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.Trashed-1746655335-Auditoria Tributaria Na Mutacao Do Comportamento Fiscal

A dissertação investiga o impacto da auditoria tributária no comportamento fiscal dos contribuintes, focando na relação entre o perfil de agressividade fiscal antes da auditoria e os efeitos corretivos e preventivos das inspeções. Os resultados indicam que contribuintes menos agressivos podem experimentar efeitos preventivos negativos, desafiando a percepção comum sobre a eficácia das auditorias. A pesquisa sugere a necessidade de ajustar a seleção de contribuintes para inspeção a fim de mitigar esses efeitos adversos.
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A dissertação investiga o impacto da auditoria tributária no comportamento fiscal dos contribuintes, focando na relação entre o perfil de agressividade fiscal antes da auditoria e os efeitos corretivos e preventivos das inspeções. Os resultados indicam que contribuintes menos agressivos podem experimentar efeitos preventivos negativos, desafiando a percepção comum sobre a eficácia das auditorias. A pesquisa sugere a necessidade de ajustar a seleção de contribuintes para inspeção a fim de mitigar esses efeitos adversos.
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AUDITORIA TRIBUTÁRIA NA MUTAÇÃO DO COMPORTAMENTO

FISCAL
Avelino Armando Quelhas da Costa

Dissertação
Mestrado em Finanças e Fiscalidade

Orientado por
Professor Doutor Samuel Cruz Alves Pereira
Professor Doutor Elísio Brandão

2018
NOTA BIOGRÁFICA

Avelino Quelhas Costa, nascido a 26 de junho de 1977 em Matosinhos.

Licenciado em Economia pela Universidade do Minho desde 1999, inscreveu-se na Pós-


Graduação anual em Gestão e Fiscalidade do Instituto de Estudos Superiores Financeiros e
Fiscais em 2002, a qual concluiu com média de 16 valores.

Em 2016 ingressou no Mestrado em Finanças e Fiscalidade da Faculdade de Economia do


Porto, no âmbito do qual apresenta a presente investigação individual (dissertação).

Exerce funções na Autoridade Tributária e Aduaneira desde 1999, inicialmente como Téc-
nico de Administração Tributária e Aduaneira. Em 2005 conseguiu uma importante pro-
gressão profissional, transitando para a área da Auditoria Tributária, onde tem assumido
um nível crescente de responsabilidade.

Em abril de 2015 foi proposto para ingressar a lista nacional de peritos da Autoridade Tri-
butária e Aduaneira, proposta que mereceu a aprovação da Exma. Sra. Ministra das Finan-
ças à data, renovada anualmente desde essa data.

Em fevereiro de 2018 abraçou um novo e importante desafio profissional, ao ser indigitado


como coordenador na área da Inspeção Tributária da Direção de Finanças de Braga.

i
NOTA DE AGRADECIMENTOS

Pela disponibilidade, incentivo e conhecimento, um especial agradecimento ao meu orien-


tador Professor Doutor Samuel Cruz Alves Pereira.

Pela referência, quer a nível pessoal, quer pela qualidade, diferenciação e reconhecimento
nacional e internacional que conquistou para este mestrado de Finanças e Fiscalidade da
FEP, o meu agradecimento ao Diretor do Mestrado em Finanças e Fiscalidade e coorienta-
dor desta dissertação, o Professor Doutor Elísio Brandão.

Pela dedicação e apoio, a todos os outros docentes deste mestrado que tive o privilégio de
conhecer.

Pela dedicação à instituição que orgulhosamente representamos, a todos os profissionais da


Autoridade Tributária e Aduaneira que me têm acompanhado e apoiado no meu percurso
profissional, e com quem tenho tido o privilégio de partilhar experiências e vencer desafios.

Por último, um agradecimento muito especial aos meus amigos e à minha família, pelo in-
centivo e apoio, em particular aos meus filhos Leonor e Francisco e à minha esposa Sílvia
pela compreensão e paciência pelo tempo de que os privei, aos quais dedico este meu tra-
balho.

ii
RESUMO

Um dos principais desafios da política fiscal de qualquer Estado passa por avaliar o perfil
de risco dos seus contribuintes individuais e coletivos (que pode variar entre a total aversão
à evasão fiscal e a elevada propensão para a mesma), assim como o impacto das suas políti-
cas nesse mesmo perfil, como salvaguarda do esperado efeito preventivo dessas mesmas
políticas.

Conhecendo-se os efeitos diretos (corretivos) e indiretos (preventivos) que uma inspeção


tributária poderá ter no comportamento fiscal futuro, testou-se se o perfil de agressividade
fiscal antes do procedimento de auditoria tributária altera a magnitude e eventualmente o
sentido desses efeitos ao nível das pessoas coletivas, sem desprezar a informação transmiti-
da pela qualidade da auditoria, assim como o impacto de alguns determinantes, mais carac-
terísticos para o caso Português, no qual assentou o estudo.

Os resultados apontam para efeitos preventivos negativos, com maior relevância nos con-
tribuintes menos agressivos fiscalmente antes da inspeção e sujeitos a uma maior magnitu-
de de correções fiscais, o que contraria todas as intuições quanto aos efeitos dissuasores.
Consequentemente, a política de seleção dos contribuintes para inspeção deverá ser ajusta-
da para anular ou minimizar esses efeitos negativos.

Palavras Chave: Evasão Fiscal | Agressividade Fiscal | Rentabilidade Fiscal das Vendas |
Auditoria Tributária

iii
ABSTRACT

One of the main challenges of fiscal policy in any state is to assess the risk profile of its
individual and collective taxpayers (which can range from a total aversion to tax evasion
and a high propensity for tax evasion), as well as the impact of its policies on that same
profile, as a safeguard against the expected preventive effect of these same policies.

Knowing the direct (corrective) and indirect (preventive) effects that a tax inspection may
have on future fiscal behavior, we tested if the profile of fiscal aggressiveness before the tax
audit procedure changes the magnitude and eventually the meaning of these effects on cor-
porative taxpayers, without neglecting the information transmitted by the quality of the
audit, as well as the impact of some determinants, more characteristic for the Portuguese
case, on which the study was based.

The results point to negative preventive effects, which are more relevant to less aggressive
taxpayers prior to inspection and subject to a greater magnitude of fiscal corrections, which
contradicts all intuitions regarding to deterrent effects. Consequently, the policy of selecting
taxpayers for inspection should be adjusted to cancel or minimize such negative effects.

Keywords: Fiscal Evasion |Tax Aggressiveness | Fiscal Profitability of Sales | Tax Audit

JEL Classification: H26, H32

iv
ÍNDICE

CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO ............................................................................................ 1


CAPÍTULO II - MODELO TEÓRICO ................................................................................. 4
2.1 – Revisão da Literatura .......................................................................................................................... 4
2.1.1 – Definição de Evasão Fiscal e Agressividade Fiscal ................................................................ 4
2.1.2 – Linhas de Investigação .............................................................................................................. 5
2.1.2.1 – Medida para captar os níveis de Evasão Fiscal (Agressividade Fiscal)................................. 5
2.1.2.2 – Determinantes da Evasão Fiscal ..................................................................................... 7
2.1.2.3 – Impacto das iniciativas das autoridades fiscais no comportamento dos contribuintes........... 7

2.2 – Objetivos e Hipóteses de Investigação .....................................................................................10


CAPÍTULO III - METODOLOGIA .................................................................................... 12
3.1 – Período................................................................................................................................................12
3.2 - Dados e Amostra ...............................................................................................................................13
3.3 - Variável Dependente .........................................................................................................................17
3.4 - Variáveis Explicativas ........................................................................................................................18
3.5 - Modelos Econométricos ...................................................................................................................21
CAPÍTULO IV - RESULTADOS ......................................................................................... 23
4.1 - Estatísticas descritivas .......................................................................................................................23
4.2 - Grupo Auditado vs Grupo de Controlo ........................................................................................25
4.3 - Resultados dos parâmetros DID por subgrupos, estratificados por quartis em função dos
níveis de agressividade fiscal no período pré-auditoria.........................................................................27
4.4 - Impacto da eficácia da inspeção tributária nos resultados apresentados no ponto anterior..30
CAPITULO V - CONCLUSÕES .......................................................................................... 35
APÊNDICES......................................................................................................................... 39
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 40

v
ÍNDICE DE TABELAS
Tabela 1. Matriz Hipóteses Modelo 1 .................................................................................................... 10
Tabela 2. Matriz Hipóteses Modelo 2 ................................................................................................... 11
Tabela 3. Seleção das amostras .............................................................................................................. 14
Tabela 4. Estratificação das amostras por setores de atividade e média de indicadores ............................... 16
Tabela 5. Variáveis explicativas Modelo 1 .............................................................................................. 18
Tabela 6. Variáveis explicativas Modelo 2 .............................................................................................. 19
Tabela 7. Definição das Variáveis explicativas Modelo 2 ......................................................................... 20
Tabela 8. Interpretação dos coeficientes Modelo 1 ................................................................................. 21
Tabela 9. Interpretação dos coeficientes Modelo 2................................................................................. 22
Tabela 10. Parâmetro DID GA-GC ....................................................................................................... 25
Tabela 11. Coeficientes Modelo 1.......................................................................................................... 26
Tabela 12. Parâmetro DID 1º Quartil - GA-GC ..................................................................................... 27
Tabela 13. Parâmetro DID 2º Quartil - GA-GC ..................................................................................... 28
Tabela 14. Parâmetro DID 3º Quartil - GA-GC ..................................................................................... 28
Tabela 15. Parâmetro DID 4º Quartil - GA-GC ..................................................................................... 29
Tabela 16. Coeficientes Modelo 2 ......................................................................................................... 31
Tabela 17. Parâmetro DID 2º Modelo - 1º Quartil - GA-GC ................................................................... 31
Tabela 18. Parâmetro DID 2º Modelo - 2º Quartil - GA-GC ................................................................... 32
Tabela 19. Parâmetro DID 2º Modelo - 3º Quartil - GA-GC ................................................................... 33
Tabela 20. Parâmetro DID 2º Modelo - 4º Quartil - GA-GC................................................................... 34
Tabela 21. Estatísticas descritivas das Variáveis – Período Pré-Auditoria................................................... 39
Tabela 22. Estatísticas descritivas das Variáveis – Período Pós-Auditoria .................................................. 39

