Bert hellinger   histórias de sucesso na empresa e no trabalho
Com este livro Bert Hellinger nos toma pelas mãos em direção a uma sabedoria
que leva ao sucesso. Para o sucesso que não apenas produz, mas também
executa.
Desta forma vamos em frente, vivos e dedicados à vida em sua totalidade.
Um livro que traz tranquilidade e ao mesmo tempo nos entusiasma. É o 2o
. livro
da trilogia: "Ordens do sucesso".
Editora Atman
Tsuyuko Spelter
Bert Hellinger, nascido em 1925, formou-se em Filosofia, Teologia e
Pedagogia. Trabalhou durante 16 anos como membro de uma ordem
missionária católica entre os Zulus na África do Sul.
Sua formação e sua atividade terapêutica envolveram diversas abordagens:
Psicanálise, Dinâmica de Grupos, Terapia Primal, Análise Transacional,
Hipnoterapia, PNL e a Terapia familiar, a partir da qual desenvolveu o seu
método revolucionário das Constelações Sistêmicas, aplicadas também a
problemas empresariais e a conflitos étnicos.
Atualmente Hellinger trabalha na linha mais espiritualizada dos "Movimentos
da alma", entregandose a forças superiores, profundamente reconciliadoras,
que se manifestam através dos movimentos dos representantes.
Atua como conferencista e diretor de cursos em todas as partes do mundo e é
autor de livros de sucesso, traduzidos em vários idiomas. www.hellinger.com
www.hellingerschule.com
Bert Hellinger
Da série: ORDENS DO SUCESSO
HISTÓRIAS DE SUCESSO
NA EMPRESA E NA PROFISSÃO
Tradução
Azul Llano
Revisão Técnica
Tsuyuko Jinno-Spelter
conforme revisão ortográfica de 2009
Goiânia – GO
1ª Edição
2013
Título do original alemão Erfolgsaeschichten in Unternehmen und im Beruf
Hellinger Publications 2010 - Copyright® by Bert Hellinger Printed in Germany Ia
edição 2010
Todos os direitos para a língua portuguesa reservados. Nenhuma parte deste livro pode
ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio (eletrônico,
mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de
dados) sem permissão escrita do detentor do "Copyright", exceto no caso de textos
curtos para fins de citação ou crítica literária.
1ª Edição - setembro 2013 ISBN 978-85-98540-26-9
Direitos de tradução para a língua portuguesa adquiridos com exclusividade pela:
EDITORA ATMAN Ltda.
Rua 91, n° 156 - Qadra 14, Lote 18 - Casa 01 - Setor Sul - 74083-150 - Goiânia - GO
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2122 - http://www.atmaneditora.com.br editora@atmaneditora.com.br que se reserva
a propriedade literária desta tradução.
Coordenação editorial: Tsuyuko Jinno-Spelter Designer de capa: Alessandra Duarte
Diagramação: Virtual Edit
Depósito legal na Biblioteca Nacional, conforme o decreto n° 10.994, de 14 de
dezembro de 2004. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
H477e Hellinger, Bert.
Histórias de sucesso: na empresa e na profissão /
Bert Hellinger; tradução de Azul Llano. - Goiânia:
Atman, 201 3. p. 160.
ISBN 978-85-98540-26-9
I. Relações - Empresa - Trabalho. 2. Psicologia - Relações
humanas. 3.
Relações interpessoais. I. Azul Llano (Trad.). II. Título. III. Série.
CDD: 158.2
Pedidos: www.atmaneditora.com.br comercial@atmaneditora.com.br Este livro foi
impresso com:
Capa: supremo LD 250 g/m2
Miolo: offset LD 75 g/m2
SUMÁRIO
Sumário
SUMÁRIO ___________________________________________________________6
INTRODUÇÃO __________________________________________________ 7
CIÊNCIA E SABEDORIA __________________________________________________8
As CONSTELAÇÕES FAMILIARES ________________________________________________ 11
A HELLINGER SCIENCIA®_____________________________________________________ 13
REFLEXÕES _________________________________________________________14
SUFICIENTE _____________________________________________________________ 21
AUTÔNOMO_____________________________________________________________ 29
As Histórias _______________________________________________________32
2a. HISTÓRIA: Sucesso através do serviço____________________________________ 42
3a. HISTÓRIA: Os dois níveis ______________________________________________ 45
INTERMÉDIO __________________________________________________ 72
Do 2o
. CURSO INTERNACIONAL _____________________________________ 75
DE PICHL, ÁUSTRIA______________________________________________ 75
Do 3o
CURSO INTERNACIONAL _____________________________________ 80
DE PICHL, ÁUSTRIA______________________________________________ 80
MAIS HISTÓRIAS DE SUCESSO ______________________________________ 85
2º EXEMPLO: A profissão ________________________________________________ 87
Do 3º. Curso Nacional de Pichl, Áustria __________________________ 100
6º. EXEMPLO: A fusão __________________________________________________ 105
8º. EXEMPLO: O sim ___________________________________________________ 110
9º. EXEMPLO: A exclusão _______________________________________________ 115
PERGUNTAS _________________________________________________ 119
PROCEDIMENTOS______________________________________________ 123
EPÍLOGO____________________________________________________ 132
INTRODUÇÃO
O QUE SIGNIFICA ASSESSORIA DE EMPRESAS NESTE LIVRO?
A assessoria de empresas que apresento neste livro, e à qual os conduzo,
refere-se predominantemente às relações nas empresas e na profissão e
até que ponto o sucesso em nossa profissão e em nossa empresa depende
do bom resultado dessas relações. Outras áreas que também têm um
papel importante nestes sucessos, como os conhecimentos práticos e as
habilidades, permanecem no pano de fundo.
Portanto, esta assessoria profissional e de empresas está dirigida
predominantemente às relações nas empresas, porém existe mais uma
coisa que distingue esta assessoria de empresas das assessorias habituais.
Para realizá-la, não tenho nenhum contrato de trabalho com nenhuma
empresa. Nem elas o têm comigo, nem eu com elas. As pessoas vêm por
si mesmas aos cursos que ofereço há algum tempo sobre o tema das Leis
do Sucesso nas empresas e na profissão. Elas vêm geralmente por
curiosidade e sem um problema específico em mente. Com a ajuda das
Constelações Familiares, aprendem juntos, uns dos outros - com outros
empresários e de outros empresários.
Depois retornam a suas empresas e profissões, autônomos e
independentes de mim. Continuam sendo respeitados por mim e eu por
eles, sendo cada um bem sucedido de forma independente.
A assessoria profissional e de empresas apresentada neste livro
permanece dentro do âmbito da assessoria vital no mais amplo sentido.
As histórias deste livro são biografias bem sucedidas, acessíveis e
inteligíveis para todos e também fáceis de trasladar a outras áreas da
vida.
Este livro surge da vida real. Não perde o contato com ela e narra
histórias intrigantes nas quais, às vezes, seguramos a respiração. Narra
também histórias libertadoras nas quais vivenciamos como os passos
decisivos têm êxito. Às vezes também conta histórias trágicas onde se
insinua o fracasso, que parece inevitável. Estas histórias também
mostram como algo diferente e novo pode começar a serviço da vida: a
serviço de nossa vida e a de muitos outros.
Bert Hellinger
CIÊNCIA E SABEDORIA
A ciência move-se no alto. Está, por assim dizer, acima das coisas.
Também se coloca acima delas quando decide sobre o que pode ser
reconhecido por ela. As coisas perdem seu direito de existir, quando não
encontram misericórdia perante seus olhos.
Falo agora menos da ciência em si, pois estou ciente do quanto a ela
devemos, apesar de que a apelação à ciência conduza muitos a essa
postura de que ela está acima das coisas. Esta postura limita nossa
percepção em lugar de ampliá-la.
Depende do horizonte em que nos movemos. Fixamos nosso horizonte
ou permitimos que se mantenha à mesma distância, sem nos
aproximarmos dele, aonde quer que formos? Ou convertemos a ciência,
para nós e para os outros, em um horizonte que diz “até aqui e não mais”?
Esta postura mal pode ser científica, pois todas as ciências estão
permanentemente a caminho de novos horizontes. A pergunta continua
sendo: A caminho de que horizontes?
Vão em todas as direções para algo desconhecido, com a mesma
disposição, mesmo que se abram horizontes que estão além de suas
suposições prévias, porque elas se subtraem à clareza e à determinação
científicas?
Abrem-se, por exemplo, aos horizontes do amor e àqueles horizontes nos
quais as contradições se encontram de uma maneira que se abre para
todos os lados um novo horizonte para a convivência humana? Como se
abre o horizonte do que está por vir e do que vai perecer, o horizonte da
vida antes do nascimento, o horizonte que se abre para nós e que se fecha
quando nossa vida termina aqui?
A ciência pode determinar o que realmente conta quando estamos
perante estes horizontes e para onde devemos nos mover para chegar a
outro lugar onde, no final, nós nos vivenciamos como se realmente
tivéssemos chegado além de nossos horizontes?
É claro que com isto eu me movo num nível perante o qual toda ciência
chega a seus limites.
Porém, se o comprovarmos com nosso sentimento mais interno: Onde
nos sentimos mais profundamente consolidados? Onde mais
profundamente unidos? Aonde conduzidos com mais segurança? Então
abre-se para nós um outro horizonte, amplamente inacessível, pois
sabemos que estamos em outras mãos, intangíveis para nós e que, no
entanto, podemos sentir.
Aqui tudo permanece escuro, pois vai além do estreito e do factível.
Como uma tormenta, perante a qual apenas podemos ficar quietos, sem
poder detê-la. O mesmo vale para a tranquilidade que segue esta
tempestade.
Aqui é necessário outro conhecimento que, antes e depois de toda
ciência, determina o que conta verdadeiramente no final de algo
transitório e no começo de algo permanente, desde a profundidade de
tais experiências e em sintonia com elas.
Este conhecimento opõe-se à ciência? Ou a faz possível de uma maneira
mais abrangente? Supre onde a ciência fracassa? Conduz além e ordena
o que colapsou perante a ciência? Torna humano o que virou
cientificamente anti-humano? Aqui nos movemos no campo da
sabedoria.
O que diferencia a sabedoria da ciência?
A sabedoria escuta o interior. Provém de uma profundidade insondável,
que nela se revela, que se revela a nós em sua escuridão.
O que esta profundidade nos revela foge a nossa compreensão,
literalmente. Quando queremos pegá-la como se nos pertencesse, como
nos pertence um conhecimento científico, foge ao nosso acesso.
A sabedoria é reta, ninguém pode torcê-la. É reta em todas as direções e
por isso é íntegra. Não está disponível para ninguém. Não podemos
aprendê-la nem ensiná-la.
Mas todos a têm. Sem ela ninguém sobreviveria. Também todo animal a
possui. Este sobrevive porque tem uma alma e é guiado por um poder
que reside nele.
A questão é: Escutamos esta sabedoria? Nós nos submetemos a ela?
Queremos enganá-la algumas vezes, como se pudéssemos deturpá-la e,
no entanto, sobreviver sãos e salvos? Agimos, às vezes, a partir de
reflexões que ela desconhece? Agimos, por exemplo, apenas mediante
reflexões científicas e cientificamente demonstráveis?
A sabedoria chega a nós em sintonia com a vida. Ela serve à vida. Em
sintonia com ela também nós servimos à vida. Como? Com sucesso.
A SABEDORIA DO SUCESSO
Podemos planejar o sucesso em muitos aspectos. Podemos e devemos
planejá-lo cientificamente e persegui-lo com métodos cientificamente
comprovados, pois todo progresso segue conhecimentos científicos
novos. É por isso que o pensamento claro e lógico assim como a
aplicação exata dos conhecimentos conquistados pela ciência são
condições fundamentais para o sucesso naquelas áreas da vida que
garantem e impulsionam o sucesso em nosso trabalho, empresas e
organizações que o abrangem. Isto está fora de questão.
A ciência conduz ao sucesso quando leva em conta e persegue aquelas
áreas da vida submetidas à lei da sabedoria. Mais especificamente, estas
leis são leis do amor, um amor que serve à vida, à nossa e à de muitas
outras pessoas.
Não importa onde tenha havido em nossa vida e em nossas relações
acontecimentos e situações nas quais infringimos ou tivemos que
infringir as leis dos relacionamentos, sendo cientes ou não, isto tem
efeitos imediatos no sucesso no campo de nossa profissão. Estas
transgressões destroem muitos sucessos ou os impedem já no início.
Este livro trata da sabedoria do sucesso, de seus fundamentos e
condições, frequentemente ocultos, e das leis do amor que o possibilitam
e garantem.
Como a sabedoria chega a nós? Como nos é revelada? Como a
vivenciamos de perto? Quando chegamos a nossos limites, aos limites
de nosso conhecimento, aos limites de nossa ciência e aos limites daquilo
que nos é possível com sua ajuda. Nestes limites ela alcança seu valor.
Revela-se pelo seu efeito no caso do sucesso e no caso do fracasso.
As CONSTELAÇÕES FAMILIARES
O âmbito da sabedoria e suas ordens abriu-se a nós de uma maneira
surpreendente e misteriosa através das Constelações Familiares. Este
âmbito encontra-se amplamente além da ciência. Até hoje a ciência não
pôde encontrar uma explicação para os movimentos que se mostram, por
exemplo, quando numa constelação são colocados representantes de
membros de uma família uns em relação aos outros arbitrariamente e
estes representantes, de repente, sem conhecê-los, sentem como os
próprios membros da família, quando, em outro nível da consciência,
entram em contato direto com eles. A ciência tampouco pode explicar
de um modo cientificamente direcionado o que se revela para todos.
Este é o começo. O que acontece depois? Quando permitimos aos
representantes se moverem tal como se sentem dirigidos por um
movimento interno, vem à tona o que nessa família feriu as Ordens do
Amor, e quais os seus efeitos em seus membros, como também no seu
sucesso em sua vida e em sua profissão.
Também é admirável que isto venha à tona em poucos minutos sem que
algo precise ser dito.
Quando os atingidos se expõem a estes movimentos, são conduzidos por
eles a soluções que reestabelecem a ordem e põem ao alcance do olhar o
caminho ao sucesso. Apenas com os movimentos mostram que decisões
estão pela frente e em que direção se encaminham para conduzir a
empresa e a nós mesmos com sucesso.
Isto pressupõe, por outro lado, que quem oferece e dirige uma
constelação assim, age com sabedoria e submete-se a suas indicações e
movimentos. Já pelo fato de estar presente, mantém-se a serviço dessa
sabedoria e é tomado por ela a seu serviço para outros, como servidor do
sucesso para eles e para muitos.
Em meu livro Êxito na vida, Êxito na profissão. Como ambos podem ter
sucesso juntos descrevi o que isto significa em detalhe e como podemos
entrar pessoalmente neste movimento.
Lá, onde o fracasso ameaça na profissão, mediante uma constelação vem
imediatamente à tona o que é que ficou sem solução na família e em
outras relações da pessoa atingida, e como isto influi no sucesso e no
fracasso. Se na vida algo é colocado em ordem, também se consegue a
ordem no campo profissional.
Neste livro os conduzo mediante histórias concretas de cursos em
diferentes países em direção aos movimentos da sabedoria no nível do
trabalho e das empresas. Cada história é única. Juntas, dão uma imagem
clara, como quando, de maneira semelhante a um quebra cabeças, todas
as imagens individuais compõem uma imagem total.
A BREVIDADE
É surpreendente com que rapidez vêm à tona os obstáculos e os passos
decisivos para a solução. Uma constelação dirigida ao sucesso
profissional dura, via de regra, 20 minutos, raramente mais de 30. E
acabou.
O ALCANCE
Também é surpreendente que uma constelação assim alcance aqueles
ausentes que têm um papel nela, mas dela nada sabem.
Uma pessoa da Malásia que se dedica às Constelações Familiares,
conhecedora de meu trabalho, informou durante um curso em Hong
Kong sobre as Leis do Sucesso na empresa, sobre o efeito de uma só
constelação para um cliente.
“No ano passado, veio a mim um homem cuja empresa tinha muitas
contas a receber, portanto só tinha o dinheiro nos livros, mas não em suas
mãos.” Quando esse homem contava aquilo ao grupo, sorria. Eu tomei
isso como uma indicação de que essa situação remetia a algo não
resolvido em sua família de origem. O pano de fundo familiar era que
seu pai havia sido adotado por outra família e só muito tempo depois
pôde voltar para sua família de origem. A sensação de seu pai de não
poder pertencer ao grupo vibrava ainda nele.
Pouco depois da constelação sobre sua família e sua empresa, seus
clientes pagaram as contas pendentes. Além disso, fechou um grande
contrato e os clientes pagaram adiantado 40% do preço de venda apesar
da crise financeira mundial. “Como empresário nunca havia vivido antes
algo assim.”
A HELLINGER SCIENCIA®
As Constelações Familiares no âmbito das empresas e da profissão,
mostraram que só foram possíveis em sua forma atual quando pude
explorar novos âmbitos através de novas compreensões. Reuni essas
compreensões na marca Hellinger Sciencia® e agora aplico as
Constelações Familiares predominantemente desta forma.
Extraí essas compreensões das experiências que tive até agora com as
Constelações Familiares e através de observações. Embora no início as
Constelações Familiares fossem usadas e provadas predominantemente
no campo da psicoterapia, com o passar do tempo demonstrou-se que as
compreensões adquiridas com sua ajuda sobre as Ordens do Amor,
regem em todos os âmbitos da vida. Pode ser resumida como uma ciência
universal em seu sentido mais pleno.
Como âmbito novo da aplicação destas ordens, acrescentou-se
ultimamente aquele campo da vida no qual passamos a maior parte de
nossa vida: o campo profissional. Mostrou-se que o sucesso e o fracasso
neste campo dependem da medida em que observamos também nele as
ordens e as desordens do amor.
REFLEXÕES
A PROFISSÃO
“Profissão” significa professar algo que nos toma a seu serviço para algo.
Propõe-nos as exigências correspondentes que devemos cumprir para
exercê-la.
A profissão se escolhe. Somos chamados para ela ou por ela, geralmente
de maneira especial. Por exemplo, depois de uma escolha.
Muitos se sentem chamados para algo especial, via de regra, por um
poder superior, ao que são chamados a servir de uma maneira também
especial. Às vezes se sentem chamados contra sua vontade, pois receiam
que as exigências unidas a este chamado superem suas forças.
Defendem-se deste chamado, como muitos profetas do Antigo
Testamento. Porém, no final sua resistência pouco lhes serve. Precisam
se submeter.
Olhando com mais atenção, descobrimos que em toda profissão há um
chamado assim, na maioria das vezes, inclusive pelo fato de que temos
dotes especiais para ela e que outros esperam que sigamos esse chamado,
seja o que for o que ele nos peça.
Só temos sucesso se atendermos a ele. Fracassamos quando tentamos
evitá-lo. Por exemplo, se desejarmos algo mais fácil para nós, algo que
exija menos de nós.
Só quando realizarmos nossa profissão, quando a realizarmos com
entrega, sentiremos que nossa vida está completa.
A profissão mais significativa para a vida de muitos é a de empresário.
Esta se encontra no topo de muitas profissões. Conduz muitas profissões
a um objetivo comum, a um sucesso comum para muitos.
O sucesso de um empresário beneficia muitos. Seu fracasso, não só o
afeta, mas também muitos outros de cuja colaboração sua empresa
depende. Junto com eles, afeta muitas famílias.
Provavelmente a empresa mais difícil é a família, a que propõe as
máximas exigências ao indivíduo, especialmente à mãe. Aqui surge a
questão: Qual é nossa posição a respeito desta empresa e de seu principal
dirigente, nossa mãe? Permitimos a ela e a nós ser seu sucesso em todos
os aspectos? Rejeitamos de diferentes maneiras o sucesso pleno desta
empresa?
Uma observação é - e isto tem a maior importância para nosso trabalho
e nossa empresa - quem nega a sua mãe a colaboração no sucesso de sua
empresa, nega também a si mesmo o sucesso em sua empresa e em sua
profissão.
O que for que consigamos, nossa mãe o consegue. Seja o que for no que
fracassemos, nossa mãe fracassa.
Se nossa mãe tem que se afastar de nós quando rejeitamos e
desconhecemos seus serviços, então muitas pessoas nos abandonam, e
com elas nosso sucesso.
Como encontrar o caminho do sucesso em nossa profissão e em nossas
empresas? Como encontrar o sucesso em todas nossas relações, o
sucesso permanente?
Permitindo que nossa mãe tenha sucesso conosco. O sucesso em nossa
profissão tem a cara da mãe. Quem puder se dirigir à mãe com respeito
e amor movimenta-se em direção ao sucesso em sua profissão e em sua
empresa. E, ao contrário, se nossa mãe tiver que se afastar de nós, com
ela também o sucesso se afasta de nós.
Onde começa, então, o sucesso em nossa profissão e em nossa empresa?
Com nossa mãe.
O TRABALHO
O trabalho adoça a vida”, diz o ditado alemão. A segunda parte da frase,
“a preguiça reforça os membros”, deixarei passar. Para que ter os
membros fortes, se depois de um descanso não servem, reforçados, para
o trabalho seguinte?
Tudo o que vive permanece em um movimento que mantem e leva a vida
adiante. Nossa vida se preenche mediante um desempenho, um
desempenho permanente. A vida trabalha.
Em primeiro lugar, uma necessidade vital obriga-nos a trabalhar. É mais
belo se a alegria de viver empurra-nos ao trabalho bem sucedido. A
alegria de viver vira alegria de trabalhar. Vira alegria pelo trabalho bem
sucedido, e o trabalho bem sucedido vira alegria pela vida bem sucedida.
O trabalho desagrada quando a vida nos desagrada. Também o trabalho
imposto desagrada. Então nós o realizamos a contragosto. Passa a ser,
para nós, um trabalho de escravo, que serve mais à vida de outros do que
à nossa.
Às vezes, trabalhando, saímos de uma situação opressiva e limitante. Em
vez de nos paralisarmos com ela, sobressaímos pelo próprio trabalho e
desempenho. O trabalho nos mantém vivos também em situações
difíceis. Ele também nos causa alegria, mesmo que por um tempo ainda
secretamente.
Neste caso, conseguimos mediante o trabalho, duro no início, a liberação
em direção a uma vida própria e plena. A perspectiva de seu sucesso dá-
lhe asas.
Tudo o que é criativo está trabalhando, continuamente. Tudo o que
cresce está trabalhando, continuamente. O mesmo ocorre com tudo o que
serve. Tudo o que causa prazer a nós e aos outros está trabalhando e o
conseguimos com o trabalho.
Há mais uma coisa que trabalha para nós: o tempo. Ele trabalha para nós
se o acompanharmos em lugar de nos determos. O tempo, que sempre
leva para além, é uma metáfora daquelas forças criativas que abençoam
nosso trabalho, pois - em sintonia com elas - serve à vida de muitos e
leva a vida adiante. Aqui rege a frase “o sucesso segue ao serviço bem
sucedido”.
Nosso trabalho é a coroação do amor. O amor sempre está trabalhando e
o faz com amor. Este amor vai ao encontro do amor recíproco. Mostra-
se como um reflexo que volta a nós como resposta. Reflete-se com
sucesso.
O BENEFÍCIO
O trabalho bem sucedido nos traz beneficio. Nós o chamamos de salário.
Desfrutamos deste benefício. É o salário merecido pelo nosso trabalho.
Para que nos cause prazer, deve corresponder ao trabalho realizado.
Este benefício é um aumento de vida e de possibilidades de vida.
Beneficia nossa vida e também a vida de muitos outros aos quais
servimos com nosso trabalho. Este benefício é em primeiro lugar um
ganho de vida.
Portanto exigimos pelo nosso trabalho o salário correspondente. Se este
salário nos é negado, diminui nossa alegria pelo trabalho e pelo
desempenho no trabalho e com isso nossa alegria pela vida e pelo nosso
desempenho.
Onde quer que o realizemos, empregamos nosso trabalho, segundo a
possibilidade, com benefício. Este benefício é, para nós, uma parte
importante de seu sucesso.
Inversamente, evitamos aquilo que nos traz perda. Deixamos de lado
aquilo que acrescenta pouco à nossa vida. Nós nos dedicamos a procurar
um trabalho e uma tarefa que nos traga benefício.
Aquilo que beneficia mais é aquilo que serve à vida que está por vir.
Existe algum benefício maior do que os filhos próprios? Qual é o
trabalho que rende mais do que aquele que serve a eles?
Todo benefício serve, no final, àquela vida que vem depois de nós. Ela
serve como uma medida de valor para tudo. Só ela prossegue.
A COLHEITA
A colheita é o fruto da maturidade bem sucedida. Chega com o tempo, a
seu tempo. Além de nosso serviço, a colheita depende também de
circunstâncias favoráveis. Por isso, para obter a colheita que
procuramos, é importante criar as condições que a favoreçam. Por
exemplo, um ambiente favorável que beneficie e faça frutificar o
rendimento de nosso trabalho. Nosso benefício depende em grande
medida de uma colheita.
A colheita é, em seu sentido original, algo que cresceu. Apoia- se em
algo que a sustenta. Muitas coisas devem colaborar de uma determinada
maneira para que algo a sustente e nos seja presenteada.
Uma colheita assim beneficia muitos. É medida pelo quanto serve a nós
e a outros. Tem seu próprio valor interno, um valor vital.
O benefício também é uma colheita. Nossa colheita se mede geralmente
pelo seu benefício. No entanto, há uma hierarquia entre ambos. Primeiro
vem a colheita, e depois o benefício.
A questão é: Para o que olhamos primeiro em nossos sucessos? Olhamos
primeiro para a colheita e, só em sintonia com ela, para o benefício?
Colocamos em jogo, algumas vezes, a colheita por causa do benefício?
Se o benefício continua sendo o principal, quanto tempo permanecerá
sem uma colheita que o suporte?
Se percebermos o que acontece em nós, se nossa atenção fica focada em
primeiro lugar no benefício, sentimos a diferença. Sobretudo se
percebermos o que muda em nossos funcionários quando seu trabalho
serve menos á colheita do que ao benefício.
Dá prazer aos funcionários, e também a nós, primeiro a colheita e depois
o benefício. Se atendermos primeiro o benefício, o que nós e eles ainda
produziremos para a colheita?
Aqui se mostra uma ordem do sucesso. O sucesso segue uma colheita;
esse sucesso e sua colheita beneficiam muitos. São respeitados e bem-
vindos por isso.
Quando o benefício foi colocado em primeiro lugar podemos observar
depois de um tempo: o que a água traz, ela leva.
Só a colheita acaba sendo para nós e para os outros um benefício
propriamente dito, um benefício que permanece.
DETER-SE
Um movimento iniciado por nós detém-se mais tarde ou mais cedo,
chegando a seu fim. Muitas vezes vira-se e movimenta-se em direção
contrária. Aniquila aquilo que tinha alcançado antes. Um sucesso, por
exemplo, que vai longe demais, inverte-se depois de um tempo.
Transforma-se em seu oposto.
O que isso significa para os sucessos de nossa vida? Prevemos seu fim
ou sua inversão. Pulamos a tempo do trem em andamento, antes que
pare, e começamos de imediato algo novo desde o início.
Esse novo também permanece apenas por certo tempo. Também aqui
percebemos quando alcançou seu ápice, e seu sucesso e sua significação
começam a reluzir. Nós o soltamos antes que chegue ao seu fim e
recomeçamos.
Quem nunca para é o espírito. Tudo o que é criativo nunca para.
O que isso significa para nossas empresas? Elas se renovam e crescem
continuamente. Não existem sucessos velhos, só sucessos sempre novos.
Só eles mantêm o impulso de nossa vida.
Aquilo que queremos eternizar e garantir encaminha-se previsivelmente
ao seu fim. Ainda mais: retém-nos.
Este seria o outro significado do deter-se: detém e retém ao mesmo
tempo.
Que ação estaria anunciada neste caso para nossos sucessos?
Enquanto ainda duram, nós nos libertamos deles para os sucessos que
lhes seguem. Como? Olhando para diante, para a frente deles enquanto
duram.
Acontece o mesmo com nossa vida. Em seu ponto culminante, geramos
a nova vida que seguirá a nossa, até que também esta, no ápice de seu
sucesso, coloque em movimento o sucesso seguinte, no qual segue
atuando e permanece.
MEDIDO E DESMEDIDO
Medir significa fixar as dimensões de algo para estabelecer onde estão
seus limites.
O desmedido é o contrário. Quem age de maneira desmedida, vai além
de seus limites, de modo que põe em perigo os limites de outros e os seus
próprios.
O que limita nossos sucessos, por exemplo, é a concorrência. Ela obriga
cada um a dar o melhor. Aquele que, finalmente, resulta ser o melhor
entre muitos, coloca os limites a seus concorrentes, sem agir com
descomedimento. Com seu sucesso ampliou e garantiu seus limites em
benefício de muitos. Age com descomedimento quem sobrestima seu
sucesso, por exemplo, quem se considera bem sucedido sem sê-lo
realmente.
Age com descomedimento quem espera maiores benefícios ou salários
que os que correspondem a seu desempenho. Depois de um tempo é
reduzido aos limites correspondentes a seu desempenho.
Nosso sucesso é, afinal, o salário adequado a nosso desempenho e nosso
serviço. Cresce com nossos desempenhos e é reconhecido e valorizado
de maneira correspondente a eles. É medido constantemente com nosso
serviço.
Depois do serviço feito, vem o sucesso, em forma do salário que lhe
corresponde, nem alto demais nem baixo demais. Permanece nos limites
estabelecidos pelo nosso serviço.
SUFICIENTE
“O que é bom nunca é
demais”, dizem alguns. Isto também vale para nossos sucessos: nunca
são suficientes, sempre pedem mais.
Muitos sucessos, sobretudo aqueles similares e iguais, causam tédio
depois de um tempo, em nós e nos outros. Suspiramos quando acabam.
No fundo trata-se dos mesmos velhos sucessos. Quando acabam, deixam
espaço a sucessos novos que levam mais além.
Alguns negligenciaram através de seus sucessos velhos, os novos e
essenciais. Quanto mais cedo pararmos com os sucessos velhos, tanto
mais rápido virão os novos.
Nossos sucessos têm uma medida. Quando ela está cheia, isto é o
suficiente para nós e para os outros. Anuncia-se algo novo e mais
importante para nossa vida, perante o qual empalidecem e murcham
nossos sucessos velhos.
Quando algo é suficiente, pode acabar, de tal maneira que deixa espaço
ao novo. Senão, como diz Rainer Maria Rilke em seu poema “O homem
que contempla”, os velhos sucessos nos deixam pequenos perante algo
maior e criativo.
Perante estes poderes permanecemos pequenos inclusive com nossos
maiores sucessos. Em sintonia com estes poderes passamos de um
suficiente ao seguinte, pequenos e ao mesmo tempo cheios de força, cada
vez mais dispostos a mais sucessos vitais. Como? Dispostos para a plena
ação.
A BONDADE
Bondade significa: querer bem a alguém. Quero bem a ele tal como ele
é. Como se mostra essa bondade? Da minha parte deixo que os outros
sejam como são. Em minha presença podem mostrarse como são, sem
temer que eu faça alguma objeção. Por isso nós nos sentimos bem
perante pessoas bondosas.
A pessoa bondosa também é boa para si mesma. Ela é boa para si mesma
tal como é. Também é boa de coração.
A pessoa bondosa fica como é, ou torna-se mais para si e para outros
através de sua bondade? Porque é boa, a bondade permite frutificar
muitas coisas a seu redor de uma maneira boa. Geralmente basta com
que a pessoa esteja presente, sem fazer nada, como o sol, que ao brilhar
faz com que a vida prospere.
A bondade acaba assim que fizer distinções. No momento que faz
distinções prefere uma coisa ou outra. Distingue entre algo melhor para
ela e aquilo que considera não tão bom ou ruim. Então também aqueles
que consideram a bondade boa num momento, temem não ser
considerados tão bons por ela depois de um tempo, temem que a bondade
deixe de ser bondosa com eles.
A bondade verdadeira é bondosa com tudo. Tal como Jesus diz de seu
pai celestial: “Ele deixa o sol brilhar sobre maus e bons, e faz chover
sobre justos e injustos”.
O bondoso aprova também os maus e os violentos, os que agem contra a
vida de outros e inclusive matam, às vezes, de uma maneira que até o
céu se revolta?
O bondoso é bondoso com eles, da mesma forma que é bondoso consigo
mesmo, pois percebe em si mesmo os mesmos impulsos: em seu
coração, em sua profundidade oculta, o mesmo potencial cruel e
maligno.
O que acontece, então, com aqueles que consideram muitos outros piores
que si mesmos? O que acontece com aqueles que, perante o que é
maligno e cruel, sentem acender em outros e em seus próprios corações
o que é maligno e cruel, o que os iguala com aqueles que eles rejeitam,
que os faz semelhantes no mais profundo de seu interior?
A bondade que, como uma gota de água macia e mole, depois de um
tempo amolece até a rocha mais dura, torna-se irresistível a qualquer
pessoa má e ao maligno no próprio coração. Inclusive a rocha mais dura
dissolve-se, depois de um tempo, na água mole.
Esta bondade é uma bondade divina. Amolece até a rocha mais dura,
levando-a finalmente com a água da mesma fonte ao mesmo oceano, o
oceano de uma bondade infinita.
A PROFUNDIDADE
Toda bênção procede da profundidade. Toda vida na Terra provém da
profundidade. Alimenta-se da profundidade e volta a se afundar nela. De
volta para quê? Para uma vida maior, permanente, pois a profundidade é
viva.
Nesta profundidade vivem os mortos, todos os mortos. A profundidade
os acolheu. Desta profundidade tornam à luz. De que maneira? Vêm por
um tempo à luz através dos vivos, para se afundar novamente na
abundância da profundidade.
O que acontece com a altura e a distância? Elas estão no início de uma
profundidade. Mesmo em relação ao espaço sideral, a essência da
distância, falamos de sua profundidade. Também sua profundidade é
como toda profundidade, insondável.
Neste sentido, os pensamentos profundos são insondáveis e as palavras
profundamente comovedoras com as quais os expressamos. Quando as
ouvimos e nos guiamos por elas, só nos resta delas algo tangível, como
a profundidade da qual provêm. Por exemplo, a palavra “mamãe”.
A morte também é profunda? Tem a força da profundidade? Ou
permanece, junto a tudo o que associamos a ela, em um primeiro plano
sem profundidade, como uma porta de entrada e transição para algo que
vem depois dela?
Profunda é a sabedoria. Também ela vem da profundidade, de uma
profundidade insondável, conduzindo a essa profundidade.
Profundo é, nesse sentido, o amor, o amor profundo. Provém da
profundidade, da profundidade da alma. Ele é propriamente o sentimento
profundo.
De que profundidade provém esse amor? Provém de uma profundidade
insondável. Nunca acaba.
Porque a profundidade permanece insondável para nós, está cheia e vazia
ao mesmo tempo. Puxa-nos a um vazio que nunca fica cheio. Por isso
sua atração nunca termina. A profundidade permanece em movimento
em direção ao mais, em direção ao infinitamente mais.
Na profundidade acaba o superficial e o transitório. Por exemplo: a
preocupação, a culpa, todo benefício e toda perda - todo final. Voltam
da profundidade, um dia, à superfície e à luz?
Da profundidade ascende algo inesperado e novo. Esse novo é realmente
novo? Da profundidade traz à tona todo o passado, oculto no novo? Algo
começa realmente do início? Não é sempre ambas as coisas, final e início
ao mesmo tempo, mas cada vez diferente, cada vez maior?
Como podemos viver nossa vida em plenitude? Só da profundidade, da
profundidade total. Vivemos nossa vida fundamentada nela, segurados
por ela e atraídos em direção a ela, sem fim como ela. Vivemos a vida
serenos e centrados, plenos e vazios ao mesmo tempo e, no entanto,
totalmente presentes, atemporais.
A MORTE
As empresas são a obra de uma vida, uma obra a serviço da vida. Nelas
atua um movimento que, depois de um tempo, torna-se independente, de
maneira tal que elas continuam, como se tivessem um princípio vital
próprio, independente daqueles que lhes deram vida. Neste sentido são
como seus filhos. Continuam vivendo como seus filhos. Andam sobre
seus próprios pés quando seus autores abandonam o cenário da vida e
outros continuam interpretando em seu lugar o jogo da vida.
Da mesma maneira que os pais quando envelhecem, retiram-se
paulatinamente da vida de seus filhos. Deste modo os empresários saem
paulatinamente da vida cotidiana de suas empresas quando a obra de sua
vida segue seu caminho também sem eles. Cedem a direção a outros, que
continuam dirigindo em seu lugar aquilo ao que deram vida.
Pode ser que sua empresa ainda leve seu nome, mas logo aqueles aos que
ela serve relacionarão esse nome cada vez mais com seus produtos. O
nome de seu autor e sua lembrança passam a um segundo plano até
afundarem com ele no túmulo. Como encaramos como empresários, seja
no campo que for, o final de tudo o que foi conseguido?
Imaginamos o final antes de ele chegar. Internamente atravessamos antes
um limite, como se passássemos a um outro espaço, inclusive a uma
outra vida, na qual aparece apagado o que aqui termina, porque devemos
começar outra coisa.
Depois retornamos a nossa vida cotidiana. Como? Alegres. Fazemos
com que nossa luz brilhe de outro modo sobre nossas empresas e sobre
aqueles aos quais servem. Nós deixamos a eles seu próprio tempo e
vamos com outro tempo. Como? Plenos e serenos para o próximo que
espera por nós, abertos e vazios.
A PERSPECTIVA
A perspectiva sempre vai à frente. Esta perspectiva tem futuro. Vai em
direção a algo maior e vai para o mais. Quem quiser ter sucesso olha
sempre para a frente. Movimenta-se em direção ao sucesso seguinte e
novo.
Assim como nossa perspectiva, assim será nossa ação. Assim como
nossa perspectiva, assim será nosso ânimo e nosso impulso.
De onde vem essa perspectiva? Abrange-nos de fora? Ou abrangemos
com ela tudo o que virá, algo que virá e deverá vir porque o colocamos
no nosso campo de visão?
A perspectiva cria aquilo que vê. Cria-o com confiança. Nossa
perspectiva se torna criativa na medida em que a queremos. Ainda mais:
nossa perspectiva arrastra muitos outros.
Ao mesmo tempo, a perspectiva está acordada. Coloca o olhar em muitas
coisas e está a caminho com ele.
Portanto, como começa nosso sucesso? Começa no interior, em nosso
espírito, com uma perspectiva. Esta perspectiva é otimista.
De onde a nossa perspectiva tira seu impulso? Da plenitude do sucesso
que outros veem em nosso trabalho. Esta perspectiva nunca procura algo
que nos falta. Transborda daquilo que já temos. Dá em vez de tomar.
Serve a uma coisa e, através disso, ao progresso de muitos.
Onde está nosso sucesso? Já está a caminho com nossa perspectiva em
relação a ele.
A DECISÃO
Nossa ação decisiva começa com uma decisão. Ela põe nossa ação em
movimento.
Toda decisão é uma ousadia e às vezes uma aventura de resultado
incerto. Muitas vezes é uma decisão corajosa.
A decisão certa chega no momento adequado. Se a tomarmos rápido
demais logo lhe falta a força para se impor. Se a tomarmos tarde demais
vai mancando atrás do sucesso.
A decisão precoce demais acaba sendo, geralmente, imprudente e
irrefletida. A decisão tardia demais acaba sendo paralítica. Fica
pendurada em outras coisas em vez de guiar.
Com nossa decisão fazemos o começo, apenas isso. Depois dela vem a
seguinte, que faz com que a anterior avance. É uma decisão nova,
seguida por uma reflexão e uma percepção novas.
Frequentemente afasta-se da primeira decisão, pois esta apenas pode
cumprir-se mediante uma nova.
Toda decisão é provisória. Não podemos descansar numa decisão velha
nem confiar nela. Permanecemos em movimento mediante novas
decisões permanentes.
Assim acontece com nossa vida. Para continuar precisa
permanentemente de decisões novas.
Assim acontece com todo sucesso. O sucesso seguinte vem com a
decisão seguinte, com uma decisão decidida. Ela tem efeito naquilo que
decidimos com força, com amor.
A PRECAUÇÃO
Devemos ser cautelosos quando há uma ameaça de perigo. Este perigo
provém, geralmente, do exterior. E, às vezes, do interior.
Nós nos expomos ao perigo externo estando acordados. Nós o medimos,
avaliamos como evitá-lo ou, se necessário, como ir direto a seu encontro,
de igual para igual. Para poder afrontar um perigo com sucesso, a
precaução precisa de decisão e coragem. Estes fazem com que os outros
sejam também cautelosos conosco.
A precaução hesitante, com a qual nos afastamos em vez de avançar, não
nos deixa alcançar o grande sucesso. Ele foge dela.
A precaução bem sucedida anda de mãos dadas com a coragem alerta
que nos torna capazes de olhar de frente um perigo ou um acontecimento
ameaçador.
Ainda há uma outra precaução. O ditado alemão, por exemplo, diz: “A
cautela é a mãe do vaso de porcelana”. Quer dizer que lidamos com
precaução com nossos recursos, nossas ferramentas e com as pessoas de
cuja colaboração depende nosso sucesso.
Esta precaução é, no fundo, valoração e respeito. Sem ela sofreremos
prejuízos.
Neste sentido, lidamos com precaução com nossa renda. Estabelecemos
reservas para os tempos de penúria. Nossa precaução torna-se, neste
caso, previsão.
Às vezes somos cautelosos neste sentido com nossas palavras. Onde
convém, nós a retemos prudentemente. Só mostramos algumas poucas
cartas. Esta precaução se torna uma estratégia sábia. O outro deve
mostrar primeiro as cartas. Neste caso, a precaução pede confiança
mútua antes de dar um passo juntos.
Uma precaução excessiva também se opõe a um empreendimento
comum. O grande sucesso, às vezes, nos pede o primeiro passo gerador
de confiança contra toda precaução.
O que nos pede, então, a precaução? Às vezes, ser incautos.
A POBREZA
A pobreza parece ser o contrário do sucesso. Sem sucesso, alguém
empobrece. Inclusive na pobreza, um pobre deve ter sucesso em muitos
aspectos para poder viver. A habilidade para poder sobreviver na
pobreza provocada, por exemplo, pela desgraça ou uma catástrofe,
transforma-se numa excelente conquista para estes pobres.
Refiro-me a outra pobreza. Os pobres, por exemplo, de uma favela,
tornam-se às vezes uma comunidade conjurada. Para eles acaba sendo
muito mais difícil sair dessa pobreza, pois isto seria como se perdessem
suas raízes. Uma fidelidade profunda os vincula a seus concidadãos
pobres.
No entanto, como podem ter sucesso? Com modéstia. Permanecendo
modestos se mantêm vinculados a suas raízes, mas se desenvolvem
numa outra direção.
Esta pobreza é uma pobreza de espírito. Começa no espírito, permanece
no espírito e muda no espírito. Superar esta pobreza é um sucesso do
espírito. Primeiro, ainda de forma oculta, é um sucesso secreto. Depois,
aos poucos, a mudança a outro campo espiritual é um sucesso decidido.
Também neste caso acontece com o maior êxito quando não chama a
atenção, quando é insuspeito, sem ser percebido pelos outros.
Deste modo, um pobre “se liberta” lentamente de sua pobreza, de forma
autônoma, com sucesso. Chegando à outra margem, apenas olha para a
frente, com humildade.
Deste modo seu sucesso pode crescer dentro dele e permanecer, sendo
um sucesso modelo para outros pobres.
AUTÔNOMO
Todo empresário é autônomo. Vira empresário quando se torna
autônomo. Passa de empregado a empregador. Guia em vez de seguir.
Também há empresas associadas nas quais vários autônomos se unem
numa sociedade. Mesmo trabalhando unidos, cada um continua sendo
autônomo em sua área. Continuam sendo sócios autônomos, como num
escritório de advocacia, por exemplo.
A questão é: Em que medida um empresário continua sendo autônomo?
Cede às vezes sua autonomia a outros? Por exemplo, a seus investidores?
Os investidores servem a ele ou ele lhes serve predominantemente?
Podem inclusive acabar com ele depois de um tempo?
Qual seria a solução? Um empresário permanece com seus sucessos
dentro do contexto que lhe permite continuar sendo autônomo. Neste
caso não se deixa engolir por outras empresas.
Pelo contrário, se um empresário engolir outra empresa, pode continuar
sendo autônomo?
Continuar com isto detalhadamente vai para além de minha
competência. Paro por aqui. Apenas é uma sugestão para ser refletida.
A cooperação de duas ou mais empresas independentes acaba sendo
muitas vezes, a longo prazo, o modelo de sucesso mais valioso e
reconhecido, sobretudo porque vincula mais os funcionários de cada
uma das empresas a sua própria empresa, com uma disposição
permanente ao desempenho como consequência. E uma disposição
autônoma ao desempenho, pois cada empresa também vive
independente e autônoma de uma maneira boa.
O mesmo vale dentro de cada uma das empresas. A convivência
autônoma dos funcionários individuais e das diferentes seções os
transforma em terceirizados. Vivem autônomos entre si, e estão
dispostos a uma cooperação amplamente autônoma com os outros.
ADIANTE
Muitos sucessos nos precedem. Eles se anunciam. Apenas temos que
segui-los. Estes tipos de sucessos acabam sendo inevitáveis.
Assim, por exemplo, depois da concepção vem a gravidez e depois o
nascimento. Depois de alcançada a concepção, o sucesso seguinte vem
por si só. O primeiro sucesso é fundamental. Precede os outros.
Um empresário bem sucedido precede seus funcionários. Também
precede o tempo. Vê aquilo que se anuncia como o seguinte e necessário.
O que leva ao sucesso, sobretudo, é a visão ampla. Esta precede sua
realização. Vira uma previsão.
Podemos prever com maior facilidade quando deixamos algo do passado
no passado, sem olhar para trás. Senão, o passado nos distrai da previsão.
Em vez de olhar para diante, olhamos para trás.
Por que estamos tentados, às vezes, a olhar mais para trás do que para a
frente? Temos a esperança de que algo que não teve sucesso no passado
se inverta posteriormente ou se recupere. Este olhar nos paralisa.
Deixar o passado como está e reconhecer que não é possível retroceder
de modo algum é uma conquista espiritual. Ela vem depois da renúncia
total.
Esta renúncia ultrapassa o sucesso no futuro. Se for alcançado, este
sucesso é o que precede os outros. Depois deste virão, por si mesmos, os
sucessos novos. Para eles o caminho está livre. Só têm que vir. Estes
sucessos também são um avanço para muitos sucessos que virão depois
deles.
Então, para onde olhamos? O melhor é, em todos os aspectos, olhar para
diante, com confiança.
EM COMUM
A imagem arquetípica de uma empresa afinada a cada instante e
direcionada ao nosso maior sucesso, na harmonia perfeita de todos seus
movimentos singulares, é nosso corpo.
A questão é: Neste caso, quem é o empresário? Quem ou o que dirige
estes movimentos? De onde vêm os portadores destes movimentos?
Quem ou o que são os terceirizados, por um lado autônomos e por outro
lado totalmente sintonizados com os outros empresários em suas tarefas?
Quem dirige estes movimentos? A quem obedecem?
O nosso corpo é também um terceirizado? Autônomo por um lado e, no
entanto, a serviço de uma grande corporação que o ultrapassa, na qual se
dissolve e na qual também pode ser trocado ou substituído de outra
maneira ou mantido disponível como reserva?
Com nosso corpo continuamos sendo funcionários confiáveis dessa
corporação? Cedemos de vez em quando, sem nos empenharmos
plenamente? Fazemos pausas longas demais ou não estamos a tempo no
nosso posto quando chega nossa próxima tarefa, que devemos realizar
com sucesso?
Quando mais tarde viramos empresários, como aprendemos a dirigir esta
empresa em sintonia com este grande empresário? Como um
terceirizado, junto a muitos outros terceirizados, olhando o nosso grande
empresário e seguindo sempre suas instruções, obedecendo a ele com
sucesso?
Quem é este grande empresário? Conseguimos vê-lo? Seu nome é
“vida”. E a vida que age por igual em todas as vidas.
Como seus terceirizados dizemos a ela em todos os momentos: “Sim”.
Suas instruções são ordens para nós.
Algumas vezes ela se revela a nós? Nós a olhamos no rosto ou inclusive
no coração? Nós a experienciamos de maneira imediata em nosso corpo,
e como a experienciamos?
Nós a experienciamos como amor - por nós e por todas as outras vidas.
Nós a experienciamos como amor por nós e por todos. Como? Juntos,
com todos.
As Histórias
Do curso de Curitiba, Brasil. 19
e 20 de agosto de 2008. 160
participantes. Língua do curso:
alemão e português.
OS SEGREDOS DO SUCESSO
Estou feliz de estar em Curitiba e agradeço cordialmente a Teresa e a
todos seus colaboradores, que prepararam tão bem este curso.
Em primeiro lugar gostaria de dizer algo sobre o sucesso. Vejo que a
mãe de Teresa também está aqui. Nela podemos ver o que é o sucesso.
O maior sucesso são os filhos. Sucesso é aquilo que serve à vida.
Também contam entre eles, naturalmente, as empresas. Sem as
empresas muitos morreriam de fome. As empresas possibilitam, com
aquilo que realizam, que muitos continuem na vida e as suas famílias
também.
Alguns colocam as empresas em contraposição à vida. Acontece que as
empresas são a base da vida de muita gente. Por isso gostei de vir aqui
para mostrar como muitas leis, que valem em outras relações, podem ser
aplicadas às empresas. Tudo o que queremos e faremos durante este
curso está a serviço da vida.
Neste curso demonstrarei as leis da vida de maneira tal que todos os
presentes ganhem algo para si. Quando trabalho com um indivíduo com
problemas relacionados com sua empresa, tenho todos em meu campo
de visão. Explicarei o que faço aqui de tal modo que todos possam
aprender algo.
Bem-vindos, então, a uma grande aventura, uma aventura de sucesso.
1ª. HISTÓRIA: Declínio e auge
Quero começar com alguém que tenha uma empresa própria e que queira
descobrir com minha ajuda o que poderia ajudá-lo e a sua empresa.
Há alguém que tenha ou dirija uma empresa que queira trabalhar
comigo? Levantem a mão e eu escolherei um.
Hellinger escolhe um homem e o convida para subir com ele ao palco.
HELLINGER a esse homem: Bem-vindo. Do que se trata?
HOMEM: Tenho uma empresa que trabalha com vidro, com copos. Eu
sou a terceira geração dessa empresa e tenho dificuldades para adaptar o
sistema velho ao sistema da globalização.
HELLINGER: Qual é exatamente a dificuldade?
HOMEM: Trata-se de problemas financeiros. Trata-se da concorrência e
de adaptar os custos ao mercado.
HELLINGER: Só tenho uma ideia geral, mas vamos olhar para isso.
Ao grupo: Não conheço os detalhes de uma empresa. Isso é assunto do
empresário e respeito sua competência. Mas sei algo sobre
relacionamentos. Olharei, através de uma constelação, que tipo de
relações há nesta empresa e o que a ajuda.
Hellinger escolhe um representante do empresário e uma representante
da empresa, colocando ambos, um em frente ao outro, a uns quatro
metros de distância entre eles.
HELLINGER ao grupo: Explicarei algo sobre o procedimento. Confio
num movimento que acontece por si mesmo nos representantes. Não dou
instruções nem tenho intenção alguma de fazê-lo. Por isso não
intervenho nos movimentos a não ser que haja a indicação de que devo
intervir.
Os representantes se deixam conduzir por um movimento vindo de
dentro, que toma conta deles. Via de regra, esses movimentos são
lentos. Os outros participantes do grupo observam o resultado desses
movimentos.
HELLINGER ao grupo, depois de um tempo: Vemos, imediatamente,
algo importante. O empresário está disponível para a empresa? Está
olhando para a empresa?
A empresa treme e se afasta. Isso quer dizer que precisa de algo para ter
sucesso.
Ao empresário: Ela precisa algo de você. Algo se interpõe entre você e
a empresa.
Ao grupo: Em poucos minutos compreenderemos o essencial.
