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Sugestões Sobre Legislação Específica - Execucao Penal

O documento aborda a legislação específica sobre execução penal no Brasil, destacando decisões do STF e do STJ que tratam de temas como a inconstitucionalidade do sistema carcerário, a aplicação de penas e a individualização da execução penal. Inclui jurisprudências sobre tráfico privilegiado, livramento condicional, reincidência e princípios da execução penal, como legalidade, humanidade e isonomia. As decisões enfatizam a necessidade de respeito aos direitos dos presos e a importância de uma abordagem mais humana e individualizada no sistema penal.
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Sugestões Sobre Legislação Específica - Execucao Penal

O documento aborda a legislação específica sobre execução penal no Brasil, destacando decisões do STF e do STJ que tratam de temas como a inconstitucionalidade do sistema carcerário, a aplicação de penas e a individualização da execução penal. Inclui jurisprudências sobre tráfico privilegiado, livramento condicional, reincidência e princípios da execução penal, como legalidade, humanidade e isonomia. As decisões enfatizam a necessidade de respeito aos direitos dos presos e a importância de uma abordagem mais humana e individualizada no sistema penal.
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Sugestões sobre Legislação Específica – Execução Penal

Jurisprudência recente

- ADPF 347 – o STF declarou o estado de coisas inconstitucional do sistema carcerário


brasileiro – tese de julgamento: “1. Há um estado de coisas inconstitucional no sistema carcerário
brasileiro, responsável pela violação massiva de direitos fundamentais dos presos. Tal estado de
coisas demanda a atuação cooperativa das diversas autoridades, instituições e comunidade para a
construção de uma solução satisfatória. 2. Diante disso, União, Estados e Distrito Federal, em
conjunto com o Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Conselho Nacional de Justiça
(DMF/CNJ), deverão elaborar planos a serem submetidos à homologação do Supremo Tribunal
Federal, nos prazos e observadas as diretrizes e finalidades expostas no presente voto,
especialmente voltados para o controle da superlotação carcerária, da má qualidade das vagas
existentes e da entrada e saída dos presos. 3. O CNJ realizará estudo e regulará a criação de número
de varas de execução penal proporcional ao número de varas criminais e ao quantitativo de presos”.

- Súmula Vinculante 59: “É impositiva a fixação do regime aberto e a substituição da pena


privativa de liberdade por restritiva de direitos quando reconhecida a figura do tráfico
privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06) e ausentes vetores negativos na primeira fase da
dosimetria (art. 59 do CP), observados os requisitos do art. 33, § 2º, alínea c, e do art. 44,
ambos do Código Penal.”

Α) Tráfico privilegiado: desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às
atividades criminosas nem integre organização criminosa.

Β) Art. 33 § 2º CP. As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva,
segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de
transferência a regime mais rigoroso: c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou
inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
Γ) Art. 44 CP. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de
liberdade, quando: I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não
for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o
crime for culposo; II – o réu não for reincidente em crime doloso; III – a culpabilidade, os
antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.
- Súmula n. 660 STJ: “A posse, pelo apenado, de aparelho celular ou de seus componentes
essenciais constitui falta grave.”
Α) O Supremo Tribunal Federal entende que não apenas a posse do aparelho telefônico
propriamente dito, mas de qualquer artefato que viabilize a comunicação intra ou extramuros é
suficiente para caracterizar a falta disciplinar prevista no art. 50, VII, da LEP.
Β) Prescindível a realização de perícia no aparelho telefônico ou seus acessórios com a finalidade
de se atestar sua funcionalidade (STJ).

1
Γ) A falta grave do paciente deve ser mantida, pois a jurisprudência dominante nesta Corte entende
que "a posse de celular durante a realização de trabalho externo, ainda que fora do estabelecimento
prisional, configura a prática de falta grave" (STJ).
- Súmula n. 661 STJ: “A falta grave prescinde da perícia do celular apreendido ou de seus
componentes essenciais.”
Α) O prazo prescricional para faltas graves é de 3 anos, conforme art. 109, VI, do Código Penal.
- Súmula n. 662 STJ: “Para a prorrogação do prazo de permanência no sistema penitenciário
federal, é prescindível a ocorrência de fato novo; basta constar, em decisão fundamentada, a
persistência dos motivos que ensejaram a transferência inicial do preso.”
Α) Não existe número máximo de vezes para renovar a permanência do preso em estabelecimento
federal de segurança máxima. Enquanto persistirem os requisitos legais justificadores da medida
excepcional, a renovação pode continuar a ser concedida.
Β) O art. 10, § 1º, da Lei n. 11.671/2008 segundo o qual: "O período de permanência será de até 3
(três) anos, renovável por iguais períodos, quando solicitado motivadamente pelo juízo de origem,
observados os requisitos da transferência, e se persistirem os motivos que a determinaram."
- Livramento condicional – STF: “Repercussão geral reconhecida para a seguinte questão
constitucional: saber se é possível aplicar retroativamente apenas a parte mais benéfica de lei penal
sobre progressão de pena (art. 112, VI, a, da LEP), decotando-se a vedação ao livramento
condicional e à saída temporária prevista na mesma lei, porque mais gravosa ao apenado por crime
hediondo.”
Α) O STJ fixou a tese de que, "a valoração do requisito subjetivo para concessão do livramento
condicional - bom comportamento durante da execução da pena (art. 83, inciso III, alínea
"a", do Código Penal) - deve considerar todo o histórico prisional, não se limitando ao
período de 12 meses referido na alínea "b" do mesmo inciso III do art. 83 do Código Penal".
A gravidade abstrata dos crimes praticados pelo apenado e a longa pena a cumprir não são
fundamentos idôneos para afastar o benefício de livramento condicional. De igual forma, faltas
graves muito antigas não justificam a negativa da benesse ou a produção de prova pericial, uma vez
que não refletem a avaliação contemporânea do efetivo cumprimento da pena pelo condenado.
Não foi mencionada circunstância pessoal negativa do apenado ou comportamento desabonador
durante a execução da pena, a justificar alguma dúvida quanto ao requisito subjetivo do livramento
condicional.

- Súmula n. 636 STJ: “A folha de antecedentes criminais é documento suficiente a comprovar


os maus antecedentes e a reincidência.”
Α) Dispensa a apresentação de certidão cartorária - As condenações alcançadas pelo período
depurador de 5 anos, previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal afastam os efeitos da
reincidência, mas não impedem a configuração de maus antecedentes, permitindo o aumento da
pena-base acima do mínimo legal e a devida individualização das penas. […]"

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Β) "A folha de antecedentes criminais (FAC) ou até mesmo a utilização de dados inequívocos
constantes de sistemas informatizados dos Tribunais locais, são válidos e aptos
à comprovação dos maus antecedentes ou da reincidência do apenado, seja na primeira e/ou na
segunda fase dosimétrica, respectivamente"

- Reincidência – STJ. Tese de Recurso Especial Repetitivo fixada no Tema n. 1208: "A
reincidência pode ser admitida pelo juízo das execuções penais para análise da concessão de
benefícios, ainda que não reconhecida pelo juízo que prolatou a sentença condenatória".
Α) A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica em reconhecer que
a reincidência afeta a totalidade das penas somadas para cálculo dos benefícios.
Β) "A condição de reincidente, uma vez adquirida pelo sentenciado, estende-se sobre a totalidade
das penas somadas, não se justificando a consideração isolada de cada condenação e tampouco a
aplicação de percentuais diferentes para cada uma das reprimendas"

Teoria Geral da Pena

- STF – fixou a seguinte tese: "A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da
Constituição Federal aplica-se no caso de substituição da pena privativa de liberdade pela
restritiva de direitos".

- STF - A pena de multa, embora considerada dívida de valor, não perde a sua natureza de sanção
criminal. É constitucional condicionar o reconhecimento da extinção da punibilidade ao efetivo
pagamento da pena de multa - conjuntamente cominada com a pena privativa de liberdade -,
ressalvada a hipótese em que demonstrada a impossibilidade de pagamento da sanção patrimonial.
O inadimplemento da pena de multa obsta o reconhecimento da extinção da punibilidade,
salvo comprovada impossibilidade de seu pagamento, ainda que de forma parcelada.
Possibilidade de o juiz de execução extinguir a punibilidade do apenado, no momento oportuno,
concluindo essa impossibilidade de pagamento através de elementos comprobatórios constantes dos
autos.

- STF – fixou a seguinte tese: “A multa mínima prevista no artigo 33 da Lei 11.343/06 é opção
legislativa legítima para a quantificação da pena, não cabendo ao Poder Judiciário alterá-la
com fundamento nos princípios da proporcionalidade, da isonomia e da individualização da
pena.”

- STF - Surge harmônico com a Constituição Federal o inciso I do artigo 61 do Código Penal, no
que prevê, como agravante, a reincidência.

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- STF - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só considera maus antecedentes condenações
penais transitadas em julgado que não configurem reincidência. Trata-se, portanto, de institutos
distintos, com finalidade diversa na aplicação da pena criminal. Por esse motivo, não se aplica aos
maus antecedentes o prazo quinquenal de prescrição previsto para a reincidência (art. 64, I, do
Código Penal). Não se pode retirar do julgador a possibilidade de aferir, no caso concreto,
informações sobre a vida pregressa do agente, para fins de fixação da pena-base em observância aos
princípios constitucionais da isonomia e da individualização da pena. O STF fixou a seguinte tese:
“Não se aplica ao reconhecimento dos maus antecedentes o prazo quinquenal de prescrição da
reincidência, previsto no art. 64, I, do Código Penal.”

Princípios da Execução Penal

- Princípio da legalidade - Art. 45 LEP. Não haverá falta nem sanção disciplinar sem expressa e
anterior previsão legal ou regulamentar. § 1º As sanções não poderão colocar em perigo a
integridade física e moral do condenado. § 2º É vedado o emprego de cela escura. § 3º São vedadas
as sanções coletivas.
Art. 127 LEP. Em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo remido,
observado o disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração disciplinar.
Retroatividade da Lei 12.433/2011 que conferiu nova redação ao art. 127 LEP para benefício do
réu.

- Princípio da humanidade – Declaração Universal dos Direitos dos Humanos da ONU de 1948 -
Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos (Regras de Mandela) - Regras
de Bangkok (Regras das Nações Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas e Medidas não
privativas de liberdade para Mulheres Infratoras).
Art. 3º LEP. Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela
sentença ou pela lei. Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social,
religiosa ou política.
Art. 40 LEP. Impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados
e dos presos provisórios.
Art. 45 § 1º LEP. As sanções não poderão colocar em perigo a integridade física e moral do
condenado.
Art 45 § 2º LEP. É vedado o emprego de cela escura.
O STF assentou a seguinte tese: “É lícito ao Judiciário impor à Administração Pública
obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou na execução de obras
emergenciais em estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado da dignidade
da pessoa humana e assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral, nos

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termos do que preceitua o art. 5º, XLIX, da Constituição Federal, não sendo oponível à
decisão o argumento da reserva do possível nem o princípio da separação dos poderes”.
- Princípio da personalidade ou intranscendência da pena – impede que sanções e restrições de
ordem jurídica superem a dimensão estritamente pessoal do infrator.
Art. 5ª, XLV CR/88 - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de
reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos
sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido.
STJ - “O reconhecimento da prática de falta grave em razão, tão somente, de conduta praticada por
visitante de estabelecimento prisional, sem a demonstração de elementos concretos que evidenciem
o conluio do apenado recluso, viola o princípio constitucional da intranscendência (art. 5º, inciso
XLV, da Constituição da República), o qual preconiza que ninguém pode ser responsabilizado por
ato praticado por terceira pessoa.”

- Princípio da individualização da pena – pena particularizada, pessoal e distinta –


individualização legislativa – individualização judicial – individualização executória.
- Princípio da responsabilidade penal subjetiva – culpabilidade como fundamento da pena –
culpabilidade como elemento de determinação da pena – culpabilidade como conceito contrário à
responsabilidade objetiva.
Art. 45 § 3º LEP. São vedadas as sanções coletivas.
- Princípio da jurisdicionalidade - Art. 2º LEP A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da
Justiça ordinária, em todo o Território Nacional, será exercida, no processo de execução, na
conformidade desta Lei e do Código de Processo Penal. Parágrafo único. Esta Lei aplicar-se-á
igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a
estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária.
Art. 41 LEP. Constituem direitos do preso:
V - proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação;
X - visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados;
XV - contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros
meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes.
§ 1º Os direitos previstos nos incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou restringidos
mediante ato motivado do juiz da execução penal. (Incluído pela Lei nº 14.994, de 2024)
§ 2º O preso condenado por crime contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, nos
termos do § 1º do art. 121-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal),
não poderá usufruir do direito previsto no inciso X em relação à visita íntima ou
conjugal. (Incluído pela Lei nº 14.994, de 2024)
Atenção os referidos direitos não poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato
motivado do diretor do estabelecimento.

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Art. 194 LEP. O procedimento correspondente às situações previstas nesta Lei será judicial,
desenvolvendo-se perante o Juízo da execução.
Art. 197 LEP. Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.
Rito de recurso em sentido estrito.

- Princípio da isonomia e vedação à discriminação – Art. 3º LEP. Parágrafo único. Não haverá
qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política.
STF - aplicar, até que o Congresso Nacional venha a legislar a respeito, a Lei 7.716/89 à
discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero. O crime de injúria racial reúne todos
os elementos necessários à sua caracterização como uma das espécies de racismo e por ser espécie
do gênero racismo, o crime de injúria racial é imprescritível. Entendimento positivado pela Lei
14.532/2023. Tendo em vista que a injúria racial constitui uma espécie do crime de racismo, e que a
discriminação por identidade de gênero e orientação sexual configura racismo por raça, a prática
da homotransfobia pode configurar crime de injúria racial.

Execução das Penas Privativas de Liberdade

- ADPF 1107 - Revitimização de mulheres agredidas sexualmente - STF - Ofende os princípios


da igualdade e da dignidade da pessoa humana a perquirição da vítima, em processos apuratórios e
julgamentos de crimes contra a dignidade sexual, quanto ao seu modo de vida e histórico de
experiências sexuais. O STF decidiu conferir interpretação conforme à Constituição à expressão
“elementos alheios aos fatos objeto de apuração” posta no art. 400-A do Código de Processo Penal,
para excluir a possibilidade de invocação, pelas partes ou procuradores, de elementos
referentes à vivência sexual pregressa da vítima ou ao seu modo de vida em audiência de
instrução e julgamento de crimes contra a dignidade sexual e de violência contra a mulher,
sob pena de nulidade do ato ou do julgamento, nos termos dos arts. 563 a 573 do Código de
Processo Penal; ii) fica vedado o reconhecimento da nulidade referida no item anterior na hipótese
de a defesa invocar o modo de vida da vítima ou a questionar quanto a vivência sexual pregressa
com essa finalidade, considerando a impossibilidade do acusado se beneficiar da própria torpeza;
iii) conferir interpretação conforme ao art. 59 do Código Penal, para assentar ser vedado ao
magistrado, na fixação da pena em crimes sexuais, valorar a vida sexual pregressa da vítima
ou seu modo de vida e iv) assentar ser dever do magistrado julgador atuar no sentido de impedir
essa prática inconstitucional, sob pena de responsabilização civil, administrativa e penal.

- Súmula Vinculante 56: “A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a


manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se observar, nessa
hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS.”
Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes semiaberto
e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não

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se qualifiquem como “colônia agrícola, industrial” (regime semiaberto) ou “casa de albergado ou
estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33, § 1º, b e c).
No entanto, não deverá haver alojamento conjunto de presos dos regimes semiaberto e aberto com
presos do regime fechado.
Havendo déficit de vagas, deverão ser determinados: (i) a saída antecipada de sentenciado no
regime com falta de vagas; (ii) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai
antecipadamente ou é posto em prisão domiciliar por falta de vagas; (iii) o cumprimento de
penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime aberto. Até
que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a prisão
domiciliar ao sentenciado.
Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os
padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua responsabilidade, nos
termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os danos, inclusive morais,
comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições
legais de encarceramento.

A Suprema Corte não impôs, indistintamente, a obrigatoriedade da concessão de prisão domiciliar,


baseado unicamente na constatação de ausência de vagas no regime em que o apenado deveria
cumprir a pena, sem que sejam observados os requisitos exigidos para a fruição do benefício. Os
juízes da execução penal deverão avaliar medidas alternativas, antes da colocação imediata do
apenado em regime domiciliar.
Competência do juiz da execução para verificar a adequação do estabelecimento prisional ao
regime de cumprimento da pena. Compete aos Magistrados responsáveis pelas execuções penais
verificar se a unidade prisional proporciona a determinado sentenciado os direitos compatíveis com
o regime imposto.
Com o advento da Resolução n. 474/2022 (CNJ), que alterou o art. 23 da Resolução n. 417/2021, é
vedado ao Juízo processante, diante do trânsito em julgado da condenação, expedir, desde logo,
mandado de prisão para o cumprimento da pena em regime semiaberto ou aberto, devendo
proceder à intimação prévia do apenado a fim de que se apresente para o início do
cumprimento da pena, sem prejuízo da realização de audiência admonitória e da observância
da Súmula Vinculante 56/STF. Apenas o Juízo estadual pode aferir a existência de vaga em
estabelecimento prisional adequado para o cumprimento da pena em regime semiaberto e, em caso
negativo, adotar as medidas preconizadas na Súmula Vinculante n. 56.
Cabe ao Juízo Federal remeter o processo executivo ao Juízo estadual, a quem, por sua vez,
competirá efetivar a intimação preconizada na norma regulamentar e, na hipótese de inexistir vaga
em estabelecimento prisional adequado, decidir acerca da aplicação da Súmula Vinculante n. 56.
Audiência admonitória - Art. 160 LEP. Transitada em julgado a sentença condenatória, o Juiz a
lerá ao condenado, em audiência, advertindo-o das conseqüências de nova infração penal e do
descumprimento das condições impostas.

