Uma Análise Dos Indicadores, Facilitadores
Uma Análise Dos Indicadores, Facilitadores
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
ARTIGO
LARISSA CARNIEL1
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5287-7638
<[email protected]>
TOBIAS ESPINOSA1
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6958-8274
<[email protected]>
LEONARDO HEIDEMANN1
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5143-6275
<[email protected]>
1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil.
1
Artigo publicado com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq/Brasil
para os serviços de edição, diagramação e conversão de XML.
2
Editora-Chefe participante do processo de avaliação por pares aberta: Suzana dos Santos Gomes
ABSTRACT: The concept of engagement is polysemic in literature, often used informally and without
precise definitions. Given its widespread use in the educational context, it is essential to clarify the
meanings attributed to this term in the research field. This systematic literature review aims to elucidate
this polysemy by identifying conceptions, models, indicators, facilitators, and measurement methods of
student engagement. Methodologically, we conducted an analysis of previously published literature
reviews on the topic. The search was conducted in the Scopus and Web of Science databases, and after
filtering processes, we selected 52 articles to form the corpus. As a result, we identified four main
perspectives on student engagement in literature: behavioral, psychological, sociocultural, and integrative.
Additionally, we found 18 facilitators, which we classified into four categories: supportive teacher-student
relationships (the most frequent), teaching practices, environmental elements, and personal factors. We
also identified six measurement methods, with observation being the most recommended and
questionnaires the most used in research. Besides providing a comprehensive perspective on how the
concept of student engagement is explored in educational research, which is highly valuable, especially
for researchers newly interested in the area, the categorized results of this literature review also offer
guidance for implementing pedagogical practices that foster student engagement, which are crucial for
both teachers and teacher training.
INTRODUÇÃO
Quando um aluno demonstra participação e colaboração com os colegas durante as aulas é
comum atribuir-lhe os adjetivos “engajado” ou “motivado”. No entanto, quando esse mesmo aluno não
demonstra interesse em estudar fora da sala de aula ou em aprofundar seus conhecimentos, ainda
podemos caracterizá-lo como engajado ou motivado? Há uma distinção significativa entre os dois
termos?
Um aluno pode estar motivado internamente, com um forte desejo de aprender, mas ainda
assim não se engajar nas atividades acadêmicas. Por outro lado, um aluno pode estar engajado nas tarefas
e dinâmicas de sala de aula, sem necessariamente ter uma motivação profunda ou interesse genuíno pela
disciplina. Fica claro, portanto, que estar motivado e engajado são duas condições distintas e entender
essa distinção é importante, especialmente, por duas razões. A primeira delas é em relação à clareza
necessária sobre esses termos e a especificação de qual modelo/perspectiva se está adotando para o
desenvolvimento da pesquisa educacional (e.g., Reschly & Christenson, 2022; Wong & Liem, 2022;
Martin et al., 2017). A segunda é para que possamos agir de modo mais consciente em ambientes
educacionais, pois um aluno pode estar motivado, mas não ter as condições (e.g., tempo, recursos)
necessárias para engajar-se. Portanto, para um professor em sala de aula, da mesma forma é importante
entender essas diferenças para identificar adequadamente as necessidades dos alunos e oferecer o suporte
indicado para cada situação.
Além disso, para delinearmos intervenções em contextos educacionais, é relevante
entendermos como identificar o quão engajado ou não os alunos estão e como podemos fomentar o
engajamento deles. Apesar de ser um conceito polissêmico, geralmente, o engajamento estudantil refere-
se à participação ativa em atividades acadêmicas, extracurriculares e relacionadas à instituição, mostrando
compromisso com os objetivos educativos e a aprendizagem (Reschly & Christenson, 2022). Alunos
engajados valorizam o aprendizado e investem em seu presente e futuro. Esse conceito abrange diferentes
aspectos, como comportamentais, cognitivos e emocionais, sendo um construto multidimensional
(Fredricks et al., 2004).
Nesta revisão, temos, como objetivo, identificar o que é o engajamento estudantil,
considerando seus modelos, indicadores, facilitadores e métodos de mensuração em revisões de literatura.
Dessa forma, ressaltamos que a nossa revisão explora todos os aspectos investigados em contexto amplo
de engajamento estudantil (e.g., sem filtro de nível educacional e modalidade de ensino), algo que não é
encontrado no nosso corpus. Fomos dirigidos pelas seguintes questões de pesquisa: O que é engajamento
estudantil e quais são seus principais modelos, dimensões e indicadores?; Quais são os facilitadores do engajamento
estudantil?; e Como mensurar o engajamento estudantil?
Para responder a essas questões, realizamos uma busca nas bases de dados Scopus e Web of
Science, aplicando mecanismos de restrições. Utilizamos o software livre de machine learning ASReview LAB
1.2.1 especificamente para a seleção das revisões, e o software de análise de dados qualitativos Nvivo 1.5.1,
para leitura completa e possíveis exclusões. Após esses processos, selecionamos 52 artigos para compor
o corpus desta revisão de literatura.
Na sequência, apresentamos a metodologia de pesquisa empregada neste trabalho, os
resultados e as discussões e as considerações finais.
METODOLOGIA
Para alcançar o objetivo delineado, analisamos publicações disponibilizadas na base de dados
Scopus e Web of Science, abarcando artigos de revisão de literatura sobre o engajamento discente. Para isso,
utilizamos alguns mecanismos de restrições nas duas bases, buscando apenas artigos em inglês, português
ou espanhol, com os seguintes descritores nas três línguas: Engajamento, Estudante/Aluno e Revisão de
literatura/Estado da arte. A busca, realizada em 27 de setembro de 2023, resultou em 1328 estudos no
Scopus e 1226 na Web of Science. Após, realizamos a conferência de artigos duplicados e excluímos 652
estudos, restando 1802. Em seguida, usamos o software livre de machine learning para a realização de revisões
da literatura ASReview LAB 1.2.1, que, com base em palavras-chave iniciais e exemplos de artigos que se
deseja que sejam selecionados, assim como que não se deseja, fez uma triagem e rotulagem sistemática
de dados por meio de um ranqueamento dos 1802 trabalhos selecionados na primeira etapa. Nas palavras-
Educ. Rev. |Belo Horizonte|v.41|e53973|2025
4
chave não desejáveis, incluímos termos que indicassem artigos relacionados a outros tipos de
engajamento que não o estudantil ou que não são revisões de literatura (e.g., “work”, “burnout”, “case study”,
“moral disengagement”); para desejáveis, incluímos palavras que apontassem revisões de literatura (“review”).
