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Curso 326504 Aula 02 Prof Thayse Duarte e Priscila Batista 85bb Completo

O documento aborda a violência contra crianças e adolescentes, detalhando suas diversas formas, como física, psicológica, sexual, institucional, e negligência. Também discute o abuso sexual infanto-juvenil e a importância da proteção legal, como a Lei 13.431/2017. Além disso, inclui tópicos sobre psicologia do testemunho, entrevista forense e avaliação psicológica no contexto judiciário.
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O documento aborda a violência contra crianças e adolescentes, detalhando suas diversas formas, como física, psicológica, sexual, institucional, e negligência. Também discute o abuso sexual infanto-juvenil e a importância da proteção legal, como a Lei 13.431/2017. Além disso, inclui tópicos sobre psicologia do testemunho, entrevista forense e avaliação psicológica no contexto judiciário.
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Aula 04 - Prof.

Thayse
Duarte
TJ-SP (Psicólogo Judiciário)
Conhecimentos Específicos - 2024
(Pós-Edital)

Autor:
Priscila Batista, Thayse Duarte
Varela Dantas Cesar, Nilza
Ciciliati, Anna Valéria Andrade

03 de Fevereiro de 2025

16568428744 - Giovanni Fae Zorzal


Priscila Batista, Thayse Duarte Varela Dantas Cesar, Nilza Ciciliati, Anna Valéria Andrade
Aula 04 - Prof. Thayse Duarte

Sumário

Introdução ............................................................................................................................................ 3
Violência contra crianças e adolescentes........................................................................... 4
1 – Violência Física ....................................................................................................................... 4
2 – Violência Psicológica .......................................................................................................... 5
3 – Violência Sexual .................................................................................................................... 6
4 – Violência Institucional ........................................................................................................ 7
5 – Negligência e Abandono ................................................................................................... 7
Abuso sexual infanto-juvenil ................................................................................................... 9
1 – Violência Sexual ..................................................................................................................... 9
2 – Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes ................................................... 9
2.1– Tipos de Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes ....................... 10
2.2– Sinais de Violência Sexual ............................................................................... 11
2.3 – Proteção de crianças e adolescentes em situação de violência sexual 11
2.3.1 – Lei 13.431/2017 .................................................................................................. 12
Psicologia do Testemunho .................................................................................................... 20
1 – Considerações Iniciais ....................................................................................................... 20
2 – Compreensão do testemunho ..................................................................................... 20
3 – Fatores que atravessam a Psicologia do Testemunho ........................................ 23
Entrevista Forense .................................................................................................................... 25
1 – Considerações Iniciais ....................................................................................................... 25
2 – Técnicas de Entrevista .................................................................................................... 25
2.1 – Entrevista Cognitiva ......................................................................................... 26
2.2 – Sistema PEACE ................................................................................................. 28
Avaliação e Perícias psicológicas ......................................................................................... 31
1 – Considerações Iniciais ....................................................................................................... 31
2 – Áreas de atuação do psicólogo perito ........................................................................ 31
3 – Estratégias e técnicas de Avaliação Pericial ............................................................ 32
A Entrevista Psicológica .......................................................................................................... 37
1 – Entrevista Inicial .................................................................................................................. 37
2 – Tipos de Entrevista ............................................................................................................ 38
3 – Técnicas de Entrevista...................................................................................................... 42
4 – Entrevista Motivacional ................................................................................................... 48
4.1– Metodologia ........................................................................................................ 49
4.2– Modelo Transteórico ......................................................................................... 51
MAIS QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................ 54

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LISTA DE QUESTÕES .......................................................................................................................... 64


GABARITO .......................................................................................................................................... 68
RESUMO ............................................................................................................................................. 69

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INTRODUÇÃO
Olá, psi!

Hoje iremos estudar os seguintes temas propostos no edital:

o Violência contra crianças e adolescentes;

o Abuso sexual infanto-juvenil;

o Psicologia do Testemunho;

o Entrevista Forense;

o Avaliação e Perícias Psicológicas – instrumentais e sua prática na instituição judiciária;

o Entrevistas Psicológicas.

Caso você tenha alguma dúvida, não hesite em me perguntar! Meus principais canais
são e-mail ou direct pelo Instagram:

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VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES


A violência contra crianças e adolescentes é um fenômeno complexo que envolve
causas socioeconômicas e histórico-culturais, aliado a pouca visibilidade, à ilegalidade e à
impunidade. Na primeira causa, pode-se destacar a má distribuição de renda, a migração,
a pobreza, o acelerado processo de urbanização e a ineficácia das políticas sociais. No que
tange aos aspectos histórico-culturais, identifica-se a concepção, ainda vigente, da criança
e do adolescente como objeto de dominação dos adultos, merecedores de amor
desvalorizado, contaminado pela ideia de fraqueza e inferioridade.

As consequências da violência contra crianças/adolescentes podem ser


devastadoras, e muitos pesquisadores já documentaram consequências físicas (variando
de pequenas cicatrizes até danos cerebrais permanentes e morte), psicológicas (desde
baixa autoestima até desordens psíquicas severas), cognitivas (desde deficiência de
atenção e distúrbios de aprendizado até distúrbios orgânicos cerebrais severos) e
comportamentais (variando da dificuldade de relacionamento com colegas até
comportamentos suicidas e criminosos) decorrentes de abusos físicos, psicológicos,
sexuais e de negligência. Isso significa que todos os níveis de atenção à saúde precisam
estar atentos a essa situação e implantar programas de prevenção e atenção, principalmente
para famílias que vivem em contextos de risco social e pessoal.
A seguir, vamos ver os tipos de violência que podem ocorrer contra crianças e
adolescentes.

1 – Violência Física

A violência física é entendida como a ação infligida à criança ou ao adolescente que


ofenda sua integridade ou saúde corporal ou que lhe cause sofrimento físico. Está
relacionada com a utilização de força física contra à pessoa, criança ou adolescente, por
cuidadores, pessoas do convívio familiar ou terceiros. Para caracterizar violência física, é
necessário que a ação seja de forma intencional, com o objetivo de causar dor,
sofrimento, lesão ou destruição da vítima.

A agressão física é incitada da posição de poder e autoridade que o adulto possui


sobre a criança e o adolescente, sendo um meio de exigir obediência, disciplina e impor a

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submissão do mais vulnerável. É o tipo de violência visível, que se escreve na pele, no corpo,
pelos hematomas, queimaduras, ferimentos, etc. Por isso, é mais fácil de identificar e
comprovar a violência física em comparação aos outros tipos de violência. No entanto, a
violência física acontece concomitantemente com outros tipos de violência,
também ocasionando traumas psicológicos para a criança e o adolescente.

2 – Violência Psicológica

A violência psicológica é compreendida como qualquer conduta ou situação


recorrente em que a criança ou o adolescente é exposta e que pode comprometer seu
desenvolvimento psíquico e emocional, são eles:

o Atos de discriminação, depreciação ou desrespeito em relação à criança ou ao


adolescente mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação,
isolamento, agressão verbal e xingamento, ridicularização, indiferença, exploração
ou intimidação sistemática (bullying);
o O ato de alienação parental, assim entendido como a interferência na formação
psicológica da criança ou do adolescente, promovida ou induzida por um dos
genitores, pelos avós ou por quem os tenha sob sua autoridade, guarda ou vigilância,
que leve ao repúdio de genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à
manutenção de vínculo com este;
o Qualquer conduta que exponha a criança ou o adolescente, direta ou
indiretamente, a crime violento contra membro de sua família ou de sua rede de
apoio, independentemente do ambiente em que cometido, particularmente quando
isto a torna testemunha.

A violência psicológica é mais difícil de ser identificada e


diagnosticada, por não conter provas materiais, embora deixe marcas
psíquicas no indivíduo que podem ser permanentes, interferindo na sua
formação subjetiva e no desenvolvimento biopsicossocial.

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3 – Violência Sexual

Entendida como qualquer conduta que constranja a criança ou o adolescente a


praticar ou presenciar conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso, inclusive exposição
do corpo em foto ou vídeo por meio eletrônico ou não.

Ocorre quando a vítima, criança ou adolescente, tem desenvolvimento psicossexual


inferior ao do agressor, que a expõe a estímulos sexuais impróprios para a idade ou a utiliza
para sua satisfação sexual ou de outra pessoa. Estas práticas são realizadas por meio de
violência física, ameaças e mentiras, e a vítima é forçada a práticas sexuais eróticas sem ter
capacidade emocional ou cognitiva para consentir ou avaliar o que está acontecendo. Trata-
se, portanto, de uma relação cujo objetivo é satisfazer unilateralmente o abusador e pode
ser classificada de acordo com a forma (tipo) e com o contexto onde ocorre. Os tipos ou
formas de abuso sexual podem envolver contato sexual com penetração (oral, vaginal e
anal), sem penetração (tentativa para ter sexo oral, vaginal e anal), atividade sexual
envolvendo toque, carícias e exposição do genital, exploração sexual envolvendo
prostituição, pornografia, voyeurismo e assédio sexual.

Em relação ao contexto, o abuso sexual pode ser intrafamiliar, extrafamiliar ou


institucional. O abuso sexual intrafamiliar é o mais frequente e envolve a atividade sexual
entre uma criança ou adolescente e um membro imediato da família (pai, padrasto, irmão)
ou próximo (tio, avô, tia), ou com parentes que a criança considere membros da família. Esta
forma de abuso é uma manifestação de disfunção familiar e costuma ser crônica, recidivante
e sem violência. O abuso sexual extrafamiliar é qualquer forma de prática sexual envolvendo
uma criança /adolescente e alguém que não faça parte da família. Na maioria dos casos, o
agressor é conhecido e tem acesso à criança (ex. vizinho, religioso, professor, babá, amigo
da família). Estes casos habitualmente chegam ao sistema de saúde via Serviços de
Emergência, onde a família procura rapidamente o atendimento, relatando o abuso (PIRES
& MIYAZAKI, 2005, p 45).

Veremos mais detalhadamente sobre a violência sexual infanto-juvenil no tópico


seguinte.

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4 – Violência Institucional

A violência institucional é caracterizada pela revitimização da criança ou adolescente


em vulnerabilidade, por organizações públicas que deveriam oferecer acolhimento,
proteção e legitimidade às vítimas de violência que procuram os serviços públicos para
denúncia e ajuda. Assim pode estar atrelada a outras formas de violência: abuso sexual;
negligência violência física e psicológica, etc.

“O abuso sexual institucional ocorre em instituições cuja função é


cuidar da criança no momento em que esta está afastada da família. Pode
ser praticado por uma criança maior ou pelos próprios cuidadores ou
funcionários”. (PIRES & MIYAZAKI, 2005, p 45).

5 – Negligência e Abandono

Negligência e Abandono envolvem a omissão de cuidados básicos e de proteção à


criança frente a agravos evitáveis e têm como consequência, portanto, o não atendimento
de necessidades físicas e emocionais prioritárias. Constituem exemplos de negligência ou
abandono deixar de oferecer a criança ou adolescente, alimentação, medicamentos,
cuidados de higiene, proteção a alterações climáticas, vestimentas e educação. O
abandono pode ser definido como uma forma grave de negligência, que por sua vez
evidencia a ausência de um vínculo adequado dos responsáveis com seu filho.

A negligência é o tipo mais frequente de maus tratos e inclui a negligência física, a


emocional e a educacional:

o Negligência física: Nesta categoria, que inclui a maioria dos casos de maus tratos,
estão inseridos problemas como: a) ausência de cuidados médicos, pelo não
reconhecimento ou admissão, por parte dos pais ou responsáveis, da necessidade

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de atenção ou tratamento médico, ou em função de crenças ou práticas religiosas;


b) abandono e expulsão da criança de casa por rejeição; c) ausência de alimentação,
cuidados de higiene, roupas, proteção às alterações climáticas; d) imprudência ou
desobediência às regras de trânsito e falta de medidas preventivas para evitar
intoxicação exógena; e) supervisão inadequada, como deixar a criança sozinha e sem
cuidados por longos períodos(22).

o Negligência emocional: Inclui ações como falta de suporte emocional, afetivo e


atenção, exposição crônica a violência doméstica, permissão para o uso de drogas e
álcool (sem intervenção), permissão ou encorajamento de atos delinquentes, recusa
ou não procura por tratamento psicológico quando recomendado.

o Negligência educacional: por sua vez, inclui permissão para faltar às aulas após pais
ou responsáveis terem sido informados para intervir, não realização da matrícula em
idade escolar e recusa para matricular a criança em escola especial quando
necessário." (PIRES & MIYAZAKI, 2005, p 44).

(IBFC – 2023 – SAEB/BA) A Lei nº 13.431/2017, de 4 de abril de 2017: “Estabelece o


sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de
violência e altera a Lei n.º 8.069/1990 (ECA).” Analise as afirmativas abaixo, a partir do
que dispõe a referia lei.

I. A violência física e a violência psicológica são formas de violência.

II. Qualquer conduta de discriminação, depreciação ou desrespeito em relação à criança ou


ao adolescente mediante ameaça, por exemplo, não é entendida como uma forma de
violência.

III. O ato de alienação parental é entendido como uma forma de violência contra a criança
ou o adolescente.

Assinale a alternativa correta.

a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas

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b) Apenas as afirmativas I e III estão corretas


c) Apenas a afirmativa II está correta
d) As afirmativas I, II e III estão corretas

Comentários:

I – Certa. Como vimos, violência física e psicológica são, sim, considerados tipos/formas de
violência.

II – Errada. Todos esses exemplos, incluindo ameaça, são formas de violência.

III – Certa. O ato de alienação parental é considerado uma violência contra a criança.

Gabarito: B

ABUSO SEXUAL INFANTO-JUVENIL


1 – Violência Sexual

A violência sexual é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “todo
ato sexual, tentativa de consumar um ato sexual ou insinuações sexuais indesejadas; ou
ações para comercializar ou usar de qualquer outro modo a sexualidade de uma pessoa por
meio da coerção por outra pessoa, independentemente da relação desta com a vítima, em
qualquer âmbito, incluindo o lar e o local de trabalho”.

