Hematologia Clínica
Profa: Erica M. M. Coutinho
COAGULAÇÃO
E
HEMOSTASIA
2
HEMOSTASIA
▪ É o processo pelo qual o ▪ A resposta hemostática normal
organismo mantém o sangue ao dano vascular depende da
fluído dentro do compartimento interação íntima entre:
vascular , sendo capaz de ▪ a parede celular, as plaquetas
estancar o sangramento após circulantes e os fatores de
uma lesão. coagulação do sangue.
▪ Um mecanismo eficiente e rápido
para estancar o sangramento em
locais de lesão vascular é
essencial à sobrevivência.
HEMOSTASIA
▪É imprescindível que a ▪ Sendo assim, o sistema
resposta seja controlada para homeostático é um equilíbrio entre
evitar a formação de coágulos mecanismos pró-coagulantes e
extensos, sendo necessário anticoagulantes, aliados a
desfazê-los após a reparação fibrinólise.
do dano.
HEMOSTASIA
Quadros hemorrágicos Após resolução do problema EQUILÍBRIO
Formação do coágulo Dissolução do coágulo
Garantindo
assim a fluidez
do sangue
Fibrina Plasmina
5
HEMOSTASIA
▪ Vasos sanguíneos
▪ Plaquetas
▪ Cinco principais componentes
▪ Fatores de coagulação
envolvidos
▪ Inibidores da coagulação
▪ Componentes do mecanismo
fibrinolítico
HEMOSTASIA
▪ Coagulação – Formação do coágulo
▪ Homeostasia primária ▪ Homeostasia secundária
▪ Responde imediatamente após ao ▪ Garante a estabilização do coágulo.
estímulo ou lesão do endotélio ▪ Esse processo consiste em uma
vascular. série de reações químicas (cascata
▪ Ocorrerá vasoconstrição com de coagulação) que envolvem
diminuição do fluxo sanguíneo no diversos componentes do plasma
local da lesão. (fatores de coagulação),
▪ Acarretará na adesão e agregação acarretando na formação de
plaquetária. fibrina.
HEMOSTASIA
▪ Passa por 3 etapas
1 2 3
Vasos sanguíneos Plaquetas e cascata de Fibrinólise
coagulação
1
• Ativação endotelial e • Adesão e formação do
vasoconstrição. agregado plaquetário • Fatores fibrinolíticos,
• Produção e liberação (trombo instável). auxiliando na
de substâncias pró- • Associação com os fatores degradação da fibrina,
coagulação e de coagulação dissolução do trombo.
anticoagulantes. • Início da cascata de
coagulação, ao término
formação de fibrina tornando
o trombo estável).
▪ 1ª etapa
• Ativação das células endoteliais e tecido conectivo subendotelial após lesão vascular.
Alteração vascular Vasoconstrição
Produção e liberação de substâncias Produção e liberação de substâncias
pró- coagulação como: anti-coagulação como:
▪ fator tecidual (TF) ▪ Óxido nítrico e Prostaciclina
▪ VWF (fator de von Willebrand) (vasodilatação, reduz agregação
▪ Colágeno plaquetária).
▪ fibronectina ▪ TFPI (Inibidor natural do fator tecidual)
▪ endotelina ▪ Antitrombina
▪ trombomodulina
▪ 1ª etapa
▪ 2ª etapa • Adesão plaquetária, ativação e formação do agregado plaquetário.
Plaqueta
➢ Fragmento proveniente do megacariócito
➢ Anucleado
➢ Promove a coagulação
➢ VR. 150.000 a 400.000 mm3
Plaquetas
▪ 2ª etapa
• Adesão plaquetária, ativação e formação do agregado plaquetário.
• As plaquetas possuem glicoproteínas (GP) em suas membranas
Plaqueta
Microtubulos
Grânulos densos
Sistema canicular
aberto
Vacúolos
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Lise
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A aspirina (ácido acetilsalicílico) atua por
inativação irreversível tanto das
ciclooxigenases (COX1 e COX2). Inibe a
síntese de tromboxano A2 de plaquetas,
reduzindo o risco de trombose.
