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Fichamento Texto 6 VEYNE, Paul. Romano Do Ventre Materno Ao Testamento. História Da Vida Privada

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Do Ventre Materno ao Testamento

Paul Veyne
[páginas do pdf]
Pág. 16: Em Roma, o nascimento de um romano dependia da decisão do chefe de
família. A contracepção, aborto e enjeitamento de crianças eram comuns e legais. Um
pai tinha o direito de "pegar" seu filho imediatamente após o nascimento. Se não o
fizesse, a criança poderia ser exposta publicamente. Na Grécia, era mais comum enjeitar
meninas do que meninos, mas não está claro se os romanos tinham a mesma
preferência. Crianças malformadas eram frequentemente enjeitadas ou afogadas.
Pág. 17: “Os pobres abandonavam as crianças que não podiam alimentar”. As crianças
enjeitadas enfrentavam destinos diversos, com poucas chances de sobreviver. O
enjeitamento podia ser motivado pela pobreza ou por razões pessoais, como suspeitas de
adultério. Em alguns casos, era uma forma de protesto político ou religioso. Também
houve rumores de que o Senado queria que todas as crianças nascidas em um ano
específico fossem abandonadas devido a previsões de um futuro rei.
Pág. 18: NATALIDADE E CONTRACEPÇÃO
As adoções e ascensão social de libertos compensavam a baixa taxa de reprodução
natural em Roma, onde o aborto e a contracepção eram comuns. Em Roma, não
importava quando uma mãe se livrava de uma gravidez indesejada. O uso de métodos
contraceptivos era difundido em todas as classes sociais. A falta de controle
populacional contribuiu para o crescimento da população no Império Romano.
Pág. 19: A lei romana concedia privilégios às mães de três filhos, considerando que
haviam cumprido seu dever. Havia uma estratégia dinástica por trás disso, pois ter mais
filhos poderia fragmentar as sucessões. Com a chegada da moral estoica e cristã, a
atitude em relação ao número de filhos começou a mudar, com exemplos como o orador
Frontão, que perdeu cinco filhos por mortalidade juvenil, e Marco Aurélio, que teve
nove filhos e filhas.
Pág. 20: Educação
Recém-nascidos eram confiados a uma nutriz, pois as mães não amamentavam mais. A
educação dos meninos até a puberdade era responsabilidade da nutriz e do pedagogo. As
crianças viviam com eles, mas jantavam com os pais em ocasiões especiais. A relação
com a nutriz e o pedagogo era essencial. O pedagogo, a nutriz e o irmão de leite
formavam uma espécie de segunda família, com mais liberdade e indulgência, muitas
vezes ignorando normas sociais.
Pág. 21: A educação em Roma nem sempre correspondia ao desejo dos educadores. Um
professor romano falou com severidade sobre como as crianças, criadas em casa, muitas
vezes recebiam lições de "indolência" de seu ambiente. Elas usavam roupas luxuosas,
viajavam em liteiras, ouviam conversas ousadas e viam concubinas e favoritos na casa.
Em Roma, a mentalidade geral condenava o mundo como pervertido e decadente. A
educação tinha o objetivo teórico de fortalecer o caráter das crianças para que pudessem
resistir ao luxo e à decadência quando adultos.
Pág. 22: Em Roma, a severidade era vista como fundamental para o desenvolvimento
do caráter. O pai desempenhava o papel de impor a disciplina, enquanto a mãe muitas
vezes defendia a indulgência. Uma criança bem-educada se dirigia ao pai como
"senhor". O luto público poderia ocorrer em casos de dons excepcionais. O amor dos
pais muitas vezes era influenciado pela moral da época, ensinando que os filhos eram
continuadores do nome e da grandeza da família, e não havia espaço para sentimentos
excessivamente emocionais.
Pág. 23: Adoção
A adoção era comum em Roma, permitindo que as pessoas adquirissem heranças, status
de pai de família e carreiras políticas. Ela era vista como uma forma de evitar a extinção
da linhagem e controlar o movimento de riqueza. A adoção podia ocorrer por meio de
casamento vantajoso ou mesmo por testamento, como no caso de Otávio Augusto. Era
uma prática essencial na sociedade romana.
