Roteiro de Aula - Intensivo II - D. Processual Civil - Fernando Gajardoni - Aula 6
Roteiro de Aula - Intensivo II - D. Processual Civil - Fernando Gajardoni - Aula 6
Fernando Gajardoni
Direito Processual Civil
Aula 06
ROTEIRO DE AULA
Na aula passada, dentro do tema “execução de título extrajudicial”, o professor explicou que o regramento do Livro II da
Parte Especial do CPC se aplica subsidiariamente ao cumprimento de sentença (execução de título judicial).
Posteriormente, o professor trabalhou os seguintes tópicos:
• Princípios do processo execução;
• Legitimidade (partes no processo execução); e
• Competência na execução de título extrajudicial.
São necessários dois requisitos para se realizar qualquer execução: o inadimplemento (situação de fato) e a existência de
título executivo (situação de direito).
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CPC, art. 771: “Este Livro regula o procedimento da execução fundada em título extrajudicial, e suas disposições aplicam-
se, também, no que couber, aos procedimentos especiais de execução, aos atos executivos realizados no procedimento
de cumprimento de sentença, bem como aos efeitos de atos ou fatos processuais a que a lei atribuir força executiva.
Parágrafo único. Aplicam-se subsidiariamente à execução as disposições do Livro I da Parte Especial.”
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4.1. Inadimplemento (situação de fato) (786 e 788 CPC) (Regra geral: basta a alegação do credor) (exceção de contrato
não cumprido)
CPC, art. 786: “A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível
consubstanciada em título executivo.
Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez
da obrigação constante do título.”
CPC, art. 788: “O credor não poderá iniciar a execução ou nela prosseguir se o devedor cumprir a obrigação, mas poderá
recusar o recebimento da prestação se ela não corresponder ao direito ou à obrigação estabelecidos no título executivo,
caso em que poderá requerer a execução forçada, ressalvado ao devedor o direito de embargá-la.”
✓ De acordo com o art. 788, CPC, sem o inadimplemento não é possível dar início ou continuar no processo de
execução.
Observações:
1ª) Regra geral, de acordo com o art. 786, o inadimplemento é afirmado a partir da alegação do próprio credor. A priori,
essa afirmação é suficiente, não sendo necessária a prova do inadimplemento.
✓ Obs.: A prova do inadimplemento é negativa, ou seja, é difícil de ser feita.
Existem algumas execuções especiais que exigem a prova do inadimplemento por meio da constituição em mora (prévia)
do devedor.
Exemplo 1: o Decreto-Lei 70/66, que versa sobre a execução hipotecária, exige a constituição do devedor em mora.
Exemplo 2: o Decreto-Lei 911/69 é uma espécie atípica de execução do contrato de financiamento de alienação fiduciária.
Os arts. 3º e 4º desse Decreto-Lei exigem, para o ajuizamento da ação de busca e apreensão, a constituição prévia do
devedor em mora por meio de uma notificação extrajudicial.
2ª) A exceção de contrato não cumprido é instituto de direito material (Direito Civil).
✓ A exceção de contrato não cumprido refere-se ao fato de que uma pessoa pode recusar o cumprimento de uma
obrigação bilateral se a outra parte ainda não cumpriu a parte dela.
CPC, art. 787: “Se o devedor não for obrigado a satisfazer sua prestação senão mediante a contraprestação do credor,
este deverá provar que a adimpliu ao requerer a execução, sob pena de extinção do processo.
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Parágrafo único. O executado poderá eximir-se da obrigação, depositando em juízo a prestação ou a coisa, caso em que
o juiz não permitirá que o credor a receba sem cumprir a contraprestação que lhe tocar.”
O art. 787 do CPC, grosso modo, estabelece que, em obrigações bilaterais, ninguém é obrigado a cumprir a sua parte
enquanto a outra parte não tiver cumprido a obrigação dela.
Exemplo: “A” fez um contrato com “B” com fins à prestação de um serviço de colocação de toldos na residência de “B”.
“A” não colocou o toldo na residência de “B” e, mesmo assim, executou o contrato. Neste caso, “B” não é inadimplente,
pois “A” não cumpriu a sua parte na obrigação.
✓ Assim, no exemplo dado, ao ajuizar a execução do contrato, o credor é obrigado a comprovar que cumpriu a sua
parte no contrato. Do contrário, não há inadimplemento e falta a situação de fato para a execução.
O título executivo é uma situação de direito que possui previsão nos arts. 783 e 784 do CPC (títulos extrajudiciais) e art.
515 do CPC (títulos judiciais).
CPC, art. 783: “A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível.”
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§ 1º A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe o credor de promover-lhe a
execução.
§ 2º Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não dependem de homologação para serem
executados.
§ 3º O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de formação exigidos pela lei do lugar
de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o lugar de cumprimento da obrigação.”