HELLINGER escolhe uma mulher como representante e lhe diz:
Coloque-se entre o homem e sua empresa. Mas não lhe digo quem você
está representando. Mas você mesma já sabe.
A mulher se coloca a uns três metros de distância do homem. Então
retrocede e a empresa se coloca atrás dela. A mulher se inclina sobre a
empresa e cai no chão de costas. Também a empresa cai no chão.
O homem também retrocede. Vira de lado e olha para o chão.
HELLINGER ao grupo: Esta mulher representa a sua mãe. Comporta-se
da mesma maneira que antes o fizera a empresa. Também esta retrocede
e o homem não tem nenhuma relação com ela.
Hellinger escolhe outra mulher e faz com que se deite de costas no chão,
diante do empresário. Ela representa uma pessoa morta.
HELLINGER ao homem: A empresa vai à falência. Pelos movimentos
vemos que a empresa vai falir a não ser que encontremos uma solução.
Vou procurá-la para você.
O representante do homem passa lentamente ao lado da mulher morta e
olha para o chão como se passasse ao lado de muitos mortos. Mantém
as mãos abertas na frente com as palmas para baixo. A representante
da mãe agita as mãos.
HELLINGER ao homem: Algo grave aconteceu na família. Morreu
muita gente. Morreu também gente através da empresa?
HOMEM: Sim.
HELLINGER: De que maneira?
HOMEM: Primeiro o meu avô perdeu a visão e já não podia ver o que
acontecia na empresa. Depois não pôde mais andar. Isto se estendeu por
muitos anos.
HELLINGER: Não, há alguns que morreram pela empresa. Seu
representante olha para muitos mortos.
HOMEM: Houve mortos em acidentes, acidentes de trabalho.
HELLINGER: Quantos?
HOMEM: Dois.
HELLINGER: Há mais.
HOMEM: Não há mais.
HELLINGER: Espere. Não é necessário que diga nada. Receberemos a
informação importante através daquilo que está se desenvolvendo aqui.
O representante do homem continuou como se passasse junto a muitos
mortos. Também quer passar ao lado da mãe. Quando se aproxima da
empresa, esta retrocede e senta-se do outro lado da mãe.
O representante do homem dá uns passos para trás. Então avança ao
lado da mulher morta. Vira-se novamente e passa pelo outro lado da
mulher morta, com as mãos sempre estendidas da mesma maneira.
Depois de um tempo começa a tremer intensamente.
Aproxima-se de novo da mãe. Esta se ergue até ficar sentada e retrocede
ficando em frente a ele. Também a empresa se joga para trás.
HELLINGER ao homem: Seu representante treme. A mãe também tem
medo. Aqui aconteceu algo especial.
Enquanto isso, o representante do homem aproxima-se novamente da
mãe e da empresa. A empresa se afasta ainda mais. Quando o homem se
aproxima mais da mãe, esta se joga para trás, mostrando ter medo dele.
Também o homem treme intensamente. Então cobre as orelhas com as
mãos. A mãe deita de bruços.
HELLINGER: É evidente que sua mãe quer morrer.
HOMEM: Ela tem uma depressão forte.
HELLINGER: Ela quer morrer. Quer ir para uma pessoa morta.
A mãe se arrasta até a morta. Ambas se abraçam com força. O
representante do homem continua perambulando. Com uma mão cobre
uma orelha, com a outra aponta para o chão. Então se move lentamente
em direção a essa pessoa morta e a sua mãe.
HELLINGER: Há muito mais. Funcionários foram demitidos?
HOMEM: A empresa possuía 600 funcionários, agora só tem 29.
HELLINGER: O que houve com os outros?
HOMEM: Depois que meu irmão morreu, em 1990, começaram a
demitir gente.
HELLINGER: O seu irmão morreu de quê?
HOMEM: Num acidente de trânsito.
HELLINGER: Qual era a idade dele?
HOMEM: 17. Quando meu irmão morreu, minha irmã desenvolveu uma
doença grave. A concorrência quer ter uma parte daquilo que ainda
temos.
HELLINGER: Seu irmão era mais novo ou mais velho?
HOMEM: Era oito anos mais novo.
HELLINGER: Você é o mais velho?
HOMEM: Sou o filho mais velho e o neto mais velho.
HELLINGER: Então há vários em sua família que se sentem atraídos
pela morte.
Enquanto isso, o representante do homem vai até o chão. Pega a mão da
mãe e quer afastá-la da morta.
HOMEM: Meu pai desenvolveu nos últimos anos um câncer de pele e
depois um câncer de próstata. Agora começou a desenvolver Alzheimer.
HELLINGER: Você também se sente atraído pela morte.
HOMEM: Sinto isso, mas minha vontade de permanecer vivo, de viver
minha vida e de dirigir a empresa é maior.
A empresa, enquanto isso, aproxima-se do representante do homem e
quer atraí-lo para si. Este a rejeita.
HELLINGER ao grupo: Podemos ver aqui que a empresa quer que ele
esteja disponível, mas ele não está disponível. Estamos vendo aqui qual
é o efeito de uma situação familiar numa empresa.
HELLINGER ao grupo: A mãe o arrasta à morte, a empresa quer arrastá-
lo à vida. Mas não obtemos as informações decisivas.
Agora colocarei um segredo. É possível que algo venha à luz.
Hellinger escolhe uma mulher e a coloca um pouco afastada dos outros.
A mulher se inclina para trás como se fosse cair. Então dá uns passos
para a frente. A mãe se afasta da morta e se ergue. Olha intensamente
para o segredo e a representante da empresa faz o mesmo.
A mãe se ajoelha e se curva profundamente perante o segredo. Também
este se ajoelha e se inclina. A mãe e o segredo encostam a cabeça um no
outro. A mãe atrai o segredo para si, como se fosse uma criança, e o
abraça firmemente.
O representante do homem também se ergue. Apoia a cabeça na
empresa. É como se tivesse acordado.
Depois de um tempo se ergue e respira profundamente. A mãe se move
com o segredo em direção à morta. Os três se abraçam com força.
Também o representante do homem e sua empresa se levantam e se
abraçam com força. O homem se apoia de costas na empresa, que o
segura por trás.
HELLINGER ao homem: O que vemos aqui é que se o segredo está
presente e sua mãe vai até ele, você pode ir à empresa. Você sabe o que
é o segredo? Não precisa dizê-lo. Apenas quero saber se o sabe.
HOMEM: Intuo algo.
HELLINGER: Agora colocarei representantes dos funcionários.
Hellinger escolhe três representantes e os coloca mais longe, um ao lado
do outro. O representante do homem se volta para eles e continua sendo
segurado por trás pela empresa. Olha para o chão.
HELLINGER ao grupo: Agora vemos o problema. O problema é quase
sempre o mesmo. Alguém ficou excluído. Há alguém que não tem um
lugar, seja quem for.
Um representante dos três funcionários, uma mulher, vai para os que
estão deitados no chão. Estende a mão para a mãe. Esta pega a sua mão
e a puxa com ela para o chão. Ê incluída no abraço.
Outro representante dos funcionários se coloca na frente do
representante do homem e cruza os braços nas costas.
HELLINGER a este representante: diga-lhe “Por favor”.
O representante cala.
HELLINGER ao homem: Não pode dizê-lo, está zangado com você.
Você se importa com o bemestar dos funcionários?
HOMEM: Sim, muito.
Depois de um tempo, Hellinger separa a empresa do representante do
homem. Ela se coloca a seu lado. O terceiro funcionário se coloca à
esquerda, do lado da empresa. O representante do homem se apoia nela.
Hesita e não se atreve a olhar para o funcionário que tem na frente. Ele
e a empresa olham para o chão.
HELLINGER ao homem: Seu representante não tem força. A questão é:
De onde pode receber a força?
O segundo representante dos funcionários se aproxima dando um passo.
Hellinger escolhe um homem como representante do irmão do homem e
o coloca a certa distância do representante do homem.
O representante do homem começa a soluçar. Estende a mão direita a
seu irmão. Este se aproxima dele lentamente e puxa a empresa para trás
de si. Estende os braços em torno de seu irmão. Os três, o representante
do homem, seu irmão e a empresa se abraçam profundamente.
O representante do irmão se ajoelha e puxa consigo o representante do
homem e a empresa. Os dois funcionários estão juntos e olham para isso.
O terceiro funcionário coloca por um instante uma mão na cabeça do
empresário. O segundo funcionário coloca as mãos nos bolsos. A
empresa puxa o representante do homem para afastá-lo do irmão.
Hellinger escolhe quatro homens como representantes dos funcionários
demitidos e os coloca, um ao lado do outro, com o resto, a certa
distância.
A empresa, o representante do homem e seu irmão olham imediatamente
para eles.
HELLINGER ao homem: A empresa olha para os funcionários
demitidos. Todos olham para eles.
HELLINGER vai com o representante do homem: Diga para eles “Vou
trazer vocês de volta”.
Diz isso soluçando.
HELLINGER ao homem: Aí está o sucesso. Agora seu representante tem
força.
Você deve ampliar novamente a empresa para 900 funcionários.
Risadas e aplausos no grupo.
HELLINGER ao homem: Como se sente agora?
HOMEM: Estou feliz.
HELLINGER ao grupo: Ok, foi isso então.
Aos representantes: Obrigado a todos.
Aplausos no grupo.
HELLINGER ao homem: Você ainda pode ficar.
MAIS EM VEZ DE MENOS
HELLINGER: Qual é a consequência para nós? Uma empresa floresce
através do “mais” em vez do “menos”.
HOMEM: Uns anos atrás, quando tudo isso começou, percebi que, de
repente, cada um se preocupava apenas consigo mesmo, que havia muito
egoísmo na empresa.
HELLINGER: Este é o efeito. Assim que funcionários são demitidos, o
resto passa a trabalhar menos. Já não estão ligados à empresa. Vale a
pena rever a ideia de que se ganha com as demissões. Se o empresário
disser aos funcionários: “Estou aqui para vocês. Quero que possam
assegurar o sustento de suas vidas através de minha empresa, para isso
preciso de sua colaboração”, ele vai obtê-la imediatamente. O que ele
obtém além disso? Recebe ideias novas. As ideias provêm dos
funcionários.
Esta é a melhor globalização.
Risadas no grupo.
HELLINGER ao homem: OK. Então, muito sucesso!
Aplausos e ovações do grupo.
O LUCRO
HELLINGER: Mediante este trabalho, ao confiarmos em algo que
acontece como por si só, adquirimos compreensões importantes. Por
exemplo, sobre o lucro.
Que significa lucro? Lucro significa mais vida. Não significa: mais
dinheiro. Significa: mais vida.
Se uma empresa olha primeiro para seus funcionários e suas famílias,
tornam-se uma comunidade de destino a serviço da vida. Isto mobiliza
as forças decisivas. Não posso dizer mais sobre isso, pois sei pouco sobre
as outras diversas leis que têm um papel aqui.
Quando o empresário se preocupa com o bem-estar dos funcionários, o
que acontece com ele? Como é respeitado? Como é apoiado?
2a
. HISTÓRIA: Sucesso através do serviço
HELLINGER: Vou continuar. Talvez pegue algo mais simples.
Há alguém que tenha uma profissão, uma profissão importante, e sente
que algo está faltando? Gostaria de constelar isso. Desta vez pegarei uma
mulher. Quem gostaria?
Hellinger escolhe uma mulher do público e pede para ela sentar-se a seu
lado.
HELLINGER: Do que se trata?
MULHER: Sou psicóloga. Não consigo me desenvolver em minha
profissão como gostaria.
HELLINGER: A psicologia é uma profissão sem esperança.
MULHER: Gostaria tanto de ouvir o contrário.
HELLINGER: A psicologia é uma profissão sem esperança. Quando
alguém tem clientes, quem está aí para quem? O psicólogo está para os
clientes ou os clientes para o psicólogo? A quem ele serve? Aqui quem
serve a quem?
O decisivo em toda profissão é a quem ela serve. A profissão é um
serviço. Se ela servir à vida é bem sucedida. Vamos constelar isso.
Hellinger coloca a própria mulher sem procurar uma representante e a
coloca, a uma distância de quatro metros, com quatro mulheres que se
apresentaram como representantes.
HELLINGER às representantes: Centrem-se e sigam o movimento
interior tal como se mostrar.
Uma representante se movimenta um pouco, para trás, duas aparentam
se aproximar da mulher, mas retrocedem novamente e se afastam dela.
Finalmente todas se afastam dela.
HELLINGER ao grupo: Vemos que para todos é uma profissão sem
esperança. Ninguém quer saber nada dela.
Às representantes: OK., sentem-se por enquanto.
Hellinger escolhe outra mulher e a coloca em frente à primeira na
mesma distância.
HELLINGER a esta representante: Você é a mãe dela.
A mulher se ajoelha em frente a ela e fica de cócoras. Depois de um
tempo aproxima-se da mãe e abraça seus joelhos. A mãe acaricia a
cabeça da filha e se afasta dois passos dela. A mulher olha para o chão.
HELLINGER ao grupo: O que vemos? A mulher ainda espera algo. O
que a mãe diz, pela maneira que se comporta? “Não darei mais nada a
ela. Já fiz tudo”. Para esta mulher, os clientes representam quem?
Representam a mãe. Se a mulher esperar receber dos clientes aquilo que
ainda espera da mãe, não está disponível para eles.
A mulher se levanta e vai para sua mãe. Ambas se abraçam por um longo
tempo.
HELLINGER, depois de um tempo, à mulher. Diga a sua mãe: “Tenho
tudo. Agora farei algo por minha conta. Sirvo à vida como você”.
A mãe assente com a cabeça e se alegra. A mulher sacode levemente a
cabeça.
HELLINGER ao grupo: Viram seu gesto? A mulher sacudiu a cabeça.
Os clientes percebem isso. Acho que já mostrei tudo.
Aos representantes: Obrigado.
Aplausos no grupo.
A MÃE DO SUCESSO
HELLINGER ao grupo: Há duas formas diferentes de exercer uma
profissão. Existe a profissão que está a serviço de outros. Então alguém,
exercendo sua profissão, dirige-se a terceiros e consegue para eles algo
que serve a sua vida. Um mecânico, por exemplo.
Se este esperar que os clientes venham a ele sem lhes oferecer algo,
ninguém virá. Se ele só quiser algo, não vai receber nada. Se lhes disser:
“Sou muito bom consertando carros. Venham que lhes mostro”, faz algo
para eles e eles ficarão agradecidos. Também lhe pagam, mas primeiro
vem a prestação do serviço.
Outros escolhem uma profissão e esperam receber algo sem dar nada em
troca.
Às vezes contratamos funcionários e lhes perguntamos quanto gostariam
de ganhar. Alguns dão um valor muito alto. Quando lhes perguntamos o
que sabem fazer percebemos, às vezes, que isso não está em relação com
o que esperam obter.
Quem tem bom desempenho, é promovido. Isto deve ser considerado na
nossa profissão: sirvo a outros ou quero que me sirvam?
Estas diferentes posições refletem exatamente a relação com a mãe.
Aqueles que dizem internamente à mãe “Você me deve algo”, sem fazer
nada por si mesmos, comportam-se no trabalho da mesma forma em
relação ao seu patrão.
Mais um segredo. Não sei se deveria lhes dizer estes segredos. Quando
um empresário procura um funcionário para um posto de direção, um
funcionário que deverá assumir uma responsabilidade importante,
precisa saber para qual qualificação deve olhar primeiro. É uma
qualificação bem simples, mas essencial.
A pergunta é: Como está em relação a sua mãe? Ele a respeita? Toma
dela o que ela lhe presenteia? Está disposto a fazer algo por sua mãe?
Tal como se comporta com sua mãe, tal será o seu comportamento
perante a empresa.
Quem está zangado com sua mãe e lhe faz cobranças, vai se comportar
da mesma forma com a empresa. Um diretor que deve assumir
responsabilidades e está zangado com sua mãe, arruinará a empresa.
Muitos empresários terão mais sucesso se levarem isso em consideração.
Ao escolher os funcionários, qualquer um pode ver logo quem tem uma
boa relação com sua mãe. Dá para ver no rosto. O rosto dele brilha. Os
outros funcionários se dirigem a ele imediatamente. Eles acham que ele
é bom. Este é o efeito de uma boa relação com a mãe.
3a
. HISTÓRIA: Os dois níveis
HELLINGER: Há mais alguém que tenha uma empresa e queira ver o
que acontece?
Hellinger escolhe um homem e pede para sentar-se a seu lado.
HELLINGER: Do que se trata?
HOMEM: Tenho uma empresa há 17 anos. Eu a fundei com minha
primeira esposa. Sete anos atrás nos separamos. Quando os bens foram
divididos, eu recebi a empresa. Quer dizer, eu fiquei com os ativos e os
passivos. Esta empresa tinha um tamanho determinado, um formato
determinado. Isso se reduziu muito.
HELLINGER: Você fundou essa empresa junto com sua mulher?
HOMEM: Sim.
HELLINGER: Ao mesmo tempo?
HOMEM: Sim. Mas ela nunca trabalhou na empresa.
HELLINGER: De onde veio o dinheiro?
HOMEM: Eu trabalhava como funcionário de uma empresa. Quando fui
embora, criei minha própria empresa.
HELLINGER: Está bem. Vamos colocar três pessoas. Em primeiro lugar
a empresa, uma mulher. Uma empresa sempre é uma mulher. Também
precisaremos de uma representante de sua mulher e um representante
seu.
Hellinger coloca o homem à esquerda de sua mulher. Coloca a empresa
em frente a eles a 5 metros de distância.
HELLINGER ao homem: Agora vamos ver o que acontece.
O homem olha para sua mulher. Esta apenas olha para a empresa.
Treme. O homem tenta tocá-la, ela resiste. Não lhe permite tocá-la.
Quando quer pôr uma mão nas costas dela, ela se sacode. Em momento
algum olhou para ele. A empresa se deita no chão.
HELLINGER ao homem: Já foi casado antes?
HOMEM: Agora tenho uma segunda esposa, antes da primeira não
houve ninguém.
O representante do homem se aproxima rapidamente da empresa, que
se ajoelhou, e também se ajoelha.
HELLINGER: Preciso substituir você, não está totalmente em contato.
Você é rápido demais.
Hellinger escolhe outro representante para o homem e o coloca ao lado
da mulher.
HELLINGER ao homem: A empresa olha para o chão. Olha para um
morto.
Hellinger escolhe uma representante de uma morta e pede para se deitar
de costas no chão, diante da empresa.
HELLINGER ao homem: Sabe quem a empresa representa? Sabe
também por que se separaram? Houve um filho abortado.
HOMEM: É verdade que a mulher perdeu um filho, um aborto
espontâneo no início do matrimônio.
A empresa se ajoelha diante da morta. Pega sua mão e a acaricia. A
representante da mulher continua tremendo. Olha fixamente para a
morta.
HELLINGER ao homem: A empresa não tem nada a ver com você, está
dirigida totalmente à mulher.
A empresa representa esse filho. O homem também está fascinado. Está
claro que também tem algo a ver com ele. Agora também treme. Bom, a
empresa é insustentável.
Depois de um tempo, a mulher se aproxima mais um pouco da morta. O
homem se afasta ainda mais e depois encosta na parede. A morta se
levanta e se apoia de costas na empresa, que a segura por trás.
A mulher olha de lado, por trás do homem, que tenta se afastar ainda
mais dela. O tempo todo treme violentamente e se aproxima ainda mais
da morta.
Hellinger escolhe uma mulher como representante do segredo. A
representante do segredo se aproxima lentamente do homem, que está
ajoelhado. A representante do segredo se ajoelha lentamente. O
representante do homem se arrasta em direção a ela de joelhos, a segura
pelo quadril, a deita no chão, deita em cima dela e a abraça com força.
A empresa pegou firmemente a morta pelo pescoço e a empurrou para o
chão, na sua frente. A representante da mulher apenas olha para o
homem e o segredo.
HELLINGER ao homem: Todos se sentem atraídos pela morte, você, a
mulher e a empresa.
Depois de certo tempo o segredo abraça o homem. Depois deita de
costas e fecha os olhos. O homem está deitado a seu lado e também tem
os olhos fechados. A empresa estende uma mão à representante da
mulher. Enquanto isso, esta ainda olha, tremendo, para o representante
do homem e para o segredo, estende uma mão para trás e aperta a mão
da empresa. Esta tenta puxá-la para si. Não conseguindo fazê-lo, solta
a mão, deita no chão e fecha os olhos. Também a morta, que já havia se
afastado dela, deita de lado e fecha os olhos.
A representante da mulher, ainda tremendo, afasta-se ainda mais de
todos.
HELLINGER ao homem: Eu não sei de nada. Tudo vem à luz através
destes movimentos. O que vemos é que aqui atuam outras forças e que
nossas ideias daquilo que leva ao sucesso não têm a menor importância.
Aqui regem as leis elementares da vida. Ninguém pode driblá-las.
Coloque-se agora ali.
Hellinger pega o homem da mão e o coloca frente aos outros de tal
maneira que possa ver todos eles.
HELLINGER ao grupo: Neste nível não há soluções, absolutamente
nenhuma solução. Mas agora vou com ele a outro nível.
Ao homem: Olhe por cima de todos, olhe para a distância. Muito longe.
Em direção a algo maior. A um outro amor. Olhe sempre adiante. Olhe
para a vida, que é igual para todos. E diga: “Agora eu sirvo”. Abra os
olhos.
HOMEM: Agora eu sirvo.
HELLINGER: “Com amor”.
HOMEM: Com amor.
HELLINGER à empresa: Agora a empresa deve se levantar.
Ao homem, quando a empresa se levanta e se coloca frente a ele:
Diga-lhe: “Agora eu sirvo”.
HOMEM: Agora eu sirvo.
HELLINGER: “Agora eu sirvo à vida”.
HOMEM: Agora eu sirvo à vida.
HELLINGER: “Com você”.
HOMEM: Com você.
O homem se aproxima lentamente da empresa. Também ela se aproxima
lentamente dele. Ele estende ambos os braços em direção a ela. A
empresa hesita ainda um tempo, depois estende a mão direita. Ele pega
essa mão e a segura. Então ela estende a ele também a mão esquerda.
Olham-se longamente nos olhos.
A representante da mulher está sentada no chão, algo afastada, e olha
atentamente para ambos, sorrindo.
HELLINGER à mulher. Como está a mulher?
MULHER: Bem.
O homem e a empresa se olham longamente nos olhos e se tocam, depois
de um tempo, com a testa. Mais tarde se dão as mãos e as levantam. A
representante da mulher está um pouco afastada.
HELLINGER ao homem: Olhe novamente à distância. Olhe para longe.
Diga: “Agora eu sirvo à vida”.
HOMEM: Agora eu sirvo à vida.
HELLINGER: Diga isso também à empresa.
HOMEM: Agora eu sirvo à vida.
O representante do homem se endireita sobre os joelhos e se levanta. Vai
com a representante da mulher. Dão-se as mãos.
HELLINGER: Agora ele se levanta. Esta é a diferença.
Ao representante do homem: Diga-lhe “Agora eu sirvo à vida”.
REPRESENTANTE DO HOMEM: Agora eu sirvo à vida.
HELLINGER: OK., posso deixar assim.
Aos representantes: Obrigado a todos.
Aplausos no grupo.
CULPA E EXPIAÇÃO
HELLINGER: Essa foi uma demonstração das diferentes forças que
atuam numa família. Há forças que se opõem à vida, que arrastam à
morte. Isto é o que costumamos saber e costumamos observar. São
movimentos da consciência.
O que é um movimento da consciência? Aqui havia várias pessoas que
se sentiam culpadas, não importa quais tenham sido os motivos. Aqueles
que se sentem culpados querem pagar a culpa, querem pagar com a vida.
Quer dizer que tanto o sentimento de culpa quanto a necessidade de
pagar pela culpa levam à morte, também á morte de uma empresa. Não
há nenhuma diferença. Também uma empresa representa pessoas. Este
é o terreno no qual nos movimentamos habitualmente, também na
psicoterapia.
A maneira como trabalho agora é diferente. Algo essencial se revela
quando confio totalmente nos movimentos da maneira que se mostram
nos representantes, sem ter medo daquilo que possa surgir.
Todos os movimentos de culpa e expiação levam à morte. São inimigos
da vida. O que estou dizendo agora é algo que vai muito além do
habitual.
Todos estes movimentos de culpa e expiação são egocêntricos. A culpa
é egocêntrica. Quando me sinto culpado, acho que estava em minhas
mãos a possibilidade de que as coisas tenham sido diferentes. Eu teria
tido escolha. Quer dizer que eu mesmo teria podido decidir sobre a vida
e sobre a morte.
A expiação pela culpa vai na mesma direção. Por que alguém expia?
Expia por amor? Ou gostaria de ser melhor?
Ao homem: Aquele que expiou aqui, olhou para a empresa? Olhou para
os funcionários? Olhou para a vida?
Ao grupo: Portanto há movimentos que parecem ser de amor, mas são
movimentos em direção à morte.
Ao homem: Ali eu intervim e conduzi você ao outro nível.
Por trás atua a compreensão de que tudo o que se move, todo movimento
humano, cada movimento dos milhões de movimentos em cada segundo
em seu corpo, para que você permaneça na vida, são movimentos do
amor. São movimentos a serviço da vida. Provém de uma força espiritual
que quer a vida. E também quer a culpa.
Portanto aquilo que conduziu você à culpa é outro movimento, além do
seu eu. Cada um que perdeu a vida pela culpa está nas mãos desta força.
Não perdeu nada através de sua morte. Nesta força tudo está acolhido.
Neste momento nós nos soltamos de nossa grandeza. Nós nos tornamos
humildes. E então nos deixamos guiar por outro movimento. Aqui você
se deixou levar por um movimento a serviço da vida, não importa o que
veio antes.
Aquele que viveu a culpa e quem viveu o movimento em direção à morte
e o superou, tem uma força nova. Tem força para a vida.
O homem acena com a cabeça. Junta as mãos e inclina a cabeça.
HELLINGER ao grupo: Vimos como é difícil se libertar do velho
movimento. Arrastou todos novamente para baixo.
Ao homem: Ir para esse outro movimento é uma conquista, uma
conquista do amor.
Ao grupo: Agora, claro que sua empresa florescerá. E sua mulher o
apoiará. É o que estava faltando.
Risadas no grupo. O homem enxuga as lágrimas.
HELLINGER: OK., vou deixar assim.
4a
. HISTÓRIA: Sem mãe não há futuro
HELLINGER: Quem gostaria de resolver algo para uma empresa?
Uma mulher se apresenta. Hellinger lhe pede para sentar-se a seu lado.
HELLINGER à mulher. Do que se trata?
MULHER: Tenho uma clínica. Antes montei uma academia de ginástica.
HELLINGER: Que tipo de clínica?
MULHER: A clínica tem uma parte para estética, uma parte terapêutica
e também inclui academia de ginástica.
HELLINGER: Quantos funcionários você tem?
MULHER: Entre 10 e 12 pessoas.
HELLINGER: Qual é o problema?
MULHER: Estou me mudando desta clínica, pois ficou pequena demais.
Não consigo acabar com a mudança. Faz um mês que estou me
mudando.
HELLINGER: Um exercício de percepção para você. A clínica tem
futuro?
MULHER: Acho que sim.
HELLINGER ao grupo: Qual é a percepção de vocês? Não há força nessa
empresa. Mas vamos constelá-la.
Hellinger escolhe uma representante para a clínica e seis mulheres para
os clientes. Estes estão de frente para a clínica, um do lado do outro, a
uns cinco metros de distância.
HELLINGER ao grupo: Agora vamos ver o que acontece.
Os clientes estão intranquilos e se afastam da clínica. Nenhum deles
quer ir para ela.
HELLINGER às representantes: Podem sentar-se novamente. Obrigado
a todas.
Hellinger pede à mulher para se posicionar ela mesma. Escolhe uma
representante da mãe e lhe pede para se colocar frente à mulher.
A mãe se mostra intranquila e retrocede. A mulher quer ir a ela
apertando os lábios. Quanto mais quer se aproximar da mãe, mais esta
se afasta. A mãe começa a tremer. Vai até o canto mais afastado.
HELLINGER ao grupo: A mãe faz os mesmos movimentos que os
clientes faziam. Ela se afasta.
Interrompo agora. Já vimos os movimentos essenciais.
À mulher. Sente-se a meu lado.
Ao grupo: Quero fazer uma observação. Podem comprová-la vocês
mesmos.
Dos psicólogos que vocês conhecem, há algum que esteja em sintonia
com a mãe? Os clientes representam quem para eles? Representam a
mãe. Muitos psicólogos querem obter de seus clientes aquilo que não
tomaram da própria mãe. Esta é uma declaração de longo alcance.
Que futuro tem esse tipo de psicologia? Quem vai para estes psicólogos?
Frequentemente aqueles que rejeitam a própria mãe ou que, sejam quais
forem as razões, perderam a ligação com ela. A ajuda a estes clientes
seria que o psicólogo os conduzisse a sua mãe.
À mulher. Aqui começa a solução para você. Não posso fazê-lo aqui, em
detalhe, por você. Isto é um curso de Constelações Organizacionais.
Apenas mostro qual é, em seu caso, a dinâmica oculta. Você já viu do
que se trata. Tudo de bom!
Aplausos no grupo.
5a
. HISTÓRIA: Com a mãe tudo anda.
HELLINGER: A maioria de vocês imaginou que as Constelações
Organizacionais fossem outra coisa. Nossa experiência - faz tempo que
eu e minha mulher trabalhamos nisto - é que o modo mais rápido de
chegar aos problemas essenciais de uma pessoa e sua família é se
começarmos pelo trabalho e o que a pessoa faz com ele. Neste sentido,
isto é um curso avançado de Constelações Familiares.
Agora gostaria de trabalhar com a profissão de alguém, ou com alguém
que tenha que tomar uma decisão. Por exemplo, se deve possuir esta ou
aquela empresa, se deve comprar esta casa ou aquela. Do modo como
trabalhamos podemos trazê-lo à luz rapidamente.
Hellinger escolhe uma mulher que se apresenta e lhe pede para sentar-
se a seu lado.
HELLINGER: Do que se trata em seu caso?
MULHER: Faz dois anos mudei de emprego. Também mudei de cidade.
Mas ainda restam muitos assuntos para resolver com as empresas nas
quais trabalhei.
HELLINGER: Quais eram essas duas profissões?
MULHER: Eu era economista industrial. Tínhamos muitos negócios na
família. Tivemos que fechar muitos negócios e fechamos cinco
empresas.
HELLINGER: Quem foi responsável pelo fechamento?
MULHER: Quem começou com isso foi meu pai. Queria que seus filhos
seguissem sua carreira.
HELLINGER: Coloque-se ali.
Ao grupo: Quase sempre é o mesmo, o essencial é o mesmo. Preciso de
mais uma mulher.
Hellinger escolhe uma representante para a mãe e a coloca frente à
mulher, a uns quatro metros de distância.
A mulher respira profundamente. Esfrega as mãos nas calças. Ninguém
se mexe.
HELLINGER ao grupo: Quem não respeita a mãe, arruína uma empresa.
Depois de um tempo, à mulher: Diga a sua mãe “Estou zangada com
você”.
A mulher aperta os lábios. Respira profundamente. Lágrimas escorrem
de seus olhos.
MULHER, depois de um tempo: Estou zangada com você.
Aperta novamente os lábios e respira profundamente.
HELLINGER ao grupo: Tinha perante a mãe o mesmo sentimento que
perante a empresa. É somente o espelho, mas são muitas as
consequências. Quem é contra a mãe, é contra a vida, contra o sucesso.
A mulher chora. Lentamente, dá uns passos em direção à mãe. Esta abre
ambas as mãos. A mulher lhe estende os braços, depois vai para ela e a
abraça. Ambas ficam muito tempo fortemente abraçadas. A mãe acaricia
suas costas.
Depois de um tempo, Hellinger escolhe uma representante da empresa.
Ele a coloca a dois metros detrás da mãe, de lado.
A mãe sai do lugar, a empresa se afasta dela e se encosta na parede.
HELLINGER ao grupo: A mulher faz os mesmos movimentos com a
mão que antes fizera frente à mãe.
À mulher. Diga à empresa “Eu estou indo”.
MULHER: Eu estou indo.
Respira profundamente e enxuga o rosto. A empresa continua encostada
na parede.
HELLINGER ao grupo: Como vocês podem ver, a empresa e a mãe são
iguais em seu comportamento, totalmente iguais.
HELLINGER à mulher. Diga à empresa “Agora construirei você”.
MULHER: Agora construirei você.
Diz isso chorando e enxuga as lágrimas. A empresa continua imutável.
HELLINGER: Isto não causou efeito.
A mulher repete em voz mais alta.
HELLINGER: Isso também não causou efeito.
A mulher vai em direção à empresa. Pega os braços dela e a sacode.
HELLINGER: Esse não é modo de tratar uma mãe.
A mulher quer mover a empresa. Sorri e quer fazer com que reaja de
qualquer jeito. A empresa continua imóvel.
HELLINGER ao grupo: Acho que posso terminar aqui. Já mostrei o
essencial.
6a
. HISTORIA: A quem pertence a empresa?
HELLINGER: Agora gostaria de trabalhar novamente com um
empresário de verdade, onde se trate da produção.
Um homem se apresenta. Hellinger lhe pede para sentar-se a seu lado.
HOMEM: Tenho uma empresa familiar com três irmãos. Trabalhamos
com alimentos que revendemos a supermercados ou atacadistas.
Atualmente temos dificuldades porque todos nós temos opiniões
diferentes, porque pensamos de maneira diferente em relação à empresa.
HELLINGER: Quais são as diferentes posições?
HOMEM: Trata-se do futuro. Em se tratando de uma empresa familiar,
alguns opinam que deve tornar-se mais profissional, que devemos exigir
mais dos funcionários e que também devemos introduzir gente nova. A
outra linha opina bem o contrário. Diz: “Não, eu conheço você e quero
conservá-lo”, mesmo que esta pessoa não trabalhe bem.
HELLINGER: Qual é o seu lugar entre os irmãos?
HOMEM: Sou o irmão mais velho. Entre os irmãos homens sou o mais
velho.
HELLINGER ao grupo: Por que ele enfatiza o masculino?
HOMEM: Porque a empresa pertence aos homens. As mulheres não
participam da empresa.
Risadas no grupo.
HELLINGER: Tudo bem... Quem fundou a empresa?
HOMEM: Eu a fundei, com meus irmãos. As mulheres já estavam todas
casadas.
HELLINGER: De onde saiu o dinheiro?
HOMEM: Antes eu era funcionário de um banco. Quando fui embora
negociei com esse banco. Investi o dinheiro que me deram na empresa.
Sempre estivemos unidos. Nossos pais nos educaram dessa forma. Meu
pai também sempre teve um papel importante. Ele me disse: “Você não
pode dirigir sozinho esta empresa, deve fazê-lo com seus irmãos”. Mas
o dinheiro sempre foi nosso, originalmente eu o coloquei.
HELLINGER: Você?
HOMEM: Sim. Desse banco. Quando fui embora recebi esse dinheiro e
o investi.
HELLINGER: Quem é o proprietário?
HOMEM: Os três por igual.
HELLINGER: Não.
HOMEM: Em nossa casa sempre foi assim, nosso dinheiro era investido
na família. De modo que não só nosso pai trazia o dinheiro à família,
mas também os irmãos sempre trazíamos nosso dinheiro ã família.
Quando recebi esse dinheiro, quando fui embora do banco, como era
meu modo de ver, esse dinheiro pertencia a todos nós.
HELLINGER ao grupo: A empresa pertence apenas a ele. Ele entrou com
o dinheiro.
Quando o homem fala: Não quero nem ouvir o que você disse.
Risadas estrondosas no grupo. O homem também ri.
HELLINGER: Vamos fazer a constelação e verificar. Preciso de alguém
para a empresa. Sempre é uma mulher. Também preciso de
representantes para os três irmãos, quer dizer, três homens.
A empresa está de frente para os três irmãos a uns quatro metros de
distância.
HELLINGER: Vamos colocar mais alguém, uma mulher.
Quando uma mulher se apresenta: Você se coloca aqui. Você é o
dinheiro.
O dinheiro está a uns três metros à direita da empresa. Esta se afasta
lentamente dos três irmãos.
A representante do dinheiro se joga de repente sobre o irmão do meio e
o segura pelos ombros.
HELLINGER à representante do dinheiro: Preciso substituir você. Não
está suficientemente centrada.
Quando ela reclama: Preciso de uma outra mulher.
Ao grupo: Como percebi que não estava centrada? Primeiro, fechou os
olhos. Viu uma imagem interna e a seguiu, sem conexão com os outros.
Nos movimentos do espírito, os olhos permanecem abertos. Esses
movimentos são lentos.
Agora lhes apresentei algo importante. Se vocês trabalharem numa
constelação e alguém não está centrado, ela não vai dar certo. Estes são
alguns critérios pelos quais podem se orientar.
Hellinger escolhe outra mulher e a coloca no mesmo lugar, a uns três
metros à direita da empresa.
A empresa retrocede lentamente uns passos. O dinheiro olha
abertamente para os três irmãos, sem se mover.
HELLINGER ao grupo: Agora vocês podem ver a diferença no
movimento.
A empresa dá um passo para a frente, depois dá vários passos para trás.
O irmão mais velho se afasta de seus irmãos e vai para trás, em direção
ao dinheiro. Volta-se e fica a uns dois metros de distância diante do
dinheiro. O dinheiro vai para a esquerda, inclina-se para a esquerda. A
empresa dá mais uns passos para a frente. Quando o irmão mais velho
quer se aproximar uns passos do dinheiro, este se ajoelha, olha para o
chão e se inclina profundamente, até tocar o chão com a testa.
A empresa se afasta e depois de um tempo se ajoelha a um metro de
distância detrás do dinheiro.
O irmão mais velho retrocede bastante, sem relação com seus irmãos, e
se aproxima lentamente do dinheiro.
Hellinger escolhe uma mulher e a coloca diante do dinheiro. De repente,
tudo muda.
HELLINGER ao homem: A quem pertence a empresa? A uma mulher.
Esta representante só pode ser a mãe. Quem mais poderia ser? Quem
mais tem tanto poder?
O irmão mais velho se aproxima ainda mais do dinheiro. O dinheiro se
ergue e se arrasta até ficar do lado do irmão mais velho. Também este
se ajoelha diante da mãe. O dinheiro se apoia no filho mais velho. A mãe
estende os braços.
HELLINGER ao homem: Olha como está! Com que grandeza!
Ao grupo: É engraçado; quando falava da família só falava do pai. “O
pai quer, o pai quer, o pai quer”. Mas a pessoa decisiva é ela. Eu sabia
que algo estava errado em relação as mulheres.
O irmão mais velho e o dinheiro se arrastam juntos, de joelhos, em
direção à mãe e se curvam perante ela. Ela coloca as mãos sobre ambos.
HELLINGER ao grupo: Não é lindo?
Ao homem: Os outros irmãos não têm nada a dizer. São parasitas.
Risadas no grupo.
A empresa se arrasta de joelhos detrás do irmão mais velho e do
dinheiro. Abraça ambos. Todos se abraçam. A mãe olha ao longe por
cima deles.
HELLINGER ao homem: Isto tem futuro. Esta é uma imagem de força.
A mãe olha por cima de vocês. Olha para a vida à que vocês servem.
Agora você fará um negócio especial. Escolherá cuidadosamente o que
oferecer a serviço da vida.
Ao grupo: Não existe nada maior do que aquilo que estamos vendo aqui.
HELLINGER dá uma cotovelada ao homem: Somente coragem.
Aos representantes: OK., isto foi tudo. Obrigado a todos.
O homem enxuga as lágrimas.
Fortes aplausos no grupo.
MEDITAÇÃO: ONDE ESTÁ A FELICIDADE?
Algo mais para refletir. Imaginem a empresa, esta empresa. O que eles
fazem! Tudo o que eles criam! Quantas pessoas conseguem alcançar
com seus serviços! Comparem com as profissões conhecidas como
profissões de ajuda: psicologia, psicoterapia, também o trabalho social,
onde se trata de simpatia, de compaixão. Muitas vezes tentam ajudar
pessoas que não querem fazer nada por si mesmas. Comparem isso com
esta outra força! Isto é apenas para refletir.
Agora fechem os olhos. Vou fazer uma meditação com vocês.
Vamos a nosso trabalho e sentimos: Quantas pessoas alcançamos com
nosso trabalho? De que maneira servimos à vida com nosso trabalho? O
que fazermos para a vida?
Verificamos interiormente: Que modificações faço em minha postura
interna, em meu amor, naquilo que ainda aprendo? Que capacidades
estou desenvolvendo ainda?
Então ficamos grandes e independentes a serviço da vida. Sem ceder com
fraqueza, sem concessões. Servindo de uma maneira que exige dos
outros.
Agora olhamos para nossa mãe e lhe dizemos: “Como você, eu sirvo à
vida, exatamente como você. Em sua lembrança farei algo grande, como
você. Dou como você”.
Direi algo mais sobre o segredo do sucesso. Em sintonia com este
movimento de servir, digo internamente: “Mais ainda”.
Onde tudo isso termina? Na felicidade.
O SUCESSO É UMA LEI DA VIDA
Vou continuar com este curso sobre as Leis do Sucesso na empresa. O
sucesso é uma lei da vida. Toda vida é bem sucedida. O importante é se
também tomamos a vida como vida. Vida e mãe são internamente o
mesmo. Do mesmo modo que tomamos nossa mãe, assim tomamos a
vida. Quem rejeita sua mãe, rejeita a vida. A vida é ao mesmo tempo
amor. Toda vida humana se desenvolve através do amor. Todas as
relações bem sucedidas são relações de amor. Esta lei fundamental atua
em todos os níveis.
Neste caso, qual é o primeiro movimento? Toma-se a vida. Ela nos é
presenteada. Recebemos a vida ao tomá-la com tudo o que pertence a
ela.
O que tomamos primeiro são nossos pais tais como são. Ao tomar nossos
pais tais como são, tomamos nossa vida.
Muitas vezes algo se opõe à vida. Só podemos tomar se também damos.
Quando tomamos algo sem dar nós nos sentimos mal.
Quando tomamos também queremos dar. Podemos ver isso, sobretudo
na relação de casal. Ambos tomam e dão. Quanto mais um toma do
outro, tanto mais podem dar um ao outro. Este é um equilíbrio de igual
para igual.
Não podemos devolver algo a nossos pais, algo da mesma maneira.
Aquilo que recebemos deles é grande demais para que possamos
equilibrá-lo. Por isso muitos receiam tomar ainda mais dos pais, pois
estariam obrigados a mais ainda. Eles se defendem do tomar, para se
descarregarem da pressão de ter que devolver algo correspondente.
Neste caso existe uma outra solução. Tomamos de nossa mãe e de nosso
pai, sem temor, tudo aquilo que eles nos dão, pois sabemos que mais
tarde o transmitiremos. Se estivermos dispostos a transmitir, podemos
tomar tudo ilimitadamente de nossos pais. Por isso, aquilo que mais tarde
deve ter sucesso, apenas o terá se tomarmos de nossa mãe e de nosso pai
tudo o que nos dão, e estivermos dispostos a transmiti-lo. Nós nos
dispomos a servir a outros com aquilo que deles recebemos.
Isto tem efeitos em muitas áreas. Quem não tomou sua mãe não pode
tomar seu parceiro. A mesma relação que temos com a mãe e com o pai
reflete-se na relação de casal.
Isto se mostra também em nosso trabalho e em nossa profissão. Quem
tomou de sua mãe e de seu pai pode transmiti-lo no trabalho. Quer dizer:
o trabalho lhe dá prazer.
Às vezes sinto isso. Compro uma passagem de trem. A mulher do guichê
está radiante. Imediatamente percebo que tem uma boa relação com a
mãe. Ela me atende com amabilidade. Logo me sinto à vontade com ela.
O trabalho lhe dá prazer, pois está conectada com a mãe. Aquele que
sente o trabalho como uma carga, não tomou a mãe.
A relação com a mãe se reflete em nossa relação com a profissão e em
nossa relação com o dinheiro. Quem não tomou a mãe não pode ter
dinheiro. Pode obtê-lo, no entanto, isto lhe causa prazer? Tudo está
interrelacionado.
Deste modo continuarei com o trabalho aqui. Não se trata apena de
organizações nem do trabalho nem de nossa vida. Trata-se sempre de
nós mesmos, de como mostramos também neste âmbito o amor à vida e
como ela nos faz felizes.
7a
HISTÓRIA: Uma promotora: Direito e vida
HELLINGER: Tem mais alguém que se encontre perante uma decisão?
Uma mulher se apresenta. Sobe ao palco e senta-se ao lado de Hellinger.
MULHER: Tenho dificuldades profissionais.
HELLINGER: Qual é a profissão?
MULHER: Sou promotora. Tenho que acusar perante o tribunal. Minha
maior dificuldade é que meu papel é fomentar a justiça, mas sempre
tenho a sensação de fomentar a injustiça.
HELLINGER: Qual é exatamente sua questão?
MULHER: Não consigo me sentir realizada em minha área, em todo esse
ambiente. É por isso que me afastei e comecei a estudar novamente.
Agora estou fazendo um doutorado. Tenho dificuldades em acreditar em
minha experiência pessoal.
HELLINGER: Primeiro darei uma olhada no tema e depois irei à questão.
Coloque-se ali.
Hellinger escolhe mais uma mulher e a coloca frente à promotora, a uns
quatro metros de distância. HELLINGER a essa mulher. Você
representa a mãe dela e a vida, representa ambas.
A promotora vai em direção à mãe e a abraça. Esta responde ao abraço
hesitando. Olha para o chão. Então senta-se e continua olhando para o
chão. A promotora permanece sem forças.
HELLINGER à promotora: Agora se coloque novamente em frente a ela.
Fique novamente centrada, fique totalmente dentro de si e olhe como ela
vai à morte; mas fique internamente separada dela, sem simpatia, sem
compaixão, sem preocupação, em sintonia com um poder maior, com
um poder que rege o destino dela independentemente de você, e que rege
seu destino independentemente dela.
Depois de um tempo: Agora retroceda uns passos.
Ela retrocede uns passos.
HELLINGER à mulher: À distância diga-lhe “Querida mamãe”.
MULHER: Querida mamãe.
HELLINGER: “Obrigada por tudo”.
MULHER: Obrigada por tudo.
HELLINGER: “Agora eu sirvo à vida”.
MULHER: Agora eu sirvo à vida.
HELLINGER: “Seja o que for que ela exigir de mim”.
MULHER: Seja o que for que ela exigir de mim.
Enquanto isso, a mãe se deita totalmente no chão, de lado, cara a cara
com a filha.
Hellinger escolhe um homem e pede para se posicionar a um metro de
distância, à direita da mãe.
HELLINGER a esse homem: Você é o Direito. E ela - aponta para a mãe
no chão - é a vida.
O direito está de pé e ereto.
HELLINGER à promotora: Continue centrada e diga ao Direito “Eu
sirvo. Eu sirvo à vida com sua ajuda”.
MULHER: Eu sirvo. Eu sirvo à vida com sua ajuda.
O direito respira profundamente. O rosto da promotora está relaxado.
HELLINGER à promotora: Já tomou sua decisão? Continue centrada.
Fique totalmente dentro de si, tomada por outra força, que também toma
o Direito e a vida, tudo da mesma forma.
HELLINGER: Olhe mais uma vez para sua mãe: diga-lhe “Eu sirvo à
vida”.
MULHER: Eu sirvo à vida.
HELLINGER: “Como você”.
MULHER: Como você.
HELLINGER: Olhe mais uma vez para o direito e diga o mesmo.
MULHER: Sirvo à vida como você.
HELLINGER, depois de um tempo: OK., obrigado a todos.
A promotora, sentada novamente a seu lado: Como você está agora?
Você fraquejou. Permaneça em sua força. Erguida. Forte como o Direito.
Assim, sim. Como está agora?
MULHER: Bem.
HELLINGER: OK., tudo de bom para você!
O CAMINHO DA VIDA
Trata-se sempre de duas questões: vida ou morte. A questão é como nos
movimentamos internamente, no caminho da vida, e como
permanecemos nela.
Fechem os olhos por um momento. Sentimos em nós os movimentos da
vida. Esse movimento chega a um limite? Por exemplo, dentro de nossa
imaginação de que esse movimento vai em direção ao “menos”?
Permitimos então que esse movimento - pois é um movimento criativo -
supere esse limite em direção ao “mais”. Para longe. Para a grandeza.
Para a plenitude. Para o espiritual. Para algo permanente. Para algo que
vai muito além desta vida.
Agora continuamos para a frente no caminho da vida.
8a
HISTÓRIA: Juntos em vez de separados
HELLINGER: Gostaria de trabalhar novamente com empresas. Há
alguém aqui que seja empresário, que tenha uma empresa com
funcionários? Alguém que fabrique um produto e gostaria de ver do que
se trata?
Dois homens e uma mulher se aproximam.
HELLINGER: Os três são sócios?
Ao primeiro homem e à mulher. São um casal?
PRIMEIRO HOMEM: Não.
HELLINGER-, De que tipo de empresa se trata?
PRIMEIRO HOMEM: Somos uma empresa de telecomunicações.
HELLINGER: Quem a fundou?
PRIMEIRO HOMEM: Eu.
HELLINGER: Você a fundou?
PRIMEIRO HOMEM: Sim, 12 anos atrás.
HELLINGER: Gostaria de ver de perto um empresário assim. Gosto dos
empresários. Como é que os outros entraram como sócios?
PRIMEIRO HOMEM: Os anos se passaram, a empresa ficou maior.
Cada vez havia mais trabalho. Então vieram ambos para trabalhar
comigo. A mulher já havia trabalhado antes comigo. Isso funcionou tão
bem que ambos assumiram e compraram uma parte da empresa.
HELLINGER: Compraram uma parte da empresa?
PRIMEIRO HOMEM: Compraram partes da empresa. Só que não a
pagaram com dinheiro, mas com trabalho, apenas com trabalho.
Pagaram com trabalho e com dinheiro, pois uma parte do que ganharam
foi investido na empresa.
HELLINGER: Quantos funcionários têm?
PRIMEIRO HOMEM: Atualmente somos na empresa um total de 16
pessoas.
HELLINGER: Não preciso saber mais. Só preciso me conectar com o
assunto. Qual é o problema?
PRIMEIRO HOMEM: Atualmente a empresa vai muito bem. Temos
boas pessoas trabalhando para nós, temos clientes. Também fabricamos
material. Nossos clientes são outras grandes empresas. Mas temos um
grande problema com o tribunal, pois ficamos envolvidos num processo
que perdemos. Isto coloca em risco a sobrevivência da empresa.
HELLINGER: Qual foi o motivo do processo?
PRIMEIRO HOMEM: Tínhamos uma empresa de serviços, um
fornecedor. Não trabalhava bem. Nós o demitimos e contratamos outro.
Antes de poder administrar a demissão, vieram a nós com este processo
e reclamaram direitos. Então não pudemos concluí- la. Não só não fomos
ouvidos, como também apresentaram este processo contra nós.
HELLINGER: Qual era o papel desse fornecedor? Era sócio?
PRIMEIRO HOMEM: Era uma empresa que contratamos para que
prestasse serviços à nossa empresa.
HELLINGER: E o que acontece com vocês três? Têm os mesmos direitos
ou existe uma hierarquia?
PRIMEIRO HOMEM: Sou eu quem dirige a empresa, mas tomamos as
decisões juntos e as discutimos.
HELLINGER: Por que fiz essa pergunta? Nunca se pode substituir um
fundador. Ninguém pode se colocar no mesmo nível dele. Isto quer dizer
que ele deve conservar a liderança. Os outros são sócios, porém em uma
posição subordinada. É assim entre vocês?
PRIMEIRO HOMEM: É.
HELLINGER: Então isso funciona. Explico do que se trata neste caso.
Uma vez veio a mim uma empresa de assessoria fiscal. Eram dois
homens e uma mulher. Tinham dificuldades entre eles.
Perguntei-lhes: “Quem fundou a empresa?”. Ambos os homens
disseram: “Nós a fundamos, mas como a mulher era tão boa, nós a
incluímos como sócia com igualdade de direitos”.
