MEC-DINES: V Jornadas Pedagógicas do Ensino Secundário 2025
Reflexão em torno das Estratégias de Gestão de Turmas com Rácio Elevado: Estudo das
Escolas Secundárias da Província do Niassa, Moçambique
Octávio da Conceição Pio1
Resumo
A Educação em Moçambique, dentre os diversos problemas enfrentados, as turmas com rácio elevado ganham
destaque. A problemática de estratégias de gestão destas turmas, suscita vários debates no seio de pesquisadores
e gestores de educação, não só no país, assim como pelo mundo. A pesquisa objectiva reflectir em torno das
estratégias de gestão de turmas com rácio elevado nas escolas secundárias da Província do Niassa.
Especificamente visa, evidenciar os efeitos das turmas com rácio elevado nas escolas secundárias no processo de
ensino aprendizagem, relacionar o tamanho da turma com o aproveitamento pedagógico dos alunos e descrever
as estratégias de gestão de turmas com rácio elevado a serem adoptadas pelos professores. Para sua
concretização, o estudo baseou-se na revisão bibliográfica e análise documental como uma ferramenta
metodologia com abordagem qualitativa dos factos. Os efeitos de das turmas com rácio elevado incidem sobre os
modos de ensino do professor, na execução de um ensino mais diversificado. As turmas grandes são
apresentadas por um lado, como um obstáculo para desempenho do aluno, a participação do aluno na aula. A
existência de turmas grandes influencia negativamente no aproveitamento pedagógico. Para gerir turmas
numerosas o professor deve encontrar formas de tornar o processo mais eficaz e menos estressante, algumas
estratégias são o estabelecimento de regras claras, a organização e planificação, dividir em grupos menores.
Palavras-chave: Estratégias, gestão de turmas; rácio elevado.
Abstract
Among the many problems faced in education in Mozambique, classes with high ratios stand out. The problem
of management strategies for these classes has sparked several debates among researchers and education
managers, not only in the country, but also around the world. The research aims to reflect on management
strategies for classes with high ratios in secondary schools in the Niassa Province. Specifically, it aims to
highlight the effects of classes with high ratios in secondary schools on the teaching-learning process, relate class
size to students' pedagogical performance, and describe the management strategies for classes with high ratios to
be adopted by teachers. To carry it out, the study was based on a bibliographic review and documentary analysis
as a methodological tool with a qualitative approach to the facts. The effects of classes with a high ratio affect
the teacher's teaching methods, in the implementation of a more diversified teaching method. Large classes are
presented, on the one hand, as an obstacle to student performance and student participation in class. The
existence of large classes negatively influences pedagogical performance. To manage large classes, the teacher
must find ways to make the process more effective and less stressful. Some strategies include establishing clear
rules, organization and planning, and dividing into smaller groups.
Keywords: Strategies, class management; high ratio.
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Licenciado em Ensino de Biologia com Habilitações em Ensino de Química pela Universidade
Pedagógica Delegação de Niassa (2015-2019). Actualmente Professor da Disciplina de Química exercendo
suas funções na Escola Secundária Geral de Maganga – Cuamba. E-mail: [email protected]
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1. Introdução
Em Moçambique o Sistema Nacional de Educação, com particular destaque para rede pública,
verifica-se a existência de poucas escolas e salas de aulas para a população estudantil
existente, ocasionando implicações no número de alunos por classe ou turma. A educação no
pais, dentre os diversos problemas enfrentados actualmente, à superlotação de salas de aula
ganha um grande destaque. A problemática de estratégias de gestão de turmas com rácio
elevado, suscita vários debates no seio de académicos, pesquisadores e gestores de educação,
não só em Moçambique, como em outras partes do mundo.
No contexto actual, o fenómeno das turmas grandes no ensino apresenta especial visibilidade
nos países em desenvolvimento, como Moçambique, onde algumas turmas chegam a ter mais
de 80 alunos. Verifica-se no sistema de educação moçambicano, especialmente no Ensino
Secundário Geral, 1º Ciclo (ESG1), e na Província do Niassa, local do desenvolvimento da
presente pesquisa, a existência de turmas com mais de 70 alunos, algumas chegam aos 100
alunos, como resultado de vários factores de natureza económica e social.
De acordo com Bernardo (2025 p.03), a sobrecarga de professores, e a falta de
acompanhamento individualizado dos alunos em turmas numerosas e a limitação de recursos
pedagógicos são alguns dos principais desafios associados à gestão de turmas numerosas.
Essas dificuldades afectam não apenas o desempenho académico dos alunos, mas também a
motivação e o empenho com as actividades de aprendizagem.
O autor salienta que em contrapartida, esse cenário exige que os professores adoptem
estratégias pedagógicas inovadoras e adaptadas às realidades do ambiente escolar, de modo a
garantir que todos os alunos tenham oportunidades iguais de aprender.
