Casos Obrigações I 22-23
Casos Obrigações I 22-23
TEMAS INTRODUTÓRIOS
Caso 1
Comente as seguintes frases:
Caso 2
Numa deslocação ao Porto, A, residente em Lisboa, vendeu a B o seu automóvel, que
guardava numa garagem em Cascais, pelo preço de 10.000€, a pagar em 4 prestações mensais
de igual valor. Ficou acordado que o vencimento da 1.ª prestação seria em 10 de Março, data
em que o carro seria entregue. Quid Juris?
Caso 3
No dia 3 de Janeiro de 2017, Catarina emprestou a Daniela o seu Código Civil anotado,
ficando combinado que Daniela o devolveria no dia 8 de Abril.
Quid juris?
Caso 4
O Banco A contratou a sociedade T, especializada em programação informática, para
criar um programa específico de compatibilização informática entre os diversos programas que
tinha instalados nos seus balcões.
O contrato foi celebrado em Janeiro e o programa deveria estar em pleno
funcionamento, após testes, em 30 de Junho do mesmo ano, data a partir da qual A contava
com o programa informático em causa para a implementação de uma nova gama de produtos
financeiros no mercado.
O preço acordado foi de um milhão de euros, ficando clausulado, em virtude do grande
interesse do programa para o Banco, que, por cada dia de atraso no cumprimento, T pagaria
àquele a quantia de 5.000 euros, mais ficando clausulado que, no caso de incumprimento, T
indemnizaria o Banco em um milhão e quinhentos mil euros.
A 30 de Julho o programa ainda não fora instalado, apesar das insistências do Banco.
Perante as constantes evasivas de T, o Banco escreve-lhe uma carta “dando o contrato por sem
efeito”, face ao incumprimento deste, e exigindo uma indemnização de 1 milhão e quinhentos
mil euros, acrescida de 150.000 euros pelos dias de atraso e ainda os danos decorrentes da
mora. T, para além de rejeitar qualquer indemnização superior à fixada à razão diária, afirma
que não há incumprimento, oferecendo-se para cumprir no prazo de 8 dias úteis. Quid juris?
Sub hipótese:
A 15 de Julho, o Banco intima T, que instalara o programa em tempo, para devolver o
milhão de euros que já recebera, bem como para pagar uma indemnização pelos danos a
quantificar, já que, entre outras “originalidades”, o programa não “aceitava” a indicação das
taxas de juro das operações bancárias. T oferece-se para corrigir o programa, o que o Banco
não aceita.
Caso 5
A emprestou a B o seu computador pessoal durante 15 dias. No final dos 15 dias,
quando B colocava cuidadosamente o computador no seu carro para o levar a A, cai um vaso
de flores duma varanda e destrói o computador.
Quid iuris?
Caso 6
A, emigrante no Brasil, celebrou com B, residente na terra natal de ambos, o seguinte
contrato: B consertaria uma parede da casa de A, que ameaçava ruir e, em troca, A traria do
Brasil, nas férias seguintes, a jiboia “666” (assim conhecida depois de ter sido “protagonista”
de um filme satânico chamado “666”) que B queria colocar no seu quintal para impor respeito
aos filhos do seu vizinho C.
1.ª Hipótese: A traz a jibóia numa jaula mas um passageiro envenena-a, à socapa.
2.ª Hipótese: A traz a jibóia numa jaula mas, ao sentir sobre si os olhares aterrados dos
passageiros, envenena-a.
3.ª Hipótese: A, que pensava poder trazer a jibóia consigo, é informado pelas
autoridades aeroportuárias que a mesma, dada a sua perigosidade, devia seguir em transporte
especial, o que custaria 3.000,00 Euros, para além de uma prévia vistoria veterinária que lhe
custaria mais de 500 Euros; perante tal, A abandona a jibóia no aeroporto.
5.ª Hipótese: A considera que transportar uma jibóia é um grande incómodo e não se
preocupa mais com o caso, deparando, à chegada, com a ira de B.
MODALIDADES DE OBRIGAÇÕES
Caso 7
António é estofador e há anos que se abastece de tecidos na loja de Bento. Em setembro,
António celebrou com Bento um contrato pelo qual Bento lhe entregaria, mediante o
pagamento de 4€ por metro, 150 metros do tecido com a referência 12345, de que António
havia gostado muito quando visitou o armazém de Bento. Nessa altura, foi convencionado que
o pagamento teria lugar no dia da entrega, a realizar no atelier de António, dia 28 de Outubro
de 2010.
