Resumo Expandido L F Rum Biodiesel e Querosene 1732530752
Resumo Expandido L F Rum Biodiesel e Querosene 1732530752
PROGRAMAÇÃO
Expandido
REALIZAÇÃO
PATROCINADORES
APOIO INSTITUCIONAL
LINKER
Prefácio
A crescente demanda por energia e soluções sustentáveis tem impulsionado o desenvolvimento
de inovações tecnológicas no setor de biocombustíveis, com o objetivo de mitigar os impactos
ambientais e atender às necessidades globais por fontes de energia limpa. O biodiesel é o
protagonista central nessa transformação energética.
O país precisa olhar para o futuro com um compromisso claro: expandir a produção sustentável e
integrar novas tecnologias que aumentem a eficiência e a competitividade dos biocombustíveis.
Nessa perspectiva, a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) se destaca com
voz ativa no incentivo à inovação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, vide o sucesso do
I Fórum Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação, em que foram expostas pesquisas
de ponta, interlocução entre vários setores e alta tecnologia de novos produtos, envolvendo
associados, pesquisadores renomados, representantes dos Poderes Executivo e Legislativo,
e patrocinadores.
Apresentação
O I Fórum Biodiesel e Bioquerosene: Tecnologia e Inovação, realizado pela União Brasileira do
Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), nos dias 5 e 6 de junho de 2024, no Pavilhão Anhembi,
durante a Fenagra (Feira Internacional da Agroindústria - Feed & Food), em São Paulo, retratou
a necessidade de um permanente diálogo do setor de biocombustíveis, revelando sua enorme
importância para o país, destacando a capacidade de inovação e avanço de tecnologias no
Brasil.
A produção de biodiesel vai muito além do fornecimento de energia, sendo responsável pela
segurança alimentar, energética e climática, e também contribuindo significativamente para
melhoria da qualidade de vida das pessoas.
O Fórum foi um encontro inédito, que proporcionou um entendimento mais profundo de todos os
atores protagonistas no aumento da produção de biocombustíveis no Brasil. Foram apontadas
soluções efetivas, metodologias claras e comprovações científicas que certificam o Brasil
como líder na vanguarda da transição energética sustentável no mundo. Isso só foi possível
devido à credibilidade e participação dos palestrantes, congressistas, associados da Ubrabio,
apoiadores institucionais e patrocinadores, que fortalecem a cadeia de valor do biodiesel e
bioquerosene, promovendo uma matriz mais limpa, sustentável e alinhada com os desafios
globais de mitigação das mudanças climáticas.
Donizete Tokarski - diretor superintendente
da União Brasileira do Biodiesel e
Bioquerosene (Ubrabio)
Organizadores
Anna Claudia dos Santos
Pesquisadora de pós-doutorado com ênfase em Transição Energética, Avaliação de Ciclos de
Vida (ACV), mudanças indiretas no uso da terra (iLUC), Mudanças no Uso da Terra (MUT) e
Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) pela UFG. Doutora em Ciências
Ambientais, com ênfase em Sensoriamento Remoto pela Universidade Federal de Goiás, onde
foi pesquisadora associada do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento
(LAPIG/IESA/UFG), uma das principais referências no país quanto ao processamento e análise
de dados satelitários de resolução espacial moderada, aplicados ao monitoramento biofísico-
ambiental e à governança territorial. Mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, onde participou de projetos sobre mudanças no uso da terra (MUT). Foi
consultora no projeto Terra Class Cerrado, junto ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) e
também em projetos vinculados à Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMAD/GO), atuando
como auditora em projetos de mapeamento e controle do desmatamento. Atua como consultora
científica do Programa Soja Sustentável, Fellowship Cerrado, onde é avaliadora Sênior de
startups com enfoque em ciclo de vida e geotecnologias. Foi membro do Grupo de Trabalho
(GT) que elaborou o Plano Setorial da Agricultura e participou dos Grupos Gestores Estaduais
do Plano ABC, sob a liderança da Embrapa, com representantes de diversas universidades
brasileiras. Foi consultora técnico-científica das entidades ligadas aos biocombustíveis
ABIOVE, APROBIO e UBRABIO, participando das discussões e formulação de soluções para a
atualização da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Atualmente é pesquisadora
no setor de biocombustíveis, onde atua em projetos de transição energética, descarbonização,
tendências ESG e mudanças climáticas.
Donizete Tokarski
Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Goiás – UFG, é sócio da LKT Consultores
Associados e Diretor Superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene
(Ubrabio), onde atua desde a fundação da entidade, em 2007. Membro do Comitê Consultivo
da Rede MCTI/EMBRAPII de Inovação em Bioeconomia e Presidente do Conselho da
Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação - ECODATA. É produtor
rural e consultor em Bioeconomia. Foi Presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de
Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA. Na década de 1990,
foi chefe de gabinete de Ministros da Justiça, Agricultura e Reforma Agrária e da Secretaria
Especial de Políticas Regionais da Presidência da República. Foi assessor técnico no Senado
Federal e na Câmara dos Deputados. Foi Diretor de Assentamento do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Exerceu a função de Secretário de Estado do Entorno
e de Representação do Estado de Goiás junto à União. Foi o primeiro Secretário Executivo da
Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno - RIDE/DF. Foi membro do
Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos
- CNRH.
Sumário
Prefácio...................................................................................................................................... 1
Apresentação............................................................................................................................. 2
Organizadores........................................................................................................................... 3
Abertura..................................................................................................................................... 6
Deputado Federal Alceu Moreira,
presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel...................................................... 6
Deputado Federal Arnaldo Jardim,
presidente da Frente Parlamentar de Economia Verde.................................................... 8
Alexandre Alonso Alves, chefe-geral da Embrapa Agroenergia.................................... 9
Daniel Maia Vieira, diretor da Agência Nacional
de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)........................................................ 12
Gábor Deák, diretor de Tecnologia do Sindicato Nacional
da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças)........................ 14
Andreta Júnior, presidente da Federação Nacional
da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave):.................................................. 15
MESA 1
| Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis................. 16
Rony Sato, gerente de Inovação América do Sul da BASF........................................... 17
Ronei Zan Ventura, gerente de Contas Chave – Metilato de Sódio, da BASF............. 19
Luís Fernando Sabino, Gerente Especialista de Combustíveis da BASF.................... 20
MESA 2
| A Transição Energética e a Neoindustrialização no Setor de Biocombustíveis..... 22
Suzana Borschiver, professora titular da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), representante de instituições
acadêmicas brasileiras, especialista em matéria de energia
no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).................................................... 22
Donato Aranda, diretor da Unidade Protótipo de Catalisadores (PROCAT) e do
Laboratório de Intensificação de Processos e Catálise (LIPCAT) na Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Consultor Técnico da Ubrabio................................. 25
Paulo Anselmo Ziani Suarez, professor no Instituto
de Química da Universidade de Brasília (UNB).............................................................. 26
MESA 3
| Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis......................... 27
Marlon Arraes, diretor do Departamento de Biocombustíveis da
Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
do Ministério de Minas e Energia.................................................................................... 27
Carlos Orlando Enrique da Silva, superintendente de Biocombustíveis
e de Qualidade de Produtos da Agência Nacional de Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)............................................................................ 30
Gilles-Laurent Grimberg, CEO na Actioil do Brasil....................................................... 32
MESA 4
| O Potencial Energético das Fontes Residuais na Geração de Frio e Calor............ 35
Airton Folador, diretor superintendente da Intecnial S.A.............................................. 35
Júlio Tombesi, engenheiro da Jacques Tombesi Engenharia e Consultoria Técnica... 36
MESA 5
| Uso do B100 em Veículos e Equipamentos................................................................ 38
Miguel Ângelo Vedana, Diretor-executivo na BiodieselBR........................................... 38
Carlos Eduardo Hammerschmidt, Vice-Presidente do Grupo Potencial
e Vice-Presidente de Relações Associativas e Institucionais da Ubrabio....................... 40
Lilian Guarieiro, professora associada no SENAI CIMATEC
e pesquisadora CNPq DT-2:........................................................................................... 41
Sillas Oliva Filho, executivo sênior da F8 Fuels Combustíveis Especiais.................... 43
Silvio de Oliveira, presidente do Grupo SDO/BRG....................................................... 45
MESA 6
| Soluções Enzimáticas para Produção de Biodiesel e
Tratamento de Matérias-primas para SAF/HVO......................................................... 47
Renan Marangoni, Technical Sales Manager da Novonesis........................................... 47
MESA 7
| Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis.......................... 52
Gonçalo Pereira, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).......... 52
Maurício Antônio Lopes, pesquisador da Embrapa Agroenergia................................. 54
Marcelo Gavião, Gerente de Nova Economia
e Indústria Verde – Representante da ABDI................................................................... 56
Marcelo Lyra, Vice-Presidente de Relações
Institucionais e Comunicação da Acelen......................................................................... 58
MESA 8
| Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF ..................................................... 60
Flavio Schuch, economista e secretário executivo
adjunto da Secretaria-Geral da Presidência da República:............................................ 60
Amanda Gondim, Coordenadora da Rede Brasileira de
Bioquerosene e Hidrocarbonetos Renováveis para Aviação (RBQAV).......................... 61
Otávio Cavalett, líder da Boeing para Políticas Públicas e
Parcerias em Sustentabilidade para América Latina e Caribe
e diretor de Biocombustíveis de Aviação da Ubrabio...................................................... 63
Itania Soares, pesquisadora da Embrapa Agroenergia................................................. 65
Gilberto Peralta, presidente da Airbus Brasil................................................................. 66
Rogério Benevides, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).................. 67
MESA 9
| Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos........................... 69
Rafael Walendorff, repórter no Valor Econômico:......................................................... 69
Carlos Derraik, representante da Natural Energia, deu início a sua fala trazendo um
pouco da experiência em processos de investimento e fusões e aquisições:................ 71
João Artur Manjabosco, Head of Commercial – Oleo LATAM
na Cremer Oleo e Diretor de coprodutos da Ubrabio..................................................... 72
Leonardo Zilio, diretor de Relações Institucionais e Sustentabilidade
do Grupo OLEOPLAN e Vice-Presidente Técnico da Ubrabio....................................... 74
MESA 10
|Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis................................................. 77
Sérgio Duarte de Castro, presidente da Energia Estudos e Projetos........................... 77
Jorge Jardim, gerente do Departamento de Agronegócios e
Alimentos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP)........................................... 78
Rafael Menezes, coordenador-Geral de Tecnologias Setoriais
no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação............................................................ 79
Fábio Cavalcante, coordenador da Gerência de Mobilização de
Empresas – Representante da Associação Brasileira de Pesquisa
e Inovação Industrial (EMBRAPII).................................................................................. 81
Paulo Coutinho, pesquisador-chefe do Instituto SENAI
de Inovação em Biossintéticos e Fibras.......................................................................... 82
Egmar Del Bel Filho, economista no BNDES............................................................... 84
Repercussão Midiática........................................................................................................... 85
Considerações Finais ............................................................................................................ 93
Abertura
Com o objetivo de filtrar os projetos de lei, dando força motriz para o que realmente é
consequente, as frentes parlamentares tiveram um papel fundamental no projeto Combustível
do Futuro. Uma transformação enorme no Congresso Nacional, que tem impactado, inclusive,
na relevância das lideranças partidárias, que estão começando a ficar em segundo plano
em relação às frentes que se unem e fazem a transformação. Nesse contexto, é preciso
começar a raciocinar sobre o que é ser nacionalista no mundo globalizado, e como serão
curadas as vulnerabilidades. Nenhum país será totalmente independente, mas terá que lutar
desesperadamente para ser o mais independente possível. Quando se fala em vulnerabilidade
brasileira, podemos citar a questão dos chips de computadores, 94% deles são feitos em
Taiwan, o carro mais simples do Brasil possui mais de 600 desses. E se a China botar o pé
em cima de Taiwan no dia seguinte, como a população irá se locomover? O para-brisa não
liga? O carro não liga?. Enfim, o Brasil não se move e nós estamos achando que isso é normal.
Então, o nacionalismo no mundo globalizado tem tudo a ver com a bandeira que nós estamos
desenvolvendo aqui. Tudo que será feito de biocombustíveis e combustíveis do futuro, vai
gerar autonomia para sanar uma vulnerabilidade. O país será, independente do ponto de vista
de abastecimento de combustíveis e energias renováveis, o maior exemplo do mundo, sem
nenhum comparativo de igualdade com qualquer outro país, não tendo atualmente, nenhum
ativo mais importante para o Brasil do que este.
Com muito otimismo na construção de uma mudança real no país, em tudo o que nós estamos
fazendo, temos a certeza de um campo largo pela frente, com enormes voos para um arranjo
negocial desse corpo multifacetado. Com novidades que, em dois, três anos, estarão entre
nós, com valor econômico gigantesco e com a capacidade de gerar trabalho e renda em todos
os lugares do Brasil. Nada é mais justo socialmente do que o combustível do futuro, nada é
melhor desenhado do ponto de vista legal e, tem um corpo tão harmônico com todos os setores
envolvidos, como o combustível do futuro. E no centro disso está o nosso biodiesel. Ao colocar
biodiesel nos motores, a população estará ajudando o cidadão a produzir um quilo de frango,
pois a cada quilo de soja esmagado, só 20% é óleo, e 80% é farelo. Assim, 2,5 kg de farelo
é um quilo de frango, quando se abastece com biodiesel, logo é investimento no bolso de
um pequeno produtor no canto de uma roça qualquer do Brasil e dá emprego para o cara do
supermercado. É componente essencial para a fabricação de rações e agregação de valor à
proteína animal, assim como também há uma grande quantidade de outros grãos e o próprio
sebo descartado todos os dias que acaba gerando energia limpa. Sejamos participantes desse
processo tanto na hora de pensar, pesquisar e fazer quanto na hora de sermos protagonistas
do país do futuro, a partir da ponte de transição do combustível do futuro.
Nessa vanguarda em prol dos biocombustíveis, o parlamento teve um papel fundamental, sob
orientação do Deputado Alceu Moreira, que foi autor do projeto, e posteriormente a ele se
somaram outros, um de iniciativa do próprio executivo, em que, coube ao Deputado Arnaldo
Jardim ser o relator, auxiliado por muitos dos cientistas, estudiosos, pesquisadores, formuladores
que estavam presentes no fórum. O projeto Combustível do Futuro fala sobre o etanol e traça
um cenário de ampliação do etanol. Este que define as regras sobre captura e estocagem
de gás carbônico e isso é a estratégia que irá permitir uma pegada negativa na produção
dos nossos biocombustíveis. O projeto Combustível do Futuro restabeleceu as regras sobre o
bioquerosene ou o que chamamos de SAF (Combustível Sustentável de Aviação), sendo que
o número de consumo do Brasil é de 6 bilhões de litros de querosene de aviação por ano e a
capacidade já identificada de produção é de 9 bilhões de litros. Assim, o país não será apenas
capaz de suprir, mas também de ser um grande exportador de SAF.
O projeto Combustível do Futuro estabelece regras sobre o biometano, este que é muito mais
nocivo do ponto de vista das mudanças climáticas do que o gás carbônico, e pode se transformar
em uma fonte de energia importante para sua captura. Outro aspecto de extrema relevância
está ligado ao ciclo de vida, que é o nosso critério para medir o impacto, particularmente, da
mobilidade dos carros e de todas as formas de transporte. O Programa Mobilidade Verde e
Inovação (Mover), que já foi deliberado na Câmara e ali o conceito de ciclo de vida, do berço ao
túmulo, é o mais profundo, o que pega a apreensão da cadeia de uma forma mais detalhada e
o Brasil será pioneiro nesse sentido.
É necessário enfatizar que o projeto Combustível do Futuro não se trata de uma política só de
governo, é fundamental que o governo esteja junto, mas se trata de uma política de Estado, que
tem que persistir, ter perenidade, ter sustentabilidade. Uma luta incessante, com os deputados
Arnaldo Jardim e Alceu Moreira à frente, na manutenção de um diálogo saudável com o senado,
garantindo que a essência do projeto será mantida. Apesar das quedas de braço, veio à tona
o coprocessado querendo se disfarçar com o Greenwashing de biodiesel, que com afinco
e muito trabalho será driblado. Assim, sempre terão alguns percalços, mas o setor unido e
com nossa integral solidariedade, seremos capazes de superar qualquer desafio, e comemorar
o dia do meio ambiente com o compromisso definitivo, com o Brasil na vanguarda da nova
economia de baixo carbono, sendo os biocombustíveis, e principalmente o biodiesel, decisivos
nessa transição.
O diretor também transmitiu agradecimentos pelo convite, por parte do diretor-geral da agência,
Rodolfo Saboia e das demais diretorias da agência, fazendo referência ao diretor Fernando
Moura, que lidera a Superintendência de Qualidade do Biocombustível, na Superintendência
de Fiscalização do Abastecimento, a diretora Simone que também lidera a Superintendência
de Produção de Combustíveis, a qual é a área responsável por uma atribuição de grande
importância, sendo a autorização das plantas produtoras de biodiesel e também a participação
do diretor Daniel na Superintendência de Distribuição e Logística de combustíveis no país.
