0% acharam este documento útil (0 voto)
74 visualizações13 páginas

Direito Tributario. Reparticao Constitucional Das Receitas Tributarias. Compressed

O documento aborda a repartição constitucional de receitas tributárias no Brasil, explicando como as receitas são distribuídas entre os diferentes entes federativos, conforme a Constituição. Ele detalha a diferença entre repartição direta e indireta, além de esclarecer quais tributos estão sujeitos a essa repartição. O material também inclui questões de provas relacionadas ao tema, visando enriquecer o aprendizado sobre Direito Tributário.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
74 visualizações13 páginas

Direito Tributario. Reparticao Constitucional Das Receitas Tributarias. Compressed

O documento aborda a repartição constitucional de receitas tributárias no Brasil, explicando como as receitas são distribuídas entre os diferentes entes federativos, conforme a Constituição. Ele detalha a diferença entre repartição direta e indireta, além de esclarecer quais tributos estão sujeitos a essa repartição. O material também inclui questões de provas relacionadas ao tema, visando enriquecer o aprendizado sobre Direito Tributário.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
Você está na página 1/ 13

Direito Tributário

Repartição Constitucional de Receitas


Tributárias
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

Sumário
TRIBUTÁRIO ................................................................................................................................................................. 3
Repartição Constitucional de Receitas Tributárias ................................................................................................. 3
1. Introdução ........................................................................................................................................................... 3

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
2. Repartição direta e indireta ................................................................................................................................ 4
3. Tributos sujeitos e não sujeitos à repartição ...................................................................................................... 4
5. Repartição direta ................................................................................................................................................. 5
6. Repartição indireta ............................................................................................................................................10

2
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

TRIBUTÁRIO

Repartição Constitucional de Receitas Tributárias

Fala, futuras Magistradas e futuros Magistrados! Estamos mais uma vez com a disciplina de Direito

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Tributário. Vamos nessa?

1. Introdução

Neste material falaremos sobre a repartição constitucional de receitas tributárias. Ela ocorre quando
a receita ingressa nos cofres públicos, onde já houve a efetiva extinção do crédito tributário. Trata-se de um
tema com importância tanto para o Direito Tributário quanto para o Direito Financeiro. Neste material
também inserimos questões de provas de Promotor de Justiça, para deixar o material mais completo.

As receitas tributárias que ingressam nas contas públicas podem ser aquelas oriundas da arrecadação
por cada ente dos tributos que são de sua competência, conforme determinado pela Constituição e as
oriundas do repasse, direto ou por meio de rateio, do produto da arrecadação de outros entes.

Desta forma, a repartição de receitas tributárias pode ocorrer da União para os Estados, da União para
os Municípios ou dos Estados para os Municípios, seguindo a ordem prevista na Constituição. Obviamente que
os Municípios não podem repassar para os Estados ou para a União e os Estados não podem repassar para a
União, mas apenas o inverso. Sobre o tema, pontua a doutrina especializada:

A repartição da arrecadação, portanto, segue uma ordem estabelecida pela


Constituição, sempre no sentido do ente maior para os entes menores. A União
repassa parte da sua arrecadação tributária para os Estados, Distrito Federal e
Municípios. Por sua vez, os Estados fazem a repartição para Municípios localizados
dentro do seu território. O DF e os Municípios, por fim, não realiza, qualquer repasse,
uma vez que não há nenhum ente de menor amplitude que a sua.1

CAIU NO MPE-PI (Promotor de Justiça)-2012-CESPE: As receitas tributárias devem ser repartidas sempre, de
forma direta, entre as pessoas políticas destinatárias, sendo expressamente vedado na CF o repasse a qualquer
fundo de participação vinculado aos entes federativos.2

CAIU NO MPE-PI (Promotor de Justiça)-2012-CESPE: Apesar de constar no texto constitucional a expressão


repartição das receitas tributárias, a CF prevê apenas a repartição dos impostos arrecadados, excluídos da
repartição os demais tributos.3

1
ORTEGA, Evandro; VIEIRA, Leonardo. Manual de Direito e Processo Tributário. 4. ed. São Paulo: Ed. JusPodivm, 2024, p. 798-799.
2 ERRADO.
3 ERRADO.

