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Resumo Expandido L F Rum Biodiesel e Querosene 1732530752

O I Fórum Biodiesel e Bioquerosene, realizado pela Ubrabio em junho de 2024, destacou a importância da inovação e tecnologia no setor de biocombustíveis, com projeções de produção de 9 bilhões de litros de biodiesel para 2024. O evento abordou a diversificação de matérias-primas e a necessidade de um diálogo contínuo para fortalecer a agricultura familiar e a segurança energética. A Ubrabio reafirmou seu compromisso com a pesquisa e desenvolvimento, visando consolidar o biodiesel como um componente chave da matriz energética brasileira.

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O I Fórum Biodiesel e Bioquerosene, realizado pela Ubrabio em junho de 2024, destacou a importância da inovação e tecnologia no setor de biocombustíveis, com projeções de produção de 9 bilhões de litros de biodiesel para 2024. O evento abordou a diversificação de matérias-primas e a necessidade de um diálogo contínuo para fortalecer a agricultura familiar e a segurança energética. A Ubrabio reafirmou seu compromisso com a pesquisa e desenvolvimento, visando consolidar o biodiesel como um componente chave da matriz energética brasileira.

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Resumo

PROGRAMAÇÃO

Expandido
REALIZAÇÃO

PATROCINADORES

APOIO INSTITUCIONAL
LINKER

/ubrabio /ubrabio /ubrabio


/Company/Ubrabio @ubrabio @ubrabio
SHIS QL 12, Conjunto 07, Casa 05
Brasília, DF 71630-275
[email protected]
ubrabio.com.br
Prefácio
Geral

Prefácio
A crescente demanda por energia e soluções sustentáveis tem impulsionado o desenvolvimento
de inovações tecnológicas no setor de biocombustíveis, com o objetivo de mitigar os impactos
ambientais e atender às necessidades globais por fontes de energia limpa. O biodiesel é o
protagonista central nessa transformação energética.

No ano de 2024, projetamos a comercialização de aproximadamente 9 bilhões de litros de


biodiesel. O volume acumulado nos 20 anos do Programa Nacional de Produção e Uso de
Biodiesel (PNPB) é de 77 bilhões de litros. Essa produção acumulada contribuiu para que 244
milhões de toneladas de soja fossem processadas, gerando 48,8 milhões de toneladas de
farelo destinadas à produção de alimentos.

Com a aprovação do projeto de lei do Combustível do Futuro, a produção de biodiesel vai


crescer progressivamente.

O país precisa olhar para o futuro com um compromisso claro: expandir a produção sustentável e
integrar novas tecnologias que aumentem a eficiência e a competitividade dos biocombustíveis.
Nessa perspectiva, a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) se destaca com
voz ativa no incentivo à inovação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, vide o sucesso do
I Fórum Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação, em que foram expostas pesquisas
de ponta, interlocução entre vários setores e alta tecnologia de novos produtos, envolvendo
associados, pesquisadores renomados, representantes dos Poderes Executivo e Legislativo,
e patrocinadores.

O setor de biodiesel tem mostrado uma capacidade de superação admirável. O conhecimento


científico e os avanços no desenvolvimento tecnológico, aplicados em novas matérias-
primas ou no controle de qualidade e aprimoramento de boas práticas, são fundamentais
para continuarmos avançando e consolidando o biodiesel como componente chave da matriz
energética brasileira. A Ubrabio continua na defesa de um cronograma claro, com a devida
previsibilidade, e na manutenção de uma política de mistura que garanta a segurança jurídica
associada aos resultados das pesquisas e ao potencial brasileiro.

A Ubrabio gostaria de agradecer a todos que participaram e colaboraram com o I Fórum


Biodiesel e Bioquerosene: Tecnologia e Inovação. Estamos em uma sinergia que acredita no
papel dos biocombustíveis como ferramenta de desenvolvimento regional. É um incentivo para a
agricultura familiar, um apoio à economia local e uma alavanca para um futuro mais sustentável.
Juan Diego Ferrés - presidente do Conselho
Superior da União Brasileira do Biodiesel e
Bioquerosene (Ubrabio) e diretor Industrial e
de Logística da Granol Agrícola LTDA.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 1


Apresentação
Geral

Apresentação
O I Fórum Biodiesel e Bioquerosene: Tecnologia e Inovação, realizado pela União Brasileira do
Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), nos dias 5 e 6 de junho de 2024, no Pavilhão Anhembi,
durante a Fenagra (Feira Internacional da Agroindústria - Feed & Food), em São Paulo, retratou
a necessidade de um permanente diálogo do setor de biocombustíveis, revelando sua enorme
importância para o país, destacando a capacidade de inovação e avanço de tecnologias no
Brasil.

A produção de biodiesel vai muito além do fornecimento de energia, sendo responsável pela
segurança alimentar, energética e climática, e também contribuindo significativamente para
melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Durante o evento, evidenciou-se a necessidade de se ampliar a diversificação de matérias-


primas, o fortalecimento da agricultura familiar e a importância da inovação no processo de
produção. As discussões elucidaram questões técnicas e ajudaram a definir novas direções
para políticas e estratégias que impulsionam o crescimento contínuo do setor.

Não é possível dissociar o sucesso do Programa de Biocombustíveis no Brasil do


desenvolvimento de ciência e tecnologia. A evolução técnico-científica da agricultura brasileira
com o aprimoramento da industrialização foram vetores para o aumento da produção de
biocombustíveis no Brasil. Precisamos continuar investindo em pesquisa e inovação para
melhorar sua eficiência e competitividade.

Assim, surgiu a importância e a necessidade de um evento de cunho técnico que abordasse


ciência, tecnologia, inovação e mercado. Como resultado, tivemos apresentações altamente
relevantes para o setor, transcritas em resumos expandidos, com uma revisão a posteriori
de cada palestrante, para que todos possam ter acesso à rica abordagem interdisciplinar
transmitida no evento.

O Fórum foi um encontro inédito, que proporcionou um entendimento mais profundo de todos os
atores protagonistas no aumento da produção de biocombustíveis no Brasil. Foram apontadas
soluções efetivas, metodologias claras e comprovações científicas que certificam o Brasil
como líder na vanguarda da transição energética sustentável no mundo. Isso só foi possível
devido à credibilidade e participação dos palestrantes, congressistas, associados da Ubrabio,
apoiadores institucionais e patrocinadores, que fortalecem a cadeia de valor do biodiesel e
bioquerosene, promovendo uma matriz mais limpa, sustentável e alinhada com os desafios
globais de mitigação das mudanças climáticas.
Donizete Tokarski - diretor superintendente
da União Brasileira do Biodiesel e
Bioquerosene (Ubrabio)

2 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Organizadores

Organizadores
Anna Claudia dos Santos
Pesquisadora de pós-doutorado com ênfase em Transição Energética, Avaliação de Ciclos de
Vida (ACV), mudanças indiretas no uso da terra (iLUC), Mudanças no Uso da Terra (MUT) e
Inventários de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) pela UFG. Doutora em Ciências
Ambientais, com ênfase em Sensoriamento Remoto pela Universidade Federal de Goiás, onde
foi pesquisadora associada do Laboratório de Processamento de Imagens e Geoprocessamento
(LAPIG/IESA/UFG), uma das principais referências no país quanto ao processamento e análise
de dados satelitários de resolução espacial moderada, aplicados ao monitoramento biofísico-
ambiental e à governança territorial. Mestre em Ecologia pela Universidade Federal do Rio
Grande do Norte, onde participou de projetos sobre mudanças no uso da terra (MUT). Foi
consultora no projeto Terra Class Cerrado, junto ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) e
também em projetos vinculados à Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMAD/GO), atuando
como auditora em projetos de mapeamento e controle do desmatamento. Atua como consultora
científica do Programa Soja Sustentável, Fellowship Cerrado, onde é avaliadora Sênior de
startups com enfoque em ciclo de vida e geotecnologias. Foi membro do Grupo de Trabalho
(GT) que elaborou o Plano Setorial da Agricultura e participou dos Grupos Gestores Estaduais
do Plano ABC, sob a liderança da Embrapa, com representantes de diversas universidades
brasileiras. Foi consultora técnico-científica das entidades ligadas aos biocombustíveis
ABIOVE, APROBIO e UBRABIO, participando das discussões e formulação de soluções para a
atualização da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). Atualmente é pesquisadora
no setor de biocombustíveis, onde atua em projetos de transição energética, descarbonização,
tendências ESG e mudanças climáticas.

Donizete Tokarski
Engenheiro Agrônomo pela Universidade Federal de Goiás – UFG, é sócio da LKT Consultores
Associados e Diretor Superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene
(Ubrabio), onde atua desde a fundação da entidade, em 2007. Membro do Comitê Consultivo
da Rede MCTI/EMBRAPII de Inovação em Bioeconomia e Presidente do Conselho da
Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação - ECODATA. É produtor
rural e consultor em Bioeconomia. Foi Presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de
Oleaginosas e Biodiesel do Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA. Na década de 1990,
foi chefe de gabinete de Ministros da Justiça, Agricultura e Reforma Agrária e da Secretaria
Especial de Políticas Regionais da Presidência da República. Foi assessor técnico no Senado
Federal e na Câmara dos Deputados. Foi Diretor de Assentamento do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária – INCRA. Exerceu a função de Secretário de Estado do Entorno
e de Representação do Estado de Goiás junto à União. Foi o primeiro Secretário Executivo da
Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno - RIDE/DF. Foi membro do
Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA e do Conselho Nacional de Recursos Hídricos
- CNRH.

Realização – União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene – UBRABIO

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 3


Sumário

Sumário
Prefácio...................................................................................................................................... 1
Apresentação............................................................................................................................. 2
Organizadores........................................................................................................................... 3
Abertura..................................................................................................................................... 6
Deputado Federal Alceu Moreira,
presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel...................................................... 6
Deputado Federal Arnaldo Jardim,
presidente da Frente Parlamentar de Economia Verde.................................................... 8
Alexandre Alonso Alves, chefe-geral da Embrapa Agroenergia.................................... 9
Daniel Maia Vieira, diretor da Agência Nacional
de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)........................................................ 12
Gábor Deák, diretor de Tecnologia do Sindicato Nacional
da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças)........................ 14
Andreta Júnior, presidente da Federação Nacional
da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave):.................................................. 15

MESA 1
| Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis................. 16
Rony Sato, gerente de Inovação América do Sul da BASF........................................... 17
Ronei Zan Ventura, gerente de Contas Chave – Metilato de Sódio, da BASF............. 19
Luís Fernando Sabino, Gerente Especialista de Combustíveis da BASF.................... 20

MESA 2
| A Transição Energética e a Neoindustrialização no Setor de Biocombustíveis..... 22
Suzana Borschiver, professora titular da Universidade Federal
do Rio de Janeiro (UFRJ), representante de instituições
acadêmicas brasileiras, especialista em matéria de energia
no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).................................................... 22
Donato Aranda, diretor da Unidade Protótipo de Catalisadores (PROCAT) e do
Laboratório de Intensificação de Processos e Catálise (LIPCAT) na Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Consultor Técnico da Ubrabio................................. 25
Paulo Anselmo Ziani Suarez, professor no Instituto
de Química da Universidade de Brasília (UNB).............................................................. 26

MESA 3
| Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis......................... 27
Marlon Arraes, diretor do Departamento de Biocombustíveis da
Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
do Ministério de Minas e Energia.................................................................................... 27
Carlos Orlando Enrique da Silva, superintendente de Biocombustíveis
e de Qualidade de Produtos da Agência Nacional de Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)............................................................................ 30
Gilles-Laurent Grimberg, CEO na Actioil do Brasil....................................................... 32

MESA 4
| O Potencial Energético das Fontes Residuais na Geração de Frio e Calor............ 35
Airton Folador, diretor superintendente da Intecnial S.A.............................................. 35
Júlio Tombesi, engenheiro da Jacques Tombesi Engenharia e Consultoria Técnica... 36

MESA 5
| Uso do B100 em Veículos e Equipamentos................................................................ 38
Miguel Ângelo Vedana, Diretor-executivo na BiodieselBR........................................... 38
Carlos Eduardo Hammerschmidt, Vice-Presidente do Grupo Potencial
e Vice-Presidente de Relações Associativas e Institucionais da Ubrabio....................... 40
Lilian Guarieiro, professora associada no SENAI CIMATEC
e pesquisadora CNPq DT-2:........................................................................................... 41
Sillas Oliva Filho, executivo sênior da F8 Fuels Combustíveis Especiais.................... 43
Silvio de Oliveira, presidente do Grupo SDO/BRG....................................................... 45

4 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Sumário

MESA 6
| Soluções Enzimáticas para Produção de Biodiesel e
Tratamento de Matérias-primas para SAF/HVO......................................................... 47
Renan Marangoni, Technical Sales Manager da Novonesis........................................... 47

MESA 7
| Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis.......................... 52
Gonçalo Pereira, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).......... 52
Maurício Antônio Lopes, pesquisador da Embrapa Agroenergia................................. 54
Marcelo Gavião, Gerente de Nova Economia
e Indústria Verde – Representante da ABDI................................................................... 56
Marcelo Lyra, Vice-Presidente de Relações
Institucionais e Comunicação da Acelen......................................................................... 58

MESA 8
| Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF ..................................................... 60
Flavio Schuch, economista e secretário executivo
adjunto da Secretaria-Geral da Presidência da República:............................................ 60
Amanda Gondim, Coordenadora da Rede Brasileira de
Bioquerosene e Hidrocarbonetos Renováveis para Aviação (RBQAV).......................... 61
Otávio Cavalett, líder da Boeing para Políticas Públicas e
Parcerias em Sustentabilidade para América Latina e Caribe
e diretor de Biocombustíveis de Aviação da Ubrabio...................................................... 63
Itania Soares, pesquisadora da Embrapa Agroenergia................................................. 65
Gilberto Peralta, presidente da Airbus Brasil................................................................. 66
Rogério Benevides, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).................. 67

MESA 9
| Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos........................... 69
Rafael Walendorff, repórter no Valor Econômico:......................................................... 69
Carlos Derraik, representante da Natural Energia, deu início a sua fala trazendo um
pouco da experiência em processos de investimento e fusões e aquisições:................ 71
João Artur Manjabosco, Head of Commercial – Oleo LATAM
na Cremer Oleo e Diretor de coprodutos da Ubrabio..................................................... 72
Leonardo Zilio, diretor de Relações Institucionais e Sustentabilidade
do Grupo OLEOPLAN e Vice-Presidente Técnico da Ubrabio....................................... 74

MESA 10
|Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis................................................. 77
Sérgio Duarte de Castro, presidente da Energia Estudos e Projetos........................... 77
Jorge Jardim, gerente do Departamento de Agronegócios e
Alimentos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP)........................................... 78
Rafael Menezes, coordenador-Geral de Tecnologias Setoriais
no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação............................................................ 79
Fábio Cavalcante, coordenador da Gerência de Mobilização de
Empresas – Representante da Associação Brasileira de Pesquisa
e Inovação Industrial (EMBRAPII).................................................................................. 81
Paulo Coutinho, pesquisador-chefe do Instituto SENAI
de Inovação em Biossintéticos e Fibras.......................................................................... 82
Egmar Del Bel Filho, economista no BNDES............................................................... 84

Repercussão Midiática........................................................................................................... 85
Considerações Finais ............................................................................................................ 93

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 5


Abertura

Abertura

O Deputado Federal Alceu Moreira, presidente da Frente


Parlamentar Mista do Biodiesel, enfatizou a complexidade do
projeto do Combustível do Futuro e a importância do trabalho
construído para a gama de votos conquistados em sua
aprovação na Câmara dos Deputados:

Os 429 votos reforçam a magnitude e a confiança da importância


do projeto, que é multifacetado, com interesses gigantescos,
um arranjo negocial quase infinito e a confiança depositada
em quem trabalhou construindo esse texto com agulha fina,
como nosso grande mestre, Deputado Arnaldo Jardim, uma
pessoa com grande credibilidade, leve, educado, que ouve o
contraditório. Fatores que foram essenciais para o sucesso de
sua aprovação, que poderá ser melhorado no Senado, e nós
teremos então o parlamento brasileiro com políticas de inovação
com compromisso claro do que será a transição do combustível
do futuro, talvez o projeto mais importante das últimas décadas.
O marco regulatório de uma transformação efetiva, produzindo
tantas oportunidades que vai colocar o Brasil na vanguarda.

Com o objetivo de filtrar os projetos de lei, dando força motriz para o que realmente é
consequente, as frentes parlamentares tiveram um papel fundamental no projeto Combustível
do Futuro. Uma transformação enorme no Congresso Nacional, que tem impactado, inclusive,
na relevância das lideranças partidárias, que estão começando a ficar em segundo plano
em relação às frentes que se unem e fazem a transformação. Nesse contexto, é preciso
começar a raciocinar sobre o que é ser nacionalista no mundo globalizado, e como serão
curadas as vulnerabilidades. Nenhum país será totalmente independente, mas terá que lutar
desesperadamente para ser o mais independente possível. Quando se fala em vulnerabilidade
brasileira, podemos citar a questão dos chips de computadores, 94% deles são feitos em
Taiwan, o carro mais simples do Brasil possui mais de 600 desses. E se a China botar o pé
em cima de Taiwan no dia seguinte, como a população irá se locomover? O para-brisa não
liga? O carro não liga?. Enfim, o Brasil não se move e nós estamos achando que isso é normal.

6 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Abertura

Então, o nacionalismo no mundo globalizado tem tudo a ver com a bandeira que nós estamos
desenvolvendo aqui. Tudo que será feito de biocombustíveis e combustíveis do futuro, vai
gerar autonomia para sanar uma vulnerabilidade. O país será, independente do ponto de vista
de abastecimento de combustíveis e energias renováveis, o maior exemplo do mundo, sem
nenhum comparativo de igualdade com qualquer outro país, não tendo atualmente, nenhum
ativo mais importante para o Brasil do que este.

A outra máxima é a desagregação de grandes centros urbanos. O Brasil será remontado


geograficamente pelo combustível do futuro, onde estarão as plantas industriais, o consumo
e a matéria-prima, sem um metro de rede instalada, mas sim um parque industrial gigante
absolutamente autônomo do ponto de vista da geração de energia, apenas com a logística
de transporte. Isso é a descentralização do parque industrial nacional, o que acontecerá nas
próximas três décadas. O arranjo de conhecimento científico e tecnológico, vindo das Embrapas,
que no Fórum foi muito bem representada pelo chefe-geral Alexandre Alonso, será primordial
para fazer o desenvolvimento desse processo.

Ao levantar novamente as duas máximas: da centralização do parque industrial pelo combustível


do futuro e o nacionalismo do futuro globalizado, de um país absolutamente competitivo, é
necessário evidenciar a maior bandeira brasileira: a ambiental. O país é o elo verde da cadeia,
com o aço verde, hidrogênio, biocombustível, bioquerosene. Nós temos condição de produzir
tudo isso, não podemos ter algo mais promissor, mais entusiasta, que nos leve com mais
convicção, que uma ideia desta. Então, como o secretário do MCTI afirmou, um conserto político,
que no caso do combustível do futuro, está muito bem construído. Além disso, é necessária
uma maior capacidade de fiscalização e o Estado não pode ser omisso para que esse setor
inteiro, do ponto de vista competitivo, se transforme num setor frágil por não poder cumprir a
legislação. Não se pode deixar que qualquer problema no motor manche a construção de um
projeto robusto, complexo e altamente confiável, como o projeto combustível do futuro.

Com muito otimismo na construção de uma mudança real no país, em tudo o que nós estamos
fazendo, temos a certeza de um campo largo pela frente, com enormes voos para um arranjo
negocial desse corpo multifacetado. Com novidades que, em dois, três anos, estarão entre
nós, com valor econômico gigantesco e com a capacidade de gerar trabalho e renda em todos
os lugares do Brasil. Nada é mais justo socialmente do que o combustível do futuro, nada é
melhor desenhado do ponto de vista legal e, tem um corpo tão harmônico com todos os setores
envolvidos, como o combustível do futuro. E no centro disso está o nosso biodiesel. Ao colocar
biodiesel nos motores, a população estará ajudando o cidadão a produzir um quilo de frango,
pois a cada quilo de soja esmagado, só 20% é óleo, e 80% é farelo. Assim, 2,5 kg de farelo
é um quilo de frango, quando se abastece com biodiesel, logo é investimento no bolso de
um pequeno produtor no canto de uma roça qualquer do Brasil e dá emprego para o cara do
supermercado. É componente essencial para a fabricação de rações e agregação de valor à
proteína animal, assim como também há uma grande quantidade de outros grãos e o próprio
sebo descartado todos os dias que acaba gerando energia limpa. Sejamos participantes desse
processo tanto na hora de pensar, pesquisar e fazer quanto na hora de sermos protagonistas
do país do futuro, a partir da ponte de transição do combustível do futuro.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 7


Abertura

O Deputado Federal Arnaldo Jardim deu início à sua fala


relembrando o dia do meio ambiente e a importância dos
biocombustíveis, principalmente a sinergia de um fórum desta
magnitude para a data. Setor responsável por alavancar a
proteção ambiental e no combate às mudanças climáticas.
Nessa perspectiva, o país que preside o G20 e que vai
receber a COP30 poderá ser protagonista e estar na vitrine
do mundo, demonstrando um agronegócio sustentável, com a
matriz energética mais renovável do planeta. Com vantagens
comparativas e competitivas, demonstrando que, ao invés
de algoz do meio ambiente, o Brasil pode ser líder da nova
economia de baixo carbono. O país também integrou e
liderou no ano passado, quando o G20 esteve na Índia a sua
coordenação, em que o presidente Lula e também o presidente
Biden, anunciaram a Aliança Global dos Biocombustíveis, ou
seja, uma vertente que não é só uma escolha do Brasil, é uma
escolha internacional, como foi reafirmado pela presença do
João José Macaringue, que é representante do Ministério da
Economia de Moçambique.

Nessa vanguarda em prol dos biocombustíveis, o parlamento teve um papel fundamental, sob
orientação do Deputado Alceu Moreira, que foi autor do projeto, e posteriormente a ele se
somaram outros, um de iniciativa do próprio executivo, em que, coube ao Deputado Arnaldo
Jardim ser o relator, auxiliado por muitos dos cientistas, estudiosos, pesquisadores, formuladores
que estavam presentes no fórum. O projeto Combustível do Futuro fala sobre o etanol e traça
um cenário de ampliação do etanol. Este que define as regras sobre captura e estocagem
de gás carbônico e isso é a estratégia que irá permitir uma pegada negativa na produção
dos nossos biocombustíveis. O projeto Combustível do Futuro restabeleceu as regras sobre o
bioquerosene ou o que chamamos de SAF (Combustível Sustentável de Aviação), sendo que
o número de consumo do Brasil é de 6 bilhões de litros de querosene de aviação por ano e a
capacidade já identificada de produção é de 9 bilhões de litros. Assim, o país não será apenas
capaz de suprir, mas também de ser um grande exportador de SAF.

O projeto Combustível do Futuro estabelece regras sobre o biometano, este que é muito mais
nocivo do ponto de vista das mudanças climáticas do que o gás carbônico, e pode se transformar
em uma fonte de energia importante para sua captura. Outro aspecto de extrema relevância
está ligado ao ciclo de vida, que é o nosso critério para medir o impacto, particularmente, da
mobilidade dos carros e de todas as formas de transporte. O Programa Mobilidade Verde e
Inovação (Mover), que já foi deliberado na Câmara e ali o conceito de ciclo de vida, do berço ao
túmulo, é o mais profundo, o que pega a apreensão da cadeia de uma forma mais detalhada e
o Brasil será pioneiro nesse sentido.

Em relação ao biodiesel, o projeto Combustível do Futuro já sinaliza um crescimento na demanda


da produção, com aumentos significativos, de cenários com 20% e já evoluindo para 25%,
tudo isso com a segurança de que sabemos que novas rotas surgem, novas oportunidades
se estabelecem. O que irá demandar uma organização dos produtores, nos setores de
equipamentos, insumos, indústria. Espera-se que seja em consonância a um programa de
rastreabilidade e de qualidade do biodiesel, para demonstrar para aqueles que proclamam de
forma negativa os biocombustíveis não tenham nenhuma razão para fazê-lo, a partir dessa
rastreabilidade. Este seria um novo projeto que pode ser respaldado pelo excelente trabalho
das agências reguladoras, para que o bom produto possa ser vitrine e exemplo mundial. O
parlamento também preza por rigor em relação à questão tributária das distribuidoras que
buscam encurtar o caminho dos seus lucros, que não fazem a mistura adequada e que
comprometem a imagem do setor.

8 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Abertura

É necessário enfatizar que o projeto Combustível do Futuro não se trata de uma política só de
governo, é fundamental que o governo esteja junto, mas se trata de uma política de Estado, que
tem que persistir, ter perenidade, ter sustentabilidade. Uma luta incessante, com os deputados
Arnaldo Jardim e Alceu Moreira à frente, na manutenção de um diálogo saudável com o senado,
garantindo que a essência do projeto será mantida. Apesar das quedas de braço, veio à tona
o coprocessado querendo se disfarçar com o Greenwashing de biodiesel, que com afinco
e muito trabalho será driblado. Assim, sempre terão alguns percalços, mas o setor unido e
com nossa integral solidariedade, seremos capazes de superar qualquer desafio, e comemorar
o dia do meio ambiente com o compromisso definitivo, com o Brasil na vanguarda da nova
economia de baixo carbono, sendo os biocombustíveis, e principalmente o biodiesel, decisivos
nessa transição.

Alexandre Alonso Alves, chefe-geral da Embrapa


Agroenergia, parabenizou a escolha da temática do Fórum,
enfatizando que discutir o papel da ciência, tecnologia e da
inovação no segmento de biocombustíveis é bastante oportuno
para o momento atual, principalmente em consonância com o
aumento da mistura já previsto.

A presença de representantes do Ministério de Ciência,


Tecnologia e Inovação (MCTI) e das duas maiores lideranças
no setor, o deputado Alceu Moreira, presidente da Frente
Parlamentar Mista do Biodiesel, com um trabalho excepcional,
e a do deputado Arnaldo Jardim, que é presidente de várias
frentes no Congresso, relator do Programa Combustível do
Futuro, do Programa de Aceleração da Transição Energética
(PATEN), são fundamentais na busca em desenvolver uma
nova economia, também chamada de bioeconomia*. Esta
que tem basicamente dois grandes pilares: a substituição de
combustíveis fósseis por combustíveis de origem biorrenováveis,
e a na segunda linha, a substituição de compostos de origem
química por origem biorrenovável. A bioeconomia se propõe
a fazer isso, ao mesmo tempo em que endereça uma das
questões centrais, que é a de descarbonização. Nesse sentido,
o biodiesel e o bioquerosene, que estiveram amplamente
discutidos no Fórum, possuem um papel central nessa agenda
de descarbonização, porque emitem consideravelmente
menos CO2 do que outros combustíveis fósseis.

Dados recentes do Ministério de Minas e Energia (MME) indicam que a utilização de


biocombustíveis no país evitou, somente nos últimos quatro anos, a emissão de cerca de 50
milhões de toneladas de CO2 na nossa atmosfera. O que demonstra o alto potencial que os
biocombustíveis têm para promover uma alta descarbonização na nossa matriz de transporte,
mas também da nossa matriz econômica como um todo. Pela percepção da importância desses
dois segmentos, tanto o governo brasileiro, e principalmente o parlamento brasileiro, tem
tomado uma série de iniciativas para estimular o desenvolvimento desses dois setores, estes
que, impulsionam as oportunidades para desenvolvimento de novas tecnologias e matérias-
primas. Nesse contexto, a Embrapa Agroenergia pauta pelo desenvolvimento de novas e
inovadoras tecnologias para viabilizar e aumentar a competitividade desses setores, de portas
abertas para interações com o governo e o setor privado, no fornecimento dos melhores dados,
modelos, análises e ciência de ponta desenvolvida no país. O evento permitiu com que todos
saíssem com a convicção de que, o futuro é bio, e se ele é bio, biodiesel e bioquerosene são o
caminho para a descarbonização de vários dos nossos setores.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 9


Abertura

Daniel Maia Vieira, diretor da Agência Nacional de Petróleo,


Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ressaltou a relevante
atuação do Congresso Nacional, frente à elevada capacidade
de legislar, formular políticas e ter debates de alto nível:

Ao publicitar isso, mostramos a grande importância da


aproximação do órgão do Poder Executivo com o Parlamento.
Nesse sentido, as duas lideranças de frentes parlamentares
importantes, presentes também na abertura, exercem um
papel de destaque, como relatores de projetos de lei de alta
relevância, com uma interlocução com o Ministério de Minas e
Energia (MME) e com a ANP de forma determinante. Ao citar a
importância das relações entre o órgão regulador, associações
e instituições, como a Ubrabio, afirmo que essa integração
consegue condensar e trazer o mínimo denominador comum a
respeito do que pensam os setores, ajudando na interconexão
do regulador com a indústria. Reafirmo que toda a equipe
da Ubrabio é extremamente ativa na ANP, presente nos
debates técnicos e políticos junto à agência, encaminhando
as demandas do setor, sendo uma instituição muito relevante
na conformação desse arcabouço regulatório na ANP. Esta
que, estava também representada por outras autoridades da
agência, na presença da Superintendência de Biocombustíveis
e Qualidade de Produtos, com o senhor Carlos Orlando
que esteve em painel, a Morgana Campos representando
a Superintendência de Fiscalização do Abastecimento e o
Gustavo, que é o assessor pessoal do diretor, dedicado à
Superintendência de Distribuição e Logística.

O diretor também transmitiu agradecimentos pelo convite, por parte do diretor-geral da agência,
Rodolfo Saboia e das demais diretorias da agência, fazendo referência ao diretor Fernando
Moura, que lidera a Superintendência de Qualidade do Biocombustível, na Superintendência
de Fiscalização do Abastecimento, a diretora Simone que também lidera a Superintendência
de Produção de Combustíveis, a qual é a área responsável por uma atribuição de grande
importância, sendo a autorização das plantas produtoras de biodiesel e também a participação
do diretor Daniel na Superintendência de Distribuição e Logística de combustíveis no país.

Com breves considerações sobre a ocupação da ANP, que gira em torno de três pilares da
agência reguladora:, autorizar as plantas produtoras, a sua produção e distribuição, e garantir
que esses produtos cheguem aos consumidores finais com a qualidade adequada. Os agentes
reguladores se veem como guardiões da política pública definida pelo Congresso Nacional,
buscando garantir que a política pública seja implementada da forma mais tecnicamente viável
e sustentável, não importando a decisão do Executivo e do Congresso a respeito da política,
falando em termos de percentual de cerca de 12%, 15%, 20%, 25%, 40%, 100%.

Reafirmo que a ANP está à disposição para auxiliar na definição da política pública,
reconhecendo que não cabe à agência estabelecê-la, mas sim implementá-la. Enfrentamos
desafios, como garantir a qualidade dos produtos para os consumidores, com mais de 40 mil
postos revendedores que a ANP autoriza e precisa fiscalizar. De posto de combustível a posto
de combustível, a fiscalização se dá na ponta, colhendo amostras, indo a campo e fazendo
análises laboratoriais para certificar a qualidade dos produtos. Esse é um desafio grande para
a atuação da agência. Em relação à garantia do percentual da mistura, essa é a garantia
da implementação da política pública estabelecida, é um grande desafio. A agência tem,
ultimamente, voltado um pouco no elo da cadeia, avaliando os aspectos de balanços de massa
e contábeis das distribuidoras de combustíveis para poder simplificar e agilizar a confirmação
do cumprimento do mandato no âmbito das distribuidoras de combustíveis.

10 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Abertura

Nesse ano, a agência já detectou e notificou diversas distribuidoras pelo não cumprimento do
mandato, não na ponta, pelo posto de gasolina, mas já na distribuidora. Para isso, obviamente,
a análise de dados, de informações, acesso a documentos contábeis é fundamental.

Pedimos apoio ao parlamento para garantir que a ANP tenha acesso a esses documentos,
essenciais para nossa atuação fiscalizatória. O CONFAZ recentemente não autorizou a
agência a ter acesso aos documentos contábeis importantes para a nossa atuação, guardaram
todo sigilo, como órgão estatal, essa é uma ação importantíssima para garantir também o
cumprimento de política pública, o que se torna um grande desafio para a ANP. Da mesma forma,
recentemente, Além disso, a ANP tem desempenhado um papel importante na depuração da
atuação de produtores responsáveis com a política pública e na luta contra o mercado irregular
de combustíveis, especialmente com relação ao metanol, que afeta de forma fundamental os
combustíveis, a saúde pública, os consumidores do país e desarranja o mercado concorrencial
no Brasil.

A ANP fez um importante papel de depurar. Sabe-se que produtores de biocombustíveis são
grandes consumidores de metanol, mais de 60% é direcionado para a produção de biodiesel.
A Ubrabio contribuiu na identificação da origem desses produtores no mercado irregular, que
adquire metanol, não para a produção de biodiesel, mas para a disseminação desse metanol
no mercado. Essa depuração foi realizada em conjunto de várias superintendências da ANP:
de qualidade de biocombustíveis, de produção de biocombustíveis, de distribuição, logística e
fiscalização de combustíveis, atuando juntos para uma maior efetividade da ação.

É lógico que esse processo de depuração impacta o próprio ambiente já posto. Fizemos contato
com vários importadores e produtores de metanol, para tentar identificar o mercado e separar
“o joio do trigo”, isso foi um trabalho muito importante, a agência segue com esse trabalho de
colaboração para tentar identificar. Na parte da qualidade, a implementação do Programa de
Monitoramento da Qualidade do Biodiesel (PMQBio) será fundamental para a gente identificar
e depurar também os produtores, dos distribuidores, de revendedoras, identificando melhor a
origem de problemas em relação aos produtos.

Há uma série de outros elementos, principalmente sob o aspecto de tecnologia e informação, nos
quais podemos avançar, seja nesse Fórum ou em vários outros. Um exemplo é a discussão que
nós podemos avançar, que diz respeito também à discussão sobre a captura e armazenamento
de carbono no contexto da produção de biocombustíveis, é algo fantástico. Quando falamos
sobre o biodiesel, que muitas vezes é visto aqui no Brasil como um produto talvez ultrapassado,
é preciso reconhecer que há muito o que discutir sobre isso. Existem grandes investimentos em
tecnologia nessa solução, que é crucial para a descarbonização de uma frota pesada.

Atualmente, estamos dominados por uma discussão sobre o hidrogênio, e o deputado Arnaldo
Jardim entende bem a importância dessa tecnologia para a descarbonização da frota pesada.
No entanto, a discussão sobre a solução via biocombustíveis, como biodiesel, não deve ser
esquecida. Pelo contrário, precisa ser, constantemente, trazida para o debate.

Outra instituição que o diretor também gostaria de destacar é a Embrapa . Esta que, participa de
diversos paineis aqui no Brasil sobre biocombustíveis, tecnologia, e a Embrapa historicamente,
desde muito tempo, tem um papel fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias e
produtos, mas ela não tem sido trazida para o debate. Em relação à importância da Embrapa,
como instituição pública e de elevada capacidade técnica para fomentar essas discussões,
inclusive recebendo também aportes das mais variadas origens para desenvolver novas
tecnologias no Brasil. É essencial que ela participe de forma efetiva dos debates sobre petróleo,
gás natural e biocombustível.

