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SÉCULO XVIII
Entradas e Bandeiras – Guerra dos Mascates –Emboabas
– O Padre Voador – Capitania de São Paulo e Minas do
Ouro – Corsários Franceses – Guerra Livre e Trucidação
de Indígenas – Vice-Reinado do Brasil – Tratado de
Utrecht – Insurreição em Vila Rica – Redivisão Territorial
do Brasil – Novas Capitanias – Distrito Diamantino –
Picada de Goiás – Antônio José da Silva, o Judeu –
Expedição de La Condamine – Tratado de Madri – Era
Pombalina – Guerra Guaranítica – Terremoto de Lisboa –
Expulsão dos Jesuítas – Quilombos do Brasil Central –
Movimento Centrífugo da População Mineira – Tratados
de el Pardo, Paris e Santo Ildefonso – Nova Capital da
Colônia – “Viagem Filosófica” à Amazônia – Proibição de
Indústrias na Colônia – Conjurações Mineira, Fluminense
e Baiana – Primeiras Associações Literárias – Encenações
Teatrais – Artes Plásticas e Musicais
Década de 1700
1700
Março - Tratado provisional entre Portugal e França dirime as
controvérsias em torno dos limites fronteiriços entre o Brasil e a
Guiana Francesa.
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15 de Abril – A Companhia Inglesa da Guiné, pretendendo
estabelecer estação marítima, procede a ocupação da ilha da Trindade
pelo capitão Edmond Halley, alegando estar abandonada.
– No contexto da guerra, no Ceará, entre as famílias Montes e
Feitosas, os índios jucás, que apoiam os Montes, chacinam os
quixelôs, aldeados em São Mateus, partidários dos Feitosas.
– Entre as inumeráveis entradas e bandeiras que a esse tempo
incursionam pelo interior brasileiro, salienta-se, entre outras, a
organizada por Manuel Borba Gato, que encontra minas na região de
Sabará, em Minas Gerais.
– “Deslumbrados ante a abundância do metal precioso que faiscava
por todo lado e na sofreguidão de sempre buscar novos filões, os
mineiros esqueceram-se do principal: ouro não se come. Foi um
desastre. Entre 1697 e 1698, 1700 e 1701, e em 1713, sem plantar
roçados de mandioca, feijão, abóbora e milho suficientes para o
número de pessoas que continuava afluindo à Minas, os moradores de
Minas morriam de fome com as mãos cheias de ouro, cravou, uma vez
mais, padre Antonil. Para escapar da fome, os mineiros aprenderam
ligeiro a engolir qualquer coisa: cães, gatos, ratos, raízes de paus,
insetos, cobras e lagartos. Devoravam, inclusive, o perigoso bicho-de-
taquara − larva branca, roliça e comprida que se encontra no interior
dos bambus” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling. Brasil: Uma
Biografia, 2015, p. 115).
1701
Agosto – Falece, no mar dos Açores, o cientista jesuíta Aluísio
Conrado Pfeil, que além de mapas do norte do Brasil, efetua várias
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“explorações geográficas na capitania do cabo Norte, com a
finalidade de determinar os limites das terras de Portugal com as da
Espanha e da França” (Abraão de Morais, “A Astronomia no Brasil”,
in As Ciências no Brasil, vol. I, p. 103), escrevendo sobre o assunto
dois ensaios que serão utilizados pelo Barão do Rio Branco na questão
de limites do Brasil no Amapá.
– Celebrado o Tratado de Aliança entre Portugal e a França,
referendando tratado efetuado entre ambos os países no ano anterior,
fixando as fronteiras entre o Amapá e a Guiana Francesa.
– Em atendimento aos reclamos dos proprietários de engenho pelos
estragos que o gado fazia nos canaviais, é expedida carta régia
proibindo o estabelecimento de fazendas de criação no litoral
brasileiro numa faixa de dez léguas da costa.
1702
03 de Julho – Rodrigo da Costa assume a governadoria-geral do
Brasil, sucedendo-o mais três governadores até a instituição do vice-
reinado do Brasil, ocorrida em 1714 e que perdura até 1808.
1703
– Nada menos de 4.350 (quatro mil trezentos e cinquenta) quilos de
ouro brasileiro são remetidos, no ano, para Portugal, ultrapassando
todo o ouro obtido pela Metrópole Portuguesa nas regiões africanas de
Mina e Guiné. “Os Estados Unidos descobrem e exploram o seu ouro
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em benefício próprio, quando já se haviam emancipado da Inglaterra,
ao passo que o ouro brasileiro, além de quase desmontar a nossa
incipiente formação agrícola, é carreado, às arrobas e às toneladas,
para Portugal” (Viana Moog. Bandeirantes e Pioneiros. 13ª ed. Rio
de Janeiro, editora Civilização Brasileira, 1981, p. 166).
– Em decorrência da guerra entre Portugal e Espanha, o governador de
Buenos Aires cerca durante seis meses a colônia portuguesa existente
na costa uruguaia em frente a Buenos Aires, conhecida como colônia
do Sacramento, e a ocupa, obrigando sua guarnição ir para o Rio de
Janeiro.
1705
08 de Setembro – Ao encerrar o mandato de governador-geral do
Brasil por ter sido nomeado vice-rei para a Índia e dar posse a Luís
César de Meneses, seu sucessor, Rodrigo da Costa, entre outras
medidas, ultima fábrica de salitre, organiza a de pólvora, reforma e
amplia as fortificações existentes em Salvador e na ilha de Itaparica.
19 de Dezembro – Falece o cientista jesuíta Valentim Estancel,
chegado ao Brasil em 1663, aqui continuando seus estudos
astronômicos e elaborando várias obras científicas, todas escritas em
latim e algumas delas comentadas por Leipzig em seu Acta
Eruditorum, tendo também “referência a uma de suas observações,
feita por Newton nos Principia Mattematica” (Abraão de Morais, op.
cit., vol. I, p. 99).
217
– Conquanto no Tratado entre Portugal e Espanha se reafirme e se
confirme o direito do primeiro à área da colônia de Sacramento, este a
perde para os espanhóis de Buenos Aires.
– Conforme a Mirador (vol. IV, p. 1.588), Luís César de Meneses
passa a ocupar o cargo de governador-geral da colônia, enquanto o
Novo Dicionário indica, para o fato, a data de 8 de setembro de 1708.
– Publicada em Roma a obra Economia Cristã dos Senhores no
Governo dos Escravos, do padre jesuíta Jorge Benci, reeditada no
Brasil em 1954 e 1977.
– Publicado em Lisboa volume de versos de autoria de Manuel
Botelho de Oliveira, sob o título, ora encurtado, de Música do
Parnaso.
1706
– Instala-se em Recife, sob os auspícios do governador, pequena
tipografia para impressão de letras de câmbio e orações devotas.
08 de Junho – Carta régia, porém, proíbe a impressão de livros e
papéis avulsos, fechando-se a tipografia.
– Com o início comprovado no Rio de Janeiro nesse ano das
atividades do pintor Caetano da Costa Coelho, forma-se, com o correr
do século, o que se denomina Escola Fluminense de Pintura, composta
ainda de José de Oliveira Rosa, João Francisco Muzzi, o escravo
Manuel da Cunha – cujo proprietário o leva a Lisboa para se
aperfeiçoar, sendo posteriormente alforriado – Leandro Joaquim,
Manuel Dias de Oliveira, José Leandro de Carvalho e, por fim,
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Francisco Pedro do Amaral, este último atuando nas primeiras décadas
do século XIX.
09 de Dezembro – Falece o rei português d. Pedro II, sucedendo-o no
trono seu filho d. João V, que dirigirá o país até 1750.
1707
– Chega a Pernambuco o governador Sebastião de Castro Caldas,
encontrando suas duas maiores localidades, Olinda (onde residem os
nobres) e Recife (simples bairro, onde pontificam os comerciantes,
denominados mascates), em verdadeiro pé de guerra, tal a rivalidade
que se foi formando e acentuando com o tempo entre os habitantes de
uma e outra. Optando pela causa dos mascates, o governador chega a
transferir quase totalmente a sede do governo de Olinda para Recife.
Fim do Ano – A crescente animosidade entre forasteiros (emboabas)
e paulistas, que “defendiam as minas como de direito patrimônio (sic)
seu exclusivo” (Rocha Pombo, História do Brasil. 10ª ed., 1961, p.
221), marcada e agravada por incidentes diversos, gera total
intranquilidade, até que surge boato de que os paulistas decidiram
expulsar os adventícios, fazendo com que estes se reúnam em torno de
Manuel Nunes Viana, aclamando-o “governador das minas”, o qual,
por sua vez, instala seu governo numa de suas casas de Caeté, com o
que debandam os paulistas, concentrando-se em Sabará, onde Nunes
Viana os ataca, pondo-os em fuga.
– Publica-se em Lisboa o livro Notícias do Que é o Achaque do Bicho,
de autoria de Miguel Dias Pimenta, comerciante e curador recifense.
219
1708
20 de Abril – Carta régia determina guerra total aos índios do corso
(salteadores) nas capitanias do Norte e Nordeste com o objetivo de
exterminá-los, passando a fio de espada os que resistirem e vendidos
como escravos os aprisionados e os que se renderem.
– Nesse mesmo ano, por ordem do governador do Ceará, são
exterminadas as tribos dos icós, cariris, carius e caratius.
– Ao assumir o comando da região das Minas por ter sido ferido o
governador Pascoal da Silva Guimarães em ataques aos paulistas, frei
Francisco de Meneses e outros frades sagram Nunes Viana
governador supremo (ou ditador) das Minas Gerais.
– Os paulistas, após seguidas derrotas para os forasteiros, reúnem-se
no arraial do Rio das Mortes e, dado seu grande número, cercam o
arraial da Ponta do Morro, onde os emboabas resistem à espera do
socorro de mil homens mandados de Ouro Preto sob o comando do
sargento-mor Bento do Amaral Coutinho, os quais ao chegar já não
encontram os paulistas, que tinham levantado o cerco e se dispersado
em inúmeros grupos visando melhor se defenderem de possíveis
ataques. Um desses grupos é localizado acampado distante umas
quatro léguas (vinte e quatro quilômetros), onde é cercado e atacado,
combatendo-se durante dois dias, após os quais os paulistas se rendem
sob a promessa de garantia de vida, mas, tão logo desarmados, uns
trezentos combatentes são chacinados impiedosamente, sendo o lugar
onde se deu o massacre denominado daí diante de Capão da Traição.
220
1709
– Parte para a região conflagrada das Minas o governador do Rio de
Janeiro, Fernando Martins Mascarenhas de Lancastro, com intuito ou
pelo menos aparência de ir castigar os beligerantes, mas é posto a
correr por Nunes Viana e seus comandados.
Junho – Para dar cobro à situação convulsionada das Minas, a Corte
portuguesa nomeia como governador do Sul a Antônio de
Albuquerque Coelho de Carvalho, que depois de ouvir o emissário dos
emboabas, frei Miguel Ribeiro, parte com ele e pequena escolta para
Caeté, dominada pelos paulistas, dali mandando emissário a Ouro
Preto para intimar Nunes Viana a se apresentar em Caeté, onde este,
submetendo-se à nova autoridade, presta juramento de fidelidade aos
representantes do rei. Contudo, os paulistas, sob a chefia de Amador
Bueno da Veiga, organizam-se e se armam para a vingança, não
conseguindo Antônio de Albuquerque dissuadi-los. Fortificados em
Ponta do Morro, os forasteiros são atacados pelos paulistas,
combatendo-se durante uma semana, após a qual estes recuam para
evitar a grande força que os iria atacar, conforme notícia que recebem,
retirando-se para São Paulo, com entusiasmados forasteiros a
persegui-los até certo ponto.
05 de Agosto – Exibição pública em Lisboa, na presença do rei d.
João V e da Corte portuguesa, da Passarola, balão ou máquina
aerostática inventado e construído pelo padre Bartolomeu Lourenço de
Gusmão, nascido em Santos/SP em 1685 e falecido na Espanha em
1724, irmão do diplomata Alexandre de Gusmão e denominado o
Padre Voador, sendo considerado por Afonso E. Taunay, “o primeiro
221
americano a realizar, no cenário mundial, uma invenção notável”
(apud Novo Dicionário de História do Brasil, p. 326). Segundo
Raimundo de Meneses (Dicionário Literário Brasileiro. 2ª ed., 1978,
p. 327), Bartolomeu de Gusmão consagra-se “como o verdadeiro
precursor da aeronáutica no mundo, tentando os primeiros ensaios do
voo humano”. Conforme documentos existentes em arquivos
portugueses e no Vaticano, a Passarola é “instrumento de caminhar
pelo ar, muito mais rapidamente do que pela terra e pelo mar,
fazendo, algumas vezes, mais de 200 [duzentas] léguas de caminho
por dia” (Novo Dicionário de História do Brasil, p. 326).
03 de Novembro – Carta régia de d. João V desanexa Minas da
capitania do Espírito Santo para formar a capitania de São Paulo e
Minas do Ouro, com sede em São Paulo.
26 de Novembro – Lei opõe restrições à vinda ou visitação ao Brasil.
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Foto 1: Quadro de João Francisco Muzzi
Foto 2: Quadro de José de Oliveira Rosa
Foto 3: Passarola
Foto 4: Economia Cristã dos Senhores/capa
Foto 5: Música do Parnaso.../capa
Foto 6: Mapa do litoral de Pernambuco
223
Década de 1710
1710
04 de Março – Surge o pelourinho em praça de Recife, mandado
lavrar em segredo pelo governador Sebastião de Castro Caldas,
organizando-se nesse dia a Câmara de Recife, tornada vila, ou seja,
município autônomo e independente de Olinda, protestando contra
isso o Senado de Olinda, pelo que o governador ordena a prisão de
algumas das mais importantes pessoas desta última vila.
03 de Maio – Assume Lourenço de Almada o cargo de governador-
geral da Colônia. O Novo Dicionário e a Mirador registram o
sobrenome de Almada. Abreu e Lima o de Almeida.
Setembro – Corsários franceses, sob o comando de Jean-François
Duclerc, invadem o Rio de Janeiro para se apoderarem do ouro vindo
de Minas Gerais, ação propiciada pela Guerra de Sucessão na
Espanha, que opõe França e Espanha contra Portugal, Grã-Bretanha e
Holanda. Diversos combates são travados em várias partes da cidade,
culminando com o que ocorre nas imediações da atual praça 15 de
Novembro, rendendo-se Duclerc, mas massacrada força francesa
estacionada no morro de Santa Teresa como reserva, calculando-se em
quatrocentos os mortos e cento e cinquenta feridos do lado invasor
contra cinquenta mortos e setenta feridos do lado dos brasileiros e
portugueses, além de quatrocentos e quarenta franceses feitos
prisioneiros.
224
27 de Outubro – O governador de Pernambuco, Sebastião de Castro
Caldas, sofre atentado a tiro quando passa por uma das ruas, ferindo-
se levemente, ordenando de imediato a prisão de inúmeras pessoas
suspeitas de serem mandantes.
09 de Novembro – Entra em Recife grupo armado de dois mil
homens organizado pelos nobres de Olinda para derrubar o
governador, que foge para Salvador, sendo os membros da Câmara
destituídos, destruído o pelourinho e outros símbolos da vila e
libertados os indivíduos presos por ordem do governador. Na Bahia, o
governador Castro Caldas é preso por ordem do governador-geral da
colônia e remetido no ano seguinte à Lisboa.
10 de Novembro – Celebra-se em Olinda congresso com a presença
da nobreza pernambucana, destacando-se, de tudo, a intervenção e
proposta de Bernardo Vieira de Melo, referindo-se, pela primeira vez
na colônia abertamente em reunião pública de grande relevância, em
independência em relação a Portugal e em regime republicano e,
mesmo que fossem derrotados, “lembrando mesmo o reduto dos
Palmares, onde teriam refúgio certo contra as armas do rei [....] em
qualquer caso, tudo era preferível a ficarem submissos aos forasteiros
do Recife” (apud Rocha Pombo, op.cit., p. 237), sendo a proposta
bastante discutida e apoiada por outros oito oradores, prevalecendo, ao
final, a deliberação de invocar, primeiro, a justiça do rei, entregando-
se o governo ao bispo d. Manuel Álvares da Costa, sucessor legal do
governador foragido, sob as condições de perdão geral para os
revoltosos, o fim da vila do Recife e outros reivindicações de natureza
econômica. “Apesar de a sedição de 1710 ter sido um conflito
municipal, as ideias se movimentaram além de Pernambuco. Os
225
sediciosos de Olinda conjugaram pela primeira vez na América
portuguesa independência e autogoverno e declararam preferir a
forma republicana ao governo dos reis” (Lília M. Schwarcz e Heloísa
M. Starling. Brasil: Uma Biografia, p. 141).
Novembro – Nova assembleia se reúne em Olinda, prevalecendo a
corrente dos moderados, pelo que a província continua fiel ao rei,
resolvendo-se também que o bispo só assume o governo sob a
condição de anistiar os revoltosos.
– Enquanto o bispo procura se equilibrar entre os polos desavindos,
Bernardo Vieira de Melo entra em choque com a guarnição de Recife
e assume o domínio da cidade, aclamando João da Mota governador
provisório, conseguindo o bispo ir para Olinda, onde reassume sua
autoridade.
− “A revolta de 1710 faz parte de um conjunto de eventos - de ruptura
da ordem colonial e movimentação contra a autoridade régia - que a
historiografia do século XIX designou como Guerra dos Mascates”
(Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, op. cit., p. 140). José de
Alencar, no romance histórico Guerra dos Mascates, aborda esse
acontecimento.
– Por volta desse ano são descobertas por paulistas ricas jazidas de
ouro em Pitangui/MG.
– Publicada no México a obra Luzeiro Evangélico, de frei João Batista
Morelli de Castelnuevo, nome clerical de Fulgêncio Leitão, primeiro
livro em língua portuguesa impresso na América.
– Publicado em Lisboa o opúsculo de autoria do padre Bartolomeu
Lourenço de Gusmão referente a outra de suas invenções: Vários
Modos de Esgotar Sem Gente as Naus Que Fazem Água.
226
1711
02 de Janeiro – Criada pelo bispo do Rio de Janeiro a Irmandade de
N.S. do Rosário dos Homens Pretos, uma das primeiras ou a primeira
das diversas organizadas na Colônia.
08 de Fevereiro – No mesmo sentido de disposições anteriores, nova
carta régia proíbe o comércio na colônia com estrangeiros.
19 de Fevereiro – Lei limita a vinda de estrangeiros ao Brasil.
18 de Março – Assassinado por grupo de homens mascarados o
corsário francês Duclerc, que anteriormente feito prisioneiro e depois
libertado residia em casa que alugara, cogitando-se em ato de
vingança.
09 de Junho – Parte da França, sob o comando do corsário René
Duguay-Trouin, esquadra de dezessete navios com setecentos canhões
e mais de quatro mil homens de desembarque para invadir o Rio de
Janeiro, sob o pretexto de vingar Duclerc.
08 de Julho – O arraial de Vila Rica (futura Ouro Preto) é transferido
vinte e cinco quilômetros aproximadamente do local originário para
onde está hoje e elevado à condição de vila (município) com a
denominação de Vila Rica, medida confirmada por carta régia
posterior.
11 de Julho – Ordem régia do rei de Portugal, d. João V, eleva a vila
de São Paulo à condição de cidade, cronologicamente a oitava do país
a obter essa designação, após Salvador, Rio de Janeiro, Paraíba,
Olinda, São Luís, Cabo Frio e Vila Rica.
12 de Setembro – A frota comandada por Duguay-Trouin,
aproveitando-se de forte nevoeiro, invade a baía da Guanabara.
227
13 de Setembro – Os corsários franceses ocupam a ilha das Cobras,
instalando nela suas baterias.
14 de Setembro – A frota francesa desembarca quatro mil
combatentes, dando inicio à ocupação do Rio de Janeiro, tendo o
governador Francisco de Castro Morais concentrado suas forças no
largo do Rosário e, intimado a se render, não concorda.
20 de Setembro – Os franceses iniciam o bombardeio do campo do
Rosário, semeando o medo e mesmo o pânico entre seus defensores.
21 de Setembro – Diante do ataque francês, alvitra o governador e
seu estado maior procurar sítio mais resguardado enquanto espera
reforço de Minas, indo para Engenho Novo e depois Iguaçu, com o
que debanda a população, desprotegida e apavorada, procurando se
esconder nas matas.
22 de Setembro – Abandonada a cidade do Rio de Janeiro, os
corsários franceses, sob o comando de Duguay-Trouin, procedem à
pilhagem, arrombando mais de setenta por cento das casas e armazéns,
apoderando-se do que encontram de valor.
09 de Outubro – Félix José Machado de Mendonça toma posse em
Olinda como novo governador de Pernambuco, procurando nos
primeiros dias conciliar as facções em conflito, soltando presos
políticos e recebendo de João da Mota as fortificações recifenses que
detinha.
10 de Outubro – Assinada capitulação do governador Francisco de
Castro Morais ao corsário Duguay-Trouin, que exigira resgate da
cidade sob a ameaça de incendiá-la totalmente, pagando-se-lhe em
moeda seiscentos e dez mil cruzados, além de caixas de açúcar e bois.
228
11 de Outubro – Chega a Iguaçu a tropa mandada de Minas para
socorrer os fluminenses com mais de cinco mil e quinhentos
combatentes, sob o comando de Antônio de Albuquerque, nada mais
podendo fazer diante do acordo assinado.
14 de Outubro – O terceiro conde de Castelo Melhor, Pedro de
Vasconcelos e Sousa, assume a governadoria-geral da Colônia.
18 de Novembro – Félix Mendonça, novo governador de
Pernambuco, surpreendentemente alinha-se aos comerciantes de
Recife, dando início à devassa, ordenando a prisão dos líderes da
revolta olindense do ano anterior, restaurando o pelourinho e
instalando a Câmara. Vieira de Melo e um filho refugiam-se em
Palmares, mas, entregando-se posteriormente, são presos e,
juntamente com outros prisioneiros, remetidos à Lisboa, onde d. João
V os solta e determina ao governador libertar todos os olindenses
detidos e a lhes restituir os bens sequestrados.
04 de Dezembro – Efetuado o último pagamento a Duguay-Trouin
dos seiscentos e dez mil cruzados acordados para resgate, quantia a
que se acresce o produto da pilhagem, elevando-se a alguns milhões
de cruzados o lucro dos corsários. Nesse mesmo dia partem os
franceses, que na viagem têm três navios naufragados. Castro Morais
é destituído do governo, processado e condenado a degredo perpétuo
na Índia.
– Criadas as municipalidades (vilas) mineiras de N. S. do Ribeirão do
Carmo (atual Mariana) e Vila Real do Sabará.
– Publicada em Lisboa a obra Cultura e Opulência do Brasil por Suas
Drogas e Minas, de André João Antonil, anagrama do jesuíta italiano
João Antônio Andreoni. As informações sobre minas de ouro e prata
229
contidas na obra servem de pretexto para o governo português
determinar seu sequestro e destruição, por divulgar o segredo do
Brasil aos estrangeiros. “Que lhes poderia ensinar de novo [o livro]?
A verdade é outra: o livro ensinava o segredo do Brasil aos
brasileiros, mostrando toda a sua possança (sic), justificando todas as
suas pretensões, esclarecendo toda a sua grandeza [....] Sem
amplificações, em forma tersa e severa, adunava algarismos e
mostrava o Brasil tal qual se apresentava à visão de um espírito
investigador e penetrante” (Capistrano de Abreu. Capítulos de
História Colonial, p. 186 e 184, respectivamente).
– Representada em Olinda e Recife a peça Comédias, em
oportunidades comemorativas.
1712
– Nesse ano a remessa de ouro brasileiro para Portugal atinge o ápice
com 14.500 (catorze mil e quinhentos) quilos.
– Visita o Brasil o cientista francês Amedée-François Fresier.
1713
Agosto – No Ceará, os índios anacés atacam a vila de Aquirás, tendo a
população fugido em direção à vila do Forte ou da Fortaleza de Nossa
Senhora da Assunção de Nova Bragança, atual Fortaleza. Alcançada
no caminho, tem umas duzentas pessoas mortas pelos índios. Face a
isso, o governador da capitania, ouvida a junta das figuras mais
230
importantes, como determina provisão do rei d. João V, ordena a
afixação nos edifícios públicos e igrejas do Banho de Guerra Livre
aos Selvagens. Segundo Gustavo Barroso (Nos Bastidores da História
do Brasil, s/d, p. 72), “Guerra de Corso era para escravizar, a de
Morte para aniquilar, mas ambas realizadas por agentes do governo.
A Guerra Livre podia ser feita por qualquer pessoa, como quisesse e
a qualquer tempo, sem dar contas a ninguém”.
– Em decorrência disso, nesse mesmo ano, são presos quatrocentos
anacés, dos quais noventa e cinco são trucidados e muitos outros
mortos ou escravizados, do que resulta ficarem “definitivamente
destruídas, além da nação dos anacés, as dos jaguaribaras e dos
canindés” (Gustavo Barroso, op.cit., p. 72).
– Instituída a vila de São João del Rei.
– Fim da denominada Guerra dos Bárbaros com as repressões
organizadas nesse ano contra tribos indígenas cearenses.
– Organizado o asilo do padre Antônio Manuel, em Pernambuco, para
isolamento de leprosos, comportando trinta doentes.
– Abolido o quinto de ouro, substituído pelo pagamento, por ano, de
trinta arrobas, procedendo-se a repartição da cota que cada Câmara de
Minas Gerais deverá contribuir.
– Nomeado pelo governador da província o mestre de campo Antônio
Pires de Ávila para pôr ordem no arraial de Pitangui/MG, o que não é
conseguido.
231
1714
Abril – Fixados os limites das três primeiras comarcas criadas em
Minas Gerais no início deste século, correspondentes, conforme
observa Cláudia Damasceno Fonseca (Arraiais e Vilas d’el Rei –
Espaço e Poder nas Minas Setecentistas. Belo Horizonte, editora da
UFMG, 2011, p. 143), a três grandes bacias hidrográficas: Ouro Preto
(bacia do rio Doce), Rio das Velhas (bacia do rio São Francisco) e Rio
das Mortes (bacias dos rios Grande e Paraná).
11 de Junho – O marquês de Angeja e segundo conde de Vila Verde,
Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, é nomeado vice-rei
do Brasil, titulação que daí por diante prevalecerá nas futuras
nomeações até a última delas, ocorrida em 1806.
– Nomeado o engenheiro militar Pedro Gomes Chaves para apaziguar
os habitantes de Pitangui e ao mesmo tempo cobrar as remessas do
quinto não procedidas, também não obtendo êxito.
– Volta ao Brasil, onde esteve em 1712, o cientista francês Amedée-
François Fresier, que posteriormente inclui em suas obras mapas e
estudos geográficos referentes a algumas regiões brasileiras.
– Elevadas à categoria de vilas, em Minas Gerais, a Vila Nova da
Rainha (atual Caeté) e Vila do Príncipe (atual Serro).
1715
06 de Fevereiro – Pelo Tratado de Utrecht é reconhecido o direito de
Portugal sobre a colônia do Sacramento, retomada no ano seguinte.
232
09 de Junho – Criada a vila de N. S da Piedade de Pitangui a fim de
facilitar a coleta de impostos, cujos métodos empregados pelos
camaristas (membros da Câmara) provocam violentas reações dos
habitantes.
05 de Julho – Carta régia proíbe o cativeiro injusto dos indígenas.
– Lourenço de Almeida assume a governadoria de Pernambuco e
procura normalizar a situação, “sem, no entanto, extinguir aquela
tradicional rivalidade entre portugueses e filhos da terra” (Rocha
Pombo. História do Brasil, op.cit., p. 239).
– Face às queixas de atrocidades cometidas pelos índios, ordem régia
mandada da metrópole determina a continuação da guerra contra eles
até seu total extermínio.
– Escrita pelo médico português Manuel dos Santos a Narração
Histórica das Calamidades de Pernambuco, Sucedidas Desde o Ano
de 1707 Até o de 1715.
1716
– Levante em Caeté/MG contra o regime de capitação na arrecadação
do imposto sobre o ouro, tendo o governador determinado a volta ao
sistema “da finta coletiva e fixa anual” (Rocha Pombo, op.cit., p.
228), consistindo a capitação em valor fixo a ser pago por cabeça de
escravo, incidindo sobre todas as pessoas que os tinham, segundo
Cláudia Damasceno Fonseca (op.cit., p. 196).
– A colônia do Sacramento é devolvida pelos espanhóis aos
portugueses, não sem antes procurar isolá-la, “povoando e
233
fortificando a região, então denominada do Monte do Vidéu”
(Gustavo Barroso, op. cit., p. 65).
– Finalmente encerrada a longa pendência judicial entre Duarte de
Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, anexada
em 1654 à Coroa, concedendo o rei d. João V a seus herdeiros o
marquesado de Valença e oitenta mil cruzados, “pagos no rendimento
daquela capitania em dez anos” (Abreu e Lima. Sinopse dos Fatos
Mais Notáveis da História do Brasil, p. 175).
1717
24 de Julho – O conde de Assumar, Pedro de Almeida, nomeado
governador da capitania de São Paulo e Minas do Ouro, parte do Rio
de Janeiro para São Paulo para tomar posse do cargo, prosseguindo
viagem até Vila Rica, da qual é redigido diário por um dos membros
da comitiva. “O conde de Assumar governou a capitania de 1717 a
1721 e ficou célebre por bater duro na fama de insubmissão que
grassava entre os moradores, reafirmar a centralidade do poder real
e garantir o exercício da autoridade administrativa metropolitana”
(Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling. Brasil: Uma Biografia, p.
139).
– A dívida da vila de Pitangui ascende a sete arrobas de ouro, que a
própria Câmara, anteriormente encarregada de cobrá-la, recusa-se a
fazê-lo.
– Representadas em Salvador as peças El Conde de Lucanor e
Effectos de Odio y Amor, ambas de autoria de Calderón.
234
1718
09 de Março – Provisão real, contraditoriamente, reconhece a
liberdade dos índios, mas, recomenda a escravização dos que “andam
nus, atropelam as leis da natureza, não fazem diferença de mãe e filha
para satisfação de sua lascívia, comem-se uns aos outros” (apud
Martins Júnior. História do Direito Nacional, p. 209).
06 de Abril – Passada em Lisboa a escritura de aquisição pela Coroa
portuguesa por quarenta mil cruzados da capitania do Espírito Santo.
11 de Abril – Degredados do reino para Salvador diversos ciganos e
ciganas com seus filhos, em decorrência de “mau e escandaloso
procedimento” (Abreu e Lima, op.cit., p. 177), com proibição de
usarem sua língua e gíria, designando a Câmara da cidade o bairro da
Palma para sua habitação, que fica conhecido como Mouraria.
30 de Maio – Carta régia autoriza a escravização de duzentos índios
para aplicar o produto de sua venda na construção de igreja no
Maranhão.
21 de Agosto – No mandato do vice-rei do Brasil, o marquês de
Angeja, Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, encerrado
nessa data e transferido a Sancho de Faro e Sousa, segundo conde de
Vimieiro, construíram-se a nau Padre Eterno e diversas outras, além
de se ter cuidado e ampliado as fortificações da colônia e estabelecidas
áreas de corte de madeira para construções.
– A bandeira chefiada por Pascual Moreira Cabral Leme adentra o
atual Estado de Mato Grosso, descobrindo, na região do rio Cuiabá, as
minas de Caxipó-Mirim.
235
– “Numa carta dirigida ao vice-rei da Colônia, o conde de Assumar
relatava suas dificuldades para efetuar a cobrança do quinto naquela
povoação [Pitangui], que era um verdadeiro antro de rebeldes”
(Cláudia D. Fonseca, op.cit., p. 158).
– São José del Rei (atual Tiradentes) é elevada à categoria de vila.
1719
– O conde de Assumar nomeia o brigadeiro português João Lobo de
Macedo para dirigir a vila de Pitangui. “No entanto, o grupo de
paulistas que dominava a vila não aceitaria a autoridade do
brigadeiro reinol, expulsando-o de Pitangui” (Cláudia D. Fonseca,
op.cit., p. 159).
11 de Fevereiro – Segundo Joaquim Felício dos Santos (Memórias do
Distrito Diamantino, p.57/58), lei substitui o pagamento anual de
arrobas de ouro pela cobrança do quinto deduzido por ocasião da
fundição, estando proibida a saída de Minas Gerais de ouro em pó, sob
pena de perda do ouro, confisco de todos os bens e degredo por dez
anos na Índia.
19 de Abril – Concedida pelo rei d. João V de Portugal ao padre
Bartolomeu Lourenço de Gusmão patente de “instrumento para voar
pelos ares” (apud Novo Dicionário de História do Brasil, p. 327).
13 de Outubro – Por falecimento do vice-rei, assume o governo da
Colônia triunvirato composto do arcebispo d. Sebastião Monteiro da
Vide, do ouvidor Caetano de Brito e Figueiredo e do mestre de campo
João de Araújo e Azevedo.
236
Foto 1: Cultura e Opulência do Brasil/capa
Foto 2: Litografia de Ferdinand Perrot
Foto 3: As Expedições de Duclerc e de
Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro/capa
Foto 1: Colônia de Sacramento
Foto 2: Nau Padre Eterno
237
Década de 1720
1720
20 de Março – Por lei é permitida a vinda ao Brasil apenas a
servidores públicos para cá designados, religiosos incumbidos de
missões e portugueses que “provassem com documentos irem fazer
negócio considerável, com fazendas suas ou alheias, para voltarem”
(apud Martins Júnior, História do Direito Nacional. 2ª ed., 1941, p.
212).
28 de Junho – Irrompe insurreição em Vila Rica contra o sistema e o
excesso da cobrança do imposto sobre o ouro, expulsando-se o
ouvidor e remetendo os sediciosos mensagem ao governador com
várias exigências, tendo este concordado em conceder ao povo o que
fosse justo desde que se restabelecesse a ordem. Conquanto
acalmando o povo com essa promessa, seus líderes o coloca
novamente em sedição. Contingente de uns dois mil revoltosos dirige-
se ao palácio do governador, conde de Assumar, em vila do Ribeirão
do Carmo (atual Mariana), onde novamente lhe apresentam reclamos e
reivindicações, por ele deferidos e, por isso, aclamado.
16 de Julho – Mesmo tendo o conde de Assumar acedido às
reivindicações, os revoltosos dão continuidade ao movimento,
desconfiados de suas reais intenções, formulando, segundo Rocha
Pombo (História do Brasil. 10ª ed., 1961, p. 231), novas exigências,
pelo que se considera que seu verdadeiro intuito não é reivindicar,
mas, o domínio das Minas, em decorrência do que é ordenada a prisão
238
dos líderes dos sediciosos, entre eles Filipe dos Santos, logo enforcado
e depois amarrado à cauda de um cavalo e, como diz o próprio conde
de Assumar em carta de 02 de agosto seguinte ao vice-rei do Brasil, na
Bahia, “o mandei arrastar e esquartejar” (apud Gustavo Barroso.
Nos Bastidores da História do Brasil, s/d., p. 97).
– “A pena capital não foi aplicada contra este [Pascoal da Silva
Guimarães] nem contra os outros poderosos que chefiaram a rebelião
[entre eles, o brigadeiro João Lobo de Macedo], incidindo apenas
sobre Filipe dos Santos, um modesto comerciante cujo papel na
rebelião tinha sido secundário” (Cláudia Damasceno Fonseca.
Arraiais e Vilas d’El Rei, 2011, p. 166).
– “O cerco da Metrópole à Colônia se completa no fiscalismo do
reino. Fiscalismo, expressão alheia aos tributos e derivada do sistema
de dependência: a Colônia não vive por si, nem se identifica à
Metrópole, senão que é estância provisória dos interesses sediados
junto à Coroa. A rapacidade tributária, ardentemente denunciada
pela generalidade dos historiadores, não passa de modalidade da
rapacidade maior, definida no sistema colonial.” (Raimundo Faoro.
Os Donos do Poder, 2000, vol. 01, p. 63).
23 de Novembro – Vasco Fernandes César de Meneses, futuro conde
de Sabugosa, toma posse do cargo de vice-rei do Brasil, que ocupa por
nada menos de quinze anos.
02 de Dezembro – Criada, por alvará, a capitania de Minas Gerais,
desmembrada da capitania de São Paulo e Minas do Ouro,
continuando o processo iniciado em 1709, e ainda em curso, de
redivisão e reorganização territorial brasileira, que, como quase tudo
no país, além de processado morosamente, permanece inacabado.
239
– Promovida intervenção na cavalaria dos Dragões na vila de Pitangui,
sob o comando do capitão José Rodrigues de Oliveira, que, após
diversos combates, expulsa os rebelados, perdendo, no entanto, muitos
soldados. Condenado à morte, Domingos Rodrigues do Prado, o
principal líder paulista e genro do bandeirante Bartolomeu Bueno da
Silva, consegue fugir, indo ao encontro do sogro em Goiás, onde
descobrem muitas minas de ouro.
– Criada em Minas Gerais a quarta comarca, de Serro Frio,
desmembrada da comarca do Rio das Velhas.
– A bula papal Copiosus in Misericordia cria o bispado do Pará.
– Elaborada planta da igreja de N. S. da Glória do Outeiro, no Rio de
Janeiro, de autoria do engenheiro militar, tenente-coronel José
Cardoso Ramalho, “primeiro exemplo nacional de solução barroca
empregando planta poligonal” (Carlos A. C. Lemos e José Roberto
Teixeira Leite, “Rio de Janeiro, o Porto do Ouro”, in Arte no Brasil,
vol. I, p. 230).
– Escrita em latim a História da Vice-Província do Maranhão do Ano
de 1607 a 1700, atribuída ao padre Matias Rodrigues.
1721
21 de Janeiro – Provisão proíbe o comércio com os franceses de
Caiena.
14 de Fevereiro – Carta régia autoriza a organização de bandeira para
desbravar e povoar o sertão do Novo Sul, futuro Sertão da Farinha
Podre, atual região do Triângulo.
240
19 de Março – Tempestade assola Salvador provocando verdadeiro
terror na população, da qual, no entanto, só resulta desabamento de
construções sem perda de vidas, pelo que é instituído, a partir daí,
anualmente, nesse dia, procissão de voto de graças.
Agosto – O capitão-general Lourenço de Almeida assume a
governadoria da capitania das Minas Gerais como seu primeiro titular,
dirigindo-a até setembro de 1732.
05 de Setembro – O capitão-general Rodrigo César de Meneses toma
posse com governador da capitania de São Paulo.
– A partir de novembro desse ano e continuando no ano seguinte,
várias incursões oficiais contra os índios são efetuadas no Ceará sob a
acusação de tropelias e roubo de gado, atingindo, entre outras tribos,
os tapiais do Jaguaribe, os índios da margem do rio Acaracu ou
Acaraú e das regiões de Aracatiaçu, Mundaú e Água das Velhas, bem
como a tribo dos jenipapos, no Jaguaribe. “A razão maior da luta
entre o colonizador e o aborígene no Nordeste do Brasil se acha no
fato de este caçar e prear as reses das fazendas, como se fossem
animais bravios. Ele não possuía nenhuma noção de propriedade.
Via, vagando pelas várzeas atapetadas de panasco verde manadas de
bois, vacas, vitelas e garrotes. Para sua fome cada uma daquelas
cabeças de gado valia mais do que uma capivara e o mesmo que uma
anta” (Gustavo Barroso, op.cit., p. 73). Outro fator de atritos violentos
entre índios e colonos era a colheita do caju nas faixas litorâneas,
ocasionando o que o mesmo historiador denomina “Guerra do Caju”.
241
1722
30 de Junho – Pelo regimento assinado nesse dia, decorrente da carta
régia de 14 de fevereiro de 1721, Rodrigo César de Meneses,
governador da província de São Paulo, assina contrato com
Bartolomeu Bueno da Silva Filho (Anhanguera 2º) para descoberta de
minas de ouro, prata e pedras preciosas. “Segundo os cronistas
(Arquivo Público de São Paulo, vol.XII, p.61), a expedição partiu de
São Paulo nesse mesmo dia 30 de junho de 1722. Na numerosa
expedição, chefiada pelo Anhanguera, homem de inteligência
cultivada e poderoso, se viam seu mencionado genro Ortiz, riquíssimo
e audaz, Antônio Pedro Calhamares, Antônio Ferraz de Araújo e
Urbano do Couto que, mais tarde, guiou a abertura da famosa picada
de Goiás. Um corpo de 500 [quinhentos] homens, preparados à custa
de Ortiz, formava o grosso da comitiva” (Alexandre de Sousa Barbosa
e Silvério José Bernardes. A Estrada do Anhanguera, 1911, p. 06 e
07). No entanto, “organizou-se a bandeira goiana que se compunha
de 152 pessoas, e não 500, como exagerou o cronista Pedro Taques”
(Edelweiss Teixeira. O Triângulo Mineiro Nos Oitocentos. Uberaba,
Intergraf editora, 2001, p. 23). Para Hildebrando Pontes (História de
Uberaba, p. 37) e Edelweiss Teixeira (op. cit., p. 24), a partida da
bandeira deu-se no dia 03 de julho seguinte.
– Participante da bandeira do Anhanguera 2º, o alferes português José
Peixoto da Silva Braga, avisado por ele de que estão nas proximidades
do local onde corre o rio Maranhão, resolve deixá-la e com dezenove
homens, catorze deles escravos, desce o referido rio e o Tocantins até
242
Belém do Pará, fazendo assim o percurso de ligação do sul e do Brasil
central com a Amazônia, futura rota de navegação fluvial.
– Nasce na atual cidade de Santa Rita Durão/MG, o futuro poeta José
de Santa Rita Durão.
1723
– Descoberta a existência de diamantes no Brasil.
– Por ordem do rei d. João V são transferidos inúmeros habitantes das
ilhas dos Açores para Santa Catarina.
1724
04 de Janeiro – A estrondo subterrâneo segue-se rápido tremor de
terra em Salvador e na ilha de Itaparica, antecedendo grande estiagem
que assola a província da Bahia por quatro anos (1724 a 1728) a ponto
de secar as fontes da capital.
22 de fevereiro – Carta régia portuguesa determina sejam tomadas
medidas conducentes a que o país reentre na posse da ilha da
Trindade, indevidamente ocupada por companhia britânica desde
1700.
07 de Março – Fundada em Salvador a primeira associação literária
organizada na colônia, com apoio direto do vice-rei Vasco Fernandes
César de Meneses, a Academia Brasílica dos Esquecidos, objetivando
estudo da História do Brasil sob os aspectos natural, militar,
eclesiástico e político, derivando sua denominação, segundo alguns,
243
da circunstância de seus fundadores não terem sido lembrados para
compor a Academia Real de História Portuguesa de Lisboa,
incentivando a entidade baiana a elaboração de diversos livros por
seus membros, como a História da América Portuguesa (1730), de
Rocha Pita; Dissertação Sobre as Coisas Naturais do Brasil, de
Caetano Brito e Figueiredo; Dissertação Crítico–Jurídico-Histórica
da Guerra Brasílica, de Inácio Barbosa Machado; e Dissertação da
História Eclesiástica do Brasil, do padre Gonçalo Soares da Franca.
1725
04 de Fevereiro – A Academia Brasílica dos Esquecidos realiza sua
décima-oitava e última reunião.
26 de Julho – Fundado o arraial de Vila Boa, em Goiás, pelo
Anhanguera 2º. Mirador (vol. 10, p. 5365) informa que esse fato dá-se
em 1727.
– No sul de Mato Grosso, onde habitam, os índios guaicurus destroem
frota de canoas, matando seiscentas pessoas.
1726
13 de Março – Pastoral do bispo pernambucano d. José Fialho proíbe
representações teatrais no interior das igrejas, em decorrência de
abusos praticados.
Maio – Depois de ter chegado a São Paulo, de volta da primeira
expedição, com apenas 70 (setenta) homens, o Anhanguera 2º retorna
244
a Goiás com “uma segunda bandeira composta de 152 pessoas”
(Hildebrando Pontes, op. cit., p. 42).
– Elevada à vila a povoação de Fortaleza, sob a denominação de
Fortaleza de N. S. da Assunção do Ceará Grande. Mirador (vol. 09, p.
4806) indica que essa circunstância ocorre em 1699 e que em 1725 “é
criado o município (sic)”, terminologia e categoria que, ao que tudo
indica, não existiam.
– Os índios guaicurus atacam e matam grupo de portugueses que é
acompanhado de índios parecis.
– Chega ao Brasil o escultor português Manuel de Brito, que, com o
escultor também português, Francisco Xavier de Brito, trabalham na
igreja de São Francisco da Penitência. Este último atua na capela-mor
da Matriz de N. S. do Pilar, em 1746, em Ouro Preto. Segundo José
Roberto Teixeira Leite e Carlos A. C. Lemos, houve em Minas Gerais,
como no Rio de Janeiro, um “estilo Brito”, que chega a influenciar até
mesmo Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (“Rio de Janeiro, o
Porto do Ouro”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 241).
1727
– O militar e sertanista Francisco de Melo Palheta traz de Caiena, na
Guiana Francesa, sementes e mudas de café, que planta em Belém,
organizando pequeno cafezal.
245
1728
Abril – Extraídas das minas de Cuiabá com grande sacrifício da
população, são remetidas a Lisboa via São Paulo e Rio de Janeiro, sete
arrobas de ouro em cunhetes fechados e selados, “onde abertos (diz-se
que em presença del rei d. João V, e de alguns ministros estrangeiros,
que convidara de propósito para presenciarem este ato), achou-se
chumbo em grãos de munição em lugar do ouro” (Abreu e Lima.
Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª ed., 1983,
p. 187/188).
10 de Maio – Sublevam-se os soldados do terço velho da Bahia, ao
fim de que sete de seus membros, considerados líderes da revolta, são
executados e vários outros degredados.
– Os índios guaicurus atacam e matam mercadores que se dirigem a
Cuiabá.
– Publicado o Compêndio Narrativo do Peregrino da América, de
autoria do escritor baiano Nuno Marques Pereira, “uma das obras
mais lidas em Portugal no século XVIII” (Mirador), constituindo um
dos antecedentes do gênero ficcional na literatura brasileira.
– À grande seca que abateu a Bahia segue-se período de quatro anos
de rigoroso inverno, em que as chuvas destroem lavouras e engenhos,
matando escravos e reses e provocando desabamentos.
246
1729
05 de Junho – Nasce em Ribeirão do Carmo (atual Mariana), o futuro
poeta e conspirador mineiro, Cláudio Manuel da Costa.
18 de Novembro – Alvará d. João V dirigido ao vice-rei do Brasil
determina “fazerem-se mapas das terras do dito Estado não só pela
marinha, mas pelos sertões, com toda a distinção, para que melhor se
assinalem e conheçam os distritos de cada bispado, governo,
capitania, comarca e doação” (apud José Veríssimo da Costa Pereira.
A Geografia no Brasil, in As Ciências no Brasil, vol. I, p. 327).
– Inaugurado em Salvador o teatro da Câmara Municipal.
– Levadas à cena em Salvador as peças Fineza Contra Fineza, La
Fiera, El Rayo Y la Piedra e El Monstruo de Los Jardines, todas de
Calderón e, ainda, La Fuerza del Natural e El Desdén Con el Desdén,
ambas de Agustín Moreto y Cabaña, todas representadas nas festas de
casamento de príncipes portugueses e espanhóis.
– A partir desse ano intensificam-se cada vez mais as encenações
teatrais no país, ocorrendo diversas delas, além de outras de que se
não tem notícia, em Cuiabá, São Luís, Vila Rica, Belém, Recife,
Mariana, Rio de Janeiro, São Paulo, Diamantina e Salvador.
– Com a 66ª expedição dos jesuítas, chegam ao Brasil os matemáticos
e astrônomos, padres Domingos Capassi e Diogo Soares, nomeados
por d. João V para efetuar o levantamento cartográfico do sul da
Colônia, cabendo ao primeiro a parte astronômica e ao segundo a
relativa às ciências naturais e geográficas. Antes de virem para o
Brasil, Capassi publicara nas Acta Eruditorum de Leipzig ensaios
247
sobre eclipses da lua e sobre satélites de Júpiter e Diogo Soares
lecionara matemática no colégio Santo Antão, de Lisboa.
248
Foto 1: Vila Boa de Goiás em 1751
Foto 2: Igreja São Francisco da Penitência
Foto 3: Peregrino da América/capa
249
Década de 1730
1730
– Carta régia estabelece caminho entre São Paulo e Goiás,
correspondendo aproximadamente ao trajeto do Anhanguera, “como o
único caminho para as minas de Goiás, e previa penas para quem
usasse desvios” (Luís Augusto Bustamante Lourenço. A Oeste das
Minas (Escravos, Índios e Homens Livres Numa Fronteira
Oitocentista: Triângulo Mineiro – 1750-1861. Uberlândia,
Universidade Federal de Uberlândia/Instituto de Geografia, 2002, p.
34).
– Organiza-se no Rio de Janeiro sociedade de mineradores, composta,
entre outros, por Luís Teixeira, Inácio de Sousa e Francisco da Costa
Nogueira, destinada a burlar o pagamento do imposto que recai sobre
a produção do ouro, para isso montando fábrica de moedas em
Paraopeba, em propriedade do guarda-mor Luís Teixeira.
– Além de outros ataques em diversas oportunidades, os índios
guaicurus matam mais de quatrocentos homens, entre eles o ouvidor
Antônio Alves Lanhas Peixoto, quando este se dirigia a São Paulo.
– Entre esse ano e 1736, os padres jesuítas e cientistas Domingos
Capassi e Diogo Soares, além de inúmeros mapas, elaboram a
Tabuada das Latitudes dos Principais Portos, Cabos e Ilhas do Mar
do Sul na América Austral e Portuguesa.
– Publicada em Lisboa a História da América Portuguesa, de
Sebastião da Rocha Pita.
250
– Elevado à categoria de vila o arraial de N. S. do Bom Sucesso das
Minas Novas do Araçuaí (Minas Novas).
– Nasce em Ouro Preto, provavelmente nesse ano (aventa-se também
o ano de 1738), Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
1731
19 de Março – Expedida carta régia atinente à mineração no Brasil.
– Denúncia partida de Lisboa determina devassa e ocupação da fábrica
clandestina de moedas em Paraopeba. A respeito do assunto, o
conselheiro José Antônio da Silva Maia, ministro de Estado no
reinado de d. Pedro I, em seu livro Memórias Sobre o Quinto do Ouro
em Minas Gerais, citado por Gustavo Barroso (Nos Bastidores da
História do Brasil, s/d., p. 81), afirma que o principal interessado
nessa fabricação de moeda falsa era “um muito próximo parente del-
rei d. João V”, o que não se apurou oficialmente!
1732
– Grande epidemia assola Pernambuco, na qual se destaca a atuação
do bispo d. José Fialho na assistência às vítimas.
– Com o término na Bahia do quatriênio excessivamente chuvoso,
segue-se outro período de quatro anos de “seca assoladora, vindo a
fome coroar a obra da ruína da agricultura” (Abreu e Lima. Sinopse
dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª ed., p. 199).
251
1733
27 de Outubro – Proibida por lei a abertura de novas vias e picadas
para as minas, devendo o trânsito, entrada e saída ser realizados pelos
antigos e públicos caminhos.
– Depois de praticarem novas matanças no sul de Mato Grosso, é
mandada contra os guaicurus grande expedição que os ataca e derrota
nas ilhas do rio Paraguai, o que não os impede de promover novas
chacinas de colonizadores nos anos seguintes até 1775.
1734
24 de Março – Representação dos povos que se comprometem, para
evitar a implantação do sistema de capitação, a contribuir com cem
arrobas de ouro anualmente para a Fazenda Real. “Procurava-se o
método mais próprio a promover os interesses da Fazenda, quaisquer
que fossem os vexames que sofressem os povos. O grande problema
consistia em sugar-lhes o sangue sem se revoltarem” (Joaquim
Felício dos Santos. Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed. Rio de
Janeiro, edições O Cruzeiro, 1956, p. 126).
19 de Julho – Bando do conde de Galveias, então governador da
capitania de Minas Gerais, proíbe a mineração de diamantes no
distrito demarcado no Tijuco, cassando as cartas de datas para
exploração de lavras auríferas, patrulhando pelo Corpo de Dragões as
terras demarcadas e instaurando devassa contra os violadores do
bando, objetivando a medida o despovoamento do distrito dos
252
diamantes, “para que só a Coroa pudesse usufruir os seus tesouros,
quaisquer que fossem as consequências” (Joaquim Felício dos Santos,
op.cit., p. 73).
24 de Dezembro – Portaria governamental determina ao Intendente
de Diamantes do Tijuco executar “todas aquelas providências que
parecerem convenientes ao fim pretendido de manter severamente a
proibição de extraírem-se diamantes, reduzindo o distrito em que se
acharam ao estado antigo” (apud Joaquim Felício dos Santos, op. cit.,
p. 73/74).
– Nova pastoral do bispo pernambucano d. José Fialho estende a
proibição de representações de comédias em qualquer local.
– Para melhor fiscalizar a extração de diamantes no Tijuco
(Diamantina) cria-se a Intendência dos Diamantes.
– Publicado nesse ano, segundo José Aderaldo Castelo (“O
Movimento Academicista”, in A Literatura no Brasil, organizada por
Afrânio Coutinho. Rio de Janeiro, editora Sul Americana, 1955, vol. I,
tomo 1, p. 436), o Triunfo Eucarístico, de Simão Ferreira Machado,
crônica da festa celebrada por ocasião da trasladação do sacramento
da igreja do Rosário para a igreja da Senhora do Pilar em Vila Rica,
ocorrida em maio do ano anterior. Já conforme Valtencir Dutra e
Fausto Cunha (Biografia Crítica das Letras Mineiras. Rio de Janeiro,
Instituto Nacional do Livro, 1956, p. 22), esse “quase registro, em
forma de ata, daquela cerimônia, editou-se em Lisboa, no ano de
1744”.
253
1735
06 de Janeiro – Para mais diretamente controlar o Tijuco, ordem
governamental determina ao ouvidor-geral da comarca não mais
exercer nela suas atribuições, que passam ao intendente, que exercerá,
daí em diante, a jurisdição de ouvidor.
11 de Maio – O conde das Galveias, André de Melo e Castro, assume
o cargo de vice-rei do Brasil, que ocupa por catorze anos.
01 de Julho – Implantado o sistema da capitação por meio de termo
em sessão dos procuradores das Câmaras, abolindo-se o imposto do
quinto, proibido o uso da moeda, mas tendo livre curso o uso do ouro
em pó, sendo que todo habitante de Minas Gerais, mineiro ou não,
passa a pagar quatro oitavas e três quartos de ouro referente a cada
escravo que tenha, pagando-os também os forros e os oficiais de
qualquer ofício. “O método da capitação desgraçou e arruinou muitos
mineiros e roceiros, que não podendo pagar os impostos davam à
penhora, e se arrematavam, seus escravos e propriedades” (Joaquim
Felício dos Santos, op.cit., p. 129).