Com breves considerações sobre a ocupação da ANP, que gira em torno de três pilares da
agência reguladora:, autorizar as plantas produtoras, a sua produção e distribuição, e garantir
que esses produtos cheguem aos consumidores finais com a qualidade adequada. Os agentes
reguladores se veem como guardiões da política pública definida pelo Congresso Nacional,
buscando garantir que a política pública seja implementada da forma mais tecnicamente viável
e sustentável, não importando a decisão do Executivo e do Congresso a respeito da política,
falando em termos de percentual de cerca de 12%, 15%, 20%, 25%, 40%, 100%.
Reafirmo que a ANP está à disposição para auxiliar na definição da política pública,
reconhecendo que não cabe à agência estabelecê-la, mas sim implementá-la. Enfrentamos
desafios, como garantir a qualidade dos produtos para os consumidores, com mais de 40 mil
postos revendedores que a ANP autoriza e precisa fiscalizar. De posto de combustível a posto
de combustível, a fiscalização se dá na ponta, colhendo amostras, indo a campo e fazendo
análises laboratoriais para certificar a qualidade dos produtos. Esse é um desafio grande para
a atuação da agência. Em relação à garantia do percentual da mistura, essa é a garantia
da implementação da política pública estabelecida, é um grande desafio. A agência tem,
ultimamente, voltado um pouco no elo da cadeia, avaliando os aspectos de balanços de massa
e contábeis das distribuidoras de combustíveis para poder simplificar e agilizar a confirmação
do cumprimento do mandato no âmbito das distribuidoras de combustíveis.
Nesse ano, a agência já detectou e notificou diversas distribuidoras pelo não cumprimento do
mandato, não na ponta, pelo posto de gasolina, mas já na distribuidora. Para isso, obviamente,
a análise de dados, de informações, acesso a documentos contábeis é fundamental.
Pedimos apoio ao parlamento para garantir que a ANP tenha acesso a esses documentos,
essenciais para nossa atuação fiscalizatória. O CONFAZ recentemente não autorizou a
agência a ter acesso aos documentos contábeis importantes para a nossa atuação, guardaram
todo sigilo, como órgão estatal, essa é uma ação importantíssima para garantir também o
cumprimento de política pública, o que se torna um grande desafio para a ANP. Da mesma forma,
recentemente, Além disso, a ANP tem desempenhado um papel importante na depuração da
atuação de produtores responsáveis com a política pública e na luta contra o mercado irregular
de combustíveis, especialmente com relação ao metanol, que afeta de forma fundamental os
combustíveis, a saúde pública, os consumidores do país e desarranja o mercado concorrencial
no Brasil.
A ANP fez um importante papel de depurar. Sabe-se que produtores de biocombustíveis são
grandes consumidores de metanol, mais de 60% é direcionado para a produção de biodiesel.
A Ubrabio contribuiu na identificação da origem desses produtores no mercado irregular, que
adquire metanol, não para a produção de biodiesel, mas para a disseminação desse metanol
no mercado. Essa depuração foi realizada em conjunto de várias superintendências da ANP:
de qualidade de biocombustíveis, de produção de biocombustíveis, de distribuição, logística e
fiscalização de combustíveis, atuando juntos para uma maior efetividade da ação.
É lógico que esse processo de depuração impacta o próprio ambiente já posto. Fizemos contato
com vários importadores e produtores de metanol, para tentar identificar o mercado e separar
“o joio do trigo”, isso foi um trabalho muito importante, a agência segue com esse trabalho de
colaboração para tentar identificar. Na parte da qualidade, a implementação do Programa de
Monitoramento da Qualidade do Biodiesel (PMQBio) será fundamental para a gente identificar
e depurar também os produtores, dos distribuidores, de revendedoras, identificando melhor a
origem de problemas em relação aos produtos.
Há uma série de outros elementos, principalmente sob o aspecto de tecnologia e informação, nos
quais podemos avançar, seja nesse Fórum ou em vários outros. Um exemplo é a discussão que
nós podemos avançar, que diz respeito também à discussão sobre a captura e armazenamento
de carbono no contexto da produção de biocombustíveis, é algo fantástico. Quando falamos
sobre o biodiesel, que muitas vezes é visto aqui no Brasil como um produto talvez ultrapassado,
é preciso reconhecer que há muito o que discutir sobre isso. Existem grandes investimentos em
tecnologia nessa solução, que é crucial para a descarbonização de uma frota pesada.
Atualmente, estamos dominados por uma discussão sobre o hidrogênio, e o deputado Arnaldo
Jardim entende bem a importância dessa tecnologia para a descarbonização da frota pesada.
No entanto, a discussão sobre a solução via biocombustíveis, como biodiesel, não deve ser
esquecida. Pelo contrário, precisa ser, constantemente, trazida para o debate.
Outra instituição que o diretor também gostaria de destacar é a Embrapa . Esta que, participa de
diversos paineis aqui no Brasil sobre biocombustíveis, tecnologia, e a Embrapa historicamente,
desde muito tempo, tem um papel fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias e
produtos, mas ela não tem sido trazida para o debate. Em relação à importância da Embrapa,
como instituição pública e de elevada capacidade técnica para fomentar essas discussões,
inclusive recebendo também aportes das mais variadas origens para desenvolver novas
tecnologias no Brasil. É essencial que ela participe de forma efetiva dos debates sobre petróleo,
gás natural e biocombustível.
O Brasil é uma grande nação na cena mundial e poderá contribuir para um novo
pacto civilizatório, inclusive no plano mundial. Temos essa capacidade. E a política de
biocombustíveis, ou o setor da indústria nacional voltado para biocombustíveis, é um dos
grandes eixos do sucesso da industrialização do Brasil.
O país ainda possui uma industrialização tardia, com muitas intercorrências e lacunas,
principalmente na área de infraestrutura e inovação. Mas, quando se olha a construção
civil pesada no Brasil, que se voltou para as grandes hidrelétricas, e também para a
siderurgia nacional, iniciada com Getúlio Vargas, para as áreas de energia, aeroespacial
e biocombustíveis, temos uma trajetória marcante, que é uma característica nacional da
possibilidade, potencialidade e da capacidade do Brasil. Somos uma grande nação na área
de biocombustíveis. Para a real efetividade de políticas públicas, a exemplo desses casos de
sucesso da industrialização nacional, precisamos de três coisas: primeiro, é preciso ter um
pacto político avançado, baseado no interesse nacional. Caso contrário, nenhuma política
pública irá adiante. É necessário que esse pacto político seja construído através da união
nacional, como tem feito o governo atual, que está diante de uma nova oportunidade.
Além de um projeto nacional e um pacto político, nenhuma política pública dá certo sem
investimento financeiro. Nesse ponto de vista, nós temos uma oportunidade que está em
consonância com as medidas econômicas do presidente Lula. Efetivamente, o governo
tomou medidas tanto na área de macroeconomia como também na área de desenvolvimento
de políticas públicas e sociais voltadas para aquecer a economia, como a melhoria do salário
mínimo e da renda, o que já fez a economia nacional crescer e terá uma repercussão para
todas as cadeias econômicas do país.
Na área de ciência e tecnologia, foram mudanças significativas que colocaram o país como
parceiro estratégico do mundo para melhoria da vida no planeta. No Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação (MCTI), por exemplo, saímos de um patamar de investimento de R$
3 bilhões para 12 bilhões no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(FNDCT), onde 30% do valor é aplicado na área de energia. Sendo a agroindústria voltada
para a energia como um dos principais tomadores de empréstimos dos reembolsáveis da
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), e o próprio MCTI a parte não reembolsável,
destinou-se para a área de energia 3 bilhões dos 7 bilhões totais. Tudo voltado para a área
da transição energética, que beneficia a área da agroindústria e biocombustíveis.
O Brasil está se movendo para frente, ficando mais pacificado, o povo mais otimista e confiante,
graças à ordem democrática, que cria um ambiente de negócio, trabalho e desenvolvimento,
o que nos deixa alegres e otimistas. Há muita luta, muita dureza nessa situação da crise
climática, que entrou na agenda de forma emergencial, mas para o qual a ciência, tecnologia,
a indústria e a sociedade brasileira têm a solução. Estamos otimistas com as possibilidades
de mudança no mundo, sempre com o intuito de buscar um caminho de felicidade para o
nosso povo.
Entretanto, as preocupações surgem quando oportunidades são perdidas, sendo assim, espera-
se que essa grande oportunidade de protagonismo brasileiro não seja perdida novamente.
O Sindipeças entende que não se deve perder a oportunidade de todos os fatores positivos para
o desenvolvimento do Brasil. Os caminhos delineados mundialmente não são necessariamente
os mesmos a serem implantados no país, como o sucesso do etanol, que poderia ser maior.
Aproximadamente 80% das pessoas dirigem veículos que operam tanto com gasolina quanto
com etanol e, eventualmente, até sistemas elétricos. Então, essa oportunidade, esse momento da
história em que o mundo está buscando alternativas, e nós temos não apenas a alternativa, mas
a competência de fazer, desenvolver e mais, deve ser aproveitado.
A problemática exige soluções divergentes, variantes específicas para cada país. No caso do
Brasil, pela bioenergia em abundância e pela qualidade da energia, o etanol e o biodiesel são
a saída mais viável para mitigações. A Fenabrave está apoiando esta iniciativa, trabalhando
em prol do Brasil, porque acredita que eventos como o I Fórum Biodiesel e Bioquerosene –
Tecnologia e Inovação, reúnem os grandes protagonistas da discussão nacional de mobilidade
e biocombustíveis, para traçarem um norte comum, pois só existe consenso quando há
conscientização.
No dia 20 de agosto, será realizado o Congresso da Fenabrave*, em uma área com mais de 5
mil m², onde são debatidos os temas mais importantes do setor, sempre pautando os processos
de descarbonização, ponto de extrema importância para o país. O Congresso é o segundo
maior encontro de concessionárias do mundo e uma iniciativa de muito trabalho e empenho,
que ano passado contou com 6.753 participantes, refletindo a dimensão da grandiosidade do
evento, onde são debatidos os temas mais importantes do setor, sempre pautando os processos
de descarbonização, ponto de extrema importância para o nosso país.
A Fenabrave sempre teve uma postura patriota, em busca de fazer o melhor para o Brasil,
porque acredita que a descarbonização é a saída para um país melhor, para os nossos filhos e
netos. A presença da delegação de Moçambique reflete que esta preocupação com a redução
de emissões e a compreensão da magnitude do etanol e do biodiesel como fator protagonista
desta ação perpassa fronteiras e se torna uma realidade mundial. A Fenabrave se sente
honrada em participar do Fórum e se coloca à disposição para discussões futuras e melhorias
para o setor.
Um ponto importante para se dimensionar a respeito da cadeia de valor, é que a BASF tem
feito a divisão de catalisadores, chamados de roadmap azul e roadmap verde. O roadmap azul
traz para o desenvolvimento de tecnologias uma otimização que utiliza ainda a cadeia fóssil,
mas através de incorporação de acesso à energia renovável ou tecnologias de captura de
carbono. O roadmap verde, que está intimamente ligado às cadeias que vocês participam, trata
não só de melhorar o processo em relação a fazer uso de energia renovável, mas também de
tecnologias de captura de carbono para integrar a uma cadeia de matérias-primas renováveis.
Eni e BASF lançam iniciativa conjunta de P&D para reduzir a pegada de CO2 do setor de
transporte. O processo baseia-se na aplicação de uma reação de hidrogenação em alta
pressão sobre um catalisador da BASF, garantindo que o bio-propanol seja produzido com alto
rendimento e pureza, ao mesmo tempo em que minimiza subprodutos. O bio-propanol oferece
o potencial de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 65% a 75% em comparação
com os combustíveis fósseis. Ambas as empresas colaboram para desenvolver uma tecnologia
sustentável para produzir bio-propanol a partir de resíduos industriais. A tecnologia inovadora
concentra-se em aproveitar um subproduto da produção de biodiesel, processo inovador para
produzir propanol baseado em biomassa.
A BASF tem como meta global ser Net Zero até 2050, e o metilato de sódio é um aliado
junto ao ecossistema produtor de biodiesel rumo à descarbonização da matriz energética.
Entre as soluções de destaque estão os produtos que oferecem substancial contribuição de
sustentabilidade para a cadeia de valor. Outra iniciativa de sustentabilidade de ponta a ponta
é o barter de CBIOS, em que clientes detentores dos CBIOs poderão transferir o montante
vendido na B3 para a BASF em troca do fornecimento de produtos. Este modelo de barter,
desenvolvido pela BASF com base na Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio),
possibilita o incentivo à produção de energia renovável no país, ao mesmo tempo em que
atende à necessidade dos seus clientes de transformar carbono em uma ferramenta financeira.
Outra iniciativa que a BASF demonstra e traz acoplada aos compromissos junto à toda cadeia
produtiva é o Centro de Experiências Científicas e Digitais, que se chama onono® (https://
onono.com.br/), um espaço de inovação aberta com foco nos clientes, que também tem a
proposta de conectar e acelerar a economia circular. Contribuímos para o processo de inovação
de empresas com uma metodologia especialista para este processo. Através de um Match de
Soluções, a BASF busca no ecossistema global soluções que endurecem oportunidades rumo
à descarbonização.
A BASF preza pela inovação e acredita que os investimentos na produção de metilato de sódio,
assim como de diversos componentes químicos, estão intrinsecamente ligados aos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Esse é o jeito da BASF de enxergar o futuro
e colocar a sustentabilidade em prática, mostrando que é possível ser produtivo e sustentável
ao mesmo tempo, gerando impactos positivos para a sociedade, para o meio ambiente e para
os negócios.
Para um efetivo sucesso das inúmeras vantagens na utilização do biodiesel, é necessário que se
tenham alguns pontos de atenção, como os cuidados na armazenagem do diesel. Dependendo
do tipo de combustível armazenado em um tanque, a quantidade de ar e umidade podem ter
grandes variações. Outro fator que corrobora para esta diferença é a localização em que o
tanque se encontra. Como, por exemplo, uma comparação entre um tanque de armazenamento
em Manaus e outro no Saara, a diferença de umidade será alta, o que poderá interferir nas
características do próprio combustível.
Há um apelo global para a proteção do meio ambiente, mitigação das mudanças climáticas,
na luta contra a pobreza. Tudo isso alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS), e os biocombustíveis permeiam por todos eles. Com a prospecção de aumento da
mistura, é notório pensar na utilização dos coprodutos do processo produtivo do biodiesel,
como a glicerina, que representa 10% do total produzido, o que gerará maior valor agregado,
com o incentivo à produção industrial nacional, impulsionando a economia, já que muitos dos
produtos derivados da glicerina são importados.
Em relação às formas de energia que são necessárias e disponíveis, reforço a importância dos
fósseis, que precisam andar em paralelo aos biocombustíveis, incorporando o Carbon Capture and
Storage, usados de maneira sustentável. Em um mundo em que a população chegará em 2050
com aproximadamente 10 bilhões de pessoas, todas as formas de energia serão necessárias.
Aliás, as inovações demandam cada vez mais energia, como a inteligência artificial, mobilidade, e
transporte. Os investimentos em transição energética e biocombustíveis estão em crescimento,
embora para atingir o net zero, esses investimentos precisam triplicar. Nessa perspectiva, a
China está na liderança da aplicação de recursos em transição energética. Por outro lado,
é o país que possui as taxas mais elevadas de poluição. O Brasil desponta em relação ao
mundo por possuir o maior percentual de energia renovável e algumas ações governamentais
ligadas à neoindustrialização. Como exemplo, podemos citar a Política Nacional de Economia
Circular, o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Nova Indústria Brasil,
que trará investimentos para transição energética e produção de biocombustíveis, a Política
Industrial, que terá R$ 300 bilhões para desenvolver diversos setores da indústria nacional e o
Combustível do Futuro.
O Projeto Combustível do Futuro poderá gerar um aumento da produção de etanol, biodiesel, diesel
renovável, SAF, e reduzir entre 27,4 milhões e 71,3 Mt CO2 eq. até 2030, 39% da meta total do
Brasil até 2030. A política de mistura obrigatória de biodiesel ao diesel contribui não apenas para
reduzir as emissões de GEE, mas também para diminuir a dependência da importação do recurso,
impactando na balança comercial do país, já que cerca de 25% do diesel fóssil é importado.
Sobre o Hidrogênio Verde, que também está dentro da Política Combustível do Futuro, os
investimentos no Brasil poderiam aproveitar a rede elétrica existente, já que 70% do custo para
produzir o hidrogênio vem da energia. Com diferentes processos para sua obtenção, além
da eletrólise da água, têm-se rotas renováveis promissoras, como a pirólise, gaseificação,
hidroeletricidade, biodigestão de biomassa. Estes diferentes tipos de processos possuem custos
e emissões variados, por isso a importância em investimentos, conhecimento científico e força
política para as tomadas de decisões.