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Súmula Vinculante 26: “Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por
crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art.
2º da Lei 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou
não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de
modo fundamentado, a realização de exame criminológico.”
STF - É inconstitucional a fixação ex lege, com base no art. 2º, § 1º, da Lei 8.072/1990, do regime
inicial fechado, devendo o julgador, quando da condenação, ater-se aos parâmetros previstos no
artigo 33 do Código Penal.
STF - A Lei que majorar o tempo necessário para progressão no cumprimento da pena, não se aplica
a situações jurídicas que retratem crime hediondo ou equiparado cometido em momento anterior à
respectiva vigência.
STF - A jurisprudência desta Suprema Corte, consolidada no enunciado da Súmula Vinculante 26,
reputa viável a realização do exame criminológico nas situações em que o Juiz da Execução, forte
no exercício do poder geral de cautela, considerar necessário para a formação do seu
convencimento. O Juízo, sempre que entender necessário, poderá determiná-lo, desde que
fundamentadamente, e as conclusões advindas poderão subsidiar a decisão de deferimento ou
indeferimento da progressão de regime pleiteada.

Critério trifásico de aplicação da pena - STJ - emprego de majorantes na primeira e na terceira


fase. Com efeito, é remansosa a jurisprudência deste Sodalício em afirmar que, na hipótese de
existirem mais de uma causa de aumento de pena na figura típica do roubo, é possível que uma
delas seja considerada circunstância judicial desfavorável apta a majorar a pena-base, sendo as
demais utilizadas para majorar a reprimenda na terceira fase da dosimetria.

Súmula n. 718 STF: “A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não
constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido
segundo a pena aplicada.”
STF - É firme a jurisprudência desta Suprema Corte no sentido de que, “havendo mais de uma
qualificadora, é legal a consideração de uma delas como circunstância judicial e a consequente
fixação da pena-base em patamar superior ao mínimo legal (...)”.
STF - A hediondez ou a gravidade abstrata do delito não obriga, por si só, o regime prisional mais
gravoso, pois o juízo, em atenção aos princípios constitucionais da individualização da pena e da
obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, deve motivar o regime imposto
observando a singularidade do caso concreto.
STF – A mera indicação das elementares do delito: não configuração de fundamentação idônea apta
a justificar a fixação do regime fechado.

Súmula n. 719 STF: “A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena
aplicada permitir exige motivação idônea.”

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(...) a imposição ao condenado de regime mais gravoso do que o recomendado nas alíneas do § 2º
do art. 33 do Código Penal deve ser adequadamente fundamentada.
STF - Alusão à gravidade do delito e comoção social: não configuração de fundamentação
idônea apta a imposição do regime de cumprimento mais severo do que a pena aplicada permitir.

Súmula n. 440 STJ: “Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento de


regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta, com base apenas
na gravidade abstrata do delito.”

Reincidência – STF: “Não tem repercussão geral a controvérsia relativa à possibilidade ou


não de compensação da agravante da reincidência com a atenuante da confissão espontânea.”
STF – fixou a seguinte tese: “Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa
tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento)
do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito
tributário, caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído
pela Lei nº 14.689/23, observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo”.

STF – Princípio da insignificância no furto simples - A aplicação do princípio da insignificância


envolve um juízo amplo (“conglobante”), que vai além da simples aferição do resultado material da
conduta, abrangendo também a reincidência ou contumácia do agente, elementos que, embora não
determinantes, devem ser considerados. O STF fixou as seguintes teses: (i) a reincidência não
impede, por si só, que o juiz da causa reconheça a insignificância penal da conduta, à luz dos
elementos do caso concreto; e (ii) na hipótese de o juiz da causa considerar penal ou socialmente
indesejável a aplicação do princípio da insignificância por furto, em situações em que tal
enquadramento seja cogitável, eventual sanção privativa de liberdade deverá ser fixada, como
regra geral, em regime inicial aberto, paralisando-se a incidência do art. 33, § 2º, c, do CP no
caso concreto, com base no princípio da proporcionalidade.

STF - "A jurisprudência desta Suprema Corte (e a do Superior Tribunal de Justiça) orienta-se no
sentido de repelir a possibilidade jurídica de o magistrado sentenciante valorar negativamente, na
primeira fase da operação de dosimetria penal, as circunstâncias judiciais da personalidade e da
conduta social, quando se utiliza, para esse efeito, de condenações criminais anteriores, ainda
que transitadas em julgado, pois esse específico aspecto (prévias condenações penais) há de
caracterizar, unicamente, maus antecedentes".
O vetor dos antecedentes é o que se refere única e exclusivamente ao histórico criminal do agente.
"O conceito de maus antecedentes, por ser mais amplo do que o da reincidência, abrange
as condenações definitivas, por fato anterior ao delito, transitadas em julgado no curso da ação
penal e as atingidas pelo período depurador, ressalvada casuística constatação de grande período
de tempo ou pequena gravidade do fato prévio".

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A valoração de condenações antigas, já atingidas pelo prazo depurador da reincidência, deve ser
realizada em observância aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, a fim de se
possibilitar a aplicação da teoria do direito ao esquecimento. Estabeleceu-se como parâmetro a tal
exame o transcurso do prazo de 10 anos entre a extinção da pena e a prática do novo delito.

STJ - A existência de condenação anterior pela prática do crime previsto no art. 28 da Lei de
Drogas não gera nem maus antecedentes nem reincidência. "A jurisprudência desta Corte
Superior de Justiça entende que 'é desproporcional o reconhecimento da reincidência em virtude de
anterior condenação pelo delito previsto no art. 28 da Lei 11.343/2006. Nesse contexto, é adequado
o afastamento dos maus antecedentes [...] apoiados em [...] condenações por uso de drogas'.
Portanto, é vedada a utilização de condenações pelo crime previsto no art. 28 da Lei n.
11.343/2006 para fundamentar a reincidência ou agravar os maus antecedentes, conforme
entendimento consolidado pela jurisprudência desta Corte Superior.

STJ – fixou a seguinte tese: "É possível, na segunda fase da dosimetria da pena,
a compensação integral da atenuante da confissão espontânea com a agravante
da reincidência, seja ela específica ou não. Todavia, nos casos de multirreincidência, deve ser
reconhecida a preponderância da agravante prevista no art. 61, I, do Código Penal, sendo
admissível a sua compensação proporcional com a atenuante da confissão espontânea, em
estrito atendimento aos princípios da individualização da pena e da proporcionalidade".
Portanto, a compensação entre a agravante da reincidência e a atenuante da confissão espontânea é
possível, mas deve ser parcial em casos de multirreincidência.

STJ - os antecedentes e a reincidência, são fatos autônomos utilizados para a majoração em


diferentes fases do cálculo da pena.

STJ - A jurisprudência consolidada desta Corte estabelece que a agravante da reincidência, ainda
que específica, deve ser integralmente compensada com a atenuante da menoridade relativa, salvo
justificativa especial, como no caso de multirreincidência, o que não se verifica na espécie.

STJ - a confissão espontânea e a menoridade relativa, sendo atributos da personalidade do agente,


são igualmente preponderantes com a reincidência e os motivos do delito, consoante disposto no art.
67 do Código Penal.

- Execução da sentença – a execução da sentença absolutória própria é da competência do próprio


juiz do processo de conhecimento.
Guia de recolhimento – é o instrumento do título executório (sentença penal condenatória
transitada em julgado). Art. 105 LEP. Transitando em julgado a sentença que aplicar pena privativa

10
de liberdade, se o réu estiver ou vier a ser preso, o Juiz ordenará a expedição de guia de
recolhimento para a execução. Enquanto a prisão não for executada, não se pode expedir a guia de
recolhimento.
Funções da guia de recolhimento: medida de garantia individual – instrumento do título
executório – individualização da pena.
A competência para determinar a expedição da guia de recolhimento é do juiz do processo de
conhecimento, conquanto tenha transitado em julgado a decisão.
O início do processo de execução ocorre com trânsito em julgado da decisão.
O início da execução da pena se dá com o recolhimento do condenado à prisão. Art. 107 LEP.
Ninguém será recolhido, para cumprimento de pena privativa de liberdade, sem a guia expedida
pela autoridade judiciária.
As prisões cautelares pressupõe a existência de mandado de prisão expedido pela autoridade
judiciária competente.
Requisitos da guia de recolhimento. Art. 106 LEP. A guia de recolhimento, extraída pelo escrivão,
que a rubricará em todas as folhas e a assinará com o Juiz, será remetida à autoridade administrativa
incumbida da execução e conterá:
I - o nome do condenado;
II - a sua qualificação civil e o número do registro geral no órgão oficial de identificação;
III - o inteiro teor da denúncia e da sentença condenatória, bem como certidão do trânsito em
julgado;
IV - a informação sobre os antecedentes e o grau de instrução;
V - a data da terminação da pena;
VI - outras peças do processo reputadas indispensáveis ao adequado tratamento penitenciário.

Art. 106, § 2º LEP. A guia de recolhimento será retificada sempre que sobrevier modificação quanto
ao início da execução ou ao tempo de duração da pena. Hipóteses, a saber: a) fuga do condenado; b)
unificação de penas; c) condenações proferidas em outros processos.
Precedência das penas. Art. 76 CP - No concurso de infrações, executar-se-á primeiramente a pena
mais grave. Executa-se primeiro a pena de reclusão com precedência sobre a detenção, em
ordem cronológica de acordo com as respectivas datas do trânsito em julgado de cada sentença.
Cumprimento ou extinção da pena. Art. 109 LEP. Cumprida ou extinta a pena, o condenado será
posto em liberdade, mediante alvará do Juiz, se por outro motivo não estiver preso. O competente
alvará de soltura deverá ser expedido pelo Juízo da Execução.
- Regimes de cumprimento da pena privativa de liberdade. Art. 33 CP - A pena de reclusão deve
ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. A de detenção, em regime semiaberto, ou
aberto, salvo necessidade de transferência a regime fechado.

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§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma progressiva, segundo o
mérito do condenado, observados os seguintes critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência
a regime mais rigoroso:
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não exceda a 8 (oito),
poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos, poderá, desde o
início, cumpri-la em regime aberto.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com observância dos
critérios previstos no art. 59 deste Código. Circunstâncias judiciais.

Art. 110 LEP. O Juiz, na sentença, estabelecerá o regime no qual o condenado iniciará o
cumprimento da pena privativa de liberdade, observado o disposto no artigo 33 e seus parágrafos do
Código Penal. Mesmo que o juiz vislumbre a possibilidade de substituição da pena de prisão
por restritiva de direitos.

Art. 387 CPP O juiz, ao proferir sentença condenatória:

§ 2o O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil ou no


estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de
liberdade.

Art. 111 LEP. Quando houver condenação por mais de um crime, no mesmo processo ou em
processos distintos, a determinação do regime de cumprimento será feita pelo resultado da soma ou
unificação das penas, observada, quando for o caso, a detração ou remição.
Parágrafo único. Sobrevindo condenação no curso da execução, somar-se-á a pena ao restante da
que está sendo cumprida, para determinação do regime.

Art. 118 LEP. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a
transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado: II - sofrer
condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível
o regime (artigo 111).

Ao juízo da execução não é dado modificar o regime inicial de cumprimento da pena fixado
pelo juiz do processo de conhecimento, nem mesmo na hipótese de eventual erro material
(coisa julgada formal e material).

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Omissão em relação ao regime inicial de cumprimento da pena – as partes devem opor
embargos declaratórios. O Tribunal deve determinar que a omissão seja suprida pelo próprio juiz
sentenciante. Se a sentença já tiver transitado em julgado caberá ao Juízo da Execução impor o
regime mais brando.
Súmula n. 269 STJ: “É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos reincidentes
condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais.”
Pena de detenção. Esta só pode ter início em regime semiaberto ou aberto, jamais no regime
fechado.
Pena de reclusão. Pode ser cumprida inicialmente em regime fechado, semiaberto ou aberto.
Ver: Súmulas n. 718 e 719 STF e Súmula n. 440 STJ.

Progressão de regimes.

Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência
para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos:

I - 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido cometido sem
violência à pessoa ou grave ameaça;
II - 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido sem violência à
pessoa ou grave ameaça;
III - 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido cometido
com violência à pessoa ou grave ameaça;
IV - 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido com violência
à pessoa ou grave ameaça;
V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo
ou equiparado, se for primário;
VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for:
a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for primário,
vedado o livramento condicional;
b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada
para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou
c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada;
VI-A – 55% (cinquenta e cinco por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de
feminicídio, se for primário, vedado o livramento condicional; (Incluído pela Lei nº 14.994, de
2024)

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VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo
ou equiparado;
VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime hediondo ou
equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional.
§ 1º Em todos os casos, o apenado somente terá direito à progressão de regime se ostentar boa
conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, e pelos resultados do exame
criminológico, respeitadas as normas que vedam a progressão. (Redação dada pela Lei nº 14.843,
de 2024)
§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e
precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento que também será
adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os
prazos previstos nas normas vigentes.
§ 6º O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade
interrompe o prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em
que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente.

Progressão do condenado por crime hediondo ou equiparado reincidente em crime comum –


STF - Diante da lacuna legislativa, deve-se integrar a norma a partir de interpretação em benefício
do réu, já que vedada a analogia in malam partem. O STF fixou a seguinte tese: “Tendo em vista a
legalidade e a taxatividade da norma penal (art. 5º, XXXIX, CF), a alteração promovida pela
Lei 13.964/2019 no art. 112 da LEP não autoriza a incidência do percentual de 60% (inc. VII)
aos condenados reincidentes não específicos para o fim de progressão de regime. Diante da
omissão legislativa, impõe-se a analogia in bonam partem, para aplicação, inclusive retroativa,
do inciso V do artigo 112 da LEP (lapso temporal de 40%) ao condenado por crime hediondo
ou equiparado sem resultado morte reincidente não específico. ”

STJ - A exigência de realização de exame criminológico para toda e qualquer progressão de


regime, nos termos da Lei n. 14/843/2024, constitui novatio legis in pejus, pois incrementa
requisito, tornando mais difícil alcançar regimes prisionais menos gravosos à liberdade. A
retroatividade dessa norma se mostra inconstitucional, diante do art. 5º, XL, da Constituição
Federal, e ilegal, nos termos do art. 2º do Código Penal. No caso, todas as condenações do paciente
são anteriores à Lei n. 14.843/2024, não sendo aplicável a disposição legal em comento de forma
retroativa.
STJ - Esta Corte Superior é firme no entendimento de que a longevidade da pena e a gravidade do
delito não são aptos, por si só, a fundamentar a exigência de realização do exame criminológico ou
a negativa de concessão de benefícios, porquanto o que se exige do reeducando é que demonstre seu
mérito no curso da execução de sua pena. Consolidou-se neste Tribunal diretriz jurisprudencial no
sentido de que faltas graves antigas, já reabilitadas pelo decurso do tempo, não justificam o
indeferimento da progressão de regime prisional.

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STJ - A prática de faltas graves recentes durante a execução penal demonstra a ausência de
requisito subjetivo para concessão de benefícios, conforme entendimento consolidado do STJ. O
atestado de boa conduta carcerária não assegura automaticamente a progressão de regime, cabendo
ao juiz das execuções a análise dos critérios subjetivos. Não há limite temporal para o
preenchimento do requisito subjetivo, devendo ser considerado todo o período de execução da pena.
Progressão e crimes hediondos – Súmula vinculante 26: “Para efeito de progressão de regime
no cumprimento de pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a
inconstitucionalidade do art. 2º da Lei 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar
se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo
determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame criminológico.”
STF - A Lei nº 11.464/07, que majorou o tempo necessário a progredir-se no cumprimento da pena,
não se aplica a situações jurídicas que retratem crime cometido em momento anterior à respectiva
vigência.
Súmula n. 471 STJ: “Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados cometidos antes
da vigência da Lei n. 11.464/2007 sujeitam-se ao disposto no art. 112 da Lei n. 7.210/1984 (Lei
de Execução Penal) para a progressão de regime prisional.”
STF - “É inconstitucional a fixação ex lege, com base no art. 2º, § 1º, da Lei 8.072/1990, do
regime inicial fechado, devendo o julgador, quando da condenação, ater-se aos parâmetros
previstos no artigo 33 do Código Penal.
O tráfico de drogas, a tortura e o terrorismo não são crimes hediondos, porém a eles se aplicam as
regras previstas em lei. São, portanto, infrações penais equiparadas aos delitos hediondos e, por
consequência, terão o mesmo tratamento a eles destinado. Portanto, deve ser admitida a
possibilidade de fixação do regime inicial semiaberto para condenados por tráfico de drogas, em
que, na primeira fase estabeleceu-se a pena no mínimo legal (acusado primário, com bons
antecedentes e circunstâncias judiciais favoráveis), no sendo reconhecido fato concreto que
justifique regime mais gravoso.