Com isso, o software realizou um primeiro ranqueamento dos dados e pudemos realizar uma
análise de títulos e resumos de cada artigo, considerando-o ou não corpus da nossa revisão. A partir disso,
cada artigo, na ordem em que eram ranqueados pelo software, era selecionado ou rejeitado em acordo com
os critérios estabelecidos para a revisão, ou seja, na medida em que era revisão da literatura sobre
engajamento estudantil de maneira “ampla”, ou seja, que não tratasse de disciplinas ou cursos específicos,
aspectos específicos do ensino online e engajamento de outros tipos (e.g., dos pais, no trabalho). A cada
nova interação (seleção/rejeição), o software atualizava o ranqueamento apresentando, assim sendo, o
artigo (título e resumo) com mais chances de adequação às palavras-chave e pelo aceite/rejeição dos
artigos anteriores. O processo foi encerrado quando, seguindo o ranqueamento proposto, 50 artigos
foram rejeitados consecutivamente (falharam nos nossos critérios de inclusão).
Com os procedimentos realizados, selecionamos 76 artigos e rejeitamos 211 artigos, sendo,
portanto, analisados no ASReview 287 artigos. Como última análise, verificamos a indisponibilidade de
acesso de três artigos e realizamos a leitura completa dos 73 artigos, usando o software de análise de dados
qualitativos Nvivo 1.5.1. Esse processo resultou na exclusão de mais 26 artigos (nove em que o foco não
era engajamento, três que tratavam do engajamento dos pais, sete que tratavam sobre cursos ou
disciplinas específicas, três sobre aspectos específicos do ensino online, três tratavam do contexto
específico de um país e um que não era uma revisão da literatura). Ainda acrescentamos cinco artigos de
acordo com citações dos artigos revisados (Fredricks et al., 2004; Jimerson et al., 2003) ou de busca por
revisões nacionais sobre o tema no Google Acadêmico (Oliveira et al., 2023; Martins & Ribeiro, 2017;
Silva & Ribeiro, 2020). Os 52 artigos foram analisados e codificados de acordo com a seleção de trechos
relevantes do corpus em análise para responder a cada uma das questões de pesquisa, o agrupamento desses
trechos segundo categorias emergentes da análise e a descrição dessas categorias (Creswell, 2012). Com
os métodos estabelecidos, passamos à análise dos resultados obtidos e à discussão das implicações
teóricas e práticas dos achados.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Nesta seção, discutimos os resultados da análise das 52 revisões da literatura selecionadas.
Iniciamos apresentando o contexto das pesquisas, incluindo informações como a área e os níveis de
ensino investigados. Em seguida, estruturamos as discussões a partir das questões de pesquisa
apresentadas na introdução.
Do corpus da revisão, há uma maior quantidade de revisões de 2022 (n=10). Identificamos
revisões em nível: Superior (n=20), Médio (n=4), Básico (n=3), Fundamental - anos iniciais (n=2), Pós-
Graduação (n=1) e não especificado (n=22); e nas modalidades de ensino: online (n=10), híbrido (n=2),
presencial (n=1), ensino presencial, online ou híbrido (n=1) e que não especificaram (n=38). Cruzando as
informações de ano de publicação e ensino online, notamos que todos as revisões sobre engajamento
estudantil e ensino na modalidade online publicados após o início da pandemia COVID-19 (n=6; Ortega
& Irala, 2022; Salas-Pilco et al., 2022; Martin & Borup, 2022; Osama et al., 2022; Johar et al., 2023; Yang
et al., 2023) justificam-se pela identificação de um baixo engajamento se comparado ao ensino presencial
e a sua potencialidades de abordar a evasão precoce e o baixo desempenho, sendo quatro delas específicas
do ensino superior (Ortega & Irala, 2022; Salas-Pilco et al., 2022; Osama et al., 2022; Johar et al., 2023).
Em relação à origem das revisões (Quadro 1), existe uma maior concentração nos Estados
Unidos, com doze revisões sobre engajamento estudantil. O restante das publicações são de diversos
países, de todos os continentes.
Entre os artigos revisados, as dez referências mais citadas 3 são apresentadas na Quadro 2.
Constatamos que os autores mais citados são Jennifer Fredricks (12.820 citações), James
Appleton (2.980 citações) e Sandra Christenson (7.292 citações)4. Na Figura 1, apresentamos as conexões
dos autores desses artigos, considerando sua produção de estudos e contribuições de grupos de pesquisa.
3 Criamos um código em Python com as bibliotecas pandas e fuzzywuzzy para identificar os dez artigos/capítulos de livro mais
citados dessas revisões de literatura. Exportamos as referências do Scopus e, devido a variações de formatação, o código
comparou apenas os títulos dos estudos. No final, obtivemos uma lista dos estudos mais citados, com uma similaridade
superior a 80% segundo a distância de Levenshtein, e a quantidade de revisões que os mencionaram.
4 Quantidade de citações de acordo com o Scopus. Dados coletados em: 23 jul. 2024.
Figura 1 - Grafo5 que representa a colaboração entre os autores dos estudos mais citados entre o nosso
corpus de análise.
Com isso, podemos visualizar a conexão maior entre um grupo de autores, e outros dois
apenas com conexões entre si. Em seguida, apresentamos os resultados e as discussões referentes a cada
uma das questões de pesquisa.
5Um grafo é composto por vértices e arestas, representando entidades e suas conexões. Nesse contexto, o tamanho dos
vértices indica a relevância dos autores (quantidade de publicações/citações) e a largura das arestas mostra a força das
colaborações entre eles. As conexões foram baseadas apenas nos artigos mais citados, não refletindo todas as publicações de
cada autor. Por isso, o autor Finn (1989) não aparece no grafo, pois seu artigo é de autoria individual.