3
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

CAIU NO MPE-PI (Promotor de Justiça)-2012-CESPE: A determinação constitucional de repartição das


receitas tributárias infirma o pacto federativo.4

CAIU NO MPE-PI (Promotor de Justiça)-2012-CESPE: De acordo com o princípio federativo adotado pela CF,
a União, os estados, o DF e os municípios deverão realizar repasses e repartir suas respectivas receitas

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
tributárias.5

É importante saber que a repetição pode ser direta ou indireta, conforme veremos a seguir, de acordo
com o repasse dessa receita.

2. Repartição direta e indireta

A repartição pode ser direta ou indireta, conforme a determinação da Constituição. Se a Constituição


determinar que a receita será repassada diretamente de um ente para o outro que não tem a competência
para a sua arrecadação, essa repartição e esse repasse serão diretos. Todavia, se a Constituição determinar
que o repasse será através de um fundo de participação, a repartição será indireta.

Para deixar mais claro, vejamos como ensina a doutrina:

A regra constitucional pode determinar que determinada receita (ou parte dela) seja
diretamente destinada a outro ente, diferente daquele que tem a competência para
a cobrança do tributo. Nesse caso, o repasse acontece diretamente, sem nenhuma
forma intermediária de concentração dessa receita.
É o que acontece, por exemplo, com o IPVA. Por determinação constitucional,
metade da arrecadação desse tributo é repassada, pelo Estado, para o Município
em que o veículo estiver registrado.
Por outro lado, a CF/88 pode determinar que a entrega seja feita pra um fundo de
participação, de onde partirá o posterior repasse. A operação ocorre indiretamente,
pois existe uma fase intermediária antes do recurso chegar ao seu destinatário final.6

3. Tributos sujeitos e não sujeitos à repartição

Professor, todos os tributos estão sujeitos à repartição? A resposta é não, apenas receitas de tributos
não vinculados. Os tributos vinculados, como as taxas e contribuições de melhoria não estão sujeitos e
repasse, em regra. Assim também acontece com os empréstimos compulsórios, com as contribuições
especiais e a COSIPSM (Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública).

Todavia, é importante ressaltar que a CIDE-combustíveis está entre as exceções e, apesar de ser um
tributo com arrecadação vinculada, a Constituição determina a sua repartição:

4 ERRADO.
5 ERRADO.
6
ORTEGA, Evandro; VIEIRA, Leonardo. Manual de Direito e Processo Tributário. 4. ed. São Paulo: Ed. JusPodivm, 2024, p. 799.

4
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

Art. 159. A União entregará:


[...]
III - do produto da arrecadação da contribuição de intervenção no domínio
econômico prevista no art. 177, § 4º, 29% (vinte e nove por cento) para os Estados
e o Distrito Federal, distribuídos na forma da lei, observadas as destinações a que se

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
referem as alíneas "c" e "d" do inciso II do referido parágrafo. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 132, de 2023)
[...]
§ 4º Do montante de recursos de que trata o inciso III que cabe a cada Estado,
vinte e cinco por cento serão destinados aos seus Municípios, na forma da lei a
que se refere o mencionado inciso. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
42, de 19.12.2003)

CAIU NO TRF – 1ª REGIÃO (Juiz Federal)-2023-FGV: A União entregará, do produto da arrecadação da Cide-
Combustíveis, 50% para os Estados e o Distrito Federal.7

Finalmente, a regra é que os impostos sejam repartidos entre os entes, com exceção dos impostos
arrecadados pelos Municípios e pelo DF em sua competência municipal e estadual. Da mesma forma, o ITCM,
e os impostos federais II, IE, IGF e o IEG não serão repartidos por ausência da previsão legal.

