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Supervisao - A Arte de Aliviar A - William Salgado

O documento apresenta o livro 'Supervisão: a arte de aliviar a mochila do líder' de William Salgado, que aborda a importância da supervisão no contexto de pequenos grupos na igreja. O autor compartilha experiências e práticas para apoiar líderes de Pequenos Grupos Multiplicadores (PGMs), enfatizando a necessidade de encorajamento e cuidado pastoral. O livro inclui capítulos sobre os hábitos de bons supervisores, avaliação de PGMs e dicas práticas para uma supervisão eficaz.

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Supervisao - A Arte de Aliviar A - William Salgado

O documento apresenta o livro 'Supervisão: a arte de aliviar a mochila do líder' de William Salgado, que aborda a importância da supervisão no contexto de pequenos grupos na igreja. O autor compartilha experiências e práticas para apoiar líderes de Pequenos Grupos Multiplicadores (PGMs), enfatizando a necessidade de encorajamento e cuidado pastoral. O livro inclui capítulos sobre os hábitos de bons supervisores, avaliação de PGMs e dicas práticas para uma supervisão eficaz.

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R.

José Higino, 416 - Prédio 18


Tijuca - Rio de Janeiro - RJ
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Caixa Postal 18976
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JUNTA DE MISSÕES NACIONAIS


Direção Executiva • Fernando Brandão
Gerência Executiva de Missões • Samuel Moutta
Gerência Executiva de Evangelismo • Fabrício Freitas
Gerência Executiva de Comunicação • Jeremias Nunes
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Gerência Executiva de Ação Social • Renato Antunes
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Produção Editorial • Diogo Carvalho
Assistente de Produção Editorial • Letícia Burity Guimarães
Produção Gráfica • Camila Freitas
Assistente de Produção Gráfica • Thaís Velasco
Revisão • Alysson Vieira Lima e Adalberto Alves de Sousa
Capa, Projeto Gráfico e Diagramação • Oliver Arte Lucas

Copyright © 2017 da Junta de Missões Nacionais da CBB. Todos os direitos reservados.


Proibida a reprodução por qualquer meio, salvo em breves citações, com indicação da
fonte.

ISBN: 978-85-66207-29-3

Todos os textos bíblicos foram extraídos da Bíblia Almeida Século 21.

Salgado,William
S164s Supervisão: a arte de aliviar a mochila do líder/ William Salgado.- Rio de Janeiro:
JMN,2017.
96p.
1.Liderança cristã. 2. Pequenos grupos na Igreja. 3 .Igreja ----- Liderança.
I.Junta de Missões Nacionais. II. Título.
CDD 254.5

Índice para catálogo sistemático:


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1. Liderança cristã: 254.5

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Sumário
Capa
Agradecimentos
Apresentação
Prefácio
Iniciando um Novo Ciclo
Introdução
Capítulo 1 – O supervisor de PGM
Para que serve o supervisor?
Dois tipos de supervisor
Capítulo 2 – O coração pastoral do supervisor
O supervisor como “presbítero”
O supervisor servo
Capítulo 3 – Marcas de um bom supervisor
Capítulo 4 – Relacionamento: a chave para uma supervisão eficaz
Conquistando o coração do líder de PGM
Capítulo 5 – 7 hábitos de bons supervisores
1º Hábito – Intimidade com Deus
2º Hábito – Saber ouvir
3º Hábito – Encorajar
4º Hábito – Cuidar
5º Hábito – Formar e treinar
6º Hábito – Desenvolver estratégias
7º Hábito – Ter conversas decisivas
Capítulo 6 – Avaliando o PGM
A atitude do supervisor ao visitar o PGM
Como avaliar uma reunião de PGM
Reunião de avaliação após o encontro do PGM
Com que frequência um supervisor deve visitar um PGM?
Visita agendada ou visita inesperada?
Avaliando por meio de relatórios
Relacionamento discipulador: supervisão além do encontro
Avaliando para melhorar
Avaliando a própria supervisão
Capítulo 7 – Dicas práticas de supervisão
1 – Compartilhe o ministério com o cônjuge
2 – Tenha uma agenda equilibrada
3 – Faça visitas integrais e parciais
4 – Alinhe as reuniões dos PGMs para no máximo dois dias da
semana
5 – Reúna-se frequentemente com os líderes de PGM
6 – Esteja disponível para ajudar e orientar o processo de
multiplicação dos PGMs
7 – Acompanhe o processo de consolidação de novos decididos
nos PGMs
8 – Acompanhe o processo de descoberta e formação de novos
líderes em treinamento
Capítulo 8 – Uma experiência embrionária: reuniões de pequenos
grupos de liderança
Conclusão
Apêndice 1 - Roteiro de supervisão em pequenos grupos
Apêndice 2 - Modelo de relatório para PGMs
Referências Bibliográficas
Sobre o Autor
Agradecimentos

O agradecimento mais importante é para o nosso Deus amoroso.


Sem Ele eu jamais poderia fazer algo. Por pura graça e misericórdia
este livro pôde ser escrito. Ao nosso Senhor Jesus, toda a honra e
glória!!!
Quero agradecer de coração à minha esposa, Tânia, mulher
virtuosa, sábia, parceira, companheira e fiel. Sem ela não
poderíamos ter caminhado com pequenos grupos por tantos anos.
Também agradeço aos nossos filhos, Tayane e Lucas, pela paciência
e compreensão em permitir que realizássemos o ministério da
supervisão.
Um agradecimento muito especial ao meu pastor e discipulador,
Gilson Breder, exemplo de homem segundo o coração de Deus,
referencial de caráter e excelência, expressão de Cristo neste mundo
perdido. Foi ele quem me ensinou a arte de pastorear e
supervisionar com amor e intencionalidade.
Agradeço aos pastores da equipe da Primeira Igreja Batista de
Campo Grande/MS, meus companheiros, e amigos, que me
ensinaram muito sobre a arte de liderar e supervisionar pequenos
grupos.
Também agradeço aos nossos discípulos, supervisores e líderes da
Rede do Amor. Sempre digo que eles são os melhores discípulos,
supervisores e líderes da face da terra; fiéis, dóceis, comprometidos,
intencionais... verdadeiras “águias” que Deus colocou em nosso
ministério.
Aos meus amigos e pastores Fabrício Freitas e Diogo Carvalho, da
Junta de Missões Nacionais, pelo grande apoio e encorajamento
constante. Vocês são referenciais no Brasil batista. Homens de Deus
e cheios do Espírito Santo. Com muita excelência fizeram a revisão
deste livro. Sem seu carinho e paciência este projeto não seria
concluído.
Apresentação

Apresentar o pastor William Salgado é muito fácil. Na Primeira


Igreja Batista de Campo Grande, ele é chamado de “Pastor do
Amor”. Isso acontece pela constatação de que ele é, de fato,
apaixonado por Deus e por pessoas, e depois, porque é pastor de
uma rede de pequenos grupos que leva o nome de “Rede do Amor”.
No contato pessoal com ele qualquer pessoa logo percebe que esse
título lhe cai muito bem.
O pastor William faz parte de nossa equipe ministerial há oito
anos, atuando como assessor da presidência, além de desenvolver as
ações pastorais como pastor de cerca de 65 pequenos grupos
atualmente. Também é o voluntário da igreja designado para servir a
nossa denominação, com foco em relacionamento discipulador e
supervisão de PGMs, devido a sua grande experiência nessa área.
Ele é um servo leal e fiel ao Senhor, que se desdobra para
desenvolver novos líderes, levando-os a chegar ao seu máximo
potencial a serviço do Rei Jesus.
O pastor William tem no ministério cristão o apoio integral de sua
família, na pessoa de sua esposa, irmã Tânia, e de seus filhos,
Tayane e Lucas. É uma família em que o amor por pessoas e o
cumprimento da Grande Comissão são muito marcantes. Glórias a
Deus por sua vida.
GILSON BREDER, pastor-presidente da Primeira Igreja Batista
de Campo Grande/MS
Prefácio

Iniciando um Novo Ciclo


Louvamos a Deus pelo avanço na implementação da visão de
Igreja Multiplicadora em todo o Brasil. Depois dos primeiros passos
da disseminação, agora entramos em um segundo ciclo: a
consolidação. E não poderíamos abrir este ciclo de outra maneira.
Chegamos, agora, em mais um nível do processo, em que líderes de
PGMs se tornarão líderes de líderes.
A pergunta, então, é: como levantar e preparar esses líderes de
líderes?
Isto é o que o pastor William Salgado vai nos responder neste
precioso livro Supervisão: a arte de aliviar a mochila do líder.
Liderar um Pequeno Grupo Multiplicador é uma das experiências
mais extraordinárias – porém, desafiadoras – que um discípulo de
Jesus pode viver em sua jornada cristã. O líder de PGM faz parte de
um grupo muito precioso de homens e mulheres que aceitaram o
privilégio de vivenciar a transformação de vidas e famílias inteiras
pelo poder de Deus e para sua glória.
A cidade clama por socorro, e a igreja avança levando esperança.
O líder de PGM está constantemente doando seu tempo, seus
talentos e recursos, mas, principalmente, amor por vidas que estão
carentes da graça de Deus, sem esperança e, na maioria das vezes,
sem salvação. Para isso, ele necessita constantemente de
encorajamento, apoio e oração. Afinal, é muito fácil para um líder
de PGM, diante das lutas espirituais e adversidades diárias, sentir-se
desanimado e querer “abandonar o barco”.
William Salgado é um instrumento de Deus para nos alertar e
ensinar como devemos cuidar de nossos líderes de maneira
prazerosa e eficaz. O subtítulo da obra, a arte de aliviar a mochila
do líder, não foi escolhido sem motivo. De fato, supervisionar é
uma arte, pois exige um conjunto de habilidades que devem ser
aplicadas com sensibilidade na vida de um líder. Além disso,
supervisionar alivia a mochila do líder porque o ajuda e o encoraja
a ir além na jornada, lançando fora o peso acumulado pela rotina
semanal dos encontros do PGM e pelo envolvimento com os
dilemas das pessoas que são amparadas no grupo.
Na verdade, a supervisão é um “barco de resgate” que, por meio do
relacionamento discipulador desenvolvido por um líder de líderes,
salva o líder de PGM do naufrágio e do esgotamento físico, mental e
espiritual. Precisamos de supervisores amorosos, eficazes e
discipuladores. Afinal, líderes saudáveis e motivados são a chave
para o avanço na multiplicação de discípulos, líderes e,
consequentemente, de PGMs.
Excelente leitura!
FABRÍCIO FREITAS
Gerente Executivo de Evangelismo
Introdução

A sala estava lotada, várias pessoas sentadas em um círculo


conversando animadamente, muitos líderes experientes ansiosos
com o que iria acontecer naquela noite. Eu jamais sonharia que
aquela experiência iria transformar a vida de toda a liderança da
Primeira Igreja Batista de Campo Grande/MS.
O pequeno grupo protótipo liderado pelo pastor Gilson Breder,
nosso pastorpresidente, foi um marco na vida de nossa igreja. A
busca por relacionamentos saudáveis e o desejo de alcançar pessoas
que não conheciam Jesus, aliados ao sonho da edificação mútua,
eram o DNA de todos os membros daquele Pequeno Grupo
Multiplicador (PGM).
A partir daquele protótipo ocorreram muitas multiplicações. Ao
longo dos anos, centenas de irmãos se dispuseram a liderar e uma
multidão foi alcançada para Jesus, batizada e integrada em PGMs.
Louvado seja o nome do Senhor por essa preciosa experiência.
Minha esposa, Tânia, e eu lideramos nosso primeiro PGM. Foi
maravilhoso ver milagres acontecendo, pessoas se convertendo a
Jesus e famílias sendo restauradas. Chegamos à primeira
multiplicação com uma grande festa.
Mas, depois disso, percebemos que precisávamos cuidar dos
nossos PGMs, e imediatamente nos colocamos como supervisores
dos líderes desses grupos. Como demonstraremos nos próximos
capítulos, supervisão é basicamente o cuidado dos líderes de PGM.
No primeiro momento, supervisionar foi uma tarefa desafiada para
mim e minha esposa, e a falta de preparo nos levou a uma grande
frustração. Passado algum tempo, com muita tristeza, procuramos
nosso pastor de rede para dizer que estávamos desistindo da
supervisão. Foi uma decisão difícil, mas era impossível exercer a
função de modo eficaz sem a devida capacitação.
Tal era nossa desmotivação nessa época que nunca imaginávamos
participar de novo de um pequeno grupo e, muito menos,
supervisionar um conjunto deles. Entretanto, cremos que era da
vontade de Deus que um dia voltássemos a liderar PGMs. Passados
alguns meses, o Espírito Santo despertou em nosso coração o desejo
de cuidar de vidas e nos envolver novamente com PGMs.
Antes do retorno definitivo, pesquisei, participei de cursos,
conferências e retiros e entrevistei líderes e pastores bem-sucedidos
nesse tipo de trabalho, pois nosso desejo era exercer esse ministério
com excelência. Após esta fase de preparo, retornamos aos PGMs
como membros de um que estava doente e seria desativado, mas,
pela graça e misericórdia de Deus, foi restaurado e se multiplicou
dezenas de vezes.
Nessa época, participamos de um retiro com todos os grupos da
igreja. Chegando lá, percebemos que o nosso era o menor de todos.
Nosso líder me procurou em particular e abriu o coração: “William,
estou com vergonha. Nosso PGM é o menor da igreja. Olhe os
demais grupos... Todos são bem numerosos e estão animados”.
Naquele momento, mesmo sem ter as palavras certas, procurei
encorajá-lo, dizendo: “Fique tranquilo, meu querido. Você está
fazendo o melhor para Deus. Isto é o que importa. No tempo certo o
Senhor acrescentará as pessoas”.
Após essa rápida conversa, fomos orar. Naquela madrugada, Deus
ministrou poderosamente ao meu coração algo tão claro, que me
lembro como se fosse hoje: “William, vocês são o menor pequeno
grupo da igreja, mas chegará o dia em que serão uma grande
multidão. Quando isso ocorrer, nunca se esqueça de que foi a minha
mão que fez todas estas coisas, para que todos saibam e
compreendam que a glória deve ser dada exclusivamente ao meu
nome”.
Guardei aquelas palavras no coração e decidimos abraçar com
todas as forças o ministério que o Senhor estava novamente nos
confiando. Retornamos ao PGM apaixonados por Deus e por vidas.
O desejo de cuidar de pessoas, alcançar os perdidos, discipular e
formar novos líderes queimava em nosso coração. Após algumas
multiplicações, retornamos à supervisão de PGMs. Agora estávamos
em um momento diferente. Mais experientes, entendíamos melhor o
papel da supervisão e tínhamos as ferramentas certas para exercer a
função para a glória de Deus.
A mão do Senhor estava sobre nós. Promovemos várias
multiplicações e logo chegamos à nossa coordenação.[1] Parecia um
sonho: líderes motivados e supervisores dóceis totalmente
comprometidos. No dia quatro de abril de 2012, nossa coordenação
foi transformada em uma rede. Nascia a “Rede do Amor”. Na
oportunidade, minha esposa e eu assumíamos o pastoreio de quinze
grupos, felizes e animados com o nascimento da rede e motivados
para ganhar Campo Grande para Jesus.
Nos anos posteriores, tivemos muitos acertos e erros.
Multiplicamos muitas vezes, mas também tivemos que desativar
alguns PGMs. Batizamos centenas, mas infelizmente perdemos
algumas vidas preciosas. Mas, como afirma o pastor Gilson Breder,
“todos os acertos são de Deus e as falhas, totalmente nossas”.
Também, como ensina John Maxwell, “os sucessos ensinam o que
você é capaz de fazer e geram confiança. Mas os fracassos, muitas
vezes, oferecem lições mais importantes”.[2]

Muitos supervisores podem pensar que seu ministério não é


relevante por ser pequeno demais, mas o mais importante de tudo é
a fidelidade no serviço do Senhor e no “pastoreio” das pessoas
supervisionadas, e não a quantidade delas. Precisamos ser fiéis no
pouco e no muito, para honra e glória exclusiva do nosso Deus. O
amor de Jesus pelos perdidos é extraordinário e sua vontade é que
todos sejam salvos. Há uma multidão em cada cidade que precisa
ouvir de Jesus. Quando multiplicamos PGMs ou supervisões,
estamos avançando na obra de conquistar a cidade para Jesus.
Neste livro, quero compartilhar com você minha experiência na
supervisão de pequenos grupos que se multiplicam. Não tenho a
pretensão de esgotar o assunto, mas apenas de fazer com que meus
erros do passado sirvam de exemplo para que novos supervisores
evitem cometê-los. Espero que, por meio desta leitura, você seja
encorajado a cuidar de líderes por meio da supervisão de PGMs.
O esforço vale a pena. Eu sei, porque já desisti e recomecei. Minha
oração é que você comece no lugar onde eu retomei a supervisão,
para que não sofra o dano da frustração. Este é o meu sonho: ver em
você um supervisor feliz e realizado como eu, um líder de líderes
que desenvolva bem a arte de aliviar a mochila deles. Deus abençoe.

