da
União Africana (2019). Boletim da República: I Serie, Pág. 2315.
Resolução n.º 52/2019 de 16 de outubro do Conselho de Ministros, Política para a
Sociedade de Informação, (2019): Boletim da República: I Serie, nº 199.
Resolução n° 59/2002 de 9 de julho do Conselho de Ministro, nos termos do artigo 16 do
Decreto nº 9/93, de 22 de junho, o Conselho de Ministros determina: Único. É
atribuído à SOICO — Sociedade Independente de Comunicações, alvará para
abertura e exploração de uma estação emissora de Rádio e Televisão, denominada
95
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
«SRT-SOICO Rádio Televisão», com lede na cidade de Maputo. (2002). Boletim
da República: Iª Série, Nº 27.
96
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXOS: 1 - 11
97
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 1: ESTRUTURA DO CONSELHO NACIONAL DE SEGURANÇA
CIBERNÉTICA
Figura 1: Estrutura do Conselho Nacional de Segurança Cibernética
Fonte: Adaptado de Resolução n.º 69/2021 de 31 de dezembro: Política de Segurança Cibernética e
Estratégia da sua Implementação
98
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 2: ESTRUTURA DA REDE NACIONAL DE CSIRTS
Figura 2: Estrutura da Rede Nacional de CSIRTs
Fonte: Adaptado de Resolução n.º 69/2021 de 31 de dezembro: Política de Segurança Cibernética e
Estratégia da sua Implementação
99
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 3: ESTRUTURA FUNCIONAL DO CSIRT NACIONAL
Figura 3: Estrutura funcional do CSIRT Nacional
Fonte Adaptado de Resolução n.º 69/2021 de 31 de dezembro: Política de Segurança Cibernética e
Estratégia da sua Implementação
100
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 4: ILUSTRAÇÃO DOS DOIS VETORES DE ALGUNS EXEMPLOS DA
REALIDADE MOÇAMBICANA
Figura 4: Ilustração dos dois vetores de alguns exemplos da realidade moçambicana
Fonte: Adaptado de INTIC (2023).
101
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 5: AUTORIZAÇÃO DO COMANDO GERAL DA PRM PARA
RECOLHA DE DADOS
102
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 6: AUTORIZAÇÃO DO COMANDO GERAL DA PRM PARA
RECOLHA DE DADOS
103
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 7: AUTORIZAÇÃO DO COMANDO GERAL DA PRM PARA
RECOLHA DE DADOS
104
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 8: AUTORIZAÇÃO DO COMANDO GERAL DA PRM PARA
RECOLHA DE DADOS
105
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 9: AUTORIZAÇÃO DO COMANDO GERAL DA PRM PARA
RECOLHA DE DADOS
106
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 10: AUTORIZAÇÃO DO COMANDO GERAL DA PRM PARA
RECOLHA DE DADOS
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 11: AUTORIZAÇÃO DO COMANDO GERAL DA PRM PARA
RECOLHA DE DADOS
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
ANEXO 12: AUTORIZAÇÃO DO COMANDO GERAL DA PRM PARA
RECOLHA DE DADOS
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICES: A - L
110
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE A: PEDIDO E PARECER DO ISCPSI PARA DESLOCAR A
MOÇAMBIQUE
111
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE B: TERMO DE CONSENTIMENTO INFORMADO
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE C: GUIÃO DA ENTREVISTA
O presente estudo integra-se no desenvolvimento da Dissertação de Mestrado em Segurança
Pública no Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI), orientado pelos Senhores
Superintendente Luís Manuel André Elias e Prof. João Fernando de Sousa Mendes. O estudo tem como
principal objetivo identificar o papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) com intuito de
compreender as suas estratégias, recursos e colaboração para prevenir e combater os crimes cibernéticos
em Moçambique. Para tal, pretendemos contribuir na definição de medidas que possam mitigar a
problemática da cibercriminalidade em Moçambique.
Neste sentido, a execução deste estudo só é possível por meio da sua participação e colaboração
através das respostas às questões propostas com caráter assertivo e operacional, que será rápido.
Todas as informações recolhidas serão exclusivamente utilizadas no âmbito ou para fins de
divulgação científica, de acordo com ética que norteia a investigação científica.
De referir que todas respostas são pertinentes para o nosso estudo, uma vez que irão influenciar
nas conclusões do estudo por conseguinte, solicitamos que responda com clareza e honestidade.
É de salientar que toda a informação facultada neste questionário é anónima e confidencial, em
consonância com o Regulamento Geral de proteção de dados (RGPD).
Atempadamente grato pela colaboração
Data __/__/__
Hora do início: ___
Organização a que pertence: _______________________________________________
Direção / Departamento / Secção: ___________________________________________
Posto: _________________________________________________________________
Função: _______________________________________________________________
Idade: _____________________
Sexo: ________________________
Habilitações Literárias: _________________________________________________
1. No seu entender, qual é o papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) (em que
vertentes pode atuar) no combate e/ou na prevenção do cibercrime?
2. Que medidas devem ser tomadas para tornar a (PRM) uma Polícia moderna, eficiente e
profissionalizada para fazer face a Prevenção do/a Cibercrime/cibercriminalidade?
113
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
3. Existe um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde apenas à questão de
Crimes Cibernéticos?
4. Como a PRM está a trabalhar/colaborar com outras agências governamentais e organizações
espacializadas para melhorar a segurança cibernética?
5. A Polícia da República de Moçambique está dotada de meios materiais suficientes e
sofisticados para prevenção da Cibercriminalidade?
6. Será que os agentes da Polícia da República de Moçambique têm ao seu dispor ações de
formação em matéria de cibersegurança?
7. Quais são os principais desafios que a PRM enfrenta ao lidar com a segurança cibernética?
8. Quais são as políticas/estratégias e procedimentos da polícia para lidar com incidentes de
segurança cibernética?
