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Mais lidos
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Mais lidos
Os artigos científicos constituem a unidade de informação do periódico científico. Por meio deles, as informa-
ções do autor são transformadas em conhecimento científico, que é de domínio público. Se o artigo é divulgado
adequadamente, ele poderá ser lido, citado e utilizado por profissionais de saúde nas suas atividades diárias. Por
divulgação adequada entenda-se aquela efetuada em periódico científico que adota o procedimento de revisão
por pares.1 - p.238
O Conselho Editorial da revista Epidemiologia e Serviços de Saúde adota a revisão por pares
na avaliação dos artigos que lhe são submetidos para publicação sendo, portanto, um veículo apropriado para
publicar trabalhos científicos. Dessa maneira, tem-se alta probabilidade de alcançar a audiência acertada, se o
tema for adequado para ser publicado na Revista.
Há vários tipos de artigo científico.1 - p.11
O autor se limitará a abordar os artigos originais (scientific article ou
paper em inglês). São os que contêm o relato, em primeira mão, dos resultados de uma pesquisa.
O texto de um artigo científico original é geralmente dividido em quatro seções com os seguintes títulos:
• Introdução
• Métodos (Método, Material e métodos ou Metodologia)
• Resultados
• Discussão
Semelhante estruturação, dita IMRD, predomina na área biomédica e em muitos campos do conhecimento.
Em um estudo no qual foram analisados quatro dos principais periódicos de clínica médica publicados no idioma
inglês, Sollaci e Pereira relatam que a estrutura IMRD começou a ser usada na década de 1940.2
Na década de
1970, atingiu 80,0% e, na de 1980, foi o único padrão adotado nos documentos originais.
Cada uma das subdivisões do artigo científico tem suas especificidades, como detalhado a seguir.1 - p.29
Inicialmente, apresentam-se as informações que justifiquem a pesquisa, acompanhadas do objetivo do trabalho.
Esse material está confinado à seção introdutória do artigo.
Indica-se, na seção sobre método, como o estudo foi delineado e a amostra selecionada, qual a forma de coleta
de dados, qual análise foi planejada para alcançar o objetivo da pesquisa e quais aspectos éticos foram envolvidos.
São mostrados, em seguida, na seção de resultados, os achados da investigação acompanhados, se aplicável,
da respectiva análise estatística.
O relato termina na seção de discussão, com a interpretação e os comentários sobre o significado dos resulta-
dos, a comparação com outros achados de pesquisas sobre o assunto e as conclusões a que chegaram os autores,
em consonância com o objetivo da pesquisa ou a hipótese formulada. Os fatos e argumentos são concatenados
para orientar o leitor e fazê-lo compreender a conclusão do autor e poder analisar, ele próprio, a validade e a
aplicabilidade da investigação.
O conhecimento da estrutura apresentada é o ingrediente básico para entender a lógica do artigo científico. A
tabela a seguir contém algumas perguntas que podem ajudar o leitor a compreender o conteúdo das quatro seções
e o relacionamento entre elas. Temas adicionais sobre comunicação científica serão abordados em novos textos,
Comunicação
científica Estrutura do artigo cientifico
doi: 10.5123/S1679-49742012000200018
Mauricio Gomes Pereira
Professor Titular,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil
Structure of the scientific paper
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,21(2):351-352,abr-jun 2012 351
352
a serem publicados nos próximos números desta Revista, preparados com base no livro Artigos Científicos.1
O
domínio desses temas auxiliará o leitor a melhor apreciar a arte e a técnica da comunicação científica.
Estrutura do artigo científico e algumas perguntas-chave que auxiliam a redação do conteúdo de cada seção
Seções Perguntas-chave
Introdução
De que trata o estudo? Por que a investigação foi feita?
O que se sabia sobre o assunto no início da investigação?
Ou melhor, o que NÃO se sabia sobre o assunto e motivou a investigação?
Método Como o estudo foi realizado?
Resultados O que foi encontrado? Quais são os fatos revelados pela investigação?
Discussão
O que significam os achados apresentados?
Os achados estão de acordo com os resultados de outros autores ou são divergentes?
O que este estudo acrescenta ao que já se sabe sobre o assunto?
Fonte:Adaptado de Pereira 2011.1 - p.30
Referências
1. Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2011.
2. Sollaci L, Pereira MG. The introduction, methods, results and discussion (IMRAD) structure: a fifty-year survey. Journal
of the Medical Library Association. 2004; 92(3):364-367.
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,21(2):351-352,abr-jun 2012
Estrutura do artigo científico
A estrutura adotada na maioria dos artigos científicos originais é composta de quatro seções: introdução,
método, resultados e discussão. No presente artigo, abordaremos a redação da introdução.
Conteúdo da introdução
A introdução é a parte do artigo científico em que o autor informa o que foi pesquisado e o porquê da investi-
gação.1 - p.42
É local para precisar aspectos particulares da pesquisa, tais como a justificativa para a sua realização,
a originalidade e a lógica que guiou a investigação. Algumas questões auxiliam na redação.2
De que trata o estudo?
Por que foi feito? Por que deve ser publicado?
Procura-se também mostrar que a pesquisa está assentada em bases sólidas. Assim, na introdução, se faz a
ligação com a literatura pertinente. O que se sabia sobre o assunto no início da investigação? O que não se sabia
sobre o assunto e motivou a investigação?2
Resposta à essas questões envolve um processo de escolha de trabalhos
a citar.1 - p.46
Em artigo original, não há lugar para revisão extensiva sobre o que foi publicado sobre o assunto.
Não se trata de artigo de revisão. Os editores limitam o número de trabalhos a constar na lista de referências e
esse limite precisa ser obedecido. Mas, se o autor fez revisão detalhada da literatura, deve tentar publicá-la sepa-
radamente. Se a revisão estiver publicada ou aceita para publicação, ela será incluída na lista de referências do
artigo que está sendo escrito, e menciona-se algo assim: “Revisão sistemática da literatura apontou para ...”.
Se não houver a publicação mencionada no parágrafo anterior, a introdução do artigo original conterá as
referências em que o autor fundamentou seu raciocínio.1 - p.46
Entre os critérios utilizados para escolhê-las estão
relevância, acessibilidade e atualidade.1 - p.132
Final da introdução
O objetivo da publicação encontra-se habitualmente no fim da introdução. Se o encadeamento de assuntos
no início do artigo for adequado, o objetivo será a consequência natural e o fechamento da introdução.1 - p.132
Ao
iniciar-se a redação, é conveniente ter o objetivo do artigo por escrito. Ele será o ponto de apoio para a com-
posição de todo o texto. Quem avalia a qualidade de um artigo costuma verificar se o texto reflete o objetivo e,
em especial, se objetivo e conclusão combinam. Daí a importância de ter presente o objetivo durante a redação.
