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Geografia-Geopolítica Mundial-20238d3d9ca0f42f6-1

O documento aborda a evolução das ordens mundiais, destacando a transição da Velha Ordem Mundial, marcada pela bipolaridade entre EUA e URSS durante a Guerra Fria, para a Nova Ordem Mundial pós-1991, caracterizada por uma economia multipolar e a ascensão do neoliberalismo. A Guerra Fria foi definida por conflitos indiretos e a divisão do mundo em blocos, enquanto a Nova Ordem trouxe a globalização e a influência dos EUA. O texto também menciona a importância de eventos como a queda do Muro de Berlim e a criação de alianças militares como a OTAN e o Pacto de Varsóvia.
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O documento aborda a evolução das ordens mundiais, destacando a transição da Velha Ordem Mundial, marcada pela bipolaridade entre EUA e URSS durante a Guerra Fria, para a Nova Ordem Mundial pós-1991, caracterizada por uma economia multipolar e a ascensão do neoliberalismo. A Guerra Fria foi definida por conflitos indiretos e a divisão do mundo em blocos, enquanto a Nova Ordem trouxe a globalização e a influência dos EUA. O texto também menciona a importância de eventos como a queda do Muro de Berlim e a criação de alianças militares como a OTAN e o Pacto de Varsóvia.
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Geografia

Geopolítica: da Velha a Nova Ordem Mundial

Teoria

O que são ordens mundiais?

No início do século XX devido aos avanços tecnológicos nos transportes e nas comunicações foi
possível estabelecer um maior intercâmbio entre os países e, assim, começou-se a desenhar uma
ordem geopolítica mundial. Essa ordem significa uma relação de força e poder entre os Estados em
um nível global. Entretanto, nessa escala internacional, é importante destacar que nem todos os
Estados são iguais. Alguns possuem maior território, população, riquezas, poderio econômico e
militar, enquanto outros, nem tanto. Assim, existe uma hierarquia entre os Estados e chamamos
aqueles mais “poderosos” de grandes potências mundiais.

Logo, as ordens mundiais podem durar décadas com certos países na sua liderança, e vão sofrendo
alterações ao longo do tempo. Por exemplo, do início do século XX até a Segunda Guerra Mundial,
poderíamos falar de uma ordem multipolar, com múltiplas potências na sua liderança, como Reino
Unido, França, Estados Unidos, Alemanha e Japão. Porém, existia um certo equilíbrio entre elas e
nenhuma era forte o bastante para subjugar as outras. Essa ordem que se estabeleceu até o período
da Segunda Guerra Mundial não é muito estudada no ensino médio, pois muitas vezes entende-se
que era um contexto muito limitado. Assim, boa parte dos nossos estudos focam nas duas ordens
mundiais seguintes que iremos abordar logo abaixo.

Velha Ordem Mundial e a Guerra Fria (1947 – 1991)

Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a antiga ordem mundial, que falamos acima,
desmoronou, originando uma outra ordem mundial, que, hoje, chamamos de Velha Ordem Mundial.
No pós-Segunda Guerra Mundial, os impérios coloniais europeus foram ruindo, com diversos países
se tornando independentes, ao mesmo tempo que o desenvolvimento bélico do período, com a
invenção da bomba atômica, levou os Estados Unidos ao patamar de superpotência, que logo foi
alcançado pela União Soviética. Assim, criou-se uma ordem mundial dominada por duas
superpotências nucleares. É por isso que, para se referir à Velha Ordem, utilizamos o termo bipolar,
dois polos de poder. Esse período também é denominado Guerra Fria (1947-1991), pois o mundo
estava dividido em dois blocos político-militares: o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos,
e o bloco comunista, liderado pela União Soviética.
Geografia

As disputas entre EUA e URSS

Esse conflito ocorreu de forma indireta e as respectivas potências nunca entraram em conflito
direto. Tal condição decorre do que ficou conhecido como Destruição Mútua Assegurada, em
inglês, Mutual Assured Destruction (MAD – loucura). A capacidade nuclear dessas duas
superpotências era tão grande que um conflito direto significaria destruição de todo o planeta pela
utilização desse arsenal. Assim, o conflito desenvolveu-se a partir da criação de órgãos
internacionais associados às potências e através da busca por áreas de influência.

No campo militar, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) correspondia à aliança


criada pelos Estados Unidos, que, em caso de ataque, garantia a defesa dos países membros. O
Pacto de Varsóvia era o proporcional criado pela União Soviética. No campo econômico, a União
Soviética criou o Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comicon), com o objetivo de
fortalecer a economia dos países socialistas do Leste Europeu. Economicamente, os Estados
Unidos ficaram conhecidos por lançar diversos planos econômicos, como o Plano Marshall, para a
Europa, e o Plano Colombo, para o Japão e os Tigres Asiáticos.