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE D: RESPOSTA 1#
Data: 28 de março de 2024
Hora de início: 14H10
1. No seu entender, qual é o papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) (em que
vertentes pode atuar) no combate e/ou na prevenção do cibercrime?
R: A Polícia da República de Moçambique (PRM) desempenha papéis cruciais no combate e
prevenção do cibercrime, atuando em várias vertentes como, Investigação, Prevenção e criação de
equipe de segurança cibernética responsável em coordenar respostas a incidentes cibernéticos
(CISERT).
2. Que medidas devem ser tomadas para tornar a (PRM) uma polícia moderna, eficiente e
profissionalizada para fazer face a prevenção do/a Cibercrime/cibercriminalidade?
R: Providenciar uma formação contínua, oferecer um treinamento especializado em cibercrime,
forense e digital para os agentes.
3. Existe um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde apenas à questão de
crimes Cibernéticos?
R: Existe uma secção de Gestão, Auditoria e Segurança de Sistemas uma das suas atividades está
ligada a prevenção de incidentes cibernéticos.
4. Como a PRM está a trabalhar/colaborar com outras agências governamentais e
organizações especializadas para melhorar a segurança cibernética?
R: Neste momento a PRM, participa em algumas capacitações e Workshops no Instituto de
Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC), também coordena atividades com o INAGE
e o INCM em matérias ligadas a segurança cibernética.
5. A Polícia da República de Moçambique está dotada de meios materiais suficientes e
sofisticados para prevenção da Cibercriminalidade?
R: A PRM, não detém ainda desses meios e equipamentos, espera-se que num futuro breve venha
a ser equipado.
6. Será que os agentes da Polícia da República de Moçambique têm ao seu dispor ações de
formação em matéria de cibersegurança?
R: Existem pequenas capacitações que não satisfazem ainda através do INTIC.
7. Quais são os principais desafios que a PRM enfrenta ao lidar com a segurança cibernética?
R: O principal desafio é a falta de capacitação avançada e equipamento para poder desmitificar o
problema da cibersegurança e fazer o tratamento satisfatório das denúncias.
115
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
8. Quais são a políticas/estratégias e procedimentos da polícia para lidar com incidentes de
segurança cibernética?
R: Neste momento a PRM, encontra-se no processo de desenho de equipas de CICERT`s que são
grupos de respostas aos incidentes cibernéticos.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE E: RESPOSTA 2#
Data 27 de Março de 2023
Horas de início: 8H30
Departamento de XXXXXX do Comando Provincial da PRM-MAPUTO
Patente: Inspetor principal da Polícia
Função-chefe da secção
Idade- 48 anos de idade
Sexo - masculino
Habilitações literárias- licenciado
1. R: O papel da Polícia da República de Moçambique é de garantir a ordem segurança públicas,
combater, prevenir a criminalidade. E, quanto aos crimes cibernéticos, considerando tratar-se de
uma literacia digital, do qual insta aos órgãos de justiça e a PRM em particular, o seu
conhecimento, para permitir a descoberta, prevenção e combater os ilícitos cibernéticos.
2. R: O governo deve privilegiar investir cada vez mais, na formação da Polícia em matéria de crimes
cibernéticos, mundo digital, nos Centros de Formação Básica, e do nível Superior. Porque o mundo
é dinâmico, e o fenómeno cibernético emerge nos últimos tempos relativamente ao tempo passado,
torna urgente tomar medidas de educação científica ao homem, conpcção de conteúdos em
palestras, seminários e reciclagem.
3. R: Existir um departamento, concebido nos Estatutos Orgânicos da PRM. Esta matéria é
compreendida de forma ciência e aleatória, parte dos agentes tiveram como abordagem no ensino
superior.
4. R: Com vista a combater o fenómeno crime cibernético, a PRM tem sim colaborado com agências
governamentais, tais como, MINISTERIO PUBLICO, SERNIC, SISE, SERNAP e outros, quando
constatar-se que o modus operadi do crime, envolve componente mundo digital, redes sociais para
devassar e, cometimento de acto ilícito punível por lei.
5. R: Compreende-se que ainda é um desafio, para ter meios materiais suficientes e sofisticados para
prevenção de cibercriminalidade no contexto atual e de forma abrangente.
6. R: Como me referi antes, não todos que tem formação ou conhecimentos científicos desta matéria
cibersegurança, para tal é necessários que as formações, seminários sejam abordados abrangentes
a todos níveis e escalões, este entendimento a sociedade também tem um papel indispensável de
fazer denúncia e para tal a mesma deve ter domínio desta matéria.
117
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
7. R: Os principais desafios que a PRM, enfrenta ao lidar-se com segurança cibernéticos, são
enormes desde a capitalização e formação do homem no que diz respeito ao mundo informatizado
digital, criação de direções de informatização, internet a disposição, salas de informatização,
criação de um comando estruturado para controlar, descobrir e intercetar ações de cibercrimes.
Estas ações devem ser extensivas em todas unidades e subunidades policiais, estruturalmente
organizados e concebidas nos estatutos orgânicos da PRM.
8. R: As políticas ou estratégias e procedimentos da Polícia para lidar com incidentes de segurança
cibernéticas, o governo implantou sistema de camaras de vídeo segurança nas vias públicas, possui
uma base do sistema informático eficaz, e notificado tal incidente segurança cibernético tem tido
tratamento em observância a lei de combate aos crimes ou ilícitos cibernéticos em vigor.
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE F: RESPOSTA 3#
Data: 28 / 3 / 2024
Hora de Inicio: 10h45
1. No seu entender, qual é o papel da Polícia da Republica de Moçambique (PRM) (em que
vertentes pode atuar) no combate e/ou na prevenção do cibercrime?