Há diversas formas de expressar o objetivo. Pode-se relacioná-lo ao campo da pesquisa, se frequência, diagnós-
tico, etiologia, tratamento e prevenção de doenças.1 - p.50
Outra maneira consiste em redigir o objetivo em função
do método utilizado. Nesse caso, os tradicionais usos da Epidemiologia podem servir de apoio. Por exemplo,
descrever a situação de saúde (estudo descritivo), esclarecer a relação entre eventos, de um fator supostamente
de risco e de um desfecho (estudo analítico de observação), e determinar o impacto de algum programa, produto
ou procedimento (estudo de avaliação de intervenção). Ler sobre esses temas em livros de Epidemiologia pode
ser útil para auxiliar a redação da introdução e de todo o texto.3 - p.17
Comentários adicionais
Escritoresexperientesorganizamaintroduçãocomointuitodedespertarointeressedoleitorefazê-loprosseguir
na leitura. Quem escreve quer ser lido, citado e espera que suas informações sejam úteis para a coletividade. No
intuito de agradar leitores e editores científicos, o texto deve ter certas características, entre as quais, concisão,
clareza, exatidão, sequência lógica e elegância.1 - p.22
Os editores científicos apreciam introduções curtas mas com
COMUNICAÇÃO
CIENTÍFICA A introdução de um artigo científico
doi: 10.5123/S1679-49742012000400017
Mauricio Gomes Pereira
Professor Titular,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil
The introduction of a paper
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,21(4):675-676,out-dez 2012 675
676
informações suficientes e adequadas. Para conseguir texto com tais atributos, é bom lembrar as três regras para
bem escrever: revisar, revisar, revisar.1 - p.210
Referências
1. Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2011.
2. Pereira MG. Estrutura do artigo científico. Epidemiologia e Serviços de Saúde, Brasília, 2012; 21(2):351-352.
3. Pereira MG. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 1995.
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,21(4):675-676,out-dez 2012
Preparo para a redação do artigo científico
O corpo de um artigo científico original é habitualmente estruturado em quatro partes: introdução, método,
resultados e discussão. A introdução abriga informações que justifiquem a pesquisa e esclareçam o objetivo que
orientou a redação do texto.1
A seção que lhe segue está reservada para a descrição de como o estudo foi realizado,
assunto do presente artigo.2 p.57
Uma lista de tópicos usualmente encontrados na seção de método em artigos científicos de saúde pública e
de clínica é apresentada no quadro anexo. Alguns tópicos dessa lista não são aplicáveis a todos os tipos de inves-
tigação, caso da intervenção (ausente em estudos observacionais) e dos métodos estatísticos (usualmente não
utilizados em pesquisa qualitativa). No entanto, os demais tópicos precisam ser considerados para inclusão nos
textos submetidos para publicação.
A redação é facilitada se foram adotados subtítulos. Os dizeres dos subtítulos podem ser os sugeridos no quadro
ou modificados em função do tipo de investigação, da ênfase dada ou por preferências individuais. Na versão final,
o autor decide se os subtítulos serão ou não mantidos. Em textos longos, é conveniente conservá-los. Auxiliam a
captar rapidamente a essência do relato e a importância relativa das suas partes.
O autor deve estar preparado para detalhar cada aspecto que seja essencial para o entendimento da sua pes-
quisa. O detalhamento correto permite levar a bom termo a avaliação crítica da investigação. Outra justificativa é
possibilitar que alguém, com acesso aos dados, possa replicar o estudo e verificar a concordância de resultados.
O artigo submetido para publicação receberá parecer de especialistas. Essa é a rotina. O parecer será a base
na seleção dos indicados para publicação.2 p.235
O autor precisa preparar o seu texto para transpor essa etapa. Um
revisor experiente fará perguntas e espera encontrar respostas no artigo. Lembre-se, você não estará presente para
responder aos questionamentos. O que está escrito responde por você. Por exemplo, a conclusão apresentada
tem suporte nos métodos e resultados que constam do artigo? Para encontrar resposta, o revisor compara os
resultados apresentados com o método utilizado para obtê-los. Se não há descrição das técnicas empregadas, o
revisor se decepciona e tende a incluir o trabalho na categoria “qualidade inferior”.
O editor, a pessoa que decide sobre a aceitação ou recusa do artigo para publicação, é igualmente julgado pelo
que consta nos artigos que publica. Os bons editores costumam ser exigentes com o material a ele submetido. A
falta de informação adequada reflete falha do autor em reconhecer sua importância, o que pesa no julgamento
do leitor, do revisor e do editor.2 p.39
O oposto, representado pelo excesso de detalhes, também é desaconselhado.
Frequentemente confunde, perde-se a noção de conjunto. Quem lê se aborrece e tende a abandonar a leitura.
Nos tópicos sugeridos para compor a seção de método do artigo científico original, apresentados no quadro,
encontram-se esclarecimentos ou itens que podem ser desenvolvidos durante a redação. Informações porme-
norizadas sobre esses e outros tópicos estão fora do escopo deste artigo, mas são encontradas nas instruções
para autores, que constam do periódico, ou em livros sobre redação científica. Ilustraremos apenas um dos itens
mencionados, o delineamento.
O autor necessita descrever o tipo de delineamento que foi adotado na pesquisa. Evitar simplesmente afirmar
que se trata de estudo quantitativo ou qualitativo. Em cada uma dessas modalidades há subtipos. É melhor pre-
Comunicação
científica A seção de método de um artigo científico
doi: 10.5123/S1679-49742013000100020
Mauricio Gomes Pereira
Professor Titular,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil
The method section of a scientific paper
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(1):183-184,jan-mar 2013 183
184
cisar qual deles foi empregado. Em pesquisa quantitativa, seria o caso de indicar, por exemplo, que se trata de
uma investigação ecológica ou do tipo transversal. Em caso de dúvida, consultar livros de epidemiologia para
inteirar-se da terminologia recomendada. O mesmo raciocínio se faz para estudo qualitativo. Esclarece-se qual o
tipo adotado de investigação qualitativa.
O revisor experiente quer saber se o delineamento escolhido é adequado para alcançar o objetivo proposto.
No caso de julgar a redação apropriada nesse sentido, ou seja, delineamento e objetivo combinam, continua a
avaliação. Mas se o autor não menciona o delineamento ou o descreve mal, de maneira truncada ou incompreen-
sível, fica registrada a falha. Essa falha pode até fazer o avaliador concluir que o artigo não merece ser publicado
e recomende rejeição.
Um bom texto científico deve ter várias qualidades entre as quais a concisão.2 p.21
Os editores preferem publicar
maior quantidade de artigos em cada número da revista. Como o número de páginas do periódico é geralmente
fixo, não é de se admirar a preferência pela brevidade. Os editores sabem, como já assinalado, que escritos longos
desestimulam a leitura. Acreditam que o leitor deva ser exposto apenas ao texto necessário, nenhuma linha a mais.
O escritor científico iniciante terá que desenvolver habilidades nesse sentido. Por exemplo, se a descrição envolve
um dos sistemas de informações do Ministério da Saúde, pode-se resumir suas características e acompanhá-las da
referência mais relevante, atual e acessível.2 p.131
Em menção ao Sistema de Informações de Mortalidade, bastaria
uma ou duas frases sobre ele e a referência do site respectivo.3
Em conclusão, o autor fará um favor a si mesmo e aos demais se redigir a seção de método dentro do consenso
que rege a redação dessa parte do artigo. O público leitor ficará agradecido se a mensagem for clara e concisa.
