Nutrição e Alimentação
na População Idosa
Rafaela Ribeiro
30 Novembro De 2017
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Objetivos
1. Elucidar para as principais consequências de uma má alimentação;
2. Clarificar o conceito de uma alimentação saudável, nomeadamente a Dieta
Mediterrânica;
3. Esclarecer os cuidados a ter relativamente à alimentação na população idosa;
4. Distinguir os diferentes tipos de Dietas existentes, e compreender em que situações de
adequam.
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1. Patologias associadas a uma má alimentação
GORDURA
AÇÚCAR Saturada e
Trans SAL
- Obesidade - Colesterol elevado
- Hipertensão arterial
- Diabetes tipo 2 - Obesidade
- Doenças cardiovasculares
- Cáries dentárias - Cancro - Doenças renais
- Retenção de líquidos
- Cancro - Doenças Cardiovasculares
- Cancro (estomago)
Risk Factors Collaborators,2013
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1. Patologias associadas a uma má alimentação:
1.1.HTA
1.2.Diabetes Mellitus
1.3.Doenças Cardiovasculares (AVC, enfarte do miocárdio
embolia pulmonar, trombose venosa profunda)
1.4.Cancro
1.5.Obesidade
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1. Patologias associadas a uma má alimentação
1.1 Hipertensão arterial
A circulação do sangue, que tem por destino chegar a todos os tecidos e células do
organismo, implica que haja alguma pressão sobre as paredes das artérias. Esta pressão,
que é normal e até essencial para que o sangue atinja o seu destino, é a chamada
“tensão arterial”.
1. Meça a tensão arterial regularmente;
O que
fazer? 2. Pratique exercício físico;
3. Coma de forma saudável e evite o sal;
Fundação Portuguesa de Cardiologia
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1. Patologias associadas a uma má alimentação
1.2DIABETES
Doença em que existe excesso de um açúcar – a glucose – no sangue;
A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas, responsável por ajudar a glucose a
passar do sangue para o interior das células.
A diabetes ocorre quando o pâncreas não é capaz de produzir esta hormona em
quantidade suficiente, e/ou quando a insulina não atua de modo eficaz.
Fundação Portuguesa de Cardiologia
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1.2DIABETES
Quando a insulina não atua, o
organismo entra em hiperglicemia,
ou seja, a glucose acumula-se no
sangue, deteriorando
progressivamente os vasos
sanguíneos.
A DIABETES PODE ORIGINAR:
-Angina do peito
-Enfarte agudo do miocárdio
-Morte cardíaca súbita Fundação Portuguesa de Cardiologia
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1. Patologias associadas a uma má alimentação
1.3 Doenças Cardiovasculares
As doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca
Acidente Vascular Cerebral de 40% dos óbitos em Portugal;
Enfarte do Miocárdio
As doenças cardiovasculares devem-se essencialmente à
Embolia Pulmonar acumulação de gorduras na parede dos vasos
Trombose Venosa Periférica sanguíneos;
Fundação Portuguesa de Cardiologia
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1. Patologias associadas a uma má alimentação
1.3 Doenças Cardiovasculares
A maior parte das doenças cardiovasculares resulta de um estilo de vida
inapropriado e de fatores de risco modificáveis, tais como:
- Maus hábitos alimentares
- Obesidade
- Dislipidemias
- Sedentarismo
- Tabaco
Fundação Portuguesa de Cardiologia
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1. Patologias associadas a uma má alimentação
1.4. Cancro
Cancro é o termo utilizado para caracterizar um crescimento anormal e descontrolado
das células e que, na maioria das vezes, formam uma massa chamada tumor.
A alimentação, em particular o consumo regular de frutos e hortícolas, é uma das principais
recomendações para a prevenção de cancro.
-Sedentarismo;
Fatores de -Alimentação desequilibrada e alto
valor energético;
Risco -Excesso de peso;
-Tabagismo;
-Álcool;
Direção Geral de Saúde
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1. Patologias associadas a uma má alimentação
1.5. Obesidade
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é definida como um acúmulo
anormal ou excessivo de gordura corporal que pode atingir graus capazes de afetar a
saúde. É uma doença crónica, de origem multifatorial.
Fatores que podem influenciar a A obesidade ocorre quando o número de
prevalência desta doença: calorias ingerido é superior ao gasto: quando
- Alimentação desequilibrada tal sucede, as calorias são armazenadas no
organismo sob a forma de massa gorda,
-Inatividade física
podendo vir a afetar toda a saúde.
Direção Geral de Saúde
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1. Patologias associadas a uma má alimentação
1.5. Obesidade
Obesidade e IMC
O índice de massa corporal (IMC) permite classificar o grau de obesidade de uma pessoa.
