1 REQUISITOS BÁSICOS DA SINALIZAÇÃO TEMPORÁRIA
Características Gerais
Para garantir os seus objetivos, a sinalização temporária deve:
Atender ao disposto nos demais volumes do Manual Brasileiro de Sinalização de
Trânsito;
Estar sempre limpa e em bom estado;
Manter inalteradas as formas e cores, tanto no período diurno, quanto noturno;
Apresentar dimensões e elementos gráficos padronizados;
Ser colocada sempre de forma a favorecer a sua visualização;
Ser implantada de acordo com critérios uniformes e de forma a induzir o correto
comportamento do usuário;
Ser implantada antes do início da intervenção na via;
Ser iniciada na área de advertência, passar pela área de transição e assim,
sucessivamente, até a área de retorno à situação normal;
Estar visível apenas durante a efetiva duração da intervenção;
Ser encoberta nos períodos em que a obra ou serviço for interrompido;
Ser totalmente retirada quando a obra ou serviço for concluído, incluindo a
sinalização horizontal utilizada na obra e as placas implantadas no entorno do
desvio, tais como: regulamentação, advertência e orientação de itinerários ou
rotas;
No caso de obra ou serviço executado em etapas, a sinalização que não tem
relação com a etapa seguinte deve ser totalmente retirada;
Toda sinalização horizontal provisória utilizada durante a obra que conflite com a
sinalização permanente deve ser totalmente removida ao término da
intervenção.
Não deve ser utilizada tinta de demarcação na cor preta ou cinza para cobrir a
sinalização conflitante ou provisória, as quais deverão ser removidas para
implantação da nova sinalização.
Sempre que a obra ou o serviço sejam interrompidos, a via deve ser liberada para o
tráfego, garantida a segurança para veículos e pedestres. No caso de utilização de
chapa metálica para o fechamento de vala, ela deve estar firmemente fixada no solo
e sua superfície deve ser corrugada ou dotada de material antiderrapante.
A operação de desativação da sinalização temporária deve seguir a ordem inversa
da implantação, ou seja, iniciando-se pela liberação da área de retorno à situação
normal e terminando pela área de advertência.
Para liberação da via ao tráfego em geral, após a conclusão da obra ou serviço, a
sinalização permanente deve ser recomposta ou implantada conforme projeto para a
nova situação.
Esquema Básico
Denomina-se “Área de Obra ou Serviço” o percurso entre o primeiro sinal de
advertência de obra ou serviço e o ponto a partir do qual o trânsito deixa de ser
afetado pela intervenção.
Denomina-se “Área de Influência da Obra ou Serviço” a área abrangida pela
interferência, compreendendo desvios de tráfego ou rotas alternativas.
O percurso pode ser dividido nos seguintes trechos:
área de advertência;
área de transição;
área de proteção anterior;
área da obra ou serviço;
área de proteção posterior;
área de transição posterior;
área de retorno à situação normal.
As Figura 6-1 e Figura 6-2 apresentam, respectivamente, a divisão das áreas assim
definidas para via urbana e via rural:
Via Urbana
Figura 6-1
Via
Rural
Figura 6-2
Área de Advertência
A área de advertência, que tem início no ponto onde está posicionado o primeiro sinal A-
24 – ”Obra ou serviço” é o trecho em que o usuário é informado sobre as condições
anormais à frente da via, preparando-se para as alterações no trânsito.
Em geral, nesse trecho, é utilizada sinalização de advertência que alerta o condutor
sobre a existência e a distância da obra ou serviço e a mudança das condições da
pista, bem como sinalização de regulamentação dos comportamentos obrigatórios.
De acordo com as características do local e do tipo de obra ou serviço, a extensão
mínima recomendada da área de advertência, sempre que possível, deve ser a
indicada conforme segue:
Via urbana
1000m - para obras ou serviços executados em vias de trânsito rápido;
150m - para obras ou serviços executados em vias arteriais;
100m - para obras ou serviços executados em vias coletoras;
30m - para obras ou serviços executados em vias locais.
Via rural
2km - para obras ou serviços executados em rodovias de pista dupla, com três
ou mais faixas de trânsito por sentido de circulação e velocidades de 90km/h a
120km/h;
1000m - para obras ou serviços executados em rodovias onde o fluxo de
veículos é obrigado a parar ou ser desviado para pista auxiliar ou sentido
oposto;
750m - para obras ou serviços executados em rodovias de pista simples, duplo
sentido de circulação, com interrupção parcial da pista e velocidade até 80km/h;
500m - para obras ou serviços executados no acostamento ou no canteiro
central que não interferem diretamente com o fluxo da via;
300m - para obras ou serviços executados em estradas.