– Sitiada a colônia do Sacramento por tropas espanholas de Buenos
Aires, cerco que dura vinte e três meses “de refregas contínuas em
terra e no mar” (Rocha Pombo. História do Brasil. 10ª ed., p. 272).
– Editada em Lisboa a obra Erário Mineral, dividida em doze
tratados, de autoria do médico português Luís Gomes Ferreira,
destinada à divulgação em Minas Gerais, onde clinica por muitos
anos, de conhecimentos médicos em linguagem acessível, versando
principalmente a terapêutica baseada em plantas.
254
1736
14 de Fevereiro – Falece em São Paulo o padre jesuíta e cientista
Domingos Capassi, a quem se deve juntamente com o padre Diogo
Soares “o primeiro levantamento das latitudes e longitudes de grande
parte do Brasil” (Abraão de Morais, “A Astronomia no Brasil”, in As
Ciências no Brasil, vol. I, p. 104).
05 de Março – Ordem expressa do rei de Portugal para se organizar
expedição contra os caiapós, em decorrência de que a “estrada, de
Moji até Goiás, atravessava terras ocupadas pelos índios caiapós,
nação pacífica e poderosa, que irritada pelos abusos cometidos pelos
viandantes, muitas vezes interceptou o trânsito de São Paulo a Goiás”
(Alexandre de Sousa Barbosa e Silvério José Bernardes. A Estrada do
Anhanguera. Uberaba, tipografia Jardim, 1911, p. 8).
– “Os caiapós do Triângulo, em desafronta aos maus tratos recebidos,
constituíram o terror da zona, pelos seus constantes ataques a
fazendeiros estabelecidos e a viajantes” (Hildebrando Pontes. História
de Uberaba e a Civilização no Brasil Central, p. 20).
06 de Maio – Fundada no Rio de Janeiro, no palácio do governo, a
Academia dos Felizes, segunda associação literária instituída no
Brasil, compondo-se de trinta membros, organizando uma Oração
Acadêmica Panegírica, cujos originais se encontram na Biblioteca
Nacional.
19 de Setembro – Falece no arraial da Barra/GO, por ele fundado, o
Anhanguera 2º, na maior pobreza, em consequência da perseguição
que lhe moveu “em 1728 o então governador de São Paulo, Caldeira
Pimentel, célebre nos fastos da gatunice” (Alexandre Barbosa e
255
Silvério Bernardes, op. cit., p.7).
– Abertura da picada de Goiás, saída de Minas Gerais e passando do
lado oriental da serra da Canastra, terminada em 1738, ligando as
minas goianas a São João del Rei e Vila Rica.
– Comissão da Academia de Ciências da França, composta por L.
Godin, P. Bouger e Charles Marie de la Condamine, dirige-se ao Peru
com a finalidade de medir um arco do meridiano próximo ao Equador.
– Nasce em Vila Rica o futuro compositor e cantor, Inácio Parreiras
Neves, que tem duas obras recuperadas, Credo para coro misto e
orquestra e Oratório ao Menino Deus Para a Noite de Natal,
considerada, por Gérard Béhage, seu descobridor, segundo Vasco
Mariz (História da Música no Brasil. 4ª ed., p. 49), “a única obra
coral secular de Minas Gerais”.
1737
18 de Setembro – O governador nomeado para o Estado do Maranhão
toma posse em Belém por ordem expressa de Portugal, segundo Abreu
e Lima (op. cit., p. 200), o que se repetiria em 1751, criando-se, na
prática, o Estado do Grão-Pará e do Maranhão, transferindo-se a
capital de São Luís para Belém.
– Fundação pelo brigadeiro José da Silva Pais da colônia de São Pedro
ou do Rio Grande de São Pedro na margem direita da lagoa dos Patos,
posteriormente denominada Porto Alegre. Para Mirador (vol. 17, p.
9165), isso teria ocorrido em 1740.
– Publicado em Lisboa o poema sobre José de Anchieta, Orpheus
Brasilicus Sive Eximius Elementaris Mundi Harmostes: Nempe
256
Josephus de Anchieta Novi Orbis Thaumaturgus, et Brasiliae
Apóstolus, de autoria do padre jesuíta Francisco de Almeida.
1738
14 de Janeiro – Fundada no Rio de Janeiro a casa dos Expostos para
abrigo de recém-nascidos abandonados, de que se origina a primeira
fundação do país, denominada fundação Romão de Matos Duarte em
homenagem ao instituidor da referida casa.
11 de Agosto – Criada a capitania de Santa Catarina e do Rio Grande
de São Pedro (Abreu e Lima, op. cit., p. 201).
– Chega ao Rio de Janeiro para lecionar artilharia, o engenheiro
militar português, José Fernandes Pinto Alpoim, “o maior arquiteto
setecentista do Rio de Janeiro, autor de edifícios importantes, que
revelam extremo bom gosto e requinte de acabamento” (Carlos A. C.
Lemos e José Roberto Teixeira Leite, “Rio de Janeiro, o Porto do
Ouro”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 229), projetando, entre outros, o
Paço da Cidade (praça XV de Novembro), atribuindo-se-lhe também o
projeto do convento de Santa Teresa e, em Minas Gerais, o plano
urbanístico de Mariana, construindo, em Ouro Preto, a residência dos
governadores, atual sede da escola de Minas e Metalurgia.
1739
10 de Junho – Contratados, por meio de arrematação, João Fernandes
de Oliveira e Francisco Ferreira da Silva para extração de diamantes
257
por quatro anos, tendo a assisti-la o próprio governador Gomes Freire
de Andrade.
18 de Outubro – Vítima da sanha da Inquisição, é degolado na praça
da Forca, em Lisboa, e entregue às chamas de uma fogueira, o
dramaturgo Antônio José da Silva, o Judeu, nascido no Rio de Janeiro
em 1705 e autor de diversas peças teatrais, entre as quais Guerras do
Alecrim e Manjerona.
– Instituído por José de Sousa Armeiro o hospital da Ordem Terceira
do Carmo no Rio de Janeiro.
258
Foto 1: Via Anhanguera
Foto 2: Índios Guaicurus
Foto 3: Triunfo Eucarístico
Foto 4: Erário Mineral/capa
Foto 5: Picada de Goiás
259
Década de 1740
1740
28 de Fevereiro – Extingue-se a Academia dos Felizes.
– Nasce em Vila Rica o futuro compositor, regente e trompista,
Marcos Coelho Neto, autor, entre outras obras, do hino Maria Mater
Gratiae para coro a quatro vozes.
1741
Agosto – Início no Rio de Janeiro do internamento regular de leprosos
no país, já que o lendário “Campo dos Lázaros” da Bahia constituiu
“aglomerado apenas improvisado pela força das circunstâncias”
(Pedro Sales. História da Medicina no Brasil, 1971, p. 114), nascendo
aí “o primeiro hospital para morféticos no Rio de Janeiro, e o
primeiro oficialmente instalado no Brasil” (Pedro Sales, op. cit., p.
115).
20 de Dezembro – Bula do papa Benedito XIV proíbe
terminantemente, sob pena de excomunhão, que qualquer pessoa,
secular ou eclesiástica, possua índios como escravos ou os reduza, por
qualquer forma, a cativeiro.
– Sob o comando do sargento-mor João da Silva Ferreira, autorizado
por Gomes Freire de Andrade, é desferido o primeiro ataque ao
quilombo do Ambrósio, sem conseguir derrotá-lo. Segundo Tarcísio
José Martins (no polêmico e panfletário Quilombo do Campo Grande
– A História de Minas Roubada do Povo. São Paulo, edição de A
260
Gazeta Maçônica, 1995, p. 184), esse seria o primeiro dos dois
quilombos existentes com essa denominação, situado no município de
Cristais/MG.
– O bispo do Rio de Janeiro, d. João da Cruz, ao visitar Minas Gerais
manifesta tanta avareza e interesse material, que são tirados os badalos
dos sinos para não repicarem em sua homenagem e destelhada a casa
em que reside, com o que volta ao Rio.
1742
Janeiro – A Câmara de Vila Boa (Goiás) recorre a de Cuiabá, que
contrata o coronel Antônio Pires de Campos Filho para combater os
índios caiapós estabelecidos na região do Triângulo, o que é efetivado.
Anteriormente, “pelo menos oito pedidos de socorro aflitivos foram
feitos de Vila Boa aos governadores de São Paulo, que administravam
Goiás, até dezembro de 1749” (Edelweiss Teixeira. O Triângulo
Mineiro Nos Oitocentos, 2001, op. cit., p. 38).
– Pires de Campos Filho instala as primeiras quatro aldeias indígenas
das 18 (dezoito) que, segundo Eschwege, são organizadas na região do
Triângulo, ao lado da estrada do Anhanguera, visando a proteção das
caravanas que nela trafegam.
1743
Janeiro – Procedido sob o comando do tenente Manuel Cardoso da
Silva segundo ataque ao quilombo do Ambrósio I.
261
09 de Maio – Gomes Freire de Andrade, autorizado pelo rei
português, estabelece Regimento ao cirurgião-substituto de Minas
Gerais. “Foi, com certeza, de acordo com essa lei que se licenciou
Tiradentes” (Ernesto Sales Cunha. História da Odontologia no Brasil.
3ª ed., 1963, op.cit., p. 53).
Julho – O cientista francês M. de La Condamine, enviado ao Peru
pela Academia Francesa na expedição destinada a determinar a
medida de um arco de meridiano, encerrados os trabalhos, volta para a
Europa descendo o rio Amazonas, oportunidade em que “levantou a
carta do grande rio e fez observações preciosas diretamente ligadas à
geografia, à astronomia, à navegação, à história natural e à física”
(José Veríssimo da Costa Pereira. “A Geografia no Brasil”, in As
Ciências no Brasil, vol. I, p. 327).
Setembro – Chega a Belém, vindo do Peru pelo rio Amazonas, o
cientista francês La Condamine.
01 de Novembro – La Condamine aproveita a ocorrência em Belém
de eclipse lunar para determinar latitude e longitude, encontrando,
para essa cidade, latitude: 1º28’s; longitude: 3h.24m, a oeste de Paris,
além de completar os estudos realizados no Equador atinentes à
variação da aceleração da gravidade com a altitude.
31 de Dezembro – Renovado no distrito Diamantino por mais quatro
anos o contrato de João Fernandes de Oliveira e Francisco Ferreira da
Silva.
– Organizada em São João del Rei expedição armada para defender a
região do arraial de Campanha das pretensões do governo paulista
sobre a área.
262
1744
16 de Maio – Expedido para fiscalização das várias especialidades da
medicina o Regimento aos Comissários do Físico-Mor deste Reino,
nos Estados do Brasil.
11 de Agosto – Nasce na cidade do Porto/Portugal, o futuro poeta e
conspirador mineiro Tomás Antônio Gonzaga.
– Impresso em Lisboa o livro Exame de Artilheiros, de autoria do
sargento-mor José Fernandes Pinto Alpoim, professor de artilharia no
Rio de Janeiro.
1745
10 de Novembro – Nasce em Goiana/PE o futuro médico José
Correia Picanço, que exercerá papel fundamental na instalação de
ensino médico no Brasil ao convencer d. João VI a promovê-lo em
caráter oficial.
– Pela bula papal Candor Lucis Eternae são criados os bispados de
São Paulo e de Mariana/MG e as prelazias de Cuiabá e Goiás.
– Nasce em São José do Rio das Mortes/MG (atual Tiradentes), o
compositor Manuel Dias de Oliveira, autor de várias obras, entre elas,
Ofício de Defuntos para coro e órgão, Magnificat e Sábado Santo de
Manhã.
– Publicado na França o livro em que La Condamine descreve a
viagem empreendida pelo rio Amazonas do Peru a Belém, intitulado
Rélation Abrégée d’Un Voyage Fait Dans l’Intérieur de l’Amérique
263
Méridionale - avec une carte du Maragnon, ou de la Rivière des
Amazones, em que, como costume nesses séculos, o longo título
representa verdadeira sinopse da obra.
– Após pelo menos quatro décadas de dúvidas e disputas entre as vilas
Rica e do Carmo para sediar diocese, o rei d. João V escolhe a vila do
Carmo, que é elevada à categoria de cidade e rebatizada de Mariana
em homenagem à rainha.
1746
01 de Junho – Bando e portaria do governador da capitania de Minas
Gerais, conde de Bobadela (Gomes Freire de Andrade) para equipar e
organizar corpo de armas que, sob o comando do capitão Antônio
João de Oliveira, ataca o quilombo do Ambrósio, que chega a ter
1.000 habitantes, situado, segundo Valdemar de Almeida Barbosa,
citado por Tarcísio J. Martins, entre os rios Quebra-Anzol e
Misericórdia, no município de Ibiá, estação de Tobati, região do
Triângulo, sendo Ambrósio aprisionado e morto nesse ano.
Entretanto, segundo Tarcísio José Martins (História da Música no
Brasil. 4ª ed., 1994, p. 186 e seguintes), esse seria a terceiro ataque ao
quilombo do Ambrósio I, situado no município de Cristais, e nele
Ambrósio não teria sido morto.
12 de Outubro – Nasce na vila do Príncipe do Serro Frio, em Minas
Gerais, o futuro compositor José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita,
ao qual o pesquisador Curt Lange atribui a autoria de mais de
trezentas obras musicais, das quais sobrevivem, informa Vasco Mariz
(op.cit., p. 47), apenas quarenta, entre as mutiladas e completas. “José
264
Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, no entender de Curt Lange,
possuía uma técnica expressiva e avançada para sua época, bem
como notável versatilidade de temperamento artístico. Seu estilo
oscila entre Pergolesi e Mozart, embora evidencie influência
instrumental vinda da Itália. Suas obras manifestam uma invenção
melódica muito rica, senso de forma, completa identificação com a
mensagem do texto litúrgico e grande habilidade na arte da
modulação” (Vasco Mariz, op.cit., p. 48).
11 de Dezembro – Toma posse o sexto bispo do Rio de Janeiro, d.
Antônio do Desterro, cuja atuação é em tudo por tudo contrastante
com a de seu antecessor, caracterizando-se pela prudência, caridade,
virtude e assistência a indigentes e órfãos desvalidos.
– Nasce em fazenda situada entre São José do Rio das Mortes (atual
Tiradentes) e São João del Rei, Joaquim José da Silva Xavier, mais
tarde apelidado de Tiradentes por exercer a atividade de dentista
prático.
– Os paulistas tentam invasão do território de Minas, tendo a Câmara
da vila de Moji tomado posse do arraial de Santana do Sapucaí e
designado guarda-mor para administrar as concessões auríferas,
reagindo o governo mineiro e o bispo de Mariana com o envio à
região de representantes para dela tomar posse, instalando-se o
julgado de Sapucaí.
– Montada no Rio de Janeiro pelo impressor português Antônio
Isidoro da Fonseca, com permissão do governador, pequena tipografia
que a Corte portuguesa manda posteriormente abolir e queimar “para
não propagar ideias que poderiam ser contrárias aos interesses do
Estado” (Moreira de Azevedo, apud Nélson Werneck Sodré. História
265
da Imprensa no Brasil. 3ª ed., 1983, p. 17). Antes, porém, além de
outros folhetos, imprime a Relação da Entrada do Bispo Antônio do
Desterro, de Luís Antônio Rosado da Cunha, com dezessete páginas,
primeiro folheto impresso no Brasil.
1747
31 de Dezembro – O terceiro contrato de diamantes da região do
Tijuco (Diamantina), é arrematado por Felisberto Caldeira Brant.
1748
03 de Maio – Vexada por novo inverno de chuvas torrenciais,
desmorona parte de morro em Salvador destruindo todas as casas que
se lhe antepõem e matando os seus moradores, com o que os
habitantes da cidade baixa abandonam suas casas por vários dias.
09 de Maio – Criada por alvará de d. João V a capitania de Mato
Grosso.
Maio – Instituída a capitania de Goiás, desmembrada de São Paulo e
com esta dividindo, ao sul, pelo rio Grande, pelo que a região
posteriormente conhecida como Triângulo Mineiro a integra. Em
Mirador (vol. X, p. 5.366), registra-se o fato como ocorrido em 1744,
mas só efetivado em 1749, com a posse do primeiro governador.
Junho – Martim Correia de Sá, procurador do visconde de Asseca, é
impedido pela população de Campos/RJ, que cerca a Câmara, de
tomar posse da capitania da Paraíba do Sul, doada ao referido
266
visconde, população que prende os camaristas e os envia a Salvador,
ataca a casa do capitão-mor, a quem também prende após muitas
mortes, procedendo em seguida a eleição de novos vereadores. Tropa
enviada à cidade põe os revoltosos em fuga e dá posse ao citado
procurador, que fica garantido por destacamento de oitenta soldados.
02 de Agosto – Provisão expedida nessa data, “em virtude da
resolução do Conselho Ultramarino, datada de 7 de março do ano
anterior, determinando que os confins do governo de Goiás fossem da
parte sul, pelo rio Grande” (Hildebrando Pontes. História de Uberaba
e a Civilização no Brasil Central, 1970, p. 50/51).
28 de Novembro – Posse do primeiro bispo de Mariana, frei Manuel
da Cruz, oportunidade em que são lidos poemas e discursos editados
no ano seguinte em Lisboa, sob o título Aureo Throno Episcopal.
– Em razão dos caiapós terem retornado a seus ataques a fazendas e
caravanas de viajantes na região do Triângulo, Pires de Campos Filho
é novamente encarregado de combatê-los pelo governador da
província de São Paulo, Luís de Mascarenhas, sendo os índios
derrotados e dispersados para oeste, na confluência dos rios Grande e
Paranaíba.
– Nasce no Rio de Janeiro, o futuro poeta e conspirador mineiro,
Inácio José de Alvarenga Peixoto, indicando-se também os anos de
1743 e 1744 para seu nascimento.
– Bourguignon d’Anville elabora a Carte de l’Amérique Méridionale.
– Impresso em Madri o livro Exame de Bombeiros, do sargento-mor
José Fernandes Pinto Alpoim, professor de artilharia no Rio de
Janeiro.
– Falece em Minas Gerais o cientista padre jesuíta Diogo Soares.
267
1749
14 de Julho – Por ordem régia inicia-se no Pará a viagem de
expedição destinada ao rio Madeira.
25 de Setembro – A expedição originária do Pará atinge a
embocadura do rio Madeira.
17 de Dezembro – Chega às cachoeiras do rio Madeira a expedição
exploratória desse rio.
17 de Dezembro – O décimo conde de Atouguia, Luís Pedro
Peregrino de Carvalho de Meneses e Ataíde, passa a ocupar o cargo de
vice-rei do Brasil.
– Por determinação do governador de São Paulo, Luís de
Mascarenhas, já destituído do cargo, mas, sem sabê-lo, dado o atraso
da correspondência, Pires de Campos Filho instala, para proteção de
moradores e viajantes, mais 13 (treze) aldeias ao longo da estrada do
Anhanguera entre os rios Grande e Paranaíba, nelas alojando índios
mansos bororós, parecis, carajás, javaés e tapirapés, que compõem sua
tropa.
– “O papel defensivo e militar exercido pelos aldeamentos da
capitania de Goiás era evidente, não só na Farinha Podre [atual
região do Triângulo], onde foram criados explicitamente com esse
objetivo [....] Outro papel desempenhado pelos aldeamentos da
Farinha Podre, por causa de sua localização, era o de local para
pousos de tropas [....] Dispunham do apoio logístico da população
vizinha, que preparava os víveres vendidos aos viajantes” (Luís
Augusto Bustamante Lourenço. A Oeste de Minas, 2005, p. 40 e 41).
268
– Nasce em Vila Rica (atual Ouro Preto), no distrito de Santo Antônio
de Casa Branca (atual Glaura), o futuro poeta Manuel Inácio da Silva
Alvarenga, cujo célebre poema dá o nome ao distrito.
– Editado em Lisboa, a respeito da Lagoa Santa, o livro Prodigiosa
Lagoa Descoberta nas Congonhas das Minas de Sabará, do cirurgião
português João Cardoso de Miranda, monografia onde ressalta o valor
curativo de suas águas, assumindo “em relação à Lagoa Santa, no
campo da medicina, uma posição semelhante à do dr. Lund,
relativamente à paleontologia” (Pedro Sales, op.cit., p. 57).
– Editada em Lisboa a obra Anais Históricos do Maranhão, de
Bernardo Pereira de Berredo, que governou o Estado de 1718 a 1722,
em que aborda a história do Maranhão desde seu descobrimento até o
referido ano, descrevendo também, pormenorizadamente, a famosa
bandeira de Antônio Raposo Tavares.
– “Como aventura, como epopeia, a História dos Estados Unidos não
tem nada de comparável. Um Fernão Dias Pais, um Antônio Raposo
Tavares, um Borba Gato só encontram símiles entre os gigantes da
conquista do México e do Peru ou entre os conquistadores franceses
do Canadá” (Viana Moog. Bandeirantes e Pioneiros. 13ª ed., 1981, p.
168).
– Elaborado em Lisboa sob a direção do governo português e
organização de Alexandre de Gusmão, O Mapa dos Confins do Brasil
Com as Terras de Espanha na América Meridional, com base nos
trabalhos e levantamentos efetuados pelos jesuítas Diogo Soares e
Domingos Capassi e por outros cientistas, sendo que o mapa dos
citados jesuítas direciona as negociações do Tratado de Madri
269
realizado no ano seguinte, sendo considerado “a primeira carta oficial
do Brasil”.
270
Foto 1: Aureo Throno Episcopal/capa
Foto 2: Mapa dos Confins do Brasil
Foto 3: Livro de La Condamine/capa
Foto 4: Carte de l’Amérique Méridionale
271
Década de 1750
1750
13 de Janeiro – Assinado o Tratado de Madri entre Espanha e
Portugal, em cuja elaboração destaca-se Alexandre Gusmão, abolindo
“qualquer direito e ação, que possam alegar as duas Coroas por
motivo da bula do papa Alexandre VI, de feliz memória, e dos
Tratados de Tordesilhas, de Lisboa e Utrecht, da escritura de venda
outorgada em Saragoça e de outros quaisquer tratados, convenções e
promessas” (artigo I) e dispondo do artigo III ao X sobre diversos
limites, para no artigo XIII Portugal ceder “para sempre à Coroa de
Espanha a colônia do Sacramento, e todo o seu território adjacente a
ela, na margem setentrional do rio da Prata” e no XIV a Espanha
“cede para sempre à Coroa de Portugal tudo o que por parte de
Espanha se acha ocupado [....] desde o monte de Castilhos Grandes
[....] até a cabeceira, e origem principal do rio Ibicuí”, além de outras
áreas próximas, o que inclui os aldeamentos dos Sete Povos das
Missões, de onde “sairão os missionários com todos os móveis e
efeitos levando consigo os índios para os aldear em outras terras de
Espanha” (artigo XVI, apud Eugênio Vargas Garcia. Diplomacia
Brasileira e Política Externa – Documentos Históricos 1493-2008.
Rio de Janeiro, editora Contraponto, 2008), pelo que representantes de
ambas as nações procurarão demarcar as novas áreas mediante etapas
e procedimentos determinados para permutações de territórios
ocupados na vigência de tratado anterior.
272
14 de Abril – Após vencidas dezenove cachoeiras do rio Madeira e
navegar pelo Aporé, a expedição saída do Pará em 14 de julho do ano
anterior alcança as minas de Mato Grosso, seu destino. Sobre a
viagem escreve José Gonçalves da Fonseca ensaio publicado em 1826
pela Academia Real de Ciências de Lisboa.
30 de Julho – Falece o rei português d. João V, ascendendo ao trono
seu filho d. José I.
– Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal,
assume o Ministério de Negócios Estrangeiros e da Guerra por
nomeação de d. José I, “príncipe timorato, sem vontade própria,
inexperiente [....] deixou-se cegamente guiar por Sebastião José de
Carvalho, depois marquês de Pombal, a quem entregou as rédeas do
governo [....] É uma época célebre na história portuguesa, a do
ministério de Pombal; mas, déspota sanguinário, violento reformador,
orgulhoso, interesseiro, vingativo, todas as suas reformas
ressentiram-se de seu caráter, e o impulso salutar, que pretendeu dar
à sua administração, só durou com o seu governo: teve a existência
efêmera das obras do despotismo” (Joaquim Felício dos Santos.
Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed., 1956, p. 114).
– Representantes do rei Tegbessu, de Daomé, presenteiam o conde de
Atouguia, vice-rei do Brasil, com quatro negras.
– Iniciado o cultivo do café nas capitanias do Norte, incrementando-se
sua cultura nas capitanias do sul nos princípios do século XIX.
– Padre José de Castilho, jesuíta, funda a tida como 18ª aldeia
indígena, atual Indianópolis, na região do Triângulo.
– Por volta desse ano, chega a Belém/PA, numa das missões de
técnicos contratada ainda ao tempo de d. João V para demarcação de
273
divisas entre as colônias de Portugal e Espanha na América, o
arquiteto italiano Antônio José Landi, que deixa inúmeras obras de
real valor na capital paraense, entre elas, o palácio dos Governadores,
concluído em 1771, o Hospital Militar, inúmeras residências e igrejas,
entre estas, a igreja de São João Batista, considerada sua obra-prima e
“jóia da arquitetura brasileira e mundial” (Carlos A. C. Lemos e
José Roberto Teixeira Leite, “O Estado do Maranhão e Grão-Pará”, in
Arte no Brasil, vol. I, p. 209).
– Maria da Conceição Resende Fonseca, no ensaio A Atividade
Musical do Século XVIII na Capitania Geral de Minas Gerais
(Boletim da Biblioteca Pública Estadual, nº 2, 1971), citado por
Bruno Kiefer (op.cit., p. 36), informa que a casa da Ópera de Vila
Rica, atual teatro Municipal, foi construída antes de 1750.
Encontraram-se documentos atestando que pelo menos seis peças ou
óperas foram nela encenadas: A Ciganinha, Jogos Olímpicos,
Coriolano, Alexandre na Índia, O Mundo da Lua e Os Triunfos de São
Francisco.
Meados do Século – “No terreno da cirurgia [odontológica]
imperavam as extrações, feitas com primitivos instrumentos: o
pelicano, algumas alavancas e boticões abrutalhados, e as chaves de
Garengeot. As extrações eram feitas sem nenhum artifício para
embotar a dor. Para exercer a profissão, em primeiro lugar era
preciso ‘que o dentista fosse jovem de espírito, e cheio de coragem, e
como disse um sábio francês, tivesse o coração piedoso e a mão
cruel’ (Tratato Sopra i Denti. Antônio Campani – 1786)” (apud
Ernesto Sales Cunha. História da Odontologia no Brasil. 3ª ed., 1963,
p. 61).
274
1751
04 de Março – Regimento regula o funcionamento das casas de
fundição do ouro em Minas Gerais.
01 de Agosto – Restabelecido o imposto do quinto em Minas Gerais
24 de Setembro – Toma posse do governo do Estado do Maranhão,
na cidade de Belém, onde deve residir por ordem real, o capitão-
general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do marquês de
Pombal.
13 de Outubro – O Brasil passa a ter duas seções judiciárias com a
criação do Tribunal da Relação do Rio de Janeiro, com jurisdição do
Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, continuando a Relação da Bahia
com o restante da colônia. Segundo Arno e Maria José Wehling,
citados por Antônio Carlos Wolkmer (História do Direito no Brasil.
3ª ed., 2003, p. 62), o Tribunal do Rio de Janeiro era,
simultaneamente, instância recursal ao julgar apelações e agravos,
instância originária ao receber, processar e decidir ações novas, cíveis,
criminais e do patrimônio estatal, “possuindo, também, competência
avocatória” em juízo criminal.
1752
30 de Janeiro – Fundada a Academia dos Seletos no Rio de Janeiro, a
terceira do país no gênero, por iniciativa de Feliciano Joaquim de
Sousa Nunes e apoio do governador Gomes Freire de Andrade, só
275
realizando a reunião inaugural. Outra versão indica que essa
Academia teria sido fundada pelo padre jesuíta Francisco de Faria.
Abril – Enviado à Sé de Mariana pelo rei português d. José I, por
vontade de seu pai, d. João V, quando ainda vivo, órgão construído na
Alemanha no início do século.
Dezembro – Desse mês até julho de 1759, com algumas interrupções,
comissão de astrônomos enviada por Portugal, composta dos cientistas
Miguel Ângelo Blasco e Bartolomeu Panigai, realiza observações no
sul do Brasil, de Castelos Grandes até a foz do rio Ibicuí.
– Fato circunstancial desencadeia terríveis consequências para
Felisberto Caldeira Brant, o segundo contratador de diamantes,
quando o novo ouvidor do Tijuco, José Pinto de Morais Bacelar,
“comportou-se no templo, enquanto se celebravam as cerimônias
religiosas, de maneira a mais inconveniente, ostentando uma
libertinagem e falta de respeito ao culto” (Joaquim Felício dos
Santos, op.cit., p. 115). Nessa ocasião, jovem da família de Caldeira
Brant desperta-lhe a atenção e o interesse, a ponto de, em certo
momento, atirar-lhe uma flor ao colo, que é repelida, causando o fato
estupefação geral e até indignação. Caldeira Brant chama-lhe a
atenção e o espera fora de igreja, exigindo satisfação, iniciando-se
discussão culminada com punhalada que Felisberto lhe dá e que, no
entanto, não o fere por ter resvalado por botão de metal da casaca. A
partir daí, o referido ouvidor e o intendente passam a perseguir
Caldeira Brant.
– Tomás Antônio Gonzaga chega ao Brasil, acompanhando o pai
designado ouvidor-geral da capitania de Pernambuco.
276
– Publicado em Portugal aquele que é considerado o primeiro romance
escrito por brasileiro, Aventuras de Diófanes, da paulista Teresa
Margarida da Silva e Horta, sob o pseudônimo de Doroteia Engrassia
Tavareda Dalmira. Nesse mesmo ano surge Reflexões Sobre a
Vaidade dos Homens, de Matias Aires Ramos da Silva de Eça, irmão
de Teresa Margarida.
1753
20 de Fevereiro – Emitida ordem sigilosa de prisão e de sequestro de
todos os bens do contratador de diamantes Felisberto Caldeira Brant,
sob o pretexto de falta de pagamento de impostos, mas, na realidade,
vítima de perseguição do intendente e do ouvidor do Tijuco desde o
incidente havido entre este e Felisberto por motivo de comportamento
que tivera com uma de suas parentes por ocasião da semana santa do
ano anterior e vítima ainda do marquês de Pombal, já que “o que se
queria era perder o contratador, cujo poderio em Tijuco o marquês de
Pombal temia e procurava aniquilar” (Joaquim Felício dos Santos,
op. cit., p. 122).
Maio – Face à resistência oposta pelos indígenas à sua saída do
aldeamento dos Sete Povos das Missões, conforme previsto no
Tratado de Madri (1750), “resolvera-se em maio (1753) fazer pela
guerra o que não se conseguia ‘por meios pacíficos’ ” (Rocha Pombo.
História do Brasil. 10ª ed., 1961, p. 275).
01 de Junho – Por ordem régia é comprada ao donatário e
incorporada à Coroa a capitania de Paraíba do Sul.
277
11 de Agosto – Além de outras medidas drásticas visando cercear o
contrabando de diamantes, é expedida lei proibindo toda espécie de
faisqueira de ouro no distrito Diamantino, afetando principal e
diretamente a “classe pobre, que quase toda era faiscadora” (Joaquim
Felício dos Santos, op. cit., p. 131).
31 de Agosto – Chega ao Tijuco o governador da capitania para
proceder a prisão de Caldeira Brant. Como todas as pessoas de
destaque do distrito, os Caldeiras vão-lhe ao encontro e o
cumprimentam, o qual lhes responde secamente, ordenando-lhes que
se coloquem na retaguarda e como não é prontamente atendido
manda-os prender. Pretendendo Felisberto saber qual seu crime, é
separado dos seus, cercado e detido, sendo posteriormente mandado
ao Rio de Janeiro e depois a Lisboa.
01 de Setembro – Inicia-se o sequestro dos bens dos Caldeira Brant,
que são reduzidos à miséria.
31 de Dezembro – Falece em Lisboa, aos cinquenta e oito anos, o
diplomata brasileiro nascido em Santos, Alexandre de Gusmão,
sobrinho do padre homônimo e irmão do inventor Bartolomeu
Lourenço de Gusmão. Em Portugal, para onde se transferiu, formou-se
e fez brilhante carreira administrativa e diplomática, destacou-se como
planejador do Tratado de Madri e atuou em todos os atos relevantes da
diplomacia portuguesa de seu tempo, deixando ensaios políticos e
literários.
– João Fernandes de Oliveira arremata o quarto contrato de diamantes.
– Chega ao Brasil, o cientista e jesuíta Inácio Szentmartonyi (chamado
Sermatoni) para efetuar as demarcações de limites entre Portugal e
278
Espanha na Amazônia, levantando as coordenadas de diversas cidades
da região.
– Instalado na Sé de Mariana/MG, onde funciona e é utilizado até hoje
em cerimônias litúrgicas e atividades culturais, o órgão alemão
presenteado pelo rei português d. João V e remetido por seu filho,
então rei, d. José I.
1754
17 de Agosto – Segundo o Novo Dicionário de História do Brasil (2ª
ed., 1971, p. 614), em decorrência do retorno do vice-rei a Portugal,
novo triunvirato assume o governo, composto de José Botelho de
Matos, Manuel Antônio da Cunha Souto Maior e Lourenço Monteiro.
– O padre cientista Sermatoni efetua desse ano até 1756 em Barcelos,
antiga capital do Amazonas, as primeiras medições quantitativas no
Brasil da temperatura do ar.
– Publicado em Lisboa o livro Júbilos da América, na Gloriosa
Exaltação e Promoção do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor
Gomes Freire de Andrade, contendo trabalhos dos membros da
Academia dos Seletos.
1755
04 de Abril – Alvará de iniciativa do marquês de Pombal determina
sejam igualados os mestiços de brancos e portugueses, proibindo
“dar-se-lhes o nome de caboclos, de outros semelhantes, que se
279
possam reputar injuriosos” (apud José Ramos Tinhorão, in Marcos
Holler, op. cit., p. 160). Já Abreu e Lima informa que nesse dia é
expedida carta régia, na qual d. José I declara que “os vassalos do
reino da América, que casassem com índias, não ficariam com
infâmia alguma, antes se fariam dignos da real atenção para
empregos, honras e dignidades sem necessidade de despesa: o mesmo
seria para com as portuguesas, que se casassem com os índios”
(op.cit., p. 219).
06 de Junho – Lei dessa data ordena a observância da lei de 1680,
declarando livres os índios do Estado do Maranhão.
07 de Junho – Organizada a Companhia Geral do Comércio do Grão-
Pará e Maranhão por decreto real, dirigida por Junta sediada em
Lisboa e destinada especialmente ao tráfico de escravos. Essa
Companhia provoca reclamações, a ponto de se dirigir súplica ao rei
d. José I, cujo primeiro-ministro, marquês de Pombal, como é de seu
feitio, decreta a prisão e degredo para Marrocos do advogado João
Tomás Negreiros, redator da petição, bem como de várias outras
pessoas envolvidas no assunto.
13 de Agosto – Segundo Abreu e Lima (Sinopse dos Fatos Mais
Notáveis da História do Brasil. 2ª ed., 1983, p. 219), por alvará é
aprovado o estatuto da Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba,
associação de comerciantes dessas províncias com seus congêneres
das praças de Lisboa e Porto.
01 de Novembro – Lisboa é praticamente destruída por terremoto.
Felisberto Caldeira Brant, o contratador de diamantes do Tijuco, que
lá está preso, vê-se momentaneamente livre, mas, “tendo desabado a
prisão em consequência do terremoto e tendo morrido seu filho mais
280
velho, Caldeira apresentou-se ao marquês de Pombal referindo-lhe o
acidente e pedindo-lhe que lhe indicasse onde devesse residir. O
marquês admirou-se desse procedimento leal, porque todos os outros
presos que escaparam da catástrofe se tinham evadido. No mesmo dia
referiu o ocorrido a João Pereira Ramos, ao bispo de Coimbra e ao
general Godinho, todos brasileiros. Estes aproveitaram o ensejo para
interceder pelo infeliz Caldeira, demonstrando a sua inocência e a
intriga de que fora vítima. Pombal deu-lhe a liberdade e ordenou que
se procedesse à liquidação de suas contas e ao exame do sequestro de
seus bens” (visconde de Barbacena, filho do marquês de Barbacena e
bisneto de Felisberto, apud Joaquim Felício dos Santos, Memórias do
Distrito Diamantino. 3ª ed., 1956,, p. 125).
23 de Dezembro – Marcos de Noronha e Brito, sexto conde dos
Arcos, assume o cargo de vice-rei do Brasil, datação de que discrepa a
Mirador (vol. IV, p. 1.588), assinalando o ano anterior para a
ocorrência.
– Regressa a São Paulo, após quatro anos como escrivão da
guardamoria do distrito de Pilar, em Minas Gerais, Pedro Taques de
Almeida Pais Leme, que inicia ou retoma seus estudos de história e
genealogia, prosseguidos mesmo após várias peripécias em sua vida e
novas incumbências profissionais.
– “Até o período pombalino (1755–1777), não havia, da parte do
Estado português, o desígnio de ocupar o interior da colônia como
um fim em si mesmo, já que o papel desta, na sua concepção
mercantilista, era gerar riquezas, sobretudo auríferas [....] No
entanto, as concepções geopolíticas do reino de Portugal, relativas ao
território de sua colônia americana, mudaram muito na segunda
281
metade do século XVIII, com a emergência do ministro Sebastião José
de Carvalho e Melo, marquês de Pombal, elevado à condição de
principal figura do Estado português entre 1750 e 1777 [....] Pombal
iniciou uma obra de engenharia política e econômica, a partir de
1755 [....] Além da demarcação de fronteiras, Pombal via como
essencial o povoamento do território, como forma de preservá-lo das
ambições espanholas e estrangeiras em geral” (Luís Bustamante
Lourenço, A Oeste das Minas, 2002, p. 43, 45 e 46).
1756
– Tropas portuguesas e espanholas, arregimentadas do lado português
por Gomes Freire de Andrade, conde de Bobadela, governador do Rio
de Janeiro, e pelo coronel Tomás Luís Osório e, da parte da Espanha,
por José de Andonaégui, governador de Buenos Aires, atacam o
território das Missões para dar cumprimento ao Tratado de Madri,
dele se apossando, perdendo apenas quarto combatentes, enquanto os
guaranis, chefiados pelo cacique Nicolau Nhanguiru, perdem mil e
duzentos, no que é conhecido como Guerra Guaranítica, tema do
futuro poema O Uraguai, de José Basílio da Gama.
1757
11 de Maio – Por decreto é incorporado à província de Minas Gerais
o território de Minas-Novas de Araçuaí, pertencente à Bahia.
282
11 de Julho – Criada por decreto no alto Amazonas a província de
São José de Javari ou Rio Negro, cujo governador será subordinado ao
do Grão-Pará.
– Ataques de goitacases e botocudos nas províncias de Minas Gerais e
Rio de Janeiro nesse e nos anos seguintes, segundo Abreu e Lima
(op.cit., p. 222), são suspensos mediante a intermediação do padre
Ângelo Peçanha, promovendo aliança entre os goitacases e os
portugueses.
– Na obra Etíope Resgatado, Empenhado, Sustentado, Corrigido,
Instruído e Libertado, editada em Lisboa, o padre Manuel Ribeiro da
Rocha propugna para que se conceda a liberdade aos filhos de mães
escravas, sendo o primeiro ou um dos primeiros abolicionistas do país.
1758
07 de Maio – Empossado o primeiro governador da província de São
José do Javari ou do Rio Negro.
08 de Maio – Alvará estende as determinações de liberdade dos índios
do Maranhão a todos os índios do Brasil, sendo “esse o grande e
quase decisivo golpe dado na torpe instituição que colonos e jesuítas
exploraram por mais de dois séculos – aqueles aberta e cinicamente,
estes com o pretexto da catequese e sob o manto da filantropia
religiosa” (Martins Júnior, História do Direito Nacional. 2ª ed., 1941,
p. 211).
283
1759
19 de Janeiro – O marquês de Pombal decreta o banimento dos
jesuítas do território português, atribuindo à Companhia de Jesus a
responsabilidade por alegada conjuração contra o rei que teria
ocorrido no mês de setembro anterior.
Janeiro – A segunda comissão enviada pelo governo português para
efetuar observações astronômicas no sul do Brasil, composta dos
cientistas José Fernandes Pinto Alpoim, Antônio de Veiga e Andrade
e Manuel Pacheco de Cristo, realiza seus serviços desse mês até
dezembro de 1760, da foz do rio Ibicuí até o salto do rio Paraná.
01 de Abril – Chega à Belém, depois de segunda e longa viagem à
província do Rio Negro (atual Amazonas), como coordenador da
comissão de demarcação das fronteiras amazônicas, o governador do
Estado do Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão
do marquês de Pombal, já encontrando empossado desde o dia 02 de
março anterior seu sucessor na governadoria do Estado.
19 de Maio – Fundada em Salvador, por iniciativa do desembargador
José Mascarenhas Pacheco Pereira de Melo, a Academia Brasílica dos
Acadêmicos Renascidos, cronologicamente a quarta do país,
especialmente para elaborar história eclesiástica e secular, geográfica
e natural, política e militar da América Portuguesa, o que não é
conseguido, visto que embora protegida pelo marquês de Pombal, seu
fundador cai em desgraça por se recusar a prender e deportar os
jesuítas, permanecendo detido por muitos anos. Compõe-se de
quarenta membros efetivos e oitenta e três extranumerários brasileiros,
portugueses e espanhóis, funcionando até o ano seguinte e deixando a
284
História Militar do Brasil, do espanhol tenente-coronel José Mirales,
só publicada em 1900 nos Anais da Biblioteca do Rio de Janeiro.
08 de Junho – Portaria expedida pelo governador de Minas, 2º conde
de Bobadela (José Antônio Freire de Andrade), encarrega o capitão
Bartolomeu Bueno do Prado (e sua tropa de 400 homens) de
exterminar o quilombo Grande ou Tengo-Tengo, sucessor do
quilombo do Ambrósio ou Ambrósio-II segundo Tarcísio José
Martins, situado no município de Ibiá, na região do Triângulo,
atacando também outros quilombos na região e também seu apêndice,
o quilombo de Bambuí, “expedição que praticou contra os negros as
maiores trucidações” (Hildebrando Pontes, História de Uberaba e a
Civilização no Brasil Central, 1970, p. 47).
01 de Julho – O quinto contrato de diamantes do distrito do Tijuco é
arrematado por João Fernandes de Oliveira e dois outros indivíduos,
tendo vigência por um ano.
02 de Julho – Elaborada em Salvador a peça musical profana
Recitativo e Ária para voz, dois violinos e baixo contínuo, “a mais
antiga obra musical erudita conhecida na história da música no
Brasil” (Régis Duprat, apud Bruno Kiefer. História da Música
Brasileira, 2ª ed., 1977, p. 20), conquanto sua importância seja “mais
histórica do que estética, pois é bastante pobre musicalmente” (Bruno
Kiefer, op.cit., p. 20). O autor da peça seria o padre Caetano de Melo
Jesus, mestre de capela da Sé de Salvador, segundo o musicólogo
estadunidense Robert Stevenson, citado por Régis Duprat, por sua vez
referido por Kiefer. Caetano de Melo Jesus é considerado por Curt
Lange, “O maior teórico das Américas” (apud Vasco Mariz. História
da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p. 41), “sendo um dos raros
285
brasileiros citados no dicionário biográfico de José Mazza [....] José
Maria Neves considera o citado Tratado [Tratado de Escola de Canto
e Órgão, elaborado nesse ano e no seguinte pelo padre Caetano] como
o melhor produzido em português, com informações preciosas sobre
as técnicas composicionais e as bases estéticas da música moderna de
então” (Vasco Mariz, op.cit., p. 50).
17 de Julho – Autorizada por ordem real a exploração do sal em Cabo
Frio e Pernambuco, suspensa desde 1691.
28 de Julho – Prorrogado por alvará o quinto contrato de diamantes
do Tijuco.
03 de Setembro – Por lei são declarados os jesuítas desnaturalizados,
proscritos e exterminados dos territórios portugueses, em decorrência
tanto do poderio político e administrativo atingido pela Companhia de
Jesus quanto econômico, incomodando e preocupando a Coroa, além
dos privilégios de isenção de tributos, bem como sua permanente
defesa da liberdade dos índios e utilização de seu trabalho nas aldeias
em proveito próprio, comercializando os bens coletados ou produzidos
pelos índios (tese, aliás, defendida pelo historiador Mecenas Dourado,
em A Conversão do Gentio, 1968), acrescida da posição pessoal do
marquês de Pombal. Mas de seiscentos inacianos são obrigados a
deixar o país, fechando-se seus colégios e demais casas. Na Europa, os
jesuítas são confinados em aldeias portuguesas ou presos em
calabouços.
– Por essa ocasião, a Companhia de Jesus possui no país doze colégios
(Pará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco (2), Bahia, Espírito Santo, Rio
de Janeiro, São Paulo (2), Paraná e Santa Catarina), seminários (Pará,
Maranhão (2), Paraíba, Bahia (2), Minas Gerais), além de inúmeras
286
casas, missões e residências. A biblioteca do colégio em Salvador
contém cerca de quinze mil livros, sendo considerada a mais
importante do Brasil. Já a biblioteca do colégio do Rio de Janeiro tem
cerca de cinco mil e quatrocentos volumes.
Dezembro – Destruído o quilombo Grande em Bambuí/MG,
“sucessor do quilombo do Ambrósio [....] após seis meses de luta”
(Edelweiss Teixeira. O Triângulo Mineiro nos Oitocentos, 2001, p.
64).
– Iniciadas nesse ano, estendendo-se até 1780, as atividades da
Companhia Geral do Comércio de Pernambuco e Paraíba, instituída
pelo governo português segundo diretivas do marquês de Pombal,
intercambiando entre o Brasil, a Europa e a África produtos,
medicamentos e escravos e, daqui para lá, produtos primários.
– Segundo Arno e Maria José Wehling, citado por Antônio Carlos
Wolkmer (op.cit., p.63), “na Bahia, entre 1609 e 1759, dos 168 [cento
e sessenta e oito] desembargadores, apenas 9 [nove] eram
brasileiros”. Só se atinge a desembargadoria após atuação como juiz
de fora e, depois, ouvidor de comarca e corregedor.
– Elaborado o livro História da Companhia de Jesus na Extinta
Província do Maranhão e Pará, do padre José de Morais, porém só
editado em 1860.
287
Foto 1: Terremoto de Lisboa
Foto 2: O Uraguai/capa
Foto 3: História Militar do Brasil/capa
Foto 4: Quilombo do Ambrósio, nas imediações
do município de Ibiá, na região do Triângulo
288
Década de 1760
1760
09 de Janeiro – O primeiro marquês de Lavradio, Antônio de
Almeida Soares e Portugal, assume o cargo de vice-rei do Brasil. Será
o último dos governantes da Colônia sediado em Salvador.
04 de Julho – Por falecimento do titular, marquês do Lavradio,
assume o governo triunvirato composto de Tomás Rubim de Barros
Barreto (não aprovado pela Corte portuguesa e substituído por José de
Carvalho de Andrade), Gonçalo Xavier de Barros Alvim e, a partir de
julho de 1762, o bispo d. Manuel de Santa Inês.
04 de Agosto – Decretos reais suspendem as relações entre o reino
português e a Santa Sé e regulamentam série de procedimentos a
serem seguidos por vassalos de ambas as Cortes no território
português.
09 de Setembro – Por Carta Régia dessa data, Rio Grande de São
Pedro é elevada à categoria de capitania, separada de Santa Catarina.
– Mudas de café são transportadas do Pará para o Rio de Janeiro por
João Alberto de Castelo Branco, que providencia as primeiras
plantações no pomar da chácara dos frades barbonos.
– Iniciada a exportação de algodão produzido no Brasil pela
Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão.
– O esgotamento das jazidas superficiais de ouro e diamantes da
região central de Minas Gerais e o esgotamento ou mesmo destruição
do solo pelos métodos hidráulicos de mineração ocasionam
movimento centrífugo das populações dessas regiões que se espalham
289
pelo Triângulo, São Paulo e Goiás, determinando a antecipação e o
aceleramento de seu povoamento, substituindo os geralistas, como
eram denominados, a mineração pelas atividades agropastoris e
artesanais. “Um grande (e pouco estudado) movimento centrífugo de
população, talvez o maior até então visto, tendo como área de
repulsão a região mineradora da capitania de Minas Gerais, iniciou-
se, a partir da década de 1760, em direção a todas as regiões
circunvizinhas” (Luís Bustamante Lourenço. A Oeste das Minas,
2002, p. 69), constituindo “o grande motor da transformação de uma
região indígena numa região de unidades rurais agropastoris,
integrada ao mercado interno da Colônia e do Império” (idem, idem,
p. 89).
– Provável ano da fundação do povoado do Desemboque, na região do
Triângulo, então goiano, segundo Edelweiss Teixeira (O Triângulo
Mineiro nos Oitocentos, 2001, p. 71), por caravana vinda de
Itapecerica com a família Alves de Gondim, entre eles padre Gaspar
Alves de Gondim e seu irmão Manuel Alves de Gondim. O arraial do
Desemboque, surgido às margens do rio das Velhas, hoje rio Araguari,
no atual município de Sacramento, constituiu “um dos marcos da
civilização do Brasil central” (J. Brandão, “Berço do Triângulo -
Desemboque Chega ao Fim”, Estado de Minas, Belo Horizonte, 25
fevereiro 1972).
– A terceira comissão de astrônomos dedicada a fazer observações no
sul do Brasil, composta pelos cientistas José Custódio de Sá e Faria
(brasileiro que chegou a brigadeiro do Exército e governador do Rio
Grande do Sul), Miguel Ciera e João Bento Python, realiza seus
290
trabalhos por volta desse ano do salto do rio Paraná até a foz do rio
Jauru.
– Abreu e Lima informa que se supõe fundada nesse ano a Arcádia do
Rio das Mortes em Minas Gerais, afirmando que além de José Basílio
da Gama e Manuel Inácio da Silva Alvarenga a ela pertence “o
célebre paulista Bernardo, cujas poesias foram tão apreciadas no seu
tempo” (Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª
ed., 1983, p. 227). A referência a Manuel Inácio da Silva Alvarenga
evidencia lapso do Autor, já que Silva Alvarenga tinha onze anos na
ocasião, pois, nasceu em 1749. Certamente, no caso, trata-se do pai do
poeta, músico Inácio da Silva Alvarenga.
– Composta provavelmente nesse ano a música Te Deum Laudamos
para quatro vozes mistas e baixo contínuo, do compositor e escritor
Luís Álvares Pinto (Recife, 1719-1789), autor também de Salve
Regina para três vozes mistas, dois violinos e baixo, além do tratado
Arte de Solfejar. O pesquisador J. Galante de Sousa (O Teatro no
Brasil, 1960, vol. I, p. 124) registra o nome de Luís Alves Pinto,
enquanto Bruno Kiefer (História da Música Brasileira. 2ª ed., 1977,
p. 23) e Vasco Mariz (História da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p.
41) o consignam como Álvares.
– Segundo Régis Duprat, citado por Bruno Kiefer (op.cit., p. 20), são
representadas em Salvador por ocasião dos festejos comemorativos do
casamento do príncipe português d. Pedro, em três noites e em praça
pública, as óperas Alexandre na Índia, Artaxerxes e Dido
Abandonada, não se sabendo os nomes do autor ou autores.
291
1761
25 de Fevereiro – Por carta régia, os bens da Companhia de Jesus são
confiscados e incorporados à Coroa, medida complementada pela
carta régia do dia 05 de março seguinte.
19 de Junho – Carta régia proíbe a cultura exclusiva da cana de
açúcar no Maranhão, com o intuito, segundo Rocha Pombo (História
do Brasil. 10ª ed., 1961, p. 288) “de não se desprover de gêneros de
consumo os mercados locais”, intuito, no entanto, que esse historiador
estranhamente acoima de “absurdo e violento”, quando é, ao
contrário, atilado e, no caso, provavelmente indispensável.
21 de Novembro – Por ordem do marquês de Pombal são excluídos
do quinto contrato de diamantes do Tijuco os dois outros
contratadores que o dividiam com João Fernandes de Oliveira,
estabelecendo-se então o sexto contrato com este último e seu filho
homônimo. Tendo o pai dilapidado sua imensa fortuna com
extravagâncias de toda espécie, falece dois ou três anos depois,
enlouquecido e endividado.
– Pelo Tratado de El Pardo, procedido entre Portugal e Espanha, são
anuladas, conforme consigna o Novo Dicionário de História do Brasil
(p. 585), as demarcações previstas no Tratado de Madri (1750) para
fixação das áreas desses países no sul do Brasil. El Pardo é atualmente
subúrbio de Madri.
– Incorporada à Coroa a capitania de Ilhéus, comprada a seu donatário
Antônio de Castro, a quem, em permuta, se outorga o título de conde
de Resende e se garante renda permanente.
292
– Escrita a obra Orbe Seráfico por frei Antônio de Santa Maria
Jaboatão, membro da Academia Brasílica dos Renascidos, tendo
elaborado ainda o Novo Orbe Seráfico Brasílico ou Crônica dos
Frades Menores da Província do Brasil e o Sermão de Santo Antônio,
além de inúmeros outros sermões e o Catálogo Genealógico das
Principais Famílias de Pernambuco e Bahia.
1762
07 de Março – Preso o governador de Santa Catarina desde 1753,
José de Melo Manuel, por ter desacatado o governador do Rio de
Janeiro, Gomes Freire de Andrade, a quem é subordinado.
29 de Outubro – A entrada de Portugal ao lado da Grã-Bretanha na
guerra entre esta e a Espanha, motiva o militar espanhol Pedro de
Cevallos, governador de Buenos Aires, não só a sitiar e tomar a
colônia do Sacramento, como até mesmo invadir a província do Rio
Grande.
– “O governador da colônia, entregando a praça a Cevallos,
embarcou para o Rio de Janeiro com a guarnição, onde chegou nos
primeiros dias de dezembro. A nova deste desastre custou a vida do
conde de Bobadela, que morreu de pesar [em 01 de janeiro do ano
seguinte]; mas o governador da dita praça, Vicente da Silva, acabou
os seus dias preso no Limoeiro, o coronel Tomás Luís Osório foi
enforcado, e os outros oficiais, cúmplices da entrega, acabaram uns
em Angola, outros em Castro Marim” (Abreu e Lima, op.cit., p. 228).
– “Nos anos de 1761 e 1762, os paulistas tomam posse do arraial de
Jacuí e do ‘descoberto’ do Desemboque, em nome do bispo e do
293
ouvidor de São Paulo” (Cláudia Damasceno Fonseca. Arraiais e Vilas
D’El Rei, 2011, p. 199).
