1
DIFICULDADE RESPIRATÓRIA NO
RECÉM-NASCIDO
Sónia Bandeira
2
 Representa um conjunto de condições patológicas de
etiologia variada que cursam com a alteração:
 Trocas gasosas
 Oxigenação dos tecidos
 Retenção do CO2
 Respiração anormal (transitória ou persistênte).
 Presente em mais da metade das disfunções que
ocorrem na fase neonatal.
 Importante causa de morbilidade e mortalidade
neonatal.
Sindroma de Dificuldade
Respiratória no Recém-Nascido
3
 Reabsorção do líquido pulmonar e ajuste
cárdio-respiratório
 Aumento da FR durante as 1as horas de
vida.
 Particularidades anatómicas do RN:
◦ Estruturas tubulares das vias
respiratórias têm pequeno diâmetro.
Transição e adaptação á vida extra-
uterina
4
ETIOLOGIA
 Frequentes
◦ Taquipneia transitória do RN
◦ Doença da Membrana Hialina
◦ Síndrome de Aspiração Meconial
◦ Pneumonia/BPN
◦ Hemorragia pulmonar
◦ Persistência da circulação fetal
◦ Displasia broncopulmonar
I.CAUSA RESPIRATÓRIA
5
ETIOLOGIA
 Raras
◦ Laringomalácia
◦ Atrésia das coanas
◦ S. de Pierre Rubin
◦ Fístula traqueo-esofágica
◦ Hérnia diafragmática
◦ Hipoplasia ou agenésia do pulmão
I.CAUSA RESPIRATÓRIA (cont.)
6
ETIOLOGIA
A . Patologia cardíaca
 Cardiopatia congénita
 Insuficiência cardíaca
 Miocardite
B. SNC
◦ Asfixia grave/EHI
◦ Apneia central
◦ Hemorragia
intracraniana
◦ Meningite/encefalite
◦ Medicamentos
II.CAUSAS EXTRAPULMONARES
7
ETIOLOGIA
C. Patologia
Hematológica
 Perda sanguínea
 Policitémia
 Hipovolémia
D. Patologia sistémica
 Sepsis
E. Metabólica
 Acidose metabólica
 Hipoglicémia
 Hipotermia
II.Causas Extrapulmonares (2)
8
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS COMUNS
 Taquipneia, bradipneia, respiração
irregular/apneia
 Cianose
 Gemido expiratório
 Adejo nasal
 Retração torácica: subcostais, intercostais e
supraesternal.
 Outros:
◦ Murmúrio vesicular:ausênte, diminuído.
◦ Crepitações, roncos, sibilos.
9
EXAMES COMPLEMENTARES
Investigação da patologia de
base:
 Hemograma
 Glicémia
 Bioquímica
 Gasometria
 Hemocultura
 Radiografia do tórax
10
DIAGNÓSTICO
Baseado:
 Antecedentes pré-natais, perinatais e pós–
natais.
 Sinais e sintomas
 Achados ao exame físico
 Exames complementares de diagnóstico
11
EVOLUÇÃO E PROGNÓSTICO
Dependem da patologia de base:
 Benigna:
◦ Poucas horas de evolução (TTRN)
 Evolução para um quadro grave:
◦ Duração curta: DMH
◦ Duração prolongada: broncodisplasia
pulmonar.
12
TRATAMENTO
 Manter a permeabilidade das vias aérias
 Administrar O2 de forma a manter SO2 acima
de 90%.
 Hipoxémia severa→ VPP
 Manter a temperatura corporal normal
 Hidratação e correção da acidose metabólica
 Tratamento da hipotensão (expansores de
volume e drogas vasoactivas).
 Prevenção e tratamento das infeções
 Tratar a causa e as complicações: anemia,
distúrbios de coagulação, icterícia, etc.
13
 Frequente em RNs de termo
 Nascidos através dum parto cesariana
 Presente pouco tempo após o nascimento
 Evolução benigna
 Curta duração
 Causa:
◦ Dificuldade na absorção do líquido pulmonar fetal
◦ Aspiração do líquido amniótico.
