CIÊNCIA EQUATORIAL ISSN 2179-9563
Artigo Original Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011
QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DA LAGOA DOS BARCOS DO PARQUE
MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS
Jussária Rodrigues Silva Tenório1
, Pollyana Pinto Araújo2
, Larissa Paula Jardim de Lima Barbosa3
, Flávio Henrique
Ferreira Barbosa4
RESUMO
Nos países em desenvolvimento, onde ainda podemos encontrar áreas urbanas densamente povoadas com precárias
condições de saneamento básico, a água é responsável por um grande número de doenças de veiculação hídrica. Estas
não conformidades podem representar possíveis riscos à saúde dessas populações. O presente estudo versa sobre os
parâmetros da qualidade da água, visando balneabilidade e foi realizado em uma lagoa situada em área urbana,
localizada no Parque Municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais. O trabalho se concentrou nos indicadores de poluição
microbiológica (coliformes fecais - Escherichia coli), delineada em pesquisa de campo ocorrida em novembro de 2009.
A análise dos parâmetros bacteriológicos mostrou um significativo grau de comprometimento e exposição ao risco
microbiológico da população devido à possibilidade de contaminação de origem fecal em práticas de recreação.
Palavras-chave: balneabilidade, coliformes, monitoramento, qualidade da água.
MICROBIOLOGICAL QUALITY OF THE WATER OF THE LAGOON OF THE BOATS
OF THE MUNICIPAL PARK OF BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS
ABSTRACT
In developing countries, where one can still find densely populated urban areas with poor sanitation conditions, water is
responsible for a large number of water-borne diseases. These non-conformities may represent possible health risks of
populations. On this study discuss the parameters of water quality, bathing and order was carried out in a pond located
in an urban area, located in the Parque Municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais. The work focused on indicators of
microbiological pollution (fecal coliforms - Escherichia coli), outlined in field research took place in November 2009.
The analysis of bacteriological parameters showed a significant degree of involvement and exposure to microbial risk
population due to possible contamination of fecal origin in practices of recreation.
Keywords: bathing, coliforms, monitoring, water quality.
INTRODUÇÃO
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INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas a água passou a
sofrer profundas alterações em sua qualidade,
isso devido ao crescimento acelerado da
população mundial, que através de suas várias
atividades polui e contamina os lençóis
freáticos e a água superficial do planeta. As
águas presentes em rios e lagoas ao serem
contaminadas, passam a ser um grave
problema ambiental, pois pode direto ou
indiretamente afetar a saúde humana
causando efeitos deletérios ao homem
(CETESB, 2009).
Segundo Von Sperling (2005), a água
é fundamental em diversos usos como:
abastecimento público, geração de energia
elétrica, navegação, dessedentação de
animais, suprimento industrial, crescimento
de culturas agrícolas, conservação da flora e
da fauna, recreação e lazer, criação de
espécies e harmonia paisagística. É também
responsável pelo transporte e diluição de
despejos, através de processos físicos
químicos e biológicos. Devido a esses muitos
usos desordenados e de maneira incorreta,
esse produto vem sofrendo diversas alterações
em sua qualidade, como poluição e
contaminação.
A degradação da água doce superficial
e subterrânea é um grave problema ambiental
que vem sendo discutido em todo o mundo,
na busca de minimizar os impactos gerados,
recuperar e conservar os corpos de água. As
águas podem sofrer alterações químicas
físicas ou biológicas em sua qualidade, vários
são os componentes que contribuem para essa
alteração. Os parâmetros biológicos são de
fundamental importância, pois a presença de
microrganismos patogênicos na água pode
afetar a saúde humana causando efeitos
negativos ao homem (CUNHA et al., 2004).
A presença de microrganismos
patogênicos na água pode ser identificada
através de uma análise microbiológica
indireta, com uso de microrganismos
indicadores de contaminação fecal que
compreende principalmente o grupo de
coliformes. Pois avaliar diretamente todos os
patógenos nas amostras de água é um
processo muito caro e trabalhoso. “Os
coliformes, na sua maioria, são bactérias
intestinais, são excretadas pelas fezes e não
são, geralmente, patogênicas, embora sua
presença na água indique a probabilidade da
ocorrência de germes patogênicos. Os
microrganismos presentes na água, podem ter
o seu “habitat” normal nos corpos de águas de
superfície, tais como: lagoas, rios, açudes,
etc”. (BRAGA, 2007).
Os rios e lagoas quando são poluídos e
contaminados podem trazer vários problemas
á saúde da população, uma vez que muitas
pessoas utilizam dessas águas para
abastecimento humano ou mesmo têm algum
contato direto ou indireto com essas águas
(AMARAL et al., 1994).
A lagoa dos barcos situada no Parque
municipal de Belo Horizonte é um exemplo
clássico do contato das pessoas com a água
que pode estar contaminada. O interesse na
análise de água dessa lagoa se dá
principalmente pelo fato da mesma estar
situada dentro de um parque na área central da
cidade onde o número de visitantes é bastante
grande (PMBH, 2009).
A lagoa é utilizada pelos visitantes
para remo de barcos sobre as águas, tal ação
consiste em recreação de contato secundário.
Para esse fim a Resolução CONAMA 357
determina que as águas sejam classificadas
como classe 3: “águas que podem ser
destinadas: ao abastecimento para consumo
humano, após tratamento convencional ou
avançado; à irrigação de culturas arbóreas,
cerealíferas e forrageiras; à pesca amadora; à
recreação de contato secundário; e à
dessedentação de animais”.
Com o resultado das análises, pode ser
diagnosticada a situação atual da lagoa, como
a possível contaminação, os impactos
causados ao meio ambiente e a possibilidade
de transmissão de doenças aos visitantes que
navegarem sobre a lagoa, tendo contato com
as águas.
Qualidade da Água
A demanda por água de boa qualidade
tem aumentado consideravelmente nas
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últimas décadas em razão do crescimento
desordenado da população. As atividades
humanas ocorrem em bacias hidrográficas,
sejam elas rurais ou urbanas, alterando suas
características e contribuindo para a mudança
do equilíbrio e da dinâmica dos recursos
naturais. A estas alterações está associado um
aumento na geração de cargas poluentes que
atingem os sistemas hídricos. As condições
atuais de disponibilidade e demanda mostra
que na média e na maior parte do território
brasileiro não existe déficit de recursos
hídricos (ALVES et al., 2002).
Segundo Cunha e colaboradores
(2004), estudar objetivamente qualquer
característica ambiental, social, econômica ou
de qualquer outra natureza, na atual realidade
altamente dinâmica dos diversos
ecossistemas, é antes de tudo um exercício de
pioneirismo.
Isso é perceptível quando realizamos
estudos que acabam por nos mostrar que
existem muitas lacunas de conhecimento, de
monitoramento, de história científica nas
regiões que, ora apresentam alterações
aceleradas do meio, das comunidades
humanas e dos fatores de produção e
agregação de valores. Independente de
planejamentos e da presença da ciência, as
ações “acontecem”, avançando as fronteiras
das conseqüências da presença humana e
alterando situações ainda não
convenientemente catalogadas e quantificadas
(FREITAS et al., 2001).
Em se tratando de qualidade
ambiental, nos deparamos com ambientes,
sejam urbanos ou não, que apresentam
realidades muitas vezes desconhecidas. Neste
sentido, diversos estudos estão sendo
conduzidos para avaliar a qualidade das águas
em sítios adequadamente escolhidos. Assim,
em várias metrópoles brasileiras, tem-se
observado uma forte alteração dos níveis de
concentração de coliformes fecais (CF) em
alguns corpos de águas, em especial nas áreas
de drenagem próximas e intercortadas por
zonas urbanas e periurbanas dessas cidades
(AMARAL, 1994).
A origem das perturbações na
qualidade da água deve-se, de fato, a várias
causas simultâneas decorrentes de ações
antrópicas e de condicionantes naturais, como
o aumento da densidade populacional, a
influência de precipitação pluviométrica em
certas épocas do ano. Entre as causas
antrópicas destacam-se os efluentes oriundos
de esgotos, os quais estão vinculados às
atividades urbanas, agrícolas, portuárias e
industriais. Esses poluentes comportam-se
tanto de forma pontual quanto difusa, o que
tem sido verificado pelo monitoramento.
Quanto às causas naturais, pode-se dizer que
ainda são pouco compreendidas.
Interessantemente, locais mais distantes dos
centros urbanos ocasionalmente apresentam
valores anormais de CF (AMARAL, 1994).
Organismos Presentes na Água
A vida aquática exibe um grande
complexo de interações de microrganismos e
macrorganismos, tanto vegetais como
animais. Os microrganismos, particularmente
algas, ocupam uma posição especial na cadeia
alimentar do ambiente aquático. Muitas
espécies bacterianas são responsáveis pela
reciclagem dos elementos e dos nutrientes
presentes na água, através de modificações
bioquímicas em diversos substratos
(PELCZAR et al., 1996).