2 – Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

Segundo a cartilha Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes: identificação e


enfrentamento (MPDFT, 2015), é a violação dos direitos sexuais, no sentido de abusar ou
explorar do corpo e da sexualidade de crianças e adolescentes. Pode ser classificado em
abuso sexual (extra ou intrafamiliar) ou exploração sexual. O abuso extrafamiliar se refere
aos casos em que o autor não tem vínculo de pertencimento familiar, e o intrafamiliar é o
praticado por autores que são responsáveis ou familiares da vítima.

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2.1– Tipos de Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes

Abuso sexual à É a violação sexual homo ou heterossexual praticada por um adulto


ou alguém mais velho em relação a uma criança ou a um adolescente, com o intuito de
satisfazer-se sexualmente, valendo-se de poder ou autoridade, envolvendo-os em quaisquer
atividades sexuais, tais como palavras obscenas, exposição dos genitais ou de material
pornográfico, telefonemas obscenos, sexo oral, vaginal ou anal. A criança ou o adolescente
vive uma experiência sexualizada que está além de sua capacidade ou de consentir ou
entender, baseada na extrapolação do limite próprio, no abuso de confiança e poder.

Exploração sexual à É o uso sexual de criança ou adolescente para obter lucro,


troca ou vantagem. Expressa-se de quatro formas: prostituição, pornografia, tráfico e
turismo sexual. Trata-se de um fenômeno mundial, que atinge em especial o sexo feminino,
mas não apenas.

Pornografia Infantil à É a produção, reprodução, venda, exposição, distribuição,


comercialização, aquisição, posse, publicação ou divulgação de materiais pornográficos
(fotografia, vídeo, desenhos, filmes) envolvendo crianças ou adolescentes.

Tráfico de crianças ou adolescentes à É a promoção ou facilitação de entrada, saída


ou deslocamento no território nacional ou internacional de crianças e adolescentes com o
objetivo de obter lucro ou vantagem, seja na adoção ilegal, seja no trabalho infantil ou na
exploração sexual.

Sexting à É a fusão de duas palavras (sex e texting) em inglês, para definir o envio
de mensagens, fotos e vídeos pessoais de conteúdo erótico e sensual, utilizando-se de
qualquer meio eletrônico. Essa prática tem despertado preocupação social, visto que é uma
propagação de pornografia infanto-juvenil e tem se disseminado entre adolescentes como
forma de sedução, prova de amor e de competição.

Revenge porn à Ato praticado por um dos parceiros de um casal que consiste em
expor em mídia social fotos de nudez ou vídeos de sexo explícito gravado por eles mesmos
no momento de sua intimidade sexual, com intuito de humilhar e expor o outro parceiro.
Em geral é uma vingança direcionada ao revanchismo, após o fim de um relacionamento.

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2.2– Sinais de Violência Sexual

o Ansiedade excessiva;
o Presença de pesadelos, conversas ou gritos durante o sono;
o Dificuldade ou medo de dormir;
o Perda ou excesso de apetite repentino;
o Fazer xixi na cama (enurese noturna), ou problemas intestinais;
o Presença de sangramentos, doenças sexualmente transmissíveis, gravidez, infecções
ou dores na região genital e abdominal;
o Comportamento muito agressivo ou muito isolado;
o Dificuldade de aprender na escola, quando antes aprendia com facilidade;
o Dificuldades de concentração;
o Comportamento extremamente tenso, em “estado de alerta”;
o Comportamentos muito infantis para a idade;
o Tristeza, abatimento profundo ou choro sem causa aparente;
o Comportamento sexualmente explícito (ao brincar, demonstra conhecimento sobre
sexualidade inapropriado para a idade);
o Masturbação visível e contínua, brincadeiras sexuais agressivas;
o Relutância em voltar para casa;
o Ausência na escola por vontade dos pais;
o Descaso com as atividades escolares, poucos amigos;
o Não confiar em adultos, especialmente os que lhe são próximos;
o Idéias e tentativas de suicídio;
o Autoflagelação (machucar-se por vontade própria);
o Fugas de casa;
o Hiperatividade.

2.3 – Proteção de crianças e adolescentes em situação de


violência sexual

As situações de violências contra crianças e adolescentes requerem intervenções do


Sistema de Garantia de Direitos com a finalidade de: mapear as ocorrências das formas de
violências e suas particularidades no território; prevenir a ocorrência de violência; fazer
cessar a violência quando ocorrer; prevenir a reiteração da violência já ocorrida; promover
o atendimento para minimizar as sequelas da violência sofrida; responsabilizar, bem como,
garantir a oferta de atendimento ao agressor e; promover a restituição integral dos direitos
da criança e do adolescente (BRASIL, 2018). Os Serviços de proteção à infância e
adolescência devem providenciar a eliminação de barreiras e implementar estratégias para
garantir a plena comunicação de crianças e adolescentes durante o atendimento. É
importante considerar a diversidade étnica, as diferentes linguagens e as necessidades de
adaptações para garantir a acessibilidade nos atendimentos.

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Os psicólogos atuam em todos os pontos dessa rede de proteção e podem realizar


escuta psicológica, respeitando a legislação profissional e marcos teóricos, técnicos, éticos
e metodológicos da Psicologia como ciência e profissão. A atuação da Psicologia na rede
de proteção deve estar fundamentada no princípio da proteção integral e na afirmação das
crianças e dos adolescentes como sujeitos de direitos, estando referenciada nos marcos
conceituais ético-políticas dos Direitos Humanos e no Código de Ética Profissional da
Psicóloga e do Psicólogo (CFP, 2018).

2.3.1 – Lei 13.431/2017

A Lei 13.431 de 2017, que alterou o ECA e estabeleceu o sistema de garantia de


direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência, define a violência
sexual como “qualquer conduta que constranja a criança ou o adolescente a praticar ou
presenciar conjunção carnal ou qualquer outro ato libidinoso, inclusive exposição do corpo
em foto ou vídeo por meio eletrônico ou não” e, ainda, que compreenda o abuso e a
exploração sexual, bem como o tráfico de pessoas com o fim de exploração sexual. De
acordo com seu artigo 5o, a Lei 13.431/17 tem como base, entre outros, os direitos e
garantias fundamentais da criança e do adolescente a:

I. receber prioridade absoluta e ter considerada a condição peculiar de


pessoa em desenvolvimento;

II. receber tratamento digno e abrangente;

III. ter a intimidade e as condições pessoais protegidas quando vítima ou


testemunha de violência;

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IV. ser protegido contra qualquer tipo de discriminação,


independentemente de classe, sexo, raça, etnia, renda, cultura, nível
educacional, idade, religião, nacionalidade, procedência regional,
regularidade migratória, deficiência ou qualquer outra condição sua, de
seus pais ou de seus representantes legais;

V. receber informação adequada à sua etapa de desenvolvimento sobre


direitos, inclusive sociais, serviços disponíveis, representação jurídica,
medidas de proteção, reparação de danos e qualquer procedimento a que
seja submetido;

VI. ser ouvido e expressar seus desejos e opiniões, assim como permanecer
em silêncio;

VII. receber assistência qualificada jurídica e psicossocial especializada, que


facilite a sua participação e o resguarde contra comportamento inadequado
adotado pelos demais órgãos atuantes no processo;

VIII. ser resguardado e protegido de sofrimento, com direito a apoio,


planejamento de sua participação, prioridade na tramitação do processo,
celeridade processual, idoneidade do atendimento e limitação das
intervenções;

IX. ser ouvido em horário que lhe for mais adequado e conveniente, sempre
que possível;

X. ter segurança, com avaliação contínua sobre possibilidades de


intimidação, ameaça e outras formas de violência;

XI. ser assistido por profissional capacitado e conhecer os profissionais que


participam dos procedimentos de escuta especializada e depoimento
especial;

XII. ser reparado quando seus direitos forem violados;

XIII. conviver em família e em comunidade;

XIV. ter as informações prestadas tratadas confidencialmente, sendo


vedada a utilização ou o repasse a terceiro das declarações feitas pela
criança e pelo adolescente vítima, salvo para os fins de assistência à saúde
e de persecução penal;

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XV. prestar declarações em formato adaptado à criança e ao adolescente


com deficiência ou em idioma diverso do português.

O Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGD) é


caracterizado por uma organização em rede, por meio da qual os atores que
dele fazem parte atuam a partir de três eixos:

(a) defesa à acesso à justiça, (b) promoção à política de atendimento


aos direitos e (c) controle social à controle das ações de defesa e
promoção

A Lei 13.431/2017 também trouxe artigos que regulamentam a forma pela qual as
crianças e adolescentes em situação de violência devem ser OUVIDOS, quais sejam: o
depoimento especial e a escuta especializada. Mas qual a diferença entre os dois?

DEPOIMENTO ESPECIAL à oitiva de criança ou adolescente vítima ou


testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária. Tem
caráter investigativo, no sentido de apurar possíveis situações de violências
sofridas. FINALIDADE PRODUZIR PROVAS!

ESCUTA ESPECIALIZADA à entrevista sobre uma possível situação de


violência com criança ou adolescente perante órgão da rede de proteção.
Pode ser realizada por profissionais da educação e da saúde, conselhos
tutelares, serviços de assistência social, entre outros. NÃO TEM
FINALIDADE DE PRODUZIR PROVAS!

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O depoimento especial consiste em uma metodologia diferenciada de


escuta judicial de crianças e adolescentes, executada por equipe
multidisciplinar, objetivando, principalmente, minimizar a revitimização da
criança ou adolescente e contribuir para a fidedignidade do depoimento,
por meio da utilização de uma metodologia cientificamente testada. A
Recomendação 33/2010, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), determina
a implantação de sistema de depoimento videogravado para as crianças e
adolescentes vítimas ou testemunhas de violência e sugere algumas
estratégias de localização e instalação de equipamentos eletrônicos. O
depoimento, de acordo com a recomendação, deve ser realizado em
ambiente separado da sala de audiências e oferecer segurança,
privacidade, conforto e condições de acolhimento.

Agora vamos ver como essa temática é cobrada pela FGV?

(FGV – 2018 – Prefeitura de Niterói/RJ) Desde que foi sancionado, o Estatuto da Criança
e do Adolescente tem passado por alterações para regulamentar e tornar mais rígidas
a investigação e a punição de crimes contra a dignidade sexual da criança e do
adolescente. Sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes, é correto afirmar
que:

a) é necessária a comprovação da conjunção carnal mediante exame de corpo de


delito para a caracterização de crime sexual;

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b) o abuso sexual no âmbito doméstico deve permanecer assunto privado sob pena
de ruptura dos laços familiares;

c) não são consideradas como violência sexual as hipóteses em que houve


participação voluntária e consentida da criança ou adolescente;

d) a escuta especializada e o depoimento especial serão oferecidos a crianças e


adolescentes vítimas no acompanhamento prestado no CRAS;

e) a exploração sexual deve ser combatida por meio de ações públicas e sociais de
garantia de direitos básicos e acesso a serviços fundamentais.

Letra A: Errada. Crime sexual não acontece somente mediante conjunção carnal. Há
vários tipos de violência sexual que não precisam nem de toque para ocorrer.

Letra B: Errada. A ruptura dos laços familiares pode configurar uma condição de
risco. No entanto, uma violência sexual dentro do contexto familiar já é uma situação de
risco instalada.

Letra C: Errada. Crianças e adolescentes até 14 anos incompletos não podem


consentir com relações sexuais.

Letra D: Errada. O CRAS pode realizar a escuta especializada, mas não o depoimento
especial (competência das autoridades policiais e judiciárias).

Letra E: Certa. A prevenção e o combate a qualquer violação de direito (incluindo os


sexuais) devem ser feitos por meio de ações públicas e sociais.

Gabarito: E

(FGV – 2019 – DPE/RJ) Ao mesmo tempo em que denúncias de abuso sexual contra
crianças e adolescentes são frequentes, implicando medidas protetivas urgentes para
as vítimas e punições para os perpetradores, também são crescentes os casos de falsas
denúncias.

Na comum inexistência de vestígios físicos, é recomendável que o perito psicólogo:

a) atente para os indicadores específicos de que a criança foi sexualmente abusada;

b) entreviste o abusador depois de encerrar todas as entrevistas com a criança;

c) aplique os testes psicológicos específicos para a constatação da violência sexual;

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d) realize perguntas fechadas para não contaminar os dados fornecidos pela vítima;

e) integre de forma abrangente diferentes fontes de informação e indicadores.

Resolução: Veremos sobre perícia mais à frente, porém essa questão é interessante
dentro da temática de violência sexual. Segundo Schaefer& Cols (2012), ao mesmo tempo
em que denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes são frequentes,
implicando em medidas protetivas urgentes para as vítimas e punições para os
perpetradores, também são crescentes os casos de falsas denúncias. Na comum
inexistência de vestígios físicos, uma avaliação psicológica abrangente demonstra-se
imprescindível, devendo integrar diferentes fontes de informação e indicadores, já que
alguns destes são contraditórios e inespecíficos. O perito deve possuir formação na área de
atuação e conhecimentos sobre a legislação vigente, além de assegurar que a avaliação não
se torne um elemento abusivo para o periciado.

Letra A: Errada. A perícia psicológica deve se atentar para todos os indicadores


possíveis. Se o perito já iniciar a perícia pressupondo que a criança foi realmente abusada,
a perícia poderá ficar enviesada/contaminada.

Letra B: Errada. Não existe esse protocolo.

Letra C: Errada. Não há teste psicológico que constate violência sexual. Nem mesmo
ao final da perícia (na emissão do laudo), o psicólogo poderá constatar categoricamente
que houve abuso.

Letra D: Errada. O ideal é se utilizar de entrevistas semiestruturadas e abertas.

Letra E: Certa. É exatamente isso que o perito psicólogo faz: colhe diferentes fontes
de informação e as integra.