Taquipnéia Transitória do Recém-
Nascido (TTRN)
14
Quadro clínico
 Taquipnéia (FR>60 cpm)
 Adejo nasal, retrações intercostais e/ou
subcostais, gemidos e/ou cianose.
 FC normal ou elevada.
 Tendência para estabilização entre 4º- 5ºdia de
vida.
 Taquipnéia persistênte após a 1ª semana de
vida sugere existência duma causa patologia →
necessita de investigação.
Taquipnéia Transitória do Recém-
Nascido (TTRN)
15
O diagnóstico é feito com base em sinais e sintomas
clínicos.
Exames complementares de diagnóstico (exclusão)-
sem alteração
Mandatório solicitar os exames complementares de
diagnóstico se os sintomas persistirem após o 5o
dia de vida ou agravamento do quadro clínico:
 Hemograma
 Glicémia
 Bioquímica
 Gasometria
 Hemocultura
 Radiografia do tórax: Sem alterações relevantes
Taquipnéia Transitória do Recém-
Nascido (TTRN)
16
Taquipnéia Transitória do Recém-
Nascido (TTRN)
 Manter a permeabilidade das vias aérias
 Administrar O2 em baixo fluxo de forma a
manter SO2 acima de 90%.
 Supressão da dieta por via oral quando FR>
80cpm.
 Soro de manutenção se necessário.
 Manter a temperatura corporal normal.
 Não há necessidade do uso de antibióticos.
TRATAMENTO:cuidados gerais do quadro respiratório
17
Surfactante
 É produzido pelo pneumócito tipo II por volta da
20ª semana de gestação.
 Aparece no líquido amniótico entre 28-32 semanas.
 O surfactante "maduro“ só está presente no pulmão
por volta da 35ª semanas de IG.
 Previne o colapso dos alvéolos pulmonares no final
da expiração.
 Insuficiência→Doença da Membrana Hialina (DMH).
Doença da Membrana Hialina (DMH)
18
 IG <33 semanas, sem maturação pulmonar
antenatal→ quadro clínico grave.
 IG: 33-35 semanas →quadro clínico menos
grave.
RELAÇÃO ENTRE A IG E DMH
Manifestações Clínicas
◦ Dispnéia progressiva:
 Gemido expiratório, cianose, rápida
deterioração do estado geral.
◦ O quadro clínico não grave tem resolução
espontánea em 3-5 dias.
◦ Os casos mais graves evoluem para óbito
precoce.
Doença da Membrana Hialina
Rx do Tórax
Imagem de
parênquima
pulmonar opaco,
"vidro fosco" ou
"vidro moído" com
broncograma aério.
Doença da Membrana Hialina
21
Doença da Membrana Hialina
 Preventivo: Maturação pulmonar - corticoides em presença
duma ameaça de trabalho de parto prematuro, IG 33 semanas
≤
tem a vantagem de evitar a ocorrência de um quadro clínico
grave.
 Surfactante exógeno (se disponivel).
 CPAP- respiração espontanea, mantendo a SO2 acima de 90%.
 Ventilador mecanico (ausencia de resposta ao CPAP)
 Supressão da dieta por via oral.
 Soro de manutenção de acordo com as necessidades hídricas e
quadro clínico.
 Manter a temperatura corporal normal
 Ponderar o uso de antibióticos.
 Tratar as complicações da prematuridade.
TRATAMENTO
22
Pneumonia/Broncopneumonia
Transmissão
 Via da placenta
 Hematógena
 Via nosocomial (intra-hospitalar)
 Aspiração do líquido contaminado
23
Pneumonia/Broncopneumonia
Conteúdo aspirado:
 Líquido amniótico (turvo e/ou fétido)
 Vérnix caseoso
 Mecónio
 Após nascimento:
 Leite
 Conteúdo gástrico (refluxo gástro-esofágico)
 Por intermédio duma fístula traqueo-esofágica.
24
Agentes Etiológicos
 Adquiridos por via da placenta:
◦ CMV, Toxoplasma, HIV, Treponema pallidum, Listeria
monocytogenes, etc.
 Adquiridos durante o parto:
◦ Estreptococo β hemolítico do grupo B (GBS), E. coli,
Clamídia tracomatis, CMV, candida, HIV, etc.