A presença de microrganismos na
água pode ser benéfica ou maléfica, isso vai
ser determinado pelas características do
microrganismo e pela sua atuação no meio
aquático. Há microrganismos que vão atuar na
decomposição de compostos químicos
indesejáveis e aqueles que vão degradar a
matéria orgânica presente na água, também há
microrganismos que são patogênicos,
podendo causar graves problemas a saúde
humana (PELCZAR et al., 1996).
Segundo Macêdo (2005), da série de
microrganismos apresentada na água, alguns
são naturais do ecossistema aquático e outros,
microrganismos transitórios, provenientes do
solo e de dejetos industriais, humano e
também de animais. O controle dessa
população bacteriana é de fundamental
importância, visto que densidades elevadas de
microrganismos na água podem determinar a
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deterioração de sua qualidade, pois algumas
delas podem atuar como patógenos
oportunistas, especialmente causando
problemáticas para indivíduos debilitados
imunologicamente.
Como os microrganismos patogênicos
geralmente aparecem de forma intermitente e
em baixo número na água, outros
microrganismos que coexistam nas fezes com
o grupo dos patogênicos podem ser estudados.
Assim a presença desses microrganismos na
água indica se há contaminação fecal,
principalmente os originários do homem e de
animais de sangue quente (AMARAL et al,
1994). Para indicação de contaminação fecal
na água utiliza o grupo de coliformes totais ou
coliformes fecais (termotolerantes), que são
microrganismos indicadores. O grupo de
coliformes totais e fecais é definido por
Macêdo:
Coliformes Totais: inclui as bactérias
na forma de bacilos gram-negativos, não
formadores de esporos, aeróbios ou
anaeróbios facultativos, capazes de fermentar
a lactose com produção de gás em 24-48
horas a 36 +/- 0,5°C. O grupo inclui cerca de
20 espécies, dentre as quais encontram-se
tanto bactérias originárias do trato
gastrintestinal de humanos como também
diversos gêneros e espécies de bactérias não
entéricas, como Serratia e Aeromonas, por
exemplo. Por essa razão, sua enumeração em
água é menos representativa, como indicação
de contaminação fecal do que a enumeração
de coliformes fecais ou E. coli.
Coliformes Fecais: a definição é a
mesma de coliformes totais, porém,
restringindo-se aos membros capazes de
fermentar a lactose com produção de gás em
24 horas a 44,5 +/- 0,2°C. Esta definição
objetivou, em princípio, selecionar apenas os
coliformes originários do trato
gastrintestinal. Atualmente sabe-se,
entretanto, que o grupo dos coliformes fecais
inclui pelo menos 3 gêneros (Escherichia,
enterobacter e klebsiella), dos quais os dois
últimos incluem cepas de origem não fecal.
Por esse motivo, a presença de coliformes
fecais em água é menos representativa, como
indicação de contaminação fecal do que a
enumeração direta de E. coli; porém, muito
mais significativa do que a presença de
coliformes totais, dada a alta incidência de E.
coli dentro do grupo fecal.
E. coli: dentre as bactérias de habitat
reconhecidamente fecal, dentro do grupo dos
coliformes fecais , E. coli é a mais conhecida
e a mais facilmente diferenciada dos
membros não fecais. É o melhor indicador de
contaminação fecal conhecido até o
momento.
Microrganismos Indicadores
A determinação da potencialidade de
uma água transmitir doenças pode ser
efetuada de forma indireta, através dos
organismos indicadores de contaminação
fecal, pertencentes principalmente ao grupo
de coliformes (VON SPERLING, 2005).
Quando o grupo de organismos indicadores
está presente em uma determinada água, isso
indica indícios de contaminação dessa água
pela presença de patógenos.
Um microrganismo indicador deve ser
de fácil detecção; apresentar resistência
similar aos patógenos; ter maior número de
organismos e mesma velocidade de
decaimento e estar presente na água quando
houver presença de patógenos (VON
SPERLING, 2005).
Importância da Análise
Microbiológica da Água
A qualidade da água é definida por
suas características intrínsecas que dependem
das condições do meio. Segundo Pelczar e
colaboradores (1996), a água pode apresentar
aparência clara, livre de sabores e odores
peculiares, e, no entanto, estar contaminada.
A qualidade sanitária da água é determinada
através de processos especiais como testes
laboratoriais, químicos e bacteriológicos.
Várias doenças podem estar
associadas ao recurso água, seja em
decorrência de contaminação por excretas
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humanas ou de outros animais, seja pela
presença de substâncias químicas nocivas a
saúde humana. As doenças relacionadas com
água, tradicionalmente vêm sendo divididas
em dois grupos: doenças de transmissão
hídrica, aquelas em que a água atua como
veículo do agente infeccioso, e doenças de
origem hídrica, causadas por determinadas
substâncias químicas presente na água (SAE,
2002).
As análises microbiológicas de água
podem demonstrar em quais usos a água pode
ser utilizada, e quais os riscos de
contaminação estão sujeitos às pessoas que
tiverem um contato com essas águas. Com
isso pode se ter um controle das doenças de
veiculação hídrica (CARMO et al., 2008).
Principais Doenças de Veiculação
Hídrica
As doenças associadas à água podem
ser transmitidas ao homem de forma direta ou
indireta, seja pela ingestão, pelo contato
direto ou através de vetores. Os países em
desenvolvimento como o Brasil, são os que
mais sofrem com as doenças de veiculação
hídrica. Isso devido à falta de saneamento e
de políticas públicas que atuem de forma
eficaz, evitando a contaminação da água e
melhorando a qualidade das águas superficiais
de rios e lagoas (D'AGUILA, 2000).
O contato com a água pode ocorrer por
motivos profissionais, de recreação ou em
situações de desastres naturais (inundações).
A utilização da água para fins recreativos tem
efeito benéfico para a saúde, entretanto, o
contato com a água não é desprovido de
riscos. Estas atividades podem resultar em
doenças infecciosas, através da ingestão
acidental de água contaminada ou na
penetração de microrganismos (bactérias,
helmintos, protozoários) através da pele e de
mucosas (MARTINS et al, 2008).
Segundo Braga (2007), entre as
doenças causadas por bactérias, são mais
freqüentes: a febre tifóide, pela Salmonella
typhi; a febre paratifóide, pela Salmonella
paratyphi e Salmonella schottmuelleri; a
cólera, pelo Vibrio cholerae; as disenterias
bacilares, pelas Shigella dysenteriae, Shigella
sonnei, Shigella flexneri e Shigella bodyii.
Certas bactérias são capazes de induzir
infecção externas no corpo. Quando o risco
advém do simples contato com a água
contaminada, como é o caso de águas de
contato primário, como recreação e natação.
Entre estas, podemos citar: o Staphylococus
aureus e a Pseudomonas aeruginosa. A
primeira é a principal responsável por
processos de intoxicação alimentar e
infecções cutâneas e da garganta, e a segunda
pode causar infecções de ouvido e olhos
(BRAGA, 2007).
Vários são os agentes transmissores de
doenças presentes na água contaminada.
Sendo assim as doenças de veiculação hídrica
exigem uma atenção especial, desde a sua
forma de transmissão, como a melhor forma
de se prevenir dessas doenças (AMAE, 2009).
Diarréias
O efeito da mistura de água de
diferentes fontes tais como uma combinação
de poços, fontes superficiais ou ambos, pode
influenciar muito a qualidade da água na rede.
A irregularidade do abastecimento na rede de
uma determinada área urbana pode também
modificar a qualidade da água tratada com a
introdução de agentes patogênicos na rede de
distribuição (QUEIROZ, 2009).
A quantidade e a qualidade da água
são fatores importantes para o
estabelecimento dos benefícios à saúde
relacionados à redução da incidência e
prevalência de diversas doenças, destacando-
se a doença diarréica. A diarréia constitui
sintoma de diversas etiologias, cada qual com
seus respectivos fatores de risco. Ela atinge
mais facilmente crianças com menos de cinco
anos de idade, sendo a mortalidade mais
comum naquelas menores de dois anos,
podendo gerar duas importantes
complicações: a desidratação e o impacto
negativo no estado nutricional da criança, um
dos principais problemas de saúde pública
dessa faixa etária (QUEIROZ, 2009).
Crianças em países em
desenvolvimento têm, em média, de 50 a 60
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dias de diarréia por ano. Aproximadamente
10% desses episódios são complicados com a
presença de desidratação, decorrente das
doenças diarréicas, que representa uma das
mais importantes causas da mortalidade
infantil nos países em desenvolvimento
(QUEIROZ, 2009).
É importante salientar que a doença
diarréica aguda tem sido usada como
indicador epidemiológico, merecendo atenção
de estudiosos e das autoridades sanitárias em
todo o mundo, pois compreende um grupo de
condições clínicas diversas, cuja manifestação
comum é a diarréia. A sua ocorrência associa-
se, de forma direta ou indireta, a um
complexo de fatores de ordem
socioeconômica, cultural, nutricional e
ambiental. Assim, a morbidade por diarréia é
um indicador importante para a saúde pública,
pela capacidade de resposta a diversas
alterações nas condições de saneamento,
qualidade sanitária de alimentos, hábitos
higiênicos e comportamentais de uma
comunidade (FREITAS & FREITAS, 2005).
