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2025-EBD - 1o. Trimestre-Lição 8

A lição aborda a experiência humana de Jesus, enfatizando que Ele viveu como um ser humano normal, participando da vida social e religiosa, e enfrentando debates com líderes religiosos da época. O documento também discute heresias que negam a humanidade de Jesus, como o apolinarismo e o monotelismo, e a resposta da igreja que defende a união hipostática, afirmando que Jesus é plenamente Deus e plenamente Homem, exceto quanto ao pecado. A lição conclui que a verdadeira humanidade de Jesus é essencial para a compreensão de sua missão de salvação.

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2025-EBD - 1o. Trimestre-Lição 8

A lição aborda a experiência humana de Jesus, enfatizando que Ele viveu como um ser humano normal, participando da vida social e religiosa, e enfrentando debates com líderes religiosos da época. O documento também discute heresias que negam a humanidade de Jesus, como o apolinarismo e o monotelismo, e a resposta da igreja que defende a união hipostática, afirmando que Jesus é plenamente Deus e plenamente Homem, exceto quanto ao pecado. A lição conclui que a verdadeira humanidade de Jesus é essencial para a compreensão de sua missão de salvação.

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Lição 8

23 de fevereiro de 2025
JESUS VIVEU A EXPERIÊNCIA HUMANA
por Ciro Sanches Zibordi

Texto áureo/Verdade prática

INTRODUÇÃO

1. Fim da série cristológica. Esta lição põe fim a uma série de estudos cristológicos.
Na lição 3, estudamos sobre a doutrina da encarnação do Verbo e as heresias que
se lhe opõem, como o docetismo. Na lição 4, os objetos de estudo foram a doutrina
da triunidade divina e a heresia do unicismo. Na lição 5, vimos que Jesus é Deus,
dando destaque para as principais passagens neostamentárias sobre a sua deidade,
e discorremos sobre outra heresia, o arianismo. Na lição 6, a ênfase recaiu sobre o
relacionamento do Deus Filho com o Deus Pai, rechaçando a heresia do
subordinacionismo. A sétima lição se ocupa da doutrina da união hipostática e as
heresias contrárias a ela, como nestorianismo, monofisismo e kenoticismo.

2. Objeto desta aula. Nesta última lição cristológica, abordaremos um ponto muito
importante no estudo do Deus-Homem: sua vida normal. Ao contrário do que ensina
o apolinarismo e o monotelismo, Jesus, ao andar na terra, foi um ser humano como
qualquer outro, com a exceção de não ter uma natureza adâmica, pecaminosa. Mas
não foi uma espécie de monge, eremita ou anacoreta. Plenamente Homem, Ele teve
uma vida social e religiosa.

