PROJETO DE PAISAGISMO II Marina Otte Paisagem urbana Objetivos de aprendizagem Ao final
deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Conceituar a atuação do
paisagista. Analisar qual a importância do paisagismo para a melhoria da quali dade de vida
nas grandes cidades. Determinar os elementos que compõem a paisagem e como ela se
relaciona com o paisagismo. Introdução Os espaços com vegetações ajudam de diversas
formas a promover a qua lidade de vida das pessoas, principalmente em locais muito
adensados. As áreas verdes se tornam verdadeiros respiros em meio ao concreto. Desse modo,
o paisagismo assume importância ímpar nos espaços urbanos, que estão cada vez mais
escassos de áreas verdes. Neste capítulo, você conhecerá as diferentes formas de
desempenhar o trabalho de um paisagista. Além disso, identificará formas de como inserir
vegetação em um projeto de paisagismo urbano. O paisagista e sua área de atuação O campo
de atuação do paisagista é bastante amplo e, muitas vezes, não identifi cado pela maioria das
pessoas. O projeto de paisagismo envolve diversas áreas e precisa da integração entre elas,
como agronomia, geografi a, arquitetura e urbanismo. Para entender um pouco do papel de
cada profissional, toma-se como base algumas das atribuições dessas profissões. O geógrafo
tem, entre algumas de suas atribuições, funções ligadas diretamente à paisagem, conforme o
decreto nº. 85.138: 2 Paisagem urbana [...] I - reconhecimentos, levantamentos, estudos e
pesquisas de caráter físico--geográfico, biogeográfico, antropogeográfico e geoeconômico e as
realizadas nos campos gerais e especiais da Geografia, que se fizerem necessárias: [...]- na
caracterização ecológica e etológica da paisagem geográfica e problemas conexos; [...]- no
estudo e planejamento das bases física e geoeconômica dos núcleos urbanos e rurais (BRASIL,
1980, documento on-line). O engenheiro agrônomo também pode contribuir em estudos
paisagísticos, pois, dentre suas atribuições, de acordo a resolução nº. 1.048, de 14 de agosto
de 2013, estão caracterizadas: [...] realizações de interesse social e humano que importem na
realização dos seguintes empreendimentos: [...]- Aproveitamento e utilização de recursos
naturais- Meios de locomoção e comunicações- Edificações, serviços e equipamentos urbanos,
rurais e regionais, nos seus aspectos técnicos e artísticos (CONFEA, 2013, documento on-line).
Já os profissionais de arquitetura e urbanismo têm, em suas atribuições, um item específico
para o paisagismo, e outras atribuições complementam o estudo da paisagem urbana. Esse
item consta no documento do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) e fala do seguinte
campo de atuação: Arquitetura Paisagística, concepção e execução de projetos para espaços
externos, livres e abertos, privados ou públicos, como parques e praças, considerados
isoladamente ou em sistemas, dentro de várias escalas, inclusive a territorial (CAU, 2015,
documento on-line). Para conferir todas as atribuições do engenheiro agrônomo e do
geógrafo, acesso o site do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), disponível
no link a seguir. https://qrgo.page.link/kCJuy Para conferir as atribuições completas do
arquiteto e urbanista, acesse o site do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), disponível
no link a seguir. https://qrgo.page.link/WkVzM Paisagem urbana Segundo Santos (1988, p. 21),
“[...] tudo aquilo que nós vemos, o que nossa visão alcança, é a paisagem. Esta pode ser
definida como o domínio do visível, aquilo que a vista abarca. Não é formada apenas de
volumes, mas também de cores, movimentos, odores, sons, etc.”. Ainda segundo o autor, é
possível considerar que todas as paisagens são heterogêneas, um misto de paisagem natural
com paisagem artificial. Em teoria, somente a paisagem artificial tem a intervenção do
homem, porém atualmente a paisagem natural também é modificada pela ação humana, de
modo que as paisagens dos centros urbanos possuem tanto elementos naturais como
artificias. O paisagista atua na paisagem, portanto deve ter tanto conhecimentos técnicos
como conhecimentos estéticos e cognitivos. Por isso, além dos cursos citados, existe ainda
uma afinidade com outros conhecimentos, como as artes plásticas, uma vez que a paisagem
também é criada por desenho, por meio do entendimento dos períodos históricos, de
proporções, escalas, composições visuais, entre outros (Figura 1). Lembre-se de que as
paisagens passaram anos sendo retratadas por artistas plásticos. Figura 1. (a) Jardins de
Giverny, na França, retratados pelo artista Monet em sua pintura. (b) Fotografia do mesmo
local. Fonte: a) Everett – Art/Shutterstock.com; b) Eric Valenne geostory/Shutterstock.com. O
paisagista tem como principais atividades (MATTER, 2002): analisar a área a ser trabalhada;
analisar as necessidades da área, levando em consideração sua fun 3 cionalidade, a topografia
do local e a preservação do meio ambiente; 4 Paisagem urbana elaborar o projeto
paisagístico, envolvendo, se necessário, profissionais de outras áreas; submeter o projeto à
aprovação do contratante, patrocinador ou do órgão governamental responsável; após a
aprovação, contratar todos os profissionais necessários; comprar os materiais (p. ex.,
plantas, sementes) que serão utilizados; coordenar o andamento do projeto; realizar
mudanças, se necessário; entregar e apresentar seu trabalho pronto. Waterman (2011, p.