– Nasce em Mariana/MG, provavelmente nesse ano, o futuro pintor
Manuel da Costa Ataíde, que seria, depois do Aleijadinho, o maior
figura das artes plásticas mineiras no século XVIII, autor de vasta obra
que “pode ser dividida em quatro partes essenciais: os forros em
perspectiva, os forros-quadros, as pinturas sobre telas e as pinturas
decorativas [sendo que] a maior obra de Ataíde, seja por concepção,
seja por intrínseco valor criativo, é o teto da nave da igreja da Ordem
Terceira de São Francisco, em Ouro Preto” (Pedro Manuel, “Ataíde e
a Pintura Mineira”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 435 e 436).
1763
Fevereiro – Pelo Tratado de Paris, concertado entre Portugal e
Espanha, é devolvida ao primeiro a colônia do Sacramento,
recusando-se, porém, o então governador de Buenos Aires, Pedro
Ceballos (ou Cevallos, segundo Rocha Pombo, op.cit., p. 276), a
devolver as áreas ocupadas na província do Rio Grande.
13 de Junho – Nasce em Santos/SP o futuro estadista, escritor, poeta,
político e cientista brasileiro, José Bonifácio de Andrada e Silva,
denominado Patriarca da Independência.
– Em decorrência do desenvolvimento das províncias meridionais da
Colônia e, segundo uns, principalmente pela guerra na região do rio da
Prata, é transferida a capital do Brasil de Salvador para o Rio de
Janeiro.
294
10 de Outubro – Já sediado no Rio de Janeiro e nomeado em junho
último, o capitão-general Antônio Álvares da Cunha, conde da Cunha,
assume o vice-reinado do Brasil.
– Vicente Sales, no ensaio Quatro Séculos de Música no Pará
(Revista Brasileira de Cultura, nº 2, 1969), citado por Bruno Kiefer
(op. cit., p. 26), informa que já nesse ano funciona em Belém uma
casa da Ópera, onde teriam sido apresentadas peças de Antônio José
da Silva, o Judeu.
1764
14 de Junho – Firmado contrato entre a irmandade de São Pedro e o
pintor João de Deus Sepúlveda, tido como o mais importante pintor
pernambucano do século XVIII, para pintar o teto da igreja de São
Pedro dos Clérigos, em Recife, obra de proporções imensas realizada
no decorrer de quatro anos.
– O governador de Minas Gerais reage contra a ocupação pelos
paulistas de Jacuí e do Desemboque, estabelecendo o julgado de São
Carlos do Jacuí, que inclui o Desemboque e outros povoados.
– Publicado em Lisboa, sobre os abusos da escravidão no Brasil, o
panfleto Nova e Curiosa Relação de Um Abuso Emendado...,
encontrado pelo historiador britânico Charles Broxer, que o reedita.
1765
18 de Janeiro – Criadas por alvará as Juntas da Justiça na Colônia,
tribunais compostos do ouvidor de uma capitania e de dois letrados,
295
existindo e atuando onde houvesse ouvidor. Tais juntas, como observa
Martins Júnior (História do Direito Nacional. 2ª ed., 1941, p. 195),
destinam-se também a diminuir o poder clerical ao dispor, entre suas
competências, a de “deferir os recursos contra as violências (sic) dos
juízes eclesiásticos, devendo os provimentos que nelas se tomassem
ser cumpridos logo e sem esperar-se pela decisão última da
respectiva Relação ou do Desembargo do Paço”.
31 de Janeiro – Por instâncias do vice-rei conde da Cunha, resolução
régia concede casa no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro,
anteriormente pertencente aos jesuítas, para instalação de hospital
destinado aos lázaros.
– Procedido auto de demarcação oficial das divisas entre Minas Gerais
e São Paulo por Junta reunida no Rio de Janeiro, pelo qual as novas
descobertas do Campo Grande (região oeste) pertenceriam a Minas e
as áreas próximas ao rio Sapucaí seriam paulistas, não acatando,
porém, os governadores mineiros a decisão, pelo que continuam a
expandir as fronteiras da província.
– Chega ao Tijuco/MG o pintor português José Soares de Araújo,
realizando pinturas nas igrejas da Ordem Terceira do Carmo, do
Rosário e da Ordem Terceira de São Francisco.
1766
17 de Fevereiro – Elaborado estatuto para reger o hospital dos lázaros
no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, delegada sua
administração à irmandade do Santíssimo da Freguesia da Candelária.
296
30 de Junho – Carta régia proíbe no Brasil as indústrias de ourives,
fiadores de ouro, de linhas de prata, de sedas e algodões.
22 de Julho – Carta régia autoriza os governadores das capitanias a
obrigarem as pessoas que vivem isoladas nos sertões a se juntarem em
povoações.
– Estabelecido pelo governo de Goiás o julgado do Desemboque na
região do Triângulo, nele instalando guarda militar.
1767
22 de Setembro – Nasce no Rio de Janeiro o futuro compositor e
padre José Maurício Nunes Garcia, que iria, na chegada de d. João ao
Rio de Janeiro, surpreendê-lo com Te Deum na Catedral, situada à
época na irmandade de N.S. do Rosário.
17 de Novembro – Antônio Rolim de Moura Tavares, conde de
Azambuja, passa a ser vice-rei do Brasil.
– Os botocudos lançam ataques na província de Minas Gerais, tendo o
padre Ângelo Peçanha, que anos antes promovera aliança com os
goitacases e os portugueses, invocado o auxílio dessa tribo para
combater os botocudos, que são obrigados a se retirar da região.
– O militar alemão, contratado e incorporado ao exército português,
João Henrique Böhm, é encarregado de organizar o exército colonial
brasileiro, nos moldes do português, porém, autônomo e independente
daquele, tornando-se na opinião de Carlos Oberacker Jr., citado no
Novo Dicionário de História do Brasil, “criador do Exército
Brasileiro”, fato confirmado por Varnhagen, Oliveira Viana, Carlos
Carneiro e Simões de Paula.
297
– Dá-se notícia da existência nessa época no Rio de janeiro de uma
casa de Ópera empresada pelo padre Ventura.
1768
29 de Outubro – Carta autorizativa expedida em Lisboa pelo coronel
Antônio Soares Brandão, em exercício no posto de cirurgião-mor do
Exército, dá licença a Hilário Ferreira de Almeida, “preto forro da
nação Mina [....] batizado [....] na Bahia, assistente em Vila Rica,
para que ele possa sangrar, sarjar, lançar ventosas e sanguessugas, e
arrancar dentes, o que poderá exercer em todos estes reinos e
senhorios de Portugal” (apud Ernesto Sales Cunha, op.cit., p. 55).
“Não tivemos notícia da carta de legalização profissional de
Tiradentes, mas tudo nos leva a crer que foi ela conseguida nos
mesmos moldes da citada” (Ernesto Sales Cunha. História da
Odontologia no Brasil. 3ª ed., 1963, p. 57).
– O contratador de diamantes do Tijuco, desembargador João
Fernandes de Oliveira filho, no exercício de sua exploração de
diamantes, determina o cerco ao rio Jequitinhonha para desviá-lo para
o lado, tornando seco seu leito a fim de permitir a lavra. Como o leito
artificial ou bicame que serve de desaguadouro do rio apresenta falha,
o carpinteiro encarregado de consertá-lo, por estar ébrio, descontrola-
se batendo forte demais no bicame que afrouxa e se desmantela,
precipitando as águas semi-represadas no local abaixo onde trabalham
mais de duzentos mineradores, perecendo cerca de sessenta e
perdendo-se todas as ferramentas.
298
– Em Vila Rica, segundo estudos de Caio de Melo Franco e M.
Rodrigues Lapa, citados na Enciclopédia de Literatura Brasileira,
organizada por Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (vol. I, p.
259), é constituída a Arcádia Ultramarina ou Colônia Ultramarina, à
qual pertenciam Cláudio Manuel de Costa e outros poetas e escritores.
– Das quatro bandeiras organizadas pelo coronel Inácio Correia
Pamplona, encarregado da região pelo governador de Minas, Luís
Diogo Lobo da Silva, a quarta delas destrói o quilombo da
Samambaia, situado na região de Bambuí.
– Substituindo o regime censório de livros imperante desde 1624, o
marquês de Pombal o atribui à Real Mesa Censória, que o exerce até
1787.
– Nasce no Recife o futuro sacerdote e político José Inácio Ribeiro de
Abreu e Lima, o padre Roma, participante ativo do movimento de
1817 em Pernambuco, razão de seu fuzilamento.
– Nasce em Paris o futuro pintor e desenhista Jean-Baptiste Debret.
– Publicadas em Coimbra as Obras de Cláudio Manuel da Costa.
1769
01 de Agosto – Ocorre tremor de terra na cidade de Salvador, que, no
entanto, não causa nenhum dano.
18 de Agosto – Promulgada em Portugal a denominada “Lei da Boa
Razão”, definindo “regras centralizadoras e uniformes para a
interpretação e aplicação das leis, em caso de omissão, imprecisão ou
lacuna [....] minimizava a autoridade do Direito Romano, da glosa e
dos arestos” (Antônio Carlos Wolkmer. História do Direito no Brasil.
299
3ª ed., 2003, p. 48), somente recorrendo-se àquele direito subsidiária e
restritivamente.
04 de Novembro – Luís de Almeida Portugal Soares Eça de Alarcão
Melo e Silva Mascarenhas, segundo marquês de Lavradio, governador
da Bahia desde 19 de abril de 1768, é nomeado vice-rei do Brasil,
função que exercerá por nove anos.
– A partir desse ano, o compositor, regente e organista Manuel Dias
de Oliveira passa a exercer atividade musical em irmandades
religiosas de São José (atual Tiradentes).
– Destruída por incêndio a casa de Ópera dirigida pelo padre Ventura.
– Publicado em Lisboa o poema O Uraguai, de José Basílio da Gama.
300
Foto 1: Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Ouro Preto
Foto 2: Igreja de São Pedro dos Clérigos, em Recife
Foto 3: Quilombo da Samambaia
Foto 4: Orbas (sic) de Cláudio Manuel da Costa/capa
301
Década de 1770
1770
03 de Março – Substituída por carta régia a Provedoria da Fazenda
Pública por uma Junta da Fazenda.
06 de Maio – Nomeado reitor da universidade de Coimbra o padre
beneditino brasileiro Francisco de Lemos de Azevedo Pereira
Coutinho, função que exerce até 1779 e à qual retorna em 1799 e
desempenha até 1821, falecendo no ano seguinte.
25 de Agosto – Decreto real restabelece as relações entre Portugal e a
Santa Sé e suspende a eficácia dos decretos de 04 de agosto de 1760,
que as havia cortado.
1771
17 de Julho – Por alvará é concitado estabelecerem-se “teatros
públicos bem regulados, pois deles resulta a todas as nações grande
esplendor e utilidade” (apud J. Galante de Sousa. O Teatro no Brasil,
vol. I, 1960, p. 109).
02 de Agosto – Estabelece-se o Regimento Diamantino para absoluto
controle das lavras de diamantes de Minas Gerais com poderes
discricionários à polícia, premiação de delações e proibições de toda
ordem e espécie, podendo o intendente dos diamantes “infligir a pena
de morte civil a qualquer indivíduo [....] sem aparelho de justiça, sem
apelação, agravo, ou recurso algum” (José Vieira Couto, apud
302
Joaquim Felício dos Santos. Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed.,
1956, 178).
– Fundada no Rio de Janeiro por sugestão do médico José Henrique
Ferreira e iniciativa de seu cliente, o vice-rei marquês do Lavradio, a
Academia Científica do Rio de Janeiro, também designada como
Academia de Ciências e História Natural do Rio de Janeiro,
objetivando principalmente o estudo e a transplantação de vegetais
úteis e o apoio à indústria agropecuária, tendo organizado horto
botânico, a propagação do bicho da seda e a indústria da cochonilha,
repercutindo sua existência até no estrangeiro, ocorrendo em 18 de
fevereiro do ano seguinte a sessão inaugural, sobrevivendo a entidade
apenas até 1779.
– Editado em Lisboa o livro Governo de Mineiros, Muito Necessário
Para os que Vivem Distantes de Professores Seis, Oito e Mais Léguas,
de autoria do médico português José Antônio Mendes que exerce a
profissão por aproximadamente trinta anos em Minas Gerais, livro
destinado à divulgação popular de conhecimentos médicos,
significando o “Governo” do título “Para seu governo, informo”,
segundo Pedro Sales (História da Medicina no Brasil, 1971, p. 61).
1772
01 de Janeiro – Terminado o contrato de diamantes com João
Fernandes de Oliveira Filho, a extração de diamantes no Tijuco passa
a ser procedida por conta da Fazenda Real.
18 de Fevereiro – Realizada a sessão inaugural da Academia
Científica do Rio de Janeiro.
303
20 de Agosto – Desmembradas por decreto as capitanias do Grão-Pará
e do Maranhão, que formam o Estado desse nome, em capitania do
Grão-Pará (Pará e Rio Negro) e do Maranhão (Maranhão e Piauí).
07 de Setembro - Organizada pelo governador da província de Goiás,
José de Almeida Vasconcelos de Soveral e Carvalho, chega ao Pará
expedição que pela primeira vez navega pelo rio Tocantins até Belém.
– Com a marginalização do direito romano em Portugal e colônias por
lei expedida em 18 de agosto de 1769, reage o romanismo com o
estatuto de 1772, da universidade de Coimbra.
– Inaugura-se em Recife a casa da Ópera, primeira casa de espetáculo
da província e a única até os anos quarenta do século XIX.
– Elaborada a Informação Sobre as Minas de São Paulo e dos Sertões
da Sua Capitania Desde o Ano de 1597 Até o Presente 1772, de
autoria de Pedro Taques de Almeida Pais Leme.
1773
25 de Maio – Assinado decreto dando por finda a distinção entre
cristãos-novos e cristãos-velhos nos domínios portugueses.
25 de Julho – O militar português José Marcelino de Figueiredo,
posteriormente chamado Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, no
exercício da governadoria da província do Rio Grande, transfere a
capital de Viamão para Porto dos Casais, atual Porto Alegre.
28 de Setembro – Carta régia determina que o bispado de Coimbra
seja entregue ao beneditino brasileiro, d. Francisco de Lemos de
Azevedo Pereira Coutinho, como coadjutor e futuro sucessor de d.
Miguel.
304
– Decretada pela bula Dominus ac Redemptor, do papa Clemente
XIV, a extinção da Companhia de Jesus, “a bem dos interesse da
Igreja e da paz da Cristandade” (apud Rocha Pombo. História do
Brasil. 10ª ed., 1961, p. 278).
– “Não se sabe ao certo quando foi inaugurada a casa de espetáculos
de que era empresário Manuel Luís Ferreira [....] Existia, não há
dúvida, em 1773, pois o viajante Parny, que visitou o Rio de Janeiro
naquele ano, refere-se à Ópera do Rio de janeiro [....] Parece certo
que deva ter começado a existir depois do incêndio da casa da Ópera
do padre Ventura, em 1769” (J. Galante de Sousa, op.cit., vol. I, p.
281). Situa-se no largo do Paço, Bruno Kiefer fala em praça do
Carmo, atual praça XV de Novembro, em grande sobrado de nove
janelas em cada um dos pavimentos. “Até a chegada da Corte de d.
João, em 1808, seria este o único teatro da capital, pois a Ópera
Velha desaparecera. Encenavam-se, sobretudo, peças de teatro. A
música tinha a sua vez antes dos espetáculos e nos intervalos” (Bruno
Kiefer. História da Música Brasileira. 2ª ed., 1977, p. 45).
1774
13 de Abril – Pela bula Romanus Pontifex, o papa Clemente XIV
confirma a nomeação do beneditino brasileiro Francisco de Lemos
para bispo de Coimbra.
– Determinada em Lisboa sindicância no Brasil para apurar abusos
cometidos por alguns delegados-comissários do cirurgião-mor do
reino.
305
– Estabelecidos cursos de filosofia no Rio de Janeiro e de latim em
São João del Rei.
– Desse ano até 1823 o compositor português André da Silva Gomes
exerce atividade em São Paulo, estando entre suas composições uma
Missa, composta entre 1785 e 1790, formada por um Kyrie e um
Glória, tratando-se de “obra que sustenta a comparação com as
melhores criações do pe. José Maurício, seu grande contemporâneo”
(Bruno Kiefer, op. cit., p. 29).
1775
21 de Agosto – Provisão real faculta a João Fernandes de Oliveira
Filho instituir morgado de todos seus bens para o filho primogênito,
isto depois de recolhido a Portugal por ordem do marquês de Pombal,
que conhece seu esbanjamento e extravagância com a amante Xica da
Silva, exigindo-lhe Pombal, antes disso, indenização de onze milhões
de cruzados por conta das infrações do contrato de diamantes, além de
tê-lo abolido.
13 de Setembro – Inaugurado, com hasteamento da bandeira
portuguesa, o forte de Nova Coimbra no rio Paraguai, mandado
construir pelo capitão-general Luís de Albuquerque Pereira e Cáceres.
18 de Setembro – O governador de Pernambuco, capitão-general José
César de Meneses, determina a prisão do juiz de fora de Recife.
– Domingos Caldas Barbosa inicia em Lisboa apresentações de canto
de modinha, acompanhado-se à viola.
306
– Projetada pelo brigadeiro Francisco João Róscio, a igreja da
Candelária, no Rio de Janeiro.
– O geógrafo Filipe Sturn elabora diversos mapas da região de Rio
Branco.
1776
Fevereiro – Os portugueses atacam inutilmente as posições ocupadas
na província do Rio Grande pelos espanhóis.
01 de Abril – Os portugueses voltam a atacar os espanhóis no Rio
Grande, expulsando-os.
04 de Julho – Assinada a Declaração de Independência dos Estados
Unidos.
Novembro – A Espanha organiza ataque ao Brasil em represália pela
perda do Rio Grande de São Pedro, enviando, sob o comando de
Pedro de Cevallos, esquadra composta de cento e dezesseis navios e
mais de treze mil homens.
– Fundada em São João del Rei/MG, por José Joaquim Miranda, a
orquestra Lira Sanjoanense, já com mais de dois séculos de existência
e atividade.
– Construído o santuário de N. S. Mãe dos Homens pelo monge
português irmão Lourenço na serra do Caraça, em Minas Gerais,
inicialmente destinado a isolamento de leprosos, constituindo,
posteriormente, o célebre colégio do Caraça.
– Inácio José de Alvarenga Peixoto é nomeado ouvidor da comarca do
Rio das Mortes, sediada em São João del Rei.
307
1777
24 de Fevereiro – Falece o rei d. José I, tornando-se d. Maria I rainha
de Portugal, casada com seu tio d. Pedro e mãe do futuro rei d. João
VI. “Com a morte de d. José, rei de Portugal, e a queda de Pombal,
seu poderoso ministro, iniciou-se o famoso período da Viradeira -
quando a sucessora de José no trono, d. Maria I, se opôs a toda a
política pombalina” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling. Brasil:
Uma Biografia, 2015, p. 251).
27 de Fevereiro – A esquadra espanhola chega à ilha de Santa
Catarina, rendendo-se sem luta o governador e sua guarnição, “apesar
de estar a ilha bem provida de gente e munições em estado de resistir
por muito tempo” (Abreu e Lima. Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da
História do Brasil. 2ª ed., 1983, p. 245).
– Os espanhóis invadem o sul de Mato Grosso.
01 de Outubro – Após o falecimento de d. José I e a queda do
marquês de Pombal, os novos governantes de Portugal procuram
manter boas relações com a Espanha, celebrando-se o Tratado de
Santo Ildefonso, propiciando que futuras demarcações de limites no
sul reconheçam o domínio espanhol da região, perdendo Portugal a
colônia do Sacramento, as Missões Orientais do Uruguai e parte do
território do Rio Grande, devolvendo a Espanha a Portugal a ilha de
Santa Catarina, enquanto ao norte, sem resolução, os limites
continuam litigiosos. O visconde de São Leopoldo qualifica esse
Tratado de “leonino e capcioso”. Varnhagen afirma que seus artigos
foram “ditados pela Espanha quase com as armas na mão, e os
pactos não podiam deixar de parecer-se aos do leão com a ovelha
308
timorata”. Carlos Calvo declara que “mais vantajoso à Espanha que
o de 1750, deixou-a com o domínio absoluto e exclusivo do rio da
Prata, arvorando sua bandeira na colônia do Sacramento e
estendendo sua autoridade sobre os campos do Ibicuí, na margem
oriental do Uruguai, sem mais sacrifício que a devolução da ilha de
Santa Catarina, de que se havia apossado por conquista” (apud Novo
Dicionário de História do Brasil, p. 589).
– O pintor paulista José Patrício da Silva Mauro realiza “sua primeira
obra de vulto em São Paulo: as decorações da igreja de São Bento”
(Carlos A. C. Lemos e José Roberto Teixeira Leite, “Na Terra dos
Tropeiros”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 294), tendo feito inúmeras
outras obras de arte, pintando forros de igreja, telas e painéis.
– Falece em São Paulo/SP, aos sessenta e três anos, o historiador
paulista Pedro Taques de Almeida Pais Leme, introdutor no Brasil das
pesquisas e estudos nobiliárquicos e memoriais familiares com a obra
Nobiliarquia Paulistana: Genealogia das Principais Famílias de São
Paulo, tendo ainda escrito História da Capitania de São Vicente
Desde a sua Fundação por Martim Afonso de Sousa em 1531 e
Informações Sobre as Minas de São Paulo.
1778
25 de Fevereiro – Extinta por determinação de carta régia a
Companhia Geral do Comércio de Grão-Pará e Maranhão, fundada em
1755.
11 de Março – Assinado tratado de amizade, garantia e comércio
entre Portugal e Espanha, além de ratificar disposições do Tratado de
309
Santo Ildefonso, estatui normas de relacionamento político e
comercial entre as duas nações.
30 de Abril – Luís de Vasconcelos e Sousa, conde de Figueiró,
assume nessa data o cargo de vice-rei do Brasil, que ocupará por doze
anos, em substituição a Luís de Almeida Portugal, segundo marquês
de Lavradio, considerado este “um dos melhores administradores, que
teve o Brasil, pela inteligência e zelo com que procurou melhorar
todos os ramos da riqueza pública” (Abreu e Lima, op.cit., p. 237,
que, por sua vez, indica o dia 05 de abril de 1779 como da posse de
Luís de Vasconcelos).
– Pernambuco inicia exportação de algodão.
– “No período mariano–joanino (1778-1822) [d. Maria I e d. João
VI], moldou-se uma nova política indigenista, pela qual a exploração
do trabalho indígena deixaria de ser central, sendo substituída pela
questão das terras indígenas” (Luís Bustamante Lourenço. A Oeste
das Minas, 2002, p. 48).
1779
– Depois de manter intercâmbio com instituições congêneres
estrangeiras e incentivar e contribuir com frei José Mariano da
Conceição Veloso na organização da obra Flora Fluminense, encerra
suas atividades a Academia Científica do Rio de Janeiro.
310
Foto 1: Forte de Nova Coimbra
Foto 2: Governo de Mineiros/capa
311
Década de 1780
1780
08 de Maio – Extinta por decreto a Companhia Geral do Comércio de
Pernambuco e Paraíba, criada em 1759, por findo seu tempo de
licença.
– Intensificam-se as atividades em Vila Rica do compositor e
instrumentista (flauta, rabeca e órgão) Jerônimo de Sousa Lobo,
elaborando, entre outras, as composições Novena de N. S. do Carmo e
Antífona do Santíssimo Sacramento.
– Encenada na casa da Ópera de Recife a comédia em versos Amor
Mal Correspondido, de autoria do compositor e escritor recifense Luís
Álvares Pinto.
1781
– Em decorrência do Tratado de Santo Ildefonso pactuado entre
Portugal e Espanha são organizadas duas expedições geográficas para
demarcação de limites, uma para o norte do Brasil, composta pelos
astrônomos Antônio Pires da Silva Pontes e Francisco José de Lacerda
e Almeida e do engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra. Para a
região sul seguem os astrônomos Bento Sanches Dorta e Francisco de
Oliveira Barbosa, que realizam durante vários anos observações
astronômicas, meteorólogicas e magnéticas.
312
– Como o governo português havia cedido em 1777 a ilha da Trindade
à Espanha e estando a Grã-Bretanha em guerra com esta, apossam-se
novamente os britânicos da mencionada ilha, desta feita para utilizá-la
como entreposto de contrabando, tendo, no entanto, de desocupá-la
em meados do ano seguinte.
– Encomendada pelo governador de Pernambuco, José César de
Meneses, é realizada, crê-se que pelo pintor João de Deus Sepúlveda,
a pintura do teto da igreja de N. S. da Conceição dos Militares, em
Recife, representando a batalha dos Guararapes, de excepcional
qualidade segundo a crítica.
– Jesuíno Francisco de Paula Gusmão (conhecido como Jesuíno do
Monte Carmelo, nome adotado ao ingressar na ordem dos carmelitas),
vai por volta desse ano para Itu, onde colabora com Silva Manso nas
decorações da igreja matriz da cidade. Além da pintura, dedica-se
também à arquitetura e à música.
– Publicado em Lisboa o poema épico Caramuru, de autoria do frei
José de Santa Rita Durão.
1782
17 de Junho – Criada por lei a Real Junta do Proto-Medicato,
assumindo as atribuições antes exercidas pelo físico e pelo cirurgião-
mor, composta de sete membros, entre médicos ou cirurgiões
aprovados e nomeados para período de três anos.
12 de Dezembro – Tomás Antônio Gonzaga é empossado ouvidor-
geral da comarca de Vila Rica.
313
– Fundada no Rio de Janeiro pelo vice-rei Luís de Vasconcelos escola
de Retórica e Poética.
1783
10 de Outubro – Empossado Luís da Cunha Pacheco e Meneses
governador da capitania de Minas Gerais.
07 de Novembro – Iniciada pelo naturalista brasileiro Alexandre
Rodrigues Ferreira a “Viagem Filosófica”, “no sentido de científica,
em vista das ciências naturais serem estudadas no curso de Filosofia,
e a principal finalidade da viagem era tomar conhecimento dos
produtos naturais brasileiros” (Pedro Sales. História da Medicina no
Brasil, 1971, p. 80), para conhecer, estudar e coletar espécimes da
flora e da fauna brasileira na Amazônia, durando nove anos e
percorrendo o interior do Pará, o rio Amazonas e o rio Madeira até
atingir Mato Grosso, coletando e reunindo exemplares de plantas,
animais e minerais, armas e instrumentos indígenas, perfazendo
centenas de volumes (só nos cinco primeiros anos remete para Lisboa
duzentos e dois), além de ter escrito inúmeros ensaios sobre a região,
que se encontram na biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, estando
alguns publicados nos tomos 48 e 49 da Revista do Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro.
– Falece no Rio de Janeiro o alemão nascido em Bremen, João
Henrique Böhm, contratado e nomeado tenente-general por d. José I e
comandante das tropas brasileiras, com a incumbência de organizar
um exército no Brasil, tornando-se e sendo considerado o criador do
Exército Brasileiro.
314
– Lobo de Mesquita (José Joaquim Emerico) compõe o moteto Tércio,
considerada a mais antiga partitura de um compositor brasileiro, dele
sendo conhecidas sessenta e cinco composições musicais, entre
missas, ladainhas, antífonas, árias, motejos, ofertórios, novenas e
peças para a Semana Santa.
1784
– Preso depois de luta contra tropa de dragões, e gravemente ferido,
outro famoso rebelde e líder de garimpeiros do Tijuco/MG, José
Basílio de Sousa, que anteriormente garimpa com João Costa.
Condenado a trabalhar como galé em serviços de extração de
diamantes, mas, com auxílio externo que lhe fornece dinheiro, limas,
verruma e faca, consegue fugir da prisão juntamente com
companheiro a quem estava jungido, após incendiar o local e
mergulhar no rio Jequitinhonha, onde, perseguidos e descobertos,
morre seu comparsa, cujo cadáver o puxa para o fundo rio. “Sua
salvação foi conhecer o seu estado e não perder o ânimo. Impelido
pela corrente, foi arrojado de encontro a um rochedo, em que se
segurou por baixo d’água, e subiu por ele acima arrastando o corpo
[....] à tona d’água conservou-se por algum tempo quedo, e à espreita
através das ramagens até que viu os soldados se retirarem [....] tratou
de limar a corrente do pescoço de seu infeliz companheiro, lançou o
cadáver no Jequitinhonha e seguiu rio abaixo” (Joaquim Felício dos
Santos. Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed., 1956, p. 216/217).
Até sua prisão definitiva, José Basílio garimpa nas lavras do Tijuco,
315
Serra e Paracatu, continuando “ainda durante seis anos o terror das
tropas da Extração” (idem, idem, p. 217).
– Fundada no Rio de Janeiro por, entre outros, o padre José Maurício
Nunes Garcia, a irmandade de Santa Cecília, composta de músicos
profissionais.
– Criado no Rio de Janeiro pelo vice-rei do Brasil, Luís de
Vasconcelos e Sousa, gabinete de estudos de História Natural,
denominado pelo povo de casa dos Pássaros.
1785
05 de Janeiro – Alvará (ou carta régia, segundo outros) de d. Maria I
proíbe a existência de indústria têxtil no Brasil, declarando extintas e
abolidas todas as fábricas, manufaturas ou teares, já em número de
setenta e oito em Minas, Rio e São Paulo, embora ainda pequenas,
permitindo, no entanto, à Grã-Bretanha exercer o comércio de tecidos
nos domínios portugueses.
– Visita o Tijuco, atendendo convite para pregações, o vigário da vila
do Príncipe, dr. Brandão, que, ao chegar, recebe pedido de proteção
dos inúmeros presos pelo intendente de diamantes que jaziam em
masmorras, aos quais o padre vai visitar, causando-lhe horror o que
presencia. No dia da festa, em que devia falar, após discorrer sobre os
deveres dos magistrados e os sofrimentos do povo do Tijuco, das
perseguições que sofria e das condições da cadeia, invectiva e investe
diretamente contra o intendente ali presente de maneira candente:
“Ministro de Satanás! como aferrolhas míseros inocentes, nesse
horrível calabouço, cujo único crime foi terem cavado na terra os
316
tesouros, que a providência aí ocultou, para sustentarem a vida?”
(apud Joaquim Felício dos Santos, op.cit., p. 198).
Surpreendentemente, ao invés do intendente, José Antônio de
Meireles Freire, tomar alguma medida contra o pregador, determina a
libertação de todos os que estão presos injustamente e aplacar os
castigos a que os criminosos são submetidos.
– Editado o livro Viagem de Alguns Missionários da Companhia de
Jesus na América, do padre Von Murr.
– Chega ao Brasil, em viagem de pesquisas, Jean François de Galaup,
conde La Perouse, em cuja obra posteriormente editada encontram-se
mapas e estudos sobre a Colônia.
– Elaborada por Manuel Martim Couto Reis a Descrição Geográfica,
Política e Cronográfica do Distrito dos Campos Goitacás.
1786
06 de Junho – Instalada, com apoio do vice-rei Luís de Vasconcelos e
Sousa e estatuto redigido pelo poeta Silva Alvarenga, a Sociedade
Literária do Rio de Janeiro, que também trata de questões científicas,
como eclipse da lua, o núcleo central da terra, a longitude do Rio de
Janeiro e o areômetro, tendo até mesmo, como enfatiza Pedro Sales
(op.cit., p. 248), “sessões dedicadas aos métodos de tratamento de
certas doenças, revivendo os princípios de Hipócrates”.
02 de Outubro – Provável encontro, em Nîmes/França de José
Joaquim da Maia com Thomas Jefferson, para obter apoio à
Conjuração Mineira. Outra versão, indica a data do encontro em 21 de
março do ano seguinte, admitindo-o apenas como provável.
317
1787
18 de Abril – Em consequência de traição, é preso e interrogado João
Costa, célebre líder de garimpeiros na região do Tijuco/MG, que,
desde 1781 pelos menos, comanda invasões de lavras diamantíferas de
difícil combate pelas forças governamentais, “porque nunca se
apresentavam em campo, ocultos, embrenhados nos matos, nas
serras, nas furnas, ou disseminados pelas planícies, vivendo debaixo
das lapas ou em pequenos colmados construídos em um momento,
sem estabelecimento fixo, inimigos que conheciam todos os recantos,
os esconderijos, as mais insignificantes trilhas do terreno” (Joaquim
Felício dos Santos, op.cit., p. 201). Processado e condenado, João
Costa Pereira é remetido à Vila Rica, desconhecendo-se seu destino
daí em diante.
04 de Setembro – Tiradentes, “pelos seus movimentos em Minas e na
Corte, chegando inclusive a viajar até Lisboa, revela ser um espírito
mais organizador e mais prático que os poetas de Vila Rica”
(Leôncio Basbaum. História Sincera da República. 2ª ed. São Paulo,
edições LB, 1962, vol. I, p. 273). “Tiradentes apresentou-se na Corte
lusa e ali tentou justificar sua situação de suboficial do Regimento de
Cavalaria em Minas, que cruzara o oceano sem licença prévia [....]
Conforme comprovação documental reunida até maio de 2001, ora
complementada com a localização de mais um elemento, o alferes
permaneceu em Lisboa até 28 de setembro de 1787. Dali seguiu a
Paris, para ouvir a resposta à consulta sobre a causa brasileira,
enviada por Thomas Jefferson [então embaixador na França] a J. Jay,
secretário para assuntos estrangeiros do Congresso [norte]
318
americano, em carta datada de Marselha, em 4 de maio daquele ano.
A resposta continha uma condição básica: O Brasil receberia ‘naus e
gente’ se recebesse em seus portos ‘bacalhau e trigo’, além de pagar
os soldos às tropas enviadas” (Isolde Helena Brans, “Tiradentes na
Europa”, Estado de Minas, suplemento Pensar, Belo Horizonte, 15
dezembro 2001). “Quando foi embaixador na Europa – de 1784 a
1789 - Jefferson frequentou os círculos fisiocratas dos discípulos de
Turgot [....] e, segundo Martins Oliveira, recebeu José Joaquim da
Maia e o alferes Tiradentes” (José Renato de Castro César, “A
Essência da Mineiridade”, Estado de Minas, Belo Horizonte, 12 abril
2003).
04 de Setembro – “No Livro de Porta do palácio real em Lisboa, em
4 de setembro de 1787, consta o nome de Joaquim José da Silva
Xavier, e o objetivo de sua presença na Corte: obter ‘licença por um
ano’. Na mesma data e com a mesma caligrafia requintada do
escrivão que anotou seu nome, foi redigida uma petição à rainha, em
que Joaquim José diz ser ‘alferes da Cavalaria em Minas Gerais’,
fato este que exclui qualquer possibilidade de tratar-se de um
homônimo” (Isolde Helena Brans, “Reencontro Necessário”, Estado
de Minas, suplemento Pensar, Belo Horizonte, 22 março 2003). Bem
antes, contudo, da apenas indicada ou citada descoberta de novos
documentos em Lisboa, o historiador mineiro Francisco Iglésias
refere-se em entrevista, respondendo à pergunta “quais versões são
inverídicas?”, a “certas bobagens irremediáveis. Há quem diga que
Tiradentes teve contato com Thomas Jefferson. Um documento revela
que ele pediu licença para ir a Europa. Pediu uma renovação, não
concedida” (Folha de S. Paulo, 29 maio 1994).
319
Final do Ano – “Ao final do ano, retornando a Lisboa para embarcar
rumo à colônia, [Tiradentes] apresentou dois projetos à Chancelaria
da rainha, a serem acrescentados ao projeto ‘das águas’,
anteriormente feito em Lisboa (28 de setembro de 1787) e já
encaminhado por d. Maria I ao ouvidor-geral da comarca do Rio de
Janeiro. Nestes dois últimos projetos, o alferes Tiradentes agilizaria
os meios para cumprir as condições ouvidas em Paris, incluindo a
intenção de armazenar o negociado trigo [norte-]americano em um
trapiche, a ser por ele construído na área portuária do Rio de Janeiro
‘entre a ponte da alfândega e o trapiche da Lapa’” (Isolde Helena
Brans, “Tiradentes na Europa”, artigo citado).
– Fundada pelo compositor e mestre de capela da igreja de São Pedro
dos Clérigos, em Recife, Luís Álvares Pinto, a irmandade de Santa
Cecília dos Músicos, que chega a ter trinta e sete membros. Álvares
Pinto é autor do tratado Arte de Solfejar e das composições Te Deum
para quatro vozes mistas e baixo contínuo, e Salve Regina para três
vozes mistas, dois violinos e baixo.
– O compositor José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita assume a
regência musical da Ordem Terceira do Carmo em Vila Rica,
exercendo-a juntamente com a função de organista até 1795.
– “Os mulatos que se dedicavam apaixonadamente ao exercício livre
da música como verdadeiros profissionais [em São José del Rei, Vila
Rica, São João del Rei, Caeté, Sabará, Pitangui, Itabira, Itabirito,
Paracatu, Serro Frio, Tejuco, etc.], foram os responsáveis pelo
crescente desenvolvimento de uma arte musical que nos anos 1787-
1790 chegou a um apogeu sem precedentes. O número deles deve ter
sido aproximadamente de mil ou ainda maior, porque só em Vila Rica
320
cheguei a contar, segundo a documentação ainda disponível, mas
incompleta, 250 [duzentos e cinquenta] músicos profissionais”
(Francisco Curt Lange, “Os Músicos Mulatos”, Suplemento Literário
do Minas Gerais, ano VIII, nº 355, nº especial I: “Curt Lange, o
Descobridor”, Belo Horizonte, 16 junho 1973).
– Composto por Marcos Coelho Neto Filho o hino Maria Mater
Gratiae, cuja autoria, no entanto, o pesquisador alemão Curt Lange
atribui a seu pai e homônimo no ensaio “A Música em Minas Gerais
no Século XVIII”, de 1951, republicado no Suplemento Literário do
Minas Gerais (ano VIII, nº 356, número especial II: “Curt Lange, o
Descobridor”, Belo Horizonte, 23 junho 1973).
– O aluno da faculdade de filosofia da universidade de Coimbra, o
brasileiro Vicente Coelho de Seabra Silva Teles, publica a
Dissertação Sobre a Fermentação em Geral e Suas Espécies,
possivelmente o primeiro ensaio científico de um brasileiro contendo
noções de química, ciência, por sinal, que só começa fazer parte do
currículo daquela universidade em 1772, segundo Heinrich Rheinboldt
(“A Química no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. II, p. 13).
1788
Março – “Regressando ao Brasil, possivelmente acompanhado pelo
inconfidente padre Rolim, o alferes [Tiradentes] desembarcou na
Bahia, dali seguindo por terra. Passou por Berilo, Minas Nova,
Tijuco e Vila Rica, rumo ao Rio de Janeiro, onde chegou em março de
1788 [....] Essa trajetória[....] confere dimensões internacionais ao
321
movimento precursor da República” (Isolde Helena Brans,
“Tiradentes na Europa”, artigo citado).
11 de Julho – Toma posse o novo governador de Minas Gerais, Luís
Antônio Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, visconde de
Barbacena, que não deve ser confundido com outro visconde de
Barbacena (Afonso Furtado de Castro do Rio de Mendonça ou Afonso
Furtado de Mendonça Castro do Rio e Meneses), governador-geral do
Brasil a partir de 1671.
21 de Setembro – Encenado na casa da Ópera, de Recife, o drama
Ézio em Roma, de Metastasio.
26 de Dezembro – Com vistas à organização de levante armado, a ser
efetivado no dia do início da anunciada derrama, isto é, a cobrança
dos impostos do ouro atrasados, somando quinhentas e noventa e seis
arrobas, equivalente a seis anos de atraso, visto estipulado o imposto
em cem arrobas de ouro anualmente, reúnem-se os conspiradores na
chácara em que reside o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de
Andrada (como o sobrenomeia Rocha Pombo), traçando os planos do
levante e fixando sua eclosão para o referido dia, de que todos seriam
avisados pela senha “é tal dia o batizado” ou, conforme o título do
romance de Gilberto de Alencar, de 1959, “tal dia é o batizado”.
– “Chegam à Vila Rica dois exemplares do verdadeiro catecismo
ideológico da Inconfidência: o Recueil des Loyx Constitutives des
Colonies Angloises, Confédérées Sous la Dénomination d’États-Unis
de l’Amérique Septentrionale, de 1778. Um exemplar foi dado por
José Álvares Maciel, no Rio de Janeiro, ao alferes Joaquim José da
Silva Xavier. Este livrinho de constituições norte-americanas vai ser
leitura cotidiana de Tiradentes” (Maria Efigênia Laje de Resende,
322
“Leituras e Releituras da Inconfidência Mineira”, Suplemento
Literário do Minas Gerais, nº 1.125, Belo Horizonte, 01 julho 1989).
– Nomeado governador de Macapá /Amapá, o militar português João
Vasco Manuel de Braun, autor de diversas obras sobre o norte do
Brasil, entre elas o Roteiro Corográfico da Viagem Que se Costuma
Fazer da Cidade de Belém do Grão-Pará à Vila Bela de Mato Grosso.
– O astrônomo português Sanches Dorta elabora em São Paulo,
publicando, posteriormente, os trabalhos Observações Astronômicas e
Meteorológicas Feitas na Cidade de São Paulo, América Meridional-
1788-1789 e o Diário Físico-Meteorológico de Outubro, Novembro e
Dezembro de 1788 da Cidade de São Paulo.
– Publicado em Coimbra o primeiro volume do livro Elementos de
Química, de autoria do estudante brasileiro da universidade de
Coimbra, Vicente Coelho de Seabra Silva Teles, cujo segundo tomo
sai em 1790, sendo certamente a primeira obra de autor brasileiro
inteiramente dedicada à química. “Nesta obra divulgou ele, pela
primeira vez em idioma português, a nova doutrina antiflogística e
juntou notícias originais relativas às pedras preciosas e aos trabalhos
das minas do Brasil, especialmente as de ouro, com a competente
nomenclatura” (Heinrich Rheinboldt, op. cit., vol. II, p. 15).
Fim do Ano – Chega à Vila Rica, retornando do Rio de Janeiro,
Joaquim José da Silva Xavier, apelidado Tiradentes.
1789
15 de Março – Delação verbal da Conjuração Mineira de Joaquim
Silvério dos Reis ao visconde de Barbacena, governador de Minas
323
Gerais, que perdoa grande dívida daquele à Fazenda Real,
concedendo-lhe, ainda, pensão anual, o título de fidalgo e o hábito de
Cristo.
23 de Março – O visconde de Barbacena suspende o início da
derrama determinado para esse dia, em decorrência de ter sido
informado da conspiração.
15 de Abril - Segunda delação, a primeira por escrito, da Conjuração
Mineira feita pelo português Basílio de Brito Malheiro do Lago, que
“encontrava-se, há mais de seis meses, detido em Vila Rica, em
virtude de um processo que lhe era movido por Tomás Antônio
Gonzaga, a quem passou, por isso, a dedicar um grande ódio”
(Dimas Perrin, “A Prisão de Tiradentes”, Minas Gerais, órgão oficial
do Estado, Belo Horizonte, 19 abril 2002).
19 de abril – Delação, por escrito, da Conjuração Mineira de Joaquim
Silvério dos Reis.
20 de Abril – Delação por escrito do movimento mineiro feita por
Inácio Correia Pamplona.
10 de Maio – Tiradentes é preso no Rio de Janeiro na rua dos
Latoeiros, atual Gonçalves Dias. “Tiradentes foi o mais ativo
propagandista das ideias que sustentaram o projeto político da
Conjuração Mineira, e o grande responsável por colocá-las em
circulação no interior de uma rede formada pelo entrecruzamento de
diferentes grupos sociais” (Lília M. Schwacrz e Heloísa M. Starling.
Brasil: Uma Biografia, 2015, p. 143)
23 de Maio – Preso e remetido para a ilha das Cobras, no Rio de
Janeiro, Tomás Antônio Gonzaga, poeta, conspirador mineiro e
324
ouvidor da comarca da Vila Rica, capital da província de Minas
Gerais.
24 de Maio – Alvarenga Peixoto é preso em São João del Rei e
conduzido ao Rio de Janeiro, onde é encerrado na fortaleza da ilha das
Cobras.
Maio – Além das delações da Conjuração Mineira efetuadas em
março e abril desse ano, mais três são feitas em maio, por escrito, por
Francisco de Paula Freire de Andrade (dia 17), Francisco Antônio de
Oliveira Lopes (dia 19) e Domingos de Abreu Vieira (dia 28),
segundo Sérgio Faraco (“Autos da Devassa: Uma Crítica de
Veracidade”, Leitura, órgão do Diário Oficial do Estado, nº 73, São
Paulo, junho 1988), que designa como Andrade e não Andrada a
Francisco de Paula Freire.
25 de Junho – Cláudio Manuel da Costa é preso em Vila Rica e
encarcerado na casa dos Contos.
04 de Julho – Cláudio Manuel da Costa é encontrado morto na casa
dos Contos.
14 de Julho – No quadro de impasse e crescente tensão na França,
agravado com a ordem de Luís XVI de dissolução da Assembleia
composta por 1.200 (hum mil e duzentos) deputados, trezentos da
nobreza, trezentos do clero e seiscentos do terceiro estado (o povo), e
a resistência destes últimos, que continuam os trabalhos legislativos, a
fortaleza da Bastilha é tomada pelo povo, desencadeando a Revolução
Francesa, de larga influência no Ocidente.
26 de Agosto – Aprovada pela Assembleia Francesa a Declaração dos
Direitos do Homem e do Cidadão, definindo a liberdade como “o
325
direito de fazer tudo aquilo que não prejudica a outrem” (apud
Mirador, vol. XVIII, p. 9.855)
Setembro – Criada em Minas Gerais a vila de São Bento do
Tamanduá (atual Itapecerica).
05 de Outubro – Prisão do padre José de Oliveira Rolim, que estava
foragido e teria se entregado.
17 de Dezembro – Encenado, na casa da Ópera de Recife, o drama
Amor dos Deuses, de Antônio José de Paula.
– Consta do programa de governo dos conjurados mineiros, não
apenas a Independência do Brasil, mas, também que a capital do país
seria São João del Rei e, ainda, criação de casa da moeda, implantação
de manufaturas e de fábrica de pólvora, libertação dos escravos
nascidos no país, fundação de universidade em Vila Rica, prêmio
natalidade para mulheres que gerarem certo número de filhos, além de
que os cidadãos usarão armas e servirão na milícia nacional quando
necessário, dispensada a existência de exército permanente.
– “O que fez um grupo de letrados e vassalos de posses, em princípio
bem integrados ao mundo do absolutismo português, transformar-se
em protagonista de uma forma especialíssima de revolta política na
América - a Conjuração Mineira - foi uma combinação entre o
ressentimento e a percepção de autossuficiência econômica de sua
capitania” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, op. cit., p.
142/143).
– Estimada em dois milhões e trezentos mil habitantes a população do
Brasil, da qual um milhão e quinhentos mil (65%) são negros.
– Apenas quatro médicos exercem a profissão no Rio de Janeiro.
326
– Elaborada pelo compositor, regente e cantor Francisco Gomes da
Rocha a obra Novena de Nossa Senhora do Pilar a quatro vozes,
sendo autor, ainda, segundo Curt Lange, que o considera portentoso,
de mais de duzentas obras, conforme citado por Vasco Mariz
(História da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p. 49).
– Composta por Inácio Parreiras Neves a Oratória ao Menino Deus
Para a Noite de Natal, considerado o único auto de natal em língua
portuguesa.
– Publicado o importante Dicionário da Língua Portuguesa, o célebre
Dicionário Morais, do lexicógrafo fluminense Antônio de Morais
Silva, que, quando estudante da universidade de Coimbra, foge para a
Grã-Bretanha a fim de escapar do tribunal do Santo Ofício sob a
acusação de racionalismo.
– “Segundo João Ribeiro era a seguinte a população do Brasil em
1789: Brancos – 1.010.000; Índios 250.000; Libertos – 406.000;
Pardos escravos -221.000; Negros escravos – 1.361.000. Total –
3.248.000 ou seja: cerca de 50 % da população, 1.582.000 era
constituída de escravos. Na mesma época havia nos Estados Unidos
70 [setenta] mil escravos para uma população de cerca de 4 [quatro]
milhões ou seja menos de 2%” (Leôncio Basbaum. História Sincera
da República, vol. I., 2ª ed., 1962, p. 136).
327
Foto 1: Viagem Filosófica/capa de um dos livros
Foto 2: Itinerário da Viagem Filosófica
Foto 3: Recueil des Loix Constitutives/capa
Foto 4: Vila Rica no séc. XVIII
328
Década de 1790
1790
14 de Fevereiro – Encenado por três noites seguidas na casa da
Ópera, de Recife, o drama Fidelidade, de Antônio José de Paula.
09 de Maio – Conforme o Novo Dicionário de História do Brasil o
segundo conde de Resende, José Luís de Castro, toma posse no Rio de
Janeiro no cargo de vice-rei do Brasil, que exercerá por onze anos.
27 de Maio – Iniciada a inquirição dos presos participantes da
Conjuração Mineira.
16 de Junho – Dado início aos depoimentos das testemunhas no
processo aberto contra os conspiradores mineiros.
20 de Junho – Incêndio destrói no Rio de Janeiro o prédio da Câmara
e seu arquivo contendo livros e documentos desde a fundação da
cidade, salvando-se apenas os livros que se acham com o escrivão da
instituição.
Junho – Com a saída do vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa, sob os
auspícios de quem foi fundada, a Sociedade Literária do Rio de
Janeiro encerra suas atividades.
21 de Agosto – Forma-se em medicina em Montpellier/França, o
brasileiro José Maurício Leal da Câmara Rangel de Gusmão, o único
dos quinze estudantes brasileiros da escola de medicina dessa cidade a
nela fazer todo o curso, sendo que os demais foram transferidos de
Coimbra, por incompatibilidade com seu conservadorismo, entre eles,
Joaquim Inácio de Seixas Brandão, parente de Marília de Dirceu;
329
Jacinto José da Silva Quintão, que será preso no Rio de Janeiro por
pertencer à Sociedade Literária; José Joaquim da Maia Barbalho, que
mantém correspondência com Thomas Jefferson e tem com ele
conferência em Nîmes/França para obter apoio à Conjuração Mineira,
sendo que “desta entrevista nada resultou de prático, porque
Jefferson se mostrou reticente e hesitante, embora chegasse a avaliar
as possibilidades de vitória do movimento” (Pedro Sales. História da
Medicina no Brasil, 1971, p. 73); Domingos Vidal Barbosa Laje, que
também mantém contatos com Jefferson e no Brasil participa
ativamente da Conjuração, sendo preso e condenado à morte,
constando que “recebeu a sentença com uma gargalhada” (Pedro
Sales, op.cit., p 73), tendo a pena comutada para degredo na África;
Vicente Gomes da Silva, também preso no Rio de Janeiro por dois
anos por pertencer à Sociedade Literária; Francisco Arruda da
Câmara, paraibano, político de intensa atuação e prestígio no
Nordeste, fundador com seu irmão e outros da primeira loja maçônica
do Brasil, a Areópago de Itambé; José Joaquim de Carvalho, que
segundo Alfredo Nascimento, citado por Pedro Sales (op.cit., p. 75), é
um dos três médicos mais famosos do Rio de Janeiro, juntamente com
Leal de Gusmão e Vicente Gomes da Silva, todos formados em
Montpellier; Manuel Arruda da Câmara, irmão de Francisco e com ele
um dos fundadores da loja maçônica Areópago, na vila de Itambé, que
desenvolve intensa atividade profissional e de estudos da flora
brasileira.
– Em Minas Gerais, a localidade de Queluz (atual Conselheiro
Lafaiete) é elevada à vila.
330
– Encenada em Corumbá/MT a ópera Ezio in Roma, em que os papéis
femininos são representados por homens, costume da época. “Só mui
raramente as mulheres (neste caso mulatas) subiam em cena” (Vasco
Mariz. História da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p. 41).
– Editado em Lisboa o Tratado da Educação Física dos Meninos, do
médico brasileiro Francisco de Melo Franco, pelo que é considerado
por Martinho da Rocha, citado por Pedro Sales (op.cit.,p. 67), “o
primeiro puericultor brasileiro”, que, quando estudante em Portugal,
esteve preso por quatro anos pela Inquisição “por irreligiosidade”.
Juntamente com ele é encarcerada uma mulher para servir de
testemunha no processo, com quem, posteriormente, Melo se casa.
– Terminada a elaboração da obra Flora Fluminense, do padre
franciscano mineiro, frei José Mariano da Conceição Veloso (na vida
civil, José Veloso Xavier).
1791
21 de Outubro – Após meses de espera pela chegada de Portugal dos
juízes que iriam dirigir o processo contra os conjurados mineiros, são
eles, em número de vinte e nove, notificados das acusações e lhes
concedido o prazo de cinco dias para se manifestarem nos autos.
17 de Dezembro – Incorporada à Coroa a capitania de São Vicente,
sendo compensado o donatário, conde de Vimieiro.
– Novamente preso o célebre garimpeiro rebelde, José Basílio, após
decorridos seis anos de seu anterior aprisionamento e cinematográfica
331
fuga, sendo condenado a dez anos de degredo em Angola, não se
sabendo mais notícias suas.
– Formalizada por meio de ajuste assinado no presídio de Nova
Coimbra, em Mato Grosso, a paz com os índios guaicurus.
– A localidade de Barbacena, em Minas Gerais, é elevada à categoria
de vila.
1792
Fevereiro – Junta Médica da Corte portuguesa declara a rainha d.
Maria I tomada pela loucura, pelo que é afastada e transferido o poder
a seu filho, o futuro rei d. João VI, que governa durante algum tempo
sem título algum a não ser de herdeiro presuntivo do trono. D. Maria I
sucumbe, “depois de reinar durante 14 [catorze] anos, ao choque
emocional provocado pela Revolução Francesa. Os sinais de vesânia
apareceram com a detenção em Varennes de Luís XVI e Maria
Antonieta, e a suspensão das funções majestáticas de ambos”
(Mirador, vol. IV, p. 1.545/46).
18 de Abril – Lavrada a sentença condenatória dos conspiradores
mineiros.
19 de Abril – Lida na prisão aos conspiradores mineiros, pelo
escrivão da alçada, a sentença condenatória.
21 de Abril – Tiradentes é enforcado no Rio de Janeiro e, em seguida,
seu corpo esquartejado, distribuindo-se partes dele nos lugares onde
mais acentuadamente propagara suas ideias patrióticas e libertárias.
332
– Tiradentes, “pela sua habilidade sobressaiu-se entre os da
profissão. Além de extrair dentes, sabia colocá-los também. Fazia-o,
por certo, com proficiência. Por isso, o seu raio de ação como
dentista transpôs em breve as fronteiras da velha Minas Gerais,
estendendo-se até o Rio de Janeiro [....] Quer no campo da cirurgia,
quer no da prótese se desempenhou a contento” (Ernesto Sales Cunha.
