ÉTICA E RESPONSABILIDADE EMPRESARIAL
ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS
O MUNDO ÉTICO
Professor Pedro Jacob Filho
Qualquer inovação tecnológica na capacidade de nos comunicarmos
terá sempre uma incidência profunda em nossa cultura.
Também terá uma incidência em nossa maneira de ser, de viver, de
conviver, na maneira de nos relacionarmos.
Essa situação requer não apenas maior competência tecnológica no
aprendizado das novas linguagens digitais, mas sobretudo, maior
competência ética nas relações humanas.
Como compreender as múltiplas realidades emergentes nas manifestações de rua que mobilizam a
população brasileira e desafiam os governos de todo o país?
Como atuar em um contexto social de natureza complexa que clama por novos desafios éticos?
Quais são os novos desafios éticos impostos pelo acelerado desenvolvimento científico e tecnológico
e pela globalização que tanto nos afeta independente do lugar em que estejamos?
Quais são as novas ferramentas intelectuais disponíveis para se repensar as atuais questões éticas e
morais de nossos tempos?
Quais são alguns dos desdobramentos teóricos e práticos dessas teorias sobre a ética, bem como as
consequências sobre a constituição do humano nos futuro dos países?
Tais questões nos levam a refletir um pouco mais sobre a realidade
atual, tal como hoje se apresenta com seus novos desafios éticos e a
nova consciência que emerge nas ruas dos mais diferentes lugares.
Desafios éticos em um mundo complexo, plural e digital, cujos
destaques vêm sendo dado às mudanças aceleradas e profundas
presentes em todos os campos da vida e das organizações sociais.
Mudanças que nos desafiam e exigem maior adequação de
comportamentos, atitudes e modos de relacionamento.
Nunca se falou tanto em ética quanto nos dias atuais, tanto no
Brasil como no mundo.
Uma das crises da modernidade que vivemos (e isso não diz
respeito apenas ao Brasil) é quanto ao dilema entre agir
eticamente, de acordo com o que seja correto e agir de acordo
com motivações duvidosas ou para satisfazer interesses
particulares ou de terceiros.
No nosso cotidiano enfrentamos questões de ética o tempo
todo, seja nas decisões familiares, em roda de amigos, no
trabalho e na condução dos negócios e inclusive na política do
país.
Somos confrontados diariamente com muitas situações em
que os valores éticos mais básicos são comprometidos em
todos os níveis.
Talvez por isso, o significado de ética se esvazie um pouco, gerando ainda mais
dúvidas sobre o que seria o comportamento ético.
Alguns conceitos:
Ética é tudo aquilo que minha intuição diz que é certo ou errado.
Ética tem a ver com minhas crenças religiosas.
Ter uma postura ética é fazer o que a lei determina.
Ética é o parâmetro de comportamento aceito pela nossa sociedade.
Tratando dessa questão em uma dimensão ampla, a manifestação que ainda
temos acompanhado no Brasil e os recentes casos julgados de improbidade,
ascenderam discussões da ética que ainda repercutem em todas as esferas
sociais.
Na esfera pública, a ética pode ser tratada quando o interesse e o bem estar
comum são priorizados em detrimento da satisfação de interesses particulares.
Já em menor dimensão, ao analisar a questão sob a perspectiva profissional, a
ética de modo geral, abrange os critérios de escolha para valorizar e padronizar
as condutas na organização.
ÉTICA NO MUNDO GLOBALIZADO
ÉTICA NO MUNDO CORPORATIVO
Ética profissional
no mundo globalizado
Conceitualmente ética é a divisão da filosofia que estuda os valores morais
e princípios que regimentam a conduta do ser humano como ente social.
Como já citamos, deriva do termo grego “ethos” que significa aquilo que
pertence ao caráter.
Na Filosofia clássica, a ética não se restringia simplesmente à moral,
entendida como “costume” ou “hábito”, mas buscava a fundamentação
teórica para eleger a conduta ideal, voltada para o bem em si mesmo, tanto
na vida individual quanto em sociedade.
Na perspectiva profissional, a ética é concebida como um dos pilares de
algumas organizações, principalmente por defender o agir de modo correto.