Progressão e tráfico de drogas privilegiado – Art. 33, § 4º Lei n. 11.343/06 as penas poderão ser
reduzidas de um sexto a dois terços, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se
dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. Trata-se de causa de
diminuição de pena.

Súmula vinculante 59: “É impositiva a fixação do regime aberto e a substituição da pena


privativa de liberdade por restritiva de direitos quando reconhecida a figura do tráfico
privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06) e ausentes vetores negativos na primeira fase da
dosimetria (art. 59 do CP), observados os requisitos do art. 33, § 2º, alínea c, e do art. 44,
ambos do Código Penal.”

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- Progressão e Organização criminosa – Segundo o art. 2º, § 9º da Lei n. 12.850/13. O condenado
expressamente em sentença por integrar organização criminosa ou por crime praticado por meio de
organização criminosa não poderá progredir de regime de cumprimento de pena ou obter livramento
condicional ou outros benefícios prisionais se houver elementos probatórios que indiquem a
manutenção do vínculo associativo.
Indispensável que tais circunstâncias tenham constado expressamente da sentença condenatória.
Veda a progressão de regimes quando houver elementos probatórios que indiquem a
manutenção dos vínculos associativos às organizações criminosas. Não preenche o requisito
subjetivo indispensável à concessão da progressão previsto no art 112, § 1º LEP.

- Progressão e Regime Disciplinar Diferenciado - STJ - A jurisprudência desta Corte também é


assente no sentido de que não é possível conceder ao apenado progressão de regime, enquanto
os motivos que justificaram a sua permanência no sistema penitenciário federal subsistirem,
haja vista a absoluta incompatibilidade do benefício da execução com os motivos que ensejaram a
inclusão do reeducando no regime diferenciado.
A impossibilidade de progressão de regime em presídio federal, portanto, não se relaciona com a
competência ou não para resolução de incidentes da execução, mas da absoluta incompatibilidade
entre os motivos que autorizam a inclusão do preso no regime diferenciado e os benefícios da
execução.
Assim, a progressão só seria possível após cessarem os “motivos que justificaram a sua remoção
para o estabelecimento federal” .
Portanto, compete ao Juízo de Direito da Vara de Execuções Penais decidir sobre a necessidade
da permanência do apenado no Presídio Federal, não sendo admissível que o Juízo suscitado (da
Justiça Federal) conceda ao apenado progressão de regime enquanto perdurarem os motivos que
justificaram a sua permanência no sistema penitenciário federal.
A Ministra Carmem Lúcia já admitiu a progressão do agente para o regime semiaberto, com
a transferência para estabelecimento penal adequado no Estado da federação (HC 131.649).
O Ministro Gilmar Mendes leciona, a saber:
I - O Juiz federal responsável pelas execuções da penitenciária federal tem competência para decidir
os incidentes da execução, não há dúvida. A progressão de regime é um incidente da execução penal
e, ordinariamente, deve ser apreciada pelo Juízo das execuções. Art. 4. o Lei n. 11.671/08. A
admissão do preso, condenado ou provisório, dependerá de decisão prévia e fundamentada do juízo
federal competente, após receber os autos de transferência enviados pelo juízo responsável pela
execução penal ou pela prisão provisória. § 1º A execução penal da pena privativa de liberdade, no
período em que durar a transferência, ficará a cargo do juízo federal competente.

II - A inclusão e a renovação da permanência do preso no sistema federal é decida pelo Juízo


federal, após provocação do Juízo de origem.
Art. 10 Lei n. 11.671/08. A inclusão de preso em estabelecimento penal federal de segurança
máxima será excepcional e por prazo determinado.

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§ 1º O período de permanência será de até 3 (três) anos, renovável por iguais períodos, quando
solicitado motivadamente pelo juízo de origem, observados os requisitos da transferência, e se
persistirem os motivos que a determinaram.

§ 2o Decorrido o prazo, sem que seja feito, imediatamente após seu decurso, pedido de renovação
da permanência do preso em estabelecimento penal federal de segurança máxima, ficará o juízo de
origem obrigado a receber o preso no estabelecimento penal sob sua jurisdição.

§ 3o Tendo havido pedido de renovação, o preso, recolhido no estabelecimento federal em que


estiver, aguardará que o juízo federal profira decisão.

§ 4o Aceita a renovação, o preso permanecerá no estabelecimento federal de segurança máxima em


que estiver, retroagindo o termo inicial do prazo ao dia seguinte ao término do prazo anterior.

§ 5o Rejeitada a renovação, o juízo de origem poderá suscitar o conflito de competência, que


o tribunal apreciará em caráter prioritário.

§ 6o Enquanto não decidido o conflito de competência em caso de renovação, o preso permanecerá


no estabelecimento penal federal.

III - Além da via recursal, a decisão de negativa de inclusão ou de renovação pode ser “impugnada”
pelo Juízo de origem, por meio do conflito de competência, o qual será julgado pelo Tribunal
Regional Federal, se entre juízes federais vinculados ao mesmo tribunal, ou pelo Superior Tribunal
de Justiça, nas demais hipóteses – arts. 108, I, “e”, e 105, I, “d”, da CF.

Se, no curso desse prazo, o Juízo federal pudesse deferir a progressão, a possibilidade do Juízo
de origem suscitar conflito ficaria esvaziada.

IV - A transferência para o sistema federal costuma ter fundamento em razões que atestam
que, naquele momento, o condenado não tem mérito para progredir de regime. Salvo nos casos
em que a transferência à penitenciária federal decorre de “interesse do próprio preso”, a
transferência em si já demonstra que o sentenciado não tem comportamento compatível com a
progressão de regime prisional. Mesmo que não cometa infrações disciplinares, o preso que
pertence à associação criminosa não satisfaz aos requisitos subjetivos para a progressão de regime.
Art. 3º Lei n. 11.671/08. Serão incluídos em estabelecimentos penais federais de segurança máxima
aqueles para quem a medida se justifique no interesse da segurança pública ou do próprio preso,
condenado ou provisório.
O conteúdo da locução “interesse da segurança pública” é indeterminado. Normalmente, é
preenchido com recurso às hipóteses de inclusão no regime disciplinar diferenciado – (i) prática de
falta grave correspondente a crime doloso, que ocasione a subversão da ordem e disciplina internas
(art. 52, caput, da Lei 7.210/84); (ii) alto risco para a ordem e a segurança do estabelecimento penal

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ou da sociedade (§ 1º); (iii) fundadas suspeitas de envolvimento ou de participação em organização
ou associação.
V – Para o STJ a transferência ao sistema penitenciário federal no “interesse da segurança pública”
é incompatível com a progressão de regime prisional. O Superior Tribunal de Justiça adota a
linha jurisprudencial que afasta a possibilidade de o juiz federal das execuções deferir a
progressão desde 2013.
VI - A manutenção do condenado em regime fechado, com base na falta de mérito do apenado, não
é incompatível com a jurisprudência do STF. O relevante é que a execução da pena seja
particularizada, considerando-se o comportamento do sentenciado.
VII - Estar no estabelecimento não é o impedimento à progressão. O impedimento advém do
motivo da transferência.

O Ministro Gilmar Mendes externalizou as seguintes preocupações (HC 131.649), a saber:


I - Permanência indiscriminada de condenados no sistema federal, com base em elementos
indiciários, sem uma demonstração de responsabilidade em práticas ilícitas atuais.
II – Art. 52, § 3º LEP. Existindo indícios de que o preso exerce liderança em organização criminosa,
associação criminosa ou milícia privada, ou que tenha atuação criminosa em 2 (dois) ou mais
Estados da Federação, o regime disciplinar diferenciado será obrigatoriamente cumprido em
estabelecimento prisional federal.
III - É de capital importância que os Juízos responsáveis pela execução das penas e pela solução dos
conflitos de competência sejam rigorosos com a análise dos fundamentos que embasam os pleitos
de renovação, exigindo indícios fundados do envolvimento atual em ilícitos.
IV – Sob pena de o apenado ficar marcado pela pertinência inicial à organização criminosa, sem
nenhuma condição de demonstrar mérito para alcançar benefícios durante a execução da pena.

- Requisitos para a progressão de regimes. O requisito de natureza objetiva está relacionado ao


quantum de cumprimento de pena no regime anterior. Exceção - Art. 4º Lei 12.850/13, § 5º Se a
colaboração for posterior à sentença, a pena poderá ser reduzida até a metade ou será admitida a
progressão de regime ainda que ausentes os requisitos objetivos. Portanto, não há necessidade de
o condenado ter cumprido o percentual previsto no art. 112 da LEP. Subsiste, entretanto, a
necessidade de observância do requisito subjetivo – mérito do condenado – evidenciado diante do
intuito de colaboração do apenado.
Reincidência – STJ. Tese de Recurso Especial Repetitivo fixada no Tema n. 1208: "A reincidência
pode ser admitida pelo juízo das execuções penais para análise da concessão de benefícios,
ainda que não reconhecida pelo juízo que prolatou a sentença condenatória".

- Progressão especial para gestante, mãe ou responsável por crianças ou pessoas com
deficiência. Art. 112 LEP § 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por

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crianças ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são,
cumulativamente:
I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente;
III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; 12,5% da pena no
regime anterior
IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
estabelecimento;
V - não ter integrado organização criminosa.
§ 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do benefício
previsto no § 3º deste artigo.
§ 7º O bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do fato, ou antes, após o
cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito.
Um único filho menor de 12 (doze) anos ou com deficiência já será suficiente para a concessão
da progressão.
Basta a existência de prova robusta do cometimento de crime doloso ou falta grave. Não há
necessidade de se aguardar o trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
Não consta do art. 112, § 3º da LEP qualquer menção à natureza hedionda e equiparada (ou
não) do delito.

- Reparação do dano ou devolução do produto do ilícito praticado como requisito objetivo


para a progressão de regime nos crimes contra a administração pública. Art. 33 CP, § 4º O
condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento
da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito
praticado, com os acréscimos legais.
STF: É constitucional o art. 33, § 4º, do Código Penal, que condiciona a progressão de regime, no
caso de crime contra a Administração Pública, à reparação do dano ou à devolução do produto do
ilícito. Tendo o acórdão condenatório fixado expressamente o valor a ser devolvido, não há
como se afirmar não se tratar de quantia líquida. A alegação de falta de recursos para devolver o
dinheiro desviado não paralisa a incidência do art. 33, § 4º, do Código Penal. O sentenciado é
devedor solidário do valor integral da condenação. Na hipótese de celebração de ajuste com a União
para pagamento parcelado da obrigação, estará satisfeita a exigência do art. 33, § 4º, enquanto as
parcelas estiverem sendo regularmente quitadas.

- Requisitos subjetivos. Art. 112, § 1º LEP. Em todos os casos, o apenado somente terá direito à
progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do

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estabelecimento, e pelos resultados do exame criminológico, respeitadas as normas que vedam a
progressão. (Redação dada pela Lei nº 14.843, de 2024)
Não se trata, porém, o atestado emitido pelo diretor da unidade prisional, de prova absoluta. A
noção de bom comportamento do reeducando abrange a valoração de elementos que não se
restringem ao atestado emitido pela direção carcerária, sob pena de transformar o juiz em
mero homologador de documentos administrativos. O juiz não está vinculado nem é mero órgão
chancelador de documentos administrativos. Tal atestado funciona apenas como um elemento
mínimo de formação do convencimento do magistrado.
Possibilidade de reaquisição do bom comportamento para fins de progressão de regimes. Art.
112 LEP, § 7º O bom comportamento é readquirido após 1 (um) ano da ocorrência do fato, ou antes,
após o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito. Duas hipóteses
diversas, a saber: a) Um ano após a ocorrência do fato; b) Até mesmo antes desse período de 1 (um)
ano, se acaso tiver havido o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito.
Na primeira hipótese há um prazo peremptório para a reabilitação de eventuais faltas,
independentemente da sua natureza (leve, média ou grave). O início da contagem da depuração se
dar do exato momento do cometimento da falta.
Na segunda hipótese, o art. 33, § 2º CP prevê que as penas privativas de liberdade deverão ser
executadas em forma progressiva, segundo o mérito do condenado. Neste sentido, admite-se,
mesmo antes do decurso do prazo de 1 (um) ano da ocorrência do fato, a possibilidade de
reaquisição do bom comportamento na hipótese de cumprimento do requisito temporal exigível para
a obtenção da progressão de regime.

- Progressão para o regime aberto. Art. 113 LEP. O ingresso do condenado em regime aberto
supõe a aceitação de seu programa e das condições impostas pelo Juiz.
Art. 114 LEP. Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que:
I - estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente;
II - apresentar, pelos seus antecedentes e pelos resultados do exame criminológico, fundados
indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina, baixa periculosidade e senso de
responsabilidade, ao novo regime. (Redação dada pela Lei nº 14.843, de 2024)
Parágrafo único. Poderão ser dispensadas do trabalho as pessoas referidas no artigo 117 desta Lei.
Art. 115 LEP. O juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto,
entre as quais, a fiscalização por monitoramento eletrônico, sem prejuízo das seguintes
condições gerais e obrigatórias: (Redação dada pela Lei nº 14.843, de 2024)
I - permanecer no local que for designado, durante o repouso e nos dias de folga;
II - sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados;
III - não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial;
IV - comparecer a Juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for determinado.

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Art. 116 LEP. O Juiz poderá modificar as condições estabelecidas, de ofício, a requerimento do
Ministério Público, da autoridade administrativa ou do condenado, desde que as circunstâncias
assim o recomendem.
Na fixação de condições especiais ou facultativas o magistrado se vale de sua discricionariedade –
exemplos: submeter-se a tratamento de desintoxicação; frequentar cursos de reabilitação de
alcoolismo; frequentar curso de habilitação profissional ou de instrução escolar etc.
Súmula n. 493 STJ: “É inadmissível a fixação de pena substitutiva (art. 44 do CP) como
condição especial ao regime aberto.” O art. 115 LEP estabelece a possibilidade de especificação
de outras condições, e não de outras penas.
STJ – Tese de Recurso Especial Repetitivo fixado no tema n. 20: “É lícito ao Juiz estabelecer
condições especiais para a concessão do regime aberto, em complementação daquelas previstas na
LEP (art.115 da LEP), mas não poderá adotar a esse título nenhum efeito já classificado como pena
substitutiva (art. 44 do CPB), porque aí ocorreria o indesejável bis in idem, importando na aplicação
de dúplice sanção.”

Comprovação de trabalho. Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que estiver
trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente. Poderão ser dispensadas do
trabalho o condenado maior de 70 (setenta) anos; acometido de doença grave; condenada com filho
menor ou deficiente físico ou mental e condenada gestante.
Prognóstico de adaptação ao novo regime. Apresentar, pelos seus antecedentes e pelos resultados
do exame criminológico, fundados indícios de que irá ajustar-se ao novo regime.

STJ – Tese de Recurso Especial Repetitivo fixado no tema n. 1120: "Nada obstante a
interpretação restritiva que deve ser conferida ao art. 126, §4º, da LEP, os princípios da
individualização da pena, da dignidade da pessoa humana, da isonomia e da fraternidade, ao
lado da teoria da derrotabilidade da norma e da situação excepcionalíssima da pandemia de
covid-19, impõem o cômputo do período de restrições sanitárias como de efetivo estudo ou
trabalho em favor dos presos que já estavam trabalhando ou estudando e se viram
impossibilitados de continuar seus afazeres unicamente em razão do estado pandêmico".

STJ - A Sexta Turma em precedente recente reconheceu como cumprida a obrigação de


comparecimento em juízo suspensa em virtude da pandemia, considerando "desproporcional o
prolongamento da pena sem a participação do apenado em tal retardamento."

STJ - Conforme jurisprudência assente nesta Corte Superior, a ausência de previsão legal específica
impossibilita a concessão de remição da pena pelo simples fato de o Estado não propiciar meios

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necessários para o labor ou a educação de todos os custodiados. Entende-se, portanto, que a
omissão estatal não pode implicar remição ficta da pena, haja vista a ratio do referido benefício,
que é encurtar o tempo de pena mediante a efetiva dedicação do preso a atividades lícitas e
favoráveis à sua reinserção social e ao seu progresso educativo.
- Necessidade de fundamentação e oitiva das partes. Art. 112 LEP § 2º A decisão do juiz que
determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida de manifestação do
Ministério Público e do defensor, procedimento que também será adotado na concessão de
livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas
vigentes.
- Quantum de pena a ser levado em consideração para fins de progressão de regimes quando
aplicada pena superior a 40 (quarenta) anos. Súmula n. 715 STF: “A pena unificada para
atender ao limite de trinta anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do Código Penal, não é
considerada para a concessão de outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais
favorável de execução.” Cabe tão somente interpretá-la em sintonia com o novo limite de 40
(quarenta) anos.
Portanto, o cômputo da pena a ser cumprida para o gozo de eventuais benefícios prisionais tem
como base a pena total, resultante do somatório de todas as condenações do agente. Portanto, o
limite de 40 anos previsto no CP apenas se reporta ao tempo máximo de efetivo cumprimento da
pena, não podendo servir de cotejo para a aferição de requisitos temporais necessários à obtenção de
outros benefícios legais.
Art. 75 CP. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40
(quarenta) anos.
§ 1º Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40
(quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo.
§ 2º - Sobrevindo condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-á nova
unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido.