Gabarito: E

(FGV - 2014 – TJ/RJ) A identificação da ocorrência de violência sexual contra a criança


é assunto controverso, sobretudo, quando ocorre no contexto de separação conjugal
litigiosa. Dada a sua complexidade, é correto afirmar que:

a) o uso de bonecas anatomicamente corretas é comprovadamente o melhor método


de investigação da violência sexual nas entrevistas de revelação;

b) nem todas as denúncias de abuso sexual no contexto da separação são falsas,


tampouco nem toda denúncia falsa tem como intenção prejudicar o acusado;

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c) não deve haver contato do acusado com o filho até que terminem as investigações
sobre a existência ou não do abuso;

d) a recusa da criança em se encontrar com o acusado deve-se a uma situação abusiva


quando em sua companhia, não necessariamente sexual;

e) E em se descobrindo tratar-se de denúncia falsa, a mãe alienadora deve perder a


guarda em favor do alienado.

Letra A: Errada. Não é o melhor método! O uso de bonecas anatômicas é comum,


mas deve ser utilizado com cautela. Por natureza, as crianças são altamente sugestionáveis,
razão pela qual é requerido ao avaliador (psicólogo) que tome as devidas cautelas para não
induzir a vítima a informar um fato que não ocorreu, posto que a forma como o psicólogo
faz o uso dos bonecos poderá fazer com que a criança confirme uma agressão sexual que
não existiu, apenas por acreditar que essa seja a resposta desejada pelo psicólogo.

Letra B: Certa. Em contexto litigioso de separação do casal, o psicólogo deve ter a


percepção sobre o conflito e a dinâmica familiar, bem como qual é o lugar que os filhos
ocupam nesse cenário. Poderá haver falsas alegações motivadas por erros de julgamento e
interpretação de sinais exibidos pela criança, distorção e crença equivocada por parte tanto
dos denunciantes quando dos profissionais encarregados de assistir o caso. Porém, nessas
circunstâncias, muitos pais acusados de abusar de seus filhos, afastados do convívio com
eles, têm buscado reunir elementos em sua defesa e fazer com que sejam ouvidos. Nesse
sentido têm promovido algumas medidas , que vão desde a contestação judicial dos laudos
psicológicos considerados parciais - cujo conteúdo os implica como autores do abuso sexual
dos próprios filhos - até a solicitação de novas avaliações psicológicas , bem como a
denúncia e o pedido de abertura de processo ético contra os psicólogos, nos conselhos
regionais de psicologia, em função dos laudos por eles emitidos.

Letra C: Errada. Para que o juiz defira uma medida que restrinja o contato entre o
filho e o acusado, é necessário que haja indícios suficientes de materialidade e autoria. No
entanto, na prática, os juízes costumam conceder a liminar, pelo princípio do melhor
interesse da criança, conforme previsão do ECA.

Letra. Errada. Assertiva sem fundamento, não é possível fazer essa generalização. A
recusa da criança em manter contato pode advir de um caso de alienação parental, por
exemplo.

Letra E: Errada. Não necessariamente haverá perda da guarda. Muitos fatores devem
ser considerados para que isso aconteça. Além do que, outras medidas poderão ser
aplicadas, visando sempre o melhor interesse da criança.

Gabarito: B

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(FGV – 2017 – MPE/BA) Aline, 8 anos, costumava frequentar a casa de seu vizinho, a
quem dava o tratamento de avô. O homem de 59 anos dava dinheiro e presentes à
menina e a fotografava em poses sensuais com pouca ou nenhuma roupa. Quando a
mãe de Aline descobriu o que acontecia, procurou a Delegacia de Polícia para lavrar um
Boletim de Ocorrência. Considerando a situação descrita e a garantia de direitos de
Aline:

a) a primeira medida a ser adotada pelo Delegado para a proteção à criança que será
testemunha de acusação constituirá em seu acolhimento institucional;

b) a oitiva de Aline perante a autoridade judicial será realizada em local apropriado e


acolhedor através do procedimento do depoimento especial;

c) a criança Aline precisará ser ouvida em diferentes instâncias protetivas para


elucidação dos fatos antes da instauração de inquérito criminal;

d) não está caracterizada aqui a violência sexual porque a criança ia à casa do idoso
voluntariamente e não houve contato sexual propriamente dito;

e) a menina será ouvida pelo Juiz no curso da audiência com o uso das técnicas da
entrevista investigativa e da psicologia do testemunho.

Letra A: Errada. Acolhimento institucional é uma medida extraordinária. Aline


vivenciou situações de abuso na casa de um vizinho, não foi em sua própria casa.

Letra B: Certa. Percebam que a assertiva fala de OITIVA = depoimento especial.

Letra C: Errada. Nunca! A criança/adolescente deverá ser ouvida uma única vez. Não
faz sentido expor a criança a ficar repetindo as violências. Isso configura uma violência
institucional, o que chamamos de revitimização.

Letra D: Errada. Configura, sim, uma violência sexual. Aline é uma criança (não
responde por suas decisões) e, apesar de não haver toque, houve violência sexual por meio
de pornografia.

Letra E: Errada. O depoimento especial consiste em uma metodologia diferenciada


de escuta judicial de crianças e adolescentes, executada por equipe multidisciplinar,
objetivando, principalmente, minimizar a revitimização da criança ou adolescente e
contribuir para a fidedignidade do depoimento, por meio da utilização de uma metodologia
cientificamente testada. A Recomendação 33/2010, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
determina a implantação de sistema de depoimento videogravado para as crianças e
adolescentes vítimas ou testemunhas de violência e sugere algumas estratégias de

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localização e instalação de equipamentos eletrônicos. O depoimento, de acordo com a


recomendação, deve ser realizado em ambiente separado da sala de audiências e
oferecer segurança, privacidade, conforto e condições de acolhimento.

Gabarito: B

PSICOLOGIA DO TESTEMUNHO
1 – Considerações Iniciais

Embora a lei seja bastante clara no que diz respeito aos direitos que devem ser
assegurados às crianças e aos adolescentes, os operadores da lei deparam-se com uma
dificuldade muito concreta em seu trabalho: como obter informações fidedignas a respeito
das práticas a que são submetidas em crianças e adolescentes? Segundo a Cartilha
“Desafios da Oitiva de Crianças e Adolescentes: Técnica de Entrevista Investigativa”
(MP/AP, 2009), o depoimento de testemunhas e vítimas infantis é marcado por
particularidades.

Devido ao fato de crianças e adolescentes encontrarem-se em pleno processo de


desenvolvimento cognitivo e psicológico, é bastante possível que ainda não tenham
desenvolvido certas capacidades que são requeridas para a prestação de um depoimento.
Assim, os procedimentos de ouvida a serem utilizadas com este público devem ser
adequados ao estágio de desenvolvimento em que se encontram. Caso esta adaptação não
seja feita, informações valiosas podem ser perdidas e/ou informações enganosas podem ser
obtidas.

2 – Compreensão do testemunho

Primeiramente, o indivíduo percebe um determinado evento. A seguir, a experiência


fica armazenada em sua memória. A terceira etapa ocorre quando a pessoa busca acessar
as informações retidas em sua memória. Para que um testemunho seja obtido, não basta
apenas haver uma lembrança do evento, é preciso que o indivíduo possua habilidades para
expressá-lo de alguma maneira compreensível. Logo, a quarta etapa envolve a capacidade

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do sujeito de comunicar aquilo que está retido em sua memória. Nesta etapa entra em a
importância da técnica de entrevista, já que é através desta que serão coletados os
depoimentos, sejam de crianças ou de adultos. Deste modo, tanto o tipo de entrevista que
é realizada, como a forma e as circunstâncias em que esta é conduzida, são determinantes
para a qualidade de um testemunho.

A qualidade da memória não é um produto cognitivo “puro”, independente do


contexto no qual a pessoa é solicitada a realizar a tarefa de lembrar e contar o que
aconteceu. Ou seja, a forma como a criança é questionada e o modo como é entrevistada,
incluindo o próprio ambiente físico onde isto acontece e o número de entrevistas realizadas,
entre outros, podem ser fatores determinantes para a qualidade de sua memória e de seu
relato. A quinta etapa, na verdade, é um pano de fundo que permeia praticamente todas
as anteriores. Esta última diz respeito às motivações do indivíduo para contar, sejam elas
internas ou externas. Assim, o caminho para o profissional trabalhar na Psicologia do
Testemunho é este:

PERCEPÇÃO DO ARMAZENAMENTO RECUPERAÇÃO DA


EVENTO DA INFORMAÇÃO MEMÓRIA

MOTIVAÇÕES PARA CAPACIDADE PARA


RELATAR SE EXPRESSAR

Fatores de ordem social podem influenciar o testemunho nos dois sentidos: tanto
na omissão de informações verdadeiras quanto na menção de informações falsas (Chae
& Ceci, 2006). Nesse sentido, o entrevistador precisa estar especialmente atento para o
contexto mais amplo no qual ocorre o testemunho. Perguntas como “essa testemunha tem
interesse em omitir certas informações?” e “essa testemunha teria algum benefício em criar
estas informações?” são de grande valia na hora tanto na hora de se obter um relato quanto
no momento de analisar sua credibilidade.

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Em relação aos falsos testemunhos – situação na qual o relato sobre um determinado


acontecimento está em desacordo com a verdade dos fatos – é preciso distinguir aqueles
baseados em distorções da memória daqueles motivados por outros determinantes.
Embora ambos relatos sejam, na prática, falsos, os mecanismos que os geram são de
natureza diversa. Da mesma forma, as implicações perante a lei são absolutamente distintas.

A figura a seguir resume a avaliação de um testemunho:

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3 – Fatores que atravessam a Psicologia do Testemunho

FALSAS MEMÓRIAS à ocorrem porque os traços de essência sobrepõem aos traços


literais no momento da recuperação. Assim, a memória de essência é responsável pela
recordação e reconhecimento de falsos eventos que são consistentes com o significado da
experiência, ao passo que a memória literal corresponde aos detalhes precisos e, portanto,
às lembranças verdadeiras (Brainerd & Reyna, 2005);

SUGESTIONABLIDADE DA MEMÓRIA à consiste na tendência de um indivíduo em


incorporar informações distorcidas, provindas de fontes externas (de forma intencional ou
acidental), às suas recordações pessoais (Schacter, 2003);

EMOÇÕES NEGATIVAS E MEMÓRIA à o estresse pode ter impacto na quantidade,


acurácia e na suscetibilidade à falsa sugestão da memória de crianças para eventos
passados. De um modo geral, as pesquisas sugerem que os indivíduos tendem a lembrar
mais de experiências pessoais que contenham maior relevância emocional (Kensinger,
2004). Estudos demonstraram que crianças em situações de estresse, ou seja, com alta carga
emocional, geralmente, apresentam uma melhora da memória para o evento em
comparação com situações neutras. Dessa maneira, parece que eventos estressantes são
melhores memorizados que eventos emocionalmente neutros.

(FGV – 2021 – TJ/RO) Em seus primórdios, a Psicologia Jurídica esteve ligada:

a) à psicologia da Gestalt;

b) à psicologia experimental;

c) à psicologia do testemunho;

d) à psicanálise;

e) ao psicodrama.

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Resolução: Segundo Gomes & Cols. (2018), a origem da Psicologia Jurídica está
ligada à Psicologia do Testemunho, quando, no século XIX, psicólogos foram requisitados
a participar como especialistas e testemunhas nos tribunais. Assim, a Psicologia do
Testemunho foi uma das primeiras áreas a contribuir com a Psicologia Jurídica e o Direito,
a fim de verificar a veracidade dos testemunhos, estudos sobre interrogatórios e falsos
testemunhos.

Gabarito: C

(FGV – 2015 – DPE/MT) De acordo com a psicóloga do TJ Glícia Barbosa de Mattos


Brazil, “enquanto muitas crianças vítimas de violência sexual sofrem sem conseguir
denunciar o agressor, dezenas de registros de falsos abusos chegam à Justiça
anualmente. Nas 13 Varas de Família da Capital (RJ), por exemplo, 80% das denúncias
são falsas.”

A notícia publicada em um jornal do Rio de Janeiro chama a atenção para

a) as falsas alegações de abandono afetivo com o propósito de inversão da guarda


de filhos.

b) o despreparo das equipes multidisciplinares para o diagnóstico da alienação


parental dos abusadores.

c) a implantação de falsas memórias em disputas litigiosas de guarda e visitação de


filhos.

d) a judicialização das separações conjugais em famílias com filhos menores.

e) a necessidade de redefinir violência sexual para incluir abusos sexuais sem contato
físico.

Resolução: A questão fala de denúncias envolvendo crianças no contexto das Varas


de Família. Logo, já podemos supor que podem se tratar das temáticas de guarda e
alienação parental. Nesse sentido, segundo Clarindo (2011), o alienante poderia alegar que
o alienado praticou abuso sexual contra os filhos, com o objetivo de, ao longo do processo
necessário para a apuração do delito, conseguir preliminarmente o afastamento do acusado
e da suposta vítima. Este mecanismo de acusações inverídicas tem o poder de iludir os
operadores do direito envolvidos na análise do caso, principalmente aquela que possui a
prerrogativa de julgar, pois a conduta do genitor alienante é no sentido de não apenas
convencer o magistrado, mas também o próprio filho de que o abuso sexual existiu,
geralmente distorcendo a verdade acerca de fatos que não têm conotação abusiva.

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Quanto mais tenra a idade, a criança ou o adolescente serão induzidos a acreditarem que
foram abusados, devido ao alto grau de sugestionabilbidade da mente humana ainda em
formação.

Letra A: Errada. A assertiva induz que as alegações seriam propositalmente falsas, o


que não é possível afirmar no contexto da questão.

Letra B: Errada. Também não é possível afirmar, diante do contexto da questão, que
as equipes são despreparadas.

Letra C: Certa. Pode-se afirmar que a questão trata de uma possível


sugestionabilidade nas memórias das crianças, o que pode ocasionar falsas denúncias.

