Do ultrarromantismo 
ao realismo 
Almeida Garrett –1799 /1854 
Feliciano Castilho –1800/1875 
Antero de Quental –1842 /1891 
Eça de Queirós –1845/1900 
Cesário Verde –1855/1886
Do Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao Realismo
. Em Portugal, o Realismo e o Naturalismo aparecem ligados a expressões como Questão Coimbrã, Cenáculo, Conferências do Casino, Geração de 70. 
Questão Coimbrã 
. Foi o passo inicial para a introdução de novas ideias. 
. Castilho representava a última vaga do ultrarromantismo, que se revelava já pobre, sem nada de novo a acrescentar, numa sociedade onde todos os dias entravam novas ideias, novos conceitos, novas realidades vindas da Europa. 
.“Castilhoerapoisoobstáculocomquehaviadetropeçaranovarebeldiadageraçãointelectualqueporvoltade1865seestavaformandoemCoimbra.Estageraçãojádesde1861vinhadandomostrasdoseupendorparaarebeldiaàdisciplinauniversitáriacomruidosostumultos,irreverênciaserevoltas–queindicavamclaramenteainconformidadedajuventudeacadémicacomosvaloresoficiaisdasociedadeemquevivia.
A chamada questão coimbrã ou 
do « Bom senso e Bom gosto » 
foi a primeira manifestação importante desta Geração de 70. 
. A três personalidades muito diferentes coube a responsabilidade desta Questão: Antero de Quental, «Príncipe da Mocidade» coimbrã, Teófilo Braga e Castilho. Este último escreve numa carta-posfácio alguns ataques à juventude inquieta de Coimbra, nomeadamente, a Antero e Teófilo acusando-os de falta de bom senso e bom gosto; 
. Ora esta carta desencadeou uma resposta por parte de Antero que lança então o opúsculo, intitulado « Bom senso e Bom gosto ». Assim se opunha Lisboa e Coimbra. Os folhetos começaram a suceder-se dum e doutro lado. A luta entre os adeptos do Romantismo velho que morria e a juvenil rebelião do Realismo novo prolongou-se pelo ano de 1866. 
. A “Questão” embora aparentemente literária, denunciava incompatibilidades mais profundas. Os jovens reagiam contra a falsidade que representavam muitos outros aspetos da vida nacional.
Conferências do Casino e Cenáculo 
. Cenáculo –designação por que é conhecida o grupo formado por alguns escritores e intelectuais pertencentes à geração de 1865, que se reunião em Lisboa, passados anos dos seus estudos em Coimbra, para discutir livremente os assuntos que apaixonavam essa mocidade atenta ao movimento de ideias do tempo. 
. Antero encaminhou a inquietação inconformista do grupo e deu-lhe forma e fim, surgindo então as Conferências do Casino. 
. As Conferências visavam abrir um debate sobre o que de mais moderno, a nível de pensamento, se vinha fazendo lá fora. Aproximar Portugal da Europa era o objetivo máximo, anunciado, aliás no respetivo programa. 
. Os seus objetivos eram: 
estudar serenamente a significação dos interesses políticos em jogo; investigar como a sociedade é e como ela devia ser; estudar todas as ideias e todas as correntes do século; estudar e preocupar-se sobretudo com a transformação social, moral e política dos povos; ligar Portugal com o movimento moderno. 
.
Das várias conferências previstas, só se realizaram cinco, pois a partir da sexta, foram proibidas pelo governo, sob alegação que elas atacavam “ a religião e as instituições políticas do Estado” Esta proibição levantou uma enorme onda de protestos de novo encabeçada por Antero de Quental. De qualquer modo, entre os intelectuais portugueses, ficou o gérmen da modernidade do pensamento político, social, pedagógico e científico que se fazia sentir na Europa. Este espírito revolucionário e positivista dominava a maioria da jovem classe pensante.
Realismo 
. A “Questão coimbrã” preparou o terreno para o aparecimento do Realismo, pois agitou as classes cultas e políticas, mostrando o enfeudamento de certos escritores ao regime político conservador. 
