Portugal (1945 – 1982)
Estado Novo no pós –
guerra
Oposição ao Regime
Vitória das democracias na 2GM condiciona a acção do
Regime
Esforço para apresentar uma democratização aparente
do regime perante uma comunidade internacional no
ocidente, marcadamente democrática
Promessa da realização de “ eleição tão livres como na
livre Inglaterra ” por parte do regime
Criação do MUD – Movimento Unidade Democrática
Exigência de normalização das eleições, reformulação dos
cadernos eleitorais, liberdades democráticas
Desistência do MUD antes da data das eleições por falta de
condições, acção do regime que condiciona a capacidade
de intervir dos candidatos da oposição
A médio prazo…
No contexto da Guerra Fria, onde o anti-comunismo é
dominante no ocidente, o regime é progressivamente
aceite/tolerado, como demonstra a entrada na NATO
Ação dos movimentos de oposição:
Candidatura de Norton de Matos à Presidência
da República, pela oposição, em 1949, marcada pela
falta de condições democráticas
Candidatura de Humberto Delgado à Presidência da
República, pela oposição, em 1958
Coloca em causa o regime
Possui um significativo apoio popular
Profere a frase “ obviamente demito-o”, em relação a
António de Oliveira Salazar
Marcada pela falta de condições democráticas
Como conclusão:
Vitória de Américo Tomás, candidato do regime
Fraude eleitoral
Posterior assassinato de Humberto Delgado por
agentes da PIDE
Outros acontecimentos:
Carta do Bispo do Poro, D. António Ferreira
Gomes, extremamente crítica em relação ao regime
Conspiração da Sé – 1959
Revolta de Beja – 1961
Sequestro do navio Santa Maria por Henrique
Galvão - 1961
Estado Novo no pós – guerra
Caracterização:
Sector Agrícola
Atraso geral na actividade agrícola
Índices de produtividade baixos
Profundas assimetrias regionais
Sistemas de organização da terra ineficientes –
ex. rendeiros
Necessidade de alteração do quadro global da
agricultura
Resistência dos grandes latifundiários às
alterações
Manutenção de preços baixos e fraco
investimento
Défice agrícola perante as necessidades do país
Opção industrializadora dos anos 60 debilita a
agricultura
Progressivo abandono dos campos – surto
migratório…
Emigração
Crescimento populacional nas décadas de 30 e
40
Sobrepovoamento do país perante a actividade
económica existente – excesso de MO
Êxodo rural – tendo como destinos o litoral e o
estrangeiro
Cerca de dois milhões de portugueses emigram
entre 1946 e 1973
Fuga de população jovem devido à guerra
colonial
Predominância da emigração no Norte e Ilhas
A França como destino preferencial
Emigração clandestina transforma-se num factor
de despovoamento
Envio das remessas de emigrantes equilibra a
economia portuguesa e alivia possíveis tensões sociais
Indústria/Economia
Fracasso da política de autarcia
Dependência face ao estrangeiro
1945 – Lei do Fomento e Reorganização Industrial
Procura manter a autarcia
Como medida contraditória a entrada de Portugal na
OECE
Realização de Planos de Fomento
I Plano de Fomento (1953/1958)
Conjunto de investimentos públicos, construção de
infra-estruturas
II Plano de Fomento (1959/64)
Indústria transformadora de base (Siderurgia,
Refinação de Petróleo, Adubos)
A longo prazo abertura face à economia internacional:
Entrada na EFTA
Aceitação dos acordos do BIRD e FMI
Abertura à concorrência externa
Política económica do período Marcelista:
Grandes concentrações empresariais
Aposta no dinamismo empresarial de um conjunto
limitado de grandes empresários
Promoção de exportações
Crescimento urbano – devido a…
Consequência do êxodo rural
Situada no eixo Braga – Setúbal
Surgimento dos dormitórios, Grande Lisboa e Grande
Porto
Surgimento dos clássicos problemas da urbanidade
Política Ultramarina Portuguesa
Fases de desenvolvimento das colónias:
1ª Fase – Pré anos 50
Colonização de base agrícola
Incipiente presença branca
Reduzidos contactos internacionais
2ª Fase – anos 50
Utilização de Planos de Fomento
Reforço da presença branca
Abertura ao capital estrangeiro
Criação de infra-estruturas
Intensificação da exploração agrícola
Crescimento global da industrialização, ex.