 Via nosocomial:
◦ Microorganismos causadores de infecções intra-
hospitalares: estafilococo coagulase-positivo,
estreptococo do grupo A, etc.
Pneumonia/Broncopneumonia
25
Classificação
Precoce
◦ Congénita ou
intrauterina
◦ Entre 3-7 dias de vida
Tardia
◦ Entre 8-28 dias de
vida.
Factores de Risco
 Prematuridade
 Ruptura prematura
das membranas
 Corioamnionite
 SFA
 Internamento
prolongado em UCI
Neonatal.
Pneumonia/Broncopneumonia
26
Manifestações Clínicas
 Sinais e sintomas respiratórios
◦ Taquipnéia, adejo nasal, retrações (intercostal,
subcostal) gemidos, cianose e apnéia.
 Maciçez pulmonar.
 MV↓ e fervores crepitantes.
 Sinais inespecíficos: mau estado geral,
dificuldade de sucção, letargia, irritabilidade,
hipotermia ou hipertermia, etc.
 Casos graves→ óbito precoce.
Pneumonia/Broncopneumonia
27
Pneumonia/Broncopneumonia
Radiologia
 Área de radiopacidade
pulmonar com extensão
e localização variáveis.
 Broncograma aério.
28
 Condição clínica grave que ocorre
quando um RN aspira o mecónio
durante o parto ou imediatamente
após o nascimento.
Sindroma de Aspiração Meconial (SAM)
29
Sindroma de Aspiração Meconial
Hipóxia e isquémia
Relaxamento do esfinter anal
Contaminação do líquido meconial
Vasoconstrição pulmonar severa hipertensão
→
pulmonar
Processo inflamatório
Pneumonia química
 Agravamento da
hipóxia e do quadro
clinico
 Hiperventilação
 Acidose+ hipoxémia
Respiração
Atelectasia e enfisema obstrutivo e inflamação,
pneumotorax e/ou pneumomediastino
. Aspiração do mecónio
↓
Alvéolos pulmonares e bronquíolos
30
Manifestações Clínicas
Orofaringe e/ou na árvore
traqueobrónquica:
 Presença de líquido amniótico
meconial e espesso com ″aspecto de
soupa de ervilha‶.
Sindroma de Aspiração Meconial
31
Manifestações clínicas (1)
 Sinais respiratórios
Dependem:
◦ Quantidade de mecónio aspirado
◦ Duração do contacto entre o mecónio e o
tecido pulmonar.
◦ Eficácia das manobras de remoção do
mecónio.
Sindroma de Aspiração Meconial
32
Manifestações clínicas (2)
Sinais de asfixia grave
◦ Cianose, taquipnéa, retrações, gemidos,
apnéia ou gasping.
◦ Roncos disseminados audíveis em ambos
campos pulmonares.
Sindroma de Aspiração Meconial
33
Sindroma de Aspiração Meconial
Manifestações clínicas (3)
Sinais de sofrimento fetal
 Pele, cabelo, unhas e
cordão umbilical com
resíduo de mecónio.
 Coto umbilical: amarelo-
esverdeado.
 Pele áspera, com áreas
descamadas e por vezes
fissuradas.
34
Exames complementares
 Hemograma
 Glicémia Podem estar alterados
 Bioquímica
 Gasometria: hipoxémia, acidose mista, hipercápnia.
 Radiografia do tórax:
Aumento do diametro antero-posterior e diafragma
plano.
Parênquima pulmonar: áreas de radiopacidade
irregular, de tamanho e extensão variável, que
alternam com áreas de parênquima normal.
Sindroma de Aspiração Meconial
35
Conduta
 Rápida aspiração do
mecónio sob
visualização directa
da traquéia e
manobras de
reanimação
adequadas
reduzem a
mortalidade.
 Não há necessidade
de aspirar vias
aéreas superiores
antes do
desprendimento dos
ombros.
36
Sindroma de Aspiração Meconial
 O2 de forma a manter so2 acima de 90%.
 Hipoxémia severa VPP
→
 Ventilação mecânica paciêntes muito graves com
→
hipertensão pulmonar severa, associada a
insuficiência respiratória, episódios recorrêntes de
apneia
 Tratamento do choque
 Hidratação e correção da acidose metabólica
 Manter a temperatura corporal normal
 Tratamento com antibióticos
 Tratamento das complicações.