É nesse contexto que se observa a divisão do mundo em blocos alinhados com uma ou outra
superpotência. Importante frisar que essas divisões territoriais implicavam no exclusivo apoio,
militar e comercial, à doutrina escolhida. Os países capitalistas só comercializavam com os
Estados Unidos e com os demais países capitalistas, e vice e versa, além de disporem da utilização
do poderio militar para eventuais conflitos diretos.
Geografia

Um exemplo dessa divisão foi a Cortina de Ferro, uma divisão simbólica da Europa entre ocidente,
defendendo o capitalismo, e oriente ou leste europeu, defendendo o comunismo

(Fonte: https://istoe.com.br/a-cortina-de-ferro-fronteira-e-simbolo-da-guerra-fria/)

Outra fragmentação territorial que ocorreu numa escala diferente, também na Europa, foi a criação
de uma fronteira física dentro da Alemanha. Construído em 1961, o Muro de Berlim foi a
manifestação física dessa separação. Inicialmente, com a derrota alemã na Segunda Guerra
Mundial, os países Aliados dividiram a Alemanha em quatro zonas, ocupadas pelos Estados Unidos,
Grã-Bretanha, França e União Soviética. A capital alemã, Berlim, também foi dividida entre as quatro
potências.

As relações entre a União Soviética e os outros três países Aliados, capitalistas, logo passaram de
amistosas para agressivas e a Alemanha acabou. A parte oriental, socialista, corresponde à
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República Democrática Alemã (RDA). Já a parte ocidental, capitalista, corresponde à República


Federal Alemã (RFA). A cidade de Berlim também foi dividida em duas, seguindo a mesma lógica
do país.

Alemanha e Berlim divididas entre capitalismo e socialismo.


(Fonte: https://destinoberlim.com.br/2020/11/11/muro-de-berlim-3/wall16/)

Importante, aqui falamos de duas divisões que geralmente os alunos confundem. Então, se liga:
• Cortina de Ferro: divisão simbólica da Europa entre ocidente, defendendo o capitalismo, e
oriente, defendendo o comunismo;
• Muro de Berlim: divisão física e material, um muro erguido que dividiu a cidade de Berlim, na
Alemanha. Manifestação física dessa separação.

A hegemonia dos Estados Unidos

Tais disputas representaram um grande gasto econômico para essas potências. O desenvolvimento
das tecnologias de comunicação e transporte no período da Guerra Fria viabilizaram verdadeiras
transformações no campo produtivo. Uma delas é o desenvolvimento do Toyotismo e a outra, a
ascensão do Vale do Silício, o mais importante tecnopolo americano no contexto da Terceira
Revolução Industrial. Ele abriga grandes empresas do setor de informática e telecomunicações,
além de estar atrelada a universidades, captando mão de obra super qualificada para as pesquisas
de mercado atuais. É possível afirmar que em grande parte, a Terceira Revolução Industrial é um
fruto da corrida desenvolvimentista da Guerra Fria.

Enquanto os EUA modernizavam o que hoje é conhecido como Vale do Silício, a União Soviética
continuava investindo no setor bélico, por medo de um conflito. A década de 1980 foi caracterizada
por grandes turbulências dentro da URSS e, assim, em uma última tentativa de respiro, o então líder
da superpotência comunista, Mikhail Gorbachev, lança mão de dois planos de mudanças: A
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Perestroika (reestruturação), destinada a descentralizar a economia e torná-la mais eficiente; e a


Glasnost (transparência), uma política de abertura e diálogo no trato das questões políticas e
sociais, contra a corrupção e a ineficiência na administração e com propostas de maior liberdade
nas diversas esferas da vida soviética.

Porém, tais mudanças não deram certo e para os soviéticos a concentração de investimentos no
setor bélico não gerou grande desenvolvimento e sim grandes crises econômicas, o que
desencadeou o fim da União Soviética, em 1991. A queda do Muro de Berlim, em 1989, é outro fato
destacado por muitos historiadores para simbolizar o fim da Guerra Fria.

Nova Ordem Mundial (1991 – atual)

Com o fim da União Soviética, o esgotamento das


economias planificadas e a expansão do capitalismo,
começou a se observar o surgimento de novos polos
mundiais de poder com base na economia, como a União
Europeia, o Japão e, recentemente, a China e outros
países emergentes. Com isso, formou-se uma Nova
Ordem Mundial, que alguns estudiosos defendem que, do
ponto de vista econômico, é multipolar, enquanto outros
explicam que, do ponto de vista militar, é uma ordem
unipolar, devido à superioridade bélica dos Estados
Unidos. Assim, por causa dessa polêmica, existe um
termo muito bom que explica essa Nova Ordem Mundial,
que é o termo unimultipolar (uni, do ponto de vista militar,
e multi, do ponto de vista econômico).