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Plaqueta
Mitocôndria Mitocôndria
Microtubulos
Microtubulos
Trombina Trombina
Grânulos densos
Grânulos densos
Colágeno Colágeno
Tromboxano Tromboxano
Sistema canicular
Sistema canicular
abertoaberto
Sistema tubular
Sistema tubular
denso denso
Vacúolos
Vacúolos
16 ADP: Adenosina difosfato; EPI: Epinefrina; PAF: Fator ativador plaquetário
ADESÃO PLAQUETÁRIA
Plaqueta
Local da lesão
Endotélio Exposição do
colágeno
Tecido conectivo Subendotelial
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ATIVAÇÃO E AGREGAÇÃO PLAQUETÁRIA
18 https://www.youtube.com/watch?v=gZnjCT17bHM
19
Os antagonistas de receptores de
GPIIb/IIIa inibem a ligação entre os
receptores e o fibrinogênio, impedindo
a agregação plaquetária. Inibem também
a ação de ADP e tromboxano A2.
Anticorpo monoclonal (Abciximabe) e
moléculas sintéticas (ex. tirofiban).
20
HEMOSTASIA
▪ 2ª etapa
• Início da cascata de coagulação, através de fatores de coagulação.
- A coagulação ocorre graças a uma série de reações que acontece entre proteínas
chamadas de fatores de coagulação.
- Normalmente esses fatores são representados por algarismos romanos, e a forma
ativada é indicada por uma letra “a” que aparece logo após o algarismo.
- Ao todo são 12 fatores (são produzidos no fígado e circulam no sangue)
- Com exceção do fator III (Tromboplastina tecidual) que está no endotélio e do cálcio.
HEMOSTASIA
FATORES DE COAGULAÇÃO
I. Fibrinogênio FATORES DEPENDENTES DE VIT. K
II. Protrombina II. Protrombina
III. Tromboplastina tecidual (Fator tecidual) VII. Proconvertina
IV. Cálcio IX. Fator anti-hemofílico B
V. Pró-acelerina X. Stuart Power
VII. Pró-convertina
VIII. Fator anti-hemofílico A
A vitamina K atua como co-fator para a enzima
IX. Fator anti-hemofílico B (carboxilase) que converte os resíduos
X. Stuart Power específicos de ácido glutâmico para um novo
aminoácido o ácido gama carboxiglutâmico,
XI. Fator anti-hemofílico C aminoácido presente nos fatores de coagulação
XII. Fator Hageman (fatores II, VII, IX e X). Klack, K & Freire de
Carvalho, J. 2006.
XIII. Fator estabilizador da fibrina
Cascata de coagulação
Pode ser ativada por duas vias
▪ Via Intrínseca (no sangue) ▪ Via Extrínseca (Lesão tecidual)
Ativação feita por contato com agentes Ativação feita após as células
com carga negativa: subendoteliais liberarem o fator III
- Ex. Colágeno subendotelial, complexo (Tromboplastina ou Fator tecidual).
antígeno-anticorpo, endotoxinas.
Vidro, plástico são exemplos de
superfícies ativadoras in vitro.
Estimulando
- Cininogênio de alto peso molecular
(CAPM)- proteína plasmática
circulante inativada.
- Fatores XII, XI
Cascata
de coagulação
25 https://www.youtube.com/watch?v=j9Hdl9w-K0M
HEMOSTASIA
▪ Passo a passo - via intrínseca
1. A via intrínseca ocorre pelo sistema de contato. Ela se desenvolve pelo contato do sangue com
superfícies de carga negativa, como por exemplo o colágeno.
2. A partir disso é liberada uma substância chamada de Cininogênio de Alto Peso Molecular (CAPM)
que ativará a pré-calicreína (PK) .
3. A pré-calicreína será convertida em calicreína que por sua vez ativa o fator XII, formando o XIIa.
4. Em seguida, o XIIa faz a ativação do XI em XIa.
5. O XIa, por sua vez, transforma o IX em IXa, que ativa o fator X, dando origem ao Xa. Essa última
reação ocorre mediante a presença de cálcio, do fosfolipídeo plaquetário e do fator VIIIa.