. As “Conferências do Casino” inauguraram o Realismo, lançando ao país os objetivos e as bases da nova estética. 
. O Romantismo foi a apoteose do sentimento, a expressão individual; o Realismo é a análise tendo em vista a verdade absoluta, a representação mimética objetiva da realidade exterior e a exaltação do ideal da impessoalidade. 
. A literatura realista deve banir o excesso de sentimento e a retórica oca superficial, isto é, abandonar o Romantismo. 
.A literatura realista deve inspirar-se nas correntes filosóficas e sociológicas para exprimir com verdade a real problemática do homem da sua época.
. O realismo deve ser o mais objetivo possível. Para recriar a realidade com rigor e exatidão, o “eu” deve distanciar-se e evitar a intromissão do sentimento. 
. O realismo deve aliar-se ao naturalismo. A literatura naturalista é a expressão dos progressos da ciência. 
. O realismo pretende a reforma social; para isso, é necessário criticar o que está mal na sociedade: o ócio da alta burguesia, a depravação do clero, a ignorância da classe política, a educação retrógrada da juventude, os maus costumes, a imoralidade, os vícios e as taras. 
. A obra literária deve ser o reflexo da realidade; por isso, é preciso recriá-la em termos naturais, numa expressão desafetada. Os acontecimentos aparecem nas obras sem convencionalismos e com naturalidade. 
. Os realistas são mestres no desenho e no colorido; cuidam muito o aspeto formal da escrita. Impressionismo.
O Impressionismo 
-movimento que surgiu em França no campo das artes plásticas na segunda metade do século XIX 
-principais representantes: 
Monet, Renoir, Pissaro, Cézanne, Degas 
-características mais significativas: 
utilização de cores puras/tonalidades ou impressões cromáticas/apreendidas em função da própria posição do contemplador do quadro 
-contornos esfumados 
-transposto para a literatura, manifesta-se no uso de um estilo pictórico, procurando dar as impressões globais e também isolar os elementos dessas impressões.
Do Ultrarromantismo ao Realismo
O Naturalismo 
O Naturalismo é um período literário de base realista –uma espécie de realismo científico; 
-acentua as tendências temáticas e ideológicas do Realismo; 
-posicionamentos anti-românticos e anti idealistas; 
-objetivos de reforma social; 
-temas de índole social e cultural (educação, adultérios, opressão, etc.) e temperamentos perturbados ( análise de fenómenos como o alcoolismo, a histeria, o roubo, a loucura, o fanatismo, a luxúria, etc.); 
Ideologicamente o naturalismo fundamenta-se: 
-no positivismo –culto da indução e dos métodos experimentais, respeito pelas leis da Natureza; 
-no determinismo –afirma os factores de condicionamento do comportamento humano (a raça, o meio e o momento histórico). 
A narrativa, em especial o romance, é o melhor género para servir estes propósitos: 
-o tempo, a acção e a personagem permitem mostrar uma certa trajetória de comportamentos 
-a representação de um tempo retrospetivo propicia a pesquisa, no passado, de factos que expliquem esses comportamentos.
Portugal do século XIX 
a vida, os costumes, as inovações...
Do Ultrarromantismo ao Realismo
Do Ultrarromantismo ao Realismo
Inovações 
•Na agricultura: 
-Divisão da terra:: 
. Venda da terra à burguesia; 
.acaba-se o “morgadio”; 
. Dividem-se os baldios.
Inovações 
•Exploração mineira: 
-cobre; ferro e carvão; 
-junto das minas, surgem novas povoações; 
-carvão –principal fonte de energia. 
•Indústria 
-Utilização de maquinaria 
ex: a máquina a vapor surgiu , pela primeira vez, em Portugal em 1835. 
–a industrialização permitiu baixas de custo dos produtos
Transportes e Comunicações 
•O ministro Fontes Pereira de melo foi um dos principais responsáveis pela política de modernização. 
