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Estudo Dirigido 05 - Gabarito

O documento aborda o princípio da individualização da pena, destacando que a aplicação da pena deve considerar as características do caso concreto. Também discute as hipóteses de falta grave na execução penal, as consequências do cometimento dessas faltas e a remição de pena, além de esclarecer sobre a progressão de regime e a possibilidade de regressão. Por fim, diferencia anistia, graça e indulto, e estabelece limites para o cumprimento de pena privativa de liberdade.
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Estudo Dirigido 05 - Gabarito

O documento aborda o princípio da individualização da pena, destacando que a aplicação da pena deve considerar as características do caso concreto. Também discute as hipóteses de falta grave na execução penal, as consequências do cometimento dessas faltas e a remição de pena, além de esclarecer sobre a progressão de regime e a possibilidade de regressão. Por fim, diferencia anistia, graça e indulto, e estabelece limites para o cumprimento de pena privativa de liberdade.
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Estudo Dirigido 05 – Gabarito

1. O que é o princípio da individualização da pena?

O princípio de individualização da pena tem caráter constitucional e prevê que a pena deverá levar em
consideração as características do caso concreto e do condenado.

Dessa forma, não é possível que a pena seja aplicada de forma padronizada ou levando em consideração
aspectos genéricos e abstratos.

2. É obrigatório o regime inicial fechado para o cumprimento de pena por crime hediondo?
Não. O STF já consolidou seu entendimento sobre a necessidade de avaliação individualizada para
aplicação da pena.O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional o § 1º do artigo 2º da Lei
8.072/1990, que estabelecia a obrigatoriedade do regime inicial fechado para crimes hediondos,
conforme entendimento da súmula vinculante 26.
Assim, mesmo nos casos de crimes hediondos, deve ser avaliado o caso concreto para definição do
regime inicial para cumprimento da pena.

3. Quais são as hipóteses de falta grave previstas na Lei de Execuções Penais para a execução das
penas privativas de liberdade? Elas são aplicáveis ao preso provisório?

As hipóteses estão no artigo 50 da LEP, sendo elas:

I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;

II - fugir;

III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem;

IV - provocar acidente de trabalho;

V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas;

VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.

VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a
comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.

VIII - recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético.

De acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, a falta grave também é aplicável ao preso
provisório.

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4. Quais são as hipóteses de falta grave aplicáveis às penas restritivas de direitos?

A resposta está no artigo 51 da LEP, sendo elas:

I - descumprir, injustificadamente, a restrição imposta;

II - retardar, injustificadamente, o cumprimento da obrigação imposta;

III - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.

Cabe aqui a remissão ao artigo 39 da LEP:

Art. 39. Constituem deveres do condenado:

I - comportamento disciplinado e cumprimento fiel da sentença;

II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-se;

III - urbanidade e respeito no trato com os demais condenados;

IV - conduta oposta aos movimentos individuais ou coletivos de fuga ou de subversão à ordem ou à


disciplina;

V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas;

VI - submissão à sanção disciplinar imposta;

VII - indenização à vitima ou aos seus sucessores;

VIII - indenização ao Estado, quando possível, das despesas realizadas com a sua manutenção, mediante
desconto proporcional da remuneração do trabalho;

IX - higiene pessoal e asseio da cela ou alojamento;

X - conservação dos objetos de uso pessoal.

Parágrafo único. Aplica-se ao preso provisório, no que couber, o disposto neste artigo.

5. É necessário que haja o trânsito em julgado de sentença condenatória para a aplicação de falta
grave pelo cometimento de crime doloso?

Não é necessário. O entendimento foi consolidado pela súmula 526 do STJ.

6. Quais são as possíveis consequências do cometimento da falta grave?

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São elas:

- A perda de até ⅓ dos dias remidos (artigo 127 da LEP)


- Interrupção do prazo para a progressão de regime (artigo 112, §6º da LEP)
- Regressão de regime (artigo 118, I da LEP)
- Sanções disciplinares (artigo 53 da LEP)
- Quando a falta grave de fato previsto como crime subverter a ordem ou disciplina internas, pode
ser aplicado o regime disciplinar diferenciado (RDD) (artigo 52 da LEP)

7. A aplicação da falta grave pode ser realizada de imediato?

Não. A aplicação da falta grave depende de procedimento para apuração, na forma do artigo 59 da LEP
e súmula 533 do STJ.
Vale ressaltar que há entendimento de que a oitiva do condenado em audiência de justificação perante
o juízo da execução penal pode dispensar a necessidade de um procedimento administrativo disciplinar.

8. O que é a remição na execução penal?

A remição é o desconto de 01 dia de pena a cada 03 dias trabalhados ou 01 dia a cada 12 horas de
frequência escolar, aplicável aos apenados nos regimes fechado e semiaberto. Está prevista no artigo
126 da LEP.

9. Caso a pena de multa não seja cumprida pelo condenado, é passível a sua conversão em pena
privativa de liberdade? O mesmo entendimento se aplica à prestação pecuniária?

