As contribuições de Paulo
Freire para a alfabetização
Pauta 3
Objetivo
Analisar o trabalho de Paulo Freire no que concerne à
alfabetização, identificando suas principais
contribuições nesta área.
Atividade 1: Leitura de fruição
Texto: “A analfabeta” – Paulo Afonso Caruso Ronca
Disponível em: http://diretoriadefundamental.blogspot.com/p/eja.html
Atividade 2: Levantamento de
conhecimentos prévios
Escreva, na tira de papel entregue pelo(a) formador(a), uma
informação que você já ouviu sobre Paulo Freire. Depois de
escrever, cole-a ao redor da foto dele, pendurada na sala.
Quando todos tiverem escrito, aproximem-se e leiam o
conjunto das informações que foram ali colocadas.
Atividade 3: #Fato ou #Fake?
O(a) formador(a) chamará um participante por vez. Na sua
vez, escolha uma das tiras de papel escritas pelos outros
participantes. Dê preferência às que trouxerem informações
sobre cuja veracidade (ou não) você tenha certeza. Coloque-a,
então, na coluna #Fato (se ela for verdadeira) ou #Fake (se ela
for falsa). Depois de tê-la colocado no lugar adequado,
explique ao grupo porque você a classificou desta forma.
Atividade 4: Análise das contribuições
freirianas para a alfabetização no Brasil
Leitura de mundo
A célebre frase de Paulo Freire, “A leitura de mundo precede a
leitura da palavra” sintetiza essa primeira contribuição dele.
Por meio de sua obra, os alfabetizadores brasileiros
começaram a atentar para o fato de que os estudantes já trazem
conhecimentos prévios e que estes devem ser considerados na
hora de se ensinar a ler. Foi a primeira vez que, no Brasil,
começou a se discutir a necessidade de aproximar o ensino da
língua escrita na escola do uso social que se faz da escrita fora
dela.
Dimensão política da alfabetização
Freire sempre evidenciou a dimensão política de toda prática
educativa, e isso não foi diferente com relação à alfabetização. Em
várias de suas obras, ele destaca que as práticas mecânicas de
alfabetização – muito utilizadas até então - alienam o aluno,
impedindo-o de exercer plenamente sua cidadania. Por meio de suas
reflexões, os alfabetizadores passaram a refletir sobre o quanto
aprender a ler e escrever não se resume à apropriação de uma
tecnologia, mas uma alfabetização bem trabalhada significa a
conquista de direitos que permitirão aos estudantes o exercício de
cidadania. Essa contribuição pode ser sintetizada na clássica frase de
Freire: “Não basta saber ler mecanicamente que Eva viu a uva. É
necessário compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto
social, quem trabalha para produzir as uvas e quem lucra com esse
Dimensão social da alfabetização
O diálogo é um elemento basilar da obra freiriana, e isso não poderia ser
diferente no tocante à alfabetização. Tal como em todos os campos
educacionais, Paulo Freire questionava a chamada “educação bancária”
na alfabetização, incentivando a valorização dos conhecimentos prévios
dos estudantes e evidenciando que não basta uma boa memória para
tornar uma pessoa capaz de ler e escrever. Ao incentivar a troca de
informações entre os estudantes – e destes com o professor – e a escuta
atenta em sala de aula, Freire “preparava o terreno”, sem o saber, para o
advento da psicogênese da língua escrita, anos mais tarde. Afinal,
somente um alfabetizador que aceitasse que não é o detentor exclusivo do
saber, e que admitisse que seus alunos pensam, interpretam e
argumentam sobre a língua escrita mesmo antes de estarem alfabetizados
poderia estar preparado para ouvir e interpretar as hipóteses infantis
sobre a escrita anteriores à escrita alfabética.
Educação de Jovens e Adultos
Graças ao sucesso da experiência de Angicos, Freire tornou-se
uma referência quando se pensa em Educação de Jovens e
Adultos. Ele provou que é possível alfabetizar adultos em um
tempo relativamente curto, trabalhando a leitura e a escrita não
sob uma ótica mecânica, mas pela perspectiva de construção da
cidadania. Ao invés de infantilizar os adultos para quem
lecionava, oferecendo-lhes atividades e repertório típico das
cartilhas destinadas às crianças, Freire usava como matéria-
prima o contexto adulto em que as pessoas estavam inseridas,
contribuindo, dessa forma, para uma alfabetização mais efetiva e
democrática..