•(Fontismo)
A inauguração do caminho de ferro e o comboio a vapor 
•
A evolução da rede ferroviária 
•
A diligência e o automóvel 
•
A Ponte D. Maria (Porto)
O Ensino
A vida quotidiana
A vida quotidiana
A vida na cidade
A vida dos mais abastados
Jornalistas à porta do Café e Dama acompanhada pela alcoviteira 
•
O Povo –a carvoeira e a lavadeira
As Lavadeiras
Vendedoras de galinhas e de uvas
Negro caiador e aguadeiro
Servente da companhia de gás e vendedora de capachos
Pescadores
A agricultura tradicional e a agricultura mecanizada
As fábricas
O interior de uma mina
O Barco a vapor
A leitura do correio e a romaria
A desfolhada
O mercado de gado
A época –Lisboa do final de séc. XIX 
. As pessoas do campo rumavam para as grandes cidades, nomeadamente Lisboa, na tentativa de melhorar as condições de vida. O que provocou o crescimento da cidade. Estes homens ocupavam-se de trabalhos pesados, eram estivadores, pedreiros… 
. Os laços com o campo e os hábitos rurais permaneciam fortes e a cidade parecia asfixiante aos novos habitantes. 
. Lisboa tinha os primeiros candeeiros a gás (1848) e chegavam também ao chiado os primeiros candeeiros eléctricos(1878) 
. Grande parte das ruas eram de terra, malcheirosas e escuras. A muitas das vielas e escadinhas a civilização não chegara. 
. Nos bairros antigos a higiene era deplorável, havia animais domésticos e as casas estavam cheias de parasitas. 
. A rede de água não chegava a todas as casas. 
. Os contrastes entre ricos e pobres eram enormes. 
. No centro da cidade entre portais e vãos de escada, amontoavam-se cegos estropiados, crianças abandonadas e velhos paralíticos.
. Os albergues nocturnos abarrotavam de gente suja e esfarrapada 
. Os trabalhadores ganhavam salários irrisórios e estavam sempre à beira do desemprego 
. A sua ementa era insuficiente o que sustenta as altas taxas de mortalidade de Lisboa e Porto. A tuberculose e as pneumonias eram as doenças mais frequentes. 
. As condições de vida eram atrozes: sem condições de trabalho, sem dignidade, sem segurança… 
. Foi-se generalizando a ideia de que o Estado tinha de intervir na defesa dos mais desfavorecidos.
A Geração de 70 –Carlos da Maia 
•“Perante um mundo em mudança, estes jovens recém- formados, cultos e abastados, com o mundo a seus pés, desejam, fortemente, mudar Portugal e o mundo! Juram descobrir os males de toda a humanidade, empreender a viagem mais audaciosa de todas –a descoberta do ser humano no mais profundo do seu “eu”...
