ECONOMIA
Colégio Dona Joaquina e Sumbe
Texto de apoio de Introdução à Economia 12ª Classe
Tema: O processo de desenvolvimento. Aula nº 43
Anos 50 e 60 do século XX
Vamos tentar compreender como a Ciência Económica tem evoluído quanto às explicações
que formula para os problemas do desenvolvimento e quanto às propostas que apresenta para
o atingir.
Anos 50 /60 do século XX
A descolonização fez surgir novos países que numa primeira fase buscam o crescimento
elevado, adoptando políticas económicas, cujo objectivo principal era a acumulação de
capital. Além disso dava-se prioridade a industrialização funcionando a agricultura como
fornecedora de inputs, para à indústria à custa da deterioração dos termos de troca.
A industrialização
Dois modelos económicos eram propostos:
Industrialização para substituir importações;
Industrialização para substituir exportações.
A Industrialização para substituir importações, assentava numa indústria virada para o
mercado interno, logo, fomentando a indústria ligeira ou as indústrias industrializantes.
A Industrialização para substituir exportações, recorrendo aos recursos internos, apostava
nas indústrias em que o país apresentava vantagens com vista ao mercado externo,
normalmente, na indústria de mão-de-obra intensiva.
Em termos teóricos, a Ciência Económica apoiava estas medidas, considerando que o
crescimento embora pudesse inicialmente beneficiar apenas uma minoria, acabaria por se
alargar aos outros grupos sociais. A preocupação dominante era então o crescimento do PIB.
Neste quadro, a formação de capital surgia como a chave do crescimento e como meio de
resolver as carências das populações.
Mas a reduzida poupança interna constituía um obstáculo a implementação destas políticas, o
que levou a necessidade de recurso as ajudas externas. Defendia-se que essas ajudas seriam
necessárias apenas no início, até que a taxa de poupança interna atingisse um nível razoável.
Segundo a teoria de Rostov, a fase do arranque tinha justamente como objectivo o aumento
da taxa de poupança interna até a economia do país atingir a velocidade do cruzeiro.
Os planos de desenvolvimento dos anos 50 e 60 do século xx foram largamente influenciados
por estas teorias. Refira-se que este optimismo quanto a possibilidade de acelerar o
desenvolvimento era em grande parte sustentado pela ideia então generalizada de que
existiam “recursos explorados” no terceiro mundo a espera de serem aproveitados.
A verdade é que não se relacionava o crescimento com a pobreza. Discutiam-se problemas
técnicos, mas não se explicitavam os efeitos possíveis sobre a pobreza e a repartição dos
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rendimentos. O crescimento era discutido como um fim em si mesmo. Só mais tarde se
considerou o problema da pobreza como algo autónomo, passando o combate aquela a
constituir um objectivo do desenvolvimento.
Ainda nos anos 60 do século xx surgiu a chamada teoria da modernização que,
ultrapassando uma visão meramente economicista considerava como obstáculo ao
desenvolvimento os modelos de vida da sociedade tradicional. Atribuía um papel fundamental
as “elites modernizadoras”, doptadas de espírito empresarial a quem incumbiria a difusão dos
novos padrões culturais, orientado a estrutura do consumo.
Através do abandono dos consumos tradicionais, ir-se-iam criando mercados internos capazes
de absorverem as produções das indústrias entretanto implementadas com vista a substituir as
importações.
Muitos foram os países do terceiro mundo que orientaram o seu processo de desenvolvimento
numa via pro – ocidental, acreditando que a iniciativa privada e a motivação do lucro
poderiam constituir “motores” da transformação das sociedades, rumo ao progresso e ao
desenvolvimento.
Outros, porém, optaram por uma via socializante, defendendo que o planeamento económico
era essencial para romper rapidamente com o subdesenvolvimento já que o reduzido volume
de capital disponível nas mãos do sector privado impunha ao Estado um papel activo.
A par do planeamento da economia, adoptaram outras medidas, tais como colectivização da
terra, nacionalização de empresas, nacionalização do comércio (externo e, por vezes, também
o interno).
