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Ética Deontológica de Immanuel Kant e Mill

A ética deontológica de Kant enfatiza que o valor moral de uma ação reside na intenção e no cumprimento do dever, independentemente das consequências. O imperativo categórico estabelece normas universais que todos devem seguir, enquanto a ética utilitarista de Mill foca nas consequências das ações, buscando promover a maior felicidade para o maior número. Ambas as abordagens têm suas críticas, mas contribuem significativamente para a discussão sobre moralidade e ética.
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Ética Deontológica de Immanuel Kant e Mill

A ética deontológica de Kant enfatiza que o valor moral de uma ação reside na intenção e no cumprimento do dever, independentemente das consequências. O imperativo categórico estabelece normas universais que todos devem seguir, enquanto a ética utilitarista de Mill foca nas consequências das ações, buscando promover a maior felicidade para o maior número. Ambas as abordagens têm suas críticas, mas contribuem significativamente para a discussão sobre moralidade e ética.
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Ética Deontológica de Immanuel Kant

1. Fundamentos da Ética Kantiana

A ética de Kant é deontológica, ou seja, baseada no dever (do grego deon).


O valor moral de uma ação não reside nas suas consequências, mas na intenção com que é
realizada.
A moralidade deve basear-se na razão prática e ser válida universalmente, para todos os
seres racionais.

2. Tipos de Ações

Kant distingue três tipos principais:

1. Ações contrárias ao dever


São imorais, mesmo que resultem em consequências positivas.
Ex: roubar para alimentar os pobres.
2. Ações em conformidade com o dever, mas por interesse ou inclinação
São legalmente correctas, mas sem valor moral.
Ex: ajudar alguém apenas por simpatia ou para obter algo em troca.
3. Ações feitas por dever
Estas são verdadeiramente morais.
São praticadas por respeito à lei moral, independentemente das inclinações ou
interesses.

3. A Boa Vontade

É o único bem absoluto para Kant.


Uma pessoa age com boa vontade quando cumpre o dever por dever, e não por medo,
recompensa ou emoção.
Importa a intenção, não o resultado da ação.

“Uma boa vontade não é boa pelo que realiza ou pelo que é capaz de realizar, mas apenas pelo
querer.”

4. O Imperativo Categórico

É a lei moral universal, que todos os seres racionais devem seguir.

Diferença importante:

Imperativo Hipotético: “Se quiseres X, deves fazer Y” (condicional).


Imperativo Categórico: “Deves fazer Y” (incondicional e universal).

5. Fórmulas do Imperativo Categórico


a) Fórmula da Lei Universal

“Age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne
uma lei universal.”

Antes de agir, deves perguntar:


“E se toda a gente agisse assim?”
Se a tua ação não puder ser universalizada sem contradição, então não é moral.

b) Fórmula da Humanidade como Fim em Si Mesmo

“Age de tal maneira que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer
outro, sempre ao mesmo tempo como fim e nunca simplesmente como meio.”

As pessoas têm valor absoluto (dignidade).


Nunca se deve instrumentalizar o outro – ou seja, usá-lo como mero meio para atingir fins.

c) Fórmula da Autonomia

“Age de tal maneira que a tua vontade possa encarar-se a si mesma, ao legislar universalmente,
como simultaneamente sujeita e legisladora.”

O ser racional é autónomo: ele cria as leis morais através da razão e obedece-lhes
livremente.
A liberdade moral é autonomia da vontade.

6. Conceitos-Chave Adicionais

Dever: cumprir a lei moral por respeito a ela.


Máxima: princípio subjetivo de ação (a tua intenção ou regra pessoal).
Liberdade: para Kant, é a capacidade de agir segundo leis racionais e não por impulsos ou
desejos.
Dignidade: valor intrínseco dos seres humanos por serem racionais e livres – não têm
"preço".

7. Críticas à Ética Kantiana

a) Rigidez e Formalismo

A aplicação rigorosa da moral kantiana pode ser excessivamente inflexível.


Ex: segundo Kant, é imoral mentir mesmo para salvar uma vida, pois a mentira não pode
ser universalizada.

b) Desconsideração das Consequências

Não leva em conta o impacto real da ação.