164) pontua uma série de características pertinentes à atuação do paisagista e que podem
variar: Muitos paisagistas trabalham dentro de uma mesma semana como gerente de obra,
gerente de projeto, projetista, planejador urbano e urbanista, entre muitas outras
possibilidades. Isso pode proporcionar uma vida profissional incrivelmente rica, variada e
interessante. O autor pontua, ainda, que o paisagista pode desenvolver os seguintes
elementos: O projeto e a visão: o paisagista consegue ter em mente todo o projeto, ou seja,
a visão de como ele ficará antes de sua execução, uma visão macro do todo. O planejamento
da paisagem: reunião de conhecimentos de diversas áreas em uma visão mais holística,
entendendo que, independentemente do tamanho do projeto, pequeno ou grande, existem
diversas camadas a serem analisadas e consideradas, as quais devem ser equilibradas.
Gestão e conservação: atividade multidisciplinar, geralmente ligada à manutenção de parques,
reservas naturais, áreas industriais, entre outros, que visa a garantir que o projeto amadureça
conforme as diretrizes traçadas previamente. Conservação histórica: inclui a conservação da
grande variedade de paisagens culturais estabelecidas pela UNESCO, como, por exemplo, a
cidade de Machu Picchu, no Peru, o que exige uma interdisciplinaridade com profissionais
como arqueólogos e historiadores. Ciência do paisagismo: intimamente ligada à ciência
ambiental, pode ser uma formação complementar, trabalhando com levantamentos eco
Paisagem urbana lógicos, estudos da vida selvagem, estudos da vegetação, conservação,
despoluição (fitorremediação), recuperação de ecossistemas, entre outros. Cidades grandes
e pequenas: grande parte do trabalho do paisagista se insere neste item, abrangendo a
paisagem no contexto urbano, como praças públicas, loteamentos, ruas e parques. Jardins e
parques: historicamente, os jardins e parques constituem a principal área de atuação do
paisagista, envolvendo conhecimento de vegetações, solo, geologia, água, clima e topografia,
em conjunto com conhecimentos de projeto, como forma, textura e cor (WATERMAN, 2011).
Vele ressaltar que o trabalho do paisagista pode ser realizado tanto em ambientes internos
como em espaços abertos, podendo ser contratado pelo setor público ou privado. É
importante elucidar que o trabalho de paisagismo é diferente da jardinagem, que se destina ao
cultivo, à execução ou à manutenção dos jardins. Para saber mais sobre a paisagem cultural,
acesse o site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), disponível no
link a seguir. https://qrgo.page.link/a2aDF Paisagismo e a qualidade de vida nas grandes
cidades Grande parte dos grandes centros urbanos cresceram de forma desordenada e sem
planejamento, o que culminou em cidades desconectadas da natureza e sem vazios urbanos.
