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Uma proposta / Um desfio …………………….……….… 2
CORREIO Ecos ao espiral 74 ................................... 3
O VIII Encontro Virtual da Fraternitas | II Encontro
Ecuménico ...…….………………………………………....….. 4
Teologia da Complementaridade……………….…....…. 5
O papel das mulheres na igreja ……………….…………. 9
In Memoriam.. …………………………………..…..………. 12
Reflexão fraterna sobra as mulheres na igreja
(REFMI) ……………………………………………….……….. 13
Porque sem mulheres a Igreja já não sobrevive.
É um facto! ………………………………………………….… 14
A mulher na igreja de amanhã: ……………………….. 16
Próximos eventos:…………………………………….……. 16
N.º 75 JULHO DE 2024
EDITORIAL
Renascer no Feminino
ste boletim do movimento
Fraternitas pretende destacar o
papel e o lugar da mulher na Igreja de
hoje e de sempre.
Parece estar a ser difícil a alguns
setores da Instituição eclesial aceitar
algumas verdades que têm vindo a ser
divulgadas um pouco por todo o mundo nos
meios de comunicação social. Mas será que
se continua a pensar que a mulher não tem
qualidades e virtudes para ser reconhecida?
Será que ainda são precisos mais exemplos
concretos para se perceber que prevalece a
igualdade sobre a desigualdade, a
comunhão sobre a excomunhão, a
diversidade de dons sobre a unicidade?
Os grupos paroquiais, diocesanos e
nacionais têm refletido e exposto os seus
pontos de vista, durante estes últimos
tempos, sobre esta Igreja Sinodal, mas
parece que continua a fazer-se “ouvidos
moucos” a tanta ideia nova para encontrar
um caminho comum que agrade a todos os
crentes.
Rezar para que o Sínodo decorra com
sucesso não basta. São precisas ações
concretas por parte de todos para retirar
essas “teias de aranha” que impedem uma
visão mais moderna, mais social e até mais
humana da Igreja de Jesus Cristo.
O nosso movimento já encetou um trabalho
de análise e de reflexão sobre as temáticas
relacionadas com todos nós e, sobretudo,
com a mulher. A direção do Movimento
Fraternitas agradece publicamente o
empenho de todos os que contribuíram para
esse trabalho, nomeadamente a Assunção,
o Francisco Monteiro e o Fernando Rites.
Abílio Rodrigues
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UMA PROPOSTA/ UM DESAFIO
A Direção do Fraternitas Movimento, ciente das dificuldades de mobilidade de muitos dos
seus associados e amigos, vem junto de vós propor-vos um desafio concreto: realizar
encontros regionais de umas horas, numa manhã ou numa tarde.
Assim, aquele que sentir um pouquinho de mais força, tenta marcar na sua zona e convida
aqueles que residem por perto para se juntarem à volta de um lanche e partilharem um
pouco da sua vida. A título de exemplo: O Abílio organiza um encontro em S. João da Madeira
para aqueles que moram nos concelhos vizinhos: Oliveira de Azeméis, S. Maria da Feira,
Gaia, Arouca, Castelo de Paiva, Vale de Cambra. Alguém de Viseu faz o mesmo para a sua
zona e, assim sucessivamente.
Esta iniciativa é um desafio e lembra-nos que temos ainda um património cultural, religioso
e particular que convém preservar enquanto ainda temos alguma saúde e capacidade de
locomoção.
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CORREIO Ecos ao espiral 74...
Muito obrigado à Fraternitas pelo envio do Espiral 74.
Muitos foram os que nos escreveram a
dar os parabéns pela edição do boletim nº74.
A todos agradecemos as palavras de incentivo
aos promotores desta edição.
 Caros Responsáveis da “Fraternitas
Movimento” e do Espiral:
Muito obrigado pela gentileza e estima, mas,
sobretudo, por essa energia recuperada bem
própria do “Renascer”! Parabéns! Desejo-lhes
vida renovada. Sei bem como é árduo manter
um escrito. Mas vale a pena! Sabem-no muito
melhor que eu! Acompanho-vos em
solidariedade e interajuda. Porto, 14 de maio
de 2024.
Januário Torgal Ferreira,
Bispo Emérito
 Amigo Abílio:
Acabei agora de ler o Espiral 74! Excelente!
Parabéns!
Um grande abraço.
Serafim de Sousa
 Bons manos:
PAZ e BEM!
Trouxe ontem à tardinha da caixa do correio o
Espiral. Dei logo uma pincelada " em diagonal"
a todo ele. Como estou reconhecida e grata
por tal SERVIÇO!... Que Deus vos recompense
na larga medida do Evº.! Hoje foi a 1ª leitura-
pausada/ atenta, faltando-me o "Tema
bíblico" para continuar a saborear.
ParaBÉNS e GRAÇAS DIVINAS!
Tocou-me/sensibilizou-me tanto os
testemunhos dos entes queridos dos que
partiram para a VIDA PLENA/ETERNA!
... FORÇA do ALTO!
Um abração fraterno para cada um.
Urtélia
 Muito obrigado pelo envio do n.º 74 de
ESPIRAL que também recebi por correio
postal.
Paz e Bem.
António Montes Moreira
Bispo emérito de Bragança-Miranda
 Texto enviado Pelo Joaquim Soares sobre
O II encontro Virtual de Oração Ecuménica
O encontro de oração de ontem foi um
acontecimento. Agradeço a iniciativa. Foi um
bom encontro. Abramo-nos ao Espírito que
nos incita e leva sempre mais além. Parabéns,
obrigado.
Joaquim Soares
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O VII Encontro Virtual da Fraternitas
II Encontro Ecuménico
Eu, Senhor do mar e céus,
O meu povo ouvi gritar!
Quem no escuro caminhar,
Eu guardarei!
Eu que a noite iluminei,
No escuro brilharei!
Quem será o portador,
Da minha luz?
Eis-me aqui, Senhor,
Serei eu, Senhor,
Eu escutei a voz que me chamou!
Irei eu, Senhor,
Se me guiares, Senhor,
Em teu nome o mundo brilhará!
Eu, Senhor das tempestades,
Eu sofri com a vossa dor!
Pelo seu amor chorei,
Por quem se afastou!
Eu tocarei os corações,
Viverão só pelo amor!
Quem será o portador,
Da minha palavra?
Eu, Senhor do fogo e vento,
Dos humildes cuidarei,
Um banquete preparei,
E os convidei!
Lhes darei do melhor pão,
Encherei seus corações,
Quem será o portador,
Da minha vida?
Realizado a 14 de maio de 2024, via ZOOM, os participantes refletiram e rezaram sobre o
tema «Eis que estou à porta e bato…» (ler Apocalipse 3, 14-22). O Encontro Ecuménico,
promovido pela Fraternitas Movimento e pelas igrejas Presbiteriana, Metodista e Lusitana,
rezou os salmos, leu a Palavra de Deus e cantou-a, assim como a palavra dos homens,
sempre com o sentido de louvar o Deus que nos une e nos alimenta espiritualmente.
As intervenções espontâneas dos participantes foram muito
importantes para todos, pois levaram-nos a pensar naquilo que
nos toca nas nossas vidas.
Agradecemos a todos os que se disponibilizaram para o
encontro e, em particular, à Miriam Lopes, pastora na Igreja
Presbiteriana, à Ilma Rios, pastora da Igreja Lusitana Católica
Apostólica, à Estela Lamas, pastora da Igreja Metodista, e ao
Fernando Félix, da Fraternitas, por terem promovido e sido os
grandes mentores deste encontro.
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TEOLOGIA DA COMPLEMENTARIDADE
Enquanto o mundo assinala o Dia
Internacional da Mulher, as mulheres
católicas de todo o mundo saudaram os
recentes passos dados, mas apelaram a
que mais aconteça para criar espaço para
elas em posições mais destacadas na
Igreja.
Apelaram também a um reexame da
“teologia da complementaridade” da
Igreja – a visão de que homens e mulheres
têm papéis e responsabilidades
diferentes, mas complementares no
casamento, na vida familiar e na liderança
religiosa. O conceito de complemen-
taridade tem sido usado há muito tempo
como um argumento contra da Igreja
Católica para que as mulheres não possam
aceder ao sacerdócio ministerial,
invocando frequentemente a comple-
mentaridade como razão pela qual o
sacerdócio ordenado é mais adequado aos
dons e talentos masculinos.
1º Painel:
“Mulheres Líderes: Rumo a um
futuro mais brilhante”
O painel foi organizado conjuntamente
pela Caritas Internacional e
pelas Embaixadas
Britânica e Australiana junto
da Santa Sé.
Decorreu a 6 de março e destacaram-
se as seguintes intervenções:
Intervindo no painel, Christiane Murray,
vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa
Sé, disse que as mulheres trazem uma
perspectiva “fresca e inovadora” ao
Vaticano, mas lamentou que, quando uma
mulher é nomeada para um cargo de
liderança na Cúria, seja definida como uma
‘power-player’, enquanto que o mesmo
não se diga dos homens que são
nomeados para as mesmas funções e
acrescentou que “o trabalho não tem a ver
com poder, mas com serviço”.
Referiu também que existem estereótipos
de género: “Tradicionalmente, qualidades
como graciosidade, delicadeza, cuidado,
empatia, estão sempre associadas à
mulher”. “No entanto, é importante notar
que estas características não estão
intrinsecamente ligadas ao género, mas
são construções sociais que podem ser
vivenciadas e expressas também por
indivíduos do sexo masculino”. E um forte
aplauso ecoou na sala.
