Universidade Federal de Alagoas – UFAL
Comunicação Social – Jornalismo
Pedro Henrique do Rosário Correia
Estética
Maceió
2016
Elefante – Gus Van Sant
Drama – 2003
O sentimento que o filme transmite, incialmente, é de uma serenidade falsa – como o
olho da tempestade. As coisas estão indo bem porque as estruturas sociais aparentemente
funcionam e essas mesmas estruturas terminam escondendo os problemas individuais de cada
um. Do meio para o final as pontas soltas começam a se juntar e a narrativa deixa claro o que
vai acontecer dali para o final; a partir desse ponto a sensação é de fluidez, o filme antes era
sereno até por causa da sua lentidão na narrativa – não que isso seja algo negativo para o
filme – e quando as pontas soltas se amarram a narrativa toma força faz com que o filme
tenha uma fluidez melhor.
O final dos anos 90 e o início dos anos 2000 foram muito conturbados para os norte-
a e i a os: e 999 o o eu o Massa e de Colu i e e e o ate tado s To es
Gêmeas. Esses fatos olo a a e e id ia a des o st ução do A e i a Way Of Life
fazendo o país se tornar protagonista de sérios problemas sociais envolvendo tanto a sua
política externa quanto sua política interna. Será que os EUA deveriam interferir diretamente
nos conflitos do Oriente Médio? Será que sua política armamentista está errada?
Mi hael Moo e fala so e estes te as e Bo li g Fo Colu i e Ti os e
Colu i e e po tugu s de fo a ais di eta ue Va Sa t e Elefa te po se t ata de u
documentário e essa comparação é o principal motivo de o documentário de Moore vir à
memória assistindo Elefante. As pessoas, na época, tentaram apontar várias causas possíveis
para a tragédia de Columbine – chegando a culpar Marilyn Manson – sem se perguntar se a
causa não estava enraizada na própria sociedade americana.
Gus traz essas reflexões para o espectador de uma forma menos explicativa que
Moore, para o espectador médio as informações passam desapercebidas sem que se
identifique o intuito do roteirista naquele diálogo. Os diálogos não são simplesmente uma
conversa entre os personagens, eles são informações passadas para aquele que assiste o filme,
ou seja, ua do a ga ota diz ue o ali e to ão ai fi a de t o dela de ual ue jeito , ela
não está simplesmente dizendo para a amiga que é bulímica, ela está dizendo isso para o
espectador.
Dessa forma o diretor aborta temas que as estruturas da nossa sociedade escondem
mesmo que sem querer: Bullying, a forma como nós encaramos nosso corpo – quando a
treinadora diz à outra garota que ela precisa ir de short para a aula de educação física –, a
homossexualidade, problemas familiares – logo no início do filme percebemos que aquela
cena do pai alcóolatra se repete sempre –, Bulimia, a política armamentista americana,
gravidez e principalmente a violência.
Nos extras do filme encontram-se imagens das técnicas de Van Sant em relação à
direção, visto que ele estava tratando de atores relativamente jovens. A forma como a
fotografia e as ações dos personagens conseguem expressar o suficiente para não precisar de
diálogo é sensacional – a cena que Michelle para enquanto os garotos jogam football atrás, por
exemplo –, muito disso por causa das orientações do diretor para com o elenco.
O fil e le a Ti os E Colu i e de Mi hael Moo e, G io I do el ta
de Gus Van Sant – provavelmente por causa da fotografia – e P e isa os Fala So e o Ke i
de Lynne Ramsay.
A reação final é de incômodo por lembrar de todos esses problemas e da sua seriedade
e de felicidade também por lembrar desses problemas, considerando que devemos aceitar a
existência deles e encará-los para que eles sejam resolvidos.
O filme me agrada muito por ser um conjunto formado por discussão de temas
importantes, roteiro com uma narrativa muito bem estruturada (que apesar da forma difícil de
ser executada não se torna problemática) e direção bem planejada (as cenas de transição de
cômodos são muito bem-feitas por não se perder a qualidade da imagem mesmo passando de
um ambiente aberto e bastante iluminado para um banheiro com só uma luz).