6O self é composto por “estruturas cognitivas que proporcionam mecanismos de referência e um conjunto de subfunções
para percepção, avaliação e regulação do comportamento” (Bandura et al., 2008, p. 50).
Engagement - NSSE (TTIU, Aprendizagem com colegas: Aprendizagem colaborativa e discussões diversas.
2021) Experiências com docentes: Interação aluno-docente e práticas de ensino efetivas.
Ambiente do campus: Qualidade das interações e ambientes de apoio.
Desafio acadêmico: Expectativas e avaliações desafiadoras.
Aprendizagem ativa: Esforços para construir conhecimento.
Interações entre alunos e funcionários: Contato e interação com corpo docente e
Australasian Survey of funcionários.
Student Engagement - Experiências educacionais enriquecedoras: Participação em atividades educativas
AUSSE (ACER, 2024). ampliadas.
Ambiente de aprendizagem de apoio: Sentimento de apoio na comunidade universitária.
Aprendizagem integrada no trabalho: Integração de experiências de trabalho com
estudos.
Engajamento afetivo: Reações emocionais a professores, colegas, acadêmicos e escola.
Meta Conceito de
Engajamento comportamental: Conduta positiva, esforço, persistência, concentração,
Engajamento Escolar
atenção e envolvimento em atividades curriculares e extracurriculares.
(Fredricks et al., 2004)
Engajamento cognitivo: Investimento psicológico na aprendizagem.
Perspectiva psicológica
periodicamente. Anualmente, a NSSE recolhe dados em centenas de cursos universitários de quatro anos
nos Estados Unidos. Esses dados abrangem a participação de alunos de primeiro e último ano e os
resultados desses levantamentos oferecem uma visão estimada sobre como os alunos de graduação
utilizam seu tempo e quais benefícios obtêm ao frequentar a instituição de ensino superior. Ela é
considerada como uma pesquisa pautada na abordagem comportamental, pois enfatiza o comportamento
dos alunos e a prática docente (Kahu, 2013).
Segundo os responsáveis pelo desenvolvimento, os itens e escalas da NSSE são criados com
base em fundamentos teóricos e empiricamente testados, apresentando propriedades psicométricas
sólidas, como validade aparente e de construção robustas, além de confiabilidade consistente (Kuh, 2001).
Entretanto, alguns outros autores evidenciam certos problemas com a validade da NSSE (Pike, 2006;
Porter, 2011). Porter (2011) destaca que até mesmo elementos simples, como “teve conversas sérias com
alunos”, podem ser interpretados de maneiras diferentes. Questões relacionadas ao armazenamento de
memória e recordação, a frequência de eventos ao longo de um ano, o contexto da pergunta e o viés de
desejabilidade social podem limitar a validade dos dados. Apesar dessas problemáticas, é importante
reconhecer que a popularização da NSSE, criada no contexto norte-americano, incentivou a consolidação
da investigação sobre o engajamento dos estudantes em pesquisas sobre políticas de ensino superior.
Esse uso expandiu-se para outros países de língua inglesa e, nos últimos anos, alcançou diversos outros
países (Ortega & Irala, 2022).
Uma abordagem comum na literatura sobre o engajamento estudantil é a perspectiva
psicológica, que o concebe como um processo psicossocial interno. Nessa visão, o engajamento é
entendido como uma evolução ao longo do tempo, variando em intensidade e sendo considerado
multidimensional. Além disso, essa perspectiva amplia a compreensão do engajamento ao incluir as
dimensões emocional e cognitiva, para além do aspecto comportamental, que é tradicionalmente o foco
da abordagem comportamental. Um aspecto a considerar sobre as conceituações de engajamento
estudantil refere-se aos caminhos possíveis de abordagens multidimensionais. De acordo com Wang e
Degol (2014), esses caminhos podem considerar: i) as relações entre as dimensões do engajamento
independentes, ii) que o engajamento afetivo/emocional impulsiona os demais tipos de engajamentos e
iii) que existem relações recíprocas entre as dimensões.
O modelo teórico mais citado como referencial teórico é um modelo multidimensional
proposto por Fredricks et al. (2004), citado por 36 das nossas revisões analisadas, incluindo, além da
revisão de 2004, Fredricks (2011) e Fredricks et al. (2016a). Esse modelo apresenta três dimensões do
engajamento estudantil: engajamento comportamental, emocional e cognitivo. O engajamento
comportamental incorpora a noção de participação e inclui a conduta positiva, o esforço, a persistência, a
concentração, a atenção e o envolvimento dos alunos em atividades curriculares e extracurriculares; o
engajamento emocional refere-se às respostas afetivas dos alunos em sala de aula, aos professores e às escolas;
e o engajamento cognitivo reflete o investimento psicológico na aprendizagem e está associado à
autorregulação e ao uso de estratégias de aprendizagem. Inclusive, o trabalho de Fredricks et al. (2004) é
uma ampla revisão de literatura sobre o engajamento e, por isso, consta como corpus da nossa revisão.
Além disso, em trabalho posterior, Fredricks e colaboradores (2016b) incluem, no modelo,
o engajamento social, buscando refletir o papel cada vez mais importante que as interações sociais
desempenham na aprendizagem, como tem sido feito por estudiosos do engajamento, que consiste em
indicadores socioafetivos (por exemplo, preocupar-se com as ideias dos outros) e sociocognitivos (por
exemplo, basear-se/construir sobre nas/as ideias dos outros). Reeve e Tseng (2011) ainda expandiram o
modelo tridimensional de Fredricks et al. (2004) para o engajamento adicionando um quarto componente,
o engajamento agêntico, que ilustra a contribuição construtiva e proativa dos alunos para sua condição de
aprendizagem (por exemplo, fazer perguntas, expressar preferências). Reeve (2013) relatou que o
engajamento agêntico dos alunos não apenas encorajou os professores a engajarem-se em um ensino
mais favorável à autonomia, mas também previu significativamente o desempenho acadêmico.
