Lenard,+12+ +Cartografias+Da+Cultura+Underground
Lenard,+12+ +Cartografias+Da+Cultura+Underground
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DOSSIÊ
RESUMO: O objetivo desde artigo é analisar o surgimento da subcultura heavy metal na região do ABC
paulista, a partir das práticas culturais que envolviam seus subgêneros musicais nas duas últimas
décadas do século XX. Analisaremos, particularmente, os processos identitários relacionados à
categoria “cena heavy metal” em sua interação com as demais subculturas. Em um primeiro momento,
buscaremos estabelecer um referencial teórico para a abordagem desse fenômeno, basicamente em
torno dos cutural studies. Na segunda etapa, indicaremos alguns antecedentes relevantes para sua
gênese histórica na região, isto é, a consolidação da indústria cultural no Grande ABC. A seguir,
procuraremos identificar o núcleo comum apresentado pelos diferentes subgêneros metal, suas
diferentes inserções na cultura local e suas principais disputas no campo simbólico. Por fim,
indicaremos alguns desdobramentos dessa subcultura inaugurada pelos Headbangers ABC e que se
estende até as vertentes contemporâneas do metal extremo.
PALAVRAS‐CHAVE: História do Grande ABC, Subcultura heavy metal, Pós‐modernidade.
ABSTRACT: This paper aims to analyze the emergence of the heavy metal subculture in São Paulo's so‐
called "ABC Area", comprised of suburban cities in the greater São Paulo metro, based on the cultural
practices that involved their musical sub‐genres over the last two decades of the twentieth century. In
particular, identity processes related to the category of the "heavy metal scene" will be analyzed in its
interaction with other subcultures. An attempt will initially be made to establish a theoretical reference
to discuss this phenomenon, basically in relation to cultural studies. Next, some antecedents relevant
to its historical genesis in the region will be indicated, that is, the consolidation of the cultural industry
in the "ABC Area". After this, an effort will be made to identify the common core found in the different
sub‐genres of metal, their different placements within local culture and their main disputes in the
symbolic field. Finally, some outcomes of this subculture will be shown, starting with Headbangers ABC
and extending up ‐through contemporary lines of extreme metal.
KEYWORDS: History of the ABC Are, Heavy metal subculture, Post‐modernity.
Doutor em História pela PUC‐SP. Realizou pesquisa de Pós‐doutorado pela Universidade Estadual Paulista
(Unesp‐Assis/FAPESP) e estágios na Universidad de Buenos Aires (FFyL/Cátedra Libre Teoria Crítica y Marxismo
Occidental) e na École des Hautes Études en Sciences Sociales (CéSor).
a “cena” 1. Aliás, esse sempre foi o fator que mais chamou a atenção das ciências humanas
para o rock (antepassado imediato do heavy metal e principal móvel das subculturas), não o
reconhecendo apenas como uma negação ou degenerescência da herança cultural burguesa,
da música chamada séria ou savante (moderna), mas o pensando como prática geradora de
culturas (pós‐moderna). Nas palavras de Edward Said, a “cultura do rock” consiste em “um
conjunto de envolvimentos sociais e políticos, aflições e transgressões” próprios (SAID, 1992,
p. 120).
Em 1973, portanto vinte e cinco anos antes de Hobsbawm, na mesma Inglaterra, mais
especificamente em Birmingham, um grupo de pesquisadores ligados ao Centro
Contemporâneo de Estudos Culturais já havia especificado o “significado social e político” das
culturas jovens que emergiram na Grã‐Bretanha do segundo pós‐guerra, após o advento do
rock2.
1
Para uma breve reflexão envolvendo as continuidades entre metal music studies e cultural studies cf. HICKAM
(2015, p. 5‐23).
2
Façamos, aqui, um necessário ajuste de dicção: quando os Estudos Culturais falavam no estudo do “último tipo
de formação subcultural”, isso corresponde ao que hoje chamamos de “primeiras subculturas”, isto é, teddy boy,
mod, rocker, hipster ou skinhead.
então, devem primeiro estar relacionadas às “culturas pais” das quais são um
subconjunto. Mas as subculturas também devem ser analisadas em termos
de sua relação com a cultura dominante – a disposição geral do poder
cultural na sociedade como um todo (HALL; JEFFERSON, 2003, p. 13).