CAIU NO TRF – 1ª REGIÃO (Juiz Federal)-2011-CESPE: Por força de dispositivo constitucional, a União
repassa, a cada mês, para estados e municípios uma parcela da arrecadação de alguns tributos. Toda a
arrecadação de outros tributos, entretanto, permanece com a União, a exemplo do imposto sobre
A) produtos industrializados.
B) operações de crédito, câmbio e seguro.
C) a propriedade territorial rural.
D) a importação.
E) a renda e proventos de qualquer natureza.8

4. Repartição direta

A repartição direta acontece com o repasse direto da receita de tributos da União para os Estados e
para os Municípios e da receita de tributos de competência dos Estados para os Municípios.

Em relação aos tributos da União, o IR (Imposto de Renda) é repassado aos Estados e ao DF em sua
integralidade quanto aos rendimentos pagos pelos próprios entes, autarquias ou fundações:

Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal:


I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de
qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título,
por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem;

7 ERRADO.
8 Gabarito: D.

5
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

JURISPRUDÊNCIA: Pertence ao Município, aos Estados e ao Distrito Federal a titularidade das receitas
arrecadadas a título de imposto de renda retido na fonte incidente sobre valores pagos por eles, suas
autarquias e fundações a pessoas físicas ou jurídicas contratadas para a prestação de bens ou serviços,
conforme disposto nos arts. 158, I, e 157, I, da Constituição Federal.
STF. Plenário. RE 1293453/RS, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 8/10/2021 (Repercussão Geral –

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Tema 1130) (Info 1033). 9

Súmula 447 STJ: Os Estados e o Distrito Federal são partes legítimas na ação de restituição de imposto de
renda retido na fonte proposta por seus servidores.

Da mesma forma, pertencerá aos Municípios o IR correspondente aos rendimentos pagos pelos
próprios entes, autarquias ou fundações:

Art. 158. Pertencem aos Municípios:


I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de
qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título,
por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem;

JURISPRUDÊNCIA: A obrigação de transferência da quota pertencente aos municípios sobre o produto da


arrecadação do ICMS, relativa à repartição constitucional das receitas tributárias, só ocorre quando há o
efetivo recolhimento do tributo, isto é, quando configurada a receita pública por parte do estado-membro.
Tese fixada pelo STF:
“Os programas de diferimento ou postergação de pagamento de ICMS — a exemplo do FOMENTAR e do
PRODUZIR, do Estado de Goiás — não violam o sistema constitucional de repartição de receitas tributárias
previsto no art. 158, IV, da Constituição Federal, desde que seja preservado o repasse da parcela pertencente
aos municípios quando do efetivo ingresso do tributo nos cofres públicos estaduais.”.
STF. Plenário. RE 1288634/GO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 16/12/2022 (Repercussão Geral – Tema
1.172) (Info 1080).10

CAIU NO TJ-MT (Juiz de Direito)-2014-FMP Concursos: A competência tributária não se confunde com a
repartição das receitas tributárias. A competência diz respeito à instituição de tributos; a repartição das
receitas, à divisão do produto da sua arrecadação. A Constituição Federal, ao dispor sobre a repartição das
receitas tributárias, prevê que determinados impostos da competência da União serão repartidos com os
Estados e com os Municípios e que determinados impostos estaduais serão repartidos com os Municípios.
Sobre a matéria, é correto afirmar que:

9 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Os Estados, DF e Municípios possuem direito à arrecadação do IR retido na fonte, incidente
sobre rendimentos pagos por eles, suas autarquias e fundações a pessoas físicas ou jurídicas contratadas para a prestação de
bens ou serviços. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/16c0d78ef6a76b5c247113a4c9514059>.
10 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. A obrigação de transferência da quota pertencente aos municípios sobre o produto da

arrecadação do ICMS só ocorre quando há o efetivo recolhimento do tributo. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em:
<https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/5e6eda66654df2e17f1bc2d6b73ef245>.