No final de novembro de 2023, a Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados
aprovou o Projeto de Lei 1425/2022, que estabelece um marco regulatório para as atividades de
Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) no Brasil. Os projetos de CCS têm a capacidade
de capturar cerca de 190 milhões de t CO2 por ano no Brasil e 8% da emissão dos GEE (2,4
bilhões de tCO2). O país tem um potencial teórico para armazenar 2.035 bilhões de toneladas
de CO2 em campos de óleo e gás, reservas de carvão mineral e aquíferos salinos, conforme o
Atlas de CCS. Esse imenso potencial pode facilitar a produção de hidrogênio limpo a partir do
gás natural, contribuindo de forma significativa para a transição energética sustentável do país.
A padronização da taxonomia verde no Brasil não é bem difundida como deveria ser. Se dizer
verde, sustentável não basta, quais são os critérios para isso? O que irá impactar e impedir o
famoso Greenwashing? Nessa visão, está o Projeto de Lei 5209/2023, que estabelece normas
e diretrizes para o desenvolvimento e aplicação da Taxonomia Verde Nacional. Este projeto
cria indicadores ambientais para conformidade, principalmente com as medidas exigidas
internacionalmente como Indicadores de quantidade, composição e qualidade dos resíduos
sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas poluentes; origem e eficiência da energia
utilizada; III - uso eficiente da água e forma de tratamento de efluentes; rastreabilidade na seleção
e eficiência no uso de matéria-prima ou insumos; impactos relacionados ao desmatamento
ilegal e à biodiversidade local e regional; emissão, redução e sequestro de gases de efeito
estufa e outros.
Em relação aos mandatos e subsídios mundiais, cada país segue suas metas. A Indonésia,
desde 2020, implementou um mandato de 30% de biocombustível renovável em conjunto com
o fóssil, aumentando para 35% desde fevereiro de 2023. O Brasil, com todos os programas
como RenovaBio, Combustível do Futuro, SAF (ProBioAQV), HVO, PNDV, Etanol, Biodiesel,
Hidrogênio Verde, Energia Solar, Biometano, está na 2ª posição entre os maiores produtores,
atrás apenas da Indonésia, que conta com incentivo para essa liderança. Assim, nosso
país possui todas as características para despontar e assumir o protagonismo na transição
energética mundial, dentro do trilema energético: sustentabilidade ambiental, equidade
energética, segurança energética e também desenvolvimento regional, pois o país se destaca
com o selo biocombustível social.
Assim, projeções demonstram que, com o aumento do percentual de biodiesel, poderá ocorrer
a diminuição da emissão de 5 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, além de reduzir a
importação de 2,4 bilhões de litros de diesel fóssil.
Os números da indústria brasileira estão muito aquém do potencial do país, com mais de R$60
bilhões em déficit e de forma crescente. A balança de importação é muito maior que a de
exportação dos produtos industrializados. Assim, esta nova neoindustrialização, tal qual ela
é tratada no Brasil, prioriza principalmente os pilares da sustentabilidade, um ganho gigante
para o país que mais possui vocação para os renováveis, descarbonização e para a transição
energética. Protagonismo este que tem como alicerce a pesquisa científica de ponta, elaborada
pelas universidades e também pela Embrapa, que faz com maestria seu papel em desenvolver
novas soluções e matérias-primas para biocombustíveis no país.
Desde a época da ditadura militar, o país desponta com três grandes cases de sucesso, dois
antigos, representados pelo etanol e o carvão, e um mais recente, sendo o biodiesel. A produção
de etanol no Brasil já é de aproximadamente 35 bilhões de litros, além de queima de bagaço
e outras biomassas para produção de energia. Em relação ao carvão vegetal, o país já utiliza
30%, enquanto o mundo continua em 1%, além de ser de reflorestamento, com uma base bem
diferente do carvão produzido em tempos passados. O terceiro grande case é o nosso biodiesel,
com uma indústria de 20 anos, que atualmente já corresponde a uma produção de 8 bilhões
de litros. Em comparação ao resto do mundo, o país já possui avanços significativos, mas claro
que ainda existem lacunas e investimentos a serem feitos em outros setores, principalmente
em bioquerosene.
A nova industrialização do Brasil pode ser a carta de entrada que irá impulsionar um novo
avanço dos biocombustíveis. Podemos citar como exemplo o processo de industrialização que
ocorreu no centro-oeste, uma verdadeira mudança de paradigma social, com a chegada da
agricultura e, com isso, novas indústrias movimentaram o setor. Essas transformações estão
ocorrendo em todo o país, com os biocombustíveis sendo responsáveis pela descentralização
do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Esta importante característica já justificaria
o aumento dos teores de biodiesel. O Brasil já teria condições de estar com um percentual da
mistura de 25% ou 30%, pois já é comprovado cientificamente que não existem problemas na
utilização do biodiesel. Nessa perspectiva, um setor de extrema relevância é a produção de
insumos químicos de maior valor agregado, como é o caso da glicerina.
Em conjunto com outros pesquisadores, tenho desenvolvido várias tecnologias para tentar obter
produtos de alto valor agregado. Então, essa descarbonização não deve passar apenas pelos
biocombustíveis, é preciso ser acelerado nessa vertente, e em outras questões como insumos
para indústria química, que nós hoje somos completamente dependentes. O Brasil passou por
uma forte queda na industrialização do setor e o momento poderá ser a oportunidade de rever
esta situação, produzindo insumos químicos a partir dos resíduos oriundos do agronegócio. É
visto com bastante otimismo esse processo de descarbonização no país, em que o agronegócio
se torna a alavanca para o desenvolvimento.
Mesmo dotado de grande confiabilidade desde o princípio de sua história, houve uma significativa
evolução em sua mecânica para atender requisitos de qualidade do ar e do meio ambiente. Para
tanto, vários equipamentos foram adicionados, como os dispositivos de tratamento de gases
de escapamento. Dispositivos como Conversores Catalíticos de Oxidação, Recirculação de
Gases de Exaustão (EGR), Filtros de Partículas Diesel (DPF), Catalisadores de Oxidação Diesel
(DOC), Redução Catalítica Seletiva (SCR), Amônia Slip Catalyst(ASC), e Catalisadores de NOx
Armazenadores (LNT), fazem com que possamos ter uma significativa redução das emissões
de poluentes. Entretanto, estes equipamentos colocados no diesel trazem naturalmente, com a
evolução da legislação ambiental, um aumento de custo. Segundo a Environmental Protection
Agency (EPA) dos EUA, o custo adicional anual para o reabastecimento de AdBlue pode variar
entre $500 a $1000 para veículos comerciais pesados.
Cabe destacar que existe, portanto, um senso comum de que os motores a diesel são tão
robustos que poderiam suportar praticamente qualquer situação de uso por serem máquinas
extremamente resistentes e utilizadas há muito tempo. Porém, a partir das preocupações
ambientais, que agregaram dispositivos mais sensíveis de tratamento dos poluentes, bem como
a busca por motores mais eficientes na indústria, os motores a diesel dependem de um bom uso
para que tenham sua confiabilidade e durabilidade asseguradas.
Para que os usuários possam ter acesso a um combustível de qualidade e de procedência garantida,
faz-se necessário que se tenha o melhor marco regulatório desse mercado. Comparo esse
regramento a um “esquema tático” que descreve e rege as relações entre os agentes produtores,
distribuidores e revendedores. Seguir o “esquema tático”, isto é, a regulação, é o que garante que
se terá o melhor resultado para a sociedade. Se algum elo do esquema tático é negligenciado, ou
seja, se alguma norma é desrespeitada por um agente específico, todos perdem.
Todo o marco regulatório pode ser comparado com a formação de um time. Primeiramente, são
escolhidos os energéticos, ou seja, os players que jogam neste campo (o mercado), sempre na
preocupação de que este esquema tático faça com que o produto chegue de uma forma tranquila
para o consumidor final, que é quem vai marcar o gol. Com início da produção na fase agrícola,
logo é levada para a produção industrial, que também tem que entregar essa bola para o meio
de campo, o setor de distribuição. O distribuidor, que precisa receber a bola (um combustível de
qualidade), dá um passe qualificado para depois fazer o “lançamento em profundidade” para todas
as regiões do Brasil, seja na “ponta direita” ou na “ponta esquerda”, do Rio Grande do Sul ao Acre.
É necessário que essa “bola” chegue redonda, ela não pode chegar “quadrada” lá no posto.
Então, todo mundo tem a responsabilidade pelo processo, todos devem ter uma disciplina
tática. E a ANP faz o papel de monitoramento da qualidade, o que equivale ao VAR, com
análises constantes, olhando essa jogada, como ela se dá dentro de campo.
Essa “disciplina tática” é de extrema importância para um bom funcionamento dos veículos
e dos motores, que são dependentes de três fatores fundamentais: a manutenção preditiva
adequada, boas práticas de manuseio e utilização de um combustível de procedência.
Devemos destacar que a manutenção preventiva, adequada e periódica depende da vocação
dos motores, ou seja, nós estamos lidando com veículos, motores, que chamamos de motores
vocacionados. Eles são motores que estão relacionados a alguma atividade, que precisam, em
cada caso, de uma rotina diferente. Então, não existe uma regra como a que é aplicada aos
motores para veículos leves e de passeio.
Cada tipo de uso tem uma forma diferente de se abordar no que se refere à manutenção, e
todos concordamos que a manutenção preventiva é sempre mais barata, custando menos
que a corretiva. Então, deve-se fazer a "tarefa de casa" para termos acesso às melhores
práticas com o menor custo, maior confiabilidade e o uso permanente desses motores. Nesse
sentido, houve uma publicação da Cartilha AEA de Boas Práticas, que apresenta elementos
muito importantes para o diagnóstico daquilo que eventualmente se pode encontrar no campo,
indicando a necessidade da compreensão da realidade do uso de um equipamento, do uso de
um motor, do uso de um veículo, do uso de motores vocacionados. Existem componentes que
devem ser cuidados para um perfeito funcionamento do motor: a boa gestão de um Ponto de
Abastecimento (PA), o bom manuseio e armazenamento desse combustível, a manutenção
dos catalisadores, o biodiesel e Diesel B de qualidade especificados, com adequações em
lubrificantes, filtros, manutenção e Arla 32. Cada uma dessas peças compõem e formam um
cenário onde a gente vai ter confiabilidade no equipamento usado.
O Fórum é uma rica oportunidade de diálogo entre os setores, além de trazer à tona realidades
diversas de um segmento muito heterogêneo no país.
Para corroborar essa afirmativa, cito três exemplos, de usuários distintos, que não têm tido
qualquer problema na utilização do biodiesel. Primeiramente, um frotista de concessionárias
de rodovias no estado de Minas Gerais, com uma frota de 50 caminhonetes trocadas quando
completam um ano e meio, com 1 milhão e 200 mil quilômetros rodados. Nesse exemplo
específico, os veículos rodam em três turnos, estão sempre “girando”, e o motor “respira” muito
bem, sem qualquer registro de problemas.
Em segundo, temos a usina de Corumbá IV, cujos sistemas hidráulicos de acionamento das
turbinas são ativados por dois geradores diesel, que estão operando há 10 anos sem problemas
ou danos. O terceiro exemplo está na operação do setor sucroalcooleiro, sendo testemunha
de toda a evolução do percentual de mistura do biodiesel ao diesel. Desde 2011, o Ministério
de Minas e Energia coordena a Mesa de Abastecimento do Etanol. Neste intervalo de 10 anos,
que experimentou um aumento significativo do percentual de biodiesel, não houve qualquer
sinalização de problemas relacionados ao biodiesel. Isso porque provavelmente se esteja
lidando com um setor que faz um controle, uma boa gestão de manutenções.
O PMQC cobre atualmente 18 estados: Pará, Maranhão, Amapá, Ceará, Rio Grande do Norte,
Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro,
São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São 12 instituições
contratadas (IBTR, UNICAMP, UFMG, UFRGS, UFPE, UFRN, UFC, UFMA, UFPA, UFRJ, IPT/
SP, UFPR), todas com seus laboratórios vistoriados pelo CPT/SBQ. Em face da indisponibilidade
de recursos orçamentários, que não permite a extensão do Programa para todo o país, a ANP
instituiu novo modelo de PMQC em projeto piloto, que está em operação em Goiás e no Distrito
Federal, conduzido pela Universidade Federal de Goiás (UFG). A grande diferença com o modelo
tradicional reside no fato de que é custeado pelos próprios agentes econômicos, além de ter
sido estendido para bases de distribuição e transportadores-revendedores-retalhistas (TRR).
Dependendo do resultado de Avaliação de Resultado Regulatório (ARR) do projeto piloto, poderá
ser estendido para outros estados.
No PMQC, em termos de números, foram coletadas, em 2023, cerca de 82 mil amostras que
geraram 700 mil ensaios. Consequentemente, a significância estatística dos resultados é
ótima. A partir desses resultados, o país apresenta ótimo índice médio de conformidade, de
cerca de 98%. Ou seja, temos 2% de não conformidades. São índices que deixam o país na
vanguarda mundial. O Japão, por exemplo, desenvolve programa similar: realiza 300 mil coletas
por ano e apresenta índice de não conformidades na faixa de 2,5%. Em relação ao diesel,
quando a mistura com o biodiesel passou de 12% para 14%, houve queda da conformidade
e, no mês seguinte, um retorno à inclinação usual da curva. Ainda sobre o diesel, observa-
se que a não conformidade modal reside no teor de biodiesel e, em segundo lugar, no ponto
de fulgor. Especificamente ao ponto de fulgor, pode-se atribuir o percentual elevado a más
práticas de armazenamento, transporte e manuseio, uma vez que está relacionado a possível
contaminação com produto leve.
Feitas essas abordagens sobre ferramentas de controles de qualidade, enfatizo, dada à extrema
importância, os potenciais problemas decorrentes de más práticas. Focando na absorção
excessiva de umidade, derivada principalmente da presença indesejada de água, resulta,
no etanol, a diminuição do teor alcoólico e, no biodiesel e no óleo Diesel B, a degradação e
formação de borra. Já a contaminação com resíduos sólidos pode causar entupimento de filtros e
comprometimento dos sistemas de injeção, diferente da contaminação com combustível leve que
afeta o ponto de fulgor e, na curva de destilação, provocando ignição precoce, perda de potência
e mau funcionamento do veículo, no caso do diesel.
A ANP e outras instituições vêm, há algum tempo, trabalhando em prol das boas práticas no
manuseio, transporte e armazenamento através de importantes ferramentas de apoio, a exemplo
das cartilhas: “Manuseio e Armazenamento de Óleo Diesel B” (ANP/2012), “Cartilha de Boas
Práticas – Diesel Comercial” (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva - AEA e ANP),
e o “Manual de Boas Práticas na Utilização de Diesel” lançado pelo Ministério da Agricultura e
Pecuária e pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel, em 2023.
Embora as cartilhas tenham poder educativo e orientador, não possuem, como se depreende, poder
regulatório. Assim, mais recentemente, procedimentos de boas práticas foram transformadas em
dispositivos legais, ou seja, foram inseridas em novos atos da Agência, como as Resoluções
ANP nº 920, de 04/04/2023 (especificações e controles de qualidade do biodiesel); nº 968, de
30/04/2024 (especificações e controles de qualidade dos óleos Diesel); e nº 856, de 22/10/2021
(especificações e controles de qualidade do JET A e A-1, bioquerosenes e JET C). Com essas
regulamentações, más práticas passam a gerar consequências para quem as comete.
Para finalizar, com a integração do marco infralegal dos combustíveis do ciclo diesel editado
(especificações, controles de qualidade, normas de ensaios e regulamentos de boas práticas),
composto pelas Resoluções ANP nº 842, de 14/05/2021 (Diesel Verde); nº 920, de 04/04/2023
(Biodiesel); e nº 968, de 30/04/2024 (óleos Diesel (tipos A, B e C); eo PMQC e PMQBio (vigilância da
qualidade ao longo da cadeia de abastecimento dos produtos do ciclo Diesel), a Agência considera
ter dado um importante passo de aperfeiçoamento regulatório. A expectativa agora é de que haja
engajamento de todos os segmentos da cadeia de abastecimento na cultura e práticas continuadas
de vigilância da qualidade dos combustíveis, até porque a ação, nesse sentido, dos agentes
econômicos é essencial para a normalidade do mercado e proteção dos interesses do consumidor.
Um dos pontos mais importantes para uma transição segura e eficiente está na qualidade, como
cita a resolução da ANP a respeito do agente econômico, o que foi um marco para o benefício da
qualidade final. Embora se reconheça a importância deste agente, o maior vilão da qualidade do
combustível, além do agente econômico, infelizmente, é o agente consumidor, que em sua grande
maioria, desconhece os aspectos e a relevância das boas práticas, degradação, composição,
diferenças básicas entre o S10 e S500. Em busca de soluções para melhorar a qualidade do
biodiesel, a Actioil começou a investir diretamente nas montadoras, que fabricam equipamentos
e receberam orientações e tratamentos específicos para o uso adequado do diesel.
Hoje, 22 fabricantes de máquinas, equipamentos e motores, que antes não tinham conhecimento
sobre a gestão de combustíveis nem investiam em boas práticas, agora adotam medidas
preventivas, enquanto antes gastavam milhares de reais apenas na manutenção das máquinas.
