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5 - Episódios Da Vida Romântica-Maias

O documento analisa 'Episódios da vida romântica', destacando a crítica social e a caricatura da alta burguesia lisboeta do século XIX. Através de episódios como jantares e corridas de cavalos, evidencia a hipocrisia, superficialidade e provincianismo da elite, que busca parecer cosmopolita. Conclui que a elite é inculta e desajustada, refletindo um país que imita o que considera elegante, mas que na verdade é uma caricatura de si mesmo.

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O documento analisa 'Episódios da vida romântica', destacando a crítica social e a caricatura da alta burguesia lisboeta do século XIX. Através de episódios como jantares e corridas de cavalos, evidencia a hipocrisia, superficialidade e provincianismo da elite, que busca parecer cosmopolita. Conclui que a elite é inculta e desajustada, refletindo um país que imita o que considera elegante, mas que na verdade é uma caricatura de si mesmo.

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Escola Secundária de José Estêvão

Sumário

1. O 2.º nível de ação - “Episódios da vida romântica”:


1.1. síntese de alguns episódios – os seus objetivos; a visão
caricatural de um espaço social / de um país;
1.2. análise textual referente a um excerto das Corridas de
cavalos, no Hipódromo de Belém.

1
“Episódios da vida romântica”
Recordando …
 2.º nível de ação (subtítulo do romance)
 crónica de costumes da vida cultural e social
 o retrato da alta burguesia lisboeta da 2.ª metade do século XIX e de um
país ainda profundamente romântico
 diversos episódios (Jantar no Hotel Central; corridas de cavalos no Hipódromo,
Sarau no Teatro da Trindade, …)
 Personagens tipo

É nestes episódios que “o monóculo satírico de Eça mais se evidencia.”

Dicotomia SER / PARECER


A crítica
A caricatura
Tal Espaço / Tal País

2
Os Tipos sociais da crónica de costumes
Ilustram determinadas mentalidades, profissões, posições políticas, económicas, culturais.
São personagens planas, não agem de forma inovadora ou inesperada, são dotadas de
"tiques", trejeitos e pormenores físicos sistematicamente repetidos quando ocorre a sua
intervenção na ação.

 ALENCAR – O poeta, representa o Ultrarromantismo, com todos os seus exageros e


contradições.
 COHEN – Judeu banqueiro, é o representante da alta finança decadente.

 CONDE DE GOUVARINHO – Representa a classe política dirigente, de retórica oca e banal. Encarna
as características negativas dos políticos do constitucionalismo regenerador.

 EUSEBIOZINHO - Representa a educação deformante, associada a uma mentalidade doentiamente


romântica.

 PALMA "CAVALÃO" - Simboliza o jornalista oportunista e sem escrúpulos, a corrupção, o clientelismo


na imprensa.
3
 DÂMASO - Simboliza os vícios, as futilidades e as imoralidades que
invadem o país: o exibicionismo, a vaidade, o novo-riquismo, a
corrupção. Reflete o provincianismo da alta burguesia lisboeta que
contrasta com as suas aspirações de cosmopolitismo. “chique a valer!”

 CRAFT – Inglês, rico, boémio, colecionador de bricabraque, é um observador distante que não se
coaduna com a monotonia e futilidade da capital (aluga a “Toca” a Carlos e a Maria Eduarda)

 CRUGES - É o artista/pianista frustrado que não encontra um público que o aprecie e o mereça.

 STEINBROKEN – Diplomata, representante oficial da Finlândia, revela o juízo que o estrangeiro faz de
Portugal. Pela neutralidade que manifesta em relação a assuntos discutidos e posições a tomar, e pelo
tempo que dedica a burocracias, é de crer que o estrangeiro tem consciência da monotonia e estagnação
que caracterizava o Portugal da Regeneração.