TRATAMENTO

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Distress respiratorio em recem-nascido UEM 2024

  • 2. 2  Representa um conjunto de condições patológicas de etiologia variada que cursam com a alteração:  Trocas gasosas  Oxigenação dos tecidos  Retenção do CO2  Respiração anormal (transitória ou persistênte).  Presente em mais da metade das disfunções que ocorrem na fase neonatal.  Importante causa de morbilidade e mortalidade neonatal. Sindroma de Dificuldade Respiratória no Recém-Nascido
  • 3. 3  Reabsorção do líquido pulmonar e ajuste cárdio-respiratório  Aumento da FR durante as 1as horas de vida.  Particularidades anatómicas do RN: ◦ Estruturas tubulares das vias respiratórias têm pequeno diâmetro. Transição e adaptação á vida extra- uterina
  • 4. 4 ETIOLOGIA  Frequentes ◦ Taquipneia transitória do RN ◦ Doença da Membrana Hialina ◦ Síndrome de Aspiração Meconial ◦ Pneumonia/BPN ◦ Hemorragia pulmonar ◦ Persistência da circulação fetal ◦ Displasia broncopulmonar I.CAUSA RESPIRATÓRIA
  • 5. 5 ETIOLOGIA  Raras ◦ Laringomalácia ◦ Atrésia das coanas ◦ S. de Pierre Rubin ◦ Fístula traqueo-esofágica ◦ Hérnia diafragmática ◦ Hipoplasia ou agenésia do pulmão I.CAUSA RESPIRATÓRIA (cont.)
  • 6. 6 ETIOLOGIA A . Patologia cardíaca  Cardiopatia congénita  Insuficiência cardíaca  Miocardite B. SNC ◦ Asfixia grave/EHI ◦ Apneia central ◦ Hemorragia intracraniana ◦ Meningite/encefalite ◦ Medicamentos II.CAUSAS EXTRAPULMONARES
  • 7. 7 ETIOLOGIA C. Patologia Hematológica  Perda sanguínea  Policitémia  Hipovolémia D. Patologia sistémica  Sepsis E. Metabólica  Acidose metabólica  Hipoglicémia  Hipotermia II.Causas Extrapulmonares (2)
  • 8. 8 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS COMUNS  Taquipneia, bradipneia, respiração irregular/apneia  Cianose  Gemido expiratório  Adejo nasal  Retração torácica: subcostais, intercostais e supraesternal.  Outros: ◦ Murmúrio vesicular:ausênte, diminuído. ◦ Crepitações, roncos, sibilos.
  • 9. 9 EXAMES COMPLEMENTARES Investigação da patologia de base:  Hemograma  Glicémia  Bioquímica  Gasometria  Hemocultura  Radiografia do tórax
  • 10. 10 DIAGNÓSTICO Baseado:  Antecedentes pré-natais, perinatais e pós– natais.  Sinais e sintomas  Achados ao exame físico  Exames complementares de diagnóstico
  • 11. 11 EVOLUÇÃO E PROGNÓSTICO Dependem da patologia de base:  Benigna: ◦ Poucas horas de evolução (TTRN)  Evolução para um quadro grave: ◦ Duração curta: DMH ◦ Duração prolongada: broncodisplasia pulmonar.
  • 12. 12 TRATAMENTO  Manter a permeabilidade das vias aérias  Administrar O2 de forma a manter SO2 acima de 90%.  Hipoxémia severa→ VPP  Manter a temperatura corporal normal  Hidratação e correção da acidose metabólica  Tratamento da hipotensão (expansores de volume e drogas vasoactivas).  Prevenção e tratamento das infeções  Tratar a causa e as complicações: anemia, distúrbios de coagulação, icterícia, etc.