I. A EXPERIÊNCIA HUMANA NO MINISTÉRIO DE JESUS

1. Os debates com as autoridades. O ministério de Jesus durou três anos, mais ou


menos. "Os anos iniciais foram marcados pela popularidade crescente, e o último
ano foi caracterizado pelo aumento da dissensão e até mesmo da animosidade. Ao
longo de seu ministério, Jesus sempre condenou dois grupos específicos de líderes
religiosos: os fariseus e os saduceus" (BEERS, p. A33). O Sinédrio era formado por
essas duas seitas (At 23.6), as principais opositoras do Deus-Homem, que também
debateu com os herodianos e, possivelmente, com os essênios. Nesses debates, o
Senhor Jesus apresenta grandes ensinamentos sobre ética, princípios morais e
responsabilidade civil, demonstrando que se tornou como um de nós.
a) Os fariseus. Considerando-se membros do partido judaico mais santo e piedoso,
os fariseus (gr. Pharisaios; hb. prushim, "separados") zelavam pelo cumprimento dos
mandamentos e preceitos do judaísmo, a fim de resistir à pressão da cultura
greco-romana sobre sua religião. Legalista, o farisaísmo (c. 150 a.C.) era a seita
mais severa do judaísmo (At 26.5) e exigia que todos obedecessem à sua tradição,
com regras do tipo "não toques, não proves, não manuseies" (cf. Cl 2.21), mais
importantes, para ela, que os próprios preceitos das Escrituras (Mt 15.3,6; 23.5-7; Mc
2.16-24). No debate com os fariseus, Jesus condenou as suas práticas de
recrutamento e juramento, suas ênfases em trivialidades, bem como, e
principalmente, suas hipocrisia e soberba (Mt 23).
b) Os saduceus. Não muito apegados às prescrições da Lei, formavam o partido
saduceano (c. 200 a.C.), pequeno, mas poderoso. Os saduceus (gr. Saddoukaios; hb.
zedukim, nome derivado do sumo sacerdote Zadoque [2 Sm 8.17; Ez 40.46]) eram,
em sua maioria, comerciantes, pessoas influentes, aristocratas e sacerdotes que
procuravam viver um tipo de judaísmo iluminado — baseado exclusivamente no
Pentateuco — e, assim, autogovernar-se, mesmo sob o domínio romano. Eles não
criam no sobrenatural (Mc 12.18; At 23.8). Movidos por inveja, uniram-se aos
fariseus para se opor ao Senhor Jesus (Mt 16.1-12), que refutou sua doutrina
contrária à ressurreição (22.23-33).
c) Os herodianos. Estes não formavam uma seita religiosa; atuavam como um
partido político nacionalista, helenizante, que apoiava a dinastia de Herores. Juntos
com os fariseus (Mc 12.13), dirigiram ao Mestre a famosa pergunta sobre o tributo:
"É lícito pagar o tributo a César, ou não?" (Mt 22.16,17). Seu objetivo era colocar
Jesus em conflito com as autoridades. Os dois grupos também conspiraram para
matar Jesus (Mc 3.6). Assim como o Senhor chamou a doutrina dos fariseus e
saduceus de "fermento" (Mt 16.6), também disse: "Olhai, guardai-vos [...] do fermento
de Herodes" (Mc 8.15). Temos, aqui, uma lição prática: não devemos ter cuidado
apenas com os desvios no campo religioso. Há doutrinas políticas perniciosas,
similares a fermento, que leveda toda a massa (cf. 1 Co 5.6).
d) Os essênios. Descobriu-se, a partir de 1947, que a comunidade de Qumran, era
constituída especialmente de essênios, membros da terceira maior seita do
judaísmo, no primeiro século d.C., um grupo ascético ainda mais extremista que os
fariseus. Os essênios formaram uma biblioteca no deserto da Judeia, escondendo
manuscritos bíblicos e não bíblicos nas cavernas. Esses livros foram enterrados
profundamente nas cavernas quando os romanos estavam avançando para
esmagar a revolta dos judeus em 66 d.C. Ao receber a notícia de que os romanos
estavam avançando, os essênios abandonaram as cavernas (68 d.C.), e elas
permaneceram intocadas durante quase 1.900 anos (cf. GILBERTO, p. 69-98). É
improvável que eles tenham debatido com Jesus, já que se estabeleceram num
monastério, às margens do mar Morto, desiludidos com a hierarquia do Templo.
"Localizados no deserto, devotados ao estudo estrito das Escrituras e
especialmente dos livros proféticos, viam a si mesmos, por meio da imagem de
Isaías, como um tipo de vanguarda — uma 'tropa' avançada preparando a era do
cumprimento do Senhor" (WALKER, p. 46). Especula-se que João Barista era
essênio, mas este era apenas "um profeta isolado, tipo eremita, e não membro de
algum agrupamento monástico" (GUNDRY, p. 133).
2. A vida social e religiosa de Jesus. Ele participava do debate público porque, de
fato, tornou-se um ser humano, que veio ao mundo para participar "das mesmas
coisas" que nós (Hb 2.14), inclusive da vida social e religiosa. Jesus teve um
desenvolvimento físico e mental dentro da normalidade (Lc 2.40-52). E não vivia
longe dos pecadores, mas entre eles (5.27-32; 7.37-39; Jo 4.9-15). Ele tinha
parentes, vizinhos (Lc 1–2; Mc 1.19,20; 15.40; Mt 26.37; 27.56; Jo 1.43-46; 19.25).
Convivia com pessoas que não o consideravam um extraterrestre, e sim alguém
como eles. Ele tinha amigos e inimigos (Mt 9.10,11; cap. 23); e até chorou quando
um amigo próximo morreu (Jo 11.33-35).