O incremento da população estudantil nas escolas secundárias em muitos países em via de
desenvolvimento, ao grupo de que Moçambique faz parte, tem conduzido ao engrandecimento
do número de alunos por turma, concebendo uma série de desafios tanto para os educadores
quanto para os alunos. Além disso, Bernardo (2025 p.05) salienta que a infra-estrutura das
escolas e os recursos pedagógicos, como materiais didácticos, tecnologia, e o número
adequado de professores, muitas vezes não são suficientes para suportar o número elevado de
alunos em sala de aula.
Esse panorama, a maioria das vezes, culmina em dificuldades no processo de ensino-
aprendizagem, com influências negativos sobre o desempenho dos alunos, o envolvimento
dos professores e a qualidade do ensino no geral.
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Concernente a organização, o trabalho esta estruturado em, introdução onde apresenta-se a
contextualização da temática, justificativa da escolha do tema e os objectivos da pesquisa;
metodologia para a realização da pesquisa; fundamentação teórica onde abordamos os
principais aspectos relacionados com o tema; resultados e discussão, onde apresentam-se
resultados de vários estudos desenvolvidos sobre o tema e o autor faz uma análise crítica
relacionando-os e no final, têm as considerações finais e as referências bibliográficas.
1.1. Justificativa
A escolha do tema da presente pesquisa, assenta-se nas V jornadas Pedagógicas do Ensino
Secundário em que uma das temáticas prioritárias é: estratégias de gestão de turmas com rácio
elevado. Não obstante a isso, o proponente sendo um profissional de educação, no
desenvolvimento das suas actividades profissionais tem se deparado constantemente com
turmas com rácio elevado. Entretanto, a gestão eficiente de turmas numerosas mostra-se como
um tema essencial, visto que uma turma com elevado número de alunos pode dificultar o
seguimento individualizado, a participação activa dos alunos e a manutenção da disciplina.
A gestão de turmas numerosas constitui uma das dificuldades mais patentes nas escolas
secundárias de Moçambique e da província de Niassa em particular. Bernardo (2025 p.05)
argumenta que o aumento da demanda por educação, aliado à escassez de infra-estrutura
adequada e à falta de recursos materiais, resulta em turmas cada vez maiores, com número de
alunos que pode ultrapassar o ideal para uma boa interacção professor-aluno. Esse cenário
gera uma série de obstáculos para o processo de ensino-aprendizagem, como a sobrecarga dos
professores, a dificuldade de acompanhamento individualizado dos alunos e a diminuição da
qualidade da educação oferecida.
Nesse sentido, na óptica de Almeida (2005, p.251), defende que ‟a gestão eficiente de turmas
numerosas exige a adopção de novas abordagens pedagógicas e estratégias que possam
minimizar os efeitos negativos dessa realidade, garantindo a melhoria da qualidade de
ensino e o sucesso educacional dos estudantes”.
Na perspectiva de Fortes (2000 p.46) “os alunos em turmas numerosas denunciam como mais
problemática a falta de tempo e de disponibilidade dos professores para acompanharem a
produção do conhecimento”. Adicionalmente a isso, em turmas numerosas verifica-se grande
desinteresse por parte dos alunos, porque enquanto o professor atende um aluno para
descobrir a causa da dificuldade dele que não é tão geral, mas individual, os outros ficam sem
atendimento.
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Outro aspecto importante relativo a relevância da pesquisa reside no fato de trazer algumas
contribuições, em termos de estratégias de ensino-aprendizagem adequadas ao contexto de
turmas com elevado rácio, contribuições que podem tornar-se em mais ganho para o PEA nas
instituições de ensino secundário, em particular, e para a melhoria da qualidade de educação
no geral.
A pesquisa tem um impacto social a medida em que faz uma reflexão em torno das estratégias
de gestão de turmas com rácio elevado nas escolas secundárias da Província do Niassa. Com
base nessa reflexão, mais contribuições são disponibilizadas aos intervenientes no processo de
ensino sobre a temática, ocasionando um ensino de qualidade e consequentemente formar
cidadãos competentes para resolução dos desafios sociais.
1.2. Objectivos
1.2.1. Geral:
• Reflectir em torno das estratégias de gestão de turmas com rácio elevado nas escolas
secundárias da Província do Niassa.
1.2.2. Específicos:
• Evidenciar os efeitos das turmas com rácio elevado nas escolas secundárias no
processo de ensino aprendizagem;
• Relacionar o tamanho da turma com o aproveitamento pedagógico dos alunos;
• Descrever as estratégias de gestão de turmas com rácio elevado a serem adoptadas
pelos professores.