Finalizo parabenizando e agradecendo à Ubrabio pelo convite feito à ANP, na abertura e no


painel, se fazendo presente, onde estiveram, nos dois dias de evento, 100% disponíveis para
trocar ideias e debater de uma forma mais profunda a temática.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 11


Abertura

Marcelino Granja de Menezes, secretário-Executivo


adjunto do MCTI, reforçou a relevância do I Fórum Biodiesel
e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação para compreensão
dos problemas reais que o Brasil enfrenta e da consciência
do interesse nacional na busca por um país desenvolvido:

O Brasil é uma grande nação na cena mundial e poderá contribuir para um novo
pacto civilizatório, inclusive no plano mundial. Temos essa capacidade. E a política de
biocombustíveis, ou o setor da indústria nacional voltado para biocombustíveis, é um dos
grandes eixos do sucesso da industrialização do Brasil.

O país ainda possui uma industrialização tardia, com muitas intercorrências e lacunas,
principalmente na área de infraestrutura e inovação. Mas, quando se olha a construção
civil pesada no Brasil, que se voltou para as grandes hidrelétricas, e também para a
siderurgia nacional, iniciada com Getúlio Vargas, para as áreas de energia, aeroespacial
e biocombustíveis, temos uma trajetória marcante, que é uma característica nacional da
possibilidade, potencialidade e da capacidade do Brasil. Somos uma grande nação na área
de biocombustíveis. Para a real efetividade de políticas públicas, a exemplo desses casos de
sucesso da industrialização nacional, precisamos de três coisas: primeiro, é preciso ter um
pacto político avançado, baseado no interesse nacional. Caso contrário, nenhuma política
pública irá adiante. É necessário que esse pacto político seja construído através da união
nacional, como tem feito o governo atual, que está diante de uma nova oportunidade.

A retomada do ambiente de normalidade política e da ordem democrática no Brasil,


acontecida com a eleição do presidente Lula, abre essa oportunidade novamente, não só no
terreno da política, como também no terreno prático, concreto, liderado pelo vice-presidente
Geraldo Alckmin. Há um entendimento de que a indústria é sim um vetor fundamental do
desenvolvimento do Brasil. Todas as grandes nações potentes no mundo são industrializadas.
Os países que não eram, buscaram ser, como o caso da Coreia, China e outros. Então, o
Brasil precisa ser uma nação industrializada, e as escolhas que o vice-presidente Alckmin
estabeleceu, como as missões da nova industrialização brasileira, incluem a área de energia,
descarbonização e biocombustíveis como eixo central, ao lado do complexo industrial da
saúde, do complexo industrial aeroespacial e militar, e da transformação digital.

12 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


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Além de um projeto nacional e um pacto político, nenhuma política pública dá certo sem
investimento financeiro. Nesse ponto de vista, nós temos uma oportunidade que está em
consonância com as medidas econômicas do presidente Lula. Efetivamente, o governo
tomou medidas tanto na área de macroeconomia como também na área de desenvolvimento
de políticas públicas e sociais voltadas para aquecer a economia, como a melhoria do salário
mínimo e da renda, o que já fez a economia nacional crescer e terá uma repercussão para
todas as cadeias econômicas do país.

Na área de ciência e tecnologia, foram mudanças significativas que colocaram o país como
parceiro estratégico do mundo para melhoria da vida no planeta. No Ministério da Ciência,
Tecnologia e Inovação (MCTI), por exemplo, saímos de um patamar de investimento de R$
3 bilhões para 12 bilhões no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico
(FNDCT), onde 30% do valor é aplicado na área de energia. Sendo a agroindústria voltada
para a energia como um dos principais tomadores de empréstimos dos reembolsáveis da
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), e o próprio MCTI a parte não reembolsável,
destinou-se para a área de energia 3 bilhões dos 7 bilhões totais. Tudo voltado para a área
da transição energética, que beneficia a área da agroindústria e biocombustíveis.

O Brasil está se movendo para frente, ficando mais pacificado, o povo mais otimista e confiante,
graças à ordem democrática, que cria um ambiente de negócio, trabalho e desenvolvimento,
o que nos deixa alegres e otimistas. Há muita luta, muita dureza nessa situação da crise
climática, que entrou na agenda de forma emergencial, mas para o qual a ciência, tecnologia,
a indústria e a sociedade brasileira têm a solução. Estamos otimistas com as possibilidades
de mudança no mundo, sempre com o intuito de buscar um caminho de felicidade para o
nosso povo.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 13


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Gábor Deák, diretor de Tecnologia do Sindicato Nacional


da Indústria de Componentes para Veículos Automotores
(Sindipeças), explicou publicamente a posição da entidade,
começando por um resgate histórico, com a chegada da sua
família ao Brasil, em 1957, inspirados no livro de Stefan Zweig,
chamado Brasil, País do Futuro*:

Desde então, houve uma grande evolução no país, muito além


das expectativas, do potencial e das oportunidades. Deus
brindou os brasileiros com algumas condições absolutamente
essenciais, um clima pacífico, sem grandes transtornos
climáticos, embora eventualmente ocorra uma tragédia,
como no Rio Grande do Sul, mas é uma ponta do país, não
é o país inteiro. Além de um nível de insolação adequado,
sem a ocorrência de terremotos, com ventos unidirecionais.
Em conjunção à uma população extremamente competente,
significativa em desenvolvimento e progredindo bastante.

Entretanto, as preocupações surgem quando oportunidades são perdidas, sendo assim, espera-
se que essa grande oportunidade de protagonismo brasileiro não seja perdida novamente.

Existe uma tendência mundial, na nossa visão, de um protecionismo crescente em função de


rivalidades em posições antagônicas. A exemplo, recentemente, os Estados Unidos impuseram
100% de taxa de importação de veículos elétricos. O Brasil, que estava em taxa 0, está a caminho
de retomar em 35% em 3 ou 4 anos. Entretanto, até que este período se estabeleça, o país está de
fronteiras abertas, enquanto o resto do mundo tem capacidade ociosa e fronteiras fechadas para
a exportação. É uma situação preocupante, que no ponto de vista do Sindipeças, que é agnóstico
em termos de tecnologia, seja elétrico, hidrogênio ou biodiesel, independente do combustível,
tomando uma posição realista, entende-se que, em cada circunstância, algum dos combustíveis
vai ter um melhor desempenho.

O Sindipeças entende que não se deve perder a oportunidade de todos os fatores positivos para
o desenvolvimento do Brasil. Os caminhos delineados mundialmente não são necessariamente
os mesmos a serem implantados no país, como o sucesso do etanol, que poderia ser maior.
Aproximadamente 80% das pessoas dirigem veículos que operam tanto com gasolina quanto
com etanol e, eventualmente, até sistemas elétricos. Então, essa oportunidade, esse momento da
história em que o mundo está buscando alternativas, e nós temos não apenas a alternativa, mas
a competência de fazer, desenvolver e mais, deve ser aproveitado.

O Sindipeças apoia, atendidas as condições de manutenção no campo de qualidade consistente


do combustível, o crescimento da participação do biodiesel até ao 15%, testados e normalizados,
enfatizando que este Fórum é um encontro extremamente importante para fortalecer esse
caminho, com soluções em que o Brasil tem vantagens competitivas e insuperáveis. Para
isso, é necessário fazer algo maior em termos de proteção de fronteiras ou desenvolvimento
de tecnologia. É necessário encontrar o caminho para reconhecer o mérito dos créditos de
carbono gerados para que se possa negociar, pois os países estão se fechando com alíquotas
de importação e com bloqueios, não alfandegários, mas técnicos. Por exemplo, a Europa está
colocando limitações, em termos de demonstração de neutralidade, naquilo que é exportado por
outros países, mas não necessariamente cobrando os mesmos critérios nos países membros da
Europa. Por isso, é necessário evidenciar os cases de sucesso no Brasil para conseguir certificar,
demonstrar e manter as portas abertas para o nosso futuro. Então, o Fórum foi um evento de
suma importância. O Sindipeças veio trazer o seu apoio e agradecimentos aos deputados, à
Ubrabio e a todos os responsáveis.

14 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Abertura

Andreta Júnior, presidente da Federação Nacional da


Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave),
representando 7.800 concessionárias de veículos em todos os
setores, em conjunto aos 7.800 empresários, cada um destes
com um segundo ou terceiro negócio no Brasil (respondendo
pela geração de mais de 315 mil empregos diretos, o que
corresponde a 5,65% do PIB do país), destacou a importância
do Fórum para o setor, enfatizando a necessidade de que
todos os elos da cadeia tenham um entendimento do que
é o biodiesel, em resposta à grande problemática atual da
descarbonização:

A problemática exige soluções divergentes, variantes específicas para cada país. No caso do
Brasil, pela bioenergia em abundância e pela qualidade da energia, o etanol e o biodiesel são
a saída mais viável para mitigações. A Fenabrave está apoiando esta iniciativa, trabalhando
em prol do Brasil, porque acredita que eventos como o I Fórum Biodiesel e Bioquerosene –
Tecnologia e Inovação, reúnem os grandes protagonistas da discussão nacional de mobilidade
e biocombustíveis, para traçarem um norte comum, pois só existe consenso quando há
conscientização.

No dia 20 de agosto, será realizado o Congresso da Fenabrave*, em uma área com mais de 5
mil m², onde são debatidos os temas mais importantes do setor, sempre pautando os processos
de descarbonização, ponto de extrema importância para o país. O Congresso é o segundo
maior encontro de concessionárias do mundo e uma iniciativa de muito trabalho e empenho,
que ano passado contou com 6.753 participantes, refletindo a dimensão da grandiosidade do
evento, onde são debatidos os temas mais importantes do setor, sempre pautando os processos
de descarbonização, ponto de extrema importância para o nosso país.

A Fenabrave sempre teve uma postura patriota, em busca de fazer o melhor para o Brasil,
porque acredita que a descarbonização é a saída para um país melhor, para os nossos filhos e
netos. A presença da delegação de Moçambique reflete que esta preocupação com a redução
de emissões e a compreensão da magnitude do etanol e do biodiesel como fator protagonista
desta ação perpassa fronteiras e se torna uma realidade mundial. A Fenabrave se sente
honrada em participar do Fórum e se coloca à disposição para discussões futuras e melhorias
para o setor.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 15


MESA 1 I Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis

MESA 1 | Novas Oportunidades Tecnológicas na


Produção de Biocombustíveis
Com o tema Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis, a mesa
apresentou o case de sucesso do Grupo BASF (Badische Anilin- und Sodafabrik).

A sustentabilidade é um pilar central na estratégia da BASF. A empresa adota uma abordagem


holística que cobre toda a cadeia de valor, desde os fornecedores até os clientes. A BASF
implementou metas ambiciosas para a proteção climática, como a redução de 25% das emissões
de CO2 até 2030, e promove o uso de energias renováveis e processos de produção de baixo
carbono. Além disso, a BASF está comprometida com a economia circular, desenvolvendo
tecnologias para aumentar a eficiência energética e de recursos. Iniciativas como o processo
G2PG para produção de propilenoglicol, que reduz em 60% as emissões comparadas às rotas
convencionais, e a parceria com a Eni para produzir bio-propanol, demonstram a liderança da
BASF no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis. A empresa também apoia iniciativas e
promove fóruns, a exemplo do I Fórum Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação, e
parcerias que visam enfrentar os desafios da transição energética e climática, evidenciando seu
compromisso com soluções inovadoras para a indústria de biocombustíveis.

16 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 1 I Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis

Rony Sato, gerente de Inovação América do Sul da BASF,


empresa que está presente no Brasil há mais de 100 anos com
o propósito de transformar a química no desenvolvimento de
soluções inovadoras para um futuro sustentável, afirmou que
todos os esforços da BASF em tecnologia e inovação estão
em atender os anseios dos clientes, para uma aderência maior
às entregas e às demandas, como um intuito de desenvolver
novos segmentos para se adaptar a este novo desafio de
transição energética e climática:

A BASF investe, atualmente, aproximadamente 2 bilhões de


euros em tecnologia e inovação, mais de 80% são para soluções
direcionadas aos anseios dos clientes, com um portfólio de mais
de 6 mil produtos com mais de 80 mil clientes. A contribuição
na cadeia se dá na geração de valor, tanto na parte de riqueza,
como também de capital social, o que gera a descentralização
da geração de valor no Brasil. Um exemplo disto é a divisão da
proteção de cultivos, que investe aproximadamente 700 milhões
de euros/ano numa nova molécula que vai ser aplicada no
campo para ter efetividade e seletividade. São quase 20 anos
desde a descoberta aos testes regulatórios exigidos e testes de
eficácia, para chegar ao campo e ter uma proteção de uso. Isso
significam esforços de 80 a 120 milhões de euros por molécula.
Poucas empresas possuem centros de pesquisa de excelência
para desenvolvê-las.

No Brasil, o Complexo Químico da BASF, em Guaratinguetá, é a maior unidade da empresa na


América do Sul, com produtos que têm mais de 1.500 aplicações no mercado, como soluções
de proteção de cultivos, metilato de sódio, matérias-primas para adesivos, resinas, tintas,
detergentes, cosméticos, soluções para o mercado automotivo. Neste complexo é que se
fabrica o princípio ativo “boscalid”, utilizado na formulação de defensivos agrícolas de última
geração, destinados principalmente ao controle de culturas.

Um ponto importante para se dimensionar a respeito da cadeia de valor, é que a BASF tem
feito a divisão de catalisadores, chamados de roadmap azul e roadmap verde. O roadmap azul
traz para o desenvolvimento de tecnologias uma otimização que utiliza ainda a cadeia fóssil,
mas através de incorporação de acesso à energia renovável ou tecnologias de captura de
carbono. O roadmap verde, que está intimamente ligado às cadeias que vocês participam, trata
não só de melhorar o processo em relação a fazer uso de energia renovável, mas também de
tecnologias de captura de carbono para integrar a uma cadeia de matérias-primas renováveis.

Em relação às soluções para a cadeia de biocombustíveis, na contribuição para a geração


de biomassa, são dois aspectos: a questão da qualidade do alimento, a sua disponibilidade
e acessibilidade. Então, temos que produzir um alimento que seja disponível em relação a
volumes e também seja acessível, além de produzir com responsabilidade social e ambiental.
Um marco entre as tecnologias consideradas as mais disruptivas da humanidade temos a
questão da evolução a vapor, do uso de vapor na movimentação das máquinas; a questão
da descoberta da penicilina, do cuidado com a saúde, com a garantia da sobrevivência das
pessoas; e a terceira é síntese da amônia. A BASF foi responsável pelo desenvolvimento desse
processo, que é conhecido como Haber-Bosch, que voltou a ser discutido agora, porque com
o hidrogênio verde tem essa mesma síntese, é o mesmo processo desenvolvido há mais de
cem anos, o que foi fundamental para a revolução da produção agrícola, de garantir os ciclos
seguidos de produtividade.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 17


MESA 1 I Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis

Em relação à matéria-prima, como a utilização de soja, há o desenvolvimento de semente


para soja, tratamento de semente para crescer com maior vigor e produtividade, melhores
condições de sustentabilidade, ferramentas digitais de manejo e também outras matérias-
primas fundamentais, como óleo e semente de algodão. Toda a linha FiberMax, de produção
de algodão, que tem alta qualidade de fibra, mas que um dos seus subprodutos é matéria-prima
potencial para a produção de biodiesel.

Seguindo na parte de conversão, é fundamental o uso de catalisadores para essa produção.


Atualmente, de toda a produção de biodiesel no país, mais ou menos 8% é gerada em glicerina,
seja bruta ou refinada. Ela é exportada em mais de 85%. Como a gente poderia criar valor
dentro dessa cadeia?

Em mais um exemplo está a questão da conversão de glicerina em dois produtos: um já


estabelecido, que é a questão da produção do MTG ou propilenoglicol, e um outro em
desenvolvimento, que é a possibilidade também de conversão em propanol. A tecnologia da
BASF para a hidrogenólise de glicerol em propilenoglicol (G2PG) é um processo competitivo e
mais sustentável, com cerca de 60% menos emissões em comparação com a rota convencional
via óxido de propileno de origem petroquímica. Devido à qualidade excepcional do produto e aos
rendimentos superiores obtidos, o processo G2PG é reconhecido como a principal tecnologia
comercialmente comprovada para a produção de propilenoglicol a partir de glicerina.

Eni e BASF lançam iniciativa conjunta de P&D para reduzir a pegada de CO2 do setor de
transporte. O processo baseia-se na aplicação de uma reação de hidrogenação em alta
pressão sobre um catalisador da BASF, garantindo que o bio-propanol seja produzido com alto
rendimento e pureza, ao mesmo tempo em que minimiza subprodutos. O bio-propanol oferece
o potencial de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 65% a 75% em comparação
com os combustíveis fósseis. Ambas as empresas colaboram para desenvolver uma tecnologia
sustentável para produzir bio-propanol a partir de resíduos industriais. A tecnologia inovadora
concentra-se em aproveitar um subproduto da produção de biodiesel, processo inovador para
produzir propanol baseado em biomassa.

A importância do portfólio da BASF para garantir a discussão dentro do Programa Combustível


do Futuro, para sua eficiência e competitividade, está em encontrar soluções que irão desde
a produção do biocombustível até a ação dos catalisadores. A exemplo da cidade de São
Paulo, quando se tinha a chamada inversão climática: nesse período, a BASF foi pioneira
no desenvolvimento do primeiro conversor catalítico para automóveis nos anos 70, criadora
do catalisador de “três vias” (TWC), dispositivo capaz de reduzir mais de 95% dos poluentes
monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC) e óxidos de nitrogênio (NOx), produzidos
pelos motores movidos a álcool, gasolina e diesel. A empresa recebeu, inclusive, a Medalha
de Honra pela Invenção Tecnológica da Década de 1980, concedida pela Organização das
Nações Unidas (ONU). No Brasil, os catalisadores produzidos na fábrica de Indaiatuba, interior
de São Paulo, já contribuíram para eliminar cerca de 38 milhões de toneladas de poluentes das
emissões de veículos do Brasil.

Dados da mesma avaliação, disponibilizada pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por


Veículos Automotores (Proconve), estimam que mais de 14 mil mortes tenham sido evitadas
com a redução da poluição, resultando em uma economia de aproximadamente R$1,3 bilhão
em assistência médica. Para a BASF, desenvolvimento sustentável significa a combinação de
sucesso econômico orientado a longo prazo com proteção ambiental e responsabilidade social.
Por isso, iniciativas como o I Fórum Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação são de
extrema importância na busca de soluções inovadoras e medidas urgentes para combater a
mudança climática e seus impactos.

18 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 1 I Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis

Ronei Zan Ventura, gerente de Contas Chave – Metilato de


Sódio, da BASF, apresentou a planta de metilato de sódio,
que foi inaugurada em 2011 em Guaratinguetá/SP:

O metilato de sódio BASF é um catalisador eficiente e


sustentável, que aumenta produtividade e reduz o custo da
fabricação do biodiesel, além de atender aos requisitos dos
fabricantes de motores em relação à alta quantidade de
combustíveis e às emissões de poluentes. Assim, a BASF
assume um compromisso junto ao mercado, à sociedade, aos
produtores de biocombustíveis, reforçando a participação no
país sempre em busca de novos investimentos e tecnologias
sustentáveis.

A BASF tem como meta global ser Net Zero até 2050, e o metilato de sódio é um aliado
junto ao ecossistema produtor de biodiesel rumo à descarbonização da matriz energética.
Entre as soluções de destaque estão os produtos que oferecem substancial contribuição de
sustentabilidade para a cadeia de valor. Outra iniciativa de sustentabilidade de ponta a ponta
é o barter de CBIOS, em que clientes detentores dos CBIOs poderão transferir o montante
vendido na B3 para a BASF em troca do fornecimento de produtos. Este modelo de barter,
desenvolvido pela BASF com base na Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio),
possibilita o incentivo à produção de energia renovável no país, ao mesmo tempo em que
atende à necessidade dos seus clientes de transformar carbono em uma ferramenta financeira.

Outro apoio importante na direção da sustentabilidade vem da Fundação ECO+ (https://


fundacaoecomais.org.br/), organização sem fins lucrativos, mantida pela BASF desde 2005,
que tem o objetivo de auxiliar o mercado e produtores, não só de biocombustíveis, mas de toda
a cadeia produtiva de insumos de vários setores. O intuito é orientar clientes na identificação
e compreensão das necessidades e tendências de sustentabilidade, diversidade e inclusão
relacionadas ao seu mercado. Também atua na mensuração dos impactos ambientais,
econômicos e sociais do seu negócio, apoiando gestores na tomada de decisão. A BASF faz
isso por meio da utilização de várias metodologias, com o objetivo de endereçar os desafios
diagnosticados e medidos, e criando soluções com o apoio no processo de implementação e
monitoramento.

Outra iniciativa que a BASF demonstra e traz acoplada aos compromissos junto à toda cadeia
produtiva é o Centro de Experiências Científicas e Digitais, que se chama onono® (https://
onono.com.br/), um espaço de inovação aberta com foco nos clientes, que também tem a
proposta de conectar e acelerar a economia circular. Contribuímos para o processo de inovação
de empresas com uma metodologia especialista para este processo. Através de um Match de
Soluções, a BASF busca no ecossistema global soluções que endurecem oportunidades rumo
à descarbonização.

A BASF preza pela inovação e acredita que os investimentos na produção de metilato de sódio,
assim como de diversos componentes químicos, estão intrinsecamente ligados aos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Esse é o jeito da BASF de enxergar o futuro
e colocar a sustentabilidade em prática, mostrando que é possível ser produtivo e sustentável
ao mesmo tempo, gerando impactos positivos para a sociedade, para o meio ambiente e para
os negócios.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 19


MESA 1 I Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis

Luís Fernando Sabino, Gerente Especialista de


Combustíveis da BASF, falou da evolução da mistura do
biodiesel ao diesel fóssil na matriz energética brasileira:

2008 entrou em vigor a mistura legalmente obrigatória de 2% (B2), em todo o território


nacional. Em dezembro de 2023, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou
o aumento da mistura de 12% (B12) para 14% (B14), com um novo aumento previsto para
2025 de 15% (B15). Paralelo a isso, está em tramitação o projeto de lei 4516/2023, conhecido
como “Combustível do Futuro”, que, dentre outros pontos, estabelece o aumento do teor do
Biodiesel para 20% (B20) até 2030, podendo chegar a 25% (B25) posteriormente. O país terá a
possibilidade de utilizar um produto biodegradável, pois a biomassa, quando queimada, libera
dióxido de carbono (CO2), que por sua vez é prontamente absorvido pelas plantas (a fonte de
biomassa). Neste ciclo, ocorre a remoção do carbono da atmosfera, tornando o biodiesel uma
alternativa renovável e com uma pegada de carbono inferior ao diesel fóssil.

Para um efetivo sucesso das inúmeras vantagens na utilização do biodiesel, é necessário que se
tenham alguns pontos de atenção, como os cuidados na armazenagem do diesel. Dependendo
do tipo de combustível armazenado em um tanque, a quantidade de ar e umidade podem ter
grandes variações. Outro fator que corrobora para esta diferença é a localização em que o
tanque se encontra. Como, por exemplo, uma comparação entre um tanque de armazenamento
em Manaus e outro no Saara, a diferença de umidade será alta, o que poderá interferir nas
características do próprio combustível.

Independente da concentração de biodiesel no diesel, manter uma rotina de drenagem nos


tanques é extremamente importante. Por isso, no tanque de combustível, a saída e entrada do
diesel se localizam na parte superior e o dreno na parte inferior do tanque, para ser possível a
retirada efetiva de qualquer produto que possa ter ficado armazenado.

As boas práticas em termos de armazenagem e manuseio, que já possuem métodos publicados


em cartilhas da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da Associação Brasileira de Engenharia
Automotiva (AEA), são essenciais para evitar a proliferação de microrganismos e bactérias.
Estes, originados por estarem presentes na água, acabam encontrando na emulsão (água
e diesel) fonte de alimento para sua multiplicação, gerando borras e sedimentos no final do
sistema de drenagem. Assim, é uma problemática decorrente de uma falta de drenagem e
aumento de umidade, não tendo uma correlação direta com o aumento do percentual de
biodiesel ao diesel. O Chile, por exemplo, não tem biodiesel e ainda asim, há este mesmo
problema. Então, o processo de drenagem é recomendável ponta a ponta pela ANP, tanto nas
distribuidoras como nos postos de gasolina e revendedores, que também precisam fazer este
controle, assim como o pessoal que utiliza frotas cativas, como as transportadoras. Com isso,
evita-se o entupimento prematuro de filtros, corrosão em tanques e partes metálicas do motor
e a formação de incrustações no sistema de injeção.

20 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 1 I Novas Oportunidades Tecnológicas na Produção de Biocombustíveis

Uma solução da BASF são pacotes multifuncionais de desempenho de combustível KEROPUR®,


que ajudam a manter os motores limpos, protegendo todo o sistema de combustível. O
portfólio inclui pacotes de desempenho a gasolina e diesel para máxima limpeza do motor,
melhor economia de combustível, contribui para a sustentabilidade, reduzindo o consumo de
combustível e as emissões de gases. A formação de depósitos internos e externos nos sistemas
de injeção de diesel, e o entupimento prematuro de filtros, aumentam diretamente a manutenção,
o consumo de diesel e as emissões dos veículos. O detergente contido no pacote de aditivo
multifuncional elimina essa formação de depósitos de uma forma efetiva. O antiespumante é
outro componente dessa solução, e sua utilização é interessante principalmente nas frotas de
ônibus com abastecimento diário. Uma frota de ônibus de São Paulo, por exemplo, que possui
mais de mil veículos, faz toda a parte de limpeza e abastecimento durante a noite. Assim como
esse antiespumante, o diesel tem uma característica de formação de espuma natural. Com a
adição deste componente, o tempo de abastecimento se torna mais ágil.

O desemulsificante é um componente importante, porque independentemente da quantidade de


biodiesel, se houver uma emulsão de água no diesel, o mesmo fica turvo e se torna uma fonte
de alimentos de fungos e bactérias. Este componente consegue separar mais rapidamente
essa emulsão, fazendo a quebra, que posteriormente facilitará a drenagem para retirada da
água localizada no tanque de combustível, de uma forma mais efetiva, evitando desperdício de
diesel e prevenindo a proliferação de fungos e bactérias no tanque e em veículos.

Em termos de estabilidade do diesel, a BASF também tem um pacote estabilizante de biodiesel


e diesel, visando melhorar a estabilidade e a vida útil do diesel, mantendo uma formação menor
de borras nos filtros. E, finalmente, outro componente a agregar é o melhorador de cetano, que
provoca um melhoramento no processo de combustão, de ignição e consequentemente traz
muitos benefícios.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 21


MESA 2 I A Transição Energética e a Neoindustrialização no Setor de Biocombustíveis

MESA 2 | A Transição Energética e a Neoindustrialização


no Setor de Biocombustíveis
Pesquisadores discutiram nesta mesa a transição energética e a neoindustrialização no setor
de biocombustíveis. Essa discussão está alinhada com a meta do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Industrial (CNDI) de aumentar em 50% a participação dos biocombustíveis
na matriz energética de transportes, com foco em bioeconomia, descarbonização, transição e
segurança energética.

Suzana Borschiver, professora titular da Universidade


Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), representante de
instituições acadêmicas brasileiras, especialista em
matéria de energia no Conselho Nacional de Política
Energética (CNPE), evidenciou a importância do evento, com
atores de todos os elos da cadeia produtiva do biodiesel, como
os tomadores de decisões, planejamento estratégico, governo,
produtores da cadeia de soja, indústria, personagens do ramo
de tecnologia, grandes representantes de empresas, que está
em sinergia com sua área de trabalho dentro da universidade:

Antes de qualquer coisa, é de extrema importância relembrarmos


o Dia Internacional do Meio Ambiente em consonância com a
data do evento. Não teria outro momento mais oportuno para
levantar questões como a intensiva extração de recursos
naturais, que triplicou nos últimos 50 anos, consumindo 92
bilhões de toneladas de recursos naturais. Retiramos do meio
ambiente 60% a mais de recursos do que a Terra é capaz de
regenerar em um ano. Se seguirmos esse padrão, em 2050
serão necessários 3 planetas para atender nossa demanda.
A COP 28 demonstrou a urgência na queda de emissões de
gases em 45% até 2030, e emissões líquidas zero até 2050.

22 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 2 I A Transição Energética e a Neoindustrialização no Setor de Biocombustíveis

Há um apelo global para a proteção do meio ambiente, mitigação das mudanças climáticas,
na luta contra a pobreza. Tudo isso alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS), e os biocombustíveis permeiam por todos eles. Com a prospecção de aumento da
mistura, é notório pensar na utilização dos coprodutos do processo produtivo do biodiesel,
como a glicerina, que representa 10% do total produzido, o que gerará maior valor agregado,
com o incentivo à produção industrial nacional, impulsionando a economia, já que muitos dos
produtos derivados da glicerina são importados.

Em relação às formas de energia que são necessárias e disponíveis, reforço a importância dos
fósseis, que precisam andar em paralelo aos biocombustíveis, incorporando o Carbon Capture and
Storage, usados de maneira sustentável. Em um mundo em que a população chegará em 2050
com aproximadamente 10 bilhões de pessoas, todas as formas de energia serão necessárias.

Aliás, as inovações demandam cada vez mais energia, como a inteligência artificial, mobilidade, e
transporte. Os investimentos em transição energética e biocombustíveis estão em crescimento,
embora para atingir o net zero, esses investimentos precisam triplicar. Nessa perspectiva, a
China está na liderança da aplicação de recursos em transição energética. Por outro lado,
é o país que possui as taxas mais elevadas de poluição. O Brasil desponta em relação ao
mundo por possuir o maior percentual de energia renovável e algumas ações governamentais
ligadas à neoindustrialização. Como exemplo, podemos citar a Política Nacional de Economia
Circular, o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Nova Indústria Brasil,
que trará investimentos para transição energética e produção de biocombustíveis, a Política
Industrial, que terá R$ 300 bilhões para desenvolver diversos setores da indústria nacional e o
Combustível do Futuro.

O Projeto Combustível do Futuro poderá gerar um aumento da produção de etanol, biodiesel, diesel
renovável, SAF, e reduzir entre 27,4 milhões e 71,3 Mt CO2 eq. até 2030, 39% da meta total do
Brasil até 2030. A política de mistura obrigatória de biodiesel ao diesel contribui não apenas para
reduzir as emissões de GEE, mas também para diminuir a dependência da importação do recurso,
impactando na balança comercial do país, já que cerca de 25% do diesel fóssil é importado.

Em relação ao SAF (combustível sustentável de aviação) na Organização Internacional de Aviação


Civil (ICAO), há um compromisso global de atingir emissões líquidas zero até 2050, com metas
claras para a ampliação do uso do SAF. Até o momento, cerca de 360 mil voos comerciais já
utilizaram esse combustível em 97 aeroportos ao redor do mundo, com maior concentração nos
Estados Unidos e na Europa. Um destaque importante é a entrada da Embraer nesse cenário,
por meio de um acordo significativo com a Avfuel, que visa expandir o uso do SAF na aviação,
impulsionando ainda mais a transição para uma aviação mais sustentável.

Sobre o Hidrogênio Verde, que também está dentro da Política Combustível do Futuro, os
investimentos no Brasil poderiam aproveitar a rede elétrica existente, já que 70% do custo para
produzir o hidrogênio vem da energia. Com diferentes processos para sua obtenção, além
da eletrólise da água, têm-se rotas renováveis promissoras, como a pirólise, gaseificação,
hidroeletricidade, biodigestão de biomassa. Estes diferentes tipos de processos possuem custos
e emissões variados, por isso a importância em investimentos, conhecimento científico e força
política para as tomadas de decisões.

No final de novembro de 2023, a Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados
aprovou o Projeto de Lei 1425/2022, que estabelece um marco regulatório para as atividades de
Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) no Brasil. Os projetos de CCS têm a capacidade
de capturar cerca de 190 milhões de t CO2 por ano no Brasil e 8% da emissão dos GEE (2,4
bilhões de tCO2). O país tem um potencial teórico para armazenar 2.035 bilhões de toneladas
de CO2 em campos de óleo e gás, reservas de carvão mineral e aquíferos salinos, conforme o
Atlas de CCS. Esse imenso potencial pode facilitar a produção de hidrogênio limpo a partir do
gás natural, contribuindo de forma significativa para a transição energética sustentável do país.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 23


MESA 2 I A Transição Energética e a Neoindustrialização no Setor de Biocombustíveis

A padronização da taxonomia verde no Brasil não é bem difundida como deveria ser. Se dizer
verde, sustentável não basta, quais são os critérios para isso? O que irá impactar e impedir o
famoso Greenwashing? Nessa visão, está o Projeto de Lei 5209/2023, que estabelece normas
e diretrizes para o desenvolvimento e aplicação da Taxonomia Verde Nacional. Este projeto
cria indicadores ambientais para conformidade, principalmente com as medidas exigidas
internacionalmente como Indicadores de quantidade, composição e qualidade dos resíduos
sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas poluentes; origem e eficiência da energia
utilizada; III - uso eficiente da água e forma de tratamento de efluentes; rastreabilidade na seleção
e eficiência no uso de matéria-prima ou insumos; impactos relacionados ao desmatamento
ilegal e à biodiversidade local e regional; emissão, redução e sequestro de gases de efeito
estufa e outros.

Já existe no Brasil um conceito dentro do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)


sobre patentes verdes. As energias alternativas estão dentro desse ranking, baseado no
inventário verde da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), como incentivo
para os produtores de energia também patentearem. Esta é uma fonte de formação tecnológica
e mercadológica maravilhosa, sendo um dos indicadores de inovação do país. Recentemente,
também foi aprovado o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), PL 914/2024, com
R$3,5 bilhões de incentivos para investimentos em eficiência energética em 2024. Entre as
inovações estão os investimentos em mobilidade, medição completa da eficiência energética,
tributação verde, mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento, criação do fundo para
gerenciar recursos destinados à cadeia.

Em relação aos mandatos e subsídios mundiais, cada país segue suas metas. A Indonésia,
desde 2020, implementou um mandato de 30% de biocombustível renovável em conjunto com
o fóssil, aumentando para 35% desde fevereiro de 2023. O Brasil, com todos os programas
como RenovaBio, Combustível do Futuro, SAF (ProBioAQV), HVO, PNDV, Etanol, Biodiesel,
Hidrogênio Verde, Energia Solar, Biometano, está na 2ª posição entre os maiores produtores,
atrás apenas da Indonésia, que conta com incentivo para essa liderança. Assim, nosso
país possui todas as características para despontar e assumir o protagonismo na transição
energética mundial, dentro do trilema energético: sustentabilidade ambiental, equidade
energética, segurança energética e também desenvolvimento regional, pois o país se destaca
com o selo biocombustível social.