Em cidades como o Rio de Janeiro, há variações de temperatura de até 10°C numa distância de
2,5 km, causadas principalmente pelo aumento das emissões de gás carbônico na atmosfera
que retém o calor, pela redução da área arborizada, da drenagem de regiões e dos corredores
de edifícios (LEITE, 2012, p. 137). 5 6 Paisagem urbana Por outro lado, existe uma tendência de
transformar grandes centros, pouco a pouco, em cidades mais verdes. Por exemplo, cidades
cosmopolitas, como Nova Iorque, nos Estados Unidos, valorizam novos projetos que busquem
qualidade de vida por meio das áreas verdes. Em Nova Iorque, projetos recentes que se
destacam nesse contexto são: High Line, projeto da equipe formada pelos escritórios James
Corner Field Operations (paisagismo) e Diller Scofidio + Renfro (arquitetura); a proposta de
renovação da orla de Midtown, um projeto do escritório multidisciplinar wHY; e a proposta de
The BIG U, do escritório BIG. Para conhecer os detalhes do projeto da orla de Midtown, acesse
o link a seguir. https://qrgo.page.link/y38qb Para saber mais sobre o projeto The BIG U, acesse
o link a seguir. https://qrgo.page.link/DAE9e Esses projetos visam a resgatar o contato do
homem com a natureza, em busca do bem-estar urbano, além de serem tentativas de mitigar
o impacto das ações humanas. Os impactos negativos dessas ações afetam o próprio homem,
afinal, este também faz parte da natureza, e preservá-la é preservar sua própria existência. O
processo de resgate em busca da qualidade de vida visa à existência harmônica entre o
homem, a sociedade à qual ele pertence e o espaço. “O espaço é igual à paisagem mais a vida
nela existente; é a sociedade encaixada na paisagem, a vida que palpita conjuntamente com a
materialidade” (SANTOS, 1988, p. 26). O paisagismo se encaixa nesse contexto, visto que a
base dessa atividade é tornar os espaços harmônicos, unindo características técnicas e
estéticas, conectando o homem ao local que ele habita. Existe uma necessidade de espaços
livres e verdes nos centros urbanos aden sados, porém estes devem ser bem planejados para
serem eficientes. Espaços verdes, em sua grande maioria públicos, são a base para cidades
com qualidade de vida. “Os espaços públicos verdes onde as pessoas se encontram, brincam e
relaxam são essenciais não apenas para a saúde e bem-estar humano, mas também servem
como importantes habitats para animais selvagens, incluindo as aves migratórias”
(WATERMAN, 2011, p. 178). Assim, esses espaços são Paisagem urbana capazes de impactar
positivamente no cotidiano das pessoas que vivem em comunidade. As comunidades precisam
do espaço público, pois é nele que ocorrerá a interação entre todos. “Como as comunidades
interagem em público, o acesso físico é extremamente importante” (WATERMAN, 2011, p.
111). Até mesmo a sensação de estar envolto pela natureza é possível com um bom projeto de
paisagismo, afinal, ele trabalha com o piso, a parede e o teto. Existem vários recursos que o
paisagista pode utilizar para criar a percepção dos elementos do espaço, como tamanhos
diversificados de plantas, equipamentos adjacentes e recursos visuais. Este é um exemplo de
como o paisagismo vai além da escolha de elementos técnicos, uma vez que trabalha com a
percepção das pessoas. Conforme Santos (1988, p. 22): A dimensão da paisagem é a dimensão
da percepção, o que chega aos senti dos. Por isso, o aparelho cognitivo tem importância
crucial nessa apreensão, pelo fato de que toda nossa educação, formal ou informal, é feita de
forma seletiva, as pessoas diferentes apresentam diversas versões do mesmo fato. Dessa
forma, a qualidade da paisagem vem de dois fatores: das sensações que ela provoca e do que
é mais tangível, os efeitos diretos das técnicas aplicadas. Ou seja, um parque gera um impacto
positivo no bem-estar das pessoas devido à percepção de espaço que ele proporciona. No
entanto, ele também é importante pelos benefícios que ele pode gerar, como ajudar na
limpeza do ar e da água e amenizar as temperaturas urbanas no calor do verão (WATERMAN,
2011). Existem várias formas de melhorar a qualidade de vida pelos aspectos técnicos de
conforto ambiental. Por exemplo: Em climas onde grande parte das atividades diárias é
conduzida em áreas externas, é comum que as edificações assumam o formato de uma série
de pavilhões distribuídos em um parque e conectados por passarelas cobertas. Em terrenos
mais exíguos e sempre que a segurança for importante, as conexões entre as edificações
podem ser canais de ventilação semifechados com brises nas paredes ou outra forma de
treliça protetora (BUXTON, 2017, p. 744). Um exemplo icônico de projeto de paisagem que
une os aspectos cognitivos e técnicos é o Metropol Parasol, em Sevilha, na Espanha (Figura 2).