indústria extractiva
3ª Fase – período da Guerra Colonial
Fase de maior dinamismo económico, cultural,
civilizacional
Maior presença de colonos
EEP_ Espaço económico português _ interligação
económica com a Metrópole
Política Ultramarina Portuguesa – Caracterização
geral
Persiste a autoridade branca nas colónias
portuguesas
Recusa de soluções de compromisso com os
movimentos nacionalistas
Política de reforço da autoridade portuguesa
Importância moral, política e económica das
colónias para o regime
Acontecimentos
Na revisão constitucional de 1951 o termo
colónia é substituído por província
Portugal como estado pluricontinental e
multiracial
“Do Minho a Timor”
Recusa de um plebiscito sobre o
reconhecimento da autodeterminação
Política do “orgulhosamente sós” perante as
descolonizações africanas e a pressão internacional
A ONU condena sistematicamente a política colonial
portuguesa
Resolução 1514, de Dezembro de 1960, condena o
colonialismo, abre caminho às descolonizações
africanas e considera Portugal e as suas colónias
inseridas nesse contexto
Fevereiro de 1961 – Inicia-se a Guerra Colonial em
Angola
Dezembro de 1961 – Invasão de Goa, Damão e Diu
pela união Indiana
Guerra Colonial
António de Oliveira Salazar afirma “ para Angola,
rapidamente e em força”, dando início à intervenção
portuguesa que irá durar até 1974
Em Angola:
Movimentos independentistas:
UPA/FNLA – União dos Povos do Norte de Angola – Frente
de Libertação de Angola
MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola –
Fundado em 1955 por Agostinho Neto, apoiado pela URSS,
combate no norte de Angola
UNITA – União Nacional para a Independência Total de
Angola, fundada em 1966 por Jonas Savimbi, combatendo
no interior leste
Na Guiné:
Luta inicia-se em 1963, liderada pelo PAIGC –
(Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo
Verde) fundado em 1956 por Amílcar Cabral
Controla partes importantes do território e
declara a independência em 1973
Em Moçambique:
D eclara a guerra em 1963
Acção da FRELIMO – Frente de Libertação de
Moçambique, fundada em 1962 por Eduardo
Mondlane, assassinado em 1969, liderada
posteriormente por Samora Machel

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Estado Novo de 45 a 74 (2).pdf trabalho dado pelo professor

  • 1. Portugal (1945 – 1982) Estado Novo no pós – guerra Oposição ao Regime Vitória das democracias na 2GM condiciona a acção do Regime Esforço para apresentar uma democratização aparente do regime perante uma comunidade internacional no ocidente, marcadamente democrática Promessa da realização de “ eleição tão livres como na livre Inglaterra ” por parte do regime
  • 2. Criação do MUD – Movimento Unidade Democrática Exigência de normalização das eleições, reformulação dos cadernos eleitorais, liberdades democráticas Desistência do MUD antes da data das eleições por falta de condições, acção do regime que condiciona a capacidade de intervir dos candidatos da oposição
  • 3. A médio prazo… No contexto da Guerra Fria, onde o anti-comunismo é dominante no ocidente, o regime é progressivamente aceite/tolerado, como demonstra a entrada na NATO Ação dos movimentos de oposição: Candidatura de Norton de Matos à Presidência da República, pela oposição, em 1949, marcada pela falta de condições democráticas
  • 4. Candidatura de Humberto Delgado à Presidência da República, pela oposição, em 1958 Coloca em causa o regime Possui um significativo apoio popular Profere a frase “ obviamente demito-o”, em relação a António de Oliveira Salazar Marcada pela falta de condições democráticas
  • 5. Como conclusão: Vitória de Américo Tomás, candidato do regime Fraude eleitoral Posterior assassinato de Humberto Delgado por agentes da PIDE Outros acontecimentos: Carta do Bispo do Poro, D. António Ferreira Gomes, extremamente crítica em relação ao regime Conspiração da Sé – 1959 Revolta de Beja – 1961 Sequestro do navio Santa Maria por Henrique Galvão - 1961
  • 6. Estado Novo no pós – guerra Caracterização: Sector Agrícola Atraso geral na actividade agrícola Índices de produtividade baixos Profundas assimetrias regionais Sistemas de organização da terra ineficientes – ex. rendeiros Necessidade de alteração do quadro global da agricultura
