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Livro - Catequese Na Nova Evangelização

evangelização
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Apresentação

A catequética é uma reflexão sistemática sobre a catequese, em todos os seus


âmbitos teológicos e pastorais, portanto teóricos e práticos. Diz respeito à fé como
processo de educação, seja na esfera pessoal, seja na comunitária.

Como disciplina, a catequética é uma atividade relativamente recente, visto que


surgiu e se configurou a partir do século XVIII. Podemos citar apenas duas obras
de referência para todo o período anterior à Idade Moderna: De catechizandis
rudibus, de Santo Agostinho, e Tractatus de parvulis trahendis ad Christum, de Jean
Gerson. Foi o nascimento e o desenvolvimento do movimento catequético, entre
o final do século XIX e o Concílio Vaticano II, que, influenciado pela cultura da
época, deu fecundidade e expansão à catequética, possibilitando uma revisão da
catequese e uma nova reflexão sobre ela. Desde então, estabeleceram-se diversos
centros e institutos de publicações e pesquisas nesse campo e, sobretudo, ocorreu
a institucionalização da catequética no âmbito acadêmico.

Este livro foi elaborado com o propósito de constituir-se em subsídio acadêmico


para a disciplina catequética. Isso não significa, no entanto, que se trata de um
material de linguagem técnica e erudita, distante da pastoral. Ao contrário, ao seguir
os grandes temas da catequética com base nos documentos magisteriais, procurei
igualmente contemplar muitos elementos concretos. Minha experiência como
coordenador e assessor da catequese me ajudou a coletar reflexões e práticas que
busquei inserir neste livro. Por isso, testemunho que aqui não há apenas resultado
de uma pesquisa acadêmica, mas teorias associadas à prática pastoral.

O livro está estruturado em seis capítulos. O primeiro deles trata da catequese


evangelizadora: configura-se como o alicerce fundamental do que é discutido no
restante do livro e da atual mentalidade catequética ao explicitar as características
essenciais da catequese no atual contexto. O segundo capítulo explora os
documentos magisteriais, oferecendo um panorama histórico da reflexão da
catequética recente. O terceiro e o quarto capítulos abrangem as duas almas da
catequese: o conteúdo e a pedagogia, respectivamente. O quinto capítulo enfoca
os lugares da catequese, sobretudo da relação da catequese com a comunidade.
Por fim, o sexto capítulo apresenta indicativos teóricos e práticos para a
organização da catequese em suas várias instâncias, de modo a contribuir para o
desempenho do ministério da coordenação catequética.

O paradigma do caminho é sempre inspirador. Como os discípulos que foram


crescendo em compreensão e abrindo os olhos ao peregrinar com o Mestre rumo
a Emaús, a catequese tem dado passos significativos para responder ao complexo
contexto evangelizador em que vivemos. Cabe ao leitor também imbuir-se do
desejo de seguir o caminho, colocando-se como peregrino no estudo da
catequética.

Boa caminhada!
1 Catequese evangelizadora: conceitos fundamentais e
exigências da nova evangelização

Neste capítulo, o objetivo é apresentar a catequese nos dias de hoje. Para isso,
não bastam uma mera definição e uma mera exposição teórica de suas
características; é preciso considerar o contexto da sociedade e da Igreja.

Desse modo, entendemos que é necessário compreender que estamos em uma


sociedade pós-moderna ou inseridos na crise da modernidade, entre tantas
terminologias que podem ser usadas para designar o contexto em que vivemos. O
importante é saber que, nesse cenário, as instituições são liquefeitas, ou seja, não
têm solidez (Bauman, 2001, p. 98). Assim, como falar de adesão a uma instituição
como a Igreja em uma sociedade em que as grandes instituições não
desempenham o mesmo papel que desempenhavam em uma sociedade
tradicional? Esse é o primeiro desafio enfrentado pela catequese. Para lidar com
essa situação, serão necessários novos métodos e nova linguagem, como
explanaremos neste capítulo e nos capítulos posteriores.

É importante observar também que a Igreja Católica tenta dar respostas aos
novos tempos. Expressões como nova evangelização, Igreja em
saída e evangelização inculturada indicam uma necessária mudança de postura –
atitude que a Igreja vem demostrando desde o Concílio Vaticano II, marco da
renovação da Igreja e de sua reaproximação com o mundo moderno.

Diante dos desafios novos e das mudanças recentes da Igreja, que catequese
queremos? Eis a questão para a qual este capítulo vai esboçar uma resposta,
estabelecendo um ponto de referência que servirá de chave de leitura para o
restante desta obra. Inicialmente, abordaremos a questão conceitual.
Posteriormente, trataremos da catequese inserida no que chamamos de contexto
de nova evangelização. Por fim, examinaremos os dois eixos principais da
catequese hodierna: a catequese querigmática e a catequese de inspiração
catecumenal.

1.1. O que é catequese?


O termo catequese significa “fazer ecoar a Palavra de Deus” (catequizar = “fazer
eco”). Trata-se de uma ação do âmbito do ministério da Palavra que é realizada
indispensavelmente no contexto eclesial, pois quem catequiza fala em nome da
Igreja e contribui para que as comunidades cresçam na maturidade da fé. A
exortação apostólica Catechesi Tradendae (CT) define a catequese como uma
iniciação integral à vida cristã:

Globalmente, pode-se partir da noção de que a catequese é uma educação da


fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente
um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática,
com o fim de iniciar na plenitude da vida cristã. Por esta razão, a catequese,
sem se confundir formalmente com eles, anda ligada com certo número de
elementos da missão pastoral da Igreja, que têm um aspecto catequético, que
preparam a catequese ou que a desenvolvem, como sejam: o primeiro anúncio
do Evangelho ou pregação missionária pelo “querigma” para suscitar a fé; a
apologética ou a busca das razões de crer; a experiência da vida cristã; a
celebração dos Sacramentos; a integração na comunidade eclesial; e o
testemunho apostólico e missionário. (CT, n. 18)

O documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)


intitulado Catequese Renovada (CR) define a catequese como um processo que
dura a vida toda, de modo gradativo, abrangendo todas as suas dimensões: “a
Catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva,
ordenada, orgânica e sistemática da Fé. Sua finalidade é a maturidade da Fé, num
compromisso pessoal e comunitário de libertação integral, que deve acontecer já
aqui e culminar na vida eterna feliz” (CR, n. 318).

Essa definição contempla algumas dimensões importantes do processo de


educação na fé, deixando claro o que realmente é esse processo. A educação na
fé:

 comunitária: não é uma tarefa individual, mas acontece no seio da


comunidade cristã, na qual todos são responsáveis por ela;
 permanente: acompanha o ser humano em seu crescimento global, não se
destinando apenas à iniciação à vida cristã;
 progressiva: segue a pedagogia divina, fazendo uma caminhada que
respeita o evoluir dos catequizandos (CR, n. 40-44);
 ordenada: a ordem se visualiza na hierarquia das verdades de fé (CR, n. 100);
 orgânica: insere-se em um organismo que zela pela integridade da
mensagem cristã; a catequese segue uma organização com base em sua
eclesialidade (paróquia, diocese etc.);
 sistemática: é planejada, insere-se em um contexto que a organiza, prioriza
os conteúdos e dá diretrizes, ou seja, ela não acontece no improviso;
 conduz à maturidade da fé: acompanha o crescimento da pessoa.

A catequese se assenta em três polos − Palavra de Deus, fé e Igreja −; assim,


insere-se no ministério da Palavra, é uma mediação para o crescimento da fé e tem
uma ação eclesial.
Importante!
 A melhor caracterização de catequese é a de processo de educação na fé:
palavra de função da fé.
 A catequese tem natureza eclesial: é realizada pela comunidade para a
comunidade.

1.2. Distinguindo conceitos importantes


A catequese está envolvida com alguns temas e ideias. A pluralidade de usos
requer uma compreensão exata do que cada um desses temas e ideias significa.
Vejamos a seguir.

O que entendemos por evangelização? Em sentido amplo, evangelização é


tudo o que a Igreja realiza em prol do Reino de Deus. Tal realidade tão abrangente
comporta três elementos fundamentais: a) o querigma, ação que tem a finalidade
de mediar o despertar da fé; b) a catequese, ação que aprofunda a fé pessoal e
comunitária; c) a ação pastoral, ação que tem a finalidade de inserir a pessoa na
comunidade e levá-la a testemunhar a fé na sociedade (DGC, n. 63; DNC, n. 33).

Encontros de catequese ou ato catequético? Em uma visão tradicional,


entende-se a catequese como limitada ao momento do encontro catequético.
Entretanto, segundo Alberich (2004, p. 335-336), a catequese deve ser planejada
conforme um modelo global (conceito amplo de catequese), isto é, deve estar
estruturada por vários fatores: pessoais, relacionais, conteudísticos, operativos e
estruturais. Nessa linha, a ação catequética deve unir quatro elementos: Palavra
(anúncio, exposição, estudo), relação (fatores afetivos, interativos e relacionais),
ação (compromisso, testemunho, trabalho) e celebração (ritos, gestos, festas). A
Igreja do Brasil, seguindo a mentalidade do modelo global, instituiu o Plano de
Atividades Evangélico-Transformadoras (Paet). Esse plano organiza a catequese
com base em um itinerário de atividades que levam a pessoa à vivência cristã em
comunidade e ao comprometimento com a sociedade. Quando falamos em ato
catequético (ou simplesmente catequese), estamos falando desse conceito amplo,
distante da redução da catequese a um processo de ensino-aprendizagem.

Quando falamos em catequese, em geral, estamos falando de catequese de


iniciação à vida cristã (catequese de base). Trata-se do elo entre a ação missionária
e a ação pastoral. A catequese de iniciação não tem como finalidade os
sacramentos iniciáticos; estes são, na verdade, seu ponto alto. A catequese leva à
adesão a Deus e à comunidade, conscientizando o cristão do verdadeiro significado
dos sacramentos e ajudando-o a celebrar bem esses ritos de passagem (Batismo,
Confirmação, Eucaristia).

Em síntese: a catequese de iniciação, sendo orgânica e sistemática, não se


reduz ao meramente circunstancial ou ocasional; sendo formação para a vida
cristã, supera – incluindo-o – o mero ensino; e sendo essencial, visa àquilo que
é “comum” para o cristão, sem entrar em questões disputadas, nem
transformar-se em pesquisa teológica. Enfim, sendo iniciação, incorpora na
comunidade que vive, celebra e testemunha a fé. Realiza, portanto, ao mesmo
tempo, tarefas de iniciação, de educação e de instrução. (DGC, n. 68)

Diante do que foi comentado, o que falar da catequese permanente? Trata-


se do âmbito no qual se inserem todas as formas de catequese que proporcionam,
após a recepção dos sacramentos da iniciação cristã, o aprofundamento da fé.
Assim, não basta a catequese de iniciação, é preciso que haja uma catequese que
acolha e acompanhe o catequizando para que este se integre na comunidade e
continue seu caminho de aprofundamento gradativo na fé. Alguns exemplos de
catequese permanente são o estudo da Escritura, os grupos de reflexão, a
formação espiritual, a formação de grupos e movimentos, a leitura cristã dos
acontecimentos, a catequese litúrgica e a catequese ocasional (que acontece por
força de ocasiões como velórios e casamentos). Embora haja uma importância
singular na iniciação cristã, deve-se organizar um itinerário catequético
permanente, tendo-se em conta a prioridade da catequese com adultos (DAp, n.
298; DGC, n. 275).

Então, tudo é catequese? A catequese se realiza por meio de uma grande


variedade de atividades: catequese de iniciação de adultos e crianças, encontros
de formação religiosa, reflexão comunitária, pregação, comunicação na mídia etc.
O que confere sua identidade é o caráter de aprofundamento em relação à fé inicial.
Aqui podemos distinguir a catequese sistemática da catequese ocasional (que
acontece em variadas ocasiões da vida). A catequese não pode perder sua
identidade em sua ação nos diferentes espaços eclesiais ou pelo fato de existirem
diversos itinerários. Não se deve “chamar tudo de ‘catequese’ na vida da Igreja,
muito embora se possa dizer que todo o conjunto do agir eclesial contém sempre
em si um aspecto ou uma dimensão catequética” (Alberich, 2004, p. 96). Caso
contrário, corre-se o risco de se cair no “pancatequismo” (tudo é catequese). Diante
desse risco, alguns preferem reduzir a catequese somente à ação catequética de
iniciação à vida cristã, seja de crianças e adolescentes, seja de adultos. É, em geral,
a esse âmbito que a reflexão catequética se dedica. Ressaltamos, porém, que todos
os campos de ação devem ser considerados.

1.3. Catequese e nova evangelização


Vivemos em um tempo em que a exigência de “desinstalar-se” é premente.
O Documento de Aparecida (DAp) refere-se a um continente de batizados que deve
tornar-se um continente de discípulos missionários (DAp, n. 238) e alerta para o
fato de que há uma multidão de batizados não suficientemente evangelizados (DAp,
n. 293). No continente em que há o maior número de católicos, há também o maior
índice de desigualdade social (DAp, n. 527), evidenciando que houve uma clara
dissociação entre fé e vida. Nesse contexto, a missão não se destina em primeiro
lugar aos territórios em que o Evangelho não é conhecido, sendo, antes, necessário
evangelizar os países da antiga cristandade, onde a vida de fé foi enfraquecida.
Uma das grandes missões da Igreja é a evangelização dos batizados
insuficientemente evangelizados.

Esse alerta – que também é um convite – do episcopado latino-americano está


em sintonia com os apelos do Papa Francisco, que propõe uma Igreja em saída
(EG, n. 23). Diante da secularização, da diminuição de fiéis e do enfraquecimento
da adesão às comunidades de fé, é necessário que a Igreja adote novas posturas.
Ela não pode contentar-se em ficar fechada em si mesma – deve sair para outros
lugares. Deve adotar novas práticas, novos métodos, nova linguagem. Eis o que
entendemos por nova evangelização.

Tempos de nova evangelização exigem uma catequese evangelizadora, ou seja,


uma ação catequética impregnada do ardor missionário, que vise à adesão mais
plena a Jesus Cristo: “Nossa realidade pede uma nova evangelização. A catequese
coloca-se dentro desta perspectiva evangelizadora, mostrando uma grande paixão
pelo anúncio do Evangelho” (DNC, n. 29).

Em que consiste uma catequese evangelizadora? A exortação


apostólica Evangelii Gaudium afirma com clareza a importância de uma “catequese
querigmática e mistagógica” (EG, n. 163-168). Nessa linha, podemos afirmar, com
o Papa Francisco, que a catequese evangelizadora é:

1. querigmática: trata-se da ação catequética inspirada no querigma, ou seja,


primeiro anúncio de Jesus Cristo e de Seu Reino;
2. de inspiração catecumenal (ou catequese mistagógica): o
termo mistagogia (que significa “conduzir ao mistério”) remete ao mergulho
no mistério divino pela mediação simbólica. A catequese hoje tem essa
inspiração como eixo fundamental.

Nas próximas seções, analisaremos esses dois caminhos que se configuram


como as principais exigências da catequese nos dias atuais.

1.4. Catequese querigmática


Como já abordamos, há uma diferença entre catequese e querigma. O querigma é
o primeiro momento da ação evangelizadora, tem como finalidade a mediação do
despertar da fé ou até mesmo do redespertar da fé pelo anúncio de Jesus Cristo –
de sua vida, morte e ressurreição. A catequese, por sua vez, é o segundo momento
dessa ação, ou seja, é constantemente definida pelo magistério da Igreja como
aprofundamento do querigma. Essa distinção de momentos, no entanto, não
impossibilita a coexistência das ações. Estamos inseridos em um contexto em que
grande parte das pessoas, mesmo as que procuram a Igreja por alguma razão, não
teve o seu despertar de fé, tampouco é participante da comunidade. Diante desse
cenário, é preciso que a catequese se vista com as roupas do querigma. É o que
chamamos de catequese querigmática: quando a ação catequética se desenvolve
acolhendo as principais intuições do primeiro anúncio, sobretudo mediando, diante
das disposições da liberdade, um primeiro passo na vida cristã de seus
interlocutores.

Na situação atual, requerida pela “nova evangelização” esta tarefa se realiza


por meio da “catequese querigmática”, que alguns chamam de “pré-catequese”,
porque, inspirada no pré-catecumenato, é uma proposta da Boa-Nova de
acordo com uma sólida opção de fé. Somente a partir da conversão, isto é,
apostando na atitude interior “daquele que crer”, a catequese propriamente dita
poderá desenvolver a sua tarefa específica de educação da fé. (DGC, n. 62)

As características da catequese querigmáticai são a proclamação de Jesus


Cristo, a mediação da experiência de fé, o anúncio personalista, a atenção ao
contexto vital da pessoa e o testemunho pessoal.

1.4.1. Proclamação de Jesus Cristo


Não existe tarefa mais urgente e mais primordial do que anunciar a pessoa de Jesus
Cristo: sua vida, Sua história, Seu projeto, Sua morte e Sua ressurreição. Mediante
essa proclamação, o catequizando tem a oportunidade de fazer seu encontro
pessoal com o Senhor, por graça do Espírito Santo. É desse modo que a catequese
cumpre sua missão primeira; quando realizada, Cristo está no centro de sua
mensagem.

Pode parecer óbvio que o anúncio de Jesus Cristo é a primeira tarefa da


catequese; porém, há o risco de que ela se torne um exercício pastoral que
pressupõe que os interlocutores já receberam o que na verdade lhes falta: uma
experiência de fé fundada em Cristo Jesus. Por isso, o Documento de
Aparecida adverte: “Não temos de dar nada por pressuposto e descontado” (DAp,
n. 549).

Além disso, é fundamental ter em conta que o interlocutor da catequese é livre e


que a fé é um dom. Corre-se o risco do apego à eficiência da missão, pressupondo-
se que o querigma (ou a catequese querigmática) alcance seus frutos de um modo
automático. O catequista, no espírito catecumenal, é um mero mediador que confia
na eficácia do Espírito, além de respeitar a acolhida livre de quem ouve a palavra
proclamada.

1.4.2. Mediação da experiência de fé


Como afirmamos, o catequista é um mediador. Ao proclamar Jesus Cristo vivo e
verdadeiro, coloca-se como um facilitador − um guia que conduz pela mão, um
arauto da Palavra cuja própria vida é um testemunho. Ele pretende que se alcance
um encontro com o Senhor, chamado de experiência de fé.

Tal experiência de fé é mais importante do que o aprendizado de verdades frias.


No passado, acreditava-se que o importante era a memorização e a compreensão
racional de fórmulas prontas: perguntas e respostas de um catecismo de linguagem
antiga e distante. Ainda herdeiros de uma visão academicista, proveniente, por
vezes, do próprio clero, não estamos livres de visões que priorizam o aprendizado
intelectual na catequese. A nova evangelização, no entanto, nesses novos tempos,
exige uma linguagem menos conceitual; ela valoriza a linguagem narrativa, pois
cresce a consciência de que são as histórias de um Deus que se fez história que
podem tocar o coração dos interlocutores e transformar-lhes a vida. Se a fé não é
uma teoria, mas uma experiência, é a transmissão dessa experiência que é decisiva
na catequese. É desse modo que devemos entender o termo tradere, ou seja,
“tradição”, não como entrega de um conhecimento elevado, mas como entrega
(transmissão) de uma experiência de fé viva que, ao longo do tempo, foi sendo
atualizada e vivenciada pelos cristãos, tornando Jesus Cristo, Sua vida e Sua
mensagem sempre atuais.

A subjetividade é um tema muito atual. Depois do surgimento da modernidade, a


pessoa, em sua individualidade e liberdade, alcançou um lugar primordial. Trata-se
de um elemento positivo do tempo atual, mas também ambíguo. Essa ambiguidade
reside no individualismo e no subjetivismo da sociedade. Aqui é preciso considerar
o risco de se transformar a catequese na transmissão de uma experiência intimista.
Quando alguém procura estar ajustados ao “espírito” deste tempo, corre o risco de
perder a identidade da experiência cristã, esquecendo-se do discipulado, de
proclamar a adesão a um projeto de vida. Uma experiência intimista afetaria apenas
a emoção do sujeito, sem transformação alguma de sua vida.

Por outro lado, é fato que o sujeito da pós-modernidade precisa ser subjetivado
(Boff, 2014, p. 568). Desse modo, a subjetividade não deve ser compreendida como
algo negativo, mas como uma oportunidade: a catequese pode anunciar Jesus
Cristo como uma experiência de fé à qual o sujeito adere quando se apropria dela
em sua interioridade. Diante desse desafio, o Papa Bento XVI proclamou o Ano da
Fé. O pontífice não estava tão preocupado com a clareza dos conteúdos
doutrinários e com a compreensão desses conteúdos, mas com a adesão pessoal
de fé do povo cristão. É verdade que o conteúdo da fé e sua adesão são dois
elementos que devem estar unidos, sem dialética de oposição. Isso não significa
que a fé comunitária não tenha seu lugar de primeira grandeza, mas é essencial
que a fé seja uma opção da pessoa (PF, n. 10).

Assim, a catequese querigmática, longe de ser a promulgação de verdades


filosóficas ou de teorias sem repercussão na vida, volta seu olhar para o indivíduo,
para a pessoa, preocupando-se com sua experiência de fé e atendo-se à adesão
afetiva ao Senhor. A insistência em um Deus todo-poderoso, predominante na
catequese antiga, gerou algumas visões distorcidas: pensava-se em um Deus
distante, frio, até mesmo opressor. Agora urge proclamar o Deus que assumiu as
fragilidades humanas ao se encarnar (cf. Fl 2,5-11). O Deus agora proclamado em
alta voz é o Deus todo-poderoso no amor, em consonância com o pensamento já
presente em Santo Tomás de Aquino, que afirmava que o poder divino é
manifestado no amori. É este Deus pessoal − que ama, que se comove, que tem
compaixão pelo sofrimento, que se faz solidário com os pequenos, que derrama e
enxuga lágrimas − que pode fazer eco no coração das pessoas.

1.4.3. Anúncio personalista


Aqui não pretendemos, de modo algum, relativizar a dimensão comunitária da
catequese. Não existe catequese alheia à experiência da comunidade cristã. Por
outro lado, não podemos negar que o primeiro passo da fé é dado pela pessoa,
pelo indivíduo. Por isso, quando se professa a fé, não se diz “nós cremos”, mas “eu
creio”. Tal premissa vem ao encontro de uma necessidade premente do contexto
atual: é preciso considerar a pessoa. Assim, não basta destinar a proclamação da
mensagem às massasi, sem perceber cada pessoa em seu horizonte.

Certamente, ninguém quer ser um mero elemento anônimo entre muitos, mas ser
chamado pelo nome, ser considerado como alguém importante, de modo que é
necessário personalizar − acolher cada pessoa em seu dom e em sua dificuldade.
Os discursos generalizantes têm cada vez menos significância. Por isso, é eficaz
falar de um modo concreto, dirigindo o discurso à segunda pessoa do singular, de
modo que cada ouvinte se aproprie da palavra como uma mensagem realmente
dirigida a ela. Hoje, a pós-modernidade anuncia, mesmo com apelativos falsos ou
baratos: “Você pode ser feliz!” Cabe aos evangelizadores afirmar ainda com maior
força: “Deus ama você e o quer feliz!”

1.4.4. Atenção ao contexto vital da pessoa


O vazio que surgiu depois da modernidade fez emergir um apelo pelo sentido da
existência. O sujeito da pós-modernidade é afeito às propostas de felicidade, que,
na verdade, são possibilidades de sentido para a vida. Dessa forma, a catequese
tem como exigência mediar uma experiência que afete o catequizando em seu
interior, que transforme sua vida. Diante de tal tarefa, o caminho é trazer a
mensagem para a vida concreta e cotidiana do catequizando, oferecendo o
Evangelho como uma proposta de seguimento. Para que tal finalidade seja
alcançada, o catequisa precisa assumir uma postura de escutar as alegrias e as
preocupações de seus catequizandos, realizando o anúncio de modo humilde e
testemunhal (EG, n. 128).

Considerando-se que o Evangelho se encarnou em uma cultura (o Verbo não


apenas se fez carne humana, mas se integrou em um contexto histórico e cultural),
a evangelização tem necessidade de realizar a inculturação, como exigência que
brota da própria dinâmica divina. Assim, a catequese deve considerar o que é
próprio de cada gente (EG, n. 129). A catequese querigmática, assim, proclama a
Palavra conectada ao espírito dos povos e das pessoas em seu cotidiano: fala da
vida concreta de cada pessoa, de suas aspirações e de seus dramas existenciais.

Falar da vida concreta e gerar seguimento não significa transformar a catequese


em um moralismo insuportável. É possível perceber que, ao longo da história, a
Igreja não ficou isenta de algumas atitudes que desfiguraram a Boa-Nova do
Evangelho, sobretudo por uma pregação pautada na culpa, no pecado e no castigo,
presa a leis e a preceitos. Urge uma catequese querigmática, que seja entusiasta,
baseada no amor, repleta de gestos de misericórdia e anunciadora da alegria. Essa
exigência deve transparecer em todo o ministério da Palavra. Assim, vale para a
catequese o que o Papa Francisco falou a respeito da homilia: “a pregação
puramente moralista ou doutrinadora e também a que se transforma numa lição de
exegese reduz esta comunicação entre os corações que se verifica na homilia e
que deve ter um carácter quase sacramental: ‘A fé surge da pregação, e a pregação
surge pela palavra de Cristo’ (Rm 10,17)” (EG, n. 142).

1.4.5. O testemunho pessoal


Em nossos dias, é necessário atentar para o fato de que “O homem contemporâneo
escuta com mais boa vontade as testemunhas do que os mestres, […] ou então, se
escuta os mestres, é porque eles são testemunhas” (EN, n. 41). As lapidares
palavras do Papa Paulo VI são muito atuais. De fato, a catequese não pode ser um
amontoado de palavras sem testemunho. A vida fala mais do que o próprio
ensinamento. Não somente a vida do catequista e a vida da comunidade são as
proclamadoras da mensagem da salvação de uma forma imediata, mas é preciso
considerar que o mensageiro já é a mensagem: o modo de evangelizar, quando em
consonância com o Evangelho, é a melhor mensagem que se pode transmitir. Por
isso, a catequese não é uma mera questão de técnica, mas de mística e
testemunho. A proclamação depende de uma relação vital, de um testemunho de
fé que não se improvisa, de uma ação que brote do coração de quem fala, para que
alcance o coração de quem é catequizado. Segundo o Papa Francisco, são
características do anunciador “proximidade, abertura ao diálogo, paciência,
acolhimento cordial que não condena” (EG, n. 165). Sem dúvida, estamos diante
de conselhos oportunos para a prática catequética.

1.5. Catequese de inspiração catecumenal


i

Na Igreja primitiva já havia o catecumenato – era o modo de iniciar os convertidos


à fé cristã. Depois de aderirem a Cristo, as pessoas eram apresentadas à
comunidade e tornavam-se catecúmenas. Depois de certo período, os
catecúmenos tinham uma intensa preparação espiritual na Quaresma. Na Vigília
Pascal, acontecia a grande celebração dos três sacramentos da iniciação cristã:
Batismo, Confirmação e Eucaristia. A partir daí, o catecúmeno se tornava cristão.

O catecumenato era um processo iniciático eficaz para a Igreja em tempos de


perseguição e de expansão. Porém, com a cristianização do Império Romano e a
crescente massa de batizados que surgia, o catecumenato sofreu declínio. Tal
prática teve origem no século II, desenvolveu-se e firmou-se nos séculos III e IV,
manteve ainda alguma vitalidade no século V e entrou em decadência nos séculos
VI e VII (Floristán, 1995, p. 75). Para compreender a catequese nos dias atuais, é
preciso um entendimento histórico dessa instituição da Igreja antiga, de modo que
seu estudo é imprescindíveli.

Por muito tempo, o catecumenato ficou praticamente esquecido na Igreja.


Contudo, nas últimas décadas, tem sido cada vez mais valorizado. O Concílio
Vaticano II destacou a necessidade de seu resgate, percebendo que, atualmente,
o número de adultos que não completaram seu processo de iniciação cristã ou não
foram iniciados na fé cresce a cada dia: “Restaure-se o catecumenato dos adultos
[…] introduzindo-se o uso de acordo com o parecer do Ordinário do lugar” (SC, n.
64). O magistério da Igreja tem insistido no resgate da iniciação cristã e na
implantação do catecumenato de adultos, sobretudo depois da promulgação
do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA), em 1972. Esse ritual recuperou a
unidade dos três sacramentos da iniciação cristã e forneceu ritos e pistas valiosas
para a catequese nas diversas idades, estabelecendo um itinerário de iniciação à
vida cristã.

Com o seu resgate, o catecumenato é atualmente organizado em uma ação


gradual que se desenvolve em quatro tempos e três etapas, como é apresentado
no Ritual de Iniciação Cristã de Adultos (RICA, n. 6-7; DGC, n. 88). O Quadro 1.1
sintetiza o itinerário do catecumenato.

Quadro 1.1 – Quadro geral da iniciação cristã (catecumenato pré-batismal)


conforme o RICA
Fonte: Adaptado de CNBB, 2009b, p. 49.

Os tempos são os períodos bem determinados. As etapas são as grandes


celebrações de passagem de um para outro tempo. Lima (2005) fornece uma breve
descrição de cada um dos tempos e de cada uma das etapas do itinerário
catecumenal:

 Primeiro tempo – pré-catecumenato: é o momento de acolhida, quando


acontecem os primeiros contatos do candidato com a comunidade cristã,
possibilitando-se o testemunho, o primeiro anúncio e uma primeira conversão.
 Primeira etapa – celebração da entrada no catecumenato: é o momento
em que o candidato é acolhido na comunidade para a instrução na fé, como
catecúmeno.
 Segundo tempo – catecumenato propriamente dito: é o tempo especial
para a iniciação à prática da vida cristã, para a catequese e as celebrações
próprias desse período.
 Segunda etapa – rito de eleição: o catecúmeno, depois de um processo de
aproximação dos mistérios, de instrução e de conversão, participa de uma
preparação mais intensa para os sacramentos.
 Terceiro tempo – purificação e iluminação: é dedicado a preparar de modo
mais profundo o espírito e o coração do eleito, levando-o a intensificar a
conversão e a vida interior.
 Terceira etapa – celebração de recepção dos sacramentos de iniciação
cristã: os três sacramentos são conferidos aos não batizados, evidenciando-
se sua unidade e o mistério pascal (o momento mais indicado é a Vigília
Pascal).
 Quarto tempo – mistagogia: tem a finalidade de aprofundar o mistério
pascal, principalmente da experiência dos sacramentos recebidos, e de
aprofundar a relação com a comunidade eclesial (inserção na comunidade) e
a missão dessa comunidade no mundo.

O catecumenato foi resgatado como forma ordinária de iniciação de adultos,


porém não se limita a esse âmbito, podendo inspirar qualquer processo da
catequese, como se afirma no Diretório Nacional de Catequese: “é a inspiração
catecumenal que deve iluminar qualquer processo catequético” (DNC, n. 45). Essa
intuição estava já presente no Diretório Geral para a Catequese: “dado que a
missão ad gentes é o paradigma de toda a missão evangelizadora da Igreja, o
catecumenato batismal, que lhe é inerente, é o modelo inspirador da sua ação
catequizadora” (DGC, n. 90). Como o catecumenato é uma instituição do passado,
a proposta feita nos referidos documentos não consiste em aplicar todas as práticas
que estavam contidas nele; é necessária uma atualização: o que importa é
conhecer e fazer a aplicação de sua pedagogia nos itinerários de formação na fé,
conservando os traços característicos de sua metodologia. A isso se dá o nome
de catequese de inspiração catecumenali.

Nos documentos da Igreja, utilizam-se palavras aproximativas ao se fazer


referência às características da catequese catecumenal. Em alguns, acrescenta-se
ou deixa-se de lado uma característica ou outra (RICA, n. 124; DNC, n. 49; IVC, n.
70-104). Procurando uma globalidade sintética, a seguir, enunciamos as
características que configuram o processo catecumenal, ou seja, características da
catequese de inspiração catecumenal:

1. Catequese querigmática e experiencial: como mencionamos


anteriormente, a catequese toma os aspectos do anúncio querigmático,
passando a ser uma catequese experiencial que conduz ao encontro
pessoal com o Senhor.

2. Processualidade e progressividadei: uma catequese catecumenal é


sempre progressiva, respeitando a caminhada de seus interlocutores e
oferecendo tempo para que aconteça a resposta do ser humano à graça de
Deus. O itinerário catecumenal oferece momentos de passagem que
marcam as etapas ao longo do processo de crescimento (orações, ritos
preparatórios etc.). “Durante esse tempo, a iniciativa humana será
transformada pela graça de Deus e, pouco a pouco, o candidato é
introduzido na Igreja, corpo de Cristo. Segue a direção do menor
compromisso ao maior empenho, da escuta da Palavra e da mudança de
costumes e prática de boas obras” (Lelo, 2004, p. 27-28).