POPULAÇÃO ADULTA POPULAÇÃO IDOSA
Classificação IMC (Kg/m2) Classificação IMC (Kg/m2)
Baixo peso < 18.5 Baixo Peso <22
Variação normal 18.5 – 24.9
Variação Normal 22-27
Pré-obesidade 25.0 – 29.9
Excesso de peso >27
Obesidade Classe I 30.0 – 34.9
Obesidade Classe II 35.0 – 39.9
Obesidade Classe III ≥ 40.0
Fundação Portuguesa de Cardiologia
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2. ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
2.1Dieta Mediterrânica
COMPLETA EQUILIBRADA VARIADA
A Dieta Mediterrânica representa um modelo
alimentar completo e equilibrado com inúmeros
benefícios para a saúde, longevidade e qualidade de
vida.
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Dieta Mediterrânica
2.2Principais Características:
•Consumo abundante de alimentos de origem vegetal (produtos hortícolas, fruta, cereais pouco refinados,
leguminosas secas e frescas, frutos secos e oleaginosos);
•Consumo de produtos frescos da região, pouco processados e sazonais;
•Consumo de azeite como principal fonte de gordura;
•Consumo baixo a moderado de lacticínios, sobretudo de queijo e iogurte;
•Consumo baixo e pouco frequente de carnes vermelhas;
•Consumo frequente de peixe;
•Consumo baixo a moderado de vinho, de preferência durante as refeições.
Direção Geral de Saúde
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2.4.Refeições intermédias
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2.5.Refeições principais
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2.6.DESCODIFICADOR DE RÓTULOS
COMO UTILIZAR?
Compare a informação constante no rótulo do alimento ou bebida por 100g ou 100ml,
respetivamente, com a informação disponibilizada neste cartão (gordura, gordura
saturada, açúcares e sal).
Direção Geral de Saúde
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EXEMPLO
S:
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EXEMPL
OS:
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3. Apoio à Alimentação no Idoso
3.1.Momento da refeição:
•As refeições devem ser um momento de prazer e de convívio com o utente;
•Deve ser promovida a independência do cliente, estimulando-o a comer sempre que
possível autonomamente;
•No caso, dos clientes não possuírem autonomia para realizar metade da refeição, devem
ser apoiados pelas colaboradoras de forma a complementar a ingesta da refeição.
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3. Apoio à Alimentação no Idoso
3.1.COLABORADORAS:
•Devem manter uma atitude calma e pausada, respeitando o ritmo de cada cliente, não
o apressando para comer;
•Devem colocar pouca quantidade de comida na boca de cada vez, salvaguardando uma
mastigação e deglutição adequada;
•A refeição do cliente deve ter a consistência adequada ao estado de saúde do mesmo
seguindo indicações do manual de dietas.
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3. Apoio
3.1.COLABORADORAS:
à Alimentação no Idoso
•Preparar cuidadosamente o espaço da refeição;
•Promover a autonomia do cliente e respeitar as suas preferências e necessidades
individuais;
•Colocar os alimentos à temperatura que satisfaça o cliente;
•Apoiar se necessário na toma dos alimentos;
•Aumentar a consistência dos líquidos, sempre que o cliente tenha dificuldades em engolir,
através de espessantes;
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3. Apoio à Alimentação no Idoso
Durante o apoio o colaborador deve hidratar o cliente, realizando sempre uma
promoção da autonomia e incentiva o próprio a tentar alimentar-se, mesmo que essa
autonomia seja somente o cliente conseguir hidratar-se.
No final das refeições, deve ser feita revisão da indumentária e a respetiva higiene
básica dos clientes, como limpar as mãos, cara e, caso necessário, a higiene oral .
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DISFAGIA
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3.2.DISFAGIA
A disfagia consiste numa dificuldade efetiva condução do alimento da cavidade oral até ao
estômago.
Distúrbios neurológicos, musculares
Traumas crânio-encefálicos,
Doença de Alzheimer e outras
demências, CAUSAS
Doença de Parkinson
Distrofia muscular
Pós-operatórios
Doenças congénitas Adequação E Padronização De Dietas Utilizadas Por Pacientes Com Disfagia Orofaríngea,2012
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3.3Consequências da Disfagia
Aspirações silenciosas que não são percebidas, ou seja, o alimento ou a saliva entram no canal
aéreo e, em seguida, nos pulmões. Ao longo do tempo, pode ocorrer edema pulmonar ou
crescimento de germes patológicos, que causam pneumonia.
Adequação E Padronização De Dietas Utilizadas Por Pacientes Com Disfagia Orofaríngea,2012
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3.4.Alimentos que devem ser evitados:
Água pura, refrescos muito líquidos, leite puro, café e chás, devido ao risco de aspiração;
Alimentos que esfarelam como bolo, torrada e biscoito, também devido ao risco de aspiração;
Alimentos como arroz seco, flocos de cereais secos, pães crocantes e miolo de pão;
Queijos secos ou derretidos;
Ovos muito cozidos;
Carnes sem molhos e em grandes pedaços, e peixes com espinhas;
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3.4.Alimentos que devem ser evitados:
Frutas cruas (exceto banana);
Frutas secas como a uva passa e damasco;
Frutas muito fibrosas como o Abacaxi e manga;
Hortaliças cruas (folhosos, cenoura ralada), em pedaços grandes (beterraba), com
muita fibra (couve, espiga de milho, ervilha);
Sopas muito líquidas ou com pedaços de hortaliças;
Massas e tortas secas, sobremesas com frutas secas, caramelos duros e chocolates.