Por sua vez, a Dra. Maeve Heaney,
membro consagrado da Verbum
Dei e Diretora do Centro Xavier para For-
mação Teológica da Universidade Cató-
lica Australiana, afirmou que a liderança
das mulheres é uma questão teológica e
especificou o que entende por comple-
mentaridade.
“Certas antropologias teológicas
especificam que aquilo que os homens e as
mulheres acrescentam são inúteis e não
refletem a experiência humana real”,
afirmou, demonstrando que estas
perspetivas antropológicas se referem
tipicamente à complementaridade entre
homens e mulheres. Embora seja verdade,
a complementaridade, por vezes, nomeia
“a contribuição das mulheres como
essencialmente diferente da dos homens,
colocando o amor, a espiritualidade e a
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nutrição contra a autoridade, a liderança e
o intelecto”.
“Não estou a sugerir que não haja
diferenças entre mulheres e homens,
estou simplesmente a pedir que não se
radicalizem ou se absolutizem”,
acrescentou.
Para tal, referiu-se aos princípios petrinos
e marianos do padre e teólogo suíço Hans
Urs von Balthazar, que são frequen-
temente invocados pelo Papa Francisco
para ilustrar porque é que as mulheres
podem desempenhar um papel mais
importante na Igreja, mesmo que não
sejam ordenadas. Heaney, na sua apre-
sentação,saudou von Balthazar como
“um génio”, mas afirmou que o seu
trabalho “não tinha argumentos
suficientes”. “A sua teologia da comple-
mentaridade, na minha opinião, é
incompleta, pois enfatiza a masculinidade
de Jesus e a feminilidade da Igreja,
apresentando as mulheres como seres
recetivos e espirituais e, às vezes, uma
resposta à natureza mais proactiva e
intelectual dos homens”, referiu ela.
A complementaridade em si não é um
problema, mas torna-se uma questão
quando os papéis de género são
“radicalmente” opostos na Igreja,
“especialmente quando estes são
construídos sobre papéis de poder”.
Para tal, apelou a um reexame da teologia
da ordenação da Igreja, dizendo: “Na sua
forma atual, a teologia do ministério
Ordenado liga a tomada de decisões à
ordenação, mas, no nosso batismo, somos
todos “enxertados” em Cristo e ungidos
como profetas, sacerdotes e reis.”
Isto significa que todos têm um papel a
desempenhar, afirmando que o ministério
ordenado é necessário, mas pode mudar.
“Não afirmo que as mulheres deveriam ser
admitidas ao ministério ordenado, mas
também não estou a afirmar o contrário.
Essa não é a questão”. O que é necessário
é uma reflexão “robusta” a vários níveis
“para desatar o nó entre liderança e poder
e o sacerdócio ministerial e, assim,
permitir que as mulheres e outros leigos
desempenhem uma função e um papel
determinante na tomada de decisões.
A complementaridade “surgiu no
momento em que a Igreja dizia que as
mulheres não podem ser ordenadas. Não
quero entrar nessa questão, mas acho que
ela procurava valorizar teologicamente as
mulheres e, ao mesmo tempo, afirmar que
elas não podem exercer esse poder” -
referiu.
Repensar profundamente a teologia da
ordenação é urgente.
Questionada sobre a referência frequente
do Papa Francisco aos conceitos petrinos e
marianos de von Balthazar, Heaney
afirmou que a reflexão sobre o tema da
sinodalidade e da liderança colaborativa
está apenas no início, e “às vezes pedimos
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demais a uma pessoa, não apenas ao papa,
mas a todos os líderes.”
“Nem toda palavra que sai da boca de
qualquer papa é o magistério da Igreja.
Todos aqueles que têm conhecimentos
teológicos precisam de se atualizarem, até
mesmo os papas e bispos”, afirmou.
A freira espanhola Linda Pocher, que
abordou a questão das mulheres na Igreja
nas duas últimas reuniões do Conselho
dos Cardeais, o principal órgão consultivo
do papa e que parece ser uma conselheira
papal próxima na questão das mulheres,
também pôs a questão dos princípios
petrinos e marianos de von Balthazar.
Numa mensagem escrita e enviada para a
conferência, o Papa Francisco invocou “o
dom da sabedoria de Deus” para a
conferência e rezou para que a discussão
“produzisse frutos num compromisso cada
vez maior por parte de todos, na Igreja e
em todo o mundo, para promover o
respeito pela dignidade e comple-
mentaridade de mulheres e homens.”
Um embaixador que participou no painel
de quarta-feira observou que os
preconceitos de género são sentidos
mesmo a nível diplomático, dizendo que
os homens no serviço diplomático são
frequentemente indicados para áreas de
desarmamento e segurança, enquanto
que as mulheres lideram questões e
projetos sociais mais suaves.
Irmã Patrícia Murray, Secretária Geral
da União Internacional das Superioras
Gerais, destacou o papel que as religiosas
desempenham na Igreja, muitas vezes nas
periferias e na linha da frente sobre
questões como a pobreza, o tráfico de
seres humanos e migração.
Citando a fundadora da sua ordem,
explicou que: “não existe tal diferença
entre homens e mulheres e que as
mulheres não possam fazer grandes
coisas”. Chegou a destacar as muitas
maneiras de se escutarem as vozes das
mulheres dentro da Igreja.
Manifestou o seu apreço pela presença
crescente de mulheres no Sínodo dos
Bispos sobre a Sinodalidade em curso e
que viu as mulheres votarem pela primeira
vez numa reunião sediada em Roma no
ano passado.
Questões como o diaconado feminino, a
possibilidade de as mulheres pregarem e a
potencial criação de outros ministérios,
estão a ser consideradas. E afirmou: “este
não é um processo rápido, levará tempo,
mesmo depois da segunda sessão do
Sínodo, e requer uma escuta profunda do
Espírito Santo”.
Da mesma forma, a Irmã Nathalie
Becquart, Secretária Geral do Sínodo dos
Bispos, a primeira mulher a ocupar o
cargo, elogiou o objetivo do Sínodo de
tornar a Igreja “menos burocrática e mais
relacional”.
O papel das mulheres e o desejo de criar
mais espaço para elas na liderança é “um
sinal dos tempos”. Para além do mais, “a
Igreja tem de estar atenta às vozes das
mulheres que procuram maior igualdade”.
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“Há um grande desejo de participar mais
na vida da Igreja, especialmente nos
processos de tomada de decisão”, mas
advertiu que quando se trata de saber
como isso deveria ser, “não podemos falar
sobre 'a mulher' na Igreja, há muitas
mulheres na Igreja com uma diversidade
de experiências”.
A propósito da sua própria experiência de
trabalho como mulher em liderança no
Vaticano, acha que tem sido confusa e que
“a Igreja é como as nossas famílias, alguns
são melhores em algumas coisas do que
outros”.
“Tenho uma boa experiência de
colaboração trabalhando com cardeais e
bispos, e, às vezes, com outros é difícil, por
causa da cultura, educação e formação”,
continuou, mas considerou a experiência
como uma “aventura” e “muito rica”.
Dirigindo-se ao Crux, Becquart abordou as
preocupações de que a discussão sobre a
inclusão das mulheres na liderança tenha
sido dominada por uma perspectiva
excessivamente ocidental, dizendo que a
tentação existe, mas o
próprio Sínodo ouviu todos.
“Todas as nossas sínteses nacionais de
todo o mundo destacaram o pedido
de maior reconhecimento do papel das
mulheres. Houve um forte apelo de todos
os lugares para mais liderança feminina na
Igreja, para mais participação feminina.
Isso é comum em todos os lugares”,
acentuou Becquart.
As diferenças são apresentadas apenas
quanto à forma como deveria ser a
participação das mulheres.
Algumas pessoas “defendem fortemente o
diaconado feminino. Esta ideia não é
exclusiva dos países ocidentais, é de
muitos outros países e culturas, mas não é
de todos os lugares”. Exemplificou que
nos Estados Unidos as mulheres já
ocupam funções importantes, como
chanceleres diocesanas e ministras leigas.
“O que for decidido neste campo tem de
ter em conta toda a diversidade de
culturas”- enfatizou.
Também sublinhou a necessidade de
“descentralização” em certas questões:
“Acho que o Sínodo foi realmente um
processo para ouvir mais a diversidade de
vozes, especialmente dos diferentes
continentes. A nossa Igreja, tal como o
nosso mundo, é multipolar”, afirmou e
reiterou que as mulheres já desempenham
um papel em áreas prioritárias, sejam elas
as alterações climáticas, a migração ou a
busca da paz no meio de conflitos.
Reportagem de Elise Ann Allen, publicada por Crux, 07-03-
2024
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O PAPEL DAS MULHERES NA IGREJA
"Embora seja ainda difícil superar uma certa mentalidade num caminho partilhado
por todos, este último Sínodo pôs em evidência como o papel das mulheres na
Igreja só pode ser reconsiderado e integrado na perspectiva efetiva do dinamismo
e da conversão missionária", escreve Stefania Falasca, jornalista, em artigo
publicado por Avvenire, 07-05-2024. Tradução de Luisa Rabolini.
Na audiência com os membros
da Comissão Teológica Interna-
cional, o Papa Francisco quis mais uma
vez estigmatizar, mesmo com
neologismos, a urgência de uma questão
que diz respeito à Igreja. A preocupação
com que o atual Sucessor de Pedro, desde
a sua eleição, se dedicou a destacar
a questão das mulheres, o seu papel e o
seu acesso às responsabilidades eclesiais
evidencia, de facto, uma urgência
percebida com muita clareza: a de
enfrentar uma realidade que diz respeito à
visão da própria Igreja e afeta a sua
natureza hierárquica e de comunhão.
Na verdade, é essa visão que leva o Papa a
perceber a monocromia masculina como
um defeito, um desequilíbrio, uma
deficiência ameaçadora da Igreja.