Letra D: Errada. Não é disso que trata a questão.

Letra E: Errada. Abusos sexuais sem contato físico são violências sexuais.

Gabarito: C

ENTREVISTA FORENSE
1 – Considerações Iniciais

A entrevista forense é uma metodologia de entrevista adaptável ao


desenvolvimento psicossocial do entrevistado que tem como objetivo a obtenção de um
relato pormenorizado sobre uma experiência vivenciada ou testemunhada, centrada nos
fatos dessa experiência (atores, ações, tempo, espaço etc). O entrevistador deve facilitar a
escuta protegida para fins de investigação e judicialização das ocorrências.

2 – Técnicas de Entrevista

Com o avanço científico da Psicologia do Testemunho, em especial no que tange o


funcionamento da memória e os aspectos envolvidos na oitiva de testemunhas e vítimas,
em muitos países, já foram implantadas mudanças no sistema legal que modificaram a
condução das entrevistas investigativas ou forenses com crianças. Tais mudanças visam à

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maximização da qualidade dos testemunhos e a minimização da interferência do


entrevistador e ocorrência das falsas memórias. Essa preocupação dos psicólogos
forenses com a qualidade dos depoimentos possibilitou o surgimento de técnicas de
entrevista que estão sendo desenvolvidas e aperfeiçoadas com o objetivo de atingir uma
maior credibilidade e fidedignidade dos testemunhos, observando-se um contexto de
entrevista adequado às condições emocionais e desenvolvimentais da testemunha. Pode-
se afirmar que ao entrevistar uma criança através da técnica adequada, a criança poderá
contribuir para o processo de investigação, fornecendo informações corretas e relevantes
em seu depoimento (MP/AP, 2009).

2.1 – Entrevista Cognitiva

O fundamento básico desse método reside em estruturar a entrevista para ser mais
compatível com a forma como o cérebro recupera memórias. Embora a entrevista
cognitiva tenha sido desenvolvida inicialmente para entrevistas relacionadas à investigação
de crimes, é consenso na comunidade científica que sua estrutura básica pode ser aplicada
a qualquer tipo de entrevista para ampliar a quantidade e a qualidade das informações
obtidas. A estrutura da entrevista cognitiva é composta por 7 etapas, compostas por
técnicas específicas, fundamentadas em diferentes princípios teóricos. São elas:

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Etapa 1
OBJETIVO DIMINUIR A
ANSIEDADE E TENSÃO PARA
RAPPORT QUE A TESTEMUNHA SE SINTA
CONFORTÁVEL PARA
COMPARTILHAR INFORMAÇÕES

Etapa 2
EXPLICAR À TESTEMUNHA
ESTABELECIMENTO DOS SOBRE O TRABALHO QUE SERÁ
OBJETIVOS REALIZADO A FIM DE ALINHAR
OS OBJETIVOS PROPOSTOS.

RESGATE DE LEMBRANÇAS

Etapa 3
PARA ELUCIDAR A MEMÓRIA
PRODUZIDA A PARTIR DA
RELATO LIVRE PERCEPÇÃO SENSORIAL E OS
COMPORTAMENTOS EMITIDOS
NA SITUAÇÃO EM QUESTÃO

ANÁLISE DO DISCURSO

Etapa 4
PARA APROFUNDAMENTO.
OBJETIVO PRIMORDIAL
QUESTIONAMENTO
PREENCHER QUAISQUER
LACUNAS PRESENTES NA
NARRATIVA

FOCALIZAR EM

Etapa 5
RECUPERAÇÃO DIFERENTES ASPECTOS
VARIADA E SENSORIAIS DA
EXTENSIVA EXPERIÊNCIA A PARTIR
DE OUTRA PERSPECTIVA

Etapa 6 SÍNTESE ORGANIZAÇÃO DAS


INFORMAÇÕES

Etapa 7 FECHAMENTO FEEDBACK FINAL

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2.2 – Sistema PEACE

O sistema ou método PEACE foi desenvolvido no Reino Unido a partir da entrevista


cognitiva e propõe diferentes etapas que compõem a entrevista investigativa, contendo
recomendações específicas para a entrevista com testemunhas infantis. São 5 etapas,
vejamos:

PLANEJAR A
P = PLANEJAR ENTREVISTA
PREVIAMENTE

ENVOLVER O
ENTREVISTADO
E = ENGAJAR NA
CONVERSAÇÃO

DEIXAR O
ENTREVISTADO
A = ACESSAR FALAR
LIVREMENTE

C = CERRAR FECHAMENTO DA
(FECHAR) ENTREVISTA

EXPANDIR OS
DADOS
E = EXPANDIR COLETADOS POR
MEIO DA ANÁLISE

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(FGV – 2018 – MPE/AL) Os fundamentos da entrevista cognitiva, usada para a entrevista


de testemunhas no âmbito jurídico, estão enraizados nas técnicas de recuperação da
memória do acontecimento testemunhado. Sobre os fatores envolvidos na capacidade
de adquirir, armazenar e evocar informações, assinale a afirmativa correta.

a) A atenção é focada em todos os estímulos ambientais.


b) A percepção é subjetiva, particular e individual.
c) As memórias antigas são evocadas graças ao fenômeno do déjà vu.
d) As lacunas da memória devem ser preenchidas com mentiras.
e) A lembrança de eventos emocionalmente marcantes desvanece com o tempo.

Resolução: A percepção é a tomada de consciência do estímulo sensorial. Trata-se de um


produto ativo, criativo e pessoal de experiências que partem de estímulos sensoriais, mas
são recriadas na mente de quem percebe algo (ou seja, ela é subjetiva). Lembrando as
etapas da entrevista cognitiva: 1) rapport - 2) estabelecimento dos objetivos - 3) relato
livre - 4) questionamento - 5) recuperação variada e extensiva - 6) síntese - 7)
fechamento.

Letra A: Errada. A atenção é uma qualidade da percepção que faz uma espécie de filtro nos
estímulos ambientais. Infelizmente (ou felizmente!) não podemos focar em todos os
estímulos ambientais.

Letra B: Certa. Conforme explanação, a percepção é subjetiva, particular e individual.

Letra C: Errada. Oi? De onde será que o examinador tirou isso? rsrs

Letra D: Errada. Outra viagem do examinador!

Letra E: Errada. Pelo contrário, vimos que existem estudos que sugerem que os indivíduos
tendem a lembrar mais de experiências pessoais que contenham maior relevância
emocional.

Gabarito: B

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(FGV – 2019 – DPE/RJ) A entrevista cognitiva é uma técnica usada com testemunhas no
âmbito jurídico que leva em conta os fatores psicológicos envolvidos na tarefa de evocar
a memória de um acontecimento.
Sobre as etapas compreendidas na entrevista cognitiva, é correto afirmar que:

a) a etapa de estabelecimento de rapport visa criar uma atmosfera de impessoalidade e


empatia entre o entrevistador e o entrevistado;
b) na etapa de transferência de controle, o entrevistador enfatiza o caráter de facilitador do
entrevistado para uma exposição pormenorizada dos fatos;
c) na recriação do contexto, o entrevistado é solicitado a voltar mentalmente ao ambiente
do evento, recuperando o maior número de detalhes possível;
d) na etapa do fechamento, o entrevistador resume o relato do evento com suas próprias
palavras, e testa suas hipóteses sobre os fatos narrados;
e) na etapa de clarificação, o entrevistador deve privilegiar as perguntas fechadas, de forma
a evitar ambiguidades no esclarecimento de pontos obscuros.

Resolução: A etapa do “relato livre”, na qual há o resgate de lembranças para elucidar a


memória produzida a partir da percepção sensorial e os comportamentos emitidos na
situação em questão, o entrevistador se utiliza da técnica de “recriação do contexto”. Nela,
o entrevistador solicita ao entrevistado que volte mentalmente ao ambiente em que ocorreu
o evento em questão, recuperando o maior número de detalhes possíveis.

Letra A: Errada. Visa criar uma atmosfera de empatia e de PERSONALIZAÇÃO e não de


impessoalidade.

Letra B: Errada. O facilitador é o entrevistador, não o entrevistado.

Letra C: Certa. A assertiva fala da etapa 3 (relato livre), na qual o entrevistador solicita uma
recriação de contexto para focalizar em diferentes aspectos sensoriais da experiência a fim
de recuperar o maior número de detalhes possíveis.

Letra D: Errada. Não é de acordo com suas hipóteses, ele resume baseado no que o
entrevistado disse.

Letra E: Errada. A etapa de clarificação poderia ser equivalente à etapa de


estabelecimento/explicação dos objetivos. Em nenhuma das etapas, deve haver o privilégio
das perguntas fechadas, uma vez que o objetivo é colher os dados da forma mais detalhada
possível.

Gabarito: C

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AVALIAÇÃO E PERÍCIAS PSICOLÓGICAS


1 – Considerações Iniciais

A prática da psicologia jurídica acaba tendo o psicólogo jurídico/forense no papel do


perito. Atuando como perito, os psicólogos podem auxiliar a corte diretamente, informando
sobre os achados psicológicos e sua aplicação a uma questão legal particular (Huss, 2011).
Mas é importante lembrar que os psicólogos prestam ASSESSORIA ao sistema legal. Assim,
eles não substituem as autoridades na tomada de decisões, e sim as auxiliam, funcionam
quase que como um assessor técnico em Psicologia!

Revisem as Resoluções do CFP n. 008/2010 e 017/2012 (vistas na aula zero), que


dispõem sobre a atuação do psicólogo como perito e assistente técnico no Poder Judiciário
e sobre a atuação do psicólogo perito nos diversos contextos, respectivamente.

A perícia psicológica é considerada meio de prova, pois é um exame que


exige conhecimentos técnicos e científicos a fim de comprovar (provar) a
veracidade de certo fato ou circunstância. Está prevista no Código de
Processo Civil (CPC) e no Código de Processo Penal (CPP) como atividade
que auxilia o magistrado na tomada de decisão.

2 – Áreas de atuação do psicólogo perito

O perito psicólogo poderá atuar em duas grandes áreas judiciais:

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DIREITO CIVIL DIREITO PENAL

Varas da Infância e Juventude, Vara Varas Criminais, Varas Criminais


de Família, Vara Cível e em menor Especializadas e
frequência em Vara da Fazenda
Pública Varas de Execução Penal

Segundo o CPC, no Art. 156: O juiz será assistido por perito quando a prova do fato
depender de conhecimento técnico ou científico. Exceção: força maior impeditiva; risco
de vida; falta de conhecimento técnico; quando requisitado para realizar perícia em sujeito
com o qual mantém ou manteve relação terapêutica.

3 – Estratégias e técnicas de Avaliação Pericial

Análise documental à peça processual; atestados médicos; registros escolares,


profissionais, policiais...;

Visitas técnicas à domiciliares e institucionais (escolar, trabalhista e serviços de


saúde);

Observação à sistemática; assistemática; vincular (pai-filho; mãe-filho);

Exames à Exame do Estado Mental, Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e Exame


Neuropsicológico;

Técnicas de entrevista à livre-estruturada, semi-estruturada e estruturada –


combinadas apresentam melhores resultados;

Aplicação de instrumentos à testes, escalas, técnicas expressivas e inventários;

Recursos lúdicos à jogos e brinquedos;

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TODAS AS TÉCNICAS DEVEM SER DESCRITAS E FUNDAMENTADAS!

(FGV – 2017 – MPE/BA) A Resolução CFP nº 017/2012 dispõe sobre a atuação do


psicólogo como perito nos diversos contextos.

Com base nela, analise as afirmativas a seguir.

I. O trabalho pericial poderá contemplar observações, entrevistas, visitas


domiciliares e institucionais, aplicação de testes psicológicos, utilização de recursos
lúdicos, constelações familiares e outros instrumentos, métodos e técnicas.

II. O periciado deve ser informado acerca dos motivos, das técnicas utilizadas,
datas e local da avaliação psicológica, sendo que, em se tratando de criança,
adolescente ou interdito, é necessário o consentimento formal por pelo menos um dos
responsáveis legais.

III. A devolutiva do processo de avaliação deve direcionar-se para os resultados


dos instrumentos e técnicas utilizados.

Está correto o que se afirma em:

a) somente I;

b) somente III;

c) somente I e II;

d) somente II e III;

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e) I, II e III.

Resolução: Conforme a Resolução CFP nº 017/2012:

Art. 3º – Conforme a especificidade de cada situação, o trabalho pericial


poderá contemplar observações, entrevistas, visitas domiciliares e
institucionais, aplicação de testes psicológicos, utilização de recursos
lúdicos e outros instrumentos, métodos e técnicas reconhecidas pela
ciência psicológica, garantindo como princípio fundamental o bem-estar
de todos os sujeitos envolvidos.

Art. 4º – O periciado deve ser informado acerca dos motivos, das técnicas
utilizadas, datas e local da avaliação pericial psicológica.

§ único: Quando a pessoa atendida for criança, adolescente ou interdito, é


necessária a apresentação de consentimento formal a ser dado por pelo
menos um dos responsáveis legais.

Art.10 – A devolutiva do processo de avaliação deve direcionar-se para os


resultados dos instrumentos e técnicas utilizados.

I – Errada. A constelação familiar não é um método/técnica reconhecida pela ciência


psicológica.

II – Certa. Conforme art. 4º e § único da Resolução CFP nº 017/2012.

III – Certa. Conforme art. 10 da Resolução CFP nº 017/2012.

Gabarito: D

(FGV – 2018 – MPE/AL) Sobre a atuação do psicólogo como perito nos diversos
contextos, segundo a resolução nº 017/2012 do CFP, analise as afirmativas a seguir.

I. O periciado deve ser informado acerca dos motivos, das técnicas utilizadas, das
datas e do local da avaliação pericial psicológica.

II. A recusa do periciado ou de seu dependente em submeter-se às avaliações


para fins de perícia psicológica deve ser registrada devidamente nos meios adequados.

