Objetivos:
- Explicar o processo de coagulação sanguínea
- Descrever as fases da hemostasia (são 3)
- Estudar a relação da hemofilia com a coagulação sanguínea
- Diferenciar resposta imunológica passiva e ativa
- Abordar sobre a ação da vacina antitetânica
● Explicar o processo de coagulação sanguínea
O termo hemostasia significa prevenção da perda de sangue. Sempre que um vaso
sanguíneo é seccionado ou rompido, a hemostasia é obtida por vários mecanismos: (1)
constrição vascular; (2) formação de um tampão plaquetário; (3) formação de um
coágulo sanguíneo, como resultado da coagulação do sangue; e (4) eventual
crescimento de tecido fibroso no coágulo sanguíneo para fechar permanentemente o
orifício no vaso.
Formação de tampão plaquetário: se o corte no vaso sanguíneo for minúsculo, ele
geralmente é selado por um tampão plaquetário, e não por um coágulo sanguíneo. Isso
acontece quando as plaquetas entram em contato com uma superfície vascular danificada e
mudam, drasticamente, suas características. As proteínas contráteis (actina e miosina) das
plaquetas se contraem de forma intensa e liberam fatores ativos que se ligam ao colágeno
dos tecidos vasculares e ao fator de Von Willebrand, que migra do plasma para baixo do
tecido danificado, o que permite que as plaquetas liberem ADP, tromboxano A2 (TXA -
vasoconstritor) e o fator ativador de plaquetas (PAF), que atrai mais plaquetas para o local e
permite a ativação delas. Portanto, no local de uma perfuração na parede de um vaso
sanguíneo, a parede vascular danificada ativa um número cada vez maior de plaquetas que
atraem mais e mais plaquetas adicionais, formando assim um tampão plaquetário. Esse
tampão está solto no início, mas, em geral, consegue bloquear a perda de sangue se a
abertura vascular for pequena. Então, durante o processo subsequente de coagulação
sanguínea, formam-se filamentos de fibrina que compõem a rede de fibrina. Esses
filamentos se prendem firmemente às plaquetas que aderem à rede de fibrina, construindo,
assim, um tampão compacto . (HEMOSTASIA PRIMÁRIA)
A coagulação ocorre em três etapas essenciais:
1. Cascata de reações químicas que envolve mais de 12 fatores de coagulação
sanguínea e o resultado é a ativação de um complexo de substâncias que, juntas,
são chamadas de ativador da protrombina
2. O ativador da protrombina catalisa a conversão de protrombina em trombina
3. A trombina atua como uma enzima para converter o fibrinogênio em fibras de fibrina,
que formam um emaranhado de plaquetas, células sanguíneas e plasma para
originar o coágulo.
Coágulo sanguíneo: rede de filamentos de fibrina que corre em todas as direções e
aprisiona as células sanguíneas, plaquetas e plasma, evitando a perda de sangue. A
retração do coágulo é causada pelas plaquetas, que estão diretamente relacionadas com a
contração do mesmo, uma vez que elas ativam as fibras contráteis que geram uma
contração das plaquetas aderidas à fibrina. À medida que o coágulo se retrai, as bordas do
vaso sanguíneo rompido são unidas, contribuindo ainda mais para a hemostasia.
Feedback positivo da formação do coágulo: Uma vez que uma quantidade crítica de
trombina é formada, um feedback positivo desenvolve-se, causando ainda mais coagulação
sanguínea e mais e mais trombina a ser formada; assim, o coágulo sanguíneo continua a
crescer até que cesse o extravasamento de sangue. Uma das causas mais importantes
desse progresso do coágulo é que a ação proteolítica da trombina permite que ela atue
sobre muitos dos outros fatores de coagulação sanguínea, além do fibrinogênio, já que ela
atua não só na formação da trombina, como na ativação de vários fatores da cascata de
coagulação.