Muitos desses cuidados relacionados apenas às boas práticas não demandam investimentos
financeiros. Como exemplo, no procedimento de recebimento do diesel, da chegada de caminhão
até o consumidor, o produto precisa descansar, além de ser necessário um esgotamento dos
ductos, e de verificar a densidade e aspecto do diesel, o que não é feito normalmente, sendo
realizado somente um descarregamento simplificado, que pode acarretar outros problemas,
como o diesel estar com um lastro da base distribuidora ou um furto no transporte e uma possível
adulteração com água no tanque.
Outro aspecto importante em boas práticas está no sistema dos filtros de diesel, trocado por
litros de diesel filtrado ou por tempo, embora, devido ao não cumprimento das boas práticas,
os filtros permaneçam por 4 ou 5 anos, em média, o que evidencia a necessidade do aumento
de divulgação e fiscalização das boas práticas na gestão de combustíveis. As boas práticas,
inclusive, têm início na história dos motores até a composição dos combustíveis, o que se torna
a saída para diversas questões e informações errôneas a respeito do biodiesel, o que pode
ser contornado através da disseminação do conhecimento. Nesse sentido, criamos a primeira
universidade corporativa de ensino à distância sobre combustíveis. A Universidade Corporativa
Actioil (UNIOIL) é uma plataforma de ensino à distância criada para levar conhecimento sobre a
importância do tratamento químico do diesel, mecânico e sobre o funcionamento dos motores a
milhares de alunos em todo o Brasil.
Entretanto, o brasileiro não valoriza o Brasil. Este conceito precisa ser mudado e é necessário
desmistificar as ideias erroneamente ditas a respeito dos biocombustíveis. Para que isso ocorra,
precisamos levar o conhecimento para o campo, por meio de uma comunicação mais clara e
ampla ao consumidor, como ocorreu no período de lançamento do S10 no Brasil, em que foram
divulgadas propagandas em todos os veículos de comunicação. Até hoje as pessoas acham que
o S10 é menos contaminante do que o S500 porque a publicidade dizia “um diesel mais limpo”,
em referência ao meio ambiente, não em relação à qualidade. Então, o setor necessita de uma
maior comunicação para o consumidor final.
Em relação à qualidade do biodiesel, temos um exemplo: uma amostra de biodiesel que saiu da
planta no dia 16 de novembro de 2020 com 13.1 horas de estabilidade e 158 ppm de água, em
quatro anos está com 8.6 horas de estabilidade oxidativa e o teor de água subiu, ficando próximo
de 400. Estava em ótima qualidade, sem material em suspensão, armazenado em um galão da
empresa, sem a presença de borra. Mas, se estivesse exposto ao sol, se fosse colocado água
de condensação, o biodiesel iria entrar em processo de degradação rapidamente. Este exemplo
foi dado para reforçar que a qualidade está ligada às boas práticas.
Através de uma pesquisa de campo da Actioil, que rodou por postos de combustíveis de todo o
país durante uma semana, com o objetivo de identificar a limpeza dos tanques de combustível,
foi evidenciado que todos os postos visitados nunca haviam feito o procedimento de boas
práticas para limpeza dos mesmos. Diferente do que ocorre em outros países, a Europa, por
exemplo, trabalha com limpeza química de tanques, porque o tanque do posto não pode ficar
parado para limpeza, então uma limpeza com a inserção de produtos é feita a cada dois anos.
É uma revolução para garantir um bom produto, embora o consumidor da ponta ainda seja o
mais responsável pela problemática, o que já está mudando em grandes segmentos como a
área agrícola, mineração, geradores e máquinas de linha amarela, que tem investido muito em
cuidados. Para isso, a Actioil tem buscado fazer os treinamentos necessários, como a consultoria
do caminho do diesel na empresa, apontando as melhorias de boas práticas a serem feitas nos
quesitos drenagem, filtros, armazenamento, entre tantos outros.
Quanto à utilização de aditivos para motor a diesel, é importante ressaltar que muitos deles são
de origem duvidosa e estão circulando no mercado atualmente. A ANP deixou de ser a agência
responsável por fazer o registro e certificação dos aditivos, mediante isto o consumidor deve
procurar alternativas de aditivos ou tratamentos recomendados pelos fabricantes de máquinas,
veículos e motores. Caso contrário, estes compostos, dependendo do tipo e concentração,
podem ser altamente inflamáveis e nocivos, alguns constando até como base o metanol ou
etanol, e recomendados para uso em diesel/biodiesel, que são composições nocivas para estes
combustíveis. Entretanto, a solução não se resume ao emprego de aditivos na distribuição e
revenda, mas também contempla o pleno atendimento às orientações que constam de todas as
normas e práticas de segurança em vigor que precisam ser seguidas à risca. Então, as boas
práticas garantem a qualidade do biodiesel, da gasolina, do etanol ou de um HVO futuramente,
e devem ser transmitidas em todos os veículos de informações, com uma comunicação
efetiva junto à imprensa, fazendo os brasileiros torcerem pelo biodiesel, pelos combustíveis
renováveis, pois o país é exemplo mundial. O que é comprovado em eventos como o I Fórum
Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação, que reuniu diversos setores da cadeia de
biocombustíveis, que trabalham com um segmento muito diverso, de diferentes perfis e usuários,
a fim de encontrar saídas para alavancar a atividade no país.
A Intecnial estava presente desde as demandas iniciais do biodiesel no Brasil, com o segmento
de esmagamento de soja, sendo uma das empresas associadas e fundadoras da Ubrabio,
período em que os fabricantes de biodiesel e os produtores resolveram se unir, e a Intecnial,
como fornecedora de equipamentos, foi apoiadora desta importante iniciativa. Assim, desde
a fundação da Ubrabio, a Intecnial tem o sentimento de estar amparada por esta união, que
tanto faz pelo setor. Setor este que se aprimorou ao longo dos anos, como pode se observar
em diversas apresentações realizadas no Fórum, além de ampliar ricamente o conhecimento e
a capacidade de análise. Mas também é um desafio, porque a proposta atual da Intecnial está
em rotas que não existem, com tecnologias não convencionais, não sendo usual no mercado,
mas que, por outro lado, já está em prática, implantada, demonstrando sua viabilidade e
funcionamento. Neste setor e em vários, existem oportunidades para o melhor aproveitamento
das energias que a Intecnial já dispõe, alinhando com as melhores práticas de ESG. Este
projeto já atendeu tanto na área do biodiesel quanto em frigoríficos, aqui no Brasil e fora.
A Intecnial é uma empresa de engenharia que conta com uma grande caldeiraria e uma equipe
de montagem, o que nos permite oferecer soluções e regimes turn-key para alguns clientes, que
colecionam histórias de inovação, respostas a desafios e de busca de qualidade, excelência
e superação. Estamos sempre nos superando, implantando tecnologias e estabelecendo
parcerias que não só mudaram o posicionamento da empresa, mas contribuíram para o avanço
tecnológico e o reconhecimento da indústria nacional no mundo.
Para produzir o biodiesel ao menor custo possível, com um menor consumo energético, de
água, de combustível, energia elétrica e maior sustentabilidade, é necessário que o mercado
de engenharia industrial promova soluções para redução do consumo. Entre elas, temos as
que utilizam o potencial do residual térmico, que pode promover uma redução de até 60%
na potência elétrica instalada na refrigeração e redução proporcional no consumo elétrico. O
consumo de vapor e de combustível também pode ser reduzido em até 25%, o que influenciará
diretamente em uma maior redução de emissões atmosféricas.
Esse processo também libera energia térmica e, por isso, surgiu a hipótese de se utilizar essa
energia térmica novamente para dar uma nova energia para o próprio processo. Para isso, foi
criado o conceito de unidade de eficiência energética, que é quando se projeta uma instalação
onde todos os processos da indústria estão trabalhando em produzir e recuperar a energia
dissipada. Então, quando esse sistema está equilibrado em um balanço térmico, é possível
obter as reduções de consumo de eletricidade e de combustível.
Assim, essas fontes térmicas residuais geradas em processos industriais e perdidas para o
ambiente em forma de calor, podem ser oriundas da descarga de fundo das caldeiras, do calor
latente dos gases de processos industriais com secadores e cozimento (digestores), do calor
sensível do condensado dos gases e do condensado do vapor saturado, do calor latente e
sensível do vapor na descarga da turbina, e do calor da descarga de compressores. A partir do
uso desse vapor no processo, ainda pode ser emitida uma energia secundária, dissipada, que
voltar a ser utilizada, é recuperada e entregue novamente para um processo industrial, na forma
de frio ou de aquecimento de água. Para isso, são necessárias algumas condições básicas para
a recuperação da energia residual, como a vazão mássica mínima conforme a necessidade de
demanda térmica; uma temperatura de saturação acima de 100 °C para gerar refrigeração;
ou temperatura da fonte térmica maior que a temperatura de aquecimento desejado. A partir
destes processos, com 1 kg de combustível se faz energia elétrica, com os processos a frio
fazendo água quente e utilizando no consumo interno do processo industrial, usando assim 4,5
vezes o mesmo quilo de lenha.
No sistema de unidade de eficiência energética (UEE), a cadeia de soja para o biodiesel pode
se tornar mais sustentável, reduzindo o consumo energético da soja que será esmagada,
gerando vapor superaquecido e frio ao mesmo tempo, obtendo um maior rendimento de massa.
As biomassas resultantes da limpeza e da colheita do grão podem ser utilizadas no processo. A
ideia é que a planta possa gerar energia elétrica para seu próprio consumo, e para os pivôs que
possuem uma grande potência instalada. Então, o objetivo é agregar valor à produção agrícola
e torná-la mais sustentável energeticamente, e mantendo o grão em condições de qualidade
em comparação com secadores a lenha.
Assim, os benefícios da implantação da UEE são inúmeros, com uma redução evidente da
necessidade de geração de vapor na instalação elétrica, na demanda a ser contratada e de
investimento no tratamento de gases. Além do esmagamento de soja e biodiesel, os processos
industriais onde podem ser aplicados o conceito UEE variam de frigoríficos, laticínios, indústria
de processamento dos resíduos animais, beneficiamento de grãos/sementes, indústria química
e até shoppings.
Mesmo com tantos indícios apontados, ainda existe muita resistência no uso de biodiesel por
parte de distribuidoras, montadoras e da mídia, na disseminação de notícias, que, na imensa
maioria das vezes, são falsas e não condiz com a realidade do setor. Para o senhor Eduardo
Hammerschmidt, que exemplificou um dado importante, em 2023 o biodiesel estava mais barato
que o diesel e o aumento do uso de biodiesel, deixaria o preço do diesel mais baixo, então em
relação a preço, não teria razão de ir contra o aumento da mistura. No quesito qualidade e
mecânica, a Potencial acreditou e lançou o caminhão 100% biodiesel para promover essa quebra
de paradigmas, o que foi um sucesso. É importante ressaltar que o biocombustível, além dos
inúmeros benefícios expostos, diminui o risco de desabastecimento. O que é possível por meio
de ciência, tecnologia e inovação, e para isso, é necessário que se faça um investimento. São
demandados custos, para que o país tenha o melhor biodiesel do mundo, então, muito dessa
resistência do mercado, e, por parte de vários agentes, está em relação aos investimentos a
serem feitos, que muitos setores não querem aderir. A indústria brasileira está preparada para
esses investimentos, acompanha essa inovação e a questão de sustentabilidade não é mais
um quesito obrigatório, mas sim uma questão de sobrevivência humana.
No caso de geradores estacionários, existem casos como relatado pelo senhor Silvio da BRG,
do uso em uma termoelétrica em Manaus, que consome cerca de 9 milhões de litros por
mês, 300 mil litros/dia de diesel. Então na região norte, em várias localidades sem acesso à
energia, que utilizam geradores a diesel, poderiam ser abastecidas com biodiesel. Para isso,
o biodiesel precisaria chegar ao patamar de preço do diesel, o que se espera que acontece
brevemente, devido ao avanço da indústria e o aumento da demanda por um mercado
sustentável. Ressaltando uma questão já mencionada, mas importante enfatizar, como o
Eduardo Hammerschmidt o fez, a questão midiática tem um impacto enorme na pressão para
introdução do biodiesel no mercado, um exemplo, foi o impacto que o show do Coldplay, que
utilizou geradores movidos a 100% biodiesel, obteve em relação à opinião pública e também,
decisões políticas e questionamentos técnicos. Com a COP30 surge a oportunidade da
elaboração de um trabalho visível mundialmente, para demonstrar a grandiosidade do que o
Brasil está produzindo.
Para aumentar a reflexão a respeito de custo e aumento da mistura, o senhor Eduardo apresentou
uma simulação em que foi feito um corte do preço do diesel e preço do biodiesel em outubro de
2023. Assim, fazendo algumas simulações, com o quantitativo que a produção de biodiesel no
país já poderia suprir uma projeção de B20, por exemplo, em que o país importou 9 bilhões de
litros, e a capacidade de produção já era de 13 bilhões de litros, ao se comparar com a produção
brasileira atual, que já é de 15 bilhões de litros, seria totalmente factível o uso do B20 para o
país. Com os testes do caminhão 100% biodiesel aprovados, é inadmissível a narrativa de que
o aumento da percentagem de biodiesel acarreta problemas ao mercado. Isso são paradoxos
criados e que já foram quebrados após vinte anos de uma indústria em constante evolução.
Um exemplo, é que, após a Potencial fazer o caminhão 100% a biodiesel, a própria montadora
anunciou que vai colocar no portfólio o caminhão 100% a biodiesel no mercado.
Quanto maior for o aumento da mistura de biodiesel, menor será o preço do diesel para o
consumidor. Neste ano, 2023, quando as especulações estavam centradas na diminuição da
mistura, o custo de um B12 estava em R$ 4,5024, enquanto que, para o mesmo período, o B20
poderia ser R$ 4,0931.Assim, em um país que está atualmente com suas plantas de biodiesel
ociosas, a importação de diesel, que está em 25%, poderia ser suprida pelo aumento da mistura
e diminuição dos custos. Além de fatores econômicos, um aumento da mistura de biodiesel
no diesel poderá promover inúmeras melhorias para a saúde humana, contribuições para a
economia circular, uma cadeia enorme do agronegócio e da agricultura familiar. Um exemplo são
as cooperativas do nordeste, atualmente a Potencial tem uma parceria com 500 famílias, dentro
do programa selo combustível social.
O biocombustível não pode ser considerado apenas uma molécula de combustão, mas sim uma
cadeia que traz impacto na sociedade em sua totalidade. Essa é a visão que o mercado tem
que ter. Como no exemplo dado anteriormente, de 2023, quanto mais biodiesel misturássemos,
menor o custo do diesel. E, além disso, a gente aceleraria a ociosidade das nossas indústrias
para impulsionar a industrialização da soja, por exemplo. Atualmente, a soja é exportada, alguns
sabem, outros não, mas quando é exportada, não gera tributo nenhum para o país, não gera
renda, não gera emprego. Então, a industrialização poderá alavancar também a economia do
país, gerando renda e emprego. Para finalizar, o biodiesel tem um caráter de grande importância
na solução de problemas sociais, não é apenas uma molécula de combustível sustentável. O
Brasil está preparado com inovação, ciência e tecnologia de qualidade, para que o país não seja
apenas coadjuvante, mas sim, a OPEP verde do mundo.
O Senai Cimatec tem mais de 40 áreas de atuação, dentre elas a área automotiva, química, e
de modelagem computacional, em que a pesquisadora Lilian é líder de vários projetos. Alguns
resultados apresentados foram desenvolvidos nos laboratórios de motores presentes nas
unidades.
A solução mais rápida para mitigar os grandes problemas climáticos relacionados ao uso
de combustíveis fósseis é a utilização dos biocombustíveis, que podem operar os veículos
sem grandes modificações, além de serem originados de um ciclo fechado do carbono e são
amplamente considerados como ecológicos e “combustíveis neutros em carbono”. Assim,
são renováveis, verdes, biodegradáveis, sustentável, seguro e ambientalmente benignos.
Outro benefício está ligado ao maior teor de oxigênio, o que faz com que tenham uma melhor
combustão, emitam menos fuligem, hidrocarbonetos não queimados e outros poluentes como
Material Particulado, entre outros.
É importante ressaltar que a avaliação das emissões de GEE deve considerar todo o ciclo de
vida dos veículos. A lógica “tanque à roda” contabiliza apenas as emissões associadas ao uso
de veículos, enquanto a lógica “berço ao túmulo” considera as emissões desde a fabricação
até o descarte ou a reciclagem dos veículos e de seus componentes. O “fim da vida” de um
veículo não pode ser descartado do ciclo de vida. Quando se trata do cálculo de emissões, esta
é a etapa de descarte e reuso, que, mais tarde, fará com que o elo da economia seja circular,
como na reciclagem. O grande desafio atualmente é trabalhar do poço para além da roda e
entender o que está acontecendo no nosso ambiente, com a nossa sociedade, com a nossa
saúde pública.