ÍNDICE DE GRÁFICOS
Gráfico 1. Evolução da RFVendas por Grupo .............................................................................................................. 26
Gráfico 2. Evolução da RFVendas 1º Quartil – Modelo 1 .......................................................................................... 28
Gráfico 3. Evolução da RFVendas 2º Quartil – Modelo 1 .......................................................................................... 28
Gráfico 4. Evolução da RFVendas 3º Quartil – Modelo 1 .......................................................................................... 28
Gráfico 5. Evolução da RFVendas 4º Quartil – Modelo 1 .......................................................................................... 29
Gráfico 6. Evolução da RFVendas por quartis do GA – Modelo 1 .......................................................................... 30
Gráfico 7. Evolução da RFVendas 1º Quartil vs Magnitude Correções – Modelo 2 ............................................. 32
Gráfico 8. Evolução da RFVendas 2º Quartil vs Magnitude Correções – Modelo 2 ............................................. 32
Gráfico 9. Evolução da RFVendas 3º Quartil vs Magnitude Correções – Modelo 2 ............................................. 33
Gráfico 10. Evolução da RFVendas 4º Quartil vs Magnitude Correções – Modelo 2 ........................................... 34

vi
LISTA DE ABREVIATURAS

AF Agressividade Fiscal
AT Autoridade Tributária e Aduaneira
ATL Ativo Total Líquido
BETR Taxa Efetiva de Imposto de base Contabilística (Book Effective Tax Rate)
BTD Diferenças Contabilísticas e Fiscais (Book Tax Differences)
CAE Código de Atividade Económica
CETR Taxa Efetiva de Imposto de base Contabilística Corrente (Current Book Effective
Tax Rate)
DID Difference in Difference
EBIT Resultados antes de Juros e Impostos (Earnings Before Interest and Taxes)
ETR Taxa Efetiva de Impostos (Effetive Tax Rate)
FE Efeitos Fixos (Fixed Effects)
GA Grupo Auditado
GC Grupo de Controlo
IT Inspeção Tributária
LRCashETR Long-run Cash Effective Tax Rate
MagC Magnitude das Correções
NIPC Número de Identificação de Pessoa Coletiva
OLS Método dos Mínimos Quadrados (Ordinary Least Squares)
PBTD Diferenças Contabilísticas e Fiscais Permanentes (Book Tax Differences)
QT Quartil
RAI Resultados Antes de Impostos
RFV Rentabilidade Fiscal das Vendas
ROA Rentabilidade do Ativo (Return on Assets)
SABI Sistema de Análise de Balanços Ibéricos - Bureau van Dijk
SE Subsídios à Exploração
SP Sujeito Passivo
VN Volume de Negócios
VP Variação de Produção

vii
CAPÍTULO I - INTRODUÇÃO

Na conclusão do prefácio do Relatório de Atividades Desenvolvidas no “Combate à Fraude e Evasão


Fiscais e Aduaneiras” de 2016, como relatório intercalar do Plano Estratégico de Combate à
Fraude e Evasão Fiscal para o triénio 2015-2017, subscrito pelo então Secretário de Estado
dos Assuntos Fiscais, podemos ler “A avaliação do Governo é que a atuação das entidades compe-
tentes em matéria de combate à fraude e evasão fiscal contribuiu para cumprir a prioridade política coleti-
vamente assumida pela sociedade portuguesa de combate à fraude e evasão fiscais e aduaneiras.”

Sem questionar o mérito da estratégia e dos resultados obtidos, ousamos refletir sobre os
pressupostos da referida avaliação, normalmente suportada exclusivamente nos resultados
obtidos no presente, descorando uma perspetiva dinâmica, nomeadamente no que diz res-
peito aos efeitos futuros, e, consequentemente, ao efeito cumulativo agregado.

Por outras palavras, será que o nível de cumprimento fiscal nos períodos seguintes ampliará
a magnitude global dos resultados obtidos, ou, pelo contrário, anulará parte ou a totalidade
dos resultados presentes? Neste sentido, o principal objetivo deste estudo concentra-se na
obtenção de uma resposta quanto aos efeitos agregados (presentes + futuros / corretivos +
preventivos) da atuação da inspeção tributária, quer numa perspetiva global, quer em ter-
mos comparativos entre diferentes grupos de sociedades, em função das variáveis Agressivi-
dade Fiscal Pré Auditoria e Qualidade da Auditoria.

Uma nova corrente de investigação no domínio da análise da reação comportamental dos


sujeitos passivos começa a dar os seus primeiros passos, cujos resultados têm vindo a re-
forçar a convicção de que os efeitos cumulativos (diretos vs indiretos) da atuação das enti-
dades inspetivas contrariam a avaliação das próprias medidas, na sequência do critério mais
quantitativo normalmente utilizado para suportar essa mesma avaliação.

Efetivamente, o mesmo Plano Estratégico de Combate à Fraude e Evasão Fiscais e Adua-


neiras (2015-2017), indiretamente admite esse efeito, uma vez que, no conjunto das 109
medidas definidas para implementação, podemos encontrar a seguinte: “Operacionalizar a
segmentação de contribuintes /operadores económicos, baseada no modelo de negócio, recorrendo a técnicas de
análise preditiva e a novas tecnologias para assegurar uma intervenção mais eficiente e eficaz.” Ou seja, o
plano reconhece que a intervenção das entidades inspetivas deve potenciar uma relação

1
mais eficiente entre meios e resultados, cujo sucesso dependerá de uma segmentação dos
contribuintes baseada em técnicas de análise preditiva, as quais, na nossa opinião, deverão
contemplar os efeitos estimados ao nível da reação comportamental futura dos contribuin-
tes. No entanto, é referido no próprio relatório que aquela medida ainda não se encontrava
iniciada, o que efetivamente se compreende pela elevada complexidade inerente.

Neste sentido, espera-se que os resultados desta investigação contribuam para a definição
de uma estratégia mais abrangente na avaliação dos efeitos das medidas de combate à Frau-
de e Evasão Fiscais e Aduaneiras, com implicações logo no início do processo, ou seja, na
seleção dos contribuintes a auditar.

Embora alguns estudos se tenham dedicado a examinar o impacto da perceção dos contri-
buintes, quanto à monitorização pela Autoridade Tributária e Aduaneira e à probabilidade
de serem selecionados para uma inspeção tributária, no nível da evasão fiscal (Efeito Ame-
aça), e outros estudos se tenham debruçado sobre a agressividade fiscal dos contribuintes
no período após uma auditoria tributária (Efeito Experiência), nenhum trabalho foi desen-
volvido no sentido de se percecionar se o ajustamento da agressividade fiscal no período
após uma Auditora Tributária varia em função do perfil de agressividade fiscal anterior à
ocorrência do procedimento de inspeção, quer enquanto efeito isolado, quer enquanto efei-
to combinado com o impacto resultante da qualidade da inspeção.

O presente trabalho de investigação foi realizado tendo por referência aquele desafio.

Apesar da extensa literatura sobre a evasão fiscal em geral, ainda é muito limitada a investi-
gação, e consequentemente a literatura existente, sobre como o comportamento fiscal dos
contribuintes reage à experiência de uma auditoria tributária. Consequentemente, em ter-
mos latos, este trabalho pretende ampliar e complementar toda a investigação existente
acerca dos determinantes da evasão e da elisão fiscal, mais especificamente, no domínio da
análise comportamental dos contribuintes, ao introduzir uma nova variável da Agressivida-
de Fiscal Pós Auditoria: a Agressividade Fiscal Pré Auditoria.

Por outro lado, a maior parte dos estudos anteriores não contempla a variável “qualidade da
auditoria”, isto é, assumem que a inspeção é 100% bem-sucedida na deteção da evasão fis-
cal. No entanto, as inspeções raramente atingem esta percentagem de sucesso, o que afeta
(negativamente) a perceção dos contribuintes quanto à qualidade e à probabilidade de audi-
torias futuras, por via da chamada atualização das expectativas.

2
As investigações anteriores que mais se aproximaram desta abordagem estratificaram os
contribuintes por níveis de cumprimento fiscal, aferido pelos resultados da inspeção
(exemplo a investigação de Gemmell and Ratto (2012)), o que está, desde logo, enviesado
em função da qualidade da auditoria e da diferença entre evasão e elisão fiscal (esta última
não eliminada na sequência da inspeção). Este será o primeiro estudo a fazer a análise de
reação comportamental com base numa estratificação dos contribuintes em função do nível
de agressividade fiscal mensurada antes da auditoria.

Acresce que, excluindo alguns estudos e modelos preditivos de evasão fiscal setorial, nada
foi feito para o caso Português, atualmente uma referência europeia ao nível do desenvol-
vimento e implementação de ferramentas de monitorização e aumento da perceção de risco
associado ao incumprimento fiscal.

Esta investigação será desenvolvida através de um modelo econométrico com recurso a


dados em painel. O objetivo inicial passava pela utilização de dados confidenciais extraídos
das declarações fiscais apresentadas pelas sociedades, dadas as reconhecidas limitações no
uso de dados obtidos através das demonstrações financeiras para estimação da carga fiscal
efetiva das sociedades (John R. Graham, Hanlon, Shevlin, & Shroff, 2014). No entanto, tal
não foi possível dada a ausência de autorização expressa pela Exma. Sra. Diretora Geral da
AT para a recolha dos referidos dados. Contudo, os resultados obtidos permitem inferir
marcantes conclusões, mesmo depois de ajustada a estratégia inicial.

Por último este estudo permite a recolha de evidência empírica de interpretação do jogo
estratégico entre a inspeção tributária e os contribuintes, no sentido de evitar abordagens
generalizadas por parte da Autoridade Tributária.

O trabalho está organizado da seguinte forma: No Capítulo II começa-se por uma revisão
da literatura relacionada com o tema, concluindo-se o capítulo com a apresentação das hi-
póteses da investigação de acordo com os dois modelos propostos; No Capitulo III des-
crevemos a metodologia utilizada, nomeadamente todo o processo e desenho da investiga-
ção, de onde se destaca a definição da medida utilizada para captar o nível de agressividade
fiscal, a seleção das amostras e as técnicas de análise e modelos utilizados. No Capítulo IV,
apresentamos os resultados obtidos na análise univariada e na análise multivariada. Por
último, no Capítulo V serão expostas as principais conclusões, incluindo as perspetivas para
futuras investigações.

3
CAPÍTULO II - MODELO TEÓRICO

Neste capítulo começamos por fazer um enquadramento teórico mediante a revisão da


literatura existente no domínio do tema em estudo, nomeadamente no que diz respeito aos
resultados das investigações existentes relacionadas quer com a análise à reação comporta-
mental dos contribuintes, quer com a definição dos principais determinantes da evasão
fiscal, enquanto assunto complementar do tema principal.

Este enquadramento teórico servirá de base à definição das hipóteses em estudo, a concre-
tizar na segunda parte do presente capítulo.

2.1 – Revisão da Literatura

2.1.1 – Definição de Evasão Fiscal e Agressividade Fiscal

Antes de mais, será importante referir que a literatura existente é pouco consensual relati-
vamente à definição do conceito de Evasão Fiscal, confundida muitas vezes com práticas
de Planeamento Fiscal ou Elisão Fiscal.

Consequentemente, a Agressividade Fiscal também não acolhe uma definição universal


consensual (Hanlon & Heitzman, 2010). Chen, Chen, Cheng, and Shevlin (2010)definiram
agressividade tributária como a “gestão com vista à redução do lucro tributável por meio de atividades
de planeamento tributário”. Alternativamente, Frischmann, Shevlin, and Wilson (2008) apre-
sentaram uma definição mais restrita para agressividade tributária como sendo o ato de
“envolver-se em posições fiscais significativas com factos de suporte relativamente fracos”. Lisowsky (2010)
via a agressividade tributária como um conjunto de ações enquadradas no fim de uma se-
quência de atividades de evasão fiscal que vão desde o planeamento fiscal legítimo até in-
vestimentos abusivos em paraísos fiscais.

Mais recentemente, M Lietz (2013) desenvolveu um estudo sob o tema “Tax Avoidance vs.
Tax Aggressiveness - A Unifying Conceptual Framework”, centrado essencialmente em definir
limites para Elisão Fiscal Agressiva vs Elisão Fiscal Não Agressiva, numa nova abordagem
para mensuração dos níveis de Agressividade Fiscal por via da variante Elisão Fiscal.

Uma vez que o objetivo deste estudo passa por avaliar os efeitos indiretos da atuação da
Inspeção Tributária, a análise concentrar-se-á na avaliação dos níveis de Agressividade Fis-

4
cal em resultado da violação das normas tributárias, quer seja através de condutas negligen-
tes, quer seja através de condutas dolosas, dentro do referencial de atuação da própria IT,
ou seja, “verificação do cumprimento das obrigações tributárias e a prevenção das infrações tributárias”.

