Como se Libertar de um Narcisista
● Capítulo 1: O que é narcisismo?
○ Definição e Origens: O narcisismo, derivado do mito grego de Narciso e Eco,
descreve uma dinâmica trágica de auto-obsessão de Narciso e a busca infrutífera
de Eco por seu afeto. Isso ilustra a natureza das relações com narcisistas e
"ecoístas".
○ Transtorno de Personalidade Narcisista (TPN): Conforme o DSM-5, o TPN se
caracteriza por um senso exagerado de si, desconsideração pelos outros,
necessidade patológica de atenção e admiração, e falta de empatia. Traços
incluem grandiosidade, baixa autoestima compensada por arrogância, manipulação
e evasão de responsabilidades. O diagnóstico formal é feito por um profissional.
○ Tipos de Narcisistas:
■ Narcisistas Grandiosos: Facilmente identificáveis, são carismáticos,
confiantes e buscam ser o centro das atenções. Manipuladores e agressivos
quando desafiados.
■ Narcisistas Encobertos: Mais sutis e difíceis de detectar, parecem
inocentes, vulneráveis ou altruístas, usando controle e manipulação
discretos. Podem se fazer de vítimas ou usar doenças para simpatia.
■ O adicto: o adicto buscará parceiros para ajudá-lo, resgatá-lo, consertá-lo
ou, de alguma forma, assumir a responsabilidade por suas ações. Qualquer
forma de vício é, em sua essência, um comportamento narcisista, e adictos
ativos são pessoas egoístas e autocentradas cujo único foco é obter e
desfrutar da próxima dose – independentemente da droga ou de seu
comportamento de escolha. Isso envolve toda uma série de manipulações
para manter o vício.
■ O psicossomático: usa dores, doenças e problemas de saúde - reais ou
imaginários – para ser o centro das atenções. A doença e as queixas de
sintomas são utilizadas para controlar, manipular e até mesmo para impedir
que os parceiros o abandonem.
○ Origens do Narcisismo: Geralmente resultam de traumas infantis
(negligência/abuso) ou superproteção excessiva. Adultos narcisistas buscam
preencher necessidades infantis não atendidas através da manipulação,
permanecendo egocêntricos e carecendo de empatia. As falhas na fase inicial da
infância podem levar ao desenvolvimento do narcisismo, elas incluem negligência
significativa e/ou de longo prazo ou figuras de apego instáveis. Isso pode
acontecer quando um dos pais é narcisista, emocionalmente indisponível, “avoado”
ou talvez enfrente dificuldades com a sua própria saúde mental ou com algum
vício. Também pode ser o resultado de um estilo de criação muito rigoroso, punitivo
ou pouco acolhedor. Históricos de infância bastante comuns entre narcisistas
incluem pais ou cuidadores que, durante a primeira infância, foram ausentes, eram
alcoólatras/adictos ou, de alguma outra forma, foram inconsistentes na formação
de vínculos e em suas habilidades parentais. Pode ser que tenham crescido em
lares muito caóticos ou abusivos, em que as figuras parentais discutiam e
brigavam, ou em ambientes disfuncionais
○ Narcisismo em Terapia: O TPN é difícil de tratar, pois narcisistas raramente
aceitam responsabilidade ou se engajam genuinamente na terapia, podendo usá-la
como ferramenta de manipulação.
● Capítulo 2: O que é abuso narcisista?
○ Natureza do Abuso: O narcisismo é uma defesa contra a vergonha profunda.
Narcisistas usam comportamentos destrutivos (emocional, psicológico, físico,
sexual, financeiro, espiritual) para evitar a dor interna. O abuso narcisista é
frequentemente "invisível" e sutil, fazendo as vítimas duvidarem de sua própria
percepção.
○ Táticas de Abuso Narcisista: Incluem acusação, agressão verbal (sabotagem
sutil, gritos, depreciação), armadilhas emocionais, birras infantis, "love bombing"
(excesso de afeto para controle), calúnia, chantagem emocional, desvalorização,
"dividir para conquistar", exploração, "gaslighting" (fazer a vítima duvidar de sua
sanidade), "ghosting" (corte súbito de comunicação), idealização (visão extremista),
inconsistências, isolamento, julgamento, mentiras, negação, projeção, falta de
responsabilidade, retenção (dinheiro, comunicação), "one-upmanship" (sempre
superar os outros), violação de limites e violência (física ou sutil).
