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Casos Obrigações I 22-23

O documento apresenta uma série de casos práticos relacionados ao Direito das Obrigações, abordando temas como cumprimento e não cumprimento de obrigações, modalidades de obrigações, contrato-promessa, pacto de preferência, e transmissão das obrigações. Cada caso explora diferentes cenários jurídicos, questionando a validade de contratos e as responsabilidades das partes envolvidas. O objetivo é analisar e discutir as implicações legais de cada situação apresentada.
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Casos Obrigações I 22-23

O documento apresenta uma série de casos práticos relacionados ao Direito das Obrigações, abordando temas como cumprimento e não cumprimento de obrigações, modalidades de obrigações, contrato-promessa, pacto de preferência, e transmissão das obrigações. Cada caso explora diferentes cenários jurídicos, questionando a validade de contratos e as responsabilidades das partes envolvidas. O objetivo é analisar e discutir as implicações legais de cada situação apresentada.
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DIREITO DAS OBRIGAÇÕES I

2.º Ano – Turma B – Ano Letivo 2022/2023


Regência: Prof.ª Doutora Paula Costa e Silva
Casos Práticos

TEMAS INTRODUTÓRIOS

Caso 1
Comente as seguintes frases:

⎯ “A obrigação é um facto que se caracteriza pela tendencial relatividade”.

⎯ “A noção de obrigação consagrada no art. 397.º está em crise perante a atual


compreensão da estrutura da obrigação”.

CUMPRIMENTO E NÃO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES

Caso 2
Numa deslocação ao Porto, A, residente em Lisboa, vendeu a B o seu automóvel, que
guardava numa garagem em Cascais, pelo preço de 10.000€, a pagar em 4 prestações mensais
de igual valor. Ficou acordado que o vencimento da 1.ª prestação seria em 10 de Março, data
em que o carro seria entregue. Quid Juris?

Caso 3

No dia 3 de Janeiro de 2017, Catarina emprestou a Daniela o seu Código Civil


anotado. Quid juris?

No dia 3 de Janeiro de 2017, Catarina emprestou a Daniela o seu Código Civil anotado,
ficando combinado que Daniela o devolveria no dia 8 de Abril.

Quid juris?

Caso 4
O Banco A contratou a sociedade T, especializada em programação informática, para
criar um programa específico de compatibilização informática entre os diversos programas que
tinha instalados nos seus balcões.
O contrato foi celebrado em Janeiro e o programa deveria estar em pleno
funcionamento, após testes, em 30 de Junho do mesmo ano, data a partir da qual A contava
com o programa informático em causa para a implementação de uma nova gama de produtos
financeiros no mercado.
O preço acordado foi de um milhão de euros, ficando clausulado, em virtude do grande
interesse do programa para o Banco, que, por cada dia de atraso no cumprimento, T pagaria
àquele a quantia de 5.000 euros, mais ficando clausulado que, no caso de incumprimento, T
indemnizaria o Banco em um milhão e quinhentos mil euros.
A 30 de Julho o programa ainda não fora instalado, apesar das insistências do Banco.
Perante as constantes evasivas de T, o Banco escreve-lhe uma carta “dando o contrato por sem
efeito”, face ao incumprimento deste, e exigindo uma indemnização de 1 milhão e quinhentos
mil euros, acrescida de 150.000 euros pelos dias de atraso e ainda os danos decorrentes da
mora. T, para além de rejeitar qualquer indemnização superior à fixada à razão diária, afirma
que não há incumprimento, oferecendo-se para cumprir no prazo de 8 dias úteis. Quid juris?

Sub hipótese:
A 15 de Julho, o Banco intima T, que instalara o programa em tempo, para devolver o
milhão de euros que já recebera, bem como para pagar uma indemnização pelos danos a
quantificar, já que, entre outras “originalidades”, o programa não “aceitava” a indicação das
taxas de juro das operações bancárias. T oferece-se para corrigir o programa, o que o Banco
não aceita.

Caso 5
A emprestou a B o seu computador pessoal durante 15 dias. No final dos 15 dias,
quando B colocava cuidadosamente o computador no seu carro para o levar a A, cai um vaso
de flores duma varanda e destrói o computador.

Quid iuris?

Caso 6
A, emigrante no Brasil, celebrou com B, residente na terra natal de ambos, o seguinte
contrato: B consertaria uma parede da casa de A, que ameaçava ruir e, em troca, A traria do
Brasil, nas férias seguintes, a jiboia “666” (assim conhecida depois de ter sido “protagonista”
de um filme satânico chamado “666”) que B queria colocar no seu quintal para impor respeito
aos filhos do seu vizinho C.