Assim, projeções demonstram que, com o aumento do percentual de biodiesel, poderá ocorrer
a diminuição da emissão de 5 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, além de reduzir a
importação de 2,4 bilhões de litros de diesel fóssil.

Dentro da universidade, a colaboração mútua entre governo, sociedade e academia ocorre


através do planejamento estratégico para direcionar investimentos em tecnologias e rotas
adequadas. No Núcleo de Estudos Industriais e Tecnológicos (NEITEC), são desenvolvidas
diversas metodologias de roadmapping tecnológico, onde é feito o mapeamento a curto, médio,
longo prazo e estágio atual das tendências, baseado no conceito de patentometria, que é
a utilização de dados contidos em patentes como mecanismo de análise da predominância
tecnológica, e na bibliometria, que identifica tendências e crescimento de um determinado campo
científico. A técnica explora e comunica interações entre recursos, objetivos organizacionais e
mudanças no ambiente. Portanto, para finalizar, o roadmap tecnológico permite uma análise e
possível previsão tecnológica e mercadológica do status de determinado produto/ tecnologia
ao longo do tempo. Em outras palavras, possibilita direcionar o caminho a ser tomado na busca
por um desenvolvimento tecnológico de um produto/tecnologia, permitindo a visualização de
tendências e dos principais players do setor, servindo como uma ferramenta estratégica de
tomada de decisão.

24 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 2 I A Transição Energética e a Neoindustrialização no Setor de Biocombustíveis

Donato Aranda, diretor da Unidade Protótipo de


Catalisadores (PROCAT) e do Laboratório de Intensificação
de Processos e Catálise (LIPCAT) na Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Consultor Técnico da
Ubrabio, inicia sua fala trazendo a importância do evento
para as discussões a respeito da transição energética e
neoindustrialização no país:

Os números da indústria brasileira estão muito aquém do potencial do país, com mais de R$60
bilhões em déficit e de forma crescente. A balança de importação é muito maior que a de
exportação dos produtos industrializados. Assim, esta nova neoindustrialização, tal qual ela
é tratada no Brasil, prioriza principalmente os pilares da sustentabilidade, um ganho gigante
para o país que mais possui vocação para os renováveis, descarbonização e para a transição
energética. Protagonismo este que tem como alicerce a pesquisa científica de ponta, elaborada
pelas universidades e também pela Embrapa, que faz com maestria seu papel em desenvolver
novas soluções e matérias-primas para biocombustíveis no país.

Fazendo uma retrospectiva, há oito anos, tínhamos basicamente um binômio, o etanol e o


biodiesel. Atualmente, o país se encontra em um novo cenário de crescimento, grande parte
desse avanço devido ao projeto Combustível do Futuro, que abrange o Biogás, Diesel Verde,
SAF, Biometanol, E-Fuels, Amônia Verde, Hidrogênio. O Brasil está com uma oportunidade
ímpar de heterogeneidade em sua produção de biocombustíveis, e o mais importante,
contando com financiamentos como o Programa Finep Mais Inovação, da Financiadora de
Estudos e Projetos (Finep) que vai disponibilizar R$250 milhões para projetos relacionados
aos biocombustíveis, incluindo desenvolvimento de processos e processamento de biomassa
para biocombustíveis, e desenvolvimento ou adaptação de plantas piloto de combustíveis
sustentáveis de aviação. O país está no momento certo para a utilização de recursos em todas
as etapas: na comercialização, em busca de um amadurecimento; e também na implementação
da fase piloto e industrial, opções que farão do país a grande potência dos biocombustíveis.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 25


MESA 2 I A Transição Energética e a Neoindustrialização no Setor de Biocombustíveis

Paulo Anselmo Ziani Suarez, professor no Instituto de


Química da Universidade de Brasília (UNB), trouxe um
recorte histórico da transição energética do Brasil:

Desde a época da ditadura militar, o país desponta com três grandes cases de sucesso, dois
antigos, representados pelo etanol e o carvão, e um mais recente, sendo o biodiesel. A produção
de etanol no Brasil já é de aproximadamente 35 bilhões de litros, além de queima de bagaço
e outras biomassas para produção de energia. Em relação ao carvão vegetal, o país já utiliza
30%, enquanto o mundo continua em 1%, além de ser de reflorestamento, com uma base bem
diferente do carvão produzido em tempos passados. O terceiro grande case é o nosso biodiesel,
com uma indústria de 20 anos, que atualmente já corresponde a uma produção de 8 bilhões
de litros. Em comparação ao resto do mundo, o país já possui avanços significativos, mas claro
que ainda existem lacunas e investimentos a serem feitos em outros setores, principalmente
em bioquerosene.

A nova industrialização do Brasil pode ser a carta de entrada que irá impulsionar um novo
avanço dos biocombustíveis. Podemos citar como exemplo o processo de industrialização que
ocorreu no centro-oeste, uma verdadeira mudança de paradigma social, com a chegada da
agricultura e, com isso, novas indústrias movimentaram o setor. Essas transformações estão
ocorrendo em todo o país, com os biocombustíveis sendo responsáveis pela descentralização
do desenvolvimento econômico e social do Brasil. Esta importante característica já justificaria
o aumento dos teores de biodiesel. O Brasil já teria condições de estar com um percentual da
mistura de 25% ou 30%, pois já é comprovado cientificamente que não existem problemas na
utilização do biodiesel. Nessa perspectiva, um setor de extrema relevância é a produção de
insumos químicos de maior valor agregado, como é o caso da glicerina.

Em conjunto com outros pesquisadores, tenho desenvolvido várias tecnologias para tentar obter
produtos de alto valor agregado. Então, essa descarbonização não deve passar apenas pelos
biocombustíveis, é preciso ser acelerado nessa vertente, e em outras questões como insumos
para indústria química, que nós hoje somos completamente dependentes. O Brasil passou por
uma forte queda na industrialização do setor e o momento poderá ser a oportunidade de rever
esta situação, produzindo insumos químicos a partir dos resíduos oriundos do agronegócio. É
visto com bastante otimismo esse processo de descarbonização no país, em que o agronegócio
se torna a alavanca para o desenvolvimento.

26 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 3 I Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis

MESA 3 | Controle de Qualidade e Boas Práticas


no Setor de Combustíveis
Análise da importância do controle de qualidade e adoção de boas práticas no setor de
combustíveis, garantindo eficiência, segurança e sustentabilidade. Líderes e especialistas
nesta mesa discutiram os desafios e as melhores práticas para assegurar a qualidade dos
combustíveis, desde a produção, passando pela distribuição até o uso final.

Marlon Arraes, diretor do Departamento de


Biocombustíveis da Secretaria Nacional de Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas
e Energia, trouxe vários pontos de reflexão que abriram o
debate para evidenciar a importância do Fórum, a começar
pela apresentação do exemplo do motor a diesel Wärtsilä-
Sulzer 14RT-flex96C, que impressiona não apenas pelo
tamanho, mas pela eficiência, evidenciando a grandiosidade da
engenharia mecânica e contextualizando o tema de qualidade
e de boas práticas do motor a diesel que, ao longo de 120 anos
de história, enfrentou desafios, intempéries, uso severo em
condições extremas e realizou um trabalho formidável para a
sociedade:

Mesmo dotado de grande confiabilidade desde o princípio de sua história, houve uma significativa
evolução em sua mecânica para atender requisitos de qualidade do ar e do meio ambiente. Para
tanto, vários equipamentos foram adicionados, como os dispositivos de tratamento de gases
de escapamento. Dispositivos como Conversores Catalíticos de Oxidação, Recirculação de
Gases de Exaustão (EGR), Filtros de Partículas Diesel (DPF), Catalisadores de Oxidação Diesel
(DOC), Redução Catalítica Seletiva (SCR), Amônia Slip Catalyst(ASC), e Catalisadores de NOx
Armazenadores (LNT), fazem com que possamos ter uma significativa redução das emissões
de poluentes. Entretanto, estes equipamentos colocados no diesel trazem naturalmente, com a
evolução da legislação ambiental, um aumento de custo. Segundo a Environmental Protection
Agency (EPA) dos EUA, o custo adicional anual para o reabastecimento de AdBlue pode variar
entre $500 a $1000 para veículos comerciais pesados.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 27


MESA 3 I Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis

A implementação de dispositivos de controle de emissões nos motores a diesel, como DPF,


SCR e EGR, resultou em um aumento significativo nos custos de manutenção. Esses aumentos
variam dependendo do tipo de veículo e do uso, mas estudos sugerem que podem representar
um incremento de 10-20% nos custos anuais de manutenção. Esses custos adicionais, exigidos
pela sociedade na forma de legislação ambiental, são compensados pela externalidade positiva
de um ar mais puro, mas representam um desafio financeiro para proprietários e operadores de
frotas. Esse é o custo da transição energética, e também da redução de emissão de poluentes.

O Brasil é um campeão na transição energética, com um papel muito importante no uso de


biocombustíveis. Então, além de garantir por meio da legislação o conjunto de dispositivos
capazes de garantir a menor emissão de poluentes, também contribui para o processo de
descarbonização a partir do uso de biocombustíveis, que substitui e desloca o consumo de
derivados fósseis, nesse caso, o diesel.

Cabe destacar que existe, portanto, um senso comum de que os motores a diesel são tão
robustos que poderiam suportar praticamente qualquer situação de uso por serem máquinas
extremamente resistentes e utilizadas há muito tempo. Porém, a partir das preocupações
ambientais, que agregaram dispositivos mais sensíveis de tratamento dos poluentes, bem como
a busca por motores mais eficientes na indústria, os motores a diesel dependem de um bom uso
para que tenham sua confiabilidade e durabilidade asseguradas.

Para que os usuários possam ter acesso a um combustível de qualidade e de procedência garantida,
faz-se necessário que se tenha o melhor marco regulatório desse mercado. Comparo esse
regramento a um “esquema tático” que descreve e rege as relações entre os agentes produtores,
distribuidores e revendedores. Seguir o “esquema tático”, isto é, a regulação, é o que garante que
se terá o melhor resultado para a sociedade. Se algum elo do esquema tático é negligenciado, ou
seja, se alguma norma é desrespeitada por um agente específico, todos perdem.

Todo o marco regulatório pode ser comparado com a formação de um time. Primeiramente, são
escolhidos os energéticos, ou seja, os players que jogam neste campo (o mercado), sempre na
preocupação de que este esquema tático faça com que o produto chegue de uma forma tranquila
para o consumidor final, que é quem vai marcar o gol. Com início da produção na fase agrícola,
logo é levada para a produção industrial, que também tem que entregar essa bola para o meio
de campo, o setor de distribuição. O distribuidor, que precisa receber a bola (um combustível de
qualidade), dá um passe qualificado para depois fazer o “lançamento em profundidade” para todas
as regiões do Brasil, seja na “ponta direita” ou na “ponta esquerda”, do Rio Grande do Sul ao Acre.

É necessário que essa “bola” chegue redonda, ela não pode chegar “quadrada” lá no posto.
Então, todo mundo tem a responsabilidade pelo processo, todos devem ter uma disciplina
tática. E a ANP faz o papel de monitoramento da qualidade, o que equivale ao VAR, com
análises constantes, olhando essa jogada, como ela se dá dentro de campo.

Essa “disciplina tática” é de extrema importância para um bom funcionamento dos veículos
e dos motores, que são dependentes de três fatores fundamentais: a manutenção preditiva
adequada, boas práticas de manuseio e utilização de um combustível de procedência.
Devemos destacar que a manutenção preventiva, adequada e periódica depende da vocação
dos motores, ou seja, nós estamos lidando com veículos, motores, que chamamos de motores
vocacionados. Eles são motores que estão relacionados a alguma atividade, que precisam, em
cada caso, de uma rotina diferente. Então, não existe uma regra como a que é aplicada aos
motores para veículos leves e de passeio.

28 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 3 I Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis

Cada tipo de uso tem uma forma diferente de se abordar no que se refere à manutenção, e
todos concordamos que a manutenção preventiva é sempre mais barata, custando menos
que a corretiva. Então, deve-se fazer a "tarefa de casa" para termos acesso às melhores
práticas com o menor custo, maior confiabilidade e o uso permanente desses motores. Nesse
sentido, houve uma publicação da Cartilha AEA de Boas Práticas, que apresenta elementos
muito importantes para o diagnóstico daquilo que eventualmente se pode encontrar no campo,
indicando a necessidade da compreensão da realidade do uso de um equipamento, do uso de
um motor, do uso de um veículo, do uso de motores vocacionados. Existem componentes que
devem ser cuidados para um perfeito funcionamento do motor: a boa gestão de um Ponto de
Abastecimento (PA), o bom manuseio e armazenamento desse combustível, a manutenção
dos catalisadores, o biodiesel e Diesel B de qualidade especificados, com adequações em
lubrificantes, filtros, manutenção e Arla 32. Cada uma dessas peças compõem e formam um
cenário onde a gente vai ter confiabilidade no equipamento usado.

O país tem experiência no uso de biocombustíveis, principalmente em relação ao biodiesel. No


transporte urbano, por exemplo, há experiências muito valiosas nesse sentido. A Amaggi vai
contar com a maior frota rodoviária de caminhões abastecida com B100. Essa importante ação
faz parte da estratégia de descarbonização da empresa, em linha com sua meta de reduzir
suas emissões de gases de efeito estufa até 2035.

O Fórum é uma rica oportunidade de diálogo entre os setores, além de trazer à tona realidades
diversas de um segmento muito heterogêneo no país.

Para corroborar essa afirmativa, cito três exemplos, de usuários distintos, que não têm tido
qualquer problema na utilização do biodiesel. Primeiramente, um frotista de concessionárias
de rodovias no estado de Minas Gerais, com uma frota de 50 caminhonetes trocadas quando
completam um ano e meio, com 1 milhão e 200 mil quilômetros rodados. Nesse exemplo
específico, os veículos rodam em três turnos, estão sempre “girando”, e o motor “respira” muito
bem, sem qualquer registro de problemas.

Em segundo, temos a usina de Corumbá IV, cujos sistemas hidráulicos de acionamento das
turbinas são ativados por dois geradores diesel, que estão operando há 10 anos sem problemas
ou danos. O terceiro exemplo está na operação do setor sucroalcooleiro, sendo testemunha
de toda a evolução do percentual de mistura do biodiesel ao diesel. Desde 2011, o Ministério
de Minas e Energia coordena a Mesa de Abastecimento do Etanol. Neste intervalo de 10 anos,
que experimentou um aumento significativo do percentual de biodiesel, não houve qualquer
sinalização de problemas relacionados ao biodiesel. Isso porque provavelmente se esteja
lidando com um setor que faz um controle, uma boa gestão de manutenções.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 29


MESA 3 I Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis

Carlos Orlando Enrique da Silva, superintendente de


Biocombustíveis e de Qualidade de Produtos da Agência
Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis
(ANP), afirmou que a Agência está se moldando a cada dia,
investindo cada vez mais na transição energética, e reforçou a
importância do evento e da atuação da Ubrabio junto à ANP:

Falar de etanol e de biocombustíveis no mar de petróleo e gás


natural era relativamente difícil há alguns anos. Mas, houve
mudanças significativas na Agência voltadas aos renováveis,
suas especificações, controle de qualidade e boas práticas
na cadeia de abastecimento. A grade de produtos sujeitos ao
controle de qualidade da ANP é extensa, sendo composta por:
biodiesel, diesel verde, óleos diesel rodoviários, biometano,
etanol combustível, gasolina automotiva, óleo diesel marítimo,
óleo combustível, querosene de aviação, querosenes de
aviação alternativo, gasolina de aviação, Gás Liquefeito de
Petróleo (GLP), gás natural e asfaltos. E toda essa grade,
ressalto, está sujeita à regulação da ANP, no que diz respeito
ao estabelecimento de especificações, controle de qualidade e
fiscalização.

Os esforços da ANP em relação ao controle de qualidade advêm da “Lei do Petróleo” (Lei


nº 9.478/1997, art. 8º, I), que estabelece competir à Agência, entre outras atribuições, a
proteção dos interesses do consumidor quanto a preço, qualidade e oferta de produtos. A
citação à qualidade nos leva à vigilância contínua da conformidade dos combustíveis, ou seja,
se atendem continuamente às especificações editadas nas nossas normas. Essa vigilância
percorre várias ferramentas, quais sejam: regras de controle de qualidade presentes em todos
os atos da ANP que estabelecem especificações de combustíveis; emissão de Certificado
da Qualidade por produtor; Boletim de Conformidade, por distribuidor; Registro de Análise,
por revendedor; acompanhamento e análise sistemática dos Certificados da Qualidade
provenientes de produtores de combustíveis; controle de qualidade de produtos importados
(CQO, CQD e CQC); Programas de Monitoramento da Qualidade de combustíveis e de
lubrificantes; acompanhamento da capacitação analítica de laboratórios (vistorias e programas
interlaboratoriais); verificação de boas práticas na cadeia de abastecimento; e atuação da
Fiscalização da ANP e de órgãos conveniados.

O Certificado da Qualidade exigido de produtores contempla 22 ensaios, o distribuidor e


revendedor também se obrigam a emitir os já referidos Boletim de Conformidade e Registro
de Análise, respectivamente. Por óbvio, o aparato laboratorial das refinarias e produtores vai
diminuindo na medida em que os produtos percorrem a cadeia de abastecimento e não dá para
exigir do distribuidor e revendedor os mesmos ensaios que são exigidos dos refinadores. Para
que se tenha uma ideia do banco de dados da qualidade gerenciado pela Superintendência, são
recebidos eletronicamente, por mês, cerca de 6.300 documentos. Levando-se em consideração
que para a gasolina são 22 ensaios, para o diesel, 18 e para o etanol, 17, a Agência obtém
massa de dados fantástica que chega a 500 mil registros mensalmente. Ou seja, tem-se uma
boa radiografia de como anda a observância às especificações nos produtores, distribuidores
e revendedores. Existe também um rigor muito grande em relação a produtos importados, dos
quais o país depende atualmente de óleo diesel, GLP, querosene de aviação e etc.

Explicando melhor, o importador ao transacionar produto no mercado externo, obriga-se a


contratar firma inspetora credenciada pela ANP, que, além de verificar o Certificado da Qualidade
na Origem, emite Certificado de Qualidade no Destino, sem os quais, atestando o atendimento às
especificações nacionais, o produto importado não poderá ser internalizado.

30 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 3 I Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis

A respeito do Programa Monitoramento da Qualidade de Combustíveis (PMQC), foi instituído


em 1998, em linha com a Lei do Petróleo (art. 8º, I), e visa a ponta da cadeia de abastecimento,
ou seja, a revenda. Em síntese, tem como objetivo o levantamento de indicadores gerais da
qualidade dos combustíveis (óleo diesel B, gasolina C e etanol hidratado combustível) a partir da
coleta de amostras em postos revendedores sorteados aleatoriamente, as quais, em sequência,
são submetidas à análises físico-químicas de parâmetros selecionados pela ANP. O Programa
é operacionalizado por instituições de ensino e pesquisas contratadas pela ANP. Com base nos
resultados das análises, são identificados focos de não conformidade (vigilância da qualidade
de combustíveis e dos lubrificantes), resultando em “retrato estatístico” da qualidade na revenda,
proporcionando importantes vetores de inteligência para a fiscalização. O PMQC também faz a
coleta e envio de amostras de lubrificantes para análise exclusiva pelo Centro de Pesquisas e
Análises Tecnológicas da ANP (CPT/SBQ).

O PMQC cobre atualmente 18 estados: Pará, Maranhão, Amapá, Ceará, Rio Grande do Norte,
Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro,
São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São 12 instituições
contratadas (IBTR, UNICAMP, UFMG, UFRGS, UFPE, UFRN, UFC, UFMA, UFPA, UFRJ, IPT/
SP, UFPR), todas com seus laboratórios vistoriados pelo CPT/SBQ. Em face da indisponibilidade
de recursos orçamentários, que não permite a extensão do Programa para todo o país, a ANP
instituiu novo modelo de PMQC em projeto piloto, que está em operação em Goiás e no Distrito
Federal, conduzido pela Universidade Federal de Goiás (UFG). A grande diferença com o modelo
tradicional reside no fato de que é custeado pelos próprios agentes econômicos, além de ter
sido estendido para bases de distribuição e transportadores-revendedores-retalhistas (TRR).
Dependendo do resultado de Avaliação de Resultado Regulatório (ARR) do projeto piloto, poderá
ser estendido para outros estados.

No PMQC, em termos de números, foram coletadas, em 2023, cerca de 82 mil amostras que
geraram 700 mil ensaios. Consequentemente, a significância estatística dos resultados é
ótima. A partir desses resultados, o país apresenta ótimo índice médio de conformidade, de
cerca de 98%. Ou seja, temos 2% de não conformidades. São índices que deixam o país na
vanguarda mundial. O Japão, por exemplo, desenvolve programa similar: realiza 300 mil coletas
por ano e apresenta índice de não conformidades na faixa de 2,5%. Em relação ao diesel,
quando a mistura com o biodiesel passou de 12% para 14%, houve queda da conformidade
e, no mês seguinte, um retorno à inclinação usual da curva. Ainda sobre o diesel, observa-
se que a não conformidade modal reside no teor de biodiesel e, em segundo lugar, no ponto
de fulgor. Especificamente ao ponto de fulgor, pode-se atribuir o percentual elevado a más
práticas de armazenamento, transporte e manuseio, uma vez que está relacionado a possível
contaminação com produto leve.

Outra ferramenta iminente de vigilância da qualidade é o Programa de Monitoramento da


Qualidade do Biodiesel (PMQBio), regulamentado pela Resolução ANP nº 860/2021, que tem
por objetivo o acompanhamento continuado da qualidade do óleo Diesel A e do biodiesel.
O PMQBio operará à montante da cadeia, a partir de coletas, nas bases de distribuição, de
amostras do Diesel A, produto que também requer atenção, e de biodiesel junto ao produtor
e também nas bases de distribuição. Como o PMQC opera à jusante da cadeia, ou seja, na
revenda, com o óleo Diesel B, a junção PMQBio/PMQC propiciará em breve o monitoramento
da qualidade em toda a cadeia dos combustíveis do ciclo diesel. O custo do PMQBio será
suportado pelos agentes econômicos, alcançará duas coletas anuais em cada um deles e
exigirá transporte célere das amostras para preservação das características. As análises
dessas amostras ocorreram em laboratórios independentes, credenciados pela ANP: UFAM
na Região Norte; Intertek na Região Nordeste; Agroanálise na Região Centro-Oeste; UNESP
na Região Sudeste e FURB na Região Sul.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 31


MESA 3 I Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis

Feitas essas abordagens sobre ferramentas de controles de qualidade, enfatizo, dada à extrema
importância, os potenciais problemas decorrentes de más práticas. Focando na absorção
excessiva de umidade, derivada principalmente da presença indesejada de água, resulta,
no etanol, a diminuição do teor alcoólico e, no biodiesel e no óleo Diesel B, a degradação e
formação de borra. Já a contaminação com resíduos sólidos pode causar entupimento de filtros e
comprometimento dos sistemas de injeção, diferente da contaminação com combustível leve que
afeta o ponto de fulgor e, na curva de destilação, provocando ignição precoce, perda de potência
e mau funcionamento do veículo, no caso do diesel.

A ANP e outras instituições vêm, há algum tempo, trabalhando em prol das boas práticas no
manuseio, transporte e armazenamento através de importantes ferramentas de apoio, a exemplo
das cartilhas: “Manuseio e Armazenamento de Óleo Diesel B” (ANP/2012), “Cartilha de Boas
Práticas – Diesel Comercial” (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva - AEA e ANP),
e o “Manual de Boas Práticas na Utilização de Diesel” lançado pelo Ministério da Agricultura e
Pecuária e pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Oleaginosas e Biodiesel, em 2023.

Embora as cartilhas tenham poder educativo e orientador, não possuem, como se depreende, poder
regulatório. Assim, mais recentemente, procedimentos de boas práticas foram transformadas em
dispositivos legais, ou seja, foram inseridas em novos atos da Agência, como as Resoluções
ANP nº 920, de 04/04/2023 (especificações e controles de qualidade do biodiesel); nº 968, de
30/04/2024 (especificações e controles de qualidade dos óleos Diesel); e nº 856, de 22/10/2021
(especificações e controles de qualidade do JET A e A-1, bioquerosenes e JET C). Com essas
regulamentações, más práticas passam a gerar consequências para quem as comete.

Para finalizar, com a integração do marco infralegal dos combustíveis do ciclo diesel editado
(especificações, controles de qualidade, normas de ensaios e regulamentos de boas práticas),
composto pelas Resoluções ANP nº 842, de 14/05/2021 (Diesel Verde); nº 920, de 04/04/2023
(Biodiesel); e nº 968, de 30/04/2024 (óleos Diesel (tipos A, B e C); eo PMQC e PMQBio (vigilância da
qualidade ao longo da cadeia de abastecimento dos produtos do ciclo Diesel), a Agência considera
ter dado um importante passo de aperfeiçoamento regulatório. A expectativa agora é de que haja
engajamento de todos os segmentos da cadeia de abastecimento na cultura e práticas continuadas
de vigilância da qualidade dos combustíveis, até porque a ação, nesse sentido, dos agentes
econômicos é essencial para a normalidade do mercado e proteção dos interesses do consumidor.

Gilles-Laurent Grimberg, CEO na Actioil do Brasil, iniciou


sua participação levantando alguns questionamentos a
respeito da transição energética no Brasil (dos fósseis para os
combustíveis renováveis):

Existem alguns desafios de infraestrutura de armazenamento,


implementação de uma estrutura fabril dos produtores de
biodiesel, adaptação às tecnologias dos motores e maquinários,
mercado, economia, investimentos, regulamentação técnica
e política, ambiente, sociedade, uma cultura laboral e por
último, uma percepção pública de aceitação dessa transição
energética. Aspectos que também foram enfrentados na
transição do carvão ao combustível fóssil. O país enfrenta
apenas a segunda transição energética da humanidade e a
adaptação a essa mudança é vital para a questão ambiental,
especialmente para conter a dependência ao petróleo e suas
consequências.

32 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 3 I Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis

Um dos pontos mais importantes para uma transição segura e eficiente está na qualidade, como
cita a resolução da ANP a respeito do agente econômico, o que foi um marco para o benefício da
qualidade final. Embora se reconheça a importância deste agente, o maior vilão da qualidade do
combustível, além do agente econômico, infelizmente, é o agente consumidor, que em sua grande
maioria, desconhece os aspectos e a relevância das boas práticas, degradação, composição,
diferenças básicas entre o S10 e S500. Em busca de soluções para melhorar a qualidade do
biodiesel, a Actioil começou a investir diretamente nas montadoras, que fabricam equipamentos
e receberam orientações e tratamentos específicos para o uso adequado do diesel.

Hoje, 22 fabricantes de máquinas, equipamentos e motores, que antes não tinham conhecimento
sobre a gestão de combustíveis nem investiam em boas práticas, agora adotam medidas
preventivas, enquanto antes gastavam milhares de reais apenas na manutenção das máquinas.

Muitos desses cuidados relacionados apenas às boas práticas não demandam investimentos
financeiros. Como exemplo, no procedimento de recebimento do diesel, da chegada de caminhão
até o consumidor, o produto precisa descansar, além de ser necessário um esgotamento dos
ductos, e de verificar a densidade e aspecto do diesel, o que não é feito normalmente, sendo
realizado somente um descarregamento simplificado, que pode acarretar outros problemas,
como o diesel estar com um lastro da base distribuidora ou um furto no transporte e uma possível
adulteração com água no tanque.

Assim, o recebimento é um processo de averiguação detalhada do tipo de diesel que está


chegando na ponta. Depois disso, o diesel que irá para um tanque de armazenamento deverá
ser drenado periodicamente. A Actioil tem clientes que possuem esses tanques há cerca de 15
anos, e nunca havia feito uma drenagem antes. Outros clientes que possuem a linha de saída do
diesel, que deve ser oposta a saída de drenagem, acoplada erroneamente ao dreno. O que fica
evidente é a falta de conhecimento com as boas práticas de recebimento e drenagem.

Outro aspecto importante em boas práticas está no sistema dos filtros de diesel, trocado por
litros de diesel filtrado ou por tempo, embora, devido ao não cumprimento das boas práticas,
os filtros permaneçam por 4 ou 5 anos, em média, o que evidencia a necessidade do aumento
de divulgação e fiscalização das boas práticas na gestão de combustíveis. As boas práticas,
inclusive, têm início na história dos motores até a composição dos combustíveis, o que se torna
a saída para diversas questões e informações errôneas a respeito do biodiesel, o que pode
ser contornado através da disseminação do conhecimento. Nesse sentido, criamos a primeira
universidade corporativa de ensino à distância sobre combustíveis. A Universidade Corporativa
Actioil (UNIOIL) é uma plataforma de ensino à distância criada para levar conhecimento sobre a
importância do tratamento químico do diesel, mecânico e sobre o funcionamento dos motores a
milhares de alunos em todo o Brasil.

O Brasil possui a melhor especificação do combustível diesel, biodiesel, etanol e gasolina


do mundo, o que foi evidenciado em um dos eventos da Pollutec em Lyon, na França, onde
grande parte dos presentes apontam Brasil como líder mundial em muitos segmentos dos
biocombustíveis, sendo referência para muitos países.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 33


MESA 3 I Controle de Qualidade e Boas Práticas no Setor de Combustíveis

Entretanto, o brasileiro não valoriza o Brasil. Este conceito precisa ser mudado e é necessário
desmistificar as ideias erroneamente ditas a respeito dos biocombustíveis. Para que isso ocorra,
precisamos levar o conhecimento para o campo, por meio de uma comunicação mais clara e
ampla ao consumidor, como ocorreu no período de lançamento do S10 no Brasil, em que foram
divulgadas propagandas em todos os veículos de comunicação. Até hoje as pessoas acham que
o S10 é menos contaminante do que o S500 porque a publicidade dizia “um diesel mais limpo”,
em referência ao meio ambiente, não em relação à qualidade. Então, o setor necessita de uma
maior comunicação para o consumidor final.

Em relação à qualidade do biodiesel, temos um exemplo: uma amostra de biodiesel que saiu da
planta no dia 16 de novembro de 2020 com 13.1 horas de estabilidade e 158 ppm de água, em
quatro anos está com 8.6 horas de estabilidade oxidativa e o teor de água subiu, ficando próximo
de 400. Estava em ótima qualidade, sem material em suspensão, armazenado em um galão da
empresa, sem a presença de borra. Mas, se estivesse exposto ao sol, se fosse colocado água
de condensação, o biodiesel iria entrar em processo de degradação rapidamente. Este exemplo
foi dado para reforçar que a qualidade está ligada às boas práticas.

Através de uma pesquisa de campo da Actioil, que rodou por postos de combustíveis de todo o
país durante uma semana, com o objetivo de identificar a limpeza dos tanques de combustível,
foi evidenciado que todos os postos visitados nunca haviam feito o procedimento de boas
práticas para limpeza dos mesmos. Diferente do que ocorre em outros países, a Europa, por
exemplo, trabalha com limpeza química de tanques, porque o tanque do posto não pode ficar
parado para limpeza, então uma limpeza com a inserção de produtos é feita a cada dois anos.
É uma revolução para garantir um bom produto, embora o consumidor da ponta ainda seja o
mais responsável pela problemática, o que já está mudando em grandes segmentos como a
área agrícola, mineração, geradores e máquinas de linha amarela, que tem investido muito em
cuidados. Para isso, a Actioil tem buscado fazer os treinamentos necessários, como a consultoria
do caminho do diesel na empresa, apontando as melhorias de boas práticas a serem feitas nos
quesitos drenagem, filtros, armazenamento, entre tantos outros.

Quanto à utilização de aditivos para motor a diesel, é importante ressaltar que muitos deles são
de origem duvidosa e estão circulando no mercado atualmente. A ANP deixou de ser a agência
responsável por fazer o registro e certificação dos aditivos, mediante isto o consumidor deve
procurar alternativas de aditivos ou tratamentos recomendados pelos fabricantes de máquinas,
veículos e motores. Caso contrário, estes compostos, dependendo do tipo e concentração,
podem ser altamente inflamáveis e nocivos, alguns constando até como base o metanol ou
etanol, e recomendados para uso em diesel/biodiesel, que são composições nocivas para estes
combustíveis. Entretanto, a solução não se resume ao emprego de aditivos na distribuição e
revenda, mas também contempla o pleno atendimento às orientações que constam de todas as
normas e práticas de segurança em vigor que precisam ser seguidas à risca. Então, as boas
práticas garantem a qualidade do biodiesel, da gasolina, do etanol ou de um HVO futuramente,
e devem ser transmitidas em todos os veículos de informações, com uma comunicação
efetiva junto à imprensa, fazendo os brasileiros torcerem pelo biodiesel, pelos combustíveis
renováveis, pois o país é exemplo mundial. O que é comprovado em eventos como o I Fórum
Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação, que reuniu diversos setores da cadeia de
biocombustíveis, que trabalham com um segmento muito diverso, de diferentes perfis e usuários,
a fim de encontrar saídas para alavancar a atividade no país.

34 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 4 I O Potencial Energético das Fontes Residuais na Geração de Frio e Calor

MESA 4 | O Potencial Energético das Fontes


Residuais na Geração de Frio e Calor
Apresentação de conceitos avançados de eficiência energética, enfatizando a importância
de aproveitar energias residuais em processos industriais para reduzir o consumo de energia
elétrica, vapor e combustíveis, aumentando a sustentabilidade e diminuindo as emissões
atmosféricas. Foi discutido, ainda, nesta mesa a aplicação e a cogeração de unidades
de eficiência energética (UEE), que permitem uma reutilização eficiente do calor gerado,
promovendo maior sustentabilidade na produção de biodiesel e outros setores industriais.

Airton Folador, diretor superintendente da Intecnial


S.A, parabenizou a iniciativa de um evento integrador
como o I Fórum Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e
Inovação, que contemplou diversos segmentos da cadeia de
biocombustíveis:

Retratando um histórico da Intecnial, que acabou de completar


55 anos, com mais de 45 anos deste total fornecendo
equipamentos e montagens para frigoríficos, um dos elos da
cadeia do biodiesel. Também no segmento de esmagamento
de soja, a Intecnial atua há mais de 40 anos neste setor,
com um grande conhecimento do mercado e das tecnologias
disponíveis.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 35


MESA 4 I O Potencial Energético das Fontes Residuais na Geração de Frio e Calor

A Intecnial estava presente desde as demandas iniciais do biodiesel no Brasil, com o segmento
de esmagamento de soja, sendo uma das empresas associadas e fundadoras da Ubrabio,
período em que os fabricantes de biodiesel e os produtores resolveram se unir, e a Intecnial,
como fornecedora de equipamentos, foi apoiadora desta importante iniciativa. Assim, desde
a fundação da Ubrabio, a Intecnial tem o sentimento de estar amparada por esta união, que
tanto faz pelo setor. Setor este que se aprimorou ao longo dos anos, como pode se observar
em diversas apresentações realizadas no Fórum, além de ampliar ricamente o conhecimento e
a capacidade de análise. Mas também é um desafio, porque a proposta atual da Intecnial está
em rotas que não existem, com tecnologias não convencionais, não sendo usual no mercado,
mas que, por outro lado, já está em prática, implantada, demonstrando sua viabilidade e
funcionamento. Neste setor e em vários, existem oportunidades para o melhor aproveitamento
das energias que a Intecnial já dispõe, alinhando com as melhores práticas de ESG. Este
projeto já atendeu tanto na área do biodiesel quanto em frigoríficos, aqui no Brasil e fora.