○ Identificação dos Sinais: O abuso narcisista é difícil de identificar no início,
durante o "love bombing". Vítimas podem confundir intensidade com intimidade e
negar o abuso. A recuperação exige realismo, autocuidado, autoestima,
autocompaixão e o estabelecimento de limites.
● Capítulo 3: Sua arma secreta: informação
○ Poder da Informação: O conhecimento sobre narcisismo e abuso é vital para a
recuperação, ajudando a reconhecer sinais, evitar futuras relações e entender que
o problema está no narcisista.
○ Experiências Comuns: Vítimas frequentemente sofrem de confusão, baixa
autoestima, autoconfiança abalada, perda de identidade, ansiedade, depressão e
problemas de saúde física relacionados ao estresse, como doenças autoimunes.
As vítimas podem se sentir responsáveis pela infelicidade do narcisista. Reclamam
da sensação de nunca se sentirem boas o suficiente e de que nada do que fazem
parece ser bom o bastante.
○ Mudança de Perspectiva: A informação ajuda as vítimas a perceberem que não
são o problema, permitindo que se libertem da necessidade de mudar o narcisista
e foquem em sua própria cura.
● Capítulo 4: O triângulo do drama
○ Triângulo Dramático de Karpman: Narcisistas frequentemente envolvem outros
em uma dinâmica destrutiva com três papéis: Vítima (passiva “Ai, pobre de mim!
Estou desamparada!”), Perseguidor (o agressor, típico narcisista - controlador,
culpabiliza a vítima) e Salvador (o codependente, que tenta resgatar).
○ Dinâmica: Narcisistas alternam entre esses papéis para criar drama e
dependência. Reconhecer essa dinâmica e usar a atenção plena e o autocuidado
são essenciais para se desvincular.
● Capítulo 5: Fantasia versus realidade: caindo na real
○ Armadilha da Fantasia: Vítimas frequentemente permanecem em relações
abusivas na esperança de que o narcisista mude, presos no ciclo de "love
bombing" e abuso. Tolerar comportamentos cada vez mais abusivos e nocivos é
prejudicial e, em casos extremos, pode até colocar sua vida em risco. Muitas
vezes, em relacionamentos abusivos, especialmente nos deste tipo, a sabotagem e
a crueldade são sutis e se desenvolvem bem devagar, de uma forma difícil de
detectar.
○ Confrontando a Realidade: É crucial aceitar que narcisistas raramente mudam. O
diário é uma ferramenta importante para obter perspectiva objetiva, processar
emoções e avaliar o relacionamento com honestidade.
● Capítulo 6: Identificando os sinais: Parte 1
○ Consciência é Chave: Aprender a identificar traços narcisistas é vital para a
recuperação. Narcisistas são difíceis de detectar inicialmente devido ao seu
charme e manipulação. Um bom indicador de que você encontrou um narcisista é
perceber que muitas vezes ele nem pergunta como você está.
○ Ações Valem Mais que Palavras: Observar as ações de um narcisista é mais
importante do que acreditar em suas palavras ou promessas, pois são
manipuladores. Curiosamente, a dinâmica é tal que eles tendem a ser mais
abertos, elaborados, manipuladores e convincentes quando sentem que você está
se afastando deles.
● Capítulo 7: Um par perfeito
○ Atração Mútua: Existe uma atração entre narcisistas e aqueles que permitem seus
comportamentos egoístas, geralmente pessoas que priorizam os outros e
negligenciam a si mesmas.
○ Codependência/Ecoísmo: Parceiros de narcisistas frequentemente exibem
codependência ou ecoísmo, caracterizados por padrões relacionais disfuncionais e
um foco excessivo no cuidado do outro, negligenciando a si próprios.
○ Recuperação e Autofoco: A recuperação exige voltar o foco para si, desenvolver
um relacionamento compassivo consigo mesmo e estabelecer limites saudáveis.