2. Fundamentação Teórica
2.1. Definição dos conceitos centrais
A. Tamanho da turma
O tamanho de turma segundo Atta et al., (2011) citado por Mofate (2017) é definido como o
número de alunos que um professor ensina numa sala de aula, num determinado tempo. Em
outra abordagem, Finn, Gerber & Zaharias (2005), o tamanho de turma “é o número de
alunos que se encontram regularmente numa determinada sala com um professor (ou vários)
que é responsável por esses alunos”.
A nível do Ensino Secundário, um professor pode ser responsável pelo ensino de uma
disciplina apenas, onde os professores passam por várias turmas de dimensões numéricas
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diferentes. Deste modo, associando-se aos conceitos apresentados percebe-se que o tamanho
de turma corresponde a uma medida que diz respeito ao número de alunos sob a
responsabilidade de um professor durante o ano lectivo
B. Turmas numerosas
Não existe uma resposta consensual a nível global relativamente a quando considerar turma
pequena ou turma numerosa. Podemos, sim, encontrar respostas localmente aceites pela
comunidade educativa e pela sociedade em geral. Ou seja, o que para uns é grande, para
outras realidades educativas pode ser visto como turma normal. Por exemplo, segundo Finn,
Gerber & Zaharias (2005), “as turmas de 30 a 35 alunos consideradas como grandes pelos
professores do Reino Unido, em outros países com realidades educativas diferentes são vistas
como turmas normais ou mesmo pequenas”.
Na perspectiva de Nerci (1988) turmas numerosas são aquelas que apresentam um número
acima do ideal de 40:1. Por outro lado, Bahule (2011) sustenta que as turmas se tornam
numerosas quando não oferecem condições de interacção individual aos alunos pelo
professor.
O Regulamento do ESG, da autoria do Ministério de Educação (2003), estabelece que uma
turma deste nível deve ser composta por um número de alunos igual ou inferior a 45.
Igualmente, o Plano Estratégico da Educação 2009-2015 recomenda que “as turmas do ESG
não deverão exceder os 55 alunos” (MINED, 2010, p.55).
Portanto, a realidade vivida nas escolas secundárias do país, particularmente as que se situam
na província de Niassa sector do ensino público, em termos do tamanho da turma, é
completamente diferente. Neste contexto, considera-se turmas numerosas, no âmbito desta
pesquisa, as turmas que se apresentam com um número de alunos igual ou superior a 55.
C. Rácio professor/aluno
De acordo com McRobbie, Finn & Hamon (1998) usa-se o termo rácio professor/aluno para
se referir ao número de alunos em uma escola ou distrito em relação ao número de
profissionais de ensino, professor. Por sua vez, o MINED (2003) refere que rácio
professor/aluno é a relação entre o professor e o número de alunos por ele orientados em cada
turma.
Para MINED (2010) o rácio professor/aluno pode indicar principalmente duas situações:
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• Um alto rácio: vai reduzir a qualidade das aulas se os professores não tiverem
materiais didácticos à sua disposição e não conhecerem técnicas específicas para
ensinar grandes grupos. Um rácio alto para o ensino primário é, numa perspectiva
ideal, qualquer rácio superior a 45 alunos por professor.
• E um baixo rácio indica desperdício de recursos no sistema.
De acordo com Blatchford e Lai (2010) rácio professor/aluno “é geralmente calculado
dividindo-se o número de alunos matriculados pelo número de professores qualificados de
uma determinada escola a tempo inteiro”, ou seja, o rácio professor/aluno é calculado pela
divisão do total do número de alunos matriculados numa unidade educacional, ou num
determinado distrito, pelo número de professores com certificação que estão afectos àquela
unidade escolar, ou, àquele distrito. Deste modo, o rácio professor/aluno é importante sob
ponto de vista económico-administrativo, pois encontra-se relacionado com o dinheiro gasto
por estudante matriculado.
Em abordagens de Mofate (2017), um outro aspecto a considerar com interesse no nosso caso
particular de Moçambique, é o facto dos cálculos do rácio professor/aluno não incluírem
alunos que sejam admitidos tardiamente, após a publicação das estatísticas relativas aos
efectivos globais matriculados a 03 de Março de cada ano lectivo, bem como os alunos
transferidos de outras escolas e que vão sendo integrados em diversas turmas ao longo do ano
lectivo.
D. Aproveitamento pedagógico
O aproveitamento pedagógico é um indicador do nível de habilidades dos alunos na execução
das suas actividades académicas no âmbito da sua participação e discussão dos conteúdos no
quotidiano escolar.
O aproveitamento pedagógico está relacionado ao rendimento dos alunos ou
grupo por meio da execução de actividades académicas avaliadas pela
competência e resultado, nesse sentido, a descrição do termo desempenho
envolve a dimensão da acção e o rendimento é o resultado da sua avaliação,
expresso na forma de notas ou conceitos obtidos pelo sujeito em determinada
actividade (Munhoz, 2004).