Escola
“A alfabetização constituía um privilégio da classe alta? Três certezas decorrem dos
papiros do Egito: havia iletrados que faziam os outros empunharem a pena; havia gente
do povo que sábia escrever; havia textos literários, clássicos, nos mais ínfimos
vilarejos.”
Pág. 24: Em Roma, os livros dos poetas populares eram amplamente disponíveis. No
entanto, havia professores disponíveis nas cidades e vilas que ensinavam os rudimentos
da escrita, com férias escolares baseadas no calendário religioso. As crianças
frequentavam a escola antes dos doze anos, e as escolas eram mistas. Após os doze
anos, os destinos de meninos e meninas, ricos e pobres, divergiam. Somente os meninos
de famílias abastadas continuavam os estudos, aprendendo literatura clássica e
mitologia com um gramático.
Pág. 25: Enquanto isso, os meninos estudavam, não necessariamente para se tornarem
bons cidadãos ou aprender ofícios práticos, mas principalmente para adquirirem
conhecimento em literatura e retórica. A educação romana não visava tanto preparar os
meninos para a vida prática, mas sim decorar suas mentes com retórica e conhecimento
prestigioso. A educação refletia mais as ideias sobre a infância do que a função social de
preparar os indivíduos para a sociedade.
Pág. 26: Uma diferença marcante entre romanos de boa linhagem e gregos cultos era o
conhecimento da língua e literatura gregas. Os romanos consideravam essencial
aprender grego, os gregos cultos geralmente não se preocupavam em aprender latim,
ignorando autores romanos como Cícero e Virgílio. Os intelectuais gregos que se
mudavam para Roma para compartilhar seus conhecimentos geralmente usavam o grego
em suas disciplinas, aprendendo latim por necessidade prática.
Pág. 27: Adolescência
Aos doze anos, jovens romanos concluíam o ensino elementar e aos catorze
abandonavam suas roupas infantis. Aos dezesseis ou dezessete, podiam optar por
carreiras públicas ou militares. Não havia uma idade legal de maioridade; pais ou
tutores decidiam quando um jovem estava pronto para ser considerado adulto. Eles
frequentavam escolas para estudar clássicos e retórica dos doze aos dezoito ou vinte
anos como parte de sua educação.
Pág. 28: O ensino da retórica nas escolas romanas se tornou dominante devido à
popularidade da eloquência. Os alunos aprendiam modelos de discursos, figuras de
retórica e desenvolvimentos-padrão, mas a retórica nas escolas se afastou da verdadeira
arte da eloquência, tornando-se um exercício distante da realidade. Temas de discurso
extravagantes eram usados para exercitar a imaginação, transformando a retórica em um
jogo social.
Pág. 29: Fim da Juventude
Para os médicos, Celso ou Rufo de Éfeso, a epilepsia é uma doença que se cura sozinha
na puberdade, ou seja, no momento em que as meninas têm a primeira menstruação e os
meninos fazem amor pela primeira vez; o que significa que puberdade e iniciação
sexual são sinônimos para os meninos — a virgindade das meninas continua
sacrossanta. Em Roma sempre se reconheceu como um privilégio dos rapazes ricos
percorrer as ruas aos bandos, à noite, para espancar ou maltratar os burgueses e destruir
um pouco as lojas (o jovem Nero não faltou a tal costume, tanto que quase foi
arrebentado por um senador que o bando agrediu e que não reconheceu o imperador
entre seus agressores).
Pág. 30: Neste trecho, o autor aborda a mudança na moral sexual em Roma.
Inicialmente, os jovens tinham liberdade sexual antes do casamento, mas ao longo do
tempo, uma nova moral surgiu, enfatizando a abstinência sexual antes do matrimônio
por razões de saúde, enquanto os prazeres conjugais eram vistos como um dever cívico
e natural.
Pág. 31: Matar o Pai
Neste trecho, o autor menciona como argumentos relacionados à moralidade cívica e ao
patrimônio levaram à ideia de "maioridade" em Roma. Passar da juventude para a idade
adulta tornou-se uma questão jurídica, com implicações no caráter e no patrimônio dos
jovens. Casar-se cedo era visto como um sinal de virtude, enquanto os juristas se
preocupavam mais com o patrimônio do que com a moral. Jovens púberes podiam pedir
empréstimos, o que podia levar a problemas financeiros.