3. Características próprias do ser humano:


a) O Verbo não veio ao mundo como — nem para ser — o Superman. O Filho do
Homem foi gerado, de modo sobrenatural, pelo Espírito Santo no ventre de Maria,
porém nasceu de uma mulher (Mt 1.18-21; Gl 4.4). Ele foi nutrido em sua vida
intra-uterina e, após seu nascimento, amamentado e educado. Também estudava e
orava (Lc 2.6,7,40,52; 4.1,14; 5.16; 6.12). Além disso, passando por infância,
pré-adolescência, adolescência, juventude e vida adulta, trabalhou, sentiu cansaço e
sono, teve fome e sede, sofreu, foi traído, preso e morreu (Mc 6.3; Jo 4.6; Mt 8.24; Lc
22.48; Jo 19.28-30 etc.).
b) Jesus em tudo foi tentado. O que melhor confirma a humanidade plena do Verbo é
o que está escrito em Hebreus 4.15: "não temos um sumo sacerdote que não possa
compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi
tentado, mas sem pecado". Aqui, o "em tudo foi tentado" ressalta sua plena
humanidade, e o "sem pecado" destaca sua plena divindade. Em outras palavras,
embora Ele tenha sofrido todo tipo de tentação externa, como Homem (Mt 4.1-11),
não pode ser tentado a partir de sua própria natureza — como nós o somos (Tg
1.14), já que somos por natureza pecadores (Rm 3.23) —, haja vista o seu atributo
divino da impecabilidade (Jo 8.46; 1 Pe 1.18,19).

II. HERESIAS QUE NEGAM A HUMANIDADE DE JESUS

1. Apolinarismo. Pouco antes dos debates cristológicos estudados na lição anterior


— envolvendo as escolas de Alexandria e Antioquia —, os quais culminaram na
condenação de nestorianos e monofisitas (século V d.C.), já havia uma discussão a
respeito das duas naturezas do Senhor Jesus. Os alexandrinos, que chamavam os
antioquenos de adocionistas ("Deus adotou Jesus como Filho"), tinham como
mentor Apolinário de Laodiceia (c. 310-c. 390 d.C.), cuja posição seria condenada no
I Concílio de Constantinopla (o II Ecumênico), em 381 d.C., convocado pelo
imperador Teodósio I, quando se aprovou o Credo Niceno-constanipolitano.
a) A proposta de Apolinário quanto à encarnação do Verbo. Os alexandrinos
apolinaristas defendiam a união entre as naturezas divina e humana em Jesus
Cristo, afirmando que, na sua encarnação, em vez de Ele ter essas duas naturezas,
passou a ter uma terceira, híbrida. Para eles, Jesus "possuía corpo e alma humanos,
mas não a alma racional humana" (GONZÁLEZ, p. 137). Ele tinha como alma o
próprio Verbo! Apolinário afirmava que ho Logos se fez carne sem ingressar, de fato,
na existência humana. Sendo mais minucioso, Jesus — assim como todo ser
humano, animal e vegetal — tinha uma "alma" que dava vida a seu corpo e, além
disso, uma alma racional (mente): ho Logos. Dessa forma, Apolinário negava a
humanidade integral de Jesus Cristo, "resumindo-a ao corpo, sem incluir uma alma
ou mente racional humana, que foi substituída pelo Logos. [...] Cristo não tinha uma
mente humana" (MATOS, p. 72-77).
b) A resposta dos antioquenos à proposta de Apolinário. De modo geral, eles
acusaram os alexandrinos de docetistas ("O corpo humano de Jesus é apenas
aparente"). Para os teólogos de Antioquia, a humanidade de Cristo não era passiva, e
sim ativa, integral e completa. Insistiam na distinção radical das duas naturezas, que
Nestório viria a chamar de "duas pessoas". Mas o grande expoente da doutrina
bíblica da união hipostática foi Teodoro de Mopsuéstia (350-428 d.C.), que defendeu
a imutabilidade de ho Logos e a veridicidade da sua vida humana.