Isso não é possível. Ninguém pode estar com igualdade de direitos junto
aos fundadores. O que acontece se alguém contratar um funcionário com
igualdade de direitos? Este assume a empresa! Ninguém pode ter
igualdade de direitos junto a um fundador. Um funcionário que foi
contratado mais tarde fica em segundo plano. Então dá certo. Parece que
é assim entre vocês.
PRIMEIRO HOMEM: É assim que funciona entre nós.
HELLINGER: Então, o problema não é tanto a empresa, mas essa outra
firma.
PRIMEIRO HOMEM: Parece ser assim. Em todo este processo ninguém
nos ouviu nunca, em nenhuma instância. Ninguém nos escutou. Quando
o processo contra nós começou, quando fomos informados disso,
tentamos limitá-lo, quer dizer, parar esse processo. O juiz nos pediu
provas. Numa segunda etapa, novamente ninguém nos ouviu e a
sentença veio logo.
HELLINGER: A questão é: O que podemos fazer aqui? O que posso
fazer aqui, agora?
Hellinger coloca este primeiro homem. A uns quatro metros de distância
coloca um representante da outra empesa. Depois escolhe uma mulher
para o objeto de litígio e diz: “Quase todos os litígios são representados
por mulheres”. Coloca-a no meio, a dois metros da linha central, de tal
modo que ambos os homens possam olhar para ela.
HELLINGER aos representantes: Agora veremos o que acontece.
Centrem-se e sigam o movimento.
A sócia do empresário dá dois passos para trás e o mesmo faz o
empresário. O outro empresário olha brevemente para o objeto de
litígio. Também o empresário olha para ele brevemente e dá mais um
passo para trás.
Olha de novo, de relance, para o lado do outro empresário. O objeto de
litígio vai mais para trás. Também o empresário.
O objeto de litígio vai ainda mais para trás e se move lentamente em
direção ao âmbito do empresário.
O empresário se afasta ainda mais. O outro empresário dá um passo em
direção a ele.
O empresário dá mais um passo para trás. O objeto de litígio se move
com ele na mesma direção, afastando-se do outro empresário.
Hellinger escolhe mais um homem e o coloca no meio dos dois
empresários, a uns dois metros de distância da linha central, porém mais
perto do primeiro empresário.
HELLINGER a este representante: Você seria o homem ou esta outra
empresa que deve substituir o outro empresário.
O empresário olha longamente, com intensidade, para este homem. O
outro empresário continua avançando com passos curtos em direção ao
empresário.
O empresário se aproxima deste homem novo. Este o empurra com a
mão em direção ao outro empresário como se quisesse se libertar dele.
O outro empresário e o empresário já estão apenas a um metro de
distância entre si.
O terceiro homem olha apenas para o objeto de litígio. Este se aproxima
dele com passinhos curtos, até ficar a seu lado. Este coloca o objeto de
litígio a sua direita.
O empresário se aproxima, hesitante, do outro empresário. As vezes dá
um passinho para trás e se move novamente em direção a ele. O outro
empresário abre ambas as mãos, como se quisesse convidar o
empresário para ir com ele.
HELLINGER ao empresário: Olhe para trás um momento.
Só agora o empresário percebe o que acontecera nas suas costas.
Aproxima-se desse homem.
O outro empresário dá um passo atrás, as mãos ainda abertas. Depois
as deixa cair e dá mais um passo para trás.
HELLINGER ao empresário: Olhe novamente para o outro empresário.
Coloca-se frente a ele. Este dá novamente um passo em direção a ele,
mas depois dá um passo para trás e logo mais um.
HELLINGER ao empresário: Antes ele lhe estendeu a mão, mas você
não o viu. Fique um momento a seu lado.
O empresário se coloca ao lado do outro empresário. Ambos se olham
de lado, depois se colocam um em frente ao outro.
Hellinger escolhe um homem e lhe pede para se colocar frente a ambos.
HELLINGER ao representante: Você é a nova possibilidade deles.
Depois de um tempo, o empresário pega este homem pelo braço. Ambos
os empresários se olham. O objeto de litígio se afastou do terceiro
homem.
HELLINGER: Acho que posso deixar assim.
Aos representantes: Obrigado a todos.
Ao primeiro homem: Como se sente agora?
PRIMEIRO HOMEM: Estou tranquilo, como se tivessem tirado um peso
das minhas costas.
HELLINGER: Você não percebeu que tinham um inimigo comum.
Ele sacode a cabeça.
A SÓCIA DA EMPRESA DO PRIMEIRO HOMEM: Era nosso
fornecedor. Além disso, era nosso concorrente. Portanto era nosso
inimigo. Esse que iniciou o processo contra nós, ele é nosso concorrente.
HELLINGER: O outro era o concorrente. Pudemos ver isso aqui.
A mulher protesta.
HELLINGER: Acredito no movimento que vejo aqui. Este movimento
mostrou uma outra imagem. Ele lhes dá uma possibilidade nova.
A mulher e o primeiro homem concordam.
HELLINGER ao primeiro homem: Agora, você tem outra imagem. Terá
que ver o que vai resultar dela. Você o considerou inimigo, mas o outro
era o inimigo. Agora poderão fazer um acordo. Mas para algo novo.
PRIMEIRO HOMEM: Posso imaginar isso. Porque, na verdade, não
somos concorrentes 100%. Há um ponto onde nossas prestações podem
se complementar.
HELLINGER: Acho que já fiz bastante aqui. Fiz algo por sua empresa.
OK., tudo de bom para vocês!
HELLINGER ao grupo: Como é fácil encontrarmos uma solução quando
deixamos um movimento fluir. De dentro, digamos. Nesse sentido, este
instrumento aqui é muito eficaz.
9a
HISTÓRIA: Menos mãe ou mais
HELLINGER: Tornaremos a fazer algo simples, algo onde se trate
novamente de decisões. Por exemplo, a decisão sobre que comprar,
como um terreno ou uma casa. Ou aonde se mudar. Quer dizer, decisões
bem simples.
Uma mulher se apresenta e senta-se ao lado de Hellinger.
HELLINGER: De que tipo de decisão se trata?
MULHER: Precisamente meu marido e eu estamos pensando se devemos
ir embora do apartamento em que vivemos ou se devemos ficar nele.
HELLINGER: Vocês já têm outra opção para escolher?
MULHER: Não, ainda não.
HELLINGER: Trata-se então de se vão embora ou não? Então, que
podemos fazer em relação ao que dizia antes sobre os movimentos da
vida? É um movimento para “menos” ou para “mais”? A mulher pensa.
HELLINGER: Que é?
MULHER: Para menos.
HELLINGER: Por isso o problema está num outro nível. Em qual? No
nível da mãe.
A mulher ri e o grupo também.
HELLINGER: OK., vou deixar assim.
INTERMÉDIO
O PASSO ADIANTE
HELLINGER: Temos o futuro pela frente, assim parece, mas quando
sonhamos com ele, ele não está à nossa frente, de nenhuma forma. Vou
mostrar o que o futuro significa realmente.
Hellinger dá um passo adiante.
Dar um passo adiante nos mostra o que o futuro significa. Depois damos
o próximo passo.
Quando sonhamos com o futuro não damos passos. Assim que damos
um passo, nós nos movimentamos em direção a um futuro.
As NOVAS CONSTELAÇÕES FAMILIARES: ACOMPANHANDO O ESPÍRITO
Quando compreendemos isso entendemos o que significa acompanhar
um movimento do espírito. Nós nos movimentamos em sintonia com um
movimento do espírito quando damos um passo adiante, apenas um
passo. O movimento do espírito vai sempre na mesma direção, leva ao
próximo passo.
O mesmo vale para a compreensão. A compreensão leva a uma ação.
Não há compreensões abstratas. As compreensões fazem parte de um
movimento com o qual nos movemos em sintonia com um movimento
do espírito. Quando temos uma compreensão repentina, damos
imediatamente um passo. Sempre é apenas um passo. Então nos detemos
e internamente continua o próximo passo.
Na forma avançada das Constelações Familiares, que resumi com o
nome de “acompanhar o espírito”, começamos com um passo. Então nos
detemos internamente e sabemos de repente qual é o próximo passo.
Quando nos ocupamos de um problema ou trabalhamos com uma pessoa
que quer algo de nós, e já temos previamente uma ideia de qual será o
resultado, perdemos a relação com aquele movimento do espírito. Com
sua ajuda nos movemos de passo em passo, com a confiança de que será
o passo certo. Mas às vezes não o entendemos.
Durante uma constelação às vezes falo uma palavra que causa medo.
Mas tive anteriormente a compreensão: esta é a palavra que deve ser dita.
Depois se mostra que eram a palavra e o passo certos. Só depois desse
passo vem à luz algo importante, que leva ao sucesso. Sem essa frase
teria sido impossível dar os passos que levaram à solução.
Quando temos uma compreensão repentina, confiamos nela e damos o
próximo passo, sem saber aonde nos conduz. Quer dizer que acompanhar
o espírito significa: “Nós nos movimentamos de instante em instante”.
Devemos considerar algo mais. Assim que nos movemos adiante,
esquecemos o que fica atrás.
Quando algo que passou ocupa nosso tempo, o movimento para diante
se detém.
RECONHECER O QUE É E
RECONHECER O QUE SERÁ Devemos considerar mais uma
coisa em relação ao futuro.
Tenho me ocupado muito da questão: O que é uma nova compreensão?
Como reconhecemos algo que ainda está por vir?
Alguns dizem: “Eu já sei”. O que sabem e reconhecem então?
Reconhecem algo que já existe. A direção de seu reconhecimento e seu
saber se encaminha a algo que já existe. Seu conhecimento não é nada
novo. Conecta-se com algo que já existe.
Inversamente, quando nos movimentamos em sintonia com um
movimento do espírito ou quando somos levados por um movimento do
espírito, sentimos de repente: agora estamos abertos para uma nova
compreensão. Mas não sei o que nos espera. Então eu espero e, de
repente, tenho a nova compreensão. Esta compreensão é criativa. Refere-
se a algo que ainda não existia.
Se confiarmos num saber anterior, como podemos nos mover
criativamente para diante em sintonia com um movimento criativo do
espírito?
Qual é a consequência? Tudo o que aprendemos sobre as Constelações
Familiares pertence ao passado. Não é novo. Se confiarmos nessa
aprendizagem ficamos no passado, fora de um movimento criativo.
O passado não está de nenhuma forma perdido. Faz parte de nossa
experiência. Mas se confiarmos nele, deixamos de olhar para diante.
Então não precisamos confiar em outras forças ocultas. Confiamos em
algo que achamos que possuímos.
O SUCESSO NOVO
Vou dizer algo mais sobre o sucesso. Qualquer sucesso já passou.
Sempre que falamos de nossos sucessos referimo-nos a sucessos
passados.
Aplausos no grupo.
Os sucessos verdadeiros ainda estão por vir. Vêm com o próximo passo.
Com os sucessos sempre nos movimentamos para diante.
A SOLUÇÃO
Às vezes queremos nos libertar de algo no qual nos sentimos
emaranhados. Por exemplo, em muitas coisas que vivenciamos com
nossa mãe. Mas só podemos estar emaranhados em algo passado.
Quando queremos nos soltar de um emaranhamento com nossa mãe,
esquecemos que já faz tempo que ela se moveu para diante, longe de
nossas imagens internas. Se quisermos nos soltar dela porque achamos
que devemos resolver algo passado com ela, sentimo-nos separados de
seu progresso. Também neste caso o futuro está adiante.
Do 2o
. CURSO INTERNACIONAL
DE PICHL, ÁUSTRIA
18 e 19 de abril de 2008
95 participantes, idioma inglês
ORDENS DO COMANDO
Que significa dirigir? Um dirigente é requisitado por outros. Só pode
dirigi-los se precisarem dele. Isto pressupõe que o dirigente pode dar
algo de que o grupo precisa. Só se tiver algo importante a oferecer, ganha
o apoio e a confiança daqueles que ele comanda.
Aqui está a primeira lei fundamental do comando. Um dirigente
comanda na medida em que serve. Comandar significa: “dirijo um grupo
enquanto sirvo”. É por isso que só aquele que tem muitas pessoas no seu
campo de visão pode dirigir. Ele serve a muitos ao mesmo tempo. Neste
sentido, comandar é um movimento do amor.
Observaremos estas leis do comando neste curso. Ao mesmo tempo,
olharemos para aquelas ordens que nos ajudam a ter sucesso como
dirigentes. Por exemplo, como empresários.
Eu também sou um dirigente aqui, pois vocês vieram porque esperam
algo de mim. Eu ofereço um serviço. Ao mesmo tempo, trabalhamos
juntos como grupo. Por isso incluo suas capacidades especiais.
Faz muitos anos me tornei um especialista em dinâmica de grupo.
Aprendi isto na África do Sul. Isso mudou minha vida. Uma das
experiências mais importantes na dinâmica de grupo é que cada um no
grupo tem algo especial para oferecer. Quando o grupo precisa daquilo
que alguém pode lhe oferecer e está disposto a oferecê-lo, esta pessoa
assume o comando. Ele o assume enquanto o grupo precisar dele. Logo
que acabou, outro no grupo lhe oferece o que pode oferecer. Deste modo
o comando muda no grupo de acordo com quem possa oferecer em cada
momento aquilo de que precisa.
Portanto, um diretor de sucesso recorre às habilidades de cada um de
seus membros do grupo e as inclui para o objetivo comum.
Nem sempre é possível utilizar este modo de dirigir. Muitas vezes
surgem obstáculos. Estes obstáculos vêm da alma do dirigente ou estão
relacionados com a história de uma organização. Vamos observá-los
detalhadamente no decorrer do curso. Espero que seja para nós uma
experiência de sucesso de trabalho em equipe.
Quero acrescentar mais uma coisa. Este modo de dirigir que mostro é
contido. Respeito a situação tal como ela é. E respeito a organização
particular e a empresa particular de que se trata. E deixo o comando com
aqueles que, no que diz respeito a muitos detalhes, sabem mais do que
eu. Eu lhes dou meu apoio com meu saber em sua busca para encontrar
o caminho que os leve ao sucesso. Como sempre, em meu trabalho, fico
num segundo plano e embaixo. É por isso que posso dirigir sem ter
resistências. Também neste caso me deixo dirigir por um movimento do
espírito.
O PAÍS DE ORIGEM
Quero dizer algo sobre o país do qual procedemos. Nosso país de origem
e o país no qual vivemos fazem parte de nosso destino. Estão em estreita
relação com nossa mãe. Nosso país de origem é para nós como uma mãe.
Tudo o que é essencial para nossa vida nós o recebemos em nosso país
de origem. É por isso que temos obrigações especiais perante nossa
pátria. Também neste caso deve existir um equilíbrio entre o tomar e o
dar.
Em nosso país de origem tivemos nossa educação e formação. Também
a língua que falamos é um presente de nosso país de origem e muitas
outras coisas. Por exemplo, a cultura de nosso país de origem, na qual
repousamos e que nos guia. Por essa razão sentimo-nos obrigados a
devolver algo a nossa pátria. Tal como ela nos serviu e nos serve, nós
servimos a ela.
Às vezes, nosso país de origem tem dificuldades, como já vimos, por
exemplo, na Croácia, na Sérvia, na Bósnia e na Albânia. Muitos querem
evitar as cargas que isto implica, refugiando-se em outro país. Eles se
negam a participar e compartilhar do destino de seu país de origem.
Qual é o resultado? Perdem algo com isso, perdem força. Muitas vezes
podemos observar que, do mesmo modo que negam servir a sua pátria,
também se negam a servir ao país que lhes dá refúgio. Ficam numa
atitude de tomar sem dar. Alguns deles também adoecem. Saram quando
retornam a seu país de origem.
Para outros, muitas vezes não há mais outra saída do que abandonar seu
país e ir para um outro. Não o questiono. Neste outro país obtêm o direito
de ficar se estiverem dispostos a servir-lhe.
PÁTRIA E EMPRESA
Qual é o papel destas reflexões para uma empresa? Uma empresa
repousa sobre uma base firme se estiver relacionada com seu país, pois
serve em primeiro lugar às pessoas do país onde começou.
É possível que mais tarde a empresa cresça e se assente em outros países.
Mas suas raízes continuam em seu país de origem. Por ter e conservar lá
suas raízes pode estender-se com segurança a outros países.
Nosso esforço para nos assentarmos em outro lugar e realizar lá nossa
sorte e nosso sucesso, tem a ver muitas vezes com a relação com nossa
mãe. Ao perder a relação com ela, perdemos geralmente a relação com
nosso país de origem. Se pudermos restabelecer a relação com nossa
mãe, que estava interrompida, também voltamos com nossa empresa a
nosso país de origem. Em nosso país de origem temos uma base firme.
Lá encontramos de muitas maneiras mais apoio que em outro lugar.
A GLOBALIZAÇÃO
Então surge a questão: O que acontece quando uma empresa se muda a
outro país e quer se expandir porque lá pode produzir de forma mais
barata? De alguma maneira as pessoas deixam assim seu país de origem.
Por outra parte, servem a outro país. Não quero de jeito nenhum julgar
isto ou condená-lo.
Se permanecermos unidos em nosso coração a nosso país de origem e ao
mesmo tempo nos mudarmos a outros países e servirmos a eles, isto
segue o curso da globalização, e a consequência disto é que muitos países
estabelecem relações mutuas mais estreitas, inimagináveis anos atrás.
Considero a globalização como um movimento que serve tanto a nosso
país de origem quanto a muitos outros países do mundo.
N
OSSA PÁTRIA, A TERRA Quero dizer algo
sobre nossa pátria comum, a Terra.
Onde está nossa pátria comum? Na Terra, só na Terra. Assim que
perdemos nossa relação com a Terra, quando não estamos com os pés
firmemente apoiados na terra, de maneira tal que tudo está em
ressonância com ela, perdemos o chão. E, pelo contrário, quando
estamos em ressonância com a Terra, podemos olhar para o mundo e
para todos com amor. Podemos concordar com o futuro da Terra e o
mundo tal como são. Podemos concordar com o futuro da Terra tal como
se anuncia. Podemos concordar com confiança.
A Terra não só se move em torno do Sol. Continua seu desenvolvimento
especialmente através do progresso humano, através de nosso sucesso.
Alguns acham que o progresso é perigoso para a Terra. Nesse momento
não estão mais em sintonia com o movimento da Terra. Têm uma
imagem daquilo que seria melhor para a Terra. Ainda estão em sintonia
com o movimento da Terra? Estão em sintonia com as pessoas da Terra
e com os avanços que servem à vida de muitas pessoas?
Qual é o resultado quando acreditamos que o desenvolvimento é
perigoso? Pudemos ver no que pode resultar um pensamento como esse
nos países onde queriam voltar aos velhos tempos, inclusive ao
paleolítico. Tantas pessoas foram assassinadas por causa disso.
Qual é o efeito quando confiamos nos movimentos da Terra e nos
avanços nela, tal como são? Deixamos para trás nossas ideias daquilo
que seria melhor para a Terra. Nós nos movimentamos com a Terra de
uma maneira humilde e a amamos tal como é. Esquecemos as doutrinas
arrogantes sobre o que seria melhor para a Terra, abandonamos nossas
imagens de céu e inferno.
Encontramos nossa felicidade e nossa realização na Terra, em sintonia
com ela.
SERVIR CONJUNTAMENTE À TERRA
O que vivenciamos neste curso está a serviço da Terra, a serviço da vida
da Terra. Deste modo colaboramos com muitos outros movimentos,
também a serviço da Terra.
Deixamos atrás nossas ideias, como se nossas ideias fossem melhores
que a dos outros. Nós produzimos algo e eles produzem algo também.
Nós aprendemos através de nossos erros e os outros através dos seus.
Todo progresso criativo é possível por meio dos erros, daquilo que ainda
está inconcluso. Só se concordamos que algo está inacabado e se move
em direção a se completar, poderá ser levado adiante por um movimento
criativo.
Quando percebemos em nós e em outros que algo precisa melhorar, não
temos que nos preocupar com aquilo que está inacabado. Por nos
sentirmos incompletos, somos ao mesmo tempo conscientes de que
ainda há outro caminho, um novo, para o qual avançamos.
Quer dizer que colaboramos com muitos em uma grande comunidade,
levamos com eles a vida adiante e permanecemos no amor.
Do 3o
CURSO INTERNACIONAL
DE PICHL, ÁUSTRIA
18 e 19 de
dezembro
de 2008 75
participante
s, idioma
do curso:
inglês
SUCESSOS NA EMPRESA E NA PROFISSÃO
O sucesso se mostra no final de um caminho. Isto significa que devemos
nos mover em direção a ele no caminho certo e manter a visão focada
nele. Quando estamos no caminho certo, o sucesso se mostra e chega, se
o percorrermos até o final.
O contrário do sucesso é o fracasso. O fracasso torna-se inevitável se nos
detivermos no caminho certo, antes de chegar à meta. Ainda mais
quando esperamos o sucesso sem fazer nada por ele em vez de começar
nosso caminho.
O sucesso pressupõe que nos preparemos para ele, que sejamos capazes
e que estejamos dispostos para ele mediante um saber e um
conhecimento especial.
Eu me pergunto por que digo aqui algo tão óbvio. Devemos considerar
várias coisas para que o sucesso possa vir.
CONDIÇÕES INTERNAS
Há um sucesso que se mostra abertamente. Podemos vê-lo. E há um
sucesso que transcorre em nosso interior. O sucesso exterior pressupõe
que internamente já chegamos a uma meta com sucesso. Sem ter
chegado internamente a determinada meta, o sucesso exterior em nossas
empresas nem em nossa profissão não aparece. Mesmo quando já
tivemos sucesso, depois de um tempo ele diminui e para. Até perdemos
aquilo que já havíamos alcançado e, no final, ficamos sem sucesso.
Se o sucesso não aparece em nossa vida e em nosso trabalho, nós nos
detemos internamente e passamos a um movimento interno até que nos
movimentamos com ele, com sucesso.
Quase sinto vergonha de falar de algo tão óbvio. É possível que alguns
balancem a cabeça e se perguntem: O que isso tem a ver com o sucesso?
Este movimento interno tem tudo a ver com o sucesso. Ele nos leva ao
sucesso mais importante de nossa vida. O sucesso mais importante de
nossa vida foi o movimento em direção a nossa mãe.
Nosso maior sucesso foi chegar à vida. Não há sucesso maior. Ter
recebido a vida é o maior de todos os nossos sucessos. Sem este, não há
outros.
Mas nosso movimento em direção a nossa mãe às vezes nos é negado.
Não podemos chegar a ela.
Que obstáculos se opõem ao movimento bem sucedido em direção a ela?
São as imagens internas que temos dela e os sentimentos que
relacionamos a estas imagens. Muitas vezes são sentimentos de
superioridade, como se tivéssemos o direito de criticá-la. Como se
tivéssemos o direito de censurá-la e de julgá-la como se fôssemos sua
mãe, em vez de reconhecer que ela é a mãe e nós o filho.
O movimento em direção à mãe, esse movimento a ela, que realmente
chega até o final, é uma conquista. Vai muito para além de nossa boa
vontade, não o temos ao nosso bel-prazer em nossas mãos. É um
movimento de entrega total a ela, tal como ela é, exatamente como é.
Apenas uma coisa é importante: ela se tornou nossa mãe. Nada pode
existir algo maior ou mais maravilhoso, para ela e para nós.
Isto significa que soltamos nossas imagens e nossos sentimentos com os
quais nos justificamos para rejeitá-la de uma ou outra maneira. Nós nos
soltamos de nossa arrogância, como se fôssemos superiores a ela, e
entramos em um movimento de entrega, como quando éramos crianças.
Como? Embaixo, totalmente voltados para ela, engatinhando até ela,
pegando-a pelos pés e esperando até que ela nos levante. Junto dela
chegamos à meta numa relação profunda, com amor. Assim a temos e
assim temos a vida.
O que teve nossa mãe de tão especial? O que ela fez que foi tão especial?
Esteve a serviço da vida. É isso. Neste sentido, teve sucesso de maneira
perfeita. Não existe maior sucesso imaginável que seu sucesso.
O que significa, afinal, o sucesso? O que significa, afinal, nosso sucesso?
O sucesso significa: “serviço à vida”. Ligados à nossa mãe, nós também
estamos a serviço da vida. Este movimento básico nos leva ao sucesso e
nos permite conservá-lo.
O que significa finalmente, então, o sucesso? O sucesso significa mais
vida, mais vida para nós, mais vida para outros, mais vida com amor.
MEDITAÇÕES
Nosso CAMINHO EM DIREÇÃO À MÃE TAL COMO ELA É
Vamos ao sucesso começando por nós mesmos. Fechem por um
momento os olhos. Nós nos permitimos perceber internamente em que
ponto do nosso movimento em direção a nossa mãe estamos. Que
distância há entre ela e nós? Em que ponto se deteve nosso movimento
em direção a ela? Nesse ponto nos detemos internamente. Olhamos por
cima do fosso que nos separa e vemos nossa mãe do outro lado.
A questão é: Podemos vê-la realmente? Ou vemos apenas determinadas
imagens que fizemos sobre ela? Geralmente, imagens estranhas.
Julgamentos sobre ela, como se tivéssemos direito a condená-la, como
se ela tivesse que adquirir de nossa parte o direito de ser nossa mãe.
Apenas quando pode satisfazer nossas exigências ela pode tornar-se
nossa mãe, ser nossa mãe.
Se percebermos que é desse modo que temos pensado sobre ela, que nos
comportamos assim em relação a ela, começamos a nos envergonhar
disso. Quando pensamos naquilo que realmente importa, percebemos
como fomos cegos e errados.
Agora deixamos para trás essas imagens e os sentimentos que
relacionamos a ela. Nós a olhamos nos olhos. De repente
compreendemos o que isso significa - que ela está a serviço de forças
maiores, a serviço da vida, porque ela foi e é como é.
Nós nos movimentamos em direção a ela, humildes, pelo chão. Tocamos
seus pés e esperamos até que ela nos levante, junto a seu peito. Dizemos-
lhe: “Sim. Agora a tomo como minha mãe, tal como você é. Agora tomo
de você minha vida tal como me foi presenteada através de você. Agora
estou disposto a servir à vida, como você lhe serviu. Agora estou
disposto a servir-lhe com sucesso”.
A QUEM SERVIMOS?
Fechamos os olhos e olhamos para nosso trabalho, nossas empresas,
nossas organizações. Sentimos dentro de nós: Em que medida servem à
vida? Em que medida as utilizamos para que predominantemente nos
sirva? Em que medida há um equilíbrio entre aquilo que damos, com
elas, a outros e aquilo que esperamos e tomamos deles?
Verificamos em nós em que medida a relação com nossa mãe e nosso
comportamento com ela refletem aquilo que acontece com nosso
sucesso, e em que medida o impedem. Por exemplo, nossas expectativas
perante ela e nossa disposição para ir a ela - agradecidos com amor.
SERVIR COM AMOR
Nosso trabalho serve a outras pessoas. Trabalhamos a maior parte de
nossa vida. Para quem trabalhamos? Trabalhamos para nós e para outros
a serviço da vida, da nossa e da sua.
Qual é a postura básica que serve para nosso trabalho? Olhamos para nós
mesmos e para outros e dizemos a nós e a eles em nossa alma: “Existo
para você, para você e seu sucesso, para que sua vida seja bem sucedida”.
Sinto muito voltar ao ponto decisivo: Com quem vivemos, sobretudo,
nesta postura básica? De quem a aprendemos? De quem a aprendemos,
ainda hoje, para nosso trabalho? Não é necessário que entre em detalhes,
pois a resposta é evidente. Nós a vivemos junto a nossa mãe e a
aprendemos quando conseguimos o movimento em direção ela, com
amor.
Quando atingimos com alegria e amor o movimento em direção a nossa
mãe, estamos dispostos a dirigir-nos da mesma maneira a outros em
nosso trabalho, igualmente com amor e com alegria. Com esta postura
de amor por nós e por outros, faremos nosso trabalho para eles e para
nós com alegria.
Qual é o resultado? Também os outros nos amam e o fazem
imediatamente. Quando percebem que servimos a seu sucesso, que
trabalhamos com amor e alegria a serviço de sua vida e a de sua família
e seus filhos, alegram-se conosco e se dirigem a nós com amor.
Esta é a recompensa decisiva por nosso trabalho, uma recompensa que,
com o tempo, fica cada vez maior.
Fala-se de nosso serviço com alegria e com amor. Outros vêm para
solicitar nossos serviços. Assim aumenta o sucesso de nossa empresa e,
com ele, nosso sucesso pessoal.
Pelo contrário, se esperarmos que em nossa empresa e em nosso trabalho
os outros nos sirvam em primeiro lugar, eles fariam isso com alegria e
com amor? Dariam o melhor de si para nos servir? Ou nos serviriam
hesitantes, como se estivessem obrigados?
Então, vamos nos reorganizar internamente. Qual é o resultado? Que
muitos vêm a nós e nós vamos a eles, enriquecidos, bem sucedidos e
felizes.
MAIS HISTÓRIAS DE SUCESSO
1º. EXEMPLO: A decisão
HELLINGER ao grupo: Qual de vocês está perante uma decisão
relacionada com sua empresa e gostaria de dar uma olhada, mais de
perto, conosco?
Uma mulher se apresenta. Hellinger lhe pede para sentar-se a seu lado.
HELLINGER ao grupo: Primeiro devo entrar em sintonia com ela e com
seu sucesso. Eu me alegro com seu sucesso e o desejo totalmente. Vou
demonstrar o que disse anteriormente. Abro meu coração a ela e a seus
problemas com amor.
A mulher. Do que se trata?
MULHER: Tenho um instituto e estou planejando me mudar a outra
cidade para expandi-lo lá. Há quatro pessoas que colaboram comigo
nessa empresa.
HELLINGER à mulher: Primeiro devemos descobrir qual é a questão em
si. Uma empresa está a serviço de uma causa e das pessoas. A primeira
pergunta é: Em que medida sua empresa serve às pessoas? As quatro
pessoas que trabalham com você, são mulheres ou homens?
MULHER: São todas mulheres.
HELLINGER: Quem dirige o grupo?
MULHER: Eu.
HELLINGER ao grupo: Colocaremos toda a equipe. Então veremos
como interagem.
Hellinger escolhe quatro mulheres como representantes da equipe e as
coloca uma junto da outra. A representante da mulher está à direita.
Depois escolhe cinco representantes para os clientes. Estes estão em
frente à equipe a uns cinco metros de distância.
Os clientes vão lentamente em direção às diferentes funcionárias.
Apenas uma delas tenta fazer contato com a mulher que dirige. Também
aquela se afasta depois de um tempo. Até esta mulher e sua funcionária
não chegam clientes.
Um homem do grupo dos clientes se coloca no centro. Todos olham para
ele. Ele se dirige à representante da mulher e se coloca atrás dela.
HELLINGER à mulher. O que vimos aqui? Nenhuma desta equipe
precisa das outras. Apenas uma funcionária precisa de você. Você quis
ajudá-la, mas também ela se afastou. As outras podem trabalhar
independentemente de você.
Um dos clientes a apoia. Ele assume a direção.
Ao grupo: Já vimos o suficiente.
À mulher: E agora o que acontece com seus planos? Não precisa pensar
neles. Já vimos o decisivo. Não há energia para uma ampliação desta
empresa. Não há perspectivas de sucesso pela ampliação. Porém, se você
tentar fazê-lo, talvez signifique o final da empresa. Você precisa pensar
sobre isso. Gostaria de vê-lo mais de perto?
A questão é se esse instituto pode se expandir.
MULHER: Também planejo fundar um hotel.
HELLINGER: Podemos constelar ambas as coisas para ter uma imagem
clara.
Hellinger escolhe uma representante para o instituto, uma para o
instituto ampliado previsto e outra para o hotel.
O instituto previsto e o hotel estão juntos, lado a lado, a uns quatro
metros de distância frente ao instituto.
O instituto está intranquilo e se move de lado para a direita. O instituto
planejado também se volta à direita e fica cara a cara com o instituto.
O hotel está totalmente concentrado em si. Depois de um tempo se afasta
dos institutos e olha para a frente.
HELLINGER à mulher. Onde está seu futuro? Seu futuro é o hotel. Pode
esquecer o outro.
Trabalhamos apenas 10 minutos e economizará milhares de euros.
MULHER (rindo): Obrigada.
Ao grupo: Este trabalho é Hellinger Sciencia® aplicada, a ciência
aplicada de nossas relações. Vocês podem ver como é fácil de aplicar e
quanto dinheiro muitas pessoas podem economizar ao observar estes
simples movimentos.
Ao mesmo tempo, podemos observar que, no mais profundo de nós,
sabemos o que é o certo. Só assim é que pode vir à tona numa
constelação.
2º EXEMPLO: A profissão
HELLINGER: Os problemas não resolvidos numa família se refletem
nas empresas e na profissão. Quando constelamos uma profissão, muitas
vezes chegamos antes aos problemas de uma família do que quando
trabalhamos diretamente com a família.
Quem gostaria de constelar sua profissão?
Uma mulher se apresenta senta ao lado de Hellinger.
HELLINGER a essa mulher. Qual é sua profissão?
MULHER: Sou psicoterapeuta.
HELLINGER: Então colocaremos um representante para a profissão.
Escolho uma mulher ou um homem? Escolherei um homem.
Hellinger escolhe um homem e o coloca a uns seis metros de distância,
frente à mulher.
A profissão dá um passo para trás. Vira de lado, retrocede uns passos e
gira novamente, ficando de frente para a mulher. Esta também dá,
paralelamente, uns passos para trás.
Depois de um tempo, o representante da profissão dá uns passos em
direção à mulher. Ela se afasta dele e treme.
Hellinger escolhe outra mulher e a coloca a uns quatro metros de
distância, em frente à mulher. A profissão fica afastada.
A mulher se afasta da outra mulher, de forma parecida como o fizera em
relação à profissão.
A profissão vai lentamente em direção a outra mulher e se coloca a seu
lado. A própria mulher retrocede ainda mais e olha para o chão.
Hellinger escolhe outra mulher e lhe pede para deitar de costas no chão,
diante desta mulher. Esta representa uma morta.
A mulher está muito abalada. Aproxima-se um pouco da morta,
retrocede novamente e deita de bruços, olhando para ela, com as mãos
estendidas.
A profissão está agora ao lado da outra mulher, como se fossem um
casal. Ela se solta da outra mulher, ajoelha-se junto a essa morta e olha
para ela com amor. Pega na mão dela e a arrasta para si, como um pai
com seu filho.
A outra mulher coloca a mão direita sobre o coração e chora. Ela e a
profissão se olham intensamente. A própria mulher se arrasta, sentada
no chão, até essa mulher. Ajoelha-se a seu lado e soluça alto.
A outra mulher lhe estende a mão. Arrasta-a para si e faz um carinho na
cabeça dela. Então a aproxima do peito e a segura como uma mãe com
seu filho.
Hellinger escolhe três representantes, duas mulheres e um homem, e os
coloca em frente ao outro grupo, bem distantes. Representam os clientes.
A mulher continua soluçando alto. Ela e a outra mulher se colocam em
frente ao grupo de três.
A mulher dá uns passos em direção a esse grupo. Os três do grupo se
afastam dela. Então ela se volta afastando-se deles e olha para fora.
HELLINGER ao grupo: Nas profissões de ajuda podemos observar que
muitas vezes seus clientes representam membros da própria família,
geralmente membros excluídos da família.
A essa mulher. É evidente que em sua família há uma pessoa excluída
deste modo. Agora não quero entrar nisso. Evidentemente você sabe de
quem se trata. Está claro que seria conveniente que você se movimente
para além dela, por exemplo, servindo de uma maneira prática a outras
pessoas, independentemente da maneira direta da psicoterapia. Senão, os
clientes são arrastados para seu campo e para os problemas não
resolvidos em sua família.
3° EXEMPLO: Quem ajuda quem?
SOPHIE HELLINGER a um homem que quer oferecer cursos para
palestinos na Palestina: Coloque alguém para seu projeto.
Ele escolhe um homem e o coloca diante de si. Este homem olha
imediatamente para o chão. É evidente que o projeto também o
representa.
SOPHIE HELLINGER: Agora coloque sete representantes das pessoas
às quais quer servir com seu projeto.
Ele escolhe sete pessoas e as posiciona, uma junto da outra, a uns cinco
metros de distância do projeto.
O representante do projeto se vira, dando as costas a eles e continua
olhando para o chão. Dois representantes se aproximam dele por trás.
O representante do projeto se ajoelha e continua olhando apenas para
o chão. Os dois representantes dos palestinos se inclinam até ele e o
levantam.
HELLINGER a esse homem: Quem serve a quem? Os participantes nos
cursos servem a você.
ESSE HOMEM: Gostaria de continuar oferecendo esses cursos.
HELLINGER: Se quiser ter mais fracassos, vá em frente.
Aqui, do que se trata, é que você quer morrer. Podemos vê-lo em seu
projeto. Como pode ajudar outros se quer morrer? Vimos aqui que não
pode consegui-lo.
Aos representantes: Posso deixar aqui.
Ao grupo: Vejam como é rápido tomar as decisões certas com este
trabalho.
MEDITAÇÕES
NÍVEIS DO SUCESSO
Às vezes sentimos que algo não deu certo conosco, com os outros e com
nossa empresa. Então queremos encontrar as causas e procuramos por
alguém ou por algo para culpar.
Com esta ideia, imediatamente nos comportamos como se também
pudesse ter sido de outro modo, como se tivéssemos podido dar outro
rumo aos acontecimentos. Se tivéssemos tido outro conhecimento teria
sido diferente.
Por trás desta ideia está a distinção entre bom e mau, como também entre
certo e errado. Às vezes também seguimos estas distinções numa
constelação. Pensamos que teve sucesso ou que algo deu errado com ela.
Também julgamos alguém e dizemos que é bom ou que tem uma má
intenção. Com estas distinções nos movemos no âmbito da consciência.
Estas distinções são, em nossa consciência, a base da inocência e da
culpa. Através destas distinções muitas vezes conseguimos indicações
importantes do que devemos fazer a seguir.
A questão é: Como reagimos interiormente? Quando permanecemos no
âmbito da consciência colocamos em nós e nos outros a culpa de algo
que, em nossa opinião, deu errado.
É diferente quando nos movemos além do nível da consciência, para o
nível do espírito. Neste nível devemos admitir que, aconteça o que
acontecer, tudo é movimentado por outras forças. Estas forças põem em
andamento e dirigem tudo de maneira tal que servem a objetivos maiores
e mais amplos.
Aconteça o que acontecer, também aquilo, que do nosso ponto de vista
e do ponto de vista de nossa consciência é ruim, pois nos fere e fere os
outros, está a serviço de outro movimento de visão mais ampla e de
maior efeito. Como lidamos numa situação como essa com nossa má
consciência e com o movimento interno de nos culparmos e culparmos
os outros?
Entramos em sintonia com esse outro movimento. Nós lhe entregamos
nossos temores e nossos sentimentos de ter fracassado. Nós lhe
entregamos nossos sentimentos de culpa e a culpa que colocamos nos
outros.
Concordamos com tudo tal como foi, em sintonia com esse outro
movimento. Confiamos em que, finalmente, se nos entregarmos, as
coisas tomarão um caminho que colocará em funcionamento algo maior
e que o completará de um modo mais abrangente.
AMEAÇAS DO EXTERIOR
Alguns participantes deste grupo vieram da Grécia. Estão preocupados
com as desordens de seu país. A questão é: Como eles e nós podemos
permanecer serenos e centrados em nossa alma? Como podemos
permanecer livres de acusações e agressões em nossa alma contra
aqueles que tanto ferem outras pessoas?
Podemos fazer um exercício interno profundo que nos ajudará também
em outras ocasiões para passar a outro nível. Por exemplo, em nossa
empresa quando, na concorrência, somos prejudicados ou prejudicamos
e causamos sofrimento aos outros.
Fechamos os olhos e olhamos para aqueles que tememos. Sentimos em
que medida é possível que também eles nos temam. Prestamos atenção
a nossos sentimentos internos e a nossa necessidade de vingança de
oprimi-los, tal como receamos que eles nos oprimam.
Nós nos permitimos perceber em nós mesmos nosso próprio ódio e os
pensamentos que temos sobre eles. Depois de um tempo olhamos para
eles nos olhos e lhes dizemos: “Eu também”. No mais profundo de nossa
alma, sentimos que somos iguais a eles. Sentimos o profundo efeito que
tem o fato de admiti-lo.
DISPOSTOS
Imaginamos que nos movemos para diante em direção a nosso sucesso.
Vamos para algo que conseguimos. Enquanto nos movemos para diante
é possível que sintamos que algo nos segura por trás.
Ao mesmo tempo sentimos como outras pessoas esperam que as levemos
conosco nesse movimento para diante, para nosso sucesso. Elas
pertencem a nossa família. Talvez sejam irmãos mortos prematuramente.
Talvez sejam parceiros anteriores de nossos pais, que foram rejeitados e
excluídos, e não são mais reconhecidos.
Nós nos dirigimos a eles e dizemos: “Eu vejo você. Sua vida prossegue
naquilo que eu alcanço. Por favor, venha comigo e me ajude”.
Então viramos novamente para o futuro e seguimos adiante. Damos o
próximo passo e sentimos como outros caminham atrás de nós e nos
servem de sustento e apoio.
Respiramos profundamente e dizemos: “Agora estou disposto”.
Algo mais sobre o sucesso: O sucesso significa mais, mais e mais.
4o
. EXEMPLO: Os lucros têm seu preço
HELLINGER a um homem Do que se trata?
HOMEM: Trabalhei por 15 anos para uma empresa. Esta empresa foi
vendida e eu fui embora. Não tive pessoalmente nada a ver com a venda.
Porém, fui embora e fundei minha própria empresa. Achava naquele
momento que tinha direito a algo do lucro conseguido com a venda da
empresa. Mas então pensei que seria melhor não pensar nisso e tive
sucesso.
Hoje, em meus sonhos, ainda espero por aquele dinheiro e por certo
reconhecimento.
HELLINGER: Vejo o problema. Vou fazer um exercício com você.
Feche os olhos.
Olhe para o lucro que teve trabalhando para aquela empresa. Olhe para
as experiências que lá viveu e que agora o ajudam a
estar com os pés no chão e que também lhe trouxeram muitas outras
vantagens.
Agora avalie. Imagine que leva numa mão seus lucros atuais e numa
outra o dinheiro que ainda espera daquela empresa. Onde sente o peso
maior?
Agora imagine que recebe esse dinheiro que ainda espera e sinta-o numa
mão. O que acontece com os próprios lucros?
HOMEM: Ficam reduzidos.
HELLINGER, depois de um tempo: Tendo isto em conta, esse dinheiro
ainda é importante? É um lucro?
HOMEM: Esse dinheiro, mais que nada, me puxa para baixo.
HELLINGER: Então, este foi o exercício anterior. Não precisa se
preocupar com esse dinheiro.
Devemos refletir ainda sobre algo mais. Se lhe derem esse dinheiro, você
se sentirá separado deles. Se tomar o outro lucro, permanecerá ligado a
eles.
Feche novamente os olhos. Tome o dinheiro que você mesmo ganhou e
diga àqueles que retêm o dinheiro que você espera deles: “Ganho meu
próprio dinheiro”.
O que acontece com eles? O que esse dinheiro faz com eles? Vira um
lucro para eles? Ou vira uma perda para eles? Esse dinheiro quer servir
a outros objetivos. O dinheiro que nós mesmos ganhamos é sempre o
melhor. Aplausos no grupo.
A HERANÇA
HELLINGER ao grupo: Alguns esperam uma herança. Quando a
recebem, ficam mais fortes ou mais fracos?
É diferente quando recebemos uma herança com a qual devemos fazer
algo. Por exemplo, quando os pais deixam uma empresa a um filho e
esperam que este continue com ela. Esta herança permite ao filho fazer
algo especial. Ao mesmo tempo, este filho tem uma bênção garantida de
seus pais. Com esta herança, algo continua. Exige do filho um serviço.
Outra coisa é quando alguém espera uma herança para viver bem. O que
acontece com sua própria vida? O que acontece com seu próprio
sucesso? O que acontece com sua felicidade?
O DINHEIRO ESTÁ A SERVIÇO
Algumas pessoas desprezam o dinheiro, sobretudo aquelas que não o
possuem. Por que não o possuem? Porque o desprezam. Não devemos
nos surpreender se o dinheiro não quiser ficar com eles.
Uma tradição cristã afirma que a pobreza dá mais felicidade do que o
dinheiro, que é difícil que um rico entre no Céu e que apenas os pobres
têm o direito de ir para lá.
O que muitos pobres esperam do Céu? Dinheiro, é claro. Ao mesmo
tempo esperam que, nele, os ricos fiquem pobres. Quer dizer, não
renunciam absolutamente ao dinheiro, mas fazem pouco por ele, salvo
ser pobres.
Exagerei um pouco aqui, estou brincando. Mas agora vamos diretamente
ao dinheiro.
O dinheiro é algo espiritual. O dinheiro é vida. Sem dinheiro, ninguém
pode sobreviver em nossa sociedade. O dinheiro nos permite continuar
vivos.
Como ganhamos o dinheiro? Ganhamos o dinheiro quando trabalhamos
por algo. O dinheiro é a recompensa por algo que coloca a nosso alcance,
ao nosso e ao dos outros, os meios para continuar vivos. Este dinheiro
serve à vida.
Se alguém trabalhar duramente para nós e nós ganharmos graças a seu
trabalho, devemos pagar-lhe o salário correspondente. Só se fizermos
isso poderemos conservar aquilo que obtivemos mediante seu trabalho.
O que acontece se alguém exige mais do que vale seu desempenho?
Conservará ou perderá seu emprego? O que ganhará se exigir mais do
que aquilo que corresponde a seu serviço?
Ao contrário, se alguém disser: “Para mim é suficiente um salário
reduzido, não preciso de tanto”. O que acontece com seu desempenho?
Ele o reconhece? Os outros o reconhecem? Pode aumentá-lo e conseguir
mais clientes? Ou será menos solicitado porque despreza seu
desempenho, pedindo por ele menos do que ele vale?
Vai depender do equilíbrio adequado entre o dar e o tomar. O salário
com o qual pagamos alguém e que corresponde ao que ele prestou para
nós, vai motivá-lo a nos servir também no futuro.
O equilíbrio entre o dar e o tomar sustenta e conserva um
relacionamento. Lá onde o equilíbrio falha, perdemos algo.
5º. EXEMPLO: Homem e mulher, juntos ou
separados
HELLINGER a uma mulher. Do que se trata?
MULHER: Meu marido e eu possuímos dois restaurantes. Ele dirige um,
eu o outro. Temos uma empresa juntos com dois restaurantes.
HELLINGER: Quem começou com isso?
MULHER: Os dois juntos.
HELLINGER: De onde vinha o dinheiro?
MULHER: De minha família. Ela fez com que fosse possível obter um
crédito.
HELLINGER: Qual é, agora, a dificuldade?
MULHER: Meu marido quer começar outra coisa. Quer que eu venda
meu restaurante e o reparta entre os funcionários.
HELLINGER: Quer dizer que quer se tornar independente de você.
Vamos constelá-lo.
Hellinger escolhe um homem para o restaurante do marido e uma
mulher para o restaurante dela. Estão um junto do outro, a quatro
metros de distância. A cinco metros, em frente a eles, coloca, bem juntos,
uma representante da mulher e um representante do homem.
O restaurante do homem se afasta. O homem e a mulher vão em direção
ao restaurante da mulher. A mulher se coloca à direita de seu
restaurante e segura sua mão. O homem fica de pé a dois metros diante
delas.
A mulher lhe estende a mão, mas ele não a pega. Quer se colocar do
outro lado do restaurante, mas este lhe dá as costas. O restaurante e a
mulher saem da frente dele e o enfrentam a dois metros de distância.
Então se afastam dele vários passos. O homem se inclina para a frente
e segura seu joelho.
Enquanto isso, seu restaurante se afasta para bem longe e olha para o
chão.
Hellinger escolhe uma mulher e a coloca a cinco metros de distância do
homem.
HELLINGER a essa representante: Você representa a nova empresa.
O homem ergue o corpo e vai em direção à nova empresa. Pega na mão
da mulher e quer arrastá-la com ele para essa empresa nova. Mas ela
segura firme seu restaurante.
Depois de um tempo, o homem vai para sua mulher e a abraça. Ela
responde ao abraço, mas continua olhando para seu restaurante e o
segura firme.
A nova empresa se aproxima mais do restaurante da mulher e quer
colocar a mão nas costas dela. O restaurante a rejeita.
O homem tenta novamente puxar sua mulher para ir junto da nova
empresa. Ela o rejeita e vai a seu restaurante. Ambos se abraçam
firmemente.
HELLINGER à mulher. O que vimos aqui? O homem quer ter o comando
do seu restaurante. O restaurante não o quer. Não lhe pertence. Pertence
a você.
Um marido nunca pode ter o comando em uma empresa que pertence a
sua mulher. Se, no entanto, ele a assumir, levará a empresa à falência.
Foi uma boa solução que ele tenha seu próprio restaurante. Mas era
menor e não era suficiente para ele. Ele quer mais. Conseguirá isso assim
que fundar sua própria empresa. Só então será independente e você
também.
Ele queria que você o seguisse para a empresa dele. Isto não está certo,
pois você já tem a sua própria empresa. Cada um fica na própria.
Se ele fundar algo próprio para si, o amor de vocês terá uma nova
oportunidade. Pudemos ver isso aqui. É bom para vocês que cada um
tenha sua própria empresa. Esta é a solução neste caso.
Aos representantes: Obrigado a todos.
A HIERARQUIA DO HOMEM E A MULHER NA EMPRESA
HELLINGER ao grupo: Pude observar o que acontece quando uma
mulher herda uma empresa e seu marido trabalha nessa empresa ou
assume, inclusive, um papel na direção. Ele leva a empresa à falência.
Não sei por que isso acontece. É apenas uma observação.
Isto significa que quando uma mulher herda uma empresa ou ela própria
a fundou, deve dirigi-la. Seu marido deve procurar algo próprio, um
trabalho próprio ou uma empresa própria.
Se for ao contrário, não importa. Uma mulher pode trabalhar em
qualquer momento na empresa do marido.
NOSSO MAIOR SUCESSO
Nosso maior sucesso é o amor bem sucedido. O maior sucesso de nossa
vida adulta é uma relação bem sucedida. Uma relação posterior apenas
pode dar certo se nossas primeiras relações deram certo: a relação com
nossa mãe e com nosso pai. Nosso sucesso começa com nossa mãe e
com nosso pai.
O maior obstáculo para nosso sucesso são as imagens internas que
fizemos de nossa mãe e de nosso pai. Todas estas imagens servem ao
mesmo objetivo. Vou dizer com todo rigor: servem para nos livrarmos
de nossa mãe e de nosso pai.
Ainda podem me seguir? Sintam em vocês quais as consequências dessas
imagens, como, com sua ajuda queremos nos livrar internamente de
nossa mãe e de nosso pai. Pode haver uma perda maior? Nenhuma perda
tem consequências de maior alcance do que perder nossa mãe e nosso
pai.
Todas estas imagens internas são errôneas. Servem como justificativa
para nos livrarmos de certa maneira de nossa mãe e de nosso pai. Com
elas conseguimos efetivamente nos livrar deles, pelo menos no
pensamento.
Qual é o resultado? Já não nos sentimos obrigados em relação a eles.
Mediante estas imagens e sentimentos relacionados a elas, compramos
certa independência e liberdade e ficamos sobre nossos próprios pés.
Já sendo adultos nos encontramos com um parceiro e esperamos que
nosso amor por ele tenha sucesso. O que acontece imediatamente com
ele?
Devo continuar? Ainda podem me seguir?
Criamos imagens de nosso parceiro de um modo parecido com aquele
que fizemos de nossa mãe e de nosso pai. O que queremos conseguir,
em último caso, com estas imagens internas? Também queremos nos
livrar dele. Também, neste caso, vemos o efeito destas imagens internas.