E mais, que essa informação não esteja distribuída em todo o texto mas confinada à seção de método, o local do
artigo em que ela deve estar situada.
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(1):183-184,jan-mar 2013
A seção de método de um artigo científico
Estrutura da seção de método de um artigo científico original
Tópicos Explicações ou detalhamento
Delineamento O mesmo que tipo de estudo
Cenário Contexto da pesquisa como datas, local e suas características
Amostra Casuística, população de referência, forma de seleção da amostra
Coleta de dados Procedimentos, instrumentos de mensuração, definição operacional dos eventos relevantes
Intervenção Necessário em ensaios clínicos, por exemplo
Métodos estatísticos Quando apropriados: cálculo do tamanho da amostra, forma de análise dos dados
Aspectos éticos Em acordo com resoluções que regem as pesquisas em seres humanos no País
Fonte:Adaptado de Pereira MG 2011.2 p.59
Referências
1.	 Pereira MG. A introdução de um artigo científico. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, 2012; 21(4): 675-676.
2.	 Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2011.
3.	 Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de informática do SUS. Sistema de Informações de Mortalidade. Brasília,
DF; 2008. [acesso em 2013 fev. 14]. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=040701.
Apresentamos mais um artigo da série Comunicação Cientíica. Anteriormente, vimos as seções de introdu-
ção e de método.1,2
Na terceira parte da estrutura do artigo, o tema do presente texto, aparecem os achados da
investigação. Utilizou-se como fonte de consulta o livro Artigos cientíicos: como redigir, publicar e avaliar.3, p.81
O propósito da seção de resultados, como o próprio nome indica, é revelar o que foi encontrado na pesquisa.
Essa parte do artigo estará composta dos dados relevantes obtidos e sintetizados pelo autor. Sugestões para seu
conteúdo e para a ordem na apresentação dos temas estão sintetizadas no quadro anexo e comentadas a seguir.
Primeiramente, apresentam-se as características dos sujeitos do estudo. São informações demográicas, so-
cioeconômicas, clínicas ou de outra natureza que descrevem o grupo ou os grupos estudados. Em geral, essa
comunicação é feita sob a forma de tabela. O leitor, ao inspecionar esses dados, poderá veriicar se os procedi-
mentos de seleção adotados produziram a amostra adequada para o estudo ou, no caso de estudos analíticos, se
os grupos são comparáveis. Serve também para indicar a que população os resultados são generalizáveis. Outra
conduta recomendada, para compor a parte inicial da seção de resultados, é relatar como se chegou à amostra
inal utilizada na análise dos dados. Se a descrição for complexa para aparecer no texto, sugere-se que seja inserido
um gráico de luxo (ou luxograma) contendo o detalhamento da seleção dos sujeitos da pesquisa e os motivos
de exclusão de participantes.3, p.84
Após a apresentação de detalhes descritivos da amostra investigada, tem lugar a especiicação dos resultados
principais obtidos. Resultados principais são os diretamente relacionados ao objetivo do artigo. Se esse objetivo
puder ser transformado em pergunta, tem-se nesta parte do texto a resposta a essa pergunta. O autor revelará o
que encontrou, na forma mais adequada de apresentação: diferenças de médias, medidas de associação (risco
relativo, razão de chances, razão de prevalências) ou o que for mais apropriado para expressar os resultados.
Na sequência, há ainda lugar para expor os achados secundários relevantes ou inesperados que mereçam
menção.
Conseguir o objetivo de bem relatar os resultados de uma investigação é uma questão de prática e obediência
a alguns princípios de comunicação cientíica, entre os quais, os mencionados a seguir.
1. Apresentar os resultados em sequência lógica no texto e nas ilustrações.3, p. 97
Ilustrações compreendem tabelas e iguras. Ilustrações têm a propriedade de resumir importantes informações
que, de outra forma, seriam difíceis de redigir e enfadonhas de ler. Se bem compostas, concorrem para simpliicar
o texto que, de outra maneira, conteria excesso de números e de explicações. Tabelas e iguras têm especiicidades.
As tabelas são utilizadas quando se necessita apresentar dados precisos, grande quantidade de valores numéricos
e informações muito complexas para serem descritas no texto ou mostradas em iguras.3, p.276-97
As iguras são mais
bem empregadas para mostrar cenários, luxos, tendências ou relação entre eventos.3, p.299-325
2. Enfatizar somente informações importantes e não repetir no texto o que consta nas ilustrações.3p.97
Menciona-se brevemente o que foi encontrado na pesquisa sem emitir opinião ou comparação com outros
estudos. A parte interpretativa dos achados estará coninada à discussão, a parte inal da estrutura do artigo. Como
a função da seção de resultados é conter os achados da investigação, é conveniente o autor facilitar seu enten-
COMUNICAÇÃO
CIENTÍFICA A seção de resultados de um artigo cientíico
doi: 10.5123/S1679-49742013000200017
Mauricio Gomes Pereira
Professor Titular,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil
The results section of a scientiic paper
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(2):353-354,abr-jun 2013 353
354
dimento pela elaboração de um texto coerente, no qual guie o leitor para os pontos principais das ilustrações.
Um texto de boa qualidade não contém duplicação de resultados em ilustrações e no texto. Duplicações mais
entendiam o leitor do que o esclarecem.
3. Indicar a signiicância estatística dos resultados.3, p.97
Os principais achados são expostos acompanhados do respectivo tratamento estatístico, se dele houver neces-
sidade. Esse procedimento é comumente necessário, visto a variabilidade inerente aos resultados de pesquisas
clínicas e epidemiológicas.3, p.88
Desvios-padrão, intervalos de coniança, testes estatísticos e valores p serão alguns
termos que aparecem nessa parte do artigo para esclarecer a variabilidade das estimativas ou levar em conta o
papel do acaso nos resultados.3, p.255-273
Em conclusão, o leitor espera encontrar na seção de resultados somente as informações relevantes que o au-
tor reuniu em sua pesquisa. O texto será o mais simples, objetivo, claro, conciso, ordenado e rigoroso possível,
seguindo-se as regras de comunicação cientíica habitualmente aceitas.3 p.21-2
Para aproximar-se desse ideal, pode-se
tentar o caminho trilhado por autores experientes: revisar, revisar e revisar.