Considerando que, sem as mulheres, o
anúncio e o testemunho resultam
deficientes e que desse modo fica
comprometida a sua missão.
E, nesse sentido, foi significativo que
o Papa, desde o início do seu ministério
petrino, tenha imediatamente atraído a
atenção com um gesto colocado no centro
da liturgia da Semana Santa, que
surpreendeu e provocou, convidando duas
mulheres, duas detidas, para o lava-pés
celebrado na Quinta-feira Santa. Um gesto
relevante entregue à Igreja para expressar
o desdobramento do mistério pascal na
carne do mundo juntando a esse mistério
pascal toda a humanidade. E logo depois,
com o anúncio da Páscoa celebrou o
testemunho das mulheres ao Ressus-
citado, as primeiras testemunhas, as
primeiras chamadas para anunciar
a Salvação, as protagonistas privilegiadas
da Páscoa.
Em outras ocasiões, depois, fez
declarações que enumeram objetivos,
afirmando que “a Igreja não pode ser ela
mesma sem a mulher e o seu papel" e que
"a mulher é imprescindível para a Igreja".
“Aumentar os espaços para uma presença
feminina mais incisiva na Igreja”, “elaborar
uma teologia aprofundada do feminino",
introduzir as mulheres "onde a autoridade
é exercida nos diversos âmbitos da Igreja"
e, finalmente, reiterando o "princípio
petrino e o princípio mariano" de
matriz balthasariana: “Isso pode ser
discutido, mas os dois princípios existem:
o mariano é mais importante que o
petrino, porque existe a Igreja esposa, a
Igreja mulher, sem se masculinizar”.
Tratam-se de reflexões retomadas e
reiteradas nos últimos anos em inúmeras
intervenções até as mais recentes em que
se torna explícito o eco daquela esperança
que animava os Padres do Con-
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cílio quando, em 8 de dezembro de 1965
foi publicada por Paulo VI a Mensagem às
mulheres. Confirmando que a
preocupação e o convite de Fran-
cisco fazem parte da corrente dirigida às
instâncias nascidos em continuidade com
o Vaticano II ainda não implementadas.
A “questão da mulher” tem as suas raízes
na vivência da Igreja já no seu nascimento,
onde a presença das mulheres favorece a
abertura universalista, tanto nos
momentos fundadores, originários, de
tomada de decisão, em que se trata de
acolher toda a força propulsora do
Espírito, quanto naqueles do seu início
concreto em que é necessário superar os
pesos de esquematismos consolidados e
as hostilidades conectadas.
Afinal, no Evangelho e nos Atos dos
Apóstolos - como destacou o
biblista Damiano Marzotto em seu Pietro
e Maddalena. Il Vangelo corre a due voci–
as mulheres apresentam-se não só como
“o lugar do acolhimento e da
hospitalidade, mas como lugar da
liberdade e do universalismo, isto é,
capazes de regenerar, de restaurar aquele
impulso que impele para os espaços
universais e, portanto, para fazer
progredir o caminho da salvação. Essa
dinâmica cumpriu-se de facto, portanto
cumpre-se e pode cumprir-se, apenas com
uma plena sinergia de masculino e
feminino".
O documento final do Sínodo sobre os
jovens afirmava o seguinte: “Uma visão
também da Igreja, feita predomi-
nantemente pelo lado masculino, não
responde à tarefa que Deus confiou à
humanidade. Em segundo lugar, é apenas
a partir da reciprocidade que pode emergir
uma valorização e integração do
masculino e do feminino". A “Evangelii
gaudium” também não deixa de lembrar
que o sacerdócio ministerial é um dos
meios que Jesus utiliza ao serviço do seu
povo, mas que “a grande dignidade vem
do Batismo, que é acessível a todos”.
Trata-se, basicamente, de reconhecer e
metabolizar que a questão não é a
superficial igualdade de oportunidades,
porque não nasce da reivindicação, mas de
uma riqueza a recuperar, a de uma Igreja-
comunhão.
A Ordem, reservada para os homens, não
é o único sacramento que garante a
assistência do Espírito Santo na fase de
escuta, de discussão e de decisões; é
o Batismo que reúne um Corpo com
diversos membros, cuja possibilidade de
movimento surge apenas da sua
cooperação e da reciprocidade. Nessa
perspectiva trata-se, portanto, de superar
lógicas clericais em que a presença
feminina nas organizações, nos vicariatos,
nas cúrias, incluindo a Cúria Romana, seja
entendida como “concessão” às mulheres
e reduzida a presença simbólica.
“Preocupa-me a persistência de uma certa
mentalidade masculina nas sociedades,
preocupa-me que na própria Igreja o
serviço a que cada um é chamado, para as
mulheres, às vezes se transforma em
servidão”, afirmou várias vezes o Papa. “Eu
sofro, digo a verdade, quando vejo na
Igreja ou em algumas organizações, que o
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papel de serviço, que todos nós temos e
devemos ter, o papel de serviço da mulher
desliza para um papel de servidão."
Portanto, na perspectiva aberta
por Francisco, se “a mulher para a Igreja é
imprescindível” e é “necessário ampliar os
espaços para uma presença feminina mais
incisiva", isso pressupõe que também na
Igreja, um específico masculi-
nismo rastejante e hipócrita seja “sanado
pelo Evangelho” e, ao mesmo tempo,
sempre na perspectiva do Evangelho, seja
sanado o clericalismo que responde a
lógicas de poder entendido como domínio.
Porque o clericalismo - que reduz a Igreja
a um clube privado do qual alguém, que
não é Cristo, pretende ter as chaves –
combinado com um certo masculinismo,
em vez de valorizar a novidade evangélica
que leva à construção de uma Igreja de
irmãos e irmãs, exalta as diferenças de
forma distorcida e do ponto de vista do
anúncio realiza de facto um desvio, traindo
a identidade da Igreja, dado que a
novidade evangélica vê homens e
mulheres juntos, chamados ao
discipulado, ao anúncio, ao serviço para
transmitir plenamente a riqueza da
mensagem evangélica.
A graça do Batismo e a efetiva
colaboração entre mulheres e homens na
Igreja na reciprocidade e no serviço são,
portanto, a direção indicada pelo Papa
Francisco nas suas repetidas intervenções
sobre a questão feminina. Aquele serviço
fundamental ao qual todos, mulheres e
homens, são chamados para fazer
progredir a Igreja no espírito de Cristo. É
nessa direção, para o Papa, portanto, que
é necessário “ir cada vez mais a fundo não
só na identidade feminina, mas também
naquela masculina, para assim melhor
servir o ser humano como um todo", como
afirmou. Esse olhar amplo que visa o bem
de todos, mulheres e homens, pode
proteger contra lógicas da natureza
reivindicativa, sem, no entanto, esconder
as sombras ainda presentes e os passos
necessários ainda a ser feitos para uma
profunda consideração da mulher.
Na questão das mulheres, portanto, para
o Papa passa uma questão
profundamente eclesial, que é a de uma
conscientização renovada.
Embora seja ainda difícil superar uma
certa mentalidade num caminho
partilhado por todos, este
último Sínodo pôs em evidência como
o papel das mulheres na Igreja só pode ser
reconsiderado e integrado na perspectiva
efetiva do dinamismo e da conversão
missionária. E avançar para um
“aprofundamento teológico que ajude a
reconhecer melhor o possível papel da
mulher onde se tomam decisões
importantes, nos vários âmbitos da Igreja”
poderia também contemplar um ato do
magistério. Um exemplo demonstrativo e
de reconhecimento para que essa atitude
possa realmente crescer e amadurecer
como traço habitual dentro da Igreja.
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Tesouraria
Pagamento de quotas
O Movimento tem como fonte financeira apenas a quotização dos Associados e dos amigos do Movimento.
Por isso, pedimos o favor de cada associado proceder ao pagamento da sua quota, se possível durante o
primeiro trimestre de cada ano.
Recordamos os valores em vigor: CASAL – 30,00 €; SINGULAR – 20,00 €; VIÚVA 5,00 €. À generosidade de
cada um não se pode impor limites. O FUNDO de PARTILHA agradece.
A Tesoureira é a Maria Assunção Bessa Rodrigues, R. Campinho Verde, 15 – 4505-249 FIÃES VFR; Telefone:
220 815 616; Tlm: 966 404 997
IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 (Millenium BCP)
Nota: Voltamos com o “Espiral”. As mensagens recebidas impõem-me cada vez mais responsabilidade na
divulgação de temáticas agradáveis e profundas que alimentem a nossa espiritualidade já toda ela voltada
para uma Igreja Santa e Pecadora, mas que nos guia, porque o “Farol” continua a ser Jesus Cristo.
Abílio Rodrigues
In Memoriam...
Fazemos memória dos sócios da Fraternitas
falecidos em 2024
As dificuldades em termos conhecimento dos que entregam a sua
alma a Deus têm sido muitas. Não queremos esquecer ninguém.
Por isso, pedimos a colaboração de todos para atualizarmos e
fazermos eco dos eventos referidos. Desta vez, apresentamos
aquelas e aqueles que chegaram até nós. PAZ ÀS SUAS ALMAS!
Descansem em Paz!
Paulo Tunes Eufrásio, associado número 24 da Fraternitas, faleceu a 13 de maio deste
ano, com 84 anos de idade. À família, nomeadamente à esposa Maria Teresa, endereçamos as
nossas cordiais condolências, na certeza de que todos acreditamos que já se encontra a contemplar
O Ressuscitado. A Fraternitas fez-se representar no seu funeral através de Associados que vivem
mais perto da Caparica, nomeadamente o Francisco Monteiro, a quem também agradecemos.