III. A devolutiva do processo de avaliação deve direcionar-se para as impressões


do perito, os resultados, as técnicas utilizadas e o prognóstico.

Está correto o que se afirma em

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a) II, somente.

b) I e II, somente.

c) I e III, somente.

d) II e III, somente.

e) I, II e III.

Resolução: Segundo a Resolução CFP nº 017/2012:

Art. 4º – O periciado deve ser informado acerca dos motivos, das técnicas
utilizadas, datas e local da avaliação pericial psicológica.

Art. 9º – A recusa do periciado ou de seu dependente em submeter-se às


avaliações para fins de perícia psicológica deve ser registrada devidamente
nos meios adequados.

Art.10 – A devolutiva do processo de avaliação deve direcionar-se para


os resultados dos instrumentos e técnicas utilizados.

I – Certa. Conforme art. 4º da Resolução CFP nº 017/2012.

II – Certa. Conforme art. 9º da Resolução CFP nº 017/2012.

III – Errada. A devolutiva deve ser voltada apenas para os resultados, não impressões
do perito ou prognóstico.

Gabarito: B

(FGV – 2018 – MPE/AL) Vânia é psicóloga perita do MP e antes de iniciar a avaliação das
partes de um processo judicial, recebe a visita de Andrea, também psicóloga, que atua
como assistente técnica contratada por uma das partes.

Andrea quer participar das entrevistas de avaliação pericial, inclusive da parte contrária.

Sobre a pretensão de Andrea, de acordo com a Resolução nº 008/2010 do CFP, que


dispõe sobre a atuação do psicólogo como perito e assistente técnico no Poder
Judiciário, assinale a afirmativa correta.

a) É indicado que Vânia e Andrea participem de todos os atendimentos, de modo a


facilitar a troca de impressões.

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b) Não há problema em Andrea participar de todos os atendimentos, desde que não


se manifeste durante as entrevistas.

c) É permitido que Vânia participe dos atendimentos de Andrea e não o contrário, já


que esta última seria de confiança apenas da parte.

d) É permitido que Andrea participe dos atendimentos de Vânia e não o contrário, já


que caberá a ela como assistente técnico questionar a perícia.

e) Andrea não deve estar presente durante os atendimentos de Vânia e vice-versa,


para que não haja interferência na dinâmica e na qualidade do serviço realizado.

Resolução: A Resolução do CFP nº 008/2010 é clara no art. 2º: O psicólogo assistente


técnico não deve estar presente durante a realização dos procedimentos metodológicos
que norteiam o atendimento do psicólogo perito e vice-versa, para que não haja
interferência na dinâmica e qualidade do serviço realizado;

Gabarito: E

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A ENTREVISTA PSICOLÓGICA

1 – Entrevista Inicial

Num primeiro momento, o psicólogo depende dos motivos alegados ou reais do


encaminhamento, ou seja, os objetivos da avaliação psicológica a fim de elaborar seu plano
de avaliação. Concomitantemente, o psicólogo deve observar os níveis de influência que
deve ser alcançado com o sujeito, incluindo idade, gênero, nível sociocultural etc. Segundo
Ocampo, constituem objetivos da primeira entrevista em psicodiagnóstico:

o Perceber a primeira impressão que nos desperta o paciente e ver se ela se mantém
ao longo de toda a entrevista ou muda, e em que sentido. São aspectos
importantes: linguagem corporal, vestimentas, gestos, maneira peculiar de ficar
quieto ou mover-se etc;
o Considerar a verbalização do paciente: o que, como e quando verbaliza e seu ritmo,
comparando isto à imagem que transmite através de sua maneira de falar quando
solicita a consulta;
o Estabelecer o grau de coerência ou discrepância entre o que foi verbalizado e o que
captamos através da sua linguagem não verbal;
o Planejar a bateria de testes mais adequada quanto aos elementos, sequência e
ritmo;
o Estabelecer bom rapport (aliança terapêutica) com o paciente;
o Ao longo da entrevista, é importante observar o que o paciente nos transfere e o
que isto nos provoca (transferência);
o Na entrevista inicial com os pais do paciente (no caso de crianças e adolescentes), é
importante detectar qual o vínculo que une o casal, o vínculo entre casa e filho, o
de cada um deles com o filho, o do filho com cada um e com o casal, e o do casal
com o psicólogo;
o Avaliar a capacidade dos pais de elaboração da situação diagnóstica atual e
potencial.

Há também uma entrevista que ocorre ao final do processo, a entrevista de


devolução ou devolutiva. Pode ser uma ou várias e é o momento em que
o psicólogo se posiciona e faz a devolutiva sobre os aspectos que surgiram
durante a avaliação realizada, bem como as considerações finais e eventuais
encaminhamentos. É feita com o paciente ou com os pais, quando se trata
de uma criança.

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Primeira impressão:
Transferência Vínculos
se ela muda ou não

Capacidade de
Verbalização Rapport elaboração do
diagnóstico

Coerência ou
discrepância entre Planejamento da
o verbal e a bateria de testes
linguagem corporal

2 – Tipos de Entrevista

A entrevista é uma técnica que toma diversas formas conforme o objetivo e a


orientação do entrevistado. De modo geral, a entrevista pode ser classificada em:

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Dirigida ou Estruturada à Quando o entrevistador segue um roteiro com


perguntas previamente estabelecido.

Semidirigida, Semi-estruturada ou Mista à Entrevista que comporta a


combinação de perguntas estruturadas e liberdade de expressão do
entrevistado.

Livre, Não-dirigida ou Não-estruturada à Se houver perguntas ou


intervenções do entrevistador, essas são poucas e formuladas durante a
entrevista.

Dois aspectos que devem ser observados durante as entrevistas são a transferência
e a contratransferência:

Transferência: sentimentos, condutas e atitudes inconscientes, por parte


do entrevistado, ligados a sua história e a sua dinâmica familiar que são
projetados no entrevistador.

Contratransferência: sentimentos e atitudes inconscientes pertencentes a


relações do passado que o profissional projeta inconscientemente no
paciente. O psicólogo deve estar atento a eles para não interferir no
processo.

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(FCC – 2017 -TRE-SP) No processo psicodiagnóstico, segundo Ocampo e Arzeno (1990),

a) definir o enquadre (ou enquadramento) permite dar garantias de que no processo de


psicodiagnóstico o paciente não tenha contato com aspectos da sua infância já que são
muito regressivos, dificultando a entrevista.

b) a entrevista inicial é caracterizada como uma entrevista dirigida, que permite ao


entrevistador ter a liberdade de investigar as principais questões foco da avaliação
psicológica.

c) a entrevista clínica é uma técnica insubstituível, pois cumpre os objetivos do processo


psicodiagnóstico, sendo a utilização de testes facultativa, uma vez que são apenas
complementares.

d) ao planejar a bateria de testes a ser utilizada no psicodiagnóstico, é importante


discriminar a sequência em que os testes escolhidos serão aplicados, sendo que os
primeiros devem ser os que mobilizam a conduta que corresponde ao sintoma do avaliado.

e) na entrevista clínica deve-se observar o motivo latente, subjacente ao manifesto, sem


ater-se à queixa que preocupa o paciente e pode manter-se, anular-se e ampliar-se.

RESOLUÇÃO:

A alternativa A está incorreta. Não se pode definir o enquadramento com maior precisão
porque seu conteúdo e seu modo de formulação dependem, em muitos aspectos, das
características do paciente e dos pais.

A alternativa B está incorreta. Entrevista semidirigida é a entrevista inicial quando


o paciente tem liberdade para expor seus problemas começando por onde preferir e
incluindo o que desejar.

A alternativa C está incorreta. A entrevista clínica é "uma" técnica e não "a" técnica. É
insubstituível enquanto cumpre certos objetivos do processo psicodiagnóstico, mas
os testes (projetivos) apresentam certas vantagens que os tornam insubstituíveis e
imprescindíveis.

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A alternativa D está incorreta. O teste que mobiliza uma conduta que corresponde ao
sintoma nunca deve ser aplicado 1º, pois isso supõe colocar o paciente na situação mais
ansiogênica ou deficitária sem o prévio estabelecimento de uma relação adequada.

A alternativa E está correta. Na Avaliação Psicológica, é importante levar em conta o motivo


latente, o que não foi dito que habita o subterrâneo do paciente e interagem com a queixa.
Não podemos ficar apenas naquilo que é motivo explícito da procura, uma vez que uma
dinâmica será ativada durante o processo investigatório. Por essas razões é que a queixa
principal poderá desaparecer, ser ampliada, ficar conectada com outros aspectos não ditos
ou mesmo se resolver pelo simples fato da catarse.

(FUNDEP – 2023 – Pref. De Lavras/MG) A entrevista inicial é considerada um momento


crucial no diagnóstico e no tratamento em saúde mental, conforme afirma Dalgalarrondo
(2008, cap. 8). Dessa forma, o preparo do profissional e os cuidados necessários na
condução do processo são fundamentais.

Nesse contexto, assinale a alternativa incorreta.

a) Deve ser construída uma relação de confiança entre o profissional e o


paciente, que facilite a abertura, a comunicação e verificação de sinais e
sintomas.

b) O olhar e toda a comunicação não verbais são importantes para se perceber


a carga emocional, o gesto, a postura e demais aspectos do paciente.

c) As intervenções do profissional devem facilitar o prosseguimento da fala do


paciente, e sua postura nesse sentido deve ser de ouvir mais do que falar.

d) O profissional deve reportar à família do paciente as informações obtidas


durante a entrevista, para a construção conjunta de um diagnóstico do caso.

Comentários: De cara, percebe-se que a letra D está incorreta, pois fere o sigilo profissional.
No entanto, vamos aproveitar a questão para aprender sobre as habilidades do
entrevistador.

Segundo Dalgalarrondo, inicialmente, pode-se afirmar que a habilidade do entrevistador se


revela pelas perguntas que formula, por aquelas que evita formular e pela decisão de
quando e como falar ou apenas calar. É também atributo essencial do entrevistador a
capacidade de estabelecer uma relação ao mesmo tempo empática e tecnicamente útil do
ponto de vista humano. É fundamental que o profissional possa estar em condições de

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acolher o paciente em seu sofrimento, de ouvi-lo realmente, escutando-o em suas


dificuldades e idiossincrasias. Além de paciência e respeito, o profissional necessita de certa
têmpera e habilidade para estabelecer limites aos pacientes invasivos ou agressivos, e,
assim, proteger-se e assegurar o contexto da entrevista. Às vezes, uma entrevista bem-
conduzida é aquela na qual o profissional fala muito pouco e ouve pacientemente o
enfermo. Outras vezes, o paciente e a situação “exigem” que o entrevistador seja mais ativo,
mais participante, falando mais, fazendo muitas perguntas, intervindo mais frequentemente.
Isso varia muito em função:

1. Do paciente, da sua personalidade, do seu estado mental e emocional no momento, das


suas capacidades cognitivas, etc. Às vezes, o entrevistador precisa ouvir muito, pois o
paciente “precisa muito falar, precisa desabafar”; outras vezes, o entrevistador deve falar
mais para que o paciente não se sinta muito tenso ou retraído.

2. Do contexto institucional da entrevista (caso a entrevista se realize em pronto-socorro,


enfermaria, ambulatório, centro de saúde, CAPS, consultório, etc.).

3. Dos objetivos da entrevista (diagnóstico clínico; estabelecimento de vínculo terapêutico


inicial; entrevista para psicoterapia, tratamento farmacológico, orientação familiar, conjugal,
pesquisa, finalidades forenses, trabalhistas, etc.).

4. Da personalidade do entrevistador: alguns profissionais são ótimos entrevistadores, falam


muito pouco durante a entrevista, sendo discretos e introvertidos; outros só conseguem
trabalhar bem e realizar boas entrevistas sendo espontaneamente falantes e extrovertidos.

Gabarito: D

3 – Técnicas de Entrevista

Quando falamos em técnica de entrevista, estamos falando de seus objetivos.


Vejamos:

Anamnese: tipo de entrevista que tem por objetivo investigar a história do


examinando com o intuito de correlacionar a queixa atual com aspectos da sua vida. Para o
alcance do seu objetivo, é necessário que o profissional assuma posicionamento mais ativo

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e flexibilidade para realizar os questionamentos que se fizerem necessários. Com


atendimento infantil, a anamnese é realizada com os pais ou responsáveis pela criança.

Diagnóstica: elaborar o diagnóstico e prognóstico do paciente, bem como as


indicações terapêuticas adequadas. Quase sempre, faz parte de um processo de avaliação
que inclui a aplicação de testes.

Psicoterápica: ajudar no processo de solução dos problemas por meio da aplicação


de técnicas psicoterápicas fundamentadas em determinada referência teórica.

De encaminhamento: indicar o tratamento adequado ao entrevistado. Deve ser


informado ao paciente que o tratamento não será realizado pelo entrevistador, para que
não se crie um vínculo muito significativo.
==1171e8==

Lúdica: A entrevista lúdica diagnóstica é uma técnica investigativa que o psicólogo


utiliza dentro do processo psicodiagnóstico, buscando compreender a dinâmica de
funcionamento psíquico da criança por meio da avaliação clínica do brincar infantil.

De seleção: busca levantar mais informações a respeito do profissional. O


entrevistador deve conhecer o currículo do entrevistado, deve ter em mente o perfil do
cargo e deve avaliar se o candidato se encaixaria bem ou não no emprego pretendido.

De desligamento: pode ocorrer devido à alta do paciente, momento em que


entrevistador e entrevistado fazem planos futuros ou avaliam a necessidade de se trabalhar
ainda algum aspecto. É utilizada também com o funcionário que está saindo de empresa,
com o objetivo obter um feedback sobre o trabalho e a organização.