As dificuldades para monitorar as
doenças diarréicas agudas decorrem de sua
elevada incidência e do incorreto
entendimento, de parte da população e dos
profissionais que atuam na saúde pública, de
que é “normal” a ocorrência da diarréia no
Brasil. A diarréia é responsável por uma
elevada proporção de óbitos, em menores de 5
anos, em áreas carentes de saneamento, onde
há maior concentração de populações de
reduzida condição socioeconômica
(QUEIROZ, 2009).
Legislação
Na busca de soluções para preservação
e melhoria dos recursos hídricos, a resolução
CONAMA 357, divide as águas em três
grupos: “I - águas doces: águas com
salinidade igual ou inferior a 0,5 ‰; II - águas
salobras: águas com salinidade superior a 0,5
‰ e inferior a 30 ‰; III - águas salinas: águas
com salinidade igual ou superior a 30 ‰;” e
classifica os corpos de águas de acordo com
seus usos preponderantes. Essa resolução
procura definir e integrar as atividades
humanas com o recurso água, de forma a
encontrar um desenvolvimento sustentável,
com o equilíbrio do ecossistema. As águas
doces são classificadas pelo CONAMA 357
como:
I - classe especial: águas destinadas:
a) ao abastecimento para consumo
humano, com desinfecção;
b) à preservação do equilíbrio natural
das comunidades aquáticas; e,
c) à preservação dos ambientes
aquáticos em unidades de conservação de
proteção integral.
II - classe 1: águas que podem ser
destinadas:
a) ao abastecimento para consumo
humano, após tratamento simplificado;
b) à proteção das comunidades
aquáticas;
c) à recreação de contato primário,
tais como natação, esqui aquático e
mergulho, conforme Resolução CONAMA nº
274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças que são
consumidas cruas e de frutas que se
desenvolvam rentes ao solo e que sejam
ingeridas cruas sem remoção de película; e
e) à proteção das comunidades
aquáticas em Terras Indígenas.
III - classe 2: águas que podem ser
destinadas:
a) ao abastecimento para consumo
humano, após tratamento convencional;
b) à proteção das comunidades
aquáticas;
c) à recreação de contato primário,
tais como natação, esqui aquático e
mergulho, conforme Resolução CONAMA nº
274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças, plantas
frutíferas e de parques, jardins, campos de
esporte e lazer, com os quais o público possa
vir a ter contato direto; e
e) à aqüicultura e à atividade de
pesca.
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IV - classe 3: águas que podem ser
destinadas:
a) ao abastecimento para consumo
humano, após tratamento convencional ou
avançado;
b) à irrigação de culturas arbóreas,
cerealíferas e forrageiras;
c) à pesca amadora;
d) à recreação de contato secundário;
e
e) à dessedentação de animais.
V - classe 4: águas que podem ser
destinadas:
a) à navegação; e
b) à harmonia paisagística.
Essa mesma resolução define as
condições padrões da qualidade de água para
cada classe de acordo com seus usos
preponderantes. As águas de classe III
segundo o CONAMA 357 devem apresentar
as seguintes características:
Condições de qualidade de água
classe III:
a) não verificação de efeito tóxico
agudo a organismos, de acordo com os
critérios estabelecidos pelo órgão ambiental
competente, ou, na sua ausência, por
instituições nacionais ou internacionais
renomadas, comprovado pela realização de
ensaio ecotoxicológico padronizado ou outro
método cientificamente reconhecido;
b) materiais flutuantes, inclusive
espumas não naturais: virtualmente ausentes;
c) óleos e graxas: virtualmente
ausentes;
d) substâncias que comuniquem gosto
ou odor: virtualmente ausentes;
e) não será permitida a presença de
corantes provenientes de fontes antrópicas
que não sejam removíveis por processo de
coagulação, sedimentação e filtração
convencionais;
f) resíduos sólidos objetáveis:
virtualmente ausentes;
g) coliformes termotolerantes: para o
uso de recreação de contato secundário não
deverá ser excedido um limite de 2500
coliformes termotolerantes por 100 mililitros
em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras,
coletadas durante o período de um ano, com
freqüência bimestral. Para dessedentação de
animais criados confinados não deverá ser
excedido o limite de 1000 coliformes
termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou
mais de pelo menos 6 amostras, coletadas
durante o período de um ano, com freqüência
bimestral. Para os demais usos, não deverá
ser excedido um limite de 4000 coliformes
termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou
mais de pelo menos 6 amostras coletadas
durante o período de um ano, com
periodicidade bimestral. A E. Coli poderá ser
determinada em substituição ao parâmetro
coliformes termotolerantes de acordo com
limites estabelecidos pelo órgão ambiental
competente;
h) cianobactérias para dessedentação
de animais: os valores de densidade de
cianobactérias não deverão exceder 50.000
cel/ml, ou 5mm3/L;
i) DBO 5 dias a 20°C até 10 mg/L O2;
j) OD, em qualquer amostra, não
inferior a 4 mg/L O2;
l) turbidez até 100 UNT;
m) cor verdadeira: até 75 mg Pt/L; e,
n) pH: 6,0 a 9,0.
Balneabilidade
A balneabilidade é a qualidade das
águas destinadas à recreação de contato
primário, sendo este entendido como um
contato direto e prolongado com a água
(natação, mergulho, esqui-aquático, etc), onde
a possibilidade de ingerir quantidades
apreciáveis de água é elevada (CETESB,
2009). Para sua avaliação é necessário o
estabelecimento de critérios objetivos. Estes
critérios devem se basear em indicadores a
serem monitorados e seus valores
confrontados com padrões pré estabelecidos,
para que se possa identificar se as condições
de balneabilidade em um determinado local
são favoráveis ou não; podem-se definir,
inclusive, classes de balneabilidade para
melhor orientação dos usuários. O parâmetro
indicador básico para a classificação das
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águas quanto a sua balneabilidade em termos
sanitários é a densidade de coliformes fecais
(CETESB, 2009).
Em relação aos aspectos de saúde
pública temos corpos d'água contaminados
por esgoto doméstico que ao atingirem as
águas podem expor os banhistas a bactérias,
vírus e protozoários. Crianças e idosos, ou
pessoas com baixa resistência, são as mais
suscetíveis a desenvolver doenças ou
infecções após terem nadado em águas
contaminadas. As doenças relacionadas ao
banho, em geral, não são graves. A doença
mais comum associada à água poluída por
esgoto é a gastrenterite. Ela ocorre numa
grande variedade de formas e pode apresentar
um ou mais dos seguintes sintomas: enjôo,
vômitos, dores de estômago, diarréia, dor de
cabeça e febre. Outras doenças menos graves
incluem infecções de olhos, ouvidos, nariz e
garganta. Em locais muito contaminados os
banhistas podem estar expostos a doenças
mais graves, como disenteria, hepatite A,
cólera e febre tifóide (MURRAY et al., 2000).
Os cuidados que devem ser tomados,
considerando-se as diversas variáveis
intervenientes na balneabilidade e sua relação
com a possibilidade de riscos à saúde dos
freqüentadores, é recomendável: não tomar
banho nas águas das praias que forem
classificadas como impróprias, evitar o
contato com os cursos d’água que afluem às
praias, lagos ou lagoas, evitar o uso das
praias, rios, lagos ou lagoas que recebem
corpos d’água cuja qualidade é desconhecida;
após a ocorrência de chuvas de maior
intensidade, evitar a ingestão de água, com
redobrada atenção para com as crianças e
idosos, que são mais sensíveis e menos
imunes do que os adultos, não levar animais à
praia e aos locais de recreação (BROOKS et
al., 2000).
A Lagoa dos Barcos no Parque
Municipal de Belo Horizonte
Com a inauguração do Parque
Municipal Américo Renê Giannetti no ano de
1897, surge à lagoa dos barcos, hoje de
grande importância para manutenção da
umidade do ambiente, além de ser
responsável pela conservação de espécies de
peixes e ainda funcionar como fonte de lazer
para vários visitantes, que podem, através de
barcos passearem pelas águas da lagoa
(PMBH, 2009).
Segundo dados da Prefeitura
Municipal de Belo Horizonte (PMBH), o
parque municipal é o Patrimônio Ambiental
mais antigo de Belo Horizonte. Com uma área
de 182 mil metros quadrados de extensa
vegetação, o parque contempla um
ecossistema representativo com árvores
centenárias e ampla diversidade de espécies,
além de contribuir para amenizar o clima da
região central da cidade. Belo Horizonte é
uma das poucas capitais que conta com
tamanha área de preservação em seu
hipercentro.
A lagoa criada dentro do parque para
trazer lazer para os visitantes (Figura 1), já foi
utilizada para as práticas esportivas de
natação e remo. No entanto, essa mesma
lagoa já foi o berço de uma série de
caramujos, organismos responsáveis por
carregar o verme transmissor da
esquistossomose na década de 50 (SCHALL,
2001). Para solucionar o problema a lagoa foi
então esvaziada, em seguida, iniciaram obras
que incluíram a colocação de placas de
concreto no fundo. Rasparam, passou cal com
sulfato de cobre, substância que dá uma
tonalidade azul bonita, além de ser tóxica para
os moluscos. Foi preciso mais de um mês para
encher de novo a lagoa, agora, sim, saneada
como deveria estar desde antes.