Além disso, é um projeto onde reina a harmonia entre as intervenções humanas e os
elementos construídos artificialmente, com os elementos da natureza. Essa mistura harmônica
de elementos também gera qualidade de vida, pois supre 7 várias necessidades dos espaços da
paisagem urbana. 8 Paisagem urbana Figura 2. O Metropol Parasol, em Sevilha, na Espanha,
traz qualidade de vida por meio das sombras e do microclima em meio à paisagem urbana.
Elementos da paisagem Para entender a paisagem urbana, um termo pode ajudar a
rapidamente dife renciar o “urbano” do “selvagem”: ambiente construído. Mesmo que possa
ser utilizado na paisagem rural, desde os campos agrícolas até a infraestrutura de transporte,
na maioria das vezes, esse termo é utilizado para metrópoles, cidades pequenas e vilas, locais
onde a paisagem é determinada pela fusão de múltiplas infl uências (WATERMAN, 2011). Por
isso, os elementos urbanos podem ser descritos e interpretados com sutis diferenças
conforme o olhar do autor. Existe quem os descreva de forma bem minuciosa, outros falam
em termos gerais, quais são os elementos, o que não é um problema, e sim uma virtude, pois
os projetos paisagísticos também possuem escalas variadas e intenções diversas. Em geral, a
paisagem é composta por dois elementos: elementos naturais e elementos humanos. Os
elementos naturais configuram a paisagem natural, aquela que não sofreu modificações do
homem, como rios, lagos, montanhas, vegetação, clima e relevo (Figura 3a). Já a paisagem
humanizada é aquela onde os elementos foram criados ou modificados pela ação humana,
como pontes, estradas e edificações (Figura 3b) (SANTOS, 1988). Paisagem urbana Figura 3. (a)
Paisagem natural (floresta de sequoias na Califórnia, nos Estados Unidos). (b) Paisagem
humanizada (árvores artificiais, em Singapura). Fonte: a) Roman Khomlyak/Shutterstock.com.;
b) Cabrera (2017, documento on-line). Lamas (2014) descreve 11 elementos construídos pelo
homem, listados a seguir: O solo: incluindo os revestimentos (por isso tem a ação humana).
Os edifícios: que configuram visualmente os cheios e vazios. O lote: a porção cadastral do
município onde estão inseridos os edifícios. O quarteirão: formado pelo conjunto de lotes
que influenciam o traçado das vias. A fachada: determina a linguagem arquitetônica do
lugar. O logradouro: o espaço do lote não construído. O traçado, a rua: intimamente
relacionados ao desenho dos quarteirões e lotes, propiciam o deslocar das pessoas. A praça:
espaços abertos utilizados para o encontro das pessoas, são respiros nos centros urbanos. O
monumento: são marcos na cidade, geralmente com valor histórico e cultural, os quais viram
ponto de referência. A árvore e a vegetação: é o recurso básico que o paisagista utiliza em
seus projetos. As árvores humanizam o espaço, geram sombras, demarcam áreas, são o meio
visual e tátil de contato do homem com a natureza. O mobiliário urbano: os mobiliários
qualificam a cidade, são conside rados elementos móveis, ao contrário das edificações. Vale
ressaltar a importância do mobiliário urbano, visto que ele humaniza o espaço e, muitas vezes,
supre necessidades. São exemplos de mobiliário ur bano: bebedouros, placas informativas,
bancos, brinquedos, telefones, 9 10 Paisagem urbana bicicletários, pontos de recarga elétrica,
pergolados de sombreamento, iluminação, banheiros, pontos de ônibus, lixeiras, entre outros.
A água é um elemento muito presente na paisagem urbana, visto que tem função vital para o
ser humano, bem como visual. É utilizada desde a antiguidade e pode ser observada na
paisagem urbana em espelhos d’água, fontes, chafarizes, bem como em brinquedos
interativos. Cullen (1971) descreve uma série de elementos urbanísticos que vão apa recendo
em sequência, visto que não enxergamos o todo da paisagem, que é revelada em partes.
Destes elementos, destacam-se os relacionados a seguir. Ponto focal: de forte atração visual,
marca o local, um elemento vertical de convergência. Delimitação do espaço: existem diversos
meios de delimitar um espaço, desde um arame ou um muro até a configuração de árvores.