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Aqueles que o conheceram sabem muito bem que era uma pessoa muito amiga dos que com ele
lidavam. Paz à sua Alma.
Julgamos oportuno divulgar que o Paulo Eufrásio foi padre jesuíta, casado com Maria Teresa e o
casal teve uma filha. Durante a sua longa vida colaborou com os Jesuítas em várias missões, e levou
sempre uma vida de crente, chegando mesmo a ser convidado pelo 1º Bispo de Setúbal para
concelebrar com ele numa das celebrações da Semana Santa, o que muito o sensibilizou. A Teresa
sua esposa também foi muito dedicada, sobretudo à animação litúrgica.
REFLEXÃO FRATERNA SOBRA AS MULHERES NA IGREJA (REFMI)
O grupo de trabalho da “Fraternitas Movimento” deixa-nos uma síntese daquilo que foi a sua
pesquisa e reflexão sobre o tema. A todos eles agradecemos do fundo do nosso coração e aqui
deixamos para que muitos mais possam ter acesso à informação.
FRATERNITAS
Abril de 2024
Francisco Monteiro
A cultura patriarcal configurou o
judaísmo onde nasceu o cristianismo,
embora haja exceções ao exercício
ministerial das mulheres no próprio
judaísmo e sobretudo Jesus Cristo por
diversas vezes tenha rompido com muitas
das práticas segregacionistas das
mulheres na sua época, culminando com o
facto de uma mulher, Stª Maria Madalena,
ter sido por si constituída Apóstola da sua
Ressurreição.
O Concílio Vaticano II colocou a
Igreja claramente no seio das “profundas e
rápidas transformações” do mundo atual
que incluem a participação das mulheres
“em quase todos os setores de atividade”
e admitiu que a “estrutura social visível”
da Igreja é “enriquecida” “com a evolução
da vida social”. A ONU, através da
Convenção sobre a Eliminação de todas as
Formas de Discriminação contra as
Mulheres preconiza que seja garantido às
mulheres “o gozo dos direitos do
homem”, “com base na igualdade com os
homens.”
O Papa Francisco revela-se
francamente preocupado com o papel das
mulheres na Igreja: apelou para que a
Igreja acompanhe “os processos culturais
e sociais da humanidade na complexa
transição que estamos a viver”;
reconheceu que “a entrada de mulheres
na Cúria” é um “ato de justiça que,
culturalmente, tinha sido posto de lado”
na Igreja Católica; afirmou que se
quisermos dar nova força à reciprocidade
entre homens e mulheres”, é necessário
que a voz da mulher “tenha um peso real,
uma autoridade reconhecida tanto na
sociedade como na Igreja”; acrescentou
14
que é tempo que as mulheres “se sintam
não hóspedes, mas plenamente partícipes
das várias esferas da vida social e eclesial”,
notando que esse “é um desafio que não
pode mais ser adiado” e enfatiza a
urgência de “uma presença mais ampla e
incisiva nas comunidades” com maior
envolvimento das mulheres “nas
responsabilidades pastorais”. Na
Exortação Apostólica Querida Amazónia o
Papa diz: “se se incultura a espiritualidade,
se se incultura a santidade, se se incultura
o próprio Evangelho, será possível evitar
de pensar numa inculturação do modo
como se estruturam e vivem os ministérios
eclesiais?” O exercício da diaconia por
parte das mulheres, apenas a nível
organizativo (fundação de mosteiros), de
evangelização ou do exercício de
determinados ministérios tais como
catequese, leitoras, ministras da
Comunhão, de facto limita a pretendida
plenitude igualitária entre homens e
mulheres no ministério da Igreja, que,
como se viu, se baseou numa mera
conjuntura cultural, temporalizada,
atualmente ultrapassada até ao nível dos
direitos fundamentais hoje
universalmente reconhecidos e que a
Igreja proclama e promove.
Assunção Bessa
Enquanto mulher e membro da “Fraternitas Movimento”, gostaria de começar por dizer que,
apesar da discussão sobre o papel da mulher na Igreja ser um tema de grande importância e
relevância nos tempos atuais, para mim, a reflexão deve começar pelo lugar dos leigos - homens e
mulheres - na Igreja. Isto implica falar em desclericalizar as estruturas da Igreja, em torná-la
sinodal. A questão das responsabilidades dos leigos e, portanto, também das mulheres, foi
amplamente levantada durante as consultas que precederam o Sínodo: hoje o problema está em
evidência.
Porque sem mulheres a Igreja já não sobrevive. É um facto!
Recorrendo à memória da Bíblia, logo no
primeiro livro cita-se: “Deus criou o homem à
Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os
criou homem e mulher” (Génesis, 1,27).
Na medida em que buscamos compreender
melhor as Escrituras e aplicar os seus
princípios à nossa sociedade em constante
mudança, é fundamental examinar o papel
das mulheres na história bíblica e na vida da
Igreja primitiva. Ao longo das Escrituras,
encontramos numerosos exemplos de
mulheres que desempenharam papéis
significativos na história da redenção e na vida
do povo de Deus. Desde o Antigo Testamento
até ao Novo Testamento, essas mulheres são
apresentadas como modelos de fé, coragem e
serviço. Além disso, é importante reconhecer
que o chamamento ao serviço na Igreja não é
(nem poderá ser) limitado pelo género. Todos
os cristãos, homens e mulheres, são
chamados a servir conforme os dons e
talentos que receberam de Deus,
contribuindo para o crescimento e edificação
do corpo de Cristo (1 Coríntios 12, 4-11).
15
É difícil de compreender e sustentar a tese de
que o presbítero, porque age na pessoa de
Cristo, deve ser homem e que o 'ser-homem'
é, portanto, um elemento sacramental
indispensável. Os evangelhos foram escritos
num espaço cultural patriarcal em que as
mulheres desempenhavam um papel
submisso aos homens. Jesus viveu neste
espaço cultural específico, mas rompeu
repetidamente com a tradição. Basta pensar
no seu encontro com a mulher samaritana (cf.
Jo 4), e nas mulheres que o acompanharam
desde a primeira hora da sua vida pública (cf.
Lc 8, 2-3). Penso que não há absolutamente
nenhuma evidência de que um homem tenha
sempre presidido a Eucaristia na Igreja
primitiva, pois nas passagens bíblicas que
falam da Eucaristia, apenas é mencionado o
mandamento do Senhor: “Fazei isto em
memória de mim” ( Lc 22, 19 e 1 Cor 11, 24),
mas não se especifica com mais precisão
quem – se homem ou mulher – preside a
celebração ‘in persona Christi’ . Mesmo o
facto de as mulheres não serem mencionadas
na Última Ceia não pode ser citado como
prova de que Jesus ‘apenas’ encarregou
homens para celebrar sacramentalmente a
comemoração da sua morte e ressurreição. Se
assim fosse, apenas os homens poderiam
participar na celebração da Eucaristia.
E na medida que reflito sobre o papel da
mulher na Igreja, sinto que somos desafiados
a reconhecer e valorizar a diversidade de
dons, talentos e perspetivas que cada
membro traz para a comunidade cristã. É hora
de mudar estruturas e procedimentos, mas
também o olhar e o coração. É hora de criar
espaços inclusivos onde homens e mulheres
reconheçam a autoridade uns dos outros no
anúncio das Boas Novas, respeitando-se
mutuamente na igualdade e se encorajem
mutuamente no compromisso e na fé.
Acredito profundamente que a nossa Igreja
precisa de pensar em si mesma mais como
uma comunidade de irmãos e irmãs. É o
testemunho mais elevado que podemos
oferecer ao mundo. Mais do que uma luta
pelo poder, é necessário reequilíbrio entre
clérigos e leigos, entre homens e mulheres, é
uma questão fraternidade. Na minha opinião,
a verdadeira questão não é se o sacerdócio é
feminino ou masculino. Isso ainda seria
clericalismo. Trata-se da vitalidade das
comunidades chamadas a ser mais
responsáveis e maduras e de responder,
simultaneamente, às necessidades pastorais
do nosso tempo. Pode-se perguntar, ainda, se
a atual imagem do clero não está
desatualizada.
Não acredito que a única solução para a crise
atual possa ser exclusivamente, o acesso da
mulher ao ministério ordenado. Mas também
não acredito que excluir a questão da
“agenda” seja uma forma verdadeiramente
convincente e clarividente de abordar o
problema. A mudança não depende, no
entanto, só de grandes reflexões, mas
depende muito mais da conversão de cada um
de nós ao Evangelho, homens e mulheres.
Cada um, homem ou mulher, se converta e
atue...onde quer que esteja!
Sigamos o exemplo daqueles que nos
precederam na fé, homens e mulheres que
serviram fielmente ao Senhor, proclamando a
sua verdade e compartilhando o seu amor
com o mundo ao seu redor.
Tendo em conta que o Papa nos chama neste
mês a rezar ‘para que a dignidade e a riqueza
das mulheres sejam reconhecidas em todas as
culturas, e para que cesse a discriminação que
sofrem em diversas partes do mundo’,
16
continuemos também a reconhecer o papel
das mulheres dentro da Igreja.
Albino Vaz
A MULHER NA IGREJA DE AMANHÃ:
-A mulher voltará a ter iguais direitos ao
homem, tal como Jesus o pedia com o Seu
mandamento por excelência, na última
ceia:
-Quem quiser ser grande faça-se servo de
todos, ou o mais pequeno de todos.
-Amai-vos como Eu vos amei.
-Sendo Eu Senhor e Mestre, irei lavar-vos
os pés.
-Como eu vo-lo fiz, fazei-o vós também ao
mais pequeno dos irmãos, pois é a mim
próprio que o fazeis.