História da Odontologia no Brasil. 3ª ed., 1963, p. 63). “Tirava com
efeito dentes com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos
dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais” (frei Raimundo
de Penaforte, último confessor de Tiradentes, apud Ernesto Sales
Cunha, op.cit., p. 64).
23 de Abril – Embarcam para degredo perpétuo na África os
conjurados mineiros que tiveram suas penas comutadas, Freire de
Andrada (ou Andrade), Álvares Maciel, Alvarenga Peixoto, Luís Vaz,
Francisco Antônio, Abreu Vieira e Amaral Gurgel. Condenados a
degredo temporário por dez anos seguem Resende Costa (pai e filho),
Vidal Barbosa, Gonzaga e outros seis.
– Ordenado padre no Rio de Janeiro, onde nasceu em 1767, o
compositor José Maurício Nunes Garcia, mestre da capela da Catedral
e Sé do Rio em 1798, mestre da capela Real e professor de música (d.
Pedro I será seu aluno), autor entre outras obras, da ópera Le Due
Gemelle, de Zemira, Missa em Si-Bemol e Missa de Santa Cecília,
além de ofícios, obras para cerimônias fúnebres, para a Semana Santa,
profanas, instrumentais, teóricas, avulsas e, ainda, de orquestrações
que se repartem em antífonas, benditos, cânticos, hinos, ladainhas,
motetos, novenas, salmos, tantum ergo, te deum, matinas e vésperas,
chegando a quatrocentas peças. Segundo Mário de Andrade, “foi o
333
maior artista da nossa música religiosa, mas não ultrapassou o que
faziam no gênero os italianos do tempo. E isso, universalmente, era
pouco” (apud Vasco Mariz, op.cit., p. 61).
– Encerra-se no final desse ano a viagem que o naturalista baiano
Alexandre Rodrigues Ferreira empreende desde 1783 por incumbência
do governo português, chefiando expedição científica às capitanias do
Pará, Rio Negro (Amazonas) e Mato Grosso, elaborando nada menos
de sessenta ensaios científicos de natureza geográfica, zoológica,
botânica, etnológica, mineralógica, escrevendo, ainda, o Diário da
Viagem Filosófica.
– “Desde o limiar da Amazônia cujos traços essenciais do complexo
geográfico procurou observar, fixando-se mais demoradamente no
importante problema da agricultura regional, até o interior da região,
no rio Negro e no rio Branco, onde também abordou a discussão de
importantes temas locais, Alexandre Ferreira desenvolveu invulgar
atividade científica e patriótica. É incrível mesmo a variedade de
assuntos focalizados. Somente no que tange à geografia, suas
preocupações foram da geografia física e matemática à geografia
humana, política, econômica e agrária” (José Veríssimo da Costa
Pereira, “A Geografia no Brasil”, As Ciências no Brasil, vol. I, p.
332).
– “Estes feitos [de outros cientistas à época] empalidecem, porém,
diante das viagens científicas do naturalista baiano Alexandre
Rodrigues Ferreira, a quem a Corte portuguesa confiou em 1783 o
difícil encargo de explorar as vastas extensões abrangidas pelas
capitanias do Pará, Rio Negro (Amazonas) e Cuiabá, com o fim
expresso de ‘observar, acondicionar e remeter para o real museu da
334
Ajuda os produtos dos três reinos’” (Olivério M. de Oliveira Pinto,
“A Zoologia no Brasil”, As Ciências no Brasil, vol. II, p. 101).
– “Inicia-se agora uma época em que alguns brasileiros principiam a
se ocupar de nossa flora nos moldes estabelecidos pela botânica em
todo o mundo. Um dos primeiros foi Alexandre Rodrigues Ferreira,
baiano, que se dedicou ao estudo não só da vegetação, mas também
da fauna brasileira” (Mário Guimarães Ferri, “A Botânica no Brasil”,
As Ciências no Brasil, vol.II, p. 157).
– “De contribuição brasileira [à biologia], no período colonial,
parece não haver dúvida em dar-se primazia à de Alexandre
Rodrigues Ferreira, baiano que estudou medicina em Coimbra, e lá se
tornou notável em ciências naturais, tanto que foi prossecutor, e
incumbido de tombar o material de museus lusos” (Tales Martins, “A
Biologia no Brasil”, As Ciências no Brasil, vol. II, p. 205).
– “Deixou o arrojado sertanista [Alexandre Rodrigues Ferreira], em
sua Viagem Filosófica, tão valiosa no seu documentário artístico e
científico, preciosas informações etnográficas sobre e gentio com que
entrou em contato, nas suas incursões por terras inexploradas e
bravias” (Fernando de Azevedo, “A Antropologia e a Sociologia no
Brasil”, As Ciências no Brasil, vol. II, p. 363).
– Os pintores portugueses Joaquim José Codina e José Joaquim Freire
acompanham Alexandre Rodrigues Ferreira, autor da Viagem
Filosófica, pela selvas amazônicas, elaborando centenas de aquarelas
e desenhos tendo por temas sua fauna, flora e aspectos geográficos e
etnográficos.
– Nasce em Lisboa o futuro imperador do Brasil, d. Pedro I.
335
– O Almanaque da Cidade do Rio de Janeiro desse ano registra a
existência de uma livraria na cidade.
– Publicada em Lisboa a primeira parte do livro Marília de Dirceu, de
Tomás Antônio Gonzaga.
– Elaborado por iniciativa e determinação de Bernardo José de Lorena
o Mapa Corográfico da Capitania de São Paulo.
1793
21 de Janeiro – Executado o rei francês Luís XVI na place de la
Révolution, atual place de la Concorde, em Paris.
Julho – Face às arbitrariedades cometidas contra o povo pelo
governador de Santa Catarina, coronel Manuel Soares Coimbra,
recrutando quinhentos homens para o regimento da ilha, construindo
suntuoso quartel, confiscando mantimentos para alimentar os
recrutados e submetendo os cidadãos a trabalhos forçados para atender
às obras, o vice-rei determina sua deposição e condução preso ao Rio
de Janeiro.
16 de Outubro – Executada a rainha francesa Maria Antonieta.
– Lida perante a Academia Real das Ciências de Lisboa a obra
Memória Sobre as Doenças Agudas e Crônicas Que Mais
Frequentemente Acometem os Pretos Recém Tirados da África, de
autoria do advogado e médico brasileiro nascido na Bahia, Luís
Antônio de Oliveira Mendes, autor ainda de outros livros, e que é
eleito, em 1824, membro da referida Academia.
336
– Falece em Angola o poeta fluminense Inácio José de Alvarenga
Peixoto, nascido não se sabe se em 1743, 1744 ou 1748, participante
da Conjuração Mineira e casado com a poetisa Bárbara Heliodora.
1794
01 de Junho – Eleito bispo da diocese de São Paulo, d. Mateus de
Abreu Pereira, destacando-se posteriormente por ter escrito a d. Pedro
em janeiro de 1822, exortando-o a não atender às ordens das Cortes de
Lisboa, que exigiam seu regresso a Portugal, sendo ainda um dos
signatários da ata de adesão da província de São Paulo à causa da
Independência do Brasil, também entregue a d. Pedro na ocasião.
– O segundo conde de Resende, vice-rei do Brasil, resolve
restabelecer a Sociedade Literária do Rio de Janeiro. O poeta Silva
Alvarenga convoca os sócios e providencia as instalações. Após
quatro meses de atividades, frei Raimundo de Penaforte promove
denúncia contra a instituição, minada também por desentendimento
entre seus membros, pelo que o conde de Resende determina a
suspensão das reuniões. Diante de novas denúncias de José Bernardo
da Silveira Frade, inimigo de Silva Alvarenga, o conde determina que
se proceda devassa nas atividades da sociedade, “para se descobrirem
por ela as pessoas que com escandalosa liberdade se atreviam a
envolver em seus discursos matérias ofensivas da religião e a falar
dos negócios da Europa com louvor e aprovação do sistema atual da
França, e para conhecer se entre as mesmas pessoas havia alguns
que, além dos ditos escandalosos discursos, se adiantassem a formar
ou insinuar algum plano de sedição” (apud Afrânio Coutinho e J.
337
Galante de Sousa. Enciclopédia de Literatura Brasileira, vol. II. 2ª
ed., 2001, p. 1.519).
11 de Dezembro – Iniciada contra a Sociedade Literária do Rio de
Janeiro devassa presidida por Antônio Dinis da Cruz e Silva e
escriturada por João Guerreiro do Amorim Pereira, e decretada a
prisão dos denunciados, entre eles Silva Alvarenga e Mariano José
Pereira da Fonseca (o futuro e célebre marquês de Maricá), metidos a
ferros e recolhidos à fortaleza da Conceição, no Rio de Janeiro.
– Por volta desse ano é edificada casa de Ópera em São Paulo, no
largo do Palácio, demolida em 1870.
– Por essa época acontece a possivelmente primeira visita ao país de
empresa teatral estrangeira, a do ator português Antônio José de Paula.
– Funciona em Porto Alegre a casa da Comédia, barracão de pau-a-
pique com trinta e seis camarotes e trezentos lugares na plateia,
durando até 1834.
– Nasce em Vila Rica o futuro compositor João de Deus Castro Lobo.
1795
21 de Fevereiro – Nasce no Rio de Janeiro o também futuro
compositor, regente e mestre de música, Francisco Manuel da Silva.
Março – Iniciada a inquirição dos réus e testemunhas da devassa
instaurada no ano anterior contra a Sociedade Literária.
31 de Julho – Falece em Lisboa o poeta José Basílio da Gama, autor,
entre outras obras, do poema épico O Uraguai, referente à guerra que
Portugal e Espanha deflagaram contra os habitantes dos Sete Povos
das Missões.
338
05 de Outubro – Expedida “a mais completa e minuciosa” lei de
sesmarias, visando “compensar e desfazer erros e disputas, fraudes e
abusos por falta de regulamentação adequada [....] Havia evidente
intenção na lei de evitar o latifúndio sobretudo a grande propriedade
improdutiva” (Leôncio Basbaum. História Sincera da República, vol.
I, 2ª ed., 1962, p. 106 e 107).
– Dois embaixadores de Daomé, mandados pelo rei Agonglô,
propõem ao governador da Bahia, Fernando José de Portugal, a
exclusividade do comércio de escravos em Uidá, o que é rejeitado
porque tal monopólio prejudica os interesses baianos.
– Escrita por Francisco Rodrigues do Prado, comandante do presídio
de Nova Coimbra, ao sul de Mato Grosso, o livro História dos Índios
Cavaleiros ou da Nação Guaicuru, cujo título se alonga no que
deveria ser subtítulo: “em que descreve os seus usos e costumes, leis,
alianças, ritos e governo doméstico, e as hostilidades feitas a
diferentes nações bárbaras, aos portugueses e espanhóis, males que
ainda são presentes na memória de todos”. Doado o manuscrito ao
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, este o publica no primeiro
número de sua Revista, editado em 1839.
1796
Maio – Encerrada a oitiva dos réus e testemunhas da devassa
procedida contra a Sociedade Literária do Rio de Janeiro iniciada em
dezembro de 1794.
10 de Dezembro – Revogada a importante lei de sesmarias de 05 de
outubro do ano anterior, visto que “interesses poderosos se
339
movimentaram insurgindo-se contra suas determinações, sob
alegação – entre outras – de ‘falta de geômetras’” (Leôncio
Basbaum, op.cit., vol. I, p. 107).
1797
18 de Junho – Mesmo carente de provas das acusações de sediciosos
e inconfidentes, os membros da Sociedade Literária ficam presos mais
de um ano após o encerramento da devassa sem que o conde de
Resende tome alguma resolução. Contudo, Mariano José Pereira da
Fonseca (futuro marquês de Maricá) promove queixa à Metrópole, que
determina ao conde soltar os réus e, se considerasse não dever fazê-lo,
os mandasse então à Corte com os autos de culpa, alvitrando o conde
ordenar sua soltura.
02 de Julho – Em Salvador, em decorrência das copiosas chuvas
ocorridas no mês de junho, desaba grande parte da igreja de São Pedro
dos Clérigos, que desliza pela ladeira da Misericórdia e soterra quinze
casas com perda de muitas vidas.
Julho – Toma posse o novo governador de Minas Gerais, Bernardo
José de Lorena.
– “Uns três anos antes do clarear do século XIX” (Hildebrando
Pontes. História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central, 1970,
p.75), grupo de moradores do Desemboque, na região do Triângulo,
organiza bandeira e interna-se a oeste das sesmarias concedidas na
região, voltando seus participantes entusiasmados com o que vêem.
– Publicada pela Academia Real das Ciências de Lisboa a obra do
astrônomo Bento Sanches Dorta, Observações Astronômicas Feitas
340
Junto ao Castelo da Cidade do Rio de Janeiro Para Determinar a
Latitude e a Longitude da Dita Cidade.
– Elaborada por autor desconhecido a Memória Histórica da Cidade
de Cabo Frio, considerado também importante trabalho geográfico
sobre a região.
1798
12 de Agosto – Eclode em Salvador movimento libertário de
acentuado sentido social igualitário propugnando pela abolição da
escravatura e a proclamação da República, causado por “amálgama de
ressentimentos sociais, preços elevados de víveres e o impacto dos
lemas revolucionários franceses”, composto de alfaiates e soldados,
todos mulatos, que anunciam seu propósito por meio de boletins e
cartazes afixados em lugares públicos com proclamações como: “cada
um soldado é cidadão, mormente os homens pardos e pretos que
vivem escornados e abandonados, todos serão iguais, não haverá
diferença, só haverá liberdade, igualdade e fraternidade.” Segundo
Kenneth Maxwell, “Amargurados e anticlericais, os mulatos da Bahia
eram tão avessos aos brasileiros ricos quanto à dominação
portuguesa. Eles saudavam a agitação social, propunham a subversão
de todas as estruturas existentes e buscavam uma sociedade
igualitária e democrática, na qual as diferenças de raça não fossem
um obstáculo ao emprego e à mobilidade social” (“A Conspiração
Baiana de 1798”, Folha de S. Paulo, 26 julho 1998).
25 de Agosto – “O cerco aos conspiradores [baianos] suspeitos,
iniciado em 25 de agosto, continuou até fevereiro de 1799, à medida
341
que avançavam os interrogatórios, com a prisão de mais de 50
[cinquenta] pessoas” (Kenneth Maxwell, artigo citado).
– Dois anos após sua descoberta e produção, começa a ser aplicada no
Brasil a vacina antivariólica.
– Primeira vacinação efetuada no Rio de Janeiro por iniciativa e
direção do cirurgião Francisco Mendes Ribeirão.
– Criadas em Minas Gerais as vilas de Paracatu do Príncipe (Paracatu)
e Campanha da Princesa (Campanha).
– O compositor padre José Maurício Nunes Garcia torna-se mestre de
capela da Catedral e Sé do Rio de Janeiro, em que desempenha as
funções de organista, regente e compositor, além de professor de
música e responsável pelas composições apresentadas nas cerimônias
religiosas realizadas na Sé. Como professor por quase trinta anos tem,
entre seus alunos, Francisco Manuel da Silva, futuro compositor do
Hino Nacional, e Cândido Inácio da Silva, autor de modinhas.
– Editado o primeiro tomo de Viola de Lereno com letras das cantigas
de Domingos Caldas Barbosa, sendo publicado o segundo só em 1826.
– Carta régia, reiterando as leis pombalinas, abole o “diretório” dos
índios, sob o manto do qual ainda subsiste a escravidão indígena.
– Organizada pelo matemático e astrônomo mineiro Antônio Pires da
Silva Pontes a primeira planta cartográfica de todo o Brasil e de parte
da América do Sul.
– José Vieira Couto escreve a Memória Sobre a Capitania de Minas
Gerais, abrangendo território, clima e produção de metais.
342
1799
16 de Julho – D. João é intitulado príncipe-regente.
08 de Outubro – Nasce no Rio de Janeiro o futuro jornalista e
político Evaristo da Veiga.
08 de Novembro – Na praça da Piedade, em Salvador, são executados
por enforcamento, depois de procedida devassa, os líderes da
Conjuração Baiana ou Conspiração dos Alfaiates, Luís Gonzaga das
Virgens e Lucas Dantas (soldados) e João de Deus do Nascimento e
Manuel Faustino dos Santos (alfaiates), esquartejando-se depois seus
corpos e os pedaços expostos em postes erguidos nos locais mais
movimentados da cidade, sendo que no patíbulo são exibidas a cabeça
e as mãos de Luís Gonzaga, autor de boletins de propaganda do
movimento, sofrendo sete outros réus a pena de degredo perpétuo em
terras da África.
– fundado em Olinda/PE por Azeredo Coutinho o seminário de
Olinda.
– Publicado em Lisboa o livro Glaura, de Manuel Inácio da Silva
Alvarenga.
– Mantido em Salvador pelo cirurgião-mor José Xavier de Oliveira
Dantas curso de anatomia e cirurgia, ao qual, no entanto, mesmo
solicitada pelo governador baiano, é negada a prerrogativa de aula
régia.
– Continua a publicação em Lisboa da obra Marília de Dirceu, de
Tomás Antônio Gonzaga, com a vinda a lume de sua segunda parte.
– O Almanaque da Cidade do Rio de Janeiro desse ano indica a
existência de duas livrarias na cidade.
343
Pintores do Século – Nesse século, além dos pintores e escritores
individualmente destacados nesta obra, citam-se em Minas Gerais, em
Arte no Brasil, os nomes de Manuel Antônio da Fonseca, Silvestre de
Almeida Lopes, Manuel Rebelo e Sousa, Miguel Pereira de Carvalho,
Bernardo Pires da Silva, João Nepomuceno Correia e Castro (o mais
conhecido deles), Manuel Ribeiro da Rosa, Antônio Martins da
Silveira e João Batista Figueiredo (provavelmente o mestre de Manuel
da Costa Ataíde), Francisco Xavier Carneiro e Joaquim Gonçalves da
Rocha, estes dois últimos prosseguindo suas carreiras nas primeiras
décadas do século XIX, executando obras nas cidades hoje históricas
da então província.
344
Foto 1: Flora Fluminense/capa
Foto 2: Marília de Dirceu/capa
Foto 3: Glaura/capa
345
SUMÁRIO DA BIBLIOGRAFIA
E DOS ÍNDICES
BIBLIOGRAFIA
1. Livros
2. Livros Coletivos
3. Ensaios em Livros Coletivos
4. Artigos em Jornais, Revistas e Livros
ÍNDICE ONOMÁSTICO
Pessoas
ÍNDICE TEMÁTICO
1. Acidentes Naturais
2. Administração Pública
3. Artes e Ciências
4. Atividades Econômicas
5. Bandeiras e Expedições
6. Conjurações e Revoltas
7. Guerras Locais
8. Invasões Estrangeiras
9. Jesuítas e Padres
10. Medicina e Saúde
11. População
12. Diversos
346
BIBLIOGRAFIA
1. LIVROS
ABREU, Capistrano de – Capítulos de História Colonial. 7ª ed. Belo
Horizonte, editora Itatiaia/São Paulo, Publifolha 2.000.
BARBOSA, Alexandre de Sousa e Silvério José Bernardes – A
Estrada do Anhanguera. Uberaba, tipografia Jardim, 1911.
BARROSO, Gustavo – Nos Bastidores da História do Brasil. São
Paulo, edição Melhoramentos, s/d.
BASBAUM, Leôncio – História Sincera da República. 2ª ed. São
Paulo, edições LB, 1962.
COUTINHO, Afrânio e J. Galante de Sousa – Enciclopédia de
Literatura Brasileira. 2ª ed. São Paulo/Rio de Janeiro, editora
Global/Fundação Biblioteca Nacional/Academia Brasileira de
Letras, 2001.
CUNHA, Ernesto Sales – História da Odontologia no Brasil – 1500-
1900. 3ª ed. Rio de Janeiro, editora Científica, 1963.
DOURADO, Mecenas – A Conversão do Gentio. Rio de Janeiro,
Ediouro, 1968.
DUTRA, Valtensir e Fausto Cunha – Biografia Crítica das Letras
Mineiras. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1956.
FAORO, Raimundo − Os Donos do Poder. 10ª ed. São Paulo, editora
Globo/Publifolha, 2000.
347
FONSECA, Cláudia Damasceno – Arraiais e Vilas d’el Rei – Espaço
e Poder nas Minas Setecentistas. Belo Horizonte, editora da
UFMG, 2011.
FURTADO, Celso − Formação Econômica do Brasil. 27ª ed. São
Paulo, Companhia Editora Nacional/Publifolha, 2000.
GARCIA, Eugênio Vargas, organizador – Diplomacia Brasileira e
Política Externa – Documentos Históricos: 1493-2008. Rio de
Janeiro, editora Contraponto, 2008.
HOLLER, Marcos – Os Jesuítas e a Música no Brasil Colonial.
Campinas, editora da Unicamp, 2010.
KIEFER, Bruno – História da Música Brasileira – Dos Primórdios ao
Início do Século XX. 2ª ed. Porto Alegre, editora Movimento, 1977.
LIMA, José Inácio de Abreu e – Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da
História do Brasil. 2ª ed. Recife, Fundação de Cultura, 1983.
LIMA, Oliveira – Formação Histórica da Nacionalidade Brasileira.
3ª ed. Rio de Janeiro, Topbooks - São Paulo, Publifolha, 2000.
LOURENÇO, Luís Augusto Bustamante – A Oeste das Minas –
Escravos, Índios e Homens Livres Numa Fronteira Oitocentista:
Triângulo Mineiro – 1750-1861. Uberlândia, Universidade
Federal/Instituto de Geografia, 2002.
MARIZ, Vasco – História da Música no Brasil. 4ª ed. Rio de Janeiro,
editora Civilização Brasileira, 1994.
MARTINS, Tarcísio José – Quilombo do Campo Grande – A História
de Minas Roubada do Povo. São Paulo, edição de A Gazeta
Maçônica, 1995.
MARTINS JÚNIOR, J. Isidoro – História do Direito Nacional. 2ª ed.
Recife, Cooperativa Editora e de Cultura Intelectual, 1941.
348
MENESES, Raimundo de – Dicionário Literário Brasileiro. 2ª ed.
Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos, 1978.
MOOG, Viana − Bandeirantes e Pioneiros. 13ª ed. Rio de Janeiro,
Editora Civilização Brasileira, 1981.
MORAIS, Rubens Borba de e William Berrien – Manual
Bibliográfico de Estudos Brasileiros. Rio de Janeiro, gráfica
editora Sousa, 1949.
NARLOCH, Leandro − Guia Politicamente Incorreto da História do
Brasil. 2ª ed. São Paulo, Leia, 2011.
POMBO, Rocha – História do Brasil. 10ª ed. São Paulo, edições
Melhoramentos, 1961.
PONTES, Hildebrando de Araújo – História de Uberaba e a
Civilização no Brasil Central. Uberaba, Academia de Letras do
Triângulo Mineiro, 1970.
PRADO, J. F. de Almeida – Primeiros Povoadores do Brasil-1500-
1530. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1939.
SALES, Pedro – História da Medicina no Brasil. Belo Horizonte,
editora G. Holman, 1971.
SANTOS, Joaquim Felício dos – Memórias do Distrito Diamantino.
3ª ed. Rio de Janeiro, edições o Cruzeiro, 1956.
SCHWARCZ, Lília M. e STARLING, Heloísa M. − Brasil: Uma
Biografia. São Paulo, Companhia das Letras, 2015.
SODRÉ, Nélson Werneck – História da Imprensa no Brasil. 3ª ed.
São Paulo, Martins Fontes, 1983.
SOUSA, J. Galante de – O Teatro no Brasil, vol. I. Rio de Janeiro,
Instituto Nacional do Livro, 1960.
349
TEIXEIRA, Edelweiss – O Triângulo Mineiro nos Oitocentos.
Uberaba, Intergraf editora, 2001.
TELAROLLI JÚNIOR, Rodolfo – Epidemias no Brasil – Uma
Abordagem Biológica e Social. 2ª ed. São Paulo, editora Moderna,
2003.
WOLKMER, Antônio Carlos – História do Direito no Brasil. 3ª ed.
Rio de Janeiro, editora Forense, 2003.
2. LIVROS COLETIVOS
Arte no Brasil, vol. I. São Paulo, Abril Cultural, 1979.
Ciências no Brasil, As, organização de Fernando de Azevedo, vols. I e
II. São Paulo, edições Melhoramentos, s/d.
Enciclopédia Mirador Internacional, editor Antônio Houaiss. 20 vols.
São Paulo/Rio de Janeiro, Enciclopédia Britânica do Brasil
Publicações, 1980.
História Administrativa do Brasil, coordenação de Vicente Tapajós,
vols. I e II. Rio de Janeiro, Departamento Administrativo do
Serviço Público – DASP, 1956.
História Nova do Brasil, de Joel Rufino dos Santos, Maurício Martins
de Melo, Nélson Werneck Sodré, Pedro de Alcântara Figueira,
Pedro Uchoa Cavalcanti Neto e Rubem César Fernandes, vols. 1 e
4. São Paulo, editora Brasiliense, 1965.
Literatura no Brasil, A, organização de Afrânio Coutinho. 03 vols.
Rio de Janeiro, editora Sul Americana, 1955 a 1959.
Novo Dicionário de História do Brasil, organização do departamento
editorial das edições Melhoramentos, redação dos temas e
350
biografias por Brasil Bandecchi, Leonardo Arroio e Ubiratã Rosa.
2º ed. São Paulo, edições Melhoramentos, 1971.
3. ENSAIOS EM LIVROS COLETIVOS
AZEVEDO, Fernando de – “A Antropologia e a Sociologia no
Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. II.
AVELAR, Hélio de Alcântara – “Preliminares Europeias”, in História
Administrativa do Brasil, vol. I.
CASTELO, José Aderaldo – “O Movimento Academicista”, in A
Literatura no Brasil, organizada por Afrânio Coutinho, vol. I, tomo
1.
FERRAZ, Joaquim de Sampaio, “A Meteorologia no Brasil”, in As
Ciências no Brasil, vol. I.
FERRI, Mário Guimarães – “A Botânica no Brasil”, in As Ciências no
Brasil, vol. II.
LEITE, José Roberto Teixeira – “Período Nassau”, in Arte no Brasil,
vol. I.
LEMOS, Carlos A. C. e José Roberto Teixeira Leite – “O Estado do
Maranhão e Grão-Pará”, in Arte no Brasil, vol. I.
_______ “Rio de Janeiro, o Porto do Ouro”, idem, idem.
_______ “Na Terra dos Tropeiros”, idem, idem.
LEONARDOS, OTHON HENRY – “A Mineralogia e a Petrografia
no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. I.
MANUEL, Pedro – “Ataíde e a Pintura Mineira”, in Arte no Brasil,
vol. I.
351
MARTINS, Tales – “A Biologia no Brasil”, in As Ciências no Brasil,
vol. II.
MORAIS, Abraão de – “A Astronomia no Brasil”, in As Ciências no
Brasil, vol. I.
PEREIRA, José Veríssimo da Costa – “A Geografia no Brasil”, in As
Ciências no Brasil, vol. I.
PINTO, Olivério M. de Oliveira – “A Zoologia no Brasil”, in As
Ciências no Brasil, vol. II.
RHEINBOLDT, Heinrich – “A Química no Brasil”, in As Ciências no
Brasil, vol. II.
TAPAJÓS, Vicente – “Introdução Geral”, in História Administrativa
do Brasil, vol. I.
_______ “A Política Administrativa de d. João III”, in História
Administrativa do Brasil, vol. II.
TAUNAY, Alfredo d’Escragnolle - “A Administração Manuelina”, in
História Administrativa do Brasil, vol. I.
4. ARTIGOS EM JORNAIS,
REVISTAS E LIVROS
ALENCASTRO, Luís Filipe de – “Pensar o Descobrimento do
Brasil”, Folha de S. Paulo, 22 abril 2000.
_______ “Duas vezes Vieira”, Folha de S. Paulo, 08 janeiro 2012.
BIANCARELLI, Aureliano – “Arquivo Revela Que Zumbi Sabia
Latim”, Folha de S. Paulo, 12 novembro 1995.
BRANDÃO, J. – “Berço do Triângulo, Desemboque Chega ao Fim”,
Estado de Minas, Belo Horizonte, 25 fevereiro 1972.
352
BRANS, Isolde Helena – “Tiradentes na Europa”, Estado de Minas,
suplemento Pensar, Belo Horizonte, 15 dezembro 2001. _______
“Reencontro Necessário”, Estado de Minas, suplemento Pensar,
Belo Horizonte, 22 março 2003.
CAMPOFIORITO, Quirino – “Passado e Atualidade das Artes
Plásticas no Brasil”, Jornal de Letras nº 277, Rio de Janeiro,
novembro 1973.
CARVALHO, José Murilo de – “O Encobrimento do Brasil”, Folha
de S. Paulo, 03 outubro 1999.
CÉSAR, José Renato de Castro – “A Essência da Mineiridade”,
Estado de Minas, Belo Horizonte, 12 abril 2003.
FELINTO, Marilene – “Líder Zumbi Pecou Pelo Radicalismo”, Folha
de S. Paulo, 12 novembro 1995.
FARACO, Sérgio – “Autos da Devassa: Uma Crítica de Veracidade”,
Leitura, órgão do Diário Oficial do Estado, nº 73, São Paulo, junho
1988.
FREITAS, Décio – “Vida e Morte de Zumbi dos Palmares”, Leitura,
órgão cultural da imprensa oficial do Estado de São Paulo, 06
janeiro 1988.
IGLÉSIAS, Francisco – “Corrupção Salvou os Inconfidentes”,
entrevista à Folha de S. Paulo, 29 maio 1994.
LANGE, Francisco Curt – “A Música em Minas Gerais no Século
XVIII”, Suplemento Literário do Minas Gerais, ano VIII, nº 356,
Belo Horizonte, 23 junho 1973.
_______ “Os Músicos Mulatos”, Suplemento Literário do Minas
Gerais, ano VIII, nº 355, Belo Horizonte, 16 junho 1973.
353
MAXWELL, Kenneth – “A Conspiração Baiana de 1798”, Folha de
S. Paulo, 26 julho 1998.
PERRIN, Dimas – “A Prisão de Tiradentes”, Minas Gerais, órgão
oficial do Estado, Belo Horizonte, 19 abril 2002.
RESENDE, Maria Efigênia Laje de – “Leituras e Releituras da
Inconfidência Mineira”, Suplemento Literário do Minas Gerais nº
1.125, Belo Horizonte, 01 julho 1989.
354
Í N D I C E
ONOMÁSTICO
Ao contrário do que normalmente
acontece, os presentes Índices Onomástico e
Temático não são (nem pretendem ser)
completos. Apenas, contemplam,
seletivamente, pessoas, fatos e assuntos
relevantes da História do Brasil,
propiciando-lhes acesso direto, e, referente
aos temas, abrangendo em verbetes
genéricos (indígenas, por exemplo) sua
incidência e variabilidade no tempo e no
espaço.
Com o objetivo de racionalizar e
sistematizar a ampla temática ocorrente,
procedeu-se a reunião dos assuntos de
conformidade com sua natureza, ordenando
e orientando a consulta.
355
PESSOAS
A
AIRES, MATIAS - 1752
ALBUQUERQUE, JERÔNIMO DE -
1614, 1615, 1619, 1625
ALBUQUERQUE, MATIAS DE -
1624, 1630, 1632, 1635, 1636,
1662
ALEIJADINHO - (VER LISBOA,
ANTÔNIO FRANCISCO)
ALENCAR, JOSÉ DE - 1611
ALPOIM, JOSÉ FERNANDES
PINTO - 1738, 1744, 1748,
1759
ALVARENGA, MANUEL INÁCIO DA
SILVA – 1749, 1786, 1794,
1799
ANCHIETA, PADRE JOSÉ DE -
1504, 1534, 1553, 1554, 1560,
1562, 1563, 1565, 1567, 1569,
1575, 1578, 1582, 1583, 1586,
1595, 1597, 1737
ANDRADA, JOSÉ BONIFÁCIO DE -
(VER SILVA, JOSÉ
BONIFÁCIO DE ANDRADA
E)
ANHANGUERA - (VER SILVA,
BARTOLOMEU BUENO DA)
ANHANGUERA 2º - (VER SILVA
FILHO, BARTOLOMEU
BUENO DA)
ANTONIL, ANDRÉ JOÃO - 1711
ATAÍDE, MANUEL DA COSTA -
1762, 1799
B
BARBOSA, DOMINGOS CALDAS -
1775, 1798
BECKMAN, MANUEL - 1684, 1685
BONIFÁCIO, JOSÉ - (VER SILVA,
JOSÉ BONIFÁCIO DE
ANDRADA E)
BRANCO, BARÃO DO RIO - 1691,
1701
BRANT, FELISBERTO CALDEIRA -
1747, 1752, 1753, 1755
BUENO DA RIBEIRA, AMADOR -
1641
BUENO DA VEIGA, AMADOR -
1709
C
CABRAL, PEDRO ÁLVARES - 1469,
1498, 1500, 1521, 1527, 1530,
1532, 1550
CALADO, FREI MANUEL - 1648
CAMARÃO, FILIPE - 1645, 1648
CAMINHA, PERO VAZ DE - 1500,
1550
CAMÕES, LUÍS VAZ DE - 1498,
1525, 1530, 1556, 1498, 1560,
1569, 1572, 1576, 1580
CAMPOS FILHO, PIRES DE - 1742,
1748, 1749
356
CANANEIA, BACHAREL DE - 1527,
1531
CARAMURU (DIOGO ÁLVARES
CORREIA) - 1510, 1531, 1574
CARDIM, PADRE FERNÃO - 1549,
1585, 1599, 1625
CARVAJAL, FREI GASPAR DE -
1540
CASAL, AIRES DE - 1587
COELHO, DUARTE - 1534, 1539,
1542, 1546, 1548, 1549, 1550
COLOMBO, CRISTÓVÃO - 1451,
1476, 1492, 1493, 1498, 1502,
1506
CONDAMINE, CHARLES MARIE
DE LA – 1691, 1736, 1743,
1745
COSTA, CLÁUDIO MANUEL DA -
1729, 1768, 1789
COSTA, DUARTE DA - 1553, 1554
CUBAS, BRÁS - 1540, 1543
D
DEBRET, JEAN-BAPTISTE - 1768
DIAS, HENRIQUE - 1637, 1645,
1648, 1662
DURÃO, FREI JOSÉ DE SANTA
RITA - 1722, 1781
E
ECKHOUT, ALBERT - 1637
ESCHWEGE, BARÃO DE - 1742
ESTANCEL, PADRE VALENTIM -
1663, 1672, 1683, 1685, 1705
F
FERREIRA, ALEXANDRE RODRIGUES -
1783, 1792
FREIRE, FRANCISCO DE BRITO -
1653, 1655, 1675
G
GAMA, JOSÉ BASÍLIO DA - 1756,
1760, 1769, 1795
GAMA, VASCO DA - 1497, 1499,
1500, 1524, 1532
GANDAVO, PERO DE MAGALHÃES -
1576
GARCIA, PADRE JOSÉ MAURÍCIO
NUNES - 1767, 1774, 1784,
1792, 1798
GATO, MANUEL BORBA - 1628,
1700
GINGA, RAINHA - 1645, 1648
GONZAGA, TOMÁS ANTÔNIO -
1744, 1752, 1782, 1789, 1792,
1799
GUSMÃO, PADRE ALEXANDRE DE -
(TIO DO HOMÔNIMO) -
1644, 1678, 1682, 1687
GUSMÃO, ALEXANDRE DE
(DIPLOMATA, SOBRINHO
DO PADRE HOMÔNIMO E
IRMÃO DO INVENTOR
BARTOLOMEU LOURENÇO DE
GUSMÃO) - 1749, 1750, 1753
GUSMÃO, PADRE BARTOLOMEU
LOURENÇO DE (PADRE
VOADOR) - 1644, 1678,
1682, 1685, 1687, 1709, 1710,
1719, 1753
357
H
HALLEY, EDMOND - 1699, 1700
HENRIQUE, DOM, O NAVEGADOR -
1394, 1415, 1420, 1443, 1460
HORTA, TERESA MARGARIDA
DA SILVA E - 1752
J
JEFFERSON, THOMAS - 1786,
1787, 1790
JOÃO, MESTRE - 1500, 1550
JOÃO VI, DOM - 1745, 1767, 1773,
1777, 1778, 1792, 1799
JOSÉ I, DOM - 1750, 1752, 1753,
1755, 1777, 1783
L
LANGE, CURT - 1746, 1759, 1787,
1789
LÉRY, JEAN DE - 1557, 1578
LIMA, PADRE JOSÉ INÁCIO
RIBEIRO DE ABREU E
(PADRE ROMA) - 1768
LISBOA, ANTÔNIO FRANCISCO
(O ALEIJADINHO) - 1726,
1730, 1762
LOIOLA, INÁCIO DE - 1534, 1537,
1540, 1556
M
MANUEL I, DOM (O
VENTUROSO) - 1385, 1469,
1495, 1498, 1500, 1503, 1521,
1580
MARCGRAF OU MARCGRAVE,
GEORG - 1638, 1644, 1647,
1648, 1658
MARIA I, DONA - 1777, 1778, 1785, 1787,
1792
MARICÁ, MARQUÊS DE (MARIANO
JOSÉ PEREIRA DA FONSECA) -
1794, 1797
MATOS, EUSÉBIO DE (IRMÃO DE
GREGÓRIO DE MATOS) -
1629
MATOS, GREGÓRIO DE - 1629,
1633
MAURÍCIO, PADRE JOSÉ - (VER
GARCIA, PADRE JOSÉ
MAURÍCIO NUNES)
MESQUITA, JOSÉ JOAQUIM EMERICO
LOBODE - 1746, 1783, 1787
N
NASSAU, MAURÍCIO DE - 1637,
1638, 1640, 1641, 1644, 1647
NEGREIROS, ANDRÉ VIDAL DE -
1645, 1648, 1654, 1655, 1657,
1661, 1680
NÓBREGA, PADRE MANUEL DA -
1500, 1517, 1544, 1549, 1552,
1553, 1554, 1557 a 1559, 1563,
1565, 1570
O
OLIVEIRA, MANUEL BOTELHO DE -
1705
ORELLANA, FRANCISCO DE - 1540
P
PAIS, FERNÃO DIAS - 1628, 1674
358
PEDRO I, DOM - 1731, 1792
PEIXOTO, INÁCIO JOSÉ DE
ALVARENGA - 1748, 1776,
1789, 1792, 1793
PEREIRA, NUNO MARQUES
(AUTOR DE PEREGRINO
DA AMÉRICA) - 1728
PFEIL, ALUÍSIO CONRADO - 1679,
1684, 1701
PICANÇO, JOSÉ CORREIA - 1745
PISO, WILLEM - 1638, 1644, 1648,
1658
PITA, SEBASTIÃO DA ROCHA -
(AUTOR DA HISTÓRIA DA
AMÉRICA PORTUGUESA) -
1724, 1730
POMBAL, MARQUÊS DE (SEBASTIÃO
JOSÉ DE CARVALHO E MELO) -
1653, 1750, 1751, 1753, 1755,
1759, 1761, 1768, 1775, 1777
POST, FRANZ - 1637, 1647
R
RAMALHO, JOÃO - 1532
RAVASCO, BERNARDO VIEIRA
(IRMÃO DO PADRE VIEIRA) -
1617
ROMA, PADRE - (VER LIMA,
PADRE JOSÉ INÁCIO
RIBEIRO DE ABREU E)
S
SÁ, ESTÁCIO DE - 1563 a 1565,
1567
SÁ, MEM DE - 1556 a 1558, 1560,
1563, 1566, 1567, 1570, 1572
SALVADOR, FREI VICENTE DO -
1549, 1564, 1587, 1627
SEBASTIÃO, DOM - 1385, 1557,
1568, 1570, 1572, 1578, 1580
SILVA, ANTÔNIO JOSÉ DA (O
JUDEU) - 1739, 1763
SILVA, BARTOLOMEU BUENO
DA (ANHANGUERA) - 1682,
1730
SILVA, FRANCISCO MANUEL DA -
1795, 1798
SILVA, JOSÉ BONIFÁCIO DE
ANDRADA E - 1763
SILVA FILHO, BARTOLOMEU
BUENO DA (ANHANGUERA
2º) - 1682, 1722, 1725, 1726,
1736
SOUSA, GABRIEL SOARES DE -
1587, 1592
SOUSA, MARTIM AFONSO DE -
1530 a 1534, 1544, 1549, 1777
SOUSA, TOMÉ DE - 1548, 1549,
1551 a 1553, 1556, 1557
STADEN, HANS - 1547, 1550, 1557
T
TAQUES, LOURENÇO CASTANHO -
1675
TAQUES, PEDRO - 1722, 1755,
1772, 1777
TAVARES, ANTÔNIO RAPOSO -
1628, 1636, 1648, 1653, 1749
TEIXEIRA, BENTO - 1567, 1593,
1601
359
TEIXEIRA, PEDRO - 1615, 1616,
1625, 1629, 1631, 1632, 1636,
1637, 1639, 1641, 1664
TIRADENTES - (VER XAVIER,
JOAQUIM JOSÉ DA SILVA)
V
VEIGA, EVARISTO DA - 1799
VELHO, DOMINGOS JORGE - 1687
VESPÚCIO, AMÉRICO - 1499,
1501, 1503, 1507, 1512, 1531
VIEIRA, PADRE ANTÔNIO - 1608,
1614, 1617, 1638, 1646, 1649,
1655, 1661, 1665, 1681, 1684,
1697
VILLEGAIGNON, ALMIRANTE
NÍCOLAS DURAND DE -
1555
X
XAVIER, JOAQUIM JOSÉ DA SILVA -
1746, 1787, 1788, 1792
XAVIER, SÃO FRANCISCO - 1534,
1556, 1620, 1668
Z
ZUMBA, GANGA - 1678, 1685
ZUMBI - 1678, 1679, 1685, 1695
360
ÍNDICE TEMÁTICO
1- ACIDENTES NATURAIS
SECAS - 1728, 1732
TEMPERATURA - 1754
TEMPESTADES EM SALVADOR -
1548, 1721, 1724, 1748, 1797
TERREMOTO DE LISBOA - 1755
TREMORES DE TERRA EM
SALVADOR - 1724, 1769
2- ADMINISTRAÇÃOPÚBLICA
CÂMARAS MUNICIPAIS - 1549,
1556, 1603, 1640, 1661, 1684,
1688, 1710, 1711, 1713, 1715,
1717, 1718, 1729, 1735, 1742,
1746, 1748
CAPITANIA DE GOIÁS - 1748, 1749
CAPITANIA DE MATO GROSSO -
1748
CAPITANIA DE MINAS GERAIS -
1720
CAPITANIA DE SANTA CATARINA E
DO RIO GRANDE DE SÃO
PEDRO - 1738
CAPITANIA DE SÃO PAULO E
MINAS DO OURO - 1709,
1717, 1720
CAPITANIA DO GRÃO-PARÁ
(PARÁ E RIO NEGRO) -
1652, 1654, 1772
CAPITANIA DO MARANHÃO
(MARANHÃO E PIAUÍ) -
1535, 1652, 1654, 1772
CAPITANIA DO RIO GRANDE DE
SÃO PEDRO - 1760
CAPITANIAS - 1511, 1521, 1526,
1532, 1534 a 1536, 1539, 1548,
1549, 1553, 1556, 1557, 1621,
1634, 1652, 1654, 1683, 1708,
1716, 1718, 1738, 1748, 1750,
1753, 1761, 1772, 1791
COLÔNIA DE SACRAMENTO -
1680, 1681, 1703, 1705, 1715,
1716, 1735, 1750, 1762, 1763,
1777
DESEMBOQUE - 1760, 1762, 1764,
1766, 1797
DOMÍNIO ESPANHOL - 1580,
1640, 1668
ESTADO DO GRÃO-PARÁ E DO
MARANHÃO - 1737, 1772
ESTADO DO MARANHÃO
(ABRANGENDO AS CAPITANIAS DO
CEARÁ, PIAUÍ, MARANHÃO E GRÃO-
PARÁ) - 1621, 1626, 1637,
361
1644, 1655, 1657, 1678, 1684,
1685, 1751, 1755, 1759
FEITORIAS - 1503, 1511, 1521, 1526
FORÇAS ARMADAS - 1645, 1767,
1783
FRONTEIRAS E LIMITES - 1681,
1691, 1700, 1701, 1714, 1729,
1750, 1753, 1755, 1759, 1765,
1777, 1781
FUNDAÇÃO DE BELÉM - 1616
FUNDAÇÃO DE FORTALEZA - 1611
FUNDAÇÃO DE LAGUNA - 1676
FUNDAÇÃO DE MANAUS - 1669
FUNDAÇÃO DE MARIANA - 1696
FUNDAÇÃO DE NATAL - 1599
FUNDAÇÃO DE OURO PRETO -
1698
FUNDAÇÃO DE PARANAGUÁ -
1647
FUNDAÇÃO DE PORTO ALEGRE -
1737
FUNDAÇÃO DE SALVADOR - 1549
FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO - 1554
FUNDAÇÃO DE VILA BOA DE
GOIÁS - 1725
GOVERNADORES-GERAIS - 1530 a
1533, 1544, 1548, 1549, 1553 a
1559, 1566, 1567, 1570, 1572,
a 1575, 1577, 1578, 1580,
1583, 1587, 1591, 1602, 1608,
1609, 1611, 1612, 1614, 1617,
1621, 1624, 1626, 1627, 1635,
1639, 1640 a 1642, 1647,
1650, 1654, 1657, 1660, 1663,
1667, 1669, 1671, 1675, 1677,
1678, 1682, 1684, 1687, 1688,
1690, 1694, 1696, 1702, 1705,
1710, 1711
GOVERNADORES PROVINCIAIS -
1621, 1626, 1637, 1640, 1645,
1646, 1648, 1654, 1655, 1657,
1660, 1661, 1666, 1675, 1677,
1678, 1680, 1684, 1685, 1687,
1695, 1706 a 1711, 1713, 1715
a 1717, 1720 a 1722, 1734,
1736, 1738, 1739, 1741 a 1743,
1746, 1748, 1749, 1750 a 1753,
1756 a 1759, 1762 a 1766,
1768, 1769, 1772, 1773, 1775,
1777, 1781, 1783, 1788, 1789,
1793, 1795, 1797, 1799
JUDICIÁRIO - 1548, 1549, 1564,
1578, 1587, 1604, 1609, 1624,
1626, 1628, 1630, 1644, 1652,
1677, 1699, 1751, 1759, 1765,
1769, 1772
MESA DA CONSCIÊNCIA E
ORDENS - 1532, 1548, 1551,
1606
ORDENAÇÕES - 1446, 1521, 1569,
1576, 1603, 1678
PICADA DE GOIÁS - 1722, 1736
PITANGUI - 1710, 1713 a 1715, 1717 a
1720, 1787
PROVÍNCIA DE SÃO JOSÉ DE
JAVARI OU RIO NEGRO -
1757
SERVIÇO POSTAL - 1663
362
SESMARIAS - 1795, 1796, 1797
SETE POVOS DAS MISSÕES - 1750,
1753, 1756, 1795
TRATADOS - 1494, 1479, 1609,
1640, 1668, 1681, 1700, 1701,
1705, 1715, 1749, 1750, 1753,
1756, 1761, 1763, 1777, 1778,
1781
VICE-REIS - 1640, 1641, 1663, 1678,
1702, 1714, 1718, 1719, 1720,
1724, 1729, 1735, 1749, 1750,
1754, 1755, 1760, 1763, 1765,
1767, 1769, 1771, 1778, 1782,
1784, 1786, 1790, 1793, 1794
3- ARTES E CIÊNCIAS
ACADEMIAS CIENTÍFICAS - 1771,
1772, 1779, 1786
ACADEMIAS DE LETRAS - 1724,
1725, 1736, 1740, 1752, 1754,
1759, 1760, 1761, 1768, 1786,
1790, 1794, 1795, 1796, 1797
ARQUITETURA - 1591, 1598, 1602,
1623, 1738, 1750
ARTES PLÁSTICAS - 1591, 1706,
1762, 1764, 1765, 1768, 1777,
1781, 1792, 1799
ASTRONOMIA - 1420, 1500, 1638,
1663, 1672, 1683, 1685, 1698,
1699, 1705, 1729, 1743, 1752,
1759, 1760, 1781, 1788, 1797
CERÂMICA - 1661
ENSINO - 1599, 1600, 1671, 1679,
1745, 1774, 1776, 1782, 1784
ESCULTURA - 1726
FILMES - 1549, 1550
LITERATURA - 1500, 1530, 1560,
1563, 1567, 1572, 1593, 1597,
1601, 1682, 1687, 1697, 1705,
1724, 1725, 1728, 1737, 1748,
1752, 1759, 1761, 1768, 1769,
1775, 1781, 1792, 1795, 1799
LIVRARIAS - 1792, 1799
LIVROS E MAPAS - 1350, 1351,
1507, 1530, 1540, 1549, 1550,
1551, 1557 a 1559, 1560, 1564,
1570, 1576, 1578, 1579, 1587,
1592, 1595, 1599, 1614, 1615,
1618, 1621, 1624, 1625, 1627,
1637, 1638, 1640, 1641, 1647,
1648, 1651, 1655, 1658, 1659,
1663, 1675, 1683, 1684, 1691,
1694, 1699, 1701, 1705, 1706,
1710, 1711, 1714, 1720, 1730,
1734, 1735, 1737, 1745, 1748,
1749, 1750, 1754, 1757, 1759,
1761, 1763, 1764, 1768, 1771,
1772, 1775, 1777, 1779, 1783,
1785, 1788 a 1790, 1792, 1793,
1795, 1797, 1798
MÚSICA - 1551, 1557, 1559, 1564,
1600, 1610, 1645, 1685, 1699,
1736, 1740, 1745, 1746, 1750,
1752, 1753, 1759, 1760, 1763,
1767, 1769, 1772 a 1774, 1776,
363
1780, 1783, 1784, 1787, 1789,
1790, 1792, 1794, 1795, 1798
QUÍMICA - 1587, 1787, 1788
TEATRO - 1564, 1567, 1573 a 1575,
1578, 1581, 1585, 1586, 1620,
1626, 1641, 1646, 1677, 1678,
1688, 1711, 1717, 1726, 1729,
1734, 1750 1771, 1773, 1780,
1788, 1789, 1790, 1794
4- ATIVIDADESECONÔMICAS
AÇÚCAR - 1509, 1516, 1532, 1559,
1624, 1629, 1641, 1661, 1701,
1711, 1761
ALGODÃO - 1760, 1778
CAFÉ - 1727, 1750, 1760
COMÉRCIO (PROIBIÇÕES) - 1606,
1661, 1662, 1680, 1684, 1711,
1721, 1785, 1795
COMÉRCIO EM GERAL - 1446,
1500, 1511, 1532, 1557, 1567,
1641, 1668
COMPANHIAS DE COMÉRCIO - 1649,
1650, 1653, 1655, 1682, 1755,
1759, 1760, 1778, 1780
DIAMANTE - 1723, 1734, 1735,
1739, 1743, 1747, 1751, 1753,
1759, 1760, 1761, 1768, 1771,
1772, 1775, 1784, 1785, 1787,
1791
GADO - 1534, 1549, 1572, 1687,
1701, 1721
INDÚSTRIA - 1629, 1705, 1718,
1766, 1771, 1785
MINERAÇÃO - 1617, 1677, 1731,
1734, 1760
OURO - 1500, 1531, 1553, 1572,
1590, 1592, 1618, 1624, 1675,
1703, 1710, 1712 a 1714, 1716 a
1720, 1722, 1728, 1730, 1731,
1733, 1734, 1735, 1751, 1753,
1760, 1766, 1788
PAU-BRASIL - 1502, 1504, 1511,
1532, 1624, 1629
SAL - 1661, 1691, 1759
TIPOGRAFIAS - 1706, 1746
5- BANDEIRASEEXPEDIÇÕES
ENTRADAS E BANDEIRAS - 1503,
1531, 1553, 1572, 1586, 1590,
1596, 1600, 1602, 1603, 1611,
1628, 1629, 1635, 1636, 1648,
1658, 1663, 1664, 1672, 1674 a
1676, 1696, 1698, 1700, 1718,
1721, 1722, 1726, 1768, 1797
EXPEDIÇÕES EXPLORATÓRIAS -
1500 a 1503, 1511, 1530 a
1532, 1540, 1549, 1553, 1560,
1574, 1592, 1611, 1615, 1636,
1637, 1639, 1647, 1658, 1659,
1664, 1680, 1698, 1701, 1743,
1745, 1749, 1750, 1759, 1772,
1781, 1783, 1792
VIAGEM FILOSÓFICA - 1783, 1792
364
6- CONJURAÇÕESEREVOLTAS
CONJURAÇÃO BAIANA (REVOLTA
DOS ALFAIATES) - 1798,
1799
CONJURAÇÃO FLUMINENSE -
1794, 1795, 1796, 1797
CONJURAÇÃO MINEIRA - 1786 a
1793
QUILOMBOS - 1644, 1654, 1674,
1675, 1677, 1678, 1679, 1682,
1684, 1686, 1687, 1695, 1741,
1743, 1746, 1759, 1768
REVOLTA DE FILIPE DOS SANTOS -
1720
REVOLTA DE PITANGUI - 1719,
1720
REVOLTA EM OLINDA - 1710, 1711
REVOLTA EM SALVADOR - 1728
REVOLUÇÃO FRANCESA - 1789,
1792, 1793, 1794
7- GUERRAS LOCAIS
GUERRA DE CORSO E DE MORTE -
1666, 1708, 1713
GUERRA DO CAJU (CEARÁ) - 1721
GUERRA DOS BÁRBAROS - 1683,
1713
GUERRA DOS EMBOABAS - 1707,
1708, 1709
GUERRA DOS MASCATES - 1707,
1710, 1711, 1715
GUERRA LIVRE - 1713
8-INVASÕESESTRANGEIRAS
BRITÂNICOS E HOLANDESES NA
AMAZÔNIA - 1622, 1625,
1629, 1631, 1632
FRANCESES NO RIO DE JANEIRO
E MARANHÃO - 1504, 1526,
1555, 1560, 1563 a 1567, 1578,
1586, 1594, 1597, 1612, 1614,
1615
INVASÕES E INCURSÕES
ESTRANGEIRAS - 1504,
1526, 1555, 1560, 1563 a 1567,
1578, 1586, 1594, 1597, 1612,
1614 a 1616, 1622 a 1627,
1629, 1630, 1631, 1641 a 1643,
1645 a 1649, 1700, 1710, 1711,
1724, 1776, 1777, 1781
HOLANDESES EM PERNAMBUCO -
1629, 1630 a 1638, 1640, 1644
a 1649, 1650, 1652, 1653,
1654, 1656, 1661
HOLANDESES NA BAHIA - 1623,
1624, 1625, 1626, 1627
HOLANDESES NO MARANHÃO -
1641, 1642, 1643
PIRATARIA - 1583, 1590, 1591,
1592, 1595, 1599, 1604, 1609,
1614
9- JESUÍTAS E PADRES
COMPANHIA DE JESUS - 1529,
1534, 1537, 1539, 1540, 1549,
365
1550, 1553, 1554, 1556, 1559,
1562, 1572 a 1575, 1599, 1600,
1612, 1620, 1628, 1640, 1654,
1655, 1661, 1678, 1684, 1686,
1729, 1759, 1761, 1765, 1773,
1785
HOSTILIDADES A PADRES - 1575,
1598, 1629, 1637, 1640, 1643,
1658, 1661, 1684, 1697
REDUÇÕES (MISSÕES) JESUÍTICAS -
1588, 1600, 1611, 1628, 1635,
1636, 1639, 1641, 1648, 1651
SANTO OFÍCIO (INQUISIÇÃO) - 1576,
1591, 1593, 1618, 1637, 1648,
1665, 1789
10- MEDICINA E SAÚDE
DOENÇAS E EPIDEMIAS - 1552, 1559,
1562, 1565, 1587, 1640, 1666,
1685, 1686, 1694, 1713, 1715,
1732, 1741, 1776, 1798
MEDICINA - 1392, 1549, 1553, 1557,
1597, 1608, 1629, 1631, 1648,
1677, 1683, 1735, 1739, 1743 a
1745, 1765, 1766, 1768, 1771, 1774,
1776, 1782, 1789, 1790, 1793,
1798, 1799
ODONTOLOGIA - 1629, 1631, 1746,
1750, 1792
SANTAS CASAS - 1540, 1543, 1549,
1557, 1582
11- POPULAÇÃO
CIGANOS -1618, 1718
ESCRAVIDÃO - 1442 a 1444, 1454, 1511,
1516, 1527, 1537, 1540, 1545,
1559, 1562, 1574, 1587, 1610,
1641, 1644, 1654, 1674, 1697,
1705, 1750, 1755, 1757, 1764,
1789, 1795, 1798
IMIGRAÇÃO - 1667, 1674, 1694, 1709,
1711, 1720, 1723
INDÍGENAS - 1500, 1511, 1527, 1529,
1531, 1537, 1548, 1549, 1550, 1551,
1553, 1557 a 1559, 1562, 1563,
1567, 1574, 1575, 1586 a 1589,
1590, 1597, 1600, 1603, 1605,
1609, 1611, 1619, 1693, 1643,
1645, 1647, 1651, 1653, 1655,
1663, 1666, 1671
12- DIVERSOS
CASADATORRE-1549
FÁBRICA DE MOEDAS FALSAS - 1730,
1731
FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA
EMANGOLA-1645, 1646, 1660
IRMANDADE DE N.S. DO ROSÁRIO
DOS HOMENS PRETOS -1711
MAÇONARIA-1790
366
O presente livro teve sua digitação em
computador PC – Pentium® Dual-
Core 2.50 GHz − procedida em anos
anteriores, sendo publicado neste blog
no quarto trimestre de 2017, em
Uberaba/Brasil.