B fez, de facto, a reparação do muro em que despendeu 1.500,00 Euros.

1.ª Hipótese: A traz a jibóia numa jaula mas um passageiro envenena-a, à socapa.

2.ª Hipótese: A traz a jibóia numa jaula mas, ao sentir sobre si os olhares aterrados dos
passageiros, envenena-a.

3.ª Hipótese: A, que pensava poder trazer a jibóia consigo, é informado pelas
autoridades aeroportuárias que a mesma, dada a sua perigosidade, devia seguir em transporte
especial, o que custaria 3.000,00 Euros, para além de uma prévia vistoria veterinária que lhe
custaria mais de 500 Euros; perante tal, A abandona a jibóia no aeroporto.

4.ª Hipótese: A é informado, no aeroporto de Lisboa, de que só pode levantar a jibóia


dali a 15 dias, pelo que chega à terra natal sem a mesma.

5.ª Hipótese: A considera que transportar uma jibóia é um grande incómodo e não se
preocupa mais com o caso, deparando, à chegada, com a ira de B.

MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES

Caso 7
António é estofador e há anos que se abastece de tecidos na loja de Bento. Em setembro,
António celebrou com Bento um contrato pelo qual Bento lhe entregaria, mediante o
pagamento de 4€ por metro, 150 metros do tecido com a referência 12345, de que António
havia gostado muito quando visitou o armazém de Bento. Nessa altura, foi convencionado que
o pagamento teria lugar no dia da entrega, a realizar no atelier de António, dia 28 de Outubro
de 2010.

Considere separadamente as seguintes hipóteses:


a) Bento enviou a António 150 metros de tecido do rolo que estava em pior estado (por
estar guardado em local húmido). Quando António os recebe, exige a entrega de outros
150 metros de tecido em melhor estado. Quid juris?

b) Em 2 de Outubro, a explosão de uma bilha de gás numa fração contígua ao armazém


de Bento provocou a destruição de todos os rolos com a referência 12345.

c) Em 20 de Outubro do mesmo ano, Bento celebrou com Carlos um contrato de compra


e venda de muitos metros do tecido 12345, tendo ficado em armazém, apenas, com 150
metros. Bento teve um problema com um dos seus clientes que dolosamente lhe cortou
os referidos 150 metros do tecido 12345 existente no armazém.

Caso 8
A, comerciante de Lisboa, de visita à quinta de B, em Vila Real, entusiasmado com os
produtos agrícolas da quinta, celebrou com este o seguinte contrato: contra o pagamento de
5.000 euros, A comprava a B 1.000 garrafas de vinho da enorme garrafeira de B, do ano 2000.
As garrafas seriam entregues a A no dia 9 de janeiro. Ficou ainda convencionado que, em vez
das garrafas de vinho, B poderia optar por entregar a A 100 garrafões de azeite, de entre os
inúmeros que B tinha em armazém.
Caracterizando as situações jurídicas envolvidas, aprecie fundadamente as seguintes
situações autónomas:

1ª Hipótese: Em 7 de janeiro, A telefona a B dizendo-lhe que, afinal, optava pelo azeite,


sendo, porém, informado por este de que já destacara as garrafas de vinho e que, aliás, vendera
todo o azeite a um grossista.

2ª Hipótese: Em 8 de janeiro, B informa A que não estava em condições de satisfazer


o acordado, já que as garrafas de vinho que destacara tinham sido destruídas por um trator
agrícola em manobras; quanto ao azeite, decidira guardá-lo para melhor oportunidade de
negócio.

Caso 9
A é credor de B, C e D em 9.000 euros, estando a obrigação já vencida. Desconhece-se
se a obrigação em causa é civil ou comercial.
A aciona B, que tem maior poder económico, para pagar os 9.000 euros, mas este
contesta, referindo que, por contrato celebrado com C e D, tinham acordado que seria este
último a pagar os 9.000 euros, pelo que nada deve a A.

