Visão Geral de Hemostasia
Visão Geral de Hemostasia
Fatores vasculares
Fatores vasculares reduzem a perda sanguínea por causa de trauma ao longo da vasoconstrição
local (uma reação imediata à lesão) e compressão dos vasos lesionados pelo extravasamento do sangue
nos tecidos circundantes. A lesão da parede do vaso dispara a fixação e a ativação das plaquetas, bem
como a produção de fibrina; as plaquetas e a fibrina se combinam para formar o coágulo.
Fatores plaquetários
Fatores do plasma
Na via intrínseca, fator XII, cininogênio de alto peso molecular, pré-calicreína e fator XI ativado
(fator XIa) produzem o fator IXa advindo do fator IX. O fator IXa se combina, então, ao fator VIIIa e ao
fosfolipídio procoagulante (presente na superfície das plaquetas ativadas e células dos tecidos) para
formar um complexo que ativa o fator X. Na via extrínseca, o fator VIIa e o fator tecidual (FT) ativam
diretamente o fator X (o fator VIIa/complexo do fator tecidual também ativa o fator IX— Vias de coagulação
do sangue. e Componentes das reações da coagulação sanguínea).
Vias de coagulação do sangue.
A ativação da via intrínseca ou extrínseca ativa a via comum, resultando na formação de coágulo
de fibrina. Três passos estão envolvidos na ativação da via comum:
Os íons de cálcio são necessários na maioria das reações geradoras da trombina (agentes
quelantes do cálcio [p. ex., citrato, ácido etilenodiaminotetracético] são utilizados in vitro como
anticoagulantes). Fatores de coagulação vitamina K-dependentes (fatores II, VII, IX e X), em geral, não
podem se ligar normalmente às superfícies dos fosfolipídios por meio das pontes do cálcio ou atuar na
coagulação sanguínea quando os fatores são sintetizados na ausência de vitamina K.
O início, in vivo, da via extrínseca ocorre diretamente quando a lesão nos vasos sanguíneos
coloca o sangue em contato com o fator tecidual nas membranas das células dentro e ao redor das
paredes dos vasos. Esse contato com o fator tecidual gera complexos de fator VIIa/tecidual que ativam os
fatores X e fator IX. O fator IXa, combinado com o seu cofator, o fator VIIIa, gera na superfície da
membrana fosfolipídica o fator adicional Xa. A ativação do fator X, por ambas as vias, é necessária para
hemostasia normal. Essa necessidade por fatores VIII e IX explica por que a hemofilia tipo A (deficiência
do fator VIII) ou tipo B (deficiência do fator IX) resulta em sangramento apesar da coagulação pela via
extrínseca iniciada pelo fator VIIa/complexos do fator tecidual.
Mecanismos reguladores
A deposição e lise da fibrina devem ser equilibradas para manter temporariamente, e então
remover, a vedação hemostática durante o reparo da parede de um vaso lesionado. O sistema fibrinolítico
dissolve a fibrina por meio da plasmina, uma enzima proteolítica. A fibrinólise é ativada pelos ativadores de
plasminogênio liberados pelas células endoteliais vasculares. Os ativadores de plasminogênio e o
plasminogênio do plasma se ligam à fibrina e os ativadores de plasminogênio catalisam a clivagem do
plasminogênio, criando a plasmina (Via fibrinolítica.). A plasmina gera produtos solúveis da degradação da
fibrina que são removidos para a circulação.
Via fibrinolítica.
Deposição de fibrina e fibrinólise devem ser equilibradas durante o reparo de parede do vaso
sanguíneo lesionado. Células endoteliais vasculares lesionadas liberam ativadores de plasminogênio
(ativador do plasminogênio tecidual, uroquinase), ativando a fibrinólise. Ativadores de plasminogênio
clivam plasminogênio em plasmina, que dissolve coágulos. A fibrinólise é controlada pelos inibidores do
ativador de plasminogênio (PAI; p. ex., PAI-1) e inibidores da plasmina (p. ex., α2-antiplasmina).
Ativador do plasminogênio tecidual (tPA, tissue plaminogen activator), advindo das células
endoteliais, é um ativador inferior quando livre em solução, mas um ativador muito eficiente quando
acoplado à fibrina em proximidade com o plasminogênio.
A uroquinase existe em forma de cadeias simples e dupla com diferentes propriedades funcionais.