Muitos filósofos consideram que as consequências também têm valor moral, como os
utilitaristas (ex: John Stuart Mill).
c) Falta de consideração pelos sentimentos

Desvaloriza os aspectos emocionais da moralidade, como a empatia, o amor ou a


compaixão.
Para Kant, uma ação feita por compaixão não tem valor moral se não for motivada pelo
dever.

d) Dificuldade prática na formulação das máximas

Nem sempre é fácil definir qual é a máxima da ação nem se ela pode ou não ser
universalizada.

8. Contribuições da Ética Kantiana

Universalidade e racionalidade da moral.


Defesa da dignidade humana e da liberdade como autonomia.
Base para os direitos humanos modernos e ética secular.
Rejeição do relativismo moral.

Ética Utilitarista de John Stuart Mill


1. Fundamentos do Utilitarismo

O utilitarismo é uma ética consequencialista: o valor moral de uma ação depende das
suas consequências.
A ideia central é o princípio da utilidade ou princípio do maior bem:
“A ação moralmente correcta é aquela que promove a maior felicidade possível para o
maior número de pessoas.”
John Stuart Mill (1806–1873) reformula e desenvolve o utilitarismo iniciado por Jeremy
Bentham.

2. A Felicidade como o Bem Supremo

Para Mill, a felicidade é o prazer e a ausência de sofrimento.


É o único fim desejável em si mesmo; todos os outros fins são valiosos apenas na medida
em que contribuem para a felicidade.

“A felicidade é o único fim desejável como fim em si mesmo, e tudo o mais é desejado como
meio para esse fim.”

3. Quantidade e Qualidade dos Prazeres

Ao contrário de Bentham (que falava apenas da quantidade de prazer), Mill introduz a


distinção entre prazeres superiores e inferiores:
Prazeres superiores: intelectuais, morais, culturais (ex: ler, pensar, criar).
Prazers inferiores: físicos ou sensoriais (ex: comer, beber, descanso).
“É melhor ser um ser humano insatisfeito do que um porco satisfeito.”

A qualidade dos prazeres é medida pela preferência daqueles que já experimentaram


ambos.

4. A Moralidade como Bem Público

A moral, para Mill, deve promover a felicidade colectiva, não apenas a individual.
O agente moral deve ser imparcial e considerar os interesses de todos os afectados pela
ação.
Surge aqui a noção de benevolência universal: todos contam por igual.

5. Liberdade e Responsabilidade

Mill também escreveu “Sobre a Liberdade”, onde defende a liberdade individual como
condição da felicidade.
As pessoas devem ser livres para procurar a sua felicidade desde que não prejudiquem os
outros (princípio do dano).
A liberdade e a responsabilidade pessoal são compatíveis com o utilitarismo.

6. Críticas à Ética de Mill

a) Redução do bem moral ao prazer

Muitos consideram redutor definir a felicidade apenas como prazer e ausência de dor.
Outros bens morais, como a justiça, a verdade ou a dignidade, não podem ser reduzidos
ao prazer.

b) Dificuldade em medir e comparar prazeres

Como avaliar se um prazer é maior ou melhor que outro?


Como pesar prazeres de pessoas diferentes?

c) Sacrifício dos direitos individuais

Se uma ação causa mais felicidade geral, mas prejudica gravemente um inocente, ela
seria moral?
O utilitarismo pode justificar injustiças, opressão de minorias ou violações de direitos,
em nome do “bem maior”.

d) Imparcialidade excessiva e exigente

O princípio da imparcialidade obriga o agente moral a considerar os interesses de todos


igualmente — mesmo de desconhecidos.
Isso pode ser psicologicamente e praticamente inviável.

e) Consequências imprevisíveis
As ações são julgadas pelas suas consequências, mas muitas vezes não sabemos quais
serão.
Isso torna o cálculo utilitarista incerto e sujeito a erro.

7. Contribuições Positivas da Ética Utilitarista

Importância das consequências e da preocupação com o bem-estar geral.


Ênfase na felicidade humana como valor central da moralidade.
Influência em áreas como políticas públicas, economia, bioética, direitos dos animais, etc.
É uma ética laica, racional e democrática, com foco na promoção do bem comum.

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