Essa calibragem entre propósitos e meios só ocorreu nos anos 70, quando esse
trabalho de brocado com a linguagem cotidiana (com suas partículas e sua materialidade)
atingiu a dimensão sonora, devido à facilitação do acesso a instrumentos musicais, gravações
e locais para shows: a “cena” e os dispositivos necessários para sua existência3. Aquela mesma
prática do Do It Yourself vestual das primeiras subculturas (os teddy boys e o mod) assumia
3
Quando surgem as primeiras subculturas, no segundo pós‐guerra, elas não possuíam uma cena própria. Os
mods frequentavam a cena que envolvia jazz moderno, rhythm and blues e soul; os teds gostavam de rockabilly,
os skins escutavam soul, reggae e, depois, ska; os hipsters, por sua vez, também ouviam jazz. Até que surge o
punk que passa a ouvir punk. Esse é o segundo nível do DIY. Trata‐se, agora, de construir a própria cena e é isso
que passa a interessar ao mercado (os “nichos” subculturais).
sua dimensão formal como sistema de produção e circulação de bens simbólicos. Não há
coincidência em Beatriz Sarlo dar o título de Cenas da Vida Pós‐moderna a sua obra, ou de o
título original da História Social do Jazz de Eric Hobsbawm ser, simplesmente, The Jazz Scene,
tal como publicado pela primeira vez, em 1959.
Apenas quando seus muitos subgêneros (seu excesso) tomam corpo é que temos
uma cena underground, o que ocorre nos anos 80, com o thrash metal que surgiria nos Estados
Unidos como uma resposta heteronormativa ao glam metal (lit metal). Essa ideia é confirmada
por outros dois sociólogos, a estadunidense Deena Weinstein (1991), e o inglês Keith Kahn‐
Harris (2007). Este último é bastante claro ao indicar que o hoje chamado “metal extremo” se
constitui enquanto prática musical separada, em dissidência com o heavy metal. Só quando
surge um underground do heavy metal (seu excedente, também chamado “metal extremo”)
é que o heavy metal passa se ver como semelhante às demais subculturas, reconhecendo‐se
como pertencente ao mesmo subsolo urbano que as demais. A ideia do rock star é finalmente
abandonada, ocasionando um reconhecimento quase que imediato das muitas “afinidades
eletivas” entre subculturas brancas masculinas (metal, punk e góticos), nas mais diferentes
partes do mundo em que a cultura ocidental se fez presente.
4
Os primeiros álbuns já haviam sido lançados, mas não cabia prever cenas que ainda estavam por existir, como
heavy metal ou punk, por mais que seja mencionado um certo “heavy rock” de bandas como Emerson, Lake &
Palmer, Deep Purple, Led Zeppelin e Yes (HALL; JEFFERSON, 2003, p. 220).
Essa “identidade associativa” ou “de grupo” parece ser bastante atraente para jovens
que não se veem como parte da lógica de funcionamento da cidade, que se sentem excluídos
de suas melhores oportunidades, ao ponto de suas mais diferentes práticas coletivas serem
simplesmente reconhecidas como “cultura jovem”, independente de seus conteúdos
particulares. Esse nivelamento é certamente facilitado pelo fato de existirem muitos aspectos
em comum nas subculturas ou “tribos urbanas”, a despeito de suas diferenças5. No entanto,
não podemos ignorar que esses pontos em comum não derivam apenas do perfil sociológico
semelhante de seus integrantes, mas, antes de tudo, da tarefa comum de decidir sobre como
se enquadrar (ou não) no padrão de sociabilidade instituído pela modernidade tardia e a
indústria cultural que a caracteriza.
5
Todas trabalham praticamente em torno das mesmas questões: 1) centralidade da atividade musical para a
convergência dos indivíduos, em substituição à oralidade política que havia sido o principal meio de comunicação
intergeracional até a década de 1960; 2) hábitos noturnos para apropriação dos espaços da cidade; 3) consumo
de drogas lícitas ou ilícitas; 4) relação de bricolagem com a moda (repertório fornecido pela cultura do consumo
mainstream); 5) uso particular e compartilhado da linguagem verbal e não verbal (expressões, gírias, gestos,
vestimentas, biotipos); 6) convívio com a violência devido às disputas pelos espaços da cidade e como forma de
afirmação político‐ideológica; 7) predominância de parâmetros de masculinidade e defesa de valores do
patriarcado. Todos esses elementos estão relacionados com o que é apontado na pioneira obra organizada por
Stuart Hall e Tony Jefferson.
6
Analisei com maiores detalhes alguns dos impactos da chegada da indústria cultural na região do ABC, a partir
da década de 1950, no livro A Cidade dos Pinguins: Santo André, memória e esquecimento (SOUZA, 2020).
locais de atuação mais característicos. Se fizermos isso, veremos que o rock do ABC começou
nos bailinhos dos clubes, com grupos de rock instrumental que depois se associaram ao rock
balada e a cantores próximos daquilo que conhecemos como Jovem Guarda. Ocara, Aramaçan
e Primeiro de Maio em Santo André; Esporte Clube S. Caetano e Buso Palace em São Caetano;
Associação dos Funcionários Públicos e o Odeon em São Bernardo: havia um modo de vida
sendo criado nesses clubes e que pregava a cultura do lazer recreativo, do esporte e do
consumo de símbolos culturais devidamente padronizados.