[1] Líderes de PGM e supervisores não são os únicos participantes de uma Igreja
Multiplicadora. Acima da supervisão, há o trabalho dos coordenadores e pastores de rede
que, por opção, não foram abordadas detalhadamente neste livro. Os mesmos princípios
utilizados na supervisão são os da coordenação, com a diferença de que, na supervisão,
trabalha-se com uma quantidade menor de PGMs, de três a sete no máximo, e na
coordenação, de vinte a quarenta. O coordenador é, portanto, um supervisor de
supervisores. Acima deste está o pastor de rede que também é um supervisor, que cuida dos
coordenadores e supervisores subordinados a ele.
[2] As 21 irrefutáveis leis da liderança, p. 58.
1

O supervisor de PGM

A visão de Igreja Multiplicadora tem avançado em todo o Brasil, e muitas


igrejas têm começado a colher os primeiros frutos de multiplicação dos
PGMs. Mas, com isso, começam também a se deparar com o desafio do
cuidado e supervisão dos novos líderes.
Todas as vezes que um novo líder é levantado e capacitado e, com alegria,
recebe a graça de liderar um PGM, ele também é automaticamente colocado
diante da necessidade de crescer no seu relacionamento com Deus e com os
membros de seu grupo. No primeiro momento, esse novo líder vive muitas
alegrias por experimentar o que é novo. Porém, com o passar dos dias
surgem as questões normais da liderança. Nessa hora, o papel do supervisor
passa a fazer todo o sentido e se torna imprescindível.
Semana após semana, a mochila desse
Supervisão é arte de
líder começa a se encher de preocupações e
problemas que o PGM apresenta. À medida aliviar a mochila do
que o grupo vai em busca de alcançar líder.
pessoas perdidas na cidade, ele vive as lutas
dessas pessoas. De repente, quando esse líder menos espera, já está envolto
em uma série de circunstâncias adversas, sem falar da luta espiritual que ele
diariamente enfrenta por ser um agente do reino de Deus no mundo em
trevas.[3] Tudo isso pode sobrecarregar aquele líder até a exaustão e
desistência, como de certa forma aconteceu comigo em minha experiência
inicial. A supervisão é justamente a resposta a esse desafio, pois ela garante
que esse líder seja cuidado e ajudado para prosseguir em frente com ousadia
e confiança. Por isso, gosto de dizer que, em poucas palavras, supervisão é
arte de aliviar a mochila do líder.
Quero me dirigir agora aos pastores titulares, que são os responsáveis pela
implementação dos PGMs na igreja. Meu querido pastor, você deve lutar
pelo bem-estar espiritual de seus líderes e, para isso, vai precisar de uma
ferramenta de segurança e cuidado para que eles cumpram sua missão com
alegria. Essa ferramenta é a supervisão. Sem ela, o líder de PGM vai
facilmente abandonar a jornada no meio do caminho se a mochila estiver
pesada demais.

Para que serve o supervisor?


A primeira pergunta que muitos pastores fazem é: “O que o supervisor faz
na prática?”. Isso realmente é muito importante, mas antes de sabermos o
que ele faz na prática, precisamos compreender quem é o supervisor de
PGMs e por que precisamos dele numa igreja discipular. Já comecei a dizer
isso, mas quero reforçar um pouco mais.
Trago aqui este conceito de igreja discipular porque, em minha opinião e
diante de tudo o que já estudei e vivenciei sobre igrejas que funcionam com
e em pequenos grupos, cheguei à conclusão que o que a Igreja
Multiplicadora propõe é muito mais do que a estruturação da igreja em
pequenos grupos. O que propõe é a convergência de todos os esforços da
igreja para o que considera ser o centro da missão: o fazer discípulos.
Concordo que, segundo Jesus, não há nada Em uma igreja pode
mais importante do que isso para a igreja
fazer. E não é por outra razão que Igreja até haver PGMs sem
Multiplicadora, assim como eu também, só supervisão, mas
vê razão de existir para os PGMs se eles neste caso ela não
contribuírem para a criação e o poderá ser
desenvolvimento de relacionamentos considerada
discipuladores.[4] De fato, o relacionamento
discipular.
discipulador, e não o PGM, é o coração da
Grande Comissão e, por conseguinte, da visão de Igreja Multiplicadora. É
por isso que estou convencido de que em uma igreja pode até haver PGMs
sem supervisão, mas neste caso ela não poderá ser considerada discipular,
pois esta faz do relacionamento discipulador o seu “negócio”. Uma igreja
discipular é formada por discípulos que multiplicam discípulos.
Portanto, tudo o que veremos neste livro parte de um conceito de
supervisão mais associado ao relacionamento discipulador entre o
supervisor e seus líderes de PGM do que a alguma tarefa ou função
gerencial em uma igreja com PGMs. Espero deixar isso mais claro ao longo
da leitura. Por enquanto, quero ressaltar o papel do supervisor no contexto
da igreja toda, mostrando por que você deveria instituir supervisores em sua
igreja, se nela há PGMs. Permita-me apresentar duas razões.

1 – O SUPERVISOR É O ELO ENTRE O PASTOR E O


LÍDER DE PGM.
Tente imaginar uma grande corrente. Se tirarmos um elo, o que acontece?
Ela se romperá. A supervisão de PGMs é o elo fundamental entre o pastor
da igreja, que gera a visão, e o líder de PGM, que executa a visão. O
supervisor de PGMs funciona como um “amortecedor” entre o pastor da
igreja, o pastor de rede e o líder do PGM. Ele é uma extensão do alcance do
pastor da igreja e do pastor de rede, pois é ele quem estará em contato
direito com os membros da igreja em um ambiente relacional; quem os
ouvirá semanalmente e lhes poderá responder perguntas sobre a visão e o
funcionamento da igreja, as quais muitas vezes o líder de PGM não tem
condições de esclarecer.
Por isso mesmo, deve haver uma relação de confiança mútua e
representatividade entre o pastor, o pastor de rede e o supervisor. Na
ausência do pastor de rede, o supervisor tem a autoridade para representá-
lo. Não é difícil perceber que um ministério discipular em pequenos grupos
se sustenta com a supervisão. Sem ela, a visão se perde e as redes de
pequenos grupos desmoronam. Todo o avanço com a multiplicação de
PGMs pode se perder.
Em Seja um supervisor de células eficaz, Joel Comiskey cita uma pesquisa
de Dwight Marable e Jim Egli: “Eles pesquisaram grupos pequenos ao
redor do mundo e descobriram que a supervisão é o elemento-chave para se
obter sucesso duradouro nas células. Egli diz: ‘Nós avaliamos seis
elementos e igreja em nossa pesquisa. A supervisão ultrapassou até mesmo
o treinamento e a oração”.[5]
Não pretendo lançar uma responsabilidade excessiva sobre os
supervisores, mas penso que o supervisor desempenha aquela que talvez
seja a tarefa mais importante numa igreja discipular. Sem dúvida, a função
que ele exerce é extremamente relevante para a saúde a longo prazo dos
relacionamentos discipuladores, dos próprios PGMs e – por que não dizer?
– da igreja toda.
Sem uma supervisão efetiva e saudável, os PGMs e a igreja não avançam.
Essa afirmação é corroborada por alguns pastores com muita experiência no
trabalho com pequenos grupos, como Paul Yonggi Cho, Dwight Marable e
Jim Egli.[6] Eles são unânimes em afirmar que a supervisão é o fator-chave
para as igrejas em pequenos grupos crescerem saudáveis.
Conheço muitas igrejas que começaram com cinco, dez, quinze, até vinte
PGMs e, após algum tempo, esse número foi diminuindo e os pastores
desistindo desse jeito de ser como igreja. Provavelmente, esses pastores
tinham uma visão que começou a ser implementada, porém não se
sustentou a médio e longo prazo. O sonho estava no coração desse pastor, se
manteve operante enquanto ocupou o coração de seus primeiros líderes de
PGM, aqueles de quem ele andou perto – seu grupo protótipo. Mas, tão
logo adicionou-se mais uma camada de liderança, e o pastor perdeu contato
com os novos líderes de PGM, a visão parou de fluir do coração do pastor
da igreja até o coração dos líderes, e o resultado foi dispersão e
desmotivação. Já ouvi essa história tantas vezes que sou capaz de adivinhar
o que virá depois quando um pastor começa a relatar onde foi que se perdeu
no processo de implementação dos PGMs depois que chegou perto de vinte
grupos. Um dos principais fatores – se não o principal – que o levaram a
essa triste situação foi o descuido na implementação de uma supervisão
saudável. A supervisão é o fator- chave para a manutenção da visão de
multiplicação na igreja.

2 – O SUPERVISOR É ALGUÉM QUE PRESERVA A


VISÃO.
O supervisor é um mantenedor da visão da igreja, segundo o
direcionamento de sua liderança. Mas, para que isso ocorra, ele precisa,
obviamente, conhecer essa visão. Um supervisor que desconhece o projeto
da igreja está contribuindo para a dissipação da visão e descumprindo o
propósito para o qual foi nomeado.
Há dezessete anos lidero e supervisiono pequenos grupos. Nesse período,
minha maior derrota não foi desativar um PGM, mas encerrar uma
supervisão inteira, inclusive com os PGMs abaixo dela. Em certo momento,
tive que procurar o supervisor e dizer com amor e firmeza: “Irmão, me
perdoe, mas não podemos continuar com você como supervisor”. Ele não
tinha problema de caráter, nem estava em pecado. Ele até era uma pessoa
piedosa. Mas seus pequenos grupos estavam extremamente doentes e,
consequentemente, sua supervisão também. Seus PGMs já não existiam de
fato, e as reuniões eram esporádicas e sem propósito. Não seguiam a visão
da igreja, não caminhavam juntos. Eram um planeta fora da galáxia. Os
líderes e os grupos sob a responsabilidade daquele supervisor se tornaram
um corpo à parte na igreja.
Passamos um bom tempo tentando recuperar o supervisor e os líderes
daqueles PGMs, mesmo depois encerrados. Posteriormente, conseguimos
integrar os participantes dos PGMs extintos em novos grupos, desta vez
saudáveis. Naquela oportunidade, um líder daquela supervisão abriu seu
coração: “Eu estava odiando o meu antigo PGM. Agora, estou em um grupo
saudável e entendo o propósito desse trabalho. Que bênção este PGM está
sendo em minha vida!”.
Outro líder desta supervisão encerrada me procurou em particular e
desabafou: “Pastor, nosso supervisor não seguia as recomendações da
liderança da igreja. Quando todos os PGMs eram orientados a alcançar os
perdidos por meio dos eventos-ponte, nosso supervisor dizia que não era
para fazer. Era algo lamentável. Ele jogava contra”.
Como mantenedor da visão, o supervisor precisa ser coerente. Se os
líderes de PGM recebem um direcionamento do pastor da igreja e o
supervisor afirma que esse direcionamento não deve ser levado a sério, ele
está matando a sua supervisão. Portanto, o supervisor precisa ser sincero e,
quando necessário, procurar seu pastor de rede e dizer: “Não está sendo
fácil, mas vamos tentar fazer o que a liderança da igreja está solicitando”.
Se for o caso, ele deve se aproximar do líder de PGM e animá-lo: “Vamos
nos esforçar! Se não conseguirmos executar o que foi solicitado, vamos
pedir ajuda ao nosso pastor de rede”. De toda sorte, o supervisor precisa ser
coerente e, em hipótese alguma, deve contradizer uma orientação ou
recomendação da liderança da sua igreja. Ele precisa se enxergar como
alguém separado por Deus como mantenedor da visão.
Dois tipos de supervisor
Basicamente, há dois tipos de supervisor: o supervisor puro e o
supervisor-líder, que, além de ser supervisor, lidera um PGM. Ambos os
tipos funcionam bem, mas deixe-me distinguir algumas vantagens e
desvantagens de cada um. Começarei falando do supervisor-líder.
Supervisionar e simultaneamente liderar um PGM pode ser um grande
desafio, principalmente quando a Supervisão ultrapassar cinco PGMS. Uma
coisa é ter a supervisão de um, dois ou três PGMs. Mas, quando são quatro,
cinco, seis PGMs, fica muito difícil supervisionar e liderar ao mesmo
tempo. Quando um supervisor ultrapassa cinco PGMs, ele passa a cuidar de
50 a 100 pessoas, aproximadamente. Ele precisa estar preparado para esse
momento, pois a sobrecarga pode afetá-lo e levá-lo ao esgotamento.
Particularmente, entendo que, quando a supervisão cresce e a quantidade
de pessoas cuidadas aumenta, o supervisor fica humanamente
impossibilitado de liderar um PGM semanal, e então terá que optar por ser
um supervisor puro. Porém, se esta for a opção adotada, esse supervisor
precisará de um zelo especial em outro sentido. É que, depois de deixar a
liderança de um PGM, ele pode sofrer de um sentimento de solidão. Após
viver tantos relacionamentos intensos nos PGMs, é natural que isso acabe
ocorrendo. A solução é que ele também integre um PGM de sua escolha,
onde possa conviver com outras pessoas na qualidade de membro.
Participar de um PGM minimizará o vazio pós-liderança. Na verdade, desde
o momento em que assumir uma supervisão, o supervisor deve ser
orientado a manter-se conectado a seus amigos e líderes de PGM, e também
a buscar relacionamentos intencionais com os membros dos PGMs sob a
sua supervisão.[7] Dentro do possível, é muito importante o supervisor
participar dos eventos do PGM, como passeios e comemorações.
A instituição de supervisores puros também ajuda a criar espaços para
novos líderes de PGM, que assumirão as posições deixadas pelos
supervisores. Isso também contribuirá para que outros líderes também
cheguem à supervisão. Um bom supervisor prepara espaço para que outros
líderes de PGM se tornem supervisores.
Em nossa experiência, temos preferido nomear supervisores puros sempre
que possível. Por isso, temos investido em duas frentes na formação de
novos supervisores. A primeira, a qual reputo a mais valiosa, é o
treinamento prático na companhia de um supervisor mais experiente. Tenho
observado que nossos melhores supervisores são os que caminharam um
tempo ao lado de bons supervisores durante o período de treinamento. A
segunda é a capacitação teórica, ministrada em nossa igreja por meio do
curso Supervisão Eficaz, cujo conteúdo deu origem a este livro.
Uma vez que já entendemos o papel do supervisor com relação à
manutenção da visão da igreja, podemos agora avançar para um dos
aspectos mais importantes da supervisão, que é o coração pastoral que ele
precisa ter, tema do próximo capítulo.

[3] Sobre como preparar os líderes de PGM para a batalha espiritual, recomendo a leitura do
excelente livro Fazendo discípulos no mundo em trevas: como vencer a batalha espiritual em missão,
de Valdeir Contaifer, publicado por Missões Nacionais e disponível em
www.livrariamissoesnacionais.org.br
[4] Para conhecer mais sobre o conceito e os elementos do relacionamento discipulador, recomendo a
leitura dos livros Relacionamento Discipulador: uma teologia da vida discipular, de Diogo
Carvalho, e Aprofundando raízes: dinâmica e elementos do relacionamento discipulador, de
Roosevelt Arantes, ambos publicados por Missões Nacionais e disponíveis em
www.livrariamissoesnacionais.org.br
[5] Seja um supervisor de células eficaz, p. 12.
[6] As opiniões desses pastores são citadas em Seja um supervisor de células eficaz, p. 12.
[7] No capítulo 8, mencionaremos uma experiência embrionária da Primeira Igreja Batista de Campo
Grande/MS, por meio da qual supervisores têm seu pequeno grupo de liderança e, desta forma,
podem minimizar o sentimento de solidão.
2

O coração pastoral do supervisor

Embora tenha um rebanho menor, o supervisor de PGMs também é um


“pastor” e, por isso, precisa ter coração pastoral. Mais à frente veremos
algumas características imprescindíveis a um supervisor, mas, por hora,
queremos enfatizar que o supervisor é chamado não para cuidar de coisas,
mas de pessoas. O que faz um supervisor ser bem-sucedido não é o seu zelo
com as tarefas da supervisão, mas o seu amor às pessoas que ele lidera, com
quem deve estabelecer relacionamentos discipuladores significativos e que
aliviem o peso nas costas delas.
A sugestão de Ralph Neighbour é que os supervisores cuidem de dois a
cinco pequenos grupos, algo em torno de 25 a 75 pessoas[8], mas já ouvi
relatos de supervisores com cerca de cem pessoas frequentando as reuniões
dos seus PGMs em uma semana. Lembro-me de que, em ocasiões especiais,
como nos eventos-ponte[9] ou semanas do amigo, quatrocentos convidados
estiveram presentes, de modo que recebi relatórios de supervisões com 150
pessoas numa mesma semana.
Importante dizer também que, embora o
O supervisor é
supervisor seja chamado para “pastorear”
um rebanho, esse rebanho faz parte de uma chamado não para
igreja. O supervisor não tem um rebanho cuidar de coisas,
particular. Numa igreja discipular, o pastor- mas de pessoas.
líder delega autoridade e pastoreio para seus
supervisores e líderes de PGM cuidarem de algumas pessoas, mas a igreja
permanece o todo. O supervisor deve saber que os membros de PGM sob a
sua supervisão fazem parte da igreja, e que ele mesmo deve submissão à
liderança pastoral. Supervisor e líderes de PGM não devem ser um grupo
estranho à visão da igreja em que estão inseridos, e devem participar do
mesmo movimento de discipulado dessa comunidade eclesiástica.
O supervisor como “presbítero”
Para que esse papel “pastoral” do supervisor fique mais claro, vou propor
como um exercício, no texto de 1ª Pedro 5.1-3, a substituição do termo
“presbíteros” por “supervisores”:
Portanto, suplico aos supervisores: pastoreai o rebanho de Deus que está entre vós, cuidando
dele não por obrigação, mas espontaneamente, segundo a vontade de Deus; nem por interesse
em ganho ilícito, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados,
mas servindo de exemplo ao rebanho.

Agora, vamos refletir sobre algumas lições preciosas encontradas nesse


texto sobre o ofício do supervisor.

1 – “... CUIDANDO DELE NÃO POR OBRIGAÇÃO”


Muitos fazem a obra do Senhor com a motivação errada. A cada
dificuldade murmuram e passam a desempenhar seu ministério por
obrigação. Quando o supervisor visita um PGM com semblante sisudo,
mostrando insatisfação e desmotivação, o líder percebe isso e cria uma
visão negativa da supervisão. Dificilmente esse líder se tornará um
supervisor um dia, pois o exemplo de supervisor ao qual foi exposto foi o
de alguém que transparecia que a função era penosa e desgastante.
Certa vez, ao visitar um PGM, para minha surpresa a reunião estava
bastante desanimada. Já tinha ido a velórios mais animados. O supervisor
estava notoriamente desmotivado. Percebi, então, que o PGM era reflexo do
estado de espírito do seu supervisor. O supervisor deve ser um referencial
de otimismo e motivação.