A Intecnial é uma empresa de engenharia que conta com uma grande caldeiraria e uma equipe
de montagem, o que nos permite oferecer soluções e regimes turn-key para alguns clientes, que
colecionam histórias de inovação, respostas a desafios e de busca de qualidade, excelência
e superação. Estamos sempre nos superando, implantando tecnologias e estabelecendo
parcerias que não só mudaram o posicionamento da empresa, mas contribuíram para o avanço
tecnológico e o reconhecimento da indústria nacional no mundo.

Júlio Tombesi, engenheiro da Jacques Tombesi Engenharia


e Consultoria Técnica, que conta com experiência de 40
anos em projetos de eficiência energética, apresentou um
panorama detalhado de alguns conceitos desenvolvidos ao
longo do tempo e ideais para empresas em todos os processos
industriais, em função das novas demandas ambientais e de
sustentabilidade, principalmente na produção do biodiesel ao
menor custo possível:

Muitas técnicas e soluções de um segmento não são usadas em


outro segmento, ou vice-versa, e poderiam ser aplicadas. Um
exemplo é a indústria de café, onde, normalmente, a geração
de refrigeração é feita com um sistema chamado absorção.
Enquanto nos frigoríficos, em grande parte, a geração de frio
é por compressão, o que demanda uma quantidade enorme
de energia elétrica para gerar esse frio. Concomitantemente,
existem processos que necessitam de aquecimento, como
a água, que é aquecida usando vapor. Para produzir vapor,
temos que consumir combustível. Por que não aquecer água
a partir do sistema de refrigeração? Isso é possível, desde
que se aplique a termodinâmica a partir de soluções para o
reaproveitamento das energias residuais.

Para produzir o biodiesel ao menor custo possível, com um menor consumo energético, de
água, de combustível, energia elétrica e maior sustentabilidade, é necessário que o mercado
de engenharia industrial promova soluções para redução do consumo. Entre elas, temos as
que utilizam o potencial do residual térmico, que pode promover uma redução de até 60%
na potência elétrica instalada na refrigeração e redução proporcional no consumo elétrico. O
consumo de vapor e de combustível também pode ser reduzido em até 25%, o que influenciará
diretamente em uma maior redução de emissões atmosféricas.

36 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 4 I O Potencial Energético das Fontes Residuais na Geração de Frio e Calor

Esse processo também libera energia térmica e, por isso, surgiu a hipótese de se utilizar essa
energia térmica novamente para dar uma nova energia para o próprio processo. Para isso, foi
criado o conceito de unidade de eficiência energética, que é quando se projeta uma instalação
onde todos os processos da indústria estão trabalhando em produzir e recuperar a energia
dissipada. Então, quando esse sistema está equilibrado em um balanço térmico, é possível
obter as reduções de consumo de eletricidade e de combustível.

Um exemplo é o conceito de cogeração, que, de forma convencional, é a produção simultânea


e de forma sequenciada, de duas ou mais formas de energia a partir de um único combustível.
É nesse conceito que o grupo Jacques Tombesi trabalha para cogeração de energia. Assim, a
partir de uma energia térmica que já foi utilizada pela indústria, pode ser gerada a refrigeração,
e a partir desta, ainda existe calor no sistema para aquecer a água, fazendo com que diminua
o consumo de vapor para aquecer a água. Então, todo esse conjunto promove uma redução de
energia elétrica e no consumo de combustível, o que, consequentemente, reduz as emissões
atmosféricas.

Assim, essas fontes térmicas residuais geradas em processos industriais e perdidas para o
ambiente em forma de calor, podem ser oriundas da descarga de fundo das caldeiras, do calor
latente dos gases de processos industriais com secadores e cozimento (digestores), do calor
sensível do condensado dos gases e do condensado do vapor saturado, do calor latente e
sensível do vapor na descarga da turbina, e do calor da descarga de compressores. A partir do
uso desse vapor no processo, ainda pode ser emitida uma energia secundária, dissipada, que
voltar a ser utilizada, é recuperada e entregue novamente para um processo industrial, na forma
de frio ou de aquecimento de água. Para isso, são necessárias algumas condições básicas para
a recuperação da energia residual, como a vazão mássica mínima conforme a necessidade de
demanda térmica; uma temperatura de saturação acima de 100 °C para gerar refrigeração;
ou temperatura da fonte térmica maior que a temperatura de aquecimento desejado. A partir
destes processos, com 1 kg de combustível se faz energia elétrica, com os processos a frio
fazendo água quente e utilizando no consumo interno do processo industrial, usando assim 4,5
vezes o mesmo quilo de lenha.

No sistema de unidade de eficiência energética (UEE), a cadeia de soja para o biodiesel pode
se tornar mais sustentável, reduzindo o consumo energético da soja que será esmagada,
gerando vapor superaquecido e frio ao mesmo tempo, obtendo um maior rendimento de massa.
As biomassas resultantes da limpeza e da colheita do grão podem ser utilizadas no processo. A
ideia é que a planta possa gerar energia elétrica para seu próprio consumo, e para os pivôs que
possuem uma grande potência instalada. Então, o objetivo é agregar valor à produção agrícola
e torná-la mais sustentável energeticamente, e mantendo o grão em condições de qualidade
em comparação com secadores a lenha.

Assim, os benefícios da implantação da UEE são inúmeros, com uma redução evidente da
necessidade de geração de vapor na instalação elétrica, na demanda a ser contratada e de
investimento no tratamento de gases. Além do esmagamento de soja e biodiesel, os processos
industriais onde podem ser aplicados o conceito UEE variam de frigoríficos, laticínios, indústria
de processamento dos resíduos animais, beneficiamento de grãos/sementes, indústria química
e até shoppings.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 37


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

MESA 5 | Uso do B100 em Veículos e Equipamentos


Avanços relacionados ao uso de biodiesel puro (B100) em veículos e equipamentos. Esta mesa
propôs analisar os benefícios ambientais, técnicos e econômicos do B100, além de discutir
estratégias para promover sua adoção em larga escala.

O senhor Miguel Ângelo Vedana, Diretor-executivo


na BiodieselBR, explorou as vertentes das inúmeras
aplicabilidades do biodiesel, como foi colocado pela
pesquisadora Lilian Guarieiro do SENAI/CIMATEC, ir além do
poço a roda, da necessidade de mensurar os custos e ganhos
relacionados ao ciclo de vida do biodiesel, a saúde humana,
meio ambiente e aspectos sociais. Dando continuidade na
perspectiva dos custos e processos envolvidos, que estão além
da queima do combustível, além da molécula, foram elencados
outros benefícios sociais e econômicos, como a interatividade
e o incentivo a agricultura familiar, apresentados pelo Eduardo
Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial. Este que,
também abordou, o uso de forma eficiente e 100% renovável
de motores B100, em veículos pesados e em motores
estacionários, este último, representado pelo grupo BRG, na
pessoa do senhor Sílvio. Além das importantes explanações do
senhor Sillas, da F8Fuels, sobre o fornecimento de combustíveis
especiais, de alta qualidade, para certificação e homologação
do desenvolvimento da indústria automobilística. Ambos com
testes de eficiência e aplicabilidade.

38 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

Mesmo com tantos indícios apontados, ainda existe muita resistência no uso de biodiesel por
parte de distribuidoras, montadoras e da mídia, na disseminação de notícias, que, na imensa
maioria das vezes, são falsas e não condiz com a realidade do setor. Para o senhor Eduardo
Hammerschmidt, que exemplificou um dado importante, em 2023 o biodiesel estava mais barato
que o diesel e o aumento do uso de biodiesel, deixaria o preço do diesel mais baixo, então em
relação a preço, não teria razão de ir contra o aumento da mistura. No quesito qualidade e
mecânica, a Potencial acreditou e lançou o caminhão 100% biodiesel para promover essa quebra
de paradigmas, o que foi um sucesso. É importante ressaltar que o biocombustível, além dos
inúmeros benefícios expostos, diminui o risco de desabastecimento. O que é possível por meio
de ciência, tecnologia e inovação, e para isso, é necessário que se faça um investimento. São
demandados custos, para que o país tenha o melhor biodiesel do mundo, então, muito dessa
resistência do mercado, e, por parte de vários agentes, está em relação aos investimentos a
serem feitos, que muitos setores não querem aderir. A indústria brasileira está preparada para
esses investimentos, acompanha essa inovação e a questão de sustentabilidade não é mais
um quesito obrigatório, mas sim uma questão de sobrevivência humana.

No caso de geradores estacionários, existem casos como relatado pelo senhor Silvio da BRG,
do uso em uma termoelétrica em Manaus, que consome cerca de 9 milhões de litros por
mês, 300 mil litros/dia de diesel. Então na região norte, em várias localidades sem acesso à
energia, que utilizam geradores a diesel, poderiam ser abastecidas com biodiesel. Para isso,
o biodiesel precisaria chegar ao patamar de preço do diesel, o que se espera que acontece
brevemente, devido ao avanço da indústria e o aumento da demanda por um mercado
sustentável. Ressaltando uma questão já mencionada, mas importante enfatizar, como o
Eduardo Hammerschmidt o fez, a questão midiática tem um impacto enorme na pressão para
introdução do biodiesel no mercado, um exemplo, foi o impacto que o show do Coldplay, que
utilizou geradores movidos a 100% biodiesel, obteve em relação à opinião pública e também,
decisões políticas e questionamentos técnicos. Com a COP30 surge a oportunidade da
elaboração de um trabalho visível mundialmente, para demonstrar a grandiosidade do que o
Brasil está produzindo.

Para finalizar, surgiram questionamentos em relação ao abastecimento dos caminhões movidos


a B100 do Grupo Potencial. O Senhor Eduardo Hammerschmidt esclareceu que toda a frota foi
abastecida na matriz, embora não houvesse nenhum problema, se durante o trajeto, fossem
abastecidos com diesel, na mistura B14. A Potencial, que já possui postos de combustíveis
também tem planos de brevemente fazer um piloto de uma bomba B100 em um posto,
homologado pela ANP, que exige uma autorização especial para instalação, no intuito de suprir
a demanda de transportadoras no Brasil que já são movidas com caminhões 100% biodiesel.
Esses esforços são necessários para demonstrar que não existem grandes problemas com
essa reestruturação de mercado, é uma quebra de paradigma, que foi criada há 20 anos. O
biodiesel brasileiro passa por mais de 24 análises antes de sair da indústria, então é totalmente
acreditado e qualificado. Quanto às dúvidas em relação ao motor estacionário, o consumo
específico do biodiesel é um pouco acima, mas nada muito expressivo. A troca de filtros é maior
e, por prevenção, existe um tanque auxiliar, com diesel, utilizado para dar a partida e desligar
o motor, uma medida de precaução. Com o avanço das modificações de mecânica, inovação e
adaptação, estes auxiliares não serão mais necessários, como acontecia no início dos veículos
movidos a álcool, comentou o senhor Sílvio da BRG Geradores..

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 39


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

O senhor Carlos Eduardo Hammerschmidt é vice-presidente


do Grupo Potencial e vice-presidente de Relações
Associativas e Institucionais da Ubrabio. A Potencial está
no mercado desde 1994. Em 2012, iniciaram as atividades
com biodiesel e atualmente é o maior complexo de biodiesel
do Brasil, possuindo em uma única unidade, uma capacidade
de aproximadamente 900 milhões de litros. Recentemente,
o mercado fez o grupo tomar uma ação para provar que
biodiesel, em qualidade, não se questiona. Assim, em 2023,
o Grupo Potencial investiu mais de R$ 26,4 milhões em novos
caminhões que podem ser convertidos para a utilização de
100% Biodiesel, em parceria com a Concessionária Scania,
promovendo a sustentabilidade.

O apoio da fabricante montadora Scania foi fundamental para


que o projeto do primeiro caminhão transformado a biodiesel
do país se concretizasse. Para isso, foi utilizado um caminhão
modelo 2019 que já estava rodando, com tecnologia mecânica
Euro 5. Esse é o primeiro caminhão do Brasil transformado
a 100% biodiesel e colocado nas estradas brasileiras. Com
resultado de 88% de redução de emissões de CO2, segundo o
laudo da CERTIPAR. O que é um avanço para a sustentabilidade
nacional, porque a cada 480 litros de biodiesel produzido
se retira uma tonelada de CO2 da atmosfera. Além disso, a
mecânica foi testada e o caminhão não teve perda de potência
e nem de desenvolvimento, está nas mesmas condições e já
rodou 50 mil quilômetros pelas estradas brasileiras.

Em março, foi realizado o seminário “Construindo o Futuro – Biodiesel e Desenvolvimento


Sustentável nos Municípios”, no Ministério dos Transportes, em que os caminhões 100% biodiesel
foram testados na presença do vice-presidente Alckmin. E aqui é o detalhe mais interessante, que
a Potencial quebrou o paradoxo do mercado, de como investir em sustentabilidade não é caro. No
caminhão de modelo 2019, a Potencial fez um investimento de transformação de R$ 25 mil reais
para ter um caminhão 100% biodiesel. Assim, a substituição de um combustível que é fóssil e
causa vários problemas, para 100% biodiesel, que reduz até 95% de CO2, é um custo muito barato
em relação aos grandes benefícios adquiridos. Foram realizadas mudanças simples de adaptação
nos caminhões pela própria fabricante Scania em parceria com a Cotrasa, que é a marca pioneira
nesse processo. Algumas modificações foram na troca dos filtros de combustível e programação do
módulo para reconhecimento do biodiesel no sistema de combustão do caminhão.

Para aumentar a reflexão a respeito de custo e aumento da mistura, o senhor Eduardo apresentou
uma simulação em que foi feito um corte do preço do diesel e preço do biodiesel em outubro de
2023. Assim, fazendo algumas simulações, com o quantitativo que a produção de biodiesel no
país já poderia suprir uma projeção de B20, por exemplo, em que o país importou 9 bilhões de
litros, e a capacidade de produção já era de 13 bilhões de litros, ao se comparar com a produção
brasileira atual, que já é de 15 bilhões de litros, seria totalmente factível o uso do B20 para o
país. Com os testes do caminhão 100% biodiesel aprovados, é inadmissível a narrativa de que
o aumento da percentagem de biodiesel acarreta problemas ao mercado. Isso são paradoxos
criados e que já foram quebrados após vinte anos de uma indústria em constante evolução.
Um exemplo, é que, após a Potencial fazer o caminhão 100% a biodiesel, a própria montadora
anunciou que vai colocar no portfólio o caminhão 100% a biodiesel no mercado.

Quanto maior for o aumento da mistura de biodiesel, menor será o preço do diesel para o
consumidor. Neste ano, 2023, quando as especulações estavam centradas na diminuição da
mistura, o custo de um B12 estava em R$ 4,5024, enquanto que, para o mesmo período, o B20
poderia ser R$ 4,0931.Assim, em um país que está atualmente com suas plantas de biodiesel

40 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

ociosas, a importação de diesel, que está em 25%, poderia ser suprida pelo aumento da mistura
e diminuição dos custos. Além de fatores econômicos, um aumento da mistura de biodiesel
no diesel poderá promover inúmeras melhorias para a saúde humana, contribuições para a
economia circular, uma cadeia enorme do agronegócio e da agricultura familiar. Um exemplo são
as cooperativas do nordeste, atualmente a Potencial tem uma parceria com 500 famílias, dentro
do programa selo combustível social.

O biocombustível não pode ser considerado apenas uma molécula de combustão, mas sim uma
cadeia que traz impacto na sociedade em sua totalidade. Essa é a visão que o mercado tem
que ter. Como no exemplo dado anteriormente, de 2023, quanto mais biodiesel misturássemos,
menor o custo do diesel. E, além disso, a gente aceleraria a ociosidade das nossas indústrias
para impulsionar a industrialização da soja, por exemplo. Atualmente, a soja é exportada, alguns
sabem, outros não, mas quando é exportada, não gera tributo nenhum para o país, não gera
renda, não gera emprego. Então, a industrialização poderá alavancar também a economia do
país, gerando renda e emprego. Para finalizar, o biodiesel tem um caráter de grande importância
na solução de problemas sociais, não é apenas uma molécula de combustível sustentável. O
Brasil está preparado com inovação, ciência e tecnologia de qualidade, para que o país não seja
apenas coadjuvante, mas sim, a OPEP verde do mundo.

Lilian Guarieiro, professora associada no SENAI CIMATEC


e pesquisadora CNPq DT-2:

O Senai Cimatec é um centro de manufatura avançada de


tecnologia, com cursos técnicos de graduação, mestrado e
doutorado, além de um grande centro tecnológico visando a
inovação para a indústria. Possui dois centros, um em Salvador
e outro no centro industrial de Camaçari, o CIMATEC Park, com
laboratórios avançados, plantas piloto, áreas de segurança
para testes e operações de risco, e até uma pista de teste
do setor automotivo, onde o foco está na grandiosidade das
tecnologias desenvolvidas para inovar a indústria, contando
com infraestrutura diferenciada no país para atender às
necessidades de energia eólica, mecânica, naval e offshore,
automotiva, elétrica, construção civil, química, petroquímica e
biotecnologia, farmacêutica, celulose e papel, e petróleo e gás.

O Senai Cimatec tem mais de 40 áreas de atuação, dentre elas a área automotiva, química, e
de modelagem computacional, em que a pesquisadora Lilian é líder de vários projetos. Alguns
resultados apresentados foram desenvolvidos nos laboratórios de motores presentes nas
unidades.

Na área de combustíveis, o Senai Cimatec atua no desenvolvimento e avaliação de novas misturas


de combustíveis e novos combustíveis para diversas aplicações: análise de desempenho,
durabilidade, emissões, envelhecimento de catalisadores e outros testes que a indústria vai
demandar e que o setor terá que estar preparado para atender.

Um exemplo está em pesquisas relacionadas à mobilidade e descarbonização, com os setores


motores de veículos pesados, veículos leves e veículos de passeio, com altas contribuições para
mitigar o aumento de CO2 nos últimos anos. A rápida progressão e transformação da indústria de
transporte levaram a mais de 1,2 bilhão de veículos nas estradas, o que resultou em um tremendo
aumento no consumo diário de petróleo e, portanto, no aumento das emissões per capita. Prevê-
se que, até o ano de 2050, o número de quilômetros percorridos/ano nos setores do transporte de
passageiros e mercadorias duplicará, o que exigiria um aumento exorbitante da necessidade de
petróleo, 99 milhões de barris de petróleo por dia. (Sandaka & Kumar, 2023).

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 41


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

A solução mais rápida para mitigar os grandes problemas climáticos relacionados ao uso
de combustíveis fósseis é a utilização dos biocombustíveis, que podem operar os veículos
sem grandes modificações, além de serem originados de um ciclo fechado do carbono e são
amplamente considerados como ecológicos e “combustíveis neutros em carbono”. Assim,
são renováveis, verdes, biodegradáveis, sustentável, seguro e ambientalmente benignos.
Outro benefício está ligado ao maior teor de oxigênio, o que faz com que tenham uma melhor
combustão, emitam menos fuligem, hidrocarbonetos não queimados e outros poluentes como
Material Particulado, entre outros.

É importante ressaltar que a avaliação das emissões de GEE deve considerar todo o ciclo de
vida dos veículos. A lógica “tanque à roda” contabiliza apenas as emissões associadas ao uso
de veículos, enquanto a lógica “berço ao túmulo” considera as emissões desde a fabricação
até o descarte ou a reciclagem dos veículos e de seus componentes. O “fim da vida” de um
veículo não pode ser descartado do ciclo de vida. Quando se trata do cálculo de emissões, esta
é a etapa de descarte e reuso, que, mais tarde, fará com que o elo da economia seja circular,
como na reciclagem. O grande desafio atualmente é trabalhar do poço para além da roda e
entender o que está acontecendo no nosso ambiente, com a nossa sociedade, com a nossa
saúde pública.

O número de internações em hospitais relacionados às emissões da poluição do ar é assustador,


as despesas podem chegar na ordem de 1 trilhão de dólares/ano, sendo a poluição o maior
precursor de doenças respiratórias ligadas ao câncer no mundo. No Brasil, as mortes por câncer
aumentaram em 31%.

A emissão oriunda dos veículos pode ser de diferentes compostos, sejam eles materiais
particulados ou compostos gasosos. Associado ao material particulado podem estar presentes
centenas de compostos, além disso, existem diferentes frações de tamanho e, quanto menor
a partícula, mais ela consegue adentrar no sistema respiratório. Por exemplo, as partículas
grossas de tamanho Da < 10 µm conseguem ficar retidas nas vias aéreas superiores e as
partículas finas com Da < 2,5 µm podem ultrapassar as barreiras do sistema respiratório e
chegar até os alvéolos pulmonares. Grande parte desse material particulado é derivado das
emissões do setor de transportes, o que ficou constatado em período pandêmico, onde se
teve uma ausência de veículos nas ruas e uma queda no número de internações por doenças
respiratórias. Uma das soluções para mitigação dessa questão é o uso dos biocombustíveis,
que poderão trazer contribuição para a redução desse material particulado.

O biodiesel é livre de enxofre, portanto, há menos emissões de sulfato e as emissões de


material particulado são reduzidas. Devido à quase ausência de enxofre no biodiesel, ele
ajuda a reduzir o problema da chuva ácida causada pela emissão de poluentes da queima
de combustíveis. Em relação às preocupações ambientais, muitos estudos têm demonstrado
que o biodiesel puro, biodiesel/diesel e misturas de biodiesel/etanol/diesel podem reduzir as
emissões de substâncias regulamentadas (CO, CO2, SOx , HC e MP) [ 38 - 40 ]. No entanto, há
um interesse crescente em estudar as emissões de algumas substâncias não regulamentadas,
como compostos carbonílicos, PAHs, nitro-PAHs e outros tóxicos, que são preocupantes tanto
do ponto de vista ambiental quanto da saúde humana.

Houve uma redução da concentração de materiais particulados com o aumento do nível de


biodiesel na mistura de combustível, segundo análise abrangente da Agência de Proteção
Ambiental dos Estados Unidos, onde foi feita uma correlação entre a concentração de biodiesel
no combustível diesel convencional com mudanças em poluentes regulamentados e não
regulamentados, para motores rodoviários pesados. Ficou evidente a contribuição do uso de
B100, principalmente pelo fator dos resultados experimentais também não mostrarem diferença
significativa na função do motor, danos por depósitos dentro da câmara ou condição inferior do
óleo do motor por 300h (18.000 km) de operação do motor ao usar misturas de biodiesel/diesel.

42 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

Outro aspecto pouco falado que merece destaque, em relação à saúde pública, é a presença
de mercúrio no combustível. Entretanto, o biodiesel tem praticamente seis vezes menos teor
de mercúrio do que o diesel. Além disso, o diesel brasileiro tem menos mercúrio do que outros
países, como França, Irlanda, Alemanha e Itália. Mais uma solução para a utilização do B100
no país: uma diminuição da necessidade de importações de um combustível tão prejudicial
à saúde humana, que afeta o sistema nervoso central, resultando em danos cerebrais, traz
problemas de aprendizagem e afeta o desenvolvimento cognitivo em crianças expostas durante
a gestação, pode causar distúrbios renais, cardiovasculares e imunológicos, comprometimento
da visão e do sistema respiratório.

Para finalizar, é importante ressaltar que o Brasil possui capacidade produtiva de qualidade
para o aumento do percentual de biodiesel no diesel, além de uma matriz regional diversificada
capaz de atender à demanda, o que trará uma grande contribuição na redução de importação
de diesel para atender toda a malha rodoviária. A utilização do B100 seria a solução para mitigar
mudanças climáticas e problemas de saúde pública, além de existirem estudos e tecnologias
para soluções de questões técnicas da aplicação do B100 em motores Diesel, uma missão
para a cadeia automotiva. É de suma importância considerar o DNA Ambiental do uso dos
combustíveis e questões de saúde pública nas decisões e estabelecimento de normas públicas.

Sillas Oliva Filho, executivo sênior da F8 Fuels


Combustíveis Especiais, deu início a sua fala apresentando
a F8 Fuels, que atua na área de diesel e do biodiesel, e auxilia
as empresas e negócios no uso desses combustíveis de forma
eficiente e econômica:

A empresa também desenvolve projetos que visam aumentar


o uso de recursos renováveis, estabelecendo e alcançando
metas para atender às políticas de ESG. O que é possível,
pois a F8 conta com profissionais de larga experiência no
mercado dos combustíveis e profundo conhecimento da matriz
energética brasileira.

A empresa surgiu com uma demanda do mercado, e é


especializada em combustíveis de referência, que são peças
importantes da indústria automobilística. Todo fabricante de
motores precisa atender uma norma do Conama/Ibama e do
Inmetro quanto à eficiência energética. Para isso, existe o
combustível que é a referência para os mercados, tendo cada
país seu combustível de referência. Assim, uma montadora
que vai produzir uma sequência de veículos a serem
exportados para a Argentina ou Chile, terá que usar esse
combustível de referência para ser possível a reprodutibilidade
e a repetibilidade dos ensaios de emissões e de eficiência
energética. Então, a F8 é um grupo de pessoas que vêm
da indústria do petróleo e automobilística, que hoje trabalha
para trazer um portfólio de produtos, conhecendo a fundo os
combustíveis, porque muitas demandas recebidas não estão
em catálogo, são produtos para teste e desenvolvimento, ou
seja, faz-se um combustível de péssima qualidade para que o
seu fabricante veja, naquelas condições, quanto tempo dura o
motor dele, como será o desgaste daquele motor e como irá
comportar o sistema catalisador do seu veículo.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 43


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

Recentemente, um trabalho feito junto aos produtores de biodiesel, analisou o comportamento


do diesel e biodiesel, com o uso de laboratórios e a máxima expertise, para fazer a formulação
de combustíveis. No caso do Ciclo Otto, com a gasolina, tem a Euro 2, Euro 3, Euro 4, gasolina
China e a gasolina US Tier 3 usada como referência nos Estados Unidos. Então, cada país tem
a sua especialidade em relação ao seu combustível de referência. Essa é uma vertente da F8,
e a gente trabalha fortemente com a Scania, Volkswagen, Mercedes, praticamente com todas
as montadoras do país.

O diesel está sendo utilizado no Brasil talvez há 100 anos ou mais. O biodiesel no país, de
forma intensiva, começou a ser utilizado em 2005, em 2%. Hoje, estamos com 14%. Foram
vários processos para o avanço da mistura de biodiesel no diesel.

Participei de vários grupos de trabalho com representantes da ANP, Sindipeças, a ANFAVEA,


vários membros de indústrias automobilísticas, todos envolvidos no setor em prol de uma
evolução. Depois foram realizados muitos testes no grupo de trabalho do Ministério de Minas e
Energia, com o B10 e B15, o que reuniu toda a indústria automobilística nacional para adaptar
e receber o aumento das misturas ao diesel, sendo que, na época, ainda era o B7. Então,
hoje, com certeza, todas as montadoras já estão adaptadas e prontas para usar o B20, e a
grande mudança está no produtor ou empresário do setor começar a demandar da indústria
essa possibilidade altamente viável de se utilizar 100% biodiesel. Uma verdadeira mudança de
paradigma, de realidade.

O país já está vendo a indústria marítima introduzindo o biodiesel dentro do bunker. Mas, em
2005, a realidade era diferente, falar em usar o biodiesel em motor marítimo era uma heresia,
diferente do que ocorre atualmente, em que a demanda está surgindo do próprio setor, que
busca descarbonizar suas rotas, pois o mundo está em momentos curtos de mudanças rápidas,
com eventos extremos de calor, frio ou chuvas. Então, o sentimento de mudança é altamente
importante e atual.

Assim, a F8 é uma empresa que reúne competências, pessoas para desenvolverem projetos
e soluções, para uma indústria que está sendo demandada a utilizar combustíveis renováveis,
que não são mais um paradigma. Ao longo desse tempo, 100 anos de história do diesel, o
país tem 20 anos de biodiesel. Todos esses anos proporcionaram um aumento de produção e
qualidade. Hoje, o biodiesel nacional é produzido e tem uma especificação mais exigente que
o biodiesel europeu, sendo o segundo carro-chefe mais usado.

Todas as plantas de biodiesel que hoje são certificadas pelo Inmetro, fazem correlação
laboratorial, ou seja, a qualidade que a gente recebe é ótima. Isso dá segurança para o
consumidor e para quem usa. E não tem como fugir: num país de grandeza continental, a
intensificação energética é importante, por isso, em breve, com todo avanço tecnológico, o
setor poderá contar com o B50, possivelmente B100. O Brasil está amparado com todas as
soluções viáveis para a produção de uma matriz energética limpa e para promover uma redução
da poluição, como aconteceu com o etanol, que tem, atualmente, um programa de sucesso.

Quando se fala de HVO e outras soluções, já é um longo caminho a ser percorrido. O SAF é um
desafio muito grande por conta do custo do hidrogênio. Como produzir hidrogênio para produzir
o SAF? Como produzir hidrogênio para ter um HVO com menores custos? Esse é o grande
desafio hoje do setor para se fazer o pulo nessa segunda geração da produção de biodiesel.

44 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

Silvio de Oliveira, presidente do Grupo SDO/BRG, deu


início a sua fala parabenizando o evento e sua importância
na difusão do conhecimento a respeito do uso e eficiência
do biodiesel, em especial, sobre motores estacionários e
sua efetividade operando com 100% biodiesel, que é a maior
experiência da BRG:

Desde a época que o Grupo Bertin implantou a fábrica em Lins-SP, o grupo gerador 100%
biodiesel já é utilizado. Inclusive, foram realizados testes, por mais de 4 mil horas, exigência
da própria Scania (fabricante do motor), para homologar o produto e dar garantia da operação
100% biodiesel. Naquela época, a Bertin, que forneceu gratuitamente o biocombustível para
o teste, foi a primeira fábrica do Brasil a utilizar gordura animal como matéria-prima para
produção. Implantação fabril de grande sucesso, contando com a presença do presidente Lula
e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que estiveram no pleito em 2007.

Outro teste com grupo gerador 100% biodiesel (motor VOLVO PENTA) foi realizado na unidade
fabril da Granol em Anápolis/GO, onde a Volvo exigiu 2.000 horas de operação contínua para
validar essa tecnologia em seus motores. Após tantas horas de trabalho, obteve-se todo o
histórico de operação do grupo gerador, onde o motor foi desmontado, avaliado, partes das
peças foram para Suécia, com todo rigor técnico necessário. Para validação e continuidade do
projeto, testado e executado com sucesso, designou-se a BRG uma permanência de 10 anos
como exclusivo fornecedor de gerador 100% biodiesel com motor Volvo. Essa responsabilidade
de operar com fonte alternativa de energia é muito grande e deve ser realizada com muita
responsabilidade.

Um exemplo da absoluta funcionabilidade do motor 100% biodiesel, no caso de grupo de


geradores, observado em âmbito internacional, foi a turnê Music of the Spheres do Coldplay,
no Brasil. Em linha com seu compromisso com a sustentabilidade, a banda conseguiu reduzir
em até 80% as emissões de CO2. Os shows foram realizados em São Paulo, Rio de Janeiro
e no Paraná, sem nenhum problema. Por isso, a BRG tem muita segurança no que você está
fazendo, e a confiabilidade do motor a 100% biodiesel foi disseminada mundialmente. Outro
exemplo foi a tradicional festa religiosa da cidade de Trindade–GO, a festa do Divino Pai Eterno,
que este ano contou com energia produzida por geradores movidos 100% a biodiesel. Uma
forma de aplicar ações de sustentabilidade a esse movimento que reúne cerca de 3 milhões de
fiéis anualmente.

Já existem muitas instalações especiais que estão aguardando uma melhor solução da ANP
em relação à questão do fornecimento e instalações de motores estacionários movidos 100% a
biodiesel. Um exemplo é Rosewood Hotel, em São Paulo, onde o sistema de geração de energia
com grupo gerador 100% biodiesel, com motor Caterpillar. Outro exemplo é um empreendimento
na capital de Goiás, o World Trade Center Goiânia, que conta também com geradores 100% a
biodiesel. Assim, a BRG Geradores, com essa iniciativa bem-sucedida do uso de geradores de
energia movidos 100% a biodiesel com tecnologia nacional, permitiu uma nova perspectiva para
a mudança da matriz energética brasileira e redução da emissão de CO2 na atmosfera.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 45


MESA 5 I Uso do B100 em Veículos e Equipamentos

O uso de uma fonte limpa e renovável como o biodiesel mostra-se como uma solução eficaz
e robusta para a geração de energia em plantas industriais. Quando se observa a origem de
matérias-primas para produção de energia renovável, principalmente o biodiesel para motores
estacionários ou não, sabe-se que o campo é a matriz que gera economia, renda, e a mais
adequada ao país por várias razões.

Diante do potencial brasileiro na produção de commodities e energia limpa, a transição para


uma matriz energética mais sustentável deve ser priorizada. O aumento gradual da mistura
de biodiesel no diesel, iniciando por 15% e podendo chegar a 100%, é um passo fundamental
nesse sentido, dada a capacidade produtiva do país.

Em se tratando de grupos geradores, quando aparecem algumas especulações de como


proceder se houver problemas no equipamento, a solução é simples: existe um pequeno tanque
de combustível auxiliar com diesel, que pode ser utilizado para emergências.

De 2016 a 2018, a operação de uma termoelétrica, em Manaus, de propriedade da BRG


Geradores, consumia 9 bilhões de litros por mês de diesel, 300 mil litros por dia. Uma alternativa
seria geradores que fossem movidos a 100% biodiesel, e que o preço do biocombustível fosse
equiparado ao diesel, sendo ideal o país priorizar os biocombustíveis, tendo em vista que a
tecnologia já foi desenvolvida.

O Brasil possui fontes de energia mais adequadas que devem ser priorizadas. Embora existam
60 usinas de biodiesel no Brasil, a maioria ainda utiliza geradores a diesel. Em contraste, a
Binatural da Bahia se destaca ao empregar o gerador BRG 100% a biodiesel. A COP 30, por sua
vez, trará diversos navios com geradores convencionais, o que poderá poluir a capital Belém. A
substituição desses geradores por opções limpas seria uma medida importante para reduzir a
emissão de poluentes.

Para finalizar, a BRG Geradores possui experiência em fabricação e instalação de Grupos


Geradores, com mais de 20 anos no mercado e mais de 500 funcionários. A nossa fabricação
de geradores acontece em quatro unidades aqui no Brasil. Buscando sempre eficiência e
confiabilidade no fornecimento de energia. O Grupo SDO, o qual a BRG Geradores faz parte,
possui mais de 5 mil funcionários, incluindo instalação fabril na Índia, no Chile, e em outras
localidades, assim como outros negócios. Com o projeto 100% biodiesel, a BRG Geradores
oferece uma solução inovadora para um futuro mais sustentável.