A emissão oriunda dos veículos pode ser de diferentes compostos, sejam eles materiais
particulados ou compostos gasosos. Associado ao material particulado podem estar presentes
centenas de compostos, além disso, existem diferentes frações de tamanho e, quanto menor
a partícula, mais ela consegue adentrar no sistema respiratório. Por exemplo, as partículas
grossas de tamanho Da < 10 µm conseguem ficar retidas nas vias aéreas superiores e as
partículas finas com Da < 2,5 µm podem ultrapassar as barreiras do sistema respiratório e
chegar até os alvéolos pulmonares. Grande parte desse material particulado é derivado das
emissões do setor de transportes, o que ficou constatado em período pandêmico, onde se
teve uma ausência de veículos nas ruas e uma queda no número de internações por doenças
respiratórias. Uma das soluções para mitigação dessa questão é o uso dos biocombustíveis,
que poderão trazer contribuição para a redução desse material particulado.
Outro aspecto pouco falado que merece destaque, em relação à saúde pública, é a presença
de mercúrio no combustível. Entretanto, o biodiesel tem praticamente seis vezes menos teor
de mercúrio do que o diesel. Além disso, o diesel brasileiro tem menos mercúrio do que outros
países, como França, Irlanda, Alemanha e Itália. Mais uma solução para a utilização do B100
no país: uma diminuição da necessidade de importações de um combustível tão prejudicial
à saúde humana, que afeta o sistema nervoso central, resultando em danos cerebrais, traz
problemas de aprendizagem e afeta o desenvolvimento cognitivo em crianças expostas durante
a gestação, pode causar distúrbios renais, cardiovasculares e imunológicos, comprometimento
da visão e do sistema respiratório.
Para finalizar, é importante ressaltar que o Brasil possui capacidade produtiva de qualidade
para o aumento do percentual de biodiesel no diesel, além de uma matriz regional diversificada
capaz de atender à demanda, o que trará uma grande contribuição na redução de importação
de diesel para atender toda a malha rodoviária. A utilização do B100 seria a solução para mitigar
mudanças climáticas e problemas de saúde pública, além de existirem estudos e tecnologias
para soluções de questões técnicas da aplicação do B100 em motores Diesel, uma missão
para a cadeia automotiva. É de suma importância considerar o DNA Ambiental do uso dos
combustíveis e questões de saúde pública nas decisões e estabelecimento de normas públicas.
O diesel está sendo utilizado no Brasil talvez há 100 anos ou mais. O biodiesel no país, de
forma intensiva, começou a ser utilizado em 2005, em 2%. Hoje, estamos com 14%. Foram
vários processos para o avanço da mistura de biodiesel no diesel.
O país já está vendo a indústria marítima introduzindo o biodiesel dentro do bunker. Mas, em
2005, a realidade era diferente, falar em usar o biodiesel em motor marítimo era uma heresia,
diferente do que ocorre atualmente, em que a demanda está surgindo do próprio setor, que
busca descarbonizar suas rotas, pois o mundo está em momentos curtos de mudanças rápidas,
com eventos extremos de calor, frio ou chuvas. Então, o sentimento de mudança é altamente
importante e atual.
Assim, a F8 é uma empresa que reúne competências, pessoas para desenvolverem projetos
e soluções, para uma indústria que está sendo demandada a utilizar combustíveis renováveis,
que não são mais um paradigma. Ao longo desse tempo, 100 anos de história do diesel, o
país tem 20 anos de biodiesel. Todos esses anos proporcionaram um aumento de produção e
qualidade. Hoje, o biodiesel nacional é produzido e tem uma especificação mais exigente que
o biodiesel europeu, sendo o segundo carro-chefe mais usado.
Todas as plantas de biodiesel que hoje são certificadas pelo Inmetro, fazem correlação
laboratorial, ou seja, a qualidade que a gente recebe é ótima. Isso dá segurança para o
consumidor e para quem usa. E não tem como fugir: num país de grandeza continental, a
intensificação energética é importante, por isso, em breve, com todo avanço tecnológico, o
setor poderá contar com o B50, possivelmente B100. O Brasil está amparado com todas as
soluções viáveis para a produção de uma matriz energética limpa e para promover uma redução
da poluição, como aconteceu com o etanol, que tem, atualmente, um programa de sucesso.
Quando se fala de HVO e outras soluções, já é um longo caminho a ser percorrido. O SAF é um
desafio muito grande por conta do custo do hidrogênio. Como produzir hidrogênio para produzir
o SAF? Como produzir hidrogênio para ter um HVO com menores custos? Esse é o grande
desafio hoje do setor para se fazer o pulo nessa segunda geração da produção de biodiesel.
Desde a época que o Grupo Bertin implantou a fábrica em Lins-SP, o grupo gerador 100%
biodiesel já é utilizado. Inclusive, foram realizados testes, por mais de 4 mil horas, exigência
da própria Scania (fabricante do motor), para homologar o produto e dar garantia da operação
100% biodiesel. Naquela época, a Bertin, que forneceu gratuitamente o biocombustível para
o teste, foi a primeira fábrica do Brasil a utilizar gordura animal como matéria-prima para
produção. Implantação fabril de grande sucesso, contando com a presença do presidente Lula
e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que estiveram no pleito em 2007.
Outro teste com grupo gerador 100% biodiesel (motor VOLVO PENTA) foi realizado na unidade
fabril da Granol em Anápolis/GO, onde a Volvo exigiu 2.000 horas de operação contínua para
validar essa tecnologia em seus motores. Após tantas horas de trabalho, obteve-se todo o
histórico de operação do grupo gerador, onde o motor foi desmontado, avaliado, partes das
peças foram para Suécia, com todo rigor técnico necessário. Para validação e continuidade do
projeto, testado e executado com sucesso, designou-se a BRG uma permanência de 10 anos
como exclusivo fornecedor de gerador 100% biodiesel com motor Volvo. Essa responsabilidade
de operar com fonte alternativa de energia é muito grande e deve ser realizada com muita
responsabilidade.
Já existem muitas instalações especiais que estão aguardando uma melhor solução da ANP
em relação à questão do fornecimento e instalações de motores estacionários movidos 100% a
biodiesel. Um exemplo é Rosewood Hotel, em São Paulo, onde o sistema de geração de energia
com grupo gerador 100% biodiesel, com motor Caterpillar. Outro exemplo é um empreendimento
na capital de Goiás, o World Trade Center Goiânia, que conta também com geradores 100% a
biodiesel. Assim, a BRG Geradores, com essa iniciativa bem-sucedida do uso de geradores de
energia movidos 100% a biodiesel com tecnologia nacional, permitiu uma nova perspectiva para
a mudança da matriz energética brasileira e redução da emissão de CO2 na atmosfera.
O uso de uma fonte limpa e renovável como o biodiesel mostra-se como uma solução eficaz
e robusta para a geração de energia em plantas industriais. Quando se observa a origem de
matérias-primas para produção de energia renovável, principalmente o biodiesel para motores
estacionários ou não, sabe-se que o campo é a matriz que gera economia, renda, e a mais
adequada ao país por várias razões.
O Brasil possui fontes de energia mais adequadas que devem ser priorizadas. Embora existam
60 usinas de biodiesel no Brasil, a maioria ainda utiliza geradores a diesel. Em contraste, a
Binatural da Bahia se destaca ao empregar o gerador BRG 100% a biodiesel. A COP 30, por sua
vez, trará diversos navios com geradores convencionais, o que poderá poluir a capital Belém. A
substituição desses geradores por opções limpas seria uma medida importante para reduzir a
emissão de poluentes.
Gerar mais produtos a partir da mesma quantidade de matérias-primas, trabalhar com matérias-
primas 100% elegíveis. E a intersecção entre esses três pilares: lucratividade, sustentabilidade
e flexibilidade, onde os processos enzimáticos estão presentes.
Justamente nessa fusão nasceu a líder global em biossoluções. O portfólio da Novonesis não
só para o óleo vegetal, é focado em biossoluções, enzimas e microrganismos para atendimento
das mais variadas indústrias. O óleo vegetal é apenas uma, mas também temos soluções
para atendimento da indústria de etanol, cervejaria, panificações, e de alimentos em geral.
A presença da empresa é global e já era evidente na América Latina. Continua também em
Araucária, na região metropolitana de Curitiba, mas depois da fusão, tem escritórios e fábricas
distribuídos em todo o mundo.
Enzimas simplesmente atuam sob o seu substrato de interesse. Por exemplo, enzimas de
degomagem e enzimas de esterificação. A enzima da esterificação não degoma óleo, assim
como a enzima da degomagem não esterifica ácido graxo, ou transesterifica triglicerídeo.
Essa seletividade é interessante, pois, do ponto de vista de aplicação industrial, quando nós
temos uma aplicação enzimática, geralmente elas não necessitam de processos posteriores às
reações que são aplicadas à enzima que, simplesmente, atua sob o seu substrato de interesse.
Em paralelo, com relação ao metilato, que nos dosados se produz biodiesel, mas tem uma
série de reações secundárias que, muitas vezes, são indesejáveis, como a formação de sabão.
Por ser natural e orgânica, é totalmente biodegradável, solúvel em água, não é corrosiva, não é
ácida, faz o manuseio e traz bastante segurança ao nível industrial de operação.
Pensando no óleo vegetal, que é uma matriz muito complexa de componentes, tem 95% ou
98% de triglicerídeo, que é o produto de interesse para processar lá na frente, seja para fins
comestíveis, seja para fazer biodiesel. Mas existem outros micro e macro componentes. Alguns
deles até de alto valor agregado, outros nem tanto, mas enquanto presentes nesse óleo, nessa
matriz oleaginosa, para os processos de produção de biodiesel, por exemplo, podem trazer
alguns problemas, alguns agravantes de processamento. No caso do biodiesel, tipicamente são
dois, em que surgem preocupações para retirar o óleo, que compreende as operações unitárias
chamadas comumente de pré-tratar, para pós transesterificação. Que é o fosfolipídio, o fósforo e
ácido graxo livre, este último que é uma limitação do metilato, que é o catalisador convencional,
pela formação exacerbada de sabão lá na frente. Mas, basicamente, o fosfolipídeo é o alvo da
degomagem. Uma das características principais do fosfolipídio é ser uma molécula emulsificante.
O fosfolipídio é a nossa famosa lecitina, que pode ser utilizada em diversas aplicações. O caráter
de ser uma molécula emulsificante, ou seja, de ter uma parte que tem afinidade com a água e uma
parte que tem afinidade com o óleo, de trabalhar na interface água-óleo, confere ao fosfolipídio
uma característica que nos ajuda a remover o óleo. Degomar o óleo basicamente é adicionar água
e se separar por centrífuga, ou em um tanque de decantação. Porém, essa mesma característica
que facilita a sua remoção também traz uma das maiores perdas do processo de pré-tratamento.
O fosfolipídio também tem uma característica de arrastar muito triglicerídeo na fase da goma,
sendo o famoso óleo na goma no processo de degomagem, que é uma das maiores fontes
de perdas do pré-tratamento. Justamente o papel da enzima, numa visão bem simplista, sem
adentrar tanto na técnica, é você remover o fósforo do óleo para o posterior processo de
transesterificação, porém, perdendo menos óleo, melhorando seu rendimento e eficiência no
processo de degomagem. A depender da quantidade de fósforo no óleo, os rendimentos são
superiores a 2%. Parece pouco, mas em uma planta média que processa óleo vegetal, são umas
400 toneladas de processamento comum. Com o processo de degomagem, serão 8 toneladas
de óleo gerados em um dia esmagando a mesma quantidade de soja, ou processando a mesma
quantidade de óleo por ano. Não há aumento da quantidade de esmagamento, mas sim na
quantidade de óleo que vai virar biodiesel lá na frente, simplesmente por produzir mais de um
produto de maior valor agregado e menos de um subproduto de menor valor agregado.
Retratando um pouco sobre as ações das enzimas, nós temos dois tipos específicos no
mercado, que é a enzima fosfolipase A (PLA) e a fosfolipase do tipo C (PLC), ambas de
degomagem. O papel principal das enzimas, para aquele efeito de converter goma em
óleo, como falado anteriormente, é fatiar, quebrar essa molécula de fosfolipídeo em pontos
específicos, que garantem que uma parte daquilo que seria perdido na fase de goma,
fique retido na fase de óleo e seja convertido em biodiesel, e também diminua o poder
emulsificante deste fosfolipídeo, assim o ganho no processo enzimático será de duas formas.
Deixa-se de perder uma parte da molécula, que se perdeu integralmente pela hidrólise enzimática,
e deixa de arrastar óleo por forças de emulsificação do fosfolipídeo, justamente por conta da
hidrólise enzimática. Em todos os casos, o fósforo vai sair na goma, mas no processo enzimático
será produzido mais óleo ao final do dia.
A perda de uma parte da molécula, que se perdeu integralmente pela hidrólise enzimática, deixa
de arrastar óleo por forças de emulsificação, justamente por causa dessa hidrólise enzimática.
Em todos os casos, o fósforo vai sair na goma, mas no caso da enzimática, a gente vai produzir
mais óleo devido às menores perdas. No caso do pré-tratamento de óleos para biodiesel, o
processo de degomagem enzimática é super consolidado tanto para óleos vegetais de soja,
principalmente, mas também para alguns sebos de animais que também são processados
via degomagem enzimática. Normalmente, as plantas de transesterificação química têm uma
especificação de fósforo máximo aproximadamente de 10 ppm. Então, a gente tem as matérias-
primas com números variados de ppm de fóssil de 200 a mais de 1000 ppm de fósforo. O trabalho
da degomagem é pegar esse fósforo e reduzi-lo a níveis de 10 ppm no óleo final, com a menor
quebra possível. Com 10 ppm, não existem problemas maiores para transesterificação, no caso
do biodiesel.
No caso do HVO e SAF, representantes da Novonesis nos EUA, rodando plantas de pré-tratamento
de HVO e SAF via rotas enzimáticas, o requisito de fósforo e metais é um pouco mais restrito
que o biodiesel, por algumas necessidades que o catalisador do hidroprocessamento necessita,
porque o fósforo e os metais são venenos agressivos para o catalisador do SAF e do HVO. Então,
no caso da degomagem para o pré-tratamento de biodiesel, apenas uma degomagem enzimática
já confere a qualidade necessária. Agora, no caso do HVO e SAF, é necessário ter um processo
posterior à degomagem enzimática para garantir esses níveis de metais mais baixos.
O Brasil tem histórico de plantas que se pagaram ao mudar de processos químicos para processos
enzimáticos em menos de um ano, dependendo do preço do óleo. Na América Latina, existem
mais de 10 plantas rodando esterificação enzimática, algo que começou na academia.
No caso do enzimático, a maioria das plantas tem o que é chamado de side stream, refino de fluxo
secundário, como se fosse um “puxadinho”, uma planta ao lado para processar essa matéria-
prima que não é processada pelo metilato, ou que se teria muita dificuldade porque a acidez é
um agravante para o metilato. Então, geralmente as plantas industriais constroem uma planta
paralela para processar essa matéria-prima originada, que deriva o mercado de óleos ácidos de
corte, de borra, dos mais variados possíveis, de 0 a 99% de acidez, convertidos via enzimática
em éster. Um dos exemplos de setup industrial mais comum que se tem atualmente no Brasil
é uma linha distinta para ser feita a esterificação, outra para transesterificação enzimática com
essas matérias-primas variadas de 0 a 99% de acidez, em que se produz um éster, que ao final
da reação não é um spec ou um biodiesel B100 spec, é necessário um processo de polimento
basicamente, para que se remova a acidez residual que a enzima não consegue. Basicamente,
as plantas de biodiesel fazem um polimento, uma neutralização nessa linha separada, nesse
éster produzido via enzimática separadamente, com um B100 ao final do dia, que mistura
com o B100 da linha principal, ou se adiciona esse éster, que ao final do processo enzimático
terá uma mistura com mais de 90% de éster, e tipicamente, com menos de 4% de acidez.
O que poderá ser jogado no primeiro, segundo ou terceiro reator e processado com mainstream.
Assim, são duas rotas possíveis, que dependem muito de uma alcalinidade livre na glicerina, em
que se faz uma espécie de glicerina alcalina neutro alcoólica específica para esse éter, então não
depende muito da conformidade fabril, mas são as rotas mais comuns rodando atualmente com
enzimático.
Um case real industrial de uma planta que estava processando 100% oleína, aqui chamada de
ácido graxo, que é proveniente da cisão da glicerina. Essa oleína tinha 51% de acidez em torno
de 1.2% de glicerina combinada, ou seja, ácido graxo ligado na glicerina. E em torno de 8 horas,
foi convertida toda a acidez de 51% até em torno de 2.8, esterificou o ácido graxo produzindo
éster. E a glicerina combinada que era de 1.2 foi para 0.4, que está praticamente dentro de
uma produção de biodiesel. Foi citado o exemplo da oleína anteriormente, mas a Novonesis tem
clientes que também utilizam óleo de fritura, gordura animal, ácido graxo destilado de gordura,
ácido graxo destilado de sebo, ácido graxo de palma, óleo de soja ácido, enfim, a criatividade
de matérias-primas do Brasil é surpreendente. O diferencial da enzima é justamente em pegar
matérias-primas residuais, que além de ter todo o impacto sustentável do RenovaBio, também
são matérias-primas que possuem vantagens econômicas, comerciais, porque tipicamente elas
são mais baratas que o óleo refinado, e ao final do processo se venderá um éster, biodiesel.