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Tema: O processo de desenvolvimento. Aula nº 44 e
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Anos 70; 80 e 90 do século XX
Anos 70 do século XX
Os anos 70 do século xx foram dominados pela preocupação de introduzir medidas que
pemitissem alterar as regra do sistema com vista acorrigir os desequilibrios mundiais. Falava-
se então na criação de uma nova ordem económica internacinal, uma ve que começava a
surgir a ideia de que são as condições em que se desenrola o comércio internacional que geram
o subdesenvolvimento.
O primeiro choque petrolífero ocorrido em 1973, de onde resultou uma subida brutal do
petróieo em cerca de 400%, ao mesmo tempo que mostrava algumas fragilidades dos países
industrializados, conferiu força negocial aos países do terceiro Mundo.
A nova Ordem Económica Intenacinal
A ossatura da Nova Ordem Internacional (NOE) foi definida pela ONU em 1974 e
repousa em três textos fundamentais:
-A Declaração, que enuncia os principios e os objectivos a atingir e que, embora não se
tendo concretizado na prática, tem servido de referencia às reivindicações do Terceiro mundo.
-O progama de Acção, onde se enumeram as medidas a tomar para reestabelecer o
equilíbrio Norte/Sul.
-A carta dos direitos e deveres económicos dos Estados, que pretende ser um
complemento à Derclaração Universal dos Direitos do homem, introduzido uma nova ética nas
relações internacionais.
Correntes alternativas do desenvolvimento
Os dirigentes dos países do Terceiro mundo mobiliaram os seus esforços para a política
externa, visando a alteração das relações económicas internacional.
Perantes o fracasso das teorias até esta altura dominantes, algumas organizações
internacionais preconizaram estratégias centradas na ideia de crescimento em articulação
social com vista à satisfação das necessidades básicas da população e fundamentalmente
viradas para uma política interna de desenvolvimento rural integrado.
Segundo esta corrente, as políticas económicas deveriam ter como objectivos
fundamentais os seguintes:
1- Aumento do poder de compra da população mais pobre.
2- Aumento da produtividade.
3- Adopção de tecnologias que favoreçam o emprego.
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4- Aposta em sectores criados de emprego e que induzissem efeitos sobres grupos
marginalizados exemplo: construção civil.
5- Esboço de reformas agrárias.
Por outro lado, a ciência Económica procura investigar factores explicativos da relação
crescimento /desenvolvimento, através de indicadores muito variados.
Um estudo de 1973/74 (Adelman e Morris) isolou um conjunto de factores considerados
decisivos para a explicação da relação crescimento/desenvolvimento:
1- Grau de desenvolvimento dos humanos.
2-Abundância de recursos naturais.
3- Grau de intervenção do Estado.
4- Grau de dualismo existente.
5- Importância das instituições económicas.
6- Grau de participação política das populações.
Algumas Correntes alternativas do desenvolvimento
Desenvolvimento Intergrado- Preconiza que o desenvolvimento exige o crescimento
articulado dos diferentes sectores: agricultura e indústria, o económico e o social.
Desenvolvimento Socioeconómico ou apenas Desenvolvimento, o planeamento deveria
abranger não só o económico como também as actividades que influenciam directamente a
satisfação das necessidades.
Desenvolvimento Unificado- conceito largamento utilizado pela ONU nos anos 70 do
século xx apresenta como objectivo a eliminação da pobreza, pondo a tónica na repartição da
riqueza.
Defende a organização de todos os esforços de desenvolvimeto num conjunto intergrado
de acções orientadas para melhorar as condições de vida das massas mais pobres deste mundo.
Decodesenvolmento- Corrente nascida dos movimentos de contestação das formas de
crescimento económico que degradam o meio ambiente, destruindo abusivamente recursos não
renováveis. Reclama um desenvolvimento alternativo a nível mundial, que tenha em atenção os
limetes de degradação dos recursos e do ambiente.
Trata-se de um conceito de desenvolviento que tem sido promvido pelo Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Desenvolvimento autónomo ou autocentrado-Denunciam a situação de dependência
em que se encontra a generalidade das economias subdesenvolvidas, defende que cada
sociedade tem direito de ser responsável pelo seu próprio desenvolvimento, o qual deve
assentar na mobilização das potencialidades dos seus habitantes, tendo em atenção os seus
recursos e a sua herança cultural.