46 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 6 I Soluções Enzimáticas para Produção de Biodiesel e Tratamento de Matérias-primas para SAF/HVO

MESA 6 | Soluções Enzimáticas para Produção de Biodiesel


e Tratamento de Matérias-primas para SAF/HVO
A fusão da Novozymes com a CHR Hansen, resultando na Novonesis, fortaleceu a liderança
no mercado de biossoluções. Essa união ampliou o portfólio de aplicações enzimáticas em
diversas indústrias, consolidando a eficiência e a sustentabilidade como pilares do avanço
tecnológico na produção de biocombustíveis.

Renan Marangoni, Technical Sales Manager da Novonesis:

A história de processamento dos óleos vegetais e animais não


é recente. A indústria de óleos vegetais já existe há muitos
anos, porém os processos enzimáticos começaram a ter
implementações industriais nos últimos 15, 20 anos. É um
processo recente, porém bem consolidado. Com aplicações e
fábricas rodando processos enzimáticos em todo o mundo, no
Brasil não é diferente. O país tem mais de 60 plantas rodando
pelo menos um processo enzimático. Seja de degomagem
ou produção de biodiesel, há esterificação enzimática. O
processo de degomagem dessas plantas corresponde,
aproximadamente, a 45% de todo o óleo processado. Seja
para produzir biodiesel ou óleo alimentício, há passagem por
uma rota enzimática de degomagem, o que gera mais mais
rendimentos. Estamos falando de uma geração de 82 mil
toneladas de óleo, de rendimento adicional, que a enzima
está gerando no período de um ano, o que corresponde a
uma geração de valor de 60 milhões de dólares ao ano, só por
processos enzimáticos de degomagem. No Brasil, anualmente,
122 milhões de litros de biodiesel são produzidos por meio de
rotas enzimáticas a partir de matérias-primas 100% elegíveis,
pela ótica da política RenovaBio.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 47


MESA 6 I Soluções Enzimáticas para Produção de Biodiesel e Tratamento de Matérias-primas para SAF/HVO

Basicamente, quando se fala em processos enzimáticos na indústria, surge um tripé muito


importante. Processos enzimáticos trazem lucratividade, flexibilidade para o produtor de
biodiesel, para o processador de óleo, no sentido de matérias-primas, podendo trabalhar com
matérias-primas mais variadas, que normalmente são difíceis para trabalhar por uma rota de
processamento puramente químico, e de impacto em sustentabilidade.

Gerar mais produtos a partir da mesma quantidade de matérias-primas, trabalhar com matérias-
primas 100% elegíveis. E a intersecção entre esses três pilares: lucratividade, sustentabilidade
e flexibilidade, onde os processos enzimáticos estão presentes.

A Novonesis oferece múltiplas soluções em toda a cadeia de valor em aplicações de óleos e


gorduras, desde plantas de esmagamento de soja, até plantas de óleo químico. No Fórum,
foram especificados dois processos: a degomagem e a esterificação. Mas a empresa
também tem aplicações para a produção de emulsificantes, ésteres especiais para indústrias
óleoquimicas, para a produção de margarinas, gorduras especiais, substitutos de manteiga de
cacau, concentração de ômega 3. Como o foco é no biocombustível e no pré-tratamento de
óleos, serão especificados a degomagem enzimática e o biodiesel enzimático.

O surgimento da Novonesis foi a partir da fusão de duas empresas dinamarquesas de presença


global, que já estão presentes no mercado há muitos anos, atuando em biotecnologia com a
produção de enzimas e microorganismos: a Novozymes, que atua no mercado de óleo vegetal
há mais de 20 anos, e a CHR Hansen. São quatro meses de Novonesis e a empresa está
passando por todo um rebranding, mas continua com toda a bagagem de 20 anos trabalhando
no mercado de óleo vegetal, com degomagem e no mercado de biodiesel com esterificação.

Justamente nessa fusão nasceu a líder global em biossoluções. O portfólio da Novonesis não
só para o óleo vegetal, é focado em biossoluções, enzimas e microrganismos para atendimento
das mais variadas indústrias. O óleo vegetal é apenas uma, mas também temos soluções
para atendimento da indústria de etanol, cervejaria, panificações, e de alimentos em geral.
A presença da empresa é global e já era evidente na América Latina. Continua também em
Araucária, na região metropolitana de Curitiba, mas depois da fusão, tem escritórios e fábricas
distribuídos em todo o mundo.

O conhecimento sobre as enzimas já está bastante avançado, muito aplicado em processos


de implementação e desenvolvimento de novas tecnologias. Basicamente, enzimas são
moléculas naturais, orgânicas, produzidas por seres vivos. A enzima em si não é um ser vivo,
não é um microrganismo, nem um vírus, nada desse tipo. É produzida por todos os seres
vivos. O ser humano produz enzimas no corpo para diversos tipos de reações químicas, o
que se compreende como metabolismo. As enzimas industriais da Novonesis são obtidas a
partir de fermentação microbiana. No passado, se utilizava enzimas de origem animal, mas
para respeitar as certificações de Kosher e Halal, essa forma de produção foi descontinuada.
Enzimas também são proteínas, diferentes das proteínas estruturais, como, por exemplo, o
músculo. As enzimas são uma classe de proteína especial, porque catalisam reações químicas,
ou seja, aceleram reações químicas. Uma das principais motivações para se utilizar enzimas em
aplicações industriais é o fato de catalisarem reações químicas de forma específica. Diferente,
talvez, do catalisador químico, que não tem uma especificidade, uma seletividade.

Enzimas simplesmente atuam sob o seu substrato de interesse. Por exemplo, enzimas de
degomagem e enzimas de esterificação. A enzima da esterificação não degoma óleo, assim
como a enzima da degomagem não esterifica ácido graxo, ou transesterifica triglicerídeo.
Essa seletividade é interessante, pois, do ponto de vista de aplicação industrial, quando nós
temos uma aplicação enzimática, geralmente elas não necessitam de processos posteriores às
reações que são aplicadas à enzima que, simplesmente, atua sob o seu substrato de interesse.

Em paralelo, com relação ao metilato, que nos dosados se produz biodiesel, mas tem uma
série de reações secundárias que, muitas vezes, são indesejáveis, como a formação de sabão.

48 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 6 I Soluções Enzimáticas para Produção de Biodiesel e Tratamento de Matérias-primas para SAF/HVO

O que ocorre é que a enzima simplesmente transesterifica, a reação é feita automaticamente,


não ocorrendo reações secundárias. Dessa forma, não necessita ter processos posteriores de
downstream para lidar com as reações indesejáveis. Essa seletividade e especificidade são de
grande interesse industrial justamente para a simplificação dos processos e é um dos principais
atributos das enzimas para a aplicação industrial.

Por ser natural e orgânica, é totalmente biodegradável, solúvel em água, não é corrosiva, não é
ácida, faz o manuseio e traz bastante segurança ao nível industrial de operação.

Falando especificamente de degomagem e pré-tratamento de matérias-primas para biodiesel ou


HVO: a degomagem é uma das principais aplicações enzimáticas na indústria de óleos vegetais.
É uma das aplicações mais antigas em óleos vegetais, já existe há mais de 20 anos. A primeira
planta do Brasil tem em torno de 15 anos. Mas existem plantas do mundo inteiro um pouco mais
antigas. E, basicamente, é um sucesso muito grande aqui no Brasil, justamente por trabalhar com
uma oleaginosa que contém um componente específico que é o substrato dessas enzimas de
degomagem, que é o fosfolipídio.

Pensando no óleo vegetal, que é uma matriz muito complexa de componentes, tem 95% ou
98% de triglicerídeo, que é o produto de interesse para processar lá na frente, seja para fins
comestíveis, seja para fazer biodiesel. Mas existem outros micro e macro componentes. Alguns
deles até de alto valor agregado, outros nem tanto, mas enquanto presentes nesse óleo, nessa
matriz oleaginosa, para os processos de produção de biodiesel, por exemplo, podem trazer
alguns problemas, alguns agravantes de processamento. No caso do biodiesel, tipicamente são
dois, em que surgem preocupações para retirar o óleo, que compreende as operações unitárias
chamadas comumente de pré-tratar, para pós transesterificação. Que é o fosfolipídio, o fósforo e
ácido graxo livre, este último que é uma limitação do metilato, que é o catalisador convencional,
pela formação exacerbada de sabão lá na frente. Mas, basicamente, o fosfolipídeo é o alvo da
degomagem. Uma das características principais do fosfolipídio é ser uma molécula emulsificante.

O fosfolipídio é a nossa famosa lecitina, que pode ser utilizada em diversas aplicações. O caráter
de ser uma molécula emulsificante, ou seja, de ter uma parte que tem afinidade com a água e uma
parte que tem afinidade com o óleo, de trabalhar na interface água-óleo, confere ao fosfolipídio
uma característica que nos ajuda a remover o óleo. Degomar o óleo basicamente é adicionar água
e se separar por centrífuga, ou em um tanque de decantação. Porém, essa mesma característica
que facilita a sua remoção também traz uma das maiores perdas do processo de pré-tratamento.

O fosfolipídio também tem uma característica de arrastar muito triglicerídeo na fase da goma,
sendo o famoso óleo na goma no processo de degomagem, que é uma das maiores fontes
de perdas do pré-tratamento. Justamente o papel da enzima, numa visão bem simplista, sem
adentrar tanto na técnica, é você remover o fósforo do óleo para o posterior processo de
transesterificação, porém, perdendo menos óleo, melhorando seu rendimento e eficiência no
processo de degomagem. A depender da quantidade de fósforo no óleo, os rendimentos são
superiores a 2%. Parece pouco, mas em uma planta média que processa óleo vegetal, são umas
400 toneladas de processamento comum. Com o processo de degomagem, serão 8 toneladas
de óleo gerados em um dia esmagando a mesma quantidade de soja, ou processando a mesma
quantidade de óleo por ano. Não há aumento da quantidade de esmagamento, mas sim na
quantidade de óleo que vai virar biodiesel lá na frente, simplesmente por produzir mais de um
produto de maior valor agregado e menos de um subproduto de menor valor agregado.

Retratando um pouco sobre as ações das enzimas, nós temos dois tipos específicos no
mercado, que é a enzima fosfolipase A (PLA) e a fosfolipase do tipo C (PLC), ambas de
degomagem. O papel principal das enzimas, para aquele efeito de converter goma em
óleo, como falado anteriormente, é fatiar, quebrar essa molécula de fosfolipídeo em pontos
específicos, que garantem que uma parte daquilo que seria perdido na fase de goma,
fique retido na fase de óleo e seja convertido em biodiesel, e também diminua o poder
emulsificante deste fosfolipídeo, assim o ganho no processo enzimático será de duas formas.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 49


MESA 6 I Soluções Enzimáticas para Produção de Biodiesel e Tratamento de Matérias-primas para SAF/HVO

Deixa-se de perder uma parte da molécula, que se perdeu integralmente pela hidrólise enzimática,
e deixa de arrastar óleo por forças de emulsificação do fosfolipídeo, justamente por conta da
hidrólise enzimática. Em todos os casos, o fósforo vai sair na goma, mas no processo enzimático
será produzido mais óleo ao final do dia.

A perda de uma parte da molécula, que se perdeu integralmente pela hidrólise enzimática, deixa
de arrastar óleo por forças de emulsificação, justamente por causa dessa hidrólise enzimática.
Em todos os casos, o fósforo vai sair na goma, mas no caso da enzimática, a gente vai produzir
mais óleo devido às menores perdas. No caso do pré-tratamento de óleos para biodiesel, o
processo de degomagem enzimática é super consolidado tanto para óleos vegetais de soja,
principalmente, mas também para alguns sebos de animais que também são processados
via degomagem enzimática. Normalmente, as plantas de transesterificação química têm uma
especificação de fósforo máximo aproximadamente de 10 ppm. Então, a gente tem as matérias-
primas com números variados de ppm de fóssil de 200 a mais de 1000 ppm de fósforo. O trabalho
da degomagem é pegar esse fósforo e reduzi-lo a níveis de 10 ppm no óleo final, com a menor
quebra possível. Com 10 ppm, não existem problemas maiores para transesterificação, no caso
do biodiesel.

No caso do HVO e SAF, representantes da Novonesis nos EUA, rodando plantas de pré-tratamento
de HVO e SAF via rotas enzimáticas, o requisito de fósforo e metais é um pouco mais restrito
que o biodiesel, por algumas necessidades que o catalisador do hidroprocessamento necessita,
porque o fósforo e os metais são venenos agressivos para o catalisador do SAF e do HVO. Então,
no caso da degomagem para o pré-tratamento de biodiesel, apenas uma degomagem enzimática
já confere a qualidade necessária. Agora, no caso do HVO e SAF, é necessário ter um processo
posterior à degomagem enzimática para garantir esses níveis de metais mais baixos.

O Brasil tem histórico de plantas que se pagaram ao mudar de processos químicos para processos
enzimáticos em menos de um ano, dependendo do preço do óleo. Na América Latina, existem
mais de 10 plantas rodando esterificação enzimática, algo que começou na academia.

Processar matérias-primas com diferentes perfis de acidez é a principal vantagem da rota


enzimática, como oleínas, ácidos graxos, óleo de milho, ácidos graxos recuperados durante o
tratamento de efluentes e gorduras em geral. Não se tem limitação de acidez para se processar
com enzima, processa-se matérias-primas de 0 a 99.9% com a mesma enzima, que esterifica, ou
seja, baixa a acidez, convertendo-se em éster e transesterifica. Com isso, pode-se obter misturas
mais variadas possíveis de matérias-primas iniciais, e no fim terá éster. Esse é o papel principal
da enzima, fazendo os dois papéis juntos. Pensando numa planta de biodiesel que recebe óleos
vegetais e gorduras animais, processa-se através da refinaria um pré-tratamento, e alguns
subprodutos desse processo como o ácido graxo destilado, no caso do sebo, no caso da palma,
vai para a transesterificação e produz o biodiesel.

No caso do enzimático, a maioria das plantas tem o que é chamado de side stream, refino de fluxo
secundário, como se fosse um “puxadinho”, uma planta ao lado para processar essa matéria-
prima que não é processada pelo metilato, ou que se teria muita dificuldade porque a acidez é
um agravante para o metilato. Então, geralmente as plantas industriais constroem uma planta
paralela para processar essa matéria-prima originada, que deriva o mercado de óleos ácidos de
corte, de borra, dos mais variados possíveis, de 0 a 99% de acidez, convertidos via enzimática
em éster. Um dos exemplos de setup industrial mais comum que se tem atualmente no Brasil
é uma linha distinta para ser feita a esterificação, outra para transesterificação enzimática com
essas matérias-primas variadas de 0 a 99% de acidez, em que se produz um éster, que ao final
da reação não é um spec ou um biodiesel B100 spec, é necessário um processo de polimento
basicamente, para que se remova a acidez residual que a enzima não consegue. Basicamente,
as plantas de biodiesel fazem um polimento, uma neutralização nessa linha separada, nesse
éster produzido via enzimática separadamente, com um B100 ao final do dia, que mistura
com o B100 da linha principal, ou se adiciona esse éster, que ao final do processo enzimático
terá uma mistura com mais de 90% de éster, e tipicamente, com menos de 4% de acidez.

50 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 6 I Soluções Enzimáticas para Produção de Biodiesel e Tratamento de Matérias-primas para SAF/HVO

O que poderá ser jogado no primeiro, segundo ou terceiro reator e processado com mainstream.
Assim, são duas rotas possíveis, que dependem muito de uma alcalinidade livre na glicerina, em
que se faz uma espécie de glicerina alcalina neutro alcoólica específica para esse éter, então não
depende muito da conformidade fabril, mas são as rotas mais comuns rodando atualmente com
enzimático.

Um case real industrial de uma planta que estava processando 100% oleína, aqui chamada de
ácido graxo, que é proveniente da cisão da glicerina. Essa oleína tinha 51% de acidez em torno
de 1.2% de glicerina combinada, ou seja, ácido graxo ligado na glicerina. E em torno de 8 horas,
foi convertida toda a acidez de 51% até em torno de 2.8, esterificou o ácido graxo produzindo
éster. E a glicerina combinada que era de 1.2 foi para 0.4, que está praticamente dentro de
uma produção de biodiesel. Foi citado o exemplo da oleína anteriormente, mas a Novonesis tem
clientes que também utilizam óleo de fritura, gordura animal, ácido graxo destilado de gordura,
ácido graxo destilado de sebo, ácido graxo de palma, óleo de soja ácido, enfim, a criatividade
de matérias-primas do Brasil é surpreendente. O diferencial da enzima é justamente em pegar
matérias-primas residuais, que além de ter todo o impacto sustentável do RenovaBio, também
são matérias-primas que possuem vantagens econômicas, comerciais, porque tipicamente elas
são mais baratas que o óleo refinado, e ao final do processo se venderá um éster, biodiesel.

Um ponto importante do biodiesel enzimático é que, geralmente, é um processo comparativo. No


caso do biodiesel enzimático e da esterificação enzimática, existe um processo em que não vai
ocorrer corrosão, o processo opera em temperaturas de 40 a 45 graus à pressão atmosférica,
então não há uma necessidade de ter equipamentos robustos para aumentar certa corrosividade
ou certa agressão química que o catalisador poderia gerar. A enzima não tem a problemática
de corrosividade, a enzima não forma cor, a enzima transesterifica e esterifica, justamente
por não ter essa necessidade de materiais específicos na planta. Por trabalhar com matérias-
primas elegíveis, houve casos de clientes que conseguiram aumentar a elegibilidade em 35% no
RenovaCalc, então é bastante significativo.

A enzima trabalha com baixo excesso de metanol, as esterificações e transesterificações


geralmente têm um excesso de metanol para maior rapidez no processo. A enzima trabalha com
baixo excesso e geralmente gera um impacto positivo em menor consumo de vapor para retificar
o metanol em excesso. Ao se pensar em uma planta que faça neutralização e tenha óleo de
soja, se essa planta muda na neutralização química, começa a fazer degomagem enzimática.
Uma planta de biodiesel que faça degomagem enzimática, tenha uma neutralização alcoólica ou
tenha um refino físico, produz ali um ácido graxo, oleína esterifica. Essa planta pode ganhar até
13,85 dólares por tonelada de óleo processado, então, se essa planta processar 400 toneladas
de óleo, é 400x13,85 por dia. Existem casos de plantas que se pagam em menos de um ano,
justamente porque o valor gerado pela enzima é muito significativo, tanto na degomagem quanto
na esterificação. Já considerando o custo da enzima e não o considerando com o acréscimo de
CBIOs, que depende muito da característica do cliente, frete, distância, a RenovaCalc é repleta
de requisitos. O incremento de 13,85 dólares é um acréscimo por vender um éster ao invés de
um ácido graxo no mercado.

Desde o início da apresentação do senhor Renan, em torno de 40 minutos atrás, os processos


enzimáticos aqui no Brasil já geraram em torno de 5.500 dólares pelos processos de degomagem
enzimática, equivalente a 10 mil litros de biodiesel 100% elegível, produzido por rotas enzimáticas,
apenas durante o tempo de apresentação do senhor Renan. E os processos de degomagem
geraram 7 toneladas de óleo adicional que eram perdidos nas gomas, desperdiçado, isso
tudo, em apenas em 40 minutos. Justamente por existir esse tripé: lucratividade, flexibilidade,
sustentabilidade, sendo os processos enzimáticos na indústria de óleo vegetal.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 51


MESA 7 I Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis

MESA 7 | Inovação em Matérias-Primas na


Produção dos Biocombustíveis
Especialistas apresentaram novas fontes de biomassa, processos de conversão avançados e
estratégias de sustentabilidade para impulsionar a produção de biocombustíveis, com foco em
espécies da biodiversidade brasileira.

Gonçalo Pereira, professor da Universidade Estadual de


Campinas (Unicamp), iniciou sua fala destacando a importância
fundamental da energia e seus fluxos para o planeta. Ele
explicou que esses fluxos possuem diversos aspectos que, ao
serem identificados, geram valor e são, consequentemente,
precificados. No entanto, essa valoração não ocorre da forma
adequada, uma vez que o cenário global de energia está
concentrado apenas entre as latitudes de 35˚ Norte e 35˚ Sul.:

Em contraste, a energia social está justamente fora dessa


faixa tropical. Curiosamente, os principais tomadores de
decisão estão em regiões com déficit energético. Portanto,
discussões sobre biocombustíveis e suas limitações globais
são frequentemente lideradas por regiões fora dos locais onde
a produção de biocombustíveis de alta qualidade é viável.
Isso é possível graças à energia transportável, que é levada
desde os países tropicais até as regiões temperadas onde se
encontram os tomadores de decisão.

A desigualdade energética gera, por conseguinte, uma desigualdade social. É um fato simples,
desprovido da necessidade de análises sociológicas complexas. Enquanto um cidadão norte-
americano consome cerca de 280 GJ/habitante, uma pessoa na África consome apenas
11 GJ/habitante. Com o crescimento populacional, a demanda por energia tende a
aumentar, e ninguém renunciará a ela. Quando se considera a competição entre fontes
de energia, é impossível competir com o petróleo em termos de custo e produção.

52 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 7 I Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis

Por exemplo, uma plataforma de petróleo do pré-sal possui mais energia do que toda a
produção de etanol nacional; alguns poucos hectares de cultivo correspondem a mais energia
do que todas as usinas de etanol do país. No entanto, ainda existem fontes de alta valoração
que não foram devidamente precificadas.

É sabido que a demanda por energia e o consumo desenfreado de combustíveis fósseis


resultaram em uma quantidade significativa de CO2 na atmosfera, especialmente após a
Revolução Industrial. Idealmente, uma economia circular perfeita seria um ciclo no qual o CO2
atmosférico é utilizado para formar glicose e biomassa através da fotossíntese, capturando o
CO2 fóssil da atmosfera. No entanto, o mundo opera sob um regime de entropia, desordem e
desorganização, e o que é verdade hoje pode mudar amanhã. A natureza, guiada pela genética, é
estrategicamente egoísta, e os tomadores de decisão sempre mantiveram o controle. Mudanças
significativas só ocorrem por meio de processos de extinção, uma regra, não uma exceção.
Contudo, o ser humano, consciente dos riscos de extinção e com seu alto poder de adaptação,
tenta mitigar impactos significativos, embora o que prevalece atualmente seja a busca por poder
e protagonismo econômico, muitas vezes mascarada pela moralidade.

O conceito de “FoodxFuel” caiu em desuso com a emergência da necessidade de bioenergia


para aeronaves, apresentando a maior oportunidade para quebra de paradigmas e abertura
de mercado. A utilização de bioenergia em voos pode impulsionar o mercado global de
biocombustíveis. Novas vertentes, como os poços de petróleo brasileiros, exemplificados pela
macaúba – uma planta que cresce em áreas degradadas e semiáridas e produz mais biomassa
do que o dendê –, ainda são subexploradas. A ciência e o potencial dessa planta, assim como
a decisão sobre seu desenvolvimento, estão amplamente fora dos trópicos.

O Brasil precisa descobrir e desenvolver tecnologias para novas biomassas voltadas para
biocombustíveis. A biomassa é, em essência, petróleo vivo. Exemplos incluem a Granbio, a
primeira usina de segunda geração do país, que desenvolveu a “energy-cane” com uma produção
de 250 ton/ha, superior à produção normal de cana-de-açúcar com 80 ton/ha. Outras alternativas,
como a magnífica Agave, cuja potencialidade foi descoberta tardiamente em comparação com o
cultivo mexicano que remonta a quase 10.000 anos, mostram um alto potencial de biomassa para
conversão em energia. O projeto BRAVE (Brazilian Agave Development), financiado pela Shell,
com um investimento de 120 milhões de reais, é um exemplo de projeto grandioso que pode
gerar transformação significativa. O Brasil necessita de investimentos robustos e pesquisas de
longo prazo para impulsionar efetivamente a transição energética, com a ANP desempenhando
um papel diferencial nesse processo.

A agave demonstra um desempenho superior em comparação com culturas de biocombustíveis


convencionais, como milho e cana-de-açúcar, em termos de impacto ambiental relacionado
à água, e oferece rendimentos competitivos de etanol. No sertão brasileiro, que representa
mais de 10% do país com 108 milhões de hectares, há uma área promissora para produção e
restauração de áreas degradadas. Estudos na Austrália mostram que, em 1 hectare de agave,
são produzidos 7.414 litros de etanol de 1G e 2G por ano, equivalente a uma produção de 22
bilhões de kg de CO2 puro.

O CO2 gerado pela fermentação da biomassa, combinado com hidrogênio obtido das fontes
eólicas, pode ser utilizado para produzir diversos produtos. A aviação, voltada para a produção
industrial, busca e-fuels em grandes volumes. O que precisamos é de uma economia linear
positiva. A biomassa pode ser combinada com CO2 sequestrado ou biochar, melhorando a
produtividade do campo. E, acima de tudo, é crucial direcionar nossos esforços para o local
certo. A descarbonização deve ser alinhada à geração de emprego.

Não é possível escolher o que acontecerá, mas é possível escolher onde se qualificar. Vocês
são navegadores experientes, e esse caminho é o mais viável. Para isso, é essencial realizar
uma análise de ciclo de vida. Sem essa análise, não podemos tomar decisões informadas.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 53


MESA 7 I Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis

O RenovaBio é uma iniciativa brilhante e inovadora, assim como o Mover e o conceito de


Book and Claim. Quando se produz biocombustível, há dois produtos: um precificado e outro
de valor ainda maior: as mitigações e emissões evitadas, que podem ser valorizadas, mas
ainda não estão totalmente precificadas. Além disso, o RenovaBio precisa de ajustes para que,
ao abastecer com biocombustível, o consumidor receba CBIOs, eliminando a necessidade de
fiscalizar distribuidoras com parte obrigatória. Em suma, é crucial reconhecer a importância
das novas biomassas e seu impacto no setor de biocombustíveis, bem como considerar o fator
exportação. Não adianta o país exportar grandes quantidades de soja se há um mercado interno
que gera renda e desenvolvimento.

Em conclusão, sublinho que, para avançarmos na transição energética e enfrentar os desafios


globais de forma eficaz, é imprescindível reconhecer e valorizar o potencial das novas fontes de
biomassa. O Brasil, com sua biodiversidade rica e áreas degradadas, possui uma oportunidade
única para se tornar um líder global na produção de biocombustíveis inovadores, como a
macaúba e a agave. Esses recursos não só oferecem alternativas sustentáveis ao petróleo,
mas também têm o potencial de gerar impacto econômico positivo e promover a restauração
ambiental. Investimentos robustos, pesquisas contínuas e políticas adequadas e em constante
melhoria, como o RenovaBio, são essenciais para aproveitar essas oportunidades. Ao focarmos
na produção interna e na exportação responsável, podemos garantir que o desenvolvimento
econômico e a sustentabilidade andem lado a lado, beneficiando não apenas o Brasil, mas o
planeta como um todo.

Maurício Antônio Lopes, pesquisador da Embrapa


Agroenergia, parabenizou a Ubrabio pela realização do
Fórum: A discussão iniciou com um enfoque na relevância da
diversificação das fontes de energia renovável e da inovação
tecnológica no contexto da crise climática global. Com uma
análise do crescimento exponencial esperado na demanda por
energia renovável nas próximas décadas, mencionou um artigo
recente que prevê uma produção de 8 bilhões de litros de SAF
(Sustainable Aviation Fuel) no próximo ano, com uma projeção
de 460 bilhões de litros até 2050, evidenciando crescimento
exponencial na demanda. Este crescimento levanta questões
críticas sobre a disponibilidade de matérias-primas (feedstock)
necessárias para atender a essa demanda crescente:

A escassez de provedores e fontes adequadas de biomassa


para fins energéticos é um desafio importante que enfrentamos
globalmente. A demanda energética atual está se tornando
cada vez mais difícil de suprir, o que é preocupante. A busca
por soluções sustentáveis e renováveis se torna crucial em
meio a essa situação. É importante diversificar as fontes de
matéria-prima para evitarmos excessiva dependência de
fontes convencionais, muitas das quais estão associadas
a uma imagem negativa, como o óleo de palma produzido
na Ásia. Isso ajuda a reduzir os impactos negativos e os
riscos associados a essas fontes. A diversificação também
pode proporcionar uma maior resiliência e segurança no
abastecimento de matéria-prima, o que é crucial para avanços
em sustentabilidade, além de otimizar recursos e estimular a
inovação tecnológica.

54 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 7 I Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis

O Cinturão Tropical do Globo oferece condições ideais para liderar essa nova revolução na
energia renovável. Os países localizados nesta região possuem características únicas que os
tornam aptos a comandar e beneficiar-se dessa transição energética. Existe uma ampla gama
de matérias-primas disponíveis que podem substituir o petróleo, sugerindo que o Brasil possui
uma riqueza significativa em recursos naturais para explorar.

Ademais, o Brasil possui uma base sólida de pesquisa e inovação no campo da energia
renovável. A Embrapa, com os seus 43 programas de melhoramento genético e mais de 200
mil acessos de germoplasma, está bem posicionada para desenvolver novas fontes de matéria-
prima, por isso, a importância de transformar essa riqueza em soluções viáveis para atender à
crescente demanda por energia renovável.

A domesticação de novas espécies e a compreensão da variabilidade existente são desafios


complexos. É necessário trabalhar o recurso genético, o melhoramento, e os sistemas produtivos
adequados, além de compreender como produzir e transformar a biomassa em produtos úteis.
A cadeia de inovação necessária para viabilizar novas espécies envolve diversas etapas, desde
a pesquisa genética até a criação de processos produtivos eficazes.

Lopes apresentou duas experiências da Embrapa que ilustram oportunidades de exploração


de novas fontes: a primeira experiência envolve a Macaúba, que é uma palmeira de grande
potencial, que é tradicionalmente explorada por comunidades locais.

A Embrapa está trabalhando para entender e incorporar o conhecimento dessas comunidades,


com o objetivo de aprimorar o extrativismo e promover o cultivo sistemático da Macaúba. É
importante combinar conhecimento acadêmico com práticas tradicionais para desenvolver uma
produção economicamente viável.

A Macaúba é composta por diversas espécies nativas da América, com destaque para a
Acrocomia aculeata, Acrocomia totai e Acrocomia intumecens. A Embrapa está empenhada em
compreender a variabilidade dessas espécies e sua distribuição para explorar seu potencial de
forma eficiente. A pesquisa visa compreender e utilizar essa variabilidade para a superação dos
desafios de desenvolver a Macaúba como um cultivo sustentável. Um exemplo apresentado foi
o trabalho com comunidades no Cariri, no Ceará. Liderado pela pesquisadora Simone Fávaro,
o projeto visa aprender com as práticas locais de extrativismo e estimular o desenvolvimento
de sistemas produtivos de Macaúba no Nordeste brasileiro. O trabalho inclui a integração
da Macaúba com cultivos tradicionais e busca criar uma lógica de produção sistêmica e
multifuncional para evitar problemas associados a monoculturas pouco sustentáveis. Além do
cultivo, a Embrapa está buscando soluções para desafios relacionados ao processamento da
Macaúba. A espécie produz diversos componentes valiosos, como óleos nobres, proteínas e
outras biomassas úteis. No entanto, ainda há uma lacuna em instrumentação e processos
para separar e utilizar eficientemente esses componentes. A Embrapa está desenvolvendo
equipamentos e métodos para superar esses desafios e atrair empresas parceiras para
colaborar na estruturação da cadeia produtiva. O desenvolvimento do zoneamento agrícola de
risco climático para a Macaúba, já iniciado pela Embrapa e parceiros, é essencial para garantir
que o cultivo seja realizado no momento certo e no local apropriado, utilizando as tecnologias e
informações corretas. O zoneamento é uma ferramenta crucial para a gestão de riscos e para
garantir o sucesso do cultivo em novas regiões.

Existem preocupações sobre a possível demonização de fontes de biomassa para energia


renovável caso a transição seja mal conduzida, com a necessidade de evitar problemas
similares aos enfrentados com a produção de óleo de palma na Ásia, que provocou mudanças
indesejáveis no uso da terra e impactos sociais danosos. A solução proposta é incorporar novas
espécies e cultivos em sistemas integrados e multifuncionais, visando a produção diversificada,
sustentável e eficiente.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 55


MESA 7 I Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis

A inovação com a Canola é outra solução promissora para a produção de energia renovável no
Brasil. A espécie tem se mostrado adaptável ao cultivo no cerrado brasileiro e pode ser explorada
em sucessão com a soja. A canola tem o potencial de aumentar significativamente a densidade
energética dos sistemas produtivos e é uma alternativa para melhorar a sustentabilidade e a
eficiência. A Embrapa e empresas parceiras estão avançando no melhoramento genético da
canola para torná-la mais adaptada às condições tropicais do Brasil. O desenvolvimento de
híbridos adaptados para ganhos de heterose, produtividade e eficiência são estratégias que
visam maximizar o potencial produtivo da canola no país.

O modelo ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) é outra revolução, que reflete a


intensificação sustentável na agricultura e está ganhando espaço no Brasil, permitindo a
produção de carne e biomassa de forma sustentável. Esse modelo visa a utilização eficiente
das áreas agrícolas e a integração de diversas práticas produtivas em um mesmo espaço,
promovendo diversificação, sustentabilidade e eficiência.

A experiência da Embrapa, com projetos como o cultivo de Macaúba e a introdução da canola


no Cerrado, exemplifica como a pesquisa e a colaboração podem levar a soluções sustentáveis
e eficientes. A abordagem sistêmica e multifuncional proposta é essencial para alcançar uma
produção diversificada de biomassa e energia renovável que atenda às demandas futuras e
contribua para a sustentabilidade global.

Marcelo Gavião, Gerente de Nova Economia e Indústria


Verde – Representante da ABDI:

O futuro se desenha diante de nós, impulsionado pela


evolução tecnológica e uma jornada transformadora. Estamos
no início de um novo ciclo na trajetória da Agência Brasileira de
Desenvolvimento Industrial (ABDI), com o começo de uma nova
gestão. Este novo momento traz consigo uma visão vibrante,
baseada em vasta experiência e voltada para um tempo de
inovação. Nosso objetivo é continuar nossas missões com
ainda mais eficiência, unindo tradição e vanguarda, experiência
e audácia, transformação digital e sustentabilidade.

A nova fase da ABDI é movida por uma força propulsora de


mudanças sustentáveis, trabalhando para aumentar e promover
a geração de emprego e renda de qualidade. Nossa missão é
clara e inspiradora: estimular a transformação digital, fomentar
ecossistemas de inovação e promover um desenvolvimento
sustentável e inclusivo. Somos, ao lado de tantos outros
parceiros, a voz da nova indústria brasileira, impulsionando
o desenvolvimento nacional. Nosso compromisso vai além
de desenvolver a indústria; queremos construir um futuro
onde a sustentabilidade, inovação e competitividade andem
juntas, gerando empregos de qualidade e fortalecendo nossa
posição no cenário nacional e internacional. Esse é o nosso
compromisso. Esse é o nosso novo tempo. E esse novo tempo
começa agora.