Será incompreensível a desigualdade de
direitos entre duas almas gémeas ou
complementares: Homem e Mulher.
Daí que a solução da Igreja do futuro terá
de passar por homens e mulheres casados
ao serviço de Deus e assim da Sua Igreja,
embora respeitando a vontade de alguns
homens e mulheres que voluntariamente
queiram consagrar-se ao Senhor através
da sua virgindade ou celibato como
oferenda voluntária, mas opcional, e não
imposta ou obrigatória.
Espiral boletim de
Rua Dr. Manuel Arriaga, 53, 2º Esq f r a t e r n i t a s m o v i m e n t o
3720 - 233 OLIVEIRA DE AZEMÉIS Responsável: Abílio Pinto Rodrigues
e-mail: espiral.fraternitas@gmail.com Nº 75 - Julho de 2024
SECRETARIADO
Pctª Maestro Ivo Cruz, 12 - 11º
A1500 - 401 LISBOA
Telemóvel: 933 522 247

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Boletim Espiral n.º 75, de maio a agosto de 2024

  • 1. 1 Uma proposta / Um desfio …………………….……….… 2 CORREIO Ecos ao espiral 74 ................................... 3 O VIII Encontro Virtual da Fraternitas | II Encontro Ecuménico ...…….………………………………………....….. 4 Teologia da Complementaridade……………….…....…. 5 O papel das mulheres na igreja ……………….…………. 9 In Memoriam.. …………………………………..…..………. 12 Reflexão fraterna sobra as mulheres na igreja (REFMI) ……………………………………………….……….. 13 Porque sem mulheres a Igreja já não sobrevive. É um facto! ………………………………………………….… 14 A mulher na igreja de amanhã: ……………………….. 16 Próximos eventos:…………………………………….……. 16 N.º 75 JULHO DE 2024 EDITORIAL Renascer no Feminino ste boletim do movimento Fraternitas pretende destacar o papel e o lugar da mulher na Igreja de hoje e de sempre. Parece estar a ser difícil a alguns setores da Instituição eclesial aceitar algumas verdades que têm vindo a ser divulgadas um pouco por todo o mundo nos meios de comunicação social. Mas será que se continua a pensar que a mulher não tem qualidades e virtudes para ser reconhecida? Será que ainda são precisos mais exemplos concretos para se perceber que prevalece a igualdade sobre a desigualdade, a comunhão sobre a excomunhão, a diversidade de dons sobre a unicidade? Os grupos paroquiais, diocesanos e nacionais têm refletido e exposto os seus pontos de vista, durante estes últimos tempos, sobre esta Igreja Sinodal, mas parece que continua a fazer-se “ouvidos moucos” a tanta ideia nova para encontrar um caminho comum que agrade a todos os crentes. Rezar para que o Sínodo decorra com sucesso não basta. São precisas ações concretas por parte de todos para retirar essas “teias de aranha” que impedem uma visão mais moderna, mais social e até mais humana da Igreja de Jesus Cristo. O nosso movimento já encetou um trabalho de análise e de reflexão sobre as temáticas relacionadas com todos nós e, sobretudo, com a mulher. A direção do Movimento Fraternitas agradece publicamente o empenho de todos os que contribuíram para esse trabalho, nomeadamente a Assunção, o Francisco Monteiro e o Fernando Rites. Abílio Rodrigues E
  • 2. 2 UMA PROPOSTA/ UM DESAFIO A Direção do Fraternitas Movimento, ciente das dificuldades de mobilidade de muitos dos seus associados e amigos, vem junto de vós propor-vos um desafio concreto: realizar encontros regionais de umas horas, numa manhã ou numa tarde. Assim, aquele que sentir um pouquinho de mais força, tenta marcar na sua zona e convida aqueles que residem por perto para se juntarem à volta de um lanche e partilharem um pouco da sua vida. A título de exemplo: O Abílio organiza um encontro em S. João da Madeira para aqueles que moram nos concelhos vizinhos: Oliveira de Azeméis, S. Maria da Feira, Gaia, Arouca, Castelo de Paiva, Vale de Cambra. Alguém de Viseu faz o mesmo para a sua zona e, assim sucessivamente. Esta iniciativa é um desafio e lembra-nos que temos ainda um património cultural, religioso e particular que convém preservar enquanto ainda temos alguma saúde e capacidade de locomoção.
  • 3. 3 CORREIO Ecos ao espiral 74... Muito obrigado à Fraternitas pelo envio do Espiral 74. Muitos foram os que nos escreveram a dar os parabéns pela edição do boletim nº74. A todos agradecemos as palavras de incentivo aos promotores desta edição.  Caros Responsáveis da “Fraternitas Movimento” e do Espiral: Muito obrigado pela gentileza e estima, mas, sobretudo, por essa energia recuperada bem própria do “Renascer”! Parabéns! Desejo-lhes vida renovada. Sei bem como é árduo manter um escrito. Mas vale a pena! Sabem-no muito melhor que eu! Acompanho-vos em solidariedade e interajuda. Porto, 14 de maio de 2024. Januário Torgal Ferreira, Bispo Emérito  Amigo Abílio: Acabei agora de ler o Espiral 74! Excelente! Parabéns! Um grande abraço. Serafim de Sousa  Bons manos: PAZ e BEM! Trouxe ontem à tardinha da caixa do correio o Espiral. Dei logo uma pincelada " em diagonal" a todo ele. Como estou reconhecida e grata por tal SERVIÇO!... Que Deus vos recompense na larga medida do Evº.! Hoje foi a 1ª leitura- pausada/ atenta, faltando-me o "Tema bíblico" para continuar a saborear. ParaBÉNS e GRAÇAS DIVINAS! Tocou-me/sensibilizou-me tanto os testemunhos dos entes queridos dos que partiram para a VIDA PLENA/ETERNA! ... FORÇA do ALTO! Um abração fraterno para cada um. Urtélia  Muito obrigado pelo envio do n.º 74 de ESPIRAL que também recebi por correio postal. Paz e Bem. António Montes Moreira Bispo emérito de Bragança-Miranda  Texto enviado Pelo Joaquim Soares sobre O II encontro Virtual de Oração Ecuménica O encontro de oração de ontem foi um acontecimento. Agradeço a iniciativa. Foi um bom encontro. Abramo-nos ao Espírito que nos incita e leva sempre mais além. Parabéns, obrigado. Joaquim Soares
  • 4. 4 O VII Encontro Virtual da Fraternitas II Encontro Ecuménico Eu, Senhor do mar e céus, O meu povo ouvi gritar! Quem no escuro caminhar, Eu guardarei! Eu que a noite iluminei, No escuro brilharei! Quem será o portador, Da minha luz? Eis-me aqui, Senhor, Serei eu, Senhor, Eu escutei a voz que me chamou! Irei eu, Senhor, Se me guiares, Senhor, Em teu nome o mundo brilhará! Eu, Senhor das tempestades, Eu sofri com a vossa dor! Pelo seu amor chorei, Por quem se afastou! Eu tocarei os corações, Viverão só pelo amor! Quem será o portador, Da minha palavra? Eu, Senhor do fogo e vento, Dos humildes cuidarei, Um banquete preparei, E os convidei! Lhes darei do melhor pão, Encherei seus corações, Quem será o portador, Da minha vida? Realizado a 14 de maio de 2024, via ZOOM, os participantes refletiram e rezaram sobre o tema «Eis que estou à porta e bato…» (ler Apocalipse 3, 14-22). O Encontro Ecuménico, promovido pela Fraternitas Movimento e pelas igrejas Presbiteriana, Metodista e Lusitana, rezou os salmos, leu a Palavra de Deus e cantou-a, assim como a palavra dos homens, sempre com o sentido de louvar o Deus que nos une e nos alimenta espiritualmente. As intervenções espontâneas dos participantes foram muito importantes para todos, pois levaram-nos a pensar naquilo que nos toca nas nossas vidas. Agradecemos a todos os que se disponibilizaram para o encontro e, em particular, à Miriam Lopes, pastora na Igreja Presbiteriana, à Ilma Rios, pastora da Igreja Lusitana Católica Apostólica, à Estela Lamas, pastora da Igreja Metodista, e ao Fernando Félix, da Fraternitas, por terem promovido e sido os grandes mentores deste encontro.