CONTRATO-PROMESSA

Caso 10
Num guardanapo de papel, escrito a meias, Joana prometeu vender e Luís prometeu
comprar certo terreno em que este espera vir a construir um prédio, por € 400.000. O acordo
foi assinado por ambos e foi combinada a escritura dali por um ano.

a) Identifique o contrato celebrado entre Joana e Luís e diga se o mesmo é válido.

b) Se o terreno pertencesse a Joana e a Manuel poderia Joana, validamente, prometer


vendê-lo a Luís? (passado a limpo)

c) Suponha agora que só Joana assinou o guardanapo. Farto da demora de Joana, que
nunca mais se dispunha a celebrar a escritura, Luís intenta uma ação destinada a
«forçar Joana a cumprir». Esta invoca a nulidade do contrato e, de qualquer maneira,
requer ao tribunal que determine um prazo para Luís depositar o preço da compra.
Quem terá razão?

d) Imagine, por fim, que Luís havia entregado 10% do preço a Joana e exige agora,
farto da demora desta, a sua restituição em dobro ou, subsidiariamente, a
«condenação de Joana a cumprir». (já está passado a limpo)

Caso 11
Em 1 de Maio de 2018, Abel, casado com Bruna, escreveu a Caroline, cidadã brasileira
residente em S. Paulo, propondo-se ficar obrigado a vender-lhe a fracção autónoma de que é
proprietário num prédio sito na Avenida de Roma, pelo preço de €600.000,00. Na mesma carta,
escreveu Abel que ficaria vinculado a vender o apartamento até 1 de Junho de 2018, devendo
a escritura ser agendada até esse dia, caso Caroline pretendesse comprá-lo.
Dois dias após ter recebido a carta, Caroline telefonou a Abel, dizendo-lhe que queria
comprar o apartamento e pedindo-lhe que providenciasse pelo agendamento da escritura
pública. Seguidamente, transferiu para a conta de Abel a quantia de €20.000,00, «como
demonstração da sua boa-fé, mas também para que Abel não vendesse o apartamento a outra
pessoa». No dia acordado para a realização da escritura, Abel não compareceu no cartório
notarial: uma greve da função pública implicou um atraso dos serviços da conservatória predial
na emissão da certidão necessária para a realização da escritura pública.
No dia 12 de Junho, Abel informou Caroline de que a escritura pública seria agendada
para o dia 22 de Junho. Caroline recusa, alegando que o contrato celebrado entre ambas as
partes é inválido e que, ainda que assim não fosse, não estava obrigada a cumpri-lo, uma vez
que só pensara em adquirir o apartamento porque lhe seria concedida pelo Estado português
um visto de residência como contrapartida do investimento estrangeiro no sector imobiliário
(um «visto gold») e esse regime jurídico acabara de ser revogado, por força de uma lei que
entrara em vigor no dia 15 de Junho.

1. Pode Abel impor a Caroline a celebração do contrato de compra e venda?

2. Caroline pretende que Abel e Bruna lhe paguem o dobro da quantia prestada
(€40.000,00); tem razão?

PACTO DE PREFERÊNCIA

Caso 12

A, dono de um vistoso Porsche amarelo, celebrou um pacto de preferência com B,


comprometendo-se, por escrito, a dar preferência ao mesmo B no caso de, algum dia, vender,
alugar ou doar o carro.
Desconhece-se se foi atribuída eficácia real.

1ª Hipótese: Um mês depois, C apresenta-se a B, provando, por testemunhas idóneas,


que A lhe vendera o carro.
2ª Hipótese: Quinze dias após o contrato, B recebe uma carta de A, notificando-o para
exercer a preferência, no prazo de três dias, uma vez que tinha uma proposta de D, que pretendia
pagar o carro a pronto oito dias depois. B responde afirmativamente, decorridos cinco dias.

3ª Hipótese: O mesmo que na hipótese anterior, com a diferença de que A comunicara


que o automóvel iria ser vendido a E, por 50.000euros, mas em conjunto com a garagem de
que era proprietário e ficando E vinculado a tratar-lhe do jardim durante um ano.

4ª Hipótese: B tem conhecimento de que A vendera o carro a F por 20.000euros, mas


que do contrato escrito celebrado constava apenas o valor de 10.000euros.

5ª Hipótese: B tem conhecimento de que A vendera o carro a G por 10.000 euros mas
que do contrato escrito celebrado constava o valor de 20.000euros.