A transição energética no Brasil é um ponto central dessa nova gestão. O biodiesel, definido
pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) como um combustível
composto de alquil ésteres de ácidos carboxílicos de cadeia longa, produzido a partir da
transesterificação e/ou esterificação de gorduras vegetais, ou animais, é uma parte fundamental
dessa transição. Considerado uma fonte renovável, o biodiesel é amplamente utilizado no

56 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 7 I Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis

Brasil em mistura com o diesel fóssil, essencial para as atividades agrícolas e de transporte do
país. A Lei 11.097/05 promove a introdução do biodiesel na matriz energética, incentivando o
uso de biocombustíveis derivados de biomassa renovável. Essa transição é considerada justa,
contemplando a realocação de conhecimento, capital, trabalho digno e integração regional,
sendo uma prioridade na gestão do governo federal.

A mitigação das mudanças climáticas é um tema central, destacando a necessidade de reduzir


as emissões de GEE. No Brasil, o setor de (Agriculture, Forests and other land use – AFOLU)
é um dos setores definidos pelo IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) para a
contabilização de emissões de gases de efeito estufa (GEE), é o maior contribuinte para as
emissões de CO2, com mais de dois terços do total. As políticas públicas e inovações tecnológicas
visam descarbonizar a produção e o uso de energia, promovendo um desenvolvimento
sustentável.

Reduzir as emissões de GEE é um objetivo crucial na transição energética. As inovações para


a descarbonização, como o aumento do uso de biocombustíveis e tecnologias de captura e
estocagem de carbono (CCUS), são estratégias importantes para alcançar esse objetivo. O
documento destaca a importância dos biocombustíveis, especialmente o biodiesel, na transição
energética do Brasil. Ele enfatiza a necessidade de reduzir as emissões de GEE para mitigar as
mudanças climáticas e promover um desenvolvimento sustentável.

O papel das agências reguladoras, como a ABDI, é crucial no processo de desenvolvimento


da indústria no Brasil. A agência conecta as possibilidades do setor público com a agilidade
necessária para o setor privado, sendo um elemento fundamental para a velocidade do
desenvolvimento que o Brasil precisa. A colaboração entre diferentes setores, incluindo o
governo, empresas e instituições acadêmicas, é essencial para transformar o potencial em
riqueza e desenvolvimento para o país.

Um trabalho recente, realizado por nós da ABDI em cooperação com o Ministério da Fazenda,
focou na resiliência em cadeias de valor, especialmente nas cadeias de proteínas e combustíveis,
como querosene de aviação e SAF. O estudo mapeou essas cadeias, identificando gargalos
e propondo estratégias para enfrentar a inflação e promover a transição energética. O estudo
destacou a variação na produção e importação de combustíveis fósseis no Brasil entre 2018
e 2022. A importação de óleo diesel, por exemplo, aumentou significativamente, refletindo a
necessidade de diversificação e fortalecimento da produção nacional de biocombustíveis. A
capacidade de produção de biocombustíveis, como o biodiesel e o diesel verde, é crucial para
reduzir a dependência de importações e promover a sustentabilidade.

O Brasil possui um grande potencial para a produção de biocombustíveis, especialmente


em regiões como a Amazônia, que ainda não exploram adequadamente sua biomassa. O
mapeamento das iniciativas de produção de biocombustíveis revela oportunidades significativas
para o desenvolvimento sustentável e a transição energética. As estratégias para fortalecer
a cadeia de biocombustíveis incluem investimentos em infraestrutura, desenvolvimento de
políticas públicas eficazes e a promoção de parcerias entre o governo, empresas e instituições
acadêmicas. O fortalecimento da agricultura familiar é essencial para garantir a distribuição de
renda e a sustentabilidade no processo de transição energética.Apesar de enfrentar desafios
significativos na transição energética, o país também possui oportunidades únicas para liderar a
produção de biocombustíveis e promover um desenvolvimento sustentável. A colaboração entre
diferentes setores e o investimento em inovação e infraestrutura são essenciais para alcançar
uma matriz energética mais limpa e eficiente. O compromisso da ABDI e de outras instituições
é fundamental para construir um futuro em que sustentabilidade, inovação e competitividade
andem juntas, gerando empregos de qualidade e fortalecendo a posição do Brasil no cenário
nacional e internacional. A nossa missão continuará sendo trabalhada com ainda mais eficácia.
É o encontro da tradição com a vanguarda, da experiência com a audácia, da transformação
digital com a sustentabilidade.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 57


MESA 7 I Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis

Marcelo Lyra, Vice-Presidente de Relações Institucionais e


Comunicação da Acelen, iniciou sua apresentação no I Fórum
Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação destacando
o caráter técnico e robusto do evento, que proporciona um
valioso intercâmbio de conhecimento e interconexões para a
cadeia produtiva. Ele ressaltou a importância das decisões
tomadas no presente, que moldam o futuro global, e afirmou
que a Acelen está comprometida em ajudar o planeta a reduzir
progressivamente as emissões de gases de efeito estufa:

A transição energética é essencial para um futuro mais sustentável e o Brasil, com sua vasta
biodiversidade, está avançando na redução do desmatamento e na preservação ambiental.
O país está prestes a se tornar líder mundial na economia verde e a Acelen desempenha um
papel crucial nesse processo. Em maio de 2023, a Acelen lançou um projeto significativo em
Abu Dhabi, com a presença do presidente brasileiro, do fundo Mubadala Capital e do governo
brasileiro. O projeto, que envolve um investimento de 12 bilhões de reais, visa a produção
de combustíveis renováveis na Bahia e em Minas Gerais, com escala global. Este projeto
inovador inclui a produção de Diesel Renovável e Combustível Sustentável de Aviação a partir
da semente nativa de Macaúba.

Os combustíveis sustentáveis da Acelen serão produzidos em 200 mil hectares de terras


degradadas, com uma redução de até 80% nas emissões de carbono, desde a semente até o
combustível. A produção será de 20 mil barris por dia, totalizando 1 bilhão de litros de Diesel
Renovável e Combustível Sustentável de Aviação. O projeto promete transformar a realidade
de uma região inteira, injetando 85 bilhões de reais na economia brasileira, criando mais de
90 mil empregos até 2035. Lyra também destacou o objetivo de produzir um combustível com
baixíssimo teor de carbono, com menos 60 milhões de toneladas de GEE na atmosfera, além
do plantio de 65 milhões de árvores plantadas ao longo de 20 anos.

O Brasil será reconhecido como líder na economia verde e na transição energética, e a Acelen
se orgulha de ser a pioneira nesse futuro verde. O Brasil tem uma oportunidade única de se
destacar no setor econômico global, especialmente durante a atual tensão energética, por isso
a importância de influenciar a regulação global do setor e a capacidade do Brasil de competir
nesse cenário.

58 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 7 I Inovação em Matérias-Primas na Produção dos Biocombustíveis

Sobre os desafios do setor de aviação, especialmente em relação ao desenvolvimento de SAF


(Sustainable Aviation Fuel), existe uma demanda significativa por volume e firmeza na produção
de SAF e a Acelen está preparada para enfrentar esses desafios. A Acelen foi criada visando
ser relevante na transição energética brasileira, e o fundo Mubadala Capital fez uma aquisição
estratégica da refinaria de Mataripe, a segunda maior do país.

O projeto da Acelen inclui a produção de combustíveis a partir da semente de Macaúba, com um


investimento de 12 a 14 bilhões de reais. Esse projeto envolve uma verticalização da produção
para abastecer o setor de aviação, representando um dos maiores projetos do mundo. O
projeto, com uma área plantada de 200 mil hectares, tem um grande potencial econômico,
gerando um impacto de 87 bilhões de reais em 10 anos e criando 90 mil empregos diretos
e indiretos, por isso a importância desse investimento para o desenvolvimento econômico e
social da região. O próximo passo é a decisão final de investimento, que deve ocorrer nos
próximos meses, seguida pela construção da biorrefinaria, que será implantada na região de
Mataripe, aproveitando a infraestrutura existente e deverá estar pronta em dois anos.

Assim, o projeto tem um impacto transformador, que inclui benefícios ambientais, oportunidades
de mercado e uma significativa transformação social, pautado na integração entre a produção
sustentável e a agricultura familiar, o que contribuirá para a melhoria do IDH na região. O
potencial do mercado de carbono é enorme, destacando que o Brasil pode atrair investimentos
significativos através do excedente de sequestro de carbono. Para isso, é crucial ter financiamento
robusto e ferramentas adequadas para competir globalmente no setor energético.

Reafirmo o compromisso da Acelen com a sustentabilidade e a inovação na transição energética,


posicionando o Brasil e a empresa como líderes em práticas verdes e na economia sustentável.
É o país mais uma vez dando exemplo para o mundo. Os novos combustíveis sustentáveis
projetarão a Acelen como um importante player do setor de energia mundial. E o Brasil como
líder na economia verde e na transição energética, o futuro verde está no país e a Acelen se
orgulha de ser a semente desse futuro.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 59


MESA 8 | Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF
Especialistas discutiram as últimas tendências em tecnologia de produção, rotas tecnológicas
e estratégias para impulsionar o uso de bioquerosene como uma alternativa sustentável aos
combustíveis fósseis.

Flavio Schuch, economista e secretário executivo adjunto


da Secretaria-Geral da Presidência da República:

No atual contexto de crise climática, a busca por soluções


sustentáveis tem se tornado cada vez mais urgente. A
presença de Flavio Schuch, economista e secretário executivo
adjunto da Secretaria-Geral da Presidência da República,
em eventos relacionados ao desenvolvimento sustentável, e
mediador de uma mesa com especialistas discutem as últimas
tendências em tecnologia de produção, rotas tecnológicas e
estratégias para impulsionar o uso de bioquerosene como uma
alternativa sustentável aos combustíveis fósseis, no Fórum,
reflete a continuidade de um trabalho iniciado há anos. Em
2012, o ministro Márcio Macedo, que Schuch representou,
esteve presente no primeiro voo comercial da Gol, destacando
seu envolvimento com o setor. A representação de Schuch
simboliza a continuidade e a importância desse compromisso:

Na Secretaria-Geral da Presidência, vários conselhos e comissões de caráter nacional,


incluindo a Comissão Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS) e a
Agenda 2030, estão em andamento. Acreditamos que nem o Brasil nem o mundo alcançarão
os objetivos da Agenda 2030 sem a adoção dos biocombustíveis. O setor aéreo, por exemplo,
não conseguirá atingir a meta de zerar suas emissões até 2050 sem esses combustíveis
alternativos. Eventos como o que participamos hoje são cruciais para promover essa discussão
e ação. Sou otimista e acredito que, no futuro, as pessoas reconhecerão a importância desses
esforços na construção de uma indústria de biocombustíveis no Brasil.

60 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 8 I Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF

No período, o governo estava prestes a lançar uma política nacional de economia circular, uma
iniciativa comandada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, além de trabalhar no programa de
neoindustrialização. Esses projetos do governo federal são essenciais e inviáveis sem o uso de
biocombustíveis. É importante destacar um ponto crucial: a superação da ideia de que apenas
o governo é responsável pelas políticas públicas. A redução das emissões de combustíveis
fósseis só será possível com a união entre governos, sociedade civil e empresas. Nenhum setor
conseguirá resolver esse problema sozinho.

Proponho abrir uma mesa de diálogo no governo federal sobre como acelerar os projetos
com Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF). Como representante da Secretaria-Geral
da Presidência no Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), reafirmo o
compromisso com a descarbonização da economia, a neutralização das emissões do Brasil e o
desenvolvimento de uma economia circular, com o intuito promissor de sair do Fórum com uma
pauta para fortalecer esse debate dentro do governo. Governar é fazer escolhas, e, apesar dos
inúmeros problemas agravados nos últimos anos, estamos prontos para avançar.

Um grande exemplo de conquista recente foi a luta para restabelecer a taxação sobre os
resíduos. Há muito a ser feito, e a Secretaria-Geral da Presidência está à disposição para
encaminhar esse debate. No dia 24, teremos uma reunião do Comitê Interministerial para
Inclusão de catadores e recicladores, com a presença do presidente. Vamos levar essa pauta
ao Comitê e iniciar essa discussão.

Nas próximas semanas, seria publicada uma lei que permitiria às empresas abater até 1% do
imposto devido para apoiar projetos de reciclagem, com uma liberação de incentivos fiscais
de aproximadamente 300 milhões de reais em 2023. Este é um bom começo, permitindo que
projetos sejam submetidos ao Ministério do Meio Ambiente. Empresas e pessoas físicas poderão
abater parte de seu imposto de renda para apoiar esses projetos. A lei também autoriza a CVM
a desenvolver fundos de investimento para a reciclagem, o que abre grandes perspectivas, e
esperamos avançar nos próximos meses.

O Brasil está no caminho certo para se tornar um líder em sustentabilidade e inovação, e a


cooperação entre todos os setores da sociedade será fundamental para alcançar nossos objetivos.

Amanda Gondim - Coordenadora da Rede Brasileira


de Bioquerosene e Hidrocarbonetos Renováveis para
Aviação – RBQAV:

O Brasil já utiliza 47% de fontes renováveis na matriz energética


nacional, um cenário bem diferente do que é apresentado
mundialmente, com cerca de apenas 14%, de acordo com o
BEN (2023). O país desponta à frente de outros países no uso
de fontes renováveis, uma tendência que deve aumentar com
o PL Combustível do Futuro, incentivando o uso do etanol,
do biodiesel e de outros combustíveis de fontes renováveis.
Inclusive, estão sendo realizados testes de blendas com
biodiesel no setor marítimo, possibilitando a ampliação do uso
do biodiesel.

É importante ressaltar que, para uma evolução contínua na mitigação de emissões, o


setor de transportes merece uma atenção maior, pois ainda possui elevadas taxas de
emissões de CO2. Os setores aéreo e marítimo, por exemplo, têm emissões em torno de
2% a 4%. Embora possa parecer pouco, é uma porcentagem significativa, especialmente
porque esses modais tendem a crescer e são conhecidos como difíceis de descarbonizar.
Neste caso, a infraestrutura existente (navios e aviões) é utilizada por cerca de 25 anos.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 61


MESA 8 I Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF

Ou seja, se forem desenvolvidas novas tecnologias, provavelmente só serão amplamente


utilizadas após 25 a 30 anos, diferentemente da mobilidade urbana que é a cada 10 anos. Como
a infraestrutura representa um investimento muito alto, a troca imediata para a descarbonização
desses dois setores deve passar pela produção de um combustível drop-in, ou seja, um
combustível semelhante ou idêntico ao fóssil para utilização de toda infraestrutura existente.
Esse combustível precisa ser sustentável, utilizável nos equipamentos existentes sem causar
problemas, e contribuir para a mitigação de CO2.

Quanto à demanda dos novos biocombustíveis para 2030, observa-se um aumento de interesse
em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), BioGLP, diesel verde, biobunker, entre outros.
Em relação aos dados de produção e uso de combustíveis sustentáveis de aviação no mundo,
foram anunciados 276 projetos de SAF, com contratos de take-off totalizando 51,2 bilhões de
litros. Infelizmente, no Brasil ainda não há produção, embora diversos projetos tenham sido
anunciados. Destacam-se os combustíveis BioGLP, com uma demanda estimada de 300 Mt/
ano; SAF, com aproximadamente 15 Mt/ano; e diesel verde, com potencial para exceder 40 Mt/
ano. Além desses, outros combustíveis como metanol, amônia, HVO e combustíveis marítimos
também são relevantes.

Os setores de aviação e marítimo vêm buscando soluções inovadoras e com grande desafio
tecnológico impulsionado pelas metas impostas. A Organização Marítima Internacional (IMO)
estabeleceu metas ambiciosas para a redução de emissões: 20% até 2030 e 70% até 2040.
No setor aéreo, a iniciativa CORSIA visa reduzir as emissões à metade até 2050, com custos
adicionais para o carbono emitido a partir de 2027. Essas metas exigem o desenvolvimento
de combustíveis alternativos e soluções tecnológicas avançadas. A exemplo disto, a Airbus
está explorando o uso de hidrogênio líquido em aeronaves, no entanto, deve ser armazenado a
-253°C, oferece uma densidade de energia muito superior aos combustíveis convencionais. Por
outro lado, o setor marítimo também vem buscando combustíveis alternativos, como o hidrogênio,
amônia, metanol e bioGLP. Os equipamentos dos navios, assim como os dos aviões, precisam
de energia de alta densidade energética líquida. A eletrificação está distante, seja por hidrogênio,
amônia ou metanol, que ainda está em desenvolvimento, mas enfrenta desafios. Ambos os
setores precisam investir em pesquisas e infraestrutura para adaptar essas novas tecnologias,
garantindo que possam operar de maneira eficiente e sustentável no futuro.

Dentre os biocombustíveis citados, o biometano surge como um desafio, mas com grandes
perspectivas, sendo uma grande fonte de mitigação que deverá crescer, inclusive na
descarbonização da industrialização. Podendo ser produzido a partir de resíduos, agregar valor
às usinas existentes, em biodigestores e com a possibilidade de uso como matéria-prima de
combustíveis líquidos. Este é um dos objetivos da planta piloto para produção de bio-syncrude
a partir do biogás em Itaipu Binacional, que será inaugurada durante o 3º Congresso da Rede
Brasileira de Bioquerosene e Hidrocarbonetos Sustentáveis para Aviação (RBQAV) que acontecerá
em Foz do Iguaçu, Paraná. No Rio Grande do Norte, temos uma planta que utiliza o processo
Fischer-Tropsch, Hidroprocessamento e Isomerização para produção de SAF. Essas iniciativas no
Brasil são extremamente importantes para o desenvolvimento dessa tecnologia nacional.

As universidades e institutos de pesquisas estão contribuindo incessantemente na pesquisa


de processos e biomassas e enfrentando os desafios para inovação e viabilidade de projetos
relacionados aos combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). Diante disso, no Brasil, há um
desafio no investimento em desenvolvimento, pesquisa e inovação. Se questionarmos por que
nos Estados Unidos estão produzindo e no Brasil não, a resposta é que, há dez anos, eles
começaram a investir na pesquisa e desenvolvimento e agora estão investindo na indústria.
Precisamos, de fato, tomar decisões políticas para proporcionar segurança aos investimentos
necessários para o desenvolvimento da produção no país. A diversificação da produção em
biorrefinarias, a superação de desafios regulatórios e o fortalecimento do mercado interno são
passos cruciais para o sucesso dessa empreitada. A colaboração entre indústria, academia e
governo é essencial para transformar nosso potencial em realidade, criando uma indústria de
biocombustíveis robusta e sustentável que beneficiará não apenas o Brasil, mas o mundo inteiro.

62 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 8 I Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF

Otávio Cavalett, líder da Boeing para Políticas Públicas


e Parcerias em Sustentabilidade para América Latina e
Caribe e diretor de Biocombustíveis de Aviação da Ubrabio:

Primeiramente, parabenizo a iniciativa do evento para o setor de aviação. A Boeing tem apoiado
a meta da aviação comercial internacional de atingir zero emissão líquida de carbono até
2050, um compromisso extremamente ambicioso e desafiador. Isso não é algo que uma única
companhia aérea, fabricante, academia ou governo possa resolver sozinho, é necessária a
colaboração de todas as partes interessadas na cadeia.

A Boeing promove vários pilares para a descarbonização. O primeiro é a renovação da frota. Os


aviões mais modernos entregues hoje conseguem reduzir as emissões em torno de 20% a 30%
em comparação com os aviões que estão substituindo, uma grande eficiência que se reflete na
redução de emissões. O setor de aviação já é extremamente eficiente em relação ao passado,
reduzindo enormemente o consumo em comparação com o início da aviação. Por exemplo, um
avião moderno hoje é mais eficiente e emitindo menos por passageiro-quilômetro do que um
veículo à gasolina com único passageiro, algo comum no trânsito de São Paulo.

Outro ponto é a eficiência operacional, com sistemas de navegação mais eficientes e melhor
gerenciamento de rotas e do peso das aeronaves, o que pode reduzir entre 8% e 10% as
emissões. Este é um setor no qual a aviação já trabalha para implementar. As tecnologias
mais avançadas incluem novos modelos de aeronaves e sistemas de voo, como aeronaves
autônomas elétricas e protótipos como o X-66 da Boeing, que, se bem-sucedidos, poderão
reduzir adicionalmente até 30% das emissões no futuro.

O quarto pilar, talvez o mais importante, é o uso de energia renovável, incluindo eletricidade
renovável, hidrogênio verde e principalmente o uso de SAF (combustíveis sustentáveis de
aviação). Recentemente, a IATA comparou treze cenários para descarbonização da aviação
até 2050 e todos envolvem o uso de SAF, com uma maior ou menor participação. A Boeing
tem uma longa história de pesquisa e desenvolvimento de SAF. Por exemplo, começando em
2008 onde realizamos os primeiros ensaios, até os testes com uso de 100% de SAF em 2018.
A empresa se comprometeu a entregar aviões certificados para usar 100% de SAF a partir de
2030, apesar dos longos caminhos de certificação.

Como um dos principais compradores de SAF no mundo, a Boeing utiliza do combustível


renovável para operações internas, transporte de peças e entregas de novas aeronaves. Em
2023, a empresa comprou 21 milhões de litros de SAF e tem contratos para chegar até 36 milhões
de litros em 2024. Além de reduzir as emissões da companhia, isso demonstra a viabilidade e
ajuda a alavancar o mercado de SAF em todo o mundo. Em um exemplo recente, a Boeing
ajudou a realizar um voo transatlântico com a Virgin Atlantic usando 100% de SAF nos dois
motores, demonstrando a viabilidade e segurança do uso de SAF em voos de longa distância.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 63


MESA 8 I Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF

No Brasil, a Boeing Pesquisa em Tecnologia completou 10 anos de atuação, realizando


trabalhos importantes incluindo estudos sobre o potencial de SAF no Brasil. Um exemplo é a
colaboração com a Roundtable for Sustainable Biomaterials (RSB) onde quantificamos que o
Brasil poderia atender mais de 100% da demanda atual de SAF apenas com o uso de resíduos.
Outro exemplo é o projeto SAF Maps, que é uma ferramenta desenvolvida com a Universidade
de Campinas, a Unicamp, onde a gente consegue mapear as principais matérias-primas para
SAF no Brasil, onde elas estão, assim como os principais portos, aeroportos e infraestrutura.
Nessa versão 3, os critérios de sustentabilidade do CORSIA, estão sendo também incluídos
nessa ferramenta. Esta ferramenta está disponível gratuitamente na web e é extremamente
importante para a gente visualizar esse potencial de SAF nas diferentes regiões do Brasil. A
ferramenta é fácil de usar, permitindo sobrepor esses mapas e entender realmente o potencial
de SAF no país.

A Boeing tem conversas sobre SAF em várias regiões do mundo. Este ano, nosso Fórum
global de sustentabilidade, o Sustainable Aviation Together Fórum, vai acontecer em Montreal,
no Canadá, onde serão discutidos os principais avanços sobre SAF no mundo, incluindo as
questões e o papel do Brasil. Entre estas questões estão a abundância de matérias-primas, que
a gente consegue ver nas ferramentas que estamos desenvolvendo aqui, como o SAFmaps,
mas também as políticas públicas que estão sendo desenvolvidas no país. Outra questão é a
proatividade da nossa indústria aérea. O país tem as companhias aéreas que, em um cenário
de desafios econômicos grandes, têm sido proativos em estabelecer metas voluntárias para o
uso de SAF, se antecedendo à regulamentação e às políticas públicas, fazendo pilotos de book
and claim. Embora a regulação ainda não esteja estabelecida, a indústria, basicamente, está
indo à frente da regulação e sendo proativa nesse papel da descarbonização da aviação.

E o último que gostaria de destacar é a colaboração internacional. O Brasil tem sido um ator
fundamental em nível mundial, e a ANAC merece ser parabenizada por sua atuação no Corsia.
O Brasil tem sido um ator chave em brigar pelas coisas que são justas e importantes para nosso
país, sobre como escalonar a produção de SAF em todo o mundo, com grandes oportunidades
de colaborações com outros países. Então, há uma oportunidade para levar para fora os nossos
diferenciais, o potencial de geração de externalidades positivas, e tentar viabilizar um mercado
internacional para algumas das matérias primas que ainda não são amplamente difundidas e
aceitas, sejam por restrições técnicas, tarifárias ou políticas.

64 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 8 I Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF

Itania Soares, pesquisadora da Embrapa Agroenergia:

A Embrapa Agroenergia, situada em Brasília, se diferencia das demais unidades da Embrapa


por seu enfoque específico em processos e produtos voltados para a geração de energia e
bioprodutos. A equipe é composta por agrônomos, engenheiros, químicos, farmacêuticos, biólogos
e economistas, que colaboram para enfrentar os desafios da produção sustentável de energia.

A equipe do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) concluiu que a implantação


em larga escala de combustíveis alternativos para aviação (AJFs) e a capacidade do setor de
aviação de mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) por meio de seu uso serão
limitadas por uma série de fatores: a sustentabilidade e a disponibilidade da matéria-prima; o
custo de produção; e a extensão em que esses combustíveis serão comercializados.

A produção de biocombustíveis, especialmente bioquerosene, envolve várias rotas e matérias-


primas e os processos. Dentre as rotas destacam-se o hidrotratamento, a fermentação
enzimática e os processos Fischer-Tropsch (FT) e Alcohol-to-Jet (ATJ). O hidrotratamento
é frequentemente o estágio final, exceto na rota enzimática a partir de açúcares e amido.
A diversificação das matérias-primas e a logística de distribuição são vitais para o sucesso
dos programas de biocombustíveis. A Embrapa acredita que é de extrema importância o
mapeamento e identificação de resíduos que podem ser aproveitados, promovendo a economia
circular e a logística reversa. A SEASA, em Brasília, é um exemplo prático, gerando cerca de 5
mil toneladas de resíduos anuais, que poderiam ser utilizados na produção de biogás.

Dados da Associação Brasileira de Reciclagem Animal indicam um grande potencial na utilização


de resíduos do abate de animais. Em 2022, considerando apenas ruminantes, foram geradas
mais de 700 toneladas de resíduos, que poderiam ser aproveitadas, por exemplo, na produção
de hidrocarbonetos utilizados como biocombustíveis. A Embrapa desenvolveu um projeto em
parceria com a Embrapii e uma startup, focado na utilização de resíduos animais, que alcançou
o TRL3, gerando Bio-Oil com rendimento superior a 70% em hidrocarbonetos.

A utilização de biomassa residual e a diversificação das matérias-primas são estratégias


fundamentais para o sucesso dos programas de biocombustíveis no Brasil. A Embrapa
Agroenergia, com sua equipe multidisciplinar e projetos inovadores, desempenha um papel
crucial nesse cenário, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a promoção da
economia circular.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 65


MESA 8 I Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF

Gilberto Peralta, presidente da Airbus Brasil, apresentou uma


visão abrangente sobre os esforços da empresa em educação
comercial e sustentabilidade no setor de aviação. Ele destacou
que apenas três entidades, Airbus, Embraer e Boeing, são
pilares nessa área. Dois aspectos fundamentais unem essas
organizações: a segurança do voo e o desenvolvimento de
combustíveis alternativos. A segurança do voo é prioritária, com
a investigação de acidentes visando a prevenção de futuras
ocorrências, e não a atribuição de culpas. Em relação aos
combustíveis, a Airbus está alinhada com outras entidades no
desenvolvimento e uso de combustíveis alternativos. Gilberto
mencionou o primeiro voo no Brasil com combustível alternativo,
realizado pela Airbus em um A320 da TAM em 2009, seguido por
outros avanços até 2013.

A Airbus tem metas ambiciosas de descarbonização, com redução de 63% nas emissões industriais
(Escopo 1 e 2) e 46% nas emissões de CO2 de aeronaves comerciais (Escopo 3). A empresa
também planeja oferecer aeronaves movidas a hidrogênio até 2035, visando a descarbonização
completa da aviação até 2050, conforme as metas estabelecidas pela ATAG e IATA.

Gilberto ressaltou que a eficiência sempre foi um foco na aviação, inicialmente por razões
econômicas e agora também ecológicas:

25% das aeronaves atuais da Airbus consomem 25% menos combustível em comparação
com gerações anteriores, contribuindo para a redução de emissões de CO2. A estratégia de
descarbonização da Airbus é multifacetada, abrangendo desde a introdução de aeronaves
de última geração até o uso de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e tecnologias
disruptivas. Por meio de operações e infraestrutura: soluções de otimização operacional podem
reduzir até 10% das emissões de CO2. Do SAF (Combustíveis Sustentáveis de Aviação): que
podem reduzir até 80% das emissões durante o ciclo de vida completo do combustível. Das
tecnologias disruptivas: a Airbus pretende introduzir aeronaves abastecidas com hidrogênio
no mercado até 2035 e medidas de mercado que incluem regulamentações como EU ETS e
Corsia, além de medidas voluntárias como DACCS.

A Airbus utiliza uma porcentagem significativa de SAF (Combustível Sustentável de Aviação)


em suas operações, com a intenção de aumentar esse uso continuamente. Em 2023, a
empresa consumiu 2% de todo o SAF produzido no mundo, superando a meta de 10% de uso
interno. A empresa também visa utilizar meio milhão de litros de SAF em 2024 nos Centros de
Atendimento ao Cliente da Airbus Helicopters em todo o mundo, além de incorporar SAF em
voos internos, com uma meta de 15% de uso em 2024.

A importância do Brasil no cenário global de SAF foi destacada devido à sua matriz energética
altamente renovável, vasta experiência em biocombustíveis e capacidade tecnológica. O Brasil
é o primeiro país da América Latina a regulamentar o uso de SAF, participará obrigatoriamente
do Corsia a partir de 2027 além de possuir o maior número de projetos anunciados de produção
de SAF na América Latina, com oito projetos em andamento.

Envolvida em projetos voltados para a descarbonização da aviação na América Latina de forma


sustentável, a Airbus possui projetos que incluem a análise de cenários para o uso de SAF em
diversos países, como Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México e Peru. Para finalizar, é importante
enfatizar a necessidade de uma estratégia conjunta entre setores público e privado para reduzir
os custos de produção de SAF, desenvolver a infraestrutura de distribuição e armazenamento,
e tornar o SAF competitivo no mercado global. A Airbus está comprometida em liderar esses
esforços, aproveitando a experiência e capacidade tecnológica do Brasil para atingir suas metas
ambiciosas de descarbonização.

66 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 8 I Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF

Primeiramente, diretor da Agência Nacional de Aviação Civil


(ANAC), senhor Rogério Benevides menciona a importância
do evento, realizado no Dia do Meio Ambiente.

Ele destaca que na ANAC foi lançado um prêmio de


sustentabilidade que premia aeroportos e empresas aéreas
por suas iniciativas ambientais, bem como ressaltou que dentre
outros compromissos para esta data, ele optou por participar
do fórum devido à relevância do tema. Inicialmente, compartilha
duas mensagens importantes: a primeira sobre o papel crucial
do Brasil no programa de desfossilização no setor de transporte
aéreo. Destaca que o Brasil é considerado um ator essencial no
programa SAF (Sustainable Aviation Fuel) mundial e que não
se discute mais esse programa sem mencionar o Brasil. Ele
ressaltou que, embora ainda não haja produção significativa,
o Brasil tem grande potencial para a produção de SAF, em
função de suas características naturais e deve aproveitar
esta oportunidade para trazer significativos benefícios para a
sociedade internacional e nacional.

A segunda mensagem foca na importância do programa SAF aviação, e que os avanços não
podem parar. O senhor Benevides relembrou a resistência inicial ao programa do biodiesel, que
se tornou um sucesso, e acredita que o mesmo pode acontecer com o programa de combustíveis
sustentáveis para a aviação. Ele ressalta que, até 2030, os aviões estarão voando com SAF,
independentemente dos desafios e que este aspecto deve ser tomado como um guia para a
definição de políticas públicas pelas autoridades competentes.

Ao se fazer uma retomada do histórico das iniciativas de sustentabilidade na aviação, desde a


crise do petróleo na década de 1970, a aviação civil tem buscado formas de aumentar a eficiência
das aeronaves e reduzir o impacto ambiental. Ao longo das décadas, a aviação civil tem passado
por diversas fases de desenvolvimento em resposta aos desafios ambientais e energéticos. Na
década de 1970, em resposta à crise do petróleo, iniciou-se o desenvolvimento de aeronaves
mais eficientes em termos de consumo de combustível. Nos anos 1980, foram introduzidos os
primeiros padrões ambientais relacionados aos ruídos das aeronaves, marcando o início de uma
preocupação crescente com o impacto ambiental da aviação.

Na década de 1990, houve a adoção de padrões de emissões de motores, refletindo uma


preocupação mais ampla com a poluição do ar. Nos anos 2000, o foco na sustentabilidade e na
redução de emissões de CO2 aumentou significativamente, preparando o terreno para iniciativas
mais concretas nos anos seguintes. Na década de 2010 a 2020, foi consolidado o programa
CORSIA (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation), que colocou uma
ênfase ainda maior na sustentabilidade e na redução de emissões de carbono estabelecendo
concretamente obrigações de redução de emissões de CO2 para as empresas aéreas com voos
internacionais.

A partir de 2020, foram estabelecidas metas de longo prazo, incluindo a ambiciosa meta de
atingir Net Zero em 2050. Nos últimos anos, a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI)
tem promovido diversas iniciativas para reduzir as emissões na aviação. Especificamente em
2022, durante a 41ª Assembleia da OACI, foi aprovada a meta aspiracional de longo prazo (LTAG)
de alcançar Net Zero em 2050. Em 2023, um acordo multilateral (CAAF/3) foi estabelecido para
reduzir as emissões em 5% até 2030. Além disso, foram lançadas iniciativas como o FinvestHub,
para facilitar o acesso a investimentos, e o ACT-SAF, para apoiar o desenvolvimento de
combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF).

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 67


MESA 8 I Tecnologias na Produção de Bioquerosene/SAF

A ANAC, com base em estudos desenvolvidos por especialistas no setor, destaca a necessidade
de produzir 490 megatoneladas de SAF por ano até 2050, o que requer um investimento de
R$1,45 trilhão ao longo de 30 anos. Esses esforços são essenciais para alcançar as metas
estabelecidas e garantir um futuro sustentável para a aviação civil.

Neste contexto, de acordo com o diretor, o Brasil deverá desempenhar um papel crucial no
sucesso do programa de descarbonização da aviação civil internacional e nacional. Cabe
ressaltar também que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) tem promovido várias
iniciativas nacionais para incentivar a produção e o consumo de Combustíveis Sustentáveis de
Aviação (SAF). Neste contexto a ANAC tem trabalhado intensamente com objetivo de desenvolver
ambientes adequados para a discussão dos desafios para produção de SAF juntamente com
todos os atores principais que tratam do tema. A identificação dos principais atores na cadeia de
produção, distribuição e consumo de SAF no Brasil tem sido fundamental. Esses atores incluem
produtores de biomassa, refinarias, empresas de logística e distribuição, além das companhias
aéreas que irão utilizar o SAF. A colaboração entre esses diferentes setores é essencial para o
sucesso do programa. A estruturação de uma rede de discussão é considerada estratégica e
essencial para a viabilização da produção de SAF. Essa rede reúne especialistas, empresas e
órgãos reguladores para compartilhar conhecimentos, experiências e soluções, promovendo um
ambiente de cooperação e inovação.