Isso envolve reconhecer a tendência de priorizar os outros e impor limites claros.
○ Analogia do Tênis: Limites saudáveis são como uma rede de tênis, definindo o
espaço individual. Em relações saudáveis, cada um gerencia suas necessidades.
Em relações abusivas, o narcisista tenta constantemente invadir o espaço do outro,
e a vítima pode permitir isso.
● Capítulo 8: Origens da atração: filhos de narcisistas
○ Muitas pessoas atraídas por narcisistas tiveram pais narcisistas, o que não é uma
coincidência.
○ Pais narcisistas transmitem a mensagem de que o amor e a aceitação são
condicionais, baseados no que os filhos fazem ou realizam, não em quem eles são.
Isso leva a baixa autoestima e sentimentos de "não ser bom o suficiente".
○ Filhos de narcisistas podem repetir inconscientemente dinâmicas familiares
passadas em relacionamentos adultos.
○ Alguns filhos se tornam super-realizadores, buscando ser "bons o suficiente",
enquanto outros podem desistir de ambições.
○ Há casos de diagnósticos errados (TPN, vícios, depressão) em indivíduos que, na
verdade, estão lidando com a influência de pais narcisistas; esses problemas são
sintomas do ambiente familiar disfuncional.
○ Crescer com um pai narcisista afeta a identidade, os limites pessoais e a
percepção dos relacionamentos.
○ Instinto de Sobrevivência na Infância: Pessoas em relacionamentos narcisistas
frequentemente operam em modo de "luta ou fuga" ou oscilam entre eles.
■ Luta: Instinto de revidar, defender-se, pode levar à raiva e desconfiança.
■ Fuga: Desejo de escapar da situação ou da dor emocional, usando vícios ou
distrações.
■ Paralisia/Congelamento: Sentir-se imobilizado pelo medo e ansiedade.
■ Derrota: Submissão, desistência, entorpecimento, acompanhada de culpa e
vergonha.
■ (Tornar-se) Amigo: Busca de proximidade com o "cuidador" em momentos
de estresse, criando dependência e distorção da realidade.
○ Essas respostas de sobrevivência, embora úteis a curto prazo, são prejudiciais a
longo prazo e tornam as pessoas mais vulneráveis ao abuso narcisista.
● Capítulo 9: Sobreviver, avançar, crescer
○ Pessoas que viveram o narcisismo frequentemente adotam um modo de
"sobreviver e avançar", suprimindo seus desejos e necessidades, sem estabelecer
limites e com uma autocrítica dura. Esse modo, embora leve a conquistas e
sucesso material, também pode levar ao esgotamento, ansiedade e depressão,
além de negligenciar perigosamente o autocuidado.
○ Um narcisista será especialmente atraído por aqueles que de alguma forma
ignoram ou negligenciam suas próprias necessidades de autocuidado ou que
habitualmente colocam os outros em primeiro lugar.
○ Vítimas de abuso narcisista são frequentemente talentosas e produtivas, mas se
mantêm ocupadas, distraídas e desconectadas de suas próprias necessidades
emocionais, tornando-se alvos fáceis para narcisistas.
○ A recuperação exige que se mude o foco para o autocuidado, aprendendo a
reconhecer e atender às próprias necessidades e a suavizar o diálogo interno
punitivo.
○ Desenvolver a autocompaixão é fundamental para a recuperação e proteção contra
abusos futuros. Pessoas que praticam o autocuidado têm menor probabilidade de
tolerar comportamentos abusivos.
○ O crescimento acontece ao se cultivar um relacionamento amoroso e saudável
consigo mesmo, fazendo escolhas positivas e autênticas, e saindo do modo de
"sobrevivência" para o de "crescimento".
● Capítulo 10: Identificando os sinais, parte 2
○ A desconexão interior: Devemos aprender a contar e nos basear no corpo, nas
emoções, na intuição e na sensibilidade. Muitas vezes, porém, aqueles que são
atraídos e – o que é mais importante – atraentes para os narcisistas são indivíduos
um tanto desconectados de sua sabedoria interior. Quando está em profunda
sintonia com sua experiência emocional, sua intuição e seus sentimentos, você fica
mais em contato com seus valores, gostos, aversões, desejos e necessidades. E
automaticamente não perde de vista seus limites. Narcisistas procuram estar perto
de pessoas que estejam desconectadas dos próprios sentimentos, crenças,
desejos e necessidades em variados graus. É bem mais fácil manipular e controlar
alguém assim.