A uroquinase de cadeia simples não consegue ativar o plasminogênio livre, mas, como o tPA,
consegue ativar imediatamente o plasminogênio ligado à fibrina. Uma concentração traço de
plasmina cliva a cadeia simples de uroquinase em cadeia dupla, a qual ativa o plasminogênio em
solução, assim como o plasminogênio ligado à fibrina. As células epiteliais, que revestem
passagens excretoras (p. ex., túbulos renais, ductos mamários), secretam uroquinase, que é o
ativador fisiológico da fibrinólise nesses canais.
Estreptoquinase, um produto bacteriano normalmente não encontrado no corpo, consiste em outro
potente ativador de plasminogênio.
Regulação da fibrinólise
A fibrinólise, por si só, é regulada por inibidores do ativador de plasminogênio (PAI, plasminogen
activator inhibitors) e inibidores da plasmina que desaceleram a fibrinólise. O inibidor do ativador de
plasminogênio-1 (PAI-1), o mais importante, desativa o tPA e a uroquinase e é liberado pelas células
endoteliais vasculares e plaquetas ativadas. O inibidor primário de plasmina é a alfa2-antiplasmina, que
desativa rapidamente qualquer plasmina livre que escapa dos coágulos. Algumas alfa2-antiplasminas
também se unem por ligação cruzada aos polímeros da fibrina pela ação do fator XIIIa durante a
coagulação. Essa ligação cruzada pode impedir a atividade excessiva da plasmina dentro dos coágulos.
tPA e uroquinase são rapidamente eliminados pelo fígado, que é outro mecanismo para impedir a
fibrinólise excessiva.
É vitamina K-dependente.
É ativada para o fator Va, um cofator do fator enzimático
Xa em um complexo de fator Xa/Va/fosfolipídio, que cliva
protrombina para trombina.
V Pró-acelerina
Está presente nos grânulos alfa das plaquetas.
Sangramento excessivo
Hemorragia excessiva ou incomum pode ser indicada por vários sinais e sintomas. Os pacientes
podem apresentar hemorragias nasais inexplicáveis (epistaxe), perda de sangue menstrual excessiva ou
prolongada (menorragia) ou hemorragia prolongada após cortes pequenos, escovação dos dentes ou
passagem de fio dental ou trauma. Outros pacientes podem ter lesões na pele, incluindo petéquias
(pequenas hemorragias intradérmicas ou das mucosas), púrpura (áreas de mucosas ou hemorragia na
pele maiores que as petéquias), equimoses (hematomas) ou telangiectasias (pequenos vasos dilatados
visíveis em pele ou mucosa). Alguns pacientes muito enfermos podem, de repente, sangrar por perfuração
vascular ou lesões na pele e têm hemorragia grave nesses locais ou no trato GI ou GU. Em alguns
pacientes, o primeiro sinal é uma anormalidade no teste laboratorial sugerindo a suscetibilidade de
hemorragia excessiva, que é encontrada acidentalmente.
Etiologia
Os distúrbios nas plaquetas podem envolver número anormal de plaquetas (tipicamente poucas
plaquetas, embora contagem excessivamente elevada possa ser associada à trombose ou à hemorragia
excessiva), função deficiente das plaquetas ou ambos. Os distúrbios de coagulação podem ser adquiridos
ou ser hereditários.
Trombocitopenia grave
Anticoagulação excessiva, como com varfarina ou heparina
Doença hepática (produção inadequada de fatores de coagulação)
Avaliação
História
História da doença atual deve determinar locais da hemorragia, quantidade, duração e relação
com quaisquer possíveis eventos precipitantes.
Revisão dos sistemas deve abordar especificamente sobre a hemorragia em locais específicos
em vez de espontâneos (p. ex., pacientes que se queixam de facilidade de hematomas devem ser
questionados sobre frequentes hemorragias nasais, sangramento da gengiva ao escovar os dentes,
melena, hemoptise, sangue nas fezes ou urina). Deve-se perguntar ao paciente sobre sintomas de causas
possíveis, incluindo dor abdominal e diarreia (distúrbio GI); dor articular (distúrbios do tecido conjuntivo) e
amenorreia e enjoo matinal (gestação).