  • 5. 5 TEOLOGIA DA COMPLEMENTARIDADE Enquanto o mundo assinala o Dia Internacional da Mulher, as mulheres católicas de todo o mundo saudaram os recentes passos dados, mas apelaram a que mais aconteça para criar espaço para elas em posições mais destacadas na Igreja. Apelaram também a um reexame da “teologia da complementaridade” da Igreja – a visão de que homens e mulheres têm papéis e responsabilidades diferentes, mas complementares no casamento, na vida familiar e na liderança religiosa. O conceito de complemen- taridade tem sido usado há muito tempo como um argumento contra da Igreja Católica para que as mulheres não possam aceder ao sacerdócio ministerial, invocando frequentemente a comple- mentaridade como razão pela qual o sacerdócio ordenado é mais adequado aos dons e talentos masculinos. 1º Painel: “Mulheres Líderes: Rumo a um futuro mais brilhante” O painel foi organizado conjuntamente pela Caritas Internacional e pelas Embaixadas Britânica e Australiana junto da Santa Sé. Decorreu a 6 de março e destacaram- se as seguintes intervenções: Intervindo no painel, Christiane Murray, vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé, disse que as mulheres trazem uma perspectiva “fresca e inovadora” ao Vaticano, mas lamentou que, quando uma mulher é nomeada para um cargo de liderança na Cúria, seja definida como uma ‘power-player’, enquanto que o mesmo não se diga dos homens que são nomeados para as mesmas funções e acrescentou que “o trabalho não tem a ver com poder, mas com serviço”. Referiu também que existem estereótipos de género: “Tradicionalmente, qualidades como graciosidade, delicadeza, cuidado, empatia, estão sempre associadas à mulher”. “No entanto, é importante notar que estas características não estão intrinsecamente ligadas ao género, mas são construções sociais que podem ser vivenciadas e expressas também por indivíduos do sexo masculino”. E um forte aplauso ecoou na sala. Por sua vez, a Dra. Maeve Heaney, membro consagrado da Verbum Dei e Diretora do Centro Xavier para For- mação Teológica da Universidade Cató- lica Australiana, afirmou que a liderança das mulheres é uma questão teológica e especificou o que entende por comple- mentaridade. “Certas antropologias teológicas especificam que aquilo que os homens e as mulheres acrescentam são inúteis e não refletem a experiência humana real”, afirmou, demonstrando que estas perspetivas antropológicas se referem tipicamente à complementaridade entre homens e mulheres. Embora seja verdade, a complementaridade, por vezes, nomeia “a contribuição das mulheres como essencialmente diferente da dos homens, colocando o amor, a espiritualidade e a
  • 6. 6 nutrição contra a autoridade, a liderança e o intelecto”. “Não estou a sugerir que não haja diferenças entre mulheres e homens, estou simplesmente a pedir que não se radicalizem ou se absolutizem”, acrescentou. Para tal, referiu-se aos princípios petrinos e marianos do padre e teólogo suíço Hans Urs von Balthazar, que são frequen- temente invocados pelo Papa Francisco para ilustrar porque é que as mulheres podem desempenhar um papel mais importante na Igreja, mesmo que não sejam ordenadas. Heaney, na sua apre- sentação,saudou von Balthazar como “um génio”, mas afirmou que o seu trabalho “não tinha argumentos suficientes”. “A sua teologia da comple- mentaridade, na minha opinião, é incompleta, pois enfatiza a masculinidade de Jesus e a feminilidade da Igreja, apresentando as mulheres como seres recetivos e espirituais e, às vezes, uma resposta à natureza mais proactiva e intelectual dos homens”, referiu ela. A complementaridade em si não é um problema, mas torna-se uma questão quando os papéis de género são “radicalmente” opostos na Igreja, “especialmente quando estes são construídos sobre papéis de poder”. Para tal, apelou a um reexame da teologia da ordenação da Igreja, dizendo: “Na sua forma atual, a teologia do ministério Ordenado liga a tomada de decisões à ordenação, mas, no nosso batismo, somos todos “enxertados” em Cristo e ungidos como profetas, sacerdotes e reis.” Isto significa que todos têm um papel a desempenhar, afirmando que o ministério ordenado é necessário, mas pode mudar. “Não afirmo que as mulheres deveriam ser admitidas ao ministério ordenado, mas também não estou a afirmar o contrário. Essa não é a questão”. O que é necessário é uma reflexão “robusta” a vários níveis “para desatar o nó entre liderança e poder e o sacerdócio ministerial e, assim, permitir que as mulheres e outros leigos desempenhem uma função e um papel determinante na tomada de decisões. A complementaridade “surgiu no momento em que a Igreja dizia que as mulheres não podem ser ordenadas. Não quero entrar nessa questão, mas acho que ela procurava valorizar teologicamente as mulheres e, ao mesmo tempo, afirmar que elas não podem exercer esse poder” - referiu. Repensar profundamente a teologia da ordenação é urgente. Questionada sobre a referência frequente do Papa Francisco aos conceitos petrinos e marianos de von Balthazar, Heaney afirmou que a reflexão sobre o tema da sinodalidade e da liderança colaborativa está apenas no início, e “às vezes pedimos
  • 7. 7 demais a uma pessoa, não apenas ao papa, mas a todos os líderes.” “Nem toda palavra que sai da boca de qualquer papa é o magistério da Igreja. Todos aqueles que têm conhecimentos teológicos precisam de se atualizarem, até mesmo os papas e bispos”, afirmou. A freira espanhola Linda Pocher, que abordou a questão das mulheres na Igreja nas duas últimas reuniões do Conselho dos Cardeais, o principal órgão consultivo do papa e que parece ser uma conselheira papal próxima na questão das mulheres, também pôs a questão dos princípios petrinos e marianos de von Balthazar. Numa mensagem escrita e enviada para a conferência, o Papa Francisco invocou “o dom da sabedoria de Deus” para a conferência e rezou para que a discussão “produzisse frutos num compromisso cada vez maior por parte de todos, na Igreja e em todo o mundo, para promover o respeito pela dignidade e comple- mentaridade de mulheres e homens.” Um embaixador que participou no painel de quarta-feira observou que os preconceitos de género são sentidos mesmo a nível diplomático, dizendo que os homens no serviço diplomático são frequentemente indicados para áreas de desarmamento e segurança, enquanto que as mulheres lideram questões e projetos sociais mais suaves. Irmã Patrícia Murray, Secretária Geral da União Internacional das Superioras Gerais, destacou o papel que as religiosas desempenham na Igreja, muitas vezes nas periferias e na linha da frente sobre questões como a pobreza, o tráfico de seres humanos e migração. Citando a fundadora da sua ordem, explicou que: “não existe tal diferença entre homens e mulheres e que as mulheres não possam fazer grandes coisas”. Chegou a destacar as muitas maneiras de se escutarem as vozes das mulheres dentro da Igreja. Manifestou o seu apreço pela presença crescente de mulheres no Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade em curso e que viu as mulheres votarem pela primeira vez numa reunião sediada em Roma no ano passado. Questões como o diaconado feminino, a possibilidade de as mulheres pregarem e a potencial criação de outros ministérios, estão a ser consideradas. E afirmou: “este não é um processo rápido, levará tempo, mesmo depois da segunda sessão do Sínodo, e requer uma escuta profunda do Espírito Santo”. Da mesma forma, a Irmã Nathalie Becquart, Secretária Geral do Sínodo dos Bispos, a primeira mulher a ocupar o cargo, elogiou o objetivo do Sínodo de tornar a Igreja “menos burocrática e mais relacional”. O papel das mulheres e o desejo de criar mais espaço para elas na liderança é “um sinal dos tempos”. Para além do mais, “a Igreja tem de estar atenta às vozes das mulheres que procuram maior igualdade”.
  • 8. 8 “Há um grande desejo de participar mais na vida da Igreja, especialmente nos processos de tomada de decisão”, mas advertiu que quando se trata de saber como isso deveria ser, “não podemos falar sobre 'a mulher' na Igreja, há muitas mulheres na Igreja com uma diversidade de experiências”. A propósito da sua própria experiência de trabalho como mulher em liderança no Vaticano, acha que tem sido confusa e que “a Igreja é como as nossas famílias, alguns são melhores em algumas coisas do que outros”. “Tenho uma boa experiência de colaboração trabalhando com cardeais e bispos, e, às vezes, com outros é difícil, por causa da cultura, educação e formação”, continuou, mas considerou a experiência como uma “aventura” e “muito rica”. Dirigindo-se ao Crux, Becquart abordou as preocupações de que a discussão sobre a inclusão das mulheres na liderança tenha sido dominada por uma perspectiva excessivamente ocidental, dizendo que a tentação existe, mas o próprio Sínodo ouviu todos. “Todas as nossas sínteses nacionais de todo o mundo destacaram o pedido de maior reconhecimento do papel das mulheres. Houve um forte apelo de todos os lugares para mais liderança feminina na Igreja, para mais participação feminina. Isso é comum em todos os lugares”, acentuou Becquart. As diferenças são apresentadas apenas quanto à forma como deveria ser a participação das mulheres. Algumas pessoas “defendem fortemente o diaconado feminino. Esta ideia não é exclusiva dos países ocidentais, é de muitos outros países e culturas, mas não é de todos os lugares”. Exemplificou que nos Estados Unidos as mulheres já ocupam funções importantes, como chanceleres diocesanas e ministras leigas. “O que for decidido neste campo tem de ter em conta toda a diversidade de culturas”- enfatizou. Também sublinhou a necessidade de “descentralização” em certas questões: “Acho que o Sínodo foi realmente um processo para ouvir mais a diversidade de vozes, especialmente dos diferentes continentes. A nossa Igreja, tal como o nosso mundo, é multipolar”, afirmou e reiterou que as mulheres já desempenham um papel em áreas prioritárias, sejam elas as alterações climáticas, a migração ou a busca da paz no meio de conflitos. Reportagem de Elise Ann Allen, publicada por Crux, 07-03- 2024