3. Catequese bíblica: a catequese deve ser embebida e permeada pelo


pensamento e pelo espírito das atitudes bíblicas e evangélicas; sua eficácia
se baseia na leitura da Bíblia com a inteligência e com o coração da Igreja
(CT, n. 27; DGC, n. 127). Uma catequese catecumenal deve fazer com que
os participantes sejam ouvintes e praticantes da Palavra de Deus. Todos os
conteúdos da fé brotam dela, assim como as celebrações dão um destaque
especial para os textos bíblicos, que iluminam a mistagogia do processo de
iniciação à vida cristã. Atualmente, tem-se difundido bastante a leitura
orante da Bíblia em seus diversos métodos, como a lectio divina.
4. Dimensão litúrgica: qualquer itinerário formativo inspirado no
catecumenato deve unir palavra e símbolo. Essa metodologia educa para o
sentido da liturgia e utiliza-se dos momentos celebrativos para que os
conteúdos sejam interiorizados. O aspecto experiencial já mencionado,
também chamado de mistagógico, será mais presente quanto mais intenso
for o casamento entre catequese e liturgia. O que se pretende, portanto, é
uma catequese mistagógica, ou seja, que conduza à experiência do
mistério, introduzindo o cristão na riqueza litúrgica (DAp, n. 290). As
catequeses mistagógicas na Igreja antiga eram explicitações da riqueza
litúrgica, posteriores à vivência dos ritos; isso porque, primeiro, vinha a
experiência, depois, a explanação sobre eles. Destaca-se o testemunho de
Cirilo de Jerusalém, ao afirmar que retardou sua catequese, esperando que
os catecúmenos participassem dos sacramentos iniciáticos: “Mas como sei
bem que a vista é mais fiel que o ouvido, esperei a ocasião presente,
para encontrar-vos, depois desta grande noite, mais preparados para
compreender o que vos fala e levar-vos pelas mãos ao prado luminoso e
fragrante do paraíso” (Cat. Mistag. I, n. 1). Interessante observar que a
catequese de inspiração catecumenal pode também ser entendida ou
nomeada como catequese mistagógica, como faz o Papa Francisco
na Evangelii Gaudium (EG, n. 166).
5. Dimensão comunitária: como temos insistido neste livro, um processo
catecumenal é profundamente marcado pela responsabilidade comunitária.
Vários são os agentes que devem responsabilizar-se por ele, já que todos
são, de algum modo, responsáveis pelo caminho de fé dos irmãos da
comunidade. Uma catequese catecumenal é sempre um itinerário que inclui
ensino, celebrações e experiências práticas que levam o catequizando a
uma inserção gradual na comunidade.
6. Centralidade pascal: um processo catecumenal tem uma íntima relação
com o ano litúrgico, centrado na Páscoa do Senhor e no tempo preparatório
da Quaresma. A catequese tem seu núcleo na experiência do Cristo morto
e ressuscitado, levando o catequizando a viver uma espiritualidade pascal,
acolhendo a graça batismal: a passagem existencial do pecado para a
graça, das trevas para a luz, da morte para a vida…

Leitura complementar
Os novos paradigmas para a catequese são a Iniciação Cristã e o modelo
catecumenal. Na pedagogia catequética entendemos por Iniciação Cristã o
processo prolongado no tempo, no qual a pessoa vive de modo intenso o seu
encontro pessoal com Jesus Cristo, insere-se na Comunidade Eclesial e se engaja
na missão do Reino. Neste processo convertido recebe a instrução evangélica e se
exercita para adequar sua vida ao estilo do Evangelho em fidelidade à iniciativa
divina. E entendemos por modelo catecumenal o processo metodológico utilizado
pela Igreja nos séculos III ao V para dar as bases aos novos membros que a
procuravam para serem discípulos missionários de Jesus Cristo. Este processo
complexo, rico e eficaz chegou a ter uma sequência de 3 anos, marcado por
convivência, instruções, rituais, orações, entregas, experiências… em etapas e
tempos determinados, tendo como ponto alto a vigília pascal, na qual acontecia a
recepção pelo catecúmeno dos 3 Sacramentos da Iniciação Cristã. Havia depois a
etapa da Catequese Mistagógica (que conduzia para dentro do mistério cristão) e
o engajamento definitivo na Igreja e na missão.
[…]
Uma catequese a serviço da iniciação cristã: assume o processo iniciático
principalmente em seu modelo catecumenal. Elementos que caracterizam esta
dimensão catecumenal da catequese: contato direto com a Palavra de Deus, com
a Liturgia, pequenos e constantes passos (etapas, graus) ritualizados conforme a
proposta do RICA, a vivência comunitária, o acompanhamento personalizado,
respeito ao crescimento e ritmo de cada um. Para muitos será uma re-iniciação ou
complementação de uma iniciação mal realizada no passado.
Fonte: Lima; Nery, [S.d.].

Considerando-se as características catecumenais, alguns espaços de catequese


podem ser renovados, isto é, o catecumenato não se restringe à catequese com
adultos que desejam os sacramentos, mas inspira outras modalidades catequéticas
já existentes em uma comunidade paroquial. Eis o desafio proposto pelos
documentos da Igreja. A seguir, elencamos algumas dessas modalidades.

Pastoral do Batismo
Muitas famílias levam seus filhos para o Batismo pelo fato de este ser um
sacramento muito valorizado socialmente. A opção por uma preparação de pais e
padrinhos que supere a mentalidade de curso de Batismo, de inspiração
catecumenal, deve considerar não somente a preparação imediata, mas também a
celebração batismal e o pós-Batismo. Na preparação, é possível aproveitar o
mesmo esquema do pré-catecumenato dos adultos, a fim de organizar uma pastoral
que vá em busca das famílias que precisam do Batismo para seus filhos: estas
podem ser primeiramente contatadas por uma espécie de interlocutori. Também é
mais proveitosa a formação personalizada ou realizada em pequenos grupos. Os
encontros, inspirados no catecumenato, devem ser celebrativos, resgatando o valor
simbólico do Rito do Batismo (celebração da água, da luz…). O objetivo dos
encontros não é oferecer toda a doutrina da Igreja, mas proporcionar o querigma e
o sentido mistagógico do Batismo. Após o Batismo, as famílias ainda devem ser
acompanhadas, encontrando-se meios para que tenham sua adesão (inserção) na
comunidade: podem ser conduzidas à pastoral familiar ou mesmo convidadas para
o catecumenato de adultos. Enfim, é preciso que se entenda que o Batismo de
crianças não é um fim, mas um ponto de partida. Tal compreensão demanda uma
ação fundada no querigma, na acolhida e no acompanhamento por parte de
agentes bem preparados (Borobio, 2007, p. 214-215).
Preparação de noivos para o Matrimônio
A busca pelo casamento é outra oportunidade muitas vezes desperdiçada pela
prática pastoral. A formação para os noivos, de inspiração catecumenal, deve levar
os casais a se perguntarem se estão realmente preparados para assumir o
Matrimônio como cristãos. Não é o momento de expor demasiadas regras morais
e canônicas, mas de realizar o primeiro anúncio, para que a vida do casal seja
alicerçada no encontro com o Senhor e na participação da comunidade. No lugar
do aspecto doutrinal, é necessário insistir na dimensão espiritual do Matrimônio,
levando os noivos a rezarem juntos e a se colocarem diante de Deus, apresentando
seus sonhos e projetos ao Senhor. Também aqui convém a opção pela
personalização e pela valorização da dimensão celebrativa (Weisensee, 2008, p.
57).

A iniciação cristã de crianças e adolescentes


A catequese não pode resumir-se a uma mera preparação para a Eucaristia e a
Crisma. A inspiração catecumenal aplicada nesse estágio faz da catequese um
itinerário amplo de experiência de vida comunitária e de missão. Este é um itinerário
marcado por etapas, celebrações de passagem e entregas, intimamente ligado ao
ano litúrgico, o que favorece a experiência de fé dos catequizandos. É fundamental
que a família seja envolvida. Assim, não há apenas um itinerário catequético das
crianças e dos adolescentes, mas também um itinerário dos pais e responsáveis,
em busca de oferecer a eles o querigma, possibilidades de formação na fé e
aproximação da comunidade, para que se tornem verdadeiros catequistas de seus
filhos.

Itinerário bíblico-litúrgico para toda a comunidade


É importante também a oferta de possibilidades de formação continuada. Um tema
pode ser escolhido e estudado periodicamente a cada ano, aproveitando-se os
temas da Campanha da Fraternidade e do mês bíblico. Esses temas poderiam
inspirar outras atividades durante o ano: peregrinações, momentos celebrativos,
exposições, indicações de leitura, campanhas solidárias ou outras atividades
socioeducativas. A temática trabalhada pode preparar a comunidade para a
proclamação da fé na Vigília Pascal, evidenciando-se na Páscoa o vínculo entre o
tema estudado e vivido e a renovação das promessas batismais (Fossion, 2006, p.
19).
Animação bíblica da pastoral e grupos bíblicos
A exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini (VD) ressalta a importância da
animação bíblica de toda a pastoral. Não se trata de acrescentar atividades ou
encontros no calendário das comunidades, mas de implementar o uso da Escritura
como caminho de encontro com o Senhor em todas as atividades pastorais. O
documento destaca as pequenas comunidades formadas por famílias ou ligadas a
movimentos eclesiais como caminho importante para a oração e o conhecimento
bíblico (VD, n. 73).

Jesus Antonio Weisensee, pároco no Uruguai, dá seu testemunho de como


animar toda a pastoral com base na Escritura, de modo que os itinerários formativos
sejam marcados pela presença da espiritualidade e dos textos bíblicos (Weisensee,
2008, p. 49-61). Weisensee apresenta principalmente o caminho da leitura orante
(ou lectio divina) como um método privilegiado de interiorização e de vivência da
Palavra de Deus. Também destaca a importância dos grupos de reflexão bíblica:
em sua paróquia, os fiéis se reúnem durante a semana para meditar sobre o texto
bíblico da missa do próximo domingo. As reuniões ajudam o povo a se tornar
protagonista de sua própria formação e a encarnar o Evangelho na vida
(Weisensee, 2008, p. 54-55). No Brasil, essa experiência tem se demonstrado
eficaz.

Os grupos de reflexão ou círculos bíblicos, existentes desde a década de 1960,


também são um instrumento eficaz de evangelização inculturada no meio urbano:
contribuem na reanimação das comunidades, na formação de pequenas
comunidades domésticas e na encarnação de uma espiritualidade bíblica pela
aplicação de práticas que transformam a realidade.

Síntese
Neste capítulo, mostramos que a catequese é um processo de educação na fé, que
não deve restringir-se a uma formação teórica sobre conteúdos dogmáticos, mas
abranger a transmissão de uma experiência de fé que conduz à inserção na
comunidade.

Diante dos desafios atuais, a renovação da catequese requer a consideração de


dois caminhos que se somam, sem exclusão de nenhum deles: a catequese
querigmática (que acolhe a roupagem do querigma ou primeiro anúncio) e a
catequese de inspiração catecumenal (que acolhe as principais características do
catecumenato).

Indicações culturais
SOCIEDADE dos poetas mortos. Direção: Peter Weir. EUA: Touchstone Pictures.
1989. 128 min.

Nesse filme, o professor John Keatings, interpretado pelo ator Robin Williams,
instiga seus alunos a não dar respostas tradicionais para perguntas feitas
usualmente no dia a dia e, por meio de seus métodos incomuns, ensina muito
mais do que apenas literatura.

O protagonista evidencia como pessoas que norteiam determinados setores da


sociedade − professores, líderes empresariais, lideranças religiosas ou
catequistas −, ao se nivelarem com seu povo, criam uma linguagem própria que
acaba eliminando a situação de soberania, a qual se instaura de forma bastante
comum e quase involuntária. O instigar do pensamento crítico faz com que o
conhecimento seja libertador e, ao mesmo tempo, gera um compromisso
integral dos que estão envolvidos nas causas. Além disso, o professor tem um
modo performático ao tratar seus alunos, trazendo o existencialismo em forma
de arte para o cotidiano.

Atividades de autoavaliação
1. “Bem depressa se começou a chamar catequese ao conjunto dos esforços
envidados na Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a acreditar
que Jesus é o Filho de Deus, a fim de que, mediante a fé, tenham a vida em
Seu nome, para os educar e instruir quanto a esta vida e assim edificar o
Corpo de Cristo” (CT, n. 01).

Considerando o conceito de catequese apresentado nesse trecho e com


base em seus conhecimentos, analise atentamente as afirmativas a seguir:

1. Catequese é um processo de educação na fé que acontece de


maneira comunitária, orgânica e sistemática e cujo único objetivo é
o recebimento dos sacramentos.
2. O termo catequese significa “fazer ecoar a Palavra de Deus” e, por
isso, o catequista é um mediador, proclamador da Palavra de Deus.
É ele quem transmite aos seus catequizandos a experiência de viver
e praticar a escuta da Palavra de Deus.
3. Catequese é um processo de iniciação à vida de fé, por isso, diante
da realidade atual, é necessário que haja um deslocamento de uma
catequese experiencial para um modelo doutrinal.
4. A catequese pode ser qualificada em três eixos norteadores: Palavra
de Deus (ministério da Palavra), vivência em comunidade (ação
eclesial) e educação na fé (mediação).

Estão corretas:

5. apenas as afirmativas I e III.


6. apenas as afirmativas II, III e IV.
7. apenas as afirmativas II e IV.
8. apenas as afirmativas I e IV.
9. apenas as afirmativas I, II e III.
2. O documento Catequese Renovada, com o objetivo de explicitar o processo
de iniciação à vida de fé, apresenta algumas dimensões fundamentais da
catequese. A seguir, relacione essas dimensões com as respectivas
descrições:

1. Sistemática
2. Permanente
3. Progressiva
4. Orgânica

o É necessário haver um planejamento. Nessa dimensão, a


catequese é pensada anteriormente, destacam-se os conteúdos e
não acontece no improviso.
o Está relacionada com o desenvolvimento dos catequizandos.
Respeita sua maturidade e seu tempo de entendimento da
pedagogia catequética.
o Não acontece isoladamente. É necessário que se insira em uma
organização que zele pela integridade da mensagem cristã.
o Não acontece somente em um determinado período e não tem um
único objetivo (iniciação cristã), mas acompanha o indivíduo por
toda a vida.

Agora, marque a alternativa que apresenta a sequência correta:

9. 2, 3, 4, 1.
10. 1, 3, 4, 2.
11. 3, 1, 2, 4.
12. 1, 2, 3, 4.
13. 1, 3, 2, 4.
3. “O catecumenato não é uma mera exposição de dogmas e preceitos, mas
uma educação de toda a vida cristã e um tirocínio de certa duração, com o
fim de unir os discípulos com Cristo, seu mestre. Sejam os catecúmenos
convenientemente iniciados no mistério da salvação” (AG, n. 14). A seguir,
enunciamos as características que configuram o processo catecumenal:
0. Processualidade, progressividade, centralidade pascal e Bíblia são
as únicas características que configuram o processo catecumenal.
1. A inspiração catecumenal não se restringe a adultos que desejam
receber os sacramentos, mas se amplia a outras
pastorais (modalidades) catequéticas, como a pastoral do Batismo,
a preparação de noivos para o sacramento do Matrimônio, a
iniciação cristã de crianças e adolescentes, entre outras
modalidades.
2. O itinerário bíblico-litúrgico proposto à comunidade eclesial pode
contemplar a oferta de formação continuada a toda a comunidade,
não somente aos que estão em processo catecumenal. Pode
inspirar também outras atividades comunitárias que promovam
ligação entre o estudo e a fé vivida.
3. Os grupos de reflexão de inspiração catecumenal são instrumentos
eficazes de evangelização e contribuem de maneira efetiva somente
em grandes comunidades, nas quais a prática bíblica e a
espiritualidade são mais fortalecidas.

Estão corretas:

4. apenas as afirmativas I e III.


5. apenas as afirmativas II, III e IV.
6. apenas as afirmativas II e IV.
7. apenas as afirmativas I e IV.
8. apenas as afirmativas II e III.
4. A respeito da catequese querigmática, classifique as afirmações a seguir
como verdadeiras (V) ou falsas (F):
0. Uma das principais características da catequese querigmática é a
centralidade na pessoa de Jesus Cristo. O mediador deve ter
consciência de que seu papel é auxiliar o catequizando a encontrar
e experienciar o Senhor.
1. Os termos catequese e querigma podem ser utilizados como
sinônimos, já que ambos significam “anúncio do Evangelho e
aprofundamento da fé”.
2. A catequese querigmática é responsável por transmitir ao
catequizando uma experiência de fé. Para isso, utiliza-se de
fórmulas decoradas, teorias e doutrinas da fé católica.
3. Um dos objetivos da catequese é atingir a pessoa em seu interior,
em sua realidade concreta. Por isso, o anúncio do Evangelho deve
ser feito por meio de um catequista que, de maneira próxima e
cordial, transmita sua experiência de fé e de vida.

Assinale a alternativa correta:

4. V, F, F, F.
5. V, V, V, F.
6. V, F, F, V.
7. F, F, F, V.
8. F, V, F, V.
5. Segundo o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos, o catecumenato é uma
ação gradual que se desenvolve em tempos e etapas. A respeito de sua
organização, assinale a alternativa correta:
0. No primeiro tempo e na primeira etapa do catecumenato
acontecem as celebrações próprias do tempo de iniciação à prática
cristã e o rito de eleição.
1. O segundo tempo é dedicado à preparação, à reflexão e à
conversão de vida interior do catecúmeno. Realizado na
Quaresma, é o momento de ele ajeitar o coração para bem celebrar
os sacramentos que receberá.
2. A terceira etapa do catecumenato se refere à mistagogia, ou seja,
depois de celebrar a entrada na catequese e participar do rito da
eleição, o catecúmeno aprofunda sua relação com Deus e fortalece
sua fé por meio da comunidade eclesial.
3. O catequizando, depois de receber os sacramentos, aprofunda sua
experiência de fé e sua relação com a comunidade da qual
participa, reconhecendo sua missão no mundo. Esse tempo é
chamado de mistagogia.
4. O segundo tempo diz respeito ao rito de eleição. É nesse momento
que o catecúmeno, acolhido pela comunidade, vivencia o primeiro
anúncio e testemunho de fé.

Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1. Relacione a catequese querigmática e a catequese mistagógica ao modo
performático e existencial como o protagonista do filme Sociedade dos
poetas mortos transmite seus ensinamentos.
2. Produza um texto que aborde as relações entre a catequese querigmática
e a mistagógica, apontando quais devem ser as características de um
catequista querigmático-mistagogo.

Atividade aplicada: prática


1. Procure saber se em sua comunidade há catequese com adultos. Identifique
se a catequese de adultos é um mero curso preparatório para os
sacramentos, realizado de modo rápido, ou se acolhe, de fato, a proposta
catecumenal. Busque identificar também elementos da catequese
querigmática e catecumenal em outros âmbitos de catequese: preparação
de pais e padrinhos, encontro de noivos, pequenos grupos etc.
2 A catequese no pensamento magisterial recente da
Igreja

A finalidade deste capítulo é fazer memória dos principais documentos magisteriais


da Igreja Católica sobre a catequese. Destacaremos alguns elementos principais
de cada documento, sem a pretensão de apresentá-los de modo aprofundado,
procurando seguir uma ordem cronológica. Trataremos, em primeiro lugar, do
Concílio Vaticano II, o grande motor da renovação da pastoral da Igreja nas últimas
décadas. Posteriormente, examinaremos os documentos do magistério universal e
do magistério brasileiro (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB).

2.1. Luzes do Concílio Vaticano II sobre a


catequese
O Concílio Vaticano II (1962-1965) é um marco extremamente importante para
Igreja Católica. Como afirmamos no capítulo anterior, ele é a base da renovação da
Igreja em sua luta para se aproximar do mundo moderno. O Papa João XXIII pediu
à Igreja uma atitude de aggiornamento, ou seja, uma atitude de “colocar em dia”,
de atualizar-se, de falar de um modo novo de realidades antigas. Isso não significa
uma nova proposta de conteúdo propriamente, mas uma nova forma de viver e
comunicar o Evangelho.

Disposta a ouvir os sinais dos tempos, a Igreja teve a ousadia de admitir sua
incapacidade de dizer tudo, de alimentar a fé mesmo sabendo que certas posturas
e afirmações são de caráter provisório, pois reconheceu o paradigma da
processualidade. Assim, o Concílio abriu espaço para que as verdades e posturas
da Igreja fossem ressignificadas, de forma que propusessem criativamente uma
palavra relevante para as pessoas na atualidade. Por isso, antes de examinar as
afirmações conciliares a respeito da catequese, é preciso considerar seu conjunto,
a nova mentalidade trazida pelo Concílio e sua influência para a pastoral
catequética.

O Concílio Vaticano II não tratou específica e abundantemente da catequese;


esse evento, no entanto, foi basilar para a renovação catequética, principalmente
pela valorização e ressignificação do conceito de Palavra de Deus. De acordo com
o Concílio, esta não se restringe somente ao âmbito conceitual, mas se encontra,
sobretudo, no âmbito existencial, ou seja, nos acontecimentos, nos gestos. Por isso,
a Palavra tem um caráter histórico, a revelação acontece na experiência histórica
do ser humano, podendo ser narrada como evento de salvação (cf. DV, n. 2, 7-8,
24; AG, n. 3, 13, 16, 24; LG, n. 8; PO, n. 22; CD, n. 12). A historicidade da revelação
tem seu auge na encarnação: “E o Verbo [Palavra] se fez carne” (Jo 1,14), ou seja,
a Palavra se fez história, acontecimento, pois Jesus de Nazaré é Deus encarnado
em uma história, em uma cultura.

Há, portanto, uma união de palavras e acontecimentos, pois é assim que Deus
se revela. Ele não apenas proclama oráculos, mas realiza ações salvíficas. A
Palavra (Dabâr) expressa a presença do próprio Deus como presença salvífica, não
somente uma ideia conceitual do termo Deus. Comumente, dizemos que existem
palavras que expressam uma ideia. No sentido bíblico, entretanto, a Palavra de
Deus é Ele mesmo falando e agindo no meio de Seu povo.

Aqui está um ponto importantíssimo para a catequese. Ao esclarecer que a


Palavra não é apenas proclamação oral ou escrita, mas vida, o Concílio orienta que
a catequese seja imbuída de palavras e acontecimentos: a catequese não é um
ensino, mas um exercício de prática evangélica; o catequista não é um professor
acadêmico, mas um mistagogo, testemunha de experiência de fé.

A Bíblia é um conjunto de experiências relacionais entre o povo e seu Deus, que


Se revela sempre, que caminha ao lado de Seus eleitos. No caminho desse povo,
revela-se o sentido da própria existência. Se em algum momento da história
consideramos mais as ideias abstratas como portadoras de conteúdo religioso, é
importante frisar que o Concílio resgata o sentido da revelação bíblica, que tem
como pontos altos o Êxodo no Antigo Testamento e a Páscoa de Cristo no Novo
Testamento. Cristo é o centro da revelação, pois Ele é o próprio Deus feito história,
encarnado de fato. Não é um avatar que continua no céu sob a aparência humana,
mas é alguém que assume com radicalidade a existência dos homens e das
mulheres, menos o pecado. É Ele que revela a face do Deus Pai misericordioso, o
sentido da existência humana. É Ele que age pelo Espírito e envia Deus, e por Seu
Espírito continua agindo na história, revelando-Se, proporcionando a possibilidade
do encontro. A Igreja é a continuação do povo da Bíblia que sente a presença divina
na história e a comunica ao mundo.

Assim, podemos entender toda a história como tradição, sendo a própria Bíblia
fruto dela. Por isso, não se trata de uma religião do livro, mas da Palavra, da
Revelação concebida como acontecimento. Sem considerar isso, há o risco de se
cair no fundamentalismo.

Para saber mais


OLIVEIRA, R. M. Dimensões da catequese a partir do conceito de
Revelação. Revista de Catequese, São Paulo, ano 7, n. 26, p. 4-13, abr./jun.
1984.
CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Ouvir e proclamar a palavra:
seguir Jesus no caminho – a catequese sob a inspiração da Dei Verbum. São
Paulo: Paulus, 2006. (Estudos da CNBB, n. 91).

2.2. Documentos do magistério universal sobre


a catequese
O grupo de documentos apresentado nesta seção se refere ao magistério universal.
Trata-se de documentos papais e de documentos publicados pela Congregação
para o Clero.

2.2.1. Diretório Catequético Geral – 1971


O Concílio Vaticano II decretou a elaboração de um “Diretório para a instrução
catequética do povo” (CD, n. 44). Seguindo essa ordem conciliar, a Congregação
para o Clero formou um grupo de peritos com o intuito de realizar esse intento. É
interessante observar que o texto foi produzido mediante contribuições das
conferências episcopais de todo o mundo. O Papa Paulo VI fez a promulgação
desse diretório no dia 11 de abril de 1971, sob o título de Diretório Catequético
Geral (DCG)i.

Partindo de diagnósticos sintéticos sobre a realidade, o diretório está dividido em


cinco partes. Nota-se que esse documento é um primeiro passo pós-conciliar para
atualizar a pastoral catequética diante da realidade e da nova configuração eclesial
que havia sido suscitada. Não apenas dá relevo à exposição do conteúdo contido
no catecismo (embora confira o devido acento aos catecismos locais), como
também se mostra um documento atualizado, ao tratar da pedagogia catequética
em sintonia com a pedagogia divina e ao lançar mão das luzes das ciências
humanas. O texto traz à tona o desafio da inculturação. Refere-se à Igreja particular
como articuladora da ação catequética local e descreve os papéis dos agentes,
articulados pelo bispo diocesano, Pastor da Igreja particular. O documento traz as
exigências para a formação catequética.

2.2.2. Evangelii Nuntiandi – 1975


A exortação apostólica Evangelii Nuntiandi (EN) é considerada por muitos
especialistas o melhor documento da Igreja do século XX, ao menos no âmbito dos
documentos pontifícios. A exortação se insere no contexto do Ano Santo,
exatamente dez anos depois do encerramento do Concílio Vaticano II, para “tornar
a Igreja do século XX mais apta ainda para anunciar o Evangelho à humanidade do
mesmo século XX” (EN, n. 2). O documento do Papa Paulo VI foi escrito um ano
após a III Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, dedicado à evangelização.

O documento não trata da catequese, mas da evangelização, cuja finalidade é


transformar a humanidade desde dentro do ser humano. A catequese faz parte da
evangelização, que é mais abrangente, como fica claro nos documentos
magisteriais posteriores. Vejamos como esse documento faz referência à
catequese:

Uma via que não há de ser descurada na Evangelização é a do ensino


catequético. A inteligência, nomeadamente a inteligência das crianças e dos
adolescentes, tem necessidade de aprender, mediante um sistemático ensino
religioso, os dados fundamentais, o conteúdo vivo da verdade que Deus nos
quis transmitir, e que a Igreja procurou exprimir de maneira cada vez mais rica,
no decurso da sua história. Tal ensino deve ser ministrado de tal modo a educar
os hábitos de vida religiosa e não para permanecer apenas no intelectual. (EN,
n. 44)

Segundo a Evangelii Nuntiandi, a verdade do Evangelho é provada com o


testemunho. Os mártires de ontem e de hoje deram a vida pelo Evangelho, fazendo
com que a fé seja credível, assim como o fazem os homens e as mulheres de boa
vontade que manifestam sua fé em sua vida, sem dicotomias. Após os dez anos
transcorridos desde o Concílio, o Papa Paulo VI convida a Igreja para que cada um
de seus membros realize uma revisão de sua própria vida, uma interrogação que
se deve propor ainda nos dias de hoje. A Igreja é capaz de interpelar o mundo, de
ser solidária, de ter ardorosa contemplação, de ser libertadora, missionária e
caritativa? O pontífice nos arranca do comodismo de culparmos os outros pela
ineficácia que se demonstra tantas vezes no processo de evangelização, para que
voltemos nossos olhos para nossas próprias atitudes: “Acreditais verdadeiramente
naquilo que anunciais? Viveis aquilo em que acreditais? Pregais realmente aquilo
que viveis?” (EN, n. 76).

É interessante observar o que se afirma no documento sobre o primeiro anúncio:

Dar a conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho àqueles que os não conhecem,
é precisamente, a partir da manhã de Pentecostes, o programa fundamental
que a Igreja assumiu como algo recebido do seu Fundador. […] Esse primeiro
anúncio de Jesus Cristo a Igreja o realiza por meio de uma atividade complexa
e diversificada, que algumas vezes se designa com o nome de “pré-
evangelização”, mas que, a bem da verdade, já é evangelização, embora em
seu período inicial e ainda incompleto. (EN, n. 51)

O querigma ou primeiro anúncio é considerado pelos documentos atuais como o


primeiro passo da evangelização, apesar de o Papa Paulo VI referir-se a ele pelo
termo impreciso pré-evangelizaçãoi. Certamente, são muitos os que em nossa
sociedade secularizada precisam receber a notícia de Cristo como uma novidade,
encontrando-se com Ele, pois há muitas pessoas que se dizem professantes da fé
sem uma adesão de fato. Nessa linha, o número 52 da Evangelii Nuntiandi destaca
que mesmo os batizados devem receber o anúncio evangelizador “por causa das
situações de descristianização frequentes nos nossos dias – igualmente para
multidões de homens que receberam o batismo […]” (EN, n. 52).

2.2.3. Catechesi Tradendae − 1979


A exortação apostólica Catechesi Tradendae (CT), traduzida para o português
como A Catequese Hoje, significa “a catequese que deve ser transmitida”. O
documento do Papa João Paulo II enquadra-se no contexto da IV Assembleia Geral
Ordinária do Sínodo dos Bispos (outubro de 1977), cujo tema foi “A catequese no
nosso tempo”. Tal exortação retoma as considerações de Paulo VI e de João Paulo
I, abordando temas importantes.

Nesse documento, a catequese é apresentada como “conjunto dos esforços


envidados na Igreja para fazer discípulos, para ajudar os homens a acreditarem
que Jesus é o Filho de Deus, a fim de que, mediante a fé, tenham a vida em Seu
nome, para educá-los e instruir quanto a esta vida e assim edificar o Corpo de
Cristo” (CT, n. 1).

Entre os principais temas da Catechesi Tradendae podemos elencar:

 Catequese sistemática: o Papa João Paulo II insiste “na necessidade de um


ensino cristão orgânico e sistemático porque em diversas partes nota-se a
tendência para minimizar sua importância” (CT, n. 21). Para tanto, apresenta
características desse ensino de modo que haja integralidade: que siga um
programa e alcance um fim determinado; que esteja centrado no essencial;
que seja suficientemente completo; que seja uma iniciação cristã integral (CT,
n. 21).
 Finalidade da catequese: a catequese não é apenas uma introdução à vida
de fé, mas empenha-se em desenvolver uma continuidade, uma verdadeira
jornada de vida cristã que se aprofunda até a maturidade em Cristo (cf. Ef
4,13). No documento, afirma-se que a finalidade da catequese não é apenas
colocar o catequizando em contato com o Cristo, mas levá-lo à intimidade com
Ele. O número 19 estabelece que tal conhecimento profundo de Jesus Cristo
é a mediação do amadurecimento da fé, o que evidencia que a fé é um
desabrochar alimentado constantemente, não apenas por um processo
intelectual, pois o conhecimento de Cristo ultrapassa a dimensão da razão. O
número 51 reforça a questão da finalidade, informando que a catequese é
uma educação para a fé e que essa educação, por sua vez, também deve ser
variada, de acordo com a diversidade dos destinatários.

A finalidade específica da catequese, no entanto, não deixa de continuar


a ser a de desenvolver, com a ajuda de Deus, uma fé ainda inicial, e de
promover em plenitude e de alimentar quotidianamente a vida cristã dos
fiéis de todas as idades. Trata-se, com efeito, de fazer crescer, no plano
do conhecimento e na vida, o gérmen de fé semeado pelo Espírito Santo,
com o primeiro anúncio do Evangelho, e transmitido eficazmente pelo
Batismo. (CT, n. 20)

 Catequese cristocêntrica: Cristo e Seu mistério ocupam um lugar central no


documento. Ele é o sujeito e o objeto da catequese − o caminho, a verdade e
a vida − e, portanto, o revelador do ser humano, pois é resposta, chave de
leitura para que os homens e as mulheres de nosso tempo tenham uma
autocompreensão de sua existência em conexão com o mistério salvífico.

Catequizar é levar alguém a perscrutar o Mistério de Cristo em todas as


suas dimensões, […] é procurar desvendar na Pessoa d’Ele todo o
desígnio eterno de Deus que nela se realiza […]. A finalidade definitiva da
catequese é a de fazer com que alguém se ponha, não apenas em
contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo; somente
Ele pode levar ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar na vida
da Trindade. (CT, n. 5)

 Catequese como tarefa prioritária: a catequese é considerada pelo Papa


João Paulo II não somente como uma tarefa muito importante, mas também
como uma tarefa prioritária diante das diversas atividades pastorais. Quando
se planeja o destino dos recursos para a manutenção da Igreja e a promoção
das atividades eclesiais, indubitavelmente, está em primeiro lugar a pastoral
catequética, que, segundo a exortação, deve contar com os melhores
recursos materiais e pessoais.

A Igreja […] é convidada a consagrar à catequese os seus melhores


recursos de pessoal e de energias, sem poupar esforços, trabalhos e
meios materiais, a fim de a organizar melhor, de formar para a mesma
pessoas qualificadas. Nisto não há que ater-se a um cálculo simplesmente
humano, mas tem de haver uma atitude de fé. E uma atitude de fé refere-
se sempre à fidelidade de Deus, que não deixa nunca de
corresponder. (CT, n. 15)

Além dos pontos comentados, destacamos algumas características indicadas no


documento: integridade da mensagem (30); Palavra de Deus como princípio (26-
27); linguagem da catequese (9, 49, 59); Igreja catequizadora e catequizada (16,
24, 49, 62, 71); configuração da identidade cristã-católica (25, 56-57); presença da
catequese na história (10-13); catequese e inculturação (53); dinamismo litúrgico
da catequese (23); catequese como expressão do Espírito (72); fidelidade da
catequese à pedagogia divina (29, 58); meios de comunicação e meios grupais (46);
luta pela justiça e pela libertação (29); piedade popular e catequese de adultos (54,
43); educação da fé das novas gerações (35-45) (Lima, 2016, p. 142-144).