2 – “... SEGUNDO A VONTADE DE DEUS”


Um dos grandes segredos da supervisão se encontra neste trecho. Tenho
por convicção que, se um supervisor tiver um tempo a sós com Deus diário
e profundo, isso certamente impactará todos os seus liderados. O supervisor
deve permitir que o Espírito Santo mostre como Deus quer que a supervisão
seja feita. Qual PGM será visitado? Em qual líder será investido tempo?
Perguntas como essas são respondidas mediante a intimidade do supervisor
com Deus em sua vida de oração.
No Tempo a Sós com Deus (TSD), o supervisor deve pedir que o Senhor
dirija sua oração e mostre quais necessidades ele quer que sejam atendidas
durante a semana. Quando a supervisão estiver nas mãos do Espírito Santo,
coisas sobrenaturais vão acontecer.

3 – “... NEM POR INTERESSE EM GANHO ILÍCITO”


Alguns aspiram à supervisão de PGMs apenas para ter o reconhecimento
da igreja, mas essa não é a motivação correta. Outros desejam chegar à
supervisão porque algum irmão da igreja já está desempenhando a função e,
então, movidos por inveja, começam a dedicar-se para também alcançar
este “posto”. Contudo, a motivação genuína para se tornar um supervisor é
contribuir com a expansão do reino de Deus. Portanto, ninguém deve
desejar ser um supervisor por ganância, mas pelo desejo de servir.

4 – “... NEM COMO DOMINADORES DOS QUE VOS


FORAM CONFIADOS”
Deus confiou a nós pessoas para serem cuidadas, amadas e pastoreadas.
Ele nos entregou o que lhe era mais precioso no mundo: as vidas. Jesus
Cristo morreu na cruz do Calvário por pessoas. Devemos cuidar dessas
pessoas valiosas da melhor maneira possível. Quando cuidamos de pessoas
com amor, o próprio Deus envia mais pessoas para cuidarmos. Porém,
quando agimos como dominadores, o Senhor não tem prazer em nos confiar
novas pessoas.
Por outro lado, o supervisor não é uma
Quando cuidamos de
figura decorativa. Estamos falando daquele
supervisor que apenas observa, permite tudo pessoas com amor, o
e não chama seus líderes para dialogar. Os próprio Deus envia
problemas estão diante de seus olhos e ele mais pessoas para
não toma nenhuma atitude. Muitas vezes o cuidarmos.
que falta ao supervisor é ser proativo. Ele
até consegue identificar que seu PGM está prestes a ser desativado, mas não
toma nenhuma atitude e acaba se conformando com o encerramento. É
preciso estar um passo à frente das possíveis desativações dos PGMs. Ao
notar algum possível problema, o supervisor precisa buscar em Deus, e com
ajuda do seu líder, soluções e estratégias para evitar que um pequeno grupo
venha a acabar ou fique estagnado. Esses dois extremos – a figura
decorativa e o ditador – são extremamente nocivos para os PGMs.

5 – “... MAS SERVINDO DE EXEMPLO AO REBANHO”


O supervisor precisa ser o principal exemplo para os líderes de PGM,
tanto no que diz respeito à oração como no cuidado ao próximo. Ser
exemplo não é fácil, mas em todas as oportunidades o rebanho está mirando
o comportamento do supervisor, examinando como ele irá agir e reagir às
circunstâncias da vida. Os líderes dos PGMs continuamente observam o
comportamento de seu supervisor para encontrar nele a referência de vida
cristã a ser imitada.
O exemplo é o elemento mais importante na conquista da confiança dos
liderados. Se o supervisor quer que as reuniões dos seus PGMs comecem
com pontualidade, é obvio que ele deverá chegar antes do horário de início.
Se quer um PGM alegre, dará o exemplo mostrando alegria sincera. Os
liderados observam atentamente cada detalhe mesmo em situações
cotidianas; por exemplo, a forma como o supervisor trata sua esposa e
filhos. A tendência é que o comportamento do supervisor seja imitado,
sendo ele positivo ou negativo.
Um dos exemplos mais importantes que o supervisor pode dar é o da
submissão. O supervisor precisa ser totalmente submisso a Deus Pai, ao
Senhor Jesus e ao Espirito Santo e totalmente servo de todos os seus
liderados. Todo líder que é submisso a sua liderança obtém a submissão de
seus liderados.
Entretanto, há líderes de PGM que não foram submissos a seus
supervisores e, quando chegam à supervisão, encontram o mesmo problema
que plantaram: a insubmissão de seus liderados. O supervisor deve procurar
ao máximo ser submisso à sua liderança e servo dos seus liderados. Se os
liderados enxergarem isso, a tendência é que imitem seu comportamento.

O supervisor servo
Sou apaixonado por esta afirmação do Joel Comiskey:
Supervisores não precisam ser perfeitos. Eles existem para fazer os líderes brilharem. Isso
significa desistir da necessidade de aparecer ou de estar certo o tempo todo. Supervisores
com ego muito grande, que exigem estar no centro do palco, não serão bons supervisores.
Lavar os pés dos seus discípulos é fundamental! Se quiser ser grande no Reino de Deus
aprenda a ser servo de todos.[10]

O supervisor é chamado para ser coadjuvante do líder de PGM, para ficar


nos bastidores. Em minha experiência, já nomeei muitos excelentes líderes
de PGM como supervisores, mas que, infelizmente, não foram bem-
sucedidos. Um dos motivos foi que eles queriam receber a mesma atenção
que recebiam quando eram líderes de PGM. Portanto, precisamos deixar
claro a todos os supervisores em potencial que a supervisão é o tipo de
trabalho que requer humildade para servir sem aparecer.
Se de alguma forma negligenciarmos esse importante aspecto do
treinamento de um supervisor, não devemos nos surpreender se ele acabar
desistindo, pois, consciente ou inconscientemente, esse líder tinha a
expectativa de que, ao se tornar um supervisor, ganharia ainda mais a
atenção das pessoas e, quando percebeu que não seria mais o centro do
encontro do PGM, perdeu o encanto com a nova função. Assim, antes de
nomearmos alguém supervisor, preciso ensinar-lhe que está sendo levantado
por Deus para dar suporte aos líderes de PGM, e não para estar acima deles.
Logo no início de minha caminhada em pequenos grupos, participei de um
treinamento em uma igreja que vivenciava um estágio bem avançado nessa
forma de ser como igreja. No decorrer do treinamento, fui convidado por
um supervisor para conhecer uma reunião de PGM. Quando cheguei lá, a
reunião já estava em andamento. O líder conduzia o encontro com
tranquilidade e as pessoas participavam ativamente. Passado algum tempo,
começou o problema. O supervisor tomou a palavra e pregou durante trinta
minutos! Fiquei horrorizado. Eu já tinha estudado um pouco sobre a
participação do supervisor em uma reunião de pequeno grupo e considerei
um absurdo o supervisor ficar falando sem parar. O líder fechou a Bíblia e
todos os participantes ficaram ouvindo o supervisor tomar todo o tempo
restante do encontro, que estava maravilhoso no início, mas não acabou
bem. Esse supervisor não entendeu bem seu papel, de servir ao líder de
PGM e nunca tomar o seu lugar.
Outra situação que vivenciei: o supervisor estava treinando um jovem para
ser um novo líder de PGM. Durante uma reunião, passou a condução do
Tempo da Palavra para esse líder em treinamento. No decorrer do estudo, o
supervisor o interrompeu dizendo: “Você ainda não está preparado para
facilitar o estudo. Não é desse jeito que se facilita o estudo”. O jovem ficou
extremamente envergonhado e decepcionado com aquela atitude de seu
supervisor. Que triste! O supervisor se colocou como um fiscal do líder de
PGM, e não como um encorajador.
Na verdade, o supervisor precisa ser, acima de tudo, um incentivador, um
servo de seus liderados. Qualquer líder que almeje se tornar um supervisor
apenas para se sobressair dos líderes de PGM encontrará problemas na
supervisão e poderá causar um grave dano aos PGMs e à igreja. O próprio
nome “supervisão” pode dar essa falsa conotação de controle ou
fiscalização, mas o sentido não é esse.
Aliás, algumas igrejas até preferem não utilizar essa nomenclatura para
evitar esse mal-entendido. Infelizmente, ainda não encontrei uma
terminologia melhor, e por isso a mantenho em nossa igreja, porém não sem
transmitir a característica de serviço e cuidado que envolve a função. Não
podemos de forma alguma nomear supervisores que não saibam o que é
servir.

[8] Manual do supervisor de célula, p. 11.


[9] Reuniões que têm por objetivo promover a evangelização por meio de relacionamentos
intencionais, estudos bíblicos, testemunhos, etc.
[10] Seja um supervisor de células eficaz, p. 51.
3

Marcas de um bom supervisor

Nos capítulos anteriores vimos o que é um supervisor de PGM e como a


supervisão é importante em uma igreja discipular. Agora, abordaremos as
marcas necessárias para quem deseja ser um supervisor, as quais servem
para verificar se um determinado líder tem o perfil para ser um supervisor e
também para avaliar o próprio andamento do trabalho do supervisor depois
de nomeado. Este talvez seja um dos capítulos mais importantes do livro,
pois nos ajudará a prevenir várias dificuldades com supervisões
disfuncionais. Vamos conferir juntos que marcas são essas.

1 – O SUPERVISOR TRABALHA EM EQUIPE.


Um dos principais segredos de uma boa supervisão é trabalhar em equipe.
O supervisor deve compartilhar e descentralizar a liderança. Muitos
supervisores estão sobrecarregados porque querem fazer tudo sozinhos.
Na realidade, um dos principais objetivos
Muitos supervisores
do supervisor é preparar pelo menos um
supervisor em treinamento para assumir estão
uma futura supervisão. Sempre que sobrecarregados
possível, o supervisor deve convidar alguns porque querem fazer
líderes para acompanhá-lo nas atividades da tudo sozinhos.
supervisão, tais como visitar uma reunião de
PGM ou um líder enfermo, fazer-se presente em velórios, ou ainda almoçar
com um novo convertido.
O supervisor precisa ter coração para trabalhar em equipe. Ele deve
procurar ao máximo caminhar com pessoas. Quem não gosta de estar com
pessoas e investir no desenvolvimento delas de maneira relacional não tem
condições de ser um supervisor.

2 – O SUPERVISOR TEM A DISPONIBILIDADE DE FICAR


MUITO TEMPO NA SUPERVISÃO.
Se alguém entra na supervisão pensando: “Vou aceitar a supervisão por
seis meses ou um ano, pois, se não der certo, procuro outra coisa para
fazer”, está agindo como um homem que, ao se casar, considera: “Se não
der certo, peço o divórcio”. Já tive o privilégio de conviver com muitos
supervisores experientes, que, mesmo depois de um longo tempo como
supervisores, mantiveram a perseverança e o foco no ministério. Um deles
certa vez me testemunhou: “Estou na Supervisão de pequenos grupos há
praticamente quinze anos. Ainda estamos aprendendo! Não sabemos ainda
como supervisionar com excelência. Queremos aprender com as nossas
experiências, acertos e erros, e também com os irmãos que são referências
em supervisão”. Quinze anos! Veja que extraordinário líder de líderes!
Precisamos formar supervisores que se mantenham no cuidado de líderes
por vários anos. Supervisão não é um ministério de curto prazo.

3 – O SUPERVISOR TEM A APROVAÇÃO DE SEUS


LÍDERES E LIDERADOS.
É muito importante que o pastor de rede e o coordenador aprovem a
nomeação de cada novo supervisor. Mas há outra aprovação ainda mais
importante: a que deve vir dos líderes de PGM que ficarão sob os cuidados
desse supervisor. Se os líderes de PGM não consentirem na nomeação de
um determinado supervisor, ele dificilmente terá êxito. Ninguém melhor
que os líderes de PGM para conhecerem o futuro supervisor. Geralmente, o
pastor de rede o conhece parcialmente, mas quem conviveu com ele com
mais profundidade geralmente foram os líderes de PGM. Logo, a aprovação
deles é imprescindível.
Uma pergunta que os líderes de PGM sempre fazem quando uma
supervisão se multiplica é: “Quem será o nosso supervisor?”. Em uma
igreja discipular, quem valida e estabelece o novo supervisor é o “rebanho”,
não a liderança maior da igreja por meio de uma decisão arbitrária. O
processo de escolha de um supervisor não resulta de uma eleição, mas da
autoridade espiritual conquistada ao longo da caminhada por esse futuro
supervisor, autoridade essa cuja força vem de seu exemplo e compromisso
com os valores do Reino. John Maxwell ressalta esse pensamento ao
afirmar que “a verdadeira liderança não pode ser concedida, indicada ou
atribuída. Ela é fruto unicamente da influência, e isso não pode ser dado.
Precisa ser conquistado”.[11]

4 – O SUPERVISOR TEM UM MINISTÉRIO FRUTÍFERO


DE PGMS.
O supervisor exerce um ministério extremamente importante e estratégico
em uma igreja discipular. O preparo e a escolha de um novo supervisor
devem ser bem criteriosos e não feitos às pressas. O supervisor em
potencial precisa frutificar primeiro como líder para depois assumir uma
supervisão. Isto será o seu carimbo de aprovação para voos mais altos. Por
isso, tenho estabelecido como critérios para um líder assumir uma
supervisão em nossa igreja o fato de ter realizado uma multiplicação
saudável de PGM – preferencialmente duas – e ter ganho uma pessoa para
Jesus. Minha sugestão é que você adote essas duas condições também em
sua comunidade de fé. Como Paulo instrui Timóteo, não devemos impor as
mãos sobre alguém precipitadamente.[12]

5 – O SUPERVISOR É HUMILDE.
Reconhecer suas limitações, pedir perdão quando falhar são posturas
esperadas de um bom supervisor. Ninguém suporta ser liderado por alguém
arrogante. Certa vez presenciei um líder compartilhar com seu supervisor
uma ideia que gostaria de aplicar para o envolvimento de mais pessoas no
processo de consolidação de novos convertidos no seu PGM e, de forma
prepotente, o supervisor respondeu: “Já tentei isso, não funciona. É melhor
desistir”.
Em vez de responder desta forma, um supervisor humilde reconheceria
suas limitações, e diria de forma amorosa: “Meu querido líder, sua ideia é
muito boa. Já tentei algo parecido e não fui muito feliz, mas isto não quer
dizer que você não possa ter êxito. Vamos orar e colocar este plano nas
mãos do Senhor”.
Um supervisor humilde evita respostas prontas e soluções pré-fabricadas.
Mesmo tendo a solução, deve agir com humildade. As pessoas só
caminham ao lado de alguém arrogante quando as circunstâncias as
obrigam, quando algumas demandas ou necessidades impõem esta
caminhada. Às vezes necessitam tolerar um chefe, gerente, supervisor ou
pastor de rede arrogantes, mas, na primeira oportunidade que tiverem,
abandonarão o trabalho. Todos querem caminhar com os humildes. O
supervisor bem-sucedido precisa ter a humildade como característica.

6 – O SUPERVISOR SE SUBMETE.
Se alguém aspira ser um supervisor e apresenta dificuldades para se
submeter à liderança da sua igreja, deve repensar sua aspiração. O
supervisor deve estar disposto a muitas vezes abrir mão de uma estratégia
pessoal em favor do plano da liderança da igreja. Trabalhar e pensar como
um time é fundamental para que uma igreja discipular e seus supervisores
tenham êxito e alcancem os objetivos da igreja como um todo.
Para isso, é fundamental que, antes de chegar à supervisão, o líder passe
pela a experiência de ter sido um supervisor em treinamento. A
responsabilidade de fazer isso acontecer é do supervisor mais antigo, que
sempre deve estar focado na multiplicação de sua supervisão e no preparo
de novos supervisores. O supervisor em treinamento é um líder de PGM
que já multiplicou ou está prestes a multiplicar seu grupo, que demonstra
submissão aos líderes e disponibilidade para ser treinado para se tornar um
supervisor.
Na verdade, os melhores supervisores estão sempre dispostos a aprender.
Quando erram, demonstram suas vulnerabilidades. São rápidos para se
arrepender e dispostos a perdoar, enquanto demonstram o fruto do Espírito
e as marcas de um verdadeiro seguidor de Cristo. Tudo isso pode ser
desenvolvido no caráter de um bom supervisor, mas é necessário que ele
demonstre aceitar passar por um período de aperfeiçoamento antes de ser
nomeado. Para isso, ele precisa ser submisso.

7 – O SUPERVISOR SABE EXORTAR COM AMOR E NA


PALAVRA.
Às vezes o supervisor terá que exortar o líder, mas deverá fazê-lo em amor
e de acordo com a Palavra de Deus. Precisamos da graça do Senhor para
que aprendamos a exortar da forma correta, sabendo que o parâmetro é o
que está na Bíblia. Supervisores frequentemente são procurados para dar
conselhos ou orientações. Nossa recomendação é que sempre afirmem para
seus liderados o que a Palavra de Deus recomenda sobre qualquer assunto.
Conselhos como: “Acho que você deve fazer tal coisa” precisam ser
evitados. Ao contrário, o liderado deve ser levado para a Bíblia: “A Palavra
de Deus afirma que devemos agir desta forma”.
Somos chamados por Deus para exortar única e exclusivamente com base
na Palavra. Certa vez, uma pessoa me ligou para falar sobre o divórcio e eu
o aconselhei: “Meu irmão, eu o amo em Cristo, mas a Palavra de Deus é
contra o divórcio. Se você optar por esse caminho, vai sofrer. Vai pagar um
preço muito caro, mas a decisão é sua”. Um supervisor prudente não obriga
ninguém a agir da forma que julga ser a correta; apenas apresenta os
princípios da Palavra de Deus. Já presenciei situações em que um irmão
passou por um aconselhamento com o supervisor e logo depois afirmou:
“Agi desta forma porque meu supervisor mandou. Foi ele que me falou para
fazer isso. Quebrei a cara por culpa dele”.
O supervisor é um facilitador do Espírito Santo, pois é Ele quem nos guia
em toda a verdade.[13] Se o supervisor não trabalhar para que o líder cresça
em comunhão com o Espírito, então o liderado vai achar que ele é um “guru
espiritual” e em qualquer circunstância vai procurá-lo para que tome as
decisões por ele. Precisamos ensinar nossos liderados a colocar todas as
situações e circunstâncias nas mãos de Deus e confiar no Senhor.