- Segunda progressão. Pena cumprida é pena extinta, isto é, o percentual já pago ao Estado não
pode mais servir como parâmetro para o cálculo do período legalmente exigido. STJ - a data inicial
para a progressão de regime deve ser aquela em que o apenado preencheu os requisitos do art. 112
da Lei de Execução Penal, e não a data da efetiva inserção do reeducando no regime intermediário.

Superveniência de nova condenação. Art. 111 LEP. Quando houver condenação por mais de um
crime, no mesmo processo ou em processos distintos, a determinação do regime de cumprimento
será feita pelo resultado da soma ou unificação das penas, observada, quando for o caso, a detração
ou remição.
Parágrafo único. Sobrevindo condenação no curso da execução, somar-se-á a pena ao restante
da que está sendo cumprida, para determinação do regime.

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Art. 118 LEP. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a
transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado: II - sofrer
condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível
o regime (artigo 111).

STJ - A superveniência de nova condenação no curso da execução penal enseja a unificação


das reprimendas impostas ao reeducando. Caso o quantum obtido após o somatório torne
incabível o regime atual, está o condenado sujeito a regressão a regime de cumprimento de
pena mais gravoso, consoante inteligência dos arts. 111, parágrafo único, e 118, II, da Lei de
Execução Penal.
A alteração da data-base para concessão de novos benefícios executórios, em razão da
unificação das penas, não encontra respaldo legal. Portanto, a desconsideração do período de
cumprimento de pena desde a última prisão ou desde a última infração disciplinar, seja por delito
ocorrido antes do início da execução da pena, seja por crime praticado depois e já apontado como
falta disciplinar grave, configura excesso de execução.
Caso o crime cometido no curso da execução tenha sido registrado como infração disciplinar, seus
efeitos já repercutiram no bojo do cumprimento da pena, pois, segundo a jurisprudência consolidada
do Superior Tribunal de Justiça, a prática de falta grave interrompe a data-base para concessão de
novos benefícios executórios, à exceção do livramento condicional, da comutação de penas e do
indulto. Portanto, a superveniência do trânsito em julgado da sentença condenatória não poderia
servir de parâmetro para análise do mérito do apenado, sob pena de flagrante bis in idem.
O delito praticado antes do início da execução da pena não constitui parâmetro idôneo de
avaliação do mérito do apenado, porquanto evento anterior ao início do resgate das reprimendas
impostas não desmerece hodiernamente o comportamento do sentenciado.
As condenações por fatos pretéritos não se prestam a macular a avaliação do comportamento do
sentenciado, visto que estranhas ao processo de resgate da pena.

Inadmissibilidade da progressão per saltum

- Não se admite que o condenado passe diretamente do regime fechado para o aberto.
- Súmula n. 491 STJ: “É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional.”
- STJ - "[a] jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado no sentido de que
a gravidade do delito, as faltas graves antigas, a longa pena a cumprir e a impossibilidade da
chamada progressão per saltum de regime prisional não constituem fundamentos idôneos para o
indeferimento do benefício do livramento condicional".
- Possibilidade de aproveitamento do tempo excedente cumprido indevidamente no regime mais
severo na avaliação da próxima progressão de pena (desídia estatal).

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Remição pelo trabalho ou pelo estudo para fins de progressão de regimes
- Art. 128 LEP. O tempo remido será computado como pena cumprida, para todos os efeitos. O
tempo remido pelo trabalho ou pelo estudo do preso deve ser computado como pena cumprida para
todos os efeitos, inclusive para fins de progressão de regime prisional.
Progressão de regime prisional para condenado estrangeiro e processo de expulsão em
andamento
- Art. 54 Lei de Migração. A expulsão consiste em medida administrativa de retirada compulsória de
migrante ou visitante do território nacional, conjugada com o impedimento de reingresso por prazo
determinado.
§ 3º O processamento da expulsão em caso de crime comum não prejudicará a progressão de
regime, o cumprimento da pena, a suspensão condicional do processo, a comutação da pena ou a
concessão de pena alternativa, de indulto coletivo ou individual, de anistia ou de quaisquer
benefícios concedidos em igualdade de condições ao nacional brasileiro.
Progressão de regimes e crimes militares
- A progressão de regimes também é aplicável aos crimes militares, ainda que o militar esteja
cumprindo pena em penitenciária militar.
Art. 61 CPM - A pena privativa da liberdade por mais de 2 (dois) anos, aplicada a militar, é
cumprida em penitenciária militar e, na falta dessa, em estabelecimento prisional civil, ficando o
recluso ou detento sujeito ao regime conforme a legislação penal comum, de cujos benefícios e
concessões, também, poderá gozar.
Os militares não foram excluídos da garantia constitucional da individualização da pena.
Prática da falta grave como causa interruptiva da contagem do prazo para a progressão de
regime
- Art. 112 LEP
§ 6º O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade interrompe o
prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício da
contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente.

Regressão de regime
- Art. 66 LEP. Compete ao Juiz da execução: III - decidir sobre: b) progressão ou regressão nos
regimes. Competência do Juízo da Execução Penal.
- A Autoridade administrativa não tem atribuição para determinar a regressão. Caberá a ela,
obrigatoriamente, representar ao Juízo da Execução para esse fim.
- O recurso adequado será o agravo em execução (certa dilação probatória), pelo menos em regra.
- Possibilidade de utilização do habeas corpus.

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Art. 118 LEP. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a
transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado:
I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave;
II - sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em
execução, torne incabível o regime (artigo 111).
§ 1° O condenado será transferido do regime aberto se, além das hipóteses referidas nos incisos
anteriores, frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa cumulativamente
imposta.
§ 2º Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, deverá ser ouvido previamente o
condenado.
Súmula n. 526 STJ: “O reconhecimento de falta grave decorrente do cometimento de fato definido
como crime doloso no cumprimento da pena prescinde do trânsito em julgado de sentença penal
condenatória no processo penal instaurado para apuração do fato.”
STJ - "A prática de crime doloso no curso da execução penal caracteriza falta
grave, independentemente da instauração de inquérito policial ou do oferecimento de denúncia para
apurar o feito, e sujeita o reeducando à aplicação de sanção disciplinar, independentemente
do trânsito em julgado de eventual condenação criminal, bastando que se demonstre a existência
de indícios de autoria e materialidade daquele ato"
- A regressão também não está condicionada à conclusão do respectivo procedimento administrativo
disciplinar.
- Art. 50 LEP. Comete falta grave o condenado à pena privativa de liberdade que:
I - incitar ou participar de movimento para subverter a ordem ou a disciplina;
II - fugir;
III - possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem;
IV - provocar acidente de trabalho;
V - descumprir, no regime aberto, as condições impostas;
VI - inobservar os deveres previstos nos incisos II e V, do artigo 39, desta Lei.
VII – tiver em sua posse, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a
comunicação com outros presos ou com o ambiente externo.
VIII - recusar submeter-se ao procedimento de identificação do perfil genético. (Incluído pela
Lei nº 13.964, de 2019)
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao preso provisório.

Art. 39 LEP. Constituem deveres do condenado:


II - obediência ao servidor e respeito a qualquer pessoa com quem deva relacionar-se;

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V - execução do trabalho, das tarefas e das ordens recebidas;
- Não se pode admitir a regressão quando os fatos imputados ao condenado caracterizarem faltas
médias ou leves.

- A violação comprovada dos deveres inerentes ao monitoramento eletrônico é fundamento


idôneo para a regressão de regime.

Art. 146-B LEP. O juiz poderá definir a fiscalização por meio da monitoração eletrônica
quando:
II - autorizar a saída temporária no regime semiaberto;
IV - determinar a prisão domiciliar;
VI - aplicar pena privativa de liberdade a ser cumprida nos regimes aberto ou semiaberto, ou
conceder progressão para tais regimes; (Incluído pela Lei nº 14.843, de 2024)
VII - aplicar pena restritiva de direitos que estabeleça limitação de frequência a lugares
específicos; (Incluído pela Lei nº 14.843, de 2024)
VIII - conceder o livramento condicional. (Incluído pela Lei nº 14.843, de 2024)

Art. 146-C. O condenado será instruído acerca dos cuidados que deverá adotar com o equipamento
eletrônico e dos seguintes deveres:
I - receber visitas do servidor responsável pela monitoração eletrônica, responder aos seus contatos
e cumprir suas orientações;
II - abster-se de remover, de violar, de modificar, de danificar de qualquer forma o dispositivo de
monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o faça;
Parágrafo único. A violação comprovada dos deveres previstos neste artigo poderá acarretar, a
critério do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa:
I - a regressão do regime;
II - a revogação da autorização de saída temporária;
VI - a revogação da prisão domiciliar;
VII - advertência, por escrito, para todos os casos em que o juiz da execução decida não
aplicar alguma das medidas previstas nos incisos de I a VI deste parágrafo.
VIII - a revogação do livramento condicional; (Incluído pela Lei nº 14.843, de 2024)
IX - a conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade. (Incluído pela
Lei nº 14.843, de 2024)

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Art. 146-D. A monitoração eletrônica poderá ser revogada:
I - quando se tornar desnecessária ou inadequada;
II - se o acusado ou condenado violar os deveres a que estiver sujeito durante a sua vigência ou
cometer falta grave.

Art. 146-E. O condenado por crime contra a mulher por razões da condição do sexo feminino,
nos termos do § 1º do art. 121-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código
Penal), ao usufruir de qualquer benefício em que ocorra a sua saída de estabelecimento penal, será
fiscalizado por meio de monitoração eletrônica. (Incluído pela Lei nº 14.994, de 2024)

- Regressão per saltum – Admite-se a regressão de regime per saltum. É perfeitamente possível a
passagem direta do regime aberto para o fechado.

- Regressão do condenado para regime prisional mais gravoso do que aquele fixado na
sentença do processo de conhecimento – STJ - De acordo com o entendimento do Superior
Tribunal de Justiça, o cometimento de falta grave ou de crime doloso, no curso da execução da
pena, autoriza a regressão do regime de cumprimento de pena do reeducando, mesmo que seja
estabelecido de forma mais gravosa do que a fixada na sentença condenatória (LEP, art. 118,
I), não havendo falar em ofensa a coisa julgada.
Oitiva do condenado
- Art. 118 LEP, § 2º Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, deverá ser ouvido
previamente o condenado. A regressão depende de oitiva prévia do condenado em audiência de
justificação, especialmente designada pelo juízo da execução. Obrigatória assistência da defesa
técnica. Idem para violação dos deveres relacionados ao monitoramento eletrônico.
- STF - tem entendido que a oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em audiência de
justificação realizada na presença do defensor e do Ministério Público, afasta a necessidade de
prévio Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), assim como supre eventual ausência ou
insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática de falta grave durante o
cumprimento da pena.
O STF afirmou a seguinte tese: “A oitiva do condenado pelo Juízo da Execução Penal, em
audiência de justificação realizada na presença do defensor e do Ministério Público, afasta a
necessidade de prévio Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), assim como supre
eventual ausência ou insuficiência de defesa técnica no PAD instaurado para apurar a prática
de falta grave durante o cumprimento da pena”.

Na hipótese de condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução,
tornar incabível o regime (Art. 118, II, LEP), não há necessidade de oitiva prévia da defesa.

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Regressão cautelar

- A suspensão judicial do regime semiaberto ou aberto, quando a medida se revelar indispensável


para fins de ulterior transferência para regime mais severo, pelo menos enquanto se procede à oitiva
do condenado. Adotada com fundamento no poder geral de cautela conferido ao Juízo de Execução.
- STJ - A decisão de regressão cautelar de regime está fundamentada no poder geral de cautela do
juiz das execuções penais, sendo válida mesmo sem a oitiva prévia do apenado.
- STJ - A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de ser possível a regressão cautelar,
inclusive ao regime prisional mais gravoso, diante da prática de infração disciplinar no curso do
resgate da reprimenda, sendo desnecessária até mesmo a realização de audiência de justificação
para oitiva do apenado, exigência que se torna imprescindível somente para a regressão
definitiva [...]

Prisão domiciliar

- Certas situações especiais de natureza humanitária.


- Só pode ser determinada pela autoridade judiciária.
- Art. 117 LEP. Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência
particular quando se tratar de:
I - condenado maior de 70 (setenta) anos;
II - condenado acometido de doença grave;
III - condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental;
IV - condenada gestante.

- Art. 317 CPP. A prisão domiciliar consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua
residência, só podendo dela ausentar-se com autorização judicial.
Art. 318 CPP. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:
I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com
deficiência;
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;

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VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade
incompletos.
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste
artigo.
Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por
crianças ou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que:
I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa;
II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente.
Art. 318-B. A substituição de que tratam os arts. 318 e 318-A poderá ser efetuada sem prejuízo da
aplicação concomitante das medidas alternativas previstas no art. 319 deste Código.

- Enquanto a prisão domiciliar prevista na LEP tem natureza penal, isto é, funciona como
modalidade de prisão aberta e tem como pressuposto o trânsito em julgado da sentença
condenatória. Aquela prevista no CPP é dotada de natureza cautelar.
- As hipóteses que autorizam uma e outra não são exatamente idênticas.
- STJ - A execução de condenação definitiva em prisão domiciliar, em regra, somente é admitida ao
reeducando do regime aberto, desde que seja maior de 70 anos, portador de doença grave, ou
mulher gestante ou mãe de menor ou deficiente físico ou mental (art. 117 da LEP). Porém,
excepcionalmente, se admite a concessão do benefício às presas dos regimes fechado e
semiaberto quando verificado pelo juízo da execução penal, no caso concreto - em juízo de
ponderação entre o direito à segurança pública e a aplicação dos princípios da proteção
integral da criança e da pessoa com deficiência -, que tal medida seja proporcional, adequada e
necessária e que a presença da mãe seja imprescindível para os cuidados da criança ou pessoa com
deficiência, salvo se a periculosidade e as condições pessoais da reeducanda indiquem que o
benefício não atenda os melhores interesses da criança ou pessoa com deficiência.
- STF - A Suprema Corte, no julgamento do HC Coletivo n. 143.641/SP, concedeu a ordem para
determinar a substituição da prisão preventiva pela domiciliar [...] de todas as mulheres presas,
gestantes, puérperas ou mães de crianças e deficientes, [...] excetuados os casos de crimes
praticados por elas mediante violência ou grave ameaça, contra seus descendentes ou, ainda, em
situações excepcionalíssimas, as quais deverão ser devidamente fundamentadas.
- STJ - A jurisprudência desta Corte tem se orientado no sentido de que deve ser dada uma
interpretação extensiva tanto ao julgado proferido pelo Supremo Tribunal Federal no Habeas
Corpus coletivo n. 143.641, que somente tratava de prisão preventiva de mulheres gestantes ou
mães de crianças de até 12 anos, quanto ao art. 318-A do Código de Processo Penal, para autorizar
também a concessão de prisão domiciliar às rés em execução provisória ou definitiva da pena, ainda
que em regime fechado.
- STJ - Concessão de prisão domiciliar regulada no art. 117 da LEP, em qualquer momento do
cumprimento da pena, ainda que em regime fechado, desde que excepcionalidade do caso concreto
imponha, tem sido reconhecida por esta Corte Superior.

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- STF - Também a Suprema Corte tem admitido, em situações absolutamente excepcionais, a
concessão de prisão domiciliar a regimes mais severos de execução penal, a exemplo das ordens
implementadas nas hipóteses em que o condenado estiver acometido de doença grave, a demandar
tratamento específico, incompatível com o cárcere ou impassível de ser oferecido pelo Estado.
- É cabível a substituição da prisão civil por dívida de alimentos em prisão domiciliar? STJ - A
prisão civil possui função essencialmente coativa, uma vez que busca, por meio de uma técnica de
coerção, refrear a eventual renitência do devedor e compeli-lo a adimplir, tempestivamente, a
obrigação alimentar. A substituição da prisão civil por prisão domiciliar é admitida apenas em
situações excepcionais, tal como na espécie, em que o paciente demonstra ter sido acometido
por doenças graves - esclerose múltipla, diabetes e poliartrose - que inspiram cuidados
médicos contínuos, sem quais há risco de morte ou de danos graves à sua saúde e integridade
física.
- Nada diz a Lei de Execução Penal quanto à natureza do crime como requisito para a concessão da
prisão domiciliar. Portanto, é aplicável a qualquer espécie de infração penal.
- Na hipótese de condenado acometido de doença grave – Há necessidade de se demonstrar que o
tratamento médico do qual necessita não pode ser ministrado de maneira adequada no
estabelecimento prisional.
- Na hipótese de condenada ou condenado com filho menor ou deficiente físico ou mental é de rigor
a demonstração de que a condenada ou condenado é, de fato, o responsável por cuidar do filho
menor.
- Na hipótese de condenada gestante a LEP não faz nenhuma ressalva quanto ao momento da
gestação, nem tampouco ao fato de se tratar de gravidez de alto ou baixo risco.
- O CPP prevê outras hipóteses de substituição da prisão preventiva pelo domiciliar (mulher com
filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; homem, caso seja o único responsável pelos
cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. A prisão preventiva imposta à
mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência será
substituída por prisão domiciliar, desde que: não tenha cometido crime com violência ou grave
ameaça a pessoa; não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente.). Há precedentes do
STJ admitindo a concessão de prisão domiciliar em circunstâncias semelhantes mesmo em se
tratando de prisão penal.
- Recai sobre o interessado o ônus de comprovar categoricamente uma das situações que autorizam
a prisão domiciliar.
Fiscalização da prisão domiciliar
- Nas hipóteses em que a execução penal estiver em tramitação em determinado Estado da
Federação, mas o acusado tiver residência em outro, impõe-se a expedição de carta precatória com a
finalidade de fiscalização de prisão domiciliar, devendo recair sobre o Juízo deprecado a obrigação
de fornecer tornozeleira eletrônica, quando disponível, e de fiscalizar a medida.
Caso não seja possível a utilização do monitoramento eletrônico, não há óbice ao emprego de
vigilância contínua na residência. Art. 3º Lei n. 5.256/1967. Por ato de ofício do juiz, a

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requerimento do Ministério Público ou da autoridade policial, o beneficiário da prisão domiciliar
poderá ser submetido a vigilância policial, exercida sempre com discrição e sem constrangimento
para o réu ou indiciado e sua família.
- Saídas controladas – toda e qualquer saída do agente de sua residência pressupõe prévia
autorização judicial, que pode ser:
I – específica – nesse caso, é possível a aplicação analógica do art. 120 LEP
Art. 120 LEP. Os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semi-aberto e os presos
provisórios poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando
ocorrer um dos seguintes fatos:
I - falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão;
II - necessidade de tratamento médico (parágrafo único do artigo 14).
Parágrafo único. A permissão de saída será concedida pelo diretor do estabelecimento onde se
encontra o preso.