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(2):353-354,abr-jun 2013
A seção de resultados de um artigo cientíico
Estrutura da seção de resultados de um artigo cientíico original
1 Características dos sujeitos do estudo Descreve-se a amostra estudada
2 Achado principal Trata-se da resposta à questão central da investigação
3 Outros achados Dizem respeito aos objetivos secundários e informações adicionais relevantes, tais como
resultados discrepantes ou em subgrupos
Fonte:Adaptado de Pereira MG 2011.3,p.83
Referências
1. Pereira MG. A introdução de um artigo cientíico. Epidemiol Serv Saude. 2012;21(4):675-6.
2. Pereira MG. A seção de método de um artigo cientíico. Epidemiol Serv Saude. 2013;22(1):183-4.
3. Pereira MG. Artigos cientíicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan; 2011.
As três primeiras partes do corpo de um artigo original – introdução, método e resultados – foram assunto
de publicações anteriores.1-3
No presente texto, aborda-se a discussão, o que completa a estrutura do artigo. O
material aqui mostrado está baseado no livro ‘Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar’.4
A discussão é o local do artigo que abriga os comentários sobre o significado dos resultados, a comparação
com outros achados de pesquisas e a posição do autor sobre o assunto. Uma discussão sem estrutura coerente
desagrada, daí a conveniência de organizar os temas em tópicos. Estrutura passível de ser utilizada consta do
quadro. Cada um dos tópicos informa sobre uma faceta da discussão e seu conjunto fornece os subsídios para se
julgar a adequação dos argumentos, da conclusão e de todo o texto.
Maneira conveniente de iniciar a Discussão consiste em realçar, com poucas palavras, os achados mais im-
portantes ou os conhecimentos novos desvendados pela pesquisa.4, p.104
Essa síntese, útil em relatos complexos,
é omitida nos textos curtos.
Após essa parte inicial, comenta-se o método empregado, de modo que o autor informe quão válida a
pesquisa lhe parece.4, p.105
Considera-se boa prática o próprio autor apontar as carências em vez de omiti-las
propositadamente, à espera de que passem despercebidas. Limitações importantes não assinaladas no texto
diminuem a credibilidade da investigação. Merecem ser apontadas as limitações que possam influenciar
substancialmente os resultados e alterar as conclusões da investigação. Essas limitações estão relacionadas
ao tipo de delineamento empregado ou a detalhes da própria investigação. Também são comentados aspectos
positivos, entre os quais as providências adotadas para neutralizar as limitações, para contorná-las ou estimar
sua influência nos resultados.
O relacionamento dos achados da investigação com o conhecimento relevante, disponível no momento da
redação do artigo, é outro tópico a incluir.4, p.108
A interpretação de comparações entre estudos é problemática
na presença de diferenças metodológicas. Só há sentido em comparar frequências quando produzidas de ma-
neira semelhante. Se, em uma pesquisa, os dados forem obtidos por entrevista e, em outra, pela verificação de
prontuários, as diferenças encontradas podem refletir apenas a forma de coleta de dados. Muitos outros fatores
explicam a variação de resultados alcançados por diferentes investigações, entre os quais se encontram os tipos
de delineamento, os cenários em que as pesquisas se realizam, os critérios de classificação para incluir ou excluir
pacientes da casuística, as definições de variáveis, as características dos grupos estudados, o teor das intervenções
(dose, duração) e o tamanho de amostra. Assim, as especificidades e a qualidade dos trabalhos, suas limitações
e seus aspectos positivos são levados em conta na referência a outros artigos, presente na discussão. O leitor se
beneficiará ao se familiarizar com as revisões sistemáticas, especialmente nos aspectos concernentes à reunião,
avaliação e classificação da qualidade dos artigos. O confronto de dados entre estudos metodologicamente ho-
mogêneos permite concluir, com maior convicção, se os resultados da literatura concordam ou não com os da
investigação que se relata. Quando os resultados apontam para a mesma direção, a discussão é mais simples de ser
conduzida. Se há marcadas discrepâncias entre os achados, essas discrepâncias são registradas e comentadas na
tentativa de esclarecer os possíveis motivos das diferenças. A imparcialidade é uma característica muito apreciada
nos investigadores. Ela se manifesta de muitas maneiras, sendo uma delas incluir, na discussão, os relatos que
não coincidam com os resultados da própria investigação.
A interpretação dos resultados de uma pesquisa implica a busca de uma explicação plausível para os achados.4,
p.111
Para tal, excluem-se outras explicações antes de se decidir por uma que seja a mais provável. Teremos mais
convicção na conclusão se vieses e o acaso tiverem sido eliminados como explicação para os achados. Mesmo
depois de afastados os vieses e o acaso, pode haver mais de uma explicação possível, todavia. O resultado obtido
é realmente positivo ou falso-positivo? Se o resultado é negativo, ele é negativo verdadeiro ou falso-negativo? Um
Comunicação
científica A seção de discussão de um artigo científico
doi: 10.5123/S1679-49742013000300020
Mauricio Gomes Pereira
Professor Emérito,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil
The discussion section of a scientific paper
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(3):537-538,jul-set 2013 537
538
resultado estatisticamente significativo tem importância prática ou clínica? A associação detectada representa
relação causal? Ou os achados refletem causalidade reversa? São alguns tópicos passíveis de serem incluídos na
discussão e que são aprendidos ao se estudar os princípios de Epidemiologia e de Bioestatística.4, p.111-21
Todo relato de investigação científica necessita de uma conclusão.4, p.121
A conclusão é o posicionamento do
autor do estudo, coerente com seus objetivos e o próprio relato. Ela pode estar situada na discussão mas não
necessariamente nela. Isso porque há a conclusão que, obrigatoriamente, consta do resumo do estudo. Como
este se situa antes, no início do artigo, o autor avaliará se vale a pena repetir a conclusão na discussão. Nesta,
existe lugar também para especulações e implicações. Por exemplo, assinalar a direção de futuros esforços e
recomendações para novas pesquisas.
A discussão, habitualmente, constitui uma seção de difícil preparação. É aquela em que o iniciante mais se
complica em sua redação e, comumente, elabora um texto extenso e confuso. Seu tamanho não deveria ultrapassar
um terço do artigo. Se ocupar mais da metade do texto correspondente à estrutura IMRD (introdução, método,
resultado e discussão), a discussão é longa e, provavelmente, mal feita.4, p.127
Compor um texto adequado decorre de aprendizado. A associação entre iniciante e pesquisador experiente em
comunicação científica reflete-se positivamente. A escrita na forma aqui sugerida, estruturada, facilita o trabalho e
evita a omissão de partes essenciais. Utilize-a ou alguma outra que se adapte ao tema ou ao modo como pretende
conduzir a discussão. Na prática, são encontradas amplas variações nessa estruturação, notadamente quanto à
terminologia adotada, à importância que se confere a cada uma das partes, à sequência de sua apresentação e ao
fato de dois tópicos serem, por vezes, debatidos simultaneamente.
Para se familiarizar com os assuntos abordados, inspecione artigos publicados nos bons periódicos científicos.
Essa iniciativa constitui aprendizado para auxiliar a busca pela coerência na reflexão e na revisão de um texto.
Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(3):537-538,jul-set 2013
A seção de resultados de um artigo científico
Estrutura da seção de discussão de um artigo científico original
1 Realce dos achados relevantes e originais
2 Avaliação crítica da própria pesquisa: limitações e aspectos positivos
3 Comparação crítica com a literatura pertinente
4 Interpretação dos achados
5 Conclusão, que pode estar acompanhada de generalização, implicações, perspectivas, recomendações
Fonte:adaptado de Pereira MG 2011.4,p.104
Referências
1.	 Pereira MG. A introdução de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude. 2012;21(4):675-6.
2.	 Pereira MG. A seção de método de um artigo científico. Epidemiol Serv. Saude. 2013;22(1):183-4.
3.	 Pereira MG. A seção de resultados de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude. 2013;22(2):353-4
4.	 Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 2011.