Figura 1. Lagoa dos Barcos (Emmanuel
Pinheiro/Estado Minas - 21/08/2005)
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Neste sentido, o objetivo deste estudo
foi avaliar a qualidade microbiológica da água
da Lagoa dos Barcos do Parque Municipal de
Belo Horizonte, destinada à recreação e
beleza paisagística, quanto à presença de
coliformes totais e fecais (qualitativamente e
quantitativamente), as fontes de contaminação
e a possibilidade de provocar efeitos
negativos à saúde humana.
MATERIAL E MÉTODOS
Para realização do presente trabalho,
foi coletada uma amostra de
aproximadamente 200 mL de água, na Lagoa
dos Barcos do Parque Municipal de Belo
Horizonte (Américo Renné Gianetti),
localizado na região central da capital do
Estado de Minas Gerais, como mostra a
(Figura 2).
Figura 2. Vista aérea da Lagoa dos Barcos (Google
Earth 2009).
As coletas foram realizadas em
duplicata em dezembro de 2009 e março de
2010, com a utilização de um recipiente
asséptico para a coleta da amostra. O ponto de
coleta foi selecionado com base em critérios
de circulação de pessoas, partindo da margem
onde os barcos a remo ficam estacionados.
Estas amostras foram levadas para os
laboratórios de Microbiologia da Faculdade
Fabrai/Anhanguera - Unidade Floresta e do
Centro Universsitário Metodista Izabela
Hendrix, onde foram processadas as análises
correntes.
A água foi analisada quanto à presença
de bactérias dos grupos coliformes totais e
fecais (Escherichia coli). Foram feitas
avaliações qualitativas e quantitativas. A
sistemática de coleta e de preservação das
amostras seguiu a metodologia proposta no
Standard Methods for the Examination of
Water and Wastewater (APHA, 1992).
As análises de coliformes totais e
fecais foram realizadas através da
metodologia de presença/ausência em tubos
múltiplos e contagem direta em placas.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados mostraram
contaminação tanto por coliformes totais,
quanto por Escherichia coli (coliforme fecal)
na água da área analisada da Lagoa dos
Barcos do Parque Municipal de Belo
Horizonte (Tabela 1).
Tabela 1 - Valores médios das concentrações de Coliformes na água da Lagoa dos Barcos, Parque Municipal de Belo
Horizonte, MG.
Meios de Cultura Qualitativo
Coliformes totais
Quantitativo
E. coli
Caldo Lactosado
Caldo Lactosado Verde Brilhante
Agar McConkey
Ágar EMB (Eosina Azul de Metileno)
Positivo
Positivo
- - - -
Positivo
Positivo
Positivo
3,2 x 103
Positivo
Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011	 Página	11	
 
A
Contudo, o padrão de comportamento
tende a se tornar mais complexo e crítico com
a chegada do período de estação seca
(outono/inverno) na qual é observado o efeito
de redução das precipitações levando a uma
menor renovação da água da lagoa, conforme
observado por Amaral (1994), D’aguila
(2000) e Pinto (2009).
Observa-se também que a
concentração na escala logarítmica ultrapassa
freqüentemente o nível máximo permitido
para águas Classe III, de acordo com a
Resolução 357 do CONAMA, isto é,
coliformes termotolerantes: para o uso de
recreação de contato secundário não deverá
ser excedido um limite de 2500 coliformes
termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou
mais de pelo menos 6 amostras, coletadas
durante o período de um ano, com freqüência
bimestral.
Nas análises realizadas, verificou-se a
presença de coliformes totais (teste
qualitativo) e coliformes fecais (Escherichia
coli – teste quantitativo) numa concentração
de 3.200 coliformes por 100 mililitros de água
analisada. A E. coli poderá ser determinada
em substituição ao parâmetro coliformes
termotolerantes de acordo com limites
estabelecidos pelo órgão ambiental
competente se este estipular outros valores.
Simplificando a interpretação
meramente numérica mencionada acima,
verifica-se que, globalmente, já há um grau de
comprometimento da qualidade da água.
Segundo Freitas (2001) a variabilidade de
alguns parâmetros de qualidade da água, em
conjunto com a invariabilidade de outros,
demonstra que o ambiente abordado é
complexo.
O fato do número de organismos
patogênicos E. coli apresentar níveis acima do
permitido pela legislação, pode estar
associado também à presença de animais de
sangue quente como patos, gansos e marrecos
que habitam o parque e os arredores da lagoa,
ou mesmo presença de roedores.
Acredita-se que o risco à saúde da
população seria diminuído se, em primeiro
lugar, a regularidade do suprimento de água
da lagoa e a manutenção do sistema de
monitoramento e tratamento fossem
melhorados. Em segundo lugar, a qualidade
da água natural (pluvial) deve ser monitorada
mais de perto, já que a mesma pode carrear
para a Lagoa grande quantidade de
microrganismos indesejáveis no período
chuvoso.
A educação ambiental também deve
ser considerada e aplicada aos visitantes do
parque para uma melhoria da qualidade da
água da lagoa. Pois o lançamento de rejeitos
na lagoa ou até mesmo no chão que podem
ser carreados pelo vento ou pelas chuvas pode
aumentar os níveis de contaminação e
poluição da água da lagoa.
Com tais níveis de contaminação, os
cuidados para se evitar o contato com as
águas durante o passeio de barco na lagoa
tornam-se necessário, principalmente para as
crianças que são mais suscetíveis a doenças.
CONCLUSÕES
Este trabalho mostrou que, a despeito
dos problemas relativos à periodicidade de
coleta e número reduzido de amostras para
avaliação de alguns parâmetros, os resultados
obtidos fornecem um quadro da qualidade da
água da Lagoa dos Barcos do Parque
Municipal de Belo Horizonte no período
analisado.
Com relação à água da lagoa, os
resultados, quando comparados com os
padrões da Portaria CONAMA 357,
mostraram que, no Parque Municipal de Belo
Horizonte, a água amostrada encontra-se em
desacordo com a referida Portaria,
apresentando índices de coliformes fecais (E.
coli) acima dos padrões, colocando a
população que se beneficia com atividades
recreativas exposta a diversos riscos para a
saúde, como: doenças de veiculação hídricas
com relação à qualidade bacteriológica.
Portanto faz-se necessário, o controle
microbiológico da Lagoa dos Barcos seja por
técnicas de manejo da água, ou ainda controle
químico eficiente, e que, possa solucionar o
47
Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011	 Página	11	
 
problema sem gerar impactos de grande
magnitude para a população, fauna e flora
local.
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Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011	 Página	12	
 
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de Ituiutaba. Doenças de veiculação hídrica,
2002. Disponível em:
http://www.saeituiutaba.com.br/?arq=101,
acesso em 01/12/2009.
SCHALL, Virgínia. Lago do Parque
Municipal já foi pensão de caramujos.
História publicada no livro da autora:
Contos de Fatos, 2001. Editora Fiocruz, Rio
de Janeiro. Disponível em:
http://wwo.uai.com.br/UAI/html/sessao_11/2
008/10/16/em_noticia_print,id_sessao=11&id
_noticia=83852/em_noticia_print.shtml,
acesso em 25/11/2009.
STANDARD METHODS FOR THE
EXAMINATION OF WATER AND
WASTEWATER. APHA, 1992.
VON SPERLING, M. (2005). Introdução á
qualidade das águas e ao tratamento de
esgotos. V.1 Departamento de Engenharia
Sanitária e Ambiental- DESA-UFMG. 3ª Ed.
P.15-19.
_____________________________________
1 – Jussária Rodrigues Silva Tenório, BSc
Tecnóloga em Química Ambiental
FABRAI / ANHANGUERA
2 – Pollyana Pinto Araújo, BSc
Bióloga
Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix
3 – Larissa Paula Jardim de Lima Barbosa, BSc
Bióloga / Consultora
Real Biológica Ltda.