Art. 121. A permanência do preso fora do estabelecimento terá a duração necessária à finalidade
da saída.

II – genérica – para situações mais amplas e corriqueiras, tais como frequência a cultos religiosos,
cursos profissionalizantes, ou de instrução de 2º ou superior.

Autorizações de saída

- As autorizações de saída são o gênero, do qual são espécies as permissões de saída e as saídas
temporárias. Podem ser concedidos aos apenados dos regimes fechado ou semiaberto.
- Permissões de saída – razões humanitárias.
- Saídas temporárias – incentivar um melhor relacionamento do condenado com o mundo exterior.
- STJ - O ingresso no regime prisional semiaberto é apenas um pressuposto que pode,
eventualmente, legitimar a concessão de autorizações de saídas em qualquer de suas modalidades -
permissão de saída ou saída temporária - sem, contudo, caracterizar um direito subjetivo do
reeducando à obtenção de alguma dessas benesses, devendo o juízo das execuções criminais
avaliar, em cada caso concreto, a pertinência e a razoabilidade em deferir a pretensão. Não estamos
diante de um direito subjetivo do condenado.
- Permissão de saída pela necessidade de tratamento médico - Art. 41 LEP - Constituem direitos
do preso: VII - assistência material, à saúde, jurídica, educacional, social e religiosa;

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Art. 14 LEP. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e curativo,
compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico.
§ 2º Quando o estabelecimento penal não estiver aparelhado para prover a assistência médica
necessária, esta será prestada em outro local, mediante autorização da direção do
estabelecimento.

§ 3o Será assegurado acompanhamento médico à mulher, principalmente no pré-natal e no pós-


parto, extensivo ao recém-nascido.
§ 4º Será assegurado tratamento humanitário à mulher grávida durante os atos médico-hospitalares
preparatórios para a realização do parto e durante o trabalho de parto, bem como à mulher no
período de puerpério, cabendo ao poder público promover a assistência integral à sua saúde e à do
recém-nascido.
Como se vê, a LEP autoriza que a assistência à saúde seja prestada em outro local, mediante
autorização da direção do estabelecimento.
A permissão de saída tem como destinatários o condenado que cumpre pena em regime fechado ou
semiaberto e o preso cautelar, diferenciando-se da saída temporária, que pode ser concedida apenas
àqueles que cumprem pena em regime semiaberto (art. 122 LEP).
- A atribuição para a concessão das permissões de saída recai sobre o diretor do
estabelecimento prisional, dispensando-se qualquer intervenção judicial prévia. Do
indeferimento nada impede que o preso suscite a instauração do procedimento de excesso ou desvio
perante o Juízo da Execução (arts. 185, 186 e 194 LEP)

Art. 185 LEP. Haverá excesso ou desvio de execução sempre que algum ato for praticado além dos
limites fixados na sentença, em normas legais ou regulamentares.
Art. 186 LEP. Podem suscitar o incidente de excesso ou desvio de execução:
I - o Ministério Público;
II - o Conselho Penitenciário;
III - o sentenciado;
IV - qualquer dos demais órgãos da execução penal.
Art. 194 LEP. O procedimento correspondente às situações previstas nesta Lei será judicial,
desenvolvendo-se perante o Juízo da execução.

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Saída temporária

- Art. 122 LEP. Os condenados que cumprem pena em regime semi-aberto poderão obter
autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância direta, nos seguintes casos:
II - freqüência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou
superior, na Comarca do Juízo da Execução;
§ 1º A ausência de vigilância direta não impede a utilização de equipamento de monitoração
eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz da execução.
§ 2º Não terá direito à saída temporária de que trata o caput deste artigo ou a trabalho externo
sem vigilância direta o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo ou com violência
ou grave ameaça contra pessoa.
§ 3º Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante ou de instrução de ensino médio ou
superior, o tempo de saída será o necessário para o cumprimento das atividades discentes.

Art. 123 LEP. A autorização será concedida por ato motivado do Juiz da execução, ouvidos o
Ministério Público e a administração penitenciária e dependerá da satisfação dos seguintes
requisitos:
I - comportamento adequado;
II - cumprimento mínimo de 1/6 (um sexto) da pena, se o condenado for primário, e 1/4 (um
quarto), se reincidente;
III - compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

Art. 125. O benefício será automaticamente revogado quando o condenado praticar fato definido
como crime doloso, for punido por falta grave, desatender as condições impostas na autorização
ou revelar baixo grau de aproveitamento do curso.
Parágrafo único. A recuperação do direito à saída temporária dependerá da absolvição no processo
penal, do cancelamento da punição disciplinar ou da demonstração do merecimento do
condenado.

- Única hipótese de saída temporária: freqüência a curso supletivo profissionalizante, bem


como de instrução do 2º grau ou superior, na Comarca do Juízo da Execução. Pelo menos em
regra, a assistência educacional deverá ser oferecida no interior do estabelecimento prisional.
Importante instrumento de aprimoramento do seu sentido de responsabilidade no convívio social.
- O novo tratamento conferido à saída temporária afastou a sua vocação como instrumento
integrativo ao restabelecimento da vínculo familiar.

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- A ausência de vigilância direta não impede a utilização de equipamento de monitoração eletrônica
pelo condenado. Eventual recusa do condenado em se sujeitar ao monitoramento eletrônico impede
que ele passe a usufruir da saída temporária.
- A saída temporária só pode ser concedida aos condenados que cumprem pena em regime
semiaberto. Não há falar, portanto, em concessão do benefício àqueles condenados que cumprem
pena em regime fechado. Quanto ao preso do regime aberto, parte da doutrina e da jurisprudência
admite a concessão do benefício.
- Diversamente do que ocorre em relação à permissão de saída, não há previsão legal de concessão
da saída temporária aos presos cautelares.
- A saída temporária deve ser concedida, se acaso atendidos, cumulativamente, os requisitos
previstos no art. 123 LEP. O condenado deve demonstrar que não sofreu nenhuma sanção
disciplinar em momento recente e que não se mostra refratário em relação aos deveres previstos no
art. 39 LEP. Deve ser considerado todo o período de execução da pena.
- Súmula n. 40 STJ: “Para obtenção dos benefícios de saída temporária e trabalho externo,
considera-se o tempo de cumprimento da pena no regime fechado.”
- STJ – A prática de falta grave durante o cumprimento da pena não acarreta a alteração da data-
base para fins de saída temporária.
- Se ficar evidenciado que o preso não possui autodisciplina e responsabilidade suficientes, impõe-
se a denegação do benefício.
- Não terá direito à saída temporária ou a trabalho externo sem vigilância direta o condenado
que cumpre pena por praticar crime hediondo ou com violência ou grave ameaça contra pessoa.
Por se tratar de evidente exemplo de novatio legis in pejus, o novo regramento só deverá ser
aplicado aos crimes cometidos após a vigência da Lei n. 14.843/2024.
- Diversamente da permissão de saída, que é autorizada pelo diretor do estabelecimento prisional, a
saída temporária só pode ser autorizada pelo juízo da execução por meio do respectivo
procedimento judicial.
Art. 66 LEP. Compete ao Juiz da execução: IV - autorizar saídas temporárias. Ato motivado do
Juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária. A autorização
das saídas temporárias é ato jurisdicional da competência do Juízo das Execuções Penais.
Súmula n. 520 STJ: “O benefício de saída temporária no âmbito da execução penal é ato
jurisdicional insuscetível de delegação à autoridade administrativa do estabelecimento prisional.”
A ausência de oitiva do Ministério Público e da administração penitenciária implica em nulidade
absoluta.
- Possibilidade de revogação automática do benefício da saída temporária. Não se exige,
portanto, a oitiva prévia do condenado, nem tampouco o exaurimento do respectivo procedimento
administrativo. O poderá revogar o benefício de ofício. Não impede que a medida seja requerida
pelo Ministério Público em sua atividade de fiscalização da regularidade da execução da pena.

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Art. 67 LEP. O Ministério Público fiscalizará a execução da pena e da medida de segurança,
oficiando no processo executivo e nos incidentes da execução.
Art. 68 LEP. Incumbe, ainda, ao Ministério Público:
I - fiscalizar a regularidade formal das guias de recolhimento e de internamento;
II - requerer:
a) todas as providências necessárias ao desenvolvimento do processo executivo;
b) a instauração dos incidentes de excesso ou desvio de execução;
c) a aplicação de medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida de segurança;
d) a revogação da medida de segurança;
e) a conversão de penas, a progressão ou regressão nos regimes e a revogação da suspensão
condicional da pena e do livramento condicional;
f) a internação, a desinternação e o restabelecimento da situação anterior.
III - interpor recursos de decisões proferidas pela autoridade judiciária, durante a execução.
Parágrafo único. O órgão do Ministério Público visitará mensalmente os estabelecimentos
penais, registrando a sua presença em livro próprio.

- Se a prática de fato definido como crime doloso ou de falta grave, isoladamente considerada, já é
causa de regressão do regime semiaberto para o fechado (art. 118, I, LEP), deve igualmente
provocar a revogação do benefício em comento.
- Não retorno do condenado – sem apresentação de qualquer justificativa razoável caracteriza a falta
grave (art. 50, II, LEP), e, por consequência, a revogação do benefício e a regressão de regime.
- Convém ressaltar que o descumprimento dos deveres relativos ao monitoramento eletrônico,
quando determinado pelo juiz, também deverá dar ensejo à revogação da saída temporária.
- Quanto à recuperação do direito à saída temporária convém frisar apenas a absolvição transitada
em julgado será capaz de produzir esse efeito. Idem para arquivamento de inquérito policial. Por um
período de tempo considerável, o condenado modificou seu comportamento no interior do
estabelecimento prisional.

Remição

Art. 126 LEP. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poderá remir,
por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução da pena.

§ 1o A contagem de tempo referida no caput será feita à razão de:

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I - 1 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de frequência escolar - atividade de ensino
fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação
profissional - divididas, no mínimo, em 3 (três) dias;

II - 1 (um) dia de pena a cada 3 (três) dias de trabalho.

§ 2o As atividades de estudo a que se refere o § 1 o deste artigo poderão ser desenvolvidas de


forma presencial ou por metodologia de ensino a distância e deverão ser certificadas pelas
autoridades educacionais competentes dos cursos frequentados.

§ 3o Para fins de cumulação dos casos de remição, as horas diárias de trabalho e de estudo serão
definidas de forma a se compatibilizarem.

§ 4o O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos estudos


continuará a beneficiar-se com a remição.

§ 5o O tempo a remir em função das horas de estudo será acrescido de 1/3 (um terço) no caso
de conclusão do ensino fundamental, médio ou superior durante o cumprimento da pena, desde que
certificada pelo órgão competente do sistema de educação.

§ 6o O condenado que cumpre pena em regime aberto ou semiaberto e o que usufrui liberdade
condicional poderão remir, pela frequência a curso de ensino regular ou de educação
profissional, parte do tempo de execução da pena ou do período de prova, observado o disposto no
inciso I do § 1o deste artigo.

§ 7o O disposto neste artigo aplica-se às hipóteses de prisão cautelar. .

§ 8o A remição será declarada pelo juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a


defesa.

Art. 127 LEP. Em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo
remido, observado o disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração
disciplinar.

Art. 128 LEP. O tempo remido será computado como pena cumprida, para todos os
efeitos.

Art. 129. A autoridade administrativa encaminhará mensalmente ao juízo da execução cópia


do registro de todos os condenados que estejam trabalhando ou estudando, com informação
dos dias de trabalho ou das horas de frequência escolar ou de atividades de ensino de cada um
deles.

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§ 1o O condenado autorizado a estudar fora do estabelecimento penal deverá comprovar
mensalmente, por meio de declaração da respectiva unidade de ensino, a frequência e o
aproveitamento escolar.

§ 2o Ao condenado dar-se-á a relação de seus dias remidos.


Art. 130. Constitui o crime do artigo 299 do Código Penal declarar ou atestar falsamente prestação
de serviço para fim de instruir pedido de remição.

- O deferimento da remição independe da natureza do delito. O direito à remição pressupõe o


efetivo exercício de atividades laborais ou estudantis por parte do preso, o qual deve comprovar, de
modo inequívoco, seu real envolvimento no processo ressocializador.
- Art. 66 LEP. Compete ao Juiz da execução: III - decidir sobre: c) detração e remição da pena. A
remição deve ser declarada pelo Juízo da Execução. Para tanto, é de rigor a observância do
contraditório e da ampla defesa.

Art. 126 LEP, § 8o A remição será declarada pelo juiz da execução, ouvidos o Ministério
Público e a defesa.
- Não se admite a remição pelo trabalho em relação ao condenado que cumpre pena no regime
aberto. No regime aberto, a remição somente é conferida se há frequência a curso de ensino regular
ou de educação profissional.
- A jurisprudência tem admitido a remição da pena pela atividade laboral inclusive de representante
de galeria. Igualmente para permitir a remição da pena pela leitura, pelo estudo por conta própria e
por tarefas de artesanato.
- STF- É obrigatório o cômputo de tempo de trabalho nas hipóteses em que o sentenciado, por
determinação da administração penitenciária, cumpra jornada inferior ao mínimo legal de 6 (seis)
horas, vale dizer, em que essa jornada não derive de ato insubmissão ou de indisciplina do preso. Os
princípios da segurança jurídica e da proteção da confiança tornam indeclinável o dever estatal de
honrar o compromisso de remir a pena do sentenciado, legítima contraprestação ao trabalho
prestado por ele na forma estipulada pela administração penitenciária, sob pena de desestímulo ao
trabalho e à ressocialização.
- STJ – O que realmente importa é verificar se o condenado exerceu atividades laborativas, pouco
importando, se houve ou não autorização do juízo da execução ou da direção do estabelecimento
prisional nesse sentido.
- Absolutamente indiferente o fato de o trabalho ser exercido dentro ou fora do ambiente carcerário.
Súmula n. 562 STJ: “É possível a remição de parte do tempo de execução da pena quando o
condenado, em regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade laborativa, ainda que
extramuros.”
- Não se admite a remição por trabalho executado em momento anterior à prática do delito referente
à pena a ser remida.