6
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

A) pertence aos Municípios o produto da arrecadação do imposto de renda incidente na fonte, sobre
rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e fundações que instituírem e mantiverem, do
que é exemplo o retido no pagamento dos vencimentos dos seus servidores.
B) os Estados, embora destinatários do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte por
ocasião do pagamento dos vencimentos dos seus servidores, não são parte legítima para as respectivas

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
eventuais repetições de indébito, na medida em que a fiscalização é realizada pela Receita Federal do Brasil,
e a declaração de ajuste também é prestada e fiscalizada por esse órgão da União.
C) pertence aos Municípios a totalidade do ITR e do IPVA quando optem, respectivamente, por fiscalizar e
cobrar o ITR e por realizar a fiscalização de trânsito.
D) pertence aos Municípios em que estão situados os portos e aeroportos de entrada dos produtos
estrangeiros 80% da arrecadação do imposto sobre as respectivas importações..
E) o produto do IPVA é dividido com o Município em que licenciado o veículo automotor, mas o produto do
ICMS pertence exclusivamente aos Estados, não sendo dividido com os Municípios.11

Sobre o IOF (Imposto sobre operações financeiras) incidente sobre o ouro, assim determina a
Constituição:

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:


[...]
§ 5º O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial,
sujeita-se exclusivamente à incidência do imposto de que trata o inciso V do "caput"
deste artigo, devido na operação de origem; a alíquota mínima será de um por cento,
assegurada a transferência do montante da arrecadação nos seguintes
termos: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993)
I – 30% para o Estado, o Distrito Federal ou o Território, conforme a origem;
II – 70% para o Município de origem.

Quanto ao ITR (Imposto Territorial Rural), a repartição aos municípios será da seguinte maneira,
conforme previsão da CR/88:

Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:


[...]
VI - propriedade territorial rural;
[...]
§ 4º O imposto previsto no inciso VI do caput:
[...]
III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei,
desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia
fiscal.

Art. 158. Pertencem aos Municípios:


[...]

11 Gabarito: A.

7
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

II - 50% do produto da arrecadação do imposto da União sobre a propriedade


territorial rural, relativamente aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na
hipótese da opção a que se refere o art. 153, § 4º, III; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Assim, em regra, caberá aos Municípios 50% do ITR, mas é possível que seja cabível a totalidade caso
seja fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na forma da lei.

Quanto ao IPVA, a Constituição determina que 50% do produto da arrecadação será do Município:

Art. 158. Pertencem aos Municípios:


[...]
III - 50% (cinquenta por cento) do produto da arrecadação do imposto do Estado
sobre a propriedade de veículos automotores licenciados em seus territórios e,
em relação a veículos aquáticos e aéreos, cujos proprietários sejam domiciliados
em seus territórios;

CAIU NO TJ-SC (Juiz de Direito)-2009-BANCA PRÓPRIA: Pertencem aos Municípios cinquenta por cento do
produto da arrecadação do IPVA de veículos automotores licenciados em seus territórios.12

Em relação ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e o IBS


(Imposto sobre Bens e Serviço), atenção à reforma tributária (EC 132 de 2023):

Art. 158. Pertencem aos Municípios:


[...]
IV - 25% (vinte e cinco por cento): (Redação dada pela Emenda Constitucional nº
132, de 2023)
a) do produto da arrecadação do imposto do Estado sobre operações relativas à
circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023) (Vide Emenda Constitucional nº 132, de
2023) Vigência
b) do produto da arrecadação do imposto previsto no art. 156-A distribuída aos
Estados. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023)
§ 1º As parcelas de receita pertencentes aos Municípios mencionadas no inciso IV,
"a", serão creditadas conforme os seguintes critérios: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023) (Vide Emenda Constitucional nº 132, de
2023) Vigência
I - 65% (sessenta e cinco por cento), no mínimo, na proporção do valor
adicionado nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações
de serviços, realizadas em seus territórios; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 108, de 2020)

12 CERTO.

8
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

II - até 35% (trinta e cinco por cento), de acordo com o que dispuser lei estadual,
observada, obrigatoriamente, a distribuição de, no mínimo, 10 (dez) pontos
percentuais com base em indicadores de melhoria nos resultados de
aprendizagem e de aumento da equidade, considerado o nível socioeconômico
dos educandos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 108, de 2020)