Infecção grave, câncer, cirrose, infecção pelo HIV, gestação, LES ou uremia
História de hemorragia anterior excessiva ou incomum ou transfusões
História familiar de distúrbios hemorrágicos
O histórico de medicamentos deve ser revisto, sobretudo o uso de heparina, varfarina, inibidores orais
mais recentes da trombina ou do fator Xa, ácido acetilsalicílico e AINEs. Pacientes que tomam varfarina
também devem ser indagados sobre a ingestão de medicamentos e alimentos (incluindo suplementos e
fitoterápicos) que diminuem o metabolismo da varfarina e, assim, aumentam seu efeito anticoagulante.
Categoria Exemplos
Distúrbios plaquetários
Produção inadequada (p. ex., leucemias, anemia aplásica e algumas
síndromes mieloplásicas)
Destruição induzida por medicamentos (p. ex., por heparina, quinidina, quinino,
sulfonamidas, sulfonilureias ou rifampina)
Número de plaquetas
aumentado (distúrbio Trombocitemia essencial (trombose pode ser mais comum do que hemorragia)
quantitativo)
Doença de von Willebrand (adesão inadequada de plaquetas mediadas por
FVW)
Função inadequada das
plaquetas (distúrbio Disfunção induzida por fármacos (p. ex., por ácido acetilsalicílico ou AINE)
qualitativo)
Distúrbios sistêmicos (uremia; ocasionalmente, síndromes mieloproliferativas
ou mielodisplásicas, mieloma múltiplo)
Distúrbios de coagulação
Adquirida Deficiência de vitamina K
Doença hepática
CID
Hemofilia A (deficiência do fator VIII)
Hereditários
Hemofilia B (deficiência do fator IX)
Doenças vasculares
Deficiência de vitamina C
Adquirida
Vasculite associada à imunoglobulina A
Distúrbios do tecido conjuntivo (p. ex., síndrome de Ehlers-Danlos,
osteogenese imperfeita, síndrome de Marfan)
Hereditários
Telangiectasia hemorrágica hereditária
CID = coagulação intravascular disseminada; FVW = fator de von Willebrand.
Exame físico
Sinais vitais e aparência geral podem indicar hipovolemia (taquicardia, hipotensão, palidez,
diaforese) ou infecção (febre, taquicardia, hipotensão com sepsia).
São examinadas a pele e a membrana mucosa (nariz, boca, vagina) para petéquias, púrpura e
telangiectasias. A hemorragia no trato GI frequentemente pode ser identificada por exame retal digital.
Sinais de hemorragia em tecidos mais profundos podem incluir sensibilidade durante movimento e edema
local, hematomas musculares e, no caso de hemorragia intracraniana, confusão, torcicolo, anormalidades
neurológicas focais ou combinação desses sintomas.
Bandeiras vermelhas
Hemorragia de locais superficiais, incluindo pele e membrana mucosa, sugere defeito quantitativo
ou qualitativo nas plaquetas ou defeito nos vasos sanguíneos (p. ex., amiloidose).
Hemorragia advinda dos tecidos profundos (p. ex., hemartroses, hematomas musculares,
hemorragia retroperitoneal) sugere defeito na coagulação (coagulopatia).
História familiar de hemorragia excessiva sugere coagulopatia hereditária (p. ex., hemofilia),
disfunção qualitativa nas plaquetas, tipo de doença de von Willebrand (DVW) ou telangiectasia
hemorrágica hereditária. Ausência de histórico familiar conhecida, entretanto, não exclui distúrbio
hereditário de hemostasia.
Hemorragia em paciente grávida ou que teve parto recente, que esteja em choque ou que tenha
séria infecção sugere CID.
Diarreia hemorrágica e trombocitopenia em paciente com febre e sintomas GI sugerem síndrome
hemolítica-urêmica (SHU), que frequentemente está associada à infecção por Escherichia coli O157:H7
(ou outro tipo que produz toxina semelhante a Shiga do E. coli).
Em crianças, um rash púrpurico e palpável nas superfícies extensoras das extremidades sugere
vasculite associada a imunoglobulina A, particularmente se acompanhado por febre, poliartralgia ou
sintomas GI.
Pacientes com conhecido abuso de álcool ou doença hepática podem ter coagulopatia,
esplenomegalia ou trombocitopenia.