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Como escrever um artigo cientifico - a estrutura do artigo científico

  • 1. Os artigos científicos constituem a unidade de informação do periódico científico. Por meio deles, as informa- ções do autor são transformadas em conhecimento científico, que é de domínio público. Se o artigo é divulgado adequadamente, ele poderá ser lido, citado e utilizado por profissionais de saúde nas suas atividades diárias. Por divulgação adequada entenda-se aquela efetuada em periódico científico que adota o procedimento de revisão por pares.1 - p.238 O Conselho Editorial da revista Epidemiologia e Serviços de Saúde adota a revisão por pares na avaliação dos artigos que lhe são submetidos para publicação sendo, portanto, um veículo apropriado para publicar trabalhos científicos. Dessa maneira, tem-se alta probabilidade de alcançar a audiência acertada, se o tema for adequado para ser publicado na Revista. Há vários tipos de artigo científico.1 - p.11 O autor se limitará a abordar os artigos originais (scientific article ou paper em inglês). São os que contêm o relato, em primeira mão, dos resultados de uma pesquisa. O texto de um artigo científico original é geralmente dividido em quatro seções com os seguintes títulos: • Introdução • Métodos (Método, Material e métodos ou Metodologia) • Resultados • Discussão Semelhante estruturação, dita IMRD, predomina na área biomédica e em muitos campos do conhecimento. Em um estudo no qual foram analisados quatro dos principais periódicos de clínica médica publicados no idioma inglês, Sollaci e Pereira relatam que a estrutura IMRD começou a ser usada na década de 1940.2 Na década de 1970, atingiu 80,0% e, na de 1980, foi o único padrão adotado nos documentos originais. Cada uma das subdivisões do artigo científico tem suas especificidades, como detalhado a seguir.1 - p.29 Inicialmente, apresentam-se as informações que justifiquem a pesquisa, acompanhadas do objetivo do trabalho. Esse material está confinado à seção introdutória do artigo. Indica-se, na seção sobre método, como o estudo foi delineado e a amostra selecionada, qual a forma de coleta de dados, qual análise foi planejada para alcançar o objetivo da pesquisa e quais aspectos éticos foram envolvidos. São mostrados, em seguida, na seção de resultados, os achados da investigação acompanhados, se aplicável, da respectiva análise estatística. O relato termina na seção de discussão, com a interpretação e os comentários sobre o significado dos resulta- dos, a comparação com outros achados de pesquisas sobre o assunto e as conclusões a que chegaram os autores, em consonância com o objetivo da pesquisa ou a hipótese formulada. Os fatos e argumentos são concatenados para orientar o leitor e fazê-lo compreender a conclusão do autor e poder analisar, ele próprio, a validade e a aplicabilidade da investigação. O conhecimento da estrutura apresentada é o ingrediente básico para entender a lógica do artigo científico. A tabela a seguir contém algumas perguntas que podem ajudar o leitor a compreender o conteúdo das quatro seções e o relacionamento entre elas. Temas adicionais sobre comunicação científica serão abordados em novos textos, Comunicação científica Estrutura do artigo cientifico doi: 10.5123/S1679-49742012000200018 Mauricio Gomes Pereira Professor Titular,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil Structure of the scientific paper Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,21(2):351-352,abr-jun 2012 351
  • 2. 352 a serem publicados nos próximos números desta Revista, preparados com base no livro Artigos Científicos.1 O domínio desses temas auxiliará o leitor a melhor apreciar a arte e a técnica da comunicação científica. Estrutura do artigo científico e algumas perguntas-chave que auxiliam a redação do conteúdo de cada seção Seções Perguntas-chave Introdução De que trata o estudo? Por que a investigação foi feita? O que se sabia sobre o assunto no início da investigação? Ou melhor, o que NÃO se sabia sobre o assunto e motivou a investigação? Método Como o estudo foi realizado? Resultados O que foi encontrado? Quais são os fatos revelados pela investigação? Discussão O que significam os achados apresentados? Os achados estão de acordo com os resultados de outros autores ou são divergentes? O que este estudo acrescenta ao que já se sabe sobre o assunto? Fonte:Adaptado de Pereira 2011.1 - p.30 Referências 1. Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2011. 2. Sollaci L, Pereira MG. The introduction, methods, results and discussion (IMRAD) structure: a fifty-year survey. Journal of the Medical Library Association. 2004; 92(3):364-367. Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,21(2):351-352,abr-jun 2012 Estrutura do artigo científico
  • 3. A estrutura adotada na maioria dos artigos científicos originais é composta de quatro seções: introdução, método, resultados e discussão. No presente artigo, abordaremos a redação da introdução. Conteúdo da introdução A introdução é a parte do artigo científico em que o autor informa o que foi pesquisado e o porquê da investi- gação.1 - p.42 É local para precisar aspectos particulares da pesquisa, tais como a justificativa para a sua realização, a originalidade e a lógica que guiou a investigação. Algumas questões auxiliam na redação.2 De que trata o estudo? Por que foi feito? Por que deve ser publicado? Procura-se também mostrar que a pesquisa está assentada em bases sólidas. Assim, na introdução, se faz a ligação com a literatura pertinente. O que se sabia sobre o assunto no início da investigação? O que não se sabia sobre o assunto e motivou a investigação?2 Resposta à essas questões envolve um processo de escolha de trabalhos a citar.1 - p.46 Em artigo original, não há lugar para revisão extensiva sobre o que foi publicado sobre o assunto. Não se trata de artigo de revisão. Os editores limitam o número de trabalhos a constar na lista de referências e esse limite precisa ser obedecido. Mas, se o autor fez revisão detalhada da literatura, deve tentar publicá-la sepa- radamente. Se a revisão estiver publicada ou aceita para publicação, ela será incluída na lista de referências do artigo que está sendo escrito, e menciona-se algo assim: “Revisão sistemática da literatura apontou para ...”. Se não houver a publicação mencionada no parágrafo anterior, a introdução do artigo original conterá as referências em que o autor fundamentou seu raciocínio.1 - p.46 Entre os critérios utilizados para escolhê-las estão relevância, acessibilidade e atualidade.1 - p.132 Final da introdução O objetivo da publicação encontra-se habitualmente no fim da introdução. Se o encadeamento de assuntos no início do artigo for adequado, o objetivo será a consequência natural e o fechamento da introdução.1 - p.132 Ao iniciar-se a redação, é conveniente ter o objetivo do artigo por escrito. Ele será o ponto de apoio para a com- posição de todo o texto. Quem avalia a qualidade de um artigo costuma verificar se o texto reflete o objetivo e, em especial, se objetivo e conclusão combinam. Daí a importância de ter presente o objetivo durante a redação. Há diversas formas de expressar o objetivo. Pode-se relacioná-lo ao campo da pesquisa, se frequência, diagnós- tico, etiologia, tratamento e prevenção de doenças.1 - p.50 Outra maneira consiste em redigir o objetivo em função do método utilizado. Nesse caso, os tradicionais usos da Epidemiologia podem servir de apoio. Por exemplo, descrever a situação de saúde (estudo descritivo), esclarecer a relação entre eventos, de um fator supostamente de risco e de um desfecho (estudo analítico de observação), e determinar o impacto de algum programa, produto ou procedimento (estudo de avaliação de intervenção). Ler sobre esses temas em livros de Epidemiologia pode ser útil para auxiliar a redação da introdução e de todo o texto.3 - p.17 Comentários adicionais Escritoresexperientesorganizamaintroduçãocomointuitodedespertarointeressedoleitorefazê-loprosseguir na leitura. Quem escreve quer ser lido, citado e espera que suas informações sejam úteis para a coletividade. No intuito de agradar leitores e editores científicos, o texto deve ter certas características, entre as quais, concisão, clareza, exatidão, sequência lógica e elegância.1 - p.22 Os editores científicos apreciam introduções curtas mas com COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA A introdução de um artigo científico doi: 10.5123/S1679-49742012000400017 Mauricio Gomes Pereira Professor Titular,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil The introduction of a paper Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,21(4):675-676,out-dez 2012 675