Onde começa nosso sucesso em todas as áreas? Onde começa o sucesso
de nosso amor? Admitimos que nosso amor dá certo quando
reconhecemos o quanto dependemos de nossa mãe e de nosso pai e, mais
tarde, de nosso parceiro.
O que acontece então conosco? Tomamos aquilo que nos presenteiam e
nos livramos de nossa liberdade. Admitimos que precisamos do outro,
que dependemos dele de diferentes maneiras. Ao mesmo tempo, ao
tomarmos deles aquilo que nos dão, nós nos sentimos seus devedores.
Qual é o efeito desse sentimento de ser devedores? Do mesmo modo que
tomamos deles, nós lhes devolvemos algo maravilhoso.
Isso apenas é possível de maneira limitada no caso de nossos pais.
Aquilo que lhes devemos é muito. Equilibramos com eles o tomar e o
dar só dando a outros aquilo que recebemos deles. Nós o transmitimos.
A quem? Primeiro a nosso parceiro. Deste modo o amor a nosso parceiro
acaba sendo bem sucedido, muito bem sucedido.
Depois fundamos uma empresa. O que fazemos com nossa empresa?
Transmitimos aquilo que recebemos de nossa mãe e de nosso pai. Logo
nossa empresa terá sucesso e dizemos adeus a nossa liberdade.
O que ocupa o lugar de nossa liberdade? O agradecimento. Tomamos
agradecidos aquilo que a vida nos dá. Este agradecimento é a chave de
qualquer sucesso.
Com isto este curso acaba e algo novo começa. Como? Com sucesso.
Do 3º. Curso Nacional de Pichl, Áustria
30 de abril e 1º. de maio de
2009
210 participantes, idioma
alemão
INTRODUÇÃO: PANO DE FUNDO DAS CRISES
HELLINGER: Antes de mais nada, gostaria de dizer algo sobre um tema
bem atual. Direi algo sobre as crises.
Como se chega a uma crise? Uma empresa, ou nós em nossa vida e em
nossas relações, entramos em crise quando nos excedemos além de
nossas forças ou possibilidades. De repente não prosseguimos mais.
Uma crise indica quais são nossos limites.
Toda vez que uma situação se torna crítica devemos refletir novamente.
Devemos planejar novamente como agir e devemos reunir nossas
últimas forças para superar essa crise.
As crises surgem nos relacionamentos, nas empresas e em nosso trabalho
quando não conhecemos determinadas ordens e por isso não as
observamos. Se conhecêssemos e compreendêssemos o alcance dessas
ordens, evitaríamos muitas crises. No entanto, as crises também fazem
parte do progresso, pois só através delas reflexionamos novamente,
podemos experimentar e fazer coisas novas.
A compreensão dessas ordens é a base da Hellinger Sciencia®. Trata-se
de uma ciência, pois essas ordens são leis implacáveis. Apenas se as
conhecermos - se as conhecermos com exatidão científica - e soubermos
como podem e devem ser aplicadas, podemos ter sucesso duradouro em
nosso trabalho e em nossas organizações e empresas.
Podem me ouvir? No início soa muito teórico. Mas logo poderão
comprovar em que medida estas ordens os atingem e os afetam.
No fundo, neste curso trataremos apenas de relações - nada mais! Não
dos conteúdos de uma empresa, um trabalho e uma organização. Para
isso precisa-se de conhecimentos especializados nos quais não nos
intrometemos em absoluto. Nossos conhecimentos especializados são as
ordens nas relações. Isto é o que transmitimos aqui.
AS ORDENS DO DAR E DO TOMAR
A primeira ordem que importa neste caso é a Ordem do Dar e do Tomar.
Dar e tomar são necessidades básicas da vida. As relações dão certo
quando o dar e o tomar estão equilibrados. Quando aquele que toma
também dá e quem dá também toma. Por isso é fundamental nas
empresas a participação nos lucros, sobretudo por parte daqueles que
contribuem com maior desempenho. Se o lucro fluir para outra parte, as
relações dentro de uma empresa ficam transtornadas.
O lucro de um trabalho ou de uma empresa ou de uma organização está
relacionado com aquilo que é dado aos outros. Nosso trabalho e a
organização que está detrás de nosso trabalho estão a serviço do cliente
mediante aquilo que oferecem. Definitivamente, estão a serviço da vida.
Se procurarmos em nós o significado de “naquilo que fazemos servimos
à vida, à nossa e à de muitos outros”, o que muda imediatamente em nós?
Eu fico feliz quando vejo que aquilo que faço e aquilo no qual me
empenho serve à vida de muitos. Eu me sinto feliz e vivo mais
plenamente. Através daquilo que ofereço à vida dos outros, ao apoiá-la,
eu mesmo fico mais vivo e mais pleno.
O que resta de mim se o fizer a contragosto? Talvez algumas cédulas.
Isso seria tudo. Mas isso não merece tal esforço.
Esta seria então a primeira ordem: dar e tomar em equilíbrio.
O TODO
Ainda há uma segunda ordem: há um todo que fica inteiro e permanece
inteiro se todos aqueles que fazem parte dele forem valorizados como
fazendo parte. Nas famílias está claro: assim que alguém for excluído, a
família se sente incompleta. Cai na desordem e perde força.
Eu não sou um especialista para muitos detalhes das empresas, mas
imagino algumas coisas. Imagino, por exemplo, que uma empresa rouba
uma patente. Então aquele de quem se obtém um lucro é excluído. O que
acontece então com a empresa?
Ou alguém tem uma grande ideia, outros a adotam e o excluem. Quanta
força tem a empresa fazendo isso? Excluindo alguém que lhe dera tanto
lucro? Esta é também uma transgressão da ordem do dar e do tomar. Este
é um tema delicado e devo ser prudente para não me intrometer.
Há, por exemplo, situações nas quais uma empresa demite alguém
injustamente. Algumas vezes pude ver em constelações o que acontece
nesses casos. Os outros funcionários ficam imediatamente
enfraquecidos. Já não podem dar seu total desempenho. Se o excluído
for introduzido de uma determinada maneira - não o readmitindo, fato
que não é possível e nem eficaz - mas reconhecendo que de certa maneira
se cometeu uma injustiça com ele, este se torna benévolo em sua postura
e imediatamente algo muda na empresa.
Hoje em dia, a exclusão muitas vezes funciona sob o curioso nome de
dispensa. Não é terrível? Esse desprezo numa só palavra, este desdém
tem um efeito imediato sobre aqueles que ficam. Também neste caso
deve ser equilibrado. Não é possível considerar uma empresa como uma
família, onde cada um tem o mesmo direito de pertencer. Apenas aquele
que colabora com um desempenho correspondente pode pertencer a uma
empresa. Está claro. Veremos os efeitos que isto tem concretamente
quando constelarmos empresas ou profissões concretas.
A HIERARQUIA
A terceira ordem essencial é apenas conhecida ou talvez desconhecida
em muitas empresas. Muitas empresas vão à falência, pois não conhecem
esta ordem fundamental. Trata-se da ordem da hierarquia.
A hierarquia é, neste caso, concretamente, uma sucessão no tempo. O
que veio antes tem precedência sobre o que vem depois. Quase todos os
conflitos na empresa surgem porque as pessoas subsequentes ou um
departamento subordinado ou um produto consecutivo quer ficar no
primeiro lugar.
Podem me seguir? Este foi um resumo. Neste curso aprendemos
conjuntamente, dando cada um sua colaboração, como podemos encarar
as crises. Neste caso, especialmente, as crises no trabalho, na profissão,
nas empresas.
Se quiserem, vocês mesmos podem aplicar isto em sua vida pessoal e
nas crises da vida e das relações. Aqui vamos nos concentrar
especialmente nas Leis do Sucesso no trabalho e na profissão.
Isto foi apenas uma introdução, uma visão geral, para que vejam o que
virá a nosso encontro.
O PROCEDIMENTO
O procedimento é sempre o mesmo. Apesar de tantos participantes
estarem aqui, minha mulher e eu sempre trabalhamos com todos. Se, por
exemplo, trabalharmos com um indivíduo e com seu problema, nós o
fazemos de maneira tal que todos se beneficiem. Por isso também é
importante quem eu escolho para um trabalho concreto. Não é todo
aquele que quer, mas eu pergunto quem tem um assunto com uma
empresa, pois eu quero começar com isso. Eles levantam a mão e então
me deixo guiar por um movimento interno e escolho alguém. Não porque
eu goste dele ou o conheça, mas simplesmente em sintonia com um outro
movimento. A experiência é que, então, todos se beneficiam de uma
maneira especial.
A BÊNÇÃO
As empresas precisam de uma bênção para dar certo. Dar a bênção
significa, por um lado, que eu deixo algo partir com benevolência. Então
o outro está livre para seu próprio caminho e seu próprio destino.
Quando damos a nossa bênção desta maneira, também somos livres. Por
exemplo, quando dizemos que alguém dá a alma ao Criador. Isto
significa que ele o deixa partir e, mediante sua bênção, liberta-se dele.
Entretanto sua bênção também atua sobre aquilo que ele deixa para trás.
Mas, abençoar, também significa que desejo algo bom a alguém. Quero-
lhe bem, mas ao mesmo tempo também o deixo livre.
O que acontece depois de um tempo? O que eu abençoei retorna a mim.
Retorna de outro modo, mais rico, mais pleno, mais feliz. Minha bênção
também me abençoa quando retoma a mim. Estes são os movimentos
fundamentais da vida.
Quando uma mãe abençoa o filho e este toma a bênção, ele fica livre.
Isto vale na mesma medida para nossas empresas e nosso trabalho. O
que resta daquele que não está abençoado, daquele que não quer uma
bênção?
Uma das grandes compreensões de nosso trabalho é de que toda bênção
começa com a mãe.
Quando alguém faz uma assessoria profissional, para o que está
olhando? Se tiver uma conexão com a mãe, sempre terá sucesso, faça o
que fizer. Se não a tiver, já pode esquecer o resto. Podemos vê-lo todos
os dias.
Quando alguém procura um funcionário ou um sócio para sua empresa,
a primeira coisa que interessa é que olhe como é a relação deste com sua
mãe. Se for boa, será um bom funcionário a serviço da empresa, pois se
comportará em relação à empresa da mesma maneira do que em relação
a sua mãe: agradecido, como alguém que toma e ao mesmo tempo dá.
Quando conhecemos esta lei, esta ordem, podemos ter sucesso de muitas
maneiras.
6º. EXEMPLO: A fusão
HELLINGER a um homem: De que tipo de empresa se trata?
HOMEM: Na realidade se trata de duas empresas. Eu próprio tenho uma
empresa pequena de muito sucesso. Mas também se trata de uma
empresa grande de meu pai. A questão é esta: Devo fusioná-las, unir a
empresa de meu pai à minha?
HELLINGER ao grupo: Ele falou de duas empresas. Mas agora vamos
ver a hierarquia. Qual é a empresa que vem em primeiro lugar?
Ao homem: De que empresa devemos nos ocupar primeiro?
HOMEM: Eu acho que da empresa familiar.
HELLINGER: Claro. Se colocarmos algo em ordem ali, ajuda a outra.
HOMEM: A empresa que eu devo absorver está numa crise. Eu me
separei dela faz 15 anos.
HELLINGER: Então, vamos olhar para empresa que está em crise.
Hellinger escolhe um representante para o pai e uma representante para
a empresa. Eles ficam um em frente ao outro, sem se mexerem, a quatro
metros de distância.
HELLINGER ao homem: De quem veio o dinheiro para a fundação da
empresa?
HOMEM: De meu pai. Meu pai e minha mãe tinham poupado esse
dinheiro. Além disso, minha mãe trabalhava. Tinham ganhado esse
dinheiro com seu trabalho.
HELLINGER: Então acrescentarei um representante para a mãe.
Escolhe uma mulher e lhe pede para se posicionar onde ela achar bom.
Ela se coloca a dois metros à esquerda do homem. A empresa apenas
olha para ela.
HELLINGER ao homem: É estranho quando olhamos para isso. Quem é
a pessoa mais importante?
O pai não se digna a olhar para a mãe, mas a empresa quer ir até ela.
Quantos irmãos você tem?
HOMEM: Nenhum.
HELLINGER: Coloque-se você também, seguindo a sua sensação.
Ele se posiciona à esquerda, do lado da mãe, e olha com ela para a
empresa. Mãe e filho se olham rindo.
Hellinger coloca o pai detrás da empresa.
HELLINGER à empresa: Como se sente agora?
EMPRESA: Sinto cócegas no corpo todo. Eu me sinto bem.
Mãe e filho continuam se olhando e rindo.
Depois de um tempo, Hellinger coloca o filho em frente à empresa e sua
mãe detrás dele.
HELLINGER ao homem: Como se sente?
HOMEM: Estou bem.
HELLINGER: Como se sente a empresa?
EMPRESA: Bem. A mãe me incomoda um pouco. Mas posso olhar para
o filho. Eu me sinto bastante grande.
Hellinger coloca também a mãe detrás da empresa, à direita do pai. O
filho está agora sozinho em frente à empresa.
HELLINGER à mãe: Olhe com amabilidade para seu marido. Como
precaução.
Ambos se olham rindo.
EMPRESA: Eu me sinto muito bem.
HELLINGER ao pai: E você?
PAI: Bem.
HELLINGER: OK.
HELLINGER ao grupo: Com frequência tenho feito uma observação em
cursos deste tipo sobre as Leis do Sucesso no trabalho
e na profissão. Muitas vezes não se presta atenção às mulheres. Isso tem
um efeito enfraquecedor sobre a empresa. Aqui estava muito claro que
se menosprezava a mãe.
HELLINGER ao homem: O que seu pai fez anteriormente com sua mãe?
Provavelmente o mesmo. Também não olhava para ela. O sucesso tem
muito a ver com o respeito pela mãe e com sua bênção.
Se você ficar focado nisto, tudo ficará ainda melhor com você.
7º. EXEMPLO: Que serviço?
HELLINGER a uma mulher que escolhera e que está sentada a seu lado:
Uma empresária tão jovem! Do que se trata?
MULHER: Trabalho num projeto numa grande empresa e agora
surgiram muitos problemas. A questão é a seguinte: É oportuno e pode
se realizar?
HELLINGER: Qual é sua função nessa empresa?
MULHER: Fui encarregada de realizar o projeto. Na verdade sou a
divulgadora e tenho que fazer a comunicação com outras, através de
minha empresa, e atingir, fora dela, determinados grupos.
HELLINGER: Qual é agora exatamente o problema e o assunto?
MULHER: Há necessidade de mais diálogo entre os diretores das
diferentes empresas, necessidade de fomentar o projeto e, de fato,
colocá-lo em funcionamento. Este projeto é constituído por cinco firmas
diferentes, e elas o dirigem. Umas estão muito comprometidas e dizem
que é um assunto genial, as outras estranhamente acabam desistindo. Os
jovens, o grupo destinatário, primeiro participam com muito entusiasmo
e depois desaparecem novamente do cenário.
HELLINGER: Pergunto novamente por detalhes. Participam cinco
empresas?
MULHER: E uma autônoma, responsável pelo projeto. Quer que lhe
paguem, e de repente todas desistem e dizem: “Então melhor não”.
HELLINGER: A primeira empresa é, digamos, a fundadora, e depois
foram adicionadas as outras cinco?
MULHER: Fundaram-se duas empresas e as outras se adicionaram
porque surgiu de uma iniciativa maior.
HELLINGER: Outra vez: Quem fundou tudo isso?
MULHER: Duas empresas.
HELLINGER: Juntas, ao mesmo tempo?
MULHER: Na realidade é algo no nível da Alemanha toda. Na realidade
não devia ser apenas comercial, mas para promover gente jovem.
HELLINGER ao grupo: Ainda estão entendendo? Devemos confiar, ao
acaso, nos movimentos que aqui surgirem? Estão dispostos?
À mulher. Quem sabe o que dará; pode ser uma grande surpresa. Escolha
representantes para as cinco empresas e coloque todos eles em relação
entre si.
Ela escolhe cinco representantes e os coloca em um círculo amplo com
uma grande distância entre eles.
HELLINGER: Qual é a tarefa destas cinco empresas?
MULHER: Apoiar tudo isto e depois unificá-lo como iniciativa alemã.
HELLINGER: O que devem apoiar?
MULHER: Primeiro este projeto. Este, digamos, deve se tornar
independente para a promoção de jovens, de gente jovem.
HELLINGER: Ou seja, o objetivo é a promoção de jovens?
MULHER: É.
HELLINGER: Está bem. Escolha cinco representantes para os jovens e
os coloque.
Ela escolhe cinco representantes e os coloca em fila a cinco metros de
distância do círculo de empresas.
HELLINGER aos representantes: Centrem-se e movam-se tal como
sentirem de dentro. Vamos ver o que surge.
As empresas se afastam dos jovens e olham na direção oposta. Também
os jovens se afastam.
HELLINGER à mulher: Um grande ideal sem substância alguma. Está
claro para você?
MULHER: Sim.
HELLINGER: Procure outro emprego.
Gargalhadas no grupo.
HELLINGER aos representantes: Obrigado a todos.
Ao grupo: Imaginem só, isto nos levou apenas dez minutos. Quanto
esforço em vão muitas empresas poderiam economizar se olhassem
assim para seus projetos e vissem os movimentos profundos.
BOLHAS DE AR
HELLINGER: De onde uma organização, uma empresa ou uma fábrica
tira sua energia? Do serviço que dão. Numa constelação fica evidente
imediatamente se é necessário ou não. Se for necessário e cumprir com
seu serviço, vai se tornar uma empresa próspera. O que pudemos ver
aqui, todas essas propostas ideais de servir às pessoas jovens, qual é o
efeito? Tornam-se autônomos? Tudo isso são bolhas de ar, sem
substância. Aquilo que serve, serve de imediato.
8º. EXEMPLO: O sim
HELLINGER: Vou fazer algo muito concreto, algo que se trate de uma
decisão, de uma decisão clara. Isto ou aquilo, este produto ou este outro,
esta fábrica ou aquela, este diretor ou aquele. Também sobre a decisão
se convém esta casa ou aquela, este país ou aquele. Ou seja,
simplesmente uma decisão: isto ou aquilo.
Podemos ver como é fácil alcançar uma decisão se confiarmos nos
movimentos de uma constelação e lhe dermos espaço.
Alguém aqui gostaria de ver algo assim?
Um homem se apresenta e senta-se ao lado de Hellinger.
HELLINGER a este homem: Do que se trata?
HOMEM: Tenho uma empresa na Dinamarca. Agora devo decidir se a
deixo ou se a conservo, ou se monto outra coisa com a ajuda da primeira
empresa.
HELLINGER: Se eu entendi direito, trata-se de um sim ou de um não.
Se vai conservar a empresa ou se em seu lugar faz outra coisa. É esta a
decisão?
HOMEM: É.
HELLINGER: Está bem, escolha alguém para o sim e alguém para o não.
Escolhe um homem para o sim e uma mulher para o não. Agora ambos
estão um em frente ao outro, a grande distância.
Hellinger escolhe um representante para o homem e o coloca a grande
distância em frente ao sim e ao não, de modo tal que formam um grande
triângulo.
O não e o sim se afastam dando passos curtos. O homem dá, hesitante,
dois passos para diante. O sim e o não se afastam na mesma medida.
Depois de um tempo, Hellinger vira o representante do homem, de
maneira tal que dá as costas ao sim e ao não. O homem se agita como
se estivesse aliviado. No mesmo momento, o sim e o não se viram e lhe
dão as costas.
HELLINGER ao representante do homem: O que é isso?
REPRESENTANTE DO HOMEM: Ainda não tenho certeza. Depois de
um tempo. É melhor assim.
HELLINGER para o homem: O que você diz em relação a isso?
HOMEM: É novamente uma pergunta tão grande.
HELLINGER: A decisão aqui não vale. Sabe por quê?
HOMEM: Não.
HELLINGER: Porque você quer morrer.
O homem fica muito mexido.
HELLINGER: A decisão neste caso é: nem sim nem não.
Ao representante do homem: Vire-se outra vez.
Hellinger escolhe um homem como representante do filho do homem. É
evidente que Hellinger tem informação sobre esse filho do treinamento
intensivo que precedeu este curso. O representante não sabe nada sobre
isso.
Hellinger faz com que o próprio homem ocupe um lugar na constelação.
O filho está em frente a seu pai a dois metros de distância. O sim e o não
se giraram novamente e olham para esse homem.
HELLINGER: É estranho que tenham se virado.
O homem aproximou-se do filho e coloca as mãos nos seus ombros.
Ambos se olham intensamente e se abraçam.
O sim se aproxima deles e pega o homem das mãos. O homem e o filho,
ainda abraçados, afastamse do sim. O não está a dois metros por trás
do sim.
O sim se afasta de novo. Está junto ao não. Ambos se afastam ainda
mais.
Hellinger escolhe uma representante para a empresa e a coloca a um
metro de distância diante do sim e do não.
O homem e o filho, ainda abraçados, se olham intensamente nos olhos.
Depois de um tempo se soltam do abraço. O homem continua com as
mãos nos ombros do filho.
A empresa se ajoelha, senta-se e olha para o homem e seu filho.
Hellinger faz com que o homem e o filho fiquem um do lado do outro.
A empresa se deita no chão. O sim se aproxima novamente. O filho vai
em direção ao sim e lhe estende a mão. O sim quer levar o filho com ele.
Ambos se olham intensamente.
Hellinger pede à empresa para se levantar novamente e olhar para o
filho e para o sim.
O homem afasta violentamente o filho do sim. Volta a colocar as mãos
nos seus ombros.
HELLINGER ao grupo: Bem grosseiro.
Para aqueles que são novos, uma informação sobre o filho. Este - um
menino pequeno - é hemiplégico.
O sim se afastou e sentou-se no chão.
HELLINGER ao homem: Diga a seu filho: “Estou zangado com você”.
HOMEM, depois de respirar profundamente várias vezes: Estou
zangado com você.
HELLINGER: “Você
tira a vida de mim”
HOMEM: Você tira a
vida de mim.
Tira as mãos dos ombros do filho e sacode a cabeça. Põe as mãos na
cabeça, se afasta uns passos e olha em torno, desamparado.
O sim se levanta e pega o filho da mão. O homem balança novamente a
cabeça e respira profundamente.
HELLINGER ao homem: Diga agora a seu filho: “Eu fico”.
HOMEM, com voz firme: Eu fico.
HELLINGER: “Totalmente”.
HOMEM: Totalmente.
Começa a chorar.
HELLINGER: Permaneça na força.
O homem respira profundamente e se tranquiliza. O sim se solta do filho
e se afasta alguns passos. O homem estende as mãos ao filho.
HELLINGER: Diga-lhe: “Fico com amor”.
HOMEM, com voz clara: Fico com amor.
O sim senta no chão.
HELLINGER: Diga ao filho: “Você é minha empresa”.
HOMEM: Você é minha empresa.
Depois de um tempo, Hellinger acrescenta a mãe. Ela fica algo afastada.
O filho se gira imediatamente em direção a ela. Vai com ela. Ambos se
abraçam. O filho chora.
O homem está em frente a eles e vai lentamente em sua direção. Mãe e
filho se separam, mas continuam de mãos dadas. A mãe acaricia seu
rosto. O sim está atrás deles, como se quisesse uni-los. O homem se
interpõe novamente e afasta o sim com um empurrão. Coloca, por trás,
as mãos nos ombros da mulher e do filho.
HELLINGER ao sim: Como se sente?
REPRESENTANTE DO SIM: Dou o melhor de mim, mas é inútil.
A mãe se afasta e se agita. Pai e filho ficam um em frente ao outro.
HELLINGER ao homem: Agora grite bem forte: “Não”.
Ele se vira para sua mulher e grita o mais forte que pode: Não!
O sim se coloca novamente detrás do filho e o segura firme pelos
ombros.
O homem segura a cabeça. Segura ambos os braços e cai no chão
respirando ofegante. A mãe está muito comovida. Afasta-se para longe.
O homem tenta se levantar, mas não o consegue. Cai novamente no chão.
O sim e o filho cruzam os braços nas costas e se afastam. Depois de um
tempo se afastam do homem e vão em direção à mãe. Finalmente, a mãe,
o sim, o filho e a empresa se dão as mãos formando um círculo. O não
se afasta. O homem se levanta. Os quatro abrem a roda para ele. Ele se
curva profundamente perante eles e se dirige lentamente em direção aos
quatro.
A mulher vai a seu encontro e pega suas mãos. O sim leva o homem e a
mulher para mais perto do filho até que estão junto a ele. Então se
afasta.
O homem e a mulher se olham com amor e atraem o filho. A empresa
estende os braços. O homem toca com sua testa a testa da mulher.
HELLINGER: A decisão foi tomada.
Aos representantes: Obrigado a todos.
Ao homem: Eu me esforcei tanto quanto pude. Tinha o menino no
coração e você também. Agora vai dar algo bom para todos. Boa sorte.
Aplausos no grupo.
HELLINGER ao grupo: Alguns que escutaram dizer que nas
Constelações Familiares se faz algo viram que aqui não se faz nada. Aqui
acontece algo em outra dimensão. Agora tudo está em ordem. Já não há
perguntas. Está tudo claro.
9º. EXEMPLO: A exclusão
HELLINGER: Proponho trabalhar com uma empresa, onde se trate da
estrutura interna de uma empresa, onde analisaremos detalhadamente a
hierarquia desse sistema ou dessa organização ou dessa empresa. Quem
gostaria de olhar para isso comigo?
Uma mulher se apresenta e se coloca ao lado de Hellinger.
HELLINGER: Que tipo de empresa você tem?
MULHER: Temos um negócio de automóveis. Meu pai e minha mãe
fundaram a empresa. Em 2003 meu pai passou para mim e para meu
irmão a gerência. Eu sou a segunda, meu irmão é o primeiro.
HELLINGER: Já ouvi tudo. Vamos começar colocando representantes
para a empresa. Quantos funcionários vocês têm?
MULHER: 35.
HELLINGER: Isso é uma grande empresa.
MULHER: Existem também duas localizações.
Hellinger escolhe uma mulher para a empresa. Depois coloca a própria
mulher e um representante de seu irmão, de lado, em frente à empresa,
a seis metros de distância. O irmão está à direita da mulher. Ambos se
olham amavelmente. Depois de um tempo o irmão dá um passo à direita.
Um tempo depois, Hellinger escolhe um representante para o pai e uma
representante para a mãe, colocando ambos no espaço que resta entre
a empresa e os dois irmãos, a grande distância.
Mãe e filha vão uma em direção a outra, colocando-se uma ao lado da
outra. Olham para o irmão, que permaneceu no seu lugar.
A empresa vai em direção ao pai e se coloca a seu lado.
HELLINGER ao grupo: É interessante o que vemos aqui.
À mulher. Houve uma primeira esposa?
MULHER: De meu pai? Não que eu saiba.
HELLINGER: Parece ser assim.
EMPRESA: Quando entrou a mãe, para mim isso foi por um breve
momento como uma retirada. Não foi desagradável, só muito breve.
Depois desapareceu. Também não estava zangado com ela.
HELLINGER à mulher. Vocês podem dirigir a empresa, quando olham
para isso?
MULHER: É difícil.
HELLINGER: Exato.
Ao representante do irmão: Como se sente?
REPRESENTANTE DO IRMÃO: Sinto dor e estou muito confuso.
HELLINGER à mulher. E você?
MULHER: Estou bem.
HELLINGER: A mãe está bem?
MULHER: Sim.
HELLINGER: Vamos experimentar uma coisa. Acrescentarei outra
representante.
Hellinger escolhe uma mulher e a coloca a cinco metros de distância do
irmão.
HELLINGER à representante: Você é o segredo.
O irmão se sente imediatamente melhor.
Hellinger coloca o segredo brevemente ao lado da empresa, depois à
esquerda do pai e depois à direita do irmão. Ambos se olham rindo.
HELLINGER à mulher: Há algum outro filho, um excluído? Sabe algo
sobre isso?
MULHER: Meu irmão é o primeiro, eu a segunda. Sinto que ainda deve
haver alguém aí entre nós.
Hellinger coloca o segredo entre o irmão e a mulher. Ele afasta a
empresa do pai, que a quer reter e não consegue soltá-la, e a coloca em
frente aos irmãos.
HELLINGER ao grupo: Que coisa! A empresa representa para o pai um
filho oculto.
À empresa: Agora você se sente bem.
A empresa vai lentamente em direção aos irmãos e olha de vez em
quando para o pai.
HELLINGER ao grupo: Acho que está suficientemente claro.
Aos representantes: Obrigado a todos.
Ao grupo: Hoje de manhã, quando eu falava das crises e das ordens, de
como as crises são superadas, falei um pouco da exclusão. Agora nos
vemos confrontados o dia todo com os efeitos que uma exclusão tem nas
empresas e naqueles que querem dirigir uma empresa. Sem os excluídos
fica difícil para eles.
À mulher. Agora vocês se sentem bem. A empresa tem futuro. Procure
agora a irmã e a inclua em sua empresa.
Aplausos no grupo.
A PLENITUDE
Fechem os olhos por um momento. Vão a seu trabalho ou profissão ou
sua empresa. Sintam se falta alguém à direita ou à esquerda. Sintam
simplesmente, sem procurar. É possível que sintam que falta alguém.
Então esperem até que aquele que falta, ou aquela que falta, venha e
esteja aqui com vocês.
Sintam o efeito em vocês e em seu trabalho, profissão e empresa.
Depois de um tempo: OK. Neste sentido sentimos como foi pleno o dia
de hoje.
PERGUNTAS
A HIERARQUIA POR DESEMPENHO E A HIERARQUIA POR
PERTENCIMENTO
HOMEM: Tenho duas perguntas. A primeira é a diferença interna entre
função e pertencimento. Ou seja, uma pergunta pela hierarquia na
empresa com referência à função, por uma parte, e o pertencimento
temporário. Por exemplo, se alguém chega depois, mas ocupa uma
função elevada.
HELLINGER: Há uma diferença entre a hierarquia por desempenho,
também pela responsabilidade que alguém tem, e a hierarquia
temporária. Por exemplo, quando numa fábrica alguém é trazido de fora
para uma função diretiva, tem o primeiro lugar por seu posto. Mas tem
o último lugar pela hierarquia do tempo. Então é importante que
reconheça que ocupa o último lugar na hierarquia do tempo.
Muitos que chegam a uma empresa assim com um posto de
responsabilidade se comportam como uma vassoura nova que varre o
que é velho. Isso tem consequências graves para a organização.
A primeira é que os funcionários mais capazes abandonam a
organização. Isso deve ser visto. Sobretudo os homens vão embora. As
mulheres às vezes ficam um pouco mais. Esta é minha observação.
Como agir corretamente neste caso, como se pode observar ambas as
hierarquias? Aquele novo que chega para ocupar um posto de
responsabilidade comporta-se ao mesmo tempo como se fosse o último.
Isto significa: se algo deve ser mudado, ele o discute com aqueles que
estavam antes. Procura o seu conselho. Quer dizer, comporta-se como o
último e obtém imediatamente o apoio de todos. Deste modo há uma
transição e um processo que inclui todos.
Quem se comporta de tal maneira que parece dizer: “agora vão ver quem
é que manda aqui”, não tem uma boa relação com sua mãe. Trata a
empresa como trata sua mãe. Sente-se superior e melhor. Isso precisa ser
visto. O lugar seguro é, neste caso, embaixo. Embaixo ninguém pode
cair. Mas pode ascender.
PARCEIROS EM EMPRESAS
HOMEM: O que acontece quando numa empresa comercial o dono tem
uma parceira nova e ela realiza trabalhos de escritório?
HELLINGER: Está bem. Não há problema. Acontece o contrário,
quando uma mulher tem uma empresa, casa com um homem e o leva à
empresa. O marido leva a empresa à falência.
Vou explicar isso um pouco, pois é importante.
O fundador de uma empresa familiar tem vários filhos e deixa a empresa
à filha mais velha. Quando ela casa, não pode dar ao marido um posto
de responsabilidade em sua empresa. Senão, ele a leva à falência. Todo
genro arruína a empresa. É a situação mais perigosa que existe para
arruinar uma empresa. Não sei o porquê, é apenas uma observação.
Agora comprovem vocês mesmos o que acontece em empresas onde
veem um caso assim, em que a mulher possui uma empresa e leva seu
marido com ela.
O que acontece com a empresa? Podem observar que o marido não tem
o respeito dos funcionários. O marido deve fazer algo próprio,
independente da mulher.
Inversamente, quando um homem herda a empresa e leva a ela a sua
mulher - também num posto de responsabilidade - , isso é bom para a
empresa. Apenas o homem estraga a empresa quando se incorpora. Não
a mulher; a mulher o fomenta. Isto é pura observação. Mas, sabendo
disso, vocês podem evitar a falência de muitas empresas. Isto vale
especialmente para aqueles que assessoram organizações.
10º. EXEMPLO: O parceiro anterior
HELLINGER: Há alguém que queira olhar mais de perto para uma
empresa?
Um homem se apresenta e se coloca ao lado de Hellinger.
HELLINGER: Do que se trata?
HOMEM: Faz um ano que tenho uma empresa nova.
HELLINGER: Vou constelar isso. Coloque-se ali. Pegarei uma mulher
para a empresa e vou coloca-la na sua frente.
Ambos estão um em frente ao outro, a quatro metros de distância. O
homem dá um pequeno passo em direção à empresa. Esta fica tonta e se
vira.
HELLINGER ao grupo: Está muito claro, a empresa não o quer e ele
tampouco a quer. Não há amor, não há compromisso. Essa empresa está
perdida. A empresa pode sentar.
Hellinger escolhe outra mulher como representante da mãe e a coloca,
como a empresa, em frente ao homem.
O homem dá dois passos para a frente.
HELLINGER ao grupo: Quando olhamos para isso, só pela impressão,
quem é grande e quem é pequeno? Quem se comporta como grande e
quem deve ficar pequeno?
O homem se ajoelha diante da mãe, ela dá um passo em sua direção.
Respira profundamente e coloca uma mão no coração.
O homem se curva profundamente frente a ela e toca o chão com a testa.
A mulher o olha com amabilidade, sem se mexer.
Depois de um tempo, Hellinger escolhe um representante do pai e o
coloca ã esquerda da mãe. O filho se levanta e olha para a mãe.
Hellinger escolhe outro homem como representante e o coloca a uns
metros à esquerda, detrás do filho.
O pai e este novo homem se olham intensamente. A mãe dá um passo
para trás, se afastando dois passos do pai.
HELLINGER ao grupo: Explicarei a situação. É evidente que a mãe tem
um parceiro anterior. Seu filho deve representar este parceiro anterior.
Portanto se sente superior e não pode ser uma criança. É por isso que
acrescentei o outro homem.
O filho, ainda de joelhos, vira-se para o outro homem.
HELLINGER ao filho: Diga-lhe “Não tenho nada a ver com você”.
HOMEM: Não tenho nada a ver com você.
HELLINGER: Diga à mãe: “Não tenho nada a ver com ele. Eu apenas
sou o filho”.
HOMEM: Não tenho nada a ver com ele. Eu apenas sou o filho.
HELLINGER: Agora se coloque ao lado de seu pai.
Coloca-se em frente a seu pai. Ambos se olham amavelmente.
HELLINGER: Diga-lhe: “Aqui sou apenas seu filho”.
HOMEM: Aqui sou apenas seu filho.
HELLINGER: “Seu trabalho
acabou. Obrigado.” HOMEM:
Seu trabalho acabou.
Obrigado.
Hellinger pede aos representantes para se sentarem. Torna a colocar a
representante da empresa em frente ao homem.
O homem se dirige à empresa. Ela estende ambos os braços. Ambos se
abraçam com força.
Aplausos no grupo.
HELLINGER ao homem: Nada mais se opõe ao sucesso. OK. Está bem.
Ao grupo: É surpreendente como uma situação numa família tem efeito
imediato em uma empresa.
É imediato.
A VIDA PLENA Chegamos ao
fim deste seminário. Tinha um nome atraente: “Leis do Sucesso na
profissão e nas empresas”. O que ficou disso? Aonde fomos parar? No
final na vida plena. Tudo isto faz parte da vida. A separação entre
trabalho e vida, como alguns pensam, não é permitida.
A vida está trabalhando continuamente, sem interrupção alguma. Se
temos trabalho e o realizamos com alegria, estamos na vida plena. O
trabalho é afetuoso conosco quando nós somos afetuosos com ele.
Agora digo algo que não deveria dizer. Às vezes o trabalho nos dá um
tapinha no ombro e diz: “Agora você pode descansar um pouco”. Isso
também faz parte. Existe o belo relato na Bíblia, que diz que Deus criou
o mundo em seis dias e no sétimo descansou.
Enquanto isso, o que acontece com o mundo quando Deus descansa?
Segue em frente, pois em seu descanso, sente afeição pelo mundo. Esta
é uma bela imagem para nós e para nosso trabalho. O urgente não é o
que ajuda. Se nos recostarmos e nos deixamos mover em sintonia com
este grande poder de placidez e recolhimento, algo acontece - sem
grande esforço e, não obstante, com grande atenção. Esta é uma bela
imagem. Com esta imagem, Sophie e eu queremos nos despedir em
direção a um futuro brilhante.
PROCEDIMENTOS
ACOMPANHAR O AMOR DO ESPÍRITO
Alguns pensam: Que coisas o Hellinger faz, em que alturas ele flutua!
Não tem nada a ver com o mundo real. Aqui podemos ver que tem muito
a ver com o real. Há um pano de fundo para isto - acompanhar um
movimento do espírito que está dedicado a nós.
Naturalmente escrevi livros sobre isso. Estes livros não têm nada a ver
com organizações e empresas, mas têm a ver com a postura interna que
leva ao sucesso em nossa vida e como alcançá-lo. Um livro se chama
Viagens interiores1
e o outro Mística natural2
. Ambos os livros foram
publicados também como audiolivros. Podem lê-los e ouvi-los. Isto
chega à alma de outra maneira muito diferente que apenas os lendo. É
possível fazer ambas as coisas: ler e ouvir os livros ao mesmo tempo.
BENEVOLÊNCIA
Acabei de dizer algo sobre o acompanhar um movimento do espírito.
Isto é muito importante quando temos a ver com empresas ou com
bancos, aqueles que têm efeitos de longo alcance na economia mundial.
Há uma tendência inconsciente, às vezes também entre as pessoas
piedosas, que lhe atribuem uma má intenção, ou que apenas olham para
seu lucro.
Uma experiência com esse acompanhar o espírito, com esse movimento
espiritual, ensina que há duas formas de conhecimento. Há uma forma
de conhecimento que reconhece aquilo que é. Conhecemos, por
exemplo, quando constelamos uma empresa, o que acontece nela. Isto é
reconhecer o que é. Mas, às vezes, podem ver que faço algo inesperado,
algo totalmente novo. Por exemplo, quando antes acrescentei a relação
anterior da mãe. Isso foi surpreendente. Ia mais para além do que era
visível. Reconheci o que era e o que podia ser. Estava a serviço daquele
que constelava e estava a serviço de sua empresa.
Quando em nossa alma sentimos respeito por aqueles que carregam uma
grande responsabilidade, é um respeito benevolente. Quando achamos
que querem algo bom, que também seu coração pode ser tocado no
sentido de que servem de uma maneira boa, então colaboramos para que
algo possa dar certo.
1
Editado em português pela Editora Atman. O áudiolivro com o mesmo nome também foi editado pela
Atman. (N.T.)
2
No original: Natq¨^erliche Mystik (N.T.)
Ou seja, com nossos bons pensamentos e nossa certeza de que também
eles estão sendo conduzidos por outras forças, quando estamos em
sintonia com elas, influenciamos de uma maneira muito profunda em
uma empresa e nos empresários, para que nos ajudem de uma maneira
boa e para que ajudem muitos outros, e levem a vida adiante.
Esta é uma condição quando trabalhamos aqui com organizações e
empresas. As organizações e as empresas são algo criativo. Não algo
objetivo.
Tampouco o dinheiro é algo objetivo. O dinheiro é um presente do
espírito. No dinheiro se condensa algo criativo se o empregarmos de
maneira criativa. Às vezes se precisa de uma transformação interna para
que estejamos abertos a isso e para vê-lo com devoção.
O dinheiro também é uma revelação de Deus. De repente flui de outro
modo em nossas mãos e flui de outro modo para os outros. Também
volta a nós de outra maneira.
DINHEIRO QUE PERMANECE
Quero dizer algo sobre o dinheiro. O dinheiro tem alma. O dinheiro é
algo espiritual. O dinheiro é o resultado do amor. O dinheiro é adquirido
através de um desempenho. É o equilíbrio de um bom desempenho. Se
alguém ganhar o dinheiro por seu desempenho, o dinheiro o ama. O
dinheiro também permanece com ele, pois foi adquirido através de seu
desempenho.
O dinheiro também quer render algo - depois. Por isso o dinheiro espera
ser gasto. Ser gasto em algo bom, que leve a vida adiante. Então se
ganha mais dele - cada vez mais. Através de seu desempenho, o
dinheiro entra num circuito de serviço, trabalho e ganho, tudo ao
mesmo tempo.
Vocês estão podendo me seguir? Se hoje alguém ganhar três milhões de
euros na loteria, esse dinheiro gostaria de ficar com ele? Vocês podem
ver: ele nunca fica. Apenas fica o dinheiro adquirido por um trabalho.
De onde vem a crise econômica mundial? Provém do fato de que
determinado dinheiro não quer ficar, pois não se ganhou com um serviço
prestado.
Há um curioso pensamento cristão que diz: “bem-aventurados os
pobres”. Alguns acham que por ser pobres agradam a Deus. Como um
pobre pode agradar a Deus? A não ser que ele também fique rico. Então
está em conexão com o Deus rico. Muitos são pobres, pois desprezam a
parte divina do dinheiro.
Curiosamente escrevi algo sobre o dinheiro em meu livro Mística
natural. Há aqui alguma relação?
Claro que há uma relação. Quando se emprega o dinheiro a serviço da
vida, é uma veneração a Deus.
Quando trabalhamos com organizações e empresas é importante que
olhemos: Como se ganha o dinheiro? Ganha-se por servir, ganha-se pelo
serviço prestado? O que se faz com ele uma vez que foi ganho? Há um
ciclo do dinheiro e este é, no final, um ciclo do amor e um movimento
criativo. Mediante o dinheiro algo começa a se movimentar. Ele é trazido
à vida e é mantido em vida. Quando colocamos esse amor no coração,
podemos ficar ricos sem que outro deva ficar pobre por isso.
11º. EXEMPLO: Para fora!
HELLINGER: Quem gostaria de trabalhar comigo?
Um homem se apresenta e senta ao lado de Hellinger.
HELLINGER: Tem certeza de que quer? Não tenho certeza de que você
tenha certeza.
Feche os olhos. Vá a seu movimento interno. Vai para o mais ou para o
menos? Onde há mais energia? Você captou?
HOMEM: Captei mais.
HELLINGER: Para onde vai o movimento? Para o mais ou para o
menos?
HOMEM: Percebo que algo está se abrindo. Sinto que vai para o mais.
HELLINGER: Vai para o menos, evidentemente.
Ao grupo: É suficiente ver o rosto dele. Vai evidentemente ao menos.
Ao homem: Agora devemos descobrir como podemos inverter o
movimento para o mais. Mas isso não tem nada a ver com a empresa, é
outra coisa. Não adianta trabalharmos com a empresa antes de ter bem
claro como pode se inverter esse movimento.
Ao grupo: Inicialmente, este procedimento me parece importante, pois
isso tem efeito imediato na empresa e no sucesso. Portanto devo avaliar
aquilo que posso e devo fazer agora para descobri-lo. Quando alguém
está nesta postura básica, não pode ter sucesso. A questão é como ajudar
alguém assim. Mas vou fazê-lo.
Ao homem: Tudo bem?
HOMEM: Sim.
HELLINGER ao grupo: Serei breve. Irei apenas ao essencial
Preciso de um representante para ele e veremos o que se mostra. Faremos
isto com amor por ele e sua empresa.
O representante do homem olha para longe e avança uns passos.
Hellinger escolhe uma representante para a empresa e a posiciona em
frente ao homem.
A representante da empresa se afasta imediatamente vários passos e
olha para o chão. O homem dá alguns passos em direção a ela e para.
HELLINGER ao homem: A empresa quer falir.
Hellinger escolhe três representantes e lhes pede para deitar de costas
no chão, entre a empresa e o homem.
A empresa se afasta uns passos dos mortos e olha para o homem. Depois
caminha em círculos. Enquanto continua girando desse modo se move
em direção ao homem e se coloca entre ele e os mortos. É como se o
mantivesse afastado dos mortos. O homem quer passar por seu lado
para ir para os mortos, mas a empresa estende os braços para impedi-
lo.
HELLINGER ao homem: Você tem várias empresas?
HOMEM: Estou empregado numa empresa e eu próprio tenho uma
empresa autônoma.
Um dos mortos se levanta e se coloca diante da empresa. O
representante do homem passa a seu lado e olha para os outros mortos.
A empresa e o morto se dão as mãos e olham para os outros mortos.
Hellinger afasta o representante do homem dos mortos e o coloca em
frente a uma representante da empresa autônoma. Aquele se dirige a
esta empresa. Ambos se dão as mãos.
HELLINGER ao homem: A empresa autônoma tem futuro, mas como
funcionário será puxado para dentro de algo grave. Você deve sair de lá,
sem dúvida. Ou seja, começar aos poucos e ter um grande final.
Aplausos no grupo.
HELLINGER para os representantes: Agradeço a todos vocês.
HELLINGER ao homem: Está muito claro, a atração para baixo não tem
nada a ver com você, tem a ver com essa empresa. Você tem que sair
dela, senão, ela o vai arrastar. Também a gente pode sair com elegância,
sem dizer muito. Tudo bem? OK.
HELLINGER ao grupo: Vou explicar porque queria olhar para isso.
Quando alguém tem uma atração assim, para o menos ou para a morte,
o foco vai, por exemplo, aos mortos na família. A gente se vê atraído
para lá.
O importante então é: Como podemos deixar os mortos descansarem,
sem que se apoderem de nossa vida? Quando alguém sente este
movimento interno para o menos, este é um movimento em direção aos
mortos, a determinados mortos. Estes retêm a vida.
O importante então é: Como podemos deixar os mortos onde estão e
chegar a nosso próprio futuro? Há aqui uma experiência de tempos
recentes onde fica claro que colocamos um limite para nós mesmos.
HELLINGER ao homem: Vou lhe mostrar:
Aponta para um tapete localizado no centro e pede ao homem para
enrolá-lo.
Posiciona o homem a dois metros de distância diante do tapete.
HELLINGER: Isto é um limite. Centre-se e sinta em que medida pode ir
e se pode superar este limite.
O homem vai lentamente, com pequenos passos, até o tapete, olhando
para ele constantemente. Então dá um passo por cima dele.
HELLINGER: Volte para trás outra vez.
Sem olhar, passe outra vez sobre o tapete. Olhe apenas ao longe. Sinta a
diferença.
O homem olha apenas ao longe e passa por cima do tapete, sem olhar
para ele.
HELLINGER ao grupo: Ou seja, este limite se mostra na prática como
um morto ou como vários mortos. Seu olhar estava dirigido para ele. Não
olhou ao longe, apenas depois.
Este é o exercício, que olhemos à distância, que o olhar se afaste dos
mortos. Então nosso olhar passa por cima deles em direção ao futuro.
Muitas vezes devemos dizer: “obrigado” aos mortos. Temos que nos
despedir de alguma forma. Então passamos por cima. Este movimento
vai para o mais.
A HIERARQUIA NUMA EQUIPE
A ordem, a ordem! Trata-se da hierarquia da ordem e do lugar adequado
numa equipe. Apenas em seu próprio lugar alguém está seguro e pode
alcançar algo.
É importante que, numa reunião de grupo, todos estejam sentados
exatamente de acordo com a hierarquia, isto é, cada um exatamente no
lugar que lhe corresponde pelo tempo de pertencimento a essa equipe. A
administração está à direita do chefe, se é que deve participar em uma
reunião de equipe. Ela tem, depois do chefe, a maior categoria
hierárquica. Ela garante que a empresa funcione. À esquerda do chefe
está seu assistente ou representante. Então vêm os outros na hierarquia
de pertencimento a essa equipe, da esquerda à direita no sentido horário.
A RODADA
Darei o exemplo de uma reunião de equipe, de como se pode continuar
com sucesso. Ou seja, primeiro estão sentados todos de acordo com a
hierarquia de seu pertencimento. Então há um método de muito sucesso
que conheço pela dinâmica de grupo. Há uma rodada. Isto é, cada um
diz algo, exatamente na sequência da ordem como estão sentados, da
esquerda à direita, sem que ninguém mais opine sobre isso. Como seriam
fáceis as reuniões se cada um pudesse dizer o que quer dizer sem que
ninguém diga nada, nem a favor, nem contra.
Por exemplo, numa reunião de equipe, o professor de uma escola poderia
sugerir a primeira pergunta para cada um: O que deveria ser mudado
para que eu me sinta bem nesta escola e possa trabalhar com pleno
desempenho? Cada um tem sua vez para falar e ninguém opina a
respeito. No final todos já ouviram o que é importante para cada um para
poder se sentir à vontade nessa equipe.
Esta foi a primeira rodada. Vem então a segunda, onde cada um reflete
sobre o que deveria mudar na escola para que se sinta à vontade,
inclusive ele ou ela mesma. Esta é a reflexão próxima. É possível que no
final se possa escolher entre diversas variantes.
Então vem a terceira rodada. Cada um diz qual dessas propostas é,
segundo seu ponto de vista, a melhor para todos. Novamente cada um
tem sua vez. De repente há uma imagem clara daquilo que permite que
cada um tenha um pleno desempenho junto aos outros. Com este método
simples, esse grupo virou uma equipe. É eficaz em fábricas e empresas
e em muitos outros contextos.
QUEM FAZ PARTE DE UMA EQUIPE?
É importante que só possam participar numa reunião de equipe assim
aqueles que têm uma responsabilidade em comum. Não podem entrar
outros de fora, tampouco um assessor, por exemplo. Um assessor sempre
está a serviço do chefe, não dos outros.
Trago um exemplo: dois assessores de uma grande companhia telefônica
participaram de um curso no México. Esta companhia telefônica tem
sete empresas independentes. Os consultores assessoram o diretor de
uma destas empresas independentes, com milhares de funcionários. Esta
empresa tem 31 diretores diferentes, cada um dos quais representa uma
área em particular.
O problema era que estes diretores tinham conflitos de compreensão
entre eles. Coloquei 31 representantes para eles de acordo com a
hierarquia do tempo e do pertencimento a essa empresa. O representante
desses consultores - ele próprio um empresário - sentiu qual era o lugar
de cada um na hierarquia e os reposicionou com a ajuda de seus
colaboradores. Finalmente, todos estavam em seu lugar. Apenas um
queria passar na frente de todos. Eu percebi logo: este é o último.
Sobretudo são os últimos que querem passar na frente.
Os consultores de empresa perceberam imediatamente que era isso que
leva a empresa adiante. A questão do diretor desta empresa era que os
diretores não podiam se comunicar corretamente entre eles. Graças à
hierarquia certa, isto ficou garantido no futuro.
OUTRA RECEITA DE SUCESSO
Um filósofo famoso dizia que um burro, colocado exatamente no meio
de dois montes de feno iguais, com o mesmo bom cheiro e o mesmo bom
aspecto, com certeza morreria de fome, pois não seria capaz de se
decidir.
Quando um camponês o ouviu, disse: “Isso apenas aconteceria com um
burro filósofo. Pois um burro de verdade, em vez de fazer uma ou outra
coisa, comeria o feno de ambos os montes”.
EPÍLOGO
OUTRA HISTÓRIA DE SUCESSO:
As CONSTELAÇÕES FAMILIARES
Eu me deparei com as Constelações Familiares. Elas já existiam antes de
mim. Thea Schönfelder me mostrou as Constelações Familiares pela
primeira vez durante as Semanas de psicoterapia de Lindau e me
escolheu como representante do pai de um menino esquizofrênico.
Inocente, deixei-me colocar, seguro e animado. De repente reposicionou
o representante desse menino e eu caí num buraco profundo. Eu já não
era eu mesmo. No final, depois da constelação, senti-me em outra
paisagem, ampla e aprazível.