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- STJ - no caso de superação da jornada máxima de 8 horas, o Superior Tribunal de Justiça firmou
entendimento de que "eventuais horas extras devem ser computadas quando excederem a oitava
hora diária, hipótese em que se admite o cômputo do excedente para fins de remição de pena".
Diferentemente, para o caso de estudo, a jornada máxima está prevista na LEP, ao descrever que a
remição é de "1 (um) dia de pena a cada 12 (doze) horas de frequência escolar - atividade de ensino
fundamental, médio, inclusive profissionalizante, ou superior, ou ainda de requalificação
profissional - divididas, no mínimo, em 3 (três) dias" (que resulta média máxima de 4 horas por
dia). Todavia, a circunstância de a LEP limitar apenas as horas de estudos não pode impedir a
equiparação com a situação da remição por trabalho. A mens legis que mais se aproxima da intenção
ressocializadora da LEP é a de que tal detalhamento, no inciso II, seria na verdade despiciendo,
porque o propósito da norma foi o de reger-se pela jornada máxima prevista pela legislação
trabalhista. Não é possível interpretar o art. 126 como se o Legislador tivesse diferenciado as
hipóteses de remição para impedir que apenas as horas excedentes de estudo não pudessem ser
remidas - o que, a propósito, não está proibido expressamente para nenhuma das duas
circunstâncias.
Portanto, o tempo excedido ao limite legal de 12 horas a cada 3 dias também deve ser
considerado para diminuir a pena, para guardar isonomia com a hipótese de remição por
trabalho.
- O fato de o estabelecimento penal assegurar acesso a atividades laborais e à educação formal não
impede a remição por leitura e resenha de livros. Há precedentes do STJ admitindo o direito à
remição, inclusive em virtude da atividade realizada em coral.
- Art. 3º Resolução n. 391 CNJ. O reconhecimento do direito à remição de pena pela participação
em atividades de educação escolar considerará o número de horas correspondente à efetiva
participação da pessoa privada de liberdade nas atividades educacionais, independentemente
de aproveitamento, exceto, quanto ao último aspecto, quando a pessoa tiver sido autorizada a
estudar fora da unidade de privação de liberdade, hipótese em que terá de comprovar,
mensalmente, por meio da autoridade educacional competente, a frequência e o
aproveitamento escolar.
Parágrafo único. Em caso de a pessoa privada de liberdade não estar vinculada a atividades
regulares de ensino no interior da unidade e realizar estudos por conta própria, ou com
acompanhamento pedagógico não-escolar, logrando, com isso, obter aprovação nos exames que
certificam a conclusão do ensino fundamental ou médio (Encceja ou outros) e aprovação no Exame
Nacional do Ensino Médio - Enem, será considerada como base de cálculo para fins de cômputo das
horas visando à remição da pena 50% (cinquenta por cento) da carga horária definida legalmente
para cada nível de ensino, fundamental ou médio, no montante de 1.600 (mil e seiscentas) horas
para os anos finais do ensino fundamental e 1.200 (mil e duzentas) horas para o ensino médio
ou educação profissional técnica de nível médio, conforme o art. 4o da Resolução no 03/2010 do
Conselho Nacional de Educação, acrescida de 1/3 (um terço) por conclusão de nível de educação, a
fim de se dar plena aplicação ao disposto no art. 126, § 5º, da LEP.
- Vedada a remição ficta ou virtual, exceto à hipótese excepcionalíssima da pandemia de Covid-19.
STJ - Conforme jurisprudência assente nesta Corte Superior, a ausência de previsão legal específica

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impossibilita a concessão de remição da pena pelo simples fato de o Estado não propiciar meios
necessários para o labor ou a educação de todos os custodiados. Entende-se, portanto, que a
omissão estatal não pode implicar remição ficta da pena, haja vista a ratio do referido benefício,
que é encurtar o tempo de pena mediante a efetiva dedicação do preso a atividades lícitas e
favoráveis à sua reinserção social e ao seu progresso educativo.
STJ - Tese: Nada obstante a interpretação restritiva que deve ser conferida ao art. 126, §4º, da LEP,
os princípios da individualização da pena, da dignidade da pessoa humana, da isonomia e da
fraternidade, ao lado da teoria da derrotabilidade da norma e da situação excepcionalíssima da
pandemia de covid-19, impõem o cômputo do período de restrições sanitárias como de efetivo
estudo ou trabalho em favor dos presos que já estavam trabalhando ou estudando e se viram
impossibilitados de continuar seus afazeres unicamente em razão do estado pandêmico.
- STJ - Tratando-se de trabalho de natureza eventual, incabível a aplicação da remição ficta,
porquanto não se pode presumir que o trabalho deixou de ser oferecido e exercido em razão do
estado pandêmico.

- Não consta da LEP qualquer limitação à remição da pena. Art. 126 LEP, § 3 o Para fins de
cumulação dos casos de remição, as horas diárias de trabalho e de estudo serão definidas de
forma a se compatibilizarem. A LEP admite expressamente a remição cumulativa.
- Livramento condicional – o liberado condicional não tem direito à remição pelo trabalho, eis que
uma das condições inerentes ao livramento condicional já é bom desempenho no trabalho que lhe
foi atribuído (Art. 83, III, c do CP). Admite-se, todavia, a remição pelo estudo para o condenado
que usufrui do livramento condicional.
- Prestação de serviços à comunidade – não há possibilidade de remição pelo trabalho, vez que a
prestação de serviços já é a própria pena que lhe foi imposta.
- O tempo remido será computado como pena cumprida, para todos os efeitos – O tempo
remido deve ser somado ao tempo de pena cumprida.
- A autoridade administrativa encaminhará mensalmente ao juízo da execução cópia do
registro de todos os condenados que estejam trabalhando ou estudando. O condenado
autorizado a estudar fora do estabelecimento penal deverá comprovar mensalmente, por meio de
declaração da respectiva unidade de ensino, a frequência e o aproveitamento escolar.
- STF – A ineficiência do Estado em fiscalizar as horas de estudo realizadas à distância pelo
condenado não pode obstaculizar o seu direito de remição de pena, sendo suficiente para comprová-
las a certificação fornecida pela entidade educacional.
Art. 41 LEP - Constituem direitos do preso: XVI – atestado de pena a cumprir, emitido anualmente,
sob pena da responsabilidade da autoridade judiciária competente.

Art. 129 LEP. § 2o Ao condenado dar-se-á a relação de seus dias remidos.

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- O preso impossibilitado, por acidente, de prosseguir no trabalho ou nos estudos continuará
a beneficiar-se com a remição. Há precedentes do STJ no sentido de que o acidente em questão
não necessariamente precisa guardar relação com as atividades laborativas do apenado.
Falta grave e perda dos dias remidos
- Art. 127 LEP. Em caso de falta grave, o juiz poderá revogar até 1/3 (um terço) do tempo
remido, observado o disposto no art. 57, recomeçando a contagem a partir da data da infração
disciplinar. Devendo, para tanto, se valer motivadamente dos critérios elencados pelo art. 57 da
LEP (natureza, motivos, circunstâncias e consequências do fato, pessoa do faltoso e tempo de
prisão).
Evidente exemplo de novatio legis in mellius, esse novo regramento deverá retroagir em favor dos
condenados que tiveram declarada a perda da integralidade dos dias remidos, desde que ainda não
tenha ocorrido a extinção da pena.
A discricionariedade que o magistrado possui recai exclusivamente sobre a fixação do quantum de
tempo a ser perdido, observado o limite máximo de ⅓ (um terço).
A perda dos dias remidos não pode alcançar os dias trabalhados após a cometimento da falta grave.
É imprescindível a efetiva punição pela falta grave, imposta ao final de procedimento
administrativo disciplinar regularmente instaurado no âmbito do estabelecimento prisional. Súmula
n. 533 STJ: “Para o reconhecimento da prática de falta disciplinar no âmbito da execução
penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo diretor do
estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado
constituído ou defensor público nomeado.”
- STJ - A jurisprudência do STJ entende que a realização da audiência de justificação para
homologação de falta grave é dispensável, desde que a falta disciplinar tenha sido apurada em
regular procedimento administrativo disciplinar (PAD) no qual se asseguraram o contraditório e a
ampla defesa ao apenado.
Conforme precedentes da Quinta Turma do STJ, a audiência de justificação somente se torna
imprescindível quando o reconhecimento da falta grave acarreta consequências
particularmente gravosas ao reeducando, como a regressão definitiva do regime prisional,
sendo necessária a oitiva judicial para assegurar o pleno exercício da ampla defesa.

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Suspensão condicional da pena

- Art. 77 CP - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá
ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
I - o condenado não seja reincidente em crime doloso;
II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os
motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício;
III - Não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código.
§ 1º - A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício.

§ 2o A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos, poderá ser suspensa,
por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos de idade, ou razões de
saúde justifiquem a suspensão.
Art. 78 CP - Durante o prazo da suspensão, o condenado ficará sujeito à observação e ao
cumprimento das condições estabelecidas pelo juiz.
§ 1º - No primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviços à comunidade (art. 46) ou
submeter-se à limitação de fim de semana (art. 48).
§ 2° Se o condenado houver reparado o dano, salvo impossibilidade de fazê-lo, e se as
circunstâncias do art. 59 deste Código lhe forem inteiramente favoráveis, o juiz poderá
substituir a exigência do parágrafo anterior pelas seguintes condições, aplicadas cumulativamente
a) proibição de frequentar determinados lugares;
b) proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do juiz;
c) comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar suas
atividades.
Art. 79 CP - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão,
desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado.
Art. 80 CP - A suspensão não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa.

Revogação obrigatória
Art. 81 CP - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo
justificado, a reparação do dano;
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código.

41
Revogação facultativa
§ 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra condição
imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena
privativa de liberdade ou restritiva de direitos.

Prorrogação do período de prova


§ 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se
prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo.
§ 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período
de prova até o máximo, se este não foi o fixado.

Cumprimento das condições


Art. 82 CP - Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena
privativa de liberdade.
- No sistema franco-belga o sursis é a suspensão condicional da execução da pena privativa de
liberdade durante um período de prova pelo juiz do processo de conhecimento, conquanto
preenchidos certos requisitos legais previstos no art. 77 CP.
- Segundo o art. 15, III, da Constituição da República, é vedada a cassação de direitos políticos, cuja
perda ou suspensão só se dará nos casos de condenação criminal transitada em julgado, enquanto
durarem seus efeitos. O sursis implica a suspensão dos direitos políticos, pelo menos até que seja
declarada a extinção da pena privativa de liberdade em virtude do decurso do período de prova.
- O sursis tem natureza jurídica de direito público subjetivo do condenado, uma vez preenchidos
os requisitos, será de rigor a concessão do benefício. Art. 157 LEP. O Juiz ou Tribunal, na sentença
que aplicar pena privativa de liberdade, na situação determinada no artigo anterior, deverá
pronunciar-se, motivadamente, sobre a suspensão condicional, quer a conceda, quer a denegue.
- A suspensão condicional da pena não se confunde com a suspensão condicional do processo
prevista no art. 89 Lei n. 9.099/1995.
Art. 89 Lei n. 9099/1995. Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um
ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor
a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo
processado ou não tenha sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que
autorizariam a suspensão condicional da pena (art. 77 do Código Penal).
§ 1º Aceita a proposta pelo acusado e seu defensor, na presença do Juiz, este, recebendo a
denúncia, poderá suspender o processo, submetendo o acusado a período de prova, sob as seguintes
condições:
I - reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo;

42
II - proibição de freqüentar determinados lugares;
III - proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização do Juiz;
IV - comparecimento pessoal e obrigatório a juízo, mensalmente, para informar e justificar
suas atividades.
§ 2º O Juiz poderá especificar outras condições a que fica subordinada a suspensão, desde que
adequadas ao fato e à situação pessoal do acusado.
§ 3º A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário vier a ser processado por
outro crime ou não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano.
§ 4º A suspensão poderá ser revogada se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por
contravenção, ou descumprir qualquer outra condição imposta.
§ 5º Expirado o prazo sem revogação, o Juiz declarará extinta a punibilidade.
§ 6º Não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão do processo.
§ 7º Se o acusado não aceitar a proposta prevista neste artigo, o processo prosseguirá em seus
ulteriores termos.
- A suspensão condicional do processo busca inspiração no sistema do “probation of first
offenders”, por meio do qual o magistrado determina o sobrestamento do processo penal, desde que
o acusado se sujeite ao cumprimento de certas condições não privativas de liberdade, sem, porém,
declará-lo culpado. A suspensão condicional do processo é negócio jurídico celebrado entre o autor
do fato delituoso e o titular da ação penal. Súmula n. 337 STJ: “É cabível a suspensão condicional
do processo na desclassificação do crime e na procedência parcial da pretensão punitiva.”
- O sursis acarreta a suspensão da execução de uma pena privativa de liberdade por razões de
política criminal. Tem-se como irrefutável o fato de que se trata de indivíduo que foi condenado por
sentença condenatória irrecorrível. O sursis pressupõe, em regra, que a pena privativa de liberdade
não seja superior a 2 (dois) anos.
- Para fins de concessão da suspensão condicional do processo, o art. 89 Lei n. 9.099/1995
estabelece que aos crimes e contravenções deverá ser cominada pena mínima igual ou inferior a 1
(um) ano. O agente que aceitar uma proposta de suspensão condicional do processo não implica
aceitação de culpa.
- O sursis não se estende às penas restritivas de direitos nem à multa. Também não se aplica o sursis
nos casos de medida de segurança, vez que não se trata de espécie de pena privativa de liberdade.
- Art. 77, § 2.o LEP. A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos,
poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior de setenta anos
de idade (sursis etário), ou razões de saúde justifiquem a suspensão (sursis humanitário).
- Art. 16 Lei n. 9.605/1998. Nos crimes previstos nesta Lei, a suspensão condicional da pena pode
ser aplicada nos casos de condenação a pena privativa de liberdade não superior a três anos.
Crimes ambientais.

43
- No período de prova o condenado deverá revelar boa conduta, bem como cumprir todas as
condições que lhe foram impostas pelo Judiciário. O período de prova deve ser fixado pelo
magistrado levando-se em consideração a natureza do delito, a personalidade do agente e a
severidade da pena. Esse lapso temporal começa a fluir a contar da audiência admonitória,
contando-se o dia do início, já que estamos diante de matéria de direito penal (art. 10 CP).
- Não ser indicada ou cabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
Relação de prejudicialidade, pois a suspensão condicional da pena somente será cabível quando não
tiver lugar a aplicação das penas restritivas de direito. O sursis teve seu campo de aplicação
sensivelmente reduzido.
- Não há mais razão legal, jurisprudencial ou doutrinária que justifique a negativa da suspensão de
execução da pena aos condenados por tráfico privilegiado, já que a conversão da pena em restritiva
de direitos é norma mais benéfica e que tem aplicação com juízo de precedência sobre o sursis. É
desproporcional e carece de razoabilidade a negativa de concessão de sursis em sede de tráfico
privilegiado.
- Requisitos subjetivos, a saber:
I – condenado não reincidente em crime doloso – A reincidência em crime culposo ou anterior
condenação por contravenção penal não podem funcionar como óbice à concessão do benefício.
Súmula n. 499 STF: “Não obsta à concessão do "sursis" condenação anterior à pena de multa.”
II – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, bem como os
motivos e as circunstâncias do crime, autorizem a concessão do benefício. Não há necessidade de
que todas as circunstâncias sejam favoráveis. Basta que não sejam desfavoráveis de modo a criar
dúvidas fundadas sobre a possibilidade de o condenado voltar a delinquir.
Súmula n. 444 STJ: “É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para
agravar a pena-base.”
- Art. 54 Lei n. 13.445/2017. A expulsão consiste em medida administrativa de retirada
compulsória de migrante ou visitante do território nacional, conjugada com o impedimento de
reingresso por prazo determinado.
§ 1º Poderá dar causa à expulsão a condenação com sentença transitada em julgado relativa à
prática de:
I - crime de genocídio, crime contra a humanidade, crime de guerra ou crime de agressão, nos
termos definidos pelo Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional, de 1998, promulgado
pelo Decreto nº 4.388, de 25 de setembro de 2002 ; ou
II - crime comum doloso passível de pena privativa de liberdade, consideradas a gravidade e as
possibilidades de ressocialização em território nacional.
§ 2º Caberá à autoridade competente resolver sobre a expulsão, a duração do impedimento de
reingresso e a suspensão ou a revogação dos efeitos da expulsão, observado o disposto nesta Lei.
§ 3º O processamento da expulsão em caso de crime comum não prejudicará a progressão de
regime, o cumprimento da pena, a suspensão condicional do processo, a comutação da pena ou a

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concessão de pena alternativa, de indulto coletivo ou individual, de anistia ou de quaisquer
benefícios concedidos em igualdade de condições ao nacional brasileiro.
§ 4º O prazo de vigência da medida de impedimento vinculada aos efeitos da expulsão será
proporcional ao prazo total da pena aplicada e nunca será superior ao dobro de seu tempo.

- É perfeitamente possível que uma mesma pessoa obtenha, por duas ou mais vezes,
sucessivamente, a suspensão condicional das penas. Uma vez decorridos mais de cinco anos
entre o cumprimento ou a extinção da pena, o agente readquire a condição de primário. Ou ainda
que o condenado seja reincidente, uma ou ambas as infrações penais sejam crimes culposos ou
contravenções penais.
- STF – o período de prova do sursis não pode ser rotulada como “cumprimento de pena” para fins
de preenchimento do requisito temporal do indulto.
- Se o sursis funciona como causa de suspensão condicional da pena, revela-se inviável a detração,
portanto.
- O momento adequado para a concessão da suspensão condicional da pena – Em regra, o
sursis dever ser concedido na decisão condenatória (sentença ou acórdão).
Art. 157 LEP. O Juiz ou Tribunal, na sentença que aplicar pena privativa de liberdade, na situação
determinada no artigo anterior, deverá pronunciar-se, motivadamente, sobre a suspensão
condicional, quer a conceda, quer a denegue.
Art. 159 LEP. Quando a suspensão condicional da pena for concedida por Tribunal, a este caberá
estabelecer as condições do benefício.
§ 1º De igual modo proceder-se-á quando o Tribunal modificar as condições estabelecidas na
sentença recorrida.
§ 2º O Tribunal, ao conceder a suspensão condicional da pena, poderá, todavia, conferir ao
Juízo da execução a incumbência de estabelecer as condições do benefício, e, em qualquer
caso, a de realizar a audiência admonitória.