Ocorre que a ética vai muito além de um slogan ou de um discurso feito.
Ela deve transcender o conceito e adentra na esfera prática do trabalho o tempo
todo, sem exceções.
Cada ação realizada que imaginamos, ingenuamente, que não haveria grandes
consequências, pode repercutir negativamente de tal forma que seus efeitos
saiam do nosso controle.
Com a profissionalização e especialização do conhecimento em decorrência
da revolução industrial, se manteve o conceito voltado ao mundo do
trabalho, denominando ético todo profissional que adequadamente exerce
suas atribuições, respeitando um código de conduta, acordado e cultuado
por seus pares e respeitado pela sociedade como um todo.
Porém, infelizmente na prática a teoria é outra.
Não são poucos os profissionais que sequer respeitam as leis civis, quanto
mais o seu código de ética classista, que busca em tese transcendê-las. E
isso se vê em todas as áreas.
Nos “brasis” do superfaturamento, do mercado negro (mercado
paralelo), das múltiplas taxações, do suborno, da corrupção, da
remarcação fraudulenta de preços, do vender “gato por lebre”, agir
eticamente é contra a corrente.
Quem age com probidade, retidão e decoro profissionais é tomado
por trouxa. É o “caxias”, o “puxa-saco”, “o senhor certinho”.
Ironicamente é a “ovelha branca”, nessa terra de “macunaímas”.
No mesmo exemplo, a empresa que busca “seguir as leis” e cumprir com sua função social
honestamente corre o risco de fechar as portas (principalmente pela absurda carga tributária a
que estão submetidas.
Num país onde a maioria dos estudantes quer tirar nota sem estudar é natural se intuir num
futuro próximo uma maioria de “profissionais” que sonha ganhar dinheiro sem trabalhar. Seja
pela fraude direta, seja pela falta de ética ou simplesmente pela exploração desleal do trabalho
alheio.
Será que chegamos a um momento vergonhoso em nossa história?
Os sintomas são pungentes. Antes de ler os jornais já nos perguntamos qual será o escândalo
do dia.
Chegamos ao ponto de adolescentes brasileiros serem banidos de
comunidades de games online na internet, simplesmente porque trapaceiam.
Nas olimpíadas, atletas fazem uso de drogas ilegais para ultrapassar seus
concorrentes.
O que dizer da conduta de nossas empresas e de nossos profissionais
quando comparados com a de países “civilizados”?
Não vou nem perguntar sobre a conduta de nossos políticos. Isso seria
covardia.
O fenômeno da globalização apresenta algumas características:
velocidade da comunicação
livre circulação de informação
quebra virtual das fronteiras geográficas
Esse fenômeno está fazendo com que tudo que ocorra no círculo profissional se
torne de conhecimento comum e, tudo isso, com grande velocidade e prontidão.
Dessa forma o profissional ou a empresa com má conduta está perdendo
competitividade e, por consequência, perdendo prestígio.
Hoje o patrimônio mais valioso de uma empresa ou de um
profissional, é a sua reputação.
Graças aos sistemas informatizados, no mercado
corporativo a memória não é fraca e a monitoração da
trajetória das empresas e dos profissionais está ficando cada
vez mais refinada e precisa.
O mundo está se tornando pequeno.
Assim, em países em que a regra de conduta é coisa séria, o
profissional ou a empresa que não quiser ter uma carreira
curta, deve rever urgentemente a sua prática.
E o que se diz de multinacionais que instalam suas filiais por
aqui?
Embora se adaptem rapidamente às
idiossincrasias da Terra Brasilis, elas não
admitem que se crie em seu ambiente
corporativo, a mesma falta de caráter que
está nos mundos sem lei.
E muitas, empresas nacionais, felizmente, estão seguindo essa
mesma trilha da gestão com ética.
Descobriram que praticar o jogo do “ganha-ganha”
honestamente pode reduzir alguns de seus lucros momentâneos,
porém, afasta definitivamente o risco de serem banidos do jogo.
E para bons entendedores, meia palavra basta.
Ética
no mundo corporativo
A dinâmica das organizações atuais nos obriga a um
aperfeiçoamento constante.