4
O Jantar no “Hotel Central”
(capítulo VI)
Objetivos:
- homenagear o banqueiro Cohen (iniciativa de Ega)
- apresentar a visão crítica de alguns temas (literatura; política e finanças)
- proporcionar a Carlos um primeiro contacto com a vida social lisboeta
- (relação com a intriga principal) proporcionar a Carlos a 1.ª visão de M.ª
Eduarda

Visão caricatural:
 Hipocrisia das relações sociais (Ega é amante de Raquel, a mulher do banqueiro Cohen)
 Snobismo – ementa francesa
 Comportamento deplorável: a sobremesa “alastrava-se” sobre a toalha, pontas de cigarro
nos pratos, cadeira caída, … a elegante sala “tomava um ar de taverna” Ostras
Sole normande
 Coscuvilhice/intriguice (a vida alheia)
Poulet aux
 Superficialidade e falta de convicção na abordagem de temas importantes champignons
Petits pois “à la
 Irresponsabilidade da classe dirigente e da elite em Portugal
Cohen”
Ananás 5
Principais Temas abordados (Pág. 162…):

1. Literatura – opõe o Ultrarromantismo ao Realismo/Naturalismo


Tomás de Alencar Ega
- Poeta ultrarromântico - Defende o Realismo/Naturalismo
- Opõe-se com veemência ao Realismo/Naturalismo: - Considera que a literatura se deve
literatura imoral, “excremento” aproximar da ciência

Carlos e Craft

- recusam o ultrarromantismo de Alencar


- recusam o exagero de Ega
- Carlos acha intoleráveis os ares científicos do Realismo e defende que o carácter se manifesta pela ação
- Craft defende a arte como idealização do que há de melhor na natureza; defende a arte pela arte

Proximidade da posição do narrador /Eça

6
Principais Temas abordados:
2. Finanças e Política:
 Cohen, o banqueiro, reconhece, de forma descontraída e até divertida a total dependência de
Portugal dos empréstimos do estrangeiro;
“lava as mãos” e afirma, sorrindo, que Portugal está à beira da falência, ia para a bancarrota “num
galopezinho muito seguro e muito a direito”
 Ega defende o fim da monarquia, a instalação da república e a anexação a Espanha

 Dâmaso Salcede afirma que, se a situação em Portugal ficasse “feia”, se “raspava” para Paris
(“Aquilo é que é terra! Isto aqui é um chiqueiro…”)

Conclusões a retirar:
Dicotomia SER / PARECER: A elite é rude, provinciana, possui comportamentos
grosseiros /quer parecer elegante, cosmopolita

Tal Jantar / Tal País: Um país irresponsável, provinciano, ocioso, sem gente de fibra
para o mudar
7
As Corridas de cavalos no Hipódromo
(capítulo X pág. 313…)

Objetivos:
- Tentativa de igualar/imitar Lisboa às capitais europeias
- Novo contacto de Carlos com a alta sociedade (o “High Life”) lisboeta
- (relação com a intriga principal) Carlos procura no hipódromo M.ª Eduarda

Visão caricatural:
 O hipódromo parecia um “palanque de arraial”

 O bufete (bar) tinha um aspeto nojento

 A 1.ª corrida terminou numa cena de pancadaria

 Os burgueses vestiram-se de forma desadequada ao evento

 O ambiente não era de festa, mas de enfado


8
Atentemos em alguns excertos textuais (pág.314):

O Espaço físico O Espaço social Sugestões de:


No centro, como perdido no largo espaço verde, negrejava, no
brilho do Sol, um magote apertado de gente, com algumas  Espaço desleixado, feito à pressa,
carruagens pelo meio, donde sobressaíam tons claros de sombrinhas, provinciano – desadequado face à
o faiscar de um vidro de lanterna, ou um casaco branco de cocheiro. suposta elegância do evento, onde
Para além, dos dois lados da tribuna real forrada de um baetão até o Rei estaria presente.
vermelho de mesa de repartição, erguiam-se as duas tribunas
públicas, com o feitio de traves mal pregadas, como palanques de
 Espaço tristonho, uma “pasmaceira
arraial. A da esquerda, vazia, por pintar, mostrava à luz as fendas do
tabuado. Na da direita, besuntada por fora de azul-claro, havia uma tristonha” e não um ambiente de
fila de senhoras quase todas de escuro, encostadas ao rebordo, festa, de alegre convívio
outras espalhadas pelos primeiros degraus; e o resto das bancadas
permanecia deserto e desconsolado, de um tom alvadio de madeira,  Desadequação das toilettes
que abafava as cores alegres dos raros vestidos de Verão. Por vezes a
brisa lenta agitava no alto dos dois mastros o azul das bandeirolas.
Descrição visualista / impressionista
Um grande silêncio caía do céu faiscante. (…)
Falava-se baixo, com passos lentos pela relva, entre leves
(a cor, a luz, as
fumaraças de cigarro. Ao lado de Carlos dois brasileiros queixavam-se hipálages)
do preço dos bilhetes, achando aquilo uma «sensaboria de rachar».
9
As Senhoras (pág. 316)
Visão depreciativa:
— Vamos nós ver as mulheres — disse Carlos.
Seguiram devagar ao comprido da tribuna. Debruçadas no rebordo, numa  A atitude
fila muda, olhando vagamente, como de uma janela em dia de
procissão,
estavam ali todas as senhoras que vêm no High Life dos jornais, as dos  A desadequação dos trajes, dos
camarotes de S. Carlos, as das terças-feiras dos Gouvarinhos. A maior parte tinha acessórios, da maquilhagem
vestidos sérios de missa grandes
. Aqui chapéus
e além um desses
 A banalidade e provincianismo
emplumados à Gainsborough, que então se começavam a usar,
carregava de uma sombra maior o tom trigueiro de uma carinha miúda. E na luz  O exagero provinciano
franca da tarde, no grande ar da colina descoberta,
as peles apareciam murchas, gastas,
moles, com um baço de pó de arroz.  O desleixo
Carlos cumprimentou as duas irmãs do Taveira, magrinhas, loirinhas, ambas
corretamente vestidas de xadrezinho : depois a Os recursos expressivos ao
viscondessa de corpete
Alvim, nédia
negroereluzente
branca, com o
de vidrilhos serviço da crítica/caricatura:
, tendo ao lado a sua terna
inseparável, a Joaninha Vilar, cada vez mais cheia, com um quebranto cada vez  Adjetivação (dupla, tripla)
mais doce nos olhos pestanudos. (…) Ao
desarranjada, lado,
com umconversando com
ar de ter lama nasSteinbroken,
saias. a
condessa de Soutal, (…)  diminutivo
— É um canteirinho de camélias meladas — disse o Taveira, repetindo um dito  Metáfora irónica final
do Ega.

10
Conclusões a retirar:

Dicotomia SER / PARECER: A elite é provinciana, possui comportamentos


desadequados e grosseiros /quer parecer elegante
e cosmopolita

Tais Corridas/ Tal País: Um país provinciano, ridículo, que quer imitar o
estrangeiro, mas não sabe nem pode

11
O Sarau no “Teatro da Trindade”
(capítulo XVI pág. 586…)
Objetivos:
- organizado pela elite lisboeta para ajudar as vítimas das inundações do Ribatejo
- Denunciar a falta de cultura da alta burguesia, o seu mau gosto, a sua
preferência por temas lamechas, pela retórica oca e carregada de lugares-
comuns, a crítica ao Ultrarromantismo
- (relação com a intriga) Preparar a “Peripécia” – encontro de Ega com o Sr.
Guimarães e entrega do cofre de M.ª Monforte

Visão caricatural:
- As conversas fúteis, superficiais
- O comportamento incorreto e desadequado – conversas e risotas, há quem leia o jornal, …
- O desinteresse e o boicote à atuação de Cruges, que executa, ao piano, a “Sonata Patética” de Beethoven e
que a marquesa apelida de “Sonata Pateta”

- Saem cansados, “estafados” de tanta cultura - foram ao Sarau porque é necessário “levar a cruz ao Calvário”

12
Conclusões a retirar:

Dicotomia SER / PARECER: A elite é inculta, possui comportamentos


grosseiros /quer parecer culta e elegante

Tal Sarau / Tal País: Um país provinciano, inculto, antiquado, parado no


tempo

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Escola Secundária de José Estêvão

Síntese
“Episódios da vida romântica”
o retrato de uma elite/ de um país atrasado, inculto, provinciano

que quer parecer cosmopolita, imitando o que considera “chic” na Europa,

e que acaba por ser uma caricatura grosseira e fazer uma triste
figura.

Mais vale ser do que parecer


(dito popular)

14

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