Mais tarde a encontrei novamente, outra vez nas Semanas de
psicoterapia de Lindau. De novo fiquei muito comovido por seu
trabalho com as Constelações Familiares. Não podia entendê-lo, ainda
mais porque ela não dizia nada sobre o pano fundo.
Um ou dois anos mais tarde fui quatro semanas a um curso longo sobre
terapia familiar em Snowmass, no alto das Montanhas Rochosas. Era
dirigido por Ruth McClendon e Les Kadis. Também eles mostraram
algumas vezes as Constelações Familiares. De novo tive um papel de
representante. Outra vez passei por altos e baixos. Também não
compreendi dessa vez, nem eles puderam explicar o que acontecia.
Um ano depois, Ruth McClendon e Les Kadis vieram à Alemanha e
ofereceram dois cursos de terapia plurifamiliar. Quer dizer que trataram
ao mesmo tempo, durante cinco dias, cinco famílias, pais e filhos.
Novamente, foi difícil para mim compreender os detalhes. Estava a
vivência, mas ficava longe a compreensão. Não obstante, o que eu
compreendi foi que lá estava o faturo.
Depois de um ano o momento chegou. Ousei me dedicar a essa tarefa.
Antes disso aconteceram algumas coisas que me facilitaram o acesso.
Comecei a compreender aonde conduziam as Constelações Familiares.
Ao longo de muitos anos ofereci cursos sobre análise de roteiro,
desenvolvido por Eric Berne, o fundador da Análise Transacional,
descrevida em seu livro O que você diz depois de dizer olá? Ele
descobriu e descreveu através de muitos exemplos que vivemos nossa
vida seguindo um plano secreto, segundo um roteiro que representamos
quase literalmente no cenário da vida.
De repente tive a compreensão pioneira de que este roteiro, que
interpretamos em nossa vida, já fora representado previamente por outra
pessoa de nossa família, que em grande medida o assumimos dela e que,
no fundo, o repetimos.
Subitamente compreendi o que é um emaranhamento. Ficamos
emaranhados no destino de outra pessoa e também compreendi o que nos
leva a isso. Ficamos emaranhados no destino de pessoas que nossa
família perdeu, pois as esqueceram ou porque foram excluídas.
Imediatamente compreendi o que acontecia nas Constelações
Familiares. Nelas vem à tona, através do representante, quem são estes
excluídos e como podem ser levados novamente à família e a nosso
coração para alívio de muitos.
Ao mesmo tempo, escrevendo uma conferência sobre culpa e inocência
nos sistemas, percebi claramente que há uma ordem de origem e,
portanto, num sistema, o anterior tem precedência sobre o posterior.
Aqui não preciso dizer mais nada. Lendo este livro, você pôde viver
internamente como continuou a história do sucesso e a que dimensões as
Constelações Familiares levaram, para alívio e para uma nova confiança
também para você.
HISTÓRIAS DE SUCESSO
NA EMPRESA E NO TRABALHO
Este livro surge da vida real.
Não perde o contato com ela e narra histórias
intrigantes nas quais, às vezes, seguramos a
respiração.
Narra também histórias libertadoras nas quais
vivenciamos como os passos decisivos têm êxito.
Às vezes também conta histórias trágicas onde se
insinua o fracasso, que parece inevitável.
Estas histórias também mostram como algo diferente e
novo pode começar a serviço da vida: a serviço de
nossa vida e a de muitos outros.
EDITORA ATMAN - editora@atmaneditora.com,br - www.atmaneditora.com.br

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  • 2. Com este livro Bert Hellinger nos toma pelas mãos em direção a uma sabedoria que leva ao sucesso. Para o sucesso que não apenas produz, mas também executa. Desta forma vamos em frente, vivos e dedicados à vida em sua totalidade. Um livro que traz tranquilidade e ao mesmo tempo nos entusiasma. É o 2o . livro da trilogia: "Ordens do sucesso". Editora Atman Tsuyuko Spelter Bert Hellinger, nascido em 1925, formou-se em Filosofia, Teologia e Pedagogia. Trabalhou durante 16 anos como membro de uma ordem missionária católica entre os Zulus na África do Sul.
  • 3. Sua formação e sua atividade terapêutica envolveram diversas abordagens: Psicanálise, Dinâmica de Grupos, Terapia Primal, Análise Transacional, Hipnoterapia, PNL e a Terapia familiar, a partir da qual desenvolveu o seu método revolucionário das Constelações Sistêmicas, aplicadas também a problemas empresariais e a conflitos étnicos. Atualmente Hellinger trabalha na linha mais espiritualizada dos "Movimentos da alma", entregandose a forças superiores, profundamente reconciliadoras, que se manifestam através dos movimentos dos representantes. Atua como conferencista e diretor de cursos em todas as partes do mundo e é autor de livros de sucesso, traduzidos em vários idiomas. www.hellinger.com www.hellingerschule.com
  • 4. Bert Hellinger Da série: ORDENS DO SUCESSO HISTÓRIAS DE SUCESSO NA EMPRESA E NA PROFISSÃO Tradução Azul Llano Revisão Técnica Tsuyuko Jinno-Spelter conforme revisão ortográfica de 2009 Goiânia – GO 1ª Edição 2013
  • 5. Título do original alemão Erfolgsaeschichten in Unternehmen und im Beruf Hellinger Publications 2010 - Copyright® by Bert Hellinger Printed in Germany Ia edição 2010 Todos os direitos para a língua portuguesa reservados. Nenhuma parte deste livro pode ser reproduzida ou usada de qualquer forma ou por qualquer meio (eletrônico, mecânico, inclusive fotocópias, gravações ou sistema de armazenamento em banco de dados) sem permissão escrita do detentor do "Copyright", exceto no caso de textos curtos para fins de citação ou crítica literária. 1ª Edição - setembro 2013 ISBN 978-85-98540-26-9 Direitos de tradução para a língua portuguesa adquiridos com exclusividade pela: EDITORA ATMAN Ltda. Rua 91, n° 156 - Qadra 14, Lote 18 - Casa 01 - Setor Sul - 74083-150 - Goiânia - GO Telefax: (62) 3087- 2122 - http://www.atmaneditora.com.br [email protected] que se reserva a propriedade literária desta tradução. Coordenação editorial: Tsuyuko Jinno-Spelter Designer de capa: Alessandra Duarte Diagramação: Virtual Edit Depósito legal na Biblioteca Nacional, conforme o decreto n° 10.994, de 14 de dezembro de 2004. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) H477e Hellinger, Bert. Histórias de sucesso: na empresa e na profissão / Bert Hellinger; tradução de Azul Llano. - Goiânia: Atman, 201 3. p. 160. ISBN 978-85-98540-26-9 I. Relações - Empresa - Trabalho. 2. Psicologia - Relações humanas. 3. Relações interpessoais. I. Azul Llano (Trad.). II. Título. III. Série. CDD: 158.2 Pedidos: www.atmaneditora.com.br [email protected] Este livro foi impresso com: Capa: supremo LD 250 g/m2 Miolo: offset LD 75 g/m2
  • 6. SUMÁRIO Sumário SUMÁRIO ___________________________________________________________6 INTRODUÇÃO __________________________________________________ 7 CIÊNCIA E SABEDORIA __________________________________________________8 As CONSTELAÇÕES FAMILIARES ________________________________________________ 11 A HELLINGER SCIENCIA®_____________________________________________________ 13 REFLEXÕES _________________________________________________________14 SUFICIENTE _____________________________________________________________ 21 AUTÔNOMO_____________________________________________________________ 29 As Histórias _______________________________________________________32 2a. HISTÓRIA: Sucesso através do serviço____________________________________ 42 3a. HISTÓRIA: Os dois níveis ______________________________________________ 45 INTERMÉDIO __________________________________________________ 72 Do 2o . CURSO INTERNACIONAL _____________________________________ 75 DE PICHL, ÁUSTRIA______________________________________________ 75 Do 3o CURSO INTERNACIONAL _____________________________________ 80 DE PICHL, ÁUSTRIA______________________________________________ 80 MAIS HISTÓRIAS DE SUCESSO ______________________________________ 85 2º EXEMPLO: A profissão ________________________________________________ 87 Do 3º. Curso Nacional de Pichl, Áustria __________________________ 100 6º. EXEMPLO: A fusão __________________________________________________ 105 8º. EXEMPLO: O sim ___________________________________________________ 110 9º. EXEMPLO: A exclusão _______________________________________________ 115 PERGUNTAS _________________________________________________ 119 PROCEDIMENTOS______________________________________________ 123 EPÍLOGO____________________________________________________ 132
  • 7. INTRODUÇÃO O QUE SIGNIFICA ASSESSORIA DE EMPRESAS NESTE LIVRO? A assessoria de empresas que apresento neste livro, e à qual os conduzo, refere-se predominantemente às relações nas empresas e na profissão e até que ponto o sucesso em nossa profissão e em nossa empresa depende do bom resultado dessas relações. Outras áreas que também têm um papel importante nestes sucessos, como os conhecimentos práticos e as habilidades, permanecem no pano de fundo. Portanto, esta assessoria profissional e de empresas está dirigida predominantemente às relações nas empresas, porém existe mais uma coisa que distingue esta assessoria de empresas das assessorias habituais. Para realizá-la, não tenho nenhum contrato de trabalho com nenhuma empresa. Nem elas o têm comigo, nem eu com elas. As pessoas vêm por si mesmas aos cursos que ofereço há algum tempo sobre o tema das Leis do Sucesso nas empresas e na profissão. Elas vêm geralmente por curiosidade e sem um problema específico em mente. Com a ajuda das Constelações Familiares, aprendem juntos, uns dos outros - com outros empresários e de outros empresários. Depois retornam a suas empresas e profissões, autônomos e independentes de mim. Continuam sendo respeitados por mim e eu por eles, sendo cada um bem sucedido de forma independente. A assessoria profissional e de empresas apresentada neste livro permanece dentro do âmbito da assessoria vital no mais amplo sentido. As histórias deste livro são biografias bem sucedidas, acessíveis e inteligíveis para todos e também fáceis de trasladar a outras áreas da vida.
  • 8. Este livro surge da vida real. Não perde o contato com ela e narra histórias intrigantes nas quais, às vezes, seguramos a respiração. Narra também histórias libertadoras nas quais vivenciamos como os passos decisivos têm êxito. Às vezes também conta histórias trágicas onde se insinua o fracasso, que parece inevitável. Estas histórias também mostram como algo diferente e novo pode começar a serviço da vida: a serviço de nossa vida e a de muitos outros. Bert Hellinger CIÊNCIA E SABEDORIA A ciência move-se no alto. Está, por assim dizer, acima das coisas. Também se coloca acima delas quando decide sobre o que pode ser reconhecido por ela. As coisas perdem seu direito de existir, quando não encontram misericórdia perante seus olhos. Falo agora menos da ciência em si, pois estou ciente do quanto a ela devemos, apesar de que a apelação à ciência conduza muitos a essa postura de que ela está acima das coisas. Esta postura limita nossa percepção em lugar de ampliá-la. Depende do horizonte em que nos movemos. Fixamos nosso horizonte ou permitimos que se mantenha à mesma distância, sem nos aproximarmos dele, aonde quer que formos? Ou convertemos a ciência, para nós e para os outros, em um horizonte que diz “até aqui e não mais”? Esta postura mal pode ser científica, pois todas as ciências estão permanentemente a caminho de novos horizontes. A pergunta continua sendo: A caminho de que horizontes? Vão em todas as direções para algo desconhecido, com a mesma disposição, mesmo que se abram horizontes que estão além de suas
  • 9. suposições prévias, porque elas se subtraem à clareza e à determinação científicas? Abrem-se, por exemplo, aos horizontes do amor e àqueles horizontes nos quais as contradições se encontram de uma maneira que se abre para todos os lados um novo horizonte para a convivência humana? Como se abre o horizonte do que está por vir e do que vai perecer, o horizonte da vida antes do nascimento, o horizonte que se abre para nós e que se fecha quando nossa vida termina aqui? A ciência pode determinar o que realmente conta quando estamos perante estes horizontes e para onde devemos nos mover para chegar a outro lugar onde, no final, nós nos vivenciamos como se realmente tivéssemos chegado além de nossos horizontes? É claro que com isto eu me movo num nível perante o qual toda ciência chega a seus limites. Porém, se o comprovarmos com nosso sentimento mais interno: Onde nos sentimos mais profundamente consolidados? Onde mais profundamente unidos? Aonde conduzidos com mais segurança? Então abre-se para nós um outro horizonte, amplamente inacessível, pois sabemos que estamos em outras mãos, intangíveis para nós e que, no entanto, podemos sentir. Aqui tudo permanece escuro, pois vai além do estreito e do factível. Como uma tormenta, perante a qual apenas podemos ficar quietos, sem poder detê-la. O mesmo vale para a tranquilidade que segue esta tempestade. Aqui é necessário outro conhecimento que, antes e depois de toda ciência, determina o que conta verdadeiramente no final de algo transitório e no começo de algo permanente, desde a profundidade de tais experiências e em sintonia com elas. Este conhecimento opõe-se à ciência? Ou a faz possível de uma maneira mais abrangente? Supre onde a ciência fracassa? Conduz além e ordena o que colapsou perante a ciência? Torna humano o que virou
  • 10. cientificamente anti-humano? Aqui nos movemos no campo da sabedoria. O que diferencia a sabedoria da ciência? A sabedoria escuta o interior. Provém de uma profundidade insondável, que nela se revela, que se revela a nós em sua escuridão. O que esta profundidade nos revela foge a nossa compreensão, literalmente. Quando queremos pegá-la como se nos pertencesse, como nos pertence um conhecimento científico, foge ao nosso acesso. A sabedoria é reta, ninguém pode torcê-la. É reta em todas as direções e por isso é íntegra. Não está disponível para ninguém. Não podemos aprendê-la nem ensiná-la. Mas todos a têm. Sem ela ninguém sobreviveria. Também todo animal a possui. Este sobrevive porque tem uma alma e é guiado por um poder que reside nele. A questão é: Escutamos esta sabedoria? Nós nos submetemos a ela? Queremos enganá-la algumas vezes, como se pudéssemos deturpá-la e, no entanto, sobreviver sãos e salvos? Agimos, às vezes, a partir de reflexões que ela desconhece? Agimos, por exemplo, apenas mediante reflexões científicas e cientificamente demonstráveis? A sabedoria chega a nós em sintonia com a vida. Ela serve à vida. Em sintonia com ela também nós servimos à vida. Como? Com sucesso. A SABEDORIA DO SUCESSO Podemos planejar o sucesso em muitos aspectos. Podemos e devemos planejá-lo cientificamente e persegui-lo com métodos cientificamente comprovados, pois todo progresso segue conhecimentos científicos novos. É por isso que o pensamento claro e lógico assim como a aplicação exata dos conhecimentos conquistados pela ciência são condições fundamentais para o sucesso naquelas áreas da vida que
  • 11. garantem e impulsionam o sucesso em nosso trabalho, empresas e organizações que o abrangem. Isto está fora de questão. A ciência conduz ao sucesso quando leva em conta e persegue aquelas áreas da vida submetidas à lei da sabedoria. Mais especificamente, estas leis são leis do amor, um amor que serve à vida, à nossa e à de muitas outras pessoas. Não importa onde tenha havido em nossa vida e em nossas relações acontecimentos e situações nas quais infringimos ou tivemos que infringir as leis dos relacionamentos, sendo cientes ou não, isto tem efeitos imediatos no sucesso no campo de nossa profissão. Estas transgressões destroem muitos sucessos ou os impedem já no início. Este livro trata da sabedoria do sucesso, de seus fundamentos e condições, frequentemente ocultos, e das leis do amor que o possibilitam e garantem. Como a sabedoria chega a nós? Como nos é revelada? Como a vivenciamos de perto? Quando chegamos a nossos limites, aos limites de nosso conhecimento, aos limites de nossa ciência e aos limites daquilo que nos é possível com sua ajuda. Nestes limites ela alcança seu valor. Revela-se pelo seu efeito no caso do sucesso e no caso do fracasso. As CONSTELAÇÕES FAMILIARES O âmbito da sabedoria e suas ordens abriu-se a nós de uma maneira surpreendente e misteriosa através das Constelações Familiares. Este âmbito encontra-se amplamente além da ciência. Até hoje a ciência não pôde encontrar uma explicação para os movimentos que se mostram, por exemplo, quando numa constelação são colocados representantes de membros de uma família uns em relação aos outros arbitrariamente e estes representantes, de repente, sem conhecê-los, sentem como os próprios membros da família, quando, em outro nível da consciência, entram em contato direto com eles. A ciência tampouco pode explicar de um modo cientificamente direcionado o que se revela para todos.
  • 12. Este é o começo. O que acontece depois? Quando permitimos aos representantes se moverem tal como se sentem dirigidos por um movimento interno, vem à tona o que nessa família feriu as Ordens do Amor, e quais os seus efeitos em seus membros, como também no seu sucesso em sua vida e em sua profissão. Também é admirável que isto venha à tona em poucos minutos sem que algo precise ser dito. Quando os atingidos se expõem a estes movimentos, são conduzidos por eles a soluções que reestabelecem a ordem e põem ao alcance do olhar o caminho ao sucesso. Apenas com os movimentos mostram que decisões estão pela frente e em que direção se encaminham para conduzir a empresa e a nós mesmos com sucesso. Isto pressupõe, por outro lado, que quem oferece e dirige uma constelação assim, age com sabedoria e submete-se a suas indicações e movimentos. Já pelo fato de estar presente, mantém-se a serviço dessa sabedoria e é tomado por ela a seu serviço para outros, como servidor do sucesso para eles e para muitos. Em meu livro Êxito na vida, Êxito na profissão. Como ambos podem ter sucesso juntos descrevi o que isto significa em detalhe e como podemos entrar pessoalmente neste movimento. Lá, onde o fracasso ameaça na profissão, mediante uma constelação vem imediatamente à tona o que é que ficou sem solução na família e em outras relações da pessoa atingida, e como isto influi no sucesso e no fracasso. Se na vida algo é colocado em ordem, também se consegue a ordem no campo profissional. Neste livro os conduzo mediante histórias concretas de cursos em diferentes países em direção aos movimentos da sabedoria no nível do trabalho e das empresas. Cada história é única. Juntas, dão uma imagem clara, como quando, de maneira semelhante a um quebra cabeças, todas as imagens individuais compõem uma imagem total.
  • 13. A BREVIDADE É surpreendente com que rapidez vêm à tona os obstáculos e os passos decisivos para a solução. Uma constelação dirigida ao sucesso profissional dura, via de regra, 20 minutos, raramente mais de 30. E acabou. O ALCANCE Também é surpreendente que uma constelação assim alcance aqueles ausentes que têm um papel nela, mas dela nada sabem. Uma pessoa da Malásia que se dedica às Constelações Familiares, conhecedora de meu trabalho, informou durante um curso em Hong Kong sobre as Leis do Sucesso na empresa, sobre o efeito de uma só constelação para um cliente. “No ano passado, veio a mim um homem cuja empresa tinha muitas contas a receber, portanto só tinha o dinheiro nos livros, mas não em suas mãos.” Quando esse homem contava aquilo ao grupo, sorria. Eu tomei isso como uma indicação de que essa situação remetia a algo não resolvido em sua família de origem. O pano de fundo familiar era que seu pai havia sido adotado por outra família e só muito tempo depois pôde voltar para sua família de origem. A sensação de seu pai de não poder pertencer ao grupo vibrava ainda nele. Pouco depois da constelação sobre sua família e sua empresa, seus clientes pagaram as contas pendentes. Além disso, fechou um grande contrato e os clientes pagaram adiantado 40% do preço de venda apesar da crise financeira mundial. “Como empresário nunca havia vivido antes algo assim.” A HELLINGER SCIENCIA® As Constelações Familiares no âmbito das empresas e da profissão, mostraram que só foram possíveis em sua forma atual quando pude explorar novos âmbitos através de novas compreensões. Reuni essas
  • 14. compreensões na marca Hellinger Sciencia® e agora aplico as Constelações Familiares predominantemente desta forma. Extraí essas compreensões das experiências que tive até agora com as Constelações Familiares e através de observações. Embora no início as Constelações Familiares fossem usadas e provadas predominantemente no campo da psicoterapia, com o passar do tempo demonstrou-se que as compreensões adquiridas com sua ajuda sobre as Ordens do Amor, regem em todos os âmbitos da vida. Pode ser resumida como uma ciência universal em seu sentido mais pleno. Como âmbito novo da aplicação destas ordens, acrescentou-se ultimamente aquele campo da vida no qual passamos a maior parte de nossa vida: o campo profissional. Mostrou-se que o sucesso e o fracasso neste campo dependem da medida em que observamos também nele as ordens e as desordens do amor. REFLEXÕES A PROFISSÃO “Profissão” significa professar algo que nos toma a seu serviço para algo. Propõe-nos as exigências correspondentes que devemos cumprir para exercê-la. A profissão se escolhe. Somos chamados para ela ou por ela, geralmente de maneira especial. Por exemplo, depois de uma escolha. Muitos se sentem chamados para algo especial, via de regra, por um poder superior, ao que são chamados a servir de uma maneira também especial. Às vezes se sentem chamados contra sua vontade, pois receiam que as exigências unidas a este chamado superem suas forças. Defendem-se deste chamado, como muitos profetas do Antigo Testamento. Porém, no final sua resistência pouco lhes serve. Precisam se submeter.
  • 15. Olhando com mais atenção, descobrimos que em toda profissão há um chamado assim, na maioria das vezes, inclusive pelo fato de que temos dotes especiais para ela e que outros esperam que sigamos esse chamado, seja o que for o que ele nos peça. Só temos sucesso se atendermos a ele. Fracassamos quando tentamos evitá-lo. Por exemplo, se desejarmos algo mais fácil para nós, algo que exija menos de nós. Só quando realizarmos nossa profissão, quando a realizarmos com entrega, sentiremos que nossa vida está completa. A profissão mais significativa para a vida de muitos é a de empresário. Esta se encontra no topo de muitas profissões. Conduz muitas profissões a um objetivo comum, a um sucesso comum para muitos. O sucesso de um empresário beneficia muitos. Seu fracasso, não só o afeta, mas também muitos outros de cuja colaboração sua empresa depende. Junto com eles, afeta muitas famílias. Provavelmente a empresa mais difícil é a família, a que propõe as máximas exigências ao indivíduo, especialmente à mãe. Aqui surge a questão: Qual é nossa posição a respeito desta empresa e de seu principal dirigente, nossa mãe? Permitimos a ela e a nós ser seu sucesso em todos os aspectos? Rejeitamos de diferentes maneiras o sucesso pleno desta empresa? Uma observação é - e isto tem a maior importância para nosso trabalho e nossa empresa - quem nega a sua mãe a colaboração no sucesso de sua empresa, nega também a si mesmo o sucesso em sua empresa e em sua profissão. O que for que consigamos, nossa mãe o consegue. Seja o que for no que fracassemos, nossa mãe fracassa. Se nossa mãe tem que se afastar de nós quando rejeitamos e desconhecemos seus serviços, então muitas pessoas nos abandonam, e com elas nosso sucesso.
  • 16. Como encontrar o caminho do sucesso em nossa profissão e em nossas empresas? Como encontrar o sucesso em todas nossas relações, o sucesso permanente? Permitindo que nossa mãe tenha sucesso conosco. O sucesso em nossa profissão tem a cara da mãe. Quem puder se dirigir à mãe com respeito e amor movimenta-se em direção ao sucesso em sua profissão e em sua empresa. E, ao contrário, se nossa mãe tiver que se afastar de nós, com ela também o sucesso se afasta de nós. Onde começa, então, o sucesso em nossa profissão e em nossa empresa? Com nossa mãe. O TRABALHO O trabalho adoça a vida”, diz o ditado alemão. A segunda parte da frase, “a preguiça reforça os membros”, deixarei passar. Para que ter os membros fortes, se depois de um descanso não servem, reforçados, para o trabalho seguinte? Tudo o que vive permanece em um movimento que mantem e leva a vida adiante. Nossa vida se preenche mediante um desempenho, um desempenho permanente. A vida trabalha. Em primeiro lugar, uma necessidade vital obriga-nos a trabalhar. É mais belo se a alegria de viver empurra-nos ao trabalho bem sucedido. A alegria de viver vira alegria de trabalhar. Vira alegria pelo trabalho bem sucedido, e o trabalho bem sucedido vira alegria pela vida bem sucedida. O trabalho desagrada quando a vida nos desagrada. Também o trabalho imposto desagrada. Então nós o realizamos a contragosto. Passa a ser, para nós, um trabalho de escravo, que serve mais à vida de outros do que à nossa. Às vezes, trabalhando, saímos de uma situação opressiva e limitante. Em vez de nos paralisarmos com ela, sobressaímos pelo próprio trabalho e desempenho. O trabalho nos mantém vivos também em situações
  • 17. difíceis. Ele também nos causa alegria, mesmo que por um tempo ainda secretamente. Neste caso, conseguimos mediante o trabalho, duro no início, a liberação em direção a uma vida própria e plena. A perspectiva de seu sucesso dá- lhe asas. Tudo o que é criativo está trabalhando, continuamente. Tudo o que cresce está trabalhando, continuamente. O mesmo ocorre com tudo o que serve. Tudo o que causa prazer a nós e aos outros está trabalhando e o conseguimos com o trabalho. Há mais uma coisa que trabalha para nós: o tempo. Ele trabalha para nós se o acompanharmos em lugar de nos determos. O tempo, que sempre leva para além, é uma metáfora daquelas forças criativas que abençoam nosso trabalho, pois - em sintonia com elas - serve à vida de muitos e leva a vida adiante. Aqui rege a frase “o sucesso segue ao serviço bem sucedido”. Nosso trabalho é a coroação do amor. O amor sempre está trabalhando e o faz com amor. Este amor vai ao encontro do amor recíproco. Mostra- se como um reflexo que volta a nós como resposta. Reflete-se com sucesso. O BENEFÍCIO O trabalho bem sucedido nos traz beneficio. Nós o chamamos de salário. Desfrutamos deste benefício. É o salário merecido pelo nosso trabalho. Para que nos cause prazer, deve corresponder ao trabalho realizado. Este benefício é um aumento de vida e de possibilidades de vida. Beneficia nossa vida e também a vida de muitos outros aos quais servimos com nosso trabalho. Este benefício é em primeiro lugar um ganho de vida. Portanto exigimos pelo nosso trabalho o salário correspondente. Se este salário nos é negado, diminui nossa alegria pelo trabalho e pelo
  • 18. desempenho no trabalho e com isso nossa alegria pela vida e pelo nosso desempenho. Onde quer que o realizemos, empregamos nosso trabalho, segundo a possibilidade, com benefício. Este benefício é, para nós, uma parte importante de seu sucesso. Inversamente, evitamos aquilo que nos traz perda. Deixamos de lado aquilo que acrescenta pouco à nossa vida. Nós nos dedicamos a procurar um trabalho e uma tarefa que nos traga benefício. Aquilo que beneficia mais é aquilo que serve à vida que está por vir. Existe algum benefício maior do que os filhos próprios? Qual é o trabalho que rende mais do que aquele que serve a eles? Todo benefício serve, no final, àquela vida que vem depois de nós. Ela serve como uma medida de valor para tudo. Só ela prossegue. A COLHEITA A colheita é o fruto da maturidade bem sucedida. Chega com o tempo, a seu tempo. Além de nosso serviço, a colheita depende também de circunstâncias favoráveis. Por isso, para obter a colheita que procuramos, é importante criar as condições que a favoreçam. Por exemplo, um ambiente favorável que beneficie e faça frutificar o rendimento de nosso trabalho. Nosso benefício depende em grande medida de uma colheita. A colheita é, em seu sentido original, algo que cresceu. Apoia- se em algo que a sustenta. Muitas coisas devem colaborar de uma determinada maneira para que algo a sustente e nos seja presenteada. Uma colheita assim beneficia muitos. É medida pelo quanto serve a nós e a outros. Tem seu próprio valor interno, um valor vital. O benefício também é uma colheita. Nossa colheita se mede geralmente pelo seu benefício. No entanto, há uma hierarquia entre ambos. Primeiro vem a colheita, e depois o benefício.
  • 19. A questão é: Para o que olhamos primeiro em nossos sucessos? Olhamos primeiro para a colheita e, só em sintonia com ela, para o benefício? Colocamos em jogo, algumas vezes, a colheita por causa do benefício? Se o benefício continua sendo o principal, quanto tempo permanecerá sem uma colheita que o suporte? Se percebermos o que acontece em nós, se nossa atenção fica focada em primeiro lugar no benefício, sentimos a diferença. Sobretudo se percebermos o que muda em nossos funcionários quando seu trabalho serve menos á colheita do que ao benefício. Dá prazer aos funcionários, e também a nós, primeiro a colheita e depois o benefício. Se atendermos primeiro o benefício, o que nós e eles ainda produziremos para a colheita? Aqui se mostra uma ordem do sucesso. O sucesso segue uma colheita; esse sucesso e sua colheita beneficiam muitos. São respeitados e bem- vindos por isso. Quando o benefício foi colocado em primeiro lugar podemos observar depois de um tempo: o que a água traz, ela leva. Só a colheita acaba sendo para nós e para os outros um benefício propriamente dito, um benefício que permanece. DETER-SE Um movimento iniciado por nós detém-se mais tarde ou mais cedo, chegando a seu fim. Muitas vezes vira-se e movimenta-se em direção contrária. Aniquila aquilo que tinha alcançado antes. Um sucesso, por exemplo, que vai longe demais, inverte-se depois de um tempo. Transforma-se em seu oposto. O que isso significa para os sucessos de nossa vida? Prevemos seu fim ou sua inversão. Pulamos a tempo do trem em andamento, antes que pare, e começamos de imediato algo novo desde o início. Esse novo também permanece apenas por certo tempo. Também aqui percebemos quando alcançou seu ápice, e seu sucesso e sua significação
  • 20. começam a reluzir. Nós o soltamos antes que chegue ao seu fim e recomeçamos. Quem nunca para é o espírito. Tudo o que é criativo nunca para. O que isso significa para nossas empresas? Elas se renovam e crescem continuamente. Não existem sucessos velhos, só sucessos sempre novos. Só eles mantêm o impulso de nossa vida. Aquilo que queremos eternizar e garantir encaminha-se previsivelmente ao seu fim. Ainda mais: retém-nos. Este seria o outro significado do deter-se: detém e retém ao mesmo tempo. Que ação estaria anunciada neste caso para nossos sucessos? Enquanto ainda duram, nós nos libertamos deles para os sucessos que lhes seguem. Como? Olhando para diante, para a frente deles enquanto duram. Acontece o mesmo com nossa vida. Em seu ponto culminante, geramos a nova vida que seguirá a nossa, até que também esta, no ápice de seu sucesso, coloque em movimento o sucesso seguinte, no qual segue atuando e permanece. MEDIDO E DESMEDIDO Medir significa fixar as dimensões de algo para estabelecer onde estão seus limites. O desmedido é o contrário. Quem age de maneira desmedida, vai além de seus limites, de modo que põe em perigo os limites de outros e os seus próprios. O que limita nossos sucessos, por exemplo, é a concorrência. Ela obriga cada um a dar o melhor. Aquele que, finalmente, resulta ser o melhor entre muitos, coloca os limites a seus concorrentes, sem agir com descomedimento. Com seu sucesso ampliou e garantiu seus limites em benefício de muitos. Age com descomedimento quem sobrestima seu
  • 21. sucesso, por exemplo, quem se considera bem sucedido sem sê-lo realmente. Age com descomedimento quem espera maiores benefícios ou salários que os que correspondem a seu desempenho. Depois de um tempo é reduzido aos limites correspondentes a seu desempenho. Nosso sucesso é, afinal, o salário adequado a nosso desempenho e nosso serviço. Cresce com nossos desempenhos e é reconhecido e valorizado de maneira correspondente a eles. É medido constantemente com nosso serviço. Depois do serviço feito, vem o sucesso, em forma do salário que lhe corresponde, nem alto demais nem baixo demais. Permanece nos limites estabelecidos pelo nosso serviço. SUFICIENTE “O que é bom nunca é demais”, dizem alguns. Isto também vale para nossos sucessos: nunca são suficientes, sempre pedem mais. Muitos sucessos, sobretudo aqueles similares e iguais, causam tédio depois de um tempo, em nós e nos outros. Suspiramos quando acabam. No fundo trata-se dos mesmos velhos sucessos. Quando acabam, deixam espaço a sucessos novos que levam mais além. Alguns negligenciaram através de seus sucessos velhos, os novos e essenciais. Quanto mais cedo pararmos com os sucessos velhos, tanto mais rápido virão os novos. Nossos sucessos têm uma medida. Quando ela está cheia, isto é o suficiente para nós e para os outros. Anuncia-se algo novo e mais importante para nossa vida, perante o qual empalidecem e murcham nossos sucessos velhos. Quando algo é suficiente, pode acabar, de tal maneira que deixa espaço ao novo. Senão, como diz Rainer Maria Rilke em seu poema “O homem
  • 22. que contempla”, os velhos sucessos nos deixam pequenos perante algo maior e criativo. Perante estes poderes permanecemos pequenos inclusive com nossos maiores sucessos. Em sintonia com estes poderes passamos de um suficiente ao seguinte, pequenos e ao mesmo tempo cheios de força, cada vez mais dispostos a mais sucessos vitais. Como? Dispostos para a plena ação. A BONDADE Bondade significa: querer bem a alguém. Quero bem a ele tal como ele é. Como se mostra essa bondade? Da minha parte deixo que os outros sejam como são. Em minha presença podem mostrarse como são, sem temer que eu faça alguma objeção. Por isso nós nos sentimos bem perante pessoas bondosas. A pessoa bondosa também é boa para si mesma. Ela é boa para si mesma tal como é. Também é boa de coração. A pessoa bondosa fica como é, ou torna-se mais para si e para outros através de sua bondade? Porque é boa, a bondade permite frutificar muitas coisas a seu redor de uma maneira boa. Geralmente basta com que a pessoa esteja presente, sem fazer nada, como o sol, que ao brilhar faz com que a vida prospere. A bondade acaba assim que fizer distinções. No momento que faz distinções prefere uma coisa ou outra. Distingue entre algo melhor para ela e aquilo que considera não tão bom ou ruim. Então também aqueles que consideram a bondade boa num momento, temem não ser considerados tão bons por ela depois de um tempo, temem que a bondade deixe de ser bondosa com eles. A bondade verdadeira é bondosa com tudo. Tal como Jesus diz de seu pai celestial: “Ele deixa o sol brilhar sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos”.
  • 23. O bondoso aprova também os maus e os violentos, os que agem contra a vida de outros e inclusive matam, às vezes, de uma maneira que até o céu se revolta? O bondoso é bondoso com eles, da mesma forma que é bondoso consigo mesmo, pois percebe em si mesmo os mesmos impulsos: em seu coração, em sua profundidade oculta, o mesmo potencial cruel e maligno. O que acontece, então, com aqueles que consideram muitos outros piores que si mesmos? O que acontece com aqueles que, perante o que é maligno e cruel, sentem acender em outros e em seus próprios corações o que é maligno e cruel, o que os iguala com aqueles que eles rejeitam, que os faz semelhantes no mais profundo de seu interior? A bondade que, como uma gota de água macia e mole, depois de um tempo amolece até a rocha mais dura, torna-se irresistível a qualquer pessoa má e ao maligno no próprio coração. Inclusive a rocha mais dura dissolve-se, depois de um tempo, na água mole. Esta bondade é uma bondade divina. Amolece até a rocha mais dura, levando-a finalmente com a água da mesma fonte ao mesmo oceano, o oceano de uma bondade infinita. A PROFUNDIDADE Toda bênção procede da profundidade. Toda vida na Terra provém da profundidade. Alimenta-se da profundidade e volta a se afundar nela. De volta para quê? Para uma vida maior, permanente, pois a profundidade é viva. Nesta profundidade vivem os mortos, todos os mortos. A profundidade os acolheu. Desta profundidade tornam à luz. De que maneira? Vêm por um tempo à luz através dos vivos, para se afundar novamente na abundância da profundidade. O que acontece com a altura e a distância? Elas estão no início de uma profundidade. Mesmo em relação ao espaço sideral, a essência da
  • 24. distância, falamos de sua profundidade. Também sua profundidade é como toda profundidade, insondável. Neste sentido, os pensamentos profundos são insondáveis e as palavras profundamente comovedoras com as quais os expressamos. Quando as ouvimos e nos guiamos por elas, só nos resta delas algo tangível, como a profundidade da qual provêm. Por exemplo, a palavra “mamãe”. A morte também é profunda? Tem a força da profundidade? Ou permanece, junto a tudo o que associamos a ela, em um primeiro plano sem profundidade, como uma porta de entrada e transição para algo que vem depois dela? Profunda é a sabedoria. Também ela vem da profundidade, de uma profundidade insondável, conduzindo a essa profundidade. Profundo é, nesse sentido, o amor, o amor profundo. Provém da profundidade, da profundidade da alma. Ele é propriamente o sentimento profundo. De que profundidade provém esse amor? Provém de uma profundidade insondável. Nunca acaba. Porque a profundidade permanece insondável para nós, está cheia e vazia ao mesmo tempo. Puxa-nos a um vazio que nunca fica cheio. Por isso sua atração nunca termina. A profundidade permanece em movimento em direção ao mais, em direção ao infinitamente mais. Na profundidade acaba o superficial e o transitório. Por exemplo: a preocupação, a culpa, todo benefício e toda perda - todo final. Voltam da profundidade, um dia, à superfície e à luz? Da profundidade ascende algo inesperado e novo. Esse novo é realmente novo? Da profundidade traz à tona todo o passado, oculto no novo? Algo começa realmente do início? Não é sempre ambas as coisas, final e início ao mesmo tempo, mas cada vez diferente, cada vez maior? Como podemos viver nossa vida em plenitude? Só da profundidade, da profundidade total. Vivemos nossa vida fundamentada nela, segurados
  • 25. por ela e atraídos em direção a ela, sem fim como ela. Vivemos a vida serenos e centrados, plenos e vazios ao mesmo tempo e, no entanto, totalmente presentes, atemporais. A MORTE As empresas são a obra de uma vida, uma obra a serviço da vida. Nelas atua um movimento que, depois de um tempo, torna-se independente, de maneira tal que elas continuam, como se tivessem um princípio vital próprio, independente daqueles que lhes deram vida. Neste sentido são como seus filhos. Continuam vivendo como seus filhos. Andam sobre seus próprios pés quando seus autores abandonam o cenário da vida e outros continuam interpretando em seu lugar o jogo da vida. Da mesma maneira que os pais quando envelhecem, retiram-se paulatinamente da vida de seus filhos. Deste modo os empresários saem paulatinamente da vida cotidiana de suas empresas quando a obra de sua vida segue seu caminho também sem eles. Cedem a direção a outros, que continuam dirigindo em seu lugar aquilo ao que deram vida. Pode ser que sua empresa ainda leve seu nome, mas logo aqueles aos que ela serve relacionarão esse nome cada vez mais com seus produtos. O nome de seu autor e sua lembrança passam a um segundo plano até afundarem com ele no túmulo. Como encaramos como empresários, seja no campo que for, o final de tudo o que foi conseguido? Imaginamos o final antes de ele chegar. Internamente atravessamos antes um limite, como se passássemos a um outro espaço, inclusive a uma outra vida, na qual aparece apagado o que aqui termina, porque devemos começar outra coisa. Depois retornamos a nossa vida cotidiana. Como? Alegres. Fazemos com que nossa luz brilhe de outro modo sobre nossas empresas e sobre aqueles aos quais servem. Nós deixamos a eles seu próprio tempo e vamos com outro tempo. Como? Plenos e serenos para o próximo que espera por nós, abertos e vazios.
  • 26. A PERSPECTIVA A perspectiva sempre vai à frente. Esta perspectiva tem futuro. Vai em direção a algo maior e vai para o mais. Quem quiser ter sucesso olha sempre para a frente. Movimenta-se em direção ao sucesso seguinte e novo. Assim como nossa perspectiva, assim será nossa ação. Assim como nossa perspectiva, assim será nosso ânimo e nosso impulso. De onde vem essa perspectiva? Abrange-nos de fora? Ou abrangemos com ela tudo o que virá, algo que virá e deverá vir porque o colocamos no nosso campo de visão? A perspectiva cria aquilo que vê. Cria-o com confiança. Nossa perspectiva se torna criativa na medida em que a queremos. Ainda mais: nossa perspectiva arrastra muitos outros. Ao mesmo tempo, a perspectiva está acordada. Coloca o olhar em muitas coisas e está a caminho com ele. Portanto, como começa nosso sucesso? Começa no interior, em nosso espírito, com uma perspectiva. Esta perspectiva é otimista. De onde a nossa perspectiva tira seu impulso? Da plenitude do sucesso que outros veem em nosso trabalho. Esta perspectiva nunca procura algo que nos falta. Transborda daquilo que já temos. Dá em vez de tomar. Serve a uma coisa e, através disso, ao progresso de muitos. Onde está nosso sucesso? Já está a caminho com nossa perspectiva em relação a ele. A DECISÃO Nossa ação decisiva começa com uma decisão. Ela põe nossa ação em movimento. Toda decisão é uma ousadia e às vezes uma aventura de resultado incerto. Muitas vezes é uma decisão corajosa.
  • 27. A decisão certa chega no momento adequado. Se a tomarmos rápido demais logo lhe falta a força para se impor. Se a tomarmos tarde demais vai mancando atrás do sucesso. A decisão precoce demais acaba sendo, geralmente, imprudente e irrefletida. A decisão tardia demais acaba sendo paralítica. Fica pendurada em outras coisas em vez de guiar. Com nossa decisão fazemos o começo, apenas isso. Depois dela vem a seguinte, que faz com que a anterior avance. É uma decisão nova, seguida por uma reflexão e uma percepção novas. Frequentemente afasta-se da primeira decisão, pois esta apenas pode cumprir-se mediante uma nova. Toda decisão é provisória. Não podemos descansar numa decisão velha nem confiar nela. Permanecemos em movimento mediante novas decisões permanentes. Assim acontece com nossa vida. Para continuar precisa permanentemente de decisões novas. Assim acontece com todo sucesso. O sucesso seguinte vem com a decisão seguinte, com uma decisão decidida. Ela tem efeito naquilo que decidimos com força, com amor. A PRECAUÇÃO Devemos ser cautelosos quando há uma ameaça de perigo. Este perigo provém, geralmente, do exterior. E, às vezes, do interior. Nós nos expomos ao perigo externo estando acordados. Nós o medimos, avaliamos como evitá-lo ou, se necessário, como ir direto a seu encontro, de igual para igual. Para poder afrontar um perigo com sucesso, a precaução precisa de decisão e coragem. Estes fazem com que os outros sejam também cautelosos conosco. A precaução hesitante, com a qual nos afastamos em vez de avançar, não nos deixa alcançar o grande sucesso. Ele foge dela.
  • 28. A precaução bem sucedida anda de mãos dadas com a coragem alerta que nos torna capazes de olhar de frente um perigo ou um acontecimento ameaçador. Ainda há uma outra precaução. O ditado alemão, por exemplo, diz: “A cautela é a mãe do vaso de porcelana”. Quer dizer que lidamos com precaução com nossos recursos, nossas ferramentas e com as pessoas de cuja colaboração depende nosso sucesso. Esta precaução é, no fundo, valoração e respeito. Sem ela sofreremos prejuízos. Neste sentido, lidamos com precaução com nossa renda. Estabelecemos reservas para os tempos de penúria. Nossa precaução torna-se, neste caso, previsão. Às vezes somos cautelosos neste sentido com nossas palavras. Onde convém, nós a retemos prudentemente. Só mostramos algumas poucas cartas. Esta precaução se torna uma estratégia sábia. O outro deve mostrar primeiro as cartas. Neste caso, a precaução pede confiança mútua antes de dar um passo juntos. Uma precaução excessiva também se opõe a um empreendimento comum. O grande sucesso, às vezes, nos pede o primeiro passo gerador de confiança contra toda precaução. O que nos pede, então, a precaução? Às vezes, ser incautos. A POBREZA A pobreza parece ser o contrário do sucesso. Sem sucesso, alguém empobrece. Inclusive na pobreza, um pobre deve ter sucesso em muitos aspectos para poder viver. A habilidade para poder sobreviver na pobreza provocada, por exemplo, pela desgraça ou uma catástrofe, transforma-se numa excelente conquista para estes pobres. Refiro-me a outra pobreza. Os pobres, por exemplo, de uma favela, tornam-se às vezes uma comunidade conjurada. Para eles acaba sendo
  • 29. muito mais difícil sair dessa pobreza, pois isto seria como se perdessem suas raízes. Uma fidelidade profunda os vincula a seus concidadãos pobres. No entanto, como podem ter sucesso? Com modéstia. Permanecendo modestos se mantêm vinculados a suas raízes, mas se desenvolvem numa outra direção. Esta pobreza é uma pobreza de espírito. Começa no espírito, permanece no espírito e muda no espírito. Superar esta pobreza é um sucesso do espírito. Primeiro, ainda de forma oculta, é um sucesso secreto. Depois, aos poucos, a mudança a outro campo espiritual é um sucesso decidido. Também neste caso acontece com o maior êxito quando não chama a atenção, quando é insuspeito, sem ser percebido pelos outros. Deste modo, um pobre “se liberta” lentamente de sua pobreza, de forma autônoma, com sucesso. Chegando à outra margem, apenas olha para a frente, com humildade. Deste modo seu sucesso pode crescer dentro dele e permanecer, sendo um sucesso modelo para outros pobres. AUTÔNOMO Todo empresário é autônomo. Vira empresário quando se torna autônomo. Passa de empregado a empregador. Guia em vez de seguir. Também há empresas associadas nas quais vários autônomos se unem numa sociedade. Mesmo trabalhando unidos, cada um continua sendo autônomo em sua área. Continuam sendo sócios autônomos, como num escritório de advocacia, por exemplo. A questão é: Em que medida um empresário continua sendo autônomo? Cede às vezes sua autonomia a outros? Por exemplo, a seus investidores? Os investidores servem a ele ou ele lhes serve predominantemente? Podem inclusive acabar com ele depois de um tempo?
  • 30. Qual seria a solução? Um empresário permanece com seus sucessos dentro do contexto que lhe permite continuar sendo autônomo. Neste caso não se deixa engolir por outras empresas. Pelo contrário, se um empresário engolir outra empresa, pode continuar sendo autônomo? Continuar com isto detalhadamente vai para além de minha competência. Paro por aqui. Apenas é uma sugestão para ser refletida. A cooperação de duas ou mais empresas independentes acaba sendo muitas vezes, a longo prazo, o modelo de sucesso mais valioso e reconhecido, sobretudo porque vincula mais os funcionários de cada uma das empresas a sua própria empresa, com uma disposição permanente ao desempenho como consequência. E uma disposição autônoma ao desempenho, pois cada empresa também vive independente e autônoma de uma maneira boa. O mesmo vale dentro de cada uma das empresas. A convivência autônoma dos funcionários individuais e das diferentes seções os transforma em terceirizados. Vivem autônomos entre si, e estão dispostos a uma cooperação amplamente autônoma com os outros. ADIANTE Muitos sucessos nos precedem. Eles se anunciam. Apenas temos que segui-los. Estes tipos de sucessos acabam sendo inevitáveis. Assim, por exemplo, depois da concepção vem a gravidez e depois o nascimento. Depois de alcançada a concepção, o sucesso seguinte vem por si só. O primeiro sucesso é fundamental. Precede os outros. Um empresário bem sucedido precede seus funcionários. Também precede o tempo. Vê aquilo que se anuncia como o seguinte e necessário. O que leva ao sucesso, sobretudo, é a visão ampla. Esta precede sua realização. Vira uma previsão.
  • 31. Podemos prever com maior facilidade quando deixamos algo do passado no passado, sem olhar para trás. Senão, o passado nos distrai da previsão. Em vez de olhar para diante, olhamos para trás. Por que estamos tentados, às vezes, a olhar mais para trás do que para a frente? Temos a esperança de que algo que não teve sucesso no passado se inverta posteriormente ou se recupere. Este olhar nos paralisa. Deixar o passado como está e reconhecer que não é possível retroceder de modo algum é uma conquista espiritual. Ela vem depois da renúncia total. Esta renúncia ultrapassa o sucesso no futuro. Se for alcançado, este sucesso é o que precede os outros. Depois deste virão, por si mesmos, os sucessos novos. Para eles o caminho está livre. Só têm que vir. Estes sucessos também são um avanço para muitos sucessos que virão depois deles. Então, para onde olhamos? O melhor é, em todos os aspectos, olhar para diante, com confiança. EM COMUM A imagem arquetípica de uma empresa afinada a cada instante e direcionada ao nosso maior sucesso, na harmonia perfeita de todos seus movimentos singulares, é nosso corpo. A questão é: Neste caso, quem é o empresário? Quem ou o que dirige estes movimentos? De onde vêm os portadores destes movimentos? Quem ou o que são os terceirizados, por um lado autônomos e por outro lado totalmente sintonizados com os outros empresários em suas tarefas? Quem dirige estes movimentos? A quem obedecem? O nosso corpo é também um terceirizado? Autônomo por um lado e, no entanto, a serviço de uma grande corporação que o ultrapassa, na qual se dissolve e na qual também pode ser trocado ou substituído de outra maneira ou mantido disponível como reserva?
  • 32. Com nosso corpo continuamos sendo funcionários confiáveis dessa corporação? Cedemos de vez em quando, sem nos empenharmos plenamente? Fazemos pausas longas demais ou não estamos a tempo no nosso posto quando chega nossa próxima tarefa, que devemos realizar com sucesso? Quando mais tarde viramos empresários, como aprendemos a dirigir esta empresa em sintonia com este grande empresário? Como um terceirizado, junto a muitos outros terceirizados, olhando o nosso grande empresário e seguindo sempre suas instruções, obedecendo a ele com sucesso? Quem é este grande empresário? Conseguimos vê-lo? Seu nome é “vida”. E a vida que age por igual em todas as vidas. Como seus terceirizados dizemos a ela em todos os momentos: “Sim”. Suas instruções são ordens para nós. Algumas vezes ela se revela a nós? Nós a olhamos no rosto ou inclusive no coração? Nós a experienciamos de maneira imediata em nosso corpo, e como a experienciamos? Nós a experienciamos como amor - por nós e por todas as outras vidas. Nós a experienciamos como amor por nós e por todos. Como? Juntos, com todos. As Histórias Do curso de Curitiba, Brasil. 19 e 20 de agosto de 2008. 160 participantes. Língua do curso: alemão e português.
  • 33. OS SEGREDOS DO SUCESSO Estou feliz de estar em Curitiba e agradeço cordialmente a Teresa e a todos seus colaboradores, que prepararam tão bem este curso. Em primeiro lugar gostaria de dizer algo sobre o sucesso. Vejo que a mãe de Teresa também está aqui. Nela podemos ver o que é o sucesso. O maior sucesso são os filhos. Sucesso é aquilo que serve à vida. Também contam entre eles, naturalmente, as empresas. Sem as empresas muitos morreriam de fome. As empresas possibilitam, com aquilo que realizam, que muitos continuem na vida e as suas famílias também. Alguns colocam as empresas em contraposição à vida. Acontece que as empresas são a base da vida de muita gente. Por isso gostei de vir aqui para mostrar como muitas leis, que valem em outras relações, podem ser aplicadas às empresas. Tudo o que queremos e faremos durante este curso está a serviço da vida. Neste curso demonstrarei as leis da vida de maneira tal que todos os presentes ganhem algo para si. Quando trabalho com um indivíduo com problemas relacionados com sua empresa, tenho todos em meu campo de visão. Explicarei o que faço aqui de tal modo que todos possam aprender algo. Bem-vindos, então, a uma grande aventura, uma aventura de sucesso. 1ª. HISTÓRIA: Declínio e auge Quero começar com alguém que tenha uma empresa própria e que queira descobrir com minha ajuda o que poderia ajudá-lo e a sua empresa. Há alguém que tenha ou dirija uma empresa que queira trabalhar comigo? Levantem a mão e eu escolherei um. Hellinger escolhe um homem e o convida para subir com ele ao palco. HELLINGER a esse homem: Bem-vindo. Do que se trata?