Ainda nessa perspectiva, temos o modelo da Taxonomia de Quatro Fatores utilizado por
Appleton, Christenson, Kim e Reschly (2006). Nessa e em outras obras, o engajamento possui quatro
subtipos: acadêmico, comportamental, cognitivo e psicológico. Segundo Appleton et al. (2006), os
indicadores de engajamento acadêmico são o tempo dedicado às tarefas, à conclusão dos trabalhos de casa;
de engajamento comportamental são as suspensões, a participação voluntária na sala de aula e a participação
as escolas devem perceber que os professores podem ter diferentes estilos de ensino (seja de apoio à
autonomia ou de supressão da autonomia), sendo necessária a realização de programas personalizados
de formação de professores (Yang et al., 2022).
No contexto do movimento estratégico de professores ao promover atividades em grupo,
as revisões salientam, principalmente, a sua relação com o aumento do engajamento dos alunos e a maior
autonomia dentro dos grupos. Além disso, esse método proporciona ao professor mais tempo para
dedicar-se aos grupos como um todo, em vez de atender cada aluno individualmente.
Além das estratégias específicas de ensino, identificamos outras práticas mais abrangentes
que consideramos importantes (estratégias gerais), levando em conta o contexto da sala de aula e a criação
de ambientes acolhedores além dela. Essas estratégias gerais incluem promover um clima positivo,
atenuar os padrões de status social e reforçar as comunidades de aprendizagem.
Atenuar o tratamento em sala de aula de acordo com o status social dos alunos é
mencionado brevemente em três revisões. Basicamente, mesmo que a literatura mostre que alunos de
elevado status social possuam alto engajamento, isso pode, como um todo, afetar o engajamento dos
demais alunos da turma, pois agressões indiretas advêm, geralmente, de alunos com elevado status social
(Valle & Williams, 2021). Assim, é indicado que o professor se esforce para mitigar os extremos de status
(popular/impopular, querido/desgostado, influente/desinfluente) em suas salas de aula (Ribeiro et al.,
2019). A construção de um ambiente positivo (clima) de aprendizagem em sala de aula também foi
sucintamente mencionada pelas revisões. Bundick et al. (2014) explicam que um ambiente com bom
clima é marcado pelo respeito entre professor e alunos e entre alunos, de modo que os envolvidos
apoiam-se mutuamente, e é um ambiente orientado para a equipe, livre de distrações, especialmente em
relação a questões disciplinares.
As comunidades de aprendizagem são ambientes educativos, em que alunos, professores
e outros participantes interagem de maneira colaborativa e contínua, promovendo engajamento por meio
de diversas interações sociais e tecnológicas (Chakraborty & Nafukho, 2014). Essas interações, tanto
entre alunos quanto entre alunos e professores, criam um senso de pertencimento e motivação,
fundamentais para o bem-estar emocional dos alunos (Zepke & Leach, 2010). Os benefícios dessas
comunidades incluem o desenvolvimento pessoal e social, melhoria das habilidades interpessoais e de
comunicação e maior empenho acadêmico (Chakraborty & Nafukho, 2014). A dinâmica colaborativa
resulta em uma participação mais ativa e engajada, promovendo uma compreensão mais profunda e
crítica do conteúdo estudado (Czerkawski & Lyman III, 2016). Além disso, a interação constante ajuda a
prevenir o sentimento de isolamento, especialmente em cursos online, aumentando a satisfação e a
retenção dos alunos (Chakraborty & Nafukho, 2014).
Outro aspecto relevante que encontramos na prática docente é o uso de metodologias de
ensino específicas. Entre essas metodologias, sobressaem-se a gamificação, a sala de aula invertida, a
aprendizagem baseada em problemas e a aprendizagem baseada em projetos.
A gamificação é citada como facilitadora do engajamento em todas as revisões que a
mencionam. Entretanto, o seu uso no ensino online nem sempre tem sido positivo, pois não há contato
direto com o instrutor e falta contato visual (Osama et al., 2022). Ainda a revisão de Rivera e Garden
(2021) trata especificamente da síntese da literatura sobre engajamento discente e gamificação, além de
apresentar uma nova estrutura de gamificação para engajamento dos alunos. De acordo com os autores,
a estrutura permite que os profissionais projetem sistematicamente experiências de aprendizagem
gamificadas, por meio da seleção proposital de atributos do jogo de acordo com a experiência desejada
do aluno e a consequência do engajamento.
A sala de aula invertida é apresentada como facilitadora do engajamento em quatro
revisões, especialmente em duas delas que possuem como foco a aprendizagem invertida e o engajamento
estudantil (Bond, 2020; Osama et al., 2022). Destacamos aqui um aspecto positivo evidenciado na revisão
de Osama et al. (2022) de que a disponibilização prévia de materiais foi valiosa porque favoreceu o
aprendizado em sala de aula, dando oportunidade aos alunos de revisar e estudar os conceitos e conteúdos
antes das aulas presenciais. Entretanto, a revisão de Paryani e Ramadan-Jradi (2019) assinalou que os
estudos que relataram maior engajamento dos alunos avaliaram-nos por aproximadamente cinco meses
após a implementação da aprendizagem invertida, mas aqueles que relataram menor engajamento dos
alunos foram conduzidos ao longo de uma média de 14 meses. Os autores argumentam que tal
diminuição do engajamento pode estar relacionada com a diminuição do efeito novidade com o passar
do tempo.
Surgiram ainda em nossa análise a aprendizagem baseada em problemas e a
aprendizagem baseada em projetos como facilitadoras do engajamento estudantil. Sobre a
aprendizagem baseada em problemas, parece-nos importante dar aos alunos a oportunidade de trabalhar
em problemas abertos ou explorar problemas complexos que eles ainda não aprenderam as soluções e
que são mais eficazes quando estão conectadas às experiências de vida dos alunos (Wong & Liem, 2022;
Bundick et al., 2014). Já para a aprendizagem baseada em projetos, é necessário que os alunos escolham
seus projetos e assumam a responsabilidade de projetar e gerenciar seus trabalhos (Bundick et al., 2014),
no entanto, a falta de comprometimento dos alunos e a demora são as barreiras para implementar tal
metodologia de ensino (Subramainan & Mahmoud, 2020).