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
CAIU NO TJ-MT (Juiz de Direito)-2014-FMP Concursos: A competência tributária não se confunde com a
repartição das receitas tributárias. A competência diz respeito à instituição de tributos; a repartição das
receitas, à divisão do produto da sua arrecadação. A Constituição Federal, ao dispor sobre a repartição das
receitas tributárias, prevê que determinados impostos da competência da União serão repartidos com os
Estados e com os Municípios e que determinados impostos estaduais serão repartidos com os Municípios.
Sobre a matéria, é correto afirmar que o produto do IPVA é dividido com o Município em que licenciado o
veículo automotor, mas o produto do ICMS pertence exclusivamente aos Estados, não sendo dividido com os
Municípios.13

Em especial sobre o IBS, estabeleceu assim a Reforma Tributária em 2023:

Art. 158. Pertencem aos Municípios:


[...]
§ 2º As parcelas de receita pertencentes aos Municípios mencionadas no inciso
IV, "b", serão creditadas conforme os seguintes critérios: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023)
I - 80% (oitenta por cento) na proporção da população; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023)
II - 10% (dez por cento) com base em indicadores de melhoria nos resultados de
aprendizagem e de aumento da equidade, considerado o nível socioeconômico
dos educandos, de acordo com o que dispuser lei estadual; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 132, de 2023)
III - 5% (cinco por cento) com base em indicadores de preservação ambiental, de
acordo com o que dispuser lei estadual; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 132, de 2023)
IV - 5% (cinco por cento) em montantes iguais para todos os Municípios do
Estado. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023)

Sobre o tema, assim pontua a doutrina:

Veja-se, portanto, que, da mesma forma que atualmente ocorre com o ICMS, 25%
(vinte e cinco por cento) do IBS distribuído aos Estados será entregue a seus
municípios.
No entanto, embora o percentual seja o mesmo (25%), foi prevista significativa
diferença em relação aos critérios de distribuição entre os Municípios.

13 ERRADO.

9
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

A maior parte (80%) será distribuída conforme critérios populacionais, ficando


bastante claro que, nesse ponto, normalmente serão beneficiadas as capitais, que
ordinariamente concentram a maior quantidade de pessoas.
De todo modo, vale registrar que, com esse critério, prende-se democratizar a
repartição de receitas conforme as necessidades mais próximas da realidade dos

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
municípios, pois não se atém unicamente ao volume de operações comerciais,
critério antes eleito pelo constituinte e que terminava por proporcionar maior
repartição de centros industriais, eventualmente com população menor que em
outras localidades com maior número de munícipes.
Tem-se, ainda, que 10% serão repartidos conforme indicadores de melhoria nos
resultados de aprendizagem e de aumento da equidade, considerado o nível
socioeconômico dos educandos, de acordo com o que dispuser lei estadual. Nesse
ponto, segue-se exatamente a mesma regra já existente quanto ao ICMS, no art.
158, §1º, II, da CR/88.
Por fim, 5% serão repartidos com base em indicadores de preservação ambiental,
forte diretriz diversas vezes eleita pela EC Nº 132/2023 como vetor da politica
tributária nacional; e mais 5% serão entregues igualmente entre todos os Municípios
do Estado. 14

Finalmente, quanto aos impostos residuais, assim determina a Constituição:

Art. 157. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal


II – 20% do produto da arrecadação do imposto que a União instituir no exercício
da competência que lhe é atribuída pelo art. 154, I.

Assim, caso a União venha a instituí-los, vinte por cento do produto da arrecadação pertencerá aos
Estados e DF.

5. Repartição indireta

Quanto à repartição indireta, o que vocês precisam saber é que ela ocorre através de um fundo e é
através desse fundo que acontece o posterior repasse dos recursos. Assim, o repasse não é de um ente para
o outro, mas de um ente para o fundo e, posteriormente, para o outro ente.