Essa deflexão tem por objetivo assegurar boa visibilidade e leitura dos sinais, evitando o
reflexo especular que pode ocorrer com a incidência da luz dos faróis ou dos raios
solares sobre a placa. Esse ângulo deve ser adotado também nas placas
suspensas, inclinando-as 3º a 5º para cima, conforme apresentado na Figura 7-2.
Figura 7-2
As placas suspensas devem ser utilizadas, nas seguintes situações:
interseção complexa;
três ou mais faixas por sentido;
distância de visibilidade restrita;
pequeno espaçamento entre interseções;
rampas de saídas com faixas múltiplas;
maior volume de veículos de grande porte em relação aos veículos leves na
composição do tráfego;
falta de espaço para colocação das placas nas posições convencionais;
volume de tráfego próximo à capacidade da via;
interferências urbanas (árvores, painéis, abrigos de ônibus, entre outros).
outras situações determinadas por estudos de engenharia de tráfego.
A altura e o afastamento lateral de colocação das placas de sinalização de
regulamentação, advertência e indicação estão especificados de acordo com o tipo
de via, urbana ou rural, conforme apresentado a seguir e esquematizado nas
Figura 7-3 a Figura 7-10.
Via urbana
Altura
A borda inferior da placa ou do conjunto de placas colocada lateralmente à via deve
ficar a uma altura livre entre 2,10m e 2,50m em relação ao solo ou superfície da
pista, conforme a Figura 7-3.
Pode ser adotada altura livre entre 1,00m e 2,10m quando a locação da placa não
interferir na circulação de pedestres.
Figura 7-3
Via rural
Altura
A borda inferior da placa ou do conjunto de placas colocada lateralmente à via deve
ficar a uma altura livre entre 1,20m e 1,50m em relação à superfície da pista,
conforme a Figura 7-7.
Marcador de Alinhamento
Figura 9-9
Constitui-se de placa posicionada frontalmente à aproximação dos veículos,
delineando os limites da pista em desvios que resultam em mudança brusca de
direção ou em curva horizontal.
O marcador de alinhamento também pode ser utilizado para enfatizar mudanças no
alinhamento por estreitamento da pista, em locais onde as condições de visualização
forem inadequadas, em virtude do alinhamento horizontal da interferência, com os
mesmos critérios de posicionamento e espaçamento apresentados no Manual
Brasileiro de Sinalização de Trânsito – Volume VI – Dispositivos Auxiliares.
Deve possuir fundo na cor laranja retrorrefletiva e seta na cor preta fosca.
Pode ser fixado acima de tapume, barreira de concreto (fixa ou móvel) ou em suporte
próprio, a uma altura entre 0,80m e 1,50m da pista, e à distância de 0,80m do
elemento de canalização, conforme a Figura 9-9.
Alterações nas Características do Pavimento
Sonorizador
Exemplo de aplicação
Figura 9-10
Dispositivo físico implantado sobre a superfície da pista de modo a provocar
trepidação e ruído quando da passagem de um veículo sobre ele, alertando o
condutor para situações de obra à frente, conforme a Figura 9-10.
Para sua implantação devem ser obedecidos os padrões e critérios estabelecidos
pelo CONTRAN.
Dispositivos de Uso Temporário
São dispositivos fixos ou móveis utilizados em situações especiais e temporárias,
como operação de trânsito, obra, serviço e situações de emergência com o objetivo
de alertar os condutores, bloquear ou canalizar o trânsito, proteger pedestres,
trabalhadores, equipamentos, entre outros.
Os dispositivos de uso temporário apresentam cores alternadas: branca
retrorrefletiva e laranja.
Cone
Figura 9-20
Dispositivo portátil utilizado para canalizar ou bloquear o fluxo em situações de emergência em serviço
móvel ou continuamente em movimento e em obra ou serviço de curta duração, bem como para dividir
fluxos opostos em desvio.
Os cones podem ser utilizados em obra ou serviço de maior duração, desde que se providencie
monitoramento constante para a manutenção decorrente de quedas, deslocamentos, furtos e estado
de conservação.
Deve ser oco, para possibilitar sua sobreposição, facilitando o armazenamento e o transporte. Deve
também possuir um orifício na parte superior para possibilitar a fixação de sinalização complementar.
O cone deve possuir faixas horizontais alternadas nas cores branca retrorrefletiva e laranja, conforme
Figura 9-20.
O cone deve atender, no mínimo, às normas técnicas da ABNT. Caso não existam normas específicas
da ABNT, devem ser utilizadas as normas vigentes nos órgãos componentes do Sistema Nacional de
Trânsito ou normas internacionais consagradas.