Pág. 32: Neste trecho, o autor explora a peculiaridade do direito romano em que os
filhos permaneciam sob a autoridade de seus pais até a morte destes, mesmo após
atingirem a puberdade ou se casarem. Os pais tinham amplos poderes, incluindo o
direito de condenar seus filhos à morte por sentença privada e a capacidade de deserdá-
los em seus testamentos. Isso significava que mesmo um adulto tinha restrições legais
em suas ações se seu pai ainda estivesse vivo.
Pág. 33: Neste trecho, o autor destaca como os filhos em Roma não podiam seguir
carreiras políticas sem o consentimento dos pais. Para ocupar cargos importantes como
senadores ou conselheiros, eles dependiam do pai, que financiava as despesas
associadas a essas posições. Isso dava ao pai um controle significativo sobre o destino
dos filhos na política, uma vez que essas honras eram caras e limitadas em número.
Pág. 34: Testamento
O autor destaca que, na Roma antiga, apenas os cidadãos livres que eram "pais de
família" eram considerados plenamente adultos, independentemente do estado civil ou
posses. A autoridade do pai de família era importante, e Aulo Gélio ilustra que a
obediência não era cega, mas baseada na moral que o pai representava.
Pág. 35: A leitura pública dos testamentos na Roma antiga era um evento significativo,
não apenas para distribuir heranças, mas também para fazer declarações públicas. A
prática de nomear "herdeiros substitutos" permitia ao testador listar pessoas com frações
da herança, refletindo suas estima ou desagrado por elas. Os testamentos podiam incluir
homenagens, insultos ou questões políticas. Era algo grandioso e motivo de orgulho,
levando muitos a iniciar a leitura após beberem para agradar aos legatários.
Pág. 36: O Casamento
Na Roma antiga, havia 5 a 6 milhões de cidadãos livres e cerca de 1 a 2 milhões de
escravos. Os escravos não podiam se casar, vivendo em promiscuidade sexual, exceto
por alguns privilegiados que tinham concubinas exclusivas, especialmente aqueles que
serviam ao imperador.
Como Saber se alguém é casado?
Na Roma antiga, homens livres, incluindo cidadãos, bastardos e libertos, tinham direito
ao casamento civil. O casamento romano era um ato privado e informal, não requerendo
autoridade pública para ser oficializado.
Pág. 37: No contexto histórico descrito, o casamento era importante para determinar a
legitimidade dos filhos e outros direitos legais. O divórcio era simples e informal para
ambos os cônjuges. A cerimônia de casamento envolvia testemunhas e presentes. A
primeira noite de núpcias era às vezes evitada, mas havia relatos de práticas alternativas,
como a sodomia. As mulheres que pediam o divórcio podiam levar seu dote, e os filhos
geralmente ficavam com o pai.
Pág. 38: Monogamia e Casal
Ao longo da história, a monogamia sempre foi a norma, mas a percepção do marido em
relação à esposa variou. Em diferentes épocas, as esposas eram vistas como iguais aos
maridos ou como figuras menos importantes, cujo valor residia principalmente na
instituição do casamento. Essa mudança na visão das esposas pode ser atribuída à
evolução do papel dos homens, especialmente da classe dirigente, que passou de
cidadãos militantes a fiéis súditos do imperador com o advento do Império.
Pág. 39: A transição da moral cívica para a moral do casal ao longo de um século ou
dois não tanto alterou o comportamento das pessoas ou o conteúdo das normas, mas sim
a maneira como cada moral se via e como considerava as pessoas. A moral cívica
enfatizava o casamento como um dever cidadão para procriação regulamentada,
enquanto a moral do casal buscava uma justificação mais profunda para o casamento,
como uma amizade duradoura entre duas pessoas racionais. Essa mudança gerou a ideia
do casal como um mito, combinando boa vontade e conformismo.