6. Nesse ponto (formação do Xa) acaba a via intrínseca e se inicia a via comum.
HEMOSTASIA
▪ Passo a passo - via extrínseca
1. Diferentemente da via intrínseca, a extrínseca é o sistema de lesão endotelial. Ela acontece a partir do
contato do sangue com o fator tecidual, liberado das células subendoteliais após a lesão.
2. O fator tecidual (fator III) transforma o fator VII em VIIa, e o VIIa transforma o X em Xa, mediante a
presença de cálcio e do fosfolipídeo plaquetário.
3. Formação do Xa e início da via comum.
4. Nela, o fator Xa, juntamente com cálcio, o fosfolipídeo plaquetário e o fator Va, transformam
a protrombina em trombina.
5. A trombina em seguida, transformará o fibrinogênio em monômeros de fibrina, que se unem formando
uma rede de fibrina. A trombina também promove a ativação dos fatores V e VIII em Va e VIIIa, ao longo
da cascata.
6. A rede de fibrina, produto final da hemostasia secundária, é ainda estabilizada pelo fator XIIIa.
Controle da coagulação
▪ O sistema de coagulação deve ser sempre balanceado.
▪ Para isso existem os agentes anticoagulantes e os fibrinolíticos.
▪ Anticoagulantes inibidores da hemostasia primária e inibidores da
hemostasia secundária.
Fibrinólise (TPA)
Degradação
Formação
PDF (D-Dímero) FIBRINA
PDF- Produtos de degradação da Fibrina
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https://www.youtube.com/watch?v=e4cQw70owYA
FIBRINOLÍTICOS: INDICAÇÕES E TRATAMENTO DAS COMPLICAÇÕES HEMORRÁGICAS .
Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 2018;28(4):421-7.
O endotélio vascular produz o fibrinolítico - Ativador do
Os fibrinolíticos são moléculas que ativam plasminogênio tecidual (tPA)
o plasminogênio em plasmina, cuja A fibrinólise é fisiologicamente autolimitada por mecanismos
potente ação lítica sobre a malha de contrarreguladores, p.ex., inibidor do ativador do
fibrina é capaz de desfazer o trombo. plasminogênio (PAI-1) e α2-antiplasmina.
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FIBRINOLÍTICOS - TRATAMENTO
Os fibrinolíticos são geralmente classificados quanto
a sua geração e especificidade à fibrina:
Primeira geração: Estreptoquinase (SK) - (Streptase®
- CLS Bering): proteína derivada do estreptococo, que
ativa tanto o plasminogênio circulante quanto o ligado a
fibrina.
Segunda geração r-tPA = alteplase (fator ativador do
plasminogênio tecidual recombinante - Actilyse® -
Boehringer Ingelheim): molécula de síntese genética, é
a mesma do endotélio humano. É mais especifica para
o plasminogênio ligado à fibrina do que o circulante.
Terceira geração TNK = tenecteplase (Metalyse® -
Boehringer Ingelheim): algumas modificações da
molécula do r-tPA proporcionou aumento da meia-vida,
maior resistência ao PAI e alta afinidade à fibrina.
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REFERÊNCIAS
▪ A.V. Hoffbrand; P.A.H. Moss. Fundamentos em Hematologia. 6ª ed. 2013.
▪ Klack, K & Freire de Carvalho, J. Vitamina K: metabolismo, fontes e
interação com o anticoagulante varfarina. 2006.
▪ https://pt.slideshare.net/MauroCunhaXavierPint/aula-cardiovascular-
anticoagulantes
▪ https://docs.bvsalud.org/biblioref/2021/08/970567/04_revistasocesp_v
28_04.pdf#:~:text=As%20complica%C3%A7%C3%B5es%20hemorr%C3%A1
gicas%2C%20embora%20raras,mais%20predominantes%20com%20a%20e
streptoquinase.
▪ Imagens do site Google.
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