CPC, art. 515: “São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título:
I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação de pagar quantia, de fazer, de
não fazer ou de entregar coisa;
II - a decisão homologatória de autocomposição judicial;
III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza;
IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título
singular ou universal;
V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por decisão
judicial;
VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado;
VII - a sentença arbitral;
VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;
IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça;
X - (VETADO).
§ 1º Nos casos dos incisos VI a IX, o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento da sentença ou para a liquidação
no prazo de 15 (quinze) dias.
§ 2º A autocomposição judicial pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha
sido deduzida em juízo.”
Conceito: Para a maioria da doutrina, o título executivo é o ato/fato documentado que representa a norma jurídica
concreta e, como tal, viabiliza a execução. Trata-se de situação de direito.
Atenção: o título executivo não é prova da existência do crédito, pois não há opção para o juiz de seguir ou não com a
execução. A prova é sempre valorada pelo juiz e o título executivo, por sua vez, não passa pela valoração judicial.
Observação:
O título executivo é, ao mesmo tempo, ato/fato e documento.
✓ Conforme a doutrina dominante no Brasil, a natureza do título executivo é composta pela unidade do ato/fato e
do documento. Assim sendo, o título jurídico não é só ato/fato tampouco somente documento, mas a junção de
ambos.
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O professor destaca que tal diferenciação é importante para definir a possibilidade de execução do título por cópia/xerox.
Assim, apesar de todos os títulos terem que ter os dois elementos ao mesmo tempo, às vezes, prepondera a teoria do
documento e, às vezes, a teoria do ato.
Em suma: Não resta dúvida de que o título é, ao mesmo tempo, ato/fato e documento. Entretanto, na análise do título
executivo em espécie, é possível verificar qual título está mais próximo da teoria do ato/fato e qual está mais próximo da
teoria do documento.
a) teoria do ato:
Quando se adota a teoria do ato/fato, o título executivo é substancial, ou seja, o que vale é o teor do documento (o que
o próprio título representa).
Atenção: Toda a vez em que a preponderância for da teoria do ato ou fato, o título vale pelo conteúdo (e não pelo papel)
e é possível executá-lo por cópia, ou seja, não é necessário apresentar o original. Exemplos: cópia de sentença, cópia de
contratos, cópia de escrituras etc.
Exemplo: é possível a execução de contrato por meio de cópia, pois prepondera, nesse caso, a teoria do ato.
b) teoria do documento:
Quando o título for mais aproximado da teoria do documento, ele será considerado mais em seu aspecto formal, isto é,
o próprio documento em si é que tem maior representação.
Exemplo: cambiais do art. 784, I do CPC. Nesses casos, é necessário apresentar o próprio título, não importando o
conteúdo.
Atenção: Quando a preponderância for a teoria do documento, o título é válido pela forma e não pelo conteúdo. Nestes
casos, não é possível fazer a execução por cópia. Exemplos: nota promissória, duplicata e cheque (princípio da
cartularidade).
Obs.: As normas das corregedorias determinam que, toda a vez em que há a execução de uma cambial, a parte possui um
prazo para depositar, em cartório, a cambial.
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• Exigibilidade.
Cuidado: Certeza, liquidez e exigibilidade não são caracteres do título. Elas são caracteres da obrigação representada no
título executivo.
✓ Apesar de falar-se em caracteres do título executivo, as características a serem apresentadas nesse tópico são da
obrigação representada pelo documento. Assim, a obrigação deve ser certa, líquida e exigível.
CPC, art. 783: “A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível.”
O professor afirma que, na prática, haverá certeza no título quando for possível responder a 4 indagações:
1ª) Quem deve?
2ª) Para quem deve?
3ª) O que deve?
4ª) Como deve?
✓ Para que seja possível fazer a execução de um título executivo judicial ou extrajudicial, o título deve ser capaz de
delimitar os elementos objetivos e subjetivos da obrigação.
✓ Toda a vez que o título faz a indicação precisa e exata dos elementos objetivos e subjetivos da obrigação, há
certeza em relação à obrigação.
✓ Às vezes, o título executivo não indica expressamente alguns elementos da certeza, mas a lei de regência do título
indica e não há problemas nisso. Exemplo: o cheque é ordem de pagamento à vista, conforme disposto em sua
lei de regência.
Questão: A obrigação de coisa incerta é hipótese de iliquidez? Não. O art. 509 do CPC versa apenas sobre as obrigações
de pagar quantia. O procedimento que existe no art. 498 do CPC não é liquidação, mas sim procedimento de especificação.
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CPC, art. 509: “Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a
requerimento do credor ou do devedor:
I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto
da liquidação;
II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo.
(...).”
CPC, art. 498: “Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o prazo para
o cumprimento da obrigação.
Parágrafo único. Tratando-se de entrega de coisa determinada pelo gênero e pela quantidade, o autor individualizá-la-á
na petição inicial, se lhe couber a escolha, ou, se a escolha couber ao réu, este a entregará individualizada, no prazo fixado
pelo juiz.”