Pág. 40: O casamento como dever a cumprir
A nova moral do casal enfatizava o casamento como uma opção, formulando o dever do
homem casado como "Eis o dever de um homem casado". Antes, a moral cívica via o
casamento como um dever cidadão, dizendo "Casar-se é um dos deveres do cidadão".
Essa mudança levou a uma ilusão de crise na instituição matrimonial, com a ideia de
que o casamento era apenas uma das muitas decisões dinásticas que um homem deveria
tomar, como entrar na carreira pública ou permanecer na vida privada para aumentar o
patrimônio familiar.
Pág. 41: No contexto histórico descrito, o casamento era apenas uma parte da vida, e a
esposa era considerada um dos elementos da casa, juntamente com outros membros. Os
senhores de casa tomavam decisões importantes sem envolver a esposa e não estava
claro se a senhora participava de eventos sociais. A mulher era vista como alguém a ser
cuidado, especialmente devido ao seu dote e à linhagem nobre de seu pai.
Pág. 42: Falso nascimento do casal
Antigamente, o casamento era visto como um dever cívico e uma vantagem financeira,
com os esposos tendo tarefas claras: ter filhos e cuidar da casa. A moralidade da época
dividia-se em duas partes: dever estrito e oportunidade de formar um casal unido. O
casamento exigia o cumprimento das tarefas, e a harmonia conjugal era um mérito
adicional, não uma premissa essencial.
Pág. 43: Naquela época, o amor no casamento não era fundamental; as pessoas
aceitavam desentendimentos como algo comum. Ser gentil com a esposa era valorizado,
mas não obrigatório, e era visto como um mérito, não uma obrigação. A ternura entre
esposos sempre foi vista como um complemento à obrigação matrimonial ao longo da
história. Baixos-relevos e textos enfatizam a importância dessa harmonia adicional.
Repudiar uma esposa devido à esterilidade era aceitável, mas ainda assim era criticado,
pois o vínculo duradouro com a esposa era valorizado.
Pág. 44: A nova ilusão
No Ocidente, o entendimento mútuo no casamento não era visto como um dever, mas
sim como um mérito. Na nova moral, influenciada pelo estoicismo, o ideal do casal se
tornou um dever, e o desentendimento entre cônjuges passou a ser encarado de forma
negativa. Isso resultou em mudanças na percepção social da esposa, que passou a ser
equiparada aos amigos em importância. No entanto, as mudanças práticas no casamento
eram limitadas, e a diferença estava mais na forma como os maridos falavam de suas
esposas em público.
Pág. 45: Os estoicos, inicialmente promotores da independência e indiferença ao acaso,
acabaram adotando a moral predominante da época. Embora numerosos e influentes,
eles foram mais propagadores do que vítimas dessa mudança. Seu sucesso entre a elite
levou à reinterpretação de suas doutrinas, alinhando-as com as instituições existentes,
incluindo o casamento. Dessa forma, a época em que os estoicos exploravam uma gama
mais ampla de desejos e relacionamentos, como o amor pelos meninos, ficou para trás.
Pág. 46: Castos esposos
Além da mudança conformista nos ensinamentos estoicos, havia uma afinidade genuína
entre o estoicismo e a nova moral conjugal. A nova moral não se limitava mais a
prescrever a execução de tarefas conjugais com doçura, mas enfatizava viver como um
casal ideal por meio de um sentimento de amizade constantemente testado, que por si só
ditaria os deveres.
Pág. 47: A abstinência sexual no estoicismo era baseada na crença de que um indivíduo
virtuoso controla seus desejos e só deveria ter relações sexuais para procriação. Isso
refletia um racionalismo, não ascetismo, já que a razão questionava a necessidade de
tais atos. Apesar de alguma influência do estoicismo, o cristianismo evoluiu de maneira
diversa e não adotou uniformemente essa visão. Alguns cristãos a seguiram, enquanto
outros, como Santo Agostinho, desenvolveram suas próprias doutrinas sobre o
casamento.
Pág. 48: Há mais: uma moral não se reduz ao que manda fazer; mesmo que as regras
conjugais de uma parte do paganismo e de uma parte do cristianismo sejam
textualmente as mesmas, o jogo não se realizou.

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