  • 34. HOMEM: Tenho uma empresa que trabalha com vidro, com copos. Eu sou a terceira geração dessa empresa e tenho dificuldades para adaptar o sistema velho ao sistema da globalização. HELLINGER: Qual é exatamente a dificuldade? HOMEM: Trata-se de problemas financeiros. Trata-se da concorrência e de adaptar os custos ao mercado. HELLINGER: Só tenho uma ideia geral, mas vamos olhar para isso. Ao grupo: Não conheço os detalhes de uma empresa. Isso é assunto do empresário e respeito sua competência. Mas sei algo sobre relacionamentos. Olharei, através de uma constelação, que tipo de relações há nesta empresa e o que a ajuda. Hellinger escolhe um representante do empresário e uma representante da empresa, colocando ambos, um em frente ao outro, a uns quatro metros de distância entre eles. HELLINGER ao grupo: Explicarei algo sobre o procedimento. Confio num movimento que acontece por si mesmo nos representantes. Não dou instruções nem tenho intenção alguma de fazê-lo. Por isso não intervenho nos movimentos a não ser que haja a indicação de que devo intervir. Os representantes se deixam conduzir por um movimento vindo de dentro, que toma conta deles. Via de regra, esses movimentos são lentos. Os outros participantes do grupo observam o resultado desses movimentos. HELLINGER ao grupo, depois de um tempo: Vemos, imediatamente, algo importante. O empresário está disponível para a empresa? Está olhando para a empresa? A empresa treme e se afasta. Isso quer dizer que precisa de algo para ter sucesso.
  • 35. Ao empresário: Ela precisa algo de você. Algo se interpõe entre você e a empresa. Ao grupo: Em poucos minutos compreenderemos o essencial. HELLINGER escolhe uma mulher como representante e lhe diz: Coloque-se entre o homem e sua empresa. Mas não lhe digo quem você está representando. Mas você mesma já sabe. A mulher se coloca a uns três metros de distância do homem. Então retrocede e a empresa se coloca atrás dela. A mulher se inclina sobre a empresa e cai no chão de costas. Também a empresa cai no chão. O homem também retrocede. Vira de lado e olha para o chão. HELLINGER ao grupo: Esta mulher representa a sua mãe. Comporta-se da mesma maneira que antes o fizera a empresa. Também esta retrocede e o homem não tem nenhuma relação com ela. Hellinger escolhe outra mulher e faz com que se deite de costas no chão, diante do empresário. Ela representa uma pessoa morta. HELLINGER ao homem: A empresa vai à falência. Pelos movimentos vemos que a empresa vai falir a não ser que encontremos uma solução. Vou procurá-la para você. O representante do homem passa lentamente ao lado da mulher morta e olha para o chão como se passasse ao lado de muitos mortos. Mantém as mãos abertas na frente com as palmas para baixo. A representante da mãe agita as mãos. HELLINGER ao homem: Algo grave aconteceu na família. Morreu muita gente. Morreu também gente através da empresa? HOMEM: Sim. HELLINGER: De que maneira? HOMEM: Primeiro o meu avô perdeu a visão e já não podia ver o que acontecia na empresa. Depois não pôde mais andar. Isto se estendeu por muitos anos.
  • 36. HELLINGER: Não, há alguns que morreram pela empresa. Seu representante olha para muitos mortos. HOMEM: Houve mortos em acidentes, acidentes de trabalho. HELLINGER: Quantos? HOMEM: Dois. HELLINGER: Há mais. HOMEM: Não há mais. HELLINGER: Espere. Não é necessário que diga nada. Receberemos a informação importante através daquilo que está se desenvolvendo aqui. O representante do homem continuou como se passasse junto a muitos mortos. Também quer passar ao lado da mãe. Quando se aproxima da empresa, esta retrocede e senta-se do outro lado da mãe. O representante do homem dá uns passos para trás. Então avança ao lado da mulher morta. Vira-se novamente e passa pelo outro lado da mulher morta, com as mãos sempre estendidas da mesma maneira. Depois de um tempo começa a tremer intensamente. Aproxima-se de novo da mãe. Esta se ergue até ficar sentada e retrocede ficando em frente a ele. Também a empresa se joga para trás. HELLINGER ao homem: Seu representante treme. A mãe também tem medo. Aqui aconteceu algo especial. Enquanto isso, o representante do homem aproxima-se novamente da mãe e da empresa. A empresa se afasta ainda mais. Quando o homem se aproxima mais da mãe, esta se joga para trás, mostrando ter medo dele. Também o homem treme intensamente. Então cobre as orelhas com as mãos. A mãe deita de bruços. HELLINGER: É evidente que sua mãe quer morrer. HOMEM: Ela tem uma depressão forte. HELLINGER: Ela quer morrer. Quer ir para uma pessoa morta.
  • 37. A mãe se arrasta até a morta. Ambas se abraçam com força. O representante do homem continua perambulando. Com uma mão cobre uma orelha, com a outra aponta para o chão. Então se move lentamente em direção a essa pessoa morta e a sua mãe. HELLINGER: Há muito mais. Funcionários foram demitidos? HOMEM: A empresa possuía 600 funcionários, agora só tem 29. HELLINGER: O que houve com os outros? HOMEM: Depois que meu irmão morreu, em 1990, começaram a demitir gente. HELLINGER: O seu irmão morreu de quê? HOMEM: Num acidente de trânsito. HELLINGER: Qual era a idade dele? HOMEM: 17. Quando meu irmão morreu, minha irmã desenvolveu uma doença grave. A concorrência quer ter uma parte daquilo que ainda temos. HELLINGER: Seu irmão era mais novo ou mais velho? HOMEM: Era oito anos mais novo. HELLINGER: Você é o mais velho? HOMEM: Sou o filho mais velho e o neto mais velho. HELLINGER: Então há vários em sua família que se sentem atraídos pela morte. Enquanto isso, o representante do homem vai até o chão. Pega a mão da mãe e quer afastá-la da morta. HOMEM: Meu pai desenvolveu nos últimos anos um câncer de pele e depois um câncer de próstata. Agora começou a desenvolver Alzheimer. HELLINGER: Você também se sente atraído pela morte.
  • 38. HOMEM: Sinto isso, mas minha vontade de permanecer vivo, de viver minha vida e de dirigir a empresa é maior. A empresa, enquanto isso, aproxima-se do representante do homem e quer atraí-lo para si. Este a rejeita. HELLINGER ao grupo: Podemos ver aqui que a empresa quer que ele esteja disponível, mas ele não está disponível. Estamos vendo aqui qual é o efeito de uma situação familiar numa empresa. HELLINGER ao grupo: A mãe o arrasta à morte, a empresa quer arrastá- lo à vida. Mas não obtemos as informações decisivas. Agora colocarei um segredo. É possível que algo venha à luz. Hellinger escolhe uma mulher e a coloca um pouco afastada dos outros. A mulher se inclina para trás como se fosse cair. Então dá uns passos para a frente. A mãe se afasta da morta e se ergue. Olha intensamente para o segredo e a representante da empresa faz o mesmo. A mãe se ajoelha e se curva profundamente perante o segredo. Também este se ajoelha e se inclina. A mãe e o segredo encostam a cabeça um no outro. A mãe atrai o segredo para si, como se fosse uma criança, e o abraça firmemente. O representante do homem também se ergue. Apoia a cabeça na empresa. É como se tivesse acordado. Depois de um tempo se ergue e respira profundamente. A mãe se move com o segredo em direção à morta. Os três se abraçam com força. Também o representante do homem e sua empresa se levantam e se abraçam com força. O homem se apoia de costas na empresa, que o segura por trás. HELLINGER ao homem: O que vemos aqui é que se o segredo está presente e sua mãe vai até ele, você pode ir à empresa. Você sabe o que é o segredo? Não precisa dizê-lo. Apenas quero saber se o sabe. HOMEM: Intuo algo.
  • 39. HELLINGER: Agora colocarei representantes dos funcionários. Hellinger escolhe três representantes e os coloca mais longe, um ao lado do outro. O representante do homem se volta para eles e continua sendo segurado por trás pela empresa. Olha para o chão. HELLINGER ao grupo: Agora vemos o problema. O problema é quase sempre o mesmo. Alguém ficou excluído. Há alguém que não tem um lugar, seja quem for. Um representante dos três funcionários, uma mulher, vai para os que estão deitados no chão. Estende a mão para a mãe. Esta pega a sua mão e a puxa com ela para o chão. Ê incluída no abraço. Outro representante dos funcionários se coloca na frente do representante do homem e cruza os braços nas costas. HELLINGER a este representante: diga-lhe “Por favor”. O representante cala. HELLINGER ao homem: Não pode dizê-lo, está zangado com você. Você se importa com o bemestar dos funcionários? HOMEM: Sim, muito. Depois de um tempo, Hellinger separa a empresa do representante do homem. Ela se coloca a seu lado. O terceiro funcionário se coloca à esquerda, do lado da empresa. O representante do homem se apoia nela. Hesita e não se atreve a olhar para o funcionário que tem na frente. Ele e a empresa olham para o chão. HELLINGER ao homem: Seu representante não tem força. A questão é: De onde pode receber a força? O segundo representante dos funcionários se aproxima dando um passo. Hellinger escolhe um homem como representante do irmão do homem e o coloca a certa distância do representante do homem.
  • 40. O representante do homem começa a soluçar. Estende a mão direita a seu irmão. Este se aproxima dele lentamente e puxa a empresa para trás de si. Estende os braços em torno de seu irmão. Os três, o representante do homem, seu irmão e a empresa se abraçam profundamente. O representante do irmão se ajoelha e puxa consigo o representante do homem e a empresa. Os dois funcionários estão juntos e olham para isso. O terceiro funcionário coloca por um instante uma mão na cabeça do empresário. O segundo funcionário coloca as mãos nos bolsos. A empresa puxa o representante do homem para afastá-lo do irmão. Hellinger escolhe quatro homens como representantes dos funcionários demitidos e os coloca, um ao lado do outro, com o resto, a certa distância. A empresa, o representante do homem e seu irmão olham imediatamente para eles. HELLINGER ao homem: A empresa olha para os funcionários demitidos. Todos olham para eles. HELLINGER vai com o representante do homem: Diga para eles “Vou trazer vocês de volta”. Diz isso soluçando. HELLINGER ao homem: Aí está o sucesso. Agora seu representante tem força. Você deve ampliar novamente a empresa para 900 funcionários. Risadas e aplausos no grupo. HELLINGER ao homem: Como se sente agora? HOMEM: Estou feliz. HELLINGER ao grupo: Ok, foi isso então. Aos representantes: Obrigado a todos. Aplausos no grupo.
  • 41. HELLINGER ao homem: Você ainda pode ficar. MAIS EM VEZ DE MENOS HELLINGER: Qual é a consequência para nós? Uma empresa floresce através do “mais” em vez do “menos”. HOMEM: Uns anos atrás, quando tudo isso começou, percebi que, de repente, cada um se preocupava apenas consigo mesmo, que havia muito egoísmo na empresa. HELLINGER: Este é o efeito. Assim que funcionários são demitidos, o resto passa a trabalhar menos. Já não estão ligados à empresa. Vale a pena rever a ideia de que se ganha com as demissões. Se o empresário disser aos funcionários: “Estou aqui para vocês. Quero que possam assegurar o sustento de suas vidas através de minha empresa, para isso preciso de sua colaboração”, ele vai obtê-la imediatamente. O que ele obtém além disso? Recebe ideias novas. As ideias provêm dos funcionários. Esta é a melhor globalização. Risadas no grupo. HELLINGER ao homem: OK. Então, muito sucesso! Aplausos e ovações do grupo. O LUCRO HELLINGER: Mediante este trabalho, ao confiarmos em algo que acontece como por si só, adquirimos compreensões importantes. Por exemplo, sobre o lucro. Que significa lucro? Lucro significa mais vida. Não significa: mais dinheiro. Significa: mais vida. Se uma empresa olha primeiro para seus funcionários e suas famílias, tornam-se uma comunidade de destino a serviço da vida. Isto mobiliza as forças decisivas. Não posso dizer mais sobre isso, pois sei pouco sobre as outras diversas leis que têm um papel aqui.
  • 42. Quando o empresário se preocupa com o bem-estar dos funcionários, o que acontece com ele? Como é respeitado? Como é apoiado? 2a . HISTÓRIA: Sucesso através do serviço HELLINGER: Vou continuar. Talvez pegue algo mais simples. Há alguém que tenha uma profissão, uma profissão importante, e sente que algo está faltando? Gostaria de constelar isso. Desta vez pegarei uma mulher. Quem gostaria? Hellinger escolhe uma mulher do público e pede para ela sentar-se a seu lado. HELLINGER: Do que se trata? MULHER: Sou psicóloga. Não consigo me desenvolver em minha profissão como gostaria. HELLINGER: A psicologia é uma profissão sem esperança. MULHER: Gostaria tanto de ouvir o contrário. HELLINGER: A psicologia é uma profissão sem esperança. Quando alguém tem clientes, quem está aí para quem? O psicólogo está para os clientes ou os clientes para o psicólogo? A quem ele serve? Aqui quem serve a quem? O decisivo em toda profissão é a quem ela serve. A profissão é um serviço. Se ela servir à vida é bem sucedida. Vamos constelar isso. Hellinger coloca a própria mulher sem procurar uma representante e a coloca, a uma distância de quatro metros, com quatro mulheres que se apresentaram como representantes. HELLINGER às representantes: Centrem-se e sigam o movimento interior tal como se mostrar. Uma representante se movimenta um pouco, para trás, duas aparentam se aproximar da mulher, mas retrocedem novamente e se afastam dela. Finalmente todas se afastam dela.
  • 43. HELLINGER ao grupo: Vemos que para todos é uma profissão sem esperança. Ninguém quer saber nada dela. Às representantes: OK., sentem-se por enquanto. Hellinger escolhe outra mulher e a coloca em frente à primeira na mesma distância. HELLINGER a esta representante: Você é a mãe dela. A mulher se ajoelha em frente a ela e fica de cócoras. Depois de um tempo aproxima-se da mãe e abraça seus joelhos. A mãe acaricia a cabeça da filha e se afasta dois passos dela. A mulher olha para o chão. HELLINGER ao grupo: O que vemos? A mulher ainda espera algo. O que a mãe diz, pela maneira que se comporta? “Não darei mais nada a ela. Já fiz tudo”. Para esta mulher, os clientes representam quem? Representam a mãe. Se a mulher esperar receber dos clientes aquilo que ainda espera da mãe, não está disponível para eles. A mulher se levanta e vai para sua mãe. Ambas se abraçam por um longo tempo. HELLINGER, depois de um tempo, à mulher. Diga a sua mãe: “Tenho tudo. Agora farei algo por minha conta. Sirvo à vida como você”. A mãe assente com a cabeça e se alegra. A mulher sacode levemente a cabeça. HELLINGER ao grupo: Viram seu gesto? A mulher sacudiu a cabeça. Os clientes percebem isso. Acho que já mostrei tudo. Aos representantes: Obrigado. Aplausos no grupo. A MÃE DO SUCESSO HELLINGER ao grupo: Há duas formas diferentes de exercer uma profissão. Existe a profissão que está a serviço de outros. Então alguém,
  • 44. exercendo sua profissão, dirige-se a terceiros e consegue para eles algo que serve a sua vida. Um mecânico, por exemplo. Se este esperar que os clientes venham a ele sem lhes oferecer algo, ninguém virá. Se ele só quiser algo, não vai receber nada. Se lhes disser: “Sou muito bom consertando carros. Venham que lhes mostro”, faz algo para eles e eles ficarão agradecidos. Também lhe pagam, mas primeiro vem a prestação do serviço. Outros escolhem uma profissão e esperam receber algo sem dar nada em troca. Às vezes contratamos funcionários e lhes perguntamos quanto gostariam de ganhar. Alguns dão um valor muito alto. Quando lhes perguntamos o que sabem fazer percebemos, às vezes, que isso não está em relação com o que esperam obter. Quem tem bom desempenho, é promovido. Isto deve ser considerado na nossa profissão: sirvo a outros ou quero que me sirvam? Estas diferentes posições refletem exatamente a relação com a mãe. Aqueles que dizem internamente à mãe “Você me deve algo”, sem fazer nada por si mesmos, comportam-se no trabalho da mesma forma em relação ao seu patrão. Mais um segredo. Não sei se deveria lhes dizer estes segredos. Quando um empresário procura um funcionário para um posto de direção, um funcionário que deverá assumir uma responsabilidade importante, precisa saber para qual qualificação deve olhar primeiro. É uma qualificação bem simples, mas essencial. A pergunta é: Como está em relação a sua mãe? Ele a respeita? Toma dela o que ela lhe presenteia? Está disposto a fazer algo por sua mãe? Tal como se comporta com sua mãe, tal será o seu comportamento perante a empresa.
  • 45. Quem está zangado com sua mãe e lhe faz cobranças, vai se comportar da mesma forma com a empresa. Um diretor que deve assumir responsabilidades e está zangado com sua mãe, arruinará a empresa. Muitos empresários terão mais sucesso se levarem isso em consideração. Ao escolher os funcionários, qualquer um pode ver logo quem tem uma boa relação com sua mãe. Dá para ver no rosto. O rosto dele brilha. Os outros funcionários se dirigem a ele imediatamente. Eles acham que ele é bom. Este é o efeito de uma boa relação com a mãe. 3a . HISTÓRIA: Os dois níveis HELLINGER: Há mais alguém que tenha uma empresa e queira ver o que acontece? Hellinger escolhe um homem e pede para sentar-se a seu lado. HELLINGER: Do que se trata? HOMEM: Tenho uma empresa há 17 anos. Eu a fundei com minha primeira esposa. Sete anos atrás nos separamos. Quando os bens foram divididos, eu recebi a empresa. Quer dizer, eu fiquei com os ativos e os passivos. Esta empresa tinha um tamanho determinado, um formato determinado. Isso se reduziu muito. HELLINGER: Você fundou essa empresa junto com sua mulher? HOMEM: Sim. HELLINGER: Ao mesmo tempo? HOMEM: Sim. Mas ela nunca trabalhou na empresa. HELLINGER: De onde veio o dinheiro? HOMEM: Eu trabalhava como funcionário de uma empresa. Quando fui embora, criei minha própria empresa. HELLINGER: Está bem. Vamos colocar três pessoas. Em primeiro lugar a empresa, uma mulher. Uma empresa sempre é uma mulher. Também
  • 46. precisaremos de uma representante de sua mulher e um representante seu. Hellinger coloca o homem à esquerda de sua mulher. Coloca a empresa em frente a eles a 5 metros de distância. HELLINGER ao homem: Agora vamos ver o que acontece. O homem olha para sua mulher. Esta apenas olha para a empresa. Treme. O homem tenta tocá-la, ela resiste. Não lhe permite tocá-la. Quando quer pôr uma mão nas costas dela, ela se sacode. Em momento algum olhou para ele. A empresa se deita no chão. HELLINGER ao homem: Já foi casado antes? HOMEM: Agora tenho uma segunda esposa, antes da primeira não houve ninguém. O representante do homem se aproxima rapidamente da empresa, que se ajoelhou, e também se ajoelha. HELLINGER: Preciso substituir você, não está totalmente em contato. Você é rápido demais. Hellinger escolhe outro representante para o homem e o coloca ao lado da mulher. HELLINGER ao homem: A empresa olha para o chão. Olha para um morto. Hellinger escolhe uma representante de uma morta e pede para se deitar de costas no chão, diante da empresa. HELLINGER ao homem: Sabe quem a empresa representa? Sabe também por que se separaram? Houve um filho abortado. HOMEM: É verdade que a mulher perdeu um filho, um aborto espontâneo no início do matrimônio.
  • 47. A empresa se ajoelha diante da morta. Pega sua mão e a acaricia. A representante da mulher continua tremendo. Olha fixamente para a morta. HELLINGER ao homem: A empresa não tem nada a ver com você, está dirigida totalmente à mulher. A empresa representa esse filho. O homem também está fascinado. Está claro que também tem algo a ver com ele. Agora também treme. Bom, a empresa é insustentável. Depois de um tempo, a mulher se aproxima mais um pouco da morta. O homem se afasta ainda mais e depois encosta na parede. A morta se levanta e se apoia de costas na empresa, que a segura por trás. A mulher olha de lado, por trás do homem, que tenta se afastar ainda mais dela. O tempo todo treme violentamente e se aproxima ainda mais da morta. Hellinger escolhe uma mulher como representante do segredo. A representante do segredo se aproxima lentamente do homem, que está ajoelhado. A representante do segredo se ajoelha lentamente. O representante do homem se arrasta em direção a ela de joelhos, a segura pelo quadril, a deita no chão, deita em cima dela e a abraça com força. A empresa pegou firmemente a morta pelo pescoço e a empurrou para o chão, na sua frente. A representante da mulher apenas olha para o homem e o segredo. HELLINGER ao homem: Todos se sentem atraídos pela morte, você, a mulher e a empresa. Depois de certo tempo o segredo abraça o homem. Depois deita de costas e fecha os olhos. O homem está deitado a seu lado e também tem os olhos fechados. A empresa estende uma mão à representante da mulher. Enquanto isso, esta ainda olha, tremendo, para o representante do homem e para o segredo, estende uma mão para trás e aperta a mão da empresa. Esta tenta puxá-la para si. Não conseguindo fazê-lo, solta
  • 48. a mão, deita no chão e fecha os olhos. Também a morta, que já havia se afastado dela, deita de lado e fecha os olhos. A representante da mulher, ainda tremendo, afasta-se ainda mais de todos. HELLINGER ao homem: Eu não sei de nada. Tudo vem à luz através destes movimentos. O que vemos é que aqui atuam outras forças e que nossas ideias daquilo que leva ao sucesso não têm a menor importância. Aqui regem as leis elementares da vida. Ninguém pode driblá-las. Coloque-se agora ali. Hellinger pega o homem da mão e o coloca frente aos outros de tal maneira que possa ver todos eles. HELLINGER ao grupo: Neste nível não há soluções, absolutamente nenhuma solução. Mas agora vou com ele a outro nível. Ao homem: Olhe por cima de todos, olhe para a distância. Muito longe. Em direção a algo maior. A um outro amor. Olhe sempre adiante. Olhe para a vida, que é igual para todos. E diga: “Agora eu sirvo”. Abra os olhos. HOMEM: Agora eu sirvo. HELLINGER: “Com amor”. HOMEM: Com amor. HELLINGER à empresa: Agora a empresa deve se levantar. Ao homem, quando a empresa se levanta e se coloca frente a ele: Diga-lhe: “Agora eu sirvo”. HOMEM: Agora eu sirvo. HELLINGER: “Agora eu sirvo à vida”. HOMEM: Agora eu sirvo à vida. HELLINGER: “Com você”.
  • 49. HOMEM: Com você. O homem se aproxima lentamente da empresa. Também ela se aproxima lentamente dele. Ele estende ambos os braços em direção a ela. A empresa hesita ainda um tempo, depois estende a mão direita. Ele pega essa mão e a segura. Então ela estende a ele também a mão esquerda. Olham-se longamente nos olhos. A representante da mulher está sentada no chão, algo afastada, e olha atentamente para ambos, sorrindo. HELLINGER à mulher. Como está a mulher? MULHER: Bem. O homem e a empresa se olham longamente nos olhos e se tocam, depois de um tempo, com a testa. Mais tarde se dão as mãos e as levantam. A representante da mulher está um pouco afastada. HELLINGER ao homem: Olhe novamente à distância. Olhe para longe. Diga: “Agora eu sirvo à vida”. HOMEM: Agora eu sirvo à vida. HELLINGER: Diga isso também à empresa. HOMEM: Agora eu sirvo à vida. O representante do homem se endireita sobre os joelhos e se levanta. Vai com a representante da mulher. Dão-se as mãos. HELLINGER: Agora ele se levanta. Esta é a diferença. Ao representante do homem: Diga-lhe “Agora eu sirvo à vida”. REPRESENTANTE DO HOMEM: Agora eu sirvo à vida. HELLINGER: OK., posso deixar assim. Aos representantes: Obrigado a todos. Aplausos no grupo.
  • 50. CULPA E EXPIAÇÃO HELLINGER: Essa foi uma demonstração das diferentes forças que atuam numa família. Há forças que se opõem à vida, que arrastam à morte. Isto é o que costumamos saber e costumamos observar. São movimentos da consciência. O que é um movimento da consciência? Aqui havia várias pessoas que se sentiam culpadas, não importa quais tenham sido os motivos. Aqueles que se sentem culpados querem pagar a culpa, querem pagar com a vida. Quer dizer que tanto o sentimento de culpa quanto a necessidade de pagar pela culpa levam à morte, também á morte de uma empresa. Não há nenhuma diferença. Também uma empresa representa pessoas. Este é o terreno no qual nos movimentamos habitualmente, também na psicoterapia. A maneira como trabalho agora é diferente. Algo essencial se revela quando confio totalmente nos movimentos da maneira que se mostram nos representantes, sem ter medo daquilo que possa surgir. Todos os movimentos de culpa e expiação levam à morte. São inimigos da vida. O que estou dizendo agora é algo que vai muito além do habitual. Todos estes movimentos de culpa e expiação são egocêntricos. A culpa é egocêntrica. Quando me sinto culpado, acho que estava em minhas mãos a possibilidade de que as coisas tenham sido diferentes. Eu teria tido escolha. Quer dizer que eu mesmo teria podido decidir sobre a vida e sobre a morte. A expiação pela culpa vai na mesma direção. Por que alguém expia? Expia por amor? Ou gostaria de ser melhor? Ao homem: Aquele que expiou aqui, olhou para a empresa? Olhou para os funcionários? Olhou para a vida? Ao grupo: Portanto há movimentos que parecem ser de amor, mas são movimentos em direção à morte.
  • 51. Ao homem: Ali eu intervim e conduzi você ao outro nível. Por trás atua a compreensão de que tudo o que se move, todo movimento humano, cada movimento dos milhões de movimentos em cada segundo em seu corpo, para que você permaneça na vida, são movimentos do amor. São movimentos a serviço da vida. Provém de uma força espiritual que quer a vida. E também quer a culpa. Portanto aquilo que conduziu você à culpa é outro movimento, além do seu eu. Cada um que perdeu a vida pela culpa está nas mãos desta força. Não perdeu nada através de sua morte. Nesta força tudo está acolhido. Neste momento nós nos soltamos de nossa grandeza. Nós nos tornamos humildes. E então nos deixamos guiar por outro movimento. Aqui você se deixou levar por um movimento a serviço da vida, não importa o que veio antes. Aquele que viveu a culpa e quem viveu o movimento em direção à morte e o superou, tem uma força nova. Tem força para a vida. O homem acena com a cabeça. Junta as mãos e inclina a cabeça. HELLINGER ao grupo: Vimos como é difícil se libertar do velho movimento. Arrastou todos novamente para baixo. Ao homem: Ir para esse outro movimento é uma conquista, uma conquista do amor. Ao grupo: Agora, claro que sua empresa florescerá. E sua mulher o apoiará. É o que estava faltando. Risadas no grupo. O homem enxuga as lágrimas. HELLINGER: OK., vou deixar assim. 4a . HISTÓRIA: Sem mãe não há futuro HELLINGER: Quem gostaria de resolver algo para uma empresa? Uma mulher se apresenta. Hellinger lhe pede para sentar-se a seu lado.
  • 52. HELLINGER à mulher. Do que se trata? MULHER: Tenho uma clínica. Antes montei uma academia de ginástica. HELLINGER: Que tipo de clínica? MULHER: A clínica tem uma parte para estética, uma parte terapêutica e também inclui academia de ginástica. HELLINGER: Quantos funcionários você tem? MULHER: Entre 10 e 12 pessoas. HELLINGER: Qual é o problema? MULHER: Estou me mudando desta clínica, pois ficou pequena demais. Não consigo acabar com a mudança. Faz um mês que estou me mudando. HELLINGER: Um exercício de percepção para você. A clínica tem futuro? MULHER: Acho que sim. HELLINGER ao grupo: Qual é a percepção de vocês? Não há força nessa empresa. Mas vamos constelá-la. Hellinger escolhe uma representante para a clínica e seis mulheres para os clientes. Estes estão de frente para a clínica, um do lado do outro, a uns cinco metros de distância. HELLINGER ao grupo: Agora vamos ver o que acontece. Os clientes estão intranquilos e se afastam da clínica. Nenhum deles quer ir para ela. HELLINGER às representantes: Podem sentar-se novamente. Obrigado a todas. Hellinger pede à mulher para se posicionar ela mesma. Escolhe uma representante da mãe e lhe pede para se colocar frente à mulher.
  • 53. A mãe se mostra intranquila e retrocede. A mulher quer ir a ela apertando os lábios. Quanto mais quer se aproximar da mãe, mais esta se afasta. A mãe começa a tremer. Vai até o canto mais afastado. HELLINGER ao grupo: A mãe faz os mesmos movimentos que os clientes faziam. Ela se afasta. Interrompo agora. Já vimos os movimentos essenciais. À mulher. Sente-se a meu lado. Ao grupo: Quero fazer uma observação. Podem comprová-la vocês mesmos. Dos psicólogos que vocês conhecem, há algum que esteja em sintonia com a mãe? Os clientes representam quem para eles? Representam a mãe. Muitos psicólogos querem obter de seus clientes aquilo que não tomaram da própria mãe. Esta é uma declaração de longo alcance. Que futuro tem esse tipo de psicologia? Quem vai para estes psicólogos? Frequentemente aqueles que rejeitam a própria mãe ou que, sejam quais forem as razões, perderam a ligação com ela. A ajuda a estes clientes seria que o psicólogo os conduzisse a sua mãe. À mulher. Aqui começa a solução para você. Não posso fazê-lo aqui, em detalhe, por você. Isto é um curso de Constelações Organizacionais. Apenas mostro qual é, em seu caso, a dinâmica oculta. Você já viu do que se trata. Tudo de bom! Aplausos no grupo. 5a . HISTÓRIA: Com a mãe tudo anda. HELLINGER: A maioria de vocês imaginou que as Constelações Organizacionais fossem outra coisa. Nossa experiência - faz tempo que eu e minha mulher trabalhamos nisto - é que o modo mais rápido de chegar aos problemas essenciais de uma pessoa e sua família é se começarmos pelo trabalho e o que a pessoa faz com ele. Neste sentido, isto é um curso avançado de Constelações Familiares.
  • 54. Agora gostaria de trabalhar com a profissão de alguém, ou com alguém que tenha que tomar uma decisão. Por exemplo, se deve possuir esta ou aquela empresa, se deve comprar esta casa ou aquela. Do modo como trabalhamos podemos trazê-lo à luz rapidamente. Hellinger escolhe uma mulher que se apresenta e lhe pede para sentar- se a seu lado. HELLINGER: Do que se trata em seu caso? MULHER: Faz dois anos mudei de emprego. Também mudei de cidade. Mas ainda restam muitos assuntos para resolver com as empresas nas quais trabalhei. HELLINGER: Quais eram essas duas profissões? MULHER: Eu era economista industrial. Tínhamos muitos negócios na família. Tivemos que fechar muitos negócios e fechamos cinco empresas. HELLINGER: Quem foi responsável pelo fechamento? MULHER: Quem começou com isso foi meu pai. Queria que seus filhos seguissem sua carreira. HELLINGER: Coloque-se ali. Ao grupo: Quase sempre é o mesmo, o essencial é o mesmo. Preciso de mais uma mulher. Hellinger escolhe uma representante para a mãe e a coloca frente à mulher, a uns quatro metros de distância. A mulher respira profundamente. Esfrega as mãos nas calças. Ninguém se mexe. HELLINGER ao grupo: Quem não respeita a mãe, arruína uma empresa. Depois de um tempo, à mulher: Diga a sua mãe “Estou zangada com você”.
  • 55. A mulher aperta os lábios. Respira profundamente. Lágrimas escorrem de seus olhos. MULHER, depois de um tempo: Estou zangada com você. Aperta novamente os lábios e respira profundamente. HELLINGER ao grupo: Tinha perante a mãe o mesmo sentimento que perante a empresa. É somente o espelho, mas são muitas as consequências. Quem é contra a mãe, é contra a vida, contra o sucesso. A mulher chora. Lentamente, dá uns passos em direção à mãe. Esta abre ambas as mãos. A mulher lhe estende os braços, depois vai para ela e a abraça. Ambas ficam muito tempo fortemente abraçadas. A mãe acaricia suas costas. Depois de um tempo, Hellinger escolhe uma representante da empresa. Ele a coloca a dois metros detrás da mãe, de lado. A mãe sai do lugar, a empresa se afasta dela e se encosta na parede. HELLINGER ao grupo: A mulher faz os mesmos movimentos com a mão que antes fizera frente à mãe. À mulher. Diga à empresa “Eu estou indo”. MULHER: Eu estou indo. Respira profundamente e enxuga o rosto. A empresa continua encostada na parede. HELLINGER ao grupo: Como vocês podem ver, a empresa e a mãe são iguais em seu comportamento, totalmente iguais. HELLINGER à mulher. Diga à empresa “Agora construirei você”. MULHER: Agora construirei você. Diz isso chorando e enxuga as lágrimas. A empresa continua imutável. HELLINGER: Isto não causou efeito. A mulher repete em voz mais alta.
  • 56. HELLINGER: Isso também não causou efeito. A mulher vai em direção à empresa. Pega os braços dela e a sacode. HELLINGER: Esse não é modo de tratar uma mãe. A mulher quer mover a empresa. Sorri e quer fazer com que reaja de qualquer jeito. A empresa continua imóvel. HELLINGER ao grupo: Acho que posso terminar aqui. Já mostrei o essencial. 6a . HISTORIA: A quem pertence a empresa? HELLINGER: Agora gostaria de trabalhar novamente com um empresário de verdade, onde se trate da produção. Um homem se apresenta. Hellinger lhe pede para sentar-se a seu lado. HOMEM: Tenho uma empresa familiar com três irmãos. Trabalhamos com alimentos que revendemos a supermercados ou atacadistas. Atualmente temos dificuldades porque todos nós temos opiniões diferentes, porque pensamos de maneira diferente em relação à empresa. HELLINGER: Quais são as diferentes posições? HOMEM: Trata-se do futuro. Em se tratando de uma empresa familiar, alguns opinam que deve tornar-se mais profissional, que devemos exigir mais dos funcionários e que também devemos introduzir gente nova. A outra linha opina bem o contrário. Diz: “Não, eu conheço você e quero conservá-lo”, mesmo que esta pessoa não trabalhe bem. HELLINGER: Qual é o seu lugar entre os irmãos? HOMEM: Sou o irmão mais velho. Entre os irmãos homens sou o mais velho. HELLINGER ao grupo: Por que ele enfatiza o masculino? HOMEM: Porque a empresa pertence aos homens. As mulheres não participam da empresa.
  • 57. Risadas no grupo. HELLINGER: Tudo bem... Quem fundou a empresa? HOMEM: Eu a fundei, com meus irmãos. As mulheres já estavam todas casadas. HELLINGER: De onde saiu o dinheiro? HOMEM: Antes eu era funcionário de um banco. Quando fui embora negociei com esse banco. Investi o dinheiro que me deram na empresa. Sempre estivemos unidos. Nossos pais nos educaram dessa forma. Meu pai também sempre teve um papel importante. Ele me disse: “Você não pode dirigir sozinho esta empresa, deve fazê-lo com seus irmãos”. Mas o dinheiro sempre foi nosso, originalmente eu o coloquei. HELLINGER: Você? HOMEM: Sim. Desse banco. Quando fui embora recebi esse dinheiro e o investi. HELLINGER: Quem é o proprietário? HOMEM: Os três por igual. HELLINGER: Não. HOMEM: Em nossa casa sempre foi assim, nosso dinheiro era investido na família. De modo que não só nosso pai trazia o dinheiro à família, mas também os irmãos sempre trazíamos nosso dinheiro ã família. Quando recebi esse dinheiro, quando fui embora do banco, como era meu modo de ver, esse dinheiro pertencia a todos nós. HELLINGER ao grupo: A empresa pertence apenas a ele. Ele entrou com o dinheiro. Quando o homem fala: Não quero nem ouvir o que você disse. Risadas estrondosas no grupo. O homem também ri.
  • 58. HELLINGER: Vamos fazer a constelação e verificar. Preciso de alguém para a empresa. Sempre é uma mulher. Também preciso de representantes para os três irmãos, quer dizer, três homens. A empresa está de frente para os três irmãos a uns quatro metros de distância. HELLINGER: Vamos colocar mais alguém, uma mulher. Quando uma mulher se apresenta: Você se coloca aqui. Você é o dinheiro. O dinheiro está a uns três metros à direita da empresa. Esta se afasta lentamente dos três irmãos. A representante do dinheiro se joga de repente sobre o irmão do meio e o segura pelos ombros. HELLINGER à representante do dinheiro: Preciso substituir você. Não está suficientemente centrada. Quando ela reclama: Preciso de uma outra mulher. Ao grupo: Como percebi que não estava centrada? Primeiro, fechou os olhos. Viu uma imagem interna e a seguiu, sem conexão com os outros. Nos movimentos do espírito, os olhos permanecem abertos. Esses movimentos são lentos. Agora lhes apresentei algo importante. Se vocês trabalharem numa constelação e alguém não está centrado, ela não vai dar certo. Estes são alguns critérios pelos quais podem se orientar. Hellinger escolhe outra mulher e a coloca no mesmo lugar, a uns três metros à direita da empresa. A empresa retrocede lentamente uns passos. O dinheiro olha abertamente para os três irmãos, sem se mover. HELLINGER ao grupo: Agora vocês podem ver a diferença no movimento.
  • 59. A empresa dá um passo para a frente, depois dá vários passos para trás. O irmão mais velho se afasta de seus irmãos e vai para trás, em direção ao dinheiro. Volta-se e fica a uns dois metros de distância diante do dinheiro. O dinheiro vai para a esquerda, inclina-se para a esquerda. A empresa dá mais uns passos para a frente. Quando o irmão mais velho quer se aproximar uns passos do dinheiro, este se ajoelha, olha para o chão e se inclina profundamente, até tocar o chão com a testa. A empresa se afasta e depois de um tempo se ajoelha a um metro de distância detrás do dinheiro. O irmão mais velho retrocede bastante, sem relação com seus irmãos, e se aproxima lentamente do dinheiro. Hellinger escolhe uma mulher e a coloca diante do dinheiro. De repente, tudo muda. HELLINGER ao homem: A quem pertence a empresa? A uma mulher. Esta representante só pode ser a mãe. Quem mais poderia ser? Quem mais tem tanto poder? O irmão mais velho se aproxima ainda mais do dinheiro. O dinheiro se ergue e se arrasta até ficar do lado do irmão mais velho. Também este se ajoelha diante da mãe. O dinheiro se apoia no filho mais velho. A mãe estende os braços. HELLINGER ao homem: Olha como está! Com que grandeza! Ao grupo: É engraçado; quando falava da família só falava do pai. “O pai quer, o pai quer, o pai quer”. Mas a pessoa decisiva é ela. Eu sabia que algo estava errado em relação as mulheres. O irmão mais velho e o dinheiro se arrastam juntos, de joelhos, em direção à mãe e se curvam perante ela. Ela coloca as mãos sobre ambos. HELLINGER ao grupo: Não é lindo? Ao homem: Os outros irmãos não têm nada a dizer. São parasitas.
  • 60. Risadas no grupo. A empresa se arrasta de joelhos detrás do irmão mais velho e do dinheiro. Abraça ambos. Todos se abraçam. A mãe olha ao longe por cima deles. HELLINGER ao homem: Isto tem futuro. Esta é uma imagem de força. A mãe olha por cima de vocês. Olha para a vida à que vocês servem. Agora você fará um negócio especial. Escolherá cuidadosamente o que oferecer a serviço da vida. Ao grupo: Não existe nada maior do que aquilo que estamos vendo aqui. HELLINGER dá uma cotovelada ao homem: Somente coragem. Aos representantes: OK., isto foi tudo. Obrigado a todos. O homem enxuga as lágrimas. Fortes aplausos no grupo. MEDITAÇÃO: ONDE ESTÁ A FELICIDADE? Algo mais para refletir. Imaginem a empresa, esta empresa. O que eles fazem! Tudo o que eles criam! Quantas pessoas conseguem alcançar com seus serviços! Comparem com as profissões conhecidas como profissões de ajuda: psicologia, psicoterapia, também o trabalho social, onde se trata de simpatia, de compaixão. Muitas vezes tentam ajudar pessoas que não querem fazer nada por si mesmas. Comparem isso com esta outra força! Isto é apenas para refletir. Agora fechem os olhos. Vou fazer uma meditação com vocês. Vamos a nosso trabalho e sentimos: Quantas pessoas alcançamos com nosso trabalho? De que maneira servimos à vida com nosso trabalho? O que fazermos para a vida? Verificamos interiormente: Que modificações faço em minha postura interna, em meu amor, naquilo que ainda aprendo? Que capacidades estou desenvolvendo ainda?
  • 61. Então ficamos grandes e independentes a serviço da vida. Sem ceder com fraqueza, sem concessões. Servindo de uma maneira que exige dos outros. Agora olhamos para nossa mãe e lhe dizemos: “Como você, eu sirvo à vida, exatamente como você. Em sua lembrança farei algo grande, como você. Dou como você”. Direi algo mais sobre o segredo do sucesso. Em sintonia com este movimento de servir, digo internamente: “Mais ainda”. Onde tudo isso termina? Na felicidade. O SUCESSO É UMA LEI DA VIDA Vou continuar com este curso sobre as Leis do Sucesso na empresa. O sucesso é uma lei da vida. Toda vida é bem sucedida. O importante é se também tomamos a vida como vida. Vida e mãe são internamente o mesmo. Do mesmo modo que tomamos nossa mãe, assim tomamos a vida. Quem rejeita sua mãe, rejeita a vida. A vida é ao mesmo tempo amor. Toda vida humana se desenvolve através do amor. Todas as relações bem sucedidas são relações de amor. Esta lei fundamental atua em todos os níveis. Neste caso, qual é o primeiro movimento? Toma-se a vida. Ela nos é presenteada. Recebemos a vida ao tomá-la com tudo o que pertence a ela. O que tomamos primeiro são nossos pais tais como são. Ao tomar nossos pais tais como são, tomamos nossa vida. Muitas vezes algo se opõe à vida. Só podemos tomar se também damos. Quando tomamos algo sem dar nós nos sentimos mal. Quando tomamos também queremos dar. Podemos ver isso, sobretudo na relação de casal. Ambos tomam e dão. Quanto mais um toma do outro, tanto mais podem dar um ao outro. Este é um equilíbrio de igual para igual.
  • 62. Não podemos devolver algo a nossos pais, algo da mesma maneira. Aquilo que recebemos deles é grande demais para que possamos equilibrá-lo. Por isso muitos receiam tomar ainda mais dos pais, pois estariam obrigados a mais ainda. Eles se defendem do tomar, para se descarregarem da pressão de ter que devolver algo correspondente. Neste caso existe uma outra solução. Tomamos de nossa mãe e de nosso pai, sem temor, tudo aquilo que eles nos dão, pois sabemos que mais tarde o transmitiremos. Se estivermos dispostos a transmitir, podemos tomar tudo ilimitadamente de nossos pais. Por isso, aquilo que mais tarde deve ter sucesso, apenas o terá se tomarmos de nossa mãe e de nosso pai tudo o que nos dão, e estivermos dispostos a transmiti-lo. Nós nos dispomos a servir a outros com aquilo que deles recebemos. Isto tem efeitos em muitas áreas. Quem não tomou sua mãe não pode tomar seu parceiro. A mesma relação que temos com a mãe e com o pai reflete-se na relação de casal. Isto se mostra também em nosso trabalho e em nossa profissão. Quem tomou de sua mãe e de seu pai pode transmiti-lo no trabalho. Quer dizer: o trabalho lhe dá prazer. Às vezes sinto isso. Compro uma passagem de trem. A mulher do guichê está radiante. Imediatamente percebo que tem uma boa relação com a mãe. Ela me atende com amabilidade. Logo me sinto à vontade com ela. O trabalho lhe dá prazer, pois está conectada com a mãe. Aquele que sente o trabalho como uma carga, não tomou a mãe. A relação com a mãe se reflete em nossa relação com a profissão e em nossa relação com o dinheiro. Quem não tomou a mãe não pode ter dinheiro. Pode obtê-lo, no entanto, isto lhe causa prazer? Tudo está interrelacionado. Deste modo continuarei com o trabalho aqui. Não se trata apena de organizações nem do trabalho nem de nossa vida. Trata-se sempre de nós mesmos, de como mostramos também neste âmbito o amor à vida e como ela nos faz felizes.
  • 63. 7a HISTÓRIA: Uma promotora: Direito e vida HELLINGER: Tem mais alguém que se encontre perante uma decisão? Uma mulher se apresenta. Sobe ao palco e senta-se ao lado de Hellinger. MULHER: Tenho dificuldades profissionais. HELLINGER: Qual é a profissão? MULHER: Sou promotora. Tenho que acusar perante o tribunal. Minha maior dificuldade é que meu papel é fomentar a justiça, mas sempre tenho a sensação de fomentar a injustiça. HELLINGER: Qual é exatamente sua questão? MULHER: Não consigo me sentir realizada em minha área, em todo esse ambiente. É por isso que me afastei e comecei a estudar novamente. Agora estou fazendo um doutorado. Tenho dificuldades em acreditar em minha experiência pessoal. HELLINGER: Primeiro darei uma olhada no tema e depois irei à questão. Coloque-se ali. Hellinger escolhe mais uma mulher e a coloca frente à promotora, a uns quatro metros de distância. HELLINGER a essa mulher. Você representa a mãe dela e a vida, representa ambas. A promotora vai em direção à mãe e a abraça. Esta responde ao abraço hesitando. Olha para o chão. Então senta-se e continua olhando para o chão. A promotora permanece sem forças. HELLINGER à promotora: Agora se coloque novamente em frente a ela. Fique novamente centrada, fique totalmente dentro de si e olhe como ela vai à morte; mas fique internamente separada dela, sem simpatia, sem compaixão, sem preocupação, em sintonia com um poder maior, com um poder que rege o destino dela independentemente de você, e que rege seu destino independentemente dela. Depois de um tempo: Agora retroceda uns passos.
  • 64. Ela retrocede uns passos. HELLINGER à mulher: À distância diga-lhe “Querida mamãe”. MULHER: Querida mamãe. HELLINGER: “Obrigada por tudo”. MULHER: Obrigada por tudo. HELLINGER: “Agora eu sirvo à vida”. MULHER: Agora eu sirvo à vida. HELLINGER: “Seja o que for que ela exigir de mim”. MULHER: Seja o que for que ela exigir de mim. Enquanto isso, a mãe se deita totalmente no chão, de lado, cara a cara com a filha. Hellinger escolhe um homem e pede para se posicionar a um metro de distância, à direita da mãe. HELLINGER a esse homem: Você é o Direito. E ela - aponta para a mãe no chão - é a vida. O direito está de pé e ereto. HELLINGER à promotora: Continue centrada e diga ao Direito “Eu sirvo. Eu sirvo à vida com sua ajuda”. MULHER: Eu sirvo. Eu sirvo à vida com sua ajuda. O direito respira profundamente. O rosto da promotora está relaxado. HELLINGER à promotora: Já tomou sua decisão? Continue centrada. Fique totalmente dentro de si, tomada por outra força, que também toma o Direito e a vida, tudo da mesma forma. HELLINGER: Olhe mais uma vez para sua mãe: diga-lhe “Eu sirvo à vida”. MULHER: Eu sirvo à vida.
  • 65. HELLINGER: “Como você”. MULHER: Como você. HELLINGER: Olhe mais uma vez para o direito e diga o mesmo. MULHER: Sirvo à vida como você. HELLINGER, depois de um tempo: OK., obrigado a todos. A promotora, sentada novamente a seu lado: Como você está agora? Você fraquejou. Permaneça em sua força. Erguida. Forte como o Direito. Assim, sim. Como está agora? MULHER: Bem. HELLINGER: OK., tudo de bom para você! O CAMINHO DA VIDA Trata-se sempre de duas questões: vida ou morte. A questão é como nos movimentamos internamente, no caminho da vida, e como permanecemos nela. Fechem os olhos por um momento. Sentimos em nós os movimentos da vida. Esse movimento chega a um limite? Por exemplo, dentro de nossa imaginação de que esse movimento vai em direção ao “menos”? Permitimos então que esse movimento - pois é um movimento criativo - supere esse limite em direção ao “mais”. Para longe. Para a grandeza. Para a plenitude. Para o espiritual. Para algo permanente. Para algo que vai muito além desta vida. Agora continuamos para a frente no caminho da vida. 8a HISTÓRIA: Juntos em vez de separados HELLINGER: Gostaria de trabalhar novamente com empresas. Há alguém aqui que seja empresário, que tenha uma empresa com funcionários? Alguém que fabrique um produto e gostaria de ver do que se trata?
  • 66. Dois homens e uma mulher se aproximam. HELLINGER: Os três são sócios? Ao primeiro homem e à mulher. São um casal? PRIMEIRO HOMEM: Não. HELLINGER-, De que tipo de empresa se trata? PRIMEIRO HOMEM: Somos uma empresa de telecomunicações. HELLINGER: Quem a fundou? PRIMEIRO HOMEM: Eu. HELLINGER: Você a fundou? PRIMEIRO HOMEM: Sim, 12 anos atrás. HELLINGER: Gostaria de ver de perto um empresário assim. Gosto dos empresários. Como é que os outros entraram como sócios? PRIMEIRO HOMEM: Os anos se passaram, a empresa ficou maior. Cada vez havia mais trabalho. Então vieram ambos para trabalhar comigo. A mulher já havia trabalhado antes comigo. Isso funcionou tão bem que ambos assumiram e compraram uma parte da empresa. HELLINGER: Compraram uma parte da empresa? PRIMEIRO HOMEM: Compraram partes da empresa. Só que não a pagaram com dinheiro, mas com trabalho, apenas com trabalho. Pagaram com trabalho e com dinheiro, pois uma parte do que ganharam foi investido na empresa. HELLINGER: Quantos funcionários têm? PRIMEIRO HOMEM: Atualmente somos na empresa um total de 16 pessoas. HELLINGER: Não preciso saber mais. Só preciso me conectar com o assunto. Qual é o problema?
  • 67. PRIMEIRO HOMEM: Atualmente a empresa vai muito bem. Temos boas pessoas trabalhando para nós, temos clientes. Também fabricamos material. Nossos clientes são outras grandes empresas. Mas temos um grande problema com o tribunal, pois ficamos envolvidos num processo que perdemos. Isto coloca em risco a sobrevivência da empresa. HELLINGER: Qual foi o motivo do processo? PRIMEIRO HOMEM: Tínhamos uma empresa de serviços, um fornecedor. Não trabalhava bem. Nós o demitimos e contratamos outro. Antes de poder administrar a demissão, vieram a nós com este processo e reclamaram direitos. Então não pudemos concluí- la. Não só não fomos ouvidos, como também apresentaram este processo contra nós. HELLINGER: Qual era o papel desse fornecedor? Era sócio? PRIMEIRO HOMEM: Era uma empresa que contratamos para que prestasse serviços à nossa empresa. HELLINGER: E o que acontece com vocês três? Têm os mesmos direitos ou existe uma hierarquia? PRIMEIRO HOMEM: Sou eu quem dirige a empresa, mas tomamos as decisões juntos e as discutimos. HELLINGER: Por que fiz essa pergunta? Nunca se pode substituir um fundador. Ninguém pode se colocar no mesmo nível dele. Isto quer dizer que ele deve conservar a liderança. Os outros são sócios, porém em uma posição subordinada. É assim entre vocês? PRIMEIRO HOMEM: É. HELLINGER: Então isso funciona. Explico do que se trata neste caso. Uma vez veio a mim uma empresa de assessoria fiscal. Eram dois homens e uma mulher. Tinham dificuldades entre eles. Perguntei-lhes: “Quem fundou a empresa?”. Ambos os homens disseram: “Nós a fundamos, mas como a mulher era tão boa, nós a incluímos como sócia com igualdade de direitos”.