Trata-se de uma questão de sobrevivência no mercado que se
tornou competitivo.
Gera, em todos os profissionais e também nas empresas,
alguma expectativa de retorno
“Adequar-se às mudanças não só é importante, como também é
necessário para o presente e o futuro da organização.
Não investir em tecnologia e aperfeiçoamento pessoal é garantia
de fracasso em um prazo muito curto de tempo.”, de acordo com o
técnico de Planejamento Gabriel Xavier Mendonça de 30 anos.
Pode-se relacionar o mundo corporativo com um grupo de pessoas
que agem como se fossem um só, buscando um mesmo resultado.
É comum nos depararmos com alguns desafios e dilemas
éticos dentro das organizações que podem surgir de
inúmeras situações, sendo elas muitas vezes inusitadas,
desde desentendimentos a furtos.
Por este tipo de problema e, buscando uma melhor
solução para os mesmos, criou-se o Código de Ética.
O Código de Ética
Varia de acordo com os princípios da empresa.
É o ponto de partida para reconhecer o espírito corporativo da
instituição.
É fundamental para avaliar e classificar as condutas e argumentos ao
tomar uma decisão importante.
Sempre com o objetivo de evitar conclusões e conceitos indevidos.
Um dos desafios que envolvem a ética e as corporações é a
busca do lucro sem que este prejudique a sociedade.
É preciso estabelecer regras sem que estas interfiram no bem
estar dos colaboradores, como também no desenvolvimento
da empresa.
O sucesso contínuo depende da postura da organização, pois uma vez
que a mesma não cumpra com os seus deveres e obrigações éticas,
não estará contribuindo para o crescimento e o seu reconhecimento.
Para que essas condutas sejam passadas e absorvidas de modo claro e
positivo, a empresa dever investir em bons canais de comunicação.
Para que essa conduta ética seja respeitada, eficaz, reprodutora e
produtora de bons valores na empresa, é preciso que ela seja uma
obra coletiva.
Neste contexto político brasileiro, e também mundial, o enfrentamento dos novos
desafios éticos está sendo urgentemente requerido.
Lamentavelmente, o Brasil ainda é um lugar de grandes paradoxos.
Um país onde grande parte da população se sacrifica par comprar alimentos taxados
com altos impostos enquanto os ricos continuam comprando carros sem impostos.
Apesar do salário do professor ter um teto mínimo a ser respeitado em todo o país,
algumas prefeituras continuam pagando ridículos salários ao professorado e o governo
federal faz que não percebe, da mesma forma que não pune o prefeito de uma pequena
cidade do interior do Ceará que resolve fazer o controle fiscal das finanças públicas de
sua cidade mediante o corte do salário do docente.
A evolução cultural, tecnológica e cognitiva, graças aos processos de
interdependência e de inter-relações gerados pela internet e pela
globalização, vem gerando a proliferação desmedida de dados,
informações e saberes entre pessoas, países e povos.
Uma situação é gerar, produzir, disseminar informações pela rede.
Outra situação é a nossa capacidade de digeri-las, de processá-las, de
construir conhecimento e incorporá-las em nosso cotidiano, o que nossa
condição humana, fruto de nossa evolução biológica não permite.
Assim, esse crescimento exponencial da informação
disponível é infinitamente superior à capacidade humana de
processá-la.
Nossas estruturas biológicas e neuronais limitadas,
constitutivas de nossa condição humana, impedem o
acompanhamento do crescimento geométrico das informações
que circulam pelas redes.
A vida é relação.
Relação supõe a compreensão do homem como um ser coletivo, uma extensão do
universo maior que só existe por que assim o percebemos e com ele nos relacionamos.
Na dimensão ética, esta relação não deve dar-se, unicamente, em função de interesses
econômicos, produtivos, espoliativos, mas como manifestação própria do ser humano,
como constitutivamente fundado nas relações ou inter-relações que estabelece com o meio
e com os outros.
Para esta relação, precisamos ser habituados, educados.
O homem não nasce ético, precisa construir-se como tal.
Louva Deus malvado ataca beija-flor bonzinho