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Brasil: Cinco Séculos de História vol. 1 - Parte 2

  • 1. 213 SÉCULO XVIII Entradas e Bandeiras – Guerra dos Mascates –Emboabas – O Padre Voador – Capitania de São Paulo e Minas do Ouro – Corsários Franceses – Guerra Livre e Trucidação de Indígenas – Vice-Reinado do Brasil – Tratado de Utrecht – Insurreição em Vila Rica – Redivisão Territorial do Brasil – Novas Capitanias – Distrito Diamantino – Picada de Goiás – Antônio José da Silva, o Judeu – Expedição de La Condamine – Tratado de Madri – Era Pombalina – Guerra Guaranítica – Terremoto de Lisboa – Expulsão dos Jesuítas – Quilombos do Brasil Central – Movimento Centrífugo da População Mineira – Tratados de el Pardo, Paris e Santo Ildefonso – Nova Capital da Colônia – “Viagem Filosófica” à Amazônia – Proibição de Indústrias na Colônia – Conjurações Mineira, Fluminense e Baiana – Primeiras Associações Literárias – Encenações Teatrais – Artes Plásticas e Musicais Década de 1700 1700 Março - Tratado provisional entre Portugal e França dirime as controvérsias em torno dos limites fronteiriços entre o Brasil e a Guiana Francesa.
  • 2. 214 15 de Abril – A Companhia Inglesa da Guiné, pretendendo estabelecer estação marítima, procede a ocupação da ilha da Trindade pelo capitão Edmond Halley, alegando estar abandonada. – No contexto da guerra, no Ceará, entre as famílias Montes e Feitosas, os índios jucás, que apoiam os Montes, chacinam os quixelôs, aldeados em São Mateus, partidários dos Feitosas. – Entre as inumeráveis entradas e bandeiras que a esse tempo incursionam pelo interior brasileiro, salienta-se, entre outras, a organizada por Manuel Borba Gato, que encontra minas na região de Sabará, em Minas Gerais. – “Deslumbrados ante a abundância do metal precioso que faiscava por todo lado e na sofreguidão de sempre buscar novos filões, os mineiros esqueceram-se do principal: ouro não se come. Foi um desastre. Entre 1697 e 1698, 1700 e 1701, e em 1713, sem plantar roçados de mandioca, feijão, abóbora e milho suficientes para o número de pessoas que continuava afluindo à Minas, os moradores de Minas morriam de fome com as mãos cheias de ouro, cravou, uma vez mais, padre Antonil. Para escapar da fome, os mineiros aprenderam ligeiro a engolir qualquer coisa: cães, gatos, ratos, raízes de paus, insetos, cobras e lagartos. Devoravam, inclusive, o perigoso bicho-de- taquara − larva branca, roliça e comprida que se encontra no interior dos bambus” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling. Brasil: Uma Biografia, 2015, p. 115). 1701 Agosto – Falece, no mar dos Açores, o cientista jesuíta Aluísio Conrado Pfeil, que além de mapas do norte do Brasil, efetua várias
  • 3. 215 “explorações geográficas na capitania do cabo Norte, com a finalidade de determinar os limites das terras de Portugal com as da Espanha e da França” (Abraão de Morais, “A Astronomia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. I, p. 103), escrevendo sobre o assunto dois ensaios que serão utilizados pelo Barão do Rio Branco na questão de limites do Brasil no Amapá. – Celebrado o Tratado de Aliança entre Portugal e a França, referendando tratado efetuado entre ambos os países no ano anterior, fixando as fronteiras entre o Amapá e a Guiana Francesa. – Em atendimento aos reclamos dos proprietários de engenho pelos estragos que o gado fazia nos canaviais, é expedida carta régia proibindo o estabelecimento de fazendas de criação no litoral brasileiro numa faixa de dez léguas da costa. 1702 03 de Julho – Rodrigo da Costa assume a governadoria-geral do Brasil, sucedendo-o mais três governadores até a instituição do vice- reinado do Brasil, ocorrida em 1714 e que perdura até 1808. 1703 – Nada menos de 4.350 (quatro mil trezentos e cinquenta) quilos de ouro brasileiro são remetidos, no ano, para Portugal, ultrapassando todo o ouro obtido pela Metrópole Portuguesa nas regiões africanas de Mina e Guiné. “Os Estados Unidos descobrem e exploram o seu ouro
  • 4. 216 em benefício próprio, quando já se haviam emancipado da Inglaterra, ao passo que o ouro brasileiro, além de quase desmontar a nossa incipiente formação agrícola, é carreado, às arrobas e às toneladas, para Portugal” (Viana Moog. Bandeirantes e Pioneiros. 13ª ed. Rio de Janeiro, editora Civilização Brasileira, 1981, p. 166). – Em decorrência da guerra entre Portugal e Espanha, o governador de Buenos Aires cerca durante seis meses a colônia portuguesa existente na costa uruguaia em frente a Buenos Aires, conhecida como colônia do Sacramento, e a ocupa, obrigando sua guarnição ir para o Rio de Janeiro. 1705 08 de Setembro – Ao encerrar o mandato de governador-geral do Brasil por ter sido nomeado vice-rei para a Índia e dar posse a Luís César de Meneses, seu sucessor, Rodrigo da Costa, entre outras medidas, ultima fábrica de salitre, organiza a de pólvora, reforma e amplia as fortificações existentes em Salvador e na ilha de Itaparica. 19 de Dezembro – Falece o cientista jesuíta Valentim Estancel, chegado ao Brasil em 1663, aqui continuando seus estudos astronômicos e elaborando várias obras científicas, todas escritas em latim e algumas delas comentadas por Leipzig em seu Acta Eruditorum, tendo também “referência a uma de suas observações, feita por Newton nos Principia Mattematica” (Abraão de Morais, op. cit., vol. I, p. 99).
  • 5. 217 – Conquanto no Tratado entre Portugal e Espanha se reafirme e se confirme o direito do primeiro à área da colônia de Sacramento, este a perde para os espanhóis de Buenos Aires. – Conforme a Mirador (vol. IV, p. 1.588), Luís César de Meneses passa a ocupar o cargo de governador-geral da colônia, enquanto o Novo Dicionário indica, para o fato, a data de 8 de setembro de 1708. – Publicada em Roma a obra Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos, do padre jesuíta Jorge Benci, reeditada no Brasil em 1954 e 1977. – Publicado em Lisboa volume de versos de autoria de Manuel Botelho de Oliveira, sob o título, ora encurtado, de Música do Parnaso. 1706 – Instala-se em Recife, sob os auspícios do governador, pequena tipografia para impressão de letras de câmbio e orações devotas. 08 de Junho – Carta régia, porém, proíbe a impressão de livros e papéis avulsos, fechando-se a tipografia. – Com o início comprovado no Rio de Janeiro nesse ano das atividades do pintor Caetano da Costa Coelho, forma-se, com o correr do século, o que se denomina Escola Fluminense de Pintura, composta ainda de José de Oliveira Rosa, João Francisco Muzzi, o escravo Manuel da Cunha – cujo proprietário o leva a Lisboa para se aperfeiçoar, sendo posteriormente alforriado – Leandro Joaquim, Manuel Dias de Oliveira, José Leandro de Carvalho e, por fim,
  • 6. 218 Francisco Pedro do Amaral, este último atuando nas primeiras décadas do século XIX. 09 de Dezembro – Falece o rei português d. Pedro II, sucedendo-o no trono seu filho d. João V, que dirigirá o país até 1750. 1707 – Chega a Pernambuco o governador Sebastião de Castro Caldas, encontrando suas duas maiores localidades, Olinda (onde residem os nobres) e Recife (simples bairro, onde pontificam os comerciantes, denominados mascates), em verdadeiro pé de guerra, tal a rivalidade que se foi formando e acentuando com o tempo entre os habitantes de uma e outra. Optando pela causa dos mascates, o governador chega a transferir quase totalmente a sede do governo de Olinda para Recife. Fim do Ano – A crescente animosidade entre forasteiros (emboabas) e paulistas, que “defendiam as minas como de direito patrimônio (sic) seu exclusivo” (Rocha Pombo, História do Brasil. 10ª ed., 1961, p. 221), marcada e agravada por incidentes diversos, gera total intranquilidade, até que surge boato de que os paulistas decidiram expulsar os adventícios, fazendo com que estes se reúnam em torno de Manuel Nunes Viana, aclamando-o “governador das minas”, o qual, por sua vez, instala seu governo numa de suas casas de Caeté, com o que debandam os paulistas, concentrando-se em Sabará, onde Nunes Viana os ataca, pondo-os em fuga. – Publica-se em Lisboa o livro Notícias do Que é o Achaque do Bicho, de autoria de Miguel Dias Pimenta, comerciante e curador recifense.
  • 7. 219 1708 20 de Abril – Carta régia determina guerra total aos índios do corso (salteadores) nas capitanias do Norte e Nordeste com o objetivo de exterminá-los, passando a fio de espada os que resistirem e vendidos como escravos os aprisionados e os que se renderem. – Nesse mesmo ano, por ordem do governador do Ceará, são exterminadas as tribos dos icós, cariris, carius e caratius. – Ao assumir o comando da região das Minas por ter sido ferido o governador Pascoal da Silva Guimarães em ataques aos paulistas, frei Francisco de Meneses e outros frades sagram Nunes Viana governador supremo (ou ditador) das Minas Gerais. – Os paulistas, após seguidas derrotas para os forasteiros, reúnem-se no arraial do Rio das Mortes e, dado seu grande número, cercam o arraial da Ponta do Morro, onde os emboabas resistem à espera do socorro de mil homens mandados de Ouro Preto sob o comando do sargento-mor Bento do Amaral Coutinho, os quais ao chegar já não encontram os paulistas, que tinham levantado o cerco e se dispersado em inúmeros grupos visando melhor se defenderem de possíveis ataques. Um desses grupos é localizado acampado distante umas quatro léguas (vinte e quatro quilômetros), onde é cercado e atacado, combatendo-se durante dois dias, após os quais os paulistas se rendem sob a promessa de garantia de vida, mas, tão logo desarmados, uns trezentos combatentes são chacinados impiedosamente, sendo o lugar onde se deu o massacre denominado daí diante de Capão da Traição.
  • 8. 220 1709 – Parte para a região conflagrada das Minas o governador do Rio de Janeiro, Fernando Martins Mascarenhas de Lancastro, com intuito ou pelo menos aparência de ir castigar os beligerantes, mas é posto a correr por Nunes Viana e seus comandados. Junho – Para dar cobro à situação convulsionada das Minas, a Corte portuguesa nomeia como governador do Sul a Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, que depois de ouvir o emissário dos emboabas, frei Miguel Ribeiro, parte com ele e pequena escolta para Caeté, dominada pelos paulistas, dali mandando emissário a Ouro Preto para intimar Nunes Viana a se apresentar em Caeté, onde este, submetendo-se à nova autoridade, presta juramento de fidelidade aos representantes do rei. Contudo, os paulistas, sob a chefia de Amador Bueno da Veiga, organizam-se e se armam para a vingança, não conseguindo Antônio de Albuquerque dissuadi-los. Fortificados em Ponta do Morro, os forasteiros são atacados pelos paulistas, combatendo-se durante uma semana, após a qual estes recuam para evitar a grande força que os iria atacar, conforme notícia que recebem, retirando-se para São Paulo, com entusiasmados forasteiros a persegui-los até certo ponto. 05 de Agosto – Exibição pública em Lisboa, na presença do rei d. João V e da Corte portuguesa, da Passarola, balão ou máquina aerostática inventado e construído pelo padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, nascido em Santos/SP em 1685 e falecido na Espanha em 1724, irmão do diplomata Alexandre de Gusmão e denominado o Padre Voador, sendo considerado por Afonso E. Taunay, “o primeiro
  • 9. 221 americano a realizar, no cenário mundial, uma invenção notável” (apud Novo Dicionário de História do Brasil, p. 326). Segundo Raimundo de Meneses (Dicionário Literário Brasileiro. 2ª ed., 1978, p. 327), Bartolomeu de Gusmão consagra-se “como o verdadeiro precursor da aeronáutica no mundo, tentando os primeiros ensaios do voo humano”. Conforme documentos existentes em arquivos portugueses e no Vaticano, a Passarola é “instrumento de caminhar pelo ar, muito mais rapidamente do que pela terra e pelo mar, fazendo, algumas vezes, mais de 200 [duzentas] léguas de caminho por dia” (Novo Dicionário de História do Brasil, p. 326). 03 de Novembro – Carta régia de d. João V desanexa Minas da capitania do Espírito Santo para formar a capitania de São Paulo e Minas do Ouro, com sede em São Paulo. 26 de Novembro – Lei opõe restrições à vinda ou visitação ao Brasil.
  • 10. 222 Foto 1: Quadro de João Francisco Muzzi Foto 2: Quadro de José de Oliveira Rosa Foto 3: Passarola Foto 4: Economia Cristã dos Senhores/capa Foto 5: Música do Parnaso.../capa Foto 6: Mapa do litoral de Pernambuco
  • 11. 223 Década de 1710 1710 04 de Março – Surge o pelourinho em praça de Recife, mandado lavrar em segredo pelo governador Sebastião de Castro Caldas, organizando-se nesse dia a Câmara de Recife, tornada vila, ou seja, município autônomo e independente de Olinda, protestando contra isso o Senado de Olinda, pelo que o governador ordena a prisão de algumas das mais importantes pessoas desta última vila. 03 de Maio – Assume Lourenço de Almada o cargo de governador- geral da Colônia. O Novo Dicionário e a Mirador registram o sobrenome de Almada. Abreu e Lima o de Almeida. Setembro – Corsários franceses, sob o comando de Jean-François Duclerc, invadem o Rio de Janeiro para se apoderarem do ouro vindo de Minas Gerais, ação propiciada pela Guerra de Sucessão na Espanha, que opõe França e Espanha contra Portugal, Grã-Bretanha e Holanda. Diversos combates são travados em várias partes da cidade, culminando com o que ocorre nas imediações da atual praça 15 de Novembro, rendendo-se Duclerc, mas massacrada força francesa estacionada no morro de Santa Teresa como reserva, calculando-se em quatrocentos os mortos e cento e cinquenta feridos do lado invasor contra cinquenta mortos e setenta feridos do lado dos brasileiros e portugueses, além de quatrocentos e quarenta franceses feitos prisioneiros.
  • 12. 224 27 de Outubro – O governador de Pernambuco, Sebastião de Castro Caldas, sofre atentado a tiro quando passa por uma das ruas, ferindo- se levemente, ordenando de imediato a prisão de inúmeras pessoas suspeitas de serem mandantes. 09 de Novembro – Entra em Recife grupo armado de dois mil homens organizado pelos nobres de Olinda para derrubar o governador, que foge para Salvador, sendo os membros da Câmara destituídos, destruído o pelourinho e outros símbolos da vila e libertados os indivíduos presos por ordem do governador. Na Bahia, o governador Castro Caldas é preso por ordem do governador-geral da colônia e remetido no ano seguinte à Lisboa. 10 de Novembro – Celebra-se em Olinda congresso com a presença da nobreza pernambucana, destacando-se, de tudo, a intervenção e proposta de Bernardo Vieira de Melo, referindo-se, pela primeira vez na colônia abertamente em reunião pública de grande relevância, em independência em relação a Portugal e em regime republicano e, mesmo que fossem derrotados, “lembrando mesmo o reduto dos Palmares, onde teriam refúgio certo contra as armas do rei [....] em qualquer caso, tudo era preferível a ficarem submissos aos forasteiros do Recife” (apud Rocha Pombo, op.cit., p. 237), sendo a proposta bastante discutida e apoiada por outros oito oradores, prevalecendo, ao final, a deliberação de invocar, primeiro, a justiça do rei, entregando- se o governo ao bispo d. Manuel Álvares da Costa, sucessor legal do governador foragido, sob as condições de perdão geral para os revoltosos, o fim da vila do Recife e outros reivindicações de natureza econômica. “Apesar de a sedição de 1710 ter sido um conflito municipal, as ideias se movimentaram além de Pernambuco. Os
  • 13. 225 sediciosos de Olinda conjugaram pela primeira vez na América portuguesa independência e autogoverno e declararam preferir a forma republicana ao governo dos reis” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling. Brasil: Uma Biografia, p. 141). Novembro – Nova assembleia se reúne em Olinda, prevalecendo a corrente dos moderados, pelo que a província continua fiel ao rei, resolvendo-se também que o bispo só assume o governo sob a condição de anistiar os revoltosos. – Enquanto o bispo procura se equilibrar entre os polos desavindos, Bernardo Vieira de Melo entra em choque com a guarnição de Recife e assume o domínio da cidade, aclamando João da Mota governador provisório, conseguindo o bispo ir para Olinda, onde reassume sua autoridade. − “A revolta de 1710 faz parte de um conjunto de eventos - de ruptura da ordem colonial e movimentação contra a autoridade régia - que a historiografia do século XIX designou como Guerra dos Mascates” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, op. cit., p. 140). José de Alencar, no romance histórico Guerra dos Mascates, aborda esse acontecimento. – Por volta desse ano são descobertas por paulistas ricas jazidas de ouro em Pitangui/MG. – Publicada no México a obra Luzeiro Evangélico, de frei João Batista Morelli de Castelnuevo, nome clerical de Fulgêncio Leitão, primeiro livro em língua portuguesa impresso na América. – Publicado em Lisboa o opúsculo de autoria do padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão referente a outra de suas invenções: Vários Modos de Esgotar Sem Gente as Naus Que Fazem Água.
  • 14. 226 1711 02 de Janeiro – Criada pelo bispo do Rio de Janeiro a Irmandade de N.S. do Rosário dos Homens Pretos, uma das primeiras ou a primeira das diversas organizadas na Colônia. 08 de Fevereiro – No mesmo sentido de disposições anteriores, nova carta régia proíbe o comércio na colônia com estrangeiros. 19 de Fevereiro – Lei limita a vinda de estrangeiros ao Brasil. 18 de Março – Assassinado por grupo de homens mascarados o corsário francês Duclerc, que anteriormente feito prisioneiro e depois libertado residia em casa que alugara, cogitando-se em ato de vingança. 09 de Junho – Parte da França, sob o comando do corsário René Duguay-Trouin, esquadra de dezessete navios com setecentos canhões e mais de quatro mil homens de desembarque para invadir o Rio de Janeiro, sob o pretexto de vingar Duclerc. 08 de Julho – O arraial de Vila Rica (futura Ouro Preto) é transferido vinte e cinco quilômetros aproximadamente do local originário para onde está hoje e elevado à condição de vila (município) com a denominação de Vila Rica, medida confirmada por carta régia posterior. 11 de Julho – Ordem régia do rei de Portugal, d. João V, eleva a vila de São Paulo à condição de cidade, cronologicamente a oitava do país a obter essa designação, após Salvador, Rio de Janeiro, Paraíba, Olinda, São Luís, Cabo Frio e Vila Rica. 12 de Setembro – A frota comandada por Duguay-Trouin, aproveitando-se de forte nevoeiro, invade a baía da Guanabara.
  • 15. 227 13 de Setembro – Os corsários franceses ocupam a ilha das Cobras, instalando nela suas baterias. 14 de Setembro – A frota francesa desembarca quatro mil combatentes, dando inicio à ocupação do Rio de Janeiro, tendo o governador Francisco de Castro Morais concentrado suas forças no largo do Rosário e, intimado a se render, não concorda. 20 de Setembro – Os franceses iniciam o bombardeio do campo do Rosário, semeando o medo e mesmo o pânico entre seus defensores. 21 de Setembro – Diante do ataque francês, alvitra o governador e seu estado maior procurar sítio mais resguardado enquanto espera reforço de Minas, indo para Engenho Novo e depois Iguaçu, com o que debanda a população, desprotegida e apavorada, procurando se esconder nas matas. 22 de Setembro – Abandonada a cidade do Rio de Janeiro, os corsários franceses, sob o comando de Duguay-Trouin, procedem à pilhagem, arrombando mais de setenta por cento das casas e armazéns, apoderando-se do que encontram de valor. 09 de Outubro – Félix José Machado de Mendonça toma posse em Olinda como novo governador de Pernambuco, procurando nos primeiros dias conciliar as facções em conflito, soltando presos políticos e recebendo de João da Mota as fortificações recifenses que detinha. 10 de Outubro – Assinada capitulação do governador Francisco de Castro Morais ao corsário Duguay-Trouin, que exigira resgate da cidade sob a ameaça de incendiá-la totalmente, pagando-se-lhe em moeda seiscentos e dez mil cruzados, além de caixas de açúcar e bois.
  • 16. 228 11 de Outubro – Chega a Iguaçu a tropa mandada de Minas para socorrer os fluminenses com mais de cinco mil e quinhentos combatentes, sob o comando de Antônio de Albuquerque, nada mais podendo fazer diante do acordo assinado. 14 de Outubro – O terceiro conde de Castelo Melhor, Pedro de Vasconcelos e Sousa, assume a governadoria-geral da Colônia. 18 de Novembro – Félix Mendonça, novo governador de Pernambuco, surpreendentemente alinha-se aos comerciantes de Recife, dando início à devassa, ordenando a prisão dos líderes da revolta olindense do ano anterior, restaurando o pelourinho e instalando a Câmara. Vieira de Melo e um filho refugiam-se em Palmares, mas, entregando-se posteriormente, são presos e, juntamente com outros prisioneiros, remetidos à Lisboa, onde d. João V os solta e determina ao governador libertar todos os olindenses detidos e a lhes restituir os bens sequestrados. 04 de Dezembro – Efetuado o último pagamento a Duguay-Trouin dos seiscentos e dez mil cruzados acordados para resgate, quantia a que se acresce o produto da pilhagem, elevando-se a alguns milhões de cruzados o lucro dos corsários. Nesse mesmo dia partem os franceses, que na viagem têm três navios naufragados. Castro Morais é destituído do governo, processado e condenado a degredo perpétuo na Índia. – Criadas as municipalidades (vilas) mineiras de N. S. do Ribeirão do Carmo (atual Mariana) e Vila Real do Sabará. – Publicada em Lisboa a obra Cultura e Opulência do Brasil por Suas Drogas e Minas, de André João Antonil, anagrama do jesuíta italiano João Antônio Andreoni. As informações sobre minas de ouro e prata
  • 17. 229 contidas na obra servem de pretexto para o governo português determinar seu sequestro e destruição, por divulgar o segredo do Brasil aos estrangeiros. “Que lhes poderia ensinar de novo [o livro]? A verdade é outra: o livro ensinava o segredo do Brasil aos brasileiros, mostrando toda a sua possança (sic), justificando todas as suas pretensões, esclarecendo toda a sua grandeza [....] Sem amplificações, em forma tersa e severa, adunava algarismos e mostrava o Brasil tal qual se apresentava à visão de um espírito investigador e penetrante” (Capistrano de Abreu. Capítulos de História Colonial, p. 186 e 184, respectivamente). – Representada em Olinda e Recife a peça Comédias, em oportunidades comemorativas. 1712 – Nesse ano a remessa de ouro brasileiro para Portugal atinge o ápice com 14.500 (catorze mil e quinhentos) quilos. – Visita o Brasil o cientista francês Amedée-François Fresier. 1713 Agosto – No Ceará, os índios anacés atacam a vila de Aquirás, tendo a população fugido em direção à vila do Forte ou da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção de Nova Bragança, atual Fortaleza. Alcançada no caminho, tem umas duzentas pessoas mortas pelos índios. Face a isso, o governador da capitania, ouvida a junta das figuras mais
  • 18. 230 importantes, como determina provisão do rei d. João V, ordena a afixação nos edifícios públicos e igrejas do Banho de Guerra Livre aos Selvagens. Segundo Gustavo Barroso (Nos Bastidores da História do Brasil, s/d, p. 72), “Guerra de Corso era para escravizar, a de Morte para aniquilar, mas ambas realizadas por agentes do governo. A Guerra Livre podia ser feita por qualquer pessoa, como quisesse e a qualquer tempo, sem dar contas a ninguém”. – Em decorrência disso, nesse mesmo ano, são presos quatrocentos anacés, dos quais noventa e cinco são trucidados e muitos outros mortos ou escravizados, do que resulta ficarem “definitivamente destruídas, além da nação dos anacés, as dos jaguaribaras e dos canindés” (Gustavo Barroso, op.cit., p. 72). – Instituída a vila de São João del Rei. – Fim da denominada Guerra dos Bárbaros com as repressões organizadas nesse ano contra tribos indígenas cearenses. – Organizado o asilo do padre Antônio Manuel, em Pernambuco, para isolamento de leprosos, comportando trinta doentes. – Abolido o quinto de ouro, substituído pelo pagamento, por ano, de trinta arrobas, procedendo-se a repartição da cota que cada Câmara de Minas Gerais deverá contribuir. – Nomeado pelo governador da província o mestre de campo Antônio Pires de Ávila para pôr ordem no arraial de Pitangui/MG, o que não é conseguido.
  • 19. 231 1714 Abril – Fixados os limites das três primeiras comarcas criadas em Minas Gerais no início deste século, correspondentes, conforme observa Cláudia Damasceno Fonseca (Arraiais e Vilas d’el Rei – Espaço e Poder nas Minas Setecentistas. Belo Horizonte, editora da UFMG, 2011, p. 143), a três grandes bacias hidrográficas: Ouro Preto (bacia do rio Doce), Rio das Velhas (bacia do rio São Francisco) e Rio das Mortes (bacias dos rios Grande e Paraná). 11 de Junho – O marquês de Angeja e segundo conde de Vila Verde, Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, é nomeado vice-rei do Brasil, titulação que daí por diante prevalecerá nas futuras nomeações até a última delas, ocorrida em 1806. – Nomeado o engenheiro militar Pedro Gomes Chaves para apaziguar os habitantes de Pitangui e ao mesmo tempo cobrar as remessas do quinto não procedidas, também não obtendo êxito. – Volta ao Brasil, onde esteve em 1712, o cientista francês Amedée- François Fresier, que posteriormente inclui em suas obras mapas e estudos geográficos referentes a algumas regiões brasileiras. – Elevadas à categoria de vilas, em Minas Gerais, a Vila Nova da Rainha (atual Caeté) e Vila do Príncipe (atual Serro). 1715 06 de Fevereiro – Pelo Tratado de Utrecht é reconhecido o direito de Portugal sobre a colônia do Sacramento, retomada no ano seguinte.
  • 20. 232 09 de Junho – Criada a vila de N. S da Piedade de Pitangui a fim de facilitar a coleta de impostos, cujos métodos empregados pelos camaristas (membros da Câmara) provocam violentas reações dos habitantes. 05 de Julho – Carta régia proíbe o cativeiro injusto dos indígenas. – Lourenço de Almeida assume a governadoria de Pernambuco e procura normalizar a situação, “sem, no entanto, extinguir aquela tradicional rivalidade entre portugueses e filhos da terra” (Rocha Pombo. História do Brasil, op.cit., p. 239). – Face às queixas de atrocidades cometidas pelos índios, ordem régia mandada da metrópole determina a continuação da guerra contra eles até seu total extermínio. – Escrita pelo médico português Manuel dos Santos a Narração Histórica das Calamidades de Pernambuco, Sucedidas Desde o Ano de 1707 Até o de 1715. 1716 – Levante em Caeté/MG contra o regime de capitação na arrecadação do imposto sobre o ouro, tendo o governador determinado a volta ao sistema “da finta coletiva e fixa anual” (Rocha Pombo, op.cit., p. 228), consistindo a capitação em valor fixo a ser pago por cabeça de escravo, incidindo sobre todas as pessoas que os tinham, segundo Cláudia Damasceno Fonseca (op.cit., p. 196). – A colônia do Sacramento é devolvida pelos espanhóis aos portugueses, não sem antes procurar isolá-la, “povoando e
  • 21. 233 fortificando a região, então denominada do Monte do Vidéu” (Gustavo Barroso, op. cit., p. 65). – Finalmente encerrada a longa pendência judicial entre Duarte de Albuquerque Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, anexada em 1654 à Coroa, concedendo o rei d. João V a seus herdeiros o marquesado de Valença e oitenta mil cruzados, “pagos no rendimento daquela capitania em dez anos” (Abreu e Lima. Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil, p. 175). 1717 24 de Julho – O conde de Assumar, Pedro de Almeida, nomeado governador da capitania de São Paulo e Minas do Ouro, parte do Rio de Janeiro para São Paulo para tomar posse do cargo, prosseguindo viagem até Vila Rica, da qual é redigido diário por um dos membros da comitiva. “O conde de Assumar governou a capitania de 1717 a 1721 e ficou célebre por bater duro na fama de insubmissão que grassava entre os moradores, reafirmar a centralidade do poder real e garantir o exercício da autoridade administrativa metropolitana” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling. Brasil: Uma Biografia, p. 139). – A dívida da vila de Pitangui ascende a sete arrobas de ouro, que a própria Câmara, anteriormente encarregada de cobrá-la, recusa-se a fazê-lo. – Representadas em Salvador as peças El Conde de Lucanor e Effectos de Odio y Amor, ambas de autoria de Calderón.
  • 22. 234 1718 09 de Março – Provisão real, contraditoriamente, reconhece a liberdade dos índios, mas, recomenda a escravização dos que “andam nus, atropelam as leis da natureza, não fazem diferença de mãe e filha para satisfação de sua lascívia, comem-se uns aos outros” (apud Martins Júnior. História do Direito Nacional, p. 209). 06 de Abril – Passada em Lisboa a escritura de aquisição pela Coroa portuguesa por quarenta mil cruzados da capitania do Espírito Santo. 11 de Abril – Degredados do reino para Salvador diversos ciganos e ciganas com seus filhos, em decorrência de “mau e escandaloso procedimento” (Abreu e Lima, op.cit., p. 177), com proibição de usarem sua língua e gíria, designando a Câmara da cidade o bairro da Palma para sua habitação, que fica conhecido como Mouraria. 30 de Maio – Carta régia autoriza a escravização de duzentos índios para aplicar o produto de sua venda na construção de igreja no Maranhão. 21 de Agosto – No mandato do vice-rei do Brasil, o marquês de Angeja, Pedro Antônio de Noronha Albuquerque e Sousa, encerrado nessa data e transferido a Sancho de Faro e Sousa, segundo conde de Vimieiro, construíram-se a nau Padre Eterno e diversas outras, além de se ter cuidado e ampliado as fortificações da colônia e estabelecidas áreas de corte de madeira para construções. – A bandeira chefiada por Pascual Moreira Cabral Leme adentra o atual Estado de Mato Grosso, descobrindo, na região do rio Cuiabá, as minas de Caxipó-Mirim.
  • 23. 235 – “Numa carta dirigida ao vice-rei da Colônia, o conde de Assumar relatava suas dificuldades para efetuar a cobrança do quinto naquela povoação [Pitangui], que era um verdadeiro antro de rebeldes” (Cláudia D. Fonseca, op.cit., p. 158). – São José del Rei (atual Tiradentes) é elevada à categoria de vila. 1719 – O conde de Assumar nomeia o brigadeiro português João Lobo de Macedo para dirigir a vila de Pitangui. “No entanto, o grupo de paulistas que dominava a vila não aceitaria a autoridade do brigadeiro reinol, expulsando-o de Pitangui” (Cláudia D. Fonseca, op.cit., p. 159). 11 de Fevereiro – Segundo Joaquim Felício dos Santos (Memórias do Distrito Diamantino, p.57/58), lei substitui o pagamento anual de arrobas de ouro pela cobrança do quinto deduzido por ocasião da fundição, estando proibida a saída de Minas Gerais de ouro em pó, sob pena de perda do ouro, confisco de todos os bens e degredo por dez anos na Índia. 19 de Abril – Concedida pelo rei d. João V de Portugal ao padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão patente de “instrumento para voar pelos ares” (apud Novo Dicionário de História do Brasil, p. 327). 13 de Outubro – Por falecimento do vice-rei, assume o governo da Colônia triunvirato composto do arcebispo d. Sebastião Monteiro da Vide, do ouvidor Caetano de Brito e Figueiredo e do mestre de campo João de Araújo e Azevedo.
  • 24. 236 Foto 1: Cultura e Opulência do Brasil/capa Foto 2: Litografia de Ferdinand Perrot Foto 3: As Expedições de Duclerc e de Duguay-Trouin ao Rio de Janeiro/capa Foto 1: Colônia de Sacramento Foto 2: Nau Padre Eterno
  • 25. 237 Década de 1720 1720 20 de Março – Por lei é permitida a vinda ao Brasil apenas a servidores públicos para cá designados, religiosos incumbidos de missões e portugueses que “provassem com documentos irem fazer negócio considerável, com fazendas suas ou alheias, para voltarem” (apud Martins Júnior, História do Direito Nacional. 2ª ed., 1941, p. 212). 28 de Junho – Irrompe insurreição em Vila Rica contra o sistema e o excesso da cobrança do imposto sobre o ouro, expulsando-se o ouvidor e remetendo os sediciosos mensagem ao governador com várias exigências, tendo este concordado em conceder ao povo o que fosse justo desde que se restabelecesse a ordem. Conquanto acalmando o povo com essa promessa, seus líderes o coloca novamente em sedição. Contingente de uns dois mil revoltosos dirige- se ao palácio do governador, conde de Assumar, em vila do Ribeirão do Carmo (atual Mariana), onde novamente lhe apresentam reclamos e reivindicações, por ele deferidos e, por isso, aclamado. 16 de Julho – Mesmo tendo o conde de Assumar acedido às reivindicações, os revoltosos dão continuidade ao movimento, desconfiados de suas reais intenções, formulando, segundo Rocha Pombo (História do Brasil. 10ª ed., 1961, p. 231), novas exigências, pelo que se considera que seu verdadeiro intuito não é reivindicar, mas, o domínio das Minas, em decorrência do que é ordenada a prisão
  • 26. 238 dos líderes dos sediciosos, entre eles Filipe dos Santos, logo enforcado e depois amarrado à cauda de um cavalo e, como diz o próprio conde de Assumar em carta de 02 de agosto seguinte ao vice-rei do Brasil, na Bahia, “o mandei arrastar e esquartejar” (apud Gustavo Barroso. Nos Bastidores da História do Brasil, s/d., p. 97). – “A pena capital não foi aplicada contra este [Pascoal da Silva Guimarães] nem contra os outros poderosos que chefiaram a rebelião [entre eles, o brigadeiro João Lobo de Macedo], incidindo apenas sobre Filipe dos Santos, um modesto comerciante cujo papel na rebelião tinha sido secundário” (Cláudia Damasceno Fonseca. Arraiais e Vilas d’El Rei, 2011, p. 166). – “O cerco da Metrópole à Colônia se completa no fiscalismo do reino. Fiscalismo, expressão alheia aos tributos e derivada do sistema de dependência: a Colônia não vive por si, nem se identifica à Metrópole, senão que é estância provisória dos interesses sediados junto à Coroa. A rapacidade tributária, ardentemente denunciada pela generalidade dos historiadores, não passa de modalidade da rapacidade maior, definida no sistema colonial.” (Raimundo Faoro. Os Donos do Poder, 2000, vol. 01, p. 63). 23 de Novembro – Vasco Fernandes César de Meneses, futuro conde de Sabugosa, toma posse do cargo de vice-rei do Brasil, que ocupa por nada menos de quinze anos. 02 de Dezembro – Criada, por alvará, a capitania de Minas Gerais, desmembrada da capitania de São Paulo e Minas do Ouro, continuando o processo iniciado em 1709, e ainda em curso, de redivisão e reorganização territorial brasileira, que, como quase tudo no país, além de processado morosamente, permanece inacabado.
  • 27. 239 – Promovida intervenção na cavalaria dos Dragões na vila de Pitangui, sob o comando do capitão José Rodrigues de Oliveira, que, após diversos combates, expulsa os rebelados, perdendo, no entanto, muitos soldados. Condenado à morte, Domingos Rodrigues do Prado, o principal líder paulista e genro do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, consegue fugir, indo ao encontro do sogro em Goiás, onde descobrem muitas minas de ouro. – Criada em Minas Gerais a quarta comarca, de Serro Frio, desmembrada da comarca do Rio das Velhas. – A bula papal Copiosus in Misericordia cria o bispado do Pará. – Elaborada planta da igreja de N. S. da Glória do Outeiro, no Rio de Janeiro, de autoria do engenheiro militar, tenente-coronel José Cardoso Ramalho, “primeiro exemplo nacional de solução barroca empregando planta poligonal” (Carlos A. C. Lemos e José Roberto Teixeira Leite, “Rio de Janeiro, o Porto do Ouro”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 230). – Escrita em latim a História da Vice-Província do Maranhão do Ano de 1607 a 1700, atribuída ao padre Matias Rodrigues. 1721 21 de Janeiro – Provisão proíbe o comércio com os franceses de Caiena. 14 de Fevereiro – Carta régia autoriza a organização de bandeira para desbravar e povoar o sertão do Novo Sul, futuro Sertão da Farinha Podre, atual região do Triângulo.
  • 28. 240 19 de Março – Tempestade assola Salvador provocando verdadeiro terror na população, da qual, no entanto, só resulta desabamento de construções sem perda de vidas, pelo que é instituído, a partir daí, anualmente, nesse dia, procissão de voto de graças. Agosto – O capitão-general Lourenço de Almeida assume a governadoria da capitania das Minas Gerais como seu primeiro titular, dirigindo-a até setembro de 1732. 05 de Setembro – O capitão-general Rodrigo César de Meneses toma posse com governador da capitania de São Paulo. – A partir de novembro desse ano e continuando no ano seguinte, várias incursões oficiais contra os índios são efetuadas no Ceará sob a acusação de tropelias e roubo de gado, atingindo, entre outras tribos, os tapiais do Jaguaribe, os índios da margem do rio Acaracu ou Acaraú e das regiões de Aracatiaçu, Mundaú e Água das Velhas, bem como a tribo dos jenipapos, no Jaguaribe. “A razão maior da luta entre o colonizador e o aborígene no Nordeste do Brasil se acha no fato de este caçar e prear as reses das fazendas, como se fossem animais bravios. Ele não possuía nenhuma noção de propriedade. Via, vagando pelas várzeas atapetadas de panasco verde manadas de bois, vacas, vitelas e garrotes. Para sua fome cada uma daquelas cabeças de gado valia mais do que uma capivara e o mesmo que uma anta” (Gustavo Barroso, op.cit., p. 73). Outro fator de atritos violentos entre índios e colonos era a colheita do caju nas faixas litorâneas, ocasionando o que o mesmo historiador denomina “Guerra do Caju”.
  • 29. 241 1722 30 de Junho – Pelo regimento assinado nesse dia, decorrente da carta régia de 14 de fevereiro de 1721, Rodrigo César de Meneses, governador da província de São Paulo, assina contrato com Bartolomeu Bueno da Silva Filho (Anhanguera 2º) para descoberta de minas de ouro, prata e pedras preciosas. “Segundo os cronistas (Arquivo Público de São Paulo, vol.XII, p.61), a expedição partiu de São Paulo nesse mesmo dia 30 de junho de 1722. Na numerosa expedição, chefiada pelo Anhanguera, homem de inteligência cultivada e poderoso, se viam seu mencionado genro Ortiz, riquíssimo e audaz, Antônio Pedro Calhamares, Antônio Ferraz de Araújo e Urbano do Couto que, mais tarde, guiou a abertura da famosa picada de Goiás. Um corpo de 500 [quinhentos] homens, preparados à custa de Ortiz, formava o grosso da comitiva” (Alexandre de Sousa Barbosa e Silvério José Bernardes. A Estrada do Anhanguera, 1911, p. 06 e 07). No entanto, “organizou-se a bandeira goiana que se compunha de 152 pessoas, e não 500, como exagerou o cronista Pedro Taques” (Edelweiss Teixeira. O Triângulo Mineiro Nos Oitocentos. Uberaba, Intergraf editora, 2001, p. 23). Para Hildebrando Pontes (História de Uberaba, p. 37) e Edelweiss Teixeira (op. cit., p. 24), a partida da bandeira deu-se no dia 03 de julho seguinte. – Participante da bandeira do Anhanguera 2º, o alferes português José Peixoto da Silva Braga, avisado por ele de que estão nas proximidades do local onde corre o rio Maranhão, resolve deixá-la e com dezenove homens, catorze deles escravos, desce o referido rio e o Tocantins até
  • 30. 242 Belém do Pará, fazendo assim o percurso de ligação do sul e do Brasil central com a Amazônia, futura rota de navegação fluvial. – Nasce na atual cidade de Santa Rita Durão/MG, o futuro poeta José de Santa Rita Durão. 1723 – Descoberta a existência de diamantes no Brasil. – Por ordem do rei d. João V são transferidos inúmeros habitantes das ilhas dos Açores para Santa Catarina. 1724 04 de Janeiro – A estrondo subterrâneo segue-se rápido tremor de terra em Salvador e na ilha de Itaparica, antecedendo grande estiagem que assola a província da Bahia por quatro anos (1724 a 1728) a ponto de secar as fontes da capital. 22 de fevereiro – Carta régia portuguesa determina sejam tomadas medidas conducentes a que o país reentre na posse da ilha da Trindade, indevidamente ocupada por companhia britânica desde 1700. 07 de Março – Fundada em Salvador a primeira associação literária organizada na colônia, com apoio direto do vice-rei Vasco Fernandes César de Meneses, a Academia Brasílica dos Esquecidos, objetivando estudo da História do Brasil sob os aspectos natural, militar, eclesiástico e político, derivando sua denominação, segundo alguns,
  • 31. 243 da circunstância de seus fundadores não terem sido lembrados para compor a Academia Real de História Portuguesa de Lisboa, incentivando a entidade baiana a elaboração de diversos livros por seus membros, como a História da América Portuguesa (1730), de Rocha Pita; Dissertação Sobre as Coisas Naturais do Brasil, de Caetano Brito e Figueiredo; Dissertação Crítico–Jurídico-Histórica da Guerra Brasílica, de Inácio Barbosa Machado; e Dissertação da História Eclesiástica do Brasil, do padre Gonçalo Soares da Franca. 1725 04 de Fevereiro – A Academia Brasílica dos Esquecidos realiza sua décima-oitava e última reunião. 26 de Julho – Fundado o arraial de Vila Boa, em Goiás, pelo Anhanguera 2º. Mirador (vol. 10, p. 5365) informa que esse fato dá-se em 1727. – No sul de Mato Grosso, onde habitam, os índios guaicurus destroem frota de canoas, matando seiscentas pessoas. 1726 13 de Março – Pastoral do bispo pernambucano d. José Fialho proíbe representações teatrais no interior das igrejas, em decorrência de abusos praticados. Maio – Depois de ter chegado a São Paulo, de volta da primeira expedição, com apenas 70 (setenta) homens, o Anhanguera 2º retorna
  • 32. 244 a Goiás com “uma segunda bandeira composta de 152 pessoas” (Hildebrando Pontes, op. cit., p. 42). – Elevada à vila a povoação de Fortaleza, sob a denominação de Fortaleza de N. S. da Assunção do Ceará Grande. Mirador (vol. 09, p. 4806) indica que essa circunstância ocorre em 1699 e que em 1725 “é criado o município (sic)”, terminologia e categoria que, ao que tudo indica, não existiam. – Os índios guaicurus atacam e matam grupo de portugueses que é acompanhado de índios parecis. – Chega ao Brasil o escultor português Manuel de Brito, que, com o escultor também português, Francisco Xavier de Brito, trabalham na igreja de São Francisco da Penitência. Este último atua na capela-mor da Matriz de N. S. do Pilar, em 1746, em Ouro Preto. Segundo José Roberto Teixeira Leite e Carlos A. C. Lemos, houve em Minas Gerais, como no Rio de Janeiro, um “estilo Brito”, que chega a influenciar até mesmo Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (“Rio de Janeiro, o Porto do Ouro”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 241). 1727 – O militar e sertanista Francisco de Melo Palheta traz de Caiena, na Guiana Francesa, sementes e mudas de café, que planta em Belém, organizando pequeno cafezal.
  • 33. 245 1728 Abril – Extraídas das minas de Cuiabá com grande sacrifício da população, são remetidas a Lisboa via São Paulo e Rio de Janeiro, sete arrobas de ouro em cunhetes fechados e selados, “onde abertos (diz-se que em presença del rei d. João V, e de alguns ministros estrangeiros, que convidara de propósito para presenciarem este ato), achou-se chumbo em grãos de munição em lugar do ouro” (Abreu e Lima. Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª ed., 1983, p. 187/188). 10 de Maio – Sublevam-se os soldados do terço velho da Bahia, ao fim de que sete de seus membros, considerados líderes da revolta, são executados e vários outros degredados. – Os índios guaicurus atacam e matam mercadores que se dirigem a Cuiabá. – Publicado o Compêndio Narrativo do Peregrino da América, de autoria do escritor baiano Nuno Marques Pereira, “uma das obras mais lidas em Portugal no século XVIII” (Mirador), constituindo um dos antecedentes do gênero ficcional na literatura brasileira. – À grande seca que abateu a Bahia segue-se período de quatro anos de rigoroso inverno, em que as chuvas destroem lavouras e engenhos, matando escravos e reses e provocando desabamentos.
  • 34. 246 1729 05 de Junho – Nasce em Ribeirão do Carmo (atual Mariana), o futuro poeta e conspirador mineiro, Cláudio Manuel da Costa. 18 de Novembro – Alvará d. João V dirigido ao vice-rei do Brasil determina “fazerem-se mapas das terras do dito Estado não só pela marinha, mas pelos sertões, com toda a distinção, para que melhor se assinalem e conheçam os distritos de cada bispado, governo, capitania, comarca e doação” (apud José Veríssimo da Costa Pereira. A Geografia no Brasil, in As Ciências no Brasil, vol. I, p. 327). – Inaugurado em Salvador o teatro da Câmara Municipal. – Levadas à cena em Salvador as peças Fineza Contra Fineza, La Fiera, El Rayo Y la Piedra e El Monstruo de Los Jardines, todas de Calderón e, ainda, La Fuerza del Natural e El Desdén Con el Desdén, ambas de Agustín Moreto y Cabaña, todas representadas nas festas de casamento de príncipes portugueses e espanhóis. – A partir desse ano intensificam-se cada vez mais as encenações teatrais no país, ocorrendo diversas delas, além de outras de que se não tem notícia, em Cuiabá, São Luís, Vila Rica, Belém, Recife, Mariana, Rio de Janeiro, São Paulo, Diamantina e Salvador. – Com a 66ª expedição dos jesuítas, chegam ao Brasil os matemáticos e astrônomos, padres Domingos Capassi e Diogo Soares, nomeados por d. João V para efetuar o levantamento cartográfico do sul da Colônia, cabendo ao primeiro a parte astronômica e ao segundo a relativa às ciências naturais e geográficas. Antes de virem para o Brasil, Capassi publicara nas Acta Eruditorum de Leipzig ensaios
  • 35. 247 sobre eclipses da lua e sobre satélites de Júpiter e Diogo Soares lecionara matemática no colégio Santo Antão, de Lisboa.
  • 36. 248 Foto 1: Vila Boa de Goiás em 1751 Foto 2: Igreja São Francisco da Penitência Foto 3: Peregrino da América/capa
  • 37. 249 Década de 1730 1730 – Carta régia estabelece caminho entre São Paulo e Goiás, correspondendo aproximadamente ao trajeto do Anhanguera, “como o único caminho para as minas de Goiás, e previa penas para quem usasse desvios” (Luís Augusto Bustamante Lourenço. A Oeste das Minas (Escravos, Índios e Homens Livres Numa Fronteira Oitocentista: Triângulo Mineiro – 1750-1861. Uberlândia, Universidade Federal de Uberlândia/Instituto de Geografia, 2002, p. 34). – Organiza-se no Rio de Janeiro sociedade de mineradores, composta, entre outros, por Luís Teixeira, Inácio de Sousa e Francisco da Costa Nogueira, destinada a burlar o pagamento do imposto que recai sobre a produção do ouro, para isso montando fábrica de moedas em Paraopeba, em propriedade do guarda-mor Luís Teixeira. – Além de outros ataques em diversas oportunidades, os índios guaicurus matam mais de quatrocentos homens, entre eles o ouvidor Antônio Alves Lanhas Peixoto, quando este se dirigia a São Paulo. – Entre esse ano e 1736, os padres jesuítas e cientistas Domingos Capassi e Diogo Soares, além de inúmeros mapas, elaboram a Tabuada das Latitudes dos Principais Portos, Cabos e Ilhas do Mar do Sul na América Austral e Portuguesa. – Publicada em Lisboa a História da América Portuguesa, de Sebastião da Rocha Pita.
  • 38. 250 – Elevado à categoria de vila o arraial de N. S. do Bom Sucesso das Minas Novas do Araçuaí (Minas Novas). – Nasce em Ouro Preto, provavelmente nesse ano (aventa-se também o ano de 1738), Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. 1731 19 de Março – Expedida carta régia atinente à mineração no Brasil. – Denúncia partida de Lisboa determina devassa e ocupação da fábrica clandestina de moedas em Paraopeba. A respeito do assunto, o conselheiro José Antônio da Silva Maia, ministro de Estado no reinado de d. Pedro I, em seu livro Memórias Sobre o Quinto do Ouro em Minas Gerais, citado por Gustavo Barroso (Nos Bastidores da História do Brasil, s/d., p. 81), afirma que o principal interessado nessa fabricação de moeda falsa era “um muito próximo parente del- rei d. João V”, o que não se apurou oficialmente! 1732 – Grande epidemia assola Pernambuco, na qual se destaca a atuação do bispo d. José Fialho na assistência às vítimas. – Com o término na Bahia do quatriênio excessivamente chuvoso, segue-se outro período de quatro anos de “seca assoladora, vindo a fome coroar a obra da ruína da agricultura” (Abreu e Lima. Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª ed., p. 199).
  • 39. 251 1733 27 de Outubro – Proibida por lei a abertura de novas vias e picadas para as minas, devendo o trânsito, entrada e saída ser realizados pelos antigos e públicos caminhos. – Depois de praticarem novas matanças no sul de Mato Grosso, é mandada contra os guaicurus grande expedição que os ataca e derrota nas ilhas do rio Paraguai, o que não os impede de promover novas chacinas de colonizadores nos anos seguintes até 1775. 1734 24 de Março – Representação dos povos que se comprometem, para evitar a implantação do sistema de capitação, a contribuir com cem arrobas de ouro anualmente para a Fazenda Real. “Procurava-se o método mais próprio a promover os interesses da Fazenda, quaisquer que fossem os vexames que sofressem os povos. O grande problema consistia em sugar-lhes o sangue sem se revoltarem” (Joaquim Felício dos Santos. Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed. Rio de Janeiro, edições O Cruzeiro, 1956, p. 126). 19 de Julho – Bando do conde de Galveias, então governador da capitania de Minas Gerais, proíbe a mineração de diamantes no distrito demarcado no Tijuco, cassando as cartas de datas para exploração de lavras auríferas, patrulhando pelo Corpo de Dragões as terras demarcadas e instaurando devassa contra os violadores do bando, objetivando a medida o despovoamento do distrito dos
  • 40. 252 diamantes, “para que só a Coroa pudesse usufruir os seus tesouros, quaisquer que fossem as consequências” (Joaquim Felício dos Santos, op.cit., p. 73). 24 de Dezembro – Portaria governamental determina ao Intendente de Diamantes do Tijuco executar “todas aquelas providências que parecerem convenientes ao fim pretendido de manter severamente a proibição de extraírem-se diamantes, reduzindo o distrito em que se acharam ao estado antigo” (apud Joaquim Felício dos Santos, op. cit., p. 73/74). – Nova pastoral do bispo pernambucano d. José Fialho estende a proibição de representações de comédias em qualquer local. – Para melhor fiscalizar a extração de diamantes no Tijuco (Diamantina) cria-se a Intendência dos Diamantes. – Publicado nesse ano, segundo José Aderaldo Castelo (“O Movimento Academicista”, in A Literatura no Brasil, organizada por Afrânio Coutinho. Rio de Janeiro, editora Sul Americana, 1955, vol. I, tomo 1, p. 436), o Triunfo Eucarístico, de Simão Ferreira Machado, crônica da festa celebrada por ocasião da trasladação do sacramento da igreja do Rosário para a igreja da Senhora do Pilar em Vila Rica, ocorrida em maio do ano anterior. Já conforme Valtencir Dutra e Fausto Cunha (Biografia Crítica das Letras Mineiras. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1956, p. 22), esse “quase registro, em forma de ata, daquela cerimônia, editou-se em Lisboa, no ano de 1744”.