O professor destaca que há muitos títulos executivos de quantia em que a apuração do valor depende apenas de meros
cálculos aritméticos. Nestes casos, não é necessária a liquidação. Trata-se de títulos líquidos.
Exemplo: a sentença condena o réu a pagar a somatória de notas fiscais constantes nas folhas xxx, com correção
monetária desde o inadimplemento e juros de mora desde a citação. Apesar de, neste caso, o juiz não ter determinado
que a dívida é de R$ XXX, o credor pode chegar ao valor devido.
CPC, art. 786: A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível
consubstanciada em título executivo.
Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez
da obrigação constante do título.”
CPC, art. 509, §2º: “Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde
logo, o cumprimento da sentença.”
O professor afirma que, para verificar a exigibilidade do título, será necessário responder à seguinte pergunta: “A
obrigação venceu?”
✓ O vencimento pode ocorrer porque o prazo da obrigação já transcorreu ou porque ocorreu a condição ou o termo
que autoriza a exigibilidade dessa obrigação.
Exemplo: “A” possui uma nota promissória. Enquanto a nota promissória não vencer, ela não é exigível.
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O professor ressalta que o aluno deve observar o disposto nos artigos 514 e no art. 798, I, “c” do CPC, pois ambos afirmam
que, ao ajuizar uma execução, o credor deverá, na petição inicial, comprovar a ocorrência da condição ou do termo que
tornam exigível a obrigação.
Exemplo: imagine que há um contrato de promessa de doação de um imóvel para quando “A” se casar. Neste caso, “A”
ingressa com a execução e junta a certidão de casamento.
CPC, art. 514: “Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o cumprimento da sentença dependerá
de demonstração de que se realizou a condição ou de que ocorreu o termo.”
O professor destaca que não se deve confundir a exigibilidade (caractere da obrigação) com o inadimplemento (requisito
necessário para realizar qualquer execução).
✓ Como a exigibilidade é fenômeno intrínseco ao título executivo, ela antecede o inadimplemento, ou seja, primeiro
o título precisa vencer para, depois, o credor poder afirmar que o devedor não cumpriu voluntariamente a
obrigação.
Em suma:
São requisitos para realizar qualquer execução: inadimplemento (situação de fato) e título executivo (situação de direito).
A certeza, liquidez e exigibilidade são características da obrigação que precisam estar no título.
Observação: o professor destaca que esse tópico não se aplica ao cumprimento de sentença, o qual já foi estudado no
curso Intensivo I.
a) Critério para eleição (variável): não há critério seguro para o legislador escolher o que é título executivo extrajudicial
e o que não é.
Exemplo: a certidão de dívida ativa é um título executivo extrajudicial por conta da supremacia do interesse público sobre
o privado.
✓ O professor explica que existem critérios legítimos para tal escolha, mas também há escolhas embasadas apenas
em lobby de alguma categoria/instituição (exemplo: cédulas de créditos bancários).
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b) Títulos abertos e títulos fechados (alimentos? 911/913 do CPC)
O rol do art. 784 possui títulos executivos extrajudiciais abertos e fechados:
Título aberto é aquele que é representativo de qualquer tipo de obrigação: fazer/não fazer, dar ou pagar quantia.
Exemplo: contratos (art. 784, II e III do CPC).
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Obs.: Durante muito tempo se debateu se era possível haver títulos executivos extrajudiciais representativos de obrigação
de alimentos e se ele poderia ser executado pelo rito da prisão.
✓ Atualmente, essa discussão está superada e não há mais dúvidas de que é possível haver títulos executivos
extrajudiciais representativos de obrigação de alimentos e que eles podem ser executados pelo rito da prisão.
✓ Os arts. 911 a 913 do CPC trazem a disciplina legal desse procedimento.
CPC, arts. 911 a 913: “Art. 911. Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha obrigação alimentar,
o juiz mandará citar o executado para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento das parcelas anteriores ao início da execução
e das que se vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de fazê-lo.
Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber, os §§ 2º a 7º do art. 528 .
Art. 912. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, bem como empregado
sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento de pessoal da
importância da prestação alimentícia.
§ 1º Ao despachar a inicial, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de crime
de desobediência, o desconto a partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício.
§ 2º O ofício conterá os nomes e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do exequente e do executado, a
importância a ser descontada mensalmente, a conta na qual deve ser feito o depósito e, se for o caso, o tempo de sua
duração.
Art. 913. Não requerida a execução nos termos deste Capítulo, observar-se-á o disposto no art. 824 e seguintes, com a
ressalva de que, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução não obsta
a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação.”
2 Lei 8.906/94, art. 24: “A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e o contrato escrito que os estipular são
títulos executivos e constituem crédito privilegiado na falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e
liquidação extrajudicial.