Caso 8
A, comerciante de Lisboa, de visita à quinta de B, em Vila Real, entusiasmado com os
produtos agrícolas da quinta, celebrou com este o seguinte contrato: contra o pagamento de
5.000 euros, A comprava a B 1.000 garrafas de vinho da enorme garrafeira de B, do ano 2000.
As garrafas seriam entregues a A no dia 9 de janeiro. Ficou ainda convencionado que, em vez
das garrafas de vinho, B poderia optar por entregar a A 100 garrafões de azeite, de entre os
inúmeros que B tinha em armazém.
Caracterizando as situações jurídicas envolvidas, aprecie fundadamente as seguintes
situações autónomas:
Caso 9
A é credor de B, C e D em 9.000 euros, estando a obrigação já vencida. Desconhece-se
se a obrigação em causa é civil ou comercial.
A aciona B, que tem maior poder económico, para pagar os 9.000 euros, mas este
contesta, referindo que, por contrato celebrado com C e D, tinham acordado que seria este
último a pagar os 9.000 euros, pelo que nada deve a A.
CONTRATO-PROMESSA
Caso 10
Num guardanapo de papel, escrito a meias, Joana prometeu vender e Luís prometeu
comprar certo terreno em que este espera vir a construir um prédio, por € 400.000. O acordo
foi assinado por ambos e foi combinada a escritura dali por um ano.
c) Suponha agora que só Joana assinou o guardanapo. Farto da demora de Joana, que
nunca mais se dispunha a celebrar a escritura, Luís intenta uma ação destinada a
«forçar Joana a cumprir». Esta invoca a nulidade do contrato e, de qualquer maneira,
requer ao tribunal que determine um prazo para Luís depositar o preço da compra.
Quem terá razão?
d) Imagine, por fim, que Luís havia entregado 10% do preço a Joana e exige agora,
farto da demora desta, a sua restituição em dobro ou, subsidiariamente, a
«condenação de Joana a cumprir». (já está passado a limpo)
Caso 11
Em 1 de Maio de 2018, Abel, casado com Bruna, escreveu a Caroline, cidadã brasileira
residente em S. Paulo, propondo-se ficar obrigado a vender-lhe a fracção autónoma de que é
proprietário num prédio sito na Avenida de Roma, pelo preço de €600.000,00. Na mesma carta,
escreveu Abel que ficaria vinculado a vender o apartamento até 1 de Junho de 2018, devendo
a escritura ser agendada até esse dia, caso Caroline pretendesse comprá-lo.
Dois dias após ter recebido a carta, Caroline telefonou a Abel, dizendo-lhe que queria
comprar o apartamento e pedindo-lhe que providenciasse pelo agendamento da escritura
pública. Seguidamente, transferiu para a conta de Abel a quantia de €20.000,00, «como
demonstração da sua boa-fé, mas também para que Abel não vendesse o apartamento a outra
pessoa». No dia acordado para a realização da escritura, Abel não compareceu no cartório
notarial: uma greve da função pública implicou um atraso dos serviços da conservatória predial
na emissão da certidão necessária para a realização da escritura pública.
No dia 12 de Junho, Abel informou Caroline de que a escritura pública seria agendada
para o dia 22 de Junho. Caroline recusa, alegando que o contrato celebrado entre ambas as
partes é inválido e que, ainda que assim não fosse, não estava obrigada a cumpri-lo, uma vez
que só pensara em adquirir o apartamento porque lhe seria concedida pelo Estado português
um visto de residência como contrapartida do investimento estrangeiro no sector imobiliário
(um «visto gold») e esse regime jurídico acabara de ser revogado, por força de uma lei que
entrara em vigor no dia 15 de Junho.
2. Caroline pretende que Abel e Bruna lhe paguem o dobro da quantia prestada
(€40.000,00); tem razão?
PACTO DE PREFERÊNCIA
Caso 12
5ª Hipótese: B tem conhecimento de que A vendera o carro a G por 10.000 euros mas
que do contrato escrito celebrado constava o valor de 20.000euros.
Caso 13
Na segunda-feira João comprou a Paulo, um seu colega de faculdade, dez pares de
sapatos em segunda mão. Pagou-lhe logo uma parte do preço acordado, tendo ficado de passar
por sua casa no dia seguinte para lhe pagar o remanescente.