  • 41. 253 1735 06 de Janeiro – Para mais diretamente controlar o Tijuco, ordem governamental determina ao ouvidor-geral da comarca não mais exercer nela suas atribuições, que passam ao intendente, que exercerá, daí em diante, a jurisdição de ouvidor. 11 de Maio – O conde das Galveias, André de Melo e Castro, assume o cargo de vice-rei do Brasil, que ocupa por catorze anos. 01 de Julho – Implantado o sistema da capitação por meio de termo em sessão dos procuradores das Câmaras, abolindo-se o imposto do quinto, proibido o uso da moeda, mas tendo livre curso o uso do ouro em pó, sendo que todo habitante de Minas Gerais, mineiro ou não, passa a pagar quatro oitavas e três quartos de ouro referente a cada escravo que tenha, pagando-os também os forros e os oficiais de qualquer ofício. “O método da capitação desgraçou e arruinou muitos mineiros e roceiros, que não podendo pagar os impostos davam à penhora, e se arrematavam, seus escravos e propriedades” (Joaquim Felício dos Santos, op.cit., p. 129). – Sitiada a colônia do Sacramento por tropas espanholas de Buenos Aires, cerco que dura vinte e três meses “de refregas contínuas em terra e no mar” (Rocha Pombo. História do Brasil. 10ª ed., p. 272). – Editada em Lisboa a obra Erário Mineral, dividida em doze tratados, de autoria do médico português Luís Gomes Ferreira, destinada à divulgação em Minas Gerais, onde clinica por muitos anos, de conhecimentos médicos em linguagem acessível, versando principalmente a terapêutica baseada em plantas.
  • 42. 254 1736 14 de Fevereiro – Falece em São Paulo o padre jesuíta e cientista Domingos Capassi, a quem se deve juntamente com o padre Diogo Soares “o primeiro levantamento das latitudes e longitudes de grande parte do Brasil” (Abraão de Morais, “A Astronomia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. I, p. 104). 05 de Março – Ordem expressa do rei de Portugal para se organizar expedição contra os caiapós, em decorrência de que a “estrada, de Moji até Goiás, atravessava terras ocupadas pelos índios caiapós, nação pacífica e poderosa, que irritada pelos abusos cometidos pelos viandantes, muitas vezes interceptou o trânsito de São Paulo a Goiás” (Alexandre de Sousa Barbosa e Silvério José Bernardes. A Estrada do Anhanguera. Uberaba, tipografia Jardim, 1911, p. 8). – “Os caiapós do Triângulo, em desafronta aos maus tratos recebidos, constituíram o terror da zona, pelos seus constantes ataques a fazendeiros estabelecidos e a viajantes” (Hildebrando Pontes. História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central, p. 20). 06 de Maio – Fundada no Rio de Janeiro, no palácio do governo, a Academia dos Felizes, segunda associação literária instituída no Brasil, compondo-se de trinta membros, organizando uma Oração Acadêmica Panegírica, cujos originais se encontram na Biblioteca Nacional. 19 de Setembro – Falece no arraial da Barra/GO, por ele fundado, o Anhanguera 2º, na maior pobreza, em consequência da perseguição que lhe moveu “em 1728 o então governador de São Paulo, Caldeira Pimentel, célebre nos fastos da gatunice” (Alexandre Barbosa e
  • 43. 255 Silvério Bernardes, op. cit., p.7). – Abertura da picada de Goiás, saída de Minas Gerais e passando do lado oriental da serra da Canastra, terminada em 1738, ligando as minas goianas a São João del Rei e Vila Rica. – Comissão da Academia de Ciências da França, composta por L. Godin, P. Bouger e Charles Marie de la Condamine, dirige-se ao Peru com a finalidade de medir um arco do meridiano próximo ao Equador. – Nasce em Vila Rica o futuro compositor e cantor, Inácio Parreiras Neves, que tem duas obras recuperadas, Credo para coro misto e orquestra e Oratório ao Menino Deus Para a Noite de Natal, considerada, por Gérard Béhage, seu descobridor, segundo Vasco Mariz (História da Música no Brasil. 4ª ed., p. 49), “a única obra coral secular de Minas Gerais”. 1737 18 de Setembro – O governador nomeado para o Estado do Maranhão toma posse em Belém por ordem expressa de Portugal, segundo Abreu e Lima (op. cit., p. 200), o que se repetiria em 1751, criando-se, na prática, o Estado do Grão-Pará e do Maranhão, transferindo-se a capital de São Luís para Belém. – Fundação pelo brigadeiro José da Silva Pais da colônia de São Pedro ou do Rio Grande de São Pedro na margem direita da lagoa dos Patos, posteriormente denominada Porto Alegre. Para Mirador (vol. 17, p. 9165), isso teria ocorrido em 1740. – Publicado em Lisboa o poema sobre José de Anchieta, Orpheus Brasilicus Sive Eximius Elementaris Mundi Harmostes: Nempe
  • 44. 256 Josephus de Anchieta Novi Orbis Thaumaturgus, et Brasiliae Apóstolus, de autoria do padre jesuíta Francisco de Almeida. 1738 14 de Janeiro – Fundada no Rio de Janeiro a casa dos Expostos para abrigo de recém-nascidos abandonados, de que se origina a primeira fundação do país, denominada fundação Romão de Matos Duarte em homenagem ao instituidor da referida casa. 11 de Agosto – Criada a capitania de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro (Abreu e Lima, op. cit., p. 201). – Chega ao Rio de Janeiro para lecionar artilharia, o engenheiro militar português, José Fernandes Pinto Alpoim, “o maior arquiteto setecentista do Rio de Janeiro, autor de edifícios importantes, que revelam extremo bom gosto e requinte de acabamento” (Carlos A. C. Lemos e José Roberto Teixeira Leite, “Rio de Janeiro, o Porto do Ouro”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 229), projetando, entre outros, o Paço da Cidade (praça XV de Novembro), atribuindo-se-lhe também o projeto do convento de Santa Teresa e, em Minas Gerais, o plano urbanístico de Mariana, construindo, em Ouro Preto, a residência dos governadores, atual sede da escola de Minas e Metalurgia. 1739 10 de Junho – Contratados, por meio de arrematação, João Fernandes de Oliveira e Francisco Ferreira da Silva para extração de diamantes
  • 45. 257 por quatro anos, tendo a assisti-la o próprio governador Gomes Freire de Andrade. 18 de Outubro – Vítima da sanha da Inquisição, é degolado na praça da Forca, em Lisboa, e entregue às chamas de uma fogueira, o dramaturgo Antônio José da Silva, o Judeu, nascido no Rio de Janeiro em 1705 e autor de diversas peças teatrais, entre as quais Guerras do Alecrim e Manjerona. – Instituído por José de Sousa Armeiro o hospital da Ordem Terceira do Carmo no Rio de Janeiro.
  • 46. 258 Foto 1: Via Anhanguera Foto 2: Índios Guaicurus Foto 3: Triunfo Eucarístico Foto 4: Erário Mineral/capa Foto 5: Picada de Goiás
  • 47. 259 Década de 1740 1740 28 de Fevereiro – Extingue-se a Academia dos Felizes. – Nasce em Vila Rica o futuro compositor, regente e trompista, Marcos Coelho Neto, autor, entre outras obras, do hino Maria Mater Gratiae para coro a quatro vozes. 1741 Agosto – Início no Rio de Janeiro do internamento regular de leprosos no país, já que o lendário “Campo dos Lázaros” da Bahia constituiu “aglomerado apenas improvisado pela força das circunstâncias” (Pedro Sales. História da Medicina no Brasil, 1971, p. 114), nascendo aí “o primeiro hospital para morféticos no Rio de Janeiro, e o primeiro oficialmente instalado no Brasil” (Pedro Sales, op. cit., p. 115). 20 de Dezembro – Bula do papa Benedito XIV proíbe terminantemente, sob pena de excomunhão, que qualquer pessoa, secular ou eclesiástica, possua índios como escravos ou os reduza, por qualquer forma, a cativeiro. – Sob o comando do sargento-mor João da Silva Ferreira, autorizado por Gomes Freire de Andrade, é desferido o primeiro ataque ao quilombo do Ambrósio, sem conseguir derrotá-lo. Segundo Tarcísio José Martins (no polêmico e panfletário Quilombo do Campo Grande – A História de Minas Roubada do Povo. São Paulo, edição de A
  • 48. 260 Gazeta Maçônica, 1995, p. 184), esse seria o primeiro dos dois quilombos existentes com essa denominação, situado no município de Cristais/MG. – O bispo do Rio de Janeiro, d. João da Cruz, ao visitar Minas Gerais manifesta tanta avareza e interesse material, que são tirados os badalos dos sinos para não repicarem em sua homenagem e destelhada a casa em que reside, com o que volta ao Rio. 1742 Janeiro – A Câmara de Vila Boa (Goiás) recorre a de Cuiabá, que contrata o coronel Antônio Pires de Campos Filho para combater os índios caiapós estabelecidos na região do Triângulo, o que é efetivado. Anteriormente, “pelo menos oito pedidos de socorro aflitivos foram feitos de Vila Boa aos governadores de São Paulo, que administravam Goiás, até dezembro de 1749” (Edelweiss Teixeira. O Triângulo Mineiro Nos Oitocentos, 2001, op. cit., p. 38). – Pires de Campos Filho instala as primeiras quatro aldeias indígenas das 18 (dezoito) que, segundo Eschwege, são organizadas na região do Triângulo, ao lado da estrada do Anhanguera, visando a proteção das caravanas que nela trafegam. 1743 Janeiro – Procedido sob o comando do tenente Manuel Cardoso da Silva segundo ataque ao quilombo do Ambrósio I.
  • 49. 261 09 de Maio – Gomes Freire de Andrade, autorizado pelo rei português, estabelece Regimento ao cirurgião-substituto de Minas Gerais. “Foi, com certeza, de acordo com essa lei que se licenciou Tiradentes” (Ernesto Sales Cunha. História da Odontologia no Brasil. 3ª ed., 1963, op.cit., p. 53). Julho – O cientista francês M. de La Condamine, enviado ao Peru pela Academia Francesa na expedição destinada a determinar a medida de um arco de meridiano, encerrados os trabalhos, volta para a Europa descendo o rio Amazonas, oportunidade em que “levantou a carta do grande rio e fez observações preciosas diretamente ligadas à geografia, à astronomia, à navegação, à história natural e à física” (José Veríssimo da Costa Pereira. “A Geografia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. I, p. 327). Setembro – Chega a Belém, vindo do Peru pelo rio Amazonas, o cientista francês La Condamine. 01 de Novembro – La Condamine aproveita a ocorrência em Belém de eclipse lunar para determinar latitude e longitude, encontrando, para essa cidade, latitude: 1º28’s; longitude: 3h.24m, a oeste de Paris, além de completar os estudos realizados no Equador atinentes à variação da aceleração da gravidade com a altitude. 31 de Dezembro – Renovado no distrito Diamantino por mais quatro anos o contrato de João Fernandes de Oliveira e Francisco Ferreira da Silva. – Organizada em São João del Rei expedição armada para defender a região do arraial de Campanha das pretensões do governo paulista sobre a área.
  • 50. 262 1744 16 de Maio – Expedido para fiscalização das várias especialidades da medicina o Regimento aos Comissários do Físico-Mor deste Reino, nos Estados do Brasil. 11 de Agosto – Nasce na cidade do Porto/Portugal, o futuro poeta e conspirador mineiro Tomás Antônio Gonzaga. – Impresso em Lisboa o livro Exame de Artilheiros, de autoria do sargento-mor José Fernandes Pinto Alpoim, professor de artilharia no Rio de Janeiro. 1745 10 de Novembro – Nasce em Goiana/PE o futuro médico José Correia Picanço, que exercerá papel fundamental na instalação de ensino médico no Brasil ao convencer d. João VI a promovê-lo em caráter oficial. – Pela bula papal Candor Lucis Eternae são criados os bispados de São Paulo e de Mariana/MG e as prelazias de Cuiabá e Goiás. – Nasce em São José do Rio das Mortes/MG (atual Tiradentes), o compositor Manuel Dias de Oliveira, autor de várias obras, entre elas, Ofício de Defuntos para coro e órgão, Magnificat e Sábado Santo de Manhã. – Publicado na França o livro em que La Condamine descreve a viagem empreendida pelo rio Amazonas do Peru a Belém, intitulado Rélation Abrégée d’Un Voyage Fait Dans l’Intérieur de l’Amérique
  • 51. 263 Méridionale - avec une carte du Maragnon, ou de la Rivière des Amazones, em que, como costume nesses séculos, o longo título representa verdadeira sinopse da obra. – Após pelo menos quatro décadas de dúvidas e disputas entre as vilas Rica e do Carmo para sediar diocese, o rei d. João V escolhe a vila do Carmo, que é elevada à categoria de cidade e rebatizada de Mariana em homenagem à rainha. 1746 01 de Junho – Bando e portaria do governador da capitania de Minas Gerais, conde de Bobadela (Gomes Freire de Andrade) para equipar e organizar corpo de armas que, sob o comando do capitão Antônio João de Oliveira, ataca o quilombo do Ambrósio, que chega a ter 1.000 habitantes, situado, segundo Valdemar de Almeida Barbosa, citado por Tarcísio J. Martins, entre os rios Quebra-Anzol e Misericórdia, no município de Ibiá, estação de Tobati, região do Triângulo, sendo Ambrósio aprisionado e morto nesse ano. Entretanto, segundo Tarcísio José Martins (História da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p. 186 e seguintes), esse seria a terceiro ataque ao quilombo do Ambrósio I, situado no município de Cristais, e nele Ambrósio não teria sido morto. 12 de Outubro – Nasce na vila do Príncipe do Serro Frio, em Minas Gerais, o futuro compositor José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, ao qual o pesquisador Curt Lange atribui a autoria de mais de trezentas obras musicais, das quais sobrevivem, informa Vasco Mariz (op.cit., p. 47), apenas quarenta, entre as mutiladas e completas. “José
  • 52. 264 Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, no entender de Curt Lange, possuía uma técnica expressiva e avançada para sua época, bem como notável versatilidade de temperamento artístico. Seu estilo oscila entre Pergolesi e Mozart, embora evidencie influência instrumental vinda da Itália. Suas obras manifestam uma invenção melódica muito rica, senso de forma, completa identificação com a mensagem do texto litúrgico e grande habilidade na arte da modulação” (Vasco Mariz, op.cit., p. 48). 11 de Dezembro – Toma posse o sexto bispo do Rio de Janeiro, d. Antônio do Desterro, cuja atuação é em tudo por tudo contrastante com a de seu antecessor, caracterizando-se pela prudência, caridade, virtude e assistência a indigentes e órfãos desvalidos. – Nasce em fazenda situada entre São José do Rio das Mortes (atual Tiradentes) e São João del Rei, Joaquim José da Silva Xavier, mais tarde apelidado de Tiradentes por exercer a atividade de dentista prático. – Os paulistas tentam invasão do território de Minas, tendo a Câmara da vila de Moji tomado posse do arraial de Santana do Sapucaí e designado guarda-mor para administrar as concessões auríferas, reagindo o governo mineiro e o bispo de Mariana com o envio à região de representantes para dela tomar posse, instalando-se o julgado de Sapucaí. – Montada no Rio de Janeiro pelo impressor português Antônio Isidoro da Fonseca, com permissão do governador, pequena tipografia que a Corte portuguesa manda posteriormente abolir e queimar “para não propagar ideias que poderiam ser contrárias aos interesses do Estado” (Moreira de Azevedo, apud Nélson Werneck Sodré. História
  • 53. 265 da Imprensa no Brasil. 3ª ed., 1983, p. 17). Antes, porém, além de outros folhetos, imprime a Relação da Entrada do Bispo Antônio do Desterro, de Luís Antônio Rosado da Cunha, com dezessete páginas, primeiro folheto impresso no Brasil. 1747 31 de Dezembro – O terceiro contrato de diamantes da região do Tijuco (Diamantina), é arrematado por Felisberto Caldeira Brant. 1748 03 de Maio – Vexada por novo inverno de chuvas torrenciais, desmorona parte de morro em Salvador destruindo todas as casas que se lhe antepõem e matando os seus moradores, com o que os habitantes da cidade baixa abandonam suas casas por vários dias. 09 de Maio – Criada por alvará de d. João V a capitania de Mato Grosso. Maio – Instituída a capitania de Goiás, desmembrada de São Paulo e com esta dividindo, ao sul, pelo rio Grande, pelo que a região posteriormente conhecida como Triângulo Mineiro a integra. Em Mirador (vol. X, p. 5.366), registra-se o fato como ocorrido em 1744, mas só efetivado em 1749, com a posse do primeiro governador. Junho – Martim Correia de Sá, procurador do visconde de Asseca, é impedido pela população de Campos/RJ, que cerca a Câmara, de tomar posse da capitania da Paraíba do Sul, doada ao referido
  • 54. 266 visconde, população que prende os camaristas e os envia a Salvador, ataca a casa do capitão-mor, a quem também prende após muitas mortes, procedendo em seguida a eleição de novos vereadores. Tropa enviada à cidade põe os revoltosos em fuga e dá posse ao citado procurador, que fica garantido por destacamento de oitenta soldados. 02 de Agosto – Provisão expedida nessa data, “em virtude da resolução do Conselho Ultramarino, datada de 7 de março do ano anterior, determinando que os confins do governo de Goiás fossem da parte sul, pelo rio Grande” (Hildebrando Pontes. História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central, 1970, p. 50/51). 28 de Novembro – Posse do primeiro bispo de Mariana, frei Manuel da Cruz, oportunidade em que são lidos poemas e discursos editados no ano seguinte em Lisboa, sob o título Aureo Throno Episcopal. – Em razão dos caiapós terem retornado a seus ataques a fazendas e caravanas de viajantes na região do Triângulo, Pires de Campos Filho é novamente encarregado de combatê-los pelo governador da província de São Paulo, Luís de Mascarenhas, sendo os índios derrotados e dispersados para oeste, na confluência dos rios Grande e Paranaíba. – Nasce no Rio de Janeiro, o futuro poeta e conspirador mineiro, Inácio José de Alvarenga Peixoto, indicando-se também os anos de 1743 e 1744 para seu nascimento. – Bourguignon d’Anville elabora a Carte de l’Amérique Méridionale. – Impresso em Madri o livro Exame de Bombeiros, do sargento-mor José Fernandes Pinto Alpoim, professor de artilharia no Rio de Janeiro. – Falece em Minas Gerais o cientista padre jesuíta Diogo Soares.
  • 55. 267 1749 14 de Julho – Por ordem régia inicia-se no Pará a viagem de expedição destinada ao rio Madeira. 25 de Setembro – A expedição originária do Pará atinge a embocadura do rio Madeira. 17 de Dezembro – Chega às cachoeiras do rio Madeira a expedição exploratória desse rio. 17 de Dezembro – O décimo conde de Atouguia, Luís Pedro Peregrino de Carvalho de Meneses e Ataíde, passa a ocupar o cargo de vice-rei do Brasil. – Por determinação do governador de São Paulo, Luís de Mascarenhas, já destituído do cargo, mas, sem sabê-lo, dado o atraso da correspondência, Pires de Campos Filho instala, para proteção de moradores e viajantes, mais 13 (treze) aldeias ao longo da estrada do Anhanguera entre os rios Grande e Paranaíba, nelas alojando índios mansos bororós, parecis, carajás, javaés e tapirapés, que compõem sua tropa. – “O papel defensivo e militar exercido pelos aldeamentos da capitania de Goiás era evidente, não só na Farinha Podre [atual região do Triângulo], onde foram criados explicitamente com esse objetivo [....] Outro papel desempenhado pelos aldeamentos da Farinha Podre, por causa de sua localização, era o de local para pousos de tropas [....] Dispunham do apoio logístico da população vizinha, que preparava os víveres vendidos aos viajantes” (Luís Augusto Bustamante Lourenço. A Oeste de Minas, 2005, p. 40 e 41).
  • 56. 268 – Nasce em Vila Rica (atual Ouro Preto), no distrito de Santo Antônio de Casa Branca (atual Glaura), o futuro poeta Manuel Inácio da Silva Alvarenga, cujo célebre poema dá o nome ao distrito. – Editado em Lisboa, a respeito da Lagoa Santa, o livro Prodigiosa Lagoa Descoberta nas Congonhas das Minas de Sabará, do cirurgião português João Cardoso de Miranda, monografia onde ressalta o valor curativo de suas águas, assumindo “em relação à Lagoa Santa, no campo da medicina, uma posição semelhante à do dr. Lund, relativamente à paleontologia” (Pedro Sales, op.cit., p. 57). – Editada em Lisboa a obra Anais Históricos do Maranhão, de Bernardo Pereira de Berredo, que governou o Estado de 1718 a 1722, em que aborda a história do Maranhão desde seu descobrimento até o referido ano, descrevendo também, pormenorizadamente, a famosa bandeira de Antônio Raposo Tavares. – “Como aventura, como epopeia, a História dos Estados Unidos não tem nada de comparável. Um Fernão Dias Pais, um Antônio Raposo Tavares, um Borba Gato só encontram símiles entre os gigantes da conquista do México e do Peru ou entre os conquistadores franceses do Canadá” (Viana Moog. Bandeirantes e Pioneiros. 13ª ed., 1981, p. 168). – Elaborado em Lisboa sob a direção do governo português e organização de Alexandre de Gusmão, O Mapa dos Confins do Brasil Com as Terras de Espanha na América Meridional, com base nos trabalhos e levantamentos efetuados pelos jesuítas Diogo Soares e Domingos Capassi e por outros cientistas, sendo que o mapa dos citados jesuítas direciona as negociações do Tratado de Madri
  • 57. 269 realizado no ano seguinte, sendo considerado “a primeira carta oficial do Brasil”.
  • 58. 270 Foto 1: Aureo Throno Episcopal/capa Foto 2: Mapa dos Confins do Brasil Foto 3: Livro de La Condamine/capa Foto 4: Carte de l’Amérique Méridionale
  • 59. 271 Década de 1750 1750 13 de Janeiro – Assinado o Tratado de Madri entre Espanha e Portugal, em cuja elaboração destaca-se Alexandre Gusmão, abolindo “qualquer direito e ação, que possam alegar as duas Coroas por motivo da bula do papa Alexandre VI, de feliz memória, e dos Tratados de Tordesilhas, de Lisboa e Utrecht, da escritura de venda outorgada em Saragoça e de outros quaisquer tratados, convenções e promessas” (artigo I) e dispondo do artigo III ao X sobre diversos limites, para no artigo XIII Portugal ceder “para sempre à Coroa de Espanha a colônia do Sacramento, e todo o seu território adjacente a ela, na margem setentrional do rio da Prata” e no XIV a Espanha “cede para sempre à Coroa de Portugal tudo o que por parte de Espanha se acha ocupado [....] desde o monte de Castilhos Grandes [....] até a cabeceira, e origem principal do rio Ibicuí”, além de outras áreas próximas, o que inclui os aldeamentos dos Sete Povos das Missões, de onde “sairão os missionários com todos os móveis e efeitos levando consigo os índios para os aldear em outras terras de Espanha” (artigo XVI, apud Eugênio Vargas Garcia. Diplomacia Brasileira e Política Externa – Documentos Históricos 1493-2008. Rio de Janeiro, editora Contraponto, 2008), pelo que representantes de ambas as nações procurarão demarcar as novas áreas mediante etapas e procedimentos determinados para permutações de territórios ocupados na vigência de tratado anterior.
  • 60. 272 14 de Abril – Após vencidas dezenove cachoeiras do rio Madeira e navegar pelo Aporé, a expedição saída do Pará em 14 de julho do ano anterior alcança as minas de Mato Grosso, seu destino. Sobre a viagem escreve José Gonçalves da Fonseca ensaio publicado em 1826 pela Academia Real de Ciências de Lisboa. 30 de Julho – Falece o rei português d. João V, ascendendo ao trono seu filho d. José I. – Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, assume o Ministério de Negócios Estrangeiros e da Guerra por nomeação de d. José I, “príncipe timorato, sem vontade própria, inexperiente [....] deixou-se cegamente guiar por Sebastião José de Carvalho, depois marquês de Pombal, a quem entregou as rédeas do governo [....] É uma época célebre na história portuguesa, a do ministério de Pombal; mas, déspota sanguinário, violento reformador, orgulhoso, interesseiro, vingativo, todas as suas reformas ressentiram-se de seu caráter, e o impulso salutar, que pretendeu dar à sua administração, só durou com o seu governo: teve a existência efêmera das obras do despotismo” (Joaquim Felício dos Santos. Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed., 1956, p. 114). – Representantes do rei Tegbessu, de Daomé, presenteiam o conde de Atouguia, vice-rei do Brasil, com quatro negras. – Iniciado o cultivo do café nas capitanias do Norte, incrementando-se sua cultura nas capitanias do sul nos princípios do século XIX. – Padre José de Castilho, jesuíta, funda a tida como 18ª aldeia indígena, atual Indianópolis, na região do Triângulo. – Por volta desse ano, chega a Belém/PA, numa das missões de técnicos contratada ainda ao tempo de d. João V para demarcação de
  • 61. 273 divisas entre as colônias de Portugal e Espanha na América, o arquiteto italiano Antônio José Landi, que deixa inúmeras obras de real valor na capital paraense, entre elas, o palácio dos Governadores, concluído em 1771, o Hospital Militar, inúmeras residências e igrejas, entre estas, a igreja de São João Batista, considerada sua obra-prima e “jóia da arquitetura brasileira e mundial” (Carlos A. C. Lemos e José Roberto Teixeira Leite, “O Estado do Maranhão e Grão-Pará”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 209). – Maria da Conceição Resende Fonseca, no ensaio A Atividade Musical do Século XVIII na Capitania Geral de Minas Gerais (Boletim da Biblioteca Pública Estadual, nº 2, 1971), citado por Bruno Kiefer (op.cit., p. 36), informa que a casa da Ópera de Vila Rica, atual teatro Municipal, foi construída antes de 1750. Encontraram-se documentos atestando que pelo menos seis peças ou óperas foram nela encenadas: A Ciganinha, Jogos Olímpicos, Coriolano, Alexandre na Índia, O Mundo da Lua e Os Triunfos de São Francisco. Meados do Século – “No terreno da cirurgia [odontológica] imperavam as extrações, feitas com primitivos instrumentos: o pelicano, algumas alavancas e boticões abrutalhados, e as chaves de Garengeot. As extrações eram feitas sem nenhum artifício para embotar a dor. Para exercer a profissão, em primeiro lugar era preciso ‘que o dentista fosse jovem de espírito, e cheio de coragem, e como disse um sábio francês, tivesse o coração piedoso e a mão cruel’ (Tratato Sopra i Denti. Antônio Campani – 1786)” (apud Ernesto Sales Cunha. História da Odontologia no Brasil. 3ª ed., 1963, p. 61).
  • 62. 274 1751 04 de Março – Regimento regula o funcionamento das casas de fundição do ouro em Minas Gerais. 01 de Agosto – Restabelecido o imposto do quinto em Minas Gerais 24 de Setembro – Toma posse do governo do Estado do Maranhão, na cidade de Belém, onde deve residir por ordem real, o capitão- general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do marquês de Pombal. 13 de Outubro – O Brasil passa a ter duas seções judiciárias com a criação do Tribunal da Relação do Rio de Janeiro, com jurisdição do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul, continuando a Relação da Bahia com o restante da colônia. Segundo Arno e Maria José Wehling, citados por Antônio Carlos Wolkmer (História do Direito no Brasil. 3ª ed., 2003, p. 62), o Tribunal do Rio de Janeiro era, simultaneamente, instância recursal ao julgar apelações e agravos, instância originária ao receber, processar e decidir ações novas, cíveis, criminais e do patrimônio estatal, “possuindo, também, competência avocatória” em juízo criminal. 1752 30 de Janeiro – Fundada a Academia dos Seletos no Rio de Janeiro, a terceira do país no gênero, por iniciativa de Feliciano Joaquim de Sousa Nunes e apoio do governador Gomes Freire de Andrade, só
  • 63. 275 realizando a reunião inaugural. Outra versão indica que essa Academia teria sido fundada pelo padre jesuíta Francisco de Faria. Abril – Enviado à Sé de Mariana pelo rei português d. José I, por vontade de seu pai, d. João V, quando ainda vivo, órgão construído na Alemanha no início do século. Dezembro – Desse mês até julho de 1759, com algumas interrupções, comissão de astrônomos enviada por Portugal, composta dos cientistas Miguel Ângelo Blasco e Bartolomeu Panigai, realiza observações no sul do Brasil, de Castelos Grandes até a foz do rio Ibicuí. – Fato circunstancial desencadeia terríveis consequências para Felisberto Caldeira Brant, o segundo contratador de diamantes, quando o novo ouvidor do Tijuco, José Pinto de Morais Bacelar, “comportou-se no templo, enquanto se celebravam as cerimônias religiosas, de maneira a mais inconveniente, ostentando uma libertinagem e falta de respeito ao culto” (Joaquim Felício dos Santos, op.cit., p. 115). Nessa ocasião, jovem da família de Caldeira Brant desperta-lhe a atenção e o interesse, a ponto de, em certo momento, atirar-lhe uma flor ao colo, que é repelida, causando o fato estupefação geral e até indignação. Caldeira Brant chama-lhe a atenção e o espera fora de igreja, exigindo satisfação, iniciando-se discussão culminada com punhalada que Felisberto lhe dá e que, no entanto, não o fere por ter resvalado por botão de metal da casaca. A partir daí, o referido ouvidor e o intendente passam a perseguir Caldeira Brant. – Tomás Antônio Gonzaga chega ao Brasil, acompanhando o pai designado ouvidor-geral da capitania de Pernambuco.
  • 64. 276 – Publicado em Portugal aquele que é considerado o primeiro romance escrito por brasileiro, Aventuras de Diófanes, da paulista Teresa Margarida da Silva e Horta, sob o pseudônimo de Doroteia Engrassia Tavareda Dalmira. Nesse mesmo ano surge Reflexões Sobre a Vaidade dos Homens, de Matias Aires Ramos da Silva de Eça, irmão de Teresa Margarida. 1753 20 de Fevereiro – Emitida ordem sigilosa de prisão e de sequestro de todos os bens do contratador de diamantes Felisberto Caldeira Brant, sob o pretexto de falta de pagamento de impostos, mas, na realidade, vítima de perseguição do intendente e do ouvidor do Tijuco desde o incidente havido entre este e Felisberto por motivo de comportamento que tivera com uma de suas parentes por ocasião da semana santa do ano anterior e vítima ainda do marquês de Pombal, já que “o que se queria era perder o contratador, cujo poderio em Tijuco o marquês de Pombal temia e procurava aniquilar” (Joaquim Felício dos Santos, op. cit., p. 122). Maio – Face à resistência oposta pelos indígenas à sua saída do aldeamento dos Sete Povos das Missões, conforme previsto no Tratado de Madri (1750), “resolvera-se em maio (1753) fazer pela guerra o que não se conseguia ‘por meios pacíficos’ ” (Rocha Pombo. História do Brasil. 10ª ed., 1961, p. 275). 01 de Junho – Por ordem régia é comprada ao donatário e incorporada à Coroa a capitania de Paraíba do Sul.
  • 65. 277 11 de Agosto – Além de outras medidas drásticas visando cercear o contrabando de diamantes, é expedida lei proibindo toda espécie de faisqueira de ouro no distrito Diamantino, afetando principal e diretamente a “classe pobre, que quase toda era faiscadora” (Joaquim Felício dos Santos, op. cit., p. 131). 31 de Agosto – Chega ao Tijuco o governador da capitania para proceder a prisão de Caldeira Brant. Como todas as pessoas de destaque do distrito, os Caldeiras vão-lhe ao encontro e o cumprimentam, o qual lhes responde secamente, ordenando-lhes que se coloquem na retaguarda e como não é prontamente atendido manda-os prender. Pretendendo Felisberto saber qual seu crime, é separado dos seus, cercado e detido, sendo posteriormente mandado ao Rio de Janeiro e depois a Lisboa. 01 de Setembro – Inicia-se o sequestro dos bens dos Caldeira Brant, que são reduzidos à miséria. 31 de Dezembro – Falece em Lisboa, aos cinquenta e oito anos, o diplomata brasileiro nascido em Santos, Alexandre de Gusmão, sobrinho do padre homônimo e irmão do inventor Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Em Portugal, para onde se transferiu, formou-se e fez brilhante carreira administrativa e diplomática, destacou-se como planejador do Tratado de Madri e atuou em todos os atos relevantes da diplomacia portuguesa de seu tempo, deixando ensaios políticos e literários. – João Fernandes de Oliveira arremata o quarto contrato de diamantes. – Chega ao Brasil, o cientista e jesuíta Inácio Szentmartonyi (chamado Sermatoni) para efetuar as demarcações de limites entre Portugal e
  • 66. 278 Espanha na Amazônia, levantando as coordenadas de diversas cidades da região. – Instalado na Sé de Mariana/MG, onde funciona e é utilizado até hoje em cerimônias litúrgicas e atividades culturais, o órgão alemão presenteado pelo rei português d. João V e remetido por seu filho, então rei, d. José I. 1754 17 de Agosto – Segundo o Novo Dicionário de História do Brasil (2ª ed., 1971, p. 614), em decorrência do retorno do vice-rei a Portugal, novo triunvirato assume o governo, composto de José Botelho de Matos, Manuel Antônio da Cunha Souto Maior e Lourenço Monteiro. – O padre cientista Sermatoni efetua desse ano até 1756 em Barcelos, antiga capital do Amazonas, as primeiras medições quantitativas no Brasil da temperatura do ar. – Publicado em Lisboa o livro Júbilos da América, na Gloriosa Exaltação e Promoção do Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor Gomes Freire de Andrade, contendo trabalhos dos membros da Academia dos Seletos. 1755 04 de Abril – Alvará de iniciativa do marquês de Pombal determina sejam igualados os mestiços de brancos e portugueses, proibindo “dar-se-lhes o nome de caboclos, de outros semelhantes, que se
  • 67. 279 possam reputar injuriosos” (apud José Ramos Tinhorão, in Marcos Holler, op. cit., p. 160). Já Abreu e Lima informa que nesse dia é expedida carta régia, na qual d. José I declara que “os vassalos do reino da América, que casassem com índias, não ficariam com infâmia alguma, antes se fariam dignos da real atenção para empregos, honras e dignidades sem necessidade de despesa: o mesmo seria para com as portuguesas, que se casassem com os índios” (op.cit., p. 219). 06 de Junho – Lei dessa data ordena a observância da lei de 1680, declarando livres os índios do Estado do Maranhão. 07 de Junho – Organizada a Companhia Geral do Comércio do Grão- Pará e Maranhão por decreto real, dirigida por Junta sediada em Lisboa e destinada especialmente ao tráfico de escravos. Essa Companhia provoca reclamações, a ponto de se dirigir súplica ao rei d. José I, cujo primeiro-ministro, marquês de Pombal, como é de seu feitio, decreta a prisão e degredo para Marrocos do advogado João Tomás Negreiros, redator da petição, bem como de várias outras pessoas envolvidas no assunto. 13 de Agosto – Segundo Abreu e Lima (Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª ed., 1983, p. 219), por alvará é aprovado o estatuto da Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba, associação de comerciantes dessas províncias com seus congêneres das praças de Lisboa e Porto. 01 de Novembro – Lisboa é praticamente destruída por terremoto. Felisberto Caldeira Brant, o contratador de diamantes do Tijuco, que lá está preso, vê-se momentaneamente livre, mas, “tendo desabado a prisão em consequência do terremoto e tendo morrido seu filho mais
  • 68. 280 velho, Caldeira apresentou-se ao marquês de Pombal referindo-lhe o acidente e pedindo-lhe que lhe indicasse onde devesse residir. O marquês admirou-se desse procedimento leal, porque todos os outros presos que escaparam da catástrofe se tinham evadido. No mesmo dia referiu o ocorrido a João Pereira Ramos, ao bispo de Coimbra e ao general Godinho, todos brasileiros. Estes aproveitaram o ensejo para interceder pelo infeliz Caldeira, demonstrando a sua inocência e a intriga de que fora vítima. Pombal deu-lhe a liberdade e ordenou que se procedesse à liquidação de suas contas e ao exame do sequestro de seus bens” (visconde de Barbacena, filho do marquês de Barbacena e bisneto de Felisberto, apud Joaquim Felício dos Santos, Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed., 1956,, p. 125). 23 de Dezembro – Marcos de Noronha e Brito, sexto conde dos Arcos, assume o cargo de vice-rei do Brasil, datação de que discrepa a Mirador (vol. IV, p. 1.588), assinalando o ano anterior para a ocorrência. – Regressa a São Paulo, após quatro anos como escrivão da guardamoria do distrito de Pilar, em Minas Gerais, Pedro Taques de Almeida Pais Leme, que inicia ou retoma seus estudos de história e genealogia, prosseguidos mesmo após várias peripécias em sua vida e novas incumbências profissionais. – “Até o período pombalino (1755–1777), não havia, da parte do Estado português, o desígnio de ocupar o interior da colônia como um fim em si mesmo, já que o papel desta, na sua concepção mercantilista, era gerar riquezas, sobretudo auríferas [....] No entanto, as concepções geopolíticas do reino de Portugal, relativas ao território de sua colônia americana, mudaram muito na segunda
  • 69. 281 metade do século XVIII, com a emergência do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, marquês de Pombal, elevado à condição de principal figura do Estado português entre 1750 e 1777 [....] Pombal iniciou uma obra de engenharia política e econômica, a partir de 1755 [....] Além da demarcação de fronteiras, Pombal via como essencial o povoamento do território, como forma de preservá-lo das ambições espanholas e estrangeiras em geral” (Luís Bustamante Lourenço, A Oeste das Minas, 2002, p. 43, 45 e 46). 1756 – Tropas portuguesas e espanholas, arregimentadas do lado português por Gomes Freire de Andrade, conde de Bobadela, governador do Rio de Janeiro, e pelo coronel Tomás Luís Osório e, da parte da Espanha, por José de Andonaégui, governador de Buenos Aires, atacam o território das Missões para dar cumprimento ao Tratado de Madri, dele se apossando, perdendo apenas quarto combatentes, enquanto os guaranis, chefiados pelo cacique Nicolau Nhanguiru, perdem mil e duzentos, no que é conhecido como Guerra Guaranítica, tema do futuro poema O Uraguai, de José Basílio da Gama. 1757 11 de Maio – Por decreto é incorporado à província de Minas Gerais o território de Minas-Novas de Araçuaí, pertencente à Bahia.
  • 70. 282 11 de Julho – Criada por decreto no alto Amazonas a província de São José de Javari ou Rio Negro, cujo governador será subordinado ao do Grão-Pará. – Ataques de goitacases e botocudos nas províncias de Minas Gerais e Rio de Janeiro nesse e nos anos seguintes, segundo Abreu e Lima (op.cit., p. 222), são suspensos mediante a intermediação do padre Ângelo Peçanha, promovendo aliança entre os goitacases e os portugueses. – Na obra Etíope Resgatado, Empenhado, Sustentado, Corrigido, Instruído e Libertado, editada em Lisboa, o padre Manuel Ribeiro da Rocha propugna para que se conceda a liberdade aos filhos de mães escravas, sendo o primeiro ou um dos primeiros abolicionistas do país. 1758 07 de Maio – Empossado o primeiro governador da província de São José do Javari ou do Rio Negro. 08 de Maio – Alvará estende as determinações de liberdade dos índios do Maranhão a todos os índios do Brasil, sendo “esse o grande e quase decisivo golpe dado na torpe instituição que colonos e jesuítas exploraram por mais de dois séculos – aqueles aberta e cinicamente, estes com o pretexto da catequese e sob o manto da filantropia religiosa” (Martins Júnior, História do Direito Nacional. 2ª ed., 1941, p. 211).
  • 71. 283 1759 19 de Janeiro – O marquês de Pombal decreta o banimento dos jesuítas do território português, atribuindo à Companhia de Jesus a responsabilidade por alegada conjuração contra o rei que teria ocorrido no mês de setembro anterior. Janeiro – A segunda comissão enviada pelo governo português para efetuar observações astronômicas no sul do Brasil, composta dos cientistas José Fernandes Pinto Alpoim, Antônio de Veiga e Andrade e Manuel Pacheco de Cristo, realiza seus serviços desse mês até dezembro de 1760, da foz do rio Ibicuí até o salto do rio Paraná. 01 de Abril – Chega à Belém, depois de segunda e longa viagem à província do Rio Negro (atual Amazonas), como coordenador da comissão de demarcação das fronteiras amazônicas, o governador do Estado do Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do marquês de Pombal, já encontrando empossado desde o dia 02 de março anterior seu sucessor na governadoria do Estado. 19 de Maio – Fundada em Salvador, por iniciativa do desembargador José Mascarenhas Pacheco Pereira de Melo, a Academia Brasílica dos Acadêmicos Renascidos, cronologicamente a quarta do país, especialmente para elaborar história eclesiástica e secular, geográfica e natural, política e militar da América Portuguesa, o que não é conseguido, visto que embora protegida pelo marquês de Pombal, seu fundador cai em desgraça por se recusar a prender e deportar os jesuítas, permanecendo detido por muitos anos. Compõe-se de quarenta membros efetivos e oitenta e três extranumerários brasileiros, portugueses e espanhóis, funcionando até o ano seguinte e deixando a
  • 72. 284 História Militar do Brasil, do espanhol tenente-coronel José Mirales, só publicada em 1900 nos Anais da Biblioteca do Rio de Janeiro. 08 de Junho – Portaria expedida pelo governador de Minas, 2º conde de Bobadela (José Antônio Freire de Andrade), encarrega o capitão Bartolomeu Bueno do Prado (e sua tropa de 400 homens) de exterminar o quilombo Grande ou Tengo-Tengo, sucessor do quilombo do Ambrósio ou Ambrósio-II segundo Tarcísio José Martins, situado no município de Ibiá, na região do Triângulo, atacando também outros quilombos na região e também seu apêndice, o quilombo de Bambuí, “expedição que praticou contra os negros as maiores trucidações” (Hildebrando Pontes, História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central, 1970, p. 47). 01 de Julho – O quinto contrato de diamantes do distrito do Tijuco é arrematado por João Fernandes de Oliveira e dois outros indivíduos, tendo vigência por um ano. 02 de Julho – Elaborada em Salvador a peça musical profana Recitativo e Ária para voz, dois violinos e baixo contínuo, “a mais antiga obra musical erudita conhecida na história da música no Brasil” (Régis Duprat, apud Bruno Kiefer. História da Música Brasileira, 2ª ed., 1977, p. 20), conquanto sua importância seja “mais histórica do que estética, pois é bastante pobre musicalmente” (Bruno Kiefer, op.cit., p. 20). O autor da peça seria o padre Caetano de Melo Jesus, mestre de capela da Sé de Salvador, segundo o musicólogo estadunidense Robert Stevenson, citado por Régis Duprat, por sua vez referido por Kiefer. Caetano de Melo Jesus é considerado por Curt Lange, “O maior teórico das Américas” (apud Vasco Mariz. História da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p. 41), “sendo um dos raros
  • 73. 285 brasileiros citados no dicionário biográfico de José Mazza [....] José Maria Neves considera o citado Tratado [Tratado de Escola de Canto e Órgão, elaborado nesse ano e no seguinte pelo padre Caetano] como o melhor produzido em português, com informações preciosas sobre as técnicas composicionais e as bases estéticas da música moderna de então” (Vasco Mariz, op.cit., p. 50). 17 de Julho – Autorizada por ordem real a exploração do sal em Cabo Frio e Pernambuco, suspensa desde 1691. 28 de Julho – Prorrogado por alvará o quinto contrato de diamantes do Tijuco. 03 de Setembro – Por lei são declarados os jesuítas desnaturalizados, proscritos e exterminados dos territórios portugueses, em decorrência tanto do poderio político e administrativo atingido pela Companhia de Jesus quanto econômico, incomodando e preocupando a Coroa, além dos privilégios de isenção de tributos, bem como sua permanente defesa da liberdade dos índios e utilização de seu trabalho nas aldeias em proveito próprio, comercializando os bens coletados ou produzidos pelos índios (tese, aliás, defendida pelo historiador Mecenas Dourado, em A Conversão do Gentio, 1968), acrescida da posição pessoal do marquês de Pombal. Mas de seiscentos inacianos são obrigados a deixar o país, fechando-se seus colégios e demais casas. Na Europa, os jesuítas são confinados em aldeias portuguesas ou presos em calabouços. – Por essa ocasião, a Companhia de Jesus possui no país doze colégios (Pará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco (2), Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo (2), Paraná e Santa Catarina), seminários (Pará, Maranhão (2), Paraíba, Bahia (2), Minas Gerais), além de inúmeras
  • 74. 286 casas, missões e residências. A biblioteca do colégio em Salvador contém cerca de quinze mil livros, sendo considerada a mais importante do Brasil. Já a biblioteca do colégio do Rio de Janeiro tem cerca de cinco mil e quatrocentos volumes. Dezembro – Destruído o quilombo Grande em Bambuí/MG, “sucessor do quilombo do Ambrósio [....] após seis meses de luta” (Edelweiss Teixeira. O Triângulo Mineiro nos Oitocentos, 2001, p. 64). – Iniciadas nesse ano, estendendo-se até 1780, as atividades da Companhia Geral do Comércio de Pernambuco e Paraíba, instituída pelo governo português segundo diretivas do marquês de Pombal, intercambiando entre o Brasil, a Europa e a África produtos, medicamentos e escravos e, daqui para lá, produtos primários. – Segundo Arno e Maria José Wehling, citado por Antônio Carlos Wolkmer (op.cit., p.63), “na Bahia, entre 1609 e 1759, dos 168 [cento e sessenta e oito] desembargadores, apenas 9 [nove] eram brasileiros”. Só se atinge a desembargadoria após atuação como juiz de fora e, depois, ouvidor de comarca e corregedor. – Elaborado o livro História da Companhia de Jesus na Extinta Província do Maranhão e Pará, do padre José de Morais, porém só editado em 1860.
  • 75. 287 Foto 1: Terremoto de Lisboa Foto 2: O Uraguai/capa Foto 3: História Militar do Brasil/capa Foto 4: Quilombo do Ambrósio, nas imediações do município de Ibiá, na região do Triângulo
  • 76. 288 Década de 1760 1760 09 de Janeiro – O primeiro marquês de Lavradio, Antônio de Almeida Soares e Portugal, assume o cargo de vice-rei do Brasil. Será o último dos governantes da Colônia sediado em Salvador. 04 de Julho – Por falecimento do titular, marquês do Lavradio, assume o governo triunvirato composto de Tomás Rubim de Barros Barreto (não aprovado pela Corte portuguesa e substituído por José de Carvalho de Andrade), Gonçalo Xavier de Barros Alvim e, a partir de julho de 1762, o bispo d. Manuel de Santa Inês. 04 de Agosto – Decretos reais suspendem as relações entre o reino português e a Santa Sé e regulamentam série de procedimentos a serem seguidos por vassalos de ambas as Cortes no território português. 09 de Setembro – Por Carta Régia dessa data, Rio Grande de São Pedro é elevada à categoria de capitania, separada de Santa Catarina. – Mudas de café são transportadas do Pará para o Rio de Janeiro por João Alberto de Castelo Branco, que providencia as primeiras plantações no pomar da chácara dos frades barbonos. – Iniciada a exportação de algodão produzido no Brasil pela Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão. – O esgotamento das jazidas superficiais de ouro e diamantes da região central de Minas Gerais e o esgotamento ou mesmo destruição do solo pelos métodos hidráulicos de mineração ocasionam movimento centrífugo das populações dessas regiões que se espalham
  • 77. 289 pelo Triângulo, São Paulo e Goiás, determinando a antecipação e o aceleramento de seu povoamento, substituindo os geralistas, como eram denominados, a mineração pelas atividades agropastoris e artesanais. “Um grande (e pouco estudado) movimento centrífugo de população, talvez o maior até então visto, tendo como área de repulsão a região mineradora da capitania de Minas Gerais, iniciou- se, a partir da década de 1760, em direção a todas as regiões circunvizinhas” (Luís Bustamante Lourenço. A Oeste das Minas, 2002, p. 69), constituindo “o grande motor da transformação de uma região indígena numa região de unidades rurais agropastoris, integrada ao mercado interno da Colônia e do Império” (idem, idem, p. 89). – Provável ano da fundação do povoado do Desemboque, na região do Triângulo, então goiano, segundo Edelweiss Teixeira (O Triângulo Mineiro nos Oitocentos, 2001, p. 71), por caravana vinda de Itapecerica com a família Alves de Gondim, entre eles padre Gaspar Alves de Gondim e seu irmão Manuel Alves de Gondim. O arraial do Desemboque, surgido às margens do rio das Velhas, hoje rio Araguari, no atual município de Sacramento, constituiu “um dos marcos da civilização do Brasil central” (J. Brandão, “Berço do Triângulo - Desemboque Chega ao Fim”, Estado de Minas, Belo Horizonte, 25 fevereiro 1972). – A terceira comissão de astrônomos dedicada a fazer observações no sul do Brasil, composta pelos cientistas José Custódio de Sá e Faria (brasileiro que chegou a brigadeiro do Exército e governador do Rio Grande do Sul), Miguel Ciera e João Bento Python, realiza seus
  • 78. 290 trabalhos por volta desse ano do salto do rio Paraná até a foz do rio Jauru. – Abreu e Lima informa que se supõe fundada nesse ano a Arcádia do Rio das Mortes em Minas Gerais, afirmando que além de José Basílio da Gama e Manuel Inácio da Silva Alvarenga a ela pertence “o célebre paulista Bernardo, cujas poesias foram tão apreciadas no seu tempo” (Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª ed., 1983, p. 227). A referência a Manuel Inácio da Silva Alvarenga evidencia lapso do Autor, já que Silva Alvarenga tinha onze anos na ocasião, pois, nasceu em 1749. Certamente, no caso, trata-se do pai do poeta, músico Inácio da Silva Alvarenga. – Composta provavelmente nesse ano a música Te Deum Laudamos para quatro vozes mistas e baixo contínuo, do compositor e escritor Luís Álvares Pinto (Recife, 1719-1789), autor também de Salve Regina para três vozes mistas, dois violinos e baixo, além do tratado Arte de Solfejar. O pesquisador J. Galante de Sousa (O Teatro no Brasil, 1960, vol. I, p. 124) registra o nome de Luís Alves Pinto, enquanto Bruno Kiefer (História da Música Brasileira. 2ª ed., 1977, p. 23) e Vasco Mariz (História da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p. 41) o consignam como Álvares. – Segundo Régis Duprat, citado por Bruno Kiefer (op.cit., p. 20), são representadas em Salvador por ocasião dos festejos comemorativos do casamento do príncipe português d. Pedro, em três noites e em praça pública, as óperas Alexandre na Índia, Artaxerxes e Dido Abandonada, não se sabendo os nomes do autor ou autores.
  • 79. 291 1761 25 de Fevereiro – Por carta régia, os bens da Companhia de Jesus são confiscados e incorporados à Coroa, medida complementada pela carta régia do dia 05 de março seguinte. 19 de Junho – Carta régia proíbe a cultura exclusiva da cana de açúcar no Maranhão, com o intuito, segundo Rocha Pombo (História do Brasil. 10ª ed., 1961, p. 288) “de não se desprover de gêneros de consumo os mercados locais”, intuito, no entanto, que esse historiador estranhamente acoima de “absurdo e violento”, quando é, ao contrário, atilado e, no caso, provavelmente indispensável. 21 de Novembro – Por ordem do marquês de Pombal são excluídos do quinto contrato de diamantes do Tijuco os dois outros contratadores que o dividiam com João Fernandes de Oliveira, estabelecendo-se então o sexto contrato com este último e seu filho homônimo. Tendo o pai dilapidado sua imensa fortuna com extravagâncias de toda espécie, falece dois ou três anos depois, enlouquecido e endividado. – Pelo Tratado de El Pardo, procedido entre Portugal e Espanha, são anuladas, conforme consigna o Novo Dicionário de História do Brasil (p. 585), as demarcações previstas no Tratado de Madri (1750) para fixação das áreas desses países no sul do Brasil. El Pardo é atualmente subúrbio de Madri. – Incorporada à Coroa a capitania de Ilhéus, comprada a seu donatário Antônio de Castro, a quem, em permuta, se outorga o título de conde de Resende e se garante renda permanente.
  • 80. 292 – Escrita a obra Orbe Seráfico por frei Antônio de Santa Maria Jaboatão, membro da Academia Brasílica dos Renascidos, tendo elaborado ainda o Novo Orbe Seráfico Brasílico ou Crônica dos Frades Menores da Província do Brasil e o Sermão de Santo Antônio, além de inúmeros outros sermões e o Catálogo Genealógico das Principais Famílias de Pernambuco e Bahia. 1762 07 de Março – Preso o governador de Santa Catarina desde 1753, José de Melo Manuel, por ter desacatado o governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, a quem é subordinado. 29 de Outubro – A entrada de Portugal ao lado da Grã-Bretanha na guerra entre esta e a Espanha, motiva o militar espanhol Pedro de Cevallos, governador de Buenos Aires, não só a sitiar e tomar a colônia do Sacramento, como até mesmo invadir a província do Rio Grande. – “O governador da colônia, entregando a praça a Cevallos, embarcou para o Rio de Janeiro com a guarnição, onde chegou nos primeiros dias de dezembro. A nova deste desastre custou a vida do conde de Bobadela, que morreu de pesar [em 01 de janeiro do ano seguinte]; mas o governador da dita praça, Vicente da Silva, acabou os seus dias preso no Limoeiro, o coronel Tomás Luís Osório foi enforcado, e os outros oficiais, cúmplices da entrega, acabaram uns em Angola, outros em Castro Marim” (Abreu e Lima, op.cit., p. 228). – “Nos anos de 1761 e 1762, os paulistas tomam posse do arraial de Jacuí e do ‘descoberto’ do Desemboque, em nome do bispo e do
  • 81. 293 ouvidor de São Paulo” (Cláudia Damasceno Fonseca. Arraiais e Vilas D’El Rei, 2011, p. 199). – Nasce em Mariana/MG, provavelmente nesse ano, o futuro pintor Manuel da Costa Ataíde, que seria, depois do Aleijadinho, o maior figura das artes plásticas mineiras no século XVIII, autor de vasta obra que “pode ser dividida em quatro partes essenciais: os forros em perspectiva, os forros-quadros, as pinturas sobre telas e as pinturas decorativas [sendo que] a maior obra de Ataíde, seja por concepção, seja por intrínseco valor criativo, é o teto da nave da igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Ouro Preto” (Pedro Manuel, “Ataíde e a Pintura Mineira”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 435 e 436). 1763 Fevereiro – Pelo Tratado de Paris, concertado entre Portugal e Espanha, é devolvida ao primeiro a colônia do Sacramento, recusando-se, porém, o então governador de Buenos Aires, Pedro Ceballos (ou Cevallos, segundo Rocha Pombo, op.cit., p. 276), a devolver as áreas ocupadas na província do Rio Grande. 13 de Junho – Nasce em Santos/SP o futuro estadista, escritor, poeta, político e cientista brasileiro, José Bonifácio de Andrada e Silva, denominado Patriarca da Independência. – Em decorrência do desenvolvimento das províncias meridionais da Colônia e, segundo uns, principalmente pela guerra na região do rio da Prata, é transferida a capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro.