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5. TIPOS DE DIETAS
Com textura normal: Com textura modificada :
- Dieta diabética (sem açucares)
- Dieta geral
-Dieta hipossalina (sem sal)
- Dieta mole
-Dieta hipocalórica
-Dieta pastosa
-Dieta hipercalórica e hiperproteica
-Dieta líquida
-Dieta obstipante
-Dieta laxativa
-Dieta isenta de lactose
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5.1.DIETA GERAL
INDICAÇÕES: Pacientes que não necessitam de
restrições específicas e que tenham funções de
mastigação e gastrointestinais preservadas.
OBJETIVOS: Manter estado nutricional dos pacientes
com ausência de alterações metabólicas ou risco
nutricional .
CARACTERÍSTICAS:Dieta completa e equilibrada; Existe
uma distribuição e quantidades habituais de todos os
nutrientes;
Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.2.DIETA PASTOSA
INDICAÇÕES: Indicada para pacientes com dificuldades
na mastigação ou deglutição devido a distúrbios
neuro-motores, doença esofágica, alterações
anatómicas da boca ou esófago, uso de prótese
dentária, etc.
OBJETIVOS:Promove uma dieta que possa ser
mastigada e deglutida com pouco ou nenhum
esforço.
CARACTERÍSTICAS: Consistência
pastosa cremosa (purés,
sopas cremosas, papa de bolacha, pudins, frutas bem
cozidas).
Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.3.DIETA LIQUÍDA – Nutrição
entérica
INDICAÇÕES: Esta dieta é indicada para pacientes
debilitados, ou incapacitados de ingerir alimentos
sólidos ou cremosos.
OBJETIVOS: Promover uma dieta que seja bem tolerada
por pacientes que não podem ingerir alimentos
sólidos; requer o mínimo de trabalho digestivo.
CARACTERÍSTICAS: Os alimentos são triturados para
obter um líquido não muito grosso; Pode ter ou não
adição de sal; Consistência líquida;
Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.4.Dieta Obstipante ou Sem Resíduos
Para pacientes com Não devem comer: Exemplo de Pequeno-Almoço:
1 chávena de chá ou cevada
diarreia. 1 pão ou 5 bolachas maria ou 8 de
água e sal
Manteiga (5g), queijo ou fiambre (1
- Verduras cruas ou cozidas,
fatia)
- Legumes,
- Frutas cruas,
Exemplo de Almoço/Jantar:
- Fritos e alimentos gordurosos, Sopa: Canja
- Leite e derivados, Prato: 90g de carne/peixe + 2 colheres
de arroz/massa/batata
- Doces (só gelatina) Sobremesa: Fruta sem casca
- Sumos de frutas Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.5.Dieta Laxante (Dieta preparação colonoscopia)
Características da dieta Alimentos não permitidos
Dieta com composição pobre em gorduras e - Legumes;
pobre em fibras. -Frutas;
-Leite;
Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.6.DIETA COM RESTRIÇÃO DE
SÓDIO
INDICAÇÕES: Indicada para a prevenção e controlo
de edemas, insuficiência cardíaca, hipertensão,
distúrbios renais, hepáticos e pulmonares.
CARACTERÍSTICAS: Evitar o uso de alimentos
salgados, enlatados, conservas, enchidos, queijos,
molhos, temperos, alimentos industrializados e
processados. Não utilizar na confeção.
Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.7.DIETA PARA DIABETES (sem
sacarose)
INDICAÇÕES:
INDICAÇÕES: Como base para o tratamento da
diabetes como medida exclusiva ou coadjuvante do
tratamento farmacológico.
CARACTERÍSTICAS:
- Evitar açúcar refinado;
-Evitar doces, chocolates, mel, compotas,
marmelada, bolos, gelados, refrigerantes, bolachas;
- Preferir adoçantes mas com moderação.
Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.8.DIETA HIPOCALÓRICA
INDICAÇÕES: Pacientes que necessitem de uma
redução calórica para a obter um peso saudável.
CARACTERÍSTICAS: Dieta com alguma restrição de
hidratos de carbono principalmente os simples e
alimentos gordurosos e açucarados. Preferir métodos
de confeção mais simples tais como cozidos e
grelhados.
Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.9.DIETA HIPERCALÓRICA E
HIPERPROTEICA
INDICAÇÕES: Pacientes com estados infeciosos,
desnutrição energético-proteica, cancro, pós-
cirúrgicos, com feridas (ex: úlceras de pressão), etc.
OBJETIVO: Fornecer mais energia.
CARACTERÍSTICAS: Preparações com elevados teores
proteicos e calóricos, podendo ser necessário a
adição de suplementos alimentares.
Manual De Dietas Hospitalares, 2012
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5.10.Dieta com restrição de Lactose
INDICAÇÕES: Utentes com intolerância à lactose.
CARACTERÍSTICAS: Dieta isenta de leite e derivados.
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BIBLIOGRAFIA
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http://www.apn.org.pt/documentos/ebooks/AlimentacaoAdequada.pdf
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