Nesse documento, o Papa João Paulo II se preocupa em fazer algumas correções


diante de distorções existentes no campo da evangelização, esclarecendo alguns
pontos. Surgem, portanto, ao longo do documento, algumas tensões que merecem
ser elencadas, servindo-nos como base de interpretação de nosso contexto: o
Evangelho diante das ideologias (52); tensões entre ortodoxia e ortopráxis (22);
integridade da mensagem e transmissão pedagógica (30-31); inculturação e
universalismo do Evangelho (53); investigação teológica e catequese (61);
linguagem da fé professada pela Igreja e linguagem hodierna (49, 46, 28); estrutura
paroquial e desafios da catequese hoje (67); questões em torno do tema da
memorização (55); catequese escolar (69); catequese integral e ecumenismo (33);
deficiências nas publicações catequéticas (49-50) (Lima, 2016, p. 142-144).

2.2.4. Diretório Geral para a Catequese – 1997


A Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos (1985), que celebrou os
20 anos de conclusão do Concílio Vaticano II, solicitou ao Papa João Paulo II a
redação de um catecismo, pois o catecismo então vigente era o do Concílio de
Trento. Assim, o novo Catecismo da Igreja Católica (CIC) foi publicado, ainda não
em edição definitiva, no ano de 1992. A edição final foi lançada em 1997. No mesmo
ano e em consonância com o novo catecismo, foi publicado, no Congresso
Internacional de Catequese, realizado em Roma entre 17 e 21 de outubro de 1997,
o Diretório Geral para a Catequese (DGC), elaborado pela Congregação para o
Clero e autorizado pelo Papa João Paulo II. Vale observar que foi mantida nesse
diretório a mesma estrutura de fundo do texto de 1971, que ora era substituído.

Segue o esquema de organização do documento:

 Exposição introdutória.
 Primeira parte (três capítulos): aborda a catequese segundo o Concílio
Vaticano II, com base, sobretudo, na constituição conciliar Dei Verbum.
Também considera a catequese inserida no âmbito da evangelização, fiel aos
documentos Evangelii Nuntiandi e Catechesi Tradendae. O documento
procura deixar clara a relação forte que existe entre catequese e iniciação à
vida cristã, marco para a renovação da catequese.
 Segunda parte (dois capítulos): primeiramente, trata das normas e dos
critérios necessários para a apresentação da mensagem cristã. Em seguida,
trata do Catecismo da Igreja Católica, tomado, em sua riqueza, como texto
referencial para a catequese. O documento orienta que os catecismos locais
devem ter o catecismo da Igreja como texto inspirador.
 Terceira parte: aborda o tema da pedagogia da fé.
 Quarta parte (cinco capítulos): aborda o tema dos destinatários da catequese.
 Quinta parte: trata da Igreja particular em sua relação com a catequese, bem
como descreve as tarefas dos agentes da ação catequética.
 Conclusão.

A finalidade do Diretório é “fornecer os princípios teológico-pastorais


fundamentais, inspirados no Concílio Ecumênico Vaticano II e no Magistério da
Igreja, aptos a poder orientar e coordenar a ação pastoral do ministério da palavra
e, de forma concreta, a catequese” (DGC, n. 9).
Entre os pontos principais do documento estão as descrições e reflexões a
respeito das três etapas da evangelização e das tarefas fundamentais da
catequese, das quais trataremos brevemente a seguir.

As três etapas da evangelização


De acordo com o Diretório (DGC, n. 49), a evangelização é algo amplo, ou seja,
toda ação da Igreja com fins de construção do Reino de Deus é uma ação
evangelizadora. A evangelização, impulsionada pela caridade, transforma as
culturas; testemunha o modo de ser cristão; anuncia; celebra; alimenta a comunhão
dos fiéis; e, por fim, promove continuamente a missão (DGC, n. 48). Portanto, são
três as etapas da ação evangelizadora:

1. Ação missionária: podemos nos referir aqui ao querigma ou primeiro


anúncio. A ação missionária dirige-se primeiramente aos não cristãos,
porém estende-se mesmo aos batizados: “em muitos países de tradição
cristã e, às vezes, também nas Igrejas mais jovens, existe uma situação
intermédia, onde grupos inteiros de batizados perderam o sentido vivo da
fé, não se reconhecendo já como membros da Igreja e conduzindo uma vida
distante de Cristo e do Seu Evangelho. Essa situação requer uma nova
evangelização” (DGC, n. 59) [grifo do original]. A Igreja deixa de ser
somente o barco que lança as redes; ela passa agora a ser também o mar
da pesca, para que muitos batizados reacendam o dom da fé.
2. Ação catequética: a catequese deve ser um aprofundamento da fé que
ultrapasse o âmbito intelectual, além de ser mais do que uma iniciação
sacramental:

O momento da catequese é aquele que corresponde ao período em que


se estrutura a conversão a Jesus Cristo, oferecendo as bases para
aquela primeira adesão. Os convertidos, mediante um ensinamento e
um aprendizado devidamente prolongado no decorrer de toda a vida
cristã, são iniciados no mistério da salvação e num estilo de vida
evangélico. Trata-se, de fato, de iniciá-los na plenitude da vida
cristã. (DGC, n. 63)

o Mesmo depois dos sacramentos, a catequese deve ser presente na


vida do cristão, que, por sua vez, deve estar em um processo
contínuo de conversão e adesão a Cristo e de aprofundamento na
fé – um verdadeiro processo permanente (DGC, n. 71-72).
3. Ação pastoral: após o despertar e o amadurecimento da fé, o cristão é
convidado a uma inserção mais profunda na comunidade eclesial,
respondendo à vocação batismal, que o torna corresponsável no processo
de ação evangelizadora da Igreja. Todos deveriam assumir seu papel na
Igreja, inclusive no serviço pelo Reino.
As tarefas fundamentais da catequese
As tarefas fundamentais da catequese (DGC, n. 85) sintetizam os quatro grandes
pilares do cristianismo: crer, celebrar, viver e orar. Essa inspiração vem da
estrutura organizativa do catecismo, que também é composta de quatro partes
(pilares) e merece ser destacada, pois o Diretório nasce com a publicação do
novo Catecismo da Igreja Católica. O Novo Testamento orienta para essas mesmas
dimensões: “eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na
comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42). Assim, é realmente
admirável que a tradição da Igreja mantenha intacta tal maneira de estruturar a
experiência cristã: a fé conhecida, celebrada, vivida e rezada.

Para saber mais


LIMA, L. A. de. Introdução ao novo Diretório Geral para a Catequese. Revista
Eclesiástica Brasileira, n. 59, p. 281-312, 1999.

2.2.5. Evangelii Gaudium – 2013


Da mesma forma que nos dedicamos a tratar do documento Evangelii Nuntiandi,
vamos abordar também a exortação apostólica que é o cartão de visitas do Papa
Francisco, a Evangelii Gaudium (EG). Embora não se refira exclusivamente à
catequese, o documento destaca aspectos muito atuais sobre o tema. O próprio
título (em português, A Alegria do Evangelho) deixa claro que a evangelização,
incluindo a catequese, deve ser permeada pelo frescor próprio de uma boa notícia,
em vez de constituir-se em um anúncio frio ou amargo.

Os indicativos relativos à catequese se encontram, principalmente, no Capítulo 3


da exortação, que versa sobre o anúncio do Evangelho. Na primeira parte do
capítulo, o anúncio do Evangelho é tratado como missão de todo o povo de Deus
(EG, n. 111-134). Afirma-se que todos são discípulos missionários, expressão
tomada do Documento de Aparecida (DAp). Entre outros elementos, a exortação
aborda o tema da inculturação: a evangelização, e por conseguinte a catequese,
deve atingir
a pessoa, considerar a diversidade de rostos, a diversidade cultural, bem como a
piedade popular.

Em seguida, o Capítulo 3 trata da homilia e da preparação da pregação (EG, n.


135-159). Mais uma vez, o tema da catequese aparece implícito, pois a homilia,
mesmo tendo um aspecto catequético, diferencia-se da atividade catequética. Tal
distinção não impede o acolhimento de preciosos indicativos oferecidos pelo Papa
Francisco que podem ser aplicados na catequese: a Palavra de Deus deve ser
personalizada, deve atingir o coração do interlocutor, brotar do interior de quem
anuncia, de sua vivência e da preparação cuidadosa. A Igreja proclama a Palavra
como uma conversa de mãe, uma fala carinhosa que é acolhida com abertura filial.

A última parte do Capítulo 3 versa explicitamente sobre a catequese (EG, n. 160-


175). Define a catequese como aprofundamento do querigma. Ao propor os
indicativos para uma catequese no contexto da alegria do Evangelho, a exortação
deixa claros os dois polos ou caminhos que devem, conjuntamente, caracterizar a
catequese: a dimensão querigmática e a dimensão mistagógica (EG, n. 163-168).
Ao abordarmos a catequese em tempos de nova evangelização, no Capítulo 1
deste livro, já examinamos esses dois caminhos. Desse modo, não se faz
necessário desenvolvê-los novamente.

2.3. Documentos do magistério brasileiro sobre


a catequese
Nesta seção, trataremos dos documentos do magistério brasileiro, publicados pela
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Como demonstraremos, esses
textos são fruto de um rico movimento de estudos catequéticos.

2.3.1. Catequese Renovada – 1983


O documento Catequese Renovada (CR), aprovado em 1983, é uma reflexão
catequética para o Brasil com base nos documentos Evangelii Nuntiandi (EN)
e Catechesi Tradendae (CT) e nas conferências episcopais latino-americanas.
Trata-se de um dos mais importantes documentos da CNBB, juntamente com
o Diretório Nacional de Catequese (DNC), publicado mais recentemente.

O documento é organizado em quatro partes:

 Primeira parte: a catequese e a comunidade na história da Igreja;


 Segunda parte: princípios para uma catequese renovada;
 Terceira parte: temas fundamentais para a catequese renovada;
 Quarta parte: a comunidade catequizadora.

O Diretório Nacional de Catequese resgata os aspectos mais importantes


da Catequese Renovada, fazendo com que, como desejava Dom Albano Cavalin,
bispo referencial de importante contribuição na redação desses documentos, a
história da documentação magisterial brasileira não fosse esquecida. Ou seja, o
próprio Diretório se constrói com base na Catequese Renovada.

Entre os pontos de maior destaque desta última estão a definição de catequese e


as reflexões a respeito do princípio de interação entre fé e vida, das quais
trataremos brevemente a seguir.
Definição de catequese
O documento Catequese Renovada define catequese como “um processo de
educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática
da Fé. Sua finalidade é a maturidade da Fé, num compromisso pessoal e
comunitário de libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar na vida
eterna feliz” (CR, n. 318).

Essa definição é uma das mais completas entre os textos magisteriais. A


catequese é definida como um processo de educação na fé, ou seja, não pode ser
considerada apenas uma etapa da vida cristã, mas um itinerário que acompanha
toda a vida de quem nasceu em Cristo e para Ele. A catequese é um processo de
crescimento que somente cessará quando o ser humano for libertado integralmente
na vida eterna (conforme mencionado no Capítulo 1 deste livro).

Tal processo educa na fé. Trata-se de “fazer ecoar a palavra de Deus” (CR, n.
31), fazendo com que a vida do catequizando seja transformada, não sendo apenas
uma educação de tipo racional. Trata-se do fazer repercutir o mistério cristão (CR,
n. 72), que ecoará na vida do catequizando, para que posteriormente este deixe
transbordar de seu interior o que nele está repercutindo. A educação da fé também
é entendida como uma transmissão da memória que a Igreja conserva, estando
fundamentada na tradição oral e escrita, bem como nas Sagradas Escrituras (CR,
n. 117).

Interação fé e vida
Segundo o documento Catequese Renovada,

na Catequese realiza-se uma inter-ação (= um relacionamento mútuo e eficaz)


entre a experiência de vida e a formulação da fé; entre a vivência atual e o dado
da Tradição. De um lado, a experiência da vida levanta perguntas; de outro, a
formulação da fé é busca de explicitação das respostas a essas perguntas. De
um lado, a fé propõe a mensagem de Deus e convida a uma comunhão com
ele, que ultrapassa a busca e as expectativas humanas; de outro, a experiência
humana é questionada e estimulada a abrir-se para esse horizonte mais amplo.
(CR, n. 112-113) [grifo do original]
Aqui se encontra um dos fundamentos do documento: a catequese renovada
acontece por meio de uma conjugação entre a fé professada (ou seja, as verdades
de fé, o conteúdo formal) e a vida do catequizando. A vida é uma interpelação que
exige respostas da catequese. Além disso, a catequese deve levar o catequizando
à vivência da fé, fazendo com que as verdades sejam transformadas em vida,
escapando da dimensão teórica.

Para saber mais


LIMA, L. A. de. A face brasileira da catequese: um estudo histórico-pastoral do
movimento catequético brasileiro das origens ao diretório “catequese
renovada”. Tese (Doutorado em Teologia) – Universidade Pontifícia Salesiana,
Roma, 1995.

Cabe destacar a variedade de eventos e de estudos surgidos no Brasil após a


publicação do documento Catequese Renovada. Tais eventos e estudos formam o
panorama do movimento catequético brasileiro, como é possível ver no Quadro 2.1.

Quadro 2.1 − Estudos e eventos catequéticos no Brasil (1986-2009)

1ª Semana
Teve como tema central “Fé e vida em comunidade: renovação da Igreja,
1986 Brasileira de
transformação da sociedade”.
Catequese

Textos e manuais
1987 Orientação para produção de materiais catequéticos.
de catequese

1990 Formação de Catequistas: Critérios Pastorais

1991 Orientações para a catequese da Crisma

Catequese para
1994 um Mundo em Trata do tema da pós-modernidade e da catequese no mundo urbano.
Mudança

O Hoje de Deus
1997 Reflexões sobre o tema da inculturação.
em Nosso Chão

Com Adultos, A 2ª Semana Brasileira de Catequese, realizada de 8 a 12 de outubro de 2001


2001/
Catequese em Itaici, foi um grande acontecimento catequético que abordou o tema da
2002
Adulta catequese com adultos.

Crescer na
2003 Orientações sobre a leitura da Bíblia na catequese
Leitura da Bíblia
Texto-base do Ano Catequético Nacional, publicado no segundo semestre
de 2008. Consiste em um pequeno subsídio sobre a celebração do Ano
Catequese,
Catequético Nacional (2009), elaborado por uma comissão nomeada pela
2008 Caminho para o
CNBB, com ampla participação das bases. Seu tema é “Catequese, caminho
Discipulado
para o discipulado”, e seu lema é “Nosso coração arde quando Ele fala,
explica as Escrituras e parte o pão” (cf. Lc 24,32-35).

Ocorreu juntamente com o Ano Catequético Nacional e foi realizada em


3ª Semana Itaici. Na ocasião, houve grande difusão do tema do catecumenato,
2009 Brasileira de culminando em um texto sobre o assunto – Iniciação à Vida Cristã: um
Catequese Processo de Inspiração Catecumenal –, publicado na série de estudos da
CNBB.

4ª Semana
Realizada em novembro, o evento traz ecos do documento Iniciação à Vida
2018 Brasileira de
Cristã (n. 107) e do Ano do Laicato (2018).
Catequese

2.3.2. Diretório Nacional de Catequese – 2006


O Diretório Nacional de Catequese (DNC), cujo texto foi aprovado pela 43ª
Assembleia Geral dos Bispos, em Itaici (Indaiatuba − SP), obteve aprovação final
da Congregação para o Clero (Vaticano) em 8 de setembro de 2006. Esse foi um
momento importante para a Igreja, uma vez que se tratou de um passo considerável
na caminhada de renovação da catequese desde o Concílio Vaticano II (1965),
mas, especialmente, desde o documento Catequese Renovada: Orientações e
Conteúdo (1983).

Depois da publicação do Diretório Geral para a Catequese, coube à CNBB mover


esforços para a publicação de um diretório brasileiro. De 2003 a 2005, surgiram
diversos instrumentos de trabalho que sofreram correções até a versão final do
texto do Diretório Nacional de Catequese, aprovado em 2006. Ou seja, o
documento não foi redigido por especialistas, mas teve a contribuição de
catequistas do Brasil todo, como tão bem frisou, na época da publicação, Dom
Albano Cavalin.

O Diretório Nacional de Catequese tem um caráter teológico-pastoral e define


alguns critérios que inspiram a prática da catequese. Além disso, esse documento
não tem caráter jurídico-normativo, isto é, não se trata apenas de um receituário.
Sua finalidade não é normatizar, mas oferecer luzes, apresentar a catequese em
sua natureza e seus critérios de ação, orientar e estimular a ação catequética em
todo o país. Esse documento estabelece os grandes princípios bíblicos, teológicos,
litúrgicos e pastorais necessários para a promoção da renovação da mentalidade
catequética. O texto aponta para o planejamento catequético em todos os âmbitos,
abordando a catequese em sua relação com as demais pastorais da Igreja,
sobretudo a liturgia.
Esquema e conteúdo
i

Na primeira parte do Diretório Nacional de Catequese são tratados os


fundamentos teológico-pastorais da catequese, com base na renovação pós-
conciliar: princípios teóricos, conquistas, desafios, o destaque que se deve dar à
inspiração catecumenal etc. Essa parte constitui-se de quatro capítulos:

1. “Movimento catequético pós-conciliar: conquistas e desafios”;


2. “A catequese na missão evangelizadora da Igreja”;
3. “Catequese contextualizada: história e realidade”;
4. “Catequese: mensagem e conteúdo”.

A segunda parte, de caráter mais prático, tem um acento pastoral. Ela


também se constitui de quatro capítulos:

5. “Catequese como educação da fé”;


6. “Destinatários como interlocutores no processo catequético”;
7. “O ministério catequético e seus protagonistas”;
8. “Lugares da catequese e sua organização na Igreja particular”.
9.

Alguns pontos fortes do Diretório Nacional de Catequese


Entre os principais temas abordados estão:

 Iniciação cristã e inspiração catecumenal: trata-se da grande chave de


leitura do documento e da renovação da catequese, como já mencionamos
no capítulo anterior. O documento dá grande importância para a catequese
de iniciação à vida cristã, não restrita à mera recepção de sacramentos –
catequese a serviço da iniciação. Destaca-se que todos os processos
catequéticos devem ter a inspiração catecumenal (DNC, n. 45).
 Evangelização e catequese: seguindo a linha do Diretório Geral para a
Catequese, o diretório brasileiro mostra com clareza a relação entre a
catequese e a evangelização. Deixa claro que a catequese é o segundo
momento da evangelização, que sucede o querigma, mas também que a
catequese toda deve ser embriagada por um espírito evangelizador (DNC, n.
29-34).
 Sagrada Escritura e catequese: a Bíblia recebe grande destaque e é
considerada o livro principal da catequese. Uma catequese evangelizadora
de inspiração catecumenal deve possibilitar aos catequizandos o acesso à
Bíblia.
 Catequese e liturgia: na linha do resgate do catecumenato, o documento
ressalta a necessidade de se caminhar rumo a um casamento entre a
catequese e a liturgia, o que deixou de acontecer em determinado momento
da história da Igreja.
 Catequese como itinerário: a catequese, como mostraremos mais
demoradamente no Capítulo 4 deste livro, deve ultrapassar o ensino de
verdades, sendo verdadeiramente um caminho de experiência de fé, de
experiência eclesial e de serviço ao mundo. O grande desafio da catequese é
superar o itinerário temático, caminhando para um itinerário experiencial
(DNC, n. 152).

Outros pontos fortes poderiam ser destacados, mas é preciso considerar que o
diretório brasileiro, assim como o Diretório Geral para a Catequese, traz uma
síntese global sobre a catequese, consistindo em um verdadeiro manual de
catequética. Expor todos os aspectos desse documento seria o mesmo que
produzir um curso de catequética. No entanto, veremos (e já vimos) muitos de seus
aspectos diluídos ao longo deste livro.

O principal é considerar o Diretório Nacional de Catequese como um grande


motivador da caminhada catequética no Brasil. Muitos estudos e muitas iniciativas
pastorais têm sido realizados e motivados por esse documento. Assim acontece
com a documentação magisterial: não importa apenas o texto, mas tudo o que ele
provoca a seu redor. Por vezes, alguns documentos caem no esquecimento e
precisam ser retomados para que suas grandes intuições continuem acesas e
motivadoras de novos caminhos.

Para saber mais


CAVALLIN, A.; KESTERING, J. Diretório Nacional de Catequese. Revista de
Catequese, São Paulo, ano 28, n. 111, p. 51-57, jul./set. 2005.

LIMA, L. A. de. Gênese e Desenvolvimento do Diretório Nacional de


Catequese. Revista de Catequese, São Paulo, ano 29. n. 116, p. 6-25,
out./dez. 2006.

LIMA, L. A. de. Lançamento do Diretório Nacional de Catequese. Revista de


Catequese, São Paulo, ano 29, n. 115, p. 74-78, jul./set. 2006.

LIMA, L. A. de. Novos paradigmas para a catequese hoje. Revista de Catequese,


São Paulo, ano 30. n. 117, p. 6-17, jan./mar. 2007.

Leitura complementar
Apresentando o Diretório Nacional de Catequese: eixo propulsor do Ano
Catequético
[...]
O DNC não rompe com o passado, mas, em continuidade com CR, procura
considerar outras perspectivas. Apresenta novo paradigma, na verdade tão antigo
quanto a Igreja: uma catequese profundamente cristocêntrica, experiencial,
litúrgica, orante, ou seja, com dimensão catecumenal.
Por uma série de motivos históricos, a catequese chegou até nós marcada pela
dimensão doutrinal, cuja expressão máxima foi a era dos catecismos (entre Trento
e o Vaticano II). Vale dizer que esses textos, que tanto influenciaram beneficamente
a catequese nos últimos cinco séculos, são importantes, mas não esgotam as
dimensões do processo catequético. A educação da fé vai além do conhecimento
das formulações da fé, sintetizadas nos catecismos. Portanto, o Catecismo da
Igreja Católica e seu Compêndio são instrumentos privilegiados, mas traduzem
apenas a dimensão do conteúdo doutrinal; o grande desafio é levar o catecúmeno
e o catequizando ao verdadeiro “conhecimento” (no sentido joanino), isto é, à
verdadeira experiência de Deus, de Cristo, da Igreja, dos sacramentos, da vida
cristã. Para isso, o mais importante é o contato vivo com a palavra de Deus
transmitida nas Escrituras, na vida concreta da Igreja, no testemunho dos cristãos,
principalmente do catequista e de sua comunidade.
Muitos catequistas se esforçam por transmitir a doutrina dos catecismos a
pessoas que não tiveram nem um primeiro contato ou encontro com Jesus e sua
mensagem salvadora. Daí dizer que a evangelização precede a catequese, ou
melhor, que toda e qualquer catequese deve ser evangelizadora e missionária. Tal
mudança de concepção da natureza da catequese é nosso maior desafio: hoje esta
precisa assumir as características da evangelização, tanto em sua dimensão de
conteúdo (isto é, o querigma, o anúncio essencial do evangelho) como em sua
metodologia (o testemunho direto de vida, o ardor missionário, a experiência
litúrgica e celebrativa). Essas opções foram todas assumidas, retificadas e
corroboradas no Documento de Aparecida (cf. nn. 286-300).
Fonte: Lima, 2009, grifo do original.

Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para


2.3.3.
Formar Discípulos Missionários – 2017
Já mencionamos que a 3ª Semana Brasileira de Catequese, realizada em 2009
(Ano Catequético Nacional), difundiu os temas da iniciação à vida cristã e da
inspiração catecumenal. Já influenciado pelas intuições do Diretório Nacional de
Catequese, o movimento catequético do Brasil segue dando grande ênfase a esses
temas, que, aliás, estão elencados entre as cinco urgências de ação das Diretrizes
Gerais da Ação Evangelizadora, propostas pela CNBB, desde 2011.

Em 2016, Dom José Antonio Peruzzo, presidente da Comissão Episcopal para a


Animação Bíblico-Catequética da CNBB, fez um esforço para que o tema da
iniciação à vida cristã ganhasse novamente o cenário da reflexão pastoral da Igreja
no Brasil. Os bispos responderam ao apelo e aceitaram que fosse o tema central
da 55ª Assembleia Geral da CNBB, ocorrida entre os dias 26 de abril e 5 de maio
de 2016. Dessa assembleia surgiu um novo documento da CNBB,
intitulado Iniciação à Vida Cristã: Itinerário para Formar Discípulos
Missionários (IVC). Segundo Dom Leonardo Steiner, o documento

expressa o caminho que a Igreja no Brasil percorre, iluminada pela Palavra de


Deus e pelo Documento de Aparecida, aprovado pela V Conferência Geral do
Episcopado Latino Americano, realizada há 10 anos. “Assumindo sempre mais
as orientações de Aparecida e do papa Francisco, nossas igrejas particulares,
nossas comunidades, nossas famílias e todas as pessoas batizadas serão
testemunhas da alegria do Evangelho”. (CNBB, 2017a)

Não se trata de um texto com muitas novidades sobre o tema. Seu grande objetivo
é manter viva a reflexão e o trabalho de iniciativas em prol de uma catequese
catecumenal.

A seguir, apresentamos brevemente o conteúdo de cada um dos capítulos do


documento:

 Capítulo 1 – “Um ícone bíblico: Jesus e a Samaritana” (IVC, n. 11-38). O


texto começa com uma mística bíblica. Traz o simbolismo forte do diálogo
entre Jesus e a Samaritana junto ao poço de Jacó (cf. Jo 4,5-42). A perícope
bíblica possibilita apresentar a sede do significado da existência como ponto
de partida para que se ofereça Cristo, Água Viva, como resposta ao anseio
humano. Além disso, o caminho gradativo percorrido pela Samaritana no
diálogo revela o caminho progressivo do processo catecumenal.
 Capítulo 2 – “Aprender da história e da realidade: Ver!” (IVC, n. 39-61).
Esse capítulo procura situar a iniciação à vida cristã na história. Rapidamente,
o texto narra essa história desde o surgimento do catecumenato nos primeiros
séculos até nossos dias. Na linha do documento, muito já foi feito, mas existe
ainda um caminho a ser percorrido.
 Capítulo 3 – “Discernir como Igreja: Iluminar!” (IVC, n. 62-136). Embora
já existam muitos textos que tratam dos aspectos teológicos da iniciação à
vida cristã, esse texto dos bispos não poderia deixar de abordá-los
novamente. O texto destaca a importância do termo mergulho como palavra
significadora da inserção do catecúmeno: de fato, a pessoa, pela catequese
de inspiração catecumenal, deve mergulhar no mistério de Cristo Jesus. O
documento ressalta ainda o aspecto eclesial: a Igreja é a mãe que acolhe
seus novos filhos, sendo designada pelo texto como uma comunidade
querigmática e missionária, uma comunidade mistagógica e materna.
 Capítulo 4 – “Propondo caminhos: Agir!” (IVC, n. 137-243). O último
capítulo trata dos aspectos práticos do processo de iniciação à vida cristã.
Além de descrever as características pastorais de todos os tempos do
catecumenato, o texto versa sobre a formação dos agentes pastorais e sua
diversidade, chamados de sujeitos da iniciação à vida cristã. Merece
destaque o fato de o documento tratar, logo no início do Capítulo 4, do Projeto
Diocesano de Iniciação à Vida Cristã. É interessante observar que nem
todas as Igrejas particulares assumiram a catequese de inspiração
catecumenal como prioridade. Muitas são as iniciativas isoladas nas
comunidades, mas, diante da dimensão eclesial da catequese, é importante
que as dioceses e as prelazias, animadas pelo bispo diocesano, não realizem
“apenas reformas” na catequese, mas que revejam “toda a ação pastoral, a
partir da Iniciação à Vida Cristã” (IVC, n. 138).

Na conclusão, o documento apresenta pistas concretas para que a Igreja seja


realmente casa da iniciação à vida cristã, como está proposto nas urgências
pastorais da CNBB.

Síntese
Neste capítulo, ressaltamos que o Concílio Vaticano II foi o grande propulsor de
uma nova mentalidade pastoral que influenciou a catequese de modo marcante. A
catequese percorreu um caminho evolutivo em sua reflexão magisterial na
publicação de vários documentos que marcaram a renovação do pensamento
catequético.

No âmbito do magistério universal, destacamos a exortação apostólica Catechesi


Tradendae e o Diretório Geral para a Catequese. No âmbito do magistério
brasileiro, mostramos que dois documentos são os marcos do pensamento sobre a
catequese: a Catequese Renovada, que enfatiza a interação entre a fé e a vida,
além de propor uma catequese processual realizada em comunidade e para a
comunidade; e o Diretório Nacional de Catequese, que insiste na relação entre
catequese e evangelização, na inspiração catecumenal e na catequese de iniciação
à vida cristã.

Indicações culturais
JOÃO XXIII: o papa da bondade. Direção: Giorgio Capitani. Itália, 2004.
Distribuição: Paulinas Comep. DVD duplo. 204 min.

Esse filme mostra a bondade, o bom humor e a firmeza do Papa João XXIII
diante dos desafios e das oposições a seu pontificado. Sua persistência e sua
mística foram fundamentais para que ele pudesse impulsionar o Concílio
Vaticano II.

Atividades de autoavaliação
1. “Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma.
Comunidade de crentes, comunidade de esperança vivida e comunicada,
comunidade de amor fraterno, ela tem necessidade de ouvir sem cessar
aquilo que ela deve acreditar, as razões da sua esperança e o mandamento
novo do amor” (EN, n. 15).
Com base nesse trecho e em seus conhecimentos a respeito da exortação
apostólica Evangelii Nuntiandi, assinale a alternativa correta:

1. A Evangelii Nuntiandi, que trata da evangelização, foi redigida pelo


Papa Bento XVI um ano após a II Assembleia Geral do Sínodo dos
Bispos.
2. Segundo a Evangelii Nuntiandi, a catequese pode ser
compreendida como distante da evangelização, já que são
conceitos diferentes, sendo o aspecto intelectual do ensino o mais
importante.
3. A exortação apostólica Evangelii Nuntiandi trata da importância de
a Igreja saber anunciar o Evangelho de Jesus nos tempos atuais,
destacando relevância de instaurar novos tempos de
evangelização.
4. Nessa exortação, o Papa Paulo VI convida a Igreja a continuar sua
missão na evangelização, do mesmo modo que vem fazendo há
anos, pois desse jeito cômodo consegue atingir a todos.
5. O primeiro anúncio ou querigma não é considerado pelos
documentos papais atuais, pois são poucas as pessoas que
necessitam receber a Boa-Nova de Cristo.
2. Com base no documento Catequese Renovada, classifique as afirmações
abaixo como verdadeiras (V) ou falsas (F):
1. Segundo o documento, catequese é um processo de educação na
fé individual, no qual o catequizando atinge a maturidade da fé no
momento em que recebe os sacramentos.
2. O documento se estrutura em quatro partes: a catequese e a
comunidade na história da Igreja, princípios para uma catequese
renovada, temas fundamentais para uma catequese renovada e a
comunidade catequizadora.
3. Um dos fundamentos da catequese renovada é a fé professada
sem relação com a vida do catequizando. O que importa são as
verdades da fé, a vivência teórica e não a experiência humana.
4. Algumas características da catequese renovada podem ser
resumidas em catequese como processo de iniciação à vida cristã,
cristocêntrica, inculturada e valorizadora da interação entre a fé e a
vida do catequizando.

Assinale a alternativa correta:

5. F, V, V, V.
6. F, F, F, V.
7. V, V, F, F.
8. F, V, F, V.
9. V, F, F, V.
3. A respeito da realidade magisterial da catequese na Igreja, podemos
afirmar:
1. O Papa João XXIII, quando propôs a atitude de aggiornamento ao
povo, pedia que ficassem estáticos, anunciando o Evangelho da
mesma maneira, com as mesmas falas.
2. O Concílio Vaticano II ajudou na valorização e ressignificação do
conceito de Palavra de Deus. Para a catequese, a Palavra de Deus
não se resume apenas a escritos, mas é o próprio Deus agindo e
falando a seu povo.
3. O Concílio Vaticano II é um acontecimento essencial para a Igreja
Católica, pois é base de aproximação entre a Igreja e o mundo
moderno. O Concílio, entretanto, não conseguiu abrir espaço para
que as verdades da Igreja fossem revistas.
4. A Bíblia traz revelações importantes a respeito da relação de Deus
com seu povo. O Concílio Vaticano II tentou elucidar o sentido da
revelação bíblica, porém não conseguiu ressignificar tais conceitos
abstratos.
5. Para entender a história da tradição e dos costumes da Igreja, é
preciso aceitar que somos a religião do livro e que é necessário
seguir exatamente o que está escrito, sem dar importância aos
acontecimentos.
4. O Diretório Nacional de Catequese tem a finalidade de indicar critérios para
a ação catequética em diversos lugares. Sobre esse documento, analise as
proposições a seguir e assinale a alternativa correta:
1. O documento apresenta luzes que inspiram o processo catequético.
Não é um texto normatizador, que impõe regras ou ritos a serem
realizados.

PORQUE

2. O documento é responsável por promover uma renovação na


maneira de pensar a catequese. Princípios bíblicos, litúrgicos,
teológicos e pastorais fazem parte das atividades catequéticas.
3. As duas proposições são verdadeiras, e a proposição II justifica
corretamente a proposição I.
4. A proposição I é falsa, e a proposição II é verdadeira.
5. A proposição I é verdadeira, e a proposição II é falsa.
6. As duas proposições são verdadeiras, porém a proposição II não
é justificativa correta da proposição I.
7. As duas proposições são falsas.
5. “O processo evangelizador, consequentemente, é estruturado em etapas ou
‘momentos essenciais’: a ação missionária para os não crentes e para
aqueles que vivem na indiferença religiosa; a ação catequética e de
iniciação para aqueles que optam pelo Evangelho e para aqueles que
necessitam completar ou reestruturar a sua iniciação; e a ação pastoral para
os fiéis cristãos já maduros, no seio da comunidade cristã” (DGC, n. 49).