Com o Toyotismo e o desenvolvimento das tecnologias de comunicação e transporte ao redor do


mundo, somados à abertura dos mercados para todos os países, há uma intensificação dos fluxos
internacionais de mercadorias, pessoas, capitais, acordos.... configurando um período de
fortalecimento da globalização. Muitos autores consideram que a Globalização começa aqui. A
Nova Ordem Mundial se associa também ao Neoliberalismo e à desregulamentação econômica.
Empresas antes locais passam a poder comercializar em diversos países, se tornando
transnacionais, alcance esse viabilizado pelo desenvolvimento tecnológico. Nesse novo mundo, era
demandado um sistema que retomasse a liberdade empresarial.

É assim que surge o Consenso de Washington, no qual o FMI recomenda que países emergentes
abram seus mercados e adotem o Neoliberalismo, a fim de reorientar gastos públicos, privatizar
empresas públicas, eliminar barreiras fiscais para investimento estrangeiro, desregulamentar
mercados e proteger a propriedade privada. Isso colocou muitos países subdesenvolvidos em uma
condição problemática a médio prazo no comércio internacional. Os EUA vão guiar esse processo
de globalização cultural e econômica, sobretudo em primeiro momento, o que explica sua influência
ao redor do mundo até os dias de hoje.
Geografia

Exercícios

1. (Encceja, 2018) Os anos que vão do lançamento das bombas atômicas até o fim da União
Soviética não formam um período homogêneo na história do mundo. Apesar disso, a história
desse período foi reunida sob um padrão único pela situação internacional peculiar que o
dominou até a queda da URSS: o constante confronto das duas superpotências que
emergiram da Segunda Guerra Mundial na chamada “Guerra Fria”.
(HOBSBAWM, E. A era dos extremos. O breve século XX, 1914-1991. São Paulo: Cia. das Letras, 1995 (adaptado).)

O autor reconhece que a característica fundamental do período mencionado é a


(A) fragilidade dos países socialistas.
(B) bipolaridade da economia mundial.
(C) regionalização dos conflitos militares.
(D) criação da Organização das Nações Unidas.

2. Os 45 anos que vão do lançamento das bombas atômicas até o fim da União Soviética não
foram um período homogêneo único na história do mundo. [...] Dividem-se em duas metades,
tendo como divisor de águas o início da década de 70. Apesar disso, a história deste período
foi reunida sob um padrão único pela situação internacional peculiar que o dominou até a
queda da União Soviética.
(HOBSBAWM, Eric J. A era dos extremos. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.)

O período citado no texto e conhecido por Guerra Fria pode ser definido como aquele
momento histórico em que houve:
(A) corrida armamentista entre as potências imperialistas europeias ocasionando a Primeira
Guerra Mundial.
(B) domínio dos países socialistas do Sul do globo pelos países capitalistas do Norte.
(C) choque ideológico entre a Alemanha Nazista/União Soviética Stalinista, durante os anos
1930.
(D) disputa pela supremacia da economia mundial entre o Ocidente e as potências orientais,
como a China e o Japão.
(E) constante confronto das duas superpotências que emergiram da Segunda Guerra
Mundial.
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3. “... foi um período em que a guerra era improvável, mas a paz era impossível. A paz era
impossível porque não havia maneira de conciliar os interesses de capitalistas e comunistas.
Um sistema só poderia sobreviver à custa da destruição total do outro. E a guerra era
improvável porque os dois blocos tinham acumulado tamanho poder de destruição, que se
acontecesse um conflito generalizado seria, com certeza, o último...”
O texto descreve uma problemática que, na história recente da humanidade,
(A) identifica as tensões internacionais durante a Revolução Russa.
(B) ilustra as relações americano-soviéticas durante a Guerra Fria.
(C) caracteriza o panorama mundial durante a Guerra do Golfo Pérsico.
(D) revela o perigo da corrida armamentista durante a Revolução Chinesa.
(E) explica os movimentos pacifistas no Leste Europeu durante a Guerra do Vietnã.

4. “Configuração política internacional que caracterizou a Guerra Fria (do final da Segunda
Guerra Mundial a 1989-1991), centrada em dois Estados, os Estados Unidos e a URSS, aos
quais, de modo mais ou menos consentido, os demais Estados alinharam-se militar, política
e ideologicamente".
(DURAND, Marie-Françoise. Atlas da mundialização: compreender o espaço mundial contemporâneo. São Paulo: Saraiva.)