Do Ultrarromantismo ao Realismo
Contexto sócio-cultural 
século XIX –implantação do Liberalismo/ambiente de renovação cultural 
“Geração de 70”-um grupo de jovens que se caracteriza por: 
-inconformismo e rebeldia 
-desejo de renovação política, social e cultural do país 
-conflito com o velho sentimentalismo do Ultra-romantismo 
“Questão Coimbrã”: 
-a propósito de um poema romântico de Pinheiro Chagas, António Feliciano de Castilho critica a poesia de Antero e Teófilo; segue-se troca de folhetos em que as duas partes se debatem (1865/66) 
-Romantismo velho vs. Realismo novo
“Conferências Democráticas do Casino”: 
-proferidas com o objectivo de alertar para o estado de decadência do país e o seu afastamento em relação à Europa, considerada culta 
-apenas foram concretizadas 5 conferências, sendo as restantes proibidas pelo governo 
Realismo: 
uma nova expressão de arte 
gero do gosto romântico 
-atitude crítica em relação à sociedade, com o objectivo de reformar 
-temas da vida familiar, económica, cultural e social 
A narrativa, em especial o romance, é o melhor género para uma reflexão sobre o Homem e os seus problemas concretos: 
O Realismo é uma reacção contra o Romantismo 
-protesto contra o exagero romântico 
-acção complexa 
-descrição minuciosa 
-personagens do mundo real

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Do Ultrarromantismo ao Realismo

  • 1. Do ultrarromantismo ao realismo Almeida Garrett –1799 /1854 Feliciano Castilho –1800/1875 Antero de Quental –1842 /1891 Eça de Queirós –1845/1900 Cesário Verde –1855/1886
  • 4. . Em Portugal, o Realismo e o Naturalismo aparecem ligados a expressões como Questão Coimbrã, Cenáculo, Conferências do Casino, Geração de 70. Questão Coimbrã . Foi o passo inicial para a introdução de novas ideias. . Castilho representava a última vaga do ultrarromantismo, que se revelava já pobre, sem nada de novo a acrescentar, numa sociedade onde todos os dias entravam novas ideias, novos conceitos, novas realidades vindas da Europa. .“Castilhoerapoisoobstáculocomquehaviadetropeçaranovarebeldiadageraçãointelectualqueporvoltade1865seestavaformandoemCoimbra.Estageraçãojádesde1861vinhadandomostrasdoseupendorparaarebeldiaàdisciplinauniversitáriacomruidosostumultos,irreverênciaserevoltas–queindicavamclaramenteainconformidadedajuventudeacadémicacomosvaloresoficiaisdasociedadeemquevivia.
  • 5. A chamada questão coimbrã ou do « Bom senso e Bom gosto » foi a primeira manifestação importante desta Geração de 70. . A três personalidades muito diferentes coube a responsabilidade desta Questão: Antero de Quental, «Príncipe da Mocidade» coimbrã, Teófilo Braga e Castilho. Este último escreve numa carta-posfácio alguns ataques à juventude inquieta de Coimbra, nomeadamente, a Antero e Teófilo acusando-os de falta de bom senso e bom gosto; . Ora esta carta desencadeou uma resposta por parte de Antero que lança então o opúsculo, intitulado « Bom senso e Bom gosto ». Assim se opunha Lisboa e Coimbra. Os folhetos começaram a suceder-se dum e doutro lado. A luta entre os adeptos do Romantismo velho que morria e a juvenil rebelião do Realismo novo prolongou-se pelo ano de 1866. . A “Questão” embora aparentemente literária, denunciava incompatibilidades mais profundas. Os jovens reagiam contra a falsidade que representavam muitos outros aspetos da vida nacional.
  • 6. Conferências do Casino e Cenáculo . Cenáculo –designação por que é conhecida o grupo formado por alguns escritores e intelectuais pertencentes à geração de 1865, que se reunião em Lisboa, passados anos dos seus estudos em Coimbra, para discutir livremente os assuntos que apaixonavam essa mocidade atenta ao movimento de ideias do tempo. . Antero encaminhou a inquietação inconformista do grupo e deu-lhe forma e fim, surgindo então as Conferências do Casino. . As Conferências visavam abrir um debate sobre o que de mais moderno, a nível de pensamento, se vinha fazendo lá fora. Aproximar Portugal da Europa era o objetivo máximo, anunciado, aliás no respetivo programa. . Os seus objetivos eram: estudar serenamente a significação dos interesses políticos em jogo; investigar como a sociedade é e como ela devia ser; estudar todas as ideias e todas as correntes do século; estudar e preocupar-se sobretudo com a transformação social, moral e política dos povos; ligar Portugal com o movimento moderno. .
  • 7. Das várias conferências previstas, só se realizaram cinco, pois a partir da sexta, foram proibidas pelo governo, sob alegação que elas atacavam “ a religião e as instituições políticas do Estado” Esta proibição levantou uma enorme onda de protestos de novo encabeçada por Antero de Quental. De qualquer modo, entre os intelectuais portugueses, ficou o gérmen da modernidade do pensamento político, social, pedagógico e científico que se fazia sentir na Europa. Este espírito revolucionário e positivista dominava a maioria da jovem classe pensante.