Com base nesse trecho e em seus conhecimentos a respeito do Diretório


Geral para a Catequese, analise as afirmações a seguir:
1. O Diretório Geral para a Catequese é dividido em três partes:
contextualização da catequese em alguns documentos papais,
normas e critérios da ação catequética e destinatários da catequese
sacramental.
2. O Diretório Geral para a Catequese compreende a evangelização
em três etapas: ação missionária (primeiro anúncio), ação
catequética (adesão a Jesus Cristo) e ação pastoral
(amadurecimento da fé).
3. Podemos afirmar que as tarefas fundamentais da catequese estão
alicerçadas no catecismo em seus quatro pilares: crer, celebrar,
viver e orar.
4. A ação catequética (segunda etapa da ação evangelizadora) diz
respeito ao período de conversão a Jesus Cristo, no qual o
catequizando, com os subsídios oferecidos, é iniciado no mistério da
salvação.

Estão corretas:

5. apenas as afirmativas I e III.


6. apenas as afirmativas II, III e IV.
7. apenas as afirmativas II e IV.
8. apenas as afirmativas I, II e IV.
9. apenas as afirmativas I e IV.

Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1. Retome o início deste capítulo e reflita sobre a importância
do aggiornamento na catequese. Estabeleça uma relação entre o
pontificado do Papa Francisco e suas intuições renovadoras para a Igreja.
2. Produza um texto com base nessa reflexão.

Atividade aplicada: prática


1. Pesquise entre os catequistas de sua comunidade se há conhecimento dos
documentos do magistério da Igreja. Procure perceber se o Diretório
Nacional de Catequese continua sendo uma memória importante, como um
forte renovador da mentalidade catequética.

3 A mensagem e o conteúdo da catequese


Neste capítulo, trataremos do conteúdo da catequese. O objetivo é deixar claro o
que se entende, de fato, por mensagem cristã e quais são suas fontes.
Primeiramente, abordaremos o paradigma que norteia a transmissão catequética,
além dos critérios para que a mensagem seja difundida com fidelidade. Depois,
enfocaremos a fonte da mensagem cristã, ou seja, a Palavra de Deus.

É importante frisar que a Palavra de Deus é uma pessoa – Cristo –, não um livro
escrito. Assim, não se trata de uma religião do livro, mas de uma religião da Palavra.
Para conhecer a Palavra, é preciso ler as fontes, sendo a primeira delas a Sagrada
Escritura. Uma segunda fonte da mensagem cristã é a Sagrada Tradição. Portanto,
tendo colocado as bases da mensagem cristã, voltaremos nossa atenção a Bíblia
e sua importância na catequese, seu uso eclesial. Em seguida, versaremos sobre
a Sagrada Tradição, tendo em conta que os elementos mais importantes dela no
âmbito da catequese são a liturgia e o catecismo.

O Diretório Nacional de Catequese distingue as fontes catequéticas em três


partes: a) Palavra de Deus; b) liturgia; c) Catecismo da Igreja Católica e catecismos
locais. Essa é uma tripartição essencial para entender as fontes da mensagem
catequéticai.

3.1.A proclamação da Palavra de Deus e seus


critérios: da doutrina à mensagem
Somos ainda herdeiros de uma mentalidade que considera a catequese
como ensino de verdades. Até bem pouco tempo atrás, falava-se em aulas de
catecismo, pois se entendia a catequese como um curso que ensinava ou
simplesmente exigia a “decoreba” das perguntas e respostas do catecismo.
Infelizmente, essa mentalidade ainda influencia o modo de agir de alguns
catequistas.

Quando se faz referência ao conteúdo, ainda se pensa na doutrina e na moral.


Citando a homilia do Papa João Paulo II no Brasil, em 1980, o Diretório Nacional
de Catequese (DNC) define mensagem como a comunicação de algo importante:

Quem diz mensagem diz algo mais que doutrina. […] A mensagem não se limita
a propor ideias: ela exige uma resposta, pois é interpelação entre pessoas,
entre aquele que propõe e aquele que responde. A mensagem é vida. Cristo
anunciou a Boa-Nova, a salvação e a felicidade: “Bem-aventurados os pobres
em espírito, bem-aventurados os mansos, bem-aventurados os perseguidos
[…]”. As multidões escutavam-no, porque viam nele a esperança e a plenitude
da vida. (DNC, n. 97)

Assim, a catequese deve ser o anúncio da mensagem de salvação trazida por


Cristo e a transmissão da experiência vivida pelo catequista e pela comunidade.
Não deve limitar-se a impor que se decorem fórmulas nem deve ser a exposição de
uma lista de proibições e de preceitos, mas a proclamação do núcleo central do
Evangelho: Jesus Cristo (que revela o Pai na ação do Espírito) e Seu Reino de
amor. A catequese deve se distanciar da mentalidade de ensino-aprendizagem e
ter como objetivo a experiência de fé em Cristo Jesus.

O querigma tem sido muito enfatizado, como anúncio convicto da Boa-Nova do


Evangelho. Cada catequista é convidado a fazer um anúncio entusiasta da Palavra
de Deus (entusiasmo = “ter Deus dentro de si, em seu coração”). A Palavra de Deus
anunciada com alegria entusiasta deve ser motivo de grande alegria para os
anunciadores (VD, n. 123). É esta também a proposta da Evangelii Gaudium (EG),
do Papa Francisco, ao tratar do anúncio alegre da mensagem cristã.

Tal anúncio é sempre cristocêntrico: a base, o centro e o ápice da evangelização


e da catequese são sempre “uma proclamação clara que, em Jesus Cristo, Filho de
Deus feito homem, morto e ressuscitado, a salvação é oferecida a todas as
pessoas, como dom da graça e da misericórdia de Deus” (EN, n. 27). Obviamente,
não devemos nos esquecer de que Jesus realiza a vontade do Pai e é impulsionado
pelo Espírito, que conduz nossa ação. Somos também filhos no Filho. Deve-se
anunciar o Cristo, sempre com a consciência de que Ele tem um projeto de
salvação, uma proposta de vida, resumida nos Evangelhos sinóticos pela
expressão Reino de Deus (ou Reino dos Céus). Conceber Jesus sem o Reino é ter
uma compreensão unilateral, pois, dessa maneira, acolhe-se apenas o “Jesus lá
das alturas”, que pouco fala ao ser humano, em uma espiritualidade desencarnada.
Portanto, anunciar Jesus é anunciar Seu Reino de paz, justiça e amor – vontade do
Pai.

A mensagem de Jesus chega até nós por meio do anúncio missionário e é


aprofundada e vivida na Igreja − comunidade dos que seguem o caminho do
Evangelho. Portanto, não se anuncia o Cristo sem referência à Igreja − semente,
sinal e instrumento do Reino e que está a serviço dele (LG, n. 5). Cabe um destaque
especial a Maria, discípula cheia de fé e modelo no seguimento de Jesus.

Com base em tais premissas, destacamos os critérios para o anúncio da


mensagem cristã (DNC, n. 105):

 Centralidade da pessoa de Jesus Cristo (dimensão trinitária e antropológica):


deve-se anunciar Cristo como chave de leitura para compreender e salvar
cada homem e mulher.
 Valorização da dignidade humana (mistério da encarnação).
 Anúncio da Boa-Nova do Reino de Deus e da salvação: como já
mencionamos, nunca se concebe Cristo sem Seu Reino.
 Caráter eclesial da mensagem: como afirmamos, nunca se deve desvincular
a Igreja da mensagem.
 Exigência de inculturação: a fé é compreendida no âmbito de uma cultura,
portanto de nada adianta adotar paradigmas do passado (romano, grego etc.)
sem levar em consideração o contexto cultural em que se pretende
evangelizar.
 A mensagem cristã é orgânica, tem uma hierarquia de verdades: há verdades
mais importantes do que outras, mas, em seu conjunto, elas constituem um
todo harmonioso.

3.2. A Sagrada Escritura


O atual movimento catequético tem valorizado a Sagrada Escritura: “nos nossos
dias percebeu-se que a Bíblia é o livro de catequese por excelência; os textos
catequéticos lhe servem de complementação” (CR , n. 154) [grifo do original].
Portanto, não se pode conceber uma catequese que não esteja alicerçada nessa
fonte primordial da Palavra de Deus. A seguir, trataremos do uso da Bíblia e de sua
intepretação. Depois, abordaremos a animação bíblica, um tema atual, sobretudo
a partir da Verbum Domini (VD), de Bento XVI, e das proposições pastorais feitas
pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

3.2.1. Uso da Bíblia e sua interpretação


O Diretório Nacional de Catequese é o primeiro documento da Igreja que deixa
claros os objetivos do uso da Bíblia: formar comunidade de fé e alimentar a
identidade cristã (DNC, n. 108). Assim, a Bíblia não é um livro que meramente se
estuda, muito menos tem a função de ser utilizada para fundamentalismos e
disputas religiosas. O mais importante é aprender das Escrituras qual é a vontade
de Deus e como é possível responder, em comunidade, ao seu convite de amor.

A Bíblia é um livro da comunidade. A comunidade é convocada pela Palavra


(Igreja = “assembleia convocada”) e é também proclamadora da Palavra. Além
disso, a Igreja é o lugar da interpretação das Escrituras (VD, n. 29-30). A Bíblia foi
escrita no ambiente da comunidade: a liturgia, a espiritualidade e a cultura de cada
comunidade ajudaram a dar a identidade de cada livro.

As Escrituras devem ser lidas em comunhão com toda a Igreja e com a


comunidade local. Como consta na própria Bíblia, “nenhuma profecia da Escritura
é de interpretação particular” (2Pd 1,20-21). Por isso, ninguém deve tirar suas
próprias conclusões livremente. Uma autêntica leitura dos textos deve estar em
sintonia com a fé da Igreja, em comunhão com o magistério.

Outro ponto relevante sobre esse assunto é a hermenêutica (aspecto


interpretativo) proposta pelo Concílio Vaticano II (VD, n. 34). São três os principais
critérios que devem ser respeitados para uma adequada interpretação dos textos
sagrados:

 considerar a unidade de toda a Escritura, que significa não tomar textos e


versículos isolados;
 ter presente a tradição viva de toda a Igreja;
 observar a analogia da fé, o que significa que a Escritura explica a própria
Escritura, não podendo ser contrária ao corpo de verdades extraídos dela
mesma. Ou seja, é preciso considerar que existe uma unidade nos
ensinamentos da Escritura. É um absurdo, por exemplo, justificar o ódio com
base em alguns textos, já que, em sua unidade, a Bíblia ensina o amor.

Em conformidade com essa proposta de interpretação da Bíblia, é importante a


distinção entre o sentido literal e o sentido espiritual dos textos bíblicos (VD, n. 37).
O sentido literal diz respeito à intenção do autor ao escrever o texto, considerando-
se os estudos da exegese e as regras de interpretação. Já o sentido espiritual vai
além, expressando um sentido divino, mistagógico: a cura do cego se torna a cura
de nossa cegueira, a ressurreição de Lázaro se torna nossa saída do sepulcro da
escravidão, o banquete de Jesus se torna o lugar no qual todos nós podemos fazer
refeição…

O sentido espiritual é muito importante para a catequese, principalmente se o


objetivo é resgatar a catequese mistagógica. A inspiração de se buscar o sentido
espiritual vem dos Padres da Igreja (os grandes doutores, principalmente da Igreja
antiga), que, ao lerem os textos da Escritura, procuravam interpretar as várias
passagens extraindo delas os sinais de Cristo (já no Antigo Testamento) e dos
sacramentos. Sua preocupação não era científica, como é possível perceber nos
últimos séculos; eles procuravam extrair do texto bíblico seu significado para a fé e
a vida dos leitores. Mediante os textos da Bíblia, a catequese pode aproveitar o
sentido espiritual para ajudar os catequizandos a se apaixonarem pelo Senhor e
por Seu projeto.

O sentido literal é objeto de estudo do método histórico-crítico, cuja


preocupação é o contexto em que aconteceram os fatos, a historicidade do texto.
O sentido literal é importante, mas não deve opor-se ao sentido espiritual. Por
exemplo: muitas pessoas se perguntam se Adão e Eva realmente existiram, se
comeram de uma fruta, se a desavença entre Caim e Abel realmente aconteceu…
Essas perguntas não podem esconder outras questões muito mais importantes,
como, qual o sentido do pecado revelado no texto sobre Adão e Eva? Por que Caim
matou seu irmão? Ao perguntar sobre a existência de Caim, não se pode esquecer
uma questão muito mais importante: “onde está o teu irmão?” (Gn 4,9). A pergunta
divina revela algo muito maior do que a existência histórica de um personagem
chamado Caim: alerta sobre a morte de Abel, ou seja, é a Palavra de Deus que, já
em suas primeiras páginas, refere-se à responsabilidade quanto à vida do próximo,
além de reforçar o valor inviolável da vida humana.

Na exortação apostólica Verbum Domini, o Papa Bento XVI menciona a


superação da letra: “de fato, a Palavra do próprio Deus nunca se apresenta na
simples literalidade do texto. Para alcançá-la, é preciso transcender a literalidade
num processo de compreensão, que se deixa guiar pelo movimento interior do
conjunto e, portanto, deve tornar-se também um processo de vida” (VD, n. 38). O
Espírito Santo nos orienta a ter a Bíblia como um texto inspirador que guia nossa
vida para a felicidade, mediante a fé em Deus, que nos criou, que Se encarnou, que
morreu e que ressuscitou por amor. Sem Ele, o texto se torna uma lei fria, um texto
para ser estudado, um pretexto de argumentação. Por isso, é preciso ter bem
presentes as palavras de São Paulo: “a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2Cor
3,6).

Na catequese, os dois extremos devem ser evitados: a leitura arbitrária (com a


desculpa de ser uma leitura espiritual) e a leitura por demais científica do texto (sem
considerar o sentido espiritual). A catequese deve se preocupar com a mensagem
do texto, com sua aplicação na fé e na vida, considerando o conhecimento dos
estudos bíblicos. Por isso, uma formação bíblica é fundamental para os catequistas.

É muito importante que os catequistas tenham cuidado para que a Bíblia não seja
utilizada de qualquer modo. Os critérios de interpretação ajudam a evitar erros
como o fundamentalismo e o zelo agressivo (DNC, n. 111). A Bíblia, por vezes, é
uma arma na mão de pessoas tomadas de um farisaísmo absurdo, o que gera
atitudes destoantes com o espírito do Evangelho. Há também o risco de uma leitura
literalista. Por isso, é fundamental ter intimidade com a Escritura e uma
espiritualidade bíblica – a leitura da Bíblia não depende de uma boa técnica, mas
de uma mística. É necessário atentar para o risco de fazer o texto dizer o que se
quer que ele diga. O correto é deixar Deus falar.

Importante!
A catequese “tem de ser impregnada e embebida de pensamento, espírito e
atitudes bíblicas e evangélicas, mediante um contato assíduo com os próprios
textos sagrados; e recordar que a catequese será tanto mais rica e eficaz quanto
ler os textos com a inteligência e o coração da Igreja” (DGC, n. 127).

3.2.2. A animação bíblica da pastoral


Os bispos do Brasil escolheram a Palavra como tema prioritário da 48ª Assembleia
Geral da CNBB, realizada em 2010. Desde lá, prefere-se falar em animação bíblica
da pastoral, não sendo necessário haver uma pastoral bíblica específica nem
resumir a Bíblia a um instrumento de estudo.

O que se deseja é que toda a vida da Igreja, sua missão e a vida da comunidade
sejam animadas pela Bíblia. Assim, a Bíblia deve estar em tudo, perpassar todas
as pastorais e todos os movimentos. Não pode ser deixada de lado, preterida. É
preciso aprender que o ser cristão depende de um contato profundo com as
Escrituras Sagradas.

O que a Igreja do Brasil já tem feito?


Entre as iniciativas da Igreja do Brasil na direção de fomentar a animação bíblica,
destaca-se a leitura popular da Bíblia. Nesse campo, Frei Carlos Mesters é um
ícone. Seu trabalho proporcionou uma leitura mais contextualizada da Escritura,
trazendo os textos para a vida e despertando o compromisso de transformação
social. As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e os pequenos grupos de
reflexão foram os locais em que a Palavra desabrochou e se motivou a vivência da
fé cristã.

Vale ressaltar que, para que a Escritura seja efetiva na vida da Igreja, é
indispensável que o povo tenha a Bíblia nas mãos. Além do movimento de leitura
popular, outros movimentos, principalmente a Renovação Carismática Católica
(RCC), incentivaram o acesso dos católicos à Bíblia.

Ainda no âmbito da animação bíblica, muitos seminários e estudos foram


realizados, sendo inspiradores para a animação bíblica da pastoral. Nesse
contexto, dois estudos da CNBB se destacam: Crescer na Leitura da Bíblia e Ouvir
e Proclamar a Palavra: Seguir Jesus no Caminho – a Catequese sob a Inspiração
da Dei Verbum.

Algumas pistas para a animação bíblica da pastoral


Algumas iniciativas são imprescindíveis para que se obtenha êxito no processo de
animação bíblica da pastoral. Entre elas, podemos citar:

 Proporcionar o acesso à Escritura: muitos católicos ainda não têm Bíblia.


Existem muitas casas com quadros bonitos com a estampa da Escritura ou
com uma Bíblia grande em um lugar de destaque, mas nem sempre isso
significa um contato assíduo com a Escritura. A catequese de iniciação é uma
ótima oportunidade para proporcionar esse acesso.
 Usar a Bíblia em tudo: é preciso aproveitar todas as ocasiões da vida eclesial
para utilizar a Bíblia. Uma reunião de pastoral ou um encontro formativo são
ocasiões propícias para que a Palavra seja proclamada, ouvida, meditada e
transformada em vida. Urge habituar o povo a levar a Sagrada Escritura para
os encontros a fim de que tenha contato com o texto.
 Fazer da Bíblia um meio e não um fim: o texto pelo texto não serve de nada.
Aliás, uma leitura malfeita da Escritura, principalmente uma leitura
fundamentalista (sem adequada contextualização e interpretação), é um
desserviço. O Catecismo da Igreja Católica (CIC)esclarece que se trata da
“religião de uma pessoa, não [d]a religião do livro” (CIC, n. 78). Portanto, o
que interessa é o encontro com a pessoa de Jesus Cristo proporcionado pela
Escritura. A Bíblia não existe para gerar orgulho pessoal ou para aumentar a
divisão entre os cristãos, como já afirmamos.
 Criar espaços para o uso da Bíblia: os cursos bíblico-teológicos são
ocasiões privilegiadas para aprender sobre a Escritura. O mês bíblico também
é sempre uma oportunidade para aprofundar um dos livros da Bíblia em
sintonia com toda a Igreja do Brasil. É preciso incentivar e apoiar os grupos
de reflexão em família, a pequena comunidade animada pela Palavra de
Deus, para fortalecer a identidade e transformar a fé em vida.
 Incentivar a leitura orante da Bíblia: a Igreja é especialista em criar textos
para serem repetidos. Além do uso das orações, é importante dar um novo
passo: fazer da Bíblia a fonte primordial de oração pessoal e comunitária. Os
momentos de oração deveriam ser sempre realizados com base na Bíblia,
por meio da leitura do texto, por meio da repetição de alguns versículos, por
meio de preces que brotem do texto proclamado etc. Enfim, é necessário
utilizar os diversos modelos de leitura orante da Sagrada Escritura.
 Usar criativamente a Bíblia na catequese: devem ser incentivadas, na
catequese, a proclamação solene da Palavra como se faz na liturgia, a leitura
orante e as gincanas bíblicas. Seria interessante estimular a memorização de
algumas passagens bíblicas, a fim de comunicar com vigor a história da
salvação e os conteúdos da fé, de modo que os catequizandos percebam que
sua vida faz parte dessa história.

Fazer com que a Bíblia esteja nas mãos dos cristãos e a Palavra de Deus no
coração e na vida deles é tarefa urgente: “a palavra está muito perto de ti: está na
tua boca e no teu coração” (Dt 30,14; Rm 10,8). A Palavra é a fonte de
transformação da vida e das comunidades, como foi desde o início da Igreja.

Leitura complementar
Gostaria de poder transmitir, em tão pequeno texto, uma vivência catequética com
o objetivo de um conhecimento e prática do Evangelho.
Quando comecei a dar catequese (1949), na cidade de Jacarezinho (PR), a
orientação era muito escassa, não se usava a Bíblia. Só em 1983, quando surge
a Catequese Renovada, colocando a Bíblia como fonte da catequese, é que se
vislumbrou uma nova catequese. Com o estudo da Bíblia, abre-se novo horizonte.
O amor de Deus nos leva à criatividade.
Baseada na “Coleção Deus Conosco” (Lidia das Dores Defilippo) comecei a fazer
uma caminhada pelas raízes da fé, aonde a Bíblia ia sendo contada ou narrada, por
meio de uma grande árvore – “a árvore da fé”. Suas raízes indicavam os patriarcas
da fé, seu tronco a caminhada do povo de Deus até Jesus Cristo. Os catequizandos
iam pintando suas árvores de acordo com o caminhar da narrativa. Não poderei ser
mais explícita, pois me alongaria. Mas sei que, através dessa dinâmica, os
catequizandos (e os catequistas) alcançaram toda a caminhada de fé, de Abraão a
Jesus Cristo.
E assim foram aparecendo outras e mais outras ideias:

 “Em busca do reino do Amor” – uma viagem da criação do mundo à Eucaristia;


 “Leque bíblico” – para memorização do Cânon Bíblico;
 “Binguinho bíblico” – cobrança de aprendizagem;
 “Berlinda bíblica” − cobrança de aprendizagem;
 “Bíblia através de canto”;
 “Dramatização de mensagens bíblicas” – através de gravações musicais;
 “Salmo em grupo” – por meio da mímica.
Devo confessar que minha profissão de professora me auxiliou muito, utilizando
recursos didáticos de ensino. Os materiais utilizados nas dinâmicas ainda os
conservo, e estão à disposição de quem se interessar.
Posso dizer, nos meus 84 anos de vida e 63 anos de catequese, que “valeu a
pena”; essa caminhada, além de ter levado a Palavra de Deus a tantos irmãos,
ainda me fez crescer na espiritualidade, religiosidade e formação cristã.
Obrigada, Pai Amado!
Terezinha de Jesus Rocha Gallotti

Professora de Educação Física

Catequista – formadora de catequistas

3.3. A liturgia como fonte da catequese


Partimos de uma liturgia com dimensão antropológica, ou seja, consideramos ser
próprio do humano simbolizar suas experiências, desde os povos primitivos. O fato
religioso, em especial, acontece mediado pelo símbolo, pela palavra e pela
celebração. A experiência religiosa não acontece sem mediações que sejam
próprias da experiência humana. Diante disso, podemos afirmar que “aquilo que
não é celebrado não pode ser apreendido em sua profundidade e em seu
significado para a vida. A catequese leva em conta essa expressão de fé pelo rito
para desenvolver também uma verdadeira educação para a ritualidade e o
simbolismo” (DNC, n. 116).

A liturgia não é apenas uma recordação do passado, ela é a atualização da


salvação. “Pela celebração dos sagrados mistérios, a salvação torna-se hoje
presente. Por isso, a liturgia é ação sagrada por excelência, cume para o qual tende
a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, fonte da qual deriva sua força. Ela requer uma
participação plena, consciente e ativa (cf. SC 7,10,14). A catequese bebe desta
fonte e a ela conduz” (DNC, n. 117). A catequese possibilita que o catequizando
reconheça a ação salvífica no hoje de sua história na celebração litúrgica.

No passado, o catecumenato realizava um casamento harmonioso entre a


catequese e a liturgia. Hoje, é possível perceber que houve uma separação: de um
lado, a fé celebrada; de outro, a fé crida (estudada, decorada). Há uma unanimidade
sobre o fato de que a renovação catequética passa pelo resgate desse casamento:
catequese e liturgia – dois pulmões da vida cristã. “O RICA é o melhor exemplo de
unidade entre liturgia e catequese. Celebração e festa contribuem para uma
catequese prazerosa, motivadora e eficaz que nos acompanha ao longo da vida”
(DNC, n. 118).

Há um princípio fundamental que decorre do que já afirmamos: existe uma


relação mútua entre catequese e liturgia − a catequese educa para a liturgia, e a
liturgia educa na fé. A catequese educa para a liturgia (catequese mistagógica) ao
explicar os sinais, as palavras, os ritos etc. É importante esclarecer o conteúdo das
orações e o sentido dos gestos e sinais, bem como educar para o silêncio orante,
hoje substancialmente esquecido. É preciso considerar também que a liturgia é
síntese e cume da vida cristã, além de conter de modo unitário e global a mensagem
cristã. Por isso, as fórmulas litúrgicas, sobretudo as orações eucarísticas, são ricas
de conteúdo catequético, podendo ser bem utilizadas nos encontros com adultos e
até mesmo com crianças.

Preste atenção!
Não é possível que a reclamação geral entre os catequistas sobre a pouca
participação dos catequizandos na missa não suscite uma reflexão sobre a prática
pastoral. Evidentemente, a questão é ampla e a responsabilidade não é apenas dos
catequistas, mas também da comunidade e dos pais. É preciso ainda refletir sobre
a relação entre catequese e liturgia: Como os símbolos e ritos da missa são
utilizados na catequese? As celebrações têm sido verdadeiramente catequéticas,
acolhendo e despertando o interesse dos catequizandos?

Em conformidade com o que apresentamos aqui, podemos apontar iniciativas


válidas nas dioceses e paróquias que incentivam o casamento entre catequese e
liturgia: missas catequéticas (ou da catequese), subsídios catequético-litúrgicos e
celebrações catequéticas inspiradas no Ritual de Iniciação Cristã de
Adultos (RICA).

Aliás, esse documento é um ritual da Igreja com valor incomensurável, já que


indica as celebrações que acompanham a catequese de adultos, mas também
inspira celebrações em todos os espaços catequéticos. Nesse sentido, entende-se
que “os autênticos itinerários catequéticos são aqueles que incluem em seu
processo o momento celebrativo como componente essencial da experiência
religiosa cristã. É esta uma das características da dimensão catecumenal que hoje
a atividade catequética há de assumir” (DNC, n. 118).

Para saber mais


NUCAP − Núcleo de Catequese Paulinas. Mistagogia: do visível ao invisível. São
Paulo: Paulinas, 2013.

MENON, R. F. M. Itinerário celebrativo para a iniciação cristã: crianças e


adolescentes. Curitiba: Arquidiocesana, 2010.

Sobre a segunda indicação, destacamos que algumas dioceses utilizam um álbum


catequético, experiência surgida no Paraná. A Arquidiocese de Curitiba foi pioneira
na publicação de um itinerário celebrativo. Esse subsídio contém celebrações a
serem realizadas na catequese de crianças e adolescentes. Elas estão divididas
em três grupos:
1. Momentos celebrativos para cada uma das etapas da iniciação cristã,
bem como para a preparação próxima aos sacramentos: são
celebrações que resgatam os temas do itinerário temático. Tais celebrações
podem envolver várias turmas de uma mesma etapa ou somente o
catequista e seus catequizandos; é possível também envolver os pais e
outras pastorais, de acordo com cada realidade e com a vivência de cada
comunidade paroquial.
2. Celebrações de entrega (festas): são celebrações de caráter público,
expressão do compromisso pessoal perante a comunidade, como aceitação
do dom gratuito do próprio Deus e manifestação de agradecimento. Assim,
devem ser celebrações eucarísticas, como sinal de caminho eclesial, com a
participação da assembleia, diante da qual são feitas as entregas:
da Palavra de Deus, do Pai-Nosso, do Credo, da Cruz e das Bem-
Aventuranças.
3. Celebrações próximas: antes de o catequizando receber a primeira
comunhão ou receber o sacramento da Confirmação, propõe-se
uma preparação próxima, ou seja, um tempo mais intenso de
aprofundamento sobre o sacramento que será celebrado. Nesse tempo,
preferencialmente na Quaresma, existem celebrações próprias, inspiradas
no Ritual de Iniciação Cristã de Adultos.

3.4. Catequese e catecismo


A Igreja Católica tem um catecismo universal, com a síntese da mensagem cristã,
o Catecismo da Igreja Católica (CIC).

Como já afirmamos, a catequese não é a mera repetição fria do catecismo.


Embora esse documento não se limite à linguagem conceitual, ele poderia ser
utilizado de modo inadequado na catequese. Assim, é importante frisar que
o Catecismo da Igreja Católica:

 não deve ser usado para uma catequese doutrinária;


 não deve favorecer a catequese da “decoreba”;
 não deve reprimir as iniciativas locais, substituindo os textos pedagógicos.

Trata-se de um livro referencial, que traz contributos importantes para a


catequese, visto que é referência para os catecismos locais. É material de consulta
habitual e que oferece uma síntese da mensagem cristã.

Acima de tudo, esse documento é a referência do conteúdo da mensagem cristã


que deve ser trabalhado na catequese. Para tanto, é preciso ter clareza do modo
como o catecismo é organizado (Quadro 3.1).

Quadro 3.1 – Organização do Catecismo da Igreja Católica


Seção I A profissão da fé: a revelação de Deus e a resposta do homem
PARTE I
Seção A fé em um só Deus: Pai Criador, Jesus Cristo Salvador e o Espírito Santo, na
II Santa Igreja

Seção I Os sacramentos da fé: economia sacramental


PARTE II
Seção
Os sete sacramentos
II

Seção I A vida da fé: a vocação do homem: a vida no Espírito


PARTE
III Seção
Os dez mandamentos
II

Seção I A oração na vida da fé: a vida de oração


PARTE
IV Seção
O Pai-Nosso
II

Considerando-se os temas contemplados no documento, delineiam-se duas


consequências para a catequese:

1. O conteúdo da catequese de iniciação à vida cristã deve seguir os quatro


grandes pilares da mensagem cristã (crer, celebrar, viver e orar), nos
moldes do catecismo. Uma boa catequese, portanto, não deve prescindir
dos artigos do Credo, dos sete sacramentos, dos mandamentos, das Bem-
Aventuranças e dos artigos do Pai-Nosso. É assim que a catequese segue
a exigência de integridade e hierarquia de verdades que mencionamos na
primeira seção deste capítulo.
2. Os quatro pilares (crer, celebrar, viver e orar) são também tarefas
fundamentais da catequese (DGC, n. 85). O Novo Testamento atesta essas
mesmas dimensões: “Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos
apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42).

A seguir, vejamos quais são as quatro tarefas que decorrem dos quatro pilares.

Primeira tarefa: favorecer o conhecimento da fé


Há uma relação entre o conhecimento da fé e a adesão de fé, ou seja, entre o
conteúdo e a experiência, sendo ambos importantes.

O conhecimento da fé (fides quae) é exigência da adesão à fé (fides qua). Já


na ordem humana, o amor por uma pessoa leva a desejar conhecê-la sempre
mais. A catequese deve levar, portanto, a compreender progressivamente toda
a verdade do projeto divino, introduzindo os discípulos de Jesus Cristo no
conhecimento da Tradição e da Escritura, a qual é a “eminente ciência de Jesus
Cristo” (Fl 3,8). (DGC, n. 85)

A fé não é cega, mas é iluminada pela razão. De fato, a vivência cristã pode se
tornar muito fragilizada ou superficial se não houver a compreensão dos principais
itens da fé. É preciso que o cristão saiba “dar razões de sua esperança” (1Pe 3,15),
para que haja um testemunho eficaz de Cristo para o mundo.

Segunda tarefa: a formação litúrgica


A fé conhecida passa a ser celebrada. Já afirmamos na seção anterior que a liturgia
ocupa lugar de destaque na catequese, sobretudo no intuito de que se aprenda o
significado dos símbolos e dos ritos, que, por si sós, já são altamente pedagógicos
(DGC, n. 65-69).

Terceira tarefa: a formação moral


“A conversão a Jesus Cristo implica o caminhar na sua sequela. A catequese deve,
portanto, transmitir aos discípulos as atitudes próprias do Mestre” (DGC, n. 85). A
catequese não pode atingir somente o intelecto; acima de tudo, deve atingir o
coração e a vida. Ela não apenas ensina verdades, mas é caminho de discipulado.
Para tanto, há o Sermão da Montanha de Jesus e o próprio Decálogo como fontes
ainda extremamente atuais para uma referência moral.

Quarta tarefa: ensinar a rezar


A catequese, por fim, educa para a oração, mas não somente ensinando teorias a
respeito da oração. Ela conduz o catequizando para uma experiência do Deus
amor.

Quando a catequese é permeada por um clima de oração, o aprendizado de


toda a vida cristã alcança a sua profundidade. Este clima se faz particularmente
necessário quando o catecúmeno e os catequizandos encontram-se diante dos
aspectos mais exigentes do Evangelho e se sentem fracos, ou quando
descobrem, admirados, a ação de Deus na sua vida. (DGC, n. 85)

A oração do Pai-Nosso ensina que Deus é um Pai amoroso que deseja a


realização do Seu Reino entre nós. Todos os encontros catequéticos devem ter
esse espírito, todo tema catequético pode ser transformado em oração.