Quando dispostos longitudinalmente ao fluxo, o espaçamento (d) entre cones deve variar em função
da velocidade de aproximação. A Tabela 9.1 apresenta o espaçamento entre cones.
Tabela 9-1
Velocidade Espaçamento - d
(km/h) (m)
V ≤ 40 3
40 < V ≤ 60 8
60 < V ≤ 100 10
100 < V ≤ 120 15
Em bloqueio transversal ao fluxo, os cones devem estar espaçados de 1,0 a 2,0m.
Tela Plástica
Figura 9-39
Dispositivo complementar de sinalização utilizado para isolar locais com intervenção temporária que
ofereçam algum tipo de risco aos usuários da via, ou para controle de acesso, ou em bloqueios viários.
A tela plástica é confeccionada em material plástico com reforço na parte superior e inferior e fornecida
em rolos de 1,20m x 50,00m. É constituída de faixas horizontais nas cores laranja e branca ou
totalmente na cor laranja, conforme
Figura 9-39.
Nos casos em que existe a passagem de materiais ou detritos da obra para a pista ou para a calçada,
deve ser utilizada a tela com malha mais fechada.
A tela plástica é utilizada como tapume em intervenções ou eventos e como sinalização de canteiro de
obra.
Em intervenção noturna, sem iluminação pública, deve estar acompanhada de elemento luminoso
complementar.
Fita Zebrada
Figura 9-47
Dispositivo utilizado em canalizações feitas com cavalete, cone, tambor ou outros dispositivos
temporários, em intervenções programadas ou emergenciais de forma a reforçar o seu alinhamento e
aumentar a segurança dos usuários.
Pode ser fixada também em poste de iluminação, coluna de sustentação de sinalização, árvore, entre
outros.
A fita zebrada é confeccionada em material plástico, leve e resistente, e fornecida usualmente em
rolos. Possui faixas inclinadas a 45º nas cores laranja e branca, alternadamente, conforme Figura 9-
47.
Bandeira Sinalizadora
Figura 9-48
Dispositivo utilizado por um operador para complementar a ação dos sinais de
advertência e dos dispositivos auxiliares, incrementando o alerta aos condutores,
conforme Figura 9-48.
A bandeira sinalizadora deve ser confeccionada em tecido, plástico ou outro material
similar flexível, na cor vermelha, de forma quadrada, com 60 cm de lado, ou forma de
triângulo isósceles, de 30cm x 50cm, e ser presa a um cabo rígido, conforme Figura
9-48. É permitido o uso de outras cores, quando associadas a campanhas de
trânsito.
Deve ser utilizada em situações temporárias na via, quando se deseja alertar o
condutor do veículo quanto à necessidade de redução da velocidade ou parada
obrigatória, que ocorrem, em geral, em serviço móvel na pista ou a alternância da
preferência de passagem. Seu uso é obrigatório como pré-sinalização da Operação
“PARE e SIGA”,
Não deve ser utilizada no período noturno.
A bandeira deve ser operada por um operador uniformizado e com equipamentos de
proteção individual, conforme item 11.1, e deve atender aos critérios de uso
dispostos no Capítulo 12 deste Manual, conforme Figura 9-49.
Figura 9-49
Pode ser utilizado boneco com bandeira sinalizadora em substituição ao trabalhador,
exceto na Operação “PARE e SIGA”.
Pode também ser fixada em cone, cavalete, barreira ou gradil móvel.
2 OPERAÇÃO COM TRABALHADOR
Algumas intervenções temporárias na via exigem a presença de trabalhador para
auxiliar nas atividades operacionais, seja para alternar o direito de passagem, seja
para auxiliar nas travessias, eventos e campanhas educativas de trânsito, orientar
novos percursos e bloqueios, alertar situações de perigo na via, entre outras.
A decisão de utilização desta mão de obra deve ser determinada por critérios de
engenharia de tráfego, que avaliam sua necessidade e as condições de segurança
do trabalhador e do tráfego em geral, e em função do tipo e das características de
intervenção.
Para o exercício dessas atividades operacionais na via pública, o trabalhador deve:
a) estar uniformizado, conforme item 11.1;
b) receber capacitação específica para exercer essa função;
c) possuir as seguintes aptidões:
saber transmitir instruções específicas de forma clara aos usuários, com
firmeza e cortesia;
ter conhecimento e habilidade para aplicar práticas de controle de tráfego com
segurança, em situações de estresse ou de emergência;
ter plena consciência de suas responsabilidades legais e seus limites de
atuação.
ter habilidade para reconhecer situações perigosas no trânsito e advertir os
demais trabalhadores a fim de prevenir danos;
No caso de Operação “PARE e SIGA” com bandeira sinalizadora ou semáforo
manual, o trabalhador deve ter habilidade para manusear esses dispositivos de
sinalização a fim de fornecer orientações claras aos usuários que se aproximam da
área de controle temporário de tráfego em situações de mudanças frequentes.