No ponto de vista de Fortes (2000), aproveitamento pedagógico é entendido como sendo a
actuação observada dos alunos ou grupo na execução de tarefas académicas avaliadas em
termos de eficiência e rendimento, que reflectem ou indicam o seu nível de competência.
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O autor salienta que esses podem ser avaliados pelas notas, pela capacidade de participação
nas salas de aula, através de debates, levantamento de dúvidas, contribuições com novas
informações e índice de reprovação ou aprovação. Em síntese, pode-se aferir que o
aproveitamento pedagógico corresponde ao rendimento que reflecte ou indica o nível de
competência, de um indivíduo ou grupo, por meio da execução de actividades académicas,
expresso na forma de notas.
E. Gestão de Turma
Na concepção de Chiavenato (2010, p. 52) ‟a gestão é um processo que envolve a
coordenação de actividades e recursos para atingir os objectivos organizacionais de forma
eficaz e eficiente, destaca a importância da liderança, da motivação e do desenvolvimento
das pessoas dentro das organizações”. Ainda argumenta que a gestão não se limita apenas a
administrar recursos materiais ou financeiros, mas envolve principalmente o aspecto humano,
reconhecendo que as pessoas são o principal diferencial competitivo de uma organização.
A gestão de sala de aula de acordo com Blatchford e Lai (2010) tem a ver com
procedimentos, rotinas e estruturas e está na responsabilidade do professor. A gestão de sala
de aula, envolve organizar os alunos, o espaço, o tempo e as matérias para que os professores
possam permitir que os alunos aprendam o conteúdo desejado.
Segundo Evertson e Weinstein (2006, citados por Bernardo 2025), a gestão da sala de aula
“são acções que os professores desencadeiam a fim de criar ambientes que apoiam e
facilitam tanto a aprendizagem académica, como as aprendizagens sociais e emocionais”.
Desta definição pode-se inferir que a gestão da sala de aula não só procura estabelecer e
sustentar um ambiente ordeiro para que os estudantes possam se envolver numa aprendizagem
académica significativa, como também tem o propósito de aumentar o crescimento moral e
social.
Gerir turmas numerosas constitui aspecto humano, onde pode-se reconhecer as pessoas como
o motor do desenvolvimento profissional. Assim, gerir turmas números requer habilidades
profissionais onde administrar alunos de diferentes origens e etnias constitui um processo
complexo. Por outro lado, Munhoz (2004, p.78) enfatiza ‟a gestão deve ser flexível e
adaptável, pois as organizações estão em constante mudança devido a factores internos e
externos. Portanto, um bom gestor precisa ter habilidades para lidar com essas mudanças e
desafios, além de buscar sempre a melhoria contínua”.
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Gerir turmas numerosas requer habilidades e um foco claro na leccionação dos conteúdos
ministrados dentro das turmas numerosas e fortalecer uma cultura organizacional, além de ser
uma prática orientada para resultados académicos. Por isso, gerir turmas numerosas envolve o
conjunto de práticas e estratégias utilizadas por professores para administrar eficazmente um
grande grupo de alunos em um ambiente escolar.
2.1. Efeitos das turmas com rácio elevado nas escolas secundárias no processo de
ensino aprendizagem
Em conformidade com Bahule (2011) considera-se que com um número de alunos acima do
recomendado, é impossível respeitar um dos princípios orientadores do plano curricular, que é
o ensino centrado no aluno. Nesses termos é uma utopia pensar que podemos ter um ensino de
qualidade com turmas numerosas.
No entanto, a revisão de estudos relevantes sobre os efeitos do tamanho da turma na
aprendizagem, nomeadamente sobre a relação entre o tamanho da turma e o desempenho
académico dos alunos em diferentes idades, sobre relação do tamanho da turma e desempenho
do aluno em disciplinas distintas como a Português e Matemática, permitiu concluir que as
turmas reduzidas estavam positivamente relacionadas com o desempenho académico dos
alunos (Finn et al., 2003; e Pritchard, 2006, citados por Mofate 2017). Verificou-se
igualmente que a relação entre o tamanho da turma e a aprendizagem do aluno é mais notável
nos primeiros anos de escolaridade, especialmente entre os alunos vindos das famílias de
baixa renda. A verificação de tais relações põe claro que o facto de cada estudante nas turmas
mais reduzidas receber mais porção de recursos educacionais, nomeadamente mais tempo de
instrução disponível, faz com que o estudante aprenda mais (Pritchard, 2006, citados por
Mofate 2017).