O recurso adequado para se insurgir contra a decisão que conceder ou denegar o benefício será a
apelação, nos exatos termos do art. 593, I, CPP.
Eventual insurgência das partes exclusivamente quanto às condições fixadas pelo Juízo da
Execução deverá ser materializada através do recurso de agravo em execução (art. 197 LEP).
Prevalece o entendimento de que o habeas corpus não é o instrumento adequado para discutir o
cabimento da suspensão condicional da pena (demanda ampla dilação probatória). Em casos de
flagrante ilegalidade ou abuso de poder, constatáveis de plano, sem necessidade de dilação
probatória, revela-se cabível a impetração do habeas corpus.
- Condições – Embora as condições sejam definidas na decisão condenatória, sua observância
somente será necessária depois do trânsito em julgado da condenação e tão somente após a

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realização da audiência de advertência das condições (audiência admonitória). Art. 160 LEP.
Transitada em julgado a sentença condenatória, o Juiz a lerá ao condenado, em audiência,
advertindo-o das consequências de nova infração penal e do descumprimento das condições
impostas.
Há precedentes do STJ no sentido de que a ausência do defensor do condenado na audiência
admonitória não configura nulidade, notadamente quando o condenado tiver aceitado o benefício e
estiver cumprindo-o regularmente.
Art. 79 CP - A sentença poderá especificar outras condições a que fica subordinada a
suspensão, desde que adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado. São as
denominadas condições judiciais (imposição de submissão a processo de desintoxicação, o
comparecimento periódico a clínica de recuperação de traumatizados e a frequência a aulas teóricas
em estabelecimento oficial de trânsito para fins de reeducação).
- Não há que se falar em coisa julgada no tocante às condições, mas apenas em relação à
concessão ou não do benefício. A LEP estabelece a possibilidade de modificação das regras do
sursis sem se limitar à alteração favorável ao condenado. É indispensável a oitiva prévia do
condenado.
- A fiscalização do cumprimento das condições do sursis é atribuição do serviço social
penitenciário, do patronato, do Conselho da Comunidade ou de instituição beneficiada com a
prestação de serviços. Sem excluir evidentemente, o Conselho Penitenciário ou Ministério Público.
Art. 158 LEP. Concedida a suspensão, o Juiz especificará as condições a que fica sujeito o
condenado, pelo prazo fixado, começando este a correr da audiência prevista no artigo 160 desta
Lei.
§ 1° As condições serão adequadas ao fato e à situação pessoal do condenado, devendo ser
incluída entre as mesmas a de prestar serviços à comunidade, ou limitação de fim de semana, salvo
hipótese do artigo 78, § 2º, do Código Penal.
§ 2º O Juiz poderá, a qualquer tempo, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou
mediante proposta do Conselho Penitenciário, modificar as condições e regras estabelecidas
na sentença, ouvido o condenado.
§ 3º A fiscalização do cumprimento das condições, reguladas nos Estados, Territórios e Distrito
Federal por normas supletivas, será atribuída a serviço social penitenciário, Patronato, Conselho da
Comunidade ou instituição beneficiada com a prestação de serviços, inspecionados pelo Conselho
Penitenciário, pelo Ministério Público, ou ambos, devendo o Juiz da execução suprir, por ato, a falta
das normas supletivas.
§ 4º O beneficiário, ao comparecer periodicamente à entidade fiscalizadora, para comprovar a
observância das condições a que está sujeito, comunicará, também, a sua ocupação e os salários ou
proventos de que vive.
§ 5º A entidade fiscalizadora deverá comunicar imediatamente ao órgão de inspeção, para os fins
legais, qualquer fato capaz de acarretar a revogação do benefício, a prorrogação do prazo ou a
modificação das condições.

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§ 6º Se for permitido ao beneficiário mudar-se, será feita comunicação ao Juiz e à entidade
fiscalizadora do local da nova residência, aos quais o primeiro deverá apresentar-se imediatamente.
- Quanto à mudança de residência, há necessidade de autorização judicial prévia.
- A LEP autoriza, todavia, que o Tribunal confira a incumbência de fixar as condições da suspensão
condicional da pena ao juízo da execução.
- Na eventualidade de o magistrado se esquecer de lançar as condições, incumbe à acusação opor
embargos de declaração.
- Não há, pois, qualquer óbice à fixação das condições do sursis pelo juízo da execução, mesmo nas
hipóteses em que houver omissão do juízo do processo de conhecimento. Não se pode falar em
ofensa à coisa julgada, pois esta diz respeito à concessão do sursis e não às condições, as quais
podem ser alteradas no curso da execução da pena.
- Cassação da suspensão condicional da pena – ocorre quando o benefício fica sem efeito antes
do início do período de prova. Há pelo menos 4 (quatro) hipóteses, a saber:
I – não comparecimento injustificado do condenado à audiência admonitória - Art. 161 LEP.
Se, intimado pessoalmente ou por edital com prazo de 20 (vinte) dias, o réu não comparecer
injustificadamente à audiência admonitória, a suspensão ficará sem efeito e será executada
imediatamente a pena;
II – renúncia do condenado ao sursis – Eventual renúncia do condenado ao sursis pode ocorrer
exclusivamente na audiência admonitória;
III – condenação irrecorrível do sursitário à pena privativa de liberdade não suspensa;
IV – majoração da pena privativa de liberdade para quantum superior a 2 (dois) anos em
eventual recurso da acusação.

Revogação da suspensão condicional da pena


- A revogação do sursis poderá ser obrigatória ou facultativa. Em ambas as hipóteses, é
necessária prévia oitiva do condenado, devidamente assistido pelo defesa técnica.
Art. 81 CP - A suspensão será revogada se, no curso do prazo, o beneficiário:
I - é condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;
II - frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a
reparação do dano;
III - descumpre a condição do § 1º do art. 78 deste Código. Descumprimento da prestação de
serviços à comunidade ou da sujeição à limitação de fim de semana.
É necessário o trânsito em julgado da sentença condenatória. Eventual condenação irrecorrível por
crime doloso à pena de multa não autoriza a revogação do sursis. Eventual perdão judicial
concedido ao sursitário em outro processo também não deverá funcionar como causa de revogação
do benefício.

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O Supremo Tribunal Federal não tem admitido a progressão de regimes aos condenados que
deliberadamente frustrarem o pagamento da multa.

Revogação facultativa
- Art. 81 CP, § 1º - A suspensão poderá ser revogada se o condenado descumpre qualquer outra
condição imposta ou é irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção,
a pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos.

Prorrogação do período de prova

- Art. 81 CP,
§ 2º - Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se
prorrogado o prazo da suspensão até o julgamento definitivo.
§ 3º - Quando facultativa a revogação, o juiz pode, ao invés de decretá-la, prorrogar o período
de prova até o máximo, se este não foi o fixado.
Na primeira hipótese nada mais razoável do que se aguardar o término do respectivo processo
criminal. Esta prorrogação é automática, isto é, independe de decisão judicial expressa nesse
sentido. A mera instauração de investigação policial não autoriza a prorrogação do período de
prova.
Na segunda hipótese há necessidade de decisão judicial expressa nesse sentido.
- Impossibilidade de prorrogação do período de prova após o seu decurso - Art. 82 CP -
Expirado o prazo sem que tenha havido revogação, considera-se extinta a pena privativa de
liberdade.

Detração
- A detração consiste no decurso do tempo de prisão cautelar ou de internação provisória do tempo
de prisão penal ou de medida de segurança imposto ao acusado em sentença condenatória transitada
em julgado. Evita-se, assim, um indesejado bis in idem, quer na execução da pena privativa de
liberdade, quer no cumprimento da medida de segurança.
- Art. 42 CP - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de
prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em
qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior.
- Art. 387 CPP. O juiz, ao proferir sentença condenatória:

§ 2o O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil ou no


estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de
liberdade.

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- Reconhecimento da detração pelo juízo do processo de conhecimento para fins de fixação do
regime inicial do cumprimento da pena privativa de liberdade. A detração deverá ser feita pelo
juiz sentenciante tão somente após a fixação da pena definitiva. A detração deve ser feita na própria
sentença condenatória.
- STJ – fixou a seguinte tese: “O período de recolhimento obrigatório noturno e nos dias de
folga, por comprometer o status libertatis do acusado, deve ser reconhecido como período a ser
detraído da pena privativa de liberdade e da medida de segurança, em homenagem aos princípios da
proporcionalidade e do non bis in idem; 2) O monitoramento eletrônico associado, atribuição do
Estado, não é condição indeclinável para a detração dos períodos de submissão a essas medidas
cautelares, não se justificando distinção de tratamento ao investigado ao qual não é determinado e
disponibilizado o aparelhamento; 3) As horas de recolhimento domiciliar noturno e nos dias de
folga devem ser convertidas em dias para contagem da detração da pena. Se no cômputo total
remanescer período menor que vinte e quatro horas, essa fração de dia deverá ser desprezada".
- STJ – já decidiu que o tempo de prisão cautelar efetivamente cumprida em regime domiciliar
deve ser computado na pena privativa de liberdade para fins de detração.
- STJ - “Esta Corte não admite a aplicação do instituto da detração penal à pena de prestação
pecuniária, por ausência de previsão legal.”
- Não há que se falar em detração em relação ao período de prova da suspensão condicional da
pena, que geralmente varia entre 2 (dois) e 4 (quatro) anos.
- Detração e prescrição - Art. 113 CP - No caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o
livramento condicional, a prescrição é regulada pelo tempo que resta da pena. STJ - o período de
prisão provisória do réu é levado em conta apenas para o desconto da pena a ser cumprida, sendo
irrelevante para fins de contagem do prazo prescricional, que deve ser analisado a partir da pena
concretamente imposta pelo julgador, e não do restante da reprimenda a ser executada pelo Estado.
O art. 113 CP não comporta interpretação extensiva nem analógica, tem aplicação restrita às
hipóteses de evasão do condenado ou de revogação do livramento condicional, não se referindo ao
tempo de prisão cautelar para efeito do cálculo da prescrição.
- Detração e prisão cautelar em processo diverso – STJ - É pacífica a jurisprudência desta Corte
Superior de Justiça no sentido de ser inviável a aplicação da detração penal em relação aos crimes
cometidos posteriormente à custódia cautelar. Entender de maneira contrária seria como conceder
possível "crédito" para que o indivíduo praticasse futuros delitos, já ciente do abatimento da pena.
Portanto, admite-se a detração, inclusive em processos que não guardam relação entre si, desde que
a segregação indevida seja posterior ao crime em que se requer a incidência do instituto.

Livramento condicional

Art. 83 CP - O juiz poderá conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de


liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que:

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I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado não for reincidente em crime doloso e
tiver bons antecedentes;
II - cumprida mais da metade se o condenado for reincidente em crime doloso;
III - comprovado:
a) bom comportamento durante a execução da pena;
b) não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses;
c) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e
d) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo, o dano causado pela infração;
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de condenação por crime hediondo, prática
de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo, se o
apenado não for reincidente específico em crimes dessa natureza.
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa, a concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições
pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinqüir.

Soma de penas
Art. 84 CP - As penas que correspondem a infrações diversas devem somar-se para efeito do
livramento.

Especificações das condições


Art. 85 CP - A sentença especificará as condições a que fica subordinado o livramento.

Revogação do livramento
Art. 86 CP - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de
liberdade, em sentença irrecorrível:
I - por crime cometido durante a vigência do benefício;
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código.

Revogação facultativa
Art. 87 CP - O juiz poderá, também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir
qualquer das obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por
crime ou contravenção, a pena que não seja privativa de liberdade.

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Efeitos da revogação
Art. 88 CP - Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido, e, salvo quando a
revogação resulta de condenação por outro crime anterior àquele benefício, não se desconta na
pena o tempo em que esteve solto o condenado.

Extinção
Art. 89 CP - O juiz não poderá declarar extinta a pena, enquanto não passar em julgado a
sentença em processo a que responde o liberado, por crime cometido na vigência do
livramento.
Art. 90 CP - Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena privativa
de liberdade.

- O livramento condicional consiste na fase final da execução da pena no sistema progressivo desde
que preenchidos determinados requisitos de ordem objetiva e subjetiva. A liberdade é antecipada,
condicional e precária. Sua duração é equivalente ao restante da pena a ser cumprida. Durante o
período de prova, o condenado beneficiado pelo livramento condicional é denominado de egresso.
- O livramento condicional funciona como verdadeiro direito subjetivo público do condenado.
- Competência – recai sobre o juízo da execução, mais precisamente sobre o juízo do lugar em que
o condenado cumpre sua pena privativa de liberdade. Art. 66 LEP. Compete ao Juiz da execução: III
- decidir sobre: e) livramento condicional. Da decisão caberá o agravo em execução. Art. 197 LEP.
Das decisões proferidas pelo Juiz caberá recurso de agravo, sem efeito suspensivo.
- O livramento condicional pressupõe que o agente tenha sido condenado à pena privativa de
liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos.
- O sursis terá o condão de suspender o cumprimento da pena (o agente não terá que cumprir um
único dia de pena). O livramento condicional pressupõe o cumprimento de parte da pena privativa
de liberdade.
- A concessão do livramento condicional independe da progressão de regime e pouco importa o
regime de pena a que está submetido o condenado, podendo ele encontrar-se no regime fechado,
semiaberto, ou aberto.
- Não há que se falar em livramento condicional nos casos de penas restritivas de direitos ou multa.
- STJ – o quantum da reprimenda imposta possui relevância apenas no que se refere ao requisito
objetivo, e a gravidade do delito exaure-se na fixação da pena, não podendo ser considerados para
efeito do livramento condicional.
- Na hipótese de o condenado encontrar-se cumprindo pena pela prática de dois ou mais crimes
haverá cúmulo das penas privativas de liberdade.

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- Na verificação do lapso mínimo de cumprimento de pena, deve ser considerado o período de
prisão cautelar, o tempo de internação em hospital psiquiátrico, o tempo remido pelo trabalho, pelo
estudo ou por atividades correlatas.
- Livramento condicional simples – cumprimento de mais de ⅓ da pena – não reincidente em
crime doloso e bons antecedentes. A reincidência na prática de contravenção penal não constitui
óbice à concessão do livramento condicional. Alcança o indivíduo dotado de maus antecedentes.
- Livramento condicional qualificado – cumprimento de mais da metade da pena – reincidente
em crime doloso.
- Livramento condicional específico – condenação por crime hediondo, prática de tortura, tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de pessoas e terrorismo – cumprimento de mais de
⅔ da pena, conquanto o apenado não seja reincidente específico em crimes dessa natureza.

Tratando-se de execução conjunta de penas por crime hediondo e crime comum, a concessão do
livramento condicional deve ser analisada separadamente. O livramento condicional só poderá ser
concedido após a cumprimento integral das penas referentes aos primeiros delitos.

- A concessão do livramento condicional também depende da reparação do dano causado pela


infração, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo. A reparação dos danos deve se dar em relação a
todos os delitos.
- Não cometimento de falta grave nos últimos 12 (doze) meses – apenas para as infrações
penais praticadas a partir de 23 de janeiro de 2020. STJ – fixou a seguinte tese: “"A valoração
do requisito subjetivo para concessão do livramento condicional - bom comportamento durante da
execução da pena (art. 83, inciso III, alínea 'a', do Código Penal) - deve considerar todo o histórico
prisional, não se limitando ao período de 12 meses referido na alínea 'b' do mesmo inciso III do art.
83 do Código Penal".
A concessão do livramento condicional depende da comprovação do não cometimento de falta
grave nos últimos 12 (doze) meses. Não obstante a falta grave continue não tendo o condão de
interromper o prazo para a obtenção do livramento condicional, o seu cometimento impede a
concessão do benefício. Súmula n. 441 STJ: “A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de
livramento condicional.”

- Inexistência de condenação pela prática de crime hediondo (ou equiparado) com resultado
morte – Não mais será admitido o livramento condicional, pouco importando se o agente é primário
ou reincidente, conforme o art. 112, IV, “a” e VIII LEP. A inconstitucionalidade dessa vedação em
abstrato do livramento condicional para tais agentes certamente deverá ser objeto de
questionamentos à luz do princípio da individualização da pena. Alcança apenas os crimes
cometidos a partir de 23 de janeiro de 2020.
A despeito da vedação ao livramento condicional, o reincidente terá direito à progressão de regimes.

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Art. 44 Lei de Drogas. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 a 37 desta Lei são
inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a
conversão de suas penas em restritivas de direitos.
Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento condicional
após o cumprimento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico.
É exigível inclusive em relação ao crime de associação para o tráfico de drogas (art. 35 Lei de
Drogas). A reincidência específica que impede a concessão de livramento condicional em processo
referente a tráfico de drogas é apenas aquela referente a anterior condenação irrecorrível pela
prática dos crimes de tráfico de drogas previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 a 37 da Lei de
Drogas.
O condenado por associação para o tráfico (art. 35), caso não seja reincidente específico, deve
cumprir ⅔ da pena para fazer jus ao livramento condicional.

Requisitos subjetivos
- Bom comportamento durante a execução de pena – atestado emitido pelo diretor do
estabelecimento prisional.
- Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído – abrange também o trabalho externo.
- Aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto – exige-se tão somente
que o condenado demonstre aptidão ao trabalho.
- Condições pessoais que façam presumir que o liberado não voltará a delinquir, nos casos de
condenação por crime doloso cometido com violência ou grave ameaça à pessoa – juízo de
prognose de que o egresso não voltará a delinquir.
- Inexistência de manutenção de vínculo associativo para condenados por integrar
organização criminosa -
Art. 2º Lei n. 12.850/2013. § 9º O condenado expressamente em sentença por integrar
organização criminosa ou por crime praticado por meio de organização criminosa não poderá
progredir de regime de cumprimento de pena ou obter livramento condicional ou outros
benefícios prisionais se houver elementos probatórios que indiquem a manutenção do vínculo
associativo.