§ 1º A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha atuado o advogado, se
assim lhe convier.
§ 2º Na hipótese de falecimento ou incapacidade civil do advogado, os honorários de sucumbência, proporcionais ao
trabalho realizado, são recebidos por seus sucessores ou representantes legais.
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Exemplo 3: TAC do art. 5º, §6º da LACP3.
Exemplo 4: art. 17, §1º da Lei 8.429/924
Observação: O professor Dinamarco aponta que existem muitos títulos executivos extrajudiciais e que, portanto, o
próprio legislador colabora para que eles não sejam tão fortes/eficazes quanto a execução de títulos judiciais. Isso porque
os títulos judiciais são formados a partir de um debate entre as partes, com contraditório, ampla defesa e participação de
um juiz. Assim sendo, os títulos judiciais são considerados mais seguros e possibilitam uma execução mais incisiva contra
o devedor.
Questão: É possível que as partes criem títulos executivos extrajudiciais por negócio jurídico processual (pactum
executivum)?
Essa questão é polêmica e possui divergência de entendimentos na doutrina.
1ª Corrente: muitos autores sustentam que é possível que as partes criem títulos executivos extrajudiciais. Essa posição
se baseia no art. 1905 do CPC.
2ª Corrente: outros autores vinculam a criação de títulos executivos extrajudiciais ao princípio da reserva legal.
✓ O professor entende que as partes não podem criar títulos executivos extrajudiciais, pois o art. 784, XII do CPC
afasta outros atos normativos além da lei em sentido estrito.
✓ Por fim, o professor destaca que, na opinião dele, essa divergência é inoportuna do ponto de vista prático, pois o
art. 784, III do CPC preceitua que qualquer documento particular assinado por duas testemunhas constitui título
executivo extrajudicial.
d) Títulos extrajudiciais ilíquidos: conforme visto anteriormente, em regra, não existe título executivo extrajudicial de
quantia que seja ilíquido. A liquidez é característica essencial do título executivo extrajudicial.
✓ Não há possibilidade de execução e nem de liquidação de título executivo extrajudicial ilíquido.
§ 4º O acordo feito pelo cliente do advogado e a parte contrária, salvo aquiescência do profissional, não lhe prejudica os
honorários, quer os convencionados, quer os concedidos por sentença.”
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LACP, art. 5º, §6º: “Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de
sua conduta às exigências legais, mediante cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial”.
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LIA, art. 17: “§ 1º As ações de que trata este artigo admitem a celebração de acordo de não persecução cível, nos termos
desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)”
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CPC, art. 190: “Versando o processo sobre direitos que admitam autocomposição, é lícito às partes plenamente capazes
estipular mudanças no procedimento para ajustá-lo às especificidades da causa e convencionar sobre os seus ônus,
poderes, faculdades e deveres processuais, antes ou durante o processo.
Parágrafo único. De ofício ou a requerimento, o juiz controlará a validade das convenções previstas neste artigo,
recusando-lhes aplicação somente nos casos de nulidade ou de inserção abusiva em contrato de adesão ou em que
alguma parte se encontre em manifesta situação de vulnerabilidade.”
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Obs.: A Súmula 387 do STF afirma que é possível a entrega de cambiais em branco pelo devedor ao credor.
Súmula 387, STF: “A cambial emitida ou aceita com omissões, ou em branco, pode ser completada pelo credor de boa-fé
antes da cobrança ou do protesto.”
Quando uma pessoa dá a outra uma nota promissória em branco, ela está dando um contrato de mandato, ou seja, caso
eventualmente o devedor não pague a obrigação, o credor preenche a nota com o valor devido.
✓ Conforme consta na súmula 387, o preenchimento não pode ser abusivo, pois deve ser feito de boa-fé.
✓ O professor afirma que o ato em si não constitui nenhuma ilegalidade e é comum a utilização desse método em
cidades do interior.
Questão: É possível executar, no Brasil, títulos executivos extrajudiciais formados fora do país?
Diferentemente dos títulos judiciais, os títulos extrajudiciais estrangeiros não precisam ser homologados pelo Poder
Judiciário brasileiro para terem eficácia.
Nos termos do art. 105 da CF, o STJ tem a atribuição de homologar títulos judiciais.
Como visto, no caso de título extrajudicial estrangeiro, o art. 784, §2º, CPC, afirma não ser necessária a homologação
judiciária. Entretanto, o art. 784, §3º, CPC, traz 3 condições para executar o título extrajudicial estrangeiro:
(i) É necessário haver uma tradução juramentada do título;
(ii) O título estrangeiro deverá ter sido constituído conforme as regras do país em que foi celebrado;
(iii) O Brasil deve ter sido indicado como o lugar de cumprimento da obrigação.
Exemplo: imagine que “A” emita um cheque celebrado conforme as regras dos EUA e o entregue a “B”, cidadão brasileiro.