  • 4. 676 informações suficientes e adequadas. Para conseguir texto com tais atributos, é bom lembrar as três regras para bem escrever: revisar, revisar, revisar.1 - p.210 Referências 1. Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2011. 2. Pereira MG. Estrutura do artigo científico. Epidemiologia e Serviços de Saúde, Brasília, 2012; 21(2):351-352. 3. Pereira MG. Epidemiologia: teoria e prática. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 1995. Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,21(4):675-676,out-dez 2012 Preparo para a redação do artigo científico
  • 5. O corpo de um artigo científico original é habitualmente estruturado em quatro partes: introdução, método, resultados e discussão. A introdução abriga informações que justifiquem a pesquisa e esclareçam o objetivo que orientou a redação do texto.1 A seção que lhe segue está reservada para a descrição de como o estudo foi realizado, assunto do presente artigo.2 p.57 Uma lista de tópicos usualmente encontrados na seção de método em artigos científicos de saúde pública e de clínica é apresentada no quadro anexo. Alguns tópicos dessa lista não são aplicáveis a todos os tipos de inves- tigação, caso da intervenção (ausente em estudos observacionais) e dos métodos estatísticos (usualmente não utilizados em pesquisa qualitativa). No entanto, os demais tópicos precisam ser considerados para inclusão nos textos submetidos para publicação. A redação é facilitada se foram adotados subtítulos. Os dizeres dos subtítulos podem ser os sugeridos no quadro ou modificados em função do tipo de investigação, da ênfase dada ou por preferências individuais. Na versão final, o autor decide se os subtítulos serão ou não mantidos. Em textos longos, é conveniente conservá-los. Auxiliam a captar rapidamente a essência do relato e a importância relativa das suas partes. O autor deve estar preparado para detalhar cada aspecto que seja essencial para o entendimento da sua pes- quisa. O detalhamento correto permite levar a bom termo a avaliação crítica da investigação. Outra justificativa é possibilitar que alguém, com acesso aos dados, possa replicar o estudo e verificar a concordância de resultados. O artigo submetido para publicação receberá parecer de especialistas. Essa é a rotina. O parecer será a base na seleção dos indicados para publicação.2 p.235 O autor precisa preparar o seu texto para transpor essa etapa. Um revisor experiente fará perguntas e espera encontrar respostas no artigo. Lembre-se, você não estará presente para responder aos questionamentos. O que está escrito responde por você. Por exemplo, a conclusão apresentada tem suporte nos métodos e resultados que constam do artigo? Para encontrar resposta, o revisor compara os resultados apresentados com o método utilizado para obtê-los. Se não há descrição das técnicas empregadas, o revisor se decepciona e tende a incluir o trabalho na categoria “qualidade inferior”. O editor, a pessoa que decide sobre a aceitação ou recusa do artigo para publicação, é igualmente julgado pelo que consta nos artigos que publica. Os bons editores costumam ser exigentes com o material a ele submetido. A falta de informação adequada reflete falha do autor em reconhecer sua importância, o que pesa no julgamento do leitor, do revisor e do editor.2 p.39 O oposto, representado pelo excesso de detalhes, também é desaconselhado. Frequentemente confunde, perde-se a noção de conjunto. Quem lê se aborrece e tende a abandonar a leitura. Nos tópicos sugeridos para compor a seção de método do artigo científico original, apresentados no quadro, encontram-se esclarecimentos ou itens que podem ser desenvolvidos durante a redação. Informações porme- norizadas sobre esses e outros tópicos estão fora do escopo deste artigo, mas são encontradas nas instruções para autores, que constam do periódico, ou em livros sobre redação científica. Ilustraremos apenas um dos itens mencionados, o delineamento. O autor necessita descrever o tipo de delineamento que foi adotado na pesquisa. Evitar simplesmente afirmar que se trata de estudo quantitativo ou qualitativo. Em cada uma dessas modalidades há subtipos. É melhor pre- Comunicação científica A seção de método de um artigo científico doi: 10.5123/S1679-49742013000100020 Mauricio Gomes Pereira Professor Titular,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil The method section of a scientific paper Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(1):183-184,jan-mar 2013 183
  • 6. 184 cisar qual deles foi empregado. Em pesquisa quantitativa, seria o caso de indicar, por exemplo, que se trata de uma investigação ecológica ou do tipo transversal. Em caso de dúvida, consultar livros de epidemiologia para inteirar-se da terminologia recomendada. O mesmo raciocínio se faz para estudo qualitativo. Esclarece-se qual o tipo adotado de investigação qualitativa. O revisor experiente quer saber se o delineamento escolhido é adequado para alcançar o objetivo proposto. No caso de julgar a redação apropriada nesse sentido, ou seja, delineamento e objetivo combinam, continua a avaliação. Mas se o autor não menciona o delineamento ou o descreve mal, de maneira truncada ou incompreen- sível, fica registrada a falha. Essa falha pode até fazer o avaliador concluir que o artigo não merece ser publicado e recomende rejeição. Um bom texto científico deve ter várias qualidades entre as quais a concisão.2 p.21 Os editores preferem publicar maior quantidade de artigos em cada número da revista. Como o número de páginas do periódico é geralmente fixo, não é de se admirar a preferência pela brevidade. Os editores sabem, como já assinalado, que escritos longos desestimulam a leitura. Acreditam que o leitor deva ser exposto apenas ao texto necessário, nenhuma linha a mais. O escritor científico iniciante terá que desenvolver habilidades nesse sentido. Por exemplo, se a descrição envolve um dos sistemas de informações do Ministério da Saúde, pode-se resumir suas características e acompanhá-las da referência mais relevante, atual e acessível.2 p.131 Em menção ao Sistema de Informações de Mortalidade, bastaria uma ou duas frases sobre ele e a referência do site respectivo.3 Em conclusão, o autor fará um favor a si mesmo e aos demais se redigir a seção de método dentro do consenso que rege a redação dessa parte do artigo. O público leitor ficará agradecido se a mensagem for clara e concisa. E mais, que essa informação não esteja distribuída em todo o texto mas confinada à seção de método, o local do artigo em que ela deve estar situada. Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(1):183-184,jan-mar 2013 A seção de método de um artigo científico Estrutura da seção de método de um artigo científico original Tópicos Explicações ou detalhamento Delineamento O mesmo que tipo de estudo Cenário Contexto da pesquisa como datas, local e suas características Amostra Casuística, população de referência, forma de seleção da amostra Coleta de dados Procedimentos, instrumentos de mensuração, definição operacional dos eventos relevantes Intervenção Necessário em ensaios clínicos, por exemplo Métodos estatísticos Quando apropriados: cálculo do tamanho da amostra, forma de análise dos dados Aspectos éticos Em acordo com resoluções que regem as pesquisas em seres humanos no País Fonte:Adaptado de Pereira MG 2011.2 p.59 Referências 1. Pereira MG. A introdução de um artigo científico. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, 2012; 21(4): 675-676. 2. Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan, 2011. 3. Brasil. Ministério da Saúde. Departamento de informática do SUS. Sistema de Informações de Mortalidade. Brasília, DF; 2008. [acesso em 2013 fev. 14]. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=040701.