A desigualdade energética gera, por conseguinte, uma desigualdade social. É um fato simples,
desprovido da necessidade de análises sociológicas complexas. Enquanto um cidadão norte-
americano consome cerca de 280 GJ/habitante, uma pessoa na África consome apenas
11 GJ/habitante. Com o crescimento populacional, a demanda por energia tende a
aumentar, e ninguém renunciará a ela. Quando se considera a competição entre fontes
de energia, é impossível competir com o petróleo em termos de custo e produção.
Por exemplo, uma plataforma de petróleo do pré-sal possui mais energia do que toda a
produção de etanol nacional; alguns poucos hectares de cultivo correspondem a mais energia
do que todas as usinas de etanol do país. No entanto, ainda existem fontes de alta valoração
que não foram devidamente precificadas.
O Brasil precisa descobrir e desenvolver tecnologias para novas biomassas voltadas para
biocombustíveis. A biomassa é, em essência, petróleo vivo. Exemplos incluem a Granbio, a
primeira usina de segunda geração do país, que desenvolveu a “energy-cane” com uma produção
de 250 ton/ha, superior à produção normal de cana-de-açúcar com 80 ton/ha. Outras alternativas,
como a magnífica Agave, cuja potencialidade foi descoberta tardiamente em comparação com o
cultivo mexicano que remonta a quase 10.000 anos, mostram um alto potencial de biomassa para
conversão em energia. O projeto BRAVE (Brazilian Agave Development), financiado pela Shell,
com um investimento de 120 milhões de reais, é um exemplo de projeto grandioso que pode
gerar transformação significativa. O Brasil necessita de investimentos robustos e pesquisas de
longo prazo para impulsionar efetivamente a transição energética, com a ANP desempenhando
um papel diferencial nesse processo.
O CO2 gerado pela fermentação da biomassa, combinado com hidrogênio obtido das fontes
eólicas, pode ser utilizado para produzir diversos produtos. A aviação, voltada para a produção
industrial, busca e-fuels em grandes volumes. O que precisamos é de uma economia linear
positiva. A biomassa pode ser combinada com CO2 sequestrado ou biochar, melhorando a
produtividade do campo. E, acima de tudo, é crucial direcionar nossos esforços para o local
certo. A descarbonização deve ser alinhada à geração de emprego.
Não é possível escolher o que acontecerá, mas é possível escolher onde se qualificar. Vocês
são navegadores experientes, e esse caminho é o mais viável. Para isso, é essencial realizar
uma análise de ciclo de vida. Sem essa análise, não podemos tomar decisões informadas.
O Cinturão Tropical do Globo oferece condições ideais para liderar essa nova revolução na
energia renovável. Os países localizados nesta região possuem características únicas que os
tornam aptos a comandar e beneficiar-se dessa transição energética. Existe uma ampla gama
de matérias-primas disponíveis que podem substituir o petróleo, sugerindo que o Brasil possui
uma riqueza significativa em recursos naturais para explorar.
Ademais, o Brasil possui uma base sólida de pesquisa e inovação no campo da energia
renovável. A Embrapa, com os seus 43 programas de melhoramento genético e mais de 200
mil acessos de germoplasma, está bem posicionada para desenvolver novas fontes de matéria-
prima, por isso, a importância de transformar essa riqueza em soluções viáveis para atender à
crescente demanda por energia renovável.
A Macaúba é composta por diversas espécies nativas da América, com destaque para a
Acrocomia aculeata, Acrocomia totai e Acrocomia intumecens. A Embrapa está empenhada em
compreender a variabilidade dessas espécies e sua distribuição para explorar seu potencial de
forma eficiente. A pesquisa visa compreender e utilizar essa variabilidade para a superação dos
desafios de desenvolver a Macaúba como um cultivo sustentável. Um exemplo apresentado foi
o trabalho com comunidades no Cariri, no Ceará. Liderado pela pesquisadora Simone Fávaro,
o projeto visa aprender com as práticas locais de extrativismo e estimular o desenvolvimento
de sistemas produtivos de Macaúba no Nordeste brasileiro. O trabalho inclui a integração
da Macaúba com cultivos tradicionais e busca criar uma lógica de produção sistêmica e
multifuncional para evitar problemas associados a monoculturas pouco sustentáveis. Além do
cultivo, a Embrapa está buscando soluções para desafios relacionados ao processamento da
Macaúba. A espécie produz diversos componentes valiosos, como óleos nobres, proteínas e
outras biomassas úteis. No entanto, ainda há uma lacuna em instrumentação e processos
para separar e utilizar eficientemente esses componentes. A Embrapa está desenvolvendo
equipamentos e métodos para superar esses desafios e atrair empresas parceiras para
colaborar na estruturação da cadeia produtiva. O desenvolvimento do zoneamento agrícola de
risco climático para a Macaúba, já iniciado pela Embrapa e parceiros, é essencial para garantir
que o cultivo seja realizado no momento certo e no local apropriado, utilizando as tecnologias e
informações corretas. O zoneamento é uma ferramenta crucial para a gestão de riscos e para
garantir o sucesso do cultivo em novas regiões.
A inovação com a Canola é outra solução promissora para a produção de energia renovável no
Brasil. A espécie tem se mostrado adaptável ao cultivo no cerrado brasileiro e pode ser explorada
em sucessão com a soja. A canola tem o potencial de aumentar significativamente a densidade
energética dos sistemas produtivos e é uma alternativa para melhorar a sustentabilidade e a
eficiência. A Embrapa e empresas parceiras estão avançando no melhoramento genético da
canola para torná-la mais adaptada às condições tropicais do Brasil. O desenvolvimento de
híbridos adaptados para ganhos de heterose, produtividade e eficiência são estratégias que
visam maximizar o potencial produtivo da canola no país.
A transição energética no Brasil é um ponto central dessa nova gestão. O biodiesel, definido
pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) como um combustível
composto de alquil ésteres de ácidos carboxílicos de cadeia longa, produzido a partir da
transesterificação e/ou esterificação de gorduras vegetais, ou animais, é uma parte fundamental
dessa transição. Considerado uma fonte renovável, o biodiesel é amplamente utilizado no
Brasil em mistura com o diesel fóssil, essencial para as atividades agrícolas e de transporte do
país. A Lei 11.097/05 promove a introdução do biodiesel na matriz energética, incentivando o
uso de biocombustíveis derivados de biomassa renovável. Essa transição é considerada justa,
contemplando a realocação de conhecimento, capital, trabalho digno e integração regional,
sendo uma prioridade na gestão do governo federal.
Um trabalho recente, realizado por nós da ABDI em cooperação com o Ministério da Fazenda,
focou na resiliência em cadeias de valor, especialmente nas cadeias de proteínas e combustíveis,
como querosene de aviação e SAF. O estudo mapeou essas cadeias, identificando gargalos
e propondo estratégias para enfrentar a inflação e promover a transição energética. O estudo
destacou a variação na produção e importação de combustíveis fósseis no Brasil entre 2018
e 2022. A importação de óleo diesel, por exemplo, aumentou significativamente, refletindo a
necessidade de diversificação e fortalecimento da produção nacional de biocombustíveis. A
capacidade de produção de biocombustíveis, como o biodiesel e o diesel verde, é crucial para
reduzir a dependência de importações e promover a sustentabilidade.
A transição energética é essencial para um futuro mais sustentável e o Brasil, com sua vasta
biodiversidade, está avançando na redução do desmatamento e na preservação ambiental.
O país está prestes a se tornar líder mundial na economia verde e a Acelen desempenha um
papel crucial nesse processo. Em maio de 2023, a Acelen lançou um projeto significativo em
Abu Dhabi, com a presença do presidente brasileiro, do fundo Mubadala Capital e do governo
brasileiro. O projeto, que envolve um investimento de 12 bilhões de reais, visa a produção
de combustíveis renováveis na Bahia e em Minas Gerais, com escala global. Este projeto
inovador inclui a produção de Diesel Renovável e Combustível Sustentável de Aviação a partir
da semente nativa de Macaúba.
O Brasil será reconhecido como líder na economia verde e na transição energética, e a Acelen
se orgulha de ser a pioneira nesse futuro verde. O Brasil tem uma oportunidade única de se
destacar no setor econômico global, especialmente durante a atual tensão energética, por isso
a importância de influenciar a regulação global do setor e a capacidade do Brasil de competir
nesse cenário.
Assim, o projeto tem um impacto transformador, que inclui benefícios ambientais, oportunidades
de mercado e uma significativa transformação social, pautado na integração entre a produção
sustentável e a agricultura familiar, o que contribuirá para a melhoria do IDH na região. O
potencial do mercado de carbono é enorme, destacando que o Brasil pode atrair investimentos
significativos através do excedente de sequestro de carbono. Para isso, é crucial ter financiamento
robusto e ferramentas adequadas para competir globalmente no setor energético.
No período, o governo estava prestes a lançar uma política nacional de economia circular, uma
iniciativa comandada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, além de trabalhar no programa de
neoindustrialização. Esses projetos do governo federal são essenciais e inviáveis sem o uso de
biocombustíveis. É importante destacar um ponto crucial: a superação da ideia de que apenas
o governo é responsável pelas políticas públicas. A redução das emissões de combustíveis
fósseis só será possível com a união entre governos, sociedade civil e empresas. Nenhum setor
conseguirá resolver esse problema sozinho.
Proponho abrir uma mesa de diálogo no governo federal sobre como acelerar os projetos
com Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF). Como representante da Secretaria-Geral
da Presidência no Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), reafirmo o
compromisso com a descarbonização da economia, a neutralização das emissões do Brasil e o
desenvolvimento de uma economia circular, com o intuito promissor de sair do Fórum com uma
pauta para fortalecer esse debate dentro do governo. Governar é fazer escolhas, e, apesar dos
inúmeros problemas agravados nos últimos anos, estamos prontos para avançar.
Um grande exemplo de conquista recente foi a luta para restabelecer a taxação sobre os
resíduos. Há muito a ser feito, e a Secretaria-Geral da Presidência está à disposição para
encaminhar esse debate. No dia 24, teremos uma reunião do Comitê Interministerial para
Inclusão de catadores e recicladores, com a presença do presidente. Vamos levar essa pauta
ao Comitê e iniciar essa discussão.
Nas próximas semanas, seria publicada uma lei que permitiria às empresas abater até 1% do
imposto devido para apoiar projetos de reciclagem, com uma liberação de incentivos fiscais
de aproximadamente 300 milhões de reais em 2023. Este é um bom começo, permitindo que
projetos sejam submetidos ao Ministério do Meio Ambiente. Empresas e pessoas físicas poderão
abater parte de seu imposto de renda para apoiar esses projetos. A lei também autoriza a CVM
a desenvolver fundos de investimento para a reciclagem, o que abre grandes perspectivas, e
esperamos avançar nos próximos meses.
Quanto à demanda dos novos biocombustíveis para 2030, observa-se um aumento de interesse
em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), BioGLP, diesel verde, biobunker, entre outros.
Em relação aos dados de produção e uso de combustíveis sustentáveis de aviação no mundo,
foram anunciados 276 projetos de SAF, com contratos de take-off totalizando 51,2 bilhões de
litros. Infelizmente, no Brasil ainda não há produção, embora diversos projetos tenham sido
anunciados. Destacam-se os combustíveis BioGLP, com uma demanda estimada de 300 Mt/
ano; SAF, com aproximadamente 15 Mt/ano; e diesel verde, com potencial para exceder 40 Mt/
ano. Além desses, outros combustíveis como metanol, amônia, HVO e combustíveis marítimos
também são relevantes.
Os setores de aviação e marítimo vêm buscando soluções inovadoras e com grande desafio
tecnológico impulsionado pelas metas impostas. A Organização Marítima Internacional (IMO)
estabeleceu metas ambiciosas para a redução de emissões: 20% até 2030 e 70% até 2040.
No setor aéreo, a iniciativa CORSIA visa reduzir as emissões à metade até 2050, com custos
adicionais para o carbono emitido a partir de 2027. Essas metas exigem o desenvolvimento
de combustíveis alternativos e soluções tecnológicas avançadas. A exemplo disto, a Airbus
está explorando o uso de hidrogênio líquido em aeronaves, no entanto, deve ser armazenado a
-253°C, oferece uma densidade de energia muito superior aos combustíveis convencionais. Por
outro lado, o setor marítimo também vem buscando combustíveis alternativos, como o hidrogênio,
amônia, metanol e bioGLP. Os equipamentos dos navios, assim como os dos aviões, precisam
de energia de alta densidade energética líquida. A eletrificação está distante, seja por hidrogênio,
amônia ou metanol, que ainda está em desenvolvimento, mas enfrenta desafios. Ambos os
setores precisam investir em pesquisas e infraestrutura para adaptar essas novas tecnologias,
garantindo que possam operar de maneira eficiente e sustentável no futuro.
Dentre os biocombustíveis citados, o biometano surge como um desafio, mas com grandes
perspectivas, sendo uma grande fonte de mitigação que deverá crescer, inclusive na
descarbonização da industrialização. Podendo ser produzido a partir de resíduos, agregar valor
às usinas existentes, em biodigestores e com a possibilidade de uso como matéria-prima de
combustíveis líquidos. Este é um dos objetivos da planta piloto para produção de bio-syncrude
a partir do biogás em Itaipu Binacional, que será inaugurada durante o 3º Congresso da Rede
Brasileira de Bioquerosene e Hidrocarbonetos Sustentáveis para Aviação (RBQAV) que acontecerá
em Foz do Iguaçu, Paraná. No Rio Grande do Norte, temos uma planta que utiliza o processo
Fischer-Tropsch, Hidroprocessamento e Isomerização para produção de SAF. Essas iniciativas no
Brasil são extremamente importantes para o desenvolvimento dessa tecnologia nacional.
Primeiramente, parabenizo a iniciativa do evento para o setor de aviação. A Boeing tem apoiado
a meta da aviação comercial internacional de atingir zero emissão líquida de carbono até
2050, um compromisso extremamente ambicioso e desafiador. Isso não é algo que uma única
companhia aérea, fabricante, academia ou governo possa resolver sozinho, é necessária a
colaboração de todas as partes interessadas na cadeia.
Outro ponto é a eficiência operacional, com sistemas de navegação mais eficientes e melhor
gerenciamento de rotas e do peso das aeronaves, o que pode reduzir entre 8% e 10% as
emissões. Este é um setor no qual a aviação já trabalha para implementar. As tecnologias
mais avançadas incluem novos modelos de aeronaves e sistemas de voo, como aeronaves
autônomas elétricas e protótipos como o X-66 da Boeing, que, se bem-sucedidos, poderão
reduzir adicionalmente até 30% das emissões no futuro.
O quarto pilar, talvez o mais importante, é o uso de energia renovável, incluindo eletricidade
renovável, hidrogênio verde e principalmente o uso de SAF (combustíveis sustentáveis de
aviação). Recentemente, a IATA comparou treze cenários para descarbonização da aviação
até 2050 e todos envolvem o uso de SAF, com uma maior ou menor participação. A Boeing
tem uma longa história de pesquisa e desenvolvimento de SAF. Por exemplo, começando em
2008 onde realizamos os primeiros ensaios, até os testes com uso de 100% de SAF em 2018.
A empresa se comprometeu a entregar aviões certificados para usar 100% de SAF a partir de
2030, apesar dos longos caminhos de certificação.
A Boeing tem conversas sobre SAF em várias regiões do mundo. Este ano, nosso Fórum
global de sustentabilidade, o Sustainable Aviation Together Fórum, vai acontecer em Montreal,
no Canadá, onde serão discutidos os principais avanços sobre SAF no mundo, incluindo as
questões e o papel do Brasil. Entre estas questões estão a abundância de matérias-primas, que
a gente consegue ver nas ferramentas que estamos desenvolvendo aqui, como o SAFmaps,
mas também as políticas públicas que estão sendo desenvolvidas no país. Outra questão é a
proatividade da nossa indústria aérea. O país tem as companhias aéreas que, em um cenário
de desafios econômicos grandes, têm sido proativos em estabelecer metas voluntárias para o
uso de SAF, se antecedendo à regulamentação e às políticas públicas, fazendo pilotos de book
and claim. Embora a regulação ainda não esteja estabelecida, a indústria, basicamente, está
indo à frente da regulação e sendo proativa nesse papel da descarbonização da aviação.
E o último que gostaria de destacar é a colaboração internacional. O Brasil tem sido um ator
fundamental em nível mundial, e a ANAC merece ser parabenizada por sua atuação no Corsia.
O Brasil tem sido um ator chave em brigar pelas coisas que são justas e importantes para nosso
país, sobre como escalonar a produção de SAF em todo o mundo, com grandes oportunidades
de colaborações com outros países. Então, há uma oportunidade para levar para fora os nossos
diferenciais, o potencial de geração de externalidades positivas, e tentar viabilizar um mercado
internacional para algumas das matérias primas que ainda não são amplamente difundidas e
aceitas, sejam por restrições técnicas, tarifárias ou políticas.