○ Desenvolvendo a (re)conexão: Aprender a entrar em sintonia, a ouvir e dar
atenção ao que o corpo, o coração e a intuição lhe comunicam é uma parte
essencial da recuperação.
○ Exercício de percepção corporal: Encontre um espaço tranquilo e confortável,
num momento em que não será perturbado nem terá que lidar com distrações,
reserve alguns minutos para sentir a superfície onde está sentado ou deitado e se
acomodar nela. Observe, por meio de todos os seus sentidos, o que você sente
fisicamente na parte exterior do corpo: a frieza do chão ou o apoio da cadeira nas
pernas, nas nádegas, nas costas. Apenas observe se está quente ou frio neste
momento. Observe quaisquer sons ao seu redor ou vindos de fora – não para
permitir que sejam distrações, mas apenas para percebê-los. Sente algum cheiro?
O que você percebe? Em seguida, traga sua atenção delicadamente para a sua
respiração por um tempo: apenas observe como está respirando no momento. Não
há necessidade de julgar nem de tentar controlar ou alterar a respiração – apenas
observe as inspirações e expirações naturais. Você pode até querer adotar uma
prática de “atenção plena na respiração” : conte cada expiração, continuando até
chegar a 10. Então simplesmente recomece a contagem, contando até 10 quantas
vezes quiser – o tempo todo acalmando suavemente e focando a mente. Dedique
algum tempo a observar com delicadeza o que está acontecendo dentro de você.
Como está se sentindo? Como está se sentindo neste momento? Vale a pena fazer
uma varredura mental pelo corpo, começando pela cabeça, descendo lentamente
por cada parte para apenas verificar e se perguntar: “O que estou sentindo aí
agora?” A cabeça e a mente ainda estão cheias com os acontecimentos do dia?
Há um zumbido? Estão efervescentes? Calmas? Ansiosas? Resistentes? Continue
devagar e delicadamente levando sua atenção por todo o corpo, passando algum
tempo com cada parte do seu ser físico, conferindo como ela está no momento.
Tensa? Relaxada? Dolorida? A partir da cabeça, guie lentamente sua atenção até
o rosto, a mandíbula, o pescoço, os ombros, os braços, o tórax, as costas, o
abdômen, os quadris, as nádegas, as coxas, os joelhos, as panturrilhas, os
tornozelos e os pés. Não existe maneira errada de fazer isso. Não estamos
tentando fazer nada acontecer – apenas observar. Basta reparar no que está
acontecendo agora, neste momento. Depois da varredura corporal, está na hora de
voltar suavemente a atenção para sua experiência emocional. Pode haver uma
onda de sentimentos. Pode ser medo, ansiedade, tristeza, uma sensação de
perda, raiva vindo à tona. Seja o que for, apenas observe. Não há necessidade de
mudar nada: apenas observe. Se você notar uma tendência de se perder em
pensamentos, observe isso também. Qual foi o impulso? O que você percebeu? O
que sentiu?
● Capítulo 11: O processo de recuperação
○ Questões que contribuem para que tenhamos entrado num relacionamento
com um narcisista: Experiências de narcisismo na infância: pais narcisistas; pais
adictos; e/ou questões de co-dependência na família. Questões de negligência de
falta de cuidado consigo mesmo. Necessidade de resgatar ou de cuidar de outras
pessoas.
○ A recuperação começa quando você traz o foco para si mesmo: Podemos ficar
presos no estágio de tentar desesperadamente encontrar um sentido racional para
a nossa experiência. Podemos ficar presos à tentativa de entender o narcisista – o
que é apenas mais uma forma de um foco excessivo no outro.
○ O autocuidado: Maneiras de praticar e desenvolver o autocuidado. Aqui estão
algumas sugestões: Comece todos os dias com uma armação positiva.