  • 7. Apresentamos mais um artigo da série Comunicação Cientíica. Anteriormente, vimos as seções de introdu- ção e de método.1,2 Na terceira parte da estrutura do artigo, o tema do presente texto, aparecem os achados da investigação. Utilizou-se como fonte de consulta o livro Artigos cientíicos: como redigir, publicar e avaliar.3, p.81 O propósito da seção de resultados, como o próprio nome indica, é revelar o que foi encontrado na pesquisa. Essa parte do artigo estará composta dos dados relevantes obtidos e sintetizados pelo autor. Sugestões para seu conteúdo e para a ordem na apresentação dos temas estão sintetizadas no quadro anexo e comentadas a seguir. Primeiramente, apresentam-se as características dos sujeitos do estudo. São informações demográicas, so- cioeconômicas, clínicas ou de outra natureza que descrevem o grupo ou os grupos estudados. Em geral, essa comunicação é feita sob a forma de tabela. O leitor, ao inspecionar esses dados, poderá veriicar se os procedi- mentos de seleção adotados produziram a amostra adequada para o estudo ou, no caso de estudos analíticos, se os grupos são comparáveis. Serve também para indicar a que população os resultados são generalizáveis. Outra conduta recomendada, para compor a parte inicial da seção de resultados, é relatar como se chegou à amostra inal utilizada na análise dos dados. Se a descrição for complexa para aparecer no texto, sugere-se que seja inserido um gráico de luxo (ou luxograma) contendo o detalhamento da seleção dos sujeitos da pesquisa e os motivos de exclusão de participantes.3, p.84 Após a apresentação de detalhes descritivos da amostra investigada, tem lugar a especiicação dos resultados principais obtidos. Resultados principais são os diretamente relacionados ao objetivo do artigo. Se esse objetivo puder ser transformado em pergunta, tem-se nesta parte do texto a resposta a essa pergunta. O autor revelará o que encontrou, na forma mais adequada de apresentação: diferenças de médias, medidas de associação (risco relativo, razão de chances, razão de prevalências) ou o que for mais apropriado para expressar os resultados. Na sequência, há ainda lugar para expor os achados secundários relevantes ou inesperados que mereçam menção. Conseguir o objetivo de bem relatar os resultados de uma investigação é uma questão de prática e obediência a alguns princípios de comunicação cientíica, entre os quais, os mencionados a seguir. 1. Apresentar os resultados em sequência lógica no texto e nas ilustrações.3, p. 97 Ilustrações compreendem tabelas e iguras. Ilustrações têm a propriedade de resumir importantes informações que, de outra forma, seriam difíceis de redigir e enfadonhas de ler. Se bem compostas, concorrem para simpliicar o texto que, de outra maneira, conteria excesso de números e de explicações. Tabelas e iguras têm especiicidades. As tabelas são utilizadas quando se necessita apresentar dados precisos, grande quantidade de valores numéricos e informações muito complexas para serem descritas no texto ou mostradas em iguras.3, p.276-97 As iguras são mais bem empregadas para mostrar cenários, luxos, tendências ou relação entre eventos.3, p.299-325 2. Enfatizar somente informações importantes e não repetir no texto o que consta nas ilustrações.3p.97 Menciona-se brevemente o que foi encontrado na pesquisa sem emitir opinião ou comparação com outros estudos. A parte interpretativa dos achados estará coninada à discussão, a parte inal da estrutura do artigo. Como a função da seção de resultados é conter os achados da investigação, é conveniente o autor facilitar seu enten- COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA A seção de resultados de um artigo cientíico doi: 10.5123/S1679-49742013000200017 Mauricio Gomes Pereira Professor Titular,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil The results section of a scientiic paper Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(2):353-354,abr-jun 2013 353
  • 8. 354 dimento pela elaboração de um texto coerente, no qual guie o leitor para os pontos principais das ilustrações. Um texto de boa qualidade não contém duplicação de resultados em ilustrações e no texto. Duplicações mais entendiam o leitor do que o esclarecem. 3. Indicar a signiicância estatística dos resultados.3, p.97 Os principais achados são expostos acompanhados do respectivo tratamento estatístico, se dele houver neces- sidade. Esse procedimento é comumente necessário, visto a variabilidade inerente aos resultados de pesquisas clínicas e epidemiológicas.3, p.88 Desvios-padrão, intervalos de coniança, testes estatísticos e valores p serão alguns termos que aparecem nessa parte do artigo para esclarecer a variabilidade das estimativas ou levar em conta o papel do acaso nos resultados.3, p.255-273 Em conclusão, o leitor espera encontrar na seção de resultados somente as informações relevantes que o au- tor reuniu em sua pesquisa. O texto será o mais simples, objetivo, claro, conciso, ordenado e rigoroso possível, seguindo-se as regras de comunicação cientíica habitualmente aceitas.3 p.21-2 Para aproximar-se desse ideal, pode-se tentar o caminho trilhado por autores experientes: revisar, revisar e revisar. Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(2):353-354,abr-jun 2013 A seção de resultados de um artigo cientíico Estrutura da seção de resultados de um artigo cientíico original 1 Características dos sujeitos do estudo Descreve-se a amostra estudada 2 Achado principal Trata-se da resposta à questão central da investigação 3 Outros achados Dizem respeito aos objetivos secundários e informações adicionais relevantes, tais como resultados discrepantes ou em subgrupos Fonte:Adaptado de Pereira MG 2011.3,p.83 Referências 1. Pereira MG. A introdução de um artigo cientíico. Epidemiol Serv Saude. 2012;21(4):675-6. 2. Pereira MG. A seção de método de um artigo cientíico. Epidemiol Serv Saude. 2013;22(1):183-4. 3. Pereira MG. Artigos cientíicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Editora Guanabara-Koogan; 2011.