  • 8. Realismo . A “Questão coimbrã” preparou o terreno para o aparecimento do Realismo, pois agitou as classes cultas e políticas, mostrando o enfeudamento de certos escritores ao regime político conservador. . As “Conferências do Casino” inauguraram o Realismo, lançando ao país os objetivos e as bases da nova estética. . O Romantismo foi a apoteose do sentimento, a expressão individual; o Realismo é a análise tendo em vista a verdade absoluta, a representação mimética objetiva da realidade exterior e a exaltação do ideal da impessoalidade. . A literatura realista deve banir o excesso de sentimento e a retórica oca superficial, isto é, abandonar o Romantismo. .A literatura realista deve inspirar-se nas correntes filosóficas e sociológicas para exprimir com verdade a real problemática do homem da sua época.
  • 9. . O realismo deve ser o mais objetivo possível. Para recriar a realidade com rigor e exatidão, o “eu” deve distanciar-se e evitar a intromissão do sentimento. . O realismo deve aliar-se ao naturalismo. A literatura naturalista é a expressão dos progressos da ciência. . O realismo pretende a reforma social; para isso, é necessário criticar o que está mal na sociedade: o ócio da alta burguesia, a depravação do clero, a ignorância da classe política, a educação retrógrada da juventude, os maus costumes, a imoralidade, os vícios e as taras. . A obra literária deve ser o reflexo da realidade; por isso, é preciso recriá-la em termos naturais, numa expressão desafetada. Os acontecimentos aparecem nas obras sem convencionalismos e com naturalidade. . Os realistas são mestres no desenho e no colorido; cuidam muito o aspeto formal da escrita. Impressionismo.
  • 10. O Impressionismo -movimento que surgiu em França no campo das artes plásticas na segunda metade do século XIX -principais representantes: Monet, Renoir, Pissaro, Cézanne, Degas -características mais significativas: utilização de cores puras/tonalidades ou impressões cromáticas/apreendidas em função da própria posição do contemplador do quadro -contornos esfumados -transposto para a literatura, manifesta-se no uso de um estilo pictórico, procurando dar as impressões globais e também isolar os elementos dessas impressões.
  • 12. O Naturalismo O Naturalismo é um período literário de base realista –uma espécie de realismo científico; -acentua as tendências temáticas e ideológicas do Realismo; -posicionamentos anti-românticos e anti idealistas; -objetivos de reforma social; -temas de índole social e cultural (educação, adultérios, opressão, etc.) e temperamentos perturbados ( análise de fenómenos como o alcoolismo, a histeria, o roubo, a loucura, o fanatismo, a luxúria, etc.); Ideologicamente o naturalismo fundamenta-se: -no positivismo –culto da indução e dos métodos experimentais, respeito pelas leis da Natureza; -no determinismo –afirma os factores de condicionamento do comportamento humano (a raça, o meio e o momento histórico). A narrativa, em especial o romance, é o melhor género para servir estes propósitos: -o tempo, a acção e a personagem permitem mostrar uma certa trajetória de comportamentos -a representação de um tempo retrospetivo propicia a pesquisa, no passado, de factos que expliquem esses comportamentos.
  • 13. Portugal do século XIX a vida, os costumes, as inovações...
  • 16. Inovações •Na agricultura: -Divisão da terra:: . Venda da terra à burguesia; .acaba-se o “morgadio”; . Dividem-se os baldios.