Procedimento de concessão do livramento condicional


- Art. 131 LEP. O livramento condicional poderá ser concedido pelo Juiz da execução, presentes os
requisitos do artigo 83, incisos e parágrafo único, do Código Penal, ouvidos o Ministério Público e
Conselho Penitenciário.
O benefício poderá ser concedido mediante requerimento do sentenciado, de seu cônjuge ou parente
em linha reta, ou por proposta do diretor do estabelecimento penal, ou por iniciativa do Conselho

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Penitenciário. Possibilidade de o Ministério Público requerer a concessão do benefício em prol do
condenado.
Art. 41 LEP - Constituem direitos do preso: XIV - representação e petição a qualquer autoridade,
em defesa de direito.
Ao juízo da execução é permitido conceder de ofício o livramento condicional. Art. 195 LEP. O
procedimento judicial iniciar-se-á de ofício, a requerimento do Ministério Público, do interessado,
de quem o represente, de seu cônjuge, parente ou descendente, mediante proposta do Conselho
Penitenciário, ou, ainda, da autoridade administrativa.
- Antes de deliberar sobre a concessão do benefício, incumbe ao juízo da execução ouvir o órgão
ministerial. Também é de rigor a manifestação da defesa técnica, após a oitiva do Ministério
Público, sob pena de nulidade absoluta.
Se a manifestação do órgão ministerial e da defesa técnica são cogentes, o mesmo não se pode dizer
em relação à oitiva prévia do Conselho Penitenciário.
Art. 70 LEP. Incumbe ao Conselho Penitenciário:
I - emitir parecer sobre indulto e comutação de pena, excetuada a hipótese de pedido de
indulto com base no estado de saúde do preso; (Redação dada pela Lei nº 10.792, de
2003)
II - inspecionar os estabelecimentos e serviços penais;
III - apresentar, no 1º (primeiro) trimestre de cada ano, ao Conselho Nacional de Política Criminal e
Penitenciária, relatório dos trabalhos efetuados no exercício anterior;
IV - supervisionar os patronatos, bem como a assistência aos egressos.

- Contra a decisão que conceder ou denegar o livramento condicional, o recurso adequado será o
agravo em execução (art. 197 LEP).
- Art. 135 LEP. Reformada a sentença denegatória do livramento, os autos baixarão ao Juízo da
execução, para as providências cabíveis. Tal expressão abrange a expedição da carta de livramento
(art. 136 LEP), medidas necessárias para o aprazamento do audiência admonitória (art. 137 LEP), e
a própria fixação das condições do livramento, se acaso estas não tiverem sido impostas pelo
Tribunal.
Art. 136 LEP. Concedido o benefício, será expedida a carta de livramento com a cópia integral da
sentença em 2 (duas) vias, remetendo-se uma à autoridade administrativa incumbida da execução e
outra ao Conselho Penitenciário.
Aqui, a autoridade administrativa não é o diretor do estabelecimento prisional, mas sim a autoridade
administrativa do serviço social penitenciário, patronato ou conselho da comunidade. Ver art. 139
LEP.

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Art. 137 LEP. A cerimônia do livramento condicional será realizada solenemente no dia marcado
pelo Presidente do Conselho Penitenciário, no estabelecimento onde está sendo cumprida a
pena, observando-se o seguinte:
I - a sentença será lida ao liberando, na presença dos demais condenados, pelo Presidente do
Conselho Penitenciário ou membro por ele designado, ou, na falta, pelo Juiz;
II - a autoridade administrativa chamará a atenção do liberando para as condições impostas na
sentença de livramento;
III - o liberando declarará se aceita as condições.
§ 1º De tudo em livro próprio, será lavrado termo subscrito por quem presidir a cerimônia e pelo
liberando, ou alguém a seu rogo, se não souber ou não puder escrever.
§ 2º Cópia desse termo deverá ser remetida ao Juiz da execução.

- Pelo menos em regra, o habeas corpus não é o instrumento processual adequado para se discutir o
cabimento do livramento condicional. O remédio constitucional poderá ser impetrado em situações
teratológicas de manifesta ilegalidade ou abuso de poder.
- Art. 138 LEP. Ao sair o liberado do estabelecimento penal, ser-lhe-á entregue, além do saldo de
seu pecúlio e do que lhe pertencer, uma caderneta, que exibirá à autoridade judiciária ou
administrativa, sempre que lhe for exigida.
§ 1º A caderneta conterá:
a) a identificação do liberado;
b) o texto impresso do presente Capítulo;
c) as condições impostas.
§ 2º Na falta de caderneta, será entregue ao liberado um salvo-conduto, em que constem as
condições do livramento, podendo substituir-se a ficha de identificação ou o seu retrato pela
descrição dos sinais que possam identificá-lo.
§ 3º Na caderneta e no salvo-conduto deverá haver espaço para consignar-se o cumprimento das
condições referidas no artigo 132 desta Lei.

Condições
- Condições obrigatórias ou legais - Art. 132 LEP. Deferido o pedido, o Juiz especificará as
condições a que fica subordinado o livramento.
§ 1º Serão sempre impostas ao liberado condicional as obrigações seguintes:
a) obter ocupação lícita, dentro de prazo razoável se for apto para o trabalho;
b) comunicar periodicamente ao Juiz sua ocupação;
c) não mudar do território da comarca do Juízo da execução, sem prévia autorização deste.

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- Condições facultativas ou judiciais – Art. 132 LEP
§ 2° Poderão ainda ser impostas ao liberado condicional, entre outras obrigações, as seguintes:
a) não mudar de residência sem comunicação ao Juiz e à autoridade incumbida da observação
cautelar e de proteção;
b) recolher-se à habitação em hora fixada;
c) não frequentar determinados lugares.
e) utilizar equipamento de monitoração eletrônica.

Período de prova
- Possibilidade de modificação das condições do livramento condicional.
Art. 144 LEP. O Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, da Defensoria Pública ou
mediante representação do Conselho Penitenciário, e ouvido o liberado, poderá modificar as
condições especificadas na sentença, devendo o respectivo ato decisório ser lido ao liberado por
uma das autoridades ou funcionários indicados no inciso I do caput do art. 137 desta Lei, observado
o disposto nos incisos II e III e §§ 1o e 2o do mesmo artigo.
- STJ – o tempo em livramento condicional será computado como tempo de cumprimento de pena
caso o motivo de revogação do livramento condicional decorra de infração penal anterior à vigência
do referido instituto, devendo o término do prazo do livramento condicional coincidir com o
alcance do limite do art. 75 CP.
- STJ - Com o norte dos princípios da isonomia e da razoabilidade, pode-se afirmar que o instituto
do livramento condicional deve produzir os mesmos efeitos para quaisquer dos apenados que nele
ingressem e tais efeitos ao apenado não devem ser alterados no decorrer do período de prova,
ressalvado o regramento legal a respeito da revogação, devendo o término do prazo do livramento
condicional coincidir com o alcance do limite do art. 75 do CP.
Um dia em livramento condicional corresponde a um dia em cumprimento de pena privativa de
liberdade, exceto em hipótese de revogação, observado o disposto no art. 88 do CP e 141 da LEP.
Uma análise topográfica da LEP ampara uma interpretação no sentido de que o livramento
condicional configura forma de cumprimento das penas privativas de liberdade, embora as
condicionantes sejam restritivas de liberdade.
Cumpre ressaltar que a consideração do período de prova para alcance do limite do art. 75 do CP
não se confunde com o requisito objetivo para obtenção do direito ao livramento condicional. Em
termos práticos, o Juiz da Execução Penal, para conceder o livramento condicional, observará
a pena privativa de liberdade resultante de sentença(s) condenatória(s) (Súmula n. 715 do
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STF). Alcançado o requisito objetivo para fins de
concessão do livramento condicional, a duração dele (o período de prova) será correspondente
ao restante de pena privativa de liberdade a cumprir, limitada ao disposto no art. 75 do CP.

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Suspensão do livramento condicional
- O juiz da execução, diante da simples prática da infração penal, pode determinar a suspensão do
livramento condicional. Cuida-se de verdadeira medida de natureza cautelar.
Art. 145 LEP. Praticada pelo liberado outra infração penal, o Juiz poderá ordenar a sua prisão,
ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público, suspendendo o curso do livramento
condicional, cuja revogação, entretanto, ficará dependendo da decisão final.
A suspensão do livramento condicional fundamenta-se no poder geral de cautela do juízo. A referida
decisão poderá ser adotada pelo Juízo da Execução Penal de ofício, ou mediante requerimento do
Ministério Público ou representação do Conselho Penitenciário. Não demanda prévia oitiva do
condenado, diferenciando-se da revogação do livramento condicional.
A suspensão do livramento condicional não é automática. Pelo contrário, deve ser expressa, por
decisão fundamentada.

Prorrogação do período de prova do livramento condicional


- Art. 89 CP - O juiz não poderá declarar extinta a pena, enquanto não passar em julgado a sentença
em processo a que responde o liberado, por crime cometido na vigência do livramento.
A prorrogação não é automática, exige decisão judicial.
Súmula n. 617 STJ: “A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes
do término do período de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento
da pena.”

Revogação do livramento condicional

- O descumprimento das condições pode levar à revogação obrigatória ou facultativa do livramento


condicional.
- A revogação deverá ser decretada pelo juízo da execução, de ofício, mediante requerimento do
Ministério Público ou mediante representação do Conselho Penitenciário.
- É de rigor a oitiva do condenado.
Art. 143 LEP. A revogação será decretada a requerimento do Ministério Público, mediante
representação do Conselho Penitenciário, ou, de ofício, pelo Juiz, ouvido o liberado.
- Independentemente do motivo da revogação, três efeitos decorrerão sempre, a saber:
I – expedição de mandado de prisão;
II – impossibilidade de se computar o período de prova no quinquênio depurador da reincidência;

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III – a vedação do cômputo do período de prova no prazo mínimo para pleitear a reabilitação
criminal.

Revogação obrigatória
- Art. 86 CP - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de
liberdade, em sentença irrecorrível:
I - por crime cometido durante a vigência do benefício;
II - por crime anterior, observado o disposto no art. 84 deste Código.

O juízo da execução não tem qualquer discricionariedade para deixar de revogar o livramento
condicional nessas hipóteses.
Eventual condenação à pena restritiva de direitos ou multa não terá o condão de acarretar a
revogação do benefício.
Se durante o cumprimento do benefício, o liberado cometer outra infração penal, o juiz poderá
ordenar a sua prisão, suspendendo o curso do livramento condicional, cuja revogação, entretanto,
aguardará a conclusão do novo processo instaurado.
O crime cometido durante a vigência do benefício – quebra da confiança estatal.
Crime anterior se compreende aquele praticado a qualquer momento, mas desde que antes da
vigência do livramento condicional. As infrações diversas devem ser somadas para efeito de
livramento. A revogação somente deverá ocorrer se a pena recebida, somada à que permitiu o
livramento tornar inadmissível o benefício.

Revogação facultativa
- Art. 87 CP - O juiz poderá, também, revogar o livramento, se o liberado deixar de cumprir
qualquer das obrigações constantes da sentença, ou for irrecorrivelmente condenado, por
crime ou contravenção, a pena que não seja privativa de liberdade.
Nas hipóteses de revogação facultativa, poderá advertir o liberado ou agravar as condições.

Extinção da pena em virtude do término do período de prova

- Art. 90 CP - Se até o seu término o livramento não é revogado, considera-se extinta a pena
privativa de liberdade.
Súmula n. 617 STJ: “A ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes
do término do período de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento
da pena.”

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Livramento condicional e regime disciplinar diferenciado
- O agente não atenderia aos requisitos subjetivos (mérito do apenado) indispensáveis para o
livramento condicional. Haveria, de fato, verdadeira contradictio in terminis.

Monitoração eletrônica
- Consiste no uso de dispositivo não ostensivo de monitoramento eletrônico a fim de que se saiba a
localização geográfica do agente.
- Incluído pela Lei nº 12.258, de 2010
Art. 146-B LEP. O juiz poderá definir a fiscalização por meio da monitoração eletrônica quando:
II - autorizar a saída temporária no regime semiaberto;
IV - determinar a prisão domiciliar;
VI - aplicar pena privativa de liberdade a ser cumprida nos regimes aberto ou semiaberto, ou
conceder progressão para tais regimes;
VII - aplicar pena restritiva de direitos que estabeleça limitação de frequência a lugares
específicos;

VIII - conceder o livramento condicional.

Art. 146-C LEP. O condenado será instruído acerca dos cuidados que deverá adotar com o
equipamento eletrônico e dos seguintes deveres:
I - receber visitas do servidor responsável pela monitoração eletrônica, responder aos seus
contatos e cumprir suas orientações;
II - abster-se de remover, de violar, de modificar, de danificar de qualquer forma o dispositivo
de monitoração eletrônica ou de permitir que outrem o faça; Sob pena de cometer falta grave.
Parágrafo único. A violação comprovada dos deveres previstos neste artigo poderá acarretar, a
critério do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a defesa:
I - a regressão do regime;
II - a revogação da autorização de saída temporária;
VI - a revogação da prisão domiciliar;
VII - advertência, por escrito, para todos os casos em que o juiz da execução decida não aplicar
alguma das medidas previstas nos incisos de I a VI deste parágrafo.
VIII - a revogação do livramento condicional;
IX - a conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade.

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Art. 146-D LEP A monitoração eletrônica poderá ser revogada:
I - quando se tornar desnecessária ou inadequada;
II - se o acusado ou condenado violar os deveres a que estiver sujeito durante a sua vigência ou
cometer falta grave.
Art. 146-E LEP. O condenado por crime contra a mulher por razões da condição do sexo
feminino, nos termos do § 1º do art. 121-A do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de
1940 (Código Penal), ao usufruir de qualquer benefício em que ocorra a sua saída de
estabelecimento penal, será fiscalizado por meio de monitoração eletrônica.

- O monitoramento eletrônico surgiu disciplinando o chamado monitoramento-sanção, isto é, o


back-door visa retirar antecipadamente do sistema carcerário os indivíduos.
- Com a entrada em vigor da Lei n. 12.403/2011, a utilização do monitoramento eletrônico deixou
de ser uma exclusividade da execução penal e também passou a ser possível como medida cautelar
autônoma substitutiva da prisão aplicada isolada ou cumulativamente com outra medida cautelar
diversa da prisão (art. 319 CPP). A referida lei inaugurou o sistema front-door, isto é, visa evitar o
ingresso do agente na prisão.
- Compete exclusivamente ao Juízo da Execução (ou ao Tribunal) determinar a fiscalização por
meio de monitoração eletrônica de maneira fundamentada.
- Finalidades, a saber: a) detenção (normalmente em sua própria residência) b) restrição; c)
vigilância (sem restrição de sua movimentação).
- Sistema de posicionamento global (GPS) é o sistema mais utilizado no Brasil.
- Cabimento, a saber:
a) autorizar a saída temporária no regime semiaberto;
b) determinar a prisão domiciliar;

c) aplicar pena privativa de liberdade a ser cumprida nos regimes aberto ou semiaberto, ou
conceder progressão para tais regimes;

d) aplicar pena restritiva de direitos que estabeleça limitação de frequência a lugares


específicos;

e) conceder o livramento condicional.


- É evidente que a aquiescência do condenado está implícita na utilização do monitoramento
eletrônico.
- O condenado deverá ser instruído a respeito dos cuidados que deve adotar com o equipamento e os
deveres que decorrem da sua utilização. O ideal seria que o Juízo da Execução determinasse a
realização de uma audiência para este fim.

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- Ao romper a tornozeleira eletrônica pode ser equiparado à própria fuga ou a inobservância das
ordens recebidas. Se a remoção tiver ocorrido de maneira não intencional, decorrente de caso
fortuito, cabe ao condenado comunicar de imediato a ocorrência ao Juízo das Execuções Penais.

Consequências decorrentes da violação dos deveres inerentes à monitoração eletrônica


- Antes de determiná-las, é de rigor, pelo menos em regra, a realização de uma audiência de
justificação, respeitando-se o contraditório e a ampla defesa, com a consequente oitiva do
Ministério Público, do condenado e da defesa técnica.
- Poderá o juiz determinar, a saber:
a) a regressão do regime;
b) a revogação da autorização de saída temporária;
c) a revogação da prisão domiciliar;
d) advertência, por escrito, para todos os casos em que o juiz da execução decida não aplicar
alguma das medidas previstas nos incisos de I a VI deste parágrafo.
e) a revogação do livramento condicional;

f) a conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade.

- O descumprimento injustificado da cautelar diversa da prisão, impõe-se ao juiz, à luz do art. 282,
§ 4º CPP, a substituição da medida, a imposição de outra em cumulação, ou, em último caso, a
decretação da prisão preventiva, nos termos do art. 312, parágrafo único, do CPP.
- STJ - A utilização de tornozeleira eletrônica sem bateria configura falta grave, nos termos dos arts.
50, VI, e 39, V, ambos da LEP, pois o apenado descumpre a ordem do servidor responsável pela
monitoração, para manter o aparelho em funcionamento, e impede a fiscalização da execução da
pena.

Execução das penas restritivas de direitos

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