4 – Flávio Henrique Ferreira Barbosa, PhD
Professor Adjunto I – Ciências Farmacêuticas
Universidade Federal do Amapá – UNIFAP
flavio.barbosa@unifap.br
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Ciência Equatorial - ISSN 2179-9563 - V1N1 2011

  • 1. CIÊNCIA EQUATORIAL ISSN 2179-9563 Artigo Original Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 QUALIDADE MICROBIOLÓGICA DA ÁGUA DA LAGOA DOS BARCOS DO PARQUE MUNICIPAL DE BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS Jussária Rodrigues Silva Tenório1 , Pollyana Pinto Araújo2 , Larissa Paula Jardim de Lima Barbosa3 , Flávio Henrique Ferreira Barbosa4 RESUMO Nos países em desenvolvimento, onde ainda podemos encontrar áreas urbanas densamente povoadas com precárias condições de saneamento básico, a água é responsável por um grande número de doenças de veiculação hídrica. Estas não conformidades podem representar possíveis riscos à saúde dessas populações. O presente estudo versa sobre os parâmetros da qualidade da água, visando balneabilidade e foi realizado em uma lagoa situada em área urbana, localizada no Parque Municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais. O trabalho se concentrou nos indicadores de poluição microbiológica (coliformes fecais - Escherichia coli), delineada em pesquisa de campo ocorrida em novembro de 2009. A análise dos parâmetros bacteriológicos mostrou um significativo grau de comprometimento e exposição ao risco microbiológico da população devido à possibilidade de contaminação de origem fecal em práticas de recreação. Palavras-chave: balneabilidade, coliformes, monitoramento, qualidade da água. MICROBIOLOGICAL QUALITY OF THE WATER OF THE LAGOON OF THE BOATS OF THE MUNICIPAL PARK OF BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS ABSTRACT In developing countries, where one can still find densely populated urban areas with poor sanitation conditions, water is responsible for a large number of water-borne diseases. These non-conformities may represent possible health risks of populations. On this study discuss the parameters of water quality, bathing and order was carried out in a pond located in an urban area, located in the Parque Municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais. The work focused on indicators of microbiological pollution (fecal coliforms - Escherichia coli), outlined in field research took place in November 2009. The analysis of bacteriological parameters showed a significant degree of involvement and exposure to microbial risk population due to possible contamination of fecal origin in practices of recreation. Keywords: bathing, coliforms, monitoring, water quality. INTRODUÇÃO
  • 2. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 39   INTRODUÇÃO Nas últimas décadas a água passou a sofrer profundas alterações em sua qualidade, isso devido ao crescimento acelerado da população mundial, que através de suas várias atividades polui e contamina os lençóis freáticos e a água superficial do planeta. As águas presentes em rios e lagoas ao serem contaminadas, passam a ser um grave problema ambiental, pois pode direto ou indiretamente afetar a saúde humana causando efeitos deletérios ao homem (CETESB, 2009). Segundo Von Sperling (2005), a água é fundamental em diversos usos como: abastecimento público, geração de energia elétrica, navegação, dessedentação de animais, suprimento industrial, crescimento de culturas agrícolas, conservação da flora e da fauna, recreação e lazer, criação de espécies e harmonia paisagística. É também responsável pelo transporte e diluição de despejos, através de processos físicos químicos e biológicos. Devido a esses muitos usos desordenados e de maneira incorreta, esse produto vem sofrendo diversas alterações em sua qualidade, como poluição e contaminação. A degradação da água doce superficial e subterrânea é um grave problema ambiental que vem sendo discutido em todo o mundo, na busca de minimizar os impactos gerados, recuperar e conservar os corpos de água. As águas podem sofrer alterações químicas físicas ou biológicas em sua qualidade, vários são os componentes que contribuem para essa alteração. Os parâmetros biológicos são de fundamental importância, pois a presença de microrganismos patogênicos na água pode afetar a saúde humana causando efeitos negativos ao homem (CUNHA et al., 2004). A presença de microrganismos patogênicos na água pode ser identificada através de uma análise microbiológica indireta, com uso de microrganismos indicadores de contaminação fecal que compreende principalmente o grupo de coliformes. Pois avaliar diretamente todos os patógenos nas amostras de água é um processo muito caro e trabalhoso. “Os coliformes, na sua maioria, são bactérias intestinais, são excretadas pelas fezes e não são, geralmente, patogênicas, embora sua presença na água indique a probabilidade da ocorrência de germes patogênicos. Os microrganismos presentes na água, podem ter o seu “habitat” normal nos corpos de águas de superfície, tais como: lagoas, rios, açudes, etc”. (BRAGA, 2007). Os rios e lagoas quando são poluídos e contaminados podem trazer vários problemas á saúde da população, uma vez que muitas pessoas utilizam dessas águas para abastecimento humano ou mesmo têm algum contato direto ou indireto com essas águas (AMARAL et al., 1994). A lagoa dos barcos situada no Parque municipal de Belo Horizonte é um exemplo clássico do contato das pessoas com a água que pode estar contaminada. O interesse na análise de água dessa lagoa se dá principalmente pelo fato da mesma estar situada dentro de um parque na área central da cidade onde o número de visitantes é bastante grande (PMBH, 2009). A lagoa é utilizada pelos visitantes para remo de barcos sobre as águas, tal ação consiste em recreação de contato secundário. Para esse fim a Resolução CONAMA 357 determina que as águas sejam classificadas como classe 3: “águas que podem ser destinadas: ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional ou avançado; à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras; à pesca amadora; à recreação de contato secundário; e à dessedentação de animais”. Com o resultado das análises, pode ser diagnosticada a situação atual da lagoa, como a possível contaminação, os impactos causados ao meio ambiente e a possibilidade de transmissão de doenças aos visitantes que navegarem sobre a lagoa, tendo contato com as águas. Qualidade da Água A demanda por água de boa qualidade tem aumentado consideravelmente nas
  • 3. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 40   últimas décadas em razão do crescimento desordenado da população. As atividades humanas ocorrem em bacias hidrográficas, sejam elas rurais ou urbanas, alterando suas características e contribuindo para a mudança do equilíbrio e da dinâmica dos recursos naturais. A estas alterações está associado um aumento na geração de cargas poluentes que atingem os sistemas hídricos. As condições atuais de disponibilidade e demanda mostra que na média e na maior parte do território brasileiro não existe déficit de recursos hídricos (ALVES et al., 2002). Segundo Cunha e colaboradores (2004), estudar objetivamente qualquer característica ambiental, social, econômica ou de qualquer outra natureza, na atual realidade altamente dinâmica dos diversos ecossistemas, é antes de tudo um exercício de pioneirismo. Isso é perceptível quando realizamos estudos que acabam por nos mostrar que existem muitas lacunas de conhecimento, de monitoramento, de história científica nas regiões que, ora apresentam alterações aceleradas do meio, das comunidades humanas e dos fatores de produção e agregação de valores. Independente de planejamentos e da presença da ciência, as ações “acontecem”, avançando as fronteiras das conseqüências da presença humana e alterando situações ainda não convenientemente catalogadas e quantificadas (FREITAS et al., 2001). Em se tratando de qualidade ambiental, nos deparamos com ambientes, sejam urbanos ou não, que apresentam realidades muitas vezes desconhecidas. Neste sentido, diversos estudos estão sendo conduzidos para avaliar a qualidade das águas em sítios adequadamente escolhidos. Assim, em várias metrópoles brasileiras, tem-se observado uma forte alteração dos níveis de concentração de coliformes fecais (CF) em alguns corpos de águas, em especial nas áreas de drenagem próximas e intercortadas por zonas urbanas e periurbanas dessas cidades (AMARAL, 1994). A origem das perturbações na qualidade da água deve-se, de fato, a várias causas simultâneas decorrentes de ações antrópicas e de condicionantes naturais, como o aumento da densidade populacional, a influência de precipitação pluviométrica em certas épocas do ano. Entre as causas antrópicas destacam-se os efluentes oriundos de esgotos, os quais estão vinculados às atividades urbanas, agrícolas, portuárias e industriais. Esses poluentes comportam-se tanto de forma pontual quanto difusa, o que tem sido verificado pelo monitoramento. Quanto às causas naturais, pode-se dizer que ainda são pouco compreendidas. Interessantemente, locais mais distantes dos centros urbanos ocasionalmente apresentam valores anormais de CF (AMARAL, 1994). Organismos Presentes na Água A vida aquática exibe um grande complexo de interações de microrganismos e macrorganismos, tanto vegetais como animais. Os microrganismos, particularmente algas, ocupam uma posição especial na cadeia alimentar do ambiente aquático. Muitas espécies bacterianas são responsáveis pela reciclagem dos elementos e dos nutrientes presentes na água, através de modificações bioquímicas em diversos substratos (PELCZAR et al., 1996). A presença de microrganismos na água pode ser benéfica ou maléfica, isso vai ser determinado pelas características do microrganismo e pela sua atuação no meio aquático. Há microrganismos que vão atuar na decomposição de compostos químicos indesejáveis e aqueles que vão degradar a matéria orgânica presente na água, também há microrganismos que são patogênicos, podendo causar graves problemas a saúde humana (PELCZAR et al., 1996). Segundo Macêdo (2005), da série de microrganismos apresentada na água, alguns são naturais do ecossistema aquático e outros, microrganismos transitórios, provenientes do solo e de dejetos industriais, humano e também de animais. O controle dessa população bacteriana é de fundamental importância, visto que densidades elevadas de microrganismos na água podem determinar a