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Anos 80 do século XX
A Década Perdida
Os anos 80 do século XX foram anos de crise económico- anos em que a atenção se
centrava prioritariamente sobre a reforma económica e o crescimento, através de instrumentos
de política macroeconómica. Assim, os orçamentos foram equilibradas à custa de
desequilíbrios na vida das populações. Com efeito, o financiamento do crescimento através dos
empréstimos elevados, contraídos nos anos anteriores e destinados a financiar projecto
ambiciosos, gerou graves problemas.
As crises que explodiram nos finais dos anos 70 do século XX vão agravar-se com o
abrandamento da actividade económica no início do anos 80 do século XX. Os mercadores
mundiais vão ser abalados com o 2 choque petrolífero.
Os números da pobreza são terríveis e a problemática alarga-se, embora se deva salientar
que o conceito de pobreza é relativo.
1-Nos PVD 1,4 mil milhões de pessoas são consideradas pelo Banco Mundial abaixo do
limiar de subsistência.
2-Na CE constata-se a existência de 50 milhões de pobres.
3-Nos EUA considera-se que 15% da população total está abaixo do limiar da pobreza.
Perante o insucesso das políticas seguida, a década de 80 do século XX é designada como
década perdida para desenvolvimento.
O desenvolvimento sustentável
O conceito de desenvolvimento sustentável é introduzido, pela primeira vez, em 1987
no relatório da Comissão Mundial do Ambiente e do Desenvolvimento. A ideia –chave é que o
desenvolvimento sustentável é aquele cuja finalidade é a sastifação das necessidades básicas
da populações, impondo, ao mesmo tempo, limites ao uso dos recursos, de modo a não pôr
em causa a sobrevivência das gerações futuras.
O desenvolvimento sustentável implica um processo de desenvolvimento, impõe-se a
adopção de estratégias de desenvolvimento ecologicamente correctas e a intensificação da
cooperação internacional, uma vez que os problemas ambientais ultrapassam as fronteiras
nacionais.
Os objectivos primordiais para a política ecológica e de desenvolvimento que decorreram
do conceito de desenvolvimento sustentável são:
1-Reactivar o crescimento;
2-Alterar a qualidade do crescimento;
3-Dar satisfação às necessidades essenciais nos campos do emprego, alimentação,
energia, água e saneamento;
4-Manter a população num número sustentável;
5-Conservar a base dos recursos;
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6-Reorientar a tecnologia e atenuar os riscos;
7-Intergrar o ambiente e a economia na tomada de decisões.
Anos 90 do século XX
No âmbito do programa das Nações Unidas para o desenvolvimento (PNUD), surge um
conceito novo -Desenvolvimento Humano– definido como um processo que permite o
alargamento do leque de escolhas que são oferencidas ao indivíduo: saúde, educação, emprego,
condições de vida e gozo das liberdades económicas e políliticas.
O relatório Mundial sobre o Desenvolvimento Humano, que o (PNUD) vem publicando
anualmente, constitui um ponto de partida importante para a pesquisa.
O Desenvolvimento Humano Centrado no Homem
Hoje parece ser já possível assentar algumas ideias-chaves acerca do desenvolvimento:
-O desenvolvimernto não pode estar divorciado do crescimento.
-O desenvolvimento não se restringe apenas nas a uma orientação para os grupos mais
débeis.
-O desenvolvimento não se restringe a sectores: é uma estratégia para o
Desenvolvimento Humano Durável e Sustentado no tempo. O que exige:
1-Eliminação da pobreza.
2-Diminuição do crescimento demográfico.
3-Gestação racional dos recursos.
4-Melhoria do nível de instrução e formação.
5-Sistema de trocas mais equitativo.
6-Governo descentralizado e participado.
O IDH deve ser tomado por aquilo que é: um instrumento de medida dinâmico que
se afirma progressivamente e não como um indicador acabado.
Embora constituindo um contributo importante para o estudo da problemática do
desenvolvimento, levando abadonar a ideia de que maior rendimento signifia mais
desenvolvimento, é preciso ter consciência da relatividade destes estudos. Asim, quando se
tenta medir o desenvolvimento a nível mundial, surgem, desde logo, duas dificuldades: a
multidimensionalidade dos problemas e o carácter nornativo que tudo isto tem.