Esses clubes eram o espaço aglutinador das elites para o fomento de um estilo de
vida que vinha sendo irradiado nos cinemas, rádios, revistas e jornais, incluindo alguns
regionais como o News Seller7. A concentração oligopolista do lazer em torno de
entretenimentos tecnológicos e suas implicações linguísticas (em especial a padronização do
gosto) estava instituída8. Cada clube funcionava como uma sucursal da cultura transnacional
anglo‐americana. De repente, os jovens da região ouviam Os Dinâmicos, Os Elétrons, Os
Botões (ex‐The Snakes) e Os Enigmas (VARGAS, PERAZZO, 2008). Um tipo de diversão que
incluía cerveja, fernet cola, cuba libre, hi‐fi, ponches e martinis, como nos filmes de Hollywood.
Para obter êxito popular, essa primeira forma de rock contou com o apoio de
emissoras de TV e rádios, inclusive regionais. Durante a década de 50, surgiram quatro
emissoras de rádio na região: Rádio Clube de Santo André (1953), Rádio Emissora ABC (atual
Rádio ABC, também de Santo André, 1953), Rádio Independência (São Bernardo, 1957), Rádio
Cacique (São Caetano, 1958). Apesar de um radialista ter sido eleito prefeito de Santo André,
Oswaldo Gimenez9, poucos sintonizavam essas estações, preferindo as da capital. De todo
modo, essas informações nos indicam o status da cultura do rádio no período e na região.
Posteriormente, surgiria um divisor de águas, a rádio 97 FM, a primeira rádio rock do país,
que, em meados dos anos 80, chegou ao primeiro lugar de audiência na Grande São Paulo.
7
José Armando Pereira da Silva confirma a ideia de que “Clubes e cinemas se instalam como principais
referências para programas de lazer”, complementando a respeito do suplemento literário “Best Seller”, do
jornal News Seller: “Tentativa meteórica, como tantos suplementos e revistas do gênero, reflete, mais uma vez,
perifericamente, o padrão dos grandes jornais numa fase ainda amadora da imprensa fora dos grandes centros”
(SILVA, 2000, p. 229‐237).
8
Empregamos, aqui, a ampla definição de pós‐modernidade fornecida por Fredric Jameson em Pós‐modernismo:
a lógica cultural do capitalismo tardio (JAMESON, 2007).
9
Eleito pelo PRP em 1959, e deposto em 1961, Gimenez foi dono da Rádio Clube de Santo André (1954) e,
posteriormente, da Rádio Panamericana, hoje, Rádio Jovem Pan.
10
Neste artigo, entende‐se por interseccionalidade a interdependência entre relações sociais de poder
envolvendo raça, sexo e classe (cf. HIRATA, 2014).
formação de bandas com pouco dinheiro e menos know‐how, uma situação que ficou ainda
melhor a partir dos anos 70, quando as válvulas dos amplificadores começaram a se
popularizar (cf. BLANNING, 2011, p. 243). Em São Caetano, na década de 1960, surgiram as
fábricas de guitarras e amplificadores valvulados Snake e Palmer, dois emblemas dos novos
tempos. Recorrendo mais uma vez a Eric Hobsbawm: “o rock foi a primeira música a usar
sistematicamente instrumentos elétricos (...) e a se valer da tecnologia eletrônica não apenas
para efeitos especiais, mas para o repertório normal aceito pelo público de massa”
(HOBSBAWM, 2008, p. 22).
Como mencionado, não só no ABC, mas em todo o Brasil, esse mercado foi
oficializado pela Jovem Guarda, não demorando para gerar seus “excessos”. No final da
década 70, mais precisamente em 1979, surgiu o power trio andreense Karisma, responsável
por lançar o primeiro disco brasileiro de heavy metal todo cantado em inglês, Sweet Revenge
(1983), esboçando uma atualização modificada daquele estilo de vida jovem, transgressor e
barulhento. O Karisma lançava os instrumentos e a linguagem do rock em uma dimensão
caracteristicamente heavy metal.
11
“I got an orient fucker [sic] / I got an orient girl [sic]”.
12
“Little tramp of the streets / she want money to kiss my lips / Dirty woman in my life / you destroyed my home,
myself, my wife”.
13
“I decided to ask her / would you like to fuck me?”.
estruturação em riffs compostos por power chords (a fundamental e sua quinta justa, talvez
também a oitava, gerando uma terça maior como harmônico parcial), pentatônicas
barulhentas, modos eólio e dórico, palhetadas abafadas (palm mute), timbres distorcidos,
vocais levemente gritados e velocidade; tudo em altos decibéis.