Em geral, o ativador da protrombina é considerado como sendo formado de duas maneiras,
embora, na realidade, ambas interagem constantemente entre si: (1) pela via extrínseca que
começa com o traumatismo da parede vascular e dos tecidos circundantes; e (2) pela via
intrínseca que começa no sangue.
Via extrínseca da coagulação sanguínea:
Começa com uma parede vascular traumatizada ou tecidos extravasculares traumatizados
que entram em contato com o sangue.
É a via mais rápida da coagulação sanguínea, haja visto que uma proteína tecidual
chamada fator tecidual (tromboplastina) é liberada pelo tecido traumatizado e, na presença
de Ca2+, atua enzimaticamente no fator X para formar o fator X ativado (Xa), que, assim
que ativado e também na presença de Ca2+, se liga a fosfolipídios teciduais do fator
tecidual, bem como com o fator V para formar o complexo chamado ativador da
protrombina, que catalisa a formação de trombina a partir da protrombina e permite a
coagulação. No início, o fator V não está ativado, mas assim que a coagulação se inicia e a
trombina começa a se formar, o fator V se ativa e acelera muito a atividade coagulatória.
Logo, o fator Xa é a verdadeira enzima responsável para a catálise da trombina, o fator Va
acelera muito a atividade dessa enzima e os fosfolipídios plaquetários aceleram ainda mais
esse processo.
Observe especialmente o efeito de feedback positivo da trombina, agindo por meio do fator
V, para acelerar todo o processo uma vez que ele seja iniciado:
Via intrínseca da coagulação sanguínea:
Começa com o traumatismo ao próprio sangue ou com a exposição do sangue ao colágeno
de uma parede de vaso sanguíneo traumatizada.
A primeira etapa da via intrínseca acontece quando o traumatismo sanguíneo acarreta na
ativação do fator XII (XIIa) e na liberação de fosfolipídios plaquetários, a segunda acontece
com a ativação do fator XI (XIa) pelo fator XIIa e a terceira, pela ativação do fato IX (IXa)
pelo fator XI.
O fator IX ativado, agindo em conjunto com o fator VIII ativado e com os fosfolipídios
plaquetários e com o fator III das plaquetas traumatizadas, ativa o fator X. Naturalmente,
quando o fator VIII ou as plaquetas estão em falta, essa etapa é deficiente. O fator VIII é o
que está ausente em uma pessoa com hemofilia clássica, sendo, por isso, chamado de fator
anti-hemofílico. As plaquetas são o fator de coagulação ausente na doença hemorrágica
chamada trombocitopenia. Após essa fase da via intrínseca (quarta) o processo é igual ao
da via extrínseca: o fator X ativado combina-se com o fator V e com os fosfolipídios
plaquetários ou teciduais para originar o complexo denominado ativador da protrombina.
Via comum da coagulação sanguínea:
A via comum é assim chamada porque é o momento de encontro das vias extrínseca e
intrínseca. A via comum tem início com a formação do fator ativo de coagulação
protombinase (fator X). Logo, a partir desse ponto de ativação do fator X, as duas vias
encontram um caminho comum em que ocorre a conversão de protrombina em trombina
que, por sua vez, estimula a transformação de fibrinogênio em fibrina.
Está claro a partir dos esquemas dos sistemas intrínseco e extrínseco que, após o
rompimento dos vasos sanguíneos, a coagulação ocorre por ambas as vias
simultaneamente. O fator tecidual inicia a via extrínseca, enquanto o contato do fator XII e
das plaquetas com o colágeno na parede vascular inicia a via intrínseca. Uma diferença
especialmente importante entre as vias extrínseca e intrínseca é que a via extrínseca pode
ser explosiva; uma vez iniciada, sua velocidade de conclusão até o coágulo final é limitada
apenas pela quantidade de fator tecidual liberado dos tecidos traumatizados e pelas
quantidades dos fatores X, VII e V no sangue.