A que importante período da Geopolítica Mundial o texto faz referência?


(A) Liberalismo.
(B) Bipolaridade.
(C) Globalização.
(D) Macarthismo.
(E) Neoliberalismo.
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5.

(Fonte: http://futebolcomunista.blogspot.com.br/2014/07/leste-contra-oeste-historia-dos.html.
Acesso em: 01 mai. 2017.)

O cartograma apresenta a organização geopolítica de um país localizado hoje no centro do


continente europeu. O período geopolítico apresentado pelos símbolos que os representam é
o da(o)
(A) Guerra Fria.
(B) Entre Guerras.
(C) República de Weimar.
(D) Nova Ordem Mundial.
(E) Segunda Guerra Mundial.

6. Embora o aspecto mais óbvio da Guerra Fria fosse o confronto militar e a cada vez mais
frenética corrida armamentista, não foi esse o seu grande impacto. As armas nucleares nunca
foram usadas. Muito mais óbvias foram as consequências políticas da Guerra Fria.
(HOBSBAWM, E. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Cia. das Letras, 1999 (adaptado).)

O conflito entre as superpotências teve sua expressão emblemática no(a)


(A) formação do mundo bipolar.
(B) aceleração da integração regional.
(C) eliminação dos regimes autoritários.
(D) difusão do fundamentalismo islâmico.
(E) enfraquecimento dos movimentos nacionalistas.
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7. Do ponto de vista geopolítico, a Guerra Fria dividiu a Europa em dois blocos. Essa divisão
propiciou a formação de alianças antagônicas de caráter militar, como a OTAN, que aglutinava
os países do bloco ocidental, e o Pacto de Varsóvia, que concentrava os do bloco oriental. É
importante destacar que, na formação da OTAN, estão presentes, além dos países do oeste
europeu, os EUA e o Canadá. Essa divisão histórica atingiu igualmente os âmbitos político e
econômico que se refletia pela opção entre os modelos capitalista e socialista. Essa divisão
europeia ficou conhecida como
(A) Cortina de Ferro.
(B) Muro de Berlim.
(C) União Europeia.
(D) Convenção de Ramsar.
(E) Conferência de Estocolmo.

8. O papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) alterou-se desde sua origem
em 1949. A Otan é uma aliança militar que se funda sobre um tratado de segurança coletiva,
o qual, por sua vez, indica a criação de uma organização internacional com o objetivo de
manter a democracia, a paz e a segurança dos seus integrantes. No começo dos anos de
1990, em função dos conflitos nos Bálcãs, a Otan declarou que a instabilidade na Europa
Central afetava diretamente a segurança dos seus membros. Foi então iniciada a primeira
operação militar fora do território dos países-membros. Desde então ela expandiu sua área de
interesse para África, Oriente Médio e Ásia.
(BERTAZZO, J. Atuação da Otan no Pós-Guerra Fria: implicações para a segurança nacional e para a ONU. Contexto
Internacional, Rio de Janeiro, jan.-jun. 2010 (adaptado).)

Os objetivos dessa organização, nos diferentes períodos descritos, são, respectivamente:


(A) Financiar a indústria bélica - garantir atuação global.
(B) Conter a expansão socialista - realizar ataques preventivos.
(C) Combater a ameaça soviética - promover auxílio humanitário.
(D) Minimizar a influência estadunidense - apoiar organismos multilaterais.
(E) Reconstruir o continente devastado - assegurar estabilidade geopolítica.
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9.

(Fonte: LÉVY et al. {1992), atualizado.)

“O espaço mundial sob a “nova des-ordem” é um emaranhado de zonas, redes e


“aglomerados”, espaços hegemônicos e contra-hegemônicos que se cruzam de forma
complexa na face da Terra. Fica clara, de saída, a polêmica que envolve uma nova
regionalização mundial. Como regionalizar um espaço tão heterogêneo e, em parte, fluido,
como é o espaço mundial contemporâneo?”
(HAESBAERT, R.; PORTO-GONÇALVES, C.W. A nova des-ordem mundial. São Paulo: UNESP, 2006.)