Outra iniciativa importante é a possibilidade de introdução de novos conceitos na aviação


comercial, por exemplo a implementação de atributos sustentáveis nas passagens aéreas,
conhecida como "Voo Verde", visando incentivar os consumidores a optarem por voos que
utilizam SAF ou mesmo sua compensação no que se refere à emissão de CO2. Essa iniciativa
busca aumentar a demanda por combustíveis sustentáveis, contribuindo para a redução das
emissões de carbono na aviação.

Outro destaque é a adoção de uma Padronização Internacional estabelecida pela Organização


de Aviação Civil Internacional (OACI). A harmonização com as normas internacionais facilita
a integração do Brasil no mercado global de SAF. Também foi mencionado a necessidade
do desenvolvimento de políticas nacionais e um planejamento estratégico para consolidar a
descarbonização da aviação no Brasil. Essas políticas devem incluir incentivos fiscais, subsídios
para pesquisa e desenvolvimento, além de programas de financiamento para projetos de
produção de SAF.

A descarbonização da aviação é uma realidade consolidada e irreversível. A ANAC, juntamente


com outros atores do setor, está comprometida em promover a produção e o uso de combustíveis
sustentáveis para aviação, contribuindo para um futuro mais sustentável. O Brasil tem uma
oportunidade única de liderar essa transformação, aproveitando seu potencial para produzir
SAF em larga escala e implementar práticas de sustentabilidade na aviação civil. Por meio de
iniciativas coordenadas e políticas estratégicas, aliados a vasta disponibilidade de biomassa e
expertise em tecnologias de biocombustíveis, certamente, o país pode se tornar um protagonista
global na descarbonização da aviação.

68 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 9 I Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos

MESA 9 | Precificação dos Investimentos,


Biocombustíveis e Coprodutos
Especialistas abordaram diferentes modelos de precificação, os fatores que influenciam os
preços dos biocombustíveis, além de investimentos, coprodutos e tendências do mercado.

Rafael Walendorff, repórter no Valor Econômico:

O setor de biocombustíveis no Brasil enfrenta um cenário de


crescimento acelerado, mas também de desafios significativos.
A cadeia de produção de biodiesel não é linear. Envolve uma
complexa rede de coprodutos, investimentos e impactos
financeiros. Dentre esses coprodutos, a glicerina tem se
destacado, trazendo novas oportunidades e desafios para o
setor.

O mercado de glicerina, especificamente, está passando por


uma transformação. O aumento da produção de biodiesel
resultou em uma maior disponibilidade de glicerina, um
coproduto valioso que, se bem aproveitado, pode gerar
receita adicional para as usinas. No entanto, a precificação
da glicerina ainda é um ponto de incerteza. A dependência
do mercado chinês, que detém 40% da demanda global, e as
variações nos custos de frete internacional, tornam o cenário
desafiador para os produtores brasileiros, como afirmou João
Artur Manjabosco. Head of Commercial – Óleo LATAM na
Cremer Oleo.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 69


MESA 9 I Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos

Outra questão levantada na mesa foi a perspectiva midiática que gira em torno do biodiesel e
seus coprodutos, que são amplamente reconhecidos tanto nacional quanto internacionalmente.
Mas a sociedade está disposta a arcar com seus custos? Não se pode analisar apenas o preço
do biocombustível em comparação com o diesel, pois há outros valores implícitos. A crise no
Rio Grande do Sul ilustra que, embora o aumento do uso de biodiesel no Brasil não resolva
o problema, a transição energética para uma economia verde, como menciona o professor
Gonçalo, poderia mitigar os impactos das mudanças climáticas.

Como foi afirmado pelo Vice-Presidente Técnico da Ubrabio Leonardo Zilio, o uso ampliado
de biodiesel pode contribuir para a redução dos custos associados aos impactos climáticos.
Quantificar o custo do tratamento de doenças respiratórias em São Paulo em reais por litro
de biodiesel é desafiador. Contudo, estudos da Empresa de Pesquisa Energética e da OMS
indicam que o maior uso de biocombustíveis reduz esses custos. É crucial que a discussão
ultrapasse as comparações de preços. O etanol, por exemplo, não é viável apenas pela
paridade de 70%; há outros valores e custos que a sociedade brasileira ainda não considera,
mas precisa, como já fazem a Califórnia e a Europa. Gradualmente, será possível estabelecer
uma cultura onde valor é distinto de preço e onde a redução de custos deve ser vista não
apenas como consumidores, mas como cidadãos.

Outro aspecto de extrema relevância levantado na mesa Precificação dos Investimentos,


Biocombustíveis e Coprodutos foi a segurança jurídica. O que é fundamental para a estabilidade
e para o crescimento do setor de biocombustíveis. Investidores precisam de garantias
sobre a manutenção dos incentivos fiscais e um ambiente regulatório previsível. A recente
Medida Provisória que impactou os créditos de PIS e Cofins gerou incertezas e mostrou a
vulnerabilidade do setor às mudanças repentinas na legislação. Um marco regulatório sólido e
claro é necessário para proporcionar a confiança necessária aos investidores.

As usinas de biodiesel devem se preparar internamente para enfrentar esses desafios.


A organização interna, o compliance e a segurança jurídica são essenciais para atrair
investimentos. As empresas precisam garantir que suas operações estejam em conformidade
com as normas e que todos os processos sejam transparentes. Isso facilitará o processo de due
diligence e tornará as usinas mais atraentes para os investidores.

Apesar dos desafios, o Brasil tem se consolidado como um grande player no mercado global
de biocombustíveis. O país possui um enorme potencial de crescimento, especialmente com
o aumento da demanda por soluções energéticas sustentáveis. As usinas precisam aproveitar
essa oportunidade, investindo em tecnologias e processos que agreguem valor aos seus
produtos e coprodutos.

A destilação da glicerina é um exemplo de área com grande potencial de crescimento. Embora


a produção de glicerina bruta esteja alta, a capacidade de destilação ainda é subutilizada.
Investir em plantas de destilação pode abrir novos mercados e aumentar a receita das usinas.
A glicerina destilada tem um mercado mais amplo e pode ser utilizada em produtos de maior
valor agregado, como alimentos e cosméticos.

O setor de biocombustíveis no Brasil tem um futuro promissor, mas precisa superar desafios
significativos. A organização interna, a segurança jurídica e a precificação correta dos benefícios
ambientais são fundamentais para atrair investimentos e garantir um crescimento sustentável.
Com as medidas certas, o Brasil pode continuar a liderar o mercado global de biocombustíveis
e contribuir para a transição energética mundial.

70 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 9 I Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos

Carlos Derraik, representante da Natural Energia, deu início


a sua fala trazendo um pouco da experiência em processos de
investimento e fusões e aquisições:

Tudo que foi visto no Fórum, ao longo desses dois dias, resulta
em um tipo de investimento, ou seja, materializa-se, ao fim, em
investimentos necessários para que todo o biodiesel e SAFs
sejam produzidos e desenvolvidos. O que temos observado
é que já houve uma consolidação no setor de biodiesel
após algumas recentes fusões e aquisições relevantes no
setor. O que entendemos é que o setor precisa se preparar
à medida que há todas essas novas regras governamentais
sendo implementadas para estimular a produção desses
biocombustíveis, o que implica arrumar a casa.

O que significa arrumar a casa? Sempre que um interessado decide investir em uma empresa,
ele passa por um processo chamado due diligence. Este que consiste numa investigação
completa para identificar os riscos inerentes e existentes na empresa alvo. Basicamente, busca-
se identificar e precificar riscos existentes no negócio. Após identificá-los e precificá-los, esses
riscos serão atribuídos ao valor do negócio. Assim, quanto maior o risco do investidor, mais
descontos do preço ou garantias exigirão o investidor para fazer o negócio.

Quando falamos de investimento, estamos falando de fusões e aquisições, basicamente. Pode


ser a aquisição completa da empresa ou a aquisição parcial, onde o investidor compra uma
parte da empresa ou investe na empresa e obtém uma participação. Durante esse processo,
ele realiza toda essa investigação. É crucial que os senhores prestem atenção à contabilidade,
pois é dela que saem todas as informações que o investidor busca na empresa alvo. Se a
contabilidade da empresa estiver correta, com todas as operações do dia a dia identificadas,
metade do caminho já está percorrido.

O investidor também examinará a exposição jurídica, ou seja, ações trabalhistas, ações tributárias,
entre outras, que resultam em contingência financeira na hora de precificar o investimento. Em um
processo de M&A, exige-se preparação. E essa preparação inclui olhar para dentro da empresa,
entender quais são os problemas, identificar esses problemas, endereçá-los e resolvê-los.

Nos processos de M&A, geralmente, faz-se um contrato de compra e venda, endereçando


todos esses problemas. Quando os riscos são identificados, fica fácil para nós, advogados,
protegermos tanto o vendedor quanto o comprador. O grande problema ocorre quando não
se conhece os riscos, existem muitos passivos ocultos, sendo aquelas contingências que o
investidor não consegue identificar durante o processo de due diligence. É aí que surgem as
grandes brigas e as discussões nestes processos, que incluem, obviamente, desconto no preço
e apresentação de garantias por parte do vendedor. Para se proteger e evitar problemas futuros,
o investidor exigirá garantias, que podem ser garantias comuns, como a garantia real, retenção
de preço, ou até a criação de uma conta Escrow, na qual é depositada parte do preço do negócio
e ali permanece até que os riscos se dissipam.

É importante que todos conheçam profundamente suas empresas, pois isso tornará o
processo de investimento mais simples e menos doloroso. Com os M&As agregando cada
vez mais aspectos, como compliance e relações governamentais, é necessário estar atento
às leis anticorrupção, como a lei anticorrupção brasileira e o FCPA nos Estados Unidos, e
ao cumprimento de regras socioambientais. Recentemente, em uma operação de biodiesel,
enfrentamos um grande problema com o comprador devido à falta de comprovação de origem
do estoque de soja, ou seja, se esta soja cumpria com as regras socioambientais. O comprador
desistiu de adquirir uma boa parte do estoque, o que poderia resultar em um impacto financeiro
significativo não tivesse sido depois minimizado pelo vendedor. Por isso, é crucial que todos os
detalhes estejam em ordem.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 71


MESA 9 I Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos

É fundamental ter a casa arrumada, independentemente de haver ou não um investidor, pois


nunca se sabe quando surgirá uma oportunidade de crescimento. Com tudo o que vimos nesses
dois dias, podemos acreditar que o mercado crescerá absurdamente e o Brasil se tornará ainda
mais protagonista. Portanto, é essencial estar preparado para aproveitar essas oportunidades.

O setor não pode ser pego de surpresa, como aconteceu recentemente com a MP que deixou
o mercado em polvorosa devido ao bloqueio de PIS e Cofins. Além disso, os incentivos fiscais
são um ponto importante. Quando um comprador decide investir, ele exige garantias de que
esses incentivos serão mantidos. A transferência ou manutenção desses incentivos durante a
aquisição total, ou parcial, de uma empresa pode ser complicada, pois depende do governo.
Essa MP veio para diminuir o creditamento de PIS e Cofins, restringindo a utilização desses
créditos. Especialmente para as exportadoras, que têm isenção na exportação, o crédito vira
custo, impactando significativamente os negócios.

João Artur Manjabosco, Head of Commercial – Oleo LATAM


na Cremer Oleo e Diretor de coprodutos da Ubrabio, deu
início a sua fala agradecendo toda a equipe da Ubrabio pela
organização do Fórum:

Para o pessoal que conhece o biodiesel de tempos atrás,


relembro da época do leilão antes do ComprasNet. Ou ainda
antes, que era com envelope no sistema do Banco do BR, tinha
que homologar, era todo um procedimento. Então, passamos
por toda essa evolução no setor e, atualmente, algumas
incursões em alguns países diferentes. Por exemplo, agora
todo ano, em março ou final de fevereiro, tem a POC, que é
a Price Outlook Conference dos óleos de palma, etc. Ou seja,
é o principal evento que fala de precificação de óleo. Porque
quando se fala em óleo, remete a 20%, 30% do óleo global
que se consome, é óleo de soja, certo? O resto está se falando
principalmente de óleo de palma. Então, aí que está o grande
driver. E ele se impressiona, ao longo dos anos, ao longo do
tempo, como se tem uma percepção diferente da indústria
global referente ao Brasil. A quantidade de matéria-prima que
se vai continuar agregando valor é realmente diferenciada.

Nesse processo de crescimento, resgato a época na Camera Agroalimentos. Para quem não
conhece, a Camera é uma esmagadora de soja na região sul do Rio Grande do Sul, estavam
decidindo o investimento na primeira planta de biodiesel do grupo. E aí o Roberto Kist comentou
assim, e a glicerina, o que se vai fazer com isso? Ah, bota na mão de Deus e vai achar uma
coisa para fazer com isso. Esse era o panorama em 2008 para esse produto. Era o patinho
feio da vez... Um resíduo, um custo. Ano passado, em 2023, foram exportados 160 milhões de
dólares desse produto. Dentre eles, uma parte de glicerina já destilada, que é essa glicerina
que se consome, às vezes sem saber, com pasta de dente, sendo o consumo mais normal,
mais usual que se tem, mas, na verdade, 40, 45% do consumo global de glicerina em sua forma
refinada é destinado para produção de epicloridrina, porque, na verdade, hoje praticamente não
se consome a glicerina que sai do biodiesel.

A glicerina de transesterificação, com 80% de glicerol, sempre passa por um processo de no


mínimo destilação, vai para 99%, às vezes 95%, dependendo da aplicação. E aí se fala da
epicloridrina, que é a base da resina epóxi. E a resina epóxi serve para tintas e ela principalmente serve
para a produção do MDF, essa cola que vai para a geração de móveis. Então, sim, é verdade dizer
que um aumento na demanda global do setor de construção civil impacta na glicerina. No passado,
isso era um problema, isso era um passivo ambiental. Inclusive se tinha que pagar para retirar.

72 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 9 I Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos

Quando se pegava, por exemplo, no Crush Margin, se tinha uma dificuldade de alocação de óleo.
A própria Camera lá atrás, em Estrela, tinha uma fábrica de esmagamento de 600 toneladas por
dia, que na época para aquele padrão era grande, e tinha um parque de tancagem de 20 mil
toneladas de óleo. Por quê? Porque não tinha alocação para esse óleo.

E aí vem o biodiesel, o advento e a agregação de valor. Nesse processo, se vê diversos grupos


se estruturando, alguns deles já em um estágio bem avançado, por exemplo, na agregação
de valor, ou seja, para esse processo de glicerina destilada. Não se pode falar desse produto,
porque basicamente, como existia glicerina antes do mercado? Se tinha os álcoois graxos
e ácidos graxos, havia aquela produção do “bom e velho sabonete”, o sabão, de lá existiam
fábricas que pegavam a lixívia que tinha lá 15% de glicerol e concentravam isso. Tiravam o
sal e a umidade. Aí vem, em meados de 2007, 2008, o advento do biodiesel que causa uma
disrupção na cadeia, o preço da glicerina naquela época caiu vertiginosamente, colapsando o
setor. Mas depois novos usos e aplicações foram surgindo, tornando o problema uma grande
oportunidade.

A primeira pergunta que todos fazem é: "Ok, Brasil, vocês estão com B14, estão atrasados,
mas ainda assim estão com B14. A Malásia já está com B35." Quando surge a preocupação
de aumentar de B14 para B15, vale lembrar que já existem países de escala continental,
como a Indonésia, que está se movendo para B40. Claro, isso também está relacionado à
matriz de produção deles, pois eles não têm petróleo como nós. Mas eles já estão com B40.
Então, a questão é: o que faremos com a glicerina? Será que voltaremos aos tempos em que
deixávamos nas mãos de Deus para ver o que acontecia? A resposta é não. Como os senhores
talvez saibam, existe uma portaria do MAPA, já bem antiga até que autoriza 10% da mistura de
glicerina até 10% na ração animal.

Então, a partir do momento que se acessa essa indústria que está ali fora, ou seja, começa a
entrar na nutrição animal, se abre uma porteira de demanda incalculável, na perspectiva deles.
Porque quando se olha uma produção global, não sei se está claro, mas a produção global
hoje de biodiesel é na casa de 60 médios a 60 altos milhões de toneladas. Ao ter um aumento
de 68 milhões de toneladas, está se falando que o mercado mais ou menos de glicerina,
terá um aumento na produção de mais ou menos de 6 milhões de toneladas. É um mercado
muito pequeno. O Brasil só em soja vai colher 150, 160 milhões de toneladas, para ter uma
perspectiva de tamanho. Mas, existem várias cadeias que são fundamentais. Esses produtos,
quando começam a avançar em estágios para frente, de agregação de valor, passam a ver que
o mundo é muito mais complexo. Então, esse é o grande desafio. Todas as plantas de refino
de glicerina que passaram por ali no Brasil, tivemos a felicidade de contribuir, de alguma forma
ou outra, na modelagem financeira ou comercial delas, como exemplo da Caramuru, Granol,
Oleoplan, Potencial, dentre outros.

Por fim, a glicerina, hoje no Brasil, está em processo de exportação para mercados emergentes
e desenvolvidos, como os Estados Unidos, que enfrenta uma redução na produção de biodiesel,
o que demonstra o potencial competitivo do Brasil no cenário global. Também é importante
lembrar que, a glicerina brasileira vai para a China. Então, quando se olha essa adição que tem
no sistema de aumento de 1%, 2% da demanda de biodiesel, automaticamente isso já regula.
Então, o que se tem que pensar, para os que têm a felicidade de já estarem mais avançados
nesses processos, é que eles não falam só da glicerina, também têm o éster metílico, o fatty
acid, que sai do processo, mas isso aí depois eles discutem mais para frente. Agora, é esse
ponto, é a agregação de valor na cadeia, isso é fundamental. Ou seja, somos – como indústria
de glicerina – mais uma externalidade positiva do programa de Produção e Uso de Biodiesel. Isto
precisa ser dito aos quatro ventos. E o melhor? Estamos ainda no começo. Tem muito por vir.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 73


MESA 9 I Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos

Leonardo Zilio, diretor de Relações Institucionais e


Sustentabilidade do Grupo OLEOPLAN e Vice-Presidente
Técnico da Ubrabio, deu início à sua fala discutindo uma
questão de grande impacto: a Medida Provisória 1227/2024,
que reflete as discussões em curso sobre precificação e
projeção de investimentos, gera impactos na segurança
jurídica do mercado:

Como outras medidas anteriores que impactaram o setor, a MP 1227 traz uma incerteza
gigantesca, com mudança de regras inclusive após a precificação, faturamento e entrega já
realizados. A segurança jurídica é crucial para atrair investimentos. Reduções repentinas na
mistura de biodiesel, como ocorreu no passado recente, prejudicam investimentos e projetos.
A legislação precisa evoluir no sentido de garantir estabilidade e confiança aos investidores.

Pergunta-se muito se, apesar de os biocombustíveis serem uma “vedete” nacional e internacional,
a sociedade está pronta para pagar esse custo? Não se pode olhar apenas para o preço do
biocombustível em comparação com o diesel, pois há outros componentes de valores intangíveis
no preço final do produto (desenvolvimento econômico local, redução de emissões de poluentes,
inclusão social, desenvolvimento tecnológico, dentre outros). Um exemplo atual é a crise no Rio
Grande do Sul. Embora a maior utilização de biodiesel não tenha o poder de, por si só, resolver
uma crise como essa, a transição energética para uma economia verde, como discutido pelo
professor Gonçalo, poderia mitigar fortemente os impactos das mudanças climáticas.

É muito difícil tangibilizar, em reais por litro, por exemplo, quanto custa o tratamento de
doenças respiratórias aqui nos corredores de São Paulo; nesta semana, que estamos todos
aqui em São Paulo, andamos por esses corredores de ônibus e enxergamos na prática o que
é essa realidade. São as pessoas que transitam cotidianamente nos corredores de ônibus das
grandes metrópoles que vão ter mais problemas com doenças cardiovasculares, que terão
mais problemas com doenças pulmonares. A Empresa de Pesquisa Energética se debruçou
sobre o tema, assim como a OMS. Isso tem um custo que, sem dúvida, é mitigado com o
maior uso de biocombustíveis. Quando falamos de preço contra preço (fóssil vs renovável),
acho que está na hora de começarmos a discutir com mais profundidade o conceito de valor,
e não só fazermos comparações superficiais. Existem valores e externalidades positivas dos
combustíveis renováveis e, por outro lado, custos e externalidades negativas dos combustíveis
fósseis que não estamos tangibilizando como sociedade. Na minha visão, nós ainda não
estamos tangibilizando, mas iremos. Como a Califórnia já faz, como a Europa já faz... aos
poucos, acredito que vamos conseguir estabelecer essa cultura de que valor é diferente de preço
e que devemos reduzir custos, não só como consumidores, mas especialmente como cidadãos.
O imposto que pagamos necessariamente será alocado para tratar doenças, desigualdades,
dentre outros custos sociais não desprezíveis que são gerados pela utilização descontrolada
dos combustíveis fósseis.

74 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 9 I Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos

Neste momento, há discussões no Conselho de Política Energética sobre os impactos do Selo


Biocombustível Social. São oito bilhões de reais por ano somente em valor de matérias-primas
adquiridas, valores que estão sendo gerados no campo. Isso significa necessariamente menos
necessidade de financiamento público para arranjos produtivos; significa mais produtividade;
maior sustentação do homem no campo. Isso é uma redução de custos que também ainda não
tangibilizamos. Quanto do Pronaf, quanto do plano safra pode ser reduzido por uma aplicação
direta de recursos usina-produtores? Até hoje ainda não tangibilizamos isso. Também está na
hora de fazermos e estamos evoluindo nesse sentido.

A sociedade brasileira se diferencia do resto do mundo quando falamos em utilização de


biocombustíveis. No primeiro dia de evento tivemos a presença de várias autoridades: Deputado
Alceu, Deputado Arnaldo Jardim, tivemos representante do Ministério do Desenvolvimento
e Indústria e Comércio. Ouvimos todas essas autoridades, além do Superintendente Carlos
Orlando, do diretor Daniel Maia. Percebemos que a sociedade brasileira conseguiu correr,
e não só caminhar, e estar à frente do mundo no que diz respeito aos biocombustíveis. Tem
muito mais para fazermos, na nossa visão. Temos que evoluir rapidamente com a aprovação
do Projeto de Lei Combustível do Futuro: isso é um marco na política industrial verde do país.
Não há dúvidas, porque já vimos isso no passado, quanto à velocidade e quanto à quantidade
de investimentos que surgirão com base num projeto de lei como Combustível do Futuro. Todas
as empresas produtoras do país já estão se preparando para isso. Acho que, de fato, é um
caminho sem volta. O Brasil tem que evoluir com velocidade, seguir sendo cada vez mais uma
liderança mundial no que diz respeito aos biocombustíveis.

São necessários grandes esforços e um forte engajamento público e privado para que a
segurança jurídica seja sempre a palavra de ordem. Situações como as vividas um ou dois
anos atrás, em que reduzimos para 10% o teor de biodiesel, isso fere de morte uma série
de investimentos e projetos. Realidades como a de ordem tributária que estamos vivendo
esta semana são muito ruins, trazem muita insegurança, e precisamos amadurecer, como
já fizemos nos biocombustíveis, na nossa legislação, no que diz respeito à segurança para a
atração de investimentos.

Outro ponto importante, quando falamos de política pública de biocombustíveis, é o nosso


RenovaBio, que é um marco a nível mundial. Eu diria que, junto com os programas europeus
abarcados no ISCC e com o CARB, da Califórnia, ele é um dos três grandes pilares mundiais
para a descarbonização ou para a desfossilização das matrizes energéticas veiculares.
O RenovaBio hoje tem sofrido uma série de ameaças. Nesse sentido contamos, junto ao
superintendente Carlos Orlando, com o apoio sempre muito pragmático, sempre muito sério da
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, para que seja possível reverter
uma série de ataques que o programa vem sofrendo. Temos legislação e regulação, é muito
importante agora, uma mobilização social suficientemente forte para que o RenovaBio, repito,
entre os três maiores programas de descarbonização das matrizes energéticas veiculares do
mundo, possa seguir seu rumo e ajudar em toda essa discussão que temos aqui no Brasil.

Sobre a aprovação do PL Combustível do Futuro, pensando não só em relação ao biodiesel,


mas também em tantas outras frentes que se abrem para SAF, para biometano, etanol, etc.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 75


MESA 9 I Precificação dos Investimentos, Biocombustíveis e Coprodutos

Em relação ao biodiesel, é relativamente fácil entender o que vai acontecer. Porque aconteceu
nas devidas proporções no início do PNPB, lá em 2005, quando estabelecemos até cinco pontos
percentuais de mistura. Voltou a acontecer em 2014, quando foi para 7% Com o marco legal
do biodiesel oficialmente completando 20 anos, o que se viu foi uma quantidade monstruosa
de investimentos de capital nacional, de indústrias domésticas agregando valor no Brasil. Acho
que um dado que reflete muito bem o que aconteceu e o que virá a acontecer é a indústria
esmagadora de soja, por exemplo.

Estima-se que entre 16 a 18% de toda a soja que esmagamos no Brasil é esmagada devido ao
biodiesel. O biodiesel é o indutor desse esmagamento. Estamos esmagando mais ou menos 56
milhões de toneladas. É um terço da nossa safra, nossa safra está um pouco mais de 150 milhões.
Se não fosse o biodiesel, estaríamos em um patamar de 40, talvez 42 milhões de toneladas de
soja. O setor de esmagamento e produção de óleo de palma é induzido pelo biodiesel.

Hoje, uma grande quantidade de óleo de palma produzida no país vai para o biodiesel. Todo o
setor de reciclagem animal também é induzido pela utilização de gorduras animais no biodiesel.
Talvez alguns dos mais experientes possam ter visitado uma feira de reciclagem animal 20
anos atrás - eu não me surpreenderia se ela se restringisse à metade desta sala em que
estamos. Talvez praticamente não existisse setor de reciclagem animal àquela época; nada
em comparação à pujança que vemos hoje. Esse é outro setor que floresceu de uma forma
absolutamente surpreendente nesses últimos 20 anos. O que era lixo, hoje é biocombustível,
hoje é energia, é descarbonização. Acho que não há dúvidas de que a aprovação do Projeto
de Lei Combustível do Futuro vai potencializar tudo isso e mais.

Novas matérias-primas irão chegar também. Falamos muito de diversificação das matérias-
primas, mas se olharmos para as matrizes energéticas de outros países, no que tange a
biocombustíveis, o Brasil tem uma matriz relativamente diversificada. Biodiesel na Indonésia
é 100% óleo de palma; na Argentina é 100% óleo de soja. Quando analisamos os principais
produtores, eles têm uma concentração muito grande em uma só matéria-prima. Aqui utilizamos
óleo de soja, sebo, óleo de peixe, óleo de fritura usado, óleo de algodão, canola, está vindo aí,
macaúba. Tem muita coisa acontecendo. Este projeto de lei, não temos dúvida, abre um leque
de possibilidades de investimentos, de emprego, de renda.

Outro dado importante: a indústria do biodiesel e esmagamento de soja tem uma remuneração
cerca de 15 a 16% maior do que a remuneração das outras agroindústrias nacionais. São
empregos verdes e de qualidade espalhados por todo o interior do Brasil. Não é concentrado
em grandes metrópoles, como em alguns setores. O que temos em mãos é a oportunidade de
criarmos um novo leque de investimentos e de crescimento no setor de biocombustíveis com
a aprovação do PL Combustível do Futuro: com 25% de biodiesel, 35% de etanol, biometano,
diesel verde, SAF, entre outros, investimentos serão executados e, com certeza, teremos uma
FENAGRA 2025 muito maior do que a Feira que vemos esse ano.

76 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 10 I Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis

MESA 10 |Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis


Especialistas compartilharam experiências sobre programas de incentivo, parcerias público-
privadas e investimentos em pesquisa e projetos de inovação. Esta mesa visou uma discussão
sobre como impulsionar o desenvolvimento tecnológico no setor de biocombustíveis e promover
a sustentabilidade e competitividade no mercado global.

Sérgio Duarte de Castro, presidente da Energia Estudos


e Projetos, agradeceu à Ubrabio pelo convite e honra de
coordenar uma mesa tão importante, que foi a de Fomento à
Inovação no Setor dos Biocombustíveis. Também parabenizou
a Ubrabio pelo evento, que realmente foi de uma qualidade
extraordinária, com debates extremamente relevantes:

Esta mesa, sem dúvida, teve um significado muito especial


dentro desse debate. O que foi discutido nos dois dias de
evento levantou, por um lado, vários desafios, mas, sobretudo,
muitas oportunidades para o setor. Tudo isso exige, como
mencionado na mesa anterior, investimento, especialmente
em inovação. O Brasil está encaminhando uma nova política
industrial de neoindustrialização verde, que tem entre seus
objetivos centrais a transição energética e, como um dos seus
principais instrumentos, os recursos e o fomento à inovação.

Dentro da política industrial hoje, o principal instrumento possui um volume de recursos


extremamente expressivo, algo inédito no Brasil de forma concentrada, com condições
absolutamente excepcionais. Em um momento em que o Brasil ainda enfrenta taxas de juros
proibitivas para o investimento, estamos falando de taxas extremamente agressivas, negativas
até do ponto de vista real, e com um prazo muito adequado. Isso é fundamental para viabilizar
tudo o que estamos discutindo aqui hoje.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 77


MESA 10 I Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis

Como bem disse Donizete, esta mesa reúne os principais atores que estão diretamente
envolvidos nesse processo. Temos duas grandes financiadoras no Brasil para a inovação, o
BNDES e a FINEP; a Embrapii e o Senai, que fornecem suporte técnico e estratégico; e o
MCTI, que lidera essas políticas. Portanto, esta é uma mesa extremamente qualificada para
este debate que, sem dúvida, trará uma contribuição importante.

Um destaque importante foram as menções de Jorge (FINEP) e Rafael (MCTI) sobre as duas
modalidades de apoio. Temos o apoio via subvenção, relacionado aos editais apresentados
aqui, que são recursos não reembolsáveis, com pequena participação da empresa em parceria
com universidades e centros tecnológicos. Esses recursos estão associados a projetos de
maior risco tecnológico, ou seja, de inovação mais radical. Por outro lado, temos as linhas
de financiamento reembolsáveis. É importante entender que a inovação, neste contexto, é
compreendida de forma ampla. Existem linhas que cobrem desde a inovação pioneira, que são
inovações mais radicais, até inovações voltadas para a competitividade ou desempenho da
empresa, incluindo a agregação de valor por meio de coprodutos. Essas linhas de financiamento
também estão com taxas muito atrativas, e o BNDES vai abordar isso em mais detalhes.

O Senai, representado pelo Paulo Coutinho, tem um papel crucial no apoio à inovação,
destacando a interação entre vários programas e fontes de recursos, permitindo uma ação
integrada para encontrar soluções ideais para as empresas. Passo agora a palavra para o
Fábio, da Embrapii, da Gerência de Mobilização de Empresas. Donizete mencionou no início
que a Embrapii, diferente da Embrapa, é uma instituição mais recente que apoia a indústria e a
inovação, realizando um trabalho extraordinário.

É importante destacar a questão da desburocratização. Muitas vezes, o acesso aos recursos é


visto como algo complicado devido à burocracia. Deixo essa questão também para o BNDES se
manifestar. Sei que há um esforço para agilizar a análise e os tempos de aprovação. Além disso,
gostaria de repassar a provocação inicial do Donizete sobre como o BNDES está abordando a
precificação dos benefícios sociais e ambientais.

Para finalizar, o evento organizado pelo Ubrabio destacou a importância da inovação e


do investimento para o avanço do setor, especialmente no contexto da nova política de
neoindustrialização verde do Brasil. A presença de instituições-chave como o BNDES, a FINEP,
a Embrapii, o Senai e o MCTI proporcionaram um debate rico e construtivo, apontando caminhos
para superar desafios e aproveitar as oportunidades emergentes. A interação entre diferentes
programas e fontes de financiamento, aliada ao esforço contínuo para desburocratizar e agilizar
processos, é essencial para a concretização dos projetos e para a viabilização da transição
energética. Este encontro reforça a importância de uma abordagem integrada e coordenada,
visando o desenvolvimento sustentável e a competitividade do setor industrial brasileiro.

Jorge Jardim, gerente do Departamento de Agronegócios


e Alimentos da Financiadora de Estudos e Projetos –
FINEP, agradeceu imensamente à equipe Ubrabio pelo
convite para participar do Fórum. Ele destacou que esta é uma
oportunidade muito significativa e importante para um setor tão
representativo.

No setor de agronegócio e alimentos, a demanda por inovação


é grande. A FINEP apoia projetos e iniciativas de inovação
tecnológica para aprimoramento de processos e produtos
através de pesquisa e desenvolvimento. Nos últimos três anos,
notou-se um crescimento significativo na procura por parte
de empresas, usinas, universidades e outros partícipes que
buscam se tornar mais competitivos mediante investimentos
em tecnologia.

78 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 10 I Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis

Em 2021, foi contratado um projeto no setor, totalizando 46 milhões de reais, reflexo do efeito
pós-pandemia. Em 2022, esse número saltou para quatro operações, somando 226 milhões
de reais. Já em 2023, foram registradas 10 operações, ultrapassando 1 bilhão de reais, com
investimentos focados em biodiesel e aprimoramento de processos e produtos. Este ano, já
foram realizadas 14 operações, totalizando quase 800 milhões de reais, e espera-se fechar o
ano com cerca de 25 operações, com um investimento acima de 1,5 bilhão de reais.

Como Sérgio mencionou, as taxas estão bastante atrativas. Existem operações que podem ser
enquadradas como financiamento reembolsável ou não reembolsável. No caso dos financiamentos
reembolsáveis, por exemplo, projetos de biodiesel para aprimoramento de tecnologias e melhoria
da qualidade do produto podem ser aderentes às políticas definidas no Conselho Nacional de
Desenvolvimento Industrial (CNDI), que prevê a transição e segurança energética. Esses projetos
podem obter financiamento a TR mais 2,3% ao ano, com prazo de até 18 anos para pagamento,
uma taxa extremamente competitiva.

Além disso, em parceria com o MCTI, foi lançado um edital de subvenção econômica para
empresas, com um orçamento inicial de 250 milhões de reais, recursos que não necessitam
de reembolso. Esses fundos estão disponíveis e os detalhes podem ser encontrados no site da
FINEP. Pela lei de subvenção, é exigida uma contrapartida a partir de 5%, dependendo do porte
da empresa, com projetos variando entre 5 e 30 milhões de reais.

Jorge Jardim destacou a crescente demanda e a diferenciação tecnológica que o setor tem
mostrado, mencionando que este é apenas um dos vários fatores que gostaria de abordar, mas o
tempo é limitado. A FINEP, enquanto agência que opera os recursos do FNDCT para a inovação,
está atenta e comprometida em apoiar o setor.