A Airbus tem metas ambiciosas de descarbonização, com redução de 63% nas emissões industriais
(Escopo 1 e 2) e 46% nas emissões de CO2 de aeronaves comerciais (Escopo 3). A empresa
também planeja oferecer aeronaves movidas a hidrogênio até 2035, visando a descarbonização
completa da aviação até 2050, conforme as metas estabelecidas pela ATAG e IATA.
Gilberto ressaltou que a eficiência sempre foi um foco na aviação, inicialmente por razões
econômicas e agora também ecológicas:
25% das aeronaves atuais da Airbus consomem 25% menos combustível em comparação
com gerações anteriores, contribuindo para a redução de emissões de CO2. A estratégia de
descarbonização da Airbus é multifacetada, abrangendo desde a introdução de aeronaves
de última geração até o uso de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e tecnologias
disruptivas. Por meio de operações e infraestrutura: soluções de otimização operacional podem
reduzir até 10% das emissões de CO2. Do SAF (Combustíveis Sustentáveis de Aviação): que
podem reduzir até 80% das emissões durante o ciclo de vida completo do combustível. Das
tecnologias disruptivas: a Airbus pretende introduzir aeronaves abastecidas com hidrogênio
no mercado até 2035 e medidas de mercado que incluem regulamentações como EU ETS e
Corsia, além de medidas voluntárias como DACCS.
A importância do Brasil no cenário global de SAF foi destacada devido à sua matriz energética
altamente renovável, vasta experiência em biocombustíveis e capacidade tecnológica. O Brasil
é o primeiro país da América Latina a regulamentar o uso de SAF, participará obrigatoriamente
do Corsia a partir de 2027 além de possuir o maior número de projetos anunciados de produção
de SAF na América Latina, com oito projetos em andamento.
A segunda mensagem foca na importância do programa SAF aviação, e que os avanços não
podem parar. O senhor Benevides relembrou a resistência inicial ao programa do biodiesel, que
se tornou um sucesso, e acredita que o mesmo pode acontecer com o programa de combustíveis
sustentáveis para a aviação. Ele ressalta que, até 2030, os aviões estarão voando com SAF,
independentemente dos desafios e que este aspecto deve ser tomado como um guia para a
definição de políticas públicas pelas autoridades competentes.
A partir de 2020, foram estabelecidas metas de longo prazo, incluindo a ambiciosa meta de
atingir Net Zero em 2050. Nos últimos anos, a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI)
tem promovido diversas iniciativas para reduzir as emissões na aviação. Especificamente em
2022, durante a 41ª Assembleia da OACI, foi aprovada a meta aspiracional de longo prazo (LTAG)
de alcançar Net Zero em 2050. Em 2023, um acordo multilateral (CAAF/3) foi estabelecido para
reduzir as emissões em 5% até 2030. Além disso, foram lançadas iniciativas como o FinvestHub,
para facilitar o acesso a investimentos, e o ACT-SAF, para apoiar o desenvolvimento de
combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF).
A ANAC, com base em estudos desenvolvidos por especialistas no setor, destaca a necessidade
de produzir 490 megatoneladas de SAF por ano até 2050, o que requer um investimento de
R$1,45 trilhão ao longo de 30 anos. Esses esforços são essenciais para alcançar as metas
estabelecidas e garantir um futuro sustentável para a aviação civil.
Neste contexto, de acordo com o diretor, o Brasil deverá desempenhar um papel crucial no
sucesso do programa de descarbonização da aviação civil internacional e nacional. Cabe
ressaltar também que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) tem promovido várias
iniciativas nacionais para incentivar a produção e o consumo de Combustíveis Sustentáveis de
Aviação (SAF). Neste contexto a ANAC tem trabalhado intensamente com objetivo de desenvolver
ambientes adequados para a discussão dos desafios para produção de SAF juntamente com
todos os atores principais que tratam do tema. A identificação dos principais atores na cadeia de
produção, distribuição e consumo de SAF no Brasil tem sido fundamental. Esses atores incluem
produtores de biomassa, refinarias, empresas de logística e distribuição, além das companhias
aéreas que irão utilizar o SAF. A colaboração entre esses diferentes setores é essencial para o
sucesso do programa. A estruturação de uma rede de discussão é considerada estratégica e
essencial para a viabilização da produção de SAF. Essa rede reúne especialistas, empresas e
órgãos reguladores para compartilhar conhecimentos, experiências e soluções, promovendo um
ambiente de cooperação e inovação.
Outra questão levantada na mesa foi a perspectiva midiática que gira em torno do biodiesel e
seus coprodutos, que são amplamente reconhecidos tanto nacional quanto internacionalmente.
Mas a sociedade está disposta a arcar com seus custos? Não se pode analisar apenas o preço
do biocombustível em comparação com o diesel, pois há outros valores implícitos. A crise no
Rio Grande do Sul ilustra que, embora o aumento do uso de biodiesel no Brasil não resolva
o problema, a transição energética para uma economia verde, como menciona o professor
Gonçalo, poderia mitigar os impactos das mudanças climáticas.
Como foi afirmado pelo Vice-Presidente Técnico da Ubrabio Leonardo Zilio, o uso ampliado
de biodiesel pode contribuir para a redução dos custos associados aos impactos climáticos.
Quantificar o custo do tratamento de doenças respiratórias em São Paulo em reais por litro
de biodiesel é desafiador. Contudo, estudos da Empresa de Pesquisa Energética e da OMS
indicam que o maior uso de biocombustíveis reduz esses custos. É crucial que a discussão
ultrapasse as comparações de preços. O etanol, por exemplo, não é viável apenas pela
paridade de 70%; há outros valores e custos que a sociedade brasileira ainda não considera,
mas precisa, como já fazem a Califórnia e a Europa. Gradualmente, será possível estabelecer
uma cultura onde valor é distinto de preço e onde a redução de custos deve ser vista não
apenas como consumidores, mas como cidadãos.
Apesar dos desafios, o Brasil tem se consolidado como um grande player no mercado global
de biocombustíveis. O país possui um enorme potencial de crescimento, especialmente com
o aumento da demanda por soluções energéticas sustentáveis. As usinas precisam aproveitar
essa oportunidade, investindo em tecnologias e processos que agreguem valor aos seus
produtos e coprodutos.
O setor de biocombustíveis no Brasil tem um futuro promissor, mas precisa superar desafios
significativos. A organização interna, a segurança jurídica e a precificação correta dos benefícios
ambientais são fundamentais para atrair investimentos e garantir um crescimento sustentável.
Com as medidas certas, o Brasil pode continuar a liderar o mercado global de biocombustíveis
e contribuir para a transição energética mundial.
Tudo que foi visto no Fórum, ao longo desses dois dias, resulta
em um tipo de investimento, ou seja, materializa-se, ao fim, em
investimentos necessários para que todo o biodiesel e SAFs
sejam produzidos e desenvolvidos. O que temos observado
é que já houve uma consolidação no setor de biodiesel
após algumas recentes fusões e aquisições relevantes no
setor. O que entendemos é que o setor precisa se preparar
à medida que há todas essas novas regras governamentais
sendo implementadas para estimular a produção desses
biocombustíveis, o que implica arrumar a casa.
O que significa arrumar a casa? Sempre que um interessado decide investir em uma empresa,
ele passa por um processo chamado due diligence. Este que consiste numa investigação
completa para identificar os riscos inerentes e existentes na empresa alvo. Basicamente, busca-
se identificar e precificar riscos existentes no negócio. Após identificá-los e precificá-los, esses
riscos serão atribuídos ao valor do negócio. Assim, quanto maior o risco do investidor, mais
descontos do preço ou garantias exigirão o investidor para fazer o negócio.
O investidor também examinará a exposição jurídica, ou seja, ações trabalhistas, ações tributárias,
entre outras, que resultam em contingência financeira na hora de precificar o investimento. Em um
processo de M&A, exige-se preparação. E essa preparação inclui olhar para dentro da empresa,
entender quais são os problemas, identificar esses problemas, endereçá-los e resolvê-los.
É importante que todos conheçam profundamente suas empresas, pois isso tornará o
processo de investimento mais simples e menos doloroso. Com os M&As agregando cada
vez mais aspectos, como compliance e relações governamentais, é necessário estar atento
às leis anticorrupção, como a lei anticorrupção brasileira e o FCPA nos Estados Unidos, e
ao cumprimento de regras socioambientais. Recentemente, em uma operação de biodiesel,
enfrentamos um grande problema com o comprador devido à falta de comprovação de origem
do estoque de soja, ou seja, se esta soja cumpria com as regras socioambientais. O comprador
desistiu de adquirir uma boa parte do estoque, o que poderia resultar em um impacto financeiro
significativo não tivesse sido depois minimizado pelo vendedor. Por isso, é crucial que todos os
detalhes estejam em ordem.
O setor não pode ser pego de surpresa, como aconteceu recentemente com a MP que deixou
o mercado em polvorosa devido ao bloqueio de PIS e Cofins. Além disso, os incentivos fiscais
são um ponto importante. Quando um comprador decide investir, ele exige garantias de que
esses incentivos serão mantidos. A transferência ou manutenção desses incentivos durante a
aquisição total, ou parcial, de uma empresa pode ser complicada, pois depende do governo.
Essa MP veio para diminuir o creditamento de PIS e Cofins, restringindo a utilização desses
créditos. Especialmente para as exportadoras, que têm isenção na exportação, o crédito vira
custo, impactando significativamente os negócios.
Nesse processo de crescimento, resgato a época na Camera Agroalimentos. Para quem não
conhece, a Camera é uma esmagadora de soja na região sul do Rio Grande do Sul, estavam
decidindo o investimento na primeira planta de biodiesel do grupo. E aí o Roberto Kist comentou
assim, e a glicerina, o que se vai fazer com isso? Ah, bota na mão de Deus e vai achar uma
coisa para fazer com isso. Esse era o panorama em 2008 para esse produto. Era o patinho
feio da vez... Um resíduo, um custo. Ano passado, em 2023, foram exportados 160 milhões de
dólares desse produto. Dentre eles, uma parte de glicerina já destilada, que é essa glicerina
que se consome, às vezes sem saber, com pasta de dente, sendo o consumo mais normal,
mais usual que se tem, mas, na verdade, 40, 45% do consumo global de glicerina em sua forma
refinada é destinado para produção de epicloridrina, porque, na verdade, hoje praticamente não
se consome a glicerina que sai do biodiesel.
Quando se pegava, por exemplo, no Crush Margin, se tinha uma dificuldade de alocação de óleo.
A própria Camera lá atrás, em Estrela, tinha uma fábrica de esmagamento de 600 toneladas por
dia, que na época para aquele padrão era grande, e tinha um parque de tancagem de 20 mil
toneladas de óleo. Por quê? Porque não tinha alocação para esse óleo.
A primeira pergunta que todos fazem é: "Ok, Brasil, vocês estão com B14, estão atrasados,
mas ainda assim estão com B14. A Malásia já está com B35." Quando surge a preocupação
de aumentar de B14 para B15, vale lembrar que já existem países de escala continental,
como a Indonésia, que está se movendo para B40. Claro, isso também está relacionado à
matriz de produção deles, pois eles não têm petróleo como nós. Mas eles já estão com B40.
Então, a questão é: o que faremos com a glicerina? Será que voltaremos aos tempos em que
deixávamos nas mãos de Deus para ver o que acontecia? A resposta é não. Como os senhores
talvez saibam, existe uma portaria do MAPA, já bem antiga até que autoriza 10% da mistura de
glicerina até 10% na ração animal.
Então, a partir do momento que se acessa essa indústria que está ali fora, ou seja, começa a
entrar na nutrição animal, se abre uma porteira de demanda incalculável, na perspectiva deles.
Porque quando se olha uma produção global, não sei se está claro, mas a produção global
hoje de biodiesel é na casa de 60 médios a 60 altos milhões de toneladas. Ao ter um aumento
de 68 milhões de toneladas, está se falando que o mercado mais ou menos de glicerina,
terá um aumento na produção de mais ou menos de 6 milhões de toneladas. É um mercado
muito pequeno. O Brasil só em soja vai colher 150, 160 milhões de toneladas, para ter uma
perspectiva de tamanho. Mas, existem várias cadeias que são fundamentais. Esses produtos,
quando começam a avançar em estágios para frente, de agregação de valor, passam a ver que
o mundo é muito mais complexo. Então, esse é o grande desafio. Todas as plantas de refino
de glicerina que passaram por ali no Brasil, tivemos a felicidade de contribuir, de alguma forma
ou outra, na modelagem financeira ou comercial delas, como exemplo da Caramuru, Granol,
Oleoplan, Potencial, dentre outros.
Por fim, a glicerina, hoje no Brasil, está em processo de exportação para mercados emergentes
e desenvolvidos, como os Estados Unidos, que enfrenta uma redução na produção de biodiesel,
o que demonstra o potencial competitivo do Brasil no cenário global. Também é importante
lembrar que, a glicerina brasileira vai para a China. Então, quando se olha essa adição que tem
no sistema de aumento de 1%, 2% da demanda de biodiesel, automaticamente isso já regula.
Então, o que se tem que pensar, para os que têm a felicidade de já estarem mais avançados
nesses processos, é que eles não falam só da glicerina, também têm o éster metílico, o fatty
acid, que sai do processo, mas isso aí depois eles discutem mais para frente. Agora, é esse
ponto, é a agregação de valor na cadeia, isso é fundamental. Ou seja, somos – como indústria
de glicerina – mais uma externalidade positiva do programa de Produção e Uso de Biodiesel. Isto
precisa ser dito aos quatro ventos. E o melhor? Estamos ainda no começo. Tem muito por vir.
Como outras medidas anteriores que impactaram o setor, a MP 1227 traz uma incerteza
gigantesca, com mudança de regras inclusive após a precificação, faturamento e entrega já
realizados. A segurança jurídica é crucial para atrair investimentos. Reduções repentinas na
mistura de biodiesel, como ocorreu no passado recente, prejudicam investimentos e projetos.
A legislação precisa evoluir no sentido de garantir estabilidade e confiança aos investidores.
Pergunta-se muito se, apesar de os biocombustíveis serem uma “vedete” nacional e internacional,
a sociedade está pronta para pagar esse custo? Não se pode olhar apenas para o preço do
biocombustível em comparação com o diesel, pois há outros componentes de valores intangíveis
no preço final do produto (desenvolvimento econômico local, redução de emissões de poluentes,
inclusão social, desenvolvimento tecnológico, dentre outros). Um exemplo atual é a crise no Rio
Grande do Sul. Embora a maior utilização de biodiesel não tenha o poder de, por si só, resolver
uma crise como essa, a transição energética para uma economia verde, como discutido pelo
professor Gonçalo, poderia mitigar fortemente os impactos das mudanças climáticas.
É muito difícil tangibilizar, em reais por litro, por exemplo, quanto custa o tratamento de
doenças respiratórias aqui nos corredores de São Paulo; nesta semana, que estamos todos
aqui em São Paulo, andamos por esses corredores de ônibus e enxergamos na prática o que
é essa realidade. São as pessoas que transitam cotidianamente nos corredores de ônibus das
grandes metrópoles que vão ter mais problemas com doenças cardiovasculares, que terão
mais problemas com doenças pulmonares. A Empresa de Pesquisa Energética se debruçou
sobre o tema, assim como a OMS. Isso tem um custo que, sem dúvida, é mitigado com o
maior uso de biocombustíveis. Quando falamos de preço contra preço (fóssil vs renovável),
acho que está na hora de começarmos a discutir com mais profundidade o conceito de valor,
e não só fazermos comparações superficiais. Existem valores e externalidades positivas dos
combustíveis renováveis e, por outro lado, custos e externalidades negativas dos combustíveis
fósseis que não estamos tangibilizando como sociedade. Na minha visão, nós ainda não
estamos tangibilizando, mas iremos. Como a Califórnia já faz, como a Europa já faz... aos
poucos, acredito que vamos conseguir estabelecer essa cultura de que valor é diferente de preço
e que devemos reduzir custos, não só como consumidores, mas especialmente como cidadãos.
O imposto que pagamos necessariamente será alocado para tratar doenças, desigualdades,
dentre outros custos sociais não desprezíveis que são gerados pela utilização descontrolada
dos combustíveis fósseis.
São necessários grandes esforços e um forte engajamento público e privado para que a
segurança jurídica seja sempre a palavra de ordem. Situações como as vividas um ou dois
anos atrás, em que reduzimos para 10% o teor de biodiesel, isso fere de morte uma série
de investimentos e projetos. Realidades como a de ordem tributária que estamos vivendo
esta semana são muito ruins, trazem muita insegurança, e precisamos amadurecer, como
já fizemos nos biocombustíveis, na nossa legislação, no que diz respeito à segurança para a
atração de investimentos.
Em relação ao biodiesel, é relativamente fácil entender o que vai acontecer. Porque aconteceu
nas devidas proporções no início do PNPB, lá em 2005, quando estabelecemos até cinco pontos
percentuais de mistura. Voltou a acontecer em 2014, quando foi para 7% Com o marco legal
do biodiesel oficialmente completando 20 anos, o que se viu foi uma quantidade monstruosa
de investimentos de capital nacional, de indústrias domésticas agregando valor no Brasil. Acho
que um dado que reflete muito bem o que aconteceu e o que virá a acontecer é a indústria
esmagadora de soja, por exemplo.