  • 82. 294 10 de Outubro – Já sediado no Rio de Janeiro e nomeado em junho último, o capitão-general Antônio Álvares da Cunha, conde da Cunha, assume o vice-reinado do Brasil. – Vicente Sales, no ensaio Quatro Séculos de Música no Pará (Revista Brasileira de Cultura, nº 2, 1969), citado por Bruno Kiefer (op. cit., p. 26), informa que já nesse ano funciona em Belém uma casa da Ópera, onde teriam sido apresentadas peças de Antônio José da Silva, o Judeu. 1764 14 de Junho – Firmado contrato entre a irmandade de São Pedro e o pintor João de Deus Sepúlveda, tido como o mais importante pintor pernambucano do século XVIII, para pintar o teto da igreja de São Pedro dos Clérigos, em Recife, obra de proporções imensas realizada no decorrer de quatro anos. – O governador de Minas Gerais reage contra a ocupação pelos paulistas de Jacuí e do Desemboque, estabelecendo o julgado de São Carlos do Jacuí, que inclui o Desemboque e outros povoados. – Publicado em Lisboa, sobre os abusos da escravidão no Brasil, o panfleto Nova e Curiosa Relação de Um Abuso Emendado..., encontrado pelo historiador britânico Charles Broxer, que o reedita. 1765 18 de Janeiro – Criadas por alvará as Juntas da Justiça na Colônia, tribunais compostos do ouvidor de uma capitania e de dois letrados,
  • 83. 295 existindo e atuando onde houvesse ouvidor. Tais juntas, como observa Martins Júnior (História do Direito Nacional. 2ª ed., 1941, p. 195), destinam-se também a diminuir o poder clerical ao dispor, entre suas competências, a de “deferir os recursos contra as violências (sic) dos juízes eclesiásticos, devendo os provimentos que nelas se tomassem ser cumpridos logo e sem esperar-se pela decisão última da respectiva Relação ou do Desembargo do Paço”. 31 de Janeiro – Por instâncias do vice-rei conde da Cunha, resolução régia concede casa no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, anteriormente pertencente aos jesuítas, para instalação de hospital destinado aos lázaros. – Procedido auto de demarcação oficial das divisas entre Minas Gerais e São Paulo por Junta reunida no Rio de Janeiro, pelo qual as novas descobertas do Campo Grande (região oeste) pertenceriam a Minas e as áreas próximas ao rio Sapucaí seriam paulistas, não acatando, porém, os governadores mineiros a decisão, pelo que continuam a expandir as fronteiras da província. – Chega ao Tijuco/MG o pintor português José Soares de Araújo, realizando pinturas nas igrejas da Ordem Terceira do Carmo, do Rosário e da Ordem Terceira de São Francisco. 1766 17 de Fevereiro – Elaborado estatuto para reger o hospital dos lázaros no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, delegada sua administração à irmandade do Santíssimo da Freguesia da Candelária.
  • 84. 296 30 de Junho – Carta régia proíbe no Brasil as indústrias de ourives, fiadores de ouro, de linhas de prata, de sedas e algodões. 22 de Julho – Carta régia autoriza os governadores das capitanias a obrigarem as pessoas que vivem isoladas nos sertões a se juntarem em povoações. – Estabelecido pelo governo de Goiás o julgado do Desemboque na região do Triângulo, nele instalando guarda militar. 1767 22 de Setembro – Nasce no Rio de Janeiro o futuro compositor e padre José Maurício Nunes Garcia, que iria, na chegada de d. João ao Rio de Janeiro, surpreendê-lo com Te Deum na Catedral, situada à época na irmandade de N.S. do Rosário. 17 de Novembro – Antônio Rolim de Moura Tavares, conde de Azambuja, passa a ser vice-rei do Brasil. – Os botocudos lançam ataques na província de Minas Gerais, tendo o padre Ângelo Peçanha, que anos antes promovera aliança com os goitacases e os portugueses, invocado o auxílio dessa tribo para combater os botocudos, que são obrigados a se retirar da região. – O militar alemão, contratado e incorporado ao exército português, João Henrique Böhm, é encarregado de organizar o exército colonial brasileiro, nos moldes do português, porém, autônomo e independente daquele, tornando-se na opinião de Carlos Oberacker Jr., citado no Novo Dicionário de História do Brasil, “criador do Exército Brasileiro”, fato confirmado por Varnhagen, Oliveira Viana, Carlos Carneiro e Simões de Paula.
  • 85. 297 – Dá-se notícia da existência nessa época no Rio de janeiro de uma casa de Ópera empresada pelo padre Ventura. 1768 29 de Outubro – Carta autorizativa expedida em Lisboa pelo coronel Antônio Soares Brandão, em exercício no posto de cirurgião-mor do Exército, dá licença a Hilário Ferreira de Almeida, “preto forro da nação Mina [....] batizado [....] na Bahia, assistente em Vila Rica, para que ele possa sangrar, sarjar, lançar ventosas e sanguessugas, e arrancar dentes, o que poderá exercer em todos estes reinos e senhorios de Portugal” (apud Ernesto Sales Cunha, op.cit., p. 55). “Não tivemos notícia da carta de legalização profissional de Tiradentes, mas tudo nos leva a crer que foi ela conseguida nos mesmos moldes da citada” (Ernesto Sales Cunha. História da Odontologia no Brasil. 3ª ed., 1963, p. 57). – O contratador de diamantes do Tijuco, desembargador João Fernandes de Oliveira filho, no exercício de sua exploração de diamantes, determina o cerco ao rio Jequitinhonha para desviá-lo para o lado, tornando seco seu leito a fim de permitir a lavra. Como o leito artificial ou bicame que serve de desaguadouro do rio apresenta falha, o carpinteiro encarregado de consertá-lo, por estar ébrio, descontrola- se batendo forte demais no bicame que afrouxa e se desmantela, precipitando as águas semi-represadas no local abaixo onde trabalham mais de duzentos mineradores, perecendo cerca de sessenta e perdendo-se todas as ferramentas.
  • 86. 298 – Em Vila Rica, segundo estudos de Caio de Melo Franco e M. Rodrigues Lapa, citados na Enciclopédia de Literatura Brasileira, organizada por Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa (vol. I, p. 259), é constituída a Arcádia Ultramarina ou Colônia Ultramarina, à qual pertenciam Cláudio Manuel de Costa e outros poetas e escritores. – Das quatro bandeiras organizadas pelo coronel Inácio Correia Pamplona, encarregado da região pelo governador de Minas, Luís Diogo Lobo da Silva, a quarta delas destrói o quilombo da Samambaia, situado na região de Bambuí. – Substituindo o regime censório de livros imperante desde 1624, o marquês de Pombal o atribui à Real Mesa Censória, que o exerce até 1787. – Nasce no Recife o futuro sacerdote e político José Inácio Ribeiro de Abreu e Lima, o padre Roma, participante ativo do movimento de 1817 em Pernambuco, razão de seu fuzilamento. – Nasce em Paris o futuro pintor e desenhista Jean-Baptiste Debret. – Publicadas em Coimbra as Obras de Cláudio Manuel da Costa. 1769 01 de Agosto – Ocorre tremor de terra na cidade de Salvador, que, no entanto, não causa nenhum dano. 18 de Agosto – Promulgada em Portugal a denominada “Lei da Boa Razão”, definindo “regras centralizadoras e uniformes para a interpretação e aplicação das leis, em caso de omissão, imprecisão ou lacuna [....] minimizava a autoridade do Direito Romano, da glosa e dos arestos” (Antônio Carlos Wolkmer. História do Direito no Brasil.
  • 87. 299 3ª ed., 2003, p. 48), somente recorrendo-se àquele direito subsidiária e restritivamente. 04 de Novembro – Luís de Almeida Portugal Soares Eça de Alarcão Melo e Silva Mascarenhas, segundo marquês de Lavradio, governador da Bahia desde 19 de abril de 1768, é nomeado vice-rei do Brasil, função que exercerá por nove anos. – A partir desse ano, o compositor, regente e organista Manuel Dias de Oliveira passa a exercer atividade musical em irmandades religiosas de São José (atual Tiradentes). – Destruída por incêndio a casa de Ópera dirigida pelo padre Ventura. – Publicado em Lisboa o poema O Uraguai, de José Basílio da Gama.
  • 88. 300 Foto 1: Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, em Ouro Preto Foto 2: Igreja de São Pedro dos Clérigos, em Recife Foto 3: Quilombo da Samambaia Foto 4: Orbas (sic) de Cláudio Manuel da Costa/capa
  • 89. 301 Década de 1770 1770 03 de Março – Substituída por carta régia a Provedoria da Fazenda Pública por uma Junta da Fazenda. 06 de Maio – Nomeado reitor da universidade de Coimbra o padre beneditino brasileiro Francisco de Lemos de Azevedo Pereira Coutinho, função que exerce até 1779 e à qual retorna em 1799 e desempenha até 1821, falecendo no ano seguinte. 25 de Agosto – Decreto real restabelece as relações entre Portugal e a Santa Sé e suspende a eficácia dos decretos de 04 de agosto de 1760, que as havia cortado. 1771 17 de Julho – Por alvará é concitado estabelecerem-se “teatros públicos bem regulados, pois deles resulta a todas as nações grande esplendor e utilidade” (apud J. Galante de Sousa. O Teatro no Brasil, vol. I, 1960, p. 109). 02 de Agosto – Estabelece-se o Regimento Diamantino para absoluto controle das lavras de diamantes de Minas Gerais com poderes discricionários à polícia, premiação de delações e proibições de toda ordem e espécie, podendo o intendente dos diamantes “infligir a pena de morte civil a qualquer indivíduo [....] sem aparelho de justiça, sem apelação, agravo, ou recurso algum” (José Vieira Couto, apud
  • 90. 302 Joaquim Felício dos Santos. Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed., 1956, 178). – Fundada no Rio de Janeiro por sugestão do médico José Henrique Ferreira e iniciativa de seu cliente, o vice-rei marquês do Lavradio, a Academia Científica do Rio de Janeiro, também designada como Academia de Ciências e História Natural do Rio de Janeiro, objetivando principalmente o estudo e a transplantação de vegetais úteis e o apoio à indústria agropecuária, tendo organizado horto botânico, a propagação do bicho da seda e a indústria da cochonilha, repercutindo sua existência até no estrangeiro, ocorrendo em 18 de fevereiro do ano seguinte a sessão inaugural, sobrevivendo a entidade apenas até 1779. – Editado em Lisboa o livro Governo de Mineiros, Muito Necessário Para os que Vivem Distantes de Professores Seis, Oito e Mais Léguas, de autoria do médico português José Antônio Mendes que exerce a profissão por aproximadamente trinta anos em Minas Gerais, livro destinado à divulgação popular de conhecimentos médicos, significando o “Governo” do título “Para seu governo, informo”, segundo Pedro Sales (História da Medicina no Brasil, 1971, p. 61). 1772 01 de Janeiro – Terminado o contrato de diamantes com João Fernandes de Oliveira Filho, a extração de diamantes no Tijuco passa a ser procedida por conta da Fazenda Real. 18 de Fevereiro – Realizada a sessão inaugural da Academia Científica do Rio de Janeiro.
  • 91. 303 20 de Agosto – Desmembradas por decreto as capitanias do Grão-Pará e do Maranhão, que formam o Estado desse nome, em capitania do Grão-Pará (Pará e Rio Negro) e do Maranhão (Maranhão e Piauí). 07 de Setembro - Organizada pelo governador da província de Goiás, José de Almeida Vasconcelos de Soveral e Carvalho, chega ao Pará expedição que pela primeira vez navega pelo rio Tocantins até Belém. – Com a marginalização do direito romano em Portugal e colônias por lei expedida em 18 de agosto de 1769, reage o romanismo com o estatuto de 1772, da universidade de Coimbra. – Inaugura-se em Recife a casa da Ópera, primeira casa de espetáculo da província e a única até os anos quarenta do século XIX. – Elaborada a Informação Sobre as Minas de São Paulo e dos Sertões da Sua Capitania Desde o Ano de 1597 Até o Presente 1772, de autoria de Pedro Taques de Almeida Pais Leme. 1773 25 de Maio – Assinado decreto dando por finda a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos nos domínios portugueses. 25 de Julho – O militar português José Marcelino de Figueiredo, posteriormente chamado Manuel Jorge Gomes de Sepúlveda, no exercício da governadoria da província do Rio Grande, transfere a capital de Viamão para Porto dos Casais, atual Porto Alegre. 28 de Setembro – Carta régia determina que o bispado de Coimbra seja entregue ao beneditino brasileiro, d. Francisco de Lemos de Azevedo Pereira Coutinho, como coadjutor e futuro sucessor de d. Miguel.
  • 92. 304 – Decretada pela bula Dominus ac Redemptor, do papa Clemente XIV, a extinção da Companhia de Jesus, “a bem dos interesse da Igreja e da paz da Cristandade” (apud Rocha Pombo. História do Brasil. 10ª ed., 1961, p. 278). – “Não se sabe ao certo quando foi inaugurada a casa de espetáculos de que era empresário Manuel Luís Ferreira [....] Existia, não há dúvida, em 1773, pois o viajante Parny, que visitou o Rio de Janeiro naquele ano, refere-se à Ópera do Rio de janeiro [....] Parece certo que deva ter começado a existir depois do incêndio da casa da Ópera do padre Ventura, em 1769” (J. Galante de Sousa, op.cit., vol. I, p. 281). Situa-se no largo do Paço, Bruno Kiefer fala em praça do Carmo, atual praça XV de Novembro, em grande sobrado de nove janelas em cada um dos pavimentos. “Até a chegada da Corte de d. João, em 1808, seria este o único teatro da capital, pois a Ópera Velha desaparecera. Encenavam-se, sobretudo, peças de teatro. A música tinha a sua vez antes dos espetáculos e nos intervalos” (Bruno Kiefer. História da Música Brasileira. 2ª ed., 1977, p. 45). 1774 13 de Abril – Pela bula Romanus Pontifex, o papa Clemente XIV confirma a nomeação do beneditino brasileiro Francisco de Lemos para bispo de Coimbra. – Determinada em Lisboa sindicância no Brasil para apurar abusos cometidos por alguns delegados-comissários do cirurgião-mor do reino.
  • 93. 305 – Estabelecidos cursos de filosofia no Rio de Janeiro e de latim em São João del Rei. – Desse ano até 1823 o compositor português André da Silva Gomes exerce atividade em São Paulo, estando entre suas composições uma Missa, composta entre 1785 e 1790, formada por um Kyrie e um Glória, tratando-se de “obra que sustenta a comparação com as melhores criações do pe. José Maurício, seu grande contemporâneo” (Bruno Kiefer, op. cit., p. 29). 1775 21 de Agosto – Provisão real faculta a João Fernandes de Oliveira Filho instituir morgado de todos seus bens para o filho primogênito, isto depois de recolhido a Portugal por ordem do marquês de Pombal, que conhece seu esbanjamento e extravagância com a amante Xica da Silva, exigindo-lhe Pombal, antes disso, indenização de onze milhões de cruzados por conta das infrações do contrato de diamantes, além de tê-lo abolido. 13 de Setembro – Inaugurado, com hasteamento da bandeira portuguesa, o forte de Nova Coimbra no rio Paraguai, mandado construir pelo capitão-general Luís de Albuquerque Pereira e Cáceres. 18 de Setembro – O governador de Pernambuco, capitão-general José César de Meneses, determina a prisão do juiz de fora de Recife. – Domingos Caldas Barbosa inicia em Lisboa apresentações de canto de modinha, acompanhado-se à viola.
  • 94. 306 – Projetada pelo brigadeiro Francisco João Róscio, a igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. – O geógrafo Filipe Sturn elabora diversos mapas da região de Rio Branco. 1776 Fevereiro – Os portugueses atacam inutilmente as posições ocupadas na província do Rio Grande pelos espanhóis. 01 de Abril – Os portugueses voltam a atacar os espanhóis no Rio Grande, expulsando-os. 04 de Julho – Assinada a Declaração de Independência dos Estados Unidos. Novembro – A Espanha organiza ataque ao Brasil em represália pela perda do Rio Grande de São Pedro, enviando, sob o comando de Pedro de Cevallos, esquadra composta de cento e dezesseis navios e mais de treze mil homens. – Fundada em São João del Rei/MG, por José Joaquim Miranda, a orquestra Lira Sanjoanense, já com mais de dois séculos de existência e atividade. – Construído o santuário de N. S. Mãe dos Homens pelo monge português irmão Lourenço na serra do Caraça, em Minas Gerais, inicialmente destinado a isolamento de leprosos, constituindo, posteriormente, o célebre colégio do Caraça. – Inácio José de Alvarenga Peixoto é nomeado ouvidor da comarca do Rio das Mortes, sediada em São João del Rei.
  • 95. 307 1777 24 de Fevereiro – Falece o rei d. José I, tornando-se d. Maria I rainha de Portugal, casada com seu tio d. Pedro e mãe do futuro rei d. João VI. “Com a morte de d. José, rei de Portugal, e a queda de Pombal, seu poderoso ministro, iniciou-se o famoso período da Viradeira - quando a sucessora de José no trono, d. Maria I, se opôs a toda a política pombalina” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling. Brasil: Uma Biografia, 2015, p. 251). 27 de Fevereiro – A esquadra espanhola chega à ilha de Santa Catarina, rendendo-se sem luta o governador e sua guarnição, “apesar de estar a ilha bem provida de gente e munições em estado de resistir por muito tempo” (Abreu e Lima. Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª ed., 1983, p. 245). – Os espanhóis invadem o sul de Mato Grosso. 01 de Outubro – Após o falecimento de d. José I e a queda do marquês de Pombal, os novos governantes de Portugal procuram manter boas relações com a Espanha, celebrando-se o Tratado de Santo Ildefonso, propiciando que futuras demarcações de limites no sul reconheçam o domínio espanhol da região, perdendo Portugal a colônia do Sacramento, as Missões Orientais do Uruguai e parte do território do Rio Grande, devolvendo a Espanha a Portugal a ilha de Santa Catarina, enquanto ao norte, sem resolução, os limites continuam litigiosos. O visconde de São Leopoldo qualifica esse Tratado de “leonino e capcioso”. Varnhagen afirma que seus artigos foram “ditados pela Espanha quase com as armas na mão, e os pactos não podiam deixar de parecer-se aos do leão com a ovelha
  • 96. 308 timorata”. Carlos Calvo declara que “mais vantajoso à Espanha que o de 1750, deixou-a com o domínio absoluto e exclusivo do rio da Prata, arvorando sua bandeira na colônia do Sacramento e estendendo sua autoridade sobre os campos do Ibicuí, na margem oriental do Uruguai, sem mais sacrifício que a devolução da ilha de Santa Catarina, de que se havia apossado por conquista” (apud Novo Dicionário de História do Brasil, p. 589). – O pintor paulista José Patrício da Silva Mauro realiza “sua primeira obra de vulto em São Paulo: as decorações da igreja de São Bento” (Carlos A. C. Lemos e José Roberto Teixeira Leite, “Na Terra dos Tropeiros”, in Arte no Brasil, vol. I, p. 294), tendo feito inúmeras outras obras de arte, pintando forros de igreja, telas e painéis. – Falece em São Paulo/SP, aos sessenta e três anos, o historiador paulista Pedro Taques de Almeida Pais Leme, introdutor no Brasil das pesquisas e estudos nobiliárquicos e memoriais familiares com a obra Nobiliarquia Paulistana: Genealogia das Principais Famílias de São Paulo, tendo ainda escrito História da Capitania de São Vicente Desde a sua Fundação por Martim Afonso de Sousa em 1531 e Informações Sobre as Minas de São Paulo. 1778 25 de Fevereiro – Extinta por determinação de carta régia a Companhia Geral do Comércio de Grão-Pará e Maranhão, fundada em 1755. 11 de Março – Assinado tratado de amizade, garantia e comércio entre Portugal e Espanha, além de ratificar disposições do Tratado de
  • 97. 309 Santo Ildefonso, estatui normas de relacionamento político e comercial entre as duas nações. 30 de Abril – Luís de Vasconcelos e Sousa, conde de Figueiró, assume nessa data o cargo de vice-rei do Brasil, que ocupará por doze anos, em substituição a Luís de Almeida Portugal, segundo marquês de Lavradio, considerado este “um dos melhores administradores, que teve o Brasil, pela inteligência e zelo com que procurou melhorar todos os ramos da riqueza pública” (Abreu e Lima, op.cit., p. 237, que, por sua vez, indica o dia 05 de abril de 1779 como da posse de Luís de Vasconcelos). – Pernambuco inicia exportação de algodão. – “No período mariano–joanino (1778-1822) [d. Maria I e d. João VI], moldou-se uma nova política indigenista, pela qual a exploração do trabalho indígena deixaria de ser central, sendo substituída pela questão das terras indígenas” (Luís Bustamante Lourenço. A Oeste das Minas, 2002, p. 48). 1779 – Depois de manter intercâmbio com instituições congêneres estrangeiras e incentivar e contribuir com frei José Mariano da Conceição Veloso na organização da obra Flora Fluminense, encerra suas atividades a Academia Científica do Rio de Janeiro.
  • 98. 310 Foto 1: Forte de Nova Coimbra Foto 2: Governo de Mineiros/capa
  • 99. 311 Década de 1780 1780 08 de Maio – Extinta por decreto a Companhia Geral do Comércio de Pernambuco e Paraíba, criada em 1759, por findo seu tempo de licença. – Intensificam-se as atividades em Vila Rica do compositor e instrumentista (flauta, rabeca e órgão) Jerônimo de Sousa Lobo, elaborando, entre outras, as composições Novena de N. S. do Carmo e Antífona do Santíssimo Sacramento. – Encenada na casa da Ópera de Recife a comédia em versos Amor Mal Correspondido, de autoria do compositor e escritor recifense Luís Álvares Pinto. 1781 – Em decorrência do Tratado de Santo Ildefonso pactuado entre Portugal e Espanha são organizadas duas expedições geográficas para demarcação de limites, uma para o norte do Brasil, composta pelos astrônomos Antônio Pires da Silva Pontes e Francisco José de Lacerda e Almeida e do engenheiro Ricardo Franco de Almeida Serra. Para a região sul seguem os astrônomos Bento Sanches Dorta e Francisco de Oliveira Barbosa, que realizam durante vários anos observações astronômicas, meteorólogicas e magnéticas.
  • 100. 312 – Como o governo português havia cedido em 1777 a ilha da Trindade à Espanha e estando a Grã-Bretanha em guerra com esta, apossam-se novamente os britânicos da mencionada ilha, desta feita para utilizá-la como entreposto de contrabando, tendo, no entanto, de desocupá-la em meados do ano seguinte. – Encomendada pelo governador de Pernambuco, José César de Meneses, é realizada, crê-se que pelo pintor João de Deus Sepúlveda, a pintura do teto da igreja de N. S. da Conceição dos Militares, em Recife, representando a batalha dos Guararapes, de excepcional qualidade segundo a crítica. – Jesuíno Francisco de Paula Gusmão (conhecido como Jesuíno do Monte Carmelo, nome adotado ao ingressar na ordem dos carmelitas), vai por volta desse ano para Itu, onde colabora com Silva Manso nas decorações da igreja matriz da cidade. Além da pintura, dedica-se também à arquitetura e à música. – Publicado em Lisboa o poema épico Caramuru, de autoria do frei José de Santa Rita Durão. 1782 17 de Junho – Criada por lei a Real Junta do Proto-Medicato, assumindo as atribuições antes exercidas pelo físico e pelo cirurgião- mor, composta de sete membros, entre médicos ou cirurgiões aprovados e nomeados para período de três anos. 12 de Dezembro – Tomás Antônio Gonzaga é empossado ouvidor- geral da comarca de Vila Rica.
  • 101. 313 – Fundada no Rio de Janeiro pelo vice-rei Luís de Vasconcelos escola de Retórica e Poética. 1783 10 de Outubro – Empossado Luís da Cunha Pacheco e Meneses governador da capitania de Minas Gerais. 07 de Novembro – Iniciada pelo naturalista brasileiro Alexandre Rodrigues Ferreira a “Viagem Filosófica”, “no sentido de científica, em vista das ciências naturais serem estudadas no curso de Filosofia, e a principal finalidade da viagem era tomar conhecimento dos produtos naturais brasileiros” (Pedro Sales. História da Medicina no Brasil, 1971, p. 80), para conhecer, estudar e coletar espécimes da flora e da fauna brasileira na Amazônia, durando nove anos e percorrendo o interior do Pará, o rio Amazonas e o rio Madeira até atingir Mato Grosso, coletando e reunindo exemplares de plantas, animais e minerais, armas e instrumentos indígenas, perfazendo centenas de volumes (só nos cinco primeiros anos remete para Lisboa duzentos e dois), além de ter escrito inúmeros ensaios sobre a região, que se encontram na biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, estando alguns publicados nos tomos 48 e 49 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. – Falece no Rio de Janeiro o alemão nascido em Bremen, João Henrique Böhm, contratado e nomeado tenente-general por d. José I e comandante das tropas brasileiras, com a incumbência de organizar um exército no Brasil, tornando-se e sendo considerado o criador do Exército Brasileiro.
  • 102. 314 – Lobo de Mesquita (José Joaquim Emerico) compõe o moteto Tércio, considerada a mais antiga partitura de um compositor brasileiro, dele sendo conhecidas sessenta e cinco composições musicais, entre missas, ladainhas, antífonas, árias, motejos, ofertórios, novenas e peças para a Semana Santa. 1784 – Preso depois de luta contra tropa de dragões, e gravemente ferido, outro famoso rebelde e líder de garimpeiros do Tijuco/MG, José Basílio de Sousa, que anteriormente garimpa com João Costa. Condenado a trabalhar como galé em serviços de extração de diamantes, mas, com auxílio externo que lhe fornece dinheiro, limas, verruma e faca, consegue fugir da prisão juntamente com companheiro a quem estava jungido, após incendiar o local e mergulhar no rio Jequitinhonha, onde, perseguidos e descobertos, morre seu comparsa, cujo cadáver o puxa para o fundo rio. “Sua salvação foi conhecer o seu estado e não perder o ânimo. Impelido pela corrente, foi arrojado de encontro a um rochedo, em que se segurou por baixo d’água, e subiu por ele acima arrastando o corpo [....] à tona d’água conservou-se por algum tempo quedo, e à espreita através das ramagens até que viu os soldados se retirarem [....] tratou de limar a corrente do pescoço de seu infeliz companheiro, lançou o cadáver no Jequitinhonha e seguiu rio abaixo” (Joaquim Felício dos Santos. Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed., 1956, p. 216/217). Até sua prisão definitiva, José Basílio garimpa nas lavras do Tijuco,
  • 103. 315 Serra e Paracatu, continuando “ainda durante seis anos o terror das tropas da Extração” (idem, idem, p. 217). – Fundada no Rio de Janeiro por, entre outros, o padre José Maurício Nunes Garcia, a irmandade de Santa Cecília, composta de músicos profissionais. – Criado no Rio de Janeiro pelo vice-rei do Brasil, Luís de Vasconcelos e Sousa, gabinete de estudos de História Natural, denominado pelo povo de casa dos Pássaros. 1785 05 de Janeiro – Alvará (ou carta régia, segundo outros) de d. Maria I proíbe a existência de indústria têxtil no Brasil, declarando extintas e abolidas todas as fábricas, manufaturas ou teares, já em número de setenta e oito em Minas, Rio e São Paulo, embora ainda pequenas, permitindo, no entanto, à Grã-Bretanha exercer o comércio de tecidos nos domínios portugueses. – Visita o Tijuco, atendendo convite para pregações, o vigário da vila do Príncipe, dr. Brandão, que, ao chegar, recebe pedido de proteção dos inúmeros presos pelo intendente de diamantes que jaziam em masmorras, aos quais o padre vai visitar, causando-lhe horror o que presencia. No dia da festa, em que devia falar, após discorrer sobre os deveres dos magistrados e os sofrimentos do povo do Tijuco, das perseguições que sofria e das condições da cadeia, invectiva e investe diretamente contra o intendente ali presente de maneira candente: “Ministro de Satanás! como aferrolhas míseros inocentes, nesse horrível calabouço, cujo único crime foi terem cavado na terra os
  • 104. 316 tesouros, que a providência aí ocultou, para sustentarem a vida?” (apud Joaquim Felício dos Santos, op.cit., p. 198). Surpreendentemente, ao invés do intendente, José Antônio de Meireles Freire, tomar alguma medida contra o pregador, determina a libertação de todos os que estão presos injustamente e aplacar os castigos a que os criminosos são submetidos. – Editado o livro Viagem de Alguns Missionários da Companhia de Jesus na América, do padre Von Murr. – Chega ao Brasil, em viagem de pesquisas, Jean François de Galaup, conde La Perouse, em cuja obra posteriormente editada encontram-se mapas e estudos sobre a Colônia. – Elaborada por Manuel Martim Couto Reis a Descrição Geográfica, Política e Cronográfica do Distrito dos Campos Goitacás. 1786 06 de Junho – Instalada, com apoio do vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa e estatuto redigido pelo poeta Silva Alvarenga, a Sociedade Literária do Rio de Janeiro, que também trata de questões científicas, como eclipse da lua, o núcleo central da terra, a longitude do Rio de Janeiro e o areômetro, tendo até mesmo, como enfatiza Pedro Sales (op.cit., p. 248), “sessões dedicadas aos métodos de tratamento de certas doenças, revivendo os princípios de Hipócrates”. 02 de Outubro – Provável encontro, em Nîmes/França de José Joaquim da Maia com Thomas Jefferson, para obter apoio à Conjuração Mineira. Outra versão, indica a data do encontro em 21 de março do ano seguinte, admitindo-o apenas como provável.
  • 105. 317 1787 18 de Abril – Em consequência de traição, é preso e interrogado João Costa, célebre líder de garimpeiros na região do Tijuco/MG, que, desde 1781 pelos menos, comanda invasões de lavras diamantíferas de difícil combate pelas forças governamentais, “porque nunca se apresentavam em campo, ocultos, embrenhados nos matos, nas serras, nas furnas, ou disseminados pelas planícies, vivendo debaixo das lapas ou em pequenos colmados construídos em um momento, sem estabelecimento fixo, inimigos que conheciam todos os recantos, os esconderijos, as mais insignificantes trilhas do terreno” (Joaquim Felício dos Santos, op.cit., p. 201). Processado e condenado, João Costa Pereira é remetido à Vila Rica, desconhecendo-se seu destino daí em diante. 04 de Setembro – Tiradentes, “pelos seus movimentos em Minas e na Corte, chegando inclusive a viajar até Lisboa, revela ser um espírito mais organizador e mais prático que os poetas de Vila Rica” (Leôncio Basbaum. História Sincera da República. 2ª ed. São Paulo, edições LB, 1962, vol. I, p. 273). “Tiradentes apresentou-se na Corte lusa e ali tentou justificar sua situação de suboficial do Regimento de Cavalaria em Minas, que cruzara o oceano sem licença prévia [....] Conforme comprovação documental reunida até maio de 2001, ora complementada com a localização de mais um elemento, o alferes permaneceu em Lisboa até 28 de setembro de 1787. Dali seguiu a Paris, para ouvir a resposta à consulta sobre a causa brasileira, enviada por Thomas Jefferson [então embaixador na França] a J. Jay, secretário para assuntos estrangeiros do Congresso [norte]
  • 106. 318 americano, em carta datada de Marselha, em 4 de maio daquele ano. A resposta continha uma condição básica: O Brasil receberia ‘naus e gente’ se recebesse em seus portos ‘bacalhau e trigo’, além de pagar os soldos às tropas enviadas” (Isolde Helena Brans, “Tiradentes na Europa”, Estado de Minas, suplemento Pensar, Belo Horizonte, 15 dezembro 2001). “Quando foi embaixador na Europa – de 1784 a 1789 - Jefferson frequentou os círculos fisiocratas dos discípulos de Turgot [....] e, segundo Martins Oliveira, recebeu José Joaquim da Maia e o alferes Tiradentes” (José Renato de Castro César, “A Essência da Mineiridade”, Estado de Minas, Belo Horizonte, 12 abril 2003). 04 de Setembro – “No Livro de Porta do palácio real em Lisboa, em 4 de setembro de 1787, consta o nome de Joaquim José da Silva Xavier, e o objetivo de sua presença na Corte: obter ‘licença por um ano’. Na mesma data e com a mesma caligrafia requintada do escrivão que anotou seu nome, foi redigida uma petição à rainha, em que Joaquim José diz ser ‘alferes da Cavalaria em Minas Gerais’, fato este que exclui qualquer possibilidade de tratar-se de um homônimo” (Isolde Helena Brans, “Reencontro Necessário”, Estado de Minas, suplemento Pensar, Belo Horizonte, 22 março 2003). Bem antes, contudo, da apenas indicada ou citada descoberta de novos documentos em Lisboa, o historiador mineiro Francisco Iglésias refere-se em entrevista, respondendo à pergunta “quais versões são inverídicas?”, a “certas bobagens irremediáveis. Há quem diga que Tiradentes teve contato com Thomas Jefferson. Um documento revela que ele pediu licença para ir a Europa. Pediu uma renovação, não concedida” (Folha de S. Paulo, 29 maio 1994).
  • 107. 319 Final do Ano – “Ao final do ano, retornando a Lisboa para embarcar rumo à colônia, [Tiradentes] apresentou dois projetos à Chancelaria da rainha, a serem acrescentados ao projeto ‘das águas’, anteriormente feito em Lisboa (28 de setembro de 1787) e já encaminhado por d. Maria I ao ouvidor-geral da comarca do Rio de Janeiro. Nestes dois últimos projetos, o alferes Tiradentes agilizaria os meios para cumprir as condições ouvidas em Paris, incluindo a intenção de armazenar o negociado trigo [norte-]americano em um trapiche, a ser por ele construído na área portuária do Rio de Janeiro ‘entre a ponte da alfândega e o trapiche da Lapa’” (Isolde Helena Brans, “Tiradentes na Europa”, artigo citado). – Fundada pelo compositor e mestre de capela da igreja de São Pedro dos Clérigos, em Recife, Luís Álvares Pinto, a irmandade de Santa Cecília dos Músicos, que chega a ter trinta e sete membros. Álvares Pinto é autor do tratado Arte de Solfejar e das composições Te Deum para quatro vozes mistas e baixo contínuo, e Salve Regina para três vozes mistas, dois violinos e baixo. – O compositor José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita assume a regência musical da Ordem Terceira do Carmo em Vila Rica, exercendo-a juntamente com a função de organista até 1795. – “Os mulatos que se dedicavam apaixonadamente ao exercício livre da música como verdadeiros profissionais [em São José del Rei, Vila Rica, São João del Rei, Caeté, Sabará, Pitangui, Itabira, Itabirito, Paracatu, Serro Frio, Tejuco, etc.], foram os responsáveis pelo crescente desenvolvimento de uma arte musical que nos anos 1787- 1790 chegou a um apogeu sem precedentes. O número deles deve ter sido aproximadamente de mil ou ainda maior, porque só em Vila Rica
  • 108. 320 cheguei a contar, segundo a documentação ainda disponível, mas incompleta, 250 [duzentos e cinquenta] músicos profissionais” (Francisco Curt Lange, “Os Músicos Mulatos”, Suplemento Literário do Minas Gerais, ano VIII, nº 355, nº especial I: “Curt Lange, o Descobridor”, Belo Horizonte, 16 junho 1973). – Composto por Marcos Coelho Neto Filho o hino Maria Mater Gratiae, cuja autoria, no entanto, o pesquisador alemão Curt Lange atribui a seu pai e homônimo no ensaio “A Música em Minas Gerais no Século XVIII”, de 1951, republicado no Suplemento Literário do Minas Gerais (ano VIII, nº 356, número especial II: “Curt Lange, o Descobridor”, Belo Horizonte, 23 junho 1973). – O aluno da faculdade de filosofia da universidade de Coimbra, o brasileiro Vicente Coelho de Seabra Silva Teles, publica a Dissertação Sobre a Fermentação em Geral e Suas Espécies, possivelmente o primeiro ensaio científico de um brasileiro contendo noções de química, ciência, por sinal, que só começa fazer parte do currículo daquela universidade em 1772, segundo Heinrich Rheinboldt (“A Química no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. II, p. 13). 1788 Março – “Regressando ao Brasil, possivelmente acompanhado pelo inconfidente padre Rolim, o alferes [Tiradentes] desembarcou na Bahia, dali seguindo por terra. Passou por Berilo, Minas Nova, Tijuco e Vila Rica, rumo ao Rio de Janeiro, onde chegou em março de 1788 [....] Essa trajetória[....] confere dimensões internacionais ao
  • 109. 321 movimento precursor da República” (Isolde Helena Brans, “Tiradentes na Europa”, artigo citado). 11 de Julho – Toma posse o novo governador de Minas Gerais, Luís Antônio Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, visconde de Barbacena, que não deve ser confundido com outro visconde de Barbacena (Afonso Furtado de Castro do Rio de Mendonça ou Afonso Furtado de Mendonça Castro do Rio e Meneses), governador-geral do Brasil a partir de 1671. 21 de Setembro – Encenado na casa da Ópera, de Recife, o drama Ézio em Roma, de Metastasio. 26 de Dezembro – Com vistas à organização de levante armado, a ser efetivado no dia do início da anunciada derrama, isto é, a cobrança dos impostos do ouro atrasados, somando quinhentas e noventa e seis arrobas, equivalente a seis anos de atraso, visto estipulado o imposto em cem arrobas de ouro anualmente, reúnem-se os conspiradores na chácara em que reside o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrada (como o sobrenomeia Rocha Pombo), traçando os planos do levante e fixando sua eclosão para o referido dia, de que todos seriam avisados pela senha “é tal dia o batizado” ou, conforme o título do romance de Gilberto de Alencar, de 1959, “tal dia é o batizado”. – “Chegam à Vila Rica dois exemplares do verdadeiro catecismo ideológico da Inconfidência: o Recueil des Loyx Constitutives des Colonies Angloises, Confédérées Sous la Dénomination d’États-Unis de l’Amérique Septentrionale, de 1778. Um exemplar foi dado por José Álvares Maciel, no Rio de Janeiro, ao alferes Joaquim José da Silva Xavier. Este livrinho de constituições norte-americanas vai ser leitura cotidiana de Tiradentes” (Maria Efigênia Laje de Resende,
  • 110. 322 “Leituras e Releituras da Inconfidência Mineira”, Suplemento Literário do Minas Gerais, nº 1.125, Belo Horizonte, 01 julho 1989). – Nomeado governador de Macapá /Amapá, o militar português João Vasco Manuel de Braun, autor de diversas obras sobre o norte do Brasil, entre elas o Roteiro Corográfico da Viagem Que se Costuma Fazer da Cidade de Belém do Grão-Pará à Vila Bela de Mato Grosso. – O astrônomo português Sanches Dorta elabora em São Paulo, publicando, posteriormente, os trabalhos Observações Astronômicas e Meteorológicas Feitas na Cidade de São Paulo, América Meridional- 1788-1789 e o Diário Físico-Meteorológico de Outubro, Novembro e Dezembro de 1788 da Cidade de São Paulo. – Publicado em Coimbra o primeiro volume do livro Elementos de Química, de autoria do estudante brasileiro da universidade de Coimbra, Vicente Coelho de Seabra Silva Teles, cujo segundo tomo sai em 1790, sendo certamente a primeira obra de autor brasileiro inteiramente dedicada à química. “Nesta obra divulgou ele, pela primeira vez em idioma português, a nova doutrina antiflogística e juntou notícias originais relativas às pedras preciosas e aos trabalhos das minas do Brasil, especialmente as de ouro, com a competente nomenclatura” (Heinrich Rheinboldt, op. cit., vol. II, p. 15). Fim do Ano – Chega à Vila Rica, retornando do Rio de Janeiro, Joaquim José da Silva Xavier, apelidado Tiradentes. 1789 15 de Março – Delação verbal da Conjuração Mineira de Joaquim Silvério dos Reis ao visconde de Barbacena, governador de Minas
  • 111. 323 Gerais, que perdoa grande dívida daquele à Fazenda Real, concedendo-lhe, ainda, pensão anual, o título de fidalgo e o hábito de Cristo. 23 de Março – O visconde de Barbacena suspende o início da derrama determinado para esse dia, em decorrência de ter sido informado da conspiração. 15 de Abril - Segunda delação, a primeira por escrito, da Conjuração Mineira feita pelo português Basílio de Brito Malheiro do Lago, que “encontrava-se, há mais de seis meses, detido em Vila Rica, em virtude de um processo que lhe era movido por Tomás Antônio Gonzaga, a quem passou, por isso, a dedicar um grande ódio” (Dimas Perrin, “A Prisão de Tiradentes”, Minas Gerais, órgão oficial do Estado, Belo Horizonte, 19 abril 2002). 19 de abril – Delação, por escrito, da Conjuração Mineira de Joaquim Silvério dos Reis. 20 de Abril – Delação por escrito do movimento mineiro feita por Inácio Correia Pamplona. 10 de Maio – Tiradentes é preso no Rio de Janeiro na rua dos Latoeiros, atual Gonçalves Dias. “Tiradentes foi o mais ativo propagandista das ideias que sustentaram o projeto político da Conjuração Mineira, e o grande responsável por colocá-las em circulação no interior de uma rede formada pelo entrecruzamento de diferentes grupos sociais” (Lília M. Schwacrz e Heloísa M. Starling. Brasil: Uma Biografia, 2015, p. 143) 23 de Maio – Preso e remetido para a ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, Tomás Antônio Gonzaga, poeta, conspirador mineiro e
  • 112. 324 ouvidor da comarca da Vila Rica, capital da província de Minas Gerais. 24 de Maio – Alvarenga Peixoto é preso em São João del Rei e conduzido ao Rio de Janeiro, onde é encerrado na fortaleza da ilha das Cobras. Maio – Além das delações da Conjuração Mineira efetuadas em março e abril desse ano, mais três são feitas em maio, por escrito, por Francisco de Paula Freire de Andrade (dia 17), Francisco Antônio de Oliveira Lopes (dia 19) e Domingos de Abreu Vieira (dia 28), segundo Sérgio Faraco (“Autos da Devassa: Uma Crítica de Veracidade”, Leitura, órgão do Diário Oficial do Estado, nº 73, São Paulo, junho 1988), que designa como Andrade e não Andrada a Francisco de Paula Freire. 25 de Junho – Cláudio Manuel da Costa é preso em Vila Rica e encarcerado na casa dos Contos. 04 de Julho – Cláudio Manuel da Costa é encontrado morto na casa dos Contos. 14 de Julho – No quadro de impasse e crescente tensão na França, agravado com a ordem de Luís XVI de dissolução da Assembleia composta por 1.200 (hum mil e duzentos) deputados, trezentos da nobreza, trezentos do clero e seiscentos do terceiro estado (o povo), e a resistência destes últimos, que continuam os trabalhos legislativos, a fortaleza da Bastilha é tomada pelo povo, desencadeando a Revolução Francesa, de larga influência no Ocidente. 26 de Agosto – Aprovada pela Assembleia Francesa a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, definindo a liberdade como “o
  • 113. 325 direito de fazer tudo aquilo que não prejudica a outrem” (apud Mirador, vol. XVIII, p. 9.855) Setembro – Criada em Minas Gerais a vila de São Bento do Tamanduá (atual Itapecerica). 05 de Outubro – Prisão do padre José de Oliveira Rolim, que estava foragido e teria se entregado. 17 de Dezembro – Encenado, na casa da Ópera de Recife, o drama Amor dos Deuses, de Antônio José de Paula. – Consta do programa de governo dos conjurados mineiros, não apenas a Independência do Brasil, mas, também que a capital do país seria São João del Rei e, ainda, criação de casa da moeda, implantação de manufaturas e de fábrica de pólvora, libertação dos escravos nascidos no país, fundação de universidade em Vila Rica, prêmio natalidade para mulheres que gerarem certo número de filhos, além de que os cidadãos usarão armas e servirão na milícia nacional quando necessário, dispensada a existência de exército permanente. – “O que fez um grupo de letrados e vassalos de posses, em princípio bem integrados ao mundo do absolutismo português, transformar-se em protagonista de uma forma especialíssima de revolta política na América - a Conjuração Mineira - foi uma combinação entre o ressentimento e a percepção de autossuficiência econômica de sua capitania” (Lília M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, op. cit., p. 142/143). – Estimada em dois milhões e trezentos mil habitantes a população do Brasil, da qual um milhão e quinhentos mil (65%) são negros. – Apenas quatro médicos exercem a profissão no Rio de Janeiro.
  • 114. 326 – Elaborada pelo compositor, regente e cantor Francisco Gomes da Rocha a obra Novena de Nossa Senhora do Pilar a quatro vozes, sendo autor, ainda, segundo Curt Lange, que o considera portentoso, de mais de duzentas obras, conforme citado por Vasco Mariz (História da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p. 49). – Composta por Inácio Parreiras Neves a Oratória ao Menino Deus Para a Noite de Natal, considerado o único auto de natal em língua portuguesa. – Publicado o importante Dicionário da Língua Portuguesa, o célebre Dicionário Morais, do lexicógrafo fluminense Antônio de Morais Silva, que, quando estudante da universidade de Coimbra, foge para a Grã-Bretanha a fim de escapar do tribunal do Santo Ofício sob a acusação de racionalismo. – “Segundo João Ribeiro era a seguinte a população do Brasil em 1789: Brancos – 1.010.000; Índios 250.000; Libertos – 406.000; Pardos escravos -221.000; Negros escravos – 1.361.000. Total – 3.248.000 ou seja: cerca de 50 % da população, 1.582.000 era constituída de escravos. Na mesma época havia nos Estados Unidos 70 [setenta] mil escravos para uma população de cerca de 4 [quatro] milhões ou seja menos de 2%” (Leôncio Basbaum. História Sincera da República, vol. I., 2ª ed., 1962, p. 136).
  • 115. 327 Foto 1: Viagem Filosófica/capa de um dos livros Foto 2: Itinerário da Viagem Filosófica Foto 3: Recueil des Loix Constitutives/capa Foto 4: Vila Rica no séc. XVIII
  • 116. 328 Década de 1790 1790 14 de Fevereiro – Encenado por três noites seguidas na casa da Ópera, de Recife, o drama Fidelidade, de Antônio José de Paula. 09 de Maio – Conforme o Novo Dicionário de História do Brasil o segundo conde de Resende, José Luís de Castro, toma posse no Rio de Janeiro no cargo de vice-rei do Brasil, que exercerá por onze anos. 27 de Maio – Iniciada a inquirição dos presos participantes da Conjuração Mineira. 16 de Junho – Dado início aos depoimentos das testemunhas no processo aberto contra os conspiradores mineiros. 20 de Junho – Incêndio destrói no Rio de Janeiro o prédio da Câmara e seu arquivo contendo livros e documentos desde a fundação da cidade, salvando-se apenas os livros que se acham com o escrivão da instituição. Junho – Com a saída do vice-rei Luís de Vasconcelos e Sousa, sob os auspícios de quem foi fundada, a Sociedade Literária do Rio de Janeiro encerra suas atividades. 21 de Agosto – Forma-se em medicina em Montpellier/França, o brasileiro José Maurício Leal da Câmara Rangel de Gusmão, o único dos quinze estudantes brasileiros da escola de medicina dessa cidade a nela fazer todo o curso, sendo que os demais foram transferidos de Coimbra, por incompatibilidade com seu conservadorismo, entre eles, Joaquim Inácio de Seixas Brandão, parente de Marília de Dirceu;
  • 117. 329 Jacinto José da Silva Quintão, que será preso no Rio de Janeiro por pertencer à Sociedade Literária; José Joaquim da Maia Barbalho, que mantém correspondência com Thomas Jefferson e tem com ele conferência em Nîmes/França para obter apoio à Conjuração Mineira, sendo que “desta entrevista nada resultou de prático, porque Jefferson se mostrou reticente e hesitante, embora chegasse a avaliar as possibilidades de vitória do movimento” (Pedro Sales. História da Medicina no Brasil, 1971, p. 73); Domingos Vidal Barbosa Laje, que também mantém contatos com Jefferson e no Brasil participa ativamente da Conjuração, sendo preso e condenado à morte, constando que “recebeu a sentença com uma gargalhada” (Pedro Sales, op.cit., p 73), tendo a pena comutada para degredo na África; Vicente Gomes da Silva, também preso no Rio de Janeiro por dois anos por pertencer à Sociedade Literária; Francisco Arruda da Câmara, paraibano, político de intensa atuação e prestígio no Nordeste, fundador com seu irmão e outros da primeira loja maçônica do Brasil, a Areópago de Itambé; José Joaquim de Carvalho, que segundo Alfredo Nascimento, citado por Pedro Sales (op.cit., p. 75), é um dos três médicos mais famosos do Rio de Janeiro, juntamente com Leal de Gusmão e Vicente Gomes da Silva, todos formados em Montpellier; Manuel Arruda da Câmara, irmão de Francisco e com ele um dos fundadores da loja maçônica Areópago, na vila de Itambé, que desenvolve intensa atividade profissional e de estudos da flora brasileira. – Em Minas Gerais, a localidade de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete) é elevada à vila.
  • 118. 330 – Encenada em Corumbá/MT a ópera Ezio in Roma, em que os papéis femininos são representados por homens, costume da época. “Só mui raramente as mulheres (neste caso mulatas) subiam em cena” (Vasco Mariz. História da Música no Brasil. 4ª ed., 1994, p. 41). – Editado em Lisboa o Tratado da Educação Física dos Meninos, do médico brasileiro Francisco de Melo Franco, pelo que é considerado por Martinho da Rocha, citado por Pedro Sales (op.cit.,p. 67), “o primeiro puericultor brasileiro”, que, quando estudante em Portugal, esteve preso por quatro anos pela Inquisição “por irreligiosidade”. Juntamente com ele é encarcerada uma mulher para servir de testemunha no processo, com quem, posteriormente, Melo se casa. – Terminada a elaboração da obra Flora Fluminense, do padre franciscano mineiro, frei José Mariano da Conceição Veloso (na vida civil, José Veloso Xavier). 1791 21 de Outubro – Após meses de espera pela chegada de Portugal dos juízes que iriam dirigir o processo contra os conjurados mineiros, são eles, em número de vinte e nove, notificados das acusações e lhes concedido o prazo de cinco dias para se manifestarem nos autos. 17 de Dezembro – Incorporada à Coroa a capitania de São Vicente, sendo compensado o donatário, conde de Vimieiro. – Novamente preso o célebre garimpeiro rebelde, José Basílio, após decorridos seis anos de seu anterior aprisionamento e cinematográfica
  • 119. 331 fuga, sendo condenado a dez anos de degredo em Angola, não se sabendo mais notícias suas. – Formalizada por meio de ajuste assinado no presídio de Nova Coimbra, em Mato Grosso, a paz com os índios guaicurus. – A localidade de Barbacena, em Minas Gerais, é elevada à categoria de vila. 1792 Fevereiro – Junta Médica da Corte portuguesa declara a rainha d. Maria I tomada pela loucura, pelo que é afastada e transferido o poder a seu filho, o futuro rei d. João VI, que governa durante algum tempo sem título algum a não ser de herdeiro presuntivo do trono. D. Maria I sucumbe, “depois de reinar durante 14 [catorze] anos, ao choque emocional provocado pela Revolução Francesa. Os sinais de vesânia apareceram com a detenção em Varennes de Luís XVI e Maria Antonieta, e a suspensão das funções majestáticas de ambos” (Mirador, vol. IV, p. 1.545/46). 18 de Abril – Lavrada a sentença condenatória dos conspiradores mineiros. 19 de Abril – Lida na prisão aos conspiradores mineiros, pelo escrivão da alçada, a sentença condenatória. 21 de Abril – Tiradentes é enforcado no Rio de Janeiro e, em seguida, seu corpo esquartejado, distribuindo-se partes dele nos lugares onde mais acentuadamente propagara suas ideias patrióticas e libertárias.