R: O papel da PRM na prevenção dos cibercrime é de adoptar medida de sensibilização aos
cidadãos no momento em que estes recorrem às subunidades policiais para denunciar casos do
gênero, bem como levantar as respectivas peças de expediente (autos), e encaminhar as demais
autoridades para procedimentos subsequentes.
2. Que medidas devem ser tomadas para tornar a (PRM) uma Polícia moderna, eficiente e
profissionalizada para fazer face a Prevenção do/a Cibercrime/cibercriminalidade?
R: Para tornar a (PRM) uma polícia moderna, eficiente e profissional deve se garantir o
apetrechamento e a formação dos quadros de modo a fazer face aos desafios contemporâneos.
3. Existe um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde apenas à questão de
Crimes Cibernéticos?
R: Ainda não temos um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde à questão de
Crimes Cibernéticos.
4. Como a PRM está a trabalhar/colaborar com outras agências governamentais e
organizações especializadas para melhorar a segurança cibernética?
R: A PRM está a trabalhar/colaborar com outras agências governamentais e organizações
especializadas para melhorar a segurança cibernética apos a elaboração do auto e direciona-se a
outras entidades para procedimentos subsequentes.
5. A Polícia da República de Moçambique está dotada de meios materiais suficientes e
sofisticados para prevenção da Cibercriminalidade?
R: informação classificada.
6. Será que os agentes da Polícia da Republica de Moçambique têm ao seu dispor ações de
formação e m matéria de cibersegurança?
R: informação classificada.
7. Quais são os principais desafios que a PRM enfrenta ao lidar com a segurança cibernética?
R: Os principais desafios que a PRM enfrenta ao lidar com a segurança cibernética são vários
devido a sua complexidade.
8. Quais são as políticas/estratégias e procedimentos da polícia para lidar com incidentes de
segurança cibernética?
R: informação classificada.
Respostas da entrevista. Departamento de estudo e planificação Comando Geral
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Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE G: RESPOSTA 4#
Data _27/03/2024
Hora do início: 8h30min
STIC – Comando Matola
1. R: Sendo o papel da Polícia da República de Moçambique garantir o ordem e segurança públicas
em várias áreas afins e sendo cibercrime um fenómeno que tem ocorrido na sociedade
Moçambicana o papel da polícia é a prevenção do mesmo fenómeno, isto passa primeiramente
pela Cibereducação dos mesmos agentes da PRM com vista a sensibilização da sociedade no
combate a este crime diga se de passagem emergente para nossa sociedade em geral.
2. R: Sebe se que o mundo e dinâmico, nesse âmbito a policia da republica de Moçambique assim
como a sociedade em geral têm de seguir essa dinâmica com vista a atualização no âmbito do uso
das TICs, isso passa necessariamente na capacitação dos agentes da PRM, intercambio com outras
entidades afins para melhor troca de experiencias assim como na intercambio internacional e a
criação de um departamento exclusivamente para lidar com esse fenómeno de Cibercrime.
3. R: No momento ainda não existe um departamento ou secção que responde apenas à questão de
Crime Cibernéticos
4. R: A polícia da República de Moçambique tem colaborado com outras agências governamental
tais como o Sernic com vista ao esclarecimento de crimes cibernéticos.
5. R: A Polícia da República de Moçambique não dispõe de meios nem materiais suficientes para
prevenção da Cibercriminalidade.
6. R: Ate então os agentes da PRM não dispõe de formação em matérias de cibersegurança.
7. R: Os principais desafios da PRM no âmbito da segurança cibernética parte desde a formação dos
recursos humanos, a obtenção de recursos ou meios matérias.
R: A colaboração com outras entidades afins tem sido uma das políticas para lidar com incidentes de
segurança cibernética.
120
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE H: RESPOSTA 5#
Data 29/3/2024
Hora do início: _10h00__
Organização a que pertence: Academia de Ciências Policiais
Direção: Pedagógica / Departamento: Ensino e Aprendizagem
Posto: Adjunto de Superintendente da Polícia
Função: Chefe de Departamento de Ensino e Aprendizagem
Idade: 43 Anos
Sexo: F
Habilitações Literárias: Mestrado
1. No seu entender, qual é o papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) (em que
vertentes pode atuar) no combate e/ou na prevenção do cibercrime?
No quando jurídico vigente, a Polícia da República de Moçambique, enquanto força paramilitar, não
pode, mas sim deve actuar por força da Lei, em coordenação com outros entes do Estado, na vertente
preventiva, ou seja, na adpção de mecanismos efectivos com vista a prevenir a ocorrência de crimes
cibernéticos.
2. Que medidas devem ser tomadas para tornar a (PRM) uma Polícia moderna, eficiente e
profissionalizada para fazer face a Prevenção do/a Cibercrime/cibercriminalidade?
Em primeiro plano deve investir no conhecimento, que seja consistente e suscetível de trazer valor
agregado à organização (PRM) na prossecução das suas atribuições institucionais.
3. Existe um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde apenas à questão de
Crimes Cibernéticos?
Solvo melhor opinião, não me parece que haja algum Departamento, Gabinete ou Secção com
competências exclusivas para a prevenção do Crimes cibernéticos.
4. Como a PRM está a trabalhar/colaborar com outras agências governamentais e organizações
espacializadas para melhorar a segurança cibernética?
Não poderemos responder a questão supra com propriedade, mas queremos acreditar que algo esta
a ser feito, sobretudo na formação dos membros da corporação em matérias de cibersegurança.
5. A Polícia da República de Moçambique está dotada de meios materiais suficientes e sofisticados
para prevenção da Cibercriminalidade?
Não temos conhecimento.
121
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
6. Será que os agentes da Polícia da República de Moçambique têm ao seu dispor ações de formação
em matéria de cibersegurança?
Não temos conhecimento.