  • 4. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 41   deterioração de sua qualidade, pois algumas delas podem atuar como patógenos oportunistas, especialmente causando problemáticas para indivíduos debilitados imunologicamente. Como os microrganismos patogênicos geralmente aparecem de forma intermitente e em baixo número na água, outros microrganismos que coexistam nas fezes com o grupo dos patogênicos podem ser estudados. Assim a presença desses microrganismos na água indica se há contaminação fecal, principalmente os originários do homem e de animais de sangue quente (AMARAL et al, 1994). Para indicação de contaminação fecal na água utiliza o grupo de coliformes totais ou coliformes fecais (termotolerantes), que são microrganismos indicadores. O grupo de coliformes totais e fecais é definido por Macêdo: Coliformes Totais: inclui as bactérias na forma de bacilos gram-negativos, não formadores de esporos, aeróbios ou anaeróbios facultativos, capazes de fermentar a lactose com produção de gás em 24-48 horas a 36 +/- 0,5°C. O grupo inclui cerca de 20 espécies, dentre as quais encontram-se tanto bactérias originárias do trato gastrintestinal de humanos como também diversos gêneros e espécies de bactérias não entéricas, como Serratia e Aeromonas, por exemplo. Por essa razão, sua enumeração em água é menos representativa, como indicação de contaminação fecal do que a enumeração de coliformes fecais ou E. coli. Coliformes Fecais: a definição é a mesma de coliformes totais, porém, restringindo-se aos membros capazes de fermentar a lactose com produção de gás em 24 horas a 44,5 +/- 0,2°C. Esta definição objetivou, em princípio, selecionar apenas os coliformes originários do trato gastrintestinal. Atualmente sabe-se, entretanto, que o grupo dos coliformes fecais inclui pelo menos 3 gêneros (Escherichia, enterobacter e klebsiella), dos quais os dois últimos incluem cepas de origem não fecal. Por esse motivo, a presença de coliformes fecais em água é menos representativa, como indicação de contaminação fecal do que a enumeração direta de E. coli; porém, muito mais significativa do que a presença de coliformes totais, dada a alta incidência de E. coli dentro do grupo fecal. E. coli: dentre as bactérias de habitat reconhecidamente fecal, dentro do grupo dos coliformes fecais , E. coli é a mais conhecida e a mais facilmente diferenciada dos membros não fecais. É o melhor indicador de contaminação fecal conhecido até o momento. Microrganismos Indicadores A determinação da potencialidade de uma água transmitir doenças pode ser efetuada de forma indireta, através dos organismos indicadores de contaminação fecal, pertencentes principalmente ao grupo de coliformes (VON SPERLING, 2005). Quando o grupo de organismos indicadores está presente em uma determinada água, isso indica indícios de contaminação dessa água pela presença de patógenos. Um microrganismo indicador deve ser de fácil detecção; apresentar resistência similar aos patógenos; ter maior número de organismos e mesma velocidade de decaimento e estar presente na água quando houver presença de patógenos (VON SPERLING, 2005). Importância da Análise Microbiológica da Água A qualidade da água é definida por suas características intrínsecas que dependem das condições do meio. Segundo Pelczar e colaboradores (1996), a água pode apresentar aparência clara, livre de sabores e odores peculiares, e, no entanto, estar contaminada. A qualidade sanitária da água é determinada através de processos especiais como testes laboratoriais, químicos e bacteriológicos. Várias doenças podem estar associadas ao recurso água, seja em decorrência de contaminação por excretas
  • 5. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 42   humanas ou de outros animais, seja pela presença de substâncias químicas nocivas a saúde humana. As doenças relacionadas com água, tradicionalmente vêm sendo divididas em dois grupos: doenças de transmissão hídrica, aquelas em que a água atua como veículo do agente infeccioso, e doenças de origem hídrica, causadas por determinadas substâncias químicas presente na água (SAE, 2002). As análises microbiológicas de água podem demonstrar em quais usos a água pode ser utilizada, e quais os riscos de contaminação estão sujeitos às pessoas que tiverem um contato com essas águas. Com isso pode se ter um controle das doenças de veiculação hídrica (CARMO et al., 2008). Principais Doenças de Veiculação Hídrica As doenças associadas à água podem ser transmitidas ao homem de forma direta ou indireta, seja pela ingestão, pelo contato direto ou através de vetores. Os países em desenvolvimento como o Brasil, são os que mais sofrem com as doenças de veiculação hídrica. Isso devido à falta de saneamento e de políticas públicas que atuem de forma eficaz, evitando a contaminação da água e melhorando a qualidade das águas superficiais de rios e lagoas (D'AGUILA, 2000). O contato com a água pode ocorrer por motivos profissionais, de recreação ou em situações de desastres naturais (inundações). A utilização da água para fins recreativos tem efeito benéfico para a saúde, entretanto, o contato com a água não é desprovido de riscos. Estas atividades podem resultar em doenças infecciosas, através da ingestão acidental de água contaminada ou na penetração de microrganismos (bactérias, helmintos, protozoários) através da pele e de mucosas (MARTINS et al, 2008). Segundo Braga (2007), entre as doenças causadas por bactérias, são mais freqüentes: a febre tifóide, pela Salmonella typhi; a febre paratifóide, pela Salmonella paratyphi e Salmonella schottmuelleri; a cólera, pelo Vibrio cholerae; as disenterias bacilares, pelas Shigella dysenteriae, Shigella sonnei, Shigella flexneri e Shigella bodyii. Certas bactérias são capazes de induzir infecção externas no corpo. Quando o risco advém do simples contato com a água contaminada, como é o caso de águas de contato primário, como recreação e natação. Entre estas, podemos citar: o Staphylococus aureus e a Pseudomonas aeruginosa. A primeira é a principal responsável por processos de intoxicação alimentar e infecções cutâneas e da garganta, e a segunda pode causar infecções de ouvido e olhos (BRAGA, 2007). Vários são os agentes transmissores de doenças presentes na água contaminada. Sendo assim as doenças de veiculação hídrica exigem uma atenção especial, desde a sua forma de transmissão, como a melhor forma de se prevenir dessas doenças (AMAE, 2009). Diarréias O efeito da mistura de água de diferentes fontes tais como uma combinação de poços, fontes superficiais ou ambos, pode influenciar muito a qualidade da água na rede. A irregularidade do abastecimento na rede de uma determinada área urbana pode também modificar a qualidade da água tratada com a introdução de agentes patogênicos na rede de distribuição (QUEIROZ, 2009). A quantidade e a qualidade da água são fatores importantes para o estabelecimento dos benefícios à saúde relacionados à redução da incidência e prevalência de diversas doenças, destacando- se a doença diarréica. A diarréia constitui sintoma de diversas etiologias, cada qual com seus respectivos fatores de risco. Ela atinge mais facilmente crianças com menos de cinco anos de idade, sendo a mortalidade mais comum naquelas menores de dois anos, podendo gerar duas importantes complicações: a desidratação e o impacto negativo no estado nutricional da criança, um dos principais problemas de saúde pública dessa faixa etária (QUEIROZ, 2009). Crianças em países em desenvolvimento têm, em média, de 50 a 60
  • 6. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 43   dias de diarréia por ano. Aproximadamente 10% desses episódios são complicados com a presença de desidratação, decorrente das doenças diarréicas, que representa uma das mais importantes causas da mortalidade infantil nos países em desenvolvimento (QUEIROZ, 2009). É importante salientar que a doença diarréica aguda tem sido usada como indicador epidemiológico, merecendo atenção de estudiosos e das autoridades sanitárias em todo o mundo, pois compreende um grupo de condições clínicas diversas, cuja manifestação comum é a diarréia. A sua ocorrência associa- se, de forma direta ou indireta, a um complexo de fatores de ordem socioeconômica, cultural, nutricional e ambiental. Assim, a morbidade por diarréia é um indicador importante para a saúde pública, pela capacidade de resposta a diversas alterações nas condições de saneamento, qualidade sanitária de alimentos, hábitos higiênicos e comportamentais de uma comunidade (FREITAS & FREITAS, 2005). As dificuldades para monitorar as doenças diarréicas agudas decorrem de sua elevada incidência e do incorreto entendimento, de parte da população e dos profissionais que atuam na saúde pública, de que é “normal” a ocorrência da diarréia no Brasil. A diarréia é responsável por uma elevada proporção de óbitos, em menores de 5 anos, em áreas carentes de saneamento, onde há maior concentração de populações de reduzida condição socioeconômica (QUEIROZ, 2009). Legislação Na busca de soluções para preservação e melhoria dos recursos hídricos, a resolução CONAMA 357, divide as águas em três grupos: “I - águas doces: águas com salinidade igual ou inferior a 0,5 ‰; II - águas salobras: águas com salinidade superior a 0,5 ‰ e inferior a 30 ‰; III - águas salinas: águas com salinidade igual ou superior a 30 ‰;” e classifica os corpos de águas de acordo com seus usos preponderantes. Essa resolução procura definir e integrar as atividades humanas com o recurso água, de forma a encontrar um desenvolvimento sustentável, com o equilíbrio do ecossistema. As águas doces são classificadas pelo CONAMA 357 como: I - classe especial: águas destinadas: a) ao abastecimento para consumo humano, com desinfecção; b) à preservação do equilíbrio natural das comunidades aquáticas; e, c) à preservação dos ambientes aquáticos em unidades de conservação de proteção integral. II - classe 1: águas que podem ser destinadas: a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento simplificado; b) à proteção das comunidades aquáticas; c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000; d) à irrigação de hortaliças que são consumidas cruas e de frutas que se desenvolvam rentes ao solo e que sejam ingeridas cruas sem remoção de película; e e) à proteção das comunidades aquáticas em Terras Indígenas. III - classe 2: águas que podem ser destinadas: a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional; b) à proteção das comunidades aquáticas; c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA nº 274, de 2000; d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; e e) à aqüicultura e à atividade de pesca.