Rafael Menezes, coordenador-Geral de Tecnologias


Setoriais no Ministério da Ciência, Tecnologia e
Inovação, deu início à sua fala agradecendo à Ubrabio pelo
convite trazendo uma saudação especial do Secretário de
Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, Sr. Guilherme
Calheiros. Na sequência apresentou a nova estrutura do
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com o intuito
de explicar onde estão localizadas as temáticas de transição
energética e de biocombustíveis dentro do ministério:

Essas temáticas estão alocadas na Secretaria de


Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (SETEC), no âmbito
do Departamento de Programas e Inovação (DEPIN), mais
especificamente, na Coordenação-Geral de Tecnologias
Setoriais (CGTS), onde estão contempladas várias temáticas
e iniciativas estratégicas.

Essas são algumas das áreas trabalhadas na CGTS: energias renováveis, hidrogênio,
bioeconomia dos biocombustíveis, tecnologias voltadas para água e saneamento, petróleo e
gás natural, carvão mineral, recursos minerais e transportes. O MCTI vem fazendo um grande
esforço em termos de planejamento de ciência, tecnologia e inovação. Em um cenário onde os
recursos são escassos, temos que priorizar o investimento, focando naquilo que é prioritário
para o desenvolvimento econômico e social do país. Para tanto, desde 2002, o ministério
elabora Planos de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (PACTI), que foram iniciados ainda
na gestão do ministro Eduardo Campos, passando, posteriormente, para a Estratégia Nacional
de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI), na gestão do ministro Mercadante. Estamos
agora em um processo de estruturação da nova ENCTI, com horizonte de 10 anos. Nesse
sentido, é importante destacar a publicação da Portaria MCTI nº 6.998, de 10 de maio de

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 79


MESA 10 I Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis

2023, que contém as orientações emanadas pela Ministra Luciana Santos, estabelecendo as
principais diretrizes para a estruturação dessa estratégia, que tem como principal ferramenta a
Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Uma estratégia se faz com o envolvimento da sociedade e com o envolvimento dos principais
atores do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Foram realizadas mais de
200 conferências preparatórias no âmbito da Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia:
conferências temáticas, livres, regionais e estaduais, colhendo subsídios para a elaboração da
nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Destaco a realização da etapa
nacional da conferência, que foi em Brasília, nos dias 30, 31 de julho e 1º de agosto, no Centro
de Eventos Brasil 21.

A temática de transição energética, biocombustíveis, biodiesel e bioquerosene vem sendo


trabalhada em várias dessas conferências e certamente receberá uma atenção especial na
nova estratégia. Essa estratégia será muito beneficiada com o descontingenciamento integral
do nosso principal fundo de apoio à pesquisa, desenvolvimento e inovação no país, que é
o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Desde o início de
2023, tivemos o descontingenciamento integral do FNDCT. Só este ano, o fundo teve disponível
R$ 12,7 bilhões, sendo 50% reembolsáveis e 50% não reembolsáveis, para serem aplicados
em projetos aderentes aos Programas Estruturantes e Mobilizadores que vou apresentar em
seguida. Destaco os dez anos em que o FNDCT ficou contingenciado, um período que chamo
de "idade das trevas" para a ciência, tecnologia e inovação no país.

Hoje, o FNDCT é estruturado dentro de Programas Estruturantes e Mobilizadores. Foram


definidos e aprovados dez programas estruturantes e mobilizadores para o FNDCT, como o
Programa de Recuperação e Expansão da Infraestrutura (Proinfra) e o Programa de Inovação
para a Reindustrialização Nacional (Mais Inovação), que ancoram ações de transição energética
e saúde. Outros programas incluem transformação digital, desenvolvimento sustentável da
Amazônia, repatriação de talentos, recuperação de acervos históricos nacionais, apoio a
projetos estratégicos nacionais, defesa e agro sustentabilidade.

O ministério apoia o desenvolvimento tecnológico e inovação em vários programas interministeriais,


como o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, com a Rede Brasileira de Tecnologia e
Inovação do Biodiesel. Essa rede, criada no começo do Programa Nacional, estruturou, capacitou
e certificou laboratórios, e muitos dos pesquisadores aqui presentes participaram dos projetos
apoiados. Além do biodiesel, temos o Comitê Técnico do Programa Combustível do Futuro, o
Comitê do Programa do Hidrogênio, o RenovaBio, entre outros.

Em 2017, estruturamos a Rede Brasileira de Bioquerosene e Hidrocarbonetos Renováveis para


Aviação, lançada no CNPq, nossa casa da ciência. A rede é mantida por projetos orçamentários
do ministério, liderados pela professora Amanda da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte. Já foram dois projetos de gestão da rede RBQAV e agora, além da RBQAV, a Amanda
também está com o projeto de gestão da RBTB, que antes estava sob a responsabilidade da
Embrapa Agroenergia. Nesse sentido, destaco a realização do congresso científico e tecnológico
da RBQAV, no período de 17 a 19 de junho, em Foz do Iguaçu/PR, no Hotel WISH.

Desde o descontingenciamento parcial do FNDCT, em 2022, foi possível retomar iniciativas


estratégicas, como a estruturação do Sistema Brasileiro de Laboratórios em Hidrogênio (SisH2)
e o lançamento da chamada pública em apoio ao Programa Combustível do Futuro e à Iniciativa
Brasileira do Hidrogênio (IBH2). Tivemos também dois editais de subvenção econômica em 2022:
um para combustíveis do futuro e hidrogênio, no valor de R$50 milhões, e outro para energias
renováveis e hidrogênio, totalizando R$85 milhões, finalizados em 2024. Com a publicação
dos editais de subvenção econômica em fluxo contínuo no início de 2024, serão mais R$2,18
bilhões de reais para apoio a temas como aviação sustentável, resíduos, saneamento e moradia,
bioeconomia, energias renováveis e mobilidade urbana. Os editais ficam abertos até que os
recursos se esgotem, permitindo que propostas possam ser corrigidas e ressubmetidas.

80 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 10 I Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis

Destaco o edital de bioeconomia, com uma linha específica para desenvolvimento de plantas
piloto demonstrativas na área de combustíveis sustentáveis de aviação, no valor de R$ 120
milhões. Desde 2011, a FINEP investiu mais de 6,5 bilhões de reais em projetos de transição
energética, apoiando mais de 430 projetos.

O material está disponível para que todos os participantes que quiserem consultar, principalmente
as linhas e os editais que estão abertos de subvenção econômica, no âmbito do programa Mais
Inovação.

Fábio Cavalcante, coordenador da Gerência de Mobilização


de Empresas – Representante da Associação Brasileira de
Pesquisa e Inovação Industrial – EMBRAPII:

Quando se falava de inovação no passado, a primeira coisa


que vinha à cabeça da maioria era o quanto de recursos
seria disponibilizado. Atualmente, o pensamento é bem mais
complexo e leva em conta também outras variáveis. Não ter
recursos é um problema, mas tê-los não resolve tudo. Quando
falamos de inovação no sentido mais estrutural e amplo,
existem outros dois pontos-chave que aparecem na equação.
O primeiro deles é a desburocratização do acesso ao recurso.
Precisamos entender que quando uma empresa tem o objetivo
de acessar um recurso público de fomento ao seu projeto de
inovação, mesmo que seja um recurso não reembolsável,
há um custo administrativo envolvido para a empresa. No
mínimo, a empresa teria de ter profissionais com experiência
em prestação de contas, entre outras coisas.

O segundo ponto é sobre conexão. Muitas vezes, a empresa tem um desafio tecnológico e
sabe que há competência e capacidade tecnológica no país para desenvolvê-lo, no entanto,
não sabe a quem recorrer. Onde está esse conhecimento? Onde está a infraestrutura de que
eu necessito? Existem diversos ICTs, institutos de pesquisa de ponta, mas é necessário que
a instituição de fomento ajude também nessa conexão. Foi com base nesses três pilares –
recursos, conexão e desburocratização – que nasceu a Embrapii. Por isso, me sinto no dever
de falar um pouco sobre nossa Embrapii antes de entrar especificamente na questão dos
biocombustíveis. A Embrapii é uma instituição nova que completou 10 anos recentemente, no
entanto, já temos resultados muito interessantes para apresentar.

A Embrapii é uma Organização Social, ou seja, uma instituição privada sem fins lucrativos que
possui um Contrato de Gestão com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI),
órgão supervisor, assim como o Ministério da Educação, Ministério da Saúde e Ministério
do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) como órgãos intervenientes.
Temos também como instituições parceiras o BNDES e o SEBRAE, além de coordenarmos
também programas prioritários da Lei de TICs e do ROTA 2030, agora conhecido como MOVER.

Na nossa sede em Brasília, vocês não encontrarão grandes laboratórios ou pesquisadores, pois
trabalhamos por meio de uma rede de 93 institutos de pesquisa de excelência. Esses 93 institutos
passaram por um processo criterioso e competitivo de credenciamento, comprovando possuir
pesquisadores altamente qualificados, infraestrutura de ponta e capacidade de trabalhar com o
setor privado. Hoje, qualquer empresa pode acessar um desses institutos, independentemente
de sua localização geográfica e do tempo, tendo em vista que não trabalhamos com editais.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 81


MESA 10 I Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis

Uma empresa do Sul, por exemplo, com um desafio tecnológico que não consegue desenvolver
internamente, pode contar com um desses institutos. Isso não se aplica apenas a empresas
com pouca capacidade de inovação. Um exemplo interessante é a Embraer, que possui mais
de 20 projetos conosco, mesmo tendo vários centros de P&D próprios. Por que ela utiliza
nossa rede de ICTs? Porque, em muitos casos, é mais barato, rápido e eficiente contar com a
especialização desses institutos.

Dessa forma, a Embrapii enxerga a inovação no tempo do empreendedor, no timing da empresa.


Sabemos que um edital pode impor um custo de oportunidade para a empresa, que muitas
vezes precisa iniciar um projeto num tempo mais curto. Portanto, a qualquer momento, uma
empresa pode procurar um dos 93 institutos de pesquisa (chamados de Unidades Embrapii),
apresentar sua demanda tecnológica, negociar e fechar o contrato. Nesse momento, a
Embrapii entra, em média, com um terço do valor do projeto em recursos não reembolsáveis.
Todo recurso que operamos é não reembolsável, não é crédito ou empréstimo. Isso quer dizer
que a empresa não precisa devolver à Embrapii, independentemente dos resultados daquele
processo inovador. Compartilhamos assim com a empresa o risco de desenvolver seu projeto
de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

Os outros dois terços são negociados entre a Unidade Embrapii escolhida e a empresa. Nosso
modelo exige que todos coloquem a mão no bolso, o que gera um comprometimento maior de
todos os envolvidos do modelo tripartite, ou seja, a Embrapii, a empresa e a Unidade Embrapii.
Em alguns casos, como em biocombustíveis, dependendo do desafio tecnológico e escopo do
projeto, conseguimos aumentar nosso aporte em até 50% e apoiar até o TRL9, até a entrada no
mercado. Assim, compartilhamos tanto o desenvolvimento tecnológico quanto o mercadológico
de determinada tecnologia, processo, produto ou serviço inovador.

De forma resumida, uma empresa que tenha um desafio tecnológico pode procurar a qualquer
tempo uma das 93 Unidades Embrapii, negociar diretamente com ela e, sem nossa interferência
direta, contratar o projeto na média em 60 dias. Em 10 anos, apoiamos cerca de 2.700 projetos,
com mais de 4 bilhões de reais envolvidos. Destaco a alta taxa de recompra quando olhamos
para o seguinte número: 2.700 projetos com mais de 1.800 empresas. Isso demonstra que
muitas empresas executam um primeiro projeto no modelo Embrapii, entendem que funciona
e que é rápido e depois seguem contratando diversos outros projetos utilizando nosso modelo.

O modelo é rápido, flexível, sem burocracia e investe na conexão de empresas que têm desafios
tecnológicos com institutos de pesquisa de ponta, as chamadas Unidades Embrapii, e tudo isso
ainda compartilhando o risco e o custo com a empresa com recursos não reembolsáveis.

Paulo Coutinho, pesquisador-chefe do Instituto SENAI


de Inovação em Biossintéticos e Fibras, agradeceu à
Ubrabio pelo convite e a oportunidade de estar no evento
de extrema importância para o setor brasileiro. Deu
início à apresentação da Plataforma de Inovação para a
Indústria do Senai, que já existe há 20 anos:

Até agora, financiamos mais de 1.400 projetos e


investimos mais de 1 bilhão de reais nesse período. Essa
plataforma é contínua e lançada todo ano, no início do
ano. É preciso agir rápido, pois os recursos se esgotam
rapidamente. Em setembro, esse dinheiro todo de que
estamos falando já terá acabado. A plataforma é destinada
a empresas industriais com CNI primário industrial, ou
então a startups com até 10 anos e um determinado limite
de faturamento.

82 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


MESA 10 I Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis

Hoje, temos três frentes básicas para a geração de valor: alianças industriais, conexões startups
e compartilhamento de recursos. Alguém mencionou startups hoje, e vocês podem ver algumas
oportunidades para elas aqui. A primeira frente é a Aliança Industrial, onde temos 3 milhões
de reais disponíveis. A ideia é reunir pelo menos duas empresas, dois institutos de pesquisa
e, eventualmente, incluir outras associações, universidades ou institutos de pesquisa fora do
Senai. O financiamento depende do valor e do número de empresas envolvidas. Pode chegar
a 600 mil reais com duas empresas, até 800 mil reais com três, e até um milhão com quatro.
As empresas contribuem com cerca de 30%. É muito parecido com o que temos hoje com a
Embrapii. Aqui, o foco é na agenda tech, voltada para soluções de problemas existentes.

No instituto já foram realizados dois projetos na Agenda Tech, um voltado para a reciclagem
de plásticos e outro para a bioeconomia. Um projeto recente foi apresentado na COP26,
mostrando o potencial da bioeconomia brasileira até 2050, podendo gerar quase 580 bilhões de
dólares e reduzir as emissões de CO2 em mais de 29 gigatoneladas. A ideia é juntar empresas,
associações e institutos para discutir o futuro, com foco especial em startups. Uma empresa
lança desafios e startups oferecem possíveis soluções, formando projetos colaborativos.
Parcerias com empresas como Klabin, Vale, Petrobras, Bosch e Repsol são exemplos disso.

Outra forma de apoio é o habitat de inovação, permitindo que empresas se instalem dentro
dos institutos do Senai de inovação. Lá, encontram serviços, parcerias e especialistas que
podem ajudar no desenvolvimento. A Missão Industrial é uma iniciativa recente, começada no
último ano, com valores que variam de 5 a 10 milhões de reais, objetivando resolver problemas
específicos das empresas, podendo combinar com outras formas de fomento, como da
Embrapii, para multiplicar os recursos.

Falando um pouco sobre o instituto, somos certificados pela Embrapii e ANP, criados em janeiro
de 2016 e instalados no parque tecnológico da UFRJ, com investimento superior a 70 milhões de
reais. Contamos com mais de 3 mil metros quadrados de laboratório e mais de 100 funcionários.
Já temos mais de quatro produtos no mercado e diversos processos melhorados na indústria.

Exemplos de projetos incluem:


• CO2 para combustível, em parceria com a Repsol.
• Valorização de CO2 via bioprocesso, com a Petrobras, onde modificamos geneticamente
microorganismos para transformar CO2 em C10 a C12.
• Produção de H2 a partir de etanol, com a RAISE e Shell.
• Melhoria no processo de produção de etanol de segunda geração da RAISE.
• Desenvolvimento de biogás e estratégia de empresas na área de energia.
• Produção de jet fuel a partir de álcool, com dois projetos em andamento utilizando
tecnologias diferentes.
Para as empresas, os fomentos são voltados para emissões industriais, com foco em
biocombustíveis. A FINEP oferece grandes oportunidades sem contrapartida para projetos
de P&D em andamento. Equipamentos de laboratório também podem ser adquiridos com
esses recursos. Avaliem bem a possibilidade de utilizar os recursos da FINEP. A Embrapii
está lançando um novo modelo de Missões, com potencial de financiamento de até 70%, e a
empresa contribuindo com apenas 20% do valor do projeto. A FINEP oferece uma vantagem
adicional, pois os ativos adquiridos permanecem com a empresa.

Parcerias entre instituições de pesquisa e empresas são sempre benéficas, pois trazem
aprendizado para todos. As taxas de financiamento atuais da FINEP e do BNDES são
extremamente atrativas, muitas vezes abaixo da inflação. A integração de fomento Senai com
outros fomentos também é possível, aumentando significativamente os recursos disponíveis.

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 83


MESA 10 I Fomento à Inovação no Setor dos Biocombustíveis

Egmar Del Bel Filho, economista no BNDES, agradeceu o


convite feito ao BNDES. Ele destacou que o banco trabalha
com diversas linhas de apoio aos biocombustíveis, com três
principais:

O Fundo Clima oferece uma condição ímpar, apresentando


uma taxa total de 7,25% ao ano, mais o risco da empresa, que
parte de 0,2%. A taxa total final é limitada a 9,65% a.a. Além
disso, o BNDES sempre pensa no longo prazo, com linhas
que têm prazos de 8, 10, 12 anos, e o Fundo Clima oferece até
16 anos para biocombustíveis, com 8 anos de carência, uma
condição diferenciada.

O BNDES também possui o Programa Mais Inovação, similar ao da FINEP, com linhas de custo
equivalente. Del Bel Filho comentou que, ao falar de inovação, a primeira ideia que vem à mente
é a de um "professor Pardal", um cientista maluco inventando algo inexistente. É importante
desmistificar isso. No Programa Mais Inovação, existe, por exemplo, o subprograma Aquisição de
Bens Inovadores, que permite à empresa adquirir máquinas e equipamentos novos, de fabricação
nacional, já credenciados no BNDES. A empresa não precisa reinventar nada, apenas adquirir
máquinas consideradas inovadoras que já estão no mercado.

As taxas para inovação começam a partir de TR mais 2%, mais o spread de risco, resultando em
uma taxa de aproximadamente 6% a 7% ao ano, às vezes até abaixo da inflação. Além disso,
o BNDES também financia através do programa BNDES RenovaBio, atrelado ao programa do
Governo Federal de combustíveis renováveis. O BNDES RenovaBio permite financiamento em
até oito anos, com crédito ASG, de uso livre pela empresa produtora de biocombustível, desde
que esteja credenciada no RenovaBio. Se a empresa demonstrar redução das emissões, pode
reduzir ainda mais sua taxa de juros.

Atualmente, o biocombustível está em destaque, envolvendo o Fundo Clima e questões


ambientais. Falar de biocombustível é falar de inovação, com vários processos inovadores. As
melhores taxas e prazos longos estão disponíveis, visando a descarbonização da economia.

Faço um contraponto ao comentário de Donizete sobre a análise dos projetos no BNDES


explicando que, ao analisar um projeto, é feita uma análise de economicidade e dos efeitos
na comunidade. Não é um projeto simples, é necessário mostrar que o biocombustível não só
aumenta a capacidade de produção, mas também reduz a emissão de carbono, gera renda,
emprego e fomenta a exportação e inovação. O BNDES possui indicadores para medir esses
efeitos.

A análise pode demorar um pouco mais devido à complexidade de avaliar essas externalidades
positivas. O BNDES é submetido às normas do BACEN, do Banco Central, e à fiscalização
do TCU e outros órgãos de controle. Parte da burocracia é inevitável, pois lida com recursos
públicos, e é necessário justificar seu uso eficiente.

Apesar disso, o BNDES tem metas internas de aprovação e dentre elas, prazos máximos de análise
das operações. No DEAGRO (Departamento do Complexo Agroalimentar e de Biocombustíveis),
departamento em que atua, as metas têm sido alcançadas sistematicamente ao longo dos anos.
O pessoal trabalha bastante, mesmo sendo poucos.

84 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Repercussão Midiática

Repercussão Midiática

O "I Fórum Biodiesel e Bioquerosene –


Tecnologia e Inovação", realizado nos dias 5 e
6 de junho de 2024, no Distrito Anhembi em São
Paulo, obteve ampla repercussão na mídia. O
evento foi destacado por reunir autoridades,
Jornal “O Autarca”. Assinado acordo para
empresários e pesquisadores para discutir
início da implantação de biocombustível de
inovações no setor de biocombustíveis. A
tecnologia brasileira no país. (O Autarca)
Fenagra, onde o Fórum ocorreu, foi elogiada
por promover um ambiente propício para
discussões técnicas e estratégicas. A mídia
ressaltou a importância do Fórum para o
desenvolvimento tecnológico e sustentável do
setor de biodiesel e bioquerosene (Sincobesp).

A participação da BASF foi um dos pontos


altos do evento, com a empresa apresentando
suas estratégias de baixo carbono e novas
oportunidades tecnológicas na produção
de biocombustíveis. Executivos da BASF
PAE participa do 1º Fórum Biodiesel e abordaram temas como o uso do metilato de
Bioquerosene: Evento apresenta tecnologia sódio na produção de biodiesel e inovações
e inovação do setor. (PAE - República de em tecnologias de baixo carbono (Gazeta da
Moçambique) Semana) (Revista Campo e Negócios).

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 85


Repercussão Midiática

Biocombustível: Moçambique fecha acordo


com Brasil - Folha de S.Paulo. O acordo
foi definido durante o Fórum Biodiesel e
A Adial também participou do evento, com Bioquerosene – Tecnologia e Inovação,
o presidente-executivo Edwal Portilho realizado pela Ubrabio, em São Paulo. (Folha
destacando a importância do biodiesel para a de S.Paulo).
segurança energética, alimentar 'e ambiental
do Brasil, além de seu impacto na geração
de empregos e renda, especialmente na
agricultura familiar (Adial)

A Jovem Pan também mencionou o Fórum em


suas transmissões, enfatizando a relevância
do evento para a produção de biodiesel no
Brasil. A cobertura incluiu discussões sobre os
desenvolvimentos tecnológicos e inovações
O evento também foi coberto pela
apresentadas durante o evento. (Jovem Pan
BiodieselBR.com, que destacou a discussão
News)
sobre as novas perspectivas para a indústria
de biocombustíveis, em especial com a
aprovação do Projeto de Lei do Combustível
do Futuro, que prevê aumento na mistura de
biodiesel ao diesel mineral e a introdução de
combustíveis sustentáveis de aviação (SAF)
no mercado nacional (BiodieselBR).

O Diretor da ANP Daniel Maia Vieira


participou ontem (5/6) do I Fórum Biodiesel
e Bioquerosene/Tecnologia e Inovação, da
Ubrabio. Falou sobre a atuação da Agência
Moçambique implantará biocombustível de para garantir a qualidade dos combustíveis,
tecnologia BR “Por ser o Brasil referência como a fiscalização do percentual de biodiesel
no assunto, o governo moçambicano foi misturado ao diesel (14%). (X.com/ANP)
conhecer projetos". A Ubrabio organizou o I
Fórum Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia
e Inovação. Um destaque do evento foi a
assinatura de um Memorando de Entendimento
entre o Gabinete de Reformas Econômicas
do Ministério da Economia e Finanças de
Moçambique, a CTJ Consultoria (empresa
moçambicana de consultoria estratégica e
empresarial), e a Ubrabio. O acordo visa iniciar
discussões para desenvolver e implementar a
indústria de biocombustíveis em Moçambique, A Revista Petrus em destaque : Brasil passará
utilizando tecnologia e expertise brasileiras. tecnologia do biodiesel para Moçambique.
(Agrolink) (Revista Petrus).

86 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Repercussão Midiática

O encontro reuniu dirigentes, tomadores de


decisão, técnicos das principais empresas
Fórum discutiu produção de biodiesel e
da cadeia produtiva do Biodiesel e do
bioquerosene no Brasil
Bioquerosene, especialistas e pesquisadores
dos biocombustíveis, além da indústria Reportagem veiculada em mais de 70 rádios
de insumos, equipamentos, veículos e em Mato Grosso
maquinários para discutir sobre tecnologia,
Debater estratégias para impulsionar a
inovações, rotas, precificação, qualidade,
produção de biocombustíveis no país foi
novidades do mercado e temas relacionados
o objetivo do primeiro Fórum Biodiesel e
ao aproveitamento e eficiência energética
Bioquerosene - Tecnologia e inovação em
(Cana online).
São Paulo. O evento reuniu representantes
do governo, políticos, pesquisadores e
representantes do setor. (Mato Grosso no ar)

Ubrabio reúne empresas e especialistas


para debater o SAF no Brasil
I Fórum Biodiesel e Bioquerosene será Gigante do Biodiesel chega a Fenagra no
realizado em junho, em São Paulo, e dedicará momento mais importante da transição
parte da programação aos combustíveis energética mundial. “Uso do B100 em
sustentáveis de aviação (Voo Limpo) veículos equipados” o executivo vai abordar
os resultados do primeiro veículo que foi
transformado de diesel para o Biodiesel
em parceria com a Cotrasa, concessionaria
autorizada pela Scania no estado do Paraná,
e chancelado pela montadora Scania Brasil
S/A. A palestra integra a programação do I
Fórum Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia
e Inovação sob a coordenação da UBRABIO.
Moçambique adota biocombustível com
(Otavio Neto na TV)
tecnologia brasileira. Acordo visa desenvolver
indústria de biocombustíveis em Moçambique
(Economic News Brasil).

Redação O Antagonista - Brasil e


Moçambique unem-se para biocombustíveis
Moçambique vai implantar biocombustível A parceria entre Brasil e Moçambique pode
com recurso a tecnologia brasileira (Jornal revolucionar o mercado de energia limpa na
Económico). África. (O Antagonista)

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 87


Repercussão Midiática

ABDI divulga em suas redes sociais - Nosso


gerente de Nova Economia e Indústria
Verde, Marcelo Gavião, participou do I Fórum
Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e
Inovação, em São Paulo (SP), promovido pela
@Ubrabio (X.com/ABDI). A Globo Rural abordou “Governo e setor privado
querem acelerar produção de biocombustível
para aviação no Brasil". O governo brasileiro
e o setor privado estão se unindo para
acelerar a produção de biocombustível para
aviação no Brasil, também conhecido como
SAF (Sustainable Aviation Fuel). O Projeto
de Lei do Combustível do Futuro, que está
aguardando votação no Senado, estabelece
metas para a redução das emissões de gases
do efeito estufa em voos domésticos. A partir
O que estamos fazendo é proporcionar à de 2027, os operadores aéreos deverão
sociedade, aos dirigentes das empresas, começar a usar SAF para reduzir as emissões,
aos tomadores de decisão das empresas, com metas começando em 1% e aumentando
essa leitura do que está acontecendo em gradualmente até 10% em 2037, o que foi
inovação tecnológica, em termos dos avanços levantado em super evento realizado pela
das políticas públicas, o que pode ser Ubrabio. (Globo Rural)
feito, os caminhos para a sociedade utilizar
combustíveis de melhor qualidade”, Tokarski
falou. Entre os palestrantes estiveram Gilberto
Peralta (presidente da Airbus), Otávio Cavalett
(Boeing), Amanda Gondim (coordenadora da
RBQAV – Rede Brasileira de Bioquerosene e
Hidrocarbonetos Renováveis para Aviação),
Marcelo Lyra (refinaria ACELEN), todos
totalmente ligados ao desenvolvimento dos
combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
(AIB-EL) Produção de biodiesel no Brasil é tema de
fórum em SP (Jovem Pan News)

A Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e


Bioquerosene) chegou a um acordo com
o governo de Moçambique para iniciar as
discussões para o desenvolvimento e a
implementação da indústria de biocombustível I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene -
em Moçambique, com a tecnologia e o know- Tecnologia e Inovação: Debate sobre o
how brasileiro (Brasil Agro). financiamento do setor (Canal Terraviva)

88 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Repercussão Midiática

Governo e setor privado querem acelerar


produção de biocombustível para aviação
Fórum discute produção de biodiesel e no Brasil (BiodieselBR)
bioquerosene no Brasil (AgroMais)

Brasil ansioso pela primeira gota de SAF


Com potencial de produzir cerca de 12 bi de
litros, país ainda precisa de estratégia para
Fórum debate biodiesel e bioquerosene em competir globalmente (EPBR)
SP (AgroMais)

Fenagra 2024 espera reunir 7 mil pessoas e


gerar R$ 500 milhões em negócios
Evento retorna à capital paulista nos dias 5 e
Sustentabilidade | Evento em São Paulo 6 de junho após edições em Ribeirão Preto,
discute biodiesel e bioquerosene (Globo Valinhos e Campinas (Globo Rural)
Rural)

Combustível do Futuro deve trazer


investimento de R$ 200 bi ao Brasil, diz
deputado
Energia verde: evento em São Paulo Tema foi debatido com lideranças do setor no
discute os desafios do setor de biodiesel e Fórum Biodiesel e Bioquerosene nesta quinta-
bioquerosene (Globo Rural) feira (Globo Rural)

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 89


Repercussão Midiática

Mozambique and Brazil signs MOU to


Combustível do Futuro deve trazer develop biofuels
investimento de R$ 200 bi ao Brasil, diz
During this week’s Biodiesel Forum in São
deputado
Paulo, Brazil, under the theme Technology
Tema foi debatido com lideranças do setor no and Innovation, a manifest of interest was
Fórum Biodiesel e Bioquerosene nesta quinta- signed between Brazil and Mozambique to
feira (Udop) joint develop biofuels. (Further Africa)

Combustível do Futuro deve trazer


Governo de Moçambique assina memorando
investimento de R$ 200 bi ao Brasil, diz
com Ubrabio para desenvolvimento de
deputado (Agro MT)
biocombustíveis (CanaOnline)

Brasil passará tecnologia do biodiesel para


Governo e setor privado querem acelerar Moçambique (Revista Petrus)
produção de biocombustível para aviação no
Brasil (CanaOnline)

Combustível do Futuro pode trazer


investimento de R$ 200 bi ao país, diz
Tecnologia brasileira impulsionará indústria deputado
de biocombustíveis em Moçambique
Com a perspectiva de atrair R$ 200 bilhões
Países firmaram acordo para o em investimentos, o Brasil pode se consolidar
desenvolvimento de projetos conjuntos nessa como um líder global na produção de
área (Brasil247) combustíveis sustentáveis (Compre Rural)

90 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Repercussão Midiática

Moçambique implantará biocombustível de


tecnologia BR (Imparcial News) Fenagra 2024 conecta conhecimento e
negócios da agroindústria em São Paulo
O evento, que supera a cada edição a
expectativa de expositores, congressistas e
visitação, teve início nesta quarta-feira (05) e
segue até amanhã (06), das 10 às 19 horas,
no Centro de Convenções do novo Distrito
Anhembi, em São Paulo. (Presente Rural)
Ubrabio firma acordo com governo de
Moçambique para Desenvolvimento de
Indústria de Biocombustíveis (Portal
Sustentabilidade)

BASF leva sua estratégia de baixo carbono


ao I Fórum de Biodiesel
Executivos da empresa vão abordar as "Novas
Oportunidades Tecnológicas na Produção de
Brazil and Mozambique sign MOU to jointly
Biocombustíveis" (Jornal do Belém)
develop biofuels
In Brazil, during the Biodiesel Forum in São
Paulo, Brazil and Mozambique signed a
Memorandum of Understanding (MOU) for the
joint development of biofuels. (Biofuels Digest)

BASF leva sua estratégia de baixo carbono


ao I Fórum de Biodiesel
Executivos da empresa vão abordar as "Novas
Oportunidades Tecnológicas na Produção de
Biocombustíveis" (Canal com Q)
Fenagra 2024: movimenta cerca de R$
800 milhões em negócios e bate recorde de
público (Editora Stylo)

BASF leva sua estratégia de baixo carbono


ao I Fórum de Biodiesel
Moçambique e Brasil assinam Memorando Executivos da empresa vão abordar as "Novas
de Entendimento para desenvolver Oportunidades Tecnológicas na Produção de
biocombustíveis (Noticias AI) Biocombustíveis" (Jornal Itaquera)

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 91


Repercussão Midiática

BASF leva sua estratégia de baixo carbono


Fenagra 2024: setor da agroindústria feed
ao I Fórum de Biodiesel
& food movimenta cerca de r$ 800 milhões
Executivos da empresa vão abordar as "Novas em negócios e bate recorde de público
"Oportunidades Tecnológicas na Produção de
Edição 2025 já está 100% vendida, ganhará
Biocombustíveis" (Jornal do Brás)
mais um dia de evento e será realizada no
pavilhão principal do Distrito Anhembi, em São
Paulo (Osalim)

BASF leva sua estratégia de baixo carbono


ao I Fórum de Biodiesel
Executivos da empresa vão abordar as "Novas Fenagra reúne, em um só lugar, grandes
Oportunidades Tecnológicas na Produção de players da agroindústria (AviSite)
Biocombustíveis" (Revista São Roque)

Fenagra 2024 reunirá grandes players da


Caminhão movido a biodiesel tem agroindústria em um único local
economia depois de rodar por seis meses
A expectativa é receber cerca de 7 mil
Em relação aos modelos a diesel comum, pessoas, entre visitantes e congressistas,
seu desempenho economizou 2,23% de com a presença de mais de 260 expositores
combustível e poluiu 95% menos (BE News) (Feed and Food)

Combustível do futuro deve atrair R$ 200 bi


em investimentos para o Brasil
Projeto de lei sobre produção e utilização Gigante do Biodiesel chega a Fenagra no
de diesel verde, bioquerosene e biometano momento mais importante da transição
é visto como transformador para o setor de energética mundial
biocombustíveis (Canal Pecuarista)
O Grupo Potencial é detentor do maior
complexo industrial de glicerina refinada e
biodiesel do Brasil, vem a Fenagra trazendo
seu ambiente de negócios, inovação,
tecnologia e sustentabilidade (Eae Maquinas)

92 | Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação Sumário


Considerações Finais

Considerações Finais
O I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene – Tecnologia e Inovação, promovido pela Ubrabio, não
apenas destacou a importância dos biocombustíveis no contexto energético atual, mas também
reafirmou o compromisso da Associação com a promoção da sustentabilidade, da inovação, da
segurança – alimentar, energética e jurídica para o setor.

A relevância do Fórum é inegável, tendo proporcionado um espaço singular para a troca de


conhecimento entre especialistas, acadêmicos e líderes do setor. As discussões profundas e
inspiradoras realizadas durante o evento culminaram na conclusão de uma publicação que
servirá como importante referencial para a indústria, rumo a transição energética, em que o
Brasil aparece entre os protagonistas mundiais.

A iniciativa da Ubrabio em reunir vozes tão diversas e experientes evidencia a liderança da


entidade na promoção de um futuro mais sustentável e seguro para a população brasileira.
A Ubrabio agradece a participação de representantes renomados no setor de biodiesel,
bioquerosene e biocombustíveis, no âmbito acadêmico, do Parlamento, do Governo Federal
e da iniciativa privada e parabeniza toda a equipe pelo êxito na organização deste Fórum, que
já se configura como um relevante ativo na agenda de discussões e relacionamento do setor.

Donizete Tokarski - diretor superintendente


da União Brasileira do Biodiesel e
Bioquerosene (Ubrabio)

Sumário Caderno de Resumos I Fórum de Biodiesel e Bioquerosene - Tecnologia e Inovação | 93


LINKER

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