Os autores Atta et al. (2011, citado por Mofate 2017) desenvolveram um estudo no contexto
paquistanês cujo objectivo era de explorar os efeitos de turmas pequenas no desempenho
académico dos alunos do ensino secundário de oito escolas secundárias do Distrito de Dera
Islami Khan, sendo quatro escolas pertencentes ao meio rural e outras quatro, ao meio urbano.
Recorreram ao inquérito por questionário de perguntas fechadas a 400 alunos do sexo
masculino frequentando a 10ª Classe, seleccionados aleatoriamente em turmas pequenas com
menos de 20 alunos e turmas grandes com mais de 20 alunos. Os resultados indicaram que as
turmas pequenas jogam um papel positivo no aumento do desempenho académico dos alunos,
tanto nas escolas do meio rural como nas escolas secundárias urbanas.
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Por sua vez Bakasa (2011) cujo estudo se apoiou na triangulação de técnicas de investigação
qualitativa (observação às aulas e entrevistas de aprofundamento aos professores e
responsáveis da administração de educação) e quantitativa (inquéritos por questionários aos
alunos), examinou os efeitos de tamanho de turma no desempenho do aluno no contexto sul-
africano. Os resultados obtidos revelaram que a dimensão numérica da turma e a eficácia do
professor, influenciam o desempenho académico do aluno.
2.2. Estratégias de gestão das turmas com rácio elevado adoptadas pelos professores
Como foi referido anteriormente, a gestão de sala de aula tem a ver com procedimentos,
rotinas e estruturas e está na responsabilidade do professor. A gestão de sala de aula, envolve
organizar os alunos, o espaço, o tempo e as matérias para que os professores possam permitir
que os alunos aprendam o conteúdo desejado.
Para estabelecer estratégias dinâmicas na sala de aulas, os autores Walters & Frei (2009)
advogam que “o professor deve ser responsável por seus alunos, pelo espaço que o cerca,
pelo tempo atribuído a cada conjunto de conteúdos e ao modo como usa, assim como os
materiais necessários para que todos em sua classe aprendam”.
Por sua vez, Mofate (2017) defende que as estratégias de gestão eficazes de sala de aulas
consistem em: organização das aprendizagens, a estruturação de todas acções inerentes a aula,
manutenção da disciplina, organização da movimentação das pessoas no espaço físico do
aluno, a observância das normas e procedimentos, o estado emocional do aluno, a observância
do horário escolar, a utilização eficaz do tempo lectivo atribuído, a organização do espaço
físico da aula, a acomodação dos alunos na sala de aula, o posicionamento físico do professor
em sala de aula, a concentração do aluno a aula, nos trabalhos de casa, o relacionamento entre
os protagonistas da aula e o feedback.
Walters e Frei (2009) também fazem menção de algumas estratégias que os professores
podem levar a cabo para o bom funcionamento na sala de aulas, e são os seguintes:
• Respeito aos alunos: os alunos tratados incorrectamente podem tornar-se bodes
expiatórios ou objecto da violência de seus pares, se os professores os tratarem com o
devido respeito, provavelmente respeitarão mais uns aos outros.
• Dignificar os alunos: dignificando os esforços dos alunos, os professores criam na
sala uma atmosfera em que os alunos se sentem bem-vindos, valorizados e
respeitados.
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• Controle suas emoções: Se o professor perder o autocontrolo, terá mais dificuldades
para tomar as decisões adequadas em circunstâncias necessárias e até de garantir o
respeito dos seus alunos.
• Elogios e correcção: o elogio é uma estratégia rápida que implica reconhecer
subtilmente um aluno com gesto positivo. Quanto a correcção, é mais eficaz e
apropriado corrigir alunos individualmente e em particular.
• Estímulos: O professor deve estimular os alunos, deixando-os seguros de si, assim as
crianças vêem que os erros podem tornar-se oportunidades de aprendizagem.
• Escutar antes de disciplinar: o professor deve escutar cuidadosamente os alunos e
considerar seus pontos de vista antes de tomar medidas disciplinares. Este processo
não só vai ajudar o professor a tomar decisões apropriadas, mas também, muitas
vezes, vai ser um momento de aprendizagem para todos os implicados.
• Dar instruções: Quando o professor está diante de um aluno que precise de instruções
constantes, pode tomar novas atitudes como: olhar o aluno nos olhos, chamar pelo
nome, aproxime-se bem dele e use sugestões verbais e não verbais apropriadas.
2.3. Relação entre o tamanho da turma com o aproveitamento pedagógico dos alunos
Os alunos em turmas pequenas têm a possibilidade de reduzir os seus problemas e as suas
dificuldades de aprendizagem (Archilles, 1999, citado por Madjila 2020). Por outro lado,
Mosteller (1995 citado por Madjila 2020) diz que a redução do número de alunos por
professor minimiza as distracções no ambiente e dá ao professor mais tempo para se dedicar a
cada criança.