Além dessas metodologias de ensino citadas pelas revisões, algumas outras também foram
brevemente mencionadas, como abordagens baseadas em investigação (Bundick et al., 2014), modelagem
(Harbour et al., 2015), OTR - Opportunities to Respond7 (ibid.).
Verificamos também a presença de facilitadores com aspectos mais abrangentes, que, muitas
vezes, estão fora do controle direto do professor e da sala de aula, mas que são igualmente essenciais para
o sucesso educacional. Entre esses facilitadores, destacam-se o apoio familiar e o apoio institucional.
Mesmo que tenhamos removidos artigos que explicitam e aprofundam exclusivamente a
relação entre o engajamento estudantil e o papel da família nesse engajamento, dez revisões ainda
escreveram concisamente sobre o tema (apoio familiar). Chama-nos a atenção que nenhuma dessas
revisões foca no Ensino Superior, ou seja, são revisões que não têm nível específico ou são de Ensino
Básico. Isso pode indicar que, no Ensino Superior, o papel da família não é importante para o
engajamento do estudante universitário ou que não haja pesquisas suficientes sobre o tema no nível de
ensino.
O apoio institucional manifestou-se nas revisões de literatura de forma mais abrangente
(Silva & Ribeiro, 2020) e como orientação/mentoria (Zepke & Leach, 2010; Wong & Liem, 2022; Yang
et al., 2023), corroborando com a perspectiva de apoio institucional de Zepke e Leach (2010). No estudo de
Silva e Ribeiro (2020), o apoio institucional pode envolver um conjunto de programas ou projetos que
visam atender às necessidades como: apoio acadêmico, financeiro, psicológico e gestão universitária.
Além disso, a mentoria pode estar relacionada a orientações advindas de colegas, professores ou outros
atores da instituição que ajudam os alunos a estabelecerem-se na vida acadêmica, conectando-se
socialmente com colegas, mentores e funcionários, a ganhar familiaridade com o campus e a esclarecer as
expectativas de estudo acadêmico (Zepke & Leach, 2010; Wong & Liem, 2022; Yang et al., 2023).
Ademais, Zepke e Leach (2010, p. 172, tradução nossa) ressaltam que “mesmo em tempos econômicos
difíceis, é importante investir em serviços de apoio, para garantir que eles estejam disponíveis para aqueles
alunos que precisam deles”.
Na categoria elementos pessoais, englobamos aquelas estratégias ligadas ao fomento de
fortalecimento de construtos psicológicos, que, de acordo com diversos modelos de engajamento, são
também seus indicadores. Salientamos que são esses facilitadores que verificamos conexões com a
perspectiva de motivação e agência delineada por Zepke e Leach (2010), pois os construtos aqui
discutidos (senso de pertencimento e crença de autoeficácia) podem afetar a motivação e,
consequentemente, a disposição do aluno para engajar-se com a aprendizagem.
O senso de pertencimento diz respeito ao quanto uma pessoa sente-se pertencente em uma
instituição (e.g., escola/universidade) e integrado aos seus pares, além de estar associado a perceber o
valor e a importância de sua participação (Baumeister & Leary, 1995). Assim, o senso de pertencimento
surge como um facilitador do engajamento, pois os alunos que nutrem fortes laços afetivos com outros
alunos, professores e com a sua turma têm maior probabilidade de internalizar os valores da sala de aula
e da instituição e, portanto, de serem mais engajados academicamente (Martins et al., 2022; Aparicio et
al., 2021; Martin & Borup, 2022; Ribeiro et al., 2019; Wang & Hofkens, 2020; Malik et al., 2022). Zepke
7 As OTR podem ser questões acadêmicas ou tarefas apresentadas por um professor e que provoca uma resposta ativa do
aluno, seguida por feedback (MacSuga-Gage & Simonsen, 2015).
e Leach (2010, p. 172, tradução nossa) destacam que “as instituições precisam ser adaptáveis,
desenvolvendo uma cultura acolhedora para todos os alunos”.
Apenas três revisões exploram, resumidamente, além dessa indicação (de que o senso de
pertencimento é um facilitador do engajamento). Johar et al. (2023) e Malik et al. (2022) indicam que
alunos que participam de atividades colaborativas, como fóruns de discussão, permitindo que colaborem
ativamente entre si, dando-lhes autonomia para participar de seu próprio aprendizado, desenvolvem um
sentimento de pertencimento no processo de aprendizagem. Wang e Hofkens (2020) explicitam que, para
promover um senso de pertencimento, deve-se estar atento para a construção de oportunidades para que
os alunos iniciem e participem de interações sociais positivas.
Para além do nosso corpus de análise, Tinto (2022) explica que, para promover o senso de
pertencimento entre estudantes no contexto universitário, é crucial ir além de medidas quantitativas de
engajamento e focar nas percepções dos alunos sobre suas experiências. Isso envolve criar diversas
oportunidades de envolvimento, como atividades extracurriculares, que atendam à diversidade discente,
e garantir que a cultura institucional seja inclusiva e acolhedora. Ações como programas de mentoria,
comunidades de aprendizagem (que integram aspectos acadêmicos e sociais) e espaços dedicados a
estudantes que se deslocam e/ou trabalham são eficazes. É essencial que os serviços de apoio trabalhem
em conjunto com outros setores da instituição, incluindo o corpo docente, para assegurar que os alunos
sintam-se valorizados e pertencentes tanto social quanto academicamente, especialmente durante o
primeiro ano. A tecnologia virtual também pode ser utilizada para alcançar alunos que não frequentam o
campus regularmente.
A autoeficácia acadêmica refere-se ao julgamento de alguém em sua capacidade de completar
ações relacionadas às demandas acadêmicas (Bandura, 1977). Assim, promover a autoeficácia
acadêmica também é destacado como facilitador do engajamento, ou seja, onde os alunos acreditavam
que tinham os recursos pessoais para completar uma tarefa, sua confiança na própria capacidade crescia
e, consequentemente, seu engajamento também (Zepke & Leach, 2010; Martínez et al., 2022a; Halverson
& Graham, 2019). Entretanto, as revisões não vão além de salientar que as instituições de ensino devem
criar e aproveitar oportunidades para aumentar a autoeficácia acadêmica dos alunos, entretanto, não
fornecem maneiras de promovê-la (Zepke & Leach, 2010).