Alimente-se bem. Passe tempo com pessoas positivas. Leia livros positivos ou
assista a programas que melhorem seu astral. Tenha um hobbie!
● Capítulo 12: Regulação emocional
○ Atenção plena/Mindfulness: Mindfulness, ou atenção plena, é a prática da
consciência psicológica. Praticar mindfulness significa basicamente focar sua
atenção no momento presente de uma forma neutra, com curiosidade e sem
julgamentos. Mindfulness é essencialmente a prática de tentar focar a mente.
○ Num lugar tranquilo, fique de 5 a 10 minutos no início (aumentando com o tempo
até chegar em 20 minutos), faça algumas respirações longas, lentas e profundas,
relaxando a mente e quaisquer tensões físicas - Deixe que sua respiração siga seu
fluxo natural. Não há necessidade de tentar forçá-la ou controlá-la. No final da
primeira expiração, conte simplesmente “um”. Continue acompanhando a
respiração e contando ao terminar de soltar o ar. Inspire, expire, “um” … inspire,
expire, “dois” … inspire, expire, “três” … e assim por diante. Concentre sua atenção
na respiração e na contagem nal após cada expiração. Veja se consegue chegar a
10. Se chegar a 10, comece de novo do “um” e continue.
○ Técnicas de ancoragem: contribuem para aliviar emoções intensas ou muito
angustiantes e amparar um pensamento mais realista. Muitas ações do narcisista
têm como objetivo desestabilizar o outro, pois é assim que ele conquista poder e o
mantém. Ancore a sua atenção na respiração!
● Capítulo 13: Mude seus sentimentos mudando seus pensamentos
○ Autoavaliação: É possível mudar a
○ maneira como nos sentimos mudando nossa forma de pensar, podemos
reconhecer os tipos de pensamentos inúteis ou imprecisos que temos e, depois,
desafiando-os e alterando-os. pensamentos não são fatos!
○ Crenças distorcidas: O abuso narcisista muitas vezes desencadeia uma crença
central comum de que “ não sou bom o suficiente”. Atenção! Nada nem ninguém
será o suficiente. A coisa mais importante que você pode fazer pela sua sanidade é
reconhecer esse fato e desistir de lutar.
● Capítulo 14: Limites
○ Compreendendo limites: Os limites saudáveis não apenas ajudam a definir isso
para você, como também a deixar tudo mais claro para os outros. Isso, por sua
vez, incentiva as duas partes a assumir a responsabilidade por si mesmas.
Desenvolver e estabelecer seus próprios limites é fundamental para gerenciar a
dinâmica do relacionamento com um narcisista. Lembre-se: as únicas pessoas que
ficarão chateadas por você estabelecer limites são aquelas que se beneficiam por
você não ter nenhum.
○ De onde vem os limites? É na infância que começamos a desenvolver a noção
de limites pessoais, em geral moldando-a a partir do que nos é ensinado por pais e
familiares e dos exemplos que eles nos dão. Aprendemos isso, via de regra,
quando nosso espaço e nossos pertences, nosso corpo e nossa mente, nossos
pensamentos e sentimentos são reconhecidos e respeitados. Entendemos que
algumas coisas são nossas e que temos a escolha de compartilhá-las ou não.
Aprendemos que não há problema em dizer “não”. Idealmente, aprendemos que
podemos ter o nosso espaço pessoal do ponto de vista físico e psicológico, e que
os outros devem respeitá-lo e o fazem. Por exemplo, temos condições de usar o
banheiro sem que ninguém entre de repente e de dormir tranquilamente em nosso
quarto, sabendo que é nosso espaço e que será respeitado. Os pais que têm o
hábito de invadir o quarto ou o espaço da criança sem bater estão demonstrando
uma violação de limites. A criança, em geral, é incapaz de fazer qualquer coisa a
respeito, uma vez que, por ser criança, é restringida a se conformar e obedecer ao
que é dito pelos adultos a seu redor. Outro problema comum na família é quando
os adultos, inadequadamente, expõem e discutem assuntos de gente grande com
crianças ou adolescentes.