Os autores acima citados convergem ao dizer que as turmas pequenas apresentam uma grande
vantagem no que diz respeito a aprendizagem do aluno e que proporcionam um ambiente
favorável na sala de aula, para as condições de ensino e na relação do professor/ aluno. Os
professores em turmas pequenas conseguem alcançar os seus objectivos pois, têm bastante
tempo para dar atenção e esclarecer dúvidas a cada aluno.
Assim, Miller (2002) sustenta que “a interacção do professor e do aluno forma o centro do
processo educativo. Essa relação deve estar baseada na confiança, afectividade e respeito,
cabendo ao professor orientar o aluno para seu crescimento interno”, isto é, fortalecer-lhe as
bases morais e críticas, não deixando sua atenção voltada apenas para o conteúdo a ser dado.
É importante considerar a relação entre professor/aluno junto ao clima estabelecido pelo
professor, da relação empática com seus alunos, de sua capacidade de ouvir, reflectir, discutir
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o nível de compreensão dos mesmos e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o
deles.
Sendo assim, a participação dos alunos nas aulas é de suma importância, pois estará
expressando seus conhecimentos, preocupações, interesses, desejos e vivências podendo
assim, participar de forma activa e crítica na construção e reconstrução de sua cultura de
movimento e do grupo em que vive. Gomes (2000 citado por Nhacudine 2023) salienta que
uma vez existir uma interacção activa entre o professor e o aluno no processo de ensino
aprendizagem, a relação torna-se benéfica para ambos.
Contrariamente, no que diz respeito as turmas numerosas, Fortes (2000) afirma que os alunos
em turmas numerosas denunciam como mais problemático, a falta de tempo e disponibilidade
dos professores para acompanharem a produção de conhecimento.
Como se pode entender, as turmas numerosas tem implicações para o corpo docente e
consequentemente para o aproveitamento dos alunos, tais como: os professores não alcançam
os objectivos pretendidos, sobrecarga do trabalho, falta de tempo para atender as necessidades
de todos os alunos até as dificuldades que enfrentam para interagir com todos alunos na sala
de aula. E os alunos em turmas numerosas tornam o ambiente da sala perturbador por causa
da ocorrência de barulho na sala de aula, agressões físicas e a fraca participação nas aulas.
3. Metodologia
Para concretização desta pesquisa, optou-se a metodologia de consulta bibliografia e uma
análise documental, onde recorreu-se aos artigos científicos, decretos ministeriais e obras que
abordam o tema em análise. Portanto, trata-se de um estudo de revisão bibliográfica. Usou-se
uma abordagem qualitativa de forma bibliográfica, esta abordagem de acordo com Bernardo
(2025 p.11) ainda que actualmente seja considerada a melhor para o estudo dos fenómenos
educacionais. Actualmente estudiosos apontam que a abordagem qualitativa bibliográfica
serve como elemento complementar e devem ser usadas em função das necessidades do
processo educativo.
Como foi dito recorreu-se às contribuições de vários autores, através de consultas de acervos
bibliográficos que se debruçam em torno da problemática em análise. Em conformidade com
Fonseca (2002, p.32), a pesquisa bibliográfica “é feita a partir do levantamento de
referências teóricas já analisadas e publicadas por meios escritos e electrónicos, como livros,
artigos científicos, páginas da Web sites”. Concernente à pesquisa documental, Fonseca
(2002, p.32) afirma que este tipo de investigação “trilha os mesmos caminhos de pesquisa
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bibliográfica, não sendo fácil por vezes distingui-las. A pesquisa bibliográfica utiliza fontes
constituídas por material já elaborado”. Nesta pesquisa, incidiu sobre alguns documentos
orientadores do subsistema de Ensino Secundário Geral (ESG) em Moçambique, como é o
caso do Regulamento das Escolas do Ensino Secundário Geral.
4. Resultados e Discussão
4.1. Efeitos das turmas com rácio elevado nas escolas secundárias no processo de
ensino aprendizagem
Para análise dos efeitos das turmas com rácio elevado nas escolas secundárias no processo de
ensino aprendizagem, analisemos resultados de alguns trabalhos desenvolvidos e
posteriormente apresenta-se uma posição com relação ao contexto das escolas da província do
Niassa. Na pesquisa de em 2020, intitulado: Influência do tamanho da turma no
aproveitamento pedagógico dos alunos da 8ª e 11ªclasses da Escola Secundária Força do
Povo - Cidade de Maputo. O autor constatou que a participação dos alunos é fraca, porque uns
participam e a maioria não participa, obrigando o professor a usar o método do trabalho em
grupo e independente, de modo a torná-los mais activos no PEA.
No que diz respeito à actuação dos professores em relação ao tamanho de turma existente na
escola aferiu-se que, a actuação dos professores é insatisfatória, visto que influencia
negativamente o trabalho dos mesmos, bem como no desempenho e rendimento dos seus
alunos.
