Galope Rotineiro da Beira do Mar Das muitas promessas que ele lhe fez
Que lhe convenceu a entregar-se de
E o dia começa pendendo alegria vez
E vai caminhando, galope de fúria Numa certa noitinha na beira do mar.
Trazendo na boca tristeza e angustia
Da fome pesando em feroz covardia Não vê o marceneiro, a madeira
O caboclo se senta na beira da pia talhando
O fumo prensado na boca a pitar O suor pingando da testa enrugada
A chama vermelha temendo apagar O talho cortando a cada passada
No longo horizonte de azul infinito A dura madeira vai-se espedaçando
Os seus pensamentos de pobre Aos poucos uma nova forma tomando
maldito Uma nova canoa pra no mar singrar
Que sempre labuta na beira do mar. Levando os homens que irão pescar
Trazendo pra terra comida e sustento
O menino correndo no meio da rua Um balaio de peixe ao som dos
Chinela na mão e a poeira subindo lamentos
Tropeça na pedra e no barro caindo Dos mil pescadores na beira do mar.
Arranha o joelho na areia crua
O vento soprando deixa a moça nua Um turista chega com sua família
E o doido na rua a tagarelar E pisa na praia de short e sandália
Ao ver a donzela começa a gritar Com ele sua esposa que se chama
Que pobre coitada, moça não é não Amália
Perdeu sua honra e o seu coração Seus filhos Alfredo, Murilo e Emilia.
Junto com seus sonhos na beira do De uma mochila sai toda mobília
mar. Na areia da praia se põe a arrumar
Um monte de coisas que vai precisar
A moça apressada se põe a correr Uma toalha pintada de cores vibrantes
Pois envergonhada da fama que tem Protetor solar, coisas de viajante
Pensa na tia que está no além Pra passar o dia na beira do mar.
Pragueja: a maldita tinha que morrer?
Tinha que deixá-la sozinha a sofrer? Um pouco distante se encontra Maria
Lembra do bom moço que viu lá num Com um cesto de roupa pesando o
bar andar
Que muitas histórias pôs-se a lhe Mas que não a impede de sempre
contar cantar
Com a singeleza de uma falsa alegria O soutien do biquine vai desamarrar
Sua dura rotina, igual todo dia Pro seu bronzeado perfeito ficar
Na beira da praia, a roupa lavar Fazer topless na areia bendita
Com água salobra sempre a marejar Enquanto um banhista nos peitos
Tirando a sujeira que fica grudada medita
No tecido sujo da sua “fiarada” Aquela beleza gratuita a olhar
Que “bola” na areia da beira do mar. Sua namorada a se enciumar
E sob o seu short vai se avolumando
D’uma aldeia ali perto vem um Pra não se envergonhar vai na água
pescador entrando
Trazendo um cesto “chei” de camarão Pensando na Deusa da beira do mar.
Cobrando um vintém por cada porção
Prometendo aos tolos celestial sabor O dia vai passando e o cenário
Do pobre crustáceo cheio de valor mudando
O cesto antes cheio se põe a secar São muitas pessoas vindo descansar
Com o tanto de gente pronto a lhe Famílias, solteiros, guris a brincar
pagar Atletas corredores e gente andando
E o vendedor alegre e cercado Vendedores diversos seus preços
Fazendo da praia seu próprio mercado gritando
Com frutos que colhe na beira do mar. O sol inclemente no céu a andar
Fazendo o tempo ligeiro passar
Andando na areia vem vindo uma Quando mal se espera o céu se
morena avermelha
Com seu rebolado todo requebrado É o fim da tarde que no mar se
Colhendo desejos de um olhar safado espelha
Nas costas pintada tatuagem de Hena Pra todos que ficam na beira do mar.
Dizem os maldosos que se chama
Helena Muita gente zen nessa hora se
Estende a toalha pra se Bronzear encanta
Nas pernas, um óleo começa a passar Por ver no horizonte sinais de magia
No corpo um biquine tipo fio dental A lua já faz no céu sua folia
É tão pequenino que lhe cobre mal O sol no horizonte seu brilho decanta,
Mas torna-lhe Deusa na beira do mar. A noite cobrindo tudo com sua manta.
Alguém pega uma viola e se põe a
Olhando pro lado a morena hesita cantar
Canções iludidas de alguém a amar
Alguns namorados se abraçam mais
fortes
E outros solteiros se julgando sem
sorte
Contemplam o silencio na beira do
mar.
O dia termina naquele torrão
O barulho das ondas vai intercalando
O pesado silencio que ali vai chegando
Apagando as pegadas deixadas no
chão
E os poemas escritos na areia com a
mão.
Sobra pouca gente ainda a fitar
Um mar infinito com o vento a soprar
No breu que se forma não há nada pra
ver
A beleza da praia voltou a se esconder
No fim de outro dia na beira do mar.