Operação com Bandeira Sinalizadora
Figura 12-1
Pode ser utilizada durante a execução de serviços móveis ou de curta duração e
outras situações onde a presença do trabalhador com bandeira contribui para
melhoria da segurança viária, como, por exemplo, nos casos de:
má visibilidade da intervenção;
necessidade de interrupção de fluxo;
alerta prévio em Operação “PARE e SIGA”;
via com alto volume de tráfego e alta velocidade.
alerta quanto à aproximação de final de fila de veículos.
O trabalhador com bandeira deve ainda atender:
posicionar-se em local visível e fora da área destinada à circulação de veículos;
colocar-se de frente para o fluxo de tráfego, elevando e abaixando seguidamente
a bandeira, conforme ilustrado na Figura 12-1.
transmitir aos motoristas sinais uniformes, precisos e de rápida compreensão;
no acompanhamento de final de fila, deslocar-se de forma segura, evitando
correr.
Caso o trabalho necessite prosseguir no período noturno, a bandeira deve ser
substituída por bastão luminoso vermelho.
O trabalhador com bandeira pode ser substituído por um boneco sinalizador,
servindo como alerta aos motoristas em situação de emergência ou em obra de curta
duração, conforme item 11.2.
Operação “PARE e SIGA”
Figura 12-2
A execução de obra ou serviço em via de pista simples e duplo sentido de circulação
pode necessitar de redução da pista para apenas uma faixa de circulação de
veículos, obrigando o tráfego a operar com alternância do direito de passagem.
Nesse caso, os sinais “PARE” e “SIGA”, operados manualmente, devem ser
posicionados antes da área de transição, indicando ao condutor o ponto de parada
do veículo em que se deseja interromper o fluxo para a alternância de circulação.
Em situações de alternância de fluxo durante o período noturno, deve ser utilizado o
semáforo portátil, conforme disposto no Capítulo 10 deste Manual.
Os sinais "PARE” e “SIGA" são compostos, respectivamente, por uma placa
octogonal de 0,25m de aresta, com fundo e orla externa de 0,065m na cor vermelha
e orla interna e mensagem “PARE” na cor branca e uma placa circular com diâmetro
de 0,65m, com fundo verde, orla externa de 0,065m e mensagem “SIGA” na cor
branca, justaposta e fixadas na extremidade do mesmo suporte portátil, conforme
Figura 12-2.
Os sinais devem ser retrorrefletivos e confeccionados em material leve e resistente.
O trabalhador que executa a operação com os sinais “PARE” e “SIGA” deve, além
de atender ao disposto na introdução deste capítulo:
posicionar-se em local visível e fora da área destinada à circulação de veículos;
colocar-se de frente para o fluxo de tráfego;
portar equipamento de radiocomunicação.
Para a Operação “PARE e SIGA” devem ser obedecidas as seguintes orientações:
a) Um primeiro operador, com a bandeira sinalizadora, item 9.6.13 deste Manual,
deve estar posicionado no mínimo a 200m da obra ou serviço, afastando-se à
medida que a fila de veículos for aumentando, de maneira a permanecer no
mínimo 100m antes do último veículo retido.
b) Um segundo operador, portando o suporte com os sinais “PARE” e “SIGA”, deve
estar posicionado antes da área de transição, no ponto em que ocorre a parada,
em local protegido e visível, e mantendo o sinal “PARE” voltado para o fluxo de
veículos que lhe cabe reter. A transmissão da mensagem deve ser reforçada
com o gesto de mão espalmada, conforme a Figura 12-2.
c) Após a passagem do último veículo do fluxo contrário, o operador deve colocar-
se lateralmente ao fluxo que controla, mudar o sinal de “PARE” para “SIGA”, e
fazer gestos para informar o início de circulação, conforme a Figura 12-2.
d) Na Operação “PARE e SIGA”, deve-se atentar para o tempo de interrupção do
fluxo, de modo a minimizar as filas de retenção, considerando o conforto e a
segurança dos usuários, e evitando-se períodos de espera superiores a 30
minutos para a alternância de fluxos.
e) Quando essa operação ocorre em trechos com acessos intermediários, deve-se
cuidar para que eles também sejam devidamente operados.
f) Os operadores de bandeira e dos sinais "PARE” e “SIGA" devem estar
posicionados antes da entrada de túneis e de curvas horizontais e verticais
acentuadas. Nesses casos, a canalização deve ser antecipada e a sinalização
disposta em área com boa visibilidade.