Síntese
Neste capítulo, destacamos que a mensagem cristã é uma proclamação viva do
amor de Deus revelado em Jesus Cristo, não se tratando de mera doutrina. Por
isso, o termo mensagem é mais adequado do que o termo doutrina. A catequese
transmite sua mensagem alicerçada na Palavra de Deus.
Sua primeira fonte é a Sagrada Escritura, livro, por excelência, da catequese. A
Bíblia deve ser lida, sobretudo, de modo orante e ser interpretada de acordo com
as orientações da Igreja.

Outra fonte para a catequese é a Sagrada Tradição, com destaque para a liturgia
e para o catecismo, dois pilares importantíssimos para sustentar a catequese. A
liturgia constitui-se em fonte e objetivo da catequese: a boa relação entre catequese
e liturgia é uma das grandes pautas do atual contexto evangelizador. O catecismo,
por sua vez, é texto de conteúdo e de referência.

Indicações culturais
LÉO, L. Rei da palavra. Intérprete: Leandro Léo. In: LÉO, L. Parto. São Paulo: Som
Livre, 2014. Faixa 14.

A canção refere-se à importância do silêncio: há sentido no calar, há uma


proclamação divina oculta nos silêncios da história. A canção sugere que
mesmo o rei da palavra por vezes deve saber se calar, o próprio Deus por vezes
Se cala.

Atividades de autoavaliação
1. “A fonte na qual a catequese busca a sua mensagem é a Palavra de Deus”
(DNC, n. 105).

O Diretório Nacional de Catequese apresenta alguns critérios para o


anúncio da mensagem cristã. A respeito desse tema, analise as afirmativas
a seguir:

1. A catequese deve ter Cristo como centro e anunciar a Boa-Nova do


Reino e a salvação.
2. Para uma compreensão completa da fé, é necessário levar em
consideração o contexto cultural em que se está inserido e o que se
pretende evangelizar.
3. Na mensagem cristã, não há hierarquia de verdades. Todas as
afirmativas ditas são de mesma importância e relevância.
4. No anúncio da mensagem, é importantíssimo desvincular a Igreja da
mensagem, para não perder assim seu caráter eclesial.

Estão corretas:

5. apenas as afirmativas I e III.


6. apenas as afirmativas I, II e III.
7. apenas as afirmativas II e IV.
8. apenas as afirmativas I e II.
9. apenas as afirmativas I e IV.
2. “A Palavra de Deus. O Espírito Santo lembra à assembleia litúrgica, em
primeiro lugar, o sentido do acontecimento salvífico, dando vida à Palavra
de Deus, que é anunciada para ser recebida e vivida” (CIC, n. 1100) [grifo
do original]. A respeito do Catecismo da Igreja Católica, classifique as
afirmativas a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F):
1. É um documento fundamental para a catequese, por isso deve ser
sempre consultado.
2. Deve ser utilizado no ensino de doutrinas, aspecto importante da
catequese.
3. Não é necessário conhecer a organização do catecismo, já que,
independentemente do modo como é lido, sempre traz
contribuições.
4. O catecismo proporciona a todos os cristãos uma síntese da
mensagem cristã e seus ensinamentos.

Assinale a alternativa correta:

5. V, V, F, V.
6. V, F, F, V.
7. V, F, F, F.
8. F, F, F, V.
9. F, V, V, V.
3. A respeito do uso da Bíblia e sua interpretação na catequese, é correto
afirmar:
1. Para compreender a Sagrada Escritura, é necessário considerar
apenas um trecho escolhido para leitura, sem prestar atenção em
sua unidade.
2. Interpretar a Bíblia no sentido literal significa entendê-la de maneira
mistagógica, com os olhos da fé.
3. Para uma boa compreensão de um texto bíblico, é importante
considerar a unidade de toda a Escritura e a tradição da Igreja
Católica.
4. O sentido espiritual, na interpretação da Sagrada Escritura, diz
respeito à intenção do autor em escrever o texto e ao contexto em
que os fatos aconteceram.
5. Para uma boa interpretação dos textos bíblicos, basta levar em
consideração o sentido literal do texto, pois é ele o responsável
pelo conteúdo teórico e mistagógico.
4. “O Sínodo [de 2008] convidou a um esforço pastoral particular para que a
palavra de Deus apareça em lugar central na vida da Igreja, recomendando
que ‘se incremente a pastoral bíblica, não em justaposição com outras
formas da pastoral, mas como animação bíblica da pastoral inteira’” (VD, n.
73).

Sobre a animação bíblica da pastoral, analise as afirmativas a seguir:


1. É necessário utilizar a Bíblia nos encontros comunitários. Somente
pelo contato e pela habitualidade se consegue intimidade com a
Palavra de Deus.
2. Na catequese, a Palavra de Deus deve ser utilizada sempre de
maneira formal, sendo objeto de leituras solenes e literais e
reverenciada com o devido respeito.
3. A leitura orante vem sendo cada vez mais incentivada nas
comunidades, pois permite que a Bíblia se torne fonte primordial de
oração pessoal e comunitária.
4. Aprender sobre a Sagrada Escritura é algo bastante distante da
nossa realidade. Não há incentivos para sua compreensão em
grupos de reflexão (pequenas comunidades), pois são lugares de
exclusiva ideologia de libertação.

Estão corretas:

5. apenas as afirmativas I e III.


6. apenas as afirmativas I, II e III.
7. apenas as afirmativas II e III.
8. apenas as afirmativas I e II.
9. apenas as afirmativas I e IV.
5. A respeito das tarefas fundamentais da catequese, assinale a alternativa
correta:
1. A formação litúrgica não é destaque na catequese. A fé não precisa
ser celebrada.
2. A catequese deve ser ensino de verdades e doutrinas − formação
da fé.
3. A catequese deve fornecer subsídios para que o catequizando
possa compreender a verdade do projeto divino − discipulado.
4. O principal objetivo da catequese é conduzir os catequizandos aos
sacramentos de iniciação cristã.
5. A catequese é responsável somente pelo ensino de teorias sobre
as orações.

Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1. Estabeleça uma relação entre a mensagem da música “Rei da palavra” e a
importância de uma mensagem catequética que, como mencionamos neste
capítulo, acontece distante dos conceitos formais − ocorre pela escuta da
Palavra de Deus. Como a Palavra de Deus pode ser escutada hoje? Existe
silêncio suficiente para que haja essa escuta tão importante?
2. Produza um texto em que você expresse sua opinião sobre os espaços de
escuta da Palavra na atualidade.
Atividade aplicada: prática
1. Procure desenvolver uma relação mais assídua com a Bíblia. Faça a
experiência de realizar um momento de leitura orante diário: ler um texto,
meditar, silenciar e, por fim, fazer sua prece com base na Palavra lida. Antes
de fazer sua oração, convém pedir as luzes do Espírito Santo.

4 A pedagogia catequética

Neste capítulo, trataremos da dimensão pedagógica da catequese. Por vezes, a


catequese é entendida com base em sua dimensão de conteúdo, como enfocado
no capítulo anterior. É preciso, entretanto, considerar que ela também é uma ciência
prática, ou seja, é também um exercício concreto, sobretudo relacional: diz respeito
ao relacionamento com Deus e com o próximo. Em primeiro lugar, mostraremos
como a pedagogia divina inspira o modo de ser da catequese. Depois, abordaremos
seu aspecto metodológico. Encerraremos o capítulo com o estudo da preparação
do encontro catequético, pois é a tarefa mais continuada dos catequistas de base
e a intenção aqui é estabelecer uma boa relação entre a catequética e sua prática
concreta nas comunidades.

4.1. A pedagogia divina e a pedagogia


catequética
A pedagogia catequética se inspira na pedagogia divina. O mais importante é
respeitar o modo de Deus revelar Sua vontade e Sua pessoa. A catequese,
mediadora da Palavra divina, que inclui Seu agir, deve ser coerente com seu modo
de proceder. Analisaremos a seguir como Deus age, como é a ação do Pai, do Filho
e do Espírito Santo. Também examinaremos como é a ação da Igreja e qual é a
especificidade da pedagogia da féi.

4.1.1. A ação de Deus na história


“Aprouve a Deus na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a
conhecer o mistério da sua vontade (Ef. 1,9)” (DV, n. 2). Deus é um Pai amoroso
que comunica Seu ser em Seu agir. Deus fez história com Seu povo, escolheu-o,
fez aliança com ele, caminhou sempre com esse povo ao longo de alegrias e
tropeços. Algumas vezes, Sua ação foi comunicativa de Seus desígnios; outras
vezes, agiu como aquele que corrige. Em ambos os casos, entretanto, sempre agiu
com paciência, com misericórdia: “Reconhece, pois, em teu coração que, como um
homem corrige o seu filho, assim te corrige o Senhor teu Deus” (Dt 8,5). A sabedoria
divina vai ao encontro das necessidades humanas, clarificando a história de Seus
filhos (Sl 103,3-6). Deus cura, liberta do mal e educa no amor.

Deus é educador e comunica-se com o povo por meio dos acontecimentos na


vida desse povo, de acordo com as condições de compreensão das pessoas e a
situação social e cultural em que se encontram. A pedagogia catequética tem como
elementos de destaque a narratividade e a dimensão celebrativa, de modo que os
ensinamentos do Senhor, de geração em geração, sejam transmitidos ao povo
sedento de Sua palavra e de Seu amor (cf. Ex 24,10; Dt 5,2-4; Js 24,17; Is 51,1b).

4.1.2. O modo de proceder de Jesus


Jesus continua a pedagogia do Pai. Agora Ele mesmo é a Palavra divina
encarnada, ou seja, configura-se a plenitude de toda a revelação, pois a percepção
da ação divina é imediata: Jesus revela quem deve ser o ser humano em sua mais
sublime vocação (GS, n. 22). Para anunciar Seu plano de salvação a cada ser
humano, Jesus manifestou Seu Reino por palavras e obras, conduzindo Seus
interlocutores ao amor misericordioso de Deus.

A catequese se inspira em alguns traços da pedagogia de Jesus:

 Acolhida de todos, sobretudo dos pobres e dos pecadores (cf. Mt 18,12-14).


 Reino, palavra que sintetiza a vontade de Deus; mundo novo de justiça, paz,
amor, salvação, felicidade… (cf. Lc 4,17-22; 17, 20-21); para que todos vivam
o amor como mandamento principal (cf. Jo 13,34; Lc 10,29-37).
 Convite amoroso para viver na fé, na esperança e no amor o caminho de
conversão constante (cf. Mc 1,15; Mt 11,28-30).
 Envio dos discípulos para que continuem Sua missão (cf. Mc 6,6b-13);
 Inculturação: Jesus assumiu a cultura e os valores próprios do contexto e da
época em que nasceu e viveu; assim, comunicou-se de um modo acessível:
linguagem simples, parábolas, narrativas e imagens bem compreensíveis por
seu povo.
 Firmeza: Jesus deixou claro que a vida é cheia de tentações e cruzes e, por
isso, o seguimento implica carregar a cruz, com o sustento da oração.

4.1.3. A ação do Espírito Santo


O Espírito Santo é o mestre interior que, no íntimo do coração, nos faz
compreender as palavras e os gestos divinos. Somente pelo Espírito Santo a Igreja
pode realizar sua missão catequética (CT, n. 72). Ele também é o ruah, ou seja, o
sopro, a respiração, o ar, o vento. O Espírito é o hálito de Deus, o sopro divino que
nos move, do mesmo modo que o vento, que tem seu dinamismo, e o ar, que nos
anima a vida.

Necessitamos de uma Igreja do Espírito, que não se oponha à Igreja institucional,


mas impregne todas as suas partes e estruturas com a força de Deus. Uma Igreja
sem o Espírito valoriza a imposição, o rigorismo, a intransigência.

Pela presença do Espírito, a catequese desperta para a escuta silenciosa; é


conduzida pelo sopro divino por caminhos coerentes. Pela ação do Espírito, a
catequese se transforma em fonte de paz, de alegria e liberdade.

4.1.4. A originalidade da pedagogia da fé


Conforme o Diretório Nacional de Catequese (DNC),

A pedagogia catequética tem uma originalidade específica, pois seu objetivo é


ajudar as pessoas no caminho rumo à maturidade na fé, no amor e na
esperança. A fé é um dom de Deus, é uma adesão pessoal a Ele. É a resposta
livre da pessoa à iniciativa de Deus que se revela. Para isso, Deus se serve de
pessoas, grupos, situações, acontecimentos. A Igreja é mediadora neste
encontro misterioso entre Deus e a pessoa humana. E, em seu nome, os
catequistas sentem a responsabilidade de serem mediadores especiais para
que catecúmenos e catequizandos cheguem ao conhecimento da verdade e da
salvação (cf. 1Tm 2,4; Tt 1,1). (DNC, n. 146)

Assim, os catequistas precisam ter uma atitude de humildade. Embora eles sejam
mediadores, não podem esperar resultados pragmáticos. O despertar e o
aprofundamento da fé são mistérios – são diferentes em cada pessoa humana e,
acima de tudo, dependem da resposta livre de cada um. Por isso, é importante
sempre ter em mente que Jesus nos convidou a lançar a semente, não a colher,
pois a colheita é uma tarefa de exclusividade divina.

Importante!
Em síntese, a catequese:

 Inspira-se na pedagogia de Deus Pai: ao revelar Deus na história dos


catequizandos, com paciência, sabedoria, bondade e correção.
 Inspira-se na pedagogia de Jesus: ao revelar o Reino de Deus de um modo
inculturado, atentando-se ao modo simples e acessível de Jesus catequizar.
 Inspira-se na pedagogia do Espírito Santo: ajudando os catequizandos na
escuta da voz que fala ao coração, deixando-se conduzir, fazendo com que suas
estruturas não sejam rígidas, mas cheias da suavidade do Espírito Santo de Deus.
 Respeita o mistério da fé: respeitando a individualidade de cada pessoa em
sua relação misteriosa com Deus, em sua liberdade.

4.2. Metodologia catequética


Ao tratarmos do tema metodologia, a primeira pergunta com a qual nos deparamos
é: O que é método? Para respondermos a essa questão, podemos recorrer à
etimologia da palavra método, de origem grega: meta significa “finalidade”,
“objetivo”, “onde chegar”; já odos significa “caminho”, “itinerário”, “processo”.
Portanto, método é o caminho, o modo como se chega a determinado objetivo.

Na catequese, esse caminho é escolhido ao longo de um processo, realizado


passo por passo, respeitando-se a caminhada das comunidades, dos
catequizandos, mas, antes de tudo, mantendo-se fiel ao método que a Igreja
propõe. A Igreja incentiva “catequistas e formadores de catequistas a consagrarem
parte de seu tempo ao estudo dos métodos mais adequados, evitando a tentação
do empirismo, da improvisação, talvez do desleixo” (CR, n. 110).

Já mencionamos que, primeiramente, existe uma pedagogia, um modo geral de


realizar a ação. Essa ação mais ampla é a pedagogia catequética, que se inspira
no modo de proceder de Deus.

O método, por sua vez, seguindo as características da pedagogia catequética, é


o caminho que contém os passos que serão adotados para se atingir uma
finalidade. O caminho será sempre o mesmo: o caminho pedagógico da Igreja. O
modo de realizar tal caminhada, o instrumento de transporte, é a metodologia.

É importante não confundir método com técnicas e recursos. Estes dois últimos
fazem parte da didática. Ora, a didática catequética está mais relacionada à ação
educativa, um elemento importante do encontro catequético. A catequese, no
entanto, é mais ampla. Inspirando-se na pedagogia divina, a catequese tem optado,
entre outros métodos, pela metodologia catecumenal (da qual tratamos no Capítulo
1) e pelo método ver-iluminar-celebrar-agir. Este último pode integrar-se facilmente
ao método catecumenal.

4.2.1. Método ver-iluminar-celebrar-agir


No contexto latino-americano, o método ver-iluminar-celebrar-agir é o mais
popular. Trata-se de um método que decorre do conhecido método ver-julgar-agir,
da Ação Católica. No âmbito da catequese, esse método sofreu algumas
alterações, sobretudo pela inclusão do aspecto celebrativo. O método se inspira na
passagem dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35). A mística do Ano Catequético
Nacional (ACN), em 2009, ajudou a entender melhor esse método, fazendo
aplicações diretas com base na perícope que narra a caminhada de Jesus com os
dois discípulos.

Primeiro passo: Ver – Jesus se aproxima, caminha e escuta


Aproximar-se e escutar foi a primeira atitude de Jesus quando encontrou os dois
discípulos retornando para Emaús (cf. Lc 24,15-24). Esta é a primeira atitude do
catequista: ver a realidade, conhecer seus catequizandos, saber quais são suas
preocupações.

A fé não é algo pronto e acabado, mas um processo. Como Jesus e o povo da


Bíblia, somos peregrinos em nossa vida cristã, crescendo e conduzindo os irmãos
à maturidade da fé em Cristo (ACN, n. 18-22).

Jesus começou escutando as perguntas dos discípulos. Entretanto, indo contra


esse exemplo, por vezes, “damos respostas sem ouvir as perguntas” (ACN, n. 30).
É preciso escutar os interlocutores (catequizandos), oferecendo a eles uma Palavra
viva e relevante.

Olhando para a realidade, constatamos que existem muitos desafios para a


evangelização nos dias atuais (ACN, n. 40-47). A catequese sempre partirá da
pergunta sobre a situação de seus interlocutores, pois só assim haverá verdadeiro
eco no coração dos catequizandos.

Segundo passo: Iluminar – Ele nos revela as Escrituras


Jesus narrou acontecimentos das Escrituras para iluminar a vida dos discípulos e
fez com que eles vissem a realidade com um novo olhar (cf. Lc 24,25-27). O
catequista é aquele que transforma o desânimo e a tristeza pelo anúncio da
Palavra, que muda as atitudes daqueles que a acolhem.

É preciso anunciar Jesus como resposta para todos os problemas humanos, pois
“o mistério do ser humano só se torna claro no mistério do Verbo que se encarnou”
(ACN, n. 54; GS, n. 22).

A catequese se faz com a Bíblia nas mãos. É preciso incentivar a prática da leitura
orante, como um caminho eficaz para propiciar intimidade com as Escrituras (ACN,
n. 65).
Terceiro passo: Celebrar – Ao partir o pão, eles O reconheceram
A Palavra abrasou o coração dos discípulos, despertando neles o desejo de
permanecer com Jesus: “Fica conosco!”. O Senhor partiu o pão e eles O
reconheceram. “Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho,
quando nos explicava as Escruituras?” (Lc 24,32).

A Palavra despertou o reconhecimento de Jesus no partir do pão. É preciso, pois,


enaltecer a importância do domingo como dia de encontro com o Senhor e de
encontro da comunidade. É nesse dia que partimos o pão e reconhecemos
novamente a presença do Senhor (ACN, n. 74-84).

A catequese deve valorizar os momentos celebrativos como momentos fortes de


interiorização da fé (ver Capítulo 3 deste livro). A catequese bebe da liturgia e
conduz, mistagogicamente, à celebração dos sacramentos.

Quarto passo: Agir – Eles retornaram ao caminho


O coração aquecido e a certeza da presença do Ressuscitado impulsionaram a
missão: os discípulos refizeram o caminho para anunciar aos irmãos a alegria da
ressurreição (cf. Lc 24,28-35). A Palavra e a Eucaristia são graças que despertam
para a missão. Os discípulos caminham na mesma estrada, mas agora em sentido
diferente.

A catequese leva os catequizados a viver a Palavra, a seguir o caminho. Leva-


os, sobretudo, à missão no mundo, ao testemunho, ao anúncio. Assim, ela
necessita de atividades que ajudem os catequizandos a realizar a experiência
evangélica na prática. É preciso trilhar o mesmo caminho da catequese, da pastoral
em geral, mas sempre encontrando novo sentido, novo vigor, novas práticas.

4.2.2.Princípio de interação entre fé e vida: base para o


itinerário catequético
O documento Catequese Renovada (CR) enuncia que toda ação catequética deve
ser perpassada pelo princípio de interação entre fé e vida:

De um lado, a experiência da vida levanta perguntas; de outro, a formulação da


fé é busca de explicitação das respostas a essas perguntas. De um lado, a fé
propõe a mensagem de Deus e convida a uma comunhão com ele, que
ultrapassa a busca e as expectativas humanas; de outro, a experiência humana
é questionada e estimulada a abrir-se para esse horizonte mais amplo. (CR, n.
113)
Duas dimensões que se encontram, dialogam: de um lado, a vida humana − seja
no âmbito da pessoa, seja no âmbito da comunidade ou da sociedade − levanta
questionamentos, desafios etc.; de outro lado, o conteúdo da fé propõe respostas
à realidade.

O grande desafio é não “recair em novos dualismos


[…] vida e Evangelho, experiência e doutrina, humano e divino. Ao contrário,
deve ser ressaltada a unidade profunda do plano de Deus” (CR, n. 116) [grifo do
original]. Não importa se o ponto de partida é a realidade ou a Palavra, aqui a ordem
não é unilateral. O que importa é que o dado da fé ilumine a vida e a vida interpele
o dado da fé.

O princípio de interação entre fé e vida faz com que a catequese supere a


mentalidade intelectualista. O catequista, por vezes, é reduzido a um professor, e
os encontros catequéticos, com frequência, são entendidos como aulas de
exposição de um conteúdo baseado no manual (livrinho). Além disso, essa
mentalidade faz com que o ano catequético seja baseado no ano escolar e que o
foco seja a conclusão de uma etapa de anos ou o término de um conteúdo;
costuma-se dizer: “vencer o livro de catequese”. É preciso deixar de lado os planos
meramente focados nos conteúdos da fé para elaborar um itinerário amplo, que
supere os tradicionais planos de aula.

O Diretório Nacional de Catequese indica o caminho de operacionalização do


princípio de interação entre fé e vida,

sugerindo um novo modo de organizar o processo catequético: não mais como


os tradicionais planos de aulas, mas através de um roteiro de atividades
evangélico-transformadoras. É um itinerário educativo, que vai além da
simples transmissão de conteúdos doutrinais desenvolvidos nos encontros
catequéticos. Esses roteiros contemplam um processo participativo de acesso
às Sagradas Escrituras, à liturgia, à doutrina da Igreja, à inserção na vida da
comunidade eclesial e a experiências de intimidade com Deus. (DNC, n. 152)
[grifo do original]

Assim, deve-se entender que a catequese não depende do ano escolar e não se
limita ao momento dos encontros. O manual é um roteiro que ilumina todas as
atividades catequéticas, que ultrapassam a exposição de conteúdos. No itinerário
catequético podem ser incluídos: participação na liturgia, atividades com os pais ou
responsáveis, retiros, momentos celebrativos, celebrações de entrega, atividades
mais intensas próximas ao recebimento dos sacramentos de iniciação, trabalhos
sociais, trabalhos na comunidade, maratonas bíblico-catequéticas, visitas
às pastorais, entre outras ações. O objetivo é formar pela ação, fazendo do
catequizando um cristão inserido na vida da comunidade e na sociedade.

A Igreja do Brasil instituiu e tem incentivado o Plano de Atividades Evangélico-


Transformadoras (Paet). O plano consiste na organização da catequese com base
em um itinerário de atividades que levam a pessoa à vivência cristã em comunidade
e ao comprometimento com a sociedade. Assim, concretiza-se o princípio de
interação entre fé e vida, como mostramos.

4.2.3. Elementos do itinerário catequético


Toda autoridade me foi dada sobre o céu e sobre a terra. Ide, portanto, e fazei
que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do pai, e do
filho e do espírito santo, e ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei… eis
que eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

(Mt 28,18-20)

A Igreja nasce missionária pelo mandato do Senhor, que envia seus apóstolos para
a realização de uma tríplice tarefa:

1. fazer discípulos: convite para que todos se tornem seguidores, pessoas


comprometidas com um novo modo de agir;
2. batizar: elemento sacramental da vida cristã;
3. evangelizar: proclamação da Palavra, ensino e exortação.

Obediente a esse tríplice mandato do Senhor, o cristianismo apostólico


alimentava dimensões que obedeciam a uma totalidade de vida cristã. A
comunidade descrita no livro dos Atos dos Apóstolos mantinha-se fiel aos
ensinamentos dos apóstolos (escuta atenta da Palavra), à busca de uma vida de
comunhão e às orações e celebrações da comunidade (a fração do pão designa a
celebração eucarística): “Eles se mostravam assíduos ao ensinamento dos
apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42). Nessa
linha, assim se expressa o Concílio Vaticano II: “Pregando o Evangelho, a Igreja
atrai à fé e à confissão da fé os ouvintes, dispõe-os ao Batismo, arranca-os da
escravidão, do erro e incorpora-os a Cristo, para que através da caridade, cresçam
até à plenitude” (LG, n. 17).

Portanto, toda atividade pastoral (o que inclui a catequese) tem três eixos:
pastoral da Palavra, pastoral dos sacramentos e pastoral da caridade. Tal
sistematização corresponde à missão de Cristo como profeta,sacerdoteepastor e
ao tríplice múnus da Igreja de ensinar,santificar egovernar (LG, n. 17; CD, n. 12-
16; PO, n. 4-6). Toda pessoa batizada participa dessa missão profética, sacerdotal
e régia, seguindo o Cristo, que igualmente viveu essa tríade. Esses três elementos
constitutivos da vida cristã estão profundamente unidos. Assim, a fé professada
(anunciada pelo ministério profético) pela Igreja é a mesma fé celebrada: “lex
orandi, lex credendi” (CIC, n. 1124).

A catequese, igualmente, pode organizar toda a sua atividade, seus itinerários,


de acordo com essa tríade. Não estamos nos referindo apenas ao encontro
catequético (do qual trataremos logo a seguir), mas à organização catequética,
sobretudo na comunidade (voltaremos ao assunto no Capítulo 6). Qualquer âmbito
de organização catequética deve estar baseado nessas três dimensões, pois a
catequese hoje não é entendida como algo isolado, mas como uma ação
abrangente, ou seja, uma atividade que oferece a experiência integral da vida cristã.
Além disso, é desse modo que a catequese se apresenta no contexto de pastoral
orgânica.

Quadro 4.1 – Itinerário catequético

PALAVRA CELEBRAÇÃO AÇÃO

Ide fazer discípulos Batizando-os E ensinando-os a observar

Cristo Profeta Cristo Sacerdote Cristo Rei-Pastor


Múnus de ensinar Múnus de santificar Múnus de governar

Que práticas catequéticas Que práticas catequéticas se


Que práticas catequéticas se ocupam
se ocupam da proclamação ocupam da celebração do
do agir cristão e da missão?
da Palavra de Deus? mistério?

Atividades missionárias, participação


Encontros catequéticos, Missas catequéticas, itinerário
nas pastorais, visitas sociais, trabalhos
formações, gincanas, celebrativo, sacramentos da
ecológicos, participação na festa do
exposições catequéticas etc. iniciação cristã etc.
padroeiro etc.

O Quadro 4.1 sintetiza a organização da atividade catequética baseada na tríade descrita


anteriormente.

4.3. Preparação do encontro catequético


iUm bom encontro catequético depende não apenas de um catequista dinâmico.
Por vezes, utiliza-se a dinâmica pela dinâmica, as técnicas ou os recursos como
fins em si mesmos. O carisma e a dinamicidade do catequista devem estar
alicerçados em sua mística. Antes de tudo, o catequista é uma pessoa de oração,
que faz seu encontro brotar de sua experiência com Deus, da leitura da realidade
alicerçada na Palavra de Deus.

Um encontro deve sempre ser preparado, mesmo que o catequista tenha absoluta
certeza de que está pronto, de que pode improvisar. A prática catequética não
acontece no improviso.

Vejamos alguns itens indispensáveis aos encontros. A intenção não é fazer a


proposição de uma ordem lógica, pois a ordem pode variar de acordo com o
contexto, com a criatividade do catequista e com o momento. O importante é que
os elementos fundamentais do encontro catequético sejam contemplados. O que
se segue pode ser adaptado para a catequese de crianças e de adultos:

1. Ambiente: é interessante sempre haver a confecção de um cenário


inspirado no tema do encontro, considerando-se, em especial, o
aspecto mistagógico (simbologias, principalmente símbolos cristãos,
litúrgicos ou até devocionais).
2. Acolhida: um bom encontro sempre depende de uma boa acolhida
por parte do catequista. Isso é algo natural, está relacionado ao
carisma do evangelizador, mas pode também estar previsto na
elaboração do encontro. Podem ser observadas algumas sugestões
de como “quebrar o gelo”.
3. Texto bíblico: é fundamental que todo encontro catequético tenha
fundamentação bíblica. Há várias formas de trabalhar o texto: jogral,
proclamação solene no ambão (como na missa), teatralização e uso
de figuras. O melhor de todos os caminhos (e este poderia estar
associado aos outros) é a leitura orante. Obviamente, em um
encontro que, em geral, não passa de 90 minutos, não é possível
fazer longas e enfadonhas leituras orantes.
4. Apresentação do tema: é importante que o catequista sempre
transmita uma mensagem. Seu encontro não deve ser uma palestra,
uma pregação, um monólogo; é fundamental que, com base no texto
Bíblico, o conteúdo seja desenvolvido de forma dinâmica, criativa.
Um bom caminho é promover um diálogo com os catequizandos.
Atividades lúdicas podem auxiliar nesse quesito.
5. Atividades: elas favorecem o processo de ensino-aprendizagem.
Não se deve ficar fixado em atividades escritas, pois há o risco
de transformar a transmissão da fé em um amontoado de tarefas que
lembram as disciplinas mais trabalhosas da escola. As atividades
podem ser lúdicas, coloridas, criativas. O melhor é que ultrapassem
a questão intelectiva, configurando-se como uma ação
transformadora, que gere envolvimento na comunidade e na
sociedade.
6. Oração/Celebração: a oração não é um adendo fraco que se
localiza no começo e no fim do encontro. É preciso ir além das
fórmulas pronunciadas mecanicamente. Deve-se educar o
catequizando para a oração. É melhor quando esta acontece na
espontaneidade ou quando é associada a algum gesto ou símbolo.
Às vezes, podem ser incluídas verdadeiras celebrações nos
encontros, sempre associando o que se reza, o que se celebra, ao
que é trabalhado como conteúdo. A oração, como já afirmamos,
pode brotar da leitura da Palavra (leitura orante).
7. Ligação da fé com a vida: é necessário que o encontro apresente
formas para aplicação do tema trabalhado na vida cotidiana. Já
mencionamos que a catequese deve levar à ação de um modo
concreto; esta não deve ser apenas uma indicação do catequista. O
itinerário do ano deve contemplar atividades evangélico-
transformadoras: visitas missionárias e sociais, participação nas
pastorais etc.

Dicas (em síntese)


 Utilizar a Bíblia como fonte de oração: é fundamental que a Bíblia sempre
seja lida nos encontros, principalmente por meio da leitura orante, com base em
várias técnicas: repetições, silêncio, cantos, uso da imaginação etc.
 Utilizar simbologia e gestos: a catequese mistagógica se realiza mediante
a devida associação entre a catequese e a liturgia. Por isso, convém utilizar bem
os gestos, ritos e símbolos da riqueza litúrgica da Igreja: água, vela, flores, óleo,
perfume, aspersão, imposição de mãos, silêncio, olhos fechados, beijo na Bíblia
etc.
 Utilizar bem a música: para a interiorização, indicamos uma boa música
instrumental. A oração é facilitada com a utilização de mantras (pequenos refrãos),
cantados de modo repetido e suave, o que ajuda a silenciar o coração. Existem
bonitas canções em nossa Igreja que podem ser bem utilizadas de acordo com o
conhecimento e a criatividade do catequista.

Algumas sugestões para realizar um bom encontro


Além das dicas e dos itens indispensáveis elencados anteriormente, apresentamos
a seguir algumas sugestões bastante úteis para a realização de um bom encontro:

 Preparar bem o encontro: o encontro exige uma preparação por meio da


oração e do estudo. É fundamental que o catequista estude bem o encontro
e pesquise outras fontes (livros, sites etc.). É preciso estar bem preparado,
sobretudo, para possíveis perguntas da parte dos catequizandos.
 Utilizar o livro como um subsídio: quando a comunidade (diocese) utiliza
um livro, é importante que ele seja apenas um guia. Sua utilização não deve
anular a experiência, a criatividade e a espiritualidade do catequista. O
encontro é uma surpresa do Espírito. Em algumas ocasiões, tudo o que foi
previsto pode ser deixado de lado diante de situações inusitadas propiciadas
pela turma.
 Ser querigmático: o querigma não é apenas o primeiro passo do processo,
restrito ao tempo do pré-catecumenato, mas também o fio condutor de todo o
processo. Portanto, é necessário que cada tema propicie o encontro pessoal
com Jesus Cristo. Para isso, é preciso falar com alegria e entusiasmo da fé,
de modo mais personalizado, baseando-se em situações concretas da vida,
sem recorrer a falas teóricas, abstratas.
 Ser mistagógico: a catequese de inspiração catecumenal exige muito mais
do que uma exposição teórica dos conteúdos doutrinais. Por isso, é
fundamental que os encontros catequéticos sejam vivenciais e interiorizados
pela oração. Os momentos orantes devem ser muito valorizados como
verdadeira escola de oração para os catequizandos.
 Ao ligar fé e vida, cuidado: é preciso evitar falas moralizantes, ou seja, lições
de moral ou discursos de obrigações e práticas, focadas no pecado, no que
deve ser feito. Cada catequizando deve descobrir o modo de aplicar a fé em
sua vida, com base em uma experiência alegre do encontro com o Senhor,
sem que a Boa-Nova seja uma imposição ou se converta na má notícia da
condenação.
 Deixar-se guiar pelo Espírito: mais do que conhecimento, experiência e
didática, é fundamental a ação do Espírito Santo, que conduz nossos passos,
que fala em nós (cf. Mt 10,19-20).
 Utilizar uma metodologia própria para trabalhar com adultos:se o
catequizando é adulto, é preciso o cuidado para que a catequese não seja
infantilizante. O adulto traz consigo muitas experiências, conhecimentos
prévios e questionamentos. Portanto, o melhor modo de trabalhar com ele é
possibilitar o diálogo, a participação. Os encontros não devem ser monólogos
ou palestras, muito menos aulas. Devem ser diálogos que procuram colocar
o conteúdo da fé em confronto com a vida e com as aspirações de cada
pessoa.
 Utilizar uma metodologia própria para trabalhar com crianças e
adolescentes: a maior parte dos catequistas trabalha com catequizandos
entre 8 e 15 anos. Assim, é preciso entender um pouco sobre o
desenvolvimento da criança. Às vezes há aborrecimentos pelo
desconhecimento. Não basta o empirismo ou a intuição materna (ou paterna).
Recomenda-se a leitura de bons livros sobre o psicodesenvolvimento.