Desníveis: relacionados com a posição que ocupamos no espaço, se in feriores, podem ser
intimidadores ou claustrofóbicos; se superiores, podem estar ligados à sensação de euforia ou
domínio. Perspectiva grandiosa: sensação daqui e do além, de grandiosidade. Ligação entre o
primeiro plano e a paisagem. Estreitamentos: são caracterizados pela aproximação de
elementos, gerando uma espécie de pressão; não impedem a passagem, mas geram sensação
de recinto. Caminhos para peões: todos os elementos que possibilitam e permitam o deslocar
das pessoas. São redes de caminhos que trazem a dimensão humana, como pontes, degraus,
pisos, pavimentos. Edifício como escultura: às vezes as construções assumem novos sig
nificados, como uma forma de arte, quando o edifício possui um desenho diferenciado do
contexto ao qual está inserido. Contrastes: a paisagem urbana é cheia de contrastes,
necessários em toda estrutura espacial. É a tensão entre os opostos, entre isto e aquilo, entre
novo e velho, entre texturas, entre grande e pequeno, etc. O autor Gordon Cullen trabalha
com a descrição de mais de 80 elementos da paisagem urbana. Para conhecer todos os
elementos, consulte o livro Paisagem Urbana, um clássico de 1971 sobre o assunto. Paisagem
urbana Os elementos de Cullen são uma mistura de aspectos sensoriais, e todos eles podem
ser conseguidos na paisagem e devem ser observados pelo paisagista. Observar o que o
entorno traz de sensação e que sensação o paisagista quer para sua proposta é indissociável
do projeto. Waterman (2011, p. 81) ressalta que, na paisagem urbana, “[...] elementos sociais,
culturais, econômicos e históricos são expressos em uma linguagem espacial que se baseia na
topografia, na vegetação, nos materiais disponíveis e no clima do local”, e destaca que os
arquitetos paisagistas devem se basear nisso para tomar as decisões de projeto. Esses
elementos, em sua maioria, já estão configurados nos centros urbanos e são primeiro
analisados pelo paisagista para, depois, desenvolver o projeto de paisagismo. Todavia, existe a
possibilidade de um projeto começar “do zero”, em que, diante do pensamento
contemporâneo de sustentabilidade, a paisagem urbana será gerada como um todo, de modo
que os espaços verdes não serão residuais. Um exemplo é a cidade de Masdar, em Abu Dhabi,
100% planejada para ser sustentável (Figura 4). em conjunto. Figura 4. Maquete da cidade de
Masdar, em que os elementos da paisagem foram pensados Fonte: Adaptada de Mammoser
(2016). Independentemente de ser um projeto de uma cidade planejada ou de uma cidade já
consolidada, os elementos devem ser contextualizados pela visão que o observador terá da
paisagem. Segundo Waterman (2011, p. 92): [...] os arquitetos paisagistas sabem que há muito
mais em jogo, que envolve todos os sentidos e é composto por uma grande diversidade de
elementos, tanto vistos como 11 ocultos. Ainda assim, a visão é o principal sentido utilizado
para descobrir nosso 12 Paisagem urbana ambiente e julgá-lo; a vista da paisagem, portanto, é
de importância fundamental para o arquiteto. A vista da paisagem é mais do que um simples
quadro bonito. As vistas na paisagem são dinâmicas, instáveis, e ajudam a nos orientar e nos
informar sobre o tipo de espaço em que vivemos e de que forma ele será usado. Quando o
paisagista realiza um projeto, ele deve avaliar a interação dos elementos da paisagem com seu
desenho. “Seu planejamento pode ser um desafio e tanto, já que qualquer mudança pode ser
vista como comprometedora do bem-estar já adquirido. Ainda assim, todo o lugar precisa
mudar com o tempo, como mudam os padrões e estilos de vida” (WATERMAN, 2011, p. 178).
O projeto paisagístico pode ser tanto uma continuidade do entorno e dos elementos da
paisagem como um respiro contrastante. Seja qual for o conceito do projeto, ele deve buscar a
qualidade dos centros urbanos e garantir uma melhor qualidade de vida aos habitantes de
uma cidade. BRASIL. Decreto n. 85.138, de 15 de setembro de 1980. Regulamenta a Lei nº
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