Exames
Muitos pacientes requerem avaliação laboratorial ( Exames laboratoriais para hemostasia por fase). Os
testes iniciais são
O tempo de protrombina (PT) faz triagem para anormalidades nas vias de coagulação
extrínsecas e comuns (fatores plasmáticos VII, X, V, protrombina e fibrinogênio). É descrito como a INR,
que reflete a proporção entre o PT do paciente e o valor de controle do laboratório; a INR corrige as
diferenças dos reagentes entre os diferentes laboratórios. Em razão da grande variação dos reagentes
comerciais e instrumentos, cada laboratório deve determinar sua própria faixa normal de PT e PTT; faixa
normal típica para PT está entre 10 e 13 s. INR > 1,5 ou TP ≥ 3 s acima do valor de controle normal do
laboratório é geralmente anormal e requer avaliação adicional. A INR é valiosa na triagem de coagulação
em várias condições adquiridas (p. ex., deficiência de vitamina K, doença hepática, CID). É também
utilizada para monitorar a terapia com o antagonista da vitamina K oral, a varfarina.
O PT e o PTT não se prolongam até que um ou mais dos fatores de coagulação testados estejam
deficientes em cerca de 70%. Para determinar se o prolongamento reflete um ou mais fatores de
coagulação ou a presença de um inibidor, o teste é repetido após a mistura do plasma do paciente com
plasma normal na proporção de 1:1. Como essa mistura contém pelo menos 50% dos níveis normais de
todos os fatores de coagulação, a insuficiência quase completamente da mistura para corrigir o
prolongamento sugere a presença de um inibidor no plasma do paciente.
Resultados normais dos testes iniciais excluem muitos distúrbios hemorrágicos. As principais
exceções são DVW e talangiectasia hemorrágica hereditária. DVW é uma entidade comum cuja deficiência
associada do fator VIII é, em geral, insuficiente para prolongar o PTT. Pacientes com resultados de testes
iniciais normais, junto com sinais ou sintomas de hemorragia e histórico familiar positiva, devem ser
testados para DVW medindo-se antígeno do FVW, atividade de cofator da ristocetina (um teste indireto
para grandes multímeros FVW), padrão multímero do FVW e níveis do fator VIII.
Exame Propósito
Formação de tampões iniciais de plaquetas
Contagem de
Quantifica o número de plaquetas
plaquetas
Avalia a adequação da resposta plaquetária ao estímulo fisiológico ativador de plaquetas
(p. ex., colágeno, adenosina difosfato, ácido araquidônico)
Agregação de
plaquetas
Detecta padrões anormais em distúrbios funcionais das plaquetas hereditários ou
adquiridos
Antígeno do FVW Medidas de concentração total de proteínas plasmáticas FVW
Composição em
Avalia a distribuição dos multímeros do FVW no plasma (p. ex., grandes multímeros estão
multímeros do
faltando nas variantes de tipo 2 da DVW)
FVW
Aglutinação de Faz a triagem para grandes multímeros do FVW no plasma rico em plaquetas do paciente
ristocetina (obtidos, com frequência, como parte da rotina da avaliação laboratorial para DVW)
Atividade do
Quantifica os grandes multímeros do FVW no plasma do paciente usando plaquetas para
cofator de
testes de formalina fixa
ristocetina
Formação de fibrina
Faz a triagem dos fatores das vias extrínseca e comum (fatores VII, X, V; protrombina e
TP
fibrinogênio)
Faz a triagem dos fatores das vias intrínseca e mede a concentração total plasmática de
TTP proteína VWF comum (pré-calicreína; cininogênio de alto peso molecular; fatores XII, XI,
IX, VIII, X e V; protrombina e fibrinogênio)
Ensaios
funcionais
Determina a atividade do fator coagulante específico testado como uma percentagem do
específicos para
normal
os fatores de
coagulação
Avalia a última etapa da coagulação (clivagem da trombina do fibrinogênio em fibrina)
Tempo de
trombina É prolongado pela ativação de antitrombina induzida por heparina e em condições que
resultam em anormalidades qualitativas de fibrinogênio ou hipofibrinogenemia
Se normal e com tempo de trombina prolongado, fornece a evidência presuntiva de que a