Para saber mais


CALANDRO, E.; SILES LEDO, J. S. Psicopedagogia catequética: reflexões e
vivências para a catequese conforme as idades. São Paulo: Paulus, 2010-2012.
4 v.

Leitura complementar
Ser catequista é uma vocação, uma doação que se realiza no amor à Igreja, um
dom de Deus acolhido e cultivado em nossos corações. Toda comunidade cristã é
responsável pela catequese, mas alguns são chamados à delicada missão de
evangelizar e inseridos nesta pastoral. Como então preparar um encontro?
Inicialmente obtemos um conhecimento superficial do tema para que nós,
catequistas, nos motivemos a preparar o encontro dos catequizandos com Jesus.
Cada encontro deve abrir os nossos corações para novas descobertas do amor de
Deus.
Após essa motivação inicial, começamos a preparação com oração,
espiritualidade, estudos, leitura da palavra, buscando compreender o objetivo, a
ideia principal. Pesquisar várias fontes, aproveitando os livros e apostilas que já
temos em casa e também a internet.
Costumamos também partilhar em casa. Sempre surge uma ideia prática para a
compreensão e a vivência. Interligamos o encontro anterior com o novo,
desenvolvendo um diálogo com o assunto que já foi abordado e, assim, tudo vai
ganhando forma, dinamismo, elementos suficientes para conseguir alcançar o
objetivo: abrir o coração ao amor de Deus.
O ponto alto é a leitura orante: cada encontro está baseado em um texto da Bíblia.
Este não é somente estudado, mas é orado, interiorizado à luz do Espírito Santo de
Deus.
Há um momento em que colocamos no papel o esquema do encontro, um esboço
do que pretendemos. Além disso, preparamos o material que será utilizado no dia
do encontro.
Adriana Ávila Oliveira e Silvania Antunes de Oliveira Engler

Catequistas da Paróquia N. Sra. do Rosário de Belém − Curitiba (PR)

Síntese
Neste capítulo, mostramos que a pedagogia catequética se inspira na pedagogia
divina: é preciso entender o jeito de Deus (a Santíssima Trindade) agir na história
para saber quais são os passos para uma boa catequese.

A metodologia é o modo concreto utilizado para alcançar os resultados


esperados. Enfatizamos que a tradição destaca os métodos ver-iluminar-celebrar-
agir e a metodologia catecumenal. São dois métodos que podem ser integrados
pelo princípio de interação entre fé e vida.

Ressaltamos, por fim, que o encontro de catequese é um momento importante e,


por isso, deve ser bem preparado pelos catequistas, sendo necessário em sua
preparação empenho, estudo e oração.

Indicações culturais
BAGDAD CAFÉ. Direção: Percy Adlon. Alemanha: Pelemele Film, 1987. 91 min.

Uma turista alemã muda a vida dos clientes do Bagdad Café, um hotel que fica
junto de um posto. A protagonista chega ao café e é mal recebida pela dona do
local, que é neurótica e desorganizada. O filme ensina que organização no
trabalho, proatividade e ações com resultados efetivos são muito úteis.

Atividades de autoavaliação
1. “A iniciação cristã é um desafio que devemos encarar com decisão,
coragem e criatividade. Ou educamos na fé, colocando as pessoas
realmente em contato com Jesus Cristo, convidando-as para seu
seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora” (DAp, n.
287).

A respeito da metodologia da catequese, podemos afirmar:

1. O processo de educação na fé é realizado passo por passo,


sempre atento à realidade dos catequizandos. Por isso, não é
necessário que a catequese seja fiel ao método que a Igreja
propõe.
2. O mais importante na catequese é a didática, ou seja, preocupar-
se essencialmente com técnicas e recursos, apoiando-se nos
conteúdos de livros e subsídios.
3. A catequese se inspira na metodologia catecumenal e tem como
base o método ver-iluminar-celebrar-agir.
4. A Igreja não se preocupa com a formação dos catequistas. Basta
apenas que ele tenha boa vontade e disponibilidade, não
necessitando de cursos e formações.
5. A pedagogia catequética se inspira no modo de proceder com
Deus. Assim, podem existir diversos caminhos − não
necessariamente o pedagógico da Igreja, que é sempre muito
distante da realidade −, porém existe somente uma metodologia.
2. Considerando o método ver-iluminar-celebrar-agir, analise as seguintes
proposições:
1. O passo ver corresponde à realidade do catequizando. O catequista
precisa conhecer o contexto de seus catequizandos e escutar o que
eles têm a dizer.
2. O passo iluminar diz respeito aos momentos celebrativos, nos quais
acontecem fortes momentos de interiorização da fé.
3. O passo celebrar se refere aos momentos de encontro com a
comunidade, às missas dominicais e a outras celebrações em que a
comunidade se encontra.
4. O passo agir está relacionado à ação do catequizando em sua
realidade. É o momento em que ele coloca em prática tudo o que
aprendeu na catequese.

Estão corretas:

5. apenas as afirmativas I e III.


6. apenas as afirmativas I, II e III.
7. apenas as afirmativas II e III.
8. apenas as afirmativas I, III e IV.
9. todas as afirmativas.
3. “Ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com
Jesus Cristo e convidando-as para segui-lo, ou não cumpriremos nossa
missão evangelizadora” (DAp, n. 287).

Com relação aos encontros de catequese, classifique as afirmativas a seguir


como verdadeiras (V) ou falsas (F):

1. O encontro de catequese não pode ser uma palestra, um monólogo.


O catequista deve utilizar recursos e instrumentos para fazer com
que a mensagem seja transmitida e que os catequizandos
dialoguem sobre o tema do encontro.
2. Para que o catequista desenvolva um bom encontro de catequese,
não é necessário preocupar-se com a ambientação e com a
acolhida, nem preparar o tema com antecedência. Tudo deve ser
espontâneo.
3. O principal fundamento na catequese é a Bíblia. Há diversas formas
de fazer com que os catequizandos tenham acesso ao texto, mas
a principal delas é a leitura orante.
4. A catequese tem o dever de educar os catequizandos para a
oração. Por isso, nos encontros é importante fazer
interiorizações, momentos orantes, não com fórmulas tradicionais,
mas deixando brotar a oração de dentro do coração de cada
catequizando.

Assinale a alternativa correta:

5. V, F, F, V.
6. V, F, V, F.
7. F, F, F, V.
8. F, F, V, V.
9. V, F, V, V.
4. Jesus deu a conhecer Seu Reino por meio de Suas atitudes e ações
destinadas a todos, demonstrando a misericórdia do Pai em acolher a todos
sem distinção. A respeito da pedagogia de Jesus, analise as proposições a
seguir e, depois, assinale a alternativa correta:
1. A catequese se inspira nos traços de Jesus, que ensina a acolher os
mais necessitados e a partir em missão em busca dos irmãos. A
linguagem simples utilizada por Jesus também deve inspirar a
catequese.

PORQUE
2. Jesus é a Palavra encarnada. Ele anuncia quem o ser humano deve
ser e revela o Reino de misericórdia e amor. Suas atitudes de envio,
acolhida e chamamento devem ser utilizadas na catequese.
3. As duas proposições são verdadeiras, e a proposição II é
justificativa correta da proposição I.
4. A proposição I é falsa, e a proposição II é verdadeira.
5. A proposição I é verdadeira, e a proposição II é falsa.
6. As duas proposições são verdadeiras, porém a proposição II não
é justificativa correta da proposição I.
7. As duas proposições são falsas.
5. Considerando o itinerário catequético e o que o texto-base do Ano
Catequético Nacional propõe, assinale a alternativa correta:
1. A catequese deve ser tratada da mesma forma que o ano letivo
escolar, de modo que se deve seguir o conteúdo programado
conforme o calendário para que o catequizando possa vencer os
conteúdos e cumprir as etapas previstas.
2. O documento Catequese Renovada trata da ação catequética em
duas dimensões − vida humana e conteúdo da fé −, que precisam
estar sempre concatenadas, demonstrando unidade entre a
realidade humana e a fé.
3. O catequista deve expor os conteúdos de maneira tradicional, ou
seja, ele deve se preocupar em abordar todo o conteúdo descrito
no livro e avançar para o próximo capítulo o mais rápido que puder.
4. No itinerário catequético só estão incluídos os encontros. As
celebrações, as formações e outras atividades, mesmo que
aconteçam, não estão contempladas nesse roteiro.
5. O itinerário catequético não é importante na vivência em
comunidade dos catequizandos. Portanto, não está relacionado
com o princípio de interação entre fé e vida.

Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1. A organização, a proatividade e o trabalho em conjunto podem fazer com
que os projetos caminhem de maneira mais efetiva. Diante disso, produza
um texto estabelecendo relações entre o filme Bagdad Café e o
planejamento catequético.
2. Redija uma lista de elementos necessários para que um trabalho em
conjunto seja mais efetivo. Faça a descrição de cada elemento.

Atividade aplicada: prática


1. Observe como você organiza sua vida. Há uma programação que otimize
os resultados? Como você poderia associar organização e mística para
desempenhar suas atividades pastorais, acadêmicas e profissionais?
Medite sobre essas questões.

5 Os lugares da catequese

Neste capítulo, o objetivo é identificar os principais lugares da prática catequética e


esclarecer as especificidades de cada um deles para a ação catequética. Os
documentos costumam enfatizar dois importantes espaços de catequese,
designados como lugares privilegiados: a família e a comunidade eclesial (DNC, n.
296-302). Vamos nos deter nesses dois espaços, dando ênfase à comunidade
paroquial. Em seguida, consideraremos outros lugares possíveis de catequese.

5.1. A família: berço da vivência da fé


O primeiro lugar da catequese é a família, a qual é fundamental para a fé cristã,
pois é o lugar em que se constroem os fundamentos da personalidade de cada
indivíduo. Trata-se, sem dúvida nenhuma, do lugar primordial da catequese:

A família é chamada a introduzir os filhos no caminho da iniciação cristã. A


família, pequena Igreja, deve ser, junto com a Paróquia, o primeiro lugar para a
iniciação cristã de crianças. Ela oferece aos filhos um sentido cristão de
existência e os acompanha na elaboração de seu projeto de vida, como
discípulos missionários. (DAp, n. 302)

A família é a primeira responsável pela educação de seus filhos na fé, é o lugar


por excelência da vivência da Palavra de Deus. Na família, o processo de
crescimento da fé brota da boa convivência, do clima fraterno e do testemunho dos
pais, considerados os principais responsáveis pela catequese de seus filhos (DGC,
n. 255). A exortação apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia (AL) valoriza a tarefa
dos pais na missão de transmitir a fé (AL, n. 287-290). Segundo o documento, a fé
é um dom de Deus pela graça batismal, mas é também tarefa humana, pois, sem
o empenho dos pais, os filhos não poderão atingir a maturidade de fé que se almeja
(AL, n. 287). Alguns indicativos práticos da mesma exortação merecem citação:

A educação na fé sabe adaptar-se a cada filho, porque os recursos aprendidos


ou as receitas às vezes não funcionam. As crianças precisam de símbolos,
gestos, narrações. Os adolescentes habitualmente entram em crise com a
autoridade e com as normas, pelo que é conveniente estimular as suas
experiências pessoais de fé e oferecer-lhes testemunhos luminosos que se
imponham simplesmente pela sua beleza. Os pais, que querem acompanhar a
fé dos seus filhos, estão atentos às suas mudanças, porque sabem que a
experiência espiritual não se impõe, mas propõe-se à sua liberdade. É
fundamental que os filhos vejam de maneira concreta que, para os seus pais, a
oração é realmente importante. Por isso, os momentos de oração em família e
as expressões da piedade popular podem ter mais força evangelizadora do que
todas as catequeses e todos os discursos. (AL, n. 288)

O ideal é que a família procure ser uma igreja doméstica, um lugar de oração
em que a fé é cultivada. Entretanto, sabemos que a realidade de grande parte das
famílias não é essa: muitos pais e responsáveis procuram a catequese para a
recepção de sacramentos e nem sempre se envolvem no itinerário catequético de
seus filhos. Nem sempre a prática de inscrever as crianças na catequese
corresponde a um verdadeiro desejo dos pais de evangelizá-los e conduzi-los à
comunidade. Ou seja, não se pode garantir que os filhos serão evangelizados por
seus pais, como se supunha no passado. Muitos pais não mais estabelecem laços
com a comunidade de fé e se distanciam do sentido cristão da vida familiar.

É preciso ir ao encontro dessas famílias, valorizando-se as qualidades e


iniciativas delas. Para que isso aconteça, a nova evangelização tem buscado
responder ao desafio da inserção da família na vida de comunidade e no processo
catequético dos catequizandos.

Diante desse desafio, os responsáveis pela catequese de iniciação à vida cristã


têm sido incentivados à realização da catequese familiar. Como constataram os
bispos latino-americanos em Aparecida, a catequese familiar visa minimizar o
número de famílias alheias ao processo catequético, além de possibilitar uma nova
evangelização para batizados não suficientemente evangelizados e que precisam
ser reanimados em sua vida de fé (DAp, n. 293).

É comum que os catequizandos tenham uma participação limitada nas atividades


catequéticas e nas celebrações, assim como também é bastante restrita a
continuidade dessas atividades por parte dos adolescentes depois do recebimento
da Crisma. Diante disso, não é mais possível deixar os catequizandos por tanto
tempo na catequese sem que estes tenham as condições necessárias para se
aproximarem da vida da Igreja por falta de uma estrutura familiar que os apoie.

São muitas as iniciativas de catequese familiar. Sem a pretensão de oferecer um


modelo único, destacamos a importância de garantir que esse tipo de catequese
seja de inspiração catecumenal e que haja uma metodologia própria para
catequizar adultos. A prática mostra que não é raro que algumas catequeses com
adultos se tornem um tanto infantilizantes. Também não convém fazer apenas
reuniões com as famílias para dar avisos ou para dar os famosos “puxões de
orelhas” nos pais que não participam da vida eclesial. É preciso que a catequese
tenha um cunho querigmático, ou seja, que reanime os pais e responsáveis em sua
fé, trazendo-os para junto da comunidade e valorizando também os que já estão
mais inseridos.

Leitura complementar
Catequese familiar na Arquidiocese de Curitiba
Objetivo
Um dos grandes desafios atuais da Pastoral Catequética é a inserção dos pais ou
responsáveis no processo catequético de seus filhos. Vê-se que, apesar de ainda
haver a busca aos sacramentos da iniciação cristã, por questões de tradição ou
puramente sociais, grande parte dessas crianças vem de famílias não
evangelizadas, não inseridas numa comunidade paroquial, sem vivência cristã.
Surgiu daí a necessidade de atitudes pastorais mais fundantes na Arquidiocese
de Curitiba. Catequistas e coordenações em nossas paróquias pediam uma
reflexão mais consistente, com orientações diretas e específicas a respeito, uma
vez que ações aleatórias com os pais, como encontros diversos, algumas
formações, reuniões, participações esporádicas em algumas missas, não
evangelizavam, não produziam comprometimento.
Assim, após aproximadamente dois anos de reflexão, surgiu a proposta da
catequese familiar na Arquidiocese de Curitiba, cujos interlocutores específicos são
os pais/responsáveis dos catequizandos.

O projeto
1. Para a implantação da catequese familiar, ela é oferecida aos pais/responsáveis
dos catequizandos que ingressam na 1ª etapa. Todo zelo e acolhimento devem
ser conferidos nesse primeiro encontro com a família. Apresenta-se, além do
itinerário do catequizando, também a proposta da Catequese Familiar para os
pais.
2. Os pais/responsáveis da 1ª etapa participarão de oito encontros anuais, um por
mês, em datas previamente definidas. Concluída a 1ª etapa, pais/responsáveis (e
seus filhos) passam para a 2ª etapa; assim continuando até a 5ª etapa.
3. Para a eficácia desse projeto, elaborou-se um subsídio para esses encontros com
os pais/responsáveis: Catequese familiar: encontros catequéticos para a família
do catequizando. Esse subsídio contém oito temas para cada uma das etapas da
catequese das crianças/adolescentes. Além de os temas propostos seguirem os
pilares da fé de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, também se
aproximam dos temas que os filhos estão vivenciando na catequese.
4. Especial cuidado deve-se ter com a condução dos encontros. Há que se ter uma
boa equipe que organize toda a estrutura, símbolos, convocação e assessoria. O
subsídio propõe que o tema seja trabalhado de forma essencialmente vivencial,
orante, bíblica e celebrativa, com partilhas de vida, ofertando uma excelente
oportunidade de experiência com Jesus Cristo.
5. A perseverança desses pais/responsáveis vai depender do cuidado
personalizado de catequistas, coordenações e todos os envolvidos com o projeto.
As visitas e o acompanhamento de cada família é o que confere caráter
missionário a esse projeto.

Concluindo…
Decorridos quatro anos da apresentação da proposta, colhemos inúmeras
situações frutuosas de conversão, transformação, comprometimento e participação
de pais/responsáveis, inseridos em pastorais ou movimentos paroquiais, zelosos
com a catequese de seus filhos.
Ressalta-se o trabalho ininterrupto de conscientização de párocos e lideranças
paroquiais, com formações específicas, orientações para implantação, avaliação
constante etc.
A catequese familiar é um novo jeito de evangelizar as famílias, com o fim último
de inseri-las na vida de comunidade e no processo catequético de seus filhos.
Regina Fátima de Mesquita Menon

Comissão da Animação Bíblico-Catequética – Arquidiocese de Curitiba

5.2. A relação entre catequese e comunidade


Se a família é o primeiro espaço da catequese, o segundo lugar dessa prática é a
comunidade. É importante frisar que não existe vida cristã sem comunidade, como
indica o Concílio Vaticano II: “Deus quer santificar e salvar os seres humanos não
individualmente e isoladamente, mas quer fazer deles um povo, que o reconheça
na verdade e fielmente o sirva” (LG, n. 9).

A catequese é um ato essencialmente eclesial, realizado na Igreja e para a Igreja.

Onde há uma verdadeira comunidade cristã, ela se torna uma fonte viva da
catequese, pois a fé não é uma teoria, mas uma realidade vivida pelos membros
da comunidade. Nesse sentido, ela é o verdadeiro audiovisual da catequese.
Por outro lado, ao educar para viver a fé em comunidade, esta se torna,
também, uma das metas da catequese. (DNC, n. 52) [grifo do original]

Assim, sem a comunidade, a catequese perde seu sentido. Existe uma ligação
profunda entre Igreja e catequese, de modo que podemos aplicar aqui o mesmo
princípio da Eucaristia: a Igreja faz a catequese e a catequese faz a Igreja!
A Igreja faz a catequese (Igreja como sujeito da
5.2.1.
catequese)
Segundo o Diretório Geral para a Catequese (DGC), “a catequese é um ato
essencialmente eclesial. O verdadeiro sujeito da catequese é a Igreja que,
continuadora da missão de Jesus Mestre e animada pelo Espírito, é convidada a
ser mestra da fé. […] Essa transmissão do Evangelho é um ato vivo de tradição
eclesial […]” (DGC, n. 78).

Na Igreja existe o ministério da Palavra, que tem a missão de anunciar não


apenas uma mensagem, mas também o próprio Cristo. Evangelizar é antes um
cumprimento do Evangelho à luz do Espírito Santo, que conduz a Igreja na tarefa
de pregar e interpretar a Palavra (cf. Jo 16,13). Toda a Igreja é palavra, na medida
em que a revelação se torna na Igreja a Tradição. Tal encarnação da revelação se
torna um dom e uma tarefa.

O quarto capítulo do documento Catequese Renovada (CR) é dedicado ao


tema comunidade catequizadora. Trata-se de um tema muito relevante, sobretudo
quando, de modo equivocado, muito facilmente, se reduz a catequese à
responsabilidade dos catequistas. Não é um único catequista que responde sozinho
por um grupo de catequizandos, e sim os catequistas em seu conjunto, os agentes
de pastorais e toda a comunidade.

Preste atenção!
A catequese é uma missão fundamental da Igreja e de responsabilidade de todo o
povo de Deus. A missão de evangelizar, sobretudo entre jovens e adultos, não é
unicamente dos ministros ordenados, mas também dos leigos, em virtude dos
sacramentos do Batismo e da Crisma, como atestam os documentos da Igreja (DP,
n. 27, 993).

A catequese faz a Igreja (Igreja como objeto e meta


5.2.2.
da catequese)
Se é verdade que a Igreja é quem catequiza, é também verdade que a catequese
edifica a Igreja. A catequese educa para o sentido da Igreja, configurando-se como
um lugar de experiência eclesial. É um fator de renovação da própria Igreja e
promove um projeto de Igreja que inclui a todos, sobretudo os jovens e adultos que
levarão a Igreja do presente e do futuro (Alberich, 2004, p. 205; IVC, n. 106).

A Palavra chama a Igreja, pois esta se configura como ekklesia (que significa
“assembleia dos convocados”), reunião dos que ouvem e seguem a Palavra. Assim,
“a Igreja nasce da ação evangelizadora de Jesus e dos Apóstolos” (EN, n. 15). A
Palavra faz a Igreja crescer, pois convoca novos fiéis, pessoas que, pela palavra,
aceitam o livre convite para fazer parte do povo de Deus (cf. At 6,7; 12,24).

A Palavra tem uma função profética que faz a Igreja se renovar (cf. Ap 2,7). A
Igreja precisa se converter pela Palavra; por isso, pela catequese, ela questiona a
si mesma. A Igreja “precisa ser sempre evangelizada” (EN, n. 15).

Nesse sentido, não se espera que a catequese reforce aspectos burocráticos ou


institucionais, mas que edifique a Igreja de serviço e comunhão. “A catequese pode
contribuir de forma eficaz para construir, na comunidade cristã, uma verdadeira
fraternidade de pessoas iguais em dignidade, todas corresponsáveis e atuantes,
todas participantes, embora de modos diversos, do serviço sacerdotal, profético e
real de Cristo” (Alberich, 2004, p. 229).

Não basta que a catequese seja realizada em comunidade, ela deve ser feita de
comunidade. Isso significa que a fisionomia da comunidade que se estabelece é
fundamental. O grupo não sobrevive somente pela dualidade mestre-discípulo, mas
pela partilha entre irmãos que crescem na fé juntos, pelo testemunho de uma
comunidade de fé que ensina e leva a sério a vida cristã.

5.2.3.Uma inter-relação: comunidade evangelizadora e


iniciação à vida cristã
i

Como mencionamos, a Igreja é o pressuposto da catequese – a Igreja catequiza ao


mesmo tempo que a catequese constrói a Igreja. Há, portanto, uma inter-relação
entre catequese e Igreja. Essa inter-relação acontece, sobretudo, no âmbito
da iniciação cristã. Do mesmo modo, podemos afirmar que o processo iniciático é
feito na Igreja e para a Igreja, de modo que surge uma reciprocidade paralela e
consequente entre a comunidade evangelizadora e a iniciação à vida cristã.

Essa inter-relação é reafirmada pelo Documento de Aparecida (DAp): “uma


comunidade que assume a iniciação cristã renova sua vida comunitária e desperta
seu caráter missionário” (DAp, n. 291). Há, pois, uma correlação entre comunidade,
missão e iniciação à vida cristã. A iniciação está a serviço de uma comunidade,
colaborando para que ela seja decididamente missionária. A comunidade, quando
organizada e consciente de sua missão, contribui com eficácia para que haja um
verdadeiro processo catecumenal.

Sem um processo iniciático, a comunidade não pode subsistir, pois depende da


adesão de membros que abracem e vivam a mesma fé. Assim, a iniciação à vida
cristã não é “uma ação facultativa, mas sim uma ação basilar e fundamental para a
construção, tanto da personalidade do discípulo, quanto da comunidade. Sem ela,
a ação missionária não teria continuidade e seria estéril” (DGC, n. 64). Pelo
processo de iniciação, não se faz somente a manutenção da comunidade, mas
também sua renovação, pois esse processo a desperta para o dinamismo da fé e
da missão.

Por isso, as paróquias devem ser lugares onde se assegure a iniciação cristã
(DAp, n. 293). Aqui, sobretudo, não se trata apenas da iniciação de crianças e
adolescentes no tradicional caminho de recepção de sacramentos, mas do
catecumenato de adultos, cuja abrangência e pluralidade ministerial fazem com que
eles estejam mais conectados com a comunidade, contribuindo com a construção
dela. De fato, o catecumenato da Igreja de antigamente era um processo longo e
bem estruturado que inseria o novo fiel na comunidade. Muitos eram os
responsáveis diretos por esse processo: o presbítero, o liturgista, os introdutores
(pessoas que acompanhavam os que pretendiam ser iniciados na fé), os
catequistas etc. Com o passar do tempo, a responsabilidade ficou apenas por conta
do catequista, e a catequese foi reduzida à instrução da fé. É preciso resgatar a
responsabilidade de toda a comunidade no processo catequético: o pároco, os pais
dos catequizandos, o grupo de catequistas, os agentes de todas as pastorais etc.
A catequese de crianças e adolescentes e, sobretudo, o catecumenato de adultos
podem ajudar muito para que haja, de fato, uma comunidade evangelizadora.

Preste atenção!
A comunidade cristã só é, de fato, germe e matriz de iniciação quando está em
estado de missão e em contínua referência catecumenal. Portanto, o catecumenato
não é algo de fora da comunidade em sua raiz. Em outras palavras, a comunidade
cristã autêntica possui uma matriz catecumenal, levando em conta que o próprio
lugar da catequese é a comunidade, na qual uns são catequistas para os outros,
sendo a própria catequese criadora de comunidade e vice-versa. Não havendo
comunidade, ela é criada pelo catecumenato. Se já houver comunidade, o
catecumenato é uma de suas principais tarefas.
Fonte: Floristán, 1995, p. 32.

5.3.A catequese paroquial e a pastoral


orgânica
Embora muitos pastoralistas questionem se a paróquia não teria perdido seu valor,
estando condenada a ser uma instituição arcaica sem poder de se desvencilhar de
seus esquemas, é preciso aceitar que ela continua sendo a unidade fundamental
de organização da Igreja. Importa, pois, unir esforços para que ela seja de fato um
lugar evangelizador, uma verdadeira comunidade (ou uma rede de comunidades).

A paróquia é uma rede de comunidades que acolhe, educa e anima a vida dos
cristãos. É casa fraternal e acolhedora, onde os cristãos vivem como Povo de
Deus. Tem uma responsabilidade essencial para com a formação pessoal dos
fiéis leigos. É lugar privilegiado da catequese, da celebração dos sacramentos
e da caridade. (DNC, n. 303)

Considerada em sua missão catequética, a paróquia se beneficia da catequese,


como afirmamos anteriormente. Nesta seção, apresentaremos em que medida a
catequese pode contribuir para o fomento da pastoral orgânica. Espera-se que as
paróquias não fiquem enrijecidas em sua dimensão burocrática, mas sejam, de fato,
espaços de evangelização e comunhão. Como a catequese pode contribuir para
isso?

É necessário considerar que todas as pastorais têm uma dimensão de formação


na fé e, desse modo, estão sempre unidas à dimensão bíblico-catequética:
“nenhum serviço pastoral pode estar desprovido do esforço por colocar seus
interlocutores em contato direto com a Palavra revelada e do imperativo de
educação na fé. Desta maneira, cada dimensão está profundamente unida à
bíblico-catequética e esta em função das outras” (ACN, n. 100).

Com base nessa premissa, é preciso considerar que as pastorais não apenas são
animadas pela catequese, mas também contribuem para que, em conjunto, a
dimensão catequética da comunidade seja pensada e realizada, ou seja, ocorra a
promoção da pastoral orgânica.

Segundo Hackmann (1996, p. 11-12), a organicidade pastoral de uma paróquia é


garantida por três elementos:

1. Constante referência à Igreja particular: uma paróquia não é um gueto,


um setor desvinculado e autônomo, mas parte integrante de uma diocese
ou prelazia, tendo o bispo como figura de unidade. Desse modo, a
eclesialidade da catequese paroquial é garantida pela Igreja particular em
seu papel animador e orientador das atividades pastorais de conjunto: a
catequese paroquial segue o que é emanado pela coordenação catequética
(ou bíblico-catequética) de sua Igreja particular.

 Corresponsabilidade de seus membros: partimos do fato de que existe


uma igualdade entre todos os fiéis pelo Batismo e, por isso, não se justificam
os paternalismos ou autoritarismos. A corresponsabilidade significa
responsabilidade compartilhada: responsabilidade dos membros da
comunidade e dos serviços pastorais que se unem em prol de um mesmo
objetivo. Se a catequese é tarefa fundamental (sobretudo a iniciação à vida
cristã), todos os agentes e pastorais devem se sentir responsáveis por ela.
 Exercício do conselho de pastoral: esse conselho define as linhas e as
propostas com base em um planejamento. Ele é o organismo que garante o
planejamento participativo. Por meio dele, superam-se o amadorismo e a
improvisação da ação evangelizadora. A comunidade se torna protagonista
na ação pastoral, pela desconcentração do poder, pois as decisões ficam a
cargo do grupo. O processo é privilegiado em detrimento dos resultados: mais
importante do que a eficiência é respeitar o ritmo das pessoas e, acima de
tudo, garantir a participação de todos. Nos conselhos, todas as pastorais,
coordenadas pelo pároco, devem pensar ações conjuntas em prol da
catequese.

Ações concretas podem ser realizadas pelas pastorais para que se fortaleça a
comunidade catequizadora
O catecumenato de adultos é uma excelente experiência de envolvimento da
comunidade na iniciação cristã. O conselho de pastoral pode ter como missão
ajudar a encontrar pessoas interessadas e que não receberam todos os
sacramentos, bem como oferecer espaço para acolher os que querem concluir sua
iniciação.

As pastorais podem auxiliar na busca de novos catequizandos. Por exemplo: as


mensageiras das capelinhas poderiam fazer um levantamento das famílias com
crianças em idade de catequese e adultos interessados na iniciação cristã.

Convém que a comunidade paroquial se preocupe com a estruturação da Pastoral


da Adolescência e da Pastoral da Juventude, a fim de poder acolher os que
recebem o sacramento do Crisma.

Os responsáveis pela liturgia devem estar sintonizados com a catequese,


sobretudo na preparação das celebrações (ritos catecumenais, missas da
catequese, iniciação eucarística, Confirmação etc.) e na inserção dos
catequizandos na participação da Eucaristia.

A pastoral familiar pode ajudar a pastoral catequética no acompanhamento das


famílias dos catequizandos, promovendo encontros formativos de inspiração
catecumenal. É preciso, como já mencionamos, que a catequese familiar seja
levada a sério, sendo fundamental uma catequese permanente com as famílias dos
catequizandos, priorizando-se as famílias afastadas da comunidade.

5.4. Outros lugares de catequese


Como afirmamos, a comunidade é o lugar natural da catequese. Por outro lado,
hoje estão sendo repensados os lugares de catequese. Surgem iniciativas em
escolas, associações, movimentos etc. É necessário avaliar cada iniciativa com
cuidado. Esses novos ambientes certamente são lugares de catequese ocasional,
porém apenas poderiam fomentar a iniciação à vida cristã mediante uma vinculação
estreita com a comunidade. A comunidade é sempre o critério que garante a
eclesialidade das iniciativas locais.

Conscientes de que existem outros lugares de catequese além da comunidade,


parece-nos importante destacar a catequese nas pequenas comunidades, nos
colégios e nos ambientes virtuais.
5.4.1. Catequese nas pequenas comunidades
De acordo com o Documento de Medellín (Med), “a vida de comunhão a que foi
chamado, o cristão deve encontrá-la na ‘comunidade de base’: ou seja, em uma
comunidade local ou setorial que corresponda à realidade de um grupo homogêneo
com uma dimensão que permita a convivência pastoral fraterna entre seus
membros” (Med, n. 10).

A intuição do Documento de Medellín remonta ao modelo de comunidades


domésticas do Novo Testamento. Esse modelo é inspirador para os tempos atuais,
já que a globalização impõe um horizonte de individualismo, sem personalização,
que é insensível às realidades locais. Diante do desafio da despersonalização e do
individualismo, a pastoral de pequenas comunidades surge como tarefa
indispensável. A pequena comunidade permite a experiência de Jesus Cristo vivo,
na fraternidade e na multiplicação de Seu corpo, uma instância essencial para
sustentar a esperança do Reino.

A comunidade missionária não é uma reunião de pessoas dispersas ou


massificadas. Seu tamanho é fundamental para que se fomente a vida cristã
fraterna dos membros iniciados na fé. Por isso, destaca-se hoje como um
pressuposto da pastoral urbana a configuração de uma rede de comunidades: um
conjunto de comunidades coordenadas por um núcleo, a serviço da pastoral
orgânica. A paróquia deve valorizar as pequenas comunidades, em que existam a
iniciação cristã, a celebração dos sacramentos, a proclamação da Palavra, o cultivo
da vida cristã, enfim, comunidades verdadeiramente evangelizadoras.