2. Reação da igreja. "Como se pode dizer que Jesus era verdadeiramente humano,
se não possuía mente humana e se nunca pensou como um ser humano? Se Jesus
se fez homem para salvar a humanidade de seus pecados, como então realizou tal
coisa sem encarnar um ser humano completo? Não é na mente ou na alma racional
que o pecado faz seus maiores estragos? A alma racional não necessita ser salva?
Que impacto pode então ter a encarnação se não incluir um ser humano completo?"
(GONZÁLEZ, p. 137). Após a morte dos mencionados expoentes alexandrinos e
antioquenos, fixou-se como ortodoxa a doutrina da união hipostática, uma espécie
de meio-termo entre os conceitos das duas escolas, pendendo um pouco mais para
a posição antioquena: Jesus é plenamente Deus (Jo 1.1,14; 1 Tm 3.16; Cl 2.9) e
plenamente Homem (Hb 2.14,17; Lc 24.36-40; Jo 2.21; Hb 10.10; Mt 26.38; Lc
23.46), exceto quanto ao pecado, haja vista o seu atributo da impecabilidade (Jo
8.46; Hb 4.15).

3. Monotelismo:
a) Contexto histórico. Mesmo após o Concílio de Calcedônia (451 d.C.), que publicou
uma Definição de Fé pela qual se explica em detalhes a doutrina do Deus-Homem,
alguns teólogos continuaram defendendo monofisismo (irmão mais velho do
apolinarismo), com uma nova roupagem. Sérgio I (565-638 d.C.), de Constantinopla,
propôs o apolinarismo 3.0, que veio a ser chamado de monotelismo (gr. μόνος,
mónos, "único"; θέλημα, thélema, "vontade"), termo que não deve ser confundido com
monoteísmo.
b) Apolinarismo 3.0. O monofisismo ou eutiquianismo (apolinarismo 2.0) dizia que
Jesus nunca foi humano, de fato, já que suas características humanas só existiam
em união com o divino. Já o monotelismo — reforçando a ideia apolinariana de que
a mente do homem Jesus era o próprio Verbo — afirmava que Ele tinha uma única
vontade (monotelismo), a divina. Sérgio ignorou passagens claras da Bíblia sobre a
participação do Verbo nas mesmas coisas que nós (Hb 2.14; Lc 2.40,52),
incluindo-se a tentação (Hb 4.15). Pode Deus ser tentado? Claro que não! Como
Deus-Homem, Ele em tudo foi tentado, porém a sua tentação veio sempre de fora
(Mt 4.1-11). Afinal, Ele nunca deixou de ser Deus, não podendo ser tentado a partir
da sua própria natureza santa (Jo 1.14; 8.46).
c) Refutação bíblica do monotelismo. Observe como a vontade humana estava
presente no Deus-Homem, quando Ele, em agonia, disse as seguintes, em oração:
"Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja,
porém, o que eu quero, mas o que tu queres" (Mc 14.36). Claro está que o Verbo
jamais deixou de ser Deus, mas Ele se fez Homem, de fato, com a exceção do
pecado. Por outro lado, Ele, quando quis, valeu-se de sua vontade divina para
perdoar pecados, o que, se fosse apenas Homem, não poderia fazê-lo (Lc 5.20-22).
Felizmente, no III Concílio de Constantinopla (681 d,C.), valendo-se da refutação do
monotelismo por parte de Sofrônio (560-638 d.C.), de Jerusalém, em 633 d.C., a
Igreja considerou essa posição uma heresia.
●​ O Deus Filho foi tentado a criar seu próprio alimento. Ele se tornou como um
de nós, ao encarnar-se (Hb 2.14). Vendo o Diabo que Jesus estava faminto,
tentou-o quanto à sua natureza humana, mas também quis pôr em dúvida a
sua natureza divina: "Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se
tornem em pães" (Mt 4.3). Claro que Jesus é e sempre foi Deus
Todo-poderoso (Ap 1.8), pois Deus nunca deixa de sê-lo. E, se quisesse,
poderia facilmente transformar pedras em pães. Mas, se tivesse feito isso,
poria suas necessidades físicas pessoais acima da obediência ao Pai e da
confiança nEle. Jesus nunca operou milagres para si mesmo. Ademais, Ele
veio para vencer as tentações como Homem e deu ao Tentador uma resposta
acachapante: "Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a
palavra que sai da boca de Deus" (Mt 4.4).
●​ O Deus Filho foi tentado a usar seu poder divino. Ao tentar Jesus,
chamando-lhe de "Filho de Deus", o Tentador tinha consciência de que estava
desafiando a própria deidade de Jesus. Como Filho de Deus (Hb 1.8), Jesus
jamais deixou de ser santo. Deus não pode ser tentado pelo mal. Mas, como
Ele se fez Homem (Jo 1.1,14), o atrevido Tentador ousou dizer-lhe: "Se tu és o
Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito: Que aos seus
anjos dará ordens a teu respeito, e tomar-te-ão nas mãos, para que nunca
tropeces com o teu pé em alguma pedra" (Mt 4.6). Ao dizer estas palavras,
Satanás pensou que podia induzir o Deus-Homem a valer-se de sua deidade
ao cair do pináculo do Templo. Claro que, se quisesse, Ele poderia até
levantar voo ali para dar uma demonstração de seu poder a Satanás. Não
obstante, Jesus veio para vencer o Maligno como Homem! Ao se encarnar, o
Todo-poderoso limitou seu próprio poder (Fp 2.5-11) e, por isso, deu o
exemplo de que podemos vencer o Diabo pela Palavra: "Também está escrito:
Não tentarás o Senhor teu Deus" (Mt 4.7).
●​ O Deus Filho foi tentado a colocar-se contra o Deus Pai. Mais uma vez,
sabendo que somente Deus pode ser adorado, o Tentador quis colocar o Filho
contra ao Pai: "Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares", disse,
apontando para os reinos do mundo (Mt 4.8,9). O Mestre poderia
simplesmente impor-se como Filho de Deus e lhe dizer: "Prostra-te tu, agora,
diante de mim", obrigando Satanás a adorá-lo. Por que Ele não fez isso? Em
primeiro lugar, porque a adoração não é coercitiva; é um ato voluntário. E
Satanás já demonstrou desde o início que não quer adorar o Cristo (Jo 8.44).
Segundo, repito, o Filho de Deus veio para vencer o Tentador como Homem e,
por isso, respondeu-lhe: "Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu
Deus adorarás, e só a ele servirás" (Mt 4.10).