8 – O SUPERVISOR APERFEIÇOA SEUS LÍDERES E OS


LIBERA PARA A MULTIPLICAÇÃO.
O supervisor não é um consultor, nem possui todas as respostas. Ele nem
sempre terá condições de orientar e aconselhar todas as pessoas sobre todos
os assuntos. Quando o supervisor se coloca na posição de um consultor do
líder de PGM, ele cria uma inapropriada relação de dependência com o
líder, que, ao enfrentar qualquer desafio, irá buscar nele a solução pronta em
vez de depender de Deus.
Um supervisor experiente sabe que precisa ensinar seus liderados a
dependerem de Deus sempre a fim de liberá-los para a multiplicação. Em
muitas situações, ele sabe como agir e
O objetivo do
resolver a questão, mas prefere aproveitar as
oportunidades para ensinar aos líderes a supervisor é
buscarem em Deus, e não nele mesmo, a aperfeiçoar seus
solução para seus desafios. Embora o líderes, e não mantê-
supervisor maduro muitas vezes já tenha los dependentes
vivido experiências parecidas e saiba como dele.
resolver muitos problemas, ele opta por
encorajar seus líderes a colocar todas as questões nas mãos de Deus. De
forma intencional, ele escolhe dizer: “Vamos orar. Vamos buscar em Deus a
solução para esta situação”. Assim, ele estará liberando líderes para a
multiplicação, e não acumulando-os debaixo de suas asas.
Na maioria das vezes o supervisor eficaz sabe como agir, mas atrasa um
pouco a tomada de decisão para fazer o líder pensar sobre qual a melhor
alternativa para a resolução do problema. O líder de PGM precisa aprender
a decidir e, se o supervisor acostumá-lo a receber todas as respostas prontas,
ele ficará sempre inseguro e, como consequência, não amadurecerá. O
objetivo do supervisor é aperfeiçoar seus líderes, e não mantê-los
dependentes dele.
Quero terminar este tópico com duas histórias negativas vividas por
supervisoras de nossa igreja. Hoje elas reconhecem que agiram errado,
conforme elas mesmas testemunham:
Uma liderada nos procurou e estava muito machucada, diante do problema que estava
enfrentando. Nos propusemos a ajudá-la a resolver aquela situação e ingenuamente fomos
apontando as soluções. Mesmo sem querer, nossa atitude gerou uma dependência muito forte
dela conosco. Depois de algum tempo, conseguimos enxergar que não estávamos apontando
para Deus. Desfazer essa dependência foi muito difícil. Precisamos evitar esta dependência,
porque depois que a pessoa já está dependente, é muito difícil apontar para Deus. É somente
através de muita oração.
Nós tivemos uma líder que orava bastante, mas queria resolver o problema de todo mundo.
Ela acabou ficando doente e não deixando sucessor. Realmente, nós não conseguimos
continuar com esse pequeno grupo, porque as pessoas não estavam indo para o PGM por
Jesus, mas por causa da líder.

Precisamos cuidar para não incorrermos no mesmo erro.

9 – O SUPERVISOR MANTÉM UMA DISCIPLINA DE VIDA


DEVOCIONAL.
Um dos principais segredos do supervisor eficaz é sua vida de oração. Isso
significa ter intimidade com o Senhor, separar diariamente um Tempo a Sós
com Deus (TSD), priorizar tempo de estudo da Bíblia, não negociar os
valores da Palavra e ter fome e sede de agradar ao Pai.
Com o passar do tempo, o supervisor vai aprender, como eu já aprendi,
que seu próprio ministério é um milagre. O ministério do supervisor é
movido por oração. O supervisor passará a outro nível de intimidade com
Deus quando compreender que somente por meio de uma vida de oração é
que terá êxito no ministério. Somente pela fé e pela oração o supervisor
verá seus PGMs e líderes sendo fortalecidos e renovados. Mais à frente
voltaremos a este assunto tão importante, quando abordaremos os três
segredos da supervisão.
Você pode encontrar outras características que norteiam a escolha e o
trabalho do supervisor em textos como 1ª Pedro 5.1-4, 1ª Timóteo 3.1-
7,14,15 e Tito 1.6-9. Quando a pessoa não é ensinável, nem gentil com os
irmãos, não leva a sério a vida de oração, não tem frutos de arrependimento,
está sempre certa e julga que está muito próximo da perfeição, é porque não
está preparada para assumir uma supervisão de PGMs. Um supervisor assim
vai acumular mais peso na mochila de seus líderes, e não aliviá-la, que é o
seu papel. Vamos desenvolver ainda mais o assunto no próximo capítulo,
quando veremos como o relacionamento discipulador se desenvolve no
contexto da supervisão.

[11] As 21 irrefutáveis leis da liderança, p. 33.


[12] 1ª Timóteo 5.22.
[13] João 16.13.
4

Relacionamento: a chave para uma


supervisão eficaz

Certa vez, minha esposa e eu fomos levar uns sacos de lixo para fora.
Totalmente distraído, fechei o portão e, como estava sem a chave de casa,
fiquei trancado do lado de fora. Que situação desagradável! Ainda bem que
eu estava com o celular e liguei para um grande amigo a quem pedi socorro.
Logo chegou um chaveiro, que, mediante alguns trocados, abriu o portão e
ainda fez uma chave reserva.
Dependendo da região do País e do padrão da construção, uma casa de
padrão médio vale duzentos, trezentos, quatrocentos mil reais ou mais. Com
a quantia certa de dinheiro qualquer pessoa pode adquirir um imóvel e obter
sua escritura e registro, mas se perder a chave, que custa alguns trocados,
infelizmente não poderá entrar em sua casa.
Fazendo uma analogia com a supervisão, descobri que há uma chave que
abre as portas para a implementação de uma supervisão eficaz. Esta chave é
o relacionamento. Sem um relacionamento saudável com os líderes de
PGM, o supervisor dificilmente conseguirá maximizar seu ministério. Se
ele perder essa chave, não abrirá as portas que Deus já tem preparado para
sua supervisão.
O Espírito Santo está interessado na conexão entre corações, e o
supervisor que tenha bom relacionamento com as pessoas pode tocar muitas
vidas. Nos capítulos a seguir veremos outro aspecto muito importante que
são os bons hábitos dos supervisores eficazes, mas resolvi posicionar este
capítulo neste ponto do livro para ressaltar que, sem a chave do
relacionamento, o supervisor não conseguirá aplicar os princípios que serão
expostos nos capítulos seguintes.

Conquistando o coração do líder de PGM


Uma das verdades mais importantes a respeito da supervisão é que, antes
de o supervisor transmitir ao líder de PGM as estratégias e técnicas de como
liderar com eficácia, ele precisa conquistar o coração desse líder. O
supervisor que consegue isso provoca reações de entusiasmo em seus
liderados, mas o que não o faz causa temor em seus liderados só de estar
nas reuniões de PGM. O supervisor precisa investir tempo em
relacionamentos, pois só assim a sua visita no PGM se tornará algo que o
líder deseje com alegria. Quando o supervisor tenta orientar seus liderados à
parte de um relacionamento profundo com eles, ele acaba sendo visto como
um mero “fiscal” de PGM, o que está longe de ser sua função.
Mas, como o supervisor pode cativar o coração do líder? Em minha
jornada na supervisão, descobri que isso acontece por meio de três atitudes,
as quais chamo de os três segredos da supervisão.

1 – INTERCESSÃO CONSTANTE
Para conquistarmos a confiança de alguém e deixarmos um legado em sua
vida, precisamos orar por ele diariamente. Conheço casos em que o líder só
recebe uma oração por dia, que é a do seu supervisor. Esteja consciente
disto: talvez você seja a única pessoa a orar por alguém. Há muitos líderes
que não são de família evangélica nem os membros de seu PGM já se
conscientizaram da importância de intercederem pelo líder. Em muitos
casos, o supervisor será a única pessoa que vai orar por esse líder. Se ele
não orar, ninguém o fará.
O líder de PGM que sabe que tem um
Em muitos casos, o
supervisor intercedendo diariamente por ele
é mais leal e agradecido. Tenho um supervisor será a
discípulo que mora a uns 700 quilômetros única pessoa que vai
de mim, e nos falamos basicamente por orar por esse líder.
telefone. Oro por ele diariamente, assim
como faço por todos os demais líderes sob os meus cuidados. Ele tem um
irmão, o qual em determinada ocasião lutava contra uma doença crônica.
Toda vez que tínhamos o encontro de relacionamento discipulador eu lhe
perguntava: – Como está a saúde do seu irmão? Ele me respondia: –
William, você não esqueceu de orar pelo meu irmão? Não precisa orar tanto
assim. E eu explicava: – Meu querido, se eu oro por você, naturalmente
devo orar pela saúde do seu irmão. São pequenos gestos como este que
fazem a diferença no aprofundamento da relação entre o supervisor e o líder
de PGM.

2 – AMIZADE PROFUNDA E INTENCIONAL


O supervisor bem-sucedido é aquele que cuida e desenvolve
relacionamentos saudáveis com os seus líderes. Para isso, ele precisa
investir tempo na vida deles.[14] Conhecemos pessoas que são excelentes
para “conquistar”, mas encontram muitas dificuldades para manter
relacionamentos. O grande desafio do supervisor é conservar a amizade a
longo prazo. Conquistar alguém pode ser muito difícil, mas manter o
relacionamento pode ser ainda mais. Ocorre assim porque somos seres
falhos e limitados e, em certas ocasiões, não poderemos atender a todas as
expectativas das pessoas.
Preservar a amizade mesmo depois de
Creia neste princípio:
possíveis desencontros é uma arte que o
supervisor precisa dominar. Mas ninguém ninguém resiste a
consegue um nível de amizade como esse ser amado.
da noite para o dia. O relacionamento
maduro, que supera dificuldades, é um processo. Para que o supervisor
desenvolva relacionamentos saudáveis e duradouros com seus liderados, ele
precisa de paciência e a intencionalidade para investir tempo na vida deles.
O nosso modelo de supervisor, o Senhor Jesus, afirmou algo precioso em
João 15.15: “Já não vos chamo servos, [...]; mas eu vos chamo amigos”.
Segundo Joel Comiskey, a amizade é a chave para supervisionar com
sucesso. Quando chegamos a este assunto, muitos supervisores ficam com
sentimento de culpa, mas nunca é tarde para recomeçar. O importante é o
supervisor estar disposto a, daqui em diante, tornar-se um grande amigo de
seus liderados, um parceiro, um incentivador, e não um chefe mandão.
O supervisor experiente sabe que precisa passar tempo com seus liderados,
aprender a dialogar com eles, chamá-los para trocar ideias, dar e receber
sugestões, ouvir sobre o contexto que eles experimentam e jamais tentar
impor seus pensamentos. Ele deve ser compreensivo e empático. O
supervisor que já vivenciou muitas experiências quando era um líder de
PGM, deve se lembrar das dificuldades de sua época a fim de que, quando
for procurado pelo líder de PGM para desabafar, ele se coloque no lugar do
líder e ouça suas palavras com empatia.
Muitas vezes ouvi relatos de líderes que tiveram experiências
extremamente negativas com supervisores ditadores. Talvez algum líder que
esteja lendo este livro se recorde de uma experiência dolorosa com algum
supervisor. Se este é o seu caso, querido irmão, estou aqui humildemente
lhe pedindo perdão. O que esse supervisor fez contra você não é o que
entendemos ser uma supervisão madura e eficaz. O supervisor que não é
amigo do líder de PGM é apenas um “fiscal”, mas não alguém que alivie a
mochila do líder.
Outro aspecto muito importante para a construção de um relacionamento
saudável entre supervisor e líder é a transparência. Nosso grande desafio é
encontrarmos o equilíbrio entre falar de forma transparente e falar com
amor. Alguns acreditam que quem ama não pode ser sincero porque a
verdade às vezes fere as pessoas. Mas acredito que quem ama sempre será
transparente em amor. Haverá situações em que o supervisor terá de ser
assertivo, mas sempre motivado pelo amor.
Já que falamos em amor, acredito que a melhor expressão do amor em
uma amizade é o cuidado. Certo dia enviei uma mensagem de felicitações
para um líder que estava fazendo aniversário e ele me disse: “Nunca
esperava que você iria me mandar um ‘feliz aniversário’”. Uma ligação
desejando feliz aniversário, uma mensagem, um simples presentinho,
poderá fazer muita diferença. Mas também podemos dar presentes fora
dessa data. Presentes simplórios, como um bombom, uma caneta ou uma
flor poderão gerar um constrangimento positivo em amor. Creia neste
princípio: ninguém resiste a ser amado.
Haverá ocasiões de grande complexidade quando o supervisor não saberá
o que fazer, mas poderá dar um abraço no líder e a sua simples presença
fará diferença. Certa vez, um supervisor e eu fomos ao velório de um
parente de um líder de PGM. Alguns dias depois, aquele líder me ligou para
demonstrar sua satisfação e alegria com a nossa presença naquela ocasião.
Não fizemos nada de excepcional. Apenas decidimos abraçar e chorar com
aquela família. Esta experiência só reforçou o que já acreditávamos: há
situações na vida dos liderados em que o supervisor precisa apenas estar
presente. Relacionamento é isto: presença e cuidado em amor.

3 – COMUNICAÇÃO RELACIONAL
O terceiro segredo da supervisão é uma comunicação orientada para a
pessoa, e não para as tarefas, o que eu chamo de comunicação relacional.
Observe os enunciados extremamente emocionais nas saudações iniciais de
algumas cartas do apóstolo Paulo às igrejas do Novo Testamento:
Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão com os
bispos e diáconos em Filipos: Graça a vós e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor
Jesus Cristo. Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós. (Filipenses 1.1-
3)
Damos graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós.
(Colossenses 1.3)
Irmãos, temos sempre de agradecer a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé tem
crescido muito, e o amor de cada um de vós transborda de uns para com os outros. (2ª
Tessalonicenses 1.3)

Só de ler essas introduções já dá vontade de ler a carta inteira, dado o


amor presente em cada versículo. O apóstolo já tinha descoberto o poder de
uma comunicação relacional. Este também deve ser o padrão da nossa
comunicação: o amor.
Vivemos em uma época em que a comunicação tem se tornado cada vez
mais virtual e menos relacional. As mídias sociais, a depender do modo
como são usadas, podem se tornar uma grande bênção ou um grande
problema. Tenho orientado os supervisores a escreverem menos e a se
encontrarem mais com seus líderes, terem mais contato olho no olho,
porque, por vezes, a comunicação puramente eletrônica tem trazido
dificuldades aos relacionamentos. As pessoas vivem em muita correria e
digitam com muita rapidez. Muitas vezes nem leem o que escrevem e dão
ocasião a interpretações equivocadas. Infelizmente, já vi muitos
relacionamentos se romperem por causa de ruídos na comunicação
eletrônica. Figuras sorridentes num comentário de redes sociais jamais
substituirão um sorriso real ao vivo. Um dos pontos centrais do
relacionamento é a comunicação.
Além de buscarmos uma comunicação
Este também deve
emocional, precisamos ter em mente outro
fator complicador nos relacionamentos: ser o padrão da
cada líder tem uma maneira particular de nossa comunicação:
enxergar a vida. Nem sempre podemos o amor.
adotar o mesmo estilo de escrita para todos
os liderados, pois eles são pessoas diferentes que pensam de formas
distintas. Quando o supervisor tiver que redigir um texto que será enviado
para todos os liderados, minha recomendação é que procure escrever de
maneira carinhosa, como se fosse o próprio apóstolo Paulo escrevendo para
a igreja de Filipos ou Colossos. Nossa comunicação necessita ser regada
com amor.
Quando o supervisor precisa enviar uma mensagem privada via rede
social, é recomendável que sempre inicie de forma afetiva: “Meu querido
irmão, bom dia. Como você está? Tudo na bênção?”. Isto porque lidamos
com pessoas que são constantemente criticadas e querem encontrar um bom
exemplo em seu supervisor, bem como apoio e encorajamento para
enfrentarem as tribulações da caminhada cristã e da liderança de PGM.
Muitas vezes fico me perguntando por que Timóteo e outros personagens
bíblicos abandonaram tudo para seguir o apóstolo Paulo em suas viagens
missionárias. Por que eles viajavam para lugares longínquos em sua
companhia? A única resposta que consigo formular é que eles foram
contagiados pela paixão missionária de Paulo. Em algumas situações ele
exortava seus liderados de maneira contundente, mas, antes de exortar, já
tinha conquistado o coração dos discípulos. Eles entendiam que quando ele
era rigoroso, não o fazia apenas pelo prazer de criticar, mas porque amava a
cada um deles como filhos e queria que se parecessem cada vez mais com
Jesus.
Aliás, certa vez ouvi de um supervisor algo como: “Muitas vezes tenho
que ser pai dos meus discípulos, porque os pais biológicos não exerceram
essa paternidade. Eu acabo sendo o pai que eles não tiveram”. Neste
contexto de descompromisso familiar em que vivemos, o supervisor poderá
exercer essa figura para pessoas que estão em sua supervisão e que
precisam desse afeto paterno. Quando ele humildemente conquista o
coração do liderado, terá alguém que declare: “Conte comigo, supervisor!
Para onde nós vamos? O que precisamos fazer?”. A motivação verdadeira
sempre será a glória de Deus e a expansão do seu Reino e nunca a
manipulação barata para o crescimento de um reino pessoal.
Nunca esqueça que o supervisor é
Somos o corpo de
chamado pelo Espírito Santo para agir como
pai de multidões e não para ser um chefe ou Cristo e precisamos
gerente. Como é a comunicação de um pai ser relacionais.
ou de uma mãe amorosa? Como um pai
amoroso acorda o filho de manhã cedo? É claro que às vezes o filho pode
irritá-lo, mas na maioria das vezes ele dirá: “Filhinho, bom dia! Lindinho
do papai, acorda”. Todo supervisor precisa ter a sabedoria do céu para lidar
com cada liderado com amor, pois cada pessoa é única.
A comunicação relacional é o padrão que o supervisor deve utilizar ao se
expressar com seus liderados. Não somos uma empresa, partido político,
time de futebol, ou ONG. Somos o corpo de Cristo e precisamos ser
relacionais. A melhor forma de expressarmos esse amor é por meio da
comunicação, da conectividade. Um abraço, um aperto de mão ou uma
pergunta sincera de como foi a semana mostra que valorizamos as pessoas.
Conheço muitas pessoas que entraram no templo da igreja e, por causa de
uma abraço, foram curadas. Muitas delas atualmente são líderes de
pequenos grupos. Certa vez, durante um culto, uma supervisora olhou para
trás e viu uma pessoa sentada sozinha, levantou-se e foi até ela. Quando
chegou perto, disse com muito amor: “Seja bem-vinda... Posso te dar um
abraço?”. Essa pessoa foi tão impactada por aquele ato, que posteriormente
foi visitar o PGM da supervisora e, atualmente, é uma líder de PGM.
Vivemos dias trabalhosos. Lidamos com pessoas carentes. Nem todas
precisam de recursos financeiros, mas muitas precisam de alguém em quem
possam confiar para que abram o coração e compartilhem sua luta e crise
interior. Muitas vezes, alguns minutos investidos na vida de alguém podem
fazer muita diferença. É preciso dar atenção genuína aos líderes de PGM.
Precisamos orar pedindo muita sabedoria: “Senhor, nos dê a capacidade
para ouvir. Queremos ouvir não só com os ouvidos, mas com o coração”.
Todo supervisor deve fazer uma avaliação pessoal nesse sentido para apurar
se a conexão com seus líderes de PGM é profunda.
Por fim, um fator que precisa ser respeitado nesse assunto é a
comunicação com pessoas do sexto oposto. Muito cuidado! É preciso
sensatez. Devemos agir com carinho, mas com muito respeito para que não
haja nenhum mal-entendido. Com pessoas do sexo oposto, precisamos ter
uma comunicação paternal, como um supervisor de minha rede costuma
dizer: “Trato cada mulher como uma filha”.