SATISFAÇÃO ALTERNATIVA E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES

Caso 13
Na segunda-feira João comprou a Paulo, um seu colega de faculdade, dez pares de
sapatos em segunda mão. Pagou-lhe logo uma parte do preço acordado, tendo ficado de passar
por sua casa no dia seguinte para lhe pagar o remanescente.
Nessa noite, João foi descomposto pela mãe, que o proibiu de gastar mais dinheiro em
roupas ou calçado até ao final do semestre e lhe tirou todo o dinheiro que João tinha no
mealheiro.
Na terça-feira, João explicou a Paulo que não tinha dinheiro para lhe pagar. Não
querendo ficar a dever nada a Paulo, João perguntou-lhe se em vez do dinheiro poderia
entregar-lhe umas quantas camisolas praticamente novas que já não lhe serviam. Paulo não
aceitou a troca. João regressou a casa e, algo envergonhado, explicou à mãe o sucedido. A mãe,
resignada, passou um cheque à ordem de Paulo.
Na quarta-feira, João entrega o cheque a Paulo. Nesse mesmo dia, Paulo passou pelo
banco e depositou o cheque na sua conta bancária.
Na quinta-feira, Paulo consultou online um extrato da sua conta e verificou que a
quantia em causa já estava disponível. Na sexta-feira, Paulo foi ao banco e levantou o dinheiro.
Em que dia se extinguiu a obrigação de João?
TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES

Caso 14
A, proprietário de um antigo e vistoso Alfa-Romeo, incumprira um contrato-promessa de
compra e venda daquele carro, que celebrara com B, ficando devedor a este em 5.000€, quantia
correspondente ao dobro do sinal.
Por não ter dinheiro disponível e com o propósito de evitar a instauração de uma acção, A
constitui hipoteca do carro a favor de B, para garantia de pagamento dos 5.000€ no prazo de
um ano, com juros calculados à taxa legal, ficando desde logo convencionado que, em caso de
não cumprimento, os juros seriam capitalizados. O acordo assim estabelecido teve lugar em 31
de Janeiro de 2004.
Caracterizando juridicamente as diversas situações, suponha as seguintes hipóteses:

1.ª hipótese: B, que deve a C 6.000€, acorda com este a extinção da dívida, mas ficando C
credor de A nos exactos termos em que o é B. Em Janeiro de 2006, C dirige-se a A, exigindo
os 5.000€ mais juros capitalizados e ainda juros normais e ameaçando penhorar o automóvel.
A refere que não sabe quem é C, que o automóvel só foi dado como garantia a B e que a
capitalização de juros é ilegal.

2.ª hipótese: D compromete-se para com B, que aceita, a pagar a dívida de A.


Em Janeiro de 2006, B, perante a insolvência de D, escreve a A exigindo o pagamento da
dívida, sob pena de imediata execução e penhora do automóvel. A responde que o devedor é
D.

3.ª hipótese: Uma vez que o automóvel de A é destruído num acidente, B exige uma outra
garantia. A consegue que o seu amigo E preste fiança. Interpelado por B, em Janeiro de 2006,
E paga a dívida e quando pretende ser reembolsado por A, este recusa-se.

4.ª hipótese: Aflito com a dívida a B, cuja paciência se esgotara, A pede ao seu amigo F
um empréstimo do montante da quantia em dívida. Apesar da prontidão com que acudiu ao seu
amigo, F é confrontado, meses depois, com a recusa, por parte de A, em pagar-lhe juros da
quantia emprestada, sendo que F pretende cobrar juros nos exactos termos em que o vinha
fazendo B.
Caso 15
Por escritura pública de 31 de Outubro de 2010, Vítor emprestou a Teresa 10.000€,
obrigando-se Teresa a devolver esse dinheiro, com um certo juro, em 1 de Novembro de 2012.
Em Fevereiro de 2013, Teresa foi para o Governo, ficando responsável pelo controlo da
execução orçamental. Nessa altura, Teresa e Vítor combinaram expressamente que Vítor não
transmitiria o crédito sobre Teresa, aceitando Vítor que Teresa regularizasse a situação até o
final do mês de Fevereiro. Teresa não consegue pagar a Vítor.
A 1 de Abril de 2013, Vítor precisa de dinheiro e, sem informar Xavier acerca da
combinação com Teresa, transmite-lhe o crédito sobre Teresa, mediante o pagamento, por
Xavier, de 10.000€. Logo no dia 2, Xavier apresenta-se a Teresa reclamando o pagamento dos
10.000€ acrescidos de juros remuneratórios e moratórios, sob pena de propor uma acção
judicial. Teresa recusa pagar, alegando o acordo celebrado com Vítor em Fevereiro de 2013 e
afirma, ainda, que Vítor e Xavier terão de a indemnizar pelas consequências negativas para a
sua carreira causadas pelo negócio celebrado entre ambos.
Quid Juris?

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