De pesquisa: investigar temas para determinado estudo. O participante deve ter


ciência do caráter voluntário e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Não existe um tipo específico de entrevista superior a outro, contudo,


há o mais adequado para cada finalidade e condições. Ressalta-se que
algumas cautelas devem ser adotadas para garantir um processo adequado
e satisfatório, atingindo, de forma científica, os resultados oriundos desse

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processo de investigação. Tais cuidados devem consistir na criação de um


clima favorável, como um ambiente adequado, iluminado e climatizado,
estabelecer o rapport, garantir que o indivíduo esteja à vontade antes de
iniciar a entrevista, preparo prévio, foco, dando ciência dos processos e
objetivos da entrevista a realizar. Além disso, o profissional deve seguir
todas as recomendações do Código de Ética Profissional do Psicólogo,
garantindo o sigilo e cuidado para com o material, da mesma forma que é
necessário esclarecer as etapas do processo a quem é submetido (Santos,
2014).

Observa-se que a entrevista é um dos mais importantes instrumentos para coleta de


informações que o Psicólogo tem à disposição, visto que tal instrumento pode ser utilizado
nos mais diversos contextos, podendo ser adequado às necessidades de cada caso, sem
perder a validade científica.

(FUNDEP – 2023 – Pref. De Bom Sucesso/MG) Dada a importância da entrevista


psicológica para o processo psicodiagnóstico, assinale com V as afirmativas verdadeiras
e com F as falsas.

( ) De acordo com os objetivos, as entrevistas podem ser: clínica, sistêmica, operacional,


devolutiva e diagnóstica, sendo que na operacional busca-se o detalhamento do processo
a partir do planejamento conjunto de um projeto terapêutico.

( ) Quanto à forma, as entrevistas podem ser: de livre estruturação, estruturadas e


semiestruturadas, sendo a entrevista estruturada a mais indicada, para facilitar a
compreensão das questões pelo paciente.

( ) A entrevista, de acordo com a sua finalidade, pode ser: de triagem, anamnese,


diagnóstica e devolutiva, sendo que na devolutiva busca-se comunicar o resultado da
avaliação percebendo a atitude e possibilitando a expressão de pensamentos e sentimentos
pelo paciente em relação às conclusões e recomendações.

( ) Na entrevista psicológica, busca-se descrever e avaliar os aspectos pessoais, relacionais


ou sistêmicos do indivíduo. Pode ocorrer em uma ou mais sessões e ser dirigido a um
encaminhamento ou definir os objetivos de um processo psicoterapêutico.

Assinale a sequência correta.

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a) VFFF
b) FFVV
c) VVFV
d) FVVF

Comentários: Vamos analisar cada assertiva.

I – Errada. Os objetivos da entrevista são:

Anamnese: investiga a história do examinando com o intuito de correlacionar a


queixa atual com aspectos da sua vida. É necessário que o profissional assuma
posicionamento mais ativo e flexibilidade para realizar os questionamentos que se fizerem
necessários. Com atendimento infantil, a anamnese é realizada com os pais ou responsáveis
pela criança.

Diagnóstica: elaborar o diagnóstico e prognóstico do paciente, bem como as


indicações terapêuticas adequadas. Quase sempre, faz parte de um processo de avaliação
que inclui a aplicação de testes.

Psicoterápica: ajudar no processo de solução dos problemas por meio da aplicação


de técnicas psicoterápicas fundamentadas em determinada referência teórica.

De encaminhamento: indicar o tratamento adequado ao entrevistado. Deve ser


informado ao paciente que o tratamento não será realizado pelo entrevistador, para que
não se crie um vínculo muito significativo.

Lúdica: busca compreender a dinâmica de funcionamento psíquico da criança por


meio da avaliação clínica do brincar infantil.

De seleção: busca levantar mais informações a respeito do profissional. O


entrevistador deve conhecer o currículo do entrevistado, deve ter em mente o perfil do
cargo e deve avaliar se o candidato se encaixaria bem ou não no emprego pretendido.

De desligamento: pode ocorrer devido à alta do paciente, momento em que


entrevistador e entrevistado fazem planos futuros ou avaliam a necessidade de se trabalhar
ainda algum aspecto. É utilizada também com o funcionário que está saindo de empresa,
com o objetivo obter um feedback sobre o trabalho e a organização.

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De pesquisa: investigar temas para determinado estudo. O participante deve ter


ciência do caráter voluntário e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

II – Errada. O erro está em afirmar que a entrevista estruturada é a mais indicada. Cada caso
é um caso e tem uma indicação específica. Cabe ao profissional avaliar e aplicar qual é mais
indicada.

III – Certa. Finalidade = objetivo. A assertiva acrescentou ainda as entrevistas de triagem e


devolutiva.

IV – Certa. Ótima definição de entrevista psicológica!

Gabarito: B

(FUNDEP – 2019 – Pref. De Teixeiras/MG) Para o psicodiagnóstico clínico de uma criança,


é recomendável também a entrevista familiar, devido às seguintes razões, exceto:

a) Os pais serem modelos que a criança incorpora durante uma etapa decisiva
de sua vida.
b) A importância desse procedimento quando da suspeita da gravidade da
hipótese diagnóstica, como em casos de psicose.
c) O fato de oferecer elementos valiosos para decidir qual é a estratégia
terapêutica a ser recomendada.
d) O fato de os pais serem os causadores dos sintomas apresentados pelo filho.

Comentários: Perceba que a letra D é a afirmativa mais categórica. Não podemos afirmar
que os pais são os causadores dos sintomas apresentados pela criança. Eles exercem uma
influência, claro, diante de todo um sistema, mas não são determinantes.

Gabarito: D

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(FUNDEP – 2018 – Pref. Pará de Minas/MG) Sobre o psicodiagnóstico,


é incorreto afirmar:

a) O psicodiagnóstico é um processo científico porque deve iniciar de um


levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou
invalidadas através de passos predeterminados e com objetivos
precisos.
b) O diagnóstico psicológico pode ser realizado por equipe
multiprofissional desde que todos os profissionais envolvidos utilizem o
modelo psicológico que inclui técnicas e testes específicos.
c) O processo do diagnóstico pode ter um ou vários objetivos,
dependendo das perguntas ou hipóteses inicialmente formuladas.
d) Na operacionalização do processo de diagnóstico psicológico, o
psicólogo pode utilizar o método quantitativo que envolve tabelas e,
portanto, os instrumentos devem ser padronizados para a população a
que se destina, como por exemplo os testes de inteligência.

Comentários: O diagnóstico psicológico não é privativo do psicólogo! Privativas são as


técnicas! O diagnóstico psicológico pode ser realizado por equipe multiprofissional
(psicólogo, psiquiatra, neurologista, orientador educacional, assistente social ou outro), para
a consecução dos objetivos citados e, eventualmente, de outros, desde que cada
profissional utilize o seu modelo próprio, em avaliação mais complexa e inclusiva, em que
é necessário integrar dados muito interdependentes de natureza psicológica, médica,
social, etc. sem uso de testes e técnicas privativas do psicólogo clínico.

Gabarito: B

(FUNDEP – 2018 – Pref. Santa Lagoa/MG) Para que a avaliação escolar cumpra sua
função diagnóstica, ela deve ser executada com rigor técnico, o que implica algumas
exigências.

Para se adequar a essa função avaliativa, os instrumentos não devem

a) indicar resultados de aprendizagem claramente definidos e em harmonia com os


objetivos institucionais.

b) ser construídos tão fidedignos quanto possível e os resultados ser interpretados de


forma contextualizada.

c) ser destinados à mensuração e à classificação dos estudantes, de modo a possibilitar


estratégias homogêneas de intervenção.

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d) ser utilizados para melhorar a aprendizagem dos alunos e a qualidade do sistema de


ensino.

Comentários: As estratégias de intervenção devem ser individuais e não homogêneas, uma


vez que os sujeitos são únicos e possuem necessidades distintas.

Gabarito: C

4 – Entrevista Motivacional

A Entrevista Motivacional tem aparecido bastante nas provas e diz respeito a um


estilo de conversa colaborativa (não é uma técnica, é uma prática) que objetiva fortalecer
a motivação do cliente e o seu comprometimento com a mudança (Figlie & Guimarães,
2014). Foi originalmente descrita pelos psicólogos William Miller e Stephen Rollnick da
Universidade do Novo México (Estados Unidos), em 1983. É centrada no cliente e busca
ajudar a explorar e resolver ambivalências sobre comportamentos ou hábitos não
saudáveis ou disfuncionais. O objetivo é aumentar a consciência dos clientes sobre os
riscos que correm, mas também que se tornem cientes de sua capacidade em fazer algo
para mudar a situação.

O desejo de fazer a mudança se transforma na força de vontade para modificar um


hábito ou padrão de comportamento, e seu grande combustível é o desconforto que surge
quando o paciente se dá conta da distância entre o que faz hoje em dia, e o que gostaria
de estar fazendo. O papel do terapeuta é ajudar o cliente a se tornar mais consciente de
sua situação atual. Porém, ao ajudá-lo a ter também clareza de seus desejos e valores, não
só a mudança se tornará mais fácil, mas também haverá mais motivação para suportar o
sofrimento de modicar um hábito e um padrão de vida.

A entrevista motivacional NÃO é privativa do psicólogo! Qualquer


profissional de saúde que esteja capacitado pode utilizá-la.

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As premissas básicas que auxiliam o profissional na prática da EM são:

ü Empatia;
ü Congruência;
ü Espírito colaborativo no aumento da motivação para a mudança;
ü Adoção de um estilo calmo e eliciador;
ü Considerar a ambivalência natural (a motivação para a mudança deve ser provocada
no cliente, e não imposta);
ü A resistência pode ser reduzida ou aumentada através das interações interpessoais
(o profissional é diretivo em auxiliar o cliente a examinar e resolver a ambivalência);
ü O relacionamento cliente-profissional deve ser colaborativo e amigável;
ü Clientes são responsáveis pelo seu progresso: o profissional atua como um
facilitador, estimulando e apoiando a auto eficácia do cliente).

4.1– Metodologia

A metodologia da EM consiste na utilização de reflexões, reforços positivos, resumos


e perguntas abertas. Vejamos cada uma delas:

Fazer Perguntas Abertas:

o Perguntar de modo que a encorajar o cliente a falar o máximo possível. As perguntas


abertas são aquelas que não podem ser respondidas com uma palavra ou frase
simples. Fazer perguntas abertas é um convite ao cliente para que ele possa refletir,
elaborar e colaborar.

Refletir:

o Trata-se da principal estratégia na EM e constitui uma proporção substancial das


entrevistas. O elemento crucial na escuta reflexiva é como o profissional responde ao
que o cliente diz. Para que a escuta reflexiva ocorra, esse processo deve ser
horizontal, objetivo e direto;
o O profissional se coloca na relação, ao mesmo tempo em que é fiel ao que o cliente
disse;
o Por este motivo, a EM não trabalha com interpretação. As relações com o cliente são
autênticas e devem permitir que ele expresse abertamente seus sentimentos e
atitudes sobre o seu comportamento e o processo mudança.

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Afirmar – Reforço Positivo:

o É importante ter em mente a ideia de que ao reconhecer comportamentos, situações


ou pensamentos do cliente, o profissional precisa ter evidências concretas de sua
existência. Caso contrário, o reforço positivo pode funcionar como uma barreira para
escutar o cliente;
o Copo cheio/vazio: aqui há o reconhecimento do copo meio cheio, valorizando o que
foi conquistado até o momento;
o O reforço não pode ser uma forma de indução; desta forma, vale ressaltar que quem
produz mudanças é o cliente e não o profissional;
o O reforço positivo é uma forma de apoio autêntico, de incentivo e de verdadeiro
reconhecimento daquilo que há de valor em cada ser humano - e não de oferecer
um mero elogio.

Resumo:

o Resumos podem ser utilizados para conectar os assuntos que foram discutidos,
demonstrando que você escutou o cliente, além de funcionar como estratégia
didática para que o cliente organize suas ideias.

Informar e Aconselhar:

o Para a EM, é vista como equivocada a crença de que o profissional não pode
aconselhar ou fornecer informações aos clientes. Os clientes ambivalentes em uma
abordagem completamente não diretiva podem se sentir confusos ou inseguros. A
EM encoraja os profissionais a fornecerem informações e conselhos, principalmente
quando os clientes pedirem, desde que estes sejam importantes e complementares.

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METODOLOGIA
ENTREVISTA
MOTIVACIONAL

FAZER
REFORÇO INFORMAR E
PERGUNTAS REFLETIR RESUMO
POSITIVO. ACONSELHAR
ABERTAS

4.2– Modelo Transteórico

Como vimos, a ambivalência é uma característica marcante para que haja a motivação
para a mudança. Pacientes querem e, ao mesmo tempo, não querem se comprometer a
mudar determinado comportamento. Isso se chama CONFLITO MOTIVACIONAL e para
resolvê-lo, utiliza-se o Modelo Transteórico e a Entrevista Motivacional.

O Modelo Transteórico foi desenvolvido a partir da análise comparativa de 18


principais sistemas de terapia, tendo como foco o processo de mudança (Prochaska &
DiClemente, 1982). Neste modelo, a motivação é descrita como uma prontidão para a
mudança (Moraes & Oliveira, 2011) e há sete estágios motivacionais nos quais o indivíduo
transita ao longo de um processo de mudança:

1. Pré-Contemplação (não identifica e/ou não tem intenção de mudar o


comportamento);
2. Contemplação (consciência que o problema existe, mas não comprometido em
mudá-lo);
3. Determinação: decisão de mudar o comportamento.;
4. Preparação (com intenção de ter uma atitude para modificar o comportamento);
5. Ação (modificação do comportamento propriamente dita);
6. Manutenção (consolidando os ganhos e prevenindo a recaída).
7. Recaída (retomada do comportamento problema). Esta é compreendida como um
estágio normal da mudança de comportamentos, por entender- se que o paciente

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irá transitar várias vezes por estes estágios até a finalização do problema (Miller &
Rollnick, 2001).