Há também, e em menor escala, um conjunto de estudos sobre os efeitos do tamanho de turma
nos processos da aula, em particular sobre as estratégias de ensino. Igualmente, os resultados
desses estudos favorecem, na sua maioria, as turmas pequenas, no sentido em que em turmas
pequenas há (1) mais atenção do aluno durante a aula, (2) redução de comportamentos
problemáticos, (3) mais tempo para a realização de actividades (5), maior aproximação entre
professor e aluno, e (6) maior número de interacções entre os protagonistas da aula focadas na
aprendizagem (Mofate 2017). De referir que no contexto desses estudos, as turmas grandes
são apresentadas por um lado, como um obstáculo para (1) desempenho do aluno, (2) a
participação do aluno na aula, (3) a ocupação de mais tempo em actividades, (4) o
desenvolvimento das interacções focadas na aprendizagem, (5) e os resultados escolares; por
outro, como campo fértil para a ocorrência de barulho, agressões físicas constantes, etc.
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Contudo, Libâneo (1994) refere que o maior desafio do professor na sua profissão é
certamente saber como gerir suas salas de aula exigentes, que estão na maior parte,
superlotadas e com falta de meios de ensino e aprendizagem.
Portanto, os efeitos das turmas com rácio elevado nas escolas secundárias no processo de
ensino aprendizagem são muito negativos, isto é, afecta bastante. Os efeitos de das turmas
com rácio elevado incidem sobre os modos de ensino do professor, ou seja, as turmas com
rácio elevado constituem um impedimento para a execução de um ensino mais diversificado e
diferenciado. A ausência da diferenciação, é ilustrada com o facto de professor não ultrapassar
as dificuldades dos alunos nas actividades durante a aula, para citar um exemplo, as vezes o
professor depara-se com uma situação, já quando estiver a corrigir a própria prova, é quando
vai saber que existe esta dificuldade e aquela, o que devia ter sido na sala de aula. Se as
turmas são numerosas, logo está claro que dificilmente o professor terá o domínio ou o
conhecimento daquilo que são as necessidades específicas de cada aluno de forma a sanar
essas necessidades.
4.2. Relação entre o tamanho da turma com o aproveitamento pedagógico dos alunos
Para relacionar tamanho da turma com o aproveitamento pedagógico dos alunos, analisamos o
trabalho desenvolvido por Madjila em 2020, intitulado: Influência do tamanho da turma no
aproveitamento pedagógico dos alunos da 8ª e 11ªclasses da Escola Secundária Força do
Povo - Cidade de Maputo. O autor constatou que, por um lado, a situação do tamanho de
turmas é elevado, uma vez que dificulta o professor no cumprimento dos objectivos da aula e
na assimilação dos conteúdos no processo de ensino e aprendizagem por parte dos alunos. Por
outro lado, o aproveitamento pedagógico dos alunos é negativo.
No mesmo estudo, concernente ao grau de satisfação/aproveitamento pedagógico de alunos
em relação ao tamanho de turmas, o autor constatou que, o grau de satisfação ou
aproveitamento pedagógico é muito baixo (negativo), por causa das condições do trabalho e
do número de alunos por turma que é muito elevado. O autor reportou uma média de alunos
de 60 tanto para a 8ª assim como para a 11ª classes o que está acima do número considerado
ideal pelo próprio MINED que é de 45. O aproveitamento pedagógico durante os anos de
2015-2019 foi de 51% e 40% para 8ª e 11ª classes respectivamente na escola em alusão.
Com base nestes achados, o autor constatou que o tamanho de turma, as turmas numerosas no
caso específico da escola secundária força do povo influencia negativamente no
aproveitamento pedagógico dos alunos. Estes resultados coadunam com a tese defendida por
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Fortes (2000), em que refere que “com as turmas numerosas é menos provável o professor
conhecer ou identificar as necessidades singulares dos alunos no processo de ensino e
aprendizagem e ser mais prestativo”.
Fortes (2000) vai mais longe ao afirmar que, “quando as turmas são numerosas, o
aproveitamento pedagógico dos alunos não é satisfatório, há grande desinteresse por parte
dos alunos, porque enquanto o professor atende um aluno para descobrir a causa da
dificuldade dele que não é tão geral, mas individual, os outros ficam sem atendimento”.
Portanto, o tamanho de turma pode estar a influenciar o aproveitamento pedagógico, a
existência de turmas numerosas influencia negativamente sobrecarregando o trabalho docente
na mediação do ensino e, consequentemente dificultando a assimilação dos conteúdos no
processo de ensino aprendizagem por parte dos alunos e consequentemente no aproveitamento
pedagógico.