Ação anticoagulante: Entre os anticoagulantes mais importantes no sangue estão aqueles
que removem a trombina do sangue. Os mais potentes são os filamentos de fibrina e a
antitrombina III, que impedem a disseminação de trombina pelo sangue, evitando a
formação excessiva de coágulos. A heparina é outro potente anticoagulante, mas, pelo fato
de sua concentração no sangue ser normalmente baixa, ela tem efeitos anticoagulantes
significativos apenas em condições fisiológicas especiais. No entanto, a heparina é
amplamente utilizada como um agente farmacológico na prática médica, em concentrações
muito mais altas, para evitar a coagulação intravascular. O complexo de heparina e
antitrombina III remove vários outros fatores de coagulação ativados além da trombina,
aumentando ainda mais a eficácia da anticoagulação – entre eles, os fatores IX, X, XI e XII
ativados.
Plasmina: As proteínas plasmáticas contêm uma globulina chamada plasminogênio que,
quando ativada, torna-se uma substância chamada plasmina. A plasmina digere as fibras de
fibrina e algumas outras proteínas coagulantes, como fibrinogênio, fator V, fator VIII,
protrombina e fator XII. Portanto, sempre que a plasmina é formada, ela pode causar a lise
de um coágulo, destruindo muitos dos fatores de coagulação. Assim, além de ser essencial
para a lise de coágulos depois da interrupção do sangramento, uma função importante do
sistema da plasmina é remover pequenos coágulos de milhões de minúsculos vasos
periféricos que eventualmente ficariam ocluídos se não houvesse como eliminá-los.
Proteínas envolvidas na coagulação:
● Descrever as fases da hemostasia
Fase 1: vasoconstrição. (Imediatamente após um vaso sanguíneo ter sido cortado ou
rompido, o traumatismo na parede do vaso faz com que o músculo liso na parede se
contraia; isso reduz, de maneira instantânea, o fluxo de sangue no vaso rompido. Essa
vasoconstrição é causada por espasmo miogênico local, fatores locais provenientes dos
tecidos afetados ou reflexos nervosos)
Fase 2: HEMOSTASIA PRIMÁRIA - formação do tampão plaquetário. (explicado
anteriormente)
Fase 3: HEMOSTASIA SECUNDÁRIA - coagulação sanguínea. (ao mesmo tempo que
ocorre a hemostasia primária, a cascata de coagulação é ativada e,como resultado dela, há
a formação de fibrina, que tem como função reforçar o tampão plaquetário, tornando-o mais
estável; processo explicado anteriormente)
Fase 4: crescimento de tecido fibroso no coágulo sanguíneo. (acontece para fechar o
orifício do vaso)
● Estudar a relação da hemofilia com a coagulação sanguínea
A hemofilia é uma doença genética que compromete a capacidade do organismo em formar
coágulos, sendo, portanto, uma doença hemorrágica, Ela ocorre quase exclusivamente em
homens, em 85% dos casos, é originada pela ausência ou anormalidade do fator VIII; esse
tipo de hemofilia é denominado hemofilia A ou hemofilia clássica. Nos outros 15% dos
pacientes com hemofilia B, a tendência ao sangramento é causada pela deficiência do
fator IX. Ambos os fatores são transmitidos geneticamente por meio do cromossomo
feminino (X) e são recessivos em sua herança.
Hemofilia A / Hemofilia clássica: deficiência (quantitativa ou qualitativa) no fator VIII: pode
ser 2 tipos de agentes → Fator anti-hemofílico A (FAH) e Globulina anti-hemofílica (GAH) e
tem um componente ativo com peso molecular mais alto e outro com peso molecular mais
baixo. O componente menor é o mais importante na via intrínseca da coagulação, sendo a
deficiência dessa parte do fator VIII a causadora da hemofilia clássica. Outra doença
hemorrágica com características um tanto diferentes, chamada doença de von Willebrand,
resulta da perda do componente grande. Quando uma pessoa com hemofilia clássica
apresenta sangramento prolongado e grave, a única terapia verdadeiramente eficaz é a
injeção de fator VIII purificado ou fator IX.
O tratamento consiste na reposição intravenosa do fator deficiente.