  • 17. Inovações •Exploração mineira: -cobre; ferro e carvão; -junto das minas, surgem novas povoações; -carvão –principal fonte de energia. •Indústria -Utilização de maquinaria ex: a máquina a vapor surgiu , pela primeira vez, em Portugal em 1835. –a industrialização permitiu baixas de custo dos produtos
  • 18. Transportes e Comunicações •O ministro Fontes Pereira de melo foi um dos principais responsáveis pela política de modernização. •(Fontismo)
  • 19. A inauguração do caminho de ferro e o comboio a vapor •
  • 20. A evolução da rede ferroviária •
  • 21. A diligência e o automóvel •
  • 22. A Ponte D. Maria (Porto)
  • 26. A vida na cidade
  • 27. A vida dos mais abastados
  • 28. Jornalistas à porta do Café e Dama acompanhada pela alcoviteira •
  • 29. O Povo –a carvoeira e a lavadeira
  • 32. Negro caiador e aguadeiro
  • 33. Servente da companhia de gás e vendedora de capachos
  • 35. A agricultura tradicional e a agricultura mecanizada
  • 37. O interior de uma mina
  • 38. O Barco a vapor
  • 39. A leitura do correio e a romaria
  • 41. O mercado de gado
  • 42. A época –Lisboa do final de séc. XIX . As pessoas do campo rumavam para as grandes cidades, nomeadamente Lisboa, na tentativa de melhorar as condições de vida. O que provocou o crescimento da cidade. Estes homens ocupavam-se de trabalhos pesados, eram estivadores, pedreiros… . Os laços com o campo e os hábitos rurais permaneciam fortes e a cidade parecia asfixiante aos novos habitantes. . Lisboa tinha os primeiros candeeiros a gás (1848) e chegavam também ao chiado os primeiros candeeiros eléctricos(1878) . Grande parte das ruas eram de terra, malcheirosas e escuras. A muitas das vielas e escadinhas a civilização não chegara. . Nos bairros antigos a higiene era deplorável, havia animais domésticos e as casas estavam cheias de parasitas. . A rede de água não chegava a todas as casas. . Os contrastes entre ricos e pobres eram enormes. . No centro da cidade entre portais e vãos de escada, amontoavam-se cegos estropiados, crianças abandonadas e velhos paralíticos.
  • 43. . Os albergues nocturnos abarrotavam de gente suja e esfarrapada . Os trabalhadores ganhavam salários irrisórios e estavam sempre à beira do desemprego . A sua ementa era insuficiente o que sustenta as altas taxas de mortalidade de Lisboa e Porto. A tuberculose e as pneumonias eram as doenças mais frequentes. . As condições de vida eram atrozes: sem condições de trabalho, sem dignidade, sem segurança… . Foi-se generalizando a ideia de que o Estado tinha de intervir na defesa dos mais desfavorecidos.
  • 44. A Geração de 70 –Carlos da Maia •“Perante um mundo em mudança, estes jovens recém- formados, cultos e abastados, com o mundo a seus pés, desejam, fortemente, mudar Portugal e o mundo! Juram descobrir os males de toda a humanidade, empreender a viagem mais audaciosa de todas –a descoberta do ser humano no mais profundo do seu “eu”...
  • 46. Contexto sócio-cultural século XIX –implantação do Liberalismo/ambiente de renovação cultural “Geração de 70”-um grupo de jovens que se caracteriza por: -inconformismo e rebeldia -desejo de renovação política, social e cultural do país -conflito com o velho sentimentalismo do Ultra-romantismo “Questão Coimbrã”: -a propósito de um poema romântico de Pinheiro Chagas, António Feliciano de Castilho critica a poesia de Antero e Teófilo; segue-se troca de folhetos em que as duas partes se debatem (1865/66) -Romantismo velho vs. Realismo novo
  • 47. “Conferências Democráticas do Casino”: -proferidas com o objectivo de alertar para o estado de decadência do país e o seu afastamento em relação à Europa, considerada culta -apenas foram concretizadas 5 conferências, sendo as restantes proibidas pelo governo Realismo: uma nova expressão de arte gero do gosto romântico -atitude crítica em relação à sociedade, com o objectivo de reformar -temas da vida familiar, económica, cultural e social A narrativa, em especial o romance, é o melhor género para uma reflexão sobre o Homem e os seus problemas concretos: O Realismo é uma reacção contra o Romantismo -protesto contra o exagero romântico -acção complexa -descrição minuciosa -personagens do mundo real