[14] Não poderia deixar de recomendar mais uma vez a leitura dos livros Relacionamento
Discipulador: uma teologia da vida discipular, de Diogo Carvalho, e Aprofundando raízes: dinâmica
e elementos do relacionamento discipulador, de Roosevelt Arantes, ambos publicados por Missões
Nacionais. Neles você pode encontrar uma exposição muito completa do que é o investimento de
tempo na vida de alguém por meio do relacionamento discipulador.
5

7 hábitos de bons supervisores

Este capítulo é basicamente uma adaptação da lista de hábitos contida no


excelente livro Seja um supervisor de células eficaz, de Joel Comiskey, cuja
leitura altamente recomendo. Abordarei alguns princípios desse livro, que
tratam dos bons hábitos dos supervisores, porém trazendo-os para o
contexto da Igreja Multiplicadora e acrescentando alguns insights e
experiências que vivi nesses anos como supervisor.

1º Hábito – Intimidade com Deus


Joel Comiskey afirma que “O supervisor não tem nada de valor para
passar para os seus líderes, além daquilo que recebeu de Deus. Encontre-se
com Deus antes de encontrar-se com seus líderes.”[15]
A única coisa que o supervisor pode dar aos líderes é aquilo que Deus lhe
deu. Portanto, é fundamental que ele tenha um relacionamento íntimo e
profundo com Deus antes de querer ministrar na vida dos seus liderados.
Tenho um amigo pastor que sempre diz o seguinte: “Precisamos de azeite
para tratar o doente”. Geralmente, não há tratamento médico sem
medicamento. Seguindo o mesmo raciocínio, para sermos instrumentos de
Deus com o objetivo de ministrarmos na vida das pessoas, precisamos de
“azeite”. Simbolicamente, o azeite citado pelo meu amigo pastor representa
a unção, a capacitação de Deus, a bênção do Senhor sobre nossa vida.
Então, o primeiro hábito de um supervisor eficaz é receber o “azeite” de
Deus.
O supervisor deve perguntar a si mesmo se aquilo que tem passado para
seus líderes é fruto de um relacionamento íntimo e profundo com Deus, ou
é obra da carne. Podemos agir na força do nosso braço mesmo tendo a
aparência de uma ação espiritual. Precisamos desesperadamente da fonte da
vida, que é o Espírito Santo.
Antes de se encontrar com os seus líderes, o supervisor deve encontrar-se
com Deus, pois isso fará toda a diferença na sua supervisão. Um supervisor
maduro consagra sua supervisão a Deus. Quando isto ocorre, ele passa a ser
instrumento de Deus na supervisão dos PGMs. Deus lhe dá uma nova
percepção sobre as necessidades dos seus liderados. O Espírito Santo lhe dá
discernimento para que ministre em áreas da vida deles de forma incrível.
Além disso, a vida de oração está entre os melhores ensinamento que um
supervisor pode oferecer para seu líder. De fato, se um líder de PGM não
tiver uma vida de oração, porque não aprendeu a tê-la com seu supervisor,
com certeza terá problemas no futuro. Todo líder necessita aprender a
depender de Deus e a colocar o seu PGM diariamente nas mãos do Senhor,
pois haverá situações em que não poderá contar com seu supervisor nem
terá um irmão mais experiente por perto. Portanto, é fundamental que o
supervisor forme líderes que “respirem” oração. Interceda pelos líderes e
lhes ensine a ter uma vida poderosa de oração. Como aprendemos com
Roosevelt Arantes, “a oração é ensinável”. E esclarece:
A oração só se aprende na prática, só se aprende pelo ensino. E a oração só se ensina pela
prática, e a prática é o ensino. Não basta ter o ministério pessoal de oração, é preciso ensinar
a orar. Devemos ter um ministério de oração visível. Não para aparecer, mas para ensinar.
Não para nos destacar, mas para fazer discípulos.[16]

2º Hábito – Saber ouvir


“Grandes Supervisores buscam entender, em vez de ser entendidos!”[17]
Os nossos melhores amigos são aqueles que ouvem atentamente nossas
histórias.
Quando os líderes começam a falar de sua história – relacionamento com
os pais, infância e adolescência, as maiores dificuldades que enfrentaram na
vida etc. –, percebemos o motivo de seus comportamentos e atitudes.
Começamos a compreender as suas ações e reações, principalmente nos
momentos de pressão e estresse. Na realidade, só conhecemos uma pessoa
verdadeiramente quando conhecemos sua trajetória.
Ouvir é uma arte. Nós somos muito bons para falar, principalmente os
pastores, mas ouvir geralmente é uma dificuldade. Muitas vezes o líder está
dizendo algo importante e estamos preocupados com a resposta que
daremos. Por isso, quando estivermos frente a frente com o nosso líder,
devemos olhar nos olhos dele, evitar olhar para os lados e comunicar
simpatia e empatia, além de valorizar o tempo com ele. Antes de emitirmos
nosso parecer, somos chamados para compreender.
Precisamos considerar também que muitas vezes as pessoas falam não
apenas com as palavras, mas também com o comportamento e com a
linguagem corporal. Devemos evitar o procedimento do sacerdote Eli, que
estava insensível, anestesiado, endurecido e com uma atitude julgadora. O
texto bíblico afirma que Ana estava sofrendo, derramando o seu coração,
mas Eli disse para ela: “Até quando ficarás embriagada? Deixa de beber
vinho”. E ela respondeu: “Não, meu senhor; sou uma mulher angustiada;
não bebi vinho nem bebida forte, mas derramei a minha alma diante do
SENHOR”.[18] Que Deus nos dê um coração que seja capaz de entender o
outro, que possa perceber como está a alma dos nossos líderes de PGM. Se
agirmos assim, daremos bons conselhos com mais facilidade.
O supervisor imaturo sente necessidade de controlar os diálogos com seus
liderados. Para esse perfil de supervisor, é extremamente desafiador deixar
que o outro dirija a conversa. O supervisor precisa sair da posição do banco
do motorista e colocar o líder ao volante, deixá-lo falar, evitar atropelá-lo e
permitir que ele abra o coração.
O supervisor deve ouvir as escolhas que o líder está fazendo e evitar
responder às suas próprias perguntas. O supervisor normalmente quer falar
e resolver rapidamente o problema, mas é melhor que ele guarde seus
comentários apenas para o final.
Outra questão importante é a da confidencialidade. Quando uma das partes
não guarda segredo, acaba a confiança. Tenho um amigo que diz que,
quando a confiança é perdida desse modo, é como se alguém pegasse um
travesseiro de penas, subisse no prédio mais alto da cidade e jogasse todas
aquelas penas ao vento e depois tentasse descer para pegá-las de volta.
Portanto, todo supervisor precisa desenvolver confidencialidade absoluta na
relação com o líder de PGM.

3º Hábito – Encorajar
O supervisor eficaz nunca perde a oportunidade de encorajar um líder. Na
verdade, um supervisor deve ser um incentivador por natureza. Ele deve ser
os maior incentivador de seu cônjuge, filhos, amigos, e liderados em todos
os momentos possíveis. Ele deve distribuir elogios verdadeiros
impulsionados pelo Espírito Santo, pois o elogio é como o oxigênio para a
alma.
O supervisor precisa demonstrar confiança nos seus líderes e fazer com
que estejam certos de que não o são por acaso, mas que o Espírito Santo os
estabeleceu nessa posição. Por isso, é importante celebrar os progressos,
transformando os avanços em grandes vitórias. Cada vitória, por mais
simples que seja, é uma excelente oportunidade para encorajamento. O
supervisor deve sempre destacar as realizações dos liderados,
principalmente diante do PGM.
Em todas as circunstâncias o supervisor precisa
encorajar intencionalmente o líder de PGM, ainda que seja uma situação de
aparente dificuldade. De fato, um supervisor experiente sempre terá a
oportunidade de identificar algum tipo de limitação nos seus PGMs, e é
justamente então que ele deve ser intencional no encorajamento.
Deixe-me dar um exemplo de como aplicar este importante princípio.
Imagine que um PGM esteja por algum tempo sem visitantes e em
determinada reunião tenha a presença de dois ou três visitantes. O
supervisor precisa aproveitar para celebrar o momento. Provavelmente os
irmãos deste PGM estivessem até se sentindo desanimados por não estarem
alcançando novas pessoas, mas, diante desse pequeno avanço, o supervisor
deve expressar a maior alegria.
Além do encorajamento intencional, o supervisor precisa desenvolver a
capacidade de motivar os abatidos. Líderes com frequência procuram seus
supervisores para desabafar que estão cansados, frustrados ou
desmotivados. Esse é um momento crucial na supervisão. O supervisor
deve permitir que este líder expresse todos os seus sentimentos sem
interrupção e, quando perceber que o líder já abriu totalmente o seu
coração, aproveitar para encorajá-lo. Neste ponto, surge uma oportunidade
única para ministrar com muito amor sobre a vida do líder.
Na Bíblia, encontramos um exemplo de grande encorajamento entre os
primeiros cristãos: Barnabé. Seu nome na verdade era José. Ele era um
discípulo tão encorajador, que consolava tanto as pessoas, que se
transformou em uma inspiração para a igreja primitiva, recebendo o título
pelo qual é mais conhecido. Todos o chamavam de Barnabé, o filho do
encorajamento. Todo supervisor deve ser um “barnabé”, pronto para
encorajar e motivar seus liderados.

4º Hábito – Cuidar
Outro hábito imprescindível é o cuidado. Quando a compaixão ganha o
coração do supervisor, cada vida, cada liderado passa a ser alvo do seu
cuidado.
Líderes de PGM são humanos, e não máquinas. Há supervisores que só se
interessam por um determinado líder em função daquilo que ele pode fazer
para o crescimento da sua supervisão. Mas, como Comiskey aponta, “o
supervisor precisa lembrar, no entanto, que os líderes são seres humanos e
não ‘fazeres humanos”.[19] O líder de PGM não é um projeto do supervisor,
mas uma pessoa que, como todos os demais membros da igreja, precisa de
atenção.
O líder está no fronte de batalha, discipulando, visitando os enfermos,
expulsando demônios, liderando a reunião do PGM e preparando novos
líderes em treinamento. A tarefa dele é árdua. Ele tem pago um alto preço
no cuidado das ovelhas que Deus lhe tem confiado e, por isso, necessita de
uma retaguarda de oração e cuidado por parte de seu supervisor. O líder de
PGM é um pastor de vidas, que também precisa ser pastoreado!
Portanto, é fundamental que o supervisor invista uma parte considerável
de seu tempo com seus líderes de PGM. Sabemos que todos têm pouco
tempo disponível, mas é preciso encontrar “janelas” na agenda para
cuidarmos uns dos outros. O ideal é que o supervisor faça uma visita
mensal ao líder e, quando se encontrarem na igreja, conversem durante
algum tempo. Demonstrar atitudes de cuidado e interesse genuíno na vida
do líder pode fazer muita diferença.
Supervisores experientes ficam atentos aos detalhes. Já presenciei várias
situações em que o líder de PGM evitou demonstrar que necessitava de
cuidado. Muitos líderes não pedem ajuda. Se o líder afirma “Estou bem”,
mas o seu semblante está falando o contrário, o supervisor deve ficar atento,
pois a luta e o sofrimento gritam, e no fundo o que o líder está dizendo é:
“Não estou nada bem”. Ele está pedindo ajuda: “Socorro! Ore por mim”.
O supervisor precisa ser sensível e observador, de modo a perceber o que
o semblante dos liderados está revelando. Com a ajuda do Espírito Santo,
ele deve identificar focos de possíveis crises evitando que uma luta se
transforme em desistência.
Já vivenciei situações em que o supervisor procurou o seu coordenador e
disse: – O líder está entregando o PGM. E o coordenador perguntou: – Nos
meses anteriores você percebeu alguma dificuldade?
– Não! – respondeu o supervisor.
– Nenhuma vez? – insistiu.
– Não. Eu pensei que tudo estava às mil maravilhas.
As pessoas nem sempre dizem o que estão sentindo, mas dão sinais. O
líder não irá dizer: “Daqui a noventa dias eu vou entregar a liderança do
PGM”. Mas poderá desabafar: “Está complicado liderar este PGM!”. Esse é
o momento de o supervisor se colocar à disposição: “Vamos orar. Esta
semana vou orar por você todos os dias”. O mais importante é estar sensível
ao toque do Espírito Santo e observar o comportamento dos líderes.
Deus tem levantado uma geração de supervisores e líderes de PGM que
são verdadeiros “pastores”; que estão interessados em cuidar de pessoas,
amam vidas com uma sinceridade extraordinária, não medem esforços para
servir e investem todo o tempo possível no acompanhamento das ovelhas
do Senhor Jesus. Que escolhem intencionalmente edificar seus líderes de
PGM, acalmando seus medos e enfrentando as dificuldades que surgem.
Há líderes que não sabem ainda qual caminho traçar. Não tiveram
referenciais. São como um barco à deriva no oceano, flutuando de um lado
para outro. O supervisor deve ajudar seus liderados a experimentar a
vontade de Deus para todas as áreas da vida. A melhor forma de cuidar de
um líder é auxiliá-lo no descobrimento dos projetos que Deus já tem
preparado para ele.

5º Hábito – Formar e treinar


O supervisor eficaz reconhece em seus liderados instrumentos poderosos
nas mãos de Deus e os aperfeiçoa para produzirem cada vez mais e melhor.
Ele crê que o Senhor o colocou ao lado deles como um motivador, alguém
que maximize todo o potencial que Deus lhes deu.
Como ressalta Joel Comiskey, o supervisor precisa descobrir “o que o seu
líder já está sonhando”[20]. Quando o supervisor desvenda qual é o sonho
do seu líder de PGM, poderá trabalhar intencionalmente sendo usado por
Deus para levá-lo a viver esse sonho. Se é o de ganhar muitas pessoas, o
supervisor deverá incentivá-lo a viver isso. O anseio de todo supervisor
deve ser caminhar com um líder apaixonado por Deus e por pessoas, que
busque fazer a vontade de Deus a qualquer custo.
Além disso, o bom supervisor reconhece as diferenças de perfil e
personalidade de cada um dos seus líderes de PGM e procura tratar cada um
de forma personalizada. O supervisor precisa ter sensibilidade para entender
que as pessoas são diferentes, apresentam estilos diferentes e estão em
estágios de vida diferentes. Não é prudente esperar que um líder de dezoito
e outro de setenta anos tenham os mesmos resultados e comportamentos. O
supervisor deve, portanto, respeitar essa diferença e conduzir cada um dos
liderados de forma que glorifique a Deus com sua vida.
Já presenciamos situações em que o líder é uma grande bênção, mas em
determinado momento está passando por uma grande crise, talvez
desemprego, dívidas ou a perda de alguém na família. Em casos como esses
o supervisor precisar ter sensibilidade o suficiente para identificar isso e
agir da melhor maneira. Quantas pessoas da sua supervisão estão
“paralisadas”? Um trauma, ressentimento ou crise são motivos que podem
impedir a ação de um líder. Bons supervisores ficam atentos aos sinais que
seus liderados demonstram e, com a ajuda do Espírito Santo, enxergam as
pessoas que estão paralisadas, irmãos com um potencial incrível, mas que
não conseguem êxito em algumas áreas da vida. Deus quer usar nossos
supervisores para que esses irmãos sejam libertados de decepções,
ressentimentos e medos. Precisamos levá-los a colocar todos esses
sentimentos aos pés da cruz de Cristo.
Jesus Cristo é nosso principal modelo de
A supervisão ao
liderança e, consequentemente, de
supervisão. O modo como ele se estilo de Jesus
relacionava com os discípulos, conforme acredita em pessoas
registrado nos evangelhos, é o modelo de improváveis.
relacionamento entre os níveis de liderança
que devemos seguir. Mais uma vez é importante reforçar a importância da
humildade. Jesus era totalmente submisso às ordens do Pai e se comportava
como servo dos seus liderados. Essa maneira ímpar de lidar com aqueles
que o seguiam mudou-os completamente, como podemos ver em Atos 4.13:
“Observando a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram
homens simples e sem erudição, eles se admiravam; e reconheceram que
eles haviam convivido com Jesus.” O impacto de Jesus na transformação e
no desenvolvimento dos discípulos foi tão incrível que muitos se admiraram
da mudança que eles experimentaram. A supervisão ao estilo de Jesus
acredita em pessoas improváveis.
Além disso, Cristo tirava as pessoas de sua zona de conforto. Bons
supervisores devem fazer o mesmo. Nesse sentido, Comiskey dá uma boa
recomendação: “Procure tirar as pessoas da sua zona de conforto (...)
descubra a chave que irá destrancar seu desempenho. (…) Ajude-os na
aplicação de suas habilidades (...) mas dê a chance de caminharem em seu
próprio ritmo”.[21]
Um supervisor maduro ajuda seus liderados no aperfeiçoamento de suas
habilidades, e compreende que cada líder tem um determinado modo de ser.