Se esse cheque não possuir fundos, ele não poderá ser executado no Brasil, pois o cheque não indica o Brasil como local
do cumprimento, mas sim a agência bancária americana.
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✓ O fundamento para tal possibilidade é a maior efetividade do título executivo judicial.
CPC, art. 785: “A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento,
a fim de obter título executivo judicial.”
Obs.: O professor destaca que alguns autores não concordam com o fato de que a parte que já possui o título executivo
extrajudicial possa ingressar com ação de conhecimento para obter título executivo judicial. Estes autores defendem que
quem tem título executivo não têm o interesse processual, na modalidade adequação, para ingressar com o processo de
conhecimento. A despeito desse entendimento, o art. 785 do CPC é expresso ao determinar que a existência de título
executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento.
Não há dúvidas de que é possível realizar a execução de título extrajudicial contra a Fazenda Pública. Prova disso é que o
CPC traz procedimento próprio para tal previsão (art. 910, CPC).
Súmula 279, STJ: “É cabível execução por título extrajudicial contra a Fazenda Pública.”
CPC, art. 910: “Na execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor embargos em 30
(trinta) dias.
§ 1º Não opostos embargos ou transitada em julgado a decisão que os rejeitar, expedir-se-á precatório ou requisição de
pequeno valor em favor do exequente, observando-se o disposto no art. 100 da Constituição Federal .
§ 2º Nos embargos, a Fazenda Pública poderá alegar qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa no processo
de conhecimento.
§ 3º Aplica-se a este Capítulo, no que couber, o disposto nos artigos 534 e 535 .”
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VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais
como taxas e despesas de condomínio;
IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
correspondente aos créditos inscritos na forma da lei;
X - o crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio edilício, previstas na respectiva
convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas;
XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas
pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei;
XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva.
§ 1º A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe o credor de promover-lhe a
execução.
§ 2º Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não dependem de homologação para serem
executados.
§ 3º O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de formação exigidos pela lei do lugar
de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o lugar de cumprimento da obrigação.”
a) Títulos de crédito
Conforme o art. 784, I do CPC, são títulos executivos extrajudiciais: a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata
mercantil, a debênture e o cheque.
2ª) A nota promissória, conforme o art. 70 da Lei Uniforme de Genebra, possui prazo de prescrição de 3 anos a contar do
vencimento. Após o transcurso do prazo prescricional, a nota promissória ainda pode ser utilizada (em um intervalo de 5
anos da data do vencimento) para fins de ação monitória.
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✓ O prazo prescricional para utilização da nota promissória prescrita como documento escrito hábil para a cobrança
é de 5 anos a contar do dia seguinte ao vencimento do título (Súmula 504 do STJ).
Súmula 504 do STJ : “O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de nota promissória sem força
executiva é quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do título.”
A Súmula 504 do STJ deve ser lida juntamente com o art. 70 da Lei Uniforme de Genebra, ou seja, após o vencimento da
promissória, há o prazo de 3 anos para que o título seja executado. Após os 3 anos, há mais 2 anos (e não mais 5 anos,
pois o termo inicial de ambos os prazos é o mesmo: o dia seguinte ao vencimento do título) para que a parte ingresse com
a ação de conhecimento.
2ª) O professor afirma que o aluno deve ter muita atenção no regramento disposto no art. 15, §2º da Lei 5.474/68.
Lei 5.474/68, art. 15, §2º: “Processar-se-á também da mesma maneira a execução de duplicata ou triplicata não aceita e
não devolvida, desde que haja sido protestada mediante indicações do credor ou do apresentante do título, nos termos
do art. 14, preenchidas as condições do inciso II deste artigo.”
✓ A duplicata mercantil é, em um primeiro momento, similar à letra de câmbio, pois a emissão de ambas é feita
pelo credor. A partir do momento da emissão da duplicata, duas situações são possíveis:
• A duplicata é enviada ao devedor e este a aceita (assina e devolve ao credor). Neste caso, a duplicata
funcionará como a letra de câmbio e, se não for paga na data determinada, será executada pelo credor.
• A duplicata é enviada ao devedor e ele devolve o título sem justificativa ou não a devolve. Neste caso, o
art. 15, §2º da Lei 5.474/68 estabelece uma forma de a duplicata ser título executivo ainda que o devedor
não devolva o documento nem aceite a duplicata. De acordo com o dispositivo citado, o credor poderá,
com o protesto da duplicata (ainda que por indicação) e a apresentação da comprovação do recebimento
da mercadoria ou do serviço, executar o título. Assim sendo, essa é a diferença entre a letra de câmbio e
a duplicata.
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A debênture é documento que algumas sociedades anônimas podem emitir para realizar a captação de recursos no
mercado.
✓ Uma vez vencida a debênture, não havendo o pagamento pela sociedade anônima, o titular do título pode
executar o emitente.