  • 9. 9 O PAPEL DAS MULHERES NA IGREJA "Embora seja ainda difícil superar uma certa mentalidade num caminho partilhado por todos, este último Sínodo pôs em evidência como o papel das mulheres na Igreja só pode ser reconsiderado e integrado na perspectiva efetiva do dinamismo e da conversão missionária", escreve Stefania Falasca, jornalista, em artigo publicado por Avvenire, 07-05-2024. Tradução de Luisa Rabolini. Na audiência com os membros da Comissão Teológica Interna- cional, o Papa Francisco quis mais uma vez estigmatizar, mesmo com neologismos, a urgência de uma questão que diz respeito à Igreja. A preocupação com que o atual Sucessor de Pedro, desde a sua eleição, se dedicou a destacar a questão das mulheres, o seu papel e o seu acesso às responsabilidades eclesiais evidencia, de facto, uma urgência percebida com muita clareza: a de enfrentar uma realidade que diz respeito à visão da própria Igreja e afeta a sua natureza hierárquica e de comunhão. Na verdade, é essa visão que leva o Papa a perceber a monocromia masculina como um defeito, um desequilíbrio, uma deficiência ameaçadora da Igreja. Considerando que, sem as mulheres, o anúncio e o testemunho resultam deficientes e que desse modo fica comprometida a sua missão. E, nesse sentido, foi significativo que o Papa, desde o início do seu ministério petrino, tenha imediatamente atraído a atenção com um gesto colocado no centro da liturgia da Semana Santa, que surpreendeu e provocou, convidando duas mulheres, duas detidas, para o lava-pés celebrado na Quinta-feira Santa. Um gesto relevante entregue à Igreja para expressar o desdobramento do mistério pascal na carne do mundo juntando a esse mistério pascal toda a humanidade. E logo depois, com o anúncio da Páscoa celebrou o testemunho das mulheres ao Ressus- citado, as primeiras testemunhas, as primeiras chamadas para anunciar a Salvação, as protagonistas privilegiadas da Páscoa. Em outras ocasiões, depois, fez declarações que enumeram objetivos, afirmando que “a Igreja não pode ser ela mesma sem a mulher e o seu papel" e que "a mulher é imprescindível para a Igreja". “Aumentar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja”, “elaborar uma teologia aprofundada do feminino", introduzir as mulheres "onde a autoridade é exercida nos diversos âmbitos da Igreja" e, finalmente, reiterando o "princípio petrino e o princípio mariano" de matriz balthasariana: “Isso pode ser discutido, mas os dois princípios existem: o mariano é mais importante que o petrino, porque existe a Igreja esposa, a Igreja mulher, sem se masculinizar”. Tratam-se de reflexões retomadas e reiteradas nos últimos anos em inúmeras intervenções até as mais recentes em que se torna explícito o eco daquela esperança que animava os Padres do Con-
  • 10. 10 cílio quando, em 8 de dezembro de 1965 foi publicada por Paulo VI a Mensagem às mulheres. Confirmando que a preocupação e o convite de Fran- cisco fazem parte da corrente dirigida às instâncias nascidos em continuidade com o Vaticano II ainda não implementadas. A “questão da mulher” tem as suas raízes na vivência da Igreja já no seu nascimento, onde a presença das mulheres favorece a abertura universalista, tanto nos momentos fundadores, originários, de tomada de decisão, em que se trata de acolher toda a força propulsora do Espírito, quanto naqueles do seu início concreto em que é necessário superar os pesos de esquematismos consolidados e as hostilidades conectadas. Afinal, no Evangelho e nos Atos dos Apóstolos - como destacou o biblista Damiano Marzotto em seu Pietro e Maddalena. Il Vangelo corre a due voci– as mulheres apresentam-se não só como “o lugar do acolhimento e da hospitalidade, mas como lugar da liberdade e do universalismo, isto é, capazes de regenerar, de restaurar aquele impulso que impele para os espaços universais e, portanto, para fazer progredir o caminho da salvação. Essa dinâmica cumpriu-se de facto, portanto cumpre-se e pode cumprir-se, apenas com uma plena sinergia de masculino e feminino". O documento final do Sínodo sobre os jovens afirmava o seguinte: “Uma visão também da Igreja, feita predomi- nantemente pelo lado masculino, não responde à tarefa que Deus confiou à humanidade. Em segundo lugar, é apenas a partir da reciprocidade que pode emergir uma valorização e integração do masculino e do feminino". A “Evangelii gaudium” também não deixa de lembrar que o sacerdócio ministerial é um dos meios que Jesus utiliza ao serviço do seu povo, mas que “a grande dignidade vem do Batismo, que é acessível a todos”. Trata-se, basicamente, de reconhecer e metabolizar que a questão não é a superficial igualdade de oportunidades, porque não nasce da reivindicação, mas de uma riqueza a recuperar, a de uma Igreja- comunhão. A Ordem, reservada para os homens, não é o único sacramento que garante a assistência do Espírito Santo na fase de escuta, de discussão e de decisões; é o Batismo que reúne um Corpo com diversos membros, cuja possibilidade de movimento surge apenas da sua cooperação e da reciprocidade. Nessa perspectiva trata-se, portanto, de superar lógicas clericais em que a presença feminina nas organizações, nos vicariatos, nas cúrias, incluindo a Cúria Romana, seja entendida como “concessão” às mulheres e reduzida a presença simbólica. “Preocupa-me a persistência de uma certa mentalidade masculina nas sociedades, preocupa-me que na própria Igreja o serviço a que cada um é chamado, para as mulheres, às vezes se transforma em servidão”, afirmou várias vezes o Papa. “Eu sofro, digo a verdade, quando vejo na Igreja ou em algumas organizações, que o
  • 11. 11 papel de serviço, que todos nós temos e devemos ter, o papel de serviço da mulher desliza para um papel de servidão." Portanto, na perspectiva aberta por Francisco, se “a mulher para a Igreja é imprescindível” e é “necessário ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva", isso pressupõe que também na Igreja, um específico masculi- nismo rastejante e hipócrita seja “sanado pelo Evangelho” e, ao mesmo tempo, sempre na perspectiva do Evangelho, seja sanado o clericalismo que responde a lógicas de poder entendido como domínio. Porque o clericalismo - que reduz a Igreja a um clube privado do qual alguém, que não é Cristo, pretende ter as chaves – combinado com um certo masculinismo, em vez de valorizar a novidade evangélica que leva à construção de uma Igreja de irmãos e irmãs, exalta as diferenças de forma distorcida e do ponto de vista do anúncio realiza de facto um desvio, traindo a identidade da Igreja, dado que a novidade evangélica vê homens e mulheres juntos, chamados ao discipulado, ao anúncio, ao serviço para transmitir plenamente a riqueza da mensagem evangélica. A graça do Batismo e a efetiva colaboração entre mulheres e homens na Igreja na reciprocidade e no serviço são, portanto, a direção indicada pelo Papa Francisco nas suas repetidas intervenções sobre a questão feminina. Aquele serviço fundamental ao qual todos, mulheres e homens, são chamados para fazer progredir a Igreja no espírito de Cristo. É nessa direção, para o Papa, portanto, que é necessário “ir cada vez mais a fundo não só na identidade feminina, mas também naquela masculina, para assim melhor servir o ser humano como um todo", como afirmou. Esse olhar amplo que visa o bem de todos, mulheres e homens, pode proteger contra lógicas da natureza reivindicativa, sem, no entanto, esconder as sombras ainda presentes e os passos necessários ainda a ser feitos para uma profunda consideração da mulher. Na questão das mulheres, portanto, para o Papa passa uma questão profundamente eclesial, que é a de uma conscientização renovada. Embora seja ainda difícil superar uma certa mentalidade num caminho partilhado por todos, este último Sínodo pôs em evidência como o papel das mulheres na Igreja só pode ser reconsiderado e integrado na perspectiva efetiva do dinamismo e da conversão missionária. E avançar para um “aprofundamento teológico que ajude a reconhecer melhor o possível papel da mulher onde se tomam decisões importantes, nos vários âmbitos da Igreja” poderia também contemplar um ato do magistério. Um exemplo demonstrativo e de reconhecimento para que essa atitude possa realmente crescer e amadurecer como traço habitual dentro da Igreja.
  • 12. 12 Tesouraria Pagamento de quotas O Movimento tem como fonte financeira apenas a quotização dos Associados e dos amigos do Movimento. Por isso, pedimos o favor de cada associado proceder ao pagamento da sua quota, se possível durante o primeiro trimestre de cada ano. Recordamos os valores em vigor: CASAL – 30,00 €; SINGULAR – 20,00 €; VIÚVA 5,00 €. À generosidade de cada um não se pode impor limites. O FUNDO de PARTILHA agradece. A Tesoureira é a Maria Assunção Bessa Rodrigues, R. Campinho Verde, 15 – 4505-249 FIÃES VFR; Telefone: 220 815 616; Tlm: 966 404 997 IBAN: PT50 0033 0000 4521 8426 660 05 (Millenium BCP) Nota: Voltamos com o “Espiral”. As mensagens recebidas impõem-me cada vez mais responsabilidade na divulgação de temáticas agradáveis e profundas que alimentem a nossa espiritualidade já toda ela voltada para uma Igreja Santa e Pecadora, mas que nos guia, porque o “Farol” continua a ser Jesus Cristo. Abílio Rodrigues In Memoriam... Fazemos memória dos sócios da Fraternitas falecidos em 2024 As dificuldades em termos conhecimento dos que entregam a sua alma a Deus têm sido muitas. Não queremos esquecer ninguém. Por isso, pedimos a colaboração de todos para atualizarmos e fazermos eco dos eventos referidos. Desta vez, apresentamos aquelas e aqueles que chegaram até nós. PAZ ÀS SUAS ALMAS! Descansem em Paz! Paulo Tunes Eufrásio, associado número 24 da Fraternitas, faleceu a 13 de maio deste ano, com 84 anos de idade. À família, nomeadamente à esposa Maria Teresa, endereçamos as nossas cordiais condolências, na certeza de que todos acreditamos que já se encontra a contemplar O Ressuscitado. A Fraternitas fez-se representar no seu funeral através de Associados que vivem mais perto da Caparica, nomeadamente o Francisco Monteiro, a quem também agradecemos.
