Resumo por Capítulo: O Menino que
Comeu uma Biblioteca
Capítulo 0 - O começo de tudo (O Louco)
Neste capítulo introdutório, somos apresentados a Eva, uma menina uruguaia criada
pela avó Florência em uma estância isolada. A narrativa começa com uma imagem
surreal e simbólica: “um menino que comeu uma biblioteca inteira”. Esse menino é
Jósik Tatar, e a ideia de "comer livros" surge como metáfora para sua sede por
conhecimento e sobrevivência — literal e emocional — em meio à tragédia.
O capítulo alterna entre os relatos de Eva e visões que ela tem ao consultar o
baralho de tarô proibido de sua avó. Eva enxerga, entre os arcanos, o menino Jósik,
em uma sala gelada e cercada por livros. Há um contraste forte entre o ambiente
quente e árido do Uruguai, onde Eva vive, e o gélido cenário polonês onde Jósik está.
O tarô é apresentado como elemento mágico, e o arcano "O Louco" simboliza o início
de uma jornada inesperada e transformadora.
Através dessa visão, Eva começa a acompanhar a vida de Jósik à distância, como se
suas histórias estivessem entrelaçadas. A introdução também estabelece o tom lírico
e sensível da narrativa, onde literatura, memória, guerra e imaginação se fundem.
Capítulo 1 - A Sacerdotisa (O princípio receptivo feminino)
Aqui conhecemos de forma mais profunda Jósik Tatar e seu avô Michael Wisochy,
um literato apaixonado por livros. A casa de Michael é descrita como um santuário
literário, abarrotada de livros a ponto de expulsar os móveis. Michael vive como um
sábio solitário em Terebin, uma aldeia na Polônia. Ele é excêntrico, mas
profundamente amoroso com o neto, a quem introduz à literatura desde o berço.
A relação entre avô e neto é o núcleo emocional do capítulo. Flora, mãe de Jósik, é
uma mulher prática e ressentida com os livros, que ela culpa pela alienação e
loucura do pai. Mesmo assim, Jósik cresce fascinado pelos livros e pelas histórias
que o avô conta, desenvolvendo uma conexão emocional e intelectual fortíssima
com a literatura.
O título “A Sacerdotisa” remete à figura arquetípica do feminino místico e intuitivo,
mas aqui pode ser lido como metáfora da iniciação de Jósik à sabedoria. Michael é o
verdadeiro sacerdote da palavra escrita, conduzindo o neto pelos mistérios do
conhecimento humano contido nos livros.
Capítulo 2 - A Roda (Do outro lado do mundo, lá estou eu)
Este capítulo volta a focar em Eva, agora crescida. Ela descreve sua vida no Uruguai
e compara sua infância simples, marcada por abandono e resignação, com a
aventura e a tragédia da vida de Jósik. A Roda do título simboliza a mudança de
destino, a sorte e os ciclos da vida.
Eva narra seu crescimento em uma estância rural, suas frustrações com a pobreza e
com a ausência da mãe, e seu primeiro contato com as visões de Jósik, que se tornam
parte de sua vida como sonhos e intuições. Apesar da distância, ela sente-se ligada
ao menino que viu no tarô, como se seus destinos fossem secretamente conectados.
Enquanto Jósik vive na Europa em meio a livros e às tensões que precedem a guerra,
Eva enfrenta as limitações da vida no campo e o controle da avó. Ela desenvolve,
sem perceber, um amor platônico e profundo por aquele menino distante, cuja
existência passa a influenciar sua percepção de si mesma e do mundo.