2ª) O cheque é ordem de pagamento à vista. Assim sendo, o cheque pós-datado não retira a natureza do cheque. Diante
disso, a apresentação do cheque ao banco antes da data combinada entre devedor e beneficiário possibilitará o
pagamento do título caso haja recursos para tal (fundos).
✓ Quando o emitente dá um cheque pós-datado a alguém, há um combinado paralelo. O fato de haver esse pacto
não desnatura o cheque, que continua a ser uma ordem de pagamento à vista. Entretanto, se, por conta do
descumprimento do pacto, o devedor do cheque tiver algum prejuízo, será possível a obtenção de indenização
por danos morais.
Súmula 370, STJ: “Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque pré-datado.”
3ª) O prazo de prescrição do cheque como título executivo é de 6 meses, com um termo inicial variável (a depender do
caso concreto).
✓ Após tal prazo, o cheque perde a natureza executiva, mas continua sendo prova escrita para fins de ação de
conhecimento ou monitória. O STJ entendeu, por meio da Súmula 503, que o prazo de prescrição de cheque sem
eficácia executiva é de 5 anos, contados do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula.
Súmula 503, STJ: “O prazo para ajuizamento de ação monitória em face do emitente de cheque sem força executiva é
quinquenal, a contar do dia seguinte à data de emissão estampada na cártula.”
• A escritura pública é aquela emitida no tabelião de notas. Neste caso, não é necessária a assinatura do devedor.
Exemplo: uma escritura pública feita diante da obrigação de “A” entregar 50 sacas de café a “B”.
• Além disso, o art. 784, II, CPC, estabelece como sendo título extrajudicial, além da escritura pública, outro
documento público assinado pelo devedor.
Segundo o professor, a expressão “outro documento público” é muito ampla, pois documento público é todo
aquele emitido por autoridade pública.
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Exemplo: se, após um acidente de trânsito e durante a lavratura do boletim de ocorrência, um dos envolvidos
afirma que é culpado pelo acidente e que pagará R$ 2 mil e, posteriormente, as partes assinam esse documento,
isso constitui documento público assinado pelo devedor e, portanto, se o devedor não pagar o que é devido, o
credor poderá ingressar com a execução contra ele.
Súmula 233, STJ: “O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da conta-corrente, não é título
executivo.”
✓ Após a emissão da Súmula 233 do STJ, os bancos tiveram grandes problemas para recuperar rapidamente os
créditos a eles devidos. Diante disso, o STJ editou a Súmula 247 (alterando o seu entendimento).
Súmula 247, STJ: “O contrato de abertura de crédito em conta-corrente, acompanhado do demonstrativo de débito,
constitui documento hábil para o ajuizamento da ação monitória”.
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O grande problema da Súmula 247 do STJ é que ela estabelece que o contrato de abertura de crédito em conta-corrente,
juntamente com o demonstrativo de débito, são hábeis para o ajuizamento da ação monitória, mas esta, se for embargada
pelo devedor, segue o procedimento comum, ou seja, mesmo diante de tal súmula, os bancos não conseguiram recuperar
rapidamente os créditos. Assim sendo, houve a edição da Súmula 300 do STJ.
Súmula 300, STJ: “O instrumento de confissão de dívida, ainda que originário de contrato de abertura de crédito, constitui
título executivo extrajudicial.”
✓ Nos termos da Súmula 300, STJ, se houver a confissão da dívida, ela passará a ser título executivo extrajudicial.
✓ Após a edição dessa súmula, os devedores começaram a perceber a estratégia bancária e pararam de assinar
documentos de renegociação de dívidas. Posteriormente, foi aprovada a Lei 10.931/2004, a qual criou a cédula
de crédito bancário. Os artigos 26 a 45 da referida lei estabelecem que os bancos podem emitir cédulas de crédito
bancário e, caso não haja pagamento do empréstimo, o comprovante com o cálculo do valor devido e o
contrato/cédula são considerados títulos executivos.
✓ No caso de autocomposição em que as partes estão devidamente assistidas por um profissional, há a formação
de título executivo extrajudicial.
Observações:
1ª) Se a parte quiser que o documento referendado pelo Ministério Público, Defensoria Pública, Advocacia Pública,
advogados das partes ou conciliador ou mediador credenciado por tribunal se transforme em título executivo judicial, ela
deverá submeter o acordo ao juízo para a homologação do acordo (procedimento de jurisdição voluntária).
O professor destaca que há um erro no art. 784, V, CPC: o que é título executivo extrajudicial é o contrato e não o fato
dele estar garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia.
✓ No caso de contratos garantidos por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele
garantido por caução, não há necessidade de assinatura de duas testemunhas.
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✓ Exemplo: “A” possui um contrato com o banco e dá a casa em garantia (hipoteca), joias (penhor) ou fiança.