Sweet Revenge foi gravado praticamente ao vivo, em doze horas, no antigo estúdio
São Quixote (do músico Cláudio Lucci) que depois ficaria conhecido como Estúdio Camerati14.
Os custos da produção foram arcados pela própria banda, apenas com uma pequena ajuda de
Luís Calanca (dono da loja/gravadora Baratos Afins) que financiou a rodagem das capas,
exigindo em troca 200 cópias do álbum. O lançamento ocorreu no Projeto Cometa Rock (no
clube Radar Tan Tan), por iniciativa de Celso Barbieri, junto a importantes bandas da época:
Platina, Alta Tensão, Vulcano e Made in Brazil15.
14
Junto ao estúdio funcionou uma importante escola de música, onde lecionaram, entre outros: Vera Figueiredo,
Carla Dias, Marco Costa, Da Lua, Celso Pixinga e Bocato.
15
Em uma entrevista retrospectiva concedida a Celso Barbieri, o baterista Rudolf Leschonski lembrou outro
acontecimento: “A Rádio FM 97, naquela época situada em Santo André, bem perto da nossa casa, nos deu muita
força no seu programa Sessão Rocambole do ‘Capitão de Aço Beto Peninha’” (LESCHONSKI; BARBIERI, s.d.).
Essa prática de bricolagem associada a métodos DIY de atuação cultural abriu novas
possibilidades ao que o Karisma vinha pretendendo. Especialmente se lembrarmos que os
punks não traziam apenas uma música diferente, mas uma ética para aquele estilo de vida
suburbano de excessos. Antes do Karisma lançar seu disco, em 1983, não existiam lojas de
discos especializadas no ABC, nem locais específicos para shows, o que tornava o improviso
uma necessidade constante (escolas, centros comunitários, teatros e bares adaptados). Os
punks haviam indicado como superar esses obstáculos, eles haviam adquirido uma certa
consciência a respeito do modus operandi das “cenas musicais”16.
Rapidamente o empenho começou a dar resultado. Em 1984, foi criada a Metal Hard
Discos e surgiram duas novas bandas: Necromancia e Revenge. Dois anos depois, nasceu a loja
Fucker Records, que também atuou como gravadora17. Na mesma época, como adiantado, a
rádio 97 FM começou a se especializar em metal, em torno dos nomes Beto Peninha (Sessão
Rocambole) e Vitão Bonesso (Backstage). Em pouco tempo surgiriam as primeiras casas de
shows especializadas: Shock Bar e Move’s Bar, por onde passaram Sarcófago, Dorsal Atlântica,
Mutilator, Overdose, Scars entre tantos outros. Esses foram os espaços pioneiros da
sociabilidade subcultural local, os quais faziam a região assumir uma autonomia progressiva
com relação à Galeria e aos shows em São Paulo.
Além das duas lojas de discos mencionadas, existiu uma terceira, a Vaticano,
especializada em punk rock, na mesma Galeria do Carmo em que estava instalada a Metal
Discos, garantindo a dose necessária de violência que caracteriza as subculturas desde os anos
50. Praça do Carmo (em frente à referida galeria), Move’s Bar, a Feirinha Hippie do Paço
Municipal e a casa de esfirras Faiçal (na Rua Senador Fláquer) transformavam‐se em locais de
encontro para brigas. (RAVELLI, 2011). A situação só se acalmou quando ambas subculturas
passaram a ser alvo de skinheads “neonazistas”: os Carecas do ABC.
Todas essas subculturas tentavam arregimentar afetos, criar uma estrutura afetiva
para os deslocamentos provocados pelas mudanças sociais por que passava a região, com o
punk se associando ao operariado, aos movimentos de luta, e o metal se apresentando como
16
Essa dimensão do movimento punk da região pode ser conhecida por meio da dissertação de mestrado O
Movimento Punk no ABC Paulista: Anjos, uma vertente radical, de Aldemir Leonardo Teixeira (2007).
17
A Fucker Records foi fundada em 1986, em uma travessa da Rua Álvares de Azevedo, mas tendo começado
suas peripécias sonoras ainda antes, em 84, com a gravação do compacto do Mammoth, com duas músicas,
lançado em 85.