6º Hábito – Desenvolver estratégias


“Supervisores precisam ajudar seus líderes a desenvolver estratégias para
cumprir a visão que Deus lhes deu”.[22]
Toda estratégia começa com a definição de uma visão. Qual a fotografia
do futuro desejável para o PGM? Muitos PGMs ficam estagnados por falta
de uma visão clara.
Há muitos supervisores que mantêm um relacionamento maravilhoso com
os liderados de sua supervisão, cuidam deles de forma exemplar chegando
ao ponto de contribuírem financeiramente com os necessitados dos PGMs,
mas, por falta de orientação, falham ao não definirem estratégias de
crescimento e multiplicação.
Imagine que um supervisor identifique um líder que não multiplique seu
PGM durante dois anos nem consiga levar alguém ao batismo por muito
tempo, e a única orientação que esse líder receba de seu supervisor seja:
“Vamos orar”. É claro que precisamos orar. Sem oração não iremos a lugar
algum. Mas é necessário definir estratégias para o PGM que não esteja
saudável.
Nossos líderes de PGM são verdadeiros heróis. Realizam um trabalho
sensacional, amam de verdade e pagam um preço muito alto para cuidar de
vidas preciosas. Porém, boa parte deles não tem experiência o suficiente
para mudar realidades problemáticas dentro do seu grupo. Muitos deles são
novos na fé e não sabem que precisam desenvolver estratégias ou planos de
ação. O supervisor foi levantado por Deus para se aproximar desses novos
líderes e, com muito amor, dizer: “Irmãos, vamos descobrir juntos novas
estratégias para o seu PGM. Vamos orar, mas também vamos planejar”.
Planejamento no reino de Deus se faz com oração, papel e caneta. O
supervisor precisa ajudar seus líderes a desenvolverem estratégias para que
o PGM cumpra a visão dada por Deus.
Tudo começa com a definição da visão. Precisamos levar nossos líderes a
crer que é possível ter um PGM saudável que cresça e multiplique.
Devemos pedir ao Espírito Santo que nos mostre como seria a supervisão e
o PGM ideais.
Em seu livro Líderes em ação, George Barna define visão como “um
retrato mental claro de um futuro preferível, comunicado por Deus a seus
líderes servos”.[23] Os supervisores maduros entendem que têm respaldo na
autoridade de Cristo, bem como na autoridade delegada pela igreja, para se
aproximar do líder de PGM no momento certo e conversar francamente
com ele sobre os problemas identificados no grupo.
Nessa conversa, o supervisor deve analisar os pontos fracos e definir as
estratégias junto com o líder para sair da estagnação. Certa vez um
supervisor me procurou e disse: “William, tenho sob a minha supervisão
alguns PGMs que estão estagnados. Pelo visto, eles não vão levar ninguém
ao batismo este ano nem vão se multiplicar. O discipulado está travado.
Estou preocupadíssimo. O que devo fazer?”.
Esse supervisor não tinha nenhuma estratégia que pudesse implementar
em seus PGMs. Minha primeira atitude foi convidá-lo a orar e buscar juntos
em Deus um plano de ação que deveria ser implementado. Porém, a
primeira tentação para um supervisor seria ditar as respostas prontas para o
líder. Mas um supervisor experiente jamais tomaria tal atitude. Ao invés
disso, ele envolveria completamente o supervisor na busca da solução dos
problemas. É o que procuro fazer sempre, pois o líder precisa ter noção de
que deverá participar ativamente nas soluções. “Por que os visitantes não
estão permanecendo no PGM?”, ou “Como vamos resolver isto ou aquilo?”
São perguntas que frequentemente ouço de líderes e até de supervisores.
Costumo responder que devemos buscar as respostas juntos.
Vencida esta etapa, precisamos deixar bem claro que, antes de definirmos
estratégias ou planos, precisamos conhecer profundamente a realidade do
PGM. Precisamos ir às reuniões, conversar com as pessoas, conhecer os
reais motivos pelo quais os visitantes não retornaram e por que os membros
não estão convidando novas pessoas, verificando, assim, esses e outros
aspectos imprescindíveis para a saúde de um PGM. Conhecidos os
principais motivos que levaram o PGM à estagnação, o supervisor, junto
com o líder, implementará as estratégias para mudar essa realidade. Em
último caso, se necessário, o supervisor deverá intervir ou até desativar um
PGM com auxílio do seu coordenador ou pastor de rede.

7º Hábito – Ter conversas decisivas


Ao discorrer sobre o último hábito falaremos de um assunto do qual
muitos supervisores acabam fugindo: a palavra confrontadora, quando
necessária. Se alguém deseja o ministério da supervisão, deve se preparar
para ter conversas decisivas. Não existe supervisão sem esse tipo de
diálogo, e não é saudável terceirizá-lo, pois fazer isso significará perder a
oportunidade de pastorear seus liderados.
Refiro-me aqui às conversas que geralmente não são muito agradáveis,
como o confronto do líder quanto a seus pecados. Este talvez seja o maior
desafio da supervisão. Mas um supervisor maduro tem a disposição e a
coragem de confrontar liderados em assuntos particularmente complicados
e delicados. Leia a seguir o depoimento de um supervisor sobre essa
questão:
Nós tínhamos no nosso PGM um casal muito difícil. A situação estava complicada, e
começamos a orar. Acabamos sabendo que aquele irmão bebia e fumava havia muitos anos.
Falei para minha esposa: “E agora? Precisamos confrontar o irmão, mas vamos orar
primeiro”. Interessante que, enquanto orávamos, Deus começou a agir no coração dele e,
quando decidimos confrontá-lo, ele ouviu com muita brandura e se mostrou disposto a ser
tratado.

O supervisor precisa ser corajoso. Ele não precisa vigiar a vida das
pessoas, mas o extremo oposto – isto é, omitir-se – também é uma atitude
reprovável.
Um bom supervisor dedica tempo para evitar que seus líderes
permaneçam na mediocridade. Muitas vezes, esta mediocridade não é um
pecado, mas uma deficiência nas atribuições como líder. Quando o
supervisor identifica essa falha, isso significa que ele logo estará em apuros.
O papel do supervisor é tratar o problema antes que o líder siga um
caminho sem volta. Já vivenciei situações em que o supervisor identificou
alguma questão e não teve coragem para confrontar o líder. O resultado foi
um PGM desativado.
Algumas dicas para ter conversas decisivas e produtivas:

Confronte assim que possível. Não retarde a resolução de um


problema.
Separe a pessoa da ação errada. Não reprove o líder, mas suas
atitudes.
Reforce a identidade da pessoa em Cristo. Não permita que ela se
culpe a ponto de não conseguir descansar na graça de Deus.
Seja específico. Evite tratar questões de forma tão superficial e
genérica que o líder não compreenda em que ele precisa mudar de
fato.
Fale em tom de voz baixo. O jeito com que falamos pode ofender
mais do que o conteúdo do que dizemos.
Diga como se sente em relação ao erro. Fale de sua percepção sobre
para onde a conduta errada está levando o líder e o PGM.
Oriente de modo bíblico. Utilize versículos que se apliquem à
situação, e não apenas fale de suas próprias ideias.
Ajude na busca da solução. O objetivo da conversa decisiva é o
arrependimento e a restauração. Seja um facilitador para que isso
ocorra. Sonhe com a solução do problema.
Confirme a identidade e a qualidade do seu liderado. Sempre termine
a conversa em tom de encorajamento. Faça de tudo para não
desperdiçar um bom líder.

O segredo de conversas decisivas não é o momento da conversa em si,


mas o preparo. Não devemos entrar em uma conversa decisiva sem jejum e
oração. Devemos “cobrir” aquele momento com oração e clamor. Não se
preparar da forma correta para uma conversa decisiva é como entrar em
uma casa onde há cães ferozes soltos.
Outra forma importante de preparação é levantar as informações certas.
Sempre há pelo menos três versões para um conflito: a versão de cada uma
das pessoas envolvidas e a versão de Deus. Já ouvi muitas histórias
tenebrosas de conversas decisivas. Reproduzo abaixo uma delas:
– Pastor, fulano está bebendo.
– Rapaz, você tem certeza?
– É, pastor. Lá naquele bar.
– Meu irmão, com sinceridade, não acredito. Eu nunca vi esse irmão falar
em bebida.
– Vamos lá!
O irmão levou o pastor até o bar. Quando chegaram frente a frente com
aquele irmão que imaginavam estar bebendo, ficaram chocados: era alguém
muito parecido com ele, e tomaram um grande susto, porque estavam ali
julgando.
Por isso, o ideal é que, além de orar e levantar as informações, o
supervisor sempre consulte a Bíblia. O que ela tem a dizer sobre o assunto?
Ele precisa de coragem para confrontar conforme as orientações bíblicas e
evitar o julgamento temerário. Logo, é fundamental que o supervisor
verifique suas motivações. Ele deve ter motivações santas para confrontar
alguém de acordo com o que a Palavra de Deus ensina.
Antes de uma conversa decisiva, é importante que o supervisor ore, peça
oração ao seu discipulador e encha o seu coração de amor, temor e domínio
próprio, pois pode acontecer de o confrontado dizer algo como “Quem você
pensa que é para me dizer isso?”. Se algo assim ocorrer, o melhor é
continuar em tom de voz baixo e dizer: “Irmão, me perdoe. Vamos parar
esta conversa por aqui e orar mais, talvez jejuar, porque não estou tendo
sabedoria suficiente para tratar deste assunto. Pensei que estivéssemos
preparados para ter essa conversa. Talvez em outra oportunidade possamos
retomá-la”. Quando isto ocorre, na maioria das vezes a situação é revertida.
O supervisor não deve, em hipótese alguma, levantar o tom de voz ou brigar
com o irmão.
Em uma conversa decisiva, o objetivo do
Faça de tudo para
supervisor é abençoar e não discutir, muito
menos ganhar a discussão, razão pela qual não desperdiçar um
ele deve evitar todo tipo de contenda e bom líder.
gritaria. Somos chamados para exalar o
perfume de Cristo, com atitudes de mansidão, temperança, domínio próprio
e amor.

[15] Seja um supervisor de células eficaz, p. 19.


[16] Aprofundando raízes: dinâmica e elementos do relacionamento discipulador, p. 54.
[17] Seja um supervisor de células eficaz, p. 28.
[18] 1ª Samuel 1.14,15.
[19] Seja um supervisor de células eficaz, p.46
[20] Seja um supervisor de célula eficaz, p. 54.
[21] Seja um supervisor de células eficaz, p. 58 e 61.
[22] Seja um supervisor de células eficaz, p. 63.
[23] Líderes em ação, p. 49.
6

Avaliando o PGM

O supervisor deve visitar os PGMs periodicamente com o objetivo de


observar o desenvolvimento da reunião, para depois auxiliar os líderes na
melhoria da qualidade das reuniões, bem como no crescimento saudável do
grupo. A avaliação de um PGM é feita, basicamente, por meio do exame
dos relatórios que o líder encaminha para a supervisão e da visita do
supervisor ao encontro do PGM. Vamos começar abordando o que o
supervisor necessita fazer, na prática, quando visita uma reunião de PGM.

A atitude do supervisor ao visitar o PGM


Em primeiro lugar, o supervisor deve ir ao encontro do PGM com a
motivação de um adorador, com o intuito de buscar a Deus. Apesar do olhar
observador, um supervisor jamais deve visitar uma reunião do PGM como
se fosse alguma espécie de fiscal, mas sim como um participante da reunião
do PGM. Em segundo lugar, precisa estar aberto a relacionamentos,
disposto a dar muitos abraços, conversar, brincar, rir e servir. Deve agir
discretamente, sem a necessidade de ser o centro das atenções. Quanto
menos o supervisor aparecer, melhor.
O supervisor também deve ter uma visão
Quanto menos o
ampliada da realidade do PGM. Ele foi
estabelecido por Deus para ser um supervisor aparecer,
instrumento de bênçãos ali. Portanto, é melhor.
fundamental que busque em Deus graça
para enxergar o que o Espírito Santo quer lhe mostrar.

Como avaliar uma reunião de PGM


Há quatro elementos fundamentais para a saúde de um PGM: amor,
informalidade, alegria e fé. A reunião necessita ser agradável, dinâmica,
informal e muito alegre e divertida. A seguir, um modelo prático de como
avaliar uma reunião de PGM com base nesses critérios.

1 – COMO É A RECEPÇÃO?
O primeiro momento que o supervisor avaliará é a recepção do PGM. A
recepção é o cartão de visitas do grupo. Muitos não valorizam este
momento pois não percebem que é a porta de entrada para uma reunião
acolhedora. Educação, bom humor e afeto são características
imprescindíveis para que as pessoas se sintam à vontade.
Uma boa recepção fará toda a diferença. São pequenos detalhes que criam
o ambiente propício para a realização de uma reunião inesquecível. Já fui a
uma reunião em que todos ganhavam um abraço, um sorriso e um bombom
no momento da recepção. Foi inesquecível!

2 – COMO É A ADORAÇÃO NO PGM? ESTÁ


CONECTADA COM O ESTUDO QUE SERÁ FACILITADO?
Outro fator que o supervisor precisa avaliar é a adoração no encontro do
PGM. O momento do louvor criará um ambiente de quebrantamento e
preparará o coração das pessoas para o momento da facilitação do estudo
bíblico. O supervisor deve avaliar se o louvor está atingindo esse objetivo.
Além disso, as músicas selecionadas devem estar conectadas com o estudo
bíblico da semana. Se o estudo for voltado para a vida de oração e o louvor
ministrado for direcionado para prosperidade, haverá uma desconexão.
Também é prudente que não seja um momento longo. Poucas pessoas
aguentam cinquenta minutos cantando em uma reunião de PGM. Duas ou
três músicas são o suficiente.

3 – HÁ OPORTUNIDADES PARA TESTEMUNHOS?


O segredo das reuniões inesquecíveis é começar com canções animadas e
logo depois permitir testemunhos. Os testemunhos são uma ferramenta
poderosa de evangelismo e fortalecimento da fé. Muitos choram quando
compartilham experiências do agir de Deus no meio de sua família. O
visitante que ouvir estes testemunhos ficará impactado e será levado a crer
que a oração é poderosa em seus efeitos.
Entretanto, às vezes é um pouco constrangedor para o líder quando na
reunião ele pergunta se há algum testemunho e, talvez por falta de coragem,
ninguém se manifesta. Um supervisor maduro orienta seu líderes de PGM a
ficarem atentos ao que está ocorrendo no transcorrer da semana.
Geralmente, ouve-se ou lê-se sobre pedidos e respostas de orações nas redes
sociais. O líder do PGM pode sugerir aos irmãos que experimentaram uma
ação poderosa de Deus em resposta à oração para compartilharem o
ocorrido na reunião daquela semana.
Depois dos testemunhos, às vezes cria-se um ambiente favorável para
oração, ministrações específicas, e, em alguns casos, para um apelo, visto
que o coração dos visitantes pode ficar cheio de fé devido aos testemunhos
maravilhosos que ouviram. O supervisor precisa incentivar seus líderes a
permitir momentos de testemunho que gerem um ambiente de fé no PGM.

4 – O MOMENTO DA MISSÃO ESTÁ ACONTECENDO?


Todo pequeno grupo deve estar intimamente ligado a missões. O
supervisor deve orientar os PGMs a adotarem um missionário e, dentro do
possível, trazerem notícias do campo e tirarem um tempo de intercessão por
seu ministério e por aqueles que ele deseja alcançar.[24]

5 – O MOMENTO DA VISÃO ESTÁ ACONTECENDO?


Outro momento fundamental que necessita ser avaliado pelo supervisor é
o chamado “momento da visão”. Todos os membros do PGM precisam
compreender o motivo pelo qual estão reunidos. Para isso, o líder deve
chamar a atenção para a missão de pregar o evangelho com o fim de que a
cidade seja ganha para Cristo. Muitos líderes não têm a experiência
necessária para fazer um momento da visão contagiante. Cabe ao supervisor
ensiná-los. O supervisor pode combinar previamente com o líder e durante
uma reunião ensinar na prática como fazer o momento da visão em um
PGM.
6 – O ESTUDO É “FACILITADO”, OU LIDO? HÁ
INTERAÇÃO? HÁ APLICAÇÃO NA VIDA?
Outro momento importante é o da facilitação do estudo bíblico. O
supervisor precisa ficar atento à diferença entre facilitar, ler e pregar o
estudo. Os tópicos mais importantes do estudo podem ser lidos, mas ele
jamais deverá se tornar uma pregação. O correto é o líder fazer uma
introdução do assunto e lançar perguntas ao grupo, conforme a orientação
do roteiro.
Há líderes que, por não terem oportunidade de pregar na igreja, ignoram o
estudo do PGM e anunciam uma mensagem sua. Essa postura está
equivocada. É importante que o supervisor fique atento a esse tipo de
situação para corrigi-la.
Outra orientação fundamental: em hipótese alguma os visitantes devem
facilitar o estudo, independentemente de quem sejam. Já presenciamos
situações em que pastores de outras denominações visitarem a reunião do
PGM e começarem a pregar, gerando confusão doutrinária.
Um bom supervisor orienta todos os líderes de PGM a facilitar o estudo,
lançando perguntas que promovam edificação e, principalmente, aplicação
para a vida. Precisamos transformar os nossos estudos em algo dinâmico e
prático que possibilite a participação de um número maior de pessoas a fim
de que mais vidas sejam transformadas.
Para que isso aconteça, o supervisor deve orientar seus líderes a também
investirem um tempo considerável no preparo da facilitação do estudo. O
líder precisa fazer uma boa leitura do roteiro daquela semana. Antes de
querer facilitar o estudo, o líder deve buscar aplicar seu conteúdo na vida
pessoal. Quando isto ocorre, com a ajuda do Espírito Santo, o líder é
ministrado primeiramente e, quando chegar o momento da reunião, tudo
ocorrerá com mais facilidade.