Obs.: Os seguros relativos à invalidez, uma vez ocorrido o sinistro, não podem ser exigidos mediante execução. Isso porque
a invalidez precisa ser constatada por uma série de exames/perícias que não podem ser feitos extrajudicialmente. Assim
sendo, tais seguros devem ser exigidos por meio de ação de conhecimento.
O contrato de seguro de vida se comprova por meio de um instrumento emitido pela seguradora: apólice de seguro.
✓ Em uma situação ideal, para realizar a execução, o indivíduo deveria apresentar a apólice do seguro. Entretanto,
muitas vezes, o beneficiário do seguro não possui este documento. Diante disso, a jurisprudência tem admitido
que a execução desse título executivo seja feita por meio de outros documentos. Exemplos: cópia da proposta de
seguro (pré-contrato) ou extrato bancário que contenha os lançamentos dos valores devidos.
Nos termos do art. 2.038, CC, não é mais possível constituir foro e laudêmio, pois ambos são institutos da enfiteuse.
✓ O art. 2.038 do CC extinguiu a enfiteuse, mas manteve as que já existiam à época da entrada em vigor do Código
Civil.
Na enfiteuse, há dois valores que são pagos pelo titular da posse útil: foro e laudêmio.
✓ Foro é uma prestação anual paga pelo beneficiário ao senhorio.
✓ Laudêmio é o valor pago pela transferência da posse útil.
Se o foro ou o laudêmio não forem pagos, haverá a execução de um título executivo extrajudicial.
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CC, art. 2.038: “Fica proibida a constituição de enfiteuses e subenfiteuses, subordinando-se as existentes, até sua extinção,
às disposições do Código Civil anterior, Lei no 3.071, de 1o de janeiro de 1916, e leis posteriores.
§ 1º Nos aforamentos a que se refere este artigo é defeso:
I - cobrar laudêmio ou prestação análoga nas transmissões de bem aforado, sobre o valor das construções ou plantações;
II - constituir subenfiteuse.
§ 2º A enfiteuse dos terrenos de marinha e acrescidos regula-se por lei especial.”
h) Crédito decorrente de aluguel de imóvel e encargos (documentalmente comprovado) (art. 784, VIII, CPC)
Também é título executivo extrajudicial o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem
como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio.
Atenção: muitas vezes, o contrato de locação de imóvel possui cláusula afirmando que o não pagamento do débito no
prazo implica multa (exemplo: pagamento de 3 aluguéis pelo inadimplemento). Entretanto, se o credor optar pela via da
execução do título extrajudicial, não é possível cobrar esta multa, pois, para cobrá-la, deve-se discutir a existência de culpa
e isso não é compatível com as características do título extrajudicial. Caso o credor queira cobrar também a multa
contratual, será necessário ingressar com processo de conhecimento.
i) Certidão da dívida ativa (art. 2º, §5º da LEF) (art. 784, IX, CPC)
Todas as vezes em que o poder público age com base em sua natureza pública, há a incidência da supremacia do interesse
público sobre o privado. Nestes casos, ele terá o poder de afirmar-se credor da existência de determinado crédito e,
havendo o inadimplemento, ele inscreverá o nome do devedor na dívida ativa.
✓ Tais créditos podem ser de natureza tributária e não tributária (exemplo: mutas de trânsito).
✓ Em caso de inadimplemento desse crédito, o poder público extrai uma certidão de dívida ativa, a qual deve seguir
todos os parâmetros do art. 2º, §5º da LEF.
Lei 6.830/80, art. 2º, §5º: “O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:
I - o nome do devedor, dos co-responsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros;
II - o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de mora e demais encargos
previstos em lei ou contrato;
III - a origem, a natureza e o fundamento legal ou contratual da dívida;
IV - a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização monetária, bem como o respectivo fundamento legal
e o termo inicial para o cálculo;
V - a data e o número da inscrição, no Registro de Dívida Ativa; e
VI - o número do processo administrativo ou do auto de infração, se neles estiver apurado o valor da dívida.”
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Atenção: Há créditos do Estado que não podem ser inscritos em dívida ativa. Isso ocorre quando o Estado atua fora dos
casos em que possui supremacia.
Exemplo: “A” bate o seu carro em uma viatura da polícia militar. Neste caso, o poder público não pode inscrever “A” na
dívida ativa, pois se trata de um ilícito civil. No exemplo dado, o Estado pode, eventualmente, ingressar com uma ação de
indenização em face de “A”.
j) Crédito de condomínio edilício aprovado em convenção ou assembleia (1334, I e 1336, I do CC) (art. 784, X, CPC)
O crédito de condomínio edilício aprovado em convenção ou assembleia será título executivo extrajudicial se estiver
documentalmente comprovado.
✓ O professor destaca que o art. 784, X, CPC, surgiu para que, na medida do possível, fosse facilitada a cobrança de
créditos por condomínio. Assim sendo, desde que o crédito seja documentalmente comprovado e esteja
aprovado em convenção ou assembleia, o condômino inadimplente pode ser executado.