Direção (mixagem de som, movimentos de câmera e coloração): 8,5/10
Direção de Fotografia: 9.0/10
Atuações: 7,5/10
Efeitos Visuais: 8,0/10
Roteiro: 8,5/10
Nota geral: 8,3/10

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Crítica do filme Elefante

  • 1. Universidade Federal de Alagoas – UFAL Comunicação Social – Jornalismo Pedro Henrique do Rosário Correia Estética Maceió 2016
  • 2. Elefante – Gus Van Sant Drama – 2003 O sentimento que o filme transmite, incialmente, é de uma serenidade falsa – como o olho da tempestade. As coisas estão indo bem porque as estruturas sociais aparentemente funcionam e essas mesmas estruturas terminam escondendo os problemas individuais de cada um. Do meio para o final as pontas soltas começam a se juntar e a narrativa deixa claro o que vai acontecer dali para o final; a partir desse ponto a sensação é de fluidez, o filme antes era sereno até por causa da sua lentidão na narrativa – não que isso seja algo negativo para o filme – e quando as pontas soltas se amarram a narrativa toma força faz com que o filme tenha uma fluidez melhor. O final dos anos 90 e o início dos anos 2000 foram muito conturbados para os norte- a e i a os: e 999 o o eu o Massa e de Colu i e e e o ate tado s To es Gêmeas. Esses fatos olo a a e e id ia a des o st ução do A e i a Way Of Life fazendo o país se tornar protagonista de sérios problemas sociais envolvendo tanto a sua política externa quanto sua política interna. Será que os EUA deveriam interferir diretamente nos conflitos do Oriente Médio? Será que sua política armamentista está errada? Mi hael Moo e fala so e estes te as e Bo li g Fo Colu i e Ti os e Colu i e e po tugu s de fo a ais di eta ue Va Sa t e Elefa te po se t ata de u documentário e essa comparação é o principal motivo de o documentário de Moore vir à memória assistindo Elefante. As pessoas, na época, tentaram apontar várias causas possíveis para a tragédia de Columbine – chegando a culpar Marilyn Manson – sem se perguntar se a causa não estava enraizada na própria sociedade americana. Gus traz essas reflexões para o espectador de uma forma menos explicativa que Moore, para o espectador médio as informações passam desapercebidas sem que se identifique o intuito do roteirista naquele diálogo. Os diálogos não são simplesmente uma conversa entre os personagens, eles são informações passadas para aquele que assiste o filme, ou seja, ua do a ga ota diz ue o ali e to ão ai fi a de t o dela de ual ue jeito , ela não está simplesmente dizendo para a amiga que é bulímica, ela está dizendo isso para o espectador. Dessa forma o diretor aborta temas que as estruturas da nossa sociedade escondem mesmo que sem querer: Bullying, a forma como nós encaramos nosso corpo – quando a treinadora diz à outra garota que ela precisa ir de short para a aula de educação física –, a homossexualidade, problemas familiares – logo no início do filme percebemos que aquela cena do pai alcóolatra se repete sempre –, Bulimia, a política armamentista americana, gravidez e principalmente a violência. Nos extras do filme encontram-se imagens das técnicas de Van Sant em relação à direção, visto que ele estava tratando de atores relativamente jovens. A forma como a fotografia e as ações dos personagens conseguem expressar o suficiente para não precisar de diálogo é sensacional – a cena que Michelle para enquanto os garotos jogam football atrás, por exemplo –, muito disso por causa das orientações do diretor para com o elenco. O fil e le a Ti os E Colu i e de Mi hael Moo e, G io I do el ta de Gus Van Sant – provavelmente por causa da fotografia – e P e isa os Fala So e o Ke i de Lynne Ramsay.
  • 3. A reação final é de incômodo por lembrar de todos esses problemas e da sua seriedade e de felicidade também por lembrar desses problemas, considerando que devemos aceitar a existência deles e encará-los para que eles sejam resolvidos. O filme me agrada muito por ser um conjunto formado por discussão de temas importantes, roteiro com uma narrativa muito bem estruturada (que apesar da forma difícil de ser executada não se torna problemática) e direção bem planejada (as cenas de transição de cômodos são muito bem-feitas por não se perder a qualidade da imagem mesmo passando de um ambiente aberto e bastante iluminado para um banheiro com só uma luz). Direção (mixagem de som, movimentos de câmera e coloração): 8,5/10 Direção de Fotografia: 9.0/10 Atuações: 7,5/10 Efeitos Visuais: 8,0/10 Roteiro: 8,5/10 Nota geral: 8,3/10