  • 68. Isso não é possível. Ninguém pode estar com igualdade de direitos junto aos fundadores. O que acontece se alguém contratar um funcionário com igualdade de direitos? Este assume a empresa! Ninguém pode ter igualdade de direitos junto a um fundador. Um funcionário que foi contratado mais tarde fica em segundo plano. Então dá certo. Parece que é assim entre vocês. PRIMEIRO HOMEM: É assim que funciona entre nós. HELLINGER: Então, o problema não é tanto a empresa, mas essa outra firma. PRIMEIRO HOMEM: Parece ser assim. Em todo este processo ninguém nos ouviu nunca, em nenhuma instância. Ninguém nos escutou. Quando o processo contra nós começou, quando fomos informados disso, tentamos limitá-lo, quer dizer, parar esse processo. O juiz nos pediu provas. Numa segunda etapa, novamente ninguém nos ouviu e a sentença veio logo. HELLINGER: A questão é: O que podemos fazer aqui? O que posso fazer aqui, agora? Hellinger coloca este primeiro homem. A uns quatro metros de distância coloca um representante da outra empesa. Depois escolhe uma mulher para o objeto de litígio e diz: “Quase todos os litígios são representados por mulheres”. Coloca-a no meio, a dois metros da linha central, de tal modo que ambos os homens possam olhar para ela. HELLINGER aos representantes: Agora veremos o que acontece. Centrem-se e sigam o movimento. A sócia do empresário dá dois passos para trás e o mesmo faz o empresário. O outro empresário olha brevemente para o objeto de litígio. Também o empresário olha para ele brevemente e dá mais um passo para trás. Olha de novo, de relance, para o lado do outro empresário. O objeto de litígio vai mais para trás. Também o empresário.
  • 69. O objeto de litígio vai ainda mais para trás e se move lentamente em direção ao âmbito do empresário. O empresário se afasta ainda mais. O outro empresário dá um passo em direção a ele. O empresário dá mais um passo para trás. O objeto de litígio se move com ele na mesma direção, afastando-se do outro empresário. Hellinger escolhe mais um homem e o coloca no meio dos dois empresários, a uns dois metros de distância da linha central, porém mais perto do primeiro empresário. HELLINGER a este representante: Você seria o homem ou esta outra empresa que deve substituir o outro empresário. O empresário olha longamente, com intensidade, para este homem. O outro empresário continua avançando com passos curtos em direção ao empresário. O empresário se aproxima deste homem novo. Este o empurra com a mão em direção ao outro empresário como se quisesse se libertar dele. O outro empresário e o empresário já estão apenas a um metro de distância entre si. O terceiro homem olha apenas para o objeto de litígio. Este se aproxima dele com passinhos curtos, até ficar a seu lado. Este coloca o objeto de litígio a sua direita. O empresário se aproxima, hesitante, do outro empresário. As vezes dá um passinho para trás e se move novamente em direção a ele. O outro empresário abre ambas as mãos, como se quisesse convidar o empresário para ir com ele. HELLINGER ao empresário: Olhe para trás um momento. Só agora o empresário percebe o que acontecera nas suas costas. Aproxima-se desse homem.
  • 70. O outro empresário dá um passo atrás, as mãos ainda abertas. Depois as deixa cair e dá mais um passo para trás. HELLINGER ao empresário: Olhe novamente para o outro empresário. Coloca-se frente a ele. Este dá novamente um passo em direção a ele, mas depois dá um passo para trás e logo mais um. HELLINGER ao empresário: Antes ele lhe estendeu a mão, mas você não o viu. Fique um momento a seu lado. O empresário se coloca ao lado do outro empresário. Ambos se olham de lado, depois se colocam um em frente ao outro. Hellinger escolhe um homem e lhe pede para se colocar frente a ambos. HELLINGER ao representante: Você é a nova possibilidade deles. Depois de um tempo, o empresário pega este homem pelo braço. Ambos os empresários se olham. O objeto de litígio se afastou do terceiro homem. HELLINGER: Acho que posso deixar assim. Aos representantes: Obrigado a todos. Ao primeiro homem: Como se sente agora? PRIMEIRO HOMEM: Estou tranquilo, como se tivessem tirado um peso das minhas costas. HELLINGER: Você não percebeu que tinham um inimigo comum. Ele sacode a cabeça. A SÓCIA DA EMPRESA DO PRIMEIRO HOMEM: Era nosso fornecedor. Além disso, era nosso concorrente. Portanto era nosso inimigo. Esse que iniciou o processo contra nós, ele é nosso concorrente. HELLINGER: O outro era o concorrente. Pudemos ver isso aqui. A mulher protesta.
  • 71. HELLINGER: Acredito no movimento que vejo aqui. Este movimento mostrou uma outra imagem. Ele lhes dá uma possibilidade nova. A mulher e o primeiro homem concordam. HELLINGER ao primeiro homem: Agora, você tem outra imagem. Terá que ver o que vai resultar dela. Você o considerou inimigo, mas o outro era o inimigo. Agora poderão fazer um acordo. Mas para algo novo. PRIMEIRO HOMEM: Posso imaginar isso. Porque, na verdade, não somos concorrentes 100%. Há um ponto onde nossas prestações podem se complementar. HELLINGER: Acho que já fiz bastante aqui. Fiz algo por sua empresa. OK., tudo de bom para vocês! HELLINGER ao grupo: Como é fácil encontrarmos uma solução quando deixamos um movimento fluir. De dentro, digamos. Nesse sentido, este instrumento aqui é muito eficaz. 9a HISTÓRIA: Menos mãe ou mais HELLINGER: Tornaremos a fazer algo simples, algo onde se trate novamente de decisões. Por exemplo, a decisão sobre que comprar, como um terreno ou uma casa. Ou aonde se mudar. Quer dizer, decisões bem simples. Uma mulher se apresenta e senta-se ao lado de Hellinger. HELLINGER: De que tipo de decisão se trata? MULHER: Precisamente meu marido e eu estamos pensando se devemos ir embora do apartamento em que vivemos ou se devemos ficar nele. HELLINGER: Vocês já têm outra opção para escolher? MULHER: Não, ainda não.
  • 72. HELLINGER: Trata-se então de se vão embora ou não? Então, que podemos fazer em relação ao que dizia antes sobre os movimentos da vida? É um movimento para “menos” ou para “mais”? A mulher pensa. HELLINGER: Que é? MULHER: Para menos. HELLINGER: Por isso o problema está num outro nível. Em qual? No nível da mãe. A mulher ri e o grupo também. HELLINGER: OK., vou deixar assim. INTERMÉDIO O PASSO ADIANTE HELLINGER: Temos o futuro pela frente, assim parece, mas quando sonhamos com ele, ele não está à nossa frente, de nenhuma forma. Vou mostrar o que o futuro significa realmente. Hellinger dá um passo adiante. Dar um passo adiante nos mostra o que o futuro significa. Depois damos o próximo passo. Quando sonhamos com o futuro não damos passos. Assim que damos um passo, nós nos movimentamos em direção a um futuro. As NOVAS CONSTELAÇÕES FAMILIARES: ACOMPANHANDO O ESPÍRITO Quando compreendemos isso entendemos o que significa acompanhar um movimento do espírito. Nós nos movimentamos em sintonia com um movimento do espírito quando damos um passo adiante, apenas um passo. O movimento do espírito vai sempre na mesma direção, leva ao próximo passo.
  • 73. O mesmo vale para a compreensão. A compreensão leva a uma ação. Não há compreensões abstratas. As compreensões fazem parte de um movimento com o qual nos movemos em sintonia com um movimento do espírito. Quando temos uma compreensão repentina, damos imediatamente um passo. Sempre é apenas um passo. Então nos detemos e internamente continua o próximo passo. Na forma avançada das Constelações Familiares, que resumi com o nome de “acompanhar o espírito”, começamos com um passo. Então nos detemos internamente e sabemos de repente qual é o próximo passo. Quando nos ocupamos de um problema ou trabalhamos com uma pessoa que quer algo de nós, e já temos previamente uma ideia de qual será o resultado, perdemos a relação com aquele movimento do espírito. Com sua ajuda nos movemos de passo em passo, com a confiança de que será o passo certo. Mas às vezes não o entendemos. Durante uma constelação às vezes falo uma palavra que causa medo. Mas tive anteriormente a compreensão: esta é a palavra que deve ser dita. Depois se mostra que eram a palavra e o passo certos. Só depois desse passo vem à luz algo importante, que leva ao sucesso. Sem essa frase teria sido impossível dar os passos que levaram à solução. Quando temos uma compreensão repentina, confiamos nela e damos o próximo passo, sem saber aonde nos conduz. Quer dizer que acompanhar o espírito significa: “Nós nos movimentamos de instante em instante”. Devemos considerar algo mais. Assim que nos movemos adiante, esquecemos o que fica atrás. Quando algo que passou ocupa nosso tempo, o movimento para diante se detém. RECONHECER O QUE É E RECONHECER O QUE SERÁ Devemos considerar mais uma coisa em relação ao futuro.
  • 74. Tenho me ocupado muito da questão: O que é uma nova compreensão? Como reconhecemos algo que ainda está por vir? Alguns dizem: “Eu já sei”. O que sabem e reconhecem então? Reconhecem algo que já existe. A direção de seu reconhecimento e seu saber se encaminha a algo que já existe. Seu conhecimento não é nada novo. Conecta-se com algo que já existe. Inversamente, quando nos movimentamos em sintonia com um movimento do espírito ou quando somos levados por um movimento do espírito, sentimos de repente: agora estamos abertos para uma nova compreensão. Mas não sei o que nos espera. Então eu espero e, de repente, tenho a nova compreensão. Esta compreensão é criativa. Refere- se a algo que ainda não existia. Se confiarmos num saber anterior, como podemos nos mover criativamente para diante em sintonia com um movimento criativo do espírito? Qual é a consequência? Tudo o que aprendemos sobre as Constelações Familiares pertence ao passado. Não é novo. Se confiarmos nessa aprendizagem ficamos no passado, fora de um movimento criativo. O passado não está de nenhuma forma perdido. Faz parte de nossa experiência. Mas se confiarmos nele, deixamos de olhar para diante. Então não precisamos confiar em outras forças ocultas. Confiamos em algo que achamos que possuímos. O SUCESSO NOVO Vou dizer algo mais sobre o sucesso. Qualquer sucesso já passou. Sempre que falamos de nossos sucessos referimo-nos a sucessos passados. Aplausos no grupo. Os sucessos verdadeiros ainda estão por vir. Vêm com o próximo passo. Com os sucessos sempre nos movimentamos para diante.
  • 75. A SOLUÇÃO Às vezes queremos nos libertar de algo no qual nos sentimos emaranhados. Por exemplo, em muitas coisas que vivenciamos com nossa mãe. Mas só podemos estar emaranhados em algo passado. Quando queremos nos soltar de um emaranhamento com nossa mãe, esquecemos que já faz tempo que ela se moveu para diante, longe de nossas imagens internas. Se quisermos nos soltar dela porque achamos que devemos resolver algo passado com ela, sentimo-nos separados de seu progresso. Também neste caso o futuro está adiante. Do 2o . CURSO INTERNACIONAL DE PICHL, ÁUSTRIA 18 e 19 de abril de 2008 95 participantes, idioma inglês ORDENS DO COMANDO Que significa dirigir? Um dirigente é requisitado por outros. Só pode dirigi-los se precisarem dele. Isto pressupõe que o dirigente pode dar algo de que o grupo precisa. Só se tiver algo importante a oferecer, ganha o apoio e a confiança daqueles que ele comanda. Aqui está a primeira lei fundamental do comando. Um dirigente comanda na medida em que serve. Comandar significa: “dirijo um grupo enquanto sirvo”. É por isso que só aquele que tem muitas pessoas no seu campo de visão pode dirigir. Ele serve a muitos ao mesmo tempo. Neste sentido, comandar é um movimento do amor. Observaremos estas leis do comando neste curso. Ao mesmo tempo, olharemos para aquelas ordens que nos ajudam a ter sucesso como dirigentes. Por exemplo, como empresários.
  • 76. Eu também sou um dirigente aqui, pois vocês vieram porque esperam algo de mim. Eu ofereço um serviço. Ao mesmo tempo, trabalhamos juntos como grupo. Por isso incluo suas capacidades especiais. Faz muitos anos me tornei um especialista em dinâmica de grupo. Aprendi isto na África do Sul. Isso mudou minha vida. Uma das experiências mais importantes na dinâmica de grupo é que cada um no grupo tem algo especial para oferecer. Quando o grupo precisa daquilo que alguém pode lhe oferecer e está disposto a oferecê-lo, esta pessoa assume o comando. Ele o assume enquanto o grupo precisar dele. Logo que acabou, outro no grupo lhe oferece o que pode oferecer. Deste modo o comando muda no grupo de acordo com quem possa oferecer em cada momento aquilo de que precisa. Portanto, um diretor de sucesso recorre às habilidades de cada um de seus membros do grupo e as inclui para o objetivo comum. Nem sempre é possível utilizar este modo de dirigir. Muitas vezes surgem obstáculos. Estes obstáculos vêm da alma do dirigente ou estão relacionados com a história de uma organização. Vamos observá-los detalhadamente no decorrer do curso. Espero que seja para nós uma experiência de sucesso de trabalho em equipe. Quero acrescentar mais uma coisa. Este modo de dirigir que mostro é contido. Respeito a situação tal como ela é. E respeito a organização particular e a empresa particular de que se trata. E deixo o comando com aqueles que, no que diz respeito a muitos detalhes, sabem mais do que eu. Eu lhes dou meu apoio com meu saber em sua busca para encontrar o caminho que os leve ao sucesso. Como sempre, em meu trabalho, fico num segundo plano e embaixo. É por isso que posso dirigir sem ter resistências. Também neste caso me deixo dirigir por um movimento do espírito. O PAÍS DE ORIGEM Quero dizer algo sobre o país do qual procedemos. Nosso país de origem e o país no qual vivemos fazem parte de nosso destino. Estão em estreita
  • 77. relação com nossa mãe. Nosso país de origem é para nós como uma mãe. Tudo o que é essencial para nossa vida nós o recebemos em nosso país de origem. É por isso que temos obrigações especiais perante nossa pátria. Também neste caso deve existir um equilíbrio entre o tomar e o dar. Em nosso país de origem tivemos nossa educação e formação. Também a língua que falamos é um presente de nosso país de origem e muitas outras coisas. Por exemplo, a cultura de nosso país de origem, na qual repousamos e que nos guia. Por essa razão sentimo-nos obrigados a devolver algo a nossa pátria. Tal como ela nos serviu e nos serve, nós servimos a ela. Às vezes, nosso país de origem tem dificuldades, como já vimos, por exemplo, na Croácia, na Sérvia, na Bósnia e na Albânia. Muitos querem evitar as cargas que isto implica, refugiando-se em outro país. Eles se negam a participar e compartilhar do destino de seu país de origem. Qual é o resultado? Perdem algo com isso, perdem força. Muitas vezes podemos observar que, do mesmo modo que negam servir a sua pátria, também se negam a servir ao país que lhes dá refúgio. Ficam numa atitude de tomar sem dar. Alguns deles também adoecem. Saram quando retornam a seu país de origem. Para outros, muitas vezes não há mais outra saída do que abandonar seu país e ir para um outro. Não o questiono. Neste outro país obtêm o direito de ficar se estiverem dispostos a servir-lhe. PÁTRIA E EMPRESA Qual é o papel destas reflexões para uma empresa? Uma empresa repousa sobre uma base firme se estiver relacionada com seu país, pois serve em primeiro lugar às pessoas do país onde começou. É possível que mais tarde a empresa cresça e se assente em outros países. Mas suas raízes continuam em seu país de origem. Por ter e conservar lá suas raízes pode estender-se com segurança a outros países.
  • 78. Nosso esforço para nos assentarmos em outro lugar e realizar lá nossa sorte e nosso sucesso, tem a ver muitas vezes com a relação com nossa mãe. Ao perder a relação com ela, perdemos geralmente a relação com nosso país de origem. Se pudermos restabelecer a relação com nossa mãe, que estava interrompida, também voltamos com nossa empresa a nosso país de origem. Em nosso país de origem temos uma base firme. Lá encontramos de muitas maneiras mais apoio que em outro lugar. A GLOBALIZAÇÃO Então surge a questão: O que acontece quando uma empresa se muda a outro país e quer se expandir porque lá pode produzir de forma mais barata? De alguma maneira as pessoas deixam assim seu país de origem. Por outra parte, servem a outro país. Não quero de jeito nenhum julgar isto ou condená-lo. Se permanecermos unidos em nosso coração a nosso país de origem e ao mesmo tempo nos mudarmos a outros países e servirmos a eles, isto segue o curso da globalização, e a consequência disto é que muitos países estabelecem relações mutuas mais estreitas, inimagináveis anos atrás. Considero a globalização como um movimento que serve tanto a nosso país de origem quanto a muitos outros países do mundo. N OSSA PÁTRIA, A TERRA Quero dizer algo sobre nossa pátria comum, a Terra. Onde está nossa pátria comum? Na Terra, só na Terra. Assim que perdemos nossa relação com a Terra, quando não estamos com os pés firmemente apoiados na terra, de maneira tal que tudo está em ressonância com ela, perdemos o chão. E, pelo contrário, quando estamos em ressonância com a Terra, podemos olhar para o mundo e para todos com amor. Podemos concordar com o futuro da Terra e o mundo tal como são. Podemos concordar com o futuro da Terra tal como se anuncia. Podemos concordar com confiança.
  • 79. A Terra não só se move em torno do Sol. Continua seu desenvolvimento especialmente através do progresso humano, através de nosso sucesso. Alguns acham que o progresso é perigoso para a Terra. Nesse momento não estão mais em sintonia com o movimento da Terra. Têm uma imagem daquilo que seria melhor para a Terra. Ainda estão em sintonia com o movimento da Terra? Estão em sintonia com as pessoas da Terra e com os avanços que servem à vida de muitas pessoas? Qual é o resultado quando acreditamos que o desenvolvimento é perigoso? Pudemos ver no que pode resultar um pensamento como esse nos países onde queriam voltar aos velhos tempos, inclusive ao paleolítico. Tantas pessoas foram assassinadas por causa disso. Qual é o efeito quando confiamos nos movimentos da Terra e nos avanços nela, tal como são? Deixamos para trás nossas ideias daquilo que seria melhor para a Terra. Nós nos movimentamos com a Terra de uma maneira humilde e a amamos tal como é. Esquecemos as doutrinas arrogantes sobre o que seria melhor para a Terra, abandonamos nossas imagens de céu e inferno. Encontramos nossa felicidade e nossa realização na Terra, em sintonia com ela. SERVIR CONJUNTAMENTE À TERRA O que vivenciamos neste curso está a serviço da Terra, a serviço da vida da Terra. Deste modo colaboramos com muitos outros movimentos, também a serviço da Terra. Deixamos atrás nossas ideias, como se nossas ideias fossem melhores que a dos outros. Nós produzimos algo e eles produzem algo também. Nós aprendemos através de nossos erros e os outros através dos seus. Todo progresso criativo é possível por meio dos erros, daquilo que ainda está inconcluso. Só se concordamos que algo está inacabado e se move em direção a se completar, poderá ser levado adiante por um movimento criativo.
  • 80. Quando percebemos em nós e em outros que algo precisa melhorar, não temos que nos preocupar com aquilo que está inacabado. Por nos sentirmos incompletos, somos ao mesmo tempo conscientes de que ainda há outro caminho, um novo, para o qual avançamos. Quer dizer que colaboramos com muitos em uma grande comunidade, levamos com eles a vida adiante e permanecemos no amor. Do 3o CURSO INTERNACIONAL DE PICHL, ÁUSTRIA 18 e 19 de dezembro de 2008 75 participante s, idioma do curso: inglês SUCESSOS NA EMPRESA E NA PROFISSÃO O sucesso se mostra no final de um caminho. Isto significa que devemos nos mover em direção a ele no caminho certo e manter a visão focada nele. Quando estamos no caminho certo, o sucesso se mostra e chega, se o percorrermos até o final. O contrário do sucesso é o fracasso. O fracasso torna-se inevitável se nos detivermos no caminho certo, antes de chegar à meta. Ainda mais quando esperamos o sucesso sem fazer nada por ele em vez de começar nosso caminho.
  • 81. O sucesso pressupõe que nos preparemos para ele, que sejamos capazes e que estejamos dispostos para ele mediante um saber e um conhecimento especial. Eu me pergunto por que digo aqui algo tão óbvio. Devemos considerar várias coisas para que o sucesso possa vir. CONDIÇÕES INTERNAS Há um sucesso que se mostra abertamente. Podemos vê-lo. E há um sucesso que transcorre em nosso interior. O sucesso exterior pressupõe que internamente já chegamos a uma meta com sucesso. Sem ter chegado internamente a determinada meta, o sucesso exterior em nossas empresas nem em nossa profissão não aparece. Mesmo quando já tivemos sucesso, depois de um tempo ele diminui e para. Até perdemos aquilo que já havíamos alcançado e, no final, ficamos sem sucesso. Se o sucesso não aparece em nossa vida e em nosso trabalho, nós nos detemos internamente e passamos a um movimento interno até que nos movimentamos com ele, com sucesso. Quase sinto vergonha de falar de algo tão óbvio. É possível que alguns balancem a cabeça e se perguntem: O que isso tem a ver com o sucesso? Este movimento interno tem tudo a ver com o sucesso. Ele nos leva ao sucesso mais importante de nossa vida. O sucesso mais importante de nossa vida foi o movimento em direção a nossa mãe. Nosso maior sucesso foi chegar à vida. Não há sucesso maior. Ter recebido a vida é o maior de todos os nossos sucessos. Sem este, não há outros. Mas nosso movimento em direção a nossa mãe às vezes nos é negado. Não podemos chegar a ela. Que obstáculos se opõem ao movimento bem sucedido em direção a ela? São as imagens internas que temos dela e os sentimentos que relacionamos a estas imagens. Muitas vezes são sentimentos de
  • 82. superioridade, como se tivéssemos o direito de criticá-la. Como se tivéssemos o direito de censurá-la e de julgá-la como se fôssemos sua mãe, em vez de reconhecer que ela é a mãe e nós o filho. O movimento em direção à mãe, esse movimento a ela, que realmente chega até o final, é uma conquista. Vai muito para além de nossa boa vontade, não o temos ao nosso bel-prazer em nossas mãos. É um movimento de entrega total a ela, tal como ela é, exatamente como é. Apenas uma coisa é importante: ela se tornou nossa mãe. Nada pode existir algo maior ou mais maravilhoso, para ela e para nós. Isto significa que soltamos nossas imagens e nossos sentimentos com os quais nos justificamos para rejeitá-la de uma ou outra maneira. Nós nos soltamos de nossa arrogância, como se fôssemos superiores a ela, e entramos em um movimento de entrega, como quando éramos crianças. Como? Embaixo, totalmente voltados para ela, engatinhando até ela, pegando-a pelos pés e esperando até que ela nos levante. Junto dela chegamos à meta numa relação profunda, com amor. Assim a temos e assim temos a vida. O que teve nossa mãe de tão especial? O que ela fez que foi tão especial? Esteve a serviço da vida. É isso. Neste sentido, teve sucesso de maneira perfeita. Não existe maior sucesso imaginável que seu sucesso. O que significa, afinal, o sucesso? O que significa, afinal, nosso sucesso? O sucesso significa: “serviço à vida”. Ligados à nossa mãe, nós também estamos a serviço da vida. Este movimento básico nos leva ao sucesso e nos permite conservá-lo. O que significa finalmente, então, o sucesso? O sucesso significa mais vida, mais vida para nós, mais vida para outros, mais vida com amor. MEDITAÇÕES
  • 83. Nosso CAMINHO EM DIREÇÃO À MÃE TAL COMO ELA É Vamos ao sucesso começando por nós mesmos. Fechem por um momento os olhos. Nós nos permitimos perceber internamente em que ponto do nosso movimento em direção a nossa mãe estamos. Que distância há entre ela e nós? Em que ponto se deteve nosso movimento em direção a ela? Nesse ponto nos detemos internamente. Olhamos por cima do fosso que nos separa e vemos nossa mãe do outro lado. A questão é: Podemos vê-la realmente? Ou vemos apenas determinadas imagens que fizemos sobre ela? Geralmente, imagens estranhas. Julgamentos sobre ela, como se tivéssemos direito a condená-la, como se ela tivesse que adquirir de nossa parte o direito de ser nossa mãe. Apenas quando pode satisfazer nossas exigências ela pode tornar-se nossa mãe, ser nossa mãe. Se percebermos que é desse modo que temos pensado sobre ela, que nos comportamos assim em relação a ela, começamos a nos envergonhar disso. Quando pensamos naquilo que realmente importa, percebemos como fomos cegos e errados. Agora deixamos para trás essas imagens e os sentimentos que relacionamos a ela. Nós a olhamos nos olhos. De repente compreendemos o que isso significa - que ela está a serviço de forças maiores, a serviço da vida, porque ela foi e é como é. Nós nos movimentamos em direção a ela, humildes, pelo chão. Tocamos seus pés e esperamos até que ela nos levante, junto a seu peito. Dizemos- lhe: “Sim. Agora a tomo como minha mãe, tal como você é. Agora tomo de você minha vida tal como me foi presenteada através de você. Agora estou disposto a servir à vida, como você lhe serviu. Agora estou disposto a servir-lhe com sucesso”. A QUEM SERVIMOS? Fechamos os olhos e olhamos para nosso trabalho, nossas empresas, nossas organizações. Sentimos dentro de nós: Em que medida servem à
  • 84. vida? Em que medida as utilizamos para que predominantemente nos sirva? Em que medida há um equilíbrio entre aquilo que damos, com elas, a outros e aquilo que esperamos e tomamos deles? Verificamos em nós em que medida a relação com nossa mãe e nosso comportamento com ela refletem aquilo que acontece com nosso sucesso, e em que medida o impedem. Por exemplo, nossas expectativas perante ela e nossa disposição para ir a ela - agradecidos com amor. SERVIR COM AMOR Nosso trabalho serve a outras pessoas. Trabalhamos a maior parte de nossa vida. Para quem trabalhamos? Trabalhamos para nós e para outros a serviço da vida, da nossa e da sua. Qual é a postura básica que serve para nosso trabalho? Olhamos para nós mesmos e para outros e dizemos a nós e a eles em nossa alma: “Existo para você, para você e seu sucesso, para que sua vida seja bem sucedida”. Sinto muito voltar ao ponto decisivo: Com quem vivemos, sobretudo, nesta postura básica? De quem a aprendemos? De quem a aprendemos, ainda hoje, para nosso trabalho? Não é necessário que entre em detalhes, pois a resposta é evidente. Nós a vivemos junto a nossa mãe e a aprendemos quando conseguimos o movimento em direção ela, com amor. Quando atingimos com alegria e amor o movimento em direção a nossa mãe, estamos dispostos a dirigir-nos da mesma maneira a outros em nosso trabalho, igualmente com amor e com alegria. Com esta postura de amor por nós e por outros, faremos nosso trabalho para eles e para nós com alegria. Qual é o resultado? Também os outros nos amam e o fazem imediatamente. Quando percebem que servimos a seu sucesso, que trabalhamos com amor e alegria a serviço de sua vida e a de sua família e seus filhos, alegram-se conosco e se dirigem a nós com amor.
  • 85. Esta é a recompensa decisiva por nosso trabalho, uma recompensa que, com o tempo, fica cada vez maior. Fala-se de nosso serviço com alegria e com amor. Outros vêm para solicitar nossos serviços. Assim aumenta o sucesso de nossa empresa e, com ele, nosso sucesso pessoal. Pelo contrário, se esperarmos que em nossa empresa e em nosso trabalho os outros nos sirvam em primeiro lugar, eles fariam isso com alegria e com amor? Dariam o melhor de si para nos servir? Ou nos serviriam hesitantes, como se estivessem obrigados? Então, vamos nos reorganizar internamente. Qual é o resultado? Que muitos vêm a nós e nós vamos a eles, enriquecidos, bem sucedidos e felizes. MAIS HISTÓRIAS DE SUCESSO 1º. EXEMPLO: A decisão HELLINGER ao grupo: Qual de vocês está perante uma decisão relacionada com sua empresa e gostaria de dar uma olhada, mais de perto, conosco? Uma mulher se apresenta. Hellinger lhe pede para sentar-se a seu lado. HELLINGER ao grupo: Primeiro devo entrar em sintonia com ela e com seu sucesso. Eu me alegro com seu sucesso e o desejo totalmente. Vou demonstrar o que disse anteriormente. Abro meu coração a ela e a seus problemas com amor. A mulher. Do que se trata? MULHER: Tenho um instituto e estou planejando me mudar a outra cidade para expandi-lo lá. Há quatro pessoas que colaboram comigo nessa empresa. HELLINGER à mulher: Primeiro devemos descobrir qual é a questão em si. Uma empresa está a serviço de uma causa e das pessoas. A primeira
  • 86. pergunta é: Em que medida sua empresa serve às pessoas? As quatro pessoas que trabalham com você, são mulheres ou homens? MULHER: São todas mulheres. HELLINGER: Quem dirige o grupo? MULHER: Eu. HELLINGER ao grupo: Colocaremos toda a equipe. Então veremos como interagem. Hellinger escolhe quatro mulheres como representantes da equipe e as coloca uma junto da outra. A representante da mulher está à direita. Depois escolhe cinco representantes para os clientes. Estes estão em frente à equipe a uns cinco metros de distância. Os clientes vão lentamente em direção às diferentes funcionárias. Apenas uma delas tenta fazer contato com a mulher que dirige. Também aquela se afasta depois de um tempo. Até esta mulher e sua funcionária não chegam clientes. Um homem do grupo dos clientes se coloca no centro. Todos olham para ele. Ele se dirige à representante da mulher e se coloca atrás dela. HELLINGER à mulher. O que vimos aqui? Nenhuma desta equipe precisa das outras. Apenas uma funcionária precisa de você. Você quis ajudá-la, mas também ela se afastou. As outras podem trabalhar independentemente de você. Um dos clientes a apoia. Ele assume a direção. Ao grupo: Já vimos o suficiente. À mulher: E agora o que acontece com seus planos? Não precisa pensar neles. Já vimos o decisivo. Não há energia para uma ampliação desta empresa. Não há perspectivas de sucesso pela ampliação. Porém, se você tentar fazê-lo, talvez signifique o final da empresa. Você precisa pensar sobre isso. Gostaria de vê-lo mais de perto?
  • 87. A questão é se esse instituto pode se expandir. MULHER: Também planejo fundar um hotel. HELLINGER: Podemos constelar ambas as coisas para ter uma imagem clara. Hellinger escolhe uma representante para o instituto, uma para o instituto ampliado previsto e outra para o hotel. O instituto previsto e o hotel estão juntos, lado a lado, a uns quatro metros de distância frente ao instituto. O instituto está intranquilo e se move de lado para a direita. O instituto planejado também se volta à direita e fica cara a cara com o instituto. O hotel está totalmente concentrado em si. Depois de um tempo se afasta dos institutos e olha para a frente. HELLINGER à mulher. Onde está seu futuro? Seu futuro é o hotel. Pode esquecer o outro. Trabalhamos apenas 10 minutos e economizará milhares de euros. MULHER (rindo): Obrigada. Ao grupo: Este trabalho é Hellinger Sciencia® aplicada, a ciência aplicada de nossas relações. Vocês podem ver como é fácil de aplicar e quanto dinheiro muitas pessoas podem economizar ao observar estes simples movimentos. Ao mesmo tempo, podemos observar que, no mais profundo de nós, sabemos o que é o certo. Só assim é que pode vir à tona numa constelação. 2º EXEMPLO: A profissão HELLINGER: Os problemas não resolvidos numa família se refletem nas empresas e na profissão. Quando constelamos uma profissão, muitas vezes chegamos antes aos problemas de uma família do que quando trabalhamos diretamente com a família.
  • 88. Quem gostaria de constelar sua profissão? Uma mulher se apresenta senta ao lado de Hellinger. HELLINGER a essa mulher. Qual é sua profissão? MULHER: Sou psicoterapeuta. HELLINGER: Então colocaremos um representante para a profissão. Escolho uma mulher ou um homem? Escolherei um homem. Hellinger escolhe um homem e o coloca a uns seis metros de distância, frente à mulher. A profissão dá um passo para trás. Vira de lado, retrocede uns passos e gira novamente, ficando de frente para a mulher. Esta também dá, paralelamente, uns passos para trás. Depois de um tempo, o representante da profissão dá uns passos em direção à mulher. Ela se afasta dele e treme. Hellinger escolhe outra mulher e a coloca a uns quatro metros de distância, em frente à mulher. A profissão fica afastada. A mulher se afasta da outra mulher, de forma parecida como o fizera em relação à profissão. A profissão vai lentamente em direção a outra mulher e se coloca a seu lado. A própria mulher retrocede ainda mais e olha para o chão. Hellinger escolhe outra mulher e lhe pede para deitar de costas no chão, diante desta mulher. Esta representa uma morta. A mulher está muito abalada. Aproxima-se um pouco da morta, retrocede novamente e deita de bruços, olhando para ela, com as mãos estendidas. A profissão está agora ao lado da outra mulher, como se fossem um casal. Ela se solta da outra mulher, ajoelha-se junto a essa morta e olha para ela com amor. Pega na mão dela e a arrasta para si, como um pai com seu filho.
  • 89. A outra mulher coloca a mão direita sobre o coração e chora. Ela e a profissão se olham intensamente. A própria mulher se arrasta, sentada no chão, até essa mulher. Ajoelha-se a seu lado e soluça alto. A outra mulher lhe estende a mão. Arrasta-a para si e faz um carinho na cabeça dela. Então a aproxima do peito e a segura como uma mãe com seu filho. Hellinger escolhe três representantes, duas mulheres e um homem, e os coloca em frente ao outro grupo, bem distantes. Representam os clientes. A mulher continua soluçando alto. Ela e a outra mulher se colocam em frente ao grupo de três. A mulher dá uns passos em direção a esse grupo. Os três do grupo se afastam dela. Então ela se volta afastando-se deles e olha para fora. HELLINGER ao grupo: Nas profissões de ajuda podemos observar que muitas vezes seus clientes representam membros da própria família, geralmente membros excluídos da família. A essa mulher. É evidente que em sua família há uma pessoa excluída deste modo. Agora não quero entrar nisso. Evidentemente você sabe de quem se trata. Está claro que seria conveniente que você se movimente para além dela, por exemplo, servindo de uma maneira prática a outras pessoas, independentemente da maneira direta da psicoterapia. Senão, os clientes são arrastados para seu campo e para os problemas não resolvidos em sua família. 3° EXEMPLO: Quem ajuda quem? SOPHIE HELLINGER a um homem que quer oferecer cursos para palestinos na Palestina: Coloque alguém para seu projeto. Ele escolhe um homem e o coloca diante de si. Este homem olha imediatamente para o chão. É evidente que o projeto também o representa.
  • 90. SOPHIE HELLINGER: Agora coloque sete representantes das pessoas às quais quer servir com seu projeto. Ele escolhe sete pessoas e as posiciona, uma junto da outra, a uns cinco metros de distância do projeto. O representante do projeto se vira, dando as costas a eles e continua olhando para o chão. Dois representantes se aproximam dele por trás. O representante do projeto se ajoelha e continua olhando apenas para o chão. Os dois representantes dos palestinos se inclinam até ele e o levantam. HELLINGER a esse homem: Quem serve a quem? Os participantes nos cursos servem a você. ESSE HOMEM: Gostaria de continuar oferecendo esses cursos. HELLINGER: Se quiser ter mais fracassos, vá em frente. Aqui, do que se trata, é que você quer morrer. Podemos vê-lo em seu projeto. Como pode ajudar outros se quer morrer? Vimos aqui que não pode consegui-lo. Aos representantes: Posso deixar aqui. Ao grupo: Vejam como é rápido tomar as decisões certas com este trabalho. MEDITAÇÕES NÍVEIS DO SUCESSO Às vezes sentimos que algo não deu certo conosco, com os outros e com nossa empresa. Então queremos encontrar as causas e procuramos por alguém ou por algo para culpar. Com esta ideia, imediatamente nos comportamos como se também pudesse ter sido de outro modo, como se tivéssemos podido dar outro rumo aos acontecimentos. Se tivéssemos tido outro conhecimento teria sido diferente.
  • 91. Por trás desta ideia está a distinção entre bom e mau, como também entre certo e errado. Às vezes também seguimos estas distinções numa constelação. Pensamos que teve sucesso ou que algo deu errado com ela. Também julgamos alguém e dizemos que é bom ou que tem uma má intenção. Com estas distinções nos movemos no âmbito da consciência. Estas distinções são, em nossa consciência, a base da inocência e da culpa. Através destas distinções muitas vezes conseguimos indicações importantes do que devemos fazer a seguir. A questão é: Como reagimos interiormente? Quando permanecemos no âmbito da consciência colocamos em nós e nos outros a culpa de algo que, em nossa opinião, deu errado. É diferente quando nos movemos além do nível da consciência, para o nível do espírito. Neste nível devemos admitir que, aconteça o que acontecer, tudo é movimentado por outras forças. Estas forças põem em andamento e dirigem tudo de maneira tal que servem a objetivos maiores e mais amplos. Aconteça o que acontecer, também aquilo, que do nosso ponto de vista e do ponto de vista de nossa consciência é ruim, pois nos fere e fere os outros, está a serviço de outro movimento de visão mais ampla e de maior efeito. Como lidamos numa situação como essa com nossa má consciência e com o movimento interno de nos culparmos e culparmos os outros? Entramos em sintonia com esse outro movimento. Nós lhe entregamos nossos temores e nossos sentimentos de ter fracassado. Nós lhe entregamos nossos sentimentos de culpa e a culpa que colocamos nos outros. Concordamos com tudo tal como foi, em sintonia com esse outro movimento. Confiamos em que, finalmente, se nos entregarmos, as coisas tomarão um caminho que colocará em funcionamento algo maior e que o completará de um modo mais abrangente. AMEAÇAS DO EXTERIOR
  • 92. Alguns participantes deste grupo vieram da Grécia. Estão preocupados com as desordens de seu país. A questão é: Como eles e nós podemos permanecer serenos e centrados em nossa alma? Como podemos permanecer livres de acusações e agressões em nossa alma contra aqueles que tanto ferem outras pessoas? Podemos fazer um exercício interno profundo que nos ajudará também em outras ocasiões para passar a outro nível. Por exemplo, em nossa empresa quando, na concorrência, somos prejudicados ou prejudicamos e causamos sofrimento aos outros. Fechamos os olhos e olhamos para aqueles que tememos. Sentimos em que medida é possível que também eles nos temam. Prestamos atenção a nossos sentimentos internos e a nossa necessidade de vingança de oprimi-los, tal como receamos que eles nos oprimam. Nós nos permitimos perceber em nós mesmos nosso próprio ódio e os pensamentos que temos sobre eles. Depois de um tempo olhamos para eles nos olhos e lhes dizemos: “Eu também”. No mais profundo de nossa alma, sentimos que somos iguais a eles. Sentimos o profundo efeito que tem o fato de admiti-lo. DISPOSTOS Imaginamos que nos movemos para diante em direção a nosso sucesso. Vamos para algo que conseguimos. Enquanto nos movemos para diante é possível que sintamos que algo nos segura por trás. Ao mesmo tempo sentimos como outras pessoas esperam que as levemos conosco nesse movimento para diante, para nosso sucesso. Elas pertencem a nossa família. Talvez sejam irmãos mortos prematuramente. Talvez sejam parceiros anteriores de nossos pais, que foram rejeitados e excluídos, e não são mais reconhecidos. Nós nos dirigimos a eles e dizemos: “Eu vejo você. Sua vida prossegue naquilo que eu alcanço. Por favor, venha comigo e me ajude”.
  • 93. Então viramos novamente para o futuro e seguimos adiante. Damos o próximo passo e sentimos como outros caminham atrás de nós e nos servem de sustento e apoio. Respiramos profundamente e dizemos: “Agora estou disposto”. Algo mais sobre o sucesso: O sucesso significa mais, mais e mais. 4o . EXEMPLO: Os lucros têm seu preço HELLINGER a um homem Do que se trata? HOMEM: Trabalhei por 15 anos para uma empresa. Esta empresa foi vendida e eu fui embora. Não tive pessoalmente nada a ver com a venda. Porém, fui embora e fundei minha própria empresa. Achava naquele momento que tinha direito a algo do lucro conseguido com a venda da empresa. Mas então pensei que seria melhor não pensar nisso e tive sucesso. Hoje, em meus sonhos, ainda espero por aquele dinheiro e por certo reconhecimento. HELLINGER: Vejo o problema. Vou fazer um exercício com você. Feche os olhos. Olhe para o lucro que teve trabalhando para aquela empresa. Olhe para as experiências que lá viveu e que agora o ajudam a estar com os pés no chão e que também lhe trouxeram muitas outras vantagens. Agora avalie. Imagine que leva numa mão seus lucros atuais e numa outra o dinheiro que ainda espera daquela empresa. Onde sente o peso maior? Agora imagine que recebe esse dinheiro que ainda espera e sinta-o numa mão. O que acontece com os próprios lucros? HOMEM: Ficam reduzidos.
  • 94. HELLINGER, depois de um tempo: Tendo isto em conta, esse dinheiro ainda é importante? É um lucro? HOMEM: Esse dinheiro, mais que nada, me puxa para baixo. HELLINGER: Então, este foi o exercício anterior. Não precisa se preocupar com esse dinheiro. Devemos refletir ainda sobre algo mais. Se lhe derem esse dinheiro, você se sentirá separado deles. Se tomar o outro lucro, permanecerá ligado a eles. Feche novamente os olhos. Tome o dinheiro que você mesmo ganhou e diga àqueles que retêm o dinheiro que você espera deles: “Ganho meu próprio dinheiro”. O que acontece com eles? O que esse dinheiro faz com eles? Vira um lucro para eles? Ou vira uma perda para eles? Esse dinheiro quer servir a outros objetivos. O dinheiro que nós mesmos ganhamos é sempre o melhor. Aplausos no grupo. A HERANÇA HELLINGER ao grupo: Alguns esperam uma herança. Quando a recebem, ficam mais fortes ou mais fracos? É diferente quando recebemos uma herança com a qual devemos fazer algo. Por exemplo, quando os pais deixam uma empresa a um filho e esperam que este continue com ela. Esta herança permite ao filho fazer algo especial. Ao mesmo tempo, este filho tem uma bênção garantida de seus pais. Com esta herança, algo continua. Exige do filho um serviço. Outra coisa é quando alguém espera uma herança para viver bem. O que acontece com sua própria vida? O que acontece com seu próprio sucesso? O que acontece com sua felicidade?
  • 95. O DINHEIRO ESTÁ A SERVIÇO Algumas pessoas desprezam o dinheiro, sobretudo aquelas que não o possuem. Por que não o possuem? Porque o desprezam. Não devemos nos surpreender se o dinheiro não quiser ficar com eles. Uma tradição cristã afirma que a pobreza dá mais felicidade do que o dinheiro, que é difícil que um rico entre no Céu e que apenas os pobres têm o direito de ir para lá. O que muitos pobres esperam do Céu? Dinheiro, é claro. Ao mesmo tempo esperam que, nele, os ricos fiquem pobres. Quer dizer, não renunciam absolutamente ao dinheiro, mas fazem pouco por ele, salvo ser pobres. Exagerei um pouco aqui, estou brincando. Mas agora vamos diretamente ao dinheiro. O dinheiro é algo espiritual. O dinheiro é vida. Sem dinheiro, ninguém pode sobreviver em nossa sociedade. O dinheiro nos permite continuar vivos. Como ganhamos o dinheiro? Ganhamos o dinheiro quando trabalhamos por algo. O dinheiro é a recompensa por algo que coloca a nosso alcance, ao nosso e ao dos outros, os meios para continuar vivos. Este dinheiro serve à vida. Se alguém trabalhar duramente para nós e nós ganharmos graças a seu trabalho, devemos pagar-lhe o salário correspondente. Só se fizermos isso poderemos conservar aquilo que obtivemos mediante seu trabalho. O que acontece se alguém exige mais do que vale seu desempenho? Conservará ou perderá seu emprego? O que ganhará se exigir mais do que aquilo que corresponde a seu serviço? Ao contrário, se alguém disser: “Para mim é suficiente um salário reduzido, não preciso de tanto”. O que acontece com seu desempenho? Ele o reconhece? Os outros o reconhecem? Pode aumentá-lo e conseguir
  • 96. mais clientes? Ou será menos solicitado porque despreza seu desempenho, pedindo por ele menos do que ele vale? Vai depender do equilíbrio adequado entre o dar e o tomar. O salário com o qual pagamos alguém e que corresponde ao que ele prestou para nós, vai motivá-lo a nos servir também no futuro. O equilíbrio entre o dar e o tomar sustenta e conserva um relacionamento. Lá onde o equilíbrio falha, perdemos algo. 5º. EXEMPLO: Homem e mulher, juntos ou separados HELLINGER a uma mulher. Do que se trata? MULHER: Meu marido e eu possuímos dois restaurantes. Ele dirige um, eu o outro. Temos uma empresa juntos com dois restaurantes. HELLINGER: Quem começou com isso? MULHER: Os dois juntos. HELLINGER: De onde vinha o dinheiro? MULHER: De minha família. Ela fez com que fosse possível obter um crédito. HELLINGER: Qual é, agora, a dificuldade? MULHER: Meu marido quer começar outra coisa. Quer que eu venda meu restaurante e o reparta entre os funcionários. HELLINGER: Quer dizer que quer se tornar independente de você. Vamos constelá-lo. Hellinger escolhe um homem para o restaurante do marido e uma mulher para o restaurante dela. Estão um junto do outro, a quatro metros de distância. A cinco metros, em frente a eles, coloca, bem juntos, uma representante da mulher e um representante do homem.
  • 97. O restaurante do homem se afasta. O homem e a mulher vão em direção ao restaurante da mulher. A mulher se coloca à direita de seu restaurante e segura sua mão. O homem fica de pé a dois metros diante delas. A mulher lhe estende a mão, mas ele não a pega. Quer se colocar do outro lado do restaurante, mas este lhe dá as costas. O restaurante e a mulher saem da frente dele e o enfrentam a dois metros de distância. Então se afastam dele vários passos. O homem se inclina para a frente e segura seu joelho. Enquanto isso, seu restaurante se afasta para bem longe e olha para o chão. Hellinger escolhe uma mulher e a coloca a cinco metros de distância do homem. HELLINGER a essa representante: Você representa a nova empresa. O homem ergue o corpo e vai em direção à nova empresa. Pega na mão da mulher e quer arrastá-la com ele para essa empresa nova. Mas ela segura firme seu restaurante. Depois de um tempo, o homem vai para sua mulher e a abraça. Ela responde ao abraço, mas continua olhando para seu restaurante e o segura firme. A nova empresa se aproxima mais do restaurante da mulher e quer colocar a mão nas costas dela. O restaurante a rejeita. O homem tenta novamente puxar sua mulher para ir junto da nova empresa. Ela o rejeita e vai a seu restaurante. Ambos se abraçam firmemente. HELLINGER à mulher. O que vimos aqui? O homem quer ter o comando do seu restaurante. O restaurante não o quer. Não lhe pertence. Pertence a você.
  • 98. Um marido nunca pode ter o comando em uma empresa que pertence a sua mulher. Se, no entanto, ele a assumir, levará a empresa à falência. Foi uma boa solução que ele tenha seu próprio restaurante. Mas era menor e não era suficiente para ele. Ele quer mais. Conseguirá isso assim que fundar sua própria empresa. Só então será independente e você também. Ele queria que você o seguisse para a empresa dele. Isto não está certo, pois você já tem a sua própria empresa. Cada um fica na própria. Se ele fundar algo próprio para si, o amor de vocês terá uma nova oportunidade. Pudemos ver isso aqui. É bom para vocês que cada um tenha sua própria empresa. Esta é a solução neste caso. Aos representantes: Obrigado a todos. A HIERARQUIA DO HOMEM E A MULHER NA EMPRESA HELLINGER ao grupo: Pude observar o que acontece quando uma mulher herda uma empresa e seu marido trabalha nessa empresa ou assume, inclusive, um papel na direção. Ele leva a empresa à falência. Não sei por que isso acontece. É apenas uma observação. Isto significa que quando uma mulher herda uma empresa ou ela própria a fundou, deve dirigi-la. Seu marido deve procurar algo próprio, um trabalho próprio ou uma empresa própria. Se for ao contrário, não importa. Uma mulher pode trabalhar em qualquer momento na empresa do marido. NOSSO MAIOR SUCESSO Nosso maior sucesso é o amor bem sucedido. O maior sucesso de nossa vida adulta é uma relação bem sucedida. Uma relação posterior apenas pode dar certo se nossas primeiras relações deram certo: a relação com nossa mãe e com nosso pai. Nosso sucesso começa com nossa mãe e com nosso pai.
  • 99. O maior obstáculo para nosso sucesso são as imagens internas que fizemos de nossa mãe e de nosso pai. Todas estas imagens servem ao mesmo objetivo. Vou dizer com todo rigor: servem para nos livrarmos de nossa mãe e de nosso pai. Ainda podem me seguir? Sintam em vocês quais as consequências dessas imagens, como, com sua ajuda queremos nos livrar internamente de nossa mãe e de nosso pai. Pode haver uma perda maior? Nenhuma perda tem consequências de maior alcance do que perder nossa mãe e nosso pai. Todas estas imagens internas são errôneas. Servem como justificativa para nos livrarmos de certa maneira de nossa mãe e de nosso pai. Com elas conseguimos efetivamente nos livrar deles, pelo menos no pensamento. Qual é o resultado? Já não nos sentimos obrigados em relação a eles. Mediante estas imagens e sentimentos relacionados a elas, compramos certa independência e liberdade e ficamos sobre nossos próprios pés. Já sendo adultos nos encontramos com um parceiro e esperamos que nosso amor por ele tenha sucesso. O que acontece imediatamente com ele? Devo continuar? Ainda podem me seguir? Criamos imagens de nosso parceiro de um modo parecido com aquele que fizemos de nossa mãe e de nosso pai. O que queremos conseguir, em último caso, com estas imagens internas? Também queremos nos livrar dele. Também, neste caso, vemos o efeito destas imagens internas. Onde começa nosso sucesso em todas as áreas? Onde começa o sucesso de nosso amor? Admitimos que nosso amor dá certo quando reconhecemos o quanto dependemos de nossa mãe e de nosso pai e, mais tarde, de nosso parceiro. O que acontece então conosco? Tomamos aquilo que nos presenteiam e nos livramos de nossa liberdade. Admitimos que precisamos do outro,
  • 100. que dependemos dele de diferentes maneiras. Ao mesmo tempo, ao tomarmos deles aquilo que nos dão, nós nos sentimos seus devedores. Qual é o efeito desse sentimento de ser devedores? Do mesmo modo que tomamos deles, nós lhes devolvemos algo maravilhoso. Isso apenas é possível de maneira limitada no caso de nossos pais. Aquilo que lhes devemos é muito. Equilibramos com eles o tomar e o dar só dando a outros aquilo que recebemos deles. Nós o transmitimos. A quem? Primeiro a nosso parceiro. Deste modo o amor a nosso parceiro acaba sendo bem sucedido, muito bem sucedido. Depois fundamos uma empresa. O que fazemos com nossa empresa? Transmitimos aquilo que recebemos de nossa mãe e de nosso pai. Logo nossa empresa terá sucesso e dizemos adeus a nossa liberdade. O que ocupa o lugar de nossa liberdade? O agradecimento. Tomamos agradecidos aquilo que a vida nos dá. Este agradecimento é a chave de qualquer sucesso. Com isto este curso acaba e algo novo começa. Como? Com sucesso. Do 3º. Curso Nacional de Pichl, Áustria 30 de abril e 1º. de maio de 2009 210 participantes, idioma alemão INTRODUÇÃO: PANO DE FUNDO DAS CRISES HELLINGER: Antes de mais nada, gostaria de dizer algo sobre um tema bem atual. Direi algo sobre as crises. Como se chega a uma crise? Uma empresa, ou nós em nossa vida e em nossas relações, entramos em crise quando nos excedemos além de
  • 101. nossas forças ou possibilidades. De repente não prosseguimos mais. Uma crise indica quais são nossos limites. Toda vez que uma situação se torna crítica devemos refletir novamente. Devemos planejar novamente como agir e devemos reunir nossas últimas forças para superar essa crise. As crises surgem nos relacionamentos, nas empresas e em nosso trabalho quando não conhecemos determinadas ordens e por isso não as observamos. Se conhecêssemos e compreendêssemos o alcance dessas ordens, evitaríamos muitas crises. No entanto, as crises também fazem parte do progresso, pois só através delas reflexionamos novamente, podemos experimentar e fazer coisas novas. A compreensão dessas ordens é a base da Hellinger Sciencia®. Trata-se de uma ciência, pois essas ordens são leis implacáveis. Apenas se as conhecermos - se as conhecermos com exatidão científica - e soubermos como podem e devem ser aplicadas, podemos ter sucesso duradouro em nosso trabalho e em nossas organizações e empresas. Podem me ouvir? No início soa muito teórico. Mas logo poderão comprovar em que medida estas ordens os atingem e os afetam. No fundo, neste curso trataremos apenas de relações - nada mais! Não dos conteúdos de uma empresa, um trabalho e uma organização. Para isso precisa-se de conhecimentos especializados nos quais não nos intrometemos em absoluto. Nossos conhecimentos especializados são as ordens nas relações. Isto é o que transmitimos aqui. AS ORDENS DO DAR E DO TOMAR A primeira ordem que importa neste caso é a Ordem do Dar e do Tomar. Dar e tomar são necessidades básicas da vida. As relações dão certo quando o dar e o tomar estão equilibrados. Quando aquele que toma também dá e quem dá também toma. Por isso é fundamental nas empresas a participação nos lucros, sobretudo por parte daqueles que contribuem com maior desempenho. Se o lucro fluir para outra parte, as relações dentro de uma empresa ficam transtornadas.