✓ No regime revogado, se houvesse inadimplência de condôminos, o condomínio precisava ingressar com uma ação
de conhecimento.
✓ Tal crédito pode ser decorrente de despesas ordinárias (exemplo: valor referente às dívidas recorrentes ao
condomínio) ou extraordinárias (exemplo: despesa referente à troca da caixa d’água).
CC, art. 1.334, I: “Além das cláusulas referidas no art. 1.332 e das que os interessados houverem por bem estipular, a
convenção determinará:
I - a quota proporcional e o modo de pagamento das contribuições dos condôminos para atender às despesas ordinárias
e extraordinárias do condomínio;
(...).”
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O estudo da responsabilidade patrimonial será dividido em duas partes:
1ª) Duas regras gerais;
2ª) Duas questões sobre o tema. A partir dessas perguntas, o professor trabalhará todo o conteúdo do art. 789 e seguintes
do CPC.
CPC, art. 789: “O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações,
salvo as restrições estabelecidas em lei.”
Como regra geral, o devedor e o responsável são a mesma pessoa. Há casos, entretanto, em que uma pessoa é a devedora
e a outra é a responsável pelo débito.
• Pode, portanto, existir a hipótese de débito sem responsabilidade.
b) Responsabilidade é patrimonial – bens presentes e futuros (há resquícios de responsabilidade pessoal - EXCEÇÕES)
Como regra, a responsabilidade do devedor é patrimonial e isso significa que, conforme dispõe o art. 789 do CPC, o
devedor responde com seus bens (presentes e futuros) pelo pagamento de suas dívidas/obrigações.
• O professor destaca que a reponsabilidade patrimonial é uma grande evolução do direito, pois já houve períodos
na história em que o devedor respondia pelas suas obrigações com seu próprio corpo. Assim sendo, se o devedor
não cumpria com as suas obrigações, ele, eventualmente, podia ser escravizado ou até decapitado.
Pelo modelo brasileiro, a responsabilidade patrimonial ocorre quanto aos bens presentes e quanto aos bens futuros do
devedor. Isso significa que o devedor responde pelos seus débitos com o seu patrimônio, porém, a responsabilidade
patrimonial não se restringe ao património existente no momento da constituição da dívida ou do vencimento da
obrigação, podendo alcançar bens futuros.
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CPC, art. 528, §§3º e 7º: “No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de
decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado
pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo.
(...)
§ 3º Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o
pronunciamento judicial na forma do § 1º, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses.
(...)
§ 7º O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 (três) prestações anteriores
ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo.
CPC, art. 911: “Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha obrigação alimentar, o juiz mandará
citar o executado para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento das parcelas anteriores ao início da execução e das que se
vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de fazê-lo.
Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber, os §§ 2º a 7º do art. 528 .”
No caso de execução de alimentos das 3 últimas parcelas, se o devedor não responde com o patrimônio, ele responde
com o corpo, pois ele pode ser preso. Trata-se de resquício de responsabilidade pessoal.
Exemplo 2: art. 102 da Lei 12.529/2011 (Lei do CADE) – Este dispositivo estabelece que, a bem do cumprimento das
decisões judiciais, o Poder Judiciário poderá intervir na administração da pessoa jurídica (corpo da pessoa jurídica).
Lei 12.529/2011, art. 102: “O Juiz decretará a intervenção na empresa quando necessária para permitir a execução
específica, nomeando o interventor.
Parágrafo único. A decisão que determinar a intervenção deverá ser fundamentada e indicará, clara e precisamente, as
providências a serem tomadas pelo interventor nomeado.”
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CPC, art. 836: “Não se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto da execução dos bens encontrados
será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução.
§ 1º Quando não encontrar bens penhoráveis, independentemente de determinação judicial expressa, o oficial de justiça
descreverá na certidão os bens que guarnecem a residência ou o estabelecimento do executado, quando este for pessoa
jurídica.
§ 2º Elaborada a lista, o executado ou seu representante legal será nomeado depositário provisório de tais bens até
ulterior determinação do juiz.”
Não faz sentido realizar a penhora do patrimônio do devedor se for possível perceber que tal patrimônio não é capaz de
suportar sequer as custas do processo. Nesse caso, há a limitação lógica da execução.
Exemplo: o professor destaca que atuou em um caso em que havia um credor que não conseguia receber o que lhe era
devido. O oficial de justiça foi até a empresa devedora (produtora de talheres) e percebeu que ela estava falida.
Entretanto, o credor insistia que deveria ser penhorado qualquer bem que estivesse na empresa. O oficial de justiça
constatou que havia, no local, 3 caixas de talheres, mas o crédito era de R$ 200 mil e, portanto, a penhora dos bens como
sucata não cobria nem as custas do processo (penhora frustrada).
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