Comparando os facilitadores do engajamento que mapeamos com a revisão de literatura de
Zepke e Leach (2010), que também foi considerada em nosso corpus, constatamos que a única perspectiva
destacada por eles e não encontrada por nós foi a de cidadania ativa. Esse resultado pode ser atribuído ao
nosso corpus de análise, que abrange revisões de engajamento estudantil de forma geral. É provável que,
em artigos específicos sobre intervenções para aumentar o engajamento, essa perspectiva revele-se com
maior intensidade.
Em resumo, o nosso estudo mapeou facilitadores citados em, pelo menos, duas revisões de
literatura (Quadro 5), incluindo interação de apoio entre professores e alunos, práticas docentes, uso de
tecnologias digitais, gamificação, aprendizagem invertida, aprendizagem baseada em problemas e
projetos, fornecer feedback, tarefas desafiadoras, promover a autonomia do aluno, promover um clima
positivo e apoio familiar e institucional. A maioria dos facilitadores identificados é compatível com a
perspectiva de engajamento transacional de Zepke e Leach (2010), evidenciando a importância das interações
acadêmicas e sociais entre alunos e professores. Estratégias pedagógicas, como fornecer feedback e
elaborar tarefas claras e desafiadoras, são essenciais para aumentar o engajamento. Além disso, o apoio
institucional e familiar, bem como elementos pessoais como senso de pertencimento e autoeficácia,
igualmente, desempenham algum papel no engajamento estudantil.
variação no conteúdo dos itens utilizados nos instrumentos de medida, dificultando a comparação dos
resultados entre diferentes estudos (Fredricks & McColskey, 2012).
Buntins et al. (2021), após analisarem métodos e instrumentos de medida para o engajamento
dos alunos, afirmam que esses métodos ainda não atingiram um nível de maturidade comparável a outros
campos da pesquisa educacional. A comunidade de pesquisa de engajamento ainda está desenvolvendo
uma ampla convergência e concordância sobre o construto e sua medição. Os autores sugerem a
necessidade de um exame mais profundo do construto teórico, incluindo como ele pode ser
operacionalizado e validado.
Essa problemática reflete na preocupação específica de algumas revisões de literatura em
discutir as formas de mensuração do construto. No nosso corpus de pesquisa, oito revisões (Ortega &
Irala, 2022; Baragash, 2020; Buntins et al., 2021; Greene, 2015; Sáez-Delgado et al., 2023; Henrie et al.,
2015; Martínez et al., 2022b; Jimerson et al., 2003) abordam essa questão diretamente. Os instrumentos
de pesquisa utilizados e sua frequência de citação nas revisões são apresentados na tabela a seguir.
Constatamos que a observação foi um dos métodos mais citados pelas revisões de literatura
analisadas. Entretanto, isso ocorre não devido ao seu uso frequente nas pesquisas de engajamento, mas
pela recomendação dos autores das revisões por conta do seu baixo uso (Martins et al., 2022; Bond et al.,
2020; Salmela-Aro et al., 2021; Yang et al., 2023; Henrie et al., 2015; Stroet et al., 2013; Santos et al.,
2023). Os autores salientam a necessidade e a importância de utilizar observações como complemento a
outros métodos mais tradicionais de medir o engajamento, como questionários, ou mesmo em conjunto
com o mapeamento do comportamento dos alunos por meio de dados fornecidos por ambientes virtuais
de aprendizagem (Martins et al., 2022; Bond et al., 2020; Greene, 2015; Yang et al., 2022; Yang et al.,
2023; Santos et al., 2023).
Ademais, alguns autores pontuam vantagens e desvantagens do uso da observação para
medir o engajamento. Como vantagens, indicam que a observação permite aos investigadores coletarem
informações sobre os comportamentos e estratégias de aprendizagem dos alunos durante a instrução
acadêmica e enquanto resolvem tarefas escolares (Martins et al., 2022; Henrie; et al., 2015); é uma medida
apropriada ao definir engajamento como ação, a fim de coletar informações sobre o comportamento
concreto (Henrie et al., 2015; Stroet et al., 2013); e ameniza vieses subjetivos dos alunos sobre seu próprio
comportamento que pode influenciar os resultados (Salmela-Aro et al., 2021). Como desvantagens do
uso da observação, temos: o foco exclusivo nos comportamentos e ações observáveis dos alunos (Martins
et al., 2022); a discordância entre dados observados e dados relatados, pois alguns alunos que parecem
estar engajados nas tarefas durante as observações das aulas relatam que não estavam engajados na tarefa
nem pensando no material da aula (Martins et al., 2022; Fredricks et al., 2004; Yang et al., 2023; Henrie
et al., 2015); seu uso é particularmente desafiador quando o aprendizado ocorre à distância e com alunos
em locais variados (Henrie et al., 2015; Halverson & Graham, 2019); pode ser cara, por conta dos
materiais usados para registro para futura análise (Henrie et al., 2015); e por problemáticas advindas da
observação feita por humanos (ibid.).
Os questionários são as ferramentas de coleta de dados mais utilizadas para medir o
engajamento dos alunos (Ortega & Irala, 2022; Bond, 2020; Salmela-Aro et al., 2021; Buntins et al., 2021;
Yang et al., 2022; Yang et al., 2023; Paryani & Ramadan-Jradi, 2019; Yilmaz & Banyard, 2020; Henrie et
al., 2015; Jimerson et al. 2003). As seguintes vantagens são identificadas nas revisões de literatura sobre
o uso de questionários: a maioria é avaliada psicometricamente, garantindo sua confiabilidade e validade
(Buntins et al., 2021; Henrie et al., 2015); são úteis para explorar aspectos do engajamento dos alunos que
não são facilmente observáveis (e.g., engajamento cognitivo e afetivo/emocional), permitindo a
compreensão das percepções subjetivas dos estudantes (Greene, 2015; Yang et al., 2022; Henrie et al.,
2015); são uma opção viável para alunos que estão aprendendo à distância, especialmente quando
comparados a métodos como a observação (Henrie et al., 2015); por fim, questionários são o método
mais prático e fácil para coletar dados em ambientes de aprendizagem, sejam presenciais ou online, além
de facilitar a comparação de resultados (Baragash, 2020; Yang et al., 2022; Henrie et al., 2015).