Não se admite a conversão da pena de multa em pena restritiva de liberdade. Caso não seja paga, a
pena de multa será cobrada de acordo com o procedimento legal previsto. Já a prestação pecuniária
imposta na pena restritiva de direitos, caso não cumprida, poderá ser convertida em pena privativa de
liberdade.

10. Quais são as características do regime disciplinar diferenciado (RDD)? Quais são os seus
requisitos legais? O RDD pode ser aplicado por tempo indeterminado?

O RDD está previsto no artigo 52 da LEP é aplicável nos casos de presos provisórios ou definitivos que
apresentem alto grau de periculosidade ou participem de organizações criminosas. Ainda, é possível a
sua aplicação no caso de falta grave definida como crime doloso que subverta a ordem ou a disciplina.

Suas características são:

- Duração de até dois anos, sem prejuízo de repetição


- Recolhimento em cela individual

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- visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em instalações equipadas para
impedir o contato físico e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso de terceiro,
autorizado judicialmente, com duração de 2 (duas) horas
- direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho de sol, em grupos de até 4
(quatro) presos, desde que não haja contato com presos do mesmo grupo criminoso
- entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em instalações equipadas
para impedir o contato físico e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em
contrário
- fiscalização do conteúdo da correspondência;
- participação em audiências judiciais preferencialmente por videoconferência, garantindo-se a
participação do defensor no mesmo ambiente do preso.

11. Qual é o recurso cabível para atacar as decisões do juízo da execução penal? Qual o seu prazo e
procedimento?

O agravo em execução, previsto no artigo 197 da LEP, é o recurso cabível para as decisões do juízo da
execução penal. Seu prazo é de cinco dias, conforme súmula 700 do STF. O procedimento a ser seguido
é o mesmo do RESE, admitindo inclusive o juízo de retratação previsto no artigo 589 do CPP.

12. É possível a progressão de regime por salto (ex. progressão do regime fechado diretamente ao
aberto)?

Não é possível a progressão por salto, conforme a súmula 491 do STJ.

13. É possível a imposição de pena mais severa por ausência de vagas no regime menos gravoso?

Não, conforme entendimento consolidado na súmula vinculante 56 do STF. A falta de vagas no regime
menos gravoso não pode sujeitar o apenado a permanecer em regime mais gravoso.

14. Diferencie o livramento condicional da progressão de regime.

O livramento condicional é a antecipação da liberdade ao condenado, regulado pelo artigo 83 do CP. A


progressão de regime (artigo 112 da LEP), por sua vez, é a transferência para regime menos gravoso.
Além da diferença de requisitos, o livramento extingue a pena em caso de cumprimento das condições,
enquanto a progressão mantém o cumprimento da pena em outro regime.

15. O que é a detração?

Prevista no artigo 42 do Código Penal, determina o abatimento do tempo cumprido de prisão provisória
ou de internação provisória da pena ou medida de segurança definitiva.

16. É possível a regressão de regime? Em quais hipóteses?

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Sim, a Lei de Execuções Penais prevê a possibilidade de regressão de regime prisional. As hipóteses
estão elencadas no artigo 118 da LEP e são as seguintes:

a) praticar fato definido como crime doloso ou falta grave;


b) sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução,
torne incabível o regime;
c) frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta.

17. Como se determinará o regime de cumprimento de pena quando houver condenação por mais de
um crime, no mesmo processo ou em processos distintos?

De acordo com o artigo 111 da LEP, existindo condenação a mais de um crime, no mesmo processo ou
em processos diversos, o regime de cumprimento de pena será determinado pela soma ou unificação
das penas impostas, consideradas, quando cabível, a remição ou a detração.

18. Diferencie anistia, graça e indulto.

Graça Anistia Indulto

É aplicável a crimes comuns, é Tem caráter coletivo e é É aplicável a crimes comuns e é


individual e concedida mediante relacionada a crimes políticos, concedido de forma coletiva e
requerimento pelo Presidente sendo concedida pelo Poder espontânea pelo Presidente da
da República. Não extingue o Legislativo. Extingue o crime e República. Assim como a graça
crime, apenas a pena. suas consequências. não exclui o crime, apenas a
pena.

19. O juiz pode aplicar penas restritivas do artigo 44 do CP como condição para a concessão do regime
aberto?

Não é possível condicionar a progressão ao regime aberto ao cumprimento de penas restritivas de


direito. O entendimento está consolidado na súmula 493 do STJ.

20. Qual é o limite máximo de cumprimento de pena privativa de liberdade? Caso o réu tenha mais de
uma condenação que somadas ultrapassem este limite, qual a solução dada pelo legislador? Justifique
a sua resposta com o devido fundamento legal.

O prazo máximo de cumprimento da pena privativa de liberdade está disposto no artigo 75 do CP e é de


40 anos. Quando o agente for condenado de forma que a soma das penas ultrapasse esse limite a
solução será a sua unificação, nos termos do artigo 75, §1º do CP.

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