De uma forma transversal, podemos dizer que toda a investigação acerca da evasão fiscal se
tem desenvolvido ao longo de três grandes correntes (linhas de investigação).

2.1.2 – Linhas de Investigação

2.1.2.1 – Medida para captar os níveis de Evasão Fiscal (Agressividade Fiscal)

A primeira linha de investigação identificada tem procurado estudar e desenvolver as me-


lhores proxies para captação dos níveis de evasão fiscal.

É por isso uma linha de investigação que acaba por ser complementar às outras duas, no-
meadamente no que diz respeito à definição da variável explicada, enquanto medida de
evasão fiscal, e, consequentemente, da maior ou menor agressividade fiscal.

Resumidamente, podemos dizer que as medidas de agressividade fiscal usualmente utiliza-


das podem ser distribuídas por três grupos:

1. Ponderação do encargo fiscal (variantes da ETR);


2. Análise das Book Tax Differences (BTD);
3. Medidas baseadas em modelos econométricos de captação de comporta-
mento de planeamento fiscal anormal

A Taxa Efetiva de Imposto (ETR) resulta da ponderação entre a despesa fiscal e o resulta-
do antes de impostos, apresentando várias variantes consoante o cálculo da despesa fiscal
considerada (numerador).

As medidas de agressividade fiscal baseadas na ETR, nomeadamente as variantes BETR1 e


CETR2, apresentam duas limitações (Amy, Danielle, John, & George, 2010):

1ª – Uma vez que a despesa fiscal total inclui os gastos fiscais correntes + gastos fis-
cais diferidos, a BETR falha na captação da agressividade fiscal associada com BTD

1 - Despesa fiscal total no ano t dividida pelo resultado contabilístico antes do imposto no ano t;
2
- Despesa fiscal corrente no ano t dividida pelo resultado contabilístico antes do imposto no ano t;

5
temporárias, uma vez que reduções na despesa fiscal corrente normalmente estão as-
sociadas a um correspondente aumento da despesa fiscal diferida;

2ª – Quer a BETR quer a CETR, tendem a subestimar o nível de agressividade fiscal


caso a empresa regista contingências relacionadas com benefícios fiscais incertos.

Dyreng, Hanlon, and Maydew (2008) introduziram uma medida alternativa, a


LRCashETR3, a qual acreditavam que resolvia as duas limitações anteriormente descritas,
mais adaptada ao estudo da elisão fiscal de longo prazo, do que efetivamente a agressivida-
de fiscal.

Outros estudos adotaram como medida de agressividade fiscal as BTD, o que implica esti-
mar o resultado fiscal. Empiricamente, Wilson (2009) descobriu que BTD estão positiva-
mente associadas a medidas de planeamento fiscal.

Alguns estudos, como o de Rego and Wilson (2009), usam a variante PBTD (Permanent
BTD) como proxy para agressividade fiscal.

Frank, Lynch, and Rego (2009) desenvolveram a medida de BTD Permanentes Discricio-
nárias, calculada através de um modelo de regressão, no qual as BTD Permanentes Totais
são estimadas através de itens não discricionários não relacionados com planeamento fiscal,
associados a diferenças permanentes. Os resíduos desta regressão anual cross-section são a
proxy utilizada para a agressividade fiscal.

Desai and Dharmapala (2006) calcularam BTD anormais usando os resíduos da estimação
das BTD no total dos accruals. Esta medida tende a separar as BTD totais em BTD associa-
das com planeamento fiscal anormal e aquelas não associadas com planeamento fiscal
anormal.

Finalmente, Wilson (2009) introduziu um modelo preditivo de planeamento fiscal. Neste


caso, a medida de agressividade fiscal é dada pela probabilidade da empresa se envolver em
atividades de planeamento fiscal.

3- Soma dos impostos pagos em 5 anos a dividir pela soma do resultado contabilístico antes de impostos
desses 5 anos menos itens especiais.

6
No âmbito da interpretação das variáveis descritas, a maior agressividade fiscal será consis-
tente com menores valores para as medidas de base ETR e com maiores valores para as
restantes medidas.

2.1.2.2 – Determinantes da Evasão Fiscal

A segunda corrente de investigação, amplamente explorada tal como a primeira, tem-se


concentrado no estudo dos determinantes da evasão fiscal, determinantes esses intrínsecos
às características das empresas, dos países e dos próprios sistemas fiscais.

Dentro desta corrente de investigação, podemos destacar os trabalhos de Wilson (2009) e


Dyreng et al. (2008), os quais apresentaram resultados concordantes quanto à relação posi-
tiva entre a dimensão das empresas e os níveis de evasão fiscal detetados. Wilson (2009)
também concluiu que a rentabilidade do ativo e os rendimentos obtidos no exterior estão
diretamente relacionados com práticas de evasão fiscal, enquanto os níveis de endividamen-
to e as despesas em investigação e desenvolvimento estão inversamente relacionadas. No
que diz respeito à relação entre evasão fiscal e níveis de endividamento, os resultados de
Wilson (2009) confirmam os resultados anteriormente obtidos por John R Graham and
Tucker (2006), e ambos contrariam os resultados do estudo de Lillian F. Mills (1998), que
apontavam numa relação positiva entre evasão fiscal e níveis de endividamento.

Posteriormente, Lisowsky (2010) alargou o trabalho de Wilson (2009) adicionando cinco


novas variáveis explicativas dos níveis de evasão fiscal das quais se destaca a existência de
subsidiárias localizadas em paraísos fiscais.

2.1.2.3 – Impacto das iniciativas das autoridades fiscais no comportamento dos con-
tribuintes

A terceira corrente de investigação, muito mais recente e por isso ainda pouco explorada,
tem-se dedicado ao estudo da volatilidade da evasão fiscal na sequência do impacto das
iniciativas das autoridades fiscais no comportamento dos contribuintes. Esta nova linha de
investigação tem sugerido que os aspetos que modelam a reação comportamental dos con-
tribuintes, nomeadamente a moral, a propensão para o cumprimento fiscal, a cultura, entre
outros, são muito importantes, e têm, eventualmente, maior poder explicativo para os ní-
veis de agressividade fiscal do que outros tipos de determinantes da evasão fiscal estudados.
São as denominadas “motivações intrínsecas”, que as autoridades fiscais procuram contrariar

7
mediante políticas que tentam fomentar um efeito dissuasor nos contribuintes por duas
vias: suscitar o Efeito Ameaça e reforço do Efeito Experiência.

Consequentemente, os trabalhos realizados dentro desta nova corrente de pesquisa da eva-


são fiscal seguem essencialmente duas linhas de investigação: estimativa do impacto do
Efeito Ameaça vs estimativa do impacto do Efeito Experiência no comportamento fiscal subse-
quente dos sujeitos passivos.

2.1.2.3.1 – Estudo do Efeito Ameaça

Neste domínio, temos um conjunto de estudos dedicados à análise do impacto no nível de


evasão fiscal das medidas que levam os contribuintes a rever a sua perceção de monitoriza-
ção, assim como a probabilidade de serem inspecionados (Efeito ameaça de se tornarem um
“alvo” da autoridade fiscal).

Os resultados apresentam conclusões divergentes, nomeadamente no que diz respeito aos


efeitos diretos e indiretos, em virtude da influência de variáveis como a motivação dos ges-
tores (e.g. Lillian F Mills (1996); Lillian F. Mills (1998)), a perceção de penalidades, a pro-
babilidade de deteção de não conformidades (Hanlon, Mills, & Slemrod, 2005) e os receios
das empresas (Wilson (2009)).

A investigação de Slemrod, Blumenthal, and Christian (2001), que se centrou na análise da


reação dos contribuintes individuais à ameaça de uma auditoria, estimulou o aparecimento
de novos estudos de análise dos níveis de cumprimento fiscal em função de características
relacionadas com o sistema fiscal e com os padrões sociais. A este respeito, será também de
realçar as conclusões obtidas através do modelo de Gemmell and Ratto (2012), segundo o
qual a avaliação pelo contribuinte da possibilidade do mesmo vir a ser considerado infrator
é uma probabilidade ponderada entre a probabilidade de vir a ser inspecionado e a probabi-
lidade da evasão fiscal vir a ser detetada durante a inspeção. Este trabalho reforça a investi-
gação do chamado efeito preventivo, onde já existiam outros contributos como o estudo de
Alm, Jackson, and McKee (2009), assim como o trabalho de Hoopes, Mescall, and Pittman
(2012), os quais alargaram a investigação neste âmbito, ao analisar o impacto específico da
probabilidade de uma inspeção tributária como efeito dissuasor de evasão fiscal.

8
2.1.2.3.1 – Estudo do Efeito Experiência

Quanto à relação entre auditorias tributárias e comportamento fiscal posterior (Efeito Expe-
riência), da literatura existente emergiram duas expectativas opostas:

1. Uma primeira, e eventualmente a mais intuitiva, que prevê um efeito positivo ime-
diato (redução da evasão fiscal), seguido de um decréscimo gradual (aumento da
evasão fiscal);
2. e uma segunda expectativa, completamente discordante, que prevê um efeito nega-
tivo imediato por via do aumento da evasão fiscal, a qual começa a sofrer um de-
créscimo após alguns anos.

Dentro da primeira perspetiva aparece o estudo de Kleven, Knudsen, Kreiner, Pedersen,


and Saez (2011), cujos resultados apontam no sentido de que os contribuintes, depois da
experiência de uma auditoria tributária, tendem a rever positivamente a sua perceção da
probabilidade de deteção, o que tem um impacto positivo nos resultados declarados nos
anos seguintes.

No entanto, a maior parte dos estudos anteriores realizados sobre este tema (como exem-
plos temos os trabalhos de Mittone (2006), Maciejovsky, Kirchler, and Schwarzenberger
(2007) e Kirchler (2007)) concluem pela confirmação da segunda expectativa. Os resultados
do estudo mais recente de DeBacker, Heim, Tran, and Yuskavage (2015a) foram no mes-
mo sentido, ao evidenciarem um impacto negativo imediato das inspeções tributárias na
ETR do período subsequente (maior agressividade fiscal), cujo efeito é invertido ao fim de
um determinado período.

Esta proposta de estudo enquadra-se na nova linha de investigação que pesquisa o impacto
das auditorias tributárias no comportamento fiscal futuro, ou seja, procura concluir acerca
do efeito preventivo conseguido através do efeito experiência, mediante a principal inovação
que passa por analisar a eventual assimetria na reação das empresas em função de dois fato-
res (variáveis): agressividade fiscal no período pré-auditoria e magnitude das correções im-
postas pela auditoria (como proxy da informação obtida quanto à qualidade da mesma).

Neste sentido, esta investigação acolhe referência nos resultados, e nas próprias limitações,
do estudo de DeBacker et al. (2015a) e do modelo seguido por Gemmell and Ratto (2012),

9
como base para alargar a investigação existente através da introdução das inovações já des-
critas.

Em síntese, neste ponto procuramos segmentar a investigação existente acerca do tema


principal que é a Evasão Fiscal, para um melhor enquadramento da linha de investigação
em que se enquadra este trabalho, realçando também desta forma, a oportunidade e o con-
tributo do mesmo.

Por outro lado, o enquadramento teórico realizado serve de base para a formulação das
hipóteses em investigação que serão apresentadas no próximo ponto.