  • 120. 332 – Tiradentes, “pela sua habilidade sobressaiu-se entre os da profissão. Além de extrair dentes, sabia colocá-los também. Fazia-o, por certo, com proficiência. Por isso, o seu raio de ação como dentista transpôs em breve as fronteiras da velha Minas Gerais, estendendo-se até o Rio de Janeiro [....] Quer no campo da cirurgia, quer no da prótese se desempenhou a contento” (Ernesto Sales Cunha. História da Odontologia no Brasil. 3ª ed., 1963, p. 63). “Tirava com efeito dentes com a mais sutil ligeireza e ornava a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais” (frei Raimundo de Penaforte, último confessor de Tiradentes, apud Ernesto Sales Cunha, op.cit., p. 64). 23 de Abril – Embarcam para degredo perpétuo na África os conjurados mineiros que tiveram suas penas comutadas, Freire de Andrada (ou Andrade), Álvares Maciel, Alvarenga Peixoto, Luís Vaz, Francisco Antônio, Abreu Vieira e Amaral Gurgel. Condenados a degredo temporário por dez anos seguem Resende Costa (pai e filho), Vidal Barbosa, Gonzaga e outros seis. – Ordenado padre no Rio de Janeiro, onde nasceu em 1767, o compositor José Maurício Nunes Garcia, mestre da capela da Catedral e Sé do Rio em 1798, mestre da capela Real e professor de música (d. Pedro I será seu aluno), autor entre outras obras, da ópera Le Due Gemelle, de Zemira, Missa em Si-Bemol e Missa de Santa Cecília, além de ofícios, obras para cerimônias fúnebres, para a Semana Santa, profanas, instrumentais, teóricas, avulsas e, ainda, de orquestrações que se repartem em antífonas, benditos, cânticos, hinos, ladainhas, motetos, novenas, salmos, tantum ergo, te deum, matinas e vésperas, chegando a quatrocentas peças. Segundo Mário de Andrade, “foi o
  • 121. 333 maior artista da nossa música religiosa, mas não ultrapassou o que faziam no gênero os italianos do tempo. E isso, universalmente, era pouco” (apud Vasco Mariz, op.cit., p. 61). – Encerra-se no final desse ano a viagem que o naturalista baiano Alexandre Rodrigues Ferreira empreende desde 1783 por incumbência do governo português, chefiando expedição científica às capitanias do Pará, Rio Negro (Amazonas) e Mato Grosso, elaborando nada menos de sessenta ensaios científicos de natureza geográfica, zoológica, botânica, etnológica, mineralógica, escrevendo, ainda, o Diário da Viagem Filosófica. – “Desde o limiar da Amazônia cujos traços essenciais do complexo geográfico procurou observar, fixando-se mais demoradamente no importante problema da agricultura regional, até o interior da região, no rio Negro e no rio Branco, onde também abordou a discussão de importantes temas locais, Alexandre Ferreira desenvolveu invulgar atividade científica e patriótica. É incrível mesmo a variedade de assuntos focalizados. Somente no que tange à geografia, suas preocupações foram da geografia física e matemática à geografia humana, política, econômica e agrária” (José Veríssimo da Costa Pereira, “A Geografia no Brasil”, As Ciências no Brasil, vol. I, p. 332). – “Estes feitos [de outros cientistas à época] empalidecem, porém, diante das viagens científicas do naturalista baiano Alexandre Rodrigues Ferreira, a quem a Corte portuguesa confiou em 1783 o difícil encargo de explorar as vastas extensões abrangidas pelas capitanias do Pará, Rio Negro (Amazonas) e Cuiabá, com o fim expresso de ‘observar, acondicionar e remeter para o real museu da
  • 122. 334 Ajuda os produtos dos três reinos’” (Olivério M. de Oliveira Pinto, “A Zoologia no Brasil”, As Ciências no Brasil, vol. II, p. 101). – “Inicia-se agora uma época em que alguns brasileiros principiam a se ocupar de nossa flora nos moldes estabelecidos pela botânica em todo o mundo. Um dos primeiros foi Alexandre Rodrigues Ferreira, baiano, que se dedicou ao estudo não só da vegetação, mas também da fauna brasileira” (Mário Guimarães Ferri, “A Botânica no Brasil”, As Ciências no Brasil, vol.II, p. 157). – “De contribuição brasileira [à biologia], no período colonial, parece não haver dúvida em dar-se primazia à de Alexandre Rodrigues Ferreira, baiano que estudou medicina em Coimbra, e lá se tornou notável em ciências naturais, tanto que foi prossecutor, e incumbido de tombar o material de museus lusos” (Tales Martins, “A Biologia no Brasil”, As Ciências no Brasil, vol. II, p. 205). – “Deixou o arrojado sertanista [Alexandre Rodrigues Ferreira], em sua Viagem Filosófica, tão valiosa no seu documentário artístico e científico, preciosas informações etnográficas sobre e gentio com que entrou em contato, nas suas incursões por terras inexploradas e bravias” (Fernando de Azevedo, “A Antropologia e a Sociologia no Brasil”, As Ciências no Brasil, vol. II, p. 363). – Os pintores portugueses Joaquim José Codina e José Joaquim Freire acompanham Alexandre Rodrigues Ferreira, autor da Viagem Filosófica, pela selvas amazônicas, elaborando centenas de aquarelas e desenhos tendo por temas sua fauna, flora e aspectos geográficos e etnográficos. – Nasce em Lisboa o futuro imperador do Brasil, d. Pedro I.
  • 123. 335 – O Almanaque da Cidade do Rio de Janeiro desse ano registra a existência de uma livraria na cidade. – Publicada em Lisboa a primeira parte do livro Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga. – Elaborado por iniciativa e determinação de Bernardo José de Lorena o Mapa Corográfico da Capitania de São Paulo. 1793 21 de Janeiro – Executado o rei francês Luís XVI na place de la Révolution, atual place de la Concorde, em Paris. Julho – Face às arbitrariedades cometidas contra o povo pelo governador de Santa Catarina, coronel Manuel Soares Coimbra, recrutando quinhentos homens para o regimento da ilha, construindo suntuoso quartel, confiscando mantimentos para alimentar os recrutados e submetendo os cidadãos a trabalhos forçados para atender às obras, o vice-rei determina sua deposição e condução preso ao Rio de Janeiro. 16 de Outubro – Executada a rainha francesa Maria Antonieta. – Lida perante a Academia Real das Ciências de Lisboa a obra Memória Sobre as Doenças Agudas e Crônicas Que Mais Frequentemente Acometem os Pretos Recém Tirados da África, de autoria do advogado e médico brasileiro nascido na Bahia, Luís Antônio de Oliveira Mendes, autor ainda de outros livros, e que é eleito, em 1824, membro da referida Academia.
  • 124. 336 – Falece em Angola o poeta fluminense Inácio José de Alvarenga Peixoto, nascido não se sabe se em 1743, 1744 ou 1748, participante da Conjuração Mineira e casado com a poetisa Bárbara Heliodora. 1794 01 de Junho – Eleito bispo da diocese de São Paulo, d. Mateus de Abreu Pereira, destacando-se posteriormente por ter escrito a d. Pedro em janeiro de 1822, exortando-o a não atender às ordens das Cortes de Lisboa, que exigiam seu regresso a Portugal, sendo ainda um dos signatários da ata de adesão da província de São Paulo à causa da Independência do Brasil, também entregue a d. Pedro na ocasião. – O segundo conde de Resende, vice-rei do Brasil, resolve restabelecer a Sociedade Literária do Rio de Janeiro. O poeta Silva Alvarenga convoca os sócios e providencia as instalações. Após quatro meses de atividades, frei Raimundo de Penaforte promove denúncia contra a instituição, minada também por desentendimento entre seus membros, pelo que o conde de Resende determina a suspensão das reuniões. Diante de novas denúncias de José Bernardo da Silveira Frade, inimigo de Silva Alvarenga, o conde determina que se proceda devassa nas atividades da sociedade, “para se descobrirem por ela as pessoas que com escandalosa liberdade se atreviam a envolver em seus discursos matérias ofensivas da religião e a falar dos negócios da Europa com louvor e aprovação do sistema atual da França, e para conhecer se entre as mesmas pessoas havia alguns que, além dos ditos escandalosos discursos, se adiantassem a formar ou insinuar algum plano de sedição” (apud Afrânio Coutinho e J.
  • 125. 337 Galante de Sousa. Enciclopédia de Literatura Brasileira, vol. II. 2ª ed., 2001, p. 1.519). 11 de Dezembro – Iniciada contra a Sociedade Literária do Rio de Janeiro devassa presidida por Antônio Dinis da Cruz e Silva e escriturada por João Guerreiro do Amorim Pereira, e decretada a prisão dos denunciados, entre eles Silva Alvarenga e Mariano José Pereira da Fonseca (o futuro e célebre marquês de Maricá), metidos a ferros e recolhidos à fortaleza da Conceição, no Rio de Janeiro. – Por volta desse ano é edificada casa de Ópera em São Paulo, no largo do Palácio, demolida em 1870. – Por essa época acontece a possivelmente primeira visita ao país de empresa teatral estrangeira, a do ator português Antônio José de Paula. – Funciona em Porto Alegre a casa da Comédia, barracão de pau-a- pique com trinta e seis camarotes e trezentos lugares na plateia, durando até 1834. – Nasce em Vila Rica o futuro compositor João de Deus Castro Lobo. 1795 21 de Fevereiro – Nasce no Rio de Janeiro o também futuro compositor, regente e mestre de música, Francisco Manuel da Silva. Março – Iniciada a inquirição dos réus e testemunhas da devassa instaurada no ano anterior contra a Sociedade Literária. 31 de Julho – Falece em Lisboa o poeta José Basílio da Gama, autor, entre outras obras, do poema épico O Uraguai, referente à guerra que Portugal e Espanha deflagaram contra os habitantes dos Sete Povos das Missões.
  • 126. 338 05 de Outubro – Expedida “a mais completa e minuciosa” lei de sesmarias, visando “compensar e desfazer erros e disputas, fraudes e abusos por falta de regulamentação adequada [....] Havia evidente intenção na lei de evitar o latifúndio sobretudo a grande propriedade improdutiva” (Leôncio Basbaum. História Sincera da República, vol. I, 2ª ed., 1962, p. 106 e 107). – Dois embaixadores de Daomé, mandados pelo rei Agonglô, propõem ao governador da Bahia, Fernando José de Portugal, a exclusividade do comércio de escravos em Uidá, o que é rejeitado porque tal monopólio prejudica os interesses baianos. – Escrita por Francisco Rodrigues do Prado, comandante do presídio de Nova Coimbra, ao sul de Mato Grosso, o livro História dos Índios Cavaleiros ou da Nação Guaicuru, cujo título se alonga no que deveria ser subtítulo: “em que descreve os seus usos e costumes, leis, alianças, ritos e governo doméstico, e as hostilidades feitas a diferentes nações bárbaras, aos portugueses e espanhóis, males que ainda são presentes na memória de todos”. Doado o manuscrito ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, este o publica no primeiro número de sua Revista, editado em 1839. 1796 Maio – Encerrada a oitiva dos réus e testemunhas da devassa procedida contra a Sociedade Literária do Rio de Janeiro iniciada em dezembro de 1794. 10 de Dezembro – Revogada a importante lei de sesmarias de 05 de outubro do ano anterior, visto que “interesses poderosos se
  • 127. 339 movimentaram insurgindo-se contra suas determinações, sob alegação – entre outras – de ‘falta de geômetras’” (Leôncio Basbaum, op.cit., vol. I, p. 107). 1797 18 de Junho – Mesmo carente de provas das acusações de sediciosos e inconfidentes, os membros da Sociedade Literária ficam presos mais de um ano após o encerramento da devassa sem que o conde de Resende tome alguma resolução. Contudo, Mariano José Pereira da Fonseca (futuro marquês de Maricá) promove queixa à Metrópole, que determina ao conde soltar os réus e, se considerasse não dever fazê-lo, os mandasse então à Corte com os autos de culpa, alvitrando o conde ordenar sua soltura. 02 de Julho – Em Salvador, em decorrência das copiosas chuvas ocorridas no mês de junho, desaba grande parte da igreja de São Pedro dos Clérigos, que desliza pela ladeira da Misericórdia e soterra quinze casas com perda de muitas vidas. Julho – Toma posse o novo governador de Minas Gerais, Bernardo José de Lorena. – “Uns três anos antes do clarear do século XIX” (Hildebrando Pontes. História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central, 1970, p.75), grupo de moradores do Desemboque, na região do Triângulo, organiza bandeira e interna-se a oeste das sesmarias concedidas na região, voltando seus participantes entusiasmados com o que vêem. – Publicada pela Academia Real das Ciências de Lisboa a obra do astrônomo Bento Sanches Dorta, Observações Astronômicas Feitas
  • 128. 340 Junto ao Castelo da Cidade do Rio de Janeiro Para Determinar a Latitude e a Longitude da Dita Cidade. – Elaborada por autor desconhecido a Memória Histórica da Cidade de Cabo Frio, considerado também importante trabalho geográfico sobre a região. 1798 12 de Agosto – Eclode em Salvador movimento libertário de acentuado sentido social igualitário propugnando pela abolição da escravatura e a proclamação da República, causado por “amálgama de ressentimentos sociais, preços elevados de víveres e o impacto dos lemas revolucionários franceses”, composto de alfaiates e soldados, todos mulatos, que anunciam seu propósito por meio de boletins e cartazes afixados em lugares públicos com proclamações como: “cada um soldado é cidadão, mormente os homens pardos e pretos que vivem escornados e abandonados, todos serão iguais, não haverá diferença, só haverá liberdade, igualdade e fraternidade.” Segundo Kenneth Maxwell, “Amargurados e anticlericais, os mulatos da Bahia eram tão avessos aos brasileiros ricos quanto à dominação portuguesa. Eles saudavam a agitação social, propunham a subversão de todas as estruturas existentes e buscavam uma sociedade igualitária e democrática, na qual as diferenças de raça não fossem um obstáculo ao emprego e à mobilidade social” (“A Conspiração Baiana de 1798”, Folha de S. Paulo, 26 julho 1998). 25 de Agosto – “O cerco aos conspiradores [baianos] suspeitos, iniciado em 25 de agosto, continuou até fevereiro de 1799, à medida
  • 129. 341 que avançavam os interrogatórios, com a prisão de mais de 50 [cinquenta] pessoas” (Kenneth Maxwell, artigo citado). – Dois anos após sua descoberta e produção, começa a ser aplicada no Brasil a vacina antivariólica. – Primeira vacinação efetuada no Rio de Janeiro por iniciativa e direção do cirurgião Francisco Mendes Ribeirão. – Criadas em Minas Gerais as vilas de Paracatu do Príncipe (Paracatu) e Campanha da Princesa (Campanha). – O compositor padre José Maurício Nunes Garcia torna-se mestre de capela da Catedral e Sé do Rio de Janeiro, em que desempenha as funções de organista, regente e compositor, além de professor de música e responsável pelas composições apresentadas nas cerimônias religiosas realizadas na Sé. Como professor por quase trinta anos tem, entre seus alunos, Francisco Manuel da Silva, futuro compositor do Hino Nacional, e Cândido Inácio da Silva, autor de modinhas. – Editado o primeiro tomo de Viola de Lereno com letras das cantigas de Domingos Caldas Barbosa, sendo publicado o segundo só em 1826. – Carta régia, reiterando as leis pombalinas, abole o “diretório” dos índios, sob o manto do qual ainda subsiste a escravidão indígena. – Organizada pelo matemático e astrônomo mineiro Antônio Pires da Silva Pontes a primeira planta cartográfica de todo o Brasil e de parte da América do Sul. – José Vieira Couto escreve a Memória Sobre a Capitania de Minas Gerais, abrangendo território, clima e produção de metais.
  • 130. 342 1799 16 de Julho – D. João é intitulado príncipe-regente. 08 de Outubro – Nasce no Rio de Janeiro o futuro jornalista e político Evaristo da Veiga. 08 de Novembro – Na praça da Piedade, em Salvador, são executados por enforcamento, depois de procedida devassa, os líderes da Conjuração Baiana ou Conspiração dos Alfaiates, Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas (soldados) e João de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos (alfaiates), esquartejando-se depois seus corpos e os pedaços expostos em postes erguidos nos locais mais movimentados da cidade, sendo que no patíbulo são exibidas a cabeça e as mãos de Luís Gonzaga, autor de boletins de propaganda do movimento, sofrendo sete outros réus a pena de degredo perpétuo em terras da África. – fundado em Olinda/PE por Azeredo Coutinho o seminário de Olinda. – Publicado em Lisboa o livro Glaura, de Manuel Inácio da Silva Alvarenga. – Mantido em Salvador pelo cirurgião-mor José Xavier de Oliveira Dantas curso de anatomia e cirurgia, ao qual, no entanto, mesmo solicitada pelo governador baiano, é negada a prerrogativa de aula régia. – Continua a publicação em Lisboa da obra Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, com a vinda a lume de sua segunda parte. – O Almanaque da Cidade do Rio de Janeiro desse ano indica a existência de duas livrarias na cidade.
  • 131. 343 Pintores do Século – Nesse século, além dos pintores e escritores individualmente destacados nesta obra, citam-se em Minas Gerais, em Arte no Brasil, os nomes de Manuel Antônio da Fonseca, Silvestre de Almeida Lopes, Manuel Rebelo e Sousa, Miguel Pereira de Carvalho, Bernardo Pires da Silva, João Nepomuceno Correia e Castro (o mais conhecido deles), Manuel Ribeiro da Rosa, Antônio Martins da Silveira e João Batista Figueiredo (provavelmente o mestre de Manuel da Costa Ataíde), Francisco Xavier Carneiro e Joaquim Gonçalves da Rocha, estes dois últimos prosseguindo suas carreiras nas primeiras décadas do século XIX, executando obras nas cidades hoje históricas da então província.
  • 132. 344 Foto 1: Flora Fluminense/capa Foto 2: Marília de Dirceu/capa Foto 3: Glaura/capa
  • 133. 345 SUMÁRIO DA BIBLIOGRAFIA E DOS ÍNDICES BIBLIOGRAFIA 1. Livros 2. Livros Coletivos 3. Ensaios em Livros Coletivos 4. Artigos em Jornais, Revistas e Livros ÍNDICE ONOMÁSTICO Pessoas ÍNDICE TEMÁTICO 1. Acidentes Naturais 2. Administração Pública 3. Artes e Ciências 4. Atividades Econômicas 5. Bandeiras e Expedições 6. Conjurações e Revoltas 7. Guerras Locais 8. Invasões Estrangeiras 9. Jesuítas e Padres 10. Medicina e Saúde 11. População 12. Diversos
  • 134. 346 BIBLIOGRAFIA 1. LIVROS ABREU, Capistrano de – Capítulos de História Colonial. 7ª ed. Belo Horizonte, editora Itatiaia/São Paulo, Publifolha 2.000. BARBOSA, Alexandre de Sousa e Silvério José Bernardes – A Estrada do Anhanguera. Uberaba, tipografia Jardim, 1911. BARROSO, Gustavo – Nos Bastidores da História do Brasil. São Paulo, edição Melhoramentos, s/d. BASBAUM, Leôncio – História Sincera da República. 2ª ed. São Paulo, edições LB, 1962. COUTINHO, Afrânio e J. Galante de Sousa – Enciclopédia de Literatura Brasileira. 2ª ed. São Paulo/Rio de Janeiro, editora Global/Fundação Biblioteca Nacional/Academia Brasileira de Letras, 2001. CUNHA, Ernesto Sales – História da Odontologia no Brasil – 1500- 1900. 3ª ed. Rio de Janeiro, editora Científica, 1963. DOURADO, Mecenas – A Conversão do Gentio. Rio de Janeiro, Ediouro, 1968. DUTRA, Valtensir e Fausto Cunha – Biografia Crítica das Letras Mineiras. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1956. FAORO, Raimundo − Os Donos do Poder. 10ª ed. São Paulo, editora Globo/Publifolha, 2000.
  • 135. 347 FONSECA, Cláudia Damasceno – Arraiais e Vilas d’el Rei – Espaço e Poder nas Minas Setecentistas. Belo Horizonte, editora da UFMG, 2011. FURTADO, Celso − Formação Econômica do Brasil. 27ª ed. São Paulo, Companhia Editora Nacional/Publifolha, 2000. GARCIA, Eugênio Vargas, organizador – Diplomacia Brasileira e Política Externa – Documentos Históricos: 1493-2008. Rio de Janeiro, editora Contraponto, 2008. HOLLER, Marcos – Os Jesuítas e a Música no Brasil Colonial. Campinas, editora da Unicamp, 2010. KIEFER, Bruno – História da Música Brasileira – Dos Primórdios ao Início do Século XX. 2ª ed. Porto Alegre, editora Movimento, 1977. LIMA, José Inácio de Abreu e – Sinopse dos Fatos Mais Notáveis da História do Brasil. 2ª ed. Recife, Fundação de Cultura, 1983. LIMA, Oliveira – Formação Histórica da Nacionalidade Brasileira. 3ª ed. Rio de Janeiro, Topbooks - São Paulo, Publifolha, 2000. LOURENÇO, Luís Augusto Bustamante – A Oeste das Minas – Escravos, Índios e Homens Livres Numa Fronteira Oitocentista: Triângulo Mineiro – 1750-1861. Uberlândia, Universidade Federal/Instituto de Geografia, 2002. MARIZ, Vasco – História da Música no Brasil. 4ª ed. Rio de Janeiro, editora Civilização Brasileira, 1994. MARTINS, Tarcísio José – Quilombo do Campo Grande – A História de Minas Roubada do Povo. São Paulo, edição de A Gazeta Maçônica, 1995. MARTINS JÚNIOR, J. Isidoro – História do Direito Nacional. 2ª ed. Recife, Cooperativa Editora e de Cultura Intelectual, 1941.
  • 136. 348 MENESES, Raimundo de – Dicionário Literário Brasileiro. 2ª ed. Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos, 1978. MOOG, Viana − Bandeirantes e Pioneiros. 13ª ed. Rio de Janeiro, Editora Civilização Brasileira, 1981. MORAIS, Rubens Borba de e William Berrien – Manual Bibliográfico de Estudos Brasileiros. Rio de Janeiro, gráfica editora Sousa, 1949. NARLOCH, Leandro − Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. 2ª ed. São Paulo, Leia, 2011. POMBO, Rocha – História do Brasil. 10ª ed. São Paulo, edições Melhoramentos, 1961. PONTES, Hildebrando de Araújo – História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central. Uberaba, Academia de Letras do Triângulo Mineiro, 1970. PRADO, J. F. de Almeida – Primeiros Povoadores do Brasil-1500- 1530. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1939. SALES, Pedro – História da Medicina no Brasil. Belo Horizonte, editora G. Holman, 1971. SANTOS, Joaquim Felício dos – Memórias do Distrito Diamantino. 3ª ed. Rio de Janeiro, edições o Cruzeiro, 1956. SCHWARCZ, Lília M. e STARLING, Heloísa M. − Brasil: Uma Biografia. São Paulo, Companhia das Letras, 2015. SODRÉ, Nélson Werneck – História da Imprensa no Brasil. 3ª ed. São Paulo, Martins Fontes, 1983. SOUSA, J. Galante de – O Teatro no Brasil, vol. I. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1960.
  • 137. 349 TEIXEIRA, Edelweiss – O Triângulo Mineiro nos Oitocentos. Uberaba, Intergraf editora, 2001. TELAROLLI JÚNIOR, Rodolfo – Epidemias no Brasil – Uma Abordagem Biológica e Social. 2ª ed. São Paulo, editora Moderna, 2003. WOLKMER, Antônio Carlos – História do Direito no Brasil. 3ª ed. Rio de Janeiro, editora Forense, 2003. 2. LIVROS COLETIVOS Arte no Brasil, vol. I. São Paulo, Abril Cultural, 1979. Ciências no Brasil, As, organização de Fernando de Azevedo, vols. I e II. São Paulo, edições Melhoramentos, s/d. Enciclopédia Mirador Internacional, editor Antônio Houaiss. 20 vols. São Paulo/Rio de Janeiro, Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações, 1980. História Administrativa do Brasil, coordenação de Vicente Tapajós, vols. I e II. Rio de Janeiro, Departamento Administrativo do Serviço Público – DASP, 1956. História Nova do Brasil, de Joel Rufino dos Santos, Maurício Martins de Melo, Nélson Werneck Sodré, Pedro de Alcântara Figueira, Pedro Uchoa Cavalcanti Neto e Rubem César Fernandes, vols. 1 e 4. São Paulo, editora Brasiliense, 1965. Literatura no Brasil, A, organização de Afrânio Coutinho. 03 vols. Rio de Janeiro, editora Sul Americana, 1955 a 1959. Novo Dicionário de História do Brasil, organização do departamento editorial das edições Melhoramentos, redação dos temas e
  • 138. 350 biografias por Brasil Bandecchi, Leonardo Arroio e Ubiratã Rosa. 2º ed. São Paulo, edições Melhoramentos, 1971. 3. ENSAIOS EM LIVROS COLETIVOS AZEVEDO, Fernando de – “A Antropologia e a Sociologia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. II. AVELAR, Hélio de Alcântara – “Preliminares Europeias”, in História Administrativa do Brasil, vol. I. CASTELO, José Aderaldo – “O Movimento Academicista”, in A Literatura no Brasil, organizada por Afrânio Coutinho, vol. I, tomo 1. FERRAZ, Joaquim de Sampaio, “A Meteorologia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. I. FERRI, Mário Guimarães – “A Botânica no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. II. LEITE, José Roberto Teixeira – “Período Nassau”, in Arte no Brasil, vol. I. LEMOS, Carlos A. C. e José Roberto Teixeira Leite – “O Estado do Maranhão e Grão-Pará”, in Arte no Brasil, vol. I. _______ “Rio de Janeiro, o Porto do Ouro”, idem, idem. _______ “Na Terra dos Tropeiros”, idem, idem. LEONARDOS, OTHON HENRY – “A Mineralogia e a Petrografia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. I. MANUEL, Pedro – “Ataíde e a Pintura Mineira”, in Arte no Brasil, vol. I.
  • 139. 351 MARTINS, Tales – “A Biologia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. II. MORAIS, Abraão de – “A Astronomia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. I. PEREIRA, José Veríssimo da Costa – “A Geografia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. I. PINTO, Olivério M. de Oliveira – “A Zoologia no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. II. RHEINBOLDT, Heinrich – “A Química no Brasil”, in As Ciências no Brasil, vol. II. TAPAJÓS, Vicente – “Introdução Geral”, in História Administrativa do Brasil, vol. I. _______ “A Política Administrativa de d. João III”, in História Administrativa do Brasil, vol. II. TAUNAY, Alfredo d’Escragnolle - “A Administração Manuelina”, in História Administrativa do Brasil, vol. I. 4. ARTIGOS EM JORNAIS, REVISTAS E LIVROS ALENCASTRO, Luís Filipe de – “Pensar o Descobrimento do Brasil”, Folha de S. Paulo, 22 abril 2000. _______ “Duas vezes Vieira”, Folha de S. Paulo, 08 janeiro 2012. BIANCARELLI, Aureliano – “Arquivo Revela Que Zumbi Sabia Latim”, Folha de S. Paulo, 12 novembro 1995. BRANDÃO, J. – “Berço do Triângulo, Desemboque Chega ao Fim”, Estado de Minas, Belo Horizonte, 25 fevereiro 1972.
  • 140. 352 BRANS, Isolde Helena – “Tiradentes na Europa”, Estado de Minas, suplemento Pensar, Belo Horizonte, 15 dezembro 2001. _______ “Reencontro Necessário”, Estado de Minas, suplemento Pensar, Belo Horizonte, 22 março 2003. CAMPOFIORITO, Quirino – “Passado e Atualidade das Artes Plásticas no Brasil”, Jornal de Letras nº 277, Rio de Janeiro, novembro 1973. CARVALHO, José Murilo de – “O Encobrimento do Brasil”, Folha de S. Paulo, 03 outubro 1999. CÉSAR, José Renato de Castro – “A Essência da Mineiridade”, Estado de Minas, Belo Horizonte, 12 abril 2003. FELINTO, Marilene – “Líder Zumbi Pecou Pelo Radicalismo”, Folha de S. Paulo, 12 novembro 1995. FARACO, Sérgio – “Autos da Devassa: Uma Crítica de Veracidade”, Leitura, órgão do Diário Oficial do Estado, nº 73, São Paulo, junho 1988. FREITAS, Décio – “Vida e Morte de Zumbi dos Palmares”, Leitura, órgão cultural da imprensa oficial do Estado de São Paulo, 06 janeiro 1988. IGLÉSIAS, Francisco – “Corrupção Salvou os Inconfidentes”, entrevista à Folha de S. Paulo, 29 maio 1994. LANGE, Francisco Curt – “A Música em Minas Gerais no Século XVIII”, Suplemento Literário do Minas Gerais, ano VIII, nº 356, Belo Horizonte, 23 junho 1973. _______ “Os Músicos Mulatos”, Suplemento Literário do Minas Gerais, ano VIII, nº 355, Belo Horizonte, 16 junho 1973.
  • 141. 353 MAXWELL, Kenneth – “A Conspiração Baiana de 1798”, Folha de S. Paulo, 26 julho 1998. PERRIN, Dimas – “A Prisão de Tiradentes”, Minas Gerais, órgão oficial do Estado, Belo Horizonte, 19 abril 2002. RESENDE, Maria Efigênia Laje de – “Leituras e Releituras da Inconfidência Mineira”, Suplemento Literário do Minas Gerais nº 1.125, Belo Horizonte, 01 julho 1989.
  • 142. 354 Í N D I C E ONOMÁSTICO Ao contrário do que normalmente acontece, os presentes Índices Onomástico e Temático não são (nem pretendem ser) completos. Apenas, contemplam, seletivamente, pessoas, fatos e assuntos relevantes da História do Brasil, propiciando-lhes acesso direto, e, referente aos temas, abrangendo em verbetes genéricos (indígenas, por exemplo) sua incidência e variabilidade no tempo e no espaço. Com o objetivo de racionalizar e sistematizar a ampla temática ocorrente, procedeu-se a reunião dos assuntos de conformidade com sua natureza, ordenando e orientando a consulta.
  • 143. 355 PESSOAS A AIRES, MATIAS - 1752 ALBUQUERQUE, JERÔNIMO DE - 1614, 1615, 1619, 1625 ALBUQUERQUE, MATIAS DE - 1624, 1630, 1632, 1635, 1636, 1662 ALEIJADINHO - (VER LISBOA, ANTÔNIO FRANCISCO) ALENCAR, JOSÉ DE - 1611 ALPOIM, JOSÉ FERNANDES PINTO - 1738, 1744, 1748, 1759 ALVARENGA, MANUEL INÁCIO DA SILVA – 1749, 1786, 1794, 1799 ANCHIETA, PADRE JOSÉ DE - 1504, 1534, 1553, 1554, 1560, 1562, 1563, 1565, 1567, 1569, 1575, 1578, 1582, 1583, 1586, 1595, 1597, 1737 ANDRADA, JOSÉ BONIFÁCIO DE - (VER SILVA, JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E) ANHANGUERA - (VER SILVA, BARTOLOMEU BUENO DA) ANHANGUERA 2º - (VER SILVA FILHO, BARTOLOMEU BUENO DA) ANTONIL, ANDRÉ JOÃO - 1711 ATAÍDE, MANUEL DA COSTA - 1762, 1799 B BARBOSA, DOMINGOS CALDAS - 1775, 1798 BECKMAN, MANUEL - 1684, 1685 BONIFÁCIO, JOSÉ - (VER SILVA, JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E) BRANCO, BARÃO DO RIO - 1691, 1701 BRANT, FELISBERTO CALDEIRA - 1747, 1752, 1753, 1755 BUENO DA RIBEIRA, AMADOR - 1641 BUENO DA VEIGA, AMADOR - 1709 C CABRAL, PEDRO ÁLVARES - 1469, 1498, 1500, 1521, 1527, 1530, 1532, 1550 CALADO, FREI MANUEL - 1648 CAMARÃO, FILIPE - 1645, 1648 CAMINHA, PERO VAZ DE - 1500, 1550 CAMÕES, LUÍS VAZ DE - 1498, 1525, 1530, 1556, 1498, 1560, 1569, 1572, 1576, 1580 CAMPOS FILHO, PIRES DE - 1742, 1748, 1749
  • 144. 356 CANANEIA, BACHAREL DE - 1527, 1531 CARAMURU (DIOGO ÁLVARES CORREIA) - 1510, 1531, 1574 CARDIM, PADRE FERNÃO - 1549, 1585, 1599, 1625 CARVAJAL, FREI GASPAR DE - 1540 CASAL, AIRES DE - 1587 COELHO, DUARTE - 1534, 1539, 1542, 1546, 1548, 1549, 1550 COLOMBO, CRISTÓVÃO - 1451, 1476, 1492, 1493, 1498, 1502, 1506 CONDAMINE, CHARLES MARIE DE LA – 1691, 1736, 1743, 1745 COSTA, CLÁUDIO MANUEL DA - 1729, 1768, 1789 COSTA, DUARTE DA - 1553, 1554 CUBAS, BRÁS - 1540, 1543 D DEBRET, JEAN-BAPTISTE - 1768 DIAS, HENRIQUE - 1637, 1645, 1648, 1662 DURÃO, FREI JOSÉ DE SANTA RITA - 1722, 1781 E ECKHOUT, ALBERT - 1637 ESCHWEGE, BARÃO DE - 1742 ESTANCEL, PADRE VALENTIM - 1663, 1672, 1683, 1685, 1705 F FERREIRA, ALEXANDRE RODRIGUES - 1783, 1792 FREIRE, FRANCISCO DE BRITO - 1653, 1655, 1675 G GAMA, JOSÉ BASÍLIO DA - 1756, 1760, 1769, 1795 GAMA, VASCO DA - 1497, 1499, 1500, 1524, 1532 GANDAVO, PERO DE MAGALHÃES - 1576 GARCIA, PADRE JOSÉ MAURÍCIO NUNES - 1767, 1774, 1784, 1792, 1798 GATO, MANUEL BORBA - 1628, 1700 GINGA, RAINHA - 1645, 1648 GONZAGA, TOMÁS ANTÔNIO - 1744, 1752, 1782, 1789, 1792, 1799 GUSMÃO, PADRE ALEXANDRE DE - (TIO DO HOMÔNIMO) - 1644, 1678, 1682, 1687 GUSMÃO, ALEXANDRE DE (DIPLOMATA, SOBRINHO DO PADRE HOMÔNIMO E IRMÃO DO INVENTOR BARTOLOMEU LOURENÇO DE GUSMÃO) - 1749, 1750, 1753 GUSMÃO, PADRE BARTOLOMEU LOURENÇO DE (PADRE VOADOR) - 1644, 1678, 1682, 1685, 1687, 1709, 1710, 1719, 1753
  • 145. 357 H HALLEY, EDMOND - 1699, 1700 HENRIQUE, DOM, O NAVEGADOR - 1394, 1415, 1420, 1443, 1460 HORTA, TERESA MARGARIDA DA SILVA E - 1752 J JEFFERSON, THOMAS - 1786, 1787, 1790 JOÃO, MESTRE - 1500, 1550 JOÃO VI, DOM - 1745, 1767, 1773, 1777, 1778, 1792, 1799 JOSÉ I, DOM - 1750, 1752, 1753, 1755, 1777, 1783 L LANGE, CURT - 1746, 1759, 1787, 1789 LÉRY, JEAN DE - 1557, 1578 LIMA, PADRE JOSÉ INÁCIO RIBEIRO DE ABREU E (PADRE ROMA) - 1768 LISBOA, ANTÔNIO FRANCISCO (O ALEIJADINHO) - 1726, 1730, 1762 LOIOLA, INÁCIO DE - 1534, 1537, 1540, 1556 M MANUEL I, DOM (O VENTUROSO) - 1385, 1469, 1495, 1498, 1500, 1503, 1521, 1580 MARCGRAF OU MARCGRAVE, GEORG - 1638, 1644, 1647, 1648, 1658 MARIA I, DONA - 1777, 1778, 1785, 1787, 1792 MARICÁ, MARQUÊS DE (MARIANO JOSÉ PEREIRA DA FONSECA) - 1794, 1797 MATOS, EUSÉBIO DE (IRMÃO DE GREGÓRIO DE MATOS) - 1629 MATOS, GREGÓRIO DE - 1629, 1633 MAURÍCIO, PADRE JOSÉ - (VER GARCIA, PADRE JOSÉ MAURÍCIO NUNES) MESQUITA, JOSÉ JOAQUIM EMERICO LOBODE - 1746, 1783, 1787 N NASSAU, MAURÍCIO DE - 1637, 1638, 1640, 1641, 1644, 1647 NEGREIROS, ANDRÉ VIDAL DE - 1645, 1648, 1654, 1655, 1657, 1661, 1680 NÓBREGA, PADRE MANUEL DA - 1500, 1517, 1544, 1549, 1552, 1553, 1554, 1557 a 1559, 1563, 1565, 1570 O OLIVEIRA, MANUEL BOTELHO DE - 1705 ORELLANA, FRANCISCO DE - 1540 P PAIS, FERNÃO DIAS - 1628, 1674
  • 146. 358 PEDRO I, DOM - 1731, 1792 PEIXOTO, INÁCIO JOSÉ DE ALVARENGA - 1748, 1776, 1789, 1792, 1793 PEREIRA, NUNO MARQUES (AUTOR DE PEREGRINO DA AMÉRICA) - 1728 PFEIL, ALUÍSIO CONRADO - 1679, 1684, 1701 PICANÇO, JOSÉ CORREIA - 1745 PISO, WILLEM - 1638, 1644, 1648, 1658 PITA, SEBASTIÃO DA ROCHA - (AUTOR DA HISTÓRIA DA AMÉRICA PORTUGUESA) - 1724, 1730 POMBAL, MARQUÊS DE (SEBASTIÃO JOSÉ DE CARVALHO E MELO) - 1653, 1750, 1751, 1753, 1755, 1759, 1761, 1768, 1775, 1777 POST, FRANZ - 1637, 1647 R RAMALHO, JOÃO - 1532 RAVASCO, BERNARDO VIEIRA (IRMÃO DO PADRE VIEIRA) - 1617 ROMA, PADRE - (VER LIMA, PADRE JOSÉ INÁCIO RIBEIRO DE ABREU E) S SÁ, ESTÁCIO DE - 1563 a 1565, 1567 SÁ, MEM DE - 1556 a 1558, 1560, 1563, 1566, 1567, 1570, 1572 SALVADOR, FREI VICENTE DO - 1549, 1564, 1587, 1627 SEBASTIÃO, DOM - 1385, 1557, 1568, 1570, 1572, 1578, 1580 SILVA, ANTÔNIO JOSÉ DA (O JUDEU) - 1739, 1763 SILVA, BARTOLOMEU BUENO DA (ANHANGUERA) - 1682, 1730 SILVA, FRANCISCO MANUEL DA - 1795, 1798 SILVA, JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E - 1763 SILVA FILHO, BARTOLOMEU BUENO DA (ANHANGUERA 2º) - 1682, 1722, 1725, 1726, 1736 SOUSA, GABRIEL SOARES DE - 1587, 1592 SOUSA, MARTIM AFONSO DE - 1530 a 1534, 1544, 1549, 1777 SOUSA, TOMÉ DE - 1548, 1549, 1551 a 1553, 1556, 1557 STADEN, HANS - 1547, 1550, 1557 T TAQUES, LOURENÇO CASTANHO - 1675 TAQUES, PEDRO - 1722, 1755, 1772, 1777 TAVARES, ANTÔNIO RAPOSO - 1628, 1636, 1648, 1653, 1749 TEIXEIRA, BENTO - 1567, 1593, 1601
  • 147. 359 TEIXEIRA, PEDRO - 1615, 1616, 1625, 1629, 1631, 1632, 1636, 1637, 1639, 1641, 1664 TIRADENTES - (VER XAVIER, JOAQUIM JOSÉ DA SILVA) V VEIGA, EVARISTO DA - 1799 VELHO, DOMINGOS JORGE - 1687 VESPÚCIO, AMÉRICO - 1499, 1501, 1503, 1507, 1512, 1531 VIEIRA, PADRE ANTÔNIO - 1608, 1614, 1617, 1638, 1646, 1649, 1655, 1661, 1665, 1681, 1684, 1697 VILLEGAIGNON, ALMIRANTE NÍCOLAS DURAND DE - 1555 X XAVIER, JOAQUIM JOSÉ DA SILVA - 1746, 1787, 1788, 1792 XAVIER, SÃO FRANCISCO - 1534, 1556, 1620, 1668 Z ZUMBA, GANGA - 1678, 1685 ZUMBI - 1678, 1679, 1685, 1695
  • 148. 360 ÍNDICE TEMÁTICO 1- ACIDENTES NATURAIS SECAS - 1728, 1732 TEMPERATURA - 1754 TEMPESTADES EM SALVADOR - 1548, 1721, 1724, 1748, 1797 TERREMOTO DE LISBOA - 1755 TREMORES DE TERRA EM SALVADOR - 1724, 1769 2- ADMINISTRAÇÃOPÚBLICA CÂMARAS MUNICIPAIS - 1549, 1556, 1603, 1640, 1661, 1684, 1688, 1710, 1711, 1713, 1715, 1717, 1718, 1729, 1735, 1742, 1746, 1748 CAPITANIA DE GOIÁS - 1748, 1749 CAPITANIA DE MATO GROSSO - 1748 CAPITANIA DE MINAS GERAIS - 1720 CAPITANIA DE SANTA CATARINA E DO RIO GRANDE DE SÃO PEDRO - 1738 CAPITANIA DE SÃO PAULO E MINAS DO OURO - 1709, 1717, 1720 CAPITANIA DO GRÃO-PARÁ (PARÁ E RIO NEGRO) - 1652, 1654, 1772 CAPITANIA DO MARANHÃO (MARANHÃO E PIAUÍ) - 1535, 1652, 1654, 1772 CAPITANIA DO RIO GRANDE DE SÃO PEDRO - 1760 CAPITANIAS - 1511, 1521, 1526, 1532, 1534 a 1536, 1539, 1548, 1549, 1553, 1556, 1557, 1621, 1634, 1652, 1654, 1683, 1708, 1716, 1718, 1738, 1748, 1750, 1753, 1761, 1772, 1791 COLÔNIA DE SACRAMENTO - 1680, 1681, 1703, 1705, 1715, 1716, 1735, 1750, 1762, 1763, 1777 DESEMBOQUE - 1760, 1762, 1764, 1766, 1797 DOMÍNIO ESPANHOL - 1580, 1640, 1668 ESTADO DO GRÃO-PARÁ E DO MARANHÃO - 1737, 1772 ESTADO DO MARANHÃO (ABRANGENDO AS CAPITANIAS DO CEARÁ, PIAUÍ, MARANHÃO E GRÃO- PARÁ) - 1621, 1626, 1637,
  • 149. 361 1644, 1655, 1657, 1678, 1684, 1685, 1751, 1755, 1759 FEITORIAS - 1503, 1511, 1521, 1526 FORÇAS ARMADAS - 1645, 1767, 1783 FRONTEIRAS E LIMITES - 1681, 1691, 1700, 1701, 1714, 1729, 1750, 1753, 1755, 1759, 1765, 1777, 1781 FUNDAÇÃO DE BELÉM - 1616 FUNDAÇÃO DE FORTALEZA - 1611 FUNDAÇÃO DE LAGUNA - 1676 FUNDAÇÃO DE MANAUS - 1669 FUNDAÇÃO DE MARIANA - 1696 FUNDAÇÃO DE NATAL - 1599 FUNDAÇÃO DE OURO PRETO - 1698 FUNDAÇÃO DE PARANAGUÁ - 1647 FUNDAÇÃO DE PORTO ALEGRE - 1737 FUNDAÇÃO DE SALVADOR - 1549 FUNDAÇÃO DE SÃO PAULO - 1554 FUNDAÇÃO DE VILA BOA DE GOIÁS - 1725 GOVERNADORES-GERAIS - 1530 a 1533, 1544, 1548, 1549, 1553 a 1559, 1566, 1567, 1570, 1572, a 1575, 1577, 1578, 1580, 1583, 1587, 1591, 1602, 1608, 1609, 1611, 1612, 1614, 1617, 1621, 1624, 1626, 1627, 1635, 1639, 1640 a 1642, 1647, 1650, 1654, 1657, 1660, 1663, 1667, 1669, 1671, 1675, 1677, 1678, 1682, 1684, 1687, 1688, 1690, 1694, 1696, 1702, 1705, 1710, 1711 GOVERNADORES PROVINCIAIS - 1621, 1626, 1637, 1640, 1645, 1646, 1648, 1654, 1655, 1657, 1660, 1661, 1666, 1675, 1677, 1678, 1680, 1684, 1685, 1687, 1695, 1706 a 1711, 1713, 1715 a 1717, 1720 a 1722, 1734, 1736, 1738, 1739, 1741 a 1743, 1746, 1748, 1749, 1750 a 1753, 1756 a 1759, 1762 a 1766, 1768, 1769, 1772, 1773, 1775, 1777, 1781, 1783, 1788, 1789, 1793, 1795, 1797, 1799 JUDICIÁRIO - 1548, 1549, 1564, 1578, 1587, 1604, 1609, 1624, 1626, 1628, 1630, 1644, 1652, 1677, 1699, 1751, 1759, 1765, 1769, 1772 MESA DA CONSCIÊNCIA E ORDENS - 1532, 1548, 1551, 1606 ORDENAÇÕES - 1446, 1521, 1569, 1576, 1603, 1678 PICADA DE GOIÁS - 1722, 1736 PITANGUI - 1710, 1713 a 1715, 1717 a 1720, 1787 PROVÍNCIA DE SÃO JOSÉ DE JAVARI OU RIO NEGRO - 1757 SERVIÇO POSTAL - 1663
  • 150. 362 SESMARIAS - 1795, 1796, 1797 SETE POVOS DAS MISSÕES - 1750, 1753, 1756, 1795 TRATADOS - 1494, 1479, 1609, 1640, 1668, 1681, 1700, 1701, 1705, 1715, 1749, 1750, 1753, 1756, 1761, 1763, 1777, 1778, 1781 VICE-REIS - 1640, 1641, 1663, 1678, 1702, 1714, 1718, 1719, 1720, 1724, 1729, 1735, 1749, 1750, 1754, 1755, 1760, 1763, 1765, 1767, 1769, 1771, 1778, 1782, 1784, 1786, 1790, 1793, 1794 3- ARTES E CIÊNCIAS ACADEMIAS CIENTÍFICAS - 1771, 1772, 1779, 1786 ACADEMIAS DE LETRAS - 1724, 1725, 1736, 1740, 1752, 1754, 1759, 1760, 1761, 1768, 1786, 1790, 1794, 1795, 1796, 1797 ARQUITETURA - 1591, 1598, 1602, 1623, 1738, 1750 ARTES PLÁSTICAS - 1591, 1706, 1762, 1764, 1765, 1768, 1777, 1781, 1792, 1799 ASTRONOMIA - 1420, 1500, 1638, 1663, 1672, 1683, 1685, 1698, 1699, 1705, 1729, 1743, 1752, 1759, 1760, 1781, 1788, 1797 CERÂMICA - 1661 ENSINO - 1599, 1600, 1671, 1679, 1745, 1774, 1776, 1782, 1784 ESCULTURA - 1726 FILMES - 1549, 1550 LITERATURA - 1500, 1530, 1560, 1563, 1567, 1572, 1593, 1597, 1601, 1682, 1687, 1697, 1705, 1724, 1725, 1728, 1737, 1748, 1752, 1759, 1761, 1768, 1769, 1775, 1781, 1792, 1795, 1799 LIVRARIAS - 1792, 1799 LIVROS E MAPAS - 1350, 1351, 1507, 1530, 1540, 1549, 1550, 1551, 1557 a 1559, 1560, 1564, 1570, 1576, 1578, 1579, 1587, 1592, 1595, 1599, 1614, 1615, 1618, 1621, 1624, 1625, 1627, 1637, 1638, 1640, 1641, 1647, 1648, 1651, 1655, 1658, 1659, 1663, 1675, 1683, 1684, 1691, 1694, 1699, 1701, 1705, 1706, 1710, 1711, 1714, 1720, 1730, 1734, 1735, 1737, 1745, 1748, 1749, 1750, 1754, 1757, 1759, 1761, 1763, 1764, 1768, 1771, 1772, 1775, 1777, 1779, 1783, 1785, 1788 a 1790, 1792, 1793, 1795, 1797, 1798 MÚSICA - 1551, 1557, 1559, 1564, 1600, 1610, 1645, 1685, 1699, 1736, 1740, 1745, 1746, 1750, 1752, 1753, 1759, 1760, 1763, 1767, 1769, 1772 a 1774, 1776,
  • 151. 363 1780, 1783, 1784, 1787, 1789, 1790, 1792, 1794, 1795, 1798 QUÍMICA - 1587, 1787, 1788 TEATRO - 1564, 1567, 1573 a 1575, 1578, 1581, 1585, 1586, 1620, 1626, 1641, 1646, 1677, 1678, 1688, 1711, 1717, 1726, 1729, 1734, 1750 1771, 1773, 1780, 1788, 1789, 1790, 1794 4- ATIVIDADESECONÔMICAS AÇÚCAR - 1509, 1516, 1532, 1559, 1624, 1629, 1641, 1661, 1701, 1711, 1761 ALGODÃO - 1760, 1778 CAFÉ - 1727, 1750, 1760 COMÉRCIO (PROIBIÇÕES) - 1606, 1661, 1662, 1680, 1684, 1711, 1721, 1785, 1795 COMÉRCIO EM GERAL - 1446, 1500, 1511, 1532, 1557, 1567, 1641, 1668 COMPANHIAS DE COMÉRCIO - 1649, 1650, 1653, 1655, 1682, 1755, 1759, 1760, 1778, 1780 DIAMANTE - 1723, 1734, 1735, 1739, 1743, 1747, 1751, 1753, 1759, 1760, 1761, 1768, 1771, 1772, 1775, 1784, 1785, 1787, 1791 GADO - 1534, 1549, 1572, 1687, 1701, 1721 INDÚSTRIA - 1629, 1705, 1718, 1766, 1771, 1785 MINERAÇÃO - 1617, 1677, 1731, 1734, 1760 OURO - 1500, 1531, 1553, 1572, 1590, 1592, 1618, 1624, 1675, 1703, 1710, 1712 a 1714, 1716 a 1720, 1722, 1728, 1730, 1731, 1733, 1734, 1735, 1751, 1753, 1760, 1766, 1788 PAU-BRASIL - 1502, 1504, 1511, 1532, 1624, 1629 SAL - 1661, 1691, 1759 TIPOGRAFIAS - 1706, 1746 5- BANDEIRASEEXPEDIÇÕES ENTRADAS E BANDEIRAS - 1503, 1531, 1553, 1572, 1586, 1590, 1596, 1600, 1602, 1603, 1611, 1628, 1629, 1635, 1636, 1648, 1658, 1663, 1664, 1672, 1674 a 1676, 1696, 1698, 1700, 1718, 1721, 1722, 1726, 1768, 1797 EXPEDIÇÕES EXPLORATÓRIAS - 1500 a 1503, 1511, 1530 a 1532, 1540, 1549, 1553, 1560, 1574, 1592, 1611, 1615, 1636, 1637, 1639, 1647, 1658, 1659, 1664, 1680, 1698, 1701, 1743, 1745, 1749, 1750, 1759, 1772, 1781, 1783, 1792 VIAGEM FILOSÓFICA - 1783, 1792
  • 152. 364 6- CONJURAÇÕESEREVOLTAS CONJURAÇÃO BAIANA (REVOLTA DOS ALFAIATES) - 1798, 1799 CONJURAÇÃO FLUMINENSE - 1794, 1795, 1796, 1797 CONJURAÇÃO MINEIRA - 1786 a 1793 QUILOMBOS - 1644, 1654, 1674, 1675, 1677, 1678, 1679, 1682, 1684, 1686, 1687, 1695, 1741, 1743, 1746, 1759, 1768 REVOLTA DE FILIPE DOS SANTOS - 1720 REVOLTA DE PITANGUI - 1719, 1720 REVOLTA EM OLINDA - 1710, 1711 REVOLTA EM SALVADOR - 1728 REVOLUÇÃO FRANCESA - 1789, 1792, 1793, 1794 7- GUERRAS LOCAIS GUERRA DE CORSO E DE MORTE - 1666, 1708, 1713 GUERRA DO CAJU (CEARÁ) - 1721 GUERRA DOS BÁRBAROS - 1683, 1713 GUERRA DOS EMBOABAS - 1707, 1708, 1709 GUERRA DOS MASCATES - 1707, 1710, 1711, 1715 GUERRA LIVRE - 1713 8-INVASÕESESTRANGEIRAS BRITÂNICOS E HOLANDESES NA AMAZÔNIA - 1622, 1625, 1629, 1631, 1632 FRANCESES NO RIO DE JANEIRO E MARANHÃO - 1504, 1526, 1555, 1560, 1563 a 1567, 1578, 1586, 1594, 1597, 1612, 1614, 1615 INVASÕES E INCURSÕES ESTRANGEIRAS - 1504, 1526, 1555, 1560, 1563 a 1567, 1578, 1586, 1594, 1597, 1612, 1614 a 1616, 1622 a 1627, 1629, 1630, 1631, 1641 a 1643, 1645 a 1649, 1700, 1710, 1711, 1724, 1776, 1777, 1781 HOLANDESES EM PERNAMBUCO - 1629, 1630 a 1638, 1640, 1644 a 1649, 1650, 1652, 1653, 1654, 1656, 1661 HOLANDESES NA BAHIA - 1623, 1624, 1625, 1626, 1627 HOLANDESES NO MARANHÃO - 1641, 1642, 1643 PIRATARIA - 1583, 1590, 1591, 1592, 1595, 1599, 1604, 1609, 1614 9- JESUÍTAS E PADRES COMPANHIA DE JESUS - 1529, 1534, 1537, 1539, 1540, 1549,
  • 153. 365 1550, 1553, 1554, 1556, 1559, 1562, 1572 a 1575, 1599, 1600, 1612, 1620, 1628, 1640, 1654, 1655, 1661, 1678, 1684, 1686, 1729, 1759, 1761, 1765, 1773, 1785 HOSTILIDADES A PADRES - 1575, 1598, 1629, 1637, 1640, 1643, 1658, 1661, 1684, 1697 REDUÇÕES (MISSÕES) JESUÍTICAS - 1588, 1600, 1611, 1628, 1635, 1636, 1639, 1641, 1648, 1651 SANTO OFÍCIO (INQUISIÇÃO) - 1576, 1591, 1593, 1618, 1637, 1648, 1665, 1789 10- MEDICINA E SAÚDE DOENÇAS E EPIDEMIAS - 1552, 1559, 1562, 1565, 1587, 1640, 1666, 1685, 1686, 1694, 1713, 1715, 1732, 1741, 1776, 1798 MEDICINA - 1392, 1549, 1553, 1557, 1597, 1608, 1629, 1631, 1648, 1677, 1683, 1735, 1739, 1743 a 1745, 1765, 1766, 1768, 1771, 1774, 1776, 1782, 1789, 1790, 1793, 1798, 1799 ODONTOLOGIA - 1629, 1631, 1746, 1750, 1792 SANTAS CASAS - 1540, 1543, 1549, 1557, 1582 11- POPULAÇÃO CIGANOS -1618, 1718 ESCRAVIDÃO - 1442 a 1444, 1454, 1511, 1516, 1527, 1537, 1540, 1545, 1559, 1562, 1574, 1587, 1610, 1641, 1644, 1654, 1674, 1697, 1705, 1750, 1755, 1757, 1764, 1789, 1795, 1798 IMIGRAÇÃO - 1667, 1674, 1694, 1709, 1711, 1720, 1723 INDÍGENAS - 1500, 1511, 1527, 1529, 1531, 1537, 1548, 1549, 1550, 1551, 1553, 1557 a 1559, 1562, 1563, 1567, 1574, 1575, 1586 a 1589, 1590, 1597, 1600, 1603, 1605, 1609, 1611, 1619, 1693, 1643, 1645, 1647, 1651, 1653, 1655, 1663, 1666, 1671 12- DIVERSOS CASADATORRE-1549 FÁBRICA DE MOEDAS FALSAS - 1730, 1731 FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA EMANGOLA-1645, 1646, 1660 IRMANDADE DE N.S. DO ROSÁRIO DOS HOMENS PRETOS -1711 MAÇONARIA-1790
  • 154. 366 O presente livro teve sua digitação em computador PC – Pentium® Dual- Core 2.50 GHz − procedida em anos anteriores, sendo publicado neste blog no quarto trimestre de 2017, em Uberaba/Brasil.