7. Quais são os principais desafios que a PRM enfrenta ao lidar com a segurança cibernética?
Os desafios em relação a questão gravitam em torno de recursos tangíveis e intangíveis e
encontram sempre associas ao reforço efectivo do Recursos Humanos, materiais e financeiros.
8. Quais são as políticas/estratégias e procedimentos da polícia para lidar com incidentes de segurança
cibernética?
Desconheço da existência de um protocolo /procedimento interno e oficial para sesses tipo de
incidentes se é que existe. Porém percebe-se, do ponto de vista legislativo, que existe evolução
uma vez que o Código Penal em vigor acolhe, ou seja, criminalize este tipo de prática, o que já, de
per si, é um ponto de partida para atuação da Polícia. Quanto as políticas, de um modo geral note-
se que Moçambique é signatário da Convenção da União Africana sobre a Segurança Cibernética
e Protecção de dados Pessoais. Também é da União Internacional das Telecomunicações. Como
sabe Moçambique é membro efetivo da SADEC e este organismo adotou um modelo harmonizado
para tratar da questão da criminalidade cibernética. Deste modo, por implicação presume-se que a
PRM se guie pelos instrumentos referidos anteriormente.
122
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE I: RESPOSTA 6#
Data _27/03/2024
Hora do início: 14h30min
Organização a que pertence: ACIPOL
Direção / Departamento / Secção: Departamento de Informática e Comunicações
Posto: Inspector da Polícia
Função: Chefe de Departamento de Informática e comunicações
Idade: 33 anos
Sexo: Masculino
Habilitações Literárias: Licenciado em Ciências Policias
1. No seu entender, qual é o papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) (em que vertentes
pode atuar) no combate e/ou na prevenção do cibercrime?
R: A PRM sendo um órgão de controlo social tem um papel fundamental na Prevenção e combate ao
cibercrime, na medida em que este fenómeno tem ganhado grandes contornos com a evolução tecnológica.
Uma das medidas que poderia ser adoptada pela PRM seria de implementar uma estratégia de fiscalização
de plataformas digitais, coordenar com as operadoras de telefonias móveis no que concernente ao registo
de Cartões de Rede, de dispositivos móveis, bem como apostar na formação de seus quadros em matéria de
Cibersegurança.
2. Que medidas devem ser tomadas para tornar a (PRM) uma Polícia moderna, eficiente e
profissionalizada para fazer face a Prevenção do/a Cibercrime/cibercriminalidade?
R: Apostar na formação em matérias de cibersegurança, implementar conteúdos relativos a segurança
cibernética nas formações policias (Cursos Básico, Médio e Superior). Consciencializar os membros em
matéria de segurança de cibernética.
3. Existe um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde apenas à questão de Crimes
Cibernéticos?
R: Não sei se existe.
4. Como a PRM está a trabalhar/colaborar com outras agências governamentais e organizações
espacializadas para melhorar a segurança cibernética?
R: A PRM tem participado em várias formações ligados a matéria de segurança e cibernética promovidas
pelo Instituto Nacional de tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC)
123
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
5. A Polícia da República de Moçambique está dotada de meios materiais suficientes e sofisticados
para prevenção da Cibercriminalidade?
R: Acredito que não
6. Será que os agentes da Polícia da República de Moçambique têm ao seu dispor ações de formação
em matéria de cibersegurança?
R: Não sei
7. Quais são os principais desafios que a PRM enfrenta ao lidar com a segurança cibernética?
R: Um dos principais desafios é o apetrechamento de equipamentos tecnológicos modernos para fazer frente
aos actuais desafios ligados a segurança cibernética. O Outro desafio não menos importante é da formação
de quadro para lidar com este tipo legal de crime.
8. Quais são as políticas/estratégias e procedimentos da polícia para lidar com incidentes de
segurança cibernética?
124
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE J: RESPOSTA 7#
02.04.2024
Hora de Início 12H14
Organização: Comando da PRM-Cidade de Maputo
Departamento: xxxxxxxxxxx
Posto: Subinspector da Polícia
Função: Chefe da xxxxxxx
Idade: 28 anos
Sexo: Masculino
Habilitações: Licenciado
1. R: Tomando em conta as atribuições da PRM no âmbito da manutenção da Ordem, Segurança e
Tranquilidade Públicas e o modelo de actuação por esta adoptado, que tem sido de carácter proactivo,
acredito que a nossa instituição embora não esteja munida de recursos sofisticados a altura de identificar as
acções fraudulentas inseridas no cibercrime, esta desempenharia um papel fundamental na identificação
de casos relacionados e o seu encaminhamento aos órgãos da Polícia Criminal e/ou Judiciária, no caso
concreto, o SERNIC, para devidas diligências no sentido de identificar os seus perpetradores e consequente
responsabilização criminal.
2. R: Considerando as especificidades dos crimes cibernéticos, denota-se que a PRM carece de ferramentas
e/ou recursos tecnológicos que se adequem as exigências da prevenção a este tipo de crime, pois, a actuação
policial, neste contexto a prevenção exige que a Polícia não se limite, a manutenção de efectivos na via
pública, exigindo a sua presença e domínio nas diferentes redes e plataformas tecnológicas, o denominado
ciberpoliciamento.
3. R: Ao nível da PRM, embora em sua estrutura orgânica, exista o Departamento de Tecnologias e Sistemas
de Informação e Computadores, este ainda não actua de forma activa na prevenção aos crimes cibernéticos,
estando mais voltada a aquisição, assistência e manutenção de dispositivos informáticos e respectivos
sistemas.
4. R: No âmbito da melhoria da segurança cibernética, do que se pode ver na realidade do nosso país, não se
encontram muito voltada a PRM, tendo em conta que foi celebrado no ano de 2022, um memorando de
entendimento entre a Procuradoria-Geral da República, o Instituto Nacional das Comunicações, o Serviço
Nacional de Investigação Criminal, Associação Moçambicana de Bancos e operadoras de telefonia móvel,
125
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
com o propósito de criar um canal de denúncias de crimes de fraudes financeiras, que ocorrem através de
diferentes canais electrónicos.