4.3. Estratégias de gestão das turmas com rácio elevado adoptadas pelos professores
Segundo Mofate (2017), a investigação sobre o efeito do tamanho da turma na aprendizagem
privilegia o aluno, seus resultados e comportamento académico como variável,
negligenciando a consideração do efeito do tamanho da turma no professor e nas acções de
gestão de ensino e aprendizagem na aula. Portanto, os desafios que se colocam ao professor,
como resultado da dimensão numérica da turma, têm vindo a ser tratados com menor interesse
pela pesquisa do campo de tamanho da turma ao longo do tempo.
A seguir apresenta-se estratégias de gestão das turmas com rácio elevado a serem adoptadas
pelos professores do Ensino Secundário Geral 1. Como foi descrito por Almeida (2005),
“gerir turmas numerosas refere-se à habilidade de administrar e coordenar grupos grandes
de alunos em um ambiente educacional”. Este processo é desafiador, mas é fundamental para
garantir que todos os alunos tenham uma experiência de aprendizado positiva e produtiva.
Sendo um processo desafiador, como foi referido acima, pode-se inferir que gerir turmas
numerosas requer de antemão uma planificação eficiente das actividades como a componente
chave. O processo inclui a elaboração de um plano de aula que leve em consideração a
dinâmica da turma, com actividades que estimulem a participação de todos os alunos. Ainda
da parte do professor deve estabelecer normas e expectativas desde o início ajudando a manter
a disciplina e a organização na sala de aula.
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Gerir turmas numerosas pode ser um grande desafio, mas é possível o professor encontrar
formas de tornar o processo mais eficaz e menos estressante, Bernardo (2025) apresenta
algumas estratégias como:
• Estabelecer regras claras, defina regras de convivência desde o início do ano,
ajudando a criar um ambiente organizado e respeitoso. Certifique-se de que todos os
alunos entendem as expectativas e as consequências;
• Organização e planificação, a planificação de aula devem ser bem estruturadas com
actividades diversificadas e ajustadas ao tempo disponível. Uma boa gestão do tempo
é crucial para manter a turma numerosa focada nas actividades;
• Dividir em grupos menores, sempre que possível, divida a turma em grupos menores
para facilitar a interacção e o acompanhamento. Isso permite trabalhar de forma mais
personalizada, sem perder o controlo da classe;
• Desenvolver habilidades de comunicação, ao falar com turmas grandes, seja claro e
objectivo. Quando necessário, use métodos como sinais ou gestos para chamar a
atenção, evitando interrupções;
• Avaliação formativa contínua, use avaliações regulares para identificar as
necessidades de cada aluno, para poder ajustar as aulas de acordo com os desafios que
surgirem, este método pode ser feito através de feedback constante e observações;
• Motivar e manter o empenho, mantenha os alunos envolvidos com actividades
interessantes, projectos práticos, discussões em grupo e outras estratégias que
incentivem a participação activa das actividades académicas.
Com essas atitudes, o professor consegue não apenas gerir uma turma numerosa, mas também
promover um ambiente de aprendizagem mais produtivo e saudável. Um bom professor que
consegue gerir turmas numerosas geralmente possui uma combinação de habilidades
pedagógicas, emocionais e organizacionais. Essas características descritas acima, ajudam o
professor a não só lidar com a quantidade de alunos, mas também a garantir um ensino de
qualidade.
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Considerações Finais
Os efeitos de das turmas com rácio elevado incidem sobre os modos de ensino do professor,
ou seja, as turmas com rácio elevado constituem um impedimento para a execução de um
ensino mais diversificado e diferenciado. As turmas grandes são apresentadas por um lado,
como um obstáculo para (1) desempenho do aluno, (2) a participação do aluno na aula, (3) a
ocupação de mais tempo em actividades, (4) o desenvolvimento das interacções focadas na
aprendizagem, (5) e os resultados escolares; por outro, como campo fértil para a ocorrência de
barulho, agressões físicas constantes.
A existência de turmas numerosas influencia negativamente sobrecarregando o trabalho
docente na mediação do ensino e, consequentemente dificultando a assimilação dos conteúdos
no processo de ensino aprendizagem por parte dos alunos e consequentemente no
aproveitamento pedagógico.
Gerir turmas numerosas refere-se à habilidade de administrar e coordenar grupos grandes de
alunos em um ambiente educacional, sendo um processo desafiador pode-se inferir que requer
de antemão uma planificação eficiente das actividades como a componente chave. O professor
deve encontrar formas de tornar o processo mais eficaz e menos estressante, algumas
estratégias são o estabelecimento de regras claras, a organização e planificação, dividir em
grupos menores, desenvolver habilidades de comunicação, avaliação formativa contínua e
motivar e manter o empenho.
6. Referencias Bibliográficas
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