Algumas desvantagens do uso de questionários para medir o engajamento estudantil incluem:
a confiança em dados baseados somente em questionários pode estar sujeita ao risco de viés de fonte
única (Osama et al., 2022); muitas questões parecem unidimensionais e simplistas (Paryani & Ramadan-
Jradi, 2019); podem ser inadequados para crianças mais novas, que podem não entender as perguntas
(Kahu, 2013; Henrie et al., 2015); há problemas de recordação de memórias, especialmente em relação à
frequência de eventos ao longo de um ano, o contexto da pergunta e o viés de desejabilidade social, o
que limita a validade dos dados (Kahu, 2013); exigem muito tempo para os alunos concluírem quando
aplicados no meio ou no final do curso (Henrie et al., 2015); os dados coletados no final do curso
frequentemente beneficiam pouco os alunos atuais (ibid.); e não refletem os comportamentos ou ações
reais dos alunos, incluindo regularmente itens gerais que podem não se encaixar em tarefas e situações
específicas (Baragash, 2020). Outras limitações do uso de questionários discutidas na literatura são: a
exigência de cuidados formais para garantir a motivação dos respondentes, incluindo economia na gestão
de perguntas, objetividade nos objetivos e layout autoinstrutivo; ser diretivo, limitando testemunhos e
interpretações profundas; ganhar em extensividade, mas perder em profundidade; o risco de elevadas
taxas de não resposta, comprometendo representatividade e generalização e a amostragem pode
desconsiderar contextos e dinâmicas, favorecendo certos objetivos em detrimento de outros (Batista et
al., 2021).
Além disso, o uso de escalas para medir o engajamento é comum, facilitando a comparação
de resultados de aplicações da mesma escala. Em nossa análise, 21 revisões de literatura sobre
engajamento estudantil mencionam alguma escala de engajamento (Martins et al., 2022; Ortega & Irala,
2022; Salmela-Aro et al., 2021; Buntins et al., 2021; Greene, 2015; Aparicio et al., 2021; Wong & Liem,
2022; Balwant, 2018; Sáez-Delgado et al., 2023; Yang et al., 2023; Paryani & Ramadan-Jradi, 2019; Kahu,
2013; Redmond et al., 2018; Martins & Ribeiro, 2017; Henrie et al., 2015; Santos et al., 2023; Martínez et
al., 2022b; Czerkawski & Lyman III, 2016; Halverson & Graham, 2019; Malik et al. 2022; Jimerson et al.,
2003). As escalas de engajamento mais utilizadas, entre outras escalas citadas apenas uma vez, e sua
frequência de citação nas revisões, são apresentados na Quadro 6.
Quadro 6 – Escalas mais utilizadas para a mensuração do engajamento estudantil de acordo com as
revisões de literatura analisadas.
Escala (Autores) Frequência Artigos
Ortega & Irala, 2022; Buntins et al., 2021; Aparicio et al., 2021; Kahu,
2013; Redmond et al., 2018; Martins & Ribeiro, 2017; Henrie et al.,
NSSE (TTIU, 2021) 11
2015; Martínez et al., 2022b; Czerkawski & Lyman III, 2016; Halverson
& Graham, 2019; Malik et al., 2022.
Utrecht Work Engagement Ortega & Irala, 2022; Sáez-Delgado et al., 2023; Yang et al., 2023;
Scale for Students - UWES-S 6 Paryani & Ramadan-Jradi, 2019; Santos et al., 2023; Martínez et al.,
(Schaufeli et al., 2002, 2004) 2022b.
Aparicio et al., 2021; Kahu, 2013; Redmond et al. 2018; Martins &
AUSSE (ACER, 2024) 4
Ribeiro, 2017.
Engagement and
Martins et al., 2022; Salmela-Aro et al., 2021; Sáez-Delgado et al., 2023;
Disaffection Scale (Skinner 4
Yang et al., 2023.
et al., 2008)
Student Engagement
Salmela-Aro et al., 2021; Wong & Liem, 2022; Martínez et al., 2022b;
Instrument - SEI (Appleton 4
Halverson & Graham, 2019.
et al., 2006)
Engagement Scale (Sun &
3 Ortega & Irala, 2022; Yang et al., 2023; Halverson & Graham, 2019.
Rueda, 2012)
Schoolwork Engagement
Inventory (Salmela-Aro & 2 Salmela-Aro et al., 2021; Santos et al., 2023.
Upadaya, 2012)
Fonte: Os autores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta revisão de literatura apresenta uma análise abrangente das discussões sobre o
engajamento estudantil. Particularmente, são analisados os modelos, os indicadores, os facilitadores e as
normas de mensuração relacionados com o engajamento estudantil por meio da análise de 52 revisões de
literatura sobre o tema. Mesmo estando intencionados ao escolhermos revisões de literatura para analisar
(buscando abrangência), uma limitação que identificamos foi justamente a análise de outras revisões de
literatura, pois o nosso acesso a informações foi condicionado às próprias perguntas de pesquisa que as
revisões responderam. Outra limitação foi o baixo número de revisões no contexto do Sul Global. Para
amenizar esse efeito, incluímos revisões brasileiras encontradas no Google Acadêmico.
Para responder à primeira questão de pesquisa, sobre modelos e indicadores de engajamento,
verificamos a necessidade de destacar a distinção entre o conceito de engajamento estudantil e o de
motivação, assim como os conceitos de desengajamento e alguns dos modelos característicos de cada
perspectiva sobre engajamento. Identificamos que a motivação é, geralmente, definida como um processo
psicológico que gera disposição e propósito, enquanto o engajamento é sua manifestação externa, visível
em comportamentos observáveis e estados emocionais e cognitivos. Além disso, verificamos que o
desengajamento pode tanto ser visto como uma única escala variando de alta a baixa, como composto
por duas escalas distintas, além de ser referido por termos como descontentamento, alienação ou burnout
(esgotamento).