Na pequena comunidade, a catequese de iniciação à vida cristã é um elemento


indispensável. Por outro lado, é preciso também considerar outras formas de
pequenas comunidades, como os grupos de vida, de oração e de reflexão sobre a
Palavra de Deus (DAp, n. 180). Nessas unidades menores, há bons caminhos de
catequese, ainda que nem sempre sejam de iniciação. Boas experiências seguem
o modelo da leitura popular da Bíblia ou ainda o exercício da leitura orante em
comunidade – ótimos caminhos catequéticos.

5.4.2. Catequese nos colégios


Há quem questione a presença da iniciação à vida cristã no espaço da escola.
Muitos párocos veem a catequese escolar como uma catequese sem comunidade
ou até como uma concorrente da paróquia. Entretanto, embora esta seja uma
realidade de relativa abrangência, constatam-se boas iniciativas.

Primeiramente, é preciso entender que o colégio confessional é uma instituição


eclesial. Suas atividades catequéticas devem estar inseridas no contexto da
pastoral escolar, ou seja, no âmbito de um projeto pastoral no qual a catequese
seja um dos aspectos importantes:

A escola leva os valores e o anúncio de Jesus Cristo, não só através de uma


disciplina ou matéria, no caso, o ERE [Ensino Religioso Escolar], mas
principalmente através da estrutura escolar, em particular pelo testemunho da
comunidade educativa e do projeto pedagógico, à medida que diretores,
professores, pais e alunos – todos os que compôem a comunidade educativa –
vivem efetivamente a fé cristã, desempenham com competência humana seu
papel profissional e existencialmente assumem um projeto educativo
autenticamente cristão. (DNC, n. 57)

Desse modo, a escola confessional constitui-se em uma comunidade. Isso não a


faz prescindir da comunidade paroquial, para onde devem ser destinados os
catequizandos, mesmo ao longo do processo catequético e, sobretudo, depois da
celebração dos sacramentos da iniciação. Existem muitas iniciativas positivas da
parte de colégios confessionais que conservam sua identidade católica e procuram
estar sempre “em comunhão com a pastoral orgânica da Igreja” (DNC, n. 57; DGC,
n. 259).

Quanto às escolas não confessionais, estas são instituições laicas, ou seja, não
eclesiais. Por si próprias, não poderiam ter atividades catequéticas. Há, no entanto,
mesmo em número reduzido, algumas escolas que se tornam uma extensão física
de uma comunidade paroquial. Pode haver uma coordenação de catequese
naquele local, mas é necessário sempre um esforço de unidade com a paróquia,
pois somente desse modo é possível garantir a eclesialidade desse âmbito de
iniciação à vida cristã.

5.4.3. Catequese na internet


A internet não é apenas uma ferramenta de comunicação, mas também um espaço,
uma espécie de lugar em que as pessoas estão, navegam, conectam-se. A internet
é constantemente chamada de ambiente virtual, mas é preciso considerar que as
pessoas são reais, estão lá, interligadas por fios, cabos, conexões. Há um
verdadeiro encontro de pessoas mediado pelas mídias digitais e virtuais.

Um questionamento sempre recorrente diz respeito à incapacidade de a internet


produzir encontros concretos, face a face, com todas as possibilidades afetivas que
deles decorrem. De fato, a evangelização se faz pelo encontro pessoal, pelo olhar
nos olhos, como nos ensinou Jesus. Trata-se de uma premissa considerável. Não
podemos, porém, utilizá-la como pretexto para desprezar a internet como espaço
de catequese.

A catequese de iniciação de crianças e, sobretudo, de adolescentes pode contar


com a colaboração da internet, que pode ser uma extensão do tempo oferecido aos
encontros catequéticos semanais. Algumas dicas podem ser úteis aos catequistas
inseridos nesse contexto, a saber (Oliveira, 2014):

 Não utilizar a internet para oferecer respostas prontas, mas para provocar
debates, diálogos, interação e troca de experiências. Não se trata de utilizar
os novos recursos com a mentalidade antiga: doutrinação, manipulação etc.
 Propor ações práticas e diversificadas, pois a geração da internet é
multitarefa, versátil e rápida.
 Fomentar, pelas redes sociais, os laços entre catequistas e catequizandos.
 Usar linguagem própria para a internet. Não adianta postar textos longos e
cansativos. Quando vemos isso em uma mensagem, com facilidade a
ignoramos. Portanto, é necessário utilizar uma linguagem objetiva, curta,
audiovisual e lúdica.
 Utilizar vídeos, frases reflexivas, poemas, músicas, imagens, fóruns etc., mas
sempre levar em consideração o bom gosto e ter critérios de avaliação sobre
o que está sendo postado. Existem muitas mensagens pobres de conteúdo,
inadequadas e até contrárias ao Evangelho e, sobretudo, ao espírito da nova
evangelização. Portanto, é preciso ter cuidado com as ideologias veiculadas
o ao compartilhar algo sem uma reflexão séria. Não são raras as postagens
que apelam para o tradicionalismo, o zelo agressivo, a guerra religiosa, o
moralismo, além de usar imagens sagradas inadequadas, repletas de
“piedosíssimos” ou “dolorismos” (Jesus ensanguentado, por exemplo).
 Ser uma presença amiga nas redes sociais, e não ser moralista, fiscal ou
impositor. O melhor é o diálogo carinhoso e respeitoso.
 Antes de utilizar a internet para algum encontro, tarefa ou fórum, verificar se
todos os catequizandos têm acesso à rede. Se um dos catequizandos estiver
sem acesso, vai se sentir excluído.
 Criar uma página do grupo de catequese. O tema do encontro já poderia ser
motivado ao longo da semana ou o espaço poderia ser utilizado para
aprofundamento do encontro anterior.
 Ajudar o adolescente a desenvolver seu senso crítico, sobretudo no que diz
respeito ao conteúdo que encontra na internet. Não se trata de motivar uma
condenação tácita, mas de despertar reflexão. Esse pode, aliás, ser um bom
tema de discussão em encontros catequéticos, pois promove a relação entre
fé e vida.

A internet pode ser também um ótimo instrumento de formação de catequistas e


mesmo de pesquisa. Assim, como afirmamos anteriormente, também na pesquisa
realizada pelo catequista é preciso que haja critérios e reflexão crítica. Nem tudo o
que está na internet é verdadeiro, útil e belo.

Leitura complementar
Uma das maiores dificuldades dos catequistas em ação nas paróquias é, sem
dúvida, ter tempo para participar de encontros de formação e cursos para
aperfeiçoamento. Sem contar que, nem sempre, as comunidades têm condições de
oferecer essas formações. E não foi diferente comigo. Logo que iniciei a missão de
catequista, percebi que o conhecimento estava em um espaço bem perto de mim,
à distância de um clique. E foi aí que percebi que o maior aprendizado podia estar
no encontro, não só no encontro com as crianças e adolescentes, mas no encontro
com outros catequistas no meio digital.
Comecei olhando a internet em busca de material e sugestões para dinamizar
meus encontros e acabei, eu mesma, criando um blog onde relatava minhas
vivências e experiências na catequese: O Catequista Amador. E com isso fui
conhecendo mais e mais pessoas que navegavam no mesmo barco que eu, que
entravam em contato comigo e também relatavam suas dificuldades e sucessos.
Em meados de 2011, veio então a inspiração em criar grupos de estudo numa
metodologia parecida com o EaD, usando textos, vídeos, atividades, tarefas, bate-
papo. A princípio, usei como ferramenta os grupos oferecidos pelas empresas de
serviço on-line. Logo que o grupo foi divulgado no meio virtual, principalmente
pelos blogs de catequese, mais de 200 catequistas se interessaram. Mas gerir um
grupo desse tamanho gerou uma série de dificuldades, a começar pela própria
utilização da ferramenta web, pois os catequistas ainda têm muita dificuldade para
utilizar. O cadastro era feito com o endereço de e-mail de cada um, e, por utilizar
ambientes diferentes (Gmail, Hotmail, UOL, Yahoo etc.), o processo foi ficando
demorado e complicado.
Com a expansão dos blogs como ferramenta de comunicação na internet,
resolvemos criar um blog para publicação do material e centralização das nossas
atividades. Em novembro de 2011, criamos o www.catequistasemformacao.com,
hoje com 2,5 milhões acessos. Mas, por mais que o blog proporcione espaço
gratuito e facilidade para publicação de material, ele não dá a necessária interação
com os catequistas. É preciso conversar!
E invadimos as redes sociais, espaço mais que dinâmico e interativo para
encontros. Em fevereiro de 2012, foi criado o grupo Catequistas em Formação no
Facebook. Chegamos quase a 5 mil pessoas no primeiro ano, mas os problemas
começaram a surgir, como o fato de não sabermos quem eram e a que vinham.
Mudamos então para um grupo fechado. Hoje, conta com mais de 3 mil pessoas
cadastradas (temos um formulário para cadastro no Google), provindas de todo o
Brasil e até do exterior. As interações são constantes, consistem em postagens e
comentários que geram em torno de 300 notificações diariamente. Hoje, é comum
termos de 30 a 50 pedidos de adesão diariamente.
Hoje, oito catequistas de base que têm como função coordenar as publicações e
mediar as discussões. E temos o cuidado de olhar o perfil de cada pessoa antes de
adicioná-la para preservar a seriedade e idoneidade do grupo.
Ao completar cinco anos de grupo no Facebook e seis anos de blog, o grupo
ainda festeja outras iniciativas: uma comunidade (fanpage) também no Facebook,
aberta ao público, com um alcance semanal de 50 mil pessoas e vários projetos de
integração entre os catequistas.
O diferencial do nosso grupo é dar atenção a todos, dar resposta àquilo que nos
perguntam, mesmo que seja: “não sei, mas vou procurar!”. Também há grupos
temáticos com temas para discussão.
O grupo Catequistas em formação pode ser encontrado nos seguintes endereços
na web:
<www.catequistasemformacao.com>
<www.facebook.com/catequistasemformacao>
<www.facebook.com/groups/catequistasemformacao>
<[email protected]>
Ângela Rocha

Catequista e administradora do grupo Catequista em Formação

Síntese
Neste capítulo, destacamos que o primeiro lugar de catequese é a família: lá é o
espaço do gérmen da fé; os pais são os primeiros catequistas. Depois, vem a
comunidade que é, ao mesmo tempo, catequizadora e catequizada: por um lado, a
comunidade toda é responsável pela catequese, não somente os catequistas; por
outro lado, a comunidade cresce pelo ministério da Palavra e pela iniciação à vida
cristã – é preciso resgatar a importância dessa relação recíproca para uma
catequese frutuosa. Ressaltamos, por fim, que há outros lugares de catequese, que
devem ser considerados em sua importância: pequenas comunidades, pequenos
grupos, colégios e ambientes virtuais.

Indicações culturais
KUNG FU PANDA. Direção: Mark Osborne e John Stevenson. EUA: Paramount
Pictures, 2008. 90 min.

Um panda atrapalhado e sem perspectivas de sucesso nas artes marciais


aprende com seus amigos e com um sensei fora do convencional que é capaz
de qualquer coisa se tiver os incentivos e os amigos certos. O filme mostra as
diferenças que se complementam dentro de um grupo.

Atividades de autoavaliação
1. “A educação dos filhos deve estar marcada por um percurso de transmissão
da fé, que se vê dificultado pelo estilo de vida atual, pelos horários de
trabalho, pela complexidade do mundo atual, onde muitos têm um ritmo
frenético para poder sobreviver. Apesar disso, a família deve continuar a ser
lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a
servir o próximo” (AL, n. 287).

Considerando a família como o primeiro lugar da catequese, analise as


proposições a seguir:
1. A família é a primeira responsável pela educação na fé de seus
filhos. É em casa, com os pais, que acontece a primeira catequese.
2. No atual contexto, a família, de maneira geral, sempre está inserida
no itinerário catequético e sempre estabelece laços com a
comunidade. Independentemente do catequizando, sempre está
disposta a participar do processo catequético.
3. Segundo o documento Amoris Laetitia, os recursos aprendidos na
catequese − fórmulas e receitas prontas − sempre funcionam na
evangelização, não sendo necessário dinamizar os encontros de
catequese.
4. É preciso que a Igreja se preocupe com a família dos catequizandos,
fazendo com que ela se engaje na comunidade e se sinta acolhida.
Um bom instrumento para a aproximação entre comunidade e
família é a catequese familiar.

Estão corretas:

5. apenas as afirmativas I e III.


6. apenas as afirmativas I e IV.
7. apenas as afirmativas II e III.
8. apenas as afirmativas I, III e IV.
9. todas as afirmativas.
2. A respeito da catequese paroquial e da pastoral orgânica, assinale a
alternativa correta:
1. As pastorais nem sempre estão ligadas à dimensão bíblico-
catequética, mesmo que tenham em sua essência a formação da
fé.
2. É preciso que os membros das pastorais se unam em prol de um
mesmo objetivo. A evangelização é um objetivo fundamental e, por
isso, todos devem sentir-se responsáveis pela catequese.
3. Não é necessário que a pastoral orgânica esteja alinhada à Igreja
particular, pois sua função é apenas realizar a organização
administrativa. Cada comunidade tem sua própria realidade e,
portanto, tem autonomia total em suas decisões pastorais.
4. Somente a pastoral catequética é responsável pela busca de
novos catequizandos. Não cabe às outras pastorais auxiliar nesse
processo.
5. Pastoral familiar e catequese familiar são duas dimensões distintas
e não devem trabalhar juntas no acompanhamento das famílias
dos catequizandos.
3. “Sentimos urgência de desenvolver em nossas comunidades um processo
de iniciação à vida cristã” (DA, n. p 289).

Considerando a catequese na comunidade eclesial, analise as proposições


a seguir e classifique-as como verdadeiras (V) ou falsas (F):

1. A comunidade é um lugar primordial da catequese. Não existe vida


cristã sem pertencimento à comunidade.
2. A catequese assume caráter essencial na Igreja e, por isso,
somente nas igrejas e capelas é que existe o anúncio do Evangelho
aos cristãos.
3. Para que a catequese sobreviva na comunidade, é necessário que
seja feita em comunidade; que nos encontros, mais que exposição
de conteúdos, aconteçam verdadeiras partilhas de fé.
4. É por meio da catequese que a ação missionária se torna frutífera.
É ela a responsável pela manutenção e renovação da comunidade,
trazendo sempre novos membros.

Assinale a alternativa correta:

5. V, V, F, V.
6. V, F, F, V.
7. F, F, V, V.
8. V, F, V, V.
9. F, V, V, V.
4. A catequese também pode acontecer nos colégios. Com relação a esse
local, analise as afirmativas a seguir:
1. As escolas confessionais podem auxiliar no processo de educação
da fé. As atividades catequéticas que lá acontecem estão garantidas
à medida que se inserem no âmbito projeto pastoral da instituição,
reconhecida como uma comunidade de fé.

PORQUE

2. Os colégios confessionais podem ser concebidos como comunidade


e, portanto, não necessitam reportar-se à Igreja local. Suas
iniciativas como pastoral orgânica conservam sua identidade e lhe
dão total autonomia.

Assinale a alternativa correta:

3. As duas proposições são verdadeiras, e a proposição II é


justificativa correta da proposição I.
4. A proposição I é falsa, e a proposição II é verdadeira.
5. A proposição I é verdadeira, e a proposição II é falsa.
6. As duas proposições são verdadeiras, porém a proposição II não
é justificativa correta da proposição I.
7. As duas proposições são falsas.
5. Sobre a catequese familiar, assinale a alternativa correta:
1. A catequese familiar acontece somente quando há problemas
comportamentais com os catequizandos, que tornam necessária a
realização de conversas com os pais.
2. O objetivo da catequese familiar é levar informações aos pais e
responsáveis. Ela acontece somente em vésperas de sacramentos
ou celebrações importantes.
3. A catequese familiar deve ter inspiração catecumenal e
querigmática, a fim de que os adultos possam também ser
catequizados.
4. É necessário realizar a catequese familiar somente para as
famílias que não participam da comunidade eclesial e/ou, por
algum motivo, estão afastadas.
5. A catequese familiar recebe poucos incentivos da Igreja e dos
responsáveis pela catequese e convém que não seja mais
incentivada, para que não sejam criados desgastes com as
lideranças e pastores.
6.

Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1. Neste capítulo, tratamos da essencialidade da comunidade para a
catequese. Uma comunidade, um grupo, é fundamental para o crescimento
da pessoa. Produza um texto estabelecendo relações entre a comunidade
catequizadora e o grupo que rodeia o panda do filme Kung Fu Panda.
Analise as diferenças entre os personagens.
2. Produza um texto mostrando a importância de tais diferenças no
crescimento da pessoa e do grupo.
3.

Atividade aplicada: prática


1. Em sua família, como o elemento da fé é trabalhado? Faça uma reflexão
sobre as influências dos ensinamentos religiosos (ou a falta deles) na
formação de sua personalidade. Se você é pai ou mãe, reflita sobre seu
papel de educador na fé.
6 Organização da catequese e importância da formação
dos catequistas

Neste capítulo, o objetivo é auxiliar na compreensão da organização da catequese


em seus vários âmbitos. Primeiramente, apresentaremos os âmbitos da
organização catequética brasileira e, em seguida, abordaremos a essência do
ministério da coordenação. Sendo a formação de catequistas a principal prioridade
das esferas de coordenação, daremos destaque a esse tema. Por fim,
forneceremos pistas para que uma coordenação paroquial de catequese possa
desenvolver seu ministério, o que pode também ser aplicado a comunidades
menores.

6.1. Os âmbitos da organização catequética


Conforme o Diretório Nacional de Catequese (DNC) “a organização da catequese
no Brasil constitui-se em vários níveis: paroquial, diocesano, regional e nacional. A
cada instância correspondem algumas tarefas específicas” (DNC, n. 322). A seguir,
apresentamos uma breve descrição de cada um desses níveis:

 Coordenação paroquial de catequese: ocupa-se do grupo de catequistas e


das forças catequéticas (catequistas, pároco, pais, catequizandos e pastorais)
em prol da iniciação à vida cristã. Trata-se de um trabalho em equipe,
desempenhado por membros do grupo de catequistas da paróquia.
 Coordenação de setor/forania/região: o setor é composto de várias
paróquias. Em muitas Igrejas particulares existe uma coordenação, uma
equipe eleita entre os coordenadores paroquiais de determinado setor, que
fomenta a ação catequética e mantém o elo com a Coordenação Diocesana.
 Coordenação diocesana de catequese: é eleita pelo bispo e a equipe tem
sua aprovação. A coordenação de âmbito diocesano propõe as orientações
catequéticas de acordo com as exigências dos documentos da Igreja e anima
as paróquias e os setores para um adequado projeto de iniciação à vida cristã,
além de se ocupar da formação de catequistas. Essa equipe está em
constante contato com a Comissão Regional de Catequese.
 Comissão regional de catequese: trata-se de uma equipe que representa
os bispos do regional na animação catequética das dioceses. Para cada
âmbito de pastoral do regional há um bispo responsável.
 Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética: a
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) incluiu essa comissão em
sua estrutura “com o objetivo de animar a pastoral bíblica e dinamizar a
catequese” (DNC, n. 329). Suas tarefas são: impulsionar a animação bíblica
de toda a pastoral; estimular a implantação da iniciação à vida cristã com
inspiração catecumenal, uma catequese mistagógica; promover iniciativas de
formação, especialmente as escolas bíblico-catequéticas; elaborar subsídios
para a formação; fazer da animação bíblico-catequética uma ação
transformadora focada no cuidado de toda a vida. Essa comissão conta com
a colaboração dos bispos referenciais, das coordenações dos regionais, do
Grupo de Reflexão Bíblico-Catequética (Grebicat) e da Catequese Junto à
Pessoa com Deficiência e Catequese Indígena.Essa comissão episcopal
ainda mantém relação de diálogo e partilha com outros organismos e
associações:
o Sociedade Brasileira de Catequetas (SBCat);
o Seção de Catequese do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam);
o Federação Bíblica Católica (Febic);
o Sociedade de Catequetas Latino-Americanos (Scala);
o Conselho Internacional de Catequese (Coincat);
o Congregação para o Clero.

6.2. O ministério da coordenação


No Diretório Nacional de Catequese, ressalta-se que Jesus “não assumiu a missão
sozinho. Fez-se cercar de um grupo (cf. Mc 3,13-19; Jo 1,35-51). Com Ele vai
criando sua comunidade. Em Jesus, o ministério da coordenação e animação
caracteriza-se pelo amor às pessoas e pelos vínculos de caridade e amizade. Ele
conquista confiança e delega responsabilidades” (DNC, n. 314). Se Jesus constituiu
um grupo e ainda enviou Seus apóstolos em missão, é preciso ter como premissa
que o serviço evangelizador é um trabalho comunitário. Por isso, quem coordena
precisa ter uma consciência de pastoral de participação. “A palavra-chave deste
ministério é ‘articulação’. O coordenador não acumule funções, nem se apascente
a si mesmo, mas sim as ovelhas (cf. Ez 34,2)” (DNC, n. 317).

Como mencionamos, nos diversos âmbitos catequéticos há uma coordenação em


equipe. O termo coordenação vem do latim co-ordinatione. A coordenação,
portanto, estabelece uma certa ordem, organiza, arranja. Também poderíamos
aproximar coordenação de cooperação, pois a coordenação não subsiste pelo
paradigma da centralização, mas da divisão de tarefas.

Nesse contexto, as qualidades humanas do coordenador e dos membros da


equipe são fundamentais. Construir boas relações, relações sadias, nem sempre é
fácil, pois cada pessoa sempre traz sua história, marcada por ambiguidades. O bom
coordenador tem de ser alguém equilibrado para dialogar, resolver problemas de
relacionamento e motivar a todos, sem que esteja sempre no centro das atenções,
alimentando seu ego.

O coordenador é uma pessoa que se comunica. Em uma paróquia, por exemplo,


tem de estar atento à comunicação com os catequistas, os pais e as comunidades,
sobretudo para levar ao conhecimento destes as decisões de reuniões,
assembleias, encontros de setores, foranias, regiões, diocese etc.

A mística da coordenação é a do lava-pés: a atitude de Jesus vem antes de Seu


ensinamento, ou seja, primeiro Jesus serve, depois ensina. Assim deve ser o
ministério da coordenação: não se trata de um status, mas de um serviço à
comunidade. Pertencer a uma equipe de coordenação não é um cargo, mas um
serviço eclesial, testemunho primeiro de ação catequética.

Os que servem nas coordenações devem ter formação adequada para esse
ministério, diante dos desafios que se apresentam, como orienta o Diretório
Nacional de Catequese: “catequistas que vão atuar na coordenação de paróquias
ou dioceses precisam de formação específica. Para atender a essas pessoas, o
nível de exigência é maior, quanto ao conteúdo (antropológico e doutrinal), quanto
ao método e quanto à forma de organização da escola de catequese” (DNC, n.
292).

Leitura complementar
O que significa coordenar a catequese paroquial?
É ter consciência que se está abraçando um projeto que não é pessoal, que é parte
essencial da missão da Igreja, que é missão dada pelo próprio Cristo. Posso
testemunhar com alegria sobre o quanto a catequese foi importante para o início da
minha caminhada de fé e vida dentro da comunidade onde nasci e da qual
participei. Pude fazer a experiência de que o Cristo está vivo e que só Ele pode dar
sentido à minha existência. Considero, pois, a Palavra de Deus, a vida sacramental,
a oração e a comunidade de fé o centro da vida cristã.
A catequese deve facilitar aos catequizandos e às suas famílias experiências de
vida que transformem, libertem, deem coragem, mostrem o caminho da felicidade,
um caminho que leva ao encontro com o nosso Deus em Seu projeto de amor e de
vida em plenitude. Para que os catequizandos façam essa experiência, o
testemunho da comunidade tem um papel determinante. Essa experiência foi para
mim um tesouro que encontrei e agora devo partilhá-lo, não posso guardá-lo só
para mim. Essa experiência pessoal foi e continua sendo fundamental na missão
de coordenar a catequese.
Coordenar exige também saber articular cuidados para com os catequistas, não
somente quanto à formação específica, mas também o cuidado da vida espiritual
de cada um, que se alimenta das liturgias eucarísticas, da Palavra, da lectio divina,
de retiros, de encontros de partilha e de fraternidade. Coordenar é saber articular
várias instâncias eclesiais − pároco, diocese… Facilitar o encontro do ser humano
consigo mesmo, com Deus, com os irmãos e com a natureza. Coordenar não
significa fazer o que está na própria cabeça por achar bonito; é atuar na fidelidade
à Sagrada Escritura, à Tradição e ao Magistério da Igreja e orientar na prática das
virtudes cristãs, especialmente o perdão; ser flexível e aberto.
Nos momentos de oração pessoal, rezo e reflito sobre a missão de coordenar,
pedindo que o Senhor me torne cada vez mais um instrumento em Suas mãos para
que Sua graça acompanhe e realize maravilhas nos corações que sinceramente se
abrem para Ele. Ser catequista é uma missão e um dom. Cada dia aprende-se mais.
Obrigada, Senhor!
Ir. Emília Buba

Irmã apóstola do Sagrado Coração de Jesus

Coordenadora de catequese

6.3. A formação de catequistas


O ideal é que cada paróquia, cada diocese tenha um plano de formação de
catequistas. Nesse plano de formação, é necessário especificar os critérios para
ser catequista e os temas para uma formação básica de catequistas. O plano
também pode conter sugestões de temas fundamentais para a formação
permanente do grupo de catequistas.

A realidade dos catequistas é desafiadora. É um verdadeiro milagre que haja uma


multidão de catequistas, considerando-se os vários empecilhos que, por vezes, a
própria Igreja lhes impõe. Muitos jovens recém-crismados encontram na catequese
o único espaço para continuar sua vida eclesial, mas nem sempre perseveram
longamente. Outra parte de catequistas está ligada aos movimentos da Igreja,
tendo pouca preparação para participar do âmbito catequético. Identificamos como
um grande desafio a rotatividade dos catequistas, causada pela falta de motivação,
por problemas familiares, pela falta de apoio do pároco e até mesmo da
coordenação. Os catequistas apresentam falta de preparo e insegurança em face
dos novos desafios e ilusão diante do ministério e suas exigências.

Preste atenção!
O que desmotiva o catequista?
Entre os fatores que desmotivam os catequistas, podemos citar:

 Falta de acompanhamento: a comunidade não tem tempo para acompanhar


o catequista, nem o padre.
 Rotina: significa fazer sempre do mesmo jeito, isto é, utilizar sempre os
mesmos textos, as mesmas dinâmicas etc. Se não é incentivado a inovar, o
catequista limita-se à repetição e, consequentemente, entrega-se ao desânimo.

Diante dos desafios apresentados, a formação coloca-se como uma prioridade


urgente. “Um catequista bem preparado, que sente ter sucesso no que faz, está
menos propenso a desistir” (DNC, n. 259). É uma tarefa da diocese a organização
da pastoral dos catequistas (DGC, n. 233). Os documentos da Igreja referem-se à
necessidade da formação dos catequistas, caracterizada como a grande
preocupação de uma coordenação.

Para saber mais


CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório Geral para a Catequese. São Paulo:
Loyola, 1998. (n. 233-252).

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Diretório Nacional de


Catequese. Brasília, 2006. (Coleção Publicações da CNBB, n. 1). (n. 252-294).

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Formação de Catequistas.


São Paulo: Paulus, 1997. (Estudos da CNBB, n. 59).

O que é formação?
O termo formação pode remeter a uma ideia perigosa, se consideramos formar no
sentido de “formatação da pessoa”. Não é isso o que se deseja na formação de
catequistas. Segundo Libanio (2002, p. 12), “formar é um processo educativo, como
uma verdadeira maiêutica histórica, como descobrir um tesouro”. É fundamental
fazer brotar o que já está latente na pessoa, despertar reflexão e busca. No contexto
da catequese, é preciso dar importância para a formação da identidade, pois o
catequista é, antes de tudo, um servidor, um evangelizador, o que demanda uma
prática que nasce de seu ser, referenciada em Jesus Cristo.

Critérios para a formação dos catequistas


Entre os critérios, as práticas e os princípios necessários ao processo de formação
dos catequistas, destacamos:

 Preparar os catequistas para que sejam autênticos mistagogos da


fé: mistagogia é um termo grego que significa “conduzir ao mistério”. Assim,
o catequista mistagogo é um instrumento que facilita o encontro de seus
catequizandos com o mistério divino. Cabe explicitar que esse mistério não é
um segredo inatingível. O Novo Testamento define mistério como o desígnio
divino oculto em Deus desde todos os séculos (cf. Ef 3,9), agora revelado em
Jesus Cristo (cf. Cl 1,26-27). Portanto, ser conduzido ao mistério é encontrar-
se com a pessoa de Jesus Cristo, acolhendo o desígnio do Pai na força do
Espírito Santo. Considerando-se que a grande tarefa da catequese é a
iniciação à vida cristã, é possível entender que os catequistas devem ser
iniciados nesse processo (Nentwig, 2010b, p. 12).
 Princípio do aprender-fazendo (DNC, n. 256): ninguém nasce pronto, a
formação é um longo caminho a ser percorrido. Assim, não se pode esperar
que uma formação básica dê ao catequista todos os elementos de sua prática,
pois a formação continua no exercício de seu serviço. Isso não dispensa o
catequista de aperfeiçoar continuamente sua formação.
 Formação continuada (DNC, n. 257): o planejamento catequético deve
considerar a formação permanente em todos os níveis, pois o catequista
jamais deverá entender que seu processo de aprendizagem chegou ao fim.
 Catequista como protagonista de sua própria formação: o catequista não
pode receber tudo pronto da Igreja ou da comunidade. O melhor que se pode
fazer por uma pessoa, quanto à sua formação, é dar-lhe instrumentos e
despertar sua curiosidade. A pessoa deve fazer seu caminho, sempre com
orientações, mas com autonomia e consciente de que a responsabilidade
formativa é pessoal, ou seja, cada catequista deve assumi-la como elemento
inerente a seu ministério. Além disso, a biografia do catequista é uma parte
integrante do processo formativo.
 Formação enriquecedora para o catequista: a formação é dirigida às
pessoas em sua totalidade, não se faz apenas em função da missão. Uma
formação puramente “técnica”, isto é, predominantemente teórica, pode ser
irrelevante e cansativa.
 Formação com base na própria realidade: é preciso considerar se o
catequista é leigo, se a maioria deles é do sexo feminino, o modo de ser da
Igreja em que atua etc. Por vezes, não se considera o catequista em seu
contexto e, ainda, aplicam-se conteúdos e métodos que advêm da academia
de teologia (da formação presbiteral) na formação laical.
 Cultivar a espiritualidade: o catequista não pode ser um transmissor
mecânico, portanto não deve receber apenas conteúdos de fé, precisa edificar
sua experiência de fé.
 Considerar o critério pedagógico fundamental: “Seria muito difícil para o
catequista improvisar, na sua ação, um estilo e uma sensibilidade, para os
quais não tivesse sido iniciado durante a sua própria formação” (DGC, n. 237).
Essa citação, extraída do Diretório Geral para a Catequese (DGC),
fundamenta um dos grandes desafios da formação catequética atual: deseja-
se uma catequese renovada, querigmática e mistagógica, porém a formação
dos catequistas ainda conserva muito de academicismo, dependente, em
muitos casos, de um único “formador iluminado”. É preciso pensar o estilo de
formação dos catequistas em consonância com a catequese que se pretende.
 Caráter eclesial da formação: a formação não acontece como uma ação
isolada. “A importância da convivência em grupo servirá como testemunho
coletivo perante a comunidade. No grupo se dará continuidade à formação, à
partilha de vida, à oração em comum, à reflexão, à avaliação das tarefas
realizadas, ao planejamento e preparação dos trabalhos futuros” (CR, n. 151).
 Ser, saber, saber fazer: essas três dimensões, já proclamadas pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(Unesco), são basilares para a organização da formação dos catequistas.

Preste atenção!
1. Ser: primeiramente a formação atinge a personalidade, forma a identidade do
catequista. Essa dimensão diz respeito a conteúdos fundamentais para o “ser
catequista” e aos elementos fundamentais da catequética, que devem levar o
catequista a perceber qual é sua missão dentro da Igreja.
2. Saber: o catequista precisa saber quais são os referenciais de conteúdo da
mensagem cristã, ou seja, a Palavra de Deus. Além da formação bíblica, é preciso
que ele saiba quais são os quatro pilares da fé (ver Capítulo 3).
3. Saber fazer: trata-se de sua formação pedagógica, metodológica (ver Capítulo
4). Consiste em conteúdos elementares: noções de metodologia, planejamento,
encontro de catequese, noções de técnicas, recursos didáticos e noções de
psicologia do desenvolvimento humano.

Política formativa
A grande missão das equipes de coordenação nos âmbitos regional e diocesano é
a elaboração de um plano formativo abrangente, que contemple orientações e a
efetivação de núcleos formativos, de modo que a formação seja garantida sem
improvisação. A política formativa consiste na elaboração desse plano, devendo-se
considerar alguns pressupostos importantes.

É importante observar que, por vezes, gasta-se muita energia


desnecessariamente. Uma questão interessante para reflexão é que, quando não
existe um plano claro e bem situado, nivelam-se todos os catequistas, sem atentar
para o que é próprio de cada grupo. Não é possível que todos os catequistas –
iniciantes, veteranos ou membros de equipes de coordenação – recebam a mesma
formação, sem que se considerem as especificidades no contexto do ministério
catequético.