Há três fundos formados por 50% da arrecadação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), IR
(Imposto de Renda) e do IS (Imposto Seletivo). Nesse sentido, assim prevê o art. 159 da CF/88:

Art. 159. A União entregará:

I - do produto da arrecadação dos impostos sobre renda e proventos de qualquer


natureza e sobre produtos industrializados e do imposto previsto no art. 153, VIII,

14
ORTEGA, Evandro; VIEIRA, Leonardo. Manual de Direito e Processo Tributário. 4. ed. São Paulo: Ed. JusPodivm, 2024, p. 806.

10
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

50% (cinquenta por cento), da seguinte forma: (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023)
a) vinte e um inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos
Estados e do Distrito Federal; (Vide Lei Complementar nº 62, de
1989) (Regulamento)

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
b) vinte e dois inteiros e cinco décimos por cento ao Fundo de Participação dos
Municípios; (Vide Lei Complementar nº 62, de 1989) (Regulamento)
c) três por cento, para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo
das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, através de suas instituições financeiras
de caráter regional, de acordo com os planos regionais de desenvolvimento, ficando
assegurada ao semi-árido do Nordeste a metade dos recursos destinados à Região,
na forma que a lei estabelecer; (Regulamento)
d) um por cento ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue no
primeiro decêndio do mês de dezembro de cada ano; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 55, de 2007)
e) 1% (um por cento) ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue
no primeiro decêndio do mês de julho de cada ano; (Incluída pela Emenda
Constitucional nº 84, de 2014)
f) 1% (um por cento) ao Fundo de Participação dos Municípios, que será entregue
no primeiro decêndio do mês de setembro de cada ano; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 112, de 2021) Produção de efeitos

CAIU NO MPE-PI (Promotor de Justiça)-2019-CESPE: Considerando-se o esquema constitucional de


repartição das receitas tributárias, é correto afirmar que, descontada a parcela do fundo de participação dos
estados e do Distrito Federal, do fundo de participação dos municípios e do percentual de aplicação em
programas de financiamento ao setor produtivo das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o produto da
arrecadação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) será inicialmente entregue
A) apenas à União.
B) à União, aos estados e ao DF, sendo distribuído na forma que for fixada por lei complementar.
C) à União, aos estados e ao DF, sendo certo que a proporção do repasse a cada ente é fixada
proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados.
D) à União, aos estados, ao DF e aos municípios, sendo certo que a proporção do repasse a cada ente é fixada
de forma proporcional ao quantitativo populacional.
E) à União, aos estados, ao DF e ao fundo de combate à seca, sendo certo que a proporção do repasse a cada
ente deve ser fixada em lei.15

É importante ressaltar que cabe ao TCU fazer os cálculos das quotas referentes a esses fundos de
participação (art. 161, p. único, CR/88) e aos TCE’s apenas as quotas de participação dos respectivos Estados
e Municípios, exceto em relação ao montante de IR e IPI a ser repassado aos fundos pela União.

Por fim, em relação à repartição do IPI e do IS com Estados e Distrito federal, a doutrina assim
estabelece:

15 Gabarito: C.

11
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

A Constituição prevê que a União entregará, do produto da arrecadação do IPI e do


IS, 10% (dez por cento) aos Estados e ao Distrito Federal, proporcionalmente ao valor
das respectivas exportações de produtos industrializados.
Houve alteração da norma constante no art. 159, II, da CF somente para incluir nesse
dispositivo o IS, nada alterando quanto ao que já se previa da repartição do IPI.