5. R: Embora a PRM tenha uma área que lida com questões relacionadas a gestão de sistemas informáticos e
afins, esta não dispõe ainda de uma central informática, especialmente criada para efeitos de prevenção a
cibercriminalidade.
6. R: Têm sido desenvolvidas formações e capacitações na área de tecnologias e comunicações, de modo a
dotar os agentes de conhecimentos ligados a esta, em conformidade com a dinâmica dos avanços
tecnológicos, contudo, devido a exiguidade de meios, não tem sido uma tarefa fácil desenvolver programas
estritamente direccionados a cibercriminalidade.
7. R: O principal desafio que se coloca a PRM no âmbito da prevenção a cibercriminalidade, reside na
implantação de um sistema tecnológico sofisticado que auxilie na análise de actividades suspeitas que
integrem os crimes de natureza cibernética.
8. R: No contexto moçambicano muitas ocorrências relacionadas a cibercriminalidade, não têm sido travadas
ou identificadas a prior, tomando as entidades policiais conhecimento destas, em casos de denúncias, em
que a PRM regista as ocorrências e lavra os respectivos expedientes e os remeti ao SERNIC, que por sua
vez desencadeia as demais acções investigativas.
126
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICE K: RESPOSTA 8#
Data: 5/4/2024
Hora do início: 13H23
Organização a que pertence: _______________________________________________
Direção / Departamento / Secção: ___________________________________________
Posto: _________________________________________________________________
Função: _______________________________________________________________
Idade: _____________________
Sexo: ________________________
Habilitações Literárias: _________________________________________________
1. No seu entender, qual é o papel da Polícia da República de Moçambique
(PRM) (em que vertentes pode atuar) no combate e/ou na prevenção do cibercrime?
R: Não sei até que ponto a Polícia pode ter um papel preponderante no combate a este tipo de crime, porque
nunca ouvi a se falar de um departamento ou repartição que lida com este tipo de crime. Mas a Polícia tem
um papel muito importante no combate a qualquer tipo de crime. Alias, antes de combater, tem de prevenir
o cometimento destes crimes. E se falha a prevenção, podem combater. Em suma, a Polícia pode atuar nas
duas vertentes.
2. Que medidas devem ser tomadas para tornar a (PRM) uma Polícia moderna, eficiente e
profissionalizada para fazer face a Prevenção do/a
Cibercrime/cibercriminalidade
R: As medidas são estas: cooperação com outras Polícias coma alta experiência nesta matéria de segurança
cibernética; dotar à Polícia de capacidade suficiente para lidar com este tipo de crime.
3. Existe um Departamento, Gabinete ou Secção na PRM que responde apenas à questão de
Crimes Cibernéticos?
R: No que eu tenho não existe nenhum Departamento.
4. Como a PRM está a trabalhar/colaborar com outras agências governamentais e
organizações espacializadas para melhorar a segurança cibernética?
R. Porque não há nenhum Departamento para esta matéria mesmo nas nossas reuniões nunca se debateu,
por isso é quase impossível saber se há ou não, mas o que eu saiba, não existe.
127
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
5. A Polícia da República de Moçambique está dotada de meios materiais suficientes e
sofisticados para prevenção da Cibercriminalidade?
R: Tenho certeza que não tem, porque para ter tem de haver uma Repartição ou Secção que vela esta área
e ser dotada de meio humanos e materiais para este tipo de crime.
6. Será que os agentes da Polícia da República de Moçambique têm ao seu dispor ações de
formação em matéria de cibersegurança?
R: Até onde eu sei, não tem. Mesmo quando eu estudava na Academia de Ciências Policiais não houve
nenhuma cadeira que falasse esta matéria de crimes cibernéticos e não sei se agora já existe. Neste sentido,
passaria primeiro uma formação e depois dotar os meios a estes Recursos Humanos.
7. Quais são os principais desafios que a PRM enfrenta ao lidar com a segurança cibernética?
R: O Principal desafio é a Polícia dotar-se de um Departamento que vela sobre esta matéria; O outro desafio
é dotar-se de uma capacidade técnica para lidar com esta matéria; E por último ter meios materiais
sofisticados.
8. Quais são as políticas/estratégias e procedimentos da polícia para lidar com incidentes de
segurança cibernética?
R: Julgo não haver nenhuma política, se houver ainda não foi tornada pública.
128
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICES L: QUADROS 1 E 2, E 5 A 12: CATEGORIAS DAS TEORIAS
SOCIAIS E DAS TEORIAS CRIMINOLÓGICAS E DE MATRIZ CROMÁTICA
DAS UNIDADES DE CONTEXTO E DE REGISTO DAS QUESTÕES 1 A 8
129
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 5: Matriz cromática das unidades de contexto e de registo da questão nº 1.
Entrevistado Unidade de Contexto Unidade de
Registo
“A PRM desempenha papéis cruciais no combate do 1.1
cibercrime”
1#
“Atuando nas vertentes como (..) prevenção (…)” 1.2
2# ” considerando tratar-se de uma literacia digital insta o seu 1.2
conhecimento para permitir a prevenção”
“Combater os ilícitos cibernéticos” 1.1
3# “O papel da PRM na prevenção da cibercrime é de adotar 1.2
medida de sensibilização aos cidadãos”
“levantar as respetivas peças de expediente (autos), e
encaminhar as demais autoridades para procedimentos
1.3
subsequentes”
4# “o papel da polícia é a prevenção do mesmo fenómeno 1.2
“a sensibilização da sociedade no combate a este crime” 1.1
5# (…) não pode, mas sim deve atuar (…) na vertente preventiva, 1.2
(…) prevenir a ocorrência de crimes cibernéticos.