Em relação aos diferentes modelos de engajamento estudantil, encontramos quatro
perspectivas/abordagens na literatura: a comportamental (e.g., NSSE, ASSE), a psicológica (e.g.,
Fredricks et al., 2004), a sociocultural (e.g., Mann, 2001) e a integrativa (e.g., Kahu, 2013). A perspectiva
psicológica é a explorada com maior frequência em pesquisas. Algo que observamos é que, mesmo que
textos bases da perspectiva psicológica discorressem sobre o aspecto contextual do engajamento (e.g.,
Fredricks et al., 2004), pesquisas embasadas nela não focavam nisso, utilizando apenas a discussão em
relação às medidas quantitativas (questionários) das dimensões do engajamento estudantil. Ademais, as
revisões que analisamos não se preocuparam em investigar as relações entre as variáveis psicológicas e
variáveis relacionadas ao contexto dos indivíduos, algo que podemos considerar como um caminho
frutífero a ser explorado, principalmente no contexto nacional.
Em relação à segunda questão de pesquisa, encontramos facilitadores relacionados a
interações de apoio entre professores e alunos, sobre a prática docente (incluindo metodologias de ensino,
estratégias pedagógicas e estratégias gerais), elementos ambientais e pessoais. Os facilitadores mais citados
pelas revisões de literatura foram as interações de apoio entre professores e alunos e estratégias
pedagógicas de sala de aula, como fornecer feedback, elaborar e aplicar tarefas claras, desafiantes e/ou
interessantes e usar tecnologias digitais. Parece-nos que a relação entre professor e aluno, principalmente
na sala de aula, é fundamental para fomentar o engajamento dos alunos. Entretanto, ainda há alguma
menção na literatura sobre a influência de fatores ambientais como significativos no engajamento
estudantil. Além disso, as discussões promovidas pelas revisões possibilitaram-nos discutir sobre como
colocar os facilitadores em prática, considerando seus requisitos. Notamos a falta de menção sobre a
infraestrutura institucional adequada como facilitador do engajamento, o que pode ser reflexo da origem
e enfoque das revisões analisadas, o que constitui uma das limitações dessa revisão de literatura.
Com a última pergunta de pesquisa, sobre as formas de mensuração do engajamento,
identificamos que os métodos de coleta de dados mais citados pelas revisões foram o uso de observação
e questionários. Entretanto, mesmo que a observação seja o método mais citado pelas revisões, vale
destacar que isso não decorre de esse ser o método mais utilizado para mensurar o engajamento, mas se
deve ao fato que ele é recomendado como complemento devido ao seu baixo uso, pela sua capacidade
de fornecer dados comportamentais e complementares a outros métodos. Foi constatado que o método
mais utilizado para investigar o engajamento estudantil é os questionários, que, inclusive, possuem
algumas escalas amplamente utilizadas, e o menos utilizado foi o uso de medidas fisiológicas. O uso de
questionários em detrimento a outros tipos, como a observação, pode indicar que os estudos estão mais
preocupados em analisar o produto e não o processo do engajamento estudantil. Tanto a observação
quanto questionários do tipo ESM e o uso de medidas fisiológicas podem lançar luz aos processos de
desenvolvimento do engajamento estudantil ao longo do tempo e podem ser utilizados de forma conjunta
aos questionários tradicionais, reduzindo o viés de fonte única.
Com base nesses achados principais e considerando o contexto brasileiro, entendemos que
gestores educacionais podem beneficiar-se das definições e modelos apresentados nesta revisão,
organizados de forma clara e precisa, para embasar a compreensão do engajamento e qualificar projetos
educacionais. Destacamos a importância de levar em conta o contexto social, cultural e econômico ao
avaliar os resultados de engajamento, pois experiências prévias e estímulos vivenciados influenciam
diretamente esse processo. Por essa razão, as escalas de engajamento existentes, em sua maioria
desenvolvidas no Norte Global, precisam ser adaptadas antes de serem aplicadas em outros contextos,
como estamos fazendo em um estudo voltado ao Ensino Superior e à persistência estudantil.
A revisão, ao englobar discussões detalhadas sobre as definições, modelos, indicadores,
facilitadores e métodos de mensuração do engajamento estudantil, algo que difere das revisões analisadas,
não apenas serve como um recurso essencial para pesquisadores recém-interessados na área, mas também
oferece orientações iniciais para a implementação de práticas pedagógicas facilitadoras do engajamento.
Ademais, escolhemos abordar os modelos do engajamento conforme perspectivas para mostrar que
existem modelos de engajamento próximos uns dos outros, como diferenças significativas entre outros.
Com isso, buscamos evitar uma discussão interminável sobre os modelos de engajamento e mostrar um
pouco de cada perspectiva, buscamos uma clareza sobre as possíveis formas de abordar o engajamento
estudantil. Por fim, salientamos que a nossa revisão vai além de algumas revisões que se limitam a mapear
o perfil das produções, como algumas presentes em nosso corpus, pois ela apresenta aspectos importantes
das categorias elaboradas para cada questão de pesquisa, diminuindo a necessidade de acesso direto às
revisões analisadas.
Para estudos futuros, é fundamental aprofundar o entendimento sobre como diferentes
estratégias didáticas e outras intervenções podem promover, ou não, diversos tipos de engajamento. Além
disso, esta revisão reforça a importância de adotar modelos multidimensionais de engajamento estudantil,
que considerem aspectos cognitivos, comportamentais e emocionais/afetivos, permitindo uma análise
mais precisa e a elaboração de ações mais eficazes. Finalmente, é indispensável o uso de modelos que
integrem aspectos socioculturais e suas interações com os fatores psicológicos, para uma compreensão
mais abrangente e contextualizada do engajamento estudantil.
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Submetido: 09/08/2024
Preprint: 09/08/2024
Aprovado: 19/01/2025
Editor de seção: Suzana dos Santos Gomes
Autora 1 – Conceitualização, metodologia, escrita (rascunho original), curadoria dos dados, investigação, análise
formal, administração do projeto.
Autor 2 – Supervisão, conceitualização, metodologia, escrita (análise e edição) e análise formal.
Autor 3 – Supervisão, conceitualização, metodologia, escrita (análise e edição) e análise formal.
FINANCIAMENTO
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior -
Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.