Para que o processo formativo seja abrangente e qualificado, é necessário que


todos os níveis (básico, médio e superior) sejam atendidos por espaços de
formação (escolas, cursos, seminários etc.) bem definidos nos âmbitos (paróquia,
setor etc.). De acordo com o Diretório Nacional de Catequese, a formação inicial do
catequista (nível básico) deve acontecer nas bases, tendo em vista a grande
rotatividade desses agentes de pastoral. Esse primeiro atendimento deve estar
sempre disponível a todos os novos catequistas, que necessitam de um impulso
inicial e de uma formação fundamental para o início de seu ministério (DNC, n. 291).
Também o Diretório Geral para a Catequese refere-se a escolas para catequistas
de base, que têm a finalidade de proporcionar uma formação básica e fundamental
(DGC, n. 249). Nos artigos de 291 a 294 do Diretório Nacional de Catequese são
comentados os vários níveis da formação dos catequistas (básico, médio e
superior). Aqui cabem algumas perguntas: Como os catequistas fazem sua
formação continuada? O que há de disponível para cada especificidade
(catecumenato de adultos, catequese de crianças etc.)? Os coordenadores
paroquiais e setoriais de catequese recebem formação específica? Responder a
tais questões serve para orientar a política formativa da coordenação, de forma que
o planejamento seja abrangente.
A formação de catequistas é de responsabilidade da Igreja particular (diocese).
Isso não significa dizer que todos os espaços de formação sejam centralizados e
coordenados de modo imediato pela equipe (arqui)diocesana. Também os setores
e as paróquias podem contribuir muito, sobretudo para a disponibilização de
escolas de formação básica e para a formação continuada.

Importante!
Em resumo, um plano formativo deve considerar, basicamente, três fatores:

1. os níveis de formação: básica inicial, média, superior etc.


2. os tipos específicos de catequistas: de crianças, de adultos, coordenadores etc.
3. a definição do âmbito formativo: se acontecerá na paróquia, no setor ou se será
promovida pela diocese etc.

Cada âmbito de coordenação, bem como o próprio catequista, deve ter


consciência de sua responsabilidade com base no plano formativo, como indica o
Quadro 6.1.

Quadro 6.1 – Responsabilidades no plano formativo

Âmbito Responsabilidade

Elaborar um plano de formação diocesana, considerando todos os níveis de


catequista e os lugares onde serão realizadas as formações: diocese, setor, paróquia
Coordenação etc.
diocesana
Orientar os coordenadores paroquiais e os catequistas para que se integrem nesse
plano global.

Elaborar o plano formativo (paroquial, setorial).


Coordenação
Ajudar os catequistas a realizar seu projeto formativo pessoal.
paroquial
Promover a formação que fica sob responsabilidade da paróquia.

Estar consciente da necessidade de que sua formação seja permanente.


Catequista
individualmente
Conhecer os âmbitos de formação e programar sua formação gradativa.

Basicamente, uma diocese precisa fomentar uma escola ou várias escolas de


formação inicial (básica) e fornecer orientações sobre a maneira como deve ser
realizada a formação continuada, ao menos indicando os temas que devem ser
trabalhados a cada ano, em sintonia com a caminhada da Igreja. Melhor ainda se
a coordenação diocesana promover escolas que aprofundem a formação básica:
formação teológica, bíblica e litúrgica e formação específica para a catequese com
adultos (catecumenato). Uma capacitação específica para os membros das equipes
de coordenação setorial e paroquial é uma urgência a ser seriamente considerada
pela coordenação diocesana.

Por fim, é preciso pensar sobre o modelo da formação. Se o catequista deve ser
iniciado no estilo catecumenal-mistagógico, é necessário observar atentamente
essa premissa, de modo que a catequese de iniciação à vida cristã tenha a mesma
pedagogia da formação do catequista. Há décadas, a Igreja do Brasil chama os
centros de formação de catequista de escolas.

Em que consiste uma escola catequética? Essa escola objetiva ser mais do que
um instrumento de formação intelectual, de transmissão de conteúdos. A nova
mentalidade formativa exige uma formação mais abrangente. Quando falamos
em escola, portanto, estamos propondo um espaço formativo como lugar de
convivência, partilha, interação, festa, espiritualidade, celebração, aprendizado…
Não se trata de um tempo de palestras, mas de um momento rico de reavivamento
da mística do ministério catequético. A metodologia é participativa, ou seja, os
participantes devem ter oportunidade de construir seu conhecimento e partilhar
suas experiências, tornando-se protagonistas de sua formação. Uma boa dica para
a realização dessa modalidade formativa é que a escola aconteça em uma casa de
retiros, com pernoite no local. Desse modo, pode-se aproveitar melhor o tempo,
propiciando momentos mais intensos de convivência, partilha e espiritualidade.
Seria como um retiro espiritual: um momento que não deve ser interrompido para
que Deus continue falando ao coração do começo ao fim, sem que o “mundo
externo” atrapalhe a mente e o espírito.

6.4. O planejamento catequético paroquial


Levando em consideração a abrangência do público que trabalha com a catequese
paroquial e com base no que abordamos anteriormente, inclusive nos capítulos
precedentes, indicamos aqui algumas pistas para o planejamento paroquial.
Inicialmente, trataremos das tarefas da coordenação paroquial e de sua equipe e,
por fim, apresentaremos a proposta de um quadro orientativo para o planejamento.
Tarefas da equipe paroquial de catequese
i

Entre as principais tarefas e responsabilidades da equipe paroquial de catequese,


destacamos:

 Fazer a pastoral dos catequistas: a primeira tarefa da coordenação é cuidar


do cuidador. Para isso, é necessário promover a formação dos catequistas,
encontrando meios possíveis (recursos financeiros, inclusive) para a
formação permanente de cada catequista, com um planejamento formativo
paroquial bem elaborado, como já mencionamos.
 Manter o grupo atualizado a respeito da catequese: é importante fazer
assinatura de revistas catequéticas, indicação de bibliografias, cópias de
artigos etc. Seria muito bom manter uma biblioteca atualizada dos
documentos da Igreja na paróquia.
 Promover momentos de oração e espiritualidade do grupo de
catequistas: os encontros não podem ser limitados à formação intelectual; é
necessário promover retiros, momentos de lectio divina, momentos de
adoração etc.
 Promover o planejamento participativo: é preciso envolver todo o grupo de
catequistas na elaboração do itinerário catequético anual.
 Incentivar o planejamento conjunto para catequistas de uma mesma
etapa: trata-se uma boa prática, adotada em muitos lugares. Os catequistas
de cada etapa podem preparar juntos os encontros, partilhar experiências,
suprir necessidades uns dos outros etc.
 Oferecer suporte prático aos catequistas: é importante que a equipe de
coordenação possibilite uma estrutura para atender às necessidades dos
catequistas, ou seja, disponibilizar recursos diversos para atendê-los: vínculo
virtual, registros, fichário, materiais de escritório, jornais, revistas etc.
 Realizar avaliações: é necessário marcar reuniões periódicas de avaliação
− seja por etapa, seja de todo o grupo de catequistas −, sem que estas se
tornem momentos de “lavar a roupa suja”, e sim oportunidades de melhoria
no processo.
 Promover momentos de lazer e integração: os aspectos relacional,
interativo e festivo são muito importantes para o grupo de catequistas.
 Ser elo entre as instâncias: é indispensável manter contato com o pároco,
com a equipe, com os catequistas e com as comunidades (capelas). Deve-se
também manter sintonia com a coordenação (arqui)diocesana: conhecer e dar
a conhecer todas as orientações (arqui)diocesanas, suas finalidades e sua
aplicabilidade. É fundamental estar em sintonia com as atividades
(arqui)diocesanas e marcar presença nelas.
 Cultivar disponibilidade e acolhimento: é conveniente que exista um
membro da equipe a serviço do atendimento aos catequistas nos horários dos
encontros, não somente para resolver problemas práticos, mas sobretudo
para criar proximidade com eles. O contato personalizado, isento de
paternalismos, é uma ferramenta essencial para o ministério da coordenação.
 Participar do conselho de pastoral paroquial: é importante tornar
conhecido o itinerário catequético e motivar a participação das outras
pastorais nesse itinerário, bem como conhecer a programação da paróquia e
das outras pastorais para promover envolvimento da catequese (pastoral
orgânica).

Preste atenção!
O Diretório Nacional de Catequese propõe uma equipe paroquial mais ampla, que
abrace todos os âmbitos catequéticos, não apenas a iniciação à vida cristã. Essa
realidade é um tanto distante do usual nas comunidades, mas cabe aqui ser
mencionada como uma boa proposta. Muitas das tarefas sugeridas reafirmam o
que já propusemos anteriormente. Seguem as tarefas propostas pelo Diretório para
cada equipe paroquial:

1. estar integrada e presente no Conselho Pastoral da paróquia ou da


comunidade;
2. articular com todos os catequistas os projetos e programas assumidos
em conjunto;
3. estar em sintonia e integrada com a programação paroquial;
4. assumir as propostas da catequese em nível diocesano e as orientações
aprovadas pela diocese;
5. organizar equipes nos vários níveis de catequese (adultos, Matrimônio,
Batismo, Confirmação, Eucaristia, catequese junto às pessoas com
deficiência…);
6. promover reuniões periódicas para programar e avaliar; dar nova
condução a trabalhos sem eficiência, corrigindo as falhas;
7. assegurar formação adequada e permanente dos catequistas, em nível
local, sistematizando jornadas, semanas, escolas paroquiais de
catequese;
8. sistematizar uma catequese permanente com os pais e promover ações
referentes à formação com adultos;
9. suscitar a troca de experiências entre as comunidades paroquiais. (DNC,
n. 325) [grifo no original]

O planejamento paroquial/comunitário
Na sequência, apresentamos um quadro orientativo para o planejamento de uma
paróquia ou de uma comunidade. Retomemos, inicialmente, alguns pressupostos
importantes:

 No Capítulo 1 (e também ao longo de toda esta obra), já apontamos a


necessidade da iniciação à vida cristã de crianças, adolescentes e adultos
(catecumenato). É premente a catequese com adultos. Jesus abençoava as
crianças e catequizava os adultos, mas parece que a Igreja tem feito o
contrário: reserva para estes apenas as celebrações, as novenas e as
devoções, mas nem sempre dedica a eles uma profunda formação de fé (CA,
n. 57).
 No Capítulo 4, mostramos que o itinerário catequético de inspiração
catecumenal deve conter três elementos fundamentais: Palavra, celebração
e ação.
 No Capítulo 5, já indicamos a necessidade de realizar a catequese familiar
junto com a iniciação à vida cristã de crianças e adolescentes, prioridade para
o atual contexto.
 Na primeira parte desta seção, destacamos que a principal tarefa da
catequese é a formação de catequistas, que se traduz no cuidado e nas
atividades do grupo de catequistas.

Quadro 6.2 – Quadro orientativo para o planejamento catequético comunitário

ÂMBITOS ELEMENTOS AÇÕES

Encontros personalizados com o introdutor,


Palavra encontros catequéticos, retiros, leitura orante da
Bíblia, encontro catequético com o pároco etc.

Celebrações do Ritual de Iniciação Cristã de Adultos


– RICA (acolhida no catecumenato, entregas do
símbolo – Credo – e do Pai-Nosso, eleição,
Celebração
Catecumenato de adultos exorcismos), celebrações da palavra nos encontros
catequéticos, celebração dos sacramentos da
iniciação cristã, missas etc.

Experiências de participação dos catequizados nas


pastorais, propostas de inserção nas pastorais depois
Ação
da recepção dos sacramentos (mistagogia),
atividades missionárias e sociais.

Encontros catequéticos, retiros, gincanas, atividades


Palavra
lúdicas, leitura orante da Bíblia etc.

Encontros celebrativos, celebrações de entrega de


símbolos, celebrações de preparação próxima aos
Celebração sacramentos da iniciação cristã, celebração dos
Iniciação à vida cristã
sacramentos da iniciação cristã, missas catequéticas
de crianças e adolescentes
etc.

Experiências de participação dos catequizados nas


pastorais (liturgia, catequese, grupo de adolescentes
Ação
etc.), propostas de inserção nas pastorais depois da
Confirmação, atividades missionárias e sociais,
ÂMBITOS ELEMENTOS AÇÕES

exposições catequéticas, participação na festa do


padroeiro etc.

Encontros catequéticos periódicos com as famílias,


visita às famílias, diálogo entre catequistas e
Catequese familiar
familiares, envolvimento das famílias na catequese e
na pastoral familiar etc.

Encontros formativos, escolas catequéticas, retiros,


reuniões de planejamento, confraternizações,
Pastoral dos catequistas acompanhamento personalizado do catequista,
motivação para o catequista participar de formações
em âmbito setorial e diocesano etc.

Reuniões da equipe paroquial de catequese, diálogo


e contato com o pároco, participação no conselho de
Ações próprias da
pastoral paroquial, reuniões no setor pastoral,
coordenação paroquial
eventos e reuniões convocadas pela coordenação
diocesana etc.

Síntese
Neste capítulo, abordamos os âmbitos da organização catequética. Mostramos que
o ministério da coordenação é fundamental, devendo ser exercido com base na
mística do serviço, como um verdadeiro instrumento de articulação de todos, sem
centralização ou vaidade. O principal desafio da coordenação catequética,
sobretudo diocesana e paroquial, é ter uma política formativa: um programa de
formação que contemple os âmbitos de formação, os níveis de catequistas e a
progressividade formativa. Por fim, apresentamos um quadro resumido que orienta
o planejamento paroquial/comunitário: deve-se considerar esse planejamento nos
âmbitos da catequese (catequese de crianças e adolescentes, catequese com
adultos, catequese familiar e pastoral dos catequistas) e dos três múnus (Palavra,
celebração e ação).

Indicações culturais
DIVERTIDA MENTE. Direção: Pete Docter. EUA: Disney/Buena Vista, 2015. 95
min.

O filme mostra como a personagem Felicidade é uma líder carismática e que


consegue trabalhar de maneira efetiva com todas as outras sensações que
estão junto dela, comandando as emoções da jovem Riley. O filme dá a lição
de que momentos de tristeza, euforia, medo e até mesmo raiva são essenciais
para a vida e que as memórias mais importantes que temos são movidas pela
mistura dessas sensações.

Atividades de autoavaliação
1. “Nenhuma metodologia dispensa a pessoa do catequista no processo da
catequese. A alma de todo método está no carisma do catequista, na sua
sólida espiritualidade, em seu transparente testemunho devida, em seu
amor aos catequizandos, na sua competência quanto ao conteúdo, ao
método e à linguagem. O catequista é um mediador que facilita a
comunicação entre os catequizandos e o mistério de Deus, das pessoas
entre si e com a comunidade” (DNC, n. 172).

A respeito da formação dos catequistas, assinale a alternativa correta:

1. A formação de catequistas está diretamente relacionada com a alteração


do formato da pessoa, ou seja, seu objetivo é mudar o jeito da pessoa e
seu modo de pensar.
2. A realidade dos catequistas é desafiadora, porém essa realidade não
deve ser inserida na formação nem levada em consideração nos
encontros de catequese.
3. O principal objetivo da formação é preparar os catequistas para
conduzirem os catequizandos ao mistério da fé, fornecendo-lhes
instrumentos e orientações sobre o processo catequético, formando-os
nas dimensões do ser, do saber e do saber fazer.
4. A formação para catequistas deve ser comunitária, assim como a
responsabilidade formativa. A história de vida do catequista não é parte
integrante do processo formativo.
5. A formação de catequistas deve sempre seguir o mesmo modelo,
academicista, pois ele permite maior aprendizado e aproveitamento dos
conteúdos previstos.
2. A organização da catequese é fundamental para um bom andamento das
atividades catequéticas. É ela que facilita as relações interpessoais e a
criação da corresponsabilidade. Considerando os âmbitos de organização,
relacione os níveis de acordo com sua correta descrição:
1. Coordenação paroquial da catequese
2. Coordenação de setor/região
3. Coordenação diocesana de catequese
4. Comissão regional de catequese
5. Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico-Catequética
6. Seu principal objetivo é animar a pastoral bíblica e dinamizar a catequese
no Brasil.
7. É formada pelo grupo de catequistas e pelas forças catequéticas, cujo
objetivo é promover e acompanhar a iniciação à vida cristã na paróquia.
8. Propõe orientações para a catequese de acordo com as exigências da
Igreja. A equipe é eleita pelo bispo e está sempre em contato com a equipe
regional de catequese.
9. Representa os bispos do regional na animação catequética das dioceses.
10. Trata-se de uma equipe eleita entre os coordenadores paroquiais do
setor. É responsável por promover ações catequéticas e manter contato com
a coordenação da diocese.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

11. 2, 3, 4, 1 e 5.
12. 1, 3, 5, 4 e 2.
13. 5, 3, 1, 2 e 4.
14. 1, 2, 3, 4 e 5.
15. 5, 1, 3, 4 e 2.
3. Sobre o plano formativo da catequese e sua importância, classifique as
afirmativas a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F):
1. Para elaborar um plano formativo, não é necessário considerar as
especificidades e as experiências dos catequistas. É possível nivelar todos
em uma mesma formação.
2. Segundo o Diretório Nacional de Catequese, as formações iniciais devem
acontecer nas bases, para fornecer conhecimentos básicos e necessários.
3. Nos encontros formativos, é importante considerar os níveis de formação e
os interlocutores com os quais o catequista vai interagir: crianças, adultos
etc.
4. A responsabilidade do plano formativo é somente da diocese. Os
catequistas e as coordenações paroquiais e regionais não devem se
preocupar com a formação dos catequistas.

Assinale a alternativa correta:

5. F, V, V, F.
6. F, F, V, V.
7. V, F, V, F.
8. F, F, F, V.
9. V, V, V, F.
4. A paróquia/comunidade deve construir o planejamento da catequese
levando em consideração o público com o qual trabalha. A respeito desse
assunto, analise as proposições a seguir:
1. É dispensável manter contato com o pároco e com a equipe diocesana. O
que importa para uma coordenação paroquial são os catequistas da base.
2. É importante que haja um cuidado especial com os catequistas.
Acolhimento, proximidade e contato pessoal fazem com que eles se sintam
parte da equipe e tenham motivação para seguir em frente.
3. As outras pastorais da paróquia podem participar do itinerário catequético,
trazendo novos catequizandos e envolvendo-se com as atividades da
catequese, desde que integradas com a coordenação paroquial.
4. Não é aconselhável que todos os catequistas participem da elaboração do
planejamento anual. Assim não se criam atividades e eventos diferentes
dos que acontecem sempre, evitando dores de cabeça.

Estão corretas:
5. apenas as afirmativas I e III.
6. apenas as afirmativas I e IV.
7. apenas as afirmativas II e III.
8. apenas as afirmativas I, III e IV.
9. todas as alternativas.
5. De acordo com as orientações para o planejamento catequético
comunitário, assinale a alternativa correta:
1. O único elemento do catecumenato com adultos é a Palavra, presente em
grandes encontros, quando há palestras e formações sobre a doutrina da
Igreja.
2. A catequese familiar não faz parte do planejamento catequético, fica sempre
a cargo da pastoral familiar e é realizada sempre em caráter emergencial.
3. A iniciação cristã de crianças deve ser fundamentada em encontros
catequéticos, encontros celebrativos e experiências de inserção dos
catequizandos em atividades comunitárias, missionárias e sociais.
4. Não é possível a realização de celebrações na catequese de iniciação cristã
com crianças, pois somente os adultos é que devem ter acesso ao Ritual de
Iniciação Cristã de Adultos (RICA) como ritual inspirador para a catequese.
5. A coordenação paroquial dos catequistas é responsável exclusivamente pelas
reuniões com os catequistas. As demais funções e o contato com a diocese
fica sob responsabilidade do pároco.

Atividades de aprendizagem
Questões para reflexão
1. Procure estabelecer relações entre o que foi apresentado como características
da coordenação catequética e o filme Divertida Mente. Com base nessa
reflexão, produza um texto sobre o perfil de um líder (coordenador) de
catequese.
2. Ainda tendo como base o filme Divertida Mente, reflita sobre como o mundo
emocional pode atrapalhar a função de um líder (coordenador).

Atividade aplicada: prática


1. Observe se em sua paróquia há um planejamento do grupo de catequistas.
Como os catequistas realizam sua formação? Se você está integrado na
catequese paroquial (ou diocesana), como poderia contribuir nessa área?

Considerações finais
O título deste livro anuncia que é necessário encontrar pistas para uma prática
catequética em tempos de nova evangelização. Esta obra é apenas um exercício
humilde em que procuramos suscitar indicativos para tempos novos e despertar
uma reflexão que gere práticas diferenciadas, que se distanciem dos antigos
modelos tradicionais.

Destacamos, primeiramente, que, diante do contexto de nova evangelização, a


catequese deve vestir as roupas do querigma, sendo anúncio vivo de Jesus Cristo
de um modo testemunhal, personalizado e alegre e também uma mediação que
almeja subjetivar o interlocutor. Este, de modo livre, deve decidir se deseja
caminhar no processo mistagógico, descobrindo a água viva que emana do Senhor,
como a Samaritana à beira do poço de Jacó. Indicamos que esse caminho depende
de uma catequese de inspiração catecumenal.

Em seguida, examinamos como o magistério da Igreja caminhou até aqui,


procurando encontrar respostas diante dos desafios de ontem e de hoje.

Tendo tratado dos pressupostos, da linha e da história da catequese, analisamos


seus dois “pulmões”: o conteúdo e a prática, ou seja, a mensagem e a pedagogia.
Se é verdade que precisamos de fidelidade às fontes, sobretudo à Bíblia, é também
verdade que a catequese é uma prática que não deve ser exercida no improviso,
deve estar próxima da ciência humana e inspirar-se no modo de agir divino.

Posteriormente, mostramos que a catequese se desenvolve em diversos lugares,


com destaque para a família − berço da fé – e para a comunidade cristã − uma
comunidade querigmática, missionária, mistagógica e materna é fundamento para
o processo de iniciação à vida cristã (IVC, n. 107-115). Sem vida comunitária, não
há possibilidade de crescimento e vivência da fé.

Por fim, tratamos da organização catequética, a qual compreende vários âmbitos.


Enfatizamos que a paróquia, rede de comunidades, tem papel fundamental no
exercício do planejamento orientado pelas diretrizes da Igreja particular. Nesse
contexto, a formação de catequistas ocupa lugar de destaque.

Ao publicamos este livro acolhendo as inspirações do Ano Mariano, marcado pelo


centenário das aparições em Fátima e pela celebração dos 300 anos do encontro
da imagem de Nossa Senhora Aparecida, entendemos ser importante ressaltar o
papel de Maria, inspiradora para a catequesei.

Aos catequizandos Maria ensina a progredir na experiência de fé, pois ela é mulher
do silêncio, que conserva tudo em seu coração. Ela é mulher meditativa, que realiza
um ruminar interior, não apenas da Escritura, mas também dos acontecimentos de
sua vida, que são um Evangelho vivo (cf. Lc 2,19). Maria é uma mulher que não
entende tudo, tem dúvidas, porém não se desespera, apenas acolhe tudo no
silêncio e procura compreender sua existência à luz da fé.

Aos catequistas Maria ensina a serem mediadores da experiência de fé. Nas Bodas
de Caná (cf. Jo 2,1-12), Maria não se distrai com a festa, e sim preocupa-se com
os noivos, que poderiam ficar envergonhados com a falta do vinho. Ao dizer “Fazei
tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5), não apenas provoca a escuta da palavra de
Jesus, como também indica o caminho da fé, pois, ao final do relato, afirma o
evangelista João: “e seus discípulos creram nele” (Jo 2,11). Maria inspira a
catequese a ser mediadora da fé, porque sua missão é fazer com que os
catequizandos creiam no Senhor, resgatando toda a vitalidade celebrativa da Igreja.

Maria, catequista do Filho de Deus e catequista da Igreja, rogai por nós!

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Salesiana, Roma, 1995.
46. _____. Apresentando o Diretório nacional de catequese: Eixo
propulsor do Ano Catequético. Jan./Fev. 2009. Disponível em:
<http://www.vidapastoral.com.br/artigos/documentos-e-
concilios/apresentando-o-diretorio-nacional-de-catequese-eixo-propulsor-do-
ano-catequetico/>. Acesso em: 1º mar. 2018.
47. _____. Gênese e desenvolvimento do Diretório Nacional de
Catequese. Revista de Catequese, São Paulo, ano 29. n. 116, p. 6-25,
out./dez. 2006a.
48. _____. Introdução ao novo Diretório Geral para a Catequese. Revista
Eclesiástica Brasileira, n. 59, p. 281-312, 1999.
49. _____. Lançamento do Diretório Nacional de Catequese. Revista de
Catequese, São Paulo, ano 29, n. 115, p. 74-78, jul./set. 2006b.
50. LIMA, L. A. de. Metodologia: considerações sobre o itinerário
catecumenal. Montevidéu, 13 out. 2005. Disponível em:
<http://www.clerus.org/clerus/dati/2007-11/24-13/Metodologia.html>. Acesso
em: 21 fev. 2018.
51. _____. Novos paradigmas para a catequese hoje. Revista de
Catequese, São Paulo, ano 30. n. 117, p. 6-17, jan./mar. 2007.
52. LIMA, L. A. de; NERY, I. A catequese no pensamento recente da
Igreja. [S.d.]. Não publicado.
53. MACHADO, L. M. P. Metodologia catequética. In: COMISSÃO DA
ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA. Formação de catequistas: subsídio
com os principais temas para a formação de catequistas. Curitiba:
Arquidiocesana, 2013. p. 149-168.
54. MENON, R. F. M. Itinerário celebrativo para a iniciação cristã:
crianças e adolescentes. Curitiba: Arquidiocesana, 2010.
55. MENON, R. F. M.; NENTWIG, R. A coordenação paroquial: suas
tarefas. Curitiba, 2014. Material formativo utilizado na Escola de
Coordenadores na Arquidiocese de Curitiba. Texto não publicado.
56. MICHELETTI, G. D. A Paróquia hoje e o desafio da evangelização e da
catequese: uma proposta evangelizadora inspirada no estilo
catecumenal. Revista de Catequese, São Paulo, ano 30, n. 117, p. 35-42,
jan./mar. 2007.
57. MORÁS, F. As correntes contemporâneas de catequese. Petrópolis:
Vozes, 2004.
58. NENTWIG, R. A catequese em tempos de nova evangelização. Revista
de Catequese, São Paulo, ano 37, n. 143, p. 22-35, jan./jun. 2014.
59. _____. Iniciação à comunidade cristã: a relação entre a comunidade
evangelizadora e o catecumenato de adultos. São Paulo: Paulinas, 2013.
(Coleção Catequética).
60. _____. Maria: catequista mistagoga. Voz da Igreja, Curitiba, p. 12, maio
2010a.
61. _____. O catequista mistagogo. Voz da Igreja, Curitiba, p. 12, mar.
2010b.
62. NERY, Irmão. Catequese com adultos e catecumenato: história e
proposta. São Paulo: Paulus, 2007.
63. NUCAP – Núcleo de Catequese Paulinas. Mistagogia: do visível ao
invisível. São Paulo: Paulinas, 2013.
64. OLENIKI, M. L. R.; MACHADO, L. M. P. O encontro de catequese. 5.
ed. Petrópolis: Vozes, 2005.
65. OLIVEIRA, R. D. de. Catequese e geração net. 25 jan. 2014. Disponível
em: <http://www.catequesehoje.org.br/outro-olhar/catequese-e-
modernidade/637-catequese-
e-geracao-net>. Acesso em: 21 fev. 2018.
66. OLIVEIRA, R. M. de. Dimensões da catequese a partir do conceito de
Revelação. Revista de Catequese, São Paulo, ano 7, n. 26, p. 4-13, abr./jun.
1984.
67. PAULO VI, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi: sobre a
evangelização no mundo contemporâneo. São Paulo: Paulinas, 1976.
68. SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CLERO. Diretório Catequético
Geral. Petrópolis: Vozes, 1971.
69. SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Ritual da
Iniciação Cristã de Adultos. São Paulo; Paulus, 2001.
70. WEISENSEE, J. A. Animação bíblico-catequética de uma
paróquia. Revista de Catequese, São Paulo, ano 31, n. 122, p. 49-61,
abr./jun. 2008.

Bibliografia comentada
CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Diretório Nacional de
Catequese. Brasília: CNBB, 2006. (Coleção Publicações da CNBB, n. 1).

Trata-se do principal documento brasileiro sobre catequese, considerando-a em


sua globalidade. O estudante de catequética deve tomar esse texto como roteiro
fundamental. Para facilitar o estudo, segue a relação dos capítulos do
documento com os respectivos conteúdos, bem como a correspondência com
os conteúdos deste livro:

1. “Movimento catequético pós-conciliar: conquistas e desafios” – para


compreender a caminhada catequética brasileira recente.
2. “A catequese na missão evangelizadora da Igreja” – para compreender o
espírito da catequese na atualidade – sua índole evangelizadora (querigmática)
e a inspiração catecumenal. Corresponde ao Capítulo 1 deste livro.
3. “Catequese contextualizada: história e realidade” – para compreender a
importância da história como lugar teológico e os principais fatores determinantes
da catequese na história brasileira.
4. “Catequese: mensagem e conteúdo” – corresponde ao Capítulo 3 deste livro.
5. “Catequese como educação da fé” – para compreender os aspectos
pedagógicos da catequese. Corresponde ao Capítulo 4 deste livro.
6. “Destinatários como interlocutores no processo catequético” e
7. “O ministério catequético e seus protagonistas” – para o estudo dos
participantes do processo catequético. Correspondem aos Capítulos 5 e 6 deste
livro.
8. “Lugares da catequese e sua organização na Igreja particular” – sobre os
lugares da catequese, com ênfase na comunidade e na Igreja diocesana. Auxilia
nos estudos dos Capítulos 5 e 6 deste livro.

ALBERICH, E. Catequese evangelizadora: manual de catequética fundamental.


São Paulo: Salesiana, 2004.

O livro é um manual completo de catequética. Aborda todos os temas da


disciplina catequética, além de fazer uma relação com a problemática do tempo
presente. O título Catequese evangelizadora é próprio da versão brasileira e
salienta, ao melhor modo, o sentido fundamental da catequese nos tempos
atuais: o desafio de se realizar uma catequese animada pelo espírito do
Evangelho, mesmo em realidades ditas de maioria cristã.

REVISTA DE CATEQUESE. Publicação do Centro Unisal – Câmpus Pio XI, São Paulo.

É possível afirmar que, em âmbito pastoral-acadêmico, esse periódico é o único


que apresenta estudos sobre a catequese, pois os demais são destinados ao
público geral e a catequistas de base. Desde 1978, são publicados quatro
números anuais com artigos sobre estudos, experiências e documentação
relacionados ao movimento catequético nacional e internacional.

MORÁS, F. As correntes contemporâneas de catequese. Petrópolis: Vozes, 2004.

O texto é muito interessante e de leitura fácil. Apresenta importantes dados da


história da catequese, antiga e mais recente, aplicando-os à realidade atual.
Segundo o autor, a catequese tem quatro grandes correntes. As duas primeiras
abordadas no livro estão muito em voga: catequese querigmática e
catecumenal. As outras duas ainda têm grande atualidade, embora tenham sido
mais reforçadas outrora: a catequese de índole sociotransformadora e a
catequese antropológica. A obra pode ajudar principalmente no estudo dos
Capítulos 1, 3 e 4 deste livro.

NENTWIG, R. Iniciação à comunidade cristã: a relação entre a comunidade


evangelizadora e o catecumenato de adultos. São Paulo: Paulinas, 2013.
(Coleção Catequética).

O livro é também de nossa autoria. Trata da relação entre a comunidade cristã


e o catecumenato de adultos. A primeira aborda brevemente os desafios dos
tempos atuais para a catequese. A segunda parte refere-se à comunidade como
polo articulador da iniciação à vida cristã. A terceira parte mostra a relação entre
o catecumenato e a comunidade, revelando a mútua contribuição dos dois
elementos. Recomendamos o estudo dessa obra para aprofundar os Capítulos
1 e 5 deste livro.

NERY, Irmão. Catequese com adultos e catecumenato: história e proposta. São


Paulo: Paulus, 2001.

O texto foi um dos primeiros a serem lançados quando o tema da iniciação à


vida cristã ganhou destaque no cenário catequético brasileiro. Tem a vantagem
de fazer um levantamento histórico do catecumenato, o que é sempre útil para
uma boa compreensão do fato. O texto não versa apenas sobre a história;
aborda também elementos de aplicação concreta, principalmente para a
catequese com adultos. Recomendamos o estudo dessa obra para aprofundar
o Capítulo 1 deste livro.

PEDROSA, V. M. (Org.). Dicionário de catequética. São Paulo: Paulus, 2004.


Em língua portuguesa não existe outro dicionário mais completo. Por isso, trata-
se de um bom guia de estudo quando se deseja uma abordagem sintética e
global de um tema específico. Ao ser traduzido do espanhol, foi bem atualizado
para o Brasil, com verbetes próprios para a realidade brasileira.

Respostas

Capítulo 1 Capítulo 4
Atividades de autoavaliação Atividades de autoavaliação
1. c 1. c
2. b 2. d
3. e 3. e
4. c 4. a
5. d 5. b

Capítulo 2 Capítulo 5
Atividades de autoavaliação Atividades de autoavaliação
1. c 1. b
2. d 2. b
3. b 3. d
4. a 4. c
5. b 5. c

Capítulo 3 Capítulo 6
Atividades de autoavaliação Atividades de autoavaliação
1. d 1. c
2. b 2. e
3. c 3. a
4. a 4. c
5. c 5. c

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