“A PRM (…) tem um papel fundamental na Prevenção (…) ao 1.2
cibercrime”,
“A PRM (…) tem um papel fundamental (…) no combate ao 1.1
6#
cibercrime (…)”.
“(…) desempenharia um papel fundamental na identificação
de casos relacionados e o seu encaminhamento aos órgãos da
7# 1.3
Polícia Criminal e/ou Judiciária, no caso concreto, o SERNIC
(…)”.
8# (…) a Polícia tem um papel muito importante no combate a 1.1
qualquer tipo de crime”
“(…) deve prevenir antes de combater”. 1.1
130
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 6: Matriz cromática das unidades de contexto e de registo da questão nº 2.
Entrevistado Unidade de Contexto Unidade
de Registo
“Providenciar uma formação contínua (…) oferecer um
treinamento especializado em cibercrime e forense aos
1# 1.1
agentes”
“(…) privilegiar (…) na formação da Polícia em matéria de
crimes cibernéticos e forense nos Centros de Formação Básica,
e do nível Superior” (…) urgente tomar medidas de educação
2# científica ao homem (polícia) (…) conceção de conteúdos em
palestras, seminários e reciclagem”
1.1
3# “(…) deve se garantir o apetrechamento” 1.2
“(…) a formação dos quadros de modo a fazer face aos 1.1
desafios contemporâneos”.
4# “seguir essa dinâmica com vista a atualização no âmbito do 1.1
uso das TICs (…) capacitação dos agentes da PRM”
“intercambio com outras entidades afins para melhor troca de 1.3
experiências assim como na intercambio internacional”
“a criação de um departamento exclusivamente para lidar com 1.4
esse fenómeno de Cibercrime”.
5# “Em primeiro plano deve investir no conhecimento (…)” 1.1
“Apostar na formação em matérias de cibersegurança,
implementar conteúdos (…) nas formações policias (Cursos
Básico, Médio e Superior)”.
6# 1.1
“Consciencializar os membros em matéria de segurança de
cibernética”.
“(…) carece de ferramentas e/ou recursos tecnológicos que se
adequem as exigências da prevenção a este tipo de crime, (…)
7# 1.2
exigindo a sua presença e domínio nas diferentes redes e
plataformas tecnológicas, o denominado ciberpoliciamento”.
“Cooperação Internacional com outras Polícias que têm 1.3
experiência nesta matéria de segurança cibernética”
8#
“Dotar à Polícia de capacidade suficiente para lidar com este 1.1
tipo de crime”
131
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 7: Matriz cromática das unidades de contexto e de registo da questão nº 3.
Entrevistado Unidade de Contexto Unidade de
Registo
“Existe uma secção de Gestão, Auditoria e Segurança de
Sistemas uma das suas atividades está ligada a prevenção de
1# 1.1
incidentes cibernéticos”
2# 1.2
“Só existe no Serviços de Investigação Criminal”
3# “Ainda não temos um Departamento, Gabinete ou Secção na
PRM que responde à questão de Crimes Cibernéticos”.
1.2
4# “No momento ainda não existe um departamento ou secção
que responde apenas à questão de Crime Cibernéticos”
5# (…) não me parece que haja algum Departamento, Gabinete 1.2
ou Secção com competências exclusivas para a prevenção do
Crimes cibernéticos”.
6# “Acredito que não” 1.2
(…) embora exista o Departamento de Tecnologias e Sistemas
de Informação e Computadores, este ainda não atua de forma
ativa na prevenção aos crimes cibernéticos, estando mais
7# voltada a aquisição, assistência e manutenção de dispositivos 1.1
informáticos e respectivos sistemas.
8# “O que eu saiba não existe” 1.2
132
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 8: Matriz cromática das unidades de contexto e de registo da questão nº 4.
Entrevistado Unidade de Contexto Unidade
de
Registo
“A PRM participa em algumas capacitações e
Workshops no Instituto de Tecnologias de Informação e
Comunicação (INTIC)”.
1# 1.1
“coordena atividades com o INAGE e o INCM em
matérias ligadas a segurança cibernética”.
“a PRM tem sim colaborado com agências
governamentais, tais como, MINISTERIO PUBLICO,
SERNIC, SISE, SERNAP, quando constatar-se que o
2# modus operandi do crime, envolve componente mundo 1.1
digital, redes sociais”.
3# “apos a elaboração do auto e direciona-se a outras
entidades “de administração de justiça) para
1.1
procedimentos subsequentes”.
4# (…) tem colaborado com outras agências governamental 1.1
tais como o SERNIC com vista ao esclarecimento de
crimes cibernéticos”.
5# “Não temos conhecimento”. 1.2
6# “A PRM tem participado em várias formações ligados a
matéria de segurança e cibernética promovidas pelo
1.1
Instituto Nacional de tecnologias de Informação e
Comunicação (INTIC)”
7# “No âmbito da melhoria da segurança cibernética, do
que se pode ver na realidade do nosso país, não se
1.3
encontram muito voltada a PRM (…)”.
8# “Não sei se existe colaboração com outras agências (…) 1.3
uma vez que na PRM não existe um Departamento que
lida com a Segurança Cibernéta”.
133
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 9: Matriz cromática das unidades de contexto e de registo da questão nº 5.
Entrevistado Unidade de Contexto Unidade
de
Registo
1# “A PRM não detém ainda desses meios e equipamentos” 1.1
2# “Compreende-se que ainda é um desafio, para ter meios 1.1
materiais suficientes e sofisticados”
3# “informação classificada”. 1.2
4# “não dispõe de meios nem materiais suficientes para 1.1
prevenção da Cibercriminalidade”.
5# “Não temos conhecimento”. 1.3
6# “Acredito que não”. 1.1
7# (…) não dispõe ainda de uma central informática,
especialmente criada para efeitos de prevenção a
1.1
cibercriminalidade”.