  • 13. 13  Frequente em RNs de termo  Nascidos através dum parto cesariana  Presente pouco tempo após o nascimento  Evolução benigna  Curta duração  Causa: ◦ Dificuldade na absorção do líquido pulmonar fetal ◦ Aspiração do líquido amniótico. Taquipnéia Transitória do Recém- Nascido (TTRN)
  • 14. 14 Quadro clínico  Taquipnéia (FR>60 cpm)  Adejo nasal, retrações intercostais e/ou subcostais, gemidos e/ou cianose.  FC normal ou elevada.  Tendência para estabilização entre 4º- 5ºdia de vida.  Taquipnéia persistênte após a 1ª semana de vida sugere existência duma causa patologia → necessita de investigação. Taquipnéia Transitória do Recém- Nascido (TTRN)
  • 15. 15 O diagnóstico é feito com base em sinais e sintomas clínicos. Exames complementares de diagnóstico (exclusão)- sem alteração Mandatório solicitar os exames complementares de diagnóstico se os sintomas persistirem após o 5o dia de vida ou agravamento do quadro clínico:  Hemograma  Glicémia  Bioquímica  Gasometria  Hemocultura  Radiografia do tórax: Sem alterações relevantes Taquipnéia Transitória do Recém- Nascido (TTRN)
  • 16. 16 Taquipnéia Transitória do Recém- Nascido (TTRN)  Manter a permeabilidade das vias aérias  Administrar O2 em baixo fluxo de forma a manter SO2 acima de 90%.  Supressão da dieta por via oral quando FR> 80cpm.  Soro de manutenção se necessário.  Manter a temperatura corporal normal.  Não há necessidade do uso de antibióticos. TRATAMENTO:cuidados gerais do quadro respiratório
  • 17. 17 Surfactante  É produzido pelo pneumócito tipo II por volta da 20ª semana de gestação.  Aparece no líquido amniótico entre 28-32 semanas.  O surfactante "maduro“ só está presente no pulmão por volta da 35ª semanas de IG.  Previne o colapso dos alvéolos pulmonares no final da expiração.  Insuficiência→Doença da Membrana Hialina (DMH). Doença da Membrana Hialina (DMH)
  • 18. 18  IG <33 semanas, sem maturação pulmonar antenatal→ quadro clínico grave.  IG: 33-35 semanas →quadro clínico menos grave. RELAÇÃO ENTRE A IG E DMH
  • 19. Manifestações Clínicas ◦ Dispnéia progressiva:  Gemido expiratório, cianose, rápida deterioração do estado geral. ◦ O quadro clínico não grave tem resolução espontánea em 3-5 dias. ◦ Os casos mais graves evoluem para óbito precoce. Doença da Membrana Hialina
  • 20. Rx do Tórax Imagem de parênquima pulmonar opaco, "vidro fosco" ou "vidro moído" com broncograma aério. Doença da Membrana Hialina
  • 21. 21 Doença da Membrana Hialina  Preventivo: Maturação pulmonar - corticoides em presença duma ameaça de trabalho de parto prematuro, IG 33 semanas ≤ tem a vantagem de evitar a ocorrência de um quadro clínico grave.  Surfactante exógeno (se disponivel).  CPAP- respiração espontanea, mantendo a SO2 acima de 90%.  Ventilador mecanico (ausencia de resposta ao CPAP)  Supressão da dieta por via oral.  Soro de manutenção de acordo com as necessidades hídricas e quadro clínico.  Manter a temperatura corporal normal  Ponderar o uso de antibióticos.  Tratar as complicações da prematuridade. TRATAMENTO
  • 22. 22 Pneumonia/Broncopneumonia Transmissão  Via da placenta  Hematógena  Via nosocomial (intra-hospitalar)  Aspiração do líquido contaminado
  • 23. 23 Pneumonia/Broncopneumonia Conteúdo aspirado:  Líquido amniótico (turvo e/ou fétido)  Vérnix caseoso  Mecónio  Após nascimento:  Leite  Conteúdo gástrico (refluxo gástro-esofágico)  Por intermédio duma fístula traqueo-esofágica.