Assim como se deu com o movimento punk, a cultura heavy metal da região nasceu
de um grupo de aficionados, neste caso, os autodenominados Headbangers ABC, que tinham
como referência local praticamente uma única banda18, e que tinham que ir até São Paulo
para saber das novidades. Foi a partir desse grupo de jovens que surgiram bandas como MX,
Cova, Warhate, Necromancia, Blasphemer, Revenge, Hammerhead, Titânio, Esfinge, Slaughter
Day, Desaster, Deflagração Atômica, Stage Driver e Guilhotine. Muitas dessas bandas se
formaram a partir de núcleos de amizade entre rapazes que frequentavam lugares em comum
como colégios, bares, lojas de discos e shows. Nas palavras de Marcelo d'Castro (Índio),
guitarrista e vocalista da banda Necromancia:
18
Além do Karisma, na primeira metade da década de 80, o ABC também contou com o mais do que efêmero
Performance’s, quarteto formado em meados de 1982, que participou da coletânea SP Metal II, apresentou‐se
no Clube Paineiras do Morumbi em 1985 (com Korzus, Viúva Negra e Improviso) e nada mais. Seu vocalista,
Robson Goulart, formaria posteriormente as bandas Destroyer e Spitfire, e ainda gravaria o LP Why? Dirty War,
do Acid Storm, e integraria a banda Harpia.
nomes das bandas, consegue‐se deduzir o campo semântico e o léxico próprios ao período.
Em Headthrashers Live, todas as quatro bandas falam (mal) de Cristo e falam de morte,
associando‐os a extermínios, cabeças destruídas, inferno e “anjos sendo fodidos”. Tudo com
muita distorção, modos frígio e lócrio, mais velocidade (bumbo duplo, palhetada tripla) e, no
caso particular do ABC, com predomínio da voz gutural que veio de Minas Gerais, contrariando
a tendência de bandas paulistanas como Korzus, Acid Storm e Anthares.
Isso significa que alguns degraus foram descidos em termos de barulho e vontade de
rompimento geracional, a que se somaram o satanismo e a estética de anticristo advinda da
primeira onda internacional do black metal dos anos 80. Depois da coletânea, o Necromancia
lançou sua demo tape em 1988 (Suicidal Madness), um compacto (Hypnotic, 1993) e um disco
homônimo em 1996. Em 2002 lançaram o CD Check Mate e, dez anos depois, lançaram Back
From The Dead. Tocaram com Sepultura, Korzus, Krisiun, Nevermore, Exodus etc. Já os são‐
bernardenses do Cova duraram menos: lançaram apenas a “Demo” 87, contendo seis músicas
que mesclavam thrash, speed e já um pouco de death metal. Em 2016, a fita foi relançada em
CD pela Holocaust Records Vinyl, com as duas músicas que saíram em Headthrahsers Live
como bônus.
MX, sem nenhuma dúvida, foi a banda de metal mais bem sucedida da região.
Fundada em 1985, em 1987 participou da coletânea da Fucker e, no ano seguinte, no mesmo
Estúdio Camerati, gravou seu primeiro disco, Simoniacal, um clássico do metal nacional.
Abriram os shows do Kreator e, em 1989, lançaram Mental Slavery e abriram os shows da
turnê brasileira do Testament. Sumiram por um tempo, até voltarem em 1995, com o disco
Again. Em 1997, fizeram shows com Exodus (1997) e, em 1998, lançaram The Last File.
Sumiram de novo e só voltaram em 2012.
De lá para cá, muitos shows, com os maiores nomes, e dois discos: Re‐lapse
(regravações de 2014) e A Circus Called Brazil (2018). Aquela linha de ódio sexista à presença
feminina, aberta pelo Karisma, foi aproveitada e levada adiante pelos rapazes do MX, que
escreveram um hino de ódio às mulheres: “Dirty Bitch” (“Andando pelas ruas / como uma
cadela repugnante / e seduzindo a todos que cruzam seu caminho. / Com seu traseiro podre
exala um cheiro horrível, quando dá o último suspiro / (...) Nós vamos foder / essa cadela
agora. / Foda‐se essa cadela”19). Outras músicas são mais “políticas”, como “Fighting For The
Bastards”, e outras aludem a hecatombe nuclear (“Dead World”). Depois, no disco seguinte,
falaram menos em “foder” e assumiram um caminho entre o obscuro não‐satânico de crítica
à religião e à alienação (“escravidão mental”), ainda que mantendo certa associação com a
experiência de morte (e pós‐morte), lugares místicos etc.
Mas essas não eram as únicas bandas da região. Warhate, apesar de não ter
participado da coletânea, gravou duas demo tapes e um extended play20. Um de seus
integrantes, Alexandre Strambio, tornou‐se um dos maiores músicos do ABC (Rot, Cruel Face
e ex‐Bandanos) e figura notável de seu underground. Outro nome é o Atomic Thrasher, que
lançou a demo Atomic Future em 1989. Seu vocalista, Luciano Piagentini, é outro personagem
ilustre do underground regional, produtor musical e vocalista da banda Falange, que inclui
instrumentistas que foram de Blasphemer e Antichrist. Note‐se também que nessas bandas a
temática das letras é outra: ameaça nuclear, iminência da guerra, violências e distopias, mais
na linha novaiorquina do thrash.