amostra do plasma contém heparina (p. ex., heparina residual após circulação
Tempo de
extracorpórea ou se a amostra sanguínea foi retirada de um acesso IV mantido pérvio
reptilase
com soluções de heparina) porque o tempo de reptilase não é afetado pela ativação da
antitrombina induzida por heparina
Nível de Quantifica o fibrinogênio do plasma, que é aumentado em reações de fase aguda e
fibrinogênio diminuído em doenças hepáticas e CID graves
Fibrinólise
Estabilidade do A lise dos coágulos ocorre em solução salina se a atividade fibrinolítica é excessiva ou
coágulo durando em 5M de ureia se o fator XIII é deficiente
24 h de incubação
em solução salina
Exame Propósito
e em5M de ureia Deve ser feita em pacientes com ferimento com cicatrização deficiente ou abortos
frequentes
Atividade do Quantifica o plasminogênio plasmático, que está diminuído em pacientes com
plasminogênio tromboembolismo venoso congênito de início precoce (raro)
AlphaAlfa2- Quantifica o nível de plasma desse inibidor de fibrinólise, que é reduzido em pacientes
antiplasmina com sangramento excessivo resultante de aumento de fibrinólise (raro)
Faz a triagem para CID
Produtos de
degradação do Níveis diminuídos quando a plasmina já agiu no fibrinogênio ou na fibrina in vivo (p. ex.,
fibrinogênio e na CID)
fibrina séricos
Substituído pela análise do d-dímero do plasma
É medido tanto com o teste de aglutinação em látex com anticorpo monoclonal ou por
meio de ELISA
Valores altos indicam que a trombina foi gerada in vivo com generação resultante da
fibrina, ativação da enzima de ligação cruzada, fator XIII e fibrinólise secundária
d-dímero
plasmático Tem a vantagem prática de poder ser feito em citrato-plasma e, assim, ao contrário do
teste de produtos da degradação da fibrina sérica, não requer coagulação sanguínea em
um tubo especial para preparar soro livre de fibrogênio residual
É útil no diagnóstico da CID e trombose in vivo (p. ex., trombose venosa profunda,
embolia pulmonar), especialmente a versão ELISA sensível
ADP = adenosina difosfato; CID = coagulação intravascular disseminada, ELISA = ensaio imunoenzimático;
DVW = doença de von Willebrand; FVW = fator de von Willebrand.
PTT prolongado com plaquetas e PT normais sugere hemofilia A ou B. Testes de fatores VIII e
IX são indicados. Inibidores que especificamente prolongam o TTP incluem autoanticorpo contra o fator
VIII e anticorpos contra complexos fosfolipídios-proteína (lúpus anticoagulante). Os médicos suspeitam
desses inibidores quando TTP prolongado não é corrigido após mistura com plasma normal de 1:1.
TP prolongado com plaquetas e PTT normais sugere deficiência do fator VII. Deficiência
congênita do fator VII é rara; contudo, a meia-vida curta do fator VII no plasma acarreta diminuição do fator
VII para níveis baixos mais rapidamente do que outros fatores de coagulação vitamina K-dependentes em
pacientes que começam a receber varfina ou com doença hepática incipiente.
TP ou TTP prolongados com contagem normal de plaquetas ocorre com doença hepática,
deficiência de vitamina K ou durante anticoagulação com varfarina, heparina não fracionada ou os
inibidores orais mais recentes da trombina ou do fator Xa. Suspeita-se de doença hepática com base na
história e confirma-se quando se acha elevação de aminotransferases séricas e bilirrubina; recomenda-se
teste para hepatite.
Testes de imagem normalmente são pedidos para detectar hemorragia oculta em pacientes com
distúrbios hemorrágicos. Por exemplo, deve-se realizar TC da cabeça em pacientes com cefaleia grave,
ferimentos na cabeça ou comprometimento da consciência. TC abdominal é necessária em pacientes com
dor abdominal ou outros resultados compatíveis com hemorragia intra ou retroperitoneal.
Tratamento
Pontos-chave
Qualquer dessas condições, mesmo com aumento de plaquetas, pode causar formação
defeituosa dos tampões hemostáticos e sangramento.