O mapa procura representar a lógica espacial do mundo contemporâneo pós-União Soviética,


no contexto de avanço da globalização e do neoliberalismo, quando a divisão entre países
socialistas e capitalistas se desfez e as categorias de “primeiro” e “terceiro” mundo perderam
sua validade explicativa. Considerando esse objetivo interpretativo, tal distribuição espacial
aponta para
(A) a estagnação dos Estados com forte identidade cultural.
(B) o alcance da racionalidade anticapitalista.
(C) a influência das grandes potências econômicas.
(D) a dissolução de blocos políticos regionais.
(E) o alargamento da força econômica dos países islâmicos.
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10. Produto do fim da Guerra Fria, a Convenção sobre a Proibição das Armas Químicas (CPAQ)
marcou um momento novo das relações internacionais no campo da segurança. Aberta para
assinaturas em Paris, em janeiro de 1993, após cerca de duas décadas de negociações na
Conferência do Desarmamento em Genebra, a CPAQ entrou em vigor em abril de 1997. Ao
abrir a I Conferência dos Estados-Partes na CPAQ, em Haia, o secretário-geral da ONU, Kofi
Annan, descreveu o evento como um “momentoso ato de paz”. Disse: “O que vocês fizeram
com sua livre vontade foi anunciar a essa e a todas as futuras gerações que as armas
químicas são instrumentos que nenhum Estado com algum respeito por si mesmo e nenhum
povo com algum senso de dignidade usaria em conflitos domésticos ou internacionais”.
(BUSTANI, J. M. A Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas: trajetória futura.
Parcerias Estratégicas, n. 9, out. 2000.)

O que a Convenção representou para o cenário geopolítico mundial?


(A) Esgotamento dos pactos bélicos multilaterais.
(B) Restrição aos complexos industriais militares.
(C) Enfraquecimento de blocos políticos regionais.
(D) Cerceamento às agências de inteligência estatal.
(E) Desestabilização das empresas produtoras de munições.
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Gabaritos

1. A
O êxodo de população do Afeganistão descrito no texto decorre da invasão e ocupação norte-
americana desse país, no contexto pós-11 de setembro. Tal ocupação gerou uma guerra no
país seguida de grande instabilidade política, o que explica essa migração de refugiados.

2. E
A Guerra Fria foi marcada por ser o período de disputa indireta entre as duas potências do pós-
Segunda Guerra Mundial. Como as potências europeias tiveram grandes prejuízos humanos e
materiais no período do conflito, coube aos Estados Unidos e à URSS a disputa pela hegemonia
mundial.

3. B
O trecho apresentado retrata a tensão que existia no período da Guerra Fria, em que ambas as
potências envolvidas (Estados e URSS) sabiam que um possível embate direto ocasionaria
efeitos devastadores e, portanto, as disputas eram em outras esferas, espacial e armamentista,
por exemplo.

4. B
O sistema internacional de poder da Guerra Fria se dá pela bipolaridade entre Estados Unidos
e URSS, marcada pela oposição bélica e ideológica.

5. A
O mapa mostra a nação alemã dividida em dois Estados com orientação política e ideológica
diferentes durante o período da Guerra Fria. Na porção oeste, a Alemanha Ocidental (capitalista)
e na porção leste, a Alemanha Oriental (socialista).

6. A
O conflito destacado pelo texto teve sua expressão emblemática na formação do mundo
bipolar. O período em questão se estende do pós-2ª guerra até a década de 1990 e foi marcado
pela bipolarização do poder, contrapondo Estados Unidos (bloco capitalista) e União Soviética
(capitalista e socialista) como potências hegemônicas.

7. A
Winston Churchill, então primeiro-ministro britânico, foi o primeiro a citar a expressão “Cortina
de Ferro” para se referir ao avanço do socialismo soviético sobre a Europa, que ficou dividida à
leste sob influência socialista e à oeste sob influência capitalista, no contexto da Guerra Fria.

8. B
Criada em 1949, a OTAN tinha como objetivo conter o expansionismo socialista e servindo de
aliança militar caso algum país do bloco capitalista fosse atacado, o que é referenciado na
primeira metade do texto. Atualmente, a organização continua existindo, mas reforça os
interesses geopolíticos das potências ocidentais, em outras áreas do planeta, inclusive
realizando ataques militares, como em alguns conflitos no Oriente Médio.
Geografia

9. C
O mapa propõe-se a espacializar as novas relações de poder na Nova Ordem Mundial,
estabelecida no contexto pós-Guerra Fria. A complexificação dessas relações fica visível no
mapa chamado de nova “des-ordem” mundial. Ao analisar cuidadosamente essas relações,
percebe-se que os países dominantes acabam por regular os demais aspectos a partir de
algumas áreas de influência das grandes potências econômicas.

10. B
Ao proibir a proliferação de armas químicas, que mudaram a geopolítica internacional, no
sentido de reconfigurar espacialmente as formas de se fazer a guerra, há a tentativa de
restringir o desenvolvimento do setor industrial bélico-militar.

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