Nessa noite, João foi descomposto pela mãe, que o proibiu de gastar mais dinheiro em
roupas ou calçado até ao final do semestre e lhe tirou todo o dinheiro que João tinha no
mealheiro.
Na terça-feira, João explicou a Paulo que não tinha dinheiro para lhe pagar. Não
querendo ficar a dever nada a Paulo, João perguntou-lhe se em vez do dinheiro poderia
entregar-lhe umas quantas camisolas praticamente novas que já não lhe serviam. Paulo não
aceitou a troca. João regressou a casa e, algo envergonhado, explicou à mãe o sucedido. A mãe,
resignada, passou um cheque à ordem de Paulo.
Na quarta-feira, João entrega o cheque a Paulo. Nesse mesmo dia, Paulo passou pelo
banco e depositou o cheque na sua conta bancária.
Na quinta-feira, Paulo consultou online um extrato da sua conta e verificou que a
quantia em causa já estava disponível. Na sexta-feira, Paulo foi ao banco e levantou o dinheiro.
Em que dia se extinguiu a obrigação de João?
TRANSMISSÃO DAS OBRIGAÇÕES
Caso 14
A, proprietário de um antigo e vistoso Alfa-Romeo, incumprira um contrato-promessa de
compra e venda daquele carro, que celebrara com B, ficando devedor a este em 5.000€, quantia
correspondente ao dobro do sinal.
Por não ter dinheiro disponível e com o propósito de evitar a instauração de uma acção, A
constitui hipoteca do carro a favor de B, para garantia de pagamento dos 5.000€ no prazo de
um ano, com juros calculados à taxa legal, ficando desde logo convencionado que, em caso de
não cumprimento, os juros seriam capitalizados. O acordo assim estabelecido teve lugar em 31
de Janeiro de 2004.
Caracterizando juridicamente as diversas situações, suponha as seguintes hipóteses:
1.ª hipótese: B, que deve a C 6.000€, acorda com este a extinção da dívida, mas ficando C
credor de A nos exactos termos em que o é B. Em Janeiro de 2006, C dirige-se a A, exigindo
os 5.000€ mais juros capitalizados e ainda juros normais e ameaçando penhorar o automóvel.
A refere que não sabe quem é C, que o automóvel só foi dado como garantia a B e que a
capitalização de juros é ilegal.
3.ª hipótese: Uma vez que o automóvel de A é destruído num acidente, B exige uma outra
garantia. A consegue que o seu amigo E preste fiança. Interpelado por B, em Janeiro de 2006,
E paga a dívida e quando pretende ser reembolsado por A, este recusa-se.
4.ª hipótese: Aflito com a dívida a B, cuja paciência se esgotara, A pede ao seu amigo F
um empréstimo do montante da quantia em dívida. Apesar da prontidão com que acudiu ao seu
amigo, F é confrontado, meses depois, com a recusa, por parte de A, em pagar-lhe juros da
quantia emprestada, sendo que F pretende cobrar juros nos exactos termos em que o vinha
fazendo B.
Caso 15
Por escritura pública de 31 de Outubro de 2010, Vítor emprestou a Teresa 10.000€,
obrigando-se Teresa a devolver esse dinheiro, com um certo juro, em 1 de Novembro de 2012.
Em Fevereiro de 2013, Teresa foi para o Governo, ficando responsável pelo controlo da
execução orçamental. Nessa altura, Teresa e Vítor combinaram expressamente que Vítor não
transmitiria o crédito sobre Teresa, aceitando Vítor que Teresa regularizasse a situação até o
final do mês de Fevereiro. Teresa não consegue pagar a Vítor.
A 1 de Abril de 2013, Vítor precisa de dinheiro e, sem informar Xavier acerca da
combinação com Teresa, transmite-lhe o crédito sobre Teresa, mediante o pagamento, por
Xavier, de 10.000€. Logo no dia 2, Xavier apresenta-se a Teresa reclamando o pagamento dos
10.000€ acrescidos de juros remuneratórios e moratórios, sob pena de propor uma acção
judicial. Teresa recusa pagar, alegando o acordo celebrado com Vítor em Fevereiro de 2013 e
afirma, ainda, que Vítor e Xavier terão de a indemnizar pelas consequências negativas para a
sua carreira causadas pelo negócio celebrado entre ambos.
Quid Juris?