  • 102. O lucro de um trabalho ou de uma empresa ou de uma organização está relacionado com aquilo que é dado aos outros. Nosso trabalho e a organização que está detrás de nosso trabalho estão a serviço do cliente mediante aquilo que oferecem. Definitivamente, estão a serviço da vida. Se procurarmos em nós o significado de “naquilo que fazemos servimos à vida, à nossa e à de muitos outros”, o que muda imediatamente em nós? Eu fico feliz quando vejo que aquilo que faço e aquilo no qual me empenho serve à vida de muitos. Eu me sinto feliz e vivo mais plenamente. Através daquilo que ofereço à vida dos outros, ao apoiá-la, eu mesmo fico mais vivo e mais pleno. O que resta de mim se o fizer a contragosto? Talvez algumas cédulas. Isso seria tudo. Mas isso não merece tal esforço. Esta seria então a primeira ordem: dar e tomar em equilíbrio. O TODO Ainda há uma segunda ordem: há um todo que fica inteiro e permanece inteiro se todos aqueles que fazem parte dele forem valorizados como fazendo parte. Nas famílias está claro: assim que alguém for excluído, a família se sente incompleta. Cai na desordem e perde força. Eu não sou um especialista para muitos detalhes das empresas, mas imagino algumas coisas. Imagino, por exemplo, que uma empresa rouba uma patente. Então aquele de quem se obtém um lucro é excluído. O que acontece então com a empresa? Ou alguém tem uma grande ideia, outros a adotam e o excluem. Quanta força tem a empresa fazendo isso? Excluindo alguém que lhe dera tanto lucro? Esta é também uma transgressão da ordem do dar e do tomar. Este é um tema delicado e devo ser prudente para não me intrometer. Há, por exemplo, situações nas quais uma empresa demite alguém injustamente. Algumas vezes pude ver em constelações o que acontece nesses casos. Os outros funcionários ficam imediatamente enfraquecidos. Já não podem dar seu total desempenho. Se o excluído
  • 103. for introduzido de uma determinada maneira - não o readmitindo, fato que não é possível e nem eficaz - mas reconhecendo que de certa maneira se cometeu uma injustiça com ele, este se torna benévolo em sua postura e imediatamente algo muda na empresa. Hoje em dia, a exclusão muitas vezes funciona sob o curioso nome de dispensa. Não é terrível? Esse desprezo numa só palavra, este desdém tem um efeito imediato sobre aqueles que ficam. Também neste caso deve ser equilibrado. Não é possível considerar uma empresa como uma família, onde cada um tem o mesmo direito de pertencer. Apenas aquele que colabora com um desempenho correspondente pode pertencer a uma empresa. Está claro. Veremos os efeitos que isto tem concretamente quando constelarmos empresas ou profissões concretas. A HIERARQUIA A terceira ordem essencial é apenas conhecida ou talvez desconhecida em muitas empresas. Muitas empresas vão à falência, pois não conhecem esta ordem fundamental. Trata-se da ordem da hierarquia. A hierarquia é, neste caso, concretamente, uma sucessão no tempo. O que veio antes tem precedência sobre o que vem depois. Quase todos os conflitos na empresa surgem porque as pessoas subsequentes ou um departamento subordinado ou um produto consecutivo quer ficar no primeiro lugar. Podem me seguir? Este foi um resumo. Neste curso aprendemos conjuntamente, dando cada um sua colaboração, como podemos encarar as crises. Neste caso, especialmente, as crises no trabalho, na profissão, nas empresas. Se quiserem, vocês mesmos podem aplicar isto em sua vida pessoal e nas crises da vida e das relações. Aqui vamos nos concentrar especialmente nas Leis do Sucesso no trabalho e na profissão. Isto foi apenas uma introdução, uma visão geral, para que vejam o que virá a nosso encontro.
  • 104. O PROCEDIMENTO O procedimento é sempre o mesmo. Apesar de tantos participantes estarem aqui, minha mulher e eu sempre trabalhamos com todos. Se, por exemplo, trabalharmos com um indivíduo e com seu problema, nós o fazemos de maneira tal que todos se beneficiem. Por isso também é importante quem eu escolho para um trabalho concreto. Não é todo aquele que quer, mas eu pergunto quem tem um assunto com uma empresa, pois eu quero começar com isso. Eles levantam a mão e então me deixo guiar por um movimento interno e escolho alguém. Não porque eu goste dele ou o conheça, mas simplesmente em sintonia com um outro movimento. A experiência é que, então, todos se beneficiam de uma maneira especial. A BÊNÇÃO As empresas precisam de uma bênção para dar certo. Dar a bênção significa, por um lado, que eu deixo algo partir com benevolência. Então o outro está livre para seu próprio caminho e seu próprio destino. Quando damos a nossa bênção desta maneira, também somos livres. Por exemplo, quando dizemos que alguém dá a alma ao Criador. Isto significa que ele o deixa partir e, mediante sua bênção, liberta-se dele. Entretanto sua bênção também atua sobre aquilo que ele deixa para trás. Mas, abençoar, também significa que desejo algo bom a alguém. Quero- lhe bem, mas ao mesmo tempo também o deixo livre. O que acontece depois de um tempo? O que eu abençoei retorna a mim. Retorna de outro modo, mais rico, mais pleno, mais feliz. Minha bênção também me abençoa quando retoma a mim. Estes são os movimentos fundamentais da vida. Quando uma mãe abençoa o filho e este toma a bênção, ele fica livre. Isto vale na mesma medida para nossas empresas e nosso trabalho. O que resta daquele que não está abençoado, daquele que não quer uma bênção?
  • 105. Uma das grandes compreensões de nosso trabalho é de que toda bênção começa com a mãe. Quando alguém faz uma assessoria profissional, para o que está olhando? Se tiver uma conexão com a mãe, sempre terá sucesso, faça o que fizer. Se não a tiver, já pode esquecer o resto. Podemos vê-lo todos os dias. Quando alguém procura um funcionário ou um sócio para sua empresa, a primeira coisa que interessa é que olhe como é a relação deste com sua mãe. Se for boa, será um bom funcionário a serviço da empresa, pois se comportará em relação à empresa da mesma maneira do que em relação a sua mãe: agradecido, como alguém que toma e ao mesmo tempo dá. Quando conhecemos esta lei, esta ordem, podemos ter sucesso de muitas maneiras. 6º. EXEMPLO: A fusão HELLINGER a um homem: De que tipo de empresa se trata? HOMEM: Na realidade se trata de duas empresas. Eu próprio tenho uma empresa pequena de muito sucesso. Mas também se trata de uma empresa grande de meu pai. A questão é esta: Devo fusioná-las, unir a empresa de meu pai à minha? HELLINGER ao grupo: Ele falou de duas empresas. Mas agora vamos ver a hierarquia. Qual é a empresa que vem em primeiro lugar? Ao homem: De que empresa devemos nos ocupar primeiro? HOMEM: Eu acho que da empresa familiar. HELLINGER: Claro. Se colocarmos algo em ordem ali, ajuda a outra. HOMEM: A empresa que eu devo absorver está numa crise. Eu me separei dela faz 15 anos. HELLINGER: Então, vamos olhar para empresa que está em crise.
  • 106. Hellinger escolhe um representante para o pai e uma representante para a empresa. Eles ficam um em frente ao outro, sem se mexerem, a quatro metros de distância. HELLINGER ao homem: De quem veio o dinheiro para a fundação da empresa? HOMEM: De meu pai. Meu pai e minha mãe tinham poupado esse dinheiro. Além disso, minha mãe trabalhava. Tinham ganhado esse dinheiro com seu trabalho. HELLINGER: Então acrescentarei um representante para a mãe. Escolhe uma mulher e lhe pede para se posicionar onde ela achar bom. Ela se coloca a dois metros à esquerda do homem. A empresa apenas olha para ela. HELLINGER ao homem: É estranho quando olhamos para isso. Quem é a pessoa mais importante? O pai não se digna a olhar para a mãe, mas a empresa quer ir até ela. Quantos irmãos você tem? HOMEM: Nenhum. HELLINGER: Coloque-se você também, seguindo a sua sensação. Ele se posiciona à esquerda, do lado da mãe, e olha com ela para a empresa. Mãe e filho se olham rindo. Hellinger coloca o pai detrás da empresa. HELLINGER à empresa: Como se sente agora? EMPRESA: Sinto cócegas no corpo todo. Eu me sinto bem. Mãe e filho continuam se olhando e rindo. Depois de um tempo, Hellinger coloca o filho em frente à empresa e sua mãe detrás dele. HELLINGER ao homem: Como se sente?
  • 107. HOMEM: Estou bem. HELLINGER: Como se sente a empresa? EMPRESA: Bem. A mãe me incomoda um pouco. Mas posso olhar para o filho. Eu me sinto bastante grande. Hellinger coloca também a mãe detrás da empresa, à direita do pai. O filho está agora sozinho em frente à empresa. HELLINGER à mãe: Olhe com amabilidade para seu marido. Como precaução. Ambos se olham rindo. EMPRESA: Eu me sinto muito bem. HELLINGER ao pai: E você? PAI: Bem. HELLINGER: OK. HELLINGER ao grupo: Com frequência tenho feito uma observação em cursos deste tipo sobre as Leis do Sucesso no trabalho e na profissão. Muitas vezes não se presta atenção às mulheres. Isso tem um efeito enfraquecedor sobre a empresa. Aqui estava muito claro que se menosprezava a mãe. HELLINGER ao homem: O que seu pai fez anteriormente com sua mãe? Provavelmente o mesmo. Também não olhava para ela. O sucesso tem muito a ver com o respeito pela mãe e com sua bênção. Se você ficar focado nisto, tudo ficará ainda melhor com você. 7º. EXEMPLO: Que serviço? HELLINGER a uma mulher que escolhera e que está sentada a seu lado: Uma empresária tão jovem! Do que se trata?
  • 108. MULHER: Trabalho num projeto numa grande empresa e agora surgiram muitos problemas. A questão é a seguinte: É oportuno e pode se realizar? HELLINGER: Qual é sua função nessa empresa? MULHER: Fui encarregada de realizar o projeto. Na verdade sou a divulgadora e tenho que fazer a comunicação com outras, através de minha empresa, e atingir, fora dela, determinados grupos. HELLINGER: Qual é agora exatamente o problema e o assunto? MULHER: Há necessidade de mais diálogo entre os diretores das diferentes empresas, necessidade de fomentar o projeto e, de fato, colocá-lo em funcionamento. Este projeto é constituído por cinco firmas diferentes, e elas o dirigem. Umas estão muito comprometidas e dizem que é um assunto genial, as outras estranhamente acabam desistindo. Os jovens, o grupo destinatário, primeiro participam com muito entusiasmo e depois desaparecem novamente do cenário. HELLINGER: Pergunto novamente por detalhes. Participam cinco empresas? MULHER: E uma autônoma, responsável pelo projeto. Quer que lhe paguem, e de repente todas desistem e dizem: “Então melhor não”. HELLINGER: A primeira empresa é, digamos, a fundadora, e depois foram adicionadas as outras cinco? MULHER: Fundaram-se duas empresas e as outras se adicionaram porque surgiu de uma iniciativa maior. HELLINGER: Outra vez: Quem fundou tudo isso? MULHER: Duas empresas. HELLINGER: Juntas, ao mesmo tempo? MULHER: Na realidade é algo no nível da Alemanha toda. Na realidade não devia ser apenas comercial, mas para promover gente jovem.
  • 109. HELLINGER ao grupo: Ainda estão entendendo? Devemos confiar, ao acaso, nos movimentos que aqui surgirem? Estão dispostos? À mulher. Quem sabe o que dará; pode ser uma grande surpresa. Escolha representantes para as cinco empresas e coloque todos eles em relação entre si. Ela escolhe cinco representantes e os coloca em um círculo amplo com uma grande distância entre eles. HELLINGER: Qual é a tarefa destas cinco empresas? MULHER: Apoiar tudo isto e depois unificá-lo como iniciativa alemã. HELLINGER: O que devem apoiar? MULHER: Primeiro este projeto. Este, digamos, deve se tornar independente para a promoção de jovens, de gente jovem. HELLINGER: Ou seja, o objetivo é a promoção de jovens? MULHER: É. HELLINGER: Está bem. Escolha cinco representantes para os jovens e os coloque. Ela escolhe cinco representantes e os coloca em fila a cinco metros de distância do círculo de empresas. HELLINGER aos representantes: Centrem-se e movam-se tal como sentirem de dentro. Vamos ver o que surge. As empresas se afastam dos jovens e olham na direção oposta. Também os jovens se afastam. HELLINGER à mulher: Um grande ideal sem substância alguma. Está claro para você? MULHER: Sim. HELLINGER: Procure outro emprego. Gargalhadas no grupo.
  • 110. HELLINGER aos representantes: Obrigado a todos. Ao grupo: Imaginem só, isto nos levou apenas dez minutos. Quanto esforço em vão muitas empresas poderiam economizar se olhassem assim para seus projetos e vissem os movimentos profundos. BOLHAS DE AR HELLINGER: De onde uma organização, uma empresa ou uma fábrica tira sua energia? Do serviço que dão. Numa constelação fica evidente imediatamente se é necessário ou não. Se for necessário e cumprir com seu serviço, vai se tornar uma empresa próspera. O que pudemos ver aqui, todas essas propostas ideais de servir às pessoas jovens, qual é o efeito? Tornam-se autônomos? Tudo isso são bolhas de ar, sem substância. Aquilo que serve, serve de imediato. 8º. EXEMPLO: O sim HELLINGER: Vou fazer algo muito concreto, algo que se trate de uma decisão, de uma decisão clara. Isto ou aquilo, este produto ou este outro, esta fábrica ou aquela, este diretor ou aquele. Também sobre a decisão se convém esta casa ou aquela, este país ou aquele. Ou seja, simplesmente uma decisão: isto ou aquilo. Podemos ver como é fácil alcançar uma decisão se confiarmos nos movimentos de uma constelação e lhe dermos espaço. Alguém aqui gostaria de ver algo assim? Um homem se apresenta e senta-se ao lado de Hellinger. HELLINGER a este homem: Do que se trata? HOMEM: Tenho uma empresa na Dinamarca. Agora devo decidir se a deixo ou se a conservo, ou se monto outra coisa com a ajuda da primeira empresa. HELLINGER: Se eu entendi direito, trata-se de um sim ou de um não. Se vai conservar a empresa ou se em seu lugar faz outra coisa. É esta a decisão?
  • 111. HOMEM: É. HELLINGER: Está bem, escolha alguém para o sim e alguém para o não. Escolhe um homem para o sim e uma mulher para o não. Agora ambos estão um em frente ao outro, a grande distância. Hellinger escolhe um representante para o homem e o coloca a grande distância em frente ao sim e ao não, de modo tal que formam um grande triângulo. O não e o sim se afastam dando passos curtos. O homem dá, hesitante, dois passos para diante. O sim e o não se afastam na mesma medida. Depois de um tempo, Hellinger vira o representante do homem, de maneira tal que dá as costas ao sim e ao não. O homem se agita como se estivesse aliviado. No mesmo momento, o sim e o não se viram e lhe dão as costas. HELLINGER ao representante do homem: O que é isso? REPRESENTANTE DO HOMEM: Ainda não tenho certeza. Depois de um tempo. É melhor assim. HELLINGER para o homem: O que você diz em relação a isso? HOMEM: É novamente uma pergunta tão grande. HELLINGER: A decisão aqui não vale. Sabe por quê? HOMEM: Não. HELLINGER: Porque você quer morrer. O homem fica muito mexido. HELLINGER: A decisão neste caso é: nem sim nem não. Ao representante do homem: Vire-se outra vez. Hellinger escolhe um homem como representante do filho do homem. É evidente que Hellinger tem informação sobre esse filho do treinamento
  • 112. intensivo que precedeu este curso. O representante não sabe nada sobre isso. Hellinger faz com que o próprio homem ocupe um lugar na constelação. O filho está em frente a seu pai a dois metros de distância. O sim e o não se giraram novamente e olham para esse homem. HELLINGER: É estranho que tenham se virado. O homem aproximou-se do filho e coloca as mãos nos seus ombros. Ambos se olham intensamente e se abraçam. O sim se aproxima deles e pega o homem das mãos. O homem e o filho, ainda abraçados, afastamse do sim. O não está a dois metros por trás do sim. O sim se afasta de novo. Está junto ao não. Ambos se afastam ainda mais. Hellinger escolhe uma representante para a empresa e a coloca a um metro de distância diante do sim e do não. O homem e o filho, ainda abraçados, se olham intensamente nos olhos. Depois de um tempo se soltam do abraço. O homem continua com as mãos nos ombros do filho. A empresa se ajoelha, senta-se e olha para o homem e seu filho. Hellinger faz com que o homem e o filho fiquem um do lado do outro. A empresa se deita no chão. O sim se aproxima novamente. O filho vai em direção ao sim e lhe estende a mão. O sim quer levar o filho com ele. Ambos se olham intensamente. Hellinger pede à empresa para se levantar novamente e olhar para o filho e para o sim. O homem afasta violentamente o filho do sim. Volta a colocar as mãos nos seus ombros. HELLINGER ao grupo: Bem grosseiro.
  • 113. Para aqueles que são novos, uma informação sobre o filho. Este - um menino pequeno - é hemiplégico. O sim se afastou e sentou-se no chão. HELLINGER ao homem: Diga a seu filho: “Estou zangado com você”. HOMEM, depois de respirar profundamente várias vezes: Estou zangado com você. HELLINGER: “Você tira a vida de mim” HOMEM: Você tira a vida de mim. Tira as mãos dos ombros do filho e sacode a cabeça. Põe as mãos na cabeça, se afasta uns passos e olha em torno, desamparado. O sim se levanta e pega o filho da mão. O homem balança novamente a cabeça e respira profundamente. HELLINGER ao homem: Diga agora a seu filho: “Eu fico”. HOMEM, com voz firme: Eu fico. HELLINGER: “Totalmente”. HOMEM: Totalmente. Começa a chorar. HELLINGER: Permaneça na força. O homem respira profundamente e se tranquiliza. O sim se solta do filho e se afasta alguns passos. O homem estende as mãos ao filho. HELLINGER: Diga-lhe: “Fico com amor”. HOMEM, com voz clara: Fico com amor. O sim senta no chão.
  • 114. HELLINGER: Diga ao filho: “Você é minha empresa”. HOMEM: Você é minha empresa. Depois de um tempo, Hellinger acrescenta a mãe. Ela fica algo afastada. O filho se gira imediatamente em direção a ela. Vai com ela. Ambos se abraçam. O filho chora. O homem está em frente a eles e vai lentamente em sua direção. Mãe e filho se separam, mas continuam de mãos dadas. A mãe acaricia seu rosto. O sim está atrás deles, como se quisesse uni-los. O homem se interpõe novamente e afasta o sim com um empurrão. Coloca, por trás, as mãos nos ombros da mulher e do filho. HELLINGER ao sim: Como se sente? REPRESENTANTE DO SIM: Dou o melhor de mim, mas é inútil. A mãe se afasta e se agita. Pai e filho ficam um em frente ao outro. HELLINGER ao homem: Agora grite bem forte: “Não”. Ele se vira para sua mulher e grita o mais forte que pode: Não! O sim se coloca novamente detrás do filho e o segura firme pelos ombros. O homem segura a cabeça. Segura ambos os braços e cai no chão respirando ofegante. A mãe está muito comovida. Afasta-se para longe. O homem tenta se levantar, mas não o consegue. Cai novamente no chão. O sim e o filho cruzam os braços nas costas e se afastam. Depois de um tempo se afastam do homem e vão em direção à mãe. Finalmente, a mãe, o sim, o filho e a empresa se dão as mãos formando um círculo. O não se afasta. O homem se levanta. Os quatro abrem a roda para ele. Ele se curva profundamente perante eles e se dirige lentamente em direção aos quatro.
  • 115. A mulher vai a seu encontro e pega suas mãos. O sim leva o homem e a mulher para mais perto do filho até que estão junto a ele. Então se afasta. O homem e a mulher se olham com amor e atraem o filho. A empresa estende os braços. O homem toca com sua testa a testa da mulher. HELLINGER: A decisão foi tomada. Aos representantes: Obrigado a todos. Ao homem: Eu me esforcei tanto quanto pude. Tinha o menino no coração e você também. Agora vai dar algo bom para todos. Boa sorte. Aplausos no grupo. HELLINGER ao grupo: Alguns que escutaram dizer que nas Constelações Familiares se faz algo viram que aqui não se faz nada. Aqui acontece algo em outra dimensão. Agora tudo está em ordem. Já não há perguntas. Está tudo claro. 9º. EXEMPLO: A exclusão HELLINGER: Proponho trabalhar com uma empresa, onde se trate da estrutura interna de uma empresa, onde analisaremos detalhadamente a hierarquia desse sistema ou dessa organização ou dessa empresa. Quem gostaria de olhar para isso comigo? Uma mulher se apresenta e se coloca ao lado de Hellinger. HELLINGER: Que tipo de empresa você tem? MULHER: Temos um negócio de automóveis. Meu pai e minha mãe fundaram a empresa. Em 2003 meu pai passou para mim e para meu irmão a gerência. Eu sou a segunda, meu irmão é o primeiro. HELLINGER: Já ouvi tudo. Vamos começar colocando representantes para a empresa. Quantos funcionários vocês têm? MULHER: 35.
  • 116. HELLINGER: Isso é uma grande empresa. MULHER: Existem também duas localizações. Hellinger escolhe uma mulher para a empresa. Depois coloca a própria mulher e um representante de seu irmão, de lado, em frente à empresa, a seis metros de distância. O irmão está à direita da mulher. Ambos se olham amavelmente. Depois de um tempo o irmão dá um passo à direita. Um tempo depois, Hellinger escolhe um representante para o pai e uma representante para a mãe, colocando ambos no espaço que resta entre a empresa e os dois irmãos, a grande distância. Mãe e filha vão uma em direção a outra, colocando-se uma ao lado da outra. Olham para o irmão, que permaneceu no seu lugar. A empresa vai em direção ao pai e se coloca a seu lado. HELLINGER ao grupo: É interessante o que vemos aqui. À mulher. Houve uma primeira esposa? MULHER: De meu pai? Não que eu saiba. HELLINGER: Parece ser assim. EMPRESA: Quando entrou a mãe, para mim isso foi por um breve momento como uma retirada. Não foi desagradável, só muito breve. Depois desapareceu. Também não estava zangado com ela. HELLINGER à mulher. Vocês podem dirigir a empresa, quando olham para isso? MULHER: É difícil. HELLINGER: Exato. Ao representante do irmão: Como se sente? REPRESENTANTE DO IRMÃO: Sinto dor e estou muito confuso. HELLINGER à mulher. E você? MULHER: Estou bem.
  • 117. HELLINGER: A mãe está bem? MULHER: Sim. HELLINGER: Vamos experimentar uma coisa. Acrescentarei outra representante. Hellinger escolhe uma mulher e a coloca a cinco metros de distância do irmão. HELLINGER à representante: Você é o segredo. O irmão se sente imediatamente melhor. Hellinger coloca o segredo brevemente ao lado da empresa, depois à esquerda do pai e depois à direita do irmão. Ambos se olham rindo. HELLINGER à mulher: Há algum outro filho, um excluído? Sabe algo sobre isso? MULHER: Meu irmão é o primeiro, eu a segunda. Sinto que ainda deve haver alguém aí entre nós. Hellinger coloca o segredo entre o irmão e a mulher. Ele afasta a empresa do pai, que a quer reter e não consegue soltá-la, e a coloca em frente aos irmãos. HELLINGER ao grupo: Que coisa! A empresa representa para o pai um filho oculto. À empresa: Agora você se sente bem. A empresa vai lentamente em direção aos irmãos e olha de vez em quando para o pai. HELLINGER ao grupo: Acho que está suficientemente claro. Aos representantes: Obrigado a todos. Ao grupo: Hoje de manhã, quando eu falava das crises e das ordens, de como as crises são superadas, falei um pouco da exclusão. Agora nos vemos confrontados o dia todo com os efeitos que uma exclusão tem nas
  • 118. empresas e naqueles que querem dirigir uma empresa. Sem os excluídos fica difícil para eles. À mulher. Agora vocês se sentem bem. A empresa tem futuro. Procure agora a irmã e a inclua em sua empresa. Aplausos no grupo. A PLENITUDE Fechem os olhos por um momento. Vão a seu trabalho ou profissão ou sua empresa. Sintam se falta alguém à direita ou à esquerda. Sintam simplesmente, sem procurar. É possível que sintam que falta alguém. Então esperem até que aquele que falta, ou aquela que falta, venha e esteja aqui com vocês. Sintam o efeito em vocês e em seu trabalho, profissão e empresa. Depois de um tempo: OK. Neste sentido sentimos como foi pleno o dia de hoje.
  • 119. PERGUNTAS A HIERARQUIA POR DESEMPENHO E A HIERARQUIA POR PERTENCIMENTO HOMEM: Tenho duas perguntas. A primeira é a diferença interna entre função e pertencimento. Ou seja, uma pergunta pela hierarquia na empresa com referência à função, por uma parte, e o pertencimento temporário. Por exemplo, se alguém chega depois, mas ocupa uma função elevada. HELLINGER: Há uma diferença entre a hierarquia por desempenho, também pela responsabilidade que alguém tem, e a hierarquia temporária. Por exemplo, quando numa fábrica alguém é trazido de fora para uma função diretiva, tem o primeiro lugar por seu posto. Mas tem o último lugar pela hierarquia do tempo. Então é importante que reconheça que ocupa o último lugar na hierarquia do tempo. Muitos que chegam a uma empresa assim com um posto de responsabilidade se comportam como uma vassoura nova que varre o que é velho. Isso tem consequências graves para a organização. A primeira é que os funcionários mais capazes abandonam a organização. Isso deve ser visto. Sobretudo os homens vão embora. As mulheres às vezes ficam um pouco mais. Esta é minha observação. Como agir corretamente neste caso, como se pode observar ambas as hierarquias? Aquele novo que chega para ocupar um posto de responsabilidade comporta-se ao mesmo tempo como se fosse o último. Isto significa: se algo deve ser mudado, ele o discute com aqueles que estavam antes. Procura o seu conselho. Quer dizer, comporta-se como o último e obtém imediatamente o apoio de todos. Deste modo há uma transição e um processo que inclui todos. Quem se comporta de tal maneira que parece dizer: “agora vão ver quem é que manda aqui”, não tem uma boa relação com sua mãe. Trata a empresa como trata sua mãe. Sente-se superior e melhor. Isso precisa ser
  • 120. visto. O lugar seguro é, neste caso, embaixo. Embaixo ninguém pode cair. Mas pode ascender. PARCEIROS EM EMPRESAS HOMEM: O que acontece quando numa empresa comercial o dono tem uma parceira nova e ela realiza trabalhos de escritório? HELLINGER: Está bem. Não há problema. Acontece o contrário, quando uma mulher tem uma empresa, casa com um homem e o leva à empresa. O marido leva a empresa à falência. Vou explicar isso um pouco, pois é importante. O fundador de uma empresa familiar tem vários filhos e deixa a empresa à filha mais velha. Quando ela casa, não pode dar ao marido um posto de responsabilidade em sua empresa. Senão, ele a leva à falência. Todo genro arruína a empresa. É a situação mais perigosa que existe para arruinar uma empresa. Não sei o porquê, é apenas uma observação. Agora comprovem vocês mesmos o que acontece em empresas onde veem um caso assim, em que a mulher possui uma empresa e leva seu marido com ela. O que acontece com a empresa? Podem observar que o marido não tem o respeito dos funcionários. O marido deve fazer algo próprio, independente da mulher. Inversamente, quando um homem herda a empresa e leva a ela a sua mulher - também num posto de responsabilidade - , isso é bom para a empresa. Apenas o homem estraga a empresa quando se incorpora. Não a mulher; a mulher o fomenta. Isto é pura observação. Mas, sabendo disso, vocês podem evitar a falência de muitas empresas. Isto vale especialmente para aqueles que assessoram organizações. 10º. EXEMPLO: O parceiro anterior HELLINGER: Há alguém que queira olhar mais de perto para uma empresa?
  • 121. Um homem se apresenta e se coloca ao lado de Hellinger. HELLINGER: Do que se trata? HOMEM: Faz um ano que tenho uma empresa nova. HELLINGER: Vou constelar isso. Coloque-se ali. Pegarei uma mulher para a empresa e vou coloca-la na sua frente. Ambos estão um em frente ao outro, a quatro metros de distância. O homem dá um pequeno passo em direção à empresa. Esta fica tonta e se vira. HELLINGER ao grupo: Está muito claro, a empresa não o quer e ele tampouco a quer. Não há amor, não há compromisso. Essa empresa está perdida. A empresa pode sentar. Hellinger escolhe outra mulher como representante da mãe e a coloca, como a empresa, em frente ao homem. O homem dá dois passos para a frente. HELLINGER ao grupo: Quando olhamos para isso, só pela impressão, quem é grande e quem é pequeno? Quem se comporta como grande e quem deve ficar pequeno? O homem se ajoelha diante da mãe, ela dá um passo em sua direção. Respira profundamente e coloca uma mão no coração. O homem se curva profundamente frente a ela e toca o chão com a testa. A mulher o olha com amabilidade, sem se mexer. Depois de um tempo, Hellinger escolhe um representante do pai e o coloca ã esquerda da mãe. O filho se levanta e olha para a mãe. Hellinger escolhe outro homem como representante e o coloca a uns metros à esquerda, detrás do filho. O pai e este novo homem se olham intensamente. A mãe dá um passo para trás, se afastando dois passos do pai.
  • 122. HELLINGER ao grupo: Explicarei a situação. É evidente que a mãe tem um parceiro anterior. Seu filho deve representar este parceiro anterior. Portanto se sente superior e não pode ser uma criança. É por isso que acrescentei o outro homem. O filho, ainda de joelhos, vira-se para o outro homem. HELLINGER ao filho: Diga-lhe “Não tenho nada a ver com você”. HOMEM: Não tenho nada a ver com você. HELLINGER: Diga à mãe: “Não tenho nada a ver com ele. Eu apenas sou o filho”. HOMEM: Não tenho nada a ver com ele. Eu apenas sou o filho. HELLINGER: Agora se coloque ao lado de seu pai. Coloca-se em frente a seu pai. Ambos se olham amavelmente. HELLINGER: Diga-lhe: “Aqui sou apenas seu filho”. HOMEM: Aqui sou apenas seu filho. HELLINGER: “Seu trabalho acabou. Obrigado.” HOMEM: Seu trabalho acabou. Obrigado. Hellinger pede aos representantes para se sentarem. Torna a colocar a representante da empresa em frente ao homem. O homem se dirige à empresa. Ela estende ambos os braços. Ambos se abraçam com força. Aplausos no grupo. HELLINGER ao homem: Nada mais se opõe ao sucesso. OK. Está bem. Ao grupo: É surpreendente como uma situação numa família tem efeito imediato em uma empresa.
  • 123. É imediato. A VIDA PLENA Chegamos ao fim deste seminário. Tinha um nome atraente: “Leis do Sucesso na profissão e nas empresas”. O que ficou disso? Aonde fomos parar? No final na vida plena. Tudo isto faz parte da vida. A separação entre trabalho e vida, como alguns pensam, não é permitida. A vida está trabalhando continuamente, sem interrupção alguma. Se temos trabalho e o realizamos com alegria, estamos na vida plena. O trabalho é afetuoso conosco quando nós somos afetuosos com ele. Agora digo algo que não deveria dizer. Às vezes o trabalho nos dá um tapinha no ombro e diz: “Agora você pode descansar um pouco”. Isso também faz parte. Existe o belo relato na Bíblia, que diz que Deus criou o mundo em seis dias e no sétimo descansou. Enquanto isso, o que acontece com o mundo quando Deus descansa? Segue em frente, pois em seu descanso, sente afeição pelo mundo. Esta é uma bela imagem para nós e para nosso trabalho. O urgente não é o que ajuda. Se nos recostarmos e nos deixamos mover em sintonia com este grande poder de placidez e recolhimento, algo acontece - sem grande esforço e, não obstante, com grande atenção. Esta é uma bela imagem. Com esta imagem, Sophie e eu queremos nos despedir em direção a um futuro brilhante. PROCEDIMENTOS ACOMPANHAR O AMOR DO ESPÍRITO Alguns pensam: Que coisas o Hellinger faz, em que alturas ele flutua! Não tem nada a ver com o mundo real. Aqui podemos ver que tem muito a ver com o real. Há um pano de fundo para isto - acompanhar um movimento do espírito que está dedicado a nós.
  • 124. Naturalmente escrevi livros sobre isso. Estes livros não têm nada a ver com organizações e empresas, mas têm a ver com a postura interna que leva ao sucesso em nossa vida e como alcançá-lo. Um livro se chama Viagens interiores1 e o outro Mística natural2 . Ambos os livros foram publicados também como audiolivros. Podem lê-los e ouvi-los. Isto chega à alma de outra maneira muito diferente que apenas os lendo. É possível fazer ambas as coisas: ler e ouvir os livros ao mesmo tempo. BENEVOLÊNCIA Acabei de dizer algo sobre o acompanhar um movimento do espírito. Isto é muito importante quando temos a ver com empresas ou com bancos, aqueles que têm efeitos de longo alcance na economia mundial. Há uma tendência inconsciente, às vezes também entre as pessoas piedosas, que lhe atribuem uma má intenção, ou que apenas olham para seu lucro. Uma experiência com esse acompanhar o espírito, com esse movimento espiritual, ensina que há duas formas de conhecimento. Há uma forma de conhecimento que reconhece aquilo que é. Conhecemos, por exemplo, quando constelamos uma empresa, o que acontece nela. Isto é reconhecer o que é. Mas, às vezes, podem ver que faço algo inesperado, algo totalmente novo. Por exemplo, quando antes acrescentei a relação anterior da mãe. Isso foi surpreendente. Ia mais para além do que era visível. Reconheci o que era e o que podia ser. Estava a serviço daquele que constelava e estava a serviço de sua empresa. Quando em nossa alma sentimos respeito por aqueles que carregam uma grande responsabilidade, é um respeito benevolente. Quando achamos que querem algo bom, que também seu coração pode ser tocado no sentido de que servem de uma maneira boa, então colaboramos para que algo possa dar certo. 1 Editado em português pela Editora Atman. O áudiolivro com o mesmo nome também foi editado pela Atman. (N.T.) 2 No original: Natq¨^erliche Mystik (N.T.)
  • 125. Ou seja, com nossos bons pensamentos e nossa certeza de que também eles estão sendo conduzidos por outras forças, quando estamos em sintonia com elas, influenciamos de uma maneira muito profunda em uma empresa e nos empresários, para que nos ajudem de uma maneira boa e para que ajudem muitos outros, e levem a vida adiante. Esta é uma condição quando trabalhamos aqui com organizações e empresas. As organizações e as empresas são algo criativo. Não algo objetivo. Tampouco o dinheiro é algo objetivo. O dinheiro é um presente do espírito. No dinheiro se condensa algo criativo se o empregarmos de maneira criativa. Às vezes se precisa de uma transformação interna para que estejamos abertos a isso e para vê-lo com devoção. O dinheiro também é uma revelação de Deus. De repente flui de outro modo em nossas mãos e flui de outro modo para os outros. Também volta a nós de outra maneira. DINHEIRO QUE PERMANECE Quero dizer algo sobre o dinheiro. O dinheiro tem alma. O dinheiro é algo espiritual. O dinheiro é o resultado do amor. O dinheiro é adquirido através de um desempenho. É o equilíbrio de um bom desempenho. Se alguém ganhar o dinheiro por seu desempenho, o dinheiro o ama. O dinheiro também permanece com ele, pois foi adquirido através de seu desempenho. O dinheiro também quer render algo - depois. Por isso o dinheiro espera ser gasto. Ser gasto em algo bom, que leve a vida adiante. Então se ganha mais dele - cada vez mais. Através de seu desempenho, o dinheiro entra num circuito de serviço, trabalho e ganho, tudo ao mesmo tempo. Vocês estão podendo me seguir? Se hoje alguém ganhar três milhões de euros na loteria, esse dinheiro gostaria de ficar com ele? Vocês podem ver: ele nunca fica. Apenas fica o dinheiro adquirido por um trabalho.
  • 126. De onde vem a crise econômica mundial? Provém do fato de que determinado dinheiro não quer ficar, pois não se ganhou com um serviço prestado. Há um curioso pensamento cristão que diz: “bem-aventurados os pobres”. Alguns acham que por ser pobres agradam a Deus. Como um pobre pode agradar a Deus? A não ser que ele também fique rico. Então está em conexão com o Deus rico. Muitos são pobres, pois desprezam a parte divina do dinheiro. Curiosamente escrevi algo sobre o dinheiro em meu livro Mística natural. Há aqui alguma relação? Claro que há uma relação. Quando se emprega o dinheiro a serviço da vida, é uma veneração a Deus. Quando trabalhamos com organizações e empresas é importante que olhemos: Como se ganha o dinheiro? Ganha-se por servir, ganha-se pelo serviço prestado? O que se faz com ele uma vez que foi ganho? Há um ciclo do dinheiro e este é, no final, um ciclo do amor e um movimento criativo. Mediante o dinheiro algo começa a se movimentar. Ele é trazido à vida e é mantido em vida. Quando colocamos esse amor no coração, podemos ficar ricos sem que outro deva ficar pobre por isso. 11º. EXEMPLO: Para fora! HELLINGER: Quem gostaria de trabalhar comigo? Um homem se apresenta e senta ao lado de Hellinger. HELLINGER: Tem certeza de que quer? Não tenho certeza de que você tenha certeza. Feche os olhos. Vá a seu movimento interno. Vai para o mais ou para o menos? Onde há mais energia? Você captou? HOMEM: Captei mais. HELLINGER: Para onde vai o movimento? Para o mais ou para o menos?
  • 127. HOMEM: Percebo que algo está se abrindo. Sinto que vai para o mais. HELLINGER: Vai para o menos, evidentemente. Ao grupo: É suficiente ver o rosto dele. Vai evidentemente ao menos. Ao homem: Agora devemos descobrir como podemos inverter o movimento para o mais. Mas isso não tem nada a ver com a empresa, é outra coisa. Não adianta trabalharmos com a empresa antes de ter bem claro como pode se inverter esse movimento. Ao grupo: Inicialmente, este procedimento me parece importante, pois isso tem efeito imediato na empresa e no sucesso. Portanto devo avaliar aquilo que posso e devo fazer agora para descobri-lo. Quando alguém está nesta postura básica, não pode ter sucesso. A questão é como ajudar alguém assim. Mas vou fazê-lo. Ao homem: Tudo bem? HOMEM: Sim. HELLINGER ao grupo: Serei breve. Irei apenas ao essencial Preciso de um representante para ele e veremos o que se mostra. Faremos isto com amor por ele e sua empresa. O representante do homem olha para longe e avança uns passos. Hellinger escolhe uma representante para a empresa e a posiciona em frente ao homem. A representante da empresa se afasta imediatamente vários passos e olha para o chão. O homem dá alguns passos em direção a ela e para. HELLINGER ao homem: A empresa quer falir. Hellinger escolhe três representantes e lhes pede para deitar de costas no chão, entre a empresa e o homem. A empresa se afasta uns passos dos mortos e olha para o homem. Depois caminha em círculos. Enquanto continua girando desse modo se move em direção ao homem e se coloca entre ele e os mortos. É como se o
  • 128. mantivesse afastado dos mortos. O homem quer passar por seu lado para ir para os mortos, mas a empresa estende os braços para impedi- lo. HELLINGER ao homem: Você tem várias empresas? HOMEM: Estou empregado numa empresa e eu próprio tenho uma empresa autônoma. Um dos mortos se levanta e se coloca diante da empresa. O representante do homem passa a seu lado e olha para os outros mortos. A empresa e o morto se dão as mãos e olham para os outros mortos. Hellinger afasta o representante do homem dos mortos e o coloca em frente a uma representante da empresa autônoma. Aquele se dirige a esta empresa. Ambos se dão as mãos. HELLINGER ao homem: A empresa autônoma tem futuro, mas como funcionário será puxado para dentro de algo grave. Você deve sair de lá, sem dúvida. Ou seja, começar aos poucos e ter um grande final. Aplausos no grupo. HELLINGER para os representantes: Agradeço a todos vocês. HELLINGER ao homem: Está muito claro, a atração para baixo não tem nada a ver com você, tem a ver com essa empresa. Você tem que sair dela, senão, ela o vai arrastar. Também a gente pode sair com elegância, sem dizer muito. Tudo bem? OK. HELLINGER ao grupo: Vou explicar porque queria olhar para isso. Quando alguém tem uma atração assim, para o menos ou para a morte, o foco vai, por exemplo, aos mortos na família. A gente se vê atraído para lá. O importante então é: Como podemos deixar os mortos descansarem, sem que se apoderem de nossa vida? Quando alguém sente este movimento interno para o menos, este é um movimento em direção aos mortos, a determinados mortos. Estes retêm a vida.
  • 129. O importante então é: Como podemos deixar os mortos onde estão e chegar a nosso próprio futuro? Há aqui uma experiência de tempos recentes onde fica claro que colocamos um limite para nós mesmos. HELLINGER ao homem: Vou lhe mostrar: Aponta para um tapete localizado no centro e pede ao homem para enrolá-lo. Posiciona o homem a dois metros de distância diante do tapete. HELLINGER: Isto é um limite. Centre-se e sinta em que medida pode ir e se pode superar este limite. O homem vai lentamente, com pequenos passos, até o tapete, olhando para ele constantemente. Então dá um passo por cima dele. HELLINGER: Volte para trás outra vez. Sem olhar, passe outra vez sobre o tapete. Olhe apenas ao longe. Sinta a diferença. O homem olha apenas ao longe e passa por cima do tapete, sem olhar para ele. HELLINGER ao grupo: Ou seja, este limite se mostra na prática como um morto ou como vários mortos. Seu olhar estava dirigido para ele. Não olhou ao longe, apenas depois. Este é o exercício, que olhemos à distância, que o olhar se afaste dos mortos. Então nosso olhar passa por cima deles em direção ao futuro. Muitas vezes devemos dizer: “obrigado” aos mortos. Temos que nos despedir de alguma forma. Então passamos por cima. Este movimento vai para o mais. A HIERARQUIA NUMA EQUIPE A ordem, a ordem! Trata-se da hierarquia da ordem e do lugar adequado numa equipe. Apenas em seu próprio lugar alguém está seguro e pode alcançar algo.
  • 130. É importante que, numa reunião de grupo, todos estejam sentados exatamente de acordo com a hierarquia, isto é, cada um exatamente no lugar que lhe corresponde pelo tempo de pertencimento a essa equipe. A administração está à direita do chefe, se é que deve participar em uma reunião de equipe. Ela tem, depois do chefe, a maior categoria hierárquica. Ela garante que a empresa funcione. À esquerda do chefe está seu assistente ou representante. Então vêm os outros na hierarquia de pertencimento a essa equipe, da esquerda à direita no sentido horário. A RODADA Darei o exemplo de uma reunião de equipe, de como se pode continuar com sucesso. Ou seja, primeiro estão sentados todos de acordo com a hierarquia de seu pertencimento. Então há um método de muito sucesso que conheço pela dinâmica de grupo. Há uma rodada. Isto é, cada um diz algo, exatamente na sequência da ordem como estão sentados, da esquerda à direita, sem que ninguém mais opine sobre isso. Como seriam fáceis as reuniões se cada um pudesse dizer o que quer dizer sem que ninguém diga nada, nem a favor, nem contra. Por exemplo, numa reunião de equipe, o professor de uma escola poderia sugerir a primeira pergunta para cada um: O que deveria ser mudado para que eu me sinta bem nesta escola e possa trabalhar com pleno desempenho? Cada um tem sua vez para falar e ninguém opina a respeito. No final todos já ouviram o que é importante para cada um para poder se sentir à vontade nessa equipe. Esta foi a primeira rodada. Vem então a segunda, onde cada um reflete sobre o que deveria mudar na escola para que se sinta à vontade, inclusive ele ou ela mesma. Esta é a reflexão próxima. É possível que no final se possa escolher entre diversas variantes. Então vem a terceira rodada. Cada um diz qual dessas propostas é, segundo seu ponto de vista, a melhor para todos. Novamente cada um tem sua vez. De repente há uma imagem clara daquilo que permite que cada um tenha um pleno desempenho junto aos outros. Com este método
  • 131. simples, esse grupo virou uma equipe. É eficaz em fábricas e empresas e em muitos outros contextos. QUEM FAZ PARTE DE UMA EQUIPE? É importante que só possam participar numa reunião de equipe assim aqueles que têm uma responsabilidade em comum. Não podem entrar outros de fora, tampouco um assessor, por exemplo. Um assessor sempre está a serviço do chefe, não dos outros. Trago um exemplo: dois assessores de uma grande companhia telefônica participaram de um curso no México. Esta companhia telefônica tem sete empresas independentes. Os consultores assessoram o diretor de uma destas empresas independentes, com milhares de funcionários. Esta empresa tem 31 diretores diferentes, cada um dos quais representa uma área em particular. O problema era que estes diretores tinham conflitos de compreensão entre eles. Coloquei 31 representantes para eles de acordo com a hierarquia do tempo e do pertencimento a essa empresa. O representante desses consultores - ele próprio um empresário - sentiu qual era o lugar de cada um na hierarquia e os reposicionou com a ajuda de seus colaboradores. Finalmente, todos estavam em seu lugar. Apenas um queria passar na frente de todos. Eu percebi logo: este é o último. Sobretudo são os últimos que querem passar na frente. Os consultores de empresa perceberam imediatamente que era isso que leva a empresa adiante. A questão do diretor desta empresa era que os diretores não podiam se comunicar corretamente entre eles. Graças à hierarquia certa, isto ficou garantido no futuro. OUTRA RECEITA DE SUCESSO Um filósofo famoso dizia que um burro, colocado exatamente no meio de dois montes de feno iguais, com o mesmo bom cheiro e o mesmo bom aspecto, com certeza morreria de fome, pois não seria capaz de se decidir.
  • 132. Quando um camponês o ouviu, disse: “Isso apenas aconteceria com um burro filósofo. Pois um burro de verdade, em vez de fazer uma ou outra coisa, comeria o feno de ambos os montes”. EPÍLOGO OUTRA HISTÓRIA DE SUCESSO: As CONSTELAÇÕES FAMILIARES Eu me deparei com as Constelações Familiares. Elas já existiam antes de mim. Thea Schönfelder me mostrou as Constelações Familiares pela primeira vez durante as Semanas de psicoterapia de Lindau e me escolheu como representante do pai de um menino esquizofrênico. Inocente, deixei-me colocar, seguro e animado. De repente reposicionou o representante desse menino e eu caí num buraco profundo. Eu já não era eu mesmo. No final, depois da constelação, senti-me em outra paisagem, ampla e aprazível. Mais tarde a encontrei novamente, outra vez nas Semanas de psicoterapia de Lindau. De novo fiquei muito comovido por seu trabalho com as Constelações Familiares. Não podia entendê-lo, ainda mais porque ela não dizia nada sobre o pano fundo. Um ou dois anos mais tarde fui quatro semanas a um curso longo sobre terapia familiar em Snowmass, no alto das Montanhas Rochosas. Era dirigido por Ruth McClendon e Les Kadis. Também eles mostraram algumas vezes as Constelações Familiares. De novo tive um papel de representante. Outra vez passei por altos e baixos. Também não compreendi dessa vez, nem eles puderam explicar o que acontecia. Um ano depois, Ruth McClendon e Les Kadis vieram à Alemanha e ofereceram dois cursos de terapia plurifamiliar. Quer dizer que trataram ao mesmo tempo, durante cinco dias, cinco famílias, pais e filhos. Novamente, foi difícil para mim compreender os detalhes. Estava a
  • 133. vivência, mas ficava longe a compreensão. Não obstante, o que eu compreendi foi que lá estava o faturo. Depois de um ano o momento chegou. Ousei me dedicar a essa tarefa. Antes disso aconteceram algumas coisas que me facilitaram o acesso. Comecei a compreender aonde conduziam as Constelações Familiares. Ao longo de muitos anos ofereci cursos sobre análise de roteiro, desenvolvido por Eric Berne, o fundador da Análise Transacional, descrevida em seu livro O que você diz depois de dizer olá? Ele descobriu e descreveu através de muitos exemplos que vivemos nossa vida seguindo um plano secreto, segundo um roteiro que representamos quase literalmente no cenário da vida. De repente tive a compreensão pioneira de que este roteiro, que interpretamos em nossa vida, já fora representado previamente por outra pessoa de nossa família, que em grande medida o assumimos dela e que, no fundo, o repetimos. Subitamente compreendi o que é um emaranhamento. Ficamos emaranhados no destino de outra pessoa e também compreendi o que nos leva a isso. Ficamos emaranhados no destino de pessoas que nossa família perdeu, pois as esqueceram ou porque foram excluídas. Imediatamente compreendi o que acontecia nas Constelações Familiares. Nelas vem à tona, através do representante, quem são estes excluídos e como podem ser levados novamente à família e a nosso coração para alívio de muitos. Ao mesmo tempo, escrevendo uma conferência sobre culpa e inocência nos sistemas, percebi claramente que há uma ordem de origem e, portanto, num sistema, o anterior tem precedência sobre o posterior. Aqui não preciso dizer mais nada. Lendo este livro, você pôde viver internamente como continuou a história do sucesso e a que dimensões as Constelações Familiares levaram, para alívio e para uma nova confiança também para você.
  • 134. HISTÓRIAS DE SUCESSO NA EMPRESA E NO TRABALHO Este livro surge da vida real. Não perde o contato com ela e narra histórias intrigantes nas quais, às vezes, seguramos a respiração. Narra também histórias libertadoras nas quais vivenciamos como os passos decisivos têm êxito. Às vezes também conta histórias trágicas onde se insinua o fracasso, que parece inevitável. Estas histórias também mostram como algo diferente e novo pode começar a serviço da vida: a serviço de nossa vida e a de muitos outros. EDITORA ATMAN - [email protected],br - www.atmaneditora.com.br