19
“Walking by the streets / like a nauseating bitch / and seducing to all / that cross her way. / With her rotten
ass / exhales a terrible smell / When gives the last sigh / (...) We go to fuck / this bitch now / Fuck off this bitch”.
20
As sete faixas da demo Thrash Invasion foram gravadas em 1988 (como trio), o EP Biological Decimate foi
lançado em 1990, e a segunda demo, Action & Attitude saiu em 1993. Posteriormente, no século XXI, os materiais
seriam reeditados em duas coletâneas: Destructive Years (2005) e Thrash Invasion ‐ Complete War (2009).
estudos de gênero (feminismo, cultura gay, teoria queer) – denuncia justamente a existência
de um modelo que não é necessariamente majoritário, mas suficientemente normativo, que
tenta encobrir as lutas internas das masculinidades entre si em suas performatividades21. John
Ike Sewell Jr., professor da The University of West Georgia, desenvolveu uma pesquisa
bastante fecunda sobre o assunto, comparando a performatividade masculina no heavy metal
e no hardcore (cf. SEWELL JR. 2012, p. 50‐83). A subcultura heavy metal é basicamente uma
resposta defensiva às ameaças à identidade masculina branca a partir dos anos 70.
Na cena heavy metal, como em tantas outras, essa economia libidinal resulta em uma
inevitável tensão homossexual, dada a ausência de mulheres proporcionada pela hierarquia
dos códigos simbólicos. Como sugeriu Pierre Bourdieu, a “virilidade” é uma noção
“eminentemente relacional, construída diante dos outros homens, para os outros homens e
contra a feminilidade, por uma espécie de medo do feminino” (BOURDIEU, 2018, p. 79). Surge
uma tensão ou “duelo homossexual” que se torna visível nas roupas, nos protocolos de
linguagem, na performance musical, nas letras, nos esquemas mentais e mesmo em sua
estruturação musical (cf. RICHES, 2014; SEWELL JR., 2012). Afinal, no heavy metal, o
virtuosismo, a velocidade, o peso e o barulho também são demonstrações do poder masculino
e branco, a despeito de suas formas contingentes.
Com o metal, ficava claro que aquele projeto de subúrbio que havia sido sonhado
para a região, com casas operárias e famílias estendidas que se apresentavam como estrutura
tradicional de poder local, havia ruído. A cultura heavy metal atua justamente sobre a
fragmentação da tradicional família estendida, que foi reconfigurada dando lugar a famílias
de casamento (mais nucleadas). Aqui está outro ponto importante: a grande questão das
subculturas é essa desestruturação das famílias como modo de inserção do indivíduo na vida
social, que muitas vezes implode a própria unidade familiar domiciliar (HALL; JEFFERSON,
2003, p. 42). Existe, portanto, uma dinâmica interna à classe social que contrapõe os jovens a
seus pais, e isso tem a ver com a nova lógica imposta pela modernidade tardia: o pós‐
modernismo.
21
Sobre o conceito de “masculinidade hegemônica” rusticamente utilizado neste artigo, veja‐se o apanhado
histórico estabelecido por (CONNELL; MESSERSCHMIDT, 2013).
até então se levava naquele local. Rompia‐se um hábito de diversão juvenil na vizinhança.
Surge uma identidade “jovem”, pautada por outros valores, que quer ir “à cidade”, ao centro,
encontrar‐se com pessoas com quem há maiores afinidades. Essa situação foi equacionada de
diferentes formas pelas diferentes gerações juvenis do segundo pós‐guerra, como se costuma
observar nas lutas e negociações culturais ao longo da história. No caso do heavy metal, o
caminho tomado foi o do hedonismo nostálgico e defensivo de uma juventude operária,
branca e masculina. No ABC, como no restante do mundo, o heavy metal surge para expressar
o estilo de vida, os desejos e os descontentamentos de um seguimento específico da
juventude.
Para além das distâncias sonoras ou até mesmo políticas, prevalecia o que na língua
inglesa é definido como male chauvinism, o qual acaba funcionando como “centro diretivo de
um novo senso comunitário” (WEINSTEIN, 2000, p. 105). A orientação masculina que já havia
sido reconhecida no rock tornou‐se um fator identitário ainda mais evidente no metal, sendo
reforçada por uma veia romântica que se faz mais saliente no heavy metal melódico ou power
metal, como veremos mais à frente. “A audiência do heavy metal é mais do que apenas
masculina; ela é machista”, reforçou Deena Weinstein, observando adiante que a essa
masculinidade misógina, frequentemente tematizada pelas próprias bandas, foi acrescentada
a notória homofobia quase onipresente nas subculturas, algo que parece ter vindo
historicamente dos fãs de esportes22.