  • 7. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 44   IV - classe 3: águas que podem ser destinadas: a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional ou avançado; b) à irrigação de culturas arbóreas, cerealíferas e forrageiras; c) à pesca amadora; d) à recreação de contato secundário; e e) à dessedentação de animais. V - classe 4: águas que podem ser destinadas: a) à navegação; e b) à harmonia paisagística. Essa mesma resolução define as condições padrões da qualidade de água para cada classe de acordo com seus usos preponderantes. As águas de classe III segundo o CONAMA 357 devem apresentar as seguintes características: Condições de qualidade de água classe III: a) não verificação de efeito tóxico agudo a organismos, de acordo com os critérios estabelecidos pelo órgão ambiental competente, ou, na sua ausência, por instituições nacionais ou internacionais renomadas, comprovado pela realização de ensaio ecotoxicológico padronizado ou outro método cientificamente reconhecido; b) materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais: virtualmente ausentes; c) óleos e graxas: virtualmente ausentes; d) substâncias que comuniquem gosto ou odor: virtualmente ausentes; e) não será permitida a presença de corantes provenientes de fontes antrópicas que não sejam removíveis por processo de coagulação, sedimentação e filtração convencionais; f) resíduos sólidos objetáveis: virtualmente ausentes; g) coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato secundário não deverá ser excedido um limite de 2500 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com freqüência bimestral. Para dessedentação de animais criados confinados não deverá ser excedido o limite de 1000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com freqüência bimestral. Para os demais usos, não deverá ser excedido um limite de 4000 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras coletadas durante o período de um ano, com periodicidade bimestral. A E. Coli poderá ser determinada em substituição ao parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente; h) cianobactérias para dessedentação de animais: os valores de densidade de cianobactérias não deverão exceder 50.000 cel/ml, ou 5mm3/L; i) DBO 5 dias a 20°C até 10 mg/L O2; j) OD, em qualquer amostra, não inferior a 4 mg/L O2; l) turbidez até 100 UNT; m) cor verdadeira: até 75 mg Pt/L; e, n) pH: 6,0 a 9,0. Balneabilidade A balneabilidade é a qualidade das águas destinadas à recreação de contato primário, sendo este entendido como um contato direto e prolongado com a água (natação, mergulho, esqui-aquático, etc), onde a possibilidade de ingerir quantidades apreciáveis de água é elevada (CETESB, 2009). Para sua avaliação é necessário o estabelecimento de critérios objetivos. Estes critérios devem se basear em indicadores a serem monitorados e seus valores confrontados com padrões pré estabelecidos, para que se possa identificar se as condições de balneabilidade em um determinado local são favoráveis ou não; podem-se definir, inclusive, classes de balneabilidade para melhor orientação dos usuários. O parâmetro indicador básico para a classificação das
  • 8. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 45   águas quanto a sua balneabilidade em termos sanitários é a densidade de coliformes fecais (CETESB, 2009). Em relação aos aspectos de saúde pública temos corpos d'água contaminados por esgoto doméstico que ao atingirem as águas podem expor os banhistas a bactérias, vírus e protozoários. Crianças e idosos, ou pessoas com baixa resistência, são as mais suscetíveis a desenvolver doenças ou infecções após terem nadado em águas contaminadas. As doenças relacionadas ao banho, em geral, não são graves. A doença mais comum associada à água poluída por esgoto é a gastrenterite. Ela ocorre numa grande variedade de formas e pode apresentar um ou mais dos seguintes sintomas: enjôo, vômitos, dores de estômago, diarréia, dor de cabeça e febre. Outras doenças menos graves incluem infecções de olhos, ouvidos, nariz e garganta. Em locais muito contaminados os banhistas podem estar expostos a doenças mais graves, como disenteria, hepatite A, cólera e febre tifóide (MURRAY et al., 2000). Os cuidados que devem ser tomados, considerando-se as diversas variáveis intervenientes na balneabilidade e sua relação com a possibilidade de riscos à saúde dos freqüentadores, é recomendável: não tomar banho nas águas das praias que forem classificadas como impróprias, evitar o contato com os cursos d’água que afluem às praias, lagos ou lagoas, evitar o uso das praias, rios, lagos ou lagoas que recebem corpos d’água cuja qualidade é desconhecida; após a ocorrência de chuvas de maior intensidade, evitar a ingestão de água, com redobrada atenção para com as crianças e idosos, que são mais sensíveis e menos imunes do que os adultos, não levar animais à praia e aos locais de recreação (BROOKS et al., 2000). A Lagoa dos Barcos no Parque Municipal de Belo Horizonte Com a inauguração do Parque Municipal Américo Renê Giannetti no ano de 1897, surge à lagoa dos barcos, hoje de grande importância para manutenção da umidade do ambiente, além de ser responsável pela conservação de espécies de peixes e ainda funcionar como fonte de lazer para vários visitantes, que podem, através de barcos passearem pelas águas da lagoa (PMBH, 2009). Segundo dados da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (PMBH), o parque municipal é o Patrimônio Ambiental mais antigo de Belo Horizonte. Com uma área de 182 mil metros quadrados de extensa vegetação, o parque contempla um ecossistema representativo com árvores centenárias e ampla diversidade de espécies, além de contribuir para amenizar o clima da região central da cidade. Belo Horizonte é uma das poucas capitais que conta com tamanha área de preservação em seu hipercentro. A lagoa criada dentro do parque para trazer lazer para os visitantes (Figura 1), já foi utilizada para as práticas esportivas de natação e remo. No entanto, essa mesma lagoa já foi o berço de uma série de caramujos, organismos responsáveis por carregar o verme transmissor da esquistossomose na década de 50 (SCHALL, 2001). Para solucionar o problema a lagoa foi então esvaziada, em seguida, iniciaram obras que incluíram a colocação de placas de concreto no fundo. Rasparam, passou cal com sulfato de cobre, substância que dá uma tonalidade azul bonita, além de ser tóxica para os moluscos. Foi preciso mais de um mês para encher de novo a lagoa, agora, sim, saneada como deveria estar desde antes. Figura 1. Lagoa dos Barcos (Emmanuel Pinheiro/Estado Minas - 21/08/2005)
  • 9. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 46   Neste sentido, o objetivo deste estudo foi avaliar a qualidade microbiológica da água da Lagoa dos Barcos do Parque Municipal de Belo Horizonte, destinada à recreação e beleza paisagística, quanto à presença de coliformes totais e fecais (qualitativamente e quantitativamente), as fontes de contaminação e a possibilidade de provocar efeitos negativos à saúde humana. MATERIAL E MÉTODOS Para realização do presente trabalho, foi coletada uma amostra de aproximadamente 200 mL de água, na Lagoa dos Barcos do Parque Municipal de Belo Horizonte (Américo Renné Gianetti), localizado na região central da capital do Estado de Minas Gerais, como mostra a (Figura 2). Figura 2. Vista aérea da Lagoa dos Barcos (Google Earth 2009). As coletas foram realizadas em duplicata em dezembro de 2009 e março de 2010, com a utilização de um recipiente asséptico para a coleta da amostra. O ponto de coleta foi selecionado com base em critérios de circulação de pessoas, partindo da margem onde os barcos a remo ficam estacionados. Estas amostras foram levadas para os laboratórios de Microbiologia da Faculdade Fabrai/Anhanguera - Unidade Floresta e do Centro Universsitário Metodista Izabela Hendrix, onde foram processadas as análises correntes. A água foi analisada quanto à presença de bactérias dos grupos coliformes totais e fecais (Escherichia coli). Foram feitas avaliações qualitativas e quantitativas. A sistemática de coleta e de preservação das amostras seguiu a metodologia proposta no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (APHA, 1992). As análises de coliformes totais e fecais foram realizadas através da metodologia de presença/ausência em tubos múltiplos e contagem direta em placas. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados mostraram contaminação tanto por coliformes totais, quanto por Escherichia coli (coliforme fecal) na água da área analisada da Lagoa dos Barcos do Parque Municipal de Belo Horizonte (Tabela 1). Tabela 1 - Valores médios das concentrações de Coliformes na água da Lagoa dos Barcos, Parque Municipal de Belo Horizonte, MG. Meios de Cultura Qualitativo Coliformes totais Quantitativo E. coli Caldo Lactosado Caldo Lactosado Verde Brilhante Agar McConkey Ágar EMB (Eosina Azul de Metileno) Positivo Positivo - - - - Positivo Positivo Positivo 3,2 x 103 Positivo