● Capítulo 15: Pegando o jeito dos limites saudáveis
○ Definição: Os limites pessoais servem para conter e demarcar o nosso espaço
individual, para proteger a nós mesmos e aos outros. Eles criam uma espécie de
escudo invisível ao nosso redor que nos permite determinar o que é aceitável para
nós.
○ Como estabelece um limite: Em primeiro lugar, para estabelecer limites, você
precisa estar em sintonia com o eu interior. Os limites refletem nossos valores e o
que é importante para nós.
○ Comunique-se com clareza: Um elemento essencial para comunicar limites é
parar de acreditar que você ou qualquer um tem o poder da telepatia. Não espere
que alguém, de alguma forma milagrosa, seja capaz de ler a sua mente ou saber o
que você quer ou não quer sem que você diga. Lembre-se que os limites são
for,es! Muitos pacientes acham útil visualizar o narcisista como uma criança
pequena. Em certo sentido, é isso mesmo que eles são.
● Capítulo 16: A comunicação com um narcisista
○ Como costuma ocorrer: Os narcisistas têm necessidade de assumir o controle da
comunicação e vão tentar fazer exatamente isso. É provável que só queiram
conversar quando lhes for conveniente e, mesmo assim, sejam específicos e
controladores sobre o que será discutido. O que os narcisistas mais querem é
arrancar reações emocionais de outras pessoas, e por isso tentam provocá-las de
todas as maneiras possíveis.
○ Formas que se comunicam - silêncio (cortam o contato), mentiras, agressão
verbal direta e intimidação, intrigas, projeção (Acusar você ou outros de tudo o que
eles próprios são) Exemplos clássicos são: “Veja como você está irritado”.
○ Cortar o contato: Se houver alguma possibilidade de cortar completamente o
contato com um narcisista, faça isso. Relacionamentos com narcisistas raramente
vão ter um efeito benéfico sobre sua saúde mental. Então, se houver alguma
chance de você se afastar, faça isso. Concentre-se em desenvolver amizades e
relacionamentos mais saudáveis e em aproveitar seus próprios interesses e
atividades.
○ Fique atento e observe as tentativas: Isso ajuda você a criar um distanciamento.
Sente-se e assista ao “Show do Narcisista”. Às vezes, os comportamentos dele
parecem extremamente ridículos. Apenas observe. Tente se manter desprendido.
Mais uma vez, tente imaginá-lo como a criança que ele realmente é. Em essência,
os narcisistas ficam de alguma forma emocionalmente atrofiados em certa idade.
Se você já viu um narcisista furioso, pode reconhecer nele o comportamento de
uma criança ao fazer birra. Ela grita, se esgoela, joga objetos, faz qualquer coisa
para conseguir o que quer.
● Capítulo 17: Suavizando o diálogo interno
○ Reflexão: Usando práticas de atenção plena, tente observar seu diálogo interno
automático ao longo do dia. Quais pensamentos automáticos passam pela sua
mente quando você comete um erro, se atrasa ou deixa alguma coisa cair? Que
pensamentos você tem sobre si mesmo em relação ao ponto em que se encontra
na vida
○ neste momento?
● Capítulo 18: O processo de luto
○ Fases: Se você terminou um relacionamento com um narcisista, provavelmente
sentirá uma dor real, mesmo que tenha sofrido abusos e que o rompimento tenha
sido a melhor coisa a fazer. O processo de luto costuma incluir algumas das
seguintes características ou todas elas:
○ Negação: A negação é o primeiro estágio do luto e da perda. O choque das ações
abusivas às vezes pode ser tão intenso que não conseguimos calcular o que
aconteceu.
○ Raiva: A raiva é um sentimento perfeitamente compreensível e legítimo. À medida
que elabora a sua experiência, você pode se deparar ocasionalmente com mágoa,
dor e raiva avassaladoras. São sentimentos apropriados e eu encorajo você a
permitir que eles venham à tona.
○ Barganha: É quando tentamos fazer uma barganha com nossa experiência na
tentativa de aliviar nosso sofrimento. Este é o estágio em que imaginamos o que
poderia acontecer se as coisas fossem diferentes, se o outro mudasse, etc.