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Vale anotar que o art. 6º, III, da EC nº 132/2023, prevê que, até que seja editada lei
complementar sobre a matéria, “a entrega dos recursos do imposto de que trata o
art. 153, VIII, nos termos do art. 159, II, ambos da Constituição Federal, com redação
dada pelo art. 1º desta Emenda Constitucional, observará a Lei Complementar nº 61,
de 26 de dezembro de 1989, e respectivas alterações”.16

E sobre a redução da arrecadação do IPI e a gradativa substituição pelo IS na tributação da União,


assim prevê o art. 7º da EC 132/2023:

Art. 7º A partir de 2027, a União compensará eventual redução no montante dos


valores entregues nos termos do art. 159, I e II, em razão da substituição da
arrecadação do imposto previsto no art. 153, IV, pela arrecadação do imposto
previsto no art. 153, VIII, todos da Constituição Federal, nos termos de lei
complementar.
§ 1º A compensação de que trata o caput:
I - terá como referência a média de recursos transferidos do imposto previsto no art.
153, IV, de 2022 a 2026, atualizada:
a) até 2027, na forma da lei complementar;
b) a partir de 2028, pela variação do produto da arrecadação da contribuição
prevista no art. 195, V, da Constituição Federal, apurada com base na alíquota de
referência de que trata o art. 130 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias; e
II - observará os mesmos critérios, prazos e garantias aplicáveis à entrega de
recursos de que trata o art. 159, I e II, da Constituição Federal.
§ 2º Aplica-se à compensação de que trata o caput o disposto nos arts. 167, §
4º, 198, § 2º, 212,caput e § 1º, e 212-A, II, da Constituição Federal.

Finalmente, mas não menos importante, vamos tratar brevemente sobre a compensação à
desoneração das exportações.

Após a EC 42/2003, que estabeleceu imunidade para quaisquer operações que destinem mercadorias
para o exterior, bem como os serviços prestados a destinatários no exterior, houve a necessidade de se
estabelecer compensações a essas desonerações, em especial para não prejudicar os Estados que não podiam
obrar ICMS das mercadorias exportadas ao exterior.

Assim, foi estabelecido pela EC 132/2023 (Reforma Tributária) que 10% da arrecadação nacional do
IPI seria destinado a um fundo de compensação:

16
ORTEGA, Evandro; VIEIRA, Leonardo. Manual de Direito e Processo Tributário. 4. ed. São Paulo: Ed. JusPodivm, 2024, p. 810.

12
RUMO À MAGIS
EXTENSIVO MAGIS
DIREITO TRIBUTÁRIO
Atualizado em 18/12/24

Art. 159. A União entregará:


[...]
II - do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados e do
imposto previsto no art. 153, VIII, 10% (dez por cento) aos Estados e ao Distrito

Material produzido pelo Grupo Educacional RDP I Proibida a circulação não autorizada, sob pena de violação de direitos autorais.
Federal, proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos
industrializados; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023)
[...]
§ 2º A nenhuma unidade federada poderá ser destinada parcela superior a vinte
por cento do montante a que se refere o inciso II, devendo o eventual excedente
ser distribuído entre os demais participantes, mantido, em relação a esses, o critério
de partilha nele estabelecido.
§ 3º Os Estados entregarão aos respectivos Municípios 25% (vinte e cinco por
cento) dos recursos que receberem nos termos do inciso II do caput deste artigo,
observados os critérios estabelecidos no art. 158, § 1º, para a parcela relativa ao
imposto sobre produtos industrializados, e no art. 158, § 2º, para a parcela relativa
ao imposto previsto no art. 153, VIII. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023)

Desta forma, o valor do IPI arrecadado pela União será repartido entre os Estados e o DF
proporcionalmente aos valores de suas exportações de produtos industrializados, privilegiado, de certa
maneira, os Estados que mais produzem produtos industrializados, já que, ao contrário do ICMS, não incide
IPI em produtos primários.

Por fim, nenhuma unidade federada poderá receber parcela superior a vinte por cento do montante
do fundo, devendo o eventual excedente ser distribuído entre os demais participantes, mantido, em relação
a esses, o critério de partilha nele estabelecido

Por hoje é só! O material de hoje foi mais curtinho, mas muito importante. Ele exige muita atenção
aos detalhes, em especial pelas muitas novidades após a EC 132/2023!

Bom descanso! Até a próxima!

13

Você também pode gostar