III. COMO ESSAS HERESIAS SE APRESENTAM NOS DIAS ATUAIS

1. Quais países Jesus visitou quando esteve entre nós? Além das ideias de que
Jesus, como ser humano, tinha uma alma divina, não humana (apolinarismo), ou
uma única vontade, a divina (monotelismo), há também aqueles que o veem como o
Superman. Alguém pregou, há algum tempo, que Jesus usou seus poderes para
trabalhar como carpinteiro, a fim de fazer mesas e cadeiras em tempo recorde.
Outros, como os mórmons e os aquarianos (adeptos da Nova Era), afirmam que Ele
empreendeu longas viagens pelo mundo, visitando até os Estados Unidos, além de
Índia, Caxemira e Afeganistão. Ora, não acreditemos em fábulas (cf. 1 Tm 4.7)!
Quando o Verbo se encarnou, autolimitou-se, ficando restrito a um espaço
geográfico. Ele se valeu dos meios de transporte de que dispunha. Por isso,
navegando no mar da Galileia, viajando em lombos de animais ou andando pelo
deserto, ficou restrito a alguns países do Crescente Fértil, especialmente Israel.

2. Jesus era visto como alguém da comunidade. As invencionices não têm limite.
Os mesmos esotéricos disseminadores da ideia de que Jesus viajou por vários
países distantes, dizem que Ele fez isso para aprender o budismo. Mas o Verbo se
encarnou para cumprir uma missão em sua terra natal, a fim de, primeiramente,
salvar o seu povo, os judeus, dos seus pecados (Mt 1.21; Jo 1.11,12.) Portanto, a
obra redentora tem alcance universal (Jo 3.16; Hb 2.9), porém o ministério terreno
do Senhor foi exercito junto à comunidade do seu povo, Israel (Mc 6.2,3; Mt
13.55-57).

REFERÊNCIAS
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Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
BEERS, Ronald A. et al. Bíblia de Estudo Cronológica Aplicação Pessoal. 1. ed. Rio de
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GILBERTO, Antonio. A Bíblia Através dos Séculos. 14. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
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Hagnos, 2015.
GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. 1. ed. São Paulo: Edições Vida
Nova, 1996.
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SOARES, Esequias. Em Defesa da Fé Cristã. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: CPAD, 2024.
________________. Testemunhas de Jeová: a inserção de suas crenças e práticas no
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