Etiologia
Trombocitemia e trombocitose
Trombocitopenia
Trombocitopenia gestacional
A trombocitopenia induzida por medicamentos devida à destruição de plaquetas por mediação
imunitária (comumente heparina, sulfametoxazol-trimetoprima e raramente quinina)
Trombocitopenia farmacológica decorrente de mielossupressãodose-dependente (p. ex.,
quimioterápicos e etanol)
Trombocitopenia acompanhada de infecção sistêmica
Trombocitopenia imunitária (anteriormente chamada púrpura trombocitopênica imunitária)
Disfunção plaquetária
Pode surgir de defeito intrínseco das plaquetas ou de fator extrínseco que altera a função
plaquetária normal. A disfunção pode ser hereditária ou adquirida. As doenças hereditários da função
plaquetária são a doença de von Willebrand, a doença hemorrágica hereditária mais comum, e as doenças
plaquetárias hereditárias intrínsecas, bem menos comuns. A disfunção plaquetária adquirida costuma ser
causada por alguma doença (p. ex., insuficiência renal), bem como por ácido acetilsalicílico e outros
medicamentos.
Sinais e sintomas
Causa Condições
Anemia aplásica
Leucemia
Megacariócitos diminuídos ou ausentes
na medula Medicamentos mielossupressores (p. ex., hidroxiureia, interferon
alfa-2b, fármacos quimioterápicos)
Uso de bortezomibe.
Doença de Gaucher.
Sequestro de plaquetas no baço
aumentado
Mielofibrose com metaplasia mieloide.
Sarcoidose.
Síndrome do anticorpo antifosfolipídio.
Doenças linfoproliferativas.
Púrpura pós-transfusão.
Sarcoidose.
Certas infecções sistêmicas (p. ex., hepatite, infecção por vírus de
Epstein-Barr, citomegalovírus ou vírus da dengue).
Equimoses
Suspeita-se dos distúrbios das plaquetas em pacientes com petéquias e sangramento na mucosa.
Obtêm-se hemograma com contagem de plaquetas, estudos de coagulação e esfregaço do sangue
periférico. Plaquetas excessivas e trombocitopenia são diagnosticadas com base na contagem plaquetária;
os estudos de coagulação são normais, a menos que haja coagulopatia simultânea. Em pacientes com
hemograma, contagem plaquetária e relação normalizada internacional (INR) e PTT normais, há suspeita
de disfunção plaquetária.
Dicas e conselhos
Suspeitar de disfunção plaquetária ou de disfunção da parede dos vasos nos pacientes com
petéquias e/ou sangramento, mas com contagem plaquetária e resultados do coagulograma normais.
Trombocitopenia
O aspirado de medula óssea é indicado se o exame direto mostrar outras alterações além da
trombocitopenia, como eritrócitos nucleados ou leucócitos anômalos ou imaturos. O aspirado de medula
óssea revela o número e a aparência dos megacariócitos, sendo o exame definitivo para muitas doenças
que causam insuficiência da medula óssea. No entanto, número e aparência normais de megacariócitos
nem sempre indicam produção normal das plaquetas. Por exemplo, entre os pacientes com
trombocitopenia imunitária (TCI), a produção plaquetária pode estar diminuída apesar de sua aparência
normal e do aumento do número de megacariócitos.
Se a medula óssea estiver normal, mas o baço aumentado, o sequestro esplênico elevado
consistirá provavelmente na causa da trombocitopenia. Se a medula óssea está normal e não há
esplenomegalia, a destruição plaquetária excessiva é provavelmente a causa. A dosagem de anticorpos
antiplaquetas, em geral, não é clinicamente útil. O teste para HIV é feito em pacientes com risco de
infecção por HIV. Biópsia de medula óssea raramente é necessária nos pacientes com púrpura
trombocitopênica imunitária típica.
Tratamento
Os pacientes podem precisar fazer transfusão de plaquetas, mas isso só é feito em alguns casos.
As transfusões profiláticas são utilizadas como segunda opção, pois podem perder sua eficácia com o uso
repetido pelo desenvolvimento de aloanticorpos plaquetários. Na disfunção plaquetária ou na
trombocitopenia causada pela produção reduzida, as transfusões são reservadas a pacientes que
apresentem sangramento ativo, trombocitopenia grave (p. ex., contagem de plaquetas < 10.000/μl) ou
aqueles que precisam de procedimentos invasivos. Na trombocitopenia provocada pela destruição de
plaquetas, as transfusões são reservadas às situações de risco de vida ou ao sangramento do SNC.
Trombocitopenia gestacional
Trombocitopenia imune
Púrpura pós-transfusão
Câncer metastático
CID
Fragmentação de eritrócitos
(esquizócitos)
Pré-eclâmpsia com CID