7 – HÁ UM MOMENTO DE INTERCESSÃO PELOS


MEMBROS DO PGM?
Reuniões saudáveis de PGMs observam um momento de oração
fervoroso. Ninguém pode sair da reunião sem participar de um momento de
oração. Geralmente as pessoas enfrentam muitos desafios e problemas na
vida. Não podemos despedi-las sem interceder por elas.

8 – HÁ UM MOMENTO DE AVISOS?
Outro momento que muitas vezes também não é tão prestigiado nas
reuniões dos pequenos grupos é o dos avisos que constam no roteiro da
semana. Os avisos são comunicações oficiais da liderança da igreja, os
quais o líder de PGM não deve esquecer de compartilhar com o grupo.

9 – COMO É O MOMENTO DA COMUNHÃO?


O momento da comunhão é muito importante para promover e fortalecer a
amizade entre os membros do PGM, sobretudo dos visitantes. As perguntas
que o supervisor deve fazer para verificar se isto está ocorrendo são: O
momento de comunhão dos PGMs está facilitando a integração daqueles
que acabaram de chegar ao pequeno grupo? Os membros do PGM estão
dando atenção aos visitantes? Questões como essas fazem muita diferença
na integração de novas pessoas.
Para poder analisar com clareza, o supervisor, sempre que possível, deve
ficar até o final para observar como está o momento da comunhão. Ele deve
observar se os membros não estão formando grupos excludentes, as
chamadas “panelinhas”. Esse tipo de comportamento deve ser
desencorajado.
Muitos líderes aprenderam que a reunião termina quando fazem a última
oração e agradecem pelo alimento que desfrutarão, mas essa visão está
equivocada. A reunião só termina quando todos forem para casa. Enquanto
houver uma pessoa, estamos em reunião do pequeno grupo. Tudo isso deve
ser analisado e corrigido pelo supervisor.

10 – OS VISITANTES ESTÃO RECEBENDO ATENÇÃO?


Outro aspecto a se observar é se os membros do grupo, especialmente os
líderes em treinamento, estão dando a devida atenção ao visitante. Talvez
aquela pessoa nunca mais tenha contato com o evangelho e, dependendo de
como foi acolhida, decidirá voltar, ou não, à reunião. O visitante geralmente
não se abre até a etapa da comunhão. Comendo um lanche, em um ambiente
mais informal, ele terá mais liberdade para compartilhar fatos sobre sua
vida, o que dará aos presentes maior oportunidade de interação.

Reunião de avaliação após o encontro do


PGM
O supervisor nunca deve interromper uma reunião de PGM para passar
orientações sobre o que conseguiu visualizar de errado naquela noite. Ele
deve guardar suas observações para depois do término do encontro, quando
uma reunião rápida pode ser convocada com o núcleo do PGM, isto é, líder
e líder em treinamento, com a família anfitriã, se for o caso.
A conversa pós-reunião sempre deverá começar com a apresentação dos
pontos positivos que foram identificados pelo supervisor. Após isso, virá o
momento de expor os pontos em que aquele PGM precisa evoluir. Nesse
momento, o melhor é que o supervisor faça observações pontuais e não
críticas duras. Uma boa estratégia é o supervisor pedir permissão ao líder
para apresentar seu ponto de vista sobre o que precisa ser aperfeiçoado.
Após o líder “autorizar”, ele deve reforçar novamente os pontos positivos e,
de maneira calma e objetiva, apresentar os pontos que podem ser
melhorados.

Com que frequência um supervisor deve


visitar um PGM?
Já afirmamos que o supervisor precisa visitar periodicamente os PGMS,
mas com que frequência?
Um supervisor experiente deve fazer um planejamento mensal de visitas
aos seus PGMs, mas que esteja aberto a mudanças, caso necessário. Já ouvi
testemunhos de supervisores que planejaram visitar determinado grupo em
uma noite, mas o Espírito Santo o direcionou para visitar outro. Ao chegar à
reunião, ele percebeu que era exatamente o local onde deveria estar naquela
noite. O princípio é planejar, mas ser flexível.
Qual PGM o supervisor deve visitar primeiro? Minha recomendação é
que, normalmente, deve-se priorizar os PGMs “recém-nascidos” ou aqueles
que estão enfrentando mais dificuldades. O supervisor deverá visitar,
portanto, os PGMs em que for mais necessária a sua presença naquele
momento. Mas, de forma, geral, deve visitar todos os grupos de sua
supervisão pelo menos uma vez por mês.

Visita agendada ou visita inesperada?


Uma pergunta frequente nos treinamentos de supervisão de PGMs é a
seguinte: o supervisor deverá avisar ao líder que fará uma visita ao grupo
naquela semana? O ideal é não ter a necessidade de avisar. Mas, para sair de
um cenário em que todas as vezes o supervisor avisa até o ponto de não
precisar avisar, há um caminho a ser percorrido com muita cautela, amor e
sensatez. Não recomendo alterar esta prática de forma repentina, pois pode
ocorrer de o supervisor ainda não ter um relacionamento bem próximo com
seu líder e a visita inesperada acabar assuntando-o e criando uma barreira
no relacionamento entre eles.
Sugiro que conforme o relacionamento com o seu líder de PGM se
aprofundar, o supervisor terá liberdade para aparecer sem avisar e não
causar nenhuma sensação ruim a seus liderados. O ideal é que o supervisor
chegue a um nível tal de intimidade com os membros do PGM que, quando
ele participar da reunião, todos agirão normalmente.
Alguns líderes inseguros, quando sabem que seu supervisor visitará a
reunião do seu PGM, logo pedem a ele que facilite o estudo bíblico. O
supervisor será tentado a aceitar, mas seu objetivo principal ao visitar uma
reunião deve ser observar o real estado daquele PGM. Então, o supervisor
precisa ser diretivo: “Querido líder, terei o privilégio de ser facilitado por
você. Dirija a reunião naturalmente. Não se importe com a minha presença.
É o meu sonho ver o amado facilitar este estudo”.

Avaliando por meio de relatórios


Um bom supervisor acompanha os relatórios semanais dos seus PGMs.
Cada igreja adota um tipo de relatório. Qual seja o modelo adotado, o
fundamental é que o relatório procure demonstrar o real estado de cada
grupo.[25]
Não basta acompanhar o envio. É necessário analisar o que é relatado. O
relatório semanal é como um exame de sangue do PGM. Por meio dele, o
supervisor pode obter respostas para as seguintes perguntas: Quantas
pessoas estão participando? Quantos visitantes foram na última reunião? Há
previsão de multiplicação? Essas são informações fundamentais que o
supervisor precisa ter em mãos para avaliar os resultados dos seus pequenos
grupos e traçar as estratégias e planos de ação específicos para cada PGM.

Relacionamento discipulador: supervisão


além do encontro
Costuma-se afirmar que a reunião é muito Um supervisor
importante, entretanto, o PGM não se
resume a ela. O tempo investido em uma experiente avalia a
reunião de pequenos grupos deve saúde do PGM além
representar entre 30% e 40% do do encontro.
investimento de tempo de um PGM. Ao
longo destes mais de dezessete anos trabalhando com pequenos grupos, já
visitei reuniões de todo tipo. Desde o primeiro PGM protótipo até os dias de
hoje, já passei por muitas situações. Um dos meus erros foi achar que se
tivermos uma boa reunião, isso já será o suficiente para termos um PGM
saudável. Grande engano. PGM e relacionamento discipulador são um
estilo de vida que vai muito além das reuniões do grupo. Um supervisor
experiente avalia a saúde do PGM além do encontro, e isso só é possível
quando ele desenvolve um relacionamento discipulador com o líder.
Como já abordamos, um dos pilares da visão de Igreja Multiplicadora é o
relacionamento discipulador. Logo, os supervisores precisam conhecer
fielmente a realidade dos seus grupos quanto a este aspecto, pois só por
meio da multiplicação de discípulos a igreja pode experimentar a
multiplicação de PGMs. Para que isso aconteça, o supervisor precisa
entender que uma de suas funções mais importantes é, com a ajuda do líder,
prover discipuladores para todas as pessoas do PGM.
Talvez este seja o maior desafio, mas é uma missão possível. É preciso
dedicação, oração, jejum e planejamento para provermos relacionamentos
discipuladores para todos os membros. Portanto, é crucial que supervisores
e líderes mobilizem cada membro para ter um relacionamento discipulador
com pelo menos uma pessoa. Supervisores e líderes de PGM precisam ter
relacionamentos discipuladores com discípulos que estejam disponíveis a
reproduzirem o discipulado com pelo menos uma pessoa. Só assim a
supervisão será realmente bem-sucedida, pois a verdadeira supervisão é
muito mais do que visitar o encontro do PGM, mas discipular líderes,
aliviando o peso de sua mochila.

Avaliando para melhorar


Outra questão importante na avaliação de um PGM é que tal avaliação
seja sempre com o propósito de melhorar, e não de criticar por criticar.
Muitos supervisores são excelentes em identificar o que está acontecendo
de negativo no PGM, mas têm muita dificuldade de enxergar os pontos
positivos. Com outros supervisores, mais benevolentes, ocorre o inverso.
Por isto, o bom supervisor busca em Deus o equilíbrio, qualidade esta que é
tão necessária para o desempenho da função. O supervisor precisa
identificar tanto os defeitos como as virtudes de um PGM, mas sempre
visando ao aperfeiçoamento do líder e do grupo.

Avaliando a própria supervisão


Com frequência, pessoas me perguntam como saber se uma supervisão é
saudável. Como começo de resposta, proponho analisar o sucesso da
supervisão a partir de seu foco, que é o estabelecimento de PGMs
saudáveis, que se multiplicam com qualidade, e o acompanhamento de
perto dos relacionamentos discipuladores que ocorrem no âmbito da
supervisão.
Se os PGMs são saudáveis, isso significa que a supervisão também o é. A
saúde da supervisão é aferida pela saúde dos PGMs. Logo, é inútil
multiplicar PGMs doentes. Se isto ocorrer, há grande possibilidade de esses
PGMs serem desativados no futuro e seus membros remanejados para
outros grupos. Mas como identificar se uma supervisão é saudável? Aponto
a seguir alguns fatores que podem ajudar a diagnosticar uma supervisão
com problemas.

1 – FALTA DE MULTIPLICAÇÃO
Supervisões saudáveis se multiplicam Supervisões
naturalmente e com qualidade. Supervisores
maduros se dedicam ao levantamento de
saudáveis se
novos supervisores em treinamento para multiplicam
possibilitar a multiplicação da supervisão, o naturalmente e com
que acontece por meio da multiplicação qualidade.
deles mesmos. Eles possuem uma visão
clara de descentralização, e dividem tarefas intencionalmente, além de levar
seus supervisores em treinamento a visitas, reuniões de PGM e outras
atividades da supervisão, tudo isso com vista à formação deles. Sem um
supervisor não está fazendo isso, está falhando em um importante elemento
de sua função.

2 – MEMBROS SEM RELACIONAMENTO DISCIPULADOR


Como já vimos, o supervisor, junto com o líder de PGM, precisa orar,
trabalhar e conversar com as pessoas para prover relacionamentos
discipuladores para todos os membros da supervisão. Se o supervisor está
conseguindo multiplicar PGMs de forma saudável, trabalhando
intencionalmente para a multiplicação da sua supervisão e, dentro do
possível, provendo discipuladores para todas as pessoas dos seus grupos,
podemos afirmar que encontramos na sua supervisão uma marca vital para
uma supervisão saudável. Do contrário, ela está com problemas.

3 – AUSÊNCIA DE NOVOS LÍDERES EM TREINAMENTO


É fundamental que o supervisor e o líder de PGM formem novos líderes
de PGM. Sem líderes em treinamento, todo aquele conjunto de PGMs que
formam a supervisão pode estagnar e adoecer.
4 – DEFICIÊNCIA NA CONSOLIDAÇÃO DE NOVOS
DECIDIDOS
Outro grupo que é alvo do cuidado de um supervisor eficaz são os novos
decididos. O supervisor que já entendeu o que é cuidado sempre terá um
olhar pastoral sobre eles. O supervisor deve trabalhar para que os novos
convertidos dos PGMs sejam consolidados por meio de visitas, integração,
curso de batismo, etc. É obvio que ninguém conseguirá cuidar
individualmente de todas as pessoas, mas o supervisor zeloso por vidas
pode designar outras pessoas para acompanharem de perto cada um dos
novos decididos a fim de que sejam plenamente acolhidos na igreja. Sem
isso, não haverá saúde na supervisão.

[24] Para informações mais detalhadas sobre o tema, leia o livro Missões para pequenos grupos
multiplicadores, de Djalma Albuquerque, publicado por Missões Nacionais.
[25] No Apêndice 2 trago um modelo de relatório que utilizamos na Primeira Igreja Evangélica
Batista de Campo Grande/MS.
7

Dicas práticas de supervisão

Neste capítulo, quero trazer algumas dicas práticas da supervisão que


ainda não foram abordadas nos capítulos anteriores. Elas são fruto dos anos
de experiência que tive na supervisão. Espero que sejam muito úteis a você
e sua igreja.

1 – Compartilhe o ministério com o cônjuge


Há supervisores que entendem que sua esposa não pode e nem precisa
ajudá-los no ministério. Entretanto, o cônjuge do supervisor deve ser seu
braço direito, a peça fundamental na sua supervisão. Com o auxílio dele,
tarefas podem ser divididas e o pastoreio de homens e mulheres,
separadamente, poderá ser bem desenvolvido.

2 – Tenha uma agenda equilibrada


Planeje com sensatez a frequência das visitas aos PGMs. É humanamente
impossível fazer visitas em todos os dias e horários. Recomendo que o
supervisor escolha um dia da semana para visitar os PGMs. Se o supervisor
tem quatro ou cinco PGMs, deve visitar um deles por semana. O supervisor
necessita priorizar sua família e seus relacionamentos discipuladores. Cada
um sabe o seu limite. O ministério da supervisão de PGMs deve ser
exercido como um privilégio e jamais como um fardo.

3 – Faça visitas integrais e parciais


Há uma diferença entre as visitas integrais e parciais: nas primeiras o
supervisor fica do começo ao fim da reunião; nas últimas, o supervisor
informa aos liderados que não participará até o fim, pois também visitará
outros PGMs naquela noite. Neste caso, ele deve fazer todo o esforço para
chegar antes do início da reunião – no momento da recepção – e ficar até o
fim do louvor ou da facilitação do estudo e, então, sair de forma discreta.
Também é possível intercalar visitas parciais e integrais. Haverá situações
em que o supervisor necessitará realizar uma visita integral, mas há PGMs
bem saudáveis em que apenas uma visita parcial será o suficiente.

4 – Alinhe as reuniões dos PGMs para no


máximo dois dias da semana
Cada igreja deve identificar os melhores dias para a realização das
reuniões dos seus PGMs. Mas é prudente evitar que as reuniões sejam
realizadas em vários dias da semana, pois isso dificultará o trabalho do
supervisor, além de trazer limitações para a realização de treinamentos ou
eventos da igreja. Prefira, se possível, alinhar a reunião de todos os PGMs
para um único dia da semana, ou para quinta-feira e sexta-feira, ou quinta-
feira e sábado. Essa medida tem se mostrado muito proveitosa no contexto
de nossa igreja.

5 – Reúna-se frequentemente com os líderes


de PGM
O supervisor deve aproveitar as oportunidades para realizar reuniões com
seus liderados. Essas reuniões devem ser dinâmicas, objetivas e de curta
duração. O objetivo é motivar, ouvir e planejar, com os líderes, as
estratégias e ações de curto e médio prazos. Os resultados destas reuniões
são maravilhosos. Geralmente, os líderes ficam impactados e percebem que
fazem parte de um projeto que vai alcançar a cidade para Jesus.
Da mesma forma, o supervisor precisa orientar os líderes de PGM para se
reunirem com certa frequência com seus líderes em treinamento. Essa é
denominada “reunião do núcleo” do PGM. Nela, líder e líder em
treinamento avaliarão juntos o real estado do PGM e poderão planejar as
principais ações que serão implementadas para a consolidação de novas
pessoas e a multiplicação do grupo. Nessas reuniões é feita a divisão de
tarefas, a exemplo de quem será pastoreado por quem, ou quem estará à
frente de cada um dos momentos das reuniões do PGM.

6 – Esteja disponível para ajudar e orientar o


processo de multiplicação dos PGMs
Quando um supervisor identifica que seu PGM não se multiplicou nos
últimos dois ou três anos, o que ele deve fazer? Vou listar quatro ações de
forma bem objetiva. Primeira, procurar identificar os reais motivos que
levaram à estagnação. Segunda, deixar bem claro para o líder que estará à
disposição para ajudá-lo. Terceira, com o líder, planejar estratégias e planos
de ação para mudar esta realidade. Quarta, descobrir junto com o líder quais
os possíveis membros do PGM que podem ser os novos líderes em
treinamento.
Muitos líderes nunca tiveram a experiência de uma multiplicação. O
supervisor deve auxiliá-los na construção de um PGM saudável, que cresce
e se multiplica naturalmente.