(FGV – 2022 – TCE/TO) Jorge relatou ao psicólogo Luiz que havia marcado a consulta
com ele a pedido da esposa Lúcia, mas tinha dúvidas quanto a precisar de um tratamento
para alcoolismo. Jorge admitiu que vinha abusando do uísque mas justificou que
atravessava uma fase de estresse na empresa e precisava relaxar ao chegar em casa.
Considerando a teoria e a técnica da entrevista motivacional, é correto afirmar que:

a) Luiz deverá persuadir Jorge a buscar a abstinência de álcool como condição prévia
para dar início ao tratamento psicoterápico;
b) a atitude de Jorge de negação de sua dependência alcoólica contraindica a adoção
da técnica de entrevista motivacional;
c) Jorge se encontra no estágio de manutenção do comportamento adicto, e o
psicólogo precisará deixar a pré-contemplação do problema e agir;
d) Jorge está na fase da contemplação, na qual se mostra ambivalente quanto a tomar
a decisão de empreender uma mudança;
e) Luiz adotará a escuta empática para confrontar Jorge com sua resistência em
abandonar o uso do álcool como fuga dos problemas.

COMENTÁRIOS:

Letra A: Errada. Essa conduta estaria em desacordo com os princípios da entrevista


motivacional.

Letra B: Errada. Jorge admite que vem abusando da bebida. Além disso, essa postura
ambivalente pode ser beneficiada pela entrevista motivacional.

Letra C: Errada. O estágio de manutenção se refere ao tratamento, e não ao vício.

Letra D: Certa. Jorge já reconhece que está bebendo muito, mas ainda está ambivalente
entre entender ou não isso como um problema.

1. Pré-contemplação (nem pensa em interromper o uso e fazer qualquer mudança);

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2. Contemplação (está ambivalente; pensa em modificar seu hábito, mas também em


conservá-lo);

3. Determinação (está decidido a modificar seus hábitos);

4. Preparação (elabora estratégias de mudança);

5. Ação (está engajado em ações específicas para chegar a uma mudança);

6. Manutenção (está engajado em manter a modificação conseguida); e

7. Recaída (retorno ao uso dependente da droga).

Letra E: Errada. Não há confrontação na EM.

Gabarito: D

Fim de aula! Aguardo a sua presença em nosso próximo encontro!

Um abraço,

Prof. Thayse Duarte

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MAIS QUESTÕES COMENTADAS

1.(FGV – 2023 – Pref. São José dos Campos/SP) Com relação à atuação do psicólogo em
situações de violência sexual contra a criança e o adolescente, analise as afirmativas a
seguir.

I. A escuta psicológica e a oitiva de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual são


práticas idênticas, sendo ambas atribuições exclusivas do profissional de Psicologia.

II. O atendimento deve compreender preferencialmente um conjunto de ações no âmbito


da Rede de Proteção nos serviços da saúde, da assistência social, da educação e da
segurança pública e demais serviços da rede.

III. As ações devem ter foco no restabelecimento da proteção, atuando no fortalecimento


dos fatores de proteção e na minimização dos fatores de risco.

Está correto o que se afirma em

a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e III, apenas.
e) II e III, apenas.

Comentários:

I – Errado. São procedimentos diferentes e não são atribuições exclusivas do psicólogo.


Relembrando:

DEPOIMENTO ESPECIAL à oitiva de criança ou adolescente vítima ou


testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária. Tem
caráter investigativo, no sentido de apurar possíveis situações de violências
sofridas. FINALIDADE PRODUZIR PROVAS!

ESCUTA ESPECIALIZADA à entrevista sobre uma possível situação de


violência com criança ou adolescente perante órgão da rede de proteção.

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Pode ser realizada por profissionais da educação e da saúde, conselhos


tutelares, serviços de assistência social, entre outros. NÃO TEM
FINALIDADE DE PRODUZIR PROVAS!

II – Certo. Atendimento dentro da lógica socioassistencial.

III – Certo. Idem item anterior.

Gabarito: E

2. (VUNESP – 2019 – ESEF/SP) O marido de Cláudia pratica condutas que lhe causam
diminuição da autoestima e que visam causar humilhação, manipulação e ridicularização.
O companheiro de Regina pratica condutas que ofendem a sua integridade e saúde
corporal. A namorada de Silvana pratica condutas que configuram destruição total de
seus objetos e documentos pessoais. A respeito das situações hipotéticas apresentadas,
assinale a alternativa que representa, respectivamente, as formas de violência a que
Cláudia, Regina e Silvana estão submetidas.

a) Moral, física e patrimonial.


b) Moral, sexual e não configura violência, considerando que os atos são praticados por
mulher.
c) Psicológica, sexual e patrimonial.
d) Física, física e não configura violência, considerando que os atos são praticados por
mulher.
e) Psicológica, física e patrimonial.

Comentários: Não confunda violência moral com psicológica! A violência moral está ligada
a calúnia, difamação e injúria. Já a violência psicológica está ligada ao dano emocional e a
diminuição da autoestima. Resumindo as formas de violência doméstica:

Física: integridade ou saúde corporal.

Psicológica: dano emocional/diminuição da auto estima.

Sexual: relação sexual não desejada/ impedir método contraceptivo/ forçar


matrimônio, gravidez, aborto, prostituição/ livre exercício direitos sexuais e
reprodutivos.

Patrimonial: destruição parcial ou total de objetos/ instrumentos de


trabalho/ documentos pessoais/ bens/ valores.

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Moral: calúnia/ difamação/ injúria.

Gabarito: E

3. (FGV – 2021 – TCE/RO) Teresa, 55 anos, do lar, relatou em um grupo terapêutico


para pacientes hipertensas que mantinha relações sexuais sempre que o marido
Jorge queria, mesmo sem vontade, por temer suas ofensas e ameaças de
separação.

Sobre essa situação, é correto afirmar que:

a) relacionamentos abusivos são típicos das camadas sociais mais desfavorecidas;


b) as relações sexuais no casamento são parte dos deveres conjugais de Teresa;
c) a dependência econômica de Teresa caracteriza a violência patrimonial;
d) constranger a esposa a manter relações sexuais é uma forma de violência sexual;
e) não está caracterizada a violência sexual porque há o consentimento de Teresa.

Comentários: relação sexual não consentida configura violência sexual,


independentemente de haver relação conjugal.

Letra A: Errada. Relacionamentos abusivos ocorrem em todas as classes sociais.

Letra B: Errada. Alô, patriarcado, é você? Relação sexual não é um dever do casamento!

Letra C: Errada. A questão não cita a dependência econômica de Teresa. Ainda assim, por
si só, a dependência econômica não caracteriza necessariamente a violência patrimonial.

Letra D: Certa. Conforme explanação.

Letra E: Errada. Não há o consentimento, ela afirma que fazia “sem vontade”.

Gabarito: D

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4. (FGV – 2022 – TJDFT) Para atuar nos casos em que é necessária a obtenção de
testemunho, a exemplo das situações de violência contra crianças e adolescentes
e do depoimento especial, é importante entender como funciona a memória
humana.
Sobre as etapas envolvidas desde o contato com um evento relevante até seu
testemunho, é correto afirmar que:

a) todas as informações que chegam pelos órgãos dos sentidos ficam armazenadas na
memória;
b) as informações armazenadas na memória permanecem intocadas ao longo do
tempo;
c) o acesso à memória das crianças depende da utilização de técnicas projetivas e jogos;
d) falsas memórias ocorrem quando há uma distorção proposital dos fatos pela criança
ou adolescente;
e) a intensidade emocional do evento influencia no processo de recuperação da
memória.

Letra A: Errada. Não armazenamos todas as informações.

Letra B: Errada. Seria um sonho, porém sabemos que existem fatores que atravessam o
testemunho, como:

o FALSAS MEMÓRIAS à ocorrem porque os traços de essência sobrepõem aos traços


literais no momento da recuperação. Assim, a memória de essência é responsável
pela recordação e reconhecimento de falsos eventos que são consistentes com o
significado da experiência, ao passo que a memória literal corresponde aos detalhes
precisos e, portanto, às lembranças verdadeiras (Brainerd & Reyna, 2005);
o SUGESTIONABLIDADE DA MEMÓRIA à consiste na tendência de um indivíduo
em incorporar informações distorcidas, provindas de fontes externas (de forma
intencional ou acidental), às suas recordações pessoais (Schacter, 2003);
o EMOÇÕES NEGATIVAS E MEMÓRIA à o estresse pode ter impacto na
quantidade, acurácia e na suscetibilidade à falsa sugestão da memória de crianças
para eventos passados. De um modo geral, as pesquisas sugerem que os indivíduos
tendem a lembrar mais de experiências pessoais que contenham maior relevância
emocional (Kensinger, 2004). Estudos demonstraram que crianças em situações de
estresse, ou seja, com alta carga emocional, geralmente, apresentam uma melhora
da memória para o evento em comparação com situações neutras. Dessa maneira,
parece que eventos estressantes são melhores memorizados que eventos
emocionalmente neutros.

Letra C: Errada. Apesar de serem utilizados como recursos, o acesso à memória não
depende só deles. A forma como a criança é questionada e o modo como é entrevistada,

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incluindo o próprio ambiente físico onde isto acontece e o número de entrevistas realizadas,
entre outros, podem ser fatores determinantes para a qualidade de sua memória e de seu
relato.

Letra D: Errada. Falsas memórias ocorrem porque os traços de essência sobrepõem aos
traços literais no momento da recuperação. Assim, a memória de essência é responsável
pela recordação e reconhecimento de falsos eventos que são consistentes com o significado
da experiência, ao passo que a memória literal corresponde aos detalhes precisos e,
portanto, às lembranças verdadeiras. Não significam distorção proposital dos fatos.

Letra E: Certa. Como vimos, estudos demonstraram que crianças em situações de estresse,
ou seja, com alta carga emocional, geralmente, apresentam uma melhora da memória para
o evento em comparação com situações neutras. Dessa maneira, parece que eventos
estressantes são melhores memorizados que eventos emocionalmente neutros.

Gabarito: E

5. (FGV – 2022 – TJ/RO) Para a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou


testemunhas de violência, a legislação prevê a utilização dos procedimentos de
escuta especializada e depoimento especial. Hoje acontecerá a audiência criminal
de Carlos, preso preventivamente, acusado do estupro de sua sobrinha Camila,
11 anos. Na participação de Camila no depoimento especial, NÃO está
previsto(a):

a) a livre narrativa sobre a situação de violência;


b) o sigilo sobre os procedimentos a serem adotados;
c) a permanência em silêncio;
d) o afastamento do imputado da sala de audiências;
e) o contato pessoal com o juiz.

Comentários: O depoimento especial é uma escuta especializada no judiciário a crianças e


adolescentes que tiveram seus direitos violados e é garantido pelo ECA, conforme prevê os
artigos:

Art. 4º

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“§ 1º Para os efeitos desta Lei, a criança e o adolescente serão ouvidos


sobre a situação de violência por meio de escuta especializada e
depoimento especial."

Art. 8º Depoimento especial é o procedimento de oitiva de criança ou


adolescente vítima ou testemunha de violência perante autoridade policial
ou judiciária.

Os procedimentos previstos no depoimento especial estão elencados no Art. 12:

Art. 12. O depoimento especial será colhido conforme o seguinte


procedimento:

I - os profissionais especializados esclarecerão a criança ou o adolescente


sobre a tomada do depoimento especial, informando-lhe os seus direitos e
os procedimentos a serem adotados e planejando sua participação, sendo
vedada a leitura da denúncia ou de outras peças processuais;

II - é assegurada à criança ou ao adolescente a livre narrativa sobre a


situação de violência, podendo o profissional especializado intervir
quando necessário, utilizando técnicas que permitam a elucidação dos
fatos;

III - no curso do processo judicial, o depoimento especial será transmitido


em tempo real para a sala de audiência, preservado o sigilo;

IV - findo o procedimento previsto no inciso II deste artigo, o juiz, após


consultar o Ministério Público, o defensor e os assistentes técnicos, avaliará
a pertinência de perguntas complementares, organizadas em bloco;

V - o profissional especializado poderá adaptar as perguntas à linguagem


de melhor compreensão da criança ou do adolescente;

VI - o depoimento especial será gravado em áudio e vídeo.

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§ 1º À vítima ou testemunha de violência é garantido o direito de prestar


depoimento diretamente ao juiz, se assim o entender.

§ 2º O juiz tomará todas as medidas apropriadas para a preservação da


intimidade e da privacidade da vítima ou testemunha.

§ 3º O profissional especializado comunicará ao juiz se verificar que a


presença, na sala de audiência, do autor da violência pode prejudicar o
depoimento especial ou colocar o depoente em situação de risco, caso em
que, fazendo constar em termo, será autorizado o afastamento do
imputado.

§ 4º Nas hipóteses em que houver risco à vida ou à integridade física da


vítima ou testemunha, o juiz tomará as medidas de proteção cabíveis,
inclusive a restrição do disposto nos incisos III e VI deste artigo.

§ 5º As condições de preservação e de segurança da mídia relativa ao


depoimento da criança ou do adolescente serão objeto de
regulamentação, de forma a garantir o direito à intimidade e à privacidade
da vítima ou testemunha.

§ 6º O depoimento especial tramitará em segredo de justiça.

Além desses, o direito ao silêncio é uma garantia fundamental desse público,


conforme nos informa o Art. 5º

VI - ser ouvido e expressar seus desejos e opiniões, assim como permanecer em silêncio;

Gabarito: B

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6. (FGV – 2021 – Pref. Paulínia/SP) O modelo familiar com base na relação conjugal
heterocisgênera rege nossas compreensões sociais a respeito de como se
produzem pais, mães, filhos, filhas e toda a teia de parentesco. Resulta daí a
relevância das contribuições teóricas de Judith Butler para a revisão crítica da
heteronormatividade, pois, segundo a autora

a) a concepção cultural de gênero opera como matriz de inteligibilidade à qual está


submetido, inclusive, o corpo biológico.
b) a partilha entre os sexos masculino e feminino deve ser compreendida a partir das
fórmulas quânticas de sexuação.
c) a homossexualidade e a lesbianidade são capazes de romper com a opressão de
gênero e a heterossexualidade compulsória.
d) o gênero é um constructo cultural e discursivo sem relação com a anatomia biológica
e natural que divide homens e mulheres.
e) a socioafetividade é o elemento mais importante a ser considerado, sendo
atualmente mais valorizado do que a consanguinidade.