○ Depressão: Em alguns momentos do processo de luto e perda, você se sentirá
muito triste e deprimido. Isso não é necessariamente um problema de saúde
mental. A tristeza é um sentimento apropriado diante de mudanças difíceis, perdas
e dores.
○ Aceitação: Alcançar a aceitação quando se trata de abuso narcisista é um marco
fundamental na recuperação. É quando você sente que pode aceitar o que
aconteceu sem qualquer necessidade de controle ou mudança. O processo de luto
nem sempre acontece dentro de uma ordem clara e organizada. Pode parecer um
pouco “um passo para a frente e dois passos para trás”. Haverá dias difíceis e dias
melhores, e isso é o esperado. O principal é continuar a aprender e desenvolver
uma resposta mais gentil, mais complacente e compassiva para si mesmo e para a
sua experiência.
● Capítulo 19: Trauma e abuso narcisista
○ O que é o trauma?: Em sua essência, o trauma descreve uma resposta
psicológica ou emocional a qualquer tipo de evento vivenciado como
significativamente angustiante ou perturbador. Também pode surgir da complicada
confusão do abuso emocional. Um trauma ativará uma série de respostas
fisiológicas intensas projetadas para nos manter seguros e nos ajudar a
permanecer vivos. Sentir-se, de alguma forma, imune ao abuso geralmente se
deve a uma certa adaptação ao trauma e a viver efetivamente em modo de
“sobrevivência”. Você apenas sobrevive ao dia a dia, às vezes até sem saber como
conseguirá. Muitas vítimas de abuso narcisista podem desenvolver vícios (álcool,
drogas, comida, trabalho, etc.) como uma forma de lidar com a dor, o estresse e o
trauma.
○ Sintomas: Os sintomas típicos de TEPT e trauma incluem: Confusão, Raiva,
irritabilidade, alterações de humor, Choro frequente, Ansiedade e pânico,
Sentimentos de culpa ou vergonha, Depressão,Ter um senso de urgência
Desesperança, Ideações suicidas, Isolamento ou evitação, Dificuldades com limites
ou em dizer “não”, Dificuldade em sair ou terminar um relacionamento abusivo e
tóxico, Sentir-se “estagnado”.
● Capítulo 20: Gratidão e reconhecimento
○ Prática diária de gratidão e reconhecimento: É interessante tentar escrever uma
lista de gratidão todas as noites. Escreva todas as coisas pelas quais você se
sente grato naquele dia, por maior ou menor que possa parecer. Tenha como
objetivo chegar a 10. Com o tempo, também poderá ser interessante rever as suas
listas anteriores. O principal é persistir. Dedique-se a isso, de preferência à noite,
para que você possa refletir sobre o seu dia. Torne essa prática parte de sua rotina
diária.
● Capítulo 21: Conselhos para amigos e familiares
○ É realmente muito perturbador ver um ente querido passando por dificuldades, por
isso quero incluir aqui algumas sugestões e indicações sobre a melhor forma de
identificar e responder quando alguém parece estar sofrendo com abuso narcisista.
O abuso narcisista também é conhecido como o “abuso invisível”, porque
geralmente se baseia muito mais em controle e manipulação, tanto do ponto de
vista emocional quanto do psicológico. Alguns pacientes fazem comentários do tipo
“ Ah, mas ele/ela nunca me bateu…” – como se esse fosse o único marcador de
abuso. Não é. A violência psicológica, emocional e financeira também são crimes.
É preciso lembrar ao nosso amigo ou ente querido que ele não é o
responsável pelo problema – e que o narcisista está sendo injusto e abusivo.
Tente ajudar seu ente querido a ver as qualidades dele.
● Capítulo 22: Seguindo em frente
○ “Não culpe um palhaço por agir como um palhaço. Pergunte a si mesmo por
que você continua indo ao circo.”
○ Os narcisistas não estão mentalmente bem. Isso não é culpa sua e, o mais
importante, não é responsabilidade sua tentar fazer com que melhorem. Você
não é o psicólogo deles. Não existe uma cura simples para o narcisismo. A
recuperação do abuso narcisista, do ecoísmo e da codependência, no entanto, é
possível e está disponível. E a sua cura e seu crescimento, esses sim, são
responsabilidade sua.