7 – Acompanhe o processo de consolidação


de novos decididos nos PGMs
PGMs saudáveis têm no DNA um processo efetivo de consolidação e
integração de novas pessoas. Mas, em alguns, as pessoas vão a algumas
reuniões, mas não permanecem. Neste caso, o supervisor precisa intervir:
visitar a reunião algumas vezes e identificar os reais motivos que levam as
pessoas a não permanecerem naquele PGM. Identificado o problema, o
supervisor precisa conversar a respeito com o líder e propor soluções em
conjunto.[26]

8 – Acompanhe o processo de descoberta e


formação de novos líderes em treinamento
É responsabilidade do supervisor ensinar os líderes a descobrirem
potenciais líderes em treinamento. A multiplicação de PGMs só é possível
quando há líderes em treinamento. O
A multiplicação de
supervisor deve exercer um papel crucial
nessa questão. É fundamental que ele visite PGMs só é possível
as reuniões com o objetivo de identificar quando há líderes
irmãos que tenham coração pastoral e que em treinamento.
desejem fazer a vontade de Deus,
multiplicando discípulos. Muitas vezes, o líder de PGM não tem
experiência suficiente para identificá-los e necessita do apoio do supervisor
para isso.

[26] Geralmente, os motivos que levam as pessoas a não voltar a participar de uma reunião de
pequeno grupo são: falta de identificação e conexão com as pessoas do grupo, reunião monótona ou
muito demorada, localização muito distante da residência do visitante, falta de atenção e cuidado ao
visitante, pressão para aceitar a Jesus e pressão para responder a alguma pergunta do momento da
facilitação do estudo.
8

Uma experiência embrionária: reuniões de


pequenos grupos de liderança

A implantação e a manutenção de uma supervisão eficaz é um grande


desafio para todas as igrejas em que haja PGMs. Cuidar, pastorear, capacitar
e instruir líderes de PGM é um processo dinâmico, que necessita ser
executado com perseverança e excelência. Em nossa experiência na
Primeira Igreja Batista de Campo Grande, estamos constantemente revendo
nossos processos e buscando alternativas que melhorem a supervisão em
todos os níveis.
Compartilho a seguir uma experiência embrionária que estamos vivendo
em nossa igreja nos últimos meses. Estamos no princípio, mas os resultados
já têm se revelado extremamente positivos. Trata-se de uma estratégia de
capacitação, ministração e supervisão dos nossos líderes que envolve o
templo e as casas. No templo, às 10h do primeiro domingo de cada mês,
promovemos o “Culto de Treinamento de Líderes”. Nas casas, realizamos
os pequenos grupos de liderança, que são reuniões de supervisão que
acontecem durante a semana, preferencialmente às terças-feiras. Nessas
reuniões, priorizamos a instrução, o planejamento e a ministração em
duplas, dedicando tempo para o relacionamento discipulador.
Nosso grande desafio, além da implantação de uma supervisão eficaz, é
estabelecer uma agenda produtiva. Criamos, então, uma agenda que procura
maximizar os processos e possibilitar uma supervisão mais efetiva. Esta é a
agenda de supervisão que atualmente utilizamos na igreja.[27]
Supervisão no templo e nas casas
Dia e
Reunião Local Foco Participantes
Horário
Supervisão no templo e nas casas
Dia e
Reunião Local Foco Participantes
Horário
Louvor/adoraçã
o
Culto de 1º domingo
Oração Pastores, coordenadores, supervisores e
Treinamento de do mês Templo
Palavra líderes de PGM
Líderes (10h)
específica para
liderança

Instrução
1ª terça- Escritóri
Supervisão em Planejamento Pastor geral, pastores de rede e
feira o da
PGM Ministração em ministros
(13h30) igreja
duplas (RD.)

Repassando
conteúdo:
1ª terça-
Supervisão em Instrução Pastores de rede e coordenadores de
feira Casas
PGM Planejamento PGM
(19h30)
Ministração em
duplas (RD)

Repassando
conteúdo:
2ª terça-
Supervisão em Instrução
feira Casas Coordenadores e supervisores de PGM
PGM Planejamento
(19h30)
Ministração em
duplas (RD)

Repassando
conteúdo:
3ª terça-
Supervisão em Instrução
feira Casas Supervisores e líderes de PGM
PGM Planejamento
(19h30)
Ministração em
duplas (RD)

Repassando
conteúdo:
4ª terça-
Supervisão em Instrução Líderes de PGM e o núcleo (líderes em
feira Casas
PGM Planejamento treinamento, líderes de missões, etc.)
(19h30)
Ministração em
duplas (RD)

Importante ressaltar dois aspectos nessa tentativa de estabelecer uma


agenda produtiva. Primeiro, o conteúdo ministrado no “Culto de
Treinamento de Líderes” e na reunião de supervisão do pastor da igreja com
os pastores de rede precisa ser repassado na reunião de supervisão dos
pastores de rede com os coordenadores, e assim sucessivamente, até chegar
à reunião de supervisão do líder de PGM com o núcleo do grupo.
Segundo, todas as reuniões de supervisão são valiosas. Entretanto, a
reunião do líder de PGM com seu núcleo é a mais estratégica, pois a missão
da igreja acontece, de fato, no PGM. Todo o conteúdo trabalhado nas
reuniões anteriores precisar chegar ao líder do PGM. Na verdade, o núcleo
do PGM é composto por aqueles que realmente são o motor da
multiplicação. Tanto é que, antes de multiplicar o PGM, necessitamos
multiplicar o seu núcleo. Desta forma, nossa agenda estabelece
intencionalmente que o núcleo do PGM se reúna uma vez por mês.
A avaliação dessa tentativa de uma agenda produtiva ainda é muito
precoce, mas percebemos desde já uma alegria geral na liderança. E a razão
para isso é que as reuniões de supervisão nas casas são mais relacionais e
menos “profissionais”, porém sem deixar de repassar o conteúdo do “Culto
de Treinamento de Líderes” para todos os níveis de liderança. As reuniões
de supervisão nas casas permitem um tempo maior de planejamento e
reavaliação, como também um ambiente estratégico e acolhedor para a
prestação de contas por meio de relacionamentos discipuladores. Com esta
agenda, percebemos uma maior interdependência entre os níveis de
liderança, de modo que dificilmente alguém poderá se omitir na transmissão
do conteúdo recebido e na solicitação de contas.
Como afirmado anteriormente, estamos
A reunião do líder de
constantemente reavaliando nossos
processos na busca de uma supervisão PGM com seu núcleo
eficaz. Creio que a principal medida para é a mais estratégica.
garantirmos a saúde dos PGMs é avaliar e
reavaliar constantemente os métodos e a agenda da supervisão, a fim de que
ele opere de forma cada vez mais efetiva. Por isso, este capítulo é apenas
uma amostra das nossas tentativas de ter um cuidado mais próximo com
nossos líderes, a qual, espero, inspire você a desenvolver algo ainda melhor
e mais abençoador para sua igreja.

[27] No Apêndice 1, incluiremos um modelo de roteiro que utilizamos nas reuniões de supervisão em
pequenos grupos.
Conclusão

Você ama as pessoas que moram em sua cidade? Deseja ganhá-las


para Jesus?
Supervisores foram chamados por Deus para, no poder do Espírito
Santo, participarem da conquista da cidade para Jesus. O desafio é
ganharmos multidões para Cristo através do relacionamento
discipulador e integrá-las em PGMs saudáveis. Nosso sonho é que
em cada rua das nossas cidades haja pelo menos um PGM para
ministrar o evangelho que salva, liberta, cura e transforma.
Necessitamos de relacionamentos discipuladores e PGMs que
façam uma revolução nos bairros e principalmente nas famílias.
Mas, para que isto seja uma realidade, precisamos de supervisores
que sejam verdadeiros agentes da visão de Igreja Multiplicadora.
Precisamos de supervisores cheios do Espírito Santo, apaixonados
por Deus e por pessoas e dispostos a pagar o preço de conquistar a
Pátria para Cristo. Dispostos a se engajar na conquista da cidade
para Jesus e a cuidar muito bem de cada vida preciosa que for
alcançada.
Nesse processo, a supervisão terá um papel preponderante. Faça
parte desse projeto de discipular o Brasil para Jesus.
Apêndice 1 - Roteiro de supervisão em
pequenos grupos

BOAS-VINDAS
1. Que tal você receber seus liderados lá na calçada?
2. Prepare o ambiente para que ao entrar eles vejam tudo bem
preparado e organizado: programas na mesa; papel e caneta para
anotações.
3. Se possível, coloque música ambiente para criar uma atmosfera
propícia para os irmãos se abrirem e serem tratados mais uma vez
pelo Espírito Santo.

MOMENTO DE ORAÇÃO (10 minutos)


1. Comece direcionando todos à adoração.
2. Ministre sobre confissão de pecados e arrependimento
(momento coração limpo).
3. Leve todos a intercederem para que sejamos usados para
salvação de vidas.
4. Ore para que a ovelha perdida volte e para que o número de
afastados pare de crescer.
5. Interceda para que os PGMs se multipliquem; para que sejam
uma resposta contra o divórcio, aborto, suicídio, etc. em todos os
cantos da cidade.
6. Ore para que todos sejam bem cuidados – um a um.
7. Ore por um poderoso avivamento sobre nossa Igreja e Nação.
Busque de todo o coração um avivamento pessoal.
LOUVOR E ADORAÇÃO (10 minutos)
Unidade, missão, etc. (mais lenta... fim do momento de oração)
Sonda-me, usa-me – Aline Barros (ou outra alternativa)

DINÂMICA DE GRUPO (5 minutos)


Segundo George Barna, visão “é o retrato mental claro de um
futuro preferível, comunicado por Deus a seus servos-líderes”.[3]
Líderes precisam saber com clareza aonde Deus quer que eles
cheguem. Dificilmente alguém seguirá um líder que não saiba aonde
quer chegar. Mas quando temos um direcionamento claro da parte
de Deus, enfrentamos os desafios, nossas forças são renovadas, tudo
isso vira um combustível para não desistirmos da nossa missão.

DINÂMICA: O RETRATO DO FUTURO PREFERÍVEL


DA SEU PGM
Vamos orar e pedir que o Espírito Santo revele na forma de uma
fotografia como Ele quer que nossos PGMs sejam. Use a sua
imaginação e tire uma fotografia de um futuro preferível. Congele a
imagem na sua mente.
Pegue caneta e papel e tente desenhar o que o Espírito Santo
mostrou para você. Depois em poucas palavras compartilhe no
grupo a sua fotografia de futuro preferível, ou seja, o sonho de Deus
para o seu PGM.
Se possível guarde essa “fotografia” em um lugar para que você
possa sempre lembrar que o Espírito Santo tem planos maravilhosos
para o seu PGM.

INSTRUÇÃO E CAPACITAÇÃO (15


minutos)
DESAFIOS DO LÍDER MULTIPLICADOR (MATEUS
25.14-29)
Com base na Parábola dos Talentos, podemos afirmar que é dever
de todo líder ser fiel ao Senhor. Neste texto vamos aprender os três
desafios do líder multiplicador que busca ser fiel ao Senhor.
1º DESAFIO: TER UMA VISÃO DA PARTE DE DEUS
Deus tem levantado uma geração de líderes que amam a Jesus
acima de todas as coisas e desejam fazer a sua vontade de todo o
coração. Líderes que amam a Jesus precisam ter uma visão da
vontade de Deus.

VISÃO DE DEUS PARA NOSSOS PGMs


1. Multiplicar nossos PGMs para a glória exclusiva de Deus.
2. Formar novos líderes multiplicadores.
3. Alcançar os perdidos.

2º DESAFIO: TER UM PLANEJAMENTO DE FÉ


Planejamento de Fé é darmos passos intencionais de fé em direção
à visão que Deus tem nos dado. Na parábola, o primeiro servo tinha
um “planejamento de fé”: sair imediatamente e aplicar os seus
talentos.

PLANEJAMENTO DE FÉ DOS PGMs


1. Marque a data da multiplicação do seu PGM.
2. Faça reuniões para formar o núcleo do seu PGM.
3. Mobilize o núcleo para fazer os cursos da Escola do Discípulo.
4. Ore pelos seus amigos e parentes que não conhecem Jesus.
5. Faça os PGMs do amigo para alcançar os perdidos.

3º DESAFIO: TER INTIMIDADE COM DEUS


A única maneira de vivermos os sonhos de Deus é ter intimidade
com Ele e receber diretamente dele os recursos necessários.
Coloque na sua agenda o horário e o local em que você diariamente
terá um encontro com Deus. Líderes precisam estar conectados com
Deus. Não temos plano B; somente poderemos dar aos liderados o
que Deus nos deu!

MOMENTO DE PLANEJAMENTO (35


minutos)
O PLANEJAMENTO – DICAS:
1. Quem não planeja, está planejando falhar (Lucas 14.28-30).
2. As pessoas não planejam fracassar, mas fracassam por não
planejar.
3. Planejamento com Deus se faz com oração, papel e caneta!
ATENÇÃO: Aplique estas orientações em todos os níveis de
liderança: desde líderes de PGM até pastores de rede.

PASSOS DE FÉ EM DIREÇÃO AOS


SONHOS DE DEUS
Queremos desafiar os irmãos para darmos 7 passos de fé em
direção ao futuro preferível que o Espírito Santo já tem preparado
para nossos PGMs.

1º PASSO DE FÉ
Entender que seu PGM pertence a Deus e que o sonho de Deus é
que haja uma multiplicação saudável. Anote a data de multiplicação
do seu PGM:
Data: _____/______/______ (informe esta data ao seu supervisor)
2º PASSO DE FÉ
Entender que não há sucesso sem sucessão, crer que é fundamental
a formação de novos líderes. Anote o nome dos integrantes do
núcleo do seu PGM:

3º PASSO DE FÉ
Delegue funções no PGM para que os membros do núcleo
participem ativamente dos momentos das reuniões do PGM. Anote
o nome dos irmãos e quais os momentos que conduzirão na reunião
do PGM (boas-vindas, louvor, testemunhos, passar a visão,
momento missionário, facilitação do estudo, oração, avisos, comes e
bebes, etc.):

4º PASSO DE FÉ
Mobilize os seus liderados a participarem da Escola do Discípulo.
Anote o nome dos irmãos que farão o Curso de Formação de
Líderes no próximo semestre (pré-requisito para assumir a
liderança).

5º PASSO DE FÉ
Apaixone-se pelos perdidos. Anote o nome de quatro pessoas que
seu PGM intencionalmente pretende conquistar para Jesus:

6º PASSO DE FÉ
Tenha o desejo de ganhar sua cidade para Jesus. Anote a data em
que vocês realizarão o “PGM do Amigo”, uma reunião intencional
para alcançar pessoas que ainda não conhecem Jesus (sugestões: chá
de mulheres, churrasco evangelístico, encontro de homens, PGM
caipira, etc.):
Data: ______/_______/________ (Informe a data ao seu
supervisor.)
7º PASSO DE FÉ
Tenha intimidade profunda com Deus. Anote dia e horário em que
o núcleo estará orando intencionalmente pelos desafios do PGM:
Dia da semana: ___________ / Horário:____________
Dica de fé: Se vocês não conseguirem, não desanimem.
Continuem buscando, porque a graça de Deus está com vocês. Ele
os honrará.

TEMPO DE MINISTRAÇÃO (30 minutos)


Crie duplas de oração. Ore por:
1. Despertamento no Tempo a Sós com Deus. Pergunte ao(a)
seu(sua) parceiro(a) como vai o TSD dele(a).
2. Troque pedidos de oração pela família, em relação ao
casamento, pais e filhos, etc.
3. Ore pelos PGMs para que se empenhem no cuidado das vidas,
conversão de pessoas e integração.

[3] Líderes em ação. p. 49.


Apêndice 2 - Modelo de relatório para
PGMs

Nome do Líder:__________________
Data da reunião: _____/_____/______
Nº ou nome do PGM:_____________

PRESENTES:
Nº de membros da igreja:________
Nº de não batizados frequentes:________
Nº de convidados: ________
Nº de pessoas que foram batizadas no último batismo:__________
Nº de pessoas fazendo aulas de batismo: __________
Nº de crianças e pré-adolescentes presentes:_________
Há líder em treinamento no PGM? ( ) Sim ( ) Não
Data prevista para a multiplicação do PGM: _____/_____/_____
Nº RDs no PGM: ____________
Referências Bibliográficas

ALBUQUERQUE, Djalma. Missões para Pequenos Grupos


Multiplicadores. Rio de Janeiro: Missões Nacionais, 2017.
ARANTES, Roosevelt. Aprofundando Raízes: dinâmica e
elementos do relacionamento discipulador. Rio de Janeiro: Missões
Nacionais, 2016.
BARNA, George. Líderes em Ação. Campinas: United Press, 2005.
BRANDÃO, Fernando, Org. Igreja Multiplicadora: 5 princípios
bíblicos para o crescimento. Rio de Janeiro: Convicção e Missões
Nacionais, 2014.
CARVALHO, Diogo. Relacionamento Discipulador: uma teologia
da vida discipular. Rio de Janeiro: Missões Nacionais, 2015.
COMISKEY, Joel. Seja Um Supervisor de Células Eficaz. Curitiba:
MIC do Brasil, 2003.
FREITAS, Fabrício. De Volta aos Princípios: vivendo o jeito
bíblico de ser igreja. Rio de Janeiro: Convicção, 2015.
NEIGHBOUR Jr, Ralph W. Manual do Supervisor de Célula.
Curitiba: MIC do Brasil, 1997.
MAXWELL, John. As 21 Irrefutáveis Leis da Liderança: uma
receita comprovada para desenvolver o líder que existe em você.
Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007.
Sobre o Autor

William Salgado integra a equipe pastoral da Primeira Igreja


Batista de Campo Grande/MS, onde pastoreia uma Rede de PGMs.
Formou-se em Teologia na Universidade da Grande Dourados /
Seminário Batista Ana Wollerman. Formado em Administração pela
Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Faz parte do Núcleo
Gestor da Convenção Batista Sul-Mato-Grossense. Casado há 27
anos com Tânia e pai da Tayane e Lucas. Atuou no mundo
corporativo durante muitos anos, exercendo funções gerenciais no
Aché Laboratórios e Brasil Telecom, até que, em abril de 2009, foi
chamado para o ministério em tempo integral.

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