8# “Tenho certeza que não tem porque devia ter um 1.1
Departamento que vela a esta matéria
consequentemente, o seu apetrechamento”
134
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 10: Matriz cromática das unidades de contexto e de registo da questão nº 6.
Entrevistado Unidade de Contexto Unidade
de
Registo
1# “Existem pequenas capacitações que não satisfazem 1.1
ainda, através do INTIC”.
“não todos que tem formação ou conhecimentos
científicos desta matéria cibersegurança” (…)
é necessário que as formações, seminários, sejam
1.1
abordados de forma abrangente a todos níveis e
2# escalões”.
“a sociedade também tem um papel indispensável de 1.2
fazer denúncia e para tal a mesma deve ter domínio
desta matéria”.
3# “informação classificada”. 1.3
4# “Ate então os agentes da PRM não dispõe de formação em 1.4
matérias de cibersegurança”.
5# “Não temos conhecimento”. 1.3
6# “Não sei” 1.3
7# (…) devido a exiguidade de meios, não tem sido uma
tarefa fácil desenvolver programas estritamente
1.4
direcionados a cibercriminalidade”
8# “Não há formação” 1.4
135
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 11: Matriz cromática das unidades de contexto e de registo da questão nº 7.
Entrevistado Unidade de Contexto Unidade
de
Registo
“O principal desafio é a necessidade de capacitação 1.1
avançada”
“equipamento para poder desmitificar o problema da 1.2
cibersegurança e fazer o tratamento satisfatório das
1# denúncias”.
“capitalização e formação do homem no que diz respeito
ao mundo informatizado digital”.
1.1
“Criação de direções e salas de informática com internet 1.2
a disposição”
2#
“Criação de um comando estruturado para controlar, 1.3
descobrir e intercetar ações de cibercrimes inserido nos
estatutos orgânicos da PRM (…) em todas unidades e
subunidades policiais”
3# “são vários devido a sua complexidade” 1.5
“parte desde a formação dos recursos humanos” 1.1
4# “obtenção de recursos ou meios matérias” 1.2
Os desafios (…) gravitam em torno de recursos 1.2
tangíveis (…) materiais”.
Os desafios (…) gravitam em torno de recursos 1.4
5#
tangíveis (…) financeiros”.
Os desafios (…) encontram-se sempre associados ao 1.1
reforço efetivo do Recursos Humanos (…)”.
6# “Um dos principais desafios é o apetrechamento de 1.2
equipamentos tecnológicos modernos (…)”.
136
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
“Outro desafio não menos importante é da formação de 1.1
quadro para lidar com este tipo legal de crime”
7# “O principal desafio (..) reside na implantação de um
sistema tecnológico sofisticado que auxilie na análise de
1.2
atividades suspeitas que integrem os crimes de natureza
cibernética
“O Principal desafio é a Polícia dotar-se de um 1.3
Departamento que vela sobre esta matéria”
“O outro desafio é dotar-se de uma capacidade técnica 1.1
para lidar com esta matéria”
“E por último ter meios materiais sofisticados” 1.2
8#
137
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
Quadro 12: Matriz cromática das unidades de contexto e de registo da questão nº 8.
Entrevistado Unidade de Contexto Unidade
de
Registo
1# “Neste momento a PRM, encontra-se no processo de 1.1
desenho de equipas de CICERT`s”
2#
“o governo implantou sistema de camaras de vídeo 1.1
segurança nas vias públicas”
3# “informação classificada” 1.2
4# “A colaboração com outras entidades afins tem sido uma das 1.1
políticas para lidar com incidentes de segurança cibernética”
Desconheço da existência de um protocolo 1.3
/procedimento interno e oficial para sesses tipo de
incidentes se é que existe (…).
“Quanto as políticas (…) Moçambique é signatário da
Convenção da União Africana sobre a
Segurança Cibernética e Proteção de dados Pessoais.
5# Também é da União Internacional das
1.1
Telecomunicações. Como sabe Moçambique é membro
efetivo da SADEC e este organismo
adotou um modelo harmonizado para tratar da questão
da criminalidade cibernética. (…) presume-se que a
PRM guie-se pelos instrumentos referidos (…)
6# Não respondida 1.2
“(…) a PRM regista as ocorrências e lavra os respetivos
expedientes e os remete ao SERNIC (…) para a
1.4
investigação”
7#
“Julgo não haver nenhuma política, se houver ainda não
foi tornada pública”
8# 1.5
138
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da
Cibercriminalidade
APÊNDICES M: TABELAS 1 A 8 DA ANÁLISE DE CONTEÚDO DAS
QUESTÕES DAS ENTREVISTAS.
139
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Tabela 1: Análise de conteúdo da questão 1 da entrevista.