  • 13. 13 Aqueles que o conheceram sabem muito bem que era uma pessoa muito amiga dos que com ele lidavam. Paz à sua Alma. Julgamos oportuno divulgar que o Paulo Eufrásio foi padre jesuíta, casado com Maria Teresa e o casal teve uma filha. Durante a sua longa vida colaborou com os Jesuítas em várias missões, e levou sempre uma vida de crente, chegando mesmo a ser convidado pelo 1º Bispo de Setúbal para concelebrar com ele numa das celebrações da Semana Santa, o que muito o sensibilizou. A Teresa sua esposa também foi muito dedicada, sobretudo à animação litúrgica. REFLEXÃO FRATERNA SOBRA AS MULHERES NA IGREJA (REFMI) O grupo de trabalho da “Fraternitas Movimento” deixa-nos uma síntese daquilo que foi a sua pesquisa e reflexão sobre o tema. A todos eles agradecemos do fundo do nosso coração e aqui deixamos para que muitos mais possam ter acesso à informação. FRATERNITAS Abril de 2024 Francisco Monteiro A cultura patriarcal configurou o judaísmo onde nasceu o cristianismo, embora haja exceções ao exercício ministerial das mulheres no próprio judaísmo e sobretudo Jesus Cristo por diversas vezes tenha rompido com muitas das práticas segregacionistas das mulheres na sua época, culminando com o facto de uma mulher, Stª Maria Madalena, ter sido por si constituída Apóstola da sua Ressurreição. O Concílio Vaticano II colocou a Igreja claramente no seio das “profundas e rápidas transformações” do mundo atual que incluem a participação das mulheres “em quase todos os setores de atividade” e admitiu que a “estrutura social visível” da Igreja é “enriquecida” “com a evolução da vida social”. A ONU, através da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres preconiza que seja garantido às mulheres “o gozo dos direitos do homem”, “com base na igualdade com os homens.” O Papa Francisco revela-se francamente preocupado com o papel das mulheres na Igreja: apelou para que a Igreja acompanhe “os processos culturais e sociais da humanidade na complexa transição que estamos a viver”; reconheceu que “a entrada de mulheres na Cúria” é um “ato de justiça que, culturalmente, tinha sido posto de lado” na Igreja Católica; afirmou que se quisermos dar nova força à reciprocidade entre homens e mulheres”, é necessário que a voz da mulher “tenha um peso real, uma autoridade reconhecida tanto na sociedade como na Igreja”; acrescentou
  • 14. 14 que é tempo que as mulheres “se sintam não hóspedes, mas plenamente partícipes das várias esferas da vida social e eclesial”, notando que esse “é um desafio que não pode mais ser adiado” e enfatiza a urgência de “uma presença mais ampla e incisiva nas comunidades” com maior envolvimento das mulheres “nas responsabilidades pastorais”. Na Exortação Apostólica Querida Amazónia o Papa diz: “se se incultura a espiritualidade, se se incultura a santidade, se se incultura o próprio Evangelho, será possível evitar de pensar numa inculturação do modo como se estruturam e vivem os ministérios eclesiais?” O exercício da diaconia por parte das mulheres, apenas a nível organizativo (fundação de mosteiros), de evangelização ou do exercício de determinados ministérios tais como catequese, leitoras, ministras da Comunhão, de facto limita a pretendida plenitude igualitária entre homens e mulheres no ministério da Igreja, que, como se viu, se baseou numa mera conjuntura cultural, temporalizada, atualmente ultrapassada até ao nível dos direitos fundamentais hoje universalmente reconhecidos e que a Igreja proclama e promove. Assunção Bessa Enquanto mulher e membro da “Fraternitas Movimento”, gostaria de começar por dizer que, apesar da discussão sobre o papel da mulher na Igreja ser um tema de grande importância e relevância nos tempos atuais, para mim, a reflexão deve começar pelo lugar dos leigos - homens e mulheres - na Igreja. Isto implica falar em desclericalizar as estruturas da Igreja, em torná-la sinodal. A questão das responsabilidades dos leigos e, portanto, também das mulheres, foi amplamente levantada durante as consultas que precederam o Sínodo: hoje o problema está em evidência. Porque sem mulheres a Igreja já não sobrevive. É um facto! Recorrendo à memória da Bíblia, logo no primeiro livro cita-se: “Deus criou o homem à Sua imagem, criou-o à imagem de Deus; Ele os criou homem e mulher” (Génesis, 1,27). Na medida em que buscamos compreender melhor as Escrituras e aplicar os seus princípios à nossa sociedade em constante mudança, é fundamental examinar o papel das mulheres na história bíblica e na vida da Igreja primitiva. Ao longo das Escrituras, encontramos numerosos exemplos de mulheres que desempenharam papéis significativos na história da redenção e na vida do povo de Deus. Desde o Antigo Testamento até ao Novo Testamento, essas mulheres são apresentadas como modelos de fé, coragem e serviço. Além disso, é importante reconhecer que o chamamento ao serviço na Igreja não é (nem poderá ser) limitado pelo género. Todos os cristãos, homens e mulheres, são chamados a servir conforme os dons e talentos que receberam de Deus, contribuindo para o crescimento e edificação do corpo de Cristo (1 Coríntios 12, 4-11).
  • 15. 15 É difícil de compreender e sustentar a tese de que o presbítero, porque age na pessoa de Cristo, deve ser homem e que o 'ser-homem' é, portanto, um elemento sacramental indispensável. Os evangelhos foram escritos num espaço cultural patriarcal em que as mulheres desempenhavam um papel submisso aos homens. Jesus viveu neste espaço cultural específico, mas rompeu repetidamente com a tradição. Basta pensar no seu encontro com a mulher samaritana (cf. Jo 4), e nas mulheres que o acompanharam desde a primeira hora da sua vida pública (cf. Lc 8, 2-3). Penso que não há absolutamente nenhuma evidência de que um homem tenha sempre presidido a Eucaristia na Igreja primitiva, pois nas passagens bíblicas que falam da Eucaristia, apenas é mencionado o mandamento do Senhor: “Fazei isto em memória de mim” ( Lc 22, 19 e 1 Cor 11, 24), mas não se especifica com mais precisão quem – se homem ou mulher – preside a celebração ‘in persona Christi’ . Mesmo o facto de as mulheres não serem mencionadas na Última Ceia não pode ser citado como prova de que Jesus ‘apenas’ encarregou homens para celebrar sacramentalmente a comemoração da sua morte e ressurreição. Se assim fosse, apenas os homens poderiam participar na celebração da Eucaristia. E na medida que reflito sobre o papel da mulher na Igreja, sinto que somos desafiados a reconhecer e valorizar a diversidade de dons, talentos e perspetivas que cada membro traz para a comunidade cristã. É hora de mudar estruturas e procedimentos, mas também o olhar e o coração. É hora de criar espaços inclusivos onde homens e mulheres reconheçam a autoridade uns dos outros no anúncio das Boas Novas, respeitando-se mutuamente na igualdade e se encorajem mutuamente no compromisso e na fé. Acredito profundamente que a nossa Igreja precisa de pensar em si mesma mais como uma comunidade de irmãos e irmãs. É o testemunho mais elevado que podemos oferecer ao mundo. Mais do que uma luta pelo poder, é necessário reequilíbrio entre clérigos e leigos, entre homens e mulheres, é uma questão fraternidade. Na minha opinião, a verdadeira questão não é se o sacerdócio é feminino ou masculino. Isso ainda seria clericalismo. Trata-se da vitalidade das comunidades chamadas a ser mais responsáveis e maduras e de responder, simultaneamente, às necessidades pastorais do nosso tempo. Pode-se perguntar, ainda, se a atual imagem do clero não está desatualizada. Não acredito que a única solução para a crise atual possa ser exclusivamente, o acesso da mulher ao ministério ordenado. Mas também não acredito que excluir a questão da “agenda” seja uma forma verdadeiramente convincente e clarividente de abordar o problema. A mudança não depende, no entanto, só de grandes reflexões, mas depende muito mais da conversão de cada um de nós ao Evangelho, homens e mulheres. Cada um, homem ou mulher, se converta e atue...onde quer que esteja! Sigamos o exemplo daqueles que nos precederam na fé, homens e mulheres que serviram fielmente ao Senhor, proclamando a sua verdade e compartilhando o seu amor com o mundo ao seu redor. Tendo em conta que o Papa nos chama neste mês a rezar ‘para que a dignidade e a riqueza das mulheres sejam reconhecidas em todas as culturas, e para que cesse a discriminação que sofrem em diversas partes do mundo’,
  • 16. 16 continuemos também a reconhecer o papel das mulheres dentro da Igreja. Albino Vaz A MULHER NA IGREJA DE AMANHÃ: -A mulher voltará a ter iguais direitos ao homem, tal como Jesus o pedia com o Seu mandamento por excelência, na última ceia: -Quem quiser ser grande faça-se servo de todos, ou o mais pequeno de todos. -Amai-vos como Eu vos amei. -Sendo Eu Senhor e Mestre, irei lavar-vos os pés. -Como eu vo-lo fiz, fazei-o vós também ao mais pequeno dos irmãos, pois é a mim próprio que o fazeis. Será incompreensível a desigualdade de direitos entre duas almas gémeas ou complementares: Homem e Mulher. Daí que a solução da Igreja do futuro terá de passar por homens e mulheres casados ao serviço de Deus e assim da Sua Igreja, embora respeitando a vontade de alguns homens e mulheres que voluntariamente queiram consagrar-se ao Senhor através da sua virgindade ou celibato como oferenda voluntária, mas opcional, e não imposta ou obrigatória. Espiral boletim de Rua Dr. Manuel Arriaga, 53, 2º Esq f r a t e r n i t a s m o v i m e n t o 3720 - 233 OLIVEIRA DE AZEMÉIS Responsável: Abílio Pinto Rodrigues e-mail: [email protected] Nº 75 - Julho de 2024 SECRETARIADO Pctª Maestro Ivo Cruz, 12 - 11º A1500 - 401 LISBOA Telemóvel: 933 522 247