Estima-se que entre 16 a 18% de toda a soja que esmagamos no Brasil é esmagada devido ao
biodiesel. O biodiesel é o indutor desse esmagamento. Estamos esmagando mais ou menos 56
milhões de toneladas. É um terço da nossa safra, nossa safra está um pouco mais de 150 milhões.
Se não fosse o biodiesel, estaríamos em um patamar de 40, talvez 42 milhões de toneladas de
soja. O setor de esmagamento e produção de óleo de palma é induzido pelo biodiesel.
Hoje, uma grande quantidade de óleo de palma produzida no país vai para o biodiesel. Todo o
setor de reciclagem animal também é induzido pela utilização de gorduras animais no biodiesel.
Talvez alguns dos mais experientes possam ter visitado uma feira de reciclagem animal 20
anos atrás - eu não me surpreenderia se ela se restringisse à metade desta sala em que
estamos. Talvez praticamente não existisse setor de reciclagem animal àquela época; nada
em comparação à pujança que vemos hoje. Esse é outro setor que floresceu de uma forma
absolutamente surpreendente nesses últimos 20 anos. O que era lixo, hoje é biocombustível,
hoje é energia, é descarbonização. Acho que não há dúvidas de que a aprovação do Projeto
de Lei Combustível do Futuro vai potencializar tudo isso e mais.
Novas matérias-primas irão chegar também. Falamos muito de diversificação das matérias-
primas, mas se olharmos para as matrizes energéticas de outros países, no que tange a
biocombustíveis, o Brasil tem uma matriz relativamente diversificada. Biodiesel na Indonésia
é 100% óleo de palma; na Argentina é 100% óleo de soja. Quando analisamos os principais
produtores, eles têm uma concentração muito grande em uma só matéria-prima. Aqui utilizamos
óleo de soja, sebo, óleo de peixe, óleo de fritura usado, óleo de algodão, canola, está vindo aí,
macaúba. Tem muita coisa acontecendo. Este projeto de lei, não temos dúvida, abre um leque
de possibilidades de investimentos, de emprego, de renda.
Outro dado importante: a indústria do biodiesel e esmagamento de soja tem uma remuneração
cerca de 15 a 16% maior do que a remuneração das outras agroindústrias nacionais. São
empregos verdes e de qualidade espalhados por todo o interior do Brasil. Não é concentrado
em grandes metrópoles, como em alguns setores. O que temos em mãos é a oportunidade de
criarmos um novo leque de investimentos e de crescimento no setor de biocombustíveis com
a aprovação do PL Combustível do Futuro: com 25% de biodiesel, 35% de etanol, biometano,
diesel verde, SAF, entre outros, investimentos serão executados e, com certeza, teremos uma
FENAGRA 2025 muito maior do que a Feira que vemos esse ano.
Como bem disse Donizete, esta mesa reúne os principais atores que estão diretamente
envolvidos nesse processo. Temos duas grandes financiadoras no Brasil para a inovação, o
BNDES e a FINEP; a Embrapii e o Senai, que fornecem suporte técnico e estratégico; e o
MCTI, que lidera essas políticas. Portanto, esta é uma mesa extremamente qualificada para
este debate que, sem dúvida, trará uma contribuição importante.
Um destaque importante foram as menções de Jorge (FINEP) e Rafael (MCTI) sobre as duas
modalidades de apoio. Temos o apoio via subvenção, relacionado aos editais apresentados
aqui, que são recursos não reembolsáveis, com pequena participação da empresa em parceria
com universidades e centros tecnológicos. Esses recursos estão associados a projetos de
maior risco tecnológico, ou seja, de inovação mais radical. Por outro lado, temos as linhas
de financiamento reembolsáveis. É importante entender que a inovação, neste contexto, é
compreendida de forma ampla. Existem linhas que cobrem desde a inovação pioneira, que são
inovações mais radicais, até inovações voltadas para a competitividade ou desempenho da
empresa, incluindo a agregação de valor por meio de coprodutos. Essas linhas de financiamento
também estão com taxas muito atrativas, e o BNDES vai abordar isso em mais detalhes.
O Senai, representado pelo Paulo Coutinho, tem um papel crucial no apoio à inovação,
destacando a interação entre vários programas e fontes de recursos, permitindo uma ação
integrada para encontrar soluções ideais para as empresas. Passo agora a palavra para o
Fábio, da Embrapii, da Gerência de Mobilização de Empresas. Donizete mencionou no início
que a Embrapii, diferente da Embrapa, é uma instituição mais recente que apoia a indústria e a
inovação, realizando um trabalho extraordinário.
Em 2021, foi contratado um projeto no setor, totalizando 46 milhões de reais, reflexo do efeito
pós-pandemia. Em 2022, esse número saltou para quatro operações, somando 226 milhões
de reais. Já em 2023, foram registradas 10 operações, ultrapassando 1 bilhão de reais, com
investimentos focados em biodiesel e aprimoramento de processos e produtos. Este ano, já
foram realizadas 14 operações, totalizando quase 800 milhões de reais, e espera-se fechar o
ano com cerca de 25 operações, com um investimento acima de 1,5 bilhão de reais.
Como Sérgio mencionou, as taxas estão bastante atrativas. Existem operações que podem ser
enquadradas como financiamento reembolsável ou não reembolsável. No caso dos financiamentos
reembolsáveis, por exemplo, projetos de biodiesel para aprimoramento de tecnologias e melhoria
da qualidade do produto podem ser aderentes às políticas definidas no Conselho Nacional de
Desenvolvimento Industrial (CNDI), que prevê a transição e segurança energética. Esses projetos
podem obter financiamento a TR mais 2,3% ao ano, com prazo de até 18 anos para pagamento,
uma taxa extremamente competitiva.
Além disso, em parceria com o MCTI, foi lançado um edital de subvenção econômica para
empresas, com um orçamento inicial de 250 milhões de reais, recursos que não necessitam
de reembolso. Esses fundos estão disponíveis e os detalhes podem ser encontrados no site da
FINEP. Pela lei de subvenção, é exigida uma contrapartida a partir de 5%, dependendo do porte
da empresa, com projetos variando entre 5 e 30 milhões de reais.
Jorge Jardim destacou a crescente demanda e a diferenciação tecnológica que o setor tem
mostrado, mencionando que este é apenas um dos vários fatores que gostaria de abordar, mas o
tempo é limitado. A FINEP, enquanto agência que opera os recursos do FNDCT para a inovação,
está atenta e comprometida em apoiar o setor.
Essas são algumas das áreas trabalhadas na CGTS: energias renováveis, hidrogênio,
bioeconomia dos biocombustíveis, tecnologias voltadas para água e saneamento, petróleo e
gás natural, carvão mineral, recursos minerais e transportes. O MCTI vem fazendo um grande
esforço em termos de planejamento de ciência, tecnologia e inovação. Em um cenário onde os
recursos são escassos, temos que priorizar o investimento, focando naquilo que é prioritário
para o desenvolvimento econômico e social do país. Para tanto, desde 2002, o ministério
elabora Planos de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), que foram iniciados ainda
na gestão do ministro Eduardo Campos, passando, posteriormente, para a Estratégia Nacional
de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), na gestão do ministro Mercadante. Estamos
agora em um processo de estruturação da nova ENCTI, com horizonte de 10 anos. Nesse
sentido, é importante destacar a publicação da Portaria MCTI nº 6.998, de 10 de maio de
2023, que contém as orientações emanadas pela Ministra Luciana Santos, estabelecendo as
principais diretrizes para a estruturação dessa estratégia, que tem como principal ferramenta a
Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Uma estratégia se faz com o envolvimento da sociedade e com o envolvimento dos principais
atores do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Foram realizadas mais de
200 conferências preparatórias no âmbito da Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia:
conferências temáticas, livres, regionais e estaduais, colhendo subsídios para a elaboração da
nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Destaco a realização da etapa
nacional da conferência, que foi em Brasília, nos dias 30, 31 de julho e 1º de agosto, no Centro
de Eventos Brasil 21.
Destaco o edital de bioeconomia, com uma linha específica para desenvolvimento de plantas
piloto demonstrativas na área de combustíveis sustentáveis de aviação, no valor de R$ 120
milhões. Desde 2011, a FINEP investiu mais de 6,5 bilhões de reais em projetos de transição
energética, apoiando mais de 430 projetos.
O material está disponível para que todos os participantes que quiserem consultar, principalmente
as linhas e os editais que estão abertos de subvenção econômica, no âmbito do programa Mais
Inovação.
O segundo ponto é sobre conexão. Muitas vezes, a empresa tem um desafio tecnológico e
sabe que há competência e capacidade tecnológica no país para desenvolvê-lo, no entanto,
não sabe a quem recorrer. Onde está esse conhecimento? Onde está a infraestrutura de que
eu necessito? Existem diversos ICTs, institutos de pesquisa de ponta, mas é necessário que
a instituição de fomento ajude também nessa conexão. Foi com base nesses três pilares –
recursos, conexão e desburocratização – que nasceu a Embrapii. Por isso, me sinto no dever
de falar um pouco sobre nossa Embrapii antes de entrar especificamente na questão dos
biocombustíveis. A Embrapii é uma instituição nova que completou 10 anos recentemente, no
entanto, já temos resultados muito interessantes para apresentar.
A Embrapii é uma Organização Social, ou seja, uma instituição privada sem fins lucrativos que
possui um Contrato de Gestão com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI),
órgão supervisor, assim como o Ministério da Educação, Ministério da Saúde e Ministério
do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) como órgãos intervenientes.
Temos também como instituições parceiras o BNDES e o SEBRAE, além de coordenarmos
também programas prioritários da Lei de TICs e do ROTA 2030, agora conhecido como MOVER.
Na nossa sede em Brasília, vocês não encontrarão grandes laboratórios ou pesquisadores, pois
trabalhamos por meio de uma rede de 93 institutos de pesquisa de excelência. Esses 93 institutos
passaram por um processo criterioso e competitivo de credenciamento, comprovando possuir
pesquisadores altamente qualificados, infraestrutura de ponta e capacidade de trabalhar com o
setor privado. Hoje, qualquer empresa pode acessar um desses institutos, independentemente
de sua localização geográfica e do tempo, tendo em vista que não trabalhamos com editais.
Uma empresa do Sul, por exemplo, com um desafio tecnológico que não consegue desenvolver
internamente, pode contar com um desses institutos. Isso não se aplica apenas a empresas
com pouca capacidade de inovação. Um exemplo interessante é a Embraer, que possui mais
de 20 projetos conosco, mesmo tendo vários centros de P&D próprios. Por que ela utiliza
nossa rede de ICTs? Porque, em muitos casos, é mais barato, rápido e eficiente contar com a
especialização desses institutos.
Os outros dois terços são negociados entre a Unidade Embrapii escolhida e a empresa. Nosso
modelo exige que todos coloquem a mão no bolso, o que gera um comprometimento maior de
todos os envolvidos do modelo tripartite, ou seja, a Embrapii, a empresa e a Unidade Embrapii.
Em alguns casos, como em biocombustíveis, dependendo do desafio tecnológico e escopo do
projeto, conseguimos aumentar nosso aporte em até 50% e apoiar até o TRL9, até a entrada no
mercado. Assim, compartilhamos tanto o desenvolvimento tecnológico quanto o mercadológico
de determinada tecnologia, processo, produto ou serviço inovador.
De forma resumida, uma empresa que tenha um desafio tecnológico pode procurar a qualquer
tempo uma das 93 Unidades Embrapii, negociar diretamente com ela e, sem nossa interferência
direta, contratar o projeto na média em 60 dias. Em 10 anos, apoiamos cerca de 2.700 projetos,
com mais de 4 bilhões de reais envolvidos. Destaco a alta taxa de recompra quando olhamos
para o seguinte número: 2.700 projetos com mais de 1.800 empresas. Isso demonstra que
muitas empresas executam um primeiro projeto no modelo Embrapii, entendem que funciona
e que é rápido e depois seguem contratando diversos outros projetos utilizando nosso modelo.
O modelo é rápido, flexível, sem burocracia e investe na conexão de empresas que têm desafios
tecnológicos com institutos de pesquisa de ponta, as chamadas Unidades Embrapii, e tudo isso
ainda compartilhando o risco e o custo com a empresa com recursos não reembolsáveis.
Hoje, temos três frentes básicas para a geração de valor: alianças industriais, conexões startups
e compartilhamento de recursos. Alguém mencionou startups hoje, e vocês podem ver algumas
oportunidades para elas aqui. A primeira frente é a Aliança Industrial, onde temos 3 milhões
de reais disponíveis. A ideia é reunir pelo menos duas empresas, dois institutos de pesquisa
e, eventualmente, incluir outras associações, universidades ou institutos de pesquisa fora do
Senai. O financiamento depende do valor e do número de empresas envolvidas. Pode chegar
a 600 mil reais com duas empresas, até 800 mil reais com três, e até um milhão com quatro.
As empresas contribuem com cerca de 30%. É muito parecido com o que temos hoje com a
Embrapii. Aqui, o foco é na agenda tech, voltada para soluções de problemas existentes.
No instituto já foram realizados dois projetos na Agenda Tech, um voltado para a reciclagem
de plásticos e outro para a bioeconomia. Um projeto recente foi apresentado na COP26,
mostrando o potencial da bioeconomia brasileira até 2050, podendo gerar quase 580 bilhões de
dólares e reduzir as emissões de CO2 em mais de 29 gigatoneladas. A ideia é juntar empresas,
associações e institutos para discutir o futuro, com foco especial em startups. Uma empresa
lança desafios e startups oferecem possíveis soluções, formando projetos colaborativos.
Parcerias com empresas como Klabin, Vale, Petrobras, Bosch e Repsol são exemplos disso.
Outra forma de apoio é o habitat de inovação, permitindo que empresas se instalem dentro
dos institutos do Senai de inovação. Lá, encontram serviços, parcerias e especialistas que
podem ajudar no desenvolvimento. A Missão Industrial é uma iniciativa recente, começada no
último ano, com valores que variam de 5 a 10 milhões de reais, objetivando resolver problemas
específicos das empresas, podendo combinar com outras formas de fomento, como da
Embrapii, para multiplicar os recursos.
Falando um pouco sobre o instituto, somos certificados pela Embrapii e ANP, criados em janeiro
de 2016 e instalados no parque tecnológico da UFRJ, com investimento superior a 70 milhões de
reais. Contamos com mais de 3 mil metros quadrados de laboratório e mais de 100 funcionários.
Já temos mais de quatro produtos no mercado e diversos processos melhorados na indústria.
Parcerias entre instituições de pesquisa e empresas são sempre benéficas, pois trazem
aprendizado para todos. As taxas de financiamento atuais da FINEP e do BNDES são
extremamente atrativas, muitas vezes abaixo da inflação. A integração de fomento Senai com
outros fomentos também é possível, aumentando significativamente os recursos disponíveis.
O BNDES também possui o Programa Mais Inovação, similar ao da FINEP, com linhas de custo
equivalente. Del Bel Filho comentou que, ao falar de inovação, a primeira ideia que vem à mente
é a de um "professor Pardal", um cientista maluco inventando algo inexistente. É importante
desmistificar isso. No Programa Mais Inovação, existe, por exemplo, o subprograma Aquisição de
Bens Inovadores, que permite à empresa adquirir máquinas e equipamentos novos, de fabricação
nacional, já credenciados no BNDES. A empresa não precisa reinventar nada, apenas adquirir
máquinas consideradas inovadoras que já estão no mercado.
As taxas para inovação começam a partir de TR mais 2%, mais o spread de risco, resultando em
uma taxa de aproximadamente 6% a 7% ao ano, às vezes até abaixo da inflação. Além disso,
o BNDES também financia através do programa BNDES RenovaBio, atrelado ao programa do
Governo Federal de combustíveis renováveis. O BNDES RenovaBio permite financiamento em
até oito anos, com crédito ASG, de uso livre pela empresa produtora de biocombustível, desde
que esteja credenciada no RenovaBio. Se a empresa demonstrar redução das emissões, pode
reduzir ainda mais sua taxa de juros.
A análise pode demorar um pouco mais devido à complexidade de avaliar essas externalidades
positivas. O BNDES é submetido às normas do BACEN, do Banco Central, e à fiscalização
do TCU e outros órgãos de controle. Parte da burocracia é inevitável, pois lida com recursos
públicos, e é necessário justificar seu uso eficiente.
Apesar disso, o BNDES tem metas internas de aprovação e dentre elas, prazos máximos de análise
das operações. No DEAGRO (Departamento do Complexo Agroalimentar e de Biocombustíveis),
departamento em que atua, as metas têm sido alcançadas sistematicamente ao longo dos anos.
O pessoal trabalha bastante, mesmo sendo poucos.
Repercussão Midiática
Considerações Finais
O I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação, promovido pela Ubrabio, não
apenas destacou a importância dos biocombustíveis no contexto energético atual, mas também
reafirmou o compromisso da Associação com a promoção da sustentabilidade, da inovação, da
segurança – alimentar, energética e jurídica para o setor.