  • 9. As três primeiras partes do corpo de um artigo original – introdução, método e resultados – foram assunto de publicações anteriores.1-3 No presente texto, aborda-se a discussão, o que completa a estrutura do artigo. O material aqui mostrado está baseado no livro ‘Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar’.4 A discussão é o local do artigo que abriga os comentários sobre o significado dos resultados, a comparação com outros achados de pesquisas e a posição do autor sobre o assunto. Uma discussão sem estrutura coerente desagrada, daí a conveniência de organizar os temas em tópicos. Estrutura passível de ser utilizada consta do quadro. Cada um dos tópicos informa sobre uma faceta da discussão e seu conjunto fornece os subsídios para se julgar a adequação dos argumentos, da conclusão e de todo o texto. Maneira conveniente de iniciar a Discussão consiste em realçar, com poucas palavras, os achados mais im- portantes ou os conhecimentos novos desvendados pela pesquisa.4, p.104 Essa síntese, útil em relatos complexos, é omitida nos textos curtos. Após essa parte inicial, comenta-se o método empregado, de modo que o autor informe quão válida a pesquisa lhe parece.4, p.105 Considera-se boa prática o próprio autor apontar as carências em vez de omiti-las propositadamente, à espera de que passem despercebidas. Limitações importantes não assinaladas no texto diminuem a credibilidade da investigação. Merecem ser apontadas as limitações que possam influenciar substancialmente os resultados e alterar as conclusões da investigação. Essas limitações estão relacionadas ao tipo de delineamento empregado ou a detalhes da própria investigação. Também são comentados aspectos positivos, entre os quais as providências adotadas para neutralizar as limitações, para contorná-las ou estimar sua influência nos resultados. O relacionamento dos achados da investigação com o conhecimento relevante, disponível no momento da redação do artigo, é outro tópico a incluir.4, p.108 A interpretação de comparações entre estudos é problemática na presença de diferenças metodológicas. Só há sentido em comparar frequências quando produzidas de ma- neira semelhante. Se, em uma pesquisa, os dados forem obtidos por entrevista e, em outra, pela verificação de prontuários, as diferenças encontradas podem refletir apenas a forma de coleta de dados. Muitos outros fatores explicam a variação de resultados alcançados por diferentes investigações, entre os quais se encontram os tipos de delineamento, os cenários em que as pesquisas se realizam, os critérios de classificação para incluir ou excluir pacientes da casuística, as definições de variáveis, as características dos grupos estudados, o teor das intervenções (dose, duração) e o tamanho de amostra. Assim, as especificidades e a qualidade dos trabalhos, suas limitações e seus aspectos positivos são levados em conta na referência a outros artigos, presente na discussão. O leitor se beneficiará ao se familiarizar com as revisões sistemáticas, especialmente nos aspectos concernentes à reunião, avaliação e classificação da qualidade dos artigos. O confronto de dados entre estudos metodologicamente ho- mogêneos permite concluir, com maior convicção, se os resultados da literatura concordam ou não com os da investigação que se relata. Quando os resultados apontam para a mesma direção, a discussão é mais simples de ser conduzida. Se há marcadas discrepâncias entre os achados, essas discrepâncias são registradas e comentadas na tentativa de esclarecer os possíveis motivos das diferenças. A imparcialidade é uma característica muito apreciada nos investigadores. Ela se manifesta de muitas maneiras, sendo uma delas incluir, na discussão, os relatos que não coincidam com os resultados da própria investigação. A interpretação dos resultados de uma pesquisa implica a busca de uma explicação plausível para os achados.4, p.111 Para tal, excluem-se outras explicações antes de se decidir por uma que seja a mais provável. Teremos mais convicção na conclusão se vieses e o acaso tiverem sido eliminados como explicação para os achados. Mesmo depois de afastados os vieses e o acaso, pode haver mais de uma explicação possível, todavia. O resultado obtido é realmente positivo ou falso-positivo? Se o resultado é negativo, ele é negativo verdadeiro ou falso-negativo? Um Comunicação científica A seção de discussão de um artigo científico doi: 10.5123/S1679-49742013000300020 Mauricio Gomes Pereira Professor Emérito,Universidade de Brasília,Brasília-DF,Brasil The discussion section of a scientific paper Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(3):537-538,jul-set 2013 537
  • 10. 538 resultado estatisticamente significativo tem importância prática ou clínica? A associação detectada representa relação causal? Ou os achados refletem causalidade reversa? São alguns tópicos passíveis de serem incluídos na discussão e que são aprendidos ao se estudar os princípios de Epidemiologia e de Bioestatística.4, p.111-21 Todo relato de investigação científica necessita de uma conclusão.4, p.121 A conclusão é o posicionamento do autor do estudo, coerente com seus objetivos e o próprio relato. Ela pode estar situada na discussão mas não necessariamente nela. Isso porque há a conclusão que, obrigatoriamente, consta do resumo do estudo. Como este se situa antes, no início do artigo, o autor avaliará se vale a pena repetir a conclusão na discussão. Nesta, existe lugar também para especulações e implicações. Por exemplo, assinalar a direção de futuros esforços e recomendações para novas pesquisas. A discussão, habitualmente, constitui uma seção de difícil preparação. É aquela em que o iniciante mais se complica em sua redação e, comumente, elabora um texto extenso e confuso. Seu tamanho não deveria ultrapassar um terço do artigo. Se ocupar mais da metade do texto correspondente à estrutura IMRD (introdução, método, resultado e discussão), a discussão é longa e, provavelmente, mal feita.4, p.127 Compor um texto adequado decorre de aprendizado. A associação entre iniciante e pesquisador experiente em comunicação científica reflete-se positivamente. A escrita na forma aqui sugerida, estruturada, facilita o trabalho e evita a omissão de partes essenciais. Utilize-a ou alguma outra que se adapte ao tema ou ao modo como pretende conduzir a discussão. Na prática, são encontradas amplas variações nessa estruturação, notadamente quanto à terminologia adotada, à importância que se confere a cada uma das partes, à sequência de sua apresentação e ao fato de dois tópicos serem, por vezes, debatidos simultaneamente. Para se familiarizar com os assuntos abordados, inspecione artigos publicados nos bons periódicos científicos. Essa iniciativa constitui aprendizado para auxiliar a busca pela coerência na reflexão e na revisão de um texto. Epidemiol. Serv. Saúde,Brasília,22(3):537-538,jul-set 2013 A seção de resultados de um artigo científico Estrutura da seção de discussão de um artigo científico original 1 Realce dos achados relevantes e originais 2 Avaliação crítica da própria pesquisa: limitações e aspectos positivos 3 Comparação crítica com a literatura pertinente 4 Interpretação dos achados 5 Conclusão, que pode estar acompanhada de generalização, implicações, perspectivas, recomendações Fonte:adaptado de Pereira MG 2011.4,p.104 Referências 1. Pereira MG. A introdução de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude. 2012;21(4):675-6. 2. Pereira MG. A seção de método de um artigo científico. Epidemiol Serv. Saude. 2013;22(1):183-4. 3. Pereira MG. A seção de resultados de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude. 2013;22(2):353-4 4. Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; 2011.