Categorias Subcategorias Unidade de Entrevistados Unidade de enumeração Resultado
Registos
%
Questão 1 1 2 3 4 5 6 7 8
“medida de
sensibilização
aos cidadãos”
Prevenção x x x x x x x 7 87,5%
140
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
“papéis
cruciais”
“papel
Papel da PRM fundamental”
na prevenção
da ciber-
criminalidade “Papel
importante”
Combate Sensibilização x x x x x x x 7 87,5%
da sociedade”
“Levantar
expedientes e
encaminhar”
“Identificação
de casos
relacionados”
“no combate do
cibercrime”
Ambos Prevenir e x x x x x x 6 75,00%
combater
141
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Tabela 2: Análise de conteúdo da questão 2 da entrevista
Categorias Subcategorias Unidade de Entrevistados Unidade de enumeração Resultado
Registos
%
Questão 2 1 2 3 4 5 6 7 8
Capacidades Formação/ x x x x x x 6 75,00 %
educação dos
quadros da
PRM
Medidas a tomar Técnico Apetrecha- x x 2 25,00 %
para tornar a PRM
mento (…)
moderna, eficiente
e Recursos
profissionalizada tecnológicos
Organizacional criação de um x 1 12,5 %
Departamento
exclusivo (…)
Cooperação intercâmbio x x 2 25,00 %
Internacional internacional
(…) com
Polícias
142
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Tabela 3: Análise de conteúdo da questão 3 da entrevista
Categorias Subcategorias Unidade de Entrevistados Unidade de enumeração Resultado
Registos
%
Questão 3 1 2 3 4 5 6 7 8
“Existe (…)
para
x
prevenção
Interna”
Existência de (…) Existe
Departamento DSTIC
responsável voltada para
para crimes prevenir
Existe dispositivos 25,00 %
Cibernéticos x
informáticos
e respetivos 2
sistemas da
PRM
143
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
“Só existe no
SERNIC
Ainda não
Não existe x x x x x x 6 75,00 %
temos (…)
Não existe
(…)
144
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Tabela 4: Análise de conteúdo da questão 4 da entrevista
Categorias Subcategorias Unidade de Entrevistados Unidade de enumeração Resultado
Registos
%
Questão 4 1 2 3 4 5 6 7 8
(…) participa
em algumas
capacitações e
Colaboração da Workshops
PRM com outras (…) no INTIC;
agências colabora com
governamentais e SERNIC; MP; x x x x x 5 62,5 %
organizações SISE,
Colabora
especializadas SERNAP
para melhorar a
(…) A
segurança
Segurança
cibernética
Cibernética
não se encontra
muito voltada a
Limitações /
PRM (…) Uma
não colabora
vez que não
145
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
existe x x 2 25,00 %
Departamento
(…)
Resposta não Não temos
confirmada conhecimento
x 12,5 %
146
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Tabela 5: Análise de conteúdo da questão 5 da entrevista
Categorias Subcategorias Unidade Entrevistados Unidade de enumeração Resultado
de
%
Registos
Questão 1 2 3 4 5 6 7 8
Meios Está dotada de X 00,00 %
materiais meios
suficientes e
“A PPRM
sofisticados
não detém
dotada pela
meios
PRM para
Não está dotada (…)
prevenção da de meios
“ainda é
Ciber-
um
x x x x x x 6 75,00 %
criminalidade desafio”
(…)
Resposta não x x 2 25,00 %
confirmada
147
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Tabela 6: Análise de conteúdo da questão 6 da entrevista
Categorias Subcategorias Unidade de Entrevistados Unidade de enumeração Resultado
Registos
%
Questão 6 1 2 3 4 5 6 7 8
Existência de Pequenas
ações de capacitações no
formação aos INTIC (..)
agentes da Existe ações de
não todos que
formação
PRM em tem formação x x 2 25,00 %
matéria de (…)
cibersegurança
Não existem os agentes da
ações de PRM não dispõe
formação de ações de
formação (…) x x x 3 37,5 %
Resposta não “Informação x 1 12,5 %
facultada classificada
Não temos
conhecimento
2 25,00 %
148
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Resposta não (…) Não sei
confirmada
149
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Tabela 7: Análise de conteúdo da questão 7 da entrevista
Categorias Subcategorias Unidade de Entrevistados Unidade de enumeração Resultado
Registos
%
Questões 1 1 2 3 4 5 6 7 8
“necessidade de x
capacitação
avançada”
“capitalização e x
formação (…)
Recursos “parte desde a x
humanos formação dos
recursos
humanos”
“reforço efetivo x 6 75,00 %
do Recursos
Humanos (…)”.
150
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
“formação de
quadro”
desafios que a x
PRM enfrenta
dotar-se de uma
ao lidar com a
capacidade
segurança x
técnica
cibernética
Recursos “equipamento
materiais para (…) fazer o
tratamento
satisfatório x
das denúncias”.
“Criação de
direções e salas de
informática com
internet a x
disposição”
“obtenção de
recursos ou meios
x
matérias”
151
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
“recursos 7 87,5 %
tangíveis (…)
x
materiais”
“apetrechamento
de equipamentos
x
tecnológicos
modernos”
“implantação de
um sistema
x
tecnológico
sofisticado (…)”
meios materiais x x
sofisticados”
Recursos Os desafios (…) x
financeiros gravitam em torno
1
de recursos (…)
financeiros”. 12,5 %
Criação de um x
comando
estruturado (…)
152
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
inserido nos
estatutos
Orgânico
orgânicos da PRM
(…)
dotar-se de um x
Departamento que
2 25 %
vela sobre esta
matéria”
Não “são vários devido x 12,5 %
especificados a sua
1
complexidade”
153
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
Tabela 8: Análise de conteúdo da questão 8 da entrevista
Categorias Subcategorias Unidade de Entrevistados Unidade de enumeração Resultado
Registos
%
Questão 8 1 2 3 4 5 6 7 8
(…) x
“processo de
desenho de
equipas de
CICERT`s”
implantação x
sistema CCTV
nas vias
(In)existência públicas
de “A colaboração
Políticas/ com outras
entidades afins
estratégias e Existência x 4 50,00 %
procedimentos
de
154
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
da polícia para Políticas/ (…) a PRM
lidar com guie-se pelos
Estratégias
incidentes de instrumentos
segurança ratificados pelo
cibernética país à nível da
UA e SADC
x
Inexistência “Julgo não x 1 12,5 %
Políticas/ haver nenhuma
política (…)
Estratégia
Procedimento “(…)
expedientes
e os remete ao
SERNIC (…)
para a x 1 12,5 %
investigação”
Inexistência de “Desconheço da
procedimento existência
x 1 12,5 %
protocolo/
155
Cibersegurança: O Papel da Polícia da República de Moçambique (PRM) da Prevenção da Cibercriminalidade
procedimento
(…)”
Não respondida “informação x 1 12,5 %
classificada”
156