  • 7. Resistência dos grandes latifundiários às alterações Manutenção de preços baixos e fraco investimento Défice agrícola perante as necessidades do país Opção industrializadora dos anos 60 debilita a agricultura Progressivo abandono dos campos – surto migratório…
  • 8. Emigração Crescimento populacional nas décadas de 30 e 40 Sobrepovoamento do país perante a actividade económica existente – excesso de MO Êxodo rural – tendo como destinos o litoral e o estrangeiro Cerca de dois milhões de portugueses emigram entre 1946 e 1973 Fuga de população jovem devido à guerra colonial
  • 9. Predominância da emigração no Norte e Ilhas A França como destino preferencial Emigração clandestina transforma-se num factor de despovoamento Envio das remessas de emigrantes equilibra a economia portuguesa e alivia possíveis tensões sociais
  • 10. Indústria/Economia Fracasso da política de autarcia Dependência face ao estrangeiro 1945 – Lei do Fomento e Reorganização Industrial Procura manter a autarcia
  • 11. Como medida contraditória a entrada de Portugal na OECE Realização de Planos de Fomento I Plano de Fomento (1953/1958) Conjunto de investimentos públicos, construção de infra-estruturas II Plano de Fomento (1959/64) Indústria transformadora de base (Siderurgia, Refinação de Petróleo, Adubos)
  • 12. A longo prazo abertura face à economia internacional: Entrada na EFTA Aceitação dos acordos do BIRD e FMI Abertura à concorrência externa Política económica do período Marcelista: Grandes concentrações empresariais Aposta no dinamismo empresarial de um conjunto limitado de grandes empresários Promoção de exportações
  • 13. Crescimento urbano – devido a… Consequência do êxodo rural Situada no eixo Braga – Setúbal Surgimento dos dormitórios, Grande Lisboa e Grande Porto Surgimento dos clássicos problemas da urbanidade
  • 14. Política Ultramarina Portuguesa Fases de desenvolvimento das colónias: 1ª Fase – Pré anos 50 Colonização de base agrícola Incipiente presença branca Reduzidos contactos internacionais
  • 15. 2ª Fase – anos 50 Utilização de Planos de Fomento Reforço da presença branca Abertura ao capital estrangeiro Criação de infra-estruturas Intensificação da exploração agrícola Crescimento global da industrialização, ex. indústria extractiva
  • 16. 3ª Fase – período da Guerra Colonial Fase de maior dinamismo económico, cultural, civilizacional Maior presença de colonos EEP_ Espaço económico português _ interligação económica com a Metrópole
  • 17. Política Ultramarina Portuguesa – Caracterização geral Persiste a autoridade branca nas colónias portuguesas Recusa de soluções de compromisso com os movimentos nacionalistas Política de reforço da autoridade portuguesa Importância moral, política e económica das colónias para o regime
  • 18. Acontecimentos Na revisão constitucional de 1951 o termo colónia é substituído por província Portugal como estado pluricontinental e multiracial “Do Minho a Timor” Recusa de um plebiscito sobre o reconhecimento da autodeterminação Política do “orgulhosamente sós” perante as descolonizações africanas e a pressão internacional
  • 19. A ONU condena sistematicamente a política colonial portuguesa Resolução 1514, de Dezembro de 1960, condena o colonialismo, abre caminho às descolonizações africanas e considera Portugal e as suas colónias inseridas nesse contexto Fevereiro de 1961 – Inicia-se a Guerra Colonial em Angola Dezembro de 1961 – Invasão de Goa, Damão e Diu pela união Indiana
  • 20. Guerra Colonial António de Oliveira Salazar afirma “ para Angola, rapidamente e em força”, dando início à intervenção portuguesa que irá durar até 1974 Em Angola: Movimentos independentistas: UPA/FNLA – União dos Povos do Norte de Angola – Frente de Libertação de Angola MPLA – Movimento Popular de Libertação de Angola – Fundado em 1955 por Agostinho Neto, apoiado pela URSS, combate no norte de Angola UNITA – União Nacional para a Independência Total de Angola, fundada em 1966 por Jonas Savimbi, combatendo no interior leste
  • 21. Na Guiné: Luta inicia-se em 1963, liderada pelo PAIGC – (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) fundado em 1956 por Amílcar Cabral Controla partes importantes do território e declara a independência em 1973 Em Moçambique: D eclara a guerra em 1963 Acção da FRELIMO – Frente de Libertação de Moçambique, fundada em 1962 por Eduardo Mondlane, assassinado em 1969, liderada posteriormente por Samora Machel