Passados alguns anos, já na década de 90, o thrash metal local ficaria marcado por
dois novos nomes: Transfixion (de Santo André) e Bywar (de São Caetano), havendo
evidentemente outros. O Transfixion lançou dois LPs e obteve relativo reconhecimento, com
turnês nacionais e shows com grandes bandas como Exodus, Napalm Death, Sodom e Krisiun.
Já o Bywar lançou uma demo (1998), quatro discos de estúdio e quatro split albuns ao longo
de quase 17 anos de atividade. Outras bandas de destaque foram: Prime Mover23, Corpses
Conductor (formada em 1992, em Mauá) e Excruciate (que existiu entre 1992‐1998, e lançou
22
Em seu estudo clássico, publicado originalmente em 1991, Deena Weinstein fala claramente no surgimento de
uma “cena” speed/thrash em São Francisco, no início dos anos 80 como resposta ao “lite metal”, a qual, a partir
da década de 90, originaria uma “underground metal scene” (WEINSTEIN, 2000, p. 48 e 285). Um repúdio à
presença da cultura gay no metal, daí toda macheza e homofobia que passa a caracterizar o metal, como
reconhece a mesma autora.
23
Fundada em 1993, por ex‐integrantes do Hammerhead e do Stage Driver, lançou dois CDs, um deles tendo sido
gravado em Londres.
a demo Dead Light, em 1994). De uma maneira geral, as letras circulavam em torno de morte,
horror, guerra, tormentos psicológicos, insanidades, blasfêmias e carnificinas.
Nessa nova década, Necromancia e MX, os dois maiores nomes do thrash, seguiram
o exemplo do Sepultura: reduziram a marcha e variaram o som. As demais bandas, ao menos
a maioria, foram se dissolvendo pela dificuldade para gravar discos, pela relativa fadiga da
forma musical thrash e, principalmente, pela dificuldade e amadorismo para se fazer shows.
A solução para esse “problema” do esgotamento da forma‐thrash só foi encontrada pela
geração seguinte que, no século XXI, dispondo de uma cena devidamente fortalecida pelo
acúmulo de décadas de trabalho, pôde resgatar bandas que hoje reconhecemos como
crossover, crust, metal punk e grindcore, estabelecendo uma releitura do repertório da música
extrema.
Nos anos 90, seguindo uma tendência mundial, foi rompida a hegemonia do thrash
metal no ABC, prosperando o heavy tradicional/melódico e o metal extremo: death e black
metal. Ainda na década de 80, frutificaram as primeiras sementes lançadas pelo grupo
Karisma, originando um heavy metal tradicional, melódico, power etc., cujos principais nomes
foram e são bandas como Revenge e Mario Pastore, além de outras que vieram depois, como
Seventh Seal, Faceless e Dark Land. Todas mantiveram uma base estética firmada em histórias
de conquistadores, marinheiros, cavaleiros e o que mais se relacione com o imaginário de
“jovens europeus brancos deixados para trás pela pós‐modernidade, pós‐colonialismo e pelo
rearranjo da ordem de gênero”. Muda‐se a temática, muda‐se o continente, mas o referido
subgênero continua sendo um “espaço de lazer interseccional problemático para a construção
de identidades de gênero e racializadas”. Por isso, esse “poder” que o power metal tanto
exalta quando fala de arco‐íris, passagem do tempo, melancolia e outros temas pastorais, é
sempre “um poder (masculino, branco) hegemônico no coração do heavy metal” (SPRAKLEN,
s.d., p. 3‐4).
O primeiro grande nome, Mário Pastore, começou como vocalista da banda Titânio,
depois ficou conhecido por ter passado por inúmeros grupos e, claro, pela participação no
álbum Biotronic genesis, dos paulistanos do Acid Storm, lançado em 1991. O disco, que é um
dos melhores da história do metal nacional, revelou outro grande músico do ABC, o
contrabaixista Stefano Moliner. Um speed‐thrash de alto nível técnico; mas, logo depois do
disco, ocorreram as habituais divergências, e Moliner e Pastore decidiram sair. Pastore
montou outros projetos e entrou em outras bandas, como Opera’s Noise, Tailgunners, Sacred
Sinner, carreira solo, Heavest etc.
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Em 2019, a Hellion Records relançou a obra em CD.
entrada de Thiago Oliveira e Leandro Caçoilo, registra uma considerável mudança de nível
técnico e profissional.