  • 10. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 11   A Contudo, o padrão de comportamento tende a se tornar mais complexo e crítico com a chegada do período de estação seca (outono/inverno) na qual é observado o efeito de redução das precipitações levando a uma menor renovação da água da lagoa, conforme observado por Amaral (1994), D’aguila (2000) e Pinto (2009). Observa-se também que a concentração na escala logarítmica ultrapassa freqüentemente o nível máximo permitido para águas Classe III, de acordo com a Resolução 357 do CONAMA, isto é, coliformes termotolerantes: para o uso de recreação de contato secundário não deverá ser excedido um limite de 2500 coliformes termotolerantes por 100 mililitros em 80% ou mais de pelo menos 6 amostras, coletadas durante o período de um ano, com freqüência bimestral. Nas análises realizadas, verificou-se a presença de coliformes totais (teste qualitativo) e coliformes fecais (Escherichia coli – teste quantitativo) numa concentração de 3.200 coliformes por 100 mililitros de água analisada. A E. coli poderá ser determinada em substituição ao parâmetro coliformes termotolerantes de acordo com limites estabelecidos pelo órgão ambiental competente se este estipular outros valores. Simplificando a interpretação meramente numérica mencionada acima, verifica-se que, globalmente, já há um grau de comprometimento da qualidade da água. Segundo Freitas (2001) a variabilidade de alguns parâmetros de qualidade da água, em conjunto com a invariabilidade de outros, demonstra que o ambiente abordado é complexo. O fato do número de organismos patogênicos E. coli apresentar níveis acima do permitido pela legislação, pode estar associado também à presença de animais de sangue quente como patos, gansos e marrecos que habitam o parque e os arredores da lagoa, ou mesmo presença de roedores. Acredita-se que o risco à saúde da população seria diminuído se, em primeiro lugar, a regularidade do suprimento de água da lagoa e a manutenção do sistema de monitoramento e tratamento fossem melhorados. Em segundo lugar, a qualidade da água natural (pluvial) deve ser monitorada mais de perto, já que a mesma pode carrear para a Lagoa grande quantidade de microrganismos indesejáveis no período chuvoso. A educação ambiental também deve ser considerada e aplicada aos visitantes do parque para uma melhoria da qualidade da água da lagoa. Pois o lançamento de rejeitos na lagoa ou até mesmo no chão que podem ser carreados pelo vento ou pelas chuvas pode aumentar os níveis de contaminação e poluição da água da lagoa. Com tais níveis de contaminação, os cuidados para se evitar o contato com as águas durante o passeio de barco na lagoa tornam-se necessário, principalmente para as crianças que são mais suscetíveis a doenças. CONCLUSÕES Este trabalho mostrou que, a despeito dos problemas relativos à periodicidade de coleta e número reduzido de amostras para avaliação de alguns parâmetros, os resultados obtidos fornecem um quadro da qualidade da água da Lagoa dos Barcos do Parque Municipal de Belo Horizonte no período analisado. Com relação à água da lagoa, os resultados, quando comparados com os padrões da Portaria CONAMA 357, mostraram que, no Parque Municipal de Belo Horizonte, a água amostrada encontra-se em desacordo com a referida Portaria, apresentando índices de coliformes fecais (E. coli) acima dos padrões, colocando a população que se beneficia com atividades recreativas exposta a diversos riscos para a saúde, como: doenças de veiculação hídricas com relação à qualidade bacteriológica. Portanto faz-se necessário, o controle microbiológico da Lagoa dos Barcos seja por técnicas de manejo da água, ou ainda controle químico eficiente, e que, possa solucionar o 47
  • 11. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 11   problema sem gerar impactos de grande magnitude para a população, fauna e flora local. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, Nilton César; ODORIZZI, Augusto Cesar; GOULART, Flávia Cristina. Análise microbiológica de águas minerais e de água potável de abastecimento, Marília, SP. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 36, n. 6, dez. 2002. AMAE - Agência Municipal de Regulação dos serviços de água e Esgotos de Joinville, 2009. Disponível em: www.amae.sc.gov.br, acesso em 02/12/2009 AMARAL, Luiz Augusto do et al. Avaliação da qualidade higiênico-sanitária da água de poços rasos localizados em uma área urbana: utilização de colifagos em comparação com indicadores bacterianos de poluição fecal. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 28, n. 5, out. 1994. BRAGA, Juarez Soares 2007, Professor titular de Microbiologia da UFC, Água, Poluição e Doenças (publicado em 18 de outubro de 2007). Disponível em: http://www.adaufc.org.br/cst_docs_det.asp?co d=256, acesso em 25/10/2009. BROOKS, G.F., BUTEL, J.S., MORSE, S.A. Jawetz, Melnick & Adelberg Microbiologia Médica, p 142-145 e 215, 21 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. CARMO, Rose Ferraz; BEVILACQUA, Paula Dias; BASTOS, Rafael Kopschitz Xavier. Vigilância da qualidade da água para consumo humano: abordagem qualitativa da identificação de perigos. Eng. Sanit. Ambient., Rio de Janeiro, v. 13, n. 4, dez. 2008. CETESB – Centro Tecnológico de Saneamento Básico. Disponível em: www.cetesb.sp.gov.br, acesso em 02/11/2009. CONAMA, Resolução nº 274 de 29 de novembro de 2000. Disponível em: www.mma.gov.br, acesso em 25/10/2009. CONAMA, Resolução nº 357 de 17 de março de 2005. Disponível em: www.cetesb.sp.gov.br, acesso em 02/11/2009. CUNHA, Alan Cavalacanti da et al. Qualidade microbiológica da água em rios de áreas urbanas e periurbanas no baixo Amazonas: o caso do Amapá. Eng. Sanit. Ambient., Rio de Janeiro, v. 9, n. 4, dez. 2004. D'AGUILA, Paulo Soares et al. Avaliação da qualidade de água para abastecimento público do Município de Nova Iguaçu. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 16, n. 3, set. 2000. FREITAS, Marcelo Bessa de; BRILHANTE, Ogenis Magno; ALMEIDA, Liz Maria de. Importância da análise de água para a saúde pública em duas regiões do Estado do Rio de Janeiro: enfoque para coliformes fecais, nitrato e alumínio. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, jun. 2001. FREITAS, Marcelo Bessa; FREITAS, Carlos Machado de. A vigilância da qualidade da água para consumo humano: desafios e perspectivas para o Sistema Único de Saúde. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 4, dez. 2005. MACÊDO, Jorge Antônio Barros de. Métodos Laboratoriais de Análises Físico- Químicas e Microbiológicas. 3ª ed. 2005. MARTINS, Fernando SV et al. Doenças Transmitidas Através do Contato com a Água, 2008. Disponível em: www.cives.ufrj.br. Acesso em 06/12/2009. 48
  • 12. Ciência Equatorial, Volume 1 - Número 1 - 1º Semestre 2011 Página 12   MURRAY,P.R., ROSENTHAL, K.S., KOBAYASHI, G.S. Microbiologia Médica, 3 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. PELCZAR, M.J., CHAN, E.C.S., KRIEG, N.R. Microbiologia – Conceitos e Aplicações, v. 2, p 22-40, 2 ed., São Paulo: Makron Books, 1996. PINTO, Daniel Brasil Ferreira et al. Qualidade da água do Ribeirão Lavrinha na região Alto Rio Grande - MG, Brasil. Ciênc. agrotec., Lavras, v. 33, n. 4, ago. 2009. PMBH – Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Arquivos da Fundação de Parques Municipais, 2007. Disponível em: www.pbh.gov.br, acesso em 01/12/2009. QUEIROZ, Josiane Teresinha Matos de; HELLER, Léo; SILVA, Sara Ramos da. Análise da correlação de ocorrência da doença diarréica aguda com a qualidade da água para consumo humano no município de Vitória- ES. Saúde soc., São Paulo, v. 18, n. 3, set. 2009. SAE – Superintendência de Água e Esgotos de Ituiutaba. Doenças de veiculação hídrica, 2002. Disponível em: http://www.saeituiutaba.com.br/?arq=101, acesso em 01/12/2009. SCHALL, Virgínia. Lago do Parque Municipal já foi pensão de caramujos. História publicada no livro da autora: Contos de Fatos, 2001. Editora Fiocruz, Rio de Janeiro. Disponível em: http://wwo.uai.com.br/UAI/html/sessao_11/2 008/10/16/em_noticia_print,id_sessao=11&id _noticia=83852/em_noticia_print.shtml, acesso em 25/11/2009. STANDARD METHODS FOR THE EXAMINATION OF WATER AND WASTEWATER. APHA, 1992. VON SPERLING, M. (2005). Introdução á qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. V.1 Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental- DESA-UFMG. 3ª Ed. P.15-19. _____________________________________ 1 – Jussária Rodrigues Silva Tenório, BSc Tecnóloga em Química Ambiental FABRAI / ANHANGUERA 2 – Pollyana Pinto Araújo, BSc Bióloga Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix 3 – Larissa Paula Jardim de Lima Barbosa, BSc Bióloga / Consultora Real Biológica Ltda. 4 – Flávio Henrique Ferreira Barbosa, PhD Professor Adjunto I – Ciências Farmacêuticas Universidade Federal do Amapá – UNIFAP [email protected] 49