Comentários: “Portanto, tem-se aqui uma oposição à noção de um sujeito, de um corpo


universal que antecede as relações de gênero bem como uma oposição a ideia de que os
gêneros constituem atributos culturais que se inscrevem sobre um corpo preexistente. Nas
análises butlerianas os sujeitos se tornam inteligíveis, possíveis de serem reconhecidos na
gramática social, porque são, antes de tudo, sujeitos de gênero, gendrados através do que
ela denomina como matriz da inteligibilidade cultural, ou seja, só nos tornamos inteligíveis
(reconhecidos culturalmente) a partir de atos performativos (atos de fala e práticas) que
nos gendram (Butler, 2003).”

Letra A: Correta. Conforme explanação.

Letra B: Errada. Oi? Fórmulas quânticas? Que viagem.

Letra C: Errada. A opressão de gênero permeia todas as formas de expressão da


sexualidade, ela faz parte da cultura em que estamos inseridos.

Letra D: Errada. Apesar de não haver uma correlação causal entre o gênero e a anatomia,
há sim uma construção social relacionada a eles.

Letra E: Errada. Quem sabe um dia chegaremos lá, né? mas, por enquanto, precisamos
evoluir muito enquanto sociedade.

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Gabarito: A

7. (FGV – 2022 – TJDFT) As questões de gênero atravessam boa parte dos conflitos
interpessoais que o(a) psicólogo(a) enfrenta no campo jurídico. Para tanto, as
contribuições teóricas de Judith Butler são fundamentais. Segundo a autora o
gênero:

a) articula-se a um modelo de produção capitalista marcado pela divisão e exploração


do proletariado pela classe burguesa;
b) corresponde a identidades fixas e imutáveis que dividem os lados masculino e
feminino de forma hierárquica e assimétrica;
c) é um dos meios utilizados para reprimir e encobrir desejos que fogem à norma social
e, por isso, são recalcados no inconsciente;
d) é fruto de convenções sociais definidas a partir da anatomia sexual, servindo de
pretexto para atribuições delegadas preferencialmente a pessoas cisgênero;
e) opera dentro de uma matriz de inteligibilidade pela qual até mesmo o sexo
supostamente natural é estabelecido como “pré-discursivo”.

Comentários: Butler defende a premissa na qual se origina a distinção sexo/gênero, na qual


sexo é natural e gênero é construído. A autora, ao conceituar gênero (a partir de uma
perspectiva construcionista social influenciada por Foucault) – destaca que tanto sexo
quanto gênero são, em primeiro lugar, formas de saber, isto é, conhecimentos a respeito
dos corpos, das diferenças sexuais, dos indivíduos sexuados. No entanto, se associamos o
primeiro à natureza, e o segundo à cultura, perpetuamos a ideia de que existe uma
“natureza" que possa ser apreendida à parte de um conhecimento que produzimos sobre
ela. Ambos são conceitos históricos (no sentido de possuírem uma história, serem passíveis
de uma genealogia) e, desta forma, cambiáveis no tempo e no espaço.

Isso não significa que a anatomia, por exemplo, exista porque foi “inventada" no âmbito da
cultura e da linguagem. Mas sua existência na sociedade só tem sentido, só é passível de
ser compreendida, a partir de um olhar que é cultural, a partir de um discurso que é
construído. Assim, segundo Butler, “[...] não há como recorrer a um corpo que já não tenha
sido sempre interpretado por meio de significados culturais; consequentemente, o sexo não
poderia qualificar-se como uma facticidade anatômica pré-discursiva".

Gabarito: E

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8. (FGV – 2022 – SEAD/AP) A psicóloga Luciana coordena um grupo de atendimento


e orientação a pais e responsáveis de adolescentes. A avaliação psicológica de
adolescentes usuários de álcool revela que a família pode ser um fator de risco ou
de proteção para o uso. Em relação ao tema, é correto afirmar que

a) o apoio da família na aquisição da autonomia é fator de risco.


b) a atitude permissiva no ambiente familiar constitui fator de risco.
c) a leniência familiar e a curiosidade constituem fatores de proteção.
d) a percepção de vínculos de cuidado e monitoramento é fator de risco.
e) a exposição ao consumo de álcool feito pelos pais é fator de proteção.

Comentários: Os fatores de risco se referem às variáveis ambientais que aumentam a


probabilidade de que ocorra algum efeito indesejável no desenvolvimento. Por outro lado,
os fatores de proteção estão associados aos recursos individuais que reduzem o efeito do
risco.

Letra A: Errada. Apoio familiar e autonomia do adolescente configuram fatores de proteção.

Letra B: Certa. Atitude excessivamente permissiva pode configurar fator de risco para um
adolescente consumir drogas.

Letra C: Errada. Leniência e curiosidade podem configurar como fatores de risco.

Letra D: Errada. Ambos fatores de proteção.

Letra E: Errada. Fator de risco.

Gabarito: B

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LISTA DE QUESTÕES
1.(FGV – 2023 – Pref. São José dos Campos/SP) Com relação à atuação do psicólogo em
situações de violência sexual contra a criança e o adolescente, analise as afirmativas a
seguir.

I. A escuta psicológica e a oitiva de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual são


práticas idênticas, sendo ambas atribuições exclusivas do profissional de Psicologia.

II. O atendimento deve compreender preferencialmente um conjunto de ações no âmbito


da Rede de Proteção nos serviços da saúde, da assistência social, da educação e da
segurança pública e demais serviços da rede.

III. As ações devem ter foco no restabelecimento da proteção, atuando no fortalecimento


dos fatores de proteção e na minimização dos fatores de risco.

Está correto o que se afirma em

a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e III, apenas.
e) II e III, apenas.

2. (VUNESP – 2019 – ESEF/SP) O marido de Cláudia pratica condutas que lhe causam
diminuição da autoestima e que visam causar humilhação, manipulação e ridicularização.
O companheiro de Regina pratica condutas que ofendem a sua integridade e saúde
corporal. A namorada de Silvana pratica condutas que configuram destruição total de
seus objetos e documentos pessoais. A respeito das situações hipotéticas apresentadas,
assinale a alternativa que representa, respectivamente, as formas de violência a que
Cláudia, Regina e Silvana estão submetidas.

a) Moral, física e patrimonial.


b) Moral, sexual e não configura violência, considerando que os atos são praticados por
mulher.
c) Psicológica, sexual e patrimonial.
d) Física, física e não configura violência, considerando que os atos são praticados por
mulher.
e) Psicológica, física e patrimonial

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3. (FGV – 2021 – TCE/RO) Teresa, 55 anos, do lar, relatou em um grupo terapêutico


para pacientes hipertensas que mantinha relações sexuais sempre que o marido
Jorge queria, mesmo sem vontade, por temer suas ofensas e ameaças de
separação.

Sobre essa situação, é correto afirmar que:

a) relacionamentos abusivos são típicos das camadas sociais mais desfavorecidas;


b) as relações sexuais no casamento são parte dos deveres conjugais de Teresa;
c) a dependência econômica de Teresa caracteriza a violência patrimonial;
d) constranger a esposa a manter relações sexuais é uma forma de violência sexual;
e) não está caracterizada a violência sexual porque há o consentimento de Teresa.

1. (FGV – 2022 – TJDFT) Para atuar nos casos em que é necessária a obtenção de
testemunho, a exemplo das situações de violência contra crianças e adolescentes
e do depoimento especial, é importante entender como funciona a memória
humana.
Sobre as etapas envolvidas desde o contato com um evento relevante até seu
testemunho, é correto afirmar que:

a) todas as informações que chegam pelos órgãos dos sentidos ficam armazenadas na
memória;
b) as informações armazenadas na memória permanecem intocadas ao longo do
tempo;
c) o acesso à memória das crianças depende da utilização de técnicas projetivas e jogos;
d) falsas memórias ocorrem quando há uma distorção proposital dos fatos pela criança
ou adolescente;
e) a intensidade emocional do evento influencia no processo de recuperação da
memória.

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2. (FGV – 2022 – TJ/RO) Para a proteção de crianças e adolescentes vítimas ou


testemunhas de violência, a legislação prevê a utilização dos procedimentos de
escuta especializada e depoimento especial. Hoje acontecerá a audiência criminal
de Carlos, preso preventivamente, acusado do estupro de sua sobrinha Camila,
11 anos. Na participação de Camila no depoimento especial, NÃO está
previsto(a):

a) a livre narrativa sobre a situação de violência;


b) o sigilo sobre os procedimentos a serem adotados;
c) a permanência em silêncio;
d) o afastamento do imputado da sala de audiências;
e) o contato pessoal com o juiz.

3. (FGV – 2021 – Pref. Paulínia/SP) O modelo familiar com base na relação conjugal
heterocisgênera rege nossas compreensões sociais a respeito de como se
produzem pais, mães, filhos, filhas e toda a teia de parentesco. Resulta daí a
relevância das contribuições teóricas de Judith Butler para a revisão crítica da
heteronormatividade, pois, segundo a autora

a) a concepção cultural de gênero opera como matriz de inteligibilidade à qual está


submetido, inclusive, o corpo biológico.
b) a partilha entre os sexos masculino e feminino deve ser compreendida a partir das
fórmulas quânticas de sexuação.
c) a homossexualidade e a lesbianidade são capazes de romper com a opressão de
gênero e a heterossexualidade compulsória.
d) o gênero é um constructo cultural e discursivo sem relação com a anatomia biológica
e natural que divide homens e mulheres.
e) a socioafetividade é o elemento mais importante a ser considerado, sendo
atualmente mais valorizado do que a consanguinidade.

4. (FGV – 2022 – TJDFT) As questões de gênero atravessam boa parte dos conflitos
interpessoais que o(a) psicólogo(a) enfrenta no campo jurídico. Para tanto, as
contribuições teóricas de Judith Butler são fundamentais. Segundo a autora o
gênero:

a) articula-se a um modelo de produção capitalista marcado pela divisão e exploração


do proletariado pela classe burguesa;

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b) corresponde a identidades fixas e imutáveis que dividem os lados masculino e


feminino de forma hierárquica e assimétrica;
c) é um dos meios utilizados para reprimir e encobrir desejos que fogem à norma social
e, por isso, são recalcados no inconsciente;
d) é fruto de convenções sociais definidas a partir da anatomia sexual, servindo de
pretexto para atribuições delegadas preferencialmente a pessoas cisgênero;
e) opera dentro de uma matriz de inteligibilidade pela qual até mesmo o sexo
supostamente natural é estabelecido como “pré-discursivo”.

5. (FGV – 2022 – SEAD/AP) A psicóloga Luciana coordena um grupo de atendimento


e orientação a pais e responsáveis de adolescentes. A avaliação psicológica de
adolescentes usuários de álcool revela que a família pode ser um fator de risco ou
de proteção para o uso. Em relação ao tema, é correto afirmar que

a) o apoio da família na aquisição da autonomia é fator de risco.


b) a atitude permissiva no ambiente familiar constitui fator de risco.
c) a leniência familiar e a curiosidade constituem fatores de proteção.
d) a percepção de vínculos de cuidado e monitoramento é fator de risco.
e) a exposição ao consumo de álcool feito pelos pais é fator de proteção.

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GABARITO

1. E 6. A

2. E 7. E

3. D 8. B

4. E

5. B

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RESUMO

DEPOIMENTO ESPECIAL à oitiva de criança ou adolescente vítima ou


testemunha de violência perante autoridade policial ou judiciária. Tem
caráter investigativo, no sentido de apurar possíveis situações de violências
sofridas. FINALIDADE PRODUZIR PROVAS!

ESCUTA ESPECIALIZADA à entrevista sobre uma possível situação de


violência com criança ou adolescente perante órgão da rede de proteção.
Pode ser realizada por profissionais da educação e da saúde, conselhos
tutelares, serviços de assistência social, entre outros. NÃO TEM
FINALIDADE DE PRODUZIR PROVAS!

Compreensão do testemunho:

PERCEPÇÃO DO ARMAZENAMENTO RECUPERAÇÃO DA


EVENTO DA INFORMAÇÃO MEMÓRIA

MOTIVAÇÕES PARA CAPACIDADE PARA


RELATAR SE EXPRESSAR

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Entrevista inicial

Primeira impressão:
Transferência Vínculos
se ela muda ou não

Capacidade de
Verbalização Rapport elaboração do
diagnóstico

Coerência ou
discrepância entre Planejamento da
o verbal e a bateria de testes
linguagem corporal

Tipos de Entrevista

Dirigida ou Estruturada à Quando o entrevistador segue um roteiro com


perguntas previamente estabelecido.

Semidirigida, Semi-estruturada ou Mista à Entrevista que comporta a


combinação de perguntas estruturadas e liberdade de expressão do
entrevistado.

Livre, Não-dirigida ou Não-estruturada à Se houver perguntas ou


intervenções do entrevistador, essas são poucas e formuladas durante a
entrevista.

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Dois aspectos que devem ser observados durante as entrevistas são a transferência
e a contratransferência:

Transferência: sentimentos, condutas e atitudes inconscientes, por parte


do entrevistado, ligados a sua história e a sua dinâmica familiar que são
projetados no entrevistador.

Contratransferência: sentimentos e atitudes inconscientes pertencentes a


relações do passado que o profissional projeta inconscientemente no
paciente. O psicólogo deve estar atento a eles para não interferir no
processo.

Entrevista motivacional

METODOLOGI
A ENTREVISTA
MOTIVACIONA
L

FAZER INFORMAR E
REFORÇO
PERGUNTAS REFLETIR RESUMO ACONSELHA
POSITIVO.
ABERTAS R

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