No ABC, a consolidação dessa linhagem musical se deu com algum atraso, com os
shows de bandas como Dream Theater e Blind Guardian, no Aramaçan, respectivamente em
setembro de 1997 e agosto de 1998. Foi aí que começaram a se destacar bandas com estilo
semelhante, como Tailgunners, Dark Land, Faceless ou o próprio Seventh Seal. Hoje, muitos
desses músicos estão reunidos em torno da TL7, empresa musical de Tiago Claro. A sonoridade
do subgênero veio, obviamente, de Sad Wings of Destiny (1976) do Judas Priest: uma definição
frente às demais tendências que existiam no rock imediatamente anterior.
A isso se somou uma forte influência da “nova onda do heavy metal britânico” e de
metal alemão, mas sem aquele teor mais propriamente power metal de misturar Rainbow
com RPG Dungeons & Dragons e J.R.R. Tolkien. Prevaleceram o misticismo difuso e a sólida
“irmandade”, mais na linha Iron Maiden do que Manowar. Essas duas inovações acabaram
legalizando a composição de baladas, algo inédito que, desde então, contrasta com a base
“natural” do estilo: vocais melódicos, notas longas e altas, refrões emotivos, backing vocals
marciais, muita pedaleira dupla e incontáveis solos de guitarra. O power metal recorre ainda
mais à palhetada alternada e inova no uso efusivo de legatos (hammer on/pull off), tapping,
speed‐picking e sweep‐picking (arpejos), sempre em altíssima velocidade.
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O levantamento das bandas internacionais “de rock” que já passaram pelo ABC merece um estudo à parte.
Para uma mensuração rápida, apenas em Santo André: Faith No More (EUA), Ramones (EUA), Deep Purple
(Inglaterra), Sepultura, Dream Theater (EUA) e Blind Guardian (Alemanha), no Aramaçan; Rattus (Finlândia),
Agathocles (Bélgica), Rasta Knast (Alemanha), The Varukers (Inglaterra) e Força Macabra (Finlândia) no 74 Club;
Se quem mais chamou a atenção nesse fim de século foram os melódicos, a música
extrema não deixou de existir. Contrariamente, apareceram algumas bandas e tendências que
seriam posteriormente desenvolvidas. Em Mauá, surgiram Golem (demo 92, split 93) e
Corpses Conductor (que lançou um disco homônimo em 1997). Na segunda metade da
década, vieram os trabalhos do Violent de Santo André (thrash/death com duas demos: 1998‐
2002), Absyde (1996, duas demos, um álbum) e Prophetic Age (1996‐2006, 2 demos, 2 discos,
1 coletânea e 1 ao vivo). Nessa linha black metal, ainda viriam Spiritual Hate (Diadema, 2007)
e Justabeli (death/black, 2001).
Considerações finais
Esses dois subgêneros extremos – death e black metal – são muito estudados no
Brasil, embora seja questionável o modo como essas pesquisas se permitem abdicar de certos
temas inconvenientes. De uma maneira geral, apesar dos ganhos particulares, falta
problematização dos discursos, falta questionamento das bases históricas, sociais, políticas,
econômicas, psicológicas etc. do fenômeno estudado. Essas lacunas certamente limitam o
alcance das conclusões, por mais que não invalidem os esforços. É o que vemos acontecer
com Leonardo Carbonieri Campoy (2010) e Lucas Martins Gama Khalil (2018), com os quais
cabe uma mesma discordância final.
Exodus (EUA) no Panelinha, The Adolescents (EUA) no Tupiniquim, Oslaught (ING) no Central Rock Bar, Attaque
77 (ARG) no Zero 13 Beer, Stanley Jordan (EUA) em Paranapiacaba e tantos outros.
financeira existente entre grupos de war metal, NSBM e black metal com agrupamentos
paramilitares neonazistas ou com chans de extrema direita da deep web (e seus “lobos
solitários”) é algo que deve ser necessariamente considerado ao se analisar a cena. Do mesmo
modo, a relevância científica de se observar como diferentes discursos ou recursos discursivos
compõem uma semântica e um ethos do horror permanece válida, mas, além disso, é preciso
questionar o que esse ethos do horror significa enquanto inserção em estruturas simbólicas
que o antecedem e o ultrapassam. Na forma interrogativa, o que ele revela dos afetos
envolvidos na vida cotidiana e o que ele tem a nos dizer sobre os sentimentos que estão em
jogo no dia a dia da vida social das cidades globalizadas?
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sempre esteve atento a essas sutis conexões do real, como quando analisou o caso aparentemente inconsistente
do atirador norueguês de extrema direita Anders Behring Breivik (ŽIŽEK, 2012, pp. 41‐52).
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