  • 24. 24 Agentes Etiológicos  Adquiridos por via da placenta: ◦ CMV, Toxoplasma, HIV, Treponema pallidum, Listeria monocytogenes, etc.  Adquiridos durante o parto: ◦ Estreptococo β hemolítico do grupo B (GBS), E. coli, Clamídia tracomatis, CMV, candida, HIV, etc.  Via nosocomial: ◦ Microorganismos causadores de infecções intra- hospitalares: estafilococo coagulase-positivo, estreptococo do grupo A, etc. Pneumonia/Broncopneumonia
  • 25. 25 Classificação Precoce ◦ Congénita ou intrauterina ◦ Entre 3-7 dias de vida Tardia ◦ Entre 8-28 dias de vida. Factores de Risco  Prematuridade  Ruptura prematura das membranas  Corioamnionite  SFA  Internamento prolongado em UCI Neonatal. Pneumonia/Broncopneumonia
  • 26. 26 Manifestações Clínicas  Sinais e sintomas respiratórios ◦ Taquipnéia, adejo nasal, retrações (intercostal, subcostal) gemidos, cianose e apnéia.  Maciçez pulmonar.  MV↓ e fervores crepitantes.  Sinais inespecíficos: mau estado geral, dificuldade de sucção, letargia, irritabilidade, hipotermia ou hipertermia, etc.  Casos graves→ óbito precoce. Pneumonia/Broncopneumonia
  • 27. 27 Pneumonia/Broncopneumonia Radiologia  Área de radiopacidade pulmonar com extensão e localização variáveis.  Broncograma aério.
  • 28. 28  Condição clínica grave que ocorre quando um RN aspira o mecónio durante o parto ou imediatamente após o nascimento. Sindroma de Aspiração Meconial (SAM)
  • 29. 29 Sindroma de Aspiração Meconial Hipóxia e isquémia Relaxamento do esfinter anal Contaminação do líquido meconial Vasoconstrição pulmonar severa hipertensão → pulmonar Processo inflamatório Pneumonia química  Agravamento da hipóxia e do quadro clinico  Hiperventilação  Acidose+ hipoxémia Respiração Atelectasia e enfisema obstrutivo e inflamação, pneumotorax e/ou pneumomediastino . Aspiração do mecónio ↓ Alvéolos pulmonares e bronquíolos
  • 30. 30 Manifestações Clínicas Orofaringe e/ou na árvore traqueobrónquica:  Presença de líquido amniótico meconial e espesso com ″aspecto de soupa de ervilha‶. Sindroma de Aspiração Meconial
  • 31. 31 Manifestações clínicas (1)  Sinais respiratórios Dependem: ◦ Quantidade de mecónio aspirado ◦ Duração do contacto entre o mecónio e o tecido pulmonar. ◦ Eficácia das manobras de remoção do mecónio. Sindroma de Aspiração Meconial
  • 32. 32 Manifestações clínicas (2) Sinais de asfixia grave ◦ Cianose, taquipnéa, retrações, gemidos, apnéia ou gasping. ◦ Roncos disseminados audíveis em ambos campos pulmonares. Sindroma de Aspiração Meconial
  • 33. 33 Sindroma de Aspiração Meconial Manifestações clínicas (3) Sinais de sofrimento fetal  Pele, cabelo, unhas e cordão umbilical com resíduo de mecónio.  Coto umbilical: amarelo- esverdeado.  Pele áspera, com áreas descamadas e por vezes fissuradas.
  • 34. 34 Exames complementares  Hemograma  Glicémia Podem estar alterados  Bioquímica  Gasometria: hipoxémia, acidose mista, hipercápnia.  Radiografia do tórax: Aumento do diametro antero-posterior e diafragma plano. Parênquima pulmonar: áreas de radiopacidade irregular, de tamanho e extensão variável, que alternam com áreas de parênquima normal. Sindroma de Aspiração Meconial
  • 35. 35 Conduta  Rápida aspiração do mecónio sob visualização directa da traquéia e manobras de reanimação adequadas reduzem a mortalidade.  Não há necessidade de aspirar vias aéreas superiores antes do desprendimento dos ombros.
  • 36. 36 Sindroma de Aspiração Meconial  O2 de forma a manter so2 acima de 90%.  Hipoxémia severa VPP →  Ventilação mecânica paciêntes muito graves com → hipertensão pulmonar severa, associada a insuficiência respiratória, episódios recorrêntes de apneia  Tratamento do choque  Hidratação e correção da acidose metabólica  Manter a temperatura corporal normal  Tratamento com antibióticos  Tratamento das complicações. TRATAMENTO