2.2 – Objetivos e Hipóteses de Investigação

O principal objetivo desta investigação passa por avaliar o impacto da experiência enquanto
entidade auditada na agressividade fiscal posterior, mediante uma estratificação prévia das
sociedades em função da agressividade fiscal medida no período anterior à inspeção tribu-
tária.

Ou seja, procurar-se-á inferir se a variação da agressividade fiscal pós inspeção tributária


difere por grupos de sociedades estratificadas em função da agressividade fiscal pré inspe-
ção, pelo que foi desenvolvido um primeiro modelo para uma análise direta desta relação.

As hipóteses de investigação poderão ser consolidadas na seguinte matriz:

Tabela 1. Matriz Hipóteses Modelo 1


AF Pré Auditoria AF Pós Auditoria
Alta Diminui
Mantém
Baixa
Aumenta

H1: As sociedades com uma elevada agressividade fiscal antes da experiência da auditoria,
tenderão a diminuir o nível de agressividade no período subsequente à auditoria tributária;

H2: As sociedades com uma baixa agressividade fiscal antes da experiência da auditoria,
tenderão a manter ou aumentar o nível de agressividade no período subsequente à auditoria
tributária;

10
O encerramento da inspeção passa para os contribuintes informação que vai afetar as suas
expectativas quanto à probabilidade de inspeções futuras e quanto à probabilidade de se-
rem detetadas não conformidades no decurso dessas mesmas inspeções, pelo que, com-
plementarmente, e ao nível de um segundo modelo, será testado se a eficácia da auditoria in-
terfere com a extensão e o sentido do efeito inerente à experiência em si.

O ajustamento comportamental dos contribuintes varia em função da perceção de virem a


ser auditados ponderado pela expectativa da evasão fiscal vir a ser detetada na auditoria –
probabilidade percecionada de virem a ser considerados incumpridores – ajustada em fun-
ção da experiência (cenários):

Cenário 1 – auditoria deteta mais evasão fiscal do que a expectativa, vs

Cenário 2 - auditoria deteta menos evasão fiscal do que a expectativa;

Tabela 2. Matriz Hipóteses Modelo 2


AF Pré Auditoria Eficácia Auditoria AF Pós Auditoria
Alta Diminui
Alta
Baixa Aumenta
Alta Mantém
Baixa
Baixa Aumenta

H3: As sociedades previamente classificadas como muito agressivas fiscalmente, tenderão a


diminuir (aumentar) o nível de agressividade no período subsequente à auditoria tributária,
caso a inspeção tenha uma elevada (baixa) taxa de sucesso na deteção da evasão fiscal dis-
cricionariamente praticada;

H4: As sociedades previamente classificadas como muito conservadoras fiscalmente, ten-


derão a manter (aumentar) o nível de agressividade no período subsequente à auditoria
tributária, caso a inspeção tenha uma elevada (baixa) taxa de sucesso na deteção da evasão
fiscal discricionariamente praticada;

11
CAPÍTULO III - METODOLOGIA
Neste capítulo procuramos descrever todo o processo seguido na investigação:

3.1 – Período

O objetivo central deste estudo passa por avaliar o impacto de um acontecimento (audito-
ria tributária) na alteração do comportamento fiscal das unidades selecionadas para amostra
do grupo auditado, por comparação com a variação de comportamento ocorrida no grupo
de entidades não sujeitas à experiência do acontecimento relevante para a investigação.

Consequentemente, para além da definição de dois grupos de unidades cross-section (grupo


auditado e grupo de controlo), começou-se por delimitar os dois períodos (pré e após acon-
tecimento), por referência ao enquadramento temporal do próprio acontecimento.

Como critério do trabalho realizado, decidiu-se que ambos os períodos deveriam ter o
mesmo peso (duração), tendo o ano de 2016 como limite superior, por se tratar do último
ano com informação contabilística e fiscal disponível4.

Acontecimento: Auditoria Tributária ocorrida entre 1 de junho de 2010 (depois da entrega


da Declaração de Rendimentos de 2009) e 31 de maio de 2011 (data limi-
te da entrega da Declaração de Rendimentos de 2010).

Será importante realçar que estamos a falar do ano da realização da inspeção, porque é este
que releva para o impacto da experiência, independentemente do ano auditado (as inspe-
ções podem ser realizadas a anos anteriores, tendo como limite o ano de caducidade).

O enquadramento temporal da inspeção permite isolar o ano de 2010, tendo por referência
a agenda fiscal (em Portugal, as pessoas coletivas entregam a declaração de rendimentos de
um determinado ano até 31 de maio do ano seguinte5):

1. O ano de 2009 e anteriores não sofrem qualquer efeito uma vez que apenas são conside-
ras as empresas auditadas já depois de cumprida a obrigação fiscal (Mod. 22) de 2009;
2. O ano de 2011 e posteriores também não são influenciados pelos atos propriamente di-
tos da inspeção, uma vez que as obrigações declarativas são cumpridas praticamente um
ano depois de concluída a inspeção.

4 - Entenda-se, no início da investigação, uma vez que, aquando da sua conclusão já se encontrava disponível informação
para o ano de 2017;
5 - Exceto no caso das entidades cujo período de tributação não é coincidente com o ano civil;

12
A decisão de escolher o ano de 2010 como ano do acontecimento baseou-se na seguinte
estratégia de estratificação dos dois períodos de referência para a análise:

 Período pré-auditoria (2004-2009): contempla um subperíodo antes da crise


(2004-2006) e um subperíodo pré-crise (2007-2009);
 Período posterior: contempla um subperíodo de crise e de assistência financeira
(2011-2014) e um subperíodo de inversão do ciclo económico (2015-2016).

O período posterior (2011-2016) também poderá ser subdivido em três subperíodos para
potenciar outras inferências:
1. 2011-2012 – Antes do impacto das novas regras de faturação: e-fatura;
2. 2013-2014 – Período de implementação das novas regras de faturação;
3. 2015-2016 – Período de alguma atenuação do impacto inicial das novas re-
gras de faturação.

Este estudo, ao utilizar dados de 12 anos (6 antes e 6 depois), para além de possibilitar a
diluição dos efeitos económicos intrínsecos aos anos e aos subperíodos, também elimina os
eventuais efeitos de auditorias ocorridas antes do período pré-auditoria (estudos anteriores
apontam para uma média de três anos no arrastamento máximo dos efeitos das inspeções
no comportamento fiscal posterior (por exemplo, DeBacker, Heim, Tran, and Yuskavage
(2015b)). Ou seja, mesmo que determinadas empresas, incluídas quer no grupo auditado,
quer no grupo de controlo, tenham sido auditadas no ano de 2003, pela evidência empírica,
os seus efeitos estariam completamente diluídos entre 2004 e 2009.

3.2 - Dados e Amostra

O objetivo inicial deste estudo passava pela utilização de dados confidenciais extraídos das
declarações fiscais apresentadas pelas sociedades selecionadas, mediante a recolha junto das
bases de dados internas da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), nomeadamente Da-
tawarehouse e Sistema Integrado de Informação da Inspeção Tributária (SIIIT). Esses dados seriam
fornecidos diretamente pela AT à Faculdade de Economia do Porto, mascarados e sob
reserva de confidencialidade, à semelhança do sucedido com trabalhos anteriores.

13
No entanto, não conseguimos obter autorização expressa para recolha e/ou utilização dos
dados das referidas bases de dados, pelo que tivemos que reformular a estratégia inicial de
forma a não comprometer a investigação.

Mediante a subscrição da base de dados einforma, foram obtidos os endereços eletrónicos,


NIPC´s e CAE´s das empresas sedeadas em Braga.

A decisão pelo distrito de Braga prendeu-se pela sua representatividade no contexto nacio-
nal e pela maior identificação profissional com o mesmo, acautelando eventuais necessida-
des de validação pontual da informação recolhida.

Neste sentido, foi remetido por correio eletrónico um inquérito desenvolvido através da
plataforma Google (Google Form em apêndice), cujas respostas permitiram obter as seguin-
tes amostras:

1. Empresas nunca auditadas (Grupo de Controlo)


2. Empresas auditadas (Grupo Auditado)

Tabela 3. Seleção das amostras


Grupo Auditado Grupo de Controlo
Respostas 1137 4315
Ajustamento:
1. Não exclusivamente auditados no período de referência -712
2. Com informação em falta em mais do que 3 anos em ca- -265 -1714
da período
3. Pertencentes a setores com regulamentação especial -2 -39
4. Empresas sujeitas a Acompanhamento Permanente -8 -436
(Contribuintes Estratégicos)
5. Exclusão aleatória -1976
Amostra Final (número de unidades-empresas) 150 150
Amostra Final (empresas-ano) 1403 1403

Tal como percecionado pela descrição do ajustamento efetuado no ponto 2, a amostra não
foi limitada aos sujeitos passivos com informação em todos os períodos do estudo 2004-
2016.

O objetivo desta decisão passou pela convicção de que as empresas que iniciam ou cessam
a atividade durante o período de referência, reagem de forma diferente a uma auditoria,

14
pelo que a sua consideração (por via indireta através da aceitação de SP´s com informação
em falta até 3 anos em cada período) permitiu abarcar os seus efeitos marginais nos resul-
tados globais do estudo.

O ajustamento efetuado no ponto 3 (corte), contempla todas as empresas cujo CAE se


enquadra em setores com regulamentação especial, nomeadamente nas seguintes seções
previstas na Classificação Portuguesa de Atividades Económicas, Revisão 3 (CAE Rev. 3):

 Secção E: Captação, tratamento e distribuição de água; saneamento gestão de resí-


duos e despoluição;
 Secção J: Atividades de informação e de comunicação;
 Secção K: Atividades financeiras e de seguros;
 Secção O: Administração Pública e Defesa; Segurança Social Obrigatória;
 Secção R: Atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas.

A exclusão aleatória aplicada às empresas incluídas no grupo de controlo (GC), prevista no


ponto 5, teve por objetivo ajustar o número de entidades do grupo de controlo ao número
de entidades da amostra final ajustada do grupo auditado. Para tal, foi utilizada a função
Aleatório do Excel, a qual foi aplicada a uma prévia estratificação das unidades do GC por
secção do CAE e por magnitude do volume de negócios do ano de referência (2010), no
sentido de aproximar os dois grupos quer em termos de representatividade dos diversos
setores, quer em termos de média do Volume de Negócios (processo prévio de matching das
unidades dos dois grupos).

O inquérito também possibilitou a recolha do volume de correções, expresso em termos de


imposto e de matéria coletável, o qual foi transformado no denominado Equivalente em Im-
posto (20% da Matéria Coletável + Imposto), utilizado internamente na AT para inferência
estatística. Com base neste critério, foi determinada a Variável Magnitude de Correções, im-
prescindível ao desenvolvimento do Modelo 2.

Através da base de dados SABI: Sistema de Análise de Balanços Ibéricos - Bureau van Dijk, foram
recolhidas as informações contabilísticas e fiscais necessárias para a composição da variável
dependente e das variáveis explicativas descritas no próximo ponto.

15
Tabela 4. Estratificação das amostras por setores de atividade e média de indicadores
GA GC

Média VN (K€) Média RFVendas Média VN (K€) Média RFVendas


Unid Unid
SECÇÃO 04_09 11_16 04_09 11_16 04_09 11_16 04_09 11_16
Agricultura, produção
A animal, caça, floresta e 3 108,39 151,27 -16,92% -4,77% 3 168,73 158,90 -11,81% 1,18%
pesca
B Indústrias Extrativas 1 455,88 1169,44 16,78% 3,17% 1 969,45 798,51 3,11% 0,11%
Indústrias Transformado-
C 60 649,56 781,48 -1,13% -1,12% 59 531,37 662,95 2,56% 3,71%
ras
Eletricidade, gás, vapor,
D água quente e fria e ar 3 3.381,39 4010,64 17,39% 10,87% 3 474,97 647,00 15,68% 31,00%
frio
Captação, tratamento e
E distribuição de água; 0 0
saneamento e despoluição
F Construção 19 226,01 188,34 4,82% -1,62% 20 282,55 332,75 4,23% 3,52%
Comércio por grosso e a
retalho; reparação de
G 26 820,17 1011,55 1,61% 0,66% 26 795,98 871,65 2,57% 2,02%
veículos automóveis e
motociclos
Transportes e armazena-
H 3 391,28 336,27 6,63% 4,06% 3 440,03 499,72 1,36% 4,01%
gem
Alojamento, restauração e
I 5 189,59 176,27 2,51% 2,73% 5 58,20 226,63 -10,10% -1,61%
similares
Atividades de informação
J 0 0
e de comunicação
Atividades financeiras e
K 0 0
de seguros
L Atividades Imobiliárias 10 440,30 287,04 11,09% -6,01% 10 1.124,65 311,69 6,00% 13,35%
Atividades de consultoria,
M científicas, técnicas e 11 74,70 169,26 7,25% 1,81% 11 305,27 249,89 -2,14% 9,26%
similares
Atividades administrati-
N vas e dos serviços de 3 504,05 413,11 4,23% -2,10% 3 454,81 417,26 19,55% 12,32%
apoio
Administração Pública e
O Defesa; Segurança Social 0 0
Obrigatória
P Educação 1 312,53 80,03 3,03% 0,58% 1 77,31 147,63 -12,68% 1,81%
Atividades de saúde
Q 3 163,56 358,28 5,27% 2,58% 3 463,41 469,35 14,42% 25,84%
humana e apoio social
Atividades artísticas, de
R espetáculos, desportivas e 0 0
recreativas
Outras Atividades de
S 2 62,53 103,14 0,42% 4,37% 2 78,29 120,45 -9,69% 6,14%
serviços
150 150

16
3.3 - Variável Dependente

Tal como já foi referido anteriormente, é extremamente vasta toda a investigação existente
em torno da definição da melhor medida para captar os níveis de evasão fiscal.

Por uma questão de ponderação entre o objetivo deste estudo e os dados disponíveis, con-
sideramos que a Taxa Efetiva de Imposto (effective tax rate, ETR) seria a medida mais ade-
quada para aferir dos níveis de Agressividade Fiscal antes e após a Inspeção Tributária.

Por defeito, a ETR é usualmente calculada pelo rácio entre o Gasto Fiscal (Total Income Tax
Expense) e o Resultado Operacional (EBIT) ou Resultado Antes de Impostos (Pretax book
Income ).

No entanto, o cálculo desta variável, mediante a fórmula referida, tem uma importante limi-
tação:

 Empresas com Gasto Fiscal positivo (numerador) e Resultado negativo (denomi-


nador) apresentam resultados para a ETR enviesados, ou seja, apesar do pagamento
de impostos, a ETR apresenta valores negativos.

Para ultrapassar este constrangimento, alguns autores desenvolveram métodos, como é o


caso de Gupta and Newberry (1997) que optaram por recodificar a ETR para o valor de
“1” no caso das empresas que apresentavam Resultado Operacional ou Resultado Antes de
Impostos negativo e um Gasto Fiscal positivo.

No entanto, é nossa opinião que este tipo de metodologia acaba por levar a resultados
igualmente enviesados, uma vez que, independentemente da magnitude do Resultado (ne-
gativo) e do Gasto Fiscal (positivo), todas as empresas nessa situação apresentam a mesma
ETR.

Neste sentido, decidimos apresentar uma medida de captação da evasão fiscal (como ino-
vação deste estudo relativamente a todos os trabalhos conhecidos) que elimina completa-
mente o constrangimento atrás identificado, assim como o enviesamento dos resultados
através da utilização de algumas metodologias de “contorno” da referida limitação.

17
Esta medida, denominada de Rentabilidade Fiscal das Vendas (RFVendas), está próxima da
filosofia inerente à ETR, no entanto estabelece uma relação entre Resultado Fiscal (Lucro
Tributável/Prejuízo Fiscal) e Volume de Negócios, para cada empresa i em cada ano t:

=
ó

Este rácio apresenta uma única limitação, identificada na situação em que o Volume de
Negócios é nulo. Para restringir esta limitação, adotamos a seguinte estratégia:

 Para além do Volume de Negócios (VN), o denominador também passou a consi-


derar os eventuais Subsídios à Exploração (SE) (predominantes em setores como a
Educação e a Saúde, onde os rendimentos desta natureza substituem total ou parci-
almente rendimentos com a natureza de Vendas e Prestações de Serviços) assim
como a Variação de Produção (VP) (cujo efeito é significativo em setores como a
construção e industrias transformadoras, por compensação com o total de Vendas
e Prestações de Serviços declaradas no mesmo exercício).

Consequentemente, a fórmula ajustada para a variável dependente utilizada na investigação


passou a ser a seguinte:

Resultado Fiscal
=
(VN + SE + VP)

3.4 - Variáveis Explicativas

Inerente à técnica de análise utilizada (DID - difference in difference), as principais variáveis


explicativas são variáveis dummy relativas ao período (pré e pós auditoria) e ao grupo (au-
ditado vs controlo), tendo por referência a metodologia adotada no trabalho de Gemmell
and Ratto (2012):

Tabela 5. Variáveis explicativas Modelo 1


Variável Descrição
Tt variável dummy para o período (0 antes de 2010, 1 depois de 2010)
Ag variável dummy para o grupo (0 grupo de controlo, 1 grupo auditado)

18
No segundo modelo, no qual procuramos testar o impacto da eficácia da inspeção no ajus-
tamento comportamental dos contribuintes, foi incluída uma variável dummy adicional em
função da Magnitude das Correções (MagC) realizadas pelas Inspeção Tributária, consideran-
do-se que seria um indicador razoável da informação obtida pelos contribuintes na sequên-
cia da experiência da auditoria, face às expectativas prévias dos mesmos (será de recordar
os cenários descritos no ponto 2 do Capítulo 2).

Com base nas respostas obtidas no inquérito, foi calculado o denominado Equivalente em
Imposto (20% da Matéria Coletável + Imposto), o qual foi ponderado pelo mesmo denomi-
nador utilizado no cálculo da variável dependente (Volume de Negócios + Subsídios à Ex-
ploração + Variação da Produção):

Equivalente em Imposto
=
(VN + SE + VP)

Na sequência dos resultados, o Grupo Auditado foi estratificado em 3 sub-grupos:

G1MC – Grupo Auditado com maior Magnitude de Correções (>MagC);


G2MC – Grupo Auditado com menor Magnitude de Correções (<MagC);
G3MC – Grupo Auditado sem correções (Sem Cor).
Neste sentido, a variável dummy quanto ao grupo (Ag) foi desdobrada em três.

Por outro lado, uma vez que a seleção dos três subgrupos auditados não é aleatória (mas
em função da MagC de cada indivíduo), tal como a estratégia seguida no estudo de
Gemmell and Ratto (2012), considerou-se importante incluir no Modelo 2 a variável Xit
destinada a captar os efeitos fixos individuais.

Resumindo, o Modelo 2 incorpora as seguintes variáveis:

Tabela 6. Variáveis explicativas Modelo 2


Variável Descrição
Tt variável dummy para o período (0 antes de 2010, 1 depois de 2010)
A1MC variável dummy para o grupo (0 grupo de controlo, 1 grupo auditado com maior Magni-
tude de Correções)
A2MC variável dummy para o grupo (0 grupo de controlo, 1 grupo auditado com menor Magni-
tude de Correções)
A3MC variável dummy para o grupo (0 grupo de controlo, 1 grupo auditado Sem Correções)
Xit variável para captar e controlar os efeitos fixos de cada subgrupo auditado, uma vez que a
seleção não é aleatória

19
A variável explicativa Xit foi composta através da criação de um grupo de variáveis explica-
tivas usualmente utilizadas na literatura dedicada ao estudo dos determinantes da evasão
fiscal, determinantes esses intrínsecos às características das empresas, dos países, dos pró-
prios sistemas fiscais: Dimensão, Estrutura de Capital, Intensidade do Capital, Intensidade
dos Inventários e ROA.

Tendo por base a metodologia adotada nos trabalhos de Wilson (2009) e Dyreng et al.
(2008), a variável Dimensão Ln(A) foi obtida através do logaritmo natural do ativo total
líquido (ATL) da empresa e a variável Estrutura do Capital (E/A) pelo rácio entre a dívi-
da de médio e longo prazo e o ativo líquido total.

Com referência no trabalho de Richardson and Lanis (2007), como proxies do asset mix fo-
ram também incluídas as variáveis Intensidade do Capital (AFT/A), obtida através do
rácio entre o ativo fixo tangível líquido (AFT) e o ativo líquido total, e Intensidade do
Inventário (I/A), obtida através da divisão dos inventários pelo ativo líquido total.

Finalmente, foi também considerada a variável Return on Assets (R/A) obtida através do
rácio entre o resultado antes de impostos (RAI) e o ativo líquido total.

Tabela Resumo das Variáveis Explicativas utilizadas para captar e controlar os efeitos fixos:

Tabela 7. Definição das Variáveis explicativas Modelo 2


ID Designação Fórmula
Ln(A) Dimensão LogNatural(ATL)
E/A Estrutura do Capital Dívida ML Prazo/ATL
AFT/A Intensidade do Capital AFT/ATL
I/A Intensidade do Inventário Inventário/ATL
R/A Rentabilidade do Ativo RAI/ATL

20
3.5 - Modelos Econométricos

Como técnica de análise foi utilizado o método econométrico Difference in differences (DID)
para captação do efeito diferencial entre o grupo de entidades selecionadas do universo de
empresas auditadas no ano de 2010 e um grupo de controlo selecionado do universo de
empresas não auditadas.

Para examinarmos as hipóteses do Modelo 1, desenvolvemos uma equação de regressão


tendo por base o método DID:

= + + + +

A interpretação dos coeficientes é a seguinte:

Tabela 8. Interpretação dos coeficientes Modelo 1


Coeficiente Interpretação
 Valor médio esperado para a RFVendas do grupo de controlo antes da auditoria
Efeito Tendência - Impacto do período pós-auditoria no valor médio esperado para
0 a RFVendas do grupo de controlo
Efeito Grupo - Diferença no valor médio esperado para a RFVendas entre o grupo
1
auditado e o grupo de controlo, no período antes da auditoria
Efeito Acontecimento - Diferença do impacto da auditoria no valor médio esperado
 da RFVendas do grupo auditado, relativamente à diferença
ocorrida entre os mesmos períodos no grupo de controlo

Neste sentido,  é o coeficiente que mede o efeito da auditoria, onde

= , − , −( , − , )

sendo a média da Rentabilidade Fiscal das Vendas de cada grupo (1º número
inferior à linha) em cada período (2º número inferior à linha).

Para a estimação dos coeficientes do Modelo 1 foi utilizado o método OLS - Ordinary Least
Squares.

21
No Modelo 2, através do qual nos propomos analisar a variação do efeito da auditoria em
função da eficácia da mesma, usamos uma equação idêntica à proposta para o Modelo 1,
mas com um desdobramento do coeficiente  para cada um dos subgrupos auditados.

Tal como referido, foi adicionalmente incluída a variável Xit destinada a captar os efeitos
fixos individuais.

= + + + + + + +

Similarmente ao Modelo 1, a interpretação dos coeficientes do Modelo 2 é a seguinte:

Tabela 9. Interpretação dos coeficientes Modelo 2


Coeficiente Interpretação
 Valor médio esperado para a RFVendas do grupo de controlo antes da auditoria
Efeito Tendência - Impacto do período pós-auditoria no valor médio esperado para
0 a RFVendas do grupo de controlo
Efeito Grupo - Diferença no valor médio esperado para a RFVendas entre o grupo
1 auditado e o grupo de controlo, no período antes da auditoria
Efeito Acontecimento - Diferença do impacto da auditoria no valor médio esperado
1/2/3 da RFVendas do grupo auditado pertencente ao 1/2/3 subgrupo, relativa-
mente à diferença ocorrida entre os mesmos períodos no grupo de controlo

Para a estimação dos coeficientes do Modelo 2 foi utilizado o método FE – Fixed Effects,
com o objetivo de eliminar qualquer enviesamento dos resultados pela subagrupagem não
aleatória, considerando quaisquer diferenças naquela variável de controlo como constantes
ao longo do período da análise.

22
CAPÍTULO IV - RESULTADOS

Neste capítulo, iremos começar por fazer uma análise dos resultados univariados, tendo
sempre por critério a análise comparativa entre os dois grupos.

De seguida, estabeleceremos uma análise dos resultados multivariados admitindo cada gru-
po como um todo, como ponto de partida para os resultados obtidos com base na metodo-
logia pioneira adotada neste estudo (1º - estratificação dos grupos em função dos níveis de
agressividade fiscal no período pré-auditoria e 2º - estratificação do GA de acordo com os
resultados da auditoria).

Com referência nestes primeiros resultados, passaremos a apresentar os resultados do pri-


meiro modelo por subgrupos (quartis), segmentados em função do critério anteriormente
descrito.

Concluiremos este capítulo com a análise dos resultados obtidos através do segundo mode-
lo, no qual, o GA é sujeito a um segundo nível de segmentação, em função dos resultados
da inspeção tributária.

4.1 - Estatísticas descritivas

Nas tabelas 21 e 22 são apresentados os principais indicadores estatísticos para as variáveis


(dependente e explicativas), no intuito de fomentar a análise comparativa entre os dois gru-
pos, em cada um dos períodos.

Começamos por analisar os resultados do teste de Jarque-Beta, apresentado por Bera &
Jarque (1980), que se baseia na diferença entre os coeficientes de Skewness e Kurtosis dos
dados e aqueles da distribuição assumida normal. O teste de Jarque-Bera tem co-
mo hipótese nula a normalidade. Assim, se o p-valor for menor do que 5% (ou 10%),
p<0,05 (p<0,10), então rejeita-se a normalidade, pelo que os resultados obtidos (p=0,0000)
indiciam que os dados não têm uma distribuição normal.

Quanto aos valores estatísticos obtidos para as variáveis utilizadas, em termos genéricos,
podemos desde logo destacar que do exame comparativo efetuado entre as médias e as
medianas de referência, no período pré-acontecimento verificou-se não existir um desvio
significativo entre os dois indicadores na quase totalidade das variáveis, com o devido real-

23
ce para a variável dependente RFVendas, cuja média do GA no período 2004 a 2009 é
2,04% e a média do GC no mesmo período é de 2,89%.

Apesar das empresas, que compõem as amostras dos dois grupos em estudo, estarem dis-
persas por diversos setores de atividade, o que é suscetível da prática de margens brutas
muito díspares, a proximidade entre os valores da média e da mediana indiciam uma distri-
buição equilibrada das unidades cross section por todos os quartis dos indicadores estatísticos.

Por outro lado, o facto de os dois grupos apresentarem médias e medianas muito próximas
em quase todas as variáveis, é desde logo um bom indicador quanto ao sucesso do proce-
dimento de matching realizado, ao nível da seleção final das empresas admitidas ao GC. A
título de exemplo, a dimensão média, medida pelo Ln(ativo), é de 5,14 para o GA e de 5,71
para o GC, proximidade também verificada ao nível das variáveis escolhidas como proxies
do asset mix (Intensidade do Capital (AFT/A) e Intensidade do Inventário (I/A), assim
como no indicador Return on assets.

Apenas a variável relativa à estrutura de capital, apresenta valores mais afastados entre o
grupo auditado e o grupo de controlo, de 14,8% e 1,44% respetivamente.

Quando avançamos para a análise do período pós-auditoria, percebemos que alguns indi-
cadores passaram a apresentar um hiato expressivo entre os dois grupos, em particular no
que diz respeito às médias da variável dependente RFVendas e da variável explicativa ROA,
pese embora, surpreendentemente, as medianas mantenham uma proximidade de valores
entre os grupos, e entre os períodos.

Tendo em conta que a maior volatilidade das médias entre os dois períodos ocorreu no
grupo inspecionado, estes resultados levam-nos logo a subentender que a auditoria terá
imposto uma movimentação das entidades para um quartil diferente daquele em que se
posicionavam no período pré-auditoria, para além de uma alteração do peso relativo de
cada quartil, o que permite antever os resultados multivariados, em parte inesperados, que
iremos descrever nos pontos seguintes.

Para concluir esta análise dos resultados univariados gostaríamos ainda de realçar duas im-
portantes conclusões. A primeira, relaciona-se com o facto de a dimensão média dos dois
grupos se manter completamente inalterada entre os dois períodos, assim como a intensi-
dade do capital e dos inventários, pelo que não se subentende qualquer efeito do aconteci-

24
mento em estudo ao nível das políticas de investimento ou desinvestimento. A segunda
conclusão, tem a ver com a evidência de que, no período pós-auditoria, e ao contrário do
que exclusivamente acontecia com aquele indicador no período pré-auditoria, os valores da
média da variável Estrutura de Capital passaram a ser muito próximos entre os dois grupos
(20,02% no GA para 20,37% no GC), o que, face à primeira conclusão apresentada (baixa
variação do indicador Dimensão entre os grupos), leva a concluir que o recurso a financia-
mento aumentou nos dois grupos, mas de uma forma muito mais expressiva no GC. Natu-
ralmente que estamos na presença de um forte efeito de tendência, imposto pela conjuntu-
ra económica na primeira parte do período subsequente à auditoria, efeito esse que poderá
ter sido limitado no GA, por maiores dificuldades no acesso ao financiamento, quer pelo
facto de já apresentarem um maior nível de endividamento no período antecedente (maior
risco), quer pelo facto dos indicadores de rentabilidade evidenciarem uma quebra mais ex-
pressiva face ao GC.

4.2 - Grupo Auditado vs Grupo de Controlo

A primeira análise dos resultados multivariados procura estabelecer uma comparação dos
parâmetros obtidos no processo DID para cada grupo como um todo.

Tabela 10. Parâmetro DID GA-GC


04_09 11_16 11_16-04_09
GA 2,13% -0,10% -2,23%
GC 2,87% 5,55% 2,68%
GA-GC -0,74% -5,65% -4,91%

Os valores apresentados na tabela anterior levam-nos a concluir que o GA apresentou uma


diminuição absoluta da RFVendas em 2,23% no período pós-inspeção relativamente à
RFVendas média do período pré-inspeção, enquanto o GC apresentou um crescimento
absoluto daquele indicador em 2,68% entre os referidos períodos. Cumulativamente, per-
cebemos que a variação absoluta do GA face ao GC é de -4,91%, sendo este, surpreenden-
temente, o efeito calculado da auditoria na RFVendas média do GA. Ou seja, no período
subsequente à auditoria (seis anos posteriores) os sujeitos passivos inspecionados reduzi-
ram consideravelmente a sua RFVendas média, tanto mais que o efeito tendência calculado
(2,68%) era positivo, o que nos leva a concluir, em termos agregados, por um aumento da
agressividade fiscal média do GA no período pós-inspeção, o que é completamente contrá-
rio aos efeitos indiretos (dissuasores) estimados pela AT para o procedimento.

25
Tabela 11. Coeficientes Modelo 1
 0 1 
Coeficientes 0.028974 0.027199 -0.008590 -0.049757
t-Stat (3.517643)*** (2.580812)*** (-0.766367) (-3.374077)***
***, **, e * representam os níveis de significância a 1%, 5% e 10%, respetivamente

Relativamente às variáveis explicativas, verificamos que o coeficiente estimado para o Efei-


to Tendência (T) é positivo e estatisticamente significativo (a um nível de significância de
1%). O coeficiente estimado para o Efeito Grupo (G) é negativo, no entanto não é estatis-
ticamente significativo. Relativamente ao coeficiente do Efeito Acontecimento (interação
T*G), é negativo e estatisticamente significativo (a um nível de significância de 1%), o que
vem no sentido das conclusões anteriores.

Pela análise do gráfico da evolução comparativa da média da RFVendas de cada um dos


grupos ficamos com uma melhor perceção do descrito.

Como se poderá constatar pelo gráfico, a média da variável explicada é aproximada entre os
dois grupos no período pré-inspeção. No ano da inspeção, e relativamente ao GA, o indi-
cador apresenta uma variação positiva, o que decorre quer do efeito das correções impostas
pela auditoria (com uma correlação direta com o numerador da fórmula da variável depen-
dente), quer do efeito experiência instantâneo.

No entanto, no período pós-inspeção, a RFVendas apresenta uma variação em forma de


“U”, em linha com as conclusões obtidas no trabalho de DeBacker et al. (2015a), cujos
resultados também evidenciaram um impacto negativo imediato das inspeções tributárias
na medida de agressividade (ETR naquele caso) do período subsequente à realização da
auditoria (maior agressividade fiscal), cujo efeito é invertido ao fim de um determinado
período.

Gráfico 1. Evolução da RFVendas por Grupo

26
Naquele estudo, os autores concluíram que a resposta comportamental dos contribuintes à
experiência da auditoria decorria dos efeitos combinados de três processos de ajustamento
distintos, os quais impulsionam a perceção de risco de auditoria: 1ª - Ajustamento em fun-
ção das características da empresa e do setor; 2ª - Perceção de segurança na denominada
“cratera de bomba”, ou seja, os contribuintes aumentam a AF após a inspeção pela perceção
de que uma vez inspecionados a probabilidade de nova inspeção diminuiria nos anos ime-
diatos; 3ª- Ajustamento da expetativa e do peso da penalização, face à experiência vivida,
em função do sucesso da auditoria na captação dos níveis efetivos de evasão fiscal.

No entanto, será que esta reação em termos de aumento de agressividade fiscal no período
pós-inspeção apresenta uma distribuição normal para todos os indivíduos do GA, ou será
assimétrica relativamente aos níveis de agressividade fiscal de cada empresa no período pré-
auditoria? Esta estratégia de estratificação é um dos principais contributos deste estudo,
cujos resultados passaremos a apresentar.

4.3 - Resultados dos parâmetros DID por subgrupos, estratificados por quartis em
função dos níveis de agressividade fiscal no período pré-auditoria

Depois de termos concluído por um impacto negativo global da inspeção nos níveis de
agressividade fiscal (aumento), iremos procurar validar as hipóteses avançadas para o Mo-
delo 1 (elencadas no ponto 2.2). Assim, apresentamos de seguida os resultados dos parâme-
tros DID por subgrupo (quartil) do GA e do GC, sendo que, as empresas incluídas no
primeiro quartil são aquelas com menor RFVendas, ou seja, com maior agressividade fiscal
estimada, e assim sucessivamente até ao quarto quartil, onde estão alocadas 25% das em-
presas da amostra com menor agressividade fiscal.

Tabela 12. Parâmetro DID 1º Quartil - GA-GC


04_09 11_16 11_16-04_09
GA 1QT -11,18% -3,19% 7,99%
GC 1QT -9,39% 2,56% 11,95%
GA-GC -1,79% -5,75% -3,96%

27
Gráfico 2. Evolução da RFVendas 1º Quartil – Modelo 1

Tabela 13. Parâmetro DID 2º Quartil - GA-GC


04_09 11_16 11_16-04_09
GA 2QT 0,89% 0,88% -0,01%
GC 2QT 1,73% 3,12% 1,39%
GA-GC -0,84% -2,24% -1,40%

Gráfico 3. Evolução da RFVendas 2º Quartil – Modelo 1

Tabela 14. Parâmetro DID 3º Quartil - GA-GC


04_09 11_16 11_16-04_09
GA 3QT 3,29% -1,38% -4,67%
GC 3QT 3,54% 4,65% 1,11%
GA-GC -0,26% -6,04% -5,78%

Gráfico 4. Evolução da RFVendas 3º Quartil – Modelo 1

28
Tabela 15. Parâmetro DID 4º Quartil - GA-GC
04_09 11_16 11_16-04_09
GA 4QT 15,38% 3,37% -12,02%
GC 4QT 10,91% 9,47% -1,44%
GA-GC 4,47% -6,11% -10,58%

Gráfico 5. Evolução da RFVendas 4º Quartil – Modelo 1

Através do processo realizado, conseguimos retirar importantes conclusões.

Em primeiro lugar, o impacto da auditoria nas empresas com uma elevada agressividade
fiscal antes da auditoria é positivo, uma vez que as empresas auditadas alocadas no 1º quar-
til aumentaram a RFVendas média do período subsequente, pese embora, o aumento tenha
sido inferior ao verificado no mesmo subgrupo do GC, pelo que concluímos que se verifi-
cou a H1 apresentada para o Modelo 1.

Em segundo lugar, a variação instantânea da RFVendas no ano na auditoria (2010) também


é mais expressiva nos subgrupos inicialmente mais agressivos (1º e 2º quartis). Nos grupos
dos 3º e 4º quartis, a variação instantânea é neutra ou mesmo negativa, o que poderá estar
associado a uma menor magnitude das correções fiscais realizadas nas empresas desses
segmentos, daí a importância da estratégia adicional seguida no Modelo 2.

Em terceiro lugar, verificamos que o parâmetro DID dos grupos relativos ao 3º e 4º quartil
tem uma magnitude (negativa) superior ao parâmetro global (-4,91%), ou seja, o impacto
negativo da auditoria é maior nas sociedades com baixa agressividade fiscal antes da experi-
ência da auditoria, o que vem comprovar a H2 apresentada para o Modelo 1.

Em quarto lugar, pela curva dos gráficos, nomeadamente na primeira metade do período
pós-auditoria, podemos verificar que a reação (negativa) é mais abrupta quanto maior o
quartil em análise.

29
Em quinto lugar, as empresas auditadas localizadas nos extremos máximo e mínimo da
RFVendas pré-auditoria foram aquelas que apresentaram maior elasticidade comportamen-
tal.

Por último, não poderíamos deixar de destacar que, com exceção do subgrupo relativo ao
3º quartil, a inversão da tendência por uma maior agressividade fiscal acontece desde logo
nos anos de 2013 e 2014, o que coincide com os anos de implementação do sistema e-fatura,
pelo que a reação positiva (curva ascendente do “U”) não deverá ser indiferente a essa nova
medida, a qual poderá ter atenuado parte dos efeitos negativos da auditoria, por coincidên-
cia com os anos em estudo.

Para uma melhor análise comparativa das reações por subgrupo, apresenta-se o seguinte
gráfico que nos parece esclarecedor das conclusões relatadas anteriormente.

Gráfico 6. Evolução da RFVendas por quartis do GA – Modelo 1

4.4 - Impacto da eficácia da inspeção tributária nos resultados apresentados no


ponto anterior

Tal como descrito no ponto anterior, os resultados obtidos vieram confirmar as hipóteses
de estudo avançadas para o Modelo 1. No entanto, alguns dos resultados apresentados,
como por exemplo, relativamente aos subgrupos do 3º e 4º quartis, a menor variação ins-
tantânea da RFVendas no próprio ano da inspeção, assim como a expressiva variação nega-
tiva da RFVendas média no período posterior (no mesmo sentido das hipóteses, mas de
magnitude superior ao expectável), levaram-nos a equacionar se os resultados poderiam
estar enviesados em função das conclusões da inspeção, admitindo-se, como hipótese ex-
plicativa, uma menor extensão das correções efetuadas nas empresas classificadas inicial-
mente como pouco (3º QT) ou muito pouco (4º QT) agressivas.

30
Neste sentido, a experiência da auditoria poderia ter passado a informação de uma fraca
eficácia da inspeção na deteção da evasão fiscal, o que poderia justificar parte do sentido e
da magnitude da reação posterior.

Esta reflexão, realizada já depois de obtidos os resultados do Modelo 1, veio reforçar a


inclusão do Modelo 2 na estratégia de investigação seguida.

Tabela 16. Coeficientes Modelo 2


 0 1 1 2 3
Coeficiente 0.028974 0.027199 -0.008590 -0.065618 -0.026887 -0.060870
t-Stat (3.520)*** (2.582)*** (-0.767) (-3.660)*** (-1.554) (-3.378)***
***, **, e * representam os níveis de significância a 1%, 5% e 10%, respetivamente

No Modelo 2, o coeficiente do Efeito Tendência (interação T*G) aparece fragmentado


pelos três subgrupos auditados em função da extensão das correções. O coeficiente  é
negativo para os três subgrupos, sendo estatisticamente significativo para os subgrupos dos
extremos, ou seja com >Mag Cor e Sem Cor (a um nível de significância de 1%). De destacar
que também são esses subgrupos que apresentam os coeficientes de maior dimensão (nega-
tivos). Mais especificamente, no que diz respeito ao subgrupo >Mag Cor, os resultados me-
recem total reflexão, uma vez que, ao contrário da intuição, quanto maior a dimensão das
correções, maior o aumento da agressividade fiscal no período subsequente.

De acordo com os critérios já descritos anteriormente, para o Modelo 2 foram igualmente


obtidos os parâmetros DID por quartil (agressividade pré-acontecimento), agora com a
interação da magnitude das correções, no sentido de retirarmos conclusões quanto à com-
binação dos efeitos.

Neste sentido, para o 1º quartil temos:

Tabela 17. Parâmetro DID 2º Modelo - 1º Quartil - GA-GC


04_09 11_16 11_16-04_09 GC-GA
>Mag Cor -14,48% -3,29% 11,19% -0,77%
GA 1QT <Mag Cor -11,04% 0,83% 11,87% -0,08%
Sem Cor -7,15% -7,40% -0,24% -12,20%

31
Gráfico 7. Evolução da RFVendas 1º Quartil vs Magnitude Correções – Modelo 2

O impacto da inspeção nas empresas do primeiro quartil é extremamente positivo no caso


de ocorrerem correções, independentemente da maior ou menor magnitude das mesmas,
potenciando uma aproximação à média do GC no período pós-experiência.

Nestes extratos de contribuintes inspecionados, o parâmetro DID obtido é aquele que


apresenta menor variação absoluta relativamente a todos os outros subsegmentos.

No entanto, quando a inspeção não apura qualquer correção, o impacto é negativo, com
uma elevada expressão face ao GC (parâmetro DID negativo e de elevada magnitude).

Os resultados obtidos para o 1º quartil, confirmam a hipótese 3 em estudo.

Quanto ao segundo quartil, temos:

Tabela 18. Parâmetro DID 2º Modelo - 2º Quartil - GA-GC


04_09 11_16 11_16-04_09 GC-GA
>Mag Cor 0,59% 2,81% 2,22% 0,83%
GA 2QT <Mag Cor 0,91% -0,21% -1,12% -2,51%
Sem Cor 1,21% 3,52% 2,31% 0,92%

Gráfico 8. Evolução da RFVendas 2º Quartil vs Magnitude Correções – Modelo 2

32
As empresas classificadas como moderadamente agressivas no período pré-inspeção
(2ºQT) são aquelas cujo efeito indireto global (reação comportamental) é a mais positiva
(redução da agressividade fiscal), quer relativamente à média do período anterior, quer rela-
tivamente à média do GC no período posterior à auditoria.

Surpreendentemente, as empresas incluídas no 2º quartil foram o único subgrupo que apre-


senta parâmetros DID positivos no estudo, ou seja, a reação supera o próprio efeito ten-
dência estimado, nas situações >Mag Cor ou Sem Cor.

Tabela 19. Parâmetro DID 2º Modelo - 3º Quartil - GA-GC


04_09 11_16 11_16-04_09 GC-GA
>Mag Cor 3,18% 2,75% -0,43% -1,54%
GA 3QT <Mag Cor 3,42% 1,13% -2,29% -3,40%
Sem Cor 3,23% 1,50% -1,73% -2,84%

Gráfico 9. Evolução da RFVendas 3º Quartil vs Magnitude Correções – Modelo 2

As empresas com fraca agressividade no período pré-auditoria, apresentam uma reação


comportamental negativa (aumento da agressividade fiscal), mais acentuada nos cenários de
baixa magnitude das correções ou inexistência de correções.

O tempo de inversão da reação (diminuição da agressividade fiscal) é muito curto tal como
é visível pelo gráfico. Em média, no quarto ano pós-inspeção, as empresas já recuperaram
os níveis da RFVendas declarada no período pré-inspeção, pelo que é expectável que a mé-
dio prazo o efeito seja positivo (numa próxima investigação poderá ser utilizado um perío-
do pós-auditoria maior, para testar o referido).

Quanto às empresas do 4º Quartil, as mais conservadoras fiscalmente, os resultados foram


os seguintes:

33
Tabela 20. Parâmetro DID 2º Modelo - 4º Quartil - GA-GC
04_09 11_16 11_16-04_09 GC-GA
>Mag Cor 14,29% -3,33% -17,62% -16,18%
GA 4QT <Mag Cor 21,55% 13,23% -8,33% -6,89%
Sem Cor 10,00% 3,83% -6,17% -4,73%

Gráfico 10. Evolução da RFVendas 4º Quartil vs Magnitude Correções – Modelo 2

As empresas com menor agressividade no período pré-inspeção são aquelas cujo efeito
indireto da auditoria é mais negativo. O que é mais surpreendente nos resultados obtidos é
que, quanto maior a magnitude das correções impostas pela inspeção tributária, mais ex-
pressiva é a variação positiva da agressividade fiscal no período posterior à experiência.

Estes resultados contrariam por completo a hipótese 4 em investigação.

Introduzindo o efeito magnitude das correções efetuadas pela auditoria tributável (como
eventual proxy da qualidade da auditoria), os resultados apontam para que as sociedades
situadas nos extratos com maior RFVendas pré-auditoria (menos agressivas) diminuam a
RFVendas no período pós-auditoria (mais agressivas), numa relação direta com a magnitude
das correções: tornam-se mais agressivas quanto maior o volume de correções fiscais a que
foram sujeitas.

As empresas com melhor performance entre termos da média da Rentabilidade Fiscal das
Vendas antes da auditoria, depois de sujeitas a correções na sequência da inspeção, aparen-
temente procuram compensar nos anos seguintes aquele encargo fiscal adicional, tornando-
se mais agressividade fiscalmente, isto é, reduzindo o Resultado Fiscal relativamente ao
volume de negócio declarado.

34
CAPÍTULO V - CONCLUSÕES

Este trabalho partiu da motivação de avaliar o impacto do denominado Efeito Experiência no


comportamento fiscal futuro das sociedades auditadas, mediante a introdução de importan-
tes contributos que permitissem alargar a reduzida investigação existente sobre este tema.

Com referência nos principais contributos deste estudo, nomeadamente, a estratificação


dos contribuintes em função do nível de agressividade fiscal mensurada antes da auditoria,
a introdução da variável “qualidade da auditoria”, assim como, a redefinição de uma nova
variável para medida de captação da agressividade fiscal (RFVendas), foram obtidos impor-
tantes resultados que nos permitem concluir pela oportunidade desta investigação.

Os resultados do Modelo 1 vieram confirmar as hipóteses em investigação (H1 e H2). De-


pois de confirmado um efeito negativo global do acontecimento auditoria, podemos cons-
tatar que o efeito acontecimento foi superior aos efeitos grupo e tendência em todos os extratos de
empresas (quartis em função dos níveis de agressividade fiscal anterior). O que nos leva a
retirar duas importantes conclusões. Em primeiro lugar, a maior agressividade fiscal poste-
rior vem anular parte das correções fiscais realizadas na inspeção tributária. Em segundo
lugar, esse efeito negativo atinge uma maior expressão, quanto menor a agressividade fiscal
das empresas no período anterior à auditoria.

Depois de obtidos estes resultados, fomos testar se os mesmos poderiam estar enviesados
em função da magnitude das correções, mediante a eventual informação que a experiência
da auditoria poderia passar para as sociedades. Após a conclusão da inspeção, é esperado
que os contribuintes ajustem a sua expectativa quanto ao tempo que irá decorrer até volta-
rem a ser inspecionados (mediante uma probabilidade atribuída a cada ano futuro), assim
como a previsão do montante de evasão fiscal que possa vir a ser detetada.

Apesar de confirmada a Hipótese 3, ou seja, as sociedades previamente classificadas como


muito agressivas fiscalmente, tenderão a diminuir (aumentar) o nível de agressividade no
período subsequente à auditoria tributária, caso a inspeção tenha uma elevada (baixa) taxa
de sucesso na deteção da evasão fiscal discricionariamente praticada, os resultados obtidos
são completamente opostos à Hipótese 4 avançada para as empresas menos agressivas fis-
calmente.

35
Para além do facto do segmento das empresas mais conservadoras apresentarem o impacto
(negativo) com maior extensão, ele é tanto maior, quanto maior a magnitude das correções
fiscais realizadas.

Consequentemente, é nesta não confirmação da hipótese inicial que devemos concentrar as


nossas maiores reflexões, ao nível da definição de uma estratégia de seleção dos contribuin-
tes a inspecionar.

Neste sentido, a seleção para inspeção de uma empresa classificada como de baixa agressi-
vidade, deve ser bem ponderada face à expectativa da correção fiscal que venha, eventual-
mente, a ser concretizada. Caso contrário, a AT poderá correr o risco de o efeito global ser
manifestamente negativo, uma vez que os efeitos preventivos são notoriamente negativos.

No que diz respeito às empresas de elevada agressividade, o mesmo procedimento também


deverá ser tido em consideração, relativamente às quais deve ser evitado o início de um
procedimento inspetivo quando a probabilidade de correções é avaliada como baixa.

Tal como a investigação de DeBacker et al. (2015a), este trabalho também apresenta duas
importantes limitações, que poderão igualmente servir de inspiração para estudos posterio-
res:

1. As inspeções não são completamente aleatórias relativamente às características das


empresas, e ao efeito “ano” na RFVendas apurada;

2. Não foi observável o efeito de longo prazo das inspeções nas empresas que são re-
correntemente auditadas (as empresas cujos intervalos entre as inspeções são mais
curtos devem ter uma reação diferente daquelas empresas com intervalos mais lon-
gos entre as inspeções).

Por outro lado, este trabalho também apresenta as bases para o desenvolvimento de novas
investigações que possam avaliar estes resultados mediante a introdução de fatores que
potenciem a comparabilidade entre diferentes culturas fiscais, nomeadamente no que diz
respeito à moralidade fiscal associada a cada Estado, dentro da linha de investigação segui-
da por Slemrod et al. (2001). Estes fatores podem alterar os efeitos da experiência de uma

36
inspeção, tanto mais que Portugal é associado a uma baixa penalização social pela evasão
fiscal praticada, muito embora seja reconhecida uma elevada eficiência à Autoridade Tribu-
tária e Aduaneira, comparativamente com os resultados de outros Estados.

Durante muitos anos, a investigação acerca da evasão fiscal teve como referência o modelo
desenvolvido por Allingham and Sandmo (1972) que presumia que os níveis de evasão
fiscal derivavam de uma conduta racional dos contribuintes, os quais procuravam maximi-
zar os níveis de utilidade esperada para a evasão fiscal praticada, considerando uma avalia-
ção minuciosa dos custos e dos benefícios da evasão.

Mais recentemente, os resultados do modelo de Allingham and Sandmo (1972) começaram


a ser questionados por negligenciarem o impacto das iniciativas das autoridades fiscais no
comportamento fiscal subsequente dos contribuintes. Apareceu, por isso, uma nova linha
de investigação, segundo a qual, as autoridades fiscais, através das suas diligências, acabam
por conseguir manipular as expectativas dos sujeitos passivos, o que os leva a ajustar os
níveis de utilidade esperada para a evasão, ponderando os denominados Efeitos Ameaça
(monitorização) e Efeito Experiência (inspeção).

Apesar da perspetiva mais intuitiva, na qual se reveem as próprias autoridades tributárias,


ao antever que uma auditoria tributária teria essencialmente um efeito positivo, quer ao
nível do ajustamento entre o imposto declarado e o imposto estimado para a atividade real
das sociedades (efeito direto), quer ao nível do efeito dissuasor (indireto), os poucos estu-
dos existentes começaram a apresentar conclusões que apontam para uma perspetiva dife-
rente, segundo a qual, a reação subsequente dos contribuintes, em termos do nível de eva-
são fiscal praticada, anula parte dos efeitos diretos das inspeções tributárias.

Este trabalho reforça esta nova linha de investigação, estudando o impacto das auditorias
sobre o cumprimento fiscal subsequente para um painel de sociedades portuguesas, cujo
principal contributo passa por aferir se o ajustamento da agressividade fiscal no período
após uma Auditora Tributária varia em função do perfil de agressividade fiscal anterior à
ocorrência do procedimento de inspeção, quer enquanto efeito isolado, quer enquanto efei-
to combinado com o impacto resultante da qualidade da inspeção.

37
Dada a importância deste tema, espera-se, por isso, que os resultados desta investigação
contribuam para a:

1. Definição de uma estratégia mais abrangente na avaliação dos efeitos das medidas
de combate à Fraude e Evasão Fiscais e Aduaneiras;

2. Recolha de evidência empírica de interpretação do jogo estratégico entre a inspeção


tributária e os contribuintes, no sentido de evitar abordagens generalizadas por par-
te da Autoridade Tributária, uma vez que as mesmas implicarão a denominada
compensação de efeitos.

38
APÊNDICES
Tabela 21. Estatísticas descritivas das Variáveis – Período Pré-Auditoria
RFVendas LN(A) AFT/A E/A I/A RAI/A
GA GC GA GC GA GC GA GC GA GC GA GC
Mean 0.020384 0.028974 5.144068 5.709614 0.352284 0.326728 0.147976 0.014489 0.184745 0.167112 0.101876 0.081181
Median 0.024303 0.027267 5.060023 5.867631 0.296397 0.278338 0.000000 0.000000 0.068846 0.075056 0.035178 0.043706
Maximum 1.490544 1.097755 9.358087 8.123774 0.997310 0.997100 13.24473 0.784175 0.998540 0.998540 2.992166 1.049845
Minimum -1.617673 -0.690085 1.609438 1.872197 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 -1.371028 -0.563901
Std. Dev. 0.201971 0.141861 1.250609 1.107489 0.272949 0.239093 0.830662 0.075072 0.253471 0.220860 0.469793 0.213017

Skewness -0.617906 0.215952 0.129996 -0.499485 0.603549 0.708594 13.72321 6.888456 1.633695 1.671174 3.140435 1.180110
Kurtosis 23.20264 15.69173 3.055017 3.278567 2.320326 2.768441 213.1716 56.77562 4.987526 5.509539 21.16625 8.476665
Jarque-Bera 10941.71 3668.812 0.862191 20.83858 23.42828 39.95201 548464.4 59706.39 178.5603 338.4634 1416.271 158.5584
Probability 0.000000 0.000000 0.649797 0.000030 0.000008 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000

Sum 13.06611 15.81971 1507.212 2654.970 103.2192 151.9287 43.35702 6.737264 54.13016 77.70707 9.372551 8.686379
Sum Sq. Dev. 26.10699 10.96780 456.6949 569.1111 21.75432 26.52485 201.4797 2.615030 18.76026 22.63353 20.08416 4.809864
Observations 641 546 293 465 293 465 293 465 293 465 92 107

Tabela 22. Estatísticas descritivas das Variáveis – Período Pós-Auditoria


RFVendas LN(A) AFT/A E/A I/A RAI/A
GA GC GA GC GA GC GA GC GA GC GA GC
Mean -0.002174 0.056173 5.407627 5.845282 0.289336 0.269741 0.200256 0.203687 0.159919 0.151265 -0.008936 0.044560
Median 0.023507 0.032140 5.472013 5.967744 0.201555 0.190641 0.047614 0.079680 0.062052 0.063721 0.031069 0.035724
Maximum 1.581757 0.998440 8.564892 8.425411 1.000000 0.989940 11.18046 13.03214 0.987581 0.983027 2.719981 2.719981
Minimum -3.428291 -1.306512 1.098256 1.098256 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 -7.659841 -4.299709
Std. Dev. 0.252184 0.146299 1.213576 1.030011 0.268625 0.248978 0.518393 0.652286 0.216291 0.200680 0.486675 0.289767

Skewness -4.388393 0.701316 -0.310852 -0.668272 1.032587 1.158007 13.71557 15.18594 1.755133 1.739249 -8.223170 -6.968799
Kurtosis 57.28382 22.47391 3.359389 4.198489 3.081362 3.599090 267.8424 273.3580 5.892460 5.952174 111.9278 109.7648
Jarque-Bera 96004.55 13612.04 17.16775 115.4810 142.2075 205.0681 2360179. 2652237. 688.7476 745.8807 333227.1 409135.5
Probability 0.000000 0.000000 0.000187 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000 0.000000

Sum -1.656687 48.13989 4320.694 5026.943 231.1791 231.9769 160.0045 175.1705 127.7755 130.0882 -5.888808 37.74209
Sum Sq. Dev. 48.39721 18.32121 1175.268 911.3332 57.58299 53.24938 214.4472 365.4847 37.33199 34.59395 155.8493 71.03413
